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A produção e distribuição do cinema nacional dão a pauta do Festival do Rio

Como os fabricantes de negativos para cinema enfrentam a digitalização

Canal 21 amplia alcance e quer ser rede nacional com perfil segmentado

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Ajuda, mas não resolve Mesmo com regras mais flexíveis, mídia precisará do PT em 2003 ano11nº122NOVEMbro2002


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editorial Passada a eleição, e com ela o tal período de “incerteza” que tanto sacudiu os mercados, tem início no País um novo ciclo político e econômico. A chegada do PT e seus aliados ao poder central se deu sob a promessa do crescimento e do desenvolvimento. O novo presidente e sua equipe têm em uma das mãos um dos maiores cacifes eleitorais da história, e na outra o desafio de

rubensglasberg

promover a retomada econômica sem o descontrole inflacionário. Não será fácil,

glasberg@telaviva.com.br

mas os 52 milhões de votos e a expressiva bancada parlamentar devem dar ao mandatário a força política necessária para tentar. O setor de mídia vem sendo um dos mais afetados, não só no Brasil mas em todo o mundo, pela estagnação econômica. A recente reestruturação da dívida da Globopar, no final de outubro, é o exemplo mais eloqüente desta situação. Mas a crise não é exclusividade de um único grupo. Praticamente todas as televisões enfrentam hoje um momento difícil, para não falar em segmentos ainda mais sensíveis, como a imprensa e a TV por assinatura. Tanto o atual governo quanto o próximo já demonstraram disposição para ajudar estas empresas, das mais variadas formas. Fernando Henrique editou, ao final do seu mandato, a MP 70, que abre as empresas para o capital estrangeiro e ainda mexe nos limites de propriedade de emissoras, em uma medida que contrariou o próprio acordo feito com o Congresso para a alteração do artigo 222 da Constituição. O PT, através de seu presidente, José Dirceu, já deu a entender que não deixará que as empresas quebrem de vez. Basta assistir a televisão estes dias para ver que o namoro entre o broadcast e o novo governo já começou. Mas deixadas de lado estas aproximações, muito questionáveis do ponto-de-vista da democratização das comunicações, o que o PT pode fazer de melhor para ajudar a mídia é cumprir o compromisso assumido com o eleitorado. A retomada do crescimento econômico é o ponto fundamental, a condição necessária para a recuperação do setor. Com a reativação da economia, os negócios voltam a andar, as contas voltam a ser pagas, os créditos ressurgem e as verbas de publicidade crescem. É disso efetivamente que as indústrias de televisão e audiovisual como um todo precisam. Esta é nossa esperança, e a de todos os brasileiros.

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CAPA

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Xadrez na mídia MP 70 ajuda, mas broadcasters dependerão do novo governo para sair do buraco

ano11nº122novemBRO2002

tecnologia

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A digitalização do acervo da Globo

Em 2003, a Central Globo de Engenharia dá início ao processo, que prevê converter todas as imagens jornalísticas e esportivas

televisÃo

 Um novo Canal 21

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artigo

Novidades na programação, formatos diferenciados para anunciantes e expansão para fora de São Paulo são as marcas do canal agora

As possibilidades do WM9 na era digital

Paulo Cesar dos Santos, da Microsoft, detalha o Windows Media 9 Series, que consumiu US$ 500 milhões em três anos de pesquisas

cinema  A produção audiovisual em pauta

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produtos

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upgrade 8

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As películas que vão brigar com o cinema digital

Grandes nomes nacionais e internacionais se reuniram no Festival do Rio BR 2002 para discutir o produto latino-americano

SCANNER

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Kodak e Fuji concentram esforços para abrir o leque de opções no mercado de negativos

figuras

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agenda

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Como fica a agên­cia? Impas­se buro­crá­ti­co ­ lguns pro­du­to­res audio­vi­suais estão recla­ A man­do do impas­se cria­do neste final de gover­no entre Anci­ne e Minis­té­rio da Cul­ tu­ra (MinC) em rela­ção à apro­va­ção dos pro­je­tos de incen­ti­vo audio­vi­sual. Exis­tem empre­sas dis­pos­tas a inves­tir ainda no exer­ cí­cio fis­cal de 2002, os pro­je­tos estão pron­ Augus­to Sevá tos, mas não con­se­guem ser enqua­dra­dos nas polí­ti­cas de incen­ti­vo. Segun­do apu­rou Tela Viva, a situa­ção de impas­se entre o MinC e a agên­cia, que já vem de muito tempo, está ainda mais crí­ti­ca por­que não exis­te uma cen­tra­li­ za­ção nesse tra­ba­lho e nem von­ta­de polí­ti­ca do minis­té­rio de resol­ver as pen­dên­cias em fim de man­da­to. Mas há quem apos­te que o MinC já este­ja lim­pan­do as gave­tas. Duran­te o Con­gres­so ABTA 2002, em outubro, o dire­tor da Anci­ne August­ o Sevá anun­ciou que a agên­cia será, em breve, res­pon­sá­vel pela apro­va­ção de pro­je­tos para a Lei do Audio­vi­sual e para parte da Lei Roua­net. O que seria uma solu­ção para o impas­se e ainda agi­li­za­ria os pro­ces­sos buro­crá­ti­cos, por­que os requi­si­tos para pro­du­ção com recur­sos da Con­de­ci­ne e da Lei do Audio­vi­sual são os mes­mos. Quan­to à Lei Roua­net, a Anci­ne jul­ga­ria somen­ te os pro­je­tos refe­ren­tes à pro­du­ção audio­vi­sual.

Inde­pen­den­tes ini­ciam nego­cia­ção As pro­du­to­ras inde­pen­den­tes de tele­vi­são, repre­sen­ta­das pela ABPI-TV, e as pro­gra­ma­do­ras inter­na­cio­nais, repre­sen­ta­das pela TAP, tive­ram em outu­bro seu pri­mei­ro encon­tro ins­ti­tu­cio­nal. Segun­do o pre­si­den­te da ABPI-TV, Marco Alt­berg, o resul­ta­do foi muito posi­ti­vo e as pro­gra­ma­do­ ras mos­tra­ram-se inte­res­sa­das e dis­pos­tas a come­çar a pro­du­zir local­ men­te ainda este ano. “Os ­canais acei­tam inclu­si­ve abrir suas gra­des de pro­gra­ma­ção para inse­rir a pro­du­ção nacio­nal”, conta. O maior pro­ble­ma, expli­ca, ainda são as dúvi­das em rela­ção aos deta­ lhes de fun­cio­na­men­to das co-pro­ du­ções, do uso dos recur­sos etc. Por isso, as asso­cia­ções ela­bo­ra­rão Marca na pele lis­tas com as prin­ci­pais dúvi­das para serem enca­mi­nha­das à Anci­ Cria­da por Clau­dia Issa, com ne. Está pre­vis­ta nova reu­nião neste dire­ção de arte de Julia­na Issa mês de novem­bro. e de Lucia­no Zuffo — um dos



tela viva novem­bro de 2002

Com a troca de gover­no, a Anci­ne passa por uma situa­ção com­pli­ca­da. Pri­mei­ro por­­ que parte de suas atri­bui­ções ainda pre­ci­sa ser trans­fe­ri­da do MinC, o que teria que ser feito por decre­to pre­si­den­cial. ­ De­pois, por­que há um con­fli­to evi­den­te entre pro­du­ to­res inde­pen­den­tes, gran­des pro­du­to­res de cine­ma nacio­nal e estú­dios es­tran­gei­ ros; con­fli­to esse que se mate­ria­li­zou em um gran­de mal-estar entre Gus­ta­vo Dahl, pre­si­den­te da Anci­ne, e Luiz Car­los Bar­re­to em reu­nião rea­li­za­da no mês pas­­sa­do para dis­cu­tir ques­tões do mer­ca­do cine­ma­to­grá­ fi­co, envol­ven­do exi­bi­do­res, dis­­tri­bui­do­res e pro­du­to­res. Os pro­du­to­res es­tão insa­tis­fei­ tos com a Anci­ne, mas sa­bem que ela é a única fer­ra­men­ta de que dis­põem. Mais que isso, a Anci­ne pre­ci­sa se posi­cio­nar dian­te das pers­pec­ti­vas polí­ti­cas para 2003. Trata-se de uma agên­cia que se via­bi­li­zou gra­ças ao tra­ba­lho do Gedic mas, sobre­tu­do, ao apoio pes­soal do pre­si­den­te Fer­nan­do Hen­ri­que Car­do­so. Não foi uma agên­cia dis­ cu­ti­da pelo Con­gres­so e que, por­tan­to, tende a se enfra­que­cer no pró­xi­mo gover­no. Além disso, o pro­gra­ma de cul­tu­ra do PT não dá ao cine­ma comer­cial o mesmo peso dado pela Polí­ti­ca Nacio­nal de Cine­ma esta­be­le­ci­ da por FHC.

s­ ócios da Sen­ti­men­tal Filme —, a marca da pro­du­to­ra pau­lis­ta é uma tatua­gem em forma de cora­ção. O tatua­dor Leds fez o dese­nho no braço de um dos fun­cio­ná­rios da agên­cia de ­design Issa.D/A. A marca foi foto­gra­fa­da e foi man­ti­do o fundo, ou seja, a pele.

Fotos: Gerson Gargalaka (Augusto Sevá) e divul­ga­ção


Tec­no­lo­gia em crise A 5D, desen­vol­ve­do­ra de soft­wa­res de cor­re­ção de cores e com­po­si­ção, ­fechou suas por­tas no final do mês de outu­bro. A empre­sa tinha 50 fun­cio­ná­ rios em Lon­dres e Los Ange­les, e era a res­pon­sá­vel pelo soft­wa­re de com­po­si­ ção ­Cyborg HD, que está na ver­são 2.5. Ainda não se sabe se outra empre­sa com­pra­rá os direi­tos do pro­du­to. Outra que encon­tra pro­ble­mas é a Media 100. A empre­sa foi noti­fi­ca­da pela bolsa ele­trô­ni­ca norte-ame­ri­ca­na Nas­daq que suas ações pre­fe­ren­ciais com­ ple­ta­ram mais de 30 dias con­se­cu­ti­vos abai­xo do valor míni­mo de US$ 1,00 por ação, reque­ri­do pela Nas­daq para que a empre­sa possa ser nego­cia­da em seus pre­gões. Pelas ­regras, a Media 100 pre­ci­sa recu­pe­rar o preço míni­mo até o dia 31 de dezem­ bro e se man­ter assim por, no míni­mo, dez dias para que possa con­ti­nuar na bolsa. Caso con­trá­rio, a empre­sa terá que trans­fe­rir suas ações para o Small­Cap Mar­ket da Nas­daq, onde terá até o dia 29 de setem­bro do pró­xi­mo ano para recu­pe­rar o valor míni­mo de US$ 1,00 por ação e se man­ter por 30 dias con­­se­cu­ti­vos para poder vol­tar aos pre­­gões da Nas­daq Natio­nal Mar­ket.

Cul­tu­ra audio­vi­sual

Men­ti­ra vir­tual Para divul­gar o novo recur­so dos celu­la­res Nokia — que cap­tam e trans­mi­tem ima­gens — a Lew, Lara criou um filme “pega­di­nha”. Um cara está no tra­ba­lho, tira a cami­sa, põe os ócu­los escu­ros e vai até a saca­da, fin­gin­do que está na praia. Tira uma foto com o celu­lar e envia para outro amigo. Para não ficar para trás, o amigo fica em fren­te a um pôs­ter de Nova York e devol­ve a men­ti­ra. Com cria­ção de Car­los Nunes e Ro­dri­go Pinto, o filme foi pro­­du­zi­do pela Cia. de Cine­ma e diri­gi­do por Rodol­fo Vanni.

A Pin­na­cle inau­gu­rou o Cen­tro Cul­tu­ ral Pin­na­cle Home, um espa­ço aber­ to ao públi­co vol­ta­do à popu­la­ri­za­ção das tec­no­lo­gias de pro­du­ção audio­vi­ sual atra­vés de cur­sos, works­hops e trei­na­men­tos. O local tem audi­tó­rio com capa­ci­da­de para 40 pes­soas e deve rece­ber cerca de sete mil alu­ nos ao ano. Conta com esta­ções de edi­ção de vídeo não-­linear e ­outros equi­pa­men­tos e soft­wa­res pro­fis­sio­nais e semi­pro­fis­sio­nais. A pre­vi­são é que em breve o cen­tro seja amplia­do com equi­ pa­men­tos da linha broad­cast para trans­mis­são de ima­gens ao vivo. A Pin­na­cle já ­fechou acor­do com a Pio­neer e a JVC para a doa­ção de equi­pa­ men­tos para o local. A Pion­ner doará gra­va­do­res de DVD de mesa e para mi­cro­­ com­pu­ta­do­res e a JVC con­tri­bui­rá com fil­ma­do­ras digi­tais semi­pro­fis­sio­nais, além Rela­ções ­manuais de câme­ras inter­nas e exter­nas da linha pro­fis­sio­nal. O Cen­tro Cul­tu­ral Pin­na­cle A dire­to­ra da Film Pla­net Ivy Abu­jam­ra assi­na, pelo segun­do ano Home fica na Rua Serra do Jairé, 663, no con­se­cu­ti­vo, a cria­ção e dire­ção de uma das vinhe­tas de aber­tu­ra bair­ro do Belém, em São Paulo. do Mix Bra­sil 10 — 10º Fes­ti­val da Diver­si­da­de ­Sexual. O filme está sendo exi­bi­do em salas de cine­ma e na MTV. A vinhe­ta, ilus­ tra­da com fai­xas nas cores da ban­dei­ra do movi­men­to gay, mos­tra uma série de ges­tos fei­tos com as mãos repre­sen­tan­do rela­ções ­sexuais. “Tra­ba­lha­mos com os efei­tos de ­ várias máqui­ nas dife­ren­tes para pro­du­zir os foto­gra­mas. Duran­te cer­ ca de um mês digi­ta­li­za­mos nos­sas mãos em scan­ner, mon­ta­mos as cenas no Fla­ me e ­ depois ani­ma­mos no In­fer­no”, expli­ca Ivy. Correção: Esta­va incor­re­ta a infor­ma­ção divul­ga­da pela asses­so­ria de impren­sa da Inno­va Pro­du­ções sobre a orga­ni­za­ção do Res­Fest, publi­ca­da na pági­na 10 da edi­ção de outu­bro de Tela Viva. O fes­ti­val não deve mais acon­te­cer no Bra­sil.


cleaner

PRV-9000 Pro A Pioneer lançou o gravador de DVD PRV-9000 Pro. Voltado para o mercado profissional, o equipamento é uma unidade única de desktop que edita e grava vídeos em mídias graváveis e regraváveis (DVD-R e DVD-RW). Além disso, pode gerar até 99 títulos no menu. O PRV-9000 conta com porta de comunicação no padrão IEEE 1394 (FireWire) e com entradas e saídas analógicas e digitais, o que possibilita sua conexão com outros equipamentos de vídeo, incluindo os que trabalham no formato Component Betacam, possibilitando a transformação de um padrão para outro em um apertar de botão. www.pioneer.com.br

Effect Essentials A Buena Software anunciou o Effect Essentials, um pacote com dez plug-ins de efeitos para o Final Cut Pro. Entre os plug-ins estão corretores de cor com ajuste de curva RGB e HSV (Hue-Saturation-Value) e vários efeitos visuais. Os plug-ins estão à venda por US$ 249 no site da empresa, que também tem uma versão demo. Os softwares rodam em Final Cut Pro 3.0, ou mais recente, nos sistemas MacOS 9 e MacOS X. www.buena.com



tela viva novembro de 2002

A Discreet colocou no mercado a sexta versão do cleaner para Macintosh, software de codificação de vídeo. Trata-se de um complemento para aplicações de edição como o Final Cut Pro, Premiere e Avid Xpress DV. O cleaner é capaz de codificar o sinal de vídeo em vários formatos. Dá suporte ao MPEG-4 e compressão de áudio Advanced Audio Coding (AAC) através do QuickTime 6, conta com a tecnologia VBR (variable bit rate) para compressão em MPEG-2. Também codifica para os players RealMedia, Windows Media e Kinoma (formato popular para dispositivos handheld). Além disso conta com 150 préconfigurações de codificação, mais de 50 filtros e ferramentas de correção e suporta micros G4 com dois processadores. O preço é de US$ 599 nos EUA. O upgrade já pode ser feito por US$ 179 no site da empresa. www.discreet.com

DVCPRO A Panasonic anunciou nos EUA uma nova linha de produtos DVCPRO. A família é formada pelos VTRs de edição AJ-SD955A e AJ-SD930 e a camcorder AJSDC915. Todos os equipamentos trabalham a 25 Mbps e 50 Mbps. Ambos os modelos de VTR podem gravar 92 minutos no modo 50 Mbps 4:2:2 ou 184 minutos no modo clássico 25 Mbps 4:1:1. Para fazer o playback, eles detectam automaticamente AJ-SD955A entre os formatos DVCPRO50, DVCPRO, DVCAM e DV; para o formato Mini-DV é necessário um adaptador. Além disso, existe uma placa IEEE-1394 (FireWire) opcional, para comunicação com PCs. O AJ-SD955A também pode gravar em formato PAL AJ-SD930 (625 linhas) e conta com um painel de edição frontal capaz de controlar até duas máquinas simultaneamente. A camcorder AJ-SDC915 trabalha nos aspectos 16:9 e 4:3, tem como opcional o adaptador de áudio AJ-CA910 para gravar até quatro canais independentes de áudio e trabalha com iluminação mínima de 0,11 lux em F1.4. Os VTRs AJSD930 e AJ-SD955A estão à venda nos EUA por US$ 14.995 e US$ 19.995, respectivamente, e a camcorder AJ-SDC915 por US$ 18,9 mil. www.panasonic.com

AJ-SDC915


Tamanho É documento aircam desenvolve grua de 15 metros, a maior da américa latina, e traz para o brasil equipamento de US$ 155 mil. A Aircam Sistemas Especiais Cine e TV lançou no final de outubro a maior grua da América Latina. O equipamento, batizado com o nome nada singelo de Monster, chega a 15 m de altura quando está na posição vertical. Para criar o “monstro”, a equipe da Aircam gastou três anos e meio em pesquisa e desenvolvimento. “Talvez fosse mais barato trazer uma grua de fora, mas agora temos um know-how que não tem preço”, diz Homero Martins, sócio da Aircam. Quando Martins resolveu desenvolver e fabricar a grua, foi para os Estados Unidos e, na NAB de 1998, fotografou e gravou em vídeo todas as gruas que Monster — equipamento consumiu 3,5 anos estavam lá. “Todo tipo de material de em pesquisa e desenvolvimento.

