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A R T E | C I D A D E | L I T E R AT U R A | G A S T R O N O M I A | G E N T E | L I F E S T Y L E

VITRINE DE PALAVRAS


/tegraincorporadora

@tegraincorporadora

TEGRA INCORPORADORA MARKETING Bruno Nuciatelli Flávia Schmidt Luciana Ferreira Freitas Condomínio WT Morumbi Avenida das Nações Unidas, 14.261 - ala B 14° e 15° andares - Vila Gertrudes, São Paulo/SP 04794-000 Tels: (11) 3127.9200 PROJETO EDITORIAL

www.studiolemon.com.br Rua Patizal, 38 CEP 05433-040 Tel (11) 2893 - 0199 São Paulo - SP DIRETOR EXECUTIVO Chico Volponi cvolponi@studiolemon.com.br DIRETOR DE CRIAÇÃO Cesar Rodrigues cesar@studiolemon.com.br EDITOR DE CONTEÚDO Luiz Claudio Rodrigues luizclaudio@studiolemon.com.br PROJETO GRÁFICO Lemon Comunicação & Conteúdo DESIGN Pedro Enrike Carlos REVISÃO Claudio Eduardo Nogueira Ramos FINALIZAÇÃO Adrino Gastor COLABORADORES Cristina Bieleck (textos) Potyra Tamoyos (fotos)

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ELOGIO À LEITURA

Fazer uma edição dedicada à literatura é como fazer um convite aos nossos leitores para redescobrir a importância da leitura em nosso dia a dia atribulado. Saber encontrar um tempo, para si mesmo, em abrir um livro e saborear a imaginação e a linguagem variada de escritores brasileiros e internacionais. Talentos que pela escrita – em romances, poesias e ensaios de diversos gêneros – traduzem nossa alma e revelam, em palavras, o espírito do nosso tempo. Escritores, poetas e ensaístas com visões singulares que nos transportam para novos mundos por meio da arte literária. Para começar, tivemos a honra de fazermos uma ENTREVISTA exclusiva com o escritor Ignácio de Loyola Brandão, que foi eleito por unanimidade para ocupar uma das cadeiras da Academia Brasileira de Letras, a mais importante instituição literária de nosso país. Na seção PERFIL, a editora Fernanda Diamant, curadora da edição deste ano da Festa Literária Internacional de Paraty, a FLIP; e fundadora da revista Quatro Cinco Um, publicação mensal de crítica e resenha de livros. Nesse pacote literário, incluímos uma reportagem sobre algumas das livrarias paulistanas e do Rio que se renovaram para acolher, de forma diferenciada, os amantes de livros na seção LEITURA. Em WISH LIST, a arquiteta Consuelo Jorge revela quais são suas peças favoritas para inspirar nossos leitores em renovar suas bibliotecas em casa. Também destacamos nesta edição, a transformação das lojas em espaços de experiência em CONSUMO; os novos usos para edifícios antigos em TENDÊNCIA, com uma reportagem sobre as mudanças no Copan; a crescente produção do azeite brasileiro de alta qualidade em COMER E BEBER; um destino de sonho: a Costa Amalfitana, na Itália, em VIAGEM; e o novo conceito de hospedagem na seção INTERIORES. Enfim, uma edição especial para ver e ler com atenção, para se degustar aos poucos. Esperamos que gostem!

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ÍNDICE

ANO 02 NÚMERO 04

LIFESTYLE 08. Ponte Aérea | fino trato 12. Cult | fora da caixa 16. Fotografia | mobgraphia 20. Perfil | fernanda diamant 24. Entrevista | ignácio de loyola brandão 32. Consumo | varejo imersivo 38. Leitura | lugar de fala 44. Interiores | hotel design 48. Wish List | consuelo jorge 50. Viagem | costa amalfitana 56. Arte | lugar incomum CIDADE 58. Urbe| parque augusta 60. Tendência | espaço renovado GASTRONOMIA 66. Comer e Beber | azeite brasileiro 72. Gourmet | le manjue INSTITUCIONAL 76. Responsabilidade social | tênis nas escolas 78. Lançamentos | qualidade de vida 82. Entregas | dia de festa

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Capa: Detalhe da Tiajin Binhai Library em Tiajin, China: projeto de arquitetura do escritório holandês MVRDV. Foto: Ossip van Duivenbode


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LIFESTYLE Ponte Aérea

FINO TRATO Dois hotéis de luxo no Rio e São Paulo para viver momentos e experiências memoráveis

FOTOS: Romulo Fialdini • Cortesia Fairmont Hotel | André Klotz • Cortesia Four Seasons São Paulo

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idades como o Rio e São Paulo não param de ter novidades. Muitas delas, semelhantes. E o caso mais recente é que as duas capitais estão com duas marcas de luxo na hotelaria que fincam, pela primeira vez, sua bandeira no Brasil. No Rio de Janeiro, o hotel Fairmont – inaugurado em Copacabana, no Posto 6 – tem design inspirado no glamour da Cidade Maravilhosa dos anos 1950, uma proposta gastronômica apurada e experiências de viagem personalizadas. O hotel faz parte do grupo Accor, líder mundial em hospitalidade. “Estamos muito empolgados com o Fairmont Rio de Janeiro Copacabana, que tem design assinado por Patricia Anastassiadis. Nossas equipes desenharam uma programação de experiências exclusivas que levam os hóspedes a descobrir o Rio de Janeiro com um novo olhar”, afirma Patrick Mendes, CEO da AccorHotels South America. O Fairmont tem 375 quartos com varandas, duas piscinas,

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spa, fitness center e um centro de convenções e eventos sociais com 13 salas de reuniões. Em seu hall de entrada, o visitante encontra uma elegante concept store, sob a curadoria da H.Stern, com uma rica opção de peças de décor e design brasileiro. A descontração carioca dá o tom no cardápio dos espaços de alimentação, que priorizam ingredientes locais e o frescor dos produtos no restaurante Marine Restô, no Spirit Copa Bar e o Coa&Co Café. Conhecidos por suas propriedades grandiosas e inspiradoras e uma equipe de colaboradores atenciosos, os hotéis Fairmont costumam estar instalados no epicentro cultural e social de suas comunidades a fim de oferecer experiências locais aos hóspedes. Com mais esse novo hotel no Rio, a cidade adquire um lugar especial com a assinatura da rede Fairmont Hotels & Resorts, proprietária de ícones internacionais como o Plaza, de Nova York e o Savoy, em Londres.


O clima de bem-estar, descontração e refinamento marca todo o interior do Fairmont Rio de Janeiro Copacabana. As suítes, o lobby e os espaços de convivência têm design 100% brasileiro. A piscina de borda infinita integra-se completamente com o mar e a paisagem carioca

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LIFESTYLE Ponte Aérea

Morar em um hotel tem várias vantagens: eu não preciso de mobília, eu posso ligar para o serviço de quarto quando tiver fome e não preciso lavar os pratos” (Liam Gallagher)

Por sua vez, a capital paulista tem o privilégio de ter outro ícone internacional: o hotel Four Seasons. Instalado na Avenida das Nações Unidas – na zona Sul de São Paulo, região que se tornou o mais novo polo financeiro e empresarial da cidade – o hotel tem 258 apartamentos em um edifício de 29 andares, sendo que 13 deles são ocupados por 84 residências privadas, tornando-se o primeiro empreendimento da Four Seasons com o conceito “Hotels & Residences” no Brasil. Além disso, o hotel tem salas de convenção e salão de festas com capacidade para até 600 pessoas. O projeto arquitetônico do Four Seasons paulistano foi desenvolvido em parceria. De um lado, o estúdio americano HKS Architects; do outro, o escritório paulistano Aflalo Gasperini Arquitetos. O design do lobby, spa, quartos e fitness center foi projetado pelo escritório californiano BAMO, que após uma longa pesquisa, identificou designers, marcas e materiais genuinamente brasileiros para compor seus interiores. As curvas estão presentes 10

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em diversos elementos no design de interiores e fazem referência ao legado do arquiteto Oscar Niemeyer. O Four Seasons está rodeado por um grande jardim – com projeto de paisagismo de Sergio Santana – que traz para o visitante uma pequena amostra da Mata Atlântica, com sibipirunas, ipês, pau-ferro e cássias, entre outras espécies. A gastronomia do hotel conta com o restaurante Neto, sob o comando do chef Paolo Lavezzini, que aposta no uso de ingredientes regionais como forma de garantir o menor impacto ambiental, mais sabor e características únicas a partir do conceito “Italian by heart, Brazilian by soul”. O bar Caju – inspirado nos botecos paulistanos – também enaltece o Brasil por meio de drinks autorais do bartender Paulo Ravelli. Com essas duas opções de hospedagem high end, as duas cidades passam a receber, com mais elegância, seus visitantes e os moradores locais, em dois novos pontos de encontro para experimentar e vivenciar momentos únicos.


O style internacional do Four Seasons, em Sรฃo Paulo, tem design de interiores assinado pelo escritรณrio americano BAMO, de San Francisco, tocado pelo talentoso time formado por Michael Booth, Gerry Jue, Pamela Babey, Steve Henry, Dorothy Greene, Anne Wilkinson e Billy Quimby

Fairmont Rio de Janeiro Copacabana @fairmontrio

Four Seasons @fssaopaulo

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LIFESTYLE Cult

FORA DA CAIXA Um giro de experiências por lugares, viagens, leituras e peças exclusivas do Brasil e do mundo

Espaço Conceito

A marca de mobiliário Wooding abriu um espaço físico em São Paulo com conceito de galeria. A fachada é inspirada nos chalés nórdicos, com revestimento em madeira carbonizada, apropriando-se da técnica japonesa milenar shou sugi ban. O ambiente interno privilegia a luz natural e valoriza a estética do vazio: apenas uma oliveira no jardim interno surge como protagonista do espaço. Teto e pilares são em concreto aparente, enquanto o piso recebe revestimento de cimento queimado. Desde a sua criação em 2018, a marca possui um repertório de objetos e parcerias que a levou a participar da High Design Expo em 2018, Casa Vogue Experience 2018 e SP Arte 2019, em parceria com o escritório franco-brasileiro Triptyque Architecture. A marca apresenta produtos minimalistas em madeira inspirados na inteligência e funcionalidade do design escandinavo. Inclui produtos com formas geométricas simples, uso de madeiras nacionais e escandinavas em tonalidades claras e ebanizadas. wooding.com.br

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Bordallo Pinheiro Portugal é um tesouro que os amantes da arte podem vivenciar. No sul do país, em Caldas da Rainha, fica a fábrica da Bordallo Pinheiro, que leva arte às cerâmicas portuguesas desde 1884. Raphael Bordallo Pinheiro criou obras que se tornaram referência em todo o mundo. Mesmo tradicional, sua produção de faianças continua atual. Seja pela qualidade técnica, artística e criativa de suas peças, que inclui vasos, jarros, peças de mesa, frascos de perfume e até azulejos. Um bom exemplo da capacidade de renovação da marca está na foto da coleção de peças inspiradas em melancias. Divertida e colecionável. bordallopinheiro.com


Pierre Cardin: Future Fashion Em cartaz no Museu do Brooklyn, em Nova York, a exposição ‘Pierre Cardin: Future Fashion’ exibe peças do lendário estilista francês Pierre Cardin em quase sete décadas de carreira. Destaque para as peças unissex dos anos 1950 e as coleções com inspiração na era espacial. O estilista de 97 anos, italiano naturalizado francês, criou uma moda a favor da liberdade de movimentos e criações futuristas geométricas. A exposição, com mais de 170 itens, pode ser vista até 5 de janeiro de 2020. brooklynmuseum.org

Obraprima Os bibliófilos foram os primeiros a gostar do coffee table book ‘The World’s Most Beautiful Libraries’, editado pela Taschen: livro-arte de Massimo Listri, um mestre da fotografia italiana. Na publicação, Listri faz uma viagem fotográfica arrebatadora por algumas das bibliotecas mais antigas e contemporâneas do mundo para celebrar suas arquiteturas e histórias. De instituições medievais às dos século 21, passando pelas coleções particulares às monásticas, o livro é uma obra-prima da fotografia. taschen.com

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LIFESTYLE Cult

Arte Nativa Aplicada A Donatelli Tecidos fez uma reedição de tecidos da marca Arte Nativa Aplicada, que por 25 anos celebrou nossas raízes e arte indígena através de um trabalho de estamparia inspirados em nossas fontes culturais, redesenhado em linguagem contemporânea. Sob a coordenação de sua criadora, Maria Henriqueta Gomes, e depois sua filha, Elisa Gomes; o trabalho da Arte Nativa Aplicada foi desenvolvido por designers experientes como Celso Lima, Circe Bernardes, Ester Grinspum, Fernando Penteado Millan, Heloísa Crocco, May Suplicy, Raphaella Perucchi e muitos outros artistas talentosos. Nas fotos, os tecidos com as estampas Mosaico e Palha. donatelli.com.br

Rue de Mauvais Garçons O universo dos dândis é o cenário de ‘Rue de Mauvais Garçons’, livro do escritor brasileiro Hector Bisi, recentemente lançado na França e na Bélgica pela editora Bozon 2x Éditions. O romance se passa em Paris e fala sobre a vaidade, a busca da beleza e as situações extremas que isso pode causar. A editora belga é conhecida por valorizar obras literárias não publicadas de autores inéditos, mas resolutamente contemporâneas, originais e audaciosas. A tradução é de Stèphane Chao. bozon2x.be

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Al Mare

O verão de 2020 promete. A Intermarine – fabricante brasileira de yachts de luxo e conhecida pelos amantes do mundo náutico – lançou o 58 Offshore: uma redefinição, em linhas orgânicas, de um barco esportivo. A embarcação foi projetada para atingir velocidade máxima de 50 nós e 42 nós de cruzeiro, a partir de seus três motores de 800 HP. intermarine.com.br

Apple Store

Aventure

O novo espaço Apple Store no Aventure Mall, sul da Flórida, conta com um estilo de arquitetura que combina com a identidade da cidade americana, famosa por suas praias, pelo mar azul e por seus dias ensolarados. Sua arquitetura inclui um telhado com linhas onduladas que imitam as ondas do mar. Os interiores têm um quê modernista, estilo que define o visual arquitetônico do litoral da Flórida desde meados do século 20. As grandes janelas transparentes tornam possível apreciar o entorno, enquanto os visitantes conferem os produtos. Como parte do novo conceito de loja, a Apple também instalou um anfiteatro com assentos de couro e construiu um jardim público. apple.com

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LIFESTYLE Fotografia

NÃO É SÓ

SELFIE Imagens captadas por smartphones ganham visibilidade em exposições e festivais de Mobgraphia: fotografias feitas com celulares

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POR: Cristina Bielecki | FOTOS: Cortesia mObgraphia Cultura Visual

smartphone, como todo mundo sabe, é um aparelho com múltiplas funções, e que as pessoas usam para tirar fotos quase que o tempo todo, de tudo. Fotos que registram seu dia a dia e vão parar nas redes sociais, uma espécie de diário coletivo da humanidade no século 21. O aparelho está sempre na mão, é fácil fotografar e postar. Mas algumas pessoas conseguem fazer imagens feitas através do celular uma arte. “É importante entendermos que nem toda imagem compartilhada é uma fotografia e que - detalhe importante - quem faz a fotografia é o fotógrafo, a pessoa, e não o equipamento que ele usa”, diz Ricardo Rojas, fotógrafo e sócio-diretor da mObgraphia Cultura Visual. No mais recente encontro de mobgraphia realizado no MIS (Museu da Imagem e do Som) em São Paulo, a mObgraphia Cultura Visual realizou uma exposição a partir da premiação do

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Mobile Photo Festival, o maior festival latino-americano de mobgraphia . Segundo Rojas, este Prêmio é o mais democrático e inclusivo na área da Fotografia na América Latina, isso porque leva para a parede do MIS pessoas com um olhar fotográfico especial, mas que não são fotógrafos profissionais, sendo que mais de 80% dos participantes não vivem da fotografia. Profissionais importantes do mundo da fotografia, de diversos países, participaram desta edição para compor o time de jurados. Entre eles, a norueguesa Elie Gardner, fotojornalista e cineasta; a jornalista e fotógrafa Joanne Carter, criadora do “TheAppWhisperer”, o aplicativo mais reconhecido na fotografia móvel e na arte popular do mundo; o produtor multimídia premiado com o Emmy e vencedor de dois Prêmios Pulitzer, Richard Koci Hernandez, um dos “Top 100 Fotógrafos na Web”; e Manuela Matos, curadora e organizadora do concurso MIRA Mobile Prize desde 2014.


