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Vícios modernos e a necessidade de estar sempre no mundo virtual

Depoimentos de pessoas que passaram por apuros por causa de artefatos tecnológicos

A I G O L O TECN solução ou conflito? Como a conexão 24 horas cria a ilusão de que o profissional também está disponível 24 horas por dia

Compras online trazem uma série de benefícios. Mas quais são os riscos?


Editorial Tecnologia: ela está nas nossas mãos ou nós estamos nas mãos dela? Notícias que apresentam como a tecnologia facilitou nossa vida são constantes nos noticiários. Vão desde os aplicativos que fazem praticamente tudo até aparelhos inteligentes que podem até conversar com seus donos. Mas e o lado maléfico dessa tecnologia toda? Como ela nos afeta e, por vezes, dita nossa rotina? Quais são os riscos? Foi a partir desse mote que surgiu esta revista, apresentando uma parte do lado negro da tão amada tecnologia. Boa leitura! Guilherme Paiva


Sumário p. 04

O trabalho 24 horas por dia

Os riscos da compra online

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p. 06

Depoimentos

Vícios modernos

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Expediente Produto criado na cadeira de Projeto Integrado em Webjornalismo, do curso de Jornalismo da Faculdade 7 de Setembro, ministrada pela professora Naiana Rodrigues Diretor-Geral Ednilton Soárez Diretor Acadêmico Ednilo Soárez Vice-Diretor Adelmir Jucá Coordenador do Curso de Jornalismo Dilson Alexandre Professora responsável Naiana Rodrigues Texto Guilherme Paiva, Zaira Umbelina e Vanessa Freitas Design Guilherme Paiva


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Com os avanços da tecnologia e a informatização do Poder Judiciário, o trabalho do advogado não para Reportagem: Zaira Umbelina

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informatização do Poder Judiciário e a disponibilização do processo judicial eletrônico motivaram o advogado Pedro Teixeira, 32, a investir no aparato tecnológico de seu escritório. Dessa forma, ele acreditava que iria aperfeiçoar sua vida profissional. No início foi isso que aconteceu, mas alguns computadores, smartphones e aplicativos

depois, e, com esses recursos sempre à mão, vieram os problemas. No início, estar online o tempo todo e poder resolver pendências com poucos cliques parecia a solução de muitos problemas. Pedro acredita que a informatização do exercício da advocacia foi um avanço. “O Poder Judiciária está sendo informatizado e nós temos que acompanhar essa evolução.


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“A gente pensa que está resolvendo um problema e acaba arranjando outro. Minha esposa vive brigando comigo pelo fato do celular estar sempre ligado” Pedro Teixeira, advogado

Hoje, boa parte das ações judiciais são protocolizadas virtualmente, direto do escritório”, conta ele. Mas esse processo também trouxe problemas. Ele acrescenta que ouviu questionamentos de clientes sobre não ter tempo de ir ao Fórum para protocolizar ações. “Outro dia um cliente reclamou: ‘Mas doutor, o senhor não resolve tudo pelo computador?’ É mole?”. Ele diz que costuma passar noites trabalhando e, por não estar mais limitado ao horário do expediente do Fórum, tem o hábito de consultar processos e protocolizar petições de madrugada. Dados da consultoria Morgan Stanley apontam que o Brasil é o quarto país no mundo em número de smartphones com cerca de 70 milhões de aparelhos Com os smartphones e os aplicativos ele viu uma

oportunidade de melhorar a comunicação com os clientes. “Eu não vi problema quando alguns clientes me adicionaram a grupos do Whatsapp para discutir sobre os processos”. Mas, se o usuário não souber impor limites, estar conectado 24 horas por dia pode implicar em estar sempre disponível para o cliente. “Eu recebo mensagens a qualquer hora. Outro dia alguns clientes, que são irmãos, começaram a “lavar roupa suja” no grupo e pareciam não se importar com a minha presença ali”, diz Pedro. Foi nesse momento que ele percebeu que deveria impor alguns limites no uso da tecnologia. Outro fator importante para essa decisão foi a cobrança da esposa. “Ela está sempre reclamando que trabalho demais. Está na hora de me desconectar um pouco”. Atualmente ele tenta se organizar para não trabalhar mais de madrugada nem estar disponível 24 horas para os clientes. Ele pretende


