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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 22_#241_set2013

O DESAFIO DO INTERIOR Faltando pouco mais de um ano para o início do desligamento da TV analógica, emissoras lutam para fazer o digital chegar às cidades menos populosas.

POLÍTICA Tramitação do Marco Civil evidencia embate entre teles, TV e empresas de Internet

PUBLICIDADE Gigantes online já faturam como grupos tradicionais no mercado de mídia


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MTV Brasil em canal aberto sai do ar no dia 30 de setembro. Como foi amplamente noticiado, a marca foi retomada pela Viacom, de quem a Abril licenciava o nome, e uma nova MTV estreia dia 1º de outubro apenas como canal pago, gerida pela programadora internacional. No lugar dela, a Abril colocará no ar uma série de programas requentados de seu antigo canal Ideal, com conteúdos voltados ao mundo dos negócios e carreiras, que foi descontinuado por falta de distribuição, e clipes de notícias gerados para o serviço de mídia out-of-home Elemidia. Sim, são aquelas telas quase estáticas que se veem nos elevadores dos edifícios comerciais. Como se sabe, isso nada mais é que uma forma da Abril manter o canal ativo até que seja vendido ou alugado. O TELA VIVA News apurou que a Abril contratou o grupo JP Morgan para tentar vender a outorga. Fez isso depois de não conseguir os R$ 550 milhões que julgava valer a TV. Recebeu, segundo fontes de mercado, uma única proposta, de cerca de R$ 350 milhões, do grupo do pastor RR Soares. A Abril não gostaria de ver sua emissora vendida para uma igreja evangélica. Acontece que o próprio JP Morgan teria concluído que o grupo dificilmente conseguiria compradores "laicos" dispostos a pagar mais de R$ 220 milhões. A rede da MTV está presente em mais de 40 cidades brasileiras, inclusive nas principais capitais. Não se sabe se as afiliadas continuarão a transmitir o sinal, mas é provável que o façam por enquanto. Se continuarem, a TV Abril manterá o status de rede nacional, sendo portanto de carregamento obrigatório tanto por redes de cabo quanto pelas operadoras de DTH, algo que poderia perder caso venda a TV para uma igreja. Na raiz da questão está a forma como são vistas e tratadas as concessões de radiodifusão no país. A rigor, um canal é concedido para que um grupo privado explore aquele serviço, oferecendo conteúdos que atendam aos princípios constitucionais, com entretenimento, jornalismo, serviços etc. A cessação do serviço deveria implicar, portanto, na revogação daquele direito. Não é o que se vê. A Abril, como também o fazem outros grupos, trata a concessão como sua propriedade, algo que pode ser vendido ou arrendado sem que se prestem maiores satisfações à sociedade, a quem, afinal, pertencem as frequências radioelétricas. Isso, claro, sob o olhar silencioso do Ministério das Comunicações. Esta postura é nociva sobretudo à própria radiodifusão. Basta ver o que aconteceu com as rádios AM e agora até com as FM, mesmo em uma cidade como São Paulo. Grande parte do dial é hoje ocupada por pregação religiosa. Será que interessa a alguém que o mesmo se passe com a TV aberta? Não seria uma forma de afastar mais ainda o público, que é cada vez mais atraído para outras plataformas, como a TV por assinatura e o vídeo on-demand? Seria mais sensato, republicano e democrático que o Minicom retomasse estas concessões e fizesse uma nova licitação, repassando-as a grupos interessados em prestar um bom serviço, ou ao menos que cobrasse a Abril por uma programação de qualidade, e não um tapa-buraco.

ilustração de capa: seri

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(índice ) 14

TV digital

Radiodifusão enfrenta burocracia e falta de recursos para avançar com sinal digital para o interior

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Scanner

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Figuras

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Convergência

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IBC debate o espaço dos grupos tradicionais e dos entrantes no novo cenário da mídia

Evento

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Ainda há muitas dúvidas sobre o switch-off analógico. Assunto dominou o Congresso da SET

Política

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Serviços oferecidos pelas redes de banda larga podem começar a sofrer restrições

Publicidade

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Os gigantes da Internet começam a alterar as relações de forças no mercado de mídia

Internet

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Marcas apostam em comerciais para estreia exclusiva ou em primeira mão na web 28

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Making of

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Case

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Moonshot Pictures e GNT desenvolveram reality show de culinária para amadores

Upgrade

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Agenda

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Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

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( xxxxxxxxx) Parceria

Passado

Fotos: divulgação

O canal PlayTV e produtora Medialand fecharam um contrato para o desenvolvimento de um pacote de programas para o canal. Já estão definidas para estreia em outubro deste ano atrações como “Os C&D”, em que o tema é uma família de ficção vivendo um reality show; “Eu Odeio Meu Chefe”, sobre conflitos no trabalho, e “Casting”, que mostra para o telespectador como foram escolhidos os elencos das duas séries citadas anteriormente. Para 2014 já está programada a exibição de um game e novas produções começam a ser formatadas.

Foto: Luca Melo

A série do Multishow “Meu Passado Me Condena”, protagonizada por Fábio Porchat e Miá Mello, deu origem ao longa-metragem “Meu Passado Me Condena – O Filme”. A diretora e a roteirista do programa de televisão, Júlia Rezende e Tati Bernardi, trabalham juntas na produção para o cinema, que foi quase inteiramente rodada em um navio, o transatlântico italiano Costa Favolosa. Em março deste ano, o navio partiu do Rio de Janeiro em direção à Europa. Em três semanas, a equipe filmou em Salvador, na Bahia, no Marrocos e na Itália. A trama mostra a lua de mel de Miá e Fábio, que se casaram um mês após se conhecerem. Na viagem, ela encontra um antigo ex-namorado. O filme, que estreia no dia 25 de outubro em circuito nacional, tem produção de Mariza Leão e é coproduzido pela Atitude Produções, Paris Filmes, Riofilme, Globo Filmes, Telecine e Multishow.

Série do Multishow ganha versão para cinema filmada em um transatlântico italiano.

“Casting”, é uma das atrações da Medialand que estará no PlayTV.

Em pé

Bola compartilhada

A Band estreou novos episódios do game show “Quem Fica em Pé?”. A novidade da atração, comandada por José Luiz Datena, é o projeto de segunda tela desenvolvido pela emissora. Os espectadores podem baixar o aplicativo do programa gratuitamente em seus tablets e smartphones de qualquer sistema operacional e jogar simultaneamente à exibição do jogo na televisão, pois as perguntas são sincronizadas ao programa. “Quem Fica em Pé?” é um formato distribuído pela NBCUniversal, produzido em países como Estados Unidos, Israel e Espanha. Na disputa, um participante enfrenta dez oponentes e quem é eliminado cai direto em um buraco para fora do jogo. O concorrente precisa correr contra o tempo, vencendo as perguntas de conhecimentos gerais e todos os adversários, sem exceção. Quem permanece em pé até o final, leva pra casa os sonhados R$ 100 mil como prêmio.

A Globosat sublicenciou os direitos dos jogos da Copa do Mundo 2014 para o canal Fox Sports. Com a negociação, todos os canais de esporte da TV por assinatura farão a transmissão das partidas, já que ESPN e Bandsports também compraram os direitos. Segundo Pedro Garcia, diretor dos canais SporTV, foram negociados também os direitos da Copa do Brasil, da Copa do Mundo 2018 e dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro de 2016. Segundo o executivo, as conversas com a Fox sobre troca de direitos começaram no ano passado, quando o canal esportivo da programadora chegou ao País. O FoxSports detém os direitos da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana e também os sublicencia para o SporTV.

O game show “Quem Fica em Pé?” reestreou com proposta de segunda tela na Band.

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Posicionamento parte puxado pela demanda por proA produtora Cinevídeo mudou gramação nacional na TV paga. há cerca de três meses sua marca A Cine Group começou suas ativipara Cine Group, marcando uma dades em Brasília, e tem hoje sedes mudança de posicionamento e uma também em São Paulo e no Rio. Conta presença mais forte na produção de ainda com uma empresa em conteúdo, inclusive de ficção. Moçambique, onde produz para A empresa, no mercado há 17 empresas e governos locais e do contianos, montou um núcleo para isso, e nente africano, bem como para contratou Luis Antonio Silveira, exempresas brasileiras na África. Abriu -Conspiração, como diretor executieste ano sua segunda filial africana, vo, e o inglês Gideon Boulting, exno Malawi. Em setembro, a produtora Terra Vermelha, como diretor criatiGideon Boulting, Luciana Pires, Fátima Pereira, lança a série “African Presidents”, já vo. A Cine Group está contratando Carolina Guidotti, Luis Antonio Silveira e Mônica Monteiro, fechada com Discovery para TV paga talentos, montando equipe de roteida equipe da Cine Group. na América Latina e com a Band para ristas e o primeiro projeto já está em TV aberta no Brasil. São 15 episódios de uma hora, cada um andamento e sendo negociado com um canal. “Ficção é o pulo abordando um país africano. Em cada programa, o jornalista e do gato”, conta a CEO do grupo, Mônica Monteiro. “Planejamos ex-ministro Franklin Martins mostra a realidade do país e faz produzir três séries ao ano”, conta. A ideia é trabalhar com uma entrevista exclusiva com o presidente local. produções mais elaboradas, de valor mais elevado. Uma das curiosidades é que o programa conseguiu A empresa produz atualmente 14 atrações da TV por assientrevistar o ex-presidente egípcio Mohamed Morsi natura, e espera chegar a 21 programas. Entre suas produpoucos dias antes do golpe que o derrubou, em julho deste ções atuais estão “Chegadas e Partidas” e “Boas Vindas”, no ano. A distribuição internacional será feita pela distribuiGNT, e ”O Infiltrado”, no History. Deve apresentar este ano dora Cote Ouest. um crescimento de 18% a 20%, segundo Mônica, em boa


TV social O Sappos, aplicativo gratuito de TV social desenvolvido pela startup homônima, ganhou uma versão para Android. O aplicativo permite que o usuário faça check in (sappeie) no que está assistindo e compartilhe a informação em suas redes sociais, crie uma agenda com a programação de canais pagos e abertos que pretende assistir ao longo da semana e interaja com outros usuários sobre determinada programação. Há também parcerias com e-commerce para que os usuários encontrem os looks dos personagens da televisão, por exemplo, e possibilidade de oferta de conteúdos inéditos dos canais, como erros de gravação e conteúdos que ficam de fora da edição. A startup foi fundada em 2013 por ex-executivos do Groupon. Thiago Navarro

Fotos: divulgação

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Aplicativo desenvolvido pela start up Sappos reúne ferramentas de TV social com e-commerce.

Amorim, um dos cofundadores, conta que a ideia de criar um aplicativo de rede social veio da observação de duas paixões dos brasileiros: a televisão e o uso da Internet, especialmente o gosto pelas redes sociais. O hábito do brasileiro de assistir TV acompanhado de uma segunda tela, somado à crescente base de smartphones no País, atraiu investidores para o projeto. O cofundador Raphael Lejeune explica que as receitas da startup virão das parcerias firmadas para o e-commerce, dos dados qualitativos fornecidos aos canais sobre os usuários que interagem com a sua programação, e espaço para conteúdo extra. Há também um guia de trailers e há espaço para publicidade e outras ações de distribuidoras.

Assombrações mundo afora

Story Entertainment cuidará da distribuição e licenciamentos internacionais de “Historietas Assombradas”, da Glaz.

A série de animação “Historietas Assombradas (Para Crianças Mal-Criadas)”, da Glaz Entretenimento, será distribuída internacionalmente pela 9 Story Entertainment, que também cuidará de projetos de licenciamento fora do Brasil. A série é voltada para crianças entre 4 e 11 anos. A série tem a primeira temporada completa e a segunda temporada em produção. No total são 40 episódios de 11 minutos. “Historietas Assombradas” foi um dos destaques de audiência do Cartoon Network este ano e também teve exibição na TV Cultura e na TV Brasil.

VOD feminino

De volta, por enquanto Case”, “Siga o Mestre”, “Empresa Ideal”, “Você High Tec”, “Formigas e Gafanhotos” e “SOS Carreiras”. O canal será aberto nas cidades em que a Abril tem outorgas de radiodifusão, onde será também levado pelas operadoras de cabo, e terá carregamento obrigatório nas operadoras de DTH, pois a Abril ainda se qualifica no critério de rede nacional, para as quais o must-carry no satélite é obrigatório. Sabe-se que a intenção da Abril é vender o canal e suas instalações, mas a TV Abril manterá a emissora em funcionamento até que surja um comprador.

A Abril informou às operadoras de TV paga como será o canal que ocupará as transmissões da atual MTV Brasil a partir do dia 30 de setembro. O canal, batizado de TV Abril, terá como foco programas na área empresarial e gestão de negócios, em linha com uma iniciativa do grupo em 2007, o canal Ideal TV, que não conseguiu distribuição e fechou. Muitos programas de acervo serão aproveitados, mas não se sabe se haverá material original. A grade inicial terá boletins informativos e programas de variedade como o “Day Off”, “Chefe na Cozinha”, “Trajetória”, “Só Elas Sabem”, “Virou 8

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A Sony Pictures Television lançou no último dia 18 a plataforma de vídeo on-demand (VOD) over the top Kalixta, com programação para o público feminino, incluindo filmes e séries de televisão de Hollywood. O modelo de negócios é baseado em publicidade, sendo que a plataforma, assim como o Crackle, primeiro serviço do tipo lançado pelo grupo de mídia, é totalmente gratuita, com conteúdos legendados ou dublados. Entre os destaques do mês estão “P.S. Eu Te Amo” e “Legalmente Loira 1 e 2”.


Atração produzida pela Mixer foi ao ar na TV Brasil em 2011 e estreou em setembro na TV por assinatura.

Duas vezes Brilhante

Copa

O Nickelodeon estreou em setembro a série “Brilhante F.C.”, produzida pela Mixer. A atração, protagonizada por Rita, uma garota apaixonada por futebol que monta um time com suas amigas em uma cidade do interior de Minas Gerais, tem 13 episódios de 30 minutos. “Brilhante F.C.” foi exibida na TV Brasil em 2011, e foi uma das vencedoras de um edital organizado pelo Ministério da Cultura para receber projetos de dramaturgia voltados para jovens das classes C, D e E para exibição na TV pública, o FicTV.

A Globo fechou o pacote de patrocínios para a Copa do Mundo de 2014. As cotas foram comercializadas para Ambev, Coca-Cola, Itaú, Johnson & Jonson, Hyundai, Magazine Luiza, Nestlé e Oi. As oito empresas terão suas marcas associadas à cobertura da competição a partir do início de dezembro, quando haverá o sorteio das chaves do Mundial. As marcas também aparecerão em todas as transmissões dos jogos, chamadas e flashes da cobertura da Copa. Também foram fechadas as seis cotas de patrocínio para o Futebol 2014. Ambev, Coca Cola, Itaú, Johnson & Johnson, Vivo e Volkswagen terão exclusividade nas 85 partidas ao longo do ano dos mais importantes torneios nacionais e internacionais: principais campeonatos estaduais, Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, Taça Libertadores da América e Copa Sul Americana. Os patrocinadores dos dois pacotes ficarão em evidência em mais de 98,6% dos municípios brasileiros, com visibilidade publicitária nas transmissões de jogos, chamadas, flashes, intervalos comerciais dos programas que compõem o seu esquema comercial, além da vantagem de ter total exclusividade na sua categoria de produto.

