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Entrevista: Cavalcanti conta

as propostas do Conselho de Comunicação Social

Produção de dez DVDs

do Oficina resgata a história do teatro no Brasil

Pequenas produtoras preocupadas com a cobrança da Condecine

Cinema Acompanhe as notícias mais recentes do mercado www.telaviva.com.br

A alta tecnologia das câmeras digitais ano11nº120SETEMBRO2002


N達o disponivel


editorial Alguns meses de funcionamento e muita discussão depois, a Agência Nacional de Cinema (Ancine) ainda tem diversas arestas a aparar dentro do mercado de produção audiovisual. Desta vez são os pequenos que levantam a voz. Produto-

rubensglasberg glasberg@telaviva.com.br

ras de comerciais de baixíssimo custo reclamam que a cobrança da Condecine fixa para o registro de obras, ainda que chegue a valores tão baixos quanto R$ 100, pode até inviabilizar seus negócios. Pode parecer exagero, mas para uma microprodutora fora do eixo Rio/SP cujos filmes chegam a custar até R$ 500, a taxa de registro pode simplesmente engolir toda a margem de lucro, como mostra matéria nesta edição. A proposta destas empresas é simples, mas pode enfrentar problemas de aprovação porque mexeria diretamente na lei que institui a agência: que se faça a cobrança proporcional ao valor dos filmes, a exemplo do que acontece com os impostos. Seria adotada, digamos, uma alíquota de 1% sobre o valor da produção. A Ancine já enfrentou contestações como essa. Na implantação da agência os radiodifusores conseguiram se livrar da contribuição de 4% sobre seu faturamento. A TV por assinatura também se articulou e chegou a uma equação com a agência que satisfazia a ambas as partes. Cabe agora aos pequenos também se mobilizarem. Certamente, como nos casos anteriores, a agência lhes dará ouvidos. Afinal, por menores que sejam, estas empresas também fazem parte do mercado, consomem equipamentos e serviços, empregam técnicos e artistas e ajudam a criar massa crítica no audiovisual brasileiro.

Após um longo período de trabalho conjunto, deixamos de contar com a valiosa contribuição de nossa amiga e colaboradora Edylita Falgetano. Ela deixa a editoria geral de Tela Viva, projeto para o qual devotou sempre grande dedicação e entusiasmo. Edylita parte para novos desafios profissionais, nos quais acreditamos e apostamos que terá, como em tudo que faz, um grande sucesso.

Diretor e Editor Rubens Glasberg Diretor Adjunto André Mermelstein Diretor de Internet Samuel Possebon Diretor Comercial Manoel Fernandez Diretor Financeiro Otavio Jardanovski Gerente de Marketing Mariane Ewbank Circulação Dominique Normand Administração Vilma Pereira (Gerente), Gilberto Taques (Assistente Financeiro)

Editora de Projetos Especiais Sandra Regina da Silva Redação Fernando Paiva (Repórter); Avery Veríssimo, Emerson Calvente, Lizandra de Almeida, Paula Cristina Sato e Paulo Boccato (Colaboradores) Sucursal Brasília Carlos Eduardo Zanatta (Chefe da Sucursal), Raquel Ramos (Repórter)

Arte Claudia G.I.P. (Edição de Arte e Projeto Gráfico), Cyntia Levy (Assistente) Rubens Jardim (Produção Gráfica), Geraldo José Nogueira (Editoração Eletrônica), Guilherme Gonçalves Rizzo (Ilustração de capa) Departamento Comercial Almir Lopes (Gerente), Alexandre Gerdelmann (Contato), Ivaneti Longo (Assistente)

Webmaster Marcelo Pressi Coordenador Fernando Lauterjung Webdesign Claudia G.I.P.

Central de Assinaturas 0800 145022 das 8 às 19 horas de segunda a sexta-feira | Internet www.telaviva.com.br | E-mail subscribe@telaviva.com.br Redação (11) 3257-5022 E-mail telaviva@telaviva.com.br | Publicidade (11) 3214-3747 E-mail comercial@telaviva.com.br | Tela Viva é uma publicação mensal da Editora Glasberg - Rua Sergipe, 401, Conj. 605, CEP 01243-001. Telefone: (11) 3257-5022 e Fax: (11) 3257-5910. São Paulo, SP. | Sucursal SCN - Quadra 02, sala 424 - Bloco B - Centro Empresarial Encol CEP 70710-500. Fone/Fax: (61) 327-3755 Brasília, DF | Jornalista Responsável Rubens Glasberg (MT 8.965) | Impressão Ipsis Gráfica e Editora S.A. | Não é permitida a reprodução total ou parcial das matérias publicadas nesta revista, sem autorização da Glasberg A.C.R. S/A


CAPA

18 Cinema sob a óptica digital A alta tecnologia das câmeras disponíveis no mercado

ano11nº120SETEMBRO2002

ENTREVISTA 

14

Os primeiros passos do CCS

José Paulo Cavalcanti, presidente do Conselho de Comunicação Social

EQUIPAMENTOS 

26

Baterias nota dez

Como escolher e manter esse acessório caro e indispensável

BROADCAST 

32 TECNOLOGIA 

Como entrarão os dólares?

Está pronto o projeto que define como o capital estrangeiro entrará nas empresas de comunicação

produção

Emissora digitaliza seu arquivo musical

CONDECINE 

Dez peças que fizeram a história do Oficina, de São Paulo, viram DVD pelas mãos de Tadeu Jungle

Taxa de registro de publicidade assusta pequenas produtoras

42.

Conteúdo para todos

Porta Curtas vincula curtas nacionais a conteúdo editorial na Internet

upgrade 10

38

Heroína para uns, vilã para outros

CINEMA 

8

A nova máquina de clipes da MTV

36

Teatro digital

SCANNER

30

figuras

12

produtora 

40

Do fundo do mar

Canal Azul amplia sua atuação no setor de documentários

making of

34

agenda

46


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Cacá Die­gues res­tau­ra­do Num pro­je­to que envol­ve R$ 3 ­milhões, a TeleI­ma­ge vai tele­ci­nar para alta defi­ni­ção toda a obra de Cacá Die­gues. A inten­ção é relan­çá-los no cir­cui­to cine­ma­to­grá­fi­co, incluin­do pro­je­ção nas salas digi­tais de cine­ma, e em DVDs. A ini­cia­ti­va pre­ten­de atin­gir tam­bém os públi­cos euro­peu e asiá­ti­co. O tra­ba­lho de Die­gues vai con­tar com legen­das em ­inglês, fran­cês, ale­mão e japo­nês.

No papel A Ulbra, Universidade Luterana do Brasil, vai montar uma emissora educativa aberta no Rio Grande do Sul. Os estúdios serão no campus de Canoas, região metropolitana de Porto Alegre, e na capital gaúcha. O projeto ainda está em elaboração. Na parte técnica, poucas decisões já foram tomadas. A emissora deve funcionar com câmeras digitais IMX, da Sony.

Mais patro­cí­nio Estão aber­tas as ins­cri­ções, até o final de setem­bro, para a 5ª sele­ção do Pro­gra­ma Pe­tro­­ bras Cine­ma. Os inte­res­sa­dos podem aces­sar o regu­la­men­to e fazer sua ins­cri­ção pelo site www.petro­bras.com.br.

Cine­ma em Ribei­rão O curta “Homem Voa?”, de André Ris­ tum, é a pri­mei­ra pro­du­ção do ­Núcleo de Cine­ma de Ribei­rão Preto. O filme conta a his­tó­ria do avia­dor San­tos ­Dumont, que viveu na cida­de dos sete aos 18 anos. A idéia é criar um pólo de pro­du­ção na cida­de, situa­da em uma das ­regiões mais ricas do Bra­sil.

Fora da ordem

Ao apro­var a Medi­da Pro­vi­só­ria 2228/01, nin­guém se lem­ brou do “cine­ma cul­tu­ral”. A omis­são foi admi­ti­da pelo dire­tor da Anci­ne, Gus­ta­vo Dahl, e pelo secre­tá­rio do audio­vi­sual do Mini­com, José Álvaro Moi­sés, no Encon­tro Nacio­nal da ABD, duran­te o 13º Fes­ti­val Inter­na­cio­nal de Cur­tas-metra­gens de São Paulo. Eles argu­men­ta­ram que o “lapso” foi moti­va­do pela pres­sa em apro­var a MP, num momen­to em que o Con­ gres­so Nacio­nal come­ça­va a se mos­trar refra­tá­rio. Por “cine­ma cul­tu­ral” enten­de-se o fomen­to à pro­du­ção de cur­tas, docu­men­tá­rios e pri­mei­ro e segun­do lon­gas, a for­ma­ção de pla­téia (pro­gra­mas de exi­bi­ção e apoio a fes­ti­vais), a for­ma­ção pro­fis­sio­nal (incluin­do uni­ver­si­da­des e bol­sas de estu­do) e a pre­ser­va­ção do patri­mô­nio. O fomento continua ainda sem espaço.

MTV em festa A MTV regis­trou a marca de 4,1 pon­tos (cada ponto cor­res­pon­de a 48 mil domí­ci­lios na Gran­de São Paulo) de média no Ibope com a trans­mis­são do VMB 2002, no dia 22 de agos­to, com pico de 6 pon­tos. Isso colocou a emis­so­ra em quar­to lugar no ran­king das redes aber­tas. A Aca­de­mia de Fil­mes foi a pro­du­to­ra que levou mais prê­mios: três pelo clipe de “Epi­tá­fio”, dos Titãs (­melhor do ano na cate­go­ria rock para o públi­co e para o júri), além de ­melhor edi­ção por “Tem ­Alguém Aí”, de ­Gabriel, o Pen­sa­dor. Fran­cis­co e Oscar Rodri­gues Alves assi­ nam a dire­ção de “Epi­tá­fio” e a edi­ção de “Tem ­ Alguém Aí”. ­ Outros dois prê­mios téc­ni­cos foram para Jar­bas Agnel­li, da AD, pela dire­ção e tam­bém pela dire­ção de arte do clipe de “Ins­tin­to Cole­ti­vo”, do grupo O Rappa. Uli Bur­tin, da Dueto, levou o prê­mio de ­ melhor foto­gra­fia com o clipe de “Todo Erra­do”, de Cae­ta­no Velo­so e Jorge Maut­ner.

Correção



tela viva setembro de 2002

O cargo correto de Walter Duran na Eletros, citado na seção Figura da última edição de Tela Viva, é coordenador do grupo de TV digital, e não presidente.

Regio­na­li­za­ção A Rede Globo e suas afi­lia­das rea­li­za­ram entre os dias 20 e 22 de agos­to, em São Paulo, a 6ª Feira de

Even­tos e Pro­je­tos Regio­nais. O even­to foi di­ri­gi­do ao mer­ca­ do pu­bli­ci­tá­rio nacio­ nal e teve como obje­ti­ Octávio Florisbal vo bus­car o inte­res­se superintendente comercial dos anun­cian­tes de da Rede Globo São Paulo e Rio de Janei­ro para os pro­je­ tos rea­li­za­dos em todo o Bra­sil pelas emis­so­ ras da Rede Globo. As 113 emis­so­ras afi­lia­das apre­sen­ta­ram seus mais impor­tan­tes pro­je­tos para o pró­xi­mo ano. São ações li­ga­­das a even­ tos que movi­men­tam a eco­no­mia local, ge­ram gran­des au­diên­cias, são ren­tá­veis e pro­por­cio­ nam visi­bi­li­da­de aos anun­cian­tes.

Fotos: divulgação


N達o disponivel


Unity LANshare EX A Avid anunciou o sistema de armazenamento compartilhado Avid Unity LANshare EX v3.0. A solução conta com até 2,9 terabytes de espaço. Além disso, trabalha simultaneamente com redes Fibre Channel e Ethernet, suporta até 20 micros clientes e até quatro clientes trabalhando em alta definição. O Avid Unity LANshare EX custa a partir de US$ 40 mil nos Estados Unidos. www.avid.com

Adobe Premiere com DVDit! O Adobe Premiere 6.5 para Windows agora vem com o DVDit! LE, da Sonic Solutions, incorporado. Trata-se de um autorador de DVD, que conta com uma interface intuitiva e capaz de trabalhar com “arrastar e soltar”. O software trabalha com DVD RW, pode autorar discos com número ilimitado de menus, suporta Windows XP e faz transcodificação em tempo real. www.adobe.com/premiere www.sonic.com

Media 100 i chega à versão 8

Power Mac G4 Dual

O Media 100 i para Mac OS X chegou à versão 8. Desenhada para tirar maior proveito das funções do sistema operacional da Apple, a nova versão do sistema de edição é uma solução nativa do OS X e acompanha todas as configurações do Media 100 i, inclusive o Media 100 i/DV. Entre as novidades da nova versão estão uma melhora no workflow com até oito faixas de gráficos, saída em vídeo componente que permite ver um preview do trabalho em monitores broadcast, integração com o Boris FX, processamento de áudio que permite até 24 faixas em tempo real. www.media100.com

A Apple lançou uma nova linha de computadores Power Mac G4 bi-processada. Os modelos são o dual 1,25 GHz, dual 1 GHz e dual 867 MHz. Todos os modelos trazem, pré-instalado, o novo Mac OS X versão 10.2, conhecido como “Jaguar”. Além disso, podem conter até 2 Mb de DDR avançado no backside cache nível 3 por processador, suporte para 256 Mb ou 512 Mb de memória DDR SDRAM de 266 MHz ou 333 MHz com suporte para até 2 Gb. Na parte gráfica, podem vir equipados com placa ATI Radeon 9000 Pro com 64 Mb de DDR SDRAM ou NVIDIA GeForce 4 MX com 32 Mb de DDR SDRAM, ambas com suporte para dois monitores. Outra mudança foi no gabinete, que agora conta com quatro baias internas para drives, sendo que cada uma suporta discos rígidos de até 120 Gb ATA/100, e duas baias para drives ópticos (CD RW, Combo ou SuperDrive). Os novos modelos estarão disponíveis para o mercado brasileiro no início de outubro. www.apple.com.br tela viva

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Fotos: Divulgação


NOVOS EFEITOS NO MAYA 4.5 A Alias|Wave­front lança em setem­bro a ções, como virar a cabe­ça para o lado, ver­são 4.5 do soft­wa­re de ani­ma­ção 3D par­tin­do da ani­ma­ção base. Maya. Esta é a séti­ma ver­são do soft­wa­re, Já o Sha­der, que espe­ci­fi­ca como deve que pela pri­mei­ra vez é lan­ça­do simul­ta­nea­ com­por­tar-se a som­bra dos obje­tos ilu­mi­ men­te para todos os sis­te­mas ope­ra­cio­nais na­dos, não ­ganhou ape­nas um novo efei­ — Win­dows, Linux, Mac OS X e Irix. to, mas sim a pos­si­bi­li­da­de de criar seu O Maya conta com as ver­sões Unli­mi­ pró­prio efei­to. Isso por­que agora todas as ted e Com­ple­te, com menos recur­sos. espe­ci­fi­ca­ções são cus­to­mi­zá­veis, como O Com­ple­te ­ ganhou agora recur­sos que cor, dégra­dé, pro­je­ção, ângu­lo, inten­si­da­ eram exclu­si­vos do Unli­mi­ted, como as de, tex­tu­ra, pro­fun­di­da­de etc. fer­ra­men­tas de mode­la­gem avan­ça­da e de Outras novi­da­des ajudam a incre­men­tar inte­gra­ção hie­rár­qui­ca de super­fí­cies. a nova ver­são: agora é pos­sí­vel impor­tar Já o Maya Unli­mi­ted ­ganhou ­várias novas ima­gens veto­riais de ­ outros pro­gra­mas, fun­ções que afe­tam a pro­du­ção de uma como o Adobe Illus­tra­tor ou o Free­Hand; ani­ma­ção em ­ vários ­ níveis. o movi­men­to de um obje­to Já na tela ini­cial do pro­ ou de uma face deste obje­ gra­ma apa­re­ce uma jane­la to pode ser vin­cu­la­do ao com sete fil­mes ensi­nan­do movi­men­to de outro obje­ os movi­men­tos e coman­ to ou face; os obje­tos da dos bási­cos do pro­gra­ma. tela podem con­ter agora Além disso, os tuto­riais e a ano­ta­ções lem­bre­tes. tela de novi­da­des “­what’s Mas o maior avan­ço que new” são bem elu­ci­da­ti­vas. o Maya 4.5 traz é o Fluid Isso não faz com que qual­ Dyna­mics, capaz de repro­ quer um tenha inti­mi­da­de du­zir com per­fei­ção o com­ com o pro­gra­ma, mas ajuda Sha­der permite espe­ci­fi­car por­ta­men­to de qual­quer os usuá­rios expe­rien­tes a comportamento da som­bra tipo de fluí­do. ­situarem-se na nova ver­são dos obje­tos ilu­mi­na­dos. “As pos­si­bi­li­da­des são e ofe­re­ce ainda uma boa fan­tás­ti­cas, pode-se até ajuda para quem está apren­ simu­lar uma explo­são den­do. atô­mi­ca”, conta Alceu Outra novi­da­de é um tipo Batis­tão, sócio dire­tor da de edi­ção não-­linear para Vetor Zero, que está usan­ per­so­na­gens, o Cha­rac­ter do uma ver­são pre­li­mi­nar Setup ­ Tracks. Com isso, do soft­wa­re. uma ani­ma­ção con­tí­nua de Segun­do Batis­tão, já exis­ um per­so­na­gem cami­nhan­ tiam plug-ins capa­zes do, por exem­plo, pode ser de repro­du­zir o com­por­ salva e usada como base ta­men­to de fluí­dos, mas em dife­ren­tes tre­chos do É possível “arredondar” eram difí­ceis de usar e o os polígonos dos objetos filme. Além disso, o per­so­ resul­ta­do não era tão rea­ na­gem pode ­ sofrer alte­ra­ 3D sem renderização. lis­ta. “Os con­tro­les e as

O software 3D traz como destaque o Fluid Dynamics, capaz de reproduzir o comportamento de qualquer tipo de fluído. nomen­cla­tu­ras des­ses con­tro­les são mais

Recurso permite criar com perfeição simulações de líquidos e gases. inte­li­gí­veis no Maya”, expli­ca. As tex­tu­ras podem ser de fuma­ça, água, fogo etc. Ainda den­tro do Fluid Dyna­ mics, o efei­to Ocean Sha­der é capaz de repro­du­zir o movi­men­to das ondas do mar com espu­ma e com as mudan­ças na colo­ra­ção con­for­me a inci­dên­cia de luz. Batis­tão conta que usou o Fluid Dyna­ mics no comer­cial do tem­pe­ro Sazon, no qual a fuma­ça que sai da pane­la forma um cora­ção. “O filme che­gou às 22h00 para ser entre­gue às 15h00 do dia seguin­te. Até seria pos­sí­vel fazer sem o Fluid, mas não no mesmo tempo”, conta. Além da nova ver­são, a Alias|Wave­front anun­ciou a redu­ção nos pre­ços do Maya Com­ple­te, de US$ 7,5 mil para US$ 1,999 mil, e do Maya Unli­mi­ted, de US$ 16 mil para US$ 6,999 mil. www.aliaswavefront.com fer­nan­do­lau­ter­jung


O filho de libaneses Gassan Abdouni é um dos profissionais mais especializados da área de finalização em vídeo. Seu trabalho consiste, basicamente, em retocar imagens filmadas, em uma atividade conhecida como rotoscopia. Ou seja, na hora da filmagem são utilizadas traquitanas, fios de náilon e outros recursos que não podem ficar na tela. E Gassan apaga tudo, frame a frame, em um trabalho artesanal no qual é mestre.

