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Internet: nova lei gera polêmica Corporações reforçam plano de contingência Ano 4 | nº 38 | agosto de 2008

www.tiinside.com.br

A eficiência do setor de alimentação coletiva

certificação digital Governo e setor financeiro lideram iniciativas


foto: izilda franรงa


>editorial

Ano 4 | nº 38 |agosto de 2008 | www.tiinside.com.br Presidente Rubens Glasberg Diretores Editoriais André Mermelstein Claudiney Santos Samuel Possebon Diretor Comercial Manoel Fernandez Diretor Financeiro Otavio Jardanovski Diretor de Marketing Leonardo Pinto Silva

Assinatura em bits e bytes

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ão se sabe exatamente por que, mas o uso do certificado digital no Brasil, apesar de crescente, permanece aquém do que esperam fornecedores de tecnologia e órgãos públicos. Alguns argumentam que a resistência parte do preço: em torno de 300 reais, o kit composto por cartão e leitora. Outros dizem que é uma questão cultural. E uma terceira linha acrescenta à cesta dos argumentos o fato de não haver aplicações em número suficiente para justificar tamanho investimento. Vagarosamente, no entanto, a história começa a se reverter e, daqui para frente, espera-se que a passos mais velozes. Na reportagem de capa desta edição a editora Jackeline Carvalho e a repórter Carolina Chemin identificaram que um dos sintomas desta virada foi o um número maior de declarações de imposto de renda entregues à Receita com o certificado digital, a nossa identidade no universo de documentos e transações digitais. O projeto de nota fiscal eletrônica, inserido no contexto do Sped - Sistema Público de Escrituração Digital, deu o primeiro sopro mais forte em direção ao sucesso da certificação digital. Um segundo incentivo também partiu da Receita Federal, quando passou a exigir o certificado na Declaração de Informações Econômico-fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do ano passado e, com isso, motivou o uso do

Editor Claudiney Santos

eCPF do representante legal da empresa em outras transações, como a emissão de procuração eletrônica para terceiros. A boa notícia é que uma iniciativa coordenada pelo Sebrae e a Receita Federal pode fazer crescer o bolo com mais rapidez este ano. Trata-se do eCPF Simples, documento criado para micro e pequenas empresas e que será comercializado pelo valor de 155 reais, minimizando a imagem de custo alto da solução. A iniciativa tem como meta atingir a marca de 3,5 milhões de emissões e, principalmente, plantar junto a estes representantes de empresas uma nova cultura de segurança da informação. O tema segurança eletrônica, aliás, está presente em todos os segmentos e ganhou força no último mês com a aprovação do projeto de lei que regula o uso da internet no Brasil, redigido pelo Senador Eduardo Azeredo. O jornalista Cláudio Ferreira entrevistou advogados especializados em direito na internet e nos traz a polêmica gerada em torno da lei na seção Internet. Aproveitando, quero convidá-los a acessar o novo website da TI Inside (www.tiinside.com.br), que foi totalmente reformulado e conta com novos serviços. Um deles o podcast, onde trazemos uma entrevista com o Senador Azeredo. Boa leitura! Claudiney Santos / Editor csantos@convergecom.com.br

>sumário NEWS

4 NFe como serviço Unisys apresenta estratégia para atrair grandes empresas 6 Entrevista Executivo da Cast defende uso de ferramentas para aferir qualidade no desenvolvimento de aplicativos

Colaboradores Cláudio Ferreira, Erivelto Tadeu, Genilson Cezar, Carolina Chemin e Lilian Cunha (Comunicação Interativa) Arte Edmur Cason (Direção de Arte); Débora Harue Torigoe (Assistente); Rubens Jardim (Produção Gráfica); Geraldo José Nogueira (Edit. Eletrônica); Alexandre Barros e Bárbara Cason (colaboradores) Departamento Comercial Manoel Fernandez (Diretor) Glauco Forli e Fernanda Siqueira (Gerentes de Negócios) e Ivaneti Longo (Assistente) Gerente de Marketing e Circulação Gislaine Gaspar Administração Vilma Pereira (Gerente) TI Inside é uma publicação mensal da Converge Comunicações - Rua Sergipe, 401, Conj. 603, CEP 01243-001. Telefone: (11) 3138-4600 e Fax: (11) 3257-5910. São Paulo, SP. Sucursal SCN - Quadra 02 - Bloco D, sala 424 - Torre B Centro Empresarial Liberty Mall - CEP: 70712-903 Fone/Fax: (61) 3327-3755 - Brasília, DF. Jornalista Responsável Rubens Glasberg (MT 8.965) Impressão Ipsis Gráfica e Editora S.A. Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A CENTRAL DE ASSINATURAS 0800 014 5022 das 9 às 19 horas de segunda a sexta-feira Internet www.tiinside.com.br E-mail assine@convergecom.com.br REDAÇÃO (11) 3138-4600 E-mail cartas.tiinside@convergecom.com.br PUBLICIDADE (11) 3214-3747 E-mail comercial@convergecom.com.br Instituto Verificador de Circulação

serviço

14 Gestão por processos Empresas se voltam à eficiência e aquecem a oferta de business process management systems (BPMS)

infra-estrutura

18 ERP Fornecedores locais pegam carona na alta das grandes empresas

gestão 8 Comunicação corporativa Servimed revoluciona sistema interno e ganha agilidade 10 Artigo Varejo se destaca no uso de tecnologia para fidelizar clientes 12 Cardápio farto Setor de alimentação coletiva dedica esforços na gestão e colhe bons frutos

MERCADO 26 Aposta na inovação Ministério da Ciência e Tecnologia cria programa para investir 1,3 bilhões de reais em empresas jovens e inovadoras 28 Contingência Pane na rede da Telefônica suscita necessidade de prevenção contra riscos no mercado corporativo

infra-estrutura

internet

20 Certificação Digital Crescem aplicações e esforços para reverter desconhecimento sobre a tecnologia

32 Leis digitais A polêmica em torno da nova lei sobre o uso da internet

Capa: MC design

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Redação Jackeline Carvalho (Comunicação Interativa)

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Sorvete no ponto

Gelateria Parmalat unifica software de gestão e melhora serviços

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epois de quatro anos trabalhando com dois softwares de gerenciamento comercial, a rede franquia de venda de sorvetes Gelateria Parmalat decidiu unificar os sistemas utilizados por suas 37 lojas. A idéia da integração abriu espaço para que a companhia suprisse outra necessidade: a de separar os sorvetes por sabor. Até o ano passado, sete franquias trabalhavam com uma ferramenta que não era capaz de realizar operações como a atualização automática da tabela de preços e a captação do faturamento. Além disso, atrapalhava a agilidade do serviço por conter várias telas, uma para cada operação ou etapa do atendimento, e contava com um suporte técnico ineficiente, somado à lentidão na conexão ao help desk. A solução Franchise Pro Manager, aplicativo de gestão desenvolvido pela Eclética Informática, empresa especializada em software de automação comercial para o segmento de alimentação, voltou a ser implantada, mas desta vez, com suporte também para a separação do estoque de sorvetes por sabor. Segundo Cláudia Leite Augusto,

gerente de franquia da companhia, obter a aceitação dos usuários em relação à padronização do sistema foi um dos principais desafios do projeto. “Superamos as dificuldades por meio de constantes trocas de informações com a Eclética.” Para utilizar o novo sistema, os usuários receberam treinamento dos consultores da Parmalat. A ferramenta deu mais agilidade ao setor administrativo da franqueadora, pela capacidade do software de gerenciar automaticamente dados de estoque, faturamento, estatísticas, despesas, bem como as operações e o controle de vendas das lojas, o que ainda ajuda na verificação do desempenho das unidades. Cada franquia atende 230 clientes por dia. Já as gerências de cada loja franqueada não precisam mais registrar as vendas manualmente. Além disso, elas podem contar com a atualização automática da tabela de preços. “Com a ferramenta podemos evitar erros de nos cálculos, além de sonegação”, conta Claudia. Para a implantação não foram

necessárias mudanças na infraestrutura de TI das unidades da empresa, já que parte das lojas já dispunham do software. Nas outras unidades, foi realizada a formatação das máquinas, a reinstalação do sistema operacional (Windows) e, depois, a instalação do Franchise Pro Manager. A Gelateria Parmalat também utiliza o Web Manager, versão para internet do software e que permite o acesso remoto e em tempo real aos dados das lojas. A companhia afirma que o sistema de gerenciamento faz parte dos planos de extensão da rede. O investimento no projeto foi de cerca de 10 mil reais.

Scania automatiza área de consórcio

Nfe como

Montadora de caminhões monitora dados de 25 mil clientes

serviço

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Unisys Brasil entrou no mercado nota fiscal eletrônica (NF-e) oferecendo a solução no formato de serviço ou application service provider (ASP). Segundo a empresa, a oferta reduz o investimento inicial em hardware e software, garante atualizações futuras para atender à legislação e o cumprimento do acordo de nível de serviço (SLA). O foco da Unisys são as grandes corporações, com alto volume de emissão de notas fiscais e que tenham por objetivo trabalhar com o modelo de outsourcing. A solução é composta pelo hardware da companhia – os servidores corporativos ES7000 – e pelo software fornecido pela NDDigital, empresa brasileira especializada em tecnologia de impressão e imagem, e parceira da Unisys na iniciativa.

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Scania fechou com a Crivo, desenvolvedora de software para análise de crédito e risco, um contrato para automatizar o seu sistema de consórcio, que hoje reúne uma base de 25 mil clientes. O projeto visa reduzir o risco com os contemplados e identificar clientes com potencial de novas compras. Com informações atualizadas e detalhadas do perfil de cada consumidor podemos criar campanhas de vendas dirigidas”, afirma Francisco Assis do Carmo, chefe de crédito e cadastro da Scania Administradora de Consórcios. A princípio, o software da Crivo será usado nas 140 concessionárias da marca no Brasil para aprovar o crédito de quem foi contemplado. Com a solução Crivo, a Scania poderá definir, criar os critérios para aprovação de crédito, de acordo com as necessidades do nosso setor e com o perfil da empresa. Esses benefícios motivaram a Scania a definir o uso do sistema também na área de pré-análise de propostas de adesão ao consórcio, para confirmar os dados cadastrais e, principalmente, definir o produto mais compatível com o perfil do cliente. A expectativa é que, no próximo ano, o projeto seja estendido para toda a rede Scania, o que inclui a venda de veículos pesados, de peças e serviços nas concessionárias de todo o Brasil.

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A próxima revolução

Da mesma forma que o outsourcing se industrializou nos últimos anos, com o surgimento de grandes players em âmbito mundial, e melhorou os serviços prestados às empresas, na próxima década será a vez do gerenciamento da qualidade e performance das aplicações outsourcer, ele precisa demonstrar às empresas sua capacidade de respeitar o acordo. Isso inclui o custo de manutenção decrescente, por conta justamente da industrialização dos processos. Outro detalhe é a manutenção evolutiva, pois as necessidades do mercado mudam e será necessário modificar a aplicação, acrescentar novas características e funcionalidades.

foto: divulgação

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mercado de produção de aplicativos vive uma “revolução”. Daqui para frente será imperativo a entrega dos projetos não apenas no prazo especificado pelo cliente, mas com todas as métricas de desempenho e qualidade previstas no contrato. Siro Terni, vice-presidente para Europa Meridional e Novos Mercados da francesa Cast Software, especializada em governança do desenvolvimento de aplicações, esteve no Brasil no início de agosto e falou com exclusividade para a TI Inside Outsourcing. Acompanhe os principais trechos da nossa conversa.

TI Inside: Pode citar um exemplos de retrabalho ou aumento de custo? ST: Uma operadora de telecom da Alemanha terceirizou o gerenciamento Siro Terni de aplicações para uma empresa russa. Tudo correu bem no início, até que depois de dois anos quis pegar essa aplicação e mantê-la na própria empresa. Quando abriram a aplicação, descobriram que todas as variáveis e componentes foram escritos em linguagem cirílica. Era simplesmente impossível entender. Tiveram de pagar outro outsourcer que reescrevesse a aplicação e gastaram dinheiro novamente. Em outro caso, o escritório de um banco no Reino Unido terceirizou as aplicações de tecnologia antiga que havia em suas filiais para uma empresa indiana, de modo que fossem reescritas em uma linguagem mais nova. Ao invés de adicionar o que o cliente queria, eles contruíram algo diferente. O banco gastou o dobro do valor planejado inicialmente.

TI Inside: Considerando principalmente o crescimento de práticas como outsourcing e offshoring, qual a importância de as empresas efetuarem testes de qualidade das aplicações? Siro Terni: No mundo do desenvolvimento de aplicações, estaremos, durante os próximos dez anos, em uma revolução como aconteceu há 20 ou 25 anos com o gerenciamento de facilities, quando as companhias passaram a terceirizar mainframes, redes etc. Era mais ou menos como um pesadelo, tudo muito técnico, com sistemas operacionais complicados. De lá para cá, a área se industrializou, e hoje temos somente três grandes players mundiais: HP (após a aquisição da EDS), IBM e Accenture. Acredito que são três os principais objetivos dessa mudança. O primeiro é o respeito a padrões, já que quando a companhia opta pelo outsourcing perde o controle sobre o código-fonte da aplicação e passa a vê-la como uma caixa preta gerenciada por alguém em algum lugar, mas precisa ter certeza de que o outsourcer está seguindo as melhores práticas do mercado. O segundo, as normas de compliance, que são importantes para assegurar que a aplicação é robusta, segura e fácil de manter. E, por fim, a transparência, que é o grande problema do outsourcing atualmente.

