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ANO XV Nº 77 VOL. II 2011 ISSN 1678-0965

A REVISTA TÉCNICA DO SETOR GRÁFICO BRASILEIRO

EspEcial

E-books, desafios e oportunidades Produção gráfica

O admirável mundo da fotografia realista

Tutorial

Distorça e ajuste imagens com o Puppet Warp, do Photoshop

Entrevista

O designer e professor Fabio Mestriner discute a valorização do papel cartão e a função social da embalagem.


Volume II – 2011 Publicação bimestral da ABTG – Associação Brasileira de Tecnologia Gráfica e da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica, Rua Bresser, 2315 (Mooca), CEP 03162-030 São Paulo SP  Brasil ISSN: 1678-0965 www.revistatecnologiagrafica.com.br ABTG – Telefax (11) 2797.6700 Internet: www.abtg.org.br ESCOLA SENAI – Fone (11) 2797.6333 Fax (11) 2797.6309 Presidente da ABTG: Reinaldo Espinosa Diretora Executiva do Sistema Abigraf: Sonia Carboni Diretor da Escola Senai Theobaldo De Nigris: Manoel Manteigas de Oliveira Conselho Editorial: Andrea Ponce, Bruno Mortara, Egbert Miranda de Toledo, Manoel Manteigas de Oliveira, Plinio Gramani Filho, Reinaldo Espinosa e Tânia Galluzzi Apoio Técnico: Vivian de Oliveira Preto Elaboração: Clemente e Gramani Editora e Comunicações gramani@uol.com.br Diretor Responsável: Plinio Gramani Filho Redação e Publicidade: Tel. (11) 3159.3010  gramani@uol.com.br Jornalista Responsável: Tânia Galluzzi (MTb 26897) Redação: Elisabete Pereira e Letânia Menezes Revisão: Giuliana Gramani Projeto Gráfico: Cesar Mangiacavalli Produção: Rosária Scianci e Livian Corrêa Foto da capa: Age Fotostock / AGB Photo Editoração Eletrônica: Studio52 Impressão e Acabamento: Pancrom Laminação, Hot Stamping: UVPack Acabamentos Especiais (fitas MP Brasil) Papel: couché fosco Nevia APP 90 g/m² (miolo) e couché fosco Nevia APP 170 g/m² (capa), fornecidos pela Cathay BR Assinaturas: 1 ano (6 edições), R$ 54,00; 2 anos (12 edições), R$ 96,00 Tel. (11) 3159.3010 Apoio Cathay-GuiaEspecialExpoprint-Abigraf247-c.indd 3

5/27/2010 9:00:48 PM

Esta publicação se exime de responsabilidade sobre os conceitos ou informações contidos nos artigos assinados, que transmitem o pensamento de seus autores. É expressamente proibida a reprodução de qualquer artigo desta revista sem a devida autorização. A obtenção da autorização se dará através de solicitação por escrito quando da reprodução de nossos artigos, a qual deve ser enviada à Gerência Técnica da ABTG e da revista Tecnologia Gráfica, pelo e-mail: abtg@abtg.org.br ou pelo fax (11) 2797.6700

Inovação, estratégia para o sucesso

A

palavra da moda no mundo em­pre­sa­rial e tecnológico é inovação. No en­ tanto, como costuma acontecer frequentemente — e o trocadilho é inescapável —, o con­cei­to de inovação não é novo. Uma rápida olhada na história evidencia que, desde a revolução in­ dus­trial, inovações vêm se sucedendo em intervalos de tempo cada vez mais cur­ tos, em todos os segmentos. Algumas são re­vo­lu­cio­ná­rias. Mui­tas são pequenas, às vezes quase im­per­cep­tí­veis, mas fazem grande diferença. A fórmula é simples: fazer o que todo mundo faz não leva ao sucesso. Este só é alcançado quando a empresa faz melhor, mais rápido, mais barato. Essa melhoria de desempenho de­ pende de inovação constante. Também faz sucesso quem inventa alguma coi­sa completamente nova, even­tual­men­te pa­ten­teá­vel. Mas fiquemos atentos: inven­ ção é uma forma de inovação, porém nem toda inovação ne­ces­sa­ria­men­te signi­ fica uma patente. Seja como for, a capacidade de inovar é um fator crítico para o sucesso de empresas e de pro­f is­sio­nais. O Senai-SP preo­cu­pa-se com isso há mui­to tempo. Suas escolas são orien­ta­ das a promover es­tra­té­g ias edu­ca­cio­nais que levem os alunos a pensar em como fazer as coi­sas de modo aper­fei­çoa­do. Além desse trabalho co­t i­dia­no, nas sa­ las de aula, oficinas de aprendizagem e la­bo­ra­tó­r ios, o Senai também promo­ ve projetos pon­tuais, inclusive voltados para a interação entre escolas e empre­ sas. Três exemplos pon­tuam essa afirmação. O pri­mei­ro é o Edital Senai/Sesi de Inovação, ação de abrangência na­cio­nal com o objetivo de ­apoiar a inovação tec­ nológica e so­cial. Os projetos devem com­preen­der o desenvolvimento de produ­ tos, processos e serviços prestados pelos departamentos re­g io­nais, em cada Es­ tado, em parceria com empresas do setor in­dus­trial. Senai e Sesi disponibilizam recursos fi­nan­cei­ros para o desenvolvimento dos projetos aprovados, me­dian­te contrapartidas dos par­cei­ros. Outro exemplo é o Inova Senai, concurso promovido anual­men­te pelo Se­ nai do Estado de São Pau­lo, em que docentes e alunos apresentam projetos de processos e produtos inovadores, em diferentes ca­te­go­r ias. Os melhores traba­ lhos são pre­mia­dos em uma cerimônia com a presença do presidente da ­Fiesp e do Senai-SP e do diretor re­g io­nal do Senai-SP. Diversos projetos do Inova Senai estão gerando patentes. Já o concurso de mo­no­g ra­f ias Aldo Manuzio, organizado pela Faculdade Se­ nai de Tecnologia Gráfica, vai pre­miar, em sua pri­mei­ra edição, os melhores tra­ balhos de pesquisa rea­li­za­dos por alunos e ex-​­alunos dos seus cursos de gra­dua­ ção e pós-​­g ra­dua­ção. As mo­no­g ra­f ias devem tratar das ten­dên­cias da indústria gráfica nos aspectos de tecnologia e mercado. Os au­to­res do melhor trabalho re­ ceberão, como prêmio, uma via­gem à Drupa 2012. Espera-se que essas mo­no­g ra­ fias sirvam como base para projetos de inovação, na medida em que analisarão os ce­ná­rios ­atuais e tentarão antecipar demandas futuras. Manoel Manteigas de Oliveira, diretor da Escola Senai Theobaldo De Nigris VOL. II  2011  TECNOLOGIA GRÁFICA

3


Sumário 18

O desafio dos livros digitais e o formato ePub

14

XRGA, um novo padrão X‑Rite

32

Fabio Mestriner fala da campanha do papel-cartão

Especial

Normalização

Entrevista

A importância estratégica da visão dos recursos internos

34

Carbon footprint

38 42

Gestão

Gestão ambiental

Aumente a rentabilidade com novas tecnologias de insumos Impressão

46

Acabamento

O Digital Publishing da Adobe

50

Puppet Warp dá um nó no Photoshop

54

Seybold

Tutorial

Notícias Produtos Literatura e sites Cursos

6 10 57 58

ANO XV Nº 77 VOL. II 2011 ISSN 1678-0965

A REVISTA TÉCNIC A DO SETOR GRÁFIC O BRASI LEIRO

EspEcial

E-books, desafios e oportunidades Prod ução gráfi ca

O admirável mund da fotografia realiso ta

Tutor ial

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Produção gráfica

Pós‑impressão na impressão digital

A gRáfIc A

26

R E V I S TA T EcnologI

Fotografia realista e suas aplicações

Distorça e ajuste imagens com o Warp, do Photo Puppet shop

Entre vista

O designer e profe Fabio Mestriner ssor a valorização do discute cartão e a funçã papel da embalagem o social .

Capa: Cesar Mangiacavalli Imagem: Age Fotostock / AGB photo


Nova Epson Stylus PRO

GS6000

A natureza agradece

Descubra na T&C, Distribuidor Oficial Epson, a nova impressora Epson Stylus Pro GS6000, a evolução do conceito em impressão. Novas tecnologias de cores e componentes, tinta a base de solvente, praticamente inodora, causando menos impacto ao meio ambiente e à saúde dos operadores.

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NOTÍCIAS

O

Regulamento do Fernando Pini já está disponível

regulamento do 21º‒ Prêmio Bra­si­lei­ro de Excelência Grá­ fica Fernando Pini já está disponí­ vel no site www.fernandopini.org. br. As inscrições para o concurso começam no dia 1º‒ de agosto. O concurso, o mais importan­ te do setor gráfico na América La­ tina, chega à sua 21ª‒ edição com uma novidade na área de impres­ são digital. A comissão técnica da pre­mia­ção decidiu que os produ­ tos fei­tos em impressão digital po­ derão, a partir de agora, concorrer com ou­tros processos gráficos, ten­ do, com isso, acesso a todas as ca­ te­go­rias do Prêmio Fernando Pini nas ­quais não há exigência de um processo de impressão específico. Antes, as peças em impressão digital, devido às diferenças de qua­ lidade existentes até então em re­ lação aos processos de impres­ são tra­di­cio­nais, con­cor­r iam em ca­te­go­rias exclusivas.

A

Técnicos do Processo — chamados de Grand Prix —, que consagram a Melhor Impressão, o Melhor Aca­ bamento Cartotécnico e o Melhor

Acabamento Edi­to­rial entre todos os finalistas. O concurso também distribui prê­mios para fornecedores do setor gráfico em 13 ca­te­go­rias.

GMG e Senai iniciam parceria

Escola Senai Theo­bal­do De Nigris, a GMG e a Dalim de­ ram início a um acordo de coo­pe­ ra­ção, por intermédio da Electro­ nic Graphic So­lu­tions & Services, representante no Brasil das duas empresas. No âmbito dessa par­ ceria diversos soft­wares foram ce­ didos à escola, para uso nos cur­ sos técnicos — principalmente no de pré-​­impressão —, no curso su­ pe­r ior Tecnologia em Produção Gráfica e também em cursos de formação ini­cial e con­ti­nua­da. Da GMG já estão dis­po­ní­veis o Co­lorP­roof, o ProofCon­trol, o Co­ lorServer, o InkOptimizer, o Print­ Control e o RapidCheck. O pri­ mei­ro é um sistema de controle

6 TECNOLOGIA GRÁFICA 

O prêmio entregará em 2011 tro­féus em 60 ca­te­go­rias (dis­tri­buí­ das em 11 segmentos). Serão con­ cedidos três prê­mios de Atributos

VOL. II  2011

de cor para provas di­gi­t ais e ad­ ministrador de perfis de referên­ cia. Permite ge­ren­ciar e ­c riar di­ ferentes calibrações de provas, para diversos substratos. Possibi­ lita também simular cada sistema de impressão, offset, flexografia e rotogravura. As provas obtidas podem ser em tom contínuo ou com simulação de pontos de re­ tícula. O Proof­Control é uma fer­ ramenta para verificação de pro­ vas di­gi­tais e comparação com um padrão pré-​­determinado. O Color­ Server é um conversor e normali­ zador de arquivos en­via­dos para as gráficas por birôs, agên­cias e pelos pró­prios clien­tes. Permite a corre­ ção de problemas de conversão e

de separação de cores, facilitando o acerto final de cores durante a impressão. O InkOptimizer atua sobre os tons neu­tros (grises) da separação de cores, identifica es­ sas ­­áreas e reduz nelas as quanti­ dades de cyan, magenta e amarelo, au­men­tan­do o preto. Pro­por­cio­ na diversas vantagens na impres­ são, como redução do uso de so­ lução de molha, de pó secante, de consumo de tinta de va­ria­ção de cores, além de secagem mais rápi­ da, entre ou­tras. O PrintControl é uma ferramenta para padronizar o processo de impressão, permitindo a aplicação da norma ISO 12647-2. Já o RapidCheck é uma ferramen­ ta para verificação de arquivos im­

pressos, comparando-os com um padrão pré-​­determinado. Os produtos Dalim que serão usados por alunos e professores da escola são o Twist, para a cria­ção de fluxos de trabalho — que possibili­ ta a customização e padronização dos processos de pré-​­impressão —, e o ES , portal de entrada de arqui­ vos via web. Fun­cio­na como um site, pelo qual o clien­te da gráfica pode informar todos os dados refe­ rentes ao trabalho a ser executado e fazer o ­upload dos arquivos. Após o processamento no fluxo de tra­ balho, o clien­te terá acesso aos ar­ quivos fi­nais, poderá checá-​­los e fa­ zer a aprovação a partir de qualquer local com acesso à internet.


Faculdade de Tecnologia Gráfica oferece novo programa de capacitação

C

om o ­apoio da Integrare, a Faculdade Se­ nai de Tecnologia Gráfica está oferecen­ do um novo programa de capacitação, volta­ do para diretores, gerentes e coor­de­na­do­res de gráficas pequenas, mé­dias e grandes. Tratase de um curso de extensão universitária que tem por objetivo desenvolver com­pe­tên­cias na metodologia Seis Sigma. Essa ferramenta, que tem sido usada com grande sucesso pelas melhores empresas em todo o mundo, enfati­ za o uso da estatística e a abordagem sistêmi­ ca dos processos. O gestor ­Green Belt é pre­ parado para buscar a excelência na gestão de resultados fi­nan­cei­ros expressivos. O curso é focado em aplicações práticas tí­ picas da indústria gráfica. Os participantes são incentivados a desenvolver projetos de mu­ danças efetivas e ren­tá­veis, em si­tua­ções ­reais. O instrutor ­Oziel Branchini, que ministrará o

trei­na­men­to, é técnico gráfico, técnico em ce­ lulose e papel, gra­dua­do em engenharia quími­ ca e mestre em ciên­cias so­ciais. Trabalhou mais de 30 anos na indústria de papel e celulose, im­ plantando sistemas da qualidade e investindo na excelência ope­ra­cio­nal, com ênfase em me­ lhoria contínua e redução de custo. É consul­ tor e professor dos cursos de pós-​­gra­dua­ção da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica. A parceria com a organização não gover­ namental Integrare vai permitir uma redução subs­t an­cial no valor do curso para os estu­ dantes que trabalham em empresas con­ve­ nia­das ou par­cei­r as da ins­ti­tui­ç ão. Esse des­ conto será suportado pela ONG . Entre no site do Integrare para conhecer a ins­ti­tui­ção: www.integrare.org.br. Para mais informações consulte: www.sp.senai.br/grafica.

Novo curso de pós-​­graduação

A

Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica está finalizando a estruturação do curso Proje­ to e Produção de Embalagens Fle­xí­veis. O novo programa de pós-​­gra­dua­ção, com 360 horas de duração, será oferecido no segundo semestre de 2011. O segmento de embalagens fle­xí­veis já é bastante forte e, segundo previsões, deve cres­ cer bastante no mundo in­tei­ro nos próximos anos — em torno de 9,2% ao ano, até 2013 (Pira In­ter­ na­tio­nal). Ao mesmo tempo, as demandas por mais qualidade, produtividade e sustentabilida­ de am­bien­tal têm pres­sio­na­do esse segmento a implementar constantes me­lho­rias em produ­ tos e processos. O novo curso pretende con­ tri­buir com as empresas do setor, preparando pro­f is­sio­nais para enfrentar esses de­sa­f ios. A grade do curso in­clui­rá módulos como De­ sign de Embalagens, Processos de Conversão, Ges­ tão Fi­nan­cei­ra e Embalagem e Sustentabilidade.