Gas­san Abdou­ni O músi­co e pro­du­tor Apol­lo9 (1), a pro­du­to­ra Julia Petit (2) e o fina­li­za­dor e pós-pro­du­tor Dante Savi (3) se reu­ni­ram para mon­tar a Lud­wig Van, pro­du­to­ra de tri­lhas. O pri­mei­ro tra­ba­lho da Lud­wig foi a cam­ pa­nha “Bebê” para o ­McDonald’s. Em segui­da, pela Almap, criou a tri­lha dos fil­mes da Embra­tel; a cam­pa­nha da Audi, roda­da em Môna­co (tam­bém Almap); do Gover­no Fede­ral, (Sal­les); da ­Telesp Celu­lar (DPZ); e, mais recen­te­men­te, para a Sie­mens (J.W.Thomp­son). Além da pu­bli­ci­da­de, a Lud­wig pro­du­ziu o segun­do disco do can­tor Otto e fina­li­zou o CD em tri­bu­to ao músi­co Suba, na voz da can­to­ra Cibel­le, suces­ so nos EUA e Euro­pa. A Lud­wig tra­ba­lha em par­ce­ria com diver­sos músi­cos, pro­du­to­res e letris­tas, con­tan­do com uma 1 2 3 equi­pe de apro­xi­ma­da­men­te dez pes­soas.

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A

pro­du­to­ra ­ Andréa Musat­ti (8) acaba de

8 Atual­men­te mem­bro da equi­pe da Vetor Zero, sua tra­je­tó­ria come­çou no dese­nho, com lápis e papel. Sem­pre demons­trei inte­res­se pela arte de dese­nhar. Era fã incon­di­cio­nal de his­ tó­rias em qua­dri­nhos, fil­mes e ­séries de aven­tu­ra e fic­ção cien­tí­fi­ca. Nessa época já ima­gi­na­va como ­ seriam rea­li­za­ das as tru­ca­gens dos fil­mes.

Seu inte­res­se pelas artes che­gou ao tea­tro ama­dor, ati­vi­da­de que desen­vol­veu duran­te cinco anos. Na mesma época, mea­dos da déca­da de 80, cur­sou Artes Plás­ti­cas na FAAP. Em 1988, ingres­sou no mer­ca­do de tra­ba­lho na área de ani­ma­ção, na Ani­ma­tion Stu­dios, empre­sa de Nail­do de Brito, ao lado de José Villa Nova Con­cei­ção. Sua ­estréia na área de fina­li­za­ção acon­te­ceu em 1991, na New ­Vision, de Alex Pimen­tel e Domin­gos Orlan­do. Lá tive a opor­ tu­ni­da­de de tra­ba­lhar na pri­mei­ra esta­ção de com­po­si­ção digi­tal do mer­ca­do, a DF/X. Nessa época já come­cei a fazer reto­ques em fil­mes de efei­tos espe­ciais.

A espe­cia­li­za­ção, porém, veio após sua che­ga­da à Vetor Zero, em 1995. Duran­te anos, a Vetor Zero foi conhe­ci­da como a pro­du­to­ra mais espe­cia­li­za­da em com­pu­ta­ção grá­fi­ca 3D. Per­ce­ben­do as mudan­ças e neces­si­da­des do mer­ca­do, os ­sócios Sér­gio Sal­les, Alceu Bap­tis­tão e Alber­to Lopes deci­di­ ram mon­tar um depar­ta­men­to de com­pu­ta­ção e fina­li­za­ção 2D. Então eles me cha­ma­ram para tra­ba­lhar no soft­wa­re de com­po­si­ção Flint e no de pin­tu­ra Mata­dor.

As fer­ra­men­tas foram se apri­mo­ran­do e hoje Gas­san tem um arse­nal de pro­gra­mas à sua dis­po­si­ção. Com eles, é pos­sí­vel resol­ver pra­ti­ca­men­te qual­quer pro­ble­ma que envol­va rotos­co­pia ou reto­que. Ape­sar da com­ple­xi­da­de dos pro­ ble­mas e dos pra­zos sem­pre cur­tos, gosto muito do meu tra­ba­lho. Cada um solu­cio­na os pro­ble­mas à sua manei­ra e cada filme exige uma forma dife­ren­te de tra­ba­lhar. Mas hoje acre­di­to que estou capa­ci­ta­do a resol­ver os pro­ble­mas, inde­pen­den­te de quan­to a cena é com­pli­ca­da.

Os EstudiosMega reestruturaram seu departamento comercial. Agora a casa terá uma área de atendimento única, e não mais uma para cada departamento. O novo time tem a lide­ran­ça de Patríc­ ia Sa­com (4) e traz ainda Gilva ­­ n ­ a Viana (5), Rita Grimm (6) e Crist­ in­ a Vil­lar (7) para oti­mi­zar os novos negó­cios da fina­li­za­do­ra.

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Fotos: Gerson Gargalaka (Gassan Abdouni) e divul­ga­ção

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assu­mir o cargo de dire­to­ ra de elen­co da Sen­ti­men­tal Filme. ­Andréa, uma pro­fis­sio­ nal con­sa­gra­da no meio publi­ ci­tá­rio e que este­ve à fren­te do mesmo depar­ta­men­to na TVC por cerca de 11 anos, será res­pon­sá­vel pela cria­ção e desen­vol­vi­ men­to da área de elen­co da Sen­ti­men­tal. O repór­ter do Canal Bra­sil Kiko Mol­li­ ca se pre­pa­ra para diri­gir seu pri­mei­ro curta. O rotei­ro de “Seu Pai já Disse que Isso não é Brin­que­do” foi pre­mia­do pelo últi­mo con­cur­so de cur­tas do Pro­gra­ma Petro­bras Cine­ma. A his­tó­ria é intei­ra con­ta­da pelo ponto de vista de câme­ras de vigi­lân­cia, web cams e ­ outras len­tes que inva­dem nosso coti­dia­no. A pro­du­ção é de Paulo Boc­ca­to. Mol­li­ca, minei­ro radi­ca­do em São Paulo, já rea­li­zou ­vários ­vídeos pre­mia­dos em even­tos como Vídeo­Bra­sil e Fes­ti­val do Minu­to.

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Rodri­go Astiz (9) é o

novo geren­te de pro­du­ ção e dire­tor de docu­men­tá­ rios da pro­du­to­ra Canal Azul. Ele tra­ba­lhou duran­te dois anos no canal de TV paga CMT (Country Music Tele­vi­ sion) e em seu suces­sor, o Music­Country, como rotei­ris­ta e dire­tor de pro­­gra­mas (“A Hora do Cachor­ ro Louco”, “Can­­ta­ro­lan­do” e “MCine”). Com o fim das ope­­ra­ções do canal no Bra­sil foi para a pro­du­to­­ra Canal Azul. Neste ano, Astiz diri­giu em par­­ce­ria com Lawren­ce Wahba a série “Biota”, exi­bi­da em junho últi­ mo na TV Cul­tu­ra. O curta-metra­gis­ta Mar­cos Fábio Katud­jian, dire­tor de “Arti­go 25” (1995) e “Ano Novo” (1999), tro­cou as câme­ ras pelas ­letras. Em final de agos­to, lan­çou o roman­ce “Snuff­ mo­vie - ­Depois do Fim do Mundo”, pela edi­to­ra Casa Ama­re­la. O livro conta a his­tó­ria de um jovem que se envol­ve numa qua­ dri­lha que pro­duz os snuff­mo­vies, fil­mes por­no­grá­fi­cos que mos­tram assas­si­na­tos reais, enco­men­da­dos por milio­ná­rios. Os dire­to­res José Eduar­do Bel­mon­te (DF), Fla­vio Fre­de­ ri­co (SP), Eduard­ o Nunes (RJ), Camil­o Caval­can­te (PE) e Gust­ av ­ o Spo­li­do­ro (RS) lan­ça­ram em agos­to o pro­je­to do longa “Fuga #”, que terá dire­ção con­jun­ta e pro­du­ção da cario­ ca Moema Mül­ler. O filme é sobre um personagem que acorda sempre num lugar diferente, para viver uma nova realidade.


entrevista

Os pri­mei­ros pas­sos do CCS

D

José Paulo Caval­can­ti,

Duran­te breve visi­ta ao Rio de Janei­ro para uma pales­tra, o pre­ si­den­te do recém-cria­do Con­se­lho de Comu­ni­ca­ção ­Social (CCS), José Paulo Caval­can­ti, con­ver­sou com Tela Viva sobre os desa­ fios do setor de audio­vi­sual bra­si­lei­ro e o iní­cio dos tra­ba­lhos do CCS. Diplo­má­ti­co, ele espe­ra con­ver­gir as posi­ções dos con­se­lhei­ ros, estrei­tar os laços com as comis­sões téc­ni­cas do Con­gres­so e lutar para ins­ti­tu­cio­na­li­zar o mais rápi­do pos­sí­vel a atua­ção do órgão. As duas prin­ci­pais ban­dei­ras do con­se­lho para este pri­mei­ ro ano de tra­ba­lho já foram levan­ta­das: regio­na­li­za­ção da pro­du­ ção e digi­ta­li­za­ção dos meios. “Vamos nos con­cen­trar nes­tes dois temas, pois não seria bom dis­per­sar a dis­cus­são por enquan­to”, afir­mou. Sobre a esco­lha do ­ padrão de TV digi­tal, Caval­can­ti reve­lou que o CCS estu­da­rá tam­bém o mode­lo chi­nês, além dos já tão comen­ta­dos mode­los ame­ri­ca­no, euro­peu e japo­nês. Tela Viva: A lei que deter­mi­nou a cria­ção do Con­se­lho de Comu­ni­ca­ção ­Social (CCS) data de 11 anos atrás, mas ele só foi imple­men­ta­do recen­te­men­te. Qual foi o moti­ vo desse atra­so? José Paulo Caval­can­ti: Há duas ver­sões: a pes­si­mis­ta

pre­si­den­te do Con­se­lho de Comu­ni­ca­ção ­Social, conta como funcionará o órgão, criado com 11 anos de atraso.

dos meios de comu­ni­ca­ção ou que teria havi­do ­receio do Con­gres­so em legis­lar. A oti­mis­ta suge­re que não era o momen­to pró­prio e que o momen­to seria agora. Eu, como sou oti­mis­ta, fico com a segun­da opção.

e a oti­mis­ta. A pri­mei­ra suge­re que teria havi­do pres­são

TV O man­da­to dos ­ atuais con­se­lhei­ros se encer­ra em março de 2003, ou seja, menos de um ano após eles terem toma­do posse e, por­tan­to, con­tra­ rian­do o que prevê a lei. O CCS pre­ten­de tomar algu­ma pro­vi­ dên­cia para que a lei seja cum­pri­da? JPC Até outu­bro o Con­gres­so não fun­cio­na bem, por causa das elei­ções.

A inten­ção é tra­tar dessa maté­ria a par­tir de outu­bro. TV Já foram rea­li­za­das três reu­niões do CCS. Como o ­senhor ava­ lia o anda­men­to dos tra­ba­lhos até agora? JPC Ava­lio com a con­vic­ção de que o pri­mei­ro passo é mais da meta­de

do cami­nho. A idéia é ins­ti­tu­cio­na­li­zar o CCS e pre­pa­rá-lo para que este­ja à altu­ra das altas res­pon­sa­bi­li­da­des que o espe­ram.

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TV Foram cria­das duas comis­sões no âmbi­to do CCS: uma para dis­cu­tir a regio­na­li­za­ção da pro­ du­ção e outra, a digi­ta­li­za­ção dos meios. O ­senhor pode­ria expli­car a impor­tân­cia des­ ses dois temas? Foto: BGPress


fernandopaiva

do Rio de Janeiro fer­nan­do.paiva@tele­ti­me.com.br

JPC No caso da comis­são que estu­da a

regio­na­li­za­ção, o deba­te irá além deste ponto, pois envol­ve­rá tam­bém ques­tões como a das ­rádios comu­ni­tá­rias e da reno­ va­ção das con­ces­sões. A garan­tia de um míni­mo de regio­na­li­za­ção é fun­da­men­tal para a afir­ma­ção de uma cul­tu­ra bra­si­lei­ ra. A digi­ta­li­za­ção dos meios é um tema igual­men­te impor­tan­te. Já rece­be­mos, por sinal, uma reco­men­da­ção do Con­gres­so para pro­du­zir estu­dos a este res­pei­to. Há três pos­si­bi­li­da­des de ­ padrões a serem ado­ta­dos: o ame­ri­ca­no, o japo­nês e o euro­ peu. Mas nós enten­de­mos que há uma quar­ta opção: o mode­lo chi­nês, cha­ma­do DMB. Mas, antes de nos deci­dir­mos, será pre­ci­so exa­mi­nar as pos­si­bi­li­da­des de con­ ver­gên­cia digi­tal e de inte­ra­ção de tec­no­ lo­gias digi­tais, como Inter­net e ­outras pla­ ta­for­mas. E, quem sabe, pen­sar em uma pla­ta­for­ma única. Ade­mais, essa esco­lha tec­no­ló­gi­ca deve levar em conta o impac­to eco­nô­mi­co. O Bra­sil pre­ci­sa de empre­go e renda. Por­tan­to, deve­mos esco­lher um ­padrão que per­mi­ta que todos os equi­pa­ men­tos sejam fabri­ca­dos no País. Eu não posso acei­tar que pre­ci­se­mos nova­men­te impor­tar tele­vi­sões de Tai­wan pro­du­zi­das por algu­ma sub­si­diá­ria ame­ri­ca­na. TV Quais são as van­ta­gens do mode­ lo chi­nês? JPC Antes de mais nada, vale lem­brar que

a tele­vi­são chi­ne­sa está bas­tan­te desen­vol­ vi­da: tem uma malha de 70,1 mil trans­mis­ so­ras e retrans­mis­so­ras; uma cober­tu­ra de 92,5% da popu­la­ção; e ­ milhões de assi­nan­tes de TV a cabo. Desde 1996 há gru­pos de pes­qui­sa na China estu­dan­do a TV digi­tal. A pri­mei­ra trans­mis­são em cir­cui­to fecha­do de HDTV foi rea­li­za­da em setem­bro de 1998. E o pri­mei­ro teste de broad­cast de HDTV acon­te­ceu em outu­bro de 1999. Em 2000, zonas de teste foram mon­ta­das pelo gover­no para trans­ mis­são nas três maio­res cida­des. ­ Depois

de ana­li­sar os sis­te­mas exis­ten­tes, os chi­ ne­ses per­ce­be­ram que pode­riam desen­vol­ ver um sis­te­ma pró­prio. Seria um sis­te­ma ­melhor que os ­ demais, que con­tem­plas­se trans­mis­são de mul­ti­mí­dia, recep­ção por ter­mi­nais ­móveis; e inte­gra­ção com redes celu­la­res GSM. TV As pri­mei­ras reu­niões das duas comis­sões já apon­tam pos­sí­veis cami­nhos para estas dis­cus­sões? JPC Por enquan­to as pri­mei­ras reu­niões

apon­tam ape­nas para um esti­lo de tra­ba­ lho. Um esti­lo no qual não se abre mão das diver­sas posi­ções dos con­se­lhei­ros, mas se com­preen­de a neces­si­da­de da busca pela con­ver­gên­cia. Não have­rá deci­sões par­ciais. Enquan­to eu esti­ver ali, vamos bus­car sem­pre a con­ver­gên­cia. TV Exis­te pre­vi­são de cria­ção de ­outras comis­sões? JPC No que depen­der de mim, vamos

nos con­cen­trar em poucas coi­sas neste come­ço. Dare­mos pas­sos cur­tos, mas segu­ ros. Ins­ti­tu­cio­na­li­zar o CCS, por exem­plo, demanda um gran­de esfor­ço. TV Como será o rela­cio­na­men­to do CCS com comis­sões do Con­gres­so, como a de Ciên­cia e Tec­no­lo­gia? JPC Exce­len­te. Vou ten­tar trans­for­má-lo

em um rela­cio­na­men­to ínti­mo! Temos que tra­ba­lhar jun­tos. TV Qual é a sua visão a res­pei­to do setor de radio­di­fu­são do País? JPC Está na hora de nos sen­tar­mos

para rede­fi­nir esse sis­te­ma. Em pri­mei­ ro lugar, acre­di­to que o fenô­me­no das ­rádios comu­ni­tá­rias não pode ser igno­ra­ do. A legis­la­ção e a buro­cra­cia do setor de rádio são incom­pa­tí­veis: o Mini­com só con­se­gue aten­der a mil soli­ci­ta­ções por mês, mas há oito mil pen­den­tes. Outro ponto inte­res­san­te: o inte­rior do

“Vamos nos con­cen­trar em poucas coi­sas neste come­ço. Dare­mos pas­sos cur­tos, mas segu­ros.”