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LIFESTYLE Fotografia

A EVOLUÇÃO DO FESTIVAL Tegra In: Esta foi a sexta edição do festival. Você sentiu

muita mudança na exposição em relação aos trabalhos e participantes desde a primeira edição? Ricardo Rojas: Sim, acho que a principal diferença é na qualidade das imagens e na evolução de algumas pessoas que sabemos que participam desde a primeira e foram evoluindo com suas fotografias ao longo desses anos. Além disso, estamos a cada ano recebendo mais participantes de fora do Brasil, o que mostra que passamos confiança e seriedade na construção desse prêmio ao longo desses anos todos. Tegra In: A maioria dos participantes é de fotógrafos

amadores. Esses fotógrafos, apesar de amadores, têm-se interessado em mostrar seus trabalhos em exposições? Ricardo Rojas: Correto. Todo mundo quer ter a oportunidade de mostrar seu talento. Com a chegada dos smartphones, as pessoas podem mostrar seu trabalho, sua sensibilidade, seu olhar e isso faz com que a mobgraphia seja extremamente democrática e in-

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clusiva e assim dá a oportunidade para as pessoas mostrarem seu talento em exposições, que é a forma de materializar a imagem de maneira séria, real e importante. Tegra in: Você pode citar alguns fotógrafos de destaque nesta edição? Ricardo Rojas: O Prêmio mObgraphia leva ao MIS grandes talentos da fotografia. Acho que os vencedores das categorias abertas em cada ano têm seu destaque nesse universo. Mas pra mim existem algumas referências nessa nova forma de fazer comunicação imagética como @koci, Richard Koci Hernandez, jurado do prêmio este ano; o coletivo @hikari.creative, com uma das exposições mais importantes que a mObgraphia já realizou; e o @lensculture, feed do Instagram com fotografias incríveis!!! Posso citar também alguns fotógrafos que já participaram do festival – como fconvidados – como Penna Prearo, German Lorca, Maureen Bisilliat, Nair Benedicto, José Bassit, Cristiano Mascaro, Eustáquio Neves e Jorge Bodansky. Profissionais que são referências, exemplos a serem seguidos.


Pag. 17 Foto de Marco Prado, vencedor da categoria Arte do Mobile Photo Festival 2019 Pag. 18 Foto de Humberto B. Martins, finalista da categoriaPB do Mobile Photo Festival 2019 Pag. 19 Foto de Leandro Selister, vencedor da categoria DOC do Mobile Photo Festival 2019

@danieldecerqueira @humbertobm @lselister @rrojas65 @vastumarco

Ricardo Rojas Fotógrafo e publicitário premiado, Ricardo Rojas realizou sua primeira exposição, 'Momento do Esporte', a convite do Esporte Clube Pinheiros, em 1988 em São Paulo, e, logo em seguida ingressou no Estúdio Abril como fotógrafo assistente. Em 1990 partiu para Londres em busca de novos modelos de fotografia. Após um ano nas terras da rainha, retornou ao Brasil e segue sua carreira atuando no mercado da fotografia publicitária com seu próprio estúdio. Em 2002 foi convidado para ser fotógrafo associado do estúdio fotográfico da agência DM9DDB. Em 2007 realizou sua mais importante mostra 'Família Real, Olhar Virtual', na Pinacoteca do Estado de São Paulo. Hoje se dedica a um trabalho mais autoral e a mObgraphia Cultura Visual, sua produtora cultural e o maior movimento de fotografia em plataformas móveis da América Latina. E ainda usando a mobgraphia como ferramenta de geração de conteúdo imagético, faz um trabalho de inclusão social nas periferias de São Paulo ministrando oficinas de fotografia com celular.

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LIFESTYLE Perfil

LITERATURA PARA VIVER POR: Cristina Bielecki | FOTOS: Potyra Tamoyos

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iteratura sempre fez parte da minha vida. Tenho pais leitores, então convivo com estantes repletas de livros desde criança e assim desenvolvi cedo o gosto pela leitura”. Essa é a frase que mostra claramente o universo de Fernanda Diamant, uma das fundadoras da revista Quatro Cinco Um, publicação voltada para resenhas, ensaios e reportagens sobre livros e curadora da edição deste ano da Flip – Festa Literária Internacional de Paraty. Logo que começou a faculdade de Jornalismo na PUC-SP, Fernanda foi trabalhar na Publifolha, editora do Grupo Folha, atualizando guias de viagem. Lá pulou direto do jornalismo para o mundo editorial. Nessa época, o editor Arthur Nestrovsky – hoje diretor artístico da Osesp – notou o interesse dela por literatura e a chamou para ser assistente: “Aí que comecei a editar livros mesmo”, conta. Ficou lá alguns anos, depois passou a fazer tradução e trabalhos de edição avulsos, até começar na Editora 34. O projeto da revista Quatro Cinco Um iniciou um ano antes do lançamento, que foi em 2017. Fernanda foi procurada pelo editor e jornalista Paulo Werneck, conhecido de muitos anos, para começar o projeto dessa revista. “A gente começou junto, ele já tinha uma ideia mais clara sobre formato e o projeto editorial. Eu também vinha pensando em algo parecido, e faltava no Brasil uma book review, que é como se chama esse tipo de publicação”, conta. Naquele momento, não existia aqui uma revista que tratasse de livros exclusivamente para um público geral, ou seja, uma revista não para aqueles que trabalham no mercado de livros, mas para quem gosta de ler, o leitor que não necessariamente é um especialista. A partir desse encontro, passaram a desenhar um plano de negócio, conversar com dezenas de pessoas, firmar parcerias. Foi quase um ano de trabalho até que o primeiro número fosse lançado.

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Contaram com o apoio de Otávio Frias Filho, de uma forma muito crítica, da preocupação em não ter amadorismo no projeto. “Foi muito importante essa visão, digamos, um certo pessimismo construtivo da parte dele”. Ele foi um entusiasta da revista, participou do conselho fundador e foi fundamental para o projeto. “Estávamos casados e tivemos duas filhas. Infelizmente, ele foi embora muito precocemente há pouco mais de um ano. Faz uma falta imensa, para os que o amam e para o país”.

A escolha do nome

“Escolher um nome é sempre difícil”. Foram muitas ideias até chegar nesse nome, que é uma homenagem ao livro de Ray Bradbury, “Fahrenheit 451” (que depois virou filme do Truffaut e mais recentemente uma série da HBO). O romance é uma ficção científica distópica em que os bombeiros, em vez de apagar incêndios, incineram livros, proibidos naquela sociedade. Mas o protagonista, o bombeiro Montag, passa a questionar a prática e acaba descobrindo uma sociedade secreta de leitores que memorizam livros inteiros para preservá-los. O livro termina com certo otimismo, e faz esse elogio ao livro e à leitura. “Achamos que seria um ótimo nome para uma revista impressa sobre livros, que nasceu na contramão do mercado de revistas, para um público que segue apaixonado pela leitura”. A Quatro Cinco Um foi lançada em maio de 2017, mesma época do nascimento de sua segunda filha. “Levaram a revista impressa na maternidade. Eu fechei a revista e fui parir e foi uma loucura porque foram dois partos quase que simultâneos, foi muito intenso”. Fernanda conta que, por mérito de Paulo Werneck, estiveram com João Moreira Salles, editor fundador da Piauí, que ofereceu seis meses de circulação junto com a revista para os mais de 20 mil assinantes. “Ele nos deu essa carona maravilhosa. Isso foi importante”.


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LIFESTYLE Perfil

Fundadora da revista literária ‘Quatro Cinco Um’ – ao lado do jornalista Paulo Werneck – Fernanda Diamant foi curadora da edição deste ano da FLIP, Festa Literária Internacional de Paraty

No início deste ano, Fernanda saiu da direção do projeto e passou a colaborar apenas com a editoria de ciência porque tem outros planos, sobre os quais ainda não pode falar, e não teria disponibilidade para se dedicar a tantas coisas ao mesmo tempo. Como editora de Divulgação Científica, faz resenhas de livros de Ciência. Isso também vai se desdobrar em newsletters, ainda neste ano, e podcasts já em fase de produção sobre ciência e livros de ciência, que vão estrear no começo do ano que vem. Esse projeto veio com o prêmio que ganharam com o edital do Instituto Serrapilheira, entidade de fomento à ciência idealizado por João Moreira Salles.

Flip

A chamada para a Flip aconteceu em setembro de 2018. Fernanda não era a única candidata para a curadoria, tinham mais duas pessoas na concorrência. “Foi uma experiência maravilhosa e extremamente desafiadora. É um trabalho em equipe que leva meses para ficar pronto. E é impossível saber se vai dar certo até que ele de fato aconteça então a expectativa também é grande. Felizmente, foi um sucesso e um grande aprendizado”. Todo esse trabalho envolve cerca de 300 pessoas, e, durante a festa, cerca de 25 mil pessoas vão para assistir. E não foi à toa que Fernanda escolheu como autor homenageado da Flip 2019 o escritor e jornalista Euclides da Cunha, autor de ‘Os Sertões’, publicado em 1902. “A gente precisa falar de Brasil, e o Euclides fala de Brasil lá no século 19, e a sensação é de que os problemas continuam. Ele revela uma série de coisas que não foram resolvidas. Esse livro tem uma abrangência, uma universalidade, que influenciou tudo que veio depois, não só a literatura, mas também a sociologia. É um livro que tem uma exuberância estilística e também uma leitura do Brasil”. Para a Flip 2020, a curadoria ainda não foi anunciada, mas caso ela continue sob seus cuidados, quer aprimorar o que aprendeu no primeiro ano, e surpreender com boas novidades. Esse ano Fernanda ainda foi jurada de texto do prêmio Gabriel Garcia Marques – o Prêmio Gabo, que é o principal prêmio de jornalismo da América Latina. Em outubro, foi para a entrega dos prêmios durante o Festival Gabo, promovido pela Fundação Garcia Marques, em Medelin, na Colômbia. O Festival ocupa toda a cidade, com a presença de jornalistas do mundo todo. Fernanda trabalha em muitos projetos e participa ativamente de muitas coisas novas e importantes acontecendo nesse universo tão rico da literatura. Para o começo do próximo ano, é a vez de inaugurar uma livraria. Mas ainda não quer falar sobre isso. Uma nova surpresa aguarda os leitores. 22

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LIFESTYLE Entrevista

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IMORTAL POR: Cristina Bielecki | FOTOS: Potyra Tamoyos

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gnácio de Loyola Brandão foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Sua posse como imortal aconteceu em outubro, numa grande cerimônia na sede no Rio de Janeiro. Desde março, quando foi eleito, dedicou-se aos preparativos: o discurso da posse, o fardão, os convidados. Aos 83 anos, com 45 livros publicados, o escritor de Araraquara não para. Viaja por todo o país fazendo palestras, lançou há um ano o romance “Desta Terra nada vai sobrar, a não ser o vento que sopra sobre ela”, e vem de uma temporada do espetáculo “Solidão no Fundo da Agulha”, que apresenta ao lado de sua filha Rita Gullo, cantora. Dentro de tantos acontecimentos, o escritor recebeu a revista Tegra In para uma entrevista exclusiva.

A Academia é um momento importante da minha vida, depois de 60 anos escrevendo, eu estou lá.” 24

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LIFESTYLE Entrevista

Em seu apartamento na capital paulista, no bairro de Pinheiros, o escritor é cercado por livros de sua vasta biblioteca. Na parede com retratos, o escritor aponta o click onde está um dos seus filhos, acompanhado pelo seu pai

Tegra In: O que mudou na sua vida, na sua rotina, depois

de eleito para a Academia Brasileira de Letras, em março deste ano? Ignácio de Loyola Brandão: Assim que fui eleito, começaram convites para fazer palestras. Este ano, que é um ano de crise, as palestras diminuíram 60%, foi impressionante, vocês não têm ideia de quantos festivais foram cancelados. Estive na Jornada Literária do Distrito Federal, em Sobradinho, que acontece na cidade satélite. É um trabalho incrível de dois escritores, João Bonfim e Marilda Bezerra. Eles trabalham alguns livros com o ensino médio, depois o escritor vai lá conversar com eles. Falei para dois mil estudantes, tudo bem organizado, muita pergunta. Em Salvador, teve a Flipelô (Festa Literária Internacional do Pelourinho), a própria Flip, etc. Cheguei agora da Semana Euclidiana, em São José do Rio Pardo – cidade onde Euclides da Cunha escreveu ‘Os Sertões’ – uma cidade que tem muito clima. Então algumas coisas resistem, e isso é muito bonito. E a Academia é uma coisa que durante anos as pessoas perguntavam: você vem? E eu pensava: Não. A Academia? Deixa eles lá, aquelas coisas. Tegra In: Mas tem toda uma geração sua na Academia.

Pois é, bem lembrado. Percebi exatamente o que você disse: hoje tem quase 10 membros da minha geração lá: Antonio Torres, Cícero Sandroni, Nélida Piñon, João Ubaldo Ribeiro esteve lá, Moacyr Scliar esteve lá, e a própria Lygia Fagundes Telles, que não é da minha geração, mas que durante os anos 1970 viajou com a gente por esse país inteiro. Então por que não ir? Aí morre o Hélio Jaguaribe, o Celso Lafer que é muito ligado a mim porque ele teve infância e juventude em Araraquara e o Fernando Henrique Cardoso entraram na campanha, a Rosiska Darcy também entrou... Então eu tive bons cabos eleitorais, mas nunca imaginei.

Ignácio de Loyola Brandão:

Como foi a campanha para a eleição na ABL? Nem fiz a campanha como ela deveria ser feita porque tem que mandar carta para cada um, mandar seu currículo para cada um, mandar obras pra cada um, pedir visita... e é no Rio de Janeiro. Eu fui mandando cartas, para alguns mandei email e fui procurando na biografia de cada um deles um ponto de contato, o que havia de semelhante. O Edmar Bacha, por exemplo, foi muito engraçado porque mandei um email assim: Você criou a Belíndia e eu escrevi 'Não Verás País Nenhum', você não acha que eu posso estar aí? Ele falou: tem meu voto. O Bechara foi muito simpático. Ele tem uma grande aluna em Araraquara, a Maria Helena de Moura Neves, que escreve gramática, e a última gramática dela começa com uma citação de um livro meu, ‘O Menino Que Vendia Palavras’. Aí eu falei: eu entro no livro da Maria Helena com um livro que já ganhou prêmio... Ele falou: 'O Menino Que Vendia Palavras' pode vir pra Academia – então foi assim, uma campanha mais descontraída.