O SLA, como conhecemos hoje, não é suficiente. As empresas precisam de mais informação, como métricas e indicadores de performance

TI Inside: Construir uma relação de transparência, então, resulta em benefícios para as duas partes? ST: Sim, porque é possível garantir que o custo de manutenção realmente diminua. Tudo é documentado automaticamente e tanto as empresas como os outsourcers podem ver de forma imediata a redução de custos. TI Inside: A partir daí, fica mais fácil cumprir os SLAs (Service Level Agreements)? ST: Hoje eles são a principal forma de medir o tamanho da aplicação e o deadline, mas nos Estados Unidos, Reino Unido, França e Alemanha, os SLAs têm incluído uma série de indicadores para assegurar a alta qualidade daquilo que está sendo desenvolvido. O SLA, como conhecemos hoje, não é suficiente. As empresas precisam de mais informação, como métricas e indicadores de performance. (TI Inside Outsourcing)

TI Inside: A partir disso, também é possível melhorar a qualidade do serviço? ST: Sim, essa é a outra idéia. As companhias precisam de plataformas para gerenciar melhor o relacionamento com os clientes, e a dificuldade principal é a eliminação de riscos, ou seja, a capacidade de discutir com o outsourcer baseando-se em fatos como números e informações concretas, e não em algo intuitivo. No que diz respeito ao 6

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>gestão Carolina Chemin

Melhorias constantes Com vários estágios bem-sucedidos, projeto de melhoria do sistema de comunicação da Servimed trouxe economia não só em termos de tarifas telefônicas, como promoveu a redução de gastos com posições de atendimento

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istribuidora de medicamentos fundada em 1973, a Servimed iniciou atividades na cidade de Bauru, no interior de São Paulo, e hoje está presente em todo o Estado, além de ter unidades no Paraná, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Distrito Federal e Santa Catarina. Possui seis filiais, localizadas nas cidades de Barra Mansa, Brasília, Itumbiara, Jacarezinho, Uberaba e Poços de Caldas, e dois escritórios de contatos São Paulo e Rio de Janeiro e outros dois sites: em Ribeirão Preto e Campinas. Ao todo, o call center da empresa já conta com 180 operadores internos e 400 externos. Em função de toda essa abrangência, em 2005 a empresa percebeu que seu sistema de comunicações precisaria passar por uma grande atualização para

suportar o crescimento dos negócios. A Servimed conta com 1.500 colaboradores diretos e mais 450 indiretos. Faturou mais de 900 milhões de reais, em 2007 ficando entre as empresas mais rentáveis e de maior crescimento dentro do seu segmento, conforme publicado pela Revista Exame em seu anuário. “O índice

para melhorar o atendimento de seu call center e reduzir os custos com ligações. “Nosso sistema era Dígitro na época, e não nos dava a estabilidade que precisávamos. Às vezes ele caía e o call center parava no meio das atividades. Além disso, precisávamos expandir em termos de flexibilidade e convergência”, explica o executivo. Através do integrador G.Marc Soluções, de quem já era cliente, a companhia acabou tomando contato com as soluções da Avaya voltadas para call center. “A G.Marc identificou a oportunidade e nós enviamos um time de professional services que identificou as melhorias a serem feitas e criou uma proposta”, lembra Luiz Fernando Medina, diretor de vendas Cross Industry da Avaya Brasil. O projeto foi dividido em algumas fases. Na primeira, a solução implementada foi composta pelo software de gerenciamento Communication Manager, instalado em um servidor S8710 e complementado por seis gabinetes G650, com as placas necessárias que fornecem toda a telefonia à empresa. Com isso, a Servimed resolveu e questões de robustez, redundância e escalabilidade, uma vez que os servidores são duplicados e os

retorno sobre o investimento (ROI) que foi de cerca de 1,3 milhão reais até o momento - já está em 50% gabinetes podem ser ampliados. Além do servidor S8710, foi adquirido um gateway G700 com um servidor S8300 para atender às necessidades do escritório de São Paulo, e mais oito gateways G350, sendo São Paulo com LSP (Local Survivor Provider) - que dão ao equipamento remoto um

de crescimento nos últimos anos foi de 35% ao ano. Com todo esse avanço, a estabilidade de nosso canal de comunicação tem que ser total”, afirma Luiz Carlos Izzo Filho, coordenador de suporte e telecom da Servimed. O desafio inicial era encontrar, a partir de uma única solução, condições 8

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sistema pelo softphone e passar a fazer parte da central de atendimento. A partir do momento em que o representante se ‘loga’, a empresa já tem acesso ao seu histórico, quantas ligações ele fez e recebeu”, detalha Medina. Além da implementação do Smart Call Agent (SCA), um discador preditivo no formato web service otimiza o fluxo de trabalho dos agentes, reduz os custos de telefonia e aumenta a produtividade, evitando momentos de inatividade. Já o uso do Avaya Softphone integrou de forma mais prática e barata a equipe de vendas externa com a Servimed. Isso porque a arquitetura IP melhorou muito a administração da rede ao tornar o setup mais rápido e fácil, alterando ramais e o correio de voz em toda a rede. Como resultado, os procedimentos “move, add and changes”, podem agora ser realizados em questão de minutos.

período da manhã e na parte da tarde, até às 16 horas. Assim, profissionais da Anixter (distribuidora Avaya), da G. Marc Soluções, da Servimed e da Avaya estudaram o caso e definiram um modelo de negócio adequado às necessidades da empresa. A segunda fase do projeto contemplou a disponibilização de licenças de agentes IP no Communication Manager, permitindo que os agentes remotos (representantes) possam se logar no Call Center Elite e participar como agentes, inclusive em campanhas específicas. “Junto com a melhoria do call center eles começaram a vislumbrar a possibilidade de estender o sistema para os representantes de vendas. Com isso, o vendedor que estava na rua, ao voltar para a casa ou para sua filial, poderia se conectar ao foto: divulgação

período de 30 dias de sobrevivência em caso de queda do link com o escritório. Todos interligados e controlados pelo site Central em Bauru. Com a rede de gateways criada, a Servimed passou a contar com um sistema de telefonia IP. Dessa forma, eliminou os degraus tarifários entre as unidades, centralizou o gerenciamento e obteve, conseqüentemente, uma considerável redução de custos com chamadas telefônicas. A consolidação do 0800 nacional ficou por conta de um contrato realizado entre a Servimed e as operadoras contratadas. “Nossa intenção é ter um POP (ponto de presença) em cada estado, para reduzir as tarifas tanto de chamadas saíntes quanto entrantes. Dessa maneira, as ligações para o 0800 entram no local do site, pagando tarifa estadual, e não inter-estadual. Isso economiza muito para a empresa”, conta Izzo. Em busca de um atendimento de qualidade, a empresa também investiu na aquisição do sistema Elite Call Center para os seus 200 agentes. O monitoramento dos grupos e dos agentes por meio de relatórios em tempo real e de históricos de chamadas foi necessário para ter o controle das diversas operações e para melhorar ainda mais a qualidade do atendimento. O BCMS (Basic Call Management System) foi a solução implementada para que a Servimed contasse com mais essas facilidades. Também foi adquirido um CTI (Computer Telephony Integration) da fabricante, que possibilitou aos agentes receber informações na tela do computador antes mesmo da voz chegar ao telefone, uma vez que a solução integra as informações do sistema da Servimed ao atendimento da Avaya. “O projeto nos permitiu mudar o perfil de nosso call center, que agora também é sainte”, comemora o coordenador. Continuidade Após um ano e meio de trabalhos, a Servimed analisou os horários de pico de seu call center e os horários que seus representantes mais visitam clientes, detectando as necessidades de aumentar a produtividade de sua central de atendimento e de disponibilizar uma ferramenta para auxiliar seus representantes para as vendas externas.   O maior volume de ligações acontece entre 17 e 21 horas, e as visitas a clientes se concentram no

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Bons frutos O projeto tem sido considerado um sucesso tanto do lado do fornecedor quanto do cliente, diz Luiz Fernando Medina. “A Servimed é um bom cliente para trabalhar, eles sempre se interessam muito pelas novidades que propomos. Nosso parceiro também nos ajudou muito, gerenciando bem o projeto”. Segundo o especialista, o que chamou mais a atenção foi que eles fizeram um estudo e descobriram que poderiam contatar cerca de seis mil clientes só em São Paulo, o que gerava um grande potencial de receita com a qual a empresa não contava antes. “Os clientes fora dos grandes centros são muito carentes. Quando você começa a fazer contatos constantes, dando informações para eles, acaba gerando uma fidelização. A chave foi essa: abrir novas frentes. Isso pagou o projeto”, avalia Medina. Do lado do cliente, a alta estabilidade e a efetividade das ligações estão entre os pontos altos do projeto. “Sabemos que ligações realmente entram, e isso aliado às novas ferramentas de call center gera ganhos”, conta Luiz Carlos Izzo Filho. Segundo o executivo, o retorno sobre o investimento (ROI) - que foi de cerca de 1,3 milhão reais até o momento - já está em 50%. “Isso só contando com a redução de custos com tarifas e as vendas. Em janeiro deveremos ter o retorno total”, comemora. 9

“O índice de crescimento nos últimos anos foi de 35% ao ano. Com todo esse avanço, a estabilidade de nosso canal de comunicação tem que ser total”, Luiz Carlos Izzo Filho, coordenador de suporte e telecom da Servimed

“Junto com a melhoria do call center eles começaram a vislumbrar a possibilidade de estender o sistema para os representantes de vendas”, Luiz Fernando Medina, diretor de vendas Cross Industry da Avaya Brasil


>artigo Elia Chatah*

Tempo de

transformação

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setor de varejo é um dos mais dinâmicos do mercado, tanto por seu tamanho quanto pela quantidade de variáveis que enfrenta em seu diaa-dia. Certamente isso representa um desafio para as empresas, mas um desafio que, até aqui, vem sendo encarado com sucesso. Não por acaso, o setor fechou o ano de 2007 com crescimento de quase 10% – o mais significativo desde 2001 – e bastante acima dos 6,2% registrados em 2006. Foram mais de 500 bilhões de reais movimentados em todo o País, dos quais 75,3 bilhões de reais somente na cidade de São Paulo. Para se ter uma idéia, isso significa que, em 2007, foram gastos 2,4 mil de reais por segundo em cada uma das 98.978 empresas varejistas da capital paulista. No restante do País, o resultado se repete. O volume de vendas de móveis e eletrodomésticos subiu 15,4% em 2007 e representa o segundo maior impacto no resultado geral. Em primeiro lugar tivemos a atividade de hipermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que – apesar de ter crescido bem menos (6,4%) no ano passado – representa um terço do total das vendas. A origem primária destes resultados é o bom momento vivido pela economia brasileira. A impactar diretamente os resultados do varejo, tivemos um crescimento de 27,3% no crédito, redução do desemprego e um aumento real de 30% na massa salarial entre os anos de 2005 e 2007. Se de um lado estes resultados animam os varejistas, de outro impõem a 1 0

foto: divulgação

O grande desafio que se coloca hoje às redes varejistas é a transformação de seus pontos de vendas em pontos de relacionamento com o cliente

eles a necessidade de repensar seus negócios e prepararem-se para manter o ritmo, com foco principalmente no cliente. Com o aumento do poder de compra, é natural que o mercado tornese mais seletivo e, por conseqüência, mais exigente. O já tão falado conceito – “vender localmente e competir globalmente” – ganha um novo sentido, agora com um viés mais prático. O grande desafio que se coloca hoje às redes varejistas é a transformação de seus pontos de vendas em pontos de relacionamento com o cliente, e ele não é pequeno. Isso porque praticamente não há diferencial nos produtos encontrados em qualquer concorrente. A diferença estará no atendimento e no profundo conhecimento do cliente, e aqui o uso da tecnologia da informação é fundamental. Para que o cliente seja inspirado a voltar a uma loja, em primeiro lugar, ele tem que se sentir compreendido. Para ajudar nesta ‘experiência’, o mercado conta hoje com soluções que entendem T I   I n s i d e

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o que o consumidor quer e fornecem algoritmos mais sofisticados para previsões de vendas, provendo assim o produto certo, na hora certa, na quantidade desejada e no preço esperado. Ou seja, de um lado aprofundar informações sobre o cliente e, de outro, utilizá-las para aumentar a eficiência operacional e reduzir gastos. Um exemplo? Num futuro não muito distante, o uso de etiquetas RFID vai permitir que as compras sejam totalizadas pelo ponto de venda sem a necessidade de os produtos serem validados um a um. Uma antena vai identificar as etiquetas nos produtos e já apresentar o total, o que é bom para o cliente. E o mesmo sistema identificará a baixa daquele produto no estoque e permitir o seu reabastecimento assim que ele sair da gôndola, o que é bom para a empresa. Por trás de tudo isso, um sistema de gestão que automatize processos de compra, faturamento, emissão de notas fiscais, controle de estoque etc. E também um sistema de gerenciamento de relacionamento com o cliente que registre suas preferências e hábitos de consumo, fazendo sua identificação assim que ele entre na loja, ou no depósito, e possa baixar sua lista de compras e, por exemplo, com um GPS instalado no carrinho, encontre na loja os produtos que ele procura. Não é futurologia. A tecnologia existente hoje já permite isso. É questão de tempo e investimento para que tudo isso seja amplamente disseminado. * Elia Chatah é gerente de desenvolvimento de varejo da SAP para América Latina 2 0 0 8


>gestão Genilson Cezar

Tempero tecnológico

Setor de alimentação coletiva apóia estratégias de ganho de mercado, melhoria da qualidade e redução de custos em sistemas de gestão e outras soluções integradas

hermes, gazola , da puras: investimento de R$ 22 milhões na modernização dos restaurantes, melhorias operacionais e construção de sete centros de distribuição

fotoS: divulgação

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disparada dos preços dos alimentos causou grande impacto na indústria brasileira de refeições coletivas, forçando muitas empresas a negociarem, apressadamente, reajustes dos seus contratos com fornecedores e clientes. Mas não pegou ninguém de calças curtas. Nos últimos anos, as principais empresas que prestam serviços no setor de alimentação coletiva, cerca de 100 companhias, investiram pesado em tecnologias avançadas e sistemas de gestão e de logística, de forma a criar meios para equilibrar suas operações em situações de extrema instabilidade, como a que acontece, no momento, na área de alimentos. “Nos últimos quatro anos, investimos quase 30 milhões de reais, sobretudo em tecnologia da informação. Para este ano, nossa expectativa é aplicar algo entre 3 milhões a 5 milhões de reais para interligar, via web, mais de 500 restaurantes que fornecem alimentação a cerca de 800 clientes”, conta Paulo Pires, presidente da GRSA, uma das maiores companhias do setor de alimentação do Brasil, com faturamento de 1,3 bilhão de reais em 2006, 15% a mais que em 2006. Um dos principais focos do investimento, segundo ele, é a plataforma de logística e o call center, a partir dos quais especialistas fazem um trabalho de mitigar os efeitos da inflação no setor de alimentos, substituindo produtos cujos preços aumentam de repente, por outros mais barato. Na parte de gestão de cardápio, a GRSA foi uma das primeiras empresas do

setor a utilizar, ainda na versão DOS, o sistema TecFood, da empresa Teknisa, considerado hoje um best-seller na indústria de refeições coletivas, para gestão dos restaurantes. Segundo Albino Júnior, diretor

