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televisão, cinema e mídias eletrônicas

ano 16_#174_ago2007

SEM ACORDO Radiodifusão e TV por assinatura seguem caminhos individuais na migração para a TV digital.

PUBLICIDADE Agências miram novas mídias, mas ainda dependem da televisão

TECNOLOGIA Como conviver com os diferentes formatos de HD


FOTO: MARCELO KAHN

( editorial ) André Mermelstein a n d r e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Presidente Diretor Editorial Diretor Editorial Diretor Comercial Diretor Financeiro Diretor de Marketing

Rubens Glasberg André Mermelstein Samuel Possebon (Brasília) Manoel Fernandez Otavio Jardanovski Leonardo Pinto Silva

Editor Tela Viva News

Fernando Lauterjung

Redação

Coordenadora de Projetos Especiais Sucursal Brasília Arte

Departamento Comercial

Gerente de Marketing e Circulação Administração

Webmaster Central de Assinaturas

Letícia Cordeiro Mariana Mazza (Repórter) Carlos Edmur Cason (Direção de Arte) Debora Harue Torigoe (Assistente) Rubens Jardim (Produção Gráfica) Geraldo José Nogueira (Editoração Eletrônica) Roberto Pires (Gerente de Negócios) Patricia Linger (Gerente de Negócios) Ivaneti Longo (Assistente) Gislaine Gaspar Vilma Pereira (Gerente) Gilberto Taques (Assistente Financeiro) Marcelo Pressi 0800 0145022 das 9 às 19 horas de segunda a sexta-feira www.telaviva.com.br assine@convergecom.com.br

Redação E-mail

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Impressão

A

Daniele Frederico Humberto Costa (Colaborador) Lizandra de Almeida (Colaboradora)

Internet E-mail

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Dissonância penetração da TV por assinatura na classe A no Brasil é de 70%. Na classe B, 25%. São quase 4,5 milhões de lares que recebem seu sinal de TV via cabo ou DTH. É um público visado pela indústria no lançamento de qualquer novo produto ou serviço, pois são os chamados “early adopters”, aqueles que estão dispostos a pagar mais para ter acesso às últimas tecnologias, que assim ganham escala para reduzir preços, tornando-se cada vez mais acessíveis às classes mais baixas. O DVD é um bom exemplo. Há pouco mais que cinco anos, um aparelho custava R$ 2 mil. Hoje custa R$ 200, com melhores funcionalidades. No planejamento da TV digital brasileira, porém, esta lógica não foi adotada. Sob um discurso de que a TV por assinatura era elitizada, e de que a TV aberta deveria dar tratamento igual a todos, os atores do segmento, especialmente os radiodifusores, deixaram de elaborar uma estratégia de entrada da TV digital em consonância com as operadoras de TV por assinatura. E a TV por assinatura também evitou levantar polêmica, seguindo seu próprio caminho. O resultado: quando a TV digital terrestre entrar no ar, em dezembro deste ano, o assinante de cabo e DTH terá duas opções. Ou comprará o set-top box e a antena da TV aberta (por bem mais que os R$ 100 prometidos pelo governo), e terá que conviver assim com mais um controle remoto, além da inconveniência de ter que chavear o sistema a cada troca de serviço, ou se contentará com a oferta eventual de alta definição e interatividade de sua operadora (que poderá cobrar alto, no mínimo pelo novo set-top HDTV). Ou seja, o público que poderia ser a plataforma de lançamento do sistema, com suas TVs de plasma e LCD, criando cultura e escala para a disseminação do serviço, foi deixado de lado, como se vê em matéria nesta edição. Quando se trata da relação entre TV aberta e TV por assinatura, cada um fala por si.

***

(11) 3214-3747 comercial@convergecom.com.br Ipsis Gráfica e Editora S.A.

Tela Viva é uma publicação mensal da Converge Comunicações - Rua Sergipe, 401, Conj. 605, CEP 01243-001. Telefone: (11) 2123-2600 e Fax: (11) 3257-5910. São Paulo, SP. Sucursal Setor Comercial Norte - Quadra 02 Bloco D - torre B - sala 424 - CEP 70712-903. Fone/Fax: (61) 3327-3755 Brasília, DF Jornalista Responsável Rubens Glasberg (MT 8.965) Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A

Perdemos no dia 6 de julho nosso grande amigo Carlos Eduardo Zanatta, jornalista exemplar a quem prestamos homenagem nesta edição. Colega de redação há 12 anos, como chefe de nossa sucursal de Brasília, partiu precocemente, aos 55 anos. Zatts (como o chamávamos) não era um repórter do tipo que apenas relata o que viu ou ouviu. Sua marca sempre foi o envolvimento com todos os temas ligados às comunicações, um envolvimento apaixonado, sem nunca perder a objetividade e o cuidado com a pluralidade de opiniões. Quando ainda assessor do PT no Congresso, participou ativamente dos debates que culminaram na Lei de TV a Cabo (1995), que permitiu entre outras coisas o surgimento dos canais universitários, legislativos e comunitários. Pouco depois, juntou-se à empresa que edita TELA VIVA e suas revistas irmãs (Teletime, TI Inside e o boletim Pay-TV News). Zanatta já está fazendo muita falta. A sua família, a seus leitores, seus amigos, e a mim, que tive a felicidade de conviver com essa figura incrível por todos estes anos.

ILUSTRAÇÃO DE CAPA: CARLOS FERNANDES/GILMAR

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( índice ) TV digital

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As divergências entre broadcast e TV paga na migração digital

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Figuras

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Evento

30

Congresso ABTA 2007 marca chegada das teles à TV paga

Publicidade

32

Agências apostam no online, mas mantém dependênciada mídia tradicional

Regulamentação

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Governo e empresas chegam a consenso na classificação indicativa

Audiência

42

TV por assinatura

44

Abril aposta em canais de nicho

Programação

46

Multishow abre as portas à produção nacional

30

Making Of

48

Produção

50

Bons ventos para a animação

Convergência

54

Canal paranaense leva conteúdo ao Japão 62

Tecnologia

56

As melhores opções de alta definição para cada tipo de produção

60

Radiodifusão

60

Congresso da Set prepara-se para o digital

Upgrade

62

Memória

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Tributo a Carlos Eduardo Zanatta

Agenda Acompanhe as notícias mais recentes do mercado

telavivanews www.telaviva.com.br 4

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BANDA LARGA EM ALTA Um estudo do Ibope Mídia confirma a tendência de evolução da banda larga. Entre os internautas que afirmaram não ter acesso à Internet rápida, 42% pretendem adquirir o serviço nos próximos seis meses. Mais de 70% das pessoas da classe A acessam Internet em seus domicílios. Independente da classe sócio-econômica, mais de um terço das pessoas que acessam a Internet de seus domicílios não o fazem de nenhum outro lugar. O estudo ouviu oito mil pessoas acima de 16 anos. Sobre o serviço de TV por assinatura, a pesquisa mostra que ele está em dois terços das residências da classe A, principalmente na região Sudeste e nas capitais do Brasil. 71% dos que utilizam este tipo de serviço pretende permanecer com a mesma operadora e o mesmo pacote.

Ídolo virtual O programa “Ídolos” ganhou uma versão na web. O site, intitulado “Chiclets Ídolos”, é uma parceria entre a Cadbury Adams e o SBT, que também inclui o patrocínio no programa. A marca “Ídolos”, pertencente à Fremantle Media, foi licenciada especialmente para essa promoção. Toda a operação tem investimentos de cerca de R$ 3 milhões. No site www.chicletsidolos.com.br, os internautas podem criar um avatar e enviar arquivos de áudio ou vídeo para participar do concurso. O escolhido como “ídolo virtual” será convidado a cantar uma música no programa de TV.

TV PÚBLICA EM SÃO PAULO A TV Brasil, nome da TV pública em fase de montagem pelo Governo Federal, não ficará sediada apenas em Brasília e Rio, onde estão, respectivamente, as sedes da Radiobrás e TVE (embriões da emissora). Uma estrutura considerável deve ser montada em São Paulo. Fala-se em até 85 pessoas, mas fontes da Secretaria de Comunicação Social do governo (responsável pela formatação do projeto) dizem que este número deverá ser menor inicialmente. Várias opções de sedes estão sendo buscadas. A que parece estar mais bem encaminhada são as antigas instalações da rede CNT, que seriam alugadas, inclusive com parte dos equipamentos. A ênfase em São Paulo deve-se, além da importância óbvia do Estado, ao fato de que é na capital paulista que começarão as primeiras transmissões de TV digital. Ainda não está definido onde será a sede geral da TV Brasil, mas é provável que seja no Rio, onde a TVE tem grande estrutura. A tendência é que lá fique baseada a parte de produção de programas de cultura e educação. Brasília deverá ter um papel mais central na produção jornalística, e a estrutura de São Paulo navegará nos dois universos. 8

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Sociedade para o conteúdo Ao contrário de muitas produtoras, que montaram as suas divisões de conteúdo para cinema, dramaturgia para a TV e novas mídias, a Movi&Art, comandada por Paulo Dantas, associou-se à Samba Multimídia para montar a Samba Movi&Art. A empresa foi fundada com o intuito de produzir conteúdo para a televisão, para novas mídias e branded entertainment. A Samba entra com o expertise em projetos, enquanto a Movi&Art disponibiliza a sua Paulo Dantas (no alto) e estrutura física. Com a mudança, a Rogério Gallo: sócios na proSamba passa a operar no mesmo dutora de conteúdo. prédio da Movi&Art. “Podemos trabalhar tanto com conteúdos e formatos próprios, quando com modelos desenvolvidos junto com as agências”, diz Rogério Gallo, sócio da nova empresa. Inicialmente, a nova produtora trabalha com uma equipe fixa de cerca de dez pessoas. Na área de produção de conteúdo, a Movi&Art tem uma parceria com a LC Barreto, do diretor Bruno Barreto, para a produção de filmes para o cinema. No momento, a nova produtora prepara o lançamento de um projeto de dramaturgia para TV com Barreto.

Na TV e na Internet A linha Hot Pocket, da Sadia, ganhou uma nova campanha, criada pela DM9DDB, para apresentar o Hot Pocket X-Burger e o Hot Pocket XFrango. O filme se passa em uma balada, com a apresentação de um DJ, quando, de repente um “apagão” interrompe a música, deixando todos no escuro. Os seguranças da festa encontram a causa do incidente: um garoto havia desplugado a fiação das caixas de som para ligar o microondas e fazer o seu sanduíche Hot Pocket. A produção é da Delicatessen Filmes, com direção de Gustavo Leme. A animação ficou por conta da Laruccia. Os consumidores podem ainda se inscrever no concurso cultural Hot Pocket, por meio do hotsite da linha (www.hotpocket.com.br), desenvolvido pela Agência Click. Para participar o internauta deve enviar um vídeo, com duração de 1 minuto e 30 segundos, com o tema: “o que você faz enquanto espera seu Hot Pocket ficar pronto”.

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Música e animação O novo DVD da banda Eva, realizado pela Maria Bonita Filmes, conta com uma produção cheia de efeitos especiais e a participação de quatro diretores da produtora. São eles: Daniel Santos, na direção de vídeo, Lawrence Tan, na área de 3D, Johnny Schlittler, na direção de arte digital e Robério Braga, que assina a direção geral. Além do show, o DVD conta com diferentes efeitos digitais: animação, composição 2D e animação 3D. Para cada música foi criado um cenário eletrônico. A idéia é que os personagens “saiam” do cenário e sejam colocados em primeiro plano. O DVD, que será lançado em outubro, terá ainda um clipe inteiro em 3D, realizado por Lawrence Tan.

JOINT-VENTURE SAI DO PAPEL A Playboy do Brasil Entretenimento S/A, uma joint-venture entre a Globosat e a Playboy TV da América Latina começou a ser implementada em julho. Sob o comando do diretor Mauricio Paletta, a operação começou com a estruturação da nova marca e do conselho consultivo da empresa, composta 60% pela Globosat e 40% por sua sócia. Uma das promessas é nacionalizar ainda mais o conteúdo do Sexy Hot, voltado para o público heterossexual. A meta é que a grade alcance programação 80% nacional, preferência entre assinantes e ex-assinantes, segundo pesquisa encomendada pela Globosat. Além do Sexy Hot e da Playboy TV, a nova programadora tem ainda mais oito canais, voltados para diferentes públicos, que podem ser lançados em 2008 e 2009.

Todo o mundo ganha Nos EUA, 81 milhões de pessoas vêem vídeos pela Internet. Esse foi o resultado de um estudo conjunto realizado pela empresa de pesquisas Nielsen, por encomenda da Cable & Telecommunications Association for Marketing (CTAM). Esse número representa 63% dos 129 milhões de usuários de Internet nos EUA. Em setembro do ano passado esse número era de 70 milhões. Ao mesmo tempo, o estudo aponta que a audiência de TV foi pouco afetada no período. Segundo a Nielsen, a audiência de vídeo na Internet soma-se à de televisão.

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Jack Bauer em português Em meio a reclamações de espectadores manifestadas na Internet, o canal Fox passou a exibir toda a sua programação dublada nesse mês de julho. A programadora diz que está trabalhando junto às operadoras para atender aos que preferem assistir a programação no idioma original e com as legendas, o que é possível de ser feito na base digital.

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FOTOS: DIVULGAÇÃO

FOTO: TV GLOBO/DIVULGAÇÃO

( scanner ) No cinema

NOVO QUADRO COM ESPÍRITO “CÂMERA NA MÃO” Ao contrário dos quadros humorísticos exibidos nos últimos anos pelo “Fantástico”, a nova atração do programa,“Te Quiero América”, é um drama de ficção com toques de realidade. A série trata de uma história de amor fictícia que se passa na América do Sul, mas com a participação de personagens reais, encontradas nos nove países do continente por onde a produção do programa passou. O novo quadro, que estreou em 15 de julho, tem a direção de Luiz Villaça. No total, foram 45 dias de gravação, que resultaram em onze episódios de dez minutos cada (os dois primeiros capítulos têm 15 minutos). O quadro ganhou um blog, hospedado no site do “Fantástico”, com histórias e fotos da viagem, além de links que dão acesso aos capítulos da série. A Cinema Animadores é a responsável pelas animações da atração, tanto na abertura e quanto nos mapas que mostram os trechos percorridos pelos personagens do quadro. O espírito “câmera na mão” foi adotado para a abertura e para os mapas.

O diretor de comerciais da Companhia de Cinema, Sérgio Glasberg, prepara a sua estréia no cinema. O seu primeiro curtametragem, baseado no conto “Pegou um Axé”, do livro “Ninguém é inocente em São Paulo”, do rapper Ferréz, está em fase de captação de recursos. O curta de humor, que aborda o preconceito à pobreza, terá a participação de atores escolhidos entre os moradores do bairro da periferia paulistana Capão Redondo.

“User generated content” remunerado Depois da Claro, é a vez da Oi lançar um serviço com vídeos produzidos pelos próprios usuários e oferecer um sistema de remuneração para os autores dos conteúdos mais baixados. O “Vc na Tela”, como foi batizado o serviço da Oi, utiliza um modelo bem parecido com o “Videomaker” da Claro, ambos desenvolvidos pela Compera. Os vídeos são enviados através de MMS ou pelo site criado para o serviço

(www.vcnatela.oi.com.br). Os trabalhos devem ter duração máxima de 30 segundos. Uma vez enviado o vídeo, uma equipe da operadora verifica se o conteúdo não fere direitos autorais de terceiros. Cada download custa R$ 0,99, dos quais R$ 0,10 são destinados ao seu autor. A partir de R$ 20 acumulados, o autor pode solicitar o pagamento pela Oi diretamente em sua conta bancária.

O Brasil já conta com um serviço de autoração em Blu-ray Disc. A Artmosfera, que realiza autoração de DVDs desde 99, começou a oferecer o serviço no início de julho, com um investimento de cerca de US$ 30 mil em equipamentos. Embora o player ainda não seja comercializado em larga escala no País, o sócio Peter Gatz Birle acredita ser importante estar equipado para trabalhar com qualidade máxima para atender ao mercado, mesmo que não haja uma demanda imediata. Autorar um Blu-ray Disc custa cerca de três vezes o calor Peter Gatz Birle do mesmo serviço para um DVD. O primeiro trabalho nesse segmento foi de um vídeo corporativo. Para 2008, a Artmosfera deve lançar uma produtora de vídeos em alta-definição, com foco em vídeos corporativos.

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Com foco em filmes corporativos e comunicação empresarial, a produtora Mirabilis, da executiva Ana Silvia Sartori (ex-Canal Y), será lançada em agosto, em São Paulo. A produtora dá início às suas atividades com clientes como Toyota, WWF Brasil, PricewaterhouseCoopers e Hospital Sírio Libanês. A produtora conta, inicialmente, com dez profissionais fixos e Deize Belgamo no comando da produção executiva. Além da área corporativa, a Mirabilis realiza serviços de integração, treinamento, endomarketing, TV corporativa, comercial, lançamento de

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FOTO: VICENT SOBRINHO

PRODUÇÃO CORPORATIVA

Autoração em HD

Ana Silvia Sartori

produtos, documentários, memória empresarial, transmissão simultânea, transmissão via internet, e outras. A produtora pretende também atender a publicidade. O primeiro cliente nesta área é a fábrica e rede de lojas de móveis Formato.


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NEGÓCIOS PONTO COM A Fox International Channels, pensando na expansão para novas mídias, comprou a Digital Ventures, que tem, entre outras empresas, a Directa Network, rede de vendas de publicidade online para os mercados das línguas portuguesa e espanhola. A empresa fará parte de uma nova unidade de negócios online, a Ponto Fox. A Directa Network dará origem à DirectaClick.Fox, com escritórios em Buenos Aires, México, Guatemala, São Paulo e Madrid, além da rede de escritórios comerciais da Fox em Miami, Santiago, Bogotá e outras praças. A Fox passará a contar ainda com novas divisões para as mídias convergentes. A Integra.Fox, por exemplo, será especializada em vídeo para internet na América Latina, operando 35 sites. A área de pesquisa de mercado da Digital Ventures se chamará inZearch.FOX, enquanto a Performa.Fox se concentrará em anúncios contextuais e in-text.

FOTO: DIVULGAÇÃO

( scanner ) Revista eletrônica incentivada O canal TNT estréia em de setembro o primeiro programa de sua grade que utiliza recursos do Artigo 39 da MP 2228-01. Trata-se de “TNT+Filme”, uma revista eletrônica sobre cinema, que está sendo produzida pela Mixer. A Turner, programadora do canal, já usava o mecanismo de incentivo para a programação do canal Futura, do qual é parceira. Virgínia Cavendish apresenta “TNT+Filme”,atração produzida com recursos do Artigo 39, que contará com O programa tem comentários, dicas e dados do cinema com o crítico patrocínio da Citroën, e de cinema Rubens Ewald Filho. outras três cotas sendo comercializadas. Segundo a programadora, a idéia é “iniciar com o uso de incentivos”, como forma de financiar a fase que criará o hábito no público do canal. O canal não informou qual é o custo do projeto, mas o valor aprovado pela Ancine é de R$ 897 mil, dos quais R$ 852 mil são incentivados. Esta primeira temporada contará com 26 episódios de 30 minutos.


