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Nº76 de z e m b r o 9 8 www.telaviva.com.br

super-35 ganha terreno no cinema brasileiro

a produção de games no mercado de multimídia

aS APTIDÕES MÚLTIPLAS DO NOVO PROFISSIONAL DE tv


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EDITORIAL

Este símbolo liga você aos serviços Tela Vi va na Internet. Ô Guia Tela Vi v a Ô Fichas técnicas de c o m e r c i a i s Ô Edições anteriores d a T e l a V iv a Ô Legislação do audio v i s u a l ÍNDICE

GENTE na tela

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SCANNER

8

audiovisual

recursos para programação

14

c a p a

formação para profissionais audiovisuais

16

cinema

o super-35

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festival

as atrações de vitória

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MAKING OF

28

programaÇÃO

esotéricos na tv

30

televisão

o preço dos serviços da dtv

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produção

livros revelam o “atrás das câmeras”

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multimídia

o mercado de games

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equipamentos

time code

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FIQUE POR DENTRO

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AGENDA

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Por maior que seja o clichê, é inevitável não pensar em fazer um balanço quando dezembro é o mês escrito no calendário. Da mesma forma, parece impossível não traçar novas metas para entrar em janeiro com a intenção de que “neste ano vai...”. Os broadcasters esperavam decisões em 98. Indefinições e cronogramas adiados foi o que restou para contar. Qual será o padrão de HDTV que iremos adotar? A Lei da Comunicação de Massa mal começou a ser elaborada. Também muito pouco se fez para discutir a emenda constitucional ao Art. 222. O Ministério das Comunicações passou por duas mudanças durante o ano: primeiro a morte de Sérgio Motta e agora a demissão de Mendonça de Barros, mas não foi só por isso que está tudo atrasado. Os editais de radiodifusão estão parados por pendengas jurídicas. Os decretos e portarias publicados ao longo destes 365 dias não contemplaram os anseios do setor de TV aberta. Comentários e sugestões enviadas por técnicos e empresários da comunicação para as consultas públicas foram ignorados pelo Minicom aumentando o nível de tensão para quem vive do negócio televisão. O caso da Rede Manchete ficou anos sendo empurrado com a barriga, resultando no aumento do montante da dívida e dificultando um desfecho menos traumático. Isso sem contar o desvirtuamento do sistema de TV educativa do País. Além de admitir que permissões deste gênero sejam utilizadas para transmissão de cultos religiosos e autopromoção de políticos, o caso das retransmissoras caminha para uma solução, no mínimo, escandalosa, caso o Minicom ceda às pressões para automaticamente transformá-las em geradoras, com os mesmos direitos de quem concorre a uma concessão comercial. O Minicom vem deixando a radiodifusão nacional em segundo ou mesmo terceiro plano, esquecendo que as TVs abertas são, e continuarão sendo ainda por muito tempo, o principal veículo de comunicação de massa do Brasil. Não basta fazer questionários via Internet para estabelecer as premissas da lei para o setor, principalmente, se o destino deles for o mesmo dos comentários e sugestões às consultas públicas... O segmento precisa de regras modernas que atendam ao nível de desenvolvimento atual e prevejam os avanços tecnológicos das novas formas de transmissão. Conceitos precisam ser atualizados para poder gerir melhor o meio TV. Entidades representativas da sociedade, empresários, engenheiros e técnicos com prática do dia-a-dia têm muito a contribuir para que o governo elabore leis, normas e regulamentos que reflitam as mudanças já ocorridas e atendam ao desenvolvimento futuro. Por outro lado, esse mesmo governo deve cobrar responsabilidade de quem utiliza o espectro para poder entrar diária e gratuitamente nos domicílios do País. Deve ter meios para evitar que as ondas dos canais de TV sejam usadas como caminhões de lixo e para controlar e punir com seriedade emissoras que burlam preceitos e usam sem o menor critério ético e moral os canais de retransmissão educativos. Janeiro de 99 está aí para isso!

Edylita Falgetano


Fotos: André Jung

GENTE NA TELA

AGITADOR

CASAL 20

Títulos é o que não faltam para qualificar Francisco Cesar Filho. Cineasta, curador, diretor de televisão, ganhador de inúmeros prêmios nacionais e internacionais. Talvez a melhor palavra para definir o criador e organizador da mostra O Cinema Cultural Paulista, o curador de mais de 90 eventos de cinema e vídeo e também o coordenador de programação do Festival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo e do projeto Rumos Cinema e Vídeo do Itaú Cultural, seja agitador cultural, pois considera “cada vez mais necessário o trabalho de difusão de obras audiovisuais que fujam da mediocridade”. “Com a complexidade e multiplicidade de informações disponíveis, é preciso criar ferramentas para que cada um Francisco C. Filho possa pinçar as informações de seu próprio interesse”, completa.

O diretor Jayme Monjardim assina a nova campanha dos e-mails gratuitos do ZipMail. A campanha, criada pela agência Societá, é protagonizada por Marcelo Novaes e Claudia Jimenez, interpretando Romeu e Julieta. O filme explora a falta de comunicação entre o atrapalhado casal. A parceria de Jaime Monjardim foi feita com a Espiral Filmes, com finalização da Casablanca e trilha da Lua Nova.

Seu curta “Rota ABC” (1991) - ganhador de prêmios nos festivais de Brasília, Oberhausen, Locarno, Roterdã e Nova York - é um dos poucos curtas incluídos na mostra Cinema Novo and Beyond, em exibição até 22 de janeiro, no MoMA (Museum of Modern Art) de NY. Outro recente trabalho de que se orgulha é a recuperação do filme “São Paulo - sinfonia da metrópole”, que considera “uma obra importantíssima para a cidade e que não tinha o devido reconhecimento”.

TRILHAS O duo Bojo, formado pelo ex-diretor mundial de treinamento da Softimage Maurício Bussab e o tecladista da banda Karnak Lulu Camargo, recriou a trilha sonora de cinco curtas feitos em Super-8, para apresentar no Museu da Imagem e do Som de São Paulo durante o Festival Ibero-Americano de Estudantes de Cinema executando as composições ao vivo. “Nossa intenção é chamar a atenção para a criação de trilhas sonoras e para o Super-8, que parece ter sido esquecido”, conta Bussab, que resolveu abandonar a carreira na área de informática para se dedicar à música. Os dois músicos já fizeram trilhas para filmes e sonhavam em fazer alguns trabalhos juntos. Segundo Lulu Camargo, o duo pretende expandir o projeto e tocar em bares noturnos, “sempre com muita performance e trabalhos multimídia”. 

TELA VIVA dezembro DE 1998

DE FORA PARA DENTRO O diretor Ronaldo Moreira, da Movi&Art, e o compositor Paul Fraser, da Play it Again, participaram de um projeto inédito para a minissérie Labirinto, exibida em novembro pela Globo. A requintada abertura do seriado contou com direção de computação gráfica e trilha sonora original, respectivamente realizadas por Ronaldo e Paul. A equipe de computação era da casa e o trabalho foi feito em tempo recorde: apenas 14 dias. A cena final, que mostra apenas um polegar, foi mais complicada do que parece. Por ter sido feita de muito perto, foi preciso construir uma traquitana especial para manter o dedo na posição correta.

MATURIDADE O diretor Sérgio Mastrocola e a produtora Maria Cristina Partel associaramse para criar a Resolution Filmes, produtora de Cine-VT que está Sérgio Mastrocola e Maria Cristina Partel atuando em São Paulo há cerca de um mês. Depois de quase três anos na Academia de Filmes, Mastrocola já estava se preparando para deixar a produtora, em busca de um projeto próprio. “Apesar de este não ser um momento dos melhores, em termos de mercado, eu já estava me sentindo maduro o suficiente”, afirma o diretor. Maria Cristina, por sua vez, deixa a sociedade com Denise Costa e Gianfranco Contolli, que mantém a On Filmes. A produtora traz para a nova casa sua estrutura de sede, estúdios e equipamentos. Com pouco mais de mês de vida, a produtora já realizou três projetos, para as agências Adag/ DPZ, F/Nazca e Young & Rubicam. Segundo Mastrocola, a idéia é ampliar seu espectro de atuação como diretor, realizando filmes de todos os tipos e não só os tradicionais de produto que já viraram sua marca registrada.


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GENTE NA TELA

V I S UA L

BONS DE MÍDIA

Para lançar os novos equipamentos de DVD no Brasil, a Sharp contou com uma linguagem visual especial nos filmes criados pela W/Brasil. As imagens ao vivo foram captadas por Andres Bukowinski e trabalhadas com grafismos e letterings pela Quattro Design, de Marcelo Presoto.

A produção editorial ficou à cargo da Porto Palavras Editores Associados, de Eduardo Correa, que desde 96 cuida de 100% da edição a partir das informações de Sonia. “Nos primeiros anos só redigia o texto. Depois, ao lado de Moema Kuyumjian, Eduardo Correa que recriou o projeto gráfico, passamos a realizar todo o trabalho.” Além de editar o BIP - Boletim de Informação para Publicitários -, veículo de comunicação da Superintendência Comercial da Rede Globo com o mercado, e o Mercado Global, Correa prepara o lançamento do novo Boletim do Conar, que pretende reportar a decisão dos julgamentos do órgão presidido por Gilberto Leifert e elucidar as principais dúvidas sobre legislação e auto-regulamentação publicitária para ajudar o pessoal de criação e atendimento a posicionar campanhas e peças dentro das normas.

BRUXARIA NO RIO O diretor Christiano Metri, da Movi&Art, foi convidado pela cantora Zélia Duncan para criar seu novo clip. Metri interpretou a letra da música, extraindo dela instrumentos de sedução, de conquista. A partir deste conceito, o diretor trouxe elementos mágicos e ritualísticos, colocando bruxas e ninfas como habitantes de um morro do Rio de Janeiro. O clip foi fotografado por André Modugno e teve direção de arte de Marcos Sachs e figurino de Alessandra Berriel. 

TELA VIVA dezembro DE 1998

Abafilmes é a nova razão social da produtora ABA, de Andrés Bukowinski e Oscar Caporalli. A mudança significou, também, a criação de um novo logotipo, pela agência Prósperi Publicidade. Bukowinski explica que o acréscimo de “filmes” ao nome da produtora vai criar maior identidade com as atividades da empresa. O logotipo brinca com as letras de ABA, formando um jogo da velha.

HIGH TECH Depois de uma temporada dedicada às campanhas políticas, o diretor de fotografia e cameraman Flávio Murilo volta ao mercado publicitário com uma novidade. Em dia com a tecnologia digital, Murilo trocou sua câmera BVP-70 pelo modelo D-30, da Sony, adequada aos novos tempos do mercado.

MOTIVOS PARA COMEMORAR Divulgação

Fotos: André Jung

Em novembro começou a ser distribuído no mercado a nova edição do anuário do Grupo de Mídia de São Paulo, que está comemorando 30 anos. Coube a Sonia Leme Ferreira, do Centro Avançado da Gessy Lever e diretora de assuntos técnicos do Grupo de Mídia, a coordenação geral dos trabalhos que culminou nas 344 páginas do Mídia Dados 98. Ela liderou uma equipe Sonia Leme de 20 profissionais das principais agências de publicidade do Brasil que coletaram e tabularam todas as informações do anuário.

Urbano Meirelles e Galileu Garcia Filho

Completando um ano de fundação em dezembro, a Galileu Filmes, de Urbano Meirelles e Galileu Garcia Filho, vem nadando contra a corrente nos últimos meses. Enquanto o mercado ressente-se da crise mundial e amarga a falta de trabalho, a produtora não parou de filmar. O produtor Urbano Meirelles atribui essa estabilidade à proposta da empresa, que trabalha com uma equipe pequena e negocia pessoalmente com fornecedores e clientes. “Desde o início, nossa meta foi a de realizar quatro projetos por mês. Chegamos a dispensar alguns trabalhos, mas todos aqueles que atendemos ficaram”, comemora.


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SCANNER NOVOS PRODUTOS A Kodak acaba de lançar, no Brasil, uma nova linha de produtos para cinema: o negativo Vision 800T 5289 (cor), os positivos Vision Color 2383 e o Vision Premier Color 2393, todos para o formato 35 mm. A nova película negativa é a mais sensível já fabricada (800 ISO), sendo ideal para trabalhar em situações de baixa luz. O aumento de sensibilidade não significa maior granularidade, graças a uma modificação na capa amarela da emulsão que mantém os detalhes nas sombras e o brilho nas altas luzes. A latitude de exposição é semelhante ao Kodak 500T, com saturação e reprodução similares ao próprio 500T e ao 250D. O negativo está disponível em latas de 60 m (200 pés), 122 m (400 pés) e 305 m (1.000 pés). As novas películas positivas, as primeiras lançadas na linha Vision, possibilitam maior saturação de cor que os positivos normais, com resultados similares ao Technicolor sem as mesmas complicações de processamento em laboratório. Com densidade maior (em torno de 5,5), trazem pretos mais pretos e brancos com mais brilhos. Esses positivos têm uma boa resposta para negativos subexpostos e para situações em que foram usados filtros difusores, dando mais recortes às imagens. Outra vantagem dos novos positivos é a simplicidade na hora de revelar, pois dispensam o pré-banho e o eliminador de anti-halo, entrando direto no revelador.

INVESTIMENTOS PROGRAMADOS A GlobeCast North America, produtora de áudio, vídeo e também fornecedora de serviços de transmissão, anunciou um plano de investimentos de US$ 50 milhões para os próximos cinco anos. Os recursos serão destinados à expansão das atividades e upgrade dos equipamentos nas diversas unidades da produtora. O primeiro terço dos investimentos deve ser aplicado até o primeiro semestre de 99, nas unidades de Miami e Los Angeles, além de Nova York e Washington, onde algumas modificações já começaram a ser feitas. A unidade de Miami, adquirida em março deste ano, vai merecer atenção especial da empresa. Nos próximos três anos, serão gastos US$ 18 milhões para atualizar equipamento e o sistema de transmissão do complexo de produção. A ampliação da área útil da casa e dos estúdios também estão nos planos da produtora, que pretende fazer das operações de Miami um ponto de referência para a América Latina. 

