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ano13nº139junho2004


N達o disponivel


editorial Nesta edição de TELA VIVA você acompanha as principais discussões do V Fórum Brasil de Programação e Produção, que promovemos em maio último. Na pauta, o desenvolvimento da indústria nacional do audiovisual. andrémermelstein O governo tem à frente uma missão hercúlea. Afinal, os interesses de cada andre@telaviva.com.br parte da cadeia de produção e distribuição parecem irreconciliáveis entre si. E o mais grave, parece que ainda falta muito entendimento entre todos. Os produtores demandam um espaço na TV aberta que nunca tiveram. Mas se esquecem às vezes que a TV aberta não é só a Globo. O universo do broadcast é formado por centenas de emissoras, muitas vezes empresas de médio porte, para quem expressões como “produção independente” ou “Lei Jandira” soam alienígenas. Para quem freqüentemente a solução para a crise na receita publicitária vem sendo o simples aluguel de espaço na grade, sem maiores preocupações com o conteúdo, muitas vezes em uma política comercial que acaba por predar o próprio mercado em que atuam. Além disso, há questões não menos importantes, como a ampliação do crescimento do cinema, com o cuidado de fortalecer a distribuição nacional; a precariedade da infra-estrutura, que sofre com a pesada carga tributária sobre as importações e equipamentos e dificuldades alfandegárias; e questões de direitos autorais e nacionalização de publicidade estrangeira, para ficar em alguns dos citados no evento. O Ministério da Cultura, mais que em outros momentos da história, está aparelhado e com vontade política de promover uma reforma. Resta saber se o “timing” será aquele que a sociedade demanda, ou se veremos mais um sem-fim de debates e tramitações até que alguma coisa de fato aconteça.

Diretor e Editor Rubens Glasberg Diretor Editorial André Mermelstein Diretor Editorial Samuel Possebon Diretor Comercial Manoel Fernandez Diretor Financeiro Otavio Jardanovski Gerente de Marketing e Circulação Gislaine Gaspar Administração Vilma Pereira (Gerente), Gilberto Taques (Assistente Financeiro)

Editora de Projetos Especiais Sandra Regina da Silva Redação Lizandra de Almeida e Paulo Boccato (Colaboradores) Sucursal Brasília Carlos Eduardo Zanatta (Chefe da Sucursal), Raquel Ramos (Repórter)

Arte Clau­dia G.I.P. (Edi­ção de Arte, Pro­je­to Grá­fi­co e Capa), ­­Rubens Jar­dim (Pro­du­ção Grá­fi­ca), Geral­do José Noguei­ra (Edi­to­ra­ção Ele­trô­ni­ca). Depar­ta­men­to Comer­cial Almir Lopes (Geren­te), Iva­ne­ti Longo (Assis­ten­te)

Editor Fernando Lauterjung Webmaster Marcelo Pressi Webdesign Claudia G.I.P.

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Acompanhe aqui as notícias que foram destaque no último mês no noticiário online Tela Viva News. Mudan­ças nas . agên­cias A comis­são espe­cial que ana­li­sa o pro­je­ to que altera o funcionamento das agên­ cias regu­la­do­ras rea­li­zou no dia 25 de maio uma audiên­cia públi­ca para ouvir os dire­to­res pre­si­den­tes da Anci­ne, ANS (Agên­cia Nacio­nal de Saúde Suple­men­ tar) e Anvi­sa (Agên­cia Nacio­nal de Vigi­ lân­cia Sani­tá­ria). O pre­si­den­te da Anci­ne, Gus­ta­vo Dahl, come­çou sua fala jus­ti­fi­can­do a impor­ tân­cia da exis­tên­cia da agên­cia de cine­ ma, afir­man­do que o cine­ma encon­trase no “ter­re­no psi­cos­so­cial” e se trata de um bem de con­su­mo intan­gí­vel. Espe­ci­fi­ca­men­te em rela­ção ao pro­je­ to de lei, Dahl enu­me­rou três ques­tões que na sua opi­nião, podem ser aper­fei­ çoa­das: con­tra­to de ges­tão; ouvi­do­ria e; difi­cul­da­de ope­ra­cio­nal pelo fato da agên­cia ter ape­nas qua­tro dire­to­res (o pro­je­to de lei supri­me o voto de Miner­ va do dire­tor/pre­si­den­te das agên­cias, podendo gerar empates no caso da Ancine). Sobre o con­tra­to de ges­tão, Dahl lem­bra que a agên­cia já obe­de­ce a uma série de con­tro­les públi­cos em sua ati­vi­da­de, pois pre­ci­sa pres­tar con­tas ao Tri­bu­nal de Con­ tas da União, à Con­tro­lado­ria Geral da União e ao Minis­té­rio do Pla­ne­ja­men­to, Orça­men­to e Ges­tão. Além disso, na opi­ nião da Dahl, o con­tra­to de ges­tão pode cau­sar ten­sões entre as agên­cias e seus minis­té­rios. A opi­nião não foi com­par­ti­lha­ da pelos pre­si­den­tes da ANS, Faus­to Perei­ ra dos San­tos, e Anvi­sa, Cláu­dio Peça­nha. Eles afir­ma­ram que já tra­ba­lham com con­ tra­to de ges­tão e que isto se mos­trou um meca­nis­mo efi­cien­te. Por fim, em rela­ção à cria­ção de uma ouvi­do­ria, Dahl tam­bém mos­trou-se preo­cu­pa­do com a reda­ção do pro­je­to de lei das agên­cias regu­la­do­ras. Na sua opi­nião, o fato do ouvi­dor ser indi­ca­do pelo Poder Exe­cu­ti­vo e não ter vin­cu­



tela viva junho de 2004

la­ção hie­rár­qui­ca com a agên­cia pode gerar con­fli­tos. Os diri­gen­tes da ANS e Anvi­sa dis­se­ram que a expe­riên­cia do tra­ ba­lho do ouvi­dor tem sido muito posi­ti­va em suas agên­cias. Em rela­ção ao pro­ble­ma de recur­sos huma­ nos enfren­ta­dos pelas agên­cias regu­la­do­ ras bra­si­lei­ras, Gus­ta­vo Dahl disse que a Anci­ne está desde dezem­bro de 2003 ten­ tan­do rea­li­zar con­tra­ta­ção tem­po­rá­ria de cola­bo­ra­do­res e que o con­cur­so públi­co deve levar até um ano para ser con­cluí­do. Tam­bém falou-se a res­pei­to do fato da sede de algu­mas agên­cias não ficar em Bra­ sí­lia. Gus­ta­vo Dahl, da Anci­ne, defen­deu a per­ma­nên­cia da agên­cia no Rio de Janei­ro, uma vez que é lá “onde o cine­ma bra­si­lei­ro exis­te há mais de 100 anos”.

Definições no SBTVD Na segun­da reu­nião do Comi­tê de Desen­ vol­vi­men­to do Sis­te­ma Bra­si­lei­ro de Tele­vi­ são Digi­tal - SBTVD, que acon­te­ceu no dia 6 de maio, o minis­tro Euní­cio Oli­vei­ra anun­ ciou que o Minis­té­rio das Comu­ni­ca­ções já enca­mi­nhou ao Minis­té­rio do Pla­ne­ja­men­ to a soli­ci­ta­ção de libe­ra­ção de ver­bas e recur­sos do Funt­tel para as pes­qui­sas do SBTVD. Segun­do a asses­so­ria de comu­ni­ ca­ção do Mini­com, o Comi­tê já defi­niu os ­papéis do CPqD e da Finep (Finan­cia­do­ ra de Estu­dos e Pro­je­tos do Minis­té­rio da Ciên­cia e Tec­no­lo­gia) no pro­ces­so de defi­ ni­ção do SBTVD. A Finep, como enti­da­de de apoio téc­ni­co, deve­rá ­apoiar e sub­si­diar as ações do Grupo Ges­tor, fican­do res­pon­ sá­vel, jun­ta­men­te com o Grupo Ges­tor, pela sele­ção e deci­são sobre as pro­pos­tas para a con­tra­ta­ção de con­vê­nios e a libe­ra­ção dos recur­sos para as ins­ti­tui­ções con­ve­nia­ das. O CPqD fica como inte­gra­dor dos pro­ je­tos que com­po­rão o Sis­te­ma de TV Digi­tal e acu­mu­la tam­bém a fun­ção de ­ apoiar o Grupo Ges­tor, rea­li­zan­do o acom­pa­nha­ men­to téc­ni­co e ela­bo­ra­ção dos pare­ce­res sobre os tes­tes resul­ta­dos dos tra­ba­lhos. No dia 20, em ceri­mô­nia de posse dos mem­ bros do con­se­lho con­sul­ti­vo do SBTVD, o

minis­tro Euní­cio de Oli­vei­ra disse que um dos obje­ti­vos do Sistema é “esti­mu­lar a evo­lu­ção das ­ atuais explo­ra­do­ras de ser­vi­ço de tele­vi­ são ana­ló­gi­ca, bem como o ingres­so de novas empre­sas”. Duran­te a ceri­mô­nia, tam­bém foi lan­ça­do o edi­tal de lici­ta­ção para a qua­li­fi­ca­ção de ins­ti­tui­ções inte­res­sa­das em rece­ber apoio finan­cei­ro para pes­qui­sa na área de TV digi­tal.

BNDES aguar­da . sena­do­res O pre­si­den­te do BNDES, Car­los Lessa, afir­ mou no iní­cio de junho que “a bola agora está com o Sena­do”, sobre o pro­je­to para aju­dar as empre­sas de comu­ni­ca­ção em difi­ cul­da­des finan­cei­ras. A pro­pos­ta apre­sen­ta­da pelo BNDES, pelo menos no que se refe­re às dívi­das, é bem mais modes­ta do que se che­ gou a comen­tar. Segun­do a pro­pos­ta por escri­to apre­sen­ta­da aos sena­do­res, serão R$ 2 ­bilhões “para a indús­tria de comu­ni­ca­ção como um todo”, mais R$ 500 ­milhões espe­cí­ fi­cos para a com­pra de papel nacio­nal. Não have­rá ajuda espe­cial para inves­ti­men­tos, como ­pediam ­alguns gru­pos. Em ­ outros momen­tos, o BNDES che­gou a falar em uma ajuda de R$ 4 ­bilhões. O docu­ men­to com os deta­lhes da pro­pos­ta foi apre­ sen­ta­do no dia 1º de junho aos sena­do­res da Comis­são de Edu­ca­ção. Pelos ter­mos colo­ca­dos no docu­men­to, o apoio do BNDES tra­ba­lha em três ­linhas: para inves­ ti­men­tos; para rees­tru­tu­ra­ção de dívi­das e; para com­pra de papel. A ofer­ta mais espe­cí­fi­ca feita pelo BNDES às empre­sas de mídia diz res­pei­to ao pro­ble­ma do refi­nan­cia­men­to das dívi­das. O banco dese­ nhou uma linha espe­cial para finan­cia­men­to de dívi­das de curto prazo ape­nas. Serão sem­pre ope­ra­ções indi­re­tas, ou seja, por meio de agen­ tes repas­sa­do­res, para que “as empre­sas da indús­tria de comu­ni­ca­ções ­tenham inde­pen­dên­ cia dos ­órgãos do gover­no”. Será exi­gi­do ainda pelo banco a apre­sen­ta­ção de um pro­gra­ma amplo e deta­lha­do de rene­go­cia­ção dos débi­

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tos das empre­sas que com­pro­ve a “efe­ti­va redu­ção do mon­tan­te total da dívi­da e/ou o alon­ga­men­to médio das dívi­das”. No tocan­te a inves­ti­men­tos, o banco sina­li­za com seus meca­nis­mos de apoio tra­di­cio­nais. Segun­do o BNDES, não é neces­sá­ria a cria­ção de um pro­gra­ma espe­ cí­fi­co para esse tipo de apoio (a inves­ti­men­ tos) à indús­tria de comu­ni­ca­ções, já que o BNDES tem meca­nis­mos que podem ser usa­dos pelas empre­sas.

Recor­de na Lei . Roua­net O valor cap­ta­do atra­vés da Lei Roua­net em 2003 bateu seu recor­de, porém os inves­ti­ men­tos atra­vés do mesmo incen­ti­vo para o setor audio­vi­sual caiu. Os núme­ros foram apre­sen­ta­dos pelo Minis­té­rio da Cul­tu­ra e pela Anci­ne. Ape­sar de ainda ser tími­da a divi­são do bolo de incen­ti­vos cul­tu­rais pelas ­regiões bra­si­lei­ras, os resul­ta­dos de 2003 já per­mi­tem que o minis­té­rio possa come­mo­rar uma mudan­ça de ati­tu­de dos finan­cia­do­res. De acor­do com Sér­gio ­Xavier, secre­tá­rio de fomen­to à cul­tu­ra do MinC, foi cap­ta­do em 2003 atra­vés dos incen­ti­vos pre­vis­tos na Lei Roua­net o valor recor­de de R$ 414,6 ­ milhões (o recor­de ante­rior foi obti­do em 2000: R$ 344,7 ­ milhões). Além do aumen­to da cap­ta­ção nacio­nal, o MinC iden­ti­fi­cou em 2003, em rela­ção ao perío­do 99/02, um cres­ ci­men­to de 660% (R$ 6,4 ­milhões) para a ­Região Norte; 11% (R$ 17,9 ­ milhões) para a ­ Região Cen­tro Oeste; 72% (R$ 28,2 ­milhões) para o Nor­des­te; e 47% (R$ 41,7 ­milhões) para a ­Região Sul. Os dados foram apre­sen­ta­dos aos depu­ta­dos da Comis­são de Edu­ca­ção e Cul­tu­ra da Câma­ ra duran­te audiên­cia públi­ca para dis­cu­tir a lei de incen­ti­vo à cul­tu­ra, no dia 20 de maio. Em comu­ni­ca­do à impren­sa, a Anci­ne divul­gou no dia 21 de maio dados sobre a cap­ta­ção de recur­sos para a área audio­vi­sual pela Lei Roua­net. Segun­do rela­tó­rio da agên­cia, o volu­me de recur­ sos cap­ta­dos em pro­je­tos acom­pa­nha­ dos pela Anci­ne foi cres­cen­te em 2001 e 2002, mas caiu em 2003. Segun­do a Anci­ ne, foram inves­ti­dos em 2000 no audio­vi­

sual atra­vés da Lei Roua­net R$ 12,679 ­milhões; R$ 26,2 ­ milhões em 2001; R$ 23,95 ­ milhões em 2002; e R$ 18,179 ­milhões em 2003.

Outro pro­je­to de . regio­na­li­za­ção . chega à Câma­ra A Comis­são de Ciên­cia e Tec­no­lo­gia, Comu­ni­ca­ção e Infor­má­ti­ca da Câma­ra apro­vou no dia 26 de maio um reque­ri­ men­to de auto­ria do depu­ta­do Nel­son Proen­ça (PPS/RS) para rea­li­zar uma audiên­cia públi­ca para deba­ter o pro­je­ to de lei 7.075/2002, do Sena­do Fede­ral, que trata da regio­na­li­za­ção da pro­gra­ma­ ção das emis­so­ras de radio­di­fu­são. Com a apro­va­ção do PL 256/91, da depu­ta­da Jan­di­ra Feg­ha­li (PC do B/RJ), a Comis­são pediu à Mesa Dire­to­ra da Câma­ra o apen­ sa­men­to do pro­je­to do Sena­do ao da depu­ta­da. Como não houve res­pos­ta, o pro­je­to retor­nou à Comis­são e o depu­ta­ do Nel­son Proen­ça foi desig­na­do rela­tor. Jus­ta­men­te por isso, o depu­ta­do soli­ci­tou a audiên­cia públi­ca. Devem ser con­vi­da­ dos: Raul Costa ­ Júnior, da RBS; Flá­vio Caval­can­ti ­Júnior, do SBT; Paulo Macha­ do de Car­va­lho Neto, da Abert; Giba Assis Bra­sil, pro­du­tor inde­pen­den­te e; Cacá Die­gues, cineas­ta. A pedi­do do depu­ta­ do João Batis­ta (PFL/SP), tam­bém serão con­vi­da­dos repre­sen­tan­tes da Abra­tel, Band e ­Record e a pedi­do do depu­ta­do André Zaca­row (PDT/PR) foi incluí­do o con­vi­te à Fun­da­ção Joa­quim Nabu­co. A data da audiên­cia não foi mar­ca­da.

Recei­ta da Glo­bo­par cres­ceu em 2003 A Glo­bo­par divul­gou o seu balan­ço finan­cei­ro refe­ren­te ao ano de 2003. Os núme­ros, ape­sar de anti­gos, mos­tram ­alguns resul­ta­dos do esfor­ço do grupo Globo após a con­cor­da­ta, em outu­bro de 2002. O mais rele­van­te foi o cres­ci­ men­to das recei­tas do grupo e do EBIT­DA das dife­ren­tes empre­sas. O pre­juí­zo tam­ bém se rever­teu, resul­ta­do de um saldo cam­bial favo­rá­vel em 2003. A dívi­da do grupo, entre­tan­to, segue ele­va­da e em

pro­ces­so de rees­tru­tu­ra­ção. A com­pa­ra­ção entre os anos de 2002 e 2003, con­tu­do, é difí­ cil por­que muda­ram os cri­té­rios de alo­ca­ção dos resul­ta­dos das dife­ren­tes empre­sas. Os audi­to­res con­tra­ta­dos pela Glo­bo­par (Ernst & Young) ­ seguem bas­tan­te cau­te­lo­sos em sua ava­lia­ção sobre a via­bi­li­da­de finan­cei­ra da com­pa­nhia. Basi­ca­men­te, os resul­ta­dos da Glo­bo­par con­so­ li­da­dos tra­zem os núme­ros da TV Globo, Net Ser­vi­ços (pro­por­cio­nal), Sky (pro­por­cio­nal), Glo­bo­sat, ­ canais Tele­ci­ne e USA (pro­por­cio­ nal), Globo.com, Edi­to­ra Globo e grá­fi­ca, além da pró­pria hol­ding. Em 2003, a Glo­bo­par teve recei­ta líqui­da con­so­li­da­da de R$ 4,123 ­ bilhões, con­tra R$ 3,665 ­bilhões em 2002. O EBIT­DA con­so­li­da­ do foi de R$ 720 ­ milhões em 2003, con­tra R$ 24,9 ­milhões nega­ti­vos em 2002. O resul­ ta­do líqui­do con­so­li­da­do da Glo­bo­par foi de R$ 47,5 ­milhões em 2003, con­tra uma perda líqui­da total de mais de R$ 5 ­ bilhões em 2002. A dife­ren­ça acen­tua­da nos núme­ros se deve à varia­ção cam­bial e novos cri­té­rios para alo­ca­ção dos resul­ta­dos das empre­sas, mas tam­bém à melho­ra na situa­ção finan­cei­ ra das dife­ren­tes com­pa­nhias con­so­li­da­das no balan­ço, sobre­tu­do as empre­sas de TV paga. A dívi­da total garan­ti­da por Glo­bo­par e TV Globo é de US$ 1,4 ­bilhão. Soman­do-se ainda a par­ti­ci­pa­ção pro­por­cio­nal do grupo nas dívi­das das ­demais empre­sas e os juros devi­dos, o total do endi­vi­da­men­to vai a US$ 1,927 ­ bilhão. A Glo­bo­par ­ fechou 2003 com R$ 388,2 ­milhões em caixa. A TV Globo segue como a prin­ci­pal fonte de recei­ta do grupo Globo, res­pon­den­do por cerca de 70% dos resul­ta­dos. A recei­ta líqui­da da TV em 2003 foi de R$ 2,976 ­milhões (já des­con­ta­ das comis­sões de agên­cia), o que sig­ni­fi­ca um cres­ci­men­to de 19,6% em rela­ção a 2002. O EBIT­DA da TV Globo em 2003 foi de R$ 336,3 ­milhões. Ape­sar do aumen­to de recei­ta, o resul­ta­do líqui­do foi de R$ 120,8 ­ milhões, con­tra R$ 220,2 ­milhões em 2002. A dife­ren­ ça se deve ao aumen­to de ­ vários cus­tos, sobre­tu­do cus­tos de pro­du­ção e direi­tos. É inte­res­san­te notar que a TV Globo, em 2003, cele­brou uma série de per­mu­tas com ­alguns ban­cos. Estas per­mu­tas per­mi­ti­ram a con­ver­ são de algu­mas dívi­das em horá­rios de exi­ bi­ção de publi­ci­da­de. O uso desse espa­ço publi­ci­tá­rio está pro­gra­ma­do para 2004.