Mesa farta Em 2007, os provedores de refeições coletivas: Forneceram 7,5 milhões de refeições por dia Geraram 180 mil empregos diretos Contrataram 6,5 mil nutricionistas Tiveram faturamento de aproximadamente

8,4 bilhões de reais

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de TI da GRSA, com a nova versão web do TecFood, a empresa funciona com uma central de planejamento de cardápios. “Com a integração da base de dados, a GRSA planeja o cardápio de maneira que o prazo de negociação com os fornecedores fica mais extenso, garantindo o fluxo de entrega das mercadorias nas unidades e reduzindo o giro dos estoques”, diz ele. O sistema está integrado com o Oracle Application Server e com os livros fiscais. Funciona como um grande ERP. “Hoje, no sistema web, a companhia tem como controlar inclusive o andamento das unidades, quem está no dia e quem está atrasado com o movimento diário de estoque. Além de redução de custos, é uma solução que nos dá capacidade de gestão muito melhor”, afirma Albino Júnior. Quer dizer, não se trata de uma questão puramente de marketing. “Para ser competitivo neste mercado é necessário atender às expectativas de cada cliente, além de ter a capacidade de criar, inovar e avançar”, atesta Mônica Tanaka, gerente de TI da Sodexo, companhia fundada na França, em 1996, presente em mais de 80 países, com 342 mil colaboradores. A empresa opera com 800 clientes, serve mais de 630 mil refeições por dia e viu seu faturamento crescer 8,4% no último ano fiscal. Acostumada a soluções desenvolvidas internamente, há sete anos a Sodexo iniciou um processo de reformulação de seu modelo, com objetivo de tornar os processos mais ágeis e obter informações mais rápidas. Substitui os sistemas legados por soluções integradas, entre as quais o SAP ERP e o TecFood Agent2b para frontoffice e ForSale para operação dos frentes de caixa. “O avanço mais significativo se deu a partir da integração das áreas corporativas com a gestão operacional, que se tornou mais eficaz, reduziu significativamente o tempo de comunicação e beneficiou toda a cadeia de processos

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internos, além de permitir uma evolução sem precedentes nas negociações em geral”, conta Mônica. Grande massa A preocupação em manter o nível de qualidade e de atendimento de serviços aos clientes faz todo sentido. Afinal, os provedores de refeições coletivas forneceram 7,5 milhões de refeições por dia, ao longo de 2007, proporcionando 180 mil empregos diretos, além de 6,5 mil nutricionistas. O faturamento foi da ordem de 8,4 bilhões de reais, e a expectativa é atingir em 2008 uma receita de 9,5 bilhões de reais, informa Rogério da Costa Viera, vice-presidente da Associação Brasileira de Refeições Coletivas (Aberc), e diretor geral da Mássima, empresa de médio porte, sediada em Campinas (SP), com faturamento estimado em 50 milhões de reais, este ano. “A tecnologia no setor de alimentação coletiva cumpre funções fundamentais, principalmente no planejamento do modo de produção das refeições. Apesar de ter um número de consumidores pouco variáveis, diariamente, os cardápios precisam ser diferentes, com produtos que têm custos diferentes e precisam de sistemas de gestão eficientes para controle de custos, de variedades, de sobras para evitar desperdícios”, conta ele. A área de logística foi também uma preocupação da Puras, outro grande grupo que atua no País, que administra 818 restaurantes empresariais no País, servindo 650 mil refeições por dia, com faturamento

de 681 milhões de reais. No ano passado, segundo Hermes Gazolla, presidente e fundador da companhia, a Puras investiu 22 milhões de reais na modernização dos restaurantes, implantação de melhorias operacionais e, principalmente, na construção de sete centros de distribuição que operam interligados aos restaurantes, todos eles automatizados para a entrega das matérias primas. “A Puras investiu muito em logística, na gestão informatizada de seu cardápio, e isso nos torna uma empresa altamente competitiva”, diz o executivo. A empresa emprega 14,4 mil pessoas e só no ano passado foram criadas 2,3 mil vagas, 717 das quais ocupadas por nutricionistas.

“A pesquisa feita com os nossos consumidores aponta um índice de 86%, o que mostra o acerto da nossa estratégia em investir pesado na qualidade de atendimento”, afirma Gazolla. Empresas de menor porte, como a Nutriellos, empresa com faturamento estimado para 2008 em 7 milhões de reais, que atua com 13 unidades na Grande São Paulo, fornecendo 5 mil refeições por dia para 25 empresas, também não se descuidaram da busca do suporte tecnológico para alinhar o desenvolvimento interno às estratégias do negócio. Desde 2005, a Nutriellos vem implementando uma solução de Balanced Scorecard para controle de suas estratégias organizacionais, visando apoiar os planos de crescimento da empresa, que pretende sair de 5 mil refeições/dia, de hoje, para 10 mil refeições diárias, até 2010. “A implementação do BSC foi de fundamental importância para a Nutriellos, pois gerentes e colaboradores necessitam de ferramentas que propiciem alinhamento, suporte e controle estratégico em todos os níveis, gerando competências e conhecimento para a organização”, explica Adilson Den Julio Gonçalves, diretor da companhia. Segundo ele, na gestão estratégica competitiva, o alinhamento e o controle estratégicos promovido pela solução de BSC “possibilitam aos gestores avaliar melhor o desempenho corporativo e das unidades de negócio, num processo constante de aprendizado de toda cadeia de valor da organização”, afirma.

DO “DOS” À INTERNET

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partir de um trabalho inicialmente realizado no mercado brasileiro de software para o setor de food service”, afirma Lima de Paula. O TecFood web é um software corporativo que engloba todas as áreas das empresas do setor alimentício, como produção, apoio, gestão e tecnologia. Permite interação entre matriz e filiais, analisa custos e otimiza recursos, possibilita a monitoração total do almoxarifado, compara custos, analisa resultados e facilita a tomada de decisões. Além do TecFood, a Teknisa tem aumentado a gama de produtos oferecida para o mercado de food service, entre os quais estão o TecDiet, para alimentação hospitalar, o ForSale, para pontos de venda e restaurantes comerciais, o SnackTech, para controle de lanches escolares com auto atendimento, BigDinner, para controle de eventos e buffets e o School Meals, para gestão de merenda escolar. Segundo Lima de Paula, a Teknisa tem hoje projetos em empresas dos mais diversos portes complexidades, como a De Nadai e Gran Sapore.

om uma taxa de expansão de 32% e previsão de atingir um patamar de crescimento de 40% em 2008, a Teknisa, empresa sediada em Belo Horizonte (MG), consolida sua liderança no mercado brasileiro de soluções de gerenciamento do setor de refeições coletivas, industrias de alimentos e restaurantes comerciais. São mais de 15 mil sistemas implantados em cerca de três mil empresas do País. “Esse bom momento que estamos vivenciando garante para os clientes um investimento de 8 milhões de reais só em P&D, com melhorias contínuas nos produtos de software, através de 200 profissionais alocados somente no setor de desenvolvimento”, conta George Lima de Paula, sóciodiretor e CIO da Teknisa. Somam-se a esse grupo de colaboradores, segundo o executivo, outros 200 profissionais envolvidos nas áreas de implantação e consultoria, em projetos em toda a América Latina. “Buscamos com isto a excelência em nossos produtos e um reconhecimento internacional a

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Albino Júnior, da GRSA: com a nova versão web do TecFood, a empresa funciona com uma central de planejamento de cardápios


>serviço Jackeline Carvalho

Os processos pedem passagem Conceito e soluções voltados ao ambiente de business process management atraem a atenção das empresas mais preocupadas com a competitividade local e internacional, e causam euforia entre fornecedores

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conclusões do Gartner, Forrester & Research e outras consultorias, a inovação é passível de ser copiada, mesmo exigindo sacrifício da concorrência por um período. Mas os processos, se bem estruturados e integrados, dificilmente encontram similares no mercado. Em resumo, os altos executivos estão preocupados com a perenidade de suas empresas ao longo do tempo e reconhecem a importância das constantes mudanças de processos e modelos para que a empresa ganhe competitividade. O business process management (BPM) envolve uma série de outros micro-conceitos ainda dispersos. É uma prática que depende de pessoas, tecnologia, técnicas de fotoS: divulgação

Armando Miyoshi, da Fujitsu Brasil: sucesso do modelo depende se tecnologia e processo são percebidos pelo usuário final

IDC prevê que o segmento de BPMS (business process management software), ao longo deste ano, sairá da primeira infância direto para a maturidade, diante do crescimento previsto de 71%, em comparação a 2007, com negócios avaliados em 87 milhões de dólares. A demanda virá da necessidade de dar maior visibilidade ao modo de trabalho de pessoas e processos; maior habilidade de desenvolvimento de aplicações de uso; necessidade de aderência a novas regras setoriais de negócios; redução de riscos; e busca por soluções mais padronizadas. Apesar da previsão feita em dólar, as empresas no Brasil devem figurar entre os países de adoção rápida do conceito, já que as empresas daqui enfrentam, em pé de igualdade, a competição internacional, as oscilações da economia em outros países, além das intempéries internas. O gerenciamento de processos de negócios fortalece o crescimento e a eficiência da organização ao estender processos internos a seus clientes, fornecedores, instituições financeiras, distribuidores, provedores de logística e outros parceiros importantes. Aí reside a razão de vários estudos convergirem para uma mesma tese sobre o quê estaria movendo os CEOs (chiefs executive officer) e presidentes de empresas para o conceito de gestão de processos de negócios. Segundo

gestão e tecnologias focadas em melhoria contínua, item que responde porquê BPM vem ganhando relevância, segundo Rogério Toscano, gerente sênior da BearingPoint. Sua implementação deve considerar três componentes importantes e que precisam ser mapeadas: a tecnologia; o processo em si, ou seja, como os negócios fluem dentro das empresas e como isso deve estar corretamente adaptado antes de se adotar a tecnologia; e as pessoas. “A tecnologia e o processo devem estar visíveis e compreensíveis para o usuário final”, informa Armando Miyoshi, diretor de software e serviço da Fujitsu Brasil. A decisão de implementar ou não o modelo parte das necessidades do negócio, com alguém patrocinando o projeto e definindo objetivos para, depois, chegar ao mapeamento do processo, algo que depende, muitas vezes, de um patrocinador forte. Esta pessoa defenderá o funcionamento do processo dia-a-dia, inclusive junto à área de tecnologia, e começará o trabalho. “Quando se implementa um projeto de BPM, deve-se lembrar que o resultado não vem a curto prazo. Não se trata de fazer uma mudança radical, mas implementar a tecnologia e paulatinamente fazer melhorias”, alerta diretor da Fujitsu Brasil. Vigilantes A revisão e modelagem dos processos muito se assemelham ao que viveram as grandes corporações na década de 90, quando se

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>serviço preparavam para implementar os sistemas de gestão empresarial (ERP). Uma base agora considerada núcleo das informações corporativas, “A divisão por porém insuficiente para garantir uma departamentos administração baseada em não privilegia a processos, cortando a corporação de gestão por ponta-a-ponta com processos processos. Não sincronizados. “A divisão por que ela será departamentos não privilegia a gestão exterminada, mas por processos. Não que ela será a falta de foco em exterminada, mas a falta de foco em processos sugere processos sugere erros. Quando é erros. Quando é orientada a processos, uma orientada a organização assume a identidade da como um todo, não apenas processos, uma cadeia cada estrutura”, diz Toscano. organização Mas, calma, isso não se traduz na assume a morte da estrutura vertical. Revela, identidade da apenas, que empresas terão pessoas cadeia como um olhando o processo de ponta-atodo, não apenas ponta. Segundo Toscano, com os cada estrutura”, ERPs tentou-se alinhar processos e Rogério Toscano, tecnologia, mas a conclusão foi que o da BearingPoint ERP não seria o único sistema da empresa. E diz que as suítes integradas de gestão atendem apenas a funções generalistas, sendo complementados por outros e até melhores aplicativos. A reengenharia, diz o consultor, tinha como barreira a transferência de um novo modelo para a tecnologia, uma solução cara para os padrões corporativos da época. Agora, o BPM aliado à arquitetura orientada a serviços (SOA) encurta o caminho da agilidade nos processos, promove evolução contínua e adapta os processos à tecnologia. Enfim, o BPM cria uma base para análise dos processos e promove a integração com tecnologia, mas sempre Paulo Melo, acompanhado de SOA.

Fujitsu, que faz da plataforma uma unidade de negócios que atrai novas oportunidades. A expectativa é que este segmento salte de 731 milhões de dólares, em 2005, para 2,6 bilhões de

Segmento de BPMS deve saltar de 731 milhões de dólares, em 2005, para 2,6 bilhões de dólares, em 2011, segundo o Gartner. A América Latina movimentará 69 milhões de dólares nesta área, em quatro anos. dólares, em 2011, quando a América Latina movimentará 69 milhões de dólares com BPMS, segundo o Gartner. Ecio Libera, diretor sênior de gerenciamento de produtos Oracle Fusion Middleware e SOA para a América Latina, reconhece que a companhia cresceu muito nos três últimos anos incorporando empresas

da IBM: conceito BPM puxa Mercado a demanda por Paulo Melo, executivo de ferramentas e por Websphere da IBM, acredita que o conhecimento BPM também puxa a demanda por (expertise) ferramentas e por conhecimento

(expertise) das pessoas. Os fornecedores de software, aliás, se reúnem em torno do que o mercado passou a chamar de BPMS (business process management systems), componente importante para a evolução do BPM. Muitos deles globais, porém ainda pequenos, focados, porém interessantes para os players de maior vulto, como a própria IBM ou mesmo a Oracle, a SAP e a IDS Scheer, dentre outros, inclusive a 1 6

menores ou com grande potencial de crescimento. Entre as aquisições está a BEA Systems, mas Libera acrescenta que a empresa, além de comprar outras organizações, possui parcerias, por exemplo, com a IDS Scheer, para se inserir na arena BPM. Um dos componentes da solução da Oracle é o BPA Suíte (business process analyses), que incorpora do Aris, da IDS Scheer no formato O&M (com funcionalidades adicionais desenvolvidas pela Oracle), e que é considerada como uma parte da estratégia de modelamento de processos de negócios. “O BPM, dizem os especialistas, possui três grandes partes – modelagem de processas de negócios; automatização e implementação dos processos modelados; monitoramento e utilização dos processos de negócios”, declara Ecio Libera.