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( scanner) PRÓ-CÓPIA

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Fábrica de técnicos A falta de técnicos especializados em produção audiovisual, uma das reclamações recorrentes do mercado de produção, e a geração de emprego para jovens de baixa renda, motivou a integração de dois projetos para a formação desses profissionais. Trata-se de “Escola de Fábrica”, programa do Governo Federal desenvolvido pelo MEC junto com a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica, e “5 Visões”, projeto patrocinado pela Petrobras. As duas iniciativas, desenvolvidas em parceria com a Titânia Educação, Arte, Cultura e Meio Ambiente, foram integradas pela Arcos Digital Filmes e devem oferecer cursos de 600 horas no Rio de Janeiro. Serão cursos de maquinista/eletricista, cenotécnico, som direto e operador de câmera de vídeo. Com o principal objetivo de gerar emprego e renda, o programa é voltado para jovens de baixa renda, de 16 a 24 anos, que estejam cursando o ensino fundamental, médio ou o EJA (supletivo). Os cursos são gratuitos e os inscritos recebem uma bolsa no valor de R$ 150 durante os seis meses de aula. Os recursos são do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). As vagas já estão preenchidas e os alunos foram selecionados através de ONGs e projetos sociais que utilizam recursos audiovisuais em suas ações. As grades curriculares dos cursos foram desenvolvidas por profissionais como os diretores de arte Vera Hamburger e José Dias, o diretor e especialista em som direto Márcio Câmara, os diretores de fotografia Henrique Leiner, Fabian Boal e Roberto Amadeo, o maquinista/eletricista-chefe Jessé Domingos, e a empresária Edina Fujii. A aula inaugural, intitulada “Paixão pelo Cinema” será ministrada pelo diretor Walter Lima Jr. O projeto “5 Visões” conta com recursos da Petrobras, que contemplam também a estrutura do “Escola de Fábrica”. Este último faz a simulação da produção, com materiais, equipamentos, professores e condições compatíveis com as novas tecnologias utilizadas no mercado. Empresas como Quanta, Diler e Total Filmes firmaram parcerias com o projeto. O Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Cinematográfica também apóia a iniciativa, no sentido de ajudar para que a mão-de-obra seja absorvida pela indústria.

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Para quatro ministérios, a proteção anti-cópia na TV digital aberta proposta pelo Fórum do SBTVD e pelos radiodifusores fere a Constituição. Uma nota técnica datada de maio e assinada pelos ministérios da Ciência e Tecnologia, Cultura, Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, e das Relações Exteriores sobre a questão do DRM (Digital Rights Management) aponta os prováveis motivos que levaram o governo a não aceitar a proteção. A nota defende que a norma ISDTV nº. 05, que trata da questão da proteção de conteúdos, poderá conceder aos radiodifusores poderes unilaterais para determinar a maneira pela qual o público poderá fazer uso do conteúdo, “restringindo direitos consagrados pela Constituição Federal”. O documento lembra que “a Lei de Direito Autoral também se aplica aos

organismos de radiodifusão”, e que, para estarem em consonância com a legislação, “os dispositivos tecnológicos a serem incluídos nos aparelhos receptores, assim como o padrão de modulação do sinal transmitido, devem permitir, por exemplo, que a população possa copiar trechos das obras transmitidas, ou, no caso de obras caídas em domínio público, a cópia de obra inteira”. Todavia, na opinião dos ministérios que assinam a nota, “as normas propostas enfocam apenas um lado dessa equação de necessário equilíbrio entre os titulares de direitos autorais e o interesse público”, delegando ao radiodifusor “a decisão tanto de conceder ou não ao espectador os direitos previstos na Lei Autoral quanto de disponibilizar-lhe conteúdos em domínio público”.

O2 Filmes grava videoclipes para Will I Am, no Rio de Janeiro.

Produção em massa Em uma semana, a O2 Filmes gravou cinco videoclipes para o novo álbum solo do líder da banda Black Eyed Peas, Will I Am. As gravações aconteceram em vários pontos do Rio de Janeiro, como a praia de Grumari, a restinga da Marambaia, a praia do Leme, o aterro do Flamengo, o mirante Dona Marta, e os já tradicionais bairros da Lapa e Santa Tereza. Cerca de 200 figurantes participaram da produção. O novo álbum e os clipes chegam ao mercado americano em outubro.

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( figuras )

FOTO: DIVULGAÇÃO

Crítica de cinema na bagagem

CAROLINA BRAGA

N

o meio da entrevista, espero um instante. É que Carolina Braga precisa entrar ao vivo na Rádio Guarani, de Belo Horizonte, para o “Diversão e Arte“, programa cultural que vai ao ar cinco vezes por dia, com notícias de

Horizonte, começou em 2001, logo depois da formatura em jornalismo. Três meses depois, começou a trabalhar também na televisão, percorrendo o caminho tradicional do “foca”: rádioescuta, apuração, reportagem. Em 2003, um novo desafio, que a colocaria mais próxima da discussão que hoje

ACREDITO QUE O JORNAL IMPRESSO NÃO É MAIS O ESPAÇO IDEAL PARA A CRÍTICA. AO MESMO TEMPO, A INTERNET TEM MUITA INFORMAÇÃO E POUCA FORMAÇÃO programação local e nacional. Ela volta e retoma o assunto sobre o programa que faz na televisão. E ainda vai falar sobre a pósgraduação que está fazendo em Barcelona. Ah, é, porque na verdade agora ela mora na Espanha, e está no Brasil em férias. O trabalho no grupo Alterosa, emissora que retransmite a programação do SBT em Belo

também pauta sua tese de doutorado. A TV Alterosa e o jornal Estado de Minas, do mesmo grupo, criaram o programa “Primeira Página“, que leva as principais notícias do jornal à televisão.Exibido diariamente às 7h15, o programa exige uma reflexão sobre o papel das diversas mídias. Carolina é a produtora do programa, trabalhando com os repórteres da redação para selecionar as pautas e produzir

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as imagens e entrevistas. O programa não tem uma equipe de imagem, então não assisto VTs. Discutimos os assuntos e procuro as imagens nos outros programas jornalísticos da TV. Quando o assunto é nacional, procuramos fazer entrevistas no estúdio para complementar. Depois de cinco anos de formada, e com tanta bagagem em diferentes mídias, uma questão intrigava a jornalista multimídia: qual o papel do jornalista diante das novas mídias? Se o jornalista, e o crítico de cinema, antes eram autoridades que falavam aos espectadores sobre os assuntos, hoje a informação é produzida pelos próprios espectadores, que dominam a Internet com blogs e em sites de vídeo. Li uma frase que diz que o jornalismo deixou de ser uma conferência para se tornar uma conversação. E foi daí que resolvi fazer minha tese sobre crítica de cinema interativa, pensando nisso como uma conversação. A idéia é discutir as possibilidades de linguagem nas mídias audiovisuais, agora que a Internet permite uma maior quantidade de imagens. Meu desafio é descobrir o nível de interatividade que cabe na crítica cinematográfica. Acredito que o jornal impresso não é mais o espaço ideal para a crítica. Ao mesmo tempo, a Internet tem muita informação e pouca formação. Todas as pessoas podem usar essa informação e dar sua opinião. Resta saber como o novo jornalista vai atuar diante dessas novidades. (LIZANDRA DE ALMEIDA)


FOTO: CLÁUDIA SARSUR

A Fox International Channels tem um novo presidente e CEO. Hernán López foi promovido após sete anos de atuação como presidente da Fox Latin American Channels e diretor-executivo do FX Grã-Bretanha. López passa a liderar o desenvolvimento de negócios de toda a Fox International Channels, além de manter as suas responsabilidades atuais para América Latina e Grã-Bretanha. Em seu novo cargo, o executivo responde a David Haslingden, presidente e CEO da Fox International Channels e da National Geographic Channels International & US. Nos últimos sete anos, Lópes trabalhou no crescimento dos canais da Fox, das suas produtoras próprias e das operações on-line. O executivo, que atua na empresa desde 1997, foi diretor de advertising sales dos canais Fox, Fox Kids e Fox Sports antes de assumir a presidência. López ainda tem passagens por empresas argentinas como Adlink, Gems International Television, Profeco (divisão de esportes da Telearte S.A.); e Rádio Libertad.

Nova direção eleita

Mudanças na TV

O presidente da Rede Minas, Antônio Achillis, é o novo presidente da Associação Brasileira de Emissoras Públicas Educativas e Culturais (Abepec). A eleição da nova diretoria aconteceu em julho, em Brasília. Achillis substitui Jorge da Cunha Lima, que ocupou o cargo por dois mandatos consecutivos. As diretorias ficaram compostas assim: Paulo Roberto Vieira (Bahia), programação; Áureo Mafra de Moraes (Santa Catarina), tecnologia; Indira Pereira do Amaral (Sergipe), marketing e captação de recursos; Waldemar Rodrigues Lima Jr (Tocantins), secretaria e; Marcos Alencar (Espírito Santo), tesouraria.

Jean Tepett assume o posto de diretor de novos negócios do SBT. O executivo, que nos últimos dois anos prestou consultoria para a emissora, substitui Rodrigo Navarro Marti, que foi promovido a diretor de planejamento do Grupo Silvio Santos. O executivo Fernando Fisher, que atuava na área de novos negócios, foi promovido a diretor do departamento de merchandising do SBT.

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Novo presidente

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Equipe comercial renovada A Rede Record no Rio de Janeiro conta com uma nova diretoria comercial e de marketing, encabeçada por Thomaz Naves (4). O executivo, que foi sócio da Accioly Entretenimento e tem passagens pela Cemusa, Grupo Multiplan e Mesbla, já estruturou a sua nova equipe, com funções e áreas que antes não existiam na Rede. Passam a trabalhar sob a direção de Naves a gerente comercial Claudia Vilaverde (3), as executivas de negócios Claudia Goulart(5) (marketing publicitário e pesquisa), Denise Mortati(6) (brand content) e Fernanda Aguiar (1) (promoção e imprensa), além de Ozimar França (2) (controller), que já fazia parte da equipe comercial na antiga gestão. Naves reporta-se diretamente a Walter Zagari, em São Paulo. Em agosto, o departamento comercial da Record no Rio de Janeiro se transfere da sede de Benfica para um prédio em Ipanema, na Praça Nossa Senhora da Paz.

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FOTOS: DIVULGAÇÃO

( figuras ) Novos profissionais para novos formatos A Estação 8 contratou quatro profissionais para atuar em seu Núcleo de Projetos Diferenciados. Chegam à produtora a gerente de projetos Alda Canto, a editora de conteúdo Renata Ruffato, o diretor de produção JR Alemão e o programador Guilherme Beloto. Os profissionais trabalham em projetos audiovisuais com conteúdos customizados e formatos diferenciados. Alda Canto passou por agências como Ogilvy, McCann, Giovanni, Fischer, DPZ e Loducca. A jornalista Renata Ruffato, que já trabalhou na Record, na Band e foi sócia na Holofote Comunicação, passa a acumular as funções de assessora de comunicação e de editora de conteúdo. JR Alemão chega à produtora após trabalho em diferentes produtoras e produção de videoclipes e DVDs. Guilherme Beloto já passou pela edição da TVV Brasil e da ABC Clipping, e pela área de tecnologia da SportNow.

Da esq. para dir.: Sandra Jonas - diretora Estação 8, JR Alemão, Alda Canto, Guilherme Beloto e Renata Ruffato.

Organograma alterado

Esportes reforçados A ESPN no Brasil tem dois novos reforços em sua equipe. A advogada Ana Luiza Gomes David (foto) é a nova gerente jurídica sênior do grupo no Brasil. Com essa contratação, Carlos Eduardo Maluf, que acumulava a função com a de negociação de direitos esportivos, passa a ter como foco principal a área de aquisições. Entre as empresas por onde Ana Luiza já passou, estão a Almap BBDO, como gerente jurídica, e a TV Globo, onde atuou como advogada sênior durante cinco anos. Além da advogada, a ESPN no Brasil contratou Ana Lúcia Fugulin como gerente de pesquisa. No cargo recémcriado, ela terá atribuições como desenvolver estudos que ajudem a orientar as ações das áreas de marketing, comercial e programação dos canais, e criar um suporte para o pós-venda. Ana Lúcia chega após passagem pela Discovery Networks Brasil, onde ocupou o cargo de gerente nacional de pesquisa. Além da programadora, ela trabalhou em agências como DPZ e McCann Erickson.

Com a mudança de gestão, o organograma da Fundação Padre Anchieta também sofreu alterações. Sob o comando de Paulo Markun, a fundação passou a ser gerenciada por meio de núcleos, que agregam os programas da TV e das rádios AM e FM. Os coordenadores dos núcleos são: Paulo Roberto Leandro (Jornalismo), Hélio Goldsztejn (Arte e Cultura), Âmbar de Barros (Infanto-Juvenil), Jefferson del Rios (Dramaturgia), Paulo Roberto Leandro (Cidadania e Serviços), Fernando Faro (Música), Gabriel Priolli (Eventos e Publicações), Gioconda Bordon (Rádio), Carlos Wagner (Waguinho) (Produção Independente/Parcerias) e Fernando Almeida (Educação). A coordenação geral é do jornalista José Vidal Pola Galé e a coordenação executiva de Mônica Kezan. A nova diretoria da Fundação é composta por Celso Barboza (Administrativo e Financeiro), José Chaves Felippe de Oliveira (Engenharia), Cícero Feltrin (Marketing e Captação), Mauro Garcia (Prestação de Serviços), Marcelo Amiky (Produção). Fernando José de Almeida é o vice-presidente, e o secretário executivo é Ricardo Paoletti.

Pós-produção turbinada A expansão da área de pós-produção da Prodigo Films resultou na contratação de novos profissionais. Alexandre Cois (exTrattoria) assume a Em pé: Massao Assaga e coordenação de pósVanessa Lobo; sentados: Renata Correa e Alexandre Cois. produção, Massao Assaga (ex-Lado B) foi contratado como diretor de arte / composição e Vanessa Lobo (ex-StudioFly) como diretora de arte. A equipe de atendimento recebe Renata Corrêa (ex-Trattoria). As contratações fazem parte de uma expansão da área de pós-produção da produtora que contou com o investimento de cerca de R$ 300 mil em novos equipamentos de 3D e com a contratação do diretor Fernando Sanches.

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Contratação de criativo A Y&R aposta na criação da agência, com a contratação de um novo redator: Bruno Godinho. O profissional, que passa a ser dupla de Daniel Salles, já trabalhou em agências como Lowe, Almap BBDO, DM9 e Agência Click.

Promoções digitais A Giovanni+Draftfcb investe em seus próprios funcionários para fortalecer a área digital da agência. Leandro Fujita foi promovido a diretor de mídia digital e Marcelo Perrone a diretor de inovações digitais. Fujita prepara um novo grupo dentro do departamento de mídia. Perrone, que antes era diretor de operações, terá agora entre suas responsabilidades a gestão de projetos, a busca e implementação de inovações no mundo digital, a disseminação de cultura digital na agência e a interface com todas as áreas prestadoras de serviços digitais.

Atendimento reforçado

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Paula Pasini chega à TBWA\BR para atuar na equipe de atendimento da conta da Gafisa. Formada em administração de empresas, a profissional trabalhou anteriormente na Vivo.


( capa ) André Mermelstein, Fernando Lauterjung e Samuel Possebon a n d r e @ co nve rg e co m . co m . b r, fe r n a n d o @ co nve rg e co m . co m . b r, s a m u c a @ co nve rg e co m . co m . b r

Cada um por si Radiodifusores e TV por assinatura seguem caminhos individuais na oferta de alta definição e interatividade.

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s primeiros celulares eram verdadeiros tijolos e custavam até US$ 20 mil. Os primeiros DVD players custavam R$ 2 mil e não tinham uma série de funções que têm hoje. Um TV de plasma que custava R$ 15 mil há dois anos hoje custa pouco mais de R$ 4 mil. Todos seguiram um padrão da indústria de eletrônicos de consumo: chegaram primeiro aos "early adopters", indivíduos de classes A ou B, ávidos por tecnologia. Em seguida, com os ganhos de escala e tecnologia, vão ficando melhores e mais baratos, até se popularizarem. Com a TV digital deve acontecer a mesma coisa. Os primeiros set-top boxes devem chegar ao mercado custando em torno de R$ 700, um valor salgado para boa parte da população. Os primeiros a adquiri-los serão usuários das classes A e B, mesmo porque são aqueles que já compraram monitores widescreen para usufruir da novidade. Acontece que estes indivíduos recebem hoje, em grande parte (80% na classe A e 25% na classe B), seus sinais de TV via cabo ou DTH. É onde a coisa complica. Durante todo o processo de desenvolvimento do sistema brasileiro de TV digital, debateu-se muito a modulação, o vídeo, o software, mas não chegou-se a um modelo que contemple este assinante de cabo e DTH. O que deixa no ar uma questão: esse assinante quer ter mais uma caixinha em cima da TV? "Estou acompanhando a questão da TV digital com muita expectativa. Inicialmente, esperava-se

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que as caixas para recepção da TV digital aberta chegassem muito baratas, e até fiquei entusiasmado, porque na nossa experiência, caixa digital é sempre uma coisa cara. Agora a indústria já está dizendo que não consegue vender por menos de R$ 700", diz José Felix, diretor de operações da Net Serviços, maior operadora nacional de cabo. "Na nossa cabeça, a TV digital começa por quem tem dinheiro, que são os assinantes de TV paga. Essa não é, contudo, a opinião da TV aberta. Também acho que contribui contra o ganho de

“Haverá espectro no cabo para o sinal HD de todas as redes abertas? Acho que não.” Virgílio do Amaral, da TVA

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escala o fato da TV digital aberta ser lançada lentamente, capital por capital. E quanto mais devagar for, mais caro sai", conclui o executivo. Um radiodifusor profundamente envolvido nos debates do Fórum do SBTVD admitiu que não existe o settop de baixíssimo custo: "Seria impossível, qualquer que fosse o padrão, chegar em um set-top a R$ 100. Isso não existe nem na Europa. O preço ótimo, depois da estabilização do mercado, deve ficar na casa de US$ 100", afirmou. "Preço é livre. Quem vai decidir se é caro ou não é o consumidor e a competição entre as empresas. Tudo começa com um preço mais alto, e depois vai caindo", diz o executivo. Mas aproveita para espetar a política do governo: "houve um erro estratégico: os benefícios para a produção de set-tops


foi dado para os fornecedores da região de Manaus. Só que são fornecedores de TVs que trabalham lá, e eles não querem vender set-tops, querem vender as TVs com o sintonizador de TV digital. Os fabricantes de set-tops estão fora de Manaus, onde não há benefício", conclui. "No dia 2 de dezembro, qual será a massa de usuários que podem receber alta definição? O set-top digital para TV aberta deve ser caro, e mesmo quem comprar, terá que ter uma tela em alta definição. E a maior parte das telas de LCD e plasma vendidas nos últimos anos não está pronta para a alta definição. Acho que deve haver menos de 3 mil com capacidade real de alta definição no mercado", conta Virgílio Amaral, diretor de tecnologia da TVA. "Hoje, quem consome televisão em televisores grandes, tem TV por assinatura. Nas grandes cidades, antena externa é coisa do passado, e ninguém mais aceita ter uma antena interna. As pessoas vão voltar atrás para receber o sinal da TV digital aberta?", questiona. "Está claro que a TV por assinatura está seguindo um caminho e que a TV aberta está seguindo outro em relação à digitalização e à alta definição. Fui algumas vezes no Fórum de TV Digital, mas o caminho deles é muito diferente. O setor de TV paga tem influência nula na definição dos padrões para TV aberta. São duas indústrias com pensamentos diferentes. Mas será que o consumidor inicial será diferente?", questiona Felix, da Net. “Esta discussão não cabe ao Fórum. São as empresas do setor que têm que chegar a um acordo”, disse a TELA VIVA Roberto Franco, presidente do Fórum SBTVD. Na mesma linha vai Fernando Bittencourt, diretor de engenharia da

