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Ano 14

n0 143

mai2011

www.teletime.com.br

território em disputa

Começa a esquentar a briga entre radiodifusores e empresas de telecomunicações pela posse da faixa de 700 MHz a partir de 2016. SERVIÇOS MÓVEIS Como funciona a plataforma WAC, arma das operadoras para competir com as lojas de aplicativos

REGULAMENTAÇÃO Minicom dá diretrizes à Anatel para que agência privilegie ações que acelerem plano de banda larga


De repente a gente está lá,

amigos, se liga no mundo

frente a frente, torcendo.

e encontra as respostas.

E aí é você em campo,

Tem horas que a gente não

na pista, na água...

consegue segurar e acaba

Como se cada lance

rindo também.

dependesse do seu grito.

Absolutamente ligado

Você conta com a gente para

na sua alegria.

saber das coisas

É tanto tempo junto, dividindo

e a gente conta tudo.

cada momento, que a gente

Pensa junto, discute com os

até parece fazer parte


CGCOM

de uma só família. E assim, de emoção em emoção, você acaba enxergando sua vida dentro da nossa, através de uma sintonia que - afinal de contas não tem nada de mágica. Ela é real e existe por um único motivo: a gente se liga em você.


Samuel Possebon

FOTO: arquivo

.:Editorial

samuca@con­ver­ge­com.com.br

Presidente Rubens Glasberg Diretores Editoriais André Mermelstein Claudiney Santos Samuel Possebon (Brasília) Diretor Comercial Manoel Fernandez Diretor Financeiro Otavio Jardanovski

Editor Samuel Possebon Consultor Especial Cláudio Dascal Coordenadora de Projetos Especiais Letícia Cordeiro Redação Daniel Machado, Fernando Paiva (Rio de Janeiro), Helton Posseti Arte Edmur Cason (Direção de Arte); Rubens Jardim (Produção Gráfica); Geraldo José Nogueira (Edit. Eletrônica); Débora Harue Torigoe (Assistente); Alexandre Barros (Colaborador); Bárbara Cason (Colaboradora) Departamento Comercial Ivaneti Longo (Assistente) Gerente de Circulação Gislaine Gaspar Marketing Elisa Leitão Gisella Gimenez (Assistente) Gerente Administrativa Vilma Pereira TELETIME é uma publicação mensal da Converge Comunicações - Rua Sergipe, 401, Conj. 603 - CEP: 01243-001 - Telefone: (11) 3138-4600 e Fax: (11) 3257-5910 - São Paulo, SP. Sucursal SCN - Quadra 02 Bloco D, sala 424 – Torre B - Centro Empresarial Liberty Mall - CEP: 70712-903 - Fone/Fax: (61) 3327-3755 - Brasília, DF. Jornalista Responsável Rubens Glasberg (MT 8.965) Impressão Ipsis Gráfica e Editora S.A. Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A CENTRAL DE ASSINATURAS 0800 0145022 das 9 às 19 horas de segunda a sexta-feira Internet www.teletime.com.br E-mail assine@convergecom.com.br REDAÇÃO (11) 3138-4600 E-mail cartas.teletime@convergecom.com.br PUBLICIDADE (11) 3214-3747

Sem importância

P

or mais que as operadoras de telecomunicações não queiram virar meros canos de distribuição de bits, essa realidade já aconteceu. Mesmo que se tente buscar na memória algum fato importante da indústria de telecomunicações que envolva alguma operadora de redes, alguma incumbent, o mais provável é que não nos lembremos de nada. Tudo o que gerou barulho, mudou conceitos e forçou a redefinição de modelos nos últimos anos nessa área veio de outros setores: tablets, plataformas de conteúdo over-the-top, smartphones, VoIP... Os personagens dessas notícias foram empresas como Apple, Google, Microsoft... A compra do Skype pela empresa de Bill Gates é apenas mais um dos vários episódios recentes em que nenhuma daquelas grandes empresas de telecomunicações foi lembrada. Talvez a última vez em que uma tele tenha estado em evidência foi quando a AT&T acertou o acordo de exclusividade com a Apple para a venda do iPhone, em 2007. Do lado das concessionárias, no Brasil e no mundo, o que impera é o ritmo lento e a inovação apenas pontual. Há alguns anos que a única coisa importante que as empresas anunciam são reestruturações societárias, fusões e disputas regulatórias. Oferta de novos serviços, metas de expansão agressivas, produtos inovadores, mudanças na forma de empacotar e cobrar, reconstrução de redes, nada disso ganha destaque quando acontece. E isso quando acontece. Porque salvo as honrosas exceções da Vivo expandindo sua rede 3G para muito além do que está previsto na regulamentação e a TIM revirando o mercado com planos de uso ilimitado, nada de verdadeiramente novo foi colocado pelas operadoras.

E-mail comercial@convergecom.com.br

Instituto Verificador de Circulação

4 Teletime mai_2011

Qual a razão? Falta disposição ao investimento? Excesso de apego a velhos modelos? Falta de competição. Talvez um pouco de tudo. Sabemos que as incumbents são normalmente lentas em fazer qualquer coisa. A Oi está até agora digerindo a Brasil Telecom e ainda não deu sinais de que terá um novo ritmo com a presença mais forte dos portugueses no seu comando. A Telefônica ficou tanto tempo tentando resolver seus problemas internos que só teve a opção de gastar energias adicionais tentando comprar alguém. Primeiro, a tentativa de levar a GVT e, depois do insucesso, a Vivo. Agora, deve passar mais alguns meses se ajustando à realidade da operadora móvel, cujo estilo parece ser o dominante na empresa resultante, a julgar pela composição da diretoria. A Embratel se move em silêncio, mas tem feito a diferença no mercado de TV paga e na construção de novas redes, sempre de maneira discreta e sem enfrentamento, para não chamar a atenção. A GVT soa mais agressiva, mas ainda é pequena para fazer a diferença e enfrenta inúmeros problemas para levar a sua rede aonde a competição pode se tornar mais intensa. Parece, enfim, faltar calor ao mercado. O governo tampouco conseguiu provocar mudanças drásticas com o seu Plano Nacional de Banda Larga, cada vez mais confuso e longe das metas. Enquanto isso, empresas como Google, Apple e Microsoft parecem mais dispostas a agitar a festa das telecomunicações. Se as operadoras tradicionais não se mexerem, o consumidor só se lembrará que elas existem na hora de reclamar que a conexão de Internet caiu.


143 Número

w w w . t e l e t i m e . c o m . b r

Ano 14 | Mai11

8

CaPa

8 Disputa nos ares

Teles e radiodifusores começam a mostrar suas cartas na disputa pelo cobiçado espectro de 700 MHz, que será liberado com a transição para a TV digital.

sVa

12 Atalho para o crescimento

Com a demanda em alta por aplicativos móveis e poucos desenvolvedores qualificados no mercado, grandes companhias optam pelas aquisições e fusões.

sErViços móVEis

16 A união faz a força

Teles criam plataforma única de aplicativos para fazer frente às lojas virtuais da Apple e Google. Oi pode aderir à iniciativa ainda este ano.

EntrEVista

12

16

21 Para onde vamos?

Presidente do TM Forum expõe as principais questões com as quais as teles se deparam quando o assunto é o modelo de negócios do futuro próximo.

rEgulamEntação

24 Manda quem pode...

Presidenta Dilma estabelece PNBL como uma das prioridades e Minicom impõe à Anatel a agenda de itens que devem ser regulados em breve.

rEdEs

26 Rotas e rumos

Em seminário de redes da TELETiME, teles fixas se dividem entre HFC e FTTx, enquanto móveis unem forças pelo compartilhamento de rede e uso de espectro.

21

29

tV Por assinatura

29 Integrar para crescer

Provedores de TV por assinatura buscam a integração de suas plataformas via satélite, HFC, microondas e fibra óptica a fim de oferecer interatividade e serviços avançados.

análisE

31 Virtual e prático Sucesso das MVNOs depende de definições claras de estratégia, público alvo, dos produtos e serviços a serem oferecidos e informações mercadológicas.

Editorial 4 | Produtos 33 | Ponto & ContraPonto 34 ilustração dE CaPa: Seri

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.:capa

Samuel Possebon

samuca@convergecom.com.br

Batalha épica

A grande disputa por espectro no Brasil já está no horizonte: é a batalha pela faixa de 700 MHz, que colocará (mais uma vez) radiodifusores e teles em lados opostos.

D

FOTO: arquivo

e tempos em tempos, os setores de radiodifusão e de telecomunicações testam forças e se colocam em lados opostos na disputa de alguma coisa. Foi assim quando os radiodifusores garantiram uma separação constitucional do seu marco legal, em 1988, ou quando se opuseram à criação do Serviço de Comunicação Multimídia, no começo dos anos 2000, ou mais recentemente, na definição do padrão de TV digital. O retrospecto mostra que os radiodifusores, apesar de mais fracos economicamente, sempre ganharam as suas disputas com as teles, graças a um gigantesco poder político e, naturalmente, midiático. Mas a maior de todas as batalhas se aproxima. Não estamos falando sobre a aplicação das regras constitucionais sobre a Internet, ou sobre a abertura do mercado de TV a cabo. O que realmente vai incendiar a disputa entre TVs e teles é a briga pelo domínio do espectro de 700 MHz. Para a radiodifusão, espectro é tão importante quanto a audiência. Sem ele, não existe distribuição de sinais e, portanto, não existe o serviço da forma aberta e livremente recebido como é caracterizado no Brasil. Para as teles, por outro lado, o espectro é a garantia da mobilidade e dá o caminho para a massificação da banda larga em manchas urbanas e nas áreas rurais. A faixa de 700 MHz, tão cobiçada de lado a lado, é hoje domínio da radiodifusão. Estamos falando de uma fatia de cerca de 108 MHz entre as frequências 698 MHz e 806 MHz, que abriga 18 canais de TV em UHF com 6 MHz de largura cada. São os canais de 50 a 69. Trata-se de uma faixa que há décadas está atribuída e consignada, no Brasil, ao serviço de radiodifusão, e assim deveria permanecer até pelo menos dezembro de 2016, quando termina o prazo da migração para a TV digital e haveria espaço para a rediscussão de quem

deve ficar com a faixa. Mas o debate foi precipitado por conta da pressão de organismos internacionais, fornecedores e empresas operadoras do setor de telecomunicações, que vislumbram nesta faixa a oportunidade de abrigar parte dos serviços de banda larga móveis que serão necessários. As posições que se colocam na mesa, no Brasil, são facilmente resumíveis: de um lado, radiodifusores querem que qualquer discussão sobre o futuro da faixa só aconteça depois de concluído o prazo de migração da TV digital. Do outro lado, as empresas de telecomunicações esperam uma sinalização já por parte da Anatel sobre o que será feito com a faixa. A disputa ganhou corpo quando, em 2006, a Citel (Comissão Interamericana de Telecomunicações) aprovou uma resolução prevendo a harmonização da faixa nas

Américas para a banda larga móvel. A resolução não tem poder de determinar o que cada país vai fazer, mas coloca uma grande pressão sobre os reguladores locais. O Brasil sempre teve postura favorável à radiodifusão, mas na reunião que consagrou esta resolução, no Peru, o país não se fez presente e a posição dos EUA e Canadá prevaleceu. No ano passado, em novembro, uma nova resolução determinou que a Citel criasse um grupo ad-hoc para a faixa de 700 MHz. Neste mês de maio, uma nova reunião deve acontecer para começar a preparar as posições que serão levadas à Reunião Internacional de Radiocomunicação da UIT, que acontece em 2012, quando Ásia e Europa devem definir o que farão com a faixa de 700 MHz. O fator de mercado que tornou a faixa de 700 MHz tão cobiçada é que ela acabou sendo o palco da estreia da tecnologia LTE no mundo. Trata-se da quarta geração dos

“Temos que iniciar agora os trabalhos para podermos usar a faixa de 700 MHz no futuro.” Antônio Valente, da Telefônica 8 Teletime mai_2011


FOTO: divulgação

Se é para repartir o espectro, é melhor esperar 2016 para tirar uma foto do que realmente está acontecendo, e não ficar usando a realidade de outros países para tentar prever o futuro.”

não se pode definir a redistriserviços móveis, origibuição do espectro de 700 MHz nalmente otimizada antes que fique claro se o propara as frequências na cesso de digitalização a ser casa de 2,5 GHz, mas concluído em 2016 permitiu o que foi rapidamente acesso de todos os brasileiros adaptada quando a ao conteúdo da televisão aberVerizon, nos EUA, ta. Para Antonik, é preciso penanunciou que partiria Luiz Roberto Antonik, da Abert sar também em ferramentas para o LTE usando a para fomentar o surgimento de faixa de 700 MHz. para defender seus interesses, mais grupos locais e regionais Desde então, existe um esforço de fornecemas dessa vez o tom dos radioque levem conteúdos específidores e operadores de telecomunicações difusores está muito diferente, e mais cos para as diferentes realidades do Brasil. para tentar harmonizar esta faixa, o que embasado. “Se é para repartir o espectro, é melhor significa maior escala para os equipamenAo contrário do que normalmente se esperar 2016 para tirar uma foto do que tos e possibilidades simplificadas de roapode esperar em um confronto com grurealmente está acontecendo e não ficar ming internacional. pos de comunicação, os argumentos utiliusando a realidade de outros países para A onda do “dividendo digital”, como zados não serão apenas políticos, com tentar prever o futuro”. tem sido chamada a faixa de espectro ênfase na questão da cultura e da identiAs teles rebatem com a pressão por liberada com o fim das transmissões anadade nacionais. A Abert está pronta para espectro e com números da própria lógicas de TV, começou a crescer nos EUA, mostrar que o cenário existente no Brasil Anatel, que apontam a necessidade de mas hoje é agenda obrigatória em todas em relação ao dividendo digital é muito liberação de pelo menos mais o dobro do as discussões de espectro pelo mundo. diferente de qualquer cenário internacioespectro que está sendo liberado para a Mas certamente o caso brasileiro será o de nal que venha a ser usado como comparabanda larga móvel. “Dentro de um ano ou mais difícil solução. ção. Para Antonik, não é possível, no caso um ano e meio teremos 404 MHz destina“Consumimos todo o espectro em 800, brasileiro, pensar o dividendo digital apedos a serviços móveis, somando aí as fai900, 1.800, 1.900 e 2.100 MHz. Agora nas sob a perspectiva da banda larga. xas de 2,5 GHz, 3,5 GHz e 450 MHz. aguardamos o leilão de 2,5 GHz, mas é “Nenhum radiodifusor é contra fazer Calcula-se que em 2016 a necessidade uma frequência cara e difícil de trabalhar. banda larga wireless. Mas existe uma defiserá de 800 MHz. Ou seja, ainda teremos A faixa de 700 MHz é usada com êxito nos ciência que o Brasil ainda precisa suprir um déficit de quase 400 MHz”, disse o EUA. Temos que iniciar agora os trabalhos que é fazer com que a população fora dos conselheiro João Rezende, ao participar para podermos usar a faixa de 700 MHz grandes centros urbanos também tenha de um evento da GSM Association, uma no futuro”, disse Antônio Carlos Valente, mais alternativas de TV aberta e TV digidas principais entidades que hoje atuam presidente da Telefônica e do tal”, diz, lembrando que não está prevista no lobby pela liberação rápida do dividenSindiTelebrasil, em abril, durante semináainda a digitalização das retransmissoras do digital às teles. rio na Firjan. Esta talvez tenha sido a e das repetidoras de radiodifusão e que é Diante desse cenário, o conselheicolocação mais contundente até agora de muito mais comum do que parece enconro da Anatel admite que o problema a um representante das empresas de teletrar municípios com apenas uma ou ser enfrentado no Brasil é, essencialcom, mas sabe-se que nos bastidores o mesmo nenhuma emissora de radiodifumente, de natureza política. “É um lobby é intenso. O que as teles querem é são disponível. “O acesso à radiodifusão é, debate muito difícil, por conta da que a Anatel, desde já, diga o que vai fazer sobretudo no Brasil, um fator de inclusão conjuntura dos radiodifusores no e estabeleça um cronograma de venda da que não pode ser esquecido”. Brasil”, explicou o conselheiro. faixa de 700 MHz, de preferência juntaPerguntado se o governo já tem uma O que a Abert procura mostrar é que mente com a faixa de 2,5 GHz, seguindo o exemplo de outros mercados europeus. O presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, concordou com a preocupação de Valente e adicionou uma variável: e no Brasil os radiodifusores se sentem pressionados a abrir mão do espectro, nos “2,5 GHz é uma faixa cara, porque é EUA a pressão é muito maior. Lá, a FCC não só está pedindo para que as uma frequência mais alta. 700 MHz é a emissoras de TV devolvam voluntariamente algumas frequências como está mais desejada”. sugerindo às emissoras que passem a compartilhar canais de 6 MHz entre si, numa

