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NAB 2003 mostra as tecnologias de produção sem fitas

NGT inaugura sede e promete novo canal para o segundo semestre

No MT produtores se reúnem para fortalecer o cinema

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ano12nº127maio2003


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editorial Passados quatro meses, o governo Lula ainda não deu pistas sobre sua política para as comunicações de forma integrada. Como uma medida isolada, apenas anunciou que tanto as verbas de publicidade do governo e das estatais quanto os recursos destinados a patrocínios culturais seriam centralizados pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), do ministro Gushiken. Parece não perceber que os problemas são relacionados: a Ancine regulamenta um setor com poucas chances rubensglasberg glasberg@telaviva.com.br de viabilização sem a televisão; a TV e a mídia em geral estão em crise e precisam de verbas estatais de publicidade; as estatais bancam boa parte da produção cultural, especialmente a audiovisual; quem também banca esta atividade cultural são as leis de incentivo, que seguem as diretrizes da Ancine e do Ministério da Cultura. Pelas diretrizes que começaram a ser divulgadas em abril, as estatais bancarão as atividades culturais seguindo os princípios do governo de inclusão social, combate à pobreza e democratização do acesso à cultura. São causas nobres, mas os meios para atingi-las podem ser perigosos. Alterar a lógica de uma indústria já estabelecida sem aviso prévio é um risco, ainda mais sem discutir com a indústria as conseqüências. Corre-se o risco de uma só ideologia ditar o conteúdo, o que resulta num filme geralmente sem final feliz. Um outro aspecto da política de comunicação do governo é a distribuição das verbas públicas de publicidade. Os balões de ensaio soltados até agora mostram que, provavelmente, a Secom determinará que os gastos sejam proporcionais à audiência de cada veículo. É uma medida positiva, que ajudará a reequilibrar a perversa relação entre audiência e verba publicitária. Hoje, como se sabe, é possível a um grupo como a Globo ter 50% da audiência e 78% do mercado publicitário de TV. Por outro lado, se o governo vai gastar seus preciosos recursos com base na audiência, estará na prática reforçando uma situação em que alguns poucos veículos controlam na prática o que o brasileiro assiste ou lê. Ou seja, o governo não estará fazendo nada que crie mais concentração na mídia, mas também não fará nada contra. E existe ainda o risco de prejudicar veículos regionais ou setoriais, para os quais tais critérios não fazem o menor sentido. Ou seja, o critério de investir em publicidade baseado no custo por mil (leitores ou telespectadores) não vale para veículos regionais ou especializados. Seria importante o governo pensar de forma mais ampla o mercado de comunicação, audiovisual incluído. A começar pela revisão da legislação de comunicação, para assegurar mecanismos que permitam a competição justa no mercado de TV, jornais e revistas. Incentivar outras mídias e tecnologias, criar mecanismos que permitam a entrada de novos grupos, eventualmente até um fundo setorial para a formação de talentos brasileiros são iniciativas que poderiam ser tomadas. Naturalmente, tudo isso só se materializará a médio ou longo prazo, mas os debates com a sociedade precisam começar agora.

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ano12nº127 maio2003

CAPA 24

A nova produção da TV Cultura, Warner Brothers e Moonshot Pictures, “Martelo de Vulcano”, foi captado em câmeras digitais.

Produção de terceiros Emissoras públicas e educativas abrem espaço para projetos independentes. Veja como elas selecionam as produções.

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CASE Menino Maluquinho tridimensional

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O personagem de Ziraldo protagonizará uma série animada de 16 episódios, produzida pela mineira Fábrica de Animação.

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EVENTO

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TECNOLOGIA Filme infantil com recursos virtuais

As novidades tecnológicas da NAB 2003

Fabricantes mostram como o disco óptico, o HD e o cartão de memória tomarão o lugar dos cassetes.

TELEVISÃO A gestação de uma nova emissora

CINEMA Mato-grossenses em prol do audiovisual regional

Produtores do Centro-Oeste dão o primeiro passo para a criação de um núcleo a ser compartilhado por todos os estados da região.

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Com nascimento previsto para o segundo semestre, a NGT promete um formato diferenciado na programação educativa.

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AUDIOVISUAL Espanha mantém as raízes

A regionalização da programação na TV espanhola garante divulgação das diferentes culturas e abre espaço para novos canais.

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Eter­na pro­cu­ra O casal Bel Becha­ra e San­dro Serpa está fina­li­zan­ do seu ter­cei­ro curta-metra­gem, o pri­mei­ro roda­ do em São Paulo. “Onde Quer que Você Este­ja” (foto) conta a his­tó­ria de um pro­gra­ma de rádio que pro­mo­ve o encon­tro de pes­soas com fami­lia­ res desa­pa­re­ci­dos. O argu­men­to sur­giu a par­tir de uma notí­cia de jor­nal, que anun­cia­va os ser­vi­ços pres­ta­dos por uma rádio colom­bia­na com esse per­fil. Bel e San­dro assi­nam a dire­ção, a foto­gra­fia e a mon­ta­gem. Os dois con­vi­da­ram o maes­tro Júlio Meda­glia para inter­pre­tar uma peça de Erik Satie, “Trois Gymno­pé­dies”, que faz parte da tri­lha, e tam­ bém Jards Maca­lé. O som dire­to é de João Godoy e a pro­du­ção, de Emer­son Jus­sia­ni e Pau­lão Costa.

Pos­sí­vel fusão A Casa­blan­ca e os Estú­dios­Me­ga estão nego­cian­do uma fusão, ainda sem prazo para ser con­cluí­da. O obje­ti­vo seria não ape­nas aten­der o mer­ca­do nacio­nal, mas tam­bém tra­zer pro­du­ções de ­outros paí­ses para o Bra­sil. Na ava­lia­ção de ­Patrick Sia­ret­ta, da TeleI­ma­ge, a jointven­tu­re esta­ria entre as três maio­res fina­li­za­do­ras do mundo.

Um pé no Rio... A pro­du­to­ra de com­pu­ta­ção grá­fi­ca Digi­tal21 come­ça a aten­der o mer­ca­do cario­ca de forma mais dire­ta, a par­tir da inau­gu­ra­ção de um novo escri­tó­rio em Ipa­ne­ma. O escri­tó­rio será capi­ta­nea­do por Miche­le Andra­de, que tra­ba­lha em aten­di­men­to e é espe­cia­li­za­da na área. A Digi­tal21, que tem como ­sócios Raul Dória, Clo­vis Mello e Rodol­fo Patro­cí­nio, está come­mo­ran­do tam­bém a inclu­são de seus tra­ba­lhos no novo rolo de demons­tra­ção da Sof­tI­ma­ge. O DVD reúne tra­ba­lhos de empre­sas que usam o sis­te­ma XSI, soft­wa­re uti­li­za­do nas prin­ci­pais casas de efei­tos e com­pu­ta­ção grá­fi­ca do mundo.

Causa cine­ma­to­grá­fi­ca O verea­dor pau­lis­ta­no Nabil Bon­du­ki (PT) está encam­pan­do a dis­cus­são de diver­sos pro­je­tos de inte­res­se do cine­ ma pau­lis­ta­no. Um deles é a revi­são da Lei Men­don­ça, que pro­põe a renún­cia fis­cal de IPTU e ISS para pro­je­tos cul­ tu­rais. Em sua nova ver­são, a lei pode incor­po­rar a cria­ção de um fundo muni­ ci­pal de apoio à pro­du­ção, anti­ga rei­vin­ di­ca­ção da clas­se cine­ma­to­grá­fi­ca. O verea­dor tam­bém abra­çou a causa dos cine­mas de rua de São Paulo, que vêm enfren­tan­do uma crise há ­ vários anos, ape­sar do aumen­to no públi­co dos cine­mas. Bon­du­ki pro­pôs à Câma­ra um pro­je­to que reduz a carga tri­bu­tá­ria de salas loca­li­za­das na rua ou em gale­rias (e não em shop­ping cen­ters). O pro­je­ to está em dis­cus­são na Câma­ra dos Verea­do­res e tam­bém pre­ten­de esta­be­ le­cer uma cota de exi­bi­ção de fil­mes nacio­nais. O pro­je­to vem bem a ­calhar, num momen­ to em que mui­tas pes­soas do meio se mobi­li­zam para evi­tar o fecha­men­to do Cinear­te, tra­di­cio­nal redu­to de exi­bi­ção de fil­mes de qua­li­da­de, loca­li­za­do na ave­ni­da Pau­lis­ta.

Bra­sil em Can­nes



tela viva maio de 2003

Eduar­do Valen­te é o pri­mei­ro dire­tor bra­si­lei­ro a fazer dobra­di­nha no Fes­ti­val de Cine­ma de Can­nes, que acon­te­ce de 14 a 25 de maio. Pre­mia­do em 2002 com “Um Sol Ala­ran­ja­do”, o dire­tor agora vai apre­sen­tar a comé­dia “Cas­ta­nho”. O curta foi sele­cio­na­do para a Quin­ze­na dos Rea­li­za­do­res, prin­ci­pal mos­tra para­le­la do fes­ti­val. O 1 longa “Filme de Amor”, de Julio Bres­sa­ne, tam­bém par­ti­ci­pa da Quin­ze­na. O curta-metra­gem “A Jane­la Aber­ta” (1), do pre­mia­do dire­tor Phil­lip­pe Bar­cins­ki, tam­bém foi sele­cio­na­do para a com­pe­ti­ção ofi­cial do fes­ti­val. É o 2 segun­do curta bra­si­lei­ro a con­cor­rer à Palma de Ouro em 20 anos. O dire­tor está se pre­pa­ran­ do tam­bém para fil­mar seu pri­mei­ro longa, “Não por Acaso”, cujo rotei­ro foi pre­mia­do pelo ­Hubert Bals Fund com um apor­te de Ä 10 mil. O filme terá pro­du­ção da O2 Fil­mes e está pre­ vis­to para o segun­do semes­tre de 2004. O longa-metra­gem “Caran­di­ru” (2), de Hec­tor Baben­co, tam­bém foi sele­cio­na­do para a com­pe­ti­ção ofi­cial, ao lado de ­outros 20 fil­mes de 13 nacio­na­li­da­des.

Fotos: Marcos Vilas Boas/Divul­ga­ção (Carandiru) e Divulgação


Con­cur­so para docu­men­tá­rios

Novo ende­re­ço A ­Arkham Pro­du­ções, de Santo André, está em nova sede. No coquetel de inauguração, os dire­to­res da pro­ du­to­ra Rob­son Rai­ne­ri, José Rober­to Rodri­gues Este­ves e João San­dro Augus­to apre­sen­ta­ram as ins­ta­la­ções do novo espa­ço, pro­je­ta­do e deco­ra­do pelo arqui­te­to e deco­ra­dor Aug­dan de Oli­vei­ra Leite. A sede conta com uma infra-estru­tu­ra que ­inclui dois estú­dios, sendo um fixo com 120 m2 e outro rever­sí­vel. A pro­du­to­ra tam­bém anun­ciou que está pro­du­zin­do um pro­gra­ma com o nome pro­vi­só­rio de “Nôma­de”. Nele, um táxi nova-ior­qui­no ori­gi­nal, de 1949, per­cor­re as prin­ ci­pais casas notur­nas da Gran­de São Paulo, mos­tran­do o que acon­te­ce na noite pau­lis­ta­na.

O pro­gra­ma Bio­di­ver­si­da­de Bra­sil de Docu­men­tá­rio vai sele­cio­nar um pro­je­to de docu­ men­tá­rio de 52 minu­tos sobre temas rela­cio­na­dos à bio­di­ver­ si­da­de bra­si­lei­ra. O tra­ba­lho esco­lhi­do rece­be­rá um prê­mio de R$ 10 mil e um con­tra­to de co-pro­du­ção de R$ 200 mil. O pro­gra­ma é patro­ci­na­do pela TV Cul­tu­ra, Natu­ra e Minis­té­rio do Meio Ambien­te, e o resul­ ta­do será exi­bi­do no final do ano pela emis­so­ra edu­ca­ti­va. As ins­cri­ções vão até 15 de maio. Todas as infor­ma­ções estão no site: www.bio­di­ver­si­da­de­bra­sil.com.br.

Efei­tos do estres­se

Pro­gra­ma­ção regio­nal

O novo filme pro­du­zi­do pela Com­pa­nhia de Cine­ma para o Mylan­ta Plus, da Pfi­zer, já está no ar. Cria­do pela JW Thomp­son, o comer­cial divul­ga as pro­prie­da­des antiá­ci­das do pro­du­to, de uma forma bem-humo­ra­da, e faz um aler­ta sobre os efei­tos do estres­se na saúde huma­na. Diri­gi­do por Rodol­fo Vanni, o filme mos­tra um médi­co aus­cul­tan­do a bar­ri­ga de um rapaz. Ao mover o este­tos­có­pio, sons típi­cos de con­fu­sões de trân­si­ to — buzi­nas e gri­ta­ria — são poten­cia­li­za­dos. Pacien­te e médi­co tro­cam olha­res, con­fir­man­do que o estres­se é uma das pro­vá­veis cau­sas de aci­dez esto­ma­cal. A cria­ção é de Paulo Perei­ra e Dan Zec­chi­­nel­li, que tam­bém assi­na a dire­ção de cria­ção com Mar­ce­lo Pris­ta.

O pro­je­to de lei da depu­ta­da Jan­di­ra Feg­ha­li (PCdoB/RJ) que esta­be­le­ce cri­té­rios para a regio­na­li­za­ção da pro­gra­ma­ção na TV aber­ta e cria obri­ga­ções à pro­gra­ma­ção das redes de TV paga vai ter uma tra­mi­ta­ção mais com­pli­ca­ da do que parecia. O pro­je­to ainda enfren­ta­rá muita opo­si­ção por parte das redes de TV. O pro­je­to, apro­va­do pelas comis­sões da Câma­ ra, ainda não con­se­guiu ­ seguir ao Sena­do. Está na Comis­são de Cons­ti­tui­ção e Jus­ti­ça aguar­dan­do a reda­ção final antes de mudar de casa. E já exis­tem movi­men­ta­ções para que ele fique o máxi­mo de tempo nessa situa­ção. Para­le­la­men­te, a equi­pe da depu­ta­da Jan­di­ ra Feg­ha­li detec­tou o tra­ba­lho de parte da ban­ca­da evan­gé­li­ca junto a sena­do­res para que o pro­je­to seja alte­ra­do quan­do che­gar ao Sena­do, o que faria com que o documento retornasse para a Câma­ra.

Pro­du­ção no shop­ping A Video­lo­gia Comu­ni­ca­ção inau­gu­rou a TB2 Comu­ni­ca­ção, um espa­ço com um estú­dio e equi­pa­men­tos para loca­ção, vol­ta­do para pro­du­ção de foto, cine­ma, vídeo e TV. Está loca­li­za­do no shop­ping Inter­lar Inter­la­gos, em São Paulo. Além do pró­prio estú­dio com área de 120 m2 semi-blim­pa­ da, a TB2 tam­bém conta com esta­cio­na­men­to cober­to gra­tui­to, segu­ran­ ça, lazer para os inter­va­los da pro­du­ção e praça de ali­men­ta­ção.

Clipe de Mar­ce­lo D2

Cor­ren­do atrás

A JX Plu­ral pro­du­ziu o novo video­cli­pe de Mar­ce­lo D2, “Qual É”, que pode ser visto na MTV. “A pré-pro­du­ção durou quase um mês e tudo saiu con­for­me pla­ne­ja­do: fize­mos as fil­ma­gens nas horas cer­tas, seguin­do a decu­pa­gem das cenas a serem rea­li­za­das, valo­ri­za­ mos muito a foto­gra­fia e o ele­men­to huma­no”, conta ­Johnny Araú­jo, que diri­giu o video­cli­pe. Parte do clipe foi fil­ma­da nas ruas do subúr­bio cario­ca de Madu­rei­ra, no Rio de Janei­ro, e a outra parte, numa boate de Copa­ca­ba­na, mos­tran­do a noite da Zona Sul cario­ca. O filme home­na­geia a velha guar­da do samba, mis­tu­ran­do esse esti­lo com o movi­men­to hip hop, que é a pro­pos­ta do CD “À Pro­cu­ra da Bati­da Per­fei­ta”, que sai com o selo da Sony Music.

A vida de um filme de curta-metra­gem está basea­ da prin­ci­pal­men­te nos fes­ti­vais de cine­ma no Bra­sil e no exte­rior. E são tan­tos que fica difí­cil con­se­guir ins­cre­ver o filme em todos. Para faci­li­tar a vida do rea­li­za­dor, as pro­du­to­ras Cami­la e Carol Ribas cria­ram a Agênc­ ia MC2, que tem por obje­ti­ vo ala­van­car a car­rei­ra dos cur­tas e acom­pa­nhar sua tra­je­tó­ria ao longo do calen­dá­rio de fes­ti­vais. Os rea­li­za­do­res se ins­cre­vem em um paco­te de fes­ti­vais, podendo ainda esco­lher fes­ti­vais temá­ ti­cos ou espe­cí­fi­cos. A par­tir daí, a agên­cia cria um paco­te e cobra uma taxa que pode ser paga men­sal­ men­te, como se fosse uma assi­na­tu­ra.


