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Nº85 setembro 9 9 www.telaviva.com.br

CAPITAL ESTRANGEIRO JÁ FAZ O PRIMEIRO ENSAIO NA TV BRASILEIRA

A DTV TROPEÇA EM TESTE NOS EUA AS VARIÁVEIS PARA ORÇAR UMA produção

ENTREVISTA EXCLUSIVA com PEDRO SIMON


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E D I T O R I A L

Este símbolo liga você aos serviços Tela V iva na Internet. Ô Guia Tela V iva Ô Fichas técnicas de c o m e r c i a i s Ô Edições anteriores d a T ela V iva Ô Legislação do audio v i s u a l

Í N D I C E SCANNER CAPA DTV

BROADCAST&CABLE

FESTIVAIS

6 Capital estrangeiro na programação de TV

Os problemas de transmissão nos EUA As diretrizes do broadcasting brasileiro

X Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo

MAKING OF

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PrrODUÇÃO

Orçamentos

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CINEMA

27º Festival de Gramado

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ENTREVISTA

Pedro Simon

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PRODUTORAS

PROGRAMAÇÃO REGIONAL

Edição não-linear com Windows NT

Rio Grande do Sul

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FIQUE POR DENTRO

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AGENDA

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O resultado dos testes de TV digital em Baltimore (EUA), conforme matéria publicada nesta edição, é emblemático. A nova tecnologia da televisão aberta nos Estados Unidos não pode ser implementada sem levar em consideração a distribuição de sinais pelas redes de cabo e pelo DTH. É ínfima a porcentagem de domicílios que ainda recebe sinais pelo ar. O cenário repleto de antenas nos telhados das residências é nos EUA apenas uma reminiscência de 20 anos atrás. E as antenas internas dos aparelhos digitais estão falhando na recepção pelo padrão de modulação adotado pelo ATSC. No Brasil teremos problema semelhante. Do ponto de vista mercadológico, o conjunto de residências da chamada classe A/B será o único em condições de pagar pelos salgados preços dos primeiros aparelhos de TV digital. Além disso, essa população também aqui já será quase toda usuária da TV paga em suas diferentes tecnologias de distribuição. Portanto, não dá para implementar televisão digital em nosso país ignorando essa questão. No próximo dia 5 de outubro, em São Paulo, durante a ABTA’99, o principal evento da TV por assinatura no Brasil, o assunto estará pela primeira vez em destaque num painel de debates coordenado pelo engenheiro Fernando Bittencourt, da Rede Globo. Há pontos de convergência e outros de possível conflito entre operadoras de TV paga e broadcasters que precisam ser encarados de frente. Por exemplo: • Os operadores serão obrigados a transmitir todos os sinais digitais das emissoras abertas? • Isso teria de ser de graça, como no caso dos canais analógicos? • Há largura de banda disponível nos cabos para se fazer o simulcasting (transmissão do canal analógico e digital de cada uma das emissoras)? • Se os broadcasters optarem por usar o espectro adicional necessário à HDTV para fazer o multicasting, com uma programação segmentada em quatro ou cinco canais digitais, não baterão de frente com a TV paga, que se propõe justamente a oferecer programação segmentada? Isso e muito mais tem de começar a ser discutido logo e de forma pública. Faz parte do novo projeto de televisão para o Brasil e, portanto, se insere no processo de discussão da Lei de Comunicação Eletrônica de Massa. Não dá para trancar o assunto no armário, como vem fazendo o ministro Pimenta da Veiga, alegando que é muito complexo.

Rubens Glasberg


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GOSTAR PARA VENDER Com quatro anos de experiência na captação de recursos para projetos culturais, a captadora Sandra Klinger passou a conhecer a viabilidade de um projeto a partir da necessidade das próprias empresas. Por isso, começou a auxiliar produtores na formatação de projetos para a venda, pensando sempre no retorno que pode ser oferecido para a empresa. E não se trata apenas de calcular o retorno financeiro esperado, mas principalmente de alavancar o marketing da empresa.

BOM CLIMA Depois de trabalharem juntos em produtoras cariocas como Intervalo e Tec Cine, o diretor publicitário Líbero Saporetti e o atendimento Mario Nakamura decidiram criar a Atmosfera Cinematográfica. Além dos sócios, a produtora também tem como diretores Roberto Naar e Victor Lopes, que ampliam o leque de produções audiovisuais a serem desenvolvidas pela empresa. Roberto Naar traz em sua bagagem passagens pelas TVs Manchete e Globo, onde dirigiu novelas e minisséries. Victor Lopes vem da produção independente e já produziu programas e vídeos sobre música e dança. Em sua estrutura, a produtora conta com dez funcionários e centrou foco na criação de um departamento

Foto: André Jung

Em seu processo de trabalho, Sandra também desenvolveu uma maneira peculiar de atender seus clientes. Em primeiro lugar, nunca capta para projetos semelhantes ao mesmo tempo, ou seja, sempre tem em sua carteira no máximo um longa, um curta Sandra Klinger e um documentário, além de peças de teatro e espetáculos de dança. Ao contrário da maioria dos captadores, MONTES DE FILME não trabalha apenas visando a Primeiro foi a campanha para as comissão. “Só vendo projetos nos Lojas Cem, que durou todo um ano quais acredito, por isso me dedico e rendeu à produtora Casa das integralmente”, diz. Para atuar assim, Sandra cobra um fee mensal enquanto está trabalhando na venda de um projeto. Graças a esse sistema de trabalho, está vendo na tela o longa-metragem “Por trás do pano”, de Luiz Villaça, que estreou na mostra competitiva do Festival de Gramado, em agosto, e “Vou te encontrar vestida de cetim”, de Pedro Alves, curta exibido no Festival Internacional de Curtasmetragens de São Paulo. 

Máquinas, de Campinas, vários prêmios no interior de São Paulo. Agora, a produtora parte para outra campanha gigante, com um filme de lançamento e outros 16 de sustentação para uma promoção das marcas de feijão Broto Legal e Grão de Campo. A promoção distribuirá prêmios durante seis meses e a veiculação da campanha, criada pela Spaço Publicidade, atinge todo o interior do Estado de São Paulo.

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dedicado exclusivamente à pesquisa e formação de um banco de dados com referências de locação, elenco, bancos de imagem, sites na Internet e uma videoteca.

É da produtora carioca Tec Cine, de Ronaldo Uzeda, a produção da nova campanha que a Fischer América criou para a rede de varejo Ponto Frio. A campanha conta com mais de 50 peças nas diversas mídias. A base da criação está no depoimento de consumidores sobre seus desejos de consumo, preço e pagamento ideais. Cada anúncio mostra como a empresa está preparada para atender esses desejos.

EXPANSÃO Dividida em duas novas razões sociais, a Líder Cinematográfica está crescendo tanto em São Paulo quanto no Rio. A Labo Cine, ex-Líder Rio, prepara sua entrada no Pólo de Cinema do Rio de Janeiro. Aceita para integrar o complexo, a empresa já adquiriu um terreno e pretende iniciar a construção de um novo laboratório. Em São Paulo, a Cinema Revelação e Copiagem, fruto da cooperativa montada pelos funcionários da ex-Líder São Paulo, deve inaugurar a maior sala de projeção não comercial do país, com mais de 300 m2, segundo informa o diretor da empresa, Wilson Borges.


scanner Foto: André Jung

DVD CORPORATIVO

ANTI-CRISTO

Realizado pela produtora paulista TV1, o primeiro DVD corporativo do Brasil tem a função de auxiliar no treinamento de vendas dos aparelhos de telefonia celular Star Tac, da Motorola. Segundo o diretor geral da empresa, Sergio Motta Mello, a TV1 está entrando na era da convergência de mídias e o DVD é um catalisador que possibilita trabalhar com texto, imagens animadas ou não, áudio e ainda é interativo. O preço pago pela Motorola não foi divulgado, mas, segundo Mello, “DVD custa o que tem dentro”, referindo-se aos vídeos e às O lançamento dos refrigerantes imagens que compõem o produto. Juninho, da Schincariol, exigiram do diretor Rodrigo Lewkovicz e da equipe da Movi&Art uma pesquisa internacional. Fazendo alusão ao pequeno tamanho das embalagens do refrigerante, a Estação Elétrica Filme & Vídeo. campanha, com quatro filmes, Este é o nome da mais nova mostra cenas de programas produtora do mercado gaúcho. antigos de curiosidades que Criada por João Cesar Padilha Filho destacam outros objetos (ex-RBS Vídeo) e Rene Goya Filho, igualmente pequenos. A a nova empresa tem como objetivo pesquisa foi feita em bancos a produção de programas de TV, de imagem de Londres e Los filmes publicitários e transmissão Angeles e revelou surpresas de eventos. Segundo os sócios, o como o menor sapo do mundo, momento é oportuno para oferecer a menor bicicleta, entre outros. estes serviços ao mercado de TV, As imagens foram colorizadas que possui cada vez mais janelas de exibição e conseqüente carência em computador na Casablanca de produtos. Com estrutura própria e como são quatro filmes o e um bom time de diretores, trabalho levou dez dias para a produtora entra no mercado ser concluído. A criação da publicitário com dois clientes de campanha é da Lew Lara. peso em sua carteira: Toto Bola e Lojas Colombo. Estão na lista de prioridades da empresa a realização de uma minissérie, já aprovada pela Lei de Incentivos do Ministério da Cultura, e o lançamento de um programa de reportagens especiais, apresentado por profissionais como Gilberto Lima (diretor de projetos especiais da casa), Flávio Porcelo e Alexandre Kieling.

MINIATURAS

ESTAÇÃO ELÉTRICA

Nem bem saiu da entrevista coletiva do Festival de Gramado, o diretor Allan Sieber, do curta de animação “Deus é Pai”, recebeu Allan Sieber um convite irrecusável. A Lumière, distribuidora do filme “Dogma”, dirigido por Kevin Smith (de “O balconista” e “Procura-se Amy”), sugeriu que o curta tivesse exibição casada com o longa. Tem a ver: no filme de Smith, um padre de vanguarda pretende modernizar a imagem de Jesus Cristo substituindo sua imagem na cruz

DE PASSAGEM Oitavo empregado contratado pela Avid, em 1989, e um dos inventores do Media Composer e do Film Composer, Thomas Ohanian esteve no Brasil durante a Broadcast & Cable 99, no Rio. Ohanian, que já foi agraciado com dois Emmys por suas criações tecnológicas, destacou as mudanças e desafios enfrentados pela Avid ao disponibilizar os seus softwares da plataforma Macintosh para a plataforma NT e a transição que está passando agora ao criar sistemas para HDTV. Segundo Ohanian trazer a nova tecnologia prematuramente pode custar muito caro, mas a Avid também não pode ficar atrás dos seus concorrentes. “O importante é acertar o timing da tecnologia digital com as vendas de aparelhos HDTV para o consumidor final”, concluiu o inventor.

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Sundeep Jinsi assumiu o posto que foi ocupado por mais de um ano pelo holandês Paul Duncker. Durante toda a Broadcast & Cable 99, o novo diretor da Philips Digital Video Systems, no Sundeep Jinsi Brasil, manteve uma de suas características natas: atendeu calma e atenciosamente todos os interessados nos produtos expostos no estande da empresa holandesa. Há três meses na Philips, Fredy Litowsky, foi um dos responsáveis pela organização técnica do estande, ajudando o afinado grupo a selecionar e instalar os equipamentos usados nas demos, como o Edit Stream e o switcher DD35. Entre os planos da empresa consta a organização de workshops nas emissoras para apresentar as soluções oferecidas pela Philips ao mercado brasileiro.

LUXO SÓ O diretor de filmes publicitários Willy Biondani, da Made to Create, está se tornando expert em beleza feminina. Coincidência ou não, apenas no mês passado ele dirigiu dois filmes, para agências e clientes diferentes, de produtos de beleza. Para a Natura, com criação da Guimarães Profissionais, o diretor trabalhou com mulheres acima dos 30 anos, público-alvo do produto Chronos Gel C+. Com criação da J. Walter Thompson, também é dele a campanha que lança as novas embalagens dos shampoos Seda. Nesse caso, também foram usados efeitos de computação gráfica para mostrar a diversidade de tipos da mulher brasileira e de seus cabelos.



Foto: André Jung

SERENIDADE

PARA COMEMORAR

A Rede Globo, como todas as empresas brasileiras, está abaixo do faturamento em dólares projetado para este ano. Mas em reais (mesmo considerada a correção pelo IGPM) a emissora da família Marinho está superando as expectativas de receita. Esse fato, contudo, não é o mais comemorado na empresa. Outro indicador causa maior euforia: apesar das quedas de índices de audiência, o market share saltou de 69% para 75% este ano, de acordo com informação da empresa. Ou seja, o mercado publicitário encolheu, mas a Globo cresceu em cima de seus concorrentes.

CRISE DO DÓLAR A produtora Zohar Cinema, do Rio de Janeiro, sentiu imediatamente os reflexos do aumento do dólar este ano. Segundo a produtora Isabelle Tanugi, sócia da Zohar, nenhum contrato de filmagem fora do país foi assinado este ano, sendo que em 97 e 98 foram realizados os filmes de Hollywood, com filmagens na Antártica, Tailândia e por vários estados norte-americanos. Em compensação, a procura por locações e elenco brasileiros voltou. “Estamos recebendo produtores de várias partes do mundo, já A Associação Brasileira de que os preços agora estão Documentaristas (ABD), entidade que mais competitivos para congrega realizadores e produtores eles”, explica Isabelle. independentes de todo o país, tem Mesmo com o orçamento nova diretoria, eleita durante um da produtora equilibrado encontro realizado no Festival de e conseguindo manter Curtas de São Paulo: sai Sérgio a produção de filmes de Santeiro, da ABD-RJ, e assume a grande complexidade presidência o paulista Leopoldo Nunes, no Brasil, Isabelle está com Paulo Halm, também da ABD-RJ, desanimada com os rumos na vice-presidência. A nova diretoria do mercado publicitário este promete lutar pela continuidade e ano. “Os roteiros continuam ampliação dos concursos federais de complicados, mas cada vez curtas e documentários, além de mais clientes e agências encaminhar um estudo detalhado querem negociar custos. sobre as possibilidades de Sem contar os atrasos de mercado desses formatos. pagamentos que temos

ABD TEM NOVA DIRETORIA

sofrido”, afirma.

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RIO IS BEAUTIFUL Foto: Divulgação

O diretor de BLOW-UP desenvolvimento de produtos da Grass Valley por todo o Brasil e realizou um O projeto Cine Mambembe, Group Ray Baldock, documentário de 56 minutos sobre do casal Laís Bodanzky e concentrado atualmente nas o próprio projeto. Agora, a intenção Luiz Bolognesi, que levou aplicações de servidores é a de levar longas-metragens nas vários curtas-metragens a para TV e nas transmissões viagens, a bordo de um caminhão, com pequenas cidades brasileiras, em DTV, fez sua primeira um projetor de 35 mm. A evolução do deve agora mudar de bitola. Ray Baldock incursão na América do Cine Mambembe já está inscrita nas Com um projetor Sul, aportando no Rio de Janeiro para a Broadcast & leis de incentivo federais. 16 mm, o casal de cineastas viajou Cable 99. Ao lado da gerente de marketing Genevieve Athens, VAZOU que também experimentava pela FINALIZADORA A minuta do projeto da Lei de primeira vez o “inverno” carioca, em uníssono consideraram positiva Comunicação Eletrônica de Massa NA BAHIA a mudança ocorrida na Tektronix. preparada pelo Ministério das Os rumos da TV digital no mundo As regiões Norte e Nordeste Comunicações na gestão anterior à de e a interligação das diversas mídias do país acabam de ganhar Pimenta da Veiga foi divulgada pela eletrônicas a partir dos sistemas uma finalizadora de porte. Internet no site www.acessocom.com. digitais, principalmente do Kalypso A Casa do Rio Vermelho, br. Como ele era, já se sabe. O que (novo switcher da empresa) que ainda se desconhece são as alterações que funciona em Salvador considera um “grande integrador”, foram temas das conversas entre efetuadas. Dos seminários propostos para desde agosto, foi aberta pelos cafés, águas de coco e açaís. a discussão do conteúdo da lei apenas um proprietários da Truq Cine

NOS STATES Luiz Fernando Maglioca, diretor da Publinter, empresa conhecida pela comercialização de trilhas sonoras, está há um ano e meio em Miami (EUA). Além da representação das coleções para toda a América Latina, América Central, Espanha e México, ele agora está ajudando a colocar produções brasileiras no mercado norte-americano, europeu e asiático. Os pilotos, em VHS, devem ter a duração de 13, 26 ou 52 minutos. Além disso Maglioca providencia a dublagem e/ou legendagem dos programas que comercializa.

FILHO PRÓDIGO O gaúcho Leandro Castilho está de volta à equipe de criativos da Fischer América, depois de um ano na DM9DDB. Ele agora forma dupla de criação com Paulo Pretti, sob a supervisão de Silvio Matos.