VANTAGENS · Redução no consumo de álcool Isopropílico; · Proporciona a rápida limpeza da chapa e reinício de impressão; · Contém anti-corrosivo; · Aplicável em todos os tipos de chapa, inclusive CTP; · Excelente equilíbrio entre água e tinta. DADOS TÉCNICOS · pH : 4,8 a 5,2 · Condutividade: 500 µS / % utilizado · Cor: Incolor INSTRUÇÕES DE USO Coloque a Solução de fonte MAG 3600 Plus entre 2 e 3% do volume de água e agite. Adicione álcool isopropílico puro (geralmente em torno de 8% do volume)

VOL. II  2011  TECNOLOGIA GRÁFICA

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NOTÍCIAS

D

Em outubro tem Congraf

e 8 a 11 de ou­tu­bro, em Foz do Iguaçu, Paraná, será rea­ li­z a­do o 15º‒ Congraf, Congresso Bra­si­lei­ro da Indústria Gráfica. Or­ ganizado pelo Abigraf Na­cio­nal, com o ­apoio da Abigraf Re­gio­nal Paraná, o evento deve reu­nir cer­ ca de 800 pes­soas. O temário do 15º‒ Congraf, que se rea­li­za de três em três anos, inclui o perfil do novo consumidor, mí­dias so­ciais, sustentabilidade, convergência e oportunidades, dentre ou­tros assuntos. O congresso ocorre­ rá no Hotel Mabu – Thermas & Resort e será aberto ofi­cial­men­te no dia 8, às 19 horas. Essa pri­mei­ ra noi­te do evento contará com palestra de abertura, seguida de coquetel e show musical. As pa­ lestras serão rea­li­z a­das nos dias 9, 10 e 11, no pe­río­do da manhã. Além da programação diá­ria, o 15º‒ Congraf contará, ain­da, com uma fei­ra de produtos e serviços gráficos, rea­li­za­da no espaço Salão Atlântico do hotel.

Para facilitar a participação neste que é o mais importante evento de atua­li­z a­ção mercado­ lógica para os pro­f is­sio­nais do se­ tor, a Abigraf firmou uma parce­ ria com a operadora de turismo Must Tour Via­gens e Turismo, que oferece condições es­p e­ciais aos congressistas. As inscrições con­ti­ nuam abertas. Há descontos es­pe­ ciais para quem se inscrever com antecedência e para grupos. 15º‒ Congresso Bra­si­lei­ro da Indústria Gráfica Data: 8 a 11 de ou­tu­bro Abertura: 8 de ou­tu­bro, a partir de 19h Palestras: 9 a 11 de ou­tu­bro, das 9 às 13h Fei­ra: dias 9 e 10, das 8 às 17h; dia 11, das 9 às 12h Local: Hotel Mabu Thermas & Resort Avenida das Cataratas, 3.175 Foz do Iguaçu (PR) Pacotes para congressistas: Must Tour Via­gens e Turismo Tel (11) 3284.1666 www.must­tour.com.br Informações e inscrições: www.congraf.org.br ou (11) 3164.3193

Programa 8 de outubro 19h – Abertura oficial do Congraf 19h45 – Perspectivas para um Brasil melhor, com Henrique Meirelles

9 de outubro Auditório 9h30 – O perfil do novo consumidor / Geração Y, com Sidnei Oliveira 11h10 – O poder das mídias sociais para os negócios, com Mariela Castro

Sala 1

9h30h – O futuro da gráfica e a construção de valor nas relações comerciais, com Hamilton Terni Costa 11h10 – Tendências tecnológicas: convergências de mídias ou substituição?, com Bruno Mortara

8 TECNOLOGIA GRÁFICA 

VOL. II  2011

10 de outubro Auditório 9h30 – Economia criativa, sustentabilidade e futuros, com Lala Deheinzelin 11h10 – Copa do Mundo e Olimpíadas: oportunidades nos negócios, com José Carlos Brunoro

Sala 1

9h30 – Planejamento de investimentos: estruturando o seu crescimento de forma econômica, com Flávio Botana 11h10 – Oportunidades para a indústria gráfica no segmento de embalagem, com Fabio Mestriner

11 de outubro Auditório 9h30 – Educação de qualidade como fator de sustentabilidade do desenvolvimento, com Cesar Callegari 11h10 – Debate sobre o impacto do temário na indústria gráfica 12h30 – Encerramento oficial


Estamos vendendo equipamentos gráficos em ótimo estado!

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PRODUTOS

Xerox traz multifuncional WorkCentre 7556 para o Brasil

L

ançada em abril no mercado bra­si­lei­ro, a nova mul­ti­fun­cio­ nal colorida da Xerox oferece uma série de recursos para ajudar des­ de es­cri­tó­rios de médio porte até grandes grupos de trabalho, as­so­ cian­do au­men­to de produtivida­ de à obtenção de metas sus­ten­ tá­veis. A Xerox Work­Centre 7556 permite fazer impressões coloridas a uma velocidade de 45 e 50 pági­ nas por minuto e de 45 e 55 ppm em preto e branco. Com avançada tecnologia Hi- Q LED e saí­da de alta resolu­ ção para documentos coloridos e pro­f is­sio­nais, a mul­ti­fun­cio­nal co­ pia, digitaliza, envia fax e e-​­­mails, in­cluin­do ain­da ferramentas avan­ çadas para ge­ren­cia­men­to de do­ cumentos e fluxo de trabalho.

A

www.xerox.com

N

o final de março, a Polar apresentou ao mercado uma nova estação de transferência de papel. Trata-se da PickStack, que reú­ne quantida­ des exatas de folhas de papel cortadas au­to­ma­ti­ca­men­te. Com essa ino­ vação é possível empilhar facilmente pa­péis do formato 750 × 1.050 mm (para um produto) ou 750 × 250 mm (para dois produtos). Cria­da a partir de ex­pe­riên­cias com carregadoras e descarregadoras Transomat, da Polar, a estação de transferência é um dispositivo compacto e rápido que permite que dois produtos sejam desempilhados si­mul­ta­nea­ men­te. Além disso, por meio de um marcador de chip, é possível programar antecipadamente a quantidade exata de papel a ser desempilhado. Uma cinta es­pe­cial permite fazer isso com formatos menores (até 430 × 430 mm) ou ma­te­rial escorregadio. De­p ois de desempilhado, o papel é alinhado exatamente em três lados antes de ser colocado no palete. Com o ajuste au­to­má­ti­co de formato não é preciso rea­li­z ar nenhu­ ma operação ma­nual para alteração de formato. Qua­tro travas são utili­ zadas para fixar o ma­te­rial. O indicador óptico OPP, lançado na Ipex 2010, facilita o po­si­cio­na­men­to dos paletes va­zios na pilha. O foco da nova estação de transferência são as impressoras que tra­ balham apenas com a quantidade necessária de papel. Para isso, o Pick­ Stack oferece alta qualidade e uniformidade de pilha para processamento adi­cio­nal diretamente na impressora. www.br.heidelberg.com

XMPie apresenta PersonalEffect 5.2

nova versão do PersonalE­ ffect da XMP ie, a 5.2, traz uma nova ferramenta para apri­ morar o ras­trea­men­to e análise de dados: o Per­so­nal­Effect Analytics. O recurso combina tecnologia para controle exclusivo do registro de eventos ao longo da execução de uma campanha e é uma ferramen­ ta fácil de usar, gerando re­la­tó­rios visivelmente atraen­tes, gráficos, da­ dos e refinados recursos de atua­ li­z a­ção. A capacidade de contro­ le exclusivo permite a gravação de todos os dados relevantes da cam­

10 TECNOLOGIA GRÁFICA 

O equipamento trabalha com resolução de 1.200 × 2.400 dpi e com servidor de impressão op­ cio­nal EFI ­Fiery, que fornece recur­ sos de artes gráficas e de proces­ samento acelerado da impressão, adequando os trabalhos de rotas para mul­ti­f un­cio­nais. As novas mul­ti­fun­cio­nais vêm equipadas com recursos avança­ dos de segurança, in­cluin­do crip­ tografia de disco rígido, subs­ti­tui­ ção de imagem na fragmentação eletrônica de dados, isolamento das funções de fax para impe­ dir acesso não au­to­ri­z a­do a da­ dos e opções de au­t en­t i­c a­ç ão de rede para restringir o acesso à digitalização, e-​­mail e fax.

Polar lança estação de transferência de papel

VOL. II  2011

panha, in­cluin­do valores para va­riá­ veis definidas no brie­fing de cria­ção da ação (por exemplo, a referên­ cia de uma imagem se­le­cio­na­da com base no perfil do destinatá­ rio ou a escolha de um destinatá­ rio na seleção de uma oferta em detrimento de ou­tras). Com tal histórico de ras­trea­ men­to, o Per­so­nal­Effect Analytics permite que o pro­fis­sio­nal de mar­ ke­ting veja o desempenho da cam­ panha nas dimensões que mais importam para ele, nos objetivos definidos. Não há necessidade de

recolher dados de acompanha­ mento e, em seguida, cruzar com um sistema de gestão do con­teú­ do ou de gestão do re­la­cio­na­men­ to com o clien­te para conhecer o comportamento dos segmen­ tos específicos e do público-​­alvo. Tudo é ativado através da inte­ gração com o XMP ie Analytics com a tecnologia XMP ie Ador, que im­pul­sio­na a capacidade de personalização das soluções crossmedia, permitindo a coe­rên­cia e ra­cio­na­li­z an­do au­to­ma­ti­c a­men­ te mensagens e con­teú­dos atra­

vés dos diversos ca­nais de mídia usados na campanha. Além da análise, o Per­s o­nal­ Effect 5.2 agora inclui suporte para o emergente padrão PDF/VT. As­ sim, os usuá­rios irão se be­ne­f i­ciar da capacidade do formato do do­ cumento para a produção mais rá­ pida, efi­cien­te e previsível de peças impressas personalizadas, parte im­ portante de qualquer campanha crossmedia. O Per­so­nal­Effect 5.2 estará disponível mun­dial­men­te em maio de 2011. www.xmpie.com


Novo formato na linha de impressoras :Anapurna

A

Agfa está apresentando nas fei­r as eu­ro­p eias a nova im­ pressora digital UV de grande formato da família :Anapurna, a M1600 . O equipamento trabalha no formato 1,60 m a uma veloci­ dade de até 46 m²/h e foi planeja­ do para trabalhar tanto em subs­ tratos rígidos, in­cluin­do espelhos, quanto em ma­te­riais fle­xí­veis, aten­ dendo à demanda de clien­tes que necessitam da cor branca. O recurso da tinta branca abre novas possibilidades para a impres­ são em ma­te­r iais transparentes,

Concebida como uma unida­ de de produção robusta, ela com­ bina qualidade com facilidade de uso para todos os tipos de apli­ cações de até 1,58 m de largura e 4,5 cm de espessura em supor­ tes rígidos. O sistema de mani­ pulação de mídia flexível e uma mesa de vácuo de duas zonas faci­

litam a operação com vá­rios tipos de substratos. A impressora :Ana­ purna M1600 quatro cores mais o branco reproduz chapados e ren­ derização de tons até 720 × 1.440 dpi com cores vibrantes e uma ampla gama de cores típicas para tintas de cura UV. www.agfa.com

C35 é a novidade da Konica Minolta am­bien­tal em todo o seu processo de fun­cio­na­men­to. Integrados à mul­ti­f un­cio­nal, os soft­wares da linha PageScope aju­ dam na administração das impres­ sões. O PageScope Web Con­nec­tion, por exemplo, fornece informações de status sobre os con­su­mí­veis da impressora diretamente no monitor do computador do usuá­rio. Já o Pa­ geScope Data Administrator facilita a atri­bui­ção de di­rei­tos de usuá­rios e permissões de impressão, inclusi­ ve restrições à impressão em cores. Essa ferramenta também permite um fácil monitoramento do volu­ me impresso de cada usuá­rio. Com a fun­cio­na­li­da­de Konica Minolta de segurança abrangente ativada, as im­ pressões de ­maior importância são todas criptografadas.

ANO XV Nº 76 VOL. I 2011 ISSN 1678-0965

A REVISTA TÉCNICA DO SETOR GRÁFICO BRASILE IRO

EspEcial

O que faz um produto merecedor de um prêmio

Gestã o

A importância da correta aplicação da Tecnolo gia da Informação 76

de dos documentos e imagens. As­ sim como todos os equipamentos bizhub, a C35 minimiza o impacto

IA gRáfIc A

Konica Minolta está trazendo ao Brasil a mul­ti­f un­cio­nal bi­ zhub C35. Compacta, com alto de­ sempenho e velocidade de impres­ são de até 30 páginas por minuto, o equipamento de mesa faz a pri­mei­ ra impressão em apenas 12,9 segun­ dos e ain­da possui duplex padrão para có­pias frente e verso. A bizhub C35 utiliza a mais recente tecnolo­ gia de controlador de impressão Em­ pero, que pro­por­cio­na integração com praticamente qualquer rede, além de ser compatível com siste­ mas ope­r a­cio­nais e aplicativos da maio­ria das empresas. O equipamento possui proces­ sador de 800 MHz e memória de 1,5 GB padrão e máximo. Suas impres­ sões vão até o formato A4, com re­ solução máxima de 600 × 600 dpi, o que garante uma ótima qualida­

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VO C Ê S A B E O QUE ACONTECE

CA DA V E Z QU E U M L I V RO, UM CADERNO, UMA EMBALAGEM, UMA REVISTA OU UM FOLHETO

É IMPRESSO? UMA NOVA ÁRVORE DA EDUCAÇÃO, DA INFORMAÇÃO E DA DEMOCRACIA É PLANTADA.

A cadeia produtiva do papel e da comunicação impressa vem realizando uma campanha de informação sobre o que produz para a sociedade. Esclarecer dúvidas e, principalmente, traz à luz da verdade algumas questões ligadas à sustentabilidade. A principal delas é deixar claro que, as árvores destinadas à produção de papel provêm de florestas plantadas, e que essas são culturas, lavouras, plantações como qualquer outra. Somos uma indústria alinhada com a ecologia e a natureza, ou seja, as nossas impressões são extremamente conscientes porque utilizamos processos cada vez mais limpos. E, mesmo assim, buscamos todos os dias novas tecnologias de produção que respeitem ainda mais o equilíbrio do meio ambiente. Somos uma indústria que traz prosperidade para o País e benefícios para todos os brasileiros. Temos imenso orgulho de saber que cada vez que imprimimos um caderno, um livro, uma revista, um material promocional ou uma embalagem, estamos levando conhecimento, informação, democracia e educação a todos. Imprimir é dar veracidade, tornar palpável. Imprimir é assumir compromisso. Imprimir é dar valor. Principalmente à natureza.

IMPRIMIR É DAR VIDA.

ENTIDADES PARTICIPANTES: ABAP, ABEMD, ABIEA, ABIGRAF, ABIMAQ, ABITIM, ABRAFORM, ABRELIVROS, ABRO, ABPO, ABTCP, ABTG, AFEIGRAF, ANATEC, ANAVE, ANDIPA, ANER, ANL, BRACELPA, CBL, FIESP E SBS. CAMPANHA DE VALORIZAÇÃO DO PAPEL E DA COMUNICAÇÃO IMPRESSA.

A c e s s e e s a i b a m a i s : w w w. i m p r i m i re d a r v i d a . o r g . b r Imagem de eucalipto


NORMALIZAÇÃO

XRGA

Bruno Mortara

Um novo padrão X‑Rite para artes gráficas?

