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Ano 14

n0 146

ago2011

www.teletime.com.br

nova etapa

Em entrevista exclusiva, Paulo Bernardo diz que, fechados os acordos do PNBL, prioridade agora é expandir a infraestrutura de redes. RECURSOS HUMANOS Operadoras investem em benefícios para motivar funcionários e melhorar o atendimento

SERVIÇOS MÓVEIS Explosão dos aplicativos gerou excesso de espaços de publicidade, mas faltam anunciantes


Presidente Rubens Glasberg Diretores Editoriais André Mermelstein Claudiney Santos Samuel Possebon (Brasília) Diretor Comercial Manoel Fernandez Diretor Financeiro Otavio Jardanovski

Editor Samuel Possebon Editora Adjunta e Editora de Projetos Especiais Letícia Cordeiro Editor de Mobilidade Fernando Paiva Redação Daniel Machado, Wilian Miron, Helton Posseti (Brasília), Fernando Lauterjung Consultor Especial Cláudio Dascal Arte Edmur Cason (Direção de Arte); Rubens Jardim (Produção Gráfica); Geraldo José Nogueira (Edit. Eletrônica); Débora Harue Torigoe (Assistente); Alexandre Barros (Colaborador); Bárbara Cason (Colaboradora) Departamento Comercial Ivaneti Longo (Assistente) Inscrições e Assinaturas Gislaine Gaspar (Gerente) Circulação Patricia Brandão (Gerente) Marketing Harumi Ishihara (Diretora) Gisella Gimenez (Assistente) Administração Vilma Pereira (Gerente) TELETIME é uma publicação mensal da Converge Comunicações - Rua Sergipe, 401, Conj. 603 CEP: 01243-001 - Telefone: (11) 3138-4600 e Fax: (11) 3257-5910 - São Paulo, SP. Sucursal SCN Quadra 02 Bloco D, sala 424 – Torre B - Centro Empresarial Liberty Mall - CEP: 70712-903 - Fone/ Fax: (61) 3327-3755 - Brasília, DF. Jornalista Responsável Rubens Glasberg (MT 8.965) Impressão Ipsis Gráfica e Editora S.A. Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A

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Samuel Possebon

FOTO: arquivo

.:Editorial

samuca@con­ver­ge­com.com.br

A competição vem pela rede

N

o final de julho o mercado de telecomunicações completou 13 anos de privatização do antigo Sistema Telebrás. As empresas resultantes desse processo, por meio da sua associação Telebrasil, comemoraram os resultados com números: 286 milhões de usuários, R$ 236 bilhões em investimentos, 431 mil empregos, R$ 323 bilhões em tributos recolhidos (isso não é exatamente um elemento de comemoração, mas é parte da numerália de qualquer forma), entre outros dados. São importantes, mesmo que se considere que nem tudo é resultado da privatização em si, mas sim de um cenário competitivo de mercado. Na segunda edição da revista TELETIME, de junho de 1998, um pouco antes da privatização, a matéria de capa questionava se a competição, como um dos dois pilares do modelo (o outro era a universalização) estaria garantida. Naquele momento, já ficava claro que o cenário competitivo demoraria muito mais para se firmar. Olhando para hoje, existe competição na telefonia móvel, sem dúvida, assim como na TV por assinatura, se contados os serviços de DTH, que já têm mais de 50% do total de assinantes. Mas a competição ainda é muito limitada nos serviços que requerem redes fixas, como banda larga, STFC, TV a cabo e serviços corporativos. A razão para isso é uma só: construir redes fixas custa caro, é complicado e exige em­presas com boa capacidade de planejamento, investimento e operacionalização. Na banda larga, aos poucos, os serviços móveis vão ocupando o espaço que deveria caber ao ADSL na massificação do serviço. Hoje, ofertas populares de conectividade 3G garantem a uma grande quantidade de pessoas a possibilidade de acesso à Internet, ainda que as velocidades sejam aquelas que a rede comporta naquele momento. O que não vingou nesses anos todos foi justamente a construção de novas redes competitivas. O principal motivo para isso teria sido o mercado de TV por assinatura. Nos EUA, mais de 60% do acesso à banda larga é em cima de redes de cabo. E onde as 4 Teletime ago_2011

operadoras de cabo atuam no Brasil a disputa é acirrada, com vantagens em termos de qualidade para o operador de cabo. Só que, de maneira inexplicável, a Anatel passou dez anos sem evoluir no licenciamento de novas outorgas. E quando resolveu fazer algo, partiu para a opção de derrubar o marco regulatório existente e propor outro (para lá de polêmico) no lugar. Resultado: já se passou mais de um ano desde que o modelo começou a ser reformado, a reforma ainda não acabou (falta o regulamento principal) e não há perspectiva de que o mercado de cabo volte a ter novas outorgas no curto prazo. Tudo depende do PLC 116/2010 ser sancionado e regulamentado, depois de ser aprovado no Congresso. Fora as poucas operadoras de cabo existentes no Brasil, as redes que foram construídas para competir com as incumbents são limitadas ao mercado corporativo e à atuação da GVT, além do que restou da fracassada rede WLL da antiga Vesper, incorporada à Embratel. Não passam de algumas centenas de cidades. E pior, poucas dessas redes servem ao mercado residencial. É muito pouco, considerando-se que o mercado de telecom está aberto há 13 anos. Mas os sinais são positivos: a TIM investiu pesado na compra das redes da AES Atimus e sinaliza que, juntamente com a infraestrutura da Intelig, passará a oferecer banda larga no varejo; vemos também a GVT se expandindo; a Net e a Embratel, que sem dúvida foram as responsáveis por boa parte da pouca competição que se tem em acessos fixos e banda larga, estão construindo redes banda larga em novas cidades; e sabe-se aqui e ali de investidores cada vez mais dispostos, olhando o mercado de redes metropolitanas. O governo sinaliza agora para um movimento de desoneração da construção de novas redes, o que é ótimo, ainda mais considerando que essa política prevê a antecipação de investimentos. Na entrevista de capa desta edição, o ministro Paulo Bernardo indica que expandir essa infraestrutura competitiva será a grande preocupação do Minicom daqui para frente. É uma boa pauta. Só não pode esperar mais 13 anos para acontecer.


146 Número

w w w . t e l e t i m e . c o m . b r

Ano 14 | Ago11

8

Capa

8 Missionário digital

Paulo Bernardo, das Comunicações, aponta a massificação da banda larga como prioridade de sua gestão. Ele cobrará aportes das teles e trabalhará para que a Telebrás lidere projetos de expansão de redes.

Banda larga

12 Marginalizados 12

À revelia dos pequenos provedores, governo dá sinais de que universalização da banda larga passará pelas mãos das concessionárias.

39

15

Especial Casa Conectada

Veja quais são as tecnologias e serviços que atendem à demanda por mais conteúdo, interatividade e integração entre dispositivos.

Recursos humanos

39 Humanizando a relação

Com elogios, presentes e até planos de carreira, teles colocam os funcionários no centro de sua estratégia comercial. Tratá-los bem é uma das formas de reter e fidelizar o cliente.

Serviços móveis

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46

42 Procuram-se anunciantes Popularização de smartphones e chegada de tablets geram aumento da oferta de espaço publicitário móvel. Demanda de anunciantes não acompanha o ritmo.

Regulamentação

46 Ou vai ou racha

Votação do PLC 116 é adiada para o início de agosto, mas Anatel trabalha com a hipótese de novo regulamento caso o novo marco legal não seja votado.

Editorial 4 | Ponto de Vista 48 | Ponto & Contraponto 50 foto de Capa: eugênio novaes

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.:capa

Samuel Possebon e Helton Posseti, de Brasília

samuca@convergecom.com.br e helton@convergecom.com.br

Novo capítulo

Governo considera positiva a negociação com as empresas para a oferta de banda larga popular, aposta na massificação do serviço e diz que agora priorizará investimentos em infraestrutura.

TELETIME O acordo celebrado com as concessionárias nos Termos de Compromisso para a banda larga popular tem sido muito criticado... PAULO BERNARDO Eu vejo uma gritaria muito grande nas redes sociais e meios de comunicação e a sensação que eu tenho é que esse é o grito dos incluídos. É o grito de quem acha que a Internet é insuficiente, que precisa bai­ xar filme em oito dimensões e acha que uma Internet de 1 Mbps não serve para nada. Não veem que o trabalho vai ser o de colocar milhões nessa roda. Foi na verdade um acordo para massificar a conectividade, é isso? Sim, porque essa é a nossa obriga­ ção. O que temos que fazer é colocar tantos quanto nós pudermos no mundo da banda larga. Porque se a gente tra­ balhasse para melhorar apenas a Internet de quem já tem, era perpetuar essa situação em que a Internet está presente em apenas 27% dos domicí­ lios, com menos de 1 Mbps na média de velocidade e mais cara que os R$ 35 por Mbps, podendo chegar a R$ 400 conforme o local.

uma regra para todo mundo. Vamos ser francos, não é porque empurramos para eles uma nova obrigação que vamos exigir deles (concessionárias) uma qualidade diferente. Quem tem a Internet de empresas que não fizeram acordos conosco tem direito a essa qualidade também. Até 31 de outubro a Anatel solta essas regras.

foto: eugênio novaes

O

ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, avisou logo no início de sua gestão que a prioridade do Minicom seria a questão da banda larga. Depois de seis meses de trabalho, a primeira etapa desse desafio foi concluída com o anúncio do Termo de Compromisso com as empresas. Descontente com as muitas críticas feitas sobre os termos e condições do acordo, o esforço do ministro, nessa entrevista exclusiva, é mostrar que a ênfase, nesse momento, é na massificação do acesso. Como próximos passos, ele aponta a necessi­ dade de cobrar investimentos das empresas, quer que a Telebrás lidere projetos de implantação de redes e diz que não faz sentido dar dinheiro público para as empresas fazerem o que já fazem.

Paulo Bernardo

O mercado tem condições, estabelecida essa banda larga massificada, de avançar por conta própria em qualidade e velocidade? Isso vai ser concomitante, não vai ser separado. A Internet é deficiente em sua qualidade, tem problemas, e provavelmente o número maior de pes­ soas conectadas aumentará a pressão por mais qualidade. É a lógica. Mas é importante dizer que não abrimos mão da qualidade, nada mudou em relação ao que existe hoje. Simplesmente não colocamos nos termos essa exigência, porque achamos que o correto é ter

Como ajustar o que virá desse regulamento de qualidade? O governo vai dizer para a Anatel o que exigir das empresas? Um dos regulamentos, do móvel, já até passou por consulta. O parâmetro vai ser o que a Anatel definir, mas o governo vai querer olhar. Vamos fazer uma coisa que melhore a Internet den­ tro das condições técnicas colocadas. Mas é importante deixar claro que isso, essa discussão sobre qualidade pela qual agora somos cobrados, sequer existia. Ela foi trazida pela presidenta da República. Depois começou essa quase campanha de difamação dizendo que abrimos mão da qualidade. A qua­ lidade que existe hoje nunca havia sido questionada nesses seis meses que eu estou aqui. Se não é a presidenta Dilma colocar isso na mesa, o assunto não teria surgido. Desde o começo a gente dizia que a Internet era cara e inefi­ ciente, e ter uma regulamentação da qualidade é pauta nova. O governo não teme que as empresas se acomodem a esse piso de R$ 35 por 1 Mbps de velocidade e o serviço popular não melhore nunca? Não tenho nenhum temor em relação a isso. Primeiro, para atender a essa gama enorme de novos consumidores, as

A qualidade que existe hoje nunca havia sido questionada nesses seis meses que eu estou aqui. Se não é a presidenta Dilma colocar isso na mesa, o assunto não teria surgido.” 8 Teletime ago_2011


empresas terão que fazer investimentos, a Telebrás terá que fazer investimentos, as móveis farão investimentos. Com o regulamento de competição (PGMC), que obriga o compartilhamento, unbundling, vamos acirrar a concorrência entre as empresas. Hoje já tem R$ 49 por 10 Mbps. As concessionárias vão sofrer con­ corrência, o que vai levar ao barateamen­ to desses preços, e em 2014 ou as empre­ sas terão aumentado a velocidade desses pacotes de entrada ou terão baixado o preço. A verdade é que aqui em Águas Lindas (GO) esse 1 Mbps custa R$ 80, e por um provedor clandestino. A Telebrás fez um acordo em Santo Antônio do Descoberto (GO) com um provedor que tem mil clientes e ele espera dobrar esse número neste ano, depois do acordo. Acirrando a competição, tudo melhora. O senhor mencionou, nas suas palavras, que vocês empurraram novas obrigações para as empresas. Faltava base jurídica para colocar metas de banda larga para as empresas? Não diria que empurramos, foi mais uma negociação “amis­ tosa”. Mas é bom lembrar que quando começamos a discutir o PNBL, em 2009, recebemos propostas das operadoras de telefonia que topa­ vam fazer o que estávamos propondo na ocasião por R$ 22 bilhões. Era na verdade R$ 27 bilhões mas uma parte era só rede, não era para atendimento no varejo da Internet. E naquele tempo a velocidade almejada era de 512 kbps, e nada se falava de qualidade, pelos mesmos R$ 35. Conseguimos o dobro da velocidade sem colocar nenhum centavo. Podíamos, no PGMU, imputar metas de construção de rede. Mas o governo estava juridicamente seguro de que dava para ter feito isso se fosse preciso? Porque as empresas chegaram a ir para a Justiça contra essas obrigações. Claro que dava para fazer. Acho que concessionária de serviço público não entra na Justiça contra o poder concedente por metas. Isso é atribui­ ção nossa estabelecer. Metas de rede poderiam ter sido colocadas sim. Além disso, embora elas aleguem que isso não estivesse no contrato inicial, o que é verdade, em 2009 elas mesmas con­ cordaram em fazer Internet nas esco­ las. Havia um precedente, portanto. Já havia uma situação em que se elas

fossem cometer esse desatino de ir para a Justiça pela segunda vez, isso seria usado contra elas. Além disso as empresas de fato usam a mesma infra­ estrutura para fazer telefonia e para Internet. Pois bem, abrimos mão das metas de rede em troca da oferta delas no varejo, que exigirão investimentos em rede de qualquer forma. Quando o senhor fala que o acordo não envolveu dinheiro público, as entidades de defesa do consumidor alegam que é a telefonia fixa quem está pagando a conta, já que o acordo prevê a venda combinada. Como vocês respondem a isso? Primeiro, se algum cliente quiser só Internet, terá direito de comprar só Internet, e isso está claro. Segundo, o que a Proteste não dá conta de respon­ der é que temos linhas instaladas no Brasil inteiro para 45 milhões de tele­ fones e só temos 32 milhões em servi­

investir em telecom. São bilhões no programa Minha Casa, Minha Vida, em obras de energia, transportes... Não é hora de telecom entrar na pauta de investimentos? Ou o mercado pode se resolver sozinho? Primeiro, no caso do Minha Casa, Minha Vida, as empresas deveriam é estar com olho grande nessa oportuni­ dade, deveriam estar pensando em como oferecer planos módicos para essa população que passa a ter resi­ dência e pode ter interesse em serviços de qualidade. Nossa visão era de que as empresas já ofereciam a banda larga, mas em pequena escala. Acho que os investimentos públicos têm que se concentrar em redes. Temos uma previsão de investimentos de R$ 7 bilhões. Com mais um cabo submarino internacional, satélite e outras coisas que estamos pensando, será um inves­ timento da ordem de R$ 10 bilhões. Isso vai ajudar muito as condições de operação do sistema. Não é à toa que a TIM veio conversar, está vindo a Claro, outras teles peque­ nas, todos querem acordo com a Te­ ­ lebrás porque en­­ten­­dem que existe um aumento significativo na infraestrutu­ ra. E depois, e digo isso desde o come­ ço, teremos que ter um plano de uni­ versalização de Internet para quem não consegue pagar nem os R$ 35, e isso necessariamente terá investimen­ tos públicos. É melhor gastar aí do que gastar com algo que as empresas já podem fazer.