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ÁUDIO NO SUDESTE A Post Solutions, que já revende diversas linhas de equipamentos para pós-produção de vídeo, cinema e TV, é a nova representante da DigiDesign no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo. A representação é fruto de parceria entre a Post Solutions e a Quanta/ Daware, responsável pela distribuição dos produtos DigiDesign no Brasil. Com a parceria, a Post Solutions também atenderá os clientes já estabelecidos. Segundo o diretor Marco Fadiga, da Post, o acordo visa reforçar a participação dos produtos DigiDesign na área de broadcast de rádio e TV. O anúncio foi feito durante o evento DigiDay, promovido anualmente pela Quanta para os clientes da marca. Entre as novidades apresentadas, o destaque foi a estação ProTools 24, com até 72 canais de áudio I/O e poder de processamento ampliado em sete vezes. Na ocasião, a empresa também anunciou que o sistema de áudio ProTools agora também roda em Windows NT.

NOTÍCIA ALARMISTA A Dreamworks SKG, o estúdio fundado por Steven Spielberg, Jeffrey Katzenberg e David Geffen quer mudar o acordo de janela firmado com as redes de TV paga. Eles estão dilatando o prazo pré-estabelecido pelos estúdios de Hollywood de “O resgate do soldado Ryan” de seis para nove meses do lançamento do cinema para o vídeo e estão pensando em fazer o mesmo com todos os seus produtos. No caso, de “O resgate ...”, a empresa pretende explorar o sucesso comercial do filme em cinema até março, já que o filme é um dos favoritos para o Oscar. Mas para “Formiguinhaz”, “O príncipe do Egito” e outras novas produções que o estúdio prepara, cogita-se aumentar a janela para oito meses. Seguindo esse raciocínio, cada sucesso da Dreamworks demoraria dois anos para chegar ao cabo e não um ano e meio como é de praxe. Essa especulação preocupa os distribuidores, já que tudo que a Dreamworks vem fazendo, de uns tempos para cá, é questão de dias para ser acatado pelos outros estúdios. Em 98, a Dreamworks deixou a Warner e a Columbia para trás por conta das receitas de bilheteria de “Impacto profundo”, “O resgate do soldado Ryan” e “Formiguinhaz”. Nada mal para uma companhia que está no mercado há três anos e meio e que pretende modificar os conceitos de produção, marketing e distribuição em Hollywood.


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SCANNER CORTE DE CUSTOS A indústria cinematográfica norte-americana vem questionando os custos dos filmes depois que duas produções deram uma guinada na tendência de se usar superastros e muitos efeitos especiais caríssimos. Foram as comédias “Quem vai ficar com Mary?” e “The water boy”. Os dois custaram menos de US$ 20 milhões. O primeiro faturou US$ 180 milhões e o segundo fez US$ 80 milhões em dez dias de exibição. O que estes filmes têm em comum? Nenhum grande astro no elenco, nenhum efeito mirabolante. Apenas um roteiro bem sacado e situações atrapalhadas. Em Hollywood, não são apenas os astros Harrison Ford, Tom Cruise e Jim Carrey estão ganhando US$ 20 milhões por filme. A febre do supercachê está contagiando atores como Kurt Russell, Samuel L. Jackson e Kevin Spacey. As atrizes Julia Roberts, Michelle Pfeiffer e Susan Sarandon lutam pela igualdade de honorários entre homens e mulheres. Esta escala astronômica está contagiando a comunidade. Outro tópico que vem encarecendo os produtos são os efeitos especiais. Para chamar a atenção do público estava se investindo cada vez mais alto na pirotecnia. Agora é esperar para ver.

AO VIVO E EM CORES A Top Cultura, TV educativa com sinal em Ouro Preto e Mariana, está sempre criando novas formas de integrar a comunidade local e levantar temas de cidadania. Duas criações recentes já estão suscitando polêmica na cidade, com participação da população ao vivo. O programa “Debate” leva convidados para discutir problemas do diaa-dia ao vivo com a população que participa via telefone. A cada 15 dias o programa vai ao ar às terças-feiras à noite. No “TV Revista”, pessoas relacionadas a um tema respondem perguntas dos espectadores. Outros programas também estavam prometidos, como o “Espaço cultural”, uma agenda cultural; o “Música viva”, que explora temas de música erudita e seus artistas e o “Trilhas de outro”, sobre história e cultura regionais.

FUSÃO ESTRATÉGICA Em novembro, a Thomcast, empresa fabricante de equipamentos para transmissão broadcast de rádio e TV e sistemas sem fio, anunciou sua reestruturação corporativa, que resultou na criação da Thomcast Communications. O processo significou a fusão da Thomcast com duas outras subsidiárias da própria corporação, a Comark e a Comwave. O objetivo da nova empresa é atender melhor ao emergente mercado de televisão digital. Com a reestruturação, a companhia passa a centralizar a produção das diversas linhas de produtos para transmissão de TV. A Thomcast original é uma das grandes fabricantes de produtos para broadcast, com operações na França, Suíça e Alemanha. A Comark, com sede em Massachusetts (EUA), fornece transmissores de TV de alta potência em UHF e VHF para transmissão terrestre, analógica e digital. Também tem uma divisão de projetos e consultoria em integração de sistemas digitais, a Comark Digital Services. A Comwave, sediada no Estado norteamericano da Pensilvânia, é líder em MMDS e pioneira na produção de equipamentos para transmissão multicanal. A Thomcast Communications será presidida por Jerry Chase, que vem da área de encoders e satélites. A nova empresa terá operações nos Estados Unidos. Cada empresa anterior, no caso Comark e Comwave, formará uma divisão dentro da corporação, mantendo a sede

POL  MICA

SISTEMA NÃO-LINEAR

A recente resolução argentina sobre a adoção do ATSC norte-americano como padrão para implantação da HDTV no país está causando polêmica. A DVB alega que seu sistema DVB-T não foi devidamente avaliado no processo que levou à decisão. Em carta aberta, o presidente de promoções e comunicações do consórcio europeu, Helmut Stein, contesta os critérios empregados para a exclusão do padrão DVB e informa que os equipamentos de 6 MHz de DVB-T estarão disponíveis para testes de campo no próximo mês.

A Adaptec está oferecendo novas solução em edição nãolinear para TV e Internet. São placas de vídeo digitais do tipo SCSI, que podem ser acopladas a microcomputadores Pentium convencionais. O sistema foi testado no laboratório de tratamento de imagens do Centro de Computação da Unicamp, em Campinas. Segundo o técnico responsável pelo laboratório, Roberto Fernandes, a solução oferece baixo custo e qualidade de imagem semelhante à Beta SP.

Inconformados com a decisão argentina, até o acordo do Mercosul está sendo evocado sobre uma possível violação do documento MERCOSUR/GMC/RES Nº 24/94 sobre a harmonização para a implantação de novas tecnologias em telecomunicações. O Itamaraty nega veementemente que tenha apresentado ou que vá apresentar qualquer queixa diplomática contra a Argentina sobre a questão.

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SCANNER TRABALHO EM GRUPO O grupo de trabalho SET/Abert de Testes e Medições que visa analisar com profundidade os sistemas de HDTV disponíveis, realizando análises em equipamentos e softwares de transmissão e recepção, está sendo coordenado por Valderez de Almeida Donzelli, da TV Cultura. Os estudos sobre o comportamento do sinal digital estão sendo respaldados por uma parceria com a Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie, que se ofereceu para montar os laboratórios necessários à pesquisa, além de criar uma viatura para medições de campo. Para viabilizar o projeto, o Mackenzie conseguiu o apoio da NEC, que vai investir em torno de US$ 2,5 milhões na estrutura dos projetos com dinheiro de seu imposto de renda, por meio de leis de incentivo.

JINGLE BELLS Conforme se aproxima o Natal, cresce o trabalho comunitário do mercado publicitário, sempre disposto a ajudar as instituições a melhorar o final de ano de quem precisa. A mais nova parceria foi feita por Agnello Pacheco, Vetor Zero e A Voz do Brasil, para divulgar a Feira da Oportunidade, bazar realizado em São Paulo em prol da Associação de Assistência à Criança Defeituosa (AACD). A feira acontece em dezembro e a campanha está no ar desde a segunda quinzena de novembro. Também na linha institucional foi a participação da Cinema Centro na produção da campanha de arrecadação de fundos para a Visão Mundial, organização nãogovernamental que ajuda crianças carentes em 90 países. A campanha foi criada pela agência RSVP, com criação de Fábio Mello e Claudio Gouveia.

GLAZ A nova produtora paulista Glaz Cinema & Video, de Paulo Boccato e do diretor de fotografia Alziro Barbosa, prepara várias produções para 99. Os primeiros projetos já estão em captação, pelas leis do Audiovisual e Rouanet: os curtas “Ano novo”, de Marcos Fábio Katudjian; e “Café pequeno”, de Boccato e Cris Guerrera, além do documentário em média-metragem “São Paulo dos Demônios”, de Boccato e Claudia Pucci, sobre o cinqüentenário grupo paulistano Demônios da Garoa.

DIRETO DE MIAMI A Discreet Logic está reestruturando seu sistema de distribuição para a América Latina. Desde novembro, o escritório de Miami está a cargo de Miguel Rodriguez, que é o responsável pelas vendas e coordenação das ações de treinamento operacional e técnico a clientes e distribuidores na região. O escritório do Rio de Janeiro continuará prestando suporte técnico aos clientes e representantes em São Paulo e em outros países latino-americanos, como Argentina, Colômbia, Chile, México e Venezuela.

DIGITALIZAÇÃO EM CURSO Para equipar sua nova sede em São Paulo, que abrigará a central de telejornalismo e a sede administrativa, a Rede Globo de Televisão investiu US$ 3,8 milhões na compra de servidores de vídeo com tecnologia MPEG-2, da Tektronix. Os equipamentos serão responsáveis pela distribuição, endereçamento e teste de sinal em toda a rede, para a transmissão e recepção de programas, telejornais e comerciais. A opção dessa tecnologia acompanha o processo de transição da rede para o sistema digital.

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produção, o projeto pode contemplar a verba de comercialização de séries de ficção ou documentários, dentro Renato Bulcão* do teto de R$ 3 milhões incentivados. Nos dois casos, são inúmeras as possibilidades. O produtor pode, por exemplo, vender certificados de seus projetos por um determinado valor, digamos, R$ 500 mil, a um único investidor. Depois, vender um plano de mídia de R$ 750 mil, em quatro cotas, repassando a parcela do lucro que é de direito do cotista. Ao As formas tradicionais de venda das Para produzir programas para incluir em seu orçamento o custo de cotas de mídia, por exemplo, colocam televisão aberta ou fechada, as mídia, pode também vender cotas da o produtor em desvantagem na negoprodução ao investidor e dar a ele, ciação. Normalmente, a mídia de um leis Rouanet e do Audiovisual programa de TV de produção indepen- como retorno extra, chamadas caracpodem ser aliadas importantes dente é dividida em quatro cotas: duas terizadas durante a programação do canal em que o programa será veicupara o produtor e duas para o canal. na hora de você montar a lado. Nesse caso, é fundamental que Este último, porém, leva vantagem ao o produtor tenha a TV como parceira estratégia de marketing. negociar suas cotas com as agências, desde o início do projeto. pois trabalha com o conjunto de sua Para a televisão, criar vínculos com programação, não com um único proos produtores independentes é grama, e pode dar descontos a seus A relação custo/benefício na produção importante para viabilizar a venda clientes. Uma das alternativas que se de longas para cinema no Brasil aponta tem utilizado é colocar a negociação de de mídia. Além do barateamento do para um caminho árduo. Além do alto custo da produção de novos protodas as cotas nas mãos do canal, que custo de produção, o investimento em gramas, esses projetos formam um repassa a venda das duas primeiras ao cinema demanda um grande esforço de produtor independente. Ainda assim, estoque de produtos para clientes marketing para se tornar minimamente específicos e audiências segmentahá outras opções interessantes para o viável. Os valores de comercialização das. É necessário que as relações marketing de produções para TV. Por e mídia, somados, atingem cerca de R$ entre os produtores e as televisões isso, apresentamos aqui alguns pontos 200 mil para um lançamento nacional avancem para uma parceria no que poderiam ser observados pelos médio - em torno de 45 cópias -, com produtores antes de credenciarem seus desenvolvimento de projetos. Os divulgação em três a cinco mil pontos de projetos no Ministério da Cultura. produtores devem buscar auxílio venda. Esse investimento tende a trazer na elaboração de programas e seus A Lei Rouanet permite que o patrocinaum efeito multiplicador em espaço edito- dor invista num programa de televisão e orçamentos devem ser calculados rial, como matérias em jornais, revistas e desconte 30% do custo do projeto direta- com a participação da televisão, preprogramas de TV, equivalente a cerca de mente do Imposto de Renda devido. Ao vendo a utilização de seus serviços. R$ 400 mil a mais em custo de mídia. As leis Rouanet e Audiovisual foram apresentar seu projeto, o produtor deve Nesse panorama, a parceria entre promulgadas em um momento em lembrar de sempre incluir os custos de produtores e canais de TV surge como comercialização e publicidade em seus que a TV aberta não estimulava uma alternativa bem mais interessante orçamentos. Muitas vezes esses custos são parcerias. Hoje, o MinC considera para a viabilização de projetos audioomitidos pelos produtores, com receio de primordial a difusão da ação cultural visuais. Além da maior visibilidade e que a aprovação pela comissão do MinC e o papel da televisão como difusora agilidade do produto televisivo, uma esteja vinculada ao aspecto mais “cultural” não pode ser esquecido. Unindo as estratégia de marketing bem definida, duas partes, pode-se somar o menor do projeto. É um erro. No caso de proutilizando recursos captados através custo de produção com um direciogramas de televisão, os custos de veicudas leis de incentivo à cultura, pode namento para a segmentação. Isto lação são tão pertinentes quanto o custo render frutos imediatos. proporciona menor custo de mídia do papel para a impressão de um livro A movimentação entre produtoras e ou do aluguel de sala e da divulgação em para patrocinadores e maior volume canais de TV, especialmente de TV a de negócios para ambas as partes. um projeto de teatro. cabo, para fechar co-produções visando A Lei do Audiovisual também permite (Colaborou Paulo Boccato) o próximo ano é intensa. Muitas vezes, que o produtor apresente custos de porém, alguns interesses conflitantes comercialização no orçamento. Além * Renato Bulcão é diretor de marketing da impedem o sucesso das negociações. do pagamento integral da despesa de TV Cultura e professor da ECA-USP.

a u d i o v i s u a l

Programação incentivada

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c a p a Emerson Calvente

formação

audiovisual

O mercado precisa de profissionais com uma

formação geral muito sólida, com boa capacidade de comunicação tanto em língua portuguesa quanto em língua inglesa e domínio de conceitos e princípios científicos gerais.