R

ecentemente, a X‑Rite, principal conglo‑ merado de empresas de instrumentos de controle de cor (X‑Rite, Gretag e Mac­ beth) que atende inúmeros segmentos da indústria (inclusive a indústria gráfi‑ ca), teve de resolver um quebra-​­cabeça técnico im‑ portante. Justamente por ser uma junção de diver‑ sas empresas com equipamentos similares, porém não padronizados, ela se viu dian­te do inevitável: o mercado começou a cobrar o fato de que as lei­tu­ ras colorimétricas de certa amostra fei­tas com um instrumento X‑Rite resultavam diferentes se fossem fei­tas com um instrumento Macbeth e ain­da po­ de­riam resultar em um ter­cei­ro valor se fossem fei­ tas com um da Gretag. Isso afeta o desempenho e a qualidade das empresas, uma vez que a cor é um fator fundamental para a produção de quase to‑ dos os produtos. É es­sen­cial que exista um contro‑ le eficaz e uma comunicação de cores precisa en‑ tre o designer, a produção e a dis­tri­bui­ção para a obtenção de produtos de alta qualidade e controle de qualidade. Com lei­tu­ras diferentes, esse impor‑

tante controle se torna ambíguo e não se consegue atingir a consistência da cor ao longo do processo produtivo, es­pe­cial­men­te importante quando há uma ca­deia de suprimentos ou quando se adotam diferentes substratos na indústria gráfica. É impor‑ tante ressaltar que cada segmento da ca­deia con‑ segue controlar seu processo com um determinado instrumento, mas, no momento em que surge uma discrepância entre diferentes instrumentos, não há quem culpar senão a instrumentação. O problema da consistência

Em setores nos ­quais a cor é crítica, a ma­nei­ra mais precisa e con­f iá­vel para medi-la e controlá-la é atra‑ vés do uso de espectrofotometria de alta qualidade, com a qual se obtêm os valores de energia para cada banda de 5 nm do espectro visível. Para os usuá­rios da indústria, o valor intrínseco da cor, obtido como descrito acima, deveria ser “imutável”, significan‑ do que todas as medidas tomadas de uma mesma amostra de cor devem, em teo­ria, produzir o mes‑ mo resultado. Entretanto, os pro­f is­sio­nais de artes Impressor

Designer Cliente com sua cor de “brand”

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Fotógrafo

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Prepress

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Colorista

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Formula Impresso Ambiente sem controle de cores

A consistência entre os elos da cadeia produtiva é essencial nas artes gráficas (imagem: X‑Rite).

14 TECNOLOGIA GRÁFICA 

VOL. II  2011


Da esquerda para a direita: SpectroEye, i1Pro e X‑Rite 530.

gráficas sabem que na prática isso não ocorre. Por quê? As razões dessa va­ria­ção de medição estão re­ la­cio­na­das com o fato de que cada amostra de cor física tem a sua própria “impressão digital” de re‑ flexão, que normalmente é medida utilizando um dispositivo de medição espectral. A resposta única espectral é conseguida atra‑ vés da comparação da relação da luz refletida ou transmitida de uma superfície como uma função do comprimento de onda, comparando-se com um padrão de referência conhecido. Para rea­li­z ar essa tarefa, há no mercado instru‑ mentação espectral com a capacidade de rea­li­z ar essa comparação no local, dis­tri­buin­do eletronica‑ mente os valores das medições. É mui­to comum que os usuá­rios utilizem instrumentos de medição de diversos fabricantes para o controle de cor. Eles também usam instrumentos com fun­cio­na­li­da­des de medição distintas, em diferentes pontos do seu fluxo de trabalho. Isso mui­tas vezes leva a uma si­ tua­ção comum e problemática, na qual as medi‑ ções resultantes apresentam pequenas diferenças numéricas para uma mesma amostra. Isso pode ser es­pe­cial­men­te problemático quando bancos de da‑ dos são cons­truí­dos utilizando um modelo de ins‑ trumento particular, não havendo concordância satisfatória com os resultados de ou­tros modelos usados por um serviço diferente. O último fator de va­ria­ção na medição de cores resulta do fato de que cada fabricante usa normas de calibração física um pou­co diferentes para seus instrumentos. O estudo das diferenças

A X‑Rite, mesmo que tar­dia­men­te, executou um estudo sistemático para ava­liar as diferenças que o mercado apontava entre os instrumentos das empre‑ sas que absorveu. Em 2006, os dois líderes no cam‑ po da ciên­cia e tecnologia de cor, X‑Rite e Gretag­ Mac­beth, se fundiram para formar a nova X‑Rite, Inc. Cada uma das empresas an­te­rio­res tinha, por ra‑

zões históricas, diferentes normas para a calibração de instrumentação de artes gráficas. As duas em‑ presas mantiveram seu padrão ao longo do tempo para garantir a compatibilidade dos dados de me‑ dições antigas executadas por seus clien­tes. A con­ ti­nui­da­de das normas foi um benefício para a base instalada de cada empresa clien­te, mas os instru‑ mentos de cada uma das antigas empresas apresen‑ tam diferenças sistemáticas se comparadas as lei­tu­ ras sobre uma amostra específica. A X‑Rite ­criou o padrão XRGA com o objetivo de di­mi­nuir essas di‑ ferenças, sem impossibilitar os fluxos de trabalho até então implantados em cada clien­te. Para o estudo da empresa foram escolhidos os modelos mais vendidos de cada empresa e as medi‑ ções foram rea­li­za­das sob condições típicas de tra‑ balho em substratos impressos. A ­ideia era quantifi‑ car as diferenças entre os modelos co­mer­cia­li­za­dos pelo grupo. Os seguintes instrumentos foram uti‑ lizados nesse estudo: Gretag­Mac­beth: i1Pro, Spec‑ troLino e Spectro­Eye; X‑Rite: 530, 938 e 939. As me‑ dições foram rea­li­z a­das na tarja de controle Ugra/ Fogra Media Wedge CMYK V2, no modo sem fil‑ tro UV, denominado M0 na norma ISO 13655. Essa é a definição mais comum de filtros utilizados em aplicações de artes gráficas. As amostras de teste foram fei­tas em diferen‑ tes substratos, impressos pela as­s o­cia­ç ão das in­ dús­trias gráficas alemãs, o Altona Test Sui­te. Foram escolhidos os substratos cou­ché brilho, cou­ché fos‑ co, LWC, papel offset não revestido branco e papel offset não revestido levemente amarelado. Além disso, foram se­le­cio­na­dos alguns substratos do Ja‑ pão, revestidos e não revestidos, além de impres‑ são digital de alta qualidade em papel fotográfico jato de tinta da Fuji. Procedimentos de medição e condições

Para os testes foram seguidas as normas in­t er­ na­cio­nais da ISO, em es­p e­cial a norma 13655, na

Tarja de controle escolhida para os testes. VOL. II  2011  TECNOLOGIA GRÁFICA

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qual é especificado o ­apoio, no caso o preto. To‑ dos os testes foram rea­li­za­dos em uma sala com ar-​ ­con­di­cio­na­do com controle de temperatura (23°C ± 1°C). A umidade foi controlada em 65% e a tar‑ ja de controle Ugra/Fogra Media Wedge CMYK V2 foi medida com cada instrumento, em um inter‑ valo de quatro segundos entre as medições, com a condição sem filtro UV-Cut, a condição M0 da nor‑ ma ISO 13655. Os cálculos colorimétricos foram exe‑ cutados para o iluminante D50 e as funções de ob‑ servador padrão 2°. A fórmula de diferença de cor escolhida foi a mesma das normas acima, a Cie­lab 1976 L*a*b* (dE* ab). Em cada comparação foi cal‑ culada a média e o máximo de 95% dos valores das diferenças colorimétricas para todos os patches em uma comparação entre instrumentos. A análise dos dados

Na tabela a seguir são apresentados os dados para o substrato papel fotográfico de alta qualidade, usado em impressão digital. Segundo o estudo da X‑Rite, os resultados foram considerados idênticos, inde‑ pendente do tipo de substrato testado e, portan‑ to, os resultados aqui apresentados se restringem a um único substrato. Os dados mostram uma proximidade de lei­tu­ ras entre os instrumentos de um mesmo fabrican‑ te, entre os instrumentos antigos X‑Rite (530, 938 e 939) e entre os antigos instrumentos Gretag­­Macbeth (i1Pro, SpectroLino, Spectro­Eye). Já a conformidade entre os instrumentos não é tão boa quando se comparam os instrumentos da X‑Rite e aqueles da Gretag­Mac­beth. As diferenças ilustram a consequência do uso de padrões de ca‑ libração diferentes em cada uma das empresas an‑ tigas. As diferenças entre as duas fa­mí­lias de instru‑ mentos são importantes para aplicações de artes gráficas, e é isso que cria dificuldades para a troca de informações de cor entre aqueles que even­tual­ men­te utilizam instrumentos de empresas diferentes. 530

Normalmente se utilizam equipamentos da X‑Rite para o controle de processo em sistemas offset, flexográficos ou rotogravura e os instrumen‑ tos da Gretag­M ac­b eth para a calibração desses sistemas de impressão. O novo padrão X‑Rite

O estudo de conformidade de medições entre os diferentes modelos e fabricantes ori­gi­ná­rios quan‑ tificou as diferenças encontradas de modo sistemá‑ tico. Com esses dados e uma revisão dos processos internos, a X‑Rite ­criou um denominador comum para interpretar e harmonizar as medições chama‑ do de XRGA (X‑Rite Standard for Graphic Arts, ou padrão X‑Rite para Artes Gráficas). Segundo a em‑ presa, os objetivos conseguidos foram a melhoria dos métodos de calibração, ras­trea­bi­li­da­de, melhor execução em relação às normas já existentes e me‑ nor diferença entre instrumentos. Além disso, a em‑ presa norte-​­americana afirma que o XRGA será um padrão único para todos os futuros instrumentos de artes gráficas a serem fabricados pelo grupo. Além de desenvolver calibrações melhores para cada instrumento, a X‑Rite desenvolveu um con‑ junto de transformações por matriz entre cada par de instrumentos da sua car­tei­ra de produtos, cál‑ culos esses que estão embutidos no padrão XRGA . Essas transformações permitem que medições fei­ tas por qualquer instrumento antigo X‑Rite, Gre‑ tag ou Macbeth possam ser harmonizadas com as medições fei­t as por instrumentos ­atuais com ra­ zoá­vel conformidade numérica. As diferenças pro‑ vocadas pela tecnologia XRGA aparecem na com‑ paração entre as duas tabelas. Fica evidente que hou­ve mui­to progresso. Conclusões

Segundo o estudo da X‑Rite, a conformidade en‑ tre os instrumentos é praticamente independen‑ te do tipo de substrato. Além disso, se as gráficas

938

939

i1Pro

SpectroEye

dE*ab Média

95%

Média

95%

938

0.27

0.48

939

0.39

i1Pro

Média

95%

0.85

0.33

0.82

0.90

2.70

0.92

SpectroEye

1.08

2.94

SpectroLino

0.91

2.47

Média

95%

2.40

0.96

2.44

1.06

2.89

1.03

2.80

0.56

1.36

0.88

2.36

0.83

2.14

0.47

1.01

Resultados da comparação entre modelos, seguindo-se os padrões de calibração tradicionais.

16 TECNOLOGIA GRÁFICA 

VOL. II  2011

Média

95%

0.37

0.83


530

938

939

i1Pro

SpectroEye

dE*ab média

95%

média

95%

938

0.27

0.48

939

0.39

i1Pro

média

95%

0.85

0.33

0.82

0.49

1.03

0.50

SpectroEye

0.60

1.26

SpectroLino

0.56

1.17

média

95%

1.11

0.51

1.23

0.56

1.25

0.43

0.85

0.56

1.36

0.55

1.28

0.44

0.95

0.47

1.01

média

95%

0.37

0.83

Resultados da comparação entre modelos, utilizando-se o novo padrão XRGA.

possuírem instrumentos antigos e utilizarem o novo tag e da Macbeth serão convertidos para o XRGA padrão XRGA este não cria­rá diferenças com as me‑ nos próximos meses. dições pré­vias fei­tas com esses instrumentos, sejam eles X‑Rite (530, 938 e 939) ou Gretag­Mac­beth (i1Pro, O ColorPort SpectroLino, Spectro­Eye). O padrão XRGA provê Algumas ferramentas estão dis­p o­ní­veis para au­ um bom resultado entre os instrumentos ­atuais da xi­liar na transição de dados antigos, quando ne‑ X‑Rite, não afetando seus pos­sui­do­res. cessário. A pri­mei­ra transformação será facilitada Para gráficas que têm a maio­ria dos produtos da pelo uso da aplicação ColorPort. O ColorPort v2.0 X‑Rite (novos ou antigos), a transformação das lei­ é um utilitário gra­tui­to, que pode ser bai­xa­do do tu­ras pelo padrão XRGA pro‑ site da X‑Rite, usado para sal‑ dE*ab Média 95% duz diferenças mui­to peque‑ var os dados seja nos valores nas nos valores de medição e, ‘nativos’ seja em valores con‑ 530 0.27 0.66 provavelmente, afetará pou­co vertidos pelo XRGA . Isso per‑ tanto clien­tes quanto os pro‑ mite ao mercado experimen‑ 938 0.27 0.66 cessos. A tabela ao lado mos‑ tar os be­ne­f í­cios e impactos tra as diferenças que podem do novo padrão, com seus ins‑ 939 0.28 0.66 ser esperadas para os instru‑ trumentos existentes. Os ins‑ mentos envolvidos no estudo. trumentos suportados pelo i1Pro 0.60 1.61 Os instrumentos antigos ColorPort 2.0 são: linha 530, da própria X‑Rite estão mui­to 938, 939, Spectro­Eye, SP62/64, SpectroEye 0.60 1.63 próximos dos resultados ob‑ i1Pro, i1iO, i1iSis, DTP20 (Pulse), SpectroLino 0.60 1.63 tidos com o XRGA . Segundo DTP22, DTP41, DTP45 , DTP70 e o fabricante, todos os clien­ Diferenças entre os procedimentos o SpectroScan. tes vão se be­ne­f i­ciar do uso antigos e o novo com XRGA (medições Numa pri­mei­ra observação do novo padrão, uma vez que realizadas em impressão digital, papel parece que isso significa um ele melhora significativamen‑ de prova de alta qualidade). ótimo avanço para todos os te o acordo entre os instrumentos, está em con‑ gráficos, em es­pe­cial para aqueles que se utilizam formidade com os requisitos de ras­trea­bi­li­da­de do de instrumentos para acordos co­mer­ciais, certifica‑ NIST (EUA) e ajuda na especificação dos impressos, ções públicas ou privadas e empresas com controle já que os números tendem a se equivaler entre as de processo e boas práticas implantadas. empresas da ca­deia de produção gráfica, facilitando Como isso significa mais con­f ia­bi­li­da­de para os o intercâmbio de dados gráficos. instrumentos, que seja bem-​­vindo o XRGA! Alguns produtos X‑Rite para artes gráficas já es‑ tão em conformidade com o XRGA: os espectrofo‑ tômetros ma­nuais ColorMunki Photo, ColorMunki Mais informações em www.X‑Rite.com/xrga Design e o lei­tor au­to­má­ti­co para impressoras off‑ set Easy­Trax. Todos os futuros instrumentos de ar‑ Bruno Mortara é superintendente do ONS27, coordenador da Comissão de Estudo de tes gráficas entregues pela X‑Rite também esta‑ Pré‑Impressão e Impressão Eletrônica rão em conformidade com este padrão. De acordo e professor de pós‑graduação na com o fabricante, os produtos originados da Gre‑ Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica. VOL. II  2011  TECNOLOGIA GRÁFICA

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ESPECIAL Elisabete Pereira

O desafio dos livros digitais

Gráficas começam a oferecer ao mercado editorial a transformação dos livros em e‑books. O ePub é o formato preferido.