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Sem modés­tia Chega ao mer­ca­do a Inu­ti­lia Trun­cat, pro­du­to­ra de com­pu­ta­ção grá­fi­ca em 3D cria­da a par­tir da união de pro­fis­sio­nais com mais de dez anos de expe­riên­cia no mer­ca­do. Os ­ sócios Luiz Felip­pe Caval­can­ti (foto), res­pon­sá­vel pela cria­ção; Pedro Paulo Gas­pa­ri­ni (novos negó­cios); e Paola Gas­pa­ ri­ni (foto) que res­pon­de pelo aten­di­men­to, garan­ ti­ram um come­ço nada modes­to para sua ope­ra­ ção, assi­nan­do os efei­tos espe­ciais em 3D do longa metra­gem “Viva Voz” (em car­taz) e os cená­rios vir­ tuais da aber­tu­ra da nove­la do SBT “Seus Olhos”, entre ­outros. Em publi­ci­da­de, tra­ba­lha­ram para os comer­ciais de Kuat, Speed, Kim­berly-Kotex, Dano­ ne e Tic-Tac. O nome da pro­du­to­ra foi ins­pi­ra­do na expres­são “carpe diem et inu­ti­lia trun­cat”, do latim viva inten­sa­ men­te seu dia e acabe com as futi­li­da­des.

Cine­ma em Goiás O Ins­ti­tu­to de Cul­tu­ra e Meio-Ambien­te (Icu­mam), do cineas­ ta João Batis­ta de Andra­de, está pro­mo­ven­do o pro­je­to Cine­ ma Popu­lar, que tem por obje­ti­vo levar o cine­ma a cida­des que não têm salas de exi­bi­ção. A inten­ção é a de demo­cra­ti­ zar a exi­bi­ção cine­ma­to­grá­fi­ca, divul­gar a pro­du­ção nacio­nal e for­mar públi­co. Nos meses de maio e junho, o pro­je­to leva o filme “Nar­ra­do­res de Javé”, da dire­to­ra Elia­ne Caffé, a ­várias cida­des de Goiás, onde está a sede do Icu­mam. A pro­gra­ma­ ção está no site www.icu­mam.com.br

Elia­na na telo­na Foi apre­sen­ta­do no iní­cio de junho, em São Paulo, o elen­co do longa-metra­gem “Elia­na em O Segre­do dos Gol­fi­nhos”, co-pro­du­ção da TeleI­ma­ge com a Canal Azul. A apre­sen­ta­do­ra infan­til Elia­na e os ato­ res come­çam a gra­var no dia 15 de junho na Rivie­ra Maya, no Méxi­co. Estão no elen­co do filme ­Daniel Del Sarto (na foto com Eliana), que faz par român­ ti­co com a apre­sen­ta­do­ra Elia­na, Ful­vio Ste­fa­ni­ni, Ange­la Dip, Fer­nan­da Sousa e Roney Fac­chi­ni, além dos ato­res ­mirins Tho­mas e João Paulo.



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Flame extra A pro­du­to­ra espe­cia­li­za­da em fil­mes de efei­tos e com­pu­ta­ção grá­fi­ca Digi­tal 21 inves­tiu cerca de US$ 600 mil na com­pra de um Flame High Defi­ni­tion, da Dis­creet. A pro­du­to­ra já con­ta­va com um Flame. Com a nova aqui­si­ção, está apta a atuar em qual­quer tipo de cap­ta­ção em alta defi­ni­ção. Além do Flame, a Digi­tal 21 tam­bém com­prou novas licen­ças do sis­te­ma 3D Sof­ti­ma­ ge XSI e a últi­ma ver­são do sis­te­ma de com­po­si­ção Com­bus­tion. Além disso, a empre­sa anun­ciou mudan­ças em sua estru­tu­ra, pas­san­ do a con­tar agora com qua­tro ­núcleos: ­motion ­ design, CGI, com­po­si­tion e aten­di­men­to. Pela nova estru­tu­ra, o ­núcleo de ­motion ­design será res­pon­ sá­vel pela cria­ção de tipo­lo­gia ani­ma­ da, comu­ni­ca­ção ­ visual, desen­vol­vi­ men­to esté­ti­co e artís­ti­co. Já o CGI será o ­ núcleo de 3D, para ani­ma­ção, mode­la­gem e tex­tu­ra. O com­po­si­tion deve reu­nir as cria­ções dos ­ outros ­núcleos, mais as faci­li­da­des dos equi­ pa­men­tos para com­po­si­ção. O ­núcleo de aten­di­men­to será total­men­te vol­ta­ do para acom­pa­nha­men­to de todos os pro­ces­sos den­tro de cada tra­ba­lho. Para tanto, a pro­du­to­ra incre­men­tou a equi­pe de pro­fis­sio­nais, con­tra­tan­ do André Wal­ler (ex-Estu­dios­Me­ga) e ­Vivien Har­ris Carel­li (ex-Cen­tral Globo de Pro­du­ção). Wal­ler será res­pon­sá­vel pela coor­de­na­ção do ­núcleo com­po­si­ tion e ­ Vivien atua­rá como artis­ta de Flame. Os ­demais ­núcleos serão coor­ de­na­dos por Sér­gio Cici­nel­li (­motion ­design), Amé­ri­co Catão (CGI) e Rober­ ta Til­kian (aten­di­men­to).

Fotos: Divul­ga­ção; Rodrigo Dionisio/Divulgação (Eliana e Daniel Del Sarto) e José Henrique Boca/Divulgação (Coberta da Alma)


Che na mídia

A tri­lha do docu­men­tá­rio

A agên­cia de publi­ci­da­ de Over­com criou para o Stu­dent Tra­vel Bureu (STB) comer­cial ins­pi­ra­ do no longa-metra­gem “Diá­rios de Moto­ci­cle­ ta”, de Wal­ter Sal­les. Pro­du­zi­do pela Casa­no­va Fil­mes, o comer­cial foi exi­bi­do em salas de cine­ma de Porto Ale­gre na pri­mei­ra sema­na de exi­bi­ção do filme. À meia-luz, o públi­co estra­nha­va o fato de a sala ainda não estar total­men­te escu­ra no momen­to em que uma ima­gem um pouco enve­lhe­ci­da, com tri­lha ade­qua­ da para o cine­ma, mos­tra­va um texto em ­ inglês - e legen­da­do em por­tu­guês - que fala­va sobre o jovem que mudou a pró­pria vida e a de milha­res de pes­soas após cru­zar a Amé­ri­ca Lati­na de moto e que, na volta, “trans­for­mou-se” no legen­dá­rio “Che” Gue­va­ra. No final, a sur­pre­sa: o que pare­cia ser o come­ço do filme de Wal­ter Sal­les era, na rea­li­da­de, um comer­cial de opor­tu­ni­da­de para a agên­cia de via­gens STB. A abor­da­gem final do comer­cial não pode­ria ser outra: “Viu? Você sem­pre volta dife­ren­te de uma via­gem”. A cria­ção, na Over­com, ficou por conta de Kei­gi­ro Ueno (que tam­bém é dire­tor de cria­ção), Fabrí­cio Viei­ra e ­ Daniel Lemos. O aten­di­men­to é de Max Rath­ke e o áudio da Deff Recla­me. A dire­ção do comer­cial é de Gus­ta­vo Bran­dau e Már­cio Leite.

O docu­men­tá­rio “Cober­ta da Alma”, diri­gi­do por Hique Mon­ta­na­ri e ven­ce­dor no Rio Gran­de do Sul do con­cur­so nacio­nal Doc.TV, do Minis­té­rio da Cul­tu­ra, ­ganhou um refor­ ço do baru­lho. Trata-se do músi­co, com­po­si­tor e arran­ja­dor Geral­do Flach, que fará a tri­lha sono­ra do filme de uma hora de dura­ção. Flach será res­pon­sá­vel pela músi­ca-tema e pelos arran­jos sono­ros que mar­ca­rão a pro­du­ção. O docu­men­tá­rio retra­ta uma prá­ti­ca cul­tu­ral gaú­cha pra­ ti­ca­men­te des­co­nhe­ci­da no país: o ­ritual cha­ma­do “Cober­ ta da Alma”. De ori­gem aço­ria­ na, con­sis­te em esco­lher um amigo ou paren­te pró­xi­mo de uma pes­­soa fale­ci­da para que ele use uma roupa nova, pre­ sen­tea­­da pela famí­lia, duran­te a mis­sa de séti­mo dia. A par­tir daí, o “depo­si­tá­rio da Cober­ta da Alma” pode pas­sar a ter vín­­cu­los afe­ti­vos mais estrei­ tos com a famí­lia, mui­tas vezes pas­­san­do até a ser cha­ ma­do pelo nome do morto. Além dis­so, mui­tas vezes é o pró­prio fale­ci­do quem esco­lhe com an­te­ci­pa­ção a roupa pós­tu­ma e quem a rece­be­rá. As gra­va­­ções, encer­ra­das em abril, acon­te­ce­ram no muni­cí­pio de Osó­­rio e envol­ve­ ram mais de 60 figu­ran­tes da comu­ni­da­de lo­cal.

De malas pron­tas Para ani­mar o mer­ca­do publi­ci­tá­rio cario­ca, o Clube de Cria­ção do Rio de Janei­ro e as empre­sas Mauro Risch Foto­gra­fia Digi­tal, Pro­view Pro­du­ ções, Stu­dio Alfa e Zuêra Pro­du­ções rea­li­za­ram uma pro­mo­ção que sor­teou dez pas­sa­gens para o Fes­ti­val de Can­ nes. De janei­ro a maio, os clien­tes des­sas empre­sas rece­be­ram ­ cupons pro­mo­cio­nais de acor­do com os ser­ vi­ços adqui­ri­dos. E no dia 31 de maio, foi rea­li­za­da uma festa para cerca de 200 con­vi­da­dos e o sor­teio. Em clima de ale­gria, os orga­ni­za­do­res anun­cia­ram um pró­xi­mo sor­teio, em setem­bro. Agora serão dez paco­tes de via­gem para Fer­nan­do de Noro­nha.

A 30 mãos Os pro­du­to­res da Mos­tra Inter­na­cio­nal de Cine­ma, Leon ­Cakoff e Rena­ta de Almei­da, estão inves­tin­do em um pro­je­to ino­va­dor. Para não dei­xar pas­sar em bran­cas ­nuvens a vinda de tan­tos dire­to­res impor­tan­tes para a Mos­tra, o casal deci­diu con­vi­dar 15 dire­to­res para criar um longa-metra­gem. A gran­de estre­la do filme - inti­tu­la­ do “Bem-vindo a São Paulo - Wel­co­me to São Paulo” é a pró­pria cida­de, e a recep­ti­vi­da­de da idéia pelos dire­to­res foi gran­de. Entre os dire­to­res, estão Phil­lip Noyce, Jim McBri­de, Hanna Elias e Maria de Medei­ros. Os dire­to­res cap­ta­ram as ima­gens que mais cha­ma­ram sua aten­ção na cida­de, em câme­ras digi­tais. Todos eles tive­ram liber­da­de para cap­tar o que lhes con­vies­se, na dura­ ção que pre­fe­ris­sem.

Sota­que pau­lis­ta no Rio A Sen­ti­men­tal Filme está inves­tin­do no mer­ca­do do Rio de Janei­ro. A pro­du­to­ra pau­lis­ta­na con­tra­tou uma agen­te que repre­sen­ta­rá a empre­sa naque­la praça: a publi­ci­tá­ria Danie­la Conde. A pro­du­to­ra come­mo­ra dois anos de atua­ ção o que, segun­do o sócio da pro­du­to­ra Mar­cos Araú­jo, torna o momen­to pro­pí­cio: “esta­mos com­ple­tan­do 2 anos de atua­ção e nos sen­ti­mos muito madu­ros para atuar fora de São Paulo”.


Con­cor­rên­cia con­tro­la­da

Pro­du­to para expor­ta­ção

A FW Comu­ni­ca­ção e Mar­ke­ting, em par­ce­ria com a Vér­ti­ce Tec­no­lo­gia, lança uma novi­da­de que ofe­re­ce aos seus assi­ nan­tes moni­to­ra­men­to on-line das gra­des de pro­gra­ma­ção das emis­so­ras e cru­za­men­to des­ ses dados. A fer­ra­men­ta, inti­tu­la­da Con­tro­le da Con­cor­rên­cia tra­ba­lha iden­ti­fi­can­do, quan­ ti­fi­can­do e audi­tan­do as apa­ri­ções publi­ci­tá­ rias e de mer­chan­di­sing na mídia tele­vi­si­va, for­ne­cen­do a cada minu­to a seus assi­nan­tes rela­tó­rios via Inter­net. Os assi­nan­tes podem ainda assis­tir aos prin­ci­pais comer­ciais em seu com­pu­ta­dor, ou soli­ci­tar ser­vi­ços como bole­tins diá­rios via e-mail com a rela­ção de todas as pro­pa­gan­das que foram ao ar no dia ante­rior. Implan­ta­do ini­cial­men­te nas emis­so­ras de TV aber­ta da praça de São Paulo, o pro­je­to é expan­dir o ser­vi­ço para as prin­ci­pais capi­tais da ­região sul e sudes­te até o final do ano.

“A Casa das Sete Mulhe­ res” ­ estreou no final de maio na emis­so­ra ita­lia­ na Rette4, com o títu­lo “Ga­ri­bal­di Eroe dei Due Mondi”. No dia 26 de maio, a embai­xa­da do Bra­sil na Itá­lia, em Roma, foi palco do lan­ça­men­to da minis­sé­rie, num even­ to que con­tou com a pre­sen­ça do dire­tor Jayme Mon­jar­dim (foto); da atriz Cami­la Mor­ga­do (à direita na foto), que inter­ pre­tou Manue­la, uma das pro­ta­go­nis­tas da trama; de Anita Gari­bal­di (centro), neta da bra­si­lei­ra e do ita­lia­no que se conhe­ce­ram e luta­ram jun­tos na Revo­lu­ção Far­rou­pi­lha; do dire­tor da Rette4 Gian­car­lo Sche­ri; e do dire­tor da Globo TV Inter­na­tio­nal Ricar­do Sca­la­man­dré. “A Casa das Sete Mulhe­res” já foi comer­cia­li­za­da para ser exi­bi­da em 17 paí­ses e obte­ve média de audiên­cia de 30% de share quan­do exi­bi­da em Por­tu­gal. No Chile con­ quis­tou o pri­mei­ro lugar de audiên­cia no horá­rio.

  scan­ner

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N達o disponivel


Ely Silva pode ser consid­ erado o primeiro colorista profissional do mercado brasileiro. Ele recebeu o primeiro telecine Ursa, que chegou ao Brasil em 1990, e viabilizou a produção brasileira de cine-VT.

Ely Silva Essa mistura de captação em cinema e exibição em vídeo começou por volta de 1986, mas até o início da década de 90 os telecines existentes no Brasil só trabalhavam com positivo. Era preciso montar e finalizar o filme para depois telecinar a cópia final para vídeo. Com a chegada desse primeiro telecine Ursa é que começamos a telecinar direto do negativo, o que permitiu a correção de cores.

Pela pri­mei­ra vez, uma ­mulher assu­ me a pre­si­dên­cia do Gru­po de Mídia do Rio de Janei­ro. É

Ma­ri­le­ne Fer­ nan­des (fo­to), dire­

to­ra de mí­dia da Gio­ van­ni, FCB. A posse acon­te­ceu no Dia do Mídia, 28 de maio. Ma­ri­le­ne subs­ti­tui Luiz Fer­nan­do ­No­vaes, da DPZ.

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Só depois da implantação desses novos modelos de equipamentos é que se pode dizer que surgiu a profissão de colorista. Antes havia o operador de telecine, que não tinha participação nenhuma no processo do filme. O colorista faz a marcação de luz, trabalha a imagem, precisa reunir duas qualidades fundamentais: bom olho e atitude.

Ely vem da área de informática, mas passou pela operação de VT

A agên­cia Age con­tra­tou uma nova dupla de cria­ção para sua equi­pe. Ricar­do John e Rodri­go Cas­tel­la­ri são, res­pec­ti­va­men­te, o novo reda­tor e o novo dire­tor de arte da agên­cia. Ricar­do vem da ­ Talent e Cas­tel­la­ri, da Fis­cher Amé­ri­ ca. A Publi­cis Sal­les Nor­ton tam­bém tem novo dueto. São eles Gui­lher­me Facci e Denis Kaka­zu Kus­hi­ya­ma, que dei­xa­ram a Age. Na Gio­van­ni, FCB de São Paulo, a nova dupla é for­ma­da pe­los cario­ cas Vico Bene­vi­des e Erick Rosa, e já tra­ba­lha­ram na ­filial da agên­cia no Rio. A agên­cia tam­bém con­tra­tou di­re­to­ra de arte ­Mirian Keiko, vinda da W/Bra­sil, para fazer du­pla com Fer­ nan­do Taboa­da, e Sil­vio Medei­ros, da Lowe Sul, tam­bém dire­tor de arte, para com­por com Thia­go Car­va­lho. Fotos: Gerson Gargalaka (Catherine) e Divul­ga­ção


e de câmera. Na época em que a finalizadora New Vision decidiu comprar o primeiro Ursa, em 1989, Ely trabalhava como editor. Um ano antes de chegar o equipamento, ele já começou a se preparar para recebê-lo. Comecei a estudar e a ir ao laboratório Líder para entender como funcio­ nava a marcação de luz, com o Pedro.

Em sua trajetória, Ely acompanhou a chegada de todos os telecines top de linha importados pelas finalizadoras brasileiras. Em 1993, assumiu o Ursa Gold da Casablanca, um modelo mais avançado que o Ursa da New Vision e uma das primeiras dez máquinas desse modelo a serem vendidas no mundo. Em 1997, foi a vez do Estúdio Abertura investir em um Ursa Diamond, uma das primeiras cinco máquinas do mundo. E em 1999 assumiu o C-Reality dos EstúdiosMega, o primeiro equipamento para HDTV do Brasil. Os equipa­ mentos de telecine sempre serviram principalmente à publicidade, e como a publicidade brasileira é uma das melhores do mundo, tive a oportunidade de trabalhar com equipamentos de última geração.