A cabeça HotHead II permite infinitas rotações.

pesquisa era bem-vindo”, explica. Naquela época, a maior grua no mercado brasileiro tinha 8,5 m e nos EUA era de 12 m. “Não quis fabricar algo que já existisse, então pedi para dois engenheiros, um mecânico e outro aeronáutico, começarem a estudar a viabilidade de uma grua de 15 m”, lembra Martins. Na Aircam, que iniciou no mercado brasileiro com um side mount para helicópteros, costuma-se dizer que “o helicóptero voa e a grua não. Mas a Monster chega perto”. A estrutura do equipamento é de duralumínio e aço inox, o que proporciona leveza e robustez, com um fator de segurança muito acima do exigido pela ABNT. A grua pode ser montada com plataforma para dois técnicos, suportando 260 kg e atingindo 9,5 m; para um técnico, com peso máximo de 160 kg e atingindo 9,5 m ou 12,5 m; e com cabeça remota, suportando 90 kg e atingindo

12 m ou 15 m. O equipamento pesa (incluindo os contrapesos) 1,6 toneladas e consome cerca de 1h30 na montagem e no balanceamento. Cabeça giratória Como opção no uso da Monster, a Aircam importou uma cabeça HotHead II, da Egripment Support Systems. Usando um sistema no qual os cabos de controle da câmera são conectados ao eixo de suporte da cabeça e os cabos da câmera na própria cabeça, o equipamento permite infinitas rotações para movimentos de Pan e Tilt. Está previsto para janeiro do próximo ano um terceiro eixo, para que a cabeça possa fazer movimentos Dutch. O controle do equipamento pode ser feito por manivelas (Crank Wheels) ou C.A.T. (Pan Bar), o que permite controlar os movimentos de maneira familiar ao operador. Além disso, a cabeça é uma das mais leves do mercado, pesando apenas 24 kg, e suporta cargas de até 70 kg. Podem ser usadas câmeras de 35 mm, 16 mm ou vídeo. Para controlar a câmera, a Aircam trouxe o FI+Z, da Preston. O equipamento, que trabalha por controle remoto usando freqüências de microondas, permite comandos de disparo da câmera e regulagem do foco, da íris e do zoom. Além da facilidade de operação, o controle remoto trabalha a uma distância de até 1,5 mil metros da câmera. O investimento na importação dos dois equipamentos (HotHead II e FI+Z) foi de US$ 155 mil. www.aircam.com.br fernandolauterjung

Fotos: Gerson Gargalaka (grua) e divulgação


Em sua nova sala de montagem instalada na produtora paulista Movi&Art, diante de um Avid de última geração, o montador Umberto Martins não se esconde. Sua espontaneidade se revela na fala rápida e debochada de carioca, e na empolgação que tem pelo trabalho. Mas o pseu­do­ca­rio­ca na ver­da­de é minei­ro de Nova Era (cida­de vizi­nha a Ita­bi­ra, terra de Car­los Drum­mond de Andra­de, de quem é até meio paren­te). Saiu de casa em 1964, com 14 anos, e foi para o Rio. Sua irmã já mora­va por lá, casa­da com Moi­sés Ken­dler, jor­na­lis­ta e assis­ten­te de Glau­ber Rocha em “Terra em Tran­se”, numa casa que res­pi­ra­va cine­ma. Por isso foi tra­ba­lhar no Mu­seu de Arte Moder­na como pro­je­cio­ nis­ta. Assist­ i todos os fil­­mes do Cine­ma Novo e da Nou­vel­le Vague. Nessa época, até diri­giu um curta — “Tempo Inte­gral (Pare de Recla­mar)”. O encon­tro com a publi­ci­da­de sur­giu em 72, quan­do a Lynx Film abriu uma ­ filial no Rio. Era uma das maio­res pro­du­to­ras e fazia mui­tos fil­mes de cigar­ro. Eu era assis­ten­te de mon­ ta­­gem de Alzi­ra Cohen, até que ela ­encheu o saco e desis­ tiu. Daí come­cei a mon­tar os fil­mes.

Um­ber­to Mar­tins

Em 1980 rece­beu um con­vi­te da Blow Up, outra pro­du­to­ra que tinha aber­to ­filial no Rio. Foi aí que come­çou a fre­qüen­tar a ponte aérea, via­jan­do sem­pre para São Paulo. Eu mora­va no Leme, odia­va São Paulo. Um pouco ­depois, porém, ele se mudou defi­ni­ti­va­men­ te para São Paulo, para tra­ba­lhar com João ­Daniel Tikho­mi­roff, na Jodaf, para onde voltou depois de uma breve pas­sa­gem pela Chro­ma. A publi­ci­da­de bra­si­lei­ra esta­va em uma fase boa, ganhan­do prê­mios pelo mundo. Fizem ­ os os pri­mei­ros cli­pes do Holly­wood nessa época, aque­les com músi­cas famo­sas. Em 86, Umber­to foi tra­ba­lhar na TVC de Dodi Tater­ka, mon­tan­do o comercial “Soc­cer Faces”, para a Coca-Cola. A cam­pa­nha mun­dial tinha mais de cinco horas de mate­rial e o dire­tor não gos­tou da ver­ são feita pela ­matriz da agên­cia nos EUA. ­

2 A Movi&Art está cheia de novi­da­ des. Trou­xe para seu staff dois novos dire­to­res — Gugu Seppi (1) e Mar­cel Gua­ri­glia (2), vin­dos res­pec­ti­va­men­te da Lowe (onde era RTV) e da Casa­blan­ ca. Os dois foram par­cei­ros na pro­du­ção 1 de fil­mes para mar­cas como Nes­tlé, Uni­ le­ver e John­son&­Johnson’s, além de diri­ gi­rem cli­pes. ­Depois de tra­ba­lha­rem jun­tos em ­alguns pro­je­ tos, sur­giu a idéia de con­so­li­dar a par­ce­ria. Agora, os dois pode­rão exer­cer sua ousa­dia na Movi&Art. Além da dupla, a

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pro­du­to­ra pau­lis­ta­na agora conta com mais uma pro­fis­sio­nal em seu aten­di­men­to. Quem assu­me a fun­ção é Cani Sahm, que foi RTV da ­Talent e aten­di­men­to da O2. A pro­du­to­ra tam­bém ­ fechou um acor­do de repre­sen­ta­ção comer­cial com a Copa­ca­ba­na Fil­mes, de Carla Camu­rat­ti. Por esse acor­do, a produtora carioca passa a vender os direitos da Movi&Art no Rio. A par­ce­ria abre a pos­si­bi­li­da­de de novos vôos con­jun­tos, mas por enquan­to as pro­du­to­ ras fazem sus­pen­se.

Fotos: Gerson Gargalaka (Umberto Martins) e divul­ga­ção


Nessa época come­ça­ram as mudan­ças de tec­no­lo­gia. Sur­gi­ram as pri­mei­ras ilhas de edi­ção. Eu que sem­pre tinha usado a movio­la tive que come­çar a mon­tar naque­las ilhas linea­res U-Matic. Era um saco. Eu era muito bom na movio­la, minha máqui­na tinha duas telas e a sala era cheia de nega­tos­có­pios onde eu colo­ca­va as figu­ri­nhas e podia ana­li­sar tudo. ­Depois de uma breve socie­da­de na Best Fil­mes, Umber­to come­çou a tra­ba­lhar como frila. Até que sur­ giu o Avid, uma ver­da­dei­ra movio­la ele­trô­ni­ca, com a mesma manei­ra de pen­sar. E a Mega me ofe­re­ceu a Sala Garim­po, com um Avid e todos os recur­sos.

Umber­to ficou nos Estú­dios­Me­ga até mea­dos deste ano, quan­do o amigo Paulo Dan­tas — hoje um dos ­ sócios da Movi&Art — pro­pôs que assu­mis­se a parte de mon­ta­ gem da pro­du­to­ra. Ele ­ ampliou tudo e me cha­mou para ficar aqui, fixo. Topei, mas resol­vi mudar o acor­do. Não quis ficar total­men­te com­pro­me­ti­ do. Além disso, gosto de ter assis­ten­tes, ­alguém para dis­cu­tir. Meu tra­ba­lho não é soli­tá­rio. Digo que sou um semi­bár­ba­ro, um afe­gão médio. Não falo ­inglês, mexo no com­pu­ta­dor, sei ope­rar, mas me canso logo. Gosto mesmo das figu­ri­nhas.

As figu­ri­nhas são os foto­gra­mas, aos quais se dedi­ca de corpo e alma. Em uma mon­ta­gem, assis­te a todo o mate­rial, sem exce­ção — às vezes, apro­vei­ta até o que apa­ren­te­men­ te tinha defei­tos. Quan­do se empol­ga, põe-se a falar sobre seus dois assun­tos favo­ri­tos: ele mesmo e a mon­ta­gem. Tenho fa­ma de chato e ran­zin­za, mas acho que a clas­se dos mon­­ta­do­res é pouco pri­vi­le­gia­ da no Bra­sil. Além da falta de liber­da­de, a gente tem que fazer a ver­são do dire­tor, a da cria­ção e a do clien­te, tudo pelo mesmo pre­ço. Para mim a mon­­ta­gem não é tare­fa, é mis­são. Sou uma pes­­ soa vai­do­sa e meu maior pra­zer é sur­pre­en­­der o clien­te. Por isso, pre­ci­so tra­ba­lhar com liber­ da­de. Eu gosto da pro­pa­gan­da, foi ela que me per­mi­tiu apren­der.

O dire­tor de foto­gra­fia

Affon­so Beato — conhe­ci­ do in­­ter­na­cio­nal­men­te pela fo­to­­gra­fia pri­mo­ro­sa dos últi­ mos fil­­mes do dire­tor Pedro Al­mo­dó­var — é um dos mais novos mem­bros da Ame­ri­can ­So­cie­ty of Cine­ma­to­gra­phers, a as­so­­cia­ção que reú­ne os dire­ to­res de foto­gra­fia norte-ame­ri­ ca­nos. Divi­din­do-se en­tre Bra­­ sil e EUA, quan­do não está na Es­pa­nha fil­man­do com Al­mo­ dó­var, Beato assi­na tam­bém a foto­gra­fia do novo filme de Bruno Bar­re­to, “A View From the Top”. É o pri­mei­ro bra­­si­lei­ro a assi­nar as ini­ciais ASC ao lado do seu nome.

O pro­du­tor José Zim­mer­man assu­miu no final de se­tem­bro a ouvi­do­ria da Anci­ne. O ou­vi­dor geral da agên­cia diz estar “ana­li­ san­do todas as for­mas de aten­di­ men­to ao setor au­­dio­vi­sual” e que a pági­na da agên­cia na Inter­net (www.anci­ne.gov.br) deve­rá ter um link para comu­ni­ca­ção com a ouvi­do­ria ainda este mês. Zim­mer­ man disse que esta­rá pron­to para res­­pon­der per­gun­tas cor­ri­quei­ras e que ques­tões mais espe­cí­fi­cas serão re­pas­sa­das aos res­pec­ti­vos de­par­ta­men­tos da agên­cia. “Esta­ mos defi­nin­do os pra­­zos que deve­ rão ser obe­de­ci­dos para que as ques­tões sejam res­pon­di­das o mais rápi­do pos­sí­vel.”

O dire­tor Jeff Chies está de volta à Cia. de Cine­ma. ­Depois de dois anos tra­ba­lhan­do em ­várias pro­du­to­ras do mer­ca­do pau­lis­ta, Chies acei­tou o con­vi­te dos ­ sócios Maninho e Rodolfo Vanni para vol­tar à ex­clu­si­vi­da­de na Cia. de Cine­ma. “Na Cia. de Cine­ma con­si­go jun­tar o pra­zer de tra­ba­lhar com as con­di­ções ­ideais de pro­du­ção”, afir­ma.

Patri­cia Viot­ti de Andra­de, sócia-dire­to­ra da Cons­pi­ra­ção Fil­mes desde 1997, está dei­xan­do a casa. Se­gun­­do comu­ni­ca­do divul­ga­do pela pro­du­ to­ra, Patrí­cia to­mou a deci­são basea­da em moti­vos de natu­re­za par­ti­cu­lar. Aná­dia Oli­vei­ra é a nova pro­fis­ sio­nal no time de aten­di­men­to da pro­du­to­ra Inno­va. Aná­dia já tra­ba­lhou na Sam Stu­dio, Twis­ ter Stu­­dio e Cara­de­Cão Fil­­­mes. Na Inno­va, além do aten­di­men­to, cui­da­rá tam­bém da divul­ga­ção e venda de pro­je­tos e da estru­tu­ra da pro­du­to­ra para os mer­ca­dos publi­ci­tá­rio e cor­po­ra­ti­vo.

Vinda da Cia Ilus­tra­da, onde tra­ba­lhou por 4,5 anos como fina­li­za­do­ra e assis­ten­te de dire­ção, ­Andréia de Souza Figuei­ re­do aca­bou de assu­mir a coor­de­na­ção de fina­li­za­ção da Mr. Magoo, em São Paulo. O inves­ti­men­to na pro­fis­sio­nal é fruto de um esfor­ço da pro­du­to­ra para for­ta­le­cer seu braço pau­lis­ta­no.

A pro­du­to­ra cario­ca CaradeCão assi­na a pro­du­ção dos novos fil­mes que a agên­cia Con­tem­po­râ­nea criou para o Canal Futu­ra. Os fil­mes de divul­ga­ção do canal edu­ca­ti­vo são pro­ta­go­ni­za­dos por apre­sen­ta­do­ res do canal, como Ser­gi­nho Grois­man e Gio­van­na Anto­nel­li. A cam­pa­nha tem exi­bi­ção pre­vis­ta para os ­canais da Glo­bo­sat, além da pró­pria TV Globo. O com­po­si­tor e pro­du­tor Diogo Whi­ta­ker Poças, que era sócio da pro­du­to­ra mul­ti­mí­dia Bros, par­tiu para pro­je­to solo. Poças abriu a pro­du­to­ra de áudio Plugin que, em ape­nas três meses, já tem tra­ba­lhos de des­ta­ que no cur­rí­cu­lo, como os jin­gles para rádio e TV da cam­pa­nha nacio­nal da ­Penalty e da cam­pa­nha em TV da rede de lan­cho­ne­tes ­Ha­bib’s. A pro­du­to­ra tam­bém conta com a ajuda do maes­tro ­Edgard Poças, pai de Diogo.


Xadrez da mídia Mesmo com a publicação da polêmica MP 70, setor dependerá do futuro governo para se levantar.

A

A tem­pes­ta­de nas empre­sas de comu­ni­ca­ção pare­ce que anun­ciou o ­default). não vai pas­sar tão cedo. O cená­rio é com­ple­xo e cheio de Em polí­ti­ca, nada é por deta­lhes. A tran­si­ção polí­ti­ca para o gover­no Lula marca, acaso. A Globo, que fez a cober­ tam­bém, um momen­to de mudan­ça cru­cial para as empre­sas tu­ra jor­na­lís­ti­ca do pro­ces­so elei­to­ de TV, ­rádios, jor­nais e revis­tas. Em outu­bro, duran­te as elei­ ral mais ampla de sua his­tó­ria, não ções, acon­te­ce­ram dois fatos que entra­rão para a his­tó­ria das mani­fes­tou ­ne­nhum viés que pudes­se comu­ni­ca­ções no Bra­sil: a Globo anun­ciou a inca­pa­ci­da­de inter­fe­rir na vota­ção, e isso foi enca­ra­do de pagar suas dívi­das e a neces­si­da­de ime­dia­ta de se rees­tru­ por seto­res do PT como um si­nal de que a tu­rar, e o gover­no deci­diu regu­la­men­tar a entra­da de capi­tal maior empre­sa de mí­dia do País não esta­va dis­ estran­gei­ro em empre­sas de mídia por meio de uma medi­da pos­ta a com­­prar briga com quem quer que fosse o pro­vi­só­ria - e de que­bra fle­xi­bi­li­zou as ­regras de con­cen­tra­ pre­­si­den­te. Pelo con­trá­rio, que­ria se apro­xi­mar. ção de outor­gas de radio­di­fu­são. Já o gover­no FHC publi­cou, no iní­cio de outu­ As empre­sas de comu­ni­ca­ção do País estão em apu­ros bro, a Medi­da Pro­vi­só­ria 70, que regu­la­men­ta a entra­da finan­cei­ros, e disso nin­guém duvi­da. O fato de a Glo­bo­par de capi­tal estran­gei­ro em empre­sas de comu­ni­ca­ção e, de (hol­ding da famí­lia Mari­nho para os inves­ti­men­tos em TV que­bra, rompe ­alguns limi­tes à con­cen­tra­ção das outor­ paga, grá­fi­cas e Inter­net) ter anun­cia­do no final do mês pas­ gas de tele­vi­são. Esta MP, ainda que fosse inte­res­san­te à sa­do que não con­se­gui­rá pagar sem rene­go­ciar seus com­pro­ Globo, não era sua prio­ri­da­de, segun­do fon­tes bem infor­ mis­sos de US$ 1,2 ­bilhão dire­tos, ou US$ 1,61 ­bilhão se con­ ma­das. Em ­nenhum momen­to a empre­sa defen­deu a regu­ ta­das as dívi­das das sub­si­diá­rias, foi sin­to­má­ti­co. O depu­ta­do la­men­ta­ção do capi­tal estran­gei­ro por meio de medi­da elei­to José Dir­ceu (PT/SP), um dos prin­ci­pais arti­cu­la­do­res pro­vi­só­ria, muito menos ­apoiou a idéia de, nessa mesma da cam­pa­nha de Lula e pro­va­vel­men­te do pró­xi­mo gover­no, MP, fle­xi­bi­li­zar as ­ regras de con­cen­tra­ção. Isso por­que dei­xou claro em entre­vis­ta ao pro­gra­ma “Roda Viva”, da TV sabia que era o seu bom rela­cio­na­men­to com o PT que Cul­tu­ra: a saúde finan­cei­ra das empre­sas de esta­va em jogo, já que parte das nego­cia­ comu­ni­ca­ção será, no gover­no Lula, “assun­ ções para a mudan­ça da Cons­ti­tui­ção em to de Esta­do”. É uma posi­ção que o par­ti­do seu Arti­go 222 pas­sou pelo diá­lo­go entre a já vinha mani­fes­tan­do em ­outros momen­tos opo­si­ção e a cúpu­la da Globo. O pro­ces­so e por ­ outros inter­lo­cu­to­res, e que coin­ci­de de regu­la­men­ta­ção da Cons­ti­tui­ção seria com uma polí­ti­ca de boa-vizi­nhan­ça com a feito por lei, disse Wal­ter Pinhei­ro, do PT/ mídia em geral pro­mo­vi­da pelo PT ao longo BA, que era líder da opo­si­ção na Câma­ra da cam­pa­nha. A Globo rece­beu tra­ta­men­to duran­te a nego­cia­ção. espe­cial nessa polí­ti­ca: foi agra­cia­da pelo A Globo sabe que não é bom ter um rela­ PT com o deba­te do segun­do turno, deu a cio­na­men­to tumul­tua­do com o PT, prin­ci­pal­ pri­mei­ra entre­vis­ta exclu­si­va de Lula após a men­te por­que além da máqui­na do gover­no elei­ção, con­ce­di­da ao “Fan­tás­ti­co”; e a segun­ Juarez Quadros: publicação o par­ti­do terá gran­de força no Con­gres­so. E o da exclu­si­va ainda foi ao “Jor­nal Nacio­nal”, da MP deveu-se a “pressões Con­gres­so pode­rá, se qui­ser, dis­cu­tir o pro­je­ no dia 28 de outu­bro (dia em que a Glo­bo­par do mercado”. to de Lei de Comu­ni­ca­ção de Massa que será