Tegra In:

Ignácio de Loyola Brandão:

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Uma relíquia da memória familiar: o relógio de 95 anos, que pertencia ao seu pai, ainda funciona

Tegra In: O senhor foi eleito por unanimidade,

como se sentiu?

Me surpreendeu a unanimidade, porque eu tinha certeza que alguns não iam votar em mim. E todos votaram, foi unânime. Às vezes vêm dois votos em branco e nunca se sabe de quem foi, porque é tudo incinerado. A pessoa é eleita, pode ter aquele voto em branco, mas pelo menos conquistou a maioria.

Ignácio de Loyola Brandão:

Tegra In: Como foi a preparação para a posse?

Ignácio de Loyola Brandão: É um processo que as pessoas não conhecem, você tem que falar sobre quem sucedeu. Mas convém falar um pouco dos três últimos, menos para os dois e mais para o último. Daí vem a palavra imortalidade porque nós sempre seremos citados nos discursos daqui para frente. Então eu aprendi essa primeira coisa. Depois tem o ritual do fardão. O fardão é uma coisa muito complicada no ponto de vista do custo, é muito caro porque é feito com fios de ouro, de ouro mesmo. Em geral, antigamente, esse patrocínio vinha do Governo do Estado a que pertence o acadêmico ou da Prefeitura da cidade. Aí começaram a surgir reclamações: “Uma coisa dessa aqui é inútil, é bobagem, em vez de gastar esse dinheiro por que não faz uma escola?”. Hoje cada um cuida do seu. No meu caso, foi uma homenagem da minha cidade, Araraquara. A Academia é um momento importante da minha vida, depois de 60 anos escrevendo, eu estou lá.

A Academia já mudou muito, aquele conceito de coisa fechada, de coisa isolada, de papas no templo. Na Academia Paulista isso já acabou há muito tempo. E a nova Academia Brasileira também está fazendo isso, estão querendo abrir para o Brasil, abrir para a população, abrir para o estudante, abrir para todos porque não tem sentido ser uma coisa fechada, dona da verdade” NOVEMBRO 2019

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LIFESTYLE Entrevista

O gato Tom: companheiro de todos os dias do escritor em seu apartamento na capital paulista

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Tegra In: Como aproximar a literatura do brasileiro?

Ignácio de Loyola Brandão: Tem um grupo que já está fazendo uma coisa: falar em penitenciárias, porque muitas têm

grupos de leitura, e o preso que lê tem sua pena diminuída. Estive na penitenciária de Araraquara, por acaso na minha cidade, e a conversa foi muito agradável. Quando terminou teve uma coisa lindíssima: um dos prisioneiros me disse: “comecei a ler e estou gostando demais, vou redimir minha pena inteirinha se eu ler todos os livros que quero ler”. Mas aí ele falou: “não quis fazer a pergunta na frente de todo mundo porque iam achar que eu sou burro, mas veja se eu entendi: o senhor disse que eu posso estar prisioneiro aqui dentro com meu corpo, mas a minha cabeça, meu espírito ninguém aprisiona – é isso?” Eu falei: sim. Ele descobriu a leitura mesmo. Isso é comovente. Fui três anos atrás em Belém em um Centro de Ressocialização, e os jovens internos tinham lido um livro meu que se chama ‘Os Olhos Cegos Dos Cavalos Loucos’ e eles interpretaram, cantando e dançando toda a história do carrossel e quando terminou aquela apresentação, um menino veio com o pai dele, perguntar se eu achava que a literatura podia tirar ele dali. Fiquei, sabe... Falei: pode. E pode mesmo. Têm várias pessoas que escreveram na prisão e que acabaram encontrando a vida. Então isso faz parte do novo escritor brasileiro, a gente não fica mais enfiado em casa, aqui é um lugar que eu passo, depois eu vou embora, então é esse novo escritor brasileiro, o que está entrando para essas novas Academias.

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Loyola com a caixinha restaurada de 100 anos: pedido de desculpa para o avĂ´ no livro 'Os Olhos Cegos Dos Cavalos Loucos'

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LIFESTYLE Entrevista

Seu último livro lançado há um ano ‘Desta Terra Nada Vai Sobrar, a Não Ser o Vento que Sopra Sobre ela’ fecha a trilogia ‘Zero’ e ‘Não Verás País Nenhum’? Ignácio de Loyola Brandão: Exatamente, não ia ser trilogia, nada, no meio do livro eu pensei: esse livro fecha porque vem o ‘Zero’, vem o ‘Não Verás País Nenhum’ e esse fecha. Mas pode ser até que eu faça uma quadrilogia, não sei, porque as coisas todas que estão acontecendo estão lá dentro. Tegra In:

Tegra In: Como veio o título desse livro?

Ignácio de Loyola Brandão: Veio de um poema do Brecht, um poema que ele fez em 1921. Eu peguei uns livros e estava ali. O acaso me ajuda que vocês nem imaginam. O ‘Não Verás’ estava pronto e eu não tinha título. Um dia eu abri uma gaveta e meu pai tinha me enviado uma caixa com coisas minhas que ele tinha encontrado, uns cadernos da minha infância e tinha um que se chamava Colegial e na capa haviam crianças subindo uma escada para entrar numa escola e atrás tinha o poema do Olavo Bilac: ‘Criança, não verás país nenhum como este’. Outro acaso é o título de um livro que escrevi na Alemanha. Eu vivi dois anos em Berlin e escrevi ‘O Beijo não Vem da Boca’. Tinha me separado e queria escrever um romance que não era de amor, mas porque as pessoas que se amam se separam. Quando voltei, o livro estava pronto, mas não tinha título. Um dia uma ex-namorada me visitou e conversando, fazendo café na cozinha, a gente deu um beijo, mas um beijo assim de brincadeira, sabe essa coisa. Ela falou: poxa, não é que o beijo não vem só da boca. E saí correndo pra minha mesa. E ela falou: tô beijando mal? Eu falei: não, você deu o título do livro. A sorte me ajuda. E eu estou antenado nas coisas que acontecem. Tegra In: E sobre esse espetáculo que o senhor faz com sua

filha? Começou já faz muito tempo? É periódico? Depois de seis anos a gente continua fazendo esse espetáculo. Não é direto, para, volta. Funciona aleatoriamente. Há anos eu percebo músicas que me vêm à cabeça e me seguem. Na verdade músicas que ligam momentos da minha vida, desde a infância, e comecei a pôr no papel. E um dia percebi que tinha muita história que é o livro de crônicas ‘Solidão no Fundo da Agulha’. Minha filha que é cantora, a Rita, conseguiu recuperar todas essas músicas, boleros antigos, músicas de filme, montou uma banda e fez o disco que veio dentro do livro. Mas não tinha show. Um dia o SESC topou fazer um pocket show. Fizemos o primeiro lá no Pompeia, depois na Casa de Francisca, a gente foi inaugurar o SESC Campo Limpo, inauguramos recentemente o SESC Guarulhos, fomos para o interior, e foi andando, depois fomos para o Teatro Eva Herz, o Teatro Sérgio Cardoso, fomos até num navio de cruzeiro: um pocket show num teatro para 1.200 pessoas. Apresentamos em Portugal, em Póvoa de Varzim, ao lado do Porto, onde nasceu Eça de Queiroz, num encontro de escritores de língua espanhola e de língua portuguesa.

Ignácio de Loyola Brandão:

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Tegra In:

Como é o espetáculo?

Ignácio de Loyola Brandão: Eu conto uma história, aí vem a música, conto

uma história e vem a música... Foi uma experiência nova em relação à literatura e à música, isso nunca foi feito: escrever uma história, uma crônica e ir para o palco com música. Não é um musical, é literatura e música. E a última história eu sei que sempre tem um impacto é a do meu professor de matemática, uma história fantástica, um hino ao professor. Adoro essa história, muito bacana e verdadeira. O interessante é que é um espetáculo intimista e isso pega as pessoas. A gente já está preparando outro. Acho que depois da Academia não tem data, mas volta logo, no começo do ano. Agora o duro vai ser tirar a última história, a que encerra o espetáculo, que é a do professor de matemática. Então esse número eu tenho que continuar.

À esquerda, de cima para baixo, sob a lupa, uma das diversas anotações do escritor arquivadas em seu escritório particular; alguns dos cartões-postais de sua coleção e uma frase emoldurada de Federico Fellini sobre Rimini, cidade onde nasceu. Loyola costuma se identificar com o diretor de cinema italiano, pois Araraquara, onde nasceu, vive em sua memória

A imaginação é uma coisa que você usa, a gente usa a realidade o tempo inteiro. Uma das professoras que me ensinou a ler e escrever aos seis anos lá em Araraquara pedia pra gente anotar tudo o que achasse de engraçado, triste, chato, feio, bonito. E até hoje toda minha criação é baseada nisso” NOVEMBRO 2019

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LIFESTYLE Consumo

HUB SOCIAL As lojas tradicionais se transformam em espaços de experiência e revelam uma nova interação entre pessoas e marcas FOTOS: Aaron Leitz, Andrew Walmsley, David Frutos, Owen Howells e Yvonne White

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POR: Luiz Claudio Rodrigues | FOTOS: Cortesia Marcel Wanders, IWC Schaffhausen, Nike e Starbucks

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om a acelerada evolução do e-commerce e das redes sociais, as lojas físicas não se definem mais pelo formato tradicional que estamos acostumados. Há até lojas que nem se declaram mais como lojas. Os novos pontos de venda são considerados espaços de experiência e vivem uma fase chamada de Varejo Imersivo. A tendência já é realidade para algumas marcas famosas no exterior, como a Nike e Starbucks, em Nova York; IWC Schaffhausen, em Genebra; a Maison Decorté, em Tóquio; e Villa Moda, em Manama, Bahrein, no Golfo Pérsico. No Brasil, o varejo imersivo ainda é uma tendência. A Vimer – uma das empresas líderes em visual merchandising – é uma das pioneiras ao adotar o conceito em nosso varejo. “O ambiente físico é a grande aposta da empresa, que enxerga na oferta de experiências deste canal um enorme potencial na construção e transformação da relação entre pessoas e marcas”, afirma Camila Salek, sócia-fundadora da Vimer. O Varejo Imersivo se apoia em quatro pilares: a tecnologia digital, staff especializado, serviços diferenciados e espaços sem rótulos. Nas lojas, a tecnologia digital é ferramenta básica para apresentação de produtos e é acessada por totens ou displays com monitores sensíveis ao toque; o staff surge como interlocutor e representante da marca, conduzindo a experiência e aprofundando a imersão; e ao dispensar rótulos, o espaço físico se transforma em um ambiente informal para a oferta humanizada de produtos e serviços, um hub social para viver experiências e entretenimento.

Não se pode criar experiência. É preciso passar por ela” (Albert Camus)

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LIFESTYLE Consumo

Aberta em 2017, em Ginza, distrito de marcas de luxo no Japão, a Maison Decorté – que tem design de interiores assinado por Marcel Wanders – é um lugar para o cliente fazer uma jornada para renovar a mente, o corpo e o espírito. A loja é especializada em cosméticos, mas nela há ambientes temáticos que estão além de um simples espaço de varejo. Um deles, o Acolhedor foi projetado para quem busca o rejuvenescimento e restaurar o corpo com terapias; no tema Floresta, os raios do sol aquecem a pele sem causar danos e na Sala de Cristais, a pele recebe tratamentos para purificação. “Na Maison Decorté, as pessoas se conectam com a natureza de forma holística, os hóspedes emergem revitalizados e completamente renovados”, afirma Wanders, que também é autor da Villa Moda, loja de luxo multimarcas fundada pelo sheik Majed Al-Sabah, na capital do Bahrein. Majed é uma das forças motrizes por trás da moda no Oriente Médio. Para o novo espaço do sheik, o designer holandês foi buscar inspiração nos tradicionais souks, criando um caldeirão de culturas cheio de detalhes surpreendentes. “A Villa Moda foi projetada como uma Babel internacional da moda, a fim de compartilhar culturas e conhecer pessoas em suas ruas, apertar as mãos e aprender o idioma dos outros”, define Wanders.

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Na página de abertura, corredor da loja Villa Moda, no Bahrein, projetada pelo designer holandês Marcel Wanders. No alto, o bar Les Aviateurs, em Genebra, criado pela tradicional marca da alta relojoaria suíça IWC Schaffhausen. À esquerda, os espaços – que fogem do lugar-comum das lojas convencionais – da Maison Decorté, em Tóquio, também planejada por Marcel Wanders

Aberto há pouco mais de um ano em Genebra, o bar Les Aviateurs oferece aos clientes da marca IWC Schaffhausen – um ícone da alta relojoaria suíça – um lugar concebido no estilo de um exclusivo clube de cavalheiros das décadas de 1920 e 1930, um ambiente inspirado em sua coleção de relógios Pilot. Instalado ao lado da loja, o bar é um convite para os clientes mergulharem nos primeiros anos da aviação e sentir o espírito de pilotos pioneiros. “O bar atua como uma extensão da nossa boutique e é o primeiro do seu tipo no segmento de relógios de luxo. Com ele, estamos oferecendo uma nova experiência de marca”, pontua Linus Fuchs, diretor administrativo da IWC. Para dar o toque gourmet ao espaço, a IWC fez uma parceria com a Globus, a mais prestigiada rede de lojas de departamento de luxo da Suíça, que tem expertise nesse segmento por sua seção delicatessen. O espaço é caracterizado pelo uso da madeira escura nos revestimentos, couro no mobiliário e detalhes garimpados em antiquários, como fotos e mapas originais que transportam o visitante de volta à época dos pioneiros da aviação.

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LIFESTYLE Consumo

Em Nova York, a Nike abriu a House of Innovation 000 com a intenção de ser uma loja emblemática para toda a cidade, ao mesmo tempo que é uma volta às suas origens. O espaço ocupa um prédio de seis andares na esquina da Quinta Avenida com a rua 52. Todos os andares, incluindo o subsolo, oferecem experiências pessoais e responsivas. A nova loja também provoca um quê de nostalgia: muitos nova-iorquinos lembram de sua primeira visita à Niketown, aberta há mais de 20 anos. Entre os diferenciais encontrados por lá está o Nike Speed Shop, um andar inteiro que usa dados locais para estocar produtos com base no que a comunidade deseja. Conhecida por ser uma das marcas pioneiras na customização, a Nike dá um upgrade nesse conceito com uma ala exclusiva para quem gosta de toques individuais: o The Arena. Nela, uma variedade de tecidos, rendas, decalques e outros materiais para personalizar toda a coleção de tênis da Nike. Independentemente da interação preferida na loja, os recursos do Nike App oferecem ainda mais opções experimentais por meio do seu dispositivo inteligente. Entre elas, o Shop The Look, onde o cliente pode digitalizar um código em um manequim da loja, procurar cada item que o manequim está vestido, verificar se há tamanhos específicos disponíveis na loja e solicitar para qualquer vendedor os itens selecionados para que sejam enviados a um provador. 36

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Outra novidade em varejo imersivo na Big Apple é o Starbucks Roastery Reserve. Aberta em dezembro de 2018, no Meatpacking District, na esquina da 9th Avenue com a 15th Street, a loja promove uma experiência imersiva no universo do café ao celebrar o legado da torrefação e o lado artesanal do café. “Projetamos o Roastery como a experiência máxima em torno do café e não há nada parecido no mundo. Com cafés premium, chás, mixologia e a icônica padaria milanesa Princi, a loja serve como um amplificador da marca Starbucks e uma plataforma para inovações futuras”, afirma Kevin Johnson, CEO da Starbucks. Além da Princi – que serve pães artesanais, doces e saladas durante todo o dia – a loja tem o bar Arriviamo, com um cardápio de coquetéis com infusão de café e chá. Na loja, o cliente observa como o café arábica, da mais alta qualidade do mundo, é torrado e aprende mais sobre suas origens. Os clientes observam de suas mesas a jornada dos grãos de café verde, que chegam ensacados e são encaminhados para a torra. Após essa fase, os grãos giram em uma bandeja de resfriamento antes de prosseguir caminho rumo à moagem até chegar aos baristas, que preparam o café das mais diversas maneiras. Além da unidade em Nova York, as lojas Reserve da Starbucks são encontradas em Seattle, Shangai, Tóquio e Milão. E em cada uma delas, o cliente encontra itens locais exclusivos. Com todos esses exemplos, vemos que o consumo jamais foi tão bem explorado.

