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Ano 7 | nº 72 | setembro de 2011

www.tiinside.com.br

Onze estados aderem ao Programa Telessaúde Bancos ainda tímidos nas redes sociais Classe C vai ao paraíso do e-commerce

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ti sustentável Projetos “verdes” ganham relevância entre fabricantes e usuários


>editorial

Ano 7 | nº 72 |setembro de 2011 | www.tiinside.com.br

Presidente Rubens Glasberg Diretores Editoriais André Mermelstein Claudiney Santos Samuel Possebon Diretor Comercial Manoel Fernandez Diretor Financeiro Otavio Jardanovski

Editor Claudiney Santos

Sustentabilidade, uma decisão de negócio 

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er sustentável não é apenas ter uma atitude ambiental correta, mas também uma decisão de negócios. Os dados do Barômetro da Biodiversidade, pesquisa desenvolvida pela UEBT - União para BioComércio Ético justifica essa afirmação. Segundo o estudo, que avaliou em sete países o nível de conhecimento sobre biodiversidade, os consumidores exigem respeito ao meio ambiente, sendo que entre os sete mil entrevistados para o levantamento, 84% afirmaram que deixariam de comprar um produto, caso soubessem que a marca não respeita o meio ambiente ou as práticas comerciais éticas. Portanto ser sustentável hoje é garantir a preferência do consumidor, que já opta por empresas que trabalham de forma sustentável, em todos seus aspectos. A reportagem de capa da editora Jackeline Carvalho mostra que, neste aspecto, o setor TIC tem ao menos uma vantagem: é o único que pode, através de tecnologias inovadoras, influenciar todo o ciclo econômico em busca da sustentabilidade. Através delas, é possível reduzir impactos ambientais das demais atividades econômicas, na forma de produtos concebidos sob conceito de menor consumo de matéria prima, adoção de insumos desenvolvidos a partir de fontes renováveis e menor consumo de energia elétrica. Um processo end-to-end,

Redação Jackeline Carvalho (Comunicação Interativa)

que ganha relevância com a política de resíduos sólidos em implantação no país. A redução de energia, reuso de águas e emissão de CO2 fazem parte da pauta das corporações, cada vez mais preocupadas em oferecer um ambiente de trabalho dentro do conceito de ‘’green building’’, contexto no qual o data center é uma peça importante e um desafio ainda a ser superado. Daí a justificativa para a terceirização desse ambiente e para a migração dos processos de TI para a nuvem. O movimento já foi iniciado por mais da metade das empresas brasileiras, em maior ou menor grau, e não tem volta na visão da consultoria internacional PwC, pois se a empresa não tiver TI como atividade principal, a probabilidade dela não construir e não ter um data center seguindo os novos conceitos de sustentabilidade é muito grande. O alinhamento ambiental, de acordo com a consultoria, é caro para as empresas e faz mais sentido que provedores e fornecedores dedicados a esta área invistam em iniciativas desse tipo, porque este é o negócio deles. Ou seja, ainda estamos no início de uma jornada, sem volta, em busca da sustentabilidade. Boa leitura.

Claudiney Santos Diretor/editor csantos@convergecom.com.br

Colaboradores Alexandro Cruz Claudio Ferreira Marcelo Vieira Ruan Segretti TI Inside Online Erivelto Tadeu (Editor) Victor Hugo Alves (Repórter) Gabriela Stripoli (Repórter) Arte Edmur Cason (Direção de Arte); Débora Harue Torigoe (Assistente); Rubens Jardim (Produção Gráfica); Geraldo José Nogueira (Edit. Eletrônica); Alexandre Barros e Bárbara Cason (Colaboradores) Departamento Comercial Manoel Fernandez (Diretor) Carla Gois (Gerente de Negócios); e Ivaneti Longo (Assistente) Gerente de Circulação Patrícia Brandão Gerente de Inscrições Gislaine Gaspar Marketing Harumi Ishihara (Diretora) Gisella Gimenez (Assistente) Gerente Administrativa Vilma Pereira TI Inside é uma publicação mensal da Converge Comunicações - Rua Sergipe, 401, Conj. 603, CEP 01243-001. Telefone: (11) 3138-4600 e Fax: (11) 3257-5910. São Paulo, SP. Sucursal SCN - Quadra 02 - Bloco D, sala 424 - Torre B Centro Empresarial Liberty Mall - CEP: 70712-903 Fone/Fax: (61) 3327-3755 - Brasília, DF. Jornalista Responsável Rubens Glasberg (MT 8.965) Impressão Ipsis Gráfica e Editora S.A. Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A CENTRAL DE ASSINATURAS 0800 014 5022 das 9 às 19 horas de segunda a sexta-feira Internet www.tiinside.com.br E-mail assine@convergecom.com.br REDAÇÃO (11) 3138-4600 E-mail cartas.tiinside@convergecom.com.br PUBLICIDADE (11) 3214-3747 E-mail comercial@convergecom.com.br Instituto Verificador de Circulação

>sumário NEWS

SERVIÇOs

GESTÃO

4 Banda larga

26 Profissional multitarefa

8 Drogaria no tablet

Brasil persiste no custo alto

Onofre cria aplicativo para iPhone

6 Preocupação nacional

Segurança em cloud computing ainda incomoda CIOs

7 Imagem arranhada

Ataques eletrônicos geram impactos negativos aos negócios

10 Saúde Digital

Onze estados participam do Programa Telessaúde

ESPECIAL MOBILIDADE

Consumo elevado de dispositivos constrói novo mercado

transmissão de arquivos à Caixa via internet

INFRAESTRUTURA

12 Capa

Lei acelera investimentos em projetos orientados à sustentabilidade da TI Capa: bioraven/shutterstock

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INTERNET 30 Bancos X mídias sociais

GESTÃO FISCAL 22 Conectividade Social ICP garante

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Carreira no setor financeiro exige conhecimento do negócio

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Estudo revela que instituições ainda são tímidas

33 Efeito Classe C

e-commerce dobra de tamanho com novos clientes


>news Raio-x da banda larga

Preço cai no mundo, e Brasil desce no ranking de TICs

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preço da banda larga em todo o mundo caiu 52,2% de 2008 até o ano passado, segundo dados divulgados pela União Internacional de Telecomunicações (ITU, na sigla em inglês). O estudo trouxe também o ranking dos países em termos de infraestrutura de tecnologias da informação e comunicações (TICs) e de preços dos serviços de telecomunicações. “O milagre da mobilidade está colocando serviços de TICs ao alcance até mesmo das comunidades em maior desvantagem. Nosso desafio, agora, é replicar o sucesso à banda larga”, enfatizou o secretário geral da ITU, Hamadoun Touré, que ressaltou o desempenho mais dinâmico dos países em desenvolvimento. O Brasil, disse ele, possui os serviços mais caros quando comparado com o restante do mundo, e aparece na 96ª posição no ranking Cesta de Preços das TICs, com o gasto com os serviços representando 4,8% da renda média bruta do brasileiro, dois pontos percentuais menor do que o registrado no levantamento anterior, em 2008.

O preço dos serviços de telefonia celular representa 8,5% da renda média bruta da população, queda de 0,7 ponto percentual na mesma comparação. Seguindo a tendência mundial, o preço da banda larga fixa teve a redução mais significativa – de 6,9% da renda média, em 2008, para 2,5% registrados no ano passado. Na Rússia, o gasto médio equivale a apenas 1,1% da renda média bruta da população, enquanto na China a porcentagem sobe para 3,1% e na Índia, para 4,1%. O levantamento tomou como base informações de 152 países. Já no Índice de Desenvolvimento de TICs (IDI, na sigla em inglês), que que mede a infraestrutura para a oferta de serviços de internet e telefonia, o Brasil aparece na 64ª colocação, com nota 4,22 em uma escala de 0 a 10. Embora a nota tenha subido (era 3,7 em 2008), o país caiu duas posições em relação ao ranking anterior. Nas Américas, o Brasil está em 8º lugar, atrás de Estados Unidos, Canadá, Barbados, Uruguai, Chile, Argentina e Trinidad e Tobago.

POTÊNCIA

Pelas bordas

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investimento das empresas americanas em mídia social teve um salto expressivo em agosto. Estudo realizado pela Fuqua School of Business, escola de administração e negócios ligada à Universidade de Duke, na Carolina do Norte, aponta que, no mês, elas destinaram 7,1% do orçamento de marketing a mídias sociais. O índice representa um aumento de 1,5 ponto percentual em relação a fevereiro, quando aplicaram 5,6% da verba em ferramentas sociais. A escola de administração e negócios avalia que o crescimento do orçamento de marketing das empresas nos ambientes digitais deve se manter acelerado, uma vez que a maioria delas diz ter a intenção de elevar a parcela de recursos para esse fim. Segundo o estudo, a maioria das empresas pretende aumentar os investimentos em mídias sociais para 10,1% nos próximos 12 meses e 17,5%, nos próximos cinco anos. Apesar desse crescimento, o estudo revela que os executivos das empresas entrevistadas acham que ainda têm um longo caminho a percorrer para integrar totalmente as mídias sociais às suas estratégias de marketing. Um sinal disso é que 22,3% deles disseram que as ferramentas sociais ainda não estão integradas às ações promocionais de suas empresas, contra 12,8% que afirmaram que já têm uma integração total. A pesquisa foi feita com 249 diretores de marketing de empresas americanas de vários segmentos da economia.

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Google segue com a estratégia de reforçar seu portifólio de patentes para se defender de eventuais disputas judiciais. A mais recente investida da empresa foi a compra de mais 1.023 propriedades intelectuais da IBM. O valor envolvido na transação não foi divulgado. Os dados constam de documento arquivado no Escritório de Marcas e Patentes dos Estados Unidos (USPTO, na sigla em inglês). As patentes abrangem um amplo leque de tecnologias, como hardware de desktop e servidores, segurança digital, processos de banco de dados, design de circuitos, autenticação de usuários, entre outras. Nos últimos tempos, o Google tem sido alvo de inúmeros processos movidos por empresas rivais, como é o caso da Apple que impetrou uma ação alegando que o sistema operacional Android viola algumas de suas patentes. O Google já havia comprado mais de mil patentes da IBM no fim de julho e, em agosto, adquiriu a Motorola Mobility, por US$ 12,5 bilhões, também de olho nas patentes da fabricante.

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O Cartão BNDES tem a menor taxa de juros do mercado – 0,98% ao mês*–, pagamento em até 48 prestações fixas, isenção de anuidade e crédito rotativo de até 1 milhão de reais para compras no portal de operações. São mais de 160 mil itens disponíveis para equipar, ampliar e modernizar sua empresa, incluindo computadores, móveis comerciais, veículos utilitários e serviços tecnológicos. E você ainda conta com a praticidade do portal para tirar suas dúvidas, simular o valor das prestações e pesquisar fornecedores. Se você já tem o Cartão BNDES, acesse www.cartaobndes.gov.br e aproveite. Se ainda não tem, solicite já o seu pelo portal ou procure um banco emissor**. *Taxa de juros de 0,98%, vigente em setembro de 2011. **Bancos emissores: Banco do Brasil, Banrisul, Bradesco, Caixa Econômica Federal e Itaú. A definição do limite, a concessão do crédito e a cobrança são da responsabilidade do banco emissor.


>news Preocupação nacional

Cloud computing ainda gera insegurança entre as corporações brasileiras

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segurança da informação nos ambientes de computação em ambiente de trabalho, como tablets e smartphones, também será um impulsionador do investimento em soluções de nuvem é atualmente uma das maiores preocupações das segurança nos próximos anos”, avalia Fernando Belfort, analista empresas brasileiras, e isso deve impulsionar a demanda por sênior da Frost & Sullivan. Segundo ele, essa expansão está soluções de proteção de dados. Uma pesquisa recente com atrelada, em boa parte, ao aumento da adoção em larga escala diretores de TI de empresas de diversos segmentos da economia, da computação em nuvem pelas divulgada pela Frost & Sullivan, revela que 78% companhias no país. dos executivos citam a segurança da 54% das empresas já Atualmente, aponta o relatório, informação como o fator mais importante a ser moveram suas operações 54% das empresas já moveram suas levado em consideração no momento de adotar sistemas computacionais baseados na para a nuvem, contra 46% operações para a nuvem, contra 46% que ainda não adotaram. Mas a nuvem, localizados em data centers remotos que ainda não adotaram consultoria avalia que a migração de que podem ser acessados pela internet. sistemas computacionais baseados na nuvem pelas empresas Com base nessa constatação, a empresa de consultoria e devem aumentar no próximo ano, já que 66% dos CIOs pesquisa projeta que o mercado brasileiro de segurança da entrevistados afirmaram que investirão na tecnologia. Ainda de informação deve movimentar US$ 244,4 milhões neste ano, o que, acordo com o estudo, o uso de ambientes privados de se confirmado, representará uma expansão de 16,6% ante os US$ computação em nuvem deve diminuir, com a participação 209,5 milhões de 2010. O estudo aponta ainda que o segmento de reduzindo de 70,4%, em meados deste ano, para 60,6% no ano proteção de dados terá um crescimento médio anual de 14% até que vem. Na mesma base de comparação, a adoção de 2016, totalizando US$ 458,6 milhões. A área de serviços ambientes em nuvem públicos deve aumentar de 18,5% para gerenciados de segurança, por exemplo, deve aumentar a 21,2%, enquanto que o uso de ambientes  híbridos (privado e participação sobre o total de 47%, em 2010, para 51% em 2016. “A maior utilização de dispositivos móveis por funcionários no público), subirá de 11,1% para 18,2%.

Boa forma

Receita mundial do mercado de SaaS deve alcançar US$ 12,1 bilhões neste ano

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segmento de software como serviço (SaaS, na sigla em inglês) atravessa um ótimo momento, de acordo com dados de um estudo publicado pelo Gartner. O instituto aponta que a receita mundial do mercado de SaaS deve alcançar US$ 12,1 bilhões neste ano, o que, se confirmado, representará um crescimento de 20,7% na comparação com 2010, quando o setor registrou receita de US$ 10 bilhões. A região da América do Norte é o grande destaque e responderá sozinha por 63,6% da receita total do segmento neste ano. Essa participação de mercado, no entanto, diz a consultoria, deve cair ligeiramente nos próximos anos, ficando em 60,5% em 2015. Dessa forma, as vendas de SaaS

totalizarão US$ 7,7 bilhões na região neste ano, cifra 18,7% superior a de 2010. Em 2015, o montante da América do Norte alcançará US$ 12,9 bilhões. A América Latina seguirá a tendência mundial, com o mercado de software como serviço registrando expansão de 23,5% neste ano e receita de US$ 328,4 milhões. Esta cifra mais que dobrará até 2015, subindo para US$ 694,2 milhões, segundo o Gartner. A consultoria diz que, apesar de o segmento de SaaS ser considerado embrionário na região, os CIOs latinoamericanos já começaram a entender a importância estratégica das soluções de SaaS para suas empresas, o que impulsionará a adoção desse modalidade de aquisição de software.

FALHA DE SEGURANÇA

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sistema de acesso às milhas do programa de fidelidade da companhia aérea TAM pode ter sido fraudado, o que fez com que alguns clientes perdessem pontos, segundo a ProTeste. De acordo com a associação de defesa do consumidor, passagens foram emitidas por desconhecidos em nome de terceiros. A entidade apontou uma possível falha no sistema de milhagem. O alerta foi feito a partir de inúmeras reclamações recebidas de seus associados, que tiveram sua pontuação utilizada por outras pessoas. Segundo a Pro Teste, quem foi lesado percebe que houve troca da senha para acesso ao sistema online. Em comunicado, a entidade afirma que as hipóteses levantadas são “de vulnerabilidade no sistema ou de fraude, com provável invasão do site e de dados dos clientes”. Em nota, a TAM afirma que está apurando as ocorrências relatadas pelos clientes e os orienta a ficarem atentos aos pedidos de confirmação de dados que recebem por e-mail. A empresa reforça que “adota diversos procedimentos para garantir a segurança das informações de seu programa de fidelização”. A TAM afirma que seu sistema utiliza duas senhas para resgate do benefício, a assinatura eletrônica e a senha de resgate.

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Imagem arranhada

Pesquisa indica que ataques eletrônicos geram impactos negativos aos negócios e custam US$ 5,9 milhões por ano

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analisar suas perspectivas quanto aos riscos, ameaças à segurança Segundo Estudo Anual de Custos de Crimes Cibernéticos, e suas atuais prioridades. Quando questionados sobre qual tipo de uma pesquisa do Ponemon Institute patrocinada pela HP, gestão de riscos é o mais crítico para as empresas, o estudo constatou que os ataques eletrônicos provocam impactos revelou que o risco financeiro é preocupante. Em termos de significativamente negativos nos negócios e nas organizações ameaças, os executivos concordam que o maior risco em potencial governamentais, apesar dos constantes alertas. é o econômico; um em cada dois entrevistados mencionou o risco De acordo com o levantamento, o custo médio dos crimes tecnológico em segundo lugar. eletrônicos já está em US$ 5,9 O estudo também indicou que ao mesmo tempo milhões por ano, 56% a mais do que Vulnerabilidade em que os executivos estão atentos às ameaças à o custo médio indicado no estudo do segurança em potencial, falta-lhes confiança nas ano passado. Além disso, mais de As ameaças às empresas nos práticas de gestão de riscos de suas empresas. 90% de todos os crimes eletrônicos últimos 12 meses: Apenas 29% das empresas e 27% dos líderes da foram causados por códigos n 21% dos entrevistados disseram área de tecnologia indicaram que suas organizações maliciosos, negação de serviço, que suas organizações sofreram estão bem protegidas. equipamentos roubados e ataques abuso de identidade e privilégio Os executivos pesquisados também disseram provenientes da web. devido a falhas de segurança que a quantidade e a complexidade dos riscos e das Durante o período de quatro n 19% sofreram interrupções nos ameaças continuam a aumentar. Cerca de 70% dos semanas em que o estudo foi negócios profissionais ouvidos disseram que a complexidade realizado, organizações sofreram em dos riscos aumentou. média 72 ataques bem-sucedidos por n 19% tiveram divulgações Além disso, mais de 50% dos executivos semana, aproximadamente 45% a indesejadas acreditam que violações à segurança aumentaram mais do que no ano passado. n 13% relataram transações ano passado em suas empresas, sendo que 27% O tempo médio para solucionar inseguras deles disseram ter sofrido violações por causa de um ataque eletrônico é de 18 dias, n 28% tiveram de lidar com questões acessos internos não autorizados, e 20% por causa com custo médio de aproximadamente legais de gerenciamento de acessos externos. US$ 416 mil. Isso corresponde a um Vulnerabilidades de plataforma foram identificadas aumento de cerca de 70% do custo como o ponto mais crítico para as empresas, seguidas pelas redes, estimado de US$ 250 mil, com um período de resolução de 14 aplicações e vulnerabilidades de máquinas. dias, constatado no estudo do ano passado. Mais da metade dos entrevistados indicou que a segurança será uma das principais prioridades para 2012, enquanto 48% CIO acreditam que seu orçamento com segurança aumentará no Além disso, um levantamento da Coleman Parkes, feito a próximo ciclo orçamentário. pedido da HP, pesquisou executivos da área de tecnologia para

Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr

BRINCADEIRA?

