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Ano 13

n0 137

out2010

www.teletime.com.br

território demarcado MP 495, que beneficia produtos nacionais nas compras do governo, pode deixar os fornecedores estrangeiros fora de um mercado de R$ 6 bilhões ENTREVISTA Diretor de mercado da Oi revela as estratégias da maior operadora do país

REGULAMENTAÇÃO Nova proposta do PGMU desagrada tanto às operadoras quanto à defesa do consumidor


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Samuel Possebon

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samuca@con­ver­ge­com.com.br

Presidente Rubens Glasberg Diretores Editoriais André Mermelstein Claudiney Santos Samuel Possebon (Brasília) Diretor Comercial Manoel Fernandez Diretor Financeiro Otavio Jardanovski

Editor Samuel Possebon Consultor Especial Cláudio Dascal Coordenadora de Projetos Especiais Letícia Cordeiro Redação Daniel Machado, Fernando Paiva (Rio de Janeiro), Helton Posseti e Mariana Mazza (Brasília) Arte Edmur Cason (Direção de Arte); Rubens Jardim (Produção Gráfica); Geraldo José Nogueira (Edit. Eletrônica); Débora Harue Torigoe (Assistente); Alexandre Barros (Colaborador); Bárbara Cason (Colaboradora) Departamento Comercial Rodrigo Arraes (Ger. de Negócios Online) Ivaneti Longo (Assistente) Gerente de Circulação Gislaine Gaspar Marketing Gisella Gimenez Gerente Administrativa Vilma Pereira TELETIME é uma publicação mensal da Converge Comunicações - Rua Sergipe, 401, Conj. 603 - CEP: 01243-001 - Telefone: (11) 3138-4600 e Fax: (11) 3257-5910 - São Paulo, SP. Sucursal SCN - Quadra 02 Bloco D, sala 424 – Torre B - Centro Empresarial Liberty Mall - CEP: 70712-903 - Fone/Fax: (61) 3327-3755 - Brasília, DF. Jornalista Responsável Rubens Glasberg (MT 8.965) Impressão Ipsis Gráfica e Editora S.A. Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A CENTRAL DE ASSINATURAS 0800 0145022 das 9 às 19 horas de segunda a sexta-feira Internet www.teletime.com.br E-mail assine@convergecom.com.br REDAÇÃO (11) 3138-4600 E-mail cartas.teletime@convergecom.com.br

Vamos ao que importa

P

assadas as eleições e retirados os times de campo, ficará mais fácil analisar sem paixões quais são as reais necessidades do setor de comunicações para os próximos anos. Durante esse processo eleitoral, infelizmente, nada de relevante foi produzido nessa matéria. A candidatura de Dilma Rousseff até esboçou no começo levantar a bandeira das políticas de banda larga, mas no segundo turno o assunto foi substituído pelo tema da privatização, já esgotado para quem é do meio. Da parte do candidato Serra, também nada de útil foi apresentado como proposta, e a simples defesa do modelo criado em 1998 não dá mais conta da complexidade de nossos dias. Outro tema que poderia ter sido colocado de maneira mais cuidadosa nesse período eleitoral é o da necessidade de um marco legal convergente para o setor de comunicações. O assunto, ressalte-se, nada tem a ver com controle da mídia, cerceamento da liberdade de expressão ou outras interpretações (equivocadas) colocadas pe­­ la grande imprensa no processo eleitoral. Lembremos que tanto o governo FHC quanto o governo Lula tentaram, reservadamente, elaborar uma regulamentação convergente, mas optaram por não levar o assunto ao Congresso. Nesse final de governo, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República elabora um anteprojeto que deve servir de base para qualquer que seja o próximo governo se debruçar sobre o tema. Esperamos que a próxima gestão não faça como o governo Lula,

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4 Teletime out_2010

que ignorou solenemente uma proposta deixada pelo ex-ministro Juarez Quadros e que poderia ter servido de base para esse debate oito anos atrás. A questão das agências reguladoras também não foi objeto de debate relevante durante o processo eleitoral. Simplesmente dizer que as agências foram “aparelhadas”, como colocou de maneira superficial o candidato Serra, ou ignorar o tema, como fez a candidata Dilma, não resolve o problema central: as agências existem, são necessárias e seu modelo precisa ser reformado em nome do bom sincronismo entre políticas públicas de um governo democraticamente eleito, a estabilidade técnica e jurídica demandadas pelos agentes econômicos e a defesa dos consumidores. Ter um conselho alheio à realidade das políticas do Executivo, como parecem sugerir os tucanos, ou simplesmente tratar as agências como um estorvo e ignorá-las na maior parte dos casos, como faz o governo petista, não é o caminho. Mas talvez o mais importante para o próximo governo seja entender o papel estratégico que o setor de telecomunicações e que os serviços aqui prestados, sobretudo a banda larga, têm para o País. Esse entendimento deve ser necessariamente convertido em políticas públicas claras e em um Ministério das Comunicações forte, capacitado e com voz. Não um órgão relegado quase sempre à composição política, como foi o Minicom no governo Lula, ou um órgão totalmente ofuscado pela atuação da Anatel, como foi o Minicom no final do segundo mandato de FHC.


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137 Número

w w w . t e l e t i m e . c o m . b r

Ano 13 | Out10

8 Capa

8 Faca de dois gumes

MP 495 beneficia os fornecedores nacionais nas compras da Telebrás, mas assusta as multinacionais, que se vêem fora de um mercado de R$ 6 bilhões.

Telefonia móvel

14 O quinto elemento

Leilão da banda H em blocos de 10 MHz pode abrir caminho para a entrada de uma quinta operadora no mercado. GVT e Nextel são as favoritas.

Entrevista

18 Cartas na mesa

Diretor de mercado da Oi revela os planos de expansão dos serviços fixos e móveis da operadora, o planejamento para a TV por assinatura e, sobretudo, banda larga.

Mercado

24 Renovar para crescer

Commoditização, margens baixas, pressão do poder público e da sociedade obrigam as operadoras de contact center a buscar uma diversificação de seus portfólios.

Serviços móveis

14

30 Livros digitais

Apesar dos obstáculos, hábito de leitura começa a migrar para as telas de PCs, laptops, celulares e e–readers. Mercado editorial se prepara para uma revolução digital.

Política

36 Dança das cadeiras

Parlamentares protagonistas nas áreas de comunicação e telecom se reelegem, o que deve garantir continuidade dos projetos.

Regulamentação

40 Quem paga a conta?

PGMU III gera discórdia por parte das concessionárias, que não reconhecem as metas como sendo do STFC, mas sim do SCM. Consumidor pode pagar a conta pela confusão.

18

24

Eventos

46 Esporte é business

Copa do Mundo e Olimpíadas agitam a Futurecom. Soluções para governo, transporte e saúde, LTE, cloud computing e smart energy serão apresentadas pelos fornecedores.

Artigo

50 Telecom e o consumidor

Telecom e os 20 anos do Código de Defesa do Consumidor: profundas transformações, mas ainda pouco respeito aos direitos básicos.

Editorial 4 | Produtos 52 | Ponto & Contraponto 54 Capa: editoria de arte/converge

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.:capa

Helton Posseti

helton@convergecom.com.br

Proteção ou incentivo?

MP 495, que beneficia fornecedores nacionais nas compras da Telebrás, pode deixar as multinacionais fora de um mercado de R$ 6 bilhões, e reacende o debate sobre como incentivar a indústria no Brasil.

D

FOTO: divulgação

epois de desagradar as operadoras, que temem perder o controle da oferta de rede com a revitalização da Telebrás, o governo compra briga agora com as multinacionais fabricantes de equipamentos para telecomunicações. Para se ter uma ideia do tamanho do descontentamento, as empresas estrangeiras do setor correm o risco de ficar de fora de um negócio de R$ 6 bilhões nos próximos seis anos. Ou, visto o problema de outra forma, há a chance de se dar às empresas nacionais uma vantagem na exploração desse mercado.

O governo quer usar o seu poder de compra para incentivar o desenvolvimento tecnológico no país e, ao mesmo tempo, tentar equilibrar a balança comercial de equipamentos eletroeletrônicos que chegou a um déficit de US$ 17,5 bilhões no ano passado (ver tabela). O meio encontrado para isso foi a edição da Medida Provisória 495 de julho de

2010. A MP – que altera dispositivos da Lei de Licitação (Lei 8.666/93), entre outras – estabelece que na contratação de produtos e serviços de tecnologia de informação e comunicação para projetos estratégicos, como é o caso do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), o governo poderá realizar licitação restrita a bens e serviços com tecnologia desenvolvida no País e produzidas de acordo com o Processo

“Não existe produto de prateleira. Criamos a Padtec, que produz uma linha enorme, que não para de evoluir. Não tem commodity nessa área” Hélio Graciosa, do CPqD 8 Teletime out_2010


“Não vamos desenvolver um novo produto no Brasil de uma tecnologia que já está consolidada no mundo. Existem muitos níveis onde hoje é possível criar um ecossistema de desenvolvimento tecnológico”

FOTO: arquivo

Produtivo Básico (PPB). Além disso, a mesma medida provisória cria uma margem de preferência de até 25% na contratação de “manufaturados e serviços nacionais que atendam a normas técnicas brasileiras”. Essa margem de preferência será definida pelo Ipea em razão da geração de emprego e renda, efeito na arrecadação de impostos, desenvolvimento e inovação tecnológica realizados no País que cada mercado pode gerar. A MP causou apreensão entre fabricantes cuja origem de capital é estrangeira e rachou a Abinee, associação que representa os fabricantes de equipamentos eletroeletrônicos. A associação oficialmente diz que ainda não tem um posicionamento claro sobre o tema, mas TELETIME soube que as associadas que produzem e desenvolvem equipamentos de telecom no Brasil se opuseram à proposta de tentar derrubar a MP no Congresso. De acordo com as regras do Congresso, a MP tem 120 dias, ou seja, até 22 de novembro, para ser aprovada ou rejeitada pela Casa. Até lá, entretanto, as MP tem força de lei, mesmo que o Congresso venha a rejeitar a medida futuramente. Representantes das multinacionais argumentam que o governo deveria estabelecer uma política de longo prazo de incentivo ao desenvolvimento nacional, ao invés de impor privilégios para companhias que desenvolvem no País tecnologias que já são consolidadas no mundo. No caso dos produtos DWDM, que serão objetos do primeiro edital de compra da Telebrás, Wilson Cardoso, diretor de soluções da Nokia Siemens Networks, afirma que existem cerca de 8 mil patentes no mundo relacionadas a esta tecnologia depositadas entre 2003 e 2005, e o Brasil tem uma quantidade ínfima delas. De fato, de acordo com informações do banco mundial de patentes da Thomson Reuters, o Brasil tem uma participação inexpressiva em termos de propriedade intelectual da tecnologia - 0,025%. O presidente do CPqD, Hélio Graciosa, discorda. Para ele o DWDM é uma tecnologia sofisticada que a cada momento sofre evoluções. “Não existe produto de prateleira. Criamos

Wilson Cardoso, da Nokia Siemens a Padtec, que produz uma linha enorme, que não para de evoluir. Não tem commodity nessa área”, afirma ele. O CPqD e a Padtec são algumas das empresas beneficiadas pela MP 495. Wilson Cardoso afirma que depois da edição da MP, a companhia suspendeu as análises de produção local. Para ele é preciso criar um ecossistema onde possam surgir inovações. “Não vamos desenvolver um novo

muitas contribuições referem-se ao fato das regras do edital estarem baseadas em uma medida provisória que, portanto, ainda não foi ratificada pelo Congresso. Vai na mesma linha a contribuição assinada por Wagner Ferreira, diretor comercial da Alcatel-Lucent. “É de se destacar que a imediata aplicação de tal restrição (produtos produzidos e desenvolvidos no Brasil) não é conveniente neste momento. Isso porque ela se apoia numa mera medida provisória, que a despeito de ter força de lei ainda depende de ratificação pelo Congresso Nacional. Assim, considerando que há mais de 30 propostas de emendas em trâmite, a Alcatel-Lucent pondera não ser razoável estabelecer tal severa restrição de imediato”. Além deste, um ponto que aparece várias vezes na consulta pública é a restrição exagerada ao número de fornecedores aptos a participarem da concorrência nos termos atuais. “É de se notar que tal restrição limitará demasiadamente o número de forne

O governo quer usar o seu poder de compra para incentivar o desenvolvimento tecnológico no país e tentar equilibrar o déficit, que chegou a US$ 17,5 bilhões no ano passado produto no Brasil de uma tecnologia que já está consolidada no mundo. Existem muitos níveis nos quais hoje é possível criar um ecossistema de desenvolvimento tecnológico”, afirma ele. As contribuições à consulta pública lançada pela Telebrás para a compra dos equipamentos DWDM dão uma boa amostra dos pontos em que há mais controvérsia. Em primeiro lugar,

Caminho oposto

E

nquanto se discutem incentivos para o desenvolvimento de tecnologia nacional, a CelPlan fez o caminho contrário. A empresa, que desenvolve software para planejamento e otimização de redes celulares, nasceu em dezembro de 1992 e já no ano seguinte resolveu transferir a área de desenvolvimento para os EUA. Antônio Nascimento, diretor comercial da CelPlan, explica que assim a companhia está perto das novas tendências na área. Além disso, é possível contratar profissionais qualificados a um nível “palatável”. O que era apenas uma filial tornou-se uma empresa americana de fato no ano 2000, com a criação da CelPlan Inc, que hoje é responsável por 85% do desenvolvimento das soluções de todas as áreas de negócio da empresa. “Estar perto do mercado de tecnologia e poder contratar profissionais qualificados a preços razoáveis foram os principais fatores. O custo Brasil influenciou indiretamente na decisão”, diz ele. Hoje a CelPlan tem cinco linhas de negócios que vão desde o licenciamento de software para os fabricantes de equipamentos até a parte de engenharia e consultoria de projetos de otimização de rede e treinamento e capacitação de profissionais para novas tecnologia. A empresa tem escritórios nos principais países da América Latina e emprega 150 pessoas no Brasil e 22 nos EUA, onde encontram-se engenheiros de software e pessoas da área comercial.

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.:capa para desenvolvimento nacional não poderia mirar em produtos “de prateleira”. “Se valesse essa regra, a Embraer não saía do chão. Grandes países aprimoraram tecnologias que já existiam”, afirma ele. “Com o desenvolvimento no País, os produtos são desenhados para as necessidades brasileiras, o que não ocorre com os produtos das multinacionais, onde a prioridade é dada para os mercados maiores”, acrescenta. As empresas do Grupo Gente compõem cerca de 4 mil pesquisadores no Brasil, de acordo com Ivo Vargas, diretor de novos negócios da Parks. Ele explica que as empresas nacionais conseguiram sobreviver porque encontraram nichos de mercado, onde o produto das multinacionais não era competitivo ou elas não tinham interesse. A MP 495, na sua visão, vem para dar “igualdade de competição”. Entretanto, Vargas afirma que a medida é até tardia para o Brasil, uma vez que “todos” os países desenvolvidos têm políticas de compra de equipamento nacional. Esse argumento, inclusive, é frequentemente colocado pelo presidente da Telebrás, Rogério Santanna. Ele afirma que a Coreia do Sul, por exemplo, resolveu o déficit que tinha na banda larga com uma política de estímulo à tecnologia nacional. “Há 30

FOTOS: divulgação

“Infelizmente, a realidade da tecnologia brasileira, no momento, afasta a possibilidade do PNBL contar com o que há de mais moderno no mercado internacional” Wagner Ferreira, da Alcatel-Lucent cedores que estariam aptos a produzir o objeto licitado conforme os termos técnicos definidos na consulta, na medida em que apenas um número exíguo de fornecedores poderia fornecer tecnologia DWDM desenvolvida inteiramente no Brasil”, afirma Ferreira, da Alcatel-Lucent. Aloysio Byrro, chairman da NokiaSiemens e vice-presidente da Abinee, em entrevista à TELETIME de setembro sugeriu que a MP deveria criar benefícios escalonados para quem produz e desenvolve no Brasil e para quem só produz ou só desenvolve. É mais ou menos nessa linha que vai uma das contribuições assinadas por José Antônio Monteiro Morgado. “A participação de todas as origens de tecnologia e manufatura é prática corrente na construção das grandes redes brasileiras, levando-se em consideração, para os produtos atendendo as exigências do PPB, as regras em vigor da Lei da Informática. Alternativamente e, para propostas com PPB ou ‘desenvolvimento nacional’, poderiam ser previstos benefícios adicionais facultados na MP 495, sem que se exclua a participação de qualquer uma das proponentes”, diz ele. A preocupação dos fornecedores internacionais é justa: o setor de telecomunicações têm visto, ao longo dos anos, uma redução gradual nos investimentos das operadoras. A chegada da Telebrás poderia gerar um novo ânimo, mas com as restrições da MP 495, apenas as empresas que produzem e desenvolvem no país poderão se beneficiar com esse novo mercado. A Alcatel-Lucent ainda acrescenta um ingrediente de certa forma provocativo às companhias brasileiras. Segundo Wagner Ferreira, a exigência de que a tecnologia seja inteiramente produzida no Brasil impede acesso aos produtos mais avançados, o que privará a Telebrás do que há de mais moderno na área. “Infelizmente, a realidade da tecnologia brasileira, no momento, afasta a possibilidade do Programa Nacional de Banda Larga

contar com o que há de mais moderno no mercado internacional em termos de estado da arte em equipamentos ópticos”, diz o executivo na consulta pública. Oportunidade De olho nesta incrível oportunidade aberta pela MP 495/2010, por outro lado, as fabricantes nacionais se reuniram e formaram um consórcio, o Grupo de Empresas Nacionais de Tecnologia (Gente). O consórcio é formado por Datacom, Parks, Padtec, AsGa, Gigacom, CPqD, Icatel e Trópico. O portfólio integrado dessas companhias compõe uma solução completa para redes de telecomunicações, exceto a parte dos roteadores de alta capacidade, segmento onde atuam as multinacionais como Cisco e Juniper. Mas a participação em consórcio, bem como de fundações, não é permitida no edital dos equipamentos de DWDM que foi submetido à consulta pública. O presidente da Trópico e porta-voz do grupo Gente, Raul Delfiol, rebate o argumento das multinacionais de que o incentivo do governo