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Fotos: Arquivo


a car­loseduar­dozanat­ta | samuelpos­se­bon de Bra­sí­lia zanat­ta@paytv.com.br | samu­ca@paytv.com.br

dei­xa­do ao novo minis­tro das comu­ni­ca­ções por Jua­rez Qua­dros, atual titu­lar da pasta. Segun­do decla­rou Qua­dros a esta repor­ta­gem, “se hou­ver a trans­fe­rên­cia da radio­di­fu­são para uma agên­cia regu­la­do­ra, a minha reco­ men­da­ção ao novo gover­no é que seja para a Ana­tel”. É uma idéia que sem­pre cau­sou arre­pios aos radio­di­fu­so­res. O PT assu­me o gover­no em 1º de ja­nei­ro e pode sim­ples­men­te enga­ve­tar o pro­je­to de Lei de Comu­ni­ca­ção de Qua­dros. Mas o docu­ men­to esta­rá pron­to, em cima da mesa do novo minis­tro, que pode resol­ver cum­prir as pro­mes­sas his­tó­ri­cas do PT e de fato man­dar ao Con­gres­so a dis­cus­são de uma lei para as comu­ni­ca­ções. É, no míni­mo, um momen­to de apreen­são para os donos de tele­vi­sões. MP 70 A mudan­ça mais sig­ni­fi­ca­ti­va que o novo gover­no deve enfren­tar fica mesmo por conta

da Medi­da Pro­vi­só­ria 70. Indo além da regu­la­men­ta­ção do capi­tal exter­no, con­tu­do, a medi­da bus­cou alte­rar pon­ tos cru­ciais da regu­la­men­ta­ção do setor de comu­ni­ca­ção. Tor­nou-se uma tábua de sal­va­ção para as empre­sas de mídia ao per­ mi­tir, por exem­plo, a rees­tru­tu­ra­ção admi­ nis­tra­ti­va dos gru­pos dri­blan­do as ­regras de con­cen­tra­ção exis­ten­tes há mais de 30 anos e garan­tir a pre­sen­ça de fun­dos de pen­são e ­órgãos de finan­cia­men­to públi­co como o BNDES ou a Caixa Eco­nô­mi­ca em seu capi­ tal. E, mais grave do que isso, a MP pare­ce ter sido “pro­je­ta­da” para se enqua­drar em um cro­no­gra­ma em que o Con­gres­so difi­cil­ men­te teria con­di­ções e tempo de dis­cu­tir seu con­teú­do até que uma situa­ção “de fato” esti­ves­se cria­da. A deci­são de publi­cá-la con­tra­riou fron­tal­men­te o acor­do fir­ma­do com os par­ti­dos de opo­si­ção (espe­cial­men­te o PT) por oca­sião da tra­mi­ta­ção da emen­da do Artigo 222. Foi tam­bém uma mudan­ça de últi­ma hora, em sen­ti­do con­trá­rio ao tra­ba­ lho do pró­prio Mini­com. O minis­tro das comu­ni­ca­ções, Jua­rez Qua­dros, havia colo­ca­do em con­sul­ta públi­ ca um docu­men­to que seria o pro­je­to de lei que regu­la­men­ta­ria a emen­da cons­ti­tu­cio­ nal. O andar da car­rua­gem indi­ca­va que o texto seria enca­mi­nha­do ao Con­gres­so

como um pro­je­to do Exe­cu­ti­vo para tra­ mi­ta­ção nor­mal. De acor­do com o pró­prio minis­tro, o enca­mi­nha­men­to por MP se deveu às “pres­sões do mer­ca­do”, que não podia espe­rar uma tra­mi­ta­ção que pode­ria levar muito tempo para via­bi­li­zar a entra­ da de capi­tal. Além de regu­la­men­tar a par­ti­ci­pa­ção do capi­tal estran­gei­ro, a MP foi bem mais longe. As mudan­ças mais impor­tan­tes estão rela­cio­na­das com as alte­ra­ções rea­ li­za­das no Decre­to-Lei 236, de 1967, que limi­ta, no caso da TV aber­ta, a con­cen­ tra­ção de con­ces­sões a cinco outor­gas de VHF por grupo, não mais que duas em um mesmo Esta­do. B Foi alte­ra­do o pará­gra­fo 3º do Arti­go

12 (que limi­ta o núme­ro de ope­ra­do­ras de radio­di­fu­são para um mesmo pro­prie­tá­rio) do 236/67. Isso foi feito para per­mi­tir que uma pes­soa físi­ca ou jurí­di­ca, desde que pos­sua menos de 20% do capi­tal de uma empre­sa, possa ter igual ou menor par­ti­ci­ pa­ção em ­outras empre­sas de radio­di­fu­são (tan­tas quan­tas dese­jar). B Os inves­ti­men­tos de car­tei­ra de ações,

desde que o seu titu­lar não con­tro­le (ou seja coli­ga­do a) mais de uma empre­sa de radio­di­fu­são ou ainda indi­que admi­nis­tra­ dor em mais de uma empre­sa, tam­bém não pre­ci­sam ­seguir os limi­tes do Decre­to 236/67. O limi­te que carac­te­ri­za con­tro­le ou coli­ga­ção é acima de 20% do capi­tal. Qua­dros argu­men­tou que as mudan­ças no Decre­to 236 tive­ram o obje­ti­vo de aca­ bar com even­tuais “con­tra­tos de gave­ta” exis­ten­tes. Mais do que “con­tra­tos de gave­ ta”, o que se obser­va no setor é o des­cum­pri­ men­to for­mal dos dis­po­si­ti­vos do 236/67. O pro­ble­ma é que tra­tar desse assun­to em uma regu­la­men­ta­ção que não tinha esse

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obje­ti­vo aca­bou crian­do a figu­ra do “tijo­la­ço” ou “corpo estra­nho”, no jar­gão par­la­men­tar. Trata-se de uma prá­ti­ca con­de­na­da por par­la­men­ta­res inclu­si­ve em pro­je­tos de lei ­ comuns, quan­to mais numa MP. “É incom­preen­sí­vel a edi­ção desta medida num momen­to em que a elei­ ção está em curso, o gover­no está no final, o Con­gres­so Nacio­nal não foi ouvi­do, sem res­pei­tar o Con­gres­so elei­to e sem que o Con­se­lho de Comu­ ni­ca­ção ­ Social (CCS) tenha sido acio­na­do. Se não houve má inten­ção, pelo menos houve má con­du­ção”, cri­ ti­ca­va no final de outu­bro o depu­ta­do Wal­ter Pinhei­ro, ex-líder da ban­ca­da petis­ta na Câma­ra e um dos prin­ci­ pais for­mu­la­do­res do par­ti­do para a área de comu­ni­ca­ções. O PT não rati­fi­cou intei­ra­men­te a ini­cia­ti­va de Pinhei­ro, pos­si­vel­men­te pelo medo de com­prar uma briga com os gru­pos de mídia em pleno perío­do elei­to­ral. Pas­sa­das as elei­ções, con­tu­do, as dis­ cus­sões sobre a MP 70 podem ­ganhar um rumo dife­ren­te. Entre as mudan­ ças pro­pos­tas por Wal­ter Pinhei­ro na medi­da pro­vi­só­ria estão:

B Fazer com que o Mini­

radio­di­fu­so­res). B Subs­ti­tui­ção da expres­ são “órgão com­pe­ten­te do Poder Exe­cu­ti­vo” (para rea­li­zar a fis­ca­li­zação) pela expres­são “órgão re­gu­la­ dor”. O par­ti­do pro­pôs tam­ bém uma emen­da pre­­ven­do que, enquan­to não for defi­ ni­do este órgão, estas fun­ ções sejam exer­ci­das pelo

com rea­li­ze em 90 dias a con­tar da publi­ca­ção da MP um reca­das­tra­men­to das com­po­si­ções socie­ tá­rias das empre­sas de radio­di­fu­são de acor­do com a situa­ção vigen­te Pinheiro: “Se não houve em 30 de setem­bro de má inten­ção, pelo menos 2002 (antes da publi­ca­ houve má con­du­ção”. ção da MP) e envie uma Minicom. cópia da docu­men­ta­ção ao CCS. B Redu­zir dos 20% pro­pos­tos para 5% B Enca­mi­nhar ao CCS as diver­sas comu­ni­ (per­cen­tual igual ao admi­ti­do pela FCC ca­ções de alte­ra­ção de con­tro­le socie­tá­rio nos EUA para o mesmo tipo de par­ti­ci­pa­ pre­vis­tas para enca­mi­nha­men­to ao Con­ ção) o limi­te de par­ti­ci­pa­ção socie­tá­ria até gres­so Nacio­nal. o qual se dis­pen­sa a apli­ca­ção dos limi­tes de pro­prie­da­de do Decre­to-Lei 236 para Tra­mi­ta­ção os inves­ti­do­res em car­tei­ras de ações. Uma MP tem força de lei e vale até que Neste caso espe­cí­fi­co, a preo­cu­pa­ção do seja vota­da. As ­regras para a tra­mi­ta­ção PT é o poder eco­nô­mi­co indi­re­to que das MPs ­ impõem ao Con­gres­so pra­zos esses inves­ti­do­res pos­sam exer­cer sobre muito cur­tos. Após a publi­ca­ção da MP 70, não houve tempo para que o Con­gres­ as empre­sas de radio­di­fu­são. B Exclu­são do Arti­go 10 da MP 70, so ­sequer se orga­ni­zas­se para dis­cu­tir a que per­mi­te a par­ti­ci­pa­ção ili­mi­ta­da de medi­da em comis­são. Tam­bém ven­ceu o qual­quer pes­soa físi­ca ou jurí­di­ca em prazo para que a Câma­ra pudes­se votar empre­sas de radio­di­fu­são, desde que com a MP antes do Sena­do come­çar a dis­cu­ menos de 20% do capi­tal (o tal arti­go ti-la. A par­tir de agora, qual­quer uma que “regu­la­ri­za­ria” a situa­ção de diver­sos das duas casas do Con­gres­so (Câma­ra

TV digital e Ancine: mais desafios A ques­tão da TV digi­tal tam­bém entra na pauta de dis­cus­sões com a mudan­ça no poder cen­tral. No segun­do semes­tre de 2002, o gover­no publi­cou, por decre­to, suas polí­ti­cas sobre o tema: mobi­li­da­de, alta defi­ni­ção, múl­ti­plos ­ canais, tudo o que os radio­di­fu­so­res pedi­ram está lá. Mas trata-se ape­nas de um decre­to. “A polí­ti­ca de TV digi­tal é prer­ro­ga­ti­va de gover­no, que pode­rá ree­di­tá-la em um novo decre­to se assim deci­dir”, lem­brou Qua­dros ao ser ques­tio­na­do se em sua pro­pos­ta de pro­je­to de Lei de Comu­ni­ ca­ção seria con­tem­pla­da a polí­ti­ca de FHC para TV digi­tal. “Não enten­do que pos­sa­mos alçar ao nível de lei algo que é polí­ti­ca de gover­no.” Outro ponto com­pli­ca­do que envol­ve o setor de comu­ni­ca­ção é a ques­tão da Anci­ne, um órgão autô­no­mo, mas que no gover­no FHC ficou vin­cu­la­do à Pre­si­

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dên­cia da Repú­bli­ca, por meio da Casa Civil. Salvo algu­ma cane­ta­da em sen­ti­do con­trá­rio, a par­tir do dia 31 de dezem­bro a Anci­ne fica­rá vin­cu­la­da poli­ti­ca­men­ te ao Minis­té­rio do Desen­vol­vi­men­to, Indús­tria e Comér­cio Exte­rior. Como a agência foi um pro­je­to pes­soal do pre­si­ den­te FHC, cria­da por medi­da pro­vi­só­ria e com pouca par­ti­ci­pa­ção do Con­gres­so, seu futu­ro no gover­no Lula ainda é incer­ to. A agên­cia está pouco estruturada e falta a ela rece­ber algu­mas atri­bui­ções que por diver­gên­cias polí­ti­cas ainda não saí­ram do MinC. Em um ambien­te em que o futu­ro gover­no pode resol­ver dis­cu­tir um arca­bou­ço legal mais con­sis­ ten­te para as comu­ni­ca­ções como um todo, a Anci­ne pode ­entrar em um limbo polí­ti­co com­pli­ca­do. O único indí­cio do que pode­rá acon­te­cer é o pro­gra­ma do PT para a área de cul­tu­ra, bastante

diferente da polí­ti­ca cul­tu­ral de FHC: o PT quer que os investimentos públi­cos (mesmo aque­les resul­tan­tes de renún­cia fis­cal) ­fiquem sob a res­pon­sa­bi­li­da­de do Esta­do, e não das empre­sas pri­va­das. Tam­bém não são pri­vi­le­gia­das ape­nas as alter­na­ti­vas comer­ciais de cul­tu­ra, como o cinema. Ou seja, o pre­si­den­te da Anci­ne e sua equi­pe pre­ci­sa­rão agir rápi­do para encon­trar o espa­ço polí­ti­co da agên­cia no futu­ro gover­no. Há ainda as ques­tões rela­cio­na­das ao con­teú­do das redes de TV, como a polí­ ti­ca de clas­si­fi­ca­ção indi­ca­ti­va, hoje res­ pon­sa­bi­li­da­de do Minis­té­rio da Jus­ti­ça. Todas estas ques­tões são extre­ma­men­te com­ple­xas e não foram defi­ni­das no pro­ gra­ma de gover­no do PT, que cau­te­lo­sa­ men­te evi­tou, em sua estra­té­gia elei­to­ral, colo­car qual­quer coisa que pudes­se ren­ der atri­tos com as redes de tele­vi­são.


OUTRAS novidades da medida provisória Além dos pon­tos polê­mi­cos (fle­xi­bi­li­za­ção dos limi­tes do Decre­to 236/67), a Medi­da Pro­vi­só­ ria 70 esta­be­le­ce algu­mas ­outras ­regras impor­tan­tes para os gru­pos de mídia que bus­cam se rees­tru­tu­rar socie­tá­ria e finan­cei­ra­men­te. Entre as prin­ci­pais alte­ra­ções estão:

• Para evi­tar par­ti­ci­pa­ção de estran­gei­ros acima dos 30% pre­vis­tos na Cons­ti­tui­ ção, a MP criou um novo con­cei­to que con­si­de­ra o pos­sí­vel enca­dea­men­to de pro­prie­da­de de estran­gei­ros em diver­sas empre­sas. • Para con­tro­lar esta par­ti­ci­pa­ção, o poder Exe­cu­ti­vo esta­be­le­ceu uma prer­ro­ga­ti­va de requi­si­tar as infor­ma­ções neces­sá­rias das empre­sas e dos ­ órgãos de regis­tro comer­cial ou de regis­tro civil. • As alte­ra­ções no con­tro­le das empre­sas de mídia serão comu­ni­ca­das ao Con­ gres­so pelas pró­prias empre­sas, no caso de empre­sas jor­na­lís­ti­cas, e pelo órgão

ou Sena­do) pode come­çar a dis­cu­tir em ple­ná­rio a medi­da. E votá-la. Se no dia 13 de novem­bro nada for vota­do, a medida passa a vigo­rar sob o regi­me de urgên­cia, fican­do as pau­tas de vota­ções con­di­cio­

com­pe­ten­te do poder Exe­cu­ti­vo no caso das empre­sas de radio­di­fu­são. • Uma vez por ano as empre­sas jor­na­lís­ti­ cas deve­rão comu­ni­car, aos ­ órgãos de regis­tro comer­cial ou de regis­tro civil, a sua com­po­si­ção acio­ná­ria e os nomes de seus dire­to­res. • Os pedi­dos de regis­tro comer­cial ou civil não serão acei­tos caso infrin­jam o per­cen­tual pre­vis­to na Cons­ti­tui­ção para o capi­tal estran­gei­ro. E se mesmo assim forem fei­tos, serão con­si­de­ra­dos nulos. Tam­bém serão nulos os acor­dos de qual­ quer tipo que con­tra­riem o dis­pos­to na Cons­ti­tui­ção.

na­das à vota­ção das MPs. Ao final de outu­bro, a Câma­ra tinha pelo menos 35 MPs tran­can­do a pauta, o que já esta­ria exi­gin­do um esfor­ço con­cen­tra­do dos par­ la­men­ta­res em final de man­da­to.