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aloizio mercadante, ministro de ciência e tecnologia

urante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, informou que o governo federal vai investir em uma grande fábrica de games na Zona Franca de Manaus. “A indústria de games tem faturamento maior e emprega cinco vezes mais que a de hardware, por exemplo. É uma fábrica de ponta que abrirá um mercado promissor para o Brasil”, resumiu o ministro, sem revelar o nome da empresa e mais detalhes sobre o negócio. Em diversos momentos de sua exposição, Mercadante afirmou ser preciso acelerar o processo de inclusão digital no país. E, para impulsioná-lo, ressaltou ser necessário que a indústria brasileira se envolva, por exemplo, com a fabricação de tablets, contribuindo tanto com componentes eletrônicos quanto com conteúdo pedagógico nacionais. “O Brasil vai dar um salto educacional com a inclusão digital. A cultura da nova geração é a cultura digital. A tecnologia da informação veio para ficar”, sustentou. Ainda nesta perspectiva, o ministro defendeu a aprovação de projeto de lei (PL 1481/07) de sua autoria, propondo a aplicação de 75% dos recursos do Fundo de Universalização de Serviços de Telecomunicações (Fust) para levar a inclusão digital às escolas. A matéria já foi aprovada pelo Senado e está pronta para ser votada pelo Plenário da Câmara. s e t e m b r o

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>gestão Marcelo Vieira

Medicamentos por iPhone Em três meses, Drogaria Onofre espera que pedidos via dispositivos móveis respondam por aproximadamente 5% de seu faturamento total

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comércio online parece um caminho indiscutível para a maioria das grandes empresas de varejo atuando no Brasil hoje. Apostando no crescimento desse segmento, que deve girar no País em “O aplicativo é torno de R$ 20 bilhões só em 2011, o totalmente grupo Onofre anunciou, em agosto, integrado ao duas grandes apostas: um portal nosso sistema, voltado exclusivamente para a venda acompanhando de eletroeletrônicos – o Onofre Eletro – um aplicativo de m-commerce da o estoque em eDrogaria Onofre, para a compra de tempo real” medicamentos e cosméticos por meio Lismeri Ávila, de dispositivos móveis. Os dois da Drogaria Onofre serviços devem estar disponíveis ao público em meados de setembro. Com o serviço de m-commerce, a empresa espera que os pedidos feitos via iPhone (por enquanto a única plataforma em que o aplicativo será lançado) respondam por aproximadamente 5% do faturamento total em três meses. “Identificamos que 3% dos nossos clientes utilizam smartphones para acessar nosso site e fazer compras”, diz a diretora de operações da Onofre, Lismeri Ávila. “Desses, dois terços usam iPhone e um terço, Android”, completa. O aplicativo vai oferecer todas as funcionalidades já presentes no website da Onofre, como lista de genéricos e bulas de remédios, além de ferramentas extras. O leitor de código de barras, por exemplo, permite ao cliente consultar o preço de um medicamento utilizando a câmera do aparelho e uma caixa antiga do remédio, e adicioná-lo ao carrinho de compras sem precisar fazer buscas. O envio de receita médica fotografada pela câmera é outra das novidades do app. Uma espécie de agenda incluída no aplicativo permitirá a programação de alertas para lembrar 8

A aposta da Onofre em novas formas de varejo ocorre em um momento de grande agitação no mercado varejista de medicamentos. No início de agosto, a Drogasil e a Droga Raia anunciaram a junção de suas operações e passaram a ser a maior cadeia de farmácias do País. A liderança, no entanto, durou pouco: no fim do mesmo mês, a Drogaria São Paulo e a Drogarias Pacheco confirmaram a fusão de suas operações, passando a ser a maior varejista de medicamentos do País.

o paciente a hora e a quantidade de remédios que precisa tomar. As compras poderão ser feitas por cartão de crédito ou através de solicitação de pagamento no ato da entrega. Reação “O aplicativo é totalmente integrado ao nosso sistema, acompanhando o estoque em tempo real”, diz Lismeri. Segundo ela, a versão beta do aplicativo está sendo testada por 40 clientes antes de ser lançada na App Store da Apple. Assim, a equipe de TI da Onofre, responsável pelo desenvolvimento, pode fazer os ajustes necessários. A empresa também tem planos para desenvolver uma versão para dispositivos com sistema operacional Android. A Onofre tem 1 milhão de clientes cadastrados em seu sistema e realiza cerca de 15 mil entregas por dia em todo o Brasil. Deste total, 63% correspondem a pedidos feitos por telefone e 37% pela internet. A receita da empresa em 2010 foi de R$ 450 milhões e a previsão para este ano é de R$ 580 milhões, incluindo o faturamento das 40 lojas físicas do grupo. T I   I n s i d e

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Smartcompras Segundo um estudo da Forrester Research, o comércio eletrônico feito a partir de dispositivos móveis, o m-commerce, deve crescer 39% nos próximos cinco anos nos Estados Unidos. Serão movimentados US$ 31 bilhões em 2016. A pesquisa apontou que a estratégia mais comum dos varejistas pesquisados é usar uma plataforma desenvolvida por terceiros. Elas oferecem opções customizáveis para desenvolvimento de sites e aplicativos a preços mais baixos, atraindo a atenção das empresas que não querem (ou não podem) investir no desenvolvimento interno. As desenvolvedoras destas plataformas cobram entre US$ 25 mil e US$ 50 mil para criar uma loja de m-commerce, no caso do segmento low-end. Serviços mais especializados chegam a custar entre US$ 100 mil e US$ 200 mil no mercado norteamericano. No entanto, a Forrest diz que este tipo de solução limita a capacidade de inovação dos clientes. Para evitar esse problema, 22% dos varejistas nos EUA optam por desenvolver internamente sua plataforma de m-commerce. Na maioria das vezes, são grandes conglomerados com recursos e equipe de TI própria. 2 0 1 1


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>gestão Victor Hugo*

Saúde se mantém no radar

de TIC e vice-versa

Governo e instituições privadas investem em projetos para reduzir custos e tornar setor mais produtivo

Mary Caroline Skelton, consultora: programa Telessaúde tem o objetivo de levar saúde a locais isolados e que não têm acesso a esses serviços

fotos: izilda frança

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utilização de soluções de tecnologia da informação representa um importante potencial para melhorar os serviços médicos oferecidos à sociedade. Apesar disso, essas ferramentas de TIC ainda são pouco utilizadas no campo da saúde. Análise do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) diz que o uso de ferramentas de TIC pode garantir um aprimoramento da oferta de serviços médicos, principalmente no que toca à relação custo-benefício nos resultados de atendimento à população. Entretanto, avalia a instituição, para adotar de maneira adequada tais soluções, seria necessário um investimento significativo na ampliação de recursos humanos, hardware, software e infraestrutura. O BID reconhece que é preciso adaptar as soluções às prioridades de cada país, ao estágio de desenvolvimento do seu sistema de saúde e à infraestrutura de TIC existente, pois os recursos são escassos. Como primeiro passo, a instituição pontua que uma das prioridades deve ser o desenvolvimento de projetospilotos de uso de ferramentas de TIC

para assistência contínua à população, a exemplo da telemecidina. Dentro desse cenário, o Brasil já se movimenta há algum tempo. O Ministério da Saúde aplicou em torno de R$ 41 milhões em um programa de telessaúde, no período entre 2007 e 2011, com o objetivo de qualificar as escolas de saúde pública por meio do uso de tecnologia e criar uma rede colaborativa de telessaúde. A proposta consiste na instalação de núcleos que contam com servidor, três

a quatro computadores, equipamentos e salas para videoconferência e webconferência em algumas capitais. O Ministério da Saúde é responsável por essa infraestrutura, ficando a cargo dos estados, como contrapartida, o investimento em conectividade e expansão do programa para outros municípios, por meio da instalação de pontos de comunicação, que contam com um PC com webcam, máquina digital e conexão à internet.  A iniciativa começou como piloto em nove estados e, atualmente, 11 unidades da federação contam com um núcleo de telessaúde: São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Amazonas, Ceará, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pernambuco, Santa Catarina e Tocantins. A meta do governo Dilma Roussef é atingir, até o fim de seu mandato, um total de 15 estados integrantes ao programa.  Segundo Mary Caroline Skelton, professora doutora de teleodontologia da Faculdade de Ondotologia da USP e consultora do programa Telessaúde, essa meta deve ser concretizada ainda este ano. “Espírito Santo, Acre e Distrito Federal estão muito próximos de aderirem ao programa”, afirma ela,

HOSPITAL SAMARITANO DERRUBA CONSUMO DE PAPEL

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té cerca de dois anos atrás operando com diversas plataformas, sistemas heterogêneos e software desenvolvidos internamente, o Hospital Samaritano decidiu que era chegada a hora de modernizar a sua infraestrutura de TI para suportar o seu crescimento e manter a qualidade do atendimento aos pacientes. O principal resultado dessa reestruturação tecnológica foi a implantação do Healthcare Information System (HIS), sistema de informação de saúde, no qual a instituição investiu R$ 325 mil.  De acordo com o gerente executivo de TI da Sociedade 1 0

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Hospital Samaritano, Klaiton Simão, o objetivo com a implantação do HIS foi a unificação dos sistemas e o aprimoramento da segurança tanto para os profissionais, quanto para os pacientes. O projeto também envolveu a adoção de software de terceiros, gerenciados internamente, que permitiram a informatização de todas as etapas dos processos da área de saúde. O executivo conta que, após a implantação de carrinhos com estações de informática, adoção de tablets e certificação digital, houve uma redução, somente de consumo de papel, de 50% – que passou de 1 milhão de folhas por mês para 500 mil mensais. |

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Dinamarca, e o Touchstone Behavioral Health, em Phoenix, nos Estados Unidos, que atende a mais de 500 pacientes por dia.

ressaltando que há mais de 940 municípios atendidos pelo programa. “Queremos levar saúde a locais isolados e que não têm acesso a esses serviços.” A consultora apresentou o programa de telessaúde no Fórum de Saúde Digital, dia 23 de agosto, promovido pela revista TI INSIDE e organizado pela Converge Comunicações. Ela conta que atualmente 11 mil famílias já são beneficiadas pelo programa de telessaúde, que gera benefícios como inclusão social e digital, diminuição dos riscos e agravos por deslocamento, redução dos custos com remoção de pacientes e valorização e qualificação dos profissionais de saúde. Desafios do setor Entretanto, a expansão do emprego da tecnologia no segmento de saúde tem na dificuldade do compartilhamento de informações de pacientes existentes em diversos canais e meios eletrônicos de hospitais, laboratórios, clínicas particulares, entre outros, o seu principal desafio. Como os dados estão bastante fragmentados e sofrem mudanças constantes, a unificação desses meios tornou-se uma necessidade para as instituições de saúde. “É um grande desafio coletar as informações eletrônicas de diferentes fontes”, aponta Michele O’Connor, diretora sênior da prática de healthcare da IBM. A executiva frisa que um agravante é o fato de os sistemas e aplicações, que contêm as informações dos pacientes, não se comunicarem entre si. Ela chama atenção para que as instituições de saúde repensem o uso da tecnologia para permitir a interoperabilidade e unificação das informações dos diversos canais. Uma das propostas de Michele é criar uma identidade que gere uma visão única do paciente, integrando todos os dados disponíveis. Com uma solução pronta e que há 20 anos vem sendo oferecida nos Estados Unidos, a Dell espera preencher este fosso, oferecendo não apenas a infraestrutura de TI, mas a oferta de serviços de gerenciamento de processos de negócios. O pacote é herança da compra da Perot Systems, há dois anos e, de acordo com a diretora de Healthcare Services, Teresa Sacchetta, também capacita profissionais por meio da revisão de processos e a gestão da informação para atendimento aos clientes. 

* Colaborou Gabriela Stripoli

11 Estados membros do Telessaúde

“Mais de 80% dos hospitais precisam reduzir seus orçamentos em até 10%”, explica Teresa. Segundo ela, uma das principais dificuldades enfrentadas pelas instituições de saúde é inserir na rotina dos profissionais uma prática até então pouco comum ao estilo de trabalho deles. “O foco é atender o paciente, a tecnologia não faz parte do dia a dia desses profissionais”, ressalta.  Outros problemas apontados pela diretora da Dell é que o setor concentra muita informação em papel e tem vários sistemas sem integração, o que não só prejudica a rotina de hospitais e clínicas como aumenta as despesas, além de atrapalhar o atendimento aos pacientes.  Hoje, mais de 11 mil profissionais da Dell trabalham no projeto em diversos países do mundo, em cerca de 10 mil provedores de serviços de saúde. Alguns exemplos são o Hospital Rigshospitalet, em Copenhage, na

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São Paulo Rio de Janeiro Rio Grande do Sul Amazonas Ceará Goiás Mato Grosso do Sul Minas Gerais Pernambuco Santa Catarina Tocantins

Michele O’Connor, da IBM: um dos grandes desafios do setor é coletar informações eletrônicas de diferentes fontes

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ome care é outra iniciativa em que as empresas de Saúde estão investindo. A Axismed, que atua há 10 anos no setor, tem mais de 100 mil vidas monitoradas para a prevenção e bem estar de pacientes crônicos, através de uma equipe de 320 colaboradores, que atendem o mercado de seguradoras, cooperativas, auto-gestão e corporações. O grupo profissional conta com uma infraestrutura funcionando 24x7, sistemas de CRM e Business Intelligence, dispositivos de monitoramento remoto e atendimento especializado através de call center terceirizado com a A5 Solutions. Na mesma linha, a AmilPar possui um sistema de gerenciamento de paciente de alto risco, construído a partir de um banco de dados desenvolvido há mais de 35 anos, que monitora e interage com os associados do plano de saúde. Claudio Tafla, responsável pela gerência médica da diretoria técnica da AmilPar, explica que o sistema permite classificar o status de saúde do paciente, fazer o tratamento através de acordo com as especialidades médicas e em seguida monitorar, dar resolutividade e fidelizar o mesmo, ciclo que melhora e prolonga a vida das pessoas.

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Teresa Sacchetta, da Dell: nova oferta reúne infraestrutura e serviços de TI, além de capacitar profissionais por meio da revisão de processos e a gestão da informação para atendimento aos clientes


bioraven/shutterstock

>infraestrutura

Jackeline Carvalho e Danielle Mota

Sob a lei ambiental Fabricantes de TIC agora são obrigados a definir rumos de descarte dos equipamentos após o término da vida útil. Um ponto positivo para a sustentabilidade e mais um passo na irreversibilidade da terceirização dos grandes data centers

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Não por simples ideologia. O Barômetro da Biodiversidade, pesquisa desenvolvida pela UEBT fotos: divulgação

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mpresa amiga do meio ambiente. A expressão, cada vez mais comum entre as corporações, principalmente após a constatação de que os consumidores valorizam ações de sustentabilidade ambiental e preferem produtos das empresas alinhadas a esta ideia, desembarcou oficialmente no setor de TIC brasileiro após a “Com o programa promulgação da Lei Federal nº de reciclagem de 12.305/10, em agosto de 2010, cuja caixas eletrônicos regulamentação aconteceu em apenas 3% a 5% dezembro do ano passado por meio dos caixas do Decreto Federal nº 7.404/10, que eletrônicos vão criou a Política Nacional dos Resíduos para o aterro Sólidos. Mas, mesmo antes da industrial” oficialização, alguns fabricantes de equipamentos e insumos TIC já se Antonio Galvão, da Diebold desdobravam em criatividade para solucionar um problema preocupante no mundo todo: o descarte de produtos eletroeletrônicos.

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(União para BioComércio Ético), justifica essa preocupação. Segundo o estudo, que avaliou em sete países o nível de conhecimento sobre biodiversidade, os consumidores exigem respeito ao meio ambiente, sendo que entre os sete mil entrevistados para o levantamento, 84% afirmaram que deixariam de comprar um produto, caso soubessem que a marca não respeita o meio ambiente ou as práticas comerciais éticas. Além disso, a pesquisa revelou qual mensagem, provavelmente, faria com que a pessoa se preocupasse mais em preservar a biodiversidade. Para 30% dos entrevistados, dados alarmantes sobre espécies ameaçadas de extinção levariam a agir dessa maneira mais conservadora, e 23% disseram que a utilização da biodiversidade como um insumo para medicamentos e cosméticos são as 2 0 1 1


medidas que estimulariam a proteção à biodiversidade. “O setor TIC é o único que pode, através de tecnologias inovadoras, influenciar todo o ciclo econômico. Não há como pensar em reduzir impactos ambientais das demais atividades sem pensar em tecnologias, na forma de produtos concebidos sob conceito de menor consumo de matéria prima, adoção de insumos desenvolvidos a partir de fontes renováveis e menor consumo de energia elétrica”, defende Kami Saidi, diretor de operações e líder do programa integrado de sustentabilidade da HP, acrescentando que um estudo do Gartner indica que o setor de TI representa entre 2% e 4% da emissão de gases no meio ambiente, ficando o restante a cargo das demais indústrias. Essa tendência provoca, na área de TIC, um movimento agigantado por algumas grandes empresas ligadas à Organização de Cooperação Econômica para o Desenvolvimento (OCD.org) no sentido de orientar as estratégias de fabricantes e usuários de Green IT. “Os países ricos não têm mais onde colocar lixo, o que força um reposicionamento sobre os processos de representação, desenho e recolhimento de insumos e equipamentos eletroeletrônicos. É preciso pensar em projetos que, previamente, viabilizem a reciclagem”, informa o professor Demerval Polizelli, da faculdade de tecnologia FIAP. A Itautec, por exemplo, começou a rever os seus processos produtivos em 2003, quando determinou que mudaria a engenharia, a distribuição e o retorno dos seus equipamentos, pensando em um modelo mais “ecológico”. O projeto àquela época não recebeu o nome de logística reversa, mas já estava estruturada aí a estratégia da companhia nesta área.

trabalhava com oito tipos distintos de plásticos para a produção de gabinete de PCs, o que, inicialmente, dificultava a identificação de um parceiro que

e após uma consolidação dis insumos utilizados na produção, a Itautec consegue reciclar 100% dos seus computadores, e estabeleceu uma política de logística reversa para facilitar o acesso dos usuários – pessoas físicas e jurídicas – ao programa (veja mais em “Relatório socioambiental”). Dois porcento do lixo recolhido é exportado para a Bélgica e para Singapura, países que possuem indústria e autorização para processar metais nobres em grande escala. No Brasil, esse material iria para aterros industriais, seguindo a norma vigente. “Ao final do ano passado, o volume reciclado equivalia a cerca de 140 mil desktops e mais de 5,6 mil ATMs”, diz Redondo. Desse montante, 53,8 toneladas de placas eletrônicas foram encaminhadas para reciclagem fora do país por não se possuir, ainda, tecnologia certificada disponível no Brasil. Os demais materiais foram totalmente reciclados

pesquisa aponta que os consumidores deixariam de comprar produtos e serviços se soubessem de práticas nocivas ao meio ambiente vindas de seus fornecedoREs pudesse reciclar tamanha variação, uma vez que os plásticos não poderiam ser misturados. A fabricante brasileira também identificou oito substâncias diferentes no seu portifólio de PCs - ferro, cobre, entre outros - e precisava separá-los para uma reciclagem mais eficiente. Sete anos depois de iniciado o projeto,