TV & Vídeo e conta com dois Avid 9000, Digital Studio e equipamentos de computação gráfica, além de ser a única no Nordeste a operar com Beta digital. O próximo passo é oferecer também serviços de telecinagem.

foi realizado. Pimenta da Veiga declarou que só enviará o anteprojeto à Casa Civil da Presidência da República no próximo ano, devido à complexidade do tema. As repercussões sobre o assunto estão sendo acompanhadas por Pay-TV Real Time News e podem ser conferidas no site www.paytv.com.br.

BAIXO CUSTO Hollywood está irreconhecível nesta virada de milênio. “A bruxa de Blair”, o maior custo/benefício da história do cinema (custou US$ 40 mil e já rendeu US$ 120 milhões só nas bilheterias americanas), foi rodado parte em 16 mm e parte com uma câmera SVHS. Estimulados pela experiência a Dreamworks, de Steven Spielberg, está em conversação com Quentin Tarantino para rodar seu próximo filme (um faroeste) com câmeras digitais e a um

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custo de US$ 400 mil (cinco vezes menor que o orçamento do primeiro filme de Tarantino, “Cães de aluguel”). E a recém-fundada Independent Digital Entertainment fechou um pacote de dez filmes com diretores independentes de renome como Carl Franklyn (“O diabo veste azul”), Alexander Payne (“Election”) e Tod Haynes (“Velvet goldmine”) todos orçados em no máximo US$ 100 mil. Que fique claro, com o apoio das DBW 700 digitais da Sony.


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SOB CONTRATO

Com campanha criada pela W/Brasil, a Rede Globo colocou no ar três filmes que destacam o padrão de qualidade da emissora. Para mostrar como os telespectadores estão acostumados com a qualidade de imagem da Globo, os filmes comparam outros tipos de imagem com a da TV. Em um dos filmes, um casal “grávido” vê pouca emoção no exame de ultra-som. No segundo, outro casal reclama da falta de conteúdo na tela que exibe suas bagagens. E no terceiro, um porteiro age como diretor de televisão ao observar as pessoas que falam ao interfone. A criação é de Cassio Faraco e Itagiba Lages e a direção de Clovis Mello, da Cine 21.

MPA PREMIA ROTEIRISTAS A Motion Pictures Association (MPA), órgão que representa as empresas distribuidoras norteamericanas, divulgou, no último mês de agosto, os resultados do concurso de roteiros de longas-metragens promovido por ela no Brasil. Os vencedores, que receberão US$ 6 mil em dinheiro e poderão fazer um curso de roteiro em Los Angeles, são: “Circe”, de Tomás E. Creuz (RS), na categoria Estudante; “Cidade de Deus”, de Bráulio Mantovani (SP), na categoria Roteiro I, e “Terra Papagalli”, de José Roberto Torero (SP), na categoria Roteiro II.

MAKING OF Para divulgar o lançamento de sua coleção de primavera/ verão, as Lojas Riachuelo aprovaram uma campanha que integra mídia impressa e mídia eletrônica. Na verdade, o filme criado pela DPZ mostra os bastidores da produção do catálogo impresso, aproveitando a estrutura real do estúdio fotográfico e os próprios personagens para captar as imagens. As fotos são de Gui Paganini e é ele mesmo quem aparece no filme, assim como os outros profissionais. A produção é da Montanha Filmes, com direção de Lea Van Steen.

Ao contrário da maioria dos diretores, que costuma dirigir seus próprios projetos de longa e até mesmo seus próprios roteiros, Paulo Morelli, O2 Filmes, além de estar dirigindo seu primeiro projeto de longa-metragem, foi contratado pela produtora do curitibano Maurício Appel para dirigir “Serro Azul”, um filme histórico que conta a vida do Barão de Serro Azul e tem locações no Paraná. O filme está orçado em R$ 2 milhões e prevê oito semanas de filmagem, tempo considerado restrito para um filme de época. No elenco, nomes como Giulia Gam, Herson Capri e Camila Pitanga. O roteiro é assinado por Walther Negrão e, para fotografar, foi contratado o português Luiz Branquinho.

CINQÜENTENÁRIO Fotos: André Jung

Fotos: Divulgação

METALINGUAGEM

Edmundo Moreira Lima, marketing corporativo da Espiral Filmes, já está se preparando para as comemorações do primeiro cinqüentenário da televisão brasileira. Herdeiro de um acervo que cobre todo o Edmundo Moreira Lima processo de implantação das primeiras emissoras, incluindo um espólio pessoal de Assis Chateaubriand, Lima prepara um projeto especial para a data, que será comemorada no dia 18 de setembro de 2000. Todo o material de arquivo que possui foi herdado de seu avô, Edmundo Monteiro, que durante anos foi o braço direito de Chateaubriand. Entre os itens do acervo estão jóias e medalhas que pertenceram ao jornalista, muitas fotos e um filme em 16 mm que mostra toda a comemoração do quarto centenário de São Paulo. T E L A V I V A s ete m b r o D E 1 9 9 9 1 1


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ABRINDO FRONTEIRAS

Em 97/98, a diretoria propôs que a produção também fosse realizada internamente. Conclusão: a agência também virou produtora e Moura passou a acumular as funções de criativo e diretor. Surgiu então a Promo Líder, que passou a realizar todos os filmes de Tele Sena em 35 mm. Agora outras agências passaram a procurar a equipe da Promo Líder, querendo cotar filmes. Desde março deste ano, a empresa começou a aceitar os pedidos e nesse período, já foram feitas produções para o Banco Panamericano (conta da   nio Mainardi) e para o provedor de Internet Sol, entre outros.

DEMISSÕES As demissões de Maurice Capovilla e Orlando Senna do Instituto Dragão do Mar de Arte e Indústria Audiovisual do Ceará - atribuídas a represália política - geraram protestos e manifestações de repúdio de setores da imprensa e de profissionais ligados ao cinema de todo o Brasil.

Fotos: Divulgação

Quando foi contratado, o redator publicitário Sergio Moura escrevia os textos lidos pelo locutor Lombardi sobre os resultados da Tele Sena. Depois, se tornou gerente de marketing e começou a brifar as agências que trabalhavam para o produto. Como suas idéias sempre acabavam vingando, a diretoria da empresa que administra a Tele Sena, ligada ao Grupo Silvio Santos, decidiu montar uma house agency, com Moura como criativo, mais um diretor de arte, um mídia, um RTV e um funcionário administrativo.

TRILÍNGUE A produtora Film Planet, de Flavia Moraes, acaba de inaugurar sua sede em Buenos Aires, depois de três anos já atuando no mercado argentino. A exemplo da sede paulistana, a filial argentina também está em um bairro tradicional - Palermo Viejo - e aproveitou um antigo prédio, no caso uma leiteria de 1900. Em São Paulo, a Film Planet está no Bom Retiro, em um galpão industrial totalmente reformado. Além das sedes de São Paulo e Buenos Aires, a produtora também está instalada em Los Angeles e tem representações em Roma e Paris. A integração das equipes tem sido constante na produtora. O último trabalho, dirigido por Flavia Moraes, é um job argentino, criado pela agência Saul Altheim Comunicaciones, e foi filmado no deserto de Monument Valley, nos Estados Unidos.

NOVAS VERSÕES A Grass Valley, um dos mais tradicionais fabricantes de equipamentos de vídeo e transmissão digital, adquiriu a divisão de produção de vídeo e redes de comunicação da Tektronix, visando atingir o mercado de broadcasting e equipamentos profissionais de vídeo. Com isso, a empresa passa a chamar-se Grass Valley Group Inc. No passado, a empresa era uma divisão da própria Tektronix. Agora, passa a concentrar a produção dos produtos voltados para a área de TV, incluindo equipamentos de transmissão, servidores de vídeo digital e

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outras patentes da Tektronix, que mantém participação acionária na nova empresa.

Um dos produtos incluídos na transação é o servidor de vídeo digital Profile, que teve uma nova versão lançada no início deste mês. O equipamento agora suporta tanto as definições convencionais como os sinais de alta definição, o que permite um upgrade automático de um sinal para outro. A nova versão ainda tem uma performance mais forte, aumentando de 250 Mb para 600 Mb de largura de banda e até oito canais, com preços até 30% mais baratos.


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c a p a Edylita Falgetano e Beto Costa

Mesmo que a emenda constitucional que permite a participação de capital estrangeiro nas redes de televisão não seja aprovada, as emissoras têm caminhos alternativos para injetar dinheiro na programação.

Nos últimos tempos, a Rede Globo tem publicado nos jornais de grande circulação uma lista dos programas campeões de audiência. A grande maioria faz parte da grade global e a mensagem tenta soar como um recado: “quem manda na audiência, ao contrário do que andam falando por aí, ainda é a Globo”. Não é só.

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A emissora foi até a concorrência e contratou quase numa tacada só quatro puxadores de audiência: Ana Maria Braga, Jô Soares, Serginho Groissman e Luciano Huck. Os entendidos no assunto dizem que para crescer nos números do Ibope é preciso investir em conteúdo, em programação, o que pode requerer pesados investimentos em talento e estrutura. É aí que começa um dos problema para as emissoras que desejam alçar vôos mais altos: onde buscar o ouro? A aprovação da emenda que permite aos investidores estrangeiros entrar no negócio de TV no Brasil é vista como um alento por alguns broadcasters nacionais. Porém, apesar de a legislação vigente não permitir que as redes abram seu capital ao investidor estrangeiro, não faz nenhuma restrição às parcerias com produtoras/estúdios não-brasileiros. O consultor Antonio Athayde, exexecutivo da Globo e atualmente

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prestando serviços para a Bandeirantes (leia artigo a seguir) avalia que “não adianta ter high definition se não tem produto. Vale muito mais investir em formato do que em estúdio. Os estrangeiros não vão chegar aqui para montar estrutura”. A receita centralizadora da Globo é um caso raro no mundo. Nos Estados Unidos, há décadas o modelo é terceirizar. Mas a vice-líder de audiência foi enfeitiçada pelo canto da sereia. O SBT já chegou a acreditar que investir numa megaprodutora seria o caminho. Tanto que desembolsou cerca de US$ 150 milhões para construir o Complexo Anhangüera, boa parte deste dinheiro para criar a infra-estrutura para teledramaturgia. E agora produz ou compra programação no exterior. A emissora que mais aumentou sua participação na audiência nos últimos anos vislumbra a entrada de dinheiro sem necessitar abrir seu capital à participação estrangeira. O superintendente da Record, Dermeval Gonçalves, fala displicentemente quando o assunto é a emenda constitucional do deputado Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). “Para nós é indiferente. Com o dinheiro interno dá para tocar o nosso projeto. Se vier a ser aprovada, nós vamos estudar onde é que se encaixa. Nós estamos lutando muito mais para aprovar a emenda que permite que entidades sem fins lucrativos sejam donas de emissoras.” A bancada evangélica na Câmara, onde se encaixam os interesses da Record, controla cerca de 60 votos. O problema da Record é muito menos financiar a produção e muito mais ampliar sua cobertura nacional. E, a emenda do ex-deputado federal Laprovita Viera (hoje deputado estadual pelo Rio de Janeiro), cairia como uma luva para os interesses expansionistas da emissora, pois a Igreja Universal do Reino de Deus poderia usar o dinheiro arrecadado junto ao seu rebanho para comprar emissoras de rádio e TV. Embora este expediente já venha sendo utilizado, ele agora é objeto de investigação por parte da Justiça. Como não existe qualquer impedimento a parcerias com estrangeiros para a


produção de programas, há quase dez anos o Grupo Abril associou-se à Viacom para colocar no ar o canal Music Television, ou simplesmente MTV. A empresa norte-americana é sócia da brasileira para a produção da programação nacional da emissora. O Grupo Abril, concessionário do canal de TV, compra o produto gerado pela sua associação com a Viacom. Sem ferir a legislação, conseguiram assim viabilizar (com qualidade) o conteúdo da grade veiculada com a ajuda de capital estrangeiro.

capitalização O vice-presidente da Bandeirantes, Paulo Saad Jafet, diz que não foi uma estratégia pensada, mas a emissora tem se fortalecido através de parceiros que tem um pé no exterior. A Interativa é a responsável pela climatização dos roteiros e produção das duas sitcoms - “Guerra dos Pintos” e “Santo de casa” - exibidas aos domingos na Band. A produtora é resultado de uma joint-venture em partes iguais entre a PRH-9 e a Columbia TriStar (dona dos canais Sony e AXN). A Columbia já tem dado mostras de que pretende expandir o negócio de exportar formatos, principalmente para a América Latina. E a PRH9 está em plena pilotagem de um

ambicioso projeto de capitalização. Desde abril colocou R$ 100 milhões em debêntures no mercado. Espera ver a cor do dinheiro até o final deste ano. “Depois de capitalizados, nós podemos assumir toda a programação de entretenimento da Band. Aí nós podemos continuar desenvolvendo parcerias com a Columbia, mas nada impede que fechemos contratos com a Fox, por exemplo”, afirma o diretor presidente da PRH-9, Márcio Maita. O executivo acredita que falta dinheiro para investir em produção e que a parceria com produtoras estrangeiras pode ser um bom caminho para as redes brasileiras. O próximo passo da Interativa na Band deve ser a produção de um game show. Paulo Saad diz que é uma tradição na casa o esquema de parcerias. Lembra do consórcio Luck, que foi bolado com Luciano do Valle há dez anos para tocar a produção esportiva. O modelo foi renovado no final do ano passado com entrada da empresa de marketing esportivo Traffic, que controla a produção do esporte. Recentemente a Band foi beneficiada indiretamente com a entrada de um investidor estrangeiro na empresa de J. Háwilla, que também atua na área de comercialização de direitos de transmissão. O fundo de investimentos Hicks, Muse, Tate & Furst (HMTF) adquiriu 49% da Traffic.

MADE IN BRAZIL A Globo é evasiva quando o assunto é a participação estrangeira nas empresas de radiodifusão. Ao contrário das outras empresas que compõem a Glopopar, holding da família Marinho que tem uma dívida declarada de US$ 2 bilhões, os negócios em TV aberta vão muito bem. Tanto que a Rede Globo vive sendo usada como aval de novos financiamentos para as outras empresas e segue a passo largos seu projeto de centralização da produção. Com investimento estimado de US$ 250 milhões até o final deste ano, a Globo cria sua trincheira de produção no Projac (Projeto Jacarepaguá). O feudo televisivo, que pretende oferecer todas as possibilidades imagináveis para que seja desnecessário buscar soluções no mercado, conta com cinco estúdios de mil metros quadrados cada

um (sendo que um deles pode ser transformado em teatro para shows). Um sexto estúdio em construção e um complexo de pós-produção compõem a megaprodutora que pretende na virada do século centralizar toda a produção da grade de entretenimento da emissora e ainda prestar serviço para Globo Filmes, por exemplo. Além do próprio consumo, a Globo fatura com a exportação de suas produções. No ano passado entraram no caixa US$ 30 milhões só com novelas exportadas. Em 99, estimase chegar aos US$ 32 milhões. Os episódios dublados do “Você decide” ou apenas o formato do programa são vendidos para 40 países. Isso sem contar com as vendas da Globo TV News Agency, que comercializa o material jornalístico da casa para todo o mundo.

Os programas esportivos da Band coproduzidos com a Traffic são os de melhor performance de audiência, na comparação com outros da grade da casa. A emissora detém a exclusividade dos direitos sobre a Copa Mercosul - evento criado pela Traffic -, por exemplo, e em alguns jogos chegou a alcançar o primeiro lugar na audiência. “Nós não temos nenhuma relação com a HMTF, mas é importante ver que um parceiro nosso, a Traffic, está se capitalizando”, atesta Saad. A injeção de dinheiro por vias indiretas é vista com bons olhos, mas ele acredita que melhor seria se a atual legislação fosse revista a ponto de permitir a entrada de acionistas, podendo eles serem brasileiros ou não. “O sistema capitalista ainda não chegou à TV no Brasil. A melhor maneira de captar recursos é pelo mercado de capitais. A questão é abrir para a participação acionária, porque aí seu parceiro ganha os dividendos também. Toda a indústria norte-americana foi criada via mercado de capitais”, defende Saad.

ao vento As seguidas mudanças de comando no SBT fizeram com que o projeto de produção de dramaturgia tivesse desvios de rota. Desde que a fábrica de novelas começou a funcionar, há três anos, sete títulos foram gravados. Apenas “Éramos seis” teve significativo retorno de audiência, atingindo a média de 16 pontos. Há exatamente um ano, o então diretor executivo de teledramaturgia do SBT, Daniel Scherer, disse à Tela Viva que “não haveria mais interrupções na gravação de novelas”. Não foi bem isto que ocorreu. Depois disto, Eduardo Lafon tornouse o superintendente artístico e o discurso mudou. “Nós estamos estudando propostas das produtoras e a nossa intenção é terceirizar a linha de shows e a produção de novelas”, afirma Lafon. Ele estima que com a terceirização a queda nos custos de produção seja da ordem de 30%. Hoje, menos de 10% da grade do SBT é terceirizada.