Carlos Ebert No meio do segun­do ano de arqui­te­tu­ra, foi inau­gu­ra­da em São Paulo a esco­la de cine­ma da Facul­da­de São Luís. Na mesma hora, deci­diu mudar de curso. Estu­dou com pes­soas que ­fariam his­tó­ria no cine­ma, como os dire­to­res Car­los Rei­chen­bach, Ana Caro­li­na e Paulo Rufi­no. Entre os pro­fes­so­res, esta­vam o crí­ti­co Paulo Emí­lio Sal­les Gomes, os poe­tas Décio Pig­na­ta­ri e Mário Cha­mie, o cineas­ta Luiz Sér­gio Per­son. Mas o curso não empol­ gou. A turma que­ria sair pro­du­zin­do e os dois pri­mei­ros anos eram teó­ri­cos. O grupo rea­giu sain­do à rua com uma câme­ra 8 mm, pro­du­zin­do ­vários docu­men­tá­rios e fic­ções. Como estu­da­va à noite, Ebert tra­ba­lha­va duran­te o dia em uma peque­na edi­to­ra, onde fazia de tudo: de revi­são a foto­gra­fia. Até

A vontade de trabalhar em cinema veio cedo, mas na época a porta de entrada para a atividade ficava um pouco escondida. Meio por falta de opção, o carioca Carlos Ebert acabou prestando arquitetura. Entrou na então Universidade do Brasil — hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro —, onde encontrou muita gente que também gostava de cinema. O grupo reativou o cineclube da UFRJ e a convivência estimulou a produção de alguns trabalhos, espe­cialmente documentários. Ebert chegou a dirigir um “docudrama”, rodado no litoral do Espírito Santo, sobre os pescadores da região.

que encon­trou na rua um ex-cole­ga de arqui­te­tu­ra, Luiz Alber­to Reis, mem­bro do grupo de ciné­fi­los da UFRJ. Reis tam­bém tinha sido ino­cu­la­ do com o vírus do cine­ma e lar­ga­ra um sóli­do empre­go num banco para tra­ba­lhar na ­Difilm, a dis­tri­bui­do­ra do Cine­ma Novo. Pas­sou a divi­dir um apar­ta­men­to com Reis, que esta­va se ins­ta­lan­do em São Paulo. Alug ­ am ­ os um apar­ta­men­to na Vila Buar­que, que era o redu­to dos cineas­tas e artis­tas, algu­ma coisa pare­ci­da com o que hoje é a Vila Mada­le­na. Em pouco tempo, esta­va tra­ba­lhan­do para a

­ ifilm, refa­zen­do nega­ti­vos e recu­pe­ran­do fotos dos fil­mes do Cine­ma D Novo. Então o apar­ta­men­to ­ganhou um novo mora­dor: o crí­ti­co Rogé­rio Sgan­zer­la, que pas­sa­va todo o tempo livre obce­ca­do em escre­ver o rotei­ro de seu pri­mei­ro longa, “O Ban­di­do da Luz Ver­me­lha” [1969]. Quan­do o rotei­ro ficou pron­to, Sgan­zer­la cha­mou Ebert para fazer a dire­ção de foto­gra­fia. A essa altu­ra, Ebert já esta­va total­men­te envol­ vi­do com o cine­ma, tra­ba­lhan­do em fil­mes ins­ti­tu­cio­nais e ­ outras

A dire­to­ra Paola Siquei­ra (1), ex-Cons­pi­ra­ção e Dueto, e a pro­fis­sio­nal de aten­di­men­to Tina Ramos (2) são as mais novas con­tra­ta­ das da JX Plu­ral. Paola, que já diri­giu comer­ciais para Caixa Eco­nô­mi­ca, Becel Pró-Acti­ve, 2 Tim­Ma­xi­tel, San­tan­der e Gren­de­ ne Rou­ge, pas­sou por ­ várias fun­ções de pro­du­ção antes de se tor­nar dire­to­ra, incluin­do figu­ri­no, assis­tên­ 1 cia de dire­ção e dire­ção de arte. Já Tina Ramos foi RTV da DM9 e pas­sou pelas pro­du­to­ras 5.6 e Cia. Ilus­tra­da, entre ­outras. No Rio de Janei­ro, tra­ba­lhou na Pro­Va­re­jo, CBBA, J. W. Thomp­son e Young & Rubi­can.

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Há cinco anos no Rio de Janei­ro, a pau­lis­ta­ na Lucia ­Novaes come­çou a inte­grar o time da pro­du­to­ra cario­ca TV Zero, de Rober­to Ber­ li­ner. Lucia vem da Mr. Magoo, onde diri­gia comer­ciais. Agora, além dos fil­mes publi­ci­tá­ rios, ela vai par­ti­ci­par de pro­du­ções cine­ma­to­ grá­fi­cas, filão que a TV Zero vem explo­ran­do nos últi­mos anos. Na área de docu­men­tá­ rios, está cap­tan­do recur­sos para um longa-metra­gem sobre a artis­ta plás­ti­ca Lygia Clark, que será des­mem­bra­ do em dois pro­gra­mas de TV. Fotos: Ger­son Gar­ga­la­ka (Carlos Ebert) e Divul­ga­ção


pro­du­ções, além da foto­gra­fia still. A iden­ti­fi­ca­ção cul­tu­ral e esté­ti­ca com Sgan­zer­la era forte, mas as cir­cuns­tân­cias de pro­du­ção eram pre­cá­rias. No iní­cio, a equi­pe toda, incluin­do os ato­res, se resu­mia a cinco pes­soas. Duran­te mais de uma sema­na o filme foi roda­do sem pro­du­tor. ­Depois que gran­de parte das exter­nas tinha sido roda­da, Ebert foi sin­ce­ro: achou que não daria conta do reca­do nas inter­nas. Con­vi­da­ram então o dire­tor de foto­gra­fia Peter Over­beck, pro­fis­sio­nal expe­rien­te da Vera Cruz, que ves­tiu a cami­sa. Ebert con­ti­nuou ope­ran­do a câme­ra e inven­tou todo tipo de tra­qui­ta­nas para fazer os movi­men­tos. Acho que isso con­tri­buiu para a lin­gua­gem fre­né­ti­ca do filme, mas tam­bém o resul­ta­do deve muito à mon­ta­gem de Sil­vio Rei­nol­di e à foto­ gra­fia do Peter.

O filme foi um suces­so, abrin­do todas as por­tas. Com 23 anos, Ebert come­çou a ser con­vi­da­do para foto­gra­far ­vários lon­gas. Mas aca­bou ceden­do ao que chama de “canto da ­sereia”. Par­tiu para a dire­ção. Em 1970, fina­li­zou “A Repú­bli­ca da Trai­ção”, uma paró­dia à auto­ri­ da­de bra­si­lei­ra, ambien­ta­da no país fic­tí­cio de Mara­gua­ya. O filme foi cen­su­ra­do e foi o que mais demo­rou para ser libe­ra­do. Che­ guei a ser cha­ma­do em Bra­sí­lia para depor. Houve algu­mas exi­ bi­ções em ses­sões proi­bi­das, com esque­mas de sair cor­ren­do com a cópia no final.

A cen­su­ra não trou­xe só pro­ble­mas polí­ti­cos, mas finan­cei­ros. Tinha pedi­do emprés­ti­mo em banco, ­ fiquei mal. Resol­vi dar um tempo. O cine­ma come­ça­va a res­va­lar na por­no­chan­cha­da,

então Ebert vol­tou à foto­gra­fia still. Tra­ba­lhou em revis­tas da Edi­to­ra Três, até que se can­sou de vez da dita­du­ra. Até pra fazer foto de ­mulher nua esta­va com­pli­ca­do. Só podia sair um seio e não ­podiam apa­re­cer os pelos pubia­nos. As mode­los esta­vam viran­do con­tor­cio­nis­tas e a gente pare­cia fotó­gra­fo de ioga.

Em 1975 resol­veu se auto-exi­lar e mudou-se com a ­ mulher, Rita, para um sítio em Extre­ma, no Sul de Minas. Tra­ba­lhou como pro­fes­sor do curso nor­mal, abriu um res­tau­ran­te, plan­tou uma horta. Semp ­ re tive uma liga­ção muito forte com o ensi­ no, toda a minha famí­lia era de pro­fes­so­res. Até hoje gosto e acho que é uma opor­tu­ni­da­de para estu­dar, pes­qui­sar, coi­sas que eu adoro.

­ epois de um tempo, porém, o vírus do cine­ma vol­tou a se mani­fes­ D tar. Com um casal de ­gêmeos recém-nas­ci­do, Ebert e Rita opta­ram por vol­tar para a civi­li­za­ção. Não sei por­que deci­di­mos ir para O dire­tor ­ Wiland Pins­dorf, após ­ fechar a V Fil­mes, abriu sua nova pro­du­to­ra, a Can­vas. A idéia do dire­tor era abrir uma casa com estru­tu­ra peque­na, para fazer “pou­cos tra­ba­lhos bem cui­da­dos, sem linha de pro­­ du­ção indus­trial”. Entu­sias­ta da tec­no­lo­gia digi­tal, Pins­dorf quer tra­ba­lhar cada vez mais com câme­ras HD. Além da nova pro­ du­to­ra, Pins­dorf está se dedi­can­ do à fina­li­za­ção do docu­men­tá­ rio “A Serra Esque­ci­da”, sobre a Serra de Ita­tiaia. O vídeo está sendo pro­du­zi­do há qua­tro anos e docu­men­ta pes­qui­sas fei­tas pela USP na ­região.

o Rio. Já tinha feito algu­ma coisa em publi­ci­da­de em São Paulo e, então, vol­tei aos comer­ciais. Acho que um téc­ni­co não pode abrir mão do cine­ma comer­cial, por­que é a área que pro­por­cio­na o aces­so aos equi­pa­men­tos de ponta. Na volta, tam­bém fez ­vários docu­men­tá­rios, inclu­si­ve um diri­gi­ do pelo Orlan­do Senna, sobre a estra­da de Cara­jás, e “Deus é um Fogo” [1985], de Geral­do Sarno, sobre a Teo­lo­gia da Liber­ta­ção. Tam­bém vol­tei ao longa, e foto­gra­fei “O Rei da Vela” [1983], do Zé Celso.

Desde o iní­cio da car­rei­ra, sem­pre este­ve por perto do docu­ men­tá­rio, mas faz ques­tão de não se espe­cia­li­zar. Na minha ati­vi­da­de, se espe­cia­li­zar é dar um tiro no pé. Tento ser o opos­to do espe­cia­lis­ta, que é o com­preen­si­vis­ta, aque­le que conhe­ce o todo.

Até hoje, seu tra­ba­lho em “O Ban­di­do da Luz Ver­me­lha” rende fru­tos. Mui­tos dire­to­res novos che­gam até mim por causa do filme e gosto muito dessa expe­riên­cia, de tra­ba­lhar com gente que tem um fres­cor no olhar. Acho que o cine­ma tem uma con­vi­vên­cia muito demo­crá­ti­ca, inde­pen­den­te da idade e do tipo de tra­ba­lho. No set, o boy e o dire­tor comem na mesma mesa, a mesma comi­da.

Sem­pre dedi­ca­do à pes­qui­sa da tec­no­lo­gia, Ebert se con­fes­sa um entu­sias­ta do cine­ma digi­tal. É irre­ver­sí­vel. Não sou sau­do­sis­ ta, acho que a téc­ni­ca tem que estar a ser­vi­ço das ­ idéias. Acho que a cap­ta­ção digi­tal trou­xe de volta um pouco da espon­ta­nei­da­de de fil­mes como “O Ban­di­do...”, por­que abre a pos­si­bi­li­da­de de se tra­ba­lhar com uma equi­pe míni­ ma. No docu­men­tá­rio, então, é fun­da­men­tal.

No meio de todos os pro­je­tos cine­ma­to­grá­fi­cos que abra­ça, Ebert tam­bém dá cur­sos e é um dos gran­des res­pon­sá­veis pelo suces­so da Asso­cia­ção Bra­si­lei­ra de Cine­ma­to­gra­fia (ABC), que reúne mais de cem dire­to­res de foto­gra­fia de todo o País e do exte­rior. Fun­da­da em 1999, a ABC pre­mia anual­men­te os melho­res pro­fis­sio­nais da área e rea­li­za a Sema­na ABC, um encon­tro de con­fra­ter­ ni­za­ção e troca de expe­riên­cias. Nosso obje­ti­vo é o de influen­ciar posi­ti­va­men­te a ati­vi­da­de como um todo, esti­mu­lar a reci­cla­gem e a for­ma­ção e pro­mo­ver a des­cen­tra­li­ za­ção da pro­du­ção.

O pro­du­tor exe­cu­ti­vo

Mario Naka­mu­ra inau­gu­ rou no Rio de Janei­ro a Cine­ra­ma Bra­si­lis. Loca­li­ za­da no bair­ro do Humai­ tá, a pro­du­to­ra repre­sen­ta os dire­to­res Janai­na Guer­

ra, Mar­cos Feli­pe Del­fi­no e Ricar­do de Miran­da . Tam­bém fazem parte da equi­pe as pro­fis­sio­nais de aten­di­men­to Aline Miran­ da (ex-Momen­to Fil­mes e Digi­graph) e Fer­nan­da Mar­ tins (ex-Sal­les e DPZ).

O bra­si­lei­ro Eduar­do par­ti­ci­pou da pro­du­ção dos efei­ tos espe­ciais do filme “­Matrix Reloa­ded”. Ao con­cluir seu mes­tra­do na AFI (Ame­ri­can Film Ins­ti­tu­te), em Los Ange­les, Gur­man foi con­vi­da­do a inte­grar a equi­pe do estú­dio res­pon­sá­vel por toda a parte de ­ Motion Cap­tu­re do filme, o Spec­trum Stu­dios.

Gur­man

Ricar­do Corte Real acaba de assu­ mir a diretoria comercial da pro­du­to­ ra pau­lis­ta­na Ma­de.


Três em um A Boris FX lançou o sistema integrado de composição 3D, titling 3D e efeitos Boris Red 3 GL. Usando aceleração de hardware OpenGL, o novo software conta com ani­ mação de títulos; mais de 30 novos filtros, incluindo o Lens Flare, Light Zoom, Film Grain e Wire Removal; colorização vetorial; rotoscopia; motion tracking e estabilização de imagens; filtros de tempo; e sistema de partículas 3D. Além disso, importa arquivos Photoshop e Ilustrator mantendo as layers e é capaz de renderizar para QuickTime, AVI e Flash. O Boris Red 3 GL deve ser distribuído neste terceiro trimestre e tem preço sugerido nos EUA de US$ 1.595. www.borisfx.com

Vídeo em tempo real Entre as novidades apresentadas pela Matrox na NAB está a placa Matrox RTX/100 Xtreme. O equipamento conta com uma ex­ tensa lista de novos efei­ tos 2D e 3D em tempo real e o novo Xtreme preview, que garante a visualização e o controle do posi­ cionamento e timing dos elementos de seus projetos. A placa também conta com filtro pan/scan, para conversão entre os aspectos 16:9 e 4:3 em tempo real, e captura e codifica em MPEG-2 em tempo real para autoração de DVDs. A Matrox RTX/100 Xtreme estará em seus distribuidores, inclusive no Brasil, a partir de junho deste ano. www.matrox.com

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tela viva maio de 2003

Discreet lança corretor de cores O principal lançamento da Discreet na NAB deste ano foi o corretor de cores Lustre, baseado em hardware nãoproprietário. Desenvolvido em parceria com a empresa húngara Colorfront, o Lustre trabalha com manipulação logaritma e linear de cores, tem entradas e saídas de vídeo SD e HD (incluindo varredura progressiva) e suporta os padrões de telecine Cineon e DPX. O sistema permite trabalhar em tempo real com telecines 2K com processamento de vídeo componente de 16 bits, sendo que, não trabalhando em tempo real, pode alcançar uma resolução de mais de 4K. Além disso, o Lustre é modular, podendo ter estações master e assistente. O produto deve ser distribuído a partir de setembro e custa a partir de US$ 300 mil, variando conforme a configuração do hardware. A Discreet também anunciou em Las Vegas que o gerador de efeitos Combustion está mais barato. O software, que custava US$ 4 mil na versão 2.0, ganhou uma nova versão (2.1) e custa agora US$ 1.999. A estratégia da empresa é buscar os usuários de softwares de baixo custo, como o Adobe After Effects. www.discreet.com

Leitch apresenta plataforma NEO O carro-chefe da Leitch na NAB 2003 foi a plataforma NEO, que permite a incor­ poração de diversas funções de processamento de imagens em uma única placa, economizando espaço e abrindo caminho para aplicações avançadas. Pode ser usada, por exem­ plo, uma nova placa com HD que grava até quatro horas de material em compressão 10:1 ou duas horas em 4:1. “É uma alternativa ao uso do VT em aplicações como esportes”, exemplifica Ariel Sardiñas, diretor de marketing da Leitch Latin America. O fabricante apresentou também o VR Ingest Manager, sistema que gerencia a gravação simultânea de diversos feeds de satélite, controlando servidores, routers, VTs e amplificadores. O equipamento interliga-se ao sistema de edição online de notícias da Leitch, que funciona com todas as imagens centralizadas em um único servidor. Através de um canal de fibre channel de 2 Gbps, cada estação tem acesso ao material em apenas três segundos. Finalmente, a empresa destaca o Agile Vision, solução de baixo custo para HDTV que integra router, servidor, gerenciamento de logotipos e procesa­ dores em uma única caixa. Voltado para pequenas emissoras, tem um preço estimado em US$ 200 mil. www.leitch.com


Autoração de DVD A Adobe apresentou na NAB, em Las Vegas, a aplicação de autoração de DVD Encore DVD, que pode trabalhar integrada ao Photoshop, ao Premiere e ao After Effects. O software conta com uma série de botões de navegação e menus pré-desenhados e permite usar backgrounds still ou em movimento, que podem ser importados de arquivos AVI diretamente do After Effects. Além disso, conta com uma biblioteca de palettes customizáveis que permite ao autor salvar seus botões e backgrounds preferidos para uso futuro. A definição de capítulos pode ser criada automaticamente através do reconhecimento de marcações feitas no Premiere.