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O

Senai-SC anun­ciou recentemente que ain­da no pri­mei­ro semestre de 2011 implantará tablets como ferramentas pedagógicas em uma turma da cidade de Tubarão. Na mesma época, a Universidade Estácio de Sá divulgou que seus alunos do curso de Di­rei­to no Rio de Ja­nei­ro e Espírito Santo receberão gra­tui­ta­men­te tablets no segundo semestre para terem acesso a uma bi­blio­te­ca com trechos de livros usados nas disciplinas. Esses são dois exemplos, limitados ao universo edu­c a­cio­nal, de quão rápido vem se disseminando o consumo de con­teú­do antes restrito ao suporte papel. Esbarramos com eles dia­ria­men­te e na maio­ria das si­tua­ções esses exemplos apontam para a expansão das soluções di­gi­t ais. De acordo com dados divulgados pela As­so­cia­ção de Editores Americanos (AAP), as vendas de livros di­gi­tais nos Estados Unidos em dezembro de 2010 cresceram 164,8%, somando US$ 49,5 mi­lhões. No acumulado do ano, a elevação foi de 164,4%, totalizando US$ 441,3 mi­lhões.

Enquanto isso no Brasil as editoras apressamse para lançar títulos no formato digital, ao mesmo tempo em que tramita no Senado Federal o projeto de Acir Gurgacz (PDT-RO) alterando a Política Na­ cio­nal do Livro para in­cluir qualquer livro em formato digital, magnético ou óptico no rol dos produtos isentos de impostos. Pelo projeto também ficarão equiparados aos livros os equipamentos cuja função exclusiva ou pri­mor­dial seja a lei­tu­ra de textos, como o Kindle e o iPad. No mar de questionamentos em que navegam geradores de con­teú­do, editoras e prestadores de serviço, uma certeza é a de que os livros di­gi­t ais já representam um nicho de mercado. Estimar a velocidade de crescimento desse segmento é um exercício de futurologia ao qual se dedicam pesquisadores como o americano Robert Darnton, diretor da bi­blio­te­ca de Harvard e au­tor de A questão dos livros. Ele defende a ­ideia de que o livro tra­di­ cio­nal pode conviver com a versão digital. “Acredito que as pes­soas ain­da não entenderam ­quais são as mudanças provocadas por essa revolução


[dos livros di­gi­tais]. Comenta-se mui­to que vivemos na era da digitalização. É verdade, mas isso não significa obri­ga­to­ria­men­te a morte do livro tra­di­ cio­nal. Ao contrário: ele se torna mais importante a cada ano. Basta conferir a quantidade de obras impressas que, anual­men­te, ultrapassa a do an­te­ rior. Aproximadamente 1 milhão de livros a mais são impressos em todo o mundo em um ano, uma lou­cu­ra”, afirmou o pesquisador em entrevista ao jornal O Estado de S. Pau­lo. Nos bastidores das discussões mercadológicas e cul­tu­rais há a questão técnica: o processo de conversão ou transformação do livro em algo que possa ser lido nos dispositivos di­gi­tais. Atual­men­te, o ePub é o padrão in­ter­na­cio­nal de formato eletrônico preferido pelo mercado edi­to­ rial para e-​­­books. Foi desenvolvido pelo In­ter­na­tio­ nal Digital Publishing Forum (IDPF), formado por empresas como Sony, Adobe, Microsoft e Hewlett Packard e responsável pela regulamentação dessa nova mídia. O ePub é um arquivo aberto que permite alterar o tamanho da fonte e ajustar a dimensão da página de acordo com o dispositivo utilizado. Outra vantagem de um livro fei­to nesse sistema é a possibilidade de lei­tu­ra do mesmo e-​­book em vá­rios lei­to­res di­gi­tais (iPad, Alpha, IRiver, Kindle, iPhone, PC, net­book). Cartilha orienta trabalho da Geográfica

Algumas gráficas já estão entendendo o livro digital como um produto que pode ser incorporado ao seu portfólio, como é o caso da Geo­grá­f i­ca, de Santo André (SP). “Existem mui­to mais perguntas do que respostas com relação ao futuro do livro, mas a mudança do livro físico para o digital será mais rápida do que se imagina. Os livros de papel não irão morrer. Ao contrário, as editoras que têm suas publicações em meio digital alavancam as vendas de livros físicos.” A análise de ­Ariel Vido, gerente de pré-​­impressão da Geo­grá­fi­ca, vem da ex­pe­riên­cia no dia a dia da empresa e da participação em eventos rea­li­z a­dos no mundo sobre o livro digital. A entrada da Geo­g rá­f i­c a no mundo do ePub surgiu a partir do telefonema de um grande clien­ te perguntando se a empresa poderia ajudá-lo em um novo desafio. “Isso de­sen­ca­deou uma corrida em busca de pro­f is­sio­nais e conhecimento e nos aproximou ain­da mais de nossos clien­tes. Até de-

senvolvemos um minicurso, que nos trou­xe mui­ tos resultados positivos. A troca de conhecimento foi fantástica”, conta o gerente. Hoje, uma equipe de sete pes­soas, formada por pro­f is­sio­nais das ­­áreas de design digital, programação e da própria produção, cui­da exclusivamente dos ePubs. Por ser um processo trabalhoso, as etapas são subdivididas em vá­rios passos. O aprendizado gerou uma cartilha de acompanhamento que ajuda a seguir todos os procedimentos para que nada fique de fora. “O prazo entre a chegada dos arquivos e a entrega do ePub revisado pode chegar a seis semanas. São mui­tos detalhes e nosso objetivo, sempre, é entregar ePubs com a mesma qualidade dos livros de papel”, justifica o executivo. Na Geo­g rá­f i­c a o processo de transformação do livro físico em e-​­book começa com uma revisão completa na aplicação dos estilos de parágrafo e caracteres e eliminação de itens que não são utilizados pelo ePub (páginas mestras, numeração de páginas etc.). A seguir, o texto é dividido em suas respectivas partes e prepara-se o estilo da Table of Contents (TOC), que é exportado em ePub. Faz-se os ajustes ne­ces­sá­rios no código XHTML no Dream­ wea­ver (soft­ware que faz parte do CS5 da Adobe) e de­pois a certificação do ePub no ePubCheck 1.2, ferramenta que valida a nova mídia (ePub) de acordo com as normas do IDPF. Atual­men­te, a Geo­grá­f i­ca é, segundo a própria empresa, a única do Brasil afi­lia­d a ao IDPF (idpf. org), a gestora do ePub, o que facilita seguir todos os avanços e discussões em torno do novo formato, que está prestes a ganhar uma nova versão, a 3.0, com diversas implementações como áu­dio, vídeo e animação. De acordo com ­Ariel Vido, o ePub tem se mostrado o formato padrão do mercado. Apesar de usarem formatos diferentes, a Amazon e a Barnes & Noble, por exemplo, acei­tam arquivos em ePub e internamente fazem as conversões para que os livros di­gi­t ais fun­cio­nem dentro de seus padrões (loja/dispositivo de lei­tu­ra). Como o mercado edi­to­rial tem utilizado maciçamente o InDesign, um arquivo bem dia­gra­ma­do nesse formato é a matriz do ePub, explica o gerente. “Cerca de 70% da produção de um ePub pode ser fei­ta a partir de um arquivo de InDesign bem estruturado”. De acordo com ele, no momento as

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ferramentas dis­po­ní­veis no mercado são suficientes. Para se adequar à nova demanda a Geo­grá­f i­ca precisou investir em alguns plug-​­ins de InDesign, como o PDF to InDesign e ­Quark to InDesign, além do Dream­wea­ver. Mais recentemente, ­Ariel Vido conta que surgiu o Sigil (code.goo­gle.com/p/sigil/), um programa gra­tui­to “que ain­da tem mui­ to a ser melhorado, mas que rapidamente foi incorporado no processo de conversão porque é um encurtador de caminhos”. Novo nicho para a Livraria Cultura

Em março do ano passado, a Livraria Cultura começou a co­mer­cia­li­z a­ção de livros di­gi­tais. Na mesma época, passou a oferecer o serviço de conversão para o mercado. “A demanda está crescendo mês a mês, mas não chega a 1% do faturamento da empresa. Nosso objetivo é alcançar 5%, em dois anos”, prevê Mau­ro Widman, coor­de­na­dor da equipe de e-​­­books da livraria. Ele considera o livro digital como um novo nicho de mercado e, a exemplo do que acontece no ex­te­ rior, onde essa nova mídia tem ajudado a im­pul­sio­ nar as vendas de livros impressos, o mesmo ocorrerá no Brasil: a pessoa compra o e-​­book, começa a ler, gosta e vai à livraria buscar o livro físico. “Acredito que, futuramente, daremos desconto para quem adquirir os dois produtos em um pacote só”. A Cultura também elegeu o ePub como o melhor formato para os lei­to­res di­gi­tais, pois com ele

Até 2013, a conversão para e-books deve representar 5% do faturamento da Livraria Cultura, segundo Mauro Widman.

20 TECNOLOGIA GRÁFICA 

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o lei­tor consegue utilizar o livro eletrônico na sua melhor forma. Para transformar uma obra em um livro digital, a livraria utiliza uma versão de PDF para ePub, ­usual para os e-​­­books, mas que necessita de ajustes ma­nuais para garantir a qualidade da conversão. “Ainda não existe um programa completo para essa finalidade. Mesmo as ferramentas que encontramos no mercado, como o InDesign, não são su­f i­cien­tes. Assim, esse serviço permanece, em grande parte, ma­nual”. De acordo com Mau­ro Widman, as editoras, sobretudo as menores, são as que mais ter­cei­ri­zam esse serviço, pois nem sempre contam com pes­soal es­pe­cia­li­z a­do. “Para fazer uma conversão de qualidade é necessário um conhecimento sólido em informática”. Segundo o executivo, livros de dia­ gra­ma­ção simples, com textos corridos e pou­cas va­ria­ções de parágrafos, exigem menos de um dia para a conversão. Livros mais complexos, com notas de rodapé, dia­gra­ma­ção di­fe­ren­cia­da, com tabelas e ilustrações, dão mais trabalho, necessitando uma revisão rigorosa. Nesse caso, a conversão pode durar até duas semanas. Qualidade é o foco da Simplíssimo

“Para que um livro se transforme em e-​­book, pri­mei­ ro de tudo é necessária a com­preen­são das editoras de que o formato digital não é uma moda pas­sa­gei­ ra. O momento ­atual é de transição de um modelo de ne­gó­cios exclusivamente de livros impressos para ou­tro, de convivência entre o digital e o impresso”, afirma Eduar­do Sil­vei­ra Cabral de Melo, fundador e diretor executivo da Simplíssimo Livros. Do ponto de vista técnico, o executivo explica que é necessário que o arquivo digital original da obra seja, pre­fe­ren­cial­men­te, em formato aberto (InDesign, ­Quark, PageMaker, Ventura, Word). “Evitamos produzir livros eletrônicos a partir do PDF por ser um tipo de arquivo fechado, que dificulta a transformação do con­teú­do e não permite um trabalho de melhor qualidade”. Eduar­do de Melo faz questão de esclarecer que o serviço prestado pela Simplíssimo não é conversão. “Existe um abismo separando a produção para o formato ePub e a conversão, que é um processo au­to­ma­ti­za­do ou se­miau­to­ma­ti­za­do, rea­li­za­do sem mui­tos cui­da­dos, com o resultado final com pou­ca ou nenhuma qualidade. Qualquer pessoa pode fazer, inclusive existem soft­wares gra­tui­tos dis­po­ní­ veis na internet para essa finalidade”. Ele alerta, porém, que o resultado não compensa: “Os e-​­­books não abrem di­rei­to, travam os aparelhos, apresentam vi­sual des­cui­da­do, parágrafos in­tei­ros perdidos e falhas sistemáticas ao longo do texto”. 


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9/12/2010

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signers, dia­gra­ma­do­res, editoras e free­lan­cers. Uma novidade é a parceria com a ita­lia­na Simplicissimus Book Farm, com a qual a Simplíssimo está desenvolvendo a SBF ­School, um sistema de aprendizado eletrônico com cursos abordando a produção de livros di­gi­tais de alta qualidade. Soluções em soft­wares

Boa parte da produção de um livro em formato ePub é manual, de acordo com Eduardo de Melo, da Simplíssimo.

Para Eduar­do de Melo, há no mercado uma va­ rie­da­de de soluções para trabalhar com livros di­ gi­tais. Contudo, ele frisa que não existe uma ferramenta específica que resolva tudo (não ain­da, pelo menos). “Boa parte do trabalho de produção de um livro em formato ePub deve ser fei­ta ma­nual­men­ te, para ter qualidade. Não existe mágica. É preciso entender o formato do ponto de vista técnico para fazer um livro digital com padrão pro­f is­sio­nal”. Na Simplíssimo, a transformação dos livros para ePub é rea­li­z a­da por pro­f is­sio­nais ex­pe­rien­tes nesse formato. “Cada livro tem seu con­teú­do ex­traí­do com cui­da­do do arquivo original, não importa o formato. É fei­ta a revisão comparativa entre o original e aquele a ser inserido na versão eletrônica, para evitar perdas ou cortes. Só de­pois disso ini­cia­mos a produção do e-​­book, que é ma­nual”. Por ser um trabalho complexo, lotes com até 100 livros são produzidos em cerca de quatro semanas. Pedidos urgentes podem ser atendidos em menos tempo. Desde março do ano passado a empresa oferece esse serviço ao mercado. A produção enfoca es­sen­ cial­men­te o ePub, mas também podem ser produzidos ou­tros formatos, como o Mobi, que fun­cio­ na no Kindle. Fazem parte da lista de clien­tes que produzem livros di­gi­tais com a Simplíssimo as editoras Zahar, Sextante, Sesc-SP, Bei, Martins Fontes e Manole. O envolvimento é tão forte nessa área que a empresa está oferecendo trei­na­men­to sobre como produzir obras no formato ePub (www. simplissimo.com.br/blog/cursos), voltado aos de22 TECNOLOGIA GRÁFICA  VOL. II  2011

Integradora de tec­no­lo­gias, a Electronic Graphics representa alguns dos prin­ci­pais soft­wares de fluxo de trabalho para os mercados gráfico, edi­to­rial e corporativo, como Dalim, Xinet, GMG, iBrams e ­Vjoon. Para atender à nova demanda, a empresa oferece soluções da ­Vjoon e da Adobe. O ­Vjoon K4 é um sistema para o ge­ren­cia­men­to de publicações, ba­ sea­do nos soft­wares Adobe InDesign e Adobe InCopy, que permite organizar e estruturar qualquer fluxo de trabalho e controlar o processo de produção para vá­rios ca­nais de publicação, como impressão, livros di­gi­tais, tablets, internet, dispositivos mó­veis e ou­tros, como detalha Renato Luiz Ramos, diretor técnico da empresa. “Basta que o con­teú­do esteja no formato digital e que seja usado um soft­ ware específico para passá-lo para o formato digital, conforme a necessidade da empresa”. No Brasil, um clien­te da Electronic que utiliza essas ferramentas para a prestação de serviços para o mercado edi­to­rial é a Formato Artes Gráficas, de Belo Horizonte. No mundo, entre as empresas que utilizam essas soluções estão a McGraw-​­Hill Edu­ca­tion e a Condé Nast Pu­bli­ca­tions, que tem como um de seus mais importantes títulos a revista Wired, além de clien­tes corporativos.