No início, o grande desafio da nova atividade era não só dominar os comandos da máquina, mas desenvolver uma linguagem própria para o formato. Havia muito preconceito no início e dúvidas quanto à segurança em se colocar o negativo na máquina. Também faz parte do meu trab­ alho essa questão institucional, de divulgar e mostrar o que pode ser feito.

Hoje o telecine é indispensável na área de entretenimento, na produção de filmes e seriados, por isso o trabalho do colorista também está se tornando mais sofisticado. O que no início era basicamente a transferência de imagens para a publicidade, hoje é um processo complexo de colorimetria e técnica para todas as mídias. Então o col­ orista está começando a participar do processo como um todo, está sendo chamado para atuar ao lado da direção de arte e da fotografia na criação do ‘look’ do filme. Aos poucos, o colorista está se transformando no que hoje já chamamos de supervisor de imagem.

René Sam­paio é o novo

dire­tor da pro­du­to­ra cario­ca TV Zero. ­Depois de dois anos na Cara­de­ cão, o dire­tor bra­si­lien­se agora faz parte da equi­pe de cinco dire­to­res, for­ma­da por Rober­to Ber­li­ ner, Ronal­do Soa­res, Lean­ dro Corin­to e Octá­vio Sco­ pe­lit­ti. René Sam­paio foi pre­mia­ do em diver­sos fes­ti­vais com seu curta “Sinis­tro”.

Rodri­go Ricar­do (foto) assu­ miu, em maio, um gran­de desa­fio em nome da Aca­de­mia de Fil­mes. Por resi­dir em Los Ange­les, ele repre­sen­ta­rá a pro­du­to­ra no mer­ca­ do norte-ame­ri­ca­no, focan­do espe­ cial­men­te a Cali­fór­nia e a Fló­ri­da. Sua expe­riên­cia ­ inclui um vasto tra­ba­lho como dire­tor de pro­du­ção e pro­du­tor de loca­ções para co-pro­ du­ções inter­na­cio­nais. ­Depois de oito anos no aten­di­men­to de pós-pro­du­ção e efei­tos espe­ciais da Casa­blan­ca, Ro­ber­ta Rei­ga­ do é a nova aqui­si­ção do RTV da Publi­cis Sal­les Nor­ton. Rober­ta pas­sou por ­várias áreas da fina­li­za­do­ra e agora passa para o outro lado. Em seu lugar na Casa­blan­ca está Paola Maluf, com mais de 20 anos de expe­riên­ cia no mer­ca­do de pro­du­ção audio­vi­sual. Paola já foi pro­ du­to­ra e coor­de­nou o aten­di­men­to da Side Cine­ma, mas recen­te­men­te vinha tra­ba­lhan­do em uma revis­ta.

A Gio­van­ni, FCB de São Paulo está pro­mo­ven­do mudan­ças em sua área de mídia. Mar­ce­lo Bicu­do (2) é o novo coor­de­na­dor de mídia do grupo de Cris­tia­no Cezar, aten­den­do Inte­lig Tele­com e BMW Motor­rad. E Elia­na Bueno (1), a Lica, foi pro­mo­vi­da. Ela assu­me todo o pla­ne­ja­men­to de mídia dos clien­tes e passa a cui­dar das con­cor­ rên­cias da agên­cia. Celso Alfie­ri é o novo dire­tor de arte da W/Bra­sil. O pro­fis­sio­nal dei­xou a Caril­lo Pas­to­re Euro RSCG para assu­mir o posto na equi­pe de Was­hing­ton Oli­vet­to.

Uma nova pro­du­to­ra ­estreou em São Paulo em maio, capi­ta­nea­da pelo dire­ tor Car­los Manga ­Júnior, o Man­gui­ nha. A Repu­bli­ka, com sede na Vila Mada­le­na, tam­bém tem como ­ sócios o pro­du­tor Paulo Vai­ner, que vem da Zohar Cine­ma, e os dire­to­res Gus­ ta­vo Leme e Iza­bel Jagua­ri­ be. A pro­du­to­ra tam­bém tem uma par­ce­ria com a Copa­ca­ba­na Fil­mes, do

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Rio de Janei­ro, de Carla Ca­mu­ra­ti e Bian­ca Costa. A equi­pe da pro­du­to­ra ainda ­ inclui Ma­ya Mon­te­ne­gro (dire­to­ra de aten­di­men­to), Simon James Gre­ gory (dire­tor-exe­cu­ti­vo), Zeca Meira (coor­de­na­dor de pro­du­ção), Vivi Done­gá (coor­de­na­do­ra de pós-pro­ du­ção) e Kátia Lun­der­man (pro­ du­to­ra cul­tu­ral).


Estado sólido

Universo 3D A Alias anunciou na última NAB, que aconteceu em abril, em Las Vegas, o software de animação Maya 6. Os melhoramentos são frutos de sugestões e críticas feitas por usuários das áreas de produção audiovisual, desenvolvimento de jogos e indústria gráfica. A nova versão conta com otimizações na criação e animação de personagens. A ferramenta Maya Hair, por exemplo, conta com um mecanismo desenhado para permitir acrescentar cabelos compridos aos personagens. A partir disso, é possível criar novos “penteados” ou deixar os cabelos soltos, deixando por conta do software o cálculo para dar movimentos mais realísticos. O software está ainda melhor equipado para adicionar roupas aos personagens ou animar criaturas peludas. Com o Maya Fur agora é possível fazer a renderização de pêlos com o uso da tecnologia Mental Ray. Os usuários de Macintosh também serão beneficiados com a nova versão, já que o Maya agora é uma aplicação “MachO”, o que permite de desenvolvedores de plug-in usem a linguagem Xcode, do pacote da Apple Developer Tools. Além disso, o tempo de renderização no Mac está entre 20% e 50% menor que nas versões anteriores. O software conta ainda com maior integração a ambientes de produção. O Maya agora pode trabalhar integrado ao Photoshop. Os arquivos PSD podem ser lidos e gravados pelo Maya, mantendo a estrutura de layers. As versões para as plataformas Windows, Linux e Mac OS X contam agora com um web browser. Além de facilitar a procura por documentação e tutoriais do software, o navegador, compatível com Java Script, permite que os usuários criem e visualizem páginas interativas que contenham scripts MEL (Maya Embedded Language).

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A Panasonic lançou sua primeira câmera baseada na tecnologia de gravação e mídias estado sólido P2. Anunciada na NAB de 2003, a tecnologia mostrava-se promissora, mas ainda não era realidade. Na época a Panasonic demonstrou apenas protótipos. Na última NAB a empresa lançou a camcorder AJ-SPX800 Camputer DVCPRO P2. Ao eliminar todas as partes móveis da câmera, a Panasonic garante que a AJ-SPX800 é extremamente confiável e resistente a acidente como choques e vibração ou a ambientes frios, empoeirados e úmidos. O equipamento conta com três CCDs de 2/3” capazes de trabalhar a 24 e 30 quadros por segundo com varredura progressiva ou a 60 quadros interlaçados, podendo gravar nos formatos 25 Mbps DVCPRO e 50 Mbps DVCPRO50. As imagens são gravadas em cartões de memória em estado sólido P2 usando arquivos MXF, o que garante compatibilidade em ambientes IT para transferências de arquivos. A câmera trabalha nos aspectos 16:9 e 4:3 com 750 linhas de resolução e sensitividade F13 a 2000 lux. A AJ-SPX800 conta com cinco slots para cartões P2, garantindo até 80 minutos de gravação no formato DVCPRO e 40 minutos em DVCPRO50, quando usando cartões de 4 Gb. A capacidade pode crescer na medida em que novos modelos de cartões, com maior capacidade, sejam lançados. Um sexto slot pode ser usado para cartões de rede wireless ou um encoder MPEG-4. Além disso, a câmera oferece uma porta USB 2.0 e pode ter ainda uma porta (opcional) IEEE-1394. Enquanto a câmera está sendo usada em gravações, é possível substituir cartões de memória. Assim, enquanto é feita a gravação, pode-se tirar um dos cartões P2, descarregar seu conteúdo em um laptop e colocá-lo de volta na câmera sem perder nem um momento de gravação.

Fotos: Divulgação


Da edição ao DVD A Adobe lançou no Brasil na segunda quinzena de maio o Adobe Video Collection, pacote com as novas versões dos softwares de edição de vídeo, efeitos, sonorização e autoração de DVD da empresa: Adobe Audition 1.5, Adobe Premiere Pro 1.5, Adobe After Effects 6.5 e Adobe Encore DVD 1.5. A característica mais interessante do pacote é a total integração entre os softwares, através do formato PSD. Todos os programas reconhecem, por exemplo, as camadas (layers) do Premiere ou até do Photoshop. Dentre as novidades, o Premiere Pro 1.5 agora inclui o suporte à importação e exportação de formatos padrão do mercado, como EDL e AAF (Advanced Authoring Format), o que permite que seja usado em ambientes de edição com mixagem, onde é comum a mudança entre sistemas de edição. O software de edição tem novas e avançadas ferramentas que incluem todo o processo de pós-produção de DV até o vídeo de alta definição. Além disso, o Premiere Pro suporta a câmera 24P DV da Panasonic, a DVX 100. Também traz suporte para placas HD de vários fabricantes. A ferramenta Project Manager permite que os editores retirem rapidamente o material não utilizado, consolidem arquivos para transporte ou arquivem e gerenciem a transição entre a edição offline e online. A nova edição do software conta ainda com corretor de cor inspirado no Photoshop CS, que simplifica o processo de correção de cor e dos níveis de uma imagem, de um quadro ou de uma timeline. O After Effects 6.5 também apresenta novos recursos, como o Animation Presets, que permite salvar qualquer combinação de propriedades de camada, incluindo as propriedades de animação, aplicando-as com facilidade a outras camadas. Mais de 250 Animation Presets de texto foram incluídas para criar animações sofisticadas e mais de 60 novos efeitos permitem que os usuários

criem efeitos visuais, entre eles raios de luz e partículas em 3D. Para correção de cor, o After Effects conta agora com o Color Finesse, da Synthetic Aperture, um sistema profissional de correção de cor por ponto flutuante de 32 bits. Além disso, o controle de movimento do After Effects 6.5 Professional foi aperfeiçoado para permitir maior exatidão e flexibilidade. A versão 1.5 do software de edição de áudio, mixagem e masterização Adobe Audition conta agora com o recurso Spectral View, que permite aos usuários isolar e selecionar visualmente todo som que inclua um intervalo de freqüências com determinada duração para aplicar efeitos ou editar aquele som. Outro recurso em destaque é a nova ferramenta Pitch Correction, que permite que os usuários corrijam desempenhos vocais fora do tom e criem efeitos especiais com base em tom. O software conta ainda com mais de 500 novos loops de música produzida sem royalties, totalizando mais de 5 mil músicas. Já o Adobe Encore DVD 1.5, software de autoria em DVD, tem uma nova Library Palette, que pode ser utilizada para organizar menus, botões, backgrounds, estilos de texto e formas vetoriais. A ferramenta Style Palette permite armazenar efeitos usando as camadas do Photoshop, como sombreados, brilho e chanfrados para modificar rapidamente a aparência dos elementos de menu do DVD.

Novos mercados Segundo o gerente para a área de licenciamento e canais da Adobe, Luis Maian, a empresa está investindo no crescimento do mercado corporativo. São empresas, não necessariamente ligadas à área de produção, que adquirem sistemas de edição para produzir material interno de treinamento, divulgação etc. “Com a proliferação das filmadoras digitais (DV), esse segmento vem crescendo. As próprias áreas de marketing

Adobe lança pacote com novas versões de seus softwares de pós-produção

Color Finesse: ferramenta de correção de cor do After Effects.

O Encore DVD importa arquivos do Photoshop mantendo suas layers.

e eventos das empresas conseguem ter uma pequena estrutura para a produção própria”, conta Maian, explicando que a estratégia agora é preparar os canais (distribuidores e integradores) para este mercado. A entrada em novos mercados é também uma maneira de aparecer para empresas onde a Adobe não era tão conhecida e, assim, mostrar que seus softwares têm um desenvolvedor. Seria uma maneira de evitar a pirataria, o maior desafio enfrentado pela companhia no Brasil. “É uma característica de todo o mercado de software”, diz Maian. Ele conta que a pirataria global vem caindo, de 85% há cerca de oito anos para 56% dos usuários atualmente, segundo dados da Business Software Alliance, mas continua num patamar muito e danoso para a indústria.


Recei­tas para Da nova regu­la­men­ta­ção às ini­cia­ti­vas ­locais, evento deba­te as soluções para a con­so­li­da­ção da indús­tria audio­vi­sual

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De um lado, o gover­no, que atra­ vés do Minis­té­rio da Cul­tu­ra ela­bo­ ra e pre­pa­ra-se para publi­car em breve um novo marco regu­la­tó­rio para a indús­tria do audio­vi­sual no Bra­sil (leia maté­ria a ­ seguir). De outro lado, asso­cia­ções de pro­du­to­ ras e enti­da­des da socie­da­de civil se orga­ni­zam para ­ ampliar mer­ca­dos e esti­mu­lar a pro­du­ção. No meio, a Anci­ne, cujas polí­ti­cas come­çam a mos­trar resul­ta­dos con­sis­ten­tes. Esse é o cená­rio arma­do no audio­ vi­sual nacio­nal, tema do V Fórum Bra­sil de Pro­gra­ma­ção e Pro­du­ção, que reu­niu em São Paulo no final de maio pro­du­to­res, dis­tri­bui­do­res e exi­ bi­do­res de TV, cine­ma e vídeo. Men­cio­na­da em pra­ti­ca­men­te to­dos os deba­tes, a TV aber­ta mos­trou

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Manoel Ran­gel, do MinC, que trabalha na elaboração de um novo marco regulatório para o setor.

que “corre por fora” das dis­cus­sões, e por ­razões nem sem­pre cla­ras a todos. Há uma gran­de dife­ren­ça en­tre as que não que­rem par­ti­ci­par des­se pro­ ces­so, caso das gran­des re­des, habi­tua­ das a um mode­lo ver­ti­cal e cen­tra­li­za­ do de pro­du­ção, e as que não podem, caso das peque­nas e ­mé­dias emis­so­ras ­locais, que lutam con­­tra a queda nas recei­tas publi­ci­tá­­rias. O deba­te sobre a aber­tu­ra das gra­ des para a pro­du­ção inde­pen­den­te, por exem­plo, pre­ci­sa levar em conta as dife­ren­tes rea­li­da­des do País. É o que defen­deu Rober­to Ama­ral, pre­ si­den­te do grupo cata­ri­nen­se SCC, afi­lia­do local da ­ RedeTV!. Segun­do ele, a rea­li­da­de fora dos gran­des cen­ tros não per­mi­te que os radio­di­fu­ so­res assu­mam os ris­cos da com­pra de pro­du­ção inde­pen­den­te. Ama­ral defen­de que os mode­los viá­veis de pro­du­ção inde­pen­den­te são a venda de espa­ço na grade, em que os pro­du­ to­res assu­mem todo o risco no custo da pro­du­ção, e a divi­são de recei­tas, onde pro­du­tor e vei­cu­la­dor divi­dem os ris­cos e tam­bém o lucro, “mas em geral é crí­ti­ca a ques­tão da falta de empreen­de­do­ris­mo. Ou seja, na rela­ ção entre pro­du­to­res inde­pen­den­tes e radio­di­fu­so­res, nin­guém quer assu­mir os pro­je­tos como negó­cio”. O pre­si­den­ te da SCC defen­de que as emis­so­ras se tor­nem um “shop­ping cen­ter atra­ti­vo, com um mix de mar­cas (pro­gra­mas)”. Assim, para Ama­ral, as TVs deve­riam dar cre­di­bi­li­da­de a essas “mar­cas” e

“A rea­li­da­de fora dos gran­des cen­tros não per­mi­te que os radio­di­fu­so­res assu­mam os ris­cos da pro­du­ção inde­pen­ den­te”, diz Ama­ral, da SCC.

exi­gir um ­ padrão de qua­li­da­de míni­ mo para que a cre­di­bi­li­da­de do canal não se perca. Para Rogé­rio Gallo, da Ban­dei­ran­ tes, “a TV não pode ser uma col­cha de reta­lhos”, o que pode­ria des­ca­rac­ te­ri­zá-la. “A TV tem que man­ter uma iden­ti­da­de. O pro­du­tor pre­ci­sa estar ‘­ligado’ ao que acon­te­ce na emis­so­ra, para desen­vol­ver pro­gra­mas a qua­ tro mão, ofe­re­cer pro­du­tos den­tro das neces­si­da­des do canal”, com­ple­ta. Para Gallo o mode­lo de reve­nue-share (com­par­ti­lha­men­to de recei­tas) gera um com­pro­me­ti­men­to por parte do radio­di­fu­sor maior do que nos casos de lotea­men­to de espa­ços na grade, garan­tin­do cha­ma­das duran­te a pro­ gra­ma­ção do canal. Mesmo assim, “o radio­di­fu­sor sem­pre pre­fe­re ven­der aque­les pro­gra­mas onde não pre­ci­sa divi­dir a recei­ta”, pon­de­ra. Fotos: Gerson Gargalaka


cres­cer daredação

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O mode­lo de negó­cios defen­di­do pelo Mesmo com as dúvi­das e a polê­mi­ca sócio da Pro­di­go e dire­tor da ABPI-TV sobre mode­los de negó­cios, para Rogé­rio Adria­no Civi­ta, no qual os pro­du­to­res Gallo, exis­tem van­ta­gens para os radio­di­fu­ inde­pen­den­tes desen­vol­vem pro­du­tos para so­res na pro­du­ção inde­pen­den­te. “Exis­tem pos­te­rior­men­te ofe­re­cer aos ­canais, não foi bons pro­je­tos e boa qua­li­da­de téc­ni­ca nas visto com bons olhos no deba­ pro­du­to­ras. Além disso, as te por Gallo e por Fer­nan­do emis­so­ras pre­ci­sam redu­ Dávi­la, da TV7. Ambos acre­ zir cus­tos”, jus­ti­fi­ca. Gallo di­tam que esse mode­lo traz cri­ti­ca, entre­tan­to, a falta muito risco ao pro­du­tor. “É de visão de longo prazo fun­da­men­tal que as TVs divul­ quan­do se trata da rela­ção guem o que estão bus­can­do entre emis­so­ras de TVs para suas gra­des de pro­gra­ma­ e pro­du­to­res inde­pen­den­ ção, para que os pro­du­to­res tes. “as duas par­tes que­ pos­sam desen­vol­ver pro­je­tos rem ­ganhar uma em cima mais dire­cio­na­dos”, defen­de da outra, jogam pen­san­do Fer­nan­do Dávi­la. Para ele, a ape­nas nos 15 minu­tos ini­ com­pra de espa­ço na grade é Gallo: compartilhamento ciais de jogo”. “o pior dos mun­dos” para o de receitas gera maior pro­du­tor inde­pen­den­te. “O comprometimento do Co-pro­du­ção pro­gra­ma ­jamais terá cha­ma­ radiodifusor que Se as gran­des ques­tões, das ao longo da pro­gra­ma­ loteamento da grade. como a pro­du­ção inde­pen­ ção”, expli­ca. den­te na TV aber­ta, ainda

não encon­tra­ram seu remé­dio, fór­mu­las de ação local têm dado bom resul­ta­do. A regra que dá aos pro­gra­ma­do­res de TV por assi­na­ tu­ra inter­na­cio­nais a opção de inves­tir em co-pro­du­ções com pro­du­to­res inde­pen­den­ tes ­ locais 3% de suas remes­sas ao exte­rior, como alter­na­ti­va ao paga­men­to da Con­de­ci­ ne de 11%, ren­deu bons fru­tos. Duran­te o even­to, Sean Spen­cer, da TAP (Tele­vi­sion Asso­cia­tion of Pro­gram­mers - Latin Ame­ri­ ca), e a ABPTA (Asso­cia­ção Bra­si­lei­ra de Pro­gra­ma­do­res de TV por Assi­na­tu­ra), sua repre­sen­ta­ção local, apre­sen­ta­ram um vídeo come­mo­ran­do o resul­ta­do atual da regra dos 3% (cuja arre­ca­da­ção até o momen­to foi de R$ 22 ­milhões). Mar­cus Fer­nan­des, do canal Nic­ke­lo­deon, afir­mou que o pro­gra­ma “Patru­lha Nick”, copro­du­zi­do com a TeleI­ma­ge, já está entre as melho­res audiên­cias do canal, fican­do atrás ape­nas dos dese­nhos da série “Bob Espon­ja”. Segun­do Fer­nan­des, a regra dos 3% esti­mu­ lou o escri­tó­rio da pro­gra­ma­do­ra em Miami a inves­tir na pro­du­ção nacio­nal. Sobre essas come­mo­ra­ções, Leo­nar­do Mon­tei­ro de Bar­ros, sócio-pro­du­tor da Cons­ pi­ra­ção, che­gou a suge­rir que e regra subis­se para 6%. “Meus ­ sócios acham que deve­ria ir para 9%, mas eu me con­ten­to com 6%”, brin­cou. Leo­nar­do lem­brou que as co-pro­ du­ções entre pro­du­to­ras inde­pen­den­tes e ­canais de TV por assi­na­tu­ra não come­çou no Bra­sil após a cria­ção da regra dos 3%. “A