Cada disco pode contar com até oito trilhas de áudio, para dublagem em diferentes idiomas, e até 32 trilhas de legenda. Antes de queimar um DVD, o usuário pode visualizar o projeto na janela de preview, garantindo a integridade de navegação e do próprio vídeo. O software é compatível com qualquer formato de gravação de discos, incluindo DVD-R/RW, DVD+R/RW e DVD-RAM, e conta ainda com um codificador embutido que converte os arquivos de vídeo em arquivos MPEG-2 e os de áudio, em arquivos Dolby Digital. O preço do produto nos EUA é US$ 549. www.adobe.com

Editor sem hardware dedicado

Switchers compactos

A Incite demonstrou na feira seu novo software de edição Incite Edi­ tor 3.0. Desenvolvido para edição de vídeo, de áudio, efeitos em tempo real, composição e finalização, o Incite Editor trabalha em ambientes de rede, possibilitando que produtores, artistas gráficos e de efeitos, editores de vídeo e de áudio compartilhem um mesmo projeto. Além desse editor, a Incite apresentou o Incite Remote Producer. Trata-se de uma aplicação de edição não-linear inde­ pendente de hardware, que pode ser usada virtual­mente em qualquer lugar para pré-produção ou produção completa. O Remote Pro­ ducer edita proxy files offline para criar seqüências para finalização posterior. Além disso, mesmo sem um hardware dedicado, permite o uso de efeitos sofisticados usando filtros e plug-ins. www.inciteonline.com

A Snell & Wilcox levou à NAB sua nova linha Switch­ Pack, formada por três switchers SD ultra-compactos destinados a transmissões ao vivo e para uso em espaços reduzidos. A versão completa, SwitchPack 16, inclui um frame de 1 RU com painel de controle, 16 entradas e cinco keyers. Estão dis­ poníveis ainda as versões SwitchPack 8 (oito entradas e três keyers) e SwitchPack 4 (quatro entradas e um keyer). Outra novidade é o switcher HD3060, desen­ hado para produções ao vivo em HDTV. O switcher tem 64 entradas, expansível para 128, e 12 keyers, trabalhando em todos os formatos HD. Um detalhe importante: o equipamento pode ser alternado instan­ taneamente para trabalhar com HD ou SD. A S&W é representada no Brasil pela Tacnet, do Rio de Janeiro. www.snellwilcox.com

Sem compressão no Final Cut A AJA Video Systems apresentou o Io, o primeiro equipamento FireWire de captura de vídeo sem compressão e em tempo real para o Final Cut Pro 4. O produto trabalha com vídeo analógico componente e composto e vídeo digital SDI, além de áudio analógico e digital com entradas ópticas e para equipamentos de controle RS-422. O Io pode ser usado com Power PCs G4 ou Power­ Books G4 e ainda ser montado no mesmo rack dos Xserve e Xserve RAID, da Apple. www.aja.com

Fotos: Divul­ga­ção e Arquivo (Discreet, Leitch e Tandberg)


Encoder Windows Media 9

Substituto à fita

Um dos lançamentos mais originais da Tandberg para a NAB 2003 foi um encoder na plataforma Windows Media 9. Na realidade trata-se de um modelo já existente da empresa ao qual foi adicio­ nado o Media 9, que supera o MPEG-2 e está em estágio mais avançado de evolução que o MPEG-4, explica Carlos Capellão, da Phase, representante da Tandberg no Brasil. A empresa apresentou também o novo encoder MPEG-2 para HDTV E5780, desen­ volvido a partir da plataforma do E5720, ou seja, os encoders E5720 podem fazer um upgrade de SD para HDTV com a troca de um módulo. O E5780 oferece taxas de transmissão de até 90 Mbps. Entre as novidades da empresa estão também uma nova placa para o fly away Voyager E5740 que permite transmitir, juntamente com a imagem, canais de voz (telefone) e dados. www.tandbergtv.com

A Laird Telemedia levou para a NAB o Cap­ Div. Trata-se de um gravador miniatura de vídeo DV em disco rígido. Como ele, através da porta FireWire, pode-se gravar o conteúdo captado em camcorders DV diretamente no disco rígido, poupando o tempo de captura de conteúdo pela ilha de edição. O equipa­ mento pode ser usado como um VTR, graças a um painel com controles de reprodução, gravação e pause, ou como um HD comum. Quando usado como VTR, o CapDiv; grava o conteúdo em formato DV, quando usado como HDD, faz uma conversão automática

para o formato AVI. Acompanha o produto um pacote com carrega­ dor e bateria com capacidade de seis horas de trabalho, além de cabos FireWire com terminal para quatro e seis pinos. O gravador portátil custa nos EUA US$ 1.295, na versão com 40 Gb (para 3,3 horas de gravação) e US$ 1.595 na versão 60 Gb (para 4,5 horas de gravação). www.lairdtelemedia.com

Asset management O lançamento da BBC Technology para a NAB deste ano foi o gerenciador de conteúdo e fluxo de trabalho Colledia. A empresa traz ao mercado quatro diferentes versões da solução, todas baseadas na plataforma Colledia Workflow. São elas a Colledia for Sports, Colledia for News, Colledia for Production e a Colledia Control, antes comercializada como Broadcast Network Control System (BNCS). Os produtos são voltados para os mercados de broadcast, grandes produtoras e outros segmentos que manipulem grandes volumes de conteúdo audiovisual. Todos trabalham com formatos e padrões difundidos no mercado, como AAF, MOS, SMEF, SNMP, MXF e MPEG. www.bbctechnology.com

Microondas digital A BMS apresentou na feira seu sistema de microondas digital com modulação COFDM, usado pela Globo na transmissão do último Carna­ val, que agora teve seu custo reduzido, segundo a Tacnet, distribuidora do equipamento no Brasil. O sistema é composto por um frame de 1 RU que pode ter de um a quatro encoders MPEG-2, mais um modulador e um multiplexador. www.bms-inc.com

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maio de 2003

Revival em plataforma Generation Q

A Quantel e a Da Vinci anunciaram durante a NAB que o sistema de restauração de filmes Revival agora trabalhará nas ilhas Generation Q (iQ e eQ). O Revival, da Da Vinci, usa algoritmos para identificar e remover defeitos como riscos, poeira, bolor etc. Agora a solução pode buscar o material a ser restaurado diretamente do ambiente Generation Q, fazer as alterações e devolver os frames ao espaço de trabalho Quantel. Além do anúncio conjunto, a Da Vinci também divulgou que já está distribuindo o Revival Color Correction. Trata-se de uma ferramenta opcional que dá ao Revival a possibilidade de fazer correções na degradação de cores decorrente da idade e manuseio e arma­ zenamento mal-feitos. O Revival Color Correction é compatível com qualquer resolução, podendo trabalhar em SD e HD ou mesmo com dados. www.davsys.com www.quantel.com


o

N達o disponivel


evento

O começo do estrelas da nab 2003, Discos ópticos,

C

16 tela viva maio de 2003

Com a TV digi­tal avan­çan­do ainda em banho-maria nos EUA, a maior novi­da­de da NAB 2003 aca­bou fican­do com sis­te­mas que apon­tam uma nova ten­dên­cia em cap­ta­ ção e edi­ção de mate­rial. Em comum, todos impli­cam em algum momen­to na apo­sen­ta­do­ria das fitas mag­né­ti­cas, uti­li­za­das desde o sur­gi­men­to dos pri­mei­ros video­ta­pes na déca­da de 50. A Sony foi a cam­peã do baru­lho, com o lan­ça­men­to de sua linha de câme­ras e VTs basea­dos na gra­va­ção em dis­cos ópti­cos com tec­no­lo­gia de laser azul (Blue Ray). As duas cam­cor­ders e três VTs da nova famí­lia gra­vam e lêem as infor­ma­ções de vídeo digi­tal em dis­cos ópti­cos acon­di­cio­na­dos em car­tu­chos espe­ciais de alta resis­tên­cia. Cada disco tem capa­ci­da­de de arma­ze­nar 23 Gb de infor­ma­ ção, ou 90 minu­tos de vídeo digi­tal, e pode ser reu­ti­li­za­do cerca de mil vezes. O custo esti­ma­do da mídia gira em torno de US$ 30 e sua dura­ção é cal­cu­la­da em mais de 30 anos pelo fabri­can­te. Entre as van­ta­gens da nova tec­no­lo­gia apon­ta­das pela Sony, a mais impor­tan­te rela­cio­na­da pelo vice-pre­si­den­ te ­ sênior da área de broad­cast da Sony, Ste­phen ­ Jacobs, duran­te apre­sen­ta­ção na feira, é a eco­no­mia gera­da na hora da edi­ção/pós-pro­du­ção do mate­rial. Isto por­que, além de o mate­rial já estar total­men­te digi­ta­li­za­do, o aces­ so às diver­sas toma­das gra­va­das é não-­linear, ou seja, não é neces­sá­rio pro­cu­rar as cenas na fita, como nos sis­te­mas ­atuais. Pode-se esco­lher e aces­sar ime­dia­ta­men­te qual­quer cena atra­vés de um menu, como se faz, por exem­plo, em um DVD. Além disso, o mate­rial pode ser trans­mi­ti­do para ­ outros equi­pa­men­tos a uma velo­ci­da­de de até 50 vezes o tempo real. Assim, um vídeo de cinco minu­tos

cartões de gravação e HDs acopláveis prometem substituir o cassete com vantagens. confira também as novidades da maior feira de broadcast do mundo. pode ser trans­fe­ri­do em pra­ti­ca­men­te cinco segun­dos. Com a infor­ma­ção de vídeo ­seguem tam­bém os meta­da­dos, infor­ma­ções diver­sas sobre o momen­to e as con­di­ções da cap­ta­ção, que fun­cio­nam como um inde­xa­dor do con­teú­do arma­ze­na­do, aju­dan­do mais ainda em sua loca­li­za­ção e no seu pro­ces­sa­men­to.

Luiz Padilha, da Sony, anunciou um acordo com a TV Record envolvendo a aquisição de equipamentos com a novíssima tecnologia de discos ópticos, além de uma série de equipamentos em fitas da linha IMX e monitores. A rede brasileira comprou 17 camcorders e 28 VTRs. No detalhe, camcorder com entrada para disco.


andré­mermelstein | fer­nan­do­lau­ter­jung

fim da fita

Esta­do sóli­do A Pana­so­nic, por sua vez, anun­ciou estar desen­vol­ven­do um novo sis­te­ma de gra­ va­ção basea­do em chips de memó­ria. O anún­cio, cla­ra­men­te em res­pos­ta ao

Sundeep Jinsi, da Grass Valley/ Thomson brinca com modelo do novo M-Series. O gravador tem a interface de um VT comum, mas conta com quatro canais independentes. O detalhe é o controle total pela tela touch screen. O M-Series grava em qualquer formato de vídeo e funciona com qualquer mídia removível, de CD a cartões flash.

de Las Vegas andre@tela­vi­va.com.br fer­nan­do@tela­vi­va.com.br

lan­ça­men­to da nova mídia da Sony, acon­ te­ceu em entre­vis­ta reser­va­da e após o fecha­men­to da feira. A empre­sa diz estar desen­vol­ven­do uma linha de pro­du­tos com gra­va­ção basea­da em car­tões de memó­ria tipo Flash, com pre­vi­são de lan­ ça­men­to para a pró­xi­ma NAB, em 2004. A tec­no­lo­gia con­sis­te em jun­tar qua­tro car­tões de memó­ria SD (Secu­re Digi­tal) em um car­tão ­ PCMCIA, que é usado como mídia de gra­va­ção em câme­ras e decks (ou lap­tops). A gra­va­ção em car­tões de memó­ria traz algu­mas van­ta­gens, como maior velo­ci­da­de no aces­so e na trans­fe­rên­cia de con­teú­do, dura­bi­li­da­de, eco­no­mia de ener­gia e menor manu­ten­ção, já que não são neces­sá­rios dis­po­si­ti­vos mecâ­ni­cos para con­tro­lar a mídia. Con­tu­do, a capa­ci­ da­de des­ses car­tões ainda é rela­ti­va­men­te peque­na. Atual­men­te, o car­tão SD com maior capa­ci­da­de no mer­ca­do conta com 512 Mb, tota­li­zan­do 2 Gb para o car­tão com­ple­to pro­pos­to pela fabri­can­te japo­ ne­sa. Segun­do a Pana­so­nic, atual­men­te já é pos­sí­vel fazer car­tões SD de 1 Gb, o que daria a cada car­tão ­PCMCIA uma capa­ci­da­de para gra­va­ção de 18 minu­tos de mate­rial ­DVCPro ou nove minu­tos de mate­rial ­DVCPro 50.

A Pana­so­nic defen­de que o preço da mídia SD dimi­nui rapi­da­men­te, na mesma pro­por­ção em que sua capa­ci­ da­de de arma­ze­na­men­to aumen­ta. Isso por­que esse tipo de mídia é muito usado em pro­du­tos como câme­ras foto­grá­fi­cas digi­tais e repro­du­to­res de músi­ca digi­t

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Takashi Ishii, da Panasonic, demonstra a nova tecnologia de gravação em cartões PCMCIA. O cartão é inserido diretamente no laptop para edição. No detalhe, protótipos de decks de gravação e reprodução.


t­ al. Com isso, segun­do a fabri­can­te, 900 ­linhas em for­ma­to 4:3. Outra novi­ o preço de lan­ça­men­to das ­ mídias da­de é a incor­po­ra­ção de um lei­tor de deve ser baixo e sua evo­lu­ção (no ­Memory Stick, que per­mi­te a gra­va­ção que diz res­pei­to à capa­ci­da­de) já dos set­tings da câme­ra e até o trans­ esta­ria garan­ti­da. A empre­sa espe­ra por­te de set­tings para outra uni­da­de. que em 2006, por exem­plo, já exis­ Outro lan­ça­men­to é a câme­ra de alta tam car­tões SD de 16 Gb. defi­ni­ção para estú­dio HDC-910, com Usan­do uma câme­ra AGsen­si­bi­li­da­de de F10 em 2000 lux. DVX100, os enge­nhei­ros da Acom­pa­nham o lan­ça­men­to os novos Pana­so­nic gra­va­ram um vídeo da pla­yers HDTV J ­ Series (JH1 e JH3), entre­vis­ta cole­ti­va em car­tões de ambos com cone­xão i.Link (IEEE memó­ria, demons­tran­do o resul­ta­ Carlos Capellão, da Phase, e uma das câmeras 1394). Os pla­yers têm saí­das nos for­ do para os jor­na­lis­tas ao final da Ikegami lançadas na NAB. ma­tos HD-SDI, SDI e XGA, po­den­do reu­nião. Além disso, a empre­sa A HD60W tem CCD AIT, equivalente ao ser liga­dos a um mo­ni­tor de com­pu­ta­ mos­trou ­ alguns pro­tó­ti­pos. Entre FIT mas com preço menor, e relação dor. Am­bos têm ca­pa­­ci­da­de de fazer eles, esta­vam uma câme­ra para o S/N de 67 dB. A empresa lançou também a 3-2 pull down incor­po­ra­da e cus­tam públi­co ama­dor; uma câme­ra para HDK79EX, câmera HD compacta e US$ 12,2 mil (JH1) e US$ 22 mil (JH3, ENG, com cinco por­tas para car­ de baixo consumo. que tam­bém tra­ba­lha em 24P). tões ­ PCMCIA; e dois mode­los de Tam­bém foi apre­sen­ta­da a nova pla­yers/gra­va­do­res. linha HDCam SR, VTRs mul­ti­for­ma­to Outra tec­no­lo­gia, que não é nova, tam­bém fez pre­sen­ça de alta reso­lu­ção que podem gra­var tanto em 4:4:4 quan­to em na NAB e se mos­tra como alter­na­ti­va à fita, prin­ci­pal­men­te 4:2:2. Os pla­yers repro­du­zem HDCam com data rate de 440 à medi­da que a capa­ci­da­de de arma­ze­na­men­to aumen­ta e os Mbps em MPEG-4 e com­pres­são 2,7:1. O sis­te­ma usa uma nova cus­tos caem: a gra­va­ção em hard disks (HDs) aco­pla­dos dire­ fita da Sony, a SRW-5000, que grava até 150 minu­tos (gran­de) ta­men­te às cam­cor­ders. No estan­de da JVC podia-se ver uma ou 50 minu­tos (peque­na) em 24P ou 124 minu­tos (gran­de) câme­ra G4-DV500 com um disco Fires­to­re aco­pla­do, que e 40 minu­tos (peque­na) em 60i. Tam­bém foi apre­sen­ta­do o pode ser de 20 Gb ou 40 Gb, garan­tin­do 90 ou 180 minu­tos SRW-1, gra­va­dor de campo com capa­ci­da­de de dual link, ou de gra­va­ção, res­pec­ti­va­men­te. seja, gra­va­ção em dois ­canais simul­tâ­neos, que pode ser usado As mudan­ças não ficam res­tri­tas às câme­ras. No arma­ze­na­ por exem­plo para fil­ma­gens em 3D. men­to, geren­cia­men­to e repro­du­ção de mate­rial a ten­dên­cia se Na linha de câme­ras para cine­ma digi­tal, a famí­lia CineAl­ta con­fir­ma. Um bom exem­plo é o M-­Series, da Grass Val­ley, um ganha a HDC F-950, que per­mi­te cap­ta­ção em 4:4:4 com ­padrão ser­vi­dor que fun­cio­na como um VT (aliás qua­tro, por­que geren­ MPEG-4. A câme­ra, de ape­nas 6,5 kg, é liga­da por fibra ópti­ca à cia qua­tro ­ canais simul­tâ­neos), e pode ser usado para edi­ção, CCU ou a um VT ou disco de gra­va­ção. Em ter­mos de qua­li­da­de gra­va­ção e repro­du­ção dire­ta­men­te do disco rígi­do. foto­grá­fi­ca, a F-950 melho­rou sua lati­tu­de em um stop em modo ­Nenhum fabri­can­te se arris­ca a pro­gres­si­vo e ­ ganhou um sis­te­ma de pre­ver o fim das ­velhas fitas mag­né­ simu­la­ção de curva de gamma. O custo ti­cas. E nem podem, pois o par­que esti­ma­do do equi­pa­men­to é de US$ tec­no­ló­gi­co e o acer­vo já implan­ta­ 100 mil (cabe­ça) e US$ 45 mil (CCU), dos ainda per­du­ra­rão por déca­das. com dis­po­ni­bi­li­da­de ape­nas no segun­do Prova é que ­nenhum deles ­ sequer semes­tre. Tam­bém foi lan­ça­da uma ver­ cogi­ta parar de fabri­car equi­pa­men­ são sem o view fin­der, um pouco mais tos basea­dos em tapes. Mas o dis­pa­ bara­ta. ro foi dado, e as novas tec­no­lo­gias devem come­çar a ­ ganhar o campo TV digital em pouco tempo a par­tir de agora. Mesmo com desem­pe­nho abai­xo do espe­ra­do nos EUA, A JVC apresentou a Lançamentos a TV digi­tal ainda foi um tema Além do disco ópti­co, a Sony apre­ camcorder HDTV com gravação quen­te na NAB deste ano. sen­tou na NAB uma gama de novos em Mini DV Mode­los de negó­cios, tec­no­lo­gias e pro­du­tos A nova cam­cor­der DXC- (no detalhe). Compacta, sai por menos inte­ra­ti­vi­da­de esta­vam em pauta em D50 veio para subs­ti­tuir a DXC- de US$ 4 mil, conta Sady Ros, da Las Vegas. D35. O ­design foi pen­sa­do para dar Tecnovídeo. A nova linha G4-DV5000 (foto maior) No tra­di­cio­nal even­to de café da mais equi­lí­brio ao equi­pa­men­to, faci­ trabalha com Mini DV e manhã da SET na NAB, o SET e Trin­ li­tan­do o tra­ba­lho dos came­ra­men. DV standard e pode ser acoplada a ta, ­alguns broad­cas­ters inter­na­cio­nais A câme­ra tem CCD de 1 Mpi­xel com um HDD que vai direto à edição. dis­cu­ti­ram a TV digi­tal no mundo.