Balança comercial do setor eletroeletrônico (em US$ bilhões) 35 32 30 25

24,9

24 19,7

20

Importações

15

12,6 10,2

10 5

Exportações

15,1 10 7,7 4,4

4,7

9,2

9,3

9,8 7,4

5,3

0 2002 Fonte: Abinee

2003

2004

10 Teletime out_2010

2005

2006

2007

2008

2009


.:capa

Parceria A Parks, por exemplo, já está buscando mais fôlego financeiro com a entrada de novos investidores, projeto que, segundo Ivo Vargas é “para breve”. É questionável também a capacidade financeira que as empresas nacionais terão para atender à demanda da Telebrás. Vargas reconhece que as empresas são pequenas e com fluxo de caixa baixo, mas para fortalecê-las o BNDES está criando linhas especificas relacionadas ao PNBL. A questão da origem do capital

“Em relação à capacidade técnica podemos brigar de igual para igual com qualquer um. No financiamento não” Ivo Vargas, da Parks também aparece frequentemente na discussão. O presidente da Telebrás, Rogério Santanna, explica que a MP 495 não faz nenhuma menção à origem do capital. Dessa forma, companhias multinacionais estão livres para investir em desenvolvimento no País de modo a se habilitarem para as compras da Telebrás (desde que desenvolvam e produzam aqui). Outro questionamento que aparece com frequência são os critérios que o governo adotará para qualificar as empresas que desenvolvem tecnologia no País. Santanna

capital da companhia, como acontecia na década de 70 e 80. “Essa lição foi aprendida pela sociedade brasileira. Estamos em um outro patamar, não estamos falando de proteção a qualquer custo”, afirma ele. Além disso, o executivo destaca que o mercado todo gera um Capex de R$ 16 bilhões a R$ 18 bilhões, sendo que as compras da Telebrás devem ser de 10% a 15% desse valor por ano. “O incentivo é uma coisa boa para a indústria nacional, mas ainda há uma ampla margem para a competição”, diz ele. Graciosa menciona a política cambial da China, que tem causado dano a vários países. Segundo ele, a China mantém o câmbio desvalorizado artificialmente. “A administração cambial que os chineses fazem dá uma diferença de custo muito grande e causa desequilíbrio em diversos países”. Outra decisão que pode não agradar às multinacionais é a exigência de abertura do código-fonte dos roteadores, medida de segurança já adotada pelos EUA e Índia em relação aos produtos chineses. Rogério Santanna explica que na rede da Telebrás circularão informações estratégicas do Brasil, como os dados da Receita Federal, por exemplo. Por este motivo, a estatal exigirá a abertura dos códigos fontes dos roteadores – que serão fornecidos por multinacionais, uma vez que não há fabricantes de roteadores de grande porte no Brasil. O governo parece estar realmente interessado em comprar algumas brigas. O ressurgimento da Telebrás desestabiliza o monopólio das teles na oferta de capacidade de rede no atacado e, consequentemente, na oferta de banda larga. Agora mexe-se no vespeiro da indústria ao privilegiar a tecnologia nacional nas compras públicas. Espera-se que as medidas tragam benefícios reais ao consumidor e não criem apenas uma reserva de mercado.

De olho na oportunidade aberta pela MP 495/2010, as fabricantes nacionais formaram o Grupo de Empresas Nacionais de Tecnologia (Gente) explica que a produção no país será caracterizada pelo Processo Produtivo Básico (PPB), e a caracterização do desenvolvimento nacional fica a cargo da Portaria 950, editada em 2006 pelo o Ministério de Ciência e Tecnologia. O problema, neste caso, de acordo com Aluisio Byrro, da Nokia Siemens Networks, é que o requerimento de reconhecimento de tecnologia nacional fica em análise no Ministério de Ciência e Tecnologia por um período que pode variar de dois a quatro anos. Enquanto isso, o incentivo tem que ser provisionado em balanço porque se o projeto for negado, a empresa terá que devolvê-lo. “Isso gera uma grande incerteza”, disse ele à TELETIME de setembro. Para Hélio Graciosa, presidente do CPqD, o Brasil mostra maturidade ao não vincular o benefício à origem do FOTO: arquivo

anos, o Brasil e a Coreia estavam na mesma. Eles resolveram o problema deles com tecnologia própria”, afirma. Segundo Santanna, os EUA, na crise de 2008, adotaram uma política semelhante à brasileira dando um benefício de até 25% na compra dos produtos norte-americanos. No caso brasileiro há ainda uma outra variável que derruba a competitividade das fabricantes nacionais: o financiamento. De acordo com Ivo Vargas, da Parks, em termos de tecnologia e preço os equipamentos desenvolvidos no Brasil são tão bons quanto os de fora. O problema é que as multinacionais contam com financiamentos, muitas vezes de bancos estrangeiros, que as companhias brasileira não conseguem. “Em relação à capacidade técnica podemos brigar de igual para igual com qualquer um. No financiamento não”, afirma. Isso é o que explica, na visão dele, a participação ínfima que os fabricantes nacionais nas compras das operadoras. Dado o volume de compras que se espera da Telebrás, não seria absurdo pensar que as fabricantes nacionais poderiam ser alvo de aquisição das multinacionais. Wilson Cardoso, da Nokia Siemens, acredita na hipótese. “Trago para cá o desenvolvimento de algumas linhas, faço parceria com as nacionais ou invisto nas nacionais”, lista ele.

“Há trinta anos, o Brasil e a Coreia estavam na mesma. Eles resolveram o problema deles com tecnologia própria” Rogério Santanna, da Telebrás 12 Teletime out_2010


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Helton Posseti

helton@convergecom.com.br

Cabe mais um?

Anatel publica as regras para a venda da banda H, que permitirá a entrada de um novo operador. Analistas acreditam que o quinto player só terá sucesso se ficar restrito a mercados de nicho.

D

epois da queda de braço entre as operadoras móveis e a Anatel para que a agência não leiloasse a banda H da terceira geração em blocos de 10 MHz, o que impediria que as atuais operadoras arrematassem as faixas, o caminho encontrado foi o do meio termo. As frequências serão oferecidas primeiramente em um bloco de 10 MHz + 10 MHz, mas caso não haja interessados a faixa será oferecida em blocos de 5MHz + 5MHz, canalização que permite a participação das atuais operadoras. Isso porque há um limite de até 85 MHz para cada operadora, sendo o limite interno, na faixa de 1,9 GHz e 2,1 GHz, de 15 MHz + 15 MHz. Como TIM, Vivo, Claro e Oi/BrT já contam com blocos de 10 MHz na maior parte das áreas do país, elas não poderão concorrer à banda H na primeira fase do leilão. A questão que se coloca neste momento é se há espaço para um quinto player nesse mercado. E, em segundo lugar, quem seria ele. Há bastante tempo existe especulação em torno de principalmente dois nomes: Nextel e GVT. Com o passar do tempo, entretanto, a estratégia das duas empresas foi se tornando mais clara e a participação da GVT agora parece incerta. Representantes da companhia já deram várias declarações em que descartaram a participação na disputa, embora haja aqueles que acreditam que fazendo isso, a GVT quer apenas despistar os concorrentes. Alcides Troller, vice-presidente de marketing e vendas da GVT, aponta duas razões para a empresa ficar de fora do leilão. Em primeiro lugar, o alto investimento necessário para o atendimento das obrigações impostas aos compradores das licenças. Em segundo, o fato de não ser o melhor momento para se investir em uma rede 3G, tendo em vista que muito em breve será necessário realizar um upgrade para 4G, antes mesmo de ter obtido retorno sobre o que foi

investido na banda H. “Isso não se encaixa no modelo de negócios da GVT. Preferimos alocar esses recursos em banda larga fixa e em TV por assinatura”, disse o executivo na inauguração do centro de operações da companhia no Rio de Janeiro. A respeito da possibilidade da GVT criar uma operadora móvel virtual, rumor que circula há algum tempo no mercado, Troller diz que é preciso esperar a publicação da regulamentação definitiva sobre o assunto para que a empresa tome uma decisão. O caso da Nextel é oposto. A empresa tem deixado bem clara a sua intenção em participar do leilão da banda H. Tanto que a companhia instituiu um “quiet period” até a data do leilão, previsto para dezembro. A Nextel já tem operações de 3G no Chile, Peru e deve iniciar a construção de redes 3G no México e na Argentina, países onde inclusive adquiriu espectro. Os planos da companhia para a faixa não incluem abandonar a tecnologia iDEN, mas sim incluir um novo serviço no portfólio, a banda larga móvel. Greg Santoro, Chief Strategy & Marketing Officer da NII Holdings, no lançamento do primeiro modelo Android 14 Teletime out_2010

com push-to-talk (PTT) nos EUA, disse que a Nextel continuará a investir no iDEN, com lançamento de novos smartphones na plataforma Android e em cobertura, e que as redes 3G serão importantes para que a Nextel complemente sua oferta de serviços com banda larga móvel. A Nextel tentou adquirir frequências de 3G no primeiro leilão feito pela Anatel em 2007, mas não teve sucesso. Optou por se retirar da licitação quando os preços das licenças começaram a subir. “Poderíamos ter continuado no leilão, mas consideramos que tínhamos uma ótima rede iDEN, estávamos com um bom crescimento de base e nossos clientes não estavam nos pressionando para ter 3G, embora saibamos que esta será uma demanda futura”, explicou Santoro à TELETIME em maio. Agora, a operadora se diz preparada para levantar mais fundos para o leilão da banda H, mas isso não significa que esteja disposta a pagar qualquer valor pela licença. “Na época da primeira licitação tínhamos um plano de negócios sólido e sabíamos exatamente o quanto estávamos dispostos a gastar no leilão. Não fomos imprudentes naquele


momento e também não seremos imprudentes agora. Queremos a 3G, mas não estamos desesperados”, enfatiza o vice-presidente de marketing da Nextel Brasil, Gustavo Diament. No México, a Nextel fez uma parceria com a Televisa para disputar o leilão de frequências 3G. A Televisa injetará dinheiro para a compra das frequências e para a construção da nova rede e, em troca, terá uma participação acionária na Nextel do México. “Nosso plano inicial é realmente participar do leilão sozinhos e construir nossa própria rede 3G, mas se uma oportunidade de parceria aparecer, consideraremos”, afirmou em maio Gustavo Diament. No caso da CTBC, dois caminhos são avaliados: complementar a cobertura nas áreas locais onde já atua, como nos DDDs 34 e 16, ou expandir-se para novas regiões. A CTBC não pode ter mais espectro nas cidades onde já possui licença 3G, pois ultrapassaria o limite estipulado pela regulamentação. Análise As metas de cobertura (veja tabela) são, neste momento, a principal dor de cabeça para empresas de pequeno porte. Embora precise de mais faixa de frequencia, uma vez que sua operação de 3G está em 850 MHz (faixa que aos poucos vai sendo liberada com o declínio do TDMA), a Sercomtel ainda não decidiu se participará do leilão, justamente por conta das metas de cobertura. “É a análise das metas que estamos fazendo neste momento. Elas tendem a encarecer o projeto”, afirma Fernando Kireeff, presidente da operadora. Em relação à entrada de um quinto player nacional, Kireeff acredita que a competição ficará ainda muito mais acirrada o que dificultará o retorno financeiro não só do novo competidor, mas também dos demais. Para ele, o futuro do 3G vai ser para acesso via smartphone, e não substituirá o acesso fixo. “A utilização do modem tem alta demanda de frequência, então o preço sempre vai tender a ser alto”, analisa. A Sercomtel, em função da limitação da sua cobertura geográfica, está centrando força no segmento de baixa renda, explica Kireeff. O consumidor com mais poder aquisitivo tem um deslocamento maior, e a oferta da Sercomtel acaba não sendo competitiva. A operadora tem telefonia celular em Londrina e Tamarana, no Paraná. Na opinião dos analistas de mercado,

a condição para o sucesso de um quinto player na telefonia móvel é a operação de nicho. E, neste sentido, a Nextel parece ir pelo caminho certo, uma vez que a tecnologia PTT acabou por formar um nicho de mercado composto por profissionais liberais, pequenas e médias empresas e mercado corporativo de modo geral. “Existe saturação para um quinto player que seja igual aos outros quatro”, afirma Eduardo Roche, analista do Banco Modal. Na opinião de Vinícius Costa, analista da Pyramid Research, a banda H é uma oportunidade da Nextel se consolidar como um player nacional. Segundo ele, a tecnologia iDEN é cara e só se paga em cidades com grande densidade populacional. Com a banda H, a Nextel se expande para todo o Brasil com uma tecnologia mais barata. “Está cada vez mais claro que a Nextel começa a questionar a opção pelo iDEN. Eles já estão testando o PTT sobre redes 3G”, diz Costa. Para ele, o mercado está “bem longe de estar saturado” e deverá continuar crescendo a altas taxas nos próxi-

mos anos. Em relação à GVT ele disse acreditar que a empresa terá presença na telefonia móvel. “Se não for com a banda H, vai ser como MVNO”, afirma. A própria GVT se desenvolveu através de uma operação de nicho, que soube explorar inicialmente lacunas na telefonia fixa e depois surfou na onda da banda larga. Neste sentido, a banda H também seria uma excelente forma de complementar seu portfólio de produtos. “Se eu fosse concorrente da GVT, só acreditaria que ela não vai participar, se ela não aparecer no dia do leilão”, diz Valder Nogueira, analista do Santander. O problema é que se o sucesso está no negócio de nicho, as regras do leilão parecem não colaborar para isso. Além das pesadas metas de atendimento, a Anatel manteve a vinculação das áreas mais nobres com as menos nobres. Quem comprar frequência na capital paulista, por exemplo, leva junto o Norte do Brasil. “Acho que se fosse livre, a demanda pela licença seria maior”, opina Eduardo Roche, do Banco Modal.

Participação das operadoras pequenas como Sercomtel e CTBC é incerta em função das metas de atendimento, que a Anatel manteve do leilão de 2007

Metas da banda H Meta 1: Atender com SMP 100% dos municípios com mais de 100 mil habitantes • Em até 12 meses - deter cobertura de 50% da área urbana em 50% das capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes • Em até 24 meses - atender capitais e municípios com mais de 500 mil habitantes • Em até 36 meses - deter cobertura de 50% da área urbana em 50% dos municípios com mais de 200 mil habitantes • Em até 48 meses - atender municípios com mais de 200 mil habitantes • Em até 60 meses - atender municípios com mais de 100 mil habitantes Meta 2: Atender com SMP 100% dos municípios com população entre 30 mil habitantes e 100 mil habitantes em até 60 meses (de acordo com lista elaborada pela Anatel) Meta 3: Atender 15% dos municípios com menos de 30 mil habitantes, iniciando pelos locais que não possuem SMP (de acordo com lista elaborada pela Anatel) • 25% da meta em até 36 meses • 50% da meta em até 48 meses • 75% da meta em até 60 meses • 100% da meta em até 72 meses

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.:entrevista

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fernando.paiva@convergecom.com.br e samuca@convergecom.com.br

Os passos do gigante

João Silveira, diretor de mercado da Oi, comenta a estratégia de produtos da empresa e o dia-a-dia da maior operadora de telecomunicações do país.

Teletime - Você classificaria a Oi, hoje, como uma empresa convergente? Parece que, em algumas ocasiões, essa estratégia ainda é um projeto futuro. João Silveira - Faz um ano e meio que compramos a Brasil Telecom. Sem dúvida nos posicionamos como empresa convergente. É daí que vêm nossas maiores oportunidades de ganho. Quando olhamos a realidade brasileira, todas as oportunidades estão na nossa frente. O que falta para tornar esse potencial em clientes? A banda larga é resultante de vários componentes. Você precisa ter a transmissão, porque não adianta ter a última milha se você não tiver a metropolitana e o backbone. A disponibilização de velocidades diferentes é uma questão de acelerar algum desses módulos. A infraestrutura que temos nos permite, com o menor investimento incremental, oferecer as várias velocidades na maior quantidade de cidades. Isso é bom porque a banda larga, além de ser uma necessidade para a população de alta renda, é também para a classe C, que está se consolidando no Brasil. A classe C está entrando no computador, na Internet e precisa de banda larga. O acesso à casa do cliente é um diferencial e é um pilar importante da nossa estratégia. Todo mundo está focando em banda larga, mas

banda larga de vocês ainda é menor do que o das concorrentes. Não tenho os números exatos de ca­­ beça, mas, em teoria, 300 cidades concentram 90% da demanda e as outras três mil, 10%. Aí é uma questão de velocidade de penetração nessas cidades, onde a renda é mais baixa, o nível de instrução é menor etc.

foto: PAULO MUMIA

A

s estratégias de venda e o dia-a-dia da atuação comercial da maior operadora de telecomunicações do Brasil têm impacto em todo o mercado. A Oi é um gigante que provoca grande efeito em suas concorrentes e fornecedores quando cresce, e também quando não cresce. O diretor de mercado da operadora, João Silveira, comenta nesta entrevista algumas dessas estratégias, e também como a operadora vem posicionando seus produtos e sua atuação nos diferentes mercados, os planos de expansão dos serviços fixos e móveis, o planejamento para a TV por assinatura e, sobretudo banda larga.