Logística reversa João Carlos Redondo, gerente de sustentabilidade da empresa, conta que naquele momento o objetivo era minimizar o excesso de lixo eletrônico, algo que levou dois anos até que a cadeia de parceiros da Itautec estivesse pronta para retirar os equipamentos na casa dos usuários e dar-lhes um fim ecologicamente correto. Seguindo o programa 3 “Rs” – Reciclar, Reutilizar e Reaproveitar - a Itautec constatou que à época s e t e m b r o

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“O setor TIC é o único que pode, através de tecnologias inovadoras, influenciar todo o ciclo econômico. Não há como pensar em reduzir impactos ambientais das demais atividades sem pensar em tecnologias, na forma de produtos concebidos sob conceito de menor consumo de matéria prima, adoção de insumos desenvolvidos a partir de fontes renováveis e menor consumo de energia elétrica” Kami Saidi, da HP

em empresas brasileiras homologadas pela companhia. Rotulagem ambiental O Rótulo Ecológico ABNT Qualidade Ambiental, da Associação Brasileira de Normas Técnicas, visa ampliar iniciativas como as da Itautec, em conjunto com iniciativas governamentais e não governamentais, que culminaram com a Lei Federal nº 12.305/10. O Programa da ABNT foi desenvolvido com o objetivo de apoiar um esforço contínuo para melhorar e manter a qualidade ambiental através da redução do consumo de energia e de materiais, bem como minimizar os impactos de poluição gerados pela produção, utilização e disposição de produtos e serviços. Os documentos de critérios são preparados com base em uma visão geral sobre aspectos relacionados à avaliação do ciclo de vida dos produtos e em informações de especificações para produtos similares de outros programas de rotulagem ambiental, desenvolvidos por outros membros do Global Ecolabelling Network (GEN). 1 3

Foad  Shaikhzadeh, da Furukawa: empresa recupera 100% do material empregado nos cabos


“Hoje, se a empresa não tiver TI como atividade principal, a probabilidade dela não construir e não ter um data center seguindo os novos conceitos de sustentabilidade é muito grande. Isso é caro para as empresas e faz mais sentido que provedores e fornecedores dedicados a esta área invistam em iniciativas desse tipo porque este é o negócio deles”

fotos: divulgação

>infraestrutura

Orgulhosa de ter inaugurado sua

Tomas Roque, da iniciativa “ecológica” há quatro anos, a Pricewaterhouse- Furukawa informa ser a primeira coopers fabricante do setor TIC a receber o

Rótulo Ecológico após passar pelo programa de avaliação, que envolve tanto a matéria prima, quanto o processo produtivo, o de reciclagem e o foco em sustentabilidade. “Tivemos que readaptar algumas matérias primas, pois o programa exige o uso de insumos livres de metais pesados e outras coisas ruins para a natureza”, revela Foad Shaikhzadeh, presidente da Furukawa. Segundo ele, hoje os insumos básicos são cobre e plástico, e a empresa recupera 100% do material empregado nos cabos. “Antes o material era queimado para

“Ao final do ano passado, volume reciclado equivalia a cerca de 140 mil desktops e mais de 5,6 mil ATMs” João Carlos Redondo, da Itautec

extrair o cobre, o que poluía o meio ambiente – com gases – e também degradava o próprio cobre. O processo atual possibilita o reuso do cobre com a mesma característica do insumo original”, completa o executivo, que escolheu o dia 21 de setembro (dia da árvore) para anunciar a rotulagem ao mercado. Todo o processo logístico da Furukawa com os seus 23 distribuidores e integradores no país também foi revisto para permitir que, hoje, no momento da instalação da uma nova rede, o cabeamento descartado possa ser entregue ao distribuidor local, que conta com um regime especial de transporte até a fábrica, em Curitiba (PR). O sistema já foi testado pelo data center UOL Diveo e pela Azul Linhas Aéreas Brasileiras, que reutilizou 600 kg de materiais de redes de cabeamento, acumulados desde o surgimento da companhia, há dois anos e meio. Com o

De todas as áreas de TIC, a que recebe maior atenção na arena da sustentabilidade são os data centers montante reciclado pelo programa Green IT, em conjunto com a Furukawa, a empresa calcula ter evitado que cerca de 300 kg de materiais contaminados com metais pesados fossem depositados em aterros industriais, além de reduzir a extração de 57 toneladas de minério de cobre e o consumo de 5.736 kWh de energia, o suficiente para abastecer 39 residências durante um mês. O UOL Diveo foi certificado pela Furukawa por sua participação no Programa Green IT de responsabilidade compartilhada, após registrar a redução da extração de 500 toneladas de minério de cobre e o consumo de 50.391 kWh, energia suficiente para abastecer 336 residências durante um mês. Através da doação de cabos estruturados antigos, a empresa reciclou 5.271 kg de materiais de redes de cabeamento estruturado e ajudou a evitar que cerca de 2.635,5 kg de materiais contaminados com metais pesados fossem depositados em aterros industriais. Criatividade Também para suportar estratégias “Green” dos clientes, a Diebold,

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fabricante especializada em sistemas de caixas eletrônicos, criou dois processos: descarte e reciclagem; e a revitalização dos equipamentos. O primeiro foi desenvolvido a partir de uma demanda dos próprios clientes que, ao contratarem os equipamentos, solicitavam um descarte dentro de regras ecologicamente corretas. “Hoje apenas 3% a 5% dos caixas eletrônicos vão para o aterro industrial”, diz Antonio Galvão, vicepresidente de Operações da Diebold. O projeto, iniciado em 2008, reciclou, até aqui, 15 mil caixas eletrônicos. “Os clientes vão se interessando em descartar e pedem o processo”, comemora o executivo, ao dizer que todo o sistema é certificado e rastreado com documentação foto e registro da destinação. A opção de revitalização prevê que uma máquina em seu final de vida volte para a fábrica e tenha peças substituídas, além de receber novo

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monitor, atualização de CPU, cabeamento e nova pintura. Depois disso, a máquina volta a campo, com algo em torno de 60% a 70% da sua capacidade de vida renovada. “É um processo que desperta interesse dos clientes, porque tem um custo bem menor”, diz Galvão. Segundo ele, a oferta iniciada em 2010, atende a cerca de 400 máquinas por mês. Uma segunda linha de negócio da empresa, as urnas eletrônicas, também recebeu atenção especial da companhia e, no ano passado, a fabricante que vendeu 194 mil urnas novas para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), reciclou 85 mil unidades, uma exigência incluída no projeto de fornecimento das urnas. Ambiente controlado De todas as áreas de TIC, a que recebe maior atenção na arena da sustentabilidade são os data centers. E há uma corrente de fabricantes e provedores de serviços dedicados ao desenvolvendo e ao consumo de produtos menos agressivos ao meio ambiente. “Hoje, se a empresa não tiver TI como atividade principal, a 2 0 1 1


>infraestrutura probabilidade dela não construir e não ter um data center seguindo os novos conceitos de sustentabilidade é muito grande. Isso é caro para as empresas e faz mais sentido que provedores e fornecedores dedicados a esta área invistam em iniciativas desse tipo porque este é o negócio deles”, indica Tomas Roque, gerente executivo de estratégias de TI da Pricewaterhousecoopers. A Tivit é um desses exemplos. Aqui representada pelo diretor de infraestrutura de data center, BPO e

center UOL Diveo. “Nossa planta não desperdiça a água utilizada no arrefecimento do ambiente”, dispara Armando Lima Amaral, diretor de engenharia e infraestrutura. Para ele, o data center UOL Diveo é sustentável do ponto de vista de otimização. “Registramos taxas de consumo de energia elétrica bastante competitivas quando analisadas à sombra das várias políticas que embasam o uso de TI, como o descarte e o reuso de água nos prédios e até os critério de aquisição de equipamentos. Quando

dividendos dos aportes em sustentabilidade ainda são baixos, mas não investir nesta área pode representar risco de morte administrativo, Bruno Paliaricci, a companhia se divide em três pilares quando a questão é Green IT: a consolidação e a virtualização de servidores, para o melhor uso possível da TI; a otimização de insumos – energia, água e diesel; e o reuso e reciclagem de materiais, inclusive água. A economia deste último insumo, aliás, foi alvo, há três anos, do data

compramos um servidor sabemos quanto tempo ele ficará em uso e qual será o seu consumo médio de energia”, pondera. Outra estratégia da empresa é a reciclagem dos servidores descartados. Há uma separação dos metais e a reciclagem das peças. Uma empresa terceira compra as máquinas em desuso, desmonta e

paga um valor simbólico pelos metais nobres que consegue retirar das máquinas. “Outro dia mandamos um lote de 300 servidores e recebemos R$ 3 mil. Não é o dinheiro que faz diferença mas o processo de dar fim correto aos equipamentos”, conclui Amaral. Por enquanto, os dividendos de uma estratégia de sustentabilidade ambiental ainda não são monetários, como se mostrou o exemplo da UOL Diveo, mas a pensar pelo comportamento do consumidor, a aposta contrária pode significar risco de morte. “A vantagem vem de uma interação maior com o cliente que, a longo prazo, espera-se que seja mais fiel à marca”, diz Foad Shaikhzadeh, presidente da Furukawa. Já a Itautec não arca com os custos de exportação dos insumos extraídos de suas máquinas, utilizando benefícios previstos na legislação em vigor. “No balanço, a Itautec ainda mantém um valor orçado dentro do conceito ambiental para suportar esta iniciativa. Mas a receita dos resíduos já cobre 66% do custo da logística reversa”, conclui João Carlos Redondo.

RELATÓRIO SOCIOAMBIENTAL Itautec finaliza inventário de emissões de gases do efeito estufa

A partir do inventário de 2010, a Itautec desenvolverá procedimentos para analisar o processo produtivo com o objetivo de aperfeiçoar a abrangência e a exatidão dos dados utilizados para os cálculos de emissões

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Itautec divulgou, em agosto, os resultados do seu inventário de emissões de gases do efeito estufa de 2010. Todo o trabalho se baseou na metodologia estabelecida pelo GHG Protocol (Greenhouse Gas Protocol) e pelo IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) e teve por objetivo conhecer os impactos da operação da Itautec quanto às emissões dos gases de efeito estufa (GEE). As emissões da empresa em 2010 totalizaram 157 mil toneladas de carbono equivalente (tCO2e). O inventário apresenta três quadros diferentes de emissão: escopo 1 refere-se às emissões diretas e, portanto, controladas pela empresa; escopo 2 são as emissões geradas a partir da energia elétrica comprada e consumida; e o escopo 3 referese às atividades indiretas da empresa que ocorrem em fontes que não pertencem ou não são controladas pela Itautec. Dos gases emitidos no escopo 1 - equivalentes a 53,25% do total ou 84 mil toneladas, 67,67% são emissões relacionadas às atividades de fontes estacionárias, sendo o restante referente às atividades de movimentação de 1 6

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empilhadeiras e veículos próprios. Já os gases contabilizados no escopo 2 contribuem apenas com 0,36% do total de emissões ou 571 toneladas. As emissões de nível 3 foram responsáveis por 46,39% ou 72,9 mil toneladas do total e estão ligadas ao transporte e logística de bens e serviços por empresas terceirizadas. Entre as medições, destacam-se também a participação de 798 toneladas de carbono equivalente oriundas da combustão de biomassa provenientes da utilização do etanol em fontes móveis próprias e terceirizadas e as 38 toneladas provenientes das emissões de viagens comerciais de avião. A partir do inventário de 2010, a empresa desenvolverá procedimentos para analisar o processo produtivo com o objetivo de aperfeiçoar a abrangência e exatidão dos dados utilizados para os cálculos de emissões. A Itautec também solicitará aos seus operadores logísticos que passem a adotar veículos movidos a biodiesel ou etanol, a fim de diminuir as emissões indiretas. O inventário de carbono faz parte do balanço das emissões de todas as empresas do grupo Itaúsa, do qual a fabricante faz parte.

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Em defesa da sustentabilidade

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estão na agenda das organizações. Isto já é uma realidade na agenda mundial e também no Brasil.

pesar de jovem, a preocupação com o meio ambiente das empresas fabricantes e dos consumidores de soluções TIC já é uma realidade no Brasil e no mundo, segundo o executivo sênior de tecnologia da Accenture, Jesus Lopez Aros. Nesta entrevista exclusiva para a TI Inside, ele comenta que grandes empresas comprometidas com a sustentabilidade já possuem (e divulgam) seus próprios programas e estes dados estão disponíveis para a sociedade em geral. “Creio que o grande ponto aqui é considerar esta iniciativa como um diferencial na hora da compra, de forma a incentivar estas práticas sustentáveis”, recomenda. TI Inside: Quais são os selos ou certificados de TI Sustentável hoje no mundo e no Brasil? Jesus Lopez Aros: Existem vários padrões e orientações em uso. Para Data Centers, destacaria o padrão/certificação LEED, bem como o indicador de PUE. O primeiro (LEED – Leadership in Energy and Environmental Design) é uma certificação para desenho, construção e operação de edifícios verdes e sustentáveis e prevê o uso racional de energia, o consumo eficiente de água, reutilização de materiais inclusive de construção etc. Já o segundo item (indicador PUE Power Usage Effectiveness) demonstra quanto da energia total consumida por um Data Center é, de fato, utilizada pelos equipamentos de computação. Quanto mais próximo de “1” este indicador for, mais “verde” e eficiente será o Data Center em termos de operação quanto ao seu consumo de energia. Por exemplo, o Facebook afirma ter um PUE de 1,11 em seus data centers, enquanto o setor apresenta médias de 1,6. TI Inside: As empresas já enxergam estas orientações como padrão tanto para implantação de data centers quanto para a contratação de serviços? JLA: Sem dúvida! As empresas de alto desempenho já consideram estas orientações como parte de novos projetos bem como na otimização de data centers já existentes. É uma preocupação real, que a Accenture identifica cada vez mais

junto a seus clientes. Aqui convém ressaltar um ponto: além do próprio data center ser sustentável, a operação e a utilização também devem sê-lo. É preciso tratar cuidadosamente da especificação e implementação de sistemas, de forma a torná-los mais eficientes (consumindo menos recursos computacionais); simplificar processos de operação e negócios de forma a reduzir a demanda etc. TI Inside: Qual é o atual status de uso de TI Sustentável no mundo e no Brasil? JLA: A TI sustentável já é uma realidade e suas práticas estão em franca elevação quando a sua adoção. É importante ressaltar que não somente a eficiência energética é um ponto de preocupação, mas o uso consciente dos recursos (fazer mais com menos) o descarte consciente, a escolha na hora da compra de fornecedores mais “verdes” também são elementos que

A Accenture disponibiliza gratuitamente na web a “Calculadora de TI Verde” que pode ser acessada através do link: http:// greenestimator. accenture.com

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TI Inside: Como os fabricantes de equipamentos endereçam essa tendência? JLA: Existem outras certificações específicas quanto ao processo produtivo de equipamentos (o não uso de chumbo ou outros materiais nocivos, por exemplo) quanto a sua eficiência energética (como a Energy Star) bem como quanto ao descarte sustentável das sobras de produção e até mesmo dos equipamentos que estão sendo substituídos pelos novos e que seriam retornados ao fabricante. Este, definitivamente, é um fator que deve ser levado em consideração durante o processo de compra realmente sustentável. TI Inside: Não vejo muitas iniciativas de descarte de equipamentos eletrônicos disponíveis no Brasil. Essa é apenas uma impressão ou é a realidade? JLA: Apesar de ser algo relativamente novo, já é uma realidade. Grandes empresas comprometidas com a sustentabilidade já possuem (e divulgam) seus próprios programas e estes dados estão disponíveis para a sociedade em geral. Como disse anteriormente, creio que o grande ponto aqui é considerar esta iniciativa como um diferencial na hora da compra, de forma a incentivar estas práticas sustentáveis. TI Inside: Quais as vantagens de adoção de TI sustentável? JLA: Existem diversos aspectos a serem considerados. A Accenture entende que os seguintes passos devem ser adotados em uma abordagem inicial: Redução de custos – isto é uma conseqüência natural advinda da melhor utilização de energia, água, etc. Simplificação de processos – além de também reduzir custos, tornam as empresas mais ágeis Redução da pegada de carbono – reduzindo o impacto ambiental da operação da empresa Aspecto social – uma empresa responsável é mais bem vista pelos consumidores e também por eventuais 1 7


>infraestrutura candidatos a colaboradores, o que acaba por atrair mais talentos para os quadros da empresa TI Inside: A maioria das empresas usuários de TIC no Brasil ainda associam TI Verde a economia de energia elétrica. O conceito se limita a essa visão? JLA: Algumas empresas ainda põe mais foco na eficiência energética mas, como comentado acima, existem vários outros aspectos que vão desde a construção dos prédios, consumo de

água até mesmo ao descarte consciente dos equipamentos que deixam de ser utilizados, passando por processos mais eficientes e uso mais racional da tecnologia como um todo. TI Inside: Qual é a orientação básica da Accenture aos seus principais clientes que querem iniciar projetos nesta área? JLA: A Accenture possui uma visão única e integrada de todas as práticas necessárias à implementação de uma “operação verde”, não se limitando

somente ao data center, mas tratando todo o ciclo, ajudando nossos clientes no Brasil e no mundo a otimizar processos, reduzir seus custos, tornarse mais ágeis e ter uma melhor percepção social quanto à sua operação, tornando-se verdadeiramente empresas de Alta Performance. Adicionalmente, temos uma prática mundial de Green IT, através da qual disponibilizamos uma “Calculadora de TI Verde” que pode ser acessada livremente através do link: http://greenestimator.accenture.com/

>artigo Victor Penitente Trevizan*

Plano Nacional de Resíduos Sólidos ganha forma Versão preliminar do PNRS deverá ser discutida em cinco audiências públicas O foco principal é achar uma forma de manter o crescimento econômico em harmonia com o desenvolvimento sustentável, a inclusão social e, principalmente, a preservação ambiental

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m ano após a instituição da Lei Federal nº 12.305/10, em agosto de 2010, cuja regulamentação aconteceu em dezembro do ano passado por meio do Decreto Federal nº 7.404/10, que criou a Política Nacional dos Resíduos Sólidos, foi divulgada, no último dia 5 de setembro, a versão preliminar do Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). A elaboração do plano foi realizada pela Secretaria de Recursos Hídricos e Ambiente Urbano, do Ministério do Meio Ambiente, considerando como base levantamentos e estudos a respeito dos resíduos sólidos produzidos no país feitos pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Os debates finais para confecção da versão preliminar do plano acontecerão no Comitê Interministerial, formado por 12 ministérios e criado pela PNRS. Referida versão deverá ser discutida em cinco audiências públicas, divididas nas cinco respectivas regiões do país, cuja consolidação se dará em audiência