Muito mais pressão

S

Hora errada Para Luiz Roberto Antonik, diretor geral da Abert (associação de radiodifusores), a discussão está sendo colocada pelas teles na hora errada. “Vamos primeiro completar a digitalização da TV aberta e depois ver o que fazer. Querer destinar essa faixa para as móveis com cinco anos de antecedência é, socialmente, uma temeridade”, diz. A radiodifusão sempre se apoiou no seu inegável papel social

espécie de multiprogramação. A explicação é simples: o espectro de 700 MHz é considerado fundamental, nos EUA, para a execução do plano de banda larga. A FCC vem trabalhando desde 2010 para liberar 300 MHz de espectro em cinco anos e mais 200 MHz em uma década, como parte deste plano de massificação da Internet em alta velocidade. Este espectro deve ser usado para serviços de banda larga móvel. A expectativa da FCC é que pelo menos 120 MHz venham da radiodifusão. A proposta é que os radiodifusores que se voluntariarem a devolver parte de suas frequências tenham uma participação no valor arrecadado no leilão destas frequências. Durante o Consumer Electronics Show, que aconteceu em janeiro, em Las Vegas, o presidente da Consumer Electronics Association, Gary Shapiro, chegou a dizer que os radiodifusores estão “sentados” sobre um volume gigante de espectro. “Eles receberão algum dinheiro por isso, mesmo não sendo os donos deste espectro”, disse, dando o tom das provocações.

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posição sobre esse assunto, Cezar Alvarez, secretário executivo do Ministério das Comunicações, admitiu que o assunto já chegou ao gabinete do ministro Paulo Bernardo, mas que o governo está longe de ter uma posição formada sobre isso. Por enquanto, valem as regras atuais.

FOTO: arquivo

.:capa Dentro de um ano ou um ano e meio teremos 404 MHz destinados a serviços móveis. Calcula-se que em 2016 a necessidade será de 800 MHz. Ou seja, ainda teremos um déficit de quase 400 MHz.” João Rezende, da Anatel

Crescimento Se o debate é político, a Abert quer trazer também elementos técnicos à mesa. A associação dos radiodifusores lembra que a penetração da TV nos domicílios é de 95,5% na média, segundo o IBGE, “mas essa realidade é muito pior justamente nas regiões mais carentes”, diz Antonik. Estudos da Abert mostram que o número de geradoras de radiodifusão ainda é muito limitado no Brasil (são 512 ao todo, somando 310 comerciais e 202 educativas), quando o potencial existente, segundo as estimativas da associação é de pelo menos 971 geradoras. Para a Abert, antes de pensar em redistribuir o espectro destinado hoje à radiodifusão, o governo deveria buscar formas de expandir a radiodifusão no Brasil tanto geograficamente quanto fomentar o surgimento de novos grupos regionais e locais. A Abert também não pensa em usar o velho argumento de que a radiodifusão precisa ser defendida porque as teles são gigantes perto dos “nanicos” radiodifusores. Ao contrário, o discurso agora é outro: o de que a radiodifusão tem grande potencial econômico e vale a pena ser incentivada pelo governo, inclusive com a preservação do espectro. Pelas contas da Abert, o setor de televisão faturou em 2010 R$ 27 bilhões. Trata-se de um valor substancialmente maior do que aquele apontado pelo Projeto InterMeios, em geral usado como parâmetro nas comparações entre teles e TVs. E, segundo a Abert, os R$ 140 bilhões faturados pelas telecomunicações tem um grande componente de impostos que a radiodifusão não tem. “O fato é que não somos um décimo das telecomunicações, mas no máximo um quarto. Ou seja, a radiodifusão é um segmento econômico importante sim”, diz Antonik. O argumento econômico também poderia ser usado pelas empresas de telecomunicações. Na verdade, já começou. A GSM Association realizou um estudo estimando que um eventual leilão da faixa de

700 MHz para serviços móveis renderia entre US$ 4,23 bilhões e US$ 6,34 bilhões aos cofres públicos brasileiros, dependendo de quanto fosse licitado, se 60 MHz ou 90 MHz. A construção da rede, que necessitaria de 14,59 mil novas ERBs, demandaria investimentos de US$ 1,44 bilhão. Somando-se os contratos de serviços operacionais e comerciais, a destinação de 700 MHz para o SMP movimentaria entre US$ 6,72 bilhões e US$ 8,83 bilhões no País ao longo de oito anos, diz a associação. Se mantido com as TVs, esse espectro geraria US$ 1,49 bilhão, calcula o estudo. Independentemente destes argumentos econômicos, algumas autoridades consultadas informalmente por este noticiário admitem que há muita dificuldade em achar uma justificativa plausível para mexer no espectro da radiodifusão antes de 2016. Primeiro porque mesmo na maior parte da Europa o espectro que está sendo usado para banda larga móvel é o de 790 MHz a 862 MHz, e só em 2016 haverá a liberação da faixa hoje usada pela radiodifusão. E na Ásia sequer há uma definição de qual será a fatia usada.

algumas autoridades consultadas informalmente admitem que há muita dificuldade em achar uma justificativa plausível para mexer no espectro da radiodifusão antes de 2016.

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Além disso, lembram os técnicos, no Brasil a faixa que hoje a Europa está utilizando para o dividendo digital já está com as celulares. As frequências de 790 MHz a 862 MHz são, justamente, onde estão as bandas A e B do celular. Congestionamento Por outro lado, internamente, a Anatel não acredita que bastará deixar o espetro livre para que a radiodifusão cresça naturalmente no Brasil, como quer a Abert. A leitura é de que o bolo publicitário é quem determinará o tamanho do mercado de TVs, e não a disponibilidade de espectro. Até porque existe no Brasil uma grande quantidade de municípios em que o espectro de UHF está bastante desocupado. Segundo dados da Anatel, são cerca de 4,65 mil municípios em que a faixa de 700 MHz não é utilizada hoje e não deve ser utilizada até 2016, a não ser que aconteça uma forte expansão no licenciamento de novas outorgas de radiodifusão, como sugere a Abert. Mas o levantamento da Anatel, visto de outra forma, mostra uma situação preocupante para as empresas de telecomunicações. Existem, segundo a agência, 906 municípios em que já se sabe que será de fato impossível sequer pensar em alguma iniciativa de liberação das faixas de 700 MHz antes do fim das transmissões analógicas de TV. Isso porque, nesses municípios existe a necessidade de usar os canais de 50 a 69 (justamente os que ficam dentro do espectro de 700 MHz) para acomodar a migração digital. Ou seja, o simulcast analógico/digital está ocupando justamente as faixas em que as teles gostariam de estar, e assim permanecerá até 2016. Cruzando esses municípios com os dados do final de 2010 do Atlas Brasileiro de Telecomunicações, descobre-se que eles são representativos de 67% do Índice Potencial de Consumo brasileiro, ou seja, representam a parcela mais rica da população. Em 475 desses municípios ainda não há sequer redes 3G instalada, e em quase todos (890) já há serviço de banda larga fixa por ADSL. Sob a argumentação


dos radiodifusores, o discurso para as teles seria: coloquem 3G para atender às demandas de banda larga móvel e usem a planta de ADSL instalada para otimizar a cobertura wireless com femtocélulas, que é uma tecnologia capaz de suprir as deficiências de espectro em ambientes fechados. Além disso, do ponto de vista econômico, uma licitação da faixa de 700 MHz voltada para serviços móveis apenas nos municípios em que a faixa já está livre representaria apenas 43% do potencial de consumo. Segundo técnicos da Anatel, os radiodifusores dizem que existem mais municípios congestionados, ou seja, mais municípios em que a migração da TV analógica para a TV digital exige o uso da faixa de 700 MHz. Os radiodifusores falam em 1,5 mil municípios. De qualquer forma, também essa discussão seria objeto de polêmica, porque a maior parte dos municípios brasileiros sequer começou a passar pelo processo de digitalização da TV aberta e, naqueles que começaram, apenas algumas emissoras já estão com os canais consignados. “Por mais que a Citel pressione, a posição que o Brasil defenderá é que não há como pensar em desocupar a faixa de 700 MHz até 2016”, reconhece um técnico do governo. Mas isso não quer dizer que o governo não possa encontrar alternativas. Por exemplo, vender o espectro e usar parte dos recursos arrecadados para ajudar as emissoras de TV a acelerarem sua digitalização, como foi feito nos EUA. Pelas estimativas iniciais da Anatel seria possível liberar 40 MHz + 40 MHz na faixa de 700 MHz, o que contemplaria quatro operadoras. Outra possibilidade é antecipar o switch-off analógico, como fez o México, que puxou o fim das transmissões analógicas para 2014. No Brasil, essa possibilidade é vista com grande ceticismo pelas emissoras, que em 2010 já haviam apresentado estudo mostrando que a experiência internacional revelava uma tendência de alongamento das transmissões simultâneas analógico/digital. Segundo o estudo, os cronogramas estão sendo dilatados em todo o mundo, e mesmo nos EUA só houve o desligamento das emissoras de alta potência. Para as de baixa potência ainda nem há data. No Canadá ainda há um milhão de casas sem TV digital, e no Japão, cujo desligamento está previsto para julho de 2011, 25% das residências ainda estavam fora da área de cobertura das TVs no meio de 2010.

Cidades com a faixa de 700 MHz congestionada até 2016 Belém São Luís Teresina

Manaus

Fortaleza

Recife

Salvador Rio Branco

Brasília

Porto Velho

Goiânia Campo Grande

Belo Horizonte

Maringá

Total IPC total das cidades População total Domicílios urbanos Domicílios Rurais Cidades sem 3G Cidades com ADSL

905 cidades 67% 103 milhões 29 milhões 14 milhões 475 890

Rio de Janeiro

São Paulo Curitiba Florianópolis Porto Alegre

Obs.: IPC: Índice Potencial de Consumo. Representa a participação dos municípios no consumo total de bens e serviços no País. Fonte: Anatel

“Quem é que disse que dividendo digital tem necessariamente que ser usado para a banda larga? Por que não pode ser um dividendo para a radiodifusão”, provoca Paulo Balduino, consultor e diretor de espectro da Abert. Existem ainda outros complicadores importantes para que se comece a falar da ocupação da faixa de 700 MHz. Primeiro, porque em algumas cidades extremamente congestionadas, como São Paulo e Rio de janeiro, a Anatel está reservando os canais 60 a 69 do UHF para atender aos quatro canais públicos digitais previstos no Decreto 5.820 de 2006, que criou as diretrizes para a migração da TV analógica para a TV digital. São quatro canais para o Executivo, fora os canais que já existem hoje e que a Anatel está prevendo atender (TV Senado, TV Câmara, TV Justiça e TV Brasil e NBR). Outro problema é que em muitas capitais importantes alguns dos canais das licenças do Serviço Especial de TV por Assinatura estão na faixa de 700 MHz. Tratam-se das licenças de TVA, um serviço parte radiodifusão, parte TV por assinatura que ocupa um único canal de 6 MHz na faixa de UHF. O problema é que boa parte mai_2011 Teletime 11

destas licenças está nas mãos das emissoras de TV e grupos de mídia brasileiros (entre elas Globo, Abril, Record, Band, RBS e grupo O Dia) e o prazo final das outorgas é em 2018. Entre as empresas de telecomunicações e fornecedores interessados na liberação rápida da faixa de 700 MHz, como Qualcomm, Ericsson e Alcatel Lucent, o argumento é que a faixa apresenta inclusive a possibilidade de levar banda larga a áreas rurais, pois por ser uma frequência mais baixa oferece a possibilidade de maior cobertura por célula sem prejuízo da velocidade, como acontece na faixa de 450 MHz. “A verdade é que mudaria muito pouco na vida dos radiodifusores abrir mão de parte da faixa de UHF para o dividendo digital”, diz um fornecedor. Mas todos sabem que essa não é uma questão simples. Na disputa pelo padrão de TV digital, em que as teles e fornecedores de telecom defendiam o DVB, as emissoras abertas levaram a melhor e deram o recado que não querem dividir espectro com ninguém. Tudo indica que na briga pela faixa de 700 MHz o recado será o mesmo.  Colaboraram Fernando Paiva e Letícia Cordeiro


.:SVA

Fernando Paiva, do Rio de Janeiro fernando.paiva@convergecom.com.br

Procuram-se desenvolvedores

Q

FOTOS: divulgação

uanto vale um desenvolvedor de aplicativos móveis? No Brasil, hoje em dia, um jovem recém formado em informática e com conhecimentos rudimentares de programação em iOS, sistema operacional do iPhone, pode ser contratado por um salário próximo a R$ 10 mil. Essa supervalorização é decorrente da escassez de profissionais qualificados, acompanhada por uma explosiva demanda por apps móveis por parte do mercado corporativo. Diante da dificuldade de crescer organicamente, ou seja, por meio de contratações, as empresas que desenvolvem aplicativos móveis estão adquirindo umas às outras, ou promovendo fusões, para incrementar sua capacidade de produção. Nos últimos seis meses houve quatro casos de aquisições ou fusões nesse mercado no Brasil (veja gráfico abaixo). Em meio ao otimismo generalizado, especialistas advertem para o risco de que a atual demanda aquecida seja uma bolha que vai estourar mais cedo ou mais tarde. O aumento da demanda por aplicativos móveis é impulsionado pela popularização dos smartphones no País e pelo barateamento do tráfego de dados nas redes celulares. Hoje, a maioria dos gestores de grandes empresas tem um smartphone no bolso e entende o conceito de aplicativo móvel porque essa ferramenta faz parte do seu dia a dia, tanto no trabalho quanto em casa. “Hoje é mais fácil convencer um executivo a lançar um aplicativo móvel do que fazer uma ação via Bluetooth ou SMS”, afirma Leo Xavier, presidente do grupo Pontomobi, cuja principal área de atuação é mobile marketing. “Não precisamos mais catequizar o mercado”, resume Carlos Camolesi, sócio-diretor da Pinuts Studios, um dos pio-