“Quem receber o sinal pelo ar terá uma qualidade melhor que a do cabo.” Fernando Bittencourt, da TV•Globo

TV Globo. "Estamos fazendo a nossa parte, que é botar o sinal digital no ar. Vai ficar muito evidente que todo o mundo terá o sinal, pelo ar e com qualidade", diz. Bittencourt não se diz preocupado com a recepção do sinal pelos assinantes de cabo e DTH. "É uma preocupação relativa, porque o sinal vai estar no ar e quem quiser poderá receber. Pela primeira vez, aliás, teremos uma situação inversa: quem receber o sinal pelo ar terá uma qualidade melhor que a do cabo. Para nós, está resolvido", conclui. A história não é nova. Uma das dificuldades da disseminação da TV digital aberta nos EUA nos primeiros anos foi justamente a falta de integração com a TV paga. Mas Walter Duran, diretor da Philips e membro do Fórum do SBTVD, acredita que

a recepção dos sinais abertos e sua exibição nos monitores de TV, sejam os antigos ou os mais modernos (até que a indústria produza TVs com receptores integrados). Como não há integração entre os sistemas, o assinante de cabo que quiser ver novela ou futebol em alta definição precisará de mais uma caixinha, mais um controle remoto, uma antena... Haverá alternativa se as operadoras de cabo e satélite colocarem em seus sistemas os sinais HD, mas isso implicará também a troca do set-top do assinante (os atuais não recebem alta definição, mesmo os digitais), e ainda assim, serviços como a interatividade podem não funcionar. O set-top (avulso) traz ainda outros problemas. Como explica José Felix, da Net: "Imagina o risco que a TV aberta corre de colocar um set-top no mercado e depois fazer todo mundo ter que comprar um segundo set-top. É um risco para o usuário, um risco até

O ASSINANTE DE CABO QUE QUISER VER NOVELA OU FUTEBOL EM ALTA DEFINIÇÃO PRECISARÁ DE MAIS UM SET-TOP a situação aqui é diferente. "Nos Estados Unidos apenas 10% dos lares recebe a TV digital aberta. Lá quem comanda a penetração do HD é o cabo, não a televisão aberta. Já no Brasil, a realidade é invertida: apenas 10% recebem o sinal da TV aberta pela TV por assinatura. Haverá um incremento de qualidade para 90% da população. A TV por assinatura não é apenas qualidade de imagens, mas uma maior oferta de conteúdo. Mas a melhor qualidade de imagem da TV aberta vai gerar alguma disputa, o mercado vai se reorganizar”, diz Duran.

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Caixas empilhadas O problema é o set-top box, a caixinha conversora que permitirá

”Para nós, a TV digital começa por quem tem dinheiro, que são os assinantes de TV paga. Essa não é a opinião da TV aberta”

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José Felix, da Net Serviços

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para a TV a cabo, porque o nosso assinante vai certamente comprar a caixinha e vai achar ruim se for uma caixa diferente da que ele usa para o cabo. Por exemplo, o usuário que compra, por R$ 300, uma caixa sem acesso condicional, sem interatividade e sem nada. Daqui a um ano, essa caixa está ultrapassada, e aí como é que faz? Troca de novo? No caso da TV por assinatura, a gente investe para trocar as caixas dos assinantes. No caso da TV aberta, é por conta do usuário", conta, e completa: "Eu tenho esse problema com as minhas caixas digitais. As primeiras que foram entregues não conseguem fazer interação com o cable modem, nem servem para alta definição". Mesmo alguns broadcasters reconhecem que o set-top pode ser um problema. "A dificuldade do lançamento (da TV digital) em dezembro será o set-top, mas isso nunca foi discutido", conta José Marcelo Amaral, diretor de tecnologia

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Programe-se já para a ABTA 2008. O maior evento de TV por assinatura e serviços convergentes da América Latina. Na sua 14ª. edição, a ABTA 2007 foi um renovado sucesso, aproximando de um público especializado um congresso e feira de negócios com as melhores oportunidades de networking, atualização de conhecimento, contato com tendências e novidades em equipamentos, sistemas, serviços e conteúdos. Expositores e visitantes altamente selecionados: empresas e profissionais de diferentes áreas do setor, direta ou indiretamente envolvidas com as diversas cadeias de produção da indústria que faz o universo digital acontecer. No próximo ano tem muito mais. Nos vemos na ABTA 2008.

Veja quem esteve conosco nesta edição: ABTA,AMPLIMATIC,ANCINE,BAND,BRASIL TELECOM,BYU,CANAIS ABRIL,CISCO,CONAX,FOX,GLOBAL REPAROS,GLOBAL THINK / NEXCHANGE,HARMONIC, HBO,IRDETO,HALLMARK,JDSU,NAGRAVISION,NET / GLOBOSAT,NET SERVIÇOS,NEW SKIES,NXP,OBJECTIVE SOLUTIONS,PRAMER,RF TELECOM,SETA,SKY, TECHNOTREND,TECSYS,TELECINE,TELEDESIGN,TELEFONICA,TELESYSTEM,TRILITHIC,TURNER,TV5 MONDE,TVA,UNICOBA,ZAPI/TVC e ZINWELL

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O UNIVERSO DIGITAL ACONTECE AQUI.

Patrocinadores da edição 2007: Patrocínio Master

Patrocínio Congresso

Patrocínio STA

Patrocínio Cybercafé

Apoio

Realização

Organização

Publicações oficiais

O ingresso à Feira é gratuito, mas restrito ao público-alvo, mediante inscrição prévia. O acesso ao Congresso e aos STA é pago.


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da Rede Record. Segundo ele, que faz parte do módulo de Mercado do Fórum de TV Digital, houve sim uma preocupação estratégica de implantação, com o mapeamento dos principais consumidores, e que as emissoras, juntamente com os fabricantes e varejistas, buscarão formas de facilitar a venda dos receptores. Mas será um esforço "institucional", conta Amaral. Ou seja, nada de subsídios. Enquanto isso ele diz que o assinante de TV terá que conviver mesmo com dois receptores, dois EPGs (guias eletrônicos de programação), dois controles remotos etc. "No futuro, apostamos que a TV com receptor integrado resolva isso", conclui. Outro diretor de uma importante emissora se queixa da falta de integração. "Não podia ter sido feito assim (sem envolvimento das operadoras de cabo). Tínhamos que ter pressionado as operadoras para implantar a TV digital com a gente. Eles também se equivocaram, porque os set-tops digitais não têm HD. Agora terão que trocar para oferecer o serviço", diz. A fonte lembra a briga entre TV aberta e paga nos EUA, como um alerta para o que pode acontecer aqui: "Lá, o cabo fazia um downgrade no sinal das TVs abertas, para fortalecer o conteúdo pago”. Outro importante executivo de uma grande emissora vai na mesma linha: “Quando as TVs abertas entrarem com os sinais digitais, haverá sem dúvida uma disputa com o cabo pela qualidade de serviços. Hoje os sinais digitais das operadoras de cabo, por exemplo, abusam da compressão". Para Bittencourt, da Globo, os operadores de cabo subestimaram a velocidade de implantação da TV digital. "Eles (operadores) já deviam estar com isso resolvido. Tinham que ter HDTV há muito tempo". E já alerta: "Quem quiser levar nosso sinal HD terá que usar a mesma compressão que vai ao ar. Não permitiremos uma

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“A melhor qualidade de imagem da TV aberta vai gerar alguma disputa”

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( capa )

Walter Duran, da Philips

compressão maior." Caixa única No início dos debates sobre a TV digital, aventou-se a possibilidade de se criar uma caixa única, que integrasse todos os sinais, abertos e pagos, para atender ao mercado assinante de TV e ajudar a disseminar e baratear a TV digital. A idéia foi sempre rechaçada pela TV aberta, sob a alegação de que isto seria uma discriminação com o público não assinante. Para Moris Arditti, diretor da Gradiente, esta seria uma boa solução, que está no horizonte tecnológico da empresa, mas que depende, hoje, de uma vontade dos operadores de cabo para acontecer. "Não é uma coisa complexa, mas é cara. Eu só vou produzir se houver uma encomenda de um operador, mas até agora não fui procurado

abertas, os canais em HD dos broadcasters poderão ou não estar nos pacotes da TV paga", reflete Virgílio Amaral, da TVA. Soluções individuais Enquanto essa caixa única não vem (e deve demorar a aparecer), as operadoras de cabo se preparam para oferecer, de alguma maneira, o serviço a seus assinantes. O DTH nasceu 100% digital e o cabo vem digitalizando sua base em ritmo acelerado. Mas os recursos, na maioria dos casos, são limitados. Há poucos aplicativos interativos, e virtualmente nenhuma experiência em alta definição, exceto a feita pela TVA, em parceria com a Gradiente e a Band, na Copa de 2006. "Da nossa parte, o que estou fazendo é dotar a Net de freqüências e largura de banda suficiente para levar sinais digitais em alta definição se isso for preciso. E temos já desenhado o

MESMO NA TV PAGA H[A POUCOS APLICATIVOS INTERATIVOS, E VIRTUALMENTE NENHUMA EXPERIÊNCIA EM ALTA DEFINIÇÃO por nenhum". "Gostaria que os assinantes de cabo fossem nossos clientes de receptores, mas de qualquer forma não estão excluídos, porque também vão comprar o set-top (da TV aberta)", diz. "Acho que a idéia de um set-top único é tecnicamente viável, mas cada vez menos. Hoje já são padrões tecnológicos diferentes. A parte de middleware é diferente, o EPG, as aplicações, tudo está caminhando em caminhos separados entre a TV paga e a TV aberta. O cenário mais provável é que tenhamos, em um primeiro momento, settops separados para diferentes serviços. Depois, se houver entendimento entre as TVs por assinatura e as emissoras

“O cenário mais provável é que tenhamos, em um primeiro momento, set-tops separados para cada serviço” Moris Arditti, da Gradiente

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nosso projeto para oferecer canais pagos em alta definição. Existe muito conteúdo disponível, são mais de 150 canais. O problema é o custo de trazêlos para o Brasil e adaptar. Então, a nossa estratégia pode incluir ou não os canais das redes abertas", conta José Felix. E continua: "Como qualquer coisa que a gente ofereça, isso tem que se pagar de alguma forma. Não dá para dizer para o usuário que ele terá que pagar por uma nova caixa. Teremos que dar essa caixa com alta definição para ele, em troca de fidelidade, e fazê-lo migrar para um novo pacote. Não é como a TV aberta, onde o custo da migração é totalmente do usuário”. Assim, o assinante que não quiser acumular caixinhas na TV terá que aguardar a política de sua operadora para a alta definição. "Eu tenho uma estratégia para alta definição. O que eu posso dizer é que ela não é uma prioridade agora. Por enquanto, quero

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( capa ) matar a minha curiosidade e ver como o set-top box para TV digital aberta vai se resolver. Acho que ou a indústria tem uma carta na manga ou vão ter que correr muito para acabar isso até dezembro. E se sair, daqui a um ano não vai servir para nada", conta Felix, da Net. E explica: "A TV por assinatura tem pouca banda disponível para levar muitos canais em alta definição. Claro que dá para fazer, e nós inclusive já temos isso rodando, em caráter de testes, desde a Copa do Mundo de 2006. Conseguimos colocar no máximo quatro canais em um canal analógico com MPEG-4. Acho que os custos de reconversão não serão muito pesados porque espero que a gente consiga pegar o sinal direto das emissoras, como fazemos hoje com a maior parte dos sinais analógicos." "As operadoras de TV por assinatura têm um problema, que é o fato de que as emissoras de TV aberta trabalharem com 12 Mbps por canal. Com isso, acho que vamos conseguir colocar só dois sinais HD em um canal. Haverá espectro no cabo para o sinal HD de todas as redes abertas? Acho que não", conta Virgílio, da TVA. "Outra coisa é que o set-top atual da TV a cabo digital não serve (para HD). Quem quiser alta definição, terá que ter outro set-top. Mas as pessoas acham que por terem TV a cabo digital, já têm alta definição. É uma confusão muito comum hoje", conta o diretor da TVA. Segundo ele, o usuário associa alta definição ao conteúdo. O termo alta definição, explica, também está muito banalizado hoje. Os DVDs usam a expressão, os monitores de computador. E tem ainda a HD das câmeras de vídeo, que na verdade se referem a hard disk. Esse é um outro problema de marketing para as emissoras, diz Amaral. "Se não tiver conteúdo em HD, ele (assinante) não percebe nenhuma diferença. Quando lançamos o set-top em alta definição para a Copa do

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“Retransmitir o sinal HD da TV aberta na TV por assinatura demandará uma infra-estrutura custosa” Leonel da Luz, Org. Jaime Câmara

Mundo, tivemos que explicar que era um set-top com saída HDMI para o usuário perceber alguma diferença. As emissoras abertas terão o mesmo problema. O que o usuário fará quando comprar um set-top digital para ver o mesmo sinal, no máximo com uma alta definição simulada, com um upconvert?", pergunta. Outro problema é que na TV por assinatura, o custo do set-top recai sobre o operador (que pode até repassá-lo ao assinante, mas isso pode gerar uma grande insatisfação). "Hoje, um set-top HD para cabo custa cerca de US$ 230. Vale a pena oferecermos isso ao nosso assinante? Hoje, a TV a cabo trabalha com o conceito de fidelização, então boa parte dos custos é subsidiada", resume Virgílio Amaral. Interatividade Outro problema quando se fala na inserção dos sinais abertos no cabo, sem passar pelo set-top do ISDB brasileiro, é a

possibilidade de levar o Ginga para o set-top box da TV por assinatura. “Mas pode acontecer. Pode aparecer algum fabricante chinês capaz de misturar tudo em uma caixa”, brinca. Há um núcleo comum a vários middlewares, inclusive o Ginga, o GEM, explica Leonel. O que for programado pelo GEM deve ser compatível com os set-top box da TV digital aberta e da TV por assinatura. Contudo, as novidades do Ginga, que transformam ele no middleware tão moderno que é, não serão compatíveis com os outros sistemas. Nestes casos será necessário recodificar. Outra questão, conta Leonel, é o roteamento do canal de retorno. No caso do set-top box de TV aberta, mesmo que o canal de retorno passe pela linha telefônica ou por um modem de banda larga, ele vai direto ao radiodifusor. O programa da interatividade enviará o número para o qual o set-top deve discar ou o IP que deve contactar. Assim, não há a necessidade de fazer acordos com operadoras de telecom. No caso do set-top box da TV por assinatura, o retorno é para o operador, que terá de rotear o sinal para o radiodifusor.

CADA OPERADOR USA SEU PRÓPRIO MIDDLEWARE, E NÃO NECESSARIAMENTE OS SISTEMAS CONVERSARÃO COM O GINGA interatividade. Cada operador usa seu próprio middleware, e não necessariamente os sistemas conversarão com o Ginga, adotado pela TV aberta. Leonel da Luz, diretor de tecnologia da Organização Jaime Câmara, lembra as dificuldades de integração. Segundo ele, ninguém se manifestou sobre a

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"Retransmitir o sinal HD da TV aberta na TV por assinatura demandará uma infra-estrutura custosa", conclui Leonel. E a lei? Não é só na tecnologia que o problema aparece. Há também um "vácuo regulatório", nas palavras de Fernando Bittencourt, da Globo. A Lei do Cabo, de 1995, determina o mustcarry dos canais abertos locais no cabo, ou seja, as operadoras de cabo são obrigadas a transmitir o sinal de todas as geradoras abertas em suas áreas de concessão. Mas como fica a lei quando as emissoras transmitirem mais de um canal simultâneo, ou em alta definição? Como fica a interatividade, faz parte da obrigação?

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( capa ) Para a Abra, associação que “Os maiores interessados reúne Band e RedeTV!, já existe (no must-carry) são os uma legislação em relação à operadores. A maior presença dos canais abertos audiência da TV por locais no cabo e esta legislação assinatura é dos precisa ser seguida. O que se canais abertos.” entende é que a associação Frederico Nogueira, da Abra defende que o must-carry valha também para o digital. Segundo a trechos dos Jogos Frederico Nogueira, vicePanamericanos em alta definição. presidente da Abra e diretor geral A emissora já testa até mesmo a da Band, é uma discussão que interatividade, em parceria com Net e Sky. precisa ser feita no setor, com Abra, Abert e Mas são apenas testes de aplicativos. SegunABTA (procurada por TELA VIVA, a Abert do Bittencourt, quando a TV digital terrestre não se manifestou). entrar em operação comercial, os aplicativos O executivo dá a tônica dos radiodifusores: serão desenvolvidos para o Ginga (o software “Os maiores interessados (no must-carry) são do set-top de TV aberta), e dificilmente os operadores de TV por assinatura. A maior haverá desenvolvimento paralelo para outras audiência da TV por assinatura é dos canais plataformas. Outro radiodifusor, contudo, abertos”, diz Nogueira. reclama: apenas a Globo tem uma alternativa "Não tenho clareza sobre a questão do para testar a interatividade, por conta da must carry. Que canais serei obrigado a relação societária do grupo com a Net. levar? Que canais poderei levar se quiser? Virgílio Amaral, da TVA, ressalta ainda A lei só fala em canais gerados localmente", outro complicador na adoção da nova diz Felix, da Net. tecnologia de TV digital em alta definição: a O que se sente dos operadores de cabo é pouca informação do usuário. "O processo de que não há ainda uma preocupação muito informação e esclarecimento vai ser grande com a alta definição, por não fundamental nesse primeiro momento. Nem acharem que haverá tanto conteúdo o usuário de TV paga está instruído direito disponível no início das transmissões. sobre a diferença entre os termos TV digital, "A gente tem que separar a TV digital em duas coisas: transmissão e conteúdo. Quando A GLOBO ESTÁ COM TESTES DO HD NO AR. A EMISSORA lançaram a TV colorida, TESTA TAMBÉM A INTERATIVIDADE, COM NET E SKY. os programas eram em alta definição. Quando vendemos o pacote na preto e branco. Copa do Mundo, da tela de plasma da O mesmo vai acontecer agora. Teremos Gradiente com o decoder alta definição da transmissões digitais com o mesmo conteúdo TVA, tinha gente que levava só a tela, porque da TV analógica", acredita Virgílio, da TVA. achava que já tinha alta definição só por ter "TV digital não é sinônimo de alta o serviço digital da TVA". Ele acredita que o definição", continua o executivo. "Para a esforço conjunto das redes abertas ao Globo é, mas para a MTV, não. A MTV promover a TV digital trará benefícios para prefere um modelo com multiprogramação. todos, inclusive par a TV paga. Acho que as emissoras de TV aberta vão E a TV por assinatura? Tem planos de fazer o upconvert dos conteúdos em trazer a alta definição a seus assinantes? definição padrão, mas isso é meio que uma A Sky já anunciou que deve lançar um setsimulação, não é alta definição de verdade. top HD em setembro de 2008. "A tendência Poucos conteúdos serão gerados em HD. é que a TV por assinatura, em termos de Hoje, só Globo, Record, Band, SBT e MTV programação em alta definição, tenha mais estão com os canais de transição em São canais, porque existem as opções pagas, Paulo. Meu palpite é que dia 2 de dezembro, que são muitas. Mas custa caro trazer estes só a Globo e a Record estarão no ar". canais para o Brasil. Algo como 200 mil A Globo, aliás, já está com o sinal digital por mês, por canal, só de satélite", diz HD no ar, em testes. Em alguns lugares Virgílio, da TVA. públicos de São Paulo foi possível até assistir

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( congresso)

Discutindo a relação FOTO: ARQUIVO

Congresso ABTA 2007 vem marcado pelo encontro entre a indústria de TV por assinatura e telecomunicações, e o debate dos prós e contras deste possível casamento. Encontro terá mais de 30 sessões sobre programação, tecnologia e estratégias de negócios.

