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Ano 15

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dez2012

www.teletime.com.br

para onde vai a internet? Mercado Com chegada do LTE, popularização de smartphones e queda de preços, 3G ganha impulso no Brasil

Diretor do Google Brasil, Marcel Leonardi fala em entrevista sobre neutralidade e políticas de segurança. Em Dubai, conferência termina com UIT dividida e tratado enfraquecido; enquanto no Brasil, Marco Civil enfrenta adiamentos

banda larga Com poucos resultados, governo já começa a arquitetar repaginação do PNBL para universalizar o serviço


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Presidente Rubens Glasberg Diretores Editoriais André Mermelstein Claudiney Santos Samuel Possebon (Brasília) Diretor Comercial Manoel Fernandez Diretor Financeiro Otavio Jardanovski

Editor Samuel Possebon Editora Adjunta e Editora de Projetos Especiais Letícia Cordeiro Editor de Mobilidade Fernando Paiva (Rio de Janeiro) Redação Bruno do Amaral, Wilian Miron, Helton Posseti (Brasília), Roseli Andrion (colaboradora) e Leandro Sanfelice (Vídeo repórter) Consultor Especial Cláudio Dascal Arte Edmur Cason (Direção de Arte); Rubens Jardim (Produção Gráfica); Geraldo José Nogueira (Edit. Eletrônica); Débora Harue Torigoe (Assistente); Alexandre Barros (Colaborador); Bárbara Cason (Colaboradora) Departamento Comercial Bruna Zuolo (Ger. de Negócios) Ivaneti Longo (Assistente) Inscrições e Assinaturas Gislaine Gaspar (Gerente) Circulação Patricia Brandão (Gerente) Marketing Harumi Ishihara (Diretora) Gisella Gimenez (Gerente) Administração Vilma Pereira (Gerente) TELETIME é uma publicação mensal da Converge Comunicações - Rua Sergipe, 401, Conj. 603 CEP: 01243-001 - Telefone: (11) 3138-4600 e Fax: (11) 3257-5910 - São Paulo, SP. Sucursal SCN Quadra 02 Bloco D, sala 424 – Torre B - Centro Empresarial Liberty Mall - CEP: 70712-903 - Fone/ Fax: (61) 3327-3755 - Brasília, DF. Jornalista Responsável Rubens Glasberg (MT 8.965) Impressão Ipsis Gráfica e Editora S.A. Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A

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Samuel Possebon

FOTO: arquivo

.:Editorial

samuca@con­ver­ge­com.com.br

E a neutralidade?

O

tema “neutralidade” ganhou certa notoriedade nos últimos meses, seja em função dos debates acalorados sobre o Marco Civil da Internet, seja por conta da Conferência Mundial de Telecomunicações Internacionais, realizada em dezembro em Dubai, seja pela campanha viral promovida pelo Google com o nome de “Take Action”. Se o assunto ainda não se tornou popular a ponto de ser discutido em padarias ou bares, já começa a repercutir com grande espaço na blogosfera, redes sociais e na grande imprensa. Aqui, discutimos isso há algum tempo. Recomendo aos interessados que releiam matéria sobre isso escrita em dezembro de 2011 (está aberta em nosso site). Mas quando perguntam qual a posição da TELETIME sobre neutralidade, eu costumo responder: “não temos”. E explico: de que neutralidade estamos falando? Neutralidade da rede física, das aplicações, dos conteúdos? Nesse ambiente propício a palpites das mais variadas formas, é sempre bom olhar o problema sob vários ângulos. Como empresa jornalística, nosso primeiro compromisso é com o interesse público, sempre. Mas como editora com títulos voltados aos mercados de telecomunicações, televisão, produção audiovisual, mobilidade e TI, somos cotidianamente obrigados a olhar a realidade de cada um desses setores. Pode-se advogar a neutralidade de todas as redes de telecomunicações. Nos termos de uma das formulações sobre neutralidade, a que está no Marco Civil, não seria permitida nenhuma priorização ou diferenciação de tráfego por nenhuma razão que não fosse a técnica. Levando ao extremo: e o espectro? Não existe nenhum bem no universo das telecomunicações e das tecnologias de informação mais público e mais valioso do que o espectro. É possível pensar em neutralidade do espectro da radiodifusão, da telefonia celular ou das comunicações ponto-a-ponto? Sim, mas seria necessário reformar completamente os modelos hoje praticados. No caso da radiodifusão, as emissoras perderiam o espectro e contratariam os serviços de um operador público de rede. No caso das empresas celulares, todas seriam operadoras virtuais. Possível? Sim, e talvez fossem até modelos melhores, mas a realidade hoje é outra. Ou o espectro poderia virar uma grande rede Wi-Fi, onde quanto mais gente usa, pior fica a qualidade. Mas estamos falando da Internet, uma rede livre de comunicação entre terminais que surgiu do desejo dos proprietários desses terminais de se comunicarem entre si por um protocolo comum. A partir daí, dez_2012 Teletime 3

o que se viu foi o surgimento de milhares de modelos de negócios, cada um com seus problemas e vantagens. “Mas o problema aqui é as teles decidirem, com base em acordos comerciais, o que trafega e o que não trafega na rede”, dizem. Concordo. Nenhuma empresa deve decidir pelos conteúdos a que um usuário de Internet vai ter acesso a não ser o próprio usuário. Mas alguns serviços hoje já não são neutros e, ainda assim, atendem ao interesse dos usuários. Um telefone IP instalado em uma rede banda larga tem tráfego priorizado. Um serviço de IPTV tem tráfego priorizado. Um link dedicado tem tráfego priorizado. Que neutralidade é essa? A rede IP é a mesma, seja para Internet, seja para aplicações dedicadas. Como um cobertor, se puxar de um lado, vai faltar do outro. Mas e se uma tele móvel oferece acesso gratuito no uso de determinadas aplicações? A TIM, por exemplo, fez isso com o aplicativo do Facebook, com grande sucesso, como bem lembrou o entrevistado do Google nessa edição. Se a regra de neutralidade estivesse valendo, talvez esse tipo de modelo não fosse possível, lembra Marcel Leonardi, diretor de políticas públicas no Brasil da maior empresa mundial de Internet. Não se pode confundir neutralidade com rede aberta. Impedir conteúdos e aplicações na Internet é absurdo, e certamente é um problema que os próprios usuários saberão enfrentar, seja burlando os bloqueios técnicos, seja mudando para um provedor de rede que não pratique a mesma política. E se a tele fechar com a Netflix um serviço que garanta a entrega do conteúdo com grande qualidade, quebrando a neutralidade em relação aos serviços que usam a rede na base do melhor esforço? Pode ser um problema, pois os demais conteúdos ficariam relegados ao que sobrar da rede. Verdade. Mas é preciso lembrar que o restante da rede está sujeito a uma regra de qualidade imposta pela Anatel. Cabe sim cobrar da agência que faça cumprir esses parâmetros e assegurar que o “melhor esforço” esteja dentro do previsto nas regras. É preciso lembrar que a rede já funciona assim: uma pessoa que tem uma rede de 100 Mbps em casa, e paga por isso, tem um “melhor esforço” muito melhor do que quem tem 1 Mbps. Nessa discussão de neutralidade é preciso bom senso. Alguns modelos, já estabelecidos, não podem ser mudados tão facilmente. Não existe posição absoluta. Na economia da Internet, as redes dependem dos conteúdos, os conteúdos dependem das aplicações e todos dependem do usuário.


161 Número

w w w . t e l e t i m e . c o m . b r

Ano 15 | Dez12

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Banda Larga

6 Ritmo frio

Prestes a completar três anos, o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) não engrenou como o governo esperava e já deverá sofrer uma revisão em 2013 para promover a universalização do serviço.

Capa

12 18

Para onde vai a Internet? Gigante na influência O diretor de políticas públicas e relações governamentais do Google do Brasil, Marcel Leonardi, explica o que a empresa pensa sobre temas como neutralidade e políticas de segurança.

Questão de acordo Envolta em polêmicas, Conferência em Dubai fracassou após duas semanas recheadas de indefinições, com Estados Unidos e Europa como fortes opositores. No Brasil, Marco Civil acabou ficando para 2013.

Mercado

24 Fôlego de sobra 6

18

Mesmo com a chegada do LTE, tecnologia 3G ainda mostra grande crescimento com a popularização de smartphones, redução de preços e troca de portfólios. Rede 2G deve ser desligada em sete anos.

Serviços móveis

28 A era das máquinas

Esperando a regulamentação do Fistel que desonera taxas para comunicação máquina-a-máquina (M2M), mercado espera poder aproveitar a onda de crescimento no setor e consolidar a “Internet das coisas”.

Regulamentação

32 Acesso complicado

Duas empresas já estão prontas para começar a testar o LTE na banda de 450 MHz, destinada a áreas rurais, mas outras faixas do espectro podem ser utilizadas.

24

34

33 Rede para todos Anatel já coloca em consulta pública as regras para uso das femtocells, que deverão contar com modelo livre de negócios para as operadoras e isenção do Fistel.

Satélite

34 Mais cobertura espacial Star One aumenta a cobertura na América Latina com o lançamento do satélite C3, que cobre inclusive a região do pré-sal. Mas planos da empresa, que já fez parte da Embratel quando esta ainda era uma estatal, não param por aí.

Editorial 3 | Ponto de vista 32 | Contraponto 34 Ilustração de Capa: MACHKAZU/shutterstock.com

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.:Banda larga

Wilian Miron

miron@convergecom.com.br

Passos lentos

PNBL completa três anos em 2013 sem muitas realizações. Governo começa a rever o programa para universalizar o acesso à banda larga.

FOTO: arquivo

números contrastam com o mercado vasto que esta empresa tem para explorar e com as expectativas iniciais. Dos três mil provedores de Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) autorizados pela Anatel, um terço chegou a procurar a Telebras interessado em usar a rede de cabos da estatal. A maioria, no entanto, ainda aguarda que a empresa tenha disponibilidade de oferecer o acesso no atacado em suas regiões de atuação. “As áreas com o maior número de interessados eram o Nordeste e o Sul. Mas só agora estamos começando a entregar serviço nestas localidades”, reconhece Caio Bonilha, presidente da estatal. Ele explica que o cumprimento das metas iniciais foi prejudicado por conta de atrasos na construção da rede ótica da empresa. “Tivemos embargos de obras, questão de licenças e problemas com energia elétrica, porque algumas áreas que atendemos são ermas”.

3d brained/shutterstock.com

O

programa idealizado em 2010 pelo Governo Federal para massificar o acesso à banda larga vai completar três anos em maio de 2013. Mas os resultados da principal vitrine do governo para a área de telecomunicações aparentemente dão poucos motivos a comemorar: a maior façanha do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL) foi a conquista de pouco mais de um milhão de adesões aos planos oferecidos por operadoras concessionárias, nos quais 1 Mbps custa entre R$ 29,90 e R$ 35. Este número, no entanto, exclui as ofertas de empresas como Net Serviços e GVT, que estão isentas das obrigações com o PNBL, mas também têm pacotes de banda larga de baixo custo. A Telebras, reativada em 2010 para ser o braço operacional das políticas estatais para a inclusão digital e a massificação da Internet, teve um desempenho abaixo do inicialmente estimado e deve encerrar este ano com 600 municípios atendidos com ofertas de acesso no atacado. Pouco, se levado em consideração que as metas iniciais do programa eram levar banda larga a cem municípios ainda em 2010 e ampliar para 1.163 municípios a quantidade de locais atendidos pelo programa em 2011. A oferta de capacidade no atacado, que inicialmente era a principal ação do PNBL, chegou a 932 cidades, incluindo as ofertas desta modalidade de acesso feita pelas teles. Durante a concepção do plano, a proposta foi pensada justamente para facilitar a vida dos provedores regionais de Internet e, desta maneira, estimular a concorrência no interior do País. Mas, desde o início do Programa Nacional de Banda Larga, a meta para atendimento de municípios foi gradativamente reduzida, e só deve ser alcançada ao longo do próximo ano, após a inauguração do trecho

Sudeste do anel de fibras óticas da Telebras. Soma-se a isto o fato de ainda não ter sido resolvido o problema das 2.435 cidades onde o governo havia identificado um mercado ‘monopolista’ na oferta de banda larga, seja no varejo ou no atacado. Com dois anos e meio desde que foi criada, a Telebras conseguiu celebrar 153 contratos comerciais para venda de banda larga no atacado. Destes, apenas 78 provedores de Internet são de fato atendidos com a conexão. Os

O que aconteceu até agora? Ironicamente, os resultados mais palpáveis do PNBL, até agora, vieram das teles. Em setembro deste ano, a banda larga popular oferecida pelas empresas como parte do Termo de Compromisso do PNBL, celebrado em junho de 2011 com o governo, chegava a 2.284 municípios. A Telebras, por sua vez, tem capacidade para atender com acesso no atacado menos de um quarto das cidades onde há ofertas do PNBL. “Com recursos limitados, da Telebras e dos provedores, era necessário contar com as operadoras”, diz Bonilha. Mesmo assim, o presidente da estatal demonstra acreditar na influência da Telebras no barateamento do acesso, tanto no atacado quanto no varejo, e

“Com recursos limitados, da Telebras e dos provedores, era necessário contar com as operadoras.” Caio Bonilha, da Telebras 6 Teletime dez_2012


“Após o anúncio do PNBL, só a perspectiva de haver concorrência nestes mercados fez o preço cair.”

mais intensidade o serviço, até setembro deste ano o ritmo de conexões caiu 17%. No primeiro trimestre de 2012, por exemplo, foram ativadas 380 mil assinaturas de Internet em banda larga nos moldes do PNBL. E, no terceiro trimestre, foram apenas 310 mil ativações. Outro indicador de que as coisas não caminham como o planejado é a quantidade de desconexões da banda larga popular. Entre julho e setembro deste ano, houve o cancelamento de 154 mil contratos da banda larga nos moldes do PNBL. No trimestre anterior, aproximadamente 83 mil clientes deixaram de usar esta modalidade de Internet em banda larga. Em oito meses, 317 mil clientes já pediram o desligamento do serviço, ou migraram para pacotes mais caros. Numa separação dos acessos ao programa de banda larga de baixo custo por regiões, fica nítido que o serviço é mais forte no Sudeste, coincidentemente, onde há maior concentração de renda: em FOTO: divulgação

alega que em algumas cidades o custo do megabit caiu 80%. “Com a reativação da Telebras, as operadoras saíram da zona de conforto e passaram a praticar preços mais aceitáveis para o mercado”. Antônio Eduardo Neger, da Abranet O balanço do programa que consolida os dados até setem1.892 cidades atendidas; a bro, divulgado pela Anatel, mostra que Telefônica/Vivo tem o serviço na oferta de acesso no atacado a Oi, conem 370 localidades; e a CTBC cessionária das regiões 1 e 2, atende com atende com ofertas de varejo a 20 munieste produto a 544 cidades. A Telefônica/ cípios. A pequena Sercomtel provê a Vivo, limitada ao Estado de São Paulo, banda larga do PNBL nas cidades paraatua desta maneira em outros 368 muninaenses de Londrina e Tamarana. cípios. A CTBC, que opera em cidades de Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul Resultados e São Paulo, tem acesso no atacado em Mas a cobertura geográfica não se outras 15 localidades. Lembrando que a traduziu em um número expressivo de oferta no atacado prevista como obrigaadesões. A oferta de banda larga pelos ção das concessionárias privadas é limimoldes do PNBL era de pouco mais de tada em termos de capacidade e só um milhão de clientes até setembro, e o atende aos primeiros da fila. A oferta da ritmo de conexão de novos assinantes Telebras, comercializada em links de da banda larga pelo PNBL vem dimi1 Mbps (que deve ter a cobertura duplinuindo gradativamente. cada em 2013), não tem limite. Desde o final de 2011, quando as Já nas ofertas de varejo, a cobertura operadoras começaram a vender com das teles privadas é de, no caso da Oi,