Música para todos A Viacom anunciou os acordos de distribuição já fechados para a nova MTV, agora gerenciada pelo grupo norte-americano, e que entra no ar dia 1º de outubro. O canal estará presente nos line-ups da Sky, Net, Claro TV, associadas da NeoTV, SimTV e Viacabo. A programadora diz que novos acordos de distribuição serão anunciados em breve. Segundo a Viacom, o canal estreia com mais de 350 horas de produções locais e conteúdo da programação internacional da MTV, com exibição em português pela primeira vez. Entre os programas exibidos estarão “Snooki & JWoww”, “Pranked”, “Catfish” e a premiação musical internacional “MTV EMA”. A Viacom ainda está avaliando o

acervo da MTV Brasil, que pertence à Abril, para decidir o que deve ser adquirido. O vice-presidente de conteúdo e programação e brand manager da MTV, Tiago Worcman, diz que será mantido o programa “MTV Sports”, que, segundo o executivo, está adequado à proposta do novo canal. Em relação ao VMB, principal evento do canal do ponto de vista de receitas publicitárias, Worcman diz que “no momento, estamos avaliando outros formatos dos VMBs para 2014. Mas o que podemos adiantar é que a MTV também vai produzir no Brasil grandes eventos que a marca já faz mundo afora, como o ‘World Stage’”.

Internet e TV A Ericsson divulgou os resultados da mais recente pesquisa do Ericsson ConsumerLab, um relatório anual sobre as tendências na área de televisão. O estudo apontou que mais de metade dos entrevistados considera seus computadores e a conexão à Internet parte fundamental dos seus hábitos de consumo de TV e vídeos. A pesquisa mostra ainda que 72% dos entrevistados têm o hábito de utilizar seus dispositivos móveis para assistir a vídeos pelo menos uma vez por semana e pelo menos 42% o fazem fora de casa. 75% das pessoas vêem televisão e usam os dispositivos móveis ao mesmo tempo. Outra tendência, classificada pelos pesquisadores da Ericsson como “place-shifted viewing”, é o hábito de assistir a um mesmo conteúdo em diferentes lugares e horários. 41% dos entrevistados com idade entre 65 T e l a

72%

assistem vídeos em dispositivos móveis pelo menos uma vez por semana

75%

vêem televisão e usam dispositivos móveis ao mesmo tempo

36%

afirmam que eventos esportivos ao vivo é uma parte importante do hábito relativo à televisão Fonte: Ericsson

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e 69 anos fizeram streaming de conteúdo on-demand ou o consumiram em mais de um device mais de uma vez por semana. O crescimento do consumo de vídeos sob demanda é bastante significativo na faixa etária dos 55 a 59 anos, com aumento de 18% no consumo mais de uma vez por semana desde 2011. No entanto, a TV linear ainda desempenha um papel importante na vida dos entrevistados. 36% afirmam que assistir a eventos esportivos ao vivo é uma parte bastante importante de seus hábitos relativos à televisão. A pesquisa foi conduzida no Brasil, Canadá, Chile, China, França, Alemanha, Itália, México, Coréia do Sul, Espanha, Suécia, Taiwan, Reino Unido e Estados Unidos. Foram feitas 30 entrevistas em casa nas principais cidades e 15 mil entrevistas online. •

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( figuras) Criativo

A Discovery Networks anunciou Mônica Pimentel como a nova vice-presidente de conteúdo no Brasil. A executiva estará baseada em São Paulo e se reportará diretamente a Carolina Lightcap, chefe de conteúdo da Discovery Networks Latin America/USH, e a Fernando Medin, vice-presidente sênior e diretor- Mônica Pimentel -geral da Discovery Networks no Brasil. Com mais de 20 anos de experiência no mercado brasileiro de televisão, Mônica vem da Rede TV! e será responsável por todas as áreas relativas ao conteúdo da rede no País, incluindo programação, marketing, comunicação, pacote gráfico e on-air. Ela também dará direcionamento estratégico e conduzirá iniciativas de conteúdo da empresa.

Marcelo Pires chega à equipe da WMcCann Rio como diretor de criação, para trabalhar ao lado do também diretor de criação Fabio Meneghini. Redator de origem, Pires, cuja carreira foi construída principalmente na W/ Brasil de 1988 a 2001, atendendo a clientes como Grendene, Bombril, Marcelo Pires Plano 100, Embratel, Unibanco, Arno e Piraquê, tem passagens pelas agências Paim e Competence. Paralelamente, desenvolveu projetos como a publicação de livros infantis, roteiros para TV e, em 2011, o lançamento de sua empresa de branded entertainment, a Ideia da Silva.

Cris Moreira

Cris Moreira assumiu o cargo de diretor comercial da Rede TV!. O executivo está no mercado há 19 anos, tendo trabalhado em outras empresas de mídia como Grupo Abril e Bandeirantes. A área comercial da RedeTV! está sob gestão de Claudio Santos, vice-presidente comercial.

Promoções Fabio Fernandes, presidente da F/Nazca Saatchi & Saatchi, anunciou a promoção de três criativos em seu escritório em São Paulo. O redator Pedro Prado e o diretor de arte Rodrigo Castellari juntam-se ao time de diretores de criação. Com a mudança, Eduardo Lima passa a responder pelo posto de diretor geral de criação, ao lado de Fabio Fernandes. Edu Lima, que é presidente do Clube de Criação de São Paulo, está na F/Nazca desde a sua fundação, há 19 anos. Pedro e Castellari têm mais de sete anos de casa.

Sócios A Volcano Hotmind anunciou Enzo Barone e Paulo Blassioli como seus novos sócios. Com larga experiência na área de produção, Barone Giancarlo Barone, Luiz Evandro, Bali assume a função Terçarolli, Enzo Barone e Paulo Blassioli de produtor executivo para alavancar a área de produção de filmes de 30 minutos e longas. Blassioli, há três anos na função de gerente de projetos especiais e que acumulou recentemente a função de diretor de cena, passa agora a ser também sócio na produtora. Ambos unem-se aos sócios Giancarlo Barone e Luiz Evandro. 10

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Nova diretoria Gustavo Paulus assumiu o cargo de diretor executivo da Record Minas, com objetivo de dar continuidade à gestão de Fabiano Freitas. O executivo terá como foco aumentar o share da emissora no cenário nacional e elevar os índices de audiência. Paulus foi presidente do Grupo Record do Rio Grande do Sul e tem passagens pela Rádio Riviera, TV Cabrália e TV Vale do Itajaí.

JWT

FOTOs: regis fernandez/divulgação

FOTO: wayne camargo/rede tv!

Rede TV!

FOTOs: divulgação

Conteúdo

A equipe de mídia da JWT, liderada pela diretora geral Aline Moda, anuncia a contratação de Alexandre Nolasco e Cinthya Acqua. Nolasco será supervisor de mídia da JWT para as contas de D.E Master BlenCinthya Acqua e ders e Bridgestone. No mercado publicitário há seis anos, ele iniciou sua Alexandre Nolasco carreira de mídia na W/Brasil atendendo Nestlé, Garoto e marcas de cerveja como Baden Baden, Eisenbahn e Nobel. Cinthya entra para o time da agência como planejadora de mídia para as contas de Microsoft e Royal Caribbean. Ela iniciou sua carreira na produtora e editora New Content, como comercial de Mídia de Bordo da TAM Linhas Aéreas. Passou pela Publicis Brasil, trabalhando com pesquisa de mídia.

Trio A Abaporu ampliou a equipe com a contratação de três profissionais. Thales Bahia chega ao time de diretores de cena após ser premiado no Profissionais do Ano da Rede Globo. Thales dedica-se a direção de cena desde 2006 para diversas agências como Almap/BBDO, F/Nazca e Santa Clara, passando também pelas produtoras Ioiô, Delibistrot e Trator. Ricardo Oda é outra novidade na equipe da Abaporu. Após passar por diversas agências, como DM9 e Loducca, e pelas produtoras Academia de Filmes, Hungry Man e Conspiração, ele chega para assumir o cargo de atendimento executivo. Oda será responsável pelo relacionamento da produtora com o mercado publicitário nacional. Para compor a equipe de Ricardo Oda, como assistente executiva, foi contratada Anna Sayão. •

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Gotcha

A Turner Broadcasting System Latin America promoveu Gretchen Colón a vice-presidente executiva de Advertising Sales. Gretchen tinha sido promovida a vice-presidente sênior em 2003. De acordo com a programadora, sob a sua liderança, a área de negócios de venda de publicidade da Turner Latin America ficou 12 vezes maior.

A agência Gotcha anunciou a contratação dos diretores de criação Daniel Barros e Daniel Kfouri. Ambos atuarão ao lado do também diretor de criação Edu Novelli. Daniel Barros é formado em Publicidade e Propaganda e pós-graduado em Design pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. Acumula passagens por empresas como Adbat/Tesla (hoje Today.ag) e Bona Design. Já desenvolveu trabalhos para clientes como Mercedes-Benz, Smart, Yahoo Latin America, Banco Real, Nivea, Roche, Rossi Residencial, Suzano Group, C&C, TAM, STB, Bradesco e Honda. Daniel Kfouri foi supervisor de criação da EtcoOgilvy atendendo clientes como Magazine Luiza, Alphaville Urbanismo e Café 3 Corações. Atuou como redator na TMSW para clientes como Fiat, Diageo, Pedigree, McDonald›s. Na Mix Brand Experience, trabalhou para contas como Santander, Redecard, TIM e Fiat. Kfouri também passou pela Draft/FCB Lisboa.

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Dínamo A Dínamo ampliou seu casting de diretores de cena com a contratação de Andre Ferezini. Ele estava no time da Felicitá e já passou por Movie&Art, Santo Forte e Maria Bonita. Ferezini é Andre Ferezini conhecido por sua experiência na direção de filmes que fazem uso de recursos de pós-produção integrados a cenas filmadas. A produtora também anunciou a chegada de Renata Rizek para a gestão dos projetos de conteúdo e entretenimento. Com 20 anos de experiência no mercado, a profissional tem no currículo trabalhos para o canal GNT, a Videofilmes, para o Brazilian Film Festival of Miami e o Festival de Cinema de Gramado. Para trabalhar ao lado de Rizek, a Dínamo contratou Lorraine Gallard para o cargo de diretora de conteúdo. Gallard vem da AD Studio e traz no currículo trabalhos realizados para o canal Multishow e para a Tokio O’Clock, produtora com sedes na Espanha e em Portugal da qual era sócia. T e l a

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A BossaNovaFilms oficializou a contratação de Livia Gama para o seu casting de diretores. Ela já dirigiu alguns filmes com a produtora, como as recentes campanhas para Claro, TNT e Garoto, e agora assume de vez a posição. Formada em jornalismo, seguiu espontaneamente os passos do pai, o cineasta Paulo Gama, trabalhando com direção de filmes e cursando especialização em cinema na Califórnia.

Troca A Zodiak Active, divisão digital global da Zodiak Media, anunciou que seu presidente e CEO Marco Ferrari irá deixar o cargo no final deste ano. De acordo com comunicado da empresa, sua saída faz parte de um estratégia de sucessão planejada que colocará Nicola Drago, vice-presidente sênior de estratégia e novos negócios, no cargo de CEO à partir de janeiro de 2014. Nicola Drago começou sua carreira como banqueiro investidor na Sonenshine Partners e como consultor na McKinsey, antes de se juntar à Zodiak Media em 2008. Na companhia, começou como gerente de fusões e aquisições, sendo promovido em 2010 para o cargo de CEO da Zodiak America Latina. Em 2012, assumiu a posição de vice-presidente sênior de estratégia e novos negócios, cargo que ocupa até hoje. SE T 2 0 1 3

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( capa )

Leandro Sanfelice

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Bandeirantismo digital

Pressionada pelos prazos de desligamento da TV analógica, radiodifusão enfrenta burocracia e falta de recursos para avançar com sinal digital para cidades do interior.

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ilustração: seri

onforme concluem o processo de digitalização do sinal de televisão nas capitais estaduais e grandes cidades, as empresas de radiodifusão se preparam para levar o sinal digital para o interior dos estados, em cidades com pouco número de habitantes. Tela Viva falou com representantes de cabeças de rede, afiliadas regionais e fornecedores para entender como o mercado está se preparando para a interiorização do sinal digital e quais obstáculos precisarão ser superados nesse processo. O setor encontra-se pressionado pelo plano de desligamento do sinal analógico do governo. Existe a necessidade de se desligar o sinal analógico em cidades onde o leilão da faixa de 700 MHz para uso das empresas de telecomunicações depende da liberação do espaço ocupado pelo sinal de TV analógica. Em agosto, o Ministério das Comunicações divulgou um cronograma que previa a antecipação do desligamento do sinal analógico em cidades onde existe a necessidade de liberar a faixa de 700 MHz para 2015, com o processo seguindo de forma escalonada até o desligamento completo da TV analógica no Brasil em 2018. Para José Marcelo Amaral, vicediretor de TV aberta da SET (Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão) e diretor de engenharia e operações da Record, o novo cronograma apresentado pelo governo não condiz com a realidade

do mercado. “São mais de 5 mil geradoras e retransmissoras que precisam ser digitalizadas. Há uma discussão em curso com o Governo Federal em função da liberação da faixa dos 700 MHz. O governo antecipou o desligamento do sinal analógico em municípios onde há demanda pelo 4G, o que significa que em 2015 terão que ser digitalizadas cerca de 1,2 mil emissoras em 635 municípios, um número impossível de alcançar com todas as dificuldades que enfrentamos”. 12

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Ao mesmo tempo em que são pressionadas para acelerar o processo de digitalização, as empresas de radiodifusão precisam lidar com uma série de desafios que atrasam a expansão do sinal para o interior. Entre eles, destacase a falta de recursos para realizar um investimento de grande porte que, segundo representantes do setor, não trará novas receitas para as emissoras e afiliadas. O


“Em 2015 terão que ser digitalizadas cerca de 1,2 mil emissoras em 635 municípios, um número impossível de alcançar com todas as dificuldades que enfrentamos.”

processos extremamente longos, e trabalhosos, que exigem especialistas dedicados a cuidar da extensa burocracia envolvida. Apesar do BNDES ter linha de financiamento específica para TV digital, as condições, tais como a inexistência de processos trabalhistas e as certidões ambientais, são praticamente impossíveis para a maioria das emissoras”, diz. “Entre outros desafios importantes, está a dificuldade de instalação de infraestrutura, isto é, autorização de construção ou execução de reforços em torres existentes, como também a escassez de mão-de-obra habilitada em instalações de antenas de TV. Há também a morosidade na obtenção dos diplomas legais para a operação das novas estações, já que os enormes esforços em andamento pela Secretaria de Comunicação Eletrônica não conseguem contrabalançar a falta de estrutura de pessoal e de informatização do Ministério das Comunicações”, conclui Liliana. FOTOs: divulgação

problema é agravado pela burocracia na liberação de recursos do BNDES. A demora na obtenção de autorização para construção de novas antenas e reforma da infraestrutura existente é outro problema constantemente apontado pelos executivos das empresas. Além disso, grande parte da infraestrutura de retransmissão do sinal, assim como suas respectivas licenças, encontra-se nas mãos de prefeituras, principalmente em cidades com poucos habitantes. Nas últimas décadas, conforme crescia o interesse da população em receber o sinal de televisão sem que empresas privadas demonstrassem interesse de investir nessas pequenas cidades, as prefeituras, visando agradar o eleitorado e atender uma demanda da população, assumiram a responsabilidade de investir na infraestrutura necessária para transmitir o sinal analógico. Hoje, porém, a maioria desses municípios encontra-se com orçamentos apertados, incapazes de investir na renovação da infraestrutura de retransmissão. “É preciso finalizar as ações necessárias para regularizar as estações existentes de TVs analógicas, agilizar a definição dos canais digitais, viabilizar financiamentos, financiar as prefeituras para que digitalizem as retransmissoras analógicas sob sua responsabilidade, desburocratizar o licenciamento ambiental para as instalações de sistemas de TV digital e viabilizar subsídio à população para garantir o acesso de todos a TVs e/ou receptores digitais”, explica Amaral. Para Liliana Nakonechnyj, diretora de Engenharia de Transmissão e Afiliadas da Globo, será preciso apoio do governo federal para viabilizar recursos para digitalizar o sinal nas cidades menores. Nessas regiões, a executiva defende o compartilhamento de infraestrutura para reduzir custos. “Embora prestem um serviço importante à população, muitas

José Marcelo Amaral, da SET

dessas estações (de propriedade das prefeituras) estão em situação extremamente precária, inclusive quanto à infraestrutura de torres, abrigos e energia elétrica, longe de serem adequadas à TV digital. Viabilizar recursos para instalar e operar as novas retransmissoras digitais é um desafio a ser enfrentado com o apoio do governo. O caminho mais viável é, a meu ver, o uso de infraestrutura compartilhada”, diz. De acordo com ela, a Globo e suas afiliadas planejam atender 70% da população do país com sinal digital até 2014, concluindo o processo de digitalização nas capitais estaduais e centros urbanos. “Até o ano que vem, 70% da população terá cobertura digital, cobertura essa oferecida por cerca de 600 estações transmissoras. A partir de

radiodifusão precisa fazer investimento de grande porte que não trará novas receitas para as emissoras e afiliadas.