Bra­sil está cheio de ­ rádios sem qual­ quer ope­rá­rio. Será que que­re­mos ­rádios assim, em um país que pre­ci­sa gerar mais empre­go e mais renda? E não há qual­quer com­pro­mis­so das ­ rádios com a regio­na­li­za­ção. Algu­mas não têm nem locu­tor. Por­tan­to, outra ques­tão que estu­ da­re­mos será a res­pei­to do míni­mo de regio­na­li­za­ção a ser exi­gi­da. Quan­to ao seg­men­to das TVs, nos preo­ cu­pa a crise pela qual as tele­vi­sões bra­ si­lei­ras estão pas­san­do. Elas per­de­ram 18% do seu fatu­ra­men­to no ano pas­sa­do. Em dólar, per­de­ram 25%. A entra­da do capi­tal estran­gei­ro tal­vez recu­pe­re parte des­sas per­das, mas o apoio de gran­des cor­ po­ra­ções de ­outros paí­ses pre­ci­sa ter uma con­tra­par­ti­da de inte­res­se cole­ti­vo. TV O ­senhor acre­di­ta que a pro­prie­ da­de no setor de TV está dema­sia­da­ men­te con­cen­tra­da? JPC Eu acho que no mundo todo esta­

mos cami­nhan­do para uma con­cen­tra­ção absur­da­men­te alta. Isso não é opi­nião, é cons­ta­ta­ção. TV E isso é malé­fi­co? JPC Quan­do você cons­ta­ta, sua opi­nião

não vale nada. Claro que se eu pudes­se cons­truir tudo de novo do zero não iria cons­truir assim. TV Como o ­senhor vê o aumen­to do núme­ro de TVs e ­rádios sob pro­prie­ da­de de igre­jas? JPC Isso acon­te­ce no mundo todo. Não é

um pro­ble­ma local. TV Fala-se muito em ­rádios comu­ni­ tá­rias. Exis­te a pos­si­bi­li­da­de de se criar TVs comu­ni­tá��rias? JPC Sim. A ques­tão é qual mode­lo deve­

mos ­seguir. No mode­lo ame­ri­ca­no, as TVs são públi­cas e não dei­xam de ser comu­ ni­tá­rias por causa disso. Eu pro­po­nho que dis­cu­ta­mos o mode­lo a par­tir das nos­sas carên­cias, nossa rea­li­da­de. Se nos preo­cu­par­mos ape­nas em repro­du­ zir expe­riên­cias de ­outros paí­ses, fica­re­

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“uma das questões que estu­da­re­mos será a res­pei­to mos ainda mais depen­den­tes e ­pobres. TV Como pode­ria ser o mode­lo bra­si­lei­ro? JPC É pre­ci­so reco­nhe­cer as nos­sas

carên­cias, como edu­ca­ção e empre­go. O mode­lo deve ser de uma TV mais bra­ si­lei­ra e mais edu­ca­ti­va, sem per­der de vista a com­pe­ti­ção inter­na­cio­nal. TV Há ­ canais que con­se­guem mes­clar uma pro­gra­ma­ção inte­ li­gen­te e lucro: a BBC por exem­ plo. JPC Pois é... mas o pro­gra­ma mais pres­

ti­gia­do da BBC ou da Natio­nal Geo­gra­

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do míni­mo de regio­na­li­za­ção a ser exi­gi­da” phic não com­pe­te com “Role­tran­do”! TV Como o ­senhor ava­lia o setor de TV por assi­na­tu­ra no Bra­sil? JPC É um setor em crise. O Minicom

havia dimen­sio­na­do o mer­ca­do em 5,6 ­milhões de assi­nan­tes. As cor­po­ra­ções foram ainda mais oti­mis­tas e esti­ma­ram em seis ­ milhões. Na prá­ti­ca, o núme­ro parou em 3,6 ­milhões. E não sobe. TV Com o aumen­to da exi­bi­ção de vio­lên­cia e por­no­gra­fia em horá­ rios aces­sí­veis a crian­ças, vol­tou à tona, nos últi­mos anos, a dis­ cus­são acer­ca da pos­si­bi­li­da­de de se esta­be­le­cer algum tipo de cen­su­ra na pro­gra­ma­ção. O que o ­senhor pensa a esse res­pei­to? JPC A minha posi­ção é de que a vio­lên­

cia fic­cio­nal não pro­duz uma socie­da­de mais vio­len­ta. O teles­pec­ta­dor tem um códi­go ínti­mo que o faz com­preen­der que “Tom & Jerry” ou um bangbang têm uma dimen­são lúdi­ca. O

pro­ble­ma é quan­do a tele­vi­são repro­duz uma socie­da­de que é vio­len­ta. A tele­vi­são é sobre­tu­do espe­lho de uma socie­da­de vio­len­ta. TV O pro­gra­ma do Rati­nho exi­ biu, em horá­rio nobre, as cenas daque­le pedia­tra pedó­fi­lo estu­ pran­do seus pacien­tes... JPC Essa é uma vio­lên­cia que ofen­de.

Admi­to que a ques­tão da cen­su­ra está em aber­to, mas, a prin­cí­pio, eu pre­fe­ri­ria ­seguir outro cami­nho para resol­ver o pro­ ble­ma, como, por exem­plo, aumen­tar o nível da edu­ca­ção esco­lar. TV Qual foi a cena mais vio­len­ta que o ­senhor já viu na TV? JPC A cena não tinha san­gue. Eram pes­

soas fechan­do as por­tas de casas e lojas na Tiju­ca, Rio de Janei­ro. Apa­re­cia então um poli­cial dizen­do: “Pode dei­xar aber­to que eu garan­to”. Mas as pes­soas fecha­vam assim mesmo, na cara do poli­cial. Era a repre­sen­ta­ção do medo.

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N達o disponivel


Cinema sob a As dife­ren­ças tec­no­ló­gi­cas entre as câme­ras para cine­ma digi­tal presentes no mer­ca­do.

O

O Bra­sil come­ça a conhe­cer o futu­ro do cine­ma digi­ tal. Aos pou­cos, a mais recen­te gera­ção de câme­ras de alta defi­ni­ção chega ao País. Duran­te a Broad­cast & Cable, rea­li­za­da em São Paulo no iní­cio de agos­to, a Pana­so­nic apre­sen­tou a AJ-HDC27F e, antes do final do ano, está pre­vis­ta a vinda de uma câme­ra Viper FilmS­tream, da Thom­son, para de­mons­tra­ção. Ao mesmo tempo, a câme­ra HDW-F900, da Sony, está sendo uti­li­za­da na pro­du­ção do pró­xi­mo filme da apre­sen­ta­do­ra e dublê de atriz Xuxa, com lan­ça­men­to pre­vis­to para o mês de dezem­bro — a mesma câme­ra foi usada em “Xuxa e os Duen­des”, arra­sa-quar­tei­rão da rai­nha dos bai­xi­nhos lan­ça­do no verão pas­sa­do. O cine­ma bra­si­lei­ro entra, assim, na alça de mira da tec­no­lo­gia futu­ ris­ta. As novi­da­des são quen­tes: a Viper, por exem­plo, foi lan­ça­da na últi­ma NAB e, até agora, manu­sea­da por pou­ cos mor­tais — Mr. Geor­ge Lucas, arau­to do cine­ma digi­tal, está ape­nas come­çan­do a testá-la. É muito cedo para qual­quer pre­vi­são sobre o que essas novas tec­no­lo­gias sig­ni­fi­ca­rão para o cine­ma do País — são equi­pa­ men­tos carís­si­mos, com uso ainda res­tri­to a pro­du­ções com muito dinhei­ro e reple­tas de efei­tos espe­ciais, carac­ te­rís­ti­cas que são exce­ ção na cine­ma­to­gra­fia domés­ti­ca. Porém, não custa nada ana­li­sar os con­cei­tos que estão por trás des­sas novas tec­no­lo­gias, por ­vários moti­vos. Pri­mei­ro, por­que a cap­ ta­ção de ima­gem é a últi­ma fron­tei­ra a

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A Viper FilmStream, da Thomson, deve chegar ao País até o fim do ano.

ser con­quis­ta­da pela via digi­tal no mundo da “rea­li­za­ção cine­ma­to­grá­fi­ca como a conhe­cía­mos” — aque­la que, ­depois do adven­to do som e da pelí­cu­la em cores, pas­sou por pou­cas trans­for­ma­ções radi­cais duran­te uns 50 anos. Segun­do, por­que, jus­ta­men­te por isso, as bate­rias do exér­ci­to digi­tal vão se con­cen­trar com todas as for­ças, nos pró­xi­mos anos, em con­quis­tar essas fron­tei­ras. Ter­cei­ro, por­que os avan­ços nessa área cos­tu­mam ser ful­mi­nan­tes — o exem­plo mais óbvio é o que acon­te­ceu com o som em cine­ma e com os pro­ces­sos de edi­ção nos últi­mos dez anos. Quar­to, por­que a via digi­tal come­ça a extra­po­lar a rea­li­za­ção cine­ma­to­grá­fi­ca e avan­ça rumo a uma trans­for­ma­ção das eta­pas de dis­tri­bui­ção e exi­bi­ção. Final­men­te, por­ que os con­cei­tos em que hoje se ­baseiam esses carís­si­ mos equi­pa­men­tos pode­rão che­gar a cus­tos ao alcan­ce do bolso — a exem­plo do que ocor­re com as fer­ra­men­ tas de áudio e edi­ção. ­ adrão HD P O ­ padrão inter­na­cio­nal para HD digi­tal, ado­ta­do em 1999, é de 1920 x 1080 ­linhas de reso­lu­ção, com aspec­ to de tela wides­creen 16:9. O que pode ­variar é a frame rate, res­pei­tan­do as dife­ren­ças regio­nais entre 50 Hz (25 qua­dros por segun­do, como no sis­te­ma PAL) ou 60 Hz (30 qua­dros por segun­do, como nos sis­te­mas NTSC e PAL-M). Uma das gran­des novi­da­des tec­no­ló­gi­cas que pos­si­bi­li­ta­ram o sur­gi­men­to de câme­ras digi­tais vol­ta­ das para o uso em cine­ma foi o desen­vol­vi­men­to do esca­nea­men­to pro­gres­si­vo de ima­gem, com cap­ta­ção a 24 fps, a velo­ci­da­de ­padrão para pro­je­ção em cine­ma. A maio­ria das câme­ras de vídeo tra­ba­lha com entre­ la­ça­men­to de ima­gens — cada frame cor­res­pon­de, na ver­da­de, a duas ima­gens sobre­pos­tas. Assim, uma cena cap­tu­ra­da a 30 fps (fra­mes por segun­do) con­ tém 60 ima­gens entre­la­ça­das (60i) em um segun­do,

Fotos: divulgação


óptica digital pauloboccato

paulo@telaviva.com.br

o que é um gran­de com­pli­ca­dor para o pro­ces­so de trans­fe­rên­cia para pelí­cu­ la. Nes­ses casos, a parte do pro­ces­so de trans­fer (pas­sa­gem de digi­tal para filme) na qual ocor­re a eli­mi­na­ção de foto­gra­mas, faz a redu­ção de 60 fps — e não 30 fps — para 24 qua­dros por segun­ do. O entre­la­ce tam­bém expli­ca gran­de parte dos arte­fa­tos que podem sur­gir numa ima­gem con­ver­ti­da de vídeo para pelí­cu­la. Com o esca­nea­men­to pro­gres­si­vo, que­si­to fun­da­men­tal das câme­ras HD, esse pro­ble­ma desa­pa­re­ce, já que cada frame cor­res­pon­de à tota­li­da­de da ima­ gem. Se a câme­ra opera a 24p, não há neces­si­da­de de conversão duran­te o pro­ ces­so de trans­fe­rên­cia; por outro lado, ope­ran­do a 30p, a redu­ção se res­trin­ge a seis fra­mes por segun­do, sem risco do apa­re­ci­men­to de arte­fa­tos. Entre as cita­das, a gran­de novi­da­de con­cei­tual vem da Viper Film­Stream LDK-5490/00, câmera fabri­ca­da pela fran­ce­sa Thom­son Mul­ti­me­dia, empre­ sa que recen­te­men­te com­prou o grupo norte-ame­ri­ca­no Grass Val­ley. Com três CCDs de 9,2 mega­pi­xels cada, num total de 27,6 ­milhões de ­pixels, a câme­ra tra­ba­ lha sem com­pres­são da ima­gem (4:4:4), for­ ne­cen­do um ­stream puro e sem ­nenhum pro­ces­so adi­cio­na­do. A idéia é ope­rar como uma câme­ra de cine­ma 35 mm, evi­tan­do as cor­re­ções e mani­pu­la­ções de deta­lhe, gama, ­matriz e ­outros pro­ces­sos ­comuns no vídeo tra­di­cio­nal. Assim, as ima­gens são cap­ta­das na forma ele­trô­ni­ca com as mes­mas carac­te­rís­ti­cas daque­las cap­ta­das em pelí­cu­la, pres­cin­din­do de qual­quer tipo de fil­tra­gem e cap­tu­ran­do cada bit de infor­ma­ção que uma deter­ mi­na­da cena tem a ofe­re­cer. O mate­rial bruto é arma­ze­na­do em hard disk ou em gra­va­do­res D6 da Thom­son, usan­do um

dual HD-SDI Link como car­rier, a uma taxa de dados de 2,978 Gbps — o que sig­ni­fi­ca que a Viper não fun­cio­na como cam­cor­der, ou seja, os sis­te­mas de cap­tu­ ra e gra­va­ção da ima­gem não estão agru­pa­ dos em um mesmo equi­pa­men­to. Já que nenhu­ma infor­ma­ção é per­di­da duran­te a cap­ta­ção, as fer­ra­men­tas de póspro­du­ção são capa­zes de reco­nhe­cer cada um dos ­ fótons que com­põem a ima­gem arma­ze­na­da em disco — exa­ta­men­te como cada um dos grãos do nega­ti­vo fíl­mi­co reage quan­do expos­to à luz. Assim, é pos­ sí­vel mani­pu­lar uma deter­mi­na­da cena de diver­sas manei­ras do mesmo modo que se tra­ba­lha com pelí­cu­la, com todas as cor­re­ ções fei­tas na pós-pro­du­ção.

True-film-like Em resu­mo, duran­te a cap­ta­ção, o dire­ tor de foto­gra­fia deve se preo­cu­par ape­ nas com enqua­dra­men­to e expo­si­ção de íris, dei­xan­do os ­ demais set­tings para o ambien­te de pós-pro­du­ção. Não se ajus­ta gamma, ­ detail, knee, ­ matriz e ­ nenhum outro parâ­me­tro. Esses ajus­tes, irre­ver­ sí­veis, estão pre­sen­tes nas câme­ras de vídeo tra­di­cio­nais por­que são neces­sá­rios para exi­bi­ção nesse for­ma­to, mas mui­tas vezes dis­pen­sá­veis quan­do a pro­du­ção se des­ti­na ao trans­fer para cine­ma — as res­pos­tas que o vídeo ofe­re­ce nor­mal­ men­te se per­dem duran­te esse pro­ces­so, onde as carac­te­rís­ti­cas da ima­gem são bas­tan­te trans­for­ma­das. O único ajus­te feito duran­te a cap­ta­ção com a Viper é jus­ta­men­te o que pode ­influir na hora da trans­fe­rên­cia: o de curva log ­Cineon para simu­la­ção de res­pos­ta em pelí­cu­la. A Viper é cam­biá­vel para ­ vários for­ ma­tos: 1920 x 1080p (23,98; 24; 25; 29,97 e 30 fps — for­ma­tos de A câmera da Thomson trabalha como se fosse saída psf — e 23,98 fps, com uma 35 mm, com um stream puro para o servidor.

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A Sony HDW-F900 é a única camcorder e conta com um cartão que grava todos os settings.

pull down 3:2 inter­no dis­po­ní­vel como 1080i59,94), 1920 x 1080i (50; 59,94 e 60 Hz) e 1280 x 720p (23,98; 24; 25; 29,97 e 30 fps, com repe­ti­ção inter­na de fra­mes dis­ po­ní­vel como 59,94; 60; 50; 59,94 e 60 Hz res­pec­ti­va­men­te, e 50; 59,94 e 60 fps). A câme­ra tam­bém tem um obtu­ra­dor mecâ­ni­ co para evi­tar o efei­to “smear”. Este últi­mo per­mi­te a rea­li­za­ção de slow ­ motion em rela­ção a 24/25/30p, com uma velo­ci­da­de duas vezes mais lenta. Como os fil­mes mui­ tas vezes são fei­tos em aspec­tos ainda mais lar­gos do que o stan­dard wides­creen 16:9, a câme­ra Viper tam­bém ofe­re­ce rela­ções de aspec­tos de tela até 2,67:1, sem com­pro­mis­ so com a reso­lu­ção ver­ti­cal. Os aspec­tos mais lar­gos são for­ma­dos pela com­bi­na­ção de menos ­ pixels por linha, mas o núme­ ro de ­ linhas ­ totais per­ma­ne­ce o mesmo, man­ten­do-se a mesma reso­lu­ção. Assim, três ­pixels são com­bi­na­dos resul­tan­do em 1440 ­linhas — ao usar 1080 ­linhas ati­vas,

glossário 1080i Reso­lu­ção da HDTV, cor­res­pon­de a 1080 ­linhas hori­zon­tais entre­la­ça­das 24p Cap­ta­ção a 24 qua­dros por segun­do, com var­re­du­ra pro­gres­si­va 60i Cap­ta­ção a 60 qua­dros por segun­do, com var­re­du­ra entre­la­ça­da 720p Reso­lu­ção da HDTV, cor­res­pon­de a 720 ­linhas hori­zon­tais pro­gres­si­vas Aspec­to Pro­por­ção entre a lar­gu­ra e a altu­ra de uma tela. A con­ven­cio­nal é 4:3. Na TV digi­tal e no cine­ma usa-se o aspec­to wides­creen, na pro­por­ção 16:9 CCD Char­ge Cou­pled Devi­ce. Chip sen­sí­vel à luz que con­ver­te ima­gens em ­sinais elé­tri­cos fps

Fra­mes (qua­dros) por segun­do

Gbps Giga­bits por segun­do Frame  Núme­ro de ima­gens que apa­re­cem rate por segun­do num vídeo, medi­do em fps

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pode-se tra­ba­lhar em aspec­to de tela 2,37:1 e, no caso de 720 ­linhas ati­vas, em 2,67:1. Os ­sinais da Viper são cap­tu­ra­dos, desde o puro black até a satu­ra­ção de CCD, com con­ver­so­res de 12-bit A/D, sendo depois con­ver­ti­dos para dados RGB atra­vés de cál­cu­ los loga­rít­mi­cos. Esses cál­cu­los pos­si­bi­li­tam uma saída “true-film-like”, com gama dinâ­mi­ca com­ple­ta em cada CCD (ver­me­lho, verde e azul). Em póspro­du­ções robus­tas, o con­teú­do da Viper pode ser pro­ces­sa­do em sis­te­ma Spec­ter Vir­tual Data­Ci­ne, da mesma manei­ra que os fil­mes esca­nea­dos para reso­lu­ção 2K. Os usuá­rios podem con­fi­gu­rar a saída para o sis­te­ma Spec­ter de qual­quer for­ma­to de vídeo SD ou HD, a qual­quer frame rate. O sis­te­ma tam­bém provê um deri­va­ ti­vo de dados 2K para trans­fe­rên­cia para pelí­cu­la. Frame rate variá­vel A nova câme­ra da Pana­so­nic, AJ-HDC27F Vari­cam, traz novos con­cei­tos para as câme­ras de alta defi­ni­ção fabri­ca­das pela empre­sa japo­ne­sa: a pos­si­bi­li­da­de de tra­ ba­lhar com velo­ci­da­des variá­veis step por step, de qua­tro a 60 fra­mes por segun­do — um recur­so seme­lhan­te ao dis­po­ní­ vel em mui­tas câme­ras cine­ma­to­grá­fi­cas — e a inclu­são modo de cap­tu­ra Cine Frame rotaveldo variável Gamma, que per­mi­te ao dire­tor de foto­gra­ fia emu­lar cur­vas de gama seme­lhan­tes às da pelí­cu­la. A câme­ra é pro­je­ta­da para uso misto, em broad­cast e cine­ma, e sua velo­ci­da­de variá­vel per­mi­te tra­ba­lhar efei­ tos de fast ­motion e slow ­motion em alta defi­ni­ção. A Vari­cam é uma câme­ra nati­va 720p, mas suas ima­gens podem ser con­ver­ti­das para 1080/24p ou 1080/60i, bem como para sis­te­mas NTSC ou PAL. Isso por­que, para con­se­guir os efei­tos de varia­ção de velo­ci­da­de, as infor­ma­ções pre­ci­sam ser cap­ta­das com esca­nea­men­to pro­gres­si­vo, para evi­tar ruí­dos, como arte­fa­tos, no momen­to da repro­du­ção. A cap­ta­ção pode ser feita em 33 dife­ren­tes fra­mes rates, sele­cio­na­dos step por step entre qua­tro e 33 fps, além das taxas de 36, 40 e 60 fps; mas as ima­gens são gra­va­das sem­pre a 60 fps, o que per­mi­te edi­ção offli­ne em VTRs

HD con­ven­cio­nais. O soft­wa­re desen­vol­ vi­do marca os cha­ma­dos “acti­ve frame frags” na fita gra­va­da a 60 fps. Por exem­ plo, se a câme­ra opera a 30 fps, cada novo frame é gra­va­do duas vezes; ope­ran­do a 24 fps, é uti­li­za­da a taxa de con­ver­são 3:2 (um frame gra­va­do três vezes e o seguin­te gra­va­do duas vezes). Essa téc­ni­ca gera, por­tan­to, fra­mes redun­dan­tes regis­tra­dos dire­ta­men­te na fita. As ima­gens devem pas­sar por um recor­ der (AJ-HD150 VTR) para serem car­re­ ga­das em um equi­pa­men­to deno­mi­na­do

A AJ-HDC27F, da Panasonic: captação em até 33 frame rates diferentes.

