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Nº77 ja n e i r o 9 9 www.telaviva.com.br

PAPEL SOCIAL:

COMO COMO AS AS REDES REDES DE DE TV TV CUMPREM CUMPREM (OU (OU NÃO) NÃO) ESSA ESSA OBRIGAÇÃO OBRIGAÇÃO

diversidade na produção do canal universitário emissoras de tv investem em mídias alternativas


N達o disponivel


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EDITORIAL

Este símbolo liga você aos serviços Tela V iva na Internet. Ô Guia Tela V iva Ô Fichas técnicas de c o m e r c i a i s Ô Edições anteriores d a T e l a Vi v a Ô Legislação do audio v i s u a l ÍNDICE

GENTE na tela

4

SCANNER

8

c a p a

publicidade

TV a serviço da comunidade

Crescimento da verba publicitária nos EUA

12 18

produção

Diversidade do Canal Universitário

20

programaÇÃO

Infomerciais

26 30

MAKING OF

Mídia

As alternativas da TV

32

equipamentos

Ponto eletrônico

34

hdtv

Testes de multicasting

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festivais

Ibero-americano de estudantes de cinema

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FIQUE POR DENTRO

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AGENDA

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A implementação, no Brasil, da televisão digital (multicasting ou HDTV) trará problemas que, desde já, requerem esforço e imaginação para serem resolvidos. Além da questão do padrão ATSC ou DVB - há outros assuntos mercadológicos e de distribuição a se discutir. Nos Estados Unidos, durante anos a FCC reservou freqüências UHF do espectro para que se fizesse a transição. Ou seja, até 2006, os broadcasters farão duas transmissões: uma analógica e outra digital (o chamado simulcasting). É o período necessário para que toda a população troque seus receptores de TV, passando para a nova tecnologia. O problema, assim posto, é fácil de resolver nas transmissões feitas pelo ar. Mas nos EUA, pouco mais de 20% recebem os sinais via aérea. Cerca de 70% das residências têm TV a cabo e mais de 5% DTH em banda Ku. Como então fazer a transição nas operações de cabo (sistema predominante), mantendo-se o must carry, isto é, a obrigatoriedade do operador local de transmitir todos os canais do ar? Quem pagará os custos dessa obrigatoriedade? O broadcaster ou o operador de cabo? No caso do DTH em banda Ku, a questão é complicada de resolver, mesmo sem a TV digital, porque teriam de subir para o satélite os sinais de todas as emissoras locais. Com todos os avanços que já se fez na tecnologia de compressão, isto ainda é impossível. No Brasil o quadro é tão ou mais complexo. Embora mais de 93% das residências ainda recebam o sinal pelo ar, não há freqüências disponíveis para o simulcasting, principalmente nos grandes mercados de São Paulo e do Rio de Janeiro. Terá de ser feita uma limpeza no espectro, porque os governos que antecederam o atual concederam sem nenhum critério sério e transparente as concessões de TV. Há muito lixo a ser varrido das faixas VHF e UHF. Mas isto demandará tempo. Por que não começar a resolver a questão primeiramente no cabo e no DTH? Afinal, nos preços em que começam a sair de fábrica os primeiros receptores de TV digitais (entre US$ 7 mil e US$ 10 mil), mesmo que venham a cair em breve para valores próximos a US$ 1 mil, apenas as classes A e B no Brasil poderão comprálos. E nesta faixa a maioria das residências já terá alguma forma de TV paga nos próximos dois anos. Ou seja, poderemos, principalmente, no caso do cabo entrar logo numa nova tecnologia no estado da arte e ganhar tempo, esperando que os preços das TVs digitais caiam para as faixas das atuais TVs analógicas. Mas um problema no Brasil será o mesmo dos EUA: quem paga a conta do upgrade do cabo para a transição - o operador de TV paga ou o broadcaster?

Rubens Glasberg


GEN T E NA T ELA

F O N T E VIVA

Fotos: André Jung

T R ABALHO S O

Raul Gay

Depois de passar dois meses atrás do trio elétrico do projeto Pé na Estrada (Veritas) da campanha política para a reeleição de FHC à presidência da República, no interior de Minas, o produtor Raul Gay ainda teve fôlego para os agitos que rolaram no estande da Ford (Miksom) durante o Salão do Automóvel, em São Paulo. Não contente, resolveu romper 99 trabalhando. Assumiu a coordenação do Réveillon da Paulista (Play Corp). O projeto incluiu a montagem da torre e balão inflável na tradicional avenida paulistana. Depois de suas incursões no cinema e publicidade, Raul diz que gosta mais de “produzir eventos do que de fazer vídeo e filme”.

O gerente de divulgação e projetos comunitários da Central Globo de Comunicação (CGCOM), Eduardo Della Coletta, está arrumando as malas. Depois de 20 anos instalada numa casa da Rua Gabriel dos Santos, em São Paulo, a Divulgação da Rede Globo em São Paulo vai se mudar para o novo prédio da Av. Luís Carlos Berrini, em março. Além do contato com a imprensa, Eduardo montou todo o arquivo de documentação, com os boletins semanais e o material fotográfico da programação da líder de audiência desde 1973. A videoteca paulistana conta com mais de três mil títulos. Todo esse material serve de consulta para quem estuda e pesquisa a história da TV brasileira e as fitas de programas como “Globo repórter”, “Globo rural” ou que tenham cunho educativo podem ser emprestadas graciosamente a entidades e escolas. O acervo (é claro!) é um dos orgulhos do organizador, mas ele próprio é uma das maiores fontes para quem quer conhecer um pouco sobre televisão no Brasil.

N O P R UMO

E M E QUIP E A vinheta que consta do novo comercial da Gazeta do Povo, veiculado pela TV Paranaense (afiliada Rede Globo), onde o jornal paranaense apresenta sua mensagem institucional e as manchetes do dia seguinte, utiliza uma nova comunicação visual baseada em animação gráfica. O vídeo foi coordenado pelo diretor de marketing da Gazeta do Povo, Laerte Ferraz, com direção de arte de Paulo Costa, produção da Soft Cine Video e criação que ficou a cargo da agência Z. Publicidade. Carlos Yaeda, Diogo Gaudencio, Mirian Vedana, Marina Melhado e Rodrigo Martins formaram a equipe da Amazing Graphics Brasil, responsável pela animação.

N OVO R UMO A passagem de Magali Wistefelt pela finalizadora Tape House foi breve, mas agora ela voltou a trabalhar com a equipe com quem já convivia no Abertura. Não foi por falta de insistência do antigo patrão, mas Magali escolheu mesmo a pauta da Mega Filmes. 

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Cynira Arruda

O nome de Cynira Arruda sempre esteve ligado ao meio de produção. Acostumada à organização, a nova assessora de imprensa do SBT pretende sistematizar as informações para a imprensa tão bem quanto gerenciava os custos do programa de Jô Soares e também do “Topa tudo por dinheiro”. Mesmo tendo relutado muito antes de aceitar o cargo, está animadíssima. Fazendo o reconhecimento de todo o potencial interno que a casa oferece para virar notícia. “O SBT gastou fortunas na infra-estrutura, em coisas que não aparecem de imediato para o público. Mas agora tudo está reorganizado e no prumo. E o meu trabalho vai ser mostrar isso através da imprensa.”


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GEN T E NA T ELA

P R O J E T O P E S S OAL

O cineasta Toni Venturi, do documentário “O Velho, a história de Luís Carlos Prestes”, capta recursos para o longa de ficção “Latitude 9o”, baseado na peça teatral “As coisas ruins de nossa cabeça”, de Fernando Bonassi. Ambientado na paisagem de Rondônia, o filme tem um roteiro que já acumula vários prêmios: semifinalista Teletubbies do Sundance/NHK International Filmmakers Award 98, vencedor do prêmio de Roteiro do Ministério da Cultura e do prêmio de Desenvolvimento de Projeto da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. A protagonista será interpretada pela premiada atriz Débora Duboc e a produção já conta com a participação acertada de Adrian Cooper na direção de arte. Mas nem só de cinema vive Venturi. Ele está dirigindo as inserções nacionais produzidas para cada um dos 130 episódios do “Teletubbies”, o novo programa infantil que estréia dia 11 na Rede Globo. Os inserts, embora baseados nos programas originais, criados e produzidos pela inglesa Ragdoll Productions, serão “completamente integrados à nossa realidade, para que a criança brasileira se reconheça ali”, explica João Alegria, supervisor de texto e um dos diretores do “Angel mix”. O “ali” são as barriguinhas dos quatro simpáticos personagens que se iluminam tornando-se telas de TV onde se pode ver as imagens reais, produzidas no País, que compõem o mix de técnicas - bonecos, bichos e cenários reais e virtuais - utilizadas na produção.

D E F R E N T E PA R A O MA R O jornalista Paulo Rezende deixou seu estado natal pela primeira vez para assumir a direção de jornalismo da TV Sergipe, afiliada da Rede Globo em Aracaju. Nascido em Itaguara, pequena cidade a menos de 100 km de Belo Horizonte, Rezende já trabalhou no jornalismo da Globo na capital mineira e nos últimos dois anos vinha dirigindo a TV Grande Minas, afiliada da Globo em Montes Claros, sem nunca sair da terrinha. Seu desafio na nova casa é ampliar a visibilidade de Sergipe no noticiário nacional, com ênfase às ofertas turísticas do Estado, em sua opinião ainda bastante inexploradas. 

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A busca de uma melhor qualidade de vida levou o diretor comercial Celso Cesar Jr. de volta ao Nordeste, onde assumiu a diretoria comercial da TV Gazeta de Alagoas, afiliada da Rede Globo. Cesar Jr. começou sua carreira no Recife nos anos 80 e depois mudou-se para São Paulo, trabalhando por dez anos na Globo e dois anos e meio na Record. Há um ano, o executivo decidiu voltar a Recife e por lá ficou durante um ano, sondando o mercado e procurando uma boa oportunidade. Agora, pretende ajudar na modernização da TV, que faz parte das Organizações Arnon de Mello, levando sua experiência e promovendo a profissionalização do mercado local.

BA C K G R OU N D

Fotos: André

Foto: Divulgação

I N T E G R AÇÃO

Robson Sartori (à direita) é o artista do Flame da Tape House, vindo da Tanko Filmes, do Rio de Janeiro. Mas para que um artista tenha todo o suporte para criar, é preciso estar cercado de profissionais que ofereçam a estrutura da finalizadora, como é o caso de Alice Penna e Costa (abaixo), do atendimento, e de Roberto Siqueira (à esquerda), responsável pelo departamento administrativo. A equipe toda da casa pretende, em 99, abarcar os projetos mais diversos em todas as áreas do audiovisual.

P R O J E T O S E N G A T ILHADO S O casal Alain e Van Fresnot, da AF Filmes, já está engatando o lançamento e a produção de novos longas para 99. O primeiro deles será a versão cinematográfica do “Castelo Rá-Tim-Bum”, com direção de Cao Hamburguer, que começa a ser filmado em março. Em maio, deve estrear “Através da janela”, de Tata Amaral, atualmente em fase de montagem. Alain conta que também está começando a captar para dois novos projetos seus. “Desmundo”, adaptação da obra literária de Ana Miranda, conta a história de um grupo de adolescentes enviadas ao Brasil pela Coroa Portuguesa para evitar a miscigenação dos fidalgos portugueses. Em parceria com Jean-Claude Bernardet, o diretor também prepara o roteiro de “Uma noite não é nada”, drama sobre a paixão de um professor universitário por uma aluna portadora do vírus da Aids.


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SCANNER N OVO S N I C HO S

BOA C OMU N I C AÇÃO

A TVN está assinando uma série de 30 programas para o canal Futura, sob o patrocínio de associações ligadas à área de material de construção. Uma das áreas que mais cresce apesar da crise, o setor de construção civil é sustentado, principalmente, por pequenos empreiteiros e construtores individuais, que fazem um novo cômodo hoje, um puxadinho amanhã. Para atender a esse público, foi criado o programa “Mãos à obra”, série que começa com a compra de material e percorre todas as etapas de construção de uma casa, até o acabamento. Os vídeos são exibidos aos domingos às 13h30min e se utilizam de um casal que pretende reformar sua casa.

A Rede Record está implantando seu novo sistema de comunicação que deve estar funcionando em fevereiro, depois de seis meses de trabalho. Com 300 pontos instalados é considerado um dos maiores da América Latina. Vai possibilitar que 300 profissionais possam se comunicar simultaneamente. O funcionamento está baseado em uma matriz de áudio digital RTS/Adan que recebe e pode fazer a interface entre telefone, linhas privativas, estúdio e painéis digitais fazendo a comunicação inteligente entre as salas e identificando quem está lá. Quem está fora e sabe o código localiza com facilidade onde está a pessoa procurada. O investimento total é de US$ 700 mil.