João Silveira

geralmente em apenas um ponto de vista: 3G, fibra ou cabo. Nós temos de fato a possibilidade de oferecer todo tipo de banda larga, tanto para o mercado empresarial, através de fibra, quanto para o cliente residencial, via fibra, par metálico ou 3G. Está mantida a meta de ter banda larga em todas as cidades atendidas pela Oi até o fim do ano? Está mantida e estamos com o cronograma razoavelmente em dia. Temos hoje cerca de 3 mil cidades. À medida em que o backhaul e que as escolas conectadas estão andando, aproveitamos para pôr mais banda e fazer a oferta comercial. Mas definitivamente estamos abrindo esse mercado. Existe demanda, mas é muito menor que em outras cidades. Vocês já sentiram a realidade comercial dessas cidades? Porque parece que o ritmo de crescimento da

E a estratégia de vocês da oferta combinada de voz, banda larga, celular e em alguma escala TV? Como está isso nas diferentes realidades de País onde a Oi atua? Na região 1, o Oi Conta Total, que é nosso produto mais convergido, é maduro e continua crescendo em relevância para nós em termos de receita e lucratividade. E o desafio é adequá-lo a novos sabores. O plano nasceu voltado para dois ou três tipos de família e agora estamos descobrindo que mais tipos de família se encaixam bem. Por exemplo: há demanda por mais velocidade sem aumentar o número de linhas telefônicas na conta. Estamos analisando a oferta com menor quantidade de telefones móveis acoplada ao plano e maior velocidade de banda larga. É mais um refinamento da oferta do Oi Conta Total. A telefonia fixa ainda tem algum apelo na comercialização de pacotes convergentes? Definitivamente o comportamento de uso está migrando do fixo para o móvel. Mas ainda percebemos alguns tipos de tráfego, como ligações de longa distância, que ainda são feitos mais do telefone fixo do que do móvel por hábito das pessoas. O tráfego local está migrando muito rapidamente para o móvel. O de longa distância ainda mantém uma característica de acontecer no telefone fixo. E na alta renda as famílias ainda gostam de ter seu

o tráfego local está migrando muito rapidamente para o móvel. o de longa distância ainda mantém uma característica de acontecer no telefone fixo”. 18 Teletime out_2010


número fixo, mesmo que o uso não seja grande. É mais uma questão de saber que tem o telefone em casa. Mas perder assinantes fixos, que pagam assinatura básica e, portanto, rendem mais, é ruim para a operadora? Como compensar isso? Esse é o grande desafio das incumbents de telefonia fixa. Nós não temos a menor dúvida de que essa é uma receita declinante ano a ano e que precisa ser compensada com outras coisas. Historicamente, nós temos conseguido compensar por ter entrado no jogo da móvel, que hoje é uma receita importante no nosso portfólio. E as outras oportunidades passam pela banda larga. No uso tradicional de telefone fixo, seja local ou de longa distância, essa receita é constantemente declinante e a base também. As oportunidades de crescimento de receita estão em telefonia móvel e banda larga. Aliás, temos a liderança em telefonia móvel na região 1 e podemos crescer nas regiões 2 e 3. Como estão os planos da Oi de ter uma rede de acesso em fibra (FTTx)? O DSLAM é a última milha para acessar a casa do cliente. Atrás dele, é tudo com fibra. Do DSLAM para frente, para as necessidades de banda larga do consumidor, o par metálico ainda é muito razoável. Conseguimos velocidades entre 20 e 50 Mbps. Mas para o cliente que precisar no futuro de mais velocidade podemos levar a fibra. Nossa solução permite portanto uma abordagem híbrida. Temos 50 mil homes passed disponíveis para fibra. A demanda ainda é muito baixa. São dezenas. É centro de pesquisa aqui ou acolá. E não vemos isso como negócio. Não vemos isso como uma necessidade para os próximos 18 meses. Mas em 36 meses talvez a demanda comece a ser mais consistente. E toma um tempo para fazer a construção. Esse aumento de portas, que está sendo feito em parceria com os fornecedores, em modelo de divisão de risco e de receita, já começou a dar resultado? Portas fisicamente chegando no campo foi um modelo que começou em julho. Já disponibilizamos mais de meio milhão de portas. A principal diferença desse modelo é que ele não pressiona o caixa de curto prazo. O custo por usuário não é impactado. Custo é custo. Qual é o

modelo de uma telco? Ela geralmente faz todo o investimento antes e aí começa a pingar receita para amortizar o investimento. A diferença aqui é que vou para revenue share. À medida que vou recebendo, vou pagando os fornecedores. Qual é o custo para ter um assinante de banda larga? Nossos parâmetros para fibra não são relevantes porque não temos escala. Para cada domicílio servido pela rede (home-passed), se gasta em média 700 euros por residência. Para você entrar na casa com fibra e DSLAM, custa mais 700 euros. Nos EUA também é mais ou menos US$ 700 mais US$ 700. O seja, o custo é 1,4 mil euros ou US$ 1,4 mil, para fibra, por casa. Em ADSL, tá em torno de R$ 500 a R$ 600. Esse é o custo de infraestrutura. Mas tem o custo de aquisição, que é muito utilizado na móvel, com subsídio, etc. Como vocês sentiram a concorrência da Embratel e da GVT e como a estratégia de vocês está conseguindo reverter isso? Sentimos muito. E quando você é líder de mercado e entra um segundo concorrente, este entra fazendo cherry picking, e sempre nas melhores cerejas,

Mesmo para clientes C e D, que ainda não tiveram a experiência plena de banda larga? É verdade que a concorrência chegou bem menos aí. Mas acontece em outra escala. Enquanto o cliente de alto valor quer 10 Mbps, esse daí já quer 1 Mbps ou 2 Mbps. Aquelas ofertas de 300 kbps, 600 kbps, ficam cada vez mais distantes. Praticamente não vendemos mais. Porém, ainda temos gente na base com velocidades menores que 1 Mbps e estamos realizando um processo de upgrade. Por que a Oi desacelerou a comercialização do produto de TV por assinatura em 2010? Nesse último ano passamos por processo de priorização de investimentos. E priorizamos mais banda larga do que televisão. Quando olhamos no médio e longo prazo, TV é um pilar fundamental da nossa oferta. A TV, para nós, não é um produto isolado. É mais um dos componentes da nossa oferta combinada. Ela faz todo sentido como um upsell: vender mais um produto em cima da nossa base. E assim aumentamos o nível de retenção. É bom não apenas para rentabilizar o cliente, mas para conhecê-lo

Quando olhamos no médio e longo prazo, TV é um pilar fundamental da nossa oferta. A TV, para nós, não é um produto isolado. É mais um dos componentes da nossa oferta combinada” que são as áreas mais densamente povoadas e com usuários de maior valor. O que a gente percebe é que quando há defasagem grande de velocidade disponível, o impacto é maior. Quanto maior for o hiato entre a oferta que o cliente tem e a que está sendo disponibilizada, maior é o churn. Uma das condições básicas que estamos vendo para enfrentar isso é termos velocidades equivalentes disponíveis. É por isso que essa expansão de portas de alta velocidade é fundamental para nossa estratégia de dar robustez na banda larga. E com robustez na banda larga aí sim as coisas adicionais passam a ser um diferencial, como telefonia com longa distância, com telefonia móvel, com televisão etc. Aí o cliente valoriza. É que nem ter uma padaria com ar condicionado bom, iluminação boa, comunicação visual boa... mas e o pão? O pão, hoje, é a banda larga de alta velocidade. Tendo banda larga de alta velocidade, o cliente começa a notar os outros diferenciais. out_2010 Teletime 19

melhor, e assim diminuir nossa PDD. Nosso nível de churn é muito menor com esse cliente do que com aquele para quem vendemos apenas TV. Não tem a ver, portanto, com a falta de uma regulamentação mais convergente? Com DTH (TV via satélite) já é possível fazer essa oferta integrada que planejamos. Mas é sempre importante segmentar, pois nossa base de clientes é muito grande. A solução por cabo, no momento em que for autorizada, não exclui a solução por DTH. O Brasil que nós atendemos é enorme e essas duas soluções convivem muito bem em geografias diferenciadas para infraestruturas diferenciadas e usuários com perfis diferenciados. Essa oferta combinada está sendo planejada para todas as faixas da população, até para as classes C e D? Será para todas as classes. E hoje a nossa oferta convergente se encaixa


.:entrevista A Oi foi a quarta entrante na re­­­ gião 3 em telefonia celular. Como avalia essa estratégia e em que ela foi diferente daquela nas regiões 1 e 2? E como vê a possibilidade de enfrentar um quinto entrante nesse mercado? Tivemos situações bem diferentes em cada uma das entradas. Na região 1, era em um momento de crescimento e de mudança de CDMA e TDMA para GSM. Na região 3 (São Paulo), enfrentamos o desafio de ser um quarto entrante com um nível mais agressivo de penetração de telefonia móvel naquele mercado e com todos os players em GSM. A estratégia de entrar agressivamente, conquistar uma base relevante e rentabilizá-la aos poucos, hoje, olhando no retrovisor, vemos que foi muito acertada. Os chips que foram comprados em São Paulo são usados hoje, tem ARPU muito bom etc. Em um ano e pouco chegamos a 13% de market share. Focamos nos DDDs 11, 12, 13 e 19, onde temos 15% de share. Outra estratégia que se revelou adequada foi a de primeiro conquistar o cliente pré-pago, depois o pós-pago e depois o empresarial. Aí você vai subindo no nível de complexidade e de exigência do usuário. E como está o ARPU em São Paulo? Havia uma expectativa alta de vocês, porque o ARPU ali é maior que em outras regiões... O ARPU (receita média por usuário) da região 3 vem crescendo e hoje, quando analisamos todos os componentes, já é maior que o da região 1, que é a nossa área mais madura. E nosso ARPU na região 3 está alinhado com a média do mercado, que, de fato, é maior que a da região 1. Quanto mais share você tem, mais valor você agrega. Na região 1, por exemplo, nós temos um ARPU maior do que a média do mercado. Mas no Brasil como um todo vocês andaram perdendo um pouco de market share. Qual a razão para isso? É preciso fatiar a pergunta. Na região 1, temos um market share adequado, somos líderes. Em um estado ou outro precisamos melhorar. Na região 3 ainda há bastante espaço de crescimento. E na região 2 também. É importante entender que na região 2, da Brasil Telecom, é um processo de reposicionamento. Quando olhamos o desempenho do chip Oi na

modelo que aplicamos em São Paulo. Mas uma coisa é já ter uma operação montada e aplicá-la em outro estado. Outra coisa é fazer no Brasil inteiro.

foto: PAULO MUMIA

melhor para a média renda do que para a alta renda, onde cabo é melhor.

Por isso vocês criticam a VU-M? A VU-M muito alta acaba criando guetos. Tem o gueto da operadora A, B, C... E leva a um desestímulo enorme de falar da rede fixa para a móvel. Hoje, da receita com minutos trafegados, uma parte grande você entrega para uma operadora, outra parte grande para outra... O que realmente banca seus custos é aquele outro pedacinho que você tem com tráfego on net.

região 2, ele é tão bom quanto em São Paulo. Refiro-me à velocidade de crescimento da base. Isso não fica visível porque há base antiga da BrT com churn acima da média do mercado. Qual é o motivo para esse alto churn na região da antiga BrT? Por todas aquelas razões de sistemas que comentei, optamos por fazer migração agressiva de legados da BrT para a Oi. Ao fazer isso, focamos nas ofertas e produtos da nova Oi. Com isso, ficamos com menos ferramentas para diminuir o churn da base legada. Havia duas opções: ou defendíamos as duas bases ou fazíamos uma entrada agressiva com a base nova e perdíamos mais rápido a antiga. Preferimos a segunda opção, de trazer tudo para uma realidade só, ainda que com um custo de churn. Vocês acham que estão em uma posição em que dá para defender mercado no caso de entrada de um quinto player de telefonia móvel? Quanto mais competidores, maior é a pressão e menor a rentabilidade de todos. Um quinto entrante nessa realidade de penetração e de ARPU que temos no Brasil é um desafio enorme para todos e principalmente para o novo entrante. A VU-M (tarifa de interconexão) é como se fosse a muralha em torno da minha base de clientes. A VU-M dificulta que as pessoas falem com a minha base de clientes e facilita o tráfego on net. É por isso que ter um market share razoável é importante. O desafio é como conquistar esse market share inicial. Nós acreditamos no 20 Teletime out_2010

A Oi nunca manifestou muito entusiasmo com operadoras virtuais. Por que isso? Quando se olha pra fora, MVNO deu certo onde só tinha pós-pago ou a penetração de pré-pago era baixa. Na realidade brasileira, com um mercado bastante competitivo, alta penetração de pré-pago e VU-M desse tamanho, acreditamos que MVNO será um negócio de nicho. Vai ter 3% a 5% de mercado. A Oi está disposta a abrir sua rede para possíveis MVNOs? Sim. Não temos nada contra abrir a rede. O problema é que alguns players oferecem como valor agregado reduzir o custo de vendas. Hoje 70% dos nossos pré-pagos são ativados em bancas de jornal. O que as pessoas têm dificuldade de entender é que meu custo de venda de pré-pago é receita. Eu vendo o chip mais caro do que ele me custa porque boto uns minutos ali dentro. Esse é o desafio para fechar a equação. E o mercado está indo nessa direção de vender aparelho desbloqueado e chip em banca de jornal. A gente começou isso e hoje todo mundo vende. Como vocês estão crescendo no segmento de alta gama, high end, sem vender ou subsidiar aparelhos de celular? Nós vendemos, sim, aparelhos. E subsidiamos também. Mas fazemos isso de um jeito diferente. Em vez de botar o subsídio dentro do aparelho e amarrar o cliente por um contrato de fidelização, damos o mesmo subsídio como crédito dentro do plano. Esse segmento está indo muito bem conosco. Porque focamos de novo na coordenação de disponibilização de aparelhos nas lojas. Hoje


temos mil lojas franqueadas com a marca Oi. E nelas temos os aparelhos disponíveis. A grande barreira é que as pessoas não entendem que precisam de um plano de dados. Elas não entendem que ao clicar em um ícone no iPhone para ver a temperatura em Nova Iorque ela trafega dados. Aí chega no final do mês a conta de dados e o usuário diz que não navegou na Internet. Então estamos com campanha agressiva em que damos dois meses de pacote de dados gratuito para o cliente experimentar quando compra um smartphone. Não adianta a pessoa ter um super telefone e ter medo de usar por causa da conta de dados.

foto: PAULO MUMIA

.:entrevista

E os modelos de venda Internet móvel, qual funciona mais? Até as operadoras instalarem as primeiras antenas de 3G, não existia smartphones. Aí se apostou no modem 3G, o ratinho. Teve até uma operadora que apostou mais nisso, queimou os dedos e voltou. Mas é loucura substituir o ADSL pelo ratinho. Não tem business plan que suporte. E quebra a perna da operadora, porque drena a rede. E o cliente fica insatisfeito! Graças a Deus vieram os smartphones e comunidades virtuais. Mas isso é recente, começou a pegar volume no final do ano passado. Até porque os preços dos smartphones estão caindo. No final do ano virão smartphones a R$ 499, em dez vezes de R$ 49. As vendas estão dobrando mês a mês. É impressionante.

estava acostumada dois anos atrás. Como temos SVAs disponíveis em todas as telas, na televisão, no computador e no celular, temos uma capacidade única de fazer essa convergência. Quais os desafios da convergência? O primeiro desafio é identificar quais convergências o cliente valoriza. O segundo é regulatório: são necessárias várias licenças para o mesmo serviço. E por fim há o desafio sistêmico de oferecer o serviço para milhões de usuários. E aí a plataforma é

Vocês acham que impor limites ao acesso a dados em redes móveis é o caminho natural para evitar o estrangulamento da rede? Em última instância sempre precisará haver limite, mesmo na banda larga fixa, seja 60 Gb ou 100 Gb. O limite não é para pegar 90% da população. Quando você monta o plano, geralmente 95% dos clientes usam muito bem. Mas sempre tem aqueles 5% que são outliers. E esses outliers machucam bastante. O que precisa evoluir é ter oferta diferenciada para esse outlier.

fundamental. A fase de definir os produtos convergentes e entender o que o cliente valoriza nós já passamos. Agora precisamos melhorar o custo nos nossos backoffices para permitir essa convergência. Quanto mais coisas você botar pra dentro, mais a complexidade aumenta, exponencialmente.