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Mas dos três contratos de coprodução, dois são com estrangeiros. “Chiquititas” é feito num esquema de co-produção com a Telefé, a rede líder de audiência na Argentina. “Num primeiro momento, avaliouse que seria mais barato levar um elenco brasileiro para produzir lá. Mas com a alta do dólar nós estamos pensando em rever isto”, explica Lafon. O contrato com a Telefé dura mais um ano e os custos de produção ainda são bem compensadores graças ao bom desempenho da venda de discos e produtos licenciados com a marca “Chiquititas”, dinheiro que é abatido do custo final de produção. Lafon

As grandes estruturas montadas para produção podem, com a terceirização, virar elefantes brancos. prefere não revelar os números exatos. SBT/Disney é outra parceria com o capital estrangeiro. O “Disney Club” foi desenvolvido especialmente para o Brasil. A equipe de produção é da Disney, que cria e produz o programa no SBT. Agora, resta saber se a tendência de terceirização não vai transformar a produtora do SBT num elefante branco. Lafon garante que dos oito estúdios, apenas um não vem sendo utilizado regularmente. “Recentemente ele foi locado para uma produtora de comerciais. O programa “Xuxa nas Américas”, para a Telefé, também foi gravado aqui”, conta Lafon. A Record não tem parceria com produtoras estrangeiras, embora seja crescente a terceirização na grade de programação. A JPO, produtora do diretor de programação da Record, José Paulo Vallone, produz hoje a novela “Louca paixão” e o programa “Fábio Jr.”. 16

A TV BRASILEIRA E OS INVESTIDORES ESTRANGEIROS Antonio Athayde*

O legislativo brasileiro está discutindo neste momento a mudança constitucional necessária para que grupos estrangeiros possam ter participação nas empresas brasileiras de mídia impressa e eletrônica. O mercado de televisão atrai a atenção não só pelo seu tamanho, cerca de US$ 3,8 bilhões em 1998, mas pela sua concentração em uma só rede, a Globo, que detém mais de 80% do bolo publicitário, embora a divisão da audiência indique apenas 50% na média diária. Estes 30 pontos percentuais que a Globo tem a mais - geralmente, na TV aberta, a participação na audiência corresponde a valor semelhante no faturamento - intrigam os analistas das empresas estrangeiras e, na visão deles, constituem uma imensa oportunidade a ser conquistada. Os mesmos grupos gostariam muito de produzir no Brasil, para nosso mercado e para o exterior, aproveitando os talentos de autores, roteiristas, diretores, atores e técnicos brasileiros, reconhecidos mundialmente. É interessante verificar, no entanto, que as restrições constitucionais nunca impediram parcerias entre empresas detentoras de produto e/ou de formato de programação e emissoras de TV brasileiras; o capital e o conhecimento estrangeiros podem e sempre puderam testar sua competência no mercado brasileiro de televisão. Alguns exemplos pontuais são: o acordo da CBS Telenotícias com o SBT, a parceria da Disney para a produção do Disney Club com a mesma rede e, mais recentemente, a co-produção das comédias de situação da Sony com a Bandeirantes. No entanto existe um outro acordo, vigente há anos, entre a Viacom e a Abril, cujo produto é a MTV, que é um caminho que poderia ter levado o SBT, a Band, a Manchete,

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a Record ou a CNT, a ter fechado contrato semelhante e se chamar hoje ABC, CBS, Televisa, BBC ou qualquer outro nome tão brasileiro como Music Television ou Emtivi. A MTV é um casamento perfeito entre um formato de sucesso mundial e o talento da produção brasileira. Aliás para aqueles que pensam que uma emissora de TV com um sócio internacional será uma sucessão interminável de enlatados nos vídeos tupiniquins, é bom verificar como a MTV teve que se “abrasileirar” para agradar a seus jovens telespectadores. Por que um empreendimento de sucesso como a MTV não gerou imitadores? O fato é que uma grande parte do sucesso histórico da Globo e do fracasso, da mesma maneira histórico, da concorrência vêm de fatores que não aparecem no vídeo dos telespectadores. Uma rede de televisão é muito, mas muito mais do que a produção de bons programas, sejam eles telejornais, novelas, desenhos, séries ou transmissões de futebol. A operação de uma rede de televisão comercial é um trabalho conjunto que começa com a definição de uma estratégia de programação, com o objetivo de atingir determinado público em cada faixa horária, na sua embalagem e promoção e na sua receptividade pelo mercado publicitário. O anunciante se preocupa, e com razão, com a qualidade do programa no qual sua mensagem vai inserida. Em qualquer lugar do mundo um ponto de audiência num programa de qualidade vale mais do que o mesmo ponto num outro de conteúdo apelativo. O próprio conceito de “rede de TV” pressupõe um acordo de afiliação entre a geradora da programação e as emissoras pelo Brasil afora, que


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permita compatibilizar as necessidades de mercados tão diversos quanto Santarém e São Paulo ou Rio de Janeiro e Bagé. O modelo que rege a relação entre a TV Globo e suas afiliadas é fruto de mais de 30 anos de experiência nos quais ele foi calibrado, não sem alguns solavancos, para otimizar a relação e acompanhar as imensas mudanças havidas ao longo destes anos na matriz de origem e destino das verbas de propaganda no país. É fácil comparar a cobertura das emissoras da Globo com a da concorrência e verificar a inteligência comercial que orientou a divisão do Brasil em mais de uma centena de geradoras de programas e de comerciais locais e regionais. Esta relação precisa garantir a participação das emissoras, por exemplo, no jornalismo nacional mas, principalmente, assegurar a exibição correta dos comerciais vendidos pelas equipes da cabeça-de-rede nos horários estabelecidos pelas agências de propaganda com a qualidade e foco regional exigidos pelo sofisticado mercado publicitário brasileiro. Essas equipes espalhadas pelos principais mercados originadores de verbas publicitária no Brasil, precisam ter a certeza de que os produtos que estão sendo oferecidos ao mercado anunciante sejam exibidos nas datas e horários planejados pelas agências, e nos programas antecipadamente

programados. O planejamento de mídia é atividade cada vez mais técnica e sofisticada e merece o devido respeito por parte do veículo de comunicação. Respeito significa um pesado investimento na chamada “operação comercial” e um entendimento entre as áreas de programação e comercialização de uma rede de TV. Por outro lado é preciso municiar as agências e os departamentos de marketing dos grandes anunciantes com uma quantidade imensa de dados sobre que público estará assistindo a cada programa veiculado de modo a possibilitar a otimização do investimento do anunciante. É preciso construir uma relação correta com as agências de propaganda que são, de uma certa maneira, revendedores do espaço comercial dos veículos e como tal devem ser tratadas comercialmente. A contrapartida de todo este processo (informação correta, relação com as agências e anunciantes, segurança e facilidade da “operação comercial”, adequada cobertura regional, cumprimento dos mapas de programação dos anúncios) é uma preferência por parte das agências e anunciantes que se traduz em uma participação comercial maior do que a participação na audiência. O fato é que não se consegue atingir este nível de sofisticação sem que por trás das atrações apresentadas no

vídeo haja uma empresa que, desvinculada totalmente do glamour televisivo, se dedique com seriedade ao business que permite que se faça o show. E é isso que os eventuais parceiros estrangeiros ainda não encontraram no Brasil. Ou melhor, encontraram sim, na MTV. A abertura do mercado de TV para grupos estrangeiros só terá o efeito desejado - que suponho ser o fortalecimento dos grupos de mídia brasileiros - se os empresários do ramo esquecerem os tempos das empresas familiares onde as decisões eram tomadas pela simples vontade dos donos sem uma avaliação sobre as conseqüências sobre o business como um todo. Caso contrário a nova legislação fará com que uma única rede de TV possa acolher um sócio estrangeiro: a própria Globo. Enquanto isto a concorrência continuará a se perguntar as razões pelas quais 80% das verbas publicitárias se destinam à Globo e a lamentar o fato de Warner, ABC/Disney etc... não conseguirem enxergar o imenso potencial do mercado brasileiro.

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* Antonio Athayde é consultor


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DT V Glen Dickson

RECEPÇÃO PROBLEMÁTICA Broadcasters norte-americanos temem que a necessidade de antenas externas - fazendo a paisagem urbana voltar no tempo - limite a recepção da televisão digital.

Copyright

Depois de comprar o seu aparelho de TV digital, não deixe de passar em uma loja de materiais eletrônicos. Porque para pegar os sinais digitais, você vai precisar de uma antena externa e provavelmente terá de montá-la sobre um rotor para apontá-la na direção certa. No mundo da DTV, antenas internas não funcionam. Para um número cada vez maior de críticos, a DTV não funciona melhor que um serviço de transmissão convencional. A primeira geração dos caríssimos aparelhos de DTV expostos hoje nos showrooms comporta-se 20

muito pior em termos de recepção de imagem que o velho aparelho preto-e-branco de US$ 79 que se deixa na cozinha. A fraca capacidade de recepção dentro das residências é o que mais está preocupando os broadcasters. Liderados pelo Sinclair Broadcast Group, de Baltimore, que controla e opera 59 emissoras, eles temem perder milhões de possíveis espectadores - que não podem ou não querem instalar antena externa nem assinar uma TV a cabo (ou conectar segundos ou terceiros aparelhos ao cabo). E acreditam que esse problema da recepção pode pôr em risco um negócio potencialmente lucrativo, que é a transmissão de dados para computadores, particularmente os laptops e outros aparelhos portáteis. David Smith, presidente e CEO da Sinclair, é taxativo: “Hoje não funciona, e ponto final”. Segundo ele, o modelo norte-americano usado para a transmissão padrão de DTV, baseado em medições externas feitas com antenas direcionais instaladas em mastros de dez metros, está desatualizado. “Não bate com a

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realidade. O mundo real não tem, necessariamente, antenas externas e uma parte imensa da sociedade possui anteninhas internas em cima de seus aparelhos. Bem, ninguém pensou nessa gente quando foram estabelecidas as condições iniciais para a criação do padrão.” Para reforçar esse ponto, a Sinclair fez testes comparando lado a lado a recepção interna do esquema de modulação norte-americano, o 8VSB do American Television Systems Commitee (ATSC), com o sistema COFDM europeu.

repercussões Os broadcasters que assistiram às demonstrações em Baltimore foram unânimes: o 8-VSB quase não era captado pelas antenas internas simples em ambientes de multipercurso (quando o sinal tem de fazer muitos desvios, para chegar ao receptor, como em áreas de topografia complicada ou urbanas com alta densidade de prédios), mesmo depois de ajustes extensivos da antena, ao passo que o COFDM funcionou bem o tempo todo, independentemente da posição da antena. “O sinal do COFDM é visivelmente superior ao do 8-VSB, bem como a facilidade de recepção”, disse Mike DeClue, diretor de engenharia da Clear Channel Communications. “Sem dúvida, funcionou muito melhor. Em alguns casos, foi difícil ou impossível pegar o 8-VSB, o que não aconteceu com o COFDM. A antena tinha de estar muito bem direcionada e não podia haver nenhum movimento em torno dela. Em termos reais e práticos, isso não serve para nada.” “Impossível não ficar impressionado com a demonstração que levantou inúmeras questões sobre a propagação do sinal de DTV, ou a falta dele, num ambiente multipercurso”, acrescenta Lee Carpenter, engenheirochefe corporativo da Pegasus Broadcast Television. Se, por um lado, Carpenter considera impossível tirar conclusões do teste da Sinclair, por outro, gostaria de ter


mais pesquisas sobre os méritos do 8-VSB e do COFDM - e quanto antes melhor. “Ainda não temos todas as respostas que precisamos para garantir que a implantação da DTV funcionará como projetamos originalmente. E se não funcionar, os broadcasters terão problemas”, diz Carpenter. A Sinclair pretende conseguir a assinatura de mais de 300 emissoras para enviar uma petição à FCC, ou para que sejam tomadas medidas para melhorar a recepção, impondo padrões aos receptores de DTV, ou para reconsiderar o 8-VSB como padrão norte-americano. Os engenheiros de transmissão ainda não chegaram a uma conclusão sobre a demonstração relativamente empírica da Sinclair. Eles ainda não têm certeza se o padrão 8-VSB é mesmo inadequado para recepção interna ou se a demonstração apenas refletiu as deficiências da primeira geração de receptores DTV que chegaram ao mercado no ano passado.

chips “Por que os receptores 8-VSB não podem ser tão bons quanto os COFDM?”, pergunta Ed Williams, engenheiro de projeto DTV da PBS. “Temos de saber se a diferença está no sistema ou nos receptores. Até agora só sabemos que há diferença. Mas não podemos tirar nenhuma conclusão sobre o sistema até fazer uma análise científica da capacidade de recepção do 8-VSB.” Williams gostaria de ver uma comparação do COFDM com cobertura NTSC, tal como foi feita com o 8-VSB pelo Advanced Television Test Center. Andrew G. Setos, vice-presidente executivo do News Group Technology da News Corp., garante que os diretores da Fox não se surpreenderam com o que viram na demonstração da Sinclair. “Não foi nenhuma novidade. Sabemos que a primeira geração de chips sintonizadores não funciona bem em aéreas internas, só em aéreas externas. E também sabemos que já estão sendo desenvolvidos chips para resolver esse problema.” E conclui

que “do ponto de vista matemático, o COFDM e o 8-VSB devem funcionar igualmente bem num ambiente multipercurso”. Simon Wegerif, gerente de marketing de produto e desenvolvimento de negócios da Philips Semiconductors, afirma que a segunda geração de chips sintonizadores 8-VSB da Philips tem novas características destinadas a combater a interferência multipercurso, um problema já identificado quando a Philips testou a recepção de DTV interna em Nova York. Wegerif considera arriscado simular a recepção interna em laboratório, uma vez que cada locação tem um padrão de interferência dinâmica diferente. Mas ele está otimista em relação ao novo sintonizador de 8-VSB da Philips, que deverá estar nos aparelhos DTV já no ano 2000. “Uma pergunta importante que ainda precisa ser respondida é se o 8VSB vai ou não funcionar tão bem internamente quanto o COFDM num ambiente multipercurso pesado. Talvez possamos respondê-la dentro de poucos meses, quando começarmos a ver os progressos feitos”, diz Wegerif. A Zenith, que detém a patente do sistema 8-VSB, trabalha atualmente na terceira geração do chip sintonizador 8-VSB. Sua segunda geração de chips já está nos receptores que começarão a ser distribuídos no mercado nos próximos meses. Richard Lewis, vicepresidente sênior de tecnologia e pesquisa da Zenith, diz que não se surpreendeu com a demonstração da Sinclair porque os fabricantes de DTV ainda têm muito trabalho pela frente para combater o multipercurso. Mas garante que não há nada errado com o padrão 8-VSB. “É um problema de receptor, e não de sistema. Já identificamos alguns desses problemas nos aparelhos e sabemos que têm solução.” O pessoal da Samsung e da Sharp são da mesma opinião.

contrapartida A maioria dos fabricantes e broadcasters salienta que o bom desempenho do COFDM em

multipercurso tem uma contrapartida negativa - sua relação portadora/ ruído é mais baixa que a do 8-VSB. Isso significa que, dado um mesmo nível de energia, o COFDM não atinge a mesma área de cobertura analógica atual de uma emissora que o 8-VSB. “No ambiente multipercurso, a robustez e a sensibilidade são elementos importantes”, diz Setos, da Fox. “O telespectador que mora a mais de 100 km do transmissor teria azar com o COFDM, mas não com o 8-VSB”, completa o executivo. Dizem os engenheiros que para o COFDM ter o mesmo alcance do 8-VSB, os broadcasters teriam de transmitir com o dobro da capacidade exigida pelo 8-VSB, o que significa transmissores maiores, contas de eletricidade mais altas e, talvez o mais importante, uma revisão completa da alocação de freqüência de DTV definida pela FCC. “Uma coisa fundamental que não foi mostrada nos testes é que em troca de sua habilidade em rejeitar as interferências do ambiente multipercurso forte, o COFDM tem uma relação portadora/ruído pior em cinco decibéis no receptor”, acrescenta Craig Tanner, diretor executivo do ATSC. “Na maioria das emissoras, grandes áreas em torno do Grade B não serão alcançadas pela DTV. A Sinclair não está revelando isso às pessoas. Ela diz que não está interessada no alcance externo da área Grade B nem está a fim de chegar tão longe. Entretanto, tem um interesse descomedido na recepção interna no centro da cidade, a mais difícil que existe, e para a qual, coincidentemente, o COFDM é ideal.” O argumento da Sinclair é que o espectador que está a 100 km de distância, ou é servido por outra praça ou já tem uma antena externa com amplificador. Por isso acha importante alcançar os espectadores que estão próximos de uma estação transmissora, particularmente aqueles acostumados à boa recepção NTSC

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D T V

com antena interna e com menos tendência a ter cabo. A postura da Sinclair parece ser a mesma das pequenas emissoras, que não sabem se entrarão no must carry digital, ou no will carry dos operadores de cabo. “As cidades, onde está a maior parte da população, são o nosso feijãocom-arroz”, diz Dale Kelly, diretor de engenharia da Pappas Telecasting. “É onde estão os telespectadores. E quem mora nas cidades não tem must carry garantido.” “O conceito que nos foi vendido era o da replicação de transmissão (a cobertura digital seria igual à da atual analógica), que é baseada na força do sinal”, acrescenta LeBon Abercrombie, vice-presidente executivo de planejamento e desenvolvimento da Pappas. “Mas parece que não há replicação se você não receber o sinal nos mesmos lugares em que recebe hoje um sinal NTSC que quer assistir.”

perdas e danos A Sinclair ressalta que o COFDM também sustenta a recepção móvel, para a qual o 8-VSB não foi projetado, embora a Zenith já esteja investigando essa possibilidade. Mas Craig Tanner do ATSC, um entusiasmado defensor do padrão, afirma que a recepção móvel não é um dos requisitos originais do padrão, ponto reforçado pelos fabricantes de aparelhos.