Renato Ramos, diretor técnico da Electronic Graphics.


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COMO FUNCIONA

Resultados fotográficos surpreendentes com o HDR

Bruno Mortara

Esta foto da ponte Golden Gate é o resultado final da fusão de nove exposições diferentes. Foto fornecida pelo HDR Photographic Survey, projeto que envolve o Chester F. Carlson Center for Imaging Science do Rochester Institute of Technology, entre outros.

As nove diferentes exposições da ponte Golden Gate.

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C

omo todo fotógrafo sabe, seja amador ou pro­f is­sio­nal, escolher a abertura correta para uma determinada cena é mui­tas ve­ zes uma questão de se fazer concessões. Ou a foto ganha em algum detalhe ou perde em ou­tro. No entanto, uma alternativa interessante é a utilização de técnicas HDR (high dynamic range, ou seja, amplo alcance dinâmico), que agora se tornou mais fácil do que nunca. A ­ideia básica (e brilhan­

te) é combinar vá­rias exposições de uma imagem em uma imagem final per­fei­ta. Essa técnica remon­ ta aos pio­nei­ros da fotografia, como Ansel Adams. Enquanto os pri­mei­ros adeptos tinham de se de­ bater com a fotografia analógica e processos com­ plicados de cópia, que exi­giam grande cui­da­do, os fotógrafos da era digital podem alcançar resultados im­pres­sio­nan­tes quase sem esforço. Apesar de o Pho­to­shop ter uma função au­to­ má­ti­c a para mesclar imagens separadas em uma única HDR (e o resultado costuma ser melhor do que o que se consegue com uma única exposição), existem ou­tros programas mais adequados para o trabalho — e que não são mui­to caros. Um soft­ware recomendável é o Photomatix Pro, da empresa francesa HDR Soft. Ele custa 75 eu­ros, o que não é mui­to para um programa elaborado como esse. Quan­do se começa a fotografar já pensando no processamento HDR , o fotógrafo entra em uma nova etapa de cria­ti­vi­da­de fotográfica. Imagens cria­ das com dados HDR costumam ser sur­preen­den­tes, quase sur­reais, de uma forma positiva. Embora seja possível mesclar imagens em JPEG , a técnica fun­cio­na melhor com fo­to­gra­f ias de alta qualidade, em formato RAW, e processamento de 16 bits.


Uma imagem surpreendente e mágica, utilizando a técnica HDR, por Trey Ratcliff. Parece quase artificial, mas todos os componentes da imagem vêm da cena original. Até o sol, tocando uma das torres do templo Wat Arun em Bangkok, na Tailândia, é original — não foi inserido a partir de outra imagem. (A foto é cortesia de Trey Ratcliff e foi disponibilizada através do Flickr).

Normalmente são ne­ces­s á­rias três exposições para se obter uma melhora considerável na qua­ lidade da imagem, mas é possível combinar cinco, sete ou mesmo nove exposições para se chegar a um alcance dinâmico real­men­te alto nos dados de entrada da imagem. Combinar imagens subexpostas com uma de ex­ posição normal e, de­pois, adi­cio­nar versões supe­ rexpostas da imagem é um bom truque.

Os resultados serão sur­preen­den­tes. É só obser­ var o que fotógrafos como Trey Ratcliff, por exem­ plo, conseguiram usando essa técnica, e então fica impossível discordar! Bruno Mortara é superintendente do

ONS27, coordenador da Comissão de Estudo de Pré‑Impressão e Impressão Eletrônica e professor de pós‑graduação na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.

VOL. II  2011  TECNOLOGIA GRÁFICA

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GESTÃO

A importância estratégica da visão dos recursos internos

José Pires de Araújo Junior

A

preo­cu­pa­ção das gráficas em manter a competitividade vem sendo alvo de discussão em diversos ní­veis e as as­ so­cia­ções de classe e a área acadê­ mica não estão fora dessa discussão. A grande questão é: qual o caminho a ser tomado e que es­tra­té­gias são efi­cien­tes para superar os con­ correntes e se estabelecer uma vantagem competi­ tiva sustentável? Este artigo não pretende encerrar a discussão, mas tentará mostrar alguns caminhos pos­sí­veis e viá­veis dentro da rea­li­d a­de bra­si­lei­r a, na qual vivemos um momento econômico favo­ rável. Nossa si­tua­ção difere da de alguns paí­ses da Europa e do próprio Estados Unidos, onde a crise de 2008 foi mais rigorosa forçando as nações a so­ correr as empresas, amargando um déficit que põe em risco a sua estabilidade econômica e política, contaminando seus vizinhos. Os paí­s es que formam o chamado Bric estão sendo considerados a “Meca dos investidores” devi­ do às oportunidades que oferecem, com riscos rela­ tivamente bai­xos. Essa si­tua­ção é ambígua. Ao mes­ mo tempo em que nossas reservas au­men­tam e grandes conglomerados têm como foco o mercado bra­si­lei­ro, nossas empresas vêm passando por pro­ blemas de competitividade. Esse quadro se agrava para o segmento gráfico. Apesar de sermos refe­ rência na área técnica, com reconhecimento in­ter­ na­cio­nal dos serviços e produtos gráficos, nos­ sa gestão precisa se preparar melhor para a nova onda de competição. Dados econômicos

O estudo dos dados econômicos do segmento nos ajuda a com­preen­der melhor as razões que levaram o mercado gráfico a ter problemas de gestão. Mais de 96% das gráficas bra­si­lei­ras são de pe­ queno e médio porte. Isso nos leva a crer que tais empresas enfrentem dificuldades na contratação de 26 TECNOLOGIA GRÁFICA 

VOL. II  2011

colaboradores com uma formação ge­ren­cial ade­ quada. O gráfico do perfil escolar do fun­cio­ná­rio do setor traz informações relevantes para enten­ dermos melhor as dificuldades no sentido de me­ lhorar a gestão das empresas, mas também explica a qualidade técnica que é identificada pelo merca­ do. É importante notar que 51% dos empregados na indústria gráfica têm o segundo grau completo e apenas 8% têm curso su­pe­rior completo. Segundo a revista inglesa The Economist, o Bra­ sil é um dos paí­ses que mais deve crescer nos próxi­ mos anos. Alguns economistas, tanto do Brasil quan­ to es­tran­gei­ros, acreditam que o País deve ter um crescimento mui­to grande nos próximos 10 anos Porte das empresas da indústria gráfica brasil – 2009 18,3%

0,9%

18,3%

78,3%

●●Micro porte: até 9 empregados ●●Pequeno porte: 10 a 19 empregados ●●Médio porte: de 20 a 249 empregados ●●Grande porte: mais de 250 empregados Fonte: MTE/Rais. Elaboração: Decon/Abigraf.


por conta da estabilidade econômica e do cresci­ mento do mercado chinês. Se por um lado temos uma visão favorável na conjuntura econômica, por ou­t ro temos de en­ tender que existirão mais concorrentes no merca­ do e em es­pe­cial no setor gráfico. Vale lembrar que no Brasil existem duas desvantagens competitivas para as empresas: o impacto fiscal e os problemas de in­f raes­tru­tu­ra. Como se preparar para um futuro incerto

A melhor ma­nei­ra de se preparar para o futuro é planejar estrategicamente os caminhos que a em­ presa deve trilhar para ter lucro e manter-se com­ petitiva. Vá­rios au­to­res condenaram no passado o planejamento estratégico porque ele nunca era seguido, o que não dei­xa de ser uma verdade. Po­ rém, tudo era planejado sem o envolvimento das equipes, além de não dei­xa­rem claro quem eram os res­pon­sá­veis pela parte ope­ra­cio­nal. Os investi­ mentos eram fei­tos de ma­nei­ra errada, a partir de cri­té­rios equivocados. Segundo o escritor norte-​­americano Alvin To­ ffler, “ou você tem uma estratégia própria, ou en­ tão é parte da estratégia de alguém”. Partindo dessa afirmação, precisamos pensar em planejar o futu­ ro de ma­nei­ra cri­te­rio­sa, com foco no negócio da nossa empresa. De acordo com o pai da administração moderna, Peter Drucker, “o planejamento não é uma tentati­ va de predizer o que vai acontecer. O planejamen­ to é um instrumento para ra­cio­ci­nar agora sobre que trabalhos e ações serão ne­ces­sá­rios hoje, para merecermos um futuro. O produto final do plane­ jamento não é a informação: é sempre o trabalho”. Mas quem vai ajudar o empresário a pensar o fu­ turo da gráfica? E mais, como será a sucessão na em­ presa gráfica, principalmente nas empresas fa­mi­lia­ res? Essas questões estão tirando o sono de mui­tos em­pre­sá­rios que passam por tal si­tua­ção. O caminho é a pro­f is­sio­na­li­z a­ção dos cargos de gestão, trazendo e mantendo na empresa pes­soas que estejam preparadas para entender os movi­ mentos de mercado e que tenham capacidade para responder de ma­nei­ra rápida a essas mudanças. Se tomarmos como exemplo grandes grupos bra­si­lei­ros como Votorantim e Itaú, veremos que estes buscam nas melhores faculdades de Admi­ nistração, Economia, Engenharia e Ciên­cias Con­tá­

Perfil escolar do funcionário gráfico – 2009 Ensino superior completo Ensino superior incompleto

8% 5%

Ensino médio completo

51%

Ensino médio incompleto

11%

Ensino fundamental completo Ensino fundamental incompleto

17% 7%

Fonte: MDIC/RAIS. Elaboração Decon/Abigraf.

beis seus futuros executivos. Elas sabem que, ape­ sar de esses alunos ou recém-​­formados terem uma boa formação, esse conjunto de conhecimentos, como não poderia dei­xar de ser, é genérico, uma vez que os mercados são diversos. Os novos co­ laboradores não estão prontos para ­atuar como executivos, pois precisam aprender sobre os ne­ gó­cios das empresas ou grupos. Dessa necessida­ de de ensinar os novos colaboradores e aprimorar os conhecimentos dos gestores da empresa é que nasceram as universidades corporativas. Tal esforço vem apresentando resultados im­ portantes para os grupos em­pre­s a­riais, trazendo vantagem competitiva sustentável para o mercado interno e, em mui­tos casos, para o externo. Atuação no Mercado

8%

23% 69%

●●Alunos que trabalham na área gráfica ●●Alunos que não responderam ●●Alunos que não trabalham na área gráfica Fonte: Pesquisa realizada pelo autor no 2-º semestre de 2010. VOL. II  2011  TECNOLOGIA GRÁFICA

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Os próximos executivos da indústria gráfica brasileira

A indústria gráfica bra­si­lei­r a tem características mui­to específicas que devem ser consideradas para o desenvolvimento de uma estratégia que bus­ que vantagem competitiva sustentável. Sobretu­ do pelo fato de termos mais de 90% de empre­ sas fa­mi­lia­res de pequeno e médio porte, em sua maio­ria calcada exclusivamente na estratégia da competição por preço. Vale lembrar que mesmo no mercado gráfico há modelos de ne­gó­cios que inovaram sem passar ne­ ces­sa­ria­men­te pelo investimento em maquinário, e sim através de soluções para os clien­tes, como, por exemplo, logística e ge­ren­cia­men­to de ativos in­tan­ gí­veis. Mas essa nova ma­nei­ra de pensar estrategi­ camente a gráfica necessita de um recurso mui­to importante: pes­soas. Tal necessidade já está clara para boa parte das gráficas, rea­li­d a­d e identificada em uma pesqui­ sa que foi rea­li­z a­da com os alunos da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica. Perfil de empregabilidade dos alunos que iniciam o curso de Tecnologia em Produção Gráfica

O gráfico mostra que 68,63% dos alunos que en­ tram no pri­mei­ro semestre do curso su­p e­r ior já Ocupação Profissional

8%

92%

que responderam ●●Alunos e trabalham na área (215) que responderam ●●Alunos e não trabalham na área (17) Fonte: Pesquisa realizada pelo autor no 2-º semestre de 2010.

28 TECNOLOGIA GRÁFICA 

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trabalham na indústria gráfica e, portanto, trazem consigo um saber do mundo gráfico. Levantamentos fei­tos semestralmente para o Ín­ dice de Qua­li­da­de do Senai mostram que mais de 90% dos alunos do 8º‒ semestre estão trabalhan­ do dentro do segmento. E é neste semestre que os alunos apresentam o seu trabalho de conclusão, no qual fazem uma consultoria para resolver um problema real dentro de uma gráfica. Esses trabalhos são ava­lia­d os por uma ban­ ca de professores, em­pre­s á­rios e es­p e­cia­lis­t as do mercado gráfico ou dos seus fornecedores, que questionam e criticam os trabalhos, ajudando no crescimento pro­f is­sio­nal dos alunos. O gráfico ao lado mostra a dis­t ri­b ui­ç ão ge­ ral dos alunos da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica e apresenta uma visão geral da ocupação pro­f is­sio­nal dos alunos do 1º‒ até o 8º‒ semestre, mostrando que 92% já atua no segmento. Dos 8% que não estão na área, vá­rios trabalham para os fornecedores do setor. A competição vem au­men­tan­do cada dia mais. O que vai manter a empresa viva e crescendo é, sem dúvida, uma boa estratégia para atender o clien­te de ma­nei­ra a transformá-lo em um par­cei­ro. É ne­ cessário identificar ­quais recursos são estratégicos para a empresa. Com certeza, os recursos humanos devem ser tratados como tal. Trabalhar os recur­ sos humanos de uma empresa pode assegurar um di­fe­ren­cial competitivo sustentável. Perder um colaborador preparado é o pesade­ lo de diversas empresas de grande porte, porque elas sabem da importância das pes­soas motivadas e preparadas. Portanto, pense: ◆◆Qual é o meu negócio? ◆◆Quem é o meu clien­te? ◆◆Que tipo de colaborador eu preciso para atingir os meus objetivos? ◆◆Como farei para manter e motivar os meus colaboradores? Essas questões são fun­d a­men­t ais para quem pretende pensar em desenvolver um bom planeja­ mento, possibilitando à empresa crescer e prosperar em um mercado competitivo. José Pires de Araújo Junior é formado

em Administração de Empresas, pós‑graduado em Mar­ke­t ing e mestrado em Administração. É professor da Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica.


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O Poder das Mídias Sociais para os Negócios

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Hamilton O Futuro da Gráfica e a Construção Terni Costa de Valor nas Relações Comerciais

Bruno Mortara

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Tendências Tecnológicas - Convergências de Mídias ou Susbtituição?