Temos uma previsão de investimentos de R$ 7 bilhões. Com mais um cabo submarino internacional, satélite e outras coisas, será um investimento de R$ 10 bilhões.” ço. Há uma estrutura ociosa enorme. Tem o problema da assinatura básica, é verdade, que é uma barreira de entrada, mas existe ociosidade da rede. Esses combos que as empresas podem fazer, na prática, significam baixar o preço da assinatura básica. É outra coisa que com a concorrência vai mudar, reduzir gradativamente. Vocês querem mexer na assinatura básica formalmente? Não temos nenhuma posição sobre isso. Mas o que eu digo é que, de fato, acabou se mexendo no valor da assina­ tura básica, seja com o Acesso Individual Classe Especial (Aice), que a gente ainda não sabe quanto vai crescer, seja nos combos. O desafio é que hoje o celu­ lar é muito mais atraente do que o fixo. As pessoas preferem ter uma linha celular. As operadoras de telefonia fixa precisam oferecer mais para o cliente, mais tecnologia, novos serviços, e mais barato. De qualquer forma, o Aice sairá por R$ 13, com impostos ou R$ 9,90 sem impostos, o que significa uma assi­ natura básica diferenciada. As empresas criticam o governo por investir em outras áreas e não ago_2011 Teletime 9

Os investimentos em satélite e cabo submarino são exatamente o que? São investimentos coordenados pela Telebrás? A parte de comunicação vai ser coordenada pela Telebrás. Em cabos submarinos, já estamos fazendo estu­ dos sobre as alternativas. Isso foi colo­ cado para a presidenta Dilma, que disse que precisamos estar nisso, ainda que sejam feitas parcerias com entidades privadas. Antecipando uma coisa que não está ainda decidida, recebemos de pessoas do governo argentino mensa­ gens de que eles gostariam de ser par­ ceiros. Como eles precisam e podemos usar os mesmos cabos nos dois países, é possível dividir o investimento. No saté­ lite estamos fazendo a licitação da posi­ ção orbital, que não necessariamente


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R$ 10 bilhões não é pouco dinheiro para investir. Há disposição da Fazenda para liberar esses recursos? No caso dos R$ 7 bilhões, não é tudo que sairá do governo. Tenho cer­ teza de que muitas empresas terão interesse em fazer parcerias com a gente. Pode ser com empresas priva­ das ou com empresas de energia. Nesse caso, já estamos até com o grupo criado em parceria com o Ministério de Minas e Energia, e isso está sendo analisado. Esse grupo deve entregar um trabalho em breve. As parcerias com empresas privadas são bem vindas. Só não podemos colocar dinheiro para eles fazerem investi­ mentos para eles. Serão recursos para a Telebrás fazer sozinha ou em conjunto com os parceiros. O governo não esperava que a Oi, que tem participação estatal e foi criada para ser a grande empresa nacional, tivesse sido mais parceira na implantação da política de banda larga? Todas as empresas foram muito duras na negociação. Mas veja bem, queremos trabalhar com todas as empresas, com a Telefônica que é estrangeira, com a CTBC, com a Sercomtel, que tem capital estatal, com a TIM... Fazemos parcerias com todos. Não podemos ficar presos a uma empresa. No caso da Oi, conversamos com a direção e com os sócios portu­ gueses minoritários, e a visão que eles têm é que precisam agora fazer inves­ timentos. Ficaram um período fazendo pouco investimento, me parece que isso criou uma defasagem tecnológica e de mercado para a empresa, prejudi­ cou todo o mercado, e eles precisam fazer esses investimentos. Falamos isso informalmente, falamos isso com o Zeinal Bava (presidente da Portugal Telecom), e o governo vai cobrar esses investimentos pela Anatel. Não foi só a Oi. No ano passado os índices de investimentos do setor foram

adianta para nós arrecadar uma fortu­ na e não ter serviço.

foto: eugênio novaes

terá investimento público, e além disso estamos discutindo com a Defesa a construção de um satélite geoestacio­ nário em que a parte militar seria coor­ denado pela Defesa e a parte de comu­ nicação comercial seria coordenada pela Telebrás. Falta levar as alternati­ vas para a presidenta.

A ideia de vincular a faixa de 450 MHz a esse leilão de 4G não pode prejudicar a arrecadação? Isso está sendo conversado, pode acontecer sim. Nosso foco não é arre­ cadar, é ter serviço de qualidade com preço razoável. Se a melhor solução for fazer em conjunto, nós vamos fazer, mas a decisão não está tomada.

as parcerias com empresas privadas são bem vindas. Só não podemos colocar dinheiro para eles fazerem investimentos para eles próprios.” os menores de toda a história pós-privatização. Isso preocupa o governo? Isso é muito ruim. As empresas, exceto a Oi, em que o sócio estrangeiro é minoritário, têm matrizes e controlado­ res no exterior, mas são poucos os mer­ cados que têm as oportunidades e o crescimento que se tem aqui. Se eles não investem aqui, eu não entendo. Vamos fazer uma licitação de 4G. Ou eles entram de sola para ganhar, ou alguém vai entrar, tenho certeza. Não existe reserva para nenhuma dessas empresas. A estimativa que se comenta na Anatel é que essa licitação da faixa de 2,5 GHz renderia algo na casa de R$ 6 bilhões. O Minicom confirma essa expectativa? Já me falaram esse número, mas não se pode especular ainda. O espec­ tro é muito caro. Mas elas precisam fazer investimentos para atender. Eu defendo que haja regras de atendimen­ to e cronogramas de cobertura. Não 10 Teletime ago_2011

No PGMU ficou uma lacuna, porque se ninguém fizer essa rede de 450 MHz não haverá mais meta rural. Nós vamos construir essa rede. Existe um prazo inclusive igual do 450 MHz para o 2,5 GHz. Mandamos uma missão para a Suécia para ver como funciona a parte técnica e o modelo de negócios. Se ficarmos con­ vencidos, vamos fazer a licitação e quem ganhar pode fazer rede, ou fazer parceria. Ou na hipótese de fazer o 2,5 GHz e o 450 MHz juntos, vamos colocar metas. Após uma conversa com a presidenta Dilma o senhor disse que parte do trabalho para dotar o Brasil de uma infraestrutura mais moderna de telecom passava por uma reforma legal no setor. O que o Minicom entende que precise ser mudado? Temos um grupo trabalhando nisso, esquadrinhando a legislação e sepa­ rando o que pode ser feito por medida regulatória da Anatel e o que precisa de mudança legal. O que for lei, em princípio, poderemos colocar no marco regulatório das comunicações. Isso pode ser feito em um único projeto ou mais de um, mas mantendo a coerên­ cia do todo. Alguma coisa específica em vista? Reversibilidade? Serviço público? O que pode mudar? Tem várias ideias, mas ainda estamos amadurecendo. Isso não está discutido. O timing político, com a aproximação do ano eleitoral em 2012, começa a ficar complicado para projetos no Congresso. Como está a expectativa para o PLC 116 e o projeto de Lei de Comunicação? Acho que no caso do PLC 116/2010 certamente o Congresso vai tratar. Claro que o ritmo, o tempo do Congresso é


diferente, mas é normal, porque tem muita pressão, opinião diferente. Na questão do PLC 116, há plenas condi­ ções de votar. Se não votar, temos outras alternativas. Está em gestação na Anatel a regulação de TV sobre IP, por exemplo. Temos que ter um plano B. Mesmo que se diga que há consenso sobre o PLC 116, parece que ainda existe muito problema... Existe resistência sim. No conjunto da obra, ele tem um consenso satisfa­ tório, mas há grupos tentando mudar um ou outro ponto, o que é normal. Uma das questões colocadas é que a Presidência deveria dar garantias de que não haverá vetos ao texto. Isso é possível? Se for votado do jeito que está, há chances grandes de o governo não vetar nada. Para o governo entrar na discussão, contudo, a gente tem que ser chamado, porque não podemos dar pitaco em matéria do Congresso, isso causa tensão desnecessária. Se o governo for chamado para acertar a forma, aí sim pode-se assumir um compromisso. Os principais opositores do PLC 116 são os grupos de radiodifusão. Se já está complicado nessa matéria, o debate para a Lei de Comunicação não fica ainda mais incerto? Claro, mas faz parte, não podemos querer fazer mudanças significativas sem oposição. Se no PLC 116 já é com­ plicado, é natural e inevitável que haverá (pressões) no projeto de Lei de Comunicação. É preciso ter força de convencimento. Como está o cronograma da Lei de Comunicação? Acho que vencidas as negociações da banda larga, podemos avançar e nos debruçar mais sobre esse projeto. Vou pedir uma conversa com a presi­ denta para fazer um balanço das nos­ sas atividades e tocarei nesse assunto para saber qual a orientação daqui para a frente. Acho que desde o come­ ço se criou uma expectativa de que isso seria resolvido com rapidez. Mas veja que o PLC 116, que é muito menor, tem resistência, e é natural que isso só aumente no projeto de Lei de Comunicação. Tem que fazer deba­

te, colocar a polêmica. Da nossa parte temos que garantir para não fazer de forma apaixonada, porque isso dificul­ ta mais ainda. A discussão do projeto de reforma das agências, que vem desde 2004, precisa ser retomada? Sim, acho que é preciso haver uma regulação sobre o trabalho das agên­ cias. Acho que a própria Anatel precisa fazer melhorias em sua atuação, e eles estão discutindo o regimento interno. Eu não posso dar palpite sobre isso, mas é importante que a agência arrume o trânsito de tarefas, dos processos... Existe inclusive uma forte pressão do Ministério Público sobre a questão da transparência das atividades da Anatel. O que é muito razoável. Isso tem que ser considerado e a Anatel não pode fugir disso. A Anatel está indo bem, mas tem que melhorar, pode melhorar e a agência precisa dar uma resposta para essas questões todas. Além disso, como temos pouca gente

Em relação ao futuro, à reestruturação do modelo de telecomunicações, coisas como licença única, separação estrutural, novos serviços públicos... Como isso está sendo trabalhado? Temos uma discussão de um grupo aqui e com a Anatel. Isso tem que ser falado com o Congresso também. Mas tínhamos uma defasagem regulatória muito grande e estamos tirando esse atraso. Nosso trabalho até 2014 é colo­ car em dia os novos regulamentos, as novas tecnologias e os investimentos. Essas questões de futuro estão sendo vistas, mas ainda não temos posição. O fato do governo ter colocado no decreto do PGMU prazos para a Anatel apresentar regulamentos é novo, já que a agência sempre pôde trabalhar com seu tempo próprio. Por que essa opção? Mostramos para a presidenta o que estava sendo acertado com as empre­ sas e mostramos que uma série de coisas passava também por questões regulatórias, que não se esgota­ vam ali. Ela questionou quando essas medidas seriam feitas, e por isso definimos os prazos, mas isso foi feito com a presen­ ça do embaixador (Ronaldo Sardenberg) e com a concor­ dância dele. E tem a questão dos prazos de licitação. Não sei se isso é inédito, mas é uma forma de o governo afirmar um com­ promisso com a sociedade, de dizer que vai fazer, e a Anatel é parte disso. Cumprir esse prazo sim será inédito.

Se no PLC 116 já é complicado, é natural e inevitável que haja (pressões) no projeto de Lei de Comunicação. É preciso ter força de convencimento.” aqui, é importante sempre ouvir a Anatel e pedir aconselhamento. Existe uma vaga aberta na agência, e em novembro vence o mandato do embaixador Ronaldo Sarden­ berg (presidente). Existe uma recomendação do governo para segurar essas indicações ainda? Quais são os seus planos? Não, não existe nada disso. No caso do embaixador ainda é cedo para resolver, ainda que eu me dê muito bem com ele, sem problema nenhum. No caso do quinto conselheiro eu pre­ ciso acertar com a presidenta. A nossa prioridade era a questão da banda larga, mas agora voltando o Congresso (do recesso) a gente precisa encami­ nhar o nome. Não está causando nenhum transtorno mas não é normal ficar essa vaga aberta. Precisa ter cinco conselheiros.

Na discussão da política industrial, o que virá? Será um regime industrial para a construção de rede, que deve vir inclu­ sive depois da política industrial como um todo. Os investimentos terão que ser realizados dentro de um prazo, até para que haja antecipação dos investi­ mentos, e queremos que se incentive o conteúdo nacional, com PPB. A indústria terá a capacidade de atender isso dentro dos prazos? Se tiver condições de atender, vai ser desonerado, se não tiver, importa e paga imposto. Mas já há empresas estrangeiras que estão interessadas em produzir aqui.

 ago_2011 Teletime 11


.:Banda larga

Sonho ainda distante

Pequenos provedores, que ocupavam posição central na política de Internet, veem PNBL se concretizando pelas concessionárias e sugerem alternativas. Governo garante que plano não se resume a acordo com as teles. luchschen / shutterstock

“compramos como consumidores coorporativos porque não conseguimos comprar o EILD. Aí o preço fica fora da realidade.”

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consultivo da Anatel, onde representa os pequenos provedores. De acordo com informações de Ricardo Leite, presidente da Aprova-PE, associação que reúne os pequenos provedores de Pernambuco, provedores de Salgueiro e Araripina, cidades do extremo oeste pernambucano, pagam cerca de R$ 800 o Mbps, o que representa, portanto um avanço, ainda que pequeno. Vale lembrar que nas cidades atendidas por satélite não há compromissos de oferta no varejo ou no atacado. O acordo prevê a criação de um posto público de acesso coletivo para cidades com mais de 20 mil habitantes e postos adicionais no limite de seis para cada 10 mil habitantes. Alternativas É difícil saber se na prática algum pequeno provedor vai se interessar pelo link de banda larga nas condições acordadas entre governo e empresas. Durante todos esses anos em que a Anatel fez pouco para garantir o direito dessas pequenas empresas a condições isonômicas de acesso à rede das concessionárias, os pequenos provedores criaram alternativas para conseguir o insumo principal do seu negócio a preços atrativos. A principal delas talvez seja a atuação em consórcio. É comum no interior do Brasil que os provedores de determinada região se associem para buscar o link em uma cidade onde há competição. Além de não ficarem dependentes do preço de um único fornecedor, comprando em grande quantidade eles conseguem um preço melhor. Outro fator que prejudica a atuação dessas empresas é a dificuldade de enquadrar a aquisição desse link em um contrato de Ex­­ploração In­­dus­­ trial de Linhas De­­di­­ca­­das (EILD). A quei­­xa é que as concessionárias sempre “empurram” a negociação para o FOTO: divulgação

P

rovedores de Internet do Brasil inteiro estavam eufóricos com o anúncio do Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), marcado simbolicamente pela reativação da Telebrás em 2009. Afinal, o plano do governo atendia exatamente àquela que é a maior reivindicação dessas empresas: concorrência em infraestrutura para que elas conseguissem se ver livres de ter de adquirir o principal insumo para o seu negócio (o link com a Internet) justamente daqueles com quem competem na ponta pelo cliente final, as incumbents. Mas hoje o clima é bem menos eufórico e muito mais cauteloso. Os provedocentrar a gestão de toda a infraestrutura res se viram fora do centro de uma polípública de telecom que já existe e da que tica pública para massificação do acesso, será construída. Uma das propostas em levados para uma posição de avanço estudo é a criação de uma empresa onde próxima de zero na competição em Eletrobras e Telebrás seriam sócias. infraestrutura. Na negociação das novas Enquanto o futuro do modelo deseobrigações do PGMU III, o governo abriu nhado para a Telebrás não fica mais mão de ampliar as metas de backhaul – claro, o que existe de concreto é o Termo cuja legalidade é apoiada em uma conde Compromisso que as teles assinaram troversa tese jurídica – em troca de com o governo. A oferta de atacado se ofertas voluntárias para o atacado e resume ao compromisso das incumbents varejo. E é aí que os provedores julgam de comercializar aos provedores optanque o avanço foi muito pequeno. “Um tes pelo Simples um link de 2 Mbps por plano de banda larga deve, por obrigaR$ 1.253 na região da Oi por R$ 1.100 ção, considerar todos os atores do merna região da Telefônica, em um prazo cado e considerá-los com as suas difeescalonado que atinja a todos os municírenças. O Estado tem por princípio a pios até 30 de abril de 2015. O grande imparcialidade”, afirma Ricardo San­ problema é que esse preço significa chez, presidente da Abrappit, a associaalgum desconto apenas nas regiões mais ção dos pequenos provedores. remotas do País. “Isso é surreal, porque O plano de usar a Telebrás como uma hoje a gente já paga menos que isso”, gestora da rede pública e a última milha afirma Marcelo Siena, presidente da dos pequenos provedores tinha sua razão Rede Telesul, que representa de ser. Existem na Anatel mais de 2,5 mil provedores da região Sul do empresas com licenças de SCM. Na estiPaís, e membro do conselho mativa de Sanchez, os pequenos provedores estão presentes em aproximadamente 97% dos municípios do Brasil. Do lado do governo, as mensagens são de que o PNBL não se resume ao acordo com as teles e que a Telebrás terá um papel ainda Marcelo Siena, da Rede Telesul mais importante, que é de con-


EILD Es­­ pe­­ cial, cuja tabela é usada nos casos em que a incumbent tem que construir rede para atender determinada demanda. Como na prática o EILD não funciona, os provedores acabam comprando link como se fossem simples clientes corporativos das teles, o que é uma distorção no modelo competitivo. “Nós compramos como consumidores coorporativos porque não conseguimos comprar o EILD. Aí o preço fica fora da realidade”, afirma Siena, da Rede Telesul. Já que o caminho da competição em infraestrutura tem se mostrado cheio de pedras, os pequenos provedores buscam alternativas de desoneração tributária. O Conselho Nacional das Entidades de Provedores de Serviço de Internet (Conapsi), entidade que reúne as principais associações de provedores do País, apresentou ao governo uma proposta de desoneração de ICMS dos provedores optantes pelo Simples que tiverem planos de banda larga populares. Marcelo Siena, que também preside atualmente o Conapsi, explica que o provedor compra o link de banda larga já com o ICMS embu-

tido. Quando o provedor revende o serviço para o cliente final, entretanto, ele não consegue deixar de recolher o ICMS, porque o regime do Simples reúne na mesma guia de pagamento todos os impostos que incidem sobre aquele servi-

É difícil saber se na prática algum pequeno provedor vai se interessar pelo link de banda larga nas condições acordadas entre governo e empresas ço. O governo do estado do Paraná - atendendo a uma proposta da Rede Telesul -, através do Decreto 7990/2010, que instituiu o Plano Estadual de Banda Larga, permite o diferimento do ICMS para os provedores optantes pelo Simples. Assim, os provedores do Paraná desde agosto de 2010 compram o link de banda larga sem ICMS, porque ele será recolhido junto com o pagamento do Simples Nacional. Para conseguir o benefício, entretanto,

os provedores deverão disponibilizar 15% da capacidade a famílias cadastradas no Bolsa Família e, no mínimo, 15% da capacidade para os demais usuários ao custo máximo de R$ 30 por mês. Para os clientes cadastrados no Bolsa Família a velocidade mínima deverá ser de 256 kbps e o custo máximo R$ 15. Para os demais clientes, dentro da cota de 15% da capacidade, a velocidade mínima será de 512 kbps. Em ambos os casos a garantia de banda é de 10%. Segundo Marcelo Siena, o estado do Rio Grande do Sul deverá ser o próximo a adotar medida semelhante. “Temos apresentado ao governo arranjos alternativos. Se o provedor puder comprar com diferimento já é em média 29% de redução do preço”, afirma ele. Outra associação do setor, a Abrint, também luta para incluir seus associados no Plano Nacional de Banda Larga. De acordo com Erich Rodrigues, vice-presidente da associação, os pequenos provedores têm condições de oferecer o mesmo plano de banda larga proposto pelas teles desde que o governo aceite retirar

A mais alta eficiência em comunicação digital. RÁDIOS DE MICRO-ONDAS DIGITAIS LINEAR • A Linear a maior e mais tradicional fabricante de transmissores de TV analógicos e digitais, apresenta sua linha de rádios digitais de micro-ondas cobrindo o espectro regulamentado e todas as capacidades disponíveis no mercado. • Com parceria internacional, a Linear vai se tornar o maior fabricante de rádios digitais do Brasil e América do Sul.