Se em 1º de dezem­bro a MP 70 for vota­ da, será auto­ma­ti­ca­men­te pror­ro­ga­da por mais 60 dias, ainda tran­can­do a pauta. Os pra­zos de tra­mi­ta­ção da MP ficam sus­pen­sos entre 15 de dezem­bro e 15 de feve­rei­ro. Ou seja, caso seja pror­ro­ga­da em 13 de novem­bro e não seja vota­da após isso, a MP 70 pode valer até o dia 2 de abril de 2003. ­ Depois disso, caso não tenha sido apre­cia­da, ela perde o valor e o Con­gres­so tem que “dis­ci­pli­nar as rela­ ções jurí­di­cas decor­ren­tes da vigên­cia da MP”. Ou seja, deve dizer se os negó­cios fecha­dos com base na MP vale­ram ou não. Se não o fizer em até 60 dias, tudo o que foi feito duran­te a vigên­cia da MP auto­ma­ti­ca­men­te vale. Segun­do apu­rou Tela Viva, a Globo não vai usar a MP 70 como base jurí­di­ca para ­ nenhum de seus negó­cios, para não cor­rer o risco de criar atri­tos polí­ti­cos. Espe­ra­rá a con­ver­são da MP em lei. A RBS, que tam­bém teria inte­res­se em acer­ tar a situa­ção das suas diver­sas con­ces­sões nos esta­dos do Sul por meio da MP 70, tam­ bém ava­liou ­ melhor e não vai fazer nada enquan­to a medida não for lei.­

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televisão

Canal 21quer ampliar horizontes

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novembro de 2002

Com novidades na programação,

O Canal 21, do Grupo Ban­dei­ran­tes de Comu­ni­ca­ção, incluindo co-produções, o canal começa pisa no freio e pre­pa­ra-se para uma gran­de mudan­ça. a formatar a criação da sua rede. Come­mo­ran­do seis anos no ar - foi lan­ça­do ofi­cial­men­ te em 21 de outu­bro de 1996 -, o canal aber­to em UHF come­ça a refor­mu­lar sua pro­gra­ma­ção, de olho em um de seus prin­ci­pais obje­ti­vos: o de se tor­nar uma rede de qua­li­fi­ca­da, vol­ta­da para jor­na­lis­mo e entre­te­ni­men­to”, tele­vi­são. Uma mudan­ça e tanto para o canal que sur­giu pon­tua Bac­cei, que faz ques­tão de fri­sar que a pro­gra­ma­ para ter “a cara de São Paulo”. Ao mesmo tempo, quer ção não muda, mas será acres­cen­ta­da. Para isso, a emis­ se posi­cio­nar para o mer­ca­do que está entre as emis­so­ so­ra está bus­can­do par­ce­rias de co-pro­du­ção. ras broad­cast e os ­ canais da TV por assi­na­tu­ra. Para coman­dar todas as mudan­ças, que serão imple­men­ta­das Mudan­ças aos pou­cos e que devem se esten­der pelo ano 2003, E há muita novi­da­de vindo por aí. Apre­sen­ta­do por volta para casa Mario Bac­cei, exe­cu­ti­vo que par­ti­ci­pou Eduar­do Cas­tro, o “Jor­nal 10”, exi­bi­do dia­ria­men­te às da cria­ção do Canal 21 e que acaba de assu­mir sua dire­ 22h, sofre­rá alte­ra­ções no con­teú­do das pau­tas — um ção geral. bom exem­plo é a cria­ção de um espa­ço de entre­vis­tas De acor­do com Bac­cei, os for­ma­do­res de opi­nião, que com publi­ci­tá­rios — e con­ta­rá com mais equi­pes de valo­ri­zam a pro­gra­ma­ção plas­ti­ca­men­te boni­ta, das clas­ repor­ta­gem. Em segui­da, das 22h30 às 23h30, volta a ses A, B e C, acima de 20 anos, são o públi­co-alvo. “Para ser exi­bi­do o “Cara a Cara”, cujo apre­sen­ta­dor ainda gran­des audiên­cias, é pre­ci­so popu­la­ri­zar. Não é isso o esta­va sendo sele­cio­na­do no final de outu­bro. que bus­ca­mos. Que­re­mos audiên­cia qua­li­fi­ca­da”, diz ele. No dia 18 de novem­bro, ­estréia “A Casa”, das 16h Para Mar­ce­lo Meira, vice-pre­si­den­te de rede do Canal 21, às 17h30. Co-pro­du­zi­do com a bra­si­lei­ra DVT, o pro­ há um “espa­ço entre a TV paga e o broad­cast, no aspec­to gra­ma será uma espé­cie de rea­lity show que mos­tra o mer­ca­do­ló­gi­co”. De acor­do com o VP, as emis­so­ras broad­ dia-a-dia da ­mulher com sua empre­ga­da domés­ti­ca. “A cast estão todas bas­tan­te popu­la­res: “Ou Casa”, apre­sen­ta­do por Vir­gí­nia Novik, já eram ou se tor­na­ram assim”. terá cunho ­ social, de pres­ta­ção de ser­vi­ O pri­mei­ro passo para alçar vôo além ços, pre­ten­den­do dar dicas úteis para as da fron­tei­ra pau­lis­ta­na é a refor­mu­la­ção mulhe­res. da pro­gra­ma­ção, que foi man­ti­da está­vel Outra co-pro­du­ção esta­va sendo acer­ta­ - ou “blin­da­da” como os exe­cu­ti­vos pre­ da, no final de outu­bro, com a cario­ca KN. fe­rem defi­ni-la - no últi­mo ano. Para o Sem data pre­vis­ta ou nome defi­ni­do, o pro­ teles­pec­ta­dor bra­si­lei­ro, em geral, não vai gra­ma de ação e aven­tu­ra irá mos­trar o Bra­ inte­res­sar espe­ci­fi­ca­men­te o bura­co que sil, com um enfo­que em espor­tes radi­cais. acaba de abrir em algum ponto da cida­de Ainda neste mês de novem­bro, ­estréia de São Paulo. Por outro lado, São Paulo na grade “Larry King Live”, o pro­gra­ma de é uma gran­de metró­po­le e seus aspec­tos entre­vis­tas que é suces­so nos Esta­dos Uni­ ­gerais ­atraem a aten­ção de todo bra­si­lei­ro. dos. O pro­gra­ma será vei­cu­la­do de segun­da “O Canal 21 está ama­du­re­cen­do e, na sua “O canal está ama­du­re­cen­ a sexta-feira com áudio em ­inglês e legen­ nova pos­tu­ra, busca ­ ampliar o mer­ca­do e do e busca ­ampliar o mer­ das em por­tu­guês (fei­tas no Bra­sil). “Che­ga­ ser com­pe­ti­ti­vo”, ana­li­sa Mar­ce­lo Meira. mos a um acor­do com a CNN — atra­vés da ca­do.” “Vamos bus­car uma pro­gra­ma­ção Ban­dei­ran­tes —, que vai nos dis­po­ni­bi­li­zar Marcelo Meira, do Canal 21

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sandrareginasilva sandra@telaviva.com.br

as ­séries his­tó­ri­cas do Larry King, além de novos pro­gra­mas”, afir­ma vice-pre­si­den­te Mar­ce­lo Meira. O dife­ren­cial esta­rá por conta de uma apre­sen­ta­do­ra bra­si­lei­ra (ainda não esco­lhi­da) que irá apre­sen­tar a “his­tó­ria” do pro­gra­ma que será exi­bi­do em segui­da, com o intui­to de “posi­cio­nar” o teles­pec­ta­dor para o que vai assis­tir. O Canal 21 vai reser­var para a faixa das 19h às 20h a exi­bi­ção de ­séries cults, que foram famo­sas nos anos 80 — ainda em nego­cia­ção. O res­tan­te da grade, conta Bac­cei, será ocu­pa­da por fil­mes. Toda essa pro­gra­ma­ção é de segun­da a sexta-feira. Nos ­finais de sema­na, estão pro­gra­ma­dos espe­ciais musi­cais recen­tes, longa-metra­ gens e ­séries. “A grade vai ser lapi­da­da. Já no segun­do turno das elei­ções esta­re­mos mos­tran­do a nossa voca­ção. Na ver­da­de, a grade vai ser móvel e, ao acon­te­cer um gran­de fato, o Canal 21 esta­rá lá para ­cobrir”, com­ple­ta o novo dire­tor geral. Quan­to aos espa­ços loca­dos para os ser­vi­ços de tele­ven­das, “serão man­ti­dos, mas orga­ni­za­dos. Dá para se ter anún­cios clas­si­fi­ca­dos com qua­li­da­de. Um exem­plo é a Veji­nha”, opina Bac­cei. A idéia, para esses espa­ços loca­dos, é criar uma espé­cie de rotei­ro de ser­vi­ços. Em rede Para­le­la­men­te, a equi­pe da emis­so­ra está for­ma­tan­do a rede, que leva­rá o sinal do canal para os prin­ci­pais mer­ca­dos bra­si­ lei­ros. Ini­cial­men­te, o sinal será leva­do para Bra­sí­lia, Rio de Janei­ro, Sal­va­dor e Belo Hori­zon­te, pro­va­vel­men­te ainda em 2002. Em segui­da, o canal entra em mais 11 capi­tais. “Em ­alguns casos, como em Sal­va­dor, são repe­ti­do­ras pró­prias do 21; enquan­to em ­outros esta­mos fazen­do par­ce­rias”, expli­ca Mar­ce­lo Meira, com­ ple­tan­do que as retrans­mis­so­ras terão espa­ço para inse­rir pro­gra­ma­ção local

em suas pra­ças. Além disso, o Canal 21 con­ti­nua­rá a fazer parte do line-up das ope­ra­do­ras TVA e Net, em São Paulo; na ­DirecTV (DTH, nacio­nal); além da TV Cida­de (em Sal­va­dor, Nite­rói, Bai­xa­da Flu­mi­nen­se, entre ­outras). Publi­ci­da­de A nova pos­tu­ra do 21 tam­bém ­ inclui uma aten­ção espe­cial ao anun­cian­te. “Esta­mos crian­do novos for­ma­tos de espa­ços publi­ci­tá­rios, fazen­do asso­cia­ ção da marca do anun­cian­te à marca do canal”, afir­ma Bac­cei. Uma das novi­da­ des pode­rá ser con­fe­ri­da no pro­gra­ma “A Casa”. “Será dife­ren­te. Vamos tra­ba­ lhar a essên­cia do mer­chan­di­sing, numa forma pouco explo­ra­da atual­men­te”, adian­ta o dire­tor geral, sem ­ entrar em mais deta­lhes. E a busca por uma pro­gra­ ma­ção de qua­li­da­de, na sua opi­nião, irá de encon­tro ao dese­jo do anun­cian­te. Ape­nas com as pin­ce­la­das das novi­da­ des que vêm por aí, o Canal 21 já ­fechou novos con­tra­tos de patro­cí­nio. Na cober­ tu­ra das elei­ções, que teve inclu­si­ve um pro­gra­ma espe­cial, o canal con­tou com o patro­cí­nio da Honda. A Mas­ter­card, por sua vez, é a nova patro­ci­na­do­ra do “Jor­ nal 10”. Além des­ses, foi feito um acor­do com a Peu­geot para a cober­tu­ra do Salão do Auto­mó­vel, que acon­te­ceu em outu­ bro em São Paulo. Duran­te os dez dias do even­to, o canal exi­biu a “TV Peu­geot”, des­ta­can­do os lan­ça­men­tos da mon­ta­do­ ra e as novi­da­des da feira. “Ao colo­car o novo con­cei­to ao mer­ca­do, atraí­mos novos anun­cian­tes”, conta Bac­cei. O dire­tor geral tam­bém está con­si­de­ ran­do o outro lado da moeda e pre­ten­de con­tra­tar uma agên­cia de publi­ci­da­de, ­depois de dois anos sem ter uma, para fin­car de vez a sua ban­dei­ra. “A marca é forte. O logo tam­bém tem força. Então deve­mos ape­nas moder­ni­zá-los.” Nos pla­ nos, estão cam­pa­nhas para TV, rádio e jor­nal, mas a inten­ção é ­entrar forte em cam­pa­nhas de ini­cia­ti­vas comu­ni­tá­rias. “Afi­nal, o papel da tele­vi­são é ­social tam­ bém”, con­clui Bac­cei.

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tecnologia

Globo planeja digitalizar seu acervo

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Ao todo, são 65 mil horas: essa é a soma da dura­ção das ima­ O trabalho deve ser iniciado em 2003 gens con­ti­das no acer­vo de jor­na­lis­mo e de espor­tes da TV e vai englobar todas as imagens Globo. Atual­men­te, todo esse mate­rial está guar­da­do em um sis­te­ma ana­ló­gi­co, mas a Cen­tral Globo de Enge­nha­ria do jornalismo e de esportes. ela­bo­ra um pro­je­to para ini­ciar sua digi­ta­li­za­ção no pri­mei­ ro semes­tre de 2003. A esco­lha pelos acer­vos de jor­na­lis­mo e de espor­tes espé­cie de bac­kup ou se seria joga­do fora, o exe­cu­ti­vo res­pon­ se deve à gran­de deman­da des­sas duas áreas por agi­li­ deu que os con­teú­dos serão ana­li­sa­dos “caso a caso”. da­de na busca de ima­gens de arqui­vo. “Em jor­na­lis­mo A parte do acer­vo que está em U-Matic será a pri­mei­ e em espor­tes a pes­qui­sa no acer­vo é fre­qüen­te e muito ra a ser digi­ta­li­za­da. As ima­gens gra­va­das nesse for­ma­to dinâ­mi­ca, o que jus­ti­fi­ca esse pro­je­to de digi­ta­li­za­ção”, ­cobrem um perío­do impor­tan­te da his­tó­ria recen­te do País, expli­ca José ­Manuel Mari­ño, dire­tor da Divi­são de Pro­je­ de 1978 a 1986. Cenas como os comí­cios das Dire­tas Já e a to e Inte­gra­ção de Sis­te­mas de TV (Dipi) da TV Globo e posse do pri­mei­ro pre­si­den­te civil após a dita­du­ra mili­tar res­pon­sá­vel pelos pla­nos de digi­ta­li­za­ção. estão con­ti­das na parte em U-Matic do acer­vo da Globo. Serão fei­tas duas ­ cópias para cada “Esco­lhe­mos come­çar pelo catá­lo­go em Ucon­teú­do do acer­vo: uma em alta e Matic exa­ta­men­te por causa do seu valor outra em baixa reso­lu­ção. As ­cópias em his­tó­ri­co”, rela­ta Mari­ño. O mate­rial data­ baixa reso­lu­ção serão arma­ze­na­das em do de antes de 1978 está todo em filme. Já dis­cos rígi­dos e esta­rão dis­po­ní­veis para as gra­va­ções fei­tas após 1986 estão em Beta aces­so atra­vés da rede inter­na de com­pu­ SP e, mais recen­te­men­te, em Beta SX. Hoje ta­do­res da emis­so­ra. em dia 70% do mate­rial pro­du­zi­do nas As ­cópias em alta reso­lu­ção, por sua áreas de jor­na­lis­mo e de espor­tes já estão vez, fica­rão guar­da­das em fitas de dados, em for­ma­tos digi­tais. Não há uma pre­vi­são que serão mani­pu­la­das por um sis­te­ma de quan­do todas as 65 mil horas do acer­vo robo­ti­za­do, cujos tes­tes come­çam neste esta­rão digi­ta­li­za­das. mês de novem­bro. O nome do for­ne­ce­ Quan­to ao arma­ze­na­men­to de con­teú­do dor desse sis­te­ma e mais espe­ci­fi­ca­ções pro­du­zi­do em high defi­ni­tion, Mari­ño não Comício das Diretas e posse do sobre as fitas de dados a serem usa­das sabe ainda se serão uti­li­za­das as mes­mas primeiro presidente civil estão ainda não podem ser reve­la­dos. Mari­ño fitas de dados e o mesmo sis­te­ma robo­ti­za­ entre os primeiros materiais, expli­ca que a opção pelas fitas de dados do. “Pre­ci­sa­re­mos fazer ­ alguns tes­tes no conta Mariño. se deve à boa rela­ção custo/bene­fí­cio e à futu­ro para deci­dir isso. Sabe­mos ape­nas gran­de diver­si­da­de de ­padrões e taxas de que o soft­wa­re de busca será o mesmo que com­pres­são pos­sí­veis na gra­va­ção dos arqui­vos. As ­cópias esta­mos desen­vol­ven­do no momen­to”, diz o exe­cu­ti­vo. Por em alta e baixa reso­lu­ções usa­rão arqui­vos com exten­sões enquan­to, o mate­rial que é gra­va­do em high defi­ni­ton per­ MPEG. Sobre a com­pres­são, Mari­ño infor­mou que será uti­li­ ma­ne­ce arma­ze­na­do em seu for­ma­to ori­gi­nal. za­da uma taxa de 25 Mbps para as ­cópias em alta reso­lu­ção. Os comer­ciais con­ti­nua­rão arma­ze­na­dos em alta reso­lu­ O orça­men­to do pro­je­to não pode ser reve­la­do. ção nos pró­prios dis­cos rígi­dos, devi­do à sua gran­de rota­ti­vi­ Con­si­de­ran­do-se ape­nas as ­cópias em alta reso­lu­ção do da­de e à gran­de fre­qüên­cia com que são vei­cu­la­dos. acer­vo U-Matic, a uma taxa de 25 Mbps, serão neces­sá­rios em torno de 172 teraby­tes em fitas de dados, na ava­lia­ção Busca rápi­da de José Manuel Mari­ño. Uma das gran­des van­ta­gens decor­ren­tes da digi­ta­li­za­ção Ques­tio­na­do se o acer­vo anti­go seria man­ti­do como uma será faci­li­tar o tra­ba­lho dos edi­to­res de ima­gens. Atual­men­ Foto: TV Globo / Renato Rocha Miranda


fernandopaiva

do Rio de Janeiro fernando.paiva@teletime.com.br

te, a pes­qui­sa no acer­vo é feita atra­vés de pala­vras-cha­ve, o que não per­mi­te ver de ime­dia­to quais foram os tre­chos sele­cio­ na­dos pelo soft­wa­re de busca. Ou seja: os edi­to­res pre­ci­sam pegar no acer­vo o mate­ rial indi­ca­do pelo soft­wa­re de busca para em segui­da ana­li­sar suas ima­gens. Com a digi­ta­li­za­ção, have­rá gran­de eco­no­mia de tempo nessa tare­fa, gra­ças às ­ cópias em baixa reso­lu­ção de todo o acer­vo que esta­rão dis­po­ní­veis nos dis­cos rígi­dos dos com­pu­ta­do­res da Globo. Os edi­to­res pode­rão ver em suas telas os tre­chos sele­ cio­na­dos pelo soft­wa­re de busca antes de man­dar o sis­te­ma robo­ti­za­do bus­car os arqui­vos em alta reso­lu­ção. O novo soft­ wa­re de busca que pas­sa­rá a ser uti­li­za­do com a digi­ta­li­za­ção do acer­vo está sendo desen­vol­vi­do pelos pró­prios enge­nhei­ros da TV Globo. Vale lem­brar que todo o con­teú­do do acer­vo da Globo já está cata­lo­ga­do. A emis­so­ra conta com uma equi­pe de pes­qui­sa­do­res que clas­si­fi­ca os ­vídeos e defi­ne quais devem e quais não devem ser guar­da­dos. Em segui­da, um grupo de biblio­te­cá­rios atri­bui pala­ vras-chave para cada con­teú­do. Impac­to Para exem­pli­fi­car o ganho em agi­li­da­ de que a digi­ta­li­za­ção trará, Mari­ño cita a trans­mis­são de jogos de fute­bol. Ao longo de uma par­ti­da será pos­sí­vel gra­var e inde­xar todos os lan­ces e joga­ das impor­tan­tes. Os cli­pes pode­rão ser usa­dos duran­te a trans­mis­são para ilus­ trar os comen­tá­rios e, ao fim do jogo, a Globo irá arqui­vá-los, per­mi­tin­do que sejam aces­sa­dos atra­vés da base de dados e reu­ti­li­za­dos a qual­quer momen­ to. “Isso cau­sa­rá um impac­to real e ime­dia­to nas ope­ra­ções do dia-a-dia”, comen­ta o exe­cu­ti­vo. Por enquan­to não há pla­nos para se trans­por os acer­vos de fic­ção e entre­te­ni­ men­to da emis­so­ra para fitas de dados. A maior parte do acer­vo das áreas de fic­ção e entre­te­ni­men­to encon­tra-se em vídeo. Cerca de 90% do con­teú­do pro­du­ zi­do por esses depar­ta­men­tos atual­men­ te está em for­ma­to digi­tal.