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ENTREVISTA Letânia Menezes

Toda embalagem tem uma função social

P

mentos que mui­t as vezes não são equili­ brados. Em nenhum momento se leva em consideração a função so­cial dela.

rofessor e coor­de­na­dor do Núcleo de Estudos da Embalagem da Esco­ la Su­pe­rior de Propaganda e Mar­ke­ ting (ESPM), Fabio Mestriner coor­ de­na o Comitê de Estudos Estratégicos da As­so­cia­ção Bra­si­lei­ra da Embalagem (Abre), entidade da qual foi presidente de 2002 a 2006. Autor dos livros Design de embalagem — curso avançado e Gestão estratégica de embalagem, é consultor de inteligência de embalagem da Ibema Cia. Bra­si­lei­ra de Papel. Designer, Fábio Mestriner faz parte do Grupo de Embalagem da Abigraf, que idea­ li­zou a Campanha de Valorização do Pa­ pel-​­cartão, ini­cia­da no segundo semestre de 2010. Porta-​­voz da campanha, o pro­f is­ sio­nal fala sobre os valores e atributos da embalagem de papel-​­cartão, a falta de co­ nhecimento da indústria sobre os recursos da embalagem para a estratégia de mar­ ke­ting e os avanços do País com os altos índices de reciclagem. Como surgiu a ­i deia da Campanha de Valorização do Papel-​­cartão? Fabio Mestriner – O Grupo de Embalagem da Abigraf rea­li­zou um pe­río­do de discus­ sões, quando elegeu os temas e con­teú­dos a serem abordados e, então, decidiu ­criar uma campanha de valorização do papel-​ ­cartão. Pri­mei­ro, para valorizar essa emba­ lagem no conjunto de todas as embalagens que atendem às necessidades da so­cie­da­ de e também porque existe hoje uma visão mui­to negativa em relação à embalagem de modo geral. O movimento am­bien­tal ata­ ca a indústria e a embalagem com argu­ 32 TECNOLOGIA GRÁFICA  VOL. II  2011

Qual é a função so­cial da embalagem? FM – É atender à necessidade e aos an­seios da so­cie­da­de e acompanhar sua evolução. Conforme a so­cie­da­de evolui, as exi­gên­cias que re­caem sobre as embalagens são maio­ res. Não é possível vacinar uma vaca, com­ bater as pragas que des­troem as la­vou­r as de alimentos, tratar pes­soas doen­tes e va­ cinar crian­ç as, sem embalagens. As fábri­ cas não conseguiriam en­viar seus produtos do sul para o norte do Brasil e vice-​­versa sem embalagens. Hoje, 87% dos alimen­ tos consumidos no Brasil são embalados. Pode parecer que ela existe para prejudicar o meio am­bien­te, mas a embalagem é uma necessidade do homem.

Fabio Mestriner

­ uais os objetivos da campanha? Q FM – O objetivo principal traçado pelo gru­ po é levar para a so­cie­da­de a con­tri­bui­ção da embalagem de papel-​­c artão, a impor­ tância que ela tem para as empresas que a utilizam e para os consumidores, e também mostrar seus valores e atributos. O Brasil tem uma condição mui­to boa para a produção de papel e de embalagens de papel-���­cartão. Aqui, 100% do papel produzido é originá­ rio de florestas cultivadas, plantadas, com certificação in­ter­na­cio­nal de manejo res­ ponsável. Nossa indústria gráfica e de em­ balagem, e nosso design, estão em nível in­ ter­na­cio­nal. Essas qualidades têm impacto na competitividade do produto nacional,


tanto no que diz respeito ao mercado interno quanto para as exportações. Qual a mensagem que a campanha quer passar para o consumidor? FM – A embalagem de papel-​­cartão é as­ so­cia­da, em mui­t as ca­te­go­rias, com uma di­fe­ren­cia­ção positiva de valor. Por exem­ plo, na seção de temperos de um super­ mercado tem um monte de vidrinhos de pimenta, todos ­iguais. Mesmo formato, mesmo tamanho, mas tem um que vem numa cai­xi­nha, o que o diferencia dos de­ mais. O papel-​­cartão agrega valor percebi­ do ao produto. A campanha visa mostrar que essa agregação de valor ao produto se dá graças a uma combinação de fatores: a qualidade da impressão, a utilização de ver­ nizes, relevos, hot stamping e ou­tros recur­ sos gráficos. Alem disso, por ter estrutura, fica em pé na gôndola e tem uma lingua­ gem vi­sual reconhecida pelos consumido­ res. A partir desse con­teú­do, ini­cia­mos uma ação de comunicação para divulgar os va­ lores, os atributos, a importância do papel-​ ­cartão, bem como sua con­tri­bui­ção para o mar­ke­ting das empresas. O fato de agregar valor explica o au­men­ to em 42,73% nos últimos cinco anos no número de embalagens lançadas e fei­ tas em papel-​­cartão, segundo dados do GNPD (Global New Product Database), disponíveis no Núcleo de Estudos da Embalagem, da ESPM? FM – Sim, há um incremento dos lança­ mentos de embalagens em papel-​­c artão, porque o mercado prestou atenção nelas de novo por conta das questões am­bien­ tais e da necessidade de di­fe­ren­ciar os pro­ dutos. Quan­to mais ­iguais os produtos fi­ cam, ­maior é a exigência por di­fe­ren­cia­ção na embalagem. O papel-​­cartão também é utilizado em embalagens de kits pro­mo­cio­ nais, cada vez mais usados pelas empresas como estratégia de mar­ke­ting.

Como o senhor avalia hoje o segmento de embalagens? FM – O setor de embalagem é mui­to avan­ çado no Brasil. Das 20 maio­res in­dús­trias de embalagem do mundo, 18 têm fábricas e ­atuam no Brasil. Nosso mercado de consu­ mo está entre os cinco maio­res do mundo e existe uma cultura de consumo bastante desenvolvida no País. São dois fatores que fizeram com que surgisse uma indústria de embalagens forte, poderosa. O Brasil lidera a América Latina no item desenvolvimento de embalagens? FM – Não só lidera como é também um grande fornecedor de embalagem para toda a América Latina.

A questão ambiental passa a ganhar importância nas empresas, que podem sofrer retaliações de seus consumidores, punições legais e até mesmo serem excluídas da carteira de fornecedores de grandes empresas se não se adequarem à nova realidade. O segmento está atento à questão da sustentabilidade? FM – Há grande preo­cu­pa­ção com as em­ balagens pós-​­consumo, que devem ser re­ colhidas e separadas do lixo orgânico. É a logística reversa, que está ba­sea­da em três pilares: no cidadão, que precisa encaminhar a embalagem para a reciclagem; no poder público, que detém o monopólio cons­ti­tu­ cio­nal da coleta de lixo; e na indústria, que precisa reciclar todas as embalagens enca­ minhadas pela coleta seletiva. O cidadão e a indústria, por conta própria, transforma­ ram o Brasil no recordista mun­dial de reci­

clagem de latas de alumínio, com o índice de 98,2%. Os fabricantes de latas de alumí­ nio cons­truí­ram uma fábrica para reciclagem e montaram um programa de logística re­ versa. A embalagem Tetra Pak, que tem três camadas de papel-​­cartão, duas de po­lie­ti­le­ no e uma de alumínio, também é reciclada. As quatro in­dús­trias envolvidas — Klabin, Braskem, Alcan e Tetra Pak — cons­truí­ram uma fábrica, montaram um programa de lo­ gística reversa e já estão fazendo uma segun­ da fábrica. E o Brasil é o segundo do mundo em reciclagem de garrafas PET, com 51% (o pri­mei­ro é o Japão, com 55%). De tudo que é produzido em papelão, 78% volta para a fábrica reciclar; de papel e papel-​­cartão, mais de 50% é reciclado. Existe uma preo­cu­pa­ção de que a embalagem seja sustentável desde sua cria­ção, seu projeto, escolha de ma­te­riais e recursos de acabamento? FM – Todos os temas da sustentabilidade estão presentes e recebendo atenção do se­ tor. No entanto, quando desenvolvemos uma embalagem, temos vá­rios requisitos. Um de­ les é o que o consumidor quer, porque ele é o senhor do fato econômico. Outra pergun­ ta a ser fei­ta é como o produto se estraga, porque a embalagem precisa fornecer pro­ teção e segurança, garantindo a integridade do produto. Uma ter­cei­ra fonte de exigência no projeto são as questões mercadológicas. Todo produto concorre numa categoria e é esta que determina como é a competição dentro dela. Essas questões limitam a con­ dição do projeto, que precisa responder a todos esses requisitos mais os am­bien­tais, que agora estão sendo in­cluí­dos. A questão am­bien­tal, que antes era vista como um as­ pecto ins­ti­tu­cio­nal, passa a ganhar impor­ tância nas empresas, que podem sofrer re­ ta­lia­ções de seus consumidores, punições le­gais e até mesmo serem ex­cluí­das da car­ tei­ra de fornecedores de grandes empresas se não se adequarem à nova rea­li­da­de. VOL. II  2011  TECNOLOGIA GRÁFICA 33


PRODUÇÃO GRÁFICA

Bruno Mortara e Anna Camilla Elias Bastos

A imagem fotorrealista: mais real que a realidade?

U

ma das discussões mais acaloradas entre os fotógrafos pro­f is­sio­nais refere-se ao avanço da fotografia digital e ao vir­tual fim da fotografia analógica. Essa discussão, até um pou­co ultrapassada pelos pró­prios fatos, nos mostra a rapidez com que nossa so­cie­da­de produz e consome

1 A maquete digital começando a ser construída.

novidades. Qua­se sempre o aparecimento de uma novidade tecnológica vem em detrimento da venda e consumo da sua versão obsoleta. No entanto, em meio a essa discussão, aparecem novos debates que prometem movimentar ain­da mais a ma­nei­ra como se produzem imagens e sua aparência quando impressas. Referimo-​­nos à modelagem 3D. Não se trata de algo novo, mas agora, com ferramentas que dão rea­lis­mo às imagens, como os novos recursos de iluminação e de rendering, estão sendo cria­das inúmeras oportunidades de aplicação dessa tecnologia. As imagens geradas por modelagem 3D e “renderizadas” de ma­nei­ra cui­da­do­sa são excelentes para a cria­ção de novas aplicações na indústria, comércio e serviços. Para se ter uma ­ideia de uma aplicação que desconhecemos, boa parte da cenografia de “externas” das novelas da televisão (aquelas com mais recursos) é fei­ta com cenário digital, às vezes totalmente sintético e com frequência um misto de imagens capturadas e imagens sintéticas. No universo da fotografia, o impacto dessa nova tecnologia, também chamada de fo­tor­rea­lis­t a, é grande e gera expectativas e an­sie­da­des, assim como preo­cu­pa­ção em relação ao futuro desta arte e dos seus pro­f is­sio­nais. A imagem fo­tor­rea­lis­ta é um tipo de ilustração digital que se parece tanto com uma fotografia real que pode confundir mui­tos observadores. Para alcançar essa semelhança, o ilustrador precisa levar em conta aspectos ópticos do am­bien­ te em que estão os objetos e os observadores, in­ cluin­do os efei­tos de vi­sua­li­z a­ção e principalmente de iluminação que real­çam características pró­prias de uma fotografia. Uma iluminação cria­da nos aplicativos de computador é similar àquela cria­da pelo fotógrafo no estúdio ou no set de filmagem. A criação das imagens sintéticas

2 No soft­ware de renderização é que as superfícies adquirem texturas, luzes e sombras e configuram-se as câmeras.

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Para gerar uma imagem fo­tor­rea­lis­t a o pri­mei­ro passo é cons­t ruir a cena com o ­m aior detalhamento possível, ou seja, in­cluin­do a construção do


ambiente, mo­bi­liá­rios e objetos que a compõem. Para tanto, utilizam-se soft­wares conhecidos como modeladores. Esses aplicativos trabalham com sistemas de malhas (wire-​­frame), nos ­quais podemos chamar o conjunto de objetos da cena representada de maquete digital. A estrutura da maquete digital é cria­da com o programa Vectorworks. Nele será cria­do todo o am­bien­te, in­cluin­do paredes, piso, teto e ou­t ros objetos. Nesse mesmo programa é possível aplicar iluminação e texturas, mas o resultado final não é o mesmo de quando utilizamos ou­tro soft­ware, o Artlantis Studio. Com ele o resultado final é obtido através da renderização da imagem, ou seja, da aplicação das informações dadas na cria­ção de uma perspectiva coe­ren­te. O pri­mei­ro passo para a construção da maquete digital é a cria­ção das paredes (quando for necessário, em cenas internas), utilizando a ferramenta específica (indicada pela seta vermelha na figura 1). Em seguida, utilizando objetos pa­ra­me­tri­zá­veis (cujas formas podem ser alteradas através de medidas fornecidas ao programa, indicados na mesma imagem pela seta azul), são inseridas no am­bien­te as portas, janelas, escadas etc. O próximo passo será a cria­ ção de pisos e forros, para os ­quais também existe um comando apro­pria­do. Para finalizar o am­bien­ te, resta agora “cons­truir” os objetos de marcenaria. Esses objetos são cria­dos com ferramentas 2D (seta amarela), formas geo­mé­tri­cas tais como quadrados, elipses e polígonos. Uma vez definido o objeto em 2D, é possível transformá-lo em 3D através de comandos como o de extrusão. Alguns objetos podem ser cria­dos diretamente com ferramentas de 3D (seta verde). A maquete está terminada e deve ser exportada para o programa seguinte, onde serão cria­das as texturas, iluminações e câmeras. Para que o soft­ ware de renderização reconheça as características da superfície de cada objeto e aplique sua textura corretamente, eles devem ser classificados ain­da no aplicativo 3D como pertencentes a alguma classe de ma­te­rial: ma­dei­ra, parede etc. Essas classes são cria­das durante a construção do am­bien­te.

3 A iluminação solar pode ser configurada com sombras de nuvens ou de acordo com o horário.

4 Pontos de luz definidos no projeto.

A renderização da maquete digital

No soft­ware de renderização, a pri­mei­ra etapa é ajustar a câmera para ­criar uma nova imagem. A figura 2

5 Os shaders do programa com madeira, tecido e metais para recobrir os objetos. VOL. II  2011  TECNOLOGIA GRÁFICA

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mostra o menu da câmera e os seus controles. De­ pois disso, configura-se a posição do sol (he­lio­don). É possível utilizar uma cidade pré-​­configurada pelo programa ou mostrar em um mapa que tenha a cidade onde está localizado o projeto. Ainda em relação à luz do sol, pode-se modificar a intensidade da luz, da sombra, a presença de nuvens no céu e ou­tras características (3). A principal ferramenta que faz com que uma imagem fo­tor­rea­lis­ta se pareça tanto com uma fotografia é o cálculo da luz. Assim, quanto mais cui­da­do se tiver na “montagem” da luz, ­maior será a semelhança com uma imagem real fotográfica. No menu

de iluminação é possível escolher diferentes tipos de luz, sua cor, intensidade e sombra (4). Agora, com as câmeras definidas, sol e iluminação prontos, é hora de colocar as texturas em cada objeto. Podem ser usadas algumas classes pré-​ ­concebidas pelo programa, também chamadas de shaders. Entre elas estão vidro, cromado, alumínio, tecidos, cou­ro e pisos, além de opções customizadas pelo usuá­rio. Os shaders ficam na aba in­fe­rior, em­bai­xo da imagem. Nessa aba também existem opções de mo­bi­liá­rios e objetos decorativos para serem acrescentados ao projeto. As texturas podem ser modificadas através do menu lateral. Cada textura tem características diferentes, segundo suas necessidades (5). Para finalizar, aplicamos o comando renderizar com o tamanho e qualidade fi­nais desejados. O toque final — controle da luz

A última etapa, ain­da no aplicativo de renderização, é dedicada aos acertos fi­nais de iluminação. A “ra­dio­si­da­de” refere-se à quantidade de ra­dia­ção luminosa que emana de uma superfície (ou seja, a luz refletida somada à luz que a superfície emite). O programa usa a ra­dio­si­da­de em seu algoritmo, durante o processo de renderização, para calcular a direção e intensidade dos ­raios de luz. Por simular fenômenos físicos, esse cálculo faz com que a imagem fo­tor­rea­lis­ta se aproxime mais daquilo que é percebido como real pelo olho humano. Em seguida, no menu lighting, fazem-se os ajustes de configuração da luz e como ela irá se comportar dentro do am­bien­te projetado. Dependendo do valor escolhido, as sombras, brilhos e reflexos ficam mais ou menos evidentes, tornando a imagem mais ou menos rea­lis­ta. Tanto esses valores quanto os valores de ra­dio­si­da­de podem au­men­tar consideravelmente o tempo de processamento durante a renderização da imagem. O grande mérito das imagens fo­tor­rea­lis­t as é poder oferecer a artistas, pu­bli­ci­t á­rios, ci­neas­t as, designers e arquitetos a oportunidade de ­criar projetos que reproduzem fiel­men­te o resultado final, di­mi­nuin­do incidentes do percurso e melhorando a comunicação com o clien­te. O resultado

6 Quarto desenhado por Anna e posteriormente fotografado pela artista. Qual é o real?

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As imagens resultantes são de uma per­fei­ção que nos dei­xa atônitos e aponta para as novas aplicações


dessas técnicas já conhecidas pelos en­ge­nhei­ros (CAD, CAE e CAM), mas ain­da não exploradas pelos fotógrafos e ou­tros usuá­rios de imagens “­reais”. Nas figuras 6 e 7 temos imagens duplas: uma é a imagem projetada pela designer Anna Camilla ­Elias Bastos e, uma vez cons­truí­do o am­bien­te aprovado pelo clien­te, a própria Anna, também fotógrafa pro­f is­sio­nal, fotografou as montagens ­reais. A comparação é incrível e mostra um futuro no qual imagens cria­das com as técnicas de fotografia, contudo in­tei­ra­men­te dentro de um computador, irão po­voar nossas mí­dias, livros, internet, televisão, cinema… Bruno Mortara é superintendente do ONS27,

coordenador da Comissão de Estudo de Pré‑Impressão e Impressão Eletrônica e professor de pós‑graduação na Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica. Anna Camilla Elias Bastos é designer e fotógrafa profissional.