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.:Banda larga também temem canibalizar as suas bases e, em algumas cidades, há limitações de portas de acesso. Apesar deste risco e dos limitados avanços, as associações de provedores, de modo geral, receberam bem o acordo firmado entre o governo e as grandes teles. “O que elas colocaram na oferta é o que elas já tinham. Não notamos nenhuma novidade significativa. Nossa expectativa é que o simples fato de o plano existir coloque esse assunto na pauta do País, e que a iniciativa venha a ser replicada pelos governos estaduais”, afirma Eduardo Neger, presidente da Abranet. Ele reconhece as dificuldades da Telebrás atender a todo o País, por isso acredita nas iniciativas estaduais de desoneração, como a adotada pelo Paraná, para estimular os pequenos provedores. Enquanto aguardam o desenrolar dos próximos capítulos e uma atuação mais ampla da Telebrás, os provedores SCM gozam do efeito indireto que a reativação da empresa proporcionou. Nas grandes cidades, já houve uma redução estimada em 40% no preço do link de banda larga, só pelo efeito do anúncio de mais competição em infraestrutura. O que essas empresas ainda sonham, entretanto, é que se estabeleça de fato um cenário competitivo na infraestrutura de telecom. 

“Nossa expectativa é que o simples fato de o plano existir coloque o assunto em pauta, e que a iniciativa seja replicada pelos governos estaduais.”

FOTO: divulgação

algumas “obstruções”. A principal delas é regulamentar o plano de numeração para o SCM. Assim, os provedores poderiam oferecer o serviço de telefonia com numeração própria, o que aumenta seu potencial competitivo, sem ter que pedir uma outorga de STFC, que custa R$ 9 mil, o que para muitos é um valor elevado. “Temos uma pauta com noves itens que a gente gostaria de levar ao ministro”, afirma Rodrigues. Um desses itens são as regras de proteção ao pequeno provedor no leilão de 3,5 GHz. A associação acredita que as regras colocadas na consulta pública para impedir que o mesmo grupo econômico adquira um grande número de lotes são frágeis. Além disso, a associação acredita que a Anatel não cumpre a determinação da Resolução 537/2010, de estabelecer condições específicas adequadas para a participação de micro e pequenas empresas. Para atender a esta recomendação, a Abrint sugere que a Anatel reserve quatro blocos de 10 MHz, dos oito disponíveis em cada região, para empresas deste tipo. Na opinião da associação, a Anatel deveria também dividir esses oito blocos por munícipio, uma vez que as áreas de numeração costumam ser grandes demais para a capacidade financeira dos pequenos provedores e normalmente ultrapassam a sua área de atuação. Os provedores de SCM normalmente usam rádios nas faixas não licenciadas de 2,4 GHz e 5,8 GHz, o que é “um recurso precário”, nas palavras de Ricardo Sanchez, da Abrappit. Como são faixas não licenciadas, não há garantias contra interferências. Quem está também está de olho capacidade dos provedores de oferecerem telefonia fixa é a America Net. A companhia tem uma rede de 350 km de extensão e atua como PIX (ponto de interconexão) para o ponto de troca de tráfego de São Paulo. A America Net criou uma solução de telefonia fixa para os provedores em que eles acabam atuando como se fossem revendedores do serviço da empresa, uma vez que a maioria não tem licença de STFC. “Além de dados, o provedor acaba tendo uma solução de voz também, o que ajuda a competir com a concessionária”, afirma José Luiz Pelosini, diretor de telecomunicações da companhia.

Eduardo Neger, da Abranet Pelosini disse que a empresa já consegue praticar preços inferiores aos que foram negociados no âmbito do PNBL. Além disso, a empresa consegue dar um tratamento ao pequeno provedor que ele não encontra nas concessionárias. “Quando você fecha um produto com a concessionária, você é tratado como mais um”, diz ele em relação a uma crítica comum dos pequenos provedores. Futuro Existe uma preocupação, ainda que diminuta, sobre uma possível canibalização do serviço dos provedores pelo plano de 1 Mbps por R$ 35, mesmo considerando todas as suas limitações (veja box). Historicamente os pequenos provedores acabaram se concentrando nas classes menos abastadas, que é justamente o alvo do plano. Marcelo Siena, da Rede Telesul, afirma, entretanto, que esse movimento gerado pelo PNBL será mais benéfico do que maléfico para os pequenos provedores, mesmo que eles nesse momento não estejam incluídos no plano. Isso porque as concessionárias

Helton Posseti, de Brasília.

Tempo de conexão: 1 hora e 17 minutos

H

á uma inovação na oferta voluntária das concessionárias que marca a adesão ao PNBL. As empresas criaram (e o governo concordou) um plano de acesso à Internet com limitações de tráfego na rede fixa. Como se sabe, esse tipo de limite é comum na rede móvel, por suas características de uso compartilhado entre os clientes, o que não ocorre na rede fixa, em que cada domicílio é atendido por um ponto exclusivo. Ou quando ocorre, os limites são bastante elevados e raramente atingidos. Mas os futuros clientes dos planos populares das teles terão de conviver com um incômodo limite de tráfego que os demais clientes não têm. No caso da Oi, os clientes do plano popular terão sua velocidade reduzida (a patamares que não impeçam a fruição do serviço) quando atingirem um limite de 500 MB até o final do primeiro semestre de 2013. Depois disso, a franquia passa para 1 GB. Ricardo Leite, da Aprova/PE, calculou quanto tempo de navegação os clientes da Oi terão considerando o limite de 500 Mb, e o resultado foi assustador: 1h17 minutos. É preciso fazer algumas ressalvas. Os cálculos foram feitos levando em conta a navegação em velocidade máxima o tempo todo, o que não acontece na prática. Além disso, normalmente os internautas passam algum tempo lendo informações nos sites e durante esse tempo não há tráfego de dados. Mas é possível inferir que, em pouquíssimo tempo, os clientes da banda larga popular já terão esgotado seu limite e terão que se contentar com uma conexão a níveis de acesso discado, principalmente se for usado algum serviço de vídeo, como o YouTube ou os gols da rodada do Globo.com. “Acho que a ação do ministério está sendo imprudente. Você legitima a exclusão social, cria classes de cidadãos”, critica Ricardo Leite.

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Especial

CasaConectada

ago_2011 Teletime | especial casa conectada 15


Índice

Especial

CasaConectada A

s tecnologias de rede mais acessíveis e uma novíssima geração de equipamentos conectados permitem uma integração entre o lar, o acervo de mídia do próprio consumidor, o conteúdo recebido pelas diversas plataformas de distribuição e os mais variados dispositivos. A TV deixa de ser uma tela exclusiva para a absorção da programação linear e passa a exibir as fotos e vídeos do consumidores, os conteúdos da Internet e de serviços virtuais de distribuição. A tela com a qual o consumidor tem maior afinidade ganha também a finalidade de gerenciar a segurança do lar. Veja quais são as oportunidades que se abrem às operadoras, fabricantes de equipamentos, desenvolvedores de software e criadores de conteúdo.

APPs

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Linhas de equipamentos conectados permitem levar à tela nobre do lar conteúdos de fontes variadas, sem linearidade, e trazem ferramentas de interação que mudam a forma como se assiste à programação. Desenvolvedores de aplicativos ganham um novo mercado, à medida que as “app stores” dos principais fabricantes de equipamentos se tornam mais populares.

Tecnologia

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Padronização dos codecs de vídeos e de protocolos de comunicação permite compartilhar os conteúdos gerados pela família nos mais diversos dispositivos da casa conectada. Consoles de games, tablets, televisores e smartphones passam a conversar e compartilhar suas funções e seus acervos.

Serviços

48

Operadoras veem na demanda por automação residencial uma forma de entrar na casa do consumidor com seus serviços de voz, dados e televisão. Estratégias passam por parcerias com empresas especializadas e aposta em novos empreendimentos imobiliários.

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EspecialCasaConectada • Apps por Fernando Lauterjung

fernando@convergecom.com.br

A última tela

Bruce Rolff / shutterstock

Com a nova geração de TVs conectadas, a mais tradicional tela de vídeo ganha acesso à Internet e abre um leque de possibilidades para desenvolvedores de aplicativos e criadores de conteúdo.

A

FOTO: arquivo

“Acho que falta muito pouco para haver massa crítica para criar um mercado de aplicativos. Terão mais chance os aplicativos agregados a marcas fortes e que tragam serviços relevantes.” Milton Neto, da LG

“rede mundial de computadores” tornou-se nos últimos anos uma rede de dispositivos, destinados às mais diversas finalidades, tornando defasado o ultradesgastado chavão usado para designar a Internet. Qualquer observador da indústria de eletrônicos com olhar atento percebe que a televisão será protagonista neste novo ambiente. Nos últimos 12 meses, quase todos os grandes fabricantes lançaram modelos de TVs conectadas. Estes equipamentos permitem que algumas das mais populares aplicações da Internet sejam transportadas para a tela mais nobre dos lares, colocando a pedra fundamental para erguer a indústria de aplicativos para televisão. Uma pesquisa da Companiesandmarkets aponta que o mercado global de TVs conectadas está previsto para chegar a US$ 81,2 bilhões até o ano 2017. A análise aponta que há diversos fatores que levam a este aumento,

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principalmente a demanda cada vez maior por aplicativos para a TV, maior clareza e resolução e um espectro de canais com opções de entretenimento virtualmente ilimitados. No futuro, aponta o estudo, a fusão de hardware, software e conteúdo multimídia será a estratégia de diferenciação para os fabricantes de televisores. Com a conectividade em rede, a TV passa a desfrutar de uma série de conteúdos que já estava disponível a outros dispositivos. Talvez o mais importante conteúdo seja, por enquanto, aquele gerado pelo próprio usuário, que através de protocolos abertos como o DLNA (Digital Living Network Alliance), que permite compartilhar fotografias, vídeos e áudio com equipamentos compatíveis em uma mesma rede, passa a ficar disponível para ser mostrado na televisão. Ao buscar este recurso, o consumidor acaba levando para casa


AppStores Os primeiros aplicativos da HXD são fruto de um esforço conjunto da desenvolvedora e da LG, que buscou um grupo de empresas de software para começar a povoar sua plataforma de TVs conectadas. “Esse novo mercado começa

“Por enquanto, queremos povoar as plataformas e ajudar a criar o hábito de usar estas ferramentas e a própria cultura dos aplicativos.” Salustiano Fagundes, da HXD a pegar ritmo. Não se trata mais de um projeto de uma empresa isolada” diz Milton da Silva Neto, gerente geral de conteúdo da LG para as Américas do Sul e Central. Segundo ele, a fabricante coreana está buscando parceiros para sua plataforma. “Vamos fomentar o mercado de desenvolvedores. Hoje já trabalhamos com dez”, diz Neto. A entrada de novos desenvolvedores na plataforma, explica, depende da capacidade de rentabilizar o negócio, uma segunda fase da criação desta plataforma. O desenvolvedores de aplicativos para telefonia móvel, explica o executivo, devem ser os primeiros a ser atraídos para este mercado. “Eles sabem lidar com as limitações tecnológicas que os dispositivos conectados têm”, explica. Para estes desenvolvedores a indústria em formação de aplicativos para TV é especialmente atraente porque não existe a figura do operador de rede, que morde boa parte do faturamento com aplicativos para dispositivos móveis. Os fabricantes assumem a função de gatekeepers de suas plataformas, mas os exemplos que seguem são menos vorazes na divisão de receita com o desenvolvedor. “A App Store da Apple e o Android Market provaram que é possível gerar receita com o volume. Acredito que teremos volume na nossa plataforma”, diz Neto. A Pontomobi é uma das empresas de softwares para dispositivos móveis que

montou uma equipe dedicada para apps de TVs conectadas. O time dedicado a esse segmento, formado por oito profissionais, entre programadores, designers e arquitetos de informação, trabalha em 20 projetos simultaneamente para a LG. “Existe a necessidade de povoar as lojas de aplicativos das TVs”, explica Leo Xavier, presidente do grupo Pontomobi. A Samsung é outra fabricante que vem fomentando a criação de uma indústria de aplicativos para televisão. “A meta (com o lançamento da linha conectada de televisores) não é apenas aumentar a venda de hardware. Estamos criando um ecossistema”, diz Henrique de Freitas, gerente sênior de vendas e marketing da Samsung. Para isso, a empresa criou um concurso para desenvolvedores de aplicativos para TVs inteligentes. O site do concurso (www.samsung.com. br/concursosmarttvapps) traz vídeos informativos sobre o Software Development Kit. O executivo da Samsung, que vendeu 2 milhões de TVs da linha Smart em todo o mundo em três

Montada no Brasil, pela Tecnoworld, a FnacBox conta com sistema operacional Windows, que permite instalar aplicativos direcionados a PCs. ago_2011 Teletime | especial casa conectada 21

FOTOs: DIVULGAÇÃO

um televisor capaz de acessar diversos outros conteúdos e serviços da web, abrindo um leque de possibilidade aos próprios fabricantes, que explorarão comercialmente suas plataformas; criadores de conteúdo, que passarão a ter mais uma forma de distribuição; e desenvolvedores de software, que também ganham um novo mercado. A HXD, uma empresa criada para atender à prometida demanda por aplicativos para a interatividade na TV aberta, através do middleware Ginga, foi uma das primeiras a apostar que as plataformas dos fabricantes se tornarão grandes em algum momento. Percebendo que o Ginga não cumpriria as promessas iniciais, a empresa resolveu diversificar sua área de atuação, embora ainda focada em conteúdos para TV. Recentemente a HXD anunciou seus primeiros aplicativos para as plataformas interativas proprietárias dos fabricantes de televisão. “É o começo de uma mudança na empresa, que passa a trabalhar de forma independente de plataforma”, diz Salustiano Fagundes, CEO da HXD. “Já temos acesso ao SDK (Software Development Kit) dos principais fabricantes”, destaca. Os primeiros aplicativos da empresa são para os equipamentos da LG. Em parceria com a produtora TV Pinguim, a empresa criou um aplicativo baseado na série de animação “Peixonauta”, exibida na TV por assinatura pelo canal Discovery Kids e na TV aberta pelo SBT. O aplicativo consiste em um jogo de memória, disponibilizado de forma gratuita na plataforma da LG. “Está previsto no desenvolvimento do aplicativo uma loja, com novos serviços”, diz Fagundes. “Por enquanto, queremos povoar as plataformas e ajudar a criar o hábito de usar estas ferramentas e a própria cultura dos aplicativos. Apostamos muito no crescimento da banda larga e na popularização das TVs inteligentes, independente de plataforma”, completa o executivo.