“Entendo que exista interesse em mudar os requisitos de um sistema de transmissão”, diz Gary Feather, diretor sênior de desenvolvimento de negócios para vídeo digital da Sharp. “Ouvi coisas que são verdadeiras, outras que não são. Se eles querem mesmo que as plataformas móveis recebam o sinal, então, pela própria definição, o COFDM é a melhor solução, uma vez que o 8-VSB não é projetado para recepção em movimento. Mas pouca gente assiste à TV enquanto dirige”, argumenta Feather. Com exceção da Fox, as grandes redes não entraram na discussão sobre a DTV iniciada pela Sinclair. A CBS está testando a recepção interna de DTV 8-VSB na Filadélfia, mas não divulgou resultados. A NBC também não se manifestou, mas vai começar a testar o 8-VSB e o COFDM. E a ABC não comentou publicamente o teste da Sinclair. “Em termos domésticos, os engenheiros acreditam que o COFDM é a melhor solução”, informa uma fonte ligada a uma rede. “O problema é que ninguém quer enfrentar o desgaste político. A Sinclair está certa quanto a essa questão técnica”, ela diz. Mesmo que o COFDM seja melhor tecnicamente, não seria nada bom revisar o padrão ATSC. “O risco de reabrir a questão e perder o espectro é grande. O problema

é que mudar o padrão significa parar tudo. Não se pode fazer isso delicadamente. Os investidores vão gritar”, explica ainda a fonte. Outros sugerem que as redes não perderão muito se o 8-VSB não permitir a recepção interna, porque têm mais fôlego para negociar o transporte via cabo para as suas próprias emissoras do que as emissoras pequenas. A CBS e a NBC já acertaram acordos de transporte de DTV com as operadoras de cabo Time Warner e a AT&T, respectivamente. “As redes já estão fazendo acordos de transporte (carriage) com as grandes companhias de cabo, e ao chegarem nas 20 maiores praças, é lá que está o dinheiro”, diz uma fonte ligada aos broadcasters. “Entendo a posição da Sinclair. Eles não têm compromisso com nenhuma grande rede e trabalham só na área de transmissão. Conseguem prever claramente qualquer coisa que possa impedir sua capacidade de levar a programação ao espectador e querem garantir uma distribuição robusta que não envolva necessariamente o cabo”, continua a fonte. “O que a Sinclair está fazendo, basicamente, é dizer a todo mundo que eles acreditam que existem outros requisitos para a transmissão digital”, explica Tanner do ATSC. “Resta saber se alguém concorda com eles e se a indústria como um todo chegará a um consenso”, completa.

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BROAD C AST

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C ABLE

Edylita Falgetano e Mario Luis Buonfiglio *

A HORA DE REINVENTAR O BROADCASTING Diante do que foi abordado este ano na Broadcast & Cable, fica latente uma sensação que mistura novas oportunidades com apreensão, onde novos pesos e novas medidas dão os sinais da mudança no broadcasting nacional.

Durante os três dias do evento promovido pela Certame, que integrou a Feira de Tecnologia em Equipamentos e Serviços para Engenharia de Televisão, o 13º Congresso Brasileiro da Sociedade Brasileira de Engenharia de Televisão (SET) e o Seminário Nacional da Associação Brasileira de Emissoras

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de Rádio e Televisão (Abert), os painéis abordaram temas como a TV digital terrestre, transmissão digital, digitalização no cabo e MMDS, áudio digital, SDTV e HDTV, entre outros, e que neste ano incluiu relatos dos fabricantes de receptores digitais como Philips e Zenith. Com um público estimado em 400 pessoas, foi possível também conferir a inclusão das tecnologias de dados e Internet ao ambiente do broadcasting. As novas possibilidades de interação, principalmente nos intervalos comerciais, até então sem um destino certo na TV digital, surpreendem mesmo os mais informados mortais. Com um inegável potencial de mercado, as novas ferramentas de navegação dos receptores estão consumindo muito trabalho dos centros de pesquisa de várias empresas, num esforço conjunto rumo à convergência. Nos Estados Unidos, que já despontam como o maior mercado da era digital, 71 canais em 32 cidades já atingem 50% da população nos primeiros quatro

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meses de operação, segundo Robert Graves, do ATSC. Com relação aos custos de implantação, as emissoras americanas desembolsam até agora, em média, US$ 3 milhões, diferente das projeções de poucos anos atrás, que beiravam a marca de US$ 8 milhões, descontando o transmissor. Mas no próprio Congresso Abert/SET as informações se desencontraram, no momento em que foi divulgado que mesmo nos Estados Unidos, tradicional líder em novidades de consumo, cerca de 70 milhões de famílias estão aguardando e tentando entender como vai ser a televisão digital. Apenas 16%, a chamada “geração X”, sente-se à vontade para adquirir essa nova tecnologia, que é formada na maioria por homens na faixa dos 25 aos 35 anos de idade, de acordo com os dados da Zenith Eletronics.

target inicial No Brasil a situação merece atenção. Walter Duran, da Philips, apresentou pesquisas apontando que na classe AB, que é considerada o grupo de introdução, já que conta com 2,5 televisores por domicílio, o target inicial para a aquisição de receptores digitais seria de sete milhões de lares. Após quatro anos, a expectativa é de atingir a marca de cinco milhões de unidades, que é uma projeção bastante interessante se levarmos em conta o alto custo destes aparelhos nos três primeiros anos de vida. E se a programação colaborar, o processo de compra poderá ser acelerado. No painel HDTV e Filme, Celso Araújo, da TV Globo do Rio de Janeiro apresentou uma demonstração do poder de sedução do novo formato ao exibir trechos do seriado “Mulher” em HDTV. Mesmo em fase de adaptação, o formato prova que é muito eficiente e realmente impressiona ao reproduzir com muita fidelidade todas as sutilezas da iluminação, mesmo projetado em grandes salas.


Em relação à interatividade e acesso condicional, que deve nortear os próximos lançamentos, Ulrich Reimers, do projeto DVB, destacou no painel TV Digital Terrestre a implantação do Multimedia Home Plataform, que segue a tendência americana, ou seja, configurar um PC com uma placa de recepção de sinais, que pode incluir, ainda em fase de testes, um canal de retorno para o usuário. A idéia é dizer “não” ao estilo clássico de radiodifusão, que deve agradar em cheio à parcela de público ávida por tecnologia, já que sua interface se assemelha a um browser, onde as consultas à programação são feitas através de um guia eletrônico. Para Robert Graves do ATSC, mesmo comemorando a marca de 100 horas de programação semanal digital, o preço dos receptores ainda pesa no bolso dos americanos, algo entre US$ 5 mil e US$ 10 mil. Enquanto isso, surgem as milagrosas caixinhas pretas sobre o televisor, na faixa de US$ 650, que prometem receber toda

a programação disponível em HDTV, esperando alcançar 100 mil unidades vendidas até o Natal deste ano.

em análise Ainda no primeiro dia de apresentações, broadcasters europeus, americanos e japoneses descreveram para os brasileiros no painel TV Digital Terrestre seus respectivos projetos; o DVB, ATSC e o recém-padronizado ISDB (Integrated Services Digital Broadcasting), que já tem o seu slogan: “Tecnologia do século 21”. Tendo como coração o HI-Vision japonês, o sistema integra múltiplos sinais, áudio e dados com ambiente amigável e ferramentas multimídia, como por exemplo a função My TV, que personaliza o receptor de acordo com as preferências de cada usuário. A concepção do projeto, de acordo com Shigeki Moriyama da NHK, é oferecer interoperabilidade entre satélite, cabo e TV terrestre na

largura de 6 MHz distribuídos em 13 segmentos, que possibilitam a transmissão de três programas simultâneamente. Os testes no Japão foram iniciados em 11 cidades e o cronograma de serviços prevê que o sistema entre em operação antes do ano de 2003. Mas quem roubou a cena foi o engenheiro Fernando Bittencourt, diretor da Central Globo de Engenharia e coordenador do grupo Abert/SET, que iniciou sua apresentação com a música do filme “Titanic” interpretada por Celine Dion, My heart will go on, reproduzida diretamente de seu computador pelo sistema MP3. Bittencourt aproveitou o gancho musical para alertar que a revolução que está sendo feita pela Internet pode afetar o cenário tecnológico, já que “somos mais conservadores e mais lentos”, referindo-se à classe dos radiodifusores em geral. Quanto à escolha do sistema brasileiro de TV digital, Fernando Bittencourt ressaltou que “existe

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BRO A D C A S T

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C A B L E

a consciência de que todos estes sistemas irão evoluir e o grupo de estudo brasileiro levará em conta este processo”. Dando continuidade, apresentou um estudo baseado nos critérios de categoria do canal, ou seja, iniciar os trabalhos de alocação de sinal primeiramente com as geradoras, principalmente nas grandes cidades. Desta forma, dos 505 canais analisados, 147 permaneceram sem canal digital, sendo que na cidade de São Paulo 73 canais não foram encontrados. Quanto ao cronograma dos subgrupos de teste, após a conclusão da montagem do laboratório na Universidade Mackenzie, será finalizada em setembro a viatura responsável pelas medições. Após as medidas de campo e análise de resultados, será apresentado em janeiro de 2000 o relatório final à Anatel.

mercado Enquanto março do ano que vem não chega - prazo dado pela Anatel para a definição do padrão de DTV que será adotado no Brasil - os fabricantes de equipamentos para produção se empenharam em demonstrar seus produtos para os broadcasters brasileiros. Executivos de diversas partes do mundo vieram para completar o time brasileiro nos estandes mostrando o interesse na conquista do nosso potencial mercado. No estande da Sisgraph, a novidade era a versão Beta do Maya 2.5, que deve ser lançado no fim do ano. A vantagem da nova versão do software de composição e animação em relação à versão anterior é o Maya Paint, que passará a contar com um recurso de preenchimento com imagens em três dimensões. Quando o designer montar uma objeto em 3D, ao invés de cobri-lo apenas com uma textura, ele poderá usar o Paint para inserir outros objetos 3D, como árvores, prédios

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A Anatel deverá receber em janeiro de 2000 o relatório final dos testes das transmissões em ATSC e DVB. Espera-se para março a definição do padrão de DTV que o Brasil adotará. ou pêlos, por exemplo, usando o “pincel”. Um novo plug-in para o Maya também chamou a atenção. O Tipit permite rotacionar uma fotografia ou um vídeo ou ainda um objeto dentro de um vídeo como se fossem objetos 3D. O software da Alias|Wavefront instalado tanto em plataforma SGI quanto em Unix e NT também era apresentado no estande da Tecnovídeo, ao lado da nova linha de equipamentos no formato D-9 da JVC. A NAB/Vasconcellos mostrou o Softimage DS, que pode ser usado tanto para finalização quanto para edição. A maioria dos efeitos pode ser feita em tempo real, sem precisar esperar pela renderização, e o vídeo pode ser editado com ou sem compressão. O equipamento usado no pacote é baseado em estação TDZ 2000, da Intergraph, com dois processadores Intel de 400 MHz e dois monitores de 17”. O equipamento Trinity, fabricado pela Play, destacou-se pelo “tudo em um”. A workstation de vídeo com switcher, gerador de efeitos 3D e caracteres, composição, edição e mixer de áudio integrados também pode exportar formatos de edição EDL. Também presente no estande o fabricante de baterias Aspen Electronics mostrou um software que, integrado aos carregadores fabricados pela empresa, monitora por um computador tipo PC a capacidade, quantos ampères por horas e quantas vezes a bateria foi recarregada.

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A Teclar Equipamentos Eletrônicos, uma fabricante de equipamentos de Minas Gerais, apresentou um link de microondas móvel de 2,5 GHz e um fixo de 3,5 GHz e transmissores de VHF e UHF para TVs comunitárias com 10 W, 25 W e 40 W. Na Tacnet, também um enlace completo de microondas ultra-portátil com um transmissor acoplável a uma câmera acompanhado de seu respectivo receptor e antenas, da italiana ABE Eletronica, dividia a atenção do espaço com um teleprompter com tela plana de 6” para câmeras portáteis da QTV. O sistema de exibição e inserção de comerciais para televisão DigiMaster, da 4S Informática movimentou o corredor e chamou a atenção dos visitantes pela facilidade com que pode ser operado. No estande da Crosspoint, equipamentos e demonstrações é o que não faltavam. Halid Hatic, diretor de operações de campo da Avid para a América Latina, fazia as honras da casa ao lado de Guilherme Ramalho da Silva, representante da empresa no Brasil. As demonstrações estavam a cargo do editor de aplicações sênior Imanol Zubizarreta, que apresentava as novidades incorparados aos sistemas da Avid. Kevin Louden, da Telestream apresentava o ClipmailPro um sistema que pode ser usado para interligar empresas e que permite o envio de áudio e vídeo facilitando a aprovação de materiais à distância. A Embratel exibia o WebMedia, para transmissão de rádio e TV via Internet. Segundo a gerente de produtos Internet e valor adicionado Maria Elisa Vergara a taxa de transmissão pode ser negociada de acordo com o emprego do serviço oferecido. Transmissão de shows, treinamento empresarial ou ensino à distância são os clientes potenciais para a empresa comercializar seu produto. * Colaborou Fernando Lauterjung


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f e s t i v a i s Paulo Boccato

VITALIDADE

DO CURTA Filmes do X Festival Internacional de Curtasmetragens de São Paulo, realizado no último mês de agosto, mostraram diversidade e fôlego criativo.

No momento em que a indústria audiovisual brasileira patina em meio às dificuldades econômicas do País, o formato de curtametragem repete um fenômeno do final da década de 80: traz para as telas um retrato da capacidade de renovação do cinema nacional. Com um público recorde superior a 22 mil espectadores, que assistiram a mais de 370 curtas, dos quais 66 eram novas produções brasileiras, o X Festival Internacional de Curtasmetragens de São Paulo, realizado entre os dias 19 e 28 do último mês de agosto, aponta algumas tendências para a próxima década. Primeiro, a maturidade do formato, especialmente no gênero de ficção, onde a diversidade temática convive com a multiplicidade de abordagens, desde o radicalismo de “Texas Hotel”, do pernambucano

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Cláudio Assis, que contém algumas das seqüências de maior impacto do cinema brasileiro nos últimos tempos, amparadas pela fotografia inventiva de Walter Carvalho, e da animação “Deus é Pai”, do gaúcho Allan Sieber, um divertido sacrilégio em traços toscos que mostra Deus e Jesus discutindo dois mil anos de uma relação complicada diante de uma psicóloga, até curtas mais “bemcomportados”, mas muito eficientes, como o poético “Uma história de futebol”, do paulista Paulo Machline.

novos horizontes A segunda tendência traz maiores possibilidades de comercialização para o filme curto, que podem tornar mais viável a sua realização, hoje com um mercado restrito aos festivais de cinema e às vendas para TV por preços pouco atrativos. O caminho foi apontado pelo panorama da Atom Films, companhia independente norteamericana fundada há pouco mais de um ano, que se dedica à distribuição e comercialização de curtas em sites da Internet, televisão, companhias aéreas e distribuidoras de vídeos domésticos. A utilização

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do vídeo e da tecnologia digital na captação de imagens é outro caminho importante para o curta. A mostra da D.Film, com filmes feitos com computadores pessoais e câmeras amadoras, muitos deles já comercializados pela Internet, foi outra atração do festival e gerou um debate sobre o Cinema Digital e o Futuro do Curta, realizado durante o evento. Na verdade, o uso de outros suportes na captação apareceu também em alguns curtas brasileiros exibidos, como em “A pessoa é para o que nasce”, protótipo de longa do carioca Roberto Berliner, e no citado “Deus é Pai”, e deve crescer nos próximos anos, devido a suas possibilidades de barateamento dos custos de produção. Mas talvez a conclusão mais importante do festival paulistano foi a capacidade de uma nova geração de cineastas e produtores investirem na produção mesmo contando com parcos recursos de governo e iniciativa privada. Desde 1997, o Brasil não contava com dois de seus mais importantes concursos públicos voltados para o formato - aqueles promovidos pelo Ministério da Cultura e pelo governo estadual de São Paulo. Ainda assim, o festival teve o número recorde de 108 filmes brasileiros inscritos. Isso em um momento em que a política audiovisual brasileira coloca mais barreiras do que facilidades à produção das novas gerações. Barreiras que, pelo que foi visto nas sessões, a criatividade e a persistência dos realizadores se encarregará de romper.