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legis­la­ção aumen­tou o ra­ção; e cul­tu­ra mun­dial. o even­to trou­xe uma visão do con­ti­ volu­me de co-pro­du­ções Sobre o Bra­sil, ­ Daniels nen­te euro­peu sobre a defe­sa do con­teú­ e obri­gou os exe­cu­ti­vos diz que o canal tem neces­ do nacio­nal. O con­sul­tor belga Henri dos ­ canais a enten­der si­da­des de pro­gra­ma­ção Roan­ne-Rosen­blatt expôs as ini­cia­ti­vas o tra­ba­lho e os cus­tos local, mas lem­brou que a toma­das no âmbi­to da União Euro­péia do con­teú­do que cos­tu­ con­cor­rên­cia para “pro­du­ para fomen­tar e pro­te­ger seu mer­ca­do mam com­prar”. Além ções glo­bais”, que serão audio­vi­sual. Ele des­cre­veu pro­gra­mas disso, para o sócio da dis­tri­buí­das em toda como o Tele­vi­são sem Fron­tei­ras, o Cons­pi­ra­ção a par­ce­ a área de cober­tu­ra do MEDIA e o Euri­ma­ges, que exis­tem ria esta­be­le­ci­da com os canal, é muito gran­de. O desde o final da déca­da de 80. A linha pro­gra­ma­do­res, na sua canal chega a 170 ­milhões geral dos pro­gra­mas é o for­ta­le­ci­men­to da gran­de maio­ria nortede lares em 146 paí­ses e inte­gra­ção entre os paí­ses-mem­bros. ame­ri­ca­nos, fez com Segun­do ­Daniels, do é dis­tri­buí­do em 25 lín­ O pri­mei­ro deter­mi­na as ­ regras que os mes­mos apren­ Natio­nal Geo­gra­phic, guas. Rece­be cerca de 2 para a pene­tra­ção de emis­so­ras de TV des­sem algu­mas ­ regras ape­nas 15 ou 20 mil pro­pos­tas de co-pro­du­ euro­péias em ­ outros paí­ses que não o de direi­tos auto­rais, pro­du­ções são acei­tas ção por ano, das quais ape­ seu de ori­gem. Já o Euri­ma­ges é um pro­ muito dife­ren­te das por ano, em mais de nas entre 15 e 20 são sele­ gra­ma de incen­ti­vo à pro­du­ção que prevê ­regras de copy­right em 2 mil pro­pos­tas. cio­na­das para “pro­du­ções que cada pro­je­to envol­va ao menos três prá­ti­ca nos Esta­dos Uni­ glo­bais”. Segun­do ­ Daniels, paí­ses dife­ren­tes. Pelo pro­gra­ma, que dos. Isso faci­li­ta­ria futu­ros con­ta­tos da as pro­du­to­ras geral­men­te são esco­lhi­das tem orça­men­to anual de cerca de Ä 30 indús­tria de pro­du­ção bra­si­lei­ra com com ajuda dos repre­sen­tan­tes regio­ ­milhões, já foram rea­li­za­dos mais de os norte-ame­ri­ca­nos. nais do canal, sem­pre levan­do em mil fil­mes. Vale lem­brar que a Cons­pi­ra­ção tem conta a qua­li­da­de do pro­je­to apre­sen­ta­ De um modo geral, diz Henri Roan­ em mãos uma das prin­ci­pais par­ce­rias do e o his­tó­ri­co da pro­du­to­ra. ne-Rosen­blatt, os paí­ses tra­tam com de co-pro­du­ção com pro­gra­ma­do­ras. Letí­cia Muha­na, dire­to­ra do canal muita aten­ção a ques­tão do audio­vi­ Trata-se da série “Man­dra­ke”, em par­ GNT, aplau­diu a idéia da regra dos 3% sual na Euro­pa, seja indi­vi­dual­men­te, ce­ria com a HBO, que terá suas fil­ para pro­gra­ma­do­res inter­na­cio­nais, seja no âmbi­to da Comis­são Euro­péia, ma­gens ini­cia­das em 5 de setem­bro. mas fez ques­tão de dei­xar claro que como uma polí­ti­ca de pre­ser­va­ção de A pro­du­ção, orça­da em mais de R$ 5 o gover­no deve­ria pen­sar, tam­bém, iden­ti­da­des. ­milhões, está em fase de pré-pro­du­ção em meca­nis­mos que esti­mu­las­sem as pro­ Ele mos­trou ainda os deta­lhes dos e será um pro­du­to exi­bi­do ini­cial­men­ gra­ma­do­ras nacio­nais a inves­ti­rem em pro­gra­mas de incen­ti­vo à pro­du­ção de te em toda a Amé­ri­ca Lati­na. O canal, co-pro­du­ções. Segun­do Letí­cia, o lado diver­sos paí­ses. A ínte­gra da apre­sen­ aliás, já ­ fechou outra gran­de par­ce­ria per­ver­so da regra exis­ten­te é que hoje ta­ção, com dados deta­lha­dos sobre os no País, desta vez com a O2. A pro­du­ pode ser mais van­ta­jo­so mudar um canal pro­gra­mas, está dis­po­ní­vel no ende­re­ to­ra está co-pro­du­zin­do com a HBO a para Miami por­que os estí­mu­los para pro­ ço www.paytv.com.br/arqui­vos/hen­ri­ série “Car­na­val”. du­ção no Bra­sil são maio­res para os roan­ne.ppt. Mau­rí­cio Dias, dire­tor da pro­du­to­ra ­canais estran­gei­ros. Mas vale lem­brar Grifa, diz que teve sua pri­mei­ra co-pro­ que ape­nas os ­ canais inter­na­cio­nais Novos mer­ca­dos du­ção em 1996, com o canal GNT, pagam a Con­de­ci­ne de 11% sobre o O mer­ca­do euro­peu é, aliás, um dos mais mas que a regra dos 3% trou­xe a fatu­ra­men­to líqui­do im­por­tan­tes alvos dos pro­du­ pos­si­bi­li­da­de de expor­ta­ção de con­teú­ e que a regra dos 3% to­res bra­si­lei­ros no que se dos. “Com os 3%, pre­ci­sa­mos ­ entrar é uma alter­na­ti­va a refe­re à co-pro­du­ção. Fer­nan­ no mer­ca­do, e não bri­gar com ele. esta con­tri­bui­ção. do Dias, da ABPI-TV, expôs Adap­tar-nos às exi­gên­cias dos ­ canais Além disso, Vera o pro­je­to de busca de co-pro­ estran­gei­ros, mas sem per­der a ‘lin­ Zave­ru­cha, asses­so­ra du­ções no mer­ca­do inter­na­ gua­gem ­brasileira’”. espe­cial da pre­si­dên­ cio­nal desen­vol­vi­do em con­ Con­vi­da­do espe­cial do even­to, o cia da Anci­ne, após a jun­to com a Apex, a agên­cia res­pon­sá­vel pela esco­lha de pro­je­tos afir­ma­ção de Letí­cia de pro­mo­ção de expor­ta­ções de co-pro­du­ção inter­na­cio­nais no Muha­na, lem­brou do Minis­té­rio do Desen­vol­vi­ canal Natio­nal Geo­gra­phic, Geof­frey que as pro­du­ções do men­to, MinC e ­ Sebrae (leia ­Daniels, expli­cou o pro­ces­so e os cri­ canal podem usar o maté­ria com­ple­ta sobre o pro­ té­rios para esco­lha de um pro­je­to e arti­go 1º da Lei do je­to em TELA VIVA 138). O Qui­rós, da Apex: de uma pro­du­to­ra par­cei­ra do canal. Audio­vi­sual. acor­do foi assi­na­do duran­te Como temas prin­ci­pais para co-pro­ Além das dis­cus­ apoio do gover­no às o Fórum, pelo pre­si­den­te da du­ção, a Natio­nal Geo­gra­phic busca sões sobre meca­nis­ co-pro­du­ções com Apex, Juan ­Manuel Qui­rós, e ciên­cia e tec­no­lo­gia; aven­tu­ra e explo­ mos de co-pro­du­ção, TVs estran­gei­ras. da ABPI-TV, Marco Alt­berg.

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o futuro da grade Além do deba­te das ques­tões mais pre­ men­tes da ati­vi­da­de audio­vi­sual, o V Fórum Bra­sil abriu tam­bém espa­ço para uma dis­cus­são mais con­cei­tual: o futu­ro das gra­des de pro­gra­ma­ção, fren­te à digi­ ta­li­za­ção dos meios e às mudan­ças nos hábi­tos dos espec­ta­do­res. “A grade do futu­ro pode não ser nem gene­ ra­lis­ta, nem seg­men­ta­da. Na ver­da­de pode ser que nem exis­ta mais grade, cada um pode­rá mon­tar sua pró­pria pro­gra­ma­ção”, disse em sua apre­sen­ta­ção ini­cial o supe­rin­ ten­den­te comer­cial do SBT, Antô­nio Athay­ de. Ele des­ta­cou que há uma ten­dên­cia entre os anun­cian­tes da TV aber­ta em patro­ ci­nar pro­gra­ma­ção que se encai­xe no per­fil de hábi­tos do seu con­su­mi­dor, e não mais em defi­ni­ções sócio-eco­nô­mi­cas. Busca-se, sim, uma per­so­na­li­za­ção. “Não conta mais ape­nas saber se o per­fil de con­su­mo é públi­ co A, B ou C; o anun­cian­te está vol­ta­do ao hábi­to do teles­pec­ta­dor”. Para ele, a gran­de ques­tão sobre a mul­ti­pli­ci­da­de de ­ canais que vai resul­tar da digi­ta­li­za­ção da TV aber­ ta é sobre quem vai pagar a conta, uma vez que o setor se sus­ten­ta com verba de publi­

A meta do pro­je­to é co-pro­du­zir, em dois anos, 120 horas de con­teú­do, envol­ven­do 70 pro­du­to­ras e movi­men­ tan­do US$ 60 ­milhões. Sér­gio Sá Lei­tão, res­pon­sá­vel pela for­ mu­la­ção do pro­je­to Film Comis­sions no Minis­té­rio da Cul­tu­ra, expôs as par­ce­rias que o MinC vem desen­vol­ ven­do com dife­ren­tes áreas do gover­ no para via­bi­li­zar a expor­ta­ção de con­teú­do nacio­nal e de ser­vi­ços de pro­ du­ção. Segun­do Sá Lei­tão, estão envol­ vi­dos em dife­ren­tes pro­je­tos, além do MinC, o Minis­té­rio das Rela­ções Exte­rio­ res; o Minis­té­rio do Desen­vol­vi­men­to, Indús­tria e Comér­cio, atra­vés da Apex; a Secom; e o Minis­té­rio do Turis­mo. Sobre o pro­je­to de cria­ção de uma Film Comis­sion nacio­nal, Sá Lei­tão diz que devem ser cria­dos birôs regio­nais que esta­rão sobre o guar­da-chuva da Film Comis­sion. “É im­por­­tan­te ven­der o ser­vi­ço de pro­du­ção e as loca­ções bra­ si­lei­ras no exte­rior, mas não em detri­ men­to do mer­ca­do local. O con­teú­do

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ci­da­de e hoje, na TV, ela está em cerca de 80% con­cen­tra­da na emis­so­ra-líder, ou seja, a Rede Globo. Outro fenô­me­no recen­te é a busca do anun­ cian­te por uma comu­ni­ca­ção dife­ren­cia­da da publi­ci­da­de con­ven­cio­nal. Gus­ta­vo Dia­ mant, geren­te de mar­ke­ting da fabri­can­te de bebi­das Dia­geo (Smir­noff, J&B, John­nie Wal­ker entre ­outras) afir­mou que nem sem­ pre na TV (aber­ta ou fecha­da) o anun­cian­te encon­tra um pro­gra­ma ade­qua­do ao públi­ co que deter­mi­na­da cam­pa­nha pre­ten­de atin­gir, sendo neces­sá­ria a exe­cu­ção de ­outras ações de mar­ke­ting (mer­chan­di­sing, etc). Já Luiz Glei­ser, da Rede Globo, tra­çou um para­le­lo com o mer­ca­do norte-ame­ri­ ca­no, mos­tran­do o dese­nho dos gran­des gru­pos de mídia que atra­vés de aqui­si­ções e ­ fusões con­tro­lam o con­teú­do em suas diver­sas ­cadeias de dis­tri­bui­ção: TV aber­ta, TV fecha­da, estú­dios de cine­ma, Inter­net etc. Com o adven­to da TV aber­ta digi­tal, surge uma nova força naque­le mer­ca­do, que é a dos broad­cas­ters ofe­re­cen­do paco­ tes de ­canais, como as pro­gra­ma­do­ras de TV por assi­na­tu­ra.

rar a infra-estru­tu­ra “que está tra­ba­lhan­do pró­xi­ma à sua capa­ci­da­de máxi­ma”.

Cine­ma e TV O namo­ro do cine­ma com a TV tam­bém este­ve no palco do V Fórum Bra­sil de Pro­gra­ma­ção e Pro­du­ção. A par­ce­ria tra­ va­da entre a Globo, atra­vés das Globo Fil­mes, e pro­du­to­res cine­ma­to­grá­fi­cos foi tema de apre­sen­ta­ção e de dis­cus­ sões. “A Globo Fil­mes é parte da estra­té­ gia de defe­sa da pro­du­ção cul­tu­ral bra­si­ lei­ra”. Foi assim que Car­los Eduar­do Rodri­gues (Cadu), dire­tor geral da empre­ sa, defi­niu o papel da divi­são. “Defen­der a pro­du­ção cul­tu­ral bra­si­lei­ra, por que não, é defen­der o pró­prio inte­res­se mer­ca­ do­ló­gi­co da Globo, já que nós vive­mos dessa pro­du­ção”. A Globo Fil­mes, diz ele, não dá lucro. No máxi­mo, empa­ta os cus­tos, mas nem de longe recu­pe­ra o que gasta em mídia com as pro­du­ções que co-pro­duz, afir­mou. Aliás, esse ponto foi cen­tral na dis­cus­são entre o dire­tor da Globo Fil­mes e a dire­to­ra da Con­ cei­to A, The­re­za Traut­man, para quem a Globo cria uma situa­ção falsa ao dizer que apóia com mídia, e não com dinhei­ro, algu­mas pro­­du­ções. Para The­re­za, usar bra­­si­lei­ro tam­bém tem mídia para tor­nar-se sócio dos que ser desen­vol­vi­do lá fil­mes é “o mesmo que impri­ fora”, lem­brou. mir dinhei­ro”. Car­los Eduar­ Além do pro­je­to da do Ro­dri­gues res­pon­deu que ABPI-TV, o MinC vem “é pre­ci­so de uma vez por tra­ba­lhan­do em par­ce­ria todas que se enten­da que a com o pro­je­to Film­Bra­ mídia colo­ca­da pela Globo zil, que visa a venda em algu­mas pro­du­ções tem de ser­vi­ços de pro­du­ção valor e não é algo gra­tui­to”. no mer­ca­do publi­ci­tá­rio A Globo Fil­mes, segun­do inter­na­cio­nal. Se­gun­do a apre­sen­ta­ção de seu dire­tor, Eitan Rosen­thal, pre­si­ tem como prin­ci­pal carac­te­rís­ den­te do Film­Bra­zil, “é ti­ca o apor­te de recur­sos artís­ fácil ven­der o Bra­sil lá ti­cos e mídia cru­za­da nas fora, mas te­mos pouco Polí­ti­ca audio­vi­sual obras que co-pro­duz. Serão o que ven­der. A indús­ dez fil­mes fei­tos em 2004, con­­ euro­péia preo­cu­pa-se tria nacio­nal ainda é tra 22 rea­li­za­dos pela Glo­bo há anos com a muito pe­que­na”. Para Fil­mes de 98 a 2003. “Quan­do pre­ser­va­ção das poder au­men­tar a com­ lan­ça­mos um filme esta­mos iden­ti­da­des nacio­nais, pe­ti­ti­vi­da­­­­de bra­si­lei­ra, con­cor­ren­do com os block­ con­tou Henri Eitan vem tra­ba­lhan­do bus­ters inter­na­cio­nais, não junto ao go­ver­no para Roan­ne-Rosen­blatt. com os fil­mes que não são resol­ver ques­tões ­ legais fei­tos pela Globo Fil­mes. e bu­ro­crá­ti­cas. Além disso, diz que é Isso mos­tra que é pos­sí­vel com­pe­tir neces­sá­rio capa­ci­tar a mão-de-obra e melho­ com qual­quer tipo de con­teú­do”.