AJ-FRC27 Frame Rate Con­ver­ter, que reco­nhe­ce os “frags” e arma­ze­na as infor­ ma­ções em um hard disk, neces­sá­rias para se obter os efei­tos de fast ­motion ou slow ­motion dese­ja­dos. Após essa pas­sa­gem, o mate­rial retor­na para o recor­der, resul­ tan­do em mate­riais 720/24p com “frags” mar­ca­dos em 60p. A par­tir daí, podem ser car­re­ga­dos em uma ilha não-­linear para edi­ ção offli­ne, dire­ta­men­te atra­vés do recor­ der pró­prio ou com pas­sa­gem por um VTR ­DVCPro con­ven­cio­nal (nessa etapa, é feito o “down­con­vert” para NTSC), de onde o edi­tor tira uma EDL (Edit Deci­sion List) já com todas as mar­ca­ções de varia­ções de velo­ci­da­de neces­sá­rias para a fina­li­za­ção. O mesmo mate­rial inter­me­diá­rio (720/24p over 60p) passa por uma con­ver­são de for­ ma­to para 1080/24p, que pode ser feito no pró­prio Frame Rate Con­ver­ter ou no AJUFC1800 (Uni­ver­sal For­mat Con­ver­ter), resul­tan­do em uma fita D5 para a edi­ção

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onli­ne, onde tam­bém entra em ação o dis­que­te com a EDL resul­tan­te do pro­ces­so de offli­ne. A Vari­cam tam­bém é capaz de emu­ lar a per­for­man­ce da ima­gem para um even­tual trans­fer para pelí­cu­la, atra­vés do recur­so do Cine Gamma. Essa fun­ção aumen­ta o range dinâ­mi­co da câme­ra, espe­cial­men­te em áreas tra­di­cio­nal­men­ te limi­ta­das, como nas altas luzes e nas áreas de som­bra. O tri­plo papel desem­pe­ nha­do pela Vari­cam (24 fps — para cine­ ma; 60 fps — para vídeo con­ven­cio­nal; frame rate variá­vel — para efei­tos espe­ciais) e sua múl­ti­pla capa­ci­da­de de con­ver­são de for­ma­tos e velo­ci­da­des de repro­du­ção na pós-pro­du­ção deve torná-la bas­tan­te requi­si­ta­da como subs­ti­tu­to de câme­ras 16 mm e 35 mm na pro­du­ção de comer­ciais e video­ cli­pes. A Pana­so­nic tam­bém se pre­pa­ra para lan­çar a pri­mei­ra câme­ra mini-DV de 3 CCDs a 24p e for­ma­to 16:9, a AGDX100, que deve custar em torno de US$ 4 mil.

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A Sony HDW-F900 é a cam­cor­der HD mais uti­li­za­da em cine­ma digi­tal e pio­nei­ra na capa­ci­da­de de gra­va­ção/play­back em 1080 ­ linhas de reso­lu­ção a 24p/25p/30p ou 50i/60i. Essa câme­ra empre­ga CCDs de 2,2 ­milhões de ­pixels e foi dese­nha­da espe­ ci­fi­ca­men­te para cine­ma digi­tal e pro­du­ção em HD/SDTV. O mode­lo foi uti­li­za­do para o filme “O Ataque dos Clones”, de Geor­ge Lucas, mas não intei­ra­men­te como cam­cor­ der — em algu­mas situa­ções, a câme­ra foi aco­pla­da a um deck exter­no para eli­mi­nar a com­pres­são. Um de seus recur­sos mais impor­tan­tes é o Memory Stick, que eli­mi­na a neces­si­da­de de fazer ­vários set-ups quan­ do se uti­li­za mais de uma câme­ra para a mesma cena. O ­Memory Stick tam­bém per­ mi­te que, uma vez defi­ni­do o set-up para um filme, este possa ser envia­do via Inter­ net para a con­fi­gu­ra­ção de ­outras câme­ras HDW-F900. Pra­ti­ci­da­de A câme­ra, na ver­da­de, é a ponta de um con­cei­to que a Sony bati­za de CineAl­ta, que ­inclui uma linha de pro­du­tos que faz a ponte entre cine­ma­to­gra­fia e tec­no­lo­gia

digi­tal em alta defi­ni­ção. A idéia é aliar pra­ti­ci­da­de, pres­cin­din­do da uti­li­za­ção de decks exter­nos, à ver­sa­ti­li­da­de do sinal ele­trô­ni­co carac­te­rís­ti­co do vídeo e à qua­li­ da­de pró­xi­ma à da pelí­cu­la. A HDW-F900 busca inser­ção no nicho de mer­ca­do onde o pro­ces­sa­men­to de ima­gens na pós-pro­du­ ção é essen­cial. Um exem­plo são as pro­du­ ções que ­incluem mui­tos efei­tos espe­ciais; nes­ses casos, o uso da câme­ra HD bara­teia cus­tos ao pro­pi­ciar a ava­lia­ção da ima­gem em alta defi­ni­ção em real time, no pró­prio set de fil­ma­gens, além de mais de 400 dife­ ren­tes ­ opções de ajus­tes e capa­ci­da­de de gra­va­ção de até 50 minu­tos por fita BCT40HD (a 24p; para 60i, o tempo de fita é de 40 minu­tos). Além disso, a sen­si­bi­li­da­ de do CCD, quan­do a câme­ra é ope­ra­da a 24 fps com velo­ci­da­de do obtu­ra­dor em 1/48 segun­dos (equi­va­len­te a 180 1?4 em câme­ras de cine­ma), pos­si­bi­li­ta um índi­ce de expo­si­ção pró­xi­mo de 300 ASA, per­mi­tin­do regis­trar ima­gens em áreas de pouca luz. No esque­ma de com­pres­são das câme­ras HD da Sony, cada frame do sinal é tra­ta­do indi­vi­ dual­men­te, numa taxa de 4:4:1, com trans­fe­ rên­cia de dados a 185 Mb/s a 60i.


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equipamentos

Baterias nota dez

A

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A bate­ria é um aces­só­rio de câme­ cio­na­men­to é de 11 volts, por exem­ ra que pode facilitar ou arrui­nar plo, a capa­ci­da­de total da bate­ria uma gra­va­ção. Qual é o tipo mais nunca será uti­li­za­da pois sua vol­ ade­qua­do? Como evi­tar o “efei­to ta­gem míni­ma (10 volts) é menor me­mó­ria”? Qual é a vol­ta­gem que a do equi­pa­men­to (11 volts). apro­pria­da? Diver­sas são as dúvi­ Quan­do a bate­ria atin­gir uma vol­ta­ das ao esco­lher uma bate­ria para gem menor que 11 volts, a câme­ra uso pro­fis­sio­nal. Mas, antes de se des­li­ga­rá e não uti­li­za­rá 100% escla­re­cer estas dúvi­das, o usuá­ da capa­ci­da­de da bate­ria. Assim, rio deve res­pon­der a ques­tões a bate­ria con­ti­nua com a sua capa­ rela­ti­vas às suas pró­prias neces­ ci­da­de total inal­te­ra­da, mas não si­da­des e hábi­tos de gra­va­ção. é o tipo mais ade­qua­do para essa Por exem­plo: duran­te as gra­va­ câme­ra. ções, qual será a média de tempo A solu­ção seria o uso de uma bate­ de uti­li­za­ção da câme­ra? Deve-se Cuidados na escolha e ria com vol­ta­gem míni­ma igual ou con­si­de­rar tam­bém a uti­li­za­ção de supe­rior a 11 volts. A incom­pa­ti­bi­ recur­sos como o zoom ou a repro­ manutenção garantem li­da­de de vol­ta­gem entre a câme­ra du­ção de cenas já gra­va­das no e a bate­ria é um dos fatos que a preservação da vida visor (view­fin­der), pois todos esses nor­mal­men­te são asso­cia­dos ao recur­sos con­so­mem mais ener­gia útil deste caro acessório. “efei­to memó­ria”, per­ce­bi­do nas e impli­cam dire­ta­men­te no tempo bate­rias do tipo NiCd. de dura­ção da bate­ria duran­te uma A deno­mi­na­ção “efei­to memó­ria” gra­va­ção. está erra­da, pois o fato não está A pri­mei­ra etapa para a defi­ni­ção do tipo de bate­ria liga­do a uma “memó­ria”, mas sim à cor­re­ta vol­ta­gem de a ser uti­li­za­da é des­co­brir a vol­ta­gem da câme­ra à qual uma bate­ria para uma deter­mi­na­da câme­ra. O nome ade­ ela será aco­pla­da. Esse valor, que na rea­li­da­de não é um qua­do, por­tan­to, é depres­são de vol­ta­gem. único núme­ro e sim uma faixa de varia­ção com vol­ta­ Um outro fato tam­bém deno­mi­na­do de forma erra­da gem míni­ma e máxi­ma, é cha­ma­do de taxa de vol­ta­gem como “efei­to memó­ria” é a trans­for­ma­ção do NiCd num nomi­nal. Uma câme­ra cuja vol­ta­gem nomi­nal é de 12 metal secun­dá­rio, o que ocor­re devi­do à sobre­car­ga da volts, por exem­plo, fun­cio­na se rece­ber ener­gia numa bate­ria. Quan­do uma bate­ria do tipo NiCd total­men­te vol­ta­gem entre 11 e 17 volts. Com menos de 11 volts, car­re­ga­da per­ma­ne­ce no car­re­ga­dor, ela con­ti­nua rece­ ela pára de fun­cio­nar e, com mais de 17, podem ocor­rer ben­do uma peque­na carga para evi­tar o autodes­car­re­ga­ danos na câme­ra. men­to. A pró­xi­ma etapa é iden­ti­fi­car qual bate­ria ofe­re­ce Após um perío­do, essa carga pode trans­for­mar por­ções uma varia­ção de vol­ta­gem sufi­cien­te para aten­der suas de ­ níquel-cád­mio num metal secun­dá­rio. Enquan­to uma neces­si­da­des. No exem­plo acima, uma bate­ria com vol­ta­ NiCd nor­mal tem vol­ta­gem nomi­nal de 1,2 volts por célu­ gem nomi­nal de 14 ou 14,4 volts seria o ideal, uma vez la, esse metal secun­dá­rio apre­­sen­ta uma taxa nomi­nal de que sua varia­ção está entre 12 e 17 volts (veja a Tabe­la apro­xi­ma­da­men­te 1,08 volts por célu­la. Uma bate­ria com 1). Uma bate­ria de 12 volts, por sua vez, não pode­ria ser vol­ta­gem nomi­nal de 12 volts (dez célu­las) que foi sobre­ uti­li­za­da, pois seu limi­te míni­mo de vol­ta­gem é 10 volts. car­re­ga­da apre­sen­ta parte de sua estru­tu­ra inal­te­ra­da (12 volts) e uma outra parte com por­ções do metal resul­tan­te O mito do “efei­to memó­ria” da trans­for­ma­ção (10,8 volts). O limi­te míni­mo de vol­ta­gem da bate­ria é cha­ma­do de Quan­do essa bate­ria for liga­da a uma câme­ra que EODV (End Of Dis­char­ge Vol­ta­ge). Se uma bate­ria de neces­si­te vol­ta­gem míni­ma de 11 volts, por exem­plo, ela NiCd (­níquel-cád­mio) com uma taxa nomi­nal de 12 volts fun­cio­na­rá bem duran­te o tempo em que a pri­mei­ra parte for liga­da a uma câme­ra cuja vol­ta­gem míni­ma para fun­ da carga (12 volts) for con­su­mi­da. Quan­do o equi­pa­men­

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Ilustração: Claudia GIP a partir de fotos de divulgação


emersoncalvente telaviva@telaviva.com.br

to ten­tar uti­li­zar a segun­da parte (alte­ra­ da para 10,8 volts), ele se des­li­ga­rá, pois sua vol­ta­gem míni­ma neces­sá­ria é maior que a pre­sen­te na bate­ria. O “efei­to memó­ria” gerou o mito de que as bate­rias pre­ci­sam ser total­men­ te des­car­re­ga­das antes que seja feito um novo car­re­ga­men­to. A por­ção da bate­ria que foi alte­ra­da (10,8 volts) per­ ma­ne­ce­rá dessa manei­ra, não poden­do ser des­car­re­ga­da sem que seja liga­da a um equi­pa­men­to com vol­ta­gem míni­ma menor ou igual a ela. Capa­ci­da­de A capa­ci­da­de de uma bate­ria é a quan­ ti­da­de de ener­gia que ela pode ofe­re­cer quan­do total­men­te car­re­ga­da, gran­de­za medi­da em watts hora. Segun­do o Video Bat­tery Hand­book, da Anton Bauer, um guia dis­tri­buí­do desde 1993, o perío­do de tempo ideal para a dura­ção de uma bate­ria é de duas horas. Para esco­lher um mode­lo que con­si­ga for­ne­cer ener­gia duran­te esse tempo, o usuá­rio deve­rá saber qual é a quan­ti­da­de de watts con­su­ mi­da pela câme­ra na qual ela será liga­da.

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Tabela 1 A variação de voltagem

Taxa nominal 12 volts 13 ou 13,2 volts 14 ou 14,4 volts

Variação 10 a 14 volts 11 a 15,5 volts 12 a 17 volts

Fonte: Video Battery Handbook, da Anton Bauer

Tabela 2 A relação watt hora x peso

Tipo de bateria NiCd NiMh Li-Ion

W x h x kg 25 40 150

Fonte: Ricardo Kauffmann e Thais Nascimento, da Techkit


Comparação técnica dos modelos Marca

Se o equi­pa­men­to con­su­mir 20 watts, a bate­ria deve­rá ter capa­ ci­da­de míni­ma de 40 watts (2 horas x 20 w). Segun­do Ricar­do Kauff­ mann, enge­nhei­ro e dire­tor da Tech­kit, única dis­tri­bui­do­ ra auto­ri­za­da dos pro­du­tos da IDX ­System Tech­no­logy no Bra­ sil, “uma cam­cor­der digi­tal ou ana­ló­gi­ca con­so­me em modo de gra­va­ção con­tí­nuo, sem movi­ men­tar a zoom, cerca de 25 watts em uma hora”. Toman­ do-se como exem­plo uma gra­va­ ção exter­na com seis horas de dura­ção, o usuá­rio pre­ci­sa­ria de 6 kg de bate­rias do tipo NiCd, 4 kg do tipo NiMh ou ape­nas 1 kg de Li-Ion (veja a Tabe­la 2).

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mas, desde julho de 2002, a Sony Cor­po­ra­tion dei­xou de fabri­cá-lo. Isso se deve a seus prin­ci­pais ele­men­tos serem agres­so­res da natu­re­za após sua inu­ti­li­za­ção. Esta des­con­ti­nui­da­de já esta­va prees­ta­be­le­ci­da junto ao cro­no­ gra­ma da norma ISO 14001, na qual a Sony do Bra­sil é cer­ti­fi­ca­da desde 2001. “Em subs­ti­tui­ção a este mode­lo, a Sony indi­ca as bate­rias das famí­lias BP-L e BP-M”, com­ple­ta Fabi­chak. As bate­rias de NiMh têm pra­ti­ ca­men­te o mesmo peso das do tipo NiCd, com a van­ta­gem de arma­ze­na­ rem mais ener­gia em cada célu­la que com­põe sua estru­tu­ra. Apre­sen­tam a mesma taxa de vol­ta­gem por célu­ la (1,2 volts), mas a quan­ti­da­de de watts (potên­cia) é em média 20% maior. Tole­ram mudan­ças de tem­ pe­ra­tu­ra e agri­dem menos o meioambien­te, cus­tan­do um pouco mais que as bate­rias do tipo NiCd. Fonte: Ricardo Kauffmann e Thais Nascimento, da Techkit As bate­rias de íon de lítio, mais leves que as ­ demais, têm a menor limi­ta­ções que as tor­nam inviá­veis. taxa de auto­des­car­re­ga­men­to, apro­xi­ma­ Leves e com longo tempo de dura­ção, a da­men­te 10% por mês. Fabi­chak garan­te vida útil das bate­rias NiCd é maior que que “as bate­rias de Li-Ion nor­mal­men­te a de qual­quer outro tipo de bate­ria. são as pre­fe­ri­das dos pro­prie­tá­rios de As bate­rias de ­ níquel-hidre­to metá­ câme­ra. Estas ofe­re­cem apro­xi­ma­da­men­ li­co e de íon de lítio podem ofe­re­cer te o dobro da capa­ci­da­de de uma bate­ria o mesmo tempo de dura­ção ou mais, NiMh com o mesmo tama­nho físi­co”. Não mas com altos cus­tos de ope­ra­ção e são sus­ce­tí­veis ao fenô­me­no da depres­são vida útil menor. de vol­ta­gem e são recar­re­ga­das mais rapi­ Ape­sar de ser uma ótima opção, as bate­ da­men­te, em torno de uma hora. No entan­ rias NiCd apre­sen­tam algu­mas des­van­ to, são mais caras que as ­outras. ta­gens, como o fenô­me­no da depres­são Kauff­mann, da Techkit, dis­cu­te a ques­ de vol­ta­gem. Para evi­tar esse fenô­me­no, tão com pro­prie­da­de: “A opção por bate­ o usuá­rio deve tomar ­ alguns cui­da­dos rias a base de íon de lítio deve­ria ser a como não sobre­car­re­gar a bate­ria ou da maio­ria, pois ape­sar de serem as mais des­car­re­gá-la com­ple­ta­men­te. Não se caras na hora da com­pra, elas se reve­lam deve colo­car uma bate­ria que foi desen­ como a ­melhor e mais eco­nô­mi­ca das esco­ vol­vi­da para ser car­re­ga­da de manei­ra lhas, pois são mais leves e geram muito gra­dual (geral­men­te 12 horas) num mais ener­gia. car­re­ga­dor rápi­do, que reduz o tempo de dura­ção da carga. Seu desem­pe­nho Car­re­ga­do­res tam­bém é afe­ta­do em tem­pe­ra­tu­ras Após esco­lher o tipo de bate­ria mais ade­ extre­mas. No frio, elas tra­ba­lham mais qua­da para deter­mi­na­da câme­ra, um fator len­ta­men­te. Quan­do aque­ci­das, podem deci­si­vo para o bom desem­pe­nho da bate­ria não acei­tar car­re­ga­men­to total. é a esco­lha cor­re­ta do car­re­ga­dor. Uma deci­ Segun­do Luis Fabi­chak, chefe de são erra­da pode­rá cau­sar danos sig­ni­fi­ca­ti­ mar­ke­ting da Sony do Bra­sil, “as bate­ vos à vida útil da bate­ria e ao seu desem­pe­ rias de NiCd pro­va­vel­men­te são as nho. Não é reco­men­da­do uti­li­zar bate­rias e mais ­ comuns no mer­ca­do”. O mode­lo car­re­ga­do­res de tipos dife­ren­tes. mais conhe­ci­do da Sony é o NP-1B, Segun­do Ricar­do Kauff­mann, se um Voltagem Watts