.:Banda larga o acesso ao serviço é mais forte no Sudeste, coincidentemente, onde há maior concentração de renda. 2010, dado mais recente divulgado pelo IBGE, ela detinha 55,4% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. E é justamente nesta região onde a competição entre as operadoras é maior e, por tanto, havia uma tendência de queda nos preços mesmo sem a existência do PNBL. Até o final de setembro, havia 907 mil contratos nos moldes do programa. Destes, 819 mil estão no estado de São Paulo, onde também havia, desde 2009, a previsão estadual de isenção de ICMS para pacotes de banda larga popular. Em seguida na ordem de regiões com mais acesso à banda larga popular está a região Nordeste, com 77 mil assinaturas. Já o Sul do País fica pouco atrás, com 59 mil conexões do serviço. Esses números contrastam com o objetivo inicial do governo, de conectar as áreas menos densas e mais carentes de acesso. A região Norte, por exemplo, aparentemente continua desassistida de infraestrutura e, consequentemente, do serviço: tem apenas 30 mil assinantes da banda larga do PNBL. E, por fim, o CentroOeste, onde se encontra a maior parte dos contratos firmados pela Telebras, é onde há menor penetração do PNBL, com apenas 16 mil acessos ao serviço. Até aqui, o principal efeito do Programa para os provedores foi um barateamento no custo do capacidade em algumas cidades onde estava prevista a chegada da estatal. “Após o anúncio do PNBL, só a perspectiva de haver concorrência nestes mercados fez o preço cair”, garante Antônio Eduardo Neger, presidente da Abranet, associação que representa os provedores de Internet. Segundo ele, em alguns casos houve “redução de 40% no valor cobrado dos provedores pelas concessionárias”. Nos mercados onde há duas ou mais empresas atuando, o custo para o provedor pode ser mais barato nas concessionárias que exploram a infraestrutura local do que na Telebras. “A presença dela faz mais sentido em regiões mais distantes, porque em alguns casos, onde tem competição, ela não se sustenta”, disse Neger.

Total de municípios atendidos pelo PNBL 2.282

Obs. As áreas plotadas representam o território total dos municípios atendidos com ofertas de varejo do PNBL pelas concessionárias, e não apenas o perímetro urbano. Fonte: Anatel, 2012.

O que falta fazer

A

s propostas originais para o Programa Nacional de Banda Larga não se limitavam às ofertas no atacado e no varejo, feitas pelas operadoras ou pela Telebras. Segundo o Ministério das Comunicações, outras iniciativas têm sido tomadas a fim de massificar o uso da banda larga. Entre elas está a lei de instalação de infraestrutura de telecomunicações. O problema deste assunto, que tramita no Senado, é saber se haverá conflito de constitucionalidade com relação à competência para legislar sobre a instalação de antenas e outros equipamentos que possam interferir em questões urbanísticas ou ambientais dentro das cidades. Esta questão foi tema de reportagem de TELETIME há poucos meses. Outra iniciativa do governo é o decreto de implantação conjunta de infraestrutura e direito de passagem. Segundo o Minicom, a edição de uma medida sobre este tema depende das discussões internas no governo, que estão “avançadas”. Em cima deste assunto, vários órgãos públicos apresentaram propostas, entre eles o Ministério dos Transportes, de Minas e Energia, das Cidades, do Planejamento e entidades vinculadas a esses diferentes órgãos. “Os trabalhos estão sendo coordenados pela Casa Civil”, diz o Ministério das Comunicações em nota. Há também as iniciativas do governo para a construção de anéis óticos que interliguem o Brasil a outros países. A ideia é que sejam construídas cinco redes deste tipo. A primeira delas será o anel ótico sul-americano, que vai ligar 12 países da América do Sul aos Estados Unidos, por meio de cabos submarinos. O projeto já tem o aval dos ministros das Comunicações dos Países Sul-Americanos (Unasul). “E, agora, está em discussão em grupos de trabalho da entidade para que questões técnicas e peculiaridades referentes a cada país sejam resolvidas”. Os outros quatro cabos submarinos que o governo promete instalar vão ligar o País aos Estados Unidos, Europa, África e porção sul da América do Sul. Estes projetos estão em fase de discussão entre a Telebras e empresas parceiras nas obras e, a intenção é que eles aumentem as saídas internacionais de dados do território brasileiro e melhorem a velocidade do tráfego de dados e também reduzam os custos ao consumidor. Caio Bonilha, presidente da Telebras, afirma que a construção destes cabos internacionais vai baixar o custo do acesso à Internet. “Ele é o nosso principal insumo”.

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.:Banda larga

Meta é a universalização Governo começa a falar em repaginação do Programa para levar acesso à Internet a toda a população. dimentos de tecnologia da informação (TI) e provedores locais. Fora isto, segundo o próprio ministro das Comunicações, técnicos da pasta têm se debruçado sobre os resultados do programa, analisando o que deu certo e o que não deu, para criar a nova versão da política estatal para a democratização do acesso à Internet de alta velocidade no País. “De 2010 até agora muita coisa mudou, e precisamos adequar o plano a essas realidades”, comentou. De concreto para esta nova fase do PNBL, segundo Paulo Bernardo, está o uso da banda larga móvel para aumentar com mais rapidez o número de brasileiros usando a Internet. “Sem dúvidas precisaremos incentivar o uso dessas tecnologias para se chegar a lugares onde ainda não é possível com redes físicas”. Outro ponto que parece

fechado para 2013 é o aumento das velocidades oferecidas. Segundo Caio Bonilha, da Telebras, parte do plano é levar até a metade de 2013 velocidades de 2 Mbps pelos mesmos preços cobrados hoje na assinatura do acesso dentro do programa. E, um ano depois, pretende-se levar 4 Mbps ou 5 Mbps por este valor. Mas quais serão as velocidades oferecidas no PNBL “ainda vai depender de definições”, comenta. Ainda a ser esclarecida está a intenção do Minicom de incluir no programa de universalização da banda larga algum mecanismo de incentivo ao uso das redes elétricas como condutoras de banda larga. A ideia, como já sinalizou o ministro, é usar estas redes para levar o serviço em locais onde ainda não existe cobertura de operadoras e nem da Telebras, mas há rede elétrica chegando às residências. O grande problema desta ideia é o fato de ser necessária uma coordenação complexa entre dois ministérios, o das Comunicações de um lado e de outro o das Minas e Energia, além de limitações da própria tecnologia de PLC. Um primeiro passo viria com a desoneração de equipamentos para redes elétricas inteligentes (smartgrids). 

pnbl 2.0 deve ser editado em 2013 com metas de velocidades que podem chegar a 4 MBPs ou 5 mbps.

“De 2010 até agora muita coisa mudou, e precisamos adequar o plano a essas realidades.” Paulo Bernardo, Minicom

FOTO: arquivo

A

pós quase três anos desde a reativação da Telebras e a inclusão das teles no programa, nos últimos meses o Minicom tem acenado com uma repaginação do Programa Nacional de Banda Larga. Trata-se do PNBL 2.0, que deve ser editado em 2013. Nele, segundo o governo, a meta será mais agressiva: “a universalização”, diz o ministro Paulo Bernardo, sem explicar de maneira contundente o que será feito para dar ao serviço o status de universal. As primeiras articulações sobre as novas investidas do governo sobre o assunto já começaram. Em novembro, o Ministério das Comunicações assinou acordos de cooperação técnica para criar o Programa Redes Digitais da Cidadania, para apoiar projetos de inclusão digital com a participação de universidades federais e estaduais. O ministro sinalizou que o programa servirá de base para o PNBL 2.0, apoiando projetos de inclusão digital, como capacitação de técnicos e gestores municipais no uso das tecnologias das informação e comunicação (TICs); capacitação de micro e pequenas empresas no uso das TICs para melhoria da competitividade; apoio à qualificação do uso dos equipamentos públicos de acesso à Internet; profissionalização nas cadeias produtivas da agricultura familiar; TICs direcionadas ao trabalho, emprego e renda; e apoio ao desenvolvimento de produtos e serviços em microempreen-

Metas pendentes

A

s mudanças que começam a ser desenhadas no Programa Nacional de Banda Larga acontecem antes mesmo de se alcançar as metas e o ciclo da massificação da banda larga previstos pelo governo no lançamento do PNBL 1.0. A intenção era atender a 40 milhões de domicílios com o serviço de banda larga fixa em 2014. Hoje, segundo os dados mais recentes da Anatel, há cerca de 20 milhões de acessos fixos, dos quais 1,7 milhões foram introduzidos nos últimos 12 meses. Do ponto de vista da infraestrutura estatal de suporte ao PNBL, a Telebras acendeu em novembro mais 4,6 mil km de fibras interligando nove Estados da região Nordeste a Brasília. Segundo a

empresa, de imediato, essa infraestrutura é capaz de atender a 20 milhões de moradores em 51 cidades e três regiões metropolitanas. Entretanto, a oferta ao consumidor final deve acontecer através de provedores regionais interessados em participar do programa. Esta rede será dividida em dois trechos. O primeiro interligará diretamente Brasília (DF), Palmas (TO), Imperatriz (MA), Teresina (PI), e ainda Sobral, Fortaleza e Região Metropolitana, no Ceará. O segundo sai de Fortaleza e passa por todo o litoral nordestino: Mossoró e Natal, no Rio Grande do Norte; João Pessoa e Campina Grande, na Paraíba; Recife e Região Metropolitana, em Pernambuco; Aracaju, em Sergipe; e Salvador e Região Metropolitana, na Bahia.

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PRA MIM, NÃO É SÓ DAR O PASSE PERFEITO, NO MOMENTO CERTO, QUE MUDA TUDO. O QUE MUDA TUDO É A BUSCA PELA SUPERAÇÃO. A mesma coisa que move os melhores atletas do Brasil também move o SEDEX. Não é à toa que a gente sempre se supera para continuar sendo líder no País inteiro.

Alexandra, eleita a melhor ponta direita do handebol feminino, na Olimpíada de Londres em 2012

SÓ ALEXANDRA É ALEXANDRA. SÓ SEDEX É SEDEX.


.:capa

Samuel Possebon

samuca@convergecom.com.br

O fator Google

N

os debates sobre o Marco Civil da Internet e, mais recentemente, em função das discussões realizadas na Conferência Mundial de Telecomunicações Internacionais (WCIT-12), em Dubai, um personagem acabou ganhando notoriedade: o Google. A maior empresa de Internet do mundo resolveu colocar seus argumentos na mesa e entrar em discussões pesadas, ora tendo como antagonistas as teles, ora os grupos de mídia. Em diversas ocasiões, o Google foi usado pelo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, como sinônimo de grandes interesses por trás do Marco Civil. E, de fato, esse é um processo do qual a empresa norte-americana está participando desde o começo (de maneira aberta, diga-se de passagem, com comentários públicos). O fato é que hoje as opiniões e posições institucionais das empresas de Internet em geral, e do Google especificamente, pesam na formulação das políticas brasileiras de comunicação. Por isso, TELETIME entrevista Marcel Leonardi, diretor de políticas públicas e relações governamentais do Google do Brasil, um dos personagens mais atuantes nas recentes discussões sobre neutralidade de rede, privacidade, crimes na Internet e políticas de banda larga no Brasil. TELETIME – Que avaliação vocês fazem do debate sobre o Marco Civil da Internet e do processo de construção da proposta? Marcel Leonardi – Entendemos que o Marco Civil talvez seja a lei mais importante da Internet brasileira. Tem preocupações de tentar trazer segurança jurídica para vários cenários distintos, que são questionados até hoje. Primeiro, a questão da responsabilidade das plataformas pelos conteúdos que os

MACHKAZU/shutterstock.com

Diretor de políticas públicas e relações governamentais da empresa no Brasil, Marcel Leonardi fala sobre a atuação da gigante de Internet nas recentes discussões sobre neutralidade de rede, privacidade, crimes na Internet e políticas de banda larga no País.