À esquerda, a fachada da loja House of Innovation 000 da Nike, em Manhattan, Nova York; e seus interiores, que provocam diversas interações entre os clientes e a marca. Acima, no Meatpacking District (NY), a Starbucks Roastery Reserve que promove uma experiência única para quem gosta de café

cosmedecorte.com iwc.com nike.com/us/en_us/e/cities/nyc/ nikenyc_hoi_000 marcelwanders.com starbucksreserve.com vimer.com.br

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LIFESTYLE Leitura

LUGAR DE FALA

O conceito das novas livrarias leva o público leitor a novas experiências nas compras POR: Cristina Bielecki | FOTOS: Potyra Tamoyos

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stimular no consumidor uma real interação no momento da compra é o que as lojas buscam a todo o momento. Não seria diferente nas livrarias, desde as mais antigas e tradicionais, que fidelizam o cliente em espaços confortáveis e acolhedores, até as grandes redes que investem em arquitetura moderna, arrojada e iluminação projetada para proporcionar conforto ao leitor na hora da escolha. “A motivação é simples: se reinventar. Os tempos mudam, as tecnologias avançam, a relação do varejo com os consumidores também muda”, observa Flavio Seibel, um dos diretores da Livraria da Vila, que investe em novos ambientes para as lojas físicas, estimulando a relação entre o público e os livros. Criado pelo escritório Triptyque Architecture, o novo design dos pontos de venda destaca as prateleiras e os livros. Este novo conceito teve início com a Livraria da Vila do Shopping JK Iguatemi e com a Livraria da Vila do Jardim Pamplona. Agora, é a vez da Livraria da Vila Shopping Pátio Higienópolis, que reabriu suas portas ao público inteiramente reformulada. O foco central que chama a atenção de quem passa na frente das novas lojas são as fachadas-vitrines, com prateleiras repletas. Já dentro da loja, acima, o azul klein reforça a amplitude dos ambientes, e um grid com iluminação em LED serve de base para a comunicação das diversas seções. Uma grande luminária em forma de nuvem fica na área central. “É um conceito mais moderno e mais prático para o cliente se localizar e encontrar o que está procurando, sem jamais deixar de ser um ambiente aconchegante, focando sempre na experiência de estar na livraria”, segundo Seibel.

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LIFESTYLE Leitura

Na dupla de abertura, a foto é um flagrante captado na Livraria Cultura, do Conjunto Nacional, na avenida Paulista. As demais revelam os interiores da Livraria da Vila do Shopping Pátio Higienópolis. À esquerda, a Livraria da Travessa, em Pinheiros. À direita, no alto, a Livraria Cultura com seu lounge despojado para leituras em grandes pufes; abaixo, a Livraria Argumento, no Leblon, Rio de Janeiro

LIVRARIA DA TRAVESSA

A carioca Livraria Da Travessa abriu sua filial paulista no bairro de Pinheiros num espaço com 200 m2 e segue o mesmo conceito das demais lojas: uma livraria de bairro, onde se vai para ficar, com uma curadoria literária e um projeto de arquitetura voltados ao público leitor. A livraria é tradicional do Rio de Janeiro, já tem uma loja em São Paulo, no Instituto Moreira Salles, e acaba de abrir sua primeira livraria em Lisboa, no bairro Príncipe Real. Todas as Livrarias da Travessa contam com projetos de arquitetura de autoria dos arquitetos Bel Lobo e Bob Neri. A filial paulista, menor do que as demais da rede, é dividida em dois andares, e tem espaço para sentar, ler um livro, tomar um café ou um vinho. “Temos um minicafé, algumas poucas coisas para comer, uma geladeira com um vinhozinho e outras coisas. O cliente escolhe o que quer, faz o seu próprio café, se serve e paga na saída”, segundo Rui Campos, proprietário da rede.

LIVRARIA CULTURA

A fundadora da Livraria Cultura, Eva Herz, sonhava em construir um espaço para promover o encontro de pessoas com os mais variados interesses. Em 1947, ela montou um acervo em sua própria casa com obras em inglês e alemão, que alugava para imigrantes que viviam no Brasil e não estavam familiarizados com a língua portuguesa. Hoje a livraria é uma referência na cidade de São Paulo. O projeto da loja da Paulista no Conjunto Nacional teve a assinatura do arquiteto Fernando Brandão. A loja e a distribuição dos livros para os leitores foi organizada por setores, mantendo nas áreas de maior circulação as seções de livros que possuem interesse geral, como literatura, livros mais vendidos, humanidades, etc. A iluminação por ser mais baixa é mais aconchegante propiciando mais conforto ao consumidor, fazendo com que ele fique mais tempo dentro do ambiente da livraria.

LIVRARIA BLOOKS

Rede de livrarias do Rio de Janeiro, fundada por Elisa Ventura e Heloisa Buarque de Hollanda, a Blooks Livraria tem uma filial paulista localizada no Shopping Frei Caneca, onde se destaca pelo layout arrojado, contemporâneo e inovador envolvendo o público que, além de livros, encontra objetos de design, cartazes, toy art, DVDs e CDs. A altura do pé-direito amplia ainda mais o interior, e o mezanino estimula a visão do cliente para a prateleira de livros que sobe até o teto. De lá, se tem uma ampla visão de todo o ambiente. A lateral de vidro transparente mostra os prédios no entorno e valoriza a iluminação natural, dando conforto e ao mesmo tempo estimulando a vista para o exterior. As lojas Blooks costumam estar localizadas em espaços culturais com cinemas e teatros. 40

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LIVRARIA ARGUMENTO

Quando foi aberta há 40 anos no Rio de Janeiro, a Livraria Argumento ocupava um espaço de pouco mais de 60 metros quadrados na então desconhecida Rua Dias Ferreira, no Leblon, onde foi palco de acontecimentos políticos e culturais. Hoje, na mesma rua, ocupa um espaço cinco vezes maior. Segundo Marcus Gasparian, um dos sócios da Argumento, o projeto desenhado pelo arquiteto Pedro Vieira foi pensado para refletir a filosofia da livraria que sempre foi a de priorizar as relações humanas. “Apesar de termos sido pioneiros no mix de livraria, café e venda de música (CDs, DVDs e vinil) e termos sido seguidos por outras livrarias que optaram por espaços gigantescos, sempre foi nossa ideia manter uma loja com dimensões humanas. Isso foi passado para o arquiteto e se mantém até hoje”, conta. No projeto, foi mantida a ideia de dividir as seções pelas áreas já consagradas, dando destaque para o que tem mais procura. Assim, as estantes começam com Literatura Brasileira, Literatura Internacional, Poesia, Crítica Literária, História, Biografias e Comunicação. E do outro lado, Filosofia, Psicologia, Educação, Sociologia, Antropologia e outros. No centro, a caminho do Café Severino, ficam as mesas com as novidades e depois Culinária e Guias de Viagem. Ao fundo, perto do café, a área infantil. A iluminação é a mais discreta possível, dando uma sensação de abajur por todos os lados. A trilha sonora da livraria é feita para cada horário do dia e procura dar uma sensação de cinema para quem está no espaço. NOVEMBRO 2019

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LIFESTYLE Leitura

Acima, o ar de biblioteca contemporânea na filial paulista da livraria Blooks, no Shopping Frei Caneca. Abaixo, a tradicional Livraria Francesa, no centro da cidade; e à esquerda, a livraria Casa Plana, na Vila Madalena, que promove semanalmente saraus literários

LIVRARIA FRANCESA

A fachada com letreiro de neon seduz o público leitor para entrar em um universo diferente como uma fenda no tempo. Fundada em 1947, mantém praticamente as mesmas características de 72 anos atrás. As pilastras em vermelho aquecem ainda mais o ambiente, onde livros ocupam prateleiras e estantes. Os corredores criam um labirinto aconchegante e uma sensação de surpresa. Subindo a escada fica uma confortável sala de leitura, com poltronas vermelhas e brancas. “Faz muito tempo que a livraria está neste local e o que sei são as histórias contadas pela minha mãe e minha avó. Começou bem menor, o espaço da loja era dividido para a livraria, o escritório e a expedição dos livros. Aos poucos cresceu”, conta Silvia Monteil, neta do fundador. Localizada no centro da capital paulista, é considerada a maior livraria especializada no idioma francês da América Latina. Por muitos anos foi a única referência da difusão da cultura francesa no Brasil. Possui em seu acervo aproximadamente 110 mil títulos das mais diversas áreas do conhecimento, tais como Filosofia, Psicologia, Sociologia, Direito, etc., e é a mais importante no segmento de aprendizagem do idioma francês no país. 42

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CASA PLANA

Um amplo espaço no fervilhante bairro da Vila Madalena, na capital paulista, abriga a Casa Plana, ponto de encontro de artistas, designers e editores desde 2015. Localizada no térreo de um edifício de 400 metros quadrados, o espaço comporta uma livraria de publicações independentes e políticas, e a biblioteca da Plana, aberta ao público, com mais de quatro mil títulos de todo o mundo. A larga entrada do local, em vidro branco transparente, chama para o convívio. Dentro, a amplitude estimula o público leitor circular pelas mesas montadas com cavaletes de madeira. A madeira também é base para as poltronas e alguns sofás compridos forrados com veludo bordô, estrategicamente colocados em frente a longos suportes nas paredes, onde os livros são visualizados de frente, pela capa, oferecendo ao público sentar e observar as capas como quadros num museu. No auditório, as cadeiras, também de madeira, criam uma sensação de conforto e proximidade durante apresentações e palestras.

@blooks @casaplana @livrariaargumento @livrariadavila @livraria_cultura @livrariadatravessa @livraria_ francesa

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LIFESTYLE Interiores

CASA HOTEL

A atmosfera de uma casa nas suítes do hotel Sheraton de São Paulo

Numa viagem, o apartamento do hotel é um mundo à parte, situado a meio caminho entre o lugar visitado e a casa deixada para trás” (J.R. Duran)

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À esquerda, a suíte Poesia Concreta, desenhada pelo arquiteto Luiz Paulo Andrade. Acima, o corredor do 13º andar do hotel Sheraton, onde estão todos os novos quartos, foi desenhado pelo arquiteto Carlos Rossi. À direita, no alto, também de Rossi, a suíte The View e, ao lado, detalhe do banheiro na suíte Terra, criada por Léo Shehtman

POR: Luiz Claudio Rodrigues | FOTOS: Rafael Renzo | Cortesia D&D Shopping

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odo o conforto de casa em uma suíte de hotel. Esse foi o conceito para a renovação de um andar inteiro do hotel Sheraton, na capital paulista. Disponível para hospedagem – mas apresentado para visitação pública em uma mostra exclusiva realizada pelo D&D Shopping, que teve entre os principais patrocinadores a Tegra Incorporadora – o visitante agora encontra 19 suítes repaginadas por alguns dos mais célebres e a nova geração de arquitetos e designers de interiores brasileiros. A experiência é inovadora em hotelaria ao materializar o desejo das pessoas de estar em um quarto de hotel mais parecido com o ambiente familiar. O despojamento, o design autoral e, principalmente, a inspiração de criar um clima de bem-estar marcam os projetos desenvolvidos para o novo andar do hotel. Entre os destaques, selecionados por nossa reportagem, estão as suítes assinadas pelo duo Fabiano e Tania Hayasaki; Carlos Rossi; Marília Veiga; Jóia Bergamo; Léo Shehtman; Selma de Sá; Patricia Aguiar; Luiz Paulo Andrade e as duplas Silvana Mattar e Flávia Gerab Tayar; Danielle Cortez e Natália Meyer; e Debora Valente e Marta Martins. NOVEMBRO 2019

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LIFESTYLE Interiores

Em sentido horário, a suíte Cosmpolita, assinada pela designer de interiores Jóia Bergamo; detalhe da Eco Modern Suíte, da arquiteta Selma de Sá; a Sampa Suíte, do escritório MeyerCortez; e sala de banho da suíte Serenity, do escritório AR Arquitetura & Design

Fabiano e Tania Hayasaki criaram as Suítes Live e Manhattan. “Os quartos têm estilo contemporâneo, design moderno e atmosfera residencial”, resumem os profissionais. Carlos Rossi é o nome por trás do layout da suíte The View, que mistura, de forma despretensiosa, linhas, formas e texturas com um ar despojado de “morar”. Patricia Aguiar desenhou a Suíte Carpe Diem para que o hóspede “possa ficar à vontade”. Para isso, planejou uma ambientação com luz indireta e cores tranquilizantes, como fendi, verde e um azul que transborda de vida as paredes da sala de banho. Por sua vez, Silvana e Flávia deram um toque elegante ao trazer a cama king size para o centro do quarto na suíte Açaí. Na Sampa Suíte – criada por Debora Valente e Marta Martins – o mix de materiais e texturas foram pensados para garantir conforto e aconchego. Entre os quartos que mais atingiram o conceito de casa está a suíte Natural Mood. Nela, Danielle Cortez e Natália Meyer tiraram partido da madeira natural no revestimento das paredes, que também ganharam um tom de azul: elementos que trouxeram um clima de paz e acolhimento para quem está longe de casa e da família.

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Em sentido horário, a suíte Live, desenhada por Fabiano e Tania Hayasaki; detalhe da sala de banho da Suíte Carpe Diem, planejada pela arquiteta Patricia Aguiar; a suíte Açaí, de Silvana Mattar e Flávia Gerab Tayar; a Suíte Carpe Diem; e detalhe da suíte Cosmopolita, de Marília Veiga

Selma de Sá priorizou soluções sustentáveis ao planejar a Eco Modern Suíte. O quarto tem a aplicação de materiais reciclados e de reaproveitamento que ganharam um toque de luxo pelas mãos da arquiteta. A Suíte Esmeralda, de 70 m2, foi planejada por Jóia Bergamo para que o hóspede pudesse encontrar uma experiência única e personalizada. Por sua vez, Marília Veiga emprestou um ar de funcionalidade e modernidade para a suíte Cosmopolita. Para a suíte Terra, seu autor, o arquiteto Léo Shehtman emprestou o melhor do seu talento: cada detalhe parece único. Para finalizar, Luiz Paulo Andrade pensou em trazer o clima da casa contemporânea paulistana para a suíte Poesia Concreta. O espaço tem mobiliário e tecidos que remetem ao modernismo e às formas puras e minimalistas da Bauhaus. Sheraton São Paulo WTC | marriott.com.br/hotels/travel/saosi-sheraton-sao-paulo-wtc-hotel • D&D Shopping | ded.com.br •AR Arquitetura & Design | ararquiteturadesign.com.br Carlos Rossi Arquitetura | carlosrossi.com.br • Hayasaki Arquitetura | fabianohayasaki.com.br • Jóia Bergamo | joiabergamo.com.br • Léo Shehtman | leoshehtman.com.br • Luiz Paulo Andrade Arquitetos | lpandrade.com.br • Marília Veiga Interiores | mariliaveiga.com.br • Martins Valente Arquitetura e Interiores | martinsvalente.com.br • MeyerCortez Arquitetura & Design | meyercortez.com.br Patricia Aguiar | patriciaaguiar.com.br • Selma de Sá | studiosaarquitetura.com.br • Silvana Mattar e Flávia Gerab Tayar | mattartayar.com.br

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LIFESTYLE Wish List

Retrato: Raul Fonseca Ambiente: Fran Parente

CONSUELO JORGE

A arquiteta Consuelo Jorge é conhecida em todo o Brasil pelo traçado contemporâneo dos seus projetos. Com escritório em São Paulo, seu portfólio inclui mais de 500 projetos desenvolvidos nas principais capitais brasileiras e no exterior. Sua assinatura também pode ser identificada ao imprimir aspectos exclusivos em suas obras. Para esta reportagem, nos enviou uma biblioteca flexível que tem prateleiras que se abrem e mudam o ambiente. E, com exclusividade para a Tegra In, suas peças e lugares favoritos quando o assunto é leitura. consuelojorge.com.br

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LEVEZA Inspirada no estilo nórdico, a poltrona Frog – criação do designer Christoph Jenni para a F.WAY – tem formas circulares e orgânicas. fway.com

SIMPLES

MINIMAL O revisteiro Thork, desenhado por Jader Almeida para a Sollos Brasil, tem estrutura em aço carbono, com rodas e alça que permitem o deslocamento de livros e revistas para o lugar onde o leitor desejar. A peça pode ser encontrada na Dpot.