FOTO: terekhov igor / shutterstock

Demanda crescente por aplicativos móveis e falta de mão de obra especializada provoca série de aquisições e fusões no mercado brasileiro.

neiros em desenvolvimento para telefones celulares no Brasil. A corrida por aplicativos móveis no País foi puxada por veículos de mídia. Jornais, revistas, rádios e canais de TV foram os primeiros a se movimentar, talvez por ser um dos setores mais afetados pelo avanço da digitalização e da Internet. A mídia foi acompanhada pelos bancos brasileiros, sempre atentos às novidades tecnológicas, especialmente aquelas que agregam valor às suas marcas e reduzem o custo operacional, promovendo o autoatendimento. E agora chegou a vez dos demais setores: imobiliárias, seguradoras e vários outros estão investindo para ter uma presença nas app stores. Gustavo Ziller, diretor da Aorta, uma das principais desenvolvedoras

móveis do Brasil, com mais de cem aplicativos produzidos até aqui, notou a mudança na rotina do escritório: “No começo éramos pró-ativos e prospectávamos oportunidades. Agora é diferente: é o nosso telefone que toca. É um sinal de que o mercado está ficando maduro”. A expansão do sistema operacional Android também contribui positivamente. Após uma primeira onda de pedidos por aplicativos para iPhone, dois anos atrás, agora acontece uma segunda, voltada para a portabilidade dos títulos para o sistema móvel da Google. As empresas estão entendendo que para atingir um público maior é preciso criar versões dos aplicativos para múltiplas plataformas. “Hoje nos procuram para fazer apps para smartphones, não apenas para iPhone”, comenta o diretor de operações da Navita, Fábio Nunes. Além disso, houve a chegada dos tablets, o que está proporcionando uma enxurrada de encomendas. Novamente, as empresas de mídia e os bancos são os primeiros a se posicionar, solici-

“Hoje nos procuram para fazer apps para smartphones, não apenas para iPhone” Fábio Nunes, da Navita 12 Teletime mai_2010


tando versões de seus apps móveis para iPad e para tablets Android. O boom na demanda por apps móveis foi sentido por todos os desenvolvedores brasileiros e pode ser medido em seus números. A Aorta, que produzia entre três e cinco apps móveis por mês no ano passado, agora está desenvolvendo em média dez por mês. A Pontomobi, que produziu 132 apps no ano passado, prevê alcançar a marca de 250 em 2011. “Neste primeiro semestre houve aumento de 20% a 30% na demanda de projetos, principalmente para mobile marketing e tablets”, relata Camolesi, da Pinuts Studios. “Para tablets o crescimento foi explosivo. Ano passado atendemos a um ou outro projeto experimental. Agora são dois ou três por mês”, complementa o executivo. Até empresas que não se posicionam como desenvolvedoras para terceiros estão sendo procuradas. É o caso da carioca Uplay, especializada em prover conteúdo móvel para portais white label e off deck. A empresa, que possui uma pequena equipe de desenvolvedores para criar games próprios, volta e meia é procurada para produzir aplicativos móveis. “Nosso time de programadores está dedicado a games. Queremos obter receita através das app stores, não de terceirização”, explica Adriano Rayol, sócio-diretor da Uplay. Mas, diante da demanda, admite abrir exceções pontuais: “Se for algo que eu consiga transformar depois em um produto de prateleira nosso, eu aceito”. Foi o caso de um aplicativo desenvolvido pela Uplay para um grupo de comédia, no qual é possível assistir aos vídeos das

“A falta de mão de obra em TI é crônica no Brasil, e em mobilidade é pior ainda” Carlos Camolesi, do Pinuts Studios

apresentações e acompanhar a agenda de shows, o que pode ser facilmente adaptado para outros clientes no futuro. Como se não bastasse a demanda interna, os desenvolvedores brasileiros estão sendo procurados também por clientes no exterior. A Pontomobi, por exemplo, produziu o aplicativo móvel do Festival Cannes Lions deste ano. Os serviços de programação prestados no Brasil são mais baratos que nos EUA ou na Europa Ocidental e têm mais qualidade que aqueles da Índia ou da Europa Oriental. “Os indianos entregam códigos, mas penam em design e em arquitetura da informação”, compara Xavier, da Pontomobi. Vagas abertas As equipes de desenvolvimento de aplicativos costumam ser formadas por três tipos de profissionais: programadores, designers e arquitetos da informação (pessoa responsável pelo desenho do menu de navegação de um app). Os programadores representam mais de 75% do time. Com o mercado aquecido, há uma busca por programadores. Todos os desenvolvedores entrevistados para esta matéria estão com vagas abertas. A Pontomobi tem

hoje 60 pessoas em sua equipe de desenvolvimento e estima que chegará a algo entre 80 e 85 no final do ano. O problema é que faltam profissionais qualificados e com experiência em mobilidade no mercado brasileiro. “A falta de mão de obra em TI é crônica no Brasil e para mobile é pior ainda”, se queixa Camolesi, do Pinuts Studios. As fontes reclamam que as faculdades brasileiras não formam profissionais preparados para as linguagens das plataformas móveis. Na melhor das hipóteses, os jovens saem da universidade com algum conhecimento de Java, mas para uso na web, não no celular. A solução acaba sendo contratar gente com pouca experiência e investir na sua capacitação. Várias empresas promovem cursos internos em que os profissionais mais antigos ensinam os recém chegados. Na Pinuts Studios, os novatos passam por um ano de aprendizado em diversas plataformas. Na Navita, toda sexta-feira é realizado o “café com TI”, no qual um desenvolvedor sênior realiza uma apresentação para os demais, e aos sábados são promovidas aulas de programação. Na Aorta, há cursos de desenvolvimento de apps para os próprios funcionários e abertos para estudantes de fora, na tentativa de angariar nov os talentos. É comum também as empresas pagarem por cursos externos para seus empregados. Há escolas como o IAI (Instituto de Artes Interativas), em São Paulo, que oferecem aulas para desenvolvimento em iOS, com turmas quase sempre lotadas.

Fusões e aquisições movimentam o mercado janeiro de 2011

Novembro de 2009

Hanzo declara publicamente seu interesse em adquirir desenvolvedores de apps

Pontomobi compra participação na Mobmídia

fevereiro de 2011 Novembro de 2010 Aorta compra 100% da Mobimarket

ilustrações: tavi / idesign / androfroll / palto / iqoncept / z576 / shutterstock

abril de 2011

março de 2011

Fusão entre Pontomobi e FingerTips

mai_2010 Teletime 13

Navita adquire um desenvolvedor, mas não revela o nome ainda

Aorta compra 100% da Meritia

abril de 2011

Mobint e i2 criam a Mob.i2, para atender a demanda por apps para mobile marketing


.:SVA Como consequência da alta procura, a média de idade dos programadores é cada vez mais baixa e os salários, maiores. Na Navita, aparecem jovens de 21 anos, com pouca experiência, pedindo salários de R$ 10 mil, relata Nunes. Estima-se que o salário médio dos programadores juniores de mobilidade gire em torno de R$ 8 mil em cidades como São Paulo, onde a demanda por esse profissional é maior. A média de idade está entre 22 e 25 anos. Como se pode imaginar, a rotatividade em um mercado como esse é alta. Na Pinuts Studios, localizada em Campinas/SP, a maioria dos programadores tem apenas entre 6 e 12 meses de casa. Tão logo ganham experiência, os profissionais são assediados por grandes corporações, que oferecem salários maiores. “É fundamental ter uma política de atração, de capacitação e de retenção de talentos”, aconselha Xavier, da Pontomobi. Fusões e aquisições Formar profissionais leva tempo, mas nem todos desenvolvedores podem esperar. Para quem está com pressa e tem dinheiro em caixa, a saída é adquirir concorrentes. Esse processo foi acelerado nos últimos sete meses no Brasil. Em novembro do ano passado, a Aorta comprou a Mobimarket. Quatro meses depois, adquiriu a Meritia. A Pontomobi, que já havia comprado a Mobmidia em novembro de 2009, se fundiu com a Fingertips em fevereiro deste ano. Em abril, foi a vez da agência de mobile marketing Mobint se juntar com a desenvolvedora i2 para criar a Mob.i2, com o intuito de atender a demanda por apps móveis para ações de mobile marketing. E não vai parar por aí. No começo do ano, o presidente da Hanzo, Federico Pisani, declarou seu desejo de entrar no mercado de aplicativos móveis e disse estar estudando possíveis aquisições. A Navita também avalia os ativos disponíveis no mercado. Entre os poucos desenvolvedores que sobraram sozinhos, está a Pinuts Studios: “Fomos procurados várias vezes. Há pressão por parte das empresas maiores. Já fizeram propostas de fusão, de aquisição parcial e de aquisição total”, revela Camolesi. A

“No começo éramos pró-ativos. Agora é diferente: é o nosso telefone que toca” Gustavo Ziller, da Aorta empresa, contudo, prefere estudar com calma qual o melhor caminho estratégico para seu futuro. “Não gostaríamos de virar um mero braço de desenvolvimento de alguém”, esclarece o executivo. Alertas O frenesi em torno de aplicativos móveis provoca algumas distorções. Na opinião de especialistas, há muitas empresas encomendando apps quando, na verdade, a melhor solução para entrar na telinha dos celulares poderia

tas feitas por empresas de fundo de quintal, ou mesmo programadores free lancers.O preço de um aplicativo móvel varia de R$ 40 mil a R$ 150 mil, nos casos mais complexos. Porém, há profissionais autônomos oferecendo preços abaixo de R$ 10 mil. O resultado às vezes deixa a desejar. O trabalho de porting é o que mais sofre. “Tem gente que simplesmente replica menus de navegação de iOS para Android. Isso não fica legal. No Android, por exemplo, não faz sentido ter a opção de “voltar” porque existe um botão dedicado para isso no aparelho”, exemplifica uma fonte. Para fugir dessa canibalização de preços, algumas empresas procuram um modelo de negócios diferente. Em vez de simplesmente venderem horas de programação, optam por um contrato de licenciamento, cobrando uma taxa mensal do cliente corporativo, que inclui os serviços de manutenção do aplicativo. Esse é o caminho seguido pela Aorta e pela Navita, por exemplo. Há quem acredite que essa explosão de demanda por apps móveis é uma bolha e que, mais cedo ou mais tarde, a procura se estabilizará, até porque muitas empresas perceberão que não tiveram o retorno esperado para o investimento feito. Outras fontes, contudo, mantêm o otimismo e se preparam para as próximas ondas de encomendas, como aplicativos para TVs conectadas e para a comunicação entre máquinas (M2M). Geladeiras, automóveis, máquinas de refrigerante, medidores de eletricidade: tudo isso estará conectado à Internet nos próximos anos e será preciso criar aplicativos para o seu controle. E quem estiver com um time de desenvolvimento afiado e experiente largará na frente. 

Estima-se que o salário médio dos programadores juniores de mobilidade gire em torno de R$ 8 mil em cidades como São Paulo. ser outra. “Em alguns casos, um site móvel funcionaria melhor, além de ser mais barato”, explica Marcelo Castelo, sócio-diretor da F.biz, uma agência digital que realiza muitas campanhas de mobile marketing. O executivo informa que a demanda por apps é grande, mas que as empresas nem sempre estão cientes dos custos atrelados a esse produto, como o porting para diferentes plataformas e a manutenção constante. Outro alerta feito por fontes do mercado é quanto à “commoditização” do desenvolvimento, a partir de ofer-

Vagas abertas Empresa Pontomobi Aorta Navita Pinuts Studios

Funcionários na equipe de desenvolvimento Estimativa para o de apps fim do ano 60 80 a 85 50 36 Mais de 45 20 Mais de 24

14 Teletime mai_2010


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.:Serviços móveis

As operadoras contra-atacam

Iniciativa de criar plataforma única para lojas de aplicativos de teles sai do papel depois de um ano. APIs para uso de funcionalidades da rede chegarão no segundo semestre.

walled garden, literalmente um “jardim com cercas”, em que a operadora escolhia quem entrava e quem saía. Esse modelo funcionou sem grandes problemas na era pré-smartphone. A evolução dos terminais mudou o jogo. Com os aparelhos sendo capazes de acessar diretamente a Internet, os portais WAP das teles e o menu dos simcards perderam importância. Paralelamente, os criadores dos principais sistemas operacionais móveis (Apple e Google) tiveram a genial ideia de lançar lojas de aplicativos móveis. Nelas, o dinheiro é dividido entre o desenvolvedor do aplicativo e o dono da loja. A operadora ficou de fora da partilha, recebendo apenas

“As app stores atuais foram pensadas para o mercado norteamericano, com cobrança via cartão de crédito” Peters Suh, da WAC 16 Teletime mai_2011

pelo tráfego de dados que passa pela sua rede. Serviço este, por sinal, cada vez mais barato, em razão da competição e da evolução tecnológica. O megabyte na rede móvel está virando commodity. E as teles estão se transformando naquilo que tanto temiam: meros canos para a distribuição da informação de terceiros. Os aplicativos, ou apps, são hoje o conteúdo mais consumido por usuários de terminais móveis, sejam celulares ou tablets. Em 2009, houve 350 milhões de downloads de apps móveis. Esse número saltou para 5,2 bilhões em 2010, gerando uma receita de aproximadamente 1,1 bilhão de euros. Esse mercado continua crescendo a passos largos, tanto em quantidade quanto em receita, em razão da rápida popularização dos smartphones, cuja base instalada no mundo aumentou 44% no ano passado. A WAC representa o contra-ataque das teles. De uma proposta abstrata, a WAC se tornou em menos de dois anos uma entidade com vida própria, mas sem fins lucrativos, que conta hoje com 72 membros, entre operadoras, fabricantes de handsets e integradores de TI. O objetivo é estimular as operadoras a criarem suas próprias lojas de aplicativos e conectá-las à plataforma da WAC, que serve como ponte para desenvolvedores do mundo inteiro, armazenando seus apps em um catálogo próprio e provendo o clearing financeiro entre as duas pontas (operadoras e desenvolvedores). Com isso, desenvolvedores no Brasil, por exemplo, podem vender seus serviços dentro de padrões utilizados por lojas virtuais na Espanha, por exemplo. Em vez de enviarem seus aplicativos separadamente para cada operadora, os FOTOS: divulgação