usuários publicam. No resto do mundo, essa questão já se sedimentou: as plataformas não são responsabilizadas diretamente e podem ter o dever de agir conforme seja decidido pela legalidade ou ilegalidade desse material. A questão se sedimentou por lei ou por jurisprudência? Na maioria dos países, por lei. Ou seja, as plataformas não são responsáveis diretamente pelo mau uso que alguém faça dessa plataforma. Mas aí, surge a discussão: em que momento é que se pode responsabilizar a plataforma? Na Europa chegaram à conclusão de que faz sentido avaliar se o provedor está ciente da ilegalidade de alguma coisa e se ele foi notificado a respeito daquilo. Como se toma uma 12 Teletime dez_2012

decisão sobre ilegalidade? Primeiro, é preciso saber se houve ilegalidade. Isso cabe à lei e ao Judiciário na maioria dos casos, como é o caso europeu. Enquanto um juiz não decide sobre um determinado assunto, não se pode dizer o que é legal ou ilegal. A exceção são casos óbvios, como pornografia infantil. Fora estes, é muito difícil para uma plataforma avaliar o que é lícito e o que não é, como acontece hoje; e se você joga esse ônus, a tendência é censurar tudo. Mas no caso de direitos autorais, vocês fazem uma análise prévia do conteúdo em algumas plataformas, como o YouTube, que automaticamente detecta possíveis infrações. Isso acontece no YouTube, mas nas


demais plataformas é reativo, baseado em notificação e retirada, que é como o direito norte-americano resolveu regular essa parte específica de direito autoral. Não é que direito autoral tenha privilégio em relação à proteção do direito à honra. O ponto é que o direito autoral tem maior facilidade de ser demonstrado. Agora, em um cenário de difamação, uso indevido de imagem, é muito difícil avaliar se quem se diz prejudicado não quer apenas intimidar a pessoa que publicou o conteúdo. Ou no caso de legislação eleitoral, em que vocês foram bastante questionados durante as eleições. Exato. E no caso da Justiça Eleitoral, há ainda outro complicador. Como determinar se um conteúdo é de fato propaganda política? A lei foi concebida, na questão de conteúdos irregulares, para propaganda eleitoral ilícita. A manifestação de um cidadão em benefício ou prejuízo de um candidato normalmente não é propaganda política, é uma manifestação de liberdade de expressão legítima. Ou seja, no entendimento do Google, uma legislação é necessária para pacificar esse tipo de controvérsia? Sim, e exemplifico com outros aspectos. Tem o lado da segurança jurídica sobre como são tratados e fornecidos os dados dos usuários para casos em investigação. Uma discussão muito comum é quando uma autoridade investiga determinado ilícito online. Essa autoridade diz que quer ter os dados de determinada pessoa. Isso traz uma insegurança jurídica brutal para alguém como o Google, ou outro que tenha esses dados, porque a Constituição consagra privacidade, intimidade e todos esses valores considerados fundamentais... Sigilo da comunicação também... Exatamente, e sigilo de dados. O Marco Civil coloca um fim nessa discussão ao estabelecer que as autoridades podem requerer que os dados sejam preservados para futura investigação. Mas para que a autoridade tenha acesso aos dados, só mediante ordem judicial. Precisa do processo legal, e essa sempre foi a posição do Google. Como vocês avaliam esse aspecto do Marco Civil e a posição brasileira? O que preocupa o Google é assegurar

que sejam quais forem os critérios adotados, a Internet continue aberta e livre. Toda a inovação da Internet surgiu desse modelo, sem autoridade central, que permitiu o uso da rede de uma maneira ampla, criando novos serviços. Tanto é que as inovações que apareceram, voz sobre IP, TV sobre IP, só floresceram porque a Internet não tinha uma autoridade central e alguém dizendo o que pode e o que não pode. A nossa preocupação com neutralidade é menos relacionada a essa questão de acordos comerciais, que também podem ser preocupantes, mas mais em relação à natureza aberta, participativa e livre da rede. Esse é o nosso ponto. Em agosto de 2010, vocês chegaram a propor em uma parceria com a Verizon uma abordagem para a neutralidade. Essa posição ainda é a oficial do Google? (NR: a proposta “A joint policy proposal for an open Internet”, de 9 de agosto de 2010, pregava a neutralidade plena da rede fixa, mas acolhia a possibilidade de acordos que previssem tratamento de tráfego diferenciado em casos de aplicações como saúde, smartgrid, educação, jogos e entretenimento, desde que preservada a natureza aberta dos serviços de banda larga tradicionais e sem que isso representasse um subterfúgio para quebrar a neutralidade da Internet). Não exatamente. Foi uma proposta formulada na época para o espaço mobile, e era apenas uma ideia que nunca foi implementada, para gerenciar

um plano de dados. É o caso da TIM com o Facebook, em que o usuário comprava um celular com o aplicativo do Facebook e não pagava o tráfego de dados nesse caso. Isso é quebra de neutralidade? O importante é que a legislação seja aberta o bastante para dar conta desses casos, desde que isso não beneficie apenas os gigantes como Facebook, Google etc. O que as operadoras colocam é que se de um lado a natureza neutra da rede permitiu o florescimento de alguns serviços, outros precisam necessariamente de um tratamento diferenciado, como saúde, IPTV etc. Vocês ainda aceitam essa possibilidade? Não creio que isso esteja excluído. Mas nenhum desses novos serviços que demandam um tratamento mais rápido, especializado ou privilegiado, como muitos dizem, justificaria que o resto da Internet pudesse sofrer. A grande preocupação é essa. Claro que para quem tem uma experiência de voz sobre IP, ou mesmo de games online, o tempo de resposta faz toda a diferença. Mas disso não decorre, e esse é o ponto central, que a web precise ficar fechada. A preocupação é saber se acordos comerciais não vão inviabilizar uns para privilegiar outros. O que você chama de inviabilizar é proibir que um determinado conteúdo ou aplicativo esteja acessível ou que esteja acessível em condições não-isonômicas em relação a quem está pagando? Pode-se ter os dois cenários, dependendo de como se defina neutralidade. Quando começaram essas discussões no Marco Civil, o Comitê Gestor (da Internet) alertou para questões técnicas. Por exemplo, um provedor de e-mail precisa filtrar spam, bloquear contatos que atacam o sistema, ataques virtuais. Tudo isso seria uma quebra de neutralidade se a definição for a mais radical, em que nada possa ser diferenciado. Mas a nossa preocupação é mais com relação à isonomia, no sentido de que uma empresa seja privilegiada em detrimento de outras. O que não se pode é quebrar esse aspecto de natureza aberta da rede, sob o risco de transformar a Internet em uma grande TV a cabo.

A nossa preocupação com neutralidade é menos relacionada a essa questão de acordos comerciais, mas mais em relação à natureza aberta, participativa e livre da rede”. a questão da escassez do espectro 3G. Hoje o Google tem uma preocupação mais voltada para a natureza aberta da rede, independente da tecnologia. Há um modelo que tem de ser definido antes, que é o próprio conceito de neutralidade de rede. Para o usuário, a preocupação é haver ou não traffic shaping, degradação da qualidade. Mas esse é um dos elementos. O consumidor pode ter benefícios, como um acesso a um determinado serviço sem ônus em dez_2012 Teletime 13


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Do ponto de vista do Google, é preciso regular a neutralidade? Talvez, a depender do conceito primário de neutralidade. E de como o governo vai interpretar, caso decida regular. A problemática nesse caso é se o governo vai decidir com base em um conceito técnico, comercial ou político. Se o princípio for amplo, a neutralidade está garantida. Dos discursos que a gente ouviu, a intenção do Marco Civil era assegurar a neutralidade e descer nas minúcias em relação às potenciais exceções. As exceções técnicas sempre foram bem vistas, desde que não entrassem nas questões comerciais. A questão é saber se a redação vai ficar boa. O Google tem, como provedor de conteúdo, a prerrogativa de utilizar as informações de uso que as pessoas fazem de seus serviços para explorar comercialmente essas informações. Discute-se se as teles teriam ou não o mesmo direito. Como vocês leem isso? O Google, em suas várias plataformas, coleta dados para aprimorar os serviços e a experiência do usuário e, sim, para servir publicidade online, que é como a empresa gera a maior parte de suas receitas. O Google, contudo, enxerga o que seus usuários fazem no Google. Outras empresas de Internet enxergam o que seus usuários fazem em cada serviço específico. As empresas de acesso à Internet têm uma noção global de tudo o que o usuário faz a partir de uma determinada conexão. É uma diferença fundamental. Pouca gente se lembra, mas tudo o que você faz na Internet sem estar em uma conexão criptografada é passível de ser gravado pelo provedor de conexão. O provedor enxerga o mapa inteiro de tudo o que foi feito.

lha e, mesmo que haja, você não necessariamente sabe o que está sendo feito com suas informações.

foto: divulgação

Hoje há aplicações como IPTV, que rodam em cima da rede IP e têm garantia de qualidade, por exemplo, e isso consome banda da rede e compromete os demais serviços de Internet. A lei proposta não inviabilizaria esse tipo de serviço? Se a lei for bem pensada, de maneira que ressalve aspectos técnicos relacionados à qualidade de serviço e, ao mesmo tempo, tenha a sutileza de que qualidade técnica para entrega de um serviço não se confunde com interesse comercial ou acordo comercial, isso é viável.

As empresas de telecomunicações argumentam que o volume de informações produzidas por empresas como o Google e demandado pelos usuários gera um desequilíbrio na rede que requer investimentos, que eles não teriam como cobrir sozinhos. Como vocês veem essa questão? É um argumento que falha ao desconsiderar, ou não descontar, que cada uma das empresas do setor paga caro, e muito, pela banda que usa. O Google investiu em 2011 mundialmente US$ 3,1 bilhões em nossa própria infraestrutura para melhorar serviços e pagamos caro no mundo inteiro pela banda utilizada. Isso ninguém leva em conta. Marcel Leonardi

Segundo o balanço de vocês de 2011, foram US$ 8 bilhões em gastos com telecomunicações. Exato. Ou seja, cada empresa paga pela banda que consome. E aí sim entramos em uma discussão de modelo de negócios. A Internet tem essa beleza que é viabilizar novos serviços em cima do protocolo TCP/IP. Mas isso não pode ser entendido como uma usurpação da infraestrutura das teles. Até porque, como cada provedor de conteúdo paga para utilizar a rede, não faz sentido que se fale que o Google ou outras empresas tenham que ajudar a bancar o aumento da infraestrutura de banda larga, já que estamos em um cenário em que isso está sendo pago.

Esse discurso de que ninguém dá mais conta de expandir a rede é falacioso. Existe uma simbiose muito clara entre plataformas e serviços possibilitados pela banda larga.” Mas e quando falamos dos sistemas operacionais? O Android, por exemplo, está hoje na maior parte dos smartphones. O usuário não fica amarrado? Ninguém troca o sistema operacional de um celular. Entendo o seu ponto. Mas usar o Android também é, primeiro, uma questão de escolha, pois há concorrentes. Pode-se usar o Android sem uma conta do Google, ainda que a experiência não seja tão boa. E há opções de serviços não-Google, como Yahoo Mail e Hotmail no Android. Temos essa preocupação de que a plataforma seja aberta. Os dados eventualmente coletados podem ou não estar vinculados a uma conta do Google. E as pessoas podem ter várias contas Google, uma para e-mail, outra para uso pessoal. E essas contas separadas não cruzam informações. No modelo de escolha, a preocupação é que o usuário possa exercer a escolha de maneira consciente. Na conexão banda larga ou móvel, não há essa facilidade de esco14 Teletime dez_2012

Ou seja, se o usuário precisar de mais banda ou mais capacidade, ele é que pagaria por isso? É como é o mercado hoje, independente das regras que venham a ser criadas. Se alguém quer um serviço como Netflix, NetMovies ou Sunday TV (do Terra) com alguma qualidade, costuma contratar banda larga de maior capacidade. Ninguém contrata banda larga só para ter. Contrata pensando no serviço que será utilizado. É uma via equilibrada, um ecossistema que se ajuda mutuamente. Os serviços novos disponibilizados criam demanda por banda larga, e essa capacidade instalada de banda larga viabiliza serviços inovadores. Esse discurso de que


.:capa uso de uma sala de chat só pudesse acontecer se você mandasse ao seu provedor uma cópia por fax do RG e do CPF. Uma mentalidade de que a Internet é um perigo. Mas a Internet é uma mola da economia, já é um setor maior do que o de mineração no impacto do PIB. O peso da Internet é de 2,5% do PIB no Brasil. Quanto a Internet acrescenta para o pequeno empresário? Quanto as aplicações aí existentes agregam para a economia? Muitas vezes assumimos que isso caiu do céu. Mas não é assim, 2,5% do PIB não é pouca coisa. Um país muito bem visto na América Latina é o Chile, que conseguiu passar uma legislação similar ao Marco Civil rapidamente, tem um ambiente regulatório equilibrado e tem policy makers disponíveis para o diálogo.

foto: divulgação

ninguém dá mais conta de expandir a rede é falacioso. Existe uma simbiose muito clara entre plataformas e serviços possibilitados pela banda larga. No modelo de TV paga, os provedores de conteúdo recebem para ser distribuídos, porque geram demanda de assinatura pelo serviço. Ninguém precisa pagar para ser distribuído. O ponto é que quando existe uma demanda de qualidade e serviços, o usuário vai atrás da infraestrutura. Vocês têm a política de cobrar pelo tráfego gerado pelos serviços de vocês, como a Apple fez no primeiro modelo de distribuição do iPhone? Não. Definitivamente não. Existe uma polêmica sobre o enquadramento dos portais de Internet como veículos de comunicação social à luz das limitações da Constituição, no Artigo 222. O Google se vê como um veículo de comunicação social? Não. Somos uma plataforma, uma empresa de tecnologia. E ainda que a decisão fosse avançar por esse lado, há posições em todos os sentidos. O Ministério Público de São Paulo tem um parecer lúcido que pondera o que a Internet representa e o que ela estabelece em relação ao modelo tradicional de concessão de rádio e TV. Avaliando a redação do Artigo 222, fica claro que a ideia é preservar a lógica do modelo de concessão. São modelos diferentes: a TV e o rádio trazem a lógica do “push”, ou seja, o conteúdo chega ao usuário. A Internet segue a lógica do “pull”, em que você vai atrás do que interessa. No debate sobre provedores de conteúdos, temos poucos conteúdos próprios, mas empresas como Yahoo e Terra, que têm capital estrangeiro e fazem jornalismo, divulgam notícias, mas imaginar que eles estariam sujeitos às mesmas restrições apenas por darem mais opções ao consumidor é criar protecionismo, o que não faz sentido. A Constituição também restringe o controle de jornais e revistas, e mesmo outros meios eletrônicos precisam respeitar os princípios do Artigo 221. Será que no caso da Internet, não há uma interpretação dúbia da Constituição?

o problema é que a rede comporta várias camadas distintas. Complicado imaginar que a Anatel teria competência regulatória para tudo isso.” Não sei se ela dá essa interpretação ou se querem que ela dê. Na nossa concepção, o modelo colocado na Constituição foi pensado em uma era pré-Internet e querer aplicar essas regras agora é limitar as opções do usuário. E não faz sentido, porque a Internet tem uma natureza global. Se esse conteúdo não for produzido aqui, será produzido a partir de fora e a forma mais restritiva possível de evitar isso é bloquear o acesso, aos usuários, de um conteúdo que ele deseja. É um caminho perigoso, que interromperia o livre fluxo de informações. O Brasil é um país convidativo para a inovação, na leitura do Google? Sou brasileiro, adoro o País, e a legislação brasileira está se ajustando aos poucos. O fato de o Marco Civil ter encontrado esse espaço já é um ótimo sinal. Há dez anos só se falava em crime, repressão e proibição na Internet. Sem falar em exemplos já arquivados, como um projeto que previa que o 16 Teletime dez_2012

Por que o Google teve tanto receio em relação às discussões de Dubai? O principal problema é querer consertar o que não está quebrado. Mudar a governança da Internet para centralizar a rede é o que preocupa. Tem a questão referente aos modelos de fluxo do tráfego, como a proposta do “sender pays”, em que os provedores de conteúdos pagam para enviar o tráfego, o que quebraria a Internet como é hoje e, por isso, preocupa. No caso da governança, a Internet sempre foi multissetorial, e isso é replicado no Brasil no modelo do Comitê Gestor. Como qualquer modelo democrático, está sujeito a questionamentos, mas ainda é o melhor que existe. Um modelo centrado em um único órgão não traria esses benefícios. Você concorda com a leitura da Anatel de que, no que diz respeito à regulação de redes, quem manda é ela? Eles mencionam isso em relação à infraestrutura física da rede. Mas o problema é que a rede, como lembra o Prof. Yoshai Benkler, pai dessa teoria, comporta várias camadas distintas. Complicado imaginar que a Anatel teria competência regulatória para tudo isso. Até onde entendo, a Lei Geral de Telecomunicações daria, sim, à Anatel uma competência, mas é preciso lembrar que Internet não é telecom. É preciso entender em que medida seria essa regulação e como isso funcionaria. A rede tem que ser entendida em um sentido amplo. A rede não é uma coisa só.