A mesa lateral Avila, com design minimalista, da Franccino. Peça que serve de apoio para quase tudo. franccino.com.br

sollos.ind.br | dpot.com.br

TECH A luminária de chão Knot, do designer alemão Ingo Maurer, criada com tecnologia de impressão tridimensional. Produzida em poliamida, aço e alumínio com lâmpada LED. No Brasil, é encontrada na FAS Iluminação. fasiluminacao.com.br

PELO MUNDO livraria Livraria da Travessa | São Paulo travessa.com.br

bibliotecas Tianjin Binhai | Tianjin/China mvrdv.nl/projects/246/tianjin-binhai-library

Bibliothèque Nationale de France | Paris bnf.fr

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DOLCE FAR NIENTE A Costa Amalfitana, na Itália, é um dos destinos mais cobiçados do verão europeu. Aqui, uma pequena amostra de Positano, Capri, Amalfi e Ravello POR: Luiz Claudio Rodrigues | FOTOS: Divulgação

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LIFESTYLE Viagem

A viagem que não fiz dói dentro de mim, assim como a raiz de uma árvore sem fim” (Paulo Leminski)

Desde que foi redescoberta – pelos ricos, aristocratas, artistas e celebridades – na década de 1950, a Costa Amalfitana deixou seu passado, com vilas de pescadores, para se tornar um dos lugares mais exclusivos do mundo. A costa é um trecho de 60 km do litoral da Campânia entre Sorrento e Salerno. Sua sinuosa estrada costeira – a Strada Statale 163, construída no século 19 – é bem estreita, mas fora a viagem por barco, é a maneira mais gostosa de se chegar às cidades da costa dirigindo um carro – de preferência conversível – com destino para Amalfi, Ravello e o vilarejo mais charmoso do lugar, que se debruça pela encosta até a praia: Positano. Uma cidade vertical com casas e palacetes incrustados em um rochedo. E, logo ao lado, a ilha de Capri, onde os imperadores romanos Otaviano e Tibério construíram palacetes para se refrescar nos dias tórridos de verão. 52

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Na página de abertura, barco entre os rochedos da Costa Amalfitana | Foto: Max van den Oetellar. Na foto maior, à esquerda, o colorido das casas e palacetes de Positano | Foto: Jordan Sterankaz. Aqui, em sentido horário, os barcos que transitam por toda a costa | Foto: Andy Holmes; os famosos ombrellones da Praia Grande | Foto: Jacob Owen; às embarcações no píer ao pé do rochedo que dá forma a Positano | Foto: David Wright; e placa de boas-vindas aos turistas | Foto: Aliya Izumi

Em Positano, as escadas substituem as ruas que levam ao colorido casario e o cinza prateado de suas praias. Muitos a conhecem como um refúgio da elite para as férias do verão europeu. De Pablo Picasso a Paul Klee, passando pelo diretor de cinema Franco Zeffirelli e a atriz Liz Taylor e inúmeras figuras lendárias do passado e do presente. Antes da estrada Statale 163, a única forma de chegar à cidade era pelo mar ou pelas íngremes trilhas nas montanhas. A nova estrada uniu Positano às cidades de Sorrento (a 20 minutos de carro) e Nápoles (uma hora e quinze minutos motorizado). Com o fluxo crescente de turistas, vários palacetes históricos se transformaram em hotéis. O mais famoso deles, o Le Sirenuse.

A Praia Grande com 300 metros de comprimento é uma das maiores da Costa Almafitana, além de ser a mais agitada da cidade, frequentada por artistas e pelo jet set internacional. Para quem gosta de um banho de mar mais tranquilo, a opção é a praia de Fornillo, acessível através de uma trilha que parte da Praia Grande contornando o litoral. Nos arredores de Positano, estão as ilhas Li Galli, que se tornaram famosas pela lenda que dizia que o lugar era frequentado por sereias. O bailarino Rudolf Nureyev viveu em uma casa – instalada na maior das ilhas – nos últimos anos de sua vida. Para quem prefere lugares desertos à beira-mar, pequenas embarcações levam até enseadas acessíveis somente por mar, como Remmese, Clavel e Cavone. NOVEMBRO 2019

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LIFESTYLE Viagem

Positano é uma cidade para se andar e se perder por suas ruas estreitas que sobem e descem. Nesses passeios, uma parada e outra para algumas compras é irresistível. Para experimentar gelatos de limão vale ir até o Sapori e Profumi di Positano, na Vila Mulini, 6. As sandálias mais bonitas são encontradas na famosa Safari Sandali, na Villa della Tartana, 2, mas se a ideia é comprar um peça de vestuário bacana deve-se ir à loja Maria Lampo, na via Pasitea, 16.

AMALFI

A cidade que dá nome à Costa Amalfitana é puro charme. No passado, foi uma das quatro repúblicas marítimas da Itália, ao lado de Veneza, Pisa e Gênova. Todo o comércio marítimo do século 11 no Mediterrâneo era controlado pelas Tavole Amalfitane, o mais antigo código marítimo do mundo. Hoje, o cenário à beira-mar e as temperaturas agradáveis fazem de Amalfi um balneário luxuoso italiano.

ILHA DE CAPRI

A ilha de Capri – onde viveu o famoso escritor americano Gore Vidal – tem dois povoados. Capri e Anacapri, mais acima na montanha. Para quem gosta de um lugar pé na areia, o hotel Weber Ambassador está na melhor praia da ilha: a Marina Piccola. Nela, escolha um restaurante e alugue cadeiras e ombrellones, como o Lo Scoglio delle Sirene. À noite, o movimento está no entorno da Piazzetta.

RAVELLO

Conhecida por seus monumentos e a paisagem, Ravello é uma antiga cidade medieval. Apesar de não ter vista para o mar, do vilarejo se vê a costa do Tirreno e a península salentina. Entre as principais atrações da cidade está a Catedral de São Pantaleão, uma das mais antigas catedrais da Itália, que remonta ao ano de 1086. Ao longo dos anos, passou por diversas adições e demolições até sua configuração moderna, que exibe o Ambo do Evangelho, obra incrustada em mármore do artista Nicola di Bartolomeo de Foggia. 54

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COMO CHEGAR Carro

A partir de Sorrento, no início da costeira, dirigir pela Strada Statale 163. O carro oferece autonomia para os passeios, proporcionando a possibilidade de parar em qualquer ponto da Costa Amalfitana. Com exceção de Capri, onde somente os moradores podem transitar com automóveis.

Trem

De Roma a Nápoles a viagem leva 1h10 por trens rápidos, como os Frecciarossa da Trenitalia ou qualquer trem da Italo. Em Nápoles, se faz um transfer privativo a Sorrento ou direto para Positano.

Barco

De Nápoles a Capri, as embarcações levam 50 minutos pelos aliscafi ou 1h40 em barcos mais lentos, conhecidos como traghetto. Os barcos saem do Molo Beverello. Em Capri, os aliscafi fazem a travessia para Positano em 20 minutos. E, assim, se pode conhecer as demais cidades de toda a Costa Amalfitana.

À esquerda, de cima para baixo, vista do mar de Amalfi | Foto: Tanner Larson; uma das praias com entrada sob pagamento em Amalfi | Foto: Nellia Kurme; as ruas sinuosas e estreitas na ilha de Capri | Foto: Emily Passmore; e píer com embarcações em Amalfi | Foto: Nick Fewings. Acima, flagrante aéreo dos passeios de barco na costa | Foto: Joe Byrnes; e vista de um dos três picos do Faraglioni, em Capri | Foto: Andrew Buchanan

Italo italotreno.it

Le Sirenuse

hw.com/hotel/Le-Sirenuse-Positano-Italy

Lo Scoglio delle Sirene scogliodellesirene.com

Maria Lampo marialampo.it

Safari Sandali

safaripositano.com

Sapori e Profumi di Positano saporidipositano.com

Trenitalia

trenitalia.com

Weber Ambassador hotelweber.com

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LIFESTYLE Arte

LUGAR INCOMUM A exposição ‘Citizen SP’, de Tico Canato – apresentada na Casa Tegra e com a curadoria da CZM Studio – explorou o uso do grafite como instalação de arte no décor

POR: Luiz Claudio Rodrigues | FOTOS: Cortesia CZM Studio

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presentar um novo conceito de morar e viver. Essa foi a intenção da exposição ‘Citizen SP’ apresentada na Casa Tegra com uma intervenção do grafiteiro Tico Canato sobre todo o ambiente, incluindo mobiliário, revestimentos e peças decorativas. A curadoria da mostra foi realizada pela dupla Rosana Marttos e Crisz Moura, do escritório CZM Studio & Brands. “A mostra foi superbem recebida. A arte na verdade tomou vida, não apenas como uma instalação, mas como objeto do desejo de um público ‘jovem’ que está à frente de situações cotidianas, que enxerga fora da caixinha e tem liberdade de expressão, fazendo do seu espaço e do meio em que vivem uma forma de expor um estilo próprio e original”, afirmam as curadoras. O efeito inusitado e moderno das peças chamou a atenção de curadores paulistanos de design e levou o trio de criadores a participar de mostras na DW! Design Weekend, com uma exposição na Uniflex; na Boomspdesign, com a presença na mostra #lugarsecreto em parceria com a Amazônia Móveis; no IED, no Lounge Casa Portoro e na inauguração da loja Prime Gattai, no D&D Shopping. O sucesso do trabalho trouxe um novo olhar para o uso do grafite na ambientação. “Um conceito cheio de inspiração nas ruas, num modelo de vida urbano, sustentável”, pontua Crisz Moura. 56

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Tico Canato

Artista plástico autodidata, Tico Canato nasceu em Santo André, na Grande São Paulo, e desde a infância descobriu seu interesse por traços e cores. Cresceu em meio a gibis e livros, fazia cópias em papel-manteiga de reportagens de revistas de games e catálogos de carros e, aos 15 anos, se viu fascinado pelo grafite. Estudou Publicidade e Propaganda e trabalhou por muitos anos em agências. No segmento de moda, colocou em prática todo seu talento no desenvolvimento de coleções e estampas para marcas conceituadas como Mandi, Cavalera, MCD, Ecko, Everlast, Canal, Triton e muitas outras. Na John John e Opera Rock foi além e chegou a ser diretor de arte, até criar sua marca própria: a Dom King Clothing. Como grafiteiro já apresentou trabalhos em Barcelona, Miami e Los Angeles. Tico tem veia de empreendedor e ele mesmo cria, desenvolve, produz e customiza sua arte mista, carregada de identidade. Em seu trabalho, gosta de explorar texturas, cores e formas. Em seu traçado singular, as tattoos são marcantes. Quase o DNA completo em suas obras.

À esquerda, ambiente com intervenção de grafites no mobiliário. Nesta página, o artista plástico Tico Canato, o tradicional sofá Chesterfield repaginado com o estilo street art e detalhe com peças grafitadas por Canato

CZM Studio & Brands @czmstudio

Tico Canato

ticocanato.com.br

CZM Studio & Brands

Fazer a diferença no mercado de arquitetura, gestão de marcas, curadoria e ser hand’s on na implantação do mood e execução da sustentabilidade em marcas parceiras. É dessa maneira que o escritório CZM Studio & Brands da arquiteta Crisz Moura e da trendsetter Rosana Marttos se define. “Nossa filosofia de trabalho é cuidar das brand’s. Não fazemos o branding, que é criar a identidade de uma marca, imagem e seu posicionamento. Criamos um conceito diferenciado de apresentar as marcas, de fazer a gestão de uma brand, incluindo-a em nossos projetos”, afirma Rosana Marttos. A CZM participa de todas as etapas de desenvolvimento, criação, acompanhamento com a fábrica, entrega e pós-venda. “Além disso, estamos sempre atentas de como estas marcas estão se comunicando com o mercado, como estão se expondo, se estão preocupadas com o processo sustentável na produção e como podemos reutilizar estes resíduos em nossos projetos”, pontua Rosana. NOVEMBRO 2019

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CIDADE Urbe

SERPENTINA

Viver o local, conhecer pessoas e descobrir a cidade perto da natureza. Com inspiração, imaginação e vontade, o futuro Parque Augusta ganhou um projeto que ainda é um sonho a ser materializado 58

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A beleza não passa de uma maravilha que a natureza arma à razão” (Henrique de Lévis)

POR: Luiz Claudio Rodrigues | PERSPECTIVA: Cortesia Felipe Hess Arquitetos

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m abril passado, a capital paulista ganhou mais um espaço público em sua região central: o Parque Augusta. Por enquanto, a Prefeitura de São Paulo ainda não definiu o projeto para a área de 24.603 m2, que abriga um bosque com espécies da Mata Atlântica e está localizada na confluência da rua Augusta com as ruas Caio Prado e Marquês de Paranaguá. O terreno abrigou o tradicional Colégio Des Oiseaux, instituição das freiras agostinianas, que encerrou suas atividades em 1974. Enquanto a área verde está sem projeto, o escritório Felipe Hess Arquitetos desenvolveu o programa ‘Serpentina’ para o Parque Augusta a convite do jornal Folha de S. Paulo. “Propusemos uma longa e leve serpentina metálica que permeia toda a área do parque, circundando as árvores que são tombadas. Esse elemento único e contínuo muda de função e conforma espaços que reforçam características da região, como teatro, espelho d’água, pista de skate, espaço para feira e recreação e ponto de ônibus ao longo do seu desenvolvimento”, afirma o arquiteto Felipe Hess. Seu escritório adota um processo criativo colaborativo onde a relação entre a materialidade e a espacialidade é explorada através de croquis, protótipos, maquetes, imagens 3D, além de desenhos amplamente detalhados. Enquanto o Parque Augusta ainda aguarda um projeto definitivo, a imaginação criativa do escritório de Felipe Hess nos traz um desenho de como a cidade pode ficar mais bonita, com gentilezas urbanas e um lugar de respiro em meio ao caos da metrópole.