Sony

BP-L40 BP-L60 BP-L90 BP-M50 BP-M100 Anton Performer Bauer Trimpac 14 DIG. Trimpac PRO PAC 14 DIG. PRO PAC Hytron 50 Hytron 100 Dionic 80 IDX E-50 E-50S E-80 E-80S Aspen NHP-50 NHP-65

Tipos de bate­rias Há diver­sos tipos de bate­rias,  que podem ser dife­ren­cia­das quan­to à clas­si­fi­ca­ção de suas célu­las, do mate­rial quí­mi­co ou de sua for­mu­ la­ção. Para deci­dir entre um ou outro tipo, o usuá­rio deve­rá obser­var ­alguns fato­res como: vida útil, capa­ci­da­de, com­pa­ti­bi­li­da­de com car­re­ga­do­res e custo. Entre os tipos mais uti­li­za­ dos estão as bate­rias de ­ níquel-cád­ mio (NiCd), ­ níquel-hidre­to metá­li­co (NiMh) e íon de lítio (Li-Ion). Há tam­bém bate­rias do tipo Lead-acid/ Gel Cells ou Sil­ver Zink, mas estes dois tipos não são os mais reco­men­da­dos para câme­ras de vídeo. O único atra­ti­ vo de uma bate­ria Lead-acid/Gel Cell é o custo, geral­men­te mais baixo que o das ­ demais. Porém, sua vida útil é bem menor, o que a torna rela­ti­va­men­ te mais cara que uma NiCd, mais leve e menor. Além disso, se não uti­li­za­da duran­te lon­gos perío­dos de tempo, as bate­rias do tipo Lead-acid/Gel Cells ten­dem a per­der vol­ta­gem, cau­san­do danos mui­tas vezes irre­pa­rá­veis à sua estru­tu­ra. As bate­rias do tipo Sil­ver Zink, por sua vez, são três vezes mais caras que uma NiCd e o ciclo de vida é 75% mais baixo. Reque­rem tam­bém uma série de pro­ce­di­men­tos de ope­ra­ção e ­ impõem

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Descrição

Modelo

14,4 14,4 14,4 13,2 13,2 14,4 14,4 14,4 14,4 14,4 14,4 14,4 14,4 14,4 14,4 14,4 14,4 14,4 14,4

43 60 90 49 98 30 45 45 65 65 50 100 80 48 48 82 82 50 65

Peso* Elementos

1,17 1,98 2,87 1,81 3,38 1,87 2,65 2,65 5,07 5,07 1,94 5,51 1,70 1,16 1,10 1,64 1,54 2,00 2,50

Li-Ion Li-Ion Li-Ion NiMh NiMh NiCd NiCd NiCd NiCd NiCd NiMh NiMh Li-Ion Li-Ion Li-Ion Li-Ion Li-Ion NiMh NiMh


Principais cuidados Esco­lher a bate­ria ade­qua­da à câme­ra, con­si­de­ran­do-se os limi­tes míni­mos de vol­ta­gem. Car­re­gar ade­qua­da­men­te, não uti­li­zan­do bate­rias e car­re­ga­do­res de tipos e mar­ cas dife­ren­tes. A sobre­car­ga deve ser evi­ta­da. Nunca des­car­re­gar uma bate­ria com­ple­ta­ men­te. Isso pode­rá oca­sio­nar re­ver­­são da pola­ri­da­de, cau­san­do da­nos irre­­pa­rá­veis à sua cons­ti­tui­ção. Uma ba­te­ria do tipo NiCd des­car­re­ga­da a 0 volts pode­rá inclu­ si­ve explo­dir. Não expor a bate­ria ao calor ou car­re­gála até ficar quen­te. O calor pode­rá redu­zir sua vida útil em até 80%. Evi­tar cho­ques físi­cos, como que­das ou ­toques nos conec­to­res da bate­ria. Man­ter as bate­rias em ­ locais secos e ven­ti­la­dos.

car­re­ga­dor des­ti­na­do a bate­rias do tipo NiCd for uti­li­za­do para car­re­gar uma bate­ria de Li-Ion, o núme­ro de ­ ciclos de carga e des­car­ga irá dimi­nuir, ou seja, sua vida útil será afe­ta­da con­si­de­ ra­vel­men­te. A Anton Bauer reco­men­da que o usuá­rio não ligue uma bate­ria a um car­re­ga­dor se ambos não forem do mesmo fabri­can­te: “Isso pode ofe­re­cer enor­mes chan­ces de incom­pa­ti­bi­li­da­de e inclu­si­ve de ope­ra­ções peri­go­sas”, aler­ta o ­manual. A mais recen­te novi­da­de no mer­ca­ do de car­re­ga­do­res são os sis­te­mas de car­re­ga­men­to inte­ra­ti­vos (Inte­rAc­ti­ve bat­tery/ char­ger ­ systems). A essên­cia desta tec­no­lo­gia é a cria­ção de um sis­ te­ma de car­re­ga­men­to que inte­gra num só equi­pa­men­to a bate­ria e o car­re­ga­ dor, per­mi­tin­do a inte­ra­ção de ambos. A bate­ria apre­sen­ta diver­sos sen­so­res ele­trô­ni­cos que moni­to­ram os parâ­ me­tros de car­re­ga­men­to. Dados como vol­ta­gem, for­mu­la­ção da célu­la e capa­ ci­da­de são inse­ri­dos no micro­pro­ces­sa­ dor inte­gra­do ao car­re­ga­dor, que pode

apli­car o ­melhor méto­do de car­re­ga­men­to para aque­la bate­ria. Nas pala­vras da pró­ pria Anton Bauer, cria­do­ra desse sis­te­ma, “a bate­ria con­tro­la o pro­ces­sa­dor de carga dizen­do ao car­re­ga­dor quem ela é e como ela dese­ja ser ali­men­ta­da”. Há ainda os car­re­ga­do­res rápi­dos que têm como obje­ti­vo dimi­nuir o longo tempo usual de car­re­ga­men­to, que dura cerca de 12 horas. A Anton Bauer con­si­de­ra ultra­pas­sa­do o con­cei­to de que as bate­rias devem ser car­re­ga­das de manei­ra lenta, e apon­ta o prin­ci­pal moti­vo: tempo. Car­ re­ga­men­tos len­tos (que podem che­gar a até 16 horas) são impra­ti­cá­veis na área de vídeo pro­fis­sio­nal, que neces­si­ta de agi­li­ da­de em todas as ati­vi­da­des. O perío­do de tempo ideal gasto no car­re­ga­men­to de uma bate­ria deve ser de uma hora. As moder­nas for­mu­la­ções das bate­rias NiCd apre­sen­tam exce­len­te acei­ta­ção a car­re­ga­men­tos cujo tempo de dura­ção é de uma hora. Em car­ gas len­tas, as bate­rias são mais aque­ci­das, poden­do che­gar a tem­pe­ra­tu­ras entre 45ºC e 60ºC. Esse aumen­to de tem­pe­ra­tu­ra pode cau­sar erros ­ fatais, pois o calor é um dos maio­res ini­mi­gos das bate­rias.

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tecnologia

A nova máquina de clipes da MTV

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A MTV come­ça a uti­li­zar neste segun­do semes­tre seu novo sis­te­ma de exi­bi­ção auto­ma­ti­za­da de cli­pes e comer­ciais. Desde sua fun­da­ção no Bra­sil, a emis­so­ra tra­ba­lha com um sis­te­ma de exi­bi­ção digi­tal. Após 11 anos, resol­veu tro­car o velho Ampex CR255, um sis­te­ma robo­ti­za­do com 250 fitas e qua­tro VTs, por algo que dimi­nuís­se o custo de manu­ten­ ção e se ade­quas­se ­melhor às suas neces­si­da­des. Uma das pri­mei­ras mudan­ças acon­te­ceu há um ano e meio, quan­do a emis­so­ra pas­sou a usar um sis­te­ma de exi­bi­ção de comer­ciais basea­do em um ser­vi­dor Pro­fi­le, da Grass Val­ley/Thom­son, e no soft­wa­re Digi­mas­ter, da 4S. Mas ainda antes, há cerca de dois anos, o dire­tor téc­ni­co e ope­ra­cio­nal da MTV, Val­ter Pas­cot­to, já havia come­ça­do a tra­ba­lhar com a Video­da­ta para implan­tar um sis­te­ma que pudes­se auto­ma­ti­zar não ape­nas os ­ breaks comer­ ciais, mas tam­bém a pro­gra­ma­ção de cli­pes. A expe­riên­cia com a exi­bi­ção de comer­ciais basea­da em ser­vi­dor, a impos­si­bi­li­da­de de upgra­de no sis­te­ma da Ampex e as con­ver­sas com a equi­pe da Video­da­ta dire­cio­ na­vam a opção de Pas­cot­to. Mas foi duran­te a últi­ma NAB que ele se cer­ti­fi­cou que o sis­te­ma com ser­vi­do­res era o ­melhor cami­nho. “Além disso, após a feira fui visi­tar a MTV ame­ri­ca­na e vi que eles já tra­ba­lha­vam assim.” Final­men­te opta­ram por mon­tar um sis­te­ma misto, basea­do em ser­vi­do­res onli­ne e, além do offli­ne em VT, uma etapa near-line, com um rack de DVDs robo­ti­za­do. Para o sis­te­ma online foram esco­lhi­dos dois ser­vi­do­ res Pro­fi­le PVS 1026 com capa­ci­da­de de 300 horas de pro­gra­ma­ção cada e que tra­ba­lham espe­lha­dos, para que haja uma redun­dân­cia em casos emer­gen­ciais. A rota­ti­ vi­da­de de cli­pes na emis­so­ ra é gran­de, cerca de mil ­vídeos dife­ren­tes são vei­cu­ la­dos todos os meses. Foi isso que pau­tou a equi­pe téc­ni­ca da MTV e a Video­ da­ta na esco­lha da capa­ci­ da­de dos ser­vi­do­res. Dei­xar parte dos vi­deo­ cli­pes em ser­vi­do­res ainda solu­cio­na o pro­ble­ma do custo de manu­ten­ção do

emissora passa seu arquivo de videoclipes para DVD RAM e usará servidores na exibição de comerciais e clipes.

Ampex CR255, que usa fitas rela­ti­va­men­te caras. Opta­ ram ainda por usar DVDs ao invés de fitas como nearline. Foi esco­lhi­do o Rorke Data, um equi­pa­men­to do tama­nho de meio rack para arma­ze­na­men­to de dados basea­do em 250 dis­cos de DVD RAM - que tem a mesma capa­ci­da­de do DVD RW (regra­vá­vel), mas pode ser apa­ga­ do e gra­va­do nova­men­te mais de 100 mil vezes e tem taxa de trans­fe­rên­cia de 22,16 Mbps, enquan­to o RW pode ser regra­va­do cerca de mil vezes e conta com trans­fe­rên­cia de 11,08 Mbps. O offline con­ti­nua em fitas repro­du­zi­das em VTs “car­re­ga­dos” manual­men­te. As neces­si­da­des da emis­so­ra, um estu­do da pro­gra­ma­ ção e o fluxo de tra­ba­lho (incluin­do o núme­ro de fun­cio­ná­

Servidor Profile e torres de DVD RAM: acesso rápido

Fotos: divulgação


fernandolauterjung fernando@telaviva.com.br

Software da Harris faz o gerenciamento da exibição e envia informações para cobrança e direitos autorais.

rios dis­po­ní­veis na área de exi­bi­ção e em quais horá­rios) foram os fato­res leva­dos em conta na esco­lha de todos os equi­pa­ men­tos. Mas isso de nada ser­vi­ria sem a auto­ma­ção desse fluxo. Era neces­sá­rio auto­ma­ti­zar, ao mes­ mo tempo, três pro­gra­ma­ções dife­ren­ tes. Isso por­que os ­sinais de São Paulo, do Rio de Janei­ro e nacio­nal são todos gera­dos em São Paulo. Como nem sem­pre a pro­gra­ma­ção é a mesma,

prin­ci­pal­men­te no que se refe­re aos ­breaks comer­ciais, são neces­sá­rios três ­sinais dis­tin­tos. Além disso, os ser­vi­do­res pre­ci­sam “con­ver­sar” com os DVDs para bus­car a parte da pro­gra­ma­ção que ainda não está em seus hard disks. Para admi­nis­trar a pro­gra­ma­ção, então, será usado o soft­wa­re Har­ris Auto­ma­tion Solu­tion, já pro­gra­ma­do para não per­mi­tir con­cor­rên­cia entre comer­ciais (vei­cu­la­ção seqüen­cial de comer­ciais de duas mar­cas con­cor­ren­ tes) e repe­ti­ção de video­cli­pes (dois cli­ pes de um mesmo artis­ta). Além disso, o sis­te­ma cria um log (regis­tro) dos comer­ ciais vei­cu­la­dos, para o depar­ta­men­to de cobran­ça da emis­so­ra, e outro dos cli­pes vei­cu­la­dos, envia­do à admi­nis­tra­ ção de direi­tos auto­rais. Cada vez que a pro­gra­ma­ção é esti­pu­ la­da ou alte­ra­da, o sis­te­ma busca o que ainda não está no ser­vi­dor nos DVDs RAM. Para isso, a Har­ris Auto­ma­tion Solu­tion con­ver­sa com o soft­wa­re Strea Mine, da pró­pria Rorke Data, que admi­

nis­tra o con­teú­do nos DVDs RAM. Par­ce­ria Segun­do Val­ter Pas­cot­to, a MTV inves­ tiu US$ 600 mil FOB para mon­tar o novo sis­te­ma, que deve che­gar em outu­ bro e ­entrar em fun­cio­na­men­to efe­ti­vo até o final do ano. A par­ce­ria entre a equi­pe téc­ni­ca da MTV e a Video­da­ta foi fun­da­men­tal para o desen­ro­lar do pro­je­to. “Não foi ape­nas uma venda de equi­pa­men­tos”, diz Leo­nel da Luz, geren­te de mar­ke­ting e ven­das da Video­da­ta. “Acom­pa­nha­mos todo o fluxo do tra­ba­lho da equi­pe de exi­bi­ção. O núme­ro de fun­cio­ná­rios, a logís­ti­ca etc. Assim pude­mos desen­vol­ver jun­tos a ­melhor solu­ção para a rede”, com­ple­ta. A garan­tia de upgra­de não foi dei­xa­da de fora. Para mudar todo o sis­te­ma para HD, basta tro­car o enco­der e o deco­der do ser­vi­dor. Isso era fun­da­men­tal, por­que “é um momen­to difí­cil para se inves­tir em tec­no­lo­gia, prin­ci­pal­men­te por­que ainda não sabe­mos quan­do o HD pode fazer falta”, con­clui Pas­cot­to.

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broadcast

Como entrarão os dólares?

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Minicom finaliza projeto que define de que maneira o capital estrangeiro poderá

­ epois da TV digi­tal, o assun­to que mais tem preo­cu­pa­do os D entrar nas empresas de comunicação. radio­di­fu­so­res bra­si­lei­ros é a entra­da do capi­tal estran­gei­ro nas empre­sas de comu­ni­ca­ção. O Mini­com fez a sua parte e pre­pa­rou o pro­je­to de lei que regu­la­men­ta tan­te do arti­go 28 do Decre­to 52.795/63, que o pará­gra­fo 4º do arti­go 222 da Cons­ti­tui­ foi res­ga­ta­do na minu­ta colo­ca­da em con­sul­ta ção, defi­nin­do ­ regras para a entra­da do públi­ca. Mas a medi­da não foi bem dige­ri­da capi­tal estran­gei­ro nas empre­sas jor­na­lís­ pelas empre­sas. Para a Abril, a apro­va­ção ti­cas e de radio­di­fu­são. ­ Depois de subpré­via de dire­to­res e geren­tes é uma exi­gên­cia meter o projeto ao crivo dos inte­res­sa­dos “retró­gra­da e buro­crá­ti­ca”, e o Mini­com deve­ atra­vés de con­sul­ta públi­ca, o minis­tro ria ape­nas exi­gir uma comu­ni­ca­ção, com com­ Jua­rez Qua­dros cum­pre a pro­mes­sa feita pro­va­ções de nacio­na­li­da­de, que pode­riam ser aos radio­di­fu­so­res e ainda em setem­bro veri­fi­ca­das pelo minis­té­rio a qual­quer momen­ envia o pro­je­to à Casa Civil, que é res­ to. Esta suges­tão tam­bém foi defen­di­da pela pon­sá­vel por enviá-lo ao Con­gres­so. A Ban­dei­ran­tes, que alegou que a implan­ta­ção ques­tão agora é saber se após o resul­ta­do da TV digi­tal criará uma gran­de deman­da por das elei­ções, com parte dos par­la­men­ta­res fun­cio­ná­rios estran­gei­ros. A Abert che­gou a não ree­lei­tos, have­rá tempo e dis­po­si­ção su­ge­rir que a apro­va­ção pré­via se res­trin­gis­se polí­ti­ca para que Câma­ra e Sena­do apre­ O ministro Juarez aos dire­to­res esta­tu­tá­rios e ­sócios-geren­tes. ciem o pro­je­to ainda este ano. O Mini­com pre­fe­riu abrir mão da apro­va­ção Quadros enviou o Ape­sar do tema des­per­tar gran­de inte­ pré­via e deter­mi­nar ape­nas que os nomes de projeto à Casa Civil. Após res­se, o núme­ro de con­tri­bui­ções não foi dire­to­res e geren­tes sejam comu­ni­ca­dos. dos mais altos. Das empre­sas de mídia, a apreciação, Em com­pen­sa­ção, as nego­cia­ções em bolsa ape­nas Abril e Ban­dei­ran­tes apre­sen­ta­ só faltará a aprovação do devem mesmo ficar pre­ju­di­ca­das, pois o pro­ ram comen­tá­rios. O res­tan­te do setor de Congresso. je­to de lei man­te­ve a deter­mi­na­ção de que rádio e TV foi repre­sen­ta­do pela Abert as modi­fi­ca­ções socie­tá­rias e trans­fe­rên­cias (Asso­cia­ção Bra­si­lei­ra das Emis­so­ras de Rádio e Tele­vi­ de con­tro­le só pode­rão acon­te­cer com anuên­cia pré­via do são). O Sin­di­ca­to dos Jor­na­lis­tas Pro­fis­sio­nais do DF tam­ Minis­té­rio das Comu­ni­ca­ções, con­for­me deter­mi­na­ção bém man­dou suas con­si­de­ra­ções. Os ­ demais comen­tá­rios do arti­go 38 da Lei 4.117/62, e terão que ser comu­ni­ca­ partiram de pes­soas físi­cas, escri­tó­rios de advo­ca­cia e uma das ao Con­gres­so Nacio­nal, de acor­do com deter­mi­na­ção empre­sa de con­sul­to­ria. cons­ti­tu­cio­nal. Esta tal­vez tenha sido a maior der­ro­ta das No texto final que vai para o Con­gres­so, o Mini­com aca­tou empre­sas. A Abril suge­riu que ape­nas as alte­ra­ções que algu­mas suges­tões da con­sul­ta públi­ca, espe­cial­men­te aque­ impli­cas­sem mudan­ças no con­tro­le pre­ci­sas­sem da apro­ las que não con­tra­ria­vam o espí­ri­to do pro­je­to, segundo um va­ção pré­via. A Abert tam­bém pediu que esta exi­gên­cia dos téc­ni­cos que ana­li­sou as pro­pos­tas. Deste modo, ­alguns fosse fle­xi­bi­li­za­da, temen­do jus­ta­men­te que as nego­cia­ pon­tos, cuja modi­fi­ca­ção era con­si­de­ra­da cru­cial para os pla­ ções em bolsa aca­bas­sem pre­ju­di­ca­das. nos futu­ros das empre­sas, foram man­ti­dos. Outro arti­go que aca­bou cor­ta­do do pro­je­to defi­ni­ti­vo é o que trata da par­ti­ci­pa­ção dos fun­dos de pen­são nas empre­sas. Apro­va­ção pré­via O pro­je­to ini­cial pre­via que os recur­sos cap­ta­dos junto Na queda de braço em rela­ção à apro­va­ção pré­via pelo a fun­dos de pen­são, fun­dos de inves­ti­men­to e enti­da­des Mini­com dos nomes de dire­to­res e geren­tes das emis­so­ras, de pre­vi­dên­cia pri­va­da ­seriam con­si­de­ra­dos inves­ti­men­ ganha­ram as empre­sas do setor. Esta é uma exi­gên­cia cons­ tos finan­cei­ros e regu­la­men­ta­dos pos­te­rior­men­te. O