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indústria de TV por assinatura brasileira chegou a um ponto de inflexão, um momento em que precisará definir um rumo para o seu futuro. E este momento deve ser a ABTA 2007, encontro do setor, que acontece entre os dias 7 e 9 de agosto, em São Paulo. O evento desse ano, ao contrário de outras edições, não chega sob a expectativa do que outros segmentos econômicos, como a indústria de telecomunicações, dirão a respeito. Ao contrário, a expectativa é sobre a mensagem que o setor de TV por assinatura dará a outros segmentos econômicos. Explica-se: desde o final de 2006, uma parcela significativa da indústria, incluindo a própria associação ABTA, abriu fogo contra as empresas de telecomunicações que iniciaram movimentos no sentido de oferecerem serviços de TV paga em suas áreas de concessão. Outra parte da indústria, tendo a TVA à frente, mas com o apoio velado dos programadores, é fomentadora da entrada das teles no mercado, alegando que elas trarão investimentos e crescimento. E ao contrário dos anos anteriores, nesta edição da ABTA 2007, uma grande empresa de telecomunicações se apresenta, efetivamente, como operadora de TV por assinatura, na tecnologia DTH, com cerca de 150 mil assinantes. Estamos falando, obviamente, da Telefônica, que foi autorizada pela Anatel a ter a sua licença de TV paga via satélite e também a entrar como acionista da TVA. Além disso, outras três empresas de telecomunicações

ABTA 2007: estréia das teles no mercado

(Brasil Telecom, Telemar e GVT) já têm planos anunciados de oferecer o serviço de IPTV nos próximos meses. Os debates que permearão os bastidores da feira e do congresso serão em relação aos custos e benefícios de ter empresas do porte das teles entrando no setor. A ABTA, a Net Serviços e a Sky argumentam que a chegada das teles é um risco imenso, pois o seu poder econômico é desproporcional e poderia causar desequilíbrio competitivo; as teles já são detentoras das principais redes de acesso fixas e buscam, agora, concentrar em suas mãos redes alternativas, como as redes de cabo e MMDS; que apenas agora existe uma competição efetiva contra o poder hegemônico das teles, e que esse momento precisa ser preservado, em busca de um maior nível de competitividade nos mercados de banda larga e telefonia fixa. Por outro lado, a entrada das empresas de telecomunicações traz sangue novo, e a maior prova é que após a parceria com a Telefônica, a DTHi

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levantou enormemente suas vendas e hoje é um player efetivo no mercado de TV paga, o que não acontecia antes da sociedade. Os programadores comemoram também: quanto mais teles no mercado, mais compradores. O mesmo dizem os fornecedores de equipamentos. E a TVA, que recebeu a Telefônica como acionista, alega que agora terá fôlego para competir e inovar na implantação de uma rede WiMax efetiva sobre suas freqüências de MMDS. O momento é único na indústria, mas é também dos mais tensos. A ABTA tenta, junto à Anatel e às instâncias concorrenciais, garantir proteção contra o risco que, alega, seria a entrada das teles irrestritamente no setor. A TVA move uma ação contra a ABTA, alegando que a associação não pode falar por toda a indústria. Este cenário poderá ficar um

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pouco menos nebuloso após os debates da ABTA. No primeiro dia, espera-se um pronunciamento do ministro das Comunicações, Hélio Costa, e do presidente da Anatel, embaixador Ronaldo Sardenberg. Nesses pronunciamentos, em geral, há dicas de como o poder público tende a se posicionar. Ainda na abertura do evento, um debate inédito com os presidentes das comissões de Comunicação do Senado (senador Wellington Salgado, do PMDB de Minas Gerais) e da Câmara (deputado Júlio Semeghini, do PSDB de São Paulo). Em pauta, mais uma vez, a discussão sobre a convergência, nesse caso não apenas de tecnologias e serviços, mas também de segmentos econômicos inteiros. Os debates sobre esse tema abrem ainda o segundo dia da ABTA 2007, com um painel em que estarão presentes o presidente da Net Serviços, Francisco Valim, o presidente da Sky, Luiz Eduardo (Bap) Baptista, o presidente da Telefônica, Antônio Valente, e o presidente da Brasil Telecom, Ricardo Knoepfelmacher. E ainda, o presidente da maior programadora brasileira, a Globosat, Alberto Pecegueiro. O debate vem depois da palestra de Maurício Ramos, presidente da VTR, maior operadora de cabo do Chile e uma das primeiras a enfrentar, na América Latina, a competição efetiva das teles. Ainda no dia 7 de agosto, Carlos Watanabe (Brasil Telecom), José Luiz Volpini (Telemar) e Alexandre Fernandes (Vivo) falam sobre as perspectivas de novas plataformas para o desenvolvimento da TV por assinatura. Na tarde do dia 8, haverá ainda uma sessão especial sobre regulação e competição, com a presença da Anatel, que comentará sobre seu posicionamento em relação às teles e ainda falará sobre o planejamento do Serviço de Comunicação Eletrônica de Massa (SCEMa), que ainda está sendo criado e que busca, de alguma

DISPUTA PELO CONTEÚDO Um dos temas de destaque da ABTA 2007 é a questão dos conteúdos audiovisuais em novas plataformas. Este ano tem sido cheio de debates e discussões, inclusive no Congresso Nacional, sobre quais são as regras para a exploração destes conteúdos em diferentes plataformas. Para discutir o tema, os deputados Wellington Fagundes (presidente da comissão de assuntos econômicos da Câmara, do PR de Mato Grosso) e o deputado Jorge Bittar (do PT do Rio de Janeiro, relator na comissão de comunicação dos três projetos em tramitação que tratam da convergência de meios e produção, programação e provimento dos conteúdos) discutem, ao lado do diretor do departamento de classificação indicativa do Ministério da Justiça, José Eduardo Romão, e do advogado especialista em comunicação, Marcos Bitelli, quais as perspectivas para um ambiente legal que estabeleça limites aos conteúdos audiovisuais.

maneira, uniformizar as diferentes regras para a prestação do serviço de TV paga. Na mesma sessão, Janet Hernandez, da consultoria norte-americana TMG, e o exministro e consultor Juarez Quadros falam sobre a perspectiva de competição entre diferentes serviços e plataformas de telecomunicações, no Brasil e no mundo. TV digital Mas não é apenas a questão da competição entre teles e TV paga que marca o Congresso ABTA 2007. Com a iminência da TV digital aberta, o evento tratará, pela primeira vez, sobre o processo de integração necessário para que os 4,5 milhões de assinantes de TV paga não sejam privados da TV digital oferecida pelas emissoras de TV. Se hoje as plataformas digitais são uma realidade para a TV paga, a alta definição ainda aparece ser algo distante do universo do cabo, DTH e MMDS. Mas são justamente estes assinantes que têm o maior poder aquisitivo, e é esse o primeiro fator que

fará a TV digital aberta decolar ou não no Brasil. O debate contará com representantes da indústria de equipamentos (Gradiente), radiodifusores (Globo e SBT), operadoras de cabo (TVA) e Anatel, que em última instância é quem alocará os canais para a TV digital aberta e que dirá quais destes canais devem ficar submetidos às regras de must-carry previstas na Lei do Cabo, de 1995. Para abrir o debate, o CTO (principal executivo da área de tecnologia) da DirecTV nos EUA, o brasileiro Rômulo Pontual, explicará como as operadoras de TV paga dos EUA integraram alta definição e os novos serviços trazidos pela TV digital aberta. Outro destaque do Congresso da ABTA deste ano é a sessão especial com a palestra da Sprint, uma das maiores operadoras de telefonia móvel dos EUA, que apresentará as perspectivas de uso das faixas de MMDS para a oferta de serviços de quarta geração por meio de uma plataforma WiMax. São serviços de transmissão de dados em altas velocidades, mobilidade e portabilidade, que competirão com os serviços de dados das redes fixas e operadoras de cabo. Muitos outros temas, como consolidação de operações, estratégias de crescimento da indústria, pirataria em novos meios digitais, novos serviços como pay-perview, jogos e interatividade, conteúdo nacional, publicidade entre outros serão ainda destaques de uma das 16 sessões do Congresso. E os Seminários Técnicos de TV por Assinatura (STAs) trarão, em quinze sessões, palestras e debates voltados ao dia-a-dia das operações, com conteúdo especialmente elaborado para profissionais de nível operacional das empresas.

COBERTURA ESPECIAL TELA VIVA trará a você a cobertura completa dos debates da ABTA 2007, diariamente nos boletins TELA VIVA News e PAY-TV News e em setembro na edição impressa. Para receber os boletins cadastre-se em www.telaviva.com.br e www.paytv.com.br.

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( publicidade)

Daniele Frederico d a n i e l e @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Agência on, off e stand by Agências de publicidade investem em suas competências digitais, apresentam cases de sucesso, mas o modelo de remuneração baseado nos 30 segundos da televisão atrasa a expansão das mídias online.

N

conjunto com os profissionais dos meios tradicionais, ou “offline”), outras trabalham de forma integrada (os mesmos profissionais da criação fazem tanto “off” quanto online). A DM9DDB, por exemplo, tem trabalhado com atendimento, planejamento e criação offline e online integrados, com três profissionais de mídia voltados para o online e ainda profissionais específicos voltados para a produção. Já a Y&R reestruturou a sua área digital e contratou Elisa Calvo para assumir a nova diretoria de estratégia digital da agência. Elisa prepara uma equipe de dez pessoas para trabalhar no segmento. “Hoje, nenhuma campanha sai da agência sem o online”, afirma a nova diretora. A forma como os meios digitais, em especial a Internet, são tratados dentro das agências também é diferente. Embora todas busquem montar uma campanha integrada, na qual um meio alavanca o outro, algumas agências têm experimentado fazer campanhas inteiras apenas para as novas mídias. É o caso da Talent, que criou para o cliente Tilibra uma campanha exclusiva para o meio digital. Com cerca de 1,8 milhão de instalações do pacote da Tilibra criado para o MSN e 200 mil SMS com material da FOTOS: DIVULGAÇÃO

os últimos anos, tem-se visto uma mudança na estrutura dos players do mercado audiovisual para se adaptar às demandas geradas por novas mídias e formatos. Até mesmo as tradicionais agências de publicidade, cujo principal foco sempre foram os comerciais de 30 segundos, voltam-se agora para os formatos digitais, com direito a reestruturação de seus organogramas, análise de métricas e diversificação dos serviços oferecidos. Essa mudança, embora seja considerada estratégica para a maioria das agências, não tomou proporções de uma revolução. Aqui, parece não importar o quanto se avance com as mídias digitais: o modelo de remuneração das agências, calcado em mídia televisiva, impede que se vejam novas mídias, como a Internet, como o carro-chefe de grandes campanhas. Quando o assunto é estratégia digital, não há padrão para a atuação das agências. Cada uma tem trabalhado de uma maneira e com um foco diferente. Com grande parte dos trabalhos nessa área feitos para a Internet, as agências têm contratado profissionais específicos para atender às necessidades de criação, produção e mídia no segmento. A organização desses profissionais, no entanto, se dá de maneiras diferentes. Enquanto algumas montam as suas divisões específicas para o meio (que atuam em

“Hoje, nenhuma campanha sai da agência sem o online” Elisa Calvo, da Y&R

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“Pela Internet o cliente consegue, mesmo que com uma verba pequena, atingir abrangência nacional” Alessandre Siano, da Talent

marca recebidos, a campanha foi considerada um sucesso: recebeu o Prêmio Estadão de Mídia, na categoria Mídia Digital, e aumentou a venda dos produtos da marca em 30%, segundo a agência. “Pela Internet o cliente consegue, mesmo que com uma verba pequena, atingir abrangência nacional”, diz o diretor de mídia da Talent, Alessandre Siano. Essa “verba pequena” influencia ainda a produção do material a ser utilizado online. No caso da produção de vídeos, algumas agências esperam que as produtoras possam baixar os seus preços para adequar-se a essa verba disponível. “O erro do mercado é querer produzir na mesma qualidade de TV”, diz Brian Crotty, vice-presidente diretor de planejamento de conexões da McCann Erickson. “As produtoras têm que quebrar essas barreiras, para que o cliente aceite o filme para a Internet”, diz. Já Elisa Calvo, da Y&R, acredita que são as agências que precisam mudar o seu pensamento. “Essa coisa de Internet ser um meio barato tem que acabar. Produções mais elaboradas têm a ver com mais audiência e com maior relevância para aquele cliente”, diz.

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Canais Globosat - DisponĂ­veis para todas as operadoras de TV por assinatura atravĂŠs da Net Brasil. canais@netbrasil.com.br - Tel.: (11) 3898-7617


São 10,3 milhões de telespectadores distribuídos por 3 milhões de domicílios-assinantes (Fonte: PTS Operadoras, base dez/06).

É a programadora de maior alcance médio diário: 5,2 milhões de telespectadores diferentes (Fonte: Ibope Telereport GRSP+GRSP/Média de jan a abr 2007/ Total do dia - 06h às 06h/PTS Brasil 15.888.744).

Entre as 100 exibições de maior audiência da TV por assinatura em 2007, 97 são da Globosat (Fonte: Ibope Telereport GRSP+GRRJ/1 º quadrimestre de 2007/Total do dia (06h às 06h).

Entre os 5 canais citados como fundamentais para a manutenção da assinatura entre os assinantes NET e SKY, 4 são Globosat (14ª Pesquisa de Penetração de TV por Assinatura-Ibope).

Os 4 canais de maior recall da TV por assinatura no Brasil entre o mercado publicitário são Globosat (Fonte: Painel de Mídia e Veículos 2006).

O conjunto de canais Globosat é responsável por 50% do tempo médio de permanência da TV por assinatura durante o horário nobre (Fonte: Ibope Telereport GRSP+GRRJ/ 1º quadrimestre de 2007/Horário nobre: 19h-1h).

Os canais SporTV e GNT são vencedores do prêmio Caboré na categoria Veículo Eletrônico em 2004 e 2005, respectivamente.

Os 4 canais mais admirados pelo mercado publicitário são Globosat (Pesquisa Veículos Mais Admirados 2006 - O Prestígio da Marca/Meio & Mensagem e Troiano Consultoria de Marca).

O canal de esportes top of mind da TV por assinatura é o SporTV, pertencente à Globosat (Fonte: Data Folha 2006).

O canal de variedades e entretenimento top of mind da TV por assinatura é o Multishow, pertencente à Globosat (Fonte: Data Folha 2006).

O canal de variedades e entretenimento jovem top of mind da TV por assinatura é o Multishow, pertencente à Globosat (Fonte: Data Folha 2006).

globosat.com.br


FOTOS: DIVULGAÇÃO

( publicidade) Fatia maior Para que uma campanha online funcione, no entanto, é preciso ter instrumentos de análise desses resultados. Esse tem sido o foco da Neo@Ogilvy, empresa de mídia digital da OgilvyOne Brasil, lançada no País em março deste ano (e há 18 meses nos EUA). “É preciso ter métrica, estratégia, inteligência de negócios. Não acreditamos em fazer trabalho criativo sem o resultado de negócios”, diz Xavier Matilla, diretor de operações da Neo@Ogilvy. “Se você não mostrar por que o anunciante deve investir em uma nova mídia, o investimento nessa mídia não vai aumentar”. Em 2006, a receita publicitária na Internet foi de R$ 361 milhões (Fonte: Projeto Inter-Meios 2006), considerando o faturamento bruto dos veículos (não inclui investimentos em sites de busca e links patrocinados). Quando o assunto é participação do meio no investimento publicitário, a Internet recebeu apenas 2,07% desses investimentos. Ainda que seja pouco, se comparado à televisão (que teve 59,43% do bolo), a Internet teve um crescimento de 35,9% em relação ao ano anterior, no qual teve 1,6% de participação. Esse investimento em Internet não é necessariamente um “dinheiro novo” no mercado, mas sim parte da verba total dos clientes que “migrou” das mídias offline para o online. Aumentar os investimentos na Internet, independentemente de outros meios, passa por um processo de mostrar aos clientes os resultados e “educá-los” sobre as novas possibilidades. “Para a máquina funcionar, é preciso lubrificar o sistema. Por isso estamos mudando a cultura da agência para treinar não só funcionários mas também os clientes”, diz Crotty, da McCann.

“Os meios tradicionais são um canal de receita, mas as agências vão sobreviver porque vão diversificar a oferta” Brian Crotty, da McCann Erickson

“É um processo a longo prazo: para os clientes aprovarem os trabalhos, precisam entender o meio e ser educados quanto a risco, linguagem e estratégia”. Raul Orfão, vice-presidente das agências do IAB, acredita que o aumento do investimento publicitário, embora tenha sido significativo, ainda está abaixo do ideal. Segundo Orfão, o aumento só deve acontecer quando o modelo de remuneração das agências for mudado. “O modelo de negócios no Brasil faz com que esse número não cresça na mesma medida que cresce o interesse pela mídia”, diz. A meta do IAB Brasil é elevar o percentual de investimentos na mídia a 3,5% até o final de 2009. Velhos modelos Embora as agências tradicionais tenham na Internet um setor estratégico, a penetração da televisão e o modelo de negócios baseado em mídia fazem com que o meio digital tenha dificuldades para perder o status de mídia complementar. “A Internet depende dos meios offline. Uma campanha só neste meio é inconcebível”, diz Fábio Saad, diretor de mídia online da DM9DDB. Assim como outras agências, na DM9 o que se busca é o “mix de meios”, no qual uma mídia impulsiona a outra. “A Internet deve estar inserida na estratégia de comunicação. Como um meio, ela é complementar, mas como ferramenta de interavididade,

“O modelo de negócios baseado em compra de mídia faz com que se dê preferência ao investimento em veículos tradicionais” Raul Orfão, do IAB

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é um canal de relacionamento com o cliente”, completa Saad. O mesmo acontece no caso de hotsites, vídeos e outras peças criadas para a Internet, segundo Matilla, da Neo@Ogilvy. “É preciso levar as pessoas até o conteúdo, ou estar onde as pessoas já estão, como o You Tube”. Além da penetração, a utilização da Internet como mídia passa pelo modelo de negócio das agências, que hoje é baseado em compra de mídia (e no caso, os espaços televisivos oferecem os maiores valores). Para Orfão, do IAB, esse modelo de negócios prejudica a Internet. “Existe uma acomodação do mercado neste modelo de negócios. E este modelo faz com que se dê preferência ao investimento em veículos tradicionais”, diz. Segundo o vicepresidente do IAB, o fim da concentração de investimentos depende não apenas das agências, mas de todos os participantes da cadeia. “Se houver pressão por parte dos anunciantes, crescimento no número de usuários e maior desejo por interatividade, as agências terão de se ajustar”, afirma. Para Crotty, da McCann, a Internet já está mudando o modelo das agências. A partir do momento em que todos os outros trabalhos da agência, que não o comercial, têm remuneração baseada em pagamento pelo trabalho (fee), e eles estão crescendo, a tendência é que o faturamento por comissão (como acontece com a mídia) perca força. “Trabalham-se os meios tradicionais por comissão, mas os outros, como a Internet, o marketing direto, os eventos, por exemplo, são trabalhados por fee”, explica. “Quando se planeja uma campanha com uma perspectiva mais holística, o modelo tem de ser diferente. Os meios tradicionais são um canal de receita, mas as agências vão sobreviver porque vão diversificar a oferta”.