E a rentabilização da rede móvel com serviços de valor adicionado além de Internet, tem futuro? Temos visto que sempre há oportunidades no SVA tradicional. Quanto mais o smartphone penetra, mais o SVA vira um SVA de Internet e nem tanto um SVA do mundo tradicional com o qual a telefonia

consequentemente, de investimento que tivemos em 2010 têm impacto em nossa capacidade de crescimento. Poderíamos estar crescendo mais. É importante notar que embora tenhamos perdido market share de acesso na telefonia móvel, ganhamos market share de receita. Market share de acesso é uma disputa que depende da mensagem que você quer passar. Um acesso você faz existir ou deixar de existir com mais flexibilidade do que receita. E você vê isso no ARPU e na receita. Temos oportunidades em São Paulo, especialmente no interior, melhorando a cobertura. O mesmo vale para algumas áreas da região 2, como Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul. A boa notícia é que o mais pesado de infraestrutura em São Paulo e na região 2 nós já fizemos. Mas é importante ressaltar que nossa prioridade é share de receita. A gente não vai deixar de desconectar quem tem que ser desconectado. Não vamos ficar pagando Fistel só para mostrar número maior de usuários. Do total de linhas móveis em serviço no Brasil, considerando todas as operadoras, você tem ideia de quantas são inativas? É importante lembrar que é uma realidade gente com mais de um chip.

Sem dúvida, as restrições de caixa e, consequentemente, de investimento que tivemos em 2010 têm impacto em nossa capacidade de crescimento”.

A Oi passa por um período de restrição de caixa, entrada de novos acionistas etc. Como fica a sua necessidade de expansão diante dessa competição agressiva e sua restrição de investimento? Observamos que de um ano para cá a Oi não cresceu significativamente e em alguns casos até perdeu market share. É em razão desse momento financeiro da companhia? Sem dúvida, as restrições de caixa e, 22 Teletime out_2010

Tem operadoras que traçam estratégia para ser o chip B do usuário para determinados tipos de tráfego. Esses são chips reais. Cerca de 30% da base no Brasil tem mais de um chip e usa de verdade. Mas existe uma fatia de usuários que está inativo, mas o chip continua lá contando. Esse número varia de 12% a 25%, dependendo da operadora. Da nossa parte, estamos sendo bastante agressivos na desconexão. A perspectiva é reacelerar o crescimento, agora que a situação financeira já está mais equalizada? Sim. Mas o maior impacto virá em banda larga do que propriamente em telefonia móvel. Um terço da nossa receita vem da móvel e dois terços ainda estão na fixa.


.:mercado

Mais do que um simples contato

Pressionadas por margens baixas e processo de commoditização do teleatendimento, operadoras de contact center renovam portfólio de serviços para continuar crescendo.

D

FOTO: divulgação

iversificação é a palavra de ordem no mercado brasileiro de contact centers. Embora mais de 95% dos atendimentos ainda sejam feitos via telefone, as operadoras correm para oferecer novos canais de relacionamento com o cliente, como redes sociais, SMS, totens com videochamada ou até mesmo contato presencial, cara-a-cara. Paralelamente, as empresas do setor procuram entender melhor os processos de negócios de seus clientes e, com base nesse conhecimento, oferecer serviços com maior valor agregado do que o mero atendimento a uma reclamação. Com o objetivo de se preparar dentro desse novo cenário, as grandes operadoras foram às compras em 2010: a Dedic anunciou incorporação da GPTI, empresa com experiência em BPO (Business Process Outsourcing), enquanto a Contax adquiriu a Ability, companhia especializada em atendimento presencial. A diversificação do portfólio de serviços é um movimento natural dentro de um mercado cada vez mais competitivo e no qual a atividade principal – o atendimento telefônico – virou uma commodity. Embora venha crescendo a dois dígitos nos últimos anos, o setor de contact center é um negócio com margem de lucro apertada. Essa característica deixa as operadoras com dois caminhos: ou ganham no volume ou na diferenciação, agregando valor a seus serviços. A segunda opção é entoada por quase todas, como um mantra. “Empresas de contact center não são apenas call centers. Nossa indústria está expandindo o conceito

de call center. Telemarketing e PA (posição de atendimento) são nomes fora de moda na Atento”, sintetiza o diretor regional da empresa no Brasil, Nelson Armbrust. “Se um cliente pede apenas por uma campanha de telemarketing, a gente declina”, acrescenta o executivo. “Desde 2007, a atividade tradicional de call center se tornou uma commodity no Brasil, com a presença de várias empresas prestando o mesmo tipo de serviços sem muita especialização”,

faz coro o presidente da Dedic, Paulo Neto Leite. Outro motivo para as empresas de contact center expandirem sua atuação é a constante pressão do poder público e da sociedade sobre a sua atividade. Os exemplos mais famosos nos últimos anos foram a Lei do SAC, que entrou em vigor em dezembro de 2008 e demandou a abertura de mais PAs para que seus requisitos fossem cumpridos, e a lei do “não perturbe”, vigente hoje em oito estados, que dá ao cidadão o direito de por seu número telefônico em uma “lista negra” do telemarketing. Fontes do setor se dizem favoráveis a ambas as iniciativas e negam que o impacto financeiro tenha sido significativo. A opinião, contudo, não é tão otimista diante da mais recente ameaça às operadoras de contact center: na primeira semana de outubro a sexta turma do Tribunal

“Se um cliente pede apenas por uma campanha de telemarketing, a gente declina” Nelson Armbrust, da Atento 24 Teletime out_2010


vés desse canal. A empresa dispõe de Superior do Trabalho (TST) consideum núcleo com aproximadamente 50 rou ilegal a Brasil Telecom (BrT), funcionários para atuar em redes enquanto concessionária de telefonia socais. Por enquanto, apenas dois fixa, terceirizar seu atendimento de clientes contrataram esse tipo de call center. A ação havia sido movida atendimento. A Atento, que também pelo Ministério Público Federal de oferece os mesmos Santa Catarina. A serviços, já fez mais decisão do TST cria de uma dezenas de jurisprudência e projetos de monitopode provocar a ramento e hoje multiplicação de proconta com um cessos similares em fabricante de celuoutros estados. Mas lares como cliente o assunto é controno atendimento via verso e não está redes sociais. totalmente decidido, A Contax ainda pois alguns dias avalia o assunto, depois a oitava mas seu diretor de operações, turma do TST tomou decisão oposta Eduardo Noronha, reconhece que a em relação a processo similar envolchamada “geração Y” prefere ser vendo a Oi. As concessionárias de atendida por meios eletrônicos. Ou telefonia fixa são hoje algumas das seja: o futuro do contact center passa maiores clientes de serviços de connecessariamente pelo uso desses tact center. Não à toa, muitas das novos canais. atuais empresas de call center estão As mensagens de texto (SMS) no ligadas a grupos que controlam opecelular também podem servir como radoras de telecomunicações, vide meio de comunicação entre marcas e Atento (Telefônica), Contax (Oi), Dedic consumidores. A Atento é uma das (Portugal Telecom), Brasilcenter pioneiras dessa ideia no Brasil e (Embratel) e ACS (Algar Tecnologia). conta hoje com 180 funcionários dediO primeiro passo no caminho da cados a esse canal. Cada um atende a diversificação é a abertura de novos até quatro consumidores simultaneacanais de atendimento. O uso de chat mente por SMS. O serviço começou e e-mail no relacionamento com o sendo usado por operadoras de teleconsumidor, por exemplo, existe há fonia e se expandiu para outros setobastante tempo. A mais recente novires. dade é a utilização das redes sociais Outra novidade é o atendimento da Internet, como Orkut, Facebook e em vídeo, em tempo real. Um cliente Twitter. Um serviço que está virando da Atento adotou esse canal, batizado moda entre os contact centers é o internamente de “atendimento pessomonitoramento dessas redes, para al virtual”. São espaidentificar o que os lhados totens com internautas pensam telas e câmeras, sobre a marca do onde o consumidor cliente. Além dessa pode ver e conversar análise, algumas com o operador. empresas disponibilié a receita estimada para 2010 Engana-se quem zam o serviço de no setor de call centers pensa que os novos atendimento através terceirizados canais precisam ser das redes sociais. necessariamente ele“Uma marca não trônicos. Entre os decide entrar nas grandes contact cenredes sociais. Ela já total de PAs, sendo ters, existe a tendênestá lá, queira ou 228 mil terceirizados cia de se apostar no não”, comenta Luiz atendimento presenFernando Scheliga, cial. Em setembro, a diretor de operações Contax anunciou a da Algar Tecnologia, de atendentes compra, por R$ 82,5 uma das operadoras milhões, da Ability, que vende o serviço Fonte: ABT, Econsulting e empresas empresa especializa de atendimento atra-

Outro motivo para as empresas de contact center expandirem sua atuação é a constante pressão do poder público e da sociedade sobre a sua atividade

Números do setor R$ 6,6 bilhões

619 mil

1,1 milhão

out_2010 Teletime 25

Do PA para dentro de casa

O

setor de contact center continua sendo um dos maiores empregadores do Brasil. Calcula-se que haja mais de 1,1 milhão de pessoas trabalhando em centrais de atendimento no País, entre terceirizadas e internas. A maioria desses trabalhadores são mulheres jovens em seu primeiro emprego. A média salarial do operador é de R$ 600, segundo a Associação Brasileira de Telesserviços (ABT), ou seja, um pouco acima do salário mínimo. A baixa remuneração gera como consequência a alta rotatividade, que gira em torno de 7% ao mês. Outro fator que contribui para isso é a rotina estressante, com metas agressivas e a obrigação de lidar com consumidores impacientes e nem sempre educados. “É um trabalho extremamente estressante. Só a garotada aguenta por um salário um pouco acima do mínimo”, comenta Marcelo Arakaki, diretor da SpeechBlue. Para complicar a situação, o aumento da renda das classes C e D está dificultando a contratação de novos operadoras de contact center. “Está faltando gente no mercado”, afirma uma fonte. Para especialistas, o maior desafio hoje do setor de contact center é reduzir essa rotatividade e mudar a sua imagem de empregador temporário. “O contact center deveria ter um plano de carreira. Deveria se transformar em um lugar de emprego para toda a vida”, aconselha o diretor da Xgen, Carlo Gibertini. “A pirâmide dentro de um contact center é injusta. São 20 atendentes para cada supervisor, em média”, reconhece o presidente da ABT, Topázio Silveira Neto. Ele explica que a legislação trabalhista impede que o setor pague salários maiores para atendentes com mais tempo de casa que efetuem a mesma função. O caminho acaba sendo agregar complexidade para alguns tipos de atendimento, de forma a diferenciá-lo e permitir a oferta de um salário melhor. Outra alternativa para tornar a atividade mais atraente é estimular o trabalho em casa. A Algar Tecnologia é uma das empresas que aposta nisso. Ela tem hoje 50 atendentes em regime de home office. A empresa fornece o computador, paga a Internet e dá ajuda de custo para a conta de luz. Antes, porém, verifica se o local de trabalho é adequado, se não tem muito barulho, se a mobília atende a requisitos básicos de ergonomia, etc. “Os atendentes gostam de trabalhar em casa, pois na central de atendimento não podem personalizar seu espaço. Além disso, em casa eles têm mais tempo para a família”, relata a diretora de talentos humanos da Algar Tecnologia, Cida Garcia. Para a empresa, a mudança também é positiva: a Algar Tecnologia mediu que a produtividade daqueles que trabalham em casa é 4% maior.


.:mercado FOTO: divulgaçãO

das lojas dos clientes, lidando diretamente com o público. Eles são contratados para atuar como consultores de vendas, capazes de explicar as diferenças técnicas entre produtos e planos de serviço. Empresas como Itaú, Nokia, Phillips e HP usam esse serviço. A Atento também enxerga demanda por serviços de atendimento presencial e conta hoje com 2,5 mil funcionários dedicados a essa atividade. Muitos estão alocados para realizar vendas door-to-door. A empresa criou um serviço de monitoramento de ponto de venda (PDV): seu funcionário passa de loja em loja e verifica se o merchandising da empresa que representa está arrumado da forma correta, tira fotos do local e envia pelo celular. O funcionário pode também captar e enviar dados sobre as vendas do dia e monitorar os PDVs de concorrentes próximos. “Oferecemos serviços presenciais há três anos”, relata Armbrust, da Atento. Televendas Basicamente, o serviço de contact center pode ser dividido em dois: receptivo e ativo. O primeiro representa mais da metade das posições de atendimento e consiste em receber contatos dos consumidores. No telemarketing ativo acontece o inverso: é o operador quem entra em contato com o consumidor. Essa atividade é muito usada para as finalidades de venda e cobrança. Na opinião de Scheliga, da Algar Tecnologia, o mercado de televendas está saturado no Brasil. “Os índices de conversão estão cada vez mais baixos. Geralmente todos vendem a mesma coisa: celular, cartão de crédito e TV por assinatura. E o alvo é sempre o mesmo público”, critica o executivo. Uma alternativa pode estar no telemarketing para vendas corporativas, ou B2B. Scheliga cita como

“aQuela era do operador-roboZinho Que lia Script acabou. preciSamoS de peSSoaS maiS inteligenteS” Luiz Fernando Scheliga, da Algar Tecnologia exemplo a Sotrec, uma distribuidora de equipamentos Caterpillar que é sua cliente. Como os potenciais compradores são grandes fazendas, dispersas pelo Brasil, é mais barato fazer a venda por telefone. No B2B, os valores das vendas são muito mais altos, o que garante uma remuneração melhor para o contact center. A Atento segue o mesmo caminho, no que concerne o telemarketing ativo. Uma aposta que deu certo foi a gestão de relacionamento de indústrias com pequenos varejistas. Alguns fabricantes de bebidas são seus clientes. Eles antes vendiam apenas para supermercados e bares, mas com o início da produção de bebidas como sucos e energéticos, sentiram a necessidade de expandir sua distribuição para farmácias e academias de ginástica. Em vez de ficarem reféns de atacadistas, alguns desses fabricantes de bebidas contrataram a Atento para gerenciar suas vendas para esses pequenos estabelecimentos. “Criamos esse serviço este ano. Oferecemos o mapeamento físico e eletrônico dos possíveis clientes em uma região, definimos rota de entrega e fazemos a venda direta. Nosso vendedor vira uma espécie de gerente comer-

cial para uma determinada carteira de clientes”, descreve Armbrust, da Atento, que tem hoje 1,2 mil atendentes trabalhando em B2B. Automação Além da diversificação do portfólio, as operadoras de contact center vêm procurando aprimorar o grau de automação de seus atendimentos, usando não apenas URAs, mas também tecnologias de reconhecimento de fala e de texto. O objetivo é simples: concentrar nas máquinas o fornecimento de informações simples e repetitivas, liberando os atendentes humanos para casos que requeiram mais conhecimento e inteligência. “Aquela era do “operador-robozinho” que lia script acabou. Precisamos de pessoas mais inteligentes. E isso pode ser alcançado automatizando os atendimentos básicos”, propõe Scheliga, da Algar Tecnologia. Hoje, em alguns casos, mais de 80% dos chamados são resolvidos sem a necessidade de intervenção humana. Mas ainda há muito espaço para melhorar a automação. Marcelo Arakaki, diretor de operações da SpeechBlue, empresa que fornece plataformas de reconhecimento de fala para call centers, lembra que apesar da Lei do SAC, a quantidade de reclamações de consumidores no Procon continua alta. Ou seja: atender os con-

a maiS recente novidade é a utiliZação daS redeS SociaiS da internet, como orkut, Facebook e tWitter.

Perfil do funcionário de call center no Brasil 76,8% são mulheres 45% são jovens em seu primeiro emprego 74% possuem 2º grau e 22%, nível superior Fonte: aBT

26 TeleTime out_2010


sumidores em até 60 segundos não é suficiente. O importante é resolver o problema na primeira ligação, o que nem sempre é alcançado. “É necessário um choque de qualidade no atendimento. Isso poderia ser obtido com mais treinamento e melhores salários. É fácil falar e difícil fazer, por causa dos custos. Para resolver o problema, só automatizando”, argumenta Arakaki. A automação também pode ser usada para o monitoramento do trabalho dos atendentes. Hoje, a forma mais comum de realizar esse acompanhamento é gravar uma amostra das ligações e analisá-la depois. A novidade são sistemas que analisam todas as gravações e são capazes de identificar pelo tom de voz e outros parâmetros o grau de atenção e simpatia dos funcionários. Esses sistemas geram relatórios e emitem alertas quando algum atendente sai da curva padrão. Fusões A diversificação do portfólio e a automação do atendimento não são

Números por operadora CONTAX

36 mil PAs, 2,1 operador por PA, sendo 65% receptivo. Realiza 180 milhões de contatos/mês, sendo 99% em ligações telefônicas

ALGAR TECNOLOGIA

5 mil PAs (80% é receptivo) e 9,5 mil operadoras. Realiza 9 milhões de contatos por mês, dos quais 95% são chamadas telefônicas

ATENTO

75 mil funcionários no Brasil

DEDIC

9,9 mil PAs e 22 mil colaboradores Fonte: Empresas

as únicas maneiras de uma operadora de contact center crescer no Brasil. Especialistas acreditam que há espaço para fusões e aquisições no mercado. A bola da vez é a Dedic. A empresa, que é controlada pela Portugal Telecom, corre o risco de perder uma de suas maiores clientes: a Vivo. O rumor se deve ao fato de a Portugal Telecom ter vendido a sua parte na Vivo para a Telefônica, que controla a Atento. “Faria sentido a Atento comprar a Dedic. Tudo vai depender do preço cobrado pelos portugueses”,

comenta uma fonte do setor. A Dedic preferiu não comentar o assunto. Além disso, ao ingressar no capital da Oi, das empresas AG Telecom e La Fonte, a Portugal Telecom passa a ser acionista importante da Contax, o que a coloca em uma posição conflituosa com a própria Dedic. Há quem aposte também que uma resolução desses conflitos será necessária até para que a entrada da PT na Oi se dê sem restrições concorrenciais.