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Joe Fla­herty, da CBS, disse acre­di­tar que o adven­to do cine­ma digi­tal é revo­lu­cio­ ná­rio para os broad­cas­ters. Para Fla­herty, a pro­je­ção digi­tal de cine­ma dá um fim ao “mono­pó­lio da indús­tria cine­ma­to­grá­ fi­ca” e traz uma nova opor­tu­ni­da­de de negó­cios para os radio­di­fu­so­res. Segun­do ele, quan­do uma sala de pro­je­ção ins­ta­la um pro­je­tor digi­tal, a sala passa a ter uma série de novas apli­ca­ções, como pro­je­ção de even­tos espor­ti­vos. Outra opor­tu­ni­da­de vis­lum­bra­da por Fla­herty para os radio­di­ fu­so­res é a dis­tri­bui­ção de comer­ciais para as salas de cine­ma, que, segun­do ele, vei­cu­ lam mate­rial de qua­li­da­de ruim por causa da dete­rio­ra­ção da pelí­cu­la. Quan­to à esco­lha de um ­ padrão de TV digi­tal, Fla­herty acre­di­ta que o mais impor­tan­te é não demo­rar na esco­lha. Segun­do ele, os fabri­can­tes não estão mais inves­tin­do em desen­vol­vi­men­to de equi­pa­ men­tos ana­ló­gi­cos e nem mesmo digi­tais em defi­ni­ção stan­dard, tor­nan­do ultra­pas­ sa­da qual­quer atua­li­za­ção das redes ainda ana­ló­gi­cas. “Entre todos os ­ padrões, meu con­se­lho é que vocês esco­lham qual­quer

Futuro: na Leitch, protótipo, não disponível comercialmente, de switcher controlado por uma tela touch screen, em lugar da botoneira convencional (esq.). Na Panasonic, sistema que controla todos os dispositivos de mídia dentro de uma residência (dir.). Os terminais acessam todo o conteúdo de um servidor central.

um logo”, brin­cou o vete­ra­no da CBS com os enge­nhei­ros bra­si­lei­ros pre­sen­tes ao even­to da SET. Sobre a inte­ra­ti­vi­da­de na TV, Hugo Gag­gio­ne, da Sony, disse não se tra­tar de uma “kil­ler appli­ca­tion”. Segun­do ele, a maio­ria das pes­soas está mais inte­res­sa­da em rece­ber infor­ma­ções pas­si­va­men­te e a inte­ra­ti­vi­da­de só é inte­res­san­te para as novas gera­ções. Mesmo para os mais

j­ ovens, Gag­gio­ne não vê uma manei­ra de ­lucrar com a inte­ra­ti­vi­da­de. “Não é pos­sí­ vel trans­mi­tir jogos tão bons quan­to os dos video­ga­mes e não há como colo­car publi­ci­ da­de no meio de um jogo”. Peter Smith, da NBC, con­cor­dou. De acor­do com ele, por enquan­to, a prin­ci­pal atra­ção da TV digi­tal é mesmo a alta defi­ni­ção. “Exis­tem novas apli­ca­ções a serem explo­ra­das, mas o que leva as pes­soas a subs­ti­tuí­rem seus

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tele­vi­so­res é o HDTV”, argu­ men­ta.

9 de uma emis­so­ra de Las Vegas, usan­do o ­ padrão ATSC, e ainda via saté­li­te, com o ­ padrão DVB. Tec­no­lo­gias Além disso, uma van cir­cu­lou No deba­te “TV Digi­tal no pela cida­de rece­ben­do o sinal Mundo”, duran­te o con­gres­so WM9, usan­do a modu­la­ção VSB, da NAB, Jus­tin Mit­chell, da do ATSC. rede bri­tâ­ni­ca BBC, apre­sen­ Já o con­sór­cio DVB anun­ciou tou o con­cei­to tec­no­ló­gi­co de no even­to que as apli­ca­ções de recep­ção diver­si­fi­ca­da. Segun­ inte­ra­ti­vi­da­de para TV desen­vol­ do ele, tes­tes na Ingla­ter­ra vi­das no ­ padrão MHP serão uni­ mos­tram que, ao se usar duas ver­sais. O que acon­te­ce, segun­do ou mais ante­nas no mesmo Peter MacA­vock, dire­tor exe­cu­ apa­re­lho recep­tor, pode-se ter Roberto Franco, presidente da SET; Carmen ti­vo do DVB, é que o con­sór­cio um ganho de 3 dB, em média, González-Sanfeliu, da PanAmSat; Francisco Perrota, euro­peu e o Cable­Labs, que defi­ne na qua­li­da­de do sinal. Com da Star One; e Liliana Nakonechnyj, os ­padrões para TV por assi­na­tu­ra isso, os pro­ble­mas de mul­ti­ da Rede Globo, durante os debates sobre digi­tal nos EUA, desen­vol­ve­ram per­cur­so são redu­zi­dos, sendo a TV digital no SET eTrinta. em con­jun­to a espe­ci­fi­ca­ção GEM pos­sí­vel ter uma recep­ção per­ (Glo­bally Exe­cu­ta­ble MHP), para fei­ta mesmo em áreas que não ser usada pela indús­tria de TV rece­bam o sinal dire­to de uma ante­na de trans­mis­são. O a cabo. Segun­do MacA­vock, o Cable­Labs e o ATSC estão que acon­te­ce é que cada uma das ante­nas recep­to­ras pode tra­ba­lhan­do para que as espe­ci­fi­ca­ções para apli­ca­ções pegar ­ sinais fra­cos de um mesmo canal que foram refle­ti­ inte­ra­ti­vas para a TV a cabo e TV aber­ta ter­res­tre sejam dos em dife­ren­tes obs­tá­cu­los (pré­dios, aci­den­tes geo­grá­fi­ com­pa­tí­veis e, ainda de acor­do com o exe­cu­ti­vo do DVB, cos etc.), sendo que o recei­ver se encar­re­ga de unir todas todo o tra­ba­lho está sendo desen­vol­vi­do a par­tir do GEM. as recep­ções. Os tes­tes da BBC foram fei­tos usan­do duas Dessa manei­ra, os apli­ca­ti­vos MHP tam­bém fun­cio­na­riam ante­nas ins­ta­la­das a uma dis­tân­cia de cerca de 1,5 metro no ­padrão de TV digi­tal ATSC. uma da outra. De acor­do com Mit­chell, isso enca­re­ce­ria em MacA­vock afir­mou ainda que o Dibeg, que defi­ne o cerca de US$ 15 o set-top box. ­padrão japo­nês ISDB, tam­bém optou por dar supor­te ao Uma demons­tra­ção inte­res­san­te foi a da trans­mis­são MHP. “Assim, será pos­sí­vel escre­ver apli­ca­ti­vos inte­ra­ti­ móvel e fixa feita pela Micro­soft. Recep­to­res ins­ta­la­dos vos para rodar em qual­quer um dos sis­te­mas dis­po­ní­veis no estan­de da empre­sa rece­biam o sinal Win­dows Media atual­men­te”, garan­te MacA­vock.

A nova geração da Avid

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A Avid apre­sen­tou na NAB uma nova famí­lia de solu­ções de edi­ção. Não se trata ape­nas de novos pro­du­tos, mas da refor­mu­la­ção de toda a linha Avid. Todos os pro­du­tos par­tem de um mesmo prin­cí­pio: são solu­ções basea­ das em hard­wa­re com soft­wa­re esca­lá­ vel. Usan­do com­pu­ta­do­res difun­di­dos no mer­ca­do (tanto PC quan­to Mac), a nova famí­lia conta com um hard­wa­re pro­prie­tá­rio exter­no res­pon­sá­vel por garan­tir uma boa per­for­man­ce em pro­ ces­sa­men­to de áudio e vídeo. Cha­ma­da de DNA (Digi­tal Non­linear Acce­le­ra­tor), a nova famí­lia de pro­du­tos, segun­do o pre­si­den­te e CEO

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da empre­sa, David Krall, marca “um novo capí­tu­lo na his­tó­ria da Avid”. Foi a manei­ra encon­tra­da pela empre­sa para garan­tir que suas solu­ções tra­ ba­lhem em tempo real, qual­quer que seja o com­pu­ta­dor usado como esta­ção grá­fi­ca. Trata-se de uma série de equi­ pa­men­tos, cada um vol­ta­do para dife­ ren­tes solu­ções da Avid, que tra­ba­lham conec­ta­dos à porta Fire­Wi­re (IEEE 1394) das esta­ções grá­fi­cas. Assim, ainda são usa­dos os dis­cos-rígi­dos e remo­ví­veis e os pro­ces­sa­do­res das esta­ ções grá­fi­cas, além das pla­cas de áudio e vídeo. Somen­te as entra­das e saí­das de áudio e vídeo ficam loca­li­za­das nos

equi­pa­men­tos DNA. Foram apre­sen­ta­dos os três pri­mei­ ros pro­du­tos DNA, que come­çam a ser comer­cia­li­za­dos neste mês de maio. O pri­mei­ro deles é o ­ XPress Pro Mojo, que roda tanto em Mac quan­to em PC e usa como supor­te o hard­wa­re Mojo, que pode ou não ser usado. Vol­ta­do para o mer­ca­do semi­pro­fis­sio­nal e pro­fis­sio­nal de baixo custo, a solu­ção veio para bater de fren­te com o Final Cut Pro, da Apple, que vem toman­do espa­ço nesse mer­ca­do. O soft­wa­re tra­ba­lha ape­nas com mate­rial DV e o equi­pa­men­to conta com entra­das e saí­das para vídeo ana­ló­gi­co e é res­pon­


sá­vel pelo pro­ces­sa­men­to. Além disso, é por­tá­til (um pouco menor que um note­ book) e pode ser usado tanto em lap­tops quan­to em des­ktops. O soft­wa­re traz como novi­da­des um cor­re­tor auto­má­ti­co de cores, tam­bém usado nos ­ outros lan­ça­men­tos da Avid; supor­te à câme­ra AG-DVX100 da Pana­ so­nic, que grava em 24p; e um paco­te de plug-ins e soft­wa­res de ter­cei­ros, como Digi­de­sign e Boris. A solu­ção tem preço suge­ri­do nos EUA de US$ 1,695 mil para o soft­wa­re, e o mesmo preço para o hard­wa­re. A dife­ren­ça de usar o ­XPress Pro sem o Mojo é que ape­nas o pre­view é em tempo real.

Fotos: Arquivo Tela Viva e divulgação (Avid)

Adre­na­li­ne Outra novi­da­de apre­sen­ta­da pela Avid foi o novo Media Com­po­ser Adre­na­li­ne, que roda tanto em Mac quan­to PC e usa como supor­te o hard­wa­re Adre­na­li­ne,

O novo sistema de edição e finalização Media Composer Adrenaline, que roda em PC e Mac, e terá ainda um upgrade para trabalhar em HDTV.

que garan­te o pro­ces­sa­men­to em tempo real de áudio e vídeo, incluin­do 3D. A solu­ção de edi­ção e com­po­si­ção tra­ba­lha com até cinco ­ streams de vídeo em SD (stan­dard defi­ni­tion) ou oito ­ streams na reso­lu­ção draft. Além disso, pode ser expan­di­do para tra­ba­lhar em HD, bas­tan­do fazer um upgra­de no equi­pa­ men­to (ainda não dis­po­ní­vel). O soft­wa­re agora conta com um cor­re­tor de cores seme­lhan­te ao do ­Symphony, ren­de­ri­za­ção para tran­si­ ções tri­di­men­sio­nais em tempo real e pode tra­ba­lhar com dife­ren­tes reso­lu­ ções e for­ma­tos no mesmo time­li­ne. O dire­tor de negó­cios da Cross­point, Celso Pen­tea­do, espe­ra que essa seja a solu­ção mais comer­cia­li­za­da no Bra­sil. “É a solu­ção mais ade­qua­da à maio­ ria das emis­so­ras e pro­du­to­ras e até para fina­li­za­do­ras, onde pode ser usado como um sis­te­ma off-line.” O preço suge­ri­do nos EUA do paco­te inte­gra­ do, com­pos­to por uma esta­ção grá­fi­ca, soft­wa­re e o hard­wa­re Adre­na­li­ne, é de US$ 50 mil. DS ­Nitris Com pre­vi­são para dis­tri­bui­ção para setem­bro deste ano, a Avid demons­trou o tam­bém pro­du­to DNA vol­ta­do para o mer­ca­do de fina­li­za­do­ras e pós-pro­du­to­ ras: o Avid DS ­Nitris. Rodan­do ape­nas em PC, a solu­ção usa como supor­te o hard­wa­re ­Nitris (que, segun­do a empre­ sa, tem capa­ci­da­de de pro­ces­sa­men­to equi­va­len­te à de 30 pro­ces­sa­do­res Pen­ tium 4). Este é o único pro­du­to da famí­

O sistema de edição DV de baixo custo Xpress Pro, quando usado com o hardware proprietário Mojo (foto), pode editar e dar saída em tempo real.

lia DNA que não usa a placa Fire­Wi­re para con­ver­sar com a esta­ção, exi­gin­do uma placa pro­prie­tá­ria para exer­cer esta fun­ção. A solu­ção, que já sai de fábri­ca com supor­te para vídeo HD, edita e fina­li­za vídeo 10 bits em alta defi­ni­ção e sem com­pres­são, poden­do fazer dois ­streams de vídeo HD simul­ta­nea­men­te ou oito ­ streams de vídeo SD, sem­pre sem com­pres­são. Além disso, con­ver­sa com o Media Com­po­ser. Segun­do Celso Pen­tea­do, a Avid deve fazer em mea­dos do ano um even­ to para demons­trar o Avid DS ­Nitris no Bra­sil. O preço suge­ri­do nos EUA é de US$ 145 mil.

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Qua­li­da­de Como as emis­so­ras públi­cas e edu­ca­ti­vas sele­cio­nam os pro­je­tos inde­pen­den­tes que vão ao ar.

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Pro­du­ção inde­pen­den­te para tele­vi­são no Bra­sil não somos obri­ga­dos a recor­ é mais um “bicho estra­nho”. Mais e mais se vê as rer à pro­du­ção inde­pen­ emis­so­ras comer­ciais abrin­do suas por­tas para pro­ den­te, que é menos vicia­ gra­mas fei­tos “fora de casa”, sejam co-pro­du­ções ou da”, com­ple­ta. pro­gra­mas pron­tos. “Duran­te todo o tempo em que “Damos um espa­ço à tra­ba­lhei tanto em TVs públi­cas quan­to comer­ciais pro­du­ção nacio­nal que não exis­te nas emis­so­ras sem­pre houve pro­du­ção inde­pen­den­te. E essa pro­du­ comer­ciais”, conta Mar­ti­nez. “Exi­bi­mos fil­mes bra­si­ ção vem evo­luin­do, hoje há um gran­de núme­ro de lei­ros no ‘Cine ­Brasil’, tive­mos o pro­gra­ma ‘PICTV’, bons pro­du­to­res”, conta Beth Car­mo­na, que assu­miu que co-pro­du­ziu diver­sos fil­mes, exi­bi­mos cur­tas há cerca de três meses a pre­si­dên­cia da Acerp, orga­ nacio­nais no ‘Zoom’ e temos diver­sos pro­gra­mas de ni­za­ção man­te­ne­do­ra da TVE e da rádio do MEC. linha fei­tos por inde­pen­den­tes”, afir­ma. Idar­ni Mar­ti­nez, chefe do depar­ta­ A STV - Rede Ses­cSe­nac de Tele­vi­ men­to de pro­gra­ma­ção da TV Cul­tu­ são pro­cu­ra tra­ba­lhar como “um canal ra, con­cor­da: “O rela­cio­na­men­to da difu­sor do que acon­te­ce no mer­ca­do, TV com os pro­du­to­res nacio­nais é ao mesmo tempo em que ajuda a via­ maior que no pas­sa­do, e acho que vai bi­li­zar pro­je­tos”, segun­do o dire­tor aumen­tar ainda mais”. de pro­gra­ma­ção Rob­son Morei­ra. A Neste momen­to, vale a pena rede, mesmo com um orça­men­to redu­ conhe­cer ­ melhor a expe­riên­cia dos zi­do, vei­cu­la um docu­men­tá­rio iné­di­to que há mais tempo, e de forma mais por sema­na. A maio­ria é pro­du­ção inten­sa, lidam com o mer­ca­do inde­ inde­pen­den­te e, em ­ alguns casos, copen­den­te e, prin­ci­pal­men­te, vei­cu­ pro­du­ção com a TV Cul­tu­ra. “Até o lam esta pro­du­ção: as TVs públi­cas e ano 2000, nós tínha­mos um ­núcleo de cará­ter edu­ca­ti­vo. de pro­du­ção de docu­men­tá­rios. Mas o “As emis­so­ras públi­cas e edu­ca­ custo de uma estru­tu­ra fixa era muito ti­vas têm uma voca­ção, faz parte da alto”, conta Morei­ra. sua mis­são desen­vol­ver o mer­ca­do, Beth Carmona: “Os A NGT, emis­so­ra edu­ca­ti­va que tanto na for­ma­ção de gente quan­to na pro­gra­mas têm que ser ade­ está sendo mon­ta­da em São Paulo (leia aber­tu­ra para novos for­ma­tos, novas qua­dos à filo­so­fia da emis­so­ maté­ria à pág. 28), deve inau­gu­rar sua ­idéias”, expli­ca Beth Car­mo­na. “Para ra e têm que com­por com a pro­gra­ma­ção no segun­do semes­tre com bus­car mais varie­da­de, mais ousa­dia, nossa grade”. 16 horas diá­rias, pro­du­zin­do ini­cial­ Foto: Arquivo


ter­cei­ri­za­da

men­te a maior parte de seu con­teú­do, expli­ca o dire­tor geral, Ricar­do Ran­­gel. “Mas no fu­tu­ro tere­mos tam­bém pro­­ du­ções inde­pen­­den­tes”, diz. “Es­ta­mos aber­tos a rece­ber as pro­pos­tas. Todo pro­je­to bem mon­­ta­do é bem-vindo, desde que res­pei­te nosso con­cei­to, de pro­gra­ma­ção sem vio­lên­cia, vol­ta­da à famí­lia”, com­ple­ta. Com­pa­ti­bi­li­da­de Mas essa aber­tu­ra não se dá de qual­ quer forma. “Os pro­gra­mas têm que ser ade­qua­dos à filo­so­fia da emis­so­ ra e têm que com­por com a nossa grade”, diz Beth Car­mo­na. Ade­qua­ção pare­ce ser a pala­vrachave. As emis­so­ras e os ­ canais de TV paga rece­bem deze­nas de pro­je­tos por mês, ­alguns bem for­ma­ta­dos, com pilo­tos ou até pro­gra­mas com­ple­tos, ­ou­tros ape­nas no pa­pel ou nem isso. “Antes de mais nada, o pro­gra­ma

A TV Cultura tem vários programas independentes de linha, como “Expedições” e “Saúde Brasil”.

tem que ser foca­do na linha da TV. Se ­ alguém qui­ser tra­zer um ‘The Most Ama­zing ­Videos’ é ­melhor nem vir”, afir­ma Mar­ti­nez. “Fora isso, não exis­te res­tri­ção”, com­ple­ta. Mas ele expli­ca que ­ alguns cri­té­rios são impor­tan­tes, como por exem­plo o pro­gra­ma não con­cor­rer com ­ outros que já exis­tam na grade. Ele diz tam­ bém que quan­to mais defi­ni­do o pro­ je­to, maio­res as chan­ces de exi­bi­ção. “Tem gente que chega só com a idéia, é difí­cil ava­liar.” É claro que tra­zer o pro­je­to já com uma pro­pos­ta de patro­ cí­nio tam­bém ajuda.