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artigo

Windows Media 9 Series e a década digital

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A evolução da nova plataforma da Microsoft vai além da oferta e consumo

Temos obser­va­do ao nosso redor com certo espan­to e satis­fa­ção a tran­si­ção do mundo ana­ló­gi­co para o digi­tal. Hoje já se ven­dem mais câme­ras foto­grá­fi­cas digi­tais que con­ven­cio­nais e mais CDs gra­vá­veis que CDs de músi­ca. ­ Rádios e emis­so­ras de TV em ­ alguns paí­ses estão se ajus­tan­do a esta nova rea­li­da­de, via­bi­li­zan­do trans­mis­sões digi­tais. Vive­mos, por­tan­to, em uma déca­ da digi­tal em que o aflo­ra­men­to de diver­sas tec­no­lo­gias tem sido fun­da­men­tal para esta arran­ca­da. A Inter­net lar­gou na fren­te em ter­mos de pro­du­ção e ofer­ta de con­teú­do digi­tal de áudio e vídeo. Recen­te­men­ te a Micro­soft rea­li­zou o pré-lan­ça­men­to da nova ver­são de sua pla­ta­for­ma, o Win­dows Media 9 ­ Series, ­ depois de inves­tir US$ 500 ­milhões em três anos. A evo­lu­ção da nova pla­ta­for­ma pos­si­bi­li­ta muito mais que a ofer­ta e con­su­mo de áudio e vídeo pela Inter­net. As novas carac­ te­rís­ti­cas via­bi­li­zam sua acei­ta­ção em mun­dos ante­rior­ men­te impos­sí­veis em fun­ção de suas altas exi­gên­cias, como o do broad­cast, cine­ma e ­outros. Vamos con­si­de­ rar algu­mas des­tas novas carac­te­rís­ti­cas:

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novembro de 2002

Eli­mi­na­ção de buf­fe­ring Esta nova capa­ci­da­de, cha­ma­da fast strea­ ming, pos­si­bi­li­ta que o áudio ou o vídeo come­cem a tocar ime­dia­ta­men­te ­ depois de sele­cio­na­do, via­bi­li­zan­do uma expe­riên­cia como a de TV para usuá­rios broad­band. Esta expe­riên­cia se acen­tua quan­do temos diver­ sos ­ canais de áudio ou vídeo e nave­ga­mos entre eles. Este recur­so, além de apro­xi­mar a forma de se con­su­mir áudio e vídeo na Inter­ net àqui­lo a que esta­mos acos­tu­ma­dos como usuá­rios de TV, tam­bém pos­si­bi­li­ta a inser­ção de comer­ciais de uma forma tão sim­ples quan­ to adi­cio­nar o strea­ming do comer­cial numa play­list. A eli­mi­na­ção de buf­fe­ring via­bi­li­za­rá a repro­du­ção do arqui­vo logo após o encer­ra­ men­to do con­teú­do ante­rior. Mas quan­do eli­mi­na­mos o buf­fe­ring esta­

de áudio e vídeo pela Internet. É indicada também para broadcast, cinema e outros.

mos basi­ca­men­te eli­mi­nan­do uma pro­te­ção para que, em haven­do varia­ções na rede, o con­teú­do con­ti­nue tocan­do, certo? Como o sis­te­ma passa então a supor­tar estas varia­ções? A res­pos­ta é sim­ples: ima­gi­nem um usuá­rio conec­ta­do a 200 kbps e con­su­min­do um vídeo que está sendo trans­mi­ti­do a 150 kbps. O que o sis­te­ma faz é “puxar” o vídeo mais rápi­do do que ele está sendo con­su­mi­do e arma­ze­nar isto num cache tem­po­rá­rio, cria­ do no hard disk do usuá­rio. Qual­quer varia­ção ou breve inter­rup­ção da rede faz com que a fonte do con­teú­do seja des­via­da para este cache, man­ten­do a qua­li­da­de de ser­vi­ço. Alta qua­li­da­de Os novos ­codecs são res­pon­sá­veis por um dos gran­des

O WM9 Player pode reproduzir arquivos da Internet sem a necessidade de buffering.

Foto: divul­ga­ção


paulocesardossantos* telaviva@telaviva.com.br

sal­tos de qua­li­da­de da nova pla­ta­for­ma. O aumen­to de qua­li­da­de do áudio foi de cerca de 20%, sendo pos­sí­vel agora gerar arqui­vos em 5.1 ou 7.1 (seis ou oito ­ canais, res­pec­ti­va­men­te). Para vídeo, o incre­men­to de qua­li­da­de foi da ordem de 20% a 50%, depen­den­do do bit rate. Com­pa­ra­do com o MPEG-4, um arqui­ vo típi­co do WM9 (Win­dows Media 9 ­Series) terá a meta­de do tama­nho, com qua­li­da­de equi­va­len­te. Pro­te­ção aos direi­tos auto­rais A Inter­net mudou radi­cal­men­te a forma de se dis­tri­buir e con­su­mir con­ teú­do rico como músi­ca, fil­mes, ­ livros etc. Mas se por um lado este con­cei­to ­ganhou gran­de acei­ta­ção, ele trou­xe con­ si­go o ter­ror dos pro­du­to­res de con­teú­do em rela­ção às ­copias não auto­ri­za­das. Um dos ele­men­tos que com­põem o WM9 é o DRM (Digi­tal ­Rights Ma­na­ge­ ment), a solu­ção da Micro­soft para pro­ te­ção aos direi­tos auto­rais. Este pro­du­to já tem aten­di­do a gran­des pla­yers do mer­ca­do de músi­ca e vídeo como EMI, BMG, War­ner e ­outros por mais de dois anos. Sua mecâ­ni­ca é bem sim­ples: o arqui­vo digi­tal é crip­to­gra­fa­do e neste momen­to rece­be as dire­tri­zes de como pode­rá ser con­su­mi­do: quan­tas vezes pode­rá ser visua­li­za­do, por quan­tos dias esta­rá licen­cia­do, se pode­rá ser trans­fe­ ri­do para um ou mais devi­ces (dis­po­si­ti­ vos) ou ainda se pode­rá ser trans­fe­ri­do para um CD ou DVD. Quem não obti­ver o licen­cia­men­to, que pode­rá ser pago ou não, não terá como aces­sar o con­teú­do. A novís­si­ma carac­te­rís­ti­ca que este pro­du­to trás com o WM9 é a vali­da­ção de con­teú­do ao vivo, pos­si­bi­li­tan­do mode­los de pay-per-view, além do pay-per-down­ load, já dis­po­ní­vel ante­rior­men­te. Con­cei­tos como estes ­ampliam os hori­ zon­tes dos broad­cas­ters, pos­si­bi­li­tan­do, por exem­plo, a con­tri­bui­ção de con­teú­do de uma forma segu­ra entre afi­lia­das e cabe­ças-de-rede ou até mesmo a cria­ção

de pro­du­tos ino­va­do­res a serem dis­tri­buí­ dos por mídia físi­ca. Mídia físi­ca Uma das gran­des novi­da­des neste sen­ ti­do é a ado­ção quase que em massa por parte da indús­tria de ele­troele­trô­ni­cos de carac­te­rís­ti­ca de lei­tu­ra de arqui­vos WM aos novos mode­los de CD e DVD pla­yers. Empre­sas como Tos­hi­ba, Shin­co, Ken­ wood, Aiwa, Blau­punkt e Pio­neer estão lar­gan­do na fren­te. Esta carac­te­rís­ti­ca pos­si­bi­li­ta por exem­ plo que cerca de três ou qua­tro longametra­gens pos­sam ser acon­di­cio­na­dos em um único DVD, inclu­si­ve com áu­dio em 5.1. Se o con­teú­do for músi­ca, em um único CD pode-se ofe­re­cer até 20 horas de ma­te­rial. Se usar­mos um DVD, cerca de duas mil mú­si­cas podem ser gra­va­das. Do ponto de vista dos broa­d­cas­ters, o empa­co­ta­men­to de minis­se­ries e ­ outros pro­du­tos pre­mium passa a ser faci­li­ta­do e bara­tea­do, pos­si­bi­li­tan­do a cria­ção de novos pro­du­tos. No Bra­sil a ofer­ta de CD e DVD pla­ yers com esta carac­te­rís­ti­ca já se dá pela dis­po­ni­bi­li­za­ção de pro­du­tos impor­ta­dos, e muito rapi­da­men­te atra­vés de pro­du­tos fabri­ca­dos aqui mesmo. Novos mer­ca­dos Quan­do os ­codecs atin­gem certo nível de qua­li­da­de e se adi­cio­nam a eles ele­men­ tos com­ple­men­ta­res como pro­te­ção aos direi­tos auto­rais, áudio em seis ou oito ­canais e alian­ças estra­té­gi­cas com fabri­ can­tes de apa­re­lhos e desen­vol­ve­do­res de soft­wa­re, ­ alguns mer­ca­dos antes ini­ma­ gi­ná­veis se tor­nam rea­li­da­de. Pode­mos refe­ren­ciar ­alguns deles: Cine­ma digi­tal — Hoje já é pos­ sí­vel digi­ta­li­zar um longa-metra­ gem e via­bi­li­zar sua pro­je­ção com qua­li­ da­de total em 720p (reso­lu­ção de 1280 x 720) e muito bre­ve­men­te em 1080i (1920 x 1080). Quan­do con­si­de­ra­mos as neces­si­da­des de infra-estru­tu­ra para o

*Paulo Cesar dos San­tos é busi­ness deve­lop­ment mana­ger South Ame­ri­ca da Micro­soft.

cine­ma con­ven­cio­nal, as van­ta­gens são inú­me­ras: um sis­te­ma aber­to com­pos­to por um PC bi-pro­ces­sa­do com uma boa placa de vídeo e de áudio 5.1 são sufi­ cien­tes para entre­gar para um pro­je­tor digi­tal de alta capa­ci­da­de um filme no qual o espec­ta­dor media­no não con­si­ga dis­tin­guir se a pro­je­ção foi a par­tir de pelí­cu­la ou em for­ma­to digi­tal. O arqui­vo gera­do tam­bém é muito menor do que em ­ outras tec­no­lo­gias. Pode-se arma­ze­nar um longa-metra­gem em uma mídia DVD, o que faci­li­ta sobre­ ma­nei­ra o pro­ces­so de dis­tri­bui­ção quer físi­ca, quer por ­outros meios como saté­ li­te, ADSL etc. O DRM vai ser res­pon­sá­vel pelo licen­ cia­men­to por núme­ro de exi­bi­ções ou outro mode­lo de negó­cio. A faci­li­da­de de aqui­si­ção de con­teú­do pos­si­bi­li­ta­ria que o exi­bi­dor tives­se uma grade de pro­gra­ma­ção bem mais rica, permitindo o retor­no das sau­do­sas mati­ nês, por exem­plo, ou mesmo a uti­li­za­ção da sala de exi­bi­ção em ­ outros negó­cios, como even­tos cor­po­ra­ti­vos, edu­ca­cio­nais etc., sem con­tar os altos cus­tos de copia­ gem dos fil­mes, que pra­ti­ca­men­te dei­xam de exis­tir.

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Broad­cast — Nova­men­te, a capa­ci­ da­de dos ­ codecs é um ele­men­to fun­da­men­tal para que a pla­ta­for­ma WM9 entre em um broad­cas­ter. Hoje é pos­sí­vel


com esta tec­no­lo­gia movi­men­tar chips DirectX­VA de em­pre­sas como inter­na­men­te ou entre afi­lia­das ATI e NVI­DIA, pos­si­bi­li­tan­­do play­ um con­teú­do em “Com­po­si­te back de con­teú­do em 720p e 1080p Video Qua­lity”, em uma fra­ção num PC equi­va­len­te a um Pen­tium da banda ori­gi­nal­men­te neces­sá­ 4. Bre­ve­men­te, o enco­der tam­bém ria em saté­li­te ou outra forma de esta­rá dis­­po­ní­vel em chip, pos­si­bi­li­ trans­mis­são. Isto sig­ni­fi­ca uma tan­do que equi­­pa­men­tos como eco­no­mia radi­cal. câme­ras pos­­sam tra­ba­lhar nati­va­ A ida dos enco­ders e deco­ men­te o for­ma­to WM. ders para o chip pos­si­bi­li­ta­rá muito bre­ve­men­te uma nova Encoder do WM9 compacta vídeo com metade do TV sobre ADSL — Desde expe­riên­cia na qual toda uma tamanho de um MPEG-4. que foi lan­ça­da, a TV pas­sou ­cadeia de valo­res possa ser dis­ por uma série de trans­for­ma­ções em po­ni­bi­li­za­da para uma emis­so­ sua forma de ser trans­mis­são e ra. As fases de cap­ta­ção, edi­ção, arma­ devi­ces — O novo enco­der pos­si­bi­li­ta recep­ção. Fre­qüên­cia, saté­li­te, cabo; uma ze­na­­men­to e dis­tri­bui­ção po­de­­rão tam­bém o con­tro­le de devi­ces e câme­ras busca cons­tan­te com o obje­ti­vo de atin­gir se valer de um for­ma­to muito mais ­padrão IEEE 1394. Isto sig­ni­fi­ca que, de mais usuá­rios e gerar mode­los comer­ciais sus­ leve e efi­cien­te, espe­cial­men­te quan­ den­tro do soft­wa­re, pode-se ini­ciar o pro­ ten­tá­veis. do se con­ta ainda com o DRM pa­ra ces­so de gra­va­ção, play­back, fast for­ Para as ope­ra­ções de cabo, cada vez mais, pro­te­ger o con­teú­do quan­­do neces­ ward e ­rewind. Esta carac­te­rís­ti­ca é fun­ o gran­de desa­fio é o de ­ ampliar a malha sá­rio. Par­cei­ros como Adobe, Avid, da­men­tal espe­cial­men­te para “2-pass de cober­tu­ra de forma a ­ ampliar o nume­ro Dis­creet, Tand­berg, Àccom e ­ outros enco­ding”, quan­do o enco­der pre­ci­sa de usuá­rios e a recei­ta por con­se­qüên­cia. estão tra­ba­lhan­do pa­ra anun­ciar em cap­tu­rar e ana­li­sar o con­teú­do no pri­mei­ Mesmo uma legis­la­ção que deter­mi­na o per­ breve sis­te­mas que supor­ta­rão WM9. ro passo e então rea­li­zar o segun­do cen­tual de cober­tu­ra da malha den­tro da con­ Mas não pre­ci­sa­mos espe­rar por passo a par­tir da cópia em disco, poden­ ces­são não é sufi­cien­te para garan­tir isto. O estes lan­ça­men­tos para com­pro­var do fazer isto agora sem a inter­ven­ção do inves­ti­men­to em dólar e ante­ci­pa­do torna a efi­ciên­cia da nova ver­são do WM. usuá­rio. qual­quer expan­são um gran­de desa­fio. Uma ati­vi­da­de cru­cial pode ser faci­li­ Esta carac­te­rís­ti­ca tam­bém torna pos­ Do outro lado temos as teles, que já fize­ ta­da ime­dia­ta­men­te pelo uso desta tec­ sí­vel a cria­ção de uma Edit Deci­sion List ram um gran­de inves­ti­men­to em infra-estru­ no­lo­gia: a con­tri­bui­ção jor­na­lís­ti­ca. (EDL) que espe­ci­fi­ca seg­men­tos de uma tu­ra, che­gan­do ao lar de ­ milhões e ­ milhões O dina­mis­mo de um broad­cas­ter fita para enco­ding. de bra­si­lei­ros e que estão ansio­sas por ofe­re­ exige que a comu­ni­ca­ção entre afi­lia­ cer novos ser­vi­ços a seus assi­nan­tes e ocu­ das e cabe­ça-de-rede ocor­ra com gran­ Sour­ce Swit­ching para even­tos ao par seu back­bo­ne, mui­tas vezes ocio­so. de fre­qüên­cia e alta efi­ciên­cia. Esta vivo — Pos­si­bi­li­ta um ótimo con­ O WM9 passa a ser exa­ta­men­te o elo comu­ni­ca­ção por parte das afi­lia­das tro­le sobre a pro­du­ção de um even­to ao entre estes pla­yers. envol­ve mui­tas vezes con­tri­bui­ção jor­ vivo dando ao ope­ra­dor a capa­ci­da­de de A demo­cra­ti­za­ção de tec­no­lo­gias de dis­tri­ na­lís­ti­ca ou de ­outros con­teú­dos. tran­si­ção entre con­teú­do ao vivo (várias bui­ção como o ADSL soma­da à gran­de efi­ciên­ Via­bi­li­zar estas trans­mis­sões em câme­ras) ou pré-gra­va­do. cia dos novos ­codecs e sis­te­ma de pro­te­ção a uma infra-estru­tu­ra ADSL, por exem­ direi­tos auto­rais (DRM) podem con­tri­buir plo, pode sig­ni­fi­car a trans­fe­rên­cia de Time Code — O WM9 cap­tu­ra o para a gera­ção de novos mode­los de negó­cios strea­ming num ­ padrão broad­cast em time code ori­gi­nal faci­li­tan­do a em TV. Em cone­xões abai­xo de 1 Mbps podetaxas pró­xi­mas a 1 Mbps, ou con­teú­do recu­pe­ra­ção pos­te­rior do con­teú­do de inte­ se ofe­re­cer uma qua­li­da­de de ima­gem muito para down­load a taxas meno­res. res­se ou mesmo uma edi­ção no for­ma­to pró­xi­ma a de DVD, e áudio em 5.1. Pelo menos dois tes­tes estão sendo WM. Via­bi­li­zar novos mode­los de negó­cios con­du­zi­dos neste momen­to por emis­so­ neste mer­ca­do é um gran­de desa­fio, con­si­de­ ras dis­tin­tas. Ace­le­ra­ção por hard­wa­re — ran­do sua com­ple­xi­da­de, por isto que­re­mos Em­bo­ra uma das gran­des carac­te­ limi­tar nosso papel ao de dis­po­ni­bi­li­zar tec­no­ Con­tro­le de câme­ras e ­outros rís­ti­cas da nova pla­ta­for­ma seja via­bi­li­ lo­gia que possa fomen­tar estes novos mode­los zar enco­ding de alta qua­li­da­de por soft­ atra­vés de pla­yers do mer­ca­do. Enten­de­mos wa­re, ­várias apli­ca­ções podem deman­dar que os obje­ti­vos e con­cei­tos ­ legais, espe­cial­ PARA SABER MAIS uma per­for­man­ce mais rigo­ro­sa. Obje­ti­ men­te os rela­cio­na­dos a con­ces­sões, devem Win­dows Media Web Site van­do aten­der a esta deman­da, num ser total­men­te res­pei­ta­dos. Daí a impor­tân­cia www.micro­soft.com/win­dows­me­dia futu­ro pró­xi­mo, a ace­le­ra­ção por hard­ de envol­ver os pla­yers cor­re­tos no esta­be­le­ci­ Win­dows Media Deve­lo­per Cen­ter wa­re para o WM9 de­co­der será dis­po­ni­ men­to de par­ce­rias de manei­ra a não ferir as msdn.micro­soft.com/win­dows­me­dia bi­li­za­da em pla­cas grá­fi­­cas incor­po­ran­do ­regras deste mer­ca­do.