N達o disponivel


MA Lizandra

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K

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Almeida

ameaça andr ó ide promoção, o cachorro avisa para os outros animais que estão ameaçados pela chegada do Furby. No outro filme, “Treinamento”, o cachorro tenta ensinar os bichos a fazer o que o Furby faz, como falar e cantar. Entre os animais que se reúnem no sótão de uma casa estão cachorro, gato, ratos brancos, tartarugas, peixinhos, pássaros, hamsters e coelhos. Para filmar todo esse zoológico, o O cachorro conduz a assembléia de animais. diretor Sergio Mastrocola optou por separá-los. Cada animal foi filmado Ameaçados com a chegada de um concorrente muito especial, os animais isoladamente, no mesmo fundo que deveria ir para o ar. As cenas foram de estimação de uma casa se reúnem para decidir como agir dali em diante. compostas em layers na finalização, A partir desse mote, foram desenvolvi- mantendo-se o fundo da região onde o animal atuava. “Preferimos não usar dos os dois filmes que compõem a campanha da Nabisco para a promoção fundo de recorte, pois existe uma dificuldade natural em se recortar o pêlo que vai distribuir os bichinhos Furby, de animais, o que poderia ficar muito uma espécie de tamagochi (aqueles aparente”, conta o diretor. “Nosso maior bichinhos virtuais) de pelúcia que fala problema era conseguir reproduzir a luz e tem necessidades como animais de do fundo sobre os animais, já que, por verdade. “Tínhamos de mostrar que o se passar em um sótão, os personagens Furby é mais do que um brinquedo, estão na penumbra”, explica Sergio é quase um bichinho de verdade. Por Salles Machado Fº., da Vetor Zero. isso decidimos pela comparação com Para fazer os bichos se comunicarem, os animais”, explica o diretor de criaa Vetor Zero ainda teve de criar espéção Adilson Xavier. Quando entraram os vários animais na cies de próteses 3D para substituir os focinhos dos animais e fazê-los falar. história é que a produção se tornou Com uma técnica semelhante à do realmente complicada. No primeiro longa-metragem “Babe”, a Vetor Zero filme, “Assembléia”, que apresenta a partiu dos animais filmados e criou F I C H A T É C N I C A reações e olhares, além dos movimenCliente: Nabisco Royal tos de boca. “No caso das tartarugas, Produto: Promoção Furby refizemos a cabeça completa em 3D, Agência: Giovanni, FCB - Rio utilizando os softwares Maya e Inferno Criação: Adilson Xavier, André Lima e para composição e animação”, explica Cláudio “Gatão” Machado. As imagens captadas serviProdutora: Resolution Filmes ram como referência para a criação da Direção e fotografia: Sergio Mastrocola pele e do pêlo, mas tudo foi refeito Cenografia: Flavio Inserra em computador. Efeitos especiais: Vetor Zero “Nosso maior problema, nesse caso, Telecine: Estúdios Mega foi o de encaixar a ‘prótese’ e fazê-la Montagem: Gilles Bury mover-se em sincronia com o resto do Trilha: Nova Onda corpo”, prossegue Machado. Por um Finalização: Vetor Zero problema com as vozes dos animais, 32

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Vários animais assistem ao treinamento.

difíceis de serem escolhidas, a locução final acabou ficando pronta depois da computação gráfica. Com isso, os movimentos labiais tornaram-se mais complicados. “Em geral modelamos em cima das vozes, tendo melhor referência dos movimentos labiais, mas dessa vez os modelos é que foram dublados.” Para garantir a qualidade de imagem necessária a todo esse processo, Mastrocola optou por usar uma câmera Arri 4, com um conjunto de objetivas Cook. “Essas lentes têm baixo índice de refração. Foram escolhidas porque a imagem não podia ter nenhum defeito que inviabilizasse a computação. É muito difícil conseguir uma lente que dê uma imagem ampla e toda em foco, mesmo sendo uma grande angular. No caso da Cook, é possível pegar a amplitude desejada, mas com os animais em foco e o fundo desfocado - e essa acabou se revelando a melhor opção”, conta o diretor e fotógrafo. Mastrocola sugeriu que o Furby aparecesse só para os espectadores, escondido dos rivais no primeiro filme. Já no segundo, o personagem está dentro do baú onde cachorro e gato discursam. Ao abrir a tampa do baú, o Furby se mostra, derrubando os dois e mostrando os produtos que estão lá dentro. “Com essa idéia, já pudemos sair do filme para o pack shot dentro do mesmo cenário”, conta Adilson Xavier.


Fichas técnicas de c o m e r c i a i s

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COMPETIÇÃO EXTRA-TERRESTRE

Além do modelo 3D, céu e prédios são layers.

Três garotos estão sentados à porta de uma simpática vila, tomando leite com Nescau, quando desce uma nave espacial e um extra-terrestre, de skate, desafia um dos garotos. O alienígena, totalmente construído em computação gráfica, tem um skate sem rodas e apronta em cima da prancha. O garoto o acompanha e os dois fazem uma corrida por vários pontos de São Paulo, até que o distraído e orgulhoso ET entra na caçamba de um caminhão e se esborracha todo. Segundo o diretor Paulo Gama, a intenção inicial era a de ambientar o filme em ruas bucólicas, quase sem interferências sobre os personagens. Em função do próprio espírito de competição do filme, Gama pensou em um cenário mais agressivo, urbano. Depois de uma pesquisa em locações como Parque D. Pedro, Mercado Municipal de São Paulo, Museu do Ipiranga e Minhocão, juntamente com as equipes de arte e fotografia, Gama conseguiu por em prática a sua idéia. Quando o garoto é desafiado, ele e seus companheiros estão em frente a uma típica vila de imigrantes italianos. Ao fundo da nave, a paisagem que se vê é uma vista do Parque D. Pedro, incluindo até o famoso edifício sede do Banespa, no centro da cidade. Da vila, os dois partem em

disparada e entram no Mercado Municipal, onde pulam um carrinho cheio de alfaces e o garoto faz uma manobra radical sobre uma placa. O destino, então, é o Minhocão, com um salto sobre vários carros. No final, o ET perde o controle e amassa a caçamba do caminhão. Todo o filme foi feito a partir de composição de imagens e combinação de efeitos em computação gráfica com efeitos ao vivo. Desde a primeira cena, que mostra o fundo atrás da nave espacial, já havia a imagem dos garotos em primeiro plano, mais a nave e o ET modelados e a vista da cidade, com o céu, originalmente azul, escurecido e nublado. Quando o ET desafia o garoto, joga um raio sobre o skate que está nos degraus, virado de rodas para cima. O skate dá um salto graças a um efeito de fio de náilon e fumaça, criados por Guilherme Steger. É dele também o gancho que enrosca na camiseta do menino, no final do filme. Foi feito em borracha, para não machucar. A partir de uma tampa de bueiro real, Steger também reproduziu um bueiro sobre praticáveis, para uma cena em que um funcionário abre o bueiro e o garoto passa por cima de skate. Para as cenas mais radicais, foi utilizado um dublê, campeão de skate. Como o personagem tinha cabelo comprido, o dublê teve de usar peruca. Uma das cenas mais interessantes é a do skatista passando por cima da placa, no Mercadão. A cena foi feita com a placa no chão e a câmera de cima, depois aplicada na cena. A presença do dublê foi fundamental na cena do salto sobre carros, no Minhocão. Segundo Gama, três opções foram desenvolvidas: em uma, o skatista realmente pula; na segunda, foi filmado em fundo azul sobre uma rampa e, por fim, o dublê

Na filmagem, cenários paulistanos como o Minhocão.

foi filmado parado com a câmera simulando o movimento. “O que deu certo mesmo foi a cena real”, conta o diretor. “Quando podemos evitar o truque, o resultado é sempre mais realista. Tínhamos de optar entre duas possibilidades: ou usar o dublê em um salto real ou usar o menino real em um salto falso. Em função da rapidez do movimento, optamos pelo salto real”. Em computação, a distância saltada foi ainda aumentada e o salto que cobria um carro passou a cobrir três. Na cena final, o ET entra na caçamba e a camiseta do garoto enrosca em um gancho. A distorção da caçamba foi feita em computação gráfica, pela Vetor Zero, assim como a criação do modelo 3D da nave espacial e do ET, com todos os seus movimentos. F I C H A

T É C N I C A

Cliente: Nestlé Produto: Nescau Agência: J. W. Thompson Produtora: Gama Filmes Direção: Paulo Gama Fotografia: Adrian Teijido Direção de arte: Osmar Muradas Efeitos especiais: Vetor Zero Telecine: Estúdios Mega Montagem: Umberto Martins Trilha: V.U. Finalização: Vetor Zero

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p r o d u ç ã o Emerson Calvente

A arte dos orçamentos Fazer orçamentos é quase uma arte. O sucesso ou o fracasso comercial de uma produção pode depender de seu orçamento. Um produtor experiente, um bom roteiro e um pouco de sorte são elementos fundamentais para a realização de um orçamento realista e seguro.

Quanto custa fazer um “filme”? Freqüentemente, esta é a primeira pergunta feita por clientes que estão interessados em produzir uma peça (em vídeo ou filme) e não conhecem o processo e os custos envolvidos. Não importa se se vai orçar um comercial para o varejo ou um megaevento. O ponto principal é ter a exata noção do que é preciso produzir para atender às necessidades do cliente sem desperdiçar recursos. Para se fazer um orçamento preciso é necessário um bom breafing. Qual será a duração do vídeo ou do programa? Quantos atores 34

serão necessários? Quantos dias de gravação serão precisos? Quais são as necessidades de iluminação, movimentos de câmera, efeitos especiais, trilha sonora etc? As respostas para estas e outras perguntas são fornecidas pelo roteiro. Todos os aspectos mencionados, entre muitos outros, influenciam diretamente nos custos de produção. Sem o roteiro, é impossível fazer um orçamento preciso, mas apenas uma estimativa de custos. “Em 99% dos casos, o cliente só tem uma idéia e nós temos de desenvolver o roteiro ou a sinopse, que é a defesa dos custos”, explica Fernando Palermo, diretor comercial da Sétima Arte Cine VT. “É conveniente que o roteiro seja bem claro para o cliente, relacionando como são os ambientes, o tamanho do elenco, o tipo de figurino, de finalização do produto e todos os elementos que compõem o orçamento, assim o cliente entenderá melhor o custo”, completa Antônio César Marra, diretor comercial da Video Express. Palermo destaca que na Sétima Arte “a estimativa é exatamente o valor que nós iremos gastar. Quando os custos passam do valor combinado com o cliente, a produtora sempre assume”. Na maioria das produtoras, os clientes recebem um orçamento com um preço total para a realização do trabalho. Apenas as agências e os clientes experientes exigem uma relação detalhada e justificada dos custos. Poucos são os clientes capacitados a

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comparar orçamentos, diferenciando o nível de qualidade de produção previsto em cada um deles. “Em nossos trabalhos todas as trilhas são compostas, o que é um diferencial muito grande, pois muitas produtoras não pagam direitos autorais. Nós trabalhamos só com locutores de primeira linha, que fazem a maioria dos filmes publicitários, que cobram cachês que variam entre R$ 700 e R$ 900. Em contrapartida, há locutores que trabalham por R$ 100, em início de carreira. Com tudo isso, o cliente não consegue avaliar e enxerga apenas um número em sua frente”, lamenta Palermo.

variáveis Para que esta falta de visão técnica não acabe atrapalhando a viabilização do projeto, é providencial que se procure alguns parâmetros no primeiro contato com o cliente. “Para determinarmos esta estimativa inicial, levamos em conta não só o objetivo do vídeo e o tamanho da empresa que nos procura, mas também a expectativa que ela tem do resultado final”, revela Marra. Além disso, exigem fatores que acabam elevando o custo consideravelmente. “Se o cliente quer um ator famoso ou gravar em muitas locações, isso acaba onerando a produção.” Os custos com a edição, animação e efeitos especiais são os mais difíceis


de serem controlados ou calculados precisamente, pois são cobrados por hora-trabalho. As alterações na edição final ou a inclusão de efeitos especiais e animações, não raramente desejadas pelo cliente após a primeira apresentação, acrescentam um alto custo ao orçamento. Para evitar custos indesejáveis, algumas produtoras investiram em estruturas próprias de finalização. “Ter a própria ilha de edição, que é um componente caro mas que sempre será utilizado nas produções, acaba sendo vantajoso. Principalmente por você poder elaborar e finalizar o trabalho sem a angústia de estar atrelado à horailha”, diz Marra, que tem uma ilha não-linear. Além da possível redução de custos, uma vez que a própria produtora pode absorver os gastos, aumenta a agilidade frente aos prazos cada vez menores. Para clientes que não exigem prazos tão apertados, a qualidade do produto final é melhorada com a possibilidade de acesso direto aos equipamentos. A Movietrack Cinema

e Televisão apostou numa estrutura própria. Segundo Luiz Tadeo Correia, diretor de atendimento da produtora, “o cliente está comprando um produto que ele não está vendo, então sempre há modificações. Nós não cobramos as alterações e se a produtora não tivesse os equipamentos ficaria muito complicado”. Palermo, da Sétima Arte, acrescenta que seu preço seria em torno de 20% mais caro se tivesse de cobrar o valor exato do número de horas gastas na ilha de edição: “Se você cobrar, você não fecha o trabalho. É preciso ter uma estrutura para não ter de repassar os custos para os clientes. Nós só repassamos quando durante o processo de produção o cliente decide fazer alguma alteração por sua responsabilidade, se no final ele decide trocar a cor do produto, por exemplo”. A utilização de um elenco composto por não-profissionais, crianças ou animais também dificulta o cálculo do tempo necessário à produção. Na maioria dos casos, gerentes, administradores, técnicos ou outros funcionários da empresa cliente,

não são “atores” treinados e adequados ao trabalho, o que aumenta os custos pela necessidade de mais tempo para a captação das imagens. As produções em víd eo ou filme são geralmente complexas e suscetíveis a imprevistos, atrasos e outros problemas. Com tantas variáveis no orçamento, pode ser uma boa idéia acrescentar um percentual de segurança a alguns itens. A Movietrack, no entanto, afirma que está crescendo justamente por não cobrar nada a mais do cliente. “Nós trabalhamos na ponta do lápis”, revela Correia. A margem de lucro das produtoras gira em torno de 30%.

diferencial Já a Miksom, que monta o orçamento em um trio, formado pelo diretor de criação, Paulo Suplicy, pela diretora de atendimento, Eliana Santa Rita e pela diretora de produção, Ivenise Angelini, tem uma postura de acreditar que o diferencial para fechar