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pública nacional que ocorrerá em Brasília. Além disso, a consulta pública, por meio da internet, permanecerá valendo pelo período de, no mínimo, sessenta dias, viabilizando o envio de contribuições pela população. Em breve resumo, o plano indica metas e diretrizes para o aproveitamento energético, possibilidades de diminuição de lixões, maior aplicação das formas de reutilização, reciclagem e redução da quantidade de resíduos descartados, medidas para aplicação da gestão de resíduos regionalizada, aplicabilidade de normas para destinação final de rejeitos, entre várias outras importantes questões. Ou seja, indica a aplicação prática da sabidamente polêmica (e temida por alguns) Política Nacional dos Resíduos Sólidos. Assim, mantendo estreita relação com os Planos Nacionais de Mudanças do Clima, de Recursos Hídricos, de Saneamento Básico e de Produção e

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Consumo Sustentável, o Plano Nacional de Resíduos Sólidos, mesmo que preliminarmente, demonstra uma evidente e necessária integração entre União, Estados, Municípios e a sociedade civil. Engloba-se também o setor empresarial e de consumo, a fim de buscar e aplicar soluções em relação à grave situação imposta pela quantidade de resíduos sólidos produzidos no Brasil. O foco principal é achar uma forma de manter o crescimento econômico em harmonia com o desenvolvimento sustentável, a inclusão social e, principalmente, a preservação ambiental para “as presentes e futuras gerações”, conforme rege o artigo 225, caput, da Constituição Federal. * Victor Penitente Trevizan é advogado da área cível do escritório Peixoto e Cury Advogados victor.trevizan@peixotoecury.com.br

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especial mobilidade

A mobilidade no Brasil está a pleno vapor, e as vendas explosivas de smartphones e tablets não deixam dúvidas de que estamos diante de um cenário dominante. Neste Especial Mobilidade registramos o rápido crescimento da plataforma dentro das corporações e concluímos que, para as empresas, o diferencial está nas aplicações ou apps desenvolvidas para cada sistema operacional. entretanto, a capacidade de transmissão de dados das redes móveis pode ser um gargalo daqui para frente s e t e m b r o

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especial mobilidade corporações

por Jackeline Carvalho

A ASCENSÃO DA PRODUTIVIDADE CORPORATIVA

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ecursos como videoconferência, VoIP em telefones celulares e computadores pessoais, além de smartphones e tablets estão fazendo com que funcionários remotos trabalhem entre 10 e 20 horas a mais do que se ficassem apenas no escritório, revela um estudo feito pela IPass. Apesar disso, essas pessoas conseguem ter um estilo de vida mais “balanceado”, diz o estudo. De acordo com o levantamento, 55% dos entrevistados trabalharam ao menos 10 horas a mais por semana e outros 12% disseram que, como resultado dos seus horários mais flexíveis, estavam trabalhando 20 ou mais horas adicionais. Foram entrevistados 3,1 mil trabalhadores e três quartos deles disseram trabalhar mais agora. Os dados obtidos apontam que 38% dos “trabalhadores móveis” trabalham antes de ir ao escritório, e 25% durante o trajeto até a empresa. No horário de almoço, 37% trabalham em seus dispositivos móveis e outros 37% o fazem à noite, antes de dormir. Desempenho Para as empresas, a boa notícia é que o novo cenário permite que os funcionários sejam mais produtivos e eficientes. Em torno de 64% dos trabalhadores móveis disseram ter melhorado o seu equilíbrio entre vida pessoal e trabalho; e mais da metade disse se sentir mais relaxada. “Começamos a perceber um equilíbrio maior, com 68% dos trabalhadores móveis se ‘desconectando’ ocasionalmente para passar mais tempo com suas famílias”, diz a CTO da IPass, Barbara Nelson. “Parece que a força de trabalho móvel está equilibrando melhor suas vidas pessoais e corporativas.” Especificamente na área de TI no Brasil, levantamento patrocinado pela Unisys e conduzido pela IDC sobre a “Consumerização de TI” demonstra que 37% dos chamados trabalhadores de informação, ou iWorkers (funcionários que usam TI como parte de seu dia-a-dia), ag o s t o

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Philip Date/shutterstock

Dispositivos móveis e expansão das redes de dados sem fio motivam o trabalho remoto e fazem com que profissionais fiquem mais tempo por dia em atividade

utilizam um smartphone para acessar aplicações de negócios nas suas empresas. Entre estes colaboradores, 22% usam tablets para trabalhar. A média global de uso deste equipamento no ambiente corporativo foi de 13%. A pesquisa também indica que a porcentagem dos iWorkers que consideram o desktop como o equipamento mais importante para trabalhar no Brasil cairá cerca de 28% no próximo ano, enquanto a porcentagem daqueles que consideram os laptops como a principal ferramenta subirá de 31% para 43%. Atualmente, apenas 4% dos iWorkers brasileiros consideram o tablet como a ferramenta de trabalho mais importante para realizar suas tarefas no escritório, mas 18% afirmam que ele se tornará a ferramenta mais importante nos próximos 12 meses. Relax Assim como em 2010, a pesquisa atual mostra que os iWorkers brasileiros ainda 2 0 1 1

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realizam mais atividades durante o expediente de trabalho do que suas companhias estão cientes: 44% dos funcionários dizem que seus patrões permitem que eles acessem sites de mídias sociais por razões pessoais no escritório, enquanto apenas 24% dos executivos de TI reconhecem que esta prática ocorre em suas organizações. O acesso a sites de mídias sociais no trabalho também aumentou. No estudo do ano passado, 16% dos iWorkers brasileiros entrevistados disseram usar o Facebook para temas relacionados ao trabalho. Em 2011, este número saltou para 34% dos entrevistados. Em comparação com os outros oito países da pesquisa, 59% dos iWorkers brasileiros disseram acessar sites de mídias sociais ao menos uma vez por dia no trabalho, enquanto 48% dos norteamericanos e 37% dos europeus confirmaram entrar neste tipo de site durante o expediente. De acordo com a pesquisa deste ano, o

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uso acentuado das tecnologias móveis e das mídias sociais aponta sérios impactos para as organizações no que diz respeito ao suporte aos equipamentos e à segurança das informações. Sessenta e um porcento dos executivos brasileiros de TI afirmam que quando seus funcionários encontram um problema técnico em seus aparelhos pessoais usados no trabalho, buscam assistência nas próprias áreas de TI das organizações. O estudo também indica que a falta de consciência impede que as áreas de TI lidem com estes desafios de maneira adequada. Enquanto 75% dos iWorkers no Brasil alegam usar seus smartphones pessoais para trabalhar, apenas 38% dos executivos de TI acreditam que isso ocorra. Similarmente, 22% destes profissionais disseram que utilizam seus tablets pessoais para o trabalho, enquanto apenas 4% dos executivos de TI creem que seus funcionários usem este aparelho. Relacionamento Os departamentos de TI também estão tomando menos medidas de segurança em relação ao uso destes dispositivos para o trabalho: em 2010, 58% dos executivos reconheceram a necessidade de oferecer treinamento a seus funcionários para o uso mais adequado destes equipamentos. Esse número caiu para 44% neste ano. Situação semelhante ocorre em relação à publicação de procedimentos corporativos sobre como usar as mídias sociais: no ano passado, 61% das empresas confirmaram ter trabalhado neste tipo de diretrizes, enquanto somente 42% das organizações entrevistadas em 2011 reconheceram tomar esta iniciativa. “Vivemos um momento no qual as organizações não estão mais ditando as tecnologias a serem usadas dentro de seu ambiente. Hoje, este movimento ocorre em direção oposta: são os funcionários que estão trazendo seus equipamentos para o trabalho”, diz Paulo Roberto Carvalho, diretor de negócios de outsourcing da Unisys na América Latina. Mão dupla E no setor hoteleiro há ainda um segundo personagem a ditar mudanças: os usuários. Esta deve ser uma das atividades a efetuar maior investimento em tecnologias de redes sem fio nos próximos anos no Brasil, em função dos grandes eventos esportivos e do já registrado aumento do turismo interno provocado pela expansão do poder aquisitivo da população. Um outro estudo, feito pela Motorola Solutions e divulgado em meados do ano, 4

Goodluz/Shutterstock

especial mobilidade corporações

Os iWorkers brasileiros ainda realizam mais atividades durante o expediente de trabalho do que suas companhias registram oficialmente indica que 56% das empresas desse setor planejam aumentar os investimentos em mobilidade para equipar os colaboradores, melhorar a eficiência operacional e a experiência do consumidor. O Barômetro do Mercado Hoteleiro revela que 91% dos tomadores de decisão da indústria têm consciência do importante aumento das tecnologias móveis e sem fio, enquanto 78% reconhecem o papel que a mobilidade exerce para garantir uma vantagem competitiva aos seus negócios. Como resultado, os hotéis estão investindo em novas tecnologias, bem como em potentes redes sem fio, para administrar maiores volumes de dados e de demanda dos clientes por acesso de alta velocidade. Melhorar a experiência para o hóspede é o fator principal para investir em mobilidade, de acordo com 76% dos hotéis pesquisados. Os tomadores de decisão do segmento hoteleiro estão investindo em tecnologias móveis para dar suporte à interação do consumidor com os aplicativos que melhoram os serviços voltados a ele, por meio de acesso sem fio a e-mails, check-in do hóspede/participante, pedidos/ pagamentos em restaurantes ou ingressos para eventos, entre outros. Entre os entrevistados, 61% planejam instalar alguma ferramenta de vídeo, incluindo videomonitoramento,

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videoconferência e transmissão de conteúdo em tempo real para áreas de acesso público, como saguões, e 58% das empresas do setor que dispõem de tecnologia móvel observaram melhoria na satisfação do consumidor. Para 59% dos entrevistados que atualmente dispõem de tecnologia móvel e sem fio, a produtividade e a eficiência do funcionário aumentaram, enquanto 55% constataram melhores resultados nas vendas. Gerentes, funcionários da segurança e do serviço de atendimento ao consumidor são os principais usuários de aparelhos móveis e sem fio nas companhias do mercado hoteleiro pesquisadas. Entre esses, 71% dos supervisores usam smartphones, 52% dos seguranças usam rádio, 19% dos agentes de bilheteria são equipados com voz sobre IP (VoIP) e 26% dos administradores dos locais possuem tablets. Rádio Atualmente as aplicações mais populares de rádios bidirecionais são para administração de projetos (51%) e colaboração (41%). Mensagens unificadas e gerenciamento/monitoramento remoto possuem a mais alta taxa de disponibilização planejada até 2012. Entre os que responderam à pesquisa, os tablets e os aparelhos VoIP são os dois principais dispositivos móveis planejados para ser implementados até 2012. Com o propósito de incrementar a eficiência operacional, 75% das empresas pesquisadas já possuem rede sem fio LAN (WLAN) funcionando em suas instalações. Na América do Norte, um terço desses locais possui Wi-Fi no padrão 802.11n, enquanto na Europa a maioria utiliza os padrões 802.11b/g. Entre os consultados,

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42% possuem redes WLAN e esperam estar completamente atualizados para o padrão 802.11n até o final de 2012.  Melhorar a produtividade e a confiabilidade, além de expandir o alcance das atuais redes sem fio, são os três fatores principais para a adoção do padrão 802.11n WLAN, de forma a assegurar que todas as características críticas da rede atendam a mais volumes de dados e ao aumento das demandas do consumidor e dos funcionários móveis por acesso. “Os avanços dos produtos e dos serviços móveis e sem fio estão mudando o cenário da indústria de hotéis e como ela opera. Com clientes exigentes e equipados com um número cada vez maior de smartphones, tablets, notebooks e até mesmo aparelhos robustos, os departamentos de TI dos hotéis reconhecem a necessidade de atualizar suas WLANs para melhorar a confiabilidade da rede, a capacidade e a cobertura, além de dar suporte à interação do consumidor com os aplicativos, bem como seus serviços internos que melhoram a experiência do hóspede”, analisa Craig Mathias, diretor do grupo Farpoint. “A indústria hoteleira está presenciando a rápida adoção de tecnologia móvel e sem fio e as organizações estão reconhecendo rapidamente os benefícios e as vantagens competitivas associados à utilização. Com as inovações é possível preparar as empresas do setor – restaurantes fullservice, hotéis e resorts, cassinos, estádios e centros de conferência – para aumentar as vendas e a produtividade, simplificar as operações e aumentar a satisfação do consumidor a curto prazo”, finaliza Thomas Moore, diretor de soluções para indústria hoteleira da Motorola Solutions.

Polícia equipada A Polícia Militar de São Paulo começou a usar tablets em viaturas na capital paulista para auxiliar suas tarefas. A partir dos computadores de telas sensíveis ao toque, que ficam presos no vidro dianteiro sobre o painel, os policiais podem consultar bancos de dados criminais e civis, registrar boletins de ocorrências, fazer anotações e relatórios, além de enviar informações aos seus respectivos comandos. Os aparelhos têm GPS e receberam localizadores automáticos de viaturas (AVL), tecnologia que permite que as unidades de comando acompanhem, em tempo real, a movimentação dos veículos. Segundo a Secretaria de Segurança de São Paulo, os tablets já equipam cerca de três mil viaturas. Os aparelhos chamados de i-MXT são da fabricante brasileira Maxtrack, de Minas Gerais, e rodam o sistema Android em telas de sete polegadas. Os recursos incluem processador de

800 MHz, 512 MB de memória RAM, conexões Wi-Fi e 3G, câmeras frontal e traseira, além de portas USB e HDMI. O produto pesa 650g e tem dimensões de 192mm por 128mm por 30mm. O plano da Secretaria é que, no futuro, toda a frota da Polícia Militar de quatro rodas tenha o tablet. Até o final do ano, todas as 11 mil viaturas de quatro rodas da PM receberão este equipamento. Ao todo, o governo paulista investiu R$ 23 milhões na compra de 16,5 mil computadores compactos sensíveis ao toque, sendo que parte deles será usada para o policiamento com motocicletas. Ainda em agosto, as 39 cidades da região metropolitana de SP receberão os tablets. Já em outubro será a vez das viaturas do interior. “Será uma média de mil por mês”, afirma o chefe do Centro de Processamento de Dados da PM e um dos idealizadores do projeto, o coronel Alfredo Deak.


especial mobilidade infraestrutura

por Alexandro Cruz

PAVIMENTAÇÃO DO ACESSO AINDA PREOCUPA

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lô, desculpe, mas não posso falar no momento. Encaminhe os arquivos para o meu celular que depois respondo a você. Como, o seu celular não tem Internet?” A questão e a surpresa têm se tornado comuns, na proporção da popularidade da rede IP móvel, porque ter um plano de dados tornou-se mais importante do que ter um plano de voz. Segundo o levantamento da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil), o Brasil registrou 18,4 milhões de novos acessos à banda larga nos últimos 15 meses. O resultado demonstra um acréscimo de 67% desde maio de 2010, quando foi editado o decreto que instituiu o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) no País. Além disso, o acesso à Internet móvel teve um crescimento expressivo, quase dobrando a sua base na primeira fase do estudo (96%), com 29,7 milhões de conexões no final do primeiro semestre de 2011. Na mesma linha de análise, segundo a Cisco, até 2015, os usuários de Internet no País passarão a transmitir oito vezes mais dados em relação ao período atual e, mundialmente, o índice aumentará quatro vezes. Diante desse cenário, como as operadoras estão se alinhando para suprir a forte demanda de dados sobre IP? A resposta ou mesmo um alerta é o levantamento realizado pelo Sindicato Nacional das Empresas de Telecomunicações do Brasil (SindiTelebrasil), que aponta a necessidade de investimentos de mais de R$ 144 bilhões, nos próximos nove anos, apenas para atingir a meta de triplicar o número de usuários de Internet em banda larga (fixa e móvel) no País e conseguir atingir a 153 milhões de pessoas. Por parte das operadoras, apesar da cobertura de dados ainda ser inferior e pouco interiorana, é aparente a existência de uma força-tarefa para ampliar suas infraestruturas de rede. A Claro tem a meta de, até o final de 2011, alcançar 100% da sua rede de acesso em IP e, com isso, 6

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Nos últimos 15 meses, o acesso às redes móveis de dados cresceu 96% no Brasil. O resultado mostra que as empresas de telefonia devem estar atentas às futuras demandas. O que está sendo feito?

oferecer mais capacidade nos serviços de dados. “Estamos nos preparando para ter uma rede de acesso totalmente IP, com mais de 8,5 mil roteadores instalados, utilizando prioritariamente a fibra óptica como meio de transporte. Esse projeto totalizará mais de 89 mil quilômetros de fibra construídos”, afirma Márcio Nunes, diretor de plataformas e rede da Claro. Na mesma linha de investimento, a Vivo afirma que está em processo da implementação de uma rede nacional de fibra ótica que atingirá todas as capitais cidades que já dispõem de tecnologia 3G - e que sua malha já está preparada para oferecer 3,5G ou HSPA+. No final do segundo trimestre de 2011, a companhia obteve como receitas de Internet móvel um aumento de 37,1%, em comparação com o segundo trimestre de 2010, e 9,4% em relação ao primeiros três meses de 2011. Esse crescimento decorre do incentivo à utilização desse modelo de serviço por smartphones. Os números apontam a necessidade de ampliar suas

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condições estruturais para atender à forte demanda nesse segmento de mercado. Até o final deste ano, a TIM prevê um aporte de R$ 2,9 bilhões para o País, sendo 85% deste valor direcionados à infraestrutura. Segundo o responsável pela oferta de Internet móvel da operadora, Bruno Marsili, para o triênio 2011-2013, a previsão de recursos é de R$ 8,5 bilhões. “Estamos substituindo todos os equipamentos do núcleo IP (Rede Nacional IP Multiserviço) pela tecnologia mais avançada do mercado de telecom, o Terarouter CRS-3 (Carrier Routing System)”, informa o executivo. “A TIM é a primeira operadora do Brasil e a segunda da América Latina a investir na mais avançada tecnologia em termos de equipamentos de redes IP”, diz Claudio Merulla, responsável pela rede de transporte da TIM Brasil. “Com a capacidade disponibilizada pelos novos equipamentos é possível fazer o download de mais de 15 mil filmes de alta definição em um minuto, além de garantir um novo e

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mais alto padrão de qualidade, permitindo, por exemplo, o redirecionamento dos fluxos de dados em caso de falha, sem que a mesma seja percebida.” A operadora planeja finalizar a instalação das máquinas, 12 no total, até o fim de novembro. A nova geração de roteadores possui capacidade individual de até 4,5 Terabits por segundo, 14 vezes superior à utilizada atualmente pela empresa e até três vezes mais que as demais tecnologias existentes no mercado. Sobreposição Além dos investimentos na otimização da infraestrutura, as operadoras também estão cientes de que a usabilidade móvel tem influenciado no perfil do consumidor. Junto a isso, conforme destaca Marsili, da TIM, o brasileiro passa mais tempo na Internet do que usuários de outros países e o uso em mobilidade começa a crescer graças à penetração de smartphones e notebooks, e a tarifas mais acessíveis. “Uma diferença importante entre o cliente daqui e de outros países é que, pela menor disponibilidade de banda larga fixa, a móvel, em várias ocasiões, é utilizada como acesso único residencial”, avalia o executivo. (veja mais em “Explosão de consumo”). Outro fator preponderante para as operadoras está relacionado às características de distribuição de renda no Brasil, onde ainda há um percentual significativo da população que não tem computador com banda larga em suas residências e, por conta disso, a navegação via celulares torna-se a primeira opção de acesso à Internet. Esta constatação reforça o perfil de inclusão digital da telefonia móvel.