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artigo

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N達o disponivel


m ­ aking of A c r o­ba­cia , si n ô­ n i­m o d e e le­ g â n­cia Bem dis­tan­te dos tra­di­cio­nais fil­mes da indús­tria auto­ mo­bi­lís­ti­ca, que cos­tu­mam focar no desem­pe­nho dos car­ ros, o comer­cial de lan­ça­men­to da nova ver­são do Astra lan­çou mão de acro­ba­tas de circo para suge­rir um ar de ele­gân­cia. O foco, neste caso, foram os deta­lhes do mode­ lo atua­li­za­do do Astra, como ­faróis, fren­te, tra­sei­ra. “A cada novo lan­ça­men­to, temos que apre­sen­tar esses mes­ mos deta­lhes. Esta foi a forma que encon­tra­mos para dra­ ma­ti­zar as mudan­ças desse mode­lo”, expli­ca o dire­tor de cria­ção Mar­ce­lo Luca­to. Sur­giu então a idéia dos acro­ba­tas. “Já tínha­mos tra­ba­ lha­do com o Ricar­do Car­va­lho em outra cam­pa­nha da

GM e gos­ta­mos da pes­qui­sa de cas­ting que ele nos apre­sen­ tou e de sua verve. Então apos­ta­mos nele para resol­ver esse filme”, acres­cen­ta. A prin­ci­pal refe­rên­cia esté­ti­ca do filme, segun­do o assis­ten­ te de dire­ção Mar­ce­lo Cor­dei­ro, foi o espe­tá­cu­lo Dra­lion, da com­pa­nhia cana­den­se Cir­que du ­Soleil, ins­pi­ra­do na anti­ga tra­di­ção chi­ne­sa do circo. O figu­ri­no é seme­lhan­te, com ­malhas cola­das e uma tona­li­da­de forte de azul. “Nosso figu­ri­ no foi pen­sa­do para que tives­se algum bri­lho mas, ao mesmo tempo, não cha­mas­se mais aten­ção do que o carro. O mesmo vale para a maquia­gem e cabe­lo”, conta Mar­ce­lo.

f icha téc­ni­ca

E l e n­ c o e s p e­ c i a l

Ori­gi­nal­men­te, pen­sou-se em dois artis­tas e no final, qua­tro foram cha­ma­dos. “A pro­du­to­ra saiu à caça de pes­soas de circo e nos trou­ xe uma série de tes­tes, com mais de 30 pes­soas”, expli­ca Luca­to. “Pre­ci­sá­va­mos de um elen­co espe­cial, por­tan­to fize­mos teste de VT com acro­ba­tas e ginas­tas, usan­do um tram­po­lim e col­ chões para ver­mos os sal­tos que eles pode­riam fazer. Esco­lhe­ mos qua­tro. Dois do grupo Frac­tons, um da Nau de ­ Ícaros e um de circo”, conta Mar­ce­lo.

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Títu­lo Acro­ba­tas • Clien­te Gene­ ral ­Motors • Pro­du­to Novo Astra • Agên­cia ­ McCann-Erick­son • Cria­ção Mane­co Pires e Cile­ne Gon­za­lez • Dire­ção de Cria­ção Mar­ce­lo Luca­to • Pro­du­to­ra Cia. Ilus­tra­da • Dire­ção Ricar­do Car­ va­lho • Foto­gra­fia Fer­nan­do de Oli­vei­ra e Mar­ce­lo Rocha • Mon­ ta­gem Sér­gio Glas­berg • Fina­li­ za­ção Cia. Ilus­tra­da • Tri­lha Dr. DD, Raw


lizan­dra­deal­mei­da lizan­dra@tela­vi­va.com.br

P e r­ f o r­ m a n­ c e s o b r e o c a rr o Ao desen­vol­ver o rotei­ro, a agên­cia pro­pôs que o carro fosse usado como a base da per­for­man­ce dos acro­ba­tas. Todas as cenas envol­ven­do os acro­ba­tas foram fei­tas em estú­dio, ape­nas com o uso de equi­pa­men­ tos de circo e com o carro como apoio. “O carro foi estu­da­do para que a lata­ria não fosse amas­sa­da, então os movi­men­tos foram pro­gra­ma­dos para que o apoio fosse sobre as estru­tu­ras do carro”, expli­ca Luca­to. De manei­ra geral, a pro­du­ção con­se­guiu resol­ver tudo na fil­ma­gem, quase sem uti­li­zar recur­sos de pós-pro­du­ção. O pla­ne­ja­men­to par­tiu de um ­layout com três ginas­tas, que ser­viu de base para a decu­pa­gem pré­via e a pre­vi­são de pos­sí­veis difi­cul­da­des. “Nosso maior pro­ble­ma seria o plano em que os dois per­so­na­gens pas­sam den­tro do carro, por causa das por­tas e dos ban­cos”, diz Mar­ce­lo. Neste plano, os acro­ba­tas pula­ram real­men­te por den­tro do carro. “Por moti­vo de segu­ran­ça, tive­mos de reti­rar as por­tas e os ban­cos, que foram fil­ma­dos em sepa­ra­do (com câme­ra fixa) e ­depois apli­ca­ dos na pós-pro­du­ção”, acres­cen­ta.

Sem fundo de recorte Para as ­demais cenas, que mos­tram os acro­ba­ tas sal­tan­do sobre e ao redor do carro, foram uti­li­za­dos dois tipos de equi­pa­men­tos: um tram­po­lim (cha­ma­do mini­tramp), usado na maio­ria das cenas de sal­tos por sobre o carro, e uma maca russa (uma espé­cie de balan­ço com pran­cha) que ser­viu para lan­çar um dos ato­res, ultra­pas­san­do todo carro. Em outro plano, um dos per­so­na­gens dá uma pirue­ta na late­ral do carro. Neste caso, ­nenhum equi­pa­men­to foi uti­li­za­do, ou seja, o acro­ba­ta fez o salto com seu pró­ prio impul­so, subin­do pela late­ral e dando a pirue­ta. Nenhu­ma das cenas exi­giu fundo de recor­te. “Só tive­mos de apa­gar digi­tal­men­te o mini­tramp, a maca russa e os col­chões de segu­ran­ça”, reve­la Mar­ce­lo. “Para com­ple­tar o tru­que, a mon­ta­gem trans­for­mou os movi­men­tos dos acro­ba­tas em um ver­da­dei­ro balé”, diz Luca­to. A tri­lha sono­ra, basea­da em forte per­cus­são e pon­ tua­da por tam­bo­res, agre­gou ainda mais ao clima mági­co da pro­du­ção.


cinema

Produção sob a ótica internacional

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Festival do Rio BR 2002 e Rio Screening & Seminars reúnem grandes nomes do mercado audiovisual para

O Fes­ti­val do Rio BR, maior do gêne­ro cine­ma­to­grá­fi­ discutir o produto latino-americano. co no País com a apre­sen­ta­ção de mais de 400 fil­mes, con­so­li­da-se a cada ano que passa como vitri­ne para o cine­ma feito no Bra­sil e na Amé­ri­ca Lati­na. E o even­to Sér­gio Thomp­son Flo­res, CEO da World ­ Invest para­le­lo, o Rio Scree­ning & Semi­nars, mos­tra-se como Bra­sil, res­sal­tou que o con­teú­do será o prin­ci­pal um impor­tan­te fórum para a dis­cus­são sobre os negó­ campo de bata­lha na guer­ra por ­ fatias da audiên­cia cios na área do audio­vi­sual. em um mer­ca­do cada vez mais com­pe­ti­ti­vo — o que Neste ano, o Copa­ca­ba­na Pala­ce empres­tou seu gla­ abre gran­des opor­tu­ni­da­des para os pro­du­to­res inde­ mour, entre os dias 30 de setem­bro e 8 de outu­bro, para pen­den­tes com visão empre­sa­rial que sou­be­rem fazer os semi­ná­rios dedi­ca­dos à dis­cus­são de novas estra­té­gias par­ce­rias com os pro­gra­ma­do­res. para venda, co-pro­du­ção, pro­du­ção e dis­tri­bui­ção de fil­ mes. Os orga­ni­za­do­res da edi­ção 2002 do even­to, Grupo Exi­bi­ção Esta­ção e Cima (Cen­tro de Cul­tu­ra, Infor­ma­ção e Meio Os semi­ná­rios vol­ta­dos à dis­cus­são sobre os mer­ca­dos Ambien­te), trou­xe­ram 65 pales­tran­tes para a par­ti­ci­pa­ção norte-ame­ri­ca­no e lati­no-ame­ri­ca­no para os fil­mes em 15 pai­néis, works­hops e pales­tras. Mui­tos des­ses pales­ pro­du­zi­dos na Amé­ri­ca Lati­na tran­tes, boa parte estran­gei­ros, come­ça­ram com Steve Solot, deram o tom dos negó­cios fecha­ vice-pre­si­den­te ­ sênior da MPA dos nos dez dias do fes­ti­val. (Motion Picture Association) O pai­nel que abriu os semi­ para a Amé­ri­ca Lati­na e Bra­ ná­rios focou as par­ce­rias entre sil. Ele res­sal­tou as limi­ta­ções pro­du­to­res inde­pen­den­tes e a encon­tra­das pelos fil­mes do tele­vi­são. Sieg­fried Braun, pro­ con­ti­nen­te no mer­ca­do de salas du­tor e edi­tor geral da ZDF, de cine­ma dos Esta­dos Uni­dos. maior rede de tele­vi­são públi­ca Ainda que os his­pâ­ni­cos sejam da Euro­pa, rela­tou que 100% o grupo étni­co que mais vai ao da pro­gra­ma­ção de fic­ção exi­ Os alemães Jurgen Biefang, da Smallfish cine­ma nos EUA, a pene­tra­ção bi­da pela emis­so­ra é com­pra­da Productions, e Sigfried Braun, da ZDF. dos fil­mes pro­du­zi­dos na Amé­ri­ de ter­cei­ros — um cená­rio que, ca Lati­na não se rela­cio­na neces­ segun­do ­ Dorien Suther­land, sa­ria­men­te com o poten­cial de dire­tor geral da Sony Pictures con­su­mo de pro­du­tos de entre­te­ni­men­to dessa popu­la­ Television Internacional, será difí­cil de se repe­tir no ção (a quar­ta nas Amé­ri­cas, maior que a popu­la­ção da Bra­sil “enquan­to o horá­rio nobre da tele­vi­são aber­ta Vene­zue­la). Solot mos­trou que dos 25 fil­mes de lín­gua bra­si­lei­ra esti­ver ocu­pa­do pelas tele­no­ve­las”. Ape­sar estran­gei­ra que mais fatu­ra­ram no mer­ca­do lati­no-ame­ da obser­va­ção de Suther­land, os pales­tran­tes mos­tra­ ri­ca­no em todos os tem­pos ape­nas um foi de lín­gua espa­ ram-se oti­mis­tas quan­to à maior pre­sen­ça da pro­du­ção nho­la (“Como Água para Cho­co­la­te”). inde­pen­den­te na tele­vi­são bra­si­lei­ra, mesmo que uma Con­tu­do, os repre­sen­tan­tes das ­majors que atuam regu­la­men­ta­ção mais efe­ti­va com rela­ção à ques­tão não nos mer­ca­dos lati­no-ame­ri­ca­nos de salas de exi­bi­ção venha a ser imple­men­ta­da.

Fotos: divulgação


alexpatezgalvão do Rio de Janeiro telaviva@telaviva.com.br

r­ e­gião, viu a quan­ti­da­de dos fil­mes pro­ du­zi­dos cair para ape­nas seis ao ano em fun­ção da ine­xis­tên­cia de meca­nis­mos de finan­cia­men­to à pro­du­ção tais como os exis­ten­tes na Argen­ti­na e no Bra­sil. Mer­ca­do euro­peu Nos semi­ná­rios dire­cio­na­dos ao mer­ca­ do euro­peu para o filme lati­no-ame­ri­ ca­no, os pales­tran­tes, todos envol­vi­dos com dis­tri­bui­ção de fil­mes na Euro­pa, rela­ta­ram os recen­tes casos de suces­so de crí­ti­ca e públi­co da cine­ma­to­gra­ fia lati­na no con­ti­nen­te, em espe­cial os fil­mes argen­ti­nos e mexi­ca­nos. Ida “Eu, Tu, Eles”, lançado no mercado alemão pela Columbia em circuito Mar­tins, CEO da Media Luna Enter­ blockbuster, teve público de 5 mil espectadores. Na França, com a tain­ment, dis­tri­bui­do­ra inter­na­cio­nal ajuda de uma pequena distribuidora, teve 80 mil espectadores. de fil­mes sedia­da em Colô­nia, rela­tou des­ta­ca­ram fir­me­men­te a dis­po­si­ção de dia­tos. Já Rodri­go Satur­ni­no, da Sony do que os fil­mes lati­no-ame­ri­ca­nos fala­dos pro­du­zir e de fazer cir­cu­lar os fil­mes Bra­sil, vê as difi­cul­da­des do cine­ma lati­no em espa­nhol têm con­se­gui­do ­médias de lati­nos no con­ti­nen­te e no mer­ca­do muito mais liga­das ao âmbi­to da pro­du­ção. públi­co maio­res do que os fil­mes bra­ norte-ame­ri­ca­no. Um impor­tan­te inves­ Segun­do ele, a quan­ti­da­de de fil­mes pro­ si­lei­ros, prin­ci­pal­men­te na Ale­ma­nha. ti­men­to nesse sen­ti­do foi feito recen­te­ du­zi­dos na ­região ainda é Como uma das cau­sas, men­te pela Dis­ney, em par­ce­ria com a peque­na para incu­tir no Ida Mar­tins e Mei­nholf Tele­fó­ni­ca, na Mira­vis­ta, com­pa­nhia con­su­mi­dor o hábi­to de ­Zurhost, pro­du­tor da ZDF pan-regio­nal que obje­ti­va gerar fil­mes ver os pou­cos fil­mes pro­ para a Amé­ri­ca Lati­na, res­ de qua­li­da­de para que pos­sam ser dis­tri­ du­zi­dos da ­região. sal­ta­ram a difi­cul­da­de em buí­dos em todo o mundo. Esse foi jus­ta­men­ se encon­trar o dis­tri­bui­dor O for­ta­le­ci­men­to dos laços entre os te o tema abor­da­do por mais ade­qua­do para cada paí­ses lati­no-ame­ri­ca­nos é o cami­nho a ser ­Ma­thias Ehren­berg, pro­ filme. segui­do, segun­do Mar­tin Irao­la, vice-pre­si­ du­tor da mexi­ca­na Ti­tán De acor­do com ­Zurhost, den­te da Buena Vista Latin Ame­ri­ca. Ele Pro­duc­cio­nes. Mes­mo fil­mes bra­si­lei­ros como defen­deu o apor­te even­tual de recur­sos com ­ vários suces­sos de Ida Martins, da Media Luna: “Eu, Tu, Eles” foram lan­ esta­tais ou pri­va­dos na dis­tri­bui­ção e pro­ bi­­lhe­te­ria nos últi­mos filmes em espanhol têm mais ça­dos no mer­ca­do ale­mão mo­ção dos fil­mes lati­nos no con­ti­nen­te, anos, o Méxi­co, maior público que os brasileiros na por gran­des dis­tri­bui­do­ras mesmo que os retor­nos não sejam ime­ mer­­ca­do exi­bi­dor da Europa. (no caso, a Colum­bia) em