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exi­bi­do­res na hora de ape­nas oti­mi­zan­do o pro­gra­mar trai­lers e uso de espa­ço físi­co de esco­lher que fil­mes e equi­pa­men­tos (são exi­bi­rá. “O prin­ci­pal cinco estú­dios e nove argu­men­to usado pelos ilhas de edi­ção, entre dis­tri­bui­do­res para ­outros re­cur­sos), mas con­ven­cer a exi­bir um tam­bém cru­zan­do as filme é o inves­ti­men­to dife­ren­tes expe­riên­ em mí­dia”, expli­ca de cias de pro­du­to­res e Luca. di­re­to­res em todas Ao final do pri­mei­ as moda­li­da­des de ro dia, os par­ti­ci­pan­tes Gil Ribei­ro, da Mixer: audio­vi­sual. pude­ram co­nhe­cer em união de expe­riên­cias O resul­ta­do fala deta­lhes o ca­se da pro­ mos­trou-se lucra­ti­va. por si. Ao con­trá­rio du­to­ra Mi­xer, na ver­ do que se pode­ria da­de uma fusão entre pro­du­to­ras supor, a mega-pro­du­to­ra não cor­ de tele­vi­são (Radar TV), publi­ tou pos­tos de tra­ba­lho após a fusão, ci­da­de (Jodaf e Pizza), cine­ma mas sim aumen­tou de 64 para 117 (Luz, de Cacá Die­gues) e Inter­net o núme­ro de fun­cio­ná­rios. A união (RDi­gi­tal), além de uma pro­gra­ tam­bém já demons­tra fru­tos finan­ ma­do­ra de TV por assi­na­tu­ra. A cei­ros. O fatu­ra­men­to soma­do das idéia do pro­je­to é criar uma ver­da­ empre­sas cres­ceu 110% em um ano dei­ra indús­tria de pro­du­ção, não (os valo­res não foram reve­la­dos).

Alguns casos, diz Cadu, mostraram mais suc­es­so e maior inte­gra­ção com a tele­vi­são, como foi o caso de “Cida­ de de Deus”, que de algu­ma manei­ra ala­van­cou tam­bém a série “Cida­de dos ­ Ho­mens”, que tam­bém deve virar filme em 2005. Mas a liga­ção com um pro­du­to te­le­vi­si­vo, como no caso de “Os Nor­mais” não é uma regra da empre­sa, afir­mou. Hoje a Globo Fil­mes par­ti­ci­pa com mídia em cerca de um terço dos lan­ça­men­tos do mer­ca­do bra­ si­lei­ro (dez fil­mes). “É pre­ci­so ter em mente que a nossa prio­ri­da­de tem sem­pre que ser o mer­ca­do inter­no, é isso que vai via­bi­li­zar a nossa indús­tria”. Segun­do o dire­tor do grupo exi­bi­dor Seve­ria­no Ribei­ro, Luiz Gon­za­ga de Luca, a par­ti­ci­pa­ção da Globo Fil­mes em uma pro­du­ ção é algo leva­do em conta pelos

Na boca do forno

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Aque­les de boa memó­ria hão de se lem­ brar do prazo de 15 dias, men­cio­na­do em 13 de outu­bro do ano pas­sa­do pelo minis­tro-chefe da Casa Civil, José Dir­ ceu, para a publi­ca­ção do decre­to que trans­for­ma­ria a Anci­ne em Anci­nav (agên­cia do cine­ma e do audio­vi­sual) e daria as novas dire­tri­zes à indús­tria do audio­vi­sual bra­si­lei­ra. É com quase oito meses de atra­ so, por­tan­to, que o MinC anun­cia agora que “muito bre­ve­men­te” será conhe­ci­do o texto que pro­me­te reor­ ga­ni­zar o setor no País. A infor­ma­ção foi dada pelo secre­tá­rio-exe­cu­ti­vo do Minis­té­rio da Cul­tu­ra, Juca Fer­rei­ra, na aber­tu­ra do V Fórum Bra­sil de Pro­ gra­ma­ção e Pro­du­ção. Segun­do o asses­sor espe­cial do MinC, ­Manoel Ran­gel, exis­te hoje uma dis­per­são regu­la­tó­ria no setor de comu­ ni­ca­ção ­ social e audio­vi­sual, de modo que os dife­ren­tes pon­tos da ­ cadeia de valor, como TV aber­ta, TV por assi­na­ tu­ra, cine­ma e pro­du­ção inde­pen­den­te, não tra­ba­lham de forma inte­gra­da para o bem de todos. É fun­da­men­tal, por­ tan­to, diz ele, pen­sar em um “marco legal amplo e que con­tem­ple a rea­li­da­de

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MinC pro­me­te nova regu­la­men­ta­ção do audio­vi­sual “para breve”. Pro­je­to ainda passa pelo CSC e pelo Con­gres­so. impos­ta pelas novas tec­no­lo­gias e ajude a resol­ver os pro­ble­mas ime­dia­tos”. O resul­ta­do dessa aná­li­se é o texto que está para ser publi­ca­do, de cujo con­teú­do a socie­da­de ainda não tomou conhe­ci­men­to. Nem mesmo a forma pela qual será publi­ca­do é conhe­ci­da, pois segun­do Ran­gel, é ape­nas no final do pro­ces­so que a Casa Civil deci­di­rá se

Para Gus­ta­vo Dahl, da Anci­ne, mudan­ças podem vir por eta­pas.

edi­ta­rá uma medi­da pro­vi­só­ria, um pro­ je­to de lei ou algum outro ins­tru­men­to. O que o asses­sor do MinC garan­te é que ainda have­rá muito deba­te públi­co sobre o assun­to, pois o texto será envia­ do, após sua publi­ca­ção ini­cial, ao Con­ se­lho Supe­rior de Cine­ma (CSC) e em segui­da ao Con­gres­so Nacio­nal. O risco, comen­tam ­alguns obser­va­ do­res do setor, é que a pro­pos­ta se torne uma segun­da Lei Jan­di­ra, a lei que regu­ la­men­ta a regio­na­li­za­ção da TV aber­ta, cuja tra­mi­ta­ção polê­mi­ca se esten­de há mais de 11 anos no Con­gres­so Nacio­ nal, por não con­se­guir con­sen­so entre os dife­ren­tes seto­res atin­gi­dos. Os âni­mos das dife­ren­tes par­tes pude­ram ser sen­ti­dos no deba­te de aber­tu­ra do Fórum. Esta­vam pre­sen­ tes repre­sen­tan­tes das emis­so­ras, das pro­du­to­ras inde­pen­den­tes de TV, das pro­du­to­ras de som, das empre­sas de infra-estru­tu­ra e do cine­ma, além da Anci­ne e do pró­prio MinC. Para o repre­sen­tan­te da tele­vi­são,


uma mudan­ça que envol­va a TV aber­ta pas­ da ABPI-TV (asso­cia­ção dos pro­du­to­res). Sua sa­ria neces­sa­ria­men­te por uma revi­são na pro­pos­ta é que as TVs aber­tas abram espa­ Cons­ti­tui­ção, algo difi­cí­li­mo de ser ço em sua grade para a feito, ainda mais em ano elei­to­ral. dis­tri­bui­ção de con­teú­ Além disso, uma dis­cus­são como do inde­pen­den­te, “mas essa pre­ci­sa, neces­sa­ria­men­te, tra­ não ape­nas con­teú­do tar das ques­tões liga­das às novas ter­cei­ri­za­do a pro­du­to­ tec­no­lo­gias de comu­ni­ca­ção, disse res inde­pen­den­tes ou José Fran­cis­co de Araú­jo Lima, na forma de alu­guel repre­sen­tan­te da Abert e das Orga­ de espa­ço. Que­re­mos ni­za­ções Globo. Ou seja, a TV aber­ par­ti­ci­par de todo o ta não quer nin­guém enfian­do o pro­ces­so cria­ti­vo”, afir­ dedo na cober­tu­ra do seu bolo. mou. Não é o que pen­sam os repre­ Além da ques­tão sen­tan­tes dos ­outros seg­men­tos, pre­ maior, da defi­ni­ção de sen­tes ao deba­te. Geral­do ­ Moraes, “Para mudar o marco regu­la­ um novo marco regu­la­ pre­si­den­te do Con­gres­so Bra­si­lei­ro tó­rio será pre­ci­so mexer na tó­rio e de um mode­lo de de Cine­ma, não quer que os seto­ Cons­ti­tui­ção”, aler­tou Araú­ desen­vol­vi­men­to para res sejam vis­tos de forma sepa­ra­da. jo Lima, pela Abert. o audio­vi­sual, há ques­ “Cine­ma e tele­vi­são estão inti­ma­ tões para­le­las, mais ime­ men­te liga­dos. As dis­cus­sões têm dia­tas, e nem por isso que ser em con­jun­to”, afir­mou. Para os pro­ menos impor­tan­te. Edina Fujii, repre­sen­tan­ du­to­res inde­pen­den­tes de TV, o pro­ble­ma é te da infra-estru­tu­ra no Con­se­lho Supe­rior mais ime­dia­to, diz Marco Alt­berg, pre­si­den­te de Cine­ma, cha­mou a aten­ção para o fato de

o par­que de pro­du­ção nacio­nal estar suca­tea­ do e com pouco inves­ti­men­to, o que invia­bi­ li­za­ria o setor caso aumen­tas­se o volu­me de pro­du­ções. “Se come­ça­rem a pro­du­zir mais fil­mes, não have­rá equi­pa­men­to para todos”, disse. A ques­tão está liga­da, entre ­outros fato­res, aos pesa­dos impos­tos de impor­ta­ção de equi­pa­men­tos. Outro pro­ ble­ma é que a infra-estru­tu­ra acaba tendo que ser co-pro­du­to­ra dos fil­mes, no caso do cine­ma, pois não con­se­gue ­ cobrar os valo­res que obtém com a publi­ci­da­de, por exem­plo. Há ainda ques­tões rela­cio­na­das à pira­ ta­ria e aos direi­tos auto­rais, como as levan­ta­das por Tula (­Arthur) Minas­sian, pre­si­den­te da Apro­som, asso­cia­ção das pro­du­to­ras de som (veja maté­ria na pági­na 32). O pre­si­den­te da Anci­ne, Gus­ta­vo Dahl, mos­trou-se céti­co em rela­ção a uma gran­de mudan­ça de cená­rio, prin­ci­pal­men­te em rela­ção à TV aber­ta. “Há 40 anos vejo essa dis­cus­são indo e vol­tan­do. O pacto é com­

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pli­ca­do, mas mere­ce ser bus­ca­do”, afir­mou. Dahl é mais prag­má­ti­co: basea­do nos bons desem­pe­nhos da Anci­ne nos últi­mos dois anos no tocan­ te ao fomen­to do cine­ma e de algu­ma pro­du­ção inde­pen­den­te, prin­ci­pal­men­ te para TV paga, ele apos­ta que as mudan­ças pos­sam vir por eta­pas. No cine­ma, ela come­çou, “mesmo sendo difí­cil trans­for­mar todas as ­idéias em rea­li­da­de”. Cum­pri­da a mudan­ça no cine­ma rumo à autosus­ten­ta­bi­li­da­de e pro­je­ção nacio­nal e inter­na­cio­nal, as mudan­ças pas­sa­riam para o setor de pro­du­ção inde­pen­den­te, ­depois quem sabe para a tele­vi­são, ao

sabor do momen­to e da pos­si­bi­li­da­de polí­ ti­ca, por exem­plo. Para ­ Manoel Ran­gel, o pro­ble­ma é com­ple­xo, estru­tu­ ral, e não pode ser solu­cio­na­do sem deba­ te amplo. Mas com medo de que o tal deba­te acabe se pro­lon­ gan­do por um tempo exces­si­vo, os deba­te­do­ res aca­ba­ram pro­pon­ do um pacto infor­mal, inde­pen­den­te do

Para ­Moraes, do CBC, cine­ma e TV devem ser tra­ta­dos pelo gover­no como uma coisa única.

marco regu­la­tó­rio, entre to ar­tes envol­vi­das, em que a TV, espe­cial­men­ te o broad­cast, cedes­se a algu­mas de­man­das dos pro­du­to­res in­de­pen­ den­tes de vídeo e ci­ne­ ma. Per­gun­ta­do sobre a pro­pos­ta, o repre­sen­ tan­te da TV dei­xou bem cla­ra sua posi­ção. Com cara de dis­traí­do, e com seu jeito sem­pre muito bem humo­ra­do, Araú­jo Lima res­pon­deu na lata: “Pacto? Que pacto?”.

Ancine faz balanço

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A Anci­ne divul­gou duran­te o Fórum ­alguns dados recen­tes de sua ges­tão: exis­tem hoje no Bra­sil 579 pro­je­tos de pro­du­ções audio­vi­suais cujas cap­ta­ções foram apro­va­das pela agên­cia do cine­ ma. São, ao todo, R$ 1,2 ­bilhão apro­va­ dos, dos quais R$ 263 ­ milhões foram efe­ti­va­men­te cap­ta­dos. Incluí­dos nesse bolo, há 76 pro­je­tos em fase de fina­li­za­ ção e 71 já con­cluí­dos. Cerca de 70% (261) das pro­du­to­ ras que recor­rem à Anci­ne para ter a apro­va­ção de pro­je­tos têm ape­nas um pedi­do em car­tei­ra, ou seja, tive­ram a apro­va­ção de ape­nas um pro­je­to. ­Outros 19% (72 pro­du­to­ras) têm dois pro­je­tos apro­va­dos. Cerca de 7% (26 pro­du­to­ ras) têm três pro­je­tos. Qua­tro pro­du­to­ ras (1%) têm qua­tro pro­je­tos e 12 (3%) têm cinco ou mais pro­je­tos apro­va­dos pela Anci­ne. Esse ano, o meca­nis­mo de arre­ca­da­ ção da Con­de­ci­ne deve tra­zer aos ­cofres públi­cos cerca de R$ 20,69 ­milhões, con­ tra R$ 19,26 ­milhões em 2003. Pelo arti­ go 3º da Lei do Audio­vi­sual devem ser inje­ta­dos no setor mais R$ 48 ­mi­lhões, con­tra R$ 41,6 ­milhões em 2003. Já as pro­gra­ma­do­ras inter­na­cio­nais devem reco­lher cerca de R$ 21 ­milhões em 2004 pela regra dos 3%. Foram R$ 14,3 ­ milhões em 2003. São, por­tan­to, cerca de R$ 90 ­milhões soma­dos todos os meca­nis­mos de arre­ca­da­ção em que a Anci­ne ­baseia a apro­va­ção de pro­je­tos. Há ainda 250 docu­men­tá­rios em fase de cap­ta­ção de recur­sos ou com

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recur­sos já cap­ta­dos, per­fa­zen­do um total de R$ 70 ­milhões. Um dado curio­so mos­tra­do pela Anci­ne é o peso que o cine­ma de longa-metra­gem ainda tem nos pro­je­ tos apro­va­dos pela agên­cia. A maio­ria das obras se enqua­dra nesse gêne­ro. Em rela­ção às peças de fic­ção, 295 são para cine­ma e em longa-metra­gem. Dez são ­ séries de tele­vi­são e ape­nas três são tele­fil­mes. Entre os docu­men­tá­rios apro­va­dos, 117 são para cine­ma e em longa-metra­gem. ­ Outras 59 são ­séries para tele­vi­são, 35 são ­ médiasmetra­gens para cine­ma e ape­nas seis são lon­gas-metra­gens para TV. Obras de fic­ção repre­sen­tam 63% dos pro­je­ tos apro­va­dos pela Anci­ne, 36% são docu­men­tá­rios e ape­nas 1% das peças está no gêne­ro ani­ma­ção. Os núme­ros da Anci­ne tam­bém mos­tram as difi­cul­ da­des do gêne­ro ani­ma­ção no Bra­sil: ape­nas 18,3% dos valo­res auto­ri­za­dos pela agên­cia são efe­ti­va­men­te cap­ta­dos, enquan­to em docu­men­tá­rios e obras de fic­ção esse per­cen­tual fica em torno

de 47%. Ou seja, quase meta­de do que as empre­sas se pro­põem a con­se­guir no mer­ca­do acaba efe­ti­va­men­te se con­ver­ten­do em ver­bas para pro­je­tos audio­vi­suais. Em ter­mos de ren­ta­bi­li­da­de, segun­ do a Anci­ne, os dois últi­mos anos mos­tram uma melho­ra de cená­rio para o cine­ma. Enquan­to em 2002 houve 31 fil­mes nacio­nais em car­taz, com públi­co de cerca de 7,2 ­ milhão de pes­soas, com cap­ta­ção de R$ 47,8 ­milhões e ren­di­men­to de bilhe­te­ria de R$ 39,9 ­ milhões. Em 2003 foram 27 fil­mes, com 22 ­milhões de pagan­tes e renda de R$ 134 ­milhões, con­tra uma cap­ta­ção de R$ 51,8 ­ milhões. Pelas con­tas da Anci­ne, com­pu­ta­dos todos os pon­tos da ­ cadeia, os fil­mes pro­ du­zi­dos ainda são depen­den­tes da cap­ta­ção pelos incen­ti­vos fis­cais. Em 2002, essa depen­dên­cia foi de R$ 37,3 ­ milhões. Em 2003, mesmo com a melho­ra de bilhe­te­ria, os fil­mes ainda pre­ci­sa­ram dos recur­sos cap­ta­dos, mas menor pro­por­ção: R$ 20,6 ­milhões.