V Á R IA S DIM E N S Õ E S

LI N K F E C HADO

A produtora de computação gráfica Vetor Zero é a mais nova sócia da Lobo Filmes, também especializada em animação e efeitos gráficos em computador. A parceria pretende oferecer soluções completas em tudo que envolva animação: seja desenho animado, 2D, 3D, composição e até finalização. Segundo Nando Cohen, um dos sócios da Lobo Filmes, a proposta surgiu porque as duas produtoras possuíam atividades complementares. Por enquanto, cada empresa continua existindo de maneira independente, mas produção e criação já estão totalmente unificadas.

Depois de quase sete anos, o sinal da TV Tribuna, afiliada da Globo em Santos, finalmente chega a Bertioga. Os 30 mil habitantes da cidade podem desde o início de dezembro, em caráter experimental, assistir à programação da Globo pelo canal 59 UHF. Agora, todos os nove municípios da Baixada Santista estão cobertos. A chegada do sinal em Bertioga foi um desafio para os engenheiros da emissora. A cidade está em linha reta a apenas 20 km de Santos mas, devido ao relevo montanhoso da região não se conseguia viabilizar a rota de microondas. A solução encontrada, depois de muitos testes, foi a criação de uma repetidora exclusiva. O sinal sai do Guarujá e vai até a ponta da praia em Santos - único ponto da cidade que avista Bertioga. A TV Tribuna também chega a quatro municípios do Vale do Ribeira (Registro, Pariquera-Açu, Pedro de Toledo e Itariri). A área total de cobertura atinge uma população de 1,5 milhão de pessoas.

E C OLO G IA E M VÍD E O O Projeto Tamar e suas tartarugas marinhas são o mote de um vídeo em desenho animado que está sendo produzido pela HGN, de Haroldo Guimarães Neto. O vídeo, de cerca de quatro minutos, pretende alertar para a necessidade de se apagar as luzes da praia nos períodos de desova. Isso porque as tartaruguinhas recém-nascidas se distraem com as luzes e não vão para o mar, perdendo-se da mãe e do resto da ninhada. As “babies tartarugas” devem estar prontas ainda no início do ano.

PIAUÍ N O S A T É LI T E A TV Rádio Clube, de Teresina (PI), que está no satélite desde agosto, deve abranger todo o Estado até o meio do ano. A previsão é do engenheiro Hélio Correia Lima, que acredita poder atender cerca de 100 das 211 localidades piauienses no período. A emissora, afiliada da Rede Globo, assinou contrato de oito anos com a Comsat e de nove anos com a Embratel e está no Brasilsat B3. Segundo Lima, o segmento oferecido pelo satélite é o de TV digital, com taxa de transmissão de 5,5 Mbps codificado. 

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N OVA C O N F I G U R AÇÃO A Discreet Logic lançou uma versão do Smoke para OctaneSE no valor de US$ 176 mil FOB-USA. Além da estação completa (computador, monitor, disk array de uma hora sem compressão etc.) está incluído neste preço um treinamento de cinco dias, todas as garantias de um ano no hardware no Brasil, suporte e upgrade também pelo período de um ano para o software. A reestruturação do sistema de comercialização implantado pela empresa no fim do ano passado, que privilegia os distribuidores mundiais, já começa a mostrar seus efeitos. Para ampliar o showroom e a estrutura de treinamento, a Exec Technology, distribuidora exclusiva da Discreet para todo o território nacional, está em nova sede própria com o dobro da área da antiga. Inicialmente estão em funcionamento seis diferentes configurações de workstations.


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SCANNER S DV MUDA D E MÃO S A Accom, empresa americana especializada em sistemas para a produção de vídeo digital e ferramentas de edição e gravação, anunciou no dia 10 de dezembro a aquisição da Scitex Digital Video, subsidiária da também americana Scitex Inc.. Fabricante de equipamentos de manipulação de vídeo digital e estações de vídeo não-linear para profissionais de vídeo e multimídia, a SDV foi formada em 1995 quando a Scitex comprou a ImMIX e a Abekas do grupo Carlton Communications. A Accom pagou à Scitex aproximadamente US$ 10 milhões e cerca de 10% das ações da própria Accom.

PALPI T E S O cenário do mais cobiçado prêmio cinematográfico começa a se delinear: “O resgate do soldado Ryan” deve enfrentar outro filme de guerra na corrida para a estatueta: “The thin red line”, de Terence Mallick. “O show de Truman” corre o risco de obter apenas indicações técnicas. E os palpites sobre a 71º cerimônia de entrega do Oscar continuam: Fernanda Montenegro deve concorrer ao prêmio de Melhor Atriz com Oprah Winfrey (por “Beloved”), Susan Sarandon (por “Lado a lado”), Cate Blachett (“Elizabeth”) e Meryl Streep (por “Dancing at Lughasa”).

N O HO R I Z O N T E A TV Cultura, em parceria com a revista Horizonte Geográfico, vai produzir em 99 uma série de nove documentários inspirada na linha editorial da revista, com matérias sobre meio ambiente e culturas do Brasil e da América Latina. A redação da revista vai orientar a pauta e acompanhar as viagens da equipe da Cultura, encarregada da versão jornalística final, da produção e da operacionalização dos programas, dentro dos projetos do Núcleo de Documentários da emissora. A estréia está prevista para início de abril, mas o projeto ainda depende da captação de recursos e patrocínios.

C A R A C T E R E S E M HD T V A Inscriber Technology está lançando uma versão para HDTV do gerador de caracteres on line CG/Xtreme. O gerador da Inscriber foi criado para transmissões ao vivo e edição de vídeo on line e trabalha com múltiplos layers de animação com texto, logos e desenhos em tempo real. 10

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DO PA R A N Á PA R A O MU N DO O programa “Zap”, veiculado no Paraná pelo SBT desde 30 de novembro, será transmitido em todo o interior de São Paulo a partir deste mês. Produzido pela Winnikes Cine Vídeo, o programa, apresentado por Paulo Seller, é uma revista diária de variedades como artes, automobilismo, esoterismo, moda e até making of de filmes publicitários e programas do SBT. A empresa curitibana especializada em efeitos especiais e computação gráfica, Amazing Graphics Brasil, é a responsável pela abertura e algumas vinhetas do novo programa. Usando basicamente os recursos do Maya, software de modelação e animação da Alias|Wavefront, em estações Silicon Graphics, a equipe de produção usou as cores do programa (vermelho, verde e azul) para produzir um material criado a partir de composições gráficas que se utilizaram de tons, luzes e contrastes.

NA RETA Walter Salles Jr. está prestes a colocar o Brasil na reta final para o Oscar e sua produtora, a VideoFilmes, já está encaminhando um novo sucesso ao circuito internacional. Guarde o título: “Lavoura arcaica”. O filme marca a estréia de Luiz Fernando Carvalho - reconhecido por seu talento na TV em novelas como “Renascer” e “Irmãos Coragem” na direção. A história é adaptação do homônimo livro de Raduan Nassar sobre um fazendeiro que recebe a visita do filho que ficou afastado de casa por anos e agora volta para desestabilizar a família. O presidente do Festival de Cannes, Giles Jacob, viu apenas um trailer do filme, mas mesmo assim decidiu colocá-lo na quinzena dos realizadores. O Festival de Cannes este ano ocorre em 12 de maio.

LA Y LA N A R E D E A Layla Technik colocou seu site (www.ltechnik.com. br) na Internet e pretende intensificar sua atuação na área de vendas. A empresa representa toda família Avid - desde o Avid Xpress até o Softimage DS e também a linha Philips broadcasting - incluindo câmeras e videotapes recorders digitais no formato DVCPRO50. A empresa de consultoria, treinamento e assistência técnica do Rio de Janeiro projetou o centro de televisão da Universidade Gama Filho, que reproduz o funcionamento de uma emissora. Nele os alunos têm a oportunidade de editar em Avid, por exemplo, e conhecer o be-a-bá da Era Digital, o que é raro nas escolas de comunicação.


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Edylita Falgetano*

tv social a outra face

As redes dão pouca importância para o cumprimento do que é chamado de papel social que delas se exige. Apenas a Rede Globo tem controle sobre o número de inserções nãocomerciais. Nas outras emissoras, a cessão de espaços para campanhas institucionais funciona

Nunca a qualidade da programação da TV foi tão questionada como nos últimos tempos. E não há como negar que o debate veio à tona no rabo do cometa do maior fenômeno de audiência na história recente da TV brasileira, o apresentador Carlos Massa, o Ratinho. A preocupação entre aqueles que zelam pela maltratada ética na programação aumentou ainda mais quando o Ministério Público passou a investigar a veracidade de alguns casos apresentados pelo programa do apresentador do SBT. O secretário de Direitos Humanos,

na base da esmola eletrônica. 12

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José Gregori, chegou a questionar: “Como podem gostar de um peixe podre destes?”. A verdade é que não há um só culpado. O fato é que os donos do veículo mais influente do País, detentores de uma verba publicitária de US$ 4,47 bilhões por ano (60% do total dos investimentos em mídia), parecem ter esquecido que um dia receberam suas concessões em troca de desempenharem o papel social previsto na legislação de radiodifusão. A discussão é bastante subjetiva. O que significaria o tal papel social grafado no contrato empoeirado na gaveta? Tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos o conteúdo da programação e o espaço disponibilizado na mídia pelos broadcasters para prestação de serviço público é tema polêmico. Um dos parâmetros que podem ser estabelecidos é o tempo que as redes abdicam de ganhar dinheiro para abrir espaço para campanhas de cunho educativo, social e até beneficente. Nos Estados Unidos, sempre que os donos de emissoras são acusados de não exibir programação comunitária, de relevância social, sacam do laptop mais próximo dados sobre os espaços que abrem para as campanhas. O presidente da National Association of Broadcasters, Eddie Fritts, divulgou durante a última convenção anual em Las Vegas um estudo feito pela associação (leia


próxima matéria) mostrando o valor em dólares do tempo de transmissão doado por broadcasters para anúncios de utilidade pública (public service announcements - PSAs), para o horário político e ainda para o total de donativos arrecadado pelas emissoras em 12 meses.

a serviço da comunidade Os números, compilados estão baseados nas Public Opinion Strategies, extraídas de questionários preenchidos por membros da NAB, dividem o serviço de utilidade pública em três fatias: o tempo PSA, o horário político e a arrecadação de fundos como nas teletons (campanhas de longa duração). A fatia do leão US$ 4,6 bilhões - vem do tempo PSA. O relatório fixa a contribuição média de tempo por emissora de TV em quase US$ 1 milhão e por emissora de rádio em US$ 400 mil. O grosso desse estudo inclui estatísticas e citações de relatórios e campanhas locais voltados para questões como crime, saúde, abuso e educação. O retorno que as campanhas sociais conseguem também é mensurado. Uma arrecadação de fundos de US$ 2,1 bilhões consta no relatório exibido pelos broadcasters norte-americanos. Mais de 90% das emissoras de rádio e TV que enviaram suas respostas à pesquisa da NAB relataram ajuda a campanhas beneficentes ou a pessoas carentes através de arrecadação de

VOLUNTARISMO • Os organizadores do “Bem eficiente”, um prêmio para projetos sociais bem-sucedidos, fizeram um levantamento que constatou que desde a criação do prêmio, em 97, aumentou em 400% o número de inserções de campanhas institucionais na mídia. Como entidades beneficentes sobrevivem do voluntarismo, fica patente que a divulgação de projetos sociais acaba por fortalecê-los. • Na Bandeirantes, segundo o diretor Rubens Furtado, “a emissora procura atender a todos que pedem”. Só que nos meses de novembro e dezembro, quando o assédio dos anunciantes é maior, este comportamento muda e a cessão de espaços fica congelada. “Fazemos cortesia, mas perder dinheiro não dá”, avalia sem meias palavras. • Das mais de um milhão de inserções da Rede Globo destinadas às campanhas comunitárias, a maior fatia foi destinada para as campanhas desenvolvidas por terceiros. Foram 560 mil inserções que, se fossem pagas, custariam R$ 137 milhões. A campanha de prevenção ao câncer de mama está entre as que mais espaço ocupou. As campanhas desenvolvidas pela própria Globo tiveram suas mensagens veiculadas quase 500 mil vezes no ano passado, consumindo investimentos de R$ 117 milhões. Uma das ações mais conhecidas é o “Criança esperança”, que já existe há 13 anos e tem por objetivo divulgar os direitos da criança e do adolescente e arrecadar fundos para o Unicef aplicar no Brasil. O “Ação global”, com edições regionais e nacional, tem propósitos ainda mais práticos. O projeto tirou RG, carteira de trabalho, alistamento militar além de oferecer cuidados médicos a quase cinco milhões de pessoas carentes durante o ano de 97. • Na Record, nada muito concreto. Apenas a estimativa de que de 5% a 7% dos espaços são concedidos, mas este número também inclui campanhas governamentais. • SBT nada é muito planejado. Em 98, pela primeira vez, a emissora apresentou um programa cujo objetivo era arrecadar fundos para entidades filantrópicas. O “Teleton” foi levado ao ar no final de maio e ainda não está certo se vai se tornar um programa anual. Segundo o diretor de marketing, Paulo Valente, durante 26 horas foram arrecadados R$ 13 milhões para AACDAssociação dos Amigos da Criança Defeituosa. No caso das campanhas, a emissora de Sílvio Santos segue a regra geral do “conforme surgem os pedidos vemos se dá para atender”.

fundos ou algum outro tipo de apoio. Os que responderam à pesquisa relataram uma arrecadação de US$ 1,13 bilhão em campanhas beneficentes em 97. Projetando o índice de arrecadação de fundos de modo a incluir as emissoras de rádio e TV que não responderam à pesquisa, o total vai a US$ 2,1 bilhões para a indústria como um todo.

educação na globo A educação está em alta na Globo. O projeto “Brasil 500 anos”, pretende chamar a atenção para o tema aproveitando a celebração dos cinco séculos de Brasil, também afeta a programação. Pelo menos a pauta do jornalismo já sente os primeiros efeitos desde o final do ano. “Uma vez por mês nós vamos abrir espaço no ‘Fantástico’ para mostrar o caso de um professor exemplar do ensino fundamental. Todas as praças estão envolvidas nesta empreitada”, explica

Beatriz Kotlhar, coordenadora do projeto. O tempo dedicado às questões de educação deve ser ampliado ainda mais neste ano. Um dos projetos é um programa semanal sobre educação, cujo tempo de duração e dia de exibição ainda não foram definidos. Um novo modelo para contagem regressiva para o ano 2000 também está nos planos. A idéia é ocupar os três minutos que antecedem o “Jornal Nacional” para apresentar esquetes que tratem de história, educação e cidadania.