EspecialCasaConectada • Apps

FOTO: DIVULGAÇÃO

“Uma TV de 46” é social. Muitas pessoas vão ver aquela tela ao mesmo tempo. Já uma TV de 22” tem outra característica. Não dá para fazer um copy/ paste dos aplicativos para celulares ou tablets.” Henrique de Freitas, da Samsung

meses, concorda que a indústria de desenvolvimento de aplicativos deva migrar ou se expandir para as plataformas das TVs inteligentes. No entanto, diz que terão que reaprender a criar aplicativos. Segundo ele, a TV tem peculiaridades. A principal delas é que a tela não é confinada, como a de um celular. Além disso, devem surgir aplicativos destinados para diferentes perfis de televisores. “Uma TV de 46” é social. Muitas pessoas vão ver aquela tela ao mesmo tempo. Já uma TV de 22” tem outra característica. Não dá para fazer um copy-paste dos aplicativos para celulares ou tablets”, diz. “Ainda não há uma fórmula pronta”, destaca, lembrando que a tecnologia é nova no mundo inteiro, não apenas em terras tupiniquins. Em outras palavras, o Brasil não está entrando atrasado nesta nova onda. Ainda há espaço para conquistar um mercado global. Segundo Freitas o aplicativo que leva o comunicador Windows Live Messenger às TVs conectadas da Samsung do mundo inteiro foi criado pela equipe brasileira da fabricante. Para ele, os conteúdos das redes sociais são os mais importantes nas TVs conectadas, pois trazem um nível de interatividade que não existia. “A audiência pode, durante um jogo, comentar e ver comentários nas redes sociais”, exemplifica. “Mas é o usuário que vai dizer que aplicações serão importantes. É ele que vai descobrindo as funcionalidades e adotando elas ou não”, completa. Outro aplicativo desenvolvido para o mercado brasileiro foi em parceria com o Bradesco, contando com serviços bancários. Os clientes do Bradesco e usuários dos serviços de Internet Banking poderão consultar informações de conta corrente, como saldo, investimentos e demonstrativo das movimentações realizadas, além de outros dados institucionais e telefones úteis do banco. A operadora de DTH Sky anunciou recentemente que parte de seus set-top boxes passarão a contar com aplicativos. Por enquanto, a operadora oferece apenas seis. “Temos aplicativos em parceria com empresas de conteúdo, como a Climatempo e o History Channel, e estamos buscando mais parceiros”, diz Alexandre Menon Pelissoni, gerente de interatividade da Sky. Segundo ele, a operadora estuda a viabilidade de abrir a plataforma e disponibilizar um SDK aos desenvolvedores. Universo aberto A Fnac lançou em julho a caixa conectada FnacBox. A caixa entrou nas lojas da rede há alguns meses, mas sem lançamento oficial. Neste período, mil unidades foram vendidas. O equipamento over-the-top (OTT) permite acessar à Internet a partir de qualquer

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a sky disponibilizou seis apps para suas caixas e estuda lançar um sdk para desenvolvedores. TV com entrada HDMI. A estratégia da rede neste momento, explica o diretor do projeto, Pierre Paparemborde, é entrar neste mercado com o hardware, trazendo algum conteúdo através de parceiros. A entrada da Fnac no mercado de conteúdos digitais deve acontecer apenas em 2012, explica o executivo. “O mercado de conteúdos digitais no Brasil está em formação, ainda não há uma economia estabelecida”, diz. “Queremos sentir a reação do mercado”, completa. Por enquanto, a Fnac tem uma parceria com a Truetech, que fornece conteúdo em vídeo aos usuários da caixa, em um modelo de revenue share. São aproximadamente 1,2 mil títulos disponíveis pela biblioteca FnacBox-Office. Além disso, a rede tem uma parceria com a NetMovies, oferecendo um período de assinatura do serviço gratuitamente aos usuários da caixa. O acesso ao serviço se dá através do browser da caixa. A FnacBox vem com o sistema Windows 7 Starter embarcado, permitindo usar qualquer aplicativo do sistema operacional e navegar na web como em um computador convencional. “A proposta inicial era ter um ambiente fechado. A plataforma aberta foi uma demanda dos beta testers”, diz o executivo, destacando que a caixa já está em teste há pouco mais de um ano por funcionários da Fnac. Além da demanda dos usuários que testaram o equipamento durante aproximadamente um ano, a empresa resolveu manter a plataforma aberta para facilitar a formação de uma indústria de desenvolvimento.


EspecialCasaConectada • Apps Para o executivo, quanto mais experiências em software forem feitas, melhor. Ele acredita que este tipo de equipamento tem potencial de mudar o hábito de consumo tanto de televisão, quanto de Internet. “O uso da Internet passa a ser comunitário, não tão pessoal”, diz, prevendo a formação de aplicações na web capazes de atender este novo perfil de uso da Internet. Montada no Brasil pela Tecnoworld, a FnacBox conta com um mini-teclado wireless com 80 teclas, em português. A caixa é equipada com um processador Intel Atom, 2 GB de memória e um disco rígido de 320 GB, webcam e Wi-Fi. Nestes poucos meses no mercado, diz o executivo, foram vendidos mil equipamentos. “O FnacBox é um complemento para as mais de 5 milhões de TVs vendidas nos últimos anos”, diz Paparemborde. A D-Link anunciou em junho o lançamento do Boxee Box no Brasil. Trata-se de equipamento over-the-top baseado na plataforma aberta Boxee. A plataforma conta com mais de 180 canais pré-selecionados embarcados, além do conteúdo que pode ser buscado via browser. Segundo o fabricante, em breve serão incluídos entre os canais de conteúdo empresas locais, incluindo o portal Terra e a Saraiva, ambas com suas locadoras virtuais. Além disso, o equipamento acessa YouTube e as principais redes sociais. Como a plataforma é aberta, é possível criar “canais” de conteúdo e divulgar o link para estes canais para amigos, diz o fabricante. Outro diferencial é que a caixa suporta uma ampla variedade de codecs, permitindo acessar conteúdos em diversos formatos disponíveis na rede do usuário.

A caixa da D-Link é baseada na plataforma aberta Boxee. A plataforma conta com mais de 180 canais préselecionados embarcados.

VOD Além do conteúdo gerado pelo próprio usuário, o YouTube e as redes sociais, o video on-demand (VoD) também é apontado como uma killer application das TVs conectadas. Para a Samsung, a parceria com provedores de conteúdo locais faz parte da estratégia para chegar a 45% de participação no mercado de televisores conectados no Brasil em 2011. A fabricante conta com parceria com a NetMovies, que dá acesso a mais de 4 mil títulos de filmes aos televisores conectados. “Com uma banda de 400 kbps, o assinante já tem uma qualidade próxima à do DVD”, diz Henrique de Freitas. Além disso, aponta Milton Neto, da LG, há espaço para os próprios canais de TV aberta ou por assinatura, que podem levar parte de seus conteúdos a estas plataformas e ampliar a possibilidade de distribuição. “Estamos conversando com todos os canais”, diz o executivo.

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Um relatório da TV Digital Research aponta que o mercado global de vídeo sob demanda movimentará em 2016 US$ 5,7 bilhões. Um relatório da TV Digital Research aponta que o mercado global de vídeo sob demanda movimentará em 2016 US$ 5,7 bilhões, um aumento de 58% em comparação com 2010. O estudo deixa de fora as receitas obtidas com conteúdo adulto, esportes e serviços de VOD por assinatura. No mercado internacional já há uma disputa por direitos envolvendo os principais prestadores de serviço de locação virtual. A loja online Amazon assinou recentemente um acordo de licenciamento não-exclusivo para distribuição por streaming de programas de televisão da CBS. Com isso, a loja acrescentou, sem custo adicional, 2 mil episódios da biblioteca da CBS em seu serviço de vídeo Prime, que concorre diretamente com o líder Netflix. Além disso, incluiu diversos conteúdos ao serviço Instant Video, que se diferencia por ser transacional, competindo diretamente com a Apple. Por enquanto, os prestadores de serviço de locação virtual, por assinatura ou transacional, são os únicos que geram alguma receita através das plataformas de TVs conectadas, se desconsiderarmos a venda de hardware. Para os fabricantes, a popularização destes equipamentos permitirá a criação de uma indústria sustentável. A publicidade, diz Milton Neto, já começa a chegar aos televisores, através de aplicativos de empresas, como os bancários. “Acho que falta muito pouco para haver massa crítica para criar um mercado de aplicativos. Terão mais chance os aplicativos agregados a marcas fortes e que tragam serviços relevantes”, diz. * Colaborou Fernando Paiva


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Em busca de um padrão Padronização das plataformas de transmissão, sistemas operacionais e aplicativos, além da integração entre terminais de diversos fabricantes, é o desafio tecnológico da indústria em direção à casa conectada.

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“Não basta rodar o conteúdo, ele tem que ser exibido com a mesma qualidade independente do dispositivo, ou seja, quero assistir um vídeo na minha TV e, se eu desejar sair de casa, continuar vendo no meu smartphone, sem prejuízo da experiência.” Hugo Marques, da Cisco

s tecnologias evoluem ano a ano quase sempre em torno de uma mesma regra: para serem bem-sucedidas, têm de ganhar escala global. Para ganhar escala, antes é necessário um ecossistema padronizado de sistemas, protocolos e plataformas. Para que haja padronização é preciso uma convergência de interesses econômicos, mercadológicos e político-regulatórios. Com as tecnologias de casa conectada não poderia ser diferente. E neste caso há um desafio ainda maior pela frente, a integração de um grande número de dispositivos que crescem não só em quantidade, como em diversidade e complexidade, o suporte a aplicações cada vez mais pesadas e uma paciência cada vez menor do usuário por tudo o que não “roda” em tempo real. Tudo isso via Internet e acessado como, quando e onde o assinante quiser. É o que os especialistas em casa conectada chamam de “content everywhere”, e empresas do setor, como a Cisco, denominam de “video escape”, ou seja, o vídeo extrapolando o terminal e sendo rodado em qualquer tela, seja ela de TV, tablet, smartphone ou o que for. A empresa lançou recentemente a solução, que começa a ser apresentada ao mercado brasileiro. Trata-se de um produto para provedores de conteúdo que permite integrar a oferta de vídeos e as ferramentas de web 2.0 em uma só plataforma, permitindo ao consumidor final o acesso aos conteúdos também pelos tablets e smartphones. “Não basta rodar o conteúdo, ele tem que ser exibido com a mesma qualidade independente do dispositivo, ou seja, eu quero assistir um vídeo na minha TV e, se eu desejar sair de casa, continuar vendo no meu smartphone, sem prejuízo da experiência”, diz Hugo Marques, consultor de engenharia da Cisco que, juntamente com a Ericsson, Alcatel-Lucent, D-Link e dezenas de outros fabricantes e operadoras, congrega o

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a integração de todo esse ecossistema na casa do usuário só será possível quando os devices e o home gateway falarem a mesma língua. Open IPTV Forum, associação global que desde 2007 trabalha para padronizar os sistemas e protocolos e tornar a solução de IPTV cada vez mais “plug and play” e intuitiva para o usuário final. Os sistemas, plataformas e terminais da casa do usuário são diversos e vão de tocadores como Flash, Smooth, players para conteúdos 3D e Blu-ray a formatos MPEG, AVI, Real Video e Quick Time; padrões de criptografia MPEG2, MPEG4; sistemas operacionais Windows e Mac; dispositivos diversos, como TV, smartphones, tablets, videogames e, mais recentemente, a TV conectada. Segundo o executivo da Cisco, a integração de todo esse ecossistema na casa do usuário só será possível quando os devices e o home gateway tiverem um protocolo de comunicação em comum, ou seja, falarem a mesma língua. O mercado está consciente desta demanda. O crescente fortalecimento do padrão DLNA (Digital Living Network Alliance), que reúne 250 fabricantes de dispositivos móveis,


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“Com a padronização, você garante ao usuário a liberdade de ter uma TV de uma marca, um videogame de outra, sem ficar preso a sistemas proprietários. E isso vale para equipamentos de banda larga, IPTV e infraestrutura.” Alexis Seiki Saito, da Ericsson

computadores, eletroeletrônicos de consumo e operadoras de TV por assinatura ao redor do mundo, é a maior prova disso. O DLNA é um protocolo embutido no set-top box da TV que permite a integração da TV, via protocolo IP (Wi-Fi ou cabeado), com notebooks, tablets, smartphones. A partir daí, com um sistema de transmissão via radiofrequência, como o RFID, o próprio usuário pode agregar a essa rede também câmeras de vigilância, ar-condicionado e outros eletroeletrônicos. Novos modelos de TVs conectadas, consoles de videogames, Blu-rays conectados e outros dispositivos já têm saído de fábrica com DLNA embarcado, que também tem integrado o Universal Plug and Play (UPnP), protocolo capaz de reconhecer automaticamente outros terminais e compartilhar conteúdos neles armazenados. “Existe um esforço da indústria para que a interoperabilidade seja a mais suave, transparente e prática possível”, diz Alexis Seiki Saito, engenheiro de telecomunicações da Ericsson. “Com a padronização, você garante ao usuário a liberdade de ter uma TV de uma marca, um videogame de outra, sem ficar preso a sistemas proprietários. E isso se estende a equipamentos de banda larga, IPTV e infraestrutura”, acrescenta.

GVT pode sair na frente Segundo Rodrigo Andreola, da GVT, a operadora planeja instalar até o final do ano equipamentos com o padrão DLNA para sua base de assinantes. Ele revela também que a GVT já tem um show-room em sua sede, em Curitiba, com TVs conectadas, videogame, set-top boxes e demais equipamentos integrados via DLNA, com plataforma tecnológica da Ericsson. “Devemos lançar a solução até o final do ano, com um set-top DLNA. No momento estamos estudando a melhor forma de utilizar a tecnologia para transformá-la em um produto útil para o consumidor”, diz. Ele destaca também que somente uma boa capacidade de rede é capaz de suportar um serviço de casa conectada. “A GVT oferece planos de 5 Mbps a 100 Mbps. Um fluxo de vídeo em altíssima qualidade (HD) consome de 8 Mbps a 10 Mbps. Um assinante com uma banda larga GVT de 35 Mbps poderia rodar cinco fluxos simultâneos de HD, ou três com 50 Mbps”, calcula. Em coletiva de imprensa realizada recentemente, o presidente da operadora, Amos Genish, destacou que a velocidade média da banda larga dos clientes GVT é sete vezes maior em relação aos clientes dos outros provedores. Segundo dados da Nielsen, a velocidade média de navegação da base de clientes da GVT atingiu 9,13 Mbps em março último, contra 1,3 Mbps da média brasileira.

30 especial casa conectada | Teletime ago_2011

Além do padrão DLNA, a outra plataforma de integração que deve prevalecer na indústria de casa conectada é a da Apple. PC e videogame O computador (PC) deve se consolidar como o servidor, uma espécie de biblioteca de mídia e demais conteúdos da casa conectada. O home gateway atua como espécie de ponte entre a rede da residência e o processamento para os televisores. Mas o gerente de tecnologia e desenvol­ vimento de produtos da GVT, Rodrigo Andreola, aposta mais nos videogames desempenhando essa função. “O videogame é muito mais do que um console de entretenimento, é um media center ideal para a casa conectada. Ele dispõe de recursos gráficos, de áudio e vídeo de alta qualidade e uma excelente navegabilidade, melhor até que a da TV”, destaca. Smartphones e tablets Para especialistas, o crescimento do mercado de smartphones e tablets deve acelerar ainda mais a padronização e o lançamento de soluções de casa conectada. Somente no primeiro trimestre deste ano, foram vendidos 427,8 milhões de dispositivos móveis de comunicação no mundo, de acordo com dados do instituto Gartner. De acordo com a pesquisa, os smartphones responderam por 23,6% das vendas de dispositivos móveis, o que representa um aumento de 85% na participação desses aparelhos na receita total do setor. Para a área de tablets, a projeção do Gartner é de 208 milhões de terminais comercializados em 2014. Em 2010 foram vendidos 69,9 milhões de unidades, número três vezes maior em relação a 2009. No Brasil, com a chegada de novos modelos, isenção fiscal e fabricação local (Samsung, Motorola e ZTE planejam produzir tablets no País), o custo do equipamento deve cair consideravelmente e aquecer ainda


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EspecialCasaConectada • Tecnologia

“A operadora que deseja ser convergente terá de cuidar não só da instalação, mas também da operação e manutenção desse ecossistema, seja sozinha ou por meio de parcerias.” Renato Improta, da Accenture

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“O videogame é muito mais do que um console de entretenimento, é um media center ideal para a casa conectada. Ele dispõe de recursos gráficos, de áudio e vídeo de alta qualidade e uma excelente navegabilidade, melhor até que a da TV.” Rodrigo Andreola, da GVT

mais as vendas. A estimativa do Gartner para 2011 é de 267 mil unidades vendidas na América Latina e a da Samsung é de 250 mil somente no Brasil. Um dos especialistas que acreditam no empurrão que o crescimento das vendas de tablets e smartphones dará no setor de casa conectada é o gerente da GVT, que informa que a operadora reserva novidades nessa área para os seus clientes até o final do ano (ver box). “O aumento do número de telas desenvolve a forma de interligá-las, que é o wi-fi, e estimula a popularização de equipamentos DLNA”, afirma. Andreola diz isso pois um set-top box com DLNA embutido estabelece uma interconexão IP com a rede local da residência, seja Wi-Fi ou cabeada. Quanto mais dispositivos integráveis a pessoa tiver, mais interessante para ela integrálas numa só rede. O executivo da Cisco concorda e destaca: “As pessoas estão cada vez mais interessadas em assistir vídeos em outras telas que não somente a TV”, diz. Ele cita um estudo global recente da Accenture, que informa que 80% das pessoas com menos de 25 anos estão interessadas em assistir vídeos em outras telas. Acima dos 50 anos, de acordo com a pesquisa, a proporção cai para 50%, porém permanece representativa. Apple Além do padrão DLNA, a outra plataforma de integração que deve prevalecer na indústria de casa conectada é a da Apple. Para Saito, da Ericsson, a empresa de Steve Jobs é a única que pode lançar esta solução sozinha. “A Apple tem força e escala para fazer isso”, diz. Andreola concorda e lembra que a empresa norteamericana deu um passo à frente rumo à casa conectada quando lançou, ainda em 2007, o Apple TV, reprodutor de mídia digital que se conecta ao iTunes e baixa conteúdo diretamente para o gadget, tudo sem fio. E o sistema funciona tanto para Mac OS quanto para Windows. “O compartilhamento de conteúdos entre os dispositivos da Apple é muito simples e rápido. Você pode tirar a foto no iPhone, apertar um ícone e ver a imagem no televisor, tudo de maneira muito transparente”, diz. Consumidor no centro Para o executivo sênior da área de mídias digitais e mobilidade da Accenture, Renato Improta, o conceito de

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casa conectada precisa ser revisto pelas operadoras e demais players do setor. “Hoje a demanda do consumidor vai além da conexão na casa, ele deseja ter esses serviços avançados também no escritório, na rua. É mais do que uma visão física da casa, é o consumidor que tem de estar no centro”, diz. Segundo ele, para oferecer um bom serviço de casa conectada os provedores têm de estar atentos a três etapas. “A operadora que deseja ser convergente terá de cuidar não só da instalação, mas também da operação e manutenção desse ecossistema, seja sozinha ou por meio de parcerias”, diz. Para sustentar sua tese, Improta cita um estudo realizado pela Accenture em 2008, que revelou que 82% das pessoas não procurariam o fabricante do set-top box para resolver problemas técnicos, mas sim o provedor do serviço.