( regulamentação)

Dessa vez, saiu FOTO: JOSÉ CRUZ/ABR

Na disputa pelo estabelecimento de regras sobre classificação indicativa, o governo conseguiu, pela primeira vez, concluir o processo, mesmo sob pressão das emissoras de TV.

A

história recente das tentativas de estabelecer regras ou políticas que de alguma forma interfiram sobre conteúdos de televisão mostra um padrão: reação violenta dos grupos de comunicação, sobretudo das emissoras de TV, e recuo do governo. Foi assim na primeira tentativa de criar uma Lei de Comunicação Eletrônica, ainda em 1998, a primeira tentativa de criar uma agência para o audiovisual, em 2001, a segunda tentativa de criar a Ancinav, em 2004. Todas as tentativas, até aqui, esbarraram na polêmica entre regulamentar e controlar. Esse padrão parece ter sido rompido, pela primeira vez, no último dia 12 de julho, com o início da vigência da Portaria 1.220/2007, com novas regras para a classificação indicativa de programas de televisão. Não foi por falta de resistência das TVs. A batalha foi dura entre o Ministério da Justiça e as emissoras, e segundo José Eduardo Romão, diretor do departamento de classificação indicativa, o texto só vingou porque ficou focado em estabelecer regras referentes a conteúdos de apelo sexual e violência na televisão. “Tínhamos consciência desde o início que se a proposta fosse ampliada, ela se tornaria inviável”. A radiodifusão conseguiu convencer o MJ a retirar a expressão “terminantemente vedada a exibição em horário diverso do permitido”, prevista nas primeiras versões da portaria. Mas continuam vigorando regras para as faixas: conteúdo classificados para maiores de 12 anos não são recomendados para exibição antes das 20 horas; 14 anos, não

“Tínhamos consciência desde o início que se a proposta fosse ampliada, ela se tornaria inviável” José Eduardo Romão, do Ministério da Justiça

recomendado para antes das 21 horas; 16 anos, não recomendado para antes das 22 horas e 18 anos, não recomendado para antes das 23 horas. Com o protesto das emissoras de TV, caiu a necessidade de análise prévia do conteúdo por parte do Ministério da Justiça, o que de certa forma causa até um certo alívio ao órgão, diz Romão, já que a estrutura necessária para a execução de tal tarefa seria gigantesca. Com isso, foi introduzido um novo conceito, de autoregulamentação. A emissora analisa a sua obra, dá uma classificação, preenche um formulário e o MJ publicará no Diário Oficial a classificação estabelecida. Apenas em caso de abuso o ministério entra em cena: se for constatado que a obra não confere com a classificação atribuída pela empresa, o ministério poderá modificar.

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As regras valem inclusive para canais pagos (ainda que neste caso estejam sendo estudadas formas de dar mais tempo de adaptação e maneiras de padronizar os conteúdos distribuídos regionalmente). “No caso da classificação das TVs por assinatura, é importante identificar responsabilidades, o que torna o trabalho mais complexo. Há responsabilidades do programador, que tem que veicular a classificação do programa, e a responsabilidade do operador, que é dotar o sistema de mecanismo de bloqueio de canal”, explica o diretor do departamento de classificação indicativa. Ele lembra que o debate no caso da TV por assinatura é muito significativo porque foi um debate honesto, em que sempre ficou claro que havia um interesse comercial em jogo. A nova portaria deixa claro que a TV por assinatura deverá veicular as informações sobre classificação indicativa, mas não está sujeita à vinculação entre faixa etária e horária, já que oferecem dispositivos de bloqueio aos pais e responsáveis. A portaria também ressalta que se esses dispositivos de bloqueio estiverem à disposição de pais e responsáveis na TV aberta, não haverá necessidade de vinculação entre faixa etária e horária. Mas e por que outras plataformas que eventualmente levem “conteúdos classificáveis” não estão sujeitas à classificação, como Internet ou celular? “Por que seria impossível fechar uma portaria que abarcasse tudo. Indicamos um caminho, mas existe ainda uma discussão mais ampla sobre conteúdo que fica para o marco regulatório”, lembra Romão. Ele se refere à idéia de fazer uma

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( regulamentação) ampla discussão sobre uma eventual Lei de Comunicação Social. “É inevitável que a gente discipline regras nesses novos meios, mas não era esse o objetivo da portaria. Agora é a hora do Estado legislativo se pronunciar. A sociedade carece de uma lei ampla de comunicação”. Inovação Romão aponta a proposta de auto-regulamentação com acompanhamento do Estado como uma das grandes inovações da portaria. “O resultado final da portaria, se não contempla todos os interesses, contempla ao menos todos os argumentos colocados”. Para ele, a auto-classificação é a chance que as empresas têm de responderem pelo próprio conteúdo, com os critérios estabelecidos em uma regra. E os critérios são basicamente dois: sexo e violência. A partir daí, as emissoras é

que criarão os seus códigos de conduta, só que agora a sociedade tem como efetivamente cobrar”. Nos outros exemplos da história recente em que o governo tentou colocar limites à radiodifusão, o padrão de reação foi o mesmo: emissoras alegando risco de censura, risco de controle estatal sobre uma atividade privada, com respostas muitas

“As emissoras é que criarão os seus códigos de conduta, só que agora a sociedade tem como efetivamente cobrar” vezes agressivas. Segundo Romão, no caso da classificação indicativa houve tentativa de desqualificar o interlocutor, argumentos apelativos etc. “A diferença é que havia uma determinação para que se chegasse a uma portaria, e nesse caso havia apoio de segmentos importantes da sociedade, como os organismos de defesa da criança e do adolescente e o Ministério Público”.

Mesmo assim as reações foram duras contra a portaria. “O Estado não tem direito de impor a sua visão de mundo. Não existe instrumento mais democrático do que o controle remoto. O Estado pretender impor horário ou prévia submissão aos programas é prática inaceitável. É censura. Levamos muito tempo para nos livrar disso e não queremos que volte”, chegou a dizer Luiz Alberto Barroso, advogado contratado pela Abert, no último debate público antes da vigência da portaria. Para defender o conteúdo da proposta que estava sendo discutida na ocasião, os principais interlocutores foram Guilherme Canela, da Agência Nacional dos Direitos da Infância (Andi), e Ela Wieko, procuradora federal dos Direitos do Cidadão. Canela frisou que, assim como a liberdade de manifestação e de expressão, os


direitos da criança e do adolescente também foram definidos como prioridade na Constituição. “A classificação indicativa não é censura. A portaria não confere poder ao Ministério da Justiça de vetar a veiculação de qualquer conteúdo audiovisual ou suspender a veiculação se o programa já estiver no ar. A portaria só regula os horários de exibição às faixas etárias, o que já está indicado no artigo 254 do Estatuto da Criança e do Adolescente”, disse Canela. Já a procuradora Ela Wieko argumentou que é direito da União exercer a classificação indicativa, especialmente porque as emissoras de TV aberta são concessionárias públicas de serviços. Têm direitos, mas também têm deveres para com o poder concessionário. “A classificação nada mais é do que a expressão dos valores constitucionais”, frisou.

O fato de ter se chegado ao fim de um processo que interferiu diretamente na forma como emissoras de televisão tratam os conteúdos produzidos e veiculados significa que as emissoras de TV estão mudando? A visão de José Eduardo Romão é que não há mais, entre os radiodifusores, uma unidade. “Algumas emissoras avaliam que houve equívoco no

“A classificação indicativa não é censura. A portaria não confere poder ao Ministério da Justiça de vetar a veiculação de qualquer conteúdo audiovisual” Guilherme Canela, da Andi

combate à classificação. Acho que a experiência desse e de outros processos ensinou lições a toda a sociedade, e os radiodifusores estão no meio”. Romão (cuja equipe foi classificada como “estagiária” nos surtos de reação à

portaria) acredita que ainda seja cedo para falar em um amadurecimento das TVs. “O que há é um ambiente mais maduro. Certamente a sociedade já dispõe de informações suficientes sobre os limites dos meios de comunicação”. Ele avalia que a portaria de classificação indicativa foi um processo com começo, meio e fim porque “houve uma exaustão da sociedade sobre não se poder discutir comunicação. Claro que houve ruído e contra-informação, mas também houve troca de informação e apoio organizado”. O Ministério da Justiça também entende que havia um risco muito grande de “judicialização” do conteúdo das emissoras de TV caso a questão ficasse apenas sob a responsabilidade do Ministério Público, sem o compromisso das emissoras de se auto-fiscalizarem. SAMUEL POSSEBON


(audiência-TV paga) AXN conquista o quinto lugar

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O levantamento do Ibope Mídia é realizado nas praças Grande São Paulo, Grande Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Distrito Federal (universo: 4.926.600 indivíduos). Entre os canais mais assistidos pelo público jovem (de 4 a 17 anos) em junho, nas mesmas praças, os primeiros lugares do ranking não sofreram alterações em relação ao mês anterior. O Cartoon Network ocupou a primeira posição, com 20,9% do alcance médio e 1 hora e 2 minutos de tempo médio de audiência. Nickelodeon, Discovery Kids, Multishow e TNT completam a lista dos cinco líderes. O alcance total dos canais entre este público foi de 52,2% e o tempo médio diário de audiência foi de 2 horas e 18 minutos (universo: 1.039.500 indivíduos).

FOTO: DIVULGAÇÃO/SONY PICTURES

quinto lugar no ranking de alcance dos canais de TV por assinatura entre o público adulto continua a ser disputado entre os canais de filmes e séries. Em junho foi a vez do AXN ocupar a posição, com alcance médio de 9,4% e tempo médio de audiência de 23 minutos, após ultrapassar os canais Universal Channel e Warner Channel, que ficaram em sexto e sétimo lugares, respectivamente. Essa é a primeira vez no ano que o AXN ocupa esta posição. Os programas mais assistidos no período, nas praças São Paulo e Rio de Janeiro, foram “Lost”, “Criminal Minds” e “Double Pack”. Os líderes do ranking do público com mais de 18 anos foram TNT, Multishow e SporTV, com alcance total dos canais de 49,4% e tempo médio de 2 horas e 8 minutos.

“Lost” (no alto) e “Criminal Minds” (acima) foram as atrações mais assistidas em junho no AXN.

(DANIELE FREDERICO)

ALCANCE E TEMPO MÉDIO DIÁRIO Acima de 18 anos*

De 4 a 17 anos*

Total canais pagos TNT Multishow SporTV Globo News AXN Universal Channel Warner Channel Fox Discovery Cartoon Network Sony GNT National Geographic Telecine Premium People & Arts Discovery Kids SporTV 2 HBO Nickelodeon Telecine Pipoca

Alcance (%) 49,4 13,7 10,0 9,7 9,5 9,4 9,2 8,7 8,6 8,6 7,9 7,2 7,1 6,6 6,5 6,3 6,1 5,9 5,8 5,4 5,3

(Das 6h às 5h59)

Indivíduos (mil) Tempo Médio 2.439 2:08:04 677 0:29:28 495 0:16:59 480 0:33:04 470 0:30:06 463 0:23:36 454 0:34:37 427 0:28:25 425 0:22:24 422 0:18:37 390 0:34:13 355 0:23:01 348 0:20:30 327 0:14:36 322 0:26:33 312 0:17:34 302 0:54:40 292 0:16:45 287 0:24:40 265 0:24:29 260 0:34:34

*Universo 4.926.600 indivíduos

Total canais pagos Cartoon Network Nickelodeon Discovery Kids Multishow TNT Jetix Disney Channel SporTV Fox Discovery Telecine Pipoca Telecine Premim Warner Channel Universal Channel Boomerang AXN People & Arts National Geographic HBO Globo News

Alcance (%) Indivíduos (mil) Tempo Médio 52,2 539 2:18:31 20,9 216 1:02:09 14,6 151 0:43:11 12,8 132 1:12:53 11,4 118 0:23:07 10,9 113 0:25:23 8,3 85 0:48:58 7,4 76 0:55:04 7,0 72 0:31:22 6,8 70 0:27:23 6,6 68 0:23:29 6,3 65 0:39:34 5,4 56 0:27:48 5,2 54 0:17:00 5,2 53 0:18:38 5,1 53 0:31:44 5,0 52 0:21:35 4,7 48 0:15:10 4,4 45 0:17:23 4,0 42 0:19:25 4,0 41 0:18:12

*Universo 1.039.500 mil indivíduos

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Fonte: IBOPE Telereport – Tabela Minuto a Minuto – Maio/2007.

(Das 6h às 5h59)


( tv por assinatura )

Só para nichos Abril adota estratégia de lançar canais “sem similares”. Dois chegam à TV por assinatura este ano e outros três estão no forno para o próximo biênio.

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espaço para canais generalistas na TV é cada vez mais escasso. Por outro lado, há ainda nichos não explorados, mas com potencial comercial. Esta é a visão da Abril, que está investindo em novos canais de nicho. “Não faremos canais de notícias, filmes, esportes ou infantis. Vamos explorar os nichos que não estão saturados”, diz o diretor executivo de TV da Abril, André Mantovani. A emissora lança dois canais de TV por assinatura este ano e trabalha com a meta de lançar mais dois em 2008 e pelo menos um canal em 2009. “Da forma como está encaminhado, pode ser até mais de um em 2009”, diz o executivo. O primeiro estreou no dia 30 de julho, o Fiz TV. Trata-se de um canal com conteúdo feito exclusivamente pelos usuários e pré-exibidos no site do canal, o www.fiztv.com.br. Em meados de julho, mesmo sem o canal no ar e com a divulgação resumida a espaços na MTV, o site já contava com cerca de 800 vídeos. O modelo do Fiz TV garantirá um custo de programação insignificante - até meados de julho, ainda não estava decidido quanto seria pago por vídeo veiculado no canal, mas seria algo entre R$ 50 e R$ 500. Para evitar o mesmo tipo de transtornos que incomodam o Google com o portal YouTube, serão exigidos comprovantes dos direitos autorais para o conteúdo veiculado na televisão. “Para a Internet é mais livre, é necessário apenas o

preenchimento de um cadastro”, explica. O conteúdo que fará a transição da Internet será escolhido pela audiência do site, responsável pelo ranking dos melhores. A grade do canal, voltado para um público ente 15 e 35 anos, será formatada em cima das categorias do site, e contará até com notícias, sempre levadas pelo público. “Imagens do acidente aéreo, por exemplo, poderiam entrar no canal”, explica Mantovani. O máximo que pode ser produzido na casa, além da identidade visual, são cabeças de programas. A publicidade também será diferenciada, podendo contar, além dos tradicionais breaks de 30 segundos, com vídeos dos anunciantes e promoções. O outro canal da Abril que estréia ainda este ano, o Ideal, também já tem parte de seu conteúdo em produção. O canal deve estrear em outubro e será voltado para jovens executivos e empresários, com informações sobre gestão, carreira e bem-estar. A idéia partiu de uma pesquisa encomendada para a MTV, que mostrou que uma das maiores preocupações dos jovens é em relação ao mercado de trabalho. O Ideal deve contar com parcerias comerciais com as revistas da Abril voltadas ao mesmo público: Exame e Você S/A.