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O setor produtivo é quase unânime ao apontar as características desejadas para o profissional do futuro. A formação cultural geral é fundamental, independente da função ou cargo ocupado pelo profissional no processo de produção. Até agora, o início de carreira, normalmente, é fruto de indicação, sem nenhuma preparação. Para Anita Maria Marino, da área de Seleção e Treinamento da TV Bandeirantes, “o profissional tem de se manter atualizado em relação ao surgimento de novas tecnologias, além de aprender e executar outras funções que não a sua própria. Hoje não é possível admitir um profissional sem formação, com baixo nível de

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conhecimento técnico e cultural como ocorreu no surgimento da televisão”. Além da formação, o comportamento e o relacionamento social são qualidades avaliadas. “Uma das características profissionais deve ser o equilíbrio emocional na relação pessoal-profissional”, opina Ana Maria Paterno, da Divisão de Seleção e Desenvolvimento de RH da TV Cultura. Por esses critérios, há poucos profissionais perfeitos no mercado, principalmente na chamada área operacional (técnica) das emissoras de TV. Por isso, “a empresa forma seus profissionais em cursos internos de especialização e concede promoções: os melhores profissionais são os escolhidos para operar os melhores equipamentos”, explica Vera Lúcia Martins, assistente social do Departamento de RH da TV Record. A TV Bandeirantes caminha para a definição de um plano de carreira para seus funcionários que deve motivar o profissional a se dedicar mais e almejar novas colocações. Mantém cursos e treinamentos para cada novo equipamento que adquire, com instrutores internos especializados, além de oferecer e subsidiar cursos de inglês e espanhol. As reciclagens são constantes, pois “quando um profissional executa durante muito tempo apenas um trabalho específico tende a tornar-se limitado”, sustenta Anita. Na TV Cultura, há algum tempo foi realizado um curso relacionado à música erudita para estimular a percepção dos técnicos envolvidos em uma gravação de programas deste gênero. Apesar dos investimentos em qualificação, muitas vezes o profissional técnico não deseja ocupar cargos hierarquicamente superiores, como um cargo de supervisão. Anita Marino identifica o caso e respeita o profissional: “Corre-se o risco de se perder um


excelente técnico e ainda não ter um bom supervisor”, pondera. Com ela concorda Vera Lúcia da TV Record: “São poucos os profissionais técnicos que desejam ascensão. Normalmente esses profissionais querem especialização naquilo que fazem, buscam ser os melhores em suas funções”.

pesquisa O start para a reforma curricular proposta pelo Ministério da Educação e Cultura (leia box) foi a realização de um estudo dos processos de produção das diferentes famílias ou áreas profissionais. Elizabeth Fadel, consultora autônoma em educação contratada pelo MEC, realizou uma pesquisa (dividida em duas etapas) para produzir um documento para balizar a elaboração das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Profissional de Nível Técnico na Área de Comunicação. “Entendendo que tinham um papel a cumprir na definição dessas diretrizes, profissionais talentosíssimos quiseram colaborar”, revela Elizabeth. A primeira etapa envolveu consultas a diversas entidades representativas de trabalhadores e empregadores, como Almap, Talent, Conar, Abert, Rede Bandeirantes, Sindicato dos Radialistas de São Paulo, Sindicine e Senac, e culminou com a delimitação do universo da área. A segunda etapa envolveu entrevistas com 31 profissionais com atuações significativas e reconhecidas nas diferentes funções e subfunções da área, entre eles Fernando Meirelles e Célia Regina Ferreira Santos (O2), Bruno Wege (Casablanca), Otavio Clemente (Abertura). O documento está no Conselho Nacional de Educação e indica que ingredientes à Educação Profissional na área de comunicação devem necessariamente ter e as matrizes

que identificam as competências, as habilidades, as bases tecnológicas, científicas e instrumentais que precisam ser do domínio de um profissional dessa área. Ao todo são seis funções e 16 subfunções: elaboração de roteiros, pré-produção, captação de imagens e sons, edição e finalização, direção, entre outras. Em março/abril de 1999 o MEC deverá divulgar as diretrizes que, enfim, indicarão as condições para uma boa formação profissional.

escolas Todos os profissionais entrevistados para a elaboração das diretrizes curriculares ressaltaram a importância BASE EDUCACIONAL A Lei de Diretrizes e Bases (LDB), promulgada em 20 de dezembro de 1996, estabeleceu a separação do Ensino Médio (antigo 2º grau) da Educação Profissional (2º grau profissionalizante). A Educação Profissional foi considerada complementar ao Ensino Médio e por força do Decreto nº 2.208, o MEC deveria repensar as diretrizes curriculares da Educação Profissional. Para isso patrocinou estudos e pesquisas dos processos de produção das diferentes famílias ou áreas profissionais, entre elas a Comunicação, para atender às reais necessidades do mercado de trabalho.

da escola no processo de formação e qualificação profissional. Porém, esses profissionais não acreditam nos cursos da forma que são hoje, quase totalmente teóricos e desvinculados da realidade de produção do mercado de trabalho. Os cursos deveriam estar muito próximos dessa realidade, orientando segundo as necessidades não apenas técnicas mas considerando a diversidade de situações encontradas pelo profissional no dia-a-dia. A escola para essa área precisa ser um espaço de discussão e realização

de projetos de comunicação, orientados pela pesquisa, fundamentados teoricamente por especialistas, técnicos em equipamentos, mas que culmine com a realização concreta de projetos. Para Anita Marino, “as escolas não devem apenas mostrar as emissoras aos seus alunos, mas buscarem uma relação de parceria em que todos os envolvidos (alunos, escolas e emissoras) possam ser beneficiados”. O Centro de Comunicação e Artes do Senac, em São Paulo, escola participante do Grupo Consultivo formado por Elizabeth Fadel, esforçase em diminuir a distância entre a escola e o mercado. Oferecendo cursos técnicos profissionalizantes na área de TV e Vídeo, “o Senac está trabalhando em parceria com as emissoras de TV e promovendo eventos com profissionais reconhecidos no mercado”, revela Mario Luis Buonfiglio, consultor da Área de TV, Vídeo e Cinema da entidade. É necessária a possibilidade de uma gestão de contratos flexíveis onde o profissional competente e bem-sucedido no mercado possa colaborar em oficinas concentradas, workshops, palestras etc., como professor convidado. É impossível que esse profissional submeta-se a jornadas de trabalho fixas e a salários muito inferiores ao que ele recebe em seus trabalhos de rotina. Enfim, “o comunicador é um educador e a comunicação é muito mais poderosa do que a escola. Se neste país nós quisermos fazer algo pela educação e pelo nível cultural, temos de trabalhar pela comunicação. Com a formação de bons comunicadores, que enxerguem seu papel no desenvolvimento social, estará se fazendo muito pela educação”, opina Elizabeth Fadel e dá a uma dica: “Os profissionais mais bem-sucedidos que foram entrevistados declararam que leêm muito, freqüentam assiduamente os cinemas e exposições e gostam muito daquilo que fazem”.

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c i n e m a Paulo Boccato

entenda

Longas brasileiros começam a ser rodados no formato que, hoje, é a maneira mais utilizada para se conseguir a imagem mais horizontal possível, sendo o substituto natural dos formatos conhecidos pelo nome genérico de CinemaScope.

O Super-35 começa a ganhar terreno no cinema brasileiro. Filmes recentemente lançados, como “Central do Brasil”, de Walter Salles; “Lua de outubro”, de Henrique de Freitas Lima; “Ação entre amigos”, de Beto Brant; “Amor & Cia.”, de Helvécio Ratton, além de “VillaLobos”, de Zelito Viana; “Oriundi”, de Ricardo Bravo, em finalização; e “Castelo Rá-Tim-Bum”, de Cao Hamburger, em pré-produção, buscam o formato, que consiste em filmar imprimindo a imagem em toda a área disponível do negativo 35 mm, incluindo a banda reservada ao som, para conseguir uma imagem em tela larga (widescreen) nas salas de cinema, o chamado aspecto 2,35:1. O aspecto mais horizontal da imagem sempre foi associado ao cinema de grande indústria. Até meados dos anos 80, era conseguido através da utilização de lentes anamórficas (que servem para comprimir a imagem) já durante o processo de filmagem, em formatos como o Panavision (este, na

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verdade, chegando a 2,40:1), o inglês Technovision e o outrora popular CinemaScope. Esses formatos trazem dois problemas, agravados com a chegada do homevideo. Primeiro, as lentes anamórficas são muito pesadas ou muito escuras, ou seja, para que tenha uma boa luminosidade, essas lentes necessitam de um elemento óptico muito complexo e dificultam filmagens que precisam de muita agilidade ou pouca luz. Segundo, por utilizar a anamorfização já no momento da captação, esse tipo de filme sofre problemas na hora da telecinagem. O negativo original comprimido exige que a imagem seja cropada para o vídeo (telecinada com tarjas em cima e em baixo da tela), para que não haja perdas, ou que seja feito pan e scan (reenquadramento da imagem disponível, destacando apenas o que se considera mais importante), com perda de grandes áreas da imagem filmada. O Super-35 surge como alternativa. Além de inúmeras vantagens na hora de filmar e telecinar, abre a possibilidade de se trabalhar traillers em tela plana (1,85:1) e em diversos outros aspectos.

ágil e versátil Desenvolvido para as filmagens de “Ases indomáveis” (“Top gun”), em 1983, que exigiam equipamentos extremamente leves e luminosos para as complexas cenas de ação, a bitola popularizou-se nos últimos dez anos, sendo a menina dos olhos de cineastas como James Cameron, por exemplo (nos EUA, o Super-35 é conhecido também como “Cameron format”). Por não exigir anamorfização

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imediata, o Super-35 utiliza lentes e câmeras normais para a filmagem. Com uma vantagem clara: o negativo é impresso full frame, facilitando uma eventual telecinagem sem tarjas e dando várias possibilidades ao finalizador no momento de escolher o formato mais adequado para exibição em vídeo ou cinema. Essa situação traz como conseqüência uma popularização do aspecto de tela 2,35:1 em cinematografias off Hollywood, especialmente a francesa. Apesar de tudo, o Super-35 não é o formato mais adequado em muitos casos. A primeira coisa que se deve levar em conta antes de se decidir por ele é a linguagem do filme. Narrativas centradas em poucos personagens, em câmeras subjetivas ou em cenários mais verticais ficam muito mais interessantes nos velhos e bons aspectos 1,85:1 (standard americano) e 1,66:1 (standard europeu), mais quadradinho. O fotógrafo Marcelo Dürst dá um bom exemplo. “Usamos o S-35 no ‘Ação entre amigos’ porque era um filme onde o personagem principal era um grupo de amigos. Nesse caso, tínhamos vários planos fechados com os quatro companheiros simultaneamente na tela e a relação entre eles nesse mesmo espaço era muito importante”, explica. “Já o filme seguinte que fiz, ‘Estorvo’, de Ruy Guerra, é todo narrado sob a perspectiva de um único personagem. Uma coisa mais fechada, claustrofóbica, por isso optamos pela janela 1,85:1. Agora, com o ‘Castelo’, vamos buscar uma grandiosidade que diferencie o produto de cinema do programa de TV”, compara Dürst.


Apesar de utilizar lentes e câmeras normais, o Super-35 exige uma escolha cuidadosa desse tipo de equipamento.

o super-35 “O Super-35 é um formato ideal para paisagens, planos abertos ou em que a relação entre o primeiro plano e os fundos do quadro seja importante”, explica José Tadeu Ribeiro, diretor de fotografia de “Amor & Cia.”. “Por outro lado, exige maior recuo em planos médios, por exemplo, que jogam muito com a questão da altura”, completa.

adequação à linguagem Walter Carvalho, diretor de fotografia de “Central do Brasil” e “VillaLobos”, defende o uso moderado do formato. “Há uma certa tendência em se utilizar a novidade pela novidade, colocar a tecnologia na frente da linguagem, e isso é muito perigoso. O uso do Super-35 deve ser muito bem pensado. No filme do Salles, era perfeitamente adequado. O filme começa com cenas numa estação de trem, um espaço horizontal, onde procuramos trabalhar com teleobjetivas para aumentar a sensação de opressão daquelas pessoas no espaço. Depois, à medida que caminhamos para o sertão, fomos utilizando lentes mais abertas, mais travellings, os personagens foram se descobrindo, tornando-se livres, mas ainda em um espaço privilegiadamente horizontal”, conta Carvalho. “Em filmes onde predominam os cenários verticais, o Super-35 não é recomendado”, completa. Apesar de utilizar lentes e câmeras normais, o S-35 exige uma escolha cuidadosa desse tipo de equipamento, que deve ser o mais preciso possível. O formato sofre

um processo de truca óptica, com passagem obrigatória por um master (interpositivo, por contato) e por um internegativo anamorfizado em laboratório. Por isso, a imagem impressa deve ser perfeita. Isso se reflete também na escolha dos negativos. Películas mais sensíveis se prestam menos ao Super-35, apesar da baixa granularidade dos negativos modernos, mesmo daqueles com mais de 400 ISO. Problemas de subexposição também tendem a ser amplificados em filmes pensados para finalização em 2,35:1. “É importante que o negativo exposto tenha uma densidade ótima”, acentua Ribeiro.

alinhamento Outra preocupação freqüente nas filmagens é o enquadramento. O fotógrafo deve sempre enquadrar pela janela 2,35:1, se seu produto tiver como finalidade maior a tela de cinema, mas é importante prestar atenção nas partes superior e inferior do quadro para utilização no momento da telecinagem (na verdade, essa janela pode ser situada no centro do fotograma - common center - que potencializa a nitidez das lentes por utilizar seu centro óptico, ou no extremo superior do quadro - common top - para os casos em que se utilizam muitas câmeras simultâneas e não há controle absoluto do visor). Nos dois casos, deve ser observado o quadro de TV no despolido da câmera. Mais uma vez, esse quadro pode ser alinhado pelo centro ou pelo topo da imagem. Alguns fotógrafos sentem-se incomodados

com essa situação. “Essa história de pensar em vários quadros dificulta muito o processo de filmagem. O ideal é deixar o quadro perfeito para o 2,35:1 e trabalhar com tarjas na cópia de vídeo”, diz Carvalho. “É meio chato ficar subindo a luz mais do que o de costume”, reclama Ribeiro. Se for utilizar tarjas na cópia em vídeo, o fotógrafo tem uma preocupação a menos no momento de enquadrar, podendo baixar os refletores e subir os trilhos e cabos, já que a imagem impressa fora da janela 2,35:1 não será utilizada. Caso contrário, a preocupação com a presença indiscreta de equipamentos de iluminação e maquinaria, além do tradicional microfone em quadro, deve ser redobrada, embora a finalização em vídeo possibilite “passar uma borracha” em eventuais distrações. O finalizador José Augusto De Blasiis sugere que se filme com o alinhamento pelo alto (common top), mais usual nos Estados Unidos. “Com isso, os limites superiores do quadro serão semelhantes em qualquer formato final e se evita a preocupação com bandeiras e booms aparecendo em cena”, diz. A defesa do alinhamento pelo centro (common center) é baseada no princípio de que o centro da lente é sua região de maior nitidez. Além disso, o common top sai prejudicado quando são utilizados muitos movimentos de zoom, causando uma leve distorção na imagem.