Foto: arquivo


raquelramos carloseduardozanatta raquel@paytv.com.br

item foi bas­tan­te cri­ti­ca­do, prin­ci­pal­men­ te, por ter uma reda­ção impre­ci­sa e até mesmo incor­re­ta. O minis­té­rio pre­fe­riu evi­tar con­fli­tos e sim­ples­men­te dei­xou de fora o arti­go. Res­tri­ções de pro­prie­da­de Tam­bém fica­ram man­ti­das no pro­je­to as refe­rên­cias ao arti­go 12 do Decre­to 236/67, que esta­be­le­ce limi­tes de pro­prie­ da­de para quem tem con­ces­são ou per­mis­ são de radio­di­fu­são. Abert e Ban­dei­ran­tes pedi­ram modi­fi­ca­ção. Para a asso­cia­ção, este assun­to foge do esco­po da lei em ques­ tão, que é a pre­sen­ça do capi­tal estran­gei­ ro, e o assun­to deve­ria ser tra­ta­do por lei espe­cí­fi­ca. A Ban­dei­ran­tes foi mais longe e defen­deu que o arti­go fosse revo­ga­do e que os pro­ce­di­men­tos admi­nis­tra­ti­vos aber­tos para veri­fi­car os limi­tes de pro­prie­da­de fos­sem arqui­va­dos. O Mini­com não con­ cor­dou e man­te­ve o que esta­va escri­to ori­ gi­nal­men­te mudan­do ape­nas o pará­gra­fo 3º do arti­go 12, que pas­sa­rá a deter­mi­nar que, quan­do os limi­tes esta­be­le­ci­dos forem atin­gi­dos, as enti­da­des das quais façam

parte dire­ta ou indi­re­ta­men­te acio­nis­ tas ou cotis­tas que inte­grem o qua­dro ­social de ­outras empre­sas de radio­di­fu­são ficam impe­di­das de ter con­ces­sões ou per­ mis­sões. Esta modi­fi­ca­ção foi feita para garan­tir que seja veri­fi­ca­do o con­tro­le da empre­sa atra­vés das diver­sas ­cadeias socie­ tá­rias pos­sí­veis. O capi­tal A minu­ta de pro­je­to colo­ca­da em con­sul­ ta públi­ca tra­zia uma defi­ni­ção do que era con­si­de­ra­do capi­tal estran­gei­ro. Esta defi­ni­ção foi modi­fi­ca­da por­que a Lei 4.131/62 já traz uma defi­ni­ção, que foi absor­vi­da pelo Mini­com: “Con­si­de­ram-se capi­tais estran­gei­ros, para os efei­tos desta lei, os bens, máqui­nas e equi­pa­men­tos, entra­dos no Bra­sil sem dis­pên­dio ini­cial de divi­sas, des­ti­na­dos à pro­du­ção de bens ou ser­vi­ços, bem como os recur­sos finan­ cei­ros ou mone­tá­rios, intro­du­zi­dos no País, para apli­ca­ção em ati­vi­da­des eco­nô­ mi­cas desde que, em ambas as hipó­te­ses, per­ten­çam a pes­soas físi­cas ou jurí­di­cas resi­den­tes, domi­ci­lia­das ou com sede no

de brasília

zanatta@paytv.com.br

exte­rior”. Na con­sul­ta públi­ca, a Abert havia mani­fes­ta­do sua preo­cu­pa­ção de que a defi­ni­ção de capi­tal estran­gei­ro esta­be­le­ci­da no pro­je­to pode­ria dar mar­ gem para que uma mul­ti­na­cio­nal esta­be­ le­ci­da no País uti­li­zas­se seus recur­sos em reais para inves­tir em gru­pos de mídia, por exem­plo. O minis­té­rio con­si­ de­ra que com a nova defi­ni­ção não há espa­ço para que se tente bur­lar a lei. De modo a tor­nar mais clara a veri­fi­ca­ção do res­pei­to ao limi­te de 30% de capi­tal estran­gei­ro, foi feita uma peque­na modi­ fi­ca­ção no pará­gra­fo 2º do arti­go 2º, que defi­ne o que é capi­tal estran­gei­ro na pro­pos­ta. Na ver­são final do pro­je­to de lei fica deter­mi­na­do que na apu­ra­ção dos limi­tes esta­be­le­ci­dos na lei serão obser­va­dos os diver­sos ­níveis de par­ti­ ci­pa­ção no capi­tal ­social das empre­sas, cal­cu­lan­do-se o per­cen­tual final por inter­mé­dio da com­po­si­ção das fra­ções per­cen­tuais de par­ti­ci­pa­ção em cada pes­soa jurí­di­ca do enca­dea­men­to.

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m ­ aking of P in­tu­r a e meta­mor­fo­ s e A cam­pa­nha de lan­ça­men­to do Ford Fies­ta con­tou com dois tea­sers de 30 segun­dos, um filme de dois minu­tos de vei­cu­la­ ção única e este de um minu­to, que apre­sen­ta o con­cei­to cen­ tral da cam­pa­nha. O filme faz uma ana­lo­gia entre as esco­lhas que são fei­tas na vida e as ­opções de cami­nhos, repre­sen­ta­das pelas bifur­ca­ções na estra­da. A par­tir disso, o filme apre­sen­ta o novo carro como opção ao con­su­mi­dor.

O comer­cial mos­tra, por­tan­to, o carro em uma estra­da, fil­ma­do de todos os ângu­los em plano-seqüên­cia. As bifur­ca­ções são repre­sen­ta­das por gra­fis­mos desen­vol­ vi­dos pela equi­pe da Lobo Fil­mes, simi­la­res aos que já ­haviam sido uti­li­za­dos em ­ outras peças da cam­pa­nha. Cada vez que a ima­gem pára, a cena é pin­ta­da e uma meta­mor­fo­se acon­te­ce.

P e s­ q u i­ s a s à e x a u s­ t ã o O dire­tor e fotó­gra­fo Ser­gio Amon conta que o filme foi roda­do no Esta­do do Rio Gran­de do Sul, ­depois de uma exaus­ti­va pes­qui­sa foto­grá­fi­ca. As cenas ­aéreas foram fei­tas com o ­flying cam, um equi­pa­men­to de cine­ma 35 mm aco­pla­do a um heli­cóp­te­ro para fil­ma­gens ­aéreas de gran­de impac­to. O sis­te­ma foi tra­zi­do de Los Ange­les e uti­li­za­do em uma diá­ria. “Pro­pus o uso desse equi­pa­men­to para tirar mais pro­vei­to das loca­ções gran­dio­sas”, conta o dire­tor. O uso dessa loca­ção fez parte de uma série de pro­pos­tas fei­tas pela pro­du­to­ra em cima da idéia ori­gi­nal do filme. “Exis­te uma ten­dên­cia a se repe­tir loca­ções em fil­mes de carro, por isso apro­fun­da­mos a pes­qui­sa”, diz Amon.

G r a­ f i s­ m o s m a r­ c a m e s c o­ l h a s

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Den­tro do con­cei­to das múl­ti­plas esco­lhas suge­ri­das pela estra­da, o filme tem um final que não se resol­ve. “Isso indi­ca que a estra­da e as esco­lhas que se faz na vida são sem­pre novas e múl­ti­plas”, comen­ta Amon. Segun­do o dire­tor, do ponto de vista esté­ti­co, o uso dos gra­fis­mos nos momen­tos-chave das esco­lhas do per­so­na­gem que diri­ge o carro foi fun­da­men­tal. “Essa linha de tra­ta­men­to ­visual já havia sido pro­pos­ta e desen­vol­vi­da na cam­pa­nha ante­rior, mas ­sofreu ajus­tes e evo­luiu nesta peça, em fun­ção do envol­vi­men­to da equi­pe da Lobo Fil­mes. Tanto agra­ dou que aca­bou geran­do o pack shot final”, expli­ca.


lizan­dra­deal­mei­da lizan­dra@tela­vi­va.com.br

Reto­que arte­sa­nal A ques­tão téc­ni­ca mais com­ple­xa do filme, porém, exi­giu uma boa dose de rotos­co­pia para o aca­ba­men­to final. Enquan­to o carro des­li­za sobre a estra­ da, a câme­ra faz uma pan de 360º em torno dele. Para cap­tar essas ima­gens, foi desen­vol­vi­do um equi­pa­men­to bati­za­do de “zero cam”: uma grua ins­ta­la­da sobre o carro, com um longo braço ao qual foi aco­pla­da a câme­ra. Assim, era pos­sí­vel fil­mar o carro em movi­ men­to e ao mesmo tempo cir­cun­dá-lo, dando a impres­são de que ele esta­va sendo fil­ma­do de longe em 360º. A tra­qui­ta­na foi ins­ta­la­da sobre o carro com bas­tan­te fir­me­za, mas mesmo assim a ima­gem pre­ci­sou de uma boa dose de esta­ bi­li­za­ção com o módu­lo sta­bi­li­zer do Flame, para que fos­sem reti­ra­das as vibra­ções, tre­pi­da­ções e varia­ções decor­ren­tes da fil­ma­gem em movi­men­to. ­Entrou em cena, então, o lento pro­ ces­so de reto­ques fei­tos por Gas­san Abdou­ni, da Vetor Zero. “Tra­ba­lha­ mos qua­dro a qua­dro para reti­rar os refle­xos do equi­pa­men­to sobre o carro, ­ depois tive­mos de recom­por as infor­ma­ções que não exis­tiam, ou seja, o que esta­va por trás das inter­ fe­rên­cias das som­bras e ocul­to pela tra­qui­ta­na”, expli­ca o espe­cia­lis­ta. Com o giro, o ângu­lo do cená­rio se alte­ra­va bas­tan­te, crian­do defor­ ma­ções que difi­cul­ta­ram o tra­ba­lho. “Cada ele­men­to do cená­rio rea­li­za­va um movi­men­to pró­prio. Além disso, a ima­gem ainda ­ sofria inter­fe­rên­cias das mudan­ças de luz, dis­tor­ções da lente e defor­ma­ções sobre a lata­ria do carro, o pára-brisa e o capô”, des­cre­ve Gas­san. “O que faci­li­tou o tra­ba­lho foi a rapi­dez da cena, que escon­de maio­res pro­ble­mas.” A traquitana refletia sobre o carro e por isso reflexo e equipamento foram apagados na rotoscopia. Em seguida, o céu e o cenário foram recompostos.

f icha téc­ni­ca Clien­te Ford ­ Motors • Pro­d u­t o Ford Fies­ta • Agên­c ia J. W. Thomp­son • Dire­ç ão de Cria­ ção Cás­sio Fara­co • Pro­du­to­ra Zero Fil­mes • Dire­ç ão Ser­gio Amon • Foto­g ra­f ia Ser­gio Amon • Gra­f is­m os Lobo Fil­mes • Fina­li­za­ção Vetor Zero


produção

Teatro digital

N

36 tela viva

setembro de 2002

pequenas produtoras temem

Na déca­da de 60, um tea­tro ficou famo­so por suas mon­ quebradeira caso seja mantida a ta­gens de peças como “O Rei da Vela”, de ­ Oswald de Andra­de, e “Peque­nos Bur­gue­ses”, de Máxi­mo Górki. cobrança da taxa fixa por título. Coman­da­do por José Celso Mar­ti­nez Cor­rea, o Tea­tro Ofi­ci­na ino­vou a lin­gua­gem tea­tral no Bra­sil. Mas, ape­sar de serem comen­ta­das até hoje, é pra­ti­ca­men­te impos­sí­vel esco­lhi­das foram “Boca de Ouro”, de Nel­son Rodri­gues, e um regis­tro audio­vi­sual de algu­ma des­sas mon­ta­gens. “Cacil­da!”, sobre a vida da atriz Cacil­da Bec­ker, escri­ta pelo Foi pen­san­do em pre­ser­var a his­tó­ria do tea­tro nacio­nal que pró­prio Zé Celso. Segun­do o pro­du­tor da empre­sa, Fábio a Aca­de­mia de Fil­mes se lan­çou no pro­je­to de trans­for­mar em Zava­la, a ami­za­de de Jun­gle com Zé Celso faci­li­tou o suces­ DVD dez mon­ta­gens impor­tan­tes do Ofi­ci­na. “É pre­ci­so pen­sar so da emprei­ta­da, pois fazia com que o video­ma­ker tives­se na memó­ria viva. Não só res­ga­tar coi­sas, mas tam­bém pen­sar “muita fami­lia­ri­da­de com o esti­lo do Ofi­ci­na”. com a mesma inten­si­da­de na memó­ria que está aqui”, diz o O passo seguinte foi colo­car o pro­je­to nos ­ padrões video­ma­ker da pro­du­to­ra, Tadeu Jun­gle e maior res­pon­sá­vel da Lei Roua­net. ­ Depois de apro­va­do pelo Minis­té­rio da pelo pro­je­to. Foi ele quem deu a idéia para a Aca­de­mia de Cul­tu­ra, ­entrou no edi­tal da Petro­brás e rece­beu patro­cí­ Cul­tu­ra, “braço cul­tu­ral” da Aca­de­mia de nio de R$ 1,305 ­ milhão para as duas Fil­mes que via­bi­li­za pro­je­tos cul­tu­rais dos pri­mei­ras peças. dire­to­res da casa e de ami­gos. Artis­ta e comu­ni­ca­dor que atual­ A rea­li­za­ção men­te tra­ba­lha na dire­ção de docu­ Com o dinhei­ro em mãos e os deta­ men­tá­rios, fil­mes publi­ci­tá­rios e video­ lhes buro­crá­ti­cos resol­vi­dos, era hora cli­pes, Jun­gle che­gou à con­clu­são de de par­tir para a ação pro­pria­men­te que deve­ria trans­por essas peças para dita: a remon­ta­gem das peças e sua um DVD a par­tir de uma idéia ini­cial fil­ma­gem. “Boca de Ouro” e “Cacil­ de Mar­ce­lo Drum­mond, o prin­ci­pal da!” fica­ram em car­taz por qua­tro ator e pro­du­tor do Ofi­ci­na. Drum­mond sema­nas. Tadeu Jun­gle assis­tiu aos pre­ten­dia orga­ni­zar um fes­ti­val com ­ensaios, gra­vou-os e fez a decu­pa­ re­mon­ta­gens das prin­ci­pais peças do gem, para já ter noção pre­ci­sa de grupo nos anos 90 e regis­trá-las para o onde posi­cio­nar as câme­ras. arqui­vo do Ofi­ci­na. Quan­do Drum­mond Algu­mas mudan­ças em rela­ção à con­tou sua idéia a Zé Celso, o dire­tor mon­ta­gem ori­gi­nal foram neces­sá­rias tea­tral logo pen­sou em falar com Jun­ para faci­li­tar as fil­ma­gens. “A TV tem gle. Eles eram ami­gos e Jun­gle inclu­si­ uma outra esté­ti­ca. Então, por exem­ ve havia regis­tra­do em vídeo algu­mas plo, o figu­ri­no e o cená­rio tive­ram de peças do Ofi­ci­na nos anos 80. ser melho­ra­dos”, diz Fábio Zava­la. Além de uma opor­tu­ni­da­de de pre­ Um dife­ren­cial do pré­dio ocu­pa­do ser­var a his­tó­ria do tea­tro bra­si­lei­ro, pelo Tea­tro Ofi­ci­na, no bair­ro pau­lis­ Jun­gle cita outra razão que o moti­vou ta­no do Bixi­ga, aca­bou faci­li­tan­do a a ir além da idéia ini­cial de Mar­ce­lo fil­ma­gem. Como sua arqui­te­tu­ra não é Drum­mond: o fato de poder fazer com con­ven­cio­nal - não há palco ita­lia­no, que um públi­co maior tenha aces­so à mas um imen­so cor­re­dor -, o tea­tro obra de Zé Celso, um dos maio­res dire­ já tinha algu­mas câme­ras e deze­nas to­res tea­trais bra­si­lei­ros. de moni­to­res para que o públi­co A ini­cia­ti­va de Jun­gle foi pron­ta­ veja o que acon­te­ce em todos os men­te apro­va­da pela Aca­de­mia de pon­tos. Assim, ato­res e públi­co, que Técnica da “câmera-carne” permitiu a Fil­mes. Optou-se por lan­çar os DVDs Jungle (acima) uma interação perfeita se senta em bal­cões ao lado do cor­ de dois em dois. As pri­mei­ras peças com o diretor Zé Celso (alto). re­dor, já esta­vam acos­tu­ma­dos à

arquivo Fotos:Foto: divulgação


averyveríssimo

UM TEMPLO DO TEATRO O Ofi­ci­na nas­ceu em 1958, cria­do por

1971. Os espe­tá­cu­los foram diri­gi­dos por

um grupo de estu­dan­tes da Facul­da­de de

José Celso Mar­ti­nez Cor­rêa, um dos fun­da­

Direi­to do Largo São Fran­cis­co, em São

do­res do Ofi­ci­na. As mon­ta­gens de Zé Celso

Paulo. Sua fama sur­giu na déca­da seguin­

sem­pre foram con­si­de­ra­das ino­va­do­ras,

te, quan­do ficou conhe­ci­do por absor­ver

polê­mi­cas, ­cheias de ener­gia.