FOTO: DIVULGAÇÃO

Distribuição No final de julho, o Fiz TV já contava com contrato de distribuição com a TVA e estava negociado com a NeoTV. “Além das operadoras associadas à NeoTV e da TVA, o canal deve ir para a Telefônica e já está em

“Não faremos canais de notícias, filmes, esportes ou infantis” André Mantovani, da Abril

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negociações avançadas com a Net e a Sky”, diz Mantovani. O executivo acredita que canais de nicho são mais fáceis de serem negociados. “Nossos novos canais não representam ameaça direta para ninguém”. A Abril aposta na distribuição multiplataforma. O Fiz TV, além da web, poderá, no futuro, ser visto pelos celulares. Para isso, a Abril já negocia com uma integradora. A plataforma móvel também será usada para a geração de conteúdo, já que, no futuro, os usuários também poderão enviar vídeos gravados com a câmera do telefone celular. Verticalização x produção independente Parte do conteúdo do Ideal já está em produção. Por enquanto, a linha de produção é verticalizada. Segundo Mantovani, estrategicamente seria mais interessante contar com a produção independente, mantendo assim a estrutura do canal mais enxuta. Contudo, o executivo diz que a opção pela produção independente acabou frustrada por conta dos preços. “Meu custo de produção é 15% do preço apresentado pelas produtoras independentes”, afirma. “Recebi propostas de programas de linha que custariam R$ 40 mil por episódio. Isto é preço de novela”. Para ele a produção independente só encontrará mais espaço na televisão se conseguir trabalhar em escala. “A lógica da publicidade não funciona no conteúdo para televisão”, explica, lembrando que neste tipo de produção a contratação de mão de obra é por trabalho. FERNANDO LAUTERJUNG


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( programação)

Brasil na tela Multishow busca novos programas para aumentar oferta de conteúdo nacional. FOTO: DIVULGAÇÃO

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opção pela parceria com a produção independente ou a verticalização do conteúdo é tema que ainda gera polêmica entre produtores e canais, seja de TV por assinatura ou de TV aberta (lei matéria à página XX). O custo da produção independente pode ser maior, mas, ainda assim, trazer vantagens. “A produção independente é mais cara, mas não podemos inflar a nossa infra-estrutura”, diz Christian Machado, gerente de produção artística do canal de TV por assinatura Multishow. “Além disso, a produção independente ajuda a ‘ventilar’ a grade de programação, trazendo novas idéias originais”, completa. O Multishow está investindo para aumentar o conteúdo nacional em sua grade, passando de 15 para 18 programas. Há cerca de quatro anos, o canal passou a investir na parceria com produtoras independentes. Desde então, a maior dificuldade das produtoras, segundo Wilson Cunha, diretor do canal, sempre foi em enviar projetos adequados à grade do canal. “Elas precisam compreender os direcionamentos do canal”, diz. Pensando nisso, o Multishow organizou um workshop com 15 produtoras, em maio deste ano, para explicar suas demandas. “Não queríamos fazer uma encomenda, mas apresentar o direcionamento do que precisamos e ver o que eles (os produtores) teriam para nos oferecer”, explica. Segundo Christian Machado, o canal tem hoje 15 programas nacionais em sua grade. Destes, nove são de produção independente e outros contam com um modelo misto, no qual apenas a gravação é terceirizada. Até a promoção do

“A produção independente é mais cara, mas não podemos inflar a nossa infra-estrutura” Christian Machado, do Multishow

workshop, o canal recebia proposta de produtoras de maneira não sistemática, e a maioria era inadequada aos conceitos do canal ou ao orçamento, explica Machado. Pitching às avessas A primeira opção foi a promoção de um pitching, para receber as propostas das produtoras. Contudo, segundo Christian Machado, essa modalidade de seleção de conteúdo pode ser um tiro pela culatra. “Temíamos receber muitos projetos não direcionados ao canal. Além disso,

CONCORRENTES Confira os projetos que venceram a primeira etapa do processo seletivo do Multishow: “Na Contramão”, da Raccord Produções; “Programa dos Sonhos”, da Maria Bonita; “Verdade ou Conseqüência”, da Panorâmica; “Fiz do Meu Jeito”, da Conspiração; “Preserve”, da KN Vídeo; “Felicidade Livre”, da Honze Filmes.

poderíamos cair na armadilha de selecionar o projeto que conta com um ótimo vendedor, mas de uma produtora sem infra-estrutura e conhecimento para produção para televisão”, afirma. A opção acabou sendo pelo workshop, uma espécie de “pitching às avessas”, com produtoras que já produzem ou produziram para o canal e apresentaram a capacidade de produção desejada. “Foi uma oportunidade de expormos nossa grade, explicarmos o perfil do público. Apresentar os pilares do canal”, diz o gerente de produção artística do Multishow. O resultado, na opinião do canal, foi muito bom: 45 dias após o workshop, que aconteceu na manhã do dia 10 de maio, o Multishow recebeu 40 projetos, “todos adequados à grade e ao orçamento do canal”. Destes, seis foram escolhidos para a produção de um piloto, que tem o custo dividido entre produtor e canal. Com os pilotos em mãos, o que deve acontecer no dia 30 de agosto, o Multishow encomendará uma pesquisa junto ao público. A pesquisa ajudará na seleção de três projetos, que serão bancados pelo canal. O desenvolvimento das pautas, da produção e da edição dos programas será feito em conjunto entre produtora e canal. A Multishow bancará todo o custo de produção e ficará com os direitos do conteúdo para todas as janelas e territórios. O limite orçamentário imposto pelo canal é de R$ 25 mil por episódio, mais o salário do apresentador, quando necessário. “Queremos dar continuidade ao projeto nos próximos anos, mas para tomar esta decisão vamos esperar a conclusão desta primeira experiência”, diz Christian Machado. FERNANDO LAUTERJUNG

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Bailarinos em pauta

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formação de um conjunto de notas com os oito bailarinos em cada cena. Todas as notas fazem parte da trilha sonora. “Definimos as notas que seriam representadas e elas foram usadas pelo compositor Serginho Rezende na hora de compor a trilha”, continua o diretor. “A marcação das notas corresponde à partitura do contrabaixo da trilha”, completa o Buled. Foi na pós-produção que as diversas cenas com câmera parada se transformaram em um plano seqüência. Os oito bailarinos também foram multiplicados, o que resultou em cenas com mais de 50 personagens. O cenário também é virtual, já que tudo foi gravado em fundo verde. O diretor explica que “foram tiradas fotos de referência no próprio estúdio, com aquele tom mais azulado, mas a equipe de composição é que criou o cenário. Nossa intenção era a de simular a existência de um tecido sobre as silhuetas – é como se houvesse um pano por cima da imagem.”

ara divulgar o Projeto Tim Música – uma série de shows espalhados por várias cidades brasileiras – a operadora de celulares Tim levou ao ar um filme inspirado na cerimônia de entrega do Oscar 2007. “Tínhamos pouca verba para produzir um filme para o projeto. Pensamos no jogo de sombras que foi feito na apresentação do Oscar e ligamos isso à música. Fomos desenvolvendo a idéia até chegar ao resultado. O briefing, então, foi o de transformar pessoas em notas musicais”, explica o diretor de arte da campanha, Lucas Buled. “Assim que recebemos o briefing, a primeira coisa que pensamos é que as notas musicais tinham que ter a ver com a trilha sonora. Então estudamos com a coreógrafa e com a produtora de som que notas poderiam ser feitas com o corpo”, acrescenta o diretor Fernando Sanches. O filme é um plano seqüência que mostra uma pauta musical, com os bailarinos em silhueta formando notas musicais. Eles dançam, se posicionam como as notas, e logo formam outras notas. As imagens foram captadas em vídeo digital com uma câmera fixa. Foram contratados oito bailarinos da Companhia Cisne Negro, uma das mais tradicionais de São Paulo, para representar as notas. Em estúdio, os bailarinos foram gravados sobre fundo verde e vestidos de preto. “Já usamos uma luz de fundo para criar o efeito de silhueta”, diz Sanches. A decupagem do filme previa a

FICHA TÉCNICA Cliente Produto Agência Diretores de Criação Redator Diretor de Arte Produtora Direção Direção de Fotografia Coreografia Edição Finalização e pós-produção Efeitos Trilha

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Tim São Paulo Projeto TIM Música McCann Erickson Adriana Cury, Roberto Cipolla Kiko Mattoso Lucas Buled Prodigo Fernando Sanches Carlos Zalasik Gabriela Gonçalves Ana Claudia Streva e Fernando Sanches Equipe Prodigo Massao Asaga Comando S (Serginho Rezende)

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Jogo de sombras: os oito bailarinos viraram mais de 50 na pós-produção.


Sandálias protagonistas

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ma nova linguagem, com técnicas diferentes de animação, está presente na nova série de vinhetas que divulga as diversas linhas de sandálias Havaianas. Cada vinheta divulga um produto e a própria sandália faz parte dos elementos que entraram na animação. “Usamos uma linguagem mais gráfica, sem as personalidades que aparecem na campanha atual de filmes da marca”, diz o diretor de animação Jr. Catao. Segundo o diretor de criação Sergio Mugnaini, a linguagem dos filmes institucionais será mantida e toda a linha ganhará vinhetas específicas. “As vinhetas são muito usadas quando o cliente compra pacotes de patrocínio. Decidimos usar linguagens e técnicas diferentes de animação para cada modelo”, explica. Todo o trabalho foi desenvolvido em parceria pela criação da agência e pela equipe da Digital 21. O briefing original pedia que as características de cada sandália fossem ressaltadas e que os elementos estéticos fossem valorizados, especialmente em relação à palheta de cores. “Dividimos o trabalho pelos vários artistas da casa. Todo o mundo participou. Como tínhamos essa liberdade em relação aos tipos de animação, pudemos aproveitar os estilos dos artistas. Para nós foi muito legal, porque a idéia não era criar vários pack-shots, com o chinelo parado, mas fazer ele participar do filme”, explica Jr.

Sem filmagem: todas as sandálias dos filmes foram modeladas em 3D.

Para a linha Top, que é a mais colorida, foi criada uma animação caleidoscópica, como se os chinelos entrassem e saíssem de um mesmo ponto focal. Ainda no período de testes, Jr. criou uma pintura a lápis para as sandálias, sobre a mesma animação das sandálias realistas, que acabou também sendo aprovada pela agência e pelo cliente. “Todas as sandálias são modeladas em 3D, da forma mais realista possível. Nada nas vinhetas foi filmado”, conta. O filme da linha High mostra as várias camadas que formam o solado, que é mais alto do que o das sandálias normais. O

filme da sandália infantil Monsters, que brilha no escuro, foi ambientado em um cemitério virtual. A iluminação do filme simula o apagar de luzes, para demonstrar a característica da sandália. O modelo Slim, uma sandália de solado mais fino e decorado com ramos de flores em estilo oriental, ganhou um filme que dá vida às flores do solado, feita com uma delicada animação 3D do ramo. Mais simples, o filme do modelo Surf simplesmente mostra várias sandálias alinhadas em um cenário litorâneo. O filme mais complicado foi o do modelo Brasil, que tem uma bandeirinha brasileira na tira. “Trabalhamos com o ilustrador carioca Guilherme Marconi, que criou vários elementos ligados à cultura brasileira. A maior dificuldade aqui foi justamente para acertar a palheta de cores, que era uma grande preocupação, mas a animação permaneceu a mesma.” FICHA TÉCNICA Cliente Produto Agência Direção de Criação Produção e pós-produção Direção de animação Equipe de 3D

Alpargatas Havaianas AlmapBBDO Sergio Mugnaini Cine/Digital 21 Jr. Catao Jr. Catao, Henrique “EDMX” Montanari, Vinicius Vince Equipe de Motion Design Jr. Catao, Rafael Valle, Baboo Matsusaki, Fabiano Broki, Pedro Vergani

Para cada modelo, um estilo diferente, criado em parceria da agência com a produtora.

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(produção)

Animação viável Anima Fórum aponta dificuldades em produzir animação no Brasil, mas apresenta novidades que podem ajudar a viabilização de idéias e projetos em fase avançada de desenvolvimento.

B

se com a viabilização da parcela local do investimento. Neste sentido, os produtores de animação podem contar com as linhas de financiamento do BNDES e esperar novas ações nessa área. A chefe do Departamento de Economia da Cultura do banco, Luciane Gorgulho, afirmou durante um dos painéis do Anima Fórum, que a animação é considerada um setor estratégico para o BNDES. Entre os fatores que fazem o banco colocar o seu foco na técnica está o potencial de receitas de licenciamento, vida útil longa, capacidade de viajar, utilização de mãode-obra especializada, reconhecimento internacional, grande volume de produção e oferta abundante. Entre as possíveis ações a serem implantadas pelo banco, está a possibilidade de associação dos instrumentos de crédito (como o Procult) a um financiamento não-reembolsável. Em um primeiro momento, esse modelo serviria para financiar apenas projetos com acordos de co-produção internacionais firmados. “Nossa missão é patrocinar obras que sejam vistas”, diz Luciane. “Não faz sentido financiar uma obra para que ela fique na prateleira”. Ela afirma ainda que a predileção por projetos em co-produção internacional se dá para que a parte brasileira do financiamento seja garantida. “Não levantar a parcela local FOTO: ARQUIVO

oas notícias por parte de radiodifusores e governo fizeram a alegria dos produtores brasileiros de animação durante o 2° Anima Fórum, evento que aconteceu nos dias 12 e 13 de julho em São Paulo. O fórum de discussões sobre a indústria de animação faz parte do Anima Mundi – Festival Internacional de Animação do Brasil, que aconteceu entre os dias 29 de junho e 8 de julho, no Rio de Janeiro, e 11 e 15 de julho, em São Paulo. As dificuldades para produzir animação no Brasil são conhecidas: alto custo, concorrência com produtos importados, falta de espaço (e parcerias) nas TVs abertas, entre outras. O que as discussões no Anima Fórum mostraram é que a qualidade da animação nacional e os negócios de co-produção internacional têm feito com que o mercado brasileiro de cinema e televisão “abra os olhos” para as possibilidades dessa técnica. O presidente da Associação Brasileira de Cinema de Animação (ABCA), Alê McHaddo, acredita que os acordos de co-produção internacional que os produtores brasileiros têm fechado são positivos para mostrar que o país pode viabilizar projetos de qualidade internacional, além de garantir a distribuição em outros países. Por outro lado, ele lembra que é preciso se certificar de que o Brasil não seja usado apenas como fonte de mão-de-obra barata, e ainda preocupar-

Luciane Gorgulho, do BNDES: banco planeja linha de financiamento para projetos com acordos de co-produção firmados.

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do dinheiro pode prejudicar todo o setor nesse tipo de negociação”, diz. Para ter acesso a essa linha, os projetos devem ser co-produções internacionais, ter orçamento superior a R$ 1 milhão e ter garantia de exibição por uma TV brasileira – é desejável ainda que tenha a exibição de uma TV internacional. Além da linha de financiamento do BNDES, os produtores de animação poderão contar com um incentivo para dar início aos seus projetos de séries. O diretor do Centro Técnico do Audiovisual (CTAv), José Araripe Jr, afirmou que a Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura deve lançar, em 2008, um novo edital para o desenvolvimento de séries de animação. O objetivo é financiar a etapa inicial dos projetos, na qual são preparados perfil dos personagens, storyboard e pitching. Segundo Araripe, as séries de animação que estão em co-produção atualmente servirão de parâmetro para formatar esse edital. Além deste, será lançado, em 2007, um edital para a realização de um longametragem em co-produção entre Brasil e Canadá. Em todas as janelas Os anúncios feitos durante o Anima Fórum foram importantes tanto para quem pensa em dar início a um projeto, quanto para quem já está em uma fase mais adiantada dos trabalhos. Uma das questões que parece estar longe de solução, no entanto, é como viabilizar os produtos nacionais para a exibição na TV aberta brasileira. Canais que compram uma série de animação no

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( produção) FOTOS: ARQUIVO

Zico Góes, da MTV: linha de animação feita “in house” é um dos carros-chefe da programação do canal.

também anunciantes”, diz. “Se eu tirar o programa matinal da Band e colocar uma animação, posso dobrar a audiência, mas certamente não vou vender comercial”, comparou. Na contramão da opinião geral, de que é caro produzir animação no Brasil, o diretor de programação da MTV Brasil, Zico Góes, apresentou os cases de sucesso dos programas “Megaliga MTV de VJs Paladinos” e “Fudêncio”. Ambos são produções feitas “in house”, com a participação de seis animadores, e utilização de Flash. Segundo Góes, a linha de animação é hoje um dos carros-chefe da programação. Licenciar é um caminho Durante os painéis, foram apontadas algumas possíveis soluções para os problemas de viabilização da produção e exibição dos produtos de animação. Entre elas, estão as coproduções internacionais, a pré-compra de séries, a utilização do Artigo 39 (no caso de programadoras FOTOS: DIVULGAÇÃO

mercado internacional a um preço médio de US$ 3 mil por episódio, normalmente não estão dispostos a pagar US$ 200 mil, por exemplo, pela produção de um episódio de uma nova série. O custo alto é o maior impeditivo para ter a animação nacional nas telas, segundo o diretor executivo da Globo Filmes, Carlos Eduardo Rodrigues. Ele diz que a TV pode fornecer parte do financiamento, mas com base no custo de venda, não de produção. Rodrigues acredita que um dos caminhos a ser seguido é a exploração de outras janelas, não só para viabilizar a produção, como para mostrar que o programa já foi testado e aprovado. “O produtor deve aproveitar o mercado internacional, onde há menos barreiras, além de explorar diferentes janelas, como o homevideo e o licenciamento”, afirma. A exploração dessas janelas também foi apontada por Marcelo Parada, da Band. “A animação é cara. A sua viabilização depende de toda a cadeia, ou seja, cinema, TV fechada, DVD e então TV aberta”. Ele ressaltou ainda que o modelo da TV aberta é baseado na publicidade, e que é difícil captar anunciantes para programas feitos para o público pré-escolar, por exemplo. “Falta medição de audiência nas crianças de idade préescolar e, por isso, faltam

internacionais), parceria com distribuidores, homevideo e licenciamento. Reynaldo Marchezini, que antes de montar a produtora Flamma trabalhava com o licenciamento de produtos de marcas como Disney e Pokemón, utiliza toda a sua experiência nesse tipo de negócio para viabilizar as suas séries de animação. Um de seus projetos, a série “Princesas do Mar”, está em processo de co-produção com a australiana Southern Star e a espanhola Neptuno Films, e já foi pré-vendida para canais da Austrália, Alemanha, Itália, França, Inglaterra e Espanha. Ele lembra que na hora da negociação, o licenciamento é um forte argumento com os parceiros, mas ele não deve ser o ponto de partida para a venda da série. O produtor também recomenda atenção aos direitos negociados nos contratos de co-produção com exibidores. “Os canais de TV sempre querem participação no licenciamento. Então, será que eles topam dar uma participação da verba de publicidade que recebem?”, questiona. DANIELE FREDERICO

Reynaldo Marchezini, da Flamma: licenciamento não deve ser o ponto de partida para a venda da série.

GLOBO ESTUDA ESPAÇO PARA A ANIMAÇÃO NACIONAL A TV Globo deve abrir um espaço em sua grade de programação para a exibição de animação nacional. A informação, anunciada por Carlos Eduardo Rodrigues durante o Anima Fórum, é de que a TV Globo e a Globo Filmes trabalham em conjunto em um levantamento para identificar conteúdo de animação para o público infantil que possa ser adquirido pela emissora. “Estamos caminhando para formatar um espaço para a exibição regular de animação”, diz o executivo. O projeto, que teve início há um ano, consiste na análise do material disponível hoje no mercado e posterior definição de qual conteúdo é apropriado para a exibição. “No material analisado, há oito ou nove horas de conteúdo que poderia ser exibido”, conta. T E L A

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Rodrigues ressalta ainda que a idéia não é co-produzir, mas comprar o conteúdo que já está pronto, ou seja séries e curtas de animação. A idéia é que esse espaço esteja no ar em outubro ou novembro deste ano.

Carlos Eduardo Rodrigues, da Globo Filmes: TV Globo analisa conteúdo nacional para compra.

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Feira Internacional de Tecnologia em Equipamentos e Serviços para Engenharia de Televisão, Radiodifusão e Telecomunicações 16ª EDIÇÃO

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Conexão Paraná-Japão Afiliada da Band no norte paranaense lança site de conteúdos nacionais para dekasseguis.

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TV Tarobá, TV aberta afiliada da Band nas cidades paranaenses de Londrina e Cascavel, inaugurou no último dia 17 seu serviço de vídeos on-demand via Internet para a comunidade brasileira no Japão, os dekasseguis, via Internet. Desde o começo do ano, a TV Tarobá também oferece programação de TV ao vivo pelo celular para usuários no Japão, serviço desenvolvido em parceria com a empresa de tecnologia Gelt , também de Londrina. O serviço está aberto para 70 mil usuários brasileiros da DoCoMo e 30 mil da Vodafone (Softbank).

Gelson Negrão, da TV Tarobá: de notícias a filmes adultos para os nipo-brasileiros.

Além disso, também na semana passada a Tarobá estreou o serviço Sexy TV (www.sexytvjp.jp), de vídeos adultos para celular, no Japão. Prestado em parceria com a produtora de filmes eróticos Private, o serviço conta com clipes, trailers e filmes de até 15 minutos. O serviço é uma parceria entre o Mobeet e a Brasphone, detentora da marca SexyTV. “O Japão tem cerca de 300 mil brasileiros, e aproximadamente 70% são do Paraná”, conta o editor chefe da emissora, Gelson Negrão, explicando o interesse naquele mercado. O objetivo é fechar o ano com cerca de 10 mil usuários.