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Muitas vezes, os clientes não buscam apenas automatizar o processo e monitorá-lo, mas otimizálo”, ressalta. Oi, Claro, Vivo, TAM, Visanet e Redecard desfilam entre as empresas que já se sensibilizaram para o BPM. O grande incentivo em torno de BPM reside no fato de o conceito viabilizar uma arquitetura de TI mais alinhada com as mudanças de negócios. Miyoshi, da Fujitsu Brasil, afirma que a solução comercializada pela empresa está pronta para o desafio. O InterStage - um servidor de aplicações baseado nas tecnologias Corba e Java que, além da integração de plataformas, permite o desenvolvimento e gerenciamento de aplicações de missão crítica, e que possui suporte para web services e arquitetura orientada a serviços (Service-Oriented Architectures-SOA) – permite às empresas desenvolver uma solução de BPM de acordo com o processo mapeado, integra os novos processos e reutiliza o ERP ou outro sistema para compor o novo ambiente. 2 0 0 8


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Claudio Ferreira

O irmão

menor do ERP Muitas empresas locais têm ganho espaço no mercado ao desenvolverem sistemas que se agregam aos grandes ERPs, e isto acontece por força das lacunas abertas pelos sistemas de gestão

É

“Somos os únicos que têm mais de um produto que se adapta ao ambiente SAP. Não consigo ter uma idéia precisa da visibilidade que eles nos trazem, mas a demanda é bem alta” Carlos Kazuo Tomomitsu

inegável que os grandes sistemas de ERP, até mesmo pelo seu perfil global, conseguem avançar em muitas frentes e trazer o estado da arte no que diz respeito à gestão. Porém, aqui no Brasil, graças à peculiar camada de tributos – que insiste em ser alta e diversificada – e mesmo com as leis, principalmente as fiscais que trazem mudanças constantes, o cenário é um pouco diferente. Existe espaço para empresas que desenvolvem sistemas nestas áreas e mesmo em outras especialidades que acabam trabalhando bem próximo dos grandes ERPs.  “Todos os ERPs globais precisam de algum complemento local. Quando a SAP vai responder uma RFP e vê que existe uma necessidade de comércio exterior ou fiscal, por exemplo, ela acaba recorrendo a nós. Somos os únicos que temos mais de um produto que se adapta a eles, temos parte jurídica, fiscal, vendor etc, no total são nove produtos. Não consigo ter uma idéia precisa da visibilidade que eles nos trazem, mas a demanda é bem alta”, aponta Carlos Kazuo Tomomitsu, diretor da Sonda Procwork. A empresa, ainda com a denominação de Procwork, começou a desenvolver produtos específicos para o ambiente da companhia alemã em 1998. 1 8

 A história é parecida com a da Mastersaf, especialista no desenvolvimento de soluções fiscais e tributárias, que iniciou uma parceria com a Oracle em 2001, depois de também trabalhar com a SAP no final da década de 90, por conta dos problemas decorrentes do Bug do Milênio. “À época, eles começaram a investir mais no Oracle Application e também tiveram problemas de integração. Como a legislação muda muito, eles acabaram demandando essa

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complementariedade, fizemos muitos trabalhos com eles desde então”, lembra Cláudio Coli, diretor de operações da Mastersaf.  Porém, mesmo localmente existem oportunidades. Como acontece no acordo de desenvolvimento entre as nacionais Datasul (veja mais no Box: A maior do mercado de ERP) e Mercador NeoGrid. A solução desenvolvida e implementada pela Datasul e MercadorNeoGrid permite a troca de documentos eletronicamente de forma padronizada. Oferece também o controle para gestão e acompanhamento de todas as etapas do processo, além de proporcionar escalabilidade para outros processos, a partir da integração nativa da solução NF-e com o Datasul EMS. “Esta solução de NF-e desenvolvida em parceria com a Neogrid pode ser adotada tanto para clientes da base Datasul, como para empresas que tenham outros ERPs, com segurança e estabilidade”, explica Edimilson Correa, diretor de produtos e tecnologia da Datasul.   Em conjunto A solução automatiza os processos de geração de NF-e, conversão, armazenamento e envio para a Secretaria da Fazenda (Sefaz). “A Mercador-NeoGrid dedicou uma equipe exclusiva para o Projeto de Nota Fiscal Eletrônica e o resultado vem se traduzindo nas implementações no tempo estabelecido”, afirma Wellington Machado, diretor executivo da Mercador-NeoGrid.  Mas se essa parceria teve que agir rápido para responder à demanda e a pressa das corporações mediante os prazos estabelecidos, outras foram mais lentas e graduais. “Começamos a pensar nessa oportunidade em 1997, quando a SAP estava entrando no país. Existia um gap do ERP nos campos fiscais, tributários e de exportação. Eu sabia muito bem disto porque fui um dos responsáveis pela localização do sistema alemão. Quando vim para a Procwork identifiquei as lacunas e demos continuidade a um produto para a área fiscal, escrito em Clipper, para atender a demanda”, afirma Tomomitsu.  A primeira versão começou a ser montada em 1998 e ficou pronta no ano seguinte. O passo seguinte foi desenvolver na própria linguagem do 2 0 0 8


fotoS: divulgação

SAP, para tornar tudo mais limpo. “Criamos outros produtos – comércio exterior, pagamento de comissões de venda, operação de financiamento etc – e começamos a trabalhar sempre na linguagem do SAP. A SAP acabou nos chamando e estreitamos a relação”, admite o executivo da Sonda Procwork. O sistema de comércio exterior é aderente a Argentina e Chile, e agora Colômbia, e tem clientes nestes países. Primeiro na nossa própria base da empresa por conta da atuação do grupo Sonda Procwork.  A entrada no mundo a partir da parceria com a SAP agora ganha novas perspectivas. “O ambiente SAP está mudando por conta do uso de SOA. E como eles permitem que o parceiro desenvolva diretamente nas ferramentas SAP a integração é facilitada. O nosso sistema de comércio exterior agora é uma solução de negócios dentro do SAP, concorrendo até com o módulo deles, que não é aderente ao Brasil. Isso vai propiciar a nossa inclusão na lista de preços deles”, garante Tomomitsu.   Falando todas as línguas Já a história e a evolução do casamento da Mastersaf com os fornecedores globais também tem suas particularidades. Hoje, os sistemas fiscais da companhia aderem a todos os produtos que estão embaixo do guarda-chuva da Oracle, como JD Edwards e Peoplesoft, e mesmo SAP e

fabricantes locais, apesar da grande aderência destes últimos ao nosso mercado quando se pensa no campo fiscal. “No caso da Oracle, estamos ligados ao plano de negócios deles. Temos ações específicas em determinada verticais, desde planejamento até pré-vendas. Como adotamos há cinco anos o modelo de entrega por canais, são parceiros tanto nossos quanto do fornecedor de ERP”, explica Coli, que revela que a própria Oracle é cliente da Mastersaf.  A demanda atual é bem dividida, segundo Coli, com 1/3 do business por meio de esforços internos, 1/3 do canal

e o outro 1/3 vindo do fornecedor de ERP. “Temos uma via de mão-dupla. Em alguns casos os nossos canais começam o trabalho no cliente com nossa solução e depois comercializam o ERP”, admite.  Como as mudanças são constantes, o software tributário é tratado por Coli quase como um antivírus, “trabalhamos com novas releases a cada três meses, em média no Brasil existem duas normas tributárias por hora, isso vai desde o SPED até uma alíquota”. O sistema de NFe da empresa, que se baseou em um modelo chileno, foi lançado em abril e já teve mais de 10 mudanças de layout. “Estamos caminhando para a décimaquarta mudança tributária em 20 anos, o próprio projeto do SPED é um pilar para uma possível mudança tributária. É um primeiro passo para mudanças mais profundas”, alerta.  E qual o futuro deste casamento? Para Coli, o futuro é animador. “Estamos em um processo de internacionalização e devemos estar ainda mais integrados com eles. Já estamos em 27 “países”, porque cada estado brasileiro tem sua legislação. Vamos ampliar a parceria a medida que avançarmos no mundo”, aponta. Já a Sonda Procwork aposta na evolução da possibilidade de trabalhar com SOA em conjunto com a SAP no cliente. “Isto cria uma infinidade de oportunidades para nós”, completa Tomomitsu.

A maior do mercado de ERP

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o final do último mês de julho surgiu a maior empresa de ERP presente no mercado brasileiro. A Totvs, holding que controla a Microsiga, Logocenter, RM Sistemas, Totvs BMI e Totvs Infra, é a nova dona da Datasul. Para concretizar o negócio, a Totvs vai lançar no mercado novas 4,46 milhões de ações – totalizando um valor próximo dos R$ 220 milhões no dia do fechamento do anúncio – e pagar mais R$ 480 milhões. De acordo com pesquisa sobre o mercado brasileiro de informática de 2008, divulgada em maio pela Escola de Administração de Empresas da FGV São Paulo, a nova gigante tem 40% do mercado de ERP, contabilizando a participação da Totvs no mercado brasileiro de ERP de 24% com os 16% da Datasul. Em nota encaminhada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Totvs informou que emitirá um total de 4,46 milhões de ações destinadas aos acionistas da Datasul, que passarão a ter 14,3% do capital social da Totvs. Os acionistas devem receber ainda R$ 480 milhões, a g o s t o

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sendo parte em dividendos da Datasul e o restante do pagamento será feito por meio de ações preferenciais da Makira do Brasil, companhia fechada, atualmente controlada pela Totvs. Por meio de um comunicado, tanto a Totvs quanto a Datasul enfatizam que o acordo beneficiará os acionistas com a “integração das atividades, compartilhamento de melhores práticas, ampliação da gama de produtos e serviços, ganho de sinergias, na potencialização do crescimento das operações”. A Totvs encerrou o ano passado com lucro líquido de R$ 37,2 milhões, cifra 237% superior à obtida em 2006. A geração de caixa medida pelo Ebitda (lucro antes dos juros, imposto de renda, depreciação e amortização) atingiu R$ 96,4 milhões em 2007, um crescimento de 50% em relação ao ano anterior. Já a Datasul encerrou 2007 com lucro líquido de R$ 42,1 milhões, representando uma margem líquida de 18,9%. O Ebitda atingiu R$ 49,6 milhões, o equivalente a 22,3% de margem. |

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“Como a legislação muda muito, eles acabam demandando um complemento” Cláudio Coli, da Mastersaf


>infra-estrutura Jackeline Carvalho e Carolina Chemin

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aprovação popular Certificação digital venceu a barreira legal, mas ainda esbarra na insegurança popular frente a documentos e transações eletrônicas e na falta de aplicativos de larga escala. Governo e órgãos públicos se esforçam para reverter atual condição, mas permanecem restritos ao âmbito fiscal e tributário. Mais uma vez, a reviravolta está nas mãos do setor financeiro, com bancos e seguradoras ditando inovações

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té 2017 todo cidadão brasileiro deverá ter um novo documento de identificação civil baseado em um cartão em policarbonato dotado de um smart card, que armazenará informações da pessoa, incluindo identificação de RG, CPF, Titulo Eleitoral, carteira de motorista, informações judiciais, civis, previdência social entre outras. Trata-se do Registro de Identidade Civil (RIC), cuja proposta é integrar os diversos órgãos do Sistema de Identificação do Brasil. A iniciativa foi discutida durante o Encontro Nacional de Identificação, evento promovido pelo Ministério da Justiça e o Departamento de Polícia Federal, no final do ano passado. O cartão RIC não acabará com demais documentos existentes, mas deverá agregar informações e possibilitar sua utilização nos órgãos públicos. O RIC terá diversos itens de segurança e será impresso com tecnologia a laser para dificultar tentativas de fraudes a partir de adulteração e da ação de produtos químicos. O smart card será responsável por armazenar os dados biométricos e permitir o uso da certificação digital durante a identificação do cidadão na utilização de serviços públicos e privados, incluindo meios eletrônicos e internet. Durante o evento Marcos Elias de Araújo, diretor do Instituto Nacional de Identificação, revelou que em janeiro de 2009, os órgãos públicos darão início à emissão do RIC para 2 milhões de

cidadãos. Ele prevê que em 2010 mais 8 milhões de pessoas já terão o RIC e partir do ano seguinte outras 80 mil pessoas passarão a ser cadastradas diariamente na nova modalidade de identificação. A meta é cadastrar 20 milhões de cidadãos por ano. Advogados da OAB são os primeiros a ter sua identificação profissional baseada em igual tecnologia do RIC. Mais de 150 mil Advogados de todo o Brasil já trocaram de carteira que evita fraude em documentos e pode 2 0

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durar mais de 10 anos. “A OAB escolheu a tecnologia para a nova carteira de identificação de seus advogados associados, porque ela oferece segurança contra fraudes e mais resistência à ação do tempo, além de ser toda gravada a laser no interior de suas camadas”, comenta Márcio Lambert, presidente da GD Burti. O documento também carrega um certificado digital, garantia de identidade no mundo dos documentos e transações eletrônicas. E pode ser,

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Comportamento Hoje, as várias autoridades certificadoras, bem como a multiplicação de tecnologias, dotou o Brasil de um grande potencial para se tornar referência no assunto. O problema é que há ainda um grande entrave para que isso se torne realidade: a cultura dos usuários. “Nós temos a legislação e temos a tecnologia. O que falta agora é a cultura de uso”, opina Alexandre Atheniense, presidente da Comissão de Tecnologia da Informação da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil). Não há referências quantitativas sobre o uso dos certificados digitais no País, mas alguns negócios indicam o ritmo do mercado. Caso da Certising, que espera emitir, em 2008, 1 milhão de certificados, sendo uma parte ainda pouco significativa sob o padrão ICP-Brasil. “No ano passado, devemos ter emitido pouco mais de 300 mil certificados ICPBrasil”, revela Marcio Nunes, diretor de inovação e desenvolvimento de produto da Certising.

fotoS: divulgação

portanto, a gota que faltava para levar a identidade eletrônica à maturidade tão esperada pelos fabricantes. O setor, diga-se de passagem, se estruturou para atender a uma demanda de massa, de pessoas físicas e jurídicas. Conta com o respaldo jurídico no que se refere à legalidade dos documentos eletrônicos assinados com certificação digital, mas ainda se mantém restrito às empresas e órgãos públicos, sendo aplicado em situações como o registro de imóveis, assinatura de procurações, ações judiciais, etc. A indústria que se move para alimentar este segmento, ano-a-ano, registra crescimento, porém em velocidade inferior ao programado. Isso porque, apesar do padrão definido pelo governo brasileiro, o ICPBrasil, coordenado pelo Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (ITI), subordinado à Casa Civil, há outras soluções de certificados digitais sendo oferecidas no mercado. Uma das funções deste modelo é a certificação de websites, por exemplo. Tem sido comum a criação de e-commerce por empresas fantasmas, que funcionam por um curto período e não entregam a mercadoria comprada pelo cliente na internet, e a solução visa barrar estas ações.