7 Sala “construída digitalmente” e posteriormente fotografada. Qual é a real?

VOL. II  2011  TECNOLOGIA GRÁFICA

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GESTÃO AMBIENTAL

Foto: AGB Photo Library

Giselen Cristina Pascotto Witmann

A medição do impacto ambiental através do

I

carbon footprint

magine nosso planeta com uma temperatura média ­anual de –17°C, semelhante ao inverno rigoroso dos paí­ses do Hemisfério Norte. Com certeza a pai­sa­gem aqui no Brasil seria bem di­ ferente. Ao invés da rica floresta tropical da Amazônia, te­ría­mos em seu lugar uma vegetação similar às estepes si­be­ria­nas. O que mantém a tem­ peratura à qual estamos acostumados é o chama­ do efei­to estufa, que absorve o calor emitido pelo sol e refletido na superfície terrestre. Agora imagi­ nemos o cenário oposto: nosso planeta com sua temperatura elevada em 6,4°C1 a mais do que de

1  Aumento médio global da temperatura da Terra se a população e a economia con­ti­nua­rem crescendo rapida­ mente e se for mantido o consumo intenso dos com­bus­ tí­veis fós­seis, de acordo com o 4º��� Relatório de Ava­lia­ção das Mudanças Climáticas, publicado em 2007 pelo IPCC.

38 TECNOLOGIA GRÁFICA 

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costume. As ge­lei­ras der­re­te­riam, o mar encobri­ ria as cidades li­to­râ­neas e a Amazônia seria um de­ serto. Mas esse cenário hipotético não é absurdo: isso é o que even­tual­men­te pode acontecer se o chamado aquecimento global chegar a seu limite. O que mantém a temperatura amena da Terra é a presença de gases de efei­to estufa (CO₂, CO, CH₄, N₂O, NO) na atmosfera. Porém, o excesso desses gases cau­sa efei­to negativo, ou seja, a temperatura au­men­ta mais a cada dia. Enfim, no futuro, a Terra terá pai­s a­gens mui­to diferentes do que tem hoje caso a humanidade não mude seus hábitos. A natureza tem dado inúmeros si­nais de que algo está errado. Há um au­men­to da incidência de desastres na­tu­rais em espaços de tempo cada vez mais curtos. Apenas para citar alguns exemplos, te­ mos a elevação do nível do mar, alagamentos, secas


severas, derretimento de ge­lei­ras e morte de bar­ rei­ras de co­rais. O fenômeno das mudanças climá­ ticas tem sido corroborado por inúmeras pesqui­ sas cien­tí­f i­cas, mas mesmo assim há cien­tis­tas que consideram o aquecimento global um mito. Discussões à parte, é fato que a temperatura da Terra sofreu uma elevação nos últimos anos. Além do mais, não precisa ser cien­tis­ta para perceber os efei­tos nocivos para a saú­de da fumaça emitida pe­ los carros quando estamos no meio de um engar­ rafamento, ou para constatar que a derrubada de uma floresta para gerar pasto é nociva para o meio am­bien­te. O que podemos fazer? Pegada de carbono

Para responder essa pergunta, vamos falar sobre o principal método existente para ava­liar o impacto de emissões pro­ve­nien­tes das atividades humanas. Carbon foot­print, ou “pegada de carbono”, é o ter­ mo utilizado para descrever a quantidade de gases de efei­to estufa (GEE) emitida por uma determina­ da atividade ou organização, geralmente expressa em toneladas de dió­xi­do de carbono equivalente (CO₂e) 2 . Existe uma máxima em controle de qua­ lidade que diz que só podemos melhorar aquilo que podemos medir. Portanto, a pegada de carbo­ no é fundamental para as empresas ou in­di­ví­duos que desejam conhecer sua participação como re­ lação às mudanças climáticas e respaldar a imple­ mentação de ações visando reduzir suas emissões. Como podemos medir a pegada de carbono? A ferramenta mais utilizada pelas empresas para a rea­li­za­ção de in­ven­tá­rios de GEE é o GHG Protocol (Gree­nhou­se Gas Protocol). Ele foi desenvolvido pelo World Re­sour­ces Institute (WRI) em parceria com o World Business Coun­cil for Sus­tai­na­ble Develop­ ment (WBSCD) e é compatível com as normas ISO e as me­to­do­lo­gias de quantificação do Pai­nel Inter­ governamental de Mudanças Climáticas (IPCC). Sua aplicação no Brasil acontece de modo adaptado ao contexto na­cio­nal. As informações geradas podem ser aplicadas aos re­la­tó­rios e questionários de ini­ cia­ti­vas como o Carbon Disclosure Project (CDP)3 , 2  Dió­xi­do de carbono equivalente (CO₂e) – Unidade para comparar a intensidade de ra­dia­ção de um GEE ao do dió­ xi­do de carbono. 3  Carbon Disclosure Project (CDP) – Organização ba­sea­da no Rei­no Unido sem fins lucrativos cujo objetivo é ­criar uma relação entre acio­nis­tas e empresas focadas em oportuni­ dades de negócio decorrentes das mudanças climáticas.

Índice Bovespa de Sustentabilidade Em­pre­s a­r ial (ISE)4 e Global Reporting Ini­tia­ti­ve (GRI)5 . As empresas também sentiram a necessidade de um método consistente para ava­liar as emissões de GEE não apenas dos seus processos, mas de toda a ca­deia de fornecimento, ou seja, em todo o ciclo de vida do produto. A partir disso foram estabeleci­ dos documentos específicos para o cálculo de emis­ sões de GEE, dentre os ­quais se destacam o Publicly Avai­la­ble Spe­ci­f i­ca­tion 2050:2008 ou PAS 2050, pu­ blicado pela British Standards Ins­ti­tu­tion (BSI), que traz as especificações para ava­liar o ciclo de vida das emissões de GEE de bens e serviços, e a série de normas ISO 14064, que determina as especificações e orien­ta­ções a organizações para quantificação e elaboração de re­la­tó­rios de emissões de GEE . O PAS 2050 ba­seia-se nas normas ISO 14040 (Ges­ tão Am­bien­tal – Ava­lia­ção do ciclo de vida – Prin­ cí­pios e estrutura) e ISO 14044 (Gestão Am­bien­tal – Ava­lia­ção do ciclo de vida – Requisitos e diretrizes) e para sua implantação foram definidas três etapas. A pri­mei­ra consiste em determinar os objetivos do estudo, se­le­cio­nar os produtos ou processos que se­ rão ava­lia­dos e envolver os fornecedores. A segunda etapa é a mais crítica, por consistir em fazer o inven­ tário de emissões. Para tanto é necessário fazer um mapa do processo, determinar seus limites e prio­ri­da­ des, coletar os dados e calcular a pegada de carbono. Com os dados obtidos, a etapa final é validar os re­ sultados, estabelecer ações para reduzir as emissões e, por fim, divulgar os resultados do estudo. As vantagens para as empresas que decidem aplicar essa metodologia são inúmeras, dentre as ­quais podemos destacar: ◆◆Aplicar es­tra­té­gias para redução das emissões. ◆◆Lucrar com a venda de créditos de carbono. ◆◆Se­le­c io­n ar fornecedores ba­s ean­d o-se em cri­t é­ rios am­bien­tais. ◆◆Escolher ma­té­rias-​­primas com menos impacto ao meio am­bien­te. 4  Índice Bovespa de Sustentabilidade Em­pre­sa­rial (ISE) – Índice que mede o retorno total de uma car­tei­ra teó­ri­ca composta por ações de empresas com reconhecido com­ prometimento com a responsabilidade so­cial e a susten­ tabilidade em­pre­sa­rial. 5  Global Re­por­ting I­ni­tia­ti­ve (GRI) – Organização não go­ vernamental in­ter­na­cio­nal, com sede em Amsterdã, na Holanda, cuja missão é desenvolver e disseminar global­ mente diretrizes para a elaboração de re­la­tó­rios de sus­ tentabilidade utilizadas vo­lun­ta­ria­men­te por empresas do mundo todo. VOL. II  2011  TECNOLOGIA GRÁFICA

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Agregar valor ao produto por meio da inclusão de selos de redução do carbono, como o Carbon Trust Label6 . ◆◆Aumentar as efi­ciên­cias econômica, energética e ope­ra­cio­nal dos processos. O resultado final da pegada de carbono é ob­ ter a real dimensão do impacto am­bien­tal cau­sa­ do pelas emissões de GEE de bens e serviços. Pode ser utilizado não só por empresas, mas por qual­ quer pessoa ou ins­ti­tui­ção: com ela é possível verifi­ car os impactos am­bien­tais devidos à utilização de veí­cu­los ou equipamentos movidos a com­bus­tí­veis fos­séis, à disposição de lixo em aterros sa­ni­tá­rios e ao consumo de energia elétrica. Fazer o inventário de GEE significa quantificar e organizar dados so­ bre emissões com base em padrões e protocolos

con­f iá­veis. De modo que, de posse dessas informa­ ções, sejam tomadas atitudes cons­cien­tes para mi­ tigar os impactos na natureza. No futuro, as gráficas que desejarem calcular a pegada de carbono de seus produtos poderão con­ tar com uma norma específica para quantificação e comunicação da pegada de carbono de mí­dias impressas, a qual já está em desenvolvimento na ISO. A elaboração dessa norma é conduzida pelo grupo de trabalho WG11, que faz parte do Comitê Técnico de Tecnologia Gráfica TC 130. O Brasil par­ ticipa desse grupo por meio de representantes do Organismo de Normalização Se­to­rial de Tecnolo­ gia Gráfica, cuja secretaria fica a cargo da ABTG e se reporta à ABNT.

6  Carbon Trust Label – Selo cria­do pela organização Car­ bon Trust britânica e sem fins lucrativos, cujo objeti­ vo é aplicar em produtos de empresas que adotam po­ líticas de redução da pegada de carbono para divulgar seus resultados.

Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 14064‑1: Gases de efeito estufa. Parte 1: especificações e orientação a organizações para quantificação e elaboração de relatórios de emissões e remoções de gases de efeito estufa. Rio de Janeiro, 2007, 20p. British Standards Institution. PAS2050 – Specification for the assessment of the life cycle greenhouse gas emission of goods and services. London, 2008, 36p. Fundação Getúlio Vargas. Centro de Estudos em Sustentabilidade da EASP. Guia para a elaboração de inventários corporativos de emissões de gases do efeito estufa. São Paulo: FGV, 2009, 22p.

◆◆

O que são créditos de carbono Créditos de carbono certificados são emitidos para um agente que reduziu a sua emissão de gases do efei­to estufa ( GEE ). Por convenção, uma tonelada de dió­xi­do de carbono ( CO ² ) corresponde a um crédito de carbono. A venda de créditos de carbono surgiu com a necessidade dos paí­ses desenvolvidos e sig­ na­tá­rios do protocolo de Quio­to de atingirem a meta de redução de emissões. Dian­te do desafio de aten­ der a meta sem prejudicar o crescimento econômi­ co, esses paí­ses passaram a comprar créditos de car­ bono de ou­tros paí­ses que desenvolvem projetos de tec­no­lo­gias limpas, os chamados MDL (Mecanismo de Desenvolvimento Limpo). Entretanto, para serem acei­tos, esses projetos devem contemplar uma série de exi­gên­cias do protocolo. Isso resultou na cria­ção de um mercado voluntário de carbono, em que em­ presas e cidadãos podem ne­go­ciar as emissões de GEE com ou­tras finalidades, tais como atender políti­ cas públicas, demonstrar responsabilidade so­cioam­ bien­tal e ter um po­si­cio­na­men­to competitivo. O Brasil ocupa a ter­cei­ra posição no ranking mun­dial de pro­ jetos de MDL, ficando atrás da China e Índia. Isso faz de nosso país um po­ten­cial gerador de ne­gó­cios no mercado de carbono. 40 TECNOLOGIA GRÁFICA 

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Referências

Giselen Cristina Pascotto Witmann é professora da Escola Senai Theobaldo De Nigris e membro do ONS27 na Comissão de Estudos de Questões Ambientais e Segurança.


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IMPRESSÃO

Aumente a rentabilidade na impressão offset com novas tecnologias de insumos

Daniel Nato

N

ovas tec­no­lo­gias de insumos podem con­ tri­buir fortemente para a competitivida­ de das gráficas. A seleção dos insumos mais adequados depende de diversos fa­ tores, que podem diferir de empresa para empresa. Nem sempre o insumo mais caro é a solução para melhorar a produtividade e a qualidade. Nem sem­ pre o mais barato é o que vai levar a menores custos de produção. A decisão deve considerar indicadores como velocidade média de impressão, horas de para­ das não programadas, consumo de ma­té­rias-​­primas, energia e água e quantidade de re­sí­duos. Dos prin­ ci­pais insumos utilizados na impressão offset, pra­ ticamente todos tiveram avanços tecnológicos in­ teressantes. Neste artigo abordaremos blanquetas, chapas, tintas, pa­péis e químicos au­xi­lia­res.