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Tratado dividido

Falta de acordo nas resoluções e nos ITRs (Regulamentos de Telecomunicações Internacionais) levaram países desenvolvidos a não assinar o documento na Conferência em Dubai, realizada em dezembro. Delegação brasileira assinou e comemorou o resultado.

A

FOTO: arquivo

foto: © ITU

Conferência Mundial de Telecomunicações Inter­ nacionais (WCIT-12) realizada em dezembro pela União Internacional de Telecomunicações (UIT), em Dubai, fracassou. Apesar dos esforços na reta final do evento que durou duas semanas, nada menos do que 55 nações, das 152 presentes à Conferência, recusaram-se a assinar o texto final do tratado mundial com os novos Regulamentos de Tele­ comunicações Internacionais (ITRs, na sigla em inglês). Nas estatísticas, houve adesão da maioria dos Estados-membros, com 89 assinaturas (oito países não se credenciaram para votação por questões como falta de documentação). Ainda assim, o tratado sai enfraquecido por A WCIT-12 não conseguiu o esperado consenso entre as delegações nas atualizações dos ITRs. conta do peso daqueles que declinaram da proposta. A discussão dos ITRs visava atualizá-los a uma nova realidade de Do lado dos signatários, estão notadaem um papel central e ativo na definiserviços de telecomunicações, com premente países com regimes totalitários ção do futuro da Internet, dando oridominância da Internet e dos serviços ou intervencionistas, como Emirados gem ao racha entre as delegações. Para o secretário-geral da UIT, Ha­ma­ globais. A versão atual dos ITRs havia Árabes, Arábia Saudita, China e Rússia. doun Touré, “a palavra Internet foi repetisido elaborada em 1988, época em que a O tratado também foi assinado pelo Brada durante toda a conferência” e isso sigtelefonia fixa ainda era dominante. sil, México, Coreia e pela Argentina. nifica que “as telecomunicações e a InterJá se sabia desde o início da reuImportante notar também que as 89 net estão conectadas inextricavelmente”. nião que o clima não seria tranquilo. adesões representam menos da metade Os Estados Unidos, suportados por dos Estados-membros da UIT, composta Consequências uma forte delegação que incluía alguatualmente por 194 nações. Na prática, os países em desacordo mas das maiores empresas de InterForam duas semanas de intensas não terão voz na implementação de net do mundo, já haviam declarado negociações que quase tiveram sucesso novas diretrizes, no planejamento e na que não aceitariam nenhuma mudanem estabelecer um consenso entre coordenação de grupos de trabalho. ça no tratado que pudesse representar todos os Estados-membros. Um frágil Em compensação, eles não serão obriinterferência na governança ou forma acordo chegou a ser costurado, mas gados a seguir os ITRs nem devem de organização e controle da Internet. caiu por terra quando uma resolução sofrer sanções. Conexões A surpresa foi uma adesão em peso anexa aos ITRs, aprovada in­ternacionais continuam dos países da Europa ocidental, que em uma votação confusa na sen­do resolvidas com acordos tradicionalmente não se alinha com os madrugada do penúltimo dia comerciais, mas as nações EUA em questões de regulação interda WCIT-12, colocou a UIT que optarem por não seguir nacional de telecomunicações. os ITRs podem se ver em um Entre esses países que não limbo, sem definições e assinaram estão alguns dos pa­drões de elementos fundamaiores e mais importantes mentais das telecomunicamercados de telecomunicações ções. Mais ou menos como é do mundo, como Estados Unia Internet hoje. Ou seja, os dos, países da Europa Ocidenpaíses dominantes no tráfego tal, Reino Unido, Japão e Índia. Maximiliano Martinhão, Minicom

“É comunicação internacional, o que fazem no ambiente interno são outros quinhentos.”

18 Teletime dez_2012


CRÍTICO E ANALÍTICO BRASÍLIA VAI RECEBER O PRINCIPAL ENCONTRO DE ANÁLISE DAS POLÍTICAS E AÇÕES REGULATÓRIAS DO SETOR DE TELECOMUNICAÇÕES EM 2013

20 de fevereiro, 2013

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JUNTE-SE A NÓS PARA DEBATER TEMAS COMO: • As prioridades políticas do governo Dilma Rousseff • As agendas regulatórias da Anatel e Ancine • O futuro das políticas de banda larga

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• A evolução dos serviços de radiodifusão • As perspectivas de mudanças no marco legal do setor de telecomunicações

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Governo, empresários e especialistas discutem as prioridades do setor de telecomunicações para 2013.

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Comunicação e Marketing na palma da sua mão: temas atuais do mercado de conteúdo móvel, como as apps, redes sociais móveis a marketing e conteúdo patrocinado, entre outros.

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.:capa de dados ficarão como estão hoje. Como declarou em nota a União Europeia, “menos da metade dos Estados-membros da UIT (são 194 no total, mas nem todos compareceram à conferência), e que respondem por uma pequena proporção do tráfego global de telecom, assinou o tratado revisado hoje. O que está claro é que acordos comerciais existentes são intocáveis. Acordos comerciais impulsionados por mercados inovadores continuam possíveis e a Internet aberta permanece.” Brasil A delegação brasileira, embora tenha sido a quarta maior comitiva, atrás apenas dos Emirados Árabes, dos Estados Unidos e da Nigéria, nesta ordem, teve participação discreta nos plenários nos pontos mais polêmicos, apesar de ter encabeçado o grupo de trabalho sobre o artigo dedicado à segurança – outro ponto cheio de desacordos e controvérsias. O País se absteve de fazer qualquer ressalva ao texto principal e a seus anexos, manifestando-se apenas na cerimônia de encerramento da WCIT-12, após a assinatura do tratado. O chefe da delegação brasileira e assessor internacional da Anatel, Jeferson Nacif, declarou que o Brasil não acredita “que este tratado seja uma ameaça para ninguém”. Nacif afirmou ainda que o País tentou chegar a um consenso. “Nós não incluímos as diferenças acerca de conteúdo ou governança de Internet no tratado”, disse ele em pronunciamento no encerramento da conferência. As declarações de Nacif ganharam, aqui no Brasil, o suporte do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo.“Se alguém levou proposta para controlar a Internet, não contou com nosso apoio”, afirmou. “Conversamos com todos os países, com os chineses, russos, árabes, Estados Unidos, México e quase todos nossos vizinhos da América do Sul. Deixamos claro que o Brasil não iria compactuar com nenhum conceito de tráfego de ideias na rede ou coibir a liberdade de expressão”. Bernardo disse que o Brasil defende a governança multilateral da Internet – o País considera que os EUA mantêm, através da Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (ICANN), o monopólio da governança da Web. O ministro afirma que o acordo de pontos de troca de tráfego (PTT) proposto pela

delegação brasileira teve apoio de nações como Coreia do Sul, Espanha, França, Itália, Uruguai e México. “Falar que todos eles são um eixo do mal é um desvio muito grande, não tem sustentação.” Os países europeus citados, contudo, não assinaram a declaração final. O ministro ainda atribuiu à delegação brasileira uma “posição mediadora” e destacou a coordenação sobre o grupo de trabalho que tratou de segurança, proposta que entrou na redação final do tratado.

Segundo o governo, o País gasta por ano cerca de US$ 500 milhões em conexões internacionais. Martinhão diz que os aspectos comerciais vantajosos para o Brasil, que incluem também a aprovação de propostas sobre roaming internacional, não deixaram o País ter a opção de não assinar o tratado. Quando confrontado sobre a posição brasileira corroborando a de países como nações árabes, Rússia e China, Maximiliano Martinhão argumentou afirmando que a jurisdição da UIT não se sobressai à soberania de um País. “É comunicação internacional, o que fazem no ambiente interno são outros quinhentos”, explica, afirmando ainda que o tratado não legitima ações totalitárias, embora reconheça que “tem alguns países arguindo isso” e que há possibilidade de outras interpretações. Para ele, os países que não assinaram o tratado tomaram essa atitude por uma questão puramente econômica. “Eles claramente não querem os países em desenvolvimento participando do processo de definição global da Internet.” 

O Brasil se absteve de fazer qualquer ressalva ao texto principal do tratado e a seus anexos.

Vantagens econômicas Para o Ministério das Comunicações, a assinatura do tratado final de revisão dos ITRs pela delegação brasileira foi uma questão de compensação, como declarou o secretário de Telecomunicações do Minicom, Maximiliano Martinhão. “Vendo o tratado como um todo, há mais coisas positivas do que negativas para aqueles que estão fora do centro da rede”, explica, citando a aprovação da proposta brasileira sobre pontos de troca de tráfego.

Marco Civil 2013

N

o Brasil, a polêmica em torno da votação na Câmara dos Deputados da proposta de um Marco Civil para a Internet não foi encerrada em 2012 e promete voltar a ser tema de debates logo que o Congresso retomar as suas atividades, em fevereiro. O processo que se configurou no final das votações foi um movimento típico de instabilidade política para a condução de um texto polêmico. Abastecidos de argumentos trazidos por empresas de telecomunicações incomodadas com a redação final do Marco Civil, deputados individualmente e bancadas de alguns partidos, como a do PSDB, não estão facilitando a votação do projeto. Em resumo, existem três questões polêmicas: 1) neutralidade de rede; 2) armazenamento das informações e; 3) remoção de conteúdos protegidos por direitos. Desses pontos, os dois primeiros são os mais críticos. A redação mais recente da proposta de Marco Civil assegura o princípio da neutralidade, mas abre a possibilidade de algumas exceções, que precisam ser regulamentadas. A proposta condiciona essa regulamentação a um decreto presidencial. Do ponto de vista das teles, ainda que a redação dada à questão da neutralidade não seja um limitador a novos negócios, o ideal seria tudo continuar como é hoje, ou seja, sem nenhum mandamento legal específico sobre o tema. Para o relator da proposta, Alessandro Molon (PT/RJ), a Internet já chegou a um ponto de desenvolvimento econômico em que passa a ser necessário assegurar o princípio da neutralidade em lei. Já a questão da guarda das informações pessoais traz como pano de fundo uma disputa entre teles e provedores de conteúdo. A redação do Marco Civil permite apenas que provedores de aplicações guardem o histórico de uso das usuários. As teles (provedores de conectividade) querem ter a mesma prerrogativa, inclusive para poderem explorar publicitariamente a Internet. Na questão da remoção de conteúdos protegidos por direitos autorais, a polêmica está relativamente pacificada, e provavelmente o grande embate será quando for discutida a nova legislação de direito autoral, em 2013. De qualquer forma, o Marco Civil, da forma como está, deixa aberta a porta para que políticas mais duras de combate à disseminação indevida de conteúdos protegidos sejam criadas. (Samuel Possebon)

22 Teletime dez_2012


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Um empurrãozinho para o 3G

Substituição de aparelhos 2G começa a ganhar força com popularização de smartphones, redução de preços e troca de portfólios. Rede 2G deve ser desligada por volta de 2020.

Oleksiy Mark/shutterstock.com

O

atraindo uma parcela pequena de usuários interessados em tecnologia, os chamados “early adopters”. Em seguida, em 2009, as operadoras enfrentaram problemas sérios de capacidade de infraestrutura para dar suporte aos serviços, o que também segurou as vendas. A aceleração da base 3G verificada a partir de 2012 está relacionada ao crescimento das vendas de smartphones. Embora nem todo aparelho 3G seja um smartphone, quase todo smartphone é 3G, ainda que nem todos assinem os planos de dados das operadoras. “Botar 3G em um feature (phone) é como botar o motor de uma BMW em um fusquinha”, compara Soboll, da Samsung. Um conjunto de fatores contribuiu para a recente popularização de smartphones no Brasil, a começar pela redução no preço dos planos de dados oferecidos pelas operadoras móveis. O serviço, antes restrito a clientes pós-pagos, adentrou o mercado pré-pago,

“Agora é a grande virada do 3G.” Vinícius Costa, da Nokia 24 Teletime dez_2012

puxado principalmente pelo plano Infinity, da TIM, o primeiro a fornecer navegação ilimitada por um preço diário reduzido (R$ 0,50/dia). Com planos de dados a preços acessíveis, naturalmente o consumidor passou a demandar mais smartphones, mesmo sem saber direito o que é o 3G. “O consumidor entende que quer Internet no telefone. O desafio das operadoras é traduzir essa sopa de letrinhas (3G, 2,5G etc.) em benefícios”, comenta o diretor de produtos de mobilidade da Oi, Roberto Guenzburger. Mesmo sem entender os detalhes da tecnologia, o consumidor brasileiro já entende que a cada nova geração a velocidade fica mais rápida. “Já vimos em pesquisas que o grande público entende que 4G é mais rápido que 3G e este é mais rápido que os anteriores”, relata o diretor da área de handsets da TIM, Thompson Gomes. Diante desse cenário, os fabricantes foram alterando os seus portfólios, concedendo mais ênfase a modelos 3G, cuja margem de lucro é mais alta. Isso se deve nem tanto à tecnologia de transmissão em si, mas ao fato de os aparelhos 3G serem, em sua maioria, smartphones, o que requer fun­ cionalidades de maior valor agregado, como tela senFOTO: divulgação

Brasil entrou na terceira geração (3G) da telefonia celular no fim de 2007, com atraso de meia década em relação aos países desenvolvidos. Passados cinco anos, a base de usuários dessa tecnologia ainda é minoria no País. Mas o quadro começou a mudar este ano. De outubro de 2011 a outubro de 2012, o número de handsets 3G em serviço no País (não contam terminais de dados) quase dobrou, passando de 30 milhões para 52,5 milhões. Em termos de participação sobre a base total de handsets, o 3G passou de 13,5% para 21,3%, no mesmo período. Os empurrõezinhos que faltavam vieram este ano: a popularização e o barateamento dos smartphones; a rápida troca do portfólio de fabricantes e operadoras; e a pressão da chegada do 4G. A expectativa de fontes do mercado é de que o 3G responda por aproximadamente 30% das vendas de celulares no Brasil em 2012, participação que deve subir para 45% em 2013. “Agora é a grande virada do 3G”, afirma o gerente sênior de produtos e serviços da Nokia no Brasil, Vinícius Costa. Nos países desenvolvidos, o 3G também demorou a engrenar. Quando foi lançado na Europa, no começo da década passada, faltava conteúdo para aproveitar a velocidade que oferecia. “Não havia redes sociais. A Internet era só browsing. Isso segurou muito o 3G”, recorda o diretor de produtos de telecom da Samsung no Brasil, Roberto Soboll. Não era só um problema de falta de conteúdo, mas também de falta de hardware. Não havia smartphones e a capacidade de processamento dos terminais naquela época era irrisória quando comparada com a atual. Nos primeiros anos do 3G no Brasil, o foco das teles se concentrou mais na venda de modems, motivada pela deficiência de cobertura e de qualidade do serviço de banda larga fixa existente no País à época. A migração dos telefones em si começou bastante lenta, até por causa dos preços, que eram altos,