FOTO: iQoncept /shutterstock

U

m ano e meio atrás, durante o Mobile World Congress de 2010, em Barcelona, um grupo de operadoras móveis internacionais anunciou a criação da WAC (Wholesale Applications Community), uma iniciativa para desenvolver uma plataforma única mundial para as suas lojas de aplicativos. Era uma resposta ao sucesso de lojas virtuais como a da Apple ou do Google (Android Market), que prometia recolocar as operadoras no jogo dos conteúdos móveis. Só agora a ideia começa a sair do papel. A primeira loja integrada à plataforma WAC é da norueguesa Telenor, e outras oito operadoras afirmaram que farão o mesmo até o fim de 2011, entre as quais a Telefónica e a América Móvil. No Brasil, a Oi avalia com bons olhos a possibilidade de entrar para a WAC ainda este ano. Trata-se do contra-ataque das teles em busca de uma fatia do mercado mundial de aplicativos móveis, que deve movimentar US$ 38 bilhões em 2015, segundo dados da Accenture. Há alguns anos, as operadoras são atormentadas pelo medo de se tornarem dumb pipes. A expressão, em inglês, representaria um futuro desagradável para o negócio das teles: virarem meros canos para tráfego de dados, sem participação na receita gerada efetivamente pelo conteúdo transportado em suas redes. Seriam como uma empresa de logística, dona dos caminhões, mas não das mercadorias dentro deles. Por muito tempo, as teles tiveram total controle sobre a experiência móvel de seus assinantes, pois praticamente todo o conteúdo que eles consumiam (ringtones, games, notícias via SMS) era provido pelos meios controlados pelas teles, como seus portais WAP ou o menu dos simcards. Esse modelo era conhecido como


desenvolvedores submetem uma única vez para a plataforma da WAC, que leva em torno de duas semanas em seu processo de avaliação e aprovação. Não há cobrança de taxa de adesão para o desenvolvedor e nem de taxa por aplicativo submetido – ao contrário de outras lojas existentes no mercado. Hoje há 12 mil desenvolvedores cadastrados na WAC e mais de 10 mil apps no portfólio. É muito pouco comparado com a comunidade já organizada em torno da Apple ou do Android Market, mas já é um começo. Com a finalidade de atrair mais desenvolvedores, a WAC lançará em breve um SDK (software development kit) próprio, assim como suporte técnico em outras línguas além do inglês. Para padronizar os aplicativos submetidos e organizar um mercado extremamente fragmentado de handsets e de sistemas operacionais, os membros da WAC estipularam algumas especificações. O primeiro conjunto delas foi batizado de WAC 1.0 e estabelece que os aplicativos devem usar a linguagem HTML4 e podem utilizar certas funcionalidades dos terminais, como acelerômetro, câmera e agenda telefônica. Um segundo conjunto de especificações, o WAC 2.0, foi apresentado em fevereiro deste ano, tendo como principal evolução a compatibilidade com HTML5, linguagem web comum a vários sistemas operacionais (Android, iOS e Windows Phone 7, por exemplo) e que permite a

O papel de cada um na WAC Desenvolvedores - Submetem seus aplicativos à WAC gratuitamente. Definem os preços e escolhem em quais países gostariam de distribuí-los. Operadoras - Integram suas lojas de aplicativos à WAC e adaptam seus sistemas às APIs da WAC. Escolhem quais títulos querem vender e definem o revenue share. Repassam à WAC a parte da receita que cabe aos desenvolvedores, assim como uma pequena taxa por download. WAC - Cria SDKs e desenvolve APIs para que os apps possam se conectar aos sistemas das redes das operadoras. Avalia os apps submetidos e os armazena em um catálogo único mundial. É encarregada de calcular o valor devido para cada desenvolvedor e realizar os devidos repasses. Não tem fins lucrativos: sua operação é sustentada pela anuidade paga pelos membros e por uma pequena taxa cobrada de cada download remunerado. Fornecedores de infraestrutura de telecom e TI - Podem desenvolver soluções para app stores white label de operadoras e prestar a gestão delas. Fabricantes de terminais - Precisam assegurar que seus aparelhos sejam compatíveis com os APIs da WAC

criação de aplicativos com conteúdo multimídia, acessados via browser. Mas o grande avanço acontecerá no WAC 3.0, cujo lançamento está previsto para setembro. Nele, serão incluídos APIs (Application Programm Interface) para que os apps utilizem certas funcionalidades das redes das operadoras, como o billing, a autenticação do usuário, a localização via triangulação de ERBs ou as plataformas de SMS e MMS. Esse será um diferencial relevante dos apps WAC frente àqueles oferecidos na App Store da Apple ou no Android Market. “As app stores atuais foram pensadas para o mercado norte-

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-americano, com cobrança via cartão de crédito. Esse modo de pagamento não tem tanta força em países emergentes, onde o billing da operadora será a chave para o sucesso”, analisa o CEO da WAC, Peters Suh, em entrevista para TELETIME. Para aplicativos que requeiram a localização do usuário, a possibilidade de usar a plataforma de LBS das operadoras é de grande valia, haja vista que a penetração de terminais com GPS ainda é pequena. É importante ressaltar que caberá às operadoras adaptarem seus sistemas internos para que eles funcionem

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.:Serviços móveis A evolução dos padrões WAC Versão

Lançamento

Descrição

WAC 1.0

2010

WAC 2.0

Fevereiro de 2011

WAC 3.0

Setembro de 2011*

Aplicações em HTML4; acesso a funcionalidades básicas dos aparelhos, como acelerômetro, câmera, agenda telefônica etc. Aplicações em HTML 5; aperfeiçoamento dos mecanismos de segurança e privacidade; acesso a mais funcionalidades do aparelho, como calendário e arquivos de sistema. Adição de APIs para acesso a funcionalidades das redes das operadoras, como billing, identificação, SMS, MMS e voz.

*Previsão. Fonte: WAC

com as APIs da WAC, de forma que o desenvolvedor não precise criar versões diferentes do mesmo aplicativo para que ele funcione com os diferentes sistemas de billing, SMS ou LBS das teles mundo afora. “A WAC é uma iniciativa que tende a unir um mercado tradicionalmente fragmentado”, resume Renato Rezende, head of digital marketplace da Ericsson. Os fabricantes de aparelhos também precisarão assegurar que seus próximos modelos sejam compatíveis com WAC 3.0, senão existe o risco de que nem todas as funcionalidades operem corretamente. Modelo de negócios O modelo de negócios da WAC é simples. O desenvolvedor tem liberdade para definir o preço para a venda do seu aplicativo e os países onde gostaria de distribuí-lo. As operadoras, contudo, têm autonomia para aceitar ou não em sua loja os títulos oferecidos, levando em conta sua política de conteúdo e a legislação local. Em caso de recusa por parte de alguma tele, a WAC envia uma explicação para o desenvolvedor. A proporção de divisão de receita é estabelecida por cada operadora separadamente. O dinheiro arrecadado pelas teles com a venda dos aplicativos é encaminhado à WAC, que, por sua vez, é a responsável por calcular o valor de repasse para cada desenvolvedor e realizar a transferência financeira. Para arcar com seus custos operacionais, a WAC cobra uma pequena taxa por download realizado, assim como uma

anuidade de cada associado (os desenvolvedores não precisam se associar, vale lembrar). A primeira loja de aplicativos conectada à WAC é a da operadora norueguesa Telenor, anunciada em fevereiro. Outras oito teles prometeram fazer o mesmo este ano: China Mobile, Orange, Telefónica, Smart, MTS, Verizon, Vodafone e América Móvil. Juntas, elas somam mais de 1,6 bilhão de assinantes móveis. Aquelas operadoras que já possuem uma app store própria podem simplesmente criar uma extensão para acessar o portfólio de aplicativos da WAC. Alguns fabricantes desenvolveram soluções de app stores white label para as operadoras e podem ajudar nessa

matrizes de Claro, Vivo e TIM serem membros da entidade é um sinal de que essa integração acontecerá mais cedo ou mais tarde. Porém, há características locais que precisam ser consideradas. A Vivo, por exemplo, tem um programa próprio para desenvolvedores, inclusive tendo criado APIs para acesso a funcionalidades de sua rede, como SMS. A TIM, por sua vez, lançou no ano passado uma app store própria, com títulos em Java, usando a plataforma Plaza, da Qualcomm. Entre as grandes teles em atividade no País, a Oi é a única sem vínculo com a WAC. Mas isso pode mudar este ano. A operadora analisa com bons olhos sua associação à entidade, informa o gerente de conteúdo - aplicativos da empresa, Gustavo Alvim. Uma loja de aplicativos da Oi, porém, seria um projeto para o ano que vem. A empresa evitou lançar algo até agora fora da WAC porque não teria escala para fazer a loja decolar. “É complicado para uma operadora só. Seria difícil atrair desenvolvedores. Os fabricantes conseguem porque têm escala mundial. A WAC resolve esse problema para as teles”, comenta o executivo. A Oi, contudo, não descarta alianças com as app stores dos fabricantes. Pelo contrário: a operadora está em negociação com Nokia e Google para conectar seu sistema de billing às lojas deles. Futuro A tendência é que as lojas ligadas à WAC ganhem força ao longo dos próximos anos, conforme a adesão de operadoras e de desenvolvedores aumente. O CEO da entidade não descarta a abertura para aplicativos de sistemas operacionais como Android ou Windows Phone 7, o que pode enriquecer sensivelmente o catálogo. “Não queremos ser rígidos ou dogmáticos”, esclarece Suh. Na opinião do presidente da Qualcomm para América Latina, Flávio Mansi, as lojas das operadoras não substituirão aquelas dos fabricantes e vice-versa. Tal como um shopping center, o celular terá várias lojas de aplicativos dentro, ficando a critério do consumidor escolher onde vai  comprar, compara o executivo.

O fato de as matrizes de Claro, Vivo e TIM serem membros da entidade é um sinal de que a integração com a wac acontecerá mais cedo ou mais tarde. tarefa. É o caso da Qualcomm e da Ericsson, com as soluções batizadas de Plaza e a eStore, respectivamente. Por sinal, a loja da Telenor utiliza a eStore da Ericsson. O que esses fabricantes oferecem são os softwares de gestão das lojas, além da terceirização da operação, mediante acordo de revenue share, se a tele quiser. No Brasil ainda não está definido quando ou como as operadoras pretendem se conectar à WAC. O fato de as 20 Teletime mai_2011

fernando paiva


.:entrevista

Samuel Possebon

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Caminhos possíveis

TM Forum busca desenvolver padrões para os sistemas de TI das operadoras com objetivo de prepará-las para a competição com as over-the-top.

TELETIME De que maneira pode ser definida a atuação do TM Forum? Martin Creaner - O TM Forum é essencialmente uma associação da indústria que está em todos os aspectos relacionada ao que chamamos de software de gestão de comunicações. Desde a forma como se toca uma rede, como você monitora uma rede, cobra pelos serviços, atende o consumidor, lança novos serviços, cria novos serviços, todos os processos que tenham a ver com uma empresa de comunicação que não seja a rede em si estão no nosso escopo. Trabalhamos nos padrões de gestão da rede e de serviços. O TM Forum já existe há 24 anos, tem 800 membros associados em 90 países, incluindo a maior parte dos operadores e dos fornecedores. Na América Latina

Os desafios principais das teles que são nossas associadas passam pela preocupação de que o mercado está mudando rapidamente e que elas precisam se adaptar na mesma velocidade, mas não estão conseguindo fazê-lo da forma como gostariam. Muitas das teles sabem que existem novas oportunidades de serviços, como os serviços over-the-top, que acabam usando a rede de banda larga delas, mas não são serviços oferecidos por elas. A demanda por banda está crescendo rapidamente tanto em redes fixas quanto móveis, mas a receita incremental que elas têm ao oferecer essa banda é relativamente pequena. E em muitos casos a situação é pior porque a receita de voz está simplesmente desabando no mundo inteiro, e essa era a principal fonte das empresas de telecomunicações. As receitas de todos esses novos serviços estão indo para outras empresas, e não diretamente para as Maria a de enfrentar Oliveira teles, e elas João começam uma redução importante de margem. O problema central que o TM Forum enfrenta então é: e agora, o que as teles farão? Para onde elas vão?

foto: divulgação

P

rever o futuro das operadoras de telecomunicações nos dias de hoje não é tarefa simples. Encontrar caminhos e alternativas para evitar que estas operadoras percam espaço e importância é tarefa mais complexa ainda. Pois essa parece ser a missão do TM Forum, a principal entidade global voltada à definição de padrões e práticas de gestão de empresas de comunicação. Muito mais do que uma entidade voltada ao desenvolvimento de padrões para os sistemas de TI das operadoras, o TM Forum se tornou uma espécie de orientador de estratégias para os seus mais de 800 associados em todo o mundo. O modelo proposto nessa entrevista por Martin Creaner, presidente do TM Forum, é simples: não adianta querer evitar ou competir com os milhares de provedores de serviço que estão surgindo por cima (over-the-top) das redes de telecomunicações. É preciso se juntar a eles. Quem ficar parado na oferta dos serviços tradicionais está condenado, diz.

Martin Creaner

temos cerca de 50 membros, e no Brasil especificamente temos por volta de 20. Isso inclui teles, empresas de cabo e fornecedores. O TM Forum tem como função definir padrões e melhores práticas para aqueles que estão envolvidos com a indústria de comunicação. Que desafios os associados trazem para o TM Forum e como vocês atuam?

Por que as operadoras estão vivendo essa situação? É falta de agilidade? É um problema de tecnologia? É uma boa pergunta ainda não muito bem respondida. Não é um problema de tecnologia, e também acho que não seja um problema de gestão ou liderança. O elo perdido ai talvez seja o fato de que, honestamente, elas não sabem muito bem que modelo de negócio devem perseguir. Se olharmos para dez anos atrás, as teles estavam essencialmente imprimindo

As empresas que não investirem no desenvolvimento de novos modelos irão, inevitavelmente, ver seus negócios desmoronarem nos próximos cinco anos.” mai_2011 Teletime 21


.:entrevista

A essa altura, será que as grandes teles não são muito grandes para mudar? Tudo isso implica desenvolver novas áreas de negócio, mexer em sistemas e modelos legados... Eu entendo o seu ponto e tenho certeza que muitos dos executivos das empresas de telecomunicações não encontram nem tempo para pensar nessas questões. Mas o que posso dizer é que as empresas que não investirem recursos necessários para o desenvolvimento de novos modelos irão, inevitavelmente, ver seus negócios desmoronarem nos próximos cinco anos. Elas se tornarão um tipo de operadora de segundo nível, operando com margens pequenas por não terem os serviços de valor adicional que poderiam ter desenvolvidos. Dizer que não se tem tempo ou condições de focar nessas mudanças pode até ser verdade, mas não quer dizer que dê para manter as coisas como estão por muito tempo. Quem fizer isso vai sair do jogo, sem dúvida, ou diminuir para um negócio de margens pequenas e sem futuro até serem comprados por alguém.

do, e rapidamente, e outras empresas que ainda estão esperando para ver o que acontece. Não tem a ver com o fato de a empresa ser mais ou menos tradicional que a fará mais ou menos ágil. Tudo tem a ver com a forma como os principais executivos encaram o problema. A gestão nesses casos é determinante.

foto: divulgação

dinheiro. Tinham a oferta de voz, cujos custos eram baixos e gerava muita receita, e ainda gera, e por isso não precisavam mudar muito a perspectiva. Ao mesmo tempo, empresas como Google, Apple e Skype estavam preparando a base do que seria a oferta de serviços over-the-top. Isso não ameaçava muito as teles nos primeiros anos, mas quando elas acordaram para o problema, perceberam que as receitas de voz estavam caindo e que precisavam entrar em novos serviços. As teles tinham então três opções: oferecer novos serviços, como IPTV; podiam ser mais ambiciosas e olhar para smartgrids, para aplicações de saúde à distância, transações financeiras, aplicações de segurança etc; e um terceiro caminho possível era oferecer as ferramentas de gestão (billing, localização, gerenciamento) desses serviços over-the-top, em lugar de tentar competir com eles. Nesses casos, as teles passaram a oferecer serviços gerenciados aos clientes, mantendo as plataformas já existentes e oferecendo suas plataformas de localização, de autenticação e de atendimento, por exemplo.