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Especialista alerta sobre os riscos das compras online

Mesmo com informação, consumidores têm sido enganados por empresas falsas criadas apenas para arrecadar dinheiro com calotes

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Reportagem: Vanessa freitas

o smartphone é fácil dar um ‘ok’ e comprar um aparelho mais recente nas centenas de páginas de e-commerce (ou comércio eletrônico) na internet. É fácil, ágil e confortável e tem sido a opção de alguns consumidores na hora de fazer compras. No entanto, essa praticidade traz riscos ao comprador que pode sofrer danos ao realizar transações online. É o caso do estudante Jackson

Pereira, 33, que comprou um telefone em uma dessas páginas em novembro do ano passado, mas nunca recebeu o aparelho. “O site tinha bons indicativos e poucas reclamações no site ‘RECLAME AQUI’. A empresa argumentou que meu pacote tinha sido extraviado. Solicitei um novo, mas eles argumentaram que estavam esperando pela transportadora. Nesse meio tempo o ‘Reclame Aqui’ bombou de reclamações e a página deles saiu do ar”.


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Jackson acabou não denunciando a empresa aos órgãos de defesa do consumidor e ficou com o prejuízo no cartão de crédito. Já o professor de inglês Raphael Moreira, 30, comprou um ingresso para uma susposta convenção do seriado Glee, que aconteceria em São Paulo, agora no mês de maio. “A convenção era uma farsa. Eles não davam informações sobre o evento. Tive prejuízo de R$ 200 para cancelar as passagens. O ingresso a operadora do cartão só estornou porque entrei em ação com Procon”. Segundo Raphael, a empresa que vendeu os ingressos também sumiu do mapa. Mas, o professor pretende entrar com uma ação por danos morais e pelo prejuízo com as passagens aéreas. A advogada de Direito do Consumidor, Ana Ruth Batista Freitas, explica que ao realizar uma compra online o consumidor deve prestar atenção em que página está comprando e nos prazos de entrega. “É importante pedir referências de pessoas conhecidas que já efetuaram compras em determinados sites. O ‘RECLAME AQUI’ ajuda muito também. Se o site estipular um prazo e não entregar no dia, o consumidor deve entrar em contato com a empresa inicialmente”. De acordo com a advogada, o primeiro passo é ouvir a empresa

e tentar fazer uma negociação. Se a empresa se negar a fazer um acordo amigável, é hora de acionar os órgãos de defesa do consumidor. “O consumidor pode requerer o reajuste do valor do produto, já que não recebeu no prazo estipulado. O consumidor precisa manter os recibos de compra para garantir e comprovar a compra”. Se o caso for semelhante ao do professor Raphael e do estudante Jackson, em que as empresas desapareceram é recomendado registrar um Boletim de Ocorrência na delegacia e denunciar a empresa para que a polícia possa investigar.

Comprei e me arrependi! Em compras realizadas via internet ou telefone, o consumidor tem um prazo de arrependimento da compra de até 7 dias após assinatura do contrato, ou seja, os valores pagos devem ser devolvidos ao comprador, conforme o artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor.


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Como evitar um calote virtual?

- Pesquise bem antes de comprar na web O que vale no mundo real, também vale na Internet. Pesquise antes de comprar algo e desconfie das propostas de produtos atraentes em sites que você não conhece.

- Decidiu comprar em uma loja? Pesquise mais Faça uma análise completa do site. Verifique o cadastro dele nos Procons regionais, e em sites como Reclame Aqui e Proteste Aqui. Procure os amigos e pessoas que fizeram compras naquele site. informese sobre as formas de pagamento, as condições para entrega e as garantias embutidas no produto.

- A forma ideal de pagamento: Boleto bancário Utilizando o boleto de cobrança, conhecido como boleto bancário, você pode parcelar sua compra ou fixar uma data após a entrega do produto.