Sob demanda O conteúdo do serviço de vídeoon-demand pela web é formado por programas locais da emissora, como telejornais. O usuário compra um cartão de cerca de US$ 10 e tem acesso a todos os vídeos (a atualização é diária) por 30 dias. São oferecidas dez horas de conteúdo original por dia. Segundo Negrão, há negociações com produtoras do Paraná para a criação de drops de notícias e esportes para exibição no celular. O serviço é oferecido pela plataforma Mobeet (www.mobeet.com), que tem ainda como parceira, no Japão, a empresa Brastech. Além da TV Tarobá, a plataforma pretende agregar outros conteúdos, que poderão ser vistos pelos usuários que compram o acesso. Já estudam entrar no sistema o programa de colunismo social do apresentador Amaury Jr. e um programa de esportes radicais, produzido pela Unina de Idéias. A Sony Music também deve colocar clipes musicais para serem assistidos na plataforma. A divulgação dos serviços no Japão é feita no contato direto com os brasileiros que moram e trabalham no país. Foi feita uma parceria com uma rede de lojas de conveniência freqüentada por brasileiros. ANDRÉ MERMELSTEIN

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( tecnologia) Humberto Costa t e l a v i v a @ c o n v e r g e c o m . c o m . b r

Break altamente definido Produtoras e emissoras investem na captação em alta definição. O desafio é encontrar a câmera adequada para cada tipo de produção. A migração para o HD deve acontecer mais rapidamente na faixa comercial.

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TV digital terrestre ainda nem chegou, mas já está promovendo uma revolução nas emissoras e produtoras. A missão mais difícil está reservada aos profissionais envolvidos na captação de imagens em alta definição (HD). Existe um oceano de possibilidades, e aí mora o perigo. “Temos muitas dúvidas em relação à taxa de compressão, que tipo de cartão de memória. Mais perguntas do que respostas. O modelo ainda não está consolidado”, desabafa Frederico Nogueira, diretor geral da TV Bandeirantes em São Paulo. A cada seis meses a indústria apresenta uma novidade, e a nova câmera nem sempre fala a mesma língua de quem chegou um pouquinho antes. A senha é o codec, forma de gravação com diferentes taxas de compressão. “O problema é a volatilidade de novidades. Cada um precisa lançar um codec novo a cada versão. Aí cada fábrica precisa se adequar, o que nem sempre acontece. A última versão do Final Cut (sistema de edição não-linear) não vai rodar o novo codec da Sony”, exemplifica José Augusto De Blasiis, coordenador de produção do CasablancaLab, laboratório de cinema do grupo Casablanca/ TeleImage. Surgem então empresas que produzem adaptadores. São leitores, softwares de US$ 200 que promovem, digamos assim, o diálogo tecnológico. Quem se embrenha nessa Torre de Babel tem na mão uma ferramenta que permite mimetizar a película. Na última NAB, feira anual da indústria de TV nos Estados Unidos, a Sony apresentou produções

Do HDV ao cinema digital, mercado oferece alta definição para todo tipo de produção.

de três continentes gravadas com câmeras Cinealta. Pioneiro na pesquisa e no uso das novas tecnologias, Blasiis assistiu e observou uma diferença brutal no resultado. “Noventa por cento das produções realizadas nos Estados Unidos pareciam película. Metade da produção européia tinha característica de película. E a imensa maioria do material asiático tinha cara de vídeo.” A explicação? “Pode parecer muito com película, mas tem que ter uma nova cultura, usar acessórios adequados”, sentencia. A microssérie “Hoje É Dia de Maria” causou furor com sua exuberância de cores quando foi exibida na TV Globo no final de 2005. Surpreendeu também pelo elevado índice de audiência atingido, apesar da sofisticação. O filme “A Grande Família”, lançado esse ano pela Globo Filmes, foi realizado exatamente com a mesma tecnologia: câmeras Viper, suporte de armazenagem em fita e codec HDCAM. Mas para alguns críticos, a qualidade de imagem da microssérie é superior, um

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símbolo de qualidade da captação digital no Brasil. Seria o DNA dos realizadores o diferencial? Para os engenheiros Paulo Rabello, Fernando Araújo e Celso Araújo, todos da Central Globo de Engenharia, trata-se apenas de uma adequação ao propósito de cada roteiro. “As diferenças de imagens devem ser atribuídas a opções estéticas distintas e assim pretendidas”. O nível de detalhamento da imagem em 1080i (alta resolução) é bem próximo da película. Mas ainda há um caminho a percorrer para emular ainda mais. “No HD a imagem é mais dura e limpa, o que resulta num look menos orgânico”, afirma Wiland Pinsdorf, sócio e diretor de cena da Canvas 24p Filmes. A nova tecnologia também causa impacto no orçamento dos filmes. Na comparação com a película, custos com filme, revelação e telecine são eliminados. “É difícil precisar o quanto mais barato: pode ser de 20% a 50%. Depende principalmente da quantidade e duração das cenas captadas. Num filme com crianças ou animais (cuja captação tende a ser mais demorada) a diferença é sensível”, afirma Wiland. No break A sofisticação do padrão HD vai chegar primeiro ao intervalo. Desde o início das transmissões da TV digital, previstas para dezembro, a TV Globo deseja receber os comerciais no formato HDCAM. “Nós vamos informar e propor às produtoras que realizem seus comerciais na melhor qualidade possível. Porém, entendemos que num primeiro


momento o investimento pode ser muito alto. Por isso estamos estudando a abertura de alguns outros formatos de menor custo, com boa qualidade, como XDCAM HD 50 Mbps”, informa o trio de engenheiros da Central Globo de Engenharia. Como é de praxe, o padrão HD do break da líder de audiência deve se espalhar rapidamente pelas outras emissoras. Pinsdorf aposta que o modelo da indústria americana deve aportar por aqui. “Certamente as cópias de veiculação serão HD. A captação poderá ser feita em Super 16 mm ou 35 mm e depois vão ter o transfer para HD, para posterior edição e finalização. É exatamente esse o modelo que prevalece hoje em Hollywood”. Na primeira fase da migração para a captação em alta definição, algumas produtoras estão investindo em câmeras que usam mini tapes, o chamado mini formato, de preço

estimado entre US$ 4 mil e US$ 9 mil. “Todo o mundo está comprando sua câmera, quer ser autosuficiente. Mas o mercado não usa linha broadcasting de câmeras, que custa quatro vezes mais caro que o mini formato”, afirma José Augusto De Blasiis. Ele adverte que os investimentos em modelos compactos não vêm acompanhados da aquisição de acessórios. “Isso compromete a qualidade”. Ele defende que o mercado de locação de equipamentos broadcasting permitiria escolhas mais adequadas. “Ninguém testa câmera, só compra”. Wiland Pinsdorf teve a primeira experiência com HD num comercial rodado em Los Angeles há sete anos. “Nós procurávamos um visual mais high tech, digital mesmo, diferente da película”. De lá para cá, acompanha a multiplicação

Para José Augusto de Blasiis, da Casablanca, a falta de acessórios nas compactas compromete a qualidade.

acelerada de opções da nova plataforma, fez muitos testes e já bateu o martelo nas suas escolhas. “Para comerciais, temos optado pelas Sony Cinealta HDW700 e HDW900, que gravam em HDCAM, ou as Panasonic com o DVCPRO50HD. A HVX200, também Panasonic, nós usamos para comerciais com verba mais reduzida. E o conteúdo para TV e vídeos corporativos é captado com a Z1, câmera HDV da Sony”. Duas câmeras são consideradas mais acessíveis a orçamentos mais enxutos: a Z1 grava em HD em fita

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Circula em setembro em TELA VIVA. Autorização: 03 de setembro Entrega de material: 06 de setembro

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( tecnologia) mini DV com o codec HDV e a HVX200, que grava em HD sem compressão no cartão P2 (em fita, somente formato DV standard). Wiland compara desempenho e investimento. “Essas opções têm ótimo custo benefício, mas certamente as câmeras broadcasting têm uma resposta melhor e mais recursos, inclusive de lente e acessórios”.

Celso Araújo, da Globo: emissora pedirá publicidade em alta definição.

telejornais seguem a fila da migração. Nesse último caso, apenas a captação em estúdio será feita com câmeras HD, as reportagens continuarão no padrão standard. “Nós temos equipes espalhadas por todo o Brasil, seria muito difícil num primeiro momento migrar toda gravação de externa para alta definição. E a tendência nos Estados Unidos e na Europa é justamente essa que nós estamos adotando, apenas o estúdio, as cabeças em HD. As redes americanas ABC e CBS fazem isso”, explica Frederico Nogueira, diretor geral da Band São Paulo. A emissora voltou a investir pesado na transmissão de eventos esportivos esse ano. Em jogos da Copa América obteve índices de audiência de dois dígitos, um desempenho acima da média. Mesmo assim, gols com qualidade de película só daqui a dois anos. “Para transmissão esportiva você precisa de três unidades móveis. Para fazer tudo em HD o investimento é muito alto. Vai ser feito gradativamente”, completa Nogueira.

Dramaturgia A próxima novela das 20h da Globo começa a ser gravada em setembro. Será a primeira produção do gênero em HD da emissora. O propósito é ser o ícone da emissora na fase inicial da TV digital. Durante nove meses foram realizados testes para a escolha das câmeras para as diferentes produções que gradativamente vão migrar para alta resolução. “Usaremos câmeras hi-end Ikegami nas captações em estúdio. E camcorders Sony em operações de externas. Para a captação de dramaturgia vamos adotar o formato HDCAM da Sony. Para jornalismo e esporte ainda não temos uma definição”, diz a Central Globo de Engenharia. A Band quer aproveitar a nova fase da TV brasileira para se caracterizar como emissora que oferece um novo padrão de imagens. A emissora planeja exibir toda a faixa de programação do horário nobre em alta definição. Investiu R$ 30 milhões e testou durante os Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro captação, geração, e transmissão digitais. Vinte câmeras foram adquiridas para a empreitada, levada ao ar pelo canal 23 da Grande São Paulo. A novela “Dance, Dance, Dance” será a primeira produção da casa produzida em HD. Já a partir do dia 2 de dezembro, a linha de shows e os

Ventos digitais A corrida para o HD exige atualização técnica permanente dos profissionais envolvidos na gravação de imagens. O setup das câmeras apresenta uma série de novas variáveis. O desafio do highdefinition sugere um novo perfil profissional. “Ele deve mesclar conhecimentos na captação de vídeo e película. Diretores de fotografia e assistentes de câmera mais jovens têm se interessado pelo digital, sem perder a bagagem do cinema,” caracteriza Wiland. Quem vivencia o uso da nova tecnologia há algum tempo, avalia que falta mão-de-obra qualificada. “Pensou-se zero em estrutura de formação de novos profissionais. Vamos demorar muito para termos nível médio de qualidade em captação digital”, analisa José Augusto De Blasiis. Impulsionado pelos ventos digitais,

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tem surgido até um novo profissional, o “logger”. “É o cara que faz a indexação e cuida da base de dados. Ele também programa as câmeras”, explica Blasiis. É preciso estar antenado, pesquisar novidades para domesticar problemas que permanecem insolúveis por completo. A leitura de cores na nova plataforma é bem maior que no standard e ainda é apontado como fator de comprometimento de qualidade. “As câmeras têm evoluído e a RED, por exemplo, grande sensação nas últimas edições da NAB, promete encurtar significativamente essa distância,” acredita Wiland Pinsdorf. As emissoras apostam em estratégias diferentes para suavizar os primeiros passos no caminho digital. “Fazemos diversos modelos de treinamento, que acontecem de forma contínua. Este é um dos nossos principais objetivos para a manutenção do padrão de qualidade”, informa a Central Globo de Engenharia. Na Band, técnicos têm viajado ao exterior para conhecer experiências em HD. E a indústria de equipamentos é considerada responsável pela tarefa de ensinar. “Vamos resolver o problema do treinamento com parcerias. Nesse caso, o fornecedor se compromete a treinar,” explica Frederico Nogueira. Tanto investimento será perceptível pelo telespectador? Existe uma enorme expectativa em relação ao impacto que a HDTV terá no Brasil. Inicialmente ela será uma experiência para poucos, apenas para quem tiver um aparelho LCD em HD 1920x1080. “O sinal digital, acompanhado de uma TV de alta definição, pode ter o mesmo impacto para telespectador que o surgimento da TV em cores”, compara Wiland. De qualquer forma, acredita-se muito no poder de encantamento da nova plataforma. “Dá vontade de jogar tudo que a gente tem hoje fora”, esbraveja Frederico Nogueira.


( radiodifusão)

Momento de transição Congresso da SET, que acontece paralelo à feira de equipamento Broadcast & Cable, fará um estudo de todas as etapas da TV digital, da produção à transmissão.

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Por fim, um painel coordenado por Euzebio Tresse contará com especialistas das diferentes áreas da TV digital respondendo perguntas da platéia.

FOTO: MARCELO KAHN/ARQUIVO

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ste ano o Congresso da SET, que acontece entre os dias 22 e 24 de agosto, em São Paulo, acompanhado da feira de equipamentos Broadcast & Cable, tem um diferencial. O programa do congresso terá a missão de “cobrir os conceitos da TV digital”. Para isso, os três dias contarão com painéis e debates focados em cada área da transição para a transmissão digital de televisão. Entre os temas apresentados estão as normas técnicas do padrão brasileiro; financiamento da transição; especificações de áudio; mobilidade e portabilidade; IPTV; transmissão. O primeiro dia contará com três painéis realizados pelo Fórum do SBTVD para apresentar as sete normas do padrão brasileiro. Vale destacar, não serão apresentações idênticas às já realizadas para apresentar as especificações do padrão, uma vez que agora as normas já estão formatadas, e estão em consulta para que sejam publicadas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Serão três painéis coordenados pelo engenheiro Paulo Henrique Castro, da TV Globo e coordenador da Comissão de Estudo Especial Temporária da ABNT, criada para normatizar o Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre. Também no primeiro dia, o painel “Financiamento e Impostos para Emissoras” contará com o BNDES explicando as três linhas de financiamento do ProTVD. Outra questão importante apresentada será a do áudio. A equalização do som para sistemas multicanal é uma novidade na radiodifusão brasileira e não vem sendo tão debatida ao longo dos anos como acontece com a produção em

alta-definição. A tecnologia de produção para esportes em alta definição também entra em pauta, apontando os desafios da primeira captação em HD de um evento esportivo de grande porte: os Jogos Panamericanos 2007. O segundo dia do Congresso da SET contará com painéis sobre a produção em alta definição e ainda todas as etapas antes da transmissão, além de um painel sobre produtos de consumo, coordenado por Carlos Capellão. Entre os temas estarão conversão e processamento de vídeo e áudio, cuidados com a recepção de sinais e técnicas de medidas digitais. O último dia do evento será dedicado à transmissão, com explicações sobre sistemas de transmissão de TV, multiplexação e transporte de sinais. Hora do estudo Também no último dia do evento, a engenheira Liliana Nakonechnyj, da TV Globo, coordenará as apresentações das experiências no Japão, separadas em operações e implementação. Trata-se de uma maneira de aprender com erros e acertos na implantação da TV digital naquele país.

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Novas mídias Fernando Bittencourt fará seu tradicional “talk-show” de forma inusitada. Este ano, ao invés de discutir a convergência, o bate papo ancorado pelo diretor de tecnologia da TV Globo apresentará as divergências entre as mídias. Outros temas relacionados à convergência (ou à divergência) estarão em painéis ao longo dos três dias. Antônio Maia, da Globo.com, coordenará três painéis sobre IPTV: Estudos de casos, Contribuição do usuário e Futuro da IPTV. José Dias, da TV Globo, será responsável pelas discussões sobre as tendências tecnológicas na computação e na produção de games. Como não poderia deixar de ser, um painel abordará ainda a mobilidade e a portabilidade na TV digital. O cinema digital também será abordado no congresso, com painéis sobre cinema 3D, DRM e direção de fotografia. A FIICAV - Feira Internacional da Indústria do Cinema e Audiovisual acontecerá paralelamente ao evento freqüentado por engenheiros de televisão. Com a proposta de debater o mercado de conteúdos audiovisuais, o evento contará com painéis sobre cinema, abordando temas como: tecnologia de cinema digital, distribuição theatrical, publicidade nas telas de cinema e criatividade e diversidade no cinema brasileiro. O evento contará ainda com a versão brasileira da premiação “Gold Reel Award”, realizada pela Nielsen EDI.


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FOTOS: DIVULGAÇÃO

(upgrade ) HD de baixo custo

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e olho no mercado de câmeras portáteis HD de baixo custo, a Canon apresentou nove modelos de lentes da família HDgc para câmeras com CCDs ou CMOS de 2/3”, 1/2” e 1/3”. Com os novos modelos, apresentados na última NAB, a família conta agora com 16 lentes, com versões tanto para ENG quanto controladas remotamente. Os lançamentos dividem-se entre três linhas: eDrive, Economical e RemoteControl. A linha eDrive conta com três modelos – KJ16ex7.7B IRSE, KJ21ex7.6B IRSE [2] e KJ10ex4.5B IRSE – desenhados para câmeras com chip de captura de 2/3“. Os três modelos contam com um extender de duas vezes embutido, além da função eDrive, que permite ao usuário programar funções como foco e zoom, para execução automatizada e repetitiva. A tecnologia eDrive, até os novos lançamentos, só estava disponível para a família de lentes eHDxs, high end e de maior custo. A linha Economical conta com os modelos KJ13x6B KRS (para 2/3”), KH13x4.5 KRS (para 1/2”) e KT20x5B KRS (para1/3”). A primeira vai de grande angular de 6 mm a 78 mm. A KH13x4.5 KRS tem o mesmo zoom de 13 vezes, mas com grande

angular de 4,5 mm e tele de 59 mm. A KT20x5B KRS conta com zoom de 20 vezes, de 5 mm a 100 mm. A última categoria, a Remote-Control, inclui os modelos KJ20x8.5B KTS (para 2/3”), KH20x6.4 KTS (para 1/2”) [1] e KT20x5B KTS (para 1/3”). Todos os três apresentam controle externo de zoom, foco e íris, permitindo controle remoto do equipamento. Todas contam com zoom de 20 vezes, apresentando o mesmo ângulo para qualquer dos formatos de chip de captura. Os lançamentos são compatíveis com câmeras Grass Valley, Hitachi, Ikegami, JVC, Sony e Panasonic. Outro lançamento da Canon para produção HD com câmeras portáteis de baixo custo é a cabeça de pan e tilt BU50L [3]. Desenhada para produção em estúdios de jornalismo, a cabeça robótica é controlada remotamente por cabos RS-232C ou ainda por linha telefônica. Adequado para uso indoor, o equipamento é silencioso, e conta com controle para cabeça e outro para câmera.

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Canon lança lentes e cabeça para câmeras portáteis

Atendimento ao cliente

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Tele Design apresenta na ABTA 2007, que acontece de 7 a 9 de agosto, em São Paulo, a versão 4.0 do software Visium que, através da associação de técnicas de inteligência artificial e programação matemática, integra as diversas fontes de

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informação existentes nos centros de operação (ligações telefônicas dos assinantes, transponders e cable modems) para consolidar tais dados e inferir os locais e as causas de falhas em redes HFC. A nova versão conta com uma suíte de aplicações web, que permite

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à operadora ter acesso ao histórico de incidentes, acompanhar todas as ações tomadas na solução dos problemas na rede, assim como obter todo tipo de informação referente à disponibilidade e qualidade do serviço, através de qualquer computador conectado à Internet.