Não disponivel

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p r o du ç ã o

com o cliente está fortemente atrelado a mais um componente, a idéia. “Na minha opinião, hoje a concorrência é muito mais de idéias do que de preço. É você conseguir transformar aquilo que o cliente tem na cabeça, num produto que não só atenda, mas supere a sua expectativa. Até porque entre as produtoras de primeira linha, a concorrência de preço acaba não existindo, os valores ficam muito próximos, praticamente equiparados”, revela Eliana Santa Rita. “O preço de determinada luz, de produção cenário e outros itens acaba sendo o mesmo para todas as produtoras, que terceirizam esta parte do trabalho”, acrescenta Eliana. Após feito o orçamento, não existe como baixá-lo sem fazer alterações. Ou seja, não dá para barganhar, querer o produto exatamente como foi orçado por um preço menor. Então, se o valor está fora da realidade que o cliente se propõe a pagar, existem dois caminhos. Um deles é a adequação de elementos que numa análise posterior forem julgados substituíveis por outro ou dispensáveis sem comprometer o resultado geral, mesmo que caindo um pouco a qualidade. “Às vezes, inicialmente o cliente tem a expectativa de fazer uma seqüência muito grande de depoimentos e aí, quando é colocado tudo no papel, ele acaba mudando sua idéia para um formato mais econômico, mas que tenha o essencial”, exemplifica Marra. “Quando percebemos que a idéia proposta para o cliente prescinde de todos os elementos que foram orçados e o cliente não dispõe da verba necessária, já que esta ficou com valor acima da estimativa inicial, acabamos criando uma idéia completamente nova, para realizar o projeto dentro da verba disponível”, diz Paulo Suplicy, diretor de criação da Miksom. Ele acredita que se o cliente pode pagar, ele prefere um produto especial, mesmo que saia um pouco mais caro do que o previsto. “O que nós nunca faremos é deixar uma idéia sensacional 36

acabar ficando ‘meia-boca’ pela necessária para o produto. A falta de verba. É melhor partir para audiência ou o público-alvo a que outra”, completa. se destina o vídeo ou o programa é Dois casos citados por Suplicy um fator determinante do nível de expõem bem esta metodologia de qualidade da produção. Espectadores trabalho. Para um vídeo interno sofisticados ou mesmo jovens de lançamento da Kaiser Light, a acostumados à linguagem dos efeitos captação foi realizada com uma especiais exigem um nível maior de microcâmera Hi-8, que depois qualidade. foi finalizada em branco e preto. Conhecer a audiência, assim como “Embora o formato não seja o de definir claramente os objetivos da melhor definição, para o objetivo, produção, ajuda a tomar decisões que era passar a realidade para os no orçamento e determinar o nível funcionários, ficou ótimo, deixando o de qualidade necessário ao projeto. cliente muito satisfeito”, diz Suplicy. Movimentos de câmera realizados Assim, segundo ele, foi melhor com o auxílio de equipamentos do que realizar num formato mais especiais, como dollies e gruas, caro e que não daria a sensação Muitos fatores influenciam desejada para atingir o nível de qualidade técnica o público e conseqüentemente alvo. “Já, na outra ponta, os custos do orçamento. quando existe uma verba muito grande, podemos ousar mais, como acrescentam valor estético ao na realização do nosso último produto. Entretanto, podem exigir projeto para a Mercedez-Bens, para um tempo valioso de produção, o apresentar o Classe A. Fomos rodar que significa um aumento de custos em 35 mm na Alemanha e fizemos que deve ser previsto no orçamento. a primeira apresentação utilizando o Segundo Palermo, “apesar de ser Cinemotion no Brasil”, conclui. um vídeo institucional, nossos O Cinemotion é um sistema profissionais têm uma preocupação interativo de apresentação que, de cinema. Nós compramos um a partir da programação de um travelling que é usado em todos software, consegue transferir a os trabalhos”. Também os prazos situação do filme para as cadeiras influenciam o orçamento. Se forem dos telespectadores. Assim, por muito curtos, será necessário exemplo, quando o carro faz uma aumentar a carga horária diária de curva, estas se movimentam, dando a trabalho, aumentando os custos. sensação de que o espectador é que No mercado de produção em está pilotando. vídeo, existe um ditado: “Entre três características do produto: considerações bom, rápido e barato, escolha duas”. Em resposta à primeira Muitos fatores influenciam o nível pergunta do cliente (quanto de qualidade técnica da produção custa?), uma observação: quanto e conseqüentemente os custos do vale o vídeo para o cliente? Quais orçamento. Assim, é a experiência serão os resultados obtidos pela e vivência da equipe responsável empresa com o vídeo? Se não por sua elaboração que poderão se conhece o retorno do deixá-lo do tamanho que o cliente investimento, com certeza, é fácil pode pagar, mantendo a qualidade dizer que é muito caro.

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N達o disponivel


c i n e m a Lizandra de Almeida

aconteceu em

A cidade serrana do Rio Grande do Sul pela vigésima sétima vez foi a sede de um dos mais importantes festivais de cinema do Brasil. Durante o evento o governo gaúcho mostrou disposição em apoiar a produção de longas e o governo federal apresentou uma medida que pretende trazer cerca de

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O grande tema das discussões da classe cinematográfica no 27º Festival de Gramado - Cinema Latino e Brasileiro - foi a necessidade de baratear a produção. As dificuldades enfrentadas pelos produtores em captar recursos este ano e o fantasma das produções caras e inacabadas parecem ter deixado o mercado em compasso de espera. Apenas três filmes brasileiros participaram da mostra competitiva, dos quais dois eram documentários. “Por trás do pano”, de Luiz Villaça, levou o prêmio do Júri Popular, concorrendo com “Santo forte”, de Eduardo Coutinho” e “Nós que aqui estamos, por vós esperamos”, de Marcelo Masagão. A representação brasileira foi sintomática da situação do cinema este ano. Em tempos de vacas magras, alguns se ressentem, outros procuram formas alternativas de produção. A possibilidade de transferência de imagens captadas em vídeo para película, processo

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que vem se tornando cada vez mais comum e com qualidade cada vez melhor, foi fundamental na viabilização dos dois documentários. O documentarista Eduardo Coutinho afirma que simplesmente não filma mais. “Santo forte”, que recebeu o Prêmio Especial do Júri, foi totalmente captado em Beta analógico, única forma de garantir a espontaneidade e o formato perseguido pelo diretor. “Não se trata apenas de economia de filme, mas da menor interferência e da possibilidade de gravar 30 minutos, sem cortar”, explica. O material foi kinescopado em Los Angeles e o que se viu na tela grande não foi comprometido pela técnica. Pelo contrário, o filme trazia depoimentos absolutamente contundentes, que revelam muito mais sobre o povo brasileiro do que a proposta de discutir a religiosidade e o sincretismo. Com um orçamento de R$ 350 mil, Coutinho captou 25 horas de material e pela primeira vez realizou um documentário de longametragem totalmente em vídeo. “No meu trabalho, o fluxo verbal é fundamental. Seria impossível realizar o filme com chassis de 11 minutos e fitas de Nagra de 15”, declara. “A minha estética continua sendo a de cinema - só mudou o veículo, que tem vantagens como a possibilidade de ver imediatamente o que foi feito. Mas tudo vem da linguagem do cinema, tanto que o filme não tem nenhuma trucagem, nenhum efeito - só corte seco.” Do orçamento total, R$ 300 mil foram usados na captação, incluindo pesquisa, produção e cachês. Ao todo, dez pessoas subiram o Morro Parque da Cidade, onde foram gravados os depoimentos. “Existe um mito de que uma equipe de documentário tem de ser muito pequena, para não intimidar. Mas isso é balela, porque na hora é só limpar a área e começar. Para filmar no


morro, é preciso muita gente para ajudar a carregar o equipamento”, explica Coutinho.

captação difícil Um processo totalmente inverso foi usado por Marcelo Masagão, que praticamente realizou todo o filme sozinho e em casa. De todo o material que aparece em “Nós que aqui estamos, por vós esperamos”, apenas algumas cenas, feitas em um pequeno cemitério, foram captadas em película. Todo o resto é fruto de três anos de pesquisas e composição de imagens, que renderam a Masagão o prêmio de melhor montagem no festival. O projeto, que custou US$ 140 mil, conta a história do século XX a partir de personagens desconhecidos, que se encadeiam com imagens históricas impressionantes. Não há narração, apenas letterings e música, e é a riqueza das imagens o que prende a atenção do espectador. Do total do orçamento, US$ 80 mil foram gastos com direitos autorais e, pelas contas do diretor, a ilha de edição saiu por US$ 1 a hora. Isso porque foram gastas duas mil horas de edição, em uma workstation comprada por Masagão. A estação - um PC Pentium II, com 162 Mb de RAM e 28 Gb de disco rígido e equipada com uma placa digitalizadora Perception e um software Razor - custou cerca de US$ 7,5 mil, valor utilizado na conta do diretor. O material utilizado na composição de imagens, que explorou ao máximo os recursos da estação não-linear, estava todo em Beta e foi kinescopado na Four Media Company, de Los Angeles. Em cartaz em uma sala no Rio de Janeiro e outra em São Paulo, na primeira semana de exibição o filme fez 10 mil espectadores, segundo Masagão. “Nestas condições, em seis semanas o filme estará pago”, acredita. Se a exibição de documentários em salas de cinema já é complicada, o que dificulta a captação de recursos, no caso dos dois documentários a situação

Os Kikitos recebidos pelos curtas de animação pareceM ser o prenúncio de um prêmio específico para o ano que vem.

foi ainda pior. Por preverem captação em vídeo, nem sequer puderam ser inscritos na Lei do Audiovisual. Para realizar seu filme, Masagão contou com os recursos de uma bolsa de estudos da Fundação MacArthur e o patrocínio da RioFilme. Já Coutinho recebeu um prêmio do Escritório Cinematográfico Internacional Católico (OCIC) e produziu por meio da ONG onde trabalha, a Cecip. O filme estréia em novembro e pode chegar a se pagar, caso siga a mesma contabilidade de Masagão. Durante o festival, Masagão divulgou um manifesto a favor dos filmes baratos e do uso da tecnologia em favor do projeto, a exemplo dos dinamarqueses do movimento Dogma. “Muitos ainda têm resistência ao vídeo, mas ninguém mais usa máquina de escrever elétrica. Tudo depende do caráter do projeto e é para isso que serve a tecnologia”, diz o diretor.

surpresa nos curtas A mesma combinação de tecnologias também esteve presente nos curtas da mostra competitiva do festival, especialmente nos desenhos animados. Foi o caso de “Deus é Pai”, de Allan Sieber, que mostra o conflito de gerações entre Jesus Cristo e Deus diante de uma analista, e de “Cidade fantasma”, de Lisandro Santos. Em ambos os casos, os desenhos foram feitos a mão e escaneados. No computador, foram pintados e depois passados para a película de maneiras

diferentes. Sieber filmou quadro a quadro a partir de um monitor plano de computador, enquanto Santos animou no computador e depois kinescopou. O diretor Roberto Berliner, da TV Zero, também captou as imagens de seu documentário “A pessoa é para o que nasce” em vídeo. Nesse caso, foram acrescentados recursos da linguagem em vídeo, fruto da formação do diretor, que vem do videoclip. Ao fazer o curta, o diretor sentiu a riqueza dos depoimentos de três irmãs que nasceram cegas e pedem esmola cantando em Campina Grande. Por isso, já está preparando um longa sobre o mesmo tema, o que faz do curta praticamente um trailler do longa. A premiação, porém, surpreendeu a todos ao consagrar o curta “E no meio passa um trem”, da produtora paulista O2 Filmes. Com prêmios de direção (para Fernando Meirelles e Nando Olival), melhores atores (para Théo Werneck e Bruno Giordano) e melhor filme, o curta foi feito com sobras de cenário de um comercial realizado pela produtora e ainda levou um prêmio em dinheiro oferecido pelo Ministério da Cultura e prêmios de telecinagem e legendagem, oferecidos pela Casablanca e pela Raccord. A atitude em relação aos filmes de animação também causou estranheza. Dos 14 curtas em competição, quatro eram de animação. Além dos desenhos “Deus é Pai” e “Cidade fantasma”, as animações de massinha “De janela para o cinema”, de Quiá Rodrigues, e “Amassa que elas gostam”, de Fernando Coster, conquistaram o público, mas levaram um prêmio de consolação. Os quatro curtas receberam Kikito especial, criando uma espécie de prêmio “café com leite” dos curtas, como se não tivessem condições de concorrer de igual para igual com os curtas tradicionais. Isso deve gerar um prêmio específico para o próximo ano, mas a solução encontrada acabou contrariando a intenção de agradar a todos. (Veja a relação de todos os premiados do festival no site www.telaviva.com.br)

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c ine m a

ORGANIZAÇÃO E APOIO Com dois anos de mandato a cumprir, o governo petista de Olívio Dutra no Rio Grande do Sul elegeu o cinema como uma das estratégias para o desenvolvimento estadual. Além da disposição governamental, a própria organização dos produtores locais e o apoio de algumas empresas à criação de uma indústria cinematográfica local estão gerando empregos e aumentando a produção de longas gaúchos. Só este ano, estão sendo produzidos três longas, marca recorde para o estado, graças ao prêmio instituído no ano passado pela RGE, distribuidora de energia para o norte-nordeste do Rio Grande do Sul. Em sua primeira edição, o prêmio distribuiu R$ 3,3 milhões para três projetos aprovados em concurso. Os R$ 3 milhões vieram da RGE, por meio da lei estadual de incentivo com desconto de ICMS, e os demais R$ 300 mil foram aportados diretamente pelo governo estadual. Durante o 27º Festival de Gramado, o presidente da RGE, Vilson Pereira Jr., anunciou que o edital para o prêmio do próximo ano deverá ser aberto ainda neste segundo semestre, para que a resposta seja divulgada no primeiro semestre do ano 2000. Segundo o executivo, o montante oferecido na primeira edição será o mínimo a ser mantido pela empresa,

que vem ampliando sua carteira de patrocínios, sempre voltados para artes como cinema e fotografia, relacionados diretamente à vocação da empresa. Além do prêmio, a empresa ainda patrocina o próprio festival e instituiu, este ano, o prêmio de R$ 10 mil para melhor fotografia em longa-metragem, recebido pelo filme português “À sombra dos abutres”, de Leonel Vieira e fotografia de Acácio de Almeida. Para dar suporte à produção local, o governo vem buscando formas de ampliar o diálogo com a classe cinematográfica. Segundo o vice-governador do Rio Grande do Sul, Miguel Rosseto, presente ao festival, uma das próximas medidas do governo será a criação de um comitê executivo para o setor, ligado diretamente ao governo estadual. “Além da geração de empregos, o cinema é fundamental para afirmar a identidade cultural local”, afirmou. Outra forma de apoio na pauta das discussões é a estrutura física. Uma das possibilidades aventadas pelo vicegovernador é a de criar um pólo de produção no cais do porto de Porto Alegre, cuja reforma está prevista para o próximo ano. O governo já contratou uma consultoria a fim de definir a melhor utilização da área e o pólo cinematográfico, com estúdios e equipamentos, é uma das possibilidades.

Todas as discussões com o governo vêm sendo acompanhadas pela diretoria da Fundação Cinema RS, ou Fundacine, que é formada por representantes de vários setores, como Secretaria de Estado da Cultura, Associação de Profissionais e Técnicos de Cinema (APTC), universidades, Sesc, Senac e Federasul (Federação do Comércio), além de exibidores e distribuidores. A mais recente proposta da Fundacine, já encampada pelo governo estadual, é o da realização do Congresso do Cinema Brasileiro. Com a crise econômica vivida este ano, que colocou em xeque os mecanismos atuais de produção e forçou uma discussão sobre a relação custo/ benefício do produto cinematográfico brasileiro, vários setores desse mercado, em todo o Brasil, vinham levantando a necessidade de se realizar um evento de caráter político, que reunisse a todos os interessados. O tema interessou à Fundacine e ao governo gaúcho, que decidiram colocar em prática o Congresso ainda no primeiro semestre do ano 2000. A sede do evento será Porto Alegre. Para expor a idéia aos diversos representantes do setor, será convocada uma reunião a ser realizada em setembro, durante a Mostra Rio.

Não disponivel 40

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linha de crédito para o cinema

Paulo Boccato

O Secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, José Álvaro Moisés, anunciou, durante o último Festival de Gramado, a criação de linhas de financiamento para o cinema brasileiro, nos setores de produção, distribuição, exibição e exportação de obras audiovisuais. O programa, intitulado “Mais Cinema 1999-2000”, tem a parceria do BNDES, Banco do Brasil e Sebrae, e foi oficialmente lançado no Rio de Janeiro, no dia 17 de agosto. Segundo Moisés, o objetivo do programa é viabilizar a conclusão e o lançamento no mercado de cerca de uma centena de longasmetragens, além de 30 curtas e documentários brasileiros, nos próximos dois anos. As operações podem contar com as garantias do fundo de aval do BNDES, o FGPC, em até 80% do valor total de projetos acima de R$ 240 mil, e do fundo de aval do Sebrae, o Fampe, em até 50% do valor total de projetos que não ultrapassem esse teto, tendo como agente financeiro

o Banco do Brasil. Em seu pronunciamento durante o Festival de Gramado, o secretário acrescentou que “valores já captados pelas leis de incentivo ou uma garantia firme de subscrição dos certificados audiovisuais por parte das corretoras também serão aceitos como garantia. O próximo passo será considerar o próprio filme como ativo a realizar, aceitando-o também como garantia real para a concessão do financiamento”. O BNDES disponibilizará, através de sua Linha de Crédito Automático, R$ 80 milhões nos próximos dois anos. Os juros dos empréstimos devem variar entre 12% e 15% e o programa privilegia projetos apresentados por meio de consórcios entre produtores, além de garantir ao cinema um tratamento mais flexível por parte dos programas de exportação do Banco do Brasil, através de inclusão no Proex. Para os projetos que necessitam de verba para a finalização e para aqueles que já tenham mais de 60% dos recursos captados através das leis federais, o programa Mais Cinema prevê o acesso a um prêmio do Ministério da Cultura, correspondente a até 15% do valor total do empréstimo solicitado ao BNDES. O montante disponível para

esse prêmio, cujas inscrições estão abertas até o próximo dia 30 de novembro, é de R$ 3,5 milhões, dos quais R$ 2,4 milhões vêm de recursos orçamentários e o restante vem de sobras não utilizadas da Lei do Audiovisual. Projetos com custo total de até R$ 900 mil terão tratamento preferencial. Para os filmes de longa-metragem, será exigido compromisso de lançamento nos cinemas com, pelo menos, dez cópias, bem como garantia de comercialização em homevideo e exibição na TV. Para os projetos de exibição, que privilegia a reforma e a aquisição de equipamentos para as salas já existentes, será exigida a comprovação de cumprimento da cota de tela para o filme brasileiro nos últimos dois anos, bem como a apresentação de programas de estímulo e formação de público, incluindo itens como descontos e horários especiais para escolas. O projeto não cita a exibição de curtasmetragens como item necessário para a concessão do empréstimo e também não cria nenhum mecanismo de financiamento voltado especificamente para a produção de longas-metragens de diretores estreantes, prática comum em países como França, Alemanha e Argentina.