O relatório inclui também uma estimativa do tempo que as emissoras ofereceram para a cobertura de convenções partidárias, debates e fóruns de candidatos, uma vez que nos Estados Unidos, por enquanto, não existe a obrigatoriedade de transmissão do horário político gratuito. No Brasil, não existe um controle muito rígido sobre os encaixes ocupados pelas campanhas (leia box). Faltam dados precisos para dimensionar o espaço que as campanhas sociais têm nas emissoras. Uma estimativa tosca é de que este valor tenha chegado a R$ 300 milhões em 1997. Ou seja, os investimentos sociais, cujo principal valor é o espaço cedido, equivaleria a 7% de toda a verba publicitária despejada no meio televisão. A Globo é a única das redes que tem dados e relatórios sobre o número e valores das inserções

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de campanhas comunitárias, que podem ser comparadas às PSAs norte-americanas. Em 97, ocorreram mais de um milhão de inserções nãocomerciais na rede, entre campanhas próprias e desenvolvidas por terceiros, que equivalem a cerca de R$ 254 milhões. Fora as ações em nível nacional, nas afiliadas da Globo proliferam projetos de caráter regional. “Uma das premissas básicas da Rede Globo é o atendimento do papel social. As emissoras afiliadas devem realizar e apoiar atividades sociais, comunitárias, esportivas, culturais e, atualmente, o foco principal é o desenvolvimento de ações educacionais para ficar sob o grande guarda-chuva do ‘Brasil 500 anos’”, atesta Francisco Góes, diretor da Central Globo de Afiliadas e Expansão (CGAE). A Globo não enquadra o “Brasil 500 anos” na categoria de campanhas sociais e somente após a consolidação do balanço de 98 é que poderá ser mensurado o valor do espaço ocupado pelas inserções e o custo e a verba destinada para a realização dos eventos e ações do projeto (veja box na página 13). As afiliadas das demais redes também desenvolvem campanhas comunitárias para se aproximarem dos telespectadores regionais, como é o caso da TV Alterosa, afiliada do SBT que cobre 98% do Estado de

Chrys McConnell e Paige Albiniak*

Os comerciais de TV locais, de 30 segundos, custam em média US$ 137 e os comerciais de rádio, em média US$ 63. São esses os números por trás da cifra de US$ 6,85 bilhões (veja quadro na página 16) que os broadcasters empregaram em seu empenho anual de prestação de serviço público, nos Estados Unidos. Se o tempo dos anúncios de serviço de utilidade pública representam 14

anunciante social de peso

Você já deve ter visto algum anúncio da Associação Parceria Contra Drogas. Não é para menos. Em dois anos e meio de vida, esta organização não-governamental cujo objetivo é produzir e veicular campanhas preventivas contra o uso de drogas ilícitas já tem uma visibilidade comparada à dos maiores anunciantes do País. Nesse período, se fosse ter de bancar com recursos próprios as inserções na mídia, teria de desembolsar R$ 30 milhões. Os filmes da associação são produzidos em esquema de parceria voluntária. Até hoje as agências criaram mais de 40 filmes gratuitamente. Vinte e nove foram

Minais Gerais. O programa de “Apoio cultural” abre espaço, principalmente, para a divulgação do teatro mineiro. De março a outubro do ano passado (entre novembro e fevereiro não restam espaços ociosos), foram veiculadas 468 chamadas, totalizando R$ 321 mil em inserções gratuitas. Outro projeto da Alterosa é o “Viver bem na nossa cidade”. Trata-se da produção e veiculação de campanhas pela qualidade de vida. Até a primeira quinzena de novembro de 98 foram 783 chamadas, cujo total é de R$ 537 mil. Esse desfile de números não satisfaz àqueles que contestam o papel social das emissoras de televisão. Os opositores dizem que estão

produzidos, a maioria de graça. O pessoal da Parceria já acredita que as campanhas estão gerando resultados práticos. Uma pesquisa feita um ano depois das primeiras mensagens irem ao ar mostra que os jovens mantêm uma postura mais crítica em relação às drogas, embora o acesso a elas esteja cada dia mais fácil. “Temos consciência de que é uma coisa que não muda da noite para o dia, mas esperamos que o trabalho gere reflexão “, acredita Daniel Barbará, diretor comercial da DPZ e coordenador comercial da organização. Ele é o responsável pela busca de espaços para inserção nas emissoras.

mais interessados na qualidade da programação do que no seu valor em dinheiro. Um alvo muito comum de suas críticas são a programação de assuntos de interesse público e o noticiário local. Fica claro que não basta abrir espaço para campanhas, sejam elas comunitárias ou beneficentes, como se fosse uma esmola eletrônica para poder dormir tranqüilo. Digamos que seria um avanço se a responsabilidade social das emissoras não ficasse apenas no intervalo comercial, mas também tomasse conta da programação. * Colaboraram Beto Costa e Lizandra de Almeida

o CÁLCULO DA NAb participação

• Setenta e cinco por cento das emissoras de TV e 66% das emissoras de rádio envolvem-se em campanhas de serviços públicos no ar e fora do ar. • Sessenta e seis por cento das TVs e 68% das emissoras de rádio ajudam vítimas de acidentes, seja transmitindo notícias locais, PSAs ou programas de interesse público, seja participando de

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esforços fora do ar. • Oitenta e um por cento das emissoras de TV e 75% das emissoras de rádio consultam os líderes comunitários para escolher assuntos e causas que sejam de utilidade pública. • Cinqüenta e dois por cento das PSAs na TV e 66% no rádio são produzidas localmente ou tratam de assuntos locais.


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quase dois terços do tempo total, um fator-chave para justificar o dinheiro foi somar o número de anúncios levados ao ar, depois calcular quanto valiam as peças. A NAB enviou questionários a 1.153 emissoras de TV e 7.870 emissoras de rádio. Sessenta e três por cento das emissoras de TV e 39% das emissoras de rádio responderam. Baseada nas informações da pesquisa, a Public Opinion Strategies determinou que as emissoras de TV estavam veiculando uma média de 137 PSAs (por emissora) por semana, e as emissoras de rádio, 122 por semana. Os questionários pediam aos broadcasters que indicassem quando passavam as mensagens, mas os pesquisadores não incluíram essa informação em seus cálculos do tempo de PSA. Em vez disso, eles usaram as informações fornecidas pela emissora sobre os diferentes custos do tempo comercial durante todo o dia nas diferentes praças para calcular um índice médio de run-of-station num

o preço do serviço de utilidade pública nos eua US$ 4,6 bilhões - Valor projetado por serviço de utilidade pública doado pelas emissoras de rádio e TV e pelas redes nacionais (ABC, CBS, Fox e NBC). US$ 2,1 bilhões - Quantia arrecadada projetada pela TV e pelo rádio para causas e beneficência. US$ 148,4 milhões - Valor projetado por tempo doado pelas emissoras de rádio e TV e redes de TV para debates, fóruns de candidatos e cobertura de convenções. Total: US$ 6,8 bilhões

comercial de 30 segundos. Depois as médias foram multiplicadas - US$ 137 para a TV e US$ 63 para o rádio - pelo número médio de PSAs que cada tipo de emissora levava ao ar. As médias indicam um total anual de US$ 707,3 milhões das emissoras de TV que responderam ao questionário e US$ 1,2 bilhão por rádio. A Public

Opinion Strategies usou esses valores para completar o que as emissoras não responderam sobre a distribuição do tempo PSA. Essas projeções renderam um total de US$ 1,12 bilhão para as emissoras de TV e US$ 3,14 bilhões para emissoras de rádio. Os pesquisadores utilizaram um ponto médio em vez de uma média para calcular o fornecimento de PSAs de rede, devido às amplas variações nos departamentos PSA das quatro grandes redes de TV aberta dos EUA. Usando em média 41 PSAs por semana, a Public Opinion Strategies calculou uma provisão de rede anual de US$ 342 milhões, jogando o total de indústria para US$ 4,6 bilhões em tempo PSA. Os serviços de utilidade pública foram cobertos entre 1º de agosto de 1996 e 31 de julho de 1997 no relatório. Os pesquisadores consideram o índice de respostas alto o suficiente para garantir uma margem de erro de cerca de 1% para subamostras de TV e rádio.

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*Copyright Broadcasting and Cable


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Mas o crescimento será menor em todos os segmentos de TV e rádio se comparado aos índices de 1998, Steve McClellan diz Coen. A estimativa é que no ano passado o aumento do investimento publicitário nas quatro grandes redes deve superar a casa dos 7% (US$ 13,9 bilhões); o spot de TV ficará acima dos 6,2% (US$ 10,6 bilhões). Na TV local, acima de 7,5 % (US$ 12,3 bilhões). No cabo cresceu aproximadamente 13% (US$ 6,1 bilhões) e no syndication, mais de 8% (US$ 2,6 bilhões). No rádio nacional em 1998 deve ter aumentado em 9% (US$ 3,2 bilhões) e no rádio local, mais de 8% (US$ 11,3 bilhões). Se a opinião dos economistas se divide sobre uma possível recessão nos previsões foram feitas em dezembro Estados Unidos neste ano, Coen acha A publicidade norte-americana passado durante a PaineWebber Media que terá de ser muito “severa” para Conference realizada em Nova York. crescerá em 99. O crescimento influenciar os gastos com publicidade. Coen prevê que o investimento nas Segundo ele, pelo menos até agora os quatro grandes redes de TV aberta deve ser menor antes dos publicitários não estão contendo vernorte-americanas em 1999 será de bas. “Apenas uma categoria, a dos reseventos do último ano deste cerca de US$ 14,5 bilhões, 4% mais taurantes, está se segurando.” Isso tem do que no ano passado. Os invesmilênio, como as Olimpíadas, mais a ver com problemas particulares timentos em spot também devem mas a receita aumenta. aumentar 4% neste ano, ultrapassando da empresa do que com indicadores econômicos preocupantes. a casa dos US$ 11 bilhões; nas TVs Poltrack, da CBS, prevê que o último locais será acima de 5%, chegando a ano deste milênio (2000) oferecerá US$ 12,9 bilhões. aos broadcasters um mercado potenNo cabo nacional a verba aumentará cial que rivalizará com o bicentenário 12%, totalizando US$ 6,9 bilhões. Copyright em 1976, até hoje o melhor ano da No segmento rádio nacional o cresciindústria. “O novo século chegará mento será acima de 7,5% - atingindo como a geração baby boom na virada US$ 3,5 bilhões - e no rádio local, o A publicidade vai crescer menos em dos anos 50. Em 1999 e no ano 2000 aumento deve superar 6%, chegando 1999, mas ainda assim terá um crescimais de cinco milhões de adultos a US$ 11,9 bilhões. A publicidade mento significativo apesar dos recentes alcançarão a meia-idade. Acrescentenacional em syndication crescerá 7%, tumultos da economia global. É essa se a isso o fato de que o controle atingindo US$ 2,8 bilhões. a previsão de dois respeitados repcoletivo de renda estará alcanresentantes da mídia, Robert çando ao mesmo tempo novos PERSPECTIVAS Coen, vice-presidente sênior da patamares. É a realização dos McCann-Erickson Worldwide, e sonhos dos marketeiros.” Quanto a publicidade net nos Estados Unidos deste ano deve crescer de John Perris, presidente e CEO em relação à de 98: Além do ano 2000, fica uma da Zenith Media Worldwilde. pergunta: quanto as redes aberDavid Poltrack, vice-presidente % SOBRE 1998 US$ EM BILHÕES tas perderão de audiência e o Quatro grandes redes de TV +4,0% 14,485 executivo da CBS, prevê um que isso provocará nos preços? Spot TV +4,0% 11,045 crescimento modesto das redes Perriss, da Zenith, concentrou TV a cabo +12,0% 6,905 de televisão em 1999, mas prevê suas previsões na economia pubSyndication +7,0% 2,820 também um aumento de dois licitária mundial. Mas Rádio +7,5% 3,530 dígitos nas vendas net de TV no não difere das previsões Revistas +5,5% 10,930 ano 2000, orientadas pelos plade Coen. A mídia norte-americana Jornais +6,5% 5,765 nos de marketing do último ano crescerá mais de 9% em 1999. Investimento total em mídia +5,9% 55,480 deste milênio, as Olimpíadas e as “A mensagem da rede é clara: os eleições nos Estados Unidos. Essas Fonte: Insider’s Report, Robert Coen, McCann-Erickson Worldwide, Dezembro de 98 publicitários não temem o futuro.”