E o que vocês acreditam que acontecerá com o negócio de oferta de rede em si? Porque não há nenhum serviço over-the-top que exista se não houver uma rede. O negócio de operação de rede deve se consolidar com o tempo. As redes estão se tornando commodity, a troca de bits pelos mundo já se tornou uma commodity, eu diria. Dessa forma, acho que o foco das empresas de rede será muito mais em garantir eficiência e ganhos de escala. A margem para esse tipo de negócio tende a ser menor, mas é um negócio de grandes volumes. Acredito que as empresas de telecomunicações tendam a se dividir em unidades de transporte e unidades de serviços. Pode ser uma divisão legal, estrutural ou apenas uma divisão interna, para os processos internos, mas isso tende a acontecer. O próprio conceito de over-the-top tende a desaparecer, porque tudo será over-the-top. Veja o exemplo da BT, que tem sua divisão de rede e a parte que presta serviços. Essa parte que presta serviço é quem vai competir com empresas over-the-top. E há casos em que os governos estão construindo as redes, como em Singapura, e abrindo interfaces padronizadas para centenas, milhares de provedores de serviço que se conectam a essa rede e oferecem o melhor serviço possível.

O lado de B2B, de oferta de serviços ao consumidor corporativo, é o que tende a crescer mais.” As incumbents no mundo já acordaram para essa realidade que você está apontando? Elas ainda não chegaram lá, mas com certeza já acordaram e estão se mexendo e investindo para fazer isso acontecer. Na nossa reunião de conselho há CIOs, CTOs e COOs de várias grandes operadoras, e todos eles estão realmente gastando tempo em pensar nesses novos modelos e oportunidades. Hoje, eu diria que esses executivos só gastam 30% do tempo em gerir o velho negócio e o resto é gasto em pensar para frente e em inovação. Claro que é preciso pensar nos negócios atuais, mas isso não resolve o problema do futuro. Existe algum padrão, algum caminho comum que as operadoras incumbents estejam seguindo em direção a esses novos modelos? Não, existem empresas muito grandes e pesadas, como a AT&T, Verizon e BT, que já estão se mexen22 Teletime mai_2011

O que vale mais a pena, ser um operador de rede ou de serviços? Como está a experiência da BT? Não poderia entrar em detalhes específicos da BT porque não conheço a fundo a realidade deles. E mesmo dizer qual é o melhor negócio é algo complicado porque ambos os modelos podem ser interessantes. Construir estradas é uma boa e ter uma frota de caminhões também pode ser um bom negócio. O que


parece meio inevitável é que veremos um número cada vez menor de carriers, de operadores de rede, pois elas tendem a se consolidar para ter ganhos de escala, e ao mesmo tempo devem surgir milhares de provedores de serviço, sobretudo porque a oferta de serviços em nichos específicos deve entrar na ordem do dia. Você mencionou a iniciativa do estado investir em rede em Singapura. Existe uma tendência global nesse sentido? A mesma coisa está acontecendo na Austrália, em que o governo criou a NGN Co, que está construindo a rede banda larga de lá. O governo está criando e controlando a rede sob a alegação de que é um investimento muito alto que precisa ser feito para margens muito pequenas e em uma longa extensão territorial. Ninguém faria se não fosse o governo, que está colocando a rede aberta a provedores de serviço, e a competição entre esses players está se tornando mais e mais agressiva. O modelo é um pouco diferente no Reino Unido, mas eu pessoalmente penso que a separação estrutural no longo prazo é a única forma sensata de garantir competição genuína no mercado, e os governos precisam tomar partido disso em algum momento. Outro aspecto que surge nesse contexto é o da neutralidade de rede. Isso se tornou um grande problema se olharmos para os EUA ou outros países, em que as teles têm sido obrigadas a levar mais e mais conteúdos sem receitas adicionais. Em algum ponto, alguém terá que pagar a conta. Ou a tele investe sem ter nenhuma certeza se terá algum retorno do investimento, o que é improvável; ou o governo investe, usa recursos do contribuinte para prover estas redes. Mas em geral o que é bancado pelo governo tende a ser pesado e pouco competitivo no longo prazo, então esse é um paradoxo que não saberia muito dizer como resolver. Como vocês enxergam o papel das operadoras de cabo nesse cenário de inovação e reconstrução de modelos? Muitas operadoras de cabo passaram a usar os padrões do TM Forum.

Essas empresas de cabo, que no passado eram pequenas operações locais, hoje são grandes corporações de cobertura nacional, e acho que isso é assim no Brasil também. Hoje são empresas muito competitivas. O lado negativo é que em geral são empresas com redes e sistemas fragmentados, resultantes dessas fusões, e têm dificuldade de gestão. Mas são empresas com experiência no negócio de mídia e conteú­ dos, o que as teles em geral não conhecem. Os padrões defendidos pelo TM Forum são padrões abertos, isto é, independem de fornecedores? Sim, nossos padrões são sempre desenvolvidos para integrar sistemas diversos, interfaces diferentes, e por isso precisamos ser abertos. Tanto os operadores quanto os fornecedores são nossos associados justamente para garantir essa interoperabilidade entre diferentes sistemas. Mas

soluções e serviços em nuvem. Você vê as empresas de telecom contratando serviços em nuvem de empresas como Google e Microsoft ou de empresas tradicionais na área de sistemas, como Oracle? Acho que as empresas de telecom agirão exatamente como qualquer outro cliente corporativo: elas migrarão seus sistemas críticos para a nuvem quando fizer sentido de custo e em termos de segurança. As soluções de sistemas em nuvem privadas que podem ser adotadas de forma intermediárias em alguns casos. Uma tele não é diferente de um banco ou de uma empresa farmacêutica. As empresas de Internet tomarão o espaço das teles tradicionais na disputa pelos consumidores? Não vejo elas como empresas de telecom, mas como grandes competidoras na capacidade de ter uma plataforma de entrega de conteúdos de forma eficiente. Muitas teles têm a ambição de criar essas plataformas também. O Google é sem dúvida um grande competidor das teles, principalmente porque é um competidor diferente com o qual as teles nunca tiveram que lidar. Mesma coisa para a Apple, que é parceira e competidora, ainda que nesse caso o modelo seja mais fácil de entender.

A separação estrutural (entre rede e serviços) no longo prazo é a única forma sensata de garantir competição genuína no mercado.” não há muito o que se possa fazer em relação aos sistemas legados. O que é possível é preparar o terreno para novos sistemas. Uma vez a cada cinco anos os fornecedores mexem em suas arquiteturas, e isso abre espaço para a padronização que buscamos. Você vê as operadoras de telecom como provedoras de serviços em nuvem? Vejo muitas empresas investindo nisso nesse momento, mas ainda estamos muito no começo. O que temos observado é que muitas empresas que não têm nada a ver com empresas de telecom se juntaram ao TM Forum interessadas em padrões para computação em nuvem. São bancos, empresas farmacêuticas, empresas de seguro... Há dois lados nesse negócio de cloud. Um é a oferta de soluções e sistemas em nuvem em que as operadoras de telecom e outras grandes empresas possam ser usuárias. Outra é transformar as operadoras de telecom em provedoras de mai_2011 Teletime 23

Onde você acha que estarão as empresas de telecomunicações em cinco anos? Hoje as empresas de telecom estão muito focadas no mercado do consumidor. Acho que nos próximos cinco anos, o lado de B2B, de oferta de serviços ao consumidor corporativo, é o que tende a crescer mais. Isso porque elas tendem a oferecer serviços gerenciados para centenas, milhares de provedores de serviços over-the-top, que vão querer usar partes da infraestrutura das teles em seu relacionamento com os clientes. E, é claro, haverá os casos de fracasso, que são aquelas teles que insistirem em competir diretamente com cada um dos provedores over-the-top que aparecerem e não buscarem parcerias com eles. Essa é a nossa visão.


.:Regulamentação

Saiu a agenda

Como parte das medidas tomadas para acelerar o cumprimento do PNBL e satisfazer as exigências da presidenta Dilma, Minicom decide dizer à Anatel quais os itens que espera ver regulados em breve. “A oferta do AICE, além de rentável, é inclusive uma oportunidade para que a operadora depois venha a oferecer banda larga” Jarbas Valente, da Anatel obrigações de backhaul. O único ponto em que as operadoras ainda divergiam era o regulamento do AICE (Acesso Individual Classe Especial), uma espécie de telefone popular, que na proposta da Anatel deveria ser ofertado por R$ 13 aos beneficiários do Bolsa Família. Em troca de um acordo regulatório bom em torno do PGMU, as teles se comprometeriam na oferta voluntária de serviços dentro dos parâmetros combinados pelo governo. Foi esse acordo que a presidenta, aparentemente, azedou ao exigir 1 Mbps. A solução que parece estar sendo trabalhada pelo governo é fechar o PGMU como estava antes da ordem da presidenta e buscar acordos com outros setores das telecomunicações para conseguir ofertas mais interessantes. Paulo Bernardo disse que o novo plano da presidenta prevê que as negociações envolvam também as operadoras de TV a cabo e as empresas de telefonia celular. Disse ainda que o governo estaria disposto a investir R$ 1 bilhão por ano na Telebrás até 2014, para a construção da rede nacional, mas admitiu que ainda assim seriam necessários mais R$ 3 bilhões de investimentos privados para alcançar as metas colocadas pela presidenta. Para Paulo Bernardo, a votação dos itens pela Anatel visa “atuar sobre gargalos diagnosticados na massificação da banda larga e aumento da capacidade de acesso”.

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“Alguns (empresários) já nos procuram para propor novos investimentos”, disse Paulo Bernardo. Estes empresários a que o ministro se referiu são, essencialmente, empresas de telefonia móvel. A Vivo, por exemplo, na edição passada de TELETIME, se prontificava a levar a oferta já existente de 1 Mbps por R$ 9,90 a todas as cidades, desde que o governo ajudasse a viabilizar a infraestrutura necessária. A TIM foi a primeira a se manifestar. Luca Luciani, presidente da operadora, repetiu o discurso da Vivo e pediu garantias de que as empresas competitivas terão acesso às redes para chegar em todos os municípios. “Se a gente criar as condições para que a competição chegue a qualquer lugar, só as empresas de capitais privados podem colocar o dinheiro necessário”, afirmou o presidente da TIM, depois de uma reunião com Paulo Bernardo. FOTOs: arquivo

O

Plano Nacional de Banda Larga continua dominando a pauta político/regulatória do governo e da Anatel, mas quanto mais o tempo passa, mais difícil fica enxergar qual será a cara final do projeto. O que se sabe é que ele está entre as principais prioridades da presidenta Dilma Rousseff. Mas como o plano sairá do papel, qual o papel de cada um, o que será oferecido à população e como isso será viabilizado são questões ainda sem resposta. O fato novo mais importante decorre do adiamento para o final de junho da assinatura dos contratos de concessão das teles e a edição do Plano Geral de Metas de Universalização que integra os contratos. Este adiamento foi sucedido pela determinação da presidenta Dilma ao ministro Paulo Bernardo para que encontrasse uma fórmula de massificar o acesso de 1 Mbps ao preço de R$ 35. A presidenta quer que seja 1 Mbps real (e não apenas um valor nominal de referência), e quer que a qualidade do serviço possa ser aferida. É uma determinação importante do ponto de vista político, mas que colocou os técnicos do governo de cabelo em pé. Isso porque ninguém sabe como exigir isso das empresas concessionárias, que já estavam relutantes na oferta de um serviço de 600 kbps ou 300 kbps (velocidades nominais), e ainda pediam a possibilidade de venda combinada com os serviços de voz e vídeo para assim talvez chegar em velocidades de 1 Mbps. A decisão da presidenta se deu na véspera do dia em que a Anatel, em tese, definiria o formato final do PGMU. A ideia do governo era dar aquilo que as operadoras pediam: a faixa de 450 MHz gratuitamente para a cobertura rural, um regulamento futuro para a cobertura dessas regiões, redução nas obrigações de cobertura de TUPs e o fim das

Irreal Mas fontes do governo admitem que ter uma meta de 1 Mbps de capacidade real para todos aqueles que queiram é uma missão tecnicamente complexa que implica a instalação de uma infraestrutura de fibra óptica que chegue pelo menos às sedes de todos os municípios e de lá possa ser derivada por redes de alta capacidade por empresas privadas. Diante desse desafio técnico, o que será oferecido à presidenta Dilma Rousseff é um plano escalonado, no molde do plano de banda larga dos EUA, em que essas metas sejam cumpridas ao longo do tempo, sem impor especificamente a quem quer que seja a obrigação. Com o tempo, se o próprio mercado não satisfizer essas obrigações, o governo ajusta os rumos do plano e toma outras medidas. Até porque, ninguém sabe se as operadoras conseguirão cumprir o que está sendo pedido. Dentro do governo e da


“Se a gente criar aS condiçõeS para que a competição chegue a qualquer lugar, Só aS empreSaS de capitaiS privadoS podem colocar o dinheiro neceSSário”

Anatel, fala-se em encontrar modelos alternativos com as empresas, discutindo essas metas como contrapartidas à flexibilização de regras incômodas, como a reversibilidade dos bens da concessão ou Luca Luciani, da TIM mesmo o fim da concessão de STFC em 2025. Paralelamente, o governo ção das faixas de frequência definiu uma lista de prioridade 2,5 GHz e 3,5 GHz, aprovades regulatórias que espera ter ção do PGMC e revisão do aprovadas pela Anatel para estimular o regulamento de Exploração de Linha mercado. Não se sabe tampouco se essas Dedicada (EILD). Veja no quadro a relamedidas terão efeito imediato sobre o ção completa de prioridades. Plano de Banda Larga em si, já que muiA lista não necessariamente segue tas delas são regulamentos polêmicos e em ordem de prioridades. Algumas direde efeito ainda desconhecido, como o trizes já haviam sido passadas pelo Plano Geral de Metas de Competição. governo, como a licitação das faixas de Entre estas diretrizes estão dez regufrequência (o edital de 3,5 GHz já está em lamentos escolhidos entre os 60 que o consulta) e a revisão da Regulamentação conselho da Anatel tem em pauta. Segundo de TV a Cabo. Este item, contudo, ainda o ofício do Ministério das Comunicações à deve demorar para ter efeito, pois uma Anatel para definir a lista de prioridades, vez aprovada a consulta pública e editao governo vem se esforçando para “anundo o regulamento (o que deve levar cerca ciar medidas que acelerem a massificação de 2 meses) ainda é necessário aguardar da banda larga no Brasil”. Ainda segundo 30 dias para decurso do prazo de manio documento, “são medidas não somente festação do Conselho de Comunicação para garantir que o serviço chegue a toda Social do Congresso (que está inativo) e, a população com preço justo e boa qualidade, mas também outras que propiciarão um salto em termos de capacidade da banda larga do país”. Para Paulo Bernardo, a votação dos As prioridades do Ministério das itens pela Anatel visa “atuar Comunicações em relação ao trabalho da sobre gargalos diagnosticados Anatel, conforme ofício enviado por Paulo na massificação da banda larga Bernardo em 5 de maio de 2011: e aumento da capacidade de 1) Aprovação do Plano Geral de Metas acesso”. No entanto, vale desde Universalização; tacar que nem todos os itens 2) Aprovação do Plano Geral de Metas de previstos para votação têm Competição, incluindo medidas de relação direta com a qualidade unbundling e compartilhamento de ou com a quantidade de acesinfraestrutura; 3) Revisão do Regulamento de Exploração sos banda larga, o que mostra Industrial de Linha Dedicada e revisão da que o governo está usando a tabela de referência; lista de prioridades da Anatel 4) Licitação das faixas de 2,5 GHz e 3,5 GHz; ou para acelerar decisões polí5) Revisão do Regulamento de TV a Cabo; 6) Revisão do regulamento que define a ticas (como, por exemplo, a composição do VC a fim de reduzir a VUM; redução da VC e da VU-M ou o 7) Aprovação do Regulamento de Gestão de regulamento de incentivo a Qualidade dos Serviços de Comunicação pesquisa e inovação em telecoMultimídia; municações) ou para ter o que 8) Aprovação do Regulamento de Resolução de Conflitos; barganhar com as empresas.