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.:Serviços móveis

Livro de bolso

Nascem as primeiras experiências com venda de livros digitais em celulares no Brasil, mas modelo de negócios ainda é incerto e grandes editoras se mostram receosas.

toras contratarem distribuidoras especializadas, que abocanham entre 15% e 25% da receita. Os livros são entregues em regime de consignação, ou seja, as editoras só recebem por aqueles que tenham sido efetivamente vendidos. Em média, as livrarias ficam com 45% do preço de capa. Esse percentual pode ser maior quando se trata de grandes redes varejistas. Para complicar, existe no mercado editorial a prática de se pagar “jabá” para as livrarias em troca de maior destaque para os livros nas vitrines. Ou seja, no fim das contas, as editoras têm uma margem de lucro próxima a 15% sobre o preço de capa. Vale lembrar que livro é isento de impostos no Brasil. À primeira vista, a digitali-

“Não contava com o despreparo e a desorganização das editoras brasileiras” Carlos Eduardo Ernanny, da Gato Sabido 30 Teletime out_2010

zação dos livros é benéfica para as editoras, pois elimina os custos de impressão e de distribuição. Entretanto, todas tratam o assunto com extrema cautela. Alonso Alvarez, diretor da Libre, associação que reúne cerca de cem editoras brasileiras de médio e pequeno porte, explica o motivo: “As editoras têm medo de perder o controle sobre seu conteúdo, tal como aconteceu na música”. O consultor e autor Ricardo Neves utiliza uma comparação histórica para descrever a situação: “As editoras veem os e-books da mesma forma que monges copistas viam a prensa de Gutemberg”. Diante da insegurança das editoras, coube às livrarias na Internet dar o primeiro passo para fazer o negócio de e-books acontecer. Foi assim nos EUA, onde a Amazon, para estimular a leitura em telas, desenvolveu seu próprio e-reader, o Kindle. O mesmo caminho foi seguido pela gigante Barnes & Noble, com seu e-reader Nook. Fabricantes tradicionais de eletro-eletrônicos, como a Sony e a coreana iRiver, também criaram suas linhas de e-readers. Embora a maioria das vendas de livros digitais ainda aconteça para leitura em desktops, aposta-se que o futuro esteja mesmo nos leitores digitais, pois suas telas não emitem luz, cansando menos a vista, além de permitir maior portabilidade. No Brasil, a primeira livraria dedicada exclusivamente à venda de livros digitais foi a Gato Sabido, que também lançou seu próprio leitor digital, o Cool-er. Do lado dos fabricantes de aparelhos, a Positivo foi a pioneira no desenvolvimento de um e-reader para o mercado brasileiro, o Alfa. Paralelamente, livrarias que já existiam na Internet, como Submarino, Saraiva e FOTOS: divulgação

A

revolução digital que sacudiu a indústria fonográfica na última década se apro­xima ago­ ra do mercado editorial. As vendas de e-books já representam cerca de 10% do mercado nos EUA e devem ultrapassar 50% dentro de cinco anos. O hábito da leitura está migrando das páginas impressas para as telas de computadores, laptops, e-readers, tablets e também dos celulares. No Brasil, as três primeiras lojas de livros digitais para celulares nascem neste quarto trimestre de 2010: Saraiva, Gato Sabido e MoBooks. Seu maior desafio é construir um modelo de negócios que seja atrativo para editoras, operadoras, livrarias digitais e, obviamente, para o consumidor. Para vislumbrar a transformação que se avizinha do mercado editorial tradicional, é necessário compreender como ele opera hoje. Compete às editoras escolher os títulos que são lançados e firmar contratos com os autores, para os quais repassam em média 10% do faturamento com o livro, a título de direitos autorais. É comum escritores de renome receberem um adiantamento desse valor antes mesmo do lançamento do livro. As editoras se encarregam do trabalho de produção do livro, que inclui revisão, diagramação, desenho de capa e impressão, que geralmente é terceirizada, pois a maioria não tem gráfica própria. A produção e a impressão do livro correspondem a algo entre 6% e 8% do preço do exemplar. Para a distribuição às livrarias é comum as edi-


Cultura, também apostaram nessa tendência e iniciaram a venda de e-books. Há pouco tempo, Gato Sabido e Submarino fecharam um acordo operacional e juntaram suas ofertas digitais. As iniciativas tomadas até agora no Brasil têm caráter estratégico, objetivando marcar posição como preparativo para quando esse mercado efetivamente deslanchar. As vendas de livros digitais ainda são insignificantes. A Gato Sabido, por exemplo, registra algumas poucas dezenas de downloads pagos por dia. São muitos os fatores que corroboram para que o volume de vendas de e-books no Brasil ainda seja baixo. O primeiro é a falta de hábito do brasileiro de ler livros em telas, o que pode mudar rapidamente entre os leitores mais jovens, uma geração composta de “nativos digitais”. Há quem reclame de falta de leitores como um todo no País, independentemente do suporte do livro. Na opinião de Alexandre Vermeulen, presidente da Atchik-Realtime, os e-books podem ser uma oportunidade para formação de público leitor, especialmente se os editores fizerem uso de soluções multimídia, criando widgets e comunidades em redes sociais para promover os lançamentos. “Não basta simplesmente passar um livro no scanner. Isso não forma leitores, apenas migra os atuais para a mídia digital”, critica. Outro entusiasta do novo suporte para a formação de leitores é Mark Coker, sócio-fundador da Smashwords, empresa que distribui livros digitais de autores independentes nos EUA: “A relação do leitor com o livro muda. O livro passa a ser customizável: o leitor pode trocar o tamanho da fonte e a própria fonte”. O alto preço dos e-readers atrapalha. Os modelos disponíveis no Brasil são importados e custam acima de R$ 500. Para fins tributários, eles são considerados hoje aparelhos eletrônicos e pagam imposto de importação de 60%. Há, contudo, uma briga judicial para que os e-readers passem a ser isentos de impostos, tal como os livros, o que baratearia significativamente o produto. É preciso mencionar um problema mundial, que é a falta de padronização dos arquivos de livros digitais. Como toda tecnologia nascente, o e-book carece de um padrão único e interoperável.

“A relação do leitor com o livro muda. O livro passa a ser customizável” Mark Coker, da Smashwords

O favorito das editoras é o ePub, criado pela Adobe e reconhecido pela maioria dos e-readers de fabricantes independentes. Outro forte candidato a desempenhar o papel de líder é o PDF, também da Adobe, com adição de DRM (Digital Rights Management), para restringir as cópias. Na contramão, duas das maiores vendedoras de e-books do mundo, a Amazon e a Apple optaram por padrões proprietários que só podem ser lidos nos dispositivos comercializados por elas mesmas, o Kindle e a dupla iPhone/iPad, respectivamente. Vale lembrar que todos esses forma-

tos de arquivo utilizam algum tipo de DRM. No ePub, o consumidor pode instalar o livro em até seis aparelhos diferentes, desde que todos sejam do mesmo dono. O assunto é polêmico, pois subverte algumas características básicas do livro físico, que é poder emprestá-lo para amigos. “Imagine se houvesse DRM no livro impresso! Você só poderia ler na cama e no sofá, mas não na praia. Já pensou ter que digitar uma senha para abrir o livro?”, critica Coker, da Smashwords. Conteúdo O principal fator que trava o crescimento do mercado de e-books no Brasil é, sem dúvida, a falta de conteúdo. São poucas as grandes editoras que se aventuraram a disponibilizar títulos em versão digital. E aquelas que tiveram coragem o fizeram timidamente até agora, como Companhia das Letras, Ediouro, Nova Fronteira e Globo. Para complicar, o preço praticado pelas grandes editoras nos e-books é apenas

Distribuidora: essencial ou dispensável?

H

oje, para uma editora ter seus livros nas prateleiras de milhares de livrarias espalhadas pelo Brasil afora é fundamental contratar o serviço de uma distribuidora. Trata-se de uma empresa dotada de uma frota de veículos, encarregada em transportar livros das editoras para os varejistas. Boa parte da receita dos livros físicos fica nas mãos das distribuidoras. Com o advento dos e-books, a função delas se extingue. Afinal, o produto físico deixa de existir e o transporte, que antes era feito pelas estradas esburacadas do país, passa a acontecer pelos cabos de fibra óptica da Internet. Só que não é tão simples assim. Uma coisa é a editora negociar com meia dúzia de livrarias digitais. Outra, bem diferente, é quando o mercado crescer e for preciso lidar com dezenas, quiçá centenas de livrarias. Como garantir que o número de downloads vendidos informado por cada uma das livrarias é verdadeiro? Como garantir a segurança dos arquivos dos livros, com tantos parceiros envolvidos? E se em algum momento for necessário suspender a venda de um título ou realizar a atualização de seu arquivo: será preciso fazer isso uma a uma com todas as livrarias? Para ajudar as editoras a resolver tais questões surge a figura da distribuidora digital. A primeira a nascer no Brasil é a Xeriph, fundada pela Gato Sabido, e que

out_2010 Teletime 31

já teve 20% do seu capital vendido para a Superpedido, uma das maiores distribuidoras físicas do País. A proposta da Xeriph é ser uma plataforma onde editoras e livrarias se conectam para a venda de e-books. Cada editora manterá uma página própria no servidor da Xeriph, atualizando seu catálogo de livros digitais simultaneamente para todas as livrarias, definindo preços e acompanhando as vendas de todos os canais em tempo real. Os arquivos com os miolos dos livros ficam armazenados na Xeriph. A cada venda, a livraria busca o arquivo no servidor da distribuidora e entrega para o consumidor, o que permite que a Xeriph o controle todas as vendas. A empresa cobra das livrarias 3% sobre o preço de capa e das editoras, 2%, além da taxa de DRM (digital rights management) da Adobe. A Gato Sabido não é a única a investir nesse caminho. Um grupo de grandes editoras, no qual estão incluídas Record, Rocco, Planeta, Sextante e Objetiva, fundaram a DLD (Distribuidora de Livros Digitais), com a proposta de controlarem elas mesmas a distribuição digital de seus livros. A DLD ainda não entrou em operação. O surgimento de distribuidoras digitais divide o mercado. Algumas editoras veem com bons olhos. Outras, nem tanto. “Não precisamos de intermediários para alcançar as livrarias”, afirma Newton Neto, diretor da Singular, braço digital da Ediouro.


.:Serviços móveis um pouco mais barato que aquele das versões físicas, quando poderia ser muito menor. Na opinião dos especialistas, isso acontece porque as editoras têm medo de que o e-book canibalize as vendas dos livros físicos. Para se ter uma ideia, o romance “Leite Derramado”, de Chico Buarque, editado pela Companhia das Letras, era vendido no site da Saraiva no começo de outubro por R$ 39 na versão física e R$ 29 na digital. Para especialistas, o preço ideal de um e-book seria por volta de R$ 15, ou menos. O tamanho diminuto do catálogo de livros digitais brasileiros pode ser percebido com números da Gato Sabido: a livraria conta hoje com apenas 1,8 mil títulos em português, contra mais de 120 mil em inglês. “Eu imaginava que em 2010 fôssemos ter 30 mil livros nacionais, mas não contava com o despreparo e a desorganização das editoras brasileiras”, confessa o sócio-fundador da empresa, Carlos Eduardo Ernanny. Portanto, a falta de conteúdo não se deve apenas ao medo das editoras de perderem o controle sobre seu conteúdo ou de canibalizarem as vendas dos livros físicos. Há outros obstáculos, como a dificuldade em digitalizar o próprio acervo. Boa parte dos livros antigos de grandes editoras não tem

“as editoras têm medo de perder o controle sobre seu conteúdo” Alonso Alvarez, da Libre nem sequer versão em fotolito. Nesses casos, é preciso digitalizar página por página com um scanner e depois passar sobre as imagens um software de OCR (Optical Character Re­­cognition) para identificar o texto e, finalmente, gerar um PDF e, em seguida, um ePub. A Ediouro é uma das mais avançadas nesse processo de digitalização, graças ao fato de ter uma subsidiária dedicada a essa tarefa, a Singular Digital. De seu acervo de 10 mil títulos, a Ediouro já tem 3 mil digitalizados, a maioria em PDF e 250 em ePub. Nem todos, porém, estão à venda como e-books por enquanto. A digitalização dos livros tem um custo. Pelo processo de transposição do papel para o ePub, a Singular cobra R$ 2,50 por página. Se a editora cliente tiver pelo menos o arquivo original em PDF aberto, o preço de adaptação para ePub cai para R$ 0,60 por página. A Gato Sabido também oferece o serviço de conversão para as editoras, cobrando R$ 200 por livro, independentemente do tamanho. Algumas edi-

caso a caso, para poder vender a versão eletrônica de todo o acervo antigo. Nem sempre essa renegociação é simples. Na venda digital, os autores conseguem percentuais melhores, que variam de 25% a 85%, no caso de plataformas independentes, como a SmashWords. Há ainda situações em que a editora original é dispensada da venda digital pelo escritor ou por seu agente literário, que negociam o e-book diretamente com livrarias digitais. Cabe ressaltar que a edição digital recebe um ISBN (International Standard Book Number) diferente da impressa. O ISBN é o número de identificação internacional de uma obra escrita. Smartphones Embora o mercado de livros digitais ainda seja incipiente, há grande expectativa de que ele possa crescer através da distribuição para as telas dos celulares, amplificando o efeito que os tablets e leitores digitais já estão tendo no mercado de telecomunicações. A Apple já se posicionou nesse segmento, com a criação do aplicativo iBookStore, que funciona como livraria e leitor digital para iPhones e iPads. O aplicativo similar mais conhecido na plataforma Android é o Aldiko, baixado

O principal fator que trava o crescimento dos e-books no Brasil é a falta de conteúdo. São poucas as grandes editoras que disponibilizam títulos em versão digital toras têm preferido fazer a conversão com empresas indianas. É recomendado que se faça uma revisão do arquivo em ePub, pois é comum ocorrerem erros no processo de conversão. Com o intuito de acelerar a disponibilização de títulos digitais, a Gato Sabido lançará em breve um editor gratuito de ePubs. “Não queremos ganhar dinheiro com conversão. Fazemos isso para ajudar o mercado”, explica Ernanny. Outra dificuldade enfrentada pelas editoras é a questão dos direitos autorais no mundo digital. Os contratos assinados com autores até poucos anos atrás não previam esse tipo de distribuição. Dessa forma, é preciso renegociar com cada autor,

gratuitamente e com vasta oferta de títulos em domínio público. No Brasil, novamente o pioneirismo coube às livrarias. Em outubro, a Saraiva disponibilizou o Saraiva Digital Reader, um leitor digital para iPhone e iPad. A Gato Sabido prometia fazer o mesmo até o fim do mesmo mês de outubro. No seu caso, além de leitor, o aplicativo permitirá a compra de e-books com pagamento via cartão de crédito. A empresa espera disponibilizar versões para Blackberry, Symbian e Android até o final do ano. Correndo por fora, está a novata MoBooks, empresa brasileira que nasce dedicada à venda de conteúdo editorial em plataformas móveis, fundada por executivos com experiência no mercado

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.:Serviços móveis de serviços de valor adicionado (SVA) brasileiro. No seu caso, o aplicativo foi desenvolvido dentro de casa e a primeira versão é em Java. O software está neste momento sendo submetido às app stores que trabalham com Java no País, como a OVI, da Nokia, a loja da Vivo e aquelas criadas dentro da plataforma Plaza, da Qualcomm. Versões para smartphones chegarão em 2011. A loja da MoBooks nascerá com cerca de 200 títulos. O acervo inclui não apenas livros, mas também revistas e histórias em quadrinhos. Além do modelo de venda de e-books, a empresa pretende trabalhar com conteúdo patrocinado. A MoBooks também oferecerá sua plataforma para editoras e livrarias interessadas em distribuir e-books em celulares. Outra iniciativa nessa área parte da Singular, do grupo Ediouro, que negocia com fabricantes de celulares a possibilidade de embarcar livros em modelos futuros, tal como já é feito hoje com música. Há dúvidas sobre que tipo de livro será mais popular para leitura nas reduzidas telas dos celulares. “Não acredito que alguém lerá um livro de cabo a rabo em um smartphone. Mas se você está na sala de espera de um consultório médico, por que não ler um capítulo do romance que deixou em casa? Acho que servirá para intercalar com leitura do livro físi-

co”, prevê Filipe Diniz, um dos sócios da MoBooks. Outra aposta é de que os smartphones sejam usados principalmente para o acesso a livros técnicos e de referência, como dicionários, que são pesados

Na distribuição em celulares, o maior desafio será definir um modelo de negócios que agrade não apenas a editoras e livrarias, mas também às operadoras móveis para carregar e precisam ser acessados rapidamente, para consultas pontuais, em qualquer lugar. Há também quem acredite no surgimento de novos formatos literários que se adaptem às telas dos celulares. “Deve ser criado um gênero literário específico para essa mídia. Talvez histórias mais curtas, ou pílulas”, especula Newton Neto, diretor da Singular Digital. Na distribuição em celulares, o maior desafio será definir um modelo de negó-

cios que agrade não apenas a editoras e livrarias, mas também às operadoras móveis. “Precisamos bo­­­tar todos os lados para conversar. Algumas editoras querem 70% do preço de capa do e-book. E operadoras estão acostumadas a reter 50%. A conta não fecha”, expõe Diniz, da MoBooks. Apesar dos avanços da tecnologia, ninguém aposta que o livro físico desaparecerá por completo. Ou pelo menos ainda estamos muito distantes disso acontecer. Ao que tudo indica, o livro continuará sendo produzido e consumido por muito tempo, embora cada vez em menor escala, transformando-se em item de colecionadores, como são hoje os LPs e os CDs. “O livro será ainda mais valorizado no futuro. Provavelmente você lerá primeiro o e-book e comprará depois a versão impressa daqueles que gostar  mais”, prevê Neves. Fernando Paiva