Beth Car­mo­na expli­ca que a pro­ du­ção inde­pen­den­te entra de forma com­ple­men­tar na grade, suprin­do um con­teú­do que falta na pro­gra­ma­ção. “Não adian­ta me tra­ze­rem dez pro­gra­ mas sobre meio-ambien­te”, exem­pli­fi­ ca. “Não somos uma mera dis­tri­bui­do­ra de con­teú­do. Temos uma grade, uma linha, e os pro­gra­mas que exi­bi­mos têm que se ade­quar a ela”, com­ple­ta. E tam­ bém avisa aos “pre­ten­den­tes” que não adian­ta ape­nas ter uma ótima idéia. “No míni­mo a pes­soa tem que man­dar um texto deta­lhan­do o pro­je­to”, diz. Mesmo assim, Beth conta que quase nunca um pro­gra­ma é usado do jeito que chega à TV, sem­pre são neces­sá­rias adap­ta­ções à lin­gua­gem da tele­vi­são. Mode­los As emis­so­ras são bom­bar­dea­das qua­ se dia­ria­men­te com ofer­tas de pro­gra­ mas, ­ alguns vin­dos até de pro­fis­sio­ nais da pró­pria TV. Mar­ti­nez expli­ca que há duas for­ mas de um pro­gra­ma ­entrar na grade. Há pro­je­tos que vêm de fora e são ofe­re­ci­dos à Cul­tu­ra e há temas que são pedi­dos pela dire­ção da TV e que o depar­ta­men­to de pro­gra­ma­ção tem que encon­trar no mer­ca­do. “Nesse caso a maio­ria das com­pras é feita no exte­rior. Não há no Bra­sil uma ofer­ta de pro­gra­ma­ção sobre natu­re­ za, por exem­plo, como a da BBC, que às vezes pre­ci­sa­mos. Ou pro­gra­mas sobre os gran­des mes­tres da pin­tu­ ra.” Nes­ses casos, reve­la, a TV acaba pagan­do até mais do que quan­do

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adqui­re uma pro­du­ção local, por ques­tões de mer­ca­do. Nem sem­pre a vei­cu­la­ção de pro­ gra­mas inde­pen­den­tes na TV envol­ ve a com­pra do mate­rial. Aliás, no caso das públi­cas, este mode­lo pare­ ce ser a exce­ção. O mais comum é haver acor­dos de co-pro­du­ção, per­ mu­ta e até “escam­bo”, na defi­ni­ção de ­alguns dire­to­res. A TV Cul­tu­ra, por exem­plo, abri­ ga em sua grade ­ vários pro­gra­mas inde­pen­den­tes de linha, ou seja, exi­ bi­dos em uma base regu­lar den­tro da grade, como o “Expe­di­ções”, da RW, de Paula Sal­da­nha e Rober­to Wer­ neck; “Cone­xão Rober­to ­ D’Ávila”, pro­du­zi­do pelo pró­prio apre­sen­ta­dor; e “Saúde Bra­sil”, da ­Águila. O acor­do da TV com cada um deles é dife­ren­te, expli­ca Idar­ni Mar­ti­nez. O “Saúde Bra­sil” já chega à TV com os cus­tos cober­tos por asso­cia­ ções médi­cas e empre­sas liga­das à área de saúde que patro­ci­nam o pro­ gra­ma. Já o “Cone­xão” fun­cio­na em um mode­lo de divi­são de recei­tas: Rober­to ­D’Ávila tem direi­to a comer­ cia­li­zar duas cotas de patro­cí­nio, e a TV tem ­outras duas. A Cul­tu­ra tam­ bém não desem­bol­sa nada por “Expe­ di­ções”, cuja via­bi­li­da­de é garan­ti­da pela pró­pria pro­du­to­ra, e a TV ainda tem a pos­si­bi­li­da­de de comer­cia­li­zar patro­cí­nios. “Tem gente que vem com um docu­ men­tá­rio pron­to. ­ Outras vezes é um

A NGT começa apenas com produção própria. “Mas estamos abertos a propostas” diz Ricardo Rangel. pro­je­to embrio­ná­rio que pre­ci­sa de nos­sas ima­gens de arqui­vo. Aí pode­ mos, por exem­plo, fazer uma per­mu­ta: cede­mos o mate­rial e ­ depois exi­bi­ mos o pro­gra­ma”, conta Mar­ti­nez. Em resu­mo, ele diz que pro­cu­ra sem­pre que pos­sí­vel evi­tar o desem­bol­so de “papel-moeda”, bus­can­do for­mas inte­ res­san­tes tanto para a TV quan­to para

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o pro­du­tor, que acaba tendo aces­so a recur­sos como estú­dios ou mate­rial de arqui­vo e ainda tem seu mate­rial exi­bi­ do. A Cul­tu­ra tam­bém apos­ta bas­tan­te nas co-pro­du­ções, que podem mui­tas vezes envol­ver o uso de ins­ta­la­ções da emis­so­ra, como estú­dios. Exem­plos de co-pro­du­ção são os pro­gra­mas “Arte e Mate­má­ti­ca” e “Gema Bra­sil”. Na TVE, expli­ca Beth Car­mo­na, tam­bém con­vi­vem ­ vários mode­los, de co-pro­du­ção a aqui­si­ção. Mas a diri­gen­te lem­bra que “nada é de graça, man­ter a TV no ar custa muito. Então mesmo um pro­gra­ma que chega para mim sem desem­bol­so tem um custo para ser vei­cu­la­do”. Segun­do Rob­son Morei­ra, a STV não cos­tu­ma fazer co-pro­du­ção, pois não tem inte­res­se em ­ lucrar na venda de con­teú­do para ­ outros ­canais ou ­outros meios de dis­tri­bui­ ção. “Faze­mos ques­tão ape­nas de ter a pri­mei­ra exi­bi­ção e man­ter a pro­du­ção no acer­vo da TV, para futu­ras exi­bi­ções. Mas não exi­gi­mos exclu­si­vi­da­de na vei­cu­la­ção do con­ teú­do”, expli­ca Morei­ra. Além disso, a rede tam­bém exige a pre­sen­ça de seu logo­ti­po nas pro­du­ções em que é par­cei­ra. No caso dos docu­men­tá­rios, Morei­ra diz que não cos­tu­ma enco­ men­dar tra­ba­lhos junto às pro­du­to­ ras. Todo o con­teú­do é sele­cio­na­do entre os pro­je­tos envia­dos para a rede por pro­du­to­res inde­pen­den­tes. Após a sele­ção, o canal estu­da de que manei­ra pode via­bi­li­zar cada docu­ men­tá­rio, o que varia para cada filme con­for­me o está­gio dos tra­ba­lhos de pro­du­ção. “Para docu­men­tá­rios pron­

tos, geral­men­te ape­nas com­pra­mos o direi­to de exi­bi­ção, em ­outros casos, opta­mos por virar par­cei­ros do pro­ je­to. Aí come­ça­mos a nego­ciar com os pro­du­to­res”, expli­ca o dire­tor de pro­gra­ma­ção. Na maio­ria dos casos, a rede entra como par­cei­ra finan­cian­do uma fase da pro­du­ção, como a fina­li­za­ção ou a cap­ta­ção, por exem­plo. Além disso, para pro­je­tos que ­ tenham um orça­ men­to “proi­bi­ti­vo”, mas que sejam de inte­res­se da rede, Morei­ra dá ao pro­du­tor uma carta de garan­tia de exi­bi­ção da pro­du­ção por parte do canal. “Com a carta em mãos, fica mais fácil para o pro­du­tor cap­tar

“Fazemos questão apenas de ter a primeira exibição. Mas não exigimos exclusividade na veiculação.” Robson Moreira, da STV

recur­sos para rea­li­zar o filme.” Outro espa­ço aber­to pela rede para pro­du­ções inde­pen­den­tes é o pro­gra­ma “­Visões do Mundo”. Nele, podem ser vei­cu­la­das pro­du­ções iné­di­tas ou não, sendo que geral­men­te não são. “Para esse espa­ço, a prin­cí­pio, não há uma rela­ção comer­cial entre a rede e o pro­ du­tor. Nor­mal­men­te o pro­du­tor tem inte­res­se na vei­cu­la­ção, para dar visi­bi­li­ da­de ao seu tra­ba­lho”, conta Morei­ra. Toda a pro­gra­ma­ção da rede Sesc Se­nac é ter­cei­ri­za­da, sendo que a rede conta, atual­men­te, com cinco pro­du­to­ ras con­tra­ta­das: Docu­men­ta, Video In, Pólo de Ima­gens, Inter­mez­zo e Fran­mi. O con­teú­do é defi­ni­do e enco­men­da­do pela pró­pria rede, que, antes do início da captação, reúne-se com a pro­du­to­ra a fim de dis­cu­tir a pauta. “Qual­quer alte­ra­ção na pauta parte da rede ou, pelo menos, tem que ser dis­cu­ti­da com a rede”, com­ple­ta Morei­ra. Resu­min­do, as pro­du­to­ras ter­cei­ri­za­das são res­pon­ sá­veis ape­nas pelos tra­ba­lhos de pro­du­ ção, sendo que a idea­li­za­ção e cria­ção do con­teú­do cabem à rede.

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andremermelstein fernandolauterjung


N達o disponivel


televisão

Uma emis­so­ra dife­ren­te

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NGT terá pro­gra­ma­ção edu­ca­ti­va feita com cus­tos bai­xos e

A ­região metro­po­li­ta­na de São Paulo ganha­rá no segun­ mão-de-obra uni­ver­si­tá­ria. do semes­tre de 2003 uma nova emis­so­ra edu­ca­ti­va, que nasce com ­idéias e pro­pos­tas bas­tan­te ori­gi­nais. A NGT (Nova Gera­ção de Tele­vi­são) é uma ini­cia­ti­va pes­soal do empre­sá­rio ­Manoel Costa, dono da empre­sa Mec­trô­ have­rá um jor­nal feito em lin­gua­gem mais infan­til, e à ni­ca, fabri­can­te de ante­nas e ­outros equi­pa­men­tos para tarde para um públi­co jovem. O jor­na­lis­ta James Capel­li radio­di­fu­são. será o dire­tor desta área na nova emis­so­ra. Não é de hoje que Costa fez o salto de for­ne­ce­dor ­Mirian expli­ca que a idéia é não ter pro­gra­mas com para ope­ra­dor de tele­vi­são. O empre­sá­rio opera há cerca mais de 45 minu­tos de dura­ção, em uma grade que ofe­ de oito anos a UniTV, retrans­mis­so­ra do sinal da TVE re­ça sem­pre uma alter­na­ti­va à pro­gra­ma­ção atual. “Por em Osas­co, na Gran­de São Paulo. Trata-se de uma emis­ exem­plo, na hora da nove­la pode­mos ter um pro­gra­ma so­ra mista, que há cerca de dois anos Costa con­se­guiu sobre a ter­cei­ra idade, na hora do Rati­nho, um docu­men­ trans­for­mar em gera­do­ra, e que agora será usada para tá­rio, e assim por dian­te.” trans­mi­tir o sinal da NGT. A emis­so­ra deve ­entrar no ar “Que­re­mos fazer uma TV para a famí­lia, pegan­ no segun­do semes­tre deste ano (“entre 1º de julho e 31 do todas as fai­xas de idade. Vamos ten­tar fazer a TV de dezem­bro”, brin­ca Costa), ini­cial­men­te com 16 horas de forma inte­li­gen­te, tra­ba­lha­da, com muita aten­ção diá­rias de pro­gra­ma­ção. A pro­prie­tá­ria da con­ces­são é a para o lado plás­ti­co, muita bele­za e dina­mis­mo”, Fun­da­ção de Fáti­ma, pre­si­di­da por Costa. diz Ricar­do Ran­gel. “Que­re­mos fazer, por exem­plo, A moti­va­ção, segun­do o empre­sá­rio, é a pouca ofer­ b ­ reaks comer­ciais dife­ren­tes, que sejam às vezes mais ta de pro­gra­ma­ção de qua­li­da­de na tele­vi­são aber­ta. Ele inte­res­san­tes até que o pró­prio pro­gra­ma”, expli­ca. con­vi­dou o ex-dire­tor comer­cial e de novos negó­cios da “Duran­te os ­ breaks, tere­mos Rede ­Mulher, Ricar­do Ran­ ‘­pílulas’ de um minu­to, um gel, para ser o dire­tor geral minu­to e meio sobre mito­lo­ da emprei­ta­da, res­pon­sá­ gia, his­tó­ria da arte etc., tudo vel por mon­tar a equi­pe e em ani­ma­ção. Tere­mos mas­ a grade de pro­gra­ma­ção. co­tes fei­tos em 3D para cada Para a grade estão sendo tema, como o ‘Bar­ri­ga ­Cheia’, cria­dos pro­gra­mas infan­tis, que fala­rá de solu­ções para de varie­da­des e jor­na­lis­mo. o Fome Zero, ou o ‘Kyoto’, “Mas um jor­na­lis­mo dife­ren­ sobre eco­lo­gia.” cia­do, sem um engra­va­ta­do atrás de uma mesa”, afirma Estu­dan­tes ­Mirian Stahl, vice-pre­si­den­ “O nome ‘Nova ­ Geração’ não te da NGT. Ela conta que o é por acaso”, conta ­ Manoel jor­na­lis­mo e a pro­gra­ma­ção Costa. Ele expli­ca que a pro­ em geral serão ade­qua­dos Mirian Stahl e Manoel Costa apostam na mescla entre pos­ta da emis­so­ra é usar sem­ ao públi­co de cada horá­rio. estudantes e profissionais experientes pre que pos­sí­vel estu­dan­tes e Assim, na parte da manhã Fotos: Divul­ga­ção


novos talen­tos na mon­ta­gem da pro­gra­ do­ra. Todo o equi­pa­men­to será basea­do ma­ção. Assim, os jor­nais serão fei­tos por na pla­ta­for­ma DV aber­ta. “Fui o pri­mei­ro estu­dan­tes de jor­na­lis­mo, coor­de­na­dos, (na UniTV) a usar câme­ras DV em tele­ claro, por pro­fis­sio­nais expe­rien­tes. Pro­ vi­são no Bra­sil, logo que foram lan­ça­das. gra­mas sobre turis­mo podem ter a par­ti­ Com­prei as pri­mei­ras na NAB e a Sony ci­pa­ção de estu­dan­tes da área, e assim nem tinha para entre­gar”, lem­bra Costa. por dian­te. Ele expli­ca que con­se­gue por o jor­nal da Mas Costa conta tam­bém com uma UniTV no ar usan­do ape­nas duas pes­soas, equi­pe pro­fis­sio­nal mul­ti­dis­ci­pli­nar. Os com câme­ras DV de con­tro­le remo­to. Esse dife­ren­tes ­núcleos serão coor­de­na­dos é o mode­lo que quer tra­zer para a NGT. pelo pro­fes­sor Mauro, com con­sul­to­ “Vamos come­çar con­tro­lan­do bem os cus­ ria de Jacob Klin­to­vitz. O tos ope­ra­cio­nais”, diz. Costa ­núcleo de fic­ção, dra­ma­tur­ tem dois estú­dios fun­cio­nan­ gia, in­fan­­tis e docu­men­tá­ do no bair­ro da Saúde, em rios fica a cargo de Fer­nan­ São Paulo. Os equi­pa­men­tos do Go­mes, ex-TV Cul­tu­ra. de um deles serão trans­fe­ri­ André Ribei­ro cui­­da­rá dos para as equi­pes de exter­ dos espor­tes e Emí­dio Fer­­ na e o estú­dio rece­be­rá equi­ nan­des será o res­pon­sá­vel pa­men­tos novos, bem como pelos pro­gra­mas de varie­ ­outros três na nova sede da da­des. emis­so­ra no bair­ro do Butan­ ­Mirian Stahl conta que tã (veja box). a pro­pos­ta tem des­per­ta­ Para o arma­ze­na­men­to do inte­res­se em agên­cias de mate­rial, outra novi­da­de. e anun­cian­tes, que mui­tas Ricardo Rangel: “até os Nada de fitas, mas tam­bém vezes, segun­do ela, têm breaks trarão informanão serão usa­dos ser­vi­do­ verba para anun­ciar, mas ções ao espectador”. res. “Fare­mos o arqui­vo não o fazem por­que não em DVD, que é uma mídia encon­tram na TV uma pro­gra­ma­ção à exce­len­te e de baixo custo”, conta Costa. qual quei­ram vin­cu­lar suas mar­cas. Para a trans­mis­são, a NGT com­prou na Itá­lia um trans­mis­sor Tecnosystem de 20 Custo baixo kW todo em esta­do sóli­do, já pron­to para O equi­pa­men­to para a emis­so­ra já está pra­ trans­mis­sões digi­tais, bas­tan­do para isso a ti­ca­men­te todo com­pra­do, conta Costa. Mas troca do modu­la­dor. até nisso a NGT vem com uma visão ino­va­ Costa não se con­ten­ta com pouco. O

espaço 48 As pro­pos­tas da NGT são ori­gi­nais em ­ vários aspec­tos, como empre­gar estu­dan­tes para as fun­ções prin­ci­ pais ou pro­du­zir tudo em ­ MiniDV. Para não fugir do espí­ri­to, a inau­gu­ra­ ção da sede da emis­so­ra no Butan­tã, em São Paulo, tam­bém foi bas­tan­te inco­mum. Toda a deco­ra­ção da casa foi per­mu­ta­da com cerca de cem “novos talen­tos” do ­design e da deco­ ra­ção, que pro­du­zi­ram mais de 70 ambien­tes, dos banhei­ros aos jar­dins. Os tra­ba­lhos serão pos­te­rior­men­te exi­bi­dos em um pro­gra­ma sobre o assun­to. O Espa­ço 48, bati­za­do com o núme­ro do canal em UHF, foi lan­ ça­do em 23 de abril com uma festa, segui­da por uma expo­si­ção aber­ta ao públi­co, que pode visi­tar a casa e até adqui­rir algu­mas obras.

pro­je­to da NGT se desen­vol­ve, nos pla­nos dele, para uma emis­so­ra inter­na­cio­nal. “Viajo muito e sei que o Bra­sil tem uma pés­si­ma ima­gem no exte­rior. Quero dis­tri­ buir o canal via saté­li­te para o mundo todo, para difun­dir a cul­tu­ra bra­si­lei­ra.” Ousa­do? “Sou ousa­do mesmo. Não penso baixo, eu penso alto”, resu­me ­Manoel Costa.