ten­dên­cias estran­gei­ras e adap­tá-las à

O pré­dio do Tea­tro Ofi­ci­na, dese­nha­do pela

esté­ti­ca bra­si­lei­ra. Nessa época, algu­mas

arqui­te­ta Lina Bo Bardi (que tam­bém pro­je­

peças vira­ram íco­nes do tea­tro bra­si­lei­ro:

tou o MASP), apre­sen­ta um palco dife­ren­te

“Peque­nos Bur­gue­ses” (1963), de Máxi­mo

do con­ven­cio­nal. As ence­na­ções se desen­

Górki; “Andor­ra” (1964), de Max ­Frisch; e

ro­lam em um cor­re­dor. Em 1982, o tea­tro

­depois “O Rei da Vela” (1967), de ­Oswald

foi tom­ba­do pelo Patri­mô­nio Cul­tu­ral do

de Andra­de, que inclu­si­ve virou filme em

Gover­no do Esta­do de São Paulo.

inter­ven­ção de câme­ras. Mesmo com toda a pre­pa­ra­ção de Jun­gle para as fil­ma­gens, as pri­mei­ras expe­riên­cias prá­ti­cas leva­ram a algu­mas modi­fi­ca­ções no plano ini­cial. “Boca de Ouro”, por exem­plo, foi gra­va­da em seis dias. “Mas per­ce­be­mos que isso era lou­cu­ ra, e ‘Cacil­da!’ foi cap­ta­da em dois dias”, expli­ca Zava­la. Foram uti­li­za­das 13 câme­ ras no total. Uma delas, que fica­va na mão do pró­prio dire­tor, era Mini DV e foi usada como “câme­ra-carne” (câme­ra leva­da na mão e que quase toca­va os ato­res). Havia ainda seis câme­ras do tipo Beta Digi­tal, e seis Mini DV espa­lha­das pela pla­téia, para reco­lher as rea­ções do públi­co. Tam­bém foi usada uma grua Dibi Dibi. A cap­ta­ção do som ficou a cargo da Audio Mobi­le, que levou ao tea­tro 16 micro­fo­nes, cap­tan­do em 64 ­ canais. Apro­ vei-tan­do a estru­tu­ra, a Rádio Cul­tu­ra fez acordo para trans­mi­tir a peça. E o UOL transmitiu ao vivo pela Inter­net, regis­tran­ do cerca de 24 mil aces­sos ao todo.

f icha técnica Título Boca de Ouro | Mídia DVD 9 | Dura­ção 4h10 | Legen­das Sín­te­ses (por­tu­guês, ­ inglês, espa­nhol e fran­cês) | Câme­ras 6 Beta Digi­tal + 7 Mini DV | Som Dolby Digi­tal Ste­reo 5.1, cap­ta­do pela Audio Mobi­le, com 16 micro­fo­nes em 64 ­ canais | Menu Aca­de­mia de Fil­mes, com Pho­tos­hop | Edi­ção Aca­de­mia de Fil­mes, com Avid XL 100 On Line | Auto­ra­ ção Estú­dios Mosh, com Sonic Solu­tion

Não é pos­sí­vel pen­sar em um DVD sem ­extras. E já que esse pro­je­to pre­ten­dia pre­ser­var a memó­ria do tea­tro, por que não pro­du­zir ­ extras que tam­bém regis­tras­sem um pouco da his­tó­ria do Ofi­ci­na? “Afinal, esse é um docu­men­to his­tó­ri­co sobre o teatro”, conta o pro­du­tor Zava­la. Foram, então, pro­du­zi­dos um docu­men­ tá­rio sobre o Tea­tro Ofi­ci­na, entre­vis­tas com Zé Celso, Mar­ce­lo Drum­mond e com os ato­res de cada peça. Tam­bém foram gra­va­das cenas de bas­ti­do­res e um mani­ fes­to do grupo Ofi­ci­na pela pre­ser­va­ção do espa­ço em torno do tea­tro. Além disso, em “Boca de Ouro”, há um texto sobre Nel­son Rodri­gues, autor da peça. Para “Cacil­da!”, foram pre­pa­ra­dos um vídeo com Cacil­da Bec­ker e comen­tá­rios de Maria The­re­za Var­gas sobre a peça. Mas o gran­de des­ta­que dos ­ extras de “Cacil­da!” é a opção “Comen­tá­rios do dire­ tor”. Com ela, o áudio prin­ci­pal da peça é subs­ti­tuí­do por comen­tá­rios de Zé Celso, que fala sobre cada cena, expli­can­do o por­ quê dos detalhes, enri­que­cen­do ainda mais a inter­pre­ta­ção do texto. A fina­li­za­ção ­Depois de fil­ma­da a peça, são esco­lhi­das as melho­res cenas. O mesmo acon­te­ce com os ­extras. Então o mate­rial é mon­ta­ do e edi­ta­do. Nessa parte, o som é mixa­do e tam­bém é feito o menu. Final­men­te, manda-se tudo para a auto­ra­ção, feita no Estú­dio Mosh. É aí que se junta o som, a ima­gem e o menu. Esse pro­ces­so todo leva cerca de sete meses. Das duas pri­mei­ras peças fil­ma­das,

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“Boca de Ouro”, que foi cap­ta­da em março de 2001, já está pron­ta e com lan­ça­men­to pre­vis­to para outu­bro. A Aca­de­mia de Fil­ mes nego­cia com a Abril a dis­tri­bui­ção do DVD, que deve ter tira­gem ini­cial de cinco mil ­ cópias e dis­tri­bui­ção por cinco anos. Além disso, eles tam­bém serão ven­di­dos em Por­tu­gal e na Fran­ça, paí­ses em que Zé Celso conta com mui­tos admi­ra­do­res. Fora os DVDs, tam­bém serão pro­du­zi­dos 200 VHS para serem doa­dos a esco­las, biblio­te­cas e ins­ti­tu­tos cul­tu­rais. As ­outras peças que ganha­rão remon­ta­ gem e vira­rão DVD são: “As Bacan­tes”, de Eurí­pe­des; “Ham-let”, de Wil­liam Sha­kes­pea­ re; “Mis­té­rios Gozo­zos”, de ­Oswald de Andra­ de; “Pra Dar um Fim no Juízo de Deus”, de Anto­nin ­Artaud; “Ela”, de Jean Genet; “Tani­ ko”, de Zen­chi­ku; “As Boas”, de Jean Genet; e “O Rei da Vela”, de ­Oswald de Andra­de. Sobre o resul­ta­do final, Jun­gle afir­ma que a inten­ção não era ape­nas fazer “tea­tro fil­ma­do”, mas sim “uma tra­du­ção”. “Assis­tir ao DVD não é como assis­tir ao vivo. Por conta da câme­ra-carne, que ia até o ator, inte­ra­gia com ele, che­gou-se a uma lei­tu­ra com um grau de deta­lha­men­to maior do que no tea­tro. Se ao vivo há uma situa­ção de envol­vi­men­to, no DVD há deta­lhes e cenas que a pla­téia não viu.” Assim, ele espe­ra ter atin­gi­do uma pre­ten­são nada modes­ta de Zé Celso, que de­cla­rou ser seu sonho pro­ du­zir uma “arte per­­fei­ta­men­te inte­gra­da entre tea­tro e TV”.

x


condecine

Heroína para uns, vilã para outros

A

A Con­tri­bui­ção para o Desen­vol­vi­men­to da Indús­tria Cine­ ma­to­grá­fi­ca (Con­de­ci­ne), cria­da para finan­ciar pro­du­ções inde­pen­den­tes, pode gerar desem­pre­go e até falên­cias no mer­ca­do publi­ci­tá­rio. O aler­ta é das peque­nas pro­du­to­ras de publi­ci­da­de. Enquan­to os pro­du­to­res de cine­ma inde­ pen­den­te come­mo­ram a cria­ção da Anci­ne e da con­tri­bui­ ção que pode finan­ciar seus fil­mes, nes­tas peque­nas pro­ du­to­ras o clima é de apreen­são. Elas vêem na cobran­ça fixa por regis­tro de peça publi­ci­tá­ria uma forma peri­go­sa de invia­bi­li­zar o pró­prio negó­cio e espe­ram mudan­ças na lei que criou a Con­de­ci­ne, além das isen­ções já deter­mi­na­ das no pri­mei­ro ajus­te. ­Depois de pro­mul­ga­da, a lei que cria a Con­de­ci­ne pas­sou pela pri­mei­ra modi­fi­ca­ção em julho, após pedi­do da Abert (Asso­cia­ção Bra­si­lei­ra de Emis­so­ras de Rádio e Tele­vi­são). Ale­gou-se que a maior parte da publi­ci­da­de de tele­vi­são no Bra­sil é feita “no vare­jo” e que, em cida­des do inte­rior e mesmo nas capi­tais, este tipo de negó­cio per­faz o total da recei­ta de mui­tas pro­du­to­ras. A Anci­ne, que havia esta­be­le­ci­do taxas a par­tir de R$ 500, ­recuou e emi­tiu uma ins­tru­ção nor­ma­ti­va redu­zin­do os valo­res ini­ciais. Assim, nos muni­cí­pios com mais de um ­milhão de habi­tan­tes, o reco­lhi­ men­to seria de R$ 100 para pro­du­ções abai­xo de R$ 10 mil e R$ 1 mil para pro­du­ções acima de R$ 10 mil. Ainda assim a medi­da não foi sufi­cien­te para ani­mar os donos das peque­nas pro­du­to­ras ins­ta­la­das em cida­des com mais de um ­milhão de habi­tan­tes. Estes vêem pou­cas pos­si­ bi­li­da­des de aten­der ao paga­men­to míni­mo de R$ 100 por peça publi­ci­tá­ria, quan­do a maior parte dos comer­ciais “de vare­jo” vale entre R$ 350 e R$ 500, como é o caso da Bahia.

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Carac­te­rís­ti­cas regio­nais “Nosso mer­ca­do não tem como absor­ver mais um tri­bu­ to. Nós já paga­mos uma série de impos­tos. A maior parte da nossa pro­du­ção é dos cha­ma­dos VTs de car­te­la, de baixo custo. Se formos pagar R$ 100 sobre um VT de R$ 400, que é a média do que pro­du­zi­mos, sere­mos invia­bi­li­za­dos”, alerta Fer­nan­do Mota, dono de uma pro­du­to­ra em Sal­va­dor. Para Mota, a Anci­ne não obser­vou as pecu­lia­ri­da­des regio­nais ao esta­be­le­cer uma cobran­ça fixa. “Exis­tem muni­ cí­pios do inte­rior, como São José do Rio Preto (SP), que têm menos de um ­milhão de habi­tan­tes mas uma renda per capi­

pequenas produtoras temem quebradeira caso seja mantida a cobrança da taxa fixa por título. ta maior que capi­tais como Sal­va­dor. Enquan­to lá exis­tem pro­du­ções mais caras que as nos­sas, nós somos obri­ga­dos a pagar um valor deter­mi­na­do, sem obser­var uma pro­por­ção em rela­ção ao lucro, como é o caso dos impos­tos.” Com a tabe­la de pre­ços con­ge­la­da desde o iní­cio do Plano Real e o preço dos equi­pa­men­tos inde­xa­dos ao dólar, Fer­nan­do Mota tem visto sua empre­sa ­lucrar cada vez menos e teme que a Con­de­ci­ne seja uma pá de cal num negó­cio já em baixa: “Se come­çar­mos a pagar um valor arbi­trá­rio como o que estão pro­pon­do, vamos ter que redu­zir cus­tos. Assim, um comer­cial que teria apre­sen­ta­dor passa a ter ape­nas nar­ra­dor. Nou­tras situa­ções vou ter que eco­no­mi­zar com o pró­prio locu­tor. Então é uma medi­da que pode pro­vo­car desem­pre­go e até falên­cia dos peque­nos por­que não se obser­va­ram as dife­ren­tes rea­li­da­des de cada ­região. Enquan­ to uma agên­cia do Sudes­te faz um comer­cial de cer­ve­ja por R$ 50 mil, pagan­do R$ 1 mil de con­tri­bui­ção e fica tran­qüi­la, nós fica­mos sem saber de onde tirar os R$ 100”. O seg­men­to das peque­nas pro­du­to­ras de publi­ci­da­de em Sal­va­dor está ten­tan­do se orga­ni­zar de forma cor­po­ra­ ti­va, para fazer fren­te à pro­pos­ta da Con­de­ci­ne. Vinte delas deram iní­cio ao ­embrião do que será uma asso­cia­ção de clas­ se que irá dis­cu­tir a con­tri­bui­ção em nível ins­ti­tu­cio­nal. “É estra­nho que o gover­no quei­ra finan­ciar pro­du­ções de cine­ma com dinhei­ro da publi­ci­da­de. Por que essa con­tri­ bui­ção não é cobra­da da TV aber­ta, do tea­tro ou do pró­prio cine­ma, sobre o lucro das bilhe­te­rias? Ou de ser­vi­ços de dubla­gem e legen­da­gem, que lidam dire­ta­men­te com pro­ du­ção cine­ma­to­grá­fi­ca? Vejo uma con­fu­são de seg­men­tos nessa cobran­ça. Como tra­ba­lha­mos com TV, não seria mais lógi­co que esse dinhei­ro fosse inves­ti­do em pro­du­ções para a televisão? Para finan­ciar o cine­ma já exis­te a Lei Roua­ net”, ques­tio­na Mota. Cobran­ça pro­por­cio­nal Para o pre­si­den­te do Sin­di­ca­to da Indús­tria Audio­vi­sual do Rio Gran­de do Sul, Cíce­ro Ara­gon, a cobran­ça de uma taxa Foto: arquivo


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fixa é muito pesa­da para as peque­nas pro­ du­ção, aumen­ta­riam o inte­res­se no paga­ du­to­ras. Ele acha que o ideal seria cobrar men­to, evi­tan­do moti­vos para sone­ga­ção”, um per­cen­tual sobre os valo­res das peças diz um tre­cho da carta do sin­di­ca­to. vei­cu­la­das, como com os impos­tos. Em encon­tro com publi­ci­tá­rios, Dahl Atra­vés de uma carta ela­bo­ra­da pelo falou da impor­tân­cia da Con­de­ci­ne para o sin­di­ca­to, a idéia foi pro­pos­ta ao dire­tor- cine­ma e apre­sen­tou os pri­mei­ros nú­me­ros pre­si­den­te da Anci­ne, Gus­ta­vo Dahl, num de arre­ca­da­ção do novo tri­bu­to: em junho, deba­te sobre a Con­de­ci­ne rea­li­za­do duran­ no pri­mei­ro mês de vi­gên­cia da con­tri­bui­ção, te o Fes­ti­val de Cine­ma de Gra­ma­do (RS). fo­ram arre­ca­da­dos R$ 430 mil. Em julho a Entre as pro­pos­tas está a arre­ca­da­ção che­gou a R$ suges­tão de que orça­men­ 730 mil. A expec­ta­ti­va é de tos infe­riores a R$ 10 mil cres­ci­men­to pro­gres­si­vo ao sejam isen­tos do paga­men­ longo do ano. to da contribuição. Às crí­ti­cas ao mode­lo “Esta­mos dis­pos­tos a de cobran­ça atual, Dahl con­tri­buir com o desen­ res­pon­deu que uma nova vol­vi­men­to do audio­vi­sual ins­tru­ção nor­ma­ti­va será nacio­nal, por outro lado acres­cen­ta­da à lei que temos con­vic­ção de que cria a Con­de­ci­ne, e esta o pro­ble­ma da Con­de­ci­ne vai isentar as cida­des do está na forma de cobran­ inte­rior. Para Aragon, “isso ça, na falta de uma base resol­ve ape­nas 70% do pro­ de cál­cu­lo justa feita em Gustavo Dahl, da Ancine, diz que ble­ma. Para resol­ver 100%, cima de per­cen­tuais cobra­ uma instrução normativa isentará somen­te com a cobran­ça as cidades do interior. dos sobre o valor de pro­du­ pro­por­cio­nal aos ­ ganhos. ção e não sobre a mídia. O Não somos con­trá­rios à fator de prova seria a nota con­tri­bui­ção, mas à forma fis­cal, com a manu­ten­ção do devi­do sigi­lo como ela foi cria­da. Do jeito que está, ela é dos valo­res de pro­du­ção dos pro­du­tos justa com os gran­des e muito injus­ta com audio­vi­suais por parte da Anci­ne. Enten­de­ os peque­nos, que paga­rão mais do que mos que a forma de resol­ver ime­dia­ta­men­ podem. As isen­ções podem faci­li­tar a vida te o absur­do da tabe­la é a regu­la­men­ta­ção de parte do mer­ca­do, que enten­de essa da lei exis­ten­te, mas não abri­mos mão de solu­ção como pro­vi­só­ria. Mas a lei ainda é que em breve a lei seja alte­ra­da. Taxas injus­ta”, disse à Tela Viva. Na con­ver­sa com mais jus­tas, como 1% sobre o valor de pro­ a Anci­ne, os pro­du­to­res da ­Região Sul con­

se­gui­ram outra vitó­ria: a anis­tia dos DARFs emi­ti­dos até a pro­mul­ga­ção da lei, evi­tan­do que as pro­du­to­ras de peças publi­citárias de baixo valor desem­bol­sassem as taxas pre­vis­ tas nas pri­mei­ras ver­sões da Con­de­ci­ne. Mudan­ças A asses­so­ra da pre­si­dên­cia da Anci­ne, Vera Zave­ru­cha, infor­ma que a Ins­tru­ção Nor­ma­ ti­va nº6 já modi­fi­ca a geo­gra­fia da Con­de­ci­ ne, ins­ti­tuin­do a cobran­ça ape­nas em cida­ des com mais de um ­milhão de habi­tan­tes e deter­mi­nan­do arre­ca­da­ção dife­ren­cia­da a par­tir de soli­ci­ta­ções do setor. A ins­tru­ção fala sobre publi­ci­da­de de peque­na vei­cu­la­ção e isen­ção, pre­vis­ta no inci­so 4 do arti­go 39 da medi­da pro­vi­só­ria. “A lei deter­mi­na e a medi­da pro­vi­só­ria não per­mi­te pro­mo­ver qual­quer alte­ra­ção em rela­ção à cobran­ça por­que elas ­ seguem uma tabe­la”, expli­ca. Sobre a cobran­ça de taxa fixa, Vera diz que “neste momen­to não exis­tem pers­pec­ti­vas de modi­fi­car o tipo de cobran­ça feito junto à publi­ci­da­de, que está pre­vis­ta em lei. Para modi­fi­car a forma de cobran­ça, só modi­fi­can­do a lei”. Na Abert, o clima é de expec­ta­ti­va. A dire­to­ria da asso­cia­ção infor­mou, atra­vés de sua asses­so­ria de impren­sa, que já estão em anda­men­to nego­cia­ ções junto à Anci­ne sobre a Con­de­ci­ne. Entre as negocia­ções, está a cria­ção de um dis­po­si­ti­vo para ­ isentar as pro­du­ ções de até R$ 1 mil.