Vantagens e desvantagens do livro digital Vantagens

Desvantagens

• Preços mais baixos • Portabilidade: pode levar milhares de livros na memória de um e-reader ou smartphone • E-books não esgotam • Adaptação da fonte do texto de acordo com preferências pessoais

• Limitação do número de cópias • Impossibilidade de emprestar o livro para amigos • Catálogo disponível ainda é pequeno • Falta de interoperabilidade entre os diferentes formatos de arquivos e de devices

• Não tem custo de impressão • Fácil distribuição pela Internet • E-books não esgotam • Possibilidade de publicar mais títulos por mês

• Risco de perder o controle sobre o conteúdo em razão de pirataria digital • Custo de digitalização do acervo antigo •C  usto extra de revisão dos arquivos digitais convertidos para os diferentes padrões •N  ecessidade de renegociar contratos antigos de direitos autorais separadamente com cada autor e por cada obra

Para a livraria

• E-books não esgotam • Não tem custo de manutenção de estoque

• Livrarias tradicionais precisam investir em plataforma de venda digital e renegociar contratos com editoras. Seu percentual de venda talvez seja reduzido • Competição com novas livrarias digitais criadas por empresas de Internet e de telecomunicações

Para o autor

• Maior participação na receita com o pagamento de direitos autorais • Melhor distribuição do livro, agora com alcance mundial • Maior risco de ter a obra pirateada • Possibilidade de negociar diretamente com livrarias digitais • Maior facilidade de publicação

Para o leitor

Para a editora

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Velocidade de fibra ótica, alcance de satélite. 36,000km

GEO

8,000km

03b

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.:Política

Congresso no mesmo tom

Principais parlamentares da área de comunicação conseguem se reeleger e devem garantir continuidade dos projetos, mas temas espinhosos, crescimento da bancada evangélica e nomes polêmicos para o setor de mídia podem causar surpresas. Entre os parlamentares que eventualmente atuam em questões referentes ao setor se reelegeram Ivan Valente (PSOL/SP), Carlos Sampaio (PSDB/SP), Bilac Pinto (PR/MG), Nárcio Rodrigues (PSDB/MG), Julio Delgado (PSB/MG), Fernando Ferro (PT/PE), Arnaldo Jardim (PPS/SP), Arolde de Oliveira (DEM/RJ), Eduardo Cunha (PMDB/RJ), além da volta de Jandira Feghali (PC do B/RJ) e de Glauber Braga (PSB/RJ), que assumiu a suplência de Jorge Bittar em 2009 e agora retorna à Câmara. Vital Rego Filho (PMDB/PB), que atuava na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara, e Rodrigo Rollemberg (PSB/DF), que atuava na CCTCI, foram eleitos para o Senado.

Executivo do Governo Federal ou Estadual, o que não é incomum. Outra deputada que não se reelegeu e que vinha atuando na interlocução com o setor de comunicações foi Solange Amaral (DEM/SP), assim como Walter Ihoshi (DEM/SP), William Woo (PPS/SP), Jorginho Maluly (DEM/ SP) e Dr. Ubiali (PSB/SP). Todos eles, na atual legislatura, atuaram nos temas de comunicação, seja participando de eventos setoriais, seja apresentando emendas para projetos importantes. O Deputado Walter Pinheiro (PT/BA), um dos principais parlamentares de comunicação, foi eleito senador

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Nomes fora Wellington Salgado (PMDB/MG), suplente de Hélio Costa no Senado e que tentava permanecer em Brasília como deputado federal, não se elegeu. Outros parlamentares que em diferentes momentos desempenharam papel relevante nos debates sobre comunicação não voltarão na próxima legislatura, como o próprio senador e ex-ministro das Comunicações Hélio Costa (PMDB/MG), e os senadores Antônio Carlos Jr. (DEM/BA) e Aloízio Mercadante (PT/SP). Com esse quadro de parlamentares, o mais provável é que a dinâmica se mantenha a mesma na próxima legislatura. A exceção é no equilíbrio de forças na bancada evangélica, que segundo levantamento da Frente Parlamentar Evangélica chegou a 70 parlamentares nestas eleições. Há nesse conjunto de parlamentares deputados e senadores de todas as tendências, o que não permite assumir que os evangélicos terão direcionamento único. O recém-eleito FOTO: arquivo

FOTO: abn

O

s temas de comunicação e telecomunicações no Congresso Nacional são tratados, em geral, pelos mesmos parlamentares e quase sempre no âmbito da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara (CCTCI) e na comissão homônima do Senado. Pois a perspectiva em 2011 é que que isso se mantenha. Os nomes que tradicionalmente participam dos debates foram reeleitos em outubro e seguirão atuando nas mesmas áreas a partir do próximo ano. Dos deputados da CCTCI da Câmara, 42 dos 80 parlamentares se reelegeram, e é natural que se espere, na próxima legislatura, a manutenção de suas posições na comissão. Na Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara, foram 26 os deputados reeleitos. Mas isso não quer dizer que o Congresso será igual. Houve um remanejamento de forças políticas que pode ter algumas implicações relevantes para o setor. Do ponto de vista dos protagonistas das discussões sobre mídia e telecomunicações, os principais nomes confirmaram seus mandatos para a próxima legislatura: Julio Semeghini (PSDB/SP), Jorge Bittar (PT/RJ), Luiza Erundina (PSB/SP), Paulo Bornhausen (DEM/SC), Miro Teixeira (PDT/RJ), Eduardo Gomes (PSDB/TO) e Paulo Teixeira (PT/SP) na Câmara; Walter Pinheiro (PT/BA), Eunício Oliveira (PMDB/CE) e Flexa Ribeiro (PSDB/PA) no Senado. A principal surpresa foi o deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB/CE), que assumiu posição de protagonismo em seus primeiros quatro anos na Câmara mas acabou não se reelegendo para a legislatura de 2011. No entanto, sua votação elevada o coloca em posição de suplência caso algum outro parlamentar da bancada peemedebista cearense venha a ocupar uma posição no


.:Política FOTO: arquivo

senador Walter Pinheiro (PT/ BA), por exemplo, é computado como integrante da bancada evangélica, o que não quer dizer que tenha posições semelhantes às do senador Marcelo Crivella (PR/RJ) , também integrante desta bancada. A questão religiosa é importante na discussão de temas ligados às comunicações. Há sete deputados diretamente ligados à Igreja Universal do Reino de Deus (controladora da Rede Record), e 24 da Assembleia de Deus. Os demais são batistas, presbiterianos ou membros de outras igrejas com menor representatividade. A bancada da Igreja Universal é, naturalmente, relevante nas questões que afetem os interesses do grupo Globo, que em muitas vezes se colocou em posição de enfrentamento em relação à Record. Ao mesmo tempo, na comunidade evangélica, a IURD tem sido a principal apoiadora do governo Lula. Mas de onde podem surgir os maiores problemas para o grupo Globo é com a chegada do ex-governador Anthony Garotinho à Câmara dos Deputados, com a maior votação do Estado do Rio de Janeiro. Ainda que haja uma pendência judicial sobre a validade da candidatura de Garotinho, a mesma Justiça o autorizou a concorrer. Garotinho declarou, em diversas ocasiões, se sentir perseguido pelos veículos de imprensa do grupo Globo. Podem ter sido apenas declarações políticas em um momento específico, mas é uma variável a ser considerada. Outra variável importante é a volta da deputada Jandira Feghali. Ela é a autora de um dos projetos mais antigos da área de comunicação em tramitação no Congresso. Tratase do projeto que trata da programação regional e independente nas emissoras de TV aberta. O projeto foi aprovado na Câmara, mas está parado no Senado. Com a volta de Jandira ao Congresso, pode voltar a ganhar força. Além disso, a deputada é próxima aos setores de produção independente e cinema, o que garante um canal de interlocução relevante para estes segmentos. A análise geral dos especialistas em

O Deputado Federal Julio Semeghini (PSDB/SP) assumiu posição de protagonismo nas discussões de mídia e telecom e foi reeleito

Congresso é que o perfil independente do Senado se mantém, reforçado pela presença de parlamentares que normalmente não se alinham automaticamente aos seus partidos ou ao governo, como Eunício de Oliveira e Walter Pinheiro. Tema polêmico O principal tema que pode ser discutido no Congresso a partir de 2011 é uma eventual Lei de Comunicação Social Eletrônica. O governo está trabalhando em um anteprojeto que pretende deixar para encaminhamento ao Congresso no próximo ano, pelo

Dos deputados da CCTCI da Câmara, 42 dos 80 parlamentares se reelegeram, e é natural que se espere, na próxima legislatura, a manutenção de suas posições na comissão próximo presidente. Até o fechamento desta edição, o quadro eleitoral para o Executivo estava aberto, com uma pequena vantagem de Dilma Rousseff sobre José Serra, mas com possibilidades reais de crescimento da candidatura oposicionista. Nenhuma das candidaturas tende a se opor a uma revisão do marco legal das comunicações, até porque tanto no governo FHC quanto no governo Lula esta questão foi levantada, e em ambos os casos, apesar do consenso técnico sobre a necessidade de ajustes na legislação, houve o entendimento da inviabilidade política. Vencendo Dilma Rousseff as eleições para presidência, é provável que a reforma na legislação de comunicações seja enviada mais rapidamente ao Congresso. Vencendo José Serra, o mais provável é que esse debate demore um pouco mais para acontecer, apostam analistas, mas não será esquecido. Isso 38 Teletime out_2010

porque faz parte do projeto de telecomunicações implementado pelo PSDB em 1998 uma reforma mais ampla no marco legal do setor. O projeto que está sendo preparado pelo governo busca estabelecer um marco para a comunicação social eletrônica, o que inclui a comunicação social eletrônica aberta (TV aberta e rádio) e a comunicação social eletrônica por assinatura, além de estabelecer parâmetros para os serviços de comunicação social eletrônica pela Internet e para o serviço de comunicação de rede. Será, portanto, um projeto que afetará todos os setores da área de comunicação. Mas algumas polêmicas, como o regime de outorgas ou a reforma da Lei Geral de Telecomunicações, ainda devem ser lapidadas antes que o projeto esteja pronto a ser enviado ao Congresso. Outro projeto relevante, o PLC 116/2010, que tramita no Senado e que estabelece um novo marco legal para a TV por assinatura, tem grandes chances de também ficar para a próxima legislatura. Isso porque, em 2010, há apenas cinco semanas de trabalho efetivo previsto no Senado a partir das eleições, o que é pouco para a complexa tramitação do projeto. Mas não é impossível, havendo um acerto entre as cinco comissões que analisarão a matéria. O relator na primeira delas, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), é o senador Demóstenes Torres (DEM/GO), que se reelegeu e estará no Senado em 2011. Paulo Henrique Lustosa, que foi um dos relatores do projeto na Câmara, tem também, até a conclusão do seu mandato, uma batalha para tentar viabilizar a votação da nova Lei do Fust, outro assunto que está sob a sua relatoria. Até o fim do ano, contudo, há outras questões importantes que ainda precisam ser votadas no Congresso. A mais importante é o Orçamento, mas estão na fila as medidas provisórias do Pré-Sal, a MP 495/2010 (que estabelece as regras de compra da União, inclusive as regras que valem para as compras da Telebrás, e que vence em 22 de novembro), além da MP 491/2010, que deu poderes à Ancine para atuar em relação ao “equilíbrio econômico” do mercado audiovisual, que vence ainda em outubro. Samuel Possebon


.:Regulamentação

Mariana Mazza, de Brasília

mariana.mazza@convergecom.com.br

Backhaul: a novela não acaba Nova proposta do PGMU reforça o conceito de backhaul como rede pública e gera a revolta das concessionárias. O impasse pode ameaçar o cumprimento das novas metas e do projeto do governo para a banda larga.

“a fixação de metas pode trazer problemas jurídicos, já que essa nova capacidade vai ser usada para a oferta de Serviço de Comunicação Multimídia”

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de backhaul em um plano que trata de telefonia fixa. Isso pode trazer problemas jurídicos, já que essa nova capacidade vai ser usada para a oferta de Serviço de Comunicação Multimídia”, afirmou o executivo na audiência. Dez dias depois, a empresa voltaria a tocar a mesma tecla, em audiência pública sobre o PGMU III. Desta vez seria a diretora de Assuntos Regulatórios da concessionária, Camilla Tápias, quem iria criticar o projeto no que se refere ao backhaul. Para Camilla, da forma com que o texto está redigido, sem detalhes sobre a oferta de capacidade da rede, as metas gerariam uma grande “insegurança jurídica”. Novos rumos É bem verdade que a Telefônica sempre teve um posicionamento relativamente neutro desde que a briga judicial sobre o backhaul teve início, há dois anos. Considerando esse espírito low profile da concessionária, não seriam tão surpreendentes as declarações emitidas agora sobre a natureza do backhaul. É fácil entender a lógica da Telefônica. Dona da mais robusta rede de dados do país, a concessionária paulista teme que uma expansão das metas da nova infraestrutura acabe conturbando ainda mais o debate sobre o que é público e o que é privado no tratamento regulatório, alterando inclusive a lógica comercial usada pela empresa na oferta de capacidade de rede. Mas engana-se quem pensa que a onda anti-backhaul atacou apenas a Telefônica. Todas as companhias concordam com o posicionamento explicitado pela concorrente, apesar de se manterem estrategicamente em silêncio no momento. Executivos ouvidos por esta reportagem são enfáticos ao afirmar que as novas metas são ilegais e nocivas para o mercado de telecomunicações. E que a Anatel estaria FOTO: divulgação

D

esde que o backhaul passou a compor o léxico de estrangeirismos que povoam o setor de telecomunicações, muito se discute sobre a real natureza dessa “nova” fatia da infraestrutura das teles. O backhaul é essencial ou não para a telefonia fixa? Essa rede é pública ou privada? Os equipamentos que a compõem são reversíveis ou não à União? Quem deve financiar a expansão dessa rede? Afinal, o que pode ser chamado de backhaul? Essas e outras dúvidas foram parar em uma ação judicial movida pela Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (ProTeste) em 2008, e agora espera-se que a Justiça esclareça os fatos. Mas enquanto isso não ocorre, as mesmas perguntas começam a ser colocadas pelas próprias operadoras, em uma nova onda de questionamentos. O divisor de águas é nada menos do universalização, a concessionária não se que o novo Plano Geral de Metas de mostrou nem um pouco satisfeita com as Universalização (PGMU III). Trata-se da obrigações fixadas no novo PGMU. A lista de obrigações das concessionárias, surpresa veio sobre o motivo da revolta que valerão de 2011 a 2015. A versão da empresa: o backhaul. Representantes colocada em consulta traz metas fortes da companhia aproveitaram os debates para o backhaul, que deve ter sua capapúblicos para questionar por que a cidade de transmissão de dados elevada Anatel teria estipulado metas que não em até quatro vezes nos próximos cinco são do serviço de telefonia fixa, alvo prinanos. Além disso, obriga as concessionácipal do PGMU. Mas sim, segundo a rias a atenderem compulsoriamente pelo Telefônica, seriam metas do Serviço de menos uma demanda por esta rede nas Comunicação Multimídia (SCM), colocalocalidades em que atua. Acontece que as das indevidamente no novo PGMU. concessionárias, que até então engrosO porta-voz da mudança de posição savam o coro de que o backhaul era da Telefônica foi o seu secretário-geral, indiscutivelmente uma rede de suporte Gustavo Fleichman, durante reunião do do Serviço Telefônico Fixo Comutado Conselho Consultivo da Anatel (STFC) - ou seja, essencial para que a realizada em 10 de setembro. telefonia funcione e, portanto, indissoci“Preocupa a fixação de metas ável do contrato de concessão - parecem ter mudado de ideia. O primeiro sinal de que as coisas se alteraram no front foi dado pela Telefônica. Como acontece toda vez que o Estado Gustavo Fleichman, da Telefônica propõe novas metas de


forçando a inclusão da banda larga como uma espécie de modalidade do STFC, em um movimento em que todos sairão prejudicados, especialmente os consumidores de telefonia fixa. A última edição de TELETIME, de setembro, já havia discutido esta questão. Por ironia do destino talvez, o discurso apresentado agora pelas teles encaixa-se com perfeição aos argumentos levados pela ProTeste em sua ação judicial contra as metas de universalização, especialmente o backhaul, ainda em 2008. Não custa lembrar que, quando a ação teve início, as teles posicionaram-se a favor da Anatel e do governo, reforçando o discurso de que o backhaul seria uma peça fundamental para a oferta de telefonia fixa e, portanto, sua expansão como meta de universalização seria legítima. Mas então, o que mudou para que agora as teles sejam contra a regulamentação desta rede? Público X privado Basicamente, o conflito agora é com relação ao escopo da universalização do backhaul. Para tentar manter a coerência entre os dois posicionamentos tão conflitantes, as teles compartilham uma

tese. O PGMU II, onde apareceram pela primeira vez as metas de backhaul, teria sido aceito pelas concessionárias porque, no entendimento do setor, tratava-se de fato de uma expansão de rede por onde a telefonia fixa poderia ser ofertada. O fato de que essa mesma rede trafega também outros serviços, especialmente a

A versão colocada em consulta traz metas fortes para o backhaul, que deve ter sua capacidade de transmissão de dados elevada em até quatro vezes nos próximos cinco anos banda larga - que não faz parte do STFC -, era considerado uma espécie de “bônus”. Mas esse aspecto não significava que a banda larga também seria universalizada por meio do PGMU. Do ponto de vista jurídico, a tese faz sentido. De fato, quando houve a alteração do plano de metas em vigor para trocar os Postos de Serviço de

Telecomunicações (PSTs) pela expansão do backhaul, governo e Anatel tiveram o cuidado de estipular apenas metas estruturais no PGMU, sem referências à capacidade de transmissão de dados dessa nova rede. Esses parâmetros foram fixados em outro documento, um aditivo ao contrato de SCM, assinado com as teles. Com isso, as concessionárias voluntariamente concordavam em ampliar a capacidade dessa rede, aceitando o aditivo contratual. Mas o compromisso de expansão da capacidade da rede estava associado apenas ao SCM, já que se tratava de uma ampliação com alvo claro na oferta de banda larga e não de telefonia fixa. É este cenário que agora está sendo alterado pela Anatel. Para as concessionárias, incluir metas de ampliação de capacidade no PGMU seria aceitar que essa expansão é necessária para a oferta de STFC. O problema é que não é. Assim, na prática, as novas metas estariam transformando a banda larga em STFC (ou vice-versa) sem que tenha sido tomada qualquer decisão política sobre esse assunto. Daí porque as teles teriam concordado com o PGMU II, mas estejam, pelo menos nas conversas reservadas,

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frontalmente contrárias ao PGMU III. “O que a Anatel quer fazer é uma espécie de passe de mágica. Como se ela tivesse o toque de Midas e, em uma canetada, pudesse transformar a banda larga em STFC”, reclama uma fonte das concessionárias. “Se precisar, iremos à Justiça, porque está claro que a Anatel está metendo os pés pelas mãos”. O tal toque de Midas da Anatel, no entanto, é só a ponta do problema. As concessionárias temem que redes consideradas privadas passem a ser classificadas como públicas caso aceitem as novas metas. E mais: que o próprio mercado de oferta de capacidade de tráfego em suas redes seja comprometido cabalmente, fechando a única janela rentável que de fato restou à operação das concessionárias no mercado brasileiro.