“O desafio das operadoras é traduzir essa sopa de letrinhas (3G, 2,5G etc.) em benefícios.” comprando volumes maiores de menos modelos. Outro caminho é tentar negociações especiais para manter por mais tempo o abastecimento de telefones antigos, como fez com o iPhone 3GS, vendido a R$ 999. Guenzburger, da Oi, concorda que há espaço para reduções maiores nos preços de terminais 3G. E aposta que o boom em vendas acontecerá quando os smartphones atingirem o preço de R$ 199 no pré-pago. “Há patamares de preço que são icônicos no Brasil. Vimos uma transformação na base de celulares brasileira em 2000 quando apareceram os primeiros celulares TDMA e CDMA a R$ 199”,

doomu/shutterstock.com

Foco no smartphone As operadoras também alteraram seus portfólios ao longo do ano, concentrando mais atenção em smartphones. A razão é simples: o usuário de um aparelho 3G gasta mais por mês, seja ele pós ou pré-pago. Na Oi, por exemplo, a receita média de um usuário com um terminal 3G é cerca de 25% maior que aquela de um usuário 2G. Quando se analisa a penetração de planos de dados, o percentual entre assinantes pós-pagos com terminais 3G da operadora é três vezes maior que aquela entre assinantes 2G. Se considerados usuários pré-pagos, a penetração de planos de dados entre aqueles com terminais 3G é duas vezes maior. Atualmente, 85% do portfólio de terminais da Oi é 3G. Na Claro, são 64%. A TIM prefere falar em smartphones, tipo de aparelho que representa 75% dos modelos à venda em suas lojas. A Vivo não dá detalhes sobre a participação dos smartphones no portfólio ou base da operadora. Mas destaca que 27% de suas receitas já vêm dos serviços de dados móveis e que está bem acima dos 15% da penetração média do mercado de smartphones no total de handsets. A crescente demanda gerou maior escala de produção de terminais 3G, o que provocou uma queda de preço. Para este Natal são esperados modelos 3G a R$ 299. Um ano atrás, os mais baratos giravam em torno de R$ 499. Não faz muito tempo que qualquer smartphone custava pelo menos R$ 1 mil. As operadoras, contudo, entendem que ainda há espaço para baixar mais os preços. Gomes, da TIM, critica o fato de os fabricantes terem encurtado o ciclo de vida dos novos aparelhos, que gira agora em torno de seis meses, sem dar chance para grandes quedas de preço. Para conseguir descontos maiores, a TIM adotou a estratégia de ter um portfólio reduzido,

Roberto Guenzburger, da Oi

lembra o diretor da Oi. Guenzburger entende que é necessária a desoneração da produção na­ cional de smartphones para que os preços caiam mais. Um fator que atrasou a queda nos preços foi a regulamentação, ainda pendente, da Lei 12.715/2012, que prevê entre outras coisas a desoneração dos smartphones. Se tivesse saído para esse Natal, a expectativa do mercado é de que os smartphones já estivessem na faixa de US$ 100, nos modelos mais básicos. Ainda estamos longe, entretanto, de termos aparelhos 3G mais baratos que 2G. Nem tanto por uma questão de escala, mas, novamente, por causa das características especiais presentes nos terminais 3G, como display maior, câmera melhor, bateria com maior duração etc. FOTO: divulgação

sível ao toque, processador robusto, câmera de alta resolução etc. A Samsung, que atualmente detém a liderança em vendas de handsets no Brasil, tem um portfólio de aproximadamente 50 modelos de celulares no País, dos quais 70% são 3G. Para se ter uma ideia da reviravolta, um ano atrás a participação do 3G em seu portfólio brasileiro era de 30%, segundo Soboll. Na Nokia, mais da metade dos seus 25 modelos disponíveis no Brasil hoje é 3G.

Base de handsets 3G no Brasil Em outubro de 2011 eram 30,18 milhões de telefones 3G em uso (13,5% do total)* Em outubro de 2012 eram 52,49 milhões de telefones 3G em uso (21,3% do total)* *Não inclui terminais de dados M2M nem modems de banda larga. Fonte: Anatel.

2G turbinado

O

s terminais 2G não ficaram parados no tempo. Quem pode falar sobre isso com propriedade é a Nokia, que vem lançando uma série de aparelhos com essa tecnologia, mas com funcionalidades típicas de smartphones, como tela touchscreen, teclado Qwerty, câmera com alta resolução etc. São o que o mercado chama de webphones. A família de celulares Asha, da Nokia, é a melhor tradução dessa ideia. Muitos dos modelos ali são 2G. “Internet para a gente é navegação em páginas, e-mail e redes sociais. O que temos trabalhado na Nokia é reformar o conceito de que só smartphones têm uma experiência completa de Internet. Queremos conectar com a linha Asha o próximo bilhão de internautas”, explica o gerente sênior de produtos e serviços da Nokia no Brasil, Vinícius Costa. Para melhorar a experiência em terminais 2G, a Nokia desenvolveu um browser especial, que comprime de 70% a 90% das páginas visitadas, o que reduz o volume de tráfego de dados e acelera a navegação. “Conseguimos uma experiência 2G três vezes mais rápida que o comum. É quase como se fosse 3G”, garante Costa.

dez_2012 Teletime 25


.:mercado “Botar 3G em um feature (phone) é como botar o motor de uma BMW em um fusquinha.” Roberto Soboll, da Samsung tes que efetivamente contratou planos de dados 3G cresceu, tanto que as receitas com dados da operadora cresceram substancialmente ao longo do ano, assim como o número de cidades cobertas com 3G. A partir de 2013, agora com um critério padrão de contagem de terminais 3G, a Vivo espera que o número de terminais reportados à agência volte a crescer sem sofrer ajustes metodológicos. Fim do 2G A migração para o 3G também gera impactos sobre as redes das teles. Se, por um lado, é preciso reforçar o backhaul para suportar o tráfego de dados, por outro, a redução do uso de infraestrutura de segunda geração libera espectro que, no futuro, poderia ser reaproveitado para o 4G. As operadoras, entretanto, negam que este seja um dos motivadores para o fomento da migração.

A chegada do 4G tampouco interfere negativamente na migração para o 3G. Na verdade, talvez até contribua, pois traz à tona a discussão da velocidade de dados e estimula o consumidor a comprar smartphones. Em seus primeiros anos de vida, o 4G ainda terá handsets caros. No que diz respeito à rede, vale lembrar que os handsets 4G vão usar a infraestrutura 3G e 2G para tráfego de voz, pelo menos em um primeiro momento, enquanto não se definem os padrões para o serviço de voz sobre LTE (VoLTE), lembra o diretor de engenharia da Claro, Marcio Nunes. Ainda que a migração da base para o 3G se acelere daqui em diante, especialistas acreditam que ainda vai demorar muito tempo para se desligar a rede 2G no Brasil. As estimativas são de uma sobrevida de mais oito anos para a rede GSM. Ou seja: ela poderia ser desligada em 2020, se de fato chegarmos até lá com uma base mínima de usuários dessa tecnologia. E provavelmente com esse desligamento virá um reaproveitamento das frequências, que passarão a ser utilizadas para 4G.  (* Colaborou Samuel Possebon)

Competição na banda larga móvel Telefones 3G em uso e percentual sobre a base total de handsets de cada operadora* 35

17,22 (25,6%)

14,13 (21,3%)

12,54 (17,4%)

10

3,81 (8,1%)

15

18,59 (31,5%)

20

Junho de 2012 Outubro de 2012

3,9 (8,5%)

Milhões

25

14,63 (25%)

30

13,6 (18,9%)

Resultados O efeito de todos esses fatores é nítido na evolução da base de handsets 3G da Claro e da TIM. Entre junho e outubro deste ano, o volume de linhas 3G (WCDMA) em serviço da Claro passou de 14,6 para 18,6 milhões. Nesse intervalo, a participação das linhas 3G sobre o total de handsets da operadora subiu de 25% para 31,5%. A Claro lidera o mercado brasileiro na migração do 2G para 3G, de acordo com os dados disponíveis na Anatel. Na TIM essa transição também ganhou força este ano. De junho a outubro, sua base de handsets 3G passou de 14,13 milhões para 17,22 milhões, respondendo por 25,6% do total de telefones celulares da operadora. No mesmo intervalo, a Oi parece ter ficado estagnada (veja gráfico abaixo). Questionada sobre isso, a operadora acredita que possa ter havido um erro no envio das informações para a Anatel e estava refazendo suas contas até o fechamento desta edição. Na Vivo, por sua vez, os dados disponíveis no site da Anatel indicam uma queda no mesmo período, o que é surpreendente, haja vista a estratégia da tele de investir em infraestrutura 3G, sendo a companhia com maior cobertura dessa tecnologia no País – a Vivo comemorou recentemente a marca de três mil cidades com antenas 3G, quantidade maior que a de todos os concorrentes juntos. Fontes da Vivo dão uma explicação para o fenômeno: desde maio deste ano as operadoras móveis, coordenadas pelo Sindi­ Telebrasil, passaram a unificar os critérios de contagem dos terminais 3G em sua base. Isso porque o número de acessos reportados à Anatel não corresponde ao total de clientes com planos de dados, mas sim ao número de terminais com funcionalidades 3G, já que muitos usam as redes Wi-Fi para se conectar. Mas saber quais terminais são 3G não é tarefa simples. As operadoras unificaram, então, uma tabela com os códigos IMEI de todos os fabricantes para chegar a um padrão único de quais terminais seriam considerados 3G. Segundo as explicações da Vivo, a operadora se apressou para adotar os novos critérios e realizar o filtro a partir desse acordo ao longo do ano. Por isso, o total de terminais reportados à Anatel pode ter caído. Mas a operadora garante que entre esses usuários, o número de clien-

5 0

Claro

Oi

Vivo

TIM *Não inclui terminais de dados. Fonte: Anatel.

26 Teletime dez_2012


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Celebration NATPE2013 January 28-30 Fontainebleau Resort, Miami Beach

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disrupTion

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.:Serviços móveis

Bruno do Amaral

bruno@convergecom.com.br

Conversa entre máquinas

Com desoneração e a promessa de SIMcards em veículos, mercado de M2M no Brasil surge como oportunidade. Mas excesso de regulamentação pode atrapalhar. última data foi estabelecida com a deliberação nº 128/2012, publicada em julho, que altera a resolução nº 330 original e estabelece o cronograma para a instalação gradual dos módulos em 2013, chegando a 2014 com 100% da frota nacional com a instalação. Mesmo com a oportunidade no setor automobilístico se arrastando, houve um crescimento nas conexões M2M. Desde junho, a Anatel passou a discriminar os acessos não-humanos. Somente nesse período, houve um crescimento de 7,33% no mercado brasileiro, que, até outubro, totalizava 6,432 milhões dessas conexões. A novidade mais importante do ano foi a sinalização de uma desoneração do Fistel para esse tipo de serviço, o que potencialmente abre as portas para uma adoção mais maciça do M2M. Redução Se isso é um aumento saudável, ainda há um horizonte melhor no País. Para viabilizar um mercado competitivo no Brasil, é preciso que a Lei 12.715/2012, que proporciona entre outras coisas a redução do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel) para comunicações M2M, seja regulamentada. Com isso, a taxa de fiscalização de instalação (TFI) sairá dos atuais R$ 26,83 para cada terminal ativado para cerca de R$ 5. “A taxa de fiscalização de funcionamento (TFF) ficará na metade desse valor”, explica o gerente de regulamentação de serviços móveis da Anatel, Nilo Pasquale. O problema é que a regulamentação pode ser uma faca de dois gumes. Interlocutores das empresas que discutem os

“A gente quer fazer a regulamentação o quanto antes, mas temos um rito a seguir”. Nilo Pasquale, da Anatel 28 Teletime dez_2012

modelos possíveis de regulamentação com o governo temem que as exigências feitas superem substancialmente os benefícios concedidos. Embora essa regulamentação esteja prevista como algo iminente, é difícil estabelecer uma data precisa. “Espero que no ano que vem. A gente quer fazer isso o quanto antes, temos um rito a seguir”, diz Pasquale. A Anatel está discutindo o tema com a Secretaria de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, que tem um trabalho sendo desenvolvido também na questão de desoneração de equipamentos de infraestrutura de redes, que é outro item da lei. As operadoras, ansiosas, têm questionado a agência. “É um movimento de mercado normal, elas estão apostando nesse segmento também, é o que a gente espera. Todas as empresas têm, em maior ou menor grau, perspectivas de crescimento de M2M”, diz o técnico da agência. A Anatel espera que o mercado cresça exponencialmente para “em torno de 800 milhões de terminais em 2023, com boa parte sendo M2M”. A agência irá acompanhar mensalmente essas conexões máquina-a-máquina, conferindo se as operadoras e seus clientes estão vendendo os acessos realmente para esse tipo de comunicação. Nilo Pasquale lembra, no entanto, que o modelo de negócios estabelecido para esses terminais será “livre para as prestadoras de serviço” – ou seja, os planos e valores vão depender de cada empresa. Parametrização Ainda falta muito a ser definido. O diretor da unidade de negócios corporativos da Oi, Maurício Vergani, acredita que o assunto ainda é novidade para todos. “É um negócio novo, com uma tecnologia nova e um modelo de negócios que ainda não existe”, afirma, revelando que a operadora ainda não definiu sua abordagem. Para ele, é preciFOTOS: divulgação