Revitalização Urbana Além do Parque Augusta, a cidade também espera pela entrega das obras de revitalização do Vale do Anhangabaú, no centro; e da Praça Benedito Calixto, em Pinheiros. O primeiro está prometido para junho de 2020 e faz parte dos 34 projetos de requalificação do centro da capital paulista, que envolve ainda a recuperação do Largo do Arouche e a criação do Parque do Minhocão. A Praça Benedito Calixto deve ganhar uma quadra com cobertura e a instalação de um novo mobiliário, além de um parklet em uma das laterais da praça. Felipe Hess Arquitetos felipehess.com.br

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NOVOS USOS PARA EDIFÍCIOS ANTIGOS 60

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Ícone da arquitetura moderna brasileira, o edifício Copan se renova com espaços culturais e gastronômicos que refletem um novo jeito de viver o centro de São Paulo

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POR: Cristina Bielecki | FOTOS: Gui Gomes e Everton Ballarin | Cortesia Pivô

ndas de mudança alcançaram há tempos o centro de São Paulo. O fechamento para o trânsito nos finais de semana no Minhocão (Elevado João Goulart) leva os pedestres a caminhar numa linha reta até o centro, avistando pelo caminho velhos prédios do entorno, alguns restaurados, e, ao longe, numa visão de cartão-postal, o edifício Copan, projetado por Oscar Niemeyer na década de 1950, um ícone da cidade. O edifício tem mais de 1.100 apartamentos, com diferentes metragens, divididos em seis blocos separados internamente com entradas independentes e mais de dois mil moradores. A área comercial no térreo abriga novos bares e restaurantes e outros que resistem ao tempo, lojas, galerias de arte e fotografia, e até uma locadora de DVDs, uma raridade nos dias atuais. O Mirante, no último andar, é um terraço aberto ao público que permite admirar a vista da cidade. O Copan tem sido um dos principais exemplos das mudanças que ocorrem no centro de São Paulo e com um apelo a mais: novos usos para um edifício antigo, atraindo residentes e frequentadores. Um bom exemplo dessa renovação é a chegada da filial da A Queijaria, uma das lojas pioneiras especializadas em queijos

brasileiros localizada na Vila Madalena. A proprietária da unidade, Letícia Vilas Boas, conta que a princípio a loja seria de rua, mas nas suas andanças pelo centro se deparou com uma loja que havia acabado de fechar no Copan. Ela conseguiu associar a presença da marca na região central, em um prédio histórico, que a cada dia atrai mais pessoas interessadas na cultura, gastronomia e arquitetura ali presentes. “O Copan sempre foi referência em arquitetura moderna, procurado por pessoas interessadas em conhecer essa obra de Oscar Niemeyer que marcou uma época. Vê-lo cada dia mais como referência, não só arquitetônica, mas também cultural e gastronômica, acompanhando o mesmo movimento de revitalização do centro de São Paulo é muito importante, pois conta não somente a história de São Paulo, mas do Brasil também. Ter essa área revitalizada, segura e atraindo cada dia mais turistas e o próprio paulistano nos faz ganhar enormemente”, afirma Letícia. Segundo ela, o Copan é praticamente uma minicidade. E isso o torna ainda mais interessante. Ali tem diversidade, respeito, segurança. Nessa minicidade todos se conhecem, se respeitam, gostam de contar histórias, como vizinhos em uma pequena cidade do interior. “Estar aqui é algo cativante”, completa. NOVEMBRO 2019

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CIDADE Tendência

Pivô

Na dupla de abertura, fachada do edifício Copan, ícone modernista no centro de São Paulo; e fachada do Pivô, instituição de arte que desde 2012 é um dos principais espaços de exibição e produção de conteúdo em arte contemporânea da cidade. Acima, interior do Pivô.

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O Pivô foi “inventado” no Copan. Em 2011, Fernanda Brenner, fundadora e diretora artística da instituição, visitou pela primeira vez o imóvel desocupado por quase 20 anos, com cerca de 3.500 m2, instalado nas sobrelojas do Copan. Surpreendida com as dimensões e potência do espaço, iniciou um processo de conversas com agentes da cena cultural de São Paulo, buscando discutir projetos para a retomada do local. Nessas conversas, muitos artistas que buscavam espaços maiores para suas práticas propuseram ocupar o segundo andar do imóvel com seus ateliês, iniciando uma prática que acabou se tornando o programa permanente de residências artísticas do Pivô (Pivô Pesquisa). O espaço foi oficialmente aberto ao público em 2012 com a exposição “Da próxima vez eu faria tudo diferente”, com curadoria de Diego Matos, inaugurada no mesmo dia da 30ª Bienal de São Paulo daquele ano.  Naquele momento, a ideia de fazer do Pivô um espaço permanente dedicado à pesquisa e à produção de arte, começou a se desenvolver. “A convivência com os moradores e pessoas que trabalham no prédio, com o ritmo frenético do centro da cidade, geram uma experiência muito particular, com a qual convivemos desde a fundação do Pivô. Temos percebido um crescimento da desigualdade social, cada vez mais latente no centro da cidade, assim como a chegada de diversas iniciativas e projetos que buscam se relacionar e ao mesmo tempo transformar esta realidade. A mistura do comércio popular com novas lojas, cafés e restaurantes mais despojados é algo notável neste momento do centro”, conta a diretora. Segundo ela, o Pivô é uma instituição ‘site-specific’, ou seja,  a maneira como a instituição vem sendo formatada tem tudo a ver com sua locali-

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zação. A experiência do centro da cidade é muito importante e às vezes interfere diretamente na pesquisa e no desenvolvimento do trabalho dos artistas com os quais trabalha.

Fotografia dedicada à cidade

Há cinco anos, São Paulo ganhou uma galeria de fotografia dedicada exclusivamente à cidade. O local para a instalação da fotogaleria foi estrategicamente escolhido. “O Copan é um símbolo da cidade, vem gente do mundo inteiro conhecer suas curvas. Além disso, fica no centro, em um local de fácil acesso e com toda a infraestrutura disponível”, comenta o fotojornalista RenattodSousa, catarinense de Florianópolis, que também é morador do prédio. “A ideia de montar uma galeria individual é antiga. Cheguei a São Paulo em 1992 e desde então a cidade é o maior tema do meu trabalho. Os grandes edifícios e os grandes horizontes sempre dão boas fotos. Moradores e visitantes precisam conhecer a cidade, para amá-la”, afirma o fotógrafo. A galeria expõe uma São Paulo que muitos paulistanos ainda não conhecem. Idealizada por RenattodSousa (profissional premiado pelo Nikon Photo Contest International e dois Prêmios Abril  de  Jornalismo), a galeria apresenta todos os ícones da cidade através do seu olhar. Além do próprio Copan; o edifício Altino Arantes, antiga sede do Banco Banespa e que hoje abriga o Farol Santander; o Monumento às Bandeiras; a Ponte Estaiada, outro símbolo da cidade; a Catedral da Sé; os edifícios Martinelli, Itália e o antigo hotel Hilton, entre outros. Grande parte do acervo da galeria é formado por fotos em formato panorâmico, especialidade do fotógrafo.


Bar de Drinks

Inaugurado no ano passado, o Fel é um bar de drinks que ocupa um pequeno espaço de 45 m2 junto a uma robusta pilastra aos pés do edifício. Os sócios Bruno Bocchese e André Godói são entusiastas do centro – um deles, inclusive, mora no Copan. “O desenvolvimento do Copan se deu décadas atrás. Já o do centro, como um todo, remete a séculos passados, ao surgimento da cidade”. Segundo ele, do ponto de vista comercial, o Fel vai bem. As luzes baixas, os bons cocktails e melancolia, compõem o clima do bar, com drinks assinados pela head bartender, Michelly Rossi, e uma equipe formada por mulheres. Bruno e André também comandam outros dois bares, todos no centro da cidade: o Mandíbula e o Cama de Gato. 

HOLANDDÊS HAMBURGUERIA

Os irmãos James Eduardo Chrispim Medeiros e Mateus Henrique Chrispim Medeiros são sócios da Holanddês Hamburgueria, que existe no bairro do Jabaquara, Zona Sul da cidade, desde 2015. É uma hamburgueria que se destaca com produtos frescos, onde são feitos diariamente os burgers, picles, reliche, molhos, bacon, tudo na própria loja. Resolveram abrir uma segunda unidade no Copan em junho do ano passado. “Escolhemos o Copan por ser o prédio mais charmoso de São Paulo”, diz James. Segundo ele, a experiência no local está sendo muito boa, tanto os moradores quanto os lojistas são bem legais e estão sempre na Hamburgueria, e o pessoal que frequenta são pessoas bem cultas.

Locadora de DVD

E o que dizer de uma locadora de DVDs que ainda resiste ao tempo? Instalada no Copan desde 1996, a Video Connection completa 23 anos. “Aqui é uma cidade, o fluxo de pessoas é muito grande, um ponto estratégico. Na época que vim pra cá, o Copan era diferente”, explica o proprietário Paulo Baptista Pereira. Foram muitas mudanças que aconteceram durante todos esses anos. As locadoras de filmes fecharam suas portas, a princípio com a pirataria, depois com o streaming. Cinéfilos saudosistas continuam procurando na locadora filmes raros que não estão disponíveis nesses canais de distribuição. Onde mais se não no Copan é possível encontrar essa ligação entre tempos tão distintos?

No alto, o bar Fel, dos sócios Bruno Bocchese e André Godói, e um dos seus drinks; abaixo, um dos drinks servidos no Fel e batatas rústicas servidas na Holanddês Hamburgueria

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CIDADE Tendência

Os arquitetos Gustavo Cedroni e Martin Corullon, sócios do escritório Metro Arquitetos | Cortesia Metro Arquitetos

MARTIN CORULLON

Arquiteto e urbanista e mestre pela FAU-USP, Martin Corullon iniciou a carreira em 1994 colaborando com o arquiteto Paulo Mendes da Rocha (Pritzker Prize 2006), com quem realizou projetos de grande porte, entre eles o Cais das Artes, museu e teatro em Vitória (ES). Entre os anos de 2008 e 2009 trabalhou no escritório Foster + Partners, em Londres. Mas antes dessa experiência internacional, desde 2000 faz parte do escritório Metro Arquitetos Associados. É professor na Escola da Cidade desde 2014 e foi eleito membro do Conselho de Arquitetura e Urbanismo, CAU/SP para os anos de 2018 a 2020. No ano passado, participou do Wired Festival Brasil com o painel ‘Urbanismo: o futuro de viver bem em grandes cidades’ falando sobre novos usos para antigos edifícios. Para sabermos um pouco mais sobre sua visão, o arquiteto concedeu à revista Tegra In uma entrevista exclusiva. Tegra In: Como você vê o futuro de viver em grandes cidades?

Martin Corullon: Acredito que não será o único modo de viver, sem-

pre haverá outros modelos. No entanto, a grande cidade é uma invenção maravilhosa. Conseguimos desenvolver técnicas que permitem o encontro e convivência de uma diversidade humana enorme e riquíssima em todos os sentidos, do econômico ao cultural. Quero acreditar que essa forma de vida será aprimorada para diminuir as desigualdades, e na raiz dessa evolução está a construção de cidades mais compactas e multifuncionais, não só na composição das atividades em um mesmo bairro, mas num mesmo edifício também. Acredito que edifícios multifuncionais são um futuro desejável.

Tegra In: Como é essa tendência nos países da Europa?

Martin Corullon: Além da multifuncionalidade dos edifícios ser um fator cada vez mais relevante para o futuro das cidades, não só na Europa e nos Estados Unidos, mas em todo o mundo, é a possibilidade de transformar estruturas existentes em ambientes urbanos. Reciclagem de edifícios, de tipologias, preferencialmente em com-

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plexos multifuncionais, é algo que se tem visto com muita frequência e com efeitos muito potentes em diversas cidades do mundo. Pode comentar um pouco sobre o Copan e esse processo de renovação do edifício e do centro da cidade? Martin Corullon: O Copan é um excelente exemplo de uma cidade densa, verticalizada e multifuncional, concentrada em um edifício. O fato de conviverem atividades públicas de naturezas diversas, com habitação também de tipologias diversas, realiza muito bem o modelo que acredito ser desejável para o futuro. E tem impacto no entorno, criando uma forma de vida – culturalmente e economicamente falando – muito rica na região central de São Paulo. Nos últimos anos esse modelo ganhou um impulso, com novos agentes, que se somam a uma vitalidade incrível que o centro de São Paulo sempre teve. Além dos aspectos que mencionei, o Copan ainda tem como característica marcante sua arquitetura de alta qualidade, tanto na escala do usuário direto – com a qualidade dos seus espaços internos – como em sua presença urbana impactante, construindo a paisagem da cidade. Tegra In:

Como é o trabalho do escritório Metro Arquitetos? Nosso escritório tem uma produção diversa. Temos desenvolvido de edifícios públicos de grande porte, com diversas funções, como a expansão do Instituto Tecnológico de Aeronáutica, que é uma faculdade de engenharia; e projetos efêmeros de exposições de arte ou arquitetura, como a Bienal de São Paulo e a Bienal de Arquitetura (em cartaz até o dia 08/12), ocupando outros dois edifícios muito interessantes no sentido da densidade e multifuncionalidade: o Sesc 24 de Maio e o Centro Cultural São Paulo. Mais recentemente temos desenvolvido projetos de espaços públicos urbanos, como a Ladeira da Barroquinha, em Salvador, ou conjuntos multifuncionais de grande porte, com residências e comércio, em São Paulo e outras cidades. Ainda em projeto, mas que devem começar a ser construídos ainda neste ano. Tegra In:

Martin Corullon:


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GASTRONOMIA Comer & Beber

A vez do azeite brasileiro Com mais de 100 produtores espalhados pelo Sul e Sudeste do país, a produção de azeite brasileiro cresce e ganha qualidade POR: Cristina Bielecki | FOTOS: Marcel Gussoni | William Biondani | Fernando Dias | Cortesia: Um Litro de Azeite e Ibraoliva

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nde tem clima favorável, o cultivo das oliveiras prospera. As plantações pedem temperaturas baixas no inverno, ideal para produção de um azeite de qualidade. Com 104 produtores espalhados pelos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais, este ano o Brasil produziu 240 toneladas de azeite, destas 180 só no Rio Grande do Sul. “A oliveira necessita de algumas condições de solo e clima e, nesse sentido, o Rio Grande do Sul tem se destacado, mas a região da Mantiqueira (MG) tem produzido bons azeites também, assim como a Serra do Sudeste aqui”, afirma Paulo Marchioretto, presidente da Ibraoliva, associação que reúne toda a cadeia oleícola do Brasil, desde o cultivo das oliveiras, mudas, produção e industrialização de azeitonas, azeites e subprodutos da olivicultura. Ele conta que há 15 anos eram 100 hectares plantados e a produção não chegava a ser comercial. A primeira extração comercial mesmo se deu em 2005 e a partir daí foi aumentando. No ano de 2020, as árvores de quatro anos começarão a aumentar sua produção – o auge se dá aos oito anos - e as com três anos iniciam a produção ainda de forma tímida. Voltando um pouco no tempo, em 1820, o botânico Auguste Saint-Hilaire esteve em Porto Alegre e provou azeitonas colhidas nos arredores da capital gaúcha. Ele afirmou, naquela época, que as frutas eram de boa qualidade, mas que as árvores produziam pouco. Reconhecia que o Brasil seria um grande produtor de azei-

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tonas. Ao que tudo indica, as previsões do botânico estão corretas e, num futuro não muito distante, o Brasil passará a figurar no cenário internacional como produtor de azeite e de azeitonas. “Nos últimos três anos, o país conquistou mais de 50 premiações internacionais, ou seja, em termos de qualidade nada ficamos devendo em relação àqueles países tradicionalmente produtores de azeite. Tanto assim que há uma grande empresa portuguesa que exporta para o Brasil já contatando produtores locais para a compra de azeite, essa notícia logo irá ao ar”, comenta Marchioretto. Para se produzir um azeite de qualidade, o processo começa no campo. Primeiro, a colheita tem que ser na época correta. A isso somam-se as etapas de extração e de conservação adequadas, segundo a pesquisadora científica Edna Ivani Bertoncini, do Polo Regional Centro Sul, Piracicaba, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. O consumidor pode testar a boa qualidade de um azeite extra-virgem sentindo seus aromas frutados, de fruta verde de preferência, de grama recém-cortada, folha verde, maçã ou um frutado mais maduro, como banana e frutas tropicais. Na boca deve-se sentir um equilíbrio entre o amargo e o picante. Normalmente o azeite é elaborado com diferentes tipos de frutos, um blend de algumas variedades mais encontradas por aqui, como a Arbequina, Arbosana e Picual, que nesse caso resulta num azeite aromático, com cheiro de frutos secos e banana, por exemplo.