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Suíte de pós-produção

Cinema remoto

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Adobe está distribuindo o software Adobe Creative Suite 3 Production Premium. Disponível para PC e Mac, o pacote integra tecnologias de fluxo de trabalho com novas versões do After Effects Professional, do Premiere Pro, do Encore, do Photoshop Extended, do Illustrator, do Flash Professional e do Soundbooth, que também podem ser comprados como aplicações separadas. As novidades do After Effects são as ferramentas Shape Layers, para desenhar e animar formas vetoriais; a Puppet, para redefinição e manipulação de imagens 2D como animações realistas; e a Brainstorm, para gerar e pré-visualizar variações de animação interativamente. Para áudio, o software Soundbooth possibilita aos profissionais de pósprodução limpar gravações, melhorar

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A Telecast Fiber Systems lançou um equipamento capaz de enviar o sinal de câmeras de cinema digital para um cabo de fibra óptica. O CopperHead DLV-3X1 é montado diretamente na câmera e multiplexa o sinal em quatro streams de dados de 1,5 GBps, permitindo a transmissão de sinal sem compressão Dual Link 4:4:4 ou com compressão 4:2:2 HD/SDI para a área de controle da câmera. A vantagem do equipamento é que ele substitui três ou quatro cabos coaxiais por uma única fibra óptica, mais leve, dando mais mobilidade à câmera. O uso do equipamento permite ainda aumentar a distância da câmera para os servidores de algumas dezenas de metros para até 14 km. O equipamento mede 9,4 x 14 x 4,5 centímetros, podendo ser instalado entre virtualmente qualquer câmera e sua bateria. A estação-base manipula o sinal de até duas câmeras, permitindo ainda o preview do conteúdo sem compressão.

After Effects traz novas ferramentas ao CS3.

dublagens, customizar músicas e efeitos de som. Recursos adicionais do Creative Suite 3 Production Premium incluem o OnLocation, para gravação diretamente em disco e monitoramento, e o software Ultra, para chroma-key. A ferramenta OnLocation pode rodar em Mac, mas com sistema operacional Windows. O Ultra está disponível somente na versão Windows.

FRC-7000 HD padronizou os framerates dos nove shows do Live-Earth.

Evento global A distribuição do sinal de todos os shows do Live-Earth para exibição em TVs de todo o mundo foi algo tão grandioso quanto os próprios shows. A captação dos eventos realizados no dia 7 de julho em oito cidades e na Antártida foi em alta definição – os shows aconteceram em Sydney, Tókio, Xangai, Johannesburg, Hamburgo, Londres, Rio de Janeiro, Nova York e Antártida. A transmissão via satélite foi feita pela Intelsat, como forma de patrocínio ao evento de conscientização sobre uso eficiente de energia. As imagens foram redistribuídas para os países que já contam com transmissão HD na Europa, além de Estados Unidos e Canadá. Para o recebimento das imagens, assim como para a redistribuição, foram usados 11 satélites. A organização do evento usou o conversor de frame rate FRC-7000 HD, da For-A, para poder trabalhar com os diferentes frames rates usados ao redor do mundo. O equipamento foi usado em Nova York, Londres, Tóquio e no Rio de Janeiro para que o conteúdo já chegasse de forma adequada na central de distribuição do evento, na BBC de Londres.

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Copper Head: cinema digital por fibra ótica.

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( memória ) Condolências ao amigo Carlos Eduardo Zanatta

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Converge Comunicações (TELETIME, TELA VIVA, PAY-TV News, TI INSIDE e PTS) agradece aos amigos que enviaram suas mensagens de condolências e solidariedade pelo falecimento de nosso querido amigo e colega jornalista, Carlos Eduardo Zanatta, ocorrido no dia 6 de julho.

1951 - 2007

Em nome dos deputados da Comissão de Ciência e Tecnologia, lamento com grande tristeza a perda de um jornalista obstinado pela informação e pela busca de um País melhor. Que neste momento sua família encontre conforto na certeza de que Zanatta conseguiu construir com sua inteligência, sua indignação diante de injustiças e inverdades, e sua alegria de viver, uma história a ser admirada. Júlio Semeghini, presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara

chegam. Rubens, Samuca, André (me perdoem os demais), tenham em conta, apesar da dor, que foi uma bela caminhada. E aqui nos encontramos, na figura do Zanatta, mais uma vez, a reverenciar a paixão pela notícia, a busca de justiça e o desejo firme de um mundo melhor. A luta continua, agora, alimentada pelas lembranças, onde o Zanatta saiu dos bastidores e virou notícia. É o nosso papel. E ao amigo, representado por todos, fica aqui um agradecimento público: foi um prazer caminhar ao seu lado. A todos que compartilharam este sentimento, meu muito obrigado. E nada de tristezas, Ítaca nos deu uma bela viagem. Nestor Amazonas, ATV Networks Assessoria Empresarial Saudades de uma pessoa muito especial. Força para a família. Mariane Ewbank, Fulstandig Shows e Eventos

jornadas o exemplo que ele nos deixou de integridade, seriedade, gana por notícias e toda a sua alegria no exercício do jornalismo. Saudades! Edianez Parente, jornalista

Peço-lhe receber com um abraço amigo de solidariedade que lhe envio e a expressão do sentimento de grande pesar compartilhado por todos que sempre admiraram este grande profissional do jornalismo. Meus sinceros sentimentos à família e a toda equipe da Converge. Luiz Perrone, vice-presidente de Planejamento Estratégico e Assuntos Regulatórios da Brasil Telecom

Meus pêsames aos amigos da Converge Comunicações e aos parentes, colegas e amigos do jornalista Carlos Eduardo Zanatta, em meu nome e dos colegas da Pramer S.C.A. Fernando Garcia Medina, Canal Film&Arts Invoco aqui o drama e a tragédia de nossa aventura humana na Terra para falar do Zanatta, um amigo, um colega, um ator deste nosso processo profissional e existencial. Lembro dele sempre elegante no dia-a-dia, solidário na forma e correto no exercício da profissão. Nas vezes (poucas) em que discordamos ficou o fino trato das discrepâncias. No que concordávamos (muitas vezes) trago ainda comigo o afago e apoio que recebi em quase dez anos de convivência. No fim, o prazer de ter acompanhado e participado da construção de um mercado, de um momento e de um Brasil melhor, na medida do possível. Neste período de solidificação do papel da Converge Comunicações nas telecomunicações brasileiras, o Zanatta sempre foi referência. Sua presença nos bastidores, anunciada pela bolsa à tiracolo (traço de nossa geração) e generosidade na ponta da língua, vai ficar como exemplo para os que

Zanatta era uma figura muito especial, sujeito doce, profissional competente e sempre entusiasmado com o trabalho. Percebi isso logo nos primeiros contatos que tive com ele e, depois, nos textos corajosos, com fontes tamanho 20, 22, que recebi de Brasília durante mais ou menos um ano, na redação da editora em São Paulo. Deixa para os privilegiados que o conheceram uma bela lição de jornalismo inteligente, independente e ético. Murilo Ohl, jornalista Que a família do querido Zatts tenha forças para transformar toda a dor desta perda irreparável em fé e esperança. E que nós, os companheiros de trabalho, sigamos em nossas

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Recordo-me com muito carinho do bom humor e da inteligência de cada contato com o saudoso Zanatta, lembro-me da motivação e entusiasmo que ele sempre dedicou a nossa indústria e acima de tudo a esperança que ele sempre demonstrou por uma indústria maior, mais democrática e relevante para o desenvolvimento social e econômico do nosso País. Perde o setor um dos seus mais importantes analistas, resta para nós o seu legado junto a toda equipe da Converge. Estendemos a nossa solidariedade aos seus familiares, amigos e colegas. Paulo Cézar Martins, Viacabo A equipe da Coordenação Geral de Comunicação e Mídia da Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda solidariza-se com os amigos da Converge e com a família do saudoso Carlos Zanatta que, com seu trabalho, muito colaborou com nossas atividades nas áreas regulatórias e de defesa da concorrência. Sentiremos muito a falta desse grande profissional. Marcelo Ramos, Luis Henrique D'Andrea, Mário Gordilho, Bruno Cunha, Iracema Fujiyama e Maria Cristina Attayde Consternados com a notícia do falecimento do jornalista Carlos Zanatta, manifestamos as mais sinceras condolências à família e à Converge Comunicações. Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA)


gentos. Triste, apelo para o lugar-comum fim de todos nós, e lamento a perda. Do profissional, do amigo, do brigador. À família, a certeza do exemplo. Que esse é o maior legado de Zanatta. Jorge Stark, assessoria parlamentar e de comunicação social - Anatel

Aunque no conocí personalmente a Carlos, él era una referencia para mi y para varios de los periodistas latinoamericanos que convivimos en el mundo de las telecomunicaciones y que seguimos diariamente los acontecimientos de la industria. Van mis condolencias y mi abrazo para su familia y para el grupo de colegas amigos de Converge Comunicações. Omar Méndez, TodotvMedia Bem sei da perda que a TELETIME teve com o falecimento do nosso Zanatta. Tive a felicidade de conviver com ele, por ocasião das entrevistas que realizava ao longo dos quase seis anos que ocupei a presidência da TCO. Sua perspicácia, elegância e consideração eram evidentes. Mais que o grande jornalista, perdemos um grande homem. Estou certo de que seu exemplo serviu e continuará espelhando aqueles que tiveram a fortuna de sua convivência. Mario Cesar Pereira de Araujo, TIM Acabo de ler a notícia e levar um choque. Ele vai fazer falta, mesmo para pessoas que tinham pouco contato direto com ele, como eu. Lamento muito. Roger Karman Desejamos expressar nosso profundo pesar pelo falecimento do jornalista Carlos Eduardo Zanatta. À direção da Converge, colegas de trabalho e familiares, nossa solidariedade. Beth Carmona e diretoria da TVE Brasil e Rádio MEC Fiquei super triste com a notícia da morte de Carlos Eduardo Zanatta. Trabalhamos juntos durante vários anos na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e depois nos encontramos algumas, infelizmente, raras vezes em Brasília. Ele colaborou na criação do Departamento de Comunicação da UFES. Zanatta era uma pessoa incrível, um excelente colega de trabalho e muito dedicado a tudo que abraçava como causa. Ele deixa ótimas lembranças do tempo que passamos em sua companhia. Profª. Tania Mara Ferreira Conheci Zanatta brigando e passei a admirá-lo assim. Dos primeiros contatos a um respeito profundo foi pouco tempo. Do respeito a uma embrionária amizade, menos tempo ainda. Quisera mais. Acho que tinha ainda muito a aprender com ele. E nesse aprendizado, teríamos muitos mais cafés a compartilhar, dois rabu-

Lamentamos profundamente pela perda do colega Carlos Eduardo Zanatta. Receba os nossos mais sinceros sentimentos e apoio, que se estendem aos amigos e familiares desse profissional exemplar. Equipe Discovery Networks Brasil Sendo fiel leitor das publicações da Converge Comunicações, não poderia deixar de almejar a continuidade de publicações de outra centena de edições de TELETIME, sem, contudo, lamentar o falecimento de um de seus maiores colaboradores, o jornalista Carlos Eduardo Zanatta, um grande amigo, que sempre será lembrado por todos nós que fazemos Comunicações com paixão, amor e dedicação ao Brasil. Juarez Quadros do Nascimento, Orion Consultores Associados Tive o privilégio de conhecer Zanatta ainda em Vitória, chegando de São Paulo, em 1982. Era movido à paixão. Não vacilou quando foi convidado para assumir a liderança do PT em Brasília. Pediu demissão de um emprego público estável, na Universidade Federal do Espírito Santo, para seguir seu caminho. Exemplo de generosidade e grandeza. Anos sem contato, tivemos poucos reencontros. Neles, a marca da amizade sempre esteve presente. Victor Gentilli, jornalista e professor Caro Rubens, receba dos amigos da Neo TV nosso abraço carinhoso e solidário. Nosso amigo Zanatta vai deixar saudades. Neusa Risette, Associação Neo TV Fiquei chocada e muito triste quando li a nota sobre o falecimento do Zanatta. Aliás, ficamos todos aqui do BandNews, do BandSports e do Grupo Bandeirantes. O Zanatta sempre foi um profissional correto, honesto, sério. Nestes anos em que pude ter contato com ele, desde a época das licitações para licenças de TV por assinatura, nem sempre concordávamos, nem sempre os pontos de vista eram os mesmos. Mas ele sempre foi muito elegante e correto em suas colocações. Em época de absoluta escassez de seriedade, honestidade e profissionalismo, a morte do Zanatta realmente é uma perda grande. A todos vocês da Converge Comunicações meus sentimentos pessoais e de todo o Grupo Bandeirantes de Comunicações. Silvia Saad Jafet, Grupo Bandeirantes Em nome dos diretores e associados da ABTU, apresento os mais profundos e sinceros pêsames pela perda do inesquecível

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colega Carlos Eduardo Zanatta, que peço sejam estendidos à sua família. A editora perde um excelente repórter e o Brasil, um combatente da ética e da democracia na mídia. Zanatta vai nos fazer muita falta. Antes com ele, mas agora por ele e inspirados nele, seguiremos na luta. Gabriel Priolli, Associação Brasileira de TVs Universitárias Rubens, aceite nossa solidariedade a vocês e à família. Marcos Bitelli, Bitelli Advogados Nem mesmo a distância entre Brasília e São Paulo ou a relação estritamente profissional, me privou de ser contagiada pelo maravilhoso ser humano, Carlos Eduardo Zanatta, durante os quase dez anos de convivência que tivemos. Além de seu feeling jornalístico aguçado, Zanatta será inesquecível pela sua energia, companheirismo, consideração e respeito ao próximo. Transmito a sua esposa Claudia; seus filhos Ricardo, Gabriel e Maria Rosa, e seu neto Vinícius meu mais profundo sentimento de pesar. Sandra Regina da Silva, jornalista Esta consultoria, por seus sócios, Vanda, Mário César e Poty, lamenta profundamente o falecimento do caro amigo e brilhante jornalista Carlos Eduardo Zanatta, externando à direção da Converge, colegas de trabalho e familiares, sentidos pêsames. Quadrante Consultores Começamos o dia um pouco mais tristes. Como colega do Zanatta, receba um abraço carinhoso e solidário. Recentemente tive a oportunidade de estar com ele em Manaus, num evento da Nokia. Lá pude ver como seu humor inteligente e rápido contagiava a todos. Sem falar de sua competência. Ele vai deixar saudades. Gisele Lorenzetti, LVBA Comunicação Desolado com a perda do talentoso e corajoso jornalista, peço-lhe o grande favor de transmitir à família do nosso amigo Zanatta os mais sinceros pêsames de um leitor fiel e admirador. A você Samuel, ao Rubens e à equipe da editora, nesta hora de grande pesar, ofereço a minha solidariedade e o conforto de um abraço amigo. Chico Araujo Lima Falece um grande jornalista, uma pessoa decente, um sujeito alegre e um militante da luta pela democratização da comunicação no Brasil. Um dia triste. Gustavo Gindre, INDECS

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( agenda ) AGOSTO 7 a 9 ABTA 2007, ITM-Expo, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3120-2351. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.convergecom.com.br. 10 a 18 15° Gramado Cine Vídeo e Mercado do Audiovisual, Gramado, RS. Tel.: (54) 3286-6226. E-mail: gcv@gramadosite.com.br. Web: www.gramadocinevideo.com.br 15 e 16 IPTV & 4Play – Estratégias e Modelos de Negócios, Rio de Janeiro, RJ. Tel.: (11) 3017-6808. E-mail: ibc@ibcbrasil.com.br. Web: www.ibcbrasil.com.br/iptv 20 e 21 Treinamento HDTV e SDTV via satélite – Distribuição, Contribuição e DTH, São Paulo, SP. Tel.: (21) 2533.9540/2532-7072. E-mail: treinamento@unisat.com.br www.unisat.com.br 22 a 24 Set 2006 – Congresso de Tecnologia de Rádio, Televisão e Telecomunicações e Broadcast & Cable – Feira de Equipamentos e Serviços, São Paulo, SP. Tel.: (21) 3974-2000. Web: www.set.com.br www.broadcastcable.com.br 22 a 26 IV Mostra Competitiva de Vídeos do Interior do Estado de São Paulo, Ribeirão Preto, SP. Tel.: (16) 3625-3600.

E-mail:festival@saopaulofilmcommission.com.br. Web: www.saopaulofilmcommission.com.br

23 a 1°/9 Festival Internacional de Curtas Metragens de São Paulo, São Paulo, SP. Tel.: (11) 3034-5538. Fax: 3815-9474. E-mail: spshort@kinoforum.org. Web: www.kinoforum.org. 29 a 31 Broadcast Worldwide 2007 – Exhibition & Conference, Seoul, Coréia. E-mail: bcww@kbi.re.kr. Web: www.bcww.net/2007

SETEMBRO 4 a 7 II Festival Nacional de Cinema e Vídeo Ambiental de Pacoti, Pacoti, Ceará. Tel.: (85) 3221-5416. E-mail: festcinepacoti@oi.com.br. Web: www.festcinepacoti.com.br. 6 a 11 IBC. Amsterdam RAI, Amsterdã, Holanda. Tel.: (44-20) 7611-7500. E-mail: registration@ibc.org. Web: www.ibc.org. 17 a 22 V Curta Santos. Santos, SP. Tel.: (013) 3219-2036. Web: www.curtasantos.com 19 a 23 Ottawa International Animation Festival, Ottawa, Canadá. Tel.: (613) 232-8769. E-mail: info@animationfestival.ca. Web: ottawa.awn.com

20 e 21 7° Congresso LatinoAmericano de Satélites, Rio de Janeiro, RJ. Tel.: (11) 3120-2351. E-mail: info@convergecom.com.br. Web: www.convergecom.com.br. 20 a 4/10 Festival do Rio, Rio de Janeiro. E-mail: mostrageracao@festivaldorio.com.br. Web: www.festivaldoriobr.com.br. 23 a 29 II Curta Canoa – Festival Latino-Americano de CurtasMetragens, Canoa Quebrada, CE. Tel.: (85) 3231.1624. Web: www.curtacanoa.com.br 26 a 30 Festival Tudo Sobre Mulheres, Chapada dos Guimarães, MT. Tel.: (65) 9221-9503. E-mail: producao@tudosobremulheres.com.br. Web: www.tudosobremulheres.com.br

OUTUBRO 6 e 7 Mipcom Junior, Palais des Festivals, Cannes, França. Tel.: (33-1) 4190-4580. E-mail: info.mipcom@reedmidem.com. Web: www.mipcomjunior.com 8 a 12 Mipcom, Palais des Festivals, Cannes, França. Tel.: (33-1) 4190-4580. E-mail: info.mipcom@reedmidem.com. Web: www.mipcom.com 9 a 14 7ª Goiânia Mostra Curtas, Goiânia, GO. Tel.: (62) 3218-3780. E-mail: icumam@icumam.com.br. Web: www.goianiamostracurtas.com.br


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Revista Tela Viva 174 - Agosto 2007  
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