Critérios contestados Para Raimundo Lima, diretor de operações técnicas do SBT, o governo deveria rever o critério usado para definir o cronograma do switch-off, priorizando as necessidades técnicas e capacidade de investimento das empresas de radiodifusão. Para ele, o cronograma proposto mostra uma preocupação maior com a liberação do espectro de 700 MHz para leilão. “Entre as cidades que aparecem primeiro no desligamento, em 2015, estão municípios com pouca população, com 40, 50 mil habitantes. Então eu questiono qual o critério para escolher esses municípios. Se fosse um critério técnico, os grandes centros deveriam vir antes, como Rio, São Paulo e Brasília, por onde começamos o

então, será iniciada uma etapa de expansão que envolve milhares de estações de menor porte”, explica. A emissora optou por investir capital próprio na digitalização do sinal. O caminho foi seguido por algumas afiliadas, enquanto outras precisaram recorrer a financiamentos do BNDES. De acordo com a executiva, aquelas que precisaram recorrer aos financiamentos tiveram que enfrentar um processo muito burocratizado, incompatível com as necessidades do setor. “A Globo vem investindo com capital próprio, assim como alguns dos grupos afiliados. Outros obtiveram financiamento do BNDES, após

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prefeituras com infraestrutura nas cidades menores, e viabilizar os investimentos seria conciliar o cronograma da digitalização com a expansão da banda larga prevista no PNBL (Plano Nacional de Banda Larga), promovendo o compartilhamento das torres. A TV Brasil, da EBC, tem seu sinal retransmitido principalmente por parceiros públicos. A proposta, de acordo com Barbosa, já foi enviada ao ministério. “O PNBL também vai ter que cobrir essas cidades. Então ao invés de fazer torres de celulares, que são menores, por que não fazer uma torre de TV digital que possa abrigá-las, dadas as devidas proporções e tomando cuidado com a interferência? Enviamos essa proposta e ainda não tivemos resposta, mas espero que esteja sendo analisada. Já existe um critério de desoneração para as torres de banda larga, se ele fosse estendido às torres de TV nas prefeituras isso poderia ser feito num projeto comum”, diz. FOTOs: divulgação

processo de digitalização. “Viabilizar recursos para instalar e Alguns municípios operar as novas retransmissoras apresentados como os digitais é um desafio a ser enfrentado primeiros a ter o sinal com o apoio do governo federal.” desligado nem têm cobertura Liliana Nakonechnyj, da Globo digital ainda”, avalia. Além de questionar o cronograma, Lima defende radiodifusoras criem planos que seria preciso estabelecer uma conjuntos de expansão da cidade piloto, para testar as digitalização, principalmente transmissões sem sinal analógico. em municípios menores. “Uma coisa que o SBT e o setor “Compartilhar antenas não é um costume discutem é a necessidade de ter uma no Brasil, mas Brasília está ai para cidade teste, para avaliar a mostrar que é possível”, diz. transição. Até imaginava-se que Gerida pela Fundação Padre seria Brasília, mas até agora nada Anchieta, instituição ligada ao governo foi apresentado”, diz. do estado de São Paulo, a TV Cultura De acordo com ele, o SBT conta enfrenta um desafio a mais no processo com a cabeça de rede e 109 afiliadas de interiorização da digitalização do seu no território brasileiro, das quais oito sinal. A emissora é proprietária de toda pertencem ao próprio SBT. “Nas sua infraestrutura de retransmissão do capitais, o cronograma está sinal no Estado de São Paulo. “São cerca confortável. Nas cidades maiores, onde estão nossas afiliadas, nem tanto, mas estamos progredindo”. O Quanto mais longe dos maior desafio, diz, será levar o sinal grandes centros, mais digital para cidades menores, com difícil é financiar a menos de 200 mil habitantes, que recebem sinal das afiliadas através de digitalização. retransmissoras. “Esse não é um de 200 retransmissoras no total. Toda problema só das emissoras, mas do responsabilidade financeira e técnica, da plano brasileiro de TV digital como maior à menor retransmissora é nossa, um todo. Não temos um mapeamento diferente de outras emissoras que desses retransmissores ainda, estamos contam com parceria com afiliadas”, trabalhando nisso. Estamos explica Ivon Luiz Pinto Júnior, descobrindo que há uma parte que coordenador técnico da fundação. pertence às afiliadas, outra parte está A emissora já conta com infraestrutura nas mãos de prefeituras e há até para transmissão de sinal digital nas mesmo algumas que pertencem a cidades de São Paulo, Campinas, São José empresas privadas sem nenhuma dos Campos, Ribeirão Preto e Guarujá. O ligação com o mercado de critério para expandir o sinal, explica Ivon, comunicação”, explica. leva em consideração o número de Ainda que exista um cronograma, habitantes das cidades, o cronograma de diz Lima, o avanço da digitalização desligamento do sinal e a liberação de no País dependerá principalmente da outorgas pelo Ministério das Comunicações. capacidade de investimento das “Teremos que atender às determinações do empresas de radiodifusão. “Assim governo, não há outro caminho. Será como o SBT pertence a um preciso estabelecer uma estratégia com o empresário, as afiliadas também Estado de São Paulo para garantir a pertencem, e esse empresário precisa liberação dos recursos”. de dinheiro para investir. Ele vai De acordo com André Barbosa, esperar até quando puder para diretor técnico da EBC (Empresa Brasil investir e mesmo assim terá que de Comunicação), uma opção para procurar recursos”, avalia. Para reduzir os gastos das empresas e reduzir os custos, ele defende que as

Afiliadas regionais Responsáveis pela transmissão do sinal das grandes emissoras fora dos estados de Rio de Janeiro e São Paulo, onde concentram-se as cabeças de rede, e responsáveis pela produção de conteúdo local, as emissoras afiliadas enfrentam também o desafio de levar o sinal digital para as pequenas cidades, com o agravante de terem menos recursos disponíveis para investimento e dependerem mais de financiamentos. Assim como nas matrizes, a digitalização das afiliadas tem se iniciado nas capitais de seus respectivos estados, seguindo para as geradoras localizadas nas cidades mais populosas e nas regiões no entorno dessas geradoras. Conforme se distanciam dos grandes centros, maior a quantidade de retransmissoras necessárias para atender um número menor de habitantes, e menor a capacidade de


investimento dos responsáveis pelas infraestruturas de retransmissão. A TV Gazeta, afiliada da Globo no Espírito Santo, conta com quatro emissoras na região. Uma principal, localizada em Vitória, e outras três localizadas nas cidades de Cachoeiro do Itapemirim, no sul do estado, em Linhares, no norte, e em Colatina, na região noroeste. “Com essas quatro emissoras principais e uma série de retransmissoras, conseguimos cobrir o território de todo o estado”, explica Paulo Canno, diretor de tecnologia da Harris Broadcast ampliou produção em Campinas para atender demanda por transmissores digitais. emissora. De acordo com ele, o projeto de digitalização do sinal no estado nos parece viável, porque temos poucos transmitir sinal digital há três anos. começou por essas quatro unidades municípios. Em estados com maior Após Cornélio Procópio, o projeto principais. Na capital Vitória a número de municípios pode ser um deve avançar para a geradora de emissora já é digital desde 2009 e, desafio maior”, diz. Toledo, com retransmissoras em com o apoio de quatro Para Carlos Effting, gerente de Cascavel e Foz do Iguaçu e previsão retransmissoras, envia o sinal para engenharia e projetos de expansão da RIC de conclusão dos projetos para até toda a região de Grande Vitória. “A TV, afiliada da Record no Paraná, não será junho de 2014. Em seguida, será a região metropolitana está toda coberta possível digitalizar o sinal da emissora no vez de Maringá. com sinal digital, e com isso já estado dentro desse prazo. Para as cidades De acordo com o diretor chegamos a pouco mais de 50% da com menor número de habitantes, ainda financeiro da RIC TV, André Ferreira, população”, diz. A migração da não há um cronograma definido para a os recursos vindos de linhas de unidade do sul foi concluida em junho, expansão do sinal digital. “Estamos nos financiamento têm grande enquanto o projeto de digitalização reunindo para avaliar qual a melhor importância no levantamento de das unidades norte e noroeste devem maneira de enviar o sinal pensando no recursos para investir em ser concluidos até o final deste ano. custo. Mesmo que tivéssemos dinheiro para digitalização. Em Cornélio Procópio, “Com isso teremos 70 % da população isso, os fornecedores não seriam capazes todos os R$ 3,5 milhões gastos com do estado coberta com sinal digital de entregar os equipamentos”, explica. equipamentos vieram de antes da Copa do Mundo. Essa é A RIC TV iniciará a transmissão financiamentos bancários. “A maior nossa meta”, explica Canno. digital na sua geradora de Cornélio parte dos nossos recursos vem do Para os restantes 30% da Procópio (PR) em outubro, em conjunto nosso esforço financeiro com bom população, a tarefa de levar o sinal com retransmissoras nas cidades de planejamento orçamentário para digital será um desafio maior, avalia. Londrina e Santo Antônio da Platina. A pagar a compra de equipamentos e “Estão muito pulverizados pelo migração da geradora faz parte do plano investimentos. Mas, claro, território”, diz. Ele estima que serão de digitalização da emissora no estado do dependendo do fluxo de caixa necessários cerca de 110 Paraná, que começará por suas quatro precisamos recorrer a bancos, transmissores para cobrir todos os 78 unidades principais localizadas nas principalmente às linhas de crédito municípios do Espírito Santo. “O cidades de Curitiba, Toledo, Maringá e na do BNDES disponíveis”, diz. território é muito montanhoso, por própria Cornélio Procópio. isso precisaremos de mais que um Em Curitiba, capital do Sem receita transmissor para cada um”, justifica. estado, a geradora da RIC TV Um dos principais De acordo com ele, a meta da já está capacitada para obstáculos apontados pelas empresa é levar o sinal para todos os empresas de radiodifusão é municípios, atendendo cerca que o investimento feito na de 94% da população até infraestrutura digital não 2018, prazo estipulado pelo “Entre as cidades que aparecem trará retorno financeiro governo para a conclusão do primeiro no desligamento, em 2015, para elas. A receita das processo de digitalização e estão municípios com pouca emissoras abertas vem, desligamento do sinal população. Qual o critério para quase que totalmente, da analógico. “O prazo de escolher esses municípios?” publicidade. Como o sinal finalizar o processo até 2018 Raimundo Lima, do SBT

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( capa ) “O PNBL vai ter que cobrir essas produzindo mais e toda essa produção cidades. Ao invés de fazer torres já tem demanda garantida”, diz. Contudo, ele critica a demora na de celulares, por que não fazer definição de um cronograma uma torre de TV digital que possa definitivo para o desligamento do abrigá-las.”

digital, apesar de oferecer maior qualidade, não garante maior número de telespectadores, é improvável que as empresas ganhem mais dinheiro após sua implantação. “É um grande desafio financeiro. A digitalização não gera mais comercial, não gera receita, só gera despesa e melhora a qualidade da transmissão”, diz Moabi Carlos de Melo, gerente de engenharia da TV Jornal, afiliada do SBT no Estado de Pernambuco. “Cada cidade é um transmissor, uma antena, imagine trocar todas. É um investimento muito alto. Confesso que até agora não ouvi nenhuma emissora que tenha tido aumento de receita com investimento em digitalização”, complementa. A TV Jornal conta com duas geradoras, no estado, uma na capital Recife e outra em Caruaru. A da capital, a exemplo das afiliadas de emissoras concorrentes em outros estados, já é 100% digital. Em Caruaru ainda não há previsão para conclusão do processo de digitalização. Paulo Canno defende que o governo leve isso em conta e continue dialogando com as empresas de radiodifusão para garantir que a população não fique sem acesso à TV aberta devido ao desligamento do sinal analógico. “O governo vai ganhar com o leilão da faixa de espectro, as operadoras vão investir no LTE mas terão receita com isso. Nós estamos fazendo investimentos robustos e não temos perspectiva de uma receita imediata. A qualidade irá melhorar, mas isso não necessariamente significa um aumento de audiência ou publicidade, e na TV aberta essa é a nossa fonte de receita”, argumenta. “Vai ser um investimento robusto e não vamos ganhar com publicidade, anunciantes. Mas ao mesmo tempo, isso é algo que precisa ser feito. Precisamos melhorar a qualidade e

André Barbosa, da EBC

essa qualidade está no digital, não no analógico”, avalia Raimundo Lima, do SBT. Fornecedores Enquanto os radiodifusores apontam as dificuldades, os fornecedores se mostram animados com as perspectivas da digitalização regional. “A produção de antenas de transmissão de sinal digital está a todo o vapor. Estamos contratando funcionários e trabalhando em mais turnos”, diz Marcelo Zamot, gerente de vendas da Ideal Antenas. Segundo ele, o aumento de demanda está sendo causado pelo processo de interiorização do sinal digital. “As cabeças de rede já estão digitalizadas, e agora estão expandindo a tecnologia para suas geradoras e repetidoras no interior”, conclui. De acordo com Zamot, a demanda por antenas de transmissão digital aumentou sensivelmente com o estabelecimento de prazos para o desligamento do sinal

sinal digital. “Muitas empresas estão apostando que haverá um adiamento nos prazos propostos pelo ministério. Como não há uma resposta definitiva e o setor ainda está discutindo o cronograma, essas empresas atrasam seus investimentos aguardando uma definição”, explica. Para Yasutoshi Miyoshi, diretor geral comercial da Hitachi Kokusai Linear o mercado de transmissores para broadcast encontra-se em um momento controverso. De acordo com ele, com a divulgação do desligamento do sinal analógico e seu cronograma, houve uma completa paralisação da demanda por equipamentos analógicos. Contudo, como o cronograma para o switch off continua sendo motivo de discussões e permanece indefinido, o mercado ainda não presencia um aumento significativo pela demanda por equipamentos digitais. “Você tem uma indicação de que haverá um aumento de demanda porque aumentam os números de consultas de clientes, mas geralmente

Enquanto os radiodifusores apontam as dificuldades, os fornecedores se mostram animados com as perspectivas da digitalização regional. analógico. “Antes ligávamos e geralmente levava meses para termos uma resposta. Hoje quando ligamos para o cliente ele já tem um projeto e fala que já está nos mandando o pedido”, diz. “Agora, cabe a nós, empresas, nos organizarmos para atender essa demanda e aproveitar esse momento”, complementa. A Harris Broadcast concluiu em setembro um projeto que dobrou a capacidade produtiva de sua fábrica de transmissores em Campinas. De acordo com Felipe Luna, diretor geral da empresa no Brasil, o projeto visa atender à demanda por equipamentos digitais, que cresceu após o anúncio do cronograma para o switch off analógico a partir de 2015. “Já estamos

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não se convertem em pedidos. Esperamos que esse cenário mude”, disse o executivo. Segundo Miyoshi, para que a interiorização do sinal digital avance com consistência é preciso anunciar um cronograma definitivo. “A empresa precisa saber em quanto tempo vai ter que realizar o investimento para saber quanto vai gastar”, diz. Ele também alerta para a possibilidade de um pico muito elevado de demanda. “Se tiverem que trocar tudo em muito pouco tempo, teremos que atender à demanda, é nossa função, mas depois esse ritmo pode não ser sustentável”.


cobertura

(convergência)

Fernando Lauterjung, de Amsterdã

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Futuro incerto

IBC debate o espaço dos grupos tradicionais e dos entrantes no novo cenário da mídia. A disputa por espectro (e, consequentemente, pelo acesso ao espectador) domina as discussões.