Segundo ele, há mais de 50 aplicações utilizando certificados digitais no País, mas a que certamente servirá como alavanca este ano será o eCPF Simples, lançado pelo governo com o apoio do Sebrae. O projeto tem como alvo as micro e pequenas empresas, estimadas em 3,5 milhões de organizações, para as quais o certificado digital será fornecido ao valor de 155 reais, cerca de 50% do custo médio praticado pelo mercado. Outro termômetro, a Safenet – fornecedora de tokens e HSM (Hardware Security Module) para armazenamento de certificados digitais – vendeu nos três primeiros meses de 2008 mais do que o apurado ao longo de todo o ano de 2007. E de janeiro a junho último, vendeu o dobro do volume apurado em 2007. “Os números cresceram

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muito”, comemora Paulo Vianna, gerente de negócios da empresa. Para ele, a certificação digital deixou de ser mito e passou a ser mais simples e acessível, puxada “Nosso objetivo principalmente pela nota fiscal era fazer com eletrônica (Nfe) e mais timidamente pela que os Receita Federal, nas declarações de advogados imposto de renda. “A curva da pessoa começassem a física usando certificado digital para ter familiaridade declarar IR já mostra o potencial de com o tema e crescimento da tecnologia”, diz Vianna, passassem a ao ressaltar que para chegar à fazer uso massificação será preciso envolver os prático da grandes prestadores de serviços. “As certificação operadoras de telecomunicações ainda dentro das não fizeram nada; os órgãos de práticas serviços ao cidadão também não, e profissionais” assim por diante”, observa. A Receita Federal vem cumprindo o Alexandre Atheniense, seu papel, ofertando mais serviços ao da OAB usuário do certificado digital. Os advogados da Procuradoria Geral da República também vão aderir à plataforma para acessar as aplicações do órgão. E o token se destaca como mídia preferida na infra-estrutura do Ministério do Planejamento, Certising, Serasa, Serpro, a Procuradoria Geral da República, o Ministério da Fazenda, todos clientes da Safenet, que também já negocia a venda do hardware para Bancos, para a Prodemge (empresa de processamento de dados de Minas Gerais) e a Imprensa Oficial. Pluralidade Mesmo sem ofertar certificados no padrão ICP-Brasil, a brasileira Secsing cresce em paralelo à expansão da internet e das transações eletrônicas. Aposta na premissa de que o certificado digital não garante o website, e sim a autenticidade e a cripitrografia das informações. “Há muitos websites com brechas e fraudadores por trás das operações”, afirma Ivo Machado, diretor de serviços da empresa. Na sua oferta está uma solução desenvolvida em conjunto com a Control Scan, empresa de combate à fraude na Web, que agrega certificado digital (cripitrografia e autenticidade) e segurança para websites. Para o mercado corporativo, a Secsing oferece sete produtos, que vão desde consultoria de segurança da informação até auditoria. A SecSing fornece certificado digital de diferentes padrões, e aguarda para o próximo ano a liberação do ITI para 2 1

“Um dos principais objetivos para a substituição da carteira veio da intenção de adequá-la aos novos tempos, isto é, à Era Digital” Domingos Sávio Mota, do CRC-SP


>infra-estrutura

“No Banco do Brasil, até o final do ano deveremos ter 40 mil certificados digitais para funcionários acessarem a rede”, Francimara Garcia Teixeira Viotti, do Banco do Brasil e da Febraban

comercializar também o certificado no padrão ICP-Brasil. “Estamos em processo de adequação e auditoria para atuar, a partir de 2009, no padrão ICPBrasil”, conta o executivo. Como clientes principais, Machado aponta grandes empresas e lojas de e-commerce, como a Amcham, o Grupo Telsul e os bancos Português e Panamericano. Neste mês de agosto, a Secsign planejava lançar uma linha de certificados para pequenas empresas e e-commerce também com preços mais agressivos. Grande ajuda A OAB é uma das pioneiras na adoção da certificação nas práticas diárias da profissão. Segundo Alexandre Atheniense, a entidade estuda o tema desde 1999, e em outubro de 2002 criou uma autoridade certificadora, a ICP OAB. “Nosso objetivo era fazer com que os advogados começassem a ter familiaridade com o tema e passassem a fazer uso prático da certificação dentro das práticas profissionais”, relembra. No entanto, o projeto teve como primeiro entrave um problema muito comum no mundo da certificação digital: a padronização. À época, a expectativa era de que todos os tribunais do País fizessem uso do certificado, de modo a validar a identificação da OAB. “No entanto, poucos tribunais aderiram a idéia. Tivemos apenas dois casos: o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e o Tribunal de Justiça de Rondônia. Muitos outros acharam que seria prudente que os certificados tivessem os requisitos da ICP Brasil”, afirma o presidente. Assim, após muitas discussões, a diretoria da entidade optou pela filiação à InfraEstrutura de Chaves Públicas Brasileiras. Atualmente a AC OAB, nome dado para a autoridade afiliada da entidade, está nas fases finais de lançamento. Atheniense conta que estruturalmente a Ordem já deu entrada no ITI para obter seu credenciamento. “Junto com nosso parceiro de tecnologia, a Certisign, montamos toda a estrutura. Agora estamos em período avançado de auditoria para podermos ser certificados pelo próprio ITI. O credenciamento dos pontos de distribuição dos certificados digitais no Brasil inteiro está sendo finalizado. Temos a grande missão de credenciar 650 mil advogados em todo o País”, diz. Sua expectativa é de que no máximo em meados de outubro

esses pontos de distribuição estejam funcionando. Em relação à carteira profissional da OAB, sua nova versão já vem com um chip justamente para armazenar o certificado. Até agora, as mais de 100 mil novas identidades distribuídas pela entidade são virgens, mas quando os pontos de atendimento forem tornados públicos, os interessados poderão comparecer com seus cartões para receber os dois certificados: da AC e da ICP OAB. “Independente da posição tomada pelos tribunais, nossos profissionais terão os dois certificados”. Outra entidade de classe que se encontra bem avançada na adoção da certificação digital é o CRC SP (Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo). Em março de 2006 foi concebido, pelo Conselho Federal de Contabilidade, o projeto da nova carteira da entidade, com o propósito de aprimorar o atendimento aos profissionais de contabilidade de todo o Brasil. “Um dos principais objetivos para a substituição da carteira veio da intenção de adequá-la aos novos tempos, isto é, à Era Digital, capacitando permanentemente os profissionais para enfrentar os desafios dos constantes avanços tecnológicos implantados pelo Governo Eletrônico, por exemplo, o Sistema Publico de Escrituração Digital - SPED, que envolve o Livro Diário Digital, Nota Fiscal Eletrônica e os Livros Fiscais Eletrônicos Estaduais e em breve os Municipais”, comenta Domingos Sávio Mota, gerente de Tecnologia da Informação do CRC SP. 2 2

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Criada pela Resolução CFC n.º 893 e alterada pela Resolução CFC n.º 1.093, a nova carteira foi implementada pelo CFC em outubro de 2007. A entidade mantém parceria com a autoridade certificadora Fenacon e juntas oferecem a Certificação Digital gratuita pelo período de um ano, para quem solicitar a nova carteira até outubro de 2008. O novo modelo, por ter dados pessoais como nome completo, filiação, nacionalidade, naturalidade, data de nascimento, fotografia, impressão digital, assinatura do contabilista e itens profissionais como natureza do título de habilitação, número de registro no Conselho Regional, pode substituir legalmente a Carteira de Identidade (RG) em todo território nacional, com a vantagem de demonstrar o exercício da atividade profissional regular às autoridades fiscalizadoras. Documento futurista A carteira possui um chip de 32 kb, que possibilita autenticar digitalmente documentos e acessar de forma rápida e segura processos eletrônicos de órgãos públicos, em todos os níveis. Nesse leque de serviços estão os recursos eletrônicos na delegacia da Receita Federal; petições eletrônicas dos peritos judiciais nas varas do Trabalho e TRT (Tribunal Regional do Trabalho) e registros eletrônicos dos Livros Mercantis nas Juntas Comerciais. Além da obtenção de certidões e cópias de DARFs recolhidos, declarações entregues como DIPJ, IRPF e DCTF, é possível também agendar eletronicamente o atendimento em órgãos públicos. Futuramente, estão previstas a assinatura de balanços e a Homolognet (sistema virtual que realiza o cálculo da rescisão do contrato de trabalho e elabora o Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho do empregado). “Com a inserção da Certificação Digital, o profissional, como procurador de seus clientes, terá imediatamente uma gama de possibilidades e benefícios”, atesta Mota. Sendo o Conselho Federal de Contabilidade uma Autarquia Federal, está sujeito à Lei Federal Nº 8666/93, que estabelece a modalidade de Licitações para a contratação de serviços. Com isso a escolha do

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fornecedor foi através de licitação, onde o vencedor foi a empresa GD Burti. Até o momento, em todo o Brasil, foram solicitadas 40.685 carteiras (10.193 só no Estado de São Paulo) e produzidas 30.094. “A expectativa é que até 2009 tenhamos 100 mil carteiras emitidas, e a quantidade de 200 mil até o final de 2010”, calcula o gerente.

o banco do brasil deveter até o final do ano 40 mil certificados digitais para funcionários acessarem a rede corporativa

Cartórios Como não poderia deixar de ser, os cartórios também lançaram uma iniciativa no território da certificação digital. O CRSEC é um projeto cooperado dos registradores brasileiros que incorpora as últimas tecnologias disponíveis no mercado e permite aos registradores levarem seus serviços para o mundo virtual. Estas possibilidades envolvem a constituição de uma Autoridade Certificadora Brasileira de Registro - ACBR, o credenciamento das Autoridades de Registro ARISP, IRIB, CDT e ARPEN, a operação do portal Ofício Eletrônico para uso do Poder Público, a Central de Certidões Digitais, a Penhora On-Line e outras soluções. “Trata-se de uma central de registro de serviços eletrônicos compartilhados. É um portal na Internet onde uma pessoa comum consegue ter acesso a diversos serviços prestados em um cartório comum, só que de forma eletrônica”, explica Carlos Eduardo Duarte Fleury, diretor executivo do IRIB (Instituto de Registro Imobiliário do Brasil). Entre os serviços oferecidos estão a assinatura de contratos, o registro de imóveis, a confecção de escrituras eletrônicas e muitos outros. “O portal é uma iniciativa dos Cartórios de Registro de Imóveis, de Registro Civil das Pessoas Naturais e Jurídicas e de Registro de Títulos e Documentos. Ou seja, tudo o que envolve registro o portal

presta o serviço ao cidadão sem intermediário ou despachante”, explica o executivo. Para ter acesso aos serviços, é preciso solicitar pelo próprio site um certificado digital, que no caso é emitido através da ACBR – Autoridade Certificadora Brasileira de Serviços. São oferecidos dois modelos: um através de smart card, que exige a aquisição de uma leitora, e outro em um token. A validade é de três anos. Além de diretor do IRIB, Fleury é também vicepresidente da Bry Tecnologia, empresa responsável pelo grande diferencial da certificação oferecida pelo CRSEC: o Carimbo de Tempo. “Há documentos em que é preciso constar a data da assinatura. Num documento eletrônico, como você sabe a data da assinatura? Para isso é necessário um atributo chamado carimbo de tempo, que é desenvolvido pela Bry, que possui sua patente mundial”, diz o diretor. Fleury explica que, enquanto na maioria dos certificados o carimbo é cobrado à parte, no caso do CRSEC ele fica dentro do próprio certificado digital. “O sistema é sincronizado com o relógio atômico do Observatório Nacional. Na hora em que um documento eletrônico é assinado, ele busca a hora e registra no contrato essa informação. Não há como fraudar”. 2 4

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Setor financeiro O setor financeiro hoje é sem dúvidas a principal mola propulsora da certificação digital. Sempre em busca de soluções para melhorar a segurança dos clientes e de seus recursos, os bancos investem somas impressionantes neste tipo de solução. Francimara Garcia Teixeira Viotti, gerente executiva da diretoria gestão de segurança do Banco do Brasil e coordenadora da Comissão de Certificação Digital da Febraban, conta que os principais projetos dentro dos bancos atualmente dizem respeito a processos internos de eliminação de documentos em papel. “No Banco do Brasil, até o final do ano deveremos ter 40 mil certificados digitais para funcionários acessarem a rede corporativa. Só no processo de câmbio, por exemplo, uma parte significativa dos contratos é digital. Já estamos com nível de digitalização próximo de 50%”, afirma a executiva. Já o Bradesco começou sua experiência com certificação em 1998, com o lançamento do Net Empresa, um serviço que permitia que os empresários acessassem o banco de casa e fizessem todos os tipos de transações que precisassem. “A partir de 2004 já tínhamos esse serviço legitimado por um certificado privado que construímos. Foi um ato de pioneirismo”, lembra Laércio Albino Cezar, vice-presidente executivo do Bradesco. Hoje o banco já tem 513 mil empresas que usam o Net Empresa. Através da Serasa, a instituição já constituiu uma Autoridade Registradora, modelo que existe desde 2005. “Nós podemos fazer o credenciamento e registro, tanto para nosso consumo interno quanto para uso dos clientes”. Por exemplo, o banco atualmente possui sete mil clientes ativos que operam câmbio. Destes, 20% já fazem uso do certificado digital. “No primeiro semestre do ano foram fechados 21.300 contratos deste tipo, em uma base de 260 mil. Apesar disso ser apenas 8% do total, é um avanço, considerando que o certificado tem algumas dificuldades de pegar no mercado”, considera.