p u b l i c i d a d e

mais

otimismo

nos eua

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p r o d u ç ã o Paulo Boccato

O DIA-A-DIA DAS UNIVERSITÁRIAS na PUC (cada associado colabora com R$ 1,5 mil por mês para esse fundo). É pouco para os padrões da TV brasileira.

auto-sustento

Há mais de um ano no ar, a programação atual do Canal Universitário de São Paulo é marcada por uma grande diversidade de conceitos e formas de produção, diferentes para cada universidade.

O Canal Universitário de São Paulo acaba de ampliar sua grade de programação (veja box). Desde o primeiro dia de 99, cada uma das nove universidades associadas ao CNU conta com duas horas e meia diárias para exibir sua produção, contra as duas horas que vigoraram de sua entrada no ar, em novembro de 97, até o último mês de dezembro. A exigência de programação inédita também aumenta: de dois para três programas por TV, no mínimo, a cada semana. O desafio, em tempos de crise, é manter a qualidade com um ritmo de produção que tende a crescer. Os

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canais comunitários a cabo (entre os quais o CNU se destacou) enfrentam um dilema nascido em sua própria criação: as operadoras do sistema cederam o espaço, obrigatório por lei, mas restringiram demais suas possibilidades de financiamento. Diferente dos Estados Unidos, onde as operadoras são obrigadas a repassar uma parcela de seu faturamento para a gestão das TVs comunitárias, as brasileiras Net/Multicanal e TVA operam tranqüilamente sem ter de repassar um centavo sequer aos canais dessa natureza. “Isso poderia ser compensado se houvesse uma maior liberdade para comercializar o canal, mas nem isso foi aberto”, reclama Gabriel Priolli, diretor-geral da TV PUC e diretor-executivo do CNU. Assim, as TVs universitárias têm dependido, em grande parte, dos recursos próprios das entidades que as mantêm. O orçamento anual do CNU está avaliado em R$ 5,4 milhões (R$ 50 mil por mês, em média, por universidade), mais um fundo comum de R$ 162 mil para manutenção do centro de exibição (incluindo obras como o recente cabeamento em fibra óptica de todo o sistema de transmissão), sediado

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A administração do canal busca opções para ampliar esses recursos. Além de parcerias com entidades empresariais, abre a possibilidade de receber investimentos do Estado, da iniciativa privada, através de apoios culturais e marketing institucional, as modalidades de patrocínio permitidas e do próprio público. “O projeto do canal universitário tem trazido um resultado prático muito claro: a abertura de uma janela para que a sociedade saiba o que está sendo feito dentro das universidades acaba pressionando pela melhora do

A

N OVA

G R AD E

Desde 1º de janeiro de 1999, o CNU (canal 15, na NET e Multicanal; canais 15 e 73, na TVA) está operando com uma grade fixa de programação, deixando o sistema de rodízios de horários que vigorou até o final de 98. O tempo de programação foi estendido de 18 horas para 22 horas e meia por dia. Veja a nova grade diária: TV Mackenzie: 8h30, 13h, 17h30, 22h, 2h30 TV PUC: 6h, 10h30, 15h, 19h30, 0h TV São Judas: 7h30, 12h, 16h30, 21h, 1h30 TV Uniban: 10h, 14h30, 19h, 23h30, 4h TV Unicsul: 8h, 12h30, 17h, 21h30, 2h TV Unifesp: 9h, 13h30, 18h, 22h30, 3h TV Unip: 7h, 11h30, 16h, 20h30, 1h TV Unisa: 9h30, 14h, 18h30, 23h, 3h30 TV USP:  6h30, 11h, 15h30, 20h, 0h30


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p rodu ç ã o

nível de formação e pesquisa dessas entidades”, conta Priolli. “Em um país onde se discute diariamente a qualidade do ensino, essas iniciativas têm de ser apoiadas por todos os setores da sociedade”, prega. Embora o Canal Universitário não tenha fins lucrativos, o objetivo é que se torne auto-sustentável e gere excedentes que revertam para seu próprio crescimento e para o aprimoramento da formação profissional, sem avançar nos orçamentos das universidades. Os

caminhos apontados para se chegar a esse objetivo são diversos: apoio cultural, através de menção da marca da empresa patrocinadora nas chamadas e aberturas; exibição de filmes ou vídeos institucionais de caráter educacional ou comunitário (essas duas primeiras opções a um custo médio de R$ 10 por segundo); merchandising; patrocínio integral de programas, com envolvimento do parceiro na própria concepção; comercialização de vídeos e outros produtos ligados aos programas e

séries exibidos; e abertura para fan raising (doação de espectadores para a gestão do canal). Uma outra questão envolve a administração do canal como um todo. A programação atual é marcada por uma grande diversidade de conceitos e formas de produção, diferentes para cada universidade. Priolli prega uma maior centralização. “O ideal seria unir os esforços de produção das nove associadas em um canal com uma cara única”, preconiza. Segundo o diretor do CNU,

O QU E É QU E A S T V S T Ê M ? Cada uma das universidades associadas ao CNU conta com uma infra-estrutura e uma concepção diferente de programação. Programação completa e outras informações podem ser encontradas na homepage do CNU (www.cnu.org.br).

no ar do CNU, produzindo os programas “Diálogos impertinentes”, que hoje conta com parceria da produtora GW, e “Universidade aberta”. Além desses, produz os programas “Intercâmbio”, com reedição de matérias de faculdades de outras cidades; “Escola de negócios”, sobre economia; “Fatos e focas”, TV Mack (Universidade Mackenzie): o produzido pelos alunos de Comunicação, Mackenzie produz, atualmente, um proem formato S-VHS; além de documentários grama inédito por semana, com matérias especiais. A estrutura conta com 25 profissobre assuntos de interesse científico e cul- sionais fixos, mais alguns estagiários da PUC, tural, com uma única característica comum: que trabalham com uma câmera e uma ilha nenhuma matéria inclui gravações em de edição Beta (esta última dividida com a estúdio. “Foi uma opção nossa para termos produção do programa “Check up”, da TV matérias mais ágeis, diferenciadas e ilustra- Unifesp). “Os estagiários são selecionados tivas”, explica o diretor-geral da TV Mack, entre os alunos do Laboratório de Jornalismo Mário Ribeiro. Há dois quadros fixos: “Mack e TV, que tem estrutura e funcionamento notícias”, com informações sobre a vida no autônomos”, explica Lígia Castanho, producampus, e “Momento Mackenzie”, sobre a tora-executiva da TV PUC. A média de história da escola. As pautas são sugeridas produção é de quatro inéditos por semana, pela comunidade universitária e avalizadas com custo mensal em torno de R$ 50 mil. por um conselho editorial. Inicialmente TV São Judas (Universidade São Judas produzida pela Argumento Produções, a Tadeu): os programas “In formando”, com programação da TV Mack é hoje feita por debates sobre a imprensa; “Impacto”, notprofissionais contratados pela universidade, iciário policial; “Debate”, sobre atualidades; em estrutura própria, com câmeras DVCAM, “Documentário”; “Almanaque”, sobre varieilhas de edição e equipamentos de sonoriza- dades; “Momento esportivo”; ção e computação gráfica. Foi iniciado e “Mulher moderna” são totalmente conceum programa de estágio para alunos do bidos, pautados, produzidos e apresentados Mackenzie. “Mas a TV Mack tem uma carpor alunos do Curso de Comunicação da acterística básica: não é um laboratório do São Judas, nos formatos S-VHS (captação) e Curso de Comunicação”, ressalta Ribeiro. O Beta (finalização). A média de inéditos por custo médio da TV não foi informado. semana é de dois ou três programas, que TV PUC (Pontifícia Universidade Católica contam com um limitado período de três de São Paulo): a PUC já contava com uma horas diárias de ilha de edição para chegar estrutura de produção anterior à entrada à telinha. “Os alunos fazem tudo e nós 22

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apenas coordenamos os trabalhos e selecionamos o que tem condições de ser exibido”, explica o jornalista Flávio Prado, professor de Telejornalismo na Universidade. “No início, não havia um compromisso grande com a qualidade técnica, mas quando entramos no ar, sentimos essa necessidade e passamos a buscar um aprimoramento.” Essa estrutura de produção já colocou os alunos da São Judas em situações pelas quais dificilmente um estudante passaria, como os casos de alunas que encararam matérias dentro de uma cela em um presídio feminino e seguiram a trilha do Maníaco do Parque. TV Uniban (Universidade Bandeirante de São Paulo): a produção da Uniban é feita por profissionais da ABM Produções, com direção geral de Abelardo Blanco, que utilizam equipamentos da própria universidade, além de estagiários do curso de jornalismo. A infra-estrutura conta com três câmeras Beta, estúdio próprio, uma câmera Beta de externa, três ilhas Beta, equipamentos de computação gráfica e gerador de caracteres, toda dividida com o laboratório do Curso de Jornalismo. São produzidos, atualmente, dois inéditos por semana, a um custo médio de R$ 70 mil ao mês. “Para este ano, há planos de instalar uma ilha de edição não-linear”, conta Blanco. Os programas têm formato constante: entrevistas em estúdio, com breaks de matérias e quadros fixos. A pauta predominante tem vinculação com o mundo acadêmico, especialmente com trabalhos realizados nos três campi da Uniban. Os


essa centralização poderia acarretar redução de custos e ampliação da capacidade operacional. “Se somarmos todos os nossos recursos técnicos, teremos uma infra-estrutura maior que muitos canais comerciais, inclusive emissoras abertas”, justifica. A questão esbarra na própria idéia de uma TV comunitária, concebida para ser uma antena coletiva da sociedade, uma amostra de sua diversidade. Entre os associados, há entidades públicas e privadas, universidades de tradição católica e protestante,

de caráter conservador e liberal, ou seja, diferentes maneiras de olhar a sociedade que talvez sejam a maior qualidade do canal. De qualquer forma, se não pelo aspecto conceitual, uma uniformidade na qualidade técnica dos programas é mais do que necessária. De novembro de 97 para cá, o CNU avançou bastante nesse ponto: formatos de captação como o VHS foram praticamente abolidos e muitas das universidades investiram pesado em infra-estrutura. No

aspecto profissional, o CNU tem se revelado um celeiro de novos talentos, tornando-se inclusive um ponto de referência para as emissoras comerciais na busca de novas caras. Além disso, alguns dos programas exibidos buscam linguagens e formatos que dificilmente poderiam ser tentados dentro de uma estrutura maior. Talvez o ponto de equilíbrio seja mesmo esse: centralizar a produção e a infra-estrutura, procurando manter um olhar diversificado sobre a sociedade.