Lista de tarefas

9)

Agenda As prioridades da Anatel a partir de agora vão desde a própria aprovação do Plano Geral de Metas de Universalização até a revisão do Regulamento de TV a Cabo, passando pela licita-

Aprovação do Regulamento de Incentivo à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Telecomunicações; 10) Revisão do regulamento que fixa o PPDESS para ajustes no valor de outorga de SCM para operadores de menor cobertura geográfica.

só então, dar início ao processo de abertura do mercado. Entre as medidas que podem ter efeito mais imediato estão a revisão da tabela de EILD e a revisão da tabela de referências e a agilização da resolução de conflitos. Sobretudo a TIM reclama que tem muita dificuldade para ter acesso à rede das concessionárias, sobretudo da Oi, e aponta deficiências na regulamentação como causa. Alguns regulamentos importantes que estão no conselho da Anatel não apareceram nesta relação de prioridades do Minicom. Por exemplo, o novo regulamento do AICE e o regulamento do Serviço de Comunicação Multimídia. No caso do AICE, trata-se de uma das poucas ações tomadas pela Anatel no âmbito da discussão do Plano Geral de Metas de Universalização que pode representar um endurecimento das obrigações das operadoras. A ideia da Anatel é obrigar a oferta de um plano popular aos beneficiários do Bolsa Família em que uma linha fixa não custe mais do que R$ 13 reais (com impostos) e que as operadoras sejam obrigadas a divulgar o plano. Não é preciso dizer que todas elas resistem. A Oi foi explícita na sua manifestação durante a consulta pública ao dizer que a proposta da agência é ruim porque cria um ônus não coberto para a operadora e ameaça canibalizar os planos de serviço atuais, em que se paga uma assinatura básica de cerca de R$ 30. Para o conselheiro da Anatel Jarbas Valente, trata-se de uma visão limitada da operadora. “A oferta do AICE, além de rentável, é inclusive uma oportunidade para que a operadora depois venha a oferecer banda larga, por isso o regulamento é importante na discussão que se faz do PNBL”, disse Valente, que foi relator do assunto no conselho. Aparentemente, o governo não entendeu desta forma e optou por colocar em sua lista de prioridades apenas aquilo que entende como fundamental para a banda larga, inclusive regras de redução da VU-M e o regulamento de incentivo a pesquisa e desen volvimento no Brasil. SAmuel PoSSebon

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.:redes

Daniel Machado

daniel@convergecom.com.br

Caminhos possíveis

A

última edição do Seminário Teletime Tecnologias de Redes, realizado anualmente pela Converge Comunicações, que edita TELETIME, mostrou que no caminho da evolução das redes de telecomunicações, ainda há espaço para ideias diferentes e caminhos alternativos. Foi o que ficou claro no debate em torno do futuro das redes de acesso fixas para serviços convergentes. Para o diretor de rede da Embratel, Antônio Carlos Martelleto, a composição da última milha será definida dentro da casa do cliente. Apesar do avanço do fiber-to-the-home (FTTH), o executivo destacou que o custo do set-top box óptico ainda representa um grande impedimento para a massificação da tecnologia. “O quanto dessa rede de acesso será de fibra e de cobre vai depender do valor do CPE (customer premises equipment), que ainda é muito alto”, disse, apresentando uma visão típica de operadores de cabo, que já exploram a arquitetura HFC (híbrida de fibra e cabo coaxial), em contraponto ao que parece ser o consenso das teles fixas em torno do acesso por fibra. Ele explica que, apesar da maior capacidade de transmissão do FTTH em relação ao HFC, o custo do decodificador óptico ainda é muito maior. E nem sempre se justifica. Para Martelleto as evoluções do sistema DOCSIS, padrão de transmissão de dados nas redes HFC, darão a esse tipo de rede uma longa sobrevida no mercado. “A maioria das operadoras está utilizando o DOCSIS 2.0, mas algumas, como a Embratel, estão optando por DOCSIS 3.0, o que significa um salto de 30 Mbps para 100 Mbps”, diz. Ele destaca que o valor de um CPE DOCSIS 3.0 é cerca de 30% maior que o de um DOCSIS 2.0, de aproximadamente US$ 30, mas ainda bem inferior ao de uma tecnologia 100% óptica. Em sua palestra, o diretor

FOTOS: izilda frança

Seminário mostra que futuro do acesso fixo no país ainda se divide entre HFC e FTTx. Já entre as móveis, há consenso sobre compartilhamento das redes e uso do espectro.

executivo de redes da Telefônica, Ari Falarini, fez o contraponto e salientou que, apesar de acreditar que o acesso xDSL “ainda tem muita lenha para queimar”, é o FTTH que representa a perenização da rede, a tecnologia do futuro. Além disso, segundo ele, o custo do CPE óptico cai anualmente em uma proporção de 20%. “A importação vem sendo reduzida, alguns fornecedores estão desenvolvendo essa solução localmente, a demanda mundial tem aumentado drasticamente, gerando escala, enfim, a solução está se tornando cada vez mais competitiva em termos de custo”, explica. Falarini aposta que a integração entre o padrão MetroEthernet nas redes metropolitanas e o FTTH é a única forma de se “criar uma infraestrutura capaz de suportar banda larga, IPTV, gaming, dados corporativos, backhaul etc”, diz. Na parte de infraestrutura de backbone, os debates mostraram que ainda há investi-

mentos importantes para completar a cobertura de rede no Brasil, deficiente sobretudo na Região Norte. A Oi divulgou também a intenção de estender seu backbone ao único estado do Brasil que ainda não conta com sua rede terrestre de transmissão, o Amapá. Dona de um dos maiores backbones do País, com 176 mil quilômetros - entre cabos nacionais, internacionais e redes metropolitanas – a Oi serve o estado da região Norte apenas por satélite. Segundo o gerente de planejamento e redes da Oi, Mauro Fukuda, a incumbent desenvolve um projeto para estender seu backbone até a capital Macapá. De acordo com o executivo, segundo normas da Anatel, a Oi teria um prazo de até seis meses após a implantação da linha de transmissão de energia elétrica (Linhão Tucuruí-Belo Monte) no Estado. A questão é que a multinacional espanhola Isolux Corsán, vencedora da licitação da construção da rede elétrica, estima para o final de 2012 a conclusão das obras e a Oi não parece disposta a esperar. “Este prazo é muito distante para nós, por isso estamos pensando em outras possibilidades”, diz Fukuda. Segundo ele, a tele estuda duas ou três rotas alternativas para a implantação do backbone em Macapá. “Uma delas é pela Guiana Francesa. Poderíamos utilizar o link de um trecho já pronto, da Eletronorte, de uns 250 quilômetros de cabos ópticos até a Guiana. Compartilhar o backbone da Globenet, que já atua na Guiana Francesa, e descer até o Amapá”, diz o executivo, que revela também que a Oi trabalha paralelamente na ampliação do link satelital na região. Fukuda diz que não há previsão para a chegada do

“O quanto dessa rede de acesso será de fibra e de cobre vai depender do valor do CPE (customer premises equipment), que ainda é muito alto” Antônio Martelleto, da Embratel 26 Teletime mai_2011


backbone da tele no Amapá, mas garante que será antes do final de 2012. Compartilhamento No painel das teles móveis, ao contrário, o que prevaleceu foi o consenso. Tanto nas questões regulatórias de uso de espectro como no compartilhamento das estações radiobase (ERBs). Para Leonardo Capdeville, diretor de planejamento e tecnologia da Vivo, foi-se o tempo em que a quantidade de ERBs era um diferencial estratégico para as operadoras móveis no Brasil. Por isso, a palavra de ordem de uns anos para cá no Serviço Móvel Pessoal (SMP), segundo ele, é cada vez menos replicação de infraestrutura e mais compartilhamento. “As operadoras móveis devem competir nas camadas de serviços, não nas de transporte”, disse. O gerente de inovação tecnológica da TIM Brasil, Janilson Junior, apoiou a posição do colega e ressaltou que o compartilhamento é questão de sobrevivência. “O grande aumento do MOU (média de minutos por usuário) vai exigir muito mais sites por operadora, cuja média atual é de 12 mil e nos próximos dez anos irá para 24 mil”, diz. A meta da TIM é dobrar seu MOU (129 minutos no último trimestre de 2010) até 2013. “Isso exigirá um investimento muito grande das operadoras, Capex que pode ser compartilhado”, acrescenta. “Assim, sobram mais recursos para serem investidos em serviços e na experiência do usuário, que é onde as operadoras estão se diferenciando”. O diretor da Vivo destacou também que o Brasil é um país que justifica o compartilhamento de sites. “Além do volume crescente do tráfego, que exigirá maior adensamento de ERBs, o número de assinantes e o tamanho do Brasil nos faz seguir esse caminho do compartilhamento”, explicou.  Atualmente, cerca de 60% das torres da Vivo são compartilhadas, mais ou menos a mesma proporção da TIM e das

“A importação (de CPEs ópticos) vem sendo reduzida, fornecedores estão desenvolvendo a solução localmente, o que a está tornando cada vez mais competitiva.” Ari Falarini, da Telefônica demais teles móveis. Os diretores da TIM e Vivo também levantaram a bandeira do uso da faixa de 700 MHz (atualmente destinada às emissoras de TV) pelas teles móveis como forma de massificar os serviços de banda larga móvel no país. “É claro que há um conflito de interesses, as empresas de TV não vão querer abrir mão do espectro, mas a Anatel precisa levar em consideração o interesse público e nós (teles móveis) temos potencial para massificar, levar os serviços de telecomunicações com essa faixa para as áreas rurais e suburbanas”, diz Capdeville. “E é importante que façamos isso antes dos eventos esportivos (Copa do Mundo de 2014 e Olimpíadas de 2016)”, acrescenta. Janilson Junior concorda e também cita o interesse pela faixa de 900 MHz, segundo ele, um “espectro nobre, largamente utilizado no mundo e subaproveitado no Brasil”. Mercado abalado Independentemente dos planos de investimento das operadoras brasileiras, fatores externos também têm afetado a realidade dos fornecedores de tecnologias. O forte terremoto que abalou a província japonesa de Fukushima no início de março, por exemplo, causou estragos no mercado mundial de fibras ópticas. A informação veio em palestra do gerente técnico da Furukawa, Nelson Hiroshi Saito, em painel sobre redes FTTx. Segundo ele, a província é um dos mais importantes fornecedores de pré-forma de fibras ópticas do mundo e principal provedor do mercado chinês. Ele informou também que foram afetadas até as operações da sede da Furukawa em Mie, província ao sul do Japão, região que não sofreu os abalos do terre-

“O grande aumento do MOU (média de minutos por usuário) vai exigir muito mais sites por operadora, cuja média atual é de 12 mil e nos próximos dez anos irá para 24 mil” Janilson Junior, da TIM mai_2011 Teletime 27

moto. “Apesar de estar bem longe do local dos terremotos, a fábrica da Furukawa não opera em sua capacidade plena por conta dos problemas de energia elétrica no Japão, além das questões logísticas”, lamenta. Segundo o executivo, o prejuízo e a redução na produção de fibras ópticas da Furukawa são difíceis de dimensionar, mas não foram muito significativos. Apesar disso, Saito ressaltou que a Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016 devem impactar em cerca de 10% ao ano o crescimento da demanda por fibras ópticas no país. Essa demanda, segundo dados da fabricante de cabos, é de 3 a 4 milhões de fibras ópticas. Em cabos, isso significa 30 mil quilômetros nos próximos cinco anos, cerca de 6 mil por ano, e 75% do mercado sul-americano. As aplicações que impulsionarão esse crescimento, segundo a Furukawa, serão os links de longa distância (backbones e redes metropolitanas), datacenters e a massificação das TVs digitais com o advento da Copa e das Olimpíadas. Pomo da discórdia Afonso Gambôa, sênior manager da prática de network da Accenture, apontou obstáculos no desenvolvimento da tecnologia IPTV. O executivo explica que o IPTV consome muita banda e que mesmo para um provedor de FTTH esse serviço não se paga. “Se você tem três TVs em casa, consumirá em média uns 60 Mbps com canais de alta definição (HD). E é muito caro garantir essa banda toda, mesmo em FTTH”, diz. Além disso, sustenta Gambôa, o diferencial do vídeo é o conteúdo. “É preciso oferecer programação relevante e interessante e a um custo acessível e, se as teles forem para o IPTV, não conseguirão empacotar essa oferta para competir com as over-the-tops, como NetFlix, Google e canais, como Warner, Sony, que têm muito conteúdo e não fizeram


.:redes altos investimentos em redes”, diz. Segundo ele, os casos de sucesso de IPTV estão restritos à Europa, onde “as famílias têm o hábito de ter um só aparelho de TV em suas residências”, explica. O fato de ser uma tecnologia proprietária, para o executivo, também é uma dificuldade do IPTV. “Apesar de ser IP, essa solução precisa de uma

plataforma middleware proprietária, com um código no set-top box e outro no servidor, do fabricante”, diz. Para Gambôa, a tecnologia que deve prevalecer é a ‘adaptative streaming’, funcionalidade embutida no set-top box e no servidor que adapta o conteúdo de acordo com a banda disponível. Ele também acredita no futuro das plata-

formas híbridas que mesclem satélite (DTH) e xDSL. Mas as posições de Gambôa, aparentemente, são polêmicas dentro de sua própria empresa. Logo após o seminário, a Accenture procurou este noticiário para prestar alguns esclarecimentos sobre sua visão sobre o futuro do IPTV. Confira na entrevista que se segue.

Novos caminhos

A

rentabilização das redes convergentes não é um modelo definido em nenhum lugar do mundo. Não existe fórmula de que determinada tecnologia ou determinado modelo comercial trará resultados, pois tudo depende das realidades de cada mercado e de cada empresa. O que é certo é apenas a demanda do mercado por múltiplos serviços e a necessidade das operadoras de atenderem a esta demanda. Nesta entrevista, Gustavo Pizzo, executivo sênior para a área de Comunicação e Alta Tecnologia da Accenture, fala sobre esta realidade. Que papel a oferta de vídeo terá na estratégia das operadoras? Onde entra o IPTV nessa estratégia? Esse é um tema que está na agenda de nossos clientes. É quase uma obrigatoriedade passar pelo vídeo. Temos uma pesquisa mundial recente sobre isso, em que vemos que o volume de conteúdos acessados por computadores, celulares e TVs conectadas é brutal. Hoje, 85% dos entrevistados já consomem conteúdos por esses meios. O atendimento a essa demanda é vital. Até existem operadoras que oferecem o arroz com feijão, mas elas precisam ser convergentes e as operadoras estão estudando os modelos e formas de oferecer isso. IPTV é sem dúvida uma solução de vídeo moderna que tem o seu espaço, assim como o over-the-top tem, as soluções de cabo tradicionais existem e outras. O IPTV existe, está crescendo em alguns mercados e deve ser olhado dependendo das circunstâncias. A confusão que se faz é misturar a tecnologia de transmissão em IPTV com a rede de acesso que chegará...