“A Anatel vem distorcendo tanto as coisas que até as concessionárias se viram encaçapadas nessa confusão”

Expropriação e reversibilidade Palavras fortes têm sido usadas para classificar a iniciativa da agência reguladora ao incluir metas de ampliação de capacidade do backhaul. Para um executivo ouvido pela reportagem, o resultado da ação da Anatel seria a expropriação de uma rede privada, construída com recursos da companhia ao longo dos últimos anos. “Intervir no mercado de atacado dessa maneira é um risco gravíssimo de desvio de finalidade de recursos públicos. Sem contar que é uma quebra de contrato e uma expropriação indevida das redes privadas das empresas”, protesta a fonte. A ideia de expropriação atinge outra grande polêmica envolvendo o backhaul. Existiria um backhaul público e outro privado? Para as empresas, sim. E para a própria Anatel também. Acontece que a agência estaria sutilmente mudando de posição nessa controvérsia. Segundo apurou esta reportagem, técnicos da autarquia teriam aderido à corrente de que não é possível separar o que é público do que é privado na rede. E, sem saber o que foi feito com recursos próprios pelas teles, nada mais natural do que considerar tudo público. Um detalhe regulatório tem elevado o temor de reversão de toda a rede para o regime público a partir do PGMU III. Trata-se das regras de reversibilidade de bens, alteradas após o aparecimento do backhaul e que devem passar por

Flávia Lefèvre, da ProTeste uma nova reforma ainda neste ano. O principal combustível para a ação judicial da ProTeste ganhar vulto foi a retirada da cláusula de reversibilidade dos contratos assinados com as teles para a implantação do PGMU II. Esse “sumiço” da cláusula fez com que a Justiça suspendesse liminarmente a vigência do plano de metas. A liminar só foi derrubada quando a agência recolocou a regra de reversão no contrato, mas de forma bastante lacônica. Basicamente, a Anatel estipulou que o backhaul fazia parte da lista de bens reversíveis, só que faltou definir o quê compunha, tecnicamente, esta nova rede. Quais equipamentos são reversíveis? Por incrível que pareça, a agência não fez essa especificação até hoje. Mas encontrou uma saída lateral para atender às cobranças sobre o quê era, afi-

o movimento da Anatel não garante oferta de banda larga a todos, simplesmente porque não há uma caracterização na legislação em vigor de que este serviço seja prestado em regime público e, portanto, passível de universalização nal, reversível. No regulamento do PGMU II, a Anatel definiu que retornava à União a infraestrutura objeto das metas de universalização. Era a inauguração do backhaul público em contraponto com a indicação de que haveria também um backhaul privado (que não era fruto do PGMU). A definição, que até o momento era evidentemente favorável às teles por assegurar a existência de uma fatia de rede que não seria reversível apesar de semelhante àquela expandida pelo PGMU, agora voltou-se contra os seus beneficiários. A lógica é que, se aceitarem a obrigação de ampliação de capacidade do backhaul, as concessio42 Teletime out_2010

FOTO: divulgação

.:Regulamentação nárias estarão concordando em tornar essas redes reversíveis simplesmente por expandi-las com base em um plano de metas. E esta é uma hipótese inaceitável para as companhias.

Cenário jurídico Esse turbilhão de conflitos entre teles e Anatel pode mudar o jogo da ação movida pela ProTeste contra o PGMU. “Tudo que está acontecendo agora pode servir de prova para a Justiça decidir sobre a natureza do backhaul e, principalmente, se o PGMU deve ou não continuar sendo implantado”, analisa a advogada do órgão de defesa do consumidor, Flávia Lefèvre. “A Anatel vem distorcendo tanto as coisas que até as concessionárias se viram encaçapadas nessa confusão.” A expectativa das teles é que a ProTeste realmente leve a briga do PGMU III para a Justiça. Uma fonte das concessionárias chegou a frisar que os argumentos apresentados pela entidade de defesa do consumidor fazem completo sentido no que se refere à nova polêmica envolvendo as metas. Um ponto crucial seria o desvio de finalidade da aplicação da verba pública. Para este executivo, a ProTeste tem razão ao afirmar que uma eventual aplicação desses recursos em uma meta que não seja claramente associada ao STFC (que é o único serviço público definido e, portanto, universalizável) é ilegal. O desvio de finalidade ocorrerá se a Anatel entender que o backhaul citado no PGMU III continuará sendo privado apesar de ter sua capacidade expandida por meio de obrigações de universalização. O motivo é simples. Como o PGMU é financiado basicamente por recursos gerados pela exploração da concessão em outras palavras, pelas tarifas telefônicas - essa verba pode ser considerada como “recurso público”, uma vez que estão associadas à prestação de um serviço também público. A Lei Geral de Telecomunicações (LGT) deixa claro que esse dinheiro só pode ser usado no reforço e manutenção do STFC. Aí vem o problema. “Pegar dinheiro público e colocar em um backhaul privado é um absurdo. Tenho certeza que isso chamará a atenção dos órgãos de controle do Brasil e do mundo se a Anatel levar isso adiante”, afirma uma fonte das empresas. “É pegar


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telefonia é absolutamente ilegal. É rasgar os contratos. A Anatel não pode achar que, mudando uma vírgula de lugar, vai definir a banda larga como modalidade do STFC ou coisa assim”, complementa. Para este executivo, não há dúvidas que o único caminho legítimo para transformar a banda larga em um serviço prestado em regime público é editar um decreto presidencial com esta diretriz e fazer um novo leilão de concessões, onde as atuais empresas do setor poderão ou não participar. Caso a Anatel insista na reforma que vem sinalizando, não são apenas as empresas que sairão no prejuízo com o controle de um mercado de atacado hoje livre, embora ainda carente de uma

quem pagará a conta da expansão dessa rede é o consumidor da telefonia fixa, por meio da assinatura básica e outras tarifas. Mesmo que este cidadão sequer tenha um computador em casa maior concorrência. Os consumidores também podem ser negativamente afetados. Ao contrário do que possa parecer, o movimento da Anatel não garante oferta de banda larga a todos, simplesmente porque não há uma caracterização na legislação em vigor de que este serviço é prestado em regime público e, portanto, passível de universalização. A única coisa certa em se incluir sumariamente esta oferta no rol de obrigações das concessionárias é que quem pagará a conta da expansão dessa rede é o consumidor da telefonia fixa, por meio da assinatura básica e outras tarifas. Mesmo que este cidadão sequer tenha um computador em casa. Metas em xeque A ampliação da capacidade de backhaul pode ser o maior problema do PGMU III, mas não é o único. Novamente, teles e entidades de defesa do consumidor concordam: o plano todo apresentado pela agência foi alterado sem que houvesse tempo de se discutir as metas, e as novas obrigações aparentemente não atendem os anseios da sociedade, nem apontam fontes explícitas de recu44 Teletime out_2010

peração dos recursos que serão investidos para cumpri-las. E, mais uma vez, quem pagará a conta é o consumidor. A Oi é quem mais tem reclamado dos custos do projeto. Em contribuição feita à consulta pública do PGMU III, a PricewaterhouseCoopers (PwC) apontou que os investimentos estimados para a concessionária cumprir as metas são oito vezes maiores do que o apresentado pela Anatel. Segundo a PwC, a Oi terá que desembolsar nada menos do que R$ 6,4 bilhões para cumprir as metas, ao contrário dos R$ 756 milhões projetados pela agência reguladora. Se não houver uma fonte clara de remuneração da concessionária para atender as obrigações, a verba terá que sair da tarifa cobrada dos consumidores. Além dos altos custos do projeto, a falta de detalhamento de como serão atendidas as metas de expansão do acesso telefônico - como a remodelagem do Acesso Individual Classe Especial (Aice) e ampliação da oferta rural - tem reforçado o ceticismo das teles com relação à viabilidade do PGMU. A reflexão que se faz no momento dentro das empresas é se ainda há espaço para a implementação de um plano de metas ou se a universalização da telefonia já estaria cumprida, pelo menos no que diz respeito à expansão física do acesso. E outra vez a visão atual das concessionárias alinha-se com as propostas dos órgãos de defesa do consumidor. Na ação original, enviada à Justiça em 2008 pela ProTeste, a entidade não questiona o backhaul apenas, mas sim a validade de todo o PGMU, pedindo que se declare “cumprida” a universalização e que se repactue as tarifas, permitindo que os brasileiros, de fato, tenham acesso a um telefone fixo em casa. Até que ponto empresas e consumidores podem se unir contra o PGMU ainda é uma dúvida que paira sobre o setor. “O que está acontecendo agora é resultado do que nós estamos alertando desde o começo. Quando se distorce o marco regulatório, você até pode em alguns momentos beneficiar as empresas e, em outros, a sociedade. Mas, no fim, esses benefícios são artificiais e acabam comprometendo todo o modelo”, reclama Flávia Lefèvre. “Essa série de distorções gera insegurança e quem foi lesado no processo um dia vai cobrar a fatura.” Ao que tudo indica, a fatura das teles está pronta para ser entregue à Anatel. 


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Copa do Mundo, Olimpíadas e outros temas quentes empolgam expositores da 11ª edição da Futurecom. Soluções para governo, transporte e saúde, femtocells, LTE, cloud computing e smart energy estão no foco dos fornecedores.

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diz Wilson Cardoso, da Nokia Siemens, dando início a mais um dos polêmicos debates que devem agitar os paineis. Exposição Além do congresso com presenças locais e internacionais, composto por cerca de 300 palestras e paineis, o evento, que acontece entre os dias 25 e 28 de outubro, contará também com uma área de exposição com aproximadamente 220 expositores. Em um dos maiores estandes do evento, com 500 metros quadrados, a Cisco subdividiu seu espaço de exposição em quatro temas: datacenter, colaboração, bordless (conectividade low-end) e IP/NGN (transmissão de dados para provedores de serviço). Segundo o diretor de engenharia da Cisco, Marcelo Ehalt, todas as soluções serão apresentadas na Futurecom FOTO: divulgação

Futurecom, maior evento brasileiro de telecomunicações, ocorre em um momento efervescente e, ao mesmo tempo, promissor para o setor no país. A aposta dos organizadores e das empresas participantes é que a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos impulsionem os negócios. À primeira vista parecem distantes, mas tratam-se dos dois maiores acontecimentos esportivos do mundo que, segundo a Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústria de Base (Abdib), movimentarão 1.699 projetos em nove grandes áreas no Brasil, entre elas telecomunicações, com investimentos que beiram os R$ 105 bilhões. Não à toa, praticamente todos os executivos ouvidos por esta reportagem citaram esses dois eventos como grandes impulsionadores de novos negócios. Os temas pautados para o Congresso incluem o Plano Nacional de Banda Larga; a nova destinação do SMP em toda a faixa do 2,5 GHz, que finalmente deve viabilizar a quarta geração da telefonia móvel (LTE) no país; o antigo PL 29 – atual PL 116 – que estabelece novas regras para o setor de TV por assinatura e de conteúdo audiovisual e que pode ser aprovado pelo Senado até o final do ano; e a regulamentação das operadoras móveis virtuais (MVNO, em inglês), cuja versão final segue em avaliação pela Anatel. Além de outros temas, não menos importantes, que correm por fora, como femtocells, cloud computing, smart energy, machine-to-machine (M2M), cidades inteligentes, banda larga rural e neutralidade de rede. “A meu ver o tema da neutralidade ainda está ‘verde’ para ser discutido agora. Primeiro é necessária uma política clara e uma redefinição do modelo de neutralidade de rede”,

em primeira mão. “Será um mix de produtos ainda não lançados globalmente e outros não lançados no mercado brasileiro”, antecipa. Entre as novidades está o CRS3, maior roteador do mundo, com capacidade de 322 Tbps, desenvolvido para os grandes backbones das operadoras. “O CRS1, versão anterior a essa, já havia saído no Guinness Book, o livro dos recordes, e agora vamos apresentar um roteador ainda mais parrudo”, diz. A Nec, outro tradicional expositor da feira, aposta na computação em nuvem como serviço (cloud computing as a service), femtocells, Long Term Evolution (LTE), energia verde (smart energy) e soluções de infraestrutura para a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Luiz Villela, diretor de marketing e negócios da Nec Brasil, revela que a empresa irá expor uma linha de produtos voltada para esses grandes

“O mais interessante é mostrar as novas aplicações, até porque a tecnologia, em si, a maioria já conhece” Luiz Villela, da Nec 46 Teletime out_2010


.:eventos FOTO: divulgação

eventos esportivos. “Serão tecnologias ligadas a segurança, reconhecimento de face e de comportamento da pessoa, sistemas de divulgação, publicação de mensagens para ambientes diversos, etc.”, exemplifica. “O mais interessante é mostrar as novas aplicações, até porque a tecnologia, em si, um CIO do Itaú ou da Vale já conhece, a maioria já está up to date”, acrescenta. A Ericsson trabalha com a perspectiva global dos 50 bilhões de dispositivos plugados na Internet em 2020. Por isso, o grande mote da empresa na Futurecom é a conectividade. Segundo a diretora de desenvolvimento de negócio e mercado da Ericsson para a América Latina, Carla Belipardo, também será reforçada a imagem de desenvolvimento sustentável. “É a Internet das coisas, computadores, celulares, smartphones, dispositivos, automóveis, ônibus, enfim, cidades inteiras conectadas de forma inteligente e sustentável”, diz. De acordo com a executiva, a Ericsson mostrará isso tudo na Futurecom por verticais, principalmente governo (utilities), transporte e saúde, apresentando suas aplicações para a Copa do Mundo e Olimpíadas. “Nossa ideia não é falar da tecnologia, mas do ponto de vista conceitual, como e o que a tecnologia pode fazer, por isso apresentaremos um estudo de caso interes-

“Nossa ideia não é falar da tecnologia, mas abordar do ponto de vista conceitual, como e o que a tecnologia pode fazer” Carla Belipardo, da Ericsson sante da cidade de Joanes­ burgo, na África do Sul, um case de ônibus conectado, e outro de segurança e saúde”, acrescenta. A Nokia Siemens pretende simular em seu estande uma transmissão em LTE de 100 Mbps. “Será uma solução interoperável com terminais de qualquer fabricante, base de dados única nas operadoras, desde o CRM até a base de dados na rede móvel e senha única, tudo para melhorar a experiência do usuário e a eficiência da rede do provedor de serviço”, detalha Cardoso. Para ele, “Copa do Mundo e Olimpíadas sem LTE não existem”. Além disso, a empresa apresentará em sua área de exposições a integração entre a TV e banda larga, a chamada “TV híbrida”. A Qualcomm de­mons­­­trará celulares e tablets com o Snapdragon, sua

a nokia siemens pretende simular uma transmissão em long term evolution (lte) de 100 mbps, além da integração entre tv e banda larga

Novidades de alguns dos principais players para a Futurecom NEC

iPasolink: plataforma de transmissão que incorpora tecnologias de pacote, microondas e óptica, preparada para LTE

Promon Logicalis

Soluções de datacenter

Alcatel Lucent Digital Media Signage: solução audiovisual para aplicações de comunicação interna e endomarketing Nokia Siemens FlexiMultiPlay: plataforma de entrega de novos serviços de valor agregado, como e-commerce, video on-demand, vigilância, redes sociais e cloud computing Ericsson Cordcom: software de segurança com integração de atendimento de resposta em emergência e gerenciamento simplificado Cisco Content Delivery System: plataforma de entrega de serviços diversos, como video on-demand, gravação de vídeo em redes pessoais, TV time-shift Qualcomm Snapdragon: nova geração de processadores super rápidos para smartphones e tablets Huawei

nova linha de processadores super rápidos, entre eles o tablet Huawei S7 e o Dell Streak. TELETIME entrou em contato com todos os principais players do setor, entre eles todas as operadoras de telefonia móvel e fixa, porém somente os acima mencionados revelaram seus planos para a Futurecom. Segundo a organização do evento, de uns três anos para cá as grandes empresas passaram a tratar com sigilo absoluto sua estratégia de atuação no evento. Villela considera a estratégia inútil, pelo menos para a Nec. “Obviamente que uma empresa sempre observa o que a concorrência está apresentando, mas esse não é o nosso foco. Além do mais, há outras formas de saber o que a outra (empresa) está fazendo”, diz. Mas se para alguns o plano de ação na Futurecom é tratado com segredo de estado, para os fabricantes de celular o evento não interessa mais como plataforma de lançamento ou apresentação de novidades. Grandes empresas como Motorola, Nokia, Sony Ericsson e Samsung, que em edições anteriores investiam e participavam ativamente do evento, de uns anos para cá não montaram mais seus estandes.