“Estamos nos preparando para ter uma rede de acesso totalmente IP, com mais de 8,5 mil roteadores instalados, utilizando prioritariamente a fibra óptica como meio de transporte” Márcio Nunes, da Claro

Explosão de consumo O tráfego de dados online a partir de dispositivos móveis cresceu 77% em todo mundo durante o primeiro semestre de 2011, se comparado ao mesmo período do ano passado, segundo pesquisa divulgada pela consultoria Allot. Só o YouTube representa 22% desse total. O consumo de vídeo firma-se como uma tendência em dispositivos móveis, e representa no total 39% dos dados acessados pelos usuários, crescimento de 93% no semestre. Os clientes de VoIP em smartphones (como o Skype) também tiveram o crescimento substancial de 101%, segundo a pesquisa. No entanto, os serviços de SMS e MMS decresceram, confirmando uma tendência. Os downloads de aplicativos para smartphones também cresceram, sendo que o Android Market, loja para o sistema operacional móvel do Google, representa 13% do total de acessos. Quase todo o resto do tráfego (ou 84%) veio da loja virtual da Apple, a App Store. O acesso às redes sociais tiveram crescimento acima da casa dos 100%, principalmente o Twitter (297%) e o Facebook (166%).

Alternativas Para tornar o serviço móvel ainda mais acessível, ocorreu a promulgação do decreto da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) que autoriza a criação de operadoras móveis virtuais (MVNO, na sigla em inglês) no País, em novembro de 2010. O modelo possibilita às empresas que não possuem licenças de SMP (não têm frequências nem redes) o exercício deste tipo de atividade, atuando por meio de serviços associados à telefonia celular. Atualmente, o modelo de operadora móvel virtual já é utilizado em mais de 40 países, sendo que a Europa concentra grande parte delas. Porém, é importante entender que a autorização da Agência não está vinculada às melhorias de infraestrutura, porque as empresas (atacado e varejo) que aderirem a esses serviços oferecerão apenas soluções s e t e m b r o

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que podem ser customizadas. As MVNOs terão benefícios nos negócios, devido à possibilidade de desenvolver uma comunicação direta, que atenda ao interesse de cada segmento de cliente, com base no seu perfil, suas preferências de consumo, características de compra e serviços. Lado do governo Copa do Mundo e Olimpíadas no Brasil são os principais chavões de negócios para que as empresas, principalmente as de telefonia, aumentem o CAPEX e OPEX de seus orçamentos. Por outro lado, a ação do governo em relação a telecom ainda caminha a passos lentos, como a demora na aprovação de algumas regulamentações de telefonia. Mesmo assim, o Grupo Telefônica se mostra bastante confiante de que as autoridades e a sociedade brasileira conseguirão cumprir todos os seus compromissos para fazer com que a Copa

A TIM anunciou aporte de R$ 8,5 bilhões, no triênio 2011-2013, para substituir todos os equipamentos do núcleo IP (Rede Nacional IP Multiserviço)

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especial mobilidade infraestrutura

do Mundo e a Olimpíada sejam eventos muito bem sucedidos e que tragam benefícios para o País. Já a TIM acredita que o tema precisa ser enfrentado com a seriedade necessária, uma vez que o mercado de atacado no Brasil enfrenta problemas estruturais que se constituem em fatores críticos de sucesso para que a correta infraestrutura de telecomunicações esteja à disposição da sociedade até 2014. O Brasil não é exclusivamente esportes. Também é economia, moeda e mercado relativamente forte, e tem a comunicação sobre IP móvel como uma das principais ferramentas de inclusão digital e social. “As empresas precisam estar preparadas para atender a uma demanda de dados cada vez maior”, conclui o executivo da TIM, Bruno Marsili.

Resultados da competitividade no mercado no Brasil (venda de modem 3G/2T11) Acesso 3G via celular no Brasil – 2T11

2,931 milhões de modems ou 42,57% do market share

31,3%

2 milhões de modems com 29,3% do market share

23%

1,485 milhões de modems com 21,6% do market share

40,6%

399 mil modems com 5,8% de market share

4,47% Fonte: Balanço Huawei da Banda Larga Móvel/Agosto 2011

EXPANSÃO DESENFREADA Acessos à internet por smartphones devem chegar a 35 milhões de dispositivos ao final do ano

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Huawei, em parceria com a consultoria Teleco, constata no Balanço Huawei da Banda Larga Móvel que este serviço no País cresceu 35% no 1º semestre e deve chegar no final de 2011 a 35 milhões de acessos, mais que o dobro da rede fixa. Na banda larga móvel, o acesso através do HSPA+ continua ganhando terreno na expansão da capacidade das redes das operadoras. Elas vislumbram a possibilidade de maximizar o retorno sobre os investimentos realizados nas redes 3G, antes de migrarem para o LTE que, por sua vez, já contava mundialmente com 26 redes em operação comercial ao final de junho de 2011. Os dados apurados apontam a tendência de que o smartphone se torne o principal dispositivo de acesso à Internet. Seu volume de vendas superou novamente o de PCs pelo terceiro trimestre consecutivo, e para cada 10 celulares vendidos no mundo, 3 já são smartphones. Dispositivos como eReaders e tablets também estão estimulando o crescimento da banda larga móvel. Na banda larga fixa, verifica-se um aumento global da participação das redes de fibras ópticas. Mas enquanto no Japão e Coreia estas redes representam mais de 50% do total de conexões de banda larga, em alguns

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países da Europa como Portugal e Itália este número está pouco acima de 1%. No Brasil, o percentual é ainda inferior: 0,1%. No País No Brasil, com os respectivos crescimentos de 10% e 35% verificados no 1º semestre deste ano, a banda larga fixa fechou o período com 15 milhões de acessos e a móvel com 28 milhões. A densidade dos acessos 3G chegou a 13,7 para cada 100 habitantes, superando a média mundial do final de 2010. Na projeção para 2011, a banda larga móvel deverá contar com 35 milhões de acessos, uma quantidade maior que o dobro da banda larga fixa, estimada em 17 milhões. A participação dos serviços de dados na receita das teles registrou um expressivo aumento de 30% no segundo trimestre de 2011 em relação ao período equivalente do ano anterior, levando o faturamento a 18,7% da receita total de serviços das operadoras no País. Mas há ainda muito espaço para crescimento, uma vez que essa participação é de 2 a 3 vezes superior nas operadoras do mundo desenvolvido, atingindo mais de 50% da receita da japonesa NTT DoCoMo, por exemplo. Apesar do crescimento igualmente expressivo de 7% na receita de voz registrado no segundo trimestre, a expectativa é de menor participação de voz no total da receita das operadoras, fazendo os serviços de dados cada vez mais importantes como fontes de crescimento. As operadoras móveis estão se concentrando na ampliação da capacidade do backhaul de suas redes nas cidades já atendidas. Segundo os dados do segundo trimestre, a banda larga móvel está disponível para 76% da população e em 28% dos municípios brasileiros. No período, 102 novos municípios, que compreendem 2,4 milhões de pessoas começaram a ser atendidos por este serviço.

Jacob Hamblin/Shutterstock

A Vivo está em processo da implementação de uma rede nacional de fibra óptica que atingirá todas as capitais

Backbone Atualização do estudo de 2008 da Nokia Siemens Networks sobre o tráfego de dados nas redes móveis confirma as projeções de três anos atrás: o ritmo de crescimento do tráfego se manteve na média de 80% a 90% ao ano. “Os investimentos nas redes móveis até 2015 vão aumentar em 250% e a base de assinantes crescerá em 140%”, analisa Wilson Cardoso, diretor de tecnologia para América Latina da empresa. A pesquisa indica que o backbone em 2015 para as redes móveis crescerá quase 11 vezes em relação a 2011. De acordo com dados da Anatel, em julho desse ano, o número de usuários ficou em 22,77 milhões. “Apesar do atraso da implantação do LTE no País, as expectativas continuam quase as mesmas. Nossa previsão é que, até o fim do ano, o número de usuários 3G chegue a 39 milhões”, registra o relatório.

Planos e Preços As operadoras estão customizando pacotes para diferentes usos como e-mail, redes sociais, chat ou acesso à Internet convencional. Essa estratégia impulsiona a adesão aos planos oferecidos que, hoje, são cobrados por volume de dados - a cobrança por velocidade caiu em desuso. Em geral, ao consumir a franquia de dados o usuário continua com acesso ao serviço, mas com uma velocidade reduzida. A média de preços no Brasil para pacotes de 2G e 3G está acima dos valores praticados em outros países. A carga s e t e m b r o

tributária e a taxa de câmbio afetam esta comparação. Mesmo com queda média de 8% no segundo trimestre, o preço dos telefones celulares 3G ainda é uma barreira para a difusão da banda larga móvel, principalmente no segmento pré-pago. Já no pós-pago, o preço desse tipo de aparelho pode cair consideravelmente, de acordo com o plano adquirido. Os modems 3G também apresentaram leve queda de preço no trimestre e já podem ser encontrados por R$ 96,00. Tendo como referência o segundro trimestre de 2010, o preço médio do modem no Brasil caiu 35% ao longo de um ano.

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Ainda segundo o levantamento, para atender à alta demanda por dados é necessário um espectro quase duas vezes maior do que o atual. “De 2008 para cá, houve um crescimento de quase 40 vezes no uso do espectro. O desafio continua sendo o de encontrar soluções para o esgotamento dele e como elevar a eficiência das operadoras. Investimentos em novas tecnologias, que otimizem as redes 3G, são essenciais para oferecer serviços de qualidade, a menores preços e ao mesmo tempo com maior rentabilidade para as empresas”. A estimativa é de que os usuários 3G passem de 18,916 milhões em 2010 para 39,970 milhões em 2011. Já a largura de banda no backbone deve ir de 257 Gbps no ano passado para 772 Gbps neste ano. O espectro necessário era de 37 MHz em 2010 e deve ir para 118 MHz em 2011.

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especial mobilidade segurança

por Marcelo Vieira

TÃO ESSENCIAL QUANTO A BATERIA Popularização de smartphones e tablets atrai a atenção de criminosos virtuais, que faturam milhões, e exigem mais atenção de usuários e empresas com a segurança

Empresas De olho não só no tamanho do mercado, mas também na migração natural para os dispositivos móveis, os grandes players desenvolvem linhas completas de segurança móvel, seja para o consumidor final ou corporativo. “As companhias de todo o mundo 1 0

Segundo o executivo, as tecnologias predecessoras vieram devagar, e os departamentos de TI conseguiram controlar a entrada dos respectivos dispositivos nas redes empresariais e assegurar a segurança. Com os dispositivos móveis foi diferente, e as corporações se veem obrigadas a trabalhar muito rapidamente. No entanto, as tecnologias desenvolvidas para este mercado ainda são muito recentes, e muitas vezes os gestores desconhecem os portifólios de proteção móvel das empresas. “O desafio para os profissionais de TI é saber o que usar e comprar, pois as empresas precisam da mesma proteção de antes.” Para Kenworthy, as companhias já estão correndo atrás do prejuízo: 70% delas permitem o uso de tecnologias móveis na rede corporativa. “Há uma série de vantagens nisso, como a diminuição na carga de trabalho dos funcionários que operam o sistema de telefonia tradicional nas grandes empresas. A maioria dos funcionários também está feliz com a migração.”

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egundo pesquisa divulgada pela Juniper Research, empresa especializada em estatísticas do setor de telecomunicações, o mercado de softwares de segurança para dispositivos móveis (incluindo tablets, smartphones e feature phones) deve ultrapassar US$ 1 bilhão já em 2013, e quase US$ 3,7 bilhões em 2016 – quando haverá 277 milhões de aparelhos com algum tipo de proteção instalada. Quase 69% das vendas desse tipo de solução serão destinadas ao mercado empresarial. A presença de softwares de segurança é comum no setor de computadores e laptops há muitos anos, mas ainda não nos dispositivos móveis. O aumento explosivo nas vendas de smartphones e tablets, que cada vez mais substituem outros dispositivos como principal terminal de acesso à Internet, no entanto, tem continuamente atraído a atenção de criminosos virtuais. Assim, explica a Juniper, a conscientização do público sobre a vulnerabilidade desses aparelhos também aumenta. “Os usuários corporativos são o maior alvo em potencial devido à segurança móvel insuficiente”, diz Nitin Bhas, analista da Juniper e autor do relatório da pesquisa. “As empresas terão que incorporar dispositivos móveis às suas redes corporativas, como forma de reforçar políticas de proteção e auditar os aparelhos.” A pesquisa descobriu que as empresas estão começando a gastar mais em aplicativos de segurança para dispositivos móveis, conforme se tornam parte crítica da política empresarial. No entanto, apenas um em cada 20 smartphones e tablets possui softwares de segurança de terceiros instalado, apesar do aumento das ameaças.

estão interessadas em trazer a mobilidade para dentro de suas organizações”, diz Chris Kenworthy, vice-presidente sênior mundial da McAfee para grandes empresas. A McAfee, explica, está apostando em segurança para todo tipo de endpoints, pois eles são

Hackers Roubar informações, incluindo arquivos e dados de contatos, além de obter acesso a servidores corporativos remotos e localidades geográficas: esses são os principais objetivos dos hackers que desenvolvem malwares para

70% das organizações já permitem o uso de tecnologias móveis na rede corporativa, segundo estudo extensões de uma mesma rede. Kenworthy acredita que as companhias não deveriam ter que criar todo um ecossistema separado para proteger apenas dispositivos móveis. Mas isso, explica, esbarra em uma série de dificuldades, principalmente dos departamentos de TI. “Este grande fenômeno que chamamos de mobilidade está entrando nas empresas mais rápido do que elas são capazes de se adaptar”.

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smartphones e tablets, diz Vanessa Pádua, engenheira de sistemas da Fortinet. “Os principais alvos são quaisquer dispositivos móveis que possuam conectividade”, explica. Esses aparelhos, que armazenam informações profissionais e pessoais de seus usuários, ainda são afetados por dois fatores agravantes: estão conectados em todos os lugares, o tempo todo. “Na verdade, o perfil dos criminosos

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>> “A mobilidade está entrando nas empresas mais rápido do que elas são capazes de se adaptar”

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cibernéticos mudou bastante nos últimos anos”, diz Ascold Szymanskyj, vice-presidente de vendas e operações para América Latina da F-Secure. “Antigamente os vírus eram escritos por adolescentes, e a principal motivação era deixar uma marca, como um pichador. Hoje existem verdadeiras quadrilhas organizadas nesse tipo de crime pela Internet, que movimentam milhões de dólares.” Para Szymanskyj, os dispositivos móveis são ainda mais vulneráveis do que os PCs. Primeiro, porque passam a falsa sensação de que os vírus atacam mais os desktops e notebooks, e “qualquer dispositivo que esteja conectado à Internet pode sofrer algum tipo de invasão”. Além disso, com a utilização de smartphones e tablets no ambiente corporativo, o interesse dos cibercriminosos por dados sensíveis aumenta. “Hoje é comum a figura dos crackers, cuja principal motivação é o roubo de dados que possam ter algum valor comercial, como informações cadastrais, números e senhas de contas bancárias e cartões de crédito”, diz o executivo da F-Secure, que lista ainda aplicativos maliciosos que se instalam no dispositivo e gravam tudo o que o usuário digita. Apesar de ainda poucos (com relação aos malwares para sistemas operacionais em computadores), o número de novos vírus específicos para dispositivos móveis tem crescido exponencialmente. Segundo Ascold, um levantamento apontou que, apenas no primeiro trimestre deste ano, mais de 600 tipos de malwares para sistemas operacionais móveis. “Todos são considerados alvos; não existe um sistema operacional imune a ataques”, diz. Chris Kenworthy, da McAfee, explica que, além dos malwares tradicionais, como vírus, trojans e worms adaptados para dispositivos móveis, há outras áreas de risco na mobilidade corporativa, como os aplicativos. “Nos velhos tempos dos desktops, 95% do que fazíamos se restringia ao e-mail, web e editores de texto e planilhas. Nas lojas online são milhares de novos aplicativos móveis disponíveis todos os dias. Será que pensaram na segurança?” Websites maliciosos também representam risco. Segundo Kenworthy, os usuários de dispositivos móveis são três vezes mais suscetíveis a fraudes bancárias na web, pois

Chris Kenworthy, da McAfee

não conseguem identificar com clareza se estão em um site autêntico em uma tela tão pequena. “O que os hackers fazem é seguir o dinheiro. Quanto mais transações financeiras são feitas em smartphones, mais os hackers vão tentar encontrar um meio de explorar isso. Hoje eles faturam muito mais através dos PCs, mas isso vai mudar.” Soluções As soluções oferecidas pelas empresas se destinam tanto ao consumidor final quanto às empresas. A McAfee, por exemplo, já conta com uma unidade específica apenas para desenvolvimento e pesquisa em segurança móvel. Outras fornecedoras, como a Fortinet, apresentam alternativas específicas para dispositivos (como apps de varredura) e também para redes móveis corporativas. O controle parental, que identifica sites potencialmente perigosos antes que sejam

acessados, também é uma constante no portfólio das empresas, bem como soluções de rastreamento de dispositivos roubados ou perdidos. “Se perder um device já é ruim, perder os dados nele contidos pode ser pior ainda”, diz Kenworthy, da McAfee, que oferece uma solução que permite apagar remotamente os dados contidos em um aparelho. Ascold Szymanskyj, da F-Secure, acredita que, além do esforço da indústria no desenvolvimento de soluções eficientes, é necessária “uma reeducação digital por parte do consumidor. Há muita informação do usuário flutuando na nuvem sem muitos critérios de segurança.” Segundo ele, é fundamental possuir um software de segurança associado ao dispositivo e mantê-lo sempre atualizado. A proteção ideal, diz, combina solução de antivírus com backup dos dados. Outras precauções também são importantes, enumera Vanessa Pádua, da Fortinet: evitar abrir e-mails, mensagens SMS e links desconhecidos nas redes sociais; verificar pontuações e quantidade de downloads durante a instalação de um novo aplicativo; desconfiar de aplicativos gratuitos que solicitam informações pessoais; manter o dispositivo sempre ao alcance.

Precauções • Evitar abrir emails, mensagens SMS e links desconhecidos nas redes sociais • Verificar pontuações e quantidade de downloads durante a instalação de um novo aplicativo • Desconfiar de aplicativos gratuitos que solicitam informações pessoais • Manter o dispositivo sempre ao alcance

“É importante uma reeducação digital por parte do consumidor”

Fonte: Fortinet

Ascold Szymanskyj, da F-Secure s e t e m b r o

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especial mobilidade sistemas operacionais

por Victor Hugo

QUEM QUER ASSUMIR A LIDERANÇA?