E com um ramo de oliveira, o homem se purifica (VirgĂ­lio)


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GASTRONOMIA Comer & Beber

Se o produto não apresentar essas características, pode ter defeitos, que o consumidor pode identificar como um azeite rançoso, com cheiro de óleo de fritura usado, comum no Brasil, principalmente entre os importados, infelizmente prejudicados pelo transporte e conservação no supermercado. Quando a azeitona é colhida e deixada em alta temperatura, gera um defeito de aquecimento, também chamado de azeitona em conserva. E nos processos de colheita ou extração inadequados, pode ocasionar um azeite com cheiro de vinagre. A luz, o calor e o oxigênio são os maiores inimigos do azeite. De acordo com a acidez, o melhor azeite é o extra virgem, quanto menor for esse índice de acidez, melhor o azeite. A pesquisadora explica que, segundo a legislação, até 0,8% pode ser considerado extra virgem. O consumo constante desse produto traz muitos benefícios à saúde, entre eles, combate o colesterol ruim, afastando o risco de doenças cardíacas. O azeite extra virgem traz todos os nutrientes e benefícios para uma vida mais saudável. Pode ser utilizado na preparação de pratos salgados e em saladas, como também consumido em receitas doces e sobremesas com frutas e chocolate, realçando todo o sabor dos alimentos.

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Na dupla de abertura, a foto de Marcel Gussoni que serviu de capa para o livro “O Guia do Azeite do BrasilSafra 2018’, de autoria do connoisseur Sandro Marques, brasileiro que é membro da Organizzazione Nazionale Assaggiatori Olio d’Oliva, da Itália


OLIVICULTURA NO SUL O Rio Grande do Sul é o maior produtor de azeite e azeitonas em conserva do Brasil. •São 150 produtores. •Área plantada de 5 mil hectares. •Área colhida mil hectares. •Produção 1,55 mil toneladas de azeitonas para processamento de azeite. •188 mil litros de azeite produzidos em 2019. •Dez indústrias. •Vinte e cinco marcas de azeite. Acima, a colheita de azeite em olival no Sul do Brasil. À esquerda, instalação na Fazenda Irarema, na Serra da Mantiqueira, especialmente construída para receber visitantes do turismo gastronômico focado em azeite brasileiro. As fotos são do acervo de Sandro Marques

Turismo em meio às oliveiras

É tradicional em Portugal o olivoturismo, turismo rural para visitar uma plantação de oliveiras, conhecer um lagar de azeite e ver como se faz a extração, degustar os diferentes tipos, passando um dia relaxado em meio à natureza. Aqui no Brasil, o olivoturismo está acompanhando o desenvolvimento da cultura do azeite. No Rio Grande do Sul, durante a Expointer desse ano, o Governo do Estado sancionou a lei que institui a Rota das Oliveiras, criando uma rota de turismo numa região que abrange 24 municípios. “Vários olivicultores já estão aprontando instalações para essa nova atividade junto com o azeite. Aqui no Rio Grande do Sul estão em obras finais, e na Serra da Mantiqueira já está em pleno funcionamento, por exemplo, na Fazenda Irarema”, segundo o presidente da Ibraoliva. O autor do blog ‘Um Litro de Azeite’, Sandro Marques, acredita também no turismo gastronômico. “Vários produtores têm estado atentos a isso, associando a extração do azeite com a oferta de experiências turísticas. Em Minas Gerais já há experiências positivas de turismo, que recebe visitantes nos fins de semana e oferece boa comida e visita aos olivais, como a Olibi, cuja visita inclui aula sobre preservação ambiental e vista de pássaros raros”, conta.

Fonte: Revista Radiografia da Agropecuária Gaúcha 2019, Governo do RS

PROJEÇÃO DO MERCADO OLEÍCOLA PARA OS PRÓXIMOS ANOS O Brasil conta com olivais ainda muito novos. Com a expectativa de cerca de 40% da área atualmente plantada (6.500 ha) entra em produção no ano de 2018, a previsão de produção da safra 2019 é muito boa, podendo dobrar a obtida em 2017. A safra de azeite de 2019 ficou em torno de 230 mil litros no País, sendo aproximadamente 180 mil litros no Rio Grande do Sul. Até 2020 deveremos chegar a 10.000 ha plantados e até 2025 a 20.000 ha. Caso isso se confirme, o aporte de novos investimentos, inclusive do exterior, vai ser inevitável, consolidando de vez a nossa olivicultura. Ibraoliva em números 104 associados do RS, SC, PR, SP e MG 50% da área plantada do Brasil 75% das mudas produzidas no Brasil Fonte: Dados de 2017 da Ibraoliva

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GASTRONOMIA Comer & Beber

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UM LITRO DE AZEITE Autor do blog ‘Um Litro de Azeite’, Sandro Marques é escritor, palestrante e professor da pós-graduação em Gastronomia: História e Cultura do SENAC-SP. É membro da Organizzazione Nazionale Assaggiatori Olio d’Oliva na Itália, onde fez sua formação como degustador. Em 2017 e 2018, publicou ‘O Guia de Azeites do Brasil’, mapeando a produção nacional de azeites. Foi jurado dos principais prêmios de gastronomia em São Paulo, como o Prêmio Paladar do Estadão e Veja SP Comer e Beber. É o único brasileiro a participar no júri do NYIOOC (New York International Olive Oil Competition), um dos mais relevantes prêmios de azeite da atualidade, e também foi jurado do Brazil IOOC, a primeira competição internacional sediada no Brasil. Tegra In: Como começou seu interesse pelo azeite?

Desde 2006 escrevo sobre comida, em paralelo à minha carreira corporativa na área de inovação, por isso sempre prestei muita atenção a tendências. Acompanhei de perto o movimento que aconteceu nos últimos 15 anos de revalorização da nossa cozinha e, junto com isso, o maior interesse na produção de alimentos de alta qualidade, como café, queijo e cervejas. Daí para cair no mundo do azeite foi um passo. Notei que nossa produção vinha crescendo e decidi ir para a Itália buscar uma formação técnica em degustação. Desde então comecei a publicar o blog ‘Um Litro de Azeite’, sempre buscando escrever numa linguagem acessível e direta e evitando termos técnicos, ou explicando esses termos de maneira muito coloquial.

Sandro Marques:

Tegra In: Como você vê a produção do azeite brasileiro?

Sandro Marques: O Rio Grande do Sul possui olivais maiores e já mais consolidados, mas também se produz azeite no Paraná e Santa Catarina. Toda a região da Mantiqueira entre São Paulo e Minas Gerais também tem produção. Na região de Poços de Caldas, onde há terras vulcânicas e já se produzia café de alta qualidade, também se está extraindo azeite de alta qualidade. Em termos de qualidade, já temos uma boa parcela de azeites que se iguala aos melhores produzidos na Europa. Temos um menor número de variedades cultivadas, o que faz com que tenhamos uma faixa menor de expressões organolépticas, mas isso é compensado pela boa qualidade da extração que alguns lagares têm feito. Os lagares de azeite compõem-se de duas partes: uma base e uma mó. Tegra In: E o que esperar no futuro?

Sandro Marques: Nossas plantas são jovens e nossa produção ainda vai crescer em volume. Isso vai permitir que uma parte dos consumidores comece a escolher os nossos azeites devido ao seu frescor. Esse é o nosso maior trunfo. Podemos extrair um azeite no Rio Grande do Sul e enviá-lo para o Amazonas dentro de um único dia. Ainda estamos aprendendo quais variedades têm uma expressão melhor em nosso clima e também daí podem surgir boas surpresas em sabor e aroma.

Tegra In: O azeite é um desafio para a produção brasileira?

Sandro Marques: São desafios das indústrias na produção, conservação e comercialização dos azeites produzidos no país. É sempre importante contextualizar essa cadeia dentro de um movimento maior muito positivo, que é o da descoberta do potencial brasileiro não só para commodities, mas também para alimentos premium, assim como de uma crescente valorização de produtos nacionais e da nossa própria cozinha. Há toda uma nova geração de chefs interessados em investir na criação de pratos que exploram melhor o que o Brasil produz. Nesse sentido, a cadeia da olivicultura tem um papel importante de contribuição. Tudo isso está associado a grandes desafios em cada um dos elos da cadeia, desde aprender a manejar as árvores até educar o consumidor. Tegra In: Como escolher um bom azeite?

Sandro Marques: O melhor azeite é o azeite mais fresco, porque o produto sofre um processo de oxidação e envelhecimento ao longo do tempo. A safra de azeite é anual. O melhor é sempre consumir o azeite da última safra (a safra europeia acontece entre novembro e dezembro; a brasileira entre fevereiro e março). Nada substitui o nariz humano para avaliar a qualidade de um azeite, mas o nariz precisa ser treinado. Dica: compre uma garrafa de azeite comum no supermercado e uma garrafa de um bom azeite brasileiro da safra 2019. Coloque um pouco de cada em uma xícara de café e sinta o aroma. Sempre que o aroma do azeite remeter a ervas, folhas e grama cortada é um indicativo de que ele é jovem e de qualidade. Para uma boa conservação, o azeite deve ser bem tampado, consumido dentro de 30 dias e guardado em local fresco. É melhor comprar garrafas menores do que grandes quantidades que podem oxidar. Se for viajar e comprar algumas garrafas, elas podem ser guardadas na adega, junto com os vinhos. Os azeites brasileiros podem ser encontrados em lojas de produtos finos e diretamente com o produtor, consultando o site de cada um. NOVEMBRO 2019

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GASTRONOMIA Gourmet

NATURAL FOOD Seguindo o conceito de alimentação orgânica, saudável e funcional, o restaurante Le Manjue é referência na capital paulista POR: Cristina Bielecki | FOTOS: Cortesia Le Manjue

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C

orria o ano de 2008 quando, numa conversa informal, o chef Renato Caleffi e o restaurateur Bruno Amaro, tiveram a ideia de abrir um restaurante onde a cozinha refletisse uma grande paixão em comum: uma culinária saudável, orgânica e funcional. Assim nasceu na Vila Madalena o restaurante Le Manjue, especializado na chamada Organic Gourmet Cuisine, onde são oferecidos no cardápio desde carnes, aves, frutos do mar e sobremesas, opções com zero açúcar, zero lactose, zero glúten e 100% sabor. “Apostamos em uma cozinha preocupada com ingredientes orgânicos, valorizando a sazonalidade dos ingredientes, priorizando o pequeno produtor e promovendo a boa alimentação. As receitas exaltam equilíbrio e sabor”, diz o chef Renato Caleffi, que comanda a cozinha do restaurante. Seguindo a linha de culinária saudável, o restaurante investe em pesquisas e descobertas em alimentação orgânica sustentável e qualidade de vida com o selo Le Manjue Lab. Mais tarde, os sócios Rafael e Bruno Gagliasso entraram para o time do Le Manjue. O cardápio da casa é muito variado e as receitas apresentam ingredientes e acompanhamentos diferenciados. Para começar, um dos clássicos é o Chips de Banana Verde com Geleia de Pimenta. Já na parte de Pescados e Frutos do Mar, um dos destaques é o Jambalaya de Camarão, que são camarões salteados e flambados na cachaça, arroz cateto bicolor, queijo muçarela e creme de leite lacfree, curry, banana e queijo crocante. Esse prato também vem na versão Low Carb, com a substituição do arroz integral por arroz de couve-flor.

À esquerda, Jambalaya de Camarão (salteados e flambados na cachaça). Acima, o salão do restaurante Le Manjue, nos Jardins, e chips de banana verde servidos com geleia de pimenta

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GASTRONOMIA Gourmet

Em sentido horário, Naanbúrger (preparado com contrafilé orgânico grelhado, servido no pão de naan); Mousse de abacate com cacau; Ganache Cake; risoto de quinoa com ervilhas; e quibe de cereais ancestrais com gratinado de caju

Na sessão Frango & Carne, um dos mais pedidos é o Naanbúrguer, um hambúrguer caseiro de contrafilé orgânico grelhado, servido no pão de naan preparado no próprio restaurante, muçarela lacfree derretida e tomate. Vem acompanhado de salada verde, chips de banana verde, geleia de tomate e bionese de avocado com alecrim. Tem também opções plant-based, para quem tem como estilo de vida uma refeição à base de plantas e prioriza os alimentos que vêm da terra. Uma das opções é o quibe Vegano de Cereais Ancestrais com Gratinado de Caju, com suco de Cambuci e bionese de avocado e alecrim, acompanhado de cubos gratinados de caju flambados na cachaça de cúrcuma e envolvidos em creme aveludado de suco de caju, biomassa de banana verde, leite de coco, curry e creme de inhame. Bebidas preparadas com ingredientes orgânicos, sustentáveis e funcionais como pancs, flores, ervas e frutas da estação estão no menu de drinques, como o Negronibis, feito com Campari, Vermouth e Gin Vitória Régia, infusionados com Nibs de cacau e servido com Ganache de cacau e Twist de laranja, e o Martini da Longevidade, feito com água de azeitona, Vermouth Dry, Gin Vitória Régia, infusionado com beldroega. Depois de dois anos na Vila Madalena, o sucesso do restaurante pediu uma estrutura maior e um novo espaço surgiu na Vila Nova Conceição e em 2017 uma nova unidade chegou aos Jardins. E no ano passado foi a vez do Le Manjue Café, que tem a proposta de levar a gastronomia orgânica e funcional para além dos restaurantes. O cardápio apresenta uma variedade de bebidas e comidinhas saudáveis, como a coxinha assada feita com mandioca orgânica, os quibes veganos e kombucha de chá verde com Cambuci. “O Le Manjue Organique é um restaurante gourmet de cozinha orgânica, mas aqui toda comida deliciosa é bem-vinda e bem-feita. Da carne ao chocolate”, destaca o chef. 74

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Le Manjue

lemanjue.com

O CHEF Chef executivo e sócio-proprietário do Le Manjue desde setembro de 2007, Renato Caleffi é graduado em Gastronomia pela Anhembi Morumbi, e aperfeiçoou seus conhecimentos culinários em San Franscisco, no Havaí, Argentina, Canadá e por todo o Brasil. É professor, pesquisador e pioneiro na gestão e consultoria em alimentos orgânicos, sendo uma referência nacional em gastronomia funcional orgânica. Já passou pelas cozinhas do espanhol Martín Berasategui e do brasileiro Empório Siriuba. É autor, juntamente com a Dra. Gisela Savioli, do livro ‘Escolhas e Impactos – gastronomia funcional’, pela editora Loyola. O livro contém receitas sem glúten, sem leite e derivados e com a aplicação de alimentos funcionais. Também escreveu com a Dra. Késia Quintaes o livro ‘Tudo Sobre Panelas’, pela editora Atlântica, propondo uma série de receitas indicadas a uma ampla variedade de materiais. O chef também é autor de livros infantis da Série Achaz – ‘Achaz e o sítio da banana verde’ e ‘Achaz e o mistério dos sorvetes’, pela Editora Viajante do Tempo. Nessa série ele mostra, de forma simples e lúdica a alimentação funcional e saudável para as crianças.

