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s e m i n á r i o Fernando Lauterjung

internet em pauta

Seminário sobre Internet em alta velocidade levantou questões quanto ao futuro da produção de conteúdo e da convergência.

Quando chegou ao usuário residencial brasileiro, no segundo semestre de 99, o acesso broadband à Internet trouxe consigo questões importantes. O seminário Converge/ Teletime/Pay-TV/Tela Viva “Internet em alta velocidade - A nova cara da rede mundial”, realizado em São Paulo nos dias 22 e 23 de fevereiro, reuniu analistas, acadêmicos, fabricantes de equipamentos e provedores de conteúdo e de acesso para mostrar o que já foi feito até agora e discutir o futuro da Internet. A capacidade de transportar grandes volumes de dados com um tempo de resposta pequeno é a explicação mais curta para o que

é broadband. Segundo José Carlos Henrique Alves, do provedor Ajato, “A velocidade não é o produto, mas um meio de fornecê-lo com melhor qualidade”, referindo-se ao conteúdo. Pela capacidade da rede de transmitir vídeo em streaming, não há como não compará-la com a televisão. Mas há uma grande diferença, na Internet é possível interagir. Para Marcos Lazarini, diretor de conteúdo do portal MediaCast, a Internet em broadband “não é rádio, não é televisão e não é a Internet como conhecíamos”.

o mercado Por enquanto, a banda larga não tem um número de assinantes expressivo. Devido ao custo, somente as classes mais abastadas têm acesso. “Mas atinge o principal mercado consumidor”, garante Jon Weber, do banco Chase. Segundo Luiz Carlos Lobo e Vladimir Barbieri, dos provedores Vírtua (Globo Cabo) e Speedy (Telefônica), respectivamente, o número de usuários está dentro do esperado.

Não há a obrigação de atingir o maior número de pessoas, pois canais segmentados podem saciar grupos específicos para produtos específicos. Para Leila Loria, CEO da TVA/Ajato, na Internet um número muito pequeno já justifica um programa ou um serviço. O que importa é que atinja o público-alvo. Os publicitários, diz ela, precisam aprender a criar para a banda larga. Os provedores de conteúdo também terão muito o que aprender. O internauta se mostra muito mais seletivo do que o telespectador, pois a variedade de web sites é muito maior do que a de canais televisivos. Segundo Sérgio Motta Mello, diretor da produtora TV1.com, “o internauta não quer ver o que nós queremos que ele veja. É preciso sair do achômetro e descobrir quem é esse internauta”. E Marcos Lazarini completa: “Na Internet não há linearidade de tempo. O acervo precisa ser on demand”. Ficou evidente, pelos participantes do seminário, que as dificuldades para fazer a instalação do serviço na casa do assinante são um obstáculo. TVA, Telefônica e Globo Cabo admitiram que a rede dentro da casa do assinante quase sempre precisa ser refeita. Outro grande problema é o número de computadores desatualizados encontrados nas casas dos possíveis assinantes. A Telefônica, para fazer a instalação do serviço Speedy, envia dois técnicos, que fazem uma análise prévia do local: um vai avaliar a eficiência do ADSL (modem digital que usa a linha comum para transmitir em alta velocidade) e outro vai verificar o estado da casa e do computador do possível assinante. Segundo Luiz Carlos Lobo, diretor de operações do Vírtua, estas dificuldades estavam previstas para o começo da operação. “Quando os problemas estiverem solucionados, a curva de crescimento será geométrica.” Luiz Fernando Baptistella, diretor de engenharia da Globo Cabo,

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Revista Tela Viva - 91 Março de 2000  

Revista Tela Viva - 91 Março de 2000

Revista Tela Viva - 91 Março de 2000  

Revista Tela Viva - 91 Março de 2000

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