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cinema produtora Especializada em produções submarinas, a Canal Azul buscou novas parcerias e abriu seu leque de temas para documentários.

Do fundo do mar

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Há seis anos a pro­du­to­ra Canal Azul sur­giu para ­suprir a neces­si­da­de por docu­men­tá­rios do canal de TV por assi­na­ tu­ra GNT, que enco­men­dou dos ­sócios Lawren­ce Wahba e Ricar­do Aidar algu­mas pro­du­ções suba­quá­ti­cas. Desde então, a pro­du­to­ra foi se espe­cia­li­zan­do em docu­ men­tá­rios sobre a natu­re­za e aumen­tan­do suas par­ce­rias. Em 2000 a Canal Azul ­ganhou mais um sócio, o pro­du­tor exe­cu­ ti­vo Mar­ce­lo Bres­ser Perei­ra, e come­çou a atuar em novas áreas: docu­men­tá­rios sobre cul­tu­ra e varie­da­de. Uma das pri­mei­ras pro­du­ções sub­ma­ri­nas foi a série copro­du­zi­da com o GNT “Dive Adven­tu­res”, com 13 docu­men­ tá­rios de 50 minu­tos cada. A série, que retra­ta o mer­gu­lho e o modo de vida das pes­soas de diver­sos ­locais do mundo, é apre­sen­ta­da pelo pró­prio Lawren­ce Wahba e docu­men­tou com exclu­si­vi­da­de a rea­ber­tu­ra do Atol de Biki­ni, 50 anos após os tes­tes nuclea­res norte-ame­ri­ca­nos. Com o GNT, co-pro­du­ziu tam­bém a série “Pla­ne­ta Ocea­ no”. Com oito docu­men­tá­rios de 26 minu­tos cada um, a série sobre o fundo do mar foi fil­ma­da em 18 paí­ses, uti­li­zan­do ani­mais mari­nhos como per­so­na­gens, reve­lan­do aspec­tos de seu coti­dia­no e fla­gran­tes da luta pela sobre­vi­vên­cia. Após tan­tos tra­ba­lhos, a equi­pe da pro­du­to­ra apren­deu a ter paciên­cia e a con­tor­nar as difi­cul­da­des de pro­du­ções tão espe­cí­fi­cas. “As pro­du­ções sub­ma­ri­nas são mais difí­ceis do que pare­cem”, diz Ricar­do Aidar. “Tal­vez o maior pro­ble­ ma seja o ator. Não dá para diri­gir um tuba­rão”, brin­ca. Mas foi a expe­riên­cia em pro­du­ções sub­ma­ri­nas que aju­dou a Canal Azul a con­quis­tar novas par­ce­rias e a par­tir para novas áreas de atua­ção. Uma das par­ce­rias mais impor­tan­tes foi com a Natu­ ral His­tory New Zea­land – NHNZ –, espe­cia­li­za­da em tra­ ba­lhos sobre a natu­re­za. Com eles pro­du­zi­ram a série de dois pro­gra­mas de 52 minu­tos “Pan­ta­nal”, que apre­sen­ta

a fauna e flora da ­região pan­ta­nei­ra e as mudan­ças que ocor­ rem ao longo do ano na pai­sa­gem da ­região. Exi­bi­da no Bra­sil pelo GNT, essa co-pro­du­ção foi vei­cu­la­da em mais de 25 paí­ses e em emis­so­ras como a Fran­ce 5 e o Dis­co­very Chan­nel. Com finan­cia­men­to do Grupo das Esco­las Par­ti­cu­la­res de São Paulo, atra­vés da Lei Men­don­ça, a pro­du­to­ra fez outra série abor­dan­do a natu­re­za, inti­tu­la­da “Expe­di­ção Cai­ça­ra”. Exi­bi­da pela TV Cul­tu­ra, a série mos­tra uma via­ gem de um grupo de ado­les­cen­tes a bordo de uma escu­ na pelo lito­ral do Bra­sil redes­co­brin­do o povo, a cul­tu­ra e as exu­be­ran­tes bele­zas natu­rais. Novos rumos Sem aban­do­nar a natu­re­za, os três ­sócios resol­ve­ram bus­ car novos assun­tos a serem explo­ra­dos. “Viver só de docu­ men­tá­rios no Bra­sil é uma gran­de aven­tu­ra. Usar só a natu­re­za é lou­cu­ra”, argu­men­ta Mar­ce­lo Bres­ser Perei­ra. A varie­da­de de temas que a Canal Azul pas­sou a abor­dar foi gran­de. A pro­du­to­ra fez a série “Des­ti­no Expor­ta­dor - USA”, de três docu­men­tá­rios, em par­ce­ria

“Atol Esquecido” documenta o Atol das Rocas, único do Atlântico Sul.

Fotos: divulgação. Claudia GIP Fotos: Lisandro de Almeida Ilustração: e Marcelo Skaf (corais)


lizandradealmeida lizandra@telaviva.com.br

“Expe­di­ção Bra­sil Oceâ­ni­co” apre­sen­ta as mais dis­tan­tes ilhas oceâ­ni­cas do lito­ral bra­si­lei­ro

com a Pólo de Ima­gem e exi­bi­da na Rede Cul­ tu­ra. Enco­men­da­da pela Câma­ra Ame­ri­ca­na de Comér­cio e pela Agên­cia de Pro­mo­ção de Expor­ta­ções (Apex), os pro­gra­mas retra­tam carac­te­rís­ti­cas e aspec­tos cul­tu­rais das ­várias ­etnias que for­mam o povo norte-ame­ri­ca­no e falam sobre as opor­tu­ni­da­des de expor­ta­ ção para os pro­du­tos bra­si­lei­ros, a par­tir das carac­te­rís­ti­cas dos con­su­mi­do­res norte-ame­ ri­ca­nos e suas diver­sas ori­gens étni­cas. Tam­bém com a Pólo de Ima­gem, foi pro­du­zi­do “Sam­pop: A Nova Cena”. Com decla­ra­ções de jor­na­lis­tas, músi­cos, pro­du­ to­res musi­cais, for­ma­do­res de opi­nião e dos novos talen­tos musi­cais sur­gi­dos na cida­de de São Paulo, o docu­men­tá­rio tenta defi­nir o termo “músi­ca pop”. O mais recen­te lan­ça­men­to da Canal Azul é uma volta às ori­gens. Divi­di­dos em dois epi­só­dios nar­ra­dos pelo ator Lima Duar­te, o docu­men­tá­rio “Expe­di­ção Bra­sil Oceâ­ni­co” apre­sen­ta as mais dis­tan­tes

“Ilha das Flores”, de Jorge Furtado, é um dos filmes disponíveis no Porta Curtas.

ilhas oceâ­ni­cas do lito­ral bra­si­lei­ro. No pri­ mei­ro epi­só­dio, “Oásis do Atlân­ti­co”, a expe­ di­ção lide­ra­da por Lawren­ce Wahba parte para as mais inós­pi­tas ilhas do Bra­sil – Trin­ da­de e Pene­dos de São Pedro e São Paulo – des­co­nhe­ci­das para a maio­ria dos bra­si­lei­ ros. Em “Atol Esque­ci­do”, a mesma equi­pe faz uma via­gem de explo­ra­ção no Atol das Rocas, o único atol do Atlân­ti­co Sul. O docu­men­tá­rio foi feito em par­ce­ria com a 20th Cen­tury Fox e a NHNZ e está sendo dis­tri­buí­do em DVD e VHS neste mês de setem­bro. Negó­cios Além da pro­du­ção de docu­men­tá­rios, a Canal Azul bus­cou novos mer­ca­dos para atuar. Além de comer­cia­li­zar um vasto banco de ima­gens, com des­ta­que para cenas sub­ ma­ri­nas, a pro­du­to­ra abriu em 2000 um novo braço: a pro­du­to­ra de áudio Vox Mundi. Apro­vei­tan­do-se do know-how obti­do com as pro­du­ções sobre a natu­re­za, a Vox Mundi espe­cia­li­zou-se em dubla­gem para docu­men­ tá­rios, prin­ci­pal­men­te para o canal de TV por assi­na­tu­ra Dis­co­very e para a TV Cul­tu­ra. Outra área de atua­ção que a Canal Azul con­quis­tou foi a dis­tri­bui­ção. Mui­tos de seus docu­men­tá­rios são dis­tri­buí­dos na Amé­ri­ca Lati­na pela pró­pria pro­du­to­ra. Além disso, a empre­sa fir­mou recen­te­men­te par­ce­ria com a TV Cul­tu­ra para a dis­tri­bui­ção de docu­men­ tá­rios sobre pin­tu­ra e lite­ra­tu­ra pro­du­zi­dos pela ingle­sa RM Asso­cia­tes.

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fernandolauterjung


cinema

Con­teú­do para todos

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Desde o dia 26 de agos­to está no ar

A Synap­se Digi­tal, pro­du­to­ra de con­teú­do para a Inter­ o Porta Cur­tas, uma ini­cia­ti­va de net liga­da à dis­tri­bui­do­ra Synap­se, lan­çou no últi­mo dia 26 de agos­to o Porta Cur­tas, pri­mei­ra ini­cia­ti­va exi­bi­ção que pre­ten­de vin­cu­lar con­sis­ten­te de uti­li­zar a web como mídia para o curtametra­gem bra­si­lei­ro. O Porta Cur­tas não é exa­ta­men­te cur­tas-metra­gens nacio­nais a um site, ape­sar de estar apoia­do em um. A idéia fun­ da­men­tal é aumen­tar a vei­cu­la­ção de fil­mes de curta con­teú­do edi­to­rial na Inter­net. dura­ção, suge­rin­do a inser­ção de links gra­tui­tos para fil­mes a serem colo­ca­dos em sites de con­teú­do. “O Porta Cur­tas ofe­re­ce um “Outro exem­plo foi o curta ‘­Françoise’, curta-metra­gem como a azei­to­na para de ­Rafael Conde, pri­mei­ro filme estre­la­do a empa­da dos sites”, resu­me o dire­tor por Débo­ra Fala­bel­la. Quan­do a revis­ta da Synap­se, Julio Worc­man. Marie Clai­re publi­cou uma entre­vis­ta Tudo come­çou em 2000, quan­do o com a atriz, ofe­re­ce­mos o filme para ala­ golei­ro Bar­bo­sa, da Sele­ção Bra­si­lei­ra van­car o site da revis­ta.” A pro­pos­ta do de 1950, mor­reu. Worc­man ofe­re­ceu Porta Cur­tas, por­tan­to, é gerar links para para a dire­to­ra de con­teú­do do por­tal fil­mes junto a con­teú­do edi­to­rial, dando UOL o curta homô­ni­mo (“Bar­bo­sa”), de um upgra­de nos sites e ao mesmo tempo Jorge Fur­ta­do, como com­ple­men­to à fomen­tan­do o for­ma­to. Serviço começa com maté­ria sobre a morte do jogador. “Con­ 30 títulos digitalizados. ver­sei com o Fur­ta­do e ele libe­rou os Porta de entra­da direi­tos. Em cinco dias, 27 mil pes­soas assis­ti­ram o curta. Worc­man pre­fe­re cha­mar o site de “front” do curta-metra­ Foi então que tive­mos a idéia de mon­tar uma estra­té­gia gem. “Não se trata de um por­tal, mas de um site que de exi­bi­ção dife­ren­te.” car­re­ga cur­tas. O site em si exis­te ape­nas para que as A idéia só pôde ser via­bi­li­za­da com o patro­cí­nio da fer­ra­men­tas pos­sam fun­cio­nar. Quan­do um inter­nau­ta Petro­brás. A empre­sa ­entrou com R$ 360 mil, uti­li­za­dos para aces­sa o link, cai dire­ta­men­te no pop up que traz o filme. a aqui­si­ção dos direi­tos de exi­bi­ção por um ano de cem Nesse pop up estão pra­ti­ca­men­te todas as fun­ções do cur­tas e mon­ta­gem da estru­tu­ra do pro­je­to na Inter­net. “Pro­ site, incluin­do o meca­nis­mo de busca que incor­po­ra­mos”, pu­se­mos R$ 500 para cada curta, da seguin­te forma: R$ 250 expli­ca. como garan­tia míni­ma e o res­tan­te de acor­do com o aces­so. Segun­do Gabrie­la Dias, edi­to­ra exe­cu­ti­va do por­tal, Par­ti­mos do prin­cí­pio de que todos os fil­mes ­teriam direi­tos este meca­nis­mo per­mi­te loca­li­zar os 1,4 mil cur­tas cadas­ ­iguais, sem pri­vi­le­giar este ou aque­le dire­tor, e bola­mos um tra­dos por qual­quer uma das fun­ções téc­ni­cas, elen­co meca­nis­mo de recom­pen­sar quem tives­se mais aces­sos. ou até mesmo por ­linhas de diá­lo­go, já que have­rá uma ­Depois de um ano, vamos com­pu­tar todos os aces­sos e trans­cri­ção dos diá­lo­gos de cada filme. O sis­te­ma per­mi­te divi­dir o resto do dinhei­ro pro­por­cio­nal­men­te para todos as mais varia­das com­bi­na­ções para que se encon­tre o os dire­to­res. Todo mundo topou”, com­ple­ta. Em sua ­estréia, filme dese­ja­do. o Porta Cur­tas sai com 30 fil­mes digi­ta­li­za­dos e em pouco A tec­no­lo­gia uti­li­za­da per­mi­te que o filme seja visto tempo pre­ten­de ­incluir os ­demais. em banda larga com alta qua­li­da­de. Uti­li­zan­do os ser­vi­

Fotos: divulgação. Ilustração: Claudia GIP


lizandradealmeida lizandra@telaviva.com.br

“Quan­do a Marie Clai­re publi­cou uma entre­vis­ta com a Débora Fallabella, ofe­re­ce­mos o filme ‘Françoise’ para ala­van­car o site da revis­ta.” Julio Worcman, da Synapse

ços da empre­sa Con­tent Deli­very Net­work (CDN), os fil­mes foram colo­ca­dos em 17 ser­vi­do­res de todo o Bra­sil, espe­cial­men­te nos gran­des pro­ve­do­res, para tor­nar o aces­ so mais rápi­do. “Se a pes­soa tem ­Speedy, por exem­plo, ela puxa o filme dire­to do back­bo­ne do pro­ve­dor”, conta Worcman. Quan­do o filme é asso­cia­do a algum con­teú­do que gere uma visi­ta­ção acima do limi­te supor­ta­do pelo Porta Cur­tas, a única exi­gên­cia é que o pró­prio pro­ve­dor hos­pe­de o arqui­vo. Logo que o inter­nau­ta entra no link do filme, surge o pop up do Porta Cur­tas, que ­inclui um ban­ner do site ori­gi­nal. Todo o pro­ces­so pode ser feito pelo edi­tor do site pela pró­pria Inter­net. Assim como o espec­ta­dor, que pode ­entrar para assis­tir o filme e usar o site para criar sua lista de pre­fe­ri­dos, o edi­tor pode se cadas­trar e ­incluir o link auto­ma­ti­ca­men­te, nave­gan­do pelo Porta Cur­tas. Para o dire­tor Bruno Vian­na, que tam­ bém faz parte da equi­pe do Porta Cur­tas, “a Inter­net é um meio muito pro­pí­cio de exi­bir o curta-metra­gem, que tem pouco espa­ço na TV e no cine­ma. Só este ano foram pro­du­zi­dos 200 fil­mes novos e pou­cos deles terão chan­ce de ser exi­bi­dos”. Além de pro­mo­ver o for­ma­to e inau­gu­rar um novo canal de exi­bi­ção, que é ainda mais con­ve­nien­te devi­do à sua asso­cia­ção com con­teú­do edi­to­rial, o Porta Cur­tas tra­ba­lha de forma trans­pa­ren­te com o curta-metra­

“Ilha das Flores”, de Jorge Furtado, é um dos filmes disponíveis no Porta Curtas.

gis­ta, pro­por­cio­nan­do um inter­câm­bio com os espec­ta­do­res. “Os dire­to­res e pro­du­to­res têm uma senha que per­mi­te o aces­so à caixa de direi­tos auto­rais. Sem­pre que chega um comen­tá­rio de espec­ta­dor a res­pei­to de um filme, uma cópia vai dire­to para a caixa. Lá eles tam­bém podem con­tro­lar os aces­sos”, expli­ca Worcman. Essa rela­ção dire­ta entre o rea­li­za­dor e o espec­ta­dor será muito inte­res­san­te para ambas as par­tes, acre­di­ta Vian­na. O con­tra­to assi­na­do com a Petro­brás tem dura­ção de um ano, o qual pode ser reno­va­do. O con­teú­do pode ainda come­çar a gerar recur­sos por si só. Julio Worc­man, porém, não acre­di­ta muito na capa­ci­da­de de retor­no dire­to da Inter­net. “Seria ótimo poder­mos licen­ciar os cur­tas dire­ta­men­te para os sites, mas por enquan­to não vemos pos­si­bi­li­da­de de retor­no dessa forma. Por isso opta­mos pelo patro­cí­nio”, ana­li­sa. Interesse internacional A Synap­se é uma dis­tri­bui­do­ra com 14 anos de expe­riên­cia na venda de pro­gra­ ma­ção inde­pen­den­te e de cur­tas-metra­ gens para o exte­rior. Duran­te algum tempo, na déca­da de 90, a empre­sa tam­bém se dedi­cou a com­prar pro­gra­ ma­ção estran­gei­ra para as emis­so­ras bra­si­lei­ras, dian­te da peque­na pro­du­ção nacio­nal. Desde 99, a pro­du­ção vem cres­cen­do e com ela o inte­res­se inter­na­ cio­nal pelos fil­mes bra­si­lei­ros. Essa expe­riên­cia fez com que a dis­ tri­bui­do­ra tam­bém fosse con­ta­ta­da pelo Canal Bra­sil, para que nego­cias­se os direi­tos dos cur­tas a serem exi­bi­dos pelo canal. O con­tra­to de expe­riên­cia, com dura­ção de um ano, prevê que a Synap­se será res­pon­sá­vel pela aqui­si­ção dos fil­mes que ainda não têm con­tra­to com o canal. As reno­va­ções e os fil­mes adqui­ri­dos a par­tir do prê­mio Canal Bra­sil, que sele­cio­ na cur­tas para exi­bi­ção em fes­ti­vais de todo o País, con­ti­nuam sendo fei­tas dire­ta­ men­te com a emis­so­ra. Tanta inti­mi­da­de com o for­ma­to tem aju­da­do sua difu­são pelas mais dife­ren­tes ­mídias. O obje­ti­vo, agora, é que o Porta Cur­ tas se con­so­li­de como veí­cu­lo vir­tual.

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Revista Tela Viva 120 - setembro 2002