Projetos em andamento na Ancine Etapa Total de Pro­je­tos com Valo­res Valo­res pro­je­tos cap­ta­ção auto­ri­za­dos (R$ mil) cap­ta­dos (R$ mil) Em cap­ta­ção 413 101 744.469 33.846 Em pre­pa­ra­ção 19 19 40.299 18.365 Em fina­li­za­ção 76 76 162.255 89.463 Fina­li­za­dos 71 71 177.013 121.405 Total 579 267 1.124.037 263.079 Fonte: Ancine


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política

Minis­té­rio da Con­tra-cul­tu­ra

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O que pensa e como tra­ba­lha a “divi­são

hip­pie” do MinC, cuja fun­ção é pen­sar Para ler essa maté­ria sem maio­res des­con­for­tos, reco­men­ da­mos algu­mas pre­mis­sas: acei­te que o mundo hoje, com a como a rea­li­da­de digi­tal vai rees­tru­tu­evo­lu­ção das tec­no­lo­gias digi­tais, vive um momen­to novo e rar os mode­los cul­tu­rais exis­ten­tes pro­mis­sor, pelo menos em ter­mos de poten­cia­li­da­des. Novas pos­si­bi­li­da­des de comu­ni­ca­ção, negó­cios, novas for­mas de tra­ba­lhar, ainda que os desa­fios con­cre­tos sejam imen­sos. Admi­ta tam­bém que a rea­li­da­de digi­tal está dei­xan­do o han, Frei Betto e mais uma cen­te­na de ­livros sobre assun­tos mundo mais com­ple­xo e difí­cil de ser expli­ca­do. Admi­ta que abso­lu­ta­men­te dís­pa­res, mas que, no limi­te, podem ser com­bi­ exis­te uma gera­ção de pes­soas que con­vi­ve com uma rea­li­da­ na­das para expli­car a revo­lu­ção digi­tal de hoje e seu impac­to de muito dife­ren­te da sua, muito mais avan­ça­da no que se sobre a cul­tu­ra. “Isso aqui é a divi­são hip­pie do minis­té­rio”, diz refe­re à inte­ra­ção com a tec­no­lo­gia, e que essas pes­soas, uma Cláu­dio Prado, o coor­de­na­dor da área de cul­tu­ra digi­tal, que é hora ou outra, vão fazer parte do seu cír­cu­lo de con­vi­vên­cia liga­da à Secre­ta­ria de Polí­ti­cas Cul­tu­rais do MinC. ­social ou pro­fis­sio­nal. E, por fim, acei­te que há algo mais por Mas qual a fun­ção de uma “divi­são hip­pie” em um órgão trás de coi­sas como Inter­net, algo além de um espa­ço para com fun­ções polí­ti­cas e exe­cu­ti­vas? Pode pare­cer estra­nho, lojas de CDs e ele­tro­do­més­ti­cos ven­de­rem seus pro­du­tos. mas a fun­ção da área de cul­tu­ra digi­tal é fazer a ponte entre a Colo­ca­das essas con­di­ções, vamos à repor­ta­gem. revo­lu­ção que a rea­li­da­de digi­tal tem pro­vo­ca­do na socie­da­de e Exis­te um lugar no Mi­nis­té­rio da Cul­ a atua­ção do Minis­té­rio da Cul­tu­ra. tu­ra em que leis, nor­mas, edi­tais e orça­ Ainda que os meios cul­tu­rais este­jam men­tos não estão no cen­tro das aten­ções. entre os mais afe­ta­dos por tudo o que a É um lugar em que o que impor­ta é, de tec­no­lo­gia tem pro­por­cio­na­do nos últi­mos certa forma, a falta de res­pon­sa­bi­li­da­de. anos, as polí­ti­cas para a área cul­tu­ral não Na ver­da­de, é um lugar onde se olha para con­se­guem nem de perto acom­pa­nhar esse fren­te, muito para fren­te, e tam­bém para movi­men­to. Hoje, por exem­plo, a pro­du­ção uma rea­li­da­de pre­sen­te mas pouco enten­ audio­vi­sual já vive uma rea­li­da­de digi­tal di­da. Fala­mos da coor­de­na­ção de cul­tu­ra ine­xo­rá­vel. O mesmo vale para pro­du­ção digi­tal do MinC. É uma sala peque­na, musi­cal, por exem­plo. No mundo digi­tal, onde tra­ba­lham pou­cas pes­soas, onde a repro­du­ção, o plá­gio, a reci­cla­gem de em lugar de com­pên­dios ­legais e regu­la­ ­idéias e obras, a ges­tão dos direi­tos, tudo men­tos pode-se ver nas estan­tes ­ livros isso se con­fun­de e ao mesmo tempo ali­ de ­ Timothy Leary (pen­sa­dor do movi­ men­ta novos ­ciclos cria­ti­vos. E não exis­te, men­to psi­co­dé­li­co), ­Manuel Cas­tells (um até hoje, uma res­pos­ta regu­la­tó­ria a altu­ra, dos maio­res estu­dio­sos da Era Digi­tal), nem se sabe se ela é pos­sí­vel. É, de certa Dome­ni­co de Masi (aque­le do ócio cria­ti­ Claudio Prado, do Minc: “a política forma, por essa razão que a área de polí­ti­cas vo), João Antô­nio Zuffo (da USP), Piér­re não entende facilmente o que acon­ cul­tu­rais exis­te den­tro do MinC. Levy (pen­sa­dor da Era Digi­tal), ­ Michio tece hoje com a “A minha tese é que o digi­tal res­pon­ Kaku, Her­bert Mar­cu­se, Mar­chall Mclu­ realidade digital.” de a uma mudan­ça de para­dig­mas maior,

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Fotos: Divul­ga­ção


samuelpossebon samuca@telaviva.com.br

a uma mudan­ça cul­tu­ral muito ampla que vive­mos hoje. Rede, cone­xão e com­par­ti­lha­men­to são carac­te­rís­ti­cas desse novo momen­to em ­ várias áreas, não ape­nas na tec­no­lo­gia de comu­ni­ca­ção”, diz Cláu­ dio Prado, homem que con­vi­veu com o atual minis­tro da Cul­tu­ra em Lon­dres, quan­do Gil­ber­to Gil vivia seu exí­lio, e que foi pro­ du­tor musi­cal no auge do movi­ men­to tro­pi­ca­lis­ta, com gru­pos como os Mutan­tes e os Novos Baia­nos no cur­rí­cu­lo. A área de cul­tu­ra digi­tal tam­bém tem a fun­ção de fazer uma ponte com uma área estra­té­gi­ca do gover­no e que está tra­zen­do fru­tos polê­mi­cos e iné­di­tos: trata-se da área do gover­no ele­ trô­ni­co, coor­de­na­da em parte pelo ITI (Ins­ti­tu­to de Tec­no­ lo­gia da Infor­ma­ção, liga­do à Pre­si­dên­cia da Repú­bli­ca). É de lá que emana a orien­ta­ção em favor, defe­sa e estí­mu­lo do soft­wa­re livre (o gover­no quer ado­tar soft­wa­res ­livres em seu dia a dia para cor­tar cus­tos e fomen­tar o desen­vol­vi­men­to de apli­ca­ções bra­si­lei­ras). “Essa parte do gover­no está conec­ta­da dire­ta­men­te à revo­lu­ção digi­tal que o mundo está viven­do, e essa mudan­ ça é de natu­re­za cul­tu­ral em sua ori­gem”, diz Cláu­dio Prado. Ele pon­de­ra que a difi­cul­da­de de se avan­çar no enten­di­men­to das ques­tões digi­tais é gran­de e tende a ficar cada vez mais com­ple­xas, “sim­ples­men­te por­que as coi­sas acon­te­cem muito antes da regu­ la­men­ta­ção acon­te­cer”. Exem­plo prá­ti­co: Char­lie é um artis­ta da era digi­tal. Seu tra­ba­lho é, criar ima­gens e ani­ma­ções grá­fi­cas que são uti­li­za­das em ­ outros tra­ba­lhos de ­ outros artis­tas: pro­je­ções, cená­rios, ­outras obras audio­ vi­suais. Como as ima­gens são, na ver­da­ de, bits, não há fron­tei­ra entre a repro­ du­ção, a cópia e o tra­ba­lho ori­gi­nal. As coi­sas se con­fun­dem no desen­vol­vi­

men­to do tra­ba­lho artís­ti­co. Char­lie vive de suas ima­gens, cria­das digi­tal­ men­te, algu­mas ori­gi­nais e algu­mas recria­das a par­ tir de obras já exis­ten­tes. Seu tra­ba­lho tam­bém serve de mate­rial cria­ti­vo para ­outros artis­tas. É comum nesse meio, artis­tas usa­rem obras de ­outros artis­tas. Usam tam­bém ima­gens e sons que não têm neces­sa­ria­ men­te cono­ta­ção artís­ti­ca. São sim­ples­ men­te regis­tros, mas que ao serem pro­ces­sa­dos adqui­ rem a carac­te­rís­ti­ca de uma obra que pode ser con­si­de­ra­da, para fins ­legais, como artís­ti­ca ou cul­tu­ral. É um fenô­me­no idên­ti­co ao efei­to que o sam­pler teve sobre a músi­ca, em que obras musi­cais são retra­ba­lha­das dan­do ori­gem a ­outras obras. Note-se que nesse uni­ver­so, os con­cei­ tos de ori­gi­na­li­da­de, de cópia, de reci­cla­gem estão mis­tu­ra­dos. “Tam­bém não exis­tem fron­tei­ras para a dis­tri­bui­ção desse con­teú­ do. Não tem como evi­tar que saté­li­ tes trans­mi­tam de fora para cá ou do Bra­sil para fora. Ou que con­teú­dos tra­fe­guem pela Inter­net. Essa rea­li­da­de gera para­do­xos e nós, como regu­la­do­res, não con­se­gui­mos e não con­se­gui­re­mos nunca acom­pa­nhar. Nossa fun­ção aqui é mos­trar isso para o gover­no, para a socie­da­de, do meni­no de rua ao sena­ dor. É um tra­ba­lho de ‘­evangelização’, de pre­ga­ção”. Não adian­ta­ria, con­tu­do, difun­dir as mudan­ças resul­tan­tes da rea­ li­da­de digi­tal se não hou­ves­se res­pal­do do resto do gover­no. “Nossa ins­pi­ra­ção é sem­pre o tra­ba­lho que está sendo feito pelo pes­soal do soft­wa­re livre no gover­ no. Eles que­rem pla­ta­for­mas aber­tas, que­rem pas­sar essa cul­tu­ra para a socie­ da­de. Nós tam­bém. Inter­net e soft­wa­re

livre foram con­ce­bi­dos para se desen­vol­ ve­rem de forma anár­qui­ca e uni­ver­sa­li­ zan­te, e esse movi­men­to é ine­xo­rá­vel. Isso não é coisa da esquer­da, é coisa do movi­men­to con­tra-cul­tu­ral da déca­da de 60 e 70, é coisa do movi­men­to hip­pie”.

Via­gem ele­trô­ni­ca

Em um Minis­té­rio da Cul­tu­ra de ins­pi­ra­ção tro­pi­ca­lis­ta, coi­sas inu­si­ta­das e ino­va­do­ ras acon­te­cem. Por exem­plo, uma mani­ fes­ta­ção do minis­tro Gil­ber­to Gil duran­te a sema­na de soft­wa­re livre, rea­li­za­da recen­te­men­te no Con­gres­so Nacio­nal, em que ele disse, em seu dis­cur­so, “que houve uma migra­ção con­tra-cul­tu­ral das via­gens de LSD para os labo­ra­tó­rios de alta tec­no­lo­gia e para o sonho da rea­li­da­ de vir­tual”. É essa ori­gem co­mum entre o movi­men­to con­tra-cul­tu­ral que flo­res­ceu na Cali­fór­nia nos anos 60 e 70 e a rea­li­da­de da cul­tu­ra digi­tal de hoje que o Minis­té­rio da Cul­tu­ra tenta res­ga­tar. Para Cláu­dio Prado, a polí­ti­ca, tra­di­ cio­nal­men­te con­ser­va­do­ra, não enten­de tão facil­men­te a revo­lu­ção que acon­te­ce hoje com a rea­li­da­de digi­tal. “­Alguns enten­dem. Tem até uma fren­te par­la­ men­tar em defe­sa do soft­wa­re livre, por exem­plo, mas é claro quem nem todos sabem exa­ta­men­te o que estão fazen­do lá, não per­ce­be­ram as ques­tões mais pro­fun­das que estão por trás de uma ado­ção pelo gover­no de uma pla­ta­for­ma de soft­wa­res aber­ta”. Para o coor­de­na­dor da área de cul­tu­ra digi­tal do MinC, uma forma de come­çar a fazer as pes­soas enten­de­rem as impli­ca­ções da revo­lu­ção digi­tal é mos­tran­do o lado eco­nô­mi­co. “Novas tec­no­lo­gias digi­tais tra­zem, de cara, uma imen­sa redu­ção de cus­tos nas ati­vi­da­des de um modo geral. Mas esse é só um peque­no aspec­to de algo muito maior. O para­do­xal é que a tec­no­lo­gia digi­tal, se por um lado exis­te por­que foi impul­sio­na­da pela vora­ci­da­de do lucro, por outro leva a um movi­men­to que rompe com a estru­tu­ra do capi­ta­lis­mo,

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como o con­cei­to de soft­wa­re livre”. As pes­soas que tra­ba­lham na área de cul­tu­ra digi­tal não são advo­ga­dos nem espe­ cia­lis­tas em legis­la­ção. Não escre­vem tex­tos ­legais. São ape­nas pes­soas que conhe­cem e con­vi­vem com as tec­no­lo­gias e têm inte­res­ se em enten­der o sig­ni­fi­ca­do daqui­lo para a socie­da­de, e como aqui­lo pode ou não ser trans­for­ma­do em polí­ti­cas públi­cas. “Tenho três ­jovens tra­ba­lhan­do comi­go, mas são cen­ te­nas de cola­bo­ra­do­res que tra­ba­lham com a gente, pes­soas de todas as áreas que par­ti­ci­ pam em rede de nos­sos gru­pos de dis­cus­são 24 horas por dia. É uma área minús­cu­la aqui den­tro, mas gigan­tes­ca lá fora”. Resul­ta­dos Cabe­ria, então, per­gun­tar se Cláu­dio Prado e seus “hac­kers” (no bom sen­ti­do, já que para ele os hac­kers são os cria­do­res da cul­ tu­ra digi­tal) têm algu­ma ambi­ção polí­ti­ca. Têm? “Como a gente vai criar uma polí­ti­ca, vai legis­lar sobre uma coisa que a gente não enten­de o que é? Como se regu­la a Inter­net, por exem­plo? Dá para fazer, dá para ­fechar o aces­so, mas não faz o menor sen­ti­do”. Filo­so­fias à parte, a área de cul­tu­ra digi­tal do MinC pre­ci­sa de resul­ta­dos prá­ti­cos para con­ti­nuar se jus­ti­fi­can­do. É assim que fun­cio­na o jogo de poder e a polí­ti­ca no gover­no, mesmo em um minis­ té­rio tro­pi­ca­lis­ta. E há ­ alguns indí­cios bem cla­ros do que vai sur­gir, de con­cre­to, do setor “hip­pie” do minis­té­rio de Gil­ber­ to Gil. “A preo­cu­pa­ção com a inclu­são digi­tal, por exem­plo, é algo que está sem­pre no nosso hori­zon­te de ação. Aqui vemos a Inter­net como um para­dig­ma a ser per­se­gui­ do na ques­tão da com­preen­são da cul­tu­ra digi­tal; a banda larga como uma polí­ti­ca públi­ca a ser imple­men­ta­da e, em últi­ma ins­tân­cia, a inte­ra­ti­vi­da­de como con­di­ção neces­sá­ria para todas as ati­vi­da­des cul­tu­ rais. Tudo isso se tra­duz, por exem­plo, na cria­ção de estú­dios mul­ti­mí­dia pelo Bra­sil, que é a uni­da­de zero do ponto de vista cul­ tu­ral da inclu­são digi­tal e que é um pro­gra­ ma desse minis­té­rio”, diz Cláu­dio Prado. Nesse sen­ti­do, tam­bém os olhos do Minis­té­rio da Cul­tu­ra se vol­tam para o pol­pu­do Fust, o Fundo de Uni­ver­sa­li­za­ção das Tele­co­mu­ni­ca­ções, que tem mais de R$ 3 ­ bi­lhões para pro­gra­mas de inclu­são

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digi­tal e que até hoje não teve nem um cen­ ta­vo apli­ca­do em pro­gra­ma algum devi­do a entra­ves regu­la­tó­rios. “Temos con­ver­sas já avan­ça­das com o Minis­té­rio das Comu­ni­ca­ ções e com a Ana­tel nesse sen­ti­do. A nova visão da rea­li­da­de digi­tal é que o cen­tro do mundo deixa de ser geo­grá­fi­co. A glo­ ba­li­za­ção digi­tal é inclu­den­te”. A cria­ção de estú­dios mul­ti­mí­dia de aces­so popu­lar, diz Prado, é uma polí­ti­ca que está atre­la­da a um movi­men­to de fomen­to ao desen­vol­ vi­men­to de apli­ca­ções grá­fi­cas basea­das em soft­wa­re livre. Se hoje a maior parte dos pro­gra­mas de tra­ta­men­to de ima­gem e sons é de natu­re­za pro­prie­tá­ria, o que será coe­ren­te com a linha de ação do gover­no é bus­car o desen­vol­vi­men­to e o incen­ti­vo de uso de alter­na­ti­vas aber­tas e gra­tui­tas, algu­

Para a área de cultura digital do MinC, o desafio é entender a complexidade do mundo dig­ ital que está surgindo e suas implicações. mas já dis­po­ní­veis. Mas o desa­fio maior do Minis­té­rio da Cul­tu­ra dian­te da ine­xo­rá­vel rea­li­da­de digi­ tal é o pro­ble­ma da pro­prie­da­de inte­lec­tual. O minis­tro Gil­ber­to Gil, na con­di­ção de artis­ ta, sente na pele as van­ta­gens e des­van­ta­ gens de criar em um mundo em que a cópia, a clo­na­gem e a recria­ção são tão sim­ples, faci­li­ta­das pelas tec­no­lo­gias digi­tais. Dis­cos seus são encon­tra­dos a R$ 5 em qual­quer esqui­na, ou sem custo adi­cio­nal na Inter­net. O lado bom disso é a difu­são sem fron­tei­ras e a pos­si­bi­li­da­de de tra­ba­lhos cria­ti­vos que ­recriam a obra ori­gi­nal. O lado ruim é que ­alguém, que não o artis­ta ou a ­cadeia eco­nô­ mi­ca a ele asso­cia­da, pode estar ganhan­do muito dinhei­ro, para não men­cio­nar os agra­van­tes rela­cio­na­dos à cri­mi­na­li­da­de que uma indús­tria clan­des­ti­na pode oca­sio­nar. Para a dimen­são do setor da cul­tu­ra digi­tal do MinC, o desa­fio é ainda maior. É pen­sar como resol­ver a ques­tão auto­ral sem que isso atra­pa­lhe o pro­ces­so de com­par­ti­lha­ men­to, troca e evo­lu­ção artís­ti­ca asso­cia­do aos meios digi­tais. “Vamos pen­sar na Inter­net e no soft­

wa­re livre, que são duas enti­da­des que tra­du­zem muito bem a cul­tu­ra digi­tal de nos­sos dias e cuja essên­cia é a ausên­cia de paten­tes, e nem por isso as pos­si­bi­li­da­des comer­ciais são invia­bi­li­za­das”, diz Prado. Como a indús­tria de músi­ca ou, cada vez mais, do audio­vi­sual, vai sobre­vi­ver à luz da rea­li­da­de digi­tal? Para ele, o avan­ço da dis­tri­bui­ção de bens inte­lec­tuais pelos meios digi­tais é ine­xo­rá­vel. Além disso, não se fala ape­nas em cópia, mas em clo­ na­gem, já que não há perda de qua­li­da­de. “Con­si­de­rar isso um atra­so é estar fecha­do do ponto de vista comer­cial a uma lin­gua­ gem ana­ló­gi­ca. O lado posi­ti­vo disso tudo é a uni­ver­sa­li­da­de, a pos­si­bi­li­da­de das coi­sas serem conhe­ci­das e toca­das sem fron­tei­ ras”. A ques­tão, segun­do Cláu­dio Prado, é como as pes­soas e empre­sas vão viver dessa nova rea­li­da­de. “É algo que ainda pre­ ci­sa­mos pen­sar muito e para a qual não há res­pos­ta ter­mi­na­das. Há indí­cios de cami­ nhos, como o Crea­ti­ve Com­mons”. Para quem quer ini­cia­ti­vas con­cre­tas do MinC, esse é um bom exem­plo. O que é o Crea­ti­ve Com­mons? Segun­do Cláu­dio Prado, “é uma ‘­sacada’ do Lawren­ce Les­ sig, gran­de advo­ga­do norte-ame­ri­ca­no da Uni­ver­si­da­de de Stan­ford que per­ce­beu o pro­ble­ma dos direi­tos auto­rais e pro­pôs um mode­lo alter­na­ti­vo”. A moti­va­ção de Les­sig vem do movi­men­to quase irra­cio­nal que se vê nos EUA de empre­sas que ten­tam, por exem­plo, paten­tear seqüên­cias gené­ti­cas que estão den­tro de todos os seres huma­nos ou de pes­soas que pro­ces­sam fil­mes por­que apa­re­ceu, no fundo de uma cena, uma roupa que pode ter sido ins­pi­ra­da em uma peça comer­cial. “A pro­te­ção auto­ral, como é hoje, é abso­lu­ta­men­te res­tri­ti­va. Nesse mode­lo de licen­ça que está sendo pro­pos­to pelo Crea­ti­ ve Com­mons e que o Minis­té­rio da Cul­tu­ra apóia ple­na­men­te, você como cria­dor tem a pos­si­bi­li­da­de de libe­rar ­ alguns direi­tos, ou todos, sobre sua obra”. Libe­rar direi­tos não é algo que as pes­soas cos­tu­mem fazer na eco­no­mia tra­di­cio­nal. Afi­nal, pro­prie­da­ de inte­lec­tual é a base do capi­ta­lis­mo (daí todas as bri­gas inter­na­cio­nais pela que­bra de paten­tes de medi­ca­men­tos, ou polí­ti­cas de bio-segu­ran­ça para a Ama­zô­nia, ou a bata­lha da indús­tria fono­grá­fi­ca con­tra as tec­no­lo­gias de com­par­ti­lha­men­to de arqui­vos ou o blo­queio que os estú­dios de