quadros fixos incluem: “Videofilmes”, com texto de Celso Sabadin, “Caia na rede”, sobre Internet, e “Pense nisso”, apresentado pelo próprio Blanco. TV Unicsul (Universidade Cruzeiro do Sul): a Unicsul investiu R$ 1,5 milhão em infra-estrutura para a montagem do Núcleo de Comunicação, que inclui TV, rádio e os cursos da área. Atualmente, conta com dois estúdios, seis câmeras DVC, uma câmera Beta, ilhas de corte seco, edição linear e não-linear, equipamento de computação gráfica e sonorização. Toda a programação da TV é produzida na casa, com custo mensal entre R$ 50 mil e R$ 60 mil. Os programas “Universidade debate”, “Universidade pergunta” e “Conexão off”, além dos documentários especiais, primam pela agilidade e originalidade de linguagem. São realizados três inéditos por semana, com a participação de dez profissionais e nove estagiários, que passam por processo seletivo. “A equipe privilegia profissionais que trafeguem bem no universo acadêmico e no mercado”, explica a diretora da TV, Luana Carregari. Em março de 99, a TV Unicsul ganhará novos programas: “Qual é a sua?”, voltado para o vestibulando, um programa, ainda sem título, sobre o funcionamento das universidades, além de outros documentários especiais. Alguns já estão em preparação: sobre o antropólogo Orlando Villas-Boas, a Maristela Cinematográfica e o Comunidade Solidária. TV Unifesp (Universidade Federal de São Paulo, antiga Escola Paulista de Medicina): a produção da Unifesp é divi-

dida entre a M&C Produções e um núcleo montado pela própria universidade. Este último cuida da produção do “Check up”, um programa sobre medicina e saúde para jovens, feito com uma câmera DVC e editado em ilha Beta dividida com a PUC, com custo mensal de R$ 15 mil e realização de um inédito por semana. “Nós temos planos de expandir nossa estrutura e repensar o formato do programa. Atualmente, trabalhamos com uma equipe reduzida. As cabeças são gravadas em externas, já que ainda não contamos com estúdio próprio”, conta Eliana Nogueira, diretora-geral do “Check up”. A M&C cuida da produção dos programas “Vida” e “Estúdio vida”, gravados em Beta. “Os programas buscam um aprofundamento de questões médicas e de saúde normalmente tratadas de maneira superficial na imprensa”, diz Mauro Bastos, diretor dos programas. A finalização é realizada na M2. TV Unip (Universidade Paulista): o carrochefe da TV Unip é o programa “Dráusio Varella pergunta”, um dos que contam com maior repercussão no Canal Universitário. São realizados dois inéditos por semana. A programação é completada pelo “Câmera Unip”, que fala sobre assuntos de interesse da universidade. A estrutura de profissionais e equipamentos da TV é a mesma do Canal CBI (UHF), pertencente ao mesmo grupo que mantém a universidade. “Por ter um canal próprio em TV aberta, nós optamos por uma programação que privilegie os assuntos da escola”, explica a coordenadora

de produção Maria Helena Russo. TV Unisa (Universidade de Santo Amaro): a implantação do Curso de Jornalismo na Unisa coincidiu com a abertura do canal. Inicialmente a antiga Osec buscou no mercado os profissionais que cuidam da produção dos programas “Unisa opinião” e “Unisa em notícias”. Mas a idéia, segundo o coordenador do curso, Flávio Prado, é adotar a mesma filosofia da São Judas, com intensa participação dos alunos. A estrutura para a produção própria está sendo montada. TV USP (Universidade de São Paulo): a TV USP funciona dentro da Coordenadoria de Comunicação Social da Universidade, ligada à reitoria. Atualmente, a TV USP trabalha apenas com estagiários e bolsistas, coordenados por profissionais ligados ao corpo docente da universidade. A estrutura conta com duas câmeras DVC, uma Beta e uma S-VHS, além de duas ilhas multiformato e um Alladin, para efeitos e GC. São produzidos dois inéditos por semana, a um custo de R$ 17 mil por mês, fora salários. Os programas são “Panorama”, reunião de matérias e quadros fixos como “Qual é o curso?” e “Mundo”; “Olhar da USP”, com entrevistas e matérias de interesse acadêmico; além de diversos documentários especiais. A estrutura definitiva segue em implantação, com aquisição de equipamentos e construção de estúdio e salas de produção. “Já foram investidos R$ 200 mil nas reformas e aquisições de equipamento, com previsão de mais R$ 170 mil em investimentos para 99”, diz o coordenador de produção Renato Levy.

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PROGRAMAÇÃO Mônica Teixeira

anúncios de longa-metragem A maioria dos infomerciais não é produzida no Brasil. A técnica desses programas é a de convencer o telespectador - através de demonstrações, testemunhais, entrevistas com especialistas - da eficiência do produto anunciado.

Infomercial. E pronuncia-se, de preferência, com sotaque americano. Pelo menos, é assim que os profissionais da área falam. Claro, a invenção só poderia ter vindo da terra do marketing, os Estados Unidos. Só pelo nome,

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muitos telespectadores não devem saber do que se trata. Mas depois de uma descrição, difícil achar alguém que ainda não tenha visto um “infomercial” na telinha. O nome sugere uma mistura de informação com comercial. Eles chegam a ter até meia hora de duração. Alguns têm um locutor com a voz parecida com a do Lombardi - aquele do Sílvio Santos - narrando uma lista interminável de vantagens do produto. Os mais longos têm direito a apresentador, entrevistados e um auditório bem comportado, que aplaude sempre na hora certa. O modelo “programa de auditório” vem sendo usado para vender um vídeo que ensina a rejuvenescer fazendo ginástica facial, um pano de chão com um dispositivo para torcer sem que a dona de casa precise por as mãos no pano, uma embalagem que deixa o alimento crocante no microondas e a dieta dos sete dias, aprovada por Emerson Fittipaldi. Lembrou? Com certeza, agora você sabe o que é um

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infomercial. Nos Estados Unidos esse novo formato de propaganda existe há muito tempo. Há quem diga umas duas décadas. Aqui no Brasil, é coisa de uns sete anos. Mas este é, sem dúvida, um momento de superexposição do formato. Antigamente aprisionado nos horários marginais da madrugada, eles agora mostram a cara no período da manhã e até no começo da tarde, principalmente em emissoras como a Rede Mulher e a TV Manchete. Falta de programação? Os representantes das emissoras dizem que não: “Não é uma questão de economizar na produção. Hoje, a nossa programação é dirigida ao público feminino e esses programas são interessantes para esse público, argumenta Roberto Montoro Filho, diretor da Rede Mulher. A emissora veicula hoje três infomerciais de meia hora, dois no período da tarde e um à noite. “Eu não tenho limites para esses comerciais porque eles não estragam a programação e dão audiência”, diz.


Já a Bandeirantes vem diminuindo a carga de infomerciais na programação por falta de espaço na sua grade. “É um programa de interesse mais restrito que um programa de entretenimento e não pode passar em qualquer momento. A Band é uma emissora de interesse geral”, explica Paulo Saad, superintendente comercial da emissora. Realmente, os canais mais segmentados são mais receptivos aos infomerciais.

pulso e impulso Tudo isso faz parte da sofisticação das estratégias de vendas pela TV, ou para usar o termo correto, o marketing direto pela TV. No Brasil, a compra por telefone através de um número divulgado na telinha começou em 1991. O primeiro comercial deste tipo foi veiculado no intervalo comercial do programa “Jô Soares onze e meia”, no SBT. A empresa pioneira nessa nova modalidade de marketing direto foi o Grupo Imagem. Hoje, o grupo se diz líder do gênero no País e ainda conta com joint ventures na Colômbia, Venezuela, Equador, Chile, Argentina e Uruguai. O Grupo Imagem tem mais de mil produtos no curriculum. Alguns deles, inesquecíveis. Quem é que não se lembra das Facas Ginsu, aquela que cortava todo tipo de material, e das meias Vivarina, resistentes até às facas Ginsu? Prova de que a estratégia é eficiente, pelo menos, na fixação da marca do produto... Todo mês, a empresa lança de seis a 12 novos produtos pela TV. Eles ficam no ar até acabar o estoque. Hoje, existem outras empresas atuando no mercado. A Polimport é uma delas. Ela é a representante de produtos como o Facial Magic e a dieta dos sete dias do Aspen Wellness Group. A técnica desses programas é a de convencer o consumidor e telespectador, de todas a maneiras,

da eficiência do produto. Vale tudo: demonstrações, entrevistas com pessoas que usaram o produto e com especialistas que o recomendam. Com o Facial Magic, um guia de ginástica facial, é assim: várias mulheres contam os excelentes resultados que conseguiram com as técnicas de exercícios faciais. Depois, uma sucessão de fotos de antes e depois. Nesse momento, a telespectadora preocupada com

consumidor, cuja eficácia possa ser demonstrada na TV”.

up to date

O segredo dos i n f omerciais é p rovocar um a t o de impulso n o consumidor p ara discar e p e dir o produto. as novas ruguinhas que aparecem no seu rosto a cada dia já está com a mão no telefone para discar e pedir o produto. O segredo é provocar um ato por impulso no incauto consumidor. Muitas vezes, o comercial exagera na criatividade para persuadir o telespectador. Por exemplo, para vender um aparelho abdominal que promete eliminar completamente a barriga, os malhados apresentadores do programa chamam ao palco dois irmãos gêmeos. Um com barriga e o outro sem. O magro usou o produto e o gordinho não. Que idéia, hein? Outro fator que contribui para seduzir o consumidor é que os produtos não são encontrados em lojas. Isso ajuda a transformá-los em objetos do desejo. O Grupo Imagem define assim o seu vasto repertório de produtos à venda: “Devem ser produtos diferentes, ainda pouco explorados no varejo, úteis e novos para o

A maioria dos infomerciais é de origem americana. As empresas brasileiras que trabalham com marketing direto tornam-se representantes exclusivas do produto importado no Brasil e, ao fecharem o contrato, recebem todo o material de divulgação. Inclusive os vídeos que são veiculados na TV. O trabalho está apenas em dublá-los. No caso do Grupo Imagem, a dublagem é feita na própria empresa, que tem uma pequena estrutura para isso. “Os americanos adoram esses programas de auditório, eles gostam de participar. As pessoas que aparecem no vídeo atestando a qualidade do produto são pessoas que realmente experimentaram”, diz Iri Catureba, gerente de comunicação do Grupo Imagem. Mas será que tudo o que se diz nesses comerciais é verdade? Será que não são atores? Tudo aquilo não é uma grande encenação? Para quem está do lado de cá da TV, o único jeito de saber é comprando. Pelo menos, eles garantem a sua satisfação ou o seu dinheiro de volta. “Nós não temos nem 1% de devolução”, diz Iri. Segundo ela, a empresa vende de 40 a 60 mil produtos por mês. “Todos os nossos produtos são testados e aprovados pelo Laboratório Falcão Bauer”, garante. O Grupo Imagem já está começando a dar novos passos rumo ao futuro do marketing direto. A empresa acabou de inaugurar o leilão por telefone. Funciona assim: ela anuncia o leilão - por enquanto através de revistas para um número limitado de pessoas - e divulga um número de telefone. Durante dez dias, você pode ligar e fazer uma oferta, desde que obedeça o lance mínimo de 10% do valor

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p rogra m a ç ã o

do produto. No final do prazo, o maior lance é o vencedor. A ligação tem um custo, de onde sai o faturamento da empresa. A idéia foi importada de Israel, “um país com cinco milhões de habitantes dos quais 1,3 milhão participam do telelance”, diz Iri. “Esta é a última palavra em marketing direto.” E, em breve, pode invadir a nossa telinha.

encenação Uma outra empresa, chamada Personal, clama para si o pioneirismo na exploração do marketing direto no Brasil. A Personal começou em 1973 com vendas domiciliares, demonstrando os produtos de porta em porta. Mas, há uns 15 anos, começou a encontrar dificuldades para colocar os vendedores nas casas dos clientes. “Foi aí que começamos a entrar na casa das pessoas sem ser batendo na porta”, lembra Paulo Braga, diretor da Personal. A empresa diversificou suas armas e hoje diz que usa todos os meios de marketing direto para vender desde uma agenda de capa de couro até um método revolucionário de leitura dinâmica que promete te transformar no leitor mais rápido do oeste... Para vender o Cybernetic Learning pela televisão, a empresa

contratou uma produtora para criar um infomercial. “Este é o nosso produto com a estratégia mais agressiva”, diz Braga. As negociações com as emissoras variam. Algumas entendem que se trata de um programa outras o consideram um grande comercial. Os preços não são divulgados. “O retorno é excelente”, argumenta Braga. “O problema é conseguir horário na emissora.

U ma das regras d o Conar diz que o anunciante e stá sujeito a c omprovar tudo o que divulga na televisão. Eles só têm espaços marginais.” O programa já foi veiculado na Bandeirantes às 7h30 da manhã e agora entra em outras emissoras como Manchete e Canal 21 no final da manhã. Este infomercial também imita um programa de auditório e tem até um nome: “O futuro é seu”. O produto promete ao consumidor desenvolver a capacidade de ler mais de três mil palavras por minuto! Um

garoto que dá depoimento no vídeo diz que consegue ler 3.950 palavras por minuto. Isso graças ao “sistema que libera uma energia que faz com que você leia à velocidade da luz e se lembre disso depois”. Parece fantástico, mas é pouco convincente. O telespectador percebe que tudo é ensaiado, soa falso... E os depoimentos das pessoas parecem textos decorados. São pessoas que realmente testaram o produto ou são atores? Maus atores, melhor dizendo... A empresa não gosta de falar sobre esses importantes detalhes. Paulo Braga limitou-se a dizer: “Está escrito no final... É uma exigência do Conar”. O código do Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária tem um anexo inteiramente dedicado ao marketing direto. E uma das regras diz que o anunciante está sujeito a comprovar tudo o que divulgou na televisão. Algumas empresas explicam que atores interpretam situações vividas e comprovadas por reais consumidores dos produtos que estão sendo veiculados. Mas, talvez você precise mesmo de um curso de leitura dinâmica para ler no final do vídeo o seguinte: “Profissionais representados por atores convidados”.