Polêmica na prateleira Recente proposta da Anatel está causando polêmica no mercado e, se aprovada, pode influenciar inclusive o mercado de casa conectada. Trata-se do Plano Geral de Metas de Competição (PGMC), que estabelece que as operadoras de TV por assinatura detentoras do que a agência chama de Poder de Mercado Significativo terão de disponibilizar set-top boxes padronizados e não exclusivos adquiridos pelo consumidor no varejo. Em outras palavras, o assinante de TV paga poderá comprar o seu próprio decodificador e solicitar à operadora que faça a instalação. Para Rodrigo Andreola, da GVT, a proposta, que ainda passará por consulta pública, é inviável e prejudicial às novas operadoras. “Essa proposta faz com que as entrantes, com tecnologias mais avançadas, fiquem presas a soluções com uma série de limitações técnicas, sem suporte a vídeo HD, interação, entre outras coisas”, diz Nos EUA, por anos a FCC tentou implementar esse tipo de política, sem sucesso, pois os operadores alegam que as caixas rodam sistemas específicos e controles de acesso complexos que inviabilizam a produção padronizada para oferta no varejo. Além disso, seria um estímulo à pirataria.


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Casa conectada abre novos nichos para as teles operadoras estudam modelos de negócios para a oferta de serviços convergentes.

“Estamos muito interessados neste nicho, porém só entramos em projetos que nos permitem fibrar o prédio todo, oferecendo sistema de banda larga full de 5 Mbps.” Marco Jordam, da Transit Telecom

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G

erenciar remotamente a casa por meio de sofisticados sistemas e terminais de comunicação é uma realidade cada vez mais próxima dos consumidores brasileiros. Com os avanços tecnológicos no setor de telecomunicações, as operadoras de telefonia e televisão paga têm incrementado seus portfólios com serviços de automação residencial e novas formas de distribuição de conteúdo. A Transit Telecom, por exemplo, tem apostado neste cenário para migrar de uma estrutura de negócios voltada para o mercado corporativo e disputar o mercado residencial com gigantes como a Telefônica, Embratel e Oi. Para isto, a operadora aposta em parcerias com empresas do ramo de construção civil para implantar redes de fibra óptica em futuros lançamentos de edifícios de alto padrão, criando o conceito iApartament, uma variação “vertical” da casa conectada. “Temos força no corporativo, mas uma presença modesta na venda de serviços para o residencial”, disse o diretor de marketing e produtos da empresa, Marco Jordam. A primeira experiência da operadora foi com o condomínio Pinheiros 34 especial casa conectada | Teletime ago_2011

Connect, em construção no bairro de Pinheiros, zona Oeste da capital paulista. À venda por R$ 350 mil desde fevereiro - a unidade tem 40 m² -, o imóvel conectado pela Transit é projetado para interagir com os moradores. Nele é possível acionar, por comando de voz, as luzes, além de abrir e fechar cortinas e janelas. Segundo a empresa, a casa do futuro tem até 40 itens de automação e também é capaz de ler notícias e e-mails para o morador, que controla tudo pelo iPad, cedido a quem compra o imóvel. “Resolvemos ir além de acender e apagar uma luz”, explica. O executivo afirmou que até meados de 2012 a empresa pretende levar o sistema a outros seis empreendimentos nas cidades de São Paulo, Curitiba e Florianópolis. “Estamos muito interessados neste nicho, porém só entramos em projetos que nos permitem fibrar o


EspecialCasaConectada • Serviços prédio todo, oferecendo sistema de banda larga full de 5 Mbps por segundo”. O grupo Telefônica também resolveu pegar carona nesta brecha para novos negócios e estruturou a At Home, uma subsidiária que faz automação residencial, com oferta de serviços interligados à rede da empresa. De acordo com a Telefônica, em 2010 a At Home alcançou mais de 20% dos condomínios de alto padrão lançados no mercado imobiliário da região metropolitana de São Paulo. A empresa ressaltou também que desde dezembro de 2009, quando foi lançada, já equipou mais de duas mil residências. “É um negócio estratégico, porque vira um diferencial competitivo”, declarou o diretor de negócios da At Home, Gabriel Domingos, que comemora a aceitação do serviço no mercado: “no primeiro semestre deste ano, conseguimos superar o resultado de todo o ano passado”. O executivo pontuou que a integração das operações da Telesp e da Vivo trará vantagens ao grupo Telefônica quando o assunto for a venda de múltiplos serviços para a casa do consumidor final. “Desta forma podemos desenvolver maneiras de o cliente acessar a casa dele pelo celular da Vivo”, comentou. “Imagine que o cliente poderá receber alerta via SMS quando alguém entrar na casa”, completa. Além da operadora de telefonia móvel, o conglomerado espanhol de telecomunicações detém uma participação na empresa de televisão por assinatura TVA, fato que também pode favorecer a estratégia do grupo, na hora de entrar na casa do assinante com pacotes de serviços combinados. Para o diretor de marketing da TVA, Ricardo Perez, a parceria comercial com a Telefônica dá fôlego à empresa de TV paga na disputa com gigantes como a Net Serviços com múltiplas ofertas. “A convergência de serviços é uma demanda crescente dos consumidores em todo o mundo e, com a parceria entre TVA e Telefônica, oferecemos aos assinantes a tecnologia de fibra ótica, e por meio dela oferecemos aos clientes do serviço de ultra-banda larga e IPTV”.

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“Queremos nossa operação centrada em vídeo, dados e comunicação. Qualquer serviço que saia deste universo fica por conta de empresas integradoras.” José Félix, da Net Serviços

Conectada, mas nem tanto Embora a interligação de praticamente todos os equipamentos da casa esteja ao alcance das operadoras, a maioria das empresas rechaça ir muito além do que é core business delas, ou seja: telefonia, banda larga e vídeos. Na Telefônica a palavra de ordem é evitar o conceito de casa da “família Jetson”, embora a empresa ofereça alguns itens de automação por meio da subsidiária AT Home. “Entre as ofertas de automação preferimos focar mais em climatização, iluminação e na parte de áudio e vídeo, mesmo”,

operadoras têm incrementado seus portfólios com serviços de automação residencial e novas formas de distribuição de conteúdo. afirmou Gabriel Domingos. Já a Net Serviços, prefere apostar na conectividade da casa, com ofertas de banda larga sem fio para todos os cômodos e a possibilidade de o cliente escolher o dia, a hora e o cômodo da casa onde quer assistir determinado conteúdo. José Félix, presidente da operadora, diz que o foco da empresa é aumentar a conectividade da casa e possibilitar a venda de serviços de valor agregado por meio da rede. “Queremos nossa operação centrada em vídeo, dados e comunicação. Qualquer serviço que saia deste universo fica por conta de empresas integradoras”. Segundo Félix, um dos pilares da oferta de conectividade da empresa é a oferta de vídeos on-demand, que possibilitam ao cliente baixar filmes e assisti-los a qualquer momento. “Temos o serviço Now, e queremos dar ao assinante produtos desta natureza, e nos quais acreditamos que ele veja valor. Não vamos acender e apagar a luz, é vídeo e conectividade que vamos entregar”. Na visão do presidente da Net Serviços, a disponibilidade de super velocidades facilitará ao cliente na hora de contratar uma empresa que utilize a banda larga contratada da Net Serviços para prestar os serviços de automação residencial. “Com a ultra-banda larga ele poderá fazer tudo isso de maneira simples”, conta. Outra que pretende atender a demanda crescente de seus clientes por conectividade é a mineira Algar Telecom. Segundo a coordenadora de novos produtos da operadora, Zaima Milazzo, o interesse da Algar é oferecer aos clientes apenas serviços de telecomunicações, deixando os itens de automação a

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EspecialCasaConectada • Serviços cargo de uma empresa parceira. A executiva afirmou que para agilizar a implantação do serviços fez parceria com a Cemig Telecom para levar fibra óptica aos condomínios de luxo de Minas Gerais. “Queremos levar serviços com mais inteligência para o cliente, oferecendo maior conectividade entre os dispositivos e qualidade de banda larga por meio da fibra”, disse Zaima. Por ora os planos da empresa são expandir a banda larga wireless e o serviço de televisão paga via satélite (DTH). “O cliente fica cada vez mais longe da televisão comum e mais perto do computador ou da televisão conectada”, disse. Segundo Zaima, o bom resultado da operadora na implantação de conectividade nas casas dos assinantes já faz a Algar Telecom pensar em agregar ao portfólio serviços básicos de automação, que seriam comandados pelo celular. “Estamos avaliando ter isto”, comentou. Em teste Até o final deste ano a GVT começará a vender seu serviço de televisão paga, que será integrado à banda larga da empresa, por meio de um set-top box compatível com o padrão DLNA (Digital Living Network Alliance). O modelo proposto pela empresa para a comercialização de

Investimentos em fibra vão reforçar poder de fogo das teles Mesmo sem oferecer serviços diretamente para a casa conectada, a TIM aposta na melhoria de sua rede como diferencial competitivo, num universo onde as teles precisam oferecer mais capacidade de conexão aos clientes. “Toda grande operadora precisa de soluções completas, e com uma boa rede de fibras você consegue estabelecer altas conexões, que o cliente usará para integrar itens da residência”, diz o diretor de marketing da TIM, Rogério Takayanagi. O executivo observa que os investimentos recentes da empresa para adquirir a Atimus, braço de Telecom do grupo AES, estão em linha com este pensamento de oferecer ultravelocidades de banda larga, num universo no qual os clientes demandam cada vez mais conectividade. “Todo mundo fala de alternativas para levar automação, ou mesmo conexão ao cliente, mas, na verdade, o centro desta interligação é a banda larga”, disse. Para Takayanagi, a melhoria nas redes fixas das operadoras deve acelerar a venda de serviços por meio de terminais, como celulares, TVs e outros. “Desta forma, soluções de cloud computing são cada vez mais viáveis para se prestar serviços”, conclui o executivo. Para não perder o passo da evolução tecnológica a Telefônica promete investir R$ 200 milhões neste ano para implantar fibras nas regiões onde vê demanda por conexões com ultravelocidades. A estratégia da operadora é aumentar a capilaridade de sua rede de fibras, que atende a mais de 20 mil residências em São Paulo. Já a Transit Telecom pretende passar de 300 km para 500 km de rede instalada até dezembro. A operadora informou que parte dos investimentos em fibra são relacionados aos projetos de casa conectada.

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oferta de casa conectada pelas operadoras ainda passa pelo desafio da consolidação do modelo de negócios, com a oferta de novos serviços a preços dentro da realidade do cliente. televisão já pode ser um primeiro passo na oferta de serviços interligados em diversos ambientes da casa do assinante, pois o sistema DLNA permite compartilhar a banda larga entre a televisão e o computador, oferecendo um modelo híbrido de IPTV e DTH. Na visão do diretor de marketing e vendas da companhia, Ricardo Sanfelice, o fato de a rede da GVT ter pouco mais de dez anos dará vantagem à empresa na hora de levar serviços combinados à residência do consumidor. “As soluções de casa conectada estão aí, ao alcance de todo mundo. Porém a maioria das empresas está engatinhando neste segmento”, comentou Sanfelice, ao justificar a estratégia da operadora de segurar o lançamento das soluções de casa conectada. O diretor da GVT afirmou que a empresa já testa, em Curitiba, diversas soluções de casa conectada. Entretanto se esquivou de revelar um prazo para comercialização destes serviços. “Com a demanda crescente dos consumidores por mais conectividade e pela facilidade que as operadoras têm para prestar serviços na casa do assinante, é natural que aos poucos esses itens [de automação] entrem no core business das operadoras, mas não pode ser rápido demais”, disse. “Por enquanto temos apenas um projeto piloto de casa conectada, mas ainda não oferecemos essas soluções como produto de prateleira”. Para ele, a oferta de casa conectada pelas operadoras ainda passa pelo desafio da consolidação do modelo de negócios, com a oferta de novos serviços a preços dentro da realidade do cliente.


.:recursos humanos

Daniel Machado

daniel@convergecom.com.br

Uma nova relação

Operadoras percebem que para manter um bom relacionamento com o cliente é preciso, antes de tudo, cuidar dos profissionais que estão em contato direto com o consumidor.

A

FOTOS: divulgação

área de telecomunicações atravessa um momento de mudanças na forma de se relacionar com o consumidor. Líderes em praticamente todos os índices de reclamação e insatisfação dos clientes e com estruturas gigantescas, de uns anos pra cá as teles entenderam que não basta ter milhares de posições de atendimento (PAs) ou a maior capilaridade de lojas. É preciso mudar a relação com os próprios funcionários para que isso se reflita no trato com o cliente. A intensa competitividade do setor de telecomunicações é, segundo especialistas, o principal gatilho desse novo modus operandi de gestão de pessoal. “Estamos vivendo, de cinco anos para cá, a era do capital humano. As pessoas são o centro de tudo. Com a quebra do monopólio das telecomunicações, depois o início da portabilidade, ficou muito fácil a migração de um cliente para a empresa concorrente”, diz Eduardo Gonçalves, diretor de atendimento e novos negócios da SimGroup, que atua na consultoria e desenvolve projetos na área de reconhecimento e valorização humana para clientes como Telefônica, Sky, Globosat e EverMobile. Resumindo, as empresas estão convencidas de que funcionário feliz representa assinante feliz. A questão é: como manter felizes jovens de 18 a 24 anos que ganham em média R$ 700 por mês, se revezam 24 horas por dia nos 365 dias do ano e desempenham uma atividade que sequer é regulamentada por lei, ou seja, sem piso salarial, jornada de trabalho e benefícios trabalhistas específicos da categoria? Como mitigar a realidade de um setor que, por ser consi-

ção e eficiência em uma estrutura de atendimento para os quase 300 milhões de clientes que o setor tem, com necessidades e estratégias diferentes para cada tipo de serviço. Gente O presidente da Net Serviços, José Félix, ressalta que é preciso continuar apostando em quantidade, mas a ênfase deve ser na qualidade: “É necessário investir muito em gestão de pessoal. Esse negócio de telecom é derado por muitos apenas uma porta um negócio de gente. Gente compromede entrada no mercado de trabalho, tida e envolvida o tempo todo no atendiapresenta os maiores índices de mento do cliente, com noção clara do absenteísmo (faltas) e taxas mensais que agrega valor ao serviço e o que é de turnover (rotatividade) de até 14%? perda de tempo”, destaca. Se não bastasse isso, esses atenA diretora de consultoria interna dentes são muitos e a maior parte é da Telefônica/Vivo, Lilia Cruz de Paula terceirizada. O setor de telecomunicaVieira, concorda, principalmente porções é, disparado, o que mais emprega que os serviços de telecomunicações profissionais de contact center: a Net, não são mais produtos de prateleira. por exemplo, tem 8 mil posições de Para ela, o setor teve de amadurecer a atendimento; a Sky, 850; a GVT, 3,1 partir da evolução e das novas possibimil (3,4 mil até o final do ano); a lidades do seu portfólio. “Se você anaTelefônica/Vivo, 15 mil, além dos 5,6 lisar a história das telecomunicações, mil distribuídos em 320 lojas em todo o negócio era o seguinte: ‘eu forneço a o País, números que não ficam muito tecnologia e você (cliente) que se vire’. distantes da realidade das outras Antes fazíamos uma gestão de contragigantes do setor, como Oi, TIM, Claro tos, e não de pessoas. Hoje a questão é e Embratel. ‘olha o que a tecnologia faz com a sua Essas e outras operadoras começavida e o que você ganha com isso’”, ram a entender que para reter um assiexplica. nante, além de bom produto e preço A diferença primordial reside no fato justo, é preciso imbuir motivade que os serviços de telecomunicações trazem um fator de avaliação subjetiva. “Por mais que seja entretenimento, a TV por assinatura há muito deixou de ser supérfluo. Ao chegar da rua, antes de fechar a porta da minha casa, eu ligo a TV. E sabemos que o mesmo acontece com milhões de pessoas”, diz a gerente de churn da Sky, Lilia Cruz Vieira, da Telefônica/Vivo Emília Coelho. É o que o dire

“Antes fazíamos uma gestão de contratos e não de pessoas. Hoje a questão é ‘olha o que a tecnologia faz com a sua vida e o que você ganha com isso.’”