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questão de mobilidade já se tornou, há algum tempo, um ponto crítico e relevante para o mercado corporativo. Entretanto, se anteriormente o BlackBerry, da RIM, dominava com folga este ambiente, com a nova dinâmica da consumerização e o avanço das novas plataformas como iOS e Android, o cenário está se transformando. Dessa forma, ocorrem alterações na estratificação das plataformas presentes em cada área da empresa, como diretoria e alta gerência, média gerência e força de campo/vendas. Uma tendência apontada por especialistas, e que começou a tomar corpo no ano passado, se confirma neste ano: a maior presença de aparelhos com Android, e, principalmente, do iPhone, nos setores de alta gerência e diretoria. O apelo destes modelos na questão de design e na gama de aplicativos disponíveis os transforma em objetos de desejos dos executivos nestes cargos caracterizados pela maior autonomia e poder de decisão sobre qual dispositivo usar. Diante disso, o BlackBerry vem perdendo relativa participação nas empresas. Os tablets, por outro lado, começam a marcar presença relevante nas mãos de diretores e gerentes, fato que se constata com o crescimento da penetração do iOS, por meio do iPad, e do Andorid, embarcado em tablets da Motorola, LG, Samsung, entre outros. ameaça No que tange a média e baixa gerência, ainda há um amplo predomínio do BlackBerry, mas smartphones menos parrudos com Android começam a aparecer com mais força neste meio. Há também uma incidência do iPhone, mas em menor escala. “Ainda não chega a ameaçar o BlackBerry, mas o Android e o iPhone já passam a roubar algum espaço da RIM na gerência”, diz Fabrício Bindi, 1 2

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Antes dominante no segmento, o BlackBerry passa a ser cada vez mais ameaçado por Android e iOS, enquanto os tablets começam a marcar presença desde a diretoria até a força de vendas. maior variedade de dispositivos e sistemas resultará em desafios para os fornecedores em curto prazo

diretor de produtos e serviços da Telefônica/Vivo Empresas. Segundo ele, deve existir uma convergência da alta e da média gerência, com essa quebra de mercado ficando menos nítida. Um fato que garantirá espaço para todos os players de mercado. “Não haverá um player totalmente líder”, observa. Por fim, quando analisado o segmento de força de vendas e campo, a grande dominância do Windows Mobile e a

Estudo aponta que, no Brasil, 75% dos profissionais que utilizam a tecnologia no seu dia-a-dia alegam usar seus próprios smartphones, e acessam aplicações de negócios e s p e cia l

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presença do Symbian não tendem a se manter por muito mais tempo. Isso porque a falta de aparelhos com o sistema da Microsoft e a falta de adaptação do Symbian às necessidades das empresas estão abrindo portas para a entrada do Android, já presente em uma gama maior de aparelhos, inclusive naqueles de menor custo para as organizações. “As empresas que estão migrando as soluções de força de campo/vendas adotam o Android por custo e porque o sistema já permite o desenvolvimento de aplicações específicas”, analisa Bindi. Entretanto, o executivo ressalta que essa mudança depende do porte da empresa e adaptação não é rápida, até pelo fato de representar alto custo. “A adoção do mercado corporativo é mais lenta do que no consumo. Mas essa é uma tendência que tem acontecido”, complementa. Além disso, vale ressaltar que os tablets também passam a ser utilizados por algumas empresas na força de vendas/campo, possibilitando ao

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especial mobilidade sistemas operacionais

44% dos executivos de TI reconhecem a necessidade de oferecer treinamento aos funcionários

É meu Mas não é somente nestas divisões das empresas que a adoção de smartphones acontece. Mesmo sem a necessidade das companhias investirem na compra de smartphones para o restante de seus funcionários, estes passam a colocar seus próprios dispositivos a serviço das empresas. Estudo realizado pela IDC, e encomendado pela Unisys, apontou que no Brasil, 75% dos profissionais que utilizam a tecnologia no seu dia-a-dia alegam usar seus próprios smartphones para o trabalho, sendo que 37% dos trabalhadores brasileiros usam smartphones para acessar aplicações de negócios. Além disso, 22% afirmam utilizar tablets no trabalho. No entanto, há uma discrepância entre o uso e o conhecimento dos executivos de TI sobre esse fato, já que apenas 38% deles acreditam que os funcionários utilizem smartphones. No outro extremo, 44% dos executivos de TI reconhecem a necessidade de oferecer treinamento aos funcionários para que estes utilizem mais adequadamente os dispositivos móveis no ambiente corporativo. Tal treinamento faz todo sentido para esse processo de consumerização de TI, fato evidenciado por uma pesquisa realizada pela McAfee, em parceria com a Universidade Carnegie Mellon, segundo a qual, apesar de crescer o número de pessoas que fazem uso de dispositivos móveis próprios para praticar atividades profissionais, a maior parcela destes não tem conhecimento sobre a política da companhia sobre o uso de tais

equipamentos. Essa tendência de consumerização traz implicações para a atuação do CIO, que deverá criar mecanismos para garantir a segurança e a harmonia do ambiente de TI da empresa diante dessa avalanche de diferentes dispositivos móveis e plataformas presentes na companhia. “O desafio do CIO é se adequar aos novos aparelhos e sistemas que estão entrando no seu ambiente. Muitos estão preocupados em como gerir todo esse novo mundo de mobilidade corporativa. O CIO do futuro tem que estar preparado para lidar com todos esses diferentes sistemas”, atesta Fernando Belfort, analista sênior da Frost & Sullivan. Segundo ele, a consumerização e o desejo dos gerentes e diretores por novos dispositivos acabam por gerar uma quebra de paradigma. Isso porque o pensamento do CIO sempre foi fornecer smartphones BlackBerry por conta da questão de segurança da informação. “Mas boa parte dos funcionários e executivos querem outros aparelhos. Um desejo é impulsionado por design e aplicativos”, pondera Belfort. O diretor da Telefônica/Vivo Empresas, por sua vez, comenta que apesar do BlackBerry ser um apelo superior no quesito segurança, todas as outras plataformas têm condições de atingir a mesma robustez. A diferença, ele acrescenta, é que no BalckBerry esse fato já é nativo, enquanto que para sistemas como iOS e Android se faz necessário um desenvolvimento, o que gera mais custos.

O avanço da adoção de mobilidade pelo mercado corporativo gera grandes oportunidades. Na Telefônica/Vivo Empresas, por exemplo, frisa Bindi, a venda de smartphones já representa entre 40% e 50% do total, contra parcela anterior de 20% a 30%. Tal fato eleva a demanda das empresas pela contratação de desenvolvimento de aplicações móveis. De olho nesse potencial de mercado, a Vivo prepara, em curto prazo, o lançamento de uma loja de aplicativos móveis voltada exclusivamente para o segmento corporativo. A empresa está fazendo alianças estratégicas com desenvolvedores para proporcionar uma vasta gama de aplicações aos seus clientes. “Já estamos em negociação com diversos desenvolvedores e a plataforma está em implantação. Acreditamos muito nesse segmento de aplicativos móveis para as empresas”, revela o executivo. A Apple é outra empresa que pretende se aproveitar dessa demanda corporativa por aplicativos móveis. Tanto que, na tentativa de expandir a participação no mercado corporativo, a empresa criou um programa de venda de apps por volume para empresas, batizado de Volume Purchase Program. A oferta estará disponível inicialmente apenas para empresas nos Estados Unidos e oferecerá aplicativos para iPhone e iPad. A Apple não esclareceu, entretanto, se haverá descontos para clientes corporativos devido à compra em volume. Com tal serviço, a companhia abre portas para o desenvolvimento e a venda de aplicativos personalizados para atender a necessidades específicas das empresas. foto divulgação

Android, principalmente com o Galaxy Tab da Samsung, ter ainda mais oportunidades nesta área das empresas, assim como garantir a presença do iOS, com o iPad. Entre as empresas que já usam iPads na força de vendas/campo, destaque para a Eurofarma, Galderma e EMS.

Oportunidade

“O desafio do CIO é se adequar aos novos aparelhos e sistemas que estão entrando no seu ambiente. Muitos estão preocupados em como gerir todo esse novo mundo de mobilidade corporativa. O CIO do futuro tem que estar preparado para lidar com todos esses diferentes sistemas” Fernando Belfort, da Frost & Sullivan

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especial mobilidade aplicativos

por Alexandro Cruz, especial para a TI Inside

aplicativos rurais na esteira do crescimento da venda de smartphones, blackberries e tablets, os aplicativos tornaram-se ferramenta essencial para atrair clientes

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Android, da Google. Segundo a empresa, existe mais de 250 mil aplicativos disponíveis no Android Market, equivalente a seis vezes mais do que a RIM oferece mundialmente o que o torna um canal atrativo para novos negócios.

25 a 38 bilhões de dólares. No entanto, as consultorias avaliam que o Brasil ainda engatinha se comparado ao padrão mundial. Como exemplo, no ano passado, foi registrado no País um movimento de R$ 50 milhões neste segmento.

Consolidação Para os desenvolvedores, a parceria com os grandes players tornou-se essencial para fortalecer as suas marcas neste segmento de mercado e ampliar a safra de lucro. Segundo Fábio Nunes, diretor de operações da Navita, empresa especializada em soluções para mobilidade, telecom e portais corporativos, 2011 foi o ano de amadurecimento e consolidação do mercado. “Neste ano vimos todas as empresas se movimentando para estar presente neste novo mundo, que agora não é mais apenas smartphones, mas também de tablets”, afirma. A avaliação do executivo está alinhada às boas perspectivas para este setor, como aparece no estudo das empresas de consultoria MarketsandMarkets e Forrester Research, apontando que o mercado de aplicativos deverá movimentar cerca de 6,8 bilhões de dólares (R$ 10,6 bilhões) ao longo deste ano e até 2015. A estimativa é que se deva alcançar uma movimentação de

Garantia de lucro? Para o executivo da Navita, o crescimento no segmento de apps ainda não pode ser considerado uma fonte de renda expressiva para as empresas. Ainda segundo Nunes, neste formato de negócios - loja de aplicativo -, a operadora tem receita praticamente zero e são poucos os casos das companhias de telefonia a faturar algo. “As fabricantes têm um revenue share sobre a negociação de aplicativos em suas lojas, variando entre 20% e 30%. Porém, apenas a loja da Apple tem um volume considerável de vendas de aplicativos para representar uma receita interessante ao fabricante. A cultura de aplicativos grátis é muito grande, o volume de downloads de apps gratuitos é bem maior do que os pagos, especialmente em plataformas não Apple”, avalia. Entre os desenvolvedores, o executivo afirma que são poucos os casos de sucesso, alguns desses profissionais de fora do Brasil, especialmente de games, que ganharam dinheiro. “Mas, no Brasil, os casos são raros (não conheço nenhum) de fabricante que vive de vendas de aplicativos. O que mantem os desenvolvedores ativos no País é o desenvolvimento de apps para marcas

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PC está com os dias contados? De acordo com as últimas pesquisas, tudo indica que sim. O Gartner reduziu a projeção de crescimento para o mercado mundial de computadores pessoais de 9,3% para 3,8% este ano, decorrente da desaceleração das economias da Europa ocidental e dos Estados Unidos. Por outro lado, houve uma forte demanda por tablets. A Nielsen também mostra que os desktops estão na UTI e diz que a venda de celulares inteligentes no primeiro semestre de 2011 aumentou 165% em comparação igual período de 2010 e que 44% dos usuários de celular pretendem comprar smartphones nos próximos seis meses. Com a mobilidade no Brasil a pleno vapor, novos segmentos de mercado surgiram, tendo como alvo a criação de aplicativos. Impulsionados pelo aumento da Internet móvel no País, que deverá chegar a 35 milhões de acessos até o fim de 2011, conforme indica a Huawei, empresas como Google, Apple e Microsoft passaram a investir pesado neste modelo de atividade comercial. Responsável por tornar os celulares mais atrativos e ágeis com seus inúmeros serviços customizados, o negócio de soluções mobile é um Midas para esta área, principalmente para as fabricantes de telefonia móvel e de desenvolvimento. Hoje, para aumentar o número de clientes, as empresas passaram a oferecer junto aos seus sistemas operacionais, como iOS, BlackBerry OS, Android e Symbian, aplicativos projetados em parceira com empresas desenvolvedoras. A Nokia é um exemplo de como as fabricantes estão apostando nos apps como estratégia de marketing. Em meados de agosto deste ano, a fabricante anunciou o acordo com a canadense Polar Mobile para desenvolver mais de 300 aplicativos móveis para smartphones durante 12 meses. Mais uma fabricante que resolveu ampliar sua estratégia de vendas por meio dos aplicativos, mas de outra forma, foi a RIM. Como medida de mudar o clima ruim de desaceleração da venda do seu BlackBerry, a fabricante decidiu comercializar aplicativos que sejam compatíveis com o sistema operacional

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“Neste ano vimos todas as empresas se movimentando para estar presente neste novo mundo, que agora não é mais apenas smartphones, mas também de tablets” Fábio Nunes, da Navita m ob i l i d a d e

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“Os apps requerem diversas versões e atualizações para falarem com todo o mercado. Quem faz um app para iPhone está começando bem, mas terá muito o que fazer”

fotos divulgação

especial mobilidade aplicativos

Paulo Mira, da PHD Mobi

(empresas de mercado que querem ter seus aplicativos e contratam desenvolvedores)”, diz. Já Paulo Mira, presidente mundial da norte-americana PHD Mobi, agência digital especializada em aplicativos e mobilesites, alerta que a pouca informação, muitas vezes influenciada por agências com pouca ou nenhuma experiência mobile, acreditam que produzindo apps estão entrando com grande força de negócio no mundo móvel. “Os apps funcionam muito bem, mas não para qualquer um. Além disso, essas soluções requerem diversas versões e atualizações para falarem com todo o mercado. Quem faz um app para iPhone está começando bem, mas terá muito o que fazer, principalmente em investimentos, para que interajam com todo o mercado”, explica. Segurança Como qualquer segmento de comunicação sobre IP, com a expansão dos aplicativos móveis, os usuários também estão sendo presenteados com os inúmeros problemas de segurança. Segundo Umberto Rosti, sócio-fundador da SafeWay Consultoria, especializada em Segurança da Informação e Gestão de TI, em geral, os aplicativos não são seguros.

O executivo diz que, por ser uma nova tecnologia, muitas vezes, as informações críticas dos usuários ficam nestes dispositivos móveis, nas empresas ou em data center, sem segurança alguma. “Como exemplo, os dispositivos móveis geralmente só têm uma senha, não têm dois fatores de autenticação, nem criptografia dos dados. Hoje, estamos em uma era onde estes dispositivos estão recebendo spam de uma forma diferente que recebíamos por e-mail, SMS e outros. Ainda não se incorporou controles adequados a este ambiente como, por exemplo, antivírus, criptografia, ou fator de autenticação forte”, alerta. De acordo o levantamento realizado pela McAfee, só no primeiro semestre de 2011 houve um recorde no volume de ameaças para este segmento. A quantidade de vírus destinada aos dispositivos móveis aumentou consideravelmente no segundo trimestre. Como exemplo, o estudo mostra um crescimento de 76% no número de ameaças destinadas a dispositivos Android desde o último trimestre analisado. Mesmo que o resultado seja pavoroso, Umberto Rosti alerta que os usuários não têm preocupação com a segurança. “Eles até acham que essa tecnologia é segura por ter evoluído de um equipamento no qual não existia vulnerabilidade, como os equipamentos eletrônicos, assim tem uma falsa sensação de segurança. Porém, estes dispositivos são praticamente computadores móveis”, afirma. Os especialistas em segurança avaliam que essa falsa segurança é muito semelhante ao que existia no começo da Internet. Como acontece na rede fixa, o mercado de segurança móvel pode ser visto como um leque de oportunidades. Rosti afirma que, no Brasil, este segmento ainda é um ambiente pouco explorado e com poucas pessoas que têm conhecimento. “É um mercado a ser explorado e ainda tem que ganhar muita maturidade. Uma oportunidade de negócio, mas ainda tem

uma demanda a ser reconhecida por segurança”. Viés Há outra via à visão de que o mercado de aplicativos é o detentor de novos negócios mobile. Segundo o CEO da PHD Mobi, Paulo Mira, mais importante do que ter apps é ter um mobile site. De acordo com ele, 68% dos usuários que fizeram download de algum app o estão utilizando pelo menos uma vez por semana, enquanto que 81% das pessoas estão navegando na Internet no mesmo período. “Mais usuários estão procurando informação ao navegar com seus aparelhos móveis e 51% estão tomando decisões de compra baseados no que encontram”, compara. O executivo também afirma que, se uma empresa oferece a navegação via mobilesite, proporciona uma experiência positiva com sua marca e 89% de seus consumidores decidem comprar em menos de 24h, sendo que 36% decidem imediatamente. Hoje, sabemos que 79% das pessoas usam seus smartphones para comprar produtos e serviços. “Desta vez, não é uma onda como aconteceu com o início da Internet, é uma tsunami com mais de 220 milhões de aparelhos móveis no Brasil, sendo mais de 35 milhões de smartphones (estimado). Isto torna o País uma das potências mundiais em termos de evolução e crescimento de mercado. E que continua crescendo”, conclui Mira.