Não disponivel

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N達o disponivel


MA Lizandra

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C OMU N I C ADO O F I C IAL

Simulação da Esplanada dos Ministérios e...

Para anunciar a promoção de parcelamento de todos os seus produtos, a Microsoft optou por um varejo diferenciado. A partir das caixas das embalagens dos próprios softwares, a produção simulou a Esplanada dos Ministérios, em Brasília, dando um tom de comunicado oficial ao filme. Tudo começa com a imagem dos prédios sob um céu amarelado, enquanto um locutor e letterings transmitem uma mensagem que remete aos eternos “pacotes econômicos”. O termo tem duplo sentido, já que procura relacionar os comunicados oficiais do governo (tão comuns hoje em dia) com a oferta da empresa. Dita a mensagem, acendem-se as luzes e as caixas aparecem, exatamente, como podem ser encontradas nas lojas do ramo. O locutor continua explicando a promoção e, ao mesmo tempo, as caixas vão se movimentando e ganhando velocidade. Simultaneamente, aparecem braços de supostos consumidores que vão retirando as caixas do lugar. Todas as imagens são vistas a partir do mesmo ângulo. As caixas foram filmadas na mesma posição, em fundo de recorte, apenas com variação de luz. Por isso, a transformação é bastante natural. O céu foi aplicado no fundo. O diretor Roberto 30

... tom de comunicado oficial...

... para vender produtos de informática.

Laguna explica que a posição foi determinada por uma ampla pesquisa em fotografias de Brasília, novas e antigas, que revelaram esse ângulo bastante comum da Esplanada dos Ministérios e que remete imediatamente ao local, fazendo uma associação direta com o governo. “A pesquisa revelou que este ângulo se repete em fotos nos diversos períodos da história atual do País, por isso fizemos uma reprodução fiel com as embalagens”, conta Laguna. As caixas estavam apoiadas sob um travelling de seis metros de comprimento, multiplicado e acelerado na pós-produção para alcançar o ritmo desejado. Como o travelling seria duplicado e a velocidade pretendida era bastante rápida, não seria possível utilizar uma série muito pequena de produtos. Por

isso, foram colocadas caixas dos tipos mais variados de softwares, CD-ROMs e até mouse, a fim de evitar que as séries ficassem muito repetitivas. Três mãos tiravam as caixas de cena e jogavam para duas pessoas de apoio. Segundo o diretor Roberto Laguna, essa coordenação entre a velocidade do travelling e a retirada das caixas foi bastante complicada e exigiu muito treino. Isso porque o diretor queria que as caixas saíssem sempre do mesmo ponto no quadro. O céu foi extraído de banco de imagens e trabalhado em pósprodução, onde se acrescentaram layers de nuvens. Também na finalização foi feita a aceleração das imagens, já que, para garantir um recorte perfeito, o diretor optou por filmar em velocidade normal. Por fim, a composição incluiu as imagens celestes. O diretor de criação Marcelo Prista explica que a idéia era a de dar uma nova linguagem ao varejo tradicional procurando resolver todo o filme em um mesmo plano, sem cortes. “Buscamos um estilo elegante, sem muitos letterings, fazendo apenas uma chamada no início para dar o tom da brincadeira de relacionar a promoção a um comunicado do governo. Mas fora disso tudo é feito de forma bastante inusitada”, explica.

F I C H A

T É C N I C A

Cliente: Microsoft Agência: Z+G Grey Criação: Marcelo Prista, Ulisses Agnelli, Ana Ribeiro e Alexandre Scaff Produtora: Espiral Filmes Direção: Roberto Laguna Fotografia: Roberto Laguna Montagem: Roberto Laguna Trilha: Tempo 3 Pós-Produção: Tape House

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Fichas técnicas de c o m e r c i a i s

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M E N S A G E M D E N A T AL

  As flores vieram de bancos de imagem.

Para encerrar o trabalho de todo o ano de 98 para as Lojas Cem, a produtora Casa das Máquinas, de Campinas, saiu um pouquinho da linha tradicional de desenhos animados que vinha fazendo. A campanha de final de ano teve um tom mais emotivo, com seis filmes que utilizam o slogan da rede (“Ainda bem que tem Lojas Cem”) de uma maneira diferente. Segundo o diretor de criação da house das lojas, Maurício Gardenal, o objetivo era fugir do clichê de Natal onde o varejo incentiva explicitamente as compras. “As compras de final de ano estão diretamente ligadas ao poder aquisitivo dos consumidores. Ainda que campanhas publicitárias tenham força, as pessoas só compram até onde podem, por isso se torna até meio redundante falar em compras de Natal”, acredita. O cliente procurou, então, reforçar sua imagem institucional, trazendo mensagens de Natal com a locução de Gianfrancesco Guarnieri. O slogan da empresa é associado ao que há de melhor na vida, em vários aspectos. O filme “Perfume” mostra cenas de flores se abrindo, obtidas a partir de bancos de imagem. Foram selecionadas muitas cenas de flores, que se sucedem através de fusão. “Luz” segue o mesmo conceito de “Perfume”, só que usando cenas, também de banco de imagem, de pôres-do-sol.

O bebê representa a mensagem institucional.

No filme “Amor”, quatro casais mostram a vida que está na gestação de um bebê. Nem sempre, porém, o rosto da mãe corresponde à barriga. Uma é realmente atriz e estava em gravidez avançada. A barriga da mulata também corresponde ao rosto. Cada casal estava instalado em uma cama giratória, mas a câmera permanecia fixa. Movimentando a cama, explica Cesar Augusto Moreira (o Billy), foi possível obter movimentos precisos e suaves. No final, aparecem os bebês, representando a renovação da vida. “Arte” mostra um artista em sua prancheta, fazendo esboços do que seriam os desenhos que já identificam a rede de lojas. À noite as criaturas criam vida, saindo dos desenhos e se tornando desenho animado, em criação de Ridaut Jr., que assinou a animação de todos os personagens, assim como no último filme da série, em cima dos mesmos personagens, mas vestidos com roupas natalinas. O filme mais trabalhoso foi “Liberdade”, onde um menino brinca com pombos e a família das aves aparece em close. As imagens do menino e dos pombos soltos foram filmadas em uma praça de São Paulo. Treinados pelo prof. Jairo, são pomboscorreio, que puderam ser soltos sem proteção, pois depois voaram para casa. Alguns tiveram seu pé preso por

Os personagens voltam em nova roupagem.

fio de náilon para evitar que fugissem. Na cena seguinte, a pomba que voa pousa em seu ninho, onde a esperam dois filhotes. Para filmar, foi preciso respeitar os hábitos da espécie. A pomba se alimenta primeiro, enche bem o papo, e então vai alimentar os filhotes, que só comem uma vez por dia. A idéia era justamente mostrar esse momento, então foi construído um ninho giratório em estúdio, cenografado com galhos de árvores. A mãe foi treinada para se dirigir ao ninho, que foi filmado com uma lente macro, iluminação muito próxima e rebatedores grandes. Devidamente acomodados por causa do calor, os filhotes se comportaram bem frente à câmera e permitiram uma captação rápida. O sexto filme é um clip mostrando takes de todos os comerciais produzidos durante o ano. F I C H A

T É C N I C A

Cliente: Lojas Cem Agência: Cem Publicidade Criação: Maurício Gardenal Produto: Institucional Produtora: Casa das Máquinas Direção: Maurício Gardenal Fotografia: Zé Bob/Ricardo Della Rosa Montagem: Wilson Rapello Jr./ Rodolfo Rufeisen Trilha: Digital Studio Pós-Produção: Casa das Máquinas

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m í d i a Beto Costa

CARONA NO ÔNIBUS As emissoras cada vez mais investem em mídias alternativas para divulgar seus produtos. E o busdoor tem se revelado um eficiente suporte para as campanhas. Uma pesquisa mostra que o mix TV/ônibus tem uma poderosa eficácia de fixação.

Parece até um contra-senso, mas a mídia mais poderosa, de maior cobertura, não faz mais a festa sozinha. Para ser mais agressiva na divulgação de seus produtos a TV está buscando parceiros. Usar somente as chamadas ao longo da programação já não é o modo mais eficiente. Nos últimos dois anos as emissoras têm buscado novas estratégias. O conceito perseguido é o de estar mais presente na vida das pessoas quando elas não estão sentadas no sofá empunhando o controle remoto. É como se fosse necessário armazenar

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curiosidade em relação a determinado programa. O resultado é que a paisagem urbana, cada vez mais, vira cenário de campanha de novelas, telejornais, programas infantis etc. No lançamento do remake da novela “Pecado capital” a Globo foi às ruas. Anunciou em traseiras de ônibus e, aproveitando o enredo da novela em torno do taxista que acha uma bolada e muda de vida, até os táxis deram suporte na divulgação. Os críticos mais ferinos acreditam que o tamanho do estardalhaço no trânsito não foi o bastante para alavancar a audiência. Fica difícil dizer se a deficiência é do produto ou dos veículos escolhidos para a campanha. Mas sondagens permanentes feitas pela agência J. Walter Thompson mostram que o recall dos busdoor, por exemplo, é dos mais eficientes (veja box). Numa pesquisa de lembrança estimulada feita em 94, encomendada pela Thompson e realizada pelo Data Folha, o recall chegou a 83%. Dois anos depois um novo levantamento mostrou uma queda. A capacidade de memorização desceu para 69%. “Na primeira pesquisa existiam poucos anunciantes que usavam busdoor. Eram poucas marcas para o consumidor lembrar. Depois,

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com a distribuição dos anunciantes, era previsível esta queda”, explica Edílson Ferreira, diretor de compras de mídia da Thompson. O verdadeiro potencial das traseiras de ônibus é revelado em avaliações de sobreposição de meios feitas pela Thompson. “O mix TV/busdoor é um dos campeões em eficiência”, afirma Ferreira.

veículo ao quadrado A Record é uma das emissoras mais presentes nos ônibus do Rio e de São Paulo. A primeira campanha foi há cerca de dois anos. Era um painel com a apresentadora Adriana de Castro para promover o “Jornal da Record”. De lá para cá pegar carona nos transportes coletivos tornou-se mais freqüente. Uma importante ferramenta de mídia para a emissora preocupada em ser identificada como popular. Com anúncios rápidos estruturados em seis palavras, mensagem, logo e horário, “Cidade alerta”, “Ana Maria Braga”, “Eliana” já foram anunciados no trânsito. E as campanhas se estendem para outras capitais e até cidades de pequeno porte. “Nós já usamos busdoor até em Xanxerê, Santa Catarina. Numa cidade de 30 mil


habitantes o impacto é até maior do que nas capitais”, avalia Ricardo Frota, gerente de comunicação da Record. Além de eficiente, outro atrativo do ônibus é o baixo custo (veja box). A Bandeirantes, literalmente, usa o veículo desde 96. Com as novelas “Perdidos de amor” e “Serras azuis” foi assim. Para 99 pretende dividir 150 painéis entre “Meu pé de laranja lima” e o “H” de Luciano Huck. “O outdoor é um meio superinteressante, mas às vezes é difícil conseguir espaço. O busdoor é mais barato, mais ágil e para nós que não temos uma verba muito grande para divulgação é uma boa saída”, calcula Ana Teresa Salles, diretora de comunicação da Band. A campanha de lançamento do único folhetim eletrônico da Record, “Estrela de fogo”, durou três meses em 100 ônibus de São Paulo e do Rio. Incluindo gastos com a produção do anúncio e exibição e alguns descontos, consumiu R$ 40 mil. “O preço cheio de um anúncio de jornal em página inteira chega a R$ 200 mil. A melhor relação custo benefício é conseguida com o busdoor”, compara Frota. É dificil dizer se a estratégia de entrar no dia-a-dia da cidade e martelar o produto é capaz de alavancar audiência. Mas Ricardo Frota acredita que a melhora na performance do “Fala Brasil” tem uma íntima relação com os caminhos percorridos pelos ônibus urbanos. “É claro que é um conjunto de ações, mas depois que passamos a

NA CONTRAMÃO Contrariando a tendência entre as emissoras de buscar mídias alternativas, o SBT prefere acreditar que o melhor veículo é ele mesmo. Para a assessora de imprensa do SBT, Cynira Arruda, anunciar em ônibus não funciona. “Quanto maior é o lançamento, pior é o produto. Veja o caso de ‘Pecado capital’. Investiram tanto e a audiência não correspondeu. Com ‘Pérola negra’ nós fizemos um lançamento muito simples, usando basicamente as chamadas na programação e estamos alcançando 14 pontos de audiência.”