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.:recursos humanos tor da SimGroup chama de “tecnodependência”. Por este motivo, todos os funcionários têm acesso aos serviços da Sky em suas residências, gratuitamente. “No momento em que o cliente liga, todos têm de sentir a mesma coisa, o mesmo sentimento, assim entendemos melhor as necessidades deles”, diz Emília. “Para ser especialista em TV, é preciso investir em serviço”.

“Para cada cliente retido, o colaborador ganha um mimo da empresa. Queremos que ele supere sua performance, não simplesmente uma performance trabalhista.” Eduardo Gonçalves, da SimGroup e o que prevalece são os presentes. “É por isso que nosso índice de turn-over é inferior a 1%, um dos menores do mercado”, diz a executiva. Segundo José Félix, a Net tem plano de participação de resultados há muitos anos e para todos os colaboradores. “Nossos profissionais de atendimento recebem até 3,5 salários adicionais por ano”, diz.

Treinar e motivar “Penso que se quisermos prosseguir em uma melhora contínua precisamos envolver quem está na ponta. Por este motivo, treinamento e ambiente de trabalho são fundamentais”, diz Fernando Lopes Kireeff, presidente da Sercomtel, que alega ter uma estabilidade média de 20 anos em seu quadro de atendimento, com 500 atendentes de call center e outros 500 técnicos instaladores. Para Gonçalves, da SimGroup, é preciso haver também motivação da Funcionários ou consultores equipe. Folgas, ingressos de cinema, Seguindo essa estratégia de motide parques de diversão, gift-cards e vação, comum nas centrais de atendiaté viagens ao exterior estão entre os mento do setor de telecom, até os ‘mimos’ concedidos aos profissionais crachás do pessoal de relacionamento que se esmeram em seus resultados. A estão sendo reimpressos: de “empreTelefônica conta com um programa gados” e “funcionários” para “consulchamado “Sempre Mais”, desenvolvitores” e “especialistas”. Mas para o do pela SimGroup, que periodicamenpresidente da Thymus Branding, te sorteia até motos e carros zero quiRicardo Guimarães, outra importante lômetro aos supervisores e consultores consultoria de RH, “em muitos casos de vendas que superarem as expectahá uma idealização que envenena as tivas dos clientes. “Para cada cliente relações, piorando o cinismo corporaretido, o colaborador ganha um mimo tivo e não resolvendo o problema do da empresa. Queremos que ele supere consumidor nem do atendente. Esses sua performance, não simplesmente truques, como chamar funcionário de uma performance trabalhista”, explica colaborador, mascaram a realidade de o consultor. contratos que não remuneram a real “Por dia, um atendente liga pa­­­ ra função que a palavra sugere”, diz. “A cerca de 50 assi­­ nantes (ina­ dim­ questão é cultural, portanto há que se plentes). Se ele conseguiu contatar 40, mudar os verdadeiros artenegociou com 30 e 15 pagaram, vai fatos que suportam os cosganhar um ‘plus’ no seu salário. Quanto mais clientes pa­­ gam, mais os atendentes ganham”, explica Emília, da Sky, que revela que os rendimentos mensais destes profissionais são de 30% a 40% maiores graças a essa política de bonificação. Na área de retenRicardo Guimarães, da Thymus ção da Sky o salário é fixo

tumes e seus significados. O legal seria resignificar o atendente com nova capacitação e novo comportamento, suportado por novo contrato, e não só trocar de nome”, adverte. A GVT aposta nos planos de carreira, que viabilizam a migração desses profissionais para outras áreas da empresa. Basta que tenham mais de um ano de trabalho e, no mínimo, seis meses no atual cargo. Os critérios para seleção incluem avaliações de desempenho, provas situacionais, testes técnicos e comportamentais, vocacionais, além de entrevistas. Outra es­­ tratégia, segundo Car­­ los Alberto Matias, diretor de CRM da GVT, é “a tática do elogio”. “Nosso modelo privilegia a empatia e modifica por elogios, focando muito mais o positivo em detrimento da falta”, revela.

para reter um assinante, além de bom produto e preço justo, é preciso imbuir motivação e eficiência em uma estrutura de atendimento para os quase 300 milhões de clientes que o setor tem.

“Esses truques, como chamar funcionário de colaborador, mascaram a realidade de contratos que não remuneram a real função que a palavra sugere.”

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Retroalimentação Empresas como Sky e GVT também adaptaram alguns de seus produtos em função das informações coletadas pelos funcionários da área de atendimento. “Por estar no dia-a-dia em contato com o consumidor, a área de relacionamento tem esse papel de retroalimentação. Não é falácia, à medida que medimos os processos, análises e estatísticas do que o cliente está falando”, diz Matias, da GVT. O mesmo acontece na Sky: “A área de produtos é a que mais utiliza os serviços do atendimento. Sempre temos reempacotamentos feitos de acordo com os dados apurados, virou algo automático”, diz Emília Coelho. Algumas grandes operadoras também enviam periodicamente seus funcionários de gerência e direção para o front-end. Os programas “Vivo para o Cliente” e “Cara a Cara”, da Telefônica, têm o objetivo de aproximar os cola-


“Por dia, um atendente liga para cerca de 50 assinantes. Se ele conseguiu contactar 40, negociar com 30 e 15 pagarem, vai ganhar um ‘plus’ no seu salário. Quanto mais clientes pagam, mais os atendentes ganham.” Emília Coelho, da Sky boradores dos assinantes. Para isso, uma vez por mês essas pessoas visitam as centrais para observar como funcionam a venda, atendimento comercial e técnico, além dos centros de monitoramento. “A partir dessa vivência com o canal, seja call center ou loja, as pessoas que tomam a decisão começam a entender a realidade da linha de frente e a ter uma visão de fora para dentro”, destaca a executiva da Telefônica/Vivo. Guimarães, da Thymus, acredita que o setor de telecomunicações precisa quebrar de vez sua “herança de relação infantilizada entre empresa e empregados”. Isso significa aproveitar a experiência dos próprios profissionais.

entanto, estudos do Guia Call Center Brasil de 2009 apontam que o turnover mensal dos prestadores de serviço chega ao dobro (13%) em relação ao call center próprio (7%). E o nível de desativação também é bastante favorável (14% contra 8%) para as estruturas próprias ou não-terceirizadas. Para a GVT, a solução é “internalizar”. Com frequência, a operadora divulga com orgulho o fato de contar com 100% de estrutura de atendimento própria. E relaciona isso aos seus indicadores de qualidade, como o de

o setor de telecomunicações precisa quebrar de vez sua “herança de relação infantilizada entre empresa e empregados”. Isso significa aproveitar a experiência dos próprios profissionais.

Churn Melhorar a relação com o próprio atendente, perceberam as operadoras, é uma forma de melhorar a retenção e ampliação da base de assinantes. Com milhões de clientes, a palavra churn (desligamento do assinante, cancelamento) é uma realidade cotidiana mas que precisa ser minimizada. “Uma operadora de TV por assinatura, por exemplo, que tenha uma receita média por usuário (ARPU) de R$ 200, perde R$ 2,4 mil por ano com o churn de cada assinante”, diz Gonçalves, da SimGroup. “Manter o cliente dentro de casa e oferecer um presente de R$ 10, R$ 15 (ao atendente) é um investimento que certamente se pagará”, explica Emília Coelho, da Sky.

Terceirização Praticamente todas as operadoras terceirizam totalmente (ou em grande medida) seus serviços de atendimento, sejam eles por telefone ou em campo. Elas explicam que a terceirização não está relacionada apenas à redução de custos, mas também para entregar a um terceiro aquilo no qual elas, operadoras, não são especialistas. No

resolução de problemas no primeiro contato (first call resolution), que em junho de 2011 foi de 90%, e o índice de satisfação dos clientes com a qualidade do atendimento, que em maio deste ano atingiu 96%. Atualmente, 80% dos técnicos-instaladores da empresa são da própria GVT e a meta até o final de 2011 é chegar a 100%. Apesar de contar com somente mil

PAs próprias, de um total de 15 mil PAs, a Telefônica/ Vivo internalizou todo o contingente das lojas. O trabalho durou dois anos (2009 e 2010) e envolveu 5,6 mil pessoas em 320 pontos de venda. O presidente da Net não acredita que este seja necessariamente o caminho para a boa qualidade das relações com os assinantes. “Não existe verdade nessa área. Se alguém disser que tem, o que ontem era verdade amanhã não é mais. Além do mais, se a solução fosse internalizar, todo o mundo já estaria fazendo isso”, pontua. Segundo ele, o importante para a Net (que tem 8 mil PA s , das quais 7 mil terceirizadas) é não terceirizar a inteligência. “O call center é uma das áreas mais complexas de uma empresa de telecomunicações, que atende milhões de pessoas com as mais diversas demandas e questionamentos, que vão desde o horário do jogo do Corinthians, o motivo da cobrança de uma tarifa de R$ 1 em determinada chamada, da falta de conexão da Internet e por aí vai”, diz. “Em um serviço massificado como este, os atendentes são pessoas com seu primeiro emprego, não consigo contratar milhares de universitários, doutores e PhDs. Concordo que devíamos ter pessoas com nível e qualificação para falar com engenheiros, advogados, administradores de empresas, que são pessoas que ligam para o call center, mas o cliente não está disposto a pagar por isso”, finaliza. 

Atendimento nas redes

A

pesar do surgimento e crescimento das redes sociais e do fato de estas terem se tornado outro importante canal de relacionamento com o cliente, as operadoras ainda engatinham nessa área. De maneira geral, contam com um perfil nessas mídias e somente as monitoram, com uma postura mais reativa do que pró-ativa. “Tivemos um treinamento sobre redes sociais, mas foi muito mais provocativo do que conclusivo. Se tivéssemos de escolher entre redes sociais e contact center, ficaríamos com contact center”, diz Kireeff, da Sercomtel. A GVT, por outro lado, se esforça para tentar entender essa nova interface. “Apesar de todo o mundo dizer que já conhece, é mundo novo, com diferentes linguagens e interesses. Porém, é outro canal e faz parte da nossa premissa de atender nosso cliente, que é multicanal e vai interagir conosco onde lhe convém”, explica Matias. Emilia também considera esta uma grande oportunidade. “Contamos com uma equipe antenada, que só cuida disso e nos traz muitas informações importantes. Porém não é nada muito grande. Realmente, redes sociais para nós ainda são uma oportunidade”.

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.:serviços móveis

Fernando Paiva, do Rio de Janeiro fernando.paiva @convergecom.com.br

Muito espaço, pouco anúncio

O que deveria ser motivo para comemoração, entretanto, está gerando reflexão. Em vez de anúncios, o que se vê no espaço reservado para publicidade em vários sites móveis brasileiros são os chamados calhaus, ou seja, propaganda de outros produtos do mesmo grupo editorial. “A taxa de ocupação é pequena. O celular hoje é como a Internet na década de 90: a audiência cresce ano a ano, mas faltam anunciantes”, analisa o diretor de marketing e publicidade do UOL, Enor Paiano. Tal como no começo da Internet, quando muitas marcas não tinham website e por isso não anun-

“O celular não é mais a cereja do bolo. Agora é mídia de massa.” Edison Maluf, da Hands 42 Teletime ago_2011

ciavam na web, agora ainda há muitos anunciantes que não possuem sites móveis. Para resolver o problema, a Hands e o Yahoo!, por exemplo, oferecem aos clientes, a partir de um determinado valor de contrato, o desenvolvimento de uma página móvel. Os setores que mais têm anunciado nas telinhas dos celulares são o automotivo e o financeiro, justamente os dois que foram pioneiros em anunciar na Internet, por quererem agregar o caráter de inovação às suas marcas. A falta de sites móveis não é a única razão para o baixo interesse dos anunciantes. Do lado das agências digitais, existe uma FOTOS: divulgação

O

barateamento de smart­ phones, o surgimento dos tablets e o lançamento de planos de dados para acesso à Internet para usuários pré-pagos e a expansão da cobertura dos serviços de terceira geração (3G) geraram, entre outras consequências, um crescimento expressivo na audiência de sites e aplicativos móveis nos últimos 12 meses no Brasil. Como reflexo, a oferta de espaço publicitário na telinha dos celulares aumentou de maneira significativa, pois seu principal modelo de negócios é a venda de “impressões”, ou seja, de vezes em que uma página com anúncio é exibida, seja em um site ou em um aplicativo. O problema é que a demanda dos anunciantes não cresceu na mesma proporção. O resultado é uma taxa de ocupação baixa, girando em torno de 20%, e uma preferência das equipes de vendas por comercializar patrocínios, por serem mais rentáveis. Não faltam exemplos para ilustrar o aumento do inventário da publicidade móvel no País (veja gráfico na página 44). A Hands, uma adnetwork que administra mais de cem sites e aplicativos móveis, registrava um ano atrás cerca de 35 milhões de impressões por mês. Agora, são 200 milhões. “O celular não é mais a cereja do bolo. Agora é mídia de massa”, afirma Edison Maluf, diretor executivo da Hands. No mesmo intervalo de 12 meses, o inventário móvel do Yahoo! aumentou 400%, passando de 12 milhões para 60 milhões de impressões/mês – e a expectativa é dobrar para 120 milhões até dezembro. O Google não revela números absolutos, mas informa que, no seu caso, o crescimento foi de 600% em um ano. É difícil medir o tamanho total do mercado, mas alguns especialistas arriscam dizer que seria próximo a 2 bilhões de impressões por mês, somando sites e apps móveis acessados por brasileiros, o que representaria um crescimento de quase dez vezes em um ano.

Fernando Gonzalez S. / shutterstock

Espaço para publicidade em dispositivos móveis aumenta significativamente nos últimos 12 meses, mas apetite de anunciantes não acompanha o ritmo.


tivos móveis. Costumam usar o modelo de conhecido como “blind delivery”, literalmente uma distribuição às cegas: o anunciante não escolhe em quais aplicativos seu banner aparecerá. O cliente apenas informa o público-alvo e a plataforma se encarrega de definir os espaços a serem ocupados. Nesse caso, em vez de impressões, o anunciante é cobrado por cliques. “Nossos clientes costumam ser anunciantes globais que, eventualmente, querem atingir também o consumidor brasileiro”, explica o diretor de projetos estratégicos da InMobi, Khamir Bhatia. A rede da InMobi tem mais de 10 mil publishers de 150 países. A Admob é ainda maior, com 90 mil sites e apps. Estão surgindo também adnetworks nacionais. Hands e Redemobi, do Grupo.Mobi, são as mais conhecidas. A estratégia é diferente: o objetivo é montar uma rede premium, cobrar um preço mais alto que as concorrentes internacionais, mas permitir que o anunciante segmente melhor seu público-alvo. Enquanto as redes estrangeiras são atraentes para peque

“A publicidade móvel somente deslanchará quando houver padronização mínima entre as quatro grandes operadoras do País.” Fiamma Zarife, da Claro

aguardam vários meses para botar suas propagandas no ar. Na mídia móvel, uma primeira tentativa de criar algo parecido parte do Google, com o Mobile YouTube Roadblock, que permite a uma marca ter 100% dos anúncios na versão do YouTube acessada por celulares, informa o responsável por publicidade móvel da empresa na América Latina, Peter Fernandez. Adnetworks Em vez disso, o que ganha força é justo o contrário: a reunião de vários pequenos canais em redes de publicidade, ou adnetworks, algumas delas com abrangência mundial, como a AdMob, do Google; a iAd, da Apple; e a indiana InMobi, que já faz negócios no Brasil. Elas vendem espaço publicitário no atacado, principalmente em aplica-

Formigas esmagadas geram anúncios

F

ormiguinhas pretas e vermelhas avançam sobre uma toalha de piquenique em direção a uma cesta de comida. Para impedi-las, é preciso esmagá-las com os dedos... na tela do smartphone. A temática é simples, mas o jogo casual Ant Smasher é viciante e contabiliza mais de 10 milhões de downloads nas plataformas iOS e Android. Criado pela empresa brasileira Best, Cool & Fun Games, o título é distribuído de graça na App Store e no Android Market. Sua receita provém de publicidade, a partir de banners servidos por redes internacionais de publicidade móvel. Sozinho, Ant Smasher gera US$ 2,5 milhões de receita anual para a empresa desenvolvedora, 80% da qual a partir de publicidade. Um ano e meio atrás, o executivo Guilherme Schwartsman trabalhava em um banco de investimentos e desenvolvia jogos para smartphones em seu tempo livre. O que era um hobby virou coisa séria. Schwartsman pediu demissão e passou a se dedicar integralmente à Best, Cool & Fun Games. A empresa desenvolveu até agora mais de 80 títulos para as plataformas iOS e Android. A maioria é distribuída gratuitamente, tal como o Ant Smasher. A aposta mais recente atende pelo nome de Bunny Shooter. A empresa trabalha com diferentes adnetworks, como Admob, do Google, e iAd, da Apple. “Essas redes garantem uma escala grande para a monetização dos desenvolvedores. E isso permite a oferta de jogos gratuitos”, explica Schwartsman. Algumas adnetworks pagam por impressões, outras por cliques. O CTR médio dos jogos da Best, Cool & Fun Games gira em torno de 1,5% e 2%. A empresa embute em seus jogos a programação para receber os anúncios das redes. Através de um sistema, escolhe em tempo real a adnetwork que paga melhor por clique, trocando-a sempre que necessário. A Best, Cool & Fun Games tem hoje 15 funcionários, dos quais 11 são programadores. A empresa recebeu aporte de fundos de investimento nacionais e estrangeiros e está avaliando a possibilidade de adquirir outros desenvolvedores brasileiros este ano. Tudo graças a alguns milhões de formiguinhas esmagadas.