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FOTOs: divulgação

rupos tradicionais, operadoras de TV e telecom e empresas online tentam definir seus papeis no futuro da mídia. Como conquistar (em alguns casos) ou manter (em outros) a relevância no cenário convergente esteve no centro dos debates da IBC, evento realizado em Amsterdã em setembro. A busca pela relevância se reflete na disputa por espectro, no diálogo com governos e reguladores e na forma como desenvolver parcerias entre setores muitas vezes vistos como concorrentes. Assim como no Brasil, na Europa segue uma disputa pela faixa de frequência dos 700 MHz entre radiodifusores e operadoras de telefonia móvel. Segundo o diretor de tecnologia da TV Globo, Fernando Bittencourt, a UIT (União Internacional de Telecomunicações) e governos de todo o mundo estão ignorando a radiodifusão na discussão sobre a liberação de espectro para o serviço de banda larga móvel 4G. “Haverá mudanças irreversíveis no modelo do broadcast, a não ser que os reguladores, incluindo a UIT, comecem a dialogar com o setor”, disse Bittencourt. “Não estou dizendo que as empresas de radiodifusão vão desaparecer, mas podem ter de migrar para outras plataformas”, complementou. Essa migração, no entanto, não foi descartada por ele como uma possibilidade. Ao contrário, Bittencourt pregou no evento que canais menos relevantes deixem a TV aberta, liberando espectro tanto para os serviços de banda larga

móvel, quanto para a evolução da TV digital terrestre. Segundo ele, a radiodifusão precisa de banda para oferecer serviços mais avançados, como as transmissões em 4K. “Aqueles com menos audiência deveriam ir para outras plataformas, liberando espaço para os mais importantes”, disse durante um debate no congresso do evento. O diretor de tecnologia da TV Globo afirmou à TELA VIVA que a ideia lançada é para o longo prazo, quando as outras plataformas de distribuição tiverem alcance suficiente para garantir a distribuição desses canais. Como exemplo de um processo eficiente de liberação de espectro, Bittencourt cita o realizado nos Estados Unidos, onde os broadcasters podem leiloar seu espectro ou parte dele. Desta forma, as empresas podem optar por deixar o mercado (ou apenas a plataforma de TV

aberta) ou ainda dividir uma frequência com outra emissora, fazendo multiprogramação em standard definition e ainda garantindo seu direito ao must carry na TV por assinatura. Sobre a disputa entre teles e radiodifusão, Katherine Wen, diretora de plataformas de TV da emissora comercial britânica ITV, afirmou que as próprias telcos podem sofrer consequências negativas desta disputa por espectro. “Elas estão minando a indústria que produz o conteúdo mais relevante que alimenta suas redes de dados”, disse. Segundo ela, o principal argumento das telcos é justamento o aumento significativo de tráfego de vídeo em suas redes. “Não faz sentido disputarem este espaço justamente com quem produz a maior parte deste

a principal diferença hoje entre a TV e outros dispositivos capazes de reproduzir vídeo é, principalmente, quanto tempo o usuário está disposto a gastar. 18

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Voz dissonante Em um congresso voltado, principalmente, a grupos de mídia, não coube muito espaço para o argumento das empresas de telecomunicações. No entanto, uma figura importante no meio da radiodifusão assumiu a função de advogado do diabo. Em um painel organizado pela IBC para a radiodifusão brasileira, que reuniu em parceria com a SET aproximadamente 80 pessoas do Brasil, Philip Laven, chairman do DVB e do FobTV (Future of Broadcast TV, grupo internacional que estuda a evolução da radiodifusão), fez uma provocação. Convidado a opinar sobre a convivência entre broadcast, celular e IP, Laven, que disse não falar

“Aqueles com menos audiência deveriam ir para outras plataformas, liberando espaço para os mais importantes.”

Futuro promissor? Apesar de ser contra a evolução para padrões mais avançados na TV aberta (a menos que seja para economizar espectro), Philip Laven diz acreditar em um futuro promissor para a radiodifusão. "Quatro dos cinco maiores países da Europa seguem tendo uma TV aberta relevante", disse, referindo-se ao Reino Unido, Itália, Espanha e França. Na Alemanha, a distribuição se dá principalmente pela TV por assinatura. Laven citou dados ainda do BBC iPlayer, plataforma online da emissora britânica. Segundo ele, a plataforma vai muito bem, com aproximadamente 5 milhões de requisições de conteúdo de TV por dia, mais 2,5 milhões de requisições de rádio. No entanto, o pico de audiência da plataforma não passa de 2% do pico de audiência da TV aberta no país. Mesmo assim, a BBC está feliz com sua participação no mundo online. Pelo menos o braço internacional da estatal britânica. Segundo o chief digital officer da BBC Worldwide, Dan Heaf, o online se tornou parte do sistema de janelas que funciona há décadas para a televisão. Mas os grupos ainda precisam aprender a lidar com o comportamento da audiência nesta plataforma, que muitas vezes se movimenta pela navegação online e sistemas de sugestão, e não pelos esforços de divulgação de um canal. Mesmo assim, garante Heaf, a BBC Worldwide tem um negócio lucrativo em sua operação com o Youtube, com 45 milhões de views por mês. "Se eu trocaria meu lucro no Youtube pelo lucro gerado nos canais tradicionais? Claro que não", diz. Para Nick Cohen, sócio da Mediacom Beyond Advertising, o mais importante para a indústria da televisão neste momento é saber se a sua fatia do bolo publicitário vai FOTO: marcelo kahn

conteúdo”, completou. A BBC, emissora estatal britânica, também apontou uma má vontade dos reguladores em ouvir os argumentos da radiodifusão para manter a faixa dos 700 MHz. Alix Pryde, diretora de distribuição da BBC, chegou a fazer um apelo para que reguladores deem mais atenção ao broadcast. "As pessoas pensam que o futuro é a banda larga móvel, mas subestimam a quantidade de dados que nós distribuímos para as casas das pessoas", disse. "A TV terrestre é uma tecnologia estabelecida e carrega milhares de vezes mais dados que a banda larga móvel", completou. A executiva falou em um painel onde deveria apresentar a solução mais inovadora que encontrou no evento. Pryde apresentou, justamente, uma nova tecnologia do padrão DVB que permitirá que broadcasters transmitam em 4K. A transmissão com mais definição é o principal argumento dos broadcasters para manter parte da faixa dos 700 MHz, permitindo a evolução do serviço de TV.

Fernando Bittencourt, da Globo

em nome de nenhuma das associações que representa, afirmou que o 4K não agrega valor à televisão. Segundo ele, mantendo a distância entre TV e telespectador possível na maioria das residências, o 4K é um exagero, porque quanto maior a definição da imagem, maior deve ser a tela. Para uma sala na qual o espectador fique a dois metros da TV, a tela 4K deve ter mais de 100", disse. Além disso, Laven questionou a necessidade de usar as frequências terrestres para ampliar a resolução da TV. "Se você vai transmitir em 4K, ou mesmo 8K, não deveria distribuir por satélite, ou fibra? A transmissão terrestre e móvel deveria ser usada para enviar conteúdo até uma TV gigante pregada na parede, ou para transmitir para um dispositivo que as pessoas carreguem consigo?", questionou. Mesmo assim, Philip Laven pregou a adoção de codificações mais eficientes para a transmissão de TV. "Espectro está sendo muito demandado por serviços não broadcast, Portanto, o broadcasters devem usar a melhor tecnologia disponível para garantir o uso eficiente do espectro", disse. "O MPEG 4 é a melhor tecnologia disponível para HDTV, mas o mercado terá que migrar para o HEVC, seja para HDTV ou mesmo para 4K", completou. Laven alertou os radiodifusores para a próxima migração tecnológica do setor. "O próximo switch over será muito mais difícil de justificar. Como explicar para o consumidor que ele terá de trocar de aparelho para economizar espectro?"

Dan Heaf, da BBC Worldwide, diz que o braço internacional da estatal britânica tem um negócio lucrativo em sua operação com o Youtube, com 45 milhões de views por mês

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(convergência) “Tudo tem uma tela e tudo traz uma oportunidade de patrocínio.”

FOTO: divulgação

encolher ou não. Para ele, a tendência é que encolha. "Há dez anos, a mídia tradicional detinha o espaço para classificados, e agora o Google detém este espaço sozinho", disse Cohen. "O Google tem um grupo formidável de pessoas trabalhando para pegar o dinheiro que hoje vai para a televisão", completou. Aparentemente, não há dúvida sobre a relevância da televisão, pelo menos como eletrodoméstico ou mesmo como mídia. No cenário multitelas já estabelecido com os laptops, tablets e smartphones juntando-se à TV, a tela grande nas salas dos lares tem papel de destaque. É para onde vai o conteúdo mais nobre. O que ainda não está claro é quem ocupará a tela grande. Para Ken Blakeslee, chairman da WebMobility Ventures e moderador do painel "Smart viewers, dumb screens" no evento, "a TV é só mais um tela, que por acaso vem equipada com um receiver." A opinião foi dada após dois estudantes revelarem à plateia seus hábitos de consumo de vídeo. Ambos usavam outros dispositivos para buscar conteúdo. A estudante Kaylee Lasseter explicou que vê algum conteúdo linear, embora prefira o sob demanda. Mesmo assim, costuma buscar o conteúdo linear na Internet, para ver em seu laptop. Já Simon Hyslop revelou que costuma ver na TV apenas conteúdos enviados de seu tablet. A conclusão do painel é que a tela da TV é, cada vez mais, algo a ser "capturado" pelo usuário, que vai enviar a ela o que quiser, e não mais apenas o que está disponível no line up de canais abertos ou por assinatura. Para Tom Weiss, CEO da empresa de análise de mercado Genius Digital, a principal diferença hoje entre a TV e outros dispositivos capazes de reproduzir vídeo é, principalmente, quanto tempo o usuário está disposto

Clyde Smith, da Fox Network

a gastar vendo um conteúdo. "As pessoas preferem assistir um episódio de série como 'Homeland' na tela grande, mas o mesmo não vale para clipes", explica. Sobre o Chromecast, o dongle recém lançado pelo Google, Weiss diz ser ótimo ter "mais um set-top box que traz novas funcionalidades à TV”. "Só não tenho certeza quanto a interatividade", disse o executivo. "Tudo tem que ser interativo? Às vezes é bom sentar e apenas receber um conteúdo linear e pronto", opinou. Para o executivo, o sucesso das novas caixas e dongles que dão conectividade à TV se deve principalmente ao Netflix, e não às outras funcionalidades. Ida e volta Em outro debate, a Fox mostrou que, se perde espaço em uma tela para novos concorrentes, ganha outras várias para explorar. “Tudo tem uma tela e tudo traz uma oportunidade de patrocínio.” A frase, do vice-presidente sênior de novas

oportunidades para os grandes grupos. “O controle que o usuário tem através de aplicativos e múltiplos dispositivos aprofunda o compromisso do espectador com o seu programa favorito”, explica. Para ele, cabe aos grupos de mídia encontrar uma forma de se beneficiar deste compromisso. Negócios Outra mudança importante apontada pelo executivo da Fox é sobre os relacionamentos de negócios. Com as novas plataformas e formas de distribuição de conteúdo, os grupos de mídia passam a ter mais parceiros em seus negócios. “Nós ainda não temos um relacionamento com os fabricantes de TV”, explica o executivo, citando as smart TVs como uma nova forma de chegar ao telespectador. Para Mark Brandom, diretor comercial da Virgin Media, as novas tecnologias permitem oferecer mais informações ao anunciante e otimizar a forma como eles chegam aos consumidores. Para isso, diz, o relacionamento entre os programadores e as plataformas deve mudar significativamente. Segundo o executivo, deve haver maior

Com as novas plataformas e formas de distribuição de conteúdo, os grupos de mídia passam a ter mais parceiros em seus negócios. tecnologias da Fox Network, Clyde Smith, é sobre a "Internet das coisas". Segundo ele, todos estes novos dispositivos, que podem ser até geladeiras com telas e conectáveis, dão suporte à programação da TV, ao mesmo tempo em que aumentam a possibilidade de acesso ao espectador. Para o executivo, os canais de TV, para sobreviver às mudanças na mídia, devem aprender a lidar com os novos dispositivos e plataformas, bem como com o novo consumidor. “A segunda tela, para muitos, é a primeira. A tela grande fica ao fundo, ignorada, em diversas vezes”, disse Smith. No entanto, explica o VP da Fox, as novas experiências de relacionamento com a mídia são também

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colaboração entre estes dois elos da cadeia, permitindo, por exemplo, publicidade direcionada a targets. Programador e operador podem ainda desenvolver em conjunto novas formas de publicidade e conteúdo patrocinado. Para Brandom, o futuro da mídia no cenário multiplataforma e muldispositivo depende da capacidade do setor de ultrapassar alguns desafios, como estruturar acordos comerciais entre diferentes elos da cadeia de valor e encontrar os parceiros corretos para fornecer a tecnologia de um ecossistema com dados mapeados e que permita trafegar entre plataformas de forma automatizada.


Ouvidoria: 0800 702 6307 www.bndes.gov.br


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( evento) Da redação

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Desligamento enroscado Governo começa a explicar o switch-off analógico, mas dúvidas ainda são muitas, dos prazos à questão dos receptores, passando pelo destino das frequências. Debate dominou o Congresso da SET.

style-photography.de/shutterstock.com

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pós admitir que o prazo para um desligamento total da televisão em 2016 era irreal, e de promulgar um novo decreto alterando o processo para uma transição mais gradual, entre 2015 e 2018, o governo está sendo colocado “nas cordas” por uma série de dúvidas que ainda pairam sobre o switch-off. Parte delas diz respeito ao desligamento em si. Como será o cronograma final? Que cidades serão desligadas primeiro? O que fazer com os cidadãos que ainda não tiverem migrado? Haverá um “Bolsa-TV”? E como ajudar as emissoras regionais e as retransmissoras, que têm tido dificuldade em se digitalizar? E há questões externas, da relação da radiodifusão com os outros serviços que utilizam radiofrequências. A maior é a do dividendo digital, o destino das faixas liberadas em 700 MHz. Mas também há problemas como a potencial interferência da TV digital na LTE (e vice-versa), a quarta geração da telefonia móvel. Os temas foram o ponto nevrálgico do Congresso da SET, realizado em agosto em São Paulo. Não desligar A secretária interina de Serviços de Comunicação Eletrônica do Ministério das Comunicações, Patricia Ávila, explicou um pouco melhor como será a transição. Segundo ela, embora o novo decreto da TV digital estabeleça o switch-off gradual entre 2015 e

2018, o melhor seria “não desligar nada” no primeiro ano, ou seja, reduzir o número de cidades que perderão a transmissão analógica àquelas que precisam de liberação de frequências. “Há 724 cidades que se enquadram no critério de 2015, mas o ideal é não desligar”, disse. Quanto ao desligamento total da TV analógica em 2018, Patrícia disse não ter “nem ideia” se será possível. “Pode ser que prorrogue, será outro governo, outro ministério”. João Paulo Saraiva de Andrade, também do Minicom, disse que o

“Não esperem que as autoridades entendam do seu negócio, porque eles não entendem. É preciso se organizar.” Gordon Smith, da NAB