DE VOLTA AO PASSADO A propaganda em ônibus tem quase 20 anos, mas a sua redescoberta tem muito a ver com a profissionalização do veículo. Hoje, além das aferições de mídias externas, que comprovam a eficiência, existem até empresas de checagem. Trata-se de aferidores que vão até as garagens fotografar as traseiras de ônibus para comprovar que o anúncio realmente está lá. Pesa também muito a favor a disseminação do busdoor. A Anepo - Associação das Empresas de Propaganda em Ônibus, tem hoje 55 filiados. Apenas seis na capital paulista, as demais espalhadas pelo Brasil. “Existem exibidoras de busdoor em todas as capitais. Somente em Curitiba é que a exploração é feita pela prefeitura”, explica Robert Berger, presidente da entidade. Ele defende a tese de que o busdoor funciona numa espécie de osmose. “A freqüência da mensagem gera uma curiosidade para saber o que é.”

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anunciar o ‘Fala Brasil’ nos ônibus, o programa chega a ir para o primeiro lugar de audiência batendo a Globo.” Entusiasmada com os resultados a Record quer investir 50% mais em mídias externas em 99. Só com ônibus devem ser anunciados quatro produtos diferentes em 300 painéis/ mês. A emissora está analisando ainda as possibilidades de explorar pontos de ônibus, metrô (o custo de adesivagem dos vagões ainda é muito caro) e também táxis. Uma das idéias seria um anúncio para estimular a conversa entre passageiros e taxistas. Algo como: “Quando for bater um papo com o passageiro não se esqueça de falar da Record”. Ricardo Frota resume o conceito: “tem de colocar a cara na rua. Tem de criar a curiosidade”. Parece que a eficiência do busdoor está diretamente relacionada aos congestionamentos. Quanto pior for o trânsito, o melhor veículo vai ser mesmo o ônibus. É claro que estamos falando do ponto de vista dos anunciantes... TELA VIVA JANEIRO DE 1999

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e q u i p a m e n t o s

PONTO DE INTERROGAÇÃO ELETRÔNICO A nova tecnologia de ponto eletrônico que as emissoras estão começando a usar reduz sensivelmente o nível de ruído no ouvido do apresentador. Mas o elevado custo do equipamento lança muitas dúvidas entre os broadcasters.

O ponto eletrônico é uma linha de áudio que liga várias entradas do switcher ao apresentador. É através dela que o apresentador recebe orientações e informações de última hora. Por este sistema o editor executivo, o diretor do programa, o produtor e/ou o coordenador, podem interagir durante a entrevista, apontando o caminho, avisando a hora de encerrar, corrigindo informações que vão surgindo ao longo do bate papo e alertando o apresentador que aquela é hora de fazer rir ou chorar. No “Jô Soares onze e meia”, por exemplo, quatro pessoas falam no 34

ouvido do rotundo apresentador. Um deles é o decano dos redatores de humor, Max Nunes. A presença dele é tão marcante no programa, que em alguns momentos o diretor de TV corta para o switcher para que Nunes possa fazer suas intervenções. Ou seja, o que está por trás das câmeras às vezes vai para o ar. Nem sempre as diretrizes que saem do switcher são bem aceitas pelo apresentador. Nos seus tempos de Record, quando ainda estava pouco domesticado, o apresentador Ratinho chegava a tirar o ponto do ouvido e o exibia com impáfia enquanto esbravejava contra a pergunta solicitada pelo diretor do programa. Há quem diga que sua saída da emissora tenha profunda relação com o fato dele não dar ouvidos ao que vinha pelo ponto. Esta tecnologia capaz de gerar discussões sobre a manipulação daquilo que se vê na TV já tem mais de duas décadas. O chamado sistema convencional foi desenvolvido a partir do conceito do aparelho de surdez. Ele funciona a partir da geração de um campo magnético onde está inserido o apresentador. Se precisar se movimentar em um estúdio fora dos limites do campo magnético, adeus comunicação

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com o switcher. O maior problema do ponto convencional é o nível de ruído extremamente elevado que faz com que alguns apresentadores simplesmente se recusem a usá-lo. Os técnicos costumam dizer que o ponto tem um chiado convencional. E o barulho no ouvido do apresentador pode ser ainda maior se houver interferência do campo magnético de um reator de luz, ou um cabo de áudio, por exemplo.

ao pé do ouvido Nos últimos anos começaram a surgir soluções que atacavam justamente a questão do nível de ruído. Uma delas é o ponto que usa a radiofreqüência, transmitindo em UHF. A Telex e a Clear Com produzem pontos eletrônicos que reduzem o barulho, mas trazem alguns inconvenientes. O apresentador tem de usar uma espécie de colar que vai gerar o campo magnético que chega a uma área máxima de 50 m2, limitando em alguns casos a performance. Mas a novidade que mais tem agitado os broadcasters é o MicroEar. Um ponto eletrônico desenvolvido pela empresa suíça Phonak Communications em princípio para atender sistemas de comunicação de empresas de segurança. O MicroEar também usa radiofreqüência e transmite em VHF. Tem a capacidade de reduzir drasticamente o nível de ruído e transforma o ponto eletrônico em uma cápsula com uma pequena haste. A percepção para o telespectador é nula. Além disso, não limita o campo de atuação do apresentador, já que não está preso a um campo magnético de dimensões fixas. A Record é uma das primeiras empresas a usar o MicroEar no Brasil. O modelo intra-auricular já está nos ouvidos de José Luiz Datena (“Cidade alerta”) e de Ana Maria Braga. Gilberto “Leão Livre” Barros está começando a testá-lo. “É um aparelho pequeno que permite a colocação de um molde de espuma adaptando-o a qualquer ouvido. Você tira aquele incomodo do ouvido do apresentador. Além disso, eu posso estar com um estúdio ao vivo e outro do lado gravando que não dá interferência no ponto. Como


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e q ui p a m entos

a nossa matriz do sistema de comunicação é digital dá sempre para achar uma freqüência que não bate”, explica Yuquio Miasiro, gerente de operações da Record. Miasiro acredita que aos poucos o MicroEar vai ser adotado em outros programas. “Só para linha de shows que eu não acho muito interessante. O som do PA já é muito alto. Para o apresentador ouvir bem você tem de aumentar o volume do ponto, aí você acaba naturalmente gerando um chiado.” Na nova sede da Rede Globo em São Paulo o MicroEar vai ficar de fora. De acordo com o diretor de engenharia da Divisão de Operações e Manutenção Regional da Central Globo de Engenharia em São Paulo, Raymundo Barros, a emissora vai usar os pontos eletrônicos da Clear Com que transmitem em freqüência UHF e exigem o uso do colar, já são integrados à matriz de comunicação e tem baixo nível de ruído. Dez unidades já foram adquiridas. “A grande vantagem do MicroEar é a miniaturização. Mas para um número grande de apresentadores não compensa. A manutenção terceirizada é muito cara. Nós preferimos comprar os pontos para que eles tenham a manutenção por técnicos da casa”, afirma Barros. Na Record, os três MicroEar em uso são alugados da Teleponto. A empresa é responsável também pela manutenção e operação. “Nós preferimos terceirizar porque não

temos estrutura para dar conta. Aí é uma dor de cabeça a menos”, explica o gerente de operações da Record. Jô Soares vai começar a usar o MicroEar em março. “Ele já fez os testes e gostou muito. Não queria nem devolver”, brinca o técnico do SBT, Renato Cavalieri. O apresentador só não usou de imediato porque foi necessário a implantação de uma chave PTT que corta o áudio quando mais de uma pessoa está falando.

sem chiar Uma outra vantagem apontada pelos técnicos é que o MicroEar possibilita canais de áudio independentes. No sistema convencional, todo mundo fala ao mesmo tempo no ouvido de apresentador. No caso do Jô Soares, imagine quatro pessoas falando ao mesmo tempo no ouvido dele. Dose para leão! É claro que nem tudo é um mar de rosas. O MicroEar é um grande avanço, mas tudo tem seu preço. E não é barato. O sistema custa 60% mais caro do que o ponto eletrônico convencional. E por ser uma tecnologia extremamente sensível exige manutenção constante. O diretor técnico da Teleponto, empresa que representa a Phonak no Brasil, Antonio Pereira Neto, explica que em alguns casos a implantação de sistemas de radiofreqüência em estúdio torna

necessário investimentos no sistema de comunicação. “É preciso fazer um estudo nos microfones da emissora para saber se as freqüências não batem, gerando interferências. No caso dos microfones em UHF podem acontecer harmônicas que causam ruído. A solução para o problema às vezes exige a troca de muitos microfones.” Outro exemplo que demanda alterações: quando dois estúdios precisam se comunicar e não existe o sistema Interruption Fould Back (IFB). “Neste caso vai acontecer uma realimentação no ar, gerando aquele apito característico. Com o IFB, em vez de ter o retorno na caixa você tem o retorno no ponto, o que não causa realimentação”, explica Pereira. O MicroEar aponta para uma forte mudança, mas não é o ponto final. Segundo Pereira, o “grande desafio agora é criar as bases transmissoras, já que o MicroEar foi originalmente criado para outra função e não para televisão e para cada programa nós temos de criar um padrão de transmissão”. Ele também acredita que a tendência é da tecnologia de ponto eletrônico passar a trabalhar com um sistema de banda passante mais alta. Atualmente, o MicroEar trabalha na faixa de 150 a 200 MHz. Se vingar a previsão, a interferência nos pontos vai ser ainda menor. Os apresentadores cansados de tanta chiadeira agradecem.

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Beto Costa


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H D T V Glen Dickson

Emissora modelo de HDTV testa multicasting. O equipamento NDS combina canais SDTV e HDTV na capital dos norte-americanos.

Copyright

A WHD-TV, a emissora modelo de HDTV em Washington, D.C. (EUA), testou com sucesso o multicasting digital utilizando equipamento NDS de decodificação. A emissora, que será o campo de teste do equipamento de DTV durante todo o ano de 1999, utilizou equipamento NDS para comprimir até seis sinais 480 I SDTV em um canal DTV de 19,4 Mb/s. O NDS demonstrou também a compressão de um sinal 1080 I HDTV e um sinal 480 I bitstream de 19,4 Mb/s. Os sinais multiplexados (transmitidos simultaneamente) 38

devem ser compatíveis com todos os receivers ATSC, da Samsung e Panasonic. “Até o NDS, nenhum teste de multicanal pelo ar tinha sido bem-sucedido”, disse o presidente da WHD-TV, Bruce Miller. “Testamos outros fabricantes, mas ninguém estava pronto para isso.” (Para ser mais exato, a WHD-TV está transmitindo um dummy load em sistema de circuito fechado por causa das compressões de freqüência.) Miller disse ainda que o maior problema das experiências anteriores de multicasting foi “não termos conseguido transmitir sinais multiplexados e ter quatro correntes de dados separadas”. Se no início de dezembro passado o NDS prometia transmitir simultaneamente quatro bitstreams de 480 em um canal de 6 MHz, o decodificador da empresa de Miller transmitia até seis sinais 480 I em um canal DTV de 19,4 Mb/s. Segundo as estatísticas da tecnologia de transmissão simultânea, o decodificador NDS comprimiu os seis sinais a um bit médio de 2,5 - 3,5 Mb/s. Para quatro bitstreams de 480 I, o

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equipamento NDS comprimiu os sinais a um bit médio 4 - 4,5 Mb/s. “Isso é perfeitamente adequado para uma grande variedade de programas de TV. Não só para eventos esportivos, mas também para séries e noticiários diurnos.” Em outro teste foi usado o decoficador NDS para transmitir simultaneamente um sinal HDTV 1080 I a 15 Mb/s e um sinal SDTV 480 I a 3 Mb/s. “A qualidade foi em geral bastante boa, a não ser em casos de demandas mais altas de movimento e cortes de cena”, diz Miller. “Demos a eles um conteúdo bastante variado. A maior parte eram belas tomadas de movimento com cortes de cena e eventos esportivos. Misturamos tudo, inclusive jogos de futebol, de basquete, e tomadas do monte Tyler feita de um helicóptero para o programa ‘Over America’.” A WHD-TV também está testando um tape de decodificação da Sarnoff projetado para esgotar a capacidade do decodificador. Quando a taxa de bit não era adequada para HDTV, o observador via uma pequena quantidade de blocos nas imagens de ação. Como era esperado, os blocos eram mais evidentes nas grandes telas de projeção do que num pequeno monitor de estúdio. Segundo Miller, mais revelador que o teste de transmissão multiplexada HD/SD foi o teste de quatro sinais SDTV, para o qual a WHD-TV contou parcialmente com um material da WRC-TV e da NBC O&O, do mesmo local. Segundo ele, a imagem comprimida apresentava grande diferença de qualidade se a WHD-TV estivesse decodificando material digital serial 601 ou material originário de analógico NTSC. “De fato, alguns eventos diurnos têm uma qualidade ruim. Mas eu acho que essa qualidade ruim já é encontrada nas multigerações analógicas”, diz Miller. “Numa comparação direta, isso é relevante.”