o s u p e r - 3­ 5 e a t v Se o produto tem veiculação prioritária na TV, o uso do Super-35

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ci n e m a

A indústria norte-americana de TV já tem utilizado o S-35 com três perfurações, em vez de quatro, com economia de 25% de negativo e aspecto mais próximo ao 16 x 9, padrão para a HDTV.

tem duas vantagens. Com a imagem alinhada pelo centro, ganha na qualidade das lentes. Ao mesmo tempo, o formato é bastante adequado ao aspecto de tela 1,78:1 (16 x 9), padrão no sistema de HDTV. Dürst trabalhou na série “From earth to the moon”, produzida nos Estados Unidos pela HBO, toda rodada em S-35. “A opção pelo formato já foi pensada em termos de distribuição para HDTV”, explica. Se eventualmente for distribuída em cinema, a série terá de passar necessariamente por uma truca para redução. A indústria norte-americana de TV já tem utilizado o Super-35 com três perfurações, em vez de quatro, com economia de 25% de negativo e aspecto mais próximo ao 16 x 9. “Com a expansão mundial do HDTV, esse formato pode vir a ser adotado também para as produções de cinema. Nesse caso, pode ser que o 2,35:1 torne-se standard”, especula De Blasiis. O processamento em laboratório de filmes rodados em Super-35 exige uma passagem obrigatória pela truca. O material revelado é telecinado com ou sem tarja, dependendo do formato final pretendido pelo realizador. Após a

montagem, a marcação de luz é feita em cópias mudas com a imagem impressa também na banda sonora (não-anamorfizadas). “Recomenda-se tirar essa cópia-base um pouco mais clara, para depois apertar na cópia definitiva”, diz Ribeiro. Após essa etapa, é feita uma master interpositiva ainda sem anamorfização e por contato, com baixo contraste. Finalmente, chegamos ao format dupe, o internegativo anamorfizado (comprimido), a partir do qual serão tiradas as cópias finais. Essa é a parte óptica do processo, que tende a acentuar o grão. “Por causa disso, filmes com trucagens ópticas excessivas tendem a perder qualidade se rodados em Super-35”, avisa De Blasiis.

cópias finais Esse processo costuma encarecer a finalização de um longa, mas no caso de filmes com distribuição garantida de pelo menos dez cópias, a passagem pelo internegativo seria de qualquer modo necessária. Nesse caso, o encarecimento provocado pelo Super-35 refere-se apenas ao momento da anamorfização, o que não representa mais de 10% do custo total de finalização. Os produtores brasileiros têm recorrido

a laboratórios norte-americanos nessa etapa do processo. “O melhor lugar para se fazer a anamorfização é o CFI, em Los Angeles, que possui uma lente especialmente desenvolvida para isso por James Cameron, na época do ‘True lies’”, conta o fotógrafo Dürst. O filme pronto para chegar às telas de cinema deve passar por lentes de projeção que desanamorfizem a imagem comprimida das cópias. A maioria das salas comerciais dispõem dessas lentes, o que torna os riscos de erros de projeção menores do que aqueles que vitimam os filmes realizados com janela 1,85:1. “Se o projecionista não colocar as lentes especiais, o filme 2,35:1 simplesmente não passa. Já no caso do 1,85:1, onde é fundamental mudar a janela, corre-se o risco do projecionista manter uma janela 1,66:1 e, se você não tiver a sua janela queimada na cópia, será aquele festival de microfones e refletores no alto da imagem”, explica Dürst. Um risco adicional bastante comum no caso do 1,85:1 é o projecionista trocar a janela, mas manter as lentes para 1,66, com a conseqüente redução no tamanho da imagem que bate na tela.

Não disponivel

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f e s t i v a l

CURTAS SÃO ATRAÇÃO EM VITÓRIA Nas telas e nos projetos em andamento, o curta cresce e aparece no festival capixaba.

O curta-metragem teve espaço de destaque na quinta edição do Vitória Cine Vídeo, ocorrida na capital capixaba entre os dias 16 e 21 de novembro. Pela segunda vez consecutiva organizado como uma mostra competitiva nacional de curtas e vídeos, o festival mostrou fôlego para se firmar como um dos mais importantes espaços de exibição do formato no País, com a apresentação de 28 curtas e médias e 30 vídeos, provenientes de 13 Estados brasileiros. A produção local esteve presente com dois curtas e 17 vídeos. A programação do evento também privilegiou o formato nos debates ocorridos e ao sediar o quinto encontro nacional da Associação Brasileira de Documentaristas em 22

98. A ABD está vinculada à luta para fortalecer a produção e exibição de curtas. Foram exibidos ainda seis filmes de longa-metragem fora de competição. A exibição de “Amor & Cia.”, no encerramento, coincidiu com o anúncio de que o longa de Helvécio Ratton acabara de receber os prêmios de melhor filme, roteiro, diretor e atriz (Patrícia Pillar) na competição ibero-americana do Festival de Mar del Plata. Entre os premiados, destaque para “Amassa que elas gostam”, de Fernando Coster, vencedor nas categorias Melhor Filme do Júri Popular, Atriz (Malu Bierrenbach) e Montagem (Cristina Amaral); “Uma história de futebol”, de Paulo Machline, melhor Ficção e Ator (José Rubens Chachá); “Simião Martiniano, o camelô do cinema”, de Ílton Lacerda e Clara Angélica, melhor Documentário; e “Pai Francisco entrou na roda”, de Marcos

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Magalhães, melhor Animação (veja a relação completa no site www.telaviva.com.br).

camelô do cinema O pernambucano Simião Martiniano, tema do documentário vencedor, foi uma das atrações do festival. O camelô do cinema esteve presente acompanhando a retrospectiva de seus longas realizados em vídeo. Martiniano roda suas histórias com recursos próprios e atores amadores recrutados por sua escola de interpretação, o Grupo Cine Teatro Clênio Wanderley. Com títulos como “O herói trancado”, “A mulher e o mandacaru” e “O vagabundo faixa preta”, seus filmes são construídos, segundo o próprio autor, “dentro das quatro linhas: ódio, amor, tristeza e violência”. Seus atores passam por testes de atuação que avaliam, entre outras coisas, a capacidade de simular um “ataque de doideira”, morte por tiro de revólver e o “comportamento de um pobre entrando na casa de um rico”. “Você pode entrar em qualquer locadora do Recife e perguntar qual é o filme brasileiro mais alugado, que será um dos meus”, garante Martiniano, que finaliza “A moça e o rapaz valente” e um remake de seu longa de estréia, “Traição no sertão”, rodados em Beta (os primeiros filmes eram feitos em VHS ou Super-VHS). “A primeira vez não ficou muito bom.” O diretor prepara-se também para filmar a continuação de “A mulher e o mandacaru”, com “mais sexo e violência”.

produção local O curta também está presente nos projetos de cineastas capixabas em processo de captação de recursos, contando com a aprovação da Lei Municipal Rubem Braga, que concede isenção de IPTU e ISS aos investidores em projetos culturais em Vitória. “Virgínia Tamanini do Espírito Santo”, de Lúcia Caus, é um documentário sobre a poetisa capixaba que foi


N達o disponivel


f estival

POLÍTICAS PARA O CINEMA LOCAL Foi criada, no último mês de agosto, a Câmara Estadual do Audiovisual, vinculada à Agência de Desenvolvimento em Rede do Espírito Santo. Com atuação autônoma e participação de entidades empresarias, classistas e da Universidade Federal do Estado, o órgão pretende estabelecer metas para gerir o desenvolvimento da indústria audiovisual no Espírito Santo. A realização de um seminário no mesmo mês, com participação do Ministério da Cultura, CVM, Andima e produtores de cinema foi o passo inicial para implantação da iniciativa. “Pretendemos auxiliar os produtores locais na captação de recursos e educar o empresariado sobre a importância do investimento em cinema, como forma de gerar empregos e desenvolver o turismo no Estado”, afirma Clóvis Vieira, da Vieira & Rosemberg, empresa que prestou consultoria na elaboração do projeto. Segundo Vieira, a Câmara será dividida em quatro comissões técnicas: Apoio à Produção e Locações, uma film commission coordenada pela Secretaria de Cultura e Esporte; Análise de Projetos, sob a supervisão do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (Bandes); Formação, Capacitação e Reciclagem de Profissionais, de responsabilidade do Sindicato de Artistas e Técnicos; e Incentivo à Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico, com a coordenação da Universidade.

Não disponivel

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uma espécie de Chiquinha Gonzaga da cultura local, escrevendo romances, peças de teatro e artigos em jornais numa época em que a mulher não tinha sequer direito ao voto, nas primeiras décadas do Século XX. O filme mistura cenas documentais e reconstituições, contando um pouco sobre a imigração italiana no Espírito Santo e a vida no então inóspito interior do Estado, temas que fazem parte da biografia da poetisa. Orçado em R$ 145 mil, com captação de R$ 50 mil pela Lei Municipal e produção da Galpão, o filme deve ser rodado no primeiro semestre de 99. “Mamãe ama meu revólver”, de Ricardo Néspoli, com roteiro e direção de fotografia de Alex Krusemark, é um curta de ficção baseado em fato real ocorrido no Estado: um rapaz com forte fixação edipiana, ganha um revólver com sete anos de idade. Quando adulto, torna-se o assassino de todas as mulheres que engravida. Orçado em R$ 145 mil, com R$ 40 mil em captação, o filme terá produção executiva de Beatriz Lindenberg, direção de arte e figurinos de Orlando da Rosa Farya e Saskia Sá e trilha sonora de Jaceguay Lins. “O ciclo da paixão”, do cineasta, ator e jornalista Luiz Tadeu Teixeira, vai mostrar, em quatro seqüências, o encontro, a descoberta, a entrega e o

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desencontro em um relacionamento amoroso. A originalidade da proposta está em que o protagonista masculino jamais será mostrado, sendo que seus movimentos e seus pontos-de-vista serão sempre reproduzidos pela própria câmera. A direção de fotografia será de Ramón Alvarado, um dos mais importantes nomes do cinema local, e a trilha sonora de Jaceguay Lins.

passado e futuro O passado e o futuro do cinema capixaba aparecem condensados nos documentários em vídeo realizados por alunos da Universidade Federal do Espírito Santo, reunidos em um grupo de pesquisa sobre o cinema local, sob a orientação de Orlando Bonfim. “Na parede, na toalha, no lençol” é um ágil e interessante documento sobre o movimento cineclubista local, com direção de Luciana Gama, Virgínia Jorge, Ursula Dart e Lizandro Nunes e participação de Thais Sabbagh, no roteiro, e Gustavo Feu, na produção. Um segundo vídeo já realizado, fala sobre a figura de Ramón Alvarado, e há previsão da feitura de um terceiro, sobre os primórdios da cinematografia capixaba. Paulo Boccato


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MA Lizandra

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Almeida

VAPOR E GELO

A competição entre o ferro a vapor ...

O deslizar de um ferro de passar roupas é comparado à velocidade do speed skating, esporte olímpico de inverno, no lançamento de um novo modelo de ferro da Arno. O speed skating é praticado nos países participantes das Olimpíadas de Inverno e, a grosso modo, é uma corrida sobre patins de gelo. Para mostrar a disputa entre o ferro e uma corredora, a produção teve de encontrar não só uma atleta como um local adequado para a demonstração. Depois de pesquisar locações nos Estados Unidos e Europa, a opção escolhida foi o estádio de Calgary, no Canadá. A atleta também foi selecionada entre os membros da equipe olímpica local e é a quarta do ranking mundial. “Só poderíamos trabalhar com uma profissional, mas queríamos que fosse uma pessoa bonita e feminina, com um tipo físico que não destoasse muito do brasileiro”, explica o diretor João Daniel Tikhomiroff. Para atingir a velocidade necessária, os esportistas precisam de uma ampla área. Para se ter uma idéia, o local onde foram feitas as filmagens é equivalente a dois campos de hóquei. O comprimento percorrido totalizava 100 metros, mas a corredora vinha de longe para pegar o impulso necessário.

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O filme mostra um ferro de passar roupas correndo sobre tábuas de passar ao lado de uma corredora vestida em uniforme prateado. Dada a largada, os dois mantém-se lado a lado até o fim, quando a atleta segura o ferro no ar. Para mostrar a competição, foram usados recursos de pós-produção. O ferro nas mãos da atleta é o modelo filmado, mas quando em movimento torna-se virtual, construído em computação gráfica. A designer Laís Dias, da Terracota, reconstruiu em computador o ferro e o aplicou sobre as tábuas, acrescentando todo tipo de interferência para que se assemelhasse ao máximo à cena em geral. Mesmo nas cenas onde o ferro é real, o vapor foi aplicado. As cenas em close foram feitas com a tábua filmada em bluescreen, com aplicação do ferro e também do fundo. “Durante as filmagens, captamos algumas cenas do fundo sozinho para ser usado em recorte”, explica Laís. Conforme o ferro vai deslizando sobre as tábuas, sofre vibrações, dá pequenos saltos entre uma e outra e seu fio balança o tempo todo. “O ferro foi gerado nos mesmos parâmetros da filmagem, pois algumas cenas foram filmadas a 120 quadros, outras a dez”, F I C H A

T É C N I C A

Cliente: Arno Agência: Young & Rubicam Produto: Ferro a vapor Produtora: Jodaf Direção: João Daniel Tikhomiroff Produção Executiva: Sérgio Tikhomiroff Fotografia: Larry Gebhardt Telecine: Casablanca Montagem: Zeca Sadeck Trilha: Play it Again Efeitos especiais: Terracota Finalização: Terracota

TELA VIVA dezembroDE 1998

... e uma atleta de speed skating.

diz Laís. Por cima, muito grão, muito blur e glow, e todas as referências de luz e foco. Inclusive para manter essa referência é que as tábuas foram realmente filmadas. Ao todo, 80 tábuas alinhadas. O fio, em algumas cenas, foi pintado quadro a quadro e distorcido de acordo com o ambiente filmado. Algumas cenas contaram com recursos especiais de filmagem. Em uma delas, a atleta move-se lentamente, como em um balé. Em outra, ao frear, espirra um jato de neve. Em ambos os casos, a câmera usada movia-se a 340 quadros/segundo. As imagens foram captadas com uma câmera Photosonic. Seu chassi comporta apenas mil pés de filme, o que permite a filmagem de apenas duas cenas. Isso porque a câmera demora a atingir a velocidade ideal, para não arrebentar o negativo, que ainda passa por oito grifas. Outras cenas são filmadas de baixo para cima ou são closes dos patins. Nesse caso, foi usada uma Arriflex 435 portátil, de 35 mm, presa no pé de outro patinador, que fez as vezes de operador de câmera patinando de costas em frente à corredora-atriz. “Apesar de a câmera 435 chegar a 150 quadros, optamos pela mais rápida porque, na velocidade atingida pela corredora, os movimentos borrariam a imagem de qualquer jeito”, conta o diretor.