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processo não ocorrerá sem antes haver um ou dois pilotos, em cidades de cerca de cem mil habitantes, em regiões diferentes do País. Lembrando que o problema não é só garantir a cobertura, mas também o acesso, disse que o ministério fará pesquisas para aferir a penetração da TV digital, dado hoje desconhecido por governo e indústria. “Vamos colocar perguntas sobre TV digital na próxima pesquisa do PNAD, do IBGE”, contou Andrade. Também será feita parceria com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) para tratar da percepção do usuário sobre o serviço, e contratada uma consultoria para monitorar o acesso dos domicílios. O governo também deve tratar do atendimento ao usuário e da comunicação do sistema digital, responsabilidade que divide com os próprios radiodifusores. “Vamos determinar obrigações, como a veiculação de mensagens nos canais e marcas d’água informando sobre o processo”. Interesse das teles O contraponto da sessão foi dado pelo deputado Sandro Alex (PPS-PR), que também é radiodifusor, e que questionou o andamento do processo de transição. “Essa antecipação do switch-off (para 2015) é só para fazer o leilão da 4G, em detrimento do serviço de televisão. O ‘apagão’ vai ser


TV quer manter faixas Na mesma linha do deputado, o diretor de engenharia e tecnologia da TV Globo, Fernando Bittencourt, voltou a defender a manutenção da faixa de 700 MHz para uso das empresas de radiodifusão. De acordo com ele, a discussão sobre a destinação da faixa está sendo realizada de forma parcial, sem considerar as necessidades de evolução tecnológica dos radiodifusores. “Sabemos que a banda larga precisa de espaço para evoluir para o 4G agora e atender a demanda, mas nós estamos desenvolvendo a mesma tecnologia há dez anos, também precisamos evoluir para não estagnar”, disse. Para Bittencourt, o debate tem sido influenciado pelo “mito” de que a transmissão de conteúdo por banda larga seria capaz de substituir a função do broadcast. O executivo afirma que a capacidade de massificar informação é muito maior na radiodifusão, enquanto a Internet teria um caráter individual, de conteúdo sob demanda. “Não existe espectro no mundo para fazer pela Internet o que o broadcast faz. Você não verá uma final de copa do mundo transmitida abertamente para um país todo pela Internet”, argumentou. Durante o painel, mediado pelo jornalista Alvaro Pereira Junior,

Patricia Ávila, do Ministério das Comunicações, acredita que é possível a prorrogação do desligamento total da TV analógica, previsto para 2018.

painel para criticar o prazo dado para o switch-off analógico, que classificou como impossível de ser comprido. “Pelas discussões que estamos tendo aqui no evento, percebemos que não apenas afetará as empresas por causa dos custos, como também é impossível de ser realizado. O governo precisará rever isso”. Smith apoiou Bittencourt, e disse que nos EUA o processo de switchoff do sinal analógico foi realizado com os radiodifusores, e não às custas dos mesmos. “Não esperem que as autoridades entendam do seu negócio, porque eles não entendem. É preciso se organizar”, concluiu. FOTOS: Marcelo Kahn

só nas cidades que interessam às teles”, disse o deputado. Ele apontou várias deficiências no processo, como a falta de definições sobre a compra ou o subsídio de set-top boxes, a capacidade dos fabricantes em fornecer e do mercado em absorver uma grande quantidade de receptores em tão pouco tempo, os incentivos às indústrias e às prefeituras (responsáveis pela retransmissão dos sinais), as políticas de desoneração de equipamentos e até mesmo políticas de resíduos sólidos, para lidar com o lixo eletrônico que seria gerado.

também da Globo, Bittencourt contou com o apoio de Gordon Smith, presidente e CEO da NAB (associação de Broadcasters dos Estado Unidos) e ex-senador dos Estados Unidos. Smith incentivou as empresas de radiodifusão a se unirem e pressionar o governo, usando a força da sua audiência no País. “Espectro tem muito valor, e quando se perde, não há como recuperar”, disse. De acordo com o norte-americano, quando se percebeu que seria tarde demais para evitar a desocupação de partes do espectro usado pelos radiodifusores dos Estados Unidos, adotou-se uma estratégia para reduzir os danos causados pelo processo. O resultado foi um projeto que determinava que nenhum canal seria obrigado a vender seu espaço nem seria prejudicado caso canais vizinhos tomassem essa decisão. Smith recomendou que os

Interferências O discurso em defesa da radiodifusão no destino das frequências conta com alguns argumentos de ordem técnica, como a necessidade de espectro para formas avançadas de transmissão (a ultra-alta definição em 4K e depois em 8K) e a possível interferência da LTE nos sinais da TV digital. O presidente da SET, Sociedade de Engenharia de Televisão, Olímpio Franco, afirmou que houve uma falta de planejamento para garantir espectro para que as transmissões de TV possam evoluir para o 4K ou 8K, e ainda garantir espaço para a oferta demandada de banda larga. Na abertura do Congresso da SET, Franco cobrou “um bom planejamento para o momento de transição” da TV analógica para a digital. “Estamos em vias de perder espectro para operadoras de telecom”, disse. Para João Batista Rezende, presidente da Anatel, a tensão na discussão do espectro é positiva. “É o debate que devemos fazer. Não podemos nos acovardar diante dos desafios. Precisamos sentar

se forem consideradas as vendas de 15 milhões de receptores ao ano até 2018, haverá 153 milhões de TVs instaladas no País com esse legado. radiodifusores se organizem em torno do argumento da gratuidade do conteúdo da TV aberta, pois isso, segundo ele, teve bons resultados no debate realizado nos Estados Unidos. “O conteúdo da Internet é pago. Perguntem a seus governantes se eles farão a massa pagar por informação”. Ele também defendeu a tese de Bittencourt de que as discussões são feitas de forma parcial. “Falam como se a Internet fosse a novidade, inovadora, e a radiodifusão ultrapassada, algo velho”, disse. Bittencourt também aproveitou o

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( evento) FOTO: Marcelo Kahn

juntos à mesa”, disse. Foi apontado que até mesmo mudanças nos receptores seriam necessárias para garantir uma recepção livre de interferências. Segundo o engenheiro da TV Globo e do grupo de estudos da SET sobre interferências, Luiz Fausto, alterar as especificações dos receptores pode não ser suficiente. “Há uma norma especificando os receptores digitais, mas não há homologação”, disse o engenheiro. Além disso, outros componentes da recepção de TV não estão normati­zados e também não contam com homologação, como antenas, amplifi­cadores de sinais, cabos e filtros. Estes componentes, vale explicar, terão papel decisivo no combate às interferências. Isso porque os receptores trabalham na faixa de 470 MHz - 806 MHz e contam com um controle de ganho de entrada que “fiscaliza” toda esta faixa. Se houver um sinal forte de 700 MHz, por conta de uma torre de 4G LTE próxima, o receptor se ajustará para trabalhar com ganho baixo não só nas frequências próximas ao 700 MHz mas em toda a faixa, inclusive naqueles canais que estão longe desta frequência. Ou seja, a interferência se dará em todo o line-up de canais. A norma atual, lembra Fausto, no mínimo deverá mudar para incluir nos receptores um filtro para a faixa do 4G. Com isso, destaca, haverá um legado de receptores que não estarão preparados para este tipo de interferência. Segundo Marcus Manhães, do CPqD, que fez estudos de interferência encomendados pelo SindiTelebrasil, há formulas para garantir a convivência do sistema. “A solução nunca pode ser generalizada”, disse. Manhães concorda que haverá

“Estamos em vias de perder espectro para operadoras de telecom.” Olímpio Franco, da SET

um legado de receptores, mas minimiza o impacto disto na recepção de TV digital, lembrando que é possível adotar filtros na própria antena, o que deve resolver boa parte dos casos. Estes filtros terão de ser instalados nos sistemas de antenas coletivas dos prédios, por exemplo. Mesmo assim, complementou Fausto, haverá um legado. As antenas com amplificação embutida, vendidas hoje por R$ 100 a R$ 200, deixarão de funcionar, uma vez que os filtros da faixa do LTE devem ser instalados entre as antenas e os amplificadores de sinais. Segundo ele, alguns receptores portáteis, com antenas embutidas, também podem deixar de funcionar, pois não há como instalar um filtro entre a antena e o receptor. Mais testes O conselheiro da Anatel Jarbas Valente discorreu sobre os testes feitos pela agência do CCOMGEX (Centro de Comunicação e Guerra Eletrônica do Exército) com sete receptores recebendo os sinais de DTV e LTE, sem problemas aparentes. Os testes, porém, não são conclusivos, e outros serão realizados. Julio Omi, pesquisador da Universidade Mackenzie, mostrou os resultados dos testes feitos pela instituição, que também serão continuados. Um dos problemas,

aponta, é que o sinal de LTE está justamente na faixa (700 MHz) recebida pelos aparelhos de TV atuais (pois são as faixas ocupadas hoje pela TV analógica e que seriam desocupadas na transição digital). Assim, mesmo após a transição, haveria um legado de receptores aptos a captar essa faixa, que então seria ocupada não por sinais de TV, mas pela banda larga móvel. Segundo Aguinaldo Silva, da SET, se forem consideradas as vendas de 15 milhões de receptores ao ano até 2018, na fase final do switch-off (desligamento do sinal analógico), haverá 153 milhões de TVs instaladas no País com esse legado. União Presente ao painel que debateu as interferências, Eduardo Levy, diretor-executivo do SindiTelebrasil, que representa as operadoras móveis, disse que além de técnicos, os desafios são políticos. O sindicato também contratou o CPqD para fazer testes de convivência entre os sistemas. Ele prega que deve haver uma convivência harmônica e propõe que as entidades das teles e da radiodifusão realizem testes conjuntamente. “Já estamos patrocinando reuniões com a participação da Abert e da SET”, disse. Levy buscou “acalmar” os ânimos das emissoras, dizendo que “não há intenção do setor de telecom em acelerar qualquer coisa (referindo-se à licitação das bandas) em detrimento da qualidade dos serviços”, afirmou.

Copa em 4K

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Copa do Mundo no próximo ano será “uma grande demonstração em nível mundial” da tecnologia 4K, disse o diretor de marketing e vendas da área profissional da Sony, Luis Padilha, durante a Broadcast&Cable, feira que aconteceu paralelamente ao Congresso da SET. “É um evento com uma grande audiência. Vamos usar o 4K para a transmissão ao vivo”, disse o executivo, lembrando que já foram realizados testes durante a Copa das Confederações. Segundo Padilha, não há ainda um acordo para transmissão no Brasil em TV paga, ou mesmo para salas cinema, nos moldes do que foi feito na última edição do evento com a tecnologia 3D. No entanto, disse o executivo, já há conversas com operadoras para viabilizar transmissões em 4K para o próximo ano.

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( política ) Samuel Possebon

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Internet regulada Serviços online podem começar a sofrer restrições como consequência de sua posição cada vez mais relevante na competição pelos mercados de telecom e mídia no Brasil.

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assinatura prefere assim, prefere contratar um pacote mais adequado às suas necessidades do que contratar todos os canais. O ideal seria que todo o mundo pudesse receber tudo, mas isso custa”, diz ele. A Abert tem outra posição: “somos contra pacotes diferenciados. Hoje se cobra pela velocidade oferecida, não pelo conteúdo. A neutralidade tem que ficar como esta. Ninguém pode circular mais rápido e melhor porque pagou mais”, disse Araújo Lima.

rosedesigns/shutterstock.com

ão é apenas no mercado de publicidade que a Internet se tornou o maior desafiante dos conglomerados de mídia tradicionais e das empresas de telecomunicações. Como toda boa disputa comercial, essa batalha teve e terá grandes consequências na arena regulatória. E o primeiro exemplo concreto é a batalha travada pela aprovação, ou não, do Marco Civil da Internet, até o fechamento desta edição ainda buscando a sua votação na Câmara dos Deputados. O que originalmente seria apenas uma legislação voltada a definir alguns princípios gerais de direitos e deveres dos usuários de Internet (legislação explicitamente defendida e estimulada por gigantes do mundo da Internet, como o Google), tornou-se uma arena de disputa de interesses dos mais variados. A principal disputa em jogo é a questão da neutralidade de rede. Trata-se do Artigo 9 da proposta que está sendo relatada, um dos mais caros ao relator da matéria, deputado Alessandro Molon (PT/RJ). “A questão da neutralidade é uma nas quais eu sou intransigente”, disse ele. É também um artigo que conta com forte apoio de empresas como Google, Globo e entidades da sociedade civil que defendem a liberdade na Internet, além do próprio Comitê Gestor de Internet. O receio de que as empresas de telecomunicações, provedoras naturais da conectividade necessária à Internet, passem a impor barreiras e condições ao tráfego da informação.

Durante uma audiência realizada no Senado no começo de setembro para discutir o Marco Civil foi exibido um vídeo criado pelas entidades de sociedade civil defensoras da neutralidade, congregadas sob a campanha “Internet é um direito seu”. O principal argumento é que a Internet, sem o princípio da neutralidade, poderia ter seu modelo transformado em algo semelhante ao que existe hoje na TV por assinatura, em que para conteúdos diferenciados o usuário paga valores diferenciados. É um receio que a Abert, por exemplo, também tem. Para José Francisco de Araújo Lima, diretor de regulamentação das Organizações Globo e diretor da Abert, é natural que as teles se oponham à Internet neutra “porque querem suar o ativo”. No entanto, diz ele, “cobrar de onde vem o conteúdo seria para nos da Abert trágico. Nossas empresas são frontalmente afetadas pela Internet”, disse ele durante a audiência pública. O presidente executivo do SindiTelebrasil, Eduardo Levy, questiona o argumento de que dar à Internet um modelo semelhante ao da TV paga seria negativo. “Quem contrata TV por 28

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Sem diferenciação O ponto crítico para as teles é que a redação dada pelo relator, que estabelece uma série de critérios para assegurar a neutralidade de redes, impeça as teles de fazerem qualquer tipo de gerenciamento de redes, inclusive para a diferenciação da rede em termos de serviços. Com isso, alegam as teles, fica praticamente impossível assegurar a existência de serviços que requeiram QoS (Quality of Service, ou garantia de entrega de serviços), como telemedicina, VoIP e IPTV. Mas também impede que se criem pacotes diferenciados em função dos conteúdos, que é justamente o que empresas como Google, Globo e outras querem evitar, e ao que tudo indica, conseguirão. Em setembro, a presidenta Dilma Rousseff, em reunião com o Comitê Gestor de Internet, manifestou apoio à neutralidade. Ela determinou ao projeto do Marco Civil regime de tramitação de urgência no Congresso. Isso significa que até o final do ano o texto deve ser aprovado.