Não disponivel

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e n t r e v i s t a Carlos Eduardo Zanatta e Raquel Ramos

Ped r o S im o n O senador Pedro Simon ( PM D B - RS ) p r e s i d e a Subcomissão de Rádio e TV, composta por 11 senadores, que tem como objetivo discutir profundamente as questões da comunicação de massa do País. Deverão tramitar pela subcomissão todos os projetos sobre o tema, inclusive os processos de outorgas e renovação das emissoras. O senador considera que “ninguém se deu conta ainda da importância da televisão no Brasil e como ela ainda pode crescer”.

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Tela Viva - O governo está para enviar ao Congresso uma nova Lei de Comunicação Eletrônica de Massa, que vai substituir o Código Brasileiro de Telecomunicações e que vai adaptar os novos tempos das telecomunicações à legislação brasileira. Como é que o senhor vê esse novo projeto?

Pedro Simon - A legislação atual está completamente superada, principalmente em relação à parte técnica. Naquela época também não existia a preocupação com a programação da televisão e ela ainda não tinha tanto peso na sociedade. O que nós sabemos dessa matéria, desde o tempo do Sérgio Motta e agora com o Pimenta da Veiga, é que esse assunto está sendo discutido e debatido. Eu fui convidado a participar de um seminário onde se debateu a questão principalmente com os proprietários de emissoras. Na oportunidade o ministro Pimenta da Veiga disse que iria fazer outros seminários para

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discutir o assunto em todas as regiões do País. Ainda não sei as datas para a realização destes seminários. Também não conheço ninguém que conheça o projeto. Quando eu falei com o ministro ele disse que estava estudando e analisando, mas eu não tenho a mínima idéia de como seja esse projeto. Eu acho que é muito interessante que o ministério debata essa questão com a sociedade. Eu acho que essa matéria não virá a toque de caixa, deverá ser debatida, analisada, com grandes consultas populares, mas sem pressa de ser votada. Quem já esperou tanto tempo pode esperar um pouco mais para que essa regulamentação atenda realmente tanto aos interesses da sociedade quanto aos do setor. Quando o código foi feito, a televisão era uma gota d’água perto do que é hoje. Hoje há canais abertos, canais de TV a cabo, televisão comunitária, televisões estatais, universitárias, educativas. Então, é tão variada a questão que eu acho que esta matéria terá de ter um estudo muito profundo. TV - Nós tivemos acesso à 5ª versão do famoso projeto da Lei de Comunicação Eletrônica de Massa, da época do Sérgio Motta ainda (leia página 10 do Scanner) e...

PS - Vocês têm a quinta versão. Eu que sou presidente da subcomissão não tive acesso nem à primeira. TV - Essa versão não vale mais, mas ela vai servir para sabermos o que o ministro Pimenta da Veiga mudou. Nessa versão se toca muito na questão do controle da propriedade, evitando que ela fique na mão de poucos. A realidade brasileira hoje é de alguns grupos controlando a comunicação de massa no Brasil. Como o senhor vê essa questão? O projeto coloca de duas formas: número de outorgas e a abrangência de domicílios.

PS - Com relação a essa questão, eu falo com toda a sinceridade que ainda não me aprofundei. Eu me lembro que no tempo em que o Sarney era presidente da República


ele cobrava muito a questão da propriedade cruzada, como era nos Estados Unidos: quem tem rádio não pode ter TV nem jornal, quem tem TV não pode ter rádio nem jornal e quem tem jornal não pode ter TV nem rádio. Acho que deve haver um controle para assegurar uma maior diversidade e quantidade, mas acho também muito importante estudar como nós faríamos isso. Eu busco ver como esta questão é tratada nos grandes países, como Estados Unidos e Inglaterra. Essa comparação é necessária para que se possa adotar um modelo no Brasil. Eu não tenho idéia firmada e volto a repetir: acho que essa matéria que o governo vem analisando há tanto tempo, desde 1962, deve vir para o Congresso para que possamos nos aprofundar muito, discutindo e debatendo não somente com os setores diretamente interessados, e sim com toda a sociedade. TV - Queria falar um pouco sobre a questão do conteúdo, que é a grande bandeira da sua subcomissão.

PS - Eu criei a subcomissão dentro de uma tese: eu considero um descaso, uma omissão, o papel do Congresso desde 1960 ao tratar a questão das rádios e das televisões. Eu acho que a influência da televisão na sociedade atingiu tal nível que a considero com mais força que a própria organização familiar. Passou o tempo em que eram as escolas que formavam a personalidade da criança. Por isso nós criamos essa subcomissão, que é permanente, para discutir especificamente assuntos de conteúdo. Eu não gostaria de falar agora como eu acho que deve ser, mas nós temos de debater e ouvir o conjunto da sociedade. Pretendemos falar com as entidades e ONGs ligadas ao setor e com as próprias emissoras. Já esteve aqui na comissão um especialista deste setor nos Estados Unidos, onde existem mais de duas mil entidades que são verdadeiros

estúdios de televisão à disposição da sociedade, onde as pessoas podem produzir e gravar programas e são, ao mesmo tempo, transmissoras de alcance limitado. Isso dá chance para que apareçam novos talentos. Aqui no Brasil, se você não estiver no Rio ou em São Paulo, não tem a menor chance de aparecer. TV - Essa sua colocação remete à questão da regionalização da produção...

PS - Que está na Constituição brasileira. Aliás, neste ponto ela é perfeita. Se há um artigo que não precisa ser mudado é o que trata da Comunicação Social. Agora há uma grande diferença entre o que ela diz e o que acontece na prática, por falta de regulamentação. Até aqui eu nunca vi ninguém debater televisão como instrumento de formação da sociedade. Só se vê televisão como um negócio. Um país com a pobreza do Brasil e com o tamanho continental do Brasil onde as pessoas só têm condição de se ver através da televisão. TV - Como é que o senhor avalia a demora para se discutir esse assunto no Congresso? A Constituição já tem dez anos e o Conselho de Comunicação que nunca foi implantado.

PS - Isso é outra coisa. O conselho nunca foi implantado porque ele foi aprovado na Câmara e quando chegou aqui no Senado foi trancado, porque quando nós fomos verificar os nomes, só tinha gente de televisão. A OAB indicou um advogado que era da televisão, a CNBB e a ABI, a mesma coisa. Então quem ia comandar o conselho eram os proprietários de televisão. Se for para ser assim é melhor não ter. Nós temos de mudar isso porque não pode haver um conselho que só vai legitimar o que está sendo feito. Nós fizemos um levantamento da biografia de todos os nomes e eles eram todos ligados à Abert. Nós per-

guntamos para a OAB porque eles tinham indicado aquele nome e eles disseram que tinha sido uma indicação da Globo. TV - Então como é que fica o Conselho....

PS - Tem de mudar. Uma nova composição do conselho deve estar na nova lei. TV - Como é que o senhor vai estruturar o trabalho da comissão?

PS - Nós vamos ouvir as experiências de todo o mundo. Estou com um trabalho de um professor, por exemplo, que ficou quatro anos na Inglaterra pesquisando televisão. Lá existe uma grande diferença entre televisão pública e estatal. Aqui no Brasil, está na Constituição a televisão pública, mas ninguém dá muita bola. Esse professor tem um exemplo de como é a televisão na Inglaterra. Então o que nós queremos aqui é debater este assunto. TV - O Senado abriu uma linha de comunicação com a população para que ela pudesse opinar sobre a TV?

PS - A comissão teve essa idéia em junho, antes do recesso. Resolvemos perguntar para a população o que ela estava achando da programação da TV. Dissemos ainda que ela deveria ligar, porque em agosto nós iríamos começar a discutir a programação da televisão aqui no Senado. Nós queríamos saber o que as pessoas pensam a respeito desse assunto. Desde julho, 45% das ligações para o 0800 (o Senado tem um número de 0800 para ouvir a opinião da população) eram para falar a respeito da televisão. Isso é muito bom porque nos dá chance de fazer um levantamento das questões que mais precisam ser debatidas. TV - Como é que o senhor vê a ditadura da audiência?

PS - Esse é o grande debate. E não pode ser diferente. O que é a

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E N T R E V I S T A

televisão? É uma empresa que visa o lucro. Para ter lucro ela precisa de anúncios e quem anuncia quer ver o Ibope. Conforme forem os números, ele anuncia ou não. Nós vamos ter de mudar isso e, em primeiro lugar, mostrar que televisão não é propriedade. O senhor Roberto Marinho não é proprietário da Globo. Ele é concessionário de um serviço que é de propriedade do Estado. As pessoas têm uma concessão que pode ou não ser renovada. TV - Mas até hoje nenhuma concessão foi cassada.

PS - Nem sabemos se eles cumprem ou não os requisitos legais porque nunca se cobrou isso na hora da renovação da concessão. Isso tem de ser mudado. TV - Então o senhor ainda acha que a renovação das concessões deve continuar passando pelo Congresso?

PS - Sinceramente eu hoje só voto em branco. As renovações passam hoje mas é uma palhaçada, ninguém sabe nada. Todo mundo vota a favor sem nem saber do que se trata. No futuro deve-se estabelecer algum critério prévio para que as renovações sejam concedidas. TV - Isso deveria ser feito pelo Congresso ou por uma agência reguladora?

PS - Tanto faz, este assunto ainda tem de ser discutido. TV - Mas se as novas concessões forem dadas por leilão, não parece ilógico que o Congresso casse uma concessão que foi conseguida desta forma?

PS - Mas essa questão ainda não está definida. Pode ser um leilão, mas também pode ser outra coisa. O leilão é importante porque senão essas concessões vão ser distribuídas por deputados e senadores, ou seja, por indicação política mesmo. Com relação a isso, o leilão é importante porque a pessoa vai precisar ter o dinheiro para conseguir a concessão, mas do ponto de vista do conteúdo acho que o leilão não dá nenhuma garantia. Então é preciso pensar em algum mecanismo de garantia. TV - Como é a sua relação com as emissoras de televisão?

PS - É muito boa. Tenho o maior respeito e carinho e acho que o padrão técnico da televisão brasileira é realmente muito bom. Acho que em relação ao problema de conteúdo, a culpa é toda nossa. Se não tem nenhum outro tipo de controle o negócio vai acabar sendo regido pela lei do mercado. Por que a Globo tirou do ar um programa tão fantástico como o “Sítio do pica-pau amarelo”? Porque a

produção começou a ficar muito cara. Daí uma outra emissora pega uma garota, com um monte de crianças e passa desenho animado e consegue audiência. Como é muito mais barato, esse modelo acaba sendo copiado por todo mundo. Se você não tiver conceitos de conjunto que abranjam a tudo e se basear apenas nos números do Ibope, nada vai mudar. Outra questão que era muito preocupante eram essas ligações para 0900, que transformaram a televisão em verdadeiros cassinos. E esses programas davam um grande Ibope simplesmente porque as pessoas ficavam esperando para ver se iam ganhar algum prêmio. TV - O senhor imagina que se o projeto da lei chegar ao Congresso, esse semestre todo vai ser para discussões e o ano que vem também?

PS - Acho que sim. Não tem pressa para votar esse projeto. Eu pelo menos não tenho. TV - O senhor acha que o Governo está querendo mandar o projeto?

PS - Eles têm outras prioridades, mas acho que estão começando a se dar conta da importância desse assunto. Em São Paulo foi criada uma ONG com professores universitários do mais alto gabarito para trabalhar sobre o assunto. A OAB fez um seminário discutindo televisão.

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p r o d u t o r a s Hamilton Rosa Jr.

E NTRETENIMENTO

em NT

O cenário da edição não-linear começa a mudar no Brasil com a chegada da versão 8.0 do Windows NT ao mercado de cinema e publicidade.

A Microsoft passou a perna na Apple/Macintosh esse ano ao se associar à Intel e produzir a plataforma operacional Windows NT versão 8.0 para a Avid, líder mundial em edição não-linear para broadcasting. Foi esta nova geração de ilhas de edição que a produtora TV1 adquiriu recentemente, disponibilizando o equipamento mais sofisticado em pós-produção para o mercado de vídeo empresarial no Brasil. O sistema conta com três ilhas interligadas em rede digital de alta velocidade modelo 1000 na plataforma Windows NT, além de dois Avids na plataforma Mac-Os,

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mas que também estão integrados para off line. Em outras palavras: “Nossas ilhas estão completamente integradas com os novos programas de computação gráfica e a manipulação de imagens pode ser feita sem sair da própria plataforma”, explica German Quiroga, diretor de tecnologia de mídia interativa da TV1. Isso deve permitir maior economia de tempo para os editores e diretores e praticamente extinguir perdas de áudio e imagem por transferência. O Windows NT apresenta ainda o Intraframe, um sistema de efeitos que integra construção e animação de máscaras, efeitos em caracteres e composição e modificação de imagens, o que deve abrir maior leque de possibilidades para a criação. “Agora trabalhamos com uma plataforma com maior qualidade de definição e sem compressão de imagem, um inconveniente que as antigas ilhas de edição tinham”, diz Quiroga. Na verdade, existem finalizadores que operam sem compressão, mas estes equipamentos têm um custo muito superior para compra ou aluguel. Celso Penteado, gerente regional de vendas da Crosspoint, empresa que representa a Avid no Brasil, explica que com o NT a conectividade

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entre as máquinas fica mais fácil, com vários slots e placas que permitem upgrade. Já no visual, o usuário não vai sentir diferenças. “A Avid teve a preocupação de não mudar a interface do Media Composer 1000 XL para NT. Se você examinar a tela do Avid na versão Mac-OS e na NT, perceberá que elas são quase idênticas. As ferramentas são iguais, as janelas são iguais, tudo foi feito com o objetivo de não causar estranhamento ao operador.” De fato, a única diferença entre as telas dos sistemas é a opção de uma barra de tarefas na versão NT, que é uma característica usual da família Windows.

revolução nt As soluções da plataforma Windows NT não vão permitir um barateamento das interfaces, mas o diretor de operações da Crosspoint, Miguel Carminate, revela que os preços dos produtos da Avid abaixaram a partir da NAB’99. “Não tenho condições de dizer se foi por causa do NT. Acho que foi uma estratégia mercadológica, porque a redução atingiu todo o catálogo da Avid.” Carminate revela que quatro clientes aderiram ao produto depois da NAB, comprando um total de oito estações. As produtoras ainda não receberam os equipamentos, por isso ele não tem autorização para divulgar os nomes. Quem integra este universo nãolinear sabe que a revolução NT não aconteceu apenas na Avid. Praticamente todos os principais fabricantes de equipamentos de edição não-linear estão oferecendo a plataforma Windows NT como opção para o Mac-Os. A SGI, por exemplo, tem dois modelos de workstations, A SGI540 que opera com até quatro processadores Pentium III Xeon e o SGI-320 com capacidade para até dois processadores Pentium III; a Media 100 Inc. apresentou quatro versões para seu novo finalizador,


o Finish; a IBM lançou um modelo poderoso de desktop para vídeo; e a Intergraph lançou o TDZ 2000. Toda essa maquinária usando a base NT já está disponível para a venda no País. As novas workstations da SGI utilizam uma arquitetura inovadora, diferente dos tradicionais barramentos. A 540, por exemplo, tem duas entradas e duas saídas de vídeo digital e também trabalha sem compressão de imagem. “Dentro da estrutura normal de workstation não existe nenhuma outra que oferece a capacidade de trabalhar com duas entradas e duas saídas simultaneamente”, explica Luís Cássio Godoy, gerente de mercado de digital media e communications da SGI no Brasil. A Tecnovídeo, que comercializa os produtos da SGI no País, forneceu o primeiro SGI-540 para a Vetor Zero recentemente e acaba de vender o software Maya para NT para a Casablanca e a Terracota. Outra representante, a Exec, vendeu o Edit para NT para o Shoptour. Milton Mineto Nishiwaki, diretor comercial da Pro TV Engenharia e representante da Media 100 no Brasil, já tem vários clientes interessados em adquirir o novo Finish, e garante que três estavam prestes a fechar negócio com sua empresa. Nishiwaki acha que a Microsoft pode levar vantagem sobre a concorrência pela rapidez de atualização nos sistemas. Eles apresentaram a versão 8.0 do Windows NT no primeiro semestre e estão prometendo uma versão 8.1 para o final do ano. A capacidade de extensão é maior e mais confiável no atual PC mas, como consultor de vendas, ele não descarta o G-3, da Macintosh. “O consumidor deve levar em conta que o Windows NT é apenas um sistema operacional, e existem outros. Conforme a opção de hardware, pode ser mais adequado e barato optar pelo Mac-Os.” Segundo explica, existe uma infinidade de aplicativos que

são melhores para um sistema que para o outro. “O Adobe After Effects 4.0, por exemplo, é obrigatório para as produtoras que querem trabalhar com efeitos. O software é configurado para a plataforma NT ou Mac-Os, mas se o objetivo é fazer modelagem, o Strata, que é Mac-Os, pode ser a solução”, diz Nishiwaki. Na opinião do consultor de pósprodução José Augusto De Blasiis, o Strata é um software eficiente, mas para trabalhar com modelagem em 3D existe uma alternativa em NT muito superior, que é o 3D Max. “Em função de seu rápido poder de atualização, a Microsoft está demonstrando uma sensível vantagem sobre a concorrência. A partir da última NAB ficou claro que a ascensão do PC no mercado profissional é galopante.” O fato de a Microsoft se embrenhar num campo em que a superioridade da Apple preponderava, e o fato de Bill Gates ser hoje um dos acionistas da empresa de Steve Jobs, fez com que muita gente apontasse a concorrência comercial entre os dois gigantes vencidas pela Microsoft. Pior: deixou uma infinidade de empresas que tinham a preferência pelo hardware e software Macintosh apreensivos. Ironicamente, deixou até Bill Gates preocupado, afinal ele é um acionista da Apple e não é interessante enfraquecer uma companhia que, em seus planos, talvez possa ser aglutinada ao seu império no futuro. Tentando apagar esse incêndio, o CCO da Avid, Bill Miller, assinou um editorial, que está sendo veiculado na homepage da companhia, afirmando que a parceria com a Apple/Macintosh continua de vento em polpa. Miller inclusive anuncia novos lançamentos de sua empresa que usarão a plataforma Mac-Os, e diz que a entrada da Microsoft só aumentará o número de ofertas para o usuário.