Fichas técnicas de c o m e r c i a i s

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LAGARTIXAS CANTORAS Duas lagartixas cantam um bolerão em homenagem à nova textura das paredes, pintadas com tintas da Suvinil. Desde a sinopse, a agência pedia dois personagens o mais próximo possível do real, sem animação convencional, nem computação gráfica, nem massinha. A solução encontrada pela Trattoria di Frame foi a criação de bonecos com animatronics, filmados ao vivo. O modelo foi construído em tamanho muito maior, com 50 cm, em espuma de látex. Os bichinhos foram esculpidos em massa de modelar tipo plástica, a partir da qual foi feito um molde, recheado com a espuma de látex e mais um esqueleto de aço para o corpo e uma cabeça eletrônica. Pintadas à mão com aerógrafo, as lagartixas partiram de referências realistas, com cabeça e olhos maiores, “para dar mais simpatia”, conforme explica o diretor Guilherme Ramalho. “Quando estudamos a cara real da lagartixa, vimos que ela se assemelha a uma cobra. Por isso, acrescentamos um traço mais infantil”, completa. Em função do modelo, o cenário todo foi criado em tamanho maior. Ao lado das lagartixas, um interruptor de 60 cm, instalado em uma parede de oito metros de pé direito. Por baixo da pele de lagartixa, escondia-se uma estrutura controlada por varetas. A cabeça era controlada por um cabo. Olhos, boca e pálpebras moviam-se por radiocontrole. Patas, rabo e corpo foram comandados por varetas operadas por mímicos. A engenhoca foi criada pela equipe da Chiodo Bros., empresa especializada em efeitos especiais de Los Angeles, também responsável pelos premiados bonecos do filme de Cup’O’Noodles. “Essa técnica praticamente não é mais uma animação, mas efeito especial ao vivo. Não tínhamos como fugir da

As simpáticas largatixas foram...

... movidas por diversas engenhocas.

construção real do modelo, pois o 3D é frio e não era previsto. Podíamos optar por dois caminhos: ou animação quadro a quadro em stop motion ou o animatronics”, explica Ramalho. O uso do animatronics permitiu também que as cenas pudessem ser refilmadas quando necessário, já que eram encenadas ao vivo. Em primeiro lugar, foi criada a trilha, usada como som guia para a “dublagem” das lagartixas. Segundo o diretor de criação Fábio Fernandes, a possibilidade de filmar ao vivo permite a criação de planos mais longos. Ao contrário da animação convencional, os movimentos do animatronics também são mais suaves. “Nossa referência inicial de padrão de qualidade eram os sapos da Budweiser”, afirma Fernandes. “Por isso, as lagartixas precisavam ser filmadas e não criadas em computador.” A criação previa, inicialmente, apenas o canto das lagartixas e a entrada discreta da família que também habita a casa recentemente pintada. No final, decidiram incluir uma gag. As lagartixas olham para a família e fazem um comentário estranhando que os humanos andem pelas paredes! Para poder apagar as varetas em pós-produção, foi usado o Motion Control da Casablanca, o que permitiu a substituição do fundo

e a sincronia dos movimentos. O cenário foi montado na horizontal, com a câmera tombada, para dar mais liberdade de movimentos. Na montagem, a cena das lagartixas foi virada e montada com a cena sem truques, filmada em separado. O diretor de criação explica que o filme faz parte da reformulação da programação visual da Suvinil, que renovou suas embalagens, sofisticandoas com um grande “S” em dourado. O filme vem auxiliar a reforçar essa mudança, mas os personagens têm tudo para se tornarem bastante lembrados e, quem sabe, voltarem ao ar em novos filmes. “Costumamos criar campanhas com conceitos de longo prazo, mas nada está definido em relação aos personagens”, afirma o diretor, fazendo suspense. F I C H A

T É C N I C A

Cliente: Basf Agência: F/Nazca Produto: Tintas Suvinil Produtora: Trattoria di Frame Direção: Guilherme Ramalho Fotografia: Adriano Goldman Efeitos especiais (bonecos): Chiodo Bros. Telecine: Casablanca Montagem: Guilherme Ramalho e Fábio Fernandes Trilha: Estúdio Tesis Finalização: Trattoria di Frame

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p r o g r a m a ç ã o Mônica Teixeira *

revelações por um fio Simpatias, aconselhamentos e previsões sobre o futuro. Tudo isto está ao seu alcance assistindo à programação de algumas emissoras de TV. Cartomancia, astrologia, numerologia, quiromancia: opções não faltam para quem aprecia o gênero.

Quem nunca tirou a sorte, leu a mão ou fez algum tipo de simpatia (coisas simples como desvirar um chinelo ou carregar algum objeto consigo para dar sorte)? Problemas todo mundo têm. Mas solução definitiva para eles, só alguns. E não é difícil encontrar essas pessoas. Bastam um aparelho de TV e uma linha telefônica. Alguns instantes na frente da tela são suficientes para se conseguir uma boa lista de números. Todos com pelo menos uma coisa em comum: o prefixo 0900. E é fácil imaginar o que acontece hoje quando a distância que nos separa da cartomante mais próxima é de apenas alguns poucos dígitos de telefone. Tudo com discrição total garantida, a menos que alguém veja a conta do telefone antes de você. Uma avalanche de magos, místicos, bruxos, feiticeiros e até mesmo professores (como alguns se intitulam) invadiu as televisões. Os místicos de plantão surgem durante um intervalo e outro, especialmente na madrugada, fazendo muitas promessas. 30

Orientação financeira, conselhos amorosos, sucesso no trabalho, autoconhecimento. Seja qual for o seu problema, haverá sempre uma solução, desde que você esteja disposto a esperar na linha tempo suficiente para ouvi-la, e a pagar por isso.

na linha ‑‑ Instituto Omar Cardoso, bom dia! Esta ligação custa R$ 4,95 por minuto e não pode exceder 15 minutos. Concorda? ‑‑ Sim. ‑‑ Qual o seu nome e data de nascimento? Com essas informações básicas, Jerusa já se sente pronta a fazer o diagnóstico astral. E pergunta: ‑‑ O que você gostaria de saber? ‑‑ Trabalho. ‑‑ Eu vou te dizer, primeiro, energeticamente... Falando rápido, a enviada do Sr. Omar Cardoso, faz análises da sua vida profissional, do ambiente de trabalho e dá conselhos. Tempo: quatro minutos. Custo: R$ 19,80. ‑‑ O que você usa para ver o destino das pessoas? ‑‑ Aqui eu estou usando a tela de astrologia e o tarô. Isso porque você foi muito objetiva e já disse que queria saber só sobre o setor profissional... Os serviços 0900 podem se transformar em fontes inesgotáveis de dinheiro. Principalmente, quando de um lado da linha tem uma pessoa infeliz com a vida e do outro, um ser que diz ter todas as respostas que ela procura... Os minutos passam voando. A pessoa pode até desligar com a sensa-

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ção de que está se sentindo melhor. Mas, com certeza, vai chorar quando receber a conta telefônica. A média de duração das ligações desses serviços telefônicos esotéricos é de seis minutos e o preço do minuto oscila de R$ 3,90 a R$ 4,95. Já o tempo de atendimento varia de acordo com a solicitação da consulente. Uma consulta de tarô e numerologia, por exemplo, pode levar mais de dez minutos. Os mais místicos podem até achar que a proximidade do final do milênio é que está fazendo aflorar o lado esotérico do ser humano. Mas há uma outra explicação bem menos celestial para o fenômeno. O nome? Walter Mercado. Ele bem que parece um ser do outro mundo. Cabelos loiros oxigenados, roupas extravagantes, maquiagem carregada com direito a batom e seu insistente “Ligue djá!”. Mas Walter Mercado é deste planeta. Porto riquenho, foi ator, dublador e dançarino antes de virar empresário das ciências ocultas. Em apenas três anos no Brasil, já ganhou a liderança no mercado de consultas místicas por telefone. O faturamento das empresas que comercializam a sua marca aqui deve chegar a US$ 30 milhões este ano. Foram estas cifras que despertaram em muita gente poderes extrasensoriais, dons de vidência até então adormecidos. Os serviços de disqueesoterismo pipocaram por toda parte.

ligue djá Nessa concorrência tem de tudo. Mãe Dinah, Professor King, Psychic Friends Network, Norma Blun e seus Magos, Leiloca Connection, Os Discípulos


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de Omar Cardoso, Núcleo entidade. O instituto existe há mais LÍDER ISOLADO Brasileiro de Magos e Místicos de 20 anos e hoje é dirigido por e muitos outros. Rostos e estilos De todos esses programas, o líder isolado é mesmo o do Omar Cardoso Filho. A empresa variam bastante. O discurso e os porto-riquenho Walter Mercado. Os números alcançados não divulga seu faturamento, nem o por Mercado são impressionantes: mais de 30 anos de serviços, nem tanto. número de ligações recebidas, muito experiência como astrólogo, três programas de TV (“Walter menos a sua estratégia de marketing. Dione Forti é jornalista e e as estrelas”, “Walter Mercado e os signos do amor” e “O astróloga. Seu apelo é mais “A concorrência é muito grande, não show de Walter Mercado”) vistos em mais de 15 países, sóbrio, científico. King, nascido podemos falar”, desculpa-se Marco programas de rádio veiculados em mais de 300 estações, na Nigéria e radicalizado no Antonio Setti, gerente operacional. colunas de jornais, sete livros sobre esoterismo e seu Brasil há muitos anos, é pro“A nossa filosofia é que nos difeserviço telefônico de consultas. fessor da USP. Atualmente faz rencia dos outros. Levamos sempre Walter Mercado estreou no Brasil em setembro de 1995 doutorado em sociologia. Além uma mensagem de otimismo às pescom seu serviço 0900, dando início a essa proliferação de Dionne Warwick outra cansoas. Procuramos não ser categóride programas esotéricos que hoje vemos na televisão tora também está se arriscando cos porque essas ciências não são brasileira. pelos caminhos místicos: exatas, tentamos orientar as pessoas Seu sétimo livro - “Além do Horizonte - visões do novo Márcia. Ela é estudiosa de para que elas possam resolver seus milênio” - já vendeu mais de 500 mil cópias só nos Estados astrologia há mais de 20 anos. problemas. Não usamos nenhum Unidos. A primeira edição em português foi de 50 mil Além dos “Caminhos místicos artifício para deixar a pessoa penduexemplares. Desde 1990, Mercado lança 12 CDs por ano, de Márcia”, nome da sua linha rada no telefone.” pela Sony. Um para cada signo. Só no último ano, vendeu 0900, ela tem um programa de A especialista em anjos Mônica cerca de 100 mil cópias. entrevistas esotéricas na Rede Buonfiglio foi uma das primeiras Para Walter Mercado, seu trabalho está embasado em Mulher chamado “Márcia e você”. experiências pessoais e em sua multifacetada formação esotéricas a falar do assunto na No comercial do Núcleo televisão. Durante oito anos, a acadêmica e paraacadêmica, que inclui o estudo de Brasileiro de Magos e Místicos, Rede Bandeirantes abriu espaço diversas correntes filosófico-religiosas como o hinduísmo, uma mulher loira, de cabelos diário para o assunto anjos e almas budismo, taoismo, cristianismo, entre outras, além de lisos e longos, e iluminada por gêmeas. Mas naquela época, não astrologia, cosmobiologia, parapsciologia e psicologia. luz azulada convida o telespectase falava ainda de 0900. No prodor a ligar. Búzios para equilibrar grama, ela atendia ligações ao vivo o assunto. O primeiro deles, “Exorcise suas finanças. Astros para orientar sua de pessoas com problemas finansua bruxa madrinha”, de 1994 (editora vida amorosa. A numerologia auxilia ceiros, familiares, amorosos. No ar, Obelisco), ganhou uma edição espanno trabalho. E o tarô ajuda você a se jogava os búzios ou lia as cartas do hola em novembro de 1997. conhecer melhor. Mas a lista das fertarô sem cobrar nada pelos conselhos. Seu serviço 0900 pode ser acesramentas de trabalho de adivinhos, Há pouco mais de um ano, Mônica sado 24 horas ao custo de R$ 4,49 cartomantes e amigos psíquicos teleBuonfiglio também aderiu à moda por minuto. O programa estreou no visivos não para por aí. Tem ainda do 0900. “Durante oito meses, ela dia 26 de dezembro de 1997. Sua I-Ching, baralho cigano, baralho dos relutou. Com a queda nas vendas dos minutagem varia de 60 a 100 mil anjos, runas, búzios e todas as suas seus livros, decidiu aceitar o convite minutos/mês. São 64 magos sempre modalidades e variações. da Teletv/Tecplan, uma das maiores a postos para atendê-los. Todos Da numerologia, por exemplo, plataformas de 0900 no Brasil”, diz cooperados da Cooperdata (leia surge a “limpeza de aura à distânseu editor e marido Urbano Valezim. box), mesma cooperativa utilizada cia”, disponibilizada pelo Leiloca Segundo ele, parte do lucro de Mônica por Walter Mercado. Connection. Em uma consulta como é destinada a doações para instituições Mas, para garantir a qualidade de essa você pode acabar desembolde caridade e projetos assistenciais. seu trabalho e preservar o seu nome, sando quase R$ 40,00 por aproxima“Consulte um anjo”, nome do seu serNorma Blun, durante algumas horas damente dez minutos de conversa. viço de consulta astral por telefone, é por dia, atende pessoalmente algumas Norma Blun fala pausadamente e se diferente da maioria dos 0900. das ligações e passa pelo menos um veste com discrição. Oferece seus O antendimento não é ao vivo. Trata-se dia inteiro junto aos seus atendentes conselhos psíquicos com gestos que de uma gravação da própria Mônica. para acompanhar o andamento do tratentam passar tranqüilidade e paz de A pessoa digita a data de nascimento e balho e se inteirar do que acontece. espírito. O envolvimento da ex-atriz ela diz o anjo do dia, dá uma dica esoda Rede Globo com o esoterismo térica, lê um salmo e as características tradição não é de hoje. Em 1994, ela já fazia o do anjo. “Não existe atendente porque programa de entrevistas “3º milênio”, isto é uma enganação”, argumenta Os profissionais que atendem o telena Rede Mulher, que foi ao ar de Valezim. “Existem serviços de anjos no fone no Insituto Omar Cardoso (nome agosto a dezembro daquele ano. Além Brasil inteiro e quando você vai ver, a pesde um dos mais conhecidos astrólogos disso, já publicou quatro livros sobre soa está com o livro da Mônica na mão”. brasileiros) são formados pela própria 32