Dados secretos Outra questão polêmica do Marco Civil diz respeito à guarda de dados. Com as recentes revelações de espionagem norte-americana sobre autoridades brasileiras, o governo passou a acreditar que uma proteção adicional seria exigir que provedores de serviços como Gmail, Facebook e YouTube deveriam manter os dados de cidadãos brasileiros em território nacional. Isso tem o efeito também de garantir que estas empresas estejam submetidas à legislação brasileira. Do ponto de vista das empresas de telecomunicações e das empresas de

ao provedor de conteúdo, e não ao distribuidor, já que muitas vezes um mídia brasileiras, a medida, se mesmo conteúdo está vingar, cria maior simetria disponível em diferentes competitiva e, portanto, é bemplataformas de VOD. É vinda. uma dúvida que a própria Mas não é apenas no front Ancine também tem, do Marco Civil que a disputa segundo apurou este entre empresas de noticiário. Mas exigir o comunicação, empresas de pagamento do distribuidor Internet e teles está se dando. é uma forma de assegurar Há algum tempo é comum ouvir as a cobrança. “A indústria precisa se empresas nacionais falarem de assimetrias coordenar em relação a isso. Mas da regulatórias e tributárias em relação a nossa parte, está claro que o players estrangeiros. Sobretudo as pagamento é devido“, disse uma alta empresas de telecomunicações e de fonte da Ancine. produção de conteúdo queixam-se que os Existem outras iniciativas sendo serviços over-the-top muitas vezes tomadas pelo governo em relação à concorrem de maneira desigual ao não assimetria existente com serviços serem obrigados a pagar os mesmos OTT (over the top), sobretudo de tributos e seguir as mesmas regras de natureza tributária. Uma série de serviços regulados. questionamentos nesse sentido foi O governo passou a se mover em feita por autoridades de diferentes relação a esse problema e decidiu apertar níveis, a ponto de o Google, o maior o cerco. A primeira medida prática vista alvo, ter se sentido forçado a foi dada pela Ancine. divulgar quanto pagou de impostos A agência do audiovisual notificou em em 2012. E não foi pouco: mais de agosto todos os principais provedores de R$ 510 milhões, o que é mais do que vídeo sob demanda em relação à o faturamento inteiro de muitas necessidade de registro das obras e o empresas de mídia brasileiras. Ao recolhimento da Condecine. Isso equivale a divulgar esse número, o Google conseguiu fazer cessar as ancine notificou os principais críticas de que atuava no sem pagar impostos provedores de VOD em relação Brasil e, ao mesmo tempo, ao recolhimento da condecine. confirmou o que já se desconfiava: que o grupo é dizer que empresas como Netflix, Apple hoje possivelmente o segundo maior TV e mesmo serviços de VOD, como o faturamento publicitário no Brasil, Now, oferecido pela Net Serviços, precisam depois da Globo. De outro lado, o registrar cada uma das obras oferecidas Google acabou colocando pressão junto à Ancine e recolher a Condecine, que sobre empresas como Netflix e vai de R$ 750 em caso de obras seriadas a Apple, que não deram a mesma R$ 3 mil por título para filmes de longa transparência ao seu comportamento metragem. tributário no país. Alguns acreditam que esse modelo Seja no Marco Civil ou no campo pode inviabilizar o surgimento de serviços tributário, contudo, está claro que a baseados em long tail, já que as taxas Internet se tornou a grade arena ultrapassam, em muito, as receitas que competitiva da mídia e das cada um desses títulos costuma ter. telecomunicações no Brasil. O momento é de definições Foco no OTT regulatórias, que podem ser Outro aspecto jurídico questionado é se decisivas para o futuro do essa cobrança não deveria acontecer junto desenvolvimento dos serviços. Relator do Marco Civil, Molon não abre mão da neutralidade de rede.

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FOTO: arquivo

Mas se na questão da neutralidade existe um alinhamento entre empresas de Internet e de mídia, em outros há desentendimento. Outro aspecto negociado com o governo é o conceito do «notice and take down», previsto como exceção ao Artigo 15. Trata-se de um artigo do Marco Civil que assegura que os provedores de Internet não podem ser responsabilizados pelos conteúdos colocados pelos usuários, e que a retirada de conteúdos só pode ser feita com autorização judicial. Por pressão das empresas de comunicação, sobretudo da Globo, o relator Alessandro Molon havia concordado em colocar uma exceção a conteúdos com direitos autorais. Nesses casos, segundo a redação dada pelo relator, bastaria uma notificação extra-judicial para que o conteúdo fosse removido. É uma forma de evitar a pirataria de conteúdos das emissoras de TV, por exemplo, e assegurar o rápido bloqueio desses conteúdos, sem a necessidade de esperar o longo trâmite na Justiça. Mas o Comitê Gestor de Internet é contra esse dispositivo e conseguiu convencer o governo a também pedir a exclusão dessa exceção prevista pelo relator. Com isso, a tendência é que o assunto só seja tratado na futura legislação de direitos autorais, ainda em fase de elaboração.

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( publicidade) Edianez Parente

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Quem mexeu no meu share? Os gigantes da Internet começam a alterar as relações de forças no mercado nacional de publicidade. Google já é o segundo maior faturamento, atrás da Rede Globo.

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les conseguem vender anúncio por perfil de idade, de sexo, região, hábitos de navegação na Internet e pelo mapeamento das últimas buscas online. Para o anunciante, o investimento tem maior assertividade junto ao público-alvo, com otimização da verba. E por mais que os meios tradicionais alcancem um público maior, não têm tamanha capacidade de segmentação. É por estas e outras que os grandes players de serviços de busca para links/vídeos e as redes sociais estão modificando o cenário da publicidade no ambiente digital numa intensidade jamais imaginada. Os gigantes têm nome: Google/ YouTube e Facebook, principalmente. A plataforma tecnológica de busca tem como potenciais clientes – embora jamais oficialize isto – todo o CNPJ com um endereço eletrônico que possa ser “linkado”. Ou seja, milhões de empresas no País. Não por acaso, o Google é o segundo faturamento publicitário do mercado brasileiro, atrás apenas da Rede Globo, com receita de R$ 2,5 bilhões em 2012. Embora a cifra não seja confirmada oficialmente pela empresa, que não reporta no Brasil sua contabilidade, todo o mercado a reverbera e a usa na conta do faturamento real da Internet nacional. O Facebook também não revela seus números locais. No entanto, a reportagem apurou junto a fontes do mercado um volume de receitas um tanto avassalador para uma empresa tão jovem no mercado brasileiro: em 2012, o Facebook recebeu nada menos que R$ 300 milhões em investimentos de publicidade – um volume próximo ao faturamento de uma Rede TV, por exemplo, e muito maior que os grandes portais de Internet há 30

Campanha da Renault, uma das empresas que aposta em publicidade online.

vários anos estabelecidos no mercado, como UOL (R$ 118 milhões), MSN (R$ 240 milhões) e Terra (R$ 185 milhões).

mídias tradicionais e os players de Internet, Marcelo Lobianco acredita que vivemos no momento uma espécie de “rito de passagem” do mercado O gigante de comunicação, quando não é mais Para o IAB (Interactive Advertising necessário ser veículo de conteúdo Bureau) do Brasil, entidade que representa a para se monetizar na web: “O foco Internet para fins de publicidade, o meio já é deixa de ser o conteúdo e passa a ser a segunda força de mídia no País – atrás apeo usuário”, assinala. Além disso, em nas de TV aberta - representando no mínimo cenários de crise, de retração de 15% do total dos investimentos. De acordo investimentos, no mundo todo, a com Marcelo Lobianco, vice-presidente execubusca pela otimização dos recursos na tivo do IAB, o índice ainda é baixo e com Internet acaba sendo uma estratégia potencial de crescimento, uma vez que em para os anunciantes darem mais foco mercados onde há maior cobertura da a seu target. “O Google no mundo Internet ela já representa fatias bem maiores todo é a prova disso; vem garantindo do bolo de publicidade, como dinheiro novo do peque35% nos EUA e 25% na no anunciante que não em 2012, o Europa – à exceção do Reino investia. O Twitter agora facebook Unido, onde já bateu 50% de começa a pegar também recebeu R$ 300 um mercado que ninshare. “E esses índices só tenmilhões em dem a crescer, com a expanguém tinha”. E não para investimentos aí: os grandes players de são da mobilidade”, afirma Lobianco. em publicidade. e-commerce – como Como os grandes players Amazon e Walmart – não reportam seus números de faturamento começaram a vender espaço publicitáno mercado nacional, os números disponírio. Tanto que o próximo passo veis acabam representando cerca de 35% do no IAB Brasil é a montagem de um valor real, na estimativa do IAB Brasil. A comitê para o e-commerce como respeito de toda a discussão envolvendo as mídia publicitária.

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“Não se trata de demonizar cada meio, mas sim de dar o peso de cada um.”

sobre o alcance desses anúncios junto aos grupos a que se destinam. Por fim, o diretor geral do Facebook Brasil assinala que a plataforma é complementar aos meios offline, gerando, inclusive, tráfego para os portais destes meios. “Um bom indício disso é o fato de 40% dos usuários do Facebook no Brasil navegarem na plataforma enquanto assistem à TV. Esse fenômeno das duas telas é cada vez mais real no Brasil”, assinala Tristão. Como as emissoras estão vendo esta concorrência por verbas de publicidade com os players das plataformas digitais? Cada um à sua maneira. Guilherme Valentini, vice-presidente de publicidade de Fox International Channels Brasil, relativiza ao dizer que os mecanismos de busca, por exemplo, têm características muito específicas de vendas de publicidade, atuando no mercado de long-tail (nicho). “Eles têm como clientes um pequeno comércio que pode anunciar no Google, ou em outros sites. As mídias convencionais ou de massa não têm essa possibilidade”. Valentini conclui que tais plataformas trabalham com uma fonte de receita que não é concorrente ainda dos meios convencionais, observando que, aparentemente, eles até têm uma certa dificuldade de venda para anunciantes tradicionais. “E as próprias agências de publicidade também têm dificuldade para fazer essa compra”, diz. No entanto, o executivo da Fox admite ser uma questão de tempo para que o mercado se adapte a essas novas mídias. Já sobre os portais de vídeo, Guilherme Valentini vê que a longo prazo serão concorrentes das mídias lineares. “Isso é inevitável também. Porém, tudo vai depender do conteúdo. Quem tiver o conteúdo mais relevante vai receber maior atenção da audiência e mais verbas de publicidade”. Para ele, a TV por assinatura sempre trabalhou com segmentação, Fotos: divulgação

Agência e anunciante Pelo lado do anunciante, a percepção é de uma corrida acelerada das mídias digitais. Luiz Gini, diretor de mídia da NeogamaBBH, observa que o movimento, que se intensificou nos últimos anos, tornou impossível às agências não incluírem as novas plataformas no planejamento. Ele lembra que muitos anunciantes criaram estruturas próprias para acompanhar os meios, independentemente das agências, tamanha a necessidade de intensificar o relacionamento com o público – e quem não tem dentro de casa também acaba terceirizando, já que é muita coisa para acompanhar: rede social, mídia display, mecanismos de search etc. “O online é o segundo meio em cobertura, com uma capacidade gigantesca de potencializar a comunicação”, destaca Gini. No seu dia-a-dia, ele diz que não se pensa mais em mídia como canal, mas sim como ponto de contato com o público, seja qual for o veículo para o conteúdo: papel, online, mobile. Assim, para os clientes da agência – Renault, TIM, Unilever, Diageo entre outros -, há um uso intenso de todas as plataformas. “O mercado brasileiro é muito desenvolvido do ponto de vista de mídia; a TV aberta segue respondendo pela alta cobertura, e os meios digitais, pela alta capacidade de segmentação. O mix de ambas tem se mostrado muito eficiente, com a vantagem que, no digital, há a resposta imediata de uma ação, com possibilidade de correção de rota, enquanto nos meios off-line em geral são muitos dias de espera”. Em tempos de necessidade de se mostrar resultados esses meios fazem a diferença: “Não se trata de demonizar cada meio, mas sim de dar o peso de cada um, e a definição do canal é posterior à estratégia. E a verba do cliente não é patrimônio”, assinala.

Luiz Gini, da NeogamaBBH

trazidas pelas redes sociais. De acordo com ele, se em 2012 o objetivo maior das empresas junto ao Facebook era angariar fãs e criar uma base consistente de relacionamento com seus clientes, o que há neste ano é uma evolução real para essas mesmas empresas inclinadas a adotar estratégias para gerar vendas reais. O Facebook não fala sobre seu faturamento, nem sobre projeções. Tristão relata os 76 milhões de usuários mensais alcançados em junho de 2013, ante os 54 milhões que havia no mesmo mês do ano passado. No entanto, o que se tem até aqui não é nada mal para uma empresa que há pouco mais de dois anos se estabeleceu no País. Não é difícil imaginar que o desempenho da rede social em 2013 não será outro senão acima do que registrou no ano passado. Diante da reclamação dos meios off-line de que as redes sociais e mecanismos de busca atuam em situação de vantagem competitiva ao poderem oferecer aos seus anunciantes soluções de geolocalização e “targeting behavior” (a busca de público de acordo com seu comportamento online), o gestor do Facebook no Brasil rebate: “Não fornecemos de nenhuma forma dados de usuários aos anunciantes. O direcionamento de anúncios é feito anonimamente pelo sistema, sem compartilhar informações pessoais”. Ele explica ainda que os anunciantes selecionam um direcionamento demográfico para os anúncios, o sistema automaticamente associa os anúncios ao público-alvo apropriado – classificado por termos de interesse definido pelo anunciante, por exemplo, “viagem”, “comida japonesa”. Ele conclui que os anunciantes recebem relatórios anônimos agregados

Facebook Leonardo Tristão, diretor-geral do Facebook no Brasil, analisa que o mercado brasileiro continua muito receptivo às oportunidades de negócios

“O foco deixa de ser o conteúdo e passa a ser o usuário.” Marcelo Lobianco, do IAB

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(publicidade) Para Antônio Guerreiro da Record, os veículos e as novas forças da web são “frenemies”.

Foto: edu moraes/divulgação

mas agora a capacidade das ferramentas online de atingir com mais precisão o público-alvo é o fato novo do mercado. O diretor da Fox admite que as mídias convencionais dificilmente, a curto prazo, terão condições de segmentar como essas novas mídias conseguem. Ele afirma que a programadora vê este cenário com atenção já. “Mas a principio nós estamos conseguindo alguns cortes de sinal dentro da programação para conseguir ter, por exemplo, breaks em algumas cidades, como São Paulo, e em breve teremos Rio de Janeiro. Não é o mesmo corte que talvez uma mídia social consiga por uma região muito menor, mas já é um corte especifico. E para as necessidades atuais dos anunciantes de televisão, isto por enquanto é eficaz”.

vídeos do Globo.com nas fanpages dos seus portais no Facebook. Já a rede social, por sua vez, sabe aproveitar a alta menção espontânea dos conteúdos da Globo entre seus usuários. Por exemplo, no auge de audiência da novela “Avenida Brasil”, os usuários compartilhavam avatares com personagens da novela com frases criativas no horário da atração. E anunciantes atentos aproveitaram para impactar este público no horário da novela e a um custo muito menor que o intervalo comercial da TV. Um deles foi a Unilever, com o produto Seda Shampoo, que tinha a atriz Isis Valverde, também da novela, como garota-propaganda. Trata-se de um case de sucesso citado pelo próprio Facebook. Skol e L’Oreal também divulgam constantemente o sucesso de suas ações na rede social.