C

om uma desoneração no horizonte, operadoras estão começando a enxergar mais oportunidades no mercado de comunicação máquina-a-máquina (M2M). Isso porque todas as previsões para os próximos anos falam de uma explosão no tráfego de dados neste tipo de conexão, que permitirá a utensílios domésticos, carros e outros dispositivos conectados enviar e receber informações pela rede móvel. Isso representa não apenas benefícios para o consumidor com novas aplicações de rastreamento ou gerenciamento, mas um novo modelo de negócios para as teles. A questão é saber se elas já têm ideia de como aproveitar isso. Também chamada de “Internet das coisas”, essa modalidade de comunicação ainda está evoluindo mesmo em mercados desenvolvidos. Dados da consultoria Compass Intelligence afirmam que os Estados Unidos terminarão o ano de 2012 com 33,3 milhões de conexões M2M, total que crescerá para 114,7 milhões de acessos em 2016, a uma taxa anual média acima de 36%. O estudo diz ainda que a consolidação dessa indústria acontecerá rapidamente nos EUA nos próximos dois ou três anos. Além disso, a Compass afirma que, em 2015, mais de 40% das conexões M2M norte-americanas irão rodar em redes 3G (ou HSPA+) e 4G. No Brasil, a realidade é bem diferente. Desde reportagem publicada em março de 2008 em TELETIME sobre as conexões máquina-a-máquina, pouco mudou no mercado em termos de modelos de negócios. O cronograma do Sistema Integrado de Monitoramento e Registro Automático de Veículos (Simrav), que obriga fabricantes a instalarem módulos de rastreamento e localização em todos os veículos fabricados no País ou importados, conforme estabelecido pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), teve o prazo postergado sucessivas vezes desde 2009 e ainda está pendente. A


so primeiro criar o negócio, entendendo as necessidades dos clientes para, então, poder levar o serviço para os usuários finais. Isso não significa que a Oi não enxergue o M2M como um grande alvo. Vergani entende que nos últimos três anos o mercado já começou a acelerar muito, mas a perspectiva é ainda maior. “A desoneração vai permitir ter usos que antes não eram viáveis comercialmente por causa do preço, então vamos conseguir capturar serviços de valor mais baixo”, diz. Ele considera que o foco tecnológico vai mudar por conta de um sistema de parametrização, que possibilita agregar mais serviços nas comunicações desse tipo. Por exemplo: atualmente, o chip de rastreamento apenas informa onde o veículo se encontra. “Com a parametrização, será possível ver a que velocidade o carro está andando, se a rua onde ele está é de alto risco de acidente e, com isso, criar um perfil para o usuário”. Seguradoras podem se valer dessas informações para criar uma espécie de “seguro por consumo”, tarifando pelo comportamento de uso. Se o motorista andar constantemente acima do limite de velocidade sinalizado nas vias, terá de pagar mais. Se o carro fica na garagem o tempo inteiro, pode não pagar nada. A parametrização segmenta a informação, abrindo um leque novo de serviços. Isso não quer dizer que será necessária muito mais banda para esse aumento de tráfego. Vergani explica que os dados enviados e recebidos são muito pequenos, possibilitando até mesmo o uso de redes 2G para estas conexões. Por isso mesmo, o executivo da Oi afirma que a redução no Fistel “não é o mais significativo”, mas sim a criação de novas aplicações. “Estamos trabalhando para criar plataformas para dar mais inteligência às comunicações”. A operadora deverá lançar essa solução em 2013, tropicalizando a plataforma da Portugal Telecom e aproveitando a experiência que a controladora da Oi já teve na Europa. Vergani não revela exatamente quando isso acontecerá, dizendo apenas que será no “primeiro quadrimestre”. Mas talvez não seja somente no final de abril, já que a operadora precisa recuperar espaço neste mercado. Em setembro, ela perdeu a terceira posição

A Vivo afirma que sua plataforma de gestão é a primeira do mercado no País, e a aposta é grande no retorno. Para tanto, a companhia espera ter uma solução abrangente para atuar em todos os mercados, incluindo terminais de pontos de venda (POS, na sigla em inglês). “Trabalhamos muito a segurança da informação para avançar nesse sentido e também para ter formas de faturamento que fossem flexíveis para essa solução. Esse trabalho parece básico, mas criou frutos relevantes, pois nosso crescimento mais do que duplicou em um ano”, explica o diretor executivo de negócios para empresas da Telefônica/Vivo, Estanislau Bassols. Outros alvos além do POS são empresas de gestão de frota pesada (caminhões e ônibus) e utilities (como smartgrids e medidores eletrônicos de água). Uma das oportunidades surge com o monitoramento de frotas leves, como carros de passeio e motos, que necessitam de gestões mais complexas para evitar prejuízo na cadeia de valor do negócio. “Entrar nessa cadeia de valor para portar capacidades novas é a opção que fazemos para ter crescimento diferenciado”, afirma Bassols. A intenção é ir além da conectividade, gerando maior valor para o consumidor final. “Vemos que

“É um negócio novo, com uma tecnologia nova e um modelo de negócios que ainda não existe”. Maurício Vergani, da Oi em número de acessos M2M para a Telefônica/Vivo. Em Portugal, a experiência da PT vai desde medidores e controladores inteligentes de energia até soluções de monitoramento de saúde, passando por pla­ taformas de controle de equipe em campo entre outras soluções M2M. Gestão A questão é que o mercado pode estar presenciando mudanças mais profundas. No começo de novembro, a Vivo anunciou sua plataforma de gerenciamento de serviços M2M baseada em cloud, batizada de Smart Center. O serviço conta com gestão online que também permite consultar históricos de utilização, incluir limites de consumo e programar alarmes de monitoramento com aviso por e-mail, entre outras funções. A plataforma já está preparada para atender aos carros com SIMcards para rastreamento a partir de 2013.

Os Estados Unidos terminam 2012 com 33,3 milhões de conexões M2M, projetadas para 114,7 milhões em 2016.

Acessos M2M no Brasil* 100%

80%

5.960.831

6.174.000

6.324.577

6.299.629

6.432.719

901.859

931.275

936.445

981.345

996.544

860.193

902.419

933.981

1.033.018

1.113.954

1.523.191

1.519.112

1.509.450

1.243.428

1.257.924

2.675.588

2.779.284

2.895.270

2.991.110

3.019.719

60%

40%

20%

Claro TIM Vivo Oi Total**

0% Junho/12

Julho/12

Agosto/12

Setembro/12

Outubro/12

* Dados da Anatel. Os números incluem as conexões de terminais de venda (POS). ** A Porto Seguro (MVNO) contava com 8 mil acessos até setembro, mas a Anatel não contabilizou nenhum acesso em outubro por motivos desconhecidos.

dez_2012 Teletime 29


.:Serviços móveis temas de monitoramento e operadoras de celulares”, explica. Ele acredita que as companhias atuais com quem a Claro tem contrato deverão se tornar os principais players do mercado de rastreamento e telemetria. “Naturalmente, vamos acompanhar onde estiver o Simrav. Temos conversado com montadoras também, estamos trocando muita experiência.” A previsão é de que esse mercado cresça algo em torno de 20%, segundo Miotto, mas isso não deverá causar um impacto grande na prestação de serviços. “Hoje, muito da telemetria está em cima de nossa rede GSM e GPRS. A gente continua investindo muito no crescimento da rede GMS e, na medida em que (as aplicações) demandem mais banda, poderemos utilizar 3G e, no futuro, 4G”, diz ele. “Temos infraestrutura para isso, estamos bem preparados para as previsões agressivas de crescimento”. Assim como a Vivo e a Oi, a Claro irá lançar no primeiro trimestre de 2013 uma plataforma de gestão M2M para ajudar no controle dos acessos, desenvolvido em parceria com a empresa norte-americana Jasper. A tecnologia possibilitará às empresas usuárias do sistema, por exemplo, o bloqueio do uso do chip para determinado dispositivo, para impedir tentativas de fraudes. Será possível delimitar parâmetros do SIMcard, como o consumo de dados, e tudo será visualizado online. “Vai trazer facilidade muito grande para essas empresas desenvolverem mais e ampliar os serviços que elas prestam”, diz Miotto,

“Nossa pretensão é assumir a liderança o mais cedo possível, talvez no próximo ano”.

FOTOS: divulgação

M2M é a única forma de auxiliar as pequenas e médias empresas a conseguir o máximo possível atuando além da conectividade”, explica o executivo. Os planos com as tarifas estão sendo analisados, mas deverão ser divulgados no primeiro trimestre de 2013. Isso tudo faz parte de uma estratégia de crescimento para esse mercado. Segundo dados divulgados pela Telefônica/ Vivo, em dezembro de 2008 ela possuía apenas 95 mil conexões M2M. Um ano depois, o número subiu para 134 mil e, em 2010, já eram 237 mil, um crescimento natural de acordo com a expansão do mercado. Mas, desde o ano passado, os acessos têm mais do que duplicado: 594 mil em dezembro de 2011 e, até outubro de 2012, já eram 1,113 milhão de conexões. Isso deixou a operadora como a terceira colocada nesse mercado no País, atrás da Claro e da TIM (confira na tabela os números de cada empresa). O grande impulsionador do chamado mercado de M2M, contudo, são os POS de cartões de crédito. Apesar da demora em se mexer, a Vivo espera agora um ritmo mais intenso. Estanislau Bassols acredita que é possível derrubar a Claro na posição de maior operadora de M2M no Brasil. “Nossa pretensão é assumir a liderança o mais cedo possível, talvez no próximo ano”, afirma. “Estamos caminhando bastante para tomar a segunda posição do próximo operador, mas queremos ter a liderança”, reitera.

Estanislau Bassols, da Vivo Aposta em players De qualquer forma, ainda falta muito para a Claro ceder o posto. Com mais de três milhões de conexões, a operadora tem quase metade (46,9%) do mercado de M2M no País. A empresa atribui isso a um trabalho de sete anos, desde que foi criado um time comercial específico para lidar com vendas de conexões máquina-a-máquina e atendimento dedicado a esses clientes. Diretor de vendas corporativas da Claro, Jacinto Miotto diz que há um trabalho próximo com empresas consumidoras desse tipo de serviço, como a indústria de POS. “Hoje é comum essa máquina ir até o cliente, facilitou a adoção de chips”, analisa. Além do POS, outro setor grande para a Claro é o de monitoramento de veículos. Com o Simrav finalmente saindo do papel, a empresa espera que isso impulsione ainda mais o mercado. “A ideia é que todas as operadoras suportem o projeto, pois o chip não é pertencente a nenhuma tele, ele vai ser configurado over-the-air (OTA) para que o consumidor não tenha de mexer no módulo, e isso vai depender muito de parcerias com montadoras, operadores de sis-

Conexões M2M no mundo

435.000

Fonte: Orange Business Services.

desertfox99/shutterstock.com

até 2020 teremos cerca de

2,5 bilhões de aparelhos M2M.

8,7% de economia na conta elétrica:

casos de uso de soluções

Harvepino/shutterstock.com

Segundo a associação global de operadoras móveis GSMA,

de gerenciamento de frotas inteligentes na Europa

As chamadas smartgrids, com medidores inteligentes com conexão M2M, poderão reduzir o consumo de energia quando estiverem disponíveis. 30 Teletime dez_2012

bannosuke/shutterstock.com


Outras aplicações “As operadoras estão saturadas no modo de faturamento normal de voz e dados, então há grandes oportunidades em áreas ainda pouco exploradas, como casas conectadas, saúde, fitness ou conectividade para monitorar o bem-estar de idosos”, analisa o gerente

“Na medida em que (as aplicações) demandem mais banda, poderemos utilizar 3G e, no futuro, 4G”. Jacinto Miotto, da Claro de vendas de engenharia da Amdocs Digital Services para América Latina e Caribe, Marcos Zart. Ele cita equipamentos como sensores de presença, câmeras IP, detectores de fumaça e sensores de saúde para medir batimentos cardíacos como exemplo de aparelhos já disponíveis no mercado e que se conectam à nuvem, onde o cliente pode ter acesso aos dados. A Amdocs provê o software de gerenciamento de serviço (a interface para o usuário), então ela serve de ponte entre os fabricantes dos módulos e as operadoras. É por interfaces assim que o assinante poderá ter acesso a relatórios de consumo de energia, com resultados e análises, por exemplo. Zart diz que a empresa tem conversado com operadoras “não só no Brasil, mas na América Latina” e que 2013 também será um ano de novidades e anúncios nessa área, mas avisa que ainda “não há um cronograma muito certo com as operadoras”. Para o consumidor final, conexões M2M poderão surgir como uma nova modalidade que pode ser incluída em pacotes, mesmo a clientes pré-pagos,

A parametrização segmenta a informação, abrindo um leque novo de serviços para M2M.

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45 min. Tomislav Forgo/shutterstock.com

possibilitando a redução do churn, ou seja, saída de usuários para outras operadoras. Uma funcionalidade de automação de casa, por exemplo, pode ser realizada com clientes móveis. Isso significa a aquisição de um kit de acessórios, um gateway e um contrato de um pagamento mensal de taxa para ter acesso a um portal, alertas por e-mail e por SMS. “Haverá um relacionamento com a operadora, que vai permitir cadastro de usuários de pré-pagos também”. As conexões para esses tipos de serviços, entretanto, podem ser feitas por acessos fixos também, com um link dedicado, mas que não exige grande robustez de acesso nem mesmo com streaming de vídeo de segurança (que pode ser configurado inclusive para exibir poucos quadros por segundo, diminuindo o volume de dados). Nada disso é novidade para empresas de vigilância, mas a diferença é que, agora, isso está com preços mais acessíveis no que diz respeito à conectividade, e com menor necessidade de aparelhagem e infraestrutura. “O mercado agora tem soluções intermediárias que não vão custar tanto. E esse tipo de automação é totalmente sem fio, usa protocolos otimizados e reduz o consumo de energia”, garante Marcos Zart. Vontade para novos modelos de negócio e tecnologias não faltam. Quando sair a regulamentação da desoneração de M2M, as operadoras terão todas as cartas na mão, e as chances são boas de que 2013 seja realmente o ano da comunicação máquina-a-máquina no Brasil. 

é quanto um hospital em Colchester, no Reino Unido,

economiza para rastrear equipamentos clínicos. 33 milhões de conexões

M2M deverão existir somente no varejo

até 2017,

crescimento de 22% ao ano.

dez_2012 Teletime 31

VectorLart/shutterstock.com

assegurando que o projeto já fazia parte de um plano implementado no México pela América Móvil, controladora da Claro. Miotto espera agora que a desoneração seja regulamentada para saber como isso será aplicado. “Os valores já foram discutidos, então tudo depende de como se implanta. Quando isso se resolver, ficará mais fácil. A perspectiva é boa, só não sabemos exatamente como vai nos afetar”, declara. O futuro parece realmente promissor, e todas as operadoras estão procurando se adaptar a isso. A TIM, atual segunda colocada no mercado, informou, via comunicado atribuído ao diretor de top clients da operadora, Alex Salgado, que desenvolveu planos pós-pagos específicos para essas conexões, assegurando que as informações sejam somente para troca entre terminais, facilitando o controle de gastos e uso adequado de serviço. Como as demais, o foco da empresa é em serviços de rastreamento, telemetria, sistemas de segurança, monitoramento e POS. Mas será preciso muito trabalho em 2013, pois a operadora foi a que mais registrou queda desde o início das medições de acessos M2M na Anatel, perdendo 265 mil conexões de junho até outubro.

US$ 3,8 bilhões

foram investidos pela Nespresso

em serviços de M2M

em 2011 para suas máquinas automáticas de café.


.:Regulamentação

Helton Posseti

helton@convergecom.com.br

A vez das femtocells

Regras para uso da tecnologia já estão em consulta pública. Equipamento não pagará Fistel e Anatel dá à operadora a escolha de cobrar ou não pelo seu uso.