Sem dúvida, vemos IPTV como conteúdo sobre IP que chegará na casa do cliente com qualidade. A tendência é que esse mercado cresça à medida que a infraestrutura cresce também. Se for IPTV sobre fibra, não existe a preocupação com a banda, e a tendência é essa, e isso traz qualidades e garantias de serviços. Começará onde houver essa rede disponível antes. Nos mercados classe A e B, certamente, é onde começa. O que é preciso fazer é avaliar o modelo de negócio e o plano estratégico. Qual é o racional econômico por trás do investimento brutal em novas redes que as operadoras estão se vendo forçadas a fazer? A evolução dos investimentos acontece porque o cliente demanda serviços e tecnologias. A maneira como as operadoras estão encontrando para rentabilizar essas redes é a soma dos serviços, e nisso o serviço de vídeo é importante para a rede fixa, assim como o SMS é elemento importante para rentabilizar a rede móvel. Mas ninguém investe numa rede móvel só para mandar SMS. Não existe mais uma única killer application para essas redes, como era a voz no passado. Existe uma fórmula conhecida entre as operadoras que já começaram a renovar suas redes? Não vejo receita de bolo pronta. Não parece que existe uma receita para fechar o business case. Variações regionais pesam muito, eficiências operacionais, a capacidade de parcerias, posicionamento perante a concorrência, questões regulatórias... Por outro lado, a demanda existe e isso as operadoras e as pesquisas demonstram. 28 Teletime mai_2011

Na briga pelo mercado convergente, a vantagem é da incumbent, da operadora de cabo ou do novo entrante que faz uma rede nova? Não existe nenhum grupo tranquilo e confortável. Todas precisam inovar. De fato, no caso das operadoras de cabo, elas já têm um diferencial de vídeo, mas outras têm diferencial por já terem unido fixo e móvel, outras têm uma base de clientes diferenciada... A dificuldade é garantir uma oferta de serviços convergentes que atenda às demandas, e as demandas também mudam a cada dia. O operador também tem que mudar a postura? Sem dúvida, se a gente olha as realidades de cada empresa e as demandas dos clientes, a nossa percepção é que a aplicação das tecnologias depende de uma definição clara do que o operador quer oferecer, do que o cliente está demandando, e isso leva a uma segmentação das tecnologias para atender a cada necessidade. E a mobilidade, qual é a forma mais fácil de integrar em uma estratégia convergente? Ninguém consegue enxergar o mundo sem a mobilidade nas atividades do dia-a-dia, inclusive de conteúdo. O que faz a diferença é a empresa estar estrategicamente pensando em mobilidade. O que faz a diferença é ter a mobilidade como parte das soluções. Se a empresa tinha um histórico de mobilidade ou se construiu a rede, isso faz pouca diferença. O que importa é entender e buscar novas ofertas baseadas na mobilidade. As empresas que procuram alta performance vão passar pela integração dos serviços  Samuel Possebon


.:TV por assinatura

Tudo junto e misturado

A

FOTOS: divulgação

TV por assinatura no Brasil sempre foi multi-tecnológica, mas tudo indica que em breve essas diferentes tecnologias começarão a funcionar em conjunto na entrega de serviços ao assinante. Par trançado (xDSL), rede óptica/coaxial (HFC), microondas (MMDS), satélite (DTH), FTTx (fibra óptica) são os ingredientes individuais. Agora começam as combinações. A GVT, por exemplo, tradicional player de redes xDSL, já anunciou, no início deste ano, que disponibilizará TV por assinatura via DTH aos seus clientes a partir do segundo semestre, combinando com a entrega de conteúdos pela rede xDSL, por IPTV. “Soluções puras são ditaduras. Além disso, todo mundo quer aproveitar o melhor de cada mundo”, resume Luiz (Xis) Machado, consultor sênior e sócio da ABX Consulting, empresa de consultoria em estratégia de negócios e gerência de projetos de sistemas de telecomunicações, broadcast, TV paga e TI. Xis, como é conhecido, foi um dos pioneiros no mercado de DTH no Brasil. Com esse mix de redes e tecnologias e diante da crescente demanda por gestão centralizada da base e mais interatividade com o assinante, a palavra de ordem é integrar as plataformas. Cada uma dessas redes tem seus prós e contras, mas para o cliente, de modo geral, pouco importa se a infraestrutura é metálica, óptica ou wireless, o que ele quer é uma boa qualidade de serviço (QoS) e de expe­ riência (QoE). Mas, diante dessa multifacetada rede, como garantir convergência e integração com qualidade e transparência? “Integração sempre foi uma preocupação nossa, mesmo tendo produtos e tecnologias tão distintos, como DTH e HFC”, revela Luis Bourdot, gerente de tecnolo-

FOTO: Monkey Business Images /shutterstock

Desafio das operadoras de TV por assinatura é integrar as diferentes plataformas da forma mais transparente e inteligente possível a fim de avançar rumo aos serviços de valor adicionado.

gia da Via Embratel, segunda maior operadora DTH do país, com quase 1,5 milhão de assinantes. O executivo recorda que até mesmo uma operação isolada de WiMax em Salvador, na Bahia, só foi lançada pela Embratel após sua integração com as demais redes da operadora. “Foi preciso garantir as mesmas plataformas de tarifação, aprovisionamento, backoffice e suporte”, diz. No entanto, a integração entre esses sistemas da Embratel e de suas parceiras, Net e Claro, ainda está longe de se tornar realidade. O mesmo vale para a CTBC Telecom, do Grupo Algar, que tem redes HFC

“Soluções puras são ditaduras. Além disso, todo mundo quer aproveitar o melhor de cada mundo” Luiz (Xis) Machado, da ABX Consulting mai_2011 Teletime 29

(33,7 mil assinantes), DTH (57 mil), xDSL (240 mil) e FTTH (500 usuários). Segundo Aldebaran de Oliveira Isac Moraes, da coordenação de produtos do Grupo Algar, as infraestruturas são estanques, apesar de a operadora reconhecer a importância da integração. “Acreditamos que a integração das redes é importante, traz rentabilização, investimento, reduz Opex e Capex, porém exige grande investimento de tempo e de recursos, por isso estamos estudando como fazê-lo”, diz. DTH O DTH é a tecnologia de transmissão de vídeo que mais cresce no país. Segundo dados da Anatel, dos 650 mil novos assinantes de TV por assinatura do primeiro trimestre deste ano, 547 mil são de satélite. Já o cabo conquistou 121.361 assinantes no país, enquanto o MMDS perdeu 19.149. Com isso, a plataforma de satélite praticamente empatou em market-share com o cabo em base de assinantes: 48,2% de DTH contra 49% das operadoras de cabo. E a TV paga chegou a


.:TV por assinatura “Se eu estiver assistindo um filme on-demand (VOD) em casa, posso querer continuar vendo na rua, no meu tablet ou smartphone. Claro que a experiência vai mudar, de acordo com a rede, 3G ou WiFi” Hugo Marques, da Cisco 10.418.829 domicílios, nas contas da Anatel. De acordo com dados do Atlas Brasileiro de Telecomunicações, publicado pela Converge Comunicações, em cinco dos 27 estados brasileiros o DTH representa a única opção de TV por assinatura e em 17 estados a principal alternativa, somando mais assinantes do que todas as operadoras de cabo e MMDS juntas. É fácil de entender o sucesso do DTH em tão pouco tempo no país. Por se tratar de um sistema de TV por assinatura que independe da existência no local de qualquer infraestrutura local da operadora, basta a instalação de uma mini-antena parabólica e um receptor, que recebe os canais diretamente do satélite. “Pelo fato de ser uma transmissão em broadcast, de ‘um para N’ (vários assinantes), tanto faz dez usuários ou dez milhões. Por outro lado, se em uma determinada hora todos acessarem um certo canal de cable modem, por exemplo, a rede entope, pois aí transmissão é de um para um”, explica Machado. Mas a principal vantagem do DTH é também sua maior desvantagem. Por ser unidirecional, o link satelital depende das redes terrestres para o estabelecimento do canal de retorno, ou seja, o link do set-top box da casa do assinante até a operadora, que garante a coleta de informações importantes, além do fornecimento de serviços avançados e interativos, precisa passar por uma rede que não é a da operadora. Ou não era, até aqui, pois com o avanço das teles sobre o mercado de DTH (somadas, Embratel, Oi, Telefônica e CTBC já passam de 2 milhões de assinantes, contra 2,5 milhões da Sky), o problema do retorno passou a ser uma questão de ajustes de tecnologias. Por isso, para a maioria dos especialistas entrevistados pela TELETIME, o DTH - com canal de retorno IP, via HFC, xDSL ou MMDS - é atu-

almente a solução híbrida mais competitiva para o fornecimento de vídeo e dados no Brasil. “É, sem dúvida, a melhor combinação para a operadora e para o usuário”, diz Machado. Para Bourdot, entretanto, a questão não é assim tão simples. “É verdade que as informações vão sempre do satélite em direção ao terminal do assinante e que é comum utilizar linha telefônica para o canal de retorno, mas na Via Embratel decidimos jamais lançar mão deste recurso, por falhas inerentes e fragilidades técnicas do sistema. Além do mais, não oferecemos pay-per-view, video on-demand ou

“Integração sempre foi uma preocupação nossa, mesmo tendo produtos e tecnologias tão distintos, como DTH e HFC” Luis Bourdot, da Via Embratel outro tipo de serviço que demande esse nível de interatividade”, explica. Na banda larga e telefonia, a operadora percebeu que as redes de cabo podem ser competitivas e por isso investe na construção de redes HFC em dez áreas espalhadas pelo País. Outras operadoras, como Oi, Telefônica e Sky, já utilizam DTH com canal de retorno IP. De acordo o diretor executivo de redes da Telefônica, Ari Falarini, a incumbent estabeleceu alguns passos para a evolução de suas redes.e um deles passa pela utilização de soluções híbridas. “Nossa estratégia é combinar redes metálicas com

HFC, satélite ou só fibra óptica de acordo com a necessidade e demanda sócio-econômica local”, explica. CPEs híbridos Segundo Luiz Machado, da ABX Consulting, para estabelecer a integração entre os diversos sistemas de transmissão, os set-top box híbridos evoluíram bastante de uns anos para cá. “Eles chegaram no final do século passado não apenas com saídas para linhas telefônicas, mas também com interface IP, ou seja, digital, o que representou um importante avanço, pois a primeira grande vantagem do mundo digital é o caminho de mão dupla, a interatividade”, diz. “Mundo híbrido é fazer com que o software do decodificador (set-top box) seja capaz de ‘ver’ o satélite e a rede IP, por exemplo, e combiná-los da forma mais inteligente e transparente possível”, acrescenta. Alguns fabricantes de CPEs, como a Cisco, estão apostando ainda na integração entre as redes IP, cloud computing e múltiplos dispositivos de acesso, como TV, computador, smartphones e tablets. “Se eu estiver assistindo um filme sob demanda (VOD) em casa, posso querer continuar vendo na rua, no meu tablet ou smartphone. Claro que a experiência vai mudar, de acordo com a rede, 3G ou WiFi”, explica Hugo Marques, consultor de vídeo da Cisco Brasil. Mas ele diz que já é possível adaptar, em tempo real, a transmissão do vídeo de acordo com a banda disponível do assinante. “Essa tecnologia se chama ‘adaptative bit rate streaming’, é embutida no CPE e no servidor da tele e já há operadoras no Brasil testando”, revela. A companhia aposta tanto nessa área de vídeo que recentemente, ainda neste ano, adquiriu duas empresas do setor: a Inlet Technologies, especializada em software para streaming de vídeo e codificação digital, e a Tandberg, desenvolvedora de soluções de tele-presença.  Daniel Machado

“Acreditamos que a integração das redes é importante, traz rentabilização, investimento, reduz Opex e Capex, mas exige grande investimento de tempo e de recursos” Aldebaran de Oliveira Isac Moraes, do Grupo Algar 30 Teletime mai_2011


Mario Cesar Pereira de Araujo*

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.:Análise

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Um roteiro para as MVNOs 2012 serão 3,5 milhões de usuários de MVNOs com um faturamento de R$ 67 milhões, chegando em 2015 a cerca de 15 milhões de usuários com um faturamento em torno de R$ 320 milhões. Esta projeção representa uma penetração de 6,5% com relação ao número total de usuários dos serviços móveis.

FOTO: Monika Wisniewska /shutterstock

A

partir da regulamentação pela Anatel da Exploração de Serviços Móveis Pessoais por Meio de Rede Virtual, cujas operadoras são conhecidas como MVNOs, começam a surgir muitas iniciativas, algumas já em fase avançada, por parte de empresas interessadas na prestação desses serviços. O sucesso desse novo negócio, contudo, depende de definições claras de estratégia, do público alvo, dos produtos e serviços a serem oferecidos e de informações mercadológicas que subsidiem a tomada da decisão. As contratações de parceiros, definições dos produtos com suas precificações e qualidade dos serviços a serem prestados, dentre outros, devem ser também muito bem analisadas. O vertiginoso crescimento do mercado de Serviço Móvel Pessoal (SMP) tornou as operadoras tradicionais desses serviços prestadoras de serviços de massa, com dificuldade de atendimento diferenciado a grupos de clientes de interesse comum. Essa dificuldade se torna mais evidente com o crescimento dos serviços conhecidos como SVA (Serviços de Valor Agregado), em que os conteúdos são cada vez mais especializados para cada grupo de clientes. Outro aspecto importante a considerar são as mudanças das estratégias tradicionais das operadoras em conquistar e/ou reter os clientes. Até então, isso era conseguido com a prestação de serviços com qualidade, abrangência da cobertura do sinal e descontos nos terminais e minutos de uso. Somente agora, observam-se ofertas de desconto em cinemas, eventos, restaurantes e em algumas lojas de varejo. Diante desse cenário, a partir de 2006, na Europa, vislumbrou-se uma oportunidade de viabilizar o ingresso no mercado de prestação de serviços móveis de empresas de outros segmentos de negócios ou especializadas no relacionamento de grupos de interesses comuns,

utilizando, através de acordos comerciais, as frequências, os meios de transmissão e outros produtos/serviços, conforme interesse e disponibilizados pelas operadoras tradicionais. Essas empresas foram denominadas MVNOs (Mobile Virtual Network Operators). Coube aos órgãos reguladores de cada país estabelecer os regulamentos de operação dessas operadoras virtuais. Inicialmente, as operadoras tradicionais se preocuparam com perda de mercado, pois acreditavam que seria o ingresso de mais concorrência, e consequentemente haveria uma redução da receita. Porém, aos poucos, foram entendendo as dificuldades de alcançar esses nichos do mercado. Viram que com as receitas adicionais do aluguel da rede e percentuais nas receitas do tráfego gerado pelas operadoras virtuais poderiam aumentar o faturamento, e não reduzi-lo, como imaginavam inicialmente. Atualmente as MVNOs representam 3% do mercado mundial, através de pouco mais de 600 operadoras virtuais. Uma pesquisa desenvolvida pela E. Consultoria prevê que, no Brasil, em mai_2011 Teletime 31