cine­ma fazem às salas dota­das de meca­ nis­mos de pro­je­ção digi­tal). Mas é algo neces­sá­rio e pra­ti­ca­do no meio cul­tu­ral digi­tal. Há sites de com­par­ ti­lha­men­to de ima­gens, por exem­plo, em que só tem direi­to de usar ima­gens de ­outros quem colo­ca as pró­prias à dis­po­ si­ção dos ­ demais. A músi­ca ele­trô­ni­ca é fun­da­men­ta­da na recria­ção de peças cria­ das por ter­cei­ros. Os blogs da Inter­net podem ser obras inte­lec­tuais cole­ti­vas. O pró­prio Linux, e todos os soft­wa­res aber­tos, estão basea­dos no prin­cí­pio de que um cria sobre o tra­ba­lho do outro, todos movi­dos pelo bem comum de fazer uma coisa ­melhor. Ou ainda, para dar um exem­plo nem tão digi­tal, mas rela­cio­na­do com uma ino­va­ção tec­no­ló­gi­ca, a pró­pria máqui­na de foto­có­pia: é por ali que a maior parte do conhe­ci­men­to aca­dê­mi­co se dis­se­mi­na, e lutar con­tra é quase impos­ sí­vel. E isso tudo está acon­te­cen­do há bem menos do que duas déca­das. O que o Minis­té­rio da Cul­tu­ra fez, com um exem­plo prá­ti­co dado pelo minis­tro Gil­ber­to Gil, foi dizer para artis­tas e cria­do­res bra­si­lei­ros que usem os prin­cí­pios do Crea­ti­ve Com­mons (CC, cujos deta­lhes podem ser conhe­ci­dos na pági­na da orga­ni­za­ção: www.crea­ti­ ve­com­mons.org). O que são esses prin­cí­ pios? Basi­ca­men­te, são ­regras de com­par­ ti­lha­men­to. Você cria e diz o que quer que os ­outros façam com a sua obra, sem buro­cra­cia. Há íco­nes padro­ni­za­dos e ­regras de con­du­ta, mas a ado­ção é volun­tá­ ria. Gil colo­cou uma de suas músi­cas sob o domí­nio públi­co pelas ­ regras do CC. “Oslo­dum” é, hoje, fer­ra­men­ta de tra­ ba­lho e ins­pi­ra­ção para ­outros músi­cos. Para con­se­guir dar esse passo,o artis­ta Gil­ber­to Gil pre­ci­sou nego­ciar duro com sua gra­va­do­ra, a War­ner, que vive ainda do mode­lo ana­ló­gi­co de negó­cios. “O Crea­ti­ve Com­mons não com­pe­te com o direi­to auto­ral tra­di­cio­nal. Ele o com­ple­men­ta para a rea­li­da­de digi­tal. É a pos­si­bi­li­da­de de adap­ta­ção a novos mode­los de negó­cio”, diz Ronal­do Lemos, pes­qui­sa­dor da Fun­da­ção Getú­lio Var­gas res­pon­sá­vel por adap­tar os prin­cí­pios do Crea­ti­ve Com­mons à legis­la­ção bra­si­lei­ra. “Não foi nada com­pli­ca­do. A legis­la­ção auto­ral no Bra­sil res­trin­ge tudo. Com o

Ronaldo Lemos, da FGV, está adap­ tando o Crea­ti­ve Com­mons à lei brasileira.

uso das ­ regras do Crea­ti­ve Com­mons o pro­prie­tá­rio inte­lec­tual sobre uma obra sim­ples­men­te vai abrin­do, volun­ta­ria­men­ te, aos pou­cos os direi­tos, na medi­da dos seus inte­res­ses”. É uma forma de dizer, por exem­plo, libe­ro para que ­ outros usem minha obra, mas não ­ ganhem dinhei­ro com ela. Ou que usem a obra ape­nas para fins edu­ca­ti­vos ou qual­quer outro tipo de licen­cia­men­to ima­gi­ná­vel. Não have­rá uma lei, norma ou regu­la­ men­to dizen­do que as pes­soas podem usar o Crea­ti­ve Com­mons. Elas sim­ples­men­te ado­tam, se qui­se­rem. O papel do MinC é dizer que aqui­lo é legal e está ajus­ta­do à rea­li­da­de bra­si­lei­ra. Em pou­cos meses de exis­tên­cia, o Crea­ti­ve Com­mons tem mais de um ­ milhão de obras licen­cia­das pelo seus prin­cí­pios em todo o mundo. Gra­va­ do­ras norte-ame­ri­ca­nas como ­ Opsound (www.­opsound.org) e a Mag­na­tu­nes (www.mag­na­tu­nes.com, cujo slo­gan é “Músi­ca pela Inter­net sem culpa”) já tra­ba­lham com esse prin­cí­pio de licen­ cia­men­to. “O que o Crea­ti­ve Com­mons per­mi­te é criar um uni­ver­so cria­ti­vo de domí­nio públi­co, em tempo real”, diz Lemos. Tran­si­ção O pro­ble­ma é avi­sar o velho mode­lo que as coi­sas estão mudan­do. Por exem­plo, no Bra­sil, o Ecad, res­pon­sá­vel pela cole­ta dos

direi­tos sobre obras musi­cais, vai ­ cobrar uma taxa pela exi­bi­ção públi­ca de qual­quer músi­ca, seja ela vin­cu­la­da ao Crea­ti­ve Com­ mons ou não. E se a músi­ca esti­ver libe­ra­da para uso públi­co, o dinhei­ro vai ficar para o Ecad e não vai para o artis­ta. São dis­tor­ ções de um mode­lo que está mudan­do. “São heran­ças de um sis­te­ma ana­ló­gi­co que estão apa­re­cen­do agora. O mundo digi­tal vazou todo esse mode­lo, agora ele pre­ ci­sa ser repen­sa­do”, diz Cláu­dio Prado. “O Ecad é uma das encren­cas den­tro do sis­te­ma que está sur­gin­do, é um con­trasenso. Eu levan­to o pro­ble­ma ape­nas, mas ainda não tenho uma solu­ção”. O Ecad já anun­ciou que cobra­rá, pro­va­ vel­men­te a par­tir de agos­to deste ano, direi­ tos auto­rais sobre músi­cas vei­cu­la­das na inter­net. A medi­da vale não ape­nas para down­load mas tam­bém para a escu­ta. Os valo­res ainda não estão defi­ni­dos, mas pode­rão che­gar a 7,5% nos sites em que hou­ver fatu­ra­men­to. Para a área de cul­tu­ra digi­tal do Minis­ té­rio da Cul­tu­ra, o desa­fio é enten­der a com­ple­xi­da­de do mundo digi­tal que está sur­gin­do e suas impli­ca­ções. “A cópia é legí­ti­ma, não é cul­po­sa. Nós mes­mos somos ­cópias gené­ti­cas e cul­tu­rais. Não quero dizer que as pes­soas não pos­sam viver de seu tra­ba­lho, mas temos que pen­sar em ­outros mode­los. O lado posi­ ti­vo da cul­tu­ra digi­tal é maior do que o malé­fi­co. A cul­tu­ra digi­tal é deses­tru­tu­ ran­te, mas não tem como ser proi­bi­da”, diz Prado. Exis­te ainda um outro desa­fio que a área de cul­tu­ra digi­tal pre­ci­sa pen­sar: a pre­ser­va­ção da iden­ti­da­de cul­tu­ral na­cio­ nal, que é uma das fun­ções do MinC. Com a rea­li­da­de digi­tal, as fron­tei­ras da comu­ni­ca­ção caí­ram. “Não vejo pro­ ble­ma. Os Mutan­tes, os tro­pi­ca­lis­tas pega­ram o que veio de fora e fize­ram algo muito ­ melhor, crian­do em cima. As empre­sas de comu­ni­ca­ção bra­si­lei­ras podem fazer a mesma coisa. O risco que exis­te é, na ver­da­de, as ­rádios ana­ló­gi­cas que pre­fe­rem tocar músi­ca ame­ri­ca­na de quin­ta qua­li­da­de. As empre­sas e os artis­ tas vão se depa­rar com ­ outros mode­los de negó­cio, ­outras fron­tei­ras cul­tu­rais e éti­cas. É o movi­men­to con­tra-cul­tu­ral de volta!”, diz Cláu­dio Prado.

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áudio fernandolauterjung fernando@telaviva.com.br

Em alto e  bom som

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Prejudicadas pela legislação

e pela pirataria, produtoras de A medi­da pro­vi­só­ria 2228, de 2001, a mesma que criou a Anci­ne, ao legis­lar tendo em vista o cine­ma, aca­bou pre­ som se articulam para recuperar ju­di­can­do as pro­du­to­ras de áudio espe­cia­li­za­das em publi­ ci­da­de. É o que diz Tula Minas­sian, pre­si­den­te da Apro­ a indústria de áudio nacional. som, asso­cia­ção que reúne pro­du­to­ras de áudio. Segun­do Minas­sian, as cam­pa­nhas inter­na­cio­nais ­entram no Bra­sil vei­cu­la­da, cobran­do por um tempo e núme­ro de inser­ções pagan­do ape­nas uma taxa de nacio­na­li­za­ção. “Comer­ciais pre­via­men­te acor­da­dos. “Atual­men­te, as apro­va­ções são como os da Nike, que cus­tam entre US$ 1,5 ­milhão e US$ 3 fei­tas com muito ime­dia­tis­mo. Por isso, man­da­mos arqui­ ­milhões, ­entram no Bra­sil pagan­do uma taxa de, no máxi­ vos MP3 para as agên­cias de publi­ci­da­de ou para as fina­ mo, R$ 84 mil”, expli­ca. “Anti­ga­men­te, a nacio­na­li­za­ção li­za­do­ras”, conta o pre­si­den­te da Apro­som. Com isso, os envol­via a obri­ga­to­rie­da­de de nar­ra­ção feita no Bra­sil e a clien­tes pas­sam a ter a ­matriz da tri­lha de áudio em mãos, pro­du­ção da tri­lha sono­ra, caso con­trá­rio, deve­riam repas­ e aca­bam reu­ti­li­zan­do esse mate­rial sem­pre que pre­ci­sam. sar ­cachês para músi­cos bra­si­lei­ros”, argu­men­ta. “Para evi­tar o uso sem o paga­men­to dos direi­tos, envia­ Com a nova legis­la­ção, as pro­du­to­ras de filme aca­bam mos com o MP3 um ‘Aler­ta ­ Aprosom’, com uma cópia pro­du­zin­do a locu­ção e pagam a taxa, tiran­do as pro­du­to­ras da lei de pira­ta­ria. Isso ajuda a escla­re­cer o que o clien­te de áudio do pro­ces­so de nacio­na­li­za­ção de um filme comer­ pode fazer com aque­le mate­rial, mas não ajuda em nada cial. A briga da Apro­som agora é para que sejam revis­tas as na fis­ca­li­za­ção”, diz. ­regras de nacio­na­li­za­ção de comer­ciais. Além disso, exis­te outro pro­ble­ma liga­do ao MP3. A asso­cia­ção, que tem mais de trin­ta anos de exis­tên­ Anti­ga­men­te, as pro­du­to­ras envia­vam cia, pas­sou por um enfra­que­ci­men­to e per­deu uma cópia físi­ca para cada rádio que iria sua repre­sen­ta­ti­vi­da­de duran­te cerca de dez vei­cu­lar um comer­cial. Assim, ­sabiam anos. “Nosso pri­mei­ro tra­ba­lho (o da atual dire­ quan­tas ­ rádios esta­vam vei­cu­lan­do to­ria) foi recu­pe­rar a Apro­som, que con­ta­va a peça e ­podiam ­cobrar pro­por­cio­nal­ com ape­nas 25 pro­du­to­ras. Hoje são 50”, diz men­te de seus clien­tes. Hoje, o clien­te Minas­sian. Segun­do ele, esse núme­ro repre­ acaba envian­do uma cópia do arqui­vo sen­ta cerca de 10% das empre­sas no mer­ca­do que rece­be, tiran­do todo o con­tro­le bra­si­lei­ro, “mas são jus­ta­men­te as 50 maio­res, das pro­du­to­ras de áudio. Além disso, e esta­mos tra­ba­lhan­do para ­atrair um núme­ro as redes de rádio cres­ce­ram muito. maior”. “Nunca sabe­mos quan­tas ­ rádios liga­ Para recon­quis­tar a cre­di­bi­li­da­de da asso­ das a uma rede estão vei­cu­lan­do o cia­ção e ainda for­ta­le­cer as pro­du­to­ras liga­ comer­cial, uma vez que envia­mos uma das a ela, a Apro­som criou um ­ manual de cópia ape­nas para a cabe­ça de rede”, nor­mas, que deve ser segui­do para todos os Tula Minassian expli­ca Minas­sian. tra­ba­lhos pelas asso­cia­das, e um selo Apro­ O dire­tor da Apro­som diz que, após tem­pos sem som. saber quem pro­cu­rar para resol­ver seu pro­ble­ma, esta­ be­le­ceu con­ta­tos com a Anci­ne e com o Minis­té­rio da Uso inde­vi­do Cul­tu­ra e que ambos acei­ta­ram abrir um diá­lo­go com Outro pro­ble­ma que asso­la o mer­ca­do de pro­du­ção sono­ a asso­cia­ção para que seja solu­cio­na­do o pro­ble­ma da ra é a pira­ta­ria. A culpa, em parte, é do mesmo vilão que nacio­na­li­za­ção. Além disso, a Secom tam­bém já foi ataca a indús­tria fono­grá­fi­ca: o MP3. O que acon­te­ce é acio­na­da para ­entrar na dis­cus­são. “Agora sabe­mos em que as pro­du­to­ras de áudio, antes do MP3, envia­vam uma que cam­pai­nha tocar”, brin­ca Minas­sian. ­matriz para cada uma das ­mídias em que a pro­du­ção seria

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Foto: Gerson Gargalaka


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m ­ aking of M i x d e e sp o rt e s Con­ti­nuan­do a cam­pa­nha ini­cia­da ano pas­sa­do, a agên­cia Z+ criou dois novos fil­mes que mis­tu­ram de forma bem humo­ra­da tipos dife­ren­tes de espor­tes. No pri­mei­ro filme, os per­so­na­gens ­batiam bola com suas bici­cle­tas - um mix de bici­cross com fute­bol. Em uma das novas ver­sões, os joga­do­res de fute­bol de salão se tor­nam capoei­ris­tas, num jogo acro­bá­ti­co. E no outro filme, o joga­dor de fute­bol Luís Fabia­no enca­ra um jogo de fute­bol ame­ri­ca­no. Segun­do o dire­tor Gus­ta­vo Leme, em ambos os fil­mes a pro­du­

ção de cas­ting teve de ser rigo­ro­sa. Os recur­sos de pós-pro­du­ção tam­bém foram bas­tan­te limi­ta­dos, por isso os fil­mes explo­ra­ram todas as pos­si­bi­li­da­des de ilu­mi­na­ção, com gra­va­ções notur­nas e ima­gens em con­tra-luz. “Opta­mos por isso por­que se fil­más­ se­mos duran­te o dia o filme se tor­na­ria uma super­pro­du­ção. Tería­mos que ­ encher as arqui­ban­ca­das, ou com figu­ran­tes ou com com­pu­ta­ção grá­fi­ca. E só tínha­mos uma diá­ria. Pes­qui­sei ­vários fil­mes, da Nike, da Ree­bok, que são muito sim­ples e têm uma lin­gua­gem muito legal”, com­ple­ta.

Movimentos f a n t á s t i c o s No filme “Fut­ca­poei­ra”, o rotei­ro ini­cial­men­te não pre­via um jogo muito acro­bá­ti­co. “A idéia era explo­rar a ginga, mas suge­ri que fizés­se­mos movi­men­tos fan­tás­ti­cos, ins­pi­ra­dos no Cir­que du ­ Soleil”, conta Gus­ta­ vo. Foi pre­ci­so encon­trar capoei­ris­tas exce­len­tes, com carac­te­rís­ti­cas físi­cas seme­lhan­tes às dos joga­do­res reais. “Fize­mos um teste gran­de, com mais de 50 capoei­ris­tas. Esco­lhe­mos mais ou menos 15, e des­ses tira­mos os seis que atua­ram no filme”, conta. Os capoei­ris­tas apa­re­cem sem­pre de cos­ tas, fazen­do joga­das com movi­men­tos da capoei­ra. Todas as cenas foram fil­ma­das na loca­ção, uma qua­dra de fute­bol de salão ofi­cial em São Paulo. A com­pu­ta­ção grá­fi­ca ­entrou em cena ape­nas no final, para a apli­ca­ção das bolas, mas nada foi roda­do em fundo azul.

Coreografia especializa d a No caso do fute­bol ame­ri­ca­no, mais difí­cil do que mon­tar o time foi con­se­guir os uni­for­mes. “Não exis­tem times de fute­ bol ame­ri­ca­no no Bra­sil e não con­se­gui­mos encon­trar os uni­ for­mes para com­prar. Pen­sa­mos até em man­dar fazer os uni­ for­mes. Feliz­men­te, encon­tra­mos um dos maio­res faná­ti­cos pelo espor­te - o téc­ni­co Paulo Autuo­ri - que não só empres­tou os equi­pa­men­tos como deu uma con­sul­to­ria com­ple­ta para a pro­du­ção”, expli­ca o dire­tor Gus­ta­vo Leme. Autuo­ri aju­dou a coreo­gra­far os joga­do­res e no fim aca­bou tam­bém fazen­do uma ponta no filme: ele é o juiz.