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andrémermelstein


m ­ aking of C ami­nhos para­le­los De um lado esta­va o mon­ta­dor e dire­ tor Sér­gio Glas­berg, que deci­diu fazer por sua conta um video­cli­pe a par­tir de um rotei­ro que tinha cria­do. De outro esta­va o escri­tor e com­po­si­tor de rap Fer­rez, que fina­li­za­va as ­letras para seu pri­mei­ro CD. Por uma ca­sua­­ li­da­de do des­ti­no, os dois se en­con­­tra­ ram e des­co­bri­ram que haviam es­cri­to a mesma his­tó­ria. Sér­gio já havia cap­ta­do as ima­gens que mos­tra­vam uma his­tó­ria de trai­ ção entre com­pa­nhei­ros de crime. As ima­gens foram roda­das em ­vários bair­ros de São Paulo, incluin­do uma

fave­la na Zona Oeste e cenas no Cen­ tro Velho. E Fer­rez con­cluía a letra da últi­ma músi­ca do CD, sobre um caso real que tinha acon­te­ci­do com um amigo seu do Capão Redon­do. Do encon­tro resul­tou a ­estréia de Sér­gio na dire­ção e o pri­mei­ro clipe de Fer­ rez. “Às vezes acho que Deus tem dó da gente e resol­ve te dar uma boia­da. De repen­te surge um cara fir­me­za que te ajuda e que faz um lance que tem tudo a ver”, comen­ta o rap­per. Depois que deci­diu ban­car a pro­du­ ção do clipe, Sér­gio recru­tou um grupo de ami­gos e come­çou a mara­to­

na de pedi­dos de apoio. O dire­tor de foto­gra­fia Alber­to Gra­cia­no abra­çou o pro­je­to e ­ entrou com sua câme­ra Bolex 16 mm. Da pro­du­to­ra Cine­ ma Cen­tro, Sér­gio con­se­guiu uma câme­ra 35 mm empres­ta­da, 15 latas de nega­ti­vo 35 mm e cinco 16 mm, e tam­bém o estú­dio para a fil­ma­gem das cenas de dança. Reu­niu tam­bém uma equi­pe de pro­du­ção e as atri­zes Maria João Abu­jam­ra e Alice Braga, além da dan­ça­ri­na afro Maria Olí­via e de cerca de 40 figu­ran­tes. A tele­ci­ na­gem e a fina­li­za­ção tam­bém foram fruto da par­ce­ria com as empre­sas.

Ot i­m i­z a­ção t o t a l Na falta de um gran­de par­que de luz, o dire­tor de foto­gra­fia pro­cu­rou oti­mi­zar ao máxi­mo os recur­ sos de nega­ti­vo e fina­li­za­ção. Como havia bas­tan­te nega­ti­vo, ape­sar de mui­tas latas esta­rem ven­ci­das, Gra­cia­no come­çou tes­tan­do cada uma das latas e deter­mi­ nan­do as pos­sí­veis alte­ra­ções na emul­ são em fun­ção do prazo de vali­da­de. “Por ser um clipe, sabía­mos que exis­ tia a pos­si­bi­li­da­de de abu­sar um pouco da foto­gra­fia, mas eu pre­ci­sa­va conhe­cer exa­ta­men­ te os limi­tes do nega­ti­vo”, conta. Para apro­vei­tar todo o ne­ga­ti­vo, Gra­cia­no usou todos os recur­sos: tra­­ba­lhou com supe­rex­po­­si­ção em algu­mas cenas, em ­ outras pulou a etapa do bran­quea­dor no labo­ra­tó­rio. Como havia uma dife­

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ren­ça de tona­li­da­de e pouca luz, a cor final aca­bou sendo defi­ni­da no tele­ci­ne. “Puxa­mos mais para o verde, mas pra­ti­ca­men­te não tive­ mos ­ne­nhum pro­ble­ ma. As ima­gens impri­ mi­ram bem e apro­vei­ta­ mos todo o mate­rial”, com­ple­ta. O fotó­gra­fo tam­bém tra­ba­lhou com um novo nega­ ti­vo da Fuji, o Reala 500D, de 500 ASA, indi­ca­do para cenas escu­ras, que segu­rou bas­tan­te nas inter­ nas. “Na cena em que o per­so­na­gem prin­ci­pal está den­tro do quar­to, só tínha­mos um ponto de luz. E a ima­gem ficou muito boa”, diz Sér­gio.


lizan­dra­deal­mei­da lizan­dra@tela­vi­va.com.br

Míni­mo de inter­fe­rên­cias A maio­ria das ima­gens foi cap­ta­da em 35 mm, com velo­ci­da­de mais rápi­da, mas as cenas em movi­men­to e as exter­nas notur­nas foram fei­tas com a Bolex, na mão. Algu­mas cenas exter­nas docu­men­tais foram gra­va­das pela cida­de com uma câme­ra Super-8, mas a maio­ria das pes­soas que apa­re­ce faz parte do

cas­ting do clipe. A inten­ção do dire­ tor foi a de inter­fe­rir o me­nos pos­sí­vel nas ati­tu­des dos per­so­ na­gens, tra­ba­lhan­do em mui­tas cenas com pes­soas da comu­ni­da­ de. “Ten­tei não dei­ xar a câme­ra muito perto para não inti­ mi­dar e con­se­guir cap­tar uma ati­tu­de nor­mal das pes­soas”, afir­ma Sér­gio. “E apro­vei­ta­mos todas as situa­ções que sur­gi­ram, inclu­si­ve a chuva. Está­va­mos na fave­la quan­do come­çou a cho­ver e inven­ta­mos um plano para apro­vei­ tar o momen­to.”

Per i­fe­ ria No elen­co, Sér­gio pre­fe­riu tra­ba­

lhar com pes­soas ­comuns. As duas atri­zes inter­pre­ta­ram a aten­den­te do bar e uma das pros­ti­tu­tas, que entra no carro com o pro­ta­go­nis­ta. Mas ele pró­prio e seus com­par­sas não são ato­res. A his­tó­ria é inter­ca­la­da por ima­gens do pró­prio Fer­rez, que apa­re­ce em casa, escre­ven­do à máqui­na. Ele apa­re­ce como ele mesmo se defi­ne: um cro­nis­ta da rea­li­da­de da peri­fe­ria. As cenas foram gra­va­das mais tarde, para com­ple­men­tar o clipe e per­so­na­li­zar um pouco o tra­ba­lho. Ima­gens da dan­ça­ri­na Maria Olí­via pon­tuam algu­mas cenas, acres­cen­tan­do dra­ma­ti­ci­da­de aos momen­tos mais ten­sos da músi­ca.

ichaFer­reztéc­ni­ca fArtis­ta e Ratão • Rotei­r o Fer­rez e Sér­gio Glas­berg • Dire­ ção Sér­gio Glas­berg • Foto­g ra­ fia Alber­to Gra­cia­no • Pro­d u­ç ão ­Israel Basso • Cas­t ing Veri­dia­ na Bres­sa­ne • Figu­r i­n o Julia­na Costa • Mon­t a­g em Sér­gio Glas­ berg e Felip­pe ­Brauer • Tele­c i­n e Estu­dios­Me­ga e Casa­blan­ca


tecnologia

Uni­ver­so infan­to-vir­tual

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Com o uso de um par­que tec­no­ló­gi­co de ponta e muita téc­ni­ca, TV Cul­tu­ra, War­ner Bro­thers e Moons­hot Pic­ tu­res (braço da TeleI­ma­ge vol­ta­do para pro­du­ção de fil­mes) são as res­pon­sá­veis pelo mais novo longa-metra­ gem ins­pi­ra­do na série “Cas­te­lo Rá-Tim-Bum”, o “Mar­ te­lo de Vul­ca­no”. O filme, diri­gi­do por Elia­na Fon­se­ca e pre­vis­to para ser lan­ça­do em outu­bro, foi todo roda­do em câme­ras digi­tais, usan­do a téc­ni­ca já apren­di­da e desen­vol­vi­da na TeleI­ma­ge na pro­du­ção de “Xuxa e os Duen­des”, e agora, na pós-pro­du­ção e fina­li­za­ção, está ganhan­do uma série de efei­tos espe­ciais, per­so­na­gens e cená­rios pro­du­zi­dos no com­pu­ta­dor. Para unir o vir­tual ao real, a equi­pe téc­ni­ca teve de esco­lher cui­da­do­sa­men­te os equi­pa­men­tos que ­seriam usa­dos na cap­ta­ção e ainda estu­dar todos os movi­men­ tos. Todo cap­ta­do em 24 fps (qua­dros por segun­do), o longa foi roda­do usan­do três câme­ras: uma Sony CineAl­ta, uma Pana­so­nic Vari­cam e ainda uma Pana­ so­nic ­MiniDV AG-DVX100, esta últi­ma para gra­var o ponto-de-vista de um dos per­so­na­gens, o Micró­bio, que apa­re­ce sem­pre com uma câme­ra nas mãos. Com isso, ­ganhou-se agi­li­da­de, já que a mon­ta­gem come­ça­va sem­ pre no dia seguin­te à cap­ta­ção. Segun­do Mar­ce­lo Siquei­ra, super­vi­sor de efei­tos espe­ciais da TeleI­ma­ge, a câme­ra prin­ci­pal foi a CineAl­ta, “mas, em algu­mas cenas, pre­ci­sá­va­mos de uma câme­ra capaz de gra­var em velo­ci­da­de variá­vel. Opta­mos então pela Vari­cam, que pode gra­var em até 60 fps”. As dife­ren­ças nas ima­gens das duas câme­ras foram acer­ta­das na “seta­gem” delas, “para não aumen­ tar o tra­ba­lho na cor­re­ção de cores e ainda dar maior con­for­to ao fotó­gra­fo”, expli­ca Siquei­ra. O res­pon­sá­vel pela con­fi­gu­ra­ção foi o enge­nhei­ro de câme­ras ­Samuel Koba­yash. O filme foi quase todo roda­do à noite ou em cená­rio escu­ro, o que tam­bém exi­giu maior cui­da­do na seta­gem da câme­ra e na ilu­mi­na­ção. “As câme­ras digi­tais só

Cap­tan­do em câme­ras HD, TV Cul­tu­ra, War­ner Bro­thers e Moons­hot Pic­tu­res pro­du­zem filme infan­til unin­do per­so­na­gens e cená­rios reais e vir­tuais.

A cena filmada em chroma key...

... e uma enorme cobra coral em 3D...

... são “casadas” na pós-produção. Fotos: Divul­ga­ção


supor­tam qua­tro stops, se pas­sar disso, denun­cia que é vídeo”, expli­ca Siquei­ra. Para resol­ver a ilu­mi­na­ção, foram usa­ dos mais de 300 kg de equi­pa­men­tos de luz. Além disso, o fato de o filme ser em for­ma­to cine­mas­co­pe ana­mór­fi­co tam­ bém pau­tou a foto­gra­fia. Fun­da­men­tal Para o dire­tor de con­teú­do da TeleI­ ma­ge, Rober­to ­ d’Avila, o uso do 3D foi fun­da­men­tal na pro­du­ção do filme. “Todos os pla­nos aber­tos da ilha onde se passa à his­tó­ria, por exem­plo, foram fei­tos no com­pu­ta­dor.” No total, o 3D foi usado em cerca de 30 minu­tos do longa-metra­gem. Para isso, a equi­pe de efei­tos espe­ciais do filme é for­ma­da por 20 pro­fis­sio­nais. Além dos pla­nos aber­tos, algu­mas cenas com per­so­na­gens mais cari­ca­tos, como a libé­lu­la Polca, inter­pre­ta­da por Bár­ba­ra Paz, foram rea­li­za­das em com­pu­ta­ção grá­fi­ca. Assim, os per­so­ na­gens ­ podiam voar sem usar cabos,

dimi­nuin­do o risco de dei­xar algu­ma tra­qui­ta­na apa­ren­te. “Isso seria muito difí­cil com um ator pouco carac­te­ri­za­ do”, expli­ca Siquei­ra. Numa das cenas mais inte­res­san­tes, o que pare­ce ser uma árvo­re se mos­tra na ver­da­de uma cobra coral gigan­te, que agar­ra um dos per­so­na­gens pelo pé. Nesse caso, foi usado um cená­rio verde qua­dri­cu­la­do na fil­ma­gem do per­so­na­ gem, assim o ope­ra­dor pôde con­tar com ­vários pon­tos de refe­rên­cia para dar pro­ fun­di­da­de ao cená­rio 3D. Isso foi neces­ sá­rio por­que a câme­ra se movi­men­ta­va e a câme­ra vir­tual pre­ci­sa­va fazer exa­ ta­men­te o mesmo movi­men­to. Além da grade no chro­ma-key, foi feito um mapa de luz do estú­dio, pas­sa­do ­depois para o com­pu­ta­dor para garan­tir a inte­gra­ção das ima­gens reais e vir­tuais. Pla­ne­ja­men­to Segun­do o CEO da TeleI­ma­ge, ­Patrick Sia­ret­ta, o filme só foi viá­vel por causa do pla­ne­ja­men­to feito antes da gra­va­

ção. “Só pude­mos che­gar a um bom resul­ta­do, por­que par­ti­ci­pa­mos de todas as eta­pas do filme, inclu­si­ve do rotei­ro”, expli­ca. “Casar” as fil­ma­ gens com as ima­gens vir­tuais ficou a cargo de Mar­ce­lo Siquei­ra, que pla­ne­ jou e acom­pa­nhou todas as fil­ma­gens. Assim, todas as cenas eram gra­va­das já pen­san­do na pós-pro­du­ção. Gra­ças ao pla­ne­ja­men­to, todas as cenas foram gra­va­das em qua­tro sema­ nas, com duas equi­pes, o que garan­tiu nove horas de tra­ba­lho por dia. Para a pós-pro­du­ção e fina­li­za­ção, Siquei­ra pre­via cerca de 160 dias de tra­ba­lho, redu­zi­dos para dois meses gra­ças às ­várias equi­pes, res­pon­sá­veis por dife­ ren­tes eta­pas de tra­ba­lho. Segun­do Sia­ret­ta, o filme cus­tou R$ 2,5 ­ milhões e a Moons­hot ­ entrou na co-pro­du­ção com o tra­ba­lho de efei­tos. “O custo des­ses efei­tos seria de cerca de R$ 2 ­milhões.”