E

FOTO: arquivo

stá dada a largada para que as operadoras de telecomunicações iniciem a adoção das femtocells. A Anatel colocou em consulta pública as regras para a utilização do equipamento. Tratam-se de pequenas antenas celulares com cobertura reduzida, perfeitas para áreas internas onde o sinal é falho ou inexistente. Além da cobertura restrita, a grande diferença entre a femtocell e a chamada célula macro é que a primeira pode ser ligada a uma banda larga residencial, o que desafoga o backhaul das operadoras móveis. Elas funcionam de forma muito semelhante aos roteadores Wi-Fi domésticos, com a diferença que criam uma rede celular em 3G ou 4G. A Anatel aprovou uma consulta pública de 45 dias (até o final de janeiro de 2013) de uma norma que regulamenta a utilização desses equipamentos. De cara, uma notícia boa para as operadoras. Devido à baixa potência com que o equipamento opera, as femtocells foram enquadradas como equipamentos de radiação restrita, que não precisam recolher as taxas do Fistel. Se o entendimento da Anatel fosse diferente, o equipamento, que hoje custa cerca de R$ 500, teria um custo anual para a operadora que poderia chegar a R$ 1,3 mil, de acordo com o presidente da Anatel, João Rezende. Entretanto, as operadoras gostariam que a isenção do Fistel abrangesse também as chamadas smallcells, estações radiobase (ERBs) com tamanho reduzido, normalmente instaladas em postes ou na fachada de prédios, o que não acontecerá. O conselheiro Jarbas Valente, relator da matéria, explica que as smallcells trabalham em potências superiores e por isso não podem ser caracterizadas como equipamento de radiação restrita. No caso das femtocells,

caberá às operadoras decidirem se cobrarão ou não pela instalação e manutenção do aparelho, mas a expectativa do conselheiro Jarbas Valente é de que as empresas optem por não cobrar. Segundo ele, fora do Brasil, onde a tecnologia é muito difundida, são raros os casos em que há cobrança. Princi­ palmente na Europa, explica o conselheiro, a tecnologia é usada nos bares e restaurantes, que muitas vezes funcionam no subsolo. Para o usuário, nada muda. Ou seja, ele não pagará mais caro por estar usando uma femtocell. Se a conexão de banda larga fixa ao equipamento for provida pelo dono do estabelecimento (é um pré-requisito para funcionamento das femto que haja esse “backhaul” fixo), caberá ao estabelecimento decidir se a “rede” ficará aberta ou restrita apenas para os aparelhos que forem cadastrados. Quando a própria operadora fornecer a rede que chega à femtocell, de acordo com a proposta que está em consulta pública, o sinal tem de ser aberto. “Áreas como restaurantes e bares, que ficam em lugares fechados, vão ser típicos para se colocar uma femtocell”, afirma o conselheiro Jarbas Valente. Ele garante que as empresas já têm mapeadas as áreas em que a sua cobertura é falha e deverá partir delas a iniciativa de procurar os donos de estabelecimentos oferecendo o novo produto, primeiramente para cobrir esses

locais conhecidos. “É como é hoje. Nós não obrigamos a operadora a cobrar ou não pelo smartphone. Ela cobra se ela quiser”, afirma o conselheiro. Outro motivo que, segundo Valente, vai desestimular a cobrança dos equipamentos por parte das teles é que a responsabilidade por ele é das operadoras. Como a femtocell usa o espectro licenciado, a visão da Anatel é que seu uso precisa ser “supervisionado” pela operadora. Além disso, a femtocell trabalha em caráter secundário, ou seja, em caso de interferência, é ela que tem de ser desligada. “Acho que vai ser muito difícil ela (a operadora) vender. No máximo, ela pode querer pensar em aluguel, mas são raríssimos esses casos fora do Brasil”, avalia Valente. Segundo o conselheiro, em alguns países, o uso de dados pela femtocell é gratuito, já que o equipamento não está conectado ao backhaul da operadora e, portanto, ela não tem esse custo. Para controlar a relação entre o dono da banda larga e a operadora, a proposta da Anatel é que haja um contrato entre as partes. Nesse contrato devem constar, além dos direitos e deveres de cada um, qual a quantidade máxima de banda que a femtocell deverá consumir da banda larga do usuário. Sem o regulamento, hoje as femtocells não estão sendo homologadas, embora alguns fabricantes já tenham apresentado seus produtos ao Orga­ nismo de Certificação Credenciado (OCC). A femtocell deve poder ser gerenciada pela prestadora, ter controle de potência e outros requisitos que constarão da nova norma. Na homologação serão observados os requisitos constantes do regulamento de radiação restrita e da norma específica da femtocell.

Como a femtocell usa o espectro licenciado, a visão da Anatel é que seu uso precisa ser “supervisionado” pela operadora.

“Áreas como restaurantes e bares que ficam em subsolos, lugares fechados, vão ser típicos para se colocar uma femtocell.” Jarbas Valente da Anatel 32 Teletime dez_2012


O desafio rural

LTE 450 MHz já está pronto e será testado por duas operadoras. Há fabricantes que ainda defendem a utilização de outras faixas para atender às metas de cobertura. bilidade de o atendimento das áreas rurais ser feito com outra frequência, e há quem aposte que é esse caminho que será escolhido pelas operadoras. Vicepresidente de estratégia e marketing da Ericsson para a América Latina, Lourenço Coelho afirma que, no começo, o terminal LTE 450 MHz certamente será muito caro. “Vai haver um telefone feito só para o Brasil. O que dita a viabilidade econômica é a tecnologia da rede mais o terminal”, afirma ele. Há ainda a possibilidade (remota) de a operadora optar por construir uma rede CDMA na faixa de 450 MHz, tecnologia esta que já existe. Mas, nesse caso, os contras são muito maiores que os prós. Além da complexidade de gerenciar uma rede de tecnologia distinta da rede urbana (e o fato do terminal da rede rural não falar na urbana), em 2017 as empresas deverão elevar a velocidade de banda larga oferecida de 256 kbps para 1 Mbps. Segundo o diretor de tecnologia (CTO) da Huawei, José Augusto de Oliveira Neto, isso fica muito difícil com a tecnologia CDMA. Em relação ao uso de outras frequências para atender às metas de cobertura rural, Oliveira Neto acha a possibilidade remota. A questão é que a frequência mais baixa de que as teles dispõem hoje (não todas) é a faixa de 850 MHz. Segundo ele, a faixa precisa de duas vezes mais antenas para cobrir a mesma área que o 450 MHz.

a Anatel abre a possibilidade de o atendimento das áreas rurais ser feito com outra frequência, e há quem aposte que é esse caminho que será escolhido pelas operadoras.

FOTO: arquivo

D

uas operadoras móveis (uma delas a Oi) já estão testando o LTE brasileiro para a faixa de 450 MHz. O produto foi desenvolvido pelo CPqD com recursos do Fistel e já está sendo produzido pela WxBr, de Campinas. A licitação da faixa de 450 MHz, com as metas de cobertura das áreas rurais, foi o pontapé inicial para que o Brasil liderasse um movimento de padronização do LTE 450 MHz junto ao 3rd Generation Partnership Project (3GPP), grupo responsável por padronizar tecnologias móveis UMTS. Foi criado um grupo de trabalho liderado pela Huawei e pela TIM para padronizar a tecnologia junto ao órgão e, assim, criar as condições para que a o LTE em 450 MHz se desenvolva no mundo todo. O CPqD e a WxBr se anteciparam a esse movimento de padronização e desenvolveram uma solução a tempo de ser testada e implantada pelas operadoras brasileiras. De acordo com o edital de venda das faixas de 2,5 GHz e 450 MHz, as operadoras devem atender à área rural (limitada a uma área de 30 km da área urbana) de 30% dos municípios das suas áreas de outorga até junho de 2014. Segundo o presidente da WxBR, Samuel Lauretti, para que esse prazo seja cumprido é preciso que a implantação se inicie já no ano que vem. “O Brasil tem cerca de 5,5 mil municípios e, como são quatro áreas, estamos falando de 300 a 400 munícipios nessa primeira fase”, calcula ele. Depois disso, a próxima meta é atender a 60% dos municípios até o final de 2014 e a 100% até o final de 2015. Pesa para a escolha da tecnologia brasileira a obrigação colocada no edital de compra por produtos fabricados e desenvolvidos no Brasil. A utilização do LTE 450 MHz, entretanto, ainda não é um ponto pacífico. No edital, a Anatel abre a possi-

Na decisão sobre qual caminho seguir, certamente os gestores das operadoras estão considerando as medidas de desoneração tributárias anunciadas no Regime Especial de Tributação do PNBL (REPNBL). O novo regime isenta as estações de 450 MHz do pagamento das taxas de Fistel e também isenta o serviço prestado sobre a faixa de 450 MHz dos impostos federais. Sem dúvida, essa é uma excelente notícia e um estímulo e tanto para que as operadoras optem pelo 450 MHz para fazer a cobertura rural, mas o problema é que o governo, até o fechamento desta edição, ainda não havia regulamentado a medida, o que, na prática, a torna inócua. O benefício, entretanto não agradou a todos. Para Lourenço Coelho, da Ericsson, uma desoneração tributária tem de focar um serviço e não uma tecnologia. “Pareceu-me estranho porque ninguém dá incentivo para tecnologia, e sim para serviço. No curto prazo, pode ser melhor, mas no longo prazo a rede urbana vai substituir a rural”, afirma ele. Para ele, esse benefício deveria valer também para as outras faixas que a operadora eventualmente escolha para atender a área rural. Em relação à escala dos aparelhos, item apontado como motivo para a não adoção do LTE 450 MHz, Oliveira Neto, da Huawei, diz que a aposta de grandes players nesse mercado (como a Qualcomm e a própria Huawei, que anunciaram o desenvolvimento de chipsets para a tecnologia) deve impulsionar rapidamente o crescimento do LTE em 450 MHZ e, consequentemente, proporcionar redução de preço. A entrada de players internacionais, entretanto, ainda é algo que levará um tempo. Segundo o diretor de relações governamentais da Qualcomm, Francisco Giacomini Soares, como o processo de padronização no 3GPP está no começo, os dispositivos de LTE 450 MHz estarão disponíveis só no final do ano que vem, sendo que primeiramente deverão surgir dispositivos nomádicos, para só então aparecerem dispositivos totalmente móveis como tablets e smartphones. 

“Vai haver um telefone feito só para o Brasil. O que dita a viabilidade econômica é a tecnologia da rede mais o terminal.” Lourenço Coelho, da Ericsson dez_2012 Teletime 33


.:Satélites

Samuel Possebon, da Guiana Francesa samuca@convergecom.com.br

Órbita calculada

Star One lança o satélite C3, que reforça a cobertura da empresa na América Latina e os planos da América Móvil para a região. Satélite também traz cobertura para a região do pré-sal.

“Ninguém ganha vida em um satélite. Você apenas trabalha ao longo dos anos de forma a não ter que entrar na reserva de combustível.”

34 Teletime dez_2012

mercado nacional, explica o diretor geral da Star One, Lincoln Oliveira. “O B4 ainda reflete essa mentalidade, que mudou completamente depois que a empresa foi privatizada”, diz ele. O B4 é hoje fundamental para os serviços de TV por assinatura e TV digital no País e começou a entrar em seu final de vida útil neste ano de 2012, ainda que o histórico de operação da Star One dê uma certa segurança de que esses satélites consigam operar ainda mais dois ou três anos além da vida útil prevista sem grandes dificuldades. O B3, por exemplo, já está dois anos além do seu prazo final, e ainda terá combustível para operar por mais três anos em órbita inclinada (quando o satélite não fica mais geoestacionário). “Ninguém ganha vida em um satélite. Você apenas trabalha ao longo dos anos de forma a não ter que entrar na reserva de combustível, e aí essa sobra dá mais alguns anos de operação”, explica Oliveira. O combustível do satélite são os gases utilizados para mantê-lo posicionado, mas há ainda outros fatores de desgaste, como o desempenho dos painéis solares e da parte eletrônica. O custo de construção, lançamento e seguro dos satélites C3 e C4 é, ao todo, da ordem de US$ 600 milhões, sendo US$ 260 milhões para o C3 e o restante para o C4. Se somarmos o custo para colocar em órbita o C1 e o C2, os investimentos da Star One já passam US$ 1,1 bilhão. O C3, no fechamento desta edição, estava em fase final de testes, mas as etapas mais críticas haviam sido vencidas com sucesso. A começar pelo lançamento, passando pelo posicionamento no ponto geoestacionário, abertura das antenas e painéis solares e testes de transmissão e capacidade de manobras. Tudo, até meados de dezembro, dentro dos padrões esperados. FOTOS: divulgação

A

Star One lançou em mas a operação é mais complexa pois novembro, da base de exige antenas capazes de seguir o satéKouru, na Guiana Fran­ lite em movimento. cesa, o seu nono satélite O Star One C3 é um satélite médio, na história (incluindo os de 3,35 toneladas, com 5,5 kW de artefatos Brasilsat, da Embratel), o Star potência, fabricado pela Orbital. É o One C3, através do foguete Ariane 5. primeiro satélite da Orbital contratado Será o sétimo satélite operacional da pela Star One. frota, e é um satélite importante porque São 28 transpônderes de 36 MHz reforça a presença da Star One na em banda C e 16 transpônderes de 72 região andina e na Flórida, inclusive MHz em banda Ku. Basicamente, será com capacidade de subida de sinal nesusado para transmissão de dados e sas regiões, permitindo à empresa se TV, abrigando os clientes que hoje tornar uma operadora de satélite com estão hospedados no Brasilsat B3 e cobertura completa na América Latina. abrindo espaço para novos clientes. Estrategicamente, é uma forma de Mas o C3 não será o satélite de DTH do reforçar também o peso da Star One grupo, missão que caberá ao C4, a ser dentro das operações da América Móvil, lançado em 2014 e que será 100% reconheceu seu presidente, Gustavo usado nas operações da Claro TV no Silbert, em entrevista na ocasião do lanBrasil e na América Latina. O C4 será çamento, na Guiana Francesa. Do grupo ainda o maior e mais potente satélite de Carlos Slim, a Star One é a única já colocado em órbita pelo grupo operadora de satélites, e é cada vez Embratel/Star One. Um artefato de mais estratégica para as atividades do quase seis toneladas, três vezes mais grupo, sobretudo no segmento de DTH e potente que o C3 e que pela primeira nas operações corporativas. vez operará banda Ku BSS, uma faixa Outra característica importante do estendida da banda Ku dedicada Star One C3 é que é um satélite com um exclusivamente a serviços de televisão. cobertura ampliada a leste da costa braO satélite está sendo construído pela sileira, abarcando a região marítima do Loral e, assim como o Star One C3, pré-sal. A empresa aposta que com o será lançado pelo foguete Ariane 5. início da exploração de petróleo nessa região mais distante da costa será cada Fase global vez mais necessário capacidade de teleUm outro fato importante para a comunicações em alto mar, mas é uma Star One é que a substituição do B3 aposta arriscada, já que no momento pelo C3 começa a deixar para trás a ainda não há contratos efetivos de presfase em que a Embratel era uma opetação de serviço nessa região. radora estatal e que seus projetos O satélite Star One C3 ficará na eram dedicos exclusivamente ao merposição 75°W, substituindo o satélite cado doméstico. Até o Brasilsat B3, já em final de vida e que Brasilsat B4, a cobertura dos passará a operar por mais um período satélites se restringia ao (na verdade, mais uns três anos, o que ainda é muita coisa) em órbita inclinada. Nessas condições, o satélite ainda desempenha uma função relativamente importante para o transporte de Lincoln Oliveira, da Star One dados a grandes clientes,


Experiência acumulada

Projeto brasileiro de satélites já tem 40 anos de conhecimento na área.