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finan­cia­men­to à pro­du­ção e a busca por pro­je­tos ori­gi­nais bra­si­lei­ros. Jur­gen Bie­fang, da pro­du­to­ra alemã Small­fish Pro­duc­tions, lem­brou que gran­de parte dos fil­mes rea­li­ za­dos não con­se­gue recei­tas sufi­cien­tes que ­ cubram seus orça­men­tos. Mesmo assim, Bie­fang fri­sou que exis­te certo con­sen­so na Euro­pa “Central do Brasil”, mesmo com um Urso de que, ainda que não dêem de Prata no Festival de Berlim, não saiu-se retor­no, ­alguns pro­je­tos e cer­ bem no mercado germânico. tas his­tó­rias devem che­gar ao mer­ca­do. Para tanto, exis­tem um cir­cui­to mais acos­tu­ma­do a exi­ mui­tos meca­nis­mos de finan­cia­men­to, bir block­bus­ters norte-ame­ri­ca­nos. O boa parte pro­ve­nien­te das taxas de filme de Andru­cha Wad­ding­ton fez ape­ licen­cia­men­to pagas pelos teles­pec­ta­do­ nas cinco mil espec­ta­do­res no mer­ca­do res euro­peus para o sus­ten­to das redes ale­mão. ­ Outros fil­mes como “Tieta”, públi­cas de tele­vi­são. “Abril Des­pe­da­ça­do” e até “Cen­tral do Wolf­gang Brehm, advo­ga­do da Bra­sil”, que ­ganhou o Urso de Prata no Brehm & Moers, escri­tó­rio espe­cia­li­za­ Fes­ti­val de Ber­lim, tam­bém não foram do no mer­ca­do cine­ma­to­grá­fi­co, tam­bém bem no mer­ca­do de lín­gua ger­mâ­ni­ca. defen­deu a regu­la­men­ta­ção dos mer­ca­dos Na Fran­ça, ao con­trá­rio, “Eu, Tu, Eles” audio­vi­suais: os meca­nis­mos de finan­cia­ ven­deu cerca de 80 mil ingres­sos ao ser men­to cru­za­do na indús­tria audio­vi­sual dis­tri­buí­do pela ID Dis­tri­bu­tion, peque­ (envol­ven­do o dinhei­ro da tele­vi­são) e na dis­tri­bui­do­ra fran­ce­sa. a pro­te­ção do mer­ca­do, disse ele, “têm Isa­bel­le Dubar, repre­sen­tan­te da ID, feito com que os pro­du­to­res fran­ce­ses rela­tou que o filme, pro­du­zi­do no Bra­sil sejam os úni­cos que real­men­te ­ ganham pela Cons­pi­ra­ção Fil­mes, foi exi­bi­do em dinhei­ro na Euro­pa, o que prova que, um cir­cui­to espe­cí­fi­co, dis­tan­te da rea­li­ fora dos Esta­dos Uni­dos, todos os paí­ses da­de de mul­ti­plex e mais vol­ta­do para a pre­ci­sam de algu­ma forma de apoio esta­ vei­cu­la­ção de fil­mes inde­pen­den­tes. No tal”. Brehm expli­cou que os incen­ti­vos entan­to, Isa­bel­le pon­tuou que, mesmo (fede­ral e esta­duais) de seu país estão com o suces­so nas bilhe­te­rias, o filme dis­po­ní­veis para pro­je­tos de co-pro­du­ção ape­nas trou­xe retor­nos sig­ni­fi­ca­ti­vos ao com o Bra­sil, desde que envol­vam pro­fis­ ser ven­di­do tam­bém para a tele­vi­são. É sio­nais ale­mães, assim como loca­ções na por esse moti­vo que as dis­tri­bui­do­ras Ale­ma­nha. euro­péias pre­fe­rem adqui­rir os direi­tos Os pales­tran­tes ale­mães reco­men­da­ dos fil­mes para todas a jane­las de exi­bi­ ram que os pro­du­to­res bra­si­lei­ros evi­ ção — como dis­se­ram Alain de la Mata, tem a apre­sen­ta­ção de pro­je­tos para os da Wild Bunch (liga­da ao Canal +), e even­tuais inte­res­sa­dos euro­peus sem Luis Bor­dal­lo, da Luso­mun­do, maior dis­ que antes ­ tenham cap­ta­do recur­sos no tri­bui­do­ra de fil­mes em Por­tu­gal. Bra­sil. “Enquan­to a cap­ta­ção de recur­ sos para a pro­du­ção na Ale­ma­nha é, em Incen­ti­vos média, de cerca de cinco meses, os pro­ As pos­si­bi­li­da­des de par­ce­rias na área je­tos no Bra­sil demo­ram cerca de dois cine­ma­to­grá­fi­ca entre o Bra­sil e a Ale­ anos para con­se­guir recur­sos, o que mui­ ma­nha, país home­na­gea­do no Fes­ti­val tas vezes atra­pa­lha o ritmo das nego­cia­ do Rio BR 2002 com uma mos­tra ções de co-pro­du­ção”, pon­tuou Phoe­be de fil­mes espe­cí­fi­ca, foram o tema Clark, da pro­du­to­ra alemã Mag­na­tel. de uma mesa redon­da cujos aspec­ tos mais res­sal­ta­dos referiram-se às Finan­cia­men­to pecu­lia­ri­da­des dos meca­nis­mos euro­ No pai­nel sobre as for­mas de finan­cia­ peus — em espe­cial ale­mães — de men­to dis­po­ní­veis para os fil­mes lati­ nos nos mer­ca­dos local e inter­na­cio­nal,

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Fran­cis­co Fei­to­sa, dire­tor geral da War­ ner Bro­thers Bra­sil, e Mar­cos Oli­vei­ra, dire­tor geral da 20th Cen­tury Fox Film Bra­sil, demons­tra­ram a dis­po­si­ção de suas empre­sas em inves­tir no cine­ma nacio­nal atra­vés dos meca­nis­mos de finan­cia­men­to dis­pos­tos no Arti­go 3 da Lei do Audio­vi­sual. De acor­do com os exe­cu­ti­vos, as duas empre­sas estão envol­vi­das em ­vários pro­je­tos nos pró­ xi­mos 18 meses. Fei­to­sa rela­tou que ainda não exis­te um depar­ta­men­to espe­cí­fi­co para sele­ção de pro­je­tos bra­ si­lei­ros na War­ner Bra­sil — um comi­tê recen­te­men­te orga­ni­za­do nos Esta­dos Uni­dos está assu­min­do essa tare­fa. Ape­sar de vol­ta­do para o finan­cia­ men­to da pro­du­ção, as ques­tões liga­das à dis­tri­bui­ção foram reto­ma­das nesse pai­ nel. Jorge Pere­gri­no, vice-pre­si­den­te para a Amé­ri­ca Lati­na e Cari­be da UIP/Bra­sil, afir­mou ser finan­cei­ra­men­te com­pen­sa­ dor para o pro­du­tor ter seu filme comer­ cia­li­za­do por uma das ­ majors (gran­des dis­tri­bui­do­ras norte-ame­ri­ca­nas), pois estas têm maior estru­tu­ra e poder de nego­cia­ção para con­se­guir negó­cios mais van­ta­jo­sos nas dife­ren­tes jane­las de exi­ bi­ção. A van­ta­gem da inte­gra­ção ver­ti­cal foi, no entan­to, ques­tio­na­da por Pablo Irao­la, da Pata­go­nik, gran­de pro­du­to­ra argen­ti­na de fil­mes. Ape­sar de fazer parte de uma empre­sa que tem entre seus acio­nis­tas a Dis­ney (e tam­bém a Tele­fó­ni­ ca), Irao­la acre­di­ta que, com uma média de 40 fil­mes norte-ame­ri­ca­nos para lan­ çar todos os anos nos mer­ca­dos em que atuam, as ­ majors podem não dis­pen­sar a devi­da aten­ção ao dis­tri­buir as pro­du­ ções ­locais. Mudan­ça de hábi­to As pos­si­bi­li­da­des do mer­ca­do de home enter­tain­ment foram tema de dois pai­ néis no Rio Scree­ning & Semi­nars. Repre­sen­tan­tes das qua­tro gran­des dis­tri­ bui­do­ras bra­si­lei­ras de vídeo domés­ti­co fala­ram das trans­for­ma­ções no mer­ca­do em decor­rên­cia da intro­du­ção do DVD e das difi­cul­da­des de dis­tri­bui­ção do filme bra­si­lei­ro em vídeo. His­to­ri­ca­men­te vol­ta­ do para as loca­do­ras, o mer­ca­do de home enter­tain­ment do Bra­sil figu­ra entre os cinco maio­res do mundo e está em pro­ ces­so de mudan­ça com a difu­são, entre os con­su­mi­do­res, do hábi­to de com­prar DVDs para se ter os fil­mes em casa.

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N達o disponivel


Mesmo no mer­ca­do de loca­ção, o cine­ma nacio­nal ainda pre­ci­sa rom­per a bar­rei­ra que o sepa­ra do públi­co. Segun­do Mar­cos Ros­set, dire­tor geral da Dis­ney Home Enter­tain­ment do Bra­sil, ape­sar do suces­so de ­ alguns fil­mes bra­si­lei­ros nas telas gran­des, mui­tos não encon­tram públi­co nas loca­do­ras, o que acaba pre­ju­di­can­do a venda e a dis­tri­bui­ção do pro­du­to nacio­nal. A causa prin­ci­pal apon­ta­da pelos pales­tran­tes foi a falta de inves­ti­ men­to dos pro­du­to­res na divul­ga­ção e na dis­tri­bui­ção vol­ta­das exclu­si­va­men­ te para esta jane­la. Díl­son San­tos, dire­tor geral da 20th Cen­tury Fox Home Enter­tain­ment Bra­ sil, cha­mou a aten­ção para o tra­ta­men­ to dis­pen­sa­do pelo pro­du­tor bra­si­lei­ro ao mer­ca­do de vídeo domés­ti­co que, segun­do o exe­cu­ti­vo, é a prin­ci­pal fonte de recei­ta dos gran­des estú­dios de Holly­ wood, cor­res­pon­den­do a cerca de 40% de tudo o que fatu­ram. “O vídeo tem uma impor­tân­cia que ainda não foi per­ ce­bi­da pelos pro­du­to­res. Eles só vêem o gla­mour do cine­ma”, afir­mou San­tos ao suge­rir que os pro­du­to­res ­ fechem con­tra­tos com o cas­ting levan­do em conta o com­pro­mis­so dos ato­res na pro­ mo­ção dos fil­mes bra­si­lei­ros em lojas que comer­cia­li­zam ­ vídeos e DVDs e tam­bém nas loca­do­ras. Um exem­plo colo­ca­do no deba­te foi o filme “Avas­sa­la­do­ras”, pro­du­ção da Total Fil­mes. Fred Bote­lho, pre­si­den­te da 2001 Vídeo Bra­sil, loca­do­ra e vare­jis­ ta de VHS e DVD pau­lis­ta, acre­di­ta que o filme tem feito uma boa tra­je­tó­ria no mer­ca­do de home­vi­deo devi­do à boa divul­ga­ção feita à época do seu lan­ça­ men­to nas salas de cine­ma. De acor­do com Díl­son San­tos, da Fox, até agora o filme ven­deu 10.248 ­ cópias para o mer­ca­do de loca­do­ras (ren­tal) e 3.983 ­cópias para o mer­ca­do vare­jis­ta (sell­through). Segun­do Wal­ki­ria Bar­bo­sa, da Total Fil­mes, a base ins­ta­la­da de apa­re­ lhos VHS e DVD e o núme­ro de loca­ do­ras no País jus­ti­fi­cam um tra­ba­lho de divul­ga­ção que con­tem­ple, na época de lan­ça­men­to dos fil­mes nas salas de cine­ma, os repre­sen­tan­tes do mer­ca­do de home enter­tain­ment, incluin­do os donos de loca­do­ras.

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Para Costa-Gavras, “assim como polícias, exércitos e moedas, cinema é questão de Estado”.

Pre­ser­va­ção Ape­sar de focar os negó­cios na área de cine­ma, um dia intei­ro dos semi­ná­rios do Fes­ti­val do Rio BR foi dedi­ca­do às dis­cus­sões em torno da pre­ser­va­ção de fil­mes. “Os dire­to­res e rea­li­za­do­res de cine­ma deve­riam se reu­nir para ten­tar con­ven­cer o gover­no da neces­si­da­de de se pre­ser­var a memó­ria cine­ma­to­grá­fi­ca do País”. Foi esse o reca­do de Kons­tan­ tin Costa-­Gavras, que foi pre­si­den­te

por seis anos da Cine­ma­te­ca Fran­ce­sa. “Assim como polí­cias, exér­ci­tos e moe­ das, cine­ma é ques­tão de Esta­do”, arre­ ma­tou o dire­tor greco-fran­cês ao defen­ der polí­ti­cas dire­cio­na­das à área. Mem­bros do Cen­tro de Pes­qui­sa do Cine­ma Bra­si­lei­ro (CPCB) rela­ta­ram seus esfor­ços na pre­ser­va­ção de obras nacio­nais impor­tan­tes como “Aviso aos Nave­gan­tes”, clás­si­co bra­si­lei­ro de 1950, e “Meni­no de Enge­nho”, de Wal­ ter Lima Jr. A res­tau­ra­ção do pri­mei­ro filme cus­tou R$ 70 mil. O segun­do, em fase final de pro­ces­so de res­tau­ra­ ção, cus­tou até agora R$ 120 mil. Tais valo­res refe­rem-se ape­nas às des­pe­sas de labo­ra­tó­rio. Segun­do Marí­lia Fran­ co, pro­fes­so­ra da ECA-USP, os gas­tos de pes­qui­sa que geral­men­te ante­ce­dem o res­tau­ro de um filme podem cor­res­ pon­der a mais que o dobro do total das des­pe­sas com labo­ra­tó­rio. O pro­ces­so de dete­rio­ra­ção sofri­do pelas matri­zes de fil­mes bra­si­lei­ros anti­gos no Museu de Arte Moder­na do Rio de Janei­ro, assim como o recen­te

Bal­cão de negó­cios Pro­gres­si­va­men­te, o Fes­ti­val do Rio BR firma-se tam­bém como um bal­cão para os pro­je­tos cine­ma­to­grá­ fi­cos lati­no-ame­ri­ca­nos. Neste ano foram exi­bi­ dos mais de cem títu­los nacio­nais e lati­no-ame­ri­ca­nos para crí­ti­cos de cine­ ma, pro­du­to­res e dis­tri­bui­do­res inter­na­ cio­nais. ­Alguns deles esta­rão nos pró­ xi­mos fes­ti­vais de Sun­dan­ce, Roter­dan, Locar­no e Sara­je­vo. Os repre­sen­tan­tes des­ses fes­ti­vais e ­ outros “olhei­ros” inter­na­cio­nais tive­ram o tra­ba­lho faci­ li­ta­do pelo show­ca­se e o video scree­ nings mon­ta­dos em uma sala no Hotel Copa­ca­ba­na Pala­ce, reser­va­da exclu­si­ va­men­te para a apre­cia­ção da cine­ma­ to­gra­fia bra­si­lei­ra e lati­na recen­te. Os orga­ni­za­do­res do even­to ainda não con­se­gui­ram quan­ti­fi­car os valo­res que são nego­cia­dos duran­te o even­ to — infor­ma­ções tidas como “con­fi­

den­ciais” pelos pro­du­to­res. Iafa Britz, uma das dire­to­ras do fes­ti­val e orga­ni­za­do­ra dos semi­ná­rios, acre­di­ ta que as somas têm cres­ci­do, uma vez que os “olhei­ros” estran­gei­ros que esti­ve­ ram nos anos ante­rio­res garan­ti­ram vaga no even­to deste ano. A inten­ção para os pró­xi­mos anos é o lan­ça­men­to de uma bolsa de negó­ cios — uma espé­cie de lei­lão de fil­mes lati­no-ame­ri­ca­nos que se encon­trem ainda aber­tos a poten­ciais co-pro­du­ to­res estran­gei­ros. Deno­mi­na­do Cine Mar­ket, o pro­gra­ma prevê a cap­ta­ção de inves­ti­men­tos em qual­quer fase do filme: desde o desen­vol­vi­men­to de pro­ je­tos até a dis­tri­bui­ção. Os even­tuais inves­ti­do­res esco­lhe­rão onde inves­tir a par­tir de um leque de pro­je­tos cujo cri­té­rio de sele­ção deve girar em torno do poten­cial para venda.


