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Mercado promissor Mesmo no Brasil, onde os projetos de gameficação ainda estão egatinhando, já há empresas que apostam nesse segmento. Um exemplo é a Opusphere, startup localizada em Campinas, no interior de São Paulo, desenvolvedora de uma plataforma para motivar e aumentar o engajamento das pessoas com serviços, produtos e processos. Um dos sócios-fundadores da empresa, Marcel Leal, acredita que ainda vai demorar um pouco para que as empresas reconheçam os benefícios da gameficação, mas avalia que o potencial de mercado é promissor. Por isso, ele ressalta que a primeira missão da empresa é disseminar o conceito de gamificação no mercado corporativo. O executivo diz que a Opusphere, fundada em novembro do ano passado, já possui dois projetos piloto em andamento, um para um e-commerce e outro para uma rede de lojas de conveniência, cujo nome ele não revela. As próprias empresas de tecnologia têm lançado mão de jogos digitais para impulsionar as vendas de seus produtos. A americana Autodesk, fabricante de software de desenho em 2D e 3D, usa a estratégia de gamificação para impulsionar a venda de seus sistemas,

foto: arquivo

outros. A Salesforce.com, por exemplo, comprou a Rypple, desenvolvedora da plataforma de avaliação de desempenho do trabalho social. Ela é semelhante aos principais jogos sociais no Facebook, em que os funcionários podem ganhar distintivos ou prêmios, proporcionando aos gerentes informações importantes sobre o seu desempenho pessoal. A Salesforce.com planeja relançar o Rypple como Successforce e criar uma nova unidade de negócios de gerenciamento de capital humano. A SAP, por sua vez, adquiriu a fornecedora de software de execução de negócios baseado na nuvem SuccessFactors, por cerca de US$ 3,4 bilhões. Ela comercializa a solução Marketing Recruiting, que transforma a habilidade do cliente de atrair e envolver os candidatos certos e medir os resultados. Outra gigante que ingressou nessa área foi a IBM, que desenvolveu o jogo de simulação Innov8, que ensina a gerir processos de negócio — através de um jogo de vídeo 3D, o programa permite fazer a ligação entre os líderes empresariais e as equipes de TI numa organização.

seja, métricas voltadas às pessoas”, diz “Ninguém entra no Roque, da PwC. jogo por obrigação. Casos como o da Salesforce e da Autodesk inspiraram empresas no Brasil. Pessoas jogam porque querem. Mills Engenharia, empresa que fornece Esta é a essência da serviços de construção e engenharia, adotou a estratégia de gamificação em gamificação, pois seus processos de negócio. O projeto geralmente no teve como propósito treinar os usuários ambiente do novo ERP, que substituiu o sistema corporativo as de gestão antigo, que já estava pessoas são obsoleto. Desenvolvido pela carioca MJV motivadas por Tecnologia & Inovação, que há dois anos fatores fracos, trabalha com gamificação, o projeto realizam tarefas consistiu na construção de quatro jogos apenas para manter progressivos, a fim de tornar mais seus empregos”, simples e participativa a introdução do sistema. Normalmente, essa transição é Tomás Roque, da PwC tida como um período crítico, já que alterar toda a rotina de trabalho de diversas equipes é trabalhoso. O objetivo apoiando-se na prática de disponibilizar foi evitar a perda de produtividade na versões de teste gratuitas em seu fase de adaptação dos funcionários ao website. Embora muitos usuários novo ERP e formar conhecedores realizassem o download dos sistemas, a profundos do programa. A cada jogo taxa daqueles que aprendiam a utilizar as completado, o usuário encerrava uma ferramentas e se sentiam motivados a fase de especialização até obter o comprar uma licença definitiva era domínio completo da ferramenta. extremamente baixa. Assim, no ano O módulo básico jogo foi passado, a companhia passou a desenvolvido com cartas, enquanto o disponibilizar materiais de ensino, passo a último e mais complexo era um sistema passo, do programa Autodesk 3D Max, investigativo criado para familiarizar o software para designers, engenheiros, usuário às telas e funções do novo arquitetos, artistas digitais e outros software. As metas de cada fase profissionais. Em vez de exibir apenas incluíam a mensuração de indicadores, vídeos de treinamento convencionais, a como as expectativas dos funcionários Autodesk usou a ferramenta de diante dos resultados obtidos com o gamificação Badgeville, da Salesforce. novo sistema, e também a gestão de com. A cada tarefa cumprida, os desafios mudança, no sentido de obter o se tornavam mais complexos e, pouco a engajamento dos funcionários para o pouco, o jogo havia capacitado os sucesso da substituição do programa. A profissionais a utilizar o sistema em seu fase inicial envolveu cerca de 300 pessoas, e o resultado final foi As próprias empresas de alcançado com a rapidez tecnologia têm lançado mão de da implantação do ERP, jogos digitais para impulsionar sem perdas de eficiência operacional. Em três as vendas de seus produtos meses, todos os 5 mil funcionários da empresa estavam aptos a usar o sistema. trabalho. Em três meses, as vendas de Outras companhias adeptas da licenças do software aumentaram 15%, gamificação no Brasil são a operadora segundo a empresa. de lojas duty free Dufry e a fabricante A própria Salesforce.com passou a Electrolux. Além delas, várias outras utilizar a ferramenta. Segundo o empresas iniciaram projetos com jogos departamento de vendas da companhia, digitais neste ano, mas todos ainda ao adotar estratégia semelhante à da estão em estágio muito inicial, por isso Autodesk o uso dos seus sistemas de não quiseram fornecer detalhes sobre os CRM aumentou 50%. “As métricas são mesmos. Mas já é possível observar o voltadas à performance. O que a uso da gamificação em setores como o gamificação faz é alcançá-las por meio da de seguradoras, saúde e call center. mensuração da satisfação das equipes, ou

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Revista TI Inside - 91 - JUNHO DE 2013

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