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programação regional Paulo Boccato

RIO GRANDE DO SUL Com uma população de mais de 9,8 milhões de habitantes, 7,5% do potencial de mercado brasileiro e aproximadamente 2,8 milhões de domicílios com TV, de acordo com os números publicados no Mídia Dados 98, publicação do Grupo de Mídia de São Paulo, o Estado do Rio Grande do Sul tem 21 geradoras de TV (veja box) que espelham através da programação regional a cultura e o modus vivendi do povo gaúcho. A TV Educativa do Rio Grande do Sul, gerida pela Fundação Cultural Piratini, é a segunda maior rede do Estado, com 28 retransmissoras espalhadas por toda a região, cobrindo cerca de 90% dos municípios gaúchos. Atualmente, a TVE-RS passa por uma reformulação, investindo cerca de R$ 5 milhões na renovação tecnológica das retransmissoras e na troca do parque técnico da geradora. A emissora produz cerca de seis horas diárias de programação própria, divididos em 12 programas, com um custo mensal aproximado de R$ 150 mil. No momento, esses programas ainda são gravados em S-VHS, mas a mudança para Beta digital faz parte da estratégia de investimentos para 1999/2000. Além dos programas de produção própria, a emissora veicula o programa “Rio Grande Rural”, produzido pela Emater (Associação Riograndense de Empreendimentos e Assistência Técnica e Extensão Rural), sobre a vida rural do Rio Grande do Sul. Um dos destaques da TVE é o infantil “Pandorga”, único do gênero produzido no estado, apresentando bonecos manipulados, desenhos e teatro infantil. O programa já recebeu vários prêmios internacionais por suas funções educativas. Na linha de variedades, a programação da TVE-RS busca representar as várias tendências da cultura gaúcha. O público jovem tem espaço nos programas “Radar”, transmitido ao vivo, com notícias de música, videoclips e entrevistas sobre atividades culturais, e “Hip hop sul”, apresentado por Gera e feito com a produção do Movimento Hip Hop do Rio Grande do Sul e parceria da TVE, que mostra as manifestações culturais nascidas na periferia das grandes cidades. O interior tem sua vez nos programas “Galpão nativo”, gravado em estúdio, que divulga a obra de artistas da música regional gaúcha, e “Povo gaúcho”, que mostra as peculiaridades de várias regiões do estado. A programação cultural é com-

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pletada pelo programa diário “Estação cultura”, gravado ao vivo, com flashes de vários eventos importantes do setor. O formato do programa abrange uma agenda diária, voltada para todo o estado, além de matérias especiais e entrevistas. Outro ponto forte da TVE é a programação de serviços. O “Jornal da cidadania”, última estréia da emissora, ocorrida em julho, discute temas cotidianos, através de entrevistas, reportagens e debates. A preocupação central do programa não é o jornalismo factual, mas questões mais abrangentes, como direitos do consumidor, violência, saúde pública etc. O público de terceira idade é o enfoque do programa “Viva bem”, com entrevistas e reportagens que dão ênfase à valorização do idoso. A programação é completada com vários programas de entrevistas e debates: “Debates TVE”, “Frente a frente”, “Primeira pessoa”.

brasil sul A Rede Brasil Sul - RBS - cobre 497 municípios gaúchos com suas 12 emissoras. A empresa, afiliada da Rede Globo, tem ainda 12 sucursais com equipe de externa e miniestúdio espalhadas pelo interior. As personalidades históricas do Rio Grande do Sul ganham uma programação especial: a série de programas “20 gaúchos que marcaram o século XX”, iniciada no último dia 21 de agosto. Escolhidas por votação direta, através de cupons publicados no jornal Zero Hora, cada uma das personalidades tem um documentário especial, exibido aos sábados, com atores convidados, como Paulo José e Otávio Augusto, e cada um deles com um diretor diferente, alguns contratados especialmente, como Beto Souza, João Guilherme Barone, Claudinho Pereira, Marta Biavaschi e Jaime Lerner, adequando a linguagem do programa ao estilo da personalidade focalizada. Entre os gaúchos célebres, foram escolhidos nomes como Getúlio Vargas, Lupicínio Rodrigues e Mário Quintana. A grade de programação local da RBS é completada com dois programas voltados para o público do interior, “Campo e lavoura” e “Galpão crioulo”, e outro direcionado para o público jovem, “Patrola”. “Campo e Lavoura” traz as últimas novidades para o produtor rural, nas áreas de tecnologia, de culturas e criação de


Horário dos programas regionais www.telaviva.co m . b r

animais. “Galpão crioulo”, no ar desde 1982, mostra a arte e a música sul-rio-grandenses. Com convidados nas áreas de música, literatura, cinema, teatro e artes plásticas, o programa tem transmissões em estúdio e especiais realizados em viagens a cidades do interior. Para a produção de seus programas, a RBS TV utiliza um mistura de vários equipamentos de captação de imagem, como Beta digital, Beta SP, DVCAM e D2. A RBS gaúcha também veicula uma série de programetes diários de 30 segundos a um minuto, intitulada “Rio Grande do Sul: um século de história”, apresentada e, algumas vezes, interpretada por Toni Ramos. A série é a única produção terceirizada da emissora no momento, sendo gravada em Beta digital e finalizada pela produtora catarinense Sinergia. A previsão é que os programetes sejam exibidos até o final do ano 2000.

bandeirantes A programação local da TV Bandeirantes passa por uma reformulação técnica e por mudanças de horários dos programas. Foram comprados equipamentos digitais da Sony para gravação (câmeras DXC D30, para estúdio e externa) e VT (máquinas DSR 30 e DSR 60) e alguns programas novos podem estrear nos próxi-

GERADORAS SUL-RIO-GRANDENSE cidade emissora Bagé Cachoeira do Sul Carazinho Caxias do Sul Cruz Alta Erechim Passo Fundo Pelotas Pelotas Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre Porto Alegre Rio Grande Santa Cruz do Sul Santa Maria Santa Maria Santa Rosa Uruguaiana

RBS Shoptour Pampa RBS RBS RBS RBS RBS Pampa Guaíba Pampa SBT TVE Bandeirantes RBS RBS RBS Pampa RBS RBS RBS

CABEÇA-DE-REDE canal Globo ------ SBT Globo Globo Globo Globo Globo SBT ------ Record SBT ------ Bandeirantes Globo Globo Globo SBT Globo Globo Globo

6 11 9 8 3 2 7 4 13 2 4 5 7 10 12 9 6 4 12 6 13

mos meses. “Há também outros programas que devem mudar de horário”, diz o gerente de programação Sérgio Giugno. De qualquer forma, será mantido o espaço destinado pela cabeça-de-rede para a produção local: de segunda a sexta das 12h30 às 15h00, além dos sábados e domingos pela manhã e do espaço para o jornal regional vespertino. A Band gaúcha cobre cerca de 70% dos municípios do estado, nas regiões da Grande Porto Alegre, Serra Gaúcha, Litoral, Norte e Sul. A produção local é toda gerada em Porto Alegre e privilegia o telejornalismo e o espaço para a produção independente, através da compra de horários. A programação diária é completada com o “College na TV”, programa que aborda assuntos de interesse do público universitário, como shows, teatro e cinema, além de serviços sobre os cursos superiores e a realização de vestibulares. Aos sábados, a Band exibe mais dois programas de produção própria: “Negócios”, com entrevistas com empresários gaúchos e matérias sobre novos produtos do setor industrial do estado, e “Democracia”, programa de debates com deputados da Assembléia Legislativa gaúcha. Aos domingos, a emissora leva ao ar o programa “Fogo de chão”, sobre música regionalista, que deve ter seu formato e seu horário atual modificados pela atual reformulação da grade de programação. A programação independente é formada pelos programas “Mister D”, exibido de terça a sexta, que mostra uma competição de conhecimentos gerais entre alunos dos colégios sul-rio-grandenses, com produção da Ponta de Lança; “Veículos e velocidade”, há mais de dez anos no ar, tem produção da Mídia & Fato; “Destaque gaúcho”, produzido por Devanir Bernier, mostra empresas, eventos, feiras e realizações das prefeituras do interior.

peculiar A Rede Pampa de Rádio e Televisão tem uma peculiaridade: na região metropolitana de Porto Alegre, mais litoral e serra gaúcha, transmite a programação nacional da Record e algumas produções locais; no interior do Rio Grande do Sul, repete a programação nacional do SBT. A produção local veiculada pela TV Pampa/ Record restringe-se ao telejornalismo e ao esporte, com a exceção do “Programa do Xicão Tofani”, de colunismo social, veiculado nas madrugadas de

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segunda a sexta através de compra de horário. O SBT tem sua programação nacional repetida integralmente no estado, através de uma de suas afiliadas (na Capital e parte do interior) e da Rede Pampa (em parte do interior). Em alguns municípios cobertos pela Rede Pampa, há produção de blocos de programação local dentro dos programas jornalísticos. A TV Guaíba, canal 2 de Porto Alegre, não é ligada a nenhuma rede nacional e alcança os municípios situados num raio de cerca de 200 km a partir da capital gaúcha. Veicula cerca de oito horas diárias de programação ao vivo, realizada com a parceria de produtores independentes nos três estúdios situados na sede da emissora, pertencente ao sistema Guaíba/Correio do Povo de Comunicações. Os 20 programas da emissora, captados em U-Matic, são centrados em telejornalismo, através de entrevistas e debates com convidados, serviços, variedades, esportes e culinária. O restante da grade é preenchido pela aquisição de filmes e documentários. Entre os destaques da programação estão o jornalístico “Câmera 2”,com duas horas de entrevistas sobre assuntos de interesse do estado; o programa de debates “Flavio Alcaraz Gomes repórter”, conhecido na região como “Guerrilheiro da notícia” e que conta sempre com a presença de jornalistas convidados; o “Atividade meio-dia”, painel de notícias do dia, e o programa de variedades “Palavra de mulher”, voltado para o público feminino. Para a diretora de programação da emissora, Helena Soares, “a participação de produtores independentes como parceiros na feitura dos programas é uma maneira de operacionalizar uma programação voltada para os interesses da região, com um menor custo”.

telejornalismo As notícias que mais interessam aos gaúchos são veiculadas nos diversos telejornais veiculados pelas emissoras. A RBS produz os jornalísticos: “Bom dia Rio Grande”, “Jornal do almoço” e “RBS notícias”. Este último é o programa de maior audiência da emissora, atingindo cerca de 1,5 milhão de espectadores diariamente. O “Jornal do almoço” encontrou um formato diferente, incorporando a programação esportiva e o antigo “J.A. notícias”, “oficializando”, segundo o coordenador de programação Ernesto Nunes, “uma integração que já existia para

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os telespectadores”. O programa, há 27 anos no ar e escolhido pelo segundo ano consecutivo pela pesquisa “Top of Mind” como o mais popular do estado. Uma das grandes atrações do “Jornal do almoço” são os programas especiais produzidos ao vivo de cidades do interior do estado, abordando as peculiaridades da região. A programação de telejornalismo é completada com dois programas especiais, exibidos nos finais de semana: “RBS esporte”, abrangendo principalmente o esporte amador e a atividade física como alternativa de saúde, e o “Teledomingo”, programa de variedades, entrevistas e esporte, sempre amarrado por uma grande reportagem especial. O destaque do Departamento de Telejornalismo da Bandeirantes é o programa “Acontece”, que estreou novo formato em julho. Com uma hora e meia de duração, é dividido em três blocos de meia hora: o primeiro é destinado ao jornalismo regional; o segundo incorpora o antigo “Esporte total”, destacando as atividades esportivas do estado, e, no terceiro é aberto o espaço para entrevistas, variedades e matérias especiais. O vespertino “Band cidade” cobre os fatos cotidianos de todo o estado. As matérias sobre as cidades do interior gaúcho são feitas por equipes da emissora da capital, apenas eventualmente recorrendo a repórteres free lancers das próprias cidades. Aos sábados “Band esporte show”, com matérias especiais sobre o futebol no Rio Grande do Sul. O Departamento de Jornalismo da Pampa coloca no ar o “Pampa meio-dia”, com entrevistas, reportagens e convidados especiais debatendo temas da atualidade; o vespertino “Repórter Pampa”, telejornal voltado para as notícias da região, e o programa de entrevistas “Pampa boa noite”, com debates sobre um único tema por noite. No setor de esportes, a TV Pampa conta com o diário “Camisa 10”, mesa-redonda recheada de reportagens sobre futebol, e, nos finais de semana, com o “Pampa esportes”, programa de entrevistas e debates sobre várias modalidades. A TVE veicula diariamente o “Jornal da TVE”, programa jornalístico de meia hora. Os horários em que os programas citados vão ao ar podem ser conferidos no site da Tela Viva: www.telaviva.com.br.


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A G E N D A S E T E M B R O Diretor e Editor Rubens Glasberg Editora Geral Edylita Falgetano Editor de Internet Samuel Possebon Editor de Projetos Especiais André Mermelstein Coordenador do Site Fernando Lauterjung Colaboradores Beto Costa, Emerson Calvente, Hamilton Rosa Jr., Lizandra de Almeida, Mario Buonfiglio, Paulo Boccato. Sucursal de Brasília Carlos Eduardo Zanatta Arte Claudia Intatilo (Edição de Arte e Capa), Rubens Jardim (Produção Gráfica), Geraldo José Nogueira (Editoração Eletrônica) Diretor Comercial Manoel Fernandez Vendas Almir B. Lopes (Gerente), Alexandre Gerdelmann e Patrícia M. Patah (Contatos), Ivaneti Longo (Assistente) Coordenação de Circulação e Assinaturas Gislaine Gaspar Coordenação de Marketing Mariane Ewbank Administração Vilma Pereira (Gerente); Gilberto Taques (Assistente Financeiro) Serviço de Atendimento ao Leitor 0800-145022 Internet www.telaviva.com.br E-Mail telaviva@telaviva.com.br Tela Viva é uma publicação mensal da Editora Glasberg - Rua Sergipe, 401, Conj. 605, CEP 01243-001 Telefone (11) 257-5022 e Fax (11) 257-5910 São Paulo, SP. Sucursal: SCN - Quadra 02, sala 424 - Bloco B - Centro Empresarial Encol CEP 70710-500 Fone/Fax (61) 327-3755 Brasília, DF Jornalista Responsável Rubens Glasberg (MT 8.965) Fotolito/Impressão Ipsis Gráfica e Editora S.A Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. Ltda.

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Revista Tela Viva 85 - Setembro 1999  
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