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fer­nan­do­lau­ter­jung


case

Com toda a lucidez

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Um ideal e uma pai­xão ­ comuns uni­ram os pro­fis­sio­ nais de com­pu­ta­ção grá­fi­ca André Valle, Jean­ne O. San­tos e Jane de Oli­vei­ra. Os três com­bi­na­ram a von­ta­ de de criar um pro­du­to infan­til edu­ca­ti­vo com o amor pelo dese­nho ani­ma­do e pela com­pu­ta­ção grá­fi­ca 3D. O resul­ta­do é uma série ani­ma­da do Meni­no Malu­qui­ nho, o famo­so per­so­na­gem de Ziral­do, que pela pri­mei­ ra vez assu­me fei­ções tri­di­men­sio­nais. O pro­je­to come­çou há cerca de dois anos, quan­do os três se reu­ni­ram para for­mar a Fábri­ca de Ani­ma­ ção, uma pro­du­to­ra de com­pu­ta­ção grá­fi­ca que atua no mer­ca­do publi­ci­tá­rio de Belo Hori­zon­te. A par­tir do dese­jo comum de criar uma série edu­ca­ti­va, o grupo deci­diu inves­tir tempo e dinhei­ro no Malu­qui­ nho. “Sem­pre fui apai­xo­na­da pelo per­so­na­gem, pois cres­ci na déca­da de 80 lendo os ­ livros e his­tó­rias”, conta Jean­ne, a dire­to­ra de arte do pro­je­to. “E além disso acha­mos que é um per­so­na­gem fan­tás­ti­co, uma crian­ça inte­li­gen­te, esper­ta e engra­ça­da, um típi­co meni­no bra­si­lei­ro”, com­ple­ta. Para André Valle, o pro­je­to vai na con­tra­mão dos dese­nhos exi­bi­dos atual­men­te na TV, espe­cial­men­te os japo­ne­ses. E é jus­ta­men­te essa a pro­pos­ta da pro­du­ to­ra. “Esta­mos todos tra­ba­lhan­do pela paz e os dese­ nhos são reple­tos de vio­lên­cia, com temas total­men­te fora de pro­pó­si­to, como a defe­sa da honra”, argu­ men­ta. “Não que­re­mos fazer dese­nhos que reme­tam à vio­lên­cia, então acha­mos que o Malu­qui­nho seria per­fei­to para o pro­je­to.” Além de suas carac­te­rís­ti­cas bra­si­lei­ras, o per­so­na­gem de Ziral­do ainda tem uma “minei­ri­da­de” que tem tudo a ver com o grupo. Uma vez esta­be­le­ci­dos os con­ta­tos com o autor, a pro­du­to­ra come­çou a bus­car par­ce­rias para desen­vol­ ver o pilo­to. Uma delas foi com a Alias|Wave­front e com a repre­sen­tan­te da soft­wa­re house no Bra­sil, a Tec­no­ví­deo. A par­ce­ria per­mi­tiu que a Fábri­ca de Ani­ ma­ção uti­li­zas­se o soft­wa­re Maya sem custo duran­te a cria­ção do pilo­to. A par­tir dessa estru­tu­ra, Jean­ne, André e a equi­pe da pro­du­to­ra come­ça­ram a mode­lar os bone­cos. No pilo­to, apa­re­cem só o Malu­qui­nho e sua amiga

A pro­du­to­ra minei­ra Fábri­ca de Ani­ma­ção inves­te na pro­du­ção de uma série em 3D com o per­so­na­gem Meni­no Malu­qui­nho, de Ziral­do.

Menino Maluquinho e sua amiga Carolina (ao lado)

Caro­li­na. Mas sua estru­tu­ra já deve ser­vir de base para os ­demais per­so­na­gens, que vão par­ti­ci­par dos 16 epi­só­dios que a série deve ter quan­do esti­ver total­men­ te pron­ta. As his­tó­rias são adap­ta­ções dos qua­dri­nhos do per­so­na­gem, esco­lhi­das pela Fábri­ca de Ani­ma­ção a par­tir de uma pré-sele­ção de Ziral­do e sua equi­pe. Volu­me e mode­la­gem Para che­gar à ver­são final do Malu­qui­nho em 3D, Jean­ne tra­ba­lhou em diver­sos mode­los, que foram sub­me­ti­dos à apro­va­ção de Ziral­do. Ape­sar de empol­ ga­do com a idéia do pro­je­to, o autor não ima­gi­na­va como seu per­so­na­gem fica­ria quan­do adqui­ris­se volu­me. As idas e vin­das até che­gar ao resul­ta­do final foram mui­tas. “A dife­ren­ça pode­ria ser muito gran­de em rela­ção ao ori­gi­nal 2D, por isso fomos tra­ ba­lhan­do até con­se­guir um bone­co que man­ti­ves­se as carac­te­rís­ti­cas que todo mundo pode­ria reco­nhe­cer”, Fotos: Divulgação


lizan­dra­deal­mei­da lizan­dra@tela­vi­va.com.br

Quanto mais detalhada é a estrutura... ... mais fácil ficará o trabalho futuro.

expli­ca Jean­ne. Ao mode­lar o rosto, por exem­plo, o nariz foi cons­truí­do em 3D, mas os olhos e a boca, ape­sar de terem volu­me, foram man­ti­dos mais pró­xi­mos do ori­gi­nal em 2D. “Quan­do se faz um dese­nho em 2D, cada cena é feita indi­vi­dual­men­te, então a pers­pec­ti­va e a rela­ção de tama­ nho dos ele­men­tos entre si é cor­ri­gi­da caso a caso. Mas na com­pu­ta­ção grá­fi­ca 3D é pre­ci­so cons­truir um mode­lo que seja o mais per­fei­to pos­sí­vel, por­que ele tem de fun­cio­nar em todas as posi­ções. O tama­nho dos bra­ços, por exem­plo, não muda: é o mesmo braço, mas tem que ter a apa­rên­cia cor­re­ta de qual­quer ângu­lo. A van­ta­gem da com­pu­ta­ção grá­fi­ca, porém, é que não pre­ci­sa­mos dese­nhar cena-a-cena. Pode­mos criar um banco de movi­men­tos a par­tir do esque­le­to pron­to, e usá-los na edi­ção”, ana­li­sa André. Pen­san­do nos epi­só­dios futu­ros e nesse acer­vo de estru­tu­ras, a equi­pe fez uma mode­la­gem bas­tan­te deta­lha­da. “A estru­tu­ra do mode­lo é seme­lhan­te à do esque­le­to huma­no. Quan­to mais movi­ men­tos cria­mos e quan­to mais deta­lha­da é a estru­tu­ra, mais fácil fica o tra­ba­lho lá na fren­te. Para não dar pro­ble­mas ­depois, temos que ten­tar pre­ver tudo antes”, diz Jean­ne. Ao mesmo tempo em que a equi­pe de arte pro­du­zia o pilo­to, a pro­du­to­ra Jane de Oli­vei­ra come­çou as nego­cia­ções com patro­ci­na­do­res e exi­bi­do­res. A cap­ta­ção de recur­sos vem não só das leis de incen­ ti­vo, mas tam­bém de acor­dos dire­tos, e já está pra­ti­ca­men­te acer­ta­da para que a pro­du­ção come­ce no segun­do semes­tre

deste ano. André prevê o prazo de um ano para fina­li­zar os 16 epi­só­dios, de qua­tro minu­tos cada. Com isso, a ­estréia deve ocor­rer no final de 2004 ou iní­cio de 2005. Equi­pe minei­ra Assim que o pro­ces­so for ini­cia­do, a pro­du­ to­ra deve con­tra­tar cerca de 25 pro­fis­sio­ nais, para todas as ati­vi­da­des. Ini­cial­men­te, o grupo pensa em reu­nir pes­soas de Belo Hori­zon­te. Segun­do André, o mer­ca­do local já dis­põe de pro­fis­sio­nais de ani­ma­ção sufi­cien­tes para inte­grar a equi­pe e a idéia é incen­ti­var o desen­vol­vi­men­to regio­nal da pro­du­ção. “Assim como na ani­ma­ção con­ven­cio­nal, a pro­du­ção de um pro­je­to de com­pu­ta­ção grá­fi­ca tam­bém per­mi­te a divi­ são de tare­fas. Vamos pre­ci­sar de ilu­mi­na­ do­res — que fazem toda a dife­ren­ça em um tra­ba­lho como esse —, tex­tu­ra­do­res, mode­ la­do­res, ani­ma­do­res, com­po­si­to­res... Sem con­tar os pro­fis­sio­nais de som, que ­entram ­depois para fazer a tri­lha e a dubla­gem”, expli­ca Jean­ne. “Mas vamos fazer um trei­ na­men­to com toda a equi­pe antes do iní­cio, para todo o mundo se enten­der.” Além dos equi­pa­men­tos de com­pu­ ta­ção grá­fi­ca, a inten­ção é inves­tir em um sen­sor de movi­men­tos, para aju­dar na cap­­tu­ra das infor­ma­ções que vão orien­tar a movi­men­ta­ção dos bone­cos. “Pre­ten­de­mos inves­tir nesse equi­pa­men­ to — que tal­vez seja o pri­mei­ro do Bra­sil — por­que agi­li­­za ­ demais o tra­ba­lho”, ana­li­sa André. Esse inves­ti­men­to osci­la entre US$ 50 mil e US$ 100 mil. Assim como o pilo­to, o tra­ba­lho deve ser todo desen­vol­vi­do no Maya.

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cinema

União de forças pela produção local

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PRODUTORES DA REGIÃO

O 10º Fes­ti­val de Cine­ma e Vídeo de Cuia­bá acon­te­ ceu no mês pas­sa­do tra­zen­do à tona a neces­si­da­de de os pro­du­to­res regio­nais de audio­vi­sual uni­rem for­ças, ao mesmo tempo em que vis­lum­bram gran­des pos­si­bi­ li­da­des mer­ca­do­ló­gi­cas. Essa expec­ta­ti­va é jus­ta­men­te por estar para ir à votação no Sena­do o pro­je­to de lei da depu­ta­da fede­ral Jan­di­ra Feg­ha­li (PCdoB/RJ), que regu­la­men­ta o dis­po­si­ti­vo cons­ti­tu­cio­nal (Arti­go 221 da Cons­ti­tui­ção Fede­ral de 1988) e que deter­mi­na a obri­ga­to­rie­da­de da exi­bi­ção de 30% de pro­du­ção regio­ nal no horá­rio nobre das emis­so­ras de radio­di­fu­são, ­canais de TV por assi­na­tu­ra e tele­co­mu­ni­ca­ções. Dian­te disso, enquan­to o tea­tro da Uni­ver­si­da­de Fede­ral de Mato Gros­so exi­bia ­vídeos, cur­tas, ­médias e lon­gas-metra­gens nacio­nais, que con­cor­riam às pre­mia­ ções do fes­ti­val, nos bas­ti­do­res come­ça­va a se for­mar a

CENTRO-OESTE QUEREM ESTAR PREPARADOS PARA UMA NOVA FASE DO MERCADO. cons­cien­ti­za­ção dos pro­du­to­res da ­região Cen­tro-Oeste. Para pro­mo­ver o encon­tro de todos os inte­res­sa­dos no assun­to, Luiz Bor­ges, pro­mo­tor do festival, reu­niu ­vários pro­du­to­res regio­nais com Ale­xan­dre Luis César, secre­tá­rio do Desen­vol­vi­men­to do Cen­tro-Oeste, do Minis­té­rio da Inte­gra­ção Nacio­nal, de Ciro Gomes. Com a fun­ção clara de bus­car ini­cia­ti­vas para desen­vol­ ver a ­região, essa secre­ta­ria fica­rá aten­ta ao que pode­rá bene­fi­ciar os esta­dos, atra­vés de pro­du­ção audio­vi­sual na região, infor­mou César na reu­nião.

ven­ce­do­res do festival de cuiabÁ

VÍDEO

­Melhor Vídeo “Sone­tos” (Curi­ti­ba), de Eduar­do Bag­ gio e Car­los Rocha, uma repre­sen­ta­ção poé­ti­co-audio­vi­sual dos sone­tos do poeta Ave­li­no de Araú­jo. Melho­r Docu­men­tá­rio “­Filhos da Cida­de” (São Paulo), de Bruno Mitih Viana; e “Taqua­ril - Uma Comu­ni­da­de em (Re)Cons­tru­ção” (Belo Hori­zon­te), de José Geral­do Oli­vei­ra. Prê­mio Espe­cial do Júri “Arma­di­lha para Turis­ta” (São Paulo), de Ale­xan­dre Camar­go; e “Suite Assad” (São Paulo), de Joel Piz­zi­ni. Júri popu­lar “Suite Assad”.

“Sonetos”

CURTA-METRA­GEM

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­Melhor filme “Clan­des­ti­nos” (Belo Hori­zon­te), de Patrí­

“Clandestinos”

cia Moran, docu­men­tá­rio sobre os ­sonhos, ­ ideais, equí­vo­cos e medos dos ­ jovens bra­si­lei­ros no final dos anos 60. ­Melhor rotei­ro “Tudo Domi­na­do” (Rio de Janei­ro), de Bruno Vian­na. ­Melhor dire­ção “Ter­mi­nal” (São Paulo), de Leo Cada­val. ­Melhor dire­ção de arte “O Encon­tro” (Curi­ti­ba), de Mar­cos Jorge. ­Melhor foto­gra­fia “O Fusca” (São Paulo), de Flá­vio Fre­de­ri­co. ­Melhor ator Lui Strass­bur­ger, de “O Encon­tro”. Júri popu­lar “O Lobi­so­mem e o Coro­nel” (Bra­sí­ lia), de Elvis Kle­ber e Ítalo Cajuei­ ro. Fotos: Divul­ga­ção


sandrareginasilva de Cuiabá sandra@telaviva.com.br

“A idéia é criar um elo entre os pro­ du­to­res”, conta Assun­ção Her­nan­des, pre­si­den­te do Con­gres­so Bra­si­lei­ro de Cine­ma (CBC), que este­ve pre­sen­te à reu­nião com Ale­xan­dre César. Con­tan­ do com a bele­za ceno­grá­fi­ca natu­ral da ­ região, agora os par­ti­ci­pan­tes desse pri­mei­ro encon­tro se com­pro­me­te­ram a fazer levan­ta­men­tos, uma espé­cie de inven­tá­rio, do que cada esta­do tem, em ter­mos de infra-estru­tu­ra, equi­pa­men­ tos, espa­ços para pro­du­ção, para pre­ser­ va­ção, cur­sos, ofi­ci­nas etc. ­Depois disso, o obje­ti­vo é criar um ­núcleo regio­nal para ser com­par­ti­lha­do. Assun­ção diz que essa ini­cia­ti­va é um ­ embrião para se criar estra­té­gias para for­ta­le­cer e desen­vol­ver o audio­vi­ sual regio­nal. “Já fize­mos isso na ­região Sul e esta­mos pre­pa­ran­do um encon­tro no Norte e Nor­des­te para o segun­do semes­tre deste ano”, afir­ma a pre­si­ den­te do CBC, com­ple­tan­do que estão pre­vis­tos encon­tros perió­di­cos com os pro­du­to­res. A pró­xi­ma des­sas reu­niões

seto­riais está pre­vis­ta para a segun­da quin­ze­na deste mês de maio, em Flo­ria­ nó­po­lis, duran­te a Assem­bléia do CBC, que reúne atual­men­te 43 enti­da­des. Na tela Para­le­la­men­te a essa mobi­li­za­ção polí­ ti­ca em torno do audio­vi­sual, o Fes­ ti­val de Cine­ma e Vídeo de Cuia­bá trans­cor­reu de forma tran­qüi­la. E pelo menos um fator pro­vou que real­men­te é neces­sá­rio que os pro­du­to­res do Cen­ tro-Oeste façam algo para for­ta­le­cer as pro­du­ções em seus esta­dos: entre os sele­cio­na­dos de todas as cate­go­rias, havia ape­nas um vídeo (“A Santa”, de Luis Fer­nan­do Wilke) de Cuia­bá, o qual não con­tou com patro­cí­nios. Como espe­ra­do, a gran­de maio­ria das produções era das ­ regiões Sudes­te e Sul. As cate­go­rias vídeo, curta e média-metra­gem foram ana­li­sa­das por um júri pro­fis­sio­nal, enquan­to o júri popu­lar deu seu voto a essas e mais à de longa-metra­gem.

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MÉDIA-METRA­GEM

­Melhor filme “­Ismael e Adal­gi­sa” (Rio de Janei­ro), de Malú de Mar­ti­no, sobre o pin­tor e filó­so­fo ­Ismael Nery e sua espo­sa, a poe­ti­sa, escri­to­ra e jor­na­lis­ta Adal­ gi­sa Nery. Prê­mio Espe­cial do Júri “Glau­ces” (São Paulo), de Joel Piz­zi­ni. Júri popu­lar “­Ismael e Adal­gi­sa”.

“Ismael e Adalgisa”

LONGA-METRA­GEM

Júri popu­lar “Sepa­ra­ções” (Rio de Janei­ro), de Domin­gos Oli­vei­ra, comé­dia român­ti­ ca que ana­li­sa as fases de uma sepa­ ra­ção amo­ro­sa: a nega­ção, a nego­cia­ ção, a revol­ta e a acei­ta­ção. “Separações”


audiovisual

O ganho da Espanha com a regionalização Uma decisão política assegurou espaço para as culturas regionais e levou ao surgimento de oito canais ligados às diferentes comunidades autônomas.

B 38 tela viva maio de 2003

Bus­can­do uma solu­ção para fomen­tar a pro­du­ção audio­vi­sual regio­nal, uma deci­são polí­ti­ca na Espa­ nha levou ao sur­gi­men­to de oito ­ canais liga­dos às dife­ren­tes comu­ni­da­des autô­no­mas (são 11 no total). Jun­tan­do esfor­ços, os ­ canais con­se­gui­ram garan­tir uma pro­du­ção de qua­li­da­de e ainda ven­ dem pro­gra­mas para ­outros ­canais nacio­nais. Neste con­tex­to sur­giu a Forta (Fede­ra­ción de Tele­vi­sio­nes Auto­nó­mi­cas), for­ma­da pelas emis­ so­ras Empre­sa Públi­ca de Rádio e Tele­vi­são da Anda­lu­zia, Cor­po­ra­ção Cata­lã de Rádio e Tele­vi­ são, Rádio e Tele­vi­são Madri, Enti­da­de Públi­ca Radio­te­le­vi­são Valen­cia­na, Com­pa­nhia de Rádio Tele­vi­são da Galí­cia, Eus­kal Irra­ti Tele­bis­ta (País Basco), Tele­vi­são Auto­nô­mi­ca das Caná­rias e Tele­vi­são Auto­nô­mi­ca de Cas­til­la-La Man­cha. A fede­ra­ção esta­be­le­ce con­ti­nua­men­te acor­dos de co-pro­du­ção em um esfor­ço para con­so­li­dar uma pro­du­ção de qua­li­da­de com dimi­nui­ção de cus­tos. Isto se con­se­gue atra­vés do envio de equi­pes inte­ rau­tô­no­mas (inte­res­ta­duais ou inter­mu­ni­ci­pais no caso bra­si­lei­ro) redu­zi­das a ope­ra­ções espe­ciais e atra­vés do inter­câm­bio de notí­cias.