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f e s t i v a l

PARADOXO ESTUDANTIL Estudantes de cinema participam pouco de seu próprio festival. Mas mesmo assim, os planos para o futuro incluem uma abertura para produções de escolas de cinema de outros países e para produções de estudantes de outras áreas.

O 1º Festival Ibero-Americano de Estudantes de Cinema, realizado pelo Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo entre os dias 10 e 15 de dezembro, mostrou uma situação paradoxal: a decepcionante participação dos universitários paulistas em um evento que juntou o melhor da produção de cinema e vídeo feita por colegas dentro das universidades ibero-americanas nos últimos dois anos, selecionada entre 181 trabalhos inscritos. A avaliação, foi feita pelo produtor cultural Marco Aurélio Fernández, que dividiu a coordenação do evento com Daniela Wasserstein. “Houve a presença de estudantes estrangeiros, de estudantes cariocas, mas a futura geração do cinema paulista não apareceu”, diz Fernández.

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“Acho que os realizadores têm uma certa prepotência, querem ser vistos como realizadores, não como estudantes, e por isso acabaram não valorizando uma oportunidade única de conhecer trabalhos que não são mostrados em lugar nenhum”, critica. O argentino “Ezeiza”, de Verônica Chen, recebeu o prêmio de melhor filme do júri oficial (veja a relação completa de premiados no site www.telaviva.com.br). Apesar do público pequeno, Fernández diz que o MIS deve continuar realizando o festival e pensa em ampliá-lo. “Temos consciência de que esse foi o primeiro passo para um festival cuja proposta é muito boa”, avalia. Os planos para o futuro incluem uma abertura para produções de escolas de cinema de outros países e para produções de estudantes de outras áreas.

convergência A escassa participação do público universitário talvez seja reflexo do dilema vivido pelo ensino de cinema no País. “As escolas brasileiras estão com sérios problemas, desatualizadas em termos de equipamentos e de proposta educacional”, constata Maria Dora Mourão, professora do Departamento de Cinema da Escola de Comunicações e Artes (USP) e presidente da Federação IberoAmericana de Escolas de Imagem e

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Som (Feisal), uma das co-realizadoras do festival, que realizou um congresso durante o evento. “Uma das conclusões do congresso é que o ideal das escolas de cinema contemporâneas é voltarse para os mercados, não só o mercado de cinema, mas todos os mercados audiovisuais”, explica. “O cinema tem de, necessariamente, dialogar com outras mídias, pois a convergência entre TV, vídeo, multimídia e cinema é cada vez maior”, avalia Dora. Essa situação implica uma mudança de mentalidade, de sistemas de produção, de formação e estética, para a qual as escolas de cinema brasileiras ainda têm um longo caminho a percorrer, na avaliação da presidente da Feisal. Outra tendência apontada no congresso foi a especialização dentro de uma formação geral na área. “É importante encontrar um equilíbrio entre o ensino acadêmico, teórico, e o ensino profissionalizante, prático. Ao mesmo tempo, as principais escolas iberoamericanas mostram que o ensino de cinema deve privilegiar a especialização em determinadas funções, sem perder de vista a formação geral e a polivalência em diversos veículos”, aponta. Para chegar a esse ideal, as escolas brasileiras dependem de dois pontos cruciais: investimento em tecnologia e em formação docente. Mas dependem também de um interesse mais efetivo de seus próprios alunos. Durante o festival, também ficou acertada a realização do projeto “Miradas Ibero-americanas”. O projeto parte de um workshop de formação docente, a partir do qual serão recebidos projetos de documentários de alunos, a serem selecionados pelos professores participantes. As produções escolhidas terão financiamento da Feisal, com apoio da Cilect (a federação internacional de escolas de cinema), e serão exibidas em TV. Paulo Boccato


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FI Q UE POR DEN T RO HI S T Ó R IA DA T V Já está na Internet o site Museu Virtual da Televisão Brasileira (www.televisaobrasil.com.br). Criado pela Associação dos Pioneiros da Televisão Brasileira APITE, o site tem a finalidade de recuperar e preservar documentos e fatos ligados à história da televisão brasileira. Elaborado em ordem cronológica, o site traz depoimentos dos grandes percursores da nossa televisão. As salas contarão com fotos de personalidades da TV e imagens de atores contracenando nas novelas que marcaram suas carreiras. O museu promete, em breve, fornecer a programação diária das emissoras e também irá permitir que os visitantes façam vários tipos de pesquisas.

S ALA D E AULA A EFCTV (Escola de Formação em Cine e TV), de Campinas (SP), lançou sua programação de cursos de cinema e TV para o primeiro semestre de 1999. Além dos cursos na sede da escola, serão feitas atividades especiais em Santos e Ribeirão Preto. Os cursos têm duração de quatro meses, com aulas aos sábados. Cinco curtas devem ser produzidos pelos alunos este ano. A escola realizará, também, o seu 1º Workshop de Realização Cinematográfica, cujo objetivo é a realização de um curta em 16 mm, e que acontece entre 20/3 e 17/04. Durante o semestre haverá oficinas de atores e de roteiro, com datas ainda a serem divulgadas. As datas dos cursos estão na seção Agenda. Informações pelo telefone/fax (019) 258-2267.

I N T E R N A C IO N AL Em fevereiro, a Flórida recebe a 33ª edição do SMPTE Advanced Motion Imaging Conference, encontro promovido pela Society of Motion Pictures & Television Engineers para apresentar e discutir as últimas tecnologias em produção e transmissão de vídeo e cinema (ver Agenda). O tema deste ano será “Inovação, Implementação e Operação, o Desafio da Mudança”. Serão quatro programas técnicos e um seminário no último dia, organizado por alguns grandes nomes da indústria norte-americana. Dentre os temas abordados, estão “Aquisição de conteúdo”, “Produção e pós produção”, “Integração de sistemas”, além de vários debates sobre equipamentos digitais. As informações podem ser obtidas na Internet pelo endereço www. smpte.org ou pelo telefone (1-914) 761-1100, fax (1-914) 761-3115, ou ainda pelo e-mail smpte@smpte.org.

I N S C R IÇ Õ E S AB E R T A S O Instituto Cultural Itaú já abriu as inscrições para o projeto Rumos Cinema e Vídeo - Apoio à Produção Audiovisual para as modalidades de desenvolvimento de projetos, finalização e emergente. Tanto o regulamento quanto as fichas de inscrição já estão disponíveis no site do Itaú, cujo endereço é www.itaucultural.org.br. A organização do projeto chama a atenção para o fato de que os documentários devem, obrigatoriamente, versar sobre temas relacionados à arte e à cultura do Brasil.

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AGENDA J

Diretor e Editor Rubens Glasberg Editora Geral Edylita Falgetano Editor da Home Page Samuel Possebon Editor de Projetos Especiais André Mermelstein Redação Diogo Schelp, Edianez Parente, Fábio Koleski, Fernando Lauterjung (Assistente) Colaboradores Beto Costa, Hamilton Rosa Jr., Lizandra de Almeida, Mônica Teixeira, Paulo Boccato. Sucursal de Brasília Carlos Eduardo Zanatta Arte Claudia Intatilo (Edição de Arte e Capa), Rubens Jardim (Produção Gráfica), Geraldo José Nogueira (Editoração Eletrônica) Diretor Comercial Manoel Fernandez Vendas Almir B. Lopes (Gerente), Alexandre Gerdelmann e Patrícia M. Patah (Contatos), Ivaneti Longo (Assistente) Coordenação de Circulação e Assinaturas Gislaine Gaspar Coordenação de Marketing Mariane Ewbank Administração Vilma Pereira (Gerente); Gilberto Taques (Assistente Financeiro) Serviço de Atendimento ao Leitor 0800-145022 Internet http://www.telaviva.com.br E-Mail telaviva@telaviva.com.br Tela Viva é uma publicação mensal da Editora Glasberg - Rua Sergipe, 401, Conj. 605, CEP 01243-001 Telefone (011) 257-5022 e Fax (011) 257-5910 São Paulo, SP. Sucursal: SCN - Quadra 02, sala 424 Bloco B - Centro Empresarial Encol CEP 70710-500 Fone/Fax (061) 327-3755 Brasília, DF Jornalista Responsável Rubens Glasberg (MT 8.965) Fotolito/Impressão Ipsis Gráfica e Editora S.A Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. Ltda.

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16 e 17 - Workshop: “Produção”. CIMC, São Paulo, SP. Fone: (011) 575-6279. Fax: (011) 517-0854. Internet: www.cimc.art.br. 18 - Curso: “Direção para cinema e TV” (início). CIMC, São Paulo, SP. Fone: (011) 575-6279. Fax: (011) 517-0854. Internet: www.cimc.art.br. 18 a 22 - Curso: “Especialização em Adobe Premiere”. Espaço Cultural AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (011) 575-2909. E-mail: advideotech@cst.com.br. 18 a 23 - Curso: “Iluminação para Vídeo e TV”. Espaço Cultural AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (011) 575-2909. E-mail: advideotech@cst.com.br. 19 - Curso: “Argumento e Roteiro” (início). CIMC, São Paulo, SP. Fone: (011) 575-6279. Fax: (011) 517-0854. Internet: www.cimc.art.br. 23 e 24 - Workshop: “Produção”. CIMC, São Paulo, SP. Fone: (011) 575-6279. Fax: (011) 517-0854. Internet: www. cimc.art.br. 25 a 28 - NATPE’99. Ernest N. Morial Convention Center, New Orleans, EUA. Fone: (1-310) 453-4440. Fax: (1-310) 453-5258. E-mail: dee@natpe.org. Internet: www.natpe.org. 26 a 3/2 - Curso: “Introdução à Vídeo Produção”. Espaço Cultural AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (011) 575-2909. E-mail: advideotech@cst.com.br. 30 a 27/2 - Curso: “Introdução à Vídeo Produção” (aos sábados). Espaço Cultural AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (011) 575-2909. E-mail: advideotech@cst.com.br. fevereiro

6 a 29/5 - Curso de Cinema e TV, módulos II e III. EFCTV, Campinas, São Paulo. Aulas aos sábados. Fone/

TELA VIVA JANEIRO DE 1999

fax: (019) 258-2267. 16 a 19 - Pro-AV: The Professional Audio Video Exhibition and Conference. The Dome, Northgate, África do Sul. Fone: (44-181) 910-7955. Fax: (44-181) 910-7813. E-mail: lynn. chamier@tmltrade.co.za. Internet: www.reedexpo.com/fact-sheets/1067.html. 25 a 27 - 33rd SMPTE Advanced Motion Imaging Conference. Omni Rosen Hotel, Orlando, EUA. Fone: (1-914) 761-1100. Fax: (1-914) 761-3115. E-mail: smpte@smpte.org. Internet: www.smpte.org. m

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1º - Curso: “Efeitos Especiais e Direção de Fotografia” (início). CIMC, São Paulo, SP. Fone: (011) 575-6279. Fax: (011) 517-0854. Internet: www.cimc.art.br. 13 a 16/6 - Curso de Cinema e TV, módulo I. EFCTV, Campinas, São Paulo. Aulas aos sábados. Fone/fax: (019) 258-2267. 20 a 17/4 - 1º Workshop de Realização Cinematográfica. EFCTV, Campinas, São Paulo. Fone/fax: (019) 258-2267. 20 a 10/7 - Curso de Cinema e TV, módulo I. EFCTV, Santos, São Paulo. Aulas aos sábados. Fone/fax: (019) 258-2267. abril

9 a 18 - É Tudo Verdade - 4º Festival Internacional de Documentários. São Paulo e Rio de Janeiro. Fone / fax: (011) 852-9601. E-mail: itstrue@ibm.net. Internet: www.kinoforum.org/itsalltrue. 11 a 16 - Mip-TV 99, The International Television Programme Market. Palais des Festivals, Cannes, França. Fone: (44-181) 910-7878. Fax: (44-181) 910-7813. E-mail: sandrine_treguer@midem-paris.ccmail.compuserve.com. Internet: www.miptv.com. 17 a 22 - NAB’99 (National Association of Broadcasters). Las Vegas Convention Center, Las Vegas, EUA. Fone: (1-202) 429-4188. Fax: (1-202) 429-5343. E-mail: kdeda@nab.org. Internet: www.nab.org.


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Revista Tela Viva 77 - Janeiro 1999  

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