Globo A Globo, por meio de seu departamento de Comunicação, reitera seu discurso corrente de que no Brasil a TV aberta é um fenômeno de massa e o hábito de assistir à Globo e de conversar sobre seus programas é há muito difundido. A emissora reconhece que as mídias digitais potencializaram tudo isso, tornando mais dinâmicos a expressão e o compartilhamento de ideias, opiniões e impressões que sempre circularam e justifica a criação, há um ano, da diretoria de Comercialização de Mídias Digitais, que tem à frente Eduardo Becker. Segundo a Globo, a área trabalha com a comercialização integrada em todas as plataformas digitais e cada vez mais a emissora busca ampliar e criar formatos transmídia com ações que transitam entre TV e mídias digitais. Diz ainda que, multiplataforma, a Globo trabalha com informações de consumo, hábitos e tendências de navegação. O departamento de Comunicação da emissora não faz menção aos players de Internet. Vale lembrar que a Globo desde abril não publica mais links da sua programação e 32

“Frenemy’ “Frenemy” – um misto de amigo (friend) e inimigo (enemy). Esta é a definição de Antônio Guerreiro, diretor-geral de novas mídias da Record e diretor-geral do R7, para a relação que os veículos têm com estas novas forças da web. “Temos de estar bem com o uso de ferramentas, como SEO (search engine optmization), adwords e adsense (as ferramentas de compra de palavras e de publicidade)”, diz ele, sobre os mecanismos consagrados pelo Google. Para ele, os portais se beneficiam do ferramental quando, por exemplo, têm um grande inventário (alto volume de impressões), mas também, ao serem tão gigantescas, tais plataformas oferecem condições ao mercado anunciante que muitas vezes são injustas. Para Guerreiro, que celebra as parceiras entre as forças, o importante para haver equilíbrio é estabelecer a diferenciação do que é ferramenta e do que é mídia. “Também há grande diferença entre o que é conteúdo original e conteúdo gerado pelo usuário”, diz. E assinala que o anunciante não pode confundir as coisas. YouTube No assunto vídeo online, o nome é YouTube. A plataforma de vídeos do Google é

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o principal canal gratuito de vídeos na Internet, e em termos de publicidade já é tão grandiosa quanto uma emissora de TV aberta. Alvaro Paes de Barros, diretor de conteúdo do YouTube Brasil, diz que se trata de uma das plataformas que mais cresce dentro do Google. No Brasil, marcas como C&A, L’Oreal, Itaú e P&G (com campanhas como “Vai Amarelar”, para a Gilette) têm criado campanhas engajadoras e eficazes. “No buscador do Google, 15% das buscas feitas a cada dia são novas, o que significa pessoas buscando coisas diferentes, a cada dia. Ao mesmo tempo, a rápida adoção de smartphones no País tem feito crescer tanto as buscas no Google como o próprio YouTube. Hoje, uma em cada quatro pessoas já assiste vídeos no YouTube via dispositivos móveis”, conta Barros. A empresa tem uma visão universal e igualitária para o business, vendo a Internet como a maior fonte de oportunidades iguais de todos os tempos. “Cada vez mais, as pessoas estão escolhendo e obtendo informações sobre aplicativos, ferramentas de busca gerais e específicas, redes sociais e uma infinidade de websites”, diz o diretor. Sobre a questão da privacidade de informações, Barros também tem o cuidado de esclarecer que “o Google não armazena o nome ou informações pessoais de seus usuários com anunciantes. Apenas reconhecemos o código (o cookie) armazenado no navegador e selecionamos os anúncios cujas categorias sejam associadas ao cookie”. Ele explica que o Google também não fornece os dados anônimos de navegação para qualquer anunciante ou terceiro e que, a qualquer momento, o usuário pode alterar suas configurações de anúncio e as categorias associadas a seu browser, parar completamente este tipo de publicidade ou bloquear os cookies. “O controle é do usuário”, arremata. O diretor do YouTube acredita que o entretenimento será multi-plataformas porque a audiência já é assim: as pessoas consomem o conteúdo que


gostam, seja na TV, no cinema, no computador, no celular ou no tablet. Ele diz estar sempre conversando com grandes produtores de conteúdo neste sentido e, recentemente, foi anunciada uma parceria com o SBT e a Endemol, para a criação de um quadro no programa da Eliana que utiliza o conteúdo dos usuários do YouTube. Alvaro Paes de Barros lembra que vários canais de TV aberta do Brasil, como Record, Rede TV, TV Cultura e o próprio SBT já são parceiros do YouTube, utilizando a plataforma para manter sua audiência engajada. A reportagem apurou junto a especialistas do mercado que a plataforma de vídeos também caminha para ter um faturamento próximo a alguns desses mesmos parceiros. Se em 2012 foram faturados R$ 180 milhões (valor não divulgado pelo YouTube), este volume deve quase duplicar neste ano e no próximo, até atingir R$ 1 bilhão no Brasil em 2015 – ou aproximada-

nosso índice de engajamento é um dos mais elevados”, complementa. O diretor também celebra o fato de se ter aproveitado o alto índice de audiência dos vídeos do SBT no YouTube como negócio, pois hoje quase todo o conteúdo que vai para Internet é comercializado. Um exemplo de sucesso foi a ‘pegadinha’ da “Menina Fantasma”, que ganhou o Prêmio youPix como viral de 2012. Ele vê a parceria inédita com o YouTube e o “Programa da Eliana”, que resultou em um novo quadro na atração, como mais um avanço nesse sentido. Quanto ao diferencial dos mecanismos da web, Valente também destaca o potencial da TV aberta. Para ele, cabe ao anunciante/agência avaliar o que está mais alinhado à sua estratégia. Segundo o executivo, o mais importante é não se paralisar diante de novos cenários: “Aqui acompanhamos as mudanças e buscamos sempre fortalecer o nosso negócio”, diz.

mente o faturamento do SBT hoje. Falando em SBT, o diretor comercial e de marketing da emissora, Glen Valente, acredita que TV e a Internet são mídias complementares. “A maioria das pessoas assiste à TV acessando a Internet. A Nielsen, inclusive, acaba de divulgar um estudo mostrando como os comentários no Twitter afetam positivamente a audiência da

os portais de vídeo a longo prazo serão concorrentes das mídias lineares. TV”, afirma. Daí que o SBT observa todos esses movimentos e vem firmando parcerias - como com o YouTube - para potencializar os seus resultados. Mas ele destaca também a presença em outras redes. Glen Valente descreve a plataforma de comunicação #Compartilhe da emissora. O SBT soma quase 2 milhões de fãs no Facebook – “e o que é mais importante,

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( internet) Ana Carolina Barbosa

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Première invertida

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mercado publicitário está cada vez mais atento às possibilidades da Internet. O meio já faz parte do planejamento de mídia feito por agências para anunciantes de diferentes perfis e muito vídeo já é feito com características e investimento de superprodução para estreia exclusiva ou em primeira mão nas mídias proprietárias das marcas, portais e no YouTube. O volume crescente de produções com esse perfil tem obrigado agências, anunciantes e produtora a pensar a mídia de forma diferente. Fábio Seixas, diretor da Concept, núcleo de novas mídias da Conspiração, observa o aumento da demanda por vídeos exclusivos para o ambiente online, embora a maior parte dos trabalhos da área ainda façam parte de campanhas de comunicação integrada. “Com a consolidação do YouTube como canal, vem aparecendo projetos que são 100% filmes, mas uns 70% dos trabalhos ainda não são só o filme, eles acompanham alguma outra entrega”, destaca. A área foi estruturada dentro da Conspiração há dois anos e meio para oferecer soluções completas dos trabalhos voltados para os meios digitais, desde a produção de websites e filmes até a gestão do projeto. “As agências já estavam se mexendo para esse caminho e faltava um fornecedor de peso para produzir esses materiais”,

FOTOS: divulgação

Marcas têm apostado em comerciais para estreia exclusiva ou em primeira mão na Internet. Investimentos podem ser tão altos quanto na TV, e mercado vê amadurecimento do meio, com consolidação do YouTube como canal.

Filme para Oral B, produzido pela Paranoid, virou hit na Internet e ganhou versão de 30 segundos para a televisão. Diretores observam que diferenças tecnológicas para os meios já não existe mais.

explica Seixas. A expectativa é fechar o ano com faturamento de R$ 12 milhões. Para ele, são dois grandes motivos que levam os anunciantes a investir nesse tipo de projeto: primeiro é poder aproveitar as tecnologias disponíveis e, em segundo lugar, engajar a audiência com um conteúdo mais profundo. Mesmo nas produtoras que não têm um departamento estruturado especificamente para a produção de vídeos para as campanhas de Internet, a demanda tem sido crescente. “Não é tendência, é fato, realidade. É uma mídia muito presente no mix dos anunciantes. De uns três anos para cá, produzimos muito”, observa Egisto Betti, produtor

Felipe Santos da África, ressalta que a grande vantagem da campanha em vídeo na web é a possibilidade de segmentação.

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executivo da Paranoid. Ele estima que hoje, o volume de produção de filmes publicitários para Internet varia em torno de 15% a 20% da área de publicidade. Cultura da linguagem A Paranoid produziu em fevereiro uma campanha para Oral B, da Procter & Gamble, que fez sucesso online e ganhou uma versão de 30 segundos para a televisão posteriormente. Os diretores escalados para o filme foram Breno Pineschi e Rafael Cazes, cujo portfólio é quase inteiramente formado por produções para a Internet. O filme da Oral B é protagonizado pelo apresentador Rodrigo Faro e carrega uma marca da dupla que é construir cenários e recursos bem artesanais. A peça tem foco na boca de Faro, que é também a boca de um personagem caricato cantando um jingle. “Na


FOTO: DIVULGAÇÃO

Internet você tem mais liberdade e uma audiência mais sincera. Na TV, você está pagando para uma pessoa assistir aquilo, mas na Internet a coisa só pega se você conquistar a pessoa”, observa Pineschi. Cazes destaca que a lacuna tecnológica entre a Internet e a TV está acabando. “Tem todo esse mercado que se abriu para filmes na web. Pode parecer que a qualidade é diferente, mas é preciso ter segurança, o filme tem que ter um bom acabamento”. Amilcar Oliveira, diretor da Delibistrot, também dirigiu dois filmes para P&G, um de Gillete e outro de Head & Shoulders estrelado pelo treinador Joel Santana. Ele acredita que produzir filmes para a Internet exclusivamente é uma escolha do cliente acreditar e querer fazer, mas isso não significa que os custos serão mais baixos porque o filme não vai inicialmente para a televisão. “O filme tem que contar aquilo que o roteiro está pedindo”, diz. “A gente vai entregar sempre o melhor material, tem que entender as características artísticas de cada filme”. Para Eduardo Tibiriçá, sócio e produtor executivo da BossaNovaFilms, estamos vivendo um período de transição e isso gera um desequilíbrio grande. Alguns anunciantes acabam subestimando os investimentos no online. “Temos que passar de uma cultura de mídia para uma cultura de linguagem”, ressalta. Ele observa também que a Internet é um ambiente mais democrático. Tanto um vídeo caseiro quanto uma campanha sofisticada podem virar hit. “Na Internet tudo pode e tudo é bem-vindo. Na TV, se você produz algo trash, você é escrachado”, diz. Na BossaNovaFilms, a equipe da área de publicidade atende tanto os jobs online quanto os

Filme de Head & Shoulders produzido pela Delibistrot: investimentos são proporcionais ao que pede o roteiro.

offline e tem talentos com perfis diferentes para cada produção. “Temos talentos diferentes para a Internet e para a televisão. Tem que ter vários diretores que atendem à necessidade de vários projetos, não de um único projeto. Precisamos de cada vez mais olhares. O que a gente busca é ocupar um lugar nesse território”, afirma.

tem que olhar a relevância. Como falar de sabonete íntimo na Internet sem fazer piada? É como ir para a TV. O jeito de falar tem que ser adequado. Na Internet, engajamento é a palavra”, destaca. Felipe Santos, diretor de mídia digital da África, lembra que ao optar apenas pelo vídeo no meio digital, o cliente tem que estar ciente de que a cobertura será construída em muito mais tempo, porém ele terá a certeza de que seu conteúdo está sendo visto e sem dispersão,

Investimento em mídia Enquanto as produtoras buscam as linguagens para atender à nova demanda, as agências têm trabalhado

Consolidação do YouTube como canal aumenta a demanda por comerciais exclusivos para a web. com foco em métricas, retornos e adequação de uma campanha ao meio Internet. Kevin Zung, diretor de criação da Publicis Brasil, afirma que o ranking criado em julho pelo YouTube para destacar os dez vídeos publicitários mais vistos mostra um amadurecimento do mercado. Dois trabalhos da agência ficaram no top 10, um para o sabonete íntimo Dermacyd e um para Dorflex, roteirizado e produzido pela equipe de “Porta dos Fundos”. Para Zung, não existe campanha que não possa passar pelo ambiente online, a questão é observar a relevância. “Acho que você

dependendo da segmentação e controle da freqüência. “Dependendo da plataforma utilizada, o anunciante pode ainda fazer remarketing, dando continuidade da mensagem a apenas aqueles que viram o filme”, acrescenta. Santos ressalta que a grande vantagem da campanha em vídeo na web é a possibilidade de segmentação. Ele conta que os anunciantes que priorizam os investimentos no meio Internet são em geral aqueles cujo centro do seu negócio envolve o ambiente digital, como por exemplo um e-commerce. “Contudo, estes buscam a TV aberta quando precisam fazer fixação da marca ou até mesmo atingir grandes patamares de vendas”, observa. Se na etapa de produção os custos podem ser tão altos quanto os

“Temos que passar de uma cultura de mídia para uma cultura de linguagem.” Eduardo Tibiriçá, da BossaNovaFilms

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(internet) “Nenhum filme viraliza sozinho. A gente fala de comunicação, tem que fazer um plano de mídia. Não dá para acreditar que vão fazer um filme bacana sem precisar comprar mídia.”

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de um filme para televisão, na hora de comprar mídia não há como escapar de grandes investimentos, embora eles sejam menores do que aqueles em mídia de massa. “Nossas maiores campanhas têm uma porcentagem grande de views orgânicos, mas sempre exigem um investimento inicial, para que o conteúdo seja descoberto”, afirma Santos. “Com a possibilidade de a audiência pular o vídeo após 5 segundos, os nossos criativos já sabem que nestes segundos iniciais a audiência precisa entender quem está falando. Lembrando que, se a audiência pular, o anunciante não pagará pelo view”. Zung concorda que os anunciantes que decidem trabalhar com vídeo na web têm que estar preparados não só para a produção, mas também para os inevitáveis custos de compra de mídia. “Nenhum filme viraliza sozinho. A gente fala de comunicação, tem que fazer um plano de mídia. Não dá para acreditar que vão fazer um filme bacana sem precisar comprar mídia”, diz. O publicitário acredita que quanto mais os clientes apostarem no meio, mais surgirão maneiras de se medir a eficiência das

Kevin Zung, da Publicis Brasil

campanhas. André Zimmermann, VP de agências do IAB Brasil (Internet Advertising Bureau), afirma a tendência global de crescimento do uso de vídeos exclusivos nas campanhas online, o que aconteceu um pouco mais tarde no Brasil, mas aumenta sempre mais com o crescimento contínuo do acesso à Internet e mais acesso á banda larga. “Neste momento, o vídeo online reúne toda a força do impacto audiovisual com a interatividade do meio digital”, enfatiza. “Hoje em vídeo online dá para medir todas as formas de engajamento,

chamam muito a atenção. As redes colocam novas soluções de vídeo. O Twitter comprou o Vine e o Guaraná Antártica logo estreou nesta plataforma”, observa o executivo. As apostas em vídeo na web principalmente para Guaraná Antártica são fortes dentro da empresa. A marca já usou vídeos para fazer promoção, como a da Páscoa, em que distribuiu ovos de chocolate em formatos de latinha em que os internautas deveriam buscar senhas nos vídeos da marca no YouTube e usá-las em mensagens na fanpage. Guaraná

O vídeo online reúne toda a força do impacto audiovisual com a interatividade do meio digital não só por visualização”. Zimmermann destaca que parte da atração da mídia digital está também no fato de ser um meio em evolução, oferecendo sempre novas maneiras de interagir com o usuário e comprar mídia. Aposta constante Leonardo Longo, gerente inovação digital da Ambev, conta que a empresa tem testado várias possibilidades de vídeo no ambiente digital. “Vídeos

Promoção de Páscoa do Guaraná Antártica usou vídeos no YouTube. Marca experimenta possibilidades no ambiente digital.

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Antártica também investe em superproduções para web, como o “Le Petit Parkour”, para divulgar a embalagem caçulinha. Por política da empresa, todos os comerciais que vão para a televisão também têm estreia na Internet. “Se você faz conteúdo para se propagar mesmo, você precisa de uma alta compra de mídia por trás. Sempre usamos nossas mídias proprietárias, base de fanpage, CRM, website. Depois conseguimos acompanhar em tempo real para ver se precisa de mais mídia comprada”, diz. “A gente é muito xiita nessa parte de métrica, acompanhamento de repercussão qualitativa”. Longo explica que a Ambev deve continuar apostando no meio e ampliando os investimentos conforme o alcance da Internet aumente. “A Internet atinge 60% dos consumidores. Tem um limite de alcance. Como canal de comunicação depende também do aumento da capacidade de banda, novos entrantes e infraestrura”, observa.


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( making of )

Lizandra de Almeida

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Em busca do homem-jaca Itu, onde filmamos o ator saindo do guarda-roupa em um pasto, para também fazer a cena em que ele está embaixo d’água, já que tinha uma piscina.” Os efeitos especiais foram produzidos pela Insônia Filmes e pequenos truques amarram as cenas e criam situações engraçadas, como a do menino que coloca o braço inteiro dentro de um prato de sopa para pegar algo que caiu ali ou as passagens feitas a partir de uma composição da próxima cena no olho do protagonista. A cena final mostra a banda em ação e o público aparece com máscaras de animais. Chico conta que o show foi programado para ser a última sequência a ser filmada, para que também fosse uma comemoração do fim da gravação. “Convidamos os amigos da banda para assistir ao show e distribuímos as máscaras para eles usarem durante a gravação.” A primeira apresentação do clipe aconteceu no show de lançamento da banda no Auditório do MIS, no dia 21 de setembro.