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lizan­dra­deal­mei­da lizan­dra@tela­vi­va.com.br

Bola oval

Além de Autuo­ri, a estre­la desse filme é o joga­dor Luís Fabia­no, que em pouco tempo se fami­lia­ri­zou com a bola oval de fute­bol ame­ri­ca­no e fez todas as acro­ba­cias ao vivo. A única bola apli­ca­da foi a últi­ma, quan­do marca um gola­ço na trave de nove ­metros. A fil­ma­gem acon­te­ceu na pista de atle­ tis­mo do com­ple­xo espor­ti­vo do Ibi­ra­pue­ra, que foi pre­pa­ra­do para pare­cer um campo de fute­bol ame­ri­ca­no. “Man­ti­ve­mos os holo­fo­tes liga­dos e em qua­dro, para criar uma luz com flair, uma ilu­mi­na­ ção épica que com­pen­sas­se o vazio das arqui­ban­ca­ das”, expli­ca o dire­tor.

icha téc­ni­ca fClien­te ­ Penalty • Pro­du­to Ins­ti­tu­cio­nal • Agên­cia Z+ • Diret­ or de Cria­ção Zezi­to Mar­ques da Costa e Alan Stro­ zem­berg • Cria­ção Luis Fili­pin, Pablo di Nal­lo, Kevin Zung e José Ricar­do Novoa • Pro­du­to­ra Repú­bli­ka Fil­mes • Dire­ção de cena Gus­ta­vo Le­me • Foto­gra­fia ­Hebling Jr. • Cas­ting Schu­ma­cher, Fran­klin, Simi, Bebe­to e Lean­dri­nho • Dire­ção de Arte Isa­bel­le Car­bo­ni • Tri­lha A Voz do Bra­sil • Mon­­ta­gem Car­los Pans • Pós-pro­du­ção Estú­dios Mega

Filmagens precisas Os dois fil­mes par­ti­ram de story ­ boards bas­tan­te deta­lha­dos, pois foram roda­dos em uma única noite - o que exige toda a pre­ci­são. Duran­te as fil­ma­gens, o pró­prio dire­tor ope­rou uma câme­ ra Bolex 250, de 16mm, cujas ima­gens tam­bém foram apro­vei­ta­das na edi­ção. “Mes­cla­mos com ima­gens mais sujas, para dar um clima ner­vo­so ao filme”, diz Gus­ta­vo.


equipamentos pauloboccato

paulo@telaviva.com.br

Opção nacional

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Uma das gran­des novi­da­des para o mer­ca­do de pro­ du­ção audio­vi­sual lan­ça­da na últi­ma Sema­na ABC de Cine­ma­to­gra­fia, rea­li­za­da entre os dias 10 e 14 de maio no Rio de Janei­ro, tem o selo 100% nacio­nal. A empre­sa pau­lis­ta Air­cam apre­sen­tou um Crane Car desen­vol­vi­do intei­ra­men­te no Bra­sil. O equi­pa­men­to con­sis­te de uma grua aco­pla­da a uma pica­pe F-250 adap­ta­da, com con­tro­le de movi­men­tos de cabe­ça e moni­to­ra­ção a par­tir da cabi­ne. A tec­no­lo­gia foi desen­vol­vi­da duran­te três anos pelos pro­prie­tá­rios da empre­sa e já está dis­po­ní­vel para loca­ção no mer­ ca­do desde o come­ço do ano. Como a Air­cam, ­outras empre­sas, como Mat­te­di, DMS e Comer­ciall inves­ tem na fabri­ca­ção de equi­pa­men­tos de ilu­mi­na­ção e, prin­ci­pal­men­te, maqui­ná­ria. Esse peque­no par­que indus­trial ainda sofre com as resis­tên­cias de parte do mer­ca­do ao pro­du­to domés­ti­co e com a falta de uma polí­ti­ca de finan­cia­men­to que per­mi­ta inves­tir em pes­ qui­sa e pen­sar em esca­las maio­res de pro­du­ção. Mas já alcan­ça um certo des­ta­que em rela­ção a ­outras cate­go­rias de equi­pa­men­tos para cine­ma e vídeo, prin­ci­pal­men­te por uti­li­zar, em gran­de parte, mate­riais abun­dan­tes no Bra­sil, como alu­mí­nio, ferro e aço inox. O seg­men­to tam­bém leva van­ta­gem pela pro­xi­mi­da­ de com os clien­tes, no caso da neces­si­da­de de assis­tên­cia téc­ni­ ca e repo­si­ção de peças. A empre­sa cario­ca Mat­te­di é uma das mais tra­di­cio­nais do ramo, inves­tin­do há 13 anos na fabri­ca­ção de tri­pés, tra­vel­lings, gruas e supor­tes. For­ma­do em esco­las téc­ni­ cas e na prá­ti­ca de efei­tos espe­ciais meca­ni­za­dos para cine­ma e vídeo, o pro­prie­tá­rio Ayl­ton Anto­nio Mat­te­di, come­çou com uma peque­na empre­sa de manu­ten­ção. “Eu vivia tendo que inven­tar tra­qui­ta­nas para resol­ver

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Empresas brasileiras investem na fabricação de equipamentos para maquinária e iluminação de cinema e vídeo pro­ble­mas de movi­men­ta­ção de câme­ra, já que o mer­ca­do bra­si­lei­ro sem­pre foi caren­te em equi­pa­men­tos desse tipo, por conta dos altos cus­tos de impor­ta­ção. No come­ço dos anos 90, deci­di fazer um pro­je­to de tripé para vídeo intei­ra­ men­te nacio­nal. Na época, fui cha­ma­do de malu­co”, recor­da. Mat­te­di brin­ca ao com­pa­rar seu pri­mei­ro pro­je­to de tripé a “um Fusca que ­entrou no mer­ca­do na época para con­cor­rer com BMWs. Mas eu per­ce­bia que, em mui­tos casos, um Fusca resol­via per­fei­ta­men­te o pro­ble­ma. Só que demo­rou bas­tan­ te para as pes­soas enten­de­rem isso”. Ao longo dos anos, a empre­sa foi apri­mo­ran­do seus equi­pa­men­tos e entran­do em ­outros seg­men­tos, sem­pre basea­da em muita pes­qui­sa. Atual­ men­te, a Mat­te­di conta com seis mode­los de tripé, gruas, tra­ vel­lings, supor­tes e pla­ta­for­mas para uti­li­za­ção em cine­ma e vídeo, além de tele­promp­ter e da cabe­ça remo­ta MRH-20. Pro­je­to pre­mia­do A his­tó­ria desse equi­pa­men­to ilus­tra bem as difi­cul­da­des de quem pre­ten­de atuar no ramo. Em 1997, com o pro­je­to da cabe­ça remo­ta, a Mat­te­di ven­ceu um prê­mio de tec­ no­lo­gia dado pela Fir­jan (Fede­ra­ção das Indús­ trias do Esta­do do Rio de Janei­ro), con­cor­ren­do com 95 empre­sas dos mais varia­dos seg­men­tos. Ani­ma­do, Mat­te­di saiu em busca de finan­cia­men­ to, mas ­nenhum banco se ani­mou a inves­tir. “Resol­ vi inves­tir por conta pró­pria”, conta o pro­prie­tá­rio. E tem sido assim a maior parte do tempo. “É com­pli­ca­do con­ se­guir capi­tal, seja públi­co ou pri­va­do, quan­do se tem uma empre­sa peque­na num mer­ca­do domi­na­do por pro­ du­tos estran­gei­ros”, ana­li­sa. O jeito é recor­rer a par­ce­rias. A Mat­te­di, por exem­plo, tra­ba­lha em con­jun­to com alu­nos do curso de Enge­nha­ria de Robó­ti­ca

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Teleprompter TPM 592C, da Mattedi: software roda em português, inglês e espanhol.

Fotos: Divul­ga­ção


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da UFRJ, coor­de­na­dos pelo pro­fes­ sor Vítor Roma­no. “Eu ana­li­so as carên­cias do mer­ca­do, crio as ­idéias e aí chamo o pes­soal de enge­nha­ria para os pro­je­tos des­cri­ti­vos e dese­ nhos”, expli­ca Mat­te­di. Mas a cons­ tru­ção é feita, na maior parte, inter­ na­men­te, numa estru­tu­ra que envol­ Após três anos de pesquisa, a Aircam colocou no mercado o Crane Car. ve cerca de 20 pro­fis­sio­nais. “Em ­alguns casos, recor­re­mos a ter­cei­ros, Sua grua pode ficar rente ao chão e atinge 4,2 m de altura. como no caso do tele­promp­ter TPM 592C, que teve o soft­wa­re desen­vol­vi­ do por um pro­fis­sio­nal con­tra­ta­do”, e come­çar a alu­gar”, diz. A empre­sa, Car Indus­tries, com a inten­ção de com­ diz. O equi­pa­men­to é dota­do de supor­te aliás, con­ti­nua atuan­do nesse seg­men­ prar. Eles acha­ram meio estra­nho, pois físi­co, desen­vol­vi­do inter­na­men­te, espe­ to, sendo uma das maio­res loca­do­ras de os equi­pa­men­tos que eles cons­troem lho semi-refle­xi­vo e moni­tor colo­ri­do de ­rádios do mer­ca­do, e tam­bém atua na são basi­ca­men­te para loca­ção. Aí per­ce­ 15”. O pro­gra­ma roda em três idio­mas: sono­ri­za­ção de even­tos. “­Depois de um be­mos que esse era o cami­nho - e eles por­tu­guês, ­ inglês e espa­nhol. Entre os certo tempo, o pes­soal da O2 me pediu foram muito ­legais, dei­xan­do que ficás­se­ ­outros des­ta­ques da casa estão a grua que fizes­se um ven­ti­la­dor gran­de, para mos uns dias por lá para apren­der­mos”, MC 6000, que pode ser usada com câme­ um comer­cial de moda que con­sis­tia conta Mar­tins. “O pro­ces­so levou três ras de cine­ma, e o tra­vel­ling TRV-1000, de um lava-rápi­do de mulhe­res. Sur­giu anos e con­ta­mos com a asses­so­ria de além das por­tá­teis mini-gruas e ligei­ri­ meu pri­mei­ro equi­pa­men­to desen­vol­vi­ diver­sos dire­to­res de foto­gra­fia, assis­ nhos. A maio­ria dos equi­pa­men­tos é vol­ do para loca­ção, um simu­la­dor de vento ten­tes de câme­ra e maqui­nis­tas”. ta­da para venda dire­ta (prin­ci­pal­men­te que bati­zei de Tufão”, diz. O Crane Car é dota­do de uma grua para pro­du­to­ras e emis­so­ras de TV) e fixa, com limi­ta­do­res de altu­ra que per­ reven­das, mas ­ alguns só exis­tem para Bons ven­tos, altos vôos mi­tem con­tro­lar os tetos míni­mo (rente loca­ção. “No caso da grua, por exem­plo, Desde então, a Air­cam não parou mais. ao piso) e máxi­mo (4,2 m), em tilt, e não com­pen­sa inves­tir em esca­la”, diz Os equi­pa­men­tos da casa ­ incluem três colu­na cen­tral com posi­ção cam­biá­vel, Mat­te­di. uni­da­des do Tufão II, simu­la­do­res de para pan de até 360º. A cabi­ne da pica­ Loca­ção é o foco da Air­cam, onde a vento liga­dos a con­tro­la­do­res ele­trô­ni­ pe é toda adap­ta­da: a cabi­ne sim­ples maio­ria dos equi­pa­men­tos desen­vol­vi­ cos pro­gra­má­veis, que pro­pi­ciam uma foi trans­for­ma­da em dupla, com capa­ dos com tec­no­lo­gia pró­pria conta com varia­ção ­linear de 50 a 1,7 mil rpm, com ci­da­de para cinco pes­soas; os pai­néis e ape­nas uma uni­da­de. “São equi­pa­men­ curva de res­pos­ta em tempo real, e 120º chas­sis foram refor­ça­dos e modi­fi­ca­dos tos muito caros, para uso muito espe­cí­ de movi­men­to gira­tó­rio, que deve ser para supor­tar as estru­tu­ras da grua, dos fi­co, e não há con­di­ções de cons­truí-los feito manual­men­te pelo maqui­nis­ta. A moni­to­res e dos con­tro­la­do­res, além em esca­la”, expli­ca um dos ­ sócios da empre­sa tam­bém se des­ta­ca no ramo de de todo o cabea­men­to; e o banco do empre­sa, Home­ro Mar­tins. A Air­cam fil­ma­gens ­ aéreas, onde conta com os co-pilo­to pode ser inver­ti­do 180º em sur­giu em 1993, mas Mar­tins tra­ba­lha equi­pa­men­tos Side Mount, para fixa­ção menos de cinco minu­tos. Da cabi­ne, é no setor há mais de 20 anos. “Come­cei late­ral na aero­na­ve, adap­ta­do a par­tir pos­sí­vel con­tro­lar a pres­são da sus­pen­ como mecâ­ni­co de heli­cóp­te­ros e, no iní­ de impor­ta­dos, e Nose Mount, para fixa­ são e a pres­são de cada pneu indi­vi­ cio dos anos 80, fui con­tra­ta­do por uma ção fron­tal, desen­vol­vi­do inter­na­men­te. dual­men­te. Além disso, há um moni­tor empre­sa que tinha aca­ba­do de com­prar Para movi­men­to de câme­ra, a Air­cam LCD 8” para o moto­ris­ta e outro para um Tyler Mount, equi­pa­men­to usado desen­vol­veu a Mons­ter, maior grua para o co-pilo­to, nor­mal­men­te o assis­ten­te para fixa­ção da câme­ra em fil­ma­gens cine­ma da Amé­ri­ca Lati­na, que sobe a de câme­ra. No banco tra­sei­ro, com três ­aéreas. Eu ia acom­pa­nhar as fil­ma­gens 9,5 ­ metros com até dois téc­ni­cos (260 luga­res, está ins­ta­la­do um moni­tor LCD e come­cei a conhe­cer o pes­soal de cine­ kg de carga), a 12,5 ­metros com um téc­ tela plana de 14”, com ângu­lo de visão ma e tomar gosto pela coisa”, conta. O ni­co (160 kg de carga) e a até 15 ­metros de 170º, além de supor­tes para con­tro­ iní­cio como empre­sá­rio acon­te­ceu por com cabe­ça ele­trô­ni­ca (90 kg de carga), la­do­res de movi­men­tos de cabe­ça, que acaso. “O ­Magrão, da 5.6, esta­va fazen­ com tempo de mon­ta­gem e des­mon­ta­ podem ser fei­tos por mani­ve­las (Crank do um comer­cial de Che­vet­te e pre­ci­sa­ gem esti­ma­do em duas horas e meia. ­Wheels), Pan Bar (C.A.T.) ou joys­ticks. va de ­ rádios para a comu­ni­ca­ção entre Mas o gran­de hit da casa pro­me­te Um rádio-base no pai­nel do veí­cu­lo per­ o heli­cóp­te­ro e o carro de cena. Ele me ser o Crane Car. “Quan­do pen­sa­mos mi­te a comu­ni­ca­ção no inte­rior da cabi­ encar­re­gou de arru­mar os ­rádios e pagou em ter um equi­pa­men­to como esse, ne, por meio de alto-falan­tes ins­ta­la­dos pelo alu­guel. Eu achei baca­na aque­la his­ visi­ta­mos dois dos maio­res fabri­can­tes nas por­tas, e tam­bém com o exte­rior. tó­ria e resol­vi com­prar ­ vários ­ rádios ame­ri­ca­nos, a Shot­ma­ker e a Came­ra Na parte tra­sei­ra, pode ser aco­pla­do um

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Tow Dolly, para rebo­que de carro de cena. Os cui­da­dos se esten­dem à cor do veí­cu­lo, em preto fosco para evi­tar refle­ xos inde­se­já­veis. Tanto a grua Mons­ter quan­to o Crane Car são alu­ga­dos com a cabe­ça ele­trô­ni­ca Hot Head II, da norte-ame­ri­ca­na Egrip­ment, que per­mi­ te movi­men­tos em três eixos (pan, tilt e Rol­lA­xis).

Tufão II: de 50 a 1,7 mil RPM.

Leve­za

Na linha de movi­men­tos de câme­ra para capa­ci­da­de para até 16 kg de carga. Um o mer­ca­do de vídeo, um fabri­can­te tra­di­ dos des­ta­ques da casa é o Tra­vel­ling de cio­nal no mer­ca­do bra­si­lei­ro é a DMS, Pro­du­to, um cha­péu alto mon­ta­do sobre há 13 anos atuan­do no seg­men­to. “Nós uma base de alu­mí­nio que pode ser fixa­ come­ça­mos dando manu­ten­ção para da a tri­pés de luz, sendo indi­ca­do para equi­pa­men­tos impor­ta­dos e logo per­ce­ pack-shots. Já o Tra­vel­ling de Man­guei­ be­mos que havia espa­ço para inves­tir ras é dota­do de um sis­te­ma de rodas na pro­du­ção de maqui­ná­ria nacio­nal. que cor­ri­ge a falta de para­le­lis­mo entre Apa­nha­mos bas­tan­te, por­que aqui as as man­guei­ras uti­li­za­das como tri­lhos, pes­soas cos­tu­mam con­si­de­rar que o per­mi­tin­do movi­men­tos de câme­ra dife­ equi­pa­men­to bra­si­lei­ro é sem­pre pior ren­cia­dos. O equi­pa­men­to tem gran­de que o impor­ta­do, mesmo que sejam os dois do mesmo tipo e faixa de preço”, diz Eduar­do Soa­res, um dos ­sócios da empre­sa. Soa­res expli­ca que essa visão con­ti­nua bas­tan­te forte, mas já sente uma peque­na mudan­ça de pos­tu­ra. “As pes­soas come­çam a per­ce­ber as faci­li­da­des de ter um perío­do maior de garan­tia e um custo de manu­ten­ção bem mais baixo”, opina. Além dos tri­pés, a DMS conta hoje com tra­vel­lings e gruas, com Nose Mount: desenvolvido

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pela Aircam, é instalado frontalmente em helicóptero.

faci­li­da­de de trans­por­te, sendo leve e poden­do ser leva­do no porta-malas de um carro. Tam­bém por­tá­til é a Grua DMS, que alcan­ça até 3,5 m de altu­ra e supor­ta carga de 22 kg. A empre­sa tam­bém fabri­ca o Giro­ cam, sis­te­ma de con­tro­le de pan e tilt via cabo, e lan­ças que per­mi­tem trans­for­mar a Grua DMS em um Mini-Gib. No seg­men­to de aces­só­rios e tri­pés de ilu­mi­na­ção, uma das empre­sas de maior des­ta­que é a Point de Luz, coo­pe­ ra­ti­va de ex-fun­cio­ná­rios da ­LocAll que assu­mi­ram a fabri­ca­ção dos pro­du­tos desta empre­sa, hoje dedi­ca­da ao mer­ca­do de loca­ção. A Point de Luz foi for­ma­da em 1998 e tem como repre­sen­tan­te exclu­si­va de ven­das a empre­sa Comer­ciall Repre­sen­ ta­ções. “Nossa linha de pro­du­tos ­ inclui dim­mers, refle­to­res, tri­pés de ilu­mi­na­ção e ­vários tipos de aces­só­rios, e esta­mos bem esta­be­le­ci­dos no mer­ca­do. Atual­men­te, é muito comum a com­pra de equi­pa­ men­tos nacio­nais. Pri­mei­ro, pelas difi­cul­ da­des de impor­ta­ção, com altos impos­tos e cons­tan­tes gre­ves da Recei­ta Fede­ral; ­depois, por­que che­ga­mos a um nível de apri­mo­ra­men­to muito gran­de. E tam­bém pela faci­li­da­de de manu­ten­ção”, expli­ca Mar­tim Fran­cis­co, geren­te de ven­das da Comer­ciall. “Nosso mer­ca­do prin­ci­pal são as reven­das”, diz. Entre os mais ven­di­dos da empre­sa, que tam­bém aten­de ao mer­ca­ do de tea­tro e even­tos, estão as conhe­ci­das Gar­ras Loc.All, desen­vol­vi­das inter­na­men­ te e que já são repro­du­zi­das por ­ outros fabri­can­tes do setor.

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Revista Tela Viva - 139 - junho 2004