“Os dispositivos estão recebendo spam de uma forma diferente que recebíamos por e-mail, SMS e outros”

Umberto Rosti, da SafeWay Consultoria 1 8

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>opinião Fernando Beltrame*

O incentivo a tecnologias limpas

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stratégias ambientais já não são mais para um nicho de mercado, elas são fontes de valor às empresas e suas marcas. Aquelas que trabalharem corretamente no uso e incentivo a tecnologias e soluções que impactem menos o meio ambiente, como o gerenciamento de suas emissões de carbono (inventário de emissões de gases de efeito estufa), terão suas marcas melhor posicionadas perante seus stackholders e estarão preparadas às políticas ambientais restritivas. Um exemplo dessa tendência foi o resultado encontrado no segundo estudo realizado com 750 CEOs globais pelas Nações Unidas e Accenture, no qual, 93% dos entrevistados veem a sustentabilidade como importante para o sucesso de suas empresas. No século 21, as discussões sobre meio ambiente se intensificaram principalmente com a publicação de diversos estudos sobre o alto consumo de recursos fósseis, aumento das concentrações de gases de efeito estufa, refugiados do clima, biodiversidade ameaçada, aquecimento global, aumento do nível do mar e impactos econômicos das mudanças climáticas (Relatório Stern). O ápice dessas discussões aconteceu no final de 2009, na COP – 15, em Copenhague, evento este comparável a Eco – 92, reuniu líderes, ativistas ambientais e repórteres do mundo inteiro para debater mecanismos para descarbonizar com mais vigor a nossa economia. Infelizmente o Acordo de Copenhague é uma declaração de intenções sem efeito vinculante, porém ascendeu nos governos, empresas e sociedade civil a vontade de sair desta inércia predatória e insensata de recursos naturais. A exemplo disso, vemos o surgimento e aprovação de leis como a Política Nacional de Mudanças Climáticas e de Resíduos Sólidos e o fortalecimento de eventos empresariais como o Fórum Empresarial de Apoio a Cidade de São Paulo e movimentos sociais como o Movimento Nossa São Paulo. O debate e a problemática ambiental trouxeram também mais informação aos consumidores, que exigem das indústrias e

prestadores de serviços ações sustentáveis, coerência e lastro ambiental, ao comunicarem suas políticas ambientais, evitando-se assim a disseminação do que chamamos de “Greenwashing”. As empresas precisam impreterivelmente fazer sua lição de casa, antes de divulgarem que são ambientalmente responsáveis. Uma escola ou empresa não pode querer falar de coleta seletiva sem ao menos aplicar isso internamente. Tem-se visto estas contradições nos diversos eventos que tratam o tema ambiental. Diante deste desafio de desenvolvimento e inovação para uma economia de baixo carbono e de baixo impacto ambiental, tenho como tendências de mercado e políticas públicas as seguintes prioridades: n Ciência, Tecnologia e Educação: incentivar e disseminar tecnologias limpas, diagnósticos, metodologias e estudos ambientais. Por exemplo, a Pegada de Carbono e a Pegada Ecológica, que corresponde ao tamanho das áreas produtivas, de terra e de mar, necessárias para gerar produtos, bens e serviços que sustentam determinados estilos de vida. Se tivéssemos o mesmo padrão de consumo de um americano, precisaríamos de 5 Planetas para compensar este impacto. n Estilo de Vida: evitar o consumo de forma predatória, privilegiar empresas, construções e produtos que impactem menos o meio ambiente, incentivar o desenvolvimento local e praticar os 3Rs (Reduzir, Reutilizar e Reciclar). n Construção Civil: é o setor que mais demanda energia e recursos naturais, em torno de 40% e 50% respectivamente. Tal impacto ambiental refere-se desde sua construção e transporte de matérias-primas, até o seu uso. n Lixo: implementar políticas para reduzir e reciclar os produtos

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industrializados. A cidade de São Paulo gera aproximadamente 9.900 ton / dia de lixo e menos de 1% deste lixo é reciclado. n Água: apenas menos de 3% da água disponível no planeta é potável. Mais da metade da água que abastece a Região Metropolitana de São Paulo vem de outras cidades e viaja mais de 70 km. n Mobilidade: é um problema que afeta todas as classes sociais, em cidades como São Paulo, seja pelo tempo gasto para se deslocar (em média o paulistano perde 2h40min/ dia no trânsito), seja pela poluição ou pelos acidentes (em média 1,7 pedestres morrem por dia em São Paulo). Cidades como Bogotá implementaram sistemas de transporte público que reduziu em 32% o tempo de viagem, 40% das emissões e 90% das taxas de acidentes. n Economia de Baixo Carbono: como citado por Al Gore, no Forum Mundial de Sustentabilidade, devemos precificar o carbono e criar políticas de incentivo ao desenvolvimento de tecnologias limpas e ações como a realização de inventários de emissões e compensações ambientais (neutralização de carbono). n Emprego: hoje voltados, principalmente, à transformação material, deve sofrer uma transição os empregos que busquem uma maior manutenção da qualidade de vida como: atividades intelectuais e culturais, software, entretenimento e serviços. As ferramentas para um futuro sustentável estão postas, basta quebrar os laços, as correntes e barreiras para dar o primeiro passo. E como dizia Chico Xavier, “Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.” Fernando Beltrame é presidente da ECCAPLAN e responsável pelo Programa Evento Neutro (www.eventoneutro.com.br).

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Acordo de Copenhague é uma declaração de intenções sem efeito vinculante, porém ascendeu a vontade de sair desta inércia predatória


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A sustentabilidade em TIC faz parte dos seus negócios. Participe! O Fórum Green Tech vai discutir as questões de sustentabilidade no setor de TI e Telecom. Venha conhecer temas como Data Center Green, Green Building, impacto de carbono em instalações de TIC, política de compras sustentáveis na área pública, estratégia de desenvolvimento de produtos, política de resíduos eletrônicos, cases de grandes usuários, entre outros.

Saiba a importância da sustentabilidade para o setor e os negócios das empresas.

ALGUNS PALESTRANTES CONFIRMADOS:

André Luís Saraiva, diretor de Responsabilidade Socioambiental da ABINEE

Kami Saidi, diretor de Sustentabilidade da HP

Julio Cesar di Conti, superintendente de Infraestrutura em TI do Itaú Unibanco

Tomas Roque, gerente executivo de estratégias de TI da Pricewaterhousecoopers

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HBSIS implanta sistema de gestão tributária na Ambev

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specializada em soluções de TI, a HBSIS, de Blumenau (SC), implantou o seu software de gestão tributária HB.NFe na Ambev e nas revendas da companhia. Trata-se de um projeto de migração de sistema que, na Ambev, contemplou a transferência de mais de 25 milhões de documentos para o novo sistema, permitindo o acesso por meio do módulo Archive do HB.NFe. “No novo sistema, o espaço em disco ocupado por documentos reduziu em 30%, pois o HB.NFe utiliza uma rotina de compactação de dados eficiente. Atualmente temos menos de 0,1% de emissões em contingência e faz muito tempo que não tenho mais preocupações com a NF-e. Temos hoje uma solução completamente estável”, conta Sérgio Fernandez Vezza, diretor de TI da Ambev. O sistema HB.NFe foi implantado também na Regra Logística, revenda da Ambev, localizada em Goiânia (GO). De acordo com Wagner Lima, gerente de informática da Regra Logística, três fatores são fundamentais na modernização da gestão: um bom software, pessoas qualificadas que estejam em contato com a ferramenta e um processo de estruturação que seja

feito num curto período. “O HB.NFe foi pertinente nesses pontos e também ao se integrar ao sistema de faturamento da empresa”, diz. Com um número cada vez maior de empresas obrigadas a emitir a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), um grande desafio é adotar um software robusto capaz de suportar esse processo e atender os objetivos de negócios. Estima-se que um milhão de empresas teve que se adequar à emissão da NF-e no ano passado. Quando o software que se utiliza não possui todos os benefícios esperados, a substituição para um novo pode parecer complicada, mas não é, aponta Odair Behnke, gerente de produtos da HBSIS. Segundo ele, o segredo para não haver problemas na troca de software é a integração com sistemas de faturamento, com uma configuração distinta para cada necessidade específica de negócio. “O HB.NFe permite essa simplificação porque possui uma arquitetura robusta e escalável”, afirma. Por ser multiplataforma, o sistema se adapta aos sistemas operacionais Linux, Windows e Unix, facilitando a integração com sistemas legados.


QUAIS AS PRIORIDADES DE TIC DO GOVERNO

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PROMOVIDO PELAS PUBLICAÇÕES TI INSIDE E TELETIME, O EVENTO TERÁ COMO FOCO A DISCUSSÃO DE POLÍTICAS PÚBLICAS E SOLUÇÕES TECNOLÓGICAS VOLTADAS AO DESENVOLVIMENTO DO GOVERNO 2.0. PARTICIPE! PRINCIPAIS TEMAS: O GOVERNO E A SOCIEDADE CONECTADA As perspectivas de uma política nacional de desenvolvimento das TICs e o papel do governo, empresas e sociedade nesse esforço. COMUNIDADES DIGITAIS Iniciativas de governos locais e privadas para o desenvolvimento da conectividade e do uso das TICs DA BANDA LARGA AO CLOUD COMPUTING Infraestrutura e alternativas para dar suporte às novas ferramentas do governo 2.0 MOBILIDADE E GOVERNO: aplicações e ferramentas móveis que podem fazer a diferença no atendimento ao cidadão e facilitar a comunicação e a troca de informações entre órgãos públicos.

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Conectividade Social ICP garante transmissão de arquivos à Caixa via internet As empresas brasileiras com até cinco funcionários devem ficar atentas para o cronograma de transmissão do Conectividade Social ICP, da Caixa Econômica Federal.

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processo para essa faixa do mercado começou no mês de junho de forma escalonada, com base nos algoritmos do CNPJ e será concluído em dezembro. Mas as empresas de maior porte tiveram que adequar às regras antes. O Conectividade Social ICP é um canal eletrônico de relacionamento com as empresas. Através dele, são transmitidos os arquivos com dados da Sefip e GRRF. Além disso, as empresas recebem relatórios em sua caixa postal. É um sistema totalmente web, que exige o uso de certificado digital padrão ICP-Brasil. No início do ano, a Caixa realizou piloto para testar a transmissão de formulários eletrônicos na nova versão do Conectividade Social. Estima-se que mais de 2 milhões de empresas utilizam esse canal e que milhões de arquivos transmitam por esse canal todos os meses. O Conectividade Social ICP foi introduzido este ano, em substituição a ao programa anterior, denominado Conectividade Social que exigia o uso de disquete. O programa era instalado no computador das empresas, para envio dos arquivos da Sefip (Sistema Empresa de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e GRRF (Guia de Recolhimento Rescisório do FGTS), recebimento de relatórios e informar sobre o afastamento de empregados etc. O certificado digital necessário para acessar o Conectividade Social ICP pode ser emitido em qualquer instituição credenciada como Autoridade Certificadora. De acordo com a Caixa, ainda será possível acessar a versão antiga do programa e enviar arquivos até o dia 31 de dezembro. Após essa data, o acesso à versão antiga do Conectividade Social será descontinuado. Entre os benefícios do programa Conectividade Social ICP, a Caixa cita a simplificação do processo de recolhimento do FGTS; redução dos custos operacionais; acesso a um canal direto de comunicação

com a Caixa, agente é o operador do FGTS; aumento da comodidade, segurança e sigilo das transações com o FGTS; redução da ocorrência de inconsistências e a necessidade de regularizações futuras; aumento da proteção da empresa contra irregularidades; facilidade para o cumprimento das obrigações da empresa relativas ao FGTS. Os escritórios de contabilidade que efetuam recolhimentos e prestam informações ao FGTS e INSS em nome de seus clientes também podem utilizar o Conectividade Social ICP para este fim. Basta que o cliente gere pelo próprio Conectividade Social ICP uma Procuração Eletrônica. Caso seja necessário trocar de contador, é só revogar a Procuração Eletrônica anterior e conferi-la ao novo contador, sem complicações.

Sincor e Fenacor unem forças para emissão de certificados digitais

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Fenacor e a Sincor, que são credenciadas como Autoridades Certificadoras (AC), formalizaram junto ao ITI a unificação de suas operações, para a emissão de certificados digitais padrão ICP-Brasil. A Sincor é uma AC vinculada ao Sindicato de Corretores de Seguros do Estado de São Paulo. Já a Fenacor tem foco na área de seguros e correlatos.

Para Maurício Augusto Coelho, diretor de Infraestrutura de Chaves Públicas, a iniciativa é bastante interessante para todas as partes envolvidas na unificação. “Tanto a AC Sincor quanto a AC Fenacor atuam num ramo bastante específico e alicerçado pela credibilidade do corretor de seguros”, afirma. Segundo ele, a unificação das atividades destas ACS representará grande volume de certificados digitais da ICP-Brasil emitido.


>serviços

Claudio Ferreira

Profissional multitarefa O chamado “apagão” de profissionais de tecnologia tem suas peculiaridades quando olhado o mercado financeiro, segmento que mais investe em TI no Brasil. De acordo com avaliação da consultoria de RH Fesa, a demanda e os desafios da vertical são para pessoas que aliam capacidade de gestão com foco nos negócios e ainda com visão inovadora

Alda Araújo, da Fesa: o comportamento do consumidor mudou nos últimos anos e as instituições precisam acompanhar essa mudança oferecendo soluções inovadoras e ágeis

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estratégico, cada vez mais ligado ao negócio e diferenciado em gerenciamento de equipes. A solução tem sido buscar gestores em outras empresas do setor ou mesmo em outras verticais, mais notadamente em um segmento que tem a criticidade próxima dele: o de telecomunicações. “Existem profissionais muito bons no mercado, mas falta capacidade e experiência em lidar com pessoas, assim como em ter uma visão holística e mais macro do negócio. São naturalmente mais introvertidos porque geralmente são especialistas em plataformas tecnológicas, desenvolvimento de sistemas e outras especialidades técnicas. Poucos possuem conhecimento generalista”, completa.

foto: divulgação

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segmento financeiro não é diferente dos demais setores na busca profissionais de TI habilitados, mas tem lá suas especificidades. Em levantamento feito pela Fesa, consultoria de RH voltada para altos executivos na América Latina e no Brasil, constatou-se que, só no primeiro semestre de 2011, em comparação com o mesmo período do ano passado, houve um crescimento de 102% na demanda por profissionais dessa vertical no Brasil. A análise, que cobre do período pré-crise ao pós-crise econômica (2007-2011), mostra que os setores com maior crescimento são bancos de investimento (24%), bancos comerciais (19%), corretoras (14%) e bancos de atacados e negócios (14%). Segundo Alda Araújo, diretora da Fesa para setor financeiro, há um ciclo de investimento maior em tecnologia em empresas deste setor. “O comportamento do consumidor mudou nos últimos anos e as instituições precisam acompanhar essa mudança oferecendo soluções inovadoras e ágeis. Algumas estão correndo atrás do prejuízo só agora”, pondera. Para Alda, a grande dificuldade gerada pelo aumento da demanda é encontrar um gestor preparado, já que o perfil profissional exigido passou a ser menos técnico e mais

PRÉ-REQUISITOS Dados da avaliação da Fesa a partir do trabalho ligado aos profissionais de TI do setor financeiro. n No primeiro semestre de 2010, em comparação ao mesmo período de 2011, a

demanda por executivos de tecnologia para mercado financeiro cresceu 102%

n 40% dos executivos apresentados não são de mercado financeiro n 48% deles tem 36 a 45 anos, 30% tem até 35 anos e 22% mais de 46 anos n 80% tem inglês avançado ou fluente n 27% dos profissionais são formados em administração e 19% em engenharia n 57% possuem mestrado, doutorado ou pós-graduação T I   I n s i d e

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Maria Paula Menezes, da Robert Half: o profissional de TI do setor financeiro agora é mais voltado para os negócios e também precisa manter um lado inovador forte, sabendo quando colocar suas habilidades em prática, no curto, médio e longo prazo

Quem ele é? Maria Paula Menezes, gerente da divisão de TI da Robert Half, concorda que o perfil do profissional de TI em finanças mudou nos últimos anos (veja mais detalhes em “Mudança dinâmica”). “Agora ele é mais voltado para os negócios e também precisa manter um lado inovador forte, sabendo quando colocar suas habilidades em prática, no curto, médio e longo prazo. Ele precisa estar em contato com todas as áreas para avaliar o momento de aplicar as tecnologias”, analisa. As especialistas apontam que o déficit de profissionais não é maior na área financeira do que em outros segmentos, mas, sim, tem suas peculiaridades. Algo que, para Maria Paula, é decorrente das mudanças no perfil do profissional de alguns anos para cá. “Ele precisa se atualizar e se capacitar ainda mais, e inglês segue mandatório. Porém existe uma demanda maior por conhecimentos em infraestrutura, segurança e governança”, completa. Já Alda acentua habilidades como gerenciamento, conhecimento global e liderança nesse raio-x. A formação seria então uma questão que não evoluiu junto com esse perfil? Para Maria Paula, nem tanto. “Algumas faculdades atendem bem, o profissional não sai cru, mas um bom estágio é bem-vindo. Dependendo da faculdade ela traz cenários interessantes. Mas, claro, um coordenador de infraestrutura ou um gerente precisa ter uma experiência grande”, admite. Para Alda, a questão é muito mais de investimento pessoal em sua formação. Como ela aponta, de 5 anos para cá os gestores de TI viram que precisam ter atributos como gestão de pessoas, engajamento e liderança que não se aprendem na escola. Salário é tudo? Por ser o setor mais inovador e de maiores investimentos em TI seria lógico que os salários também fossem os maiores, certo? Sim e não. Os vencimentos não são tão maiores, mas sim os bônus por resultados, que são agressivos. Porém outras questões são até mais importantes que o dinheiro caindo na conta. Se valoriza muito quando a instituição oferece ao profissional autonomia e maior poder de decisão. 2 8

foto: divulgação

>serviços indica) passa a não ser suficiente, o que torna o trabalho das empresas de recrutamento e executive search mais evidente e importante, como forma de prospecção desse profissional. É cada vez maior a ênfase pela retenção por conta desse “apagão” profissional no setor. “As empresas investem ainda mais na oferta de treinamentos e certificações, e na garantia de autonomia para trazer tecnologias e parceiros-fornecedores. Os planos de carreira estão mais estruturados e as empresas que crescem por aquisição garantem maior facilidade de promoção. Empresas que oferecem até mesmo carreiras internacionais ou possibilidades de experiências fora do Brasil também se destacam. Porém, vai muito pelo que o profissional deseja, muita gente em TI opta por ficar em uma carreira técnica”, garante Maria Paula, da Robert Half. No aspecto de competitividade no mercado, o banco comercial, como aponta Alda, consegue tirar profissionais de outras verticais com maior facilidade, como varejo. Já os bancos mais especializados, como os de investi­mento,

“Mesmo com estes aspectos, claro, o profissional de TI especialista em finanças tem um maior poder de barganha. Quando ele está em dois ou três processos de contratação, ele até consegue pleitear um salário melhor, que pode chegar aos 30% ou 40%, porém chega a ser algo parecido com os salários dos gestores de outras áreas”, aponta Alda, da Fesa.

Os planos de carreira estão mais estruturados e as empresas que crescem por aquisição garantem maior facilidade de promoção Ela reafirma que a empresa precisa ter uma proposta de valor que extrapole os vencimentos para captar ou mesmo reter esses profissionais. “É preciso oferecer um algo a mais, seja em forma de capacitação, em desafios profissionais, autonomia etc”, conclui. Entender a motivação pessoal é tudo! A busca por novos profissionais acaba recaindo em um setor com questões bem próximas, como o de telecom. E só o famoso QI (quem

pelo perfil de negócios mais específico, tem uma tarefa mais complexa, pelas necessidades e exigências impostas ao perfil desse profissional. Em tempos de disputa por estes talentos, as instituições financeiras também precisam se enquadrar na nova realidade do mercado. E muitas já perceberam que podem oferecer diferenciais para os melhores talentos em TI. Dentro de um setor e uma especiali­ da­de que segue em alta em 2012.

Mudança dinâmica

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ma certeza é evidente: cada vez mais TI será peça-chave em finanças, ou mesmo TI não mais só suporta. Desde inovações como Cloud Computing até avanços na gestão de projetos e processos. O profissional de TI que há alguns anos precisou descer da “torre do castelo” e se fazer presente ou mesmo “estar em todo o castelo”. “Sim, as cúpulas das instituições passaram a olhar para a área de TI de forma diferente. A TI faz parte do negócio, ainda mais nos bancos. E existe uma maior preocupação no desenvolvimento desse profissional, todos sabem que é preciso investir pesado”, garante Alda Araújo, diretora da Fesa para setor financeiro. O que se reflete em maiores recursos para capacitação, por exemplo.