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Ao todo, o Bradesco já tem 4.350 certificados emitidos, dos quais 2.960 foram para clientes e 1.400 para funcionários. No caso dos últimos, são usados principalmente para assinar e-mails, acessar a Receita Federal, em cartas de fiança, títulos para protesto, empréstimos consignados, contratos de prestação de serviço com fornecedores do banco e no relacionamento da área jurídica com o Poder Judiciário. Obstáculos e esperanças Racionalmente, a certificação digital acumula uma grande lista de vantagens. As principais delas, sem dúvida, dizem respeito à redução de custos, tempo e burocracia, além do aumento da segurança. No entanto, a adoção do sistema no Brasil segue aquém do esperado. Para Alexandre Atheniense, da OAB (que investiu cerca de 3 milhões de reais em seu projeto de certificação digital), a adesão ao uso dos certificados digitais será muito rápida e contínua, principalmente após a entrada em vigor, no ano passado, da Lei 11.419, que é a lei do processo eletrônico. “Através dessa lei várias práticas processuais serão realizadas com o uso da certificação digital, como o recebimento de intimações, o acesso ao Diário da Justiça eletrônico e o envio de pecas”, projeta. Isso, crê o especialista, causará uma reação em cadeia interessante, pelo fato dos advogados serem formadores de opinião. Mesmo assim, ainda há temores dos profissionais a serem superados. “Hoje, quando é proposta a celebração de um contrato pelo meio eletrônico, o primeiro a resistir é o próprio advogado. Isso acontece porque ele ainda não conhece o sistema direito e não tem confiança. Nosso papel é mudar essa cultura”, afirma Atheniense. Para vencer isso, a OAB está realizando uma série de eventos, cursos e palestras pelo Brasil inteiro. Além disso, está sendo criado um hotsite explicativo, que somará esforços com o

blog www.dnt.adv.br e com o próprio site da OAB. Fleury, do IRIB, concorda com a tese da falta de conhecimento. “O País como um todo não chega a ter dois milhões de pessoas com certificado digital. Ainda falta muita coisa. O problema é que os brasileiros não sabem da existência das novidades, mas a cada dia que passa as Autoridades Certificadoras trabalham para essa divulgação”, diz. “O governo quer a inclusão digital, e está criando maneiras de induzir as pessoas a usarem a tecnologia”. Na opinião de Laércio Albino Cezar, do Bradesco, o problema é que o processo de certificação digital ainda é burocrático e caro. “Para fazer uso do sistema, as pessoas precisam ser credenciadas e certificadas. Trata-se de um ritual ao qual muitos ainda têm grande resistência”. Além disso, o

executivo cita o fato de um certificado não custar menos do que R$ 400 reais na partida e ainda necessitar de atualizações, que também são pagas. “Não é um instrumento exatamente prático, requer certo conhecimento e interatividade com sistemas eletrônicos. Assim vemos um futuro importante, mas com calma”. Ao contrário do colega, Francimara Viotti, do Banco do Brasil, é bem mais otimista. Para ela, o uso da certificação digital é uma coisa que será imposta pelos clientes. “Percebemos que cada vez mais clientes querem usar a certificação. Quem usa não abre mão. Nós temos um caso de um cliente que chegou para abrir uma conta no banco com todos os documentos digitalizados e certificados por um cartório de Pernambuco”, exemplifica.

Aliança

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roblemas como a vulnerabilidade de e-mails ou alterações de informações ao longo da transmissão da mensagem, uniram a IBM e a Comprova.com, portal especializado em transações eletrônicas, para apostar e investir na oferta de sistemas de certificação digital, elevando a eficácia comprobatória das mensagens de e-mails, documentos, contratos e transações eletrônicas. O mercado financeiro e de seguradoras serão os segmentos foco desta parceria. O acordo entre as empresas está diretamente ligado à estratégia da IBM em se dedicar à oferta de Software as Service (SaaS). A facilidade de compra é um dos diferenciais. “O usuário paga por e-mail. Basta entrar no website e comprar um crédito para 10, 50 ou 100 e-mails. E há também a possibilidade de billing mesmo para a pessoa física”, conta David Dias, gerente de alianças estratégicas da IBM para a América Latina. A certificação oferece uma série de elementos que aumentam o poder de comprovação e de segurança como, por exemplo, ferramentas que garantem o recebimento da mensagem e de seu conteúdo. Para confirmar a hora do envio do e-mail e utilizar este dado como protocolo de sua entrega, a Comprova.com utiliza o recurso do Carimbo do Tempo – selo eletrônico emitido pelo Observatório Nacional (órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia) que indica o horário oficial do País. Outro serviço oferecido é o de assinatura de contratos via internet, sem a necessidade da presença física. A assinatura digital está regulada oficialmente no Brasil pela MP 2.200/02 que criou a ICP-Brasil (Infra-Estrutura de Chaves Públicas do Brasil), e confere aos documentos assinados digitalmente o mesmo valor jurídico dos documentos em papel assinados de próprio punho. “Passamos a ocupar o lugar de uma testemunha nas transações eletrônicas, somos aquela terceira pessoa que confirma a operação”, ressalta Marcos Nader, diretor-presidente da Comprova. O usuário se beneficia com a diminuição do custo operacional dos envios via correio, por exemplo, já que o pagamento do serviço é diretamente ligado ao seu uso. A Comprova.com ainda promove a sustentabilidade, eliminando o uso do papel em um processo 100% eletrônico.

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“Passamos a ocupar o lugar de uma testemunha nas transações eletrônicas, somos aquela terceira pessoa que confirma a operação”, Marcos Nader, da Comprova.com


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O dinheiro

bate à porta

O programa Prime (Programa Primeira Empresa Inovadora), do Ministério da Ciência e Tecnologia, promete investir 1,3 bilhão de reais em 5 mil empresas de pequeno e médio porte até 2011

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novação tem custo? No caso do programa Prime (Programa Primeira Empresa Inovadora), do Ministério da Ciência e Tecnologia, a questão ganha um sonoro sim. Algo que se traduz no investimento de 1,3 bilhão de reais nos próximos quatro anos em empresas de um a 24 meses de vida com perfil de base tecnológica. Fazendo a divisão, o valor total do financiamento será da ordem de 240 mil reais por empresa.  Esses recursos serão liberados em dois anos, sendo que a primeira parcela, de 120 mil reais, virá do Programa de Subvenção Econômica à Inovação. Essa parte do recurso é não reembolsável. Já a outra fatia, que vai utilizar dinheiro do Programa Juro Zero, prevê a devolução do 2 6

empréstimo em 100 vezes sem juros. Os primeiros 120 mil reais serão repassados em forma de subvenção econômica e, por isso, são livres de taxação e podem ser empregados na contratação de técnicos, administradores e consultores.  “Sabemos que, pela experiência em projetos inovadores da Finep, são empresas na tenra e crítica idade de vida. Normalmente, seus gestores precisam focar no projeto e na questão da sobrevivência. Com a verba do Prime eles poderão ganhar fôlego para fazer a roda girar. O Prime será o primeiro alento. E teremos outros fundos agregados e instrumentos de terceiros que podem surgir, talvez até de venture capitals que podem se interessar pelas T I   I n s i d e

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empresas mais promissoras”, garante Gina Paladino, superintendente da área de Pequenas Empresas Inovadoras da Finep. O papel da agência Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) é primordial ao ter desenhado e planejado o programa, estabelecendo seus critérios de seleção e destinação, acompanhamento, validação etc.  Para descentralizar o projeto e garantir uma maior capilaridade ao processo de escolha das 5 mil empresas previstas, a Finep firmou acordo com 18 incubadoras-âncoras (atreladas a outras 90 incubadoras) selecionadas em todo o País para operar o Prime. Essas incubadoras estão, em sua grande maioria, intrinsecamente ligadas a cidades com 2 0 0 8


perfil universitário ou parques tecnológicos. “O importante é que os critérios de análise e definição serão transparentes. Porém, o Prime pode ser aglutinador de novos parques ou clusters de empresas, assim como poderá ter um papel de alavancagem de outras instituições e entidades que precisam e querem aportar recursos em empreendimentos nascentes como entidades privadas, de fomento, estados, cidades ou mesmo bancos”, projeta Gina.  As incubadoras serão responsáveis pela seleção dos empreendimentos e pelo repasse da verba (veja mais no Box: Quero ser incubadora). No primeiro edital, a Finep disponibiliza 216 milhões reais e patrocinará pelo menos outras três rodadas de editais até 2010 (com execução até 2011). “É o maior programa dos 41 anos de história da Finep”, observa Eduardo Costa, diretor de Inovação da agência, com grande entusiasmo. Antes de aderir ao programa, os novos empreendedores passam obrigatoriamente por um curso de imersão em negócios, uma forma de filtrar se eles realmente estão aptos a receber os investimentos.   Muito mais que TI É importante frisar que o Prime não é exclusivo para a área de TIC,

mas, claro, como a própria Finep aponta será um dos ou o setor mais importante pela alta demanda prevista de projetos de novas empresas. “O DNA de inovação está no coração das empresas de TIC”, admite Gina, que apressa em reafirmar que o fomento do Prime é para inovação, independente do setor envolvido.  Mesmo com esse porém, o setor de software está otimista com a criação do Prime. “Acho um programa bastante interessante, e ele visa atender quem estava sub-atendido,

termo que pode ser muito subjetivo. Acho que veremos muitos projetos com uma relação forte com o mundo do software, o investimento não é tão alto e 120 mil reais cabe bem. Tenho certeza que TIC será uma prioridade no Prime e software terá uma grande participação do bolo”, garante Forman. Para ele, o medo da burocracia que pode atrasar o repasse de recursos existe, mas a Finep está fazendo o dever de casa para que a liberação e a regularidade sejam mais aceleradas ao descentralizar o processo.

Finep firmou acordo com 18 incubadorasâncoras (atreladas a outras 90 incubadoras) selecionadas em todo o País para operar o Prime que são as empresas novas. Temos mantido contatos constantes com a Finep e queremos auxiliar ao máximo no processo. A Softex possui um histórico de empreendedorismo que não pode ser esquecido”, argumenta John Lemos Forman, diretor de capacitação e inovação da Softex (Programa Nacional de Software para Exportação).  Ele defende a escolha das incubadoras como agentes de disseminação do projeto. “Elas (as incubadoras) trazem uma bagagem importante, até porque inovação é um

 “É importante também que ninguém se iluda com a taxa de sucesso desses novos empreendimentos. De acordo com pesquisas internacionais, de cada 10 projetos apenas um ou dois, ou seja, algo como 10% ou 20%, dá certo em dois anos. Então a razão de 20% será boa para o Prime e com 30% podemos comemorar e muito”, calcula. No entanto, mesmo entre aquelas que não vão ter sobrevivido, os outros 80%, ficará a experiência para se agregar melhor ao mercado de inovação. (C.F.)

Quero ser incubadora

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empreendimentos assim como oferecer o ambiente necessário para o seu crescimento, disponibilizando às micro e pequenas empresas serviços especializados, orientação e consultoria, espaço físico planejado, infra-estrutura técnica, administrativa, operacional, além de uma série de outros benefícios. Para a executiva, as incubadoras eram os agentes mais próximos de organização que se pretendia trabalhar com o DNA do Prime. “Elas vão nos ajudar a captar de forma descentralizada. Não basta para a empresa que será escolhida o business plan e a idéia, é preciso que ela estabeleça um contato com as incubadoras. Mas é um primeiro momento, na segunda rodada de investimentos queremos avançar ainda mais”, aponta Gina.  Ela acredita fortemente na clusterização de especializações regionais e locais. “Algumas âncoras já falam até mesmo em criação de áreas físicas para as empresas do Prime e é importante dizer que a atuação das incubadoras não têm limites espaciais definidos, assim como uma empresa pode sair de sua cidade e ir para outra. A âncora de Campina Grande (PB), por exemplo, possui afiliadas em outros dois estados e pode captar em outros locais fora do seu estado ou região”, garante.

ara a primeira fase do Prime, as 18 incubadoras-âncora assinaram um protocolo de intenções, em junho último, no qual assumiram o compromisso de atuar como agentes financeiros da Finep. Elas foram selecionadas segundo critérios de credibilidade e capacidade comprovadas de atuação no apoio a empreendimentos inovadores nascentes. Na próxima etapa, ainda em agosto, elas devem apresentar um plano detalhado de trabalho. “Elas têm até o dia 12 de agosto para montar esse plano. No mesmo dia, a rede de incubadoras se reúne para que troquemos experiências e montemos as melhores práticas para o Prime. Precisamos trabalhar este aprendizado, talvez criando um projeto de gestão de conhecimento e redes. Estamos falando de 120 mil reais que podem fazer uma diferença vital para muitas empresas”, garante Gina Paladino, superintendente da área de Pequenas Empresas Inovadoras do Finep. Na outra ponta, serão feitos estudos de desempenho sobre o desenvolvimento das empresas participantes como forma de controle e divulgação de resultados posteriores para a sociedade.  As incubadoras servem para apoiar os novos a g o s t o

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Claudio Ferreira

Sob a síndrome da Telefônica

Um tema importante para as corporações, a contingência, ganhou novo alento e foi objeto de discussão e de novos investimentos a partir do problema vivido pela operadora, mas será que isso é passageiro ou podemos, graças ao susto, entrar em um novo momento de mercado?