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Oleksiy Mark / shutterstock

reclamação de que o preço do CPM (custo por mil impressões) está alto no celular. O preço de tabela chega a R$ 100 em alguns casos, mas é reduzido em até 75% durante a negociação, dependendo da escala. Ainda assim, é muito mais caro que os preços da web. Entre as justificativas está o fato de que, no celular, a taxa média de clique, conhecida como CTR, na sigla em inglês, costuma ser dez vezes maior que a da web. Enquanto nesta última o CTR médio é de 0,1%, no celular a média é de 1%, podendo chegar a 5% em casos de segmentação mais cuidadosa ou de uso de anúncios multimídia. O usuário de celular é mais propenso a clicar em propagandas porque as vê como conteúdos, explica Paiano, do UOL. Além disso, um banner no celular ocupa proporcionalmente mais espaço de tela do que um banner na web. Outra explicação para o CPM mais alto está na possibilidade de segmentação dos anúncios, o que também contribui para elevar o CTR. Os servidores de banners são capazes de dividir a base de usuários de acordo com o sistema operacional ou aparelho usado, estado de origem e operadora móvel. Mas há quem diga que os preços não baixam porque os grandes portais não precisam da receita de publicidade móvel e preferem, portanto, não queimar essa mídia agora. Acaba que o banner móvel é dado quase como brinde em negociações maiores, que envolvem outras mídias. Do lado dos anunciantes existe a queixa de que falta no inventário móvel brasileiro um verdadeiro canal de massa. Algo como a página de saída do Orkut, que é vista por 5 milhões a 6 milhões de pessoas por dia e cujo CPM gira em torno de R$ 1. Outro exemplo é a página de boas vindas do MSN. Os dois estão para a web como o horário nobre está para a TV. Os anunciantes fazem fila e


nos desenvolvedores, que não possuem equipe de vendas para comercializar anúncios, as nacionais estão conseguindo atrair marcas consagradas. A Hands tem em seu portfólio o jornal O Dia, a revista Caras e o aplicativo eBuddy – este último representa mais da metade de seu inventário, registrando atualmente 180 milhões de impressões por mês no Brasil. Por sua vez, na Redemobi estão MTV, Climatempo e os canais Globosat. Grandes provedores de conteúdo estão se rendendo às adnetworks nacionais para poderem participar de campanhas de maior escala, complementando o trabalho feito por suas equipes de vendas. É o caso da Abril, que está em fase final de negociação com uma rede nacional de publicidade móvel. “O objetivo é entrar em planos de mídia diferentes, que nossa equipe de vendas não atinge”, explica a gerente de publicidade digital da Abril, Virgínia Any. Para se ter uma ideia do ritmo de crescimento das adnetworks nacionais, o faturamento da Redemobi deve alcançar R$ 4 milhões este ano, quatro vezes mais que o obtido em 2010. Leo Xavier, presidente do Grupo.Mobi, entretanto, evita comemorações precipitadas: “Assim como não houve o ano da Internet, nem o ano da TV a cabo, não existe o ano do mobile marketing. É um processo longo, de anos.”

Android vs iOS em publicidade móvel Android CPM médio US$ 1,3

US$ 1,7

Taxa de ocupação global

85%

78%

CTR médio

1,1%

2,3%

Cinco principais países*

EUA, Inglaterra, França, Alemanha e Índia

EUA, Inglaterra, França, Alemanha e China

*Considerando CPM, taxa de ocupação e CTR Fonte: Inneractive, julho de 2011

Há quem resista a essa tendência de adesão às redes de publicidade móvel, sejam nacionais ou estran­ geiras. “O problema é o preço. Se eu baixar para centavos, nunca mais vendo anúncio por um valor decente”,

450

Impressões por mês no Brasil*

200

200

160

180

2010

iOS

Milhões

2011

60 12

14

23

15

Yahoo! WAP Claro

40

20

eBuddy

UOL

35

35

Hands

Redemobi

InMobi

*Estimativa de especialistas entrevistados por TELETIME

44 Teletime ago_2011

Oleksiy Mark / shutterstock

.:serviços móveis comenta Paiano, do UOL. A alternativa pode ser a busca por patrocínios. “Em aplicativos é melhor vender patrocínio em vez de CPM, porque a audiência é pequena ainda”, relata Melissa Beltrão, do Yahoo! Na Abril, o patrocínio de apps tem gerado mais receita publicitária que os banners em sites móveis. Geralmente são vendidas cotas de um ano, com um espaço pré-estabelecido e direito de trocar os anúncios periodicamente etc. Foi o modelo de patrocínio que sustentou muitos dos aplicativos para tablets, especialmente o iPad. Segundo fontes do mercado, houve contratos de valores estratosféricos, porque algumas marcas faziam questão de ser as pioneiras a anunciar nessa mídia. Vale lembrar que, no caso de revistas e jornais em tablets, há também a venda de anúncios dentro das versões digitais, cuja receita pode ser ainda maior do que as cotas de patrocínio. Na Veja, por exemplo, que acumula mais de 200 mil downloads, os anúncios da versão para iPad são vendidos separadamente daqueles para a edição impressa. Como contribuem para aumentar o tamanho do arquivo a ser baixado pelo leitor, o preço do anúncio varia de acordo com seu peso em megabytes, pois há desde anúncios simples até aqueles multimídia, com interações e vídeos embarcados. Operadoras As operadoras móveis não estão fora do mercado de publicidade. Seus portais WAP ainda atraem um público significativo e que segue aumentando, graças a planos de dados pré-pagos. Na Claro, por exemplo, o inventário cresceu 60% em 12 meses, atingindo 23 milhões de impressões/mês em junho. É comum as operadoras terceirizarem a comercialização dos banners. Seu CPM de tabela está bem abaixo da média do mercado, pois o objetivo não é ganhar com a publicidade em si, mas com os serviços de valor adicionado (SVAs) que são divulgados ali. A maioria dos anunciantes nos portais das teles são agregadores de conteúdo parceiros, que vendem SVAs, cuja receita é dividida com as operadoras. É comum a cobrança não ser por impressões e nem por cliques, mas por aquisição de novos assinantes para esses serviços, conhecido como CPA (custo por aquisição). A participação das operadoras não


FOTO: divulgação

se limita a banners em portais WAP. A Claro adotou uma solução para exibição de anúncios em mensagens “pop-up” nas telas dos usuários quando o celular está ocioso. A operadora utiliza uma tecnologia chamada LiveScreen, desenvolvida pela Celltick, que recentemente firmou parceria com a RIM para distribuir anúncios dessa maneira na tela do BlackBerry. Outra iniciativa da Claro é a venda de espaço publicitário para jingles em sua URA de recarga de pré-pagos, no número *555. O maior canal para publicidade que as operadoras têm em suas mãos, porém, é a plataforma de SMS, com potencial para atingir toda a base de usuários. As teles ainda exploram pouco essa ferramenta, pela dificuldade de obter a autorização dos assinantes, o chamado “opt-in”. Como consequência, proliferam ações de mobile advertising via SMS comandadas por terceiros a partir de brechas no modelo de negócios e na tecnologia, seja por meio de gateways internacionais, ou SMS corporativos ou mesmo SIMcards de pessoas físicas, aproveitando promoções agressivas das teles para SMS peer-to-peer. Não raro, é uma publicidade enviada sem autorização do usu-

“Em apps, é melhor vender patrocínio do que CPM, porque a audiência é pequena ainda.” Melissa Beltrão, do Yahoo!

ário, ou seja, spam, puro e simples. “É um mercado que se movimenta à revelia das operadoras, em muitos aspectos devido à falta de padronização de mecânicas, modelos comerciais, inventários de mídia, relatórios disponíveis etc”, analisa a diretora de serviços de valor agregado e roaming da Claro, Fiamma Zarife. Ela complementa: “A publicidade móvel somente deslanchará quando houver padronização mínima entre as quatro grandes operadoras do País, para que o alcance seja total e

Taxa média de clicks (CTR) no Brasil Na web Banner no celular anúncio multimídia no celular

0,1% 1% 5%

a escala obtida garanta o retorno para o anunciante.”

Richmedia e Ibope Novidades estão surgindo para convencer as grandes marcas a anunciar na tela dos celulares. Uma delas é a oferta de banners multimídia, com animações, vídeos e interações, em um formato conhecido como richmedia. As plataformas das Hands e da Yahoo! já oferecem essa possibilidade e os resultados chamam a atenção, com CTRs acima de 4%. “O celular é um espaço mais restrito que a web. É preciso tomar cuidado para não ser invasivo na comunicação”, pondera o diretor de marketing e propaganda do iG, Marcelo Lobianco. Outra novidade em estudo é o acompanhamento do mercado pelo Ibope. O instituto planeja acompanhar mensalmente os seis maiores portais móveis do Brasil, reportando seus inventários, CPMs e principais setores anunciantes. O monitoramento conferirá um status de mídia consolidada e profissional, o que tende a atrair mais anunciantes. Para Marcelo Castelo, sócio-diretor da agência digital Fbiz, o mobile advertising só vai acontecer para valer no Brasil quando os diretores das grandes empresas navegarem efetivamente pela Internet em seus smartphones e notarem a ausência de suas marcas ali.

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.:Regulamentação

Samuel Possebon e Wilian Miron

samuca@convergecom.com.br e miron@convergecom.com.br

Cabo enrolado

N

ão é de hoje que os debates das questões regulatórias referentes a TV por assinatura e comunicação em geral enfrentam caminhos tortuosos e lentos até produzirem algum resultado. Com a mudança no marco regulatório da TV paga não está sendo diferente. Mais um semestre começa com a expectativa do “agora vai...”. Essa toada já tem pelo menos quatro anos e meio, se for contado o momento em que antigo PL 29/2007, que propõe novas regras para o setor de TV por assinatura começou a tramitar (hoje, no Senado, o projeto tem o número de PLC 116/2010). Já é um semestre a mais do que levou a Lei do Cabo entre a data em que foi proposta e a data em que foi sancionada, em 1995. A expectativa do governo é que o PLC 116 seja votado na primeira quinzena de agosto. Mas expectativa não é certeza. Para que isso aconteça, será necessário vencer as propostas de mudança de pelo menos três grandes radiodifusores (Band, SBT e Record), que querem alterações em maior ou menor escala no texto. Além disso, será preciso garantir à Globo que o projeto será aprovado como está, sem alterações, sobretudo na parte que assegura a separação entre empresas produtoras de conteúdo e empresas de telecomunicações. Será preciso, enfim, garantir que não haja destaques em separado, que poderiam derrubar a integralidade da proposta. E seria preciso garantir que a Presidência da República não vete nenhuma das partes do projeto. Este é o quadro no front legal. Na frente regulatória, a Anatel tenta concluir o trabalho de reforma da regulamentação de TV a cabo. A proposta de um novo regulamento para o serviço teve sua consulta encerrada no final de julho, sob severo bombardeio nas contribuições e a cer-

zwola fasola / shutterstock

Apesar das tentativas de votar o PLC 116/2010 em julho, decisão sobre o novo marco legal da TV paga fica para agosto. Na Anatel, expectativa é que um novo regulamento saia no segundo semestre se não vier a nova lei. Teles desenham o plano B.

teza, segundo confidenciaram técnicos e mesmo dirigentes da agência à TELETIME, de que se a reforma proposta for adiante ela tem 50% de chance de cair na Justiça. Os pontos mais frágeis e questionados são, justamente, as inovações da proposta. Basicamente a Anatel está sendo criticada por interpretar que a Lei de TV a Cabo, de 1995, não prevalece sobre a Lei Geral de Telecomunicações, de 1997. Com isso, a agência entende que as outorgas de TV a cabo podem ser autorizações (e não concessões) e que não é mais preciso um processo de licitação. Leva a autorização quem pedir, e pagar o preço administrativo de R$ 9 mil. A Embratel, acionista controladora da operadora de cabo Net Serviços, faz a pergunta óbvia: se a Lei do Cabo 46 Teletime ago_2011

pode ser desconsiderada na questão dos procedimentos de outorga, por que não desconsiderá-la também na questão do capital estrangeiro? Afinal, quem impede a Embratel de assumir definitivamente o controle da Net é a Lei do Cabo, com sua limitação de 49% ao capital externo. Outro ponto de muita polêmica é se a Anatel tem previsão legal para impor limites de publicidade aos canais pagos, como propõe no texto do novo regulamento, e se pode interferir na natureza dos contratos de programação, impedindo acordos de exclusividade. A agência argumenta que essas questões foram colocadas a partir de questionamentos do Ministério Público. Ainda assim há quem diga, como o Laboratório de Políticas de Comunicação da Universidade de Brasília, que a Anatel não tem previsão legal para avocar a si estas funções. Empresas como a própria Telefô­ nica, que apoia a reforma regulatória da Anatel, também entendem que a agência não deveria interferir em questões de conteúdo. Com isso, o debate sobre um novo marco regulatório para o setor de TV a cabo tende a se arrastar mais um pouco, desde maio de 2010, quando começou. Ao mesmo tempo, o mercado de TV paga segue crescendo a passos largos. Já ultrapassou os 111 milhões de assinantes no primeiro semestre, segundo dados da Anatel. Compasso de espera Enquanto uma definição sobre o novo marco legal e regulatório para a TV por assinatura não vem, o DTH, que foi o caminho adotado pelas teles para se desenvolverem nesse mercado, cresce a passos largos, e no primeiro semestre do ano superou a barreira de 50% de market share em um mercado com mais de 11 milhões de assinantes, segundo dados da Anatel de julho.A próxima a entrar na onda é a GVT, que


“Com os investimentos que temos feito em redes, podemos ser agressivos na oferta de acesso e distribuir conteúdo na casa do cliente.”

FOTO: Marcelo Bruno

está trabalhando no desenvolvimento de um sistema híbrido entre TV via satélite e IPTV, que proporcionará interação através da banda larga. “Decidimos não esperar mais e, por isto, formatamos o modelo atual, que está 100% dentro da lei”, afirmou o diretor de marketing e Rogério Takayanagi, da TIM novos produtos da GVT, Ricardo Sanfelice. A empresa pretende lançar o serviço no último trimestre, por conta da disposição do consumidor haverá para investimentos”, brasileiro para assinar o serviço no disse Ricardo Perez, diretor de markeNatal. Segundo o executivo, as possíting da companhia. “E os consumidoveis alterações na legislação do setor, res ganharão com a existência de previstas para este ano, não terão influnovos competidores neste serviço”, ência sobre o modelo de negócios ideacompleta. Embora a empresa não lizado pela empresa. “Ao contrário de comente o assunto, com a aprovação algumas concorrentes, não somos da PLC 116 o grupo de telefonia fixa, dependentes de uma transformação na móvel e banda larga poderá assumir o Lei do Cabo, porque nossa controle da operação, rede permite a oferta de que atua com cabo, IPTV. Ou seja: aprovando MMDS e fibra em São ou não, vamos manter Paulo, Rio de Janeiro, nosso projeto”, afirmou o Curitiba, Porto Alegre, executivo. “Hoje o PLC Florianópolis e Foz do 116 terá mais efeito na Iguaçu. Caso a Telefônica parte de conteúdo, com as realmente assuma o novas atribuições da comando da TVA, as Ancine e a questão das empresas intensificarão cotas. No que diz respeito a venda de combos, à parte de distribuição, ampliarão a oferta de acredito que o principal serviço por fibra, que está superado”, opina. leva vídeos em HD e No grupo mineiro Algar vídeo sob demanda. Telecom, a expectativa é Outra companhia que que a possível mudança na sentirá significativamente legislação da TV paga facio peso da mudança na lite a entrada de médias legislação é a Net Serviços: operadoras no mercado de televisão via por conta de um acordo entre acioniscabo, possibilitando a elas agregar tas, a empresa controlada pela Globo novos pacotes de serviços aos clientes. Participações passará às mãos da “Compramos a licença de DTH por Embratel, do grupo mexicano Telmex, falta de opção”, afirmou a coordenahoje detentor de quase todas as ações dora de novos produtos da compada Net, mas ainda sem o controle das nhia, Zaima Milazzo. No entanto a ordinárias. José Felix, presidente da executiva do grupo Algar disse que operadora, evita comentar a importânnão há consenso sobre o que será feito cia da mudança na legislação para as quando a entrada das operadoras no operações da empresa. “Estamos mercado de cabo estiver liberada por acompanhando com atenção e aguarlei. “Mesmo assim estamos preparados para este cenário”. Já a TVA, empresa na qual a Telefônica detém participação dentro dos limites da legislação, acredita que o entrave prejudica o mercado porque “quanto maior o leque de serviços que as empresas do setor possam Ricardo Sanfelice, da GVT oferecer, maior incentivo FOTO: arquivo

Enquanto uma definição sobre o novo marco legal para a TV por assinatura não vem, o DTH, que foi o caminho adotado pelas teles para se desenvolverem nesse mercado, cresce a passos largos.