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Bancos: excesso de timidez nas redes sociais Estudo mostra que os cinco maiores bancos com presença nas redes sociais ainda apresentam comportamento díspare ao número de clientes que possuem

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Boris Rabtsevich/shutterstock

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ntre os dias 15 e 27 de junho último, a consultoria Miti Inteligência realizou um monitoramento em mídias sociais no qual foram observadas as interações de Santander, Bradesco, Banco do Brasil, Itaú e Caixa Econômica Federal em redes sociais como Twitter, Facebook e YouTube, e ainda em fóruns, blogs e no site Reclame Aqui. O estudo evidenciou diferentes abordagens e ênfases de investimento. Segundo a pesquisa, existem as instituições financeiras “agressivas” e as “tímidas” – estas últimas a maioria. “Consideramos o trabalho de marketing offline agressivo para o segmento, pois investe-se muito em divulgação em veículos de massa por exemplo, mas na grande maioria a importância dada às redes está muito aquém das possibilidades que essas gigantes possuem, salvo algumas exceções. Os investimentos online em canais sociais ainda são considerados tímidos”, aponta Elizangela Grigoletti, gerente de inteligência e marketing da Miti Inteligência e coordenadora da pesquisa. Como o segmento bancário mantém a tecnologia como um grande propulsor das inovações, os investimentos no ambiente online são fundamentais, e a expectativa dos usuários que consomem cada vez mais produtos tecnológicos é encontrar a sua instituição bancária tão forte na nas redes sociais, quanto fora delas. Ao todo, a pesquisa capturou quase 50 mil interações com as palavras-chave dos nomes dos

contatos, respectivamente. “As empresas que investem na web e integram suas campanhas online e offline conseguem resultados bem mais positivos. Isso acontece com o Santander, por exemplo, mas também com empresas de qualquer segmento que tragam campanhas engajadoras e gerem maior identificação com os usuários. Todavia, não podemos esquecer que somente uma avaliação qualitativa garantiria que este volume é fruto de melhores resultados ou estratégias”, comenta Elizangela. O segundo banco mais citado no período foi o Bradesco – com 16% das interações, seguido pelo Banco do Brasil e Itaú, com quase 12% do total de comentários cada (leia mais em “Itaú lança campanha integrada”). Já a Caixa Econômica não atingiu 2% de todas as interações capturadas, apesar de ser, no mudo offline é o segundo banco com maior número de membros em sua

Ao todo, a pesquisa capturou quase 50 mil interações com as palavras-chave dos nomes dos bancos Santander, Bradesco, Banco do Brasil, Itaú e Caixa Econômica Federal bancos Santander, Bradesco, Banco do Brasil, Itaú e Caixa Econômica Federal, no universo desejado. E o Santander foi o mais citado durante o monitoramento. Foram registradas 27.500 menções, ou seja, mais de 50% de todo o conteúdo capturado no período, mostrando uma supremacia da marca. Não por acaso, somando o Twitter, Facebook e Linkedin, o Santander conta com mais de 26.700 seguidores, 11.300 fãs e 25.500 T I   I n s i d e

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comunidade no Orkut, com um total de 28 mil participantes, atrás apenas do Banco do Brasil, com 29 mil (veja mais em “BB na web social”). “Essas empresas grandiosas possuem uma participação ainda muito pequena. Fala-se muito sobre presença digital, mas eles pouco fazem nos canais sociais”, compara Elizangela. O que fazer? Esses dados mostram que as 2 0 1 1


BB na web social

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aior instituição financeira brasileira, com ativos de quase R$ 700 bilhões, o Banco do Brasil reúne pouco mais de 60 mil usuários nos seus canais oficiais no Facebook, Twitter e Orkut. Isso representa, de acordo com o Miti, menos de um terço dos fãs que a companhia aérea Azul tem apenas no Facebook – empresa que é referência por sua atuação naquela rede social. No entanto, o Banco do Brasil iniciou sua trajetória nas redes sociais em 2009, para ser mais preciso no dia 31 de dezembro. Na data, a instituição montou o perfil @MaisBB no Twitter e algum tempo depois lançou a sua página no Facebook. Hoje, a empresa possui inúmeros perfis em ambas as redes, voltados para produtos que oferece aos clientes. Como estratégia de utilização, o Twitter é gerenciado por funcionários de sua central de atendimento com interações que, no ano passado, chegavam a 700 por dia. Porém, ainda é feita uma baixa integração com os clientes e a divulgação de sua presença nas redes sociais ainda é feita de forma tímida. Tentando mudar um pouco esse jogo, o BB firmou uma parceria no início de setembro com a LG para garantir que os

clientes que comprem as TVs inteligentes da fabricante, as Smart TVs, possam realizar operações por meio do aparelho como conferência do saldo, verificação do extrato e mesmo fazer transferências bancárias. O banco promete ainda uma campanha de integração desta ação com a sua estratégia de redes sociais e mesmo com sites como o YouTube. E, de acordo com o Banco do Brasil, não é necessário um cadastro adicional, com o usuário acessando a conta com os dados tradicionais (número da agência, da conta e senha) por meio do controle remoto das TVs da LG. É imprescindível, entretanto, que o usuário instale o aplicativo da instituição financeira, de forma gratuita, presente na loja virtual das Smart TV da LG. Ao todo, foram investidos R$ 400 mil na pesquisa e no desenvolvimento do serviço. A expectativa até o final de setembro é que alguns novos serviços serão adicionados e que, ainda este ano, estarão disponíveis outras transações como posição de investimentos, aplicações e resgate em fundos de investimentos, transações com cartões e ainda simulação e contratação de empréstimos. Mas será que a iniciativa não é um tanto quanto limitada?


Elizangela Grigoletti, da Miti Inteligência: expectativa dos usuários que consomem cada vez mais produtos tecnológicos é encontrar a sua instituição bancária tão forte na nas redes sociais, quanto fora delas

mídias sociais são uma grande área ainda a ser explorada pelos bancos, que já são fortes investidores em publicidade na web, porém ainda são tímidos na atuação em mídias sociais. “Apesar da busca pelo relacionamento ser algo adotado pela maioria dos bancos, eles ainda não encontraram o melhor caminho para colocar isso em prática nas redes online. Companhias de outros segmentos já atuam de forma mais ativa e abrangente, beneficiando-se da proximidade construída com o usuário nesses canais”, observa a consultora. No geral, empresas que interagem com os usuários e mantêm as redes sociais como um CRM Social, com respostas imediatas, individualizadas e soluções reais de problemas para os seus clientes ainda são raras no setor financeiro. “Muitos apenas monitoram e armazenam essas informações sem atender propriamente ao usuário. Outros sequer monitoram as redes sociais, desconhecendo o quanto esses canais podem contribuir para o relacionamento com seus clientes”, garante a executiva. Questionada se a entrada dos públicos C e D na web

foto: divulgação

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altera ou reforça os investimentos dos bancos nas redes sociais, Elizangela responde: “certamente devem reforçar, com a presença também em outras redes, campanhas direcionadas e uma linguagem acessível também a esses públicos”. Para ela, as instituições deveriam usar o canal social como forma

de estreitar o contato através de mensagem direta, apontar e solucionar seus problemas. O campeão de interações foi o Twitter, com maior volume de menções aos bancos. Fruto não apenas da preferência dos usuários como de suas características, como um maior alcance e imediatismo do canal. E ela aponta que o Orkut não entrou na avaliação, mas admite que ele ainda possui uma presença ainda importante, principalmente junto a classe C. Para a executiva, as mídias sociais vieram para ficar e se relacionar com seu público por meio desses canais pode fortalecer e até estabelecer novos processos de atuação entre clientes e bancos, “como o acesso de contas via Facebook, por exemplo, uma realidade que se depender dos internautas não está distante de acontecer”. No final, a amostra da pesquisa do Miti revela que a relação volume de correntistas versus internautas no Brasil ainda está distante de se concretizar na interação pela web social.

Twitter concentra maior número de menções aos bancos, fruto não apenas da preferência dos usuários como de suas características, como um maior alcance e imediatismo

Itaú lança campanha integrada

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ara divulgar a iConta, uma modalidade de conta corrente inédita e 100% eletrônica lançada pelo Itaú em janeiro, a instituição optou por investir pesado nas redes sociais. A estratégia de comunicação é assinada pela agência DM9DDB e ficará no ar até o fim do ano por meio de hot site, publicidade interativa em portais, além de ações no MSN, YouTube e no Brand Channel do Itaú. E a estrela é o comediante Marco Luque, do programa CQC. “A iConta é destinada a um público que gosta de realizar as tarefas do dia a dia de maneira prática e rápida. O serviço oferece a oportunidade de gerir as finanças por meio de um relacionamento digital, utilizando ferramentas que fazem parte da vida das pessoas, como Internet, celular e tablets. Buscamos um caminho criativo e assertivo para conversar com esse público”, afirmou Fernando Chacon, diretor executivo de Marketing do Itaú Unibanco. No dia 21 de junho, o público, cliente ou não, pode assistir ao espetáculo de stand up comedy de Luque com transmissão ao vivo pela Internet pelo YouTube (www.youtube.com.br/ bancoitau). Cuja ativação dos visitantes foi realizada pelo próprio 3 2

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YouTube e na página do twitter do humorista (@marcoluque), que divulgou posts com a hashtag #LuqueAoVivo, chamando os internautas para o show. Um pouco antes da apresentação, o ator ficou disponível para bate-papo no Orkut e depois do show Luque também podia ser visto no hot site www.itau.com.br/iconta com sketches de humor de seus personagens abordando os atributos da iConta cujas palavras-chaves eram: digital, ilimitada e grátis. O projeto funciona como uma rede social colaborativa permitindo a troca de experiências e contatos, casos de sucesso e, claro, com conteúdo de negócios e de informações financeiras. A rede Comunidade Empresas é aberta para todos que desejem participar, entretanto os empresários não-correntistas só poderão acessar a rede mediante convite de algum cliente, via Comunidade, ou por meio de um gerente comercial do Itaú. O conceito do portal é baseado em uma pesquisa feita pelo Itaú com os clientes e desenvolvida a “quatro mãos”, com a equipe da instituição financeira e da Inter.net. s e t e m b r o

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Claudio Ferreira

A classe C vai ao paraíso

do e-commerce

Os brasileiros com renda mensal de até R$ 3 mil são o novo motor do comércio eletrônico brasileiro. Um grupo que representou 61% dos novos clientes do setor no primeiro semestre de 2011 foto: divulgação

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estrela da economia brasileira e da sustentação do crescimento do PIB é o chamado “consumo das famílias”, e neste âmbito quem se destaca é a outrora emergente e, agora, consolidada classe C. Um contingente que mais e mais ganha espaço no e-commerce a ponto da consultoria e-bit apontar que no primeiro semestre deste ano algo como 61% dos novos clientes tinha esse perfil de renda – algo como R$ 3 mil mensais. Empresas como a Onofre, rede de drogarias que agora também chega ao segmento de eletroeletrônicos online (veja mais na página 8), a agência de viagens ViajaNet e mesmo a especialista de meios de pagamentos online MoIP já descobriram e investem na consolidação dos negócios com esse segmento. “Criamos todo o conceito da empresa totalmente voltado para as classes C e D, eles estão consumindo muito mais, e passagens e viagens são produtos importantes para esse público no ambiente online. Toda nossa operação, desde o front ao atendimento e outras peculiaridades foram criadas para que esse consumidor se sinta bem. Muitos deles estão viajando de avião pela primeira vez”, garante Alex Todres, sócio fundador do ViajaNet, agência que existe apenas na web. As mudanças necessárias para este público passam, por exemplo, pelo vocabulário – limite ou esqueça as palavras complicadas e em inglês – e mesmo pela navegação, que deve ser intuitiva para não assustar um internauta

que ainda não tem tanta experiência na web e ainda mais em e-commerce, e também deve se voltar para a garantia de facilidades de pagamento. No caso da ViajaNet são oferecidas ainda vantagens e pacotes diferenciados que caibam dentro do bolso das classes C e D. O fenômeno da C “A classe C é um dos motores do crescimento do e-commerce nas taxas atuais. E são eles que vão manter essas taxas nos próximos anos. É inegável a melhoria de renda da classe C e eles começam agora a ter acesso à banda larga além de ganhar mais familiaridade com a internet. Usando as redes sociais e participando do fenômeno das compras coletivas, o que ajuda a melhorar essa cultura”, garante Igor

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Senra, CEO do MoIP, empresa de capital brasileiro voltada para o pagamento online e que possui cerca de 300 mil clientes cadastrados. Ao realizar a integração de todos os meios de pagamento eletrônicos disponíveis no mercado, a companhia movimenta R$ 350 milhões e foca em pequenos e médios varejistas online. Senra aponta que já trabalha com um índice até mesmo superior ao detectado pelo e-bit. “Acreditamos que 70% dos novos consumidores em 2011 têm como perfil a classe C. As classes A e B estão muito consolidadas e crescem pouco”, admite. Os 61% de entrantes C também não surpreendem Lismeri Avila, diretora do Onofre em Casa, operação online da rede de drogarias de mesmo nome. Empresa que agora também lançou um braço de vendas – apenas pela web – de eletroeletrônicos, se aproveitando da sua capacidade logística. “Os computadores estão muito mais acessíveis e os vemos até em bairros simples. Eles já entenderam que é mais rápido e barato comprar pela web e aumentaram muito a frequência com que fazem suas compras conosco. É um público com o qual ainda estamos aprendendo, mas não tem grande diferença, não. O que muda mais é o perfil do produto que ele consome”, completa. A melhor estratégia Para Todres, da ViajaNet, requisitos como o uso de linguagem simples e direta são fundamentais, assim como 3 3

“A classe C é um dos motores do crescimento do e-commerce nas taxas atuais. E são eles que vão manter essas taxas nos próximos anos” Igor Senra, do MoIP


>internet

Logística Mas a palavra apropriada não é tudo. “O cliente da classe C cobra ainda mais o prazo de entrega que as classes A e B”, garante Lismeri, da Onofre. Como perfil de consumo, ela revela, o C consome os produtos de higiene diária e eventualmente adquire produtos de luxo. Para converter ainda mais os clientes, são feitas promoções por meio de e-mail marketing, e um produto de grande sucesso são os esmaltes. “Em setembro teremos novos filtros de localização de produtos, para facilitar ainda mais a navegação”, projeta. Outra estratégia importante reside em facilitar o pagamento ao máximo. É claro que parcelar as compras, ao fazer acordo com as operadoras de cartão de crédito, e reduzir o frete, seguem no topo da lista, porém eles também querem um atendimento de bom nível e serviços, como a entrega, são comparados na hora de fazer uma aquisição nesta ou naquela loja virtual. A exigência, portanto, é igual ou mesmo superior a outros consumidores. No entanto, Senra, do MoIP, relativiza os demais componentes estratégicos e aponta que o cliente C busca mesmo o melhor preço e que o parcelamento é quase tudo para esse consumidor. “É algo cultural, mesmo com um maior poder de compra é um fator imprescindível para esse público. Igual ao Brasil, pela minha pesquisa em diversos países, somente na Grécia”, ensina. Redes sociais A classe C também está nas redes sociais, a diferença é que a preferência ainda é pelo “bom e velho” Orkut, e os 5 4

foto: divulgação

atentar para a navegação e ferramentas que facilitem a busca por aquilo que o “C-consumer” deseja achar. “Algo como 95% das nossas vendas saem do meu “Requisitos como buscador. Ele faz vários tipos de buscas o uso de e o colocamos fixo e em destaque no linguagem site”, garante. Isso sem deixar de atender simples e direta às classes A e B, como Todres ressalta. são fundamentais, “É como trazer experiências que deram assim como certo há 10 anos, de ser mais objetivo, atentar para a sem parecer algo velho”, completa. A linguagem pode fazer a diferença, navegação e ferramentas que como revela Senra, do MoIP. “Os sites facilitem a busca estão se adaptando. Um empresário me por aquilo que o disse que teve que ampliar a busca dele “C-consumer” porque tinha muita gente grifando deseja achar” “Praystation” e não Playstation. A busca tem que ser mais refinada para atender a Alex Todres, da ViajaNet esse público”, alerta.

sites de e-commerce sabem disto. “Já montamos um buscador de viagens no Facebook, porém esse consumidor C e D ainda começa o processo nas redes sociais pelo Orkut. Já o Twitter tem uma vertente de pós-atendimento”, garante Todres, da ViajaNet. Para a Onofre, as redes sociais são encaradas como um instrumento ou um canal de interação tanto com a loja virtual como as lojas de tijolo, criando ações em uma e na outra. Quem pretende evoluir, e muito, a sua presença no “social media” é o Magazine Luiza, que planeja criar lojas virtuais no Facebook com auxílio de uma rede de representantes. Veja mais detalhes em “Luiza com cheiro de Avon”. Falando em novas operações, a rede de drogarias lançou recentemente o braço virtual Onofre Eletro, para vender

eletroeletrônicos, replicando a experiência e a logística do Onofre em Casa. “É um mercado com muita concorrência, porém ele soma na nossa marca e é necessário ter uma grande capacidade logística, o que temos de sobra. Temos 10 anos de know-how de entregas em delivery e investimos R$ 10 milhões na operação. Os consumidores estão se surpreendendo com o tempo de entrega”, aponta Lismeri. Esse diferencial faz com que a empresa prometa a chegada do produto adquirido em até 4 horas na Grande São Paulo. “Acho que poderemos, com nosso planejamento, chegar ao Natal com esse mesmo tempo”, conclui. Um fator relevante quando se fala em classe C, o menor ticket médio, é relativizado pelos executivos. Frases como “o volume maior compensa” é a tônica. Porém, na Onofre, diz Lismeri, o ticket médio não sofreu uma curva descendente e está no valor de R$ 126. “A pessoa faz compras para a família e meio que com perfil de “compra do mês”. O que muda é que a classe C faz um menor número de vezes a compra ao longo de 30 dias”, compara. O ano de 2011, alavancado pela classe C, tem sido importante e a perspectiva para o próximo ano também é otimista. “O final de ano será excelente para nós, é a nossa alta temporada. Vendemos R$ 55 milhões no ano passado e devemos chegar aos R$ 220 milhões este ano”, revela Todres, do ViajaNet. Um aumento projetado de 300%. Já a Onofre, mais consolidada, prevê um aumento de 36% este ano.

Luiza com cheiro de Avon

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ara chegar ao seu público, que tem uma forte entrada na classe C, a Magazine Luiza investe na montagem de lojas personalizadas nas redes sociais, no caso Orkut e Facebook, dentro do projeto “Magazine Você”. A partir dele, cada “divulgador” – como os revendedores pessoas físicas serão conhecidos em um formato próximo dos representantes a la Avon –, presente naquelas redes, poderá montar uma loja própria com 60 produtos. No processo de compra, o cliente é redirecionado ao site de e-commerce da companhia. A motivação para adesão ao sistema é em forma de comissão de vendas, entre 2,5% e 4,5% do valor do produto (veja a relação produto-comissão abaixo). Os “divulgadores” serão escolhidos inicialmente a partir de indicações dos funcionários da própria empresa - com a força de vendas atuando de forma terceirizada e sem vínculo. E os bônus sendo depositados direto na conta do parceiro. A meta do Magazine Luiza é chegar a algo entre 5 mil a 10 mil lojas virtuais no espaço de 9 meses e atingir 1 milhão de potenciais clientes. E, de acordo com Frederico Trajano, diretor de vendas e marketing da rede, o maior impacto dessa estratégia nas vendas deve ser registrado em 2012. Podendo gerar até mesmo uma rentabilidade maior que das lojas tradicionais.

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Revista TI Inside - 72 - Setembro de 2011