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em torno de três a quatro minutos. “Já teve mês que o 0900 rendeu só dois mil reais. Os três últimos meses foram os melhores, com média de 20 mil ligações e R$ 22 mil reais. Ela não tem interesse comercial. O termo esotérico ficou pejorativo porque muita gente entrou nesse meio por dinheiro”, diz.

pura lógica E quem mais ganha dinheiro com isso no Brasil é Walter Mercado. O líder em chamadas fatura, pelo menos, R$ 100 mil por dia com as quatro mil ligações que recebe. O seu serviço de atendimento no Brasil funciona 24 horas. Tem capacidade para receber 196 ao mesmo tempo e conta com mais de 500 funcionários. Dos candidatos a atendentes, não se exige formação profissional ou conhecimento técnico. Todos devem obedecer um “manual de normas, procedimentos e métodos” e passar pelo crivo de um profissional escolhido pelo próprio Mercado. Avalia-se as habilidades específicas dos candidatos e, em seguida, estes são treinados para o atendimento. Além das chamadas diárias, Walter Mercado exibe ainda um infomercial de 30 minutos onde, depois de se apresentar, mostra depoimentos de pessoas que ouviram seus conselhos e se deram muito bem. O milionário do setor esotérico, tem um império espalhado pela América do Norte, do Sul e Caribe. Já publicou sete livros sobre o assunto (leia box) e ainda vende de sabonetes, velas e incensos a kits com amuletos. Em breve, vai lançar a sua coleção de jóias. O dono da vasta cabeleira loira está aterrissando no Brasil em dezembro para visitar as minas de ouro da joalheria Amsterdan Sauer, com que está em negociações. Além disso, vem lançar o seu clube de fidelidade, espécie de fã clube onde o sócio paga um mensalidade e recebe revistas e descontos na sua ligação de 0900. Walter Mercado pode não ter os dons de vidência que afirma ter, mas domina como poucos a mágica do marketing. No Brasil, a agência responsável pela 34

divulgação da sua imagem chamase Time Brokers. Ela é especializada em marketing de resposta direta, caso dos serviços de 0900. Tony Gil, vice-presidente da Time Brokers, trata de desvendar os mistérios da estratégia de Mercado. “Os horários marginais - fim de noite e período da manhã - são os melhores para anunciar. Principalmente durante a madrugada, a atitude do telespectador em relação à televisão é diferente. A audiência é diferente e a prosposta da programação também”, explica. Outro segredo é anunciar em emissoras com Ibope mais baixo. Por vários motivos: “Se a programação está FORNECEDORA MÁGICA

Com sete anos de vida e atuando no mercado esotérico há um ano e meio, a Cooperdata é a principal fornecedora de magos e místicos dos serviços 0900. Fundada por ex-digitadores do Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados), a cooperativa, que começou com 20 cooperados, hoje conta com mais de 1,8 mil, sendo que aproximadamente 350 deles atuam como místicos. A empresa atua como prestadora de serviços oferecendo registro, documentação e treinamento aos seus cooperados. Dependendo de suas habilidades e conhecimentos, um cooperado da Cooperdata pode atuar como digitador, operador de telemarketing ou de radiochamada, ou ainda atendente de consultas esotéricas.

genial, você não vai parar de assistir para telefonar. E ainda, não vale a pena colocar no ‘Jornal Nacional’, por exemplo, porque pode gerar um congestionamento no atendimento, o que não é interessante”. Nenhum mistério. Pura lógica publicitária.

justiça Para conseguir a plataforma técnica de ligações 0900 é preciso fazer um contrato com a companhia telefônica do Estado ou com a própria Embratel. Esta base técnica pode pertencer, ou não, ao provedor do serviço esotérico. No caso do Instituto Omar Cardoso, a plataforma é própria. O sistema de

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atendimento conta com 75 posições ou seja, capacidade para atender até 75 chamadas simultâneas - e funcionários que se revezam em três turnos. No Estado de São Paulo, o 0900 está na mira da Justiça. Até o fechamento desta edição, vigorava uma liminar proibindo a cobrança de qualquer valor agregado à conta telefônica. Muitos serviços continuam operando. Alguns deram um jeitinho inventando o serviço 900, sem o zero na frente, que está permitido. Mas Walter Mercado tirou o seu 0900 do ar por três meses. Os motivos vão além dessa confusão jurídica. A empresa PST, antiga detentora do direito de uso e exploração comercial da imagem de Walter Mercado teve uma briga societária e ficou devendo na praça. Agora, uma nova empresa chamada Midas, assumiu os negócios: “O Walter Mercado não deve mais em absolutamente nenhum lugar. Tudo já foi pago. Foi uma inadimplência temporária”, afirma Tony Gil. Mesmo assim, o programa está vetado na Rede Manchete. “A emissora não é muito favorável ao 0900. Se não pagou uma vez, a casa fica bastante inflexível”, argumenta um funcionário do departamento comercial da emissora A Manchete também anda atrás de um tal Professor Augusto. O mestre em astrologia anunciou seu serviço “Angel” duas vezes e deu um calote de R$ 70 mil. A agência de publicidade Projet, contratada pelo místico até hoje procura o tal professor, que deve ter usado seus poderes sobrenaturais para sumir sem deixar rastro. “Ele não pagou ninguém e eu não consigo achá-lo”, diz um dos diretores da agência”. “É um segmento onde aparece muito aventureiro”, argumenta Márcio Loducca, diretor de publicidade da CNT/Gazeta. “É óbvio que temos regras para fazer uma espécie de censura. Por exemplo, temos cuidado com empresas novas e estabelecemos um limite de anúncios. Mas é um negócio de risco”. Charlatães e canastrões não faltam. O futuro deles nem os astros, as runas, o tarô ou os oráculos poderão desvendar. Nesse caso, só o tempo dirá. * Colaborou Silvia Frota


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t e l e v i s ã o Bill McConnell

interesse público. Uma vitória da indústria de DBS é que a FCC permitiu aos operadores de satélite escolher a programação de interesse público que pretendem oferecer. O presidente da FCC, Wiiliam Kennard, refletiu os sentimentos dos vigilantes grupos da mídia, quando lhe perguntaram se grupos externos deveriam decidir, comprometendose em conseguir o apoio unânime da comissão. “Minha preocupação é 1996 para evitar que os broadcasters, que ao permitir que eles escolham os que receberam seu espectro de graça, programadores, a probabilidade de tenham uma vantagem injusta sobre os escolher uma programação variada seja operadores wireless (que conseguiram muito menor.” o espectro em leilão). Entretanto, a comissão costuma As taxas incidirão sobre serviços que limitar um programador de interesse não sejam as transmissões gratuitas público a apenas um canal. O mantidas pela publicidade. Entre programador pode ocupar mais de os serviços previstos estão os sinais um canal somente se não houver de áudio com qualidade de CD, pedidos pendentes de transmissão transmissão de dados e distribuição de de interesse público. Os comissários software para computador. republicanos Harold Furchtgott-Roth Os broadcasters que batalharam por e Michael Powell, argumentaram que taxas mais baixas, expressam sua o Congresso não autorizou a agência decepção com a regra: “Achamos que a impor essa limitação (Furchtgottum imposto menor incentivaria muito Roth descreveu isso como “um mais os broadcasters a oferecer o tipo mancha na obra-prima”). de serviço previsto pelo Congresso”, Os programadores terão de pagar disse Dennis Wharton, porta-voz da pela transmissão de interesse público, National Association of Broadcasters. mas as operadoras DBS só podem A NAB e a Association for Maximum cobrar até 50% de seus custos pela Service Television tentaram derrubar transmissão do canal. Para atender para 2%. Já o grupo de defesa pública às obrigações de interesse público, Media Access Project queria um o programador tem de oferecer imposto de 10%. conteúdo educativo e ser uma Mas o presidente da FCC, William organização sem fins lucrativos. A Kennard disse que a taxa de 5% era decisão da FCC deixa uma porta “justa para os broadcasters e justa aberta para joint ventures de grupos para o público”. sem fins lucrativos e operadores Outra grande derrota dos broadcasters comerciais, tais como o Discovery é que o imposto vai entrar em vigor já Channel. O pessoal da agência disse no próximo mês. A indústria queria que que as empresas de DBS precisam fosse adiado no mínimo por dois anos. ser discretas ao decidir o conteúdo qualificado pelas operadoras. limitações A FCC também propôs a retomada da exigência de recrutamento de A comissão solicitou comentários sobre mulheres e minorias derrotada por uma a possibilidade de os broadcasters das corte federal em abril. Sob o projeto TVs abertas oferecerem serviços por revisado, a FCC não compararia mais assinatura. E também exigiu que os o quadro de funcionários de uma operadores de transmissão digital via estação ou de uma empresa de satélite reservassem 4% da capacidade cabo aos índices demográficos do canal para programação de da comunidade local.

FCC fixa preço para serviços da TV DIGITAL As emissoras de TV norteamericanas terão de pagar 5% da receita de assinaturas por serviços disponibilizados pela tecnologia digital e deverão oferecer espaço para programas educativos.

Copyright

Cumprindo ordens do Congresso dos Estados Unidos, a Federal Communications Commission - FCC, órgão regulador norte-americano, impôs duas novas obrigações aos broadcasters em relação ao interesse público. As novas regras obrigam as emissoras de TV a pagar taxas ao governo ao oferecer serviço digital por assinatura e exigem que os operadores de transmissão digital via satélite reservem espaço para a programação educativa. Mas a FCC ainda tomou a iniciativa de propor que as regras de recrutamento de minorias (minority recruiting rules) sejam retomadas. No encontro de novembro, a FCC determinou que os broadcasters de TV paguem um imposto de 5% sobre a receita bruta do serviço digital por assinatura. O imposto é exigido pelo Telecommunications Act de 36

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p r o d u ç ã o Hamilton Rosa Junior

a Panavision em Los Angeles preparou para a produção. Explica que retirou aproximadamente 60% da cor do negativo para dar uma luz mais difusa ao filme. Isso garantiu uma força dramática desde a primeira cena. A imagem da bandeira americana toma a tela com as cores desbotadas, revelando visualmente que a história não será sobre heróis nem patriotismo. O livro é ilustrado pelas fotos de David James, colaborador da revista Newsweek e do jornal The New York Times, que acompanhou as filmagens quase sempre a menos de cinco metros do diretor.

atrás do show

O processo de produção e os bastidores de filmagem são temas de diversos livros que têm conquistado o mercado.

A culpa foi de Leonardo DiCaprio. Amariles Manole, gerente de Marketing da Editora Manole, conta que comprou os direitos do livro poster do ator muito antes de ele se tornar um astro com “Titanic”. A tiragem esgotou-se em uma semana e ela precisou comprar outras publicações referentes ao garoto prodígio. Tomou contato no exterior com editoras que lançavam os livros oficiais sobre bastidores de filmagens e adquiriu o livro oficial de “Titanic”. Novamente um

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êxito surpreendente. Foi assim que descobriu um novo filão editorial e para isso resolveu abastecer o mercado com novidades desta área. O livro oficial de “O resgate do soldado Ryan” e o roteiro de “O show de Truman” são as novas pedidas da editora. Para quem respira os bastidores de filmagem, ou mesmo quem é apenas um entusiasta de cinema, as publicações não devem nada aos vistosos livros importados, caros e que sempre ficaram de exposição nas livrarias. Steven Spielberg considera os 30 minutos iniciais de “O resgate do soldado Ryan” a melhor seqüência que ele realizou em sua carreira. O livro oficial do filme justifica a afirmação. Disseca o processo de produção desde o momento em que Spielberg tomou contato com o roteiro. Traz entrevistas do diretor, dos atores principais, inclusive Tom Hanks, do roteirista Robert Rodat e de um dos maiores especialistas na história da Segunda Guerra Mundial, Stephen D. Ambrose. O diretor de fotografia Janusz Kaminski, o mesmo de “A lista de Schindler”, fala das lentes que

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“O show de Truman” vem colecionando elogios da crítica assim como a produção de Spielberg. O palpite no meio cinematográfico é que fatalmente os dois se encontrarão na disputa do Oscar em março próximo. Sobre “Truman” é inegável a originalidade do roteiro. O filme que apresenta Jim Carrey no papel-título, conta a história de um rapaz que vem sendo vigiado pelas câmeras de um programa de TV desde seu nascimento. Com o crescimento do personagem e os altos índices de audiência, os produtores decidem criar uma cidade inteira, um ambiente controlado, onde os espectadores possam observar o cotidiano deste “true man” (daí o nome do rapaz Truman). O detalhe é que todo mundo sabe que esse mundo foi criado pela emissora de TV, menos Truman. A tradução desse roteiro, que consumiu três anos para ser escrito pelo neozelandês Andrew Niccol (o diretor de “Gattaca - a experiência genética”) e mais um ano para ser lapidado pelo diretor Peter Weir, chega ao mercado editorial com 24 páginas de fotos coloridas e introdução dos realizadores. Peter Weir conta que adorou o roteiro de Niccol, mas que algumas partes


precisavam de uma nova ênfase. Sua sorte foi que Jim Carrey estava com a agenda lotada e Weir teve o tempo suficiente para amadurecer a história. Os dois livros estão disponíveis nas livrarias brasileiras com uma qualidade gráfica que não deve nada aos originais.