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Sem desgrudar os olhos Depoimentos de quem desviou os olhos da direção por um instante e, por pouco, não causou maiores danos “Tenho sempre o costume de ouvir DVDs de show. Sempre levo alguns no carro. Quando paro no semáforo, sempre fico assistindo. Nessa vez, como estava assistindo, não percebi que o carro na minha frente tinha parado. Aí bati na traseira dele” Iury Costa, 22, estudante

“Tento me livrar do vício no whatsapp por já ter passado por apuros algumas vezes. A primeira foi quando eu estava dirigindo e não percebei que o carro da frente tinha freado. Na segunda, não vi o desnível da calçada e levei uma queda” Fernando Barros, 24, publicitário


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ONLINE 24 horas conectados no smartphone. Uso abusivo do aparelho afeta saúde mental dos usuários, segundo especialistas

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Reportagem: Vanessa freitas

omo ser vlogueira no youtube e não estar 24h conectada com usuários da rede? Na rotina da cearense Camila Uckers, 22, internet não pode faltar. Sucesso na “vlogosfera” brasileira, com vídeos em que aparece fazendo críticas sobre os mais variados temas e também pelo famoso bordão “Safadeza Oculta” que caiu na boca do povo e foi o pontapé inicial para sua trajetória profissional, a Webcelebridade é dessas viciadas no smartphone. “Uso meu smartphone todas as horas. Não me desgrudo da internet por nada, até mesmo no banheiro levo o celular”, diz. Camila está inserida entre os profissionais do mundo virtual. Mas, muito além da necessidade do cyberespaço para fazer seu trabalho, a vlogueira explica que

atualmente a internet é essencial na vida de qualquer indivíduo. “Sem a internet seria como voltar a Pedra Lascada e ter que escrever cartas para se comunicar com parentes ou amigos. Já com a internet e o uso da tecnologia só basta chamar no whatsapp que tudo se resolve. Eu sei que é uma doença, mas é questão de vício. Eu não tenho tempo para nada se não estiver conectada”. Mas, até que ponto a vida online atrapalha a vida offline? Já existe uma doença que afeta principalmente os viciados em redes sociais que não suportam ficar desconectados. É a Nomofobia ou “no mobile phobia”. Em fevereiro de 2012, um estudo realizado com cerca de mil pessoas no Reino Unido, país onde a palavra “nomofobia” surgiu em 2008, revelou que 66% dos entrevistados


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se diz “muito angustiado” com a idéia de perder seu celular. Segundo o escritor francês Phil Marso, organizador do Dia Mundial sem Celular que acontece todos os anos em fevereiro, o uso constante dos smartphones e redes sociais gera uma grande vontade de estar sempre inteirado sobre tudo o que está acontecendo. O usuário acaba ficando nervoso e impaciente, podendo desenvolver problemas cardíacos. “É uma ferramenta que desumaniza. Um dia na rua, uma pessoa que procurava um caminho me mostrou seu smartphone com o mapa da área na tela ao invés de me perguntar onde era a rua que procurava, revelou em entrevista para AFP. Para Damien Douani especialista em novas tecnologias da Agência FaDa, para a AFP, o reflexo do google foi transferido para o mobile. “Se preciso de uma informação e encontro resposta para tudo, isso é uma facilidade encarnada”, declara.

“Eu sei que é uma doença, mas é questão de vício. Eu não tenho tempo para nada se não estiver conectada” Camilla Uckers, vlogger youtube

Aplicativo revela quanto você está viciado no smartphone

Um estudo de pesquisadores alemães desenvolveu um aplicativo para Android que avalia a utilização do seu celular, trazendo estatísticas e informações sobre o seu comportamento diante do aparelho. o aplicativo Menthal, disponível gratuitamente no Google Play, faz uma análise pessoal, fornece o estado de humor e acompanha o progresso de alguns transtornos psicológicos, como a depressão. O Menthal analisa toda a utilização do seu smartphone, identificando o tempo e os aplicativos que você mais usa.


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A I G O L O TECN solução ou conflito?

Revista Tecnologia: solução ou conflito?  
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