“des­pe­jo” desse mate­rial, foi tra­zi­do à tona por João Luiz Viei­ra, pro­fes­sor da Uni­ver­si­da­de Fede­ral Flu­mi­nen­se. Viei­ra res­sal­tou que a mobi­li­za­ção em torno da con­ser­va­ção des­sas matri­zes no Rio de Janei­ro trou­xe uma nova cons­ciên­cia para a ques­tão da pre­ser­va­ ção do cine­ma nacio­nal. Cerca de 4,9 mil assi­na­tu­ras foram colhi­das em um abai­xo-assi­na­do defen­den­do a per­ma­ nên­cia das matri­zes no Rio de Janei­ro. A arti­cu­la­ção de ­ várias enti­da­des liga­ das ao cine­ma (Associação Brasileira de Cineastas, Sindicato Nacional da Indústria Cinematográfica, Asso­cia­ção dos Crí­ti­cos de Cinema do RJ, entre ­outras), resul­tou na pro­mes­sa da pre­fei­ tu­ra do Rio de Janei­ro em alo­car R$ 3 ­milhões para que o Arqui­vo Nacio­nal possa se adap­tar para rece­ber esse mate­ rial. Esta ins­ti­tui­ção, sedia­da no Rio, e mais a Cine­ma­te­ca Bra­si­lei­ra em São Paulo, estão rece­ben­do, em pro­por­ções ­iguais, os 45 mil rolos (cerca de nove mil títu­los) de fil­mes que esta­vam no MAM-RJ. A neces­si­da­de de boas matri­zes para

se pas­sar para o digi­tal, dis­cus­sões sobre pre­ser­ a obso­les­cên­cia cons­tan­ va­ção, foram ofe­re­ci­das te das novas tec­no­lo­gias três ofi­ci­nas sobre rotei­ e a falta de ­padrões para ro, orga­ni­za­das pela se arma­ze­nar e con­ empre­sa ingle­sa The ser­var os fil­mes em ­Script Fac­tory, espe­cia­li­ novos for­ma­tos foram za­da em inse­rir rotei­ris­ os moti­vos colo­ca­dos tas nova­tos no mer­ca­do por Mar­tin Koer­ber, de cine­ma. Nas ofi­ci­nas pre­ser­va­cio­nis­ta da esti­ve­ram pre­sen­tes os Cine­ma­te­ca de Ber­lim, ale­mães Tom ­ Tykwer ao mos­trar-se céti­co à (dire­tor de “Corra, Lola, John Maden, diretor de res­pei­to dos pro­ces­sos Corra”) e Karl Baum­gar­ “Shakespeare Apaixonado” de res­tau­ra­ção digi­tal. ten (pro­du­tor de “Sim­ples­ “Se você tem um filme um dos presentes nas oficinas men­te Mar­tha”), além do do The Script Factory. a res­tau­rar, espe­re o bri­tâ­ni­co John Mad­den máxi­mo que puder, (dire­tor de “Sha­kes­pea­re desde que ele não este­ja se dete­rio­ran­do”, Apai­xo­na­do”). Um works­hop sobre como disse Koer­ber, que fez uma pales­tra espe­ a for­ma­ção do elen­co pode con­tri­buir para cí­fi­ca sobre os pro­ces­sos téc­ni­cos envol­vi­ o suces­so de um filme tam­bém fez parte dos na res­tau­ra­ção (orça­do ini­cial­men­te da pro­gra­ma­ção. Nesse works­hop, John em Ä200 mil) de “Metro­po­lis”, de Fritz Lyons, pro­du­tor ame­ri­ca­no dos bem-suce­ Lang, e ­outros fil­mes. di­dos “Boo­gie ­ Nights” e “Aus­tin ­ Powers in Gold­mem­ber”, rela­tou os cus­tos e os Works­hops bene­fí­cios de se ter a pre­sen­ça de um astro Os semi­ná­rios do Fes­ti­val do Rio BR não como Tom Crui­se (ainda que por ­ alguns tra­ta­ram ape­nas de ­ cifras. Além das minu­tos) em um filme.

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A película contra-ataca

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novembro de 2002

Fabricantes apostam nos novos

Nos últi­mos dois anos, os maio­res fabri­can­tes mun­ negativos para a atual realidade diais de pelí­cu­la para cine­ma, Kodak e Fuji, têm se digital do cinema. dedi­ca­do a abrir o leque de ­ opções para o mer­ca­do de nega­ti­vos. Em 2001, sur­gi­ram os nega­ti­vos ­ Vision Expres­sion 500T (5284/7284), da Kodak, e F-400, da Fuji. Neste ano, a Kodak lan­çou o ­ Vision 5263/7263 tabe­la de cin­zas, o preto e o bran­co são os limi­tes da 500T, enquan­to a Fuji colo­cou no mer­ca­do o Reala lati­tu­de do vídeo, enquan­to a pelí­cu­la con­se­gue tra­zer 500D. Os lan­ça­men­tos che­gam em um momen­to em deta­lhes nes­sas ­regiões. que seto­res da indús­tria e da mídia anun­ciam a morte imi­nen­te da pelí­cu­la como supor­te para a cap­ta­ção de Defi­ni­ção ima­gens, com sua subs­ti­tui­ção pelos for­ma­tos digi­tais A defi­ni­ção é outro desa­fio. “É um prin­cí­pio físi­co: os — onde a high defi­ni­tion ocu­pa­ria papel cen­tral. Mas, grãos do nega­ti­vo cap­tam a ima­gem em modo bas­tan­te na guer­ra entre cine­ma ópti­co e cine­ma digi­tal, Kodak simi­lar ao olho huma­no, de manei­ra alea­tó­ria; enquan­ e Fuji estão apos­tan­do na ban­dei­ra bran­ca: um cine­ma to isso, a cap­ta­ção em ­pixels, feita pelo vídeo, tem uma misto, onde a pelí­cu­la con­ti­nua pre­do­mi­nan­ estru­tu­ra celu­lar, dife­ren­te da de nosso olho. Por isso, te no momen­to da cap­ta­ção, o pro­ces­so ima­gens muito deta­lha­das, como folha­gens, ou de fina­li­za­ção acon­te­ce no meio irre­gu­la­res, como a super­fí­cie do mar, não ele­trô­ni­co e a mídia final ­ inclui ficam com a mesma niti­dez no vídeo que tanto a velha pelí­cu­la para exi­bi­ têm quan­do cap­ta­das por pelí­cu­la. O rosto ção em salas tra­di­cio­nais como huma­no é outro pro­ble­ma: repa­rem nos o for­ma­to digi­tal para vei­cu­ ­cílios dos ato­res — se vocês não con­se­ la­ção nas novís­si­mas salas de guem ver deta­lhes é por­que foi usado um pro­je­ção digi­tal — con­fi­gu­ra­ nega­ti­vo de grãos maio­res ou a ima­gem ção que já come­ça a ser comum foi gra­va­da em vídeo”, expli­ca Bar­bo­sa. tam­bém no cine­ma bra­si­lei­ro. Todos os novos nega­ti­vos lan­ça­dos Os novos nega­ti­vos tam­bém estão tam­bém apos­tam na alta sen­si­bi­li­da­de, de olho no mer­ca­do publi­ci­tá­rio e uma das pon­tas de lança do exér­ci­to digi­tal, na pro­du­ção de tele­fil­mes em supor­ que per­mi­te tra­ba­lhar com menor quan­ti­da­de Reala 500D, da Fuji: inédites tra­di­cio­nais. de luz, com con­si­de­rá­vel eco­no­mia no orça­ ta tecnologia da “quarta “Um dos pro­ble­mas prin­ci­pais men­to e maior agi­li­da­de nas fil­ma­gens. Um dos supor­tes digi­tais é a lati­tu­de. camada de cor”. dos pro­ble­mas enfren­ta­dos pela indús­tria de Eles têm pouca capa­ci­da­de de reter pelí­cu­las é que, quan­to mais sen­sí­vel o nega­ infor­ma­ções nas altas e bai­xas luzes. ti­vo, maio­res são os grãos. Há algum tempo, Todos os tes­tes de alta defi­ni­ção que são mos­tra­dos, porém, os fabri­can­tes têm con­se­gui­do tra­ba­lhar pelí­cu­ com óti­mos resul­ta­dos, acon­te­cem em situa­ções ­ ideais las mais sen­sí­veis com grãos peque­nos, sin­te­ti­zan­do de luz. Para altas e bai­xas luzes, esses meios ainda não par­tí­cu­las pla­nas em vez de uti­li­zar grãos natu­rais. con­se­guem reter as mes­mas infor­ma­ções que a pelí­cu­la. A nova linha de nega­ti­vos da Kodak vem com­ple­men­tar E é nisso que os novos lan­ça­men­tos, em geral, apos­tam, o já bas­tan­te conhe­ci­do Kodak ­Vision 500T 5279 / 7259. tra­ba­lhan­do com menos con­tras­te e maior lati­tu­de”, O modelo Expres­sion (5284/7284) tem 17% me­nos con­ afir­ma o dire­tor de foto­gra­fia Alzi­ro Bar­bo­sa. Numa tras­te que este, já o 5263/7263 tem 22% me­nos con­tras­te. Fotos: divul­ga­ção


pauloboccato

paulo@telaviva.com.br

Am­bos, por­­tan­to, podem para um estu­do com­pa­ ser ­ me­lhor tra­ba­lha­dos no ra­ti­vo entre os ne­ga­ti­ tele­ci­ne do que o tra­di­cio­ vos 79 e 84 rea­li­za­do nal 5279/7259. “O que vi por Alzi­ro Bar­bo­sa e do mate­rial no C-Rea­lity pela téc­ni­ca do labo­ra­ foi muito mais inte­res­san­te tó­rio Me­ga­co­lor, Mar­ do que o espe­ra­do: o 84 tha Reis, e publi­ca­do tem um grão finís­si­mo e é no site www.abci­ne. impres­sio­nan­te a quan­ti­da­ org.br, da As­so­cia­ção de de infor­ma­ção cap­tu­ra­ Bra­si­lei­ra de Cine­ma­to­ da na ima­gem, tanto nas gra­fia. altas como, prin­ci­pal­men­te, O gran­de desa­fio nas bai­xas luzes. Con­fes­so de “Viva São João!” que foi a pri­mei­ra vez que, — roda­do em 16 mm, mais do que ficar olhan­do “O mercado publicitário com blow-up ele­trô­ni­co para um 16 mm e pen­san­ começa a despertar para para 35 mm — era que do que pare­cia 35 mm, eu negativos do tipo 84”. a maior parte das cenas sim­ples­men­te esque­ci que Marcelo Capobianco, da Kodak ocor­re­ria à noite, com era 16 mm. Pen­sei: puxa! mui­tas cenas em bai­les Isto real­men­te vê mais que de forró e shows, onde a visão huma­na! Não me as con­di­ções de ilu­mi­ lem­bro de ter visto tudo aqui­lo na hora na­ção são adver­sas. “Ape­sar de pro­me­te­ da fil­ma­gem. Mas agora estou vendo e gos­ rem que eu pode­ria ilu­mi­nar, e que tudo tan­do muito, e isso só acon­te­ce por ser em bem, até seria legal se tives­se certo grão, fil­me!”, diz o dire­tor de fo­to­­gra­fia Mar­ce­lo sabia que o pro­ble­ma não era esté­ti­co, mas Dürst, do docu­men­tá­rio “Viva São João!”, da essên­cia do docu­men­tá­rio: a busca de de Andru­cha Wad­ding­ton, em depoi­men­to infor­ma­ções, que, no campo ­visual, impli­

ca em ‘infor­ma­ção ­fotográfica’. Num filme onde o mais impor­tan­te acon­te­ce à noite e o mais inte­res­san­te acon­te­ce­ria justo onde e quan­do eu não pudes­se ilu­mi­nar, a ques­tão não seria o grão ou a bai­xís­si­ma lumi­no­si­da­de, mas acima de tudo a neces­ si­da­de de obter o máxi­mo de infor­ma­ção ­visual nas diver­sas situa­ções de luz e con­ tras­te que a noite nos impõe”, conta Dürst em seu depoi­men­to. Cul­tu­ra do con­tras­te Nega­ti­vos de baixo con­tras­te não são a meni­na dos olhos de fotó­gra­fos bra­si­lei­ ros: nossa luz natu­ral e nossa pró­pria cul­tu­ra audio­vi­sual pri­vi­le­giam o opos­to. A gran­de apos­ta do 84, porém, é que, em casos onde a inter­me­dia­ção ele­trô­ni­ca entra em cena, o mais impor­tan­te é reter o máxi­mo de infor­ma­ções para serem tra­ba­lha­das no tele­ci­ne. Bar­bo­sa com­pa­ ra: “Se você tem um filme onde não há inter­me­dia­ção ele­trô­ni­ca pre­vis­ta, como ocor­re na maio­ria dos cur­tas e em fil­mes de baixo orça­men­to, o 84 não é uma boa

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serem tra­ba­lha­das no tele­ci­ne. Bar­bo­sa com­pa­ra: “Se você tem um filme onde não há inter­me­dia­ção ele­trô­ni­ca pre­vis­ ta, como ocor­re na maio­ria dos cur­tas e em fil­mes de baixo orça­men­to, o 84 não é uma boa opção, pois a ten­dên­cia é que a cópia final fique meio ‘­chocha’, sem o con­tras­te que o 79 pode pro­pi­ciar. Se, mesmo assim, o fotó­gra­fo optar pelo 84, é impor­tan­te que o posi­ti­vo seja mais con­tras­ta­do, daí a Kodak ter cria­ do tam­bém o Kodak ­ Vision Pre­mier Color Print, para situa­ções como essa. Com os posi­ti­vos tra­di­cio­nais e sem a inter­me­dia­ção ele­trô­ni­ca, é ­ melhor ficar com nega­ti­vos como o 79 ou o 48”, afir­ma. “Foi uma sur­pre­sa a recep­ti­vi­da­de que o 84 encon­trou no mer­ca­do bra­si­lei­ ro. Em pouco mais de um ano de exis­ tên­cia, ele já chega a 40% das ven­das ­locais de nega­ti­vos do tipo 500 — os ­outros 60% ficam com o 79. Já o 63 não tem tido o mesmo suces­so”, diz Mar­ce­lo Capo­bian­co, do Depar­ta­men­to de Pro­du­ tos Pro­fis­sio­nais para Cine­ma da Kodak bra­si­lei­ra. Segun­do Capo­bian­co, a razão é que o bai­xís­si­mo con­tras­te do 63 foi pen­sa­do prin­ci­pal­men­te para os mer­ca­ dos euro­peu e asiá­ti­co, que pri­vi­le­giam os tons pas­téis e cor da pele mais ama­re­la­da, carac­te­rís­ti­cas do cine­ma des­sas ­regiões. “O 63 é muito pró­xi­mo do ­Vision 320T (5277/7277), muito usado na Euro­pa e pouco comum aqui. Nem temos tra­ba­lha­ do comer­cial­men­te esse novo nega­ti­vo no Bra­sil”, diz Capo­bian­co. De toda a venda

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de nega­ti­vos do tipo me­lho. Por­tan­to, essa 84 no País, 70% têm faixa de onda não pode ido para o cine­ma ser supri­da ape­nas pela de longa-metra­gem, pre­sen­ça das três cores mos­tran­do que o bási­cas. Nor­mal­men­te, cami­nho da inter­ os fabri­can­tes uti­li­zam me­dia­ção ele­trô­ni­ca a tec­no­lo­gia de des­viar come­ça a cres­cer no a sen­si­bi­li­da­de espec­ Bra­sil. “Mas o mer­ Muitas cenas de “Viva São João!” tral do ver­me­lho para ca­do publi­ci­tá­rio já foram captadas à noite. o lado de onda mais come­ça a des­per­tar curta para ­ suprir essa para essa emul­são e as ven­das nesse setor defi­ciên­cia, o que gera um efei­to na têm cres­ci­do”, expli­ca Capo­bian­co. adap­ta­bi­li­da­de em ima­gens fei­tas sob luz fluo­res­cen­te. Mas a tec­no­lo­gia da quar­ Quar­ta cama­da ta cama­da cria uma ­ região sen­sí­vel ao As novas ­ linhas de nega­ti­vos da Fuji ciano, bus­can­do uma repro­du­ção mais tra­ba­lham em duas ver­ten­tes: o F-400 fiel ao que o olho huma­no vê. (tungs­tê­nio) busca o mesmo espa­ço dos Em ter­mos prá­ti­cos, o Reala 500D novos nega­ti­vos da Kodak, tra­ba­lhan­do pro­pi­cia ótimo ren­di­men­to para situa­ com baixo con­­tras­te, gran­de lati­tu­de e ções em que há mis­tu­ra de dife­ren­tes sen­si­bi­li­da­de; en­quan­­to o Reala 500D tem­pe­ra­tu­ras de cor. “Esse nega­ti­vo apos­ta na ver­sa­ti­li­­da­de e agi­li­da­de no res­pon­de bem quan­do o dire­tor de foto­ mo­men­to de fil­mar. Esse nega­ti­vo tem gra­fia tem que regis­trar cenas em que se a iné­di­ta tec­no­lo­gia da “quar­ta cama­da mis­tu­ram inte­rio­res e luz natu­ral, por de cor” — desen­vol­vi­da no final dos exem­plo, ou quan­do a cena exige uma anos 80 para os nega­ti­vos foto­grá­fi­cos pas­sa­gem de um ambien­te exte­rior da Fuji. para inte­rio­res”, diz Flá­vio Take­da, A físi­ca clás­si­ca — a come­çar por geren­te de ven­das de pro­du­tos pro­fis­ Isaac New­ton —, que nor­teia todos os sio­nais da Fuji no Bra­sil. O dire­tor de pre­cei­tos da ciên­cia foto­grá­fi­ca, diz que foto­gra­fia Alzi­ro Bar­bo­sa tem a mesma todas as cores do espec­tro podem ser opi­nião: “O Reala solu­cio­na situa­ções repro­du­zi­das a par­tir das três cores bási­ nas quais você tem inte­rio­res com cas (azul, verde e ver­me­lho). Pes­qui­sas pouca ilu­mi­na­ção arti­fi­cial e entra­da recen­tes, porém, detec­ta­ram que cores de luz do dia, bara­tean­do o custo de como o ciano — com­pri­men­to de onda pro­du­ção ao agi­li­zar a mon­ta­gem do set pró­xi­mo de 520 nanô­me­tros (nm), e pou­par equi­pa­men­tos de ilu­mi­na­ção”, den­tro do espec­tro visí­vel — com­pri­ afir­ma. Já o F-400 tem sido bas­tan­te uti­li­ men­to de onda entre 400 nm e 700 nm za­do para dra­mas e video­cli­pes. “É o nega­ —, são cap­tu­ra­das pelo sis­te­ma ner­vo­so ti­vo com a ­melhor repro­du­ção de tons de huma­no para ­ suprir o com­po­nen­te ver­ pele já lan­ça­do pela Fuji”, diz Take­da.

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Revista Tela Viva 122 - novembro 2002  

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