o homem que sabe Explorando o mesmo nicho de consumidores, Sidney Lumet conta no livro “Fazendo cinema”, que, para ele, não existe a maneira certa ou errada de fazer um filme. Existe a sua maneira. O diretor diz ainda que certa vez perguntou a Akira Kurosawa porque ele tinha feito uma tomada de “Ran” de uma determinada maneira. A resposta foi que se tivesse colocado a câmera uma polegada para a esquerda, a fábrica da Sony apareceria no visor e se colocasse a direita veríamos o aeroporto. Nenhuma das paisagens cabia num filme de época. “Fazendo cinema” partilha o

processo de produção e direção com o leitor. O autor é o próprio Lumet, um dos cineastas que mais contribuíram para uma nova estética do cinema policial dos anos 70. “Doze homens e uma sentença” e “Rede de intrigas” consagraram o trabalho de Lumet, mas foram “Serpico”, “Um dia de cão” e “O príncipe da cidade” que revelaram os meandros do submundo num tom quase sociológico. Ao lado de Woody Allen é o diretor que mais filmou sua cidade: Nova York. Oitenta porcento de seus filmes são ambientados na Big Apple. Em “Fazendo cinema”, Lumet repudia essa história de que o grande autor de um filme é o diretor. Para ele, cinema é fruto de combinação e colaboração. O sucesso de uma realização deve-se à afinidade de uma equipe de 20 colaboradores numa pequena produção, ou a 200 pessoas em um filme feito em grande escala. O livro trata de cada minúcia necessária para esculpir essa obra e o autor possivelmente é o primeiro diretor

a abordar cada tópico de uma realização, por mais trivial que pareça, usando exemplos práticos. Discorre a respeito do trabalho do engenheiro de som aos motoristas de produção que se avolumam no cenário e atrapalham a concentração dos atores. Dá um chega para lá nos críticos de cinema ao afirmar que as figuras mais gabaritadas para julgar a qualidade técnica de um filme são as que já se envolveram na prática de uma produção. E questiona avaliações ao afirmar que os únicos que sabem se um filme foi bem montado ou não são o diretor, o montador e o diretor de fotografia, já que só eles têm o controle do material que foi filmado e só eles têm plena consciência de quanto isso foi transformado na sala de edição. Enfim, na onda dos livros autodidáticos, “Fazendo cinema” é essencial para quem deseja saber um pouco mais sobre a arte de fazer filmes.

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m u l t i m í d i a Beto Costa O maior desafio para as produtoras brasileiras de games

enquanto, este combate tem sido mortal para elas. Muitas deixaram de desenvolver títulos para se dedicar somente à distribuição e tradução de títulos importados, um negócio muito menos arriscado no

A ENCRU GAMES

mercado de multimídia.

O mercado de games não é brincadeira. No momento, o placar do jogo “Quem cria mais títulos” é francamente desfavorável para os tupiniquins. Tudo porque ainda falta cacife para as produtoras brasileiras combaterem seus maiores inimigos: os grandes estúdios estrangeiros.

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ZIL HADA DOS BRASILEIROS

é cair no mercado global. Por

O desenvolvimento de um game sofisticado em 3D, real time, com diversas fases, custa pelo menos US$ 1,5 milhão. E o elevado investimento não é o único problema. Para um game dar um bom retorno ele precisa ser distribuído no mundo inteiro. Ou pelo menos ter grande penetração nos Estados Unidos, o maior mercado consumidor de jogos para computador do planeta. Uma analogia bem disseminada é comparar o cinema nacional com Hollywood. “Não dá para fazer o ‘Parque dos dinossauros’, mas dá para fazer ‘O quatrilho’. No Brasil, faltam ferramentas”, dispara Alexandre Rodrigues da Silva, gerente de produtos da MPO. Um

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dos pontos fracos seria a falta de mão-de-obra especializada. O gerente de produto da Brasoft, Gerson Souza, desvenda o mistério da “falta de ferramentas”. “Se um dia viermos a desenvolver títulos, vamos contratar programadores nos EUA”, afirma sem titubear. A história da MPO representa bem o que é esta batalha. Até o final de 96 a empresa mantinha uma equipe de 20 pessoas só para desenvolver novos títulos. Eram, em média, quatro novos por ano. Em 95, quando a multimídia estava começando no Brasil, gastou R$ 30 mil para criar um dos primeiros games: “Senninha”. Produzido em 2D, com clip art, quebra-cabeça e muitas atividades para a criançada, tornou-se o best seller nacional da empresa. De lá para cá vendeu 20 mil unidades. “Nos rendeu um belo lucro”, comenta Marcos Botana, presidente da MPO. Mas hoje a equação é outra. A MPO tem suas atividades muito mais voltadas para distribuição e localização (leia tutorial) que pode compreender só o manual e a embalagem ou até toda a narração e fala dos personagens. O assédio do game importado falou mais alto.


“Os royalties variam de US$ 2 a US$ 15 por game vendido. Em média sai por US$ 8”, afirma Botana.

foco de atuação A produtora já cometeu alguns excessos em termos de localização. Gastou US$ 100 mil para localizar “A pantera cor-de-rosa”. “Foi uma loucura! Eram 150 personagens, 145 mil palavras, várias telas tiveram de ser totalmente refeitas”, conta Botana. Hoje, a empresa localiza um título gastando no máximo US$ 15 mil e lança em média cinco novos títulos por mês. Mas qual o método para descobrir se um game importado vai se dar bem no Brasil? Costuma-se avaliar que o mercado brasileiro corresponde a 2% do norte-americano (leia box pág. 20). Se um título vendeu 100 mil cópias por lá, imagina-se que ele pode vender duas mil cópias por aqui. Só que esta performance é muito relativa. “Pantera ...” vendeu dez mil unidades na sua versão localizada. Porém, o investimento em localização é facilmente recuperado. E mais: para vender bem, alguns títulos não precisam ter mais do que o manual e a embalagem traduzidos. O maior sucesso da MPO é o “Rally champion chip”. Em 3D, com visão de dentro e fora da cabine, além de outros atrativos. Já vendeu 60 mil unidades desde o lançamento em 96. A MicroPower é outra empresa que não resistiu às pressões de mercado e teve de mudar seu foco de atuação. A empresa também desenvolvia joguinhos educacionais (o único tipo de game totalmente produzido no Brasil). “Desistimos porque infelizmente não dá retorno. Você tem de vender de cinco a seis mil unidades para empatar o investimento”, avalia Francisco Antonio Soeltl, presidente da MicroPower. O game “Volta ao mundo em sete aventuras” (uma viagem que ensina português, matemática, geografia etc., em 3D) foi lançado em julho

de 96 e vendeu até hoje 4,5 mil unidades. Um dos maiores problemas que os games de conteúdo educativo enfrentam é a distribuição. “A cultura do varejo tem uma visão de curto prazo. Tem de vender tudo rapidamente, esvaziar a prateleira. Não vai ser fácil para o game educativo”, avalia Soeltl. A principal atividade da MicroPower hoje é o desenvolvimento de softwares para processamento de linguagem natural - um dos exemplares da casa transforma texto em áudio. Tudo isto não significa o fim da linha para os jogos made in Brazil. A Byte & Brothers parece ter encontrado a fórmula para aos tutorial Localização: adaptação de títulos importados para a realidade brasileira. Pode compreender só o manual e a embalagem até toda a narração e fala dos personagens. O trabalho de localização implica a dublagem, recriação de efeitos sonoros e até alteração da imagem. Escalável: um software acompanha a evolução do processador, isto é, quanto maior for a capacidade do processador, melhor será a qualidade de áudio e vídeo. Diz-se que um software escalável não envelhece.

poucos conquistar o público da faixa etária até 15 anos. A empresa é uma das únicas no Brasil que tem investido pesado na criação de games educativos. “Existem 350 mil PCs multimídia no Brasil para 42 milhões de estudantes. Nós apostamos na informatização das escolas”, explica Maurício Milani, diretor de desenvolvimento da Byte & Brothers. O conceito é combinar educação com entretenimento. Um dos títulos de maior sucesso é o “Ortografando 2”, um joguinho em 2D que ensina os macetes da ortografia. A cada acerto o jogador vai ganhando mais armamentos para participar de uma guerra que acontece paralelamente.

Em três anos de vida já vendeu 55 mil unidades, quase o mesmo número do importado “Rally champion chip”. Curiosamente, “Mortal kombat”, um dos games mais conhecidos, principalmente pela violência, foi localizado pela empresa. Na B&B o placar da criação é dilatado: 70% da atividade da empresa é voltada para o desenvolvimento de títulos, 30% é localização. A Brothers mantém um grupo de 20 pessoas divididas em quatro equipes com a missão de criar novos jogos. São nove títulos lançados por ano, 2/3 deles em 3D, real time e escaláveis (leia tutorial). Tudo isso porque a B&B já está entrando no jogo da globalização. “Financeiramente, se for só para o mercado brasileiro, compensa mais localizar. Tanto que agora, todos os nossos títulos estão saindo em português/espanhol. Os orçamentos estão mais polpudos - de US$ 70 mil a US$ 110 mil (“Ortografando 2” custou US$ 45 mil) - porque o marketing e a distribuição são prioridades. Nós levamos nossos produtos até para lojas de conveniência”, explica Milani. A porta de entrada da empresa para o mercado global é a Espanha. “Depois de um ano, o mercado espanhol representa 5% do nosso faturamento, mas tudo que é vendido é lucro puro”, afirma. O próximo passo da empresa é começar a beliscar o mercado latino-americano a partir do ano que vem.

tendências Os especialistas em games acreditam em duas tendências. O consumidor brasileiro já teria passado a fase novidadeira, em que comprava tudo que aparecesse pela frente só para satisfazer a curiosidade. Agora, ele estaria mais seletivo e criterioso. Para combater a pirataria, que representa 40% dos títulos em circulação, os games devem ficar mais baratos. Na faixa dos R$ 20. Acredita-se que os piratas têm maior

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interesse por títulos mais caros. A redução dos preços seria também uma exigência do varejo que deseja produtos de alta rotatividade, do tipo arrasa prateleira. Ou seja, o cenário que se configura não é muito favorável à produção de games no Brasil. Fica ainda mais difícil concorrer com os gigantes do ramo, além de não se acreditar em expansão do mercado para o ano que vem. A Brasoft, por exemplo, deve vender 150 mil unidades de seu vasto portifólio neste ano, mas para o ano que vem... “Nós estamos prevendo crescimento zero em 99”, admite Gerson Souza, gerente de produto da empresa que é uma das líderes da indústria de games. A Brasoft representa no Brasil estúdios como o Lucas Arts, Eidos, Sierra, GT Interactive etc. Localiza apenas 30% de seus títulos, mas quando o faz gasta cerca de US$ 50 mil. Furando as tendências, a Eletronic Arts está lançado no Brasil um dos jogos mais falados dos últimos tempos, “Fifa soccer 99”. Um game de futebol em 3D onde o jogador pode montar o time que quiser usando os diversos editores disponíveis. Não deixa de ser uma aposta e tanto. A empresa gastou R$ 150 mil na localização e o preço sugerido para o consumidor é de R$ 59. “Nós esperamos vender pelo menos

60 mil unidades”, prevê Geraldo Guimarães, gerente de marketing da Eletronic Arts, reconhecendo que o “mercado está receptivo, porém cauteloso”. Uma das empresas que participou da localização do “Fifa soccer 99” foi a Sincromusic. A história desta produtora é curiosa. Começou como produtora de áudio. Fez mercado potencial • Estima-se que exista algo em torno de dois milhões de PCs com multimídia no Brasil - o tamanho aproximado do mercado potencial de games. • Há muita controvérsia quanto ao faturamento anual no Brasil, mas o maior número de indicações aponta para US$ 30 milhões. O problema mais sério para as produtoras brasileiras é como aumentar o tamanho na mordida deste bolo. • Perfil do consumidor de games que realmente mete a mão no bolso: faixa etária de 25 a 35 anos, muito interessado em games de ação - o que significa títulos importados.

trilha para rádio, TV, cinema e até vozes para caixa eletrônico. Depois debandou para a multimídia e hoje se tornou uma das poucas empresas do Brasil especializadas em localização. Atualmente a produtora divide sua atuação metade para produção de games

nacionais e metade para localização de títulos importados. “Agora está um pouco frio, mas de um ano e meio para cá o mercado de games esquentou muito. A expansão da plataforma permitiu investimentos na localização de títulos”, avalia Araken Leão, proprietário da Sincromusic. “Para áudio eu uso os softwares ProTools, Sound Edit e Logic Audio. Para fazer a parte gráfica, Photoshop e Quark. Na parte de programação entra o Visual Basic, o Visual C e o Director”, explica Leão. A Sincromusic é outra empresa que consegue alçar vôos maiores porque está de olho no mercado global. Fatura cerca de US$ 500 mil por ano, quer também produzir áudio para os gringos. No escritório do Brasil trabalham dez pessoas. Na Colômbia mais quatro estão encarregadas de localizar títulos para a América Latina. “A Colômbia tem o castelhano neutro, qualquer país consome”, ensina Leão. No escritório dos Estados Unidos, trabalham mais cinco pessoas que aprofundam contatos com os grandes estúdios. O proprietário define o espírito da produtora: “Somos uma empresa pequena e abelhuda”. Ao que tudo indica, nesse mercado quem não entrar nos trilhos da globalização não tem chance de crescer.

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e q u i p a m e n t o s Mario Luis Buonfiglio

O time code é considerado o principal sistema para sincronizar imagem e som em equipamentos de exibição e edição para vídeo e filme.