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existia da contingência? “Acho que sim. Não diretamente, mas de forma subliminar. O interesse pelo tema aumentou e ninguém quer passar por um problema semelhante. Os gestores estão nos questionando mais. Essa mudança ainda não se refletiu no business diretamente, porque o ciclo de vendas é muito maior do que o pouco tempo ocorrido, porém existe uma tendência de migração para conexões redundantes”, garante Marcelo Barcellos, CEO da Arcon. O foco da companhia, com sede no Rio de Janeiro, está no atendimento à demanda de serviços gerenciados a fotos: divulgação

velha máxima brasileira do uso do cadeado depois da casa arrombada sempre foi uma frase cunhada quando se falava em contingência, principalmente quando se sai do campo do high-end. No entanto, esse lugarcomum não tem mais espaço quando a concorrência local e mesmo global força as empresas a não deixarem margem a problemas, principalmente em negócios dependentes de conexões de comunicação. Neste caso, o problema vivido pela Telefônica, que prejudicou seus usuários por mais de 36 horas no estado de São Paulo, com a falta de conexão à internet, pode ser o empurrão que faltava. Para Valéria Godoy, diretora de vendas, canais e marketing da Sion, “Muitos clientes cujo foco é a oferta de serviços para passaram garantia de continuidade de negócios a solicitar e operações, o problema da Telefônica contingência. Teve assustou o mercado. “Pegou a todos o emergencial, no de surpresa, muita agência bancária período que a no centro de São Paulo não conseguiu Telefônica saiu do abrir. Todo mundo ficou especulando o ar, para resolver o que teria acontecido e acho que problema pontual, pegou o mercado de calças curtas mas também mesmo. O problema é que o brasileiro notamos um não tem memória. O tráfego de avanço no tema internet é alto hoje, e vai causar nos últimos problemas quando uma operadora sair meses e anos” do ar. Vamos ver a reação nos Luiz Sávio, próximos meses”, completa. Mas será que o problema da da Global Crossing Telefônica pode alterar a visão que

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partir de dois centros de operações que também atuam como sites de contingência localizados no Rio de Janeiro e em São Paulo. Já a Global Crossing sentiu um aumento da demanda. “Observamos que muitos clientes passaram a solicitar contingência. Teve o emergencial, no período que a Telefônica saiu do ar, para resolver o problema pontual, mas também notamos um avanço no tema nos últimos meses e anos. Empresas que sofrem com pressões normativas como a Sarbanes-Oxley ou negociam ações na Bolsa nos procuram com mais freqüência”, aponta Luiz Sávio, diretor de data center da Global Crossing. A empresa trabalha não apenas com a infra-estrutura como também atua como consultoria em projetos a partir de equipes compostas por especialistas certificados para montar projetos.   Os clientes Empresas com perfil high-end e de regulamentação rigorosa não têm como fugir da prática da contingência, ou seja, bancos e companhias do setor financeiro já estão totalmente prontos. O problema, dizem alguns especialistas, é que não temos desastres naturais – apesar do terremoto recente observado no estado de São Paulo – que empurrem de forma mais direta 2 0 0 8


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“Quanto maior o tráfego na internet, mais suscetíveis estarão as empresas que não pensarem em contingência daqui para frente”,

as empresas, independente do setor de atuação, para projetos de contingência. Porém já existe uma demanda mais atomizada. “Além do setor financeiro, vemos um movimento interessante em empresas de logística, rastreadoras de carro por satélite, hotéis, muitas empresas de serviço, call centers, administradoras de planos de saúde, laboratórios e hospitais”, aponta Valéria, da Sion.

E o preço? Extrapolando do campo das grandes corporações, para Barcellos, da Arcon, a mentalidade mudou mesmo nas médias Valéria Godoy, corporações, resultado da maior da Sion aderência deste mercado aos serviços de terceirização e de data center. “Mesmo assim, quando descemos na pirâmide a situação começa a ficar complicada. Manter contingência é algo caro, mesmo existindo a compreensão de que é mais caro quando a empresa se defronta com um problema”, argumenta. O custo é o calcanhar de Aquiles de um plano de contingência. O investimento no desenho e na implementação é alto, e depois existe uma curva descendente na manutenção (veja todos os passos no Quadro PCN degrau por degrau). Porém, a pergunta que o mercado faz é: quanto custa para a sua empresa ficar uma hora ou um dia fora do ar? O “susto” na hora de ver a conta com o projeto, claro, depende do próprio envolvimento dos gestores com a questão. Pior, as empresas acham que vão gastar dinheiro com algo que vai ficar parado, mesmo que essa visão

seja errada. “Muitas vezes é possível utilizar a infra-estrutura de contingência no dia-a-dia, até como um fator de balanceamento de carga. Não é necessário manter a estrutura desativada, de stand-by. Temos um cliente, uma empresa de tecnologia que trabalha para o Governo, que espelhou totalmente o site conosco. Ele variava a operação dentro do nosso data center com a operação em casa, às vezes era 50% lá e 50% cá. É claro que o custo é bem alto, porém como ele teria que arcar com multas altas se o serviço saísse do ar, valia a pena”, admite Yuri Menck, gerente de marketing estratégico e comunicações da Global Crossing. Multas Em um projeto de contingência, os contratos também envolvem multas por SLA. O cálculo é feito com o site fora do ar, assim como a justificativa de um projeto leva em

Plano na prática

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a Arcon, grande parte do faturamento é fruto do investimento em instalações redundantes em São Paulo e no Rio de Janeiro, o que traz segurança para o cliente mitigar os seus riscos. “Usamos o que praticamos. Sabemos que é muito caro manter uma contingência no nível de 100%, mas procuramos trabalhar dentro de níveis aceitáveis. Entregamos para os clientes o aumento da disponibilidade de TI deles”, comenta Barcellos. A perspectiva de mercado, com ou sem o caso Telefônica, é otimista. “Nossa preocupação é ser mais ativo agora, até para atender a demanda. Estamos criando modelos para todos os níveis de contingência, desde redes a linhas, chegando a servidores etc. Temos uma equipe de consultoria que vai além do mero plano e faz uma analise que vai até o negócio do cliente”, garante Luiz, da Global Crossing. 3 0

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consideração o prejuízo calculado. “O custo de consultoria não é tão grave assim, a implementação é sempre mais cara que o projeto da infraestrutura original. Na redundância, a empresa precisa contratar um link mais caro já em máquinas é algo igual. E é interessante que a empresa priorize o que realmente deve ser protegido”, ensina Luiz Sálvio, da Global Crossing. Com uma estrutura de consultores internos, com equipes de pré-venda e projetistas que buscam atender a todos os perfis de empresas, a Global Crossing quer mudar a mentalidade mesmo nas grandes empresas. “As corporações de maior porte têm uma preocupação de estudar os seus pontos de risco e de falhas. Normalmente quando abordamos esse tema, elas esperam uma contingência que seja a mais perfeita possível. Porém os projetos ficam limitados aos ambientes de missão crítica. A tarefa é delimitar quais são esses ambientes. Os consultores avaliam então as alternativas tecnológicas para determinada operação”, aponta Luiz.  Modalidades e práticas A demanda na prática de contingência tem duas pontas, projetos full que envolvem o provedor em todas as fases do projeto ou planos de revisão. “Temos muitos projetos no campo da revisão. Utilizar um olhar de fora da companhia ou do provedor utilizado mostra detalhes que poderiam passar despercebidos. E a nossa experiência é importante para identificar o que pode não funcionar bem. Até porque conhecemos os segmentos, quando é algo novo, uma área que ainda não temos massa crítica, procuramos nos cercar de informações”, adianta Valéria, da Sion. O core da Sion, como explica a executiva, é fazer contingência. “Fazemos a análise, consultoria, desenho, implementação e até mesmo a contingência física, fomos constituídos para isto (final de 2005 e início de 2006). E estamos em locais distantes do cliente, como em São Paulo, na qual estamos no bairro de Água Branca. Temos planos simples até outros mais sofisticados que envolvem helicópteros para transportar executivos”, enumera. 2 0 0 8


Integridade preservada Lexmark contrata serviço para não perder imagem

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rovedora de soluções em imagem e impressão, a Lexmark adotou em agosto de 2006 um Plano de Continuidade de Negócios (PCN) desenvolvido pela Sion People Center. Para a empresa, o investimento teve como objetivo preservar a integridade dos sistemas de tecnologia da empresa e também a integridade do acesso de seus colaboradores e funcionários. “É importante que as empresas encarem o Plano de Continuidade como um investimento. Eu o comparo ao seguro de um carro: mesmo que as pessoas prefiram nunca precisar acioná-lo, é imprescindível possuir um”, justifica Ricardo Rodrigues, diretor de Recursos Humanos da Lexmark International do Brasil.  Localizada na Vila Olímpia, a empresa esteve em alerta durante o blecaute de 4 de Março – quando uma falha em subestação de energia afetou 24 bairros de São Paulo e alguns municípios metropolitanos. “Caso a energia elétrica não fosse restabelecida no prazo de duas horas, estávamos preparados para acionar contingência a qualquer momento”, explica Rodrigues.  O passo seguinte, conforme detalha o executivo, seria repassar o alerta aos líderes de cada área da empresa, previamente designados no PCN e responsáveis por operações críticas para que eles se dirigissem

pessoas-chave responsáveis por operações críticas na empresa para um espaço alternativo. Assim como os funcionários, também são transportados os dados necessários para a continuidade dos trabalhos.  Também chamado de sala de contingência, o espaço alternativo conta com o que existe de mais moderno em infra-estrutura tecnológica, acesso físico, disponibilidade de energia elétrica e climatização. Cada uma das posições de atendimento no Sion People Center dispõe de microcomputadores, sistemas de segurança e de telefonia de última geração, reproduzindo integralmente as condições de trabalho de uma empresa.  O acesso aos dados é feito de maneira remota, através de um link dedicado. Dessa forma, os colaboradores têm a disponibilidade das mesmas informações que utilizariam na sua própria estação de trabalho. Periodicamente, as próprias

para o site da Sion, no qual existem 10 posições de atendimento reservadas. “A retomada das operações, confirmada em testes prévios, acontece em até três horas”, estima Rodrigues.  Uma das atividades críticas é a desenvolvida pela área de Administração de Vendas. “Esta área é responsável por todo o fluxo comercial interno, desde o registro de pedidos, análise de preço, até a emissão de notas fiscais, portanto consideramos crucial a continuidade dessas operações”, ressalta.

espaço alternativo conta com o que existe de mais moderno em infra-estrutura tecnológica, acesso físico, disponibilidade de energia elétrica e climatização

Em outra casa Quando um evento não-programado ocorre – emergências como blecaute energético, enchentes, falta d’água, incêndios, greves ou mesmo o fato de uma operadora sair do ar – impedindo que funcionários e colaboradores permaneçam no espaço da companhia, existe a possibilidade de deslocar

empresas que contratam essa modalidade realizam testes-surpresa, com o objetivo de treinar seus funcionários designados para se deslocar no caso de eventos nãoprogramados. Dessa forma, fica comprovada a eficiência da manobra de emergência e o curto tempo de retomada das operações.

PCN degrau por degrau A premissa de um plano de contingência tem um passo-a-passo bem específico, veja: n Análise do ambiente n Levantamento dos processos, sua criticidade e aderência ao business n Desenho do plano n Definição das etapas de implementação n Implementação n Testes n Plano de manutenção do plano

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>internet

Claudio Ferreira

Web na tábua da lei O Senado Federal aprovou o projeto de lei substitutivo do Senador Azeredo que descreve a punição de crimes na web, porém a redação também tipifica atividades normais como algo passível de pena, o que gerou uma saraivada de críticas. Veja o que pode afetar as empresas e seus funcionários

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dúvidas básicas de quem não conhece seu funcionamento. O ministro Joaquim Barbosa, do Supremo Tribunal Federal, em um recente debate promovido no Tribunal Superior Eleitoral foi taxativo: “neste Brasil imenso de tantos fotos: divulgação

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e acordo com o substitutivo do Senador Azeredo (PSDB-MG) – elaborado a partir de três projetos de lei que em conjunto: “Criminalizar PLC 89/03, PLStramitavam 76/00 e PLS 137/00 – certas práticas da uma pessoa que baixou legalmente, e internet é até pagando, uma música na web pode interessante, incorrer em um crime. Essa definição se porém a forma deve a criticada redação do projeto como a lei está concebido pelo Senador. Os advogados escrita e como ligados ao direito digital apontam os alguns dispositivos fatos positivos e criticam aquilo que foram inseridos está confuso em meio a uma avalanche causam dúvidas e de outras críticas da comunidade de acabam criando internautas em blogs e sites em geral. outros problemas.  Para muitos dos analistas e O pior é que a especialistas em web, os erros são implementação da fruto direto da pouca discussão do lei também será projeto de lei com a sociedade como complicada”, um todo e mesmo dentro da Dirceu Santa Rosa, comunidade da grande rede. Pior, pode da Veirano trazer mais confusão sobre uma área (a Advogados internet) muito nova e que ainda suscita

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contrastes não será nenhuma surpresa se tivermos juízes que nem saibam o que é a internet”. O substitutivo, que ainda precisa passar por outras etapas no Congresso, também gerou críticas agressivas de que a celeridade com que ele tramitou e foi votado no Senado, apenas 20 dias, algo fora dos padrões das casas legislativas, seria suspeito (veja as principais proposições no quadro ao lado). “O Projeto de Lei do Senador Azeredo serve aos interesses da indústria de intermediação, ao estar mais preocupado em proibir a troca de arquivos do quem com pedofilia, por exemplo”, vociferou Sérgio Amadeu, doutor e mestre em Ciência Política pela USP, sociólogo e pesquisador da área de comunicação e tecnologia, membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (2003-2005) e presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação (2003-2005). Um ardoroso 2 0 0 8


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>internet

Walter Sabini Junior, da Virid: estabelecimento de uma lei que pune os crimes virtuais ajudará, mas não resolverá o problema

defensor do software-livre, do compartilhamento de informações na rede e, agora, líder de uma campanha contra o projeto do Senador.  Mais comedida, Patrícia Peck, advogada especializada em direito digital no Brasil e gestora do escritório que leva seu nome, acha que mesmo com os erros de redação a proposição da lei pode ser encarada como um avanço, apesar de suas limitações. “Acho que não se pode falar em 8 ou 80, legislar nesse tema é muito complicado. Quando se faz a redação é preciso ter muito cuidado. Está lá que enviar e-mail falso é crime, mas acabamos caindo em alguns dilemas como o da intenção. Um computador capturado por um programa de phishing e que vai disparar spams vai gerar problemas para o dono da máquina? E se a pessoa que está fazendo esse crime digital for um menor?”, questiona.   A favor e contra A opinião equilibrada também é compartilhada por seus colegas. “A minha visão é que a intenção é boa, mas a redação prejudica. Criminalizar certas práticas da internet é

interessante, porém a forma como a lei está escrita e como alguns dispositivos foram inseridos causam dúvidas e acabam criando outros problemas. O pior é que a implementação da lei também será complicada”, aponta Dirceu Santa Rosa, sócio da Veirano Advogados. Walter Sabini Junior, CEO da Virid Interatividade Digital, ressalta que o texto foi aprovado em um momento oportuno, justamente quando ocorre

um aumento significativo do acesso à internet pela população brasileira (40 milhões de usuários -  Dados do Ibope/NetRatings - 10 de julho de 2008). “Quem ganha muito com isso, além dos usuários de mais longo tempo, são os novos internautas, que já vem inseridos em um contexto web onde há uma lei. Eles estarão mais protegidos. Acredito que o estabelecimento de uma lei que pune os crimes virtuais ajudará, mas não resolverá o problema”, diz.  Ao se voltar para o campo penal, estabelecendo uma série de penas pelos delitos, o projeto de lei enfatiza apenas a questão dos crimes. “Se a ênfase fosse civil, existiria uma capacidade de maior interpretação a partir do direito existente. No entanto, é natural priorizar o criminal, tentando cobrir as lacunas que não estão previstas. O crime de furto, por exemplo, é comum em dados, porém o juiz, até então, achava que o furto tinha que ser de algo palpável. E agora os juizes já entendem o que os dados representam”, compara Patrícia.  A FGV, por exemplo, tem levantado a bandeira de que se deveria priorizar o campo civil. Ou seja, a