Ideos: Smartphone com roteador WiFi, modem USB, update automático, Flash 10.1, sensor de proximidade e de luz ambiente

48 Teletime out_2010

Novidades As inovações tecnológicas não estarão restritas ao espaço de exposição. O evento agora contará com um prêmio que incentivará pessoas e empresas na criação de soluções em telecomunicações e tecnologia da informação. Tratase do Prêmio Inovação, em parceria com o Instituto Sergio Motta. Os dez finalistas desenvolveram soluções inovadoras nas áreas de telefonia celular, transmissão de mensagens e dados e TV digital. Os nomes dos finalistas já foram divulgados e os vencedores serão conhecidos em uma premiação na Futurecom. O evento também contará, pela primeira vez, com dois espaços de inovação: o IT Arena e o Espaço Inovação, o primeiro dedicado a empresas de TI e o segundo para micro e pequenas empresas desenvolvedoras de novas soluções 


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O CDC e as telecomunicações

Q

uando o Código de Defesa do Consumidor (CDC) foi implantado, há 20 anos, nem de longe se poderia imaginar que o setor de telecomunicações teria o formato atual, nem o tamanho de sua importância social. Os serviços prestados se inovaram e se expandiram – com a incorporação, por exemplo, da telefonia móvel, da Internet, da TV digital, entre outros -, o que levou o segmento a ser alvo de novas políticas públicas para se garantir universalização de outros meios de comunicação e informação. Ao longo da vigência do CDC, o setor de telecomunicações passou por profundas transformações. A infraestrutura dos serviços cobriu praticamente todo o País e atingiu grande parte da população de todas as classes sociais. Todo este avanço, no entanto, veio acompanhado do pouco respeito aos direitos básicos do consumidor. Só este ano, de janeiro a junho, empresas ligadas ao setor de telecomunicações foram responsáveis por quase 27 mil atendimentos do Procon-SP. Foram 11,7 mil atendimentos para reclamações de telefonia fixa, 9,1 mil para telefonia móvel e 5,8 mil para empresas de TV por assinatura. Em 2010 o Procon-SP já autuou empresas como Telefônica, Embratel, Claro, Oi e Vivo. Se levarmos em consideração o ano de 2009, a TIM também entra na lista. Os motivos para as autuações são diversos: prática abusiva, vício de qualidade, má prestação de serviço, publicidade enganosa e falhas no Sistema de Atendimento ao Consumidor (SAC), entre outros. Entre os casos mais graves, vale lembrar que no ano passado, em São Paulo, houve a interrupção dos serviços na telefonia fixa e móvel 3G, e dos serviços de dados do Speedy, da Tele­­ fônica, que levou à suspensão de co­­ mercialização do serviço. Também em

2009 o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (SNDC) ajuizou uma série de ações em função do desrespeito sistemático ao Decreto 6523/08, que proibia a cobrança de pontos ex­­ tras pelas empresas de TV por assinatura ou operadoras de telefonia. O Procon-SP entende que há muito a fazer no que se refere à efetiva universalização dos serviços, à modicidade tarifária e à qualidade dos serviços, para que de fato se cumpra o objetivo de inclusão social previsto na Lei Geral de Telecomunicações. Nesses 20 anos de CDC, o que se discute para o setor

qualidade e orientar ações de fiscalização da Agência Nacional de Teleco­mu­ nicações (Anatel). Temos apontado também a necessidade da divulgação de uma agenda regulatória que de fato aponte os te­­ mas que serão discutidos ao longo de um ano. Além disso, queremos um de­­talhamento do Plano Geral de Atua­ ­li­zação da Regulamentação (PGR) que contenha as previsões de atualização de regulamentação do setor para os próximos dez ou quinze anos. No caso específico do setor de telecomunicações, pela sua essencialidade

Nesses 20 anos, o que se discute são o plano de qualidade para o smp, metas de universalização e qualidade do STFC, novos regulamentos para punir empresas que desrespeitam a lei, além das políticas publicas de massificação da inclusão digital são inúmeras novas regras: plano de qualidade para o serviço móvel, metas de universalização e qualidade do Ser­­ viço Telefônico Fixo Comutado (STFC), novos regulamentos para punir empresas que desrespeitam a lei, além das políticas publicas de massificação da inclusão digital, por meio do Plano Na­­­ cional de Banda Larga. Ao avaliar a convivência da regulamentação setorial com o CDC e outros diplomas destinados à proteção do consumidor, os avanços são visíveis. Porém, isso ainda não significou garantia de melhoria nos serviços prestados à população. Em todo esse processo de construção normativa, as instituições de de­­ fesa do consumidor têm tentado se in­­ serir e demonstrar a importância da atuação articulada, a partir de medidas como uso dos dados do Sistema Nacional de Informações de Defesa do Consumidor (Sindec) como ferramenta para avaliar a qualidade dos serviços prestados, além de medir o cumprimento de metas de 50 Teletime out_2010

e dinamismo, é preciso criar um verdadeiro espaço de trabalho conjunto dos órgãos. A Anatel tem papel preponderante nesse processo de aproximação e há disposição dos órgãos - e em particular do Procon-SP - para tanto. Tam­­ bém fazem parte do grupo os Ministérios Públicos, Defensorias, De­­­partamento de Proteção e Defesa do Consumidor e entidades civis. A sociedade só tem a ganhar se os princípios das leis de consumo forem realmente incorporados ao processo de regulação e se houver um efetivo trabalho da Anatel em prol da defesa do consumidor. Não há duvida que o Código de De­­ fesa do Consumidor foi e ainda é capaz de exercer o papel de equilibrar as relações entre consumidores e fornecedores. Sabemos, por outro lado, que a regulação é tema implícito à defesa do consumidor e que os regulamentos setoriais  são complementares nesse sistema. *Diretor-executivo do Procon-SP


.:produtos

Fernando Paiva

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FOTOS: divulgação

Módulos para tablets

O Natal de 2010 promete ser marcado pela venda de Internet tablets, impulsionadas pelo sucesso do iPad. Para atender à demanda de diversos fabricantes, a Ericsson anunciou o lançamento de dois novos módulos de banda larga móvel para tablets e laptops: o F3307 e o F5521gw. O primeiro é HSPA, consome 50% menos de energia que as versões anteriores e foi desenvolvido para funcionar de maneira otimizada com processadores Intel para tablets, da linha Oak Trail. O F5521gw, por sua vez, é HSPA+, podendo alcançar velocidades de até 21 Mbps no download e 5,7 Mbps no upload. Ambos os módulos contêm o recurso Quick Connect, que permite conexão à Internet em poucos segundos após sair do modo “hibernar”. Por fim, o F5521gw tem ainda um recurso antifurto para bloquear o computador à distância, através de mensagem criptografada, mesmo que o sistema operacional não esteja sendo executado. www.ericsson.com

xDSL a 700 Mbps A Huawei desenvolveu um protótipo de solução xDSL que atinge velocidades de até 700 Mbps a uma distância de 400 metros entre a casa do cliente e a rede de fibra da operadora. Ela utiliza uma tecnologia batizada de SuperMIMO, que consiste em usar quatro pares trançados, cada um trafegando 175 Mbps. Na prática, o aumento é de 75% da velocidade por par trançado, que atualmente gira em torno de 100 Mbps. Diversas operadoras ao redor do mundo são clientes da Huawei em redes FTTx, como China Mobile, China Unicom, China Telecom, Vodafone, France Telecom e Telecom Itália. www.huawei.com

Switch de alta densidade A Cisco anunciou sua nova família de switches de alta densidade, a Catalyst 4500E. Disponível em versões de três, seis, sete ou dez slots, esses switches têm capacidade para trafegar até 848 Gbps e permitem a conexão de até 384 portas Ethernet. Estão incluídas no produto as tecnologias da Cisco EnergyWise, para redução de consumo de energia, e TrustSec, voltada para a segurança dos dados e do acesso ao sistema. www.cisco.com

Backhaul pronto para 4G

Muitas torres de celular no interior e até mesmo em grandes cidades dependem de rádios microondas para seu backhaul. A NEC é uma das maiores fornecedoras de transmissores de rádio para esse fim, com sua família de produtos Pasolink, com mais de 1,5 milhão de unidades vendidas ao redor do mundo. Agora, a empresa criou a evolução dessa linha, chamada de iPasolink, toda baseada em IP e, portanto, preparada para a futura migração das redes celulares para a quarta geração (4G), no padrão LTE. Dotada de um cancelador de interferência por polarização cruzada, o iPasolink otimiza o uso de espectro. Além disso, o produto tem baixa latência e oferece ferramenta de QoS. www.nec.com

Hospital na palma da mão O MC75A0-HC, recém lançado pela Motorola, é uma espécie de PDA voltado para o setor de saúde. Em sua tela colorida de 3,5 polegadas é possível acompanhar dados de pacientes, gerenciar medicamentos, efetuar pedidos a farmácias, etc. O aparelho se integra aos sistemas de TI de um hospital através da rede local WiFi. O MC75A0-HC utiliza o sistema operacional Windows Mobile 6.5, tem teclado Qwerty e leitor de códigos de barras, útil para o gerenciamento de estoques de remédios, por exemplo. Sua carcaça é resistente à exposição diária a desinfetantes e outras substâncias químicas utilizadas diariamente na limpeza de hospitais. www.motorola.com 52 Teletime out_2010


Todo o mercado de telecomunicações ao alcance de suas mãos. O Atlas Brasileiro de Telecomunicações traz o panorama completo e atualizado do mercado, reunido em um único volume de alta qualidade gráfica e editorial, referência do setor. São centenas de mapas, incluindo backbones, redes, footprints de satélites, além de tabelas e gráficos detalhados dos serviços de TV por assinatura, banda larga, atendimento ao cliente, sendo combinados com dados sócioeconômicos.

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INFRA-ESTRUTURA • Backbones submarinos • Redes Terrestres • Provedores de Backbones • Backbones de Longa Distância • Redes Metropolitanas

TELEFONIA MÓVEL • Market share das operadoras • Operadoras de SMP - números • Tecnologias • Redes móveis com serviços de dados • Competição • Cobertura

SATÉLITES • Demanda • Operadoras de Satélite no Brasil • Próximos lançamentos • Sistemas não-geoestacionários • Footprints

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Cláudio Dascal

cartas.tele­ti­me@con­ver­ge­com.com.br

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.:ponto&contraponto

O software é o caminho

O

planejamento integrado para uma política industrial deve considerar os objetivos que queremos atingir: desenvolver, na indústria, ciência e tecnologia com vistas ao que queremos ser como país daqui a dez ou 20 anos. Algumas premissas devem ser lembradas e devem servir de arcabouço para este planejamento, a saber: infraestrutura é um meio, e não um fim em si, e nesta condição não deve ser a razão ou o objetivo para qualquer iniciativa; qualquer plano deve se orientar para o resultado em termos de desenvolvimento do País, melhorias para os cidadãos e maior inserção do país no cenário internacional como protagonista de relevo. Um plano integrado deve reunir ações que propiciem um desenvolvimento industrial como oportunidade de criação de emprego, riqueza e divisas. Portanto, deve buscar uma indústria atualizada e com tendência à liderança, competitiva para participar do mercado global, e não apenas satisfazer às demandas do mercado interno. Deve incluir ainda ações que estimulem a pesquisa nas universidades e nos centros de pesquisa, lembrando que a pesquisa de hoje nos trará liderança tecnológica no futuro. O Brasil precisa aumentar significativamente sua produção científica, e o registro de patentes é uma medida palpável desta produção. Os centros de pesquisa associados à indústria e às universidades poderão acelerar o processo de transformação desta produção científica em produtos aptos para o consumo. Componentes são importantes. Mas talvez, hoje em dia, a nossa estratégia devesse visar tornar o Brasil um centro de excelência de produção, requisitado por todas as empresas que hoje definem alguns poucos centros globais de produção e desenvolvimento de componentes, quer pelas facilidades fiscais, logísticas ou de mão de obra qualificada. Neste último ponto, é preciso atacar com vigor a ineficiência do país, reduzindo drasticamente a burocracia e melhorando, em muito, a eficiência da nossa Justiça. Precisamos dedicar atenção especial ao software. Software é componente e é produto ao mesmo tempo. Está em todos os segmentos, quer como parte do produto ou como ferramenta que torna a gestão ou o seu uso mais eficaz. É parte do planejamento de redes e de empresas e instrumento sine qua

non de controle e administração. Pensar em política industrial e tecnológica sem pensar no software e sem criar mecanismos de incentivo e formação para o software é o mesmo que esquecer um pé de um piano. Indústria, componentes, software e tecnologia andam juntos e fazem parte da solução. Os sistemas de operação (OSS) e os sistemas de negócio (BSS) são parte integrante do negócio de telecomunicações, e as operadoras, cada vez mais, deles dependem para o bom gerenciamento das rede (cada vez mais complexas) e eficiente administração de suas receitas. Os sistemas administrativos e financeiros são de uso geral, mas sem dúvida as operadoras de telecomunicações são grandes usuárias destes softwares, por se tratar de empresas com uma base muito grande de assinantes e um volume crescente de investimentos. Finalmente, cresce a demanda por aplicativos para os aparelhos celulares, que invadem todos os ramos de atividade: do entretenimento à propaganda, chegando a aplicações de pagamento, onde o software e a capacidade de desenvolvimento destes aplicativos são a chave do sucesso. A demanda de software para telecomunicações, desde os softwares para operação, manutenção e gerência, planejamento de redes, OSS e BSS, passando pelos sistemas de billing até os softwares administrativos, de inventário aos aplicativos para celulares para uso dos clientes, todo este universo mostra que a gama é muito grande e é uma área ainda não consolidada, em que muito se pode fazer e empreender. Também no software, como nos demais ramos desta indústria de telecom, a demanda é por empresas que tenham a capacidade de oferecer soluções globais e que possam oferecê-las em todas as partes, pois as operadoras são cada vez mais globais. Ou seja, uma política para software deve ter em mente que não podemos fomentar um feudo. Temos que buscar soluções que levem os nossos empreendedores a depois se tornar empresas de alcance global. Não é eficaz uma política baseada em incentivos fiscais cujas contrapartidas sejam efêmeras.

É verdade que alguns segmentos, tal como o de softwares administrativos, tendem a uma consolidação, e vimos nos últimos anos fusões e aquisições em todo o mundo. Mas ainda existem empresas nacionais, mais desenvolvidas e consolidadas, e há exemplos de indústrias de software que se desenvolveram aqui e acharam seu caminho para se globalizar, tanto em softwares de projeto como em softwares para administração, se transformando em empresas de alcance regional ou global, e temos visto movimentos de fusões relevantes nesta área aqui no Brasil. Os projetos para desenvolver a indústria de software para teleinformática no Brasil não devem ter como único objetivo desenvolver software nacional. Devem tornar o país um centro de excelência, pela capacitação das pessoas e pelas facilidades. Devem transformar o Brasil em um centro atrativo e disputado, competindo diretamente com a Índia (que assim começou e hoje já exporta grandes empresas nesta área). Em primeiro lugar, temos que ter mão de obra qualificada. Temos que olhar as universidades e escolas de nível médio, dar ênfase ao desenvolvimento de software, sua programação, linguagem etc. Temos material humano, mas quando alguém procura programadores, engenheiros de sistemas e desenvolvedores, é difícil competir com a Índia, que tem pessoal capacitado em abundância e barato. A mão de obra, devido às leis trabalhistas, é cara. A Justiça trabalhista cria passivos não administráveis às empresas, com tramitação extremamente lenta, o que acaba afugentando as empresas globais, que não se animam a colocar centros mundiais aqui no Brasil. Em resumo, há espaço para que se desenvolva uma indústria de software no Brasil com foco em telecom e TI, mas é preciso que se busque este objetivo com uma visão de mercado global. Temos um conjunto importante de oportunidades se avizinhando, e se as tratarmos de forma integrada, será a oportunidade de ouro para o país.

há espaço para que se desenvolva uma indústria de software no Brasil com foco em telecom e TI, mas é preciso que se busque este objetivo com uma visão de mercado global

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Revista Teletime - 137 - Outubro 2010  

Revista Teletime - 137 - Outubro 2010

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