Além disso, ven­dem pro­gra­mas de sua pro­du­ção para ­outros ­canais nacio­nais inte­gran­tes da Fede­ra­ ción de Aso­cia­cio­nes de Pro­duc­to­res Audio­vi­sua­les Espa­ño­les, como Canal Plus, TVE e Tele 5, que os com­pram a um preço bas­tan­te redu­zi­do se com­pa­ra­ do aos cus­tos de pro­du­ção de pro­gra­mas seme­lhan­ tes no canal nacio­nal. O custo de um talk show de 60 minu­tos, por exem­plo, pode che­gar a Ä12 mil por capí­tu­lo em uma tele­vi­são autô­no­ma, e a Ä30 mil em uma tele­vi­são nacio­nal. Já um con­cur­so ou um rea­ lity show pode cus­tar Ä50 mil na Eus­kal Tele­bis­ta e Ä400 mil em uma tele­vi­são nacio­nal. Ritmo dife­ren­cia­do A maio­ria das emis­so­ras regio­nais na Espa­nha optou por gêne­ros tele­vi­si­vos liga­dos ao entre­te­ ni­men­to e que lhes per­mi­tis­se um méto­do indus­ trial de pro­du­ção de pro­gra­mas. Uma vez que um pro­gra­ma já está cria­do, desen­vol­vi­do e ven­di­do, pensa-se no pró­xi­mo pro­gra­ma que vai ao ar. Este méto­do de tra­ba­lho exige uma agi­li­da­de no pro­ces­so que dife­re da pro­du­ção de docu­men­ tá­rios ou fil­mes de fic­ção, que exi­gem mais tempo e uma manei­ra de pro­du­zir, finan­ciar e ven­der dife­ren­te. Na área de docu­men­tá­rios, há uma ten­dên­cia para a espe­ta­cu­la­ri­za­ção dos temas, com um ritmo mais rápi­do do que os docu­men­tá­rios fei­tos pela BBC de Lon­dres, por exem­plo. Este for­ma­to visa cla­ra­men­te ­atrair mais espec­ ta­do­res e, obvia­men­te, são pro­du­zi­dos com orça­ men­tos mais bai­xos do que os docu­men­tá­rios da


alessandrameleiro de Bilbao telaviva@telaviva.com.br

independente Uma boa refe­rên­cia quan­do o assun­to é pro­du­ção regio­na­li­za­da e como se apre­ sen­tam as rela­ções de pro­du­ção den­tre as dis­tin­tas TVs autô­no­mas e emis­so­ ras nacio­nais é a 3 Koma 93. Trata-se de uma pro­du­to­ra inde­pen­den­te com sede em Bil­bao que tra­ba­lha exclu­si­va­ men­te com pro­gra­mas para tele­vi­são e tem como nicho de mer­ca­do pro­gra­mas de entre­te­ni­men­to (talk shows, sit­coms, do­cu­men­tá­rios, con­cur­sos, fil­mes, ­ sé­ries para TV e rea­lity shows). O trân­si­to de ­ idéias para o desen­vol­vi­ men­to de pro­je­tos tele­vi­si­vos flui neste caso em duas dire­ções: os pro­gra­mas tanto são desen­vol­vi­dos pela pró­pria pro­du­to­ra, que ­depois os pro­põe para as emis­so­ras nacio­nais e autô­no­mas, quan­ to as emis­so­ras enco­men­dam algum tipo de pro­du­to mais con­cre­to para ser desen­vol­vi­do. Como não têm equi­pa­ men­tos téc­ni­cos, uti­li­zam os for­ne­ci­dos pela emis­so­ra de TV regio­nal ou alu­gam quan­do neces­sá­rio. O trân­si­to de pro­gra­mas entre os ­canais autô­no­mos e entre os autô­no­mos e as emis­so­ras nacio­nais é inten­so: ­ alguns pro­du­tos tele­vi­si­vos com gran­de suces­ so local podem cru­zar fron­tei­ras, che­

BBC. “Não posso fazer um docu­men­ tá­rio que custe Ä500 mil e ­depois ele ser exi­bi­do em uma ­cadeia de TV que o trans­mi­ta às duas da tarde. Tenho que fazer um pro­du­to que tenha um encai­xe em uma ­ cadeia con­cre­ta, num horá­rio con­cre­to e para um tipo de públi­co deter­mi­na­do. Assim sabe­ rei quan­to posso inves­tir”, diz Juan Car­los Vil­la­me­riel, dire­tor da Asso­ cia­ção de Pro­du­to­res Bas­cos. O tom regio­nal em pro­du­ções inter­na­cio­nais tam­bém é uma ten­dên­ cia na Espa­nha. Em docu­men­tá­rios de pai­sa­gens natu­rais ou huma­nas,

“Esta es mi gente” é produzido pela 3 Koma 93 e exibido pela Euskal Telebista

gan­do a uma emis­so­ra de outra parte do país que opera em outra lín­gua. É o caso de um talk-show desen­vol­vi­do pela 3 Koma 93 e vei­cu­la­do na Eus­kal Tele­bi­sa. O suces­so de públi­co fez com que seu for­ma­to fosse “expor­ta­do” para duas ­outras tele­vi­sões autô­no­mas e, em cada comu­ni­da­ de, pas­sas­se por adap­ta­ções que o per­mi­ tis­se refle­tir aspec­tos sócio-cul­tu­rais ­ locais, tor­nan­do-se um pro­du­to espe­cí­fi­co. Assim como este pro­gra­ma, que se des­do­ brou em três com o mesmo nome, ­outras copro­du­ções exi­bi­das no canal são resul­ta­do de par­ce­rias com ­outras tele­vi­sões de Madri e de Bar­ce­lo­na.

vêm sendo fei­tas peque­nas alte­ra­ ções, tor­nan­do mais local o mate­rial, uti­li­zan­do, por exem­plo, parte das ima­gens do docu­men­tá­rio inter­na­cio­ nal com ima­gens ­ locais que sir­vam para envol­ver o espec­ta­dor e apro­xi­ má-lo da sua rea­li­da­de. Finan­cia­men­to e pro­te­cio­nis­mo As aju­das gover­na­men­tais para a indús­tria audio­vi­sual nas comu­ni­da­ des autô­no­mas da Espa­nha, como Cata­lu­nha, Galí­cia e País Basco, ­seguem dire­tri­zes do ponto-de-vista cul­tu­ral. São bene­fi­cia­das as empre­

sas pro­du­to­ras cujos pro­je­tos tele­vi­si­ vos (fil­mes para TV, ­séries de fic­ção e ani­ma­ção ou docu­men­tá­rios para tele­vi­são) sejam rea­li­za­dos no idio­ma da pro­vín­cia e que ­tenham por tema, desen­vol­vi­men­to ou loca­li­za­ção a comu­ni­da­de autô­no­ma. Algu­mas comu­ni­da­des ainda exi­gem que as equi­pes téc­ni­ca e artís­ti­ca sejam resi­den­tes na comu­ni­da­de em ques­tão e que certo per­cen­tual da gra­va­ção ou fil­ma­gem rea­li­ze-se na comu­ni­da­de (25% no caso da Galí­ cia, por exem­plo). Outro mode­lo euro­peu do pro­te­ cio­nis­mo é uma dire­triz do Con­se­lho Euro­peu Tele­vi­sión Sin Fron­te­ras que deter­mi­na a obri­ga­ção de que as emis­ so­ras tele­vi­si­vas na Espa­nha ­ incluam em sua pro­gra­ma­ção um míni­mo de 51% de pro­du­ção euro­péia e, den­tro desta por­cen­ta­gem, um míni­mo de 10% de pro­du­ção inde­pen­den­te. O Tele­vi­sión Sin Fron­te­ras tam­ bém intro­du­ziu uma impor­tan­te mudan­ça ao dis­por que pode­rão ser con­si­de­ra­das obras euro­péias aque­ las obras que forem pro­du­zi­das nos acor­dos bila­te­rais cele­bra­dos entre os paí­ses mem­bros da EU e ter­cei­ros paí­ses, sem­pre que o valor maior do custo total seja apli­ca­do por co-pro­du­ to­res da comu­ni­da­de. Desta manei­ra se favo­re­ce de uma forma muito impor­tan­te a explo­ra­ção tele­vi­si­va na Euro­pa daque­las obras que tive­rem sido co-pro­du­zi­das entre pro­du­to­res da comu­ni­da­de euro­péia. Este ponto tem uma espe­cial reper­ cus­são para o caso da Espa­nha, já que se pode apro­vei­tar este aspec­to para favo­re­cer a explo­ra­ção tele­vi­si­va de lon­gas-metra­gens ou fil­mes para tele­

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vi­si­va na Euro­pa daque­las obras que tive­rem sido co-pro­du­zi­das entre pro­ du­to­res da comu­ni­da­de euro­péia. Este ponto tem uma espe­cial reper­ cus­são para o caso da Espa­nha, já que se pode apro­vei­tar este aspec­to para favo­re­cer a explo­ra­ção tele­vi­si­va de lon­gas-metra­gens ou fil­mes para tele­ vi­são que tive­rem sido co-pro­du­zi­dos com par­ti­ci­pa­ção espa­nho­la. Nacio­na­lis­mo Todas as tele­vi­sões públi­cas são con­ tro­la­das por pode­res públi­cos, ou seja, por par­ti­dos polí­ti­cos con­cre­tos em um momen­to con­cre­to. O dire­tor geral da Eus­kal Tele­bis­ta, a tele­vi­são públi­ca basca, é nomea­do pelo Par­la­ men­to Basco, ou seja, se há maio­ria de um par­ti­do polí­ti­co, este par­ti­do irá ­nomear ­alguém que lhe inte­res­se. O tema do extre­mo nacio­na­lis­mo na Espa­nha sem­pre foi notí­cia na impren­sa inter­na­cio­nal. “Exis­te um pro­ble­ma com que temos que con­vi­ ver em nossa socie­da­de: os nacio­na­lis­

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tas e os não-nacio­na­lis­tas. Neste momen­to os nacio­na­lis­tas estão no poder no País Basco, então é claro que isto é refle­ti­do na tele­vi­são”, diz Juan Car­los Vil­la­me­riel. Além do cas­te­lha­no, co-exis­tem no País Basco, Cata­lu­nha e Galí­cia idio­ mas pró­prios como o eus­ke­ra, o cata­lão e o gale­go, res­pec­ti­va­men­te. Esses idio­ mas são mino­ri­tá­rios e cor­rem o risco de se per­der caso os gover­nos autô­no­ mos não esta­be­le­çam medi­das polí­ti­cas posi­ti­vas de manu­ten­ção da iden­ti­da­de cul­tu­ral local. Nesse sen­ti­do pode­mos afir­mar que há algo mais além da idéia de nação e o sen­ti­men­to de nacio­na­lis­ mo entre os habi­tan­tes das pro­vín­ cias autô­no­mas que trans­cen­dem o fato de per­ten­ce­rem a uma comu­ni­ da­de está­vel e his­to­ri­ca­men­te for­ma­ da por um idio­ma, ter­ri­tó­rio e vida eco­nô­mi­ca, refle­ti­dos em modos cul­ tu­rais. E isto trans­pa­re­ce nas medi­ das ado­ta­das por todos os gover­nos autô­no­mos. O gover­no basco, com seu pro­gra­ ma de gover­no intei­ra­men­te vol­ta­do para esta iden­ti­da­de regio­nal, optou

por sus­ten­tar duas emis­so­ras de tele­vi­ são: a TV 1, que emite inte­gral­men­te em eus­ke­ra e uma emis­so­ra que trans­ mi­te inte­gral­men­te em cas­te­lha­no, a Eus­kal Tele­bis­ta. As duas são gene­ ra­lis­tas, com pro­gra­ma­ções aber­tas, plu­rais, mas apre­sen­tam dife­ren­ças impor­tan­tes. Uma das medi­das ado­ta­das, evi­ den­te­men­te uma deci­são polí­ti­ca para fomen­tar o uso de eus­ke­ra nas pró­xi­ mas gera­ções, é deter­mi­nar que toda a pro­gra­ma­ção infan­til na TV 1 seja exclu­ si­va­men­te em eus­ke­ra. Essa deci­são per­ mi­te que as crian­ças, mais per­meá­veis à assi­mi­la­ção de novas lín­guas e cul­tu­ras, pos­sam ter con­ta­to tanto com o eus­ke­ra, quan­to com o cas­te­lha­no. Outra deci­são polí­ti­ca é que as par­ti­ das de fute­bol, que con­tam com gran­de núme­ro de espec­ta­do­res, sejam trans­mi­ ti­das tam­bém na lín­gua basca. Os ­canais regio­nais não têm menos espec­ta­do­res em rela­ção aos nacio­nais; a per­cep­ção da socie­da­de basca sobre sua tele­vi­são se encon­tra em um índi­ce 9 de con­fia­bi­li­da­de (em um máxi­mo de 10); a TV1 apre­sen­ta os tele­jor­nais de maior audiên­cia no País Basco.

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N達o disponivel


MAIO

JUNHO

07 a 13 — XII Cine Ceará - Festival Nacional de Cinema e Vídeo. Fones: (85) 288-7771. E-mail: festivalcineceara@festivalcineceara.com.br. Internet: www.festivalcineceara.com.br.

02 a 20 — Curso: Realização e Roteiro. Escuela Internacional de Cine y TV, Cuba. Informações no Projeto Proarte Brasil. Fones: (22) 2629-1493 / 9217-1620. E-mail: alfrec@uol.com.br / patriciamartin@uol.com.br.

12 a 30 — Curso: Fotografia Cinematográfico. Escuela Internacional de Cine y TV, Cuba. Informações no Projeto Proarte Brasil. Fones: (22) 26291493 / 9217-1620. E-mail: alfrec@uol.com.br / patriciamartin@uol.com.br.

30 a 18/07 — Curso: Fotografia Cinematográfica. Escuela Internacional de Cine y TV, Cuba. Informações no Projeto Proarte Brasil. Fones: (22) 2629-1493 / 9217-1620. E-mail: alfrec@uol.com.br / patriciamartin@uol.com.br.

14 a 19 — VII Festival de Cinema, Vídeo e Dcine de Curitiba. Fone: (41) 336-1539. Internet: ww.araucariaproducoes.com.br. E-mail: araucaria@araucariaproducoes.com.br.

30 a 18/07 — Curso: Realização de Documentários. Escuela Internacional de Cine y TV, Cuba. Informações no Projeto Proarte Brasil. Fones: (22) 2629-1493 / 9217-1620. E-mail: alfrec@uol.com.br / patriciamartin@uol.com.br.

20 a 30 — VII Florianópolis Audiovisual Mercosul - FAM 2003. Florianópolis. Fone: (48) 237-9634 / 223-7343. E-mail: panvision@panvision.com.br. Internet: www.panvision.com.br. 28 a 08/06 — VIII Festival Brasileiro de Cinema Universitário Niterói, Rio de Janeiro. Fone: (21) 2613-5651. Fax: (21) 3826-1173. E-mail: festivaldecinema@uff.br. Internet: www.festivaluniversitario.cjb.net. 29 — 2º Festival Internacional de Cinema de Santa Cruz. Fone: (1-415) 846-5866. Fax: (1-415) 826-0878. Internet: www.santacruzfilmfestival.com. 30 a 03/06 — III CURTA-SE Festival Luso-Brasileiro de Curtas Metragens de Sergipe Aracaju. Fone: (79) 243-5933. Internet: www.infonet.com.br/curtase. 31 a 08/06 — VII Brazilian Film Festival of Miami, EUA. Telefax: (21) 2510-3454 / 2510-3608. E-mail: festival@inffinito.com. Internet: www.brazilianfilmfestival.com.

(Oportunidade de finalizar) Até o dia 30 de junho, as produções bra­ si­leiras filmadas e sem recursos para fi­na­ lização podem se inscrever para par­ti­ci­­ par do encontro Cinema em Cons­tru­ção, parte do Festival Interna­cio­nal de Ci­ne­ma de Donostia-San Sebas­tián, em par­ceria com o Rencontres Cinemas d’Ame­rique Latine, festival de Toulouse, na França. A idéia é exibir o material fil­mado para um júri espe­cializado, que po­de facilitar o processo de pós-produção. Ao todo, serão pré-selecio­na­dos oito filmes latinoameri­canos e espa­nhóis. O festival acontece nos dias 23 e 24 de setembro. Informações: www.sansebastianfestival. ya.com, www.cinelatino.free.fr e www.cineencontruccion.com

(Inscrição de curtas)

Estão abertas as inscrições para o 14º Fes­tival Internacional de Curtas-metragens de São Paulo, que acontece de 28 de agosto a 6 de setembro. Os filmes brasileiros podem se inscrever até 30 de junho. O festival reúne mais de cem filmes na­cio­nais recentes, em duas mostras: o Panorama Brasil, com uma seleção a partir de cerca de 200 filmes inscritos anualmente, e o Cinema em Curso, que privilegia a produção das escolas de cinema do País.

JULHO

07 a 18 — Curso: Roteiro

Cinematográfico. Escuela Internacional de Cine y TV, Cuba. Informações no Projeto Proarte Brasil. Fones: (22) 2629-1493 / 9217-1620. E-mail: alfrec@uol.com.br / patriciamartin@uol.com.br. 22 a 31 — Curso: Edição Digital em Avid. Escuela Internacional de Cine y TV, Cuba. Informações no Projeto Proarte Brasil. Fones: (22) 2629-1493 / 9217-1620. E-mail: alfrec@uol.com.br / patriciamartin@uol.com.br. 27 a 31 — SIGGRAPH 2003. San Diego Convention Center, San Diego, USA. Fone: (1- 719) 599-3734. E-mail: cmg@siggraph.org. Internet: www.siggraph.org.

SETEMBRO 3 a 5 — SET 2003 - Rio de Janeiro. Pavilhão de Congressos do Riocentro, Rio de Janeiro. Fone: (21) 2512-8747. E-mail set@set.com.br. 11 a 16 — IBC 2003 - International Broadcasting Convention. Amsterdam RAI, Amsterdã, Holanda. Fone: (44-20) 7611-7500. Fax: (44-20) 7611-7530. E-mail: show@ibc.org. Internet: www.ibc.org. 15 a 17/10 — Curso: Oficina Avançada de Roteiro. Escuela Internacional de Cine y TV, Cuba. Informações no Projeto Proarte Brasil. Fones: (22) 2629-1493 / 9217-1620. E-mail: alfrec@uol.com.br / patriciamartin@uol.com.br. 22 a 31 — Curso: Teoria e Prática da Montagem Cinematográfica. Escuela Internacional de Cine y TV, Cuba. Informações no Projeto Proarte Brasil. Fones: (22) 2629-1493 / 92171620. E-mail: alfrec@uol.com.br / patriciamartin@uol.com.br.


N達o disponivel


N達o disponivel

Revista Tela Viva 127 - Maio 2003  

Revista Tela Viva 127 - Maio 2003