Sugestões ao substitutivo A Comissão da OAB/SP sobre Direito na Sociedade da Informação, grupo do qual participa a advogada Patrícia Peck, consolidou um conjunto de recomendações de mudanças e ajustes ao Projeto de Lei Substitutivo, visando um melhor nível de adequação técnico-jurídico.   Sugestões de Melhoria:   1 Nas penas – valer princípio da proporcionalidade: que sejam de detenção, sendo somente de reclusão quando o crime for causado por agentes públicos e crime organizado. 2 Na redação do artigo 285-A e 285-B que se relacionam com o artigo 2º do substitutivo, devem ser inseridos parágrafos primeiro e segundo com aumento de pena. 3 Que pena contida no artigo 154-A seja modificada para de um a três anos sob detenção. 4 Que no artigo 163 sejam modificados os verbos no parágrafo único para consolidar os seguintes verbos: “apagar, alterar, suprimir”. 5 Que o artigo 163-A seja modificado para constar no lugar de “código malicioso” as expressões “comando, instrução ou programa de computador”. 6 Que seja sanada a impropriedade contida no art. 171, parágrafo 3º, inciso VII. Modificação do inciso VII para figurar como parágrafo 3º e o parágrafo 3º para ficar como 4º, extraindo o inciso VII do artigo. Assim a redação deve ser modificada para: 3 4

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“Parágrafo 3º. Equipara-se ao estelionato quem difunde comando, instrução ou programa de computador com intuito de facilitar ou permitir a obtenção de vantagem ilícita”. 7O  art. 20 do substitutivo que é tratado pelo art. 241 traz uma imprecisão quanto ao verbo “receptar”. Esse verbo será modificado para em seu lugar fazer constar a expressão “receber com o intuito de armazenar”. 8 inclusão da definição de “dados de conexão” (IP, data, hora, referência GMT). 9 N o art. 22, alteração da redação para inclusão de “provedor de serviços”, de modo a englobar o provedor de conteúdo, hospedagem ou e-mail. O responsável pelo provimento de acesso e de serviços à Internet; deve ser obrigado a: I manter em ambiente controlado e de segurança, pelo prazo de três anos os dados de conexão (I.P., data, hora e referência GMT) do usuário responsável pelo acesso à rede de computadores, garantindo-lhes sua integridade, confidencialidade e inviolabilidade; II preservar os dados de que cuida o inciso I deste artigo por prazo indeterminado após notificação da autoridade competente ou da parte envolvida em uma das condutas tipificadas por esta lei, garantindo sua integridade, confidencialidade e inviolabilidade, a fim de prover investigação ou medida judicial; respondendo civilmente pela omissão, negligência, imprudência ou imperícia no trato de tais informações; sem prejuízo de eventual responsabilização criminal por tais atos. Devendo ser suprimido o inciso III deste artigo, e mantidos os seus parágrafos 1º e 2º. a g o s t o

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>internet responsabilização do ato ilícito seria na camada civil, por meio de indenização, multas etc. “Se existe um ato criminoso, é possível adaptar à lei penal, entretanto em algumas modalidades de cibercrime como direito autoral é possível levar para o “Está na lei que direito civil e não criminal. O problema enviar e-mail é que todos nós sabemos que não é falso é crime, todo o judiciário que possui informação lidar com os temas da web. E do mas acabamos para jeito que está na redação da lei, um caindo em alguns usuário pode ter sua ficha “suja” por dilemas como o uma bobagem”, alerta Santa Rosa. da intenção. Um  Patrícia revela que seu escritório computador participou de uma discussão do capturado por um projeto de lei em um grupo da OAB-SP programa de (veja o que foi proposto no Box: phishing e que vai Sugestões ao substitutivo) e que é disparar spams preciso mexer nele no lugar de vai gerar engavetar mais uma vez um projeto problemas para o voltado para regular a internet. “Se dono da esperamos tanto tempo por quê não máquina? E se a esperar um pouco mais até que o pessoa que está projeto de lei atinja uma maior fazendo esse maturidade jurídica? Escrever por crime digital for escrever não dá, e não ter lei nenhuma um menor?” também não é possível”, argumenta.   Patrícia Peck, advogada especializada em direito digital

A responsabilidade A razão para a redação ter ficado confusa pode ter sido um reflexo da lei ser um apanhado dos três projetos de lei que tramitavam em conjunto – o PLC 89/03, o PLS 76/00 e o PLS 137/00. “Ficou meio colcha de retalhos mesmo, é um Frankenstein meio torto. Ainda existe muita coisa para ser mexida”, garante o advogado da Veirano.

 Um dos setores mais afetados pela lei, do jeito que ela está redigida, é o dos provedores. A lei joga muita responsabilidade no colo deles, afinal os provedores precisam dispor das informações de navegação do usuário. “Os xiitas interpretam isso como uma violação e um ato de censura. Existem muitas dúvidas quanto aos procedimentos, até porque nossas autoridades não estão preparadas para a lei”, aponta Santa Rosa.  Neste caso, a interpretação do que está escrito como provedor de acesso também cria problemas para as corporações de qualquer nicho de mercado, afinal elas são “provedoras” dos seus funcionários. Basta prover acesso a rede que a empresa será responsabilizada e, pior, será necessário um investimento adicional em armazenamento de dados para manter as informações do histórico de acesso. Para se prevenir, as empresas podem forçar mudanças no contrato de trabalho para retirar a responsabilidade das suas costas e jogar tudo na “conta” do usuário-funcionário.  As empresas precisam estar

Crimes por tabela O Projeto de Lei Substitutivo criou uma série de novos tipos penais, alterando dispositivos do Código Penal e Código Penal Militar. Veja abaixo os novos crimes previstos e outras alterações relevantes: CRIME

ARTIGO ARTIGO CRIADO/ PLS ALTERADO

PENA

Acesso não autorizado a rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado.

Art. 2º

Art. 285-A, Código Penal

Reclusão de 1 a 3 anos e multa. Aumentada de 1/6 se o agente se vale de nome ou identidade de terceiros na prática delituosa.

Obtenção, transferência ou fornecimento não autorizado de dado ou informação.

Art. 2º

Art. 285-B, Código Penal

Reclusão de 1 a 3 anos e multa. Aumentada de 1/3 se o dado obtido é passado a terceiro.

Divulgação ou utilização indevida de informações e dados pessoais.

Art. 3º

Art. 154-A, Código Penal

Detenção de 1 a 2 anos e multa. Aumentada de 1/6 se o agente se vale de nome ou identidade de terceiros na prática delituosa.

Dano.

Art. 4º

Art. 163, Código Penal Detenção de 1 mês a 3 anos e multa.

Inserção ou difusão de código malicioso.

Art. 5º

Art. 163-A, Código Penal

Reclusão de 1 a 3 anos e multa.

Inserção ou difusão de código malicioso seguido de dano.

Art. 5º

Art. 163-A, §1º e §2º, Código Penal

Reclusão de 2 a 4 anos e multa. Aumentada de 1/6 se o agente se vale de nome ou identidade de terceiros na prática delituosa.

Estelionato Eletrônico.

Art. 6º

Art. 171, §2º, Código Penal

Reclusão de 1 a 5 anos e multa. Aumentada de 1/6 se o agente se vale de nome ou identidade de terceiros na prática delituosa.

Atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública.

Art. 7º

Art. 265, Código Penal Reclusão de 1 a 5 anos e multa.

Interrupção ou perturbação de serviço telegráfico, telefônico, Art. 7º informático, telemático, dispositivo de comunicação, rede de computadores ou sistema informatizado.

Art. 266

Detenção de 1 a 3 anos e multa.

Falsificação de dado eletrônico ou documento público.

Art. 8º

Art. 297

Reclusão de 2 a 6 anos e multa.

Falsificação de dado eletrônico ou documento particular.

Art. 9º

Art. 298

Reclusão de 1 a 5 anos e multa.

Preconceito

Art. 19

Art. 20, §3º, II, Lei 7.716/89

Reclusão de 1 a 5 anos e multa.

Pedofilia

Art. 20

Art. 241, Lei 8.069/90

Reclusão de 2 a 6 anos e multa.

*Fonte Patricia Peck Pinheiro Advogados – Dr. Raphael Loschiavo e Dra. Gisele Truzzi

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>internet preparadas, assim como as equipes que trabalham com segurança da informação e resposta a incidentes, como enfatiza Patrícia. “É preciso conscientizar as equipes para evitar que mesmo um inocente vire um criminoso ao disseminar e-mail falso que tenha vírus (conforme prevê o projeto de lei). Assim como para que os mesmos protejam melhor suas senhas, já que o login do usuário e senha são evidências de autoria”, aponta a advogada. Os dois lados de Budapeste Outra crítica freqüente é que o Senador Azeredo teria se “inspirado” na Convenção de Budapeste e forçado indiretamente o Brasil a “entrar no clube”, clube do qual apenas 43 países são signatários e destes 21 deles a ratificaram. Amadeu aponta que essa conexão já mostra o quão nociva é a proposição. “A Convenção sobre o Cibercrime, realizada em Budapeste, Hungria, a 23 de novembro de 2001, nasceu sob o clima do pós-11-desetembro. É fruto do medo e da reação desequilibrada comandada pela dupla Bush-Blair. Resulta dos mesmos cálculos que levaram os Estados Unidos a invadir o Iraque”, alerta o ex-presidente do Instituto Nacional de Tecnologia da Informação. Santa Rosa, do Veirano, também não vê a Convenção como o paradigma ideal para se legislar sobre o cibercrime. “Ela (A Convenção) não foi ratificada por todo mundo e não é um tratado que cria vantagens de mercado”, aponta. Posição totalmente contrária a de Patrícia, que a vê como uma base que pode ser interessante. “É importante trilhar esse caminho, e daí para mais. Como uma base pode ser um bom início”, acredita. Ela, no entanto, é crítica em relação à rapidez dos trâmites do projeto. “Existem interesses sim, temos eleição este ano e é quase impossível que ao legislar não exista um grupo interessado. Porém, as versões anteriores não foram aprovadas porque a sociedade não tinha maturidade suficiente. Se for, e será necessário, devem ser feitos outros substitutivos. Acho que há muito que se acrescentar e modificar, mas o que precisamos é ter algo”, admite. E ela termina com uma certeza: “já que a sociedade é digital, estamos muito atrasados com relação à necessidade de se garantir segurança jurídica das relações cada vez mais virtuais”, conclui. 3 8

OUTRAS ALTERAÇÕES E INOVAÇÕES ARTIGO PLS

MODIFICAÇÃO

ARTIGO CRIADO/ ALTERADO

Bens Protegidos Art. 17

Art. 18

Na forma do inciso I do § 1o do art. 144 da Constituição, quando houver repercussão interestadual ou internacional que exija repressão uniforme, poderá o Departamento de Polícia Federal do Ministério da Justiça, sem prejuízo da responsabilidade dos órgãos de segurança pública arrolados no art. 144 da Constituição Federal, em especial das Polícias Militares e Civis dos Estados, proceder à investigação, dentre outras, das seguintes infrações penais: (...) V – os delitos praticados contra ou mediante rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado.

Art. 21

Art. 1º, Lei 10.446/02

Responsabilidade dos Provedores O responsável pelo provimento de acesso a rede de computadores é obrigado a: I – manter em ambiente controlado e de segurança, pelo prazo de três anos, com o objetivo de provimento de investigação pública formalizada, os dados de endereçamento eletrônico da origem, hora, data e a referência GMT da conexão efetuada por meio de rede de computadores e por esta gerados, e fornecê-los exclusivamente à autoridade investigatória mediante prévia requisição judicial; II – preservar imediatamente, após requisição judicial, no curso de investigação, os dados de que cuida o inciso I deste artigo e outras informações requisitadas por aquela investigação, respondendo civil e penalmente pela sua absoluta confidencialidade e inviolabilidade; III – informar, de maneira sigilosa, à autoridade competente, denúncia da qual tenha tomado conhecimento e que contenha indícios da prática de crime sujeito a acionamento penal público incondicionado, cuja perpetração haja ocorrido no âmbito da rede de computadores sob sua responsabilidade. § 1º Os dados de que cuida o inciso I deste artigo, as condições de segurança de sua guarda, a auditoria à qual serão submetidos e a autoridade competente responsável pela auditoria, serão definidos nos termos de regulamento. § 2º O responsável citado no caput deste artigo, independentemente do ressarcimento por perdas e danos ao lesado, estará sujeito ao pagamento de multa variável de R$ 2.000,00 (dois mil reais) a R$ 100.000,00 (cem mil reais) a cada requisição, aplicada em dobro em caso de reincidência, que será imposta pela autoridade judicial desatendida, considerando-se a natureza, a gravidade e o prejuízo resultante da infração, assegurada a oportunidade de ampla defesa e contraditório. § 3º Os recursos financeiros resultantes do recolhimento das multas estabelecidas neste artigo serão destinados ao Fundo Nacional de Segurança Pública, de que trata a Lei nº 10.201, de 14 de fevereiro de 2001.

Art. 22

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Para efeitos penais consideram-se também como bens protegidos o dado, o dispositivo de comunicação, a rede de computadores, o sistema informatizado. Capacitação Técnica Os órgãos da polícia judiciária estruturarão, nos termos de regulamento, setores e equipes especializadas no combate à ação delituosa em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado. Repressão Uniforme

*Fonte Patricia Peck Pinheiro Advogados – Dr. Raphael Loschiavo e Dra. Gisele Truzzi

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Revista TI Inside - 38 - Agosto de 2008