S

e existe uma área no universo das telecomunicações em que o Brasil se destaca é a de satélites. Em 2013 completam-se 45 anos desde que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) começou a estudar um satélite voltado para televisão; e 40 anos do estudo para um satélite próprio de telecomunicações, ainda que o projeto do Sistema Brasileiro de Telecomunicações por Satélite (SBTS) só tenha surgido em 1975. Outro marco importante foi comemorado em 2012: 30 anos da contratação do primeiro satélite de comunicações brasileiro, o Brasilsat A1, da Embratel, que entrou em operação em 1985. De lá para cá, a Embratel já colocou nove satélites em órbita. O quarto satélite da série C, o Star One C4, sobe em 2014. A Star One (braço da Embratel para a operação dos satélites) é hoje a sétima maior operadora de satélites do mundo. E desenha planos para a uma nova família de satélites, a série D, que deve estar em operação em 2016 e terá, pela primeira vez, capacidade em banda Ka, para banda larga. O projeto do Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações (SGDC), para que o Brasil consiga, nos próximos anos, colocar dois satélites em órbita, caminha a passos lentos, mas caminha. No final de 2012, ainda se buscava finalizar a proposta de compra do satélite que seria submetida aos diferentes fabricantes. Conhecimento A Star One tem quase 200 funcionários. Mas a essência do negócio não é a quantidade, mas sim a qualificação dos profissionais. “O treinamento para algumas funções é algo que só vem com experiência prática”, diz o diretor geral da Star One, Lincoln de Oliveira. As equipes que acompanham o processo de produção do satélite são responsáveis pela especificação e escolha do projeto, acompanhando em fábrica a construção, a equipe que acompanha a integração com o lançador e a que acompanha o lançamento em si. São profissionais que se revezam entre o Brasil e o exterior a maior parte do ano, já que as fábricas

Centro de controle da Star One em Guaratiba/RJ foi expandido pela quantidade de projetos.

não têm sede no País. É uma equipe limitada, de cerca de dez profissionais. Os profissionais de operação dos satélites, ou os “pilotos”, são responsáveis por acompanhar diariamente o comportamento do satélite em órbita, realizar manobras de rotina, ajustes de posicionamento e evitar problemas (co­ mo colisões com lixo espacial) tudo isso gastando o mínimo de combustível, o que assegura a vida útil máxima do satélite. Essa equipe é composta por cerca de 21 técnicos. Ainda há um conjunto de astrônomos, que calculam a órbita e as manobras, e as equipes que cuidam das transmissões (monitorando os transpônderes e os sinais que estão trafegando no satélite) e as equipes que cuidam das estações em terra. Além de equipes de TI e engenheiros de telecomunicações. Uma operação como a da Star One precisa de um centro de controle com uma série de características de confiabilidade bastante rigorosas. O principal centro de controle é em Guaratiba (RJ), construído há exatos 30 anos e que ao longo do tempo se expandiu em função da ampliação dos serviços e da quantidade de satélites em órbita. A Star One tem algumas características singulares de operação. Uma delas é o fato de optar por um sistema integrado de controle em todos os sete satélites. “Esse sistema de gerenciamento foi dez_2012 Teletime 35

desenvolvido por nós e permite que um mesmo operador tenha condições de trabalhar com diferentes satélites”, explica Lincoln Oliveira. No caso da Star One, há dois satélites da Boeing em operação (B3 e B4), dois da Thales (C1 e C2), um da Orbital (C3) e um da Loral, o C4, que ainda não foi lançado. Cada modelo e cada fabricante costumam ter um sistema específico. “Um dos desafios é justamente adaptar esses sistemas específicos ao nosso sistema unificado”, diz Oliveira. “Queremos que no futuro o satélite seja plug-and-play do ponto de vista da estação de operação”, diz o executivo. Oliveira também considera fundamental começar a fazer o gerenciamento de um projeto de satélite já em fábrica, durante a montagem. “Isso nos dá condições de conhecer e analisar inclusive os fornecedores terceirizados do fabricante, evitando uma série de problemas posteriores”. Por que esse conhecimento não pode ser aproveitado nessa nova etapa do projeto brasileiro de satélites? “Da nossa parte, nada impede. Se o governo quisesse nos contratar para operar os satélites que serão colocados em órbita, podemos fazer. Se quiserem incluir payload (capacidade) em satélites nossos, é possível também. Independente da origem de capital, a Star One é uma empresa composta só por profissionais brasileiros, formados aqui”, diz Oliveira. 


Renato Salvadori*

FOTOs: arquivo

.:pontodevista

cartas.teletime@convergecom.com.br

A gestão da qualidade na banda larga

O

s serviços de banda larga oferecidos por operadoras de telecomunicações e provedores de acesso no Brasil nunca estiveram tanto em discussão. As ações do governo federal sobre inclusão digital, como por exemplo, o PNBL (Programa Nacional de Banda Larga), que tem como parte de seus objetivos o maior desenvolvimento da infraestrutura nacional e ofertas de serviços de acesso à Internet a preços mais baixos, trazem à tona um problema antigo, que, apesar das várias conversas, efetivamente pouco se fez no sentido de medir seus reais impactos: a qualidade. Com efeito, a Anatel trabalha com intuito de equalizar esta questão, buscando acordos para que o serviço de banda larga no Brasil seja de melhor qualidade, através das redes de todos os prestadores de serviço. Para realização deste processo, a Anatel aprovou, em 28 de outubro de 2011, o Regulamento de Gestão da Qualidade da Prestação do Serviço de Comunicação Multimídia (RGQ-SCM). Esta regulamentação estabelece uma série de métricas de qualidade na prestação do serviço de banda larga no Brasil, que incluem indicadores que aferem a qualidade da infraestrutura, como velocidade de conexão e tempo

Indicador de qualidade Velocidade instantânea Velocidade de conexão Latência bidirecional Jitter – variação de latência Pacotes descartados Disponibilidade mensal

de resposta (lentidão), bem como referentes à execução do serviço, entre eles qualidade no atendimento, tempos de resolução, instalação, troca de equipamentos etc. Muito se tem discutido sobre os avanços reais que os indicadores dispostos no RGQ-SCM trarão na qualidade da Internet no Brasil. Avanços que o usuário poderá sentir e usufruir de imediato. Podemos entender que as metas definidas pela Anatel são adequadas ao momento econômico que o País vive. Os usuários sempre questionaram a qualidade destes serviços no Brasil, comparando-os com outros países. Por outro lado, ao analisarmos o cenário atual da qualidade da banda larga no Brasil, seja ela fornecida por tecnologia móvel ou fixa, concluiremos que alcançar tais índices não será tarefa fácil para as operadoras e prestadores de serviços. As metas, tanto para os indicadores de rede quanto para os indicadores de serviço, são agressivas e demandam investimentos, que poderíamos analisar sobre três pilares: Infraestrutura: para atingir novos limiares de garantia de velocidade de conexão, as operadoras provavelmente deverão fazer investimentos para ampliação e melhoria de sua infraes-

Objetivo Mínimo de 20% da velocidade contratada em 95% das medições realizadas no período Média de 60% da velocidade contratada para todas as medições do período Latência de 80 milissegundos para acessos terrestres e 900 milissegundos para acessos via satélite para 85% das medições do período Variação de até 50 milissegundos em 80% das medições do período Máximo de 2% dos pacotes enviados em 85% das medições do período Disponibilidade de 99% em 85% das medições do período 36 Teletime dez_2012

trutura de redes. O aumento da capacidade instalada proporcionará aos usuários, mesmo no uso compartilhado, melhor qualidade de acesso. Proatividade na monitoração: com a crescente demanda por estes serviços de banda larga, um acompanhamento sobre o uso/consumo da infraestrutura deve ser seguido mais de perto. Iniciativas de monitoração proativa e contínua sobre a rede e os serviços prestados devem ocorrer de forma a antecipar possíveis problemas e gargalos na infraestrutura, que possam impactar negativamente no serviço. Melhorias no atendimento: a adoção de práticas pró-ativas em processos operacionais também chegou para ficar. Cada vez mais os centros de operações de redes e atendimento ao cliente (Call Center ou Service Desk) estão trabalhando com intuito de adotar boas práticas de gestão de ocorrências normalmente baseadas em padrões internacionais (ITIL, e-TOM, COBIT). Estes padrões de referência proporcionam melhoria nos processos de atendimento e gestão, e municiam os gestores de informações para composição de indicadores de qualidade sobre os serviços fornecidos, que também serão auditados pela agência. Por fim, podemos até não atingir os níveis de serviços vistos em nações mais desenvolvidas neste momento, mas não podemos deixar de entender que este é um avanço e que, pela primeira vez, os parâmetros de qualidade estão sendo divulgados de maneira clara e sendo tratados com seriedade. Neste sentido, a competição das operadoras por novos consumidores, que estão cada vez mais exigentes e informados, auxiliará na melhoria da qualidade dos serviços, acompanhando as  expectativas dos usuários. *Engenheiro responsável pela área de prévendas da ISPM - Soluções para Gestão de Nível de Serviço (www.ispm.com.br) –, com formação PMP, ITIL, COBIT, MCP e CPP.


Cláudio Dascal

dascal@uol.com.br

Smartgrids e PNBL: sinergia possível

S

martgrids, livremente traduzidas como redes inteligentes, é uma terminologia e uma tecnologia identificada pelas empresas de energia elétrica como a oportunidade de viabilizar a evolução de suas redes de distribuição e, assim, melhorar sua eficiência e se adequar às novas demandas de mercado energético. O termo é usado para caracterizar a modernização e evolução das redes de distribuição de energia elétrica tradicionais para um novo estágio, onde se inclui muita inteligência nas redes de distribuição, permitindo uma notável automatização nos processos de medição, detecção de falhas, religamento e, finalmente, compra e utilização de energia excedente produzida pelo consumidor. Nos países europeus, o mercado de smartgrids surgiu como consequência da necessidade de controlar as emissões de carbono, incluída em acordos internacionais. No Brasil, as justificativas para uso de smartgrids são outras, como a redução de fraudes, combate a perdas não-técnicas, aumento da eficiência operacional e melhoria da qualidade de serviço. Também é uma alternativa ao caos da falta de mobilidade urbana no que diz respeito ao atendimento de chamados e falhas. Por outro lado, o setor elétrico, se comparado às telecomunicações, é um setor extremamente conservador e a adoção de novas tecnologias e métodos de trabalho é um processo mais lento e que impacta o conjunto da organização. A introdução de smatgrids requer atitude, conhecimentos e metodologias de gestão de projeto que não são as normalmente encontradas no setor elétrico. Assim, o que se vê são muitas experiências-piloto de implantação de medidores eletrônicos em áreas limitadas, ampliações de alguns destes pilotos para religamentos e atendimentos remotos, mas nenhuma indicação clara de que estas tecnologias estarão definitivamente implantadas num horizonte de dois a três anos. Em grande parte, devido aos marcos regulados. É claro que qualquer evolução tecnoló-

FOTO: ARQUIVO

.:ponto&contraponto

gica tem que se justificar com o retorno de seu investimento. E a característica destes investimentos é se reverterem predominantemente em aumento de eficiência operacional e necessitam de um prazo significativo para sua recuperação. Uma oportunidade importante seria a diminuição de fraudes, o que poderia representar um aumento efetivo de receita. É compreensível que, diante da incerteza do marco regulatório para o setor elétrico, este segmento esteja cauteloso em fazer investimentos em novas tecnologias que demandam um prazo razoável de retorno. Por outro lado, os regulamentos do setor não estimulam investimentos que gerem receitas adicionais em outros serviços, pois qualquer receita obtida deve ser revertida em redução de tarifas para os usuários. A implantação de smartgrids traz imediatamente à tona a ideia de similaridades com o setor de telecomunicações. Em ambos os casos, a capilaridade deve cobrir a totalidade de domicílios, escritórios e instalações industriais, e cada vez mais isso tem que ser feito com a instalação de meios de comunicação inteligentes, redes com tecnologia IP e que permitem ter a expectativa de prover outros serviços, além da melhoria de eficiência e de qualidade. Aliás, a possibilidade de que as empresas de distribuição de energia elétrica assumam um papel relevante na universalização das telecomunicações e no aumento da competição no setor de telecom é uma discussão antiga, realizada em uma época sem as tecnologias hoje disponíveis. Mesmo o PLC (Power Line Communi­ca­ tions), que permite acesso banda larga por redes elétricas, tem hoje maiores possibilidades do que no início desta discussão há alguns anos. Estamos em outro momento e as condições regulatórias do setor elétrico colocam limitações para que esta possibilidade venha a ocorrer. Por um lado, a incerteza no marco das elétricas, associada à impossibilidade das distribuidoras de energia aproveitarem receitas de outras ativida-

des de telecom, coloca-se como inibidor do empenho destas empresas em buscar soluções ou artifícios societários que lhes permitam vir a prestar outros serviços, aproveitando sua infraestrutura. Por outro lado, a obtenção de uma licença de comunicação multimídia (SCM) por si só permitiria a prestação de serviços de telecom pelas elétricas, mas a natureza do negócio faz com que apenas a rede seja aproveitada, requerendo estruturas de vendas e atendimentos independentes. Pode ser que para um projeto bem sucedido de redes inteligentes, as organizações tenham que ser repensadas de forma inteligente e não compartimentada, e só assim permitir a plena exploração das potencialidades que esta tecnologia oferece. O projeto de Cidades Digitais poderia muito se beneficiar da tecnologia de smartgrids e impulsionar o Programa Nacional de Banda Larga (PNBL). Desde que se viabilizasse um modelo em que as prefeituras e usuários pagassem o serviço e uso da infraestrutura às empresas de distribuição elétrica, que usariam a sinergia de uma rede inteligente existente para viabilizar outras demandas da comunidade. As tecnologias estão aí, e com fibra, cobre ou wireless é possível rapidamente implantar uma rede inteligente usando soluções IP e, no caso wireless, alocando bandas de frequência para a implantação das smartgrids. Mas é necessário que haja um impulso na implantação, para que se gere um volume de mercado que viabilize preços baratos na infraestrutura e nos terminais, para não sobrecarregar as já carregadas redes celulares. A sinergia com o PNBL pode existir e se estende a todas as utilities, mesmo que a necessidade inicial seja de baixa velocidade, uma vez que as tecnologias são as mesmas. Da mesma forma que as empresas têm que repensar suas organizações para esta nova tecnologia, o governo tem que repensar como atuar interdisciplinarmente para não travar seu desenvolvimento. Regulamentar na medida certa é o grande desafio para os agentes do governo, para não inibir as boas iniciativas. 

regulamentar na medida certa é o grande desafio.

38 Teletime dez_2012


O 57º Painel TELEBRASIL vai ocupar sua agenda.

No mês de maio, Brasília recebe o 57º Painel TELEBRASIL. O evento reúne os principais executivos e autoridades do mercado de telecom, discutindo estratégias, políticas, investimentos e a conjuntura setorial.

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Revista Teletime - 161 - Dezembro de 2012  

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