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INSTITUCIONAL

Responsabilidade Social

MATCH

POINT

Democratizar o acesso ao tênis ganhou força a partir do sucesso da iniciativa da ONG criada pela tenista Patrícia Medrado

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POR: Cristina Bielecki | FOTOS: Cortesia Sociedade para o Desenvolvimento do Tênis

O

apoio a ações de responsabilidade social levou a Tegra Incorporadora para o mundo de um esporte ainda considerado de elite no Brasil: o tênis. Mas essa visão vem mudando graças a atletas como a tenista Patrícia Medrado que vê no esporte uma oportunidade para crianças e adolescentes aprenderem a jogar tênis e participar de atividades socioeducacionais como forma de complementar sua educação. “Acredito em cada indivíduo, pois um dia também fui um potencial a ser desenvolvido. Acredito no tênis, pois descobri nele a minha própria capacidade de superação. Acredito no Brasil, pois vejo criatividade e cooperação num país que não é só do futebol”, diz a tenista. Em 1996, Patrícia Medrado trouxe para o Brasil o Programa  “Tênis nas Escolas”, criado pela Federação Internacional de Tênis (ITF) com o propósito de tornar o esporte acessível a todas as camadas sociais. Surpreendentemente, a ação logo impactou cerca de 100 escolas da rede pública de ensino da cidade de São Paulo. Um dos resultados do sucesso dessa iniciativa foi a criação da ONG Sociedade Para o Desenvolvimento do Tênis, criada pela própria Patrícia, em 1998. O sonho da atleta de levar o tênis às crianças e adolescentes que vivem em situação de vulnerabilidade social e econômica tornou-se realidade. Em 2007, a entidade se tornou o Instituto Patrícia Medrado. Hoje a ONG soma 26 projetos, envolvendo quase três mil crianças e adolescentes e capacitou mais de 900 professores de Educação Física para o ensino do tênis, beneficiando, de forma indireta, cerca de 75 mil jovens estudantes.


Tênis como ensino de vida

A prática do esporte conduz o atleta a uma nova postura diante dos desafios da vida. O tenista leva o espírito de vitória e de respeito ao adversário, desenvolvendo capacidade e sabedoria para lidar em situações dinâmicas que exigem muito do emocional. O atleta adquire fortalecimento para seguir os seus objetivos com perseverança e autoconfiança. Eles aprendem a colocar em prática as melhores atitudes e habilidades para traçar e alcançar objetivos, desenvolver empatia, manter relações sociais positivas e tomar decisões de maneira responsável, bem como controlar suas emoções. A ONG Sociedade Para o Desenvolvimento do Tênis desenvolveu uma metodologia de ensino coletivo do tênis que busca trabalhar não apenas a técnica e a tática do jogo, mas também sua cultura como fonte de inspiração de atitude e visão de vida. Aprender jogando, de forma inclusiva, leve e divertida, é um dos diferenciais dessa metodologia. São estimulados nos jovens atletas: autonomia, solidariedade, espírito de equipe, a inclusão e o fair play, que é a ética no jogo. Esses valores são fundamentais para que o objetivo do Instituto Patrícia Medrado seja alcançado: transformar vidas e desenvolver competências por meio do esporte.

PATRÍCIA MEDRADO Nascida em Salvador (BA), Patrícia Medrado teve seu primeiro contato com as raquetes aos 10 anos de idade e, com o incentivo de sua tia Rose Summers, foi matriculada na escolinha da Associação Atlética da Bahia. O que começou como diversão nas praias de Salvador, tornouse uma história de sucesso e vitórias. Foram 15 anos jogando no circuito profissional e inúmeras conquistas. Dentre seus principais feitos, alcançou a 48ª posição no ranking mundial de simples e o nono lugar em duplas, além da conquista da medalha de prata dos Jogos Pan-Americanos de 1975, na Cidade do México. Durante 11 anos consecutivos (1974 a 1985), foi a tenista número 1 do ranking brasileiro e é, até hoje, a jogadora com o maior número de participações e vitórias pelo Brasil na Fed Cup, representando o país em 14 anos. Patrícia também nunca deixou de lado a educação. Muito por influência de seu pai, o sociólogo Adroaldo Medrado, formou-se em dois cursos superiores: Educação Física e Fisioterapia. Tudo isso durante o início de carreira, sem nunca deixar as quadras. Após aposentar-se do circuito, administrou por nove anos uma academia que levava o seu nome e treinou atletas da equipe feminina brasileira por outros quatro (Andrea Vieira, Luciana Tella, Claudia Chabalgoity, Vanessa Menga, Stephanie Mayorkis, Eugênia Maia e Roberta Burzagli). Tornou-se ainda a primeira mulher comentarista de tênis da televisão em território nacional e escreveu diversas colunas para revistas especializadas. institutopatriciamedrado.org.br tegraincorporadora.com.br

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INSTITUCIONAL Lanรงamentos


QUALIDADE

DE VIDA Com novos lançamentos em São Paulo, a Tegra Incorporadora trouxe seu DNA com projetos autorais com alma e personalidade.

AYLA MOEMA

Com projeto de arquitetura arrojado, o residencial Ayla Moema tem apartamentos sofisticados – a partir de 157m2 com 3 suítes e 2 vagas – que reverenciam o bairro. FICHA TÉCNICA Arquitetura: Interiores: Paisagismo: Área do terreno: Torres: Pavimentos: Apartamentos: Apartamento Garden: Coberturas Dúplex:

MCAA Arquitetos Carlos Rossi Neusa Nakata 1.783,57m2 1 32 157m2, 3 suítes e 2 vagas (42 unidades) 264m2, 3 suítes e 2 vagas (1 unidade). 277m2, 3 suítes e 3 vagas (2 unidades)

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INSTITUCIONAL Lançamentos

BROOKLIN BRICKS

O residencial Brooklin Bricks está em um lugar calmo, com ruas tranquilas, onde se encontra tudo o que precisa. A poucos metros da Berrini e a 7 minutos da estação Brooklin.

FICHA TÉCNICA Arquitetura:

Marcelo Bartolo

Interiores:

Debora Aguiar

Paisagismo:

Marcelo Vassalo

Área do terreno:

2.549,45m2

Torres:

1

Pavimentos:

28

Apartamentos:

70m2, 2 dorms. e 1 vaga (88 unidades) 103m2, 3 suítes e 2 vagas (44 unidades) 102 m2, 3 suítes e 2 vagas (22 unidades)

Coberturas Dúplex:

206m2, 3 suítes e 2 vagas (3 unidades) 138m2, 2 dorms. e 2 vagas (4 unidades)

TEG VILA GUILHERME

No residencial TEG Vila Guilherme você encontra lazer para sua família, comodidade e segurança em uma localização privilegiada, próxima à Marginal Tietê, shoppings e parques.

FICHA TÉCNICA Arquitetura: Interiores: Paisagismo: Área do terreno: Torres: Pavimentos:

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Marcelo Bartolo Mathiá Guedes Marcelo Vassalo 7.276,34m2 2 14 e 15. Unidades: 304


SOFI CAMPO BELO

Em uma rua arborizada, essencialmente residencial, o residencial SOFI Campo Belo oferece tranquilidade e tudo o que você precisa ao redor, desde o colégio para as crianças e toda a conveniência para o dia a dia. FICHA TÉCNICA Arquitetura:

Jonas Birger

Interiores:

Debora Aguiar

Paisagismo:

Neusa Nakata

Área do terreno: Torres: Pavimentos: Apartamentos:

3.796,65m2 1 31 130 unidades

UNIVERSO TATUAPÉ

A Tegra chega ao Tatuapé com um grande complexo residencial, formado por condomínios independentes, que vão expandir o privilégio de morar na região. Os dois primeiros empreendimentos, Estrela e Astro, convidam a descobrir o conforto, o lazer e a segurança criados para você e sua família.

FICHA TÉCNICA | CONDOMÍNIO ESTRELA Arquitetura: Interiores: Paisagismo: Área do terreno: Torres: Pavimentos: Unidades:

MCAA Arquitetos Cris Monteiro Marcelo Vassalo 4.502,41m2 1 27 343

FICHA TÉCNICA | CONDOMÍNIO ASTRO Arquitetura: Interiores: Paisagismo: Área do terreno: Torres: Pavimentos: Unidades:

MCAA Arquitetos Studio 499 Benedito Abbud 4.233,91m2 1 28 296

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INSTITUCIONAL Entrega

TEGRA | tegraincorporadora.com.br

DIA DE FESTA A Tegra Incorporadora fez mais duas entregas: Brooklin Xpression, feito para quem deseja morar próximo ao centro empresarial e financeiro da cidade e o Curitiba 386, para quem quer ter qualidade de vida morando ao lado do Parque do Ibirapuera.

BROOKLIN XPRESSION

CURITIBA 381

FICHA TÉCNICA

FICHA TÉCNICA

SÃO PAULO Para quem deseja morar perto do trabalho, o residencial Brooklin Xpression tem torre única e duas vagas na garagem. Planejado sob medida para você que gosta de praticidade e chegar com rapidez em qualquer lugar, seja por transporte público, de carro ou ciclovia. Arquitetura: Luiz Eduardo Oliveira Arquitetos. Interiores: Claudia Albertini. Paisagismo: Alex Hanazaki. Área do terreno: 2.793,00m2. Torres: 1. Pavimentos: 28. Unidades: 4 por andar. 82

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SÃO PAULO O Curitiba 381 é uma verdadeira ilha de tranquilidade. Em frente à Praça Ayrton Senna e com vista para o Parque do Ibirapuera, conta com uma paisagem incrível como companhia inseparável. Com espaços amplos e iluminados, o projeto é único, contemporâneo e sofisticado na medida certa. Arquitetura: Luiz Eduardo Oliveira Arquitetos. Interiores: Patrícia Anastassiadis. Paisagismo: Alex Hanazaki. Área do terreno: 1.997,74m2. Torres: 1. Pavimentos: 16. Unidades: 1 por andar


Lançamento

Bem-estar em cada detalhe. A Tegra e o Grupo Victor Malzoni apresentam Sofi, um projeto localizado em uma das esquinas mais charmosas do Campo Belo, a Gabriele D’Annunzio com Princesa Isabel. Aqui o bem-estar foi pensado em cada detalhe. Conheça e encante-se.

Perspectiva ilustrada da piscina

Grande terreno com torre única Hall privativo

Área de lazer pensada para toda a família e com academia equipada com Life Fitness

Visite o sofisticado decorado: Rua Gabriele D’Annunzio, 226 (esquina com Princesa Isabel) (11) 4118-6622 tegraincorporadora.com.br/sofi

Vendas:

143 m Aptos. de

com

4

Realização e Gerenciamento:

2*

dorms. ou 3 suítes Realização e Construção:

LANÇAMENTO: CONDOMÍNIO SOFI CAMPO BELO. Incorporadora responsável: SIQUEM SPE EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS S.A., sociedade anônima, inscrita no CNPJ/MF sob o n° 14.119.406/0001-00, com sede na Avenida Brigadeiro Faria Lima, n° 3.477, 19º andar, Torre Sul, sala 1, Itaim Bibi, CEP 04538-133, São Paulo/SP. Projeto arquitetônico: Jonas Birger. Projeto paisagístico: Neusa Nakata. Projeto de arquitetura de interiores: Debora Aguiar. Memorial de Incorporação registrado sob o R.1, matrícula nº 247.909, em 23/09/2019, no 15º Oficial de Registro de Imóveis de São Paulo. As informações constantes do Memorial de Incorporação e dos futuros instrumentos de compra e venda prevalecerão sobre as divulgadas neste material. Todas as imagens e perspectivas aqui contidas são meramente ilustrativas. As tonalidades das cores, formas e texturas podem sofrer alterações. Os acabamentos, quantidade de móveis, equipamentos e utensílios serão entregues conforme o memorial descritivo do empreendimento e projeto de decoração. Os móveis e utensílios são sugestões de decoração com dimensões comerciais e não fazem parte do contrato de aquisição da unidade. As medidas dos apartamentos são internas e de face a face. A vegetação exposta é meramente ilustrativa, apresenta o porte adulto de referência e será entregue de acordo com o projeto paisagístico, podendo apresentar diferenças de tamanho e porte. Demais informações estarão à disposição no plantão de vendas. Este material é preliminar e está sujeito a alteração sem aviso prévio. Futuras intermediações: Tegra Vendas – CRECI J-28638. *O hall do elevador social está incluso na área privativa total da unidade.


CRIADORIA

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Tegra, a Incorporadora Brookfield, entrega para São Paulo, no último terreno da Rua Curitiba, um projeto singular, com personalidade e exatamente como imaginado.

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Ú L T I M A S

Rua Curitiba, 381 Agende sua visita: (11) 3197 2990 tegraincorporadora.com.br/curitiba381

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U N I D A D E S

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D I S P O N Í V E I S

Realização, Construção e Vendas: A incorporadora Brookfield

Incorporadora responsável: Brookfield SAB Curitiba Empreendimentos Imobiliários Ltda., inscrita no CNPJ sob o nº 11.639.066/0001-42, com sede na Av. Magalhães de Castro, 4.800, Torre 3, 2º andar, Jardim Panorama, CEP 05502-001, São Paulo/SP. Projeto Arquitetônico: LE Arquitetos. Projeto Paisagístico: Alex Hanazaki Paisagismo. Projeto de Decoração das Áreas Comuns: Anastassiadis Arquitetos. Projeto aprovado perante a Prefeitura Municipal de São Paulo conforme o Alvará n° 2014/21185-03. Memorial de Incorporação registrado sob o R.7, em 28.03.2017, retificada sob Av.19, de 24.09.2019. Certificado de Conclusão da Construção (Habite-se) averbado sob o nº 20, e a Instituição e Especificação de Condomínio registrada sob o nº 21 em 25.10.2019, todos na Matrícula nº 114.387 do 1º Oficial de Registro de Imóveis de São Paulo. As informações constantes no Memorial de Incorporação e nos futuros Instrumentos de Compra e Venda prevalecerão sobre as divulgadas nesse material. Todas as imagens e as perspectivas aqui contidas são meramente ilustrativas. A tonalidade das cores, a forma e a textura pode sofrer alterações. Os acabamentos serão entregues conforme o Memorial Descritivo do empreendimento. A quantidade de móveis, equipamentos e utensílios será entregue conforme Memorial Descritivo e Projeto de Decoração. Os móveis e utensílios são sugestões de decoração com dimensões comerciais e não fazem parte do Contrato de Aquisição da unidade. As medidas dos apartamentos são internas e de eixo a eixo. A vegetação exposta é meramente ilustrativa, apresenta o porte adulto de referência e será entregue de acordo com o Projeto Paisagístico, podendo apresentar diferenças de tamanho e porte. Intermediação: Tegra Vendas. CRECI J-28638.

Profile for Tegra Incorporadora

TEGRA IN 04  

Fazer uma edição dedicada à literatura é como fazer um convite aos nossos leitores para redescobrir a importância da leitura em nosso dia a...

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Fazer uma edição dedicada à literatura é como fazer um convite aos nossos leitores para redescobrir a importância da leitura em nosso dia a...