“Decidimos não esperar mais e, por isto, formatamos o modelo atual, que está 100% dentro da lei.”

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dando as votações, mas só vamos nos posicionar quando tudo estiver concluído”, disse. E a Oi, que ainda passa por um processo de transição gerencial, tem pelo menos uma certeza: terá TV por assinatura entre suas prioridades para os próximos investimentos. Primeiro, porque a Portugal Telecom, principal acionista individual da empresa e agora com forte poder de ingerência nas decisões estratégicas e tecnológicas, é fixada em TV por assinatura desde que implantou, em Portugal, um modelo de grande êxito na oferta de redes de fibra combinada com serviços convergentes. Além disso, a Oi terá como presidente a partir de agosto Francisco Valim, um dos executivos com maior experiência no mercado de TV paga brasileiro, tendo sido presidente da NetSul e, posteriormente, CEO da Net Serviços, responsável pelo lançamento agressivo justamente dos serviços combinados e pelo resgate financeiro da companhia, que entrou em default em 2002. TIM na TV paga? Interessada na convergência de mídias, a TIM não descarta firmar parceria com produtoras de conteúdo para oferecer soluções de vídeo e também acompanha a efervescente mudança na legislação da televisão por assinatura. De acordo com o diretor de marketing da empresa, Rogério Takayanagi, é possível que a empresa ofereça banda larga com ultravelocidades e também venda conteúdo em parceria com redes de televisão. “Com os investimentos que temos feito em redes, podemos ser agressivos na oferta de acesso e distribuir conteúdo na casa do cliente”, diz, lembrando que a TIM adquiriu a rede de fibras da AES Atimus, que cobre boa parte das principais cidades nos Estados de São Paulo e Rio, e já tinha a rede da Intelig, além de novos investimentos em expansão de rede física. Sobre a concorrência com empresas integradas como a Telefônica/Vivo ou mesmo com a Oi, o executivo foi enfático: “não precisamos forçar uma assinatura de telefone fixo, podemos vender apenas a banda larga e seremos competitivos”, provoca. 


Alberto Umhof*

FOTO: divulgação

.:pontodevista

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Por uma última milha independente hohojirozame / shutterstock

A

última milha tem uma importância estratégica. É por meio dela que se entregam os serviços de telecomunicações ao assinante. É isso o que está em jogo na discussão travada na Anatel sobre a “abertura do mercado de TV a cabo”. O discurso oficial é o de que quanto maior a oferta, menores os preços ao consumidor final, e com isso se justifica a entrada da teles na TV a cabo. Todas as regiões do País têm pelo menos quatro ofertas de televisão por assinatura diferentes via satélite (DTH). Parece claro que a concorrência está, de fato, estabelecida. E há mais exemplos: em Curitiba, originalmente havia sete ou oito outorgas de TV a cabo. Atualmente são apenas três ou quatro em funcionamento, com share em alguns bairros de classe abastada e com preços similares ao resto do País. A capital paranaense tem ainda duas operadoras de MMDS e cinco ofertas de DTH. São pelo menos dez ofertas diferentes ao todo. Em São Paulo, há duas operações de cabo, uma de MMDS, uma de TVA e cinco de DTH. Ainda assim, os preços são os mesmos que em Juazeiro do Norte (CE), que tem apenas DTH. Santos, Guarujá, Campinas, Porto Alegre e muitas outras cidades contam com múltiplas ofertas em situação similar à da cidade de São Paulo ou de Curitiba. O argumento de aumentar a concorrência para diminuir o preço parece não ser o mais lógico, portanto. Entregar a última milha às teles pode e tem de ser enxergado também como assunto de Estado, de segurança

nacional, de soberania. Neste caso, deve-se legislar pensando na independência das telecomunicações e no futuro do País, deixando de lado a tendência sinistra de legislar de olho nas denominadas práticas de mercado, tão voláteis é imprevisíveis. O segmento de TV a cabo, do ponto de vista regulamentar, é um mercado aberto e não existem empecilhos para novos players. Porém, continua fechado, ao que parece por vontade da Anatel que, sem muitas explicações, não coloca em licitação novas concessões desde 2000. Poderia ter feito isso em cidades como São Paulo, Rio, Brasília, Salvador, Belo Horizonte e muitas outras onde havia a previsão de novas licenças no planejamento de 1997. Agora, parte do conselho da Anatel (pois existem dentro da agência opiniões divergentes) quer se adiantar ao Legislativo e modificar o atual arcabouço regulatório para permitir, de maneira acessória, a entrada das teles na TV a cabo. Fazer isso é quase a 48 Teletime ago_2011

mesma coisa que entregar o monopólio da última milha às multinacionais que, alicerçadas no poder do dinheiro e da escala, acabarão com os pequenos operadores nacionais independentes. Telefônica, Embratel, GVT e Oi, suas coligadas, controladas e/ou controladoras dominam juntas perto de 100% da telefonia fixa local, interurbana e internacional, a telefonia celular e a interconexão de banda larga. Entregar a elas também a distribuição por meios físicos da última milha, das redes de TV a cabo, poderá deixar o Brasil fragilizado. Sem pluralidade Se esse novo modelo em discussão se impuser, será o fim da pluralidade e da possibilidade de oferta alternativa, da concorrência real, que pode ser unicamente exercida por operadores de TV a cabo nacionais e independentes. Ao fazer isso, se entregará às teles as chaves do desenvolvimento do


País. Deixarão o País exposto aos desejos e ambições do capital estrangeiro que, convenhamos, tem um enorme apetite. Simplificar essa discussão com o argumento de que a diminuição do preço ao consumidor final é só o que importa é uma falácia, ou pelo menos uma visão míope e de curtíssimo prazo. Hoje já não é fácil às autoridades brasileiras negociar com estes enormes conglomerados transnacionais. Exemplos recentes disto sobram na imprensa especializada, que tem informado exaustivamente as dificuldades achadas para operacionalizar o inteligente Programa Nacional de Banda Larga (PNBL), ou ainda o frustrado projeto de Internet popular, que apesar do esforço de alguns estados que reduziram o ICMS ainda se arrasta vagarosamente e sem divulgação publicitária de peso por parte das incumbents que ofertam os planos populares. A dificuldade do Governo de negociar com as teles está no poder de barganha que elas têm. Como o monopólio das redes de distribuição de fibras ópticas interestaduais e intercontinentais, por exemplo. Pesa também a escassa existência de redes de distribuição de última milha prontas para o tráfego de alta velocidade operadas e controladas por empresários nacionais e independentes. Uma das razões dessa escassez é justamente a falta de novas outorgas de cabo desde o século passado. A disponibilidade de poucos recursos financeiros também pesa a favor das teles estrangeiras. Apesar de algumas delas se utilizarem de dinheiro público via BNDES, elas têm outras fontes de recursos que os pequenos operadores não têm. A Telebrás ainda se esforça para expandir suas redes. A julgar pelos resultados e sucessivos adiamentos dessa expansão, não tem sido tarefa fácil. Enquanto isso, o País continua sem um controle efetivo e alternativo de redes de fibras ópticas de interligação. Sacramentar ainda o monopólio da última milha seria um grande risco. Das alterações propostas pela Anatel que poderão ter resultados terríveis destaco: fim da quantidade de outorgas por área de prestação, valor simbólico administrativo pelas outorgas, áreas de serviços que excedem os limites dos municípios ou que

contemplam apenas partes deles, prestação do serviço por coligadas e controladas das teles etc. Todas essas propostas contrariam a Lei Geral de Telecomunicações, a Lei do Cabo e de certa forma rasgam os contratos assinados com os atuais operadores de TV a cabo e que têm validade de 15 anos, renováveis por mais 15 e assinados há menos de dez. Donas dos postes Se estas mudanças em pauta se realizarem de fato, poderão ser as companhias de eletricidade, donas dos postes e muitas delas interessadas em prestar serviços de banda larga e televisão, que determinarão quem vai ou não efetivamente prestar o serviço e em que ordem. Serão as donas da infraestrutura as que escolherão os concorrentes, contrariando o que a Anatel pretende, uma vez que a maior parte da infraestrutura existente comporta apenas um ou dois operadores de cabo por poste, e não existe regulamentação que oriente como proceder em caso de múltiplos operadores. A portabilidade numérica, grande trunfo do consumidor, é mais um claro exemplo do que dissemos. É necessário que exista uma operadora receptora competitiva para o modelo dar certo. Mas em geral operações de TV a cabo e Serviço de Comunicação Multimídia (SCM) ainda resistem a se transformar em operadoras de telefonia. O problema é que há assimetria de custos na interconexão e não existe um plano de numeração apesar de previsto nas outorgas do serviço multimídia. Apenas a Net Serviços tem enfrentado com escala e sucesso as concessionárias locais também na telefonia fixa da sua oferta triple play, indicativo de que com a legislação certa e os mecanismos adequados para fazê-la efetiva, também o farão todos os pequenos operadores de TV a cabo independentes. Assim, insistir na imediata aplicação do atual arcabouço regulatório de TV a cabo, com o planejamento de

mercado inicial, que limita a quantidade de outorgas por área de prestação de serviços e veta a entrada das teles e suas coligadas ou controladas no mercado, é o caminho correto para evitar o domínio absoluto das incumbents. Atentar para isso é uma obrigação civil e um dever patriótico do Estado. As teles não estão de maneira alguma fora do mercado de TV por assinatura. Elas já atuam via DTH, com cobertura nacional, e são competitivas, não necessitam de outra plataforma para este serviço. A concorrência dos operadores de TV a cabo locais na banda larga tem sido saudável. Estes pequenos operadores, quase sempre, têm tido êxito na disputa, principalmente pela proximidade com seus assinantes. A Anatel deve licitar de imediato todas as cidades previstas no primeiro planejamento, respeitando a Lei do Cabo, permitindo que as teles ou suas coligadas operem apenas onde não exista manifesto interesse de empresas privadas. Isso será bom para o mercado. Mas se a abertura ocorrer como proposto na regulamentação em pauta no conselho da Anatel, quem se aventurar a enfrentar as teles o fará com poucas chances de sucesso, pois elas são donas da interconexão, compram programação em volume suficiente para obter enormes descontos, pagam pelo aluguel dos postes, que já ocupam por valores muito menores que os operadores entrantes, estão dentro das residências com seu serviço de telefonia fixa e têm acesso a dinheiro no mercado financeiro internacional a juros americanos. Os pequenos empresários de TV a cabo, mais do que nunca, necessitam de uma mão do Estado. Sem isto poderemos ter que amargar centrais de atendimento nos atendendo em portunhol. “Sí, como no!”.

“Operadoras de cabo brasileiras são a única alternativa para dotar o País de uma infraestrutura própria que garanta a soberania nacional.”

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*Pioneiro na implantação de redes de TV a cabo no Brasil, desde 1991. Diretor geral da BVCI, operação de cabo de São João da Boa Vista (SP).


Cláudio Dascal

cartas.tele­ti­me@con­ver­ge­com.com.br

FOTO: ARQUIVO

.:ponto&contraponto

Nova crise de mão-de-obra

O

mercado de telecomunicações tem se mostrado muito cíclico, e como consequência não se consegue fazer um planejamento que permita tirar proveito de sua pujança para criar as condições para o pleno desenvolvimento da cadeia produtiva. Isto se aplica tanto a políticas setoriais, visando o desenvolvimento industrial, incluindo planos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, como também à formação e capacitação de mão-de-obra, tanto básica quanto a de pesquisadores e doutores. Esta responsabilidade, do ponto de vista de planejamento, é do conjunto da indústria, cabendo aos governos criar mecanismos de fomento e regulação para que as vantagens auferidas não sejam apenas passageiras. Mas é importante que essas iniciativas possam ter uma vertente duradoura e que fundamente os estágios seguintes de desenvolvimento. Também é importante que essas iniciativas de formação e capacitação sejam incorporadas pelos demais agentes, operadoras, fornecedores e universidades, para que se desenvolvam as estratégias de formação, trazendo solução para as necessidades imediatas do mercado, sem perder de vista as necessidades de longo prazo, que são mais estratégicas. A solução para a insuficiente formação de profissionais requer mecanismos criativos. A associação de universidades com as empresas para fazer com que os profissionais saiam produzindo aquilo que o mercado demanda de uma forma mais rápida e eficiente, utilizando estágios e modelos de “on-the-job training”, como formas de rapidamente difundir conhecimentos, são bons exemplos. São técnicas válidas para difundir conhecimentos já absorvidos, mas sem eficácia para a preparação para novas tecnologias. Predomina hoje o imediatismo, que visa resultados de curto prazo. Não apenas no Brasil, mas na maioria dos países, aproveitam-se as oportunidades para realizar resultados no curto prazo sem a preocupação de criar bases para um desenvolvimento sustentado. Uma das oportunidades decorre da sequência de crescimento e desenvolvimento de alguns países da América Latina nos últimos seis a oito anos, apesar das grandes crises

internacionais que abalaram a Europa e Estados Unidos. Isso permitiu o acesso de uma maior parcela da população ao mercado de consumo. Nas telecomunicações, aproveitou-se o advento das novas tecnologias para suprir banda larga e elevar a teledensidade de telefonia móvel para a faixa dos 100%. No Brasil e em alguns países da América Latina vivemos uma situação de pleno emprego no setor, em relação às tecnologias em franco desenvolvimento. Situação que contrasta com o crescente desemprego que assola alguns países da Europa e os Estados Unidos. Apesar disso, não vemos ainda uma inundação de profissionais estrangeiros, como ocorreu logo depois da privatização da Telebrás em 1998. A maior competitividade do mercado, que comprimiu muito os preços e margens, e a barreira da língua e a valorização do real são alguns dos princi-

predomina hoje o imediatismo na formação profissional, sem uma visão de longo prazo. pais fatores que diferenciam os dois momentos de demanda de pessoal qualificado, limitando hoje as oportunidades de uso de mão-de-obra estrangeira a períodos curtos e em geral em segmentos em que ainda não temos especialistas qualificados no mercado local. A entrada muito forte dos fornecedores chineses no mercado fez com que muitos especialistas daquele país viessem para cá, alterando os patamares de remuneração de referência do mercado. Logo após a privatização, ofereciam-se pacotes de benefícios fantásticos para expatriados, o que fez com que as operadoras fossem permeadas por profissionais estrangeiros em vários níveis. Hoje, não há mais condições de atrair profissionais com altos salários. Além disso, a isonomia de cargos e salários imposta pela legislação não permite manter distorções. Assim, os expatriados passam a ter que ser contratados locais e em condições locais. Se o profissional não está radicado aqui e vem 50 Teletime ago_2011

como empregado da matriz, os altos custos da transferência de dinheiro para o exterior inviabilizam sua contratação. A maioria das operadoras tem uma participação ou controle de empresas estrangeiras. Elas mantêm executivos dos países de origem da matriz comandando as áreas mais estratégicas e sensíveis das empresas. O exemplo mais recente é o da Oi, que passa a ter executivos da Portugal Telecom em áreas críticas da empresa em substituição de executivos brasileiros. Em cada uma destas empresas temos um punhado de pessoas vindas da matriz. Quantitativamente não chega a ser um número relevante, mas são sempre nos cargos mais importantes. Nos fornecedores de equipamentos, esta tendência chama a atenção nos fornecedores de origem asiática. Há uma perda de espaço de executivos brasileiros, e um maior alinhamento com os interesses da matrizes é evidente. Como a quantidade de cargos é pequena, não se pode dizer que essa seja uma válvula de escape para a crise de desemprego na Europa. Trata-se muito mais de um esforço dos controladores de zelar pelos seus interesses, o que não deixa de ser uma alternativa para ajudar as sedes internacionais a atravessar a crise que afeta os países de origem. O objetivo de empresas globais é saber aproveitar as diferenças sazonais de mercados para manter uma empresa global forte e de preferência sempre crescendo no valor para seus acionistas. As operações no Brasil, em muitos casos, já são a segunda maior destas empresas fora de seu país de origem, tendo portanto uma importância estratégica para Portugal Telecom, Telefônica, TIM, Vivendi e Grupo Carso do México. Não se trata apenas de ver o Brasil como proteção aos profissionais de origem estrangeira diante das crises econômicas que se abatem sobre Portugal, Espanha e Itália. As operações no Brasil são uma importante fonte de dividendos e, principalmente, de valorização dos ativos destas operadoras para seus acionistas, no curto, médio e longo prazos. A questão é saber o que acontecerá na inversão de papeis na eventualidade de os países da America Latina voltarem a enfrentar crises e a Europa e Estados Unidos se estabilizarem. Seremos tratados como ativos descartáveis novamente? 


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Revista Teletime - 146 - Agosto 2011  

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