Desde a criação do videotape, a indústria de televisão tem trabalhado para desenvolver um método de identificação dos frames que possa garantir a precisão e a interoperabilidade entre vários equipamentos, seja de vídeo, cinema ou áudio. As primeiras máquinas quadruplex de edição nos anos 60 já eram capazes de sincronizar outro videotape ou um projetor de filmes através de um sinal sonoro gravado numa banda específica. Os bips de áudio eram reproduzidos e disparavam, com um pre-roll de dez segundos, os pontos de entrada e saída de cada evento. Antes do videotape, o cinema já utilizava magnéticos perfurados ou ópticos para a mesma função. Em 1969, a Society of Motion Pictures and Television Engineers (SMPTE) desenvolveu e normalizou o método SMPTE Time Code, que associa para cada frame um

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número serial codificado em horas, minutos, segundos e frames. Desde então, o time code foi adotado como o principal sistema de sincronização em sistemas de edição, exibição, som direto e trilha sonora para vídeo e filme. Dependendo do formato de videotape, existem dois métodos diferentes para a gravação do time code, sendo o mais antigo o Linear Time Code (LTC), que registra uma informação de áudio na forma de tons. Quando for preciso realizar este tipo de gravação, os níveis recomendados são os seguintes: • em máquinas de 1” = entre -5 vu e -10 vu • VTs de 3/4” e 1/2” = entre -3 vu e -5 vu • gravadores de áudio = entre -5 vu e -10 vu

O outro formato, o Vertical Interval Time Code ou VITC, grava as informações da posição dos frames utilizando o intervalo vertical entre os campos da imagem e é, sem dúvida, o mais preciso. Durante a reprodução, pode ser visualizado no monitor mesmo quando a fita está em pausa. O VITC é inserido pelo videotape da câmera no momento da captação das imagens e não pode ser alterado após a gravação, fazendo parte do sinal de vídeo. O LTC pode ser adicionado mesmo se a fita original não possuir um time code, já que a informação pode

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ser gravada em um canal de áudio. Para alguns formatos, como o Hi-8, foi desenvolvida uma trilha linear dedicada (data field) para a inserção do time code, assim como no Betacam SP. Para Carlos Cavalcante, gerente técnico da HBO Brasil, o time code é essencial em uma emissora onde a exibição é automatizada. “Nós utilizamos o time code VITC basicamente na função de dar a partida nos VTs na exibição dos filmes. Cada fita é identificada pelo time code inicial e o time code final, sendo o filme dividido em duas fitas. O sistema de automação que usamos controla os cortes a partir deste time code. Qualquer falha pode prejudicar a programação”, orienta Cavalcante.

em detalhes O time code foi originalmente desenvolvido para a edição de videotape e muitas de suas especificações relacionam-se às tecnologias de vídeo. No caso do time code LTC são usados 80 bits de informação para cada frame. Portanto, em um sistema de 30 frames por segundo, só a informação com o time code consumiria de dois a quatro mil bits por segundo. Outro processo de identificação é o User Bits (U-bits), que ocupa 32 bits de informação por segundo e apresenta no display dados


complementares como data, número da fita e identificação da cena. Nas câmeras mais modernas, a opção free run do time code permite que o contador dispare a partir do ponto zero como se fosse um relógio, o que possibilita o uso em várias câmeras. Desta forma, qualquer que seja o ponto escolhido de início da gravação, haverá sempre a indicação cronológica da cena em cada câmera. Outro recurso é a função regen, que “copia” a última posição do time code e permite ao usuário retomar a informação original mesmo com a troca da fita. Isso garante a continuidade do time code, impedindo falhas na numeração, que posteriormente em sistemas não-lineares pode tornar crítica a marcação dos pontos de entrada e saída. Em relação à sincronização com música, existe também o MIDI Time Code, que é aplicado aos seqüenciadores. Neste processo, a especificação é de 1/4 de frame transmitidos em intervalos regulares de dados MIDI (Musical Instrument Digital Interface) ou 26 bits. “Atualmente existe uma outra possibilidade de sincronização que é a digitalização do vídeo em conjunto com o software usado para a composição da música”, revela Maurício Domene, maestro da Next. Segundo Cavalcante, este processo possibilita uma maior precisão em relação aos movimentos da imagem, já que tudo fica reunido no mesmo desktop.

drop or non dropframe Inicialmente na norma SMPTE, o time code assumia a fração de 30 frames por segundo antes da TV em cores. Por razões técnicas, quando o NTSC foi adotado, o número de frames por segundo passou a ser de 29,97. A diferença entre 30 e 29,97 parece insignificante (0,1% entre o tempo contado e o tempo real), mas em

algumas aplicações com tempos superiores a 15 minutos podem ocorrer problemas de sincronismo, já que para cada 60 minutos a diferença será de 3,6 segundos ou 108 frames. Relacionando o problema para trabalhos de curta duração, são 18 frames extras a cada 10 segundos. Desta forma, para manter o sincronismo entre duas ou mais fontes de imagem, os frames extras devem ser eliminados, e esse modo de ajuste é chamado de drop frame. Acionando esta função, um

O TIME CODE É UM SINAL em FORMA DE ONDA QUADRADa, E COMO TAL, SUSCETÍVEL A DISTORÇÕES NO PROCESSO DE GRAVAÇÃO E REPRODUÇÃO.

exemplo de correção no display como 00:05:11:29, assumiria o valor 00:05:12:02. No modo non drop frame, essa correção não é feita, fazendo com que haja uma diferença gradual entre o tempo contado pelo time code e o tempo real. Na verdade, mesmo na função drop frame, os erros persistem mas não são acumulados. Vale lembrar que diferenças significativas podem ocorrer na área musical, porque em geral os softwares gerenciam os seqüenciadores em 30 frames por segundo e não os 29,97 do NTSC. Quando trabalhamos no ambiente digital, cuidados adicionais serão bem vindos, já que a gravação em bits deve ser mais cuidadosa que a gravação analógica. No caso da captação em DAT, é importante que a trilha de áudio tenha o nível apropriado. O time code é um sinal em forma de onda quadrada, e como tal, suscetível a distorções no processo de gravação e

reprodução. Registros com nível de áudio excessivo ou abaixo da especificação podem causar distorções de decodificação do time code.

depois da claquete Na área cinematográfica tudo era sincronizado manualmente até o boom dos telecines (no final dos anos 80), o cine-VT (incorporado pela publicidade) e o amadurecimento para os processos de edição não-linear. A claquete eletrônica, ainda pouco usada no Brasil, é um exemplo disso. Ao contrário da claquete de madeira, que servia apenas para indicar o início da tomada com o áudio, o processo eletrônico imprime através de leds de luz uma matriz de pontos entre as perfurações do negativo. O processo é inicializado durante alguns segundos em cada câmera e gravador de áudio como se fosse um relógio. Em um espaço de 4 mm de comprimento por 2 mm de largura, a informação é gravada com 13 linhas de sete bits cada (Aaton Code, incorporado também aos sistemas Movicam e Panavision), imprimindo a referência em toda a extensão do negativo. Fundamental para organizar o processo de pós-produção, este método, depois de telecinado, pode ser interpretado por sistemas nãolineares como o Avid e o Lightworks. Em relação à captação, inicia uma nova dinâmica de trabalho, onde o técnico de áudio pode trabalhar de forma independente do operador de câmera. O sistema garante uma precisão de 1/4 de fotograma para cada oito horas de material, não interferindo no código de barras do fabricante do filme. As informações telecinadas com o Aaton Code são automaticamente sincronizadas com um sinal LTC de time code na saída do telecine, a partir do start ou de um fotograma determinado.

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FIQUE POR DENTRO

ANÚNCIOS

SEM MÃO-DE-OBRA

Até 15 de dezembro, acontece na Escola Panamericana de Arte, em São Paulo, a Mostra Internacional do 13º London International Advertising Awards, um dos maiores festivais publicitários do mundo. Estarão expostas as peças vencedoras do festival nas áreas de filmes, mídia impressa, mídia interativa, rádio e embalagens. Ao todo, o festival recebeu 16.638 inscrições, de 81 países. O Brasil participou com 702 peças, das quais 120 foram finalistas. A Escola Panamericana de Arte fica na Rua Groenlândia, 77, no bairo do Itaim Bibi.

O Image Bank lançou no Brasil um novo catálogo, número 23, com uma novidade: um acervo de filmes. O catálogo oferecerá uma amostra da coleção de mais de dez mil horas de filmes. Graças a um acordo de direitos com os estúdios Universal e Warner Brothers, várias cenas de filmes clássicos estão sendo vendidas pela empresa. Segundo o responsável pela empresa no Brasil, Jean-Claude Lozouet, as vantagens em usar os filmes prontos são as seqüências históricas e filmes feitos em outros países ou com mão-de-obra cara.

É TUDO VERDADE As inscrições para o 4º Festival Internacional de Documentários - É tudo verdade - estarão abertas até o dia 31 de janeiro. O festival, organizado pela Associação Kinoforum, é competitivo e acontecerá entre os dias 9 e 18 de abril. Serão aceitos filmes documentários de 16 mm, 35 mm ou qualquer formato de vídeo, de qualquer duração e concluídos a partir de janeiro de 1998. Os interessados de vem entrar em contato com Associação Cultural Kinoforum pelo telefone (011) 852-9601 ou pelo e-mail itstrue@ibm.net.

Outra novidade apresentada é o projeto Millennium, com alguns dos momentos mais marcantes do século nas categorias “Principais fatos históricos”, “Esportes”, “Estilo de vida” e “Negócios e indústria”. Cenas da única viagem do Titanic, o surgimento do biquíni e a queda do muro de Berlim, entre outros fatos, agora estão disponíveis no Brasil. As imagens foram captadas por produtores de documentários e todos aqueles que estavam no lugar certo, no momento certo, com uma câmera na mão. O Image Bank fez a pós-produção dos filmes utilizando a tecnologia Digital Video Noise Reduction para criar fitas master e cassetes. Mais informações pelo telefone (021) 523-0643 ou na internet www.theimagebank.com.

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Diretor e Editor Rubens Glasberg Editora Geral Edylita Falgetano Editor da Home Page Samuel Possebon Editor de Projetos Especiais André Mermelstein Redação Diogo Schelp, Edianez Parente, Fábio Koleski, Fernando Lauterjung (Assistente) Colaboradores Beto Costa, Emerson Calvente, Hamilton Rosa Jr., Lizandra de Almeida, Mario Buonfiglio, Mônica Teixeira, Paulo Boccato, Renato Bulcão. Sucursal de Brasília Carlos Eduardo Zanatta Arte Claudia Intatilo (Edição de Arte e Capa), Rubens Jardim (Produção Gráfica), Geraldo José Nogueira (Editoração Eletrônica) Diretor Comercial Manoel Fernandez Vendas Almir B. Lopes (Gerente), Alexandre Gerdelmann e Patrícia M. Patah (Contatos), Ivaneti Longo (Assistente) Coordenação de Circulação e Assinaturas Gislaine Gaspar Coordenação de Marketing Mariane Ewbank Administração Vilma Pereira (Gerente); Gilberto Taques (Assistente Financeiro) Serviço de Atendimento ao Leitor 0800-145022 Internet http://www.telaviva.com.br E-Mail telaviva@telaviva.com.br Tela Viva é uma publicação mensal da Editora Glasberg - Rua Sergipe, 401, Conj. 605, CEP 01243-001 Telefone (011) 257-5022 e Fax (011) 257-5910 São Paulo, SP. Sucursal: SCN - Quadra 02, sala 424 Bloco B - Centro Empresarial Encol CEP 70710-500 Fone/Fax (061) 327-3755 Brasília, DF Jornalista Responsável Rubens Glasberg (MT 8.965) Fotolito/Impressão Ipsis Gráfica e Editora S.A Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. Ltda.

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10 a 18 - Curso: “Especialização em Adobe Premiere”. Espaço Cultural AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (011) 575-2909. E-mail: advideotech@cst.com.br. 12 - Curso: “Edição analógica”. Espaço Cultural AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (011) 575-2909. E-mail: advideotech@cst.com.br. 14 a 18 - Curso: “Advanced SoftimageI3D”. Sisgraph, São Paulo, SP. Fone: (011) 889-2009. Fax: (011) 887-7763. Internet: www.sisgraph.com.br. 14 a 18 - Curso básico de iluminação. Espaço Cultural AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (011) 575-2909. E-mail: advideotech@cst.com.br. 14 a 1º/1 - Oficina de especialização em TV: “Informativos de TV e jornalismo televisivo”. EICTV, Havana, Cuba. Fone/fax: (0246) 29-1345 ou (011) 3666-8538, e-mail proarte@novanet.com.br ou acoirups@mandic.com.br. 18 - Curso: “Técnicas para sonorização profissional”. SPX, São Paulo, SP. Início da turma de segunda a quinta. Fone: (011) 3666-6950. 23 - Curso: “Técnicas para sonorização profissional”. SPX, São Paulo, SP. Início da turma de sábado. Fone: (011) 3666-6950.

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4 a 9 - Curso: “Iluminação para Vídeo e TV”. Espaço Cultural AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (011) 575-2909. E-mail: advideotech@cst.com.br. 9 a 23 - Curso básico de iluminação. Espaço Cultural AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (011) 575-2909. E-mail: advideotech@cst.com.br. 9 a 30 - Cursos: “Edição analógica (corte seco)” e “Especialização em adobe Premiere” (aos sábados). Espaço Cultural AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (011) 575-2909. E-mail: advideotech@cst.com.br.

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11 a 15 - Curso: “Edição analógica (corte seco)”. Espaço Cultural AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (011) 575-2909. E-mail: advideotech@cst.com.br. 11 a 20 - Curso: “Introdução ao Cinema”. Espaço Cultural AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (011) 575-2909. E-mail: advideotech@cst.com.br. 11 a 22 - Curso: “Direção, roteiro e produção”. CIMC, São Paulo, SP. Fone: (011) 575-6279. Fax: (011) 517-0854. Internet: www.cimc.art.br. 11 a 22 - Oficina experimental: “Arquivos audiovisuais”. EICTV, Havana, Cuba. Fone/fax: (0246) 29-1345 ou (011) 3666-8538, e-mail proarte@novanet.com.br ou acoirups@mandic.com.br. 16 e 17 - Workshop: “Produção”. CIMC, São Paulo, SP. Fone: (011) 575-6279. Fax: (011) 517-0854. Internet: www.cimc.art.br. 18 - Curso: “Direção para cinema e TV” (início). CIMC, São Paulo, SP. Fone: (011) 575-6279. Fax: (011) 517-0854. Internet: www.cimc.art.br. 18 a 22 - Curso: “Especialização em Adobe Premiere”. Espaço Cultural AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (011) 575-2909. E-mail: advideotech@cst.com.br. 18 a 23 - Curso: “Iluminação para Vídeo e TV”. Espaço Cultural AD Videotech, São Paulo, SP. Fone: (011) 575-2909. E-mail: advideotech@cst.com.br. 19 - Curso: “Argumento e Roteiro” (início). CIMC, São Paulo, SP. Fone: (011) 575-6279. Fax: (011) 517-0854. Internet: www.cimc.art.br. 23 e 24 - Workshop: “Produção”. CIMC, São Paulo, SP. Fone: (011) 575-6279. Fax: (011) 517-0854. Internet: www.cimc.art.br. 25 a 28 - NATPE’99. Ernest N. Morial Convention Center, New Orleans, EUA. Fone: (1-310) 453-4440. Fax: (1-310) 453-5258. E-mail: dee@natpe.org. Internet: www.natpe.org.


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Revista Tela Viva 76 - Dezembro 1998  
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