FOTOs: divulgação

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omo apoio ao Festival de Clipes e Bandas promovido pelo Museu da Imagem e do Som de São Paulo para descobrir novos talentos musicais e audiovisuais, a produtora BossaNovaFilms produz um videoclipe para a banda vencedora. Este ano, a banda premiada foi Thiago e os Quase Quinze, que ganhou um videoclipe quase curta-metragem da música “Quem também quer saber”. O clipe foi dirigido por Chico Gomes, integrante do coletivo Expresso4 Filmes, e mais do que registrar momentos da banda, conta a história de um palhaço que tem sua namorada sequestrada pelo temível homem-jaca, personagem que ilustra o encarte do CD da banda – referência ao quadro de Magritte “O filho do homem”, que mostra um homem de terno e chapéu atrás de uma maçã, substituída pela banda por uma fruta mais tropical. No filme, o vocalista Thiago Pires é o palhaço que perde a namorada e se envolve em situações insólitas tentando encontrá-la. A produção de alto nível envolveu muitos atores e figurantes, figurino, fotografia, maquiagem e direção de arte profissionais, em 11 locações – que vão do Parque do Carmo, na zona leste de São Paulo a uma fazenda em Itu. “Fizemos um planejamento muito detalhado, decupamos cada cena, visitamos e produzimos cada locação, porque todos trabalharam em suas horas livres. Foram muitas diárias, mas fizemos tudo com calma”, explica o diretor Chico Gomes. O vilão homem-jaca foi criado pelo escultor Glauco Longhi, que construiu uma máscara de silicone em látex. “Era muito confortável,

O escultor Glauco Longhi criou uma máscara de silicone em látex para o vilão do filme. com um capacete por dentro que apoiava a cabeça e vários furinhos que permitiam respirar e enxergar”, conta Chico. “O ator, aliás, é um amigo meu que está começando e estava louco para atuar. Apesar de estar de máscara o tempo todo, ele adorou.” O palhaço protagonista começa fugindo do vilão, que depois sequestra a mocinha. Na fuga e na perseguição, encontra outros personagens estranhos, se vê dentro da privada, pula de uma locação para outra, em cenas cheias de efeitos. “Aproveitamos a locação da fazenda em 38

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ficha técnica ProduçãoBossaNovaFilms Coprodução Expresso4 filmes  Direção Chico Gomes Roteiro Expresso4 filmes Produção executiva Denise Gomes  e Paula Cosenza Dir. de fotografia Pedro Moscalcoff Direção de arte Maira Fridman e  Lina Fridman Assist. de produção Mariana Marcondes,  Bruna Bittar e Twyla Hase Maquiagem Lívia Piacentini Escultor Máscara Homem Jaca Glauco Longhi Montagem Chico Gomes, Pedro  Moscalcoff e Jorge Mendes Efeitos visuais Jorge Mendes Storyboard Marcos Machado Prep. de elenco Marcela Sampaio       Finalização Insônia Filmes 


Cobertura especial timing de gravação, edição e entrega dos conteúdos. Foram sete matérias diárias inéditas, captadas a partir da entrada do público no evento às 14h. Toda a equipe tinha de estar afinada para enfrentar as variações de clima, a dispersão do público no início da tarde e o som depois que os shows começavam. Além do núcleo de gravação da produtora KN, que contou com roteirista, duas produtoras, diretor, cinegrafista e assistente de áudio e dois editores, as equipes de marketing do Multishow, da área comercial da Globosat e de mídias sociais da Coca-Cola também acompanharam todo o processo. Na captação, foi usada uma câmera F700 da Sony, para que a qualidade de imagem não destoasse da imagem transmitida ao vivo do evento. Para garantir que o material ficasse pronto no prazo, foi montada uma ilha de edição no próprio evento. ficha técnica Ação da Coca-Cola em parceria com o Multishow no Rock in Rio produziu ações de merchandisign e cinco matérias em vídeo para web por dia.

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urante a realização do Rock in Rio, nos dias 13 a 15 e 19 a 22 de setembro, a Coca-Cola e o Multishow fizeram uma cobertura diferente, com ações de branded content, ou seja, de conteúdo patrocinado pela marca, para exibição na TV e na web. A apresentadora Cix, que também fez o reality show “Nós 3”, exibido pelo canal, acompanhou o evento da plateia, produzindo duas ações de merchandising para TV e cinco matérias de vídeo para web por dia. As ações de merchandising eram captadas durante o dia e veiculadas

durante a transmissão ao vivo do evento. As matérias foram postadas diariamente também, em uma área especial para a marca Coca-Cola Zero no site do canal. A campanha divulga o aplicativo CocaCola Zero Música, que permite escanear a nova linha de latas com ritmos musicais e criar playlists no celular ou no computador. A ideia era levar a experiência do show para quem não pôde estar no evento. A partir das entrevistas e matérias produzidas durante evento por Cix, quem está em casa também era provocado a interagir pelas redes sociais da marca, sugerindo pautas para a repórter. O grande desafio da produção foi o

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Agência Ogilvy & Mather ClienteCoca-Cola Produto Coca-Cola Zero V.P Nacional de Criação Anselmo Ramos Dir. executivo  Paco Conde, de criação Roberto Fernandez Dir.de criação Guiga Giacomo Redatores Beto Cocito, Luis Felipe Figueiredo Diretores de arte Alexandre Souza,  Douglas Kozonoe,  Breno Balbino ProdutoraRebolucion Direção Marcelo Burgos Codiretor Tatiana Delamare Dir. de fotografia Christos Voudouris Direção de arte Denis Netto Prod. executivo Ciro Cesar Silva Figurino Domingos Alcântara Pós-produçãoCasablanca


FOTOs: divulgação

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Produtora e canal passaram um ano desenvolvendo o formato de reality de competição de culinária.

Cozinheiros em Ação Moonshot Pictures e GNT desenvolveram durante um ano reality show de culinária para cozinheiros amadores, o primeiro formato criado pela produtora.

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competição entre cabeleireiros, e “Desafio de Beleza”, disputa entre maquiadores, a Moonshot assinou as versões brasileira do “Next Top Model”, para a Sony. “Havia dois desafios básicos. Um era fazer a mecânica funcionar. Outro era a forma de realizar, fazer um guia”, explica o produtor. Para ele, a principal questão era o gerenciamento do projeto e chegar a uma equação para desenvolver um programa de uma hora para a TV paga e com orçamento limitado. Outro fator fundamental para o sucesso de uma atração com esse perfil é a escolha dos participantes. Além de bons cozinheiros

GNT e a Moonshot Pictures passaram um ano desenvolvendo o reality show “Cozinheiros em Ação”, que estreou no fim de setembro na grade do canal. Segundo Roberto D’Ávila, sócio da produtora, o GNT queria uma atração de uma hora e, como a produtora já vem trabalhando com o canal há algum tempo, produzindo programas como a série “Sessão de Terapia” e os realities shows “Por um Fio” e “Desafio de Beleza”, eles começaram a construir o projeto de uma competição de gastronomia apresentada por um dos talentos da casa, o cozinheiro Olivier Anquier. D’Ávila destaca que a experiência que a produtora acumulou na adaptação de formatos estrangeiros contribuiu com o conhecimento necessário para criar um formato próprio. Além de “Por um Fio”, uma

“Cozinheiros em Ação” foi inteiramente financiada pelo canal e vai cumprir a cota de programação nacional. 40

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amadores, eles precisavam ter histórias interessantes. O casting foi escolhido por meio da candidatura das pessoas que viram anúncios em blogs especializados e no site do canal. Parte dos participantes também foi escolhida por indicações e por pesquisa da produção. Os 18 selecionados têm perfis bastante diferentes, com idades que variam entre 21 e 71 anos e são moradores de diferentes regiões do País. Mecânica Em “Cozinheiros em Ação”, os 18 participantes foram divididos em dois grupos de nove. São 13 episódios no total e nos primeiros seis há duas eliminações, uma para cada grupo. Os cozinheiros são testados em tarefas básicas, como fazer pratos com peixe, carne ou comida vegetariana. Os que resistem à primeira etapa ganham tarefas mais

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( case) elaboradas na segunda fase. E o grande vencedor leva um prêmio de R$ 10 mil, eletrodomésticos e um jantar com o apresentador. A equipe escolheu os chefs profissionais Ivan Achcar, Mônica Rangel e Renata Vanzetto como júri fixo do programa. Eles supervisionam os participantes durante a execução das provas e experimentam os pratos, avaliam e decidem quem deve deixar o programa e quem se destacou. D’Ávila destaca que era essencial para o sucesso do reality show que os jurados se comportassem com naturalidade e tivessem uma boa relação entre si. Da mesma forma, era preciso apresentar os participantes e mostrar suas histórias ao longo do programa, para que o público pudesse reconhecê-los e estabelecer identificação com os personagens. O produtor conta que enquanto a pré-produção era feita, uma equipe trabalhou em mini-documentários sobre a vida dos participantes, que são inseridos ao longo da atração, conforme o destaque que cada cozinheiro amador tem nos episódios e na competição. Diferente de muitos reality shows de competição, a equipe optou por não confinar os “Cozinheiros em Ação”. Os participantes ficaram hospedados em São Paulo, onde o programa era gravado, mas tinham contato com o mundo exterior. As gravações aconteceram em quinze dias, entre junho e julho deste ano, nos Estúdios Quanta, em São Paulo. Quatro meses antes das gravações, foi preciso fazer um projeto especial para que o gás de cozinha pudesse ser levado ao estúdio, o que era imprescindível para a prova, numa questão que mobilizou até os bombeiros. O cenário também foi planejado de modo a oferecer um ambiente bastante intimista, lembrando uma casa. A produção também precisava de uma logística muito bem estruturada,

Sinopse: Olivier Anquier comanda o reality show em que 18 candidatos disputam o título de melhor cozinheiro amador do Brasil e um prêmio de R$ 10 mil, além de eletrodomésticos e um jantar com o apresentador. Os participantes realizarão diversas provas e serão avaliados por um júri formado por chefs profissionais.

em Ação Cozinheiros(13 episódios de 60’)

ty show Formato Reali res Moonshot Pictu Produtora Roberto D’Ávila ução Direção e prod

pois ao longo desses quinze dias era preciso ter os mais diversos alimentos frescos para que os participantes pudessem elaborar seus pratos. Com quatro equipes de câmeras, os produtores se dividiam entre registrar as provas, as reações dos funcionários e entrevistas com os participantes, que entram na montagem do programa, mostrando a relação entre os competidores nos bastidores. Formato nacional Segundo D’Ávila, o que vai acontecer com o formato de agora em diante depende da reação da audiência. Existe a vontade de levá-lo para o mercado internacional, independentemente ou por meio de uma grande empresa de formatos, para que ele possa ser reproduzido em outros países. No GNT, o 42

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programa estreará em horário nobre, cumprindo a cota de programação nacional imposta pela Lei 12.485. A questão dos formatos é um ponto que foi bastante questionado quando a lei foi aprovada, já que muitos formatos com boa performance comprovada no exterior não serviriam para cumprir cotas mesmo se produzidos por produtoras brasileiras. Para D’Ávila, a lei impulsiona as produtoras brasileiras a criarem formatos e os canais a apostarem em coisas novas. “Talvez fosse mais confortável para o canal comprar formato e pedir a adaptação do que fazer o formato do zero, que custa mais caro e tem resultados mais incertos”, explica. ana carolina barbosa


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Mais 4K

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Sony demonstrou na IBC, que aconteceu em setembro em Amsterdã, sua linha de soluções para produção em 4K, cobrindo diversas áreas da produção audiovisual, como TV, cinema, eventos e documentários. Além das soluções já conhecidas, a Sony anunciou a camcorder 4K handheld profissional PXW-Z100, que conta com sensor Exmor R CMOS de 1/2.33”. O sensor tem 16 milhões de pixels e capta conteúdo em 4K a 50p ou 60p. A camcorder mira do mercado de cinema high end, até o corporativo e de eventos. Usando o formato de gravação XAVC, o equipamento grava na resolução 4096 x 2160, 50p ou 60p, 4:2:2, Intraframe, 10-bit, em arquivos MXF. Desta forma, pode usar os bit rates de 500Mbps ou 600Mbps. Um upgrade gratuito do firmware está planejado para meados de 2014, permitindo a gravação no modo Long GOP em AVCHD.

Camcorder 4K handheld PXW-Z100 grava em formato XAVC.

A camcorder usa cartões de armazenamento em memória em estado sólido XQD, baseado em uma interface ultra-rápida PCI Express. São dois slots disponíveis, permitindo, inclusive, que a gravação continue no segundo cartão quando a capacidade do primeiro acabe, sem cortes. Uma porta porta HDMI permite exibir conteúdo 4K em 50p ou 60p nas TVs compatíveis da Sony. No futuro, um upgrade no firmware deve dar ao equipamento compatibilidade com o novo padrão HDMI 2.0, permitindo exibir o conteúdo em uma gama maior de equipamentos. A camcorder conta ainda controle remoto por wifi para funções de foco, zoom, abertura, além dos comandos de gravar e parar a gravação. Um smartphone ou tablet pode fazer as vezes de controle remoto.

Inserção remota

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inserção de publicidade regional pode ser feita sem a necessidade de instalação de um playout de vídeo em cada localidade. A International Datacasting apresentou na IBC 2013, em Amsterdã, o equipamento de inserção de publicidade Laser. Trata-se de um video receiver para estação de transmissão (no caso de emissoras de TV) ou headend (para TV por assinatura) que recebe o sinal do satélite ou de uma plataforma IP. Paralelamente ao sinal de vídeo, a geradora pode enviar arquivos com os filmes de publicidade, que ficam gravados no próprio receptor. Segundo o VP de produto da empresa, Walter Capitani, através do produto é possível programar o comercial de

Video receiver faz a inserção de comerciais locais, eliminando necessidade de um servidor playout.

acordo com a localidade, com a caixa receptora substituindo um vídeo do stream ao vivo por outro previamente gravado. A gestão é feita remotamente. Segundo Capitani, trata-se de uma solução para a venda de publicidade regional; para anunciantes que querem fazer campanhas regionalizadas, mas com compra nacional de publicidade; para questões regulatórias, como proibição de publicidade de determinado target ou produto em alguma região, ou em algum fuso horário.

AVC-Ultra portátil

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Panasonic apresentou na IBC em Amsterdã sua primeira câmera handheld baseada no formato AVC-Ultra. A AJ-PX270 grava nesse formato em cartões P2. O equipamento oferece uma série variável de bit rates, podendo gravar no AVC-Intra 100 e em AVC-LongG (que grava em 1920x1080 10bit 4:2:2). A camcorder traz dois slots embutidos para cartões microP2, bem como lentes embutidas com zoom de 22x, cobrindo ângulos de 28 mm a 616 mm. A handheld apresenta ainda um workflow wireles, através de um dongle wireles LAN. Deve receber em breve suporte a um dongle 3G/4G/LTE.

AJ-PX270 é a primeira câmera handheld baseada no formato AVC-Ultra.

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( agenda ) 6 a 13 American Film Market, Santa Mônica, EUA. Tel.: (1 310) 446-1000. E-mail: AFM@iftaonline.org. Web: www.americanfilmmarket.com Fórum de discussões jurídicas sobre o mercado de telecomunicações, TI e comunicações. Debate a regulamentação de conteúdos audiovisuais e novas plataformas de mídia. 3 a 4 de dezembro Seminário Internacional ABDTIC, São Paulo, SP. Tel: (11) 0800 77 15 028. Email: inscricoes@convergecom.com.br

O novo ecossistema de desenvolvimento de aplicativos para smart TVs na visão dos principais players. 7 de novembro TV.Apps, São Paulo, SP. Tel: (11) 0800 77 15 028. E-mail: inscricoes@convergecom.com.br Web: www. convergecom.com.br

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Revista Telaviva - 241 - Setembro de 2013  
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