Regulamentação brasileira Somente em 22 de novembro do ano passado, através da Resolução 550, a Anatel regulamentou a Exploração de Serviços Móveis Pessoal por Meio de Rede Virtual (RRV-SMP). Foram definidos dois modelos de MVNOs: credenciada ou autorizada. O que determina o modelo é o nível de independência operacional em relação à operadora móvel tradicional. As principais características da operadora credenciada são utilizar, além da faixa de frequência e dos sistemas de transmissão, os recursos de informática e o plano de numeração da operadora móvel tradicional escolhida como parceira. Basicamente, é um “reseller” da operadora tradicional, acrescentando um plano ou mais conteúdos específicos. Os clientes são da operadora tradicional, que é responsável junto à Anatel pela qualidade de serviço prestado. A implantação dessa modalidade de MVNO é mais rápida, podendo ser menos onerosa, porém sua base de clientes-alvo será compartilhada pela operadora tradicional. No caso da operadora autorizada, ela utiliza a faixa de frequência e os sistemas de transmissão da operadora tradicional. Já os demais sistemas/plataformas necessários para a operação deverão ser implantados e operados pela MVNO, não sendo vedada a possibilidade de terceirização de parte ou do todo, com um ou mais parceiros, livremente escolhidos pela MVNO. Nesse caso, a operadora virtual terá as mesmas responsabilidades junto à Anatel que tem as operadoras tradicionais, como por exemplo, os indicadores de qualidade. Existem empresas especializadas


.:Análise em oferecer, independente das operadoras tradicionais, todos os recursos operacionais necessários à prestação do serviço móvel. Estas empresas são conhecidas como MVNE (Mobile Virtual Network Enabler). A implantação da modalidade de MVNO autorizada é um pouco mais longa, podendo ser mais onerosa, porém os dados dos clientes não serão compartilhados com a operadora tradicional e a utilização de faixa de frequência e sistema de transmissão não serão necessariamente fornecidos por uma única operadora tradicional. Questões básicas A decisão de se implantar uma MVNO, deve ser suportada pela análise de algumas etapas básicas: 1) Definição do pú­­blico alvo, que precisa ser identificado, quan­­tificado e qualificado, principalmente nos interesses comuns e no poder aquisitivo; 2) Definição da marca; 3) Produtos a serem oferecidos; 4) Avaliação do cenário concorrencial, detectando ofer­­tas de produtos similares; 5) Definição do modelo, de credenciada ou autorizada; 6) Definição das plataformas operacionais, se serão próprias ou total ou parcialmente terceirizadas; 7) Inves­ti­mentos, custos operacionais e retorno, levando em conta as questões anteriores. Na modalidade de credenciada, a decisão sobre a plataforma operacional é natural, já que a operadora tradicional se incumbe de fornecer todos os sistemas e plataforma operacionais. Já na modalidade autorizada, a MVNO pode decidir em adquirir e operar todos os sistemas, equipamentos e plataformas necessários para a prestação do serviço. Uma solução que vem sendo cada vez mais utilizada é a de terceirizar as atividades e sistemas de telecomunicações para estas MVNE (Mobile Virtual Network Enabler). Elas perceberam as dificulda-

des que as empresas atuantes em segmentos de negócios diferentes do de telecomunicações teriam em implantar e operar uma MVNO, tanto do ponto de vista de disporem os volumes de investimentos necessários, como também o inconveniente em compartilhar sua base de clientes. As MVNEs desenvolveram plataformas de serviços capazes de realizar todos os processos e softwares necessários para o desenvolvimento das atividades de telecomunicações, desde o batimento de tráfego com outras operadoras, ativação, portabilidade numérica, faturamento, relatórios de ocorrências e desempenho e antifraude. São plataformas que reduzem significativamente o investimento, conforme o caso, transformando em custo operacional e com uma expertise que dificilmente a MVNO operando internamente teria.

nos de marketing e de vendas, incluindo as definições dos produtos a serem oferecidos e respectivos planos tarifários, bem como o modelo dos canais de distribuições e de vendas. Numa segunda etapa da implantação, é preciso avaliar e selecionar os parceiros que atendam os pré-requisitos estabelecidos e que possam gerar valor ao negócio. Parceiros são todos os prestadores de serviços, incluindo as operadoras tradicionais e fornecedores de produtos e sistemas, que serão internalizados ou terceirizados. Um terceiro movimento é a negociações e contratações dos parceiros, lembrando que definida a prestação de MVNO no modelo de autorizada, haverá contratos a serem celebrados com a Anatel. É então iniciada uma nova etapa, de definição do modelo organizacional, que vem um pouco antes do pré-lançamento da operação. É quando deverão ser realizados testes de funcionalidades integradas, utilizando um número restrito de usuários, objetivando avaliar a performance com todas as funções integradas e considerações finais, simulando a operação real. Tudo isso, na minha opinião, deve consumir de oito a dez meses até a liberação total. Já o payback wwpode variar de dois a quatro anos, o que é inferior ao das companhias tradicionais.

O sucesso desse novo negócio depende de definições claras de estratégia, do público alvo, dos produtos e serviços a serem oferecidos e de informações mercadológicas que subsidiem a tomada da decisão. As atividades já realizadas pela empresa, interna ou externamente, tais como sistema de base de clientes (CRM), call center, análise de crédito etc, podem ser adicionadas às novas atividades similares da MVNO, integrando-as com a plataforma MVNE. Implantação Uma vez tomada a decisão, inicia-se o processo de implantação da MVNO, que também deve considerar cinco etapas. Primeiro, é necessário definir a estratégia e o plano de negócios. Nessa etapa deverão ser detalhados o modelo do negócio, identificando e dimensionando o mercado alvo, os pla-

* Engenheiro eletrônico, ex-CEO das operadoras móveis TCO, NBR e TIM Brasil, sócio das empresas MC Sistemas de Comunicação e diretor da GDV-IN. Consultor de estratégias empresariais, participa de conselhos e desenvolve projetos nas áreas de Cidades Inteligentes e MVNOs.

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.:produtos

Fernando Paiva

fernando.paiva@convergecom.com.br

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Roteadores com design

Câmera que reconhece pessoas A Veotex está desenvolvendo uma solução de câmeras de monitoramento com software de reconhecimento facial. São módulos com câmeras analógicas acopladas a um hardware para digitalização e envio das imagens pela rede celular. Todos os rostos captados são armazenados e cada um é transformado em um extenso número, para posterior cruzamento de dados. O índice de acerto no reconhecimento gira em torno de 90% se a pessoa estiver andando e 70% se passar correndo. A ideia é oferecer a solução para shopping centers e prédios corporativos onde o acesso precise ser controlado. O lançamento acontecerá em meados deste ano. www.veotex.com.br

A TP-Link acaba de lançar no mercado brasileiro dois roteadores WiFi com design arrojado, o TL-WR841N e TL-WR841ND. Ambos operam no padrão 802.11n, alcançando até 300 Mbps e cobertura em um raio de até 300 metros. Os dois roteadores possuem duas antenas cada, ambas com potência de 5 dBi. A diferença é que as antenas do TL-WR841ND são destacáveis. Os dois aparelhos têm quatro portas para entrada de cabos e oferecem funcionalidades de QoS, para que o administrador da rede gerencie a quantidade de banda máxima para cada computador. Os preços sugeridos para o TL-WR841N e o TL-WR841ND são de R$ 149 e R$ 179, respectivamente. A distribuição é feita pela Unicoba. www.unicoba.com.br

Plano de saúde no iPad Depois dos bancos, das revistas, dos jornais e até das imobiliárias, estava na hora de os planos de saúde brasileiros descobrirem o iPad. O Bradesco Saúde lançou seu aplicativo para o tablet da Apple para facilitar a localização de clínicas, médicos e farmácias. O software instrui o segurado a solicitar reembolsos médicos e acompanhar o status dos pedidos feitos. Além disso, o aplicativo inclui vídeos com dicas de saúde gravados pelo médico Dráuzio Varella. O aplicativo está disponível gratuitamente na App Store para iPad e iPhone. www.bradescosaude.com.br

BlackBerry fixo Os smartphones BlackBerry, populares entre clientes corporativos, também podem servir como extensões dos ramais fixos. Para isso, é preciso que a empresa adote a solução BlackBerry Mobile Voice System 5 (MVS 5), que se integra a sistemas de comunicação unificada. Assim, o smartphone se conecta ao PABX corporativo e pode receber e realizar chamadas VoIP via redes WiFi, como se fosse o ramal fixo do funcionário. A solução também permite separar ligações profissionais das pessoais, emitindo contas distintas. O MVS 5 é compatível com os seguintes sistemas: Avaya Aura 6.1, Avaya CS1000 Communication Server, Avaya Communications Manager, Nortel Communication Server, Cisco Unified Communications Manager, Cisco Call Manager Express e Mitel Communications Director. www.blackberry.com

GPS nacional O navegador do “Guia Quatro Rodas” foi relançado, agora com produção nacional da Movix, em sua fábrica no Paraná. O GPS ganhou três versões, cuja diferença está no tamanho da tela sensível ao toque: BR500, com tela de 5 polegadas; BR430, com 4,3 polegadas; e BR350, com 3,5 polegadas. Os preços são R$ 499, R$ 399 e R$ 299, respectivamente. Os três modelos possuem mapas do Brasil e da Argentina atualizados em 2011, além do conteúdo completo do “Guia Quatro Rodas” e do iLocal, com endereços de hoteis e restaurantes do País inteiro. A versão de 5 polegadas inclui receptor de TV digital no padrão brasileiro e permite gravar programas. www.movix1.com.br mai_2011 Teletime 33


Cláudio Dascal

cartas.tele­ti­me@con­ver­ge­com.com.br

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.:ponto&contraponto

Fibra por toda parte...

N

o último Seminário TELETIME Tecnologia de Redes, organizado por esta revista no final de abril, ficou patente que o baixo custo das fibras ópticas aliado à queda de preço dos equipamentos eletrônicos fazem hoje desta tecnologia uma solução viável para as necessidades de capacidade das operadoras. Fibra óptica é a solução de redes metropolitanas, backbones, backhaul e mesmo no acesso à casa do assinante. A fibra até a casa do cliente pode capturar oportunidades de mercado e definir um novo padrão de comunicações digitais da sociedade. De outro lado, a explosão de usuários 3G e a crescente disseminação de smartphones gera para as operadoras celulares uma demanda crescente de capacidade em seus backhauls. São várias as necessidades, portanto, que levam ao uso da fibra como solução. Nas redes metropolitanas, a banda larga de alta qualidade e com altas taxas de transferência é uma demanda crescente dos usuários, impulsionada agora pela decisão do governo de exigir nas novas metas do PGMU das concessionária velocidades de 1 Mbps. As redes de cobre com tecnologia xDSL são limitadas pelo alcance, podendo ser utilizados apenas em soluções mistas, como no caso da Oi para redes internas de prédios. Nas redes celulares, a fibra no backhaul fica sendo a única solução que garante uma latência aceitável. A tecnologia de equipamentos também evoluiu e permite multiplicar a capacidade de tráfego nas redes ópticas, tanto nos backbones como nos aneis metropolitanos, fazendo com que com poucas fibras se estenda por vários anos o atendimento da demanda apenas com o upgrade de capacidade eletrônica. Igualmente, a miniaturização dos equipamentos das pontas faz com que trazer a fibra até a casa do assinante fique viável do ponto de vista do terminal, pois minimiza a necessidade de gabinetes em lugares públicos, com todas as suas implicações de autorizações municipais e de segurança patrimonial. E as operadoras estão investindo bastante na implantação de fibra óptica, não com uma visão convencional de retorno de

investimento, mas como necessidade para manter seus negócios frente à agressividade dos operadores de cabo e à entrada dos novos operadores em seu mercado. Além disso, há a necessidade de oferecer novos serviços para aumento das receitas e reposicionar a operadora de telecomunicações na cadeia de valor do negócio. Nesta categoria se enquadram os serviços IP, a utilização de computação em nuvem para oferta de serviços flexíveis e a oferta de conteúdos. Tornar mais eficiente a proposição de valor e abrir novas fontes de crescimento; criar uma experiência de Internet multitarefa; oferecer TV interativa em alta definição (HDTV); conquistar a casa digital (home gateway, home networking, home services)... Todas estas oportunidades requerem maior capacidade e melhor confiabilidade e taxas garantidas, e a fibra é o caminho para isso. Paradoxalmente, ao aumentar capacidade e melhorar a qualidade, as operadoras facilitam a penetração dos novo entrantes “over-the-top”, como Google e Apple. Fica a questão se as operadoras de telecomunicações conseguirão abocanhar parte da receita destes novos serviços. Como o investimento em backbones é muito alto, já existe uma tendência de trabalhar em conjunto, compartilhando esforços e custos, com as empresas construindo trechos e completando com redes de outra operadora. É uma tendência que ainda pode ser generalizada, porém algumas experiências negativas de uso de redes de terceiros têm que ser resolvidas antes de uma generalização dessa prática. Nesta linha está a aquisição da Intelig pela TIM para ter capacidade própria e moeda de troca, sem ficar na mão de terceiros. Exemplo positivo é o backbone construído por GVT, TIM, Vivo e Embratel para interligar Cuiabá e Campo Grande, como alternativa para não depender da Oi, que já estava com sua rede saturada e sem planos de expansão no curto prazo. Trata-se

da interligação de duas capitais e a demanda para a Copa de 2014 deve gerar novas oportunidades de acordos desta natureza. Vale lembrar que para costurar um acordo de compartilhamento para a construção de um cabo destes pode-se levar até um ano, e depois mais outro ano para construção e instalação. Para agilizar o processo, uma possível opção é o governo entrar como fomentador desse modelo. A demanda é grande e estima-se que crescerá 40 vezes nos próximos anos, porém a infraestrutura para os centros-sede da Copa do Mundo de 2014 terá apenas uma demanda pontual concentrada, dedicada à transmissão de TV, que será utilizada por apenas alguns jogos, ficando ociosa depois. Assim, o atendimento da demanda da Copa deveria estimular o modelo compartilhado de construção ou a distribuição de partes dos anéis para que haja troca de capacidade no conjunto. De qualquer forma corremos o risco de ficarmos com um desbalanceamento, dando toda a atenção e investimento para implantar uma infraestrutura para atendimento pontual das sedes do Mundial e as outras regiões do País ficarem relegadas a uma segunda prioridade para implantação de redes de qualidade e de alta capacidade. Um tema que deve ser levantado e que exige um tratamento estruturado é o de análise de riscos e proteção dos sistemas críticos. O compartilhamento de redes pode criar condições de proteção por rotas alternativas, o que é uma oportunidade. É uma questão também crítica para os eventos e que devem ser consideradas nas questões de emergência ocasionais por catástrofes naturais ou por terrorismo. É uma disciplina em que não temos experiência e tradição no Brasil, mas é um espaço em que temos muito que aprender inclusive com a interdependência entre diferentes disciplinas, tais como os setores de energia elétrica, água e informática. Exige uma ação coordenada, que deve ser estruturada o quanto antes. 

“Como o investimento em backbones é muito alto, existe uma tendência de trabalhar em conjunto, com as empresas construindo trechos e completando com redes de outra operadora”

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Revista Teletime - 143 - Maio 2011