Blanquetas

Os fabricantes desses ma­te­riais têm investido mui­to em pesquisa, resultando em grandes avanços tec­ nológicos principalmente com relação à durabili­ dade e qualidade de impressão. A vida útil é um aspecto importante. Uma troca de blanquetas pode consumir até 15 minutos por unidade, entre instalação e conferência com relógio comparador. Portanto, menos subs­ti­tui­ções de blan­ quetas implicam em redução de tempo de máqui­ na parada, menor curso de hora-​­máquina e ­maior tempo disponível para produção. Hoje existem no mercado as seguintes inovações tecnológicas que permitem essa melhoria no ajuste da máquina: ◆◆Blanquetas com­p res­s í­v eis com microcélulas fe­ chadas, que permitem rápida recuperação de

Superfície de impressão Lona têxtil

Camada compressível com microcélula fechada

Lona sintética

Fundo selado

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amassamento, fun­cio­nan­do como uma espécie de amortecedor para os impactos. Melhoram a qualidade de impressão e são mais ver­s á­teis na impressão sobre diferentes suportes. Permitem melhor soltura do papel. ◆◆Blanquetas calibradas: apresentam uma super­ fície isenta de subprodutos e microrrugosidade mais uniforme em comparação com as retifica­ das. A espessura é mais uniforme. Também me­ lhoram a soltura do papel, imprimindo traços e retículas com melhor qualidade. ◆◆Barras ou réguas adaptadas: as barras de ten­sio­ na­men­to já incorporadas de fábrica à blanqueta, dispensando a sua montagem ma­nual, podem ser utilizadas mesmo em equipamentos mais antigos. Os ­atuais fornecedores desenvolveram modelos para essa finalidade. Elas vão ajudar a di­mi­nuir o tempo de instalação. Existe também uma tecnologia de blanquetas em que o suporte tra­di­cio­nal de lonas têx­teis é subs­ti­tuí­do por uma estrutura es­pe­cial sintética. Essa estrutura é responsável por melhores pro­prie­ da­des físicas, tais como: ◆◆Menor perda de espessura durante a utilização da blanqueta. ◆◆Melhor resistência ao ten­sio­na­men­to, dispensan­ do constantes ten­sio­na­men­tos adi­cio­nais. ◆◆Rápida recuperação de amassamentos e resistên­ cia a vincos e cortes decorrentes das bordas dos suportes, graças à grande espessura da camada de borracha. ◆◆Vida útil estendida e excelente reprodução de pontos. Tintas offset

Este é o insumo que possui ­maior diversidade de características dis­po­ní­veis para adequação a diferentes necessidades. A sua formulação ­ideal deve ser escolhida de acordo com o tipo de im­ pressora e, principalmente, com o tipo de supor­ te a ser impresso. Aqui destacamos duas tec­no­ lo­gias: as tintas à base de ­óleos 100% ve­ge­tais e as tintas de cura UV. Os vernizes-​­base, ou veí­cu­los, das tintas offset tipo BIO, fei­tos com ­óleos 100% re­no­v á­veis, são um avanço tanto no aspecto ecológico quanto técnico. Por reduzirem emissões de VOCs (Com­ postos Orgânicos Vo­lá­teis), são adequados a tra­ balhos com apelo ecológico, gerando mais opor­

tunidades de ne­gó­cios, como os explorados pela American Soy­bean As­so­cia­tion (ASA). Essas tintas ini­cial­men­te foram desenvolvidas para melhorar o desempenho de impressoras com reversão, reduzindo o indesejável acúmulo de tinta no cilindro de contrapressão das últimas unidades em máquinas de 8, 10 ou 12 cores. Os vernizes ve­ge­tais pro­por­cio­nam melhor po­ der de umectação dos pigmentos, garantindo me­ lhor printabilidade e desempenho su­pe­rior de im­ pressão, além de ­maior brilho. Já estão dis­po­ní­veis também tintas ve­ge­tais do tipo ­board, que se adap­ tam mui­to bem a suportes de difícil ancoragem e com mui­ta exigência de resistência a abrasão, como os cou­chés foscos, mais di­f í­ceis de acabar. As tintas de cura por ra­dia­ção ul­tra­vio­le­ta, por sua vez, permitem a impressão sobre qualquer subs­ trato, mesmo os não absorventes, como plásticos e me­tais. Também são vantajosas quando existe o requisito de secagem rápida, como na impressão de dados va­riá­veis ou para prazos de acabamen­ to mui­to curtos. Para a utilização dessas tintas são ne­ces­sá­rias adaptações particulares na impresso­ ra, como a instalação das unidades de cura com lâmpadas UV, além da subs­ti­tui­ção de ro­la­rias de impressão/molhagem e blanquetas. Chapas CtP processless

A tecnologia processless, ou sem processamento, permite a produção da chapa offset com pontos de pri­mei­ra geração sem a utilização de tratamen­ tos químicos. A chapa vai diretamente para a im­ pressora offset após a exposição, eliminando-se a etapa de revelação com equipamentos e químicos específicos. A eliminação da camada de contragra­ fismo é rea­li­z a­da na própria impressora. Essa tecnologia promove uma redução dos cus­ tos relativos ao equipamento de processamento (investimento, manutenção, de­pre­cia­ção), energia, água, hora-​­máquina, hora-​­homem, reveladores e tratamentos de re­sí­duos. Há também ganhos de produtividade. A chapa chega mais rapidamente à impressora e a exposi­ ção no CtP é mais rápida. Essa vantagem deve-se ao fato de a chapa ser negativa. O laser expõe so­ mente as ­­áreas de grafismo, normalmente meno­ res. Essas chapas também pro­por­cio­nam ­maior re­ petibilidade, já que diversas va­riá­veis de revelação são eliminadas. VOL. II  2011  TECNOLOGIA GRÁFICA

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Hidrocarbonetos

Emulgentes Inibidores de corrosão

Papéis

Não são somente os fabricantes de tintas que es­ tão buscando acelerar o processo produtivo gráfico, mas também os fabricantes de pa­péis. A ­ideia foi incorporar à superfície do papel um tratamento que permite a ancoragem e oxidação da tinta com mui­to mais velocidade. Alguns exem­ plos desse tipo de tecnologia de revestimento fo­ ram lançados em novembro de 2007 na Europa pela Sappi. O cou­ché Tempo foi desenvolvido com base em pesquisas de mercado e grupos de discus­ são focados nas necessidades das gráficas, onde a secagem mesmo no cou­ché fosco permite ma­nu­ seio em menos de uma hora. A americana Nee­nah também oferece alta performance de acabamento alia­da à alta qualidade de definição com o Corona­ do SST (Spe­cial Surface Treat­ment). A Arjowiggins também trou­xe inovações nessa área, lançando o papel da tra­di­cio­nal linha Rives na versão Sen­sa­tion, que au­men­ta drasticamente a secagem e a taxa de cobertura, permitindo, além de ­maior densidade de impressão e contraste, menor tempo de acabamen­ to, sem contar o fato de di­mi­nuir even­tuais perdas durante esses processos. Químicos auxiliares

Os químicos au­xi­lia­res chegam ao gráfico com uma ampla gama de produtos para diversas necessida­ des voltadas para melhoria do processo: secantes, produtos de limpeza e de conservação de ro­la­rias e blanquetas, soluções de fonte e vá­rios ou­tros. Secantes: utilizam a própria água emul­sio­na­da da solução de fonte para ajudar a secar a tinta. As­ sim, a tinta seca de dentro para fora. Não faz cas­ ca e também tem ajudado na fixação do filme de tinta em suportes de pou­ca absorção. Au­xi­lia­res de limpeza: a popularização dos sol­ ventes do tipo não aromáticos permite a limpeza 44 TECNOLOGIA GRÁFICA 

VOL. II  2011

dos rolos e blanquetas sem agredir suas pro­prie­da­ des de dureza, diâ­me­tro e rugosidade. Essa nova tec­ nologia de solventes, além de pro­pi­ciar uma limpe­ za mais efi­cien­te, permite o emul­sio­na­men­to com água. Eles têm em sua composição agentes anti­ corrosivos. O impressor deve ser orien­ta­do quan­ to à utilização correta desse tipo de solvente mais “pesado”, já que ele apresenta uma oleo­si­da­de re­ si­dual que deve ser removida com água. Comple­ tam os produtos de limpeza diá­ria, como o solvente, os au­xi­lia­res de limpeza profunda para revitaliza­ ção dos poros dos rolos, que removem também o cálcio acumulado. Porém, uma vez endurecidos e encolhidos, os rolos devem ser trocados. Soluções de fonte: hoje são desenvolvidas de forma bem personalizada para cada tipo de equi­ pamento impressor e qualidade de água. Por isso, existem dezenas de tipos em cada portfólio dos fabricantes. Esses produtos mais modernos pro­por­cio­nam diversos be­ne­f í­cios ao processo em comparação com os produtos mais antigos: ◆◆Melhor umectação da chapa. ◆◆Que­bra da tensão su­p er­f i­cial da água, reduzindo ou eliminando o ál­cool isopropílico. ◆◆Aumento da hidrofilia da chapa. ◆◆Melhor balanço água/tinta. ◆◆Redução do emul­sio­na­men­to. ◆◆Redução do fluxo de água no sistema. ◆◆Tamponização do pH. ◆◆Limpeza do contragrafismo. ◆◆Melhor secagem das tintas. Daniel Nato é tecnólogo formado pela Faculdade Senai de Tecnologia Gráfica e consultor técnico na Antalis.


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ACABAMENTO

Imprimi. E agora? Silvane Salamoni

R

ecentemente, o site da ABTG divulgou um levantamento rea­li­za­do pela ANconsulting, empresa de consultoria es­p e­cia­li­z a­da em ne­gó­cios gráficos, sobretudo os que envol­ vem impressão digital. O levantamento afirma que gráficas de diferentes portes que investiram na tec­ nologia digital crescerão cerca de 22% em 2011 em relação ao ano passado. Tais dados confirmam algo que já é sabido pelo mercado: a impressão digital está se tornando uma das prin­ci­pais forças de atração de novos investimen­ tos. O crescimento da impressão digital como negó­ cio abre, por sua vez, uma

Vincadeira e dobradeira Morgana.

46 TECNOLOGIA GRÁFICA 

VOL. II  2011

nova necessidade dentro das grá­ ficas: investir em soluções de acaba­ mento digital para esse tipo de aplicação. Em princípio, é mui­to co­ mum o empresário gráfico, so­ bretudo o de gráficas pequenas, não atentar para essa necessidade e usar seus sistemas de acabamento tra­di­cio­nais para finalizar (vincar, cor­ tar, dobrar, colar etc.) seus impressos di­gi­tais. Isso, na maio­ria das vezes, incorre num erro. Pois os im­ pressos di­gi­tais, da mesma ma­nei­ra que se di­fe­ren­ ciam no processo de impressão, por permitir bai­xas tiragens ou tiragens uni­tá­rias com personalização one to one, também precisam de aplicações dedica­ das de acabamento para que sejam finalizados com qualidade. Ou seja, não adian­ta investir em equipa­

mentos de qualidade para impressão digital se não há, no final do processo, sistemas que assegurem um acabamento com igual qualidade. Essa afirmação pode ser ilustrada com um exem­ plo simples. Na maio­ria dos casos, as impressoras atual­men­te dis­po­ní­veis no mercado usam tecno­ logia de toner, principalmente quando falamos de impressoras de ponta. Só que, como é sabido, o to­ ner, ao contrário da tinta à base de água, não pene­ tra no papel — ele fica concentrado na superfície do substrato. Agora, imagine que, na dobra ou corte, a folha sofra um tipo de estresse (pressão) que ra­ sura ou arranca esse toner facilmente. O resultado são os filetes brancos provocados em ­­áreas onde o toner foi, literalmente, removido pelo processo de acabamento — faca ou pressão para dobra. Quan­do falamos em equipamentos es­pe­cial­men­ te cria­dos para acabamento digital, estamos falando, portanto, de tec­no­lo­gias que res­pei­tam as características desse tipo de impresso. Alguns sistemas de acabamento, como os de corte, já estão mais adapta­ dos aos processos envolvendo impres­ são digital. Neles, as facas já vêm prepara­ das para cortar impressos em toner. Mas em vá­rios ou­tros itens que envolvem o acabamento de um produto gráfico isso não ocorre. Um exem­ plo rápido são os sistemas de vinco, que permitem que as folhas recebam vinco sem pressão usando sistema inteligente (mas simples) macho/fêmea, no qual o vinco é fei­to sem rasura alguma. Acabamentos dedicados

Outros paralelos que podemos traçar, em termos de tecnologia, são as vantagens de se trabalhar com sistemas de acabamentos adaptados ao digital em processos de binder, dobra e guilhotina, devido ao tempo mais curto de acerto da máquina. Como se tratam de impressos em tiragens bai­xís­si­mas, mui­ tas vezes uni­tá­rias, é inconcebível que haja desper­ dício de substrato. Linhas desenhadas para impres­ sos di­gi­t ais trazem um setup menor, com o qual a troca de funções se torna mais rápida, já que o giro entre diferentes trabalhos é mui­to ­maior, de­ vido às bai­xas tiragens (equipamentos para acaba­ mento digital são pensados para equilibrar tempo e


produtividade). Não é viá­vel que os pro­ cessos de vincar, cortar ou dobrar cinco ou 10 catálogos demandem um tem­ po de acerto igual ao encontrado em um equipamento similar para saí­da off­ set. Por fim, deve-se considerar o design dessas máquinas. Normalmente, as grá­ ficas di­gi­tais são menores e o la­yout des­ ses equipamentos res­pei­ta isso. Trata-se de maquinário com­ pacto que ocupa pou­co espa­ ço. Além disso, a gráfica digi­ tal normalmente trabalha com “balcão”, é voltada para atendimento de rua, e isso se reflete em toda a estrutura de seu parque de produção, que deve permitir agilidade em pou­co espaço. É possível perceber que, em um plano de investi­ mento ­ideal, não se deve olhar apenas para o parque de impressão, e sim para a ca­deia como um todo. Esse tipo de visão já é comum nas gráficas tra­di­cio­ nais e deve migrar também para as gráficas di­gi­tais. Afinal, a exigência de qualidade por parte de clien­ tes e do mercado, em geral, não muda. E, à medida que os impressos di­gi­tais asseguram uma diversifi­ cação na oferta de trabalhos gráficos, o empresá­ rio deve estar atento às formas de produzir esses impressos com qualidade máxima. Portanto, se de um lado fala-se mui­to sobre abrir aplicações para incentivar o crescimento das ven­ das no mercado de impressão digital e no número de páginas impressas com esses sistemas, os com­ pradores desse tipo de tecnologia (ou seja, gráfi­ cos) devem atentar para uma ter­cei­ra e adicional

Thermo-Type, máquina de aplicação de hot stamping.

questão: se vou imprimir, preciso dar a esse impres­ so um acabamento condizente com a qualidade que meu clien­te espera. Assim, temos, ao final, não somente a venda de produtos para se imprimir digitalmente. Temos a venda de uma solução total ao clien­te. Esse, sim, é um novo mercado: o que permite a impressão em bai­x as tiragens e tiragens personalizadas e, tam­ bém, que possibilita a produção de um impresso belo, bem acabado, e um fluxo de trabalho todo adaptado e pensado para a impressão digital. Silvane Salamoni é diretora da Diginove Equipamentos Gráficos

Encadernadora de lombada quadrada Duplo DB-280.

VOL. II  2011  TECNOLOGIA GRÁFICA

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SEYBOLD Molly Joss

Digital Publishing da Adobe

Ferramentas para publicação em múltiplos canais

N

o final do ano passado a Adobe anun­ciou o lançamento do Digital Publishing Sui­te, um sistema online de soft­ware caracterizado como “um conjunto de serviços tecnológicos de hospedagem e vi­sua­li­z a­ç ão já prontos para ­criar, publicar, otimizar e vender con­teú­do digital direto ao consumidor”. Dave Dickson, gerente de mar­ke­ ting de produtos de publicação digital da Adobe, afirma que o pacote oferece aos editores uma so­ lução completa para a publicação em múltiplos ca­ nais que supre todas as funções e necessidades das editoras para ­criar, divulgar e obter lucro com con­ teú­dos di­gi­tais. Além disso, o pacote oferece uma forma de ras­trear e controlar o uso do con­teú­do e o desempenho da publicidade. Projetado para trabalhar com arquivos oriun­ dos do pacote CS5, o Digital Publishing Sui­te supor­ ta os vi­sua­li­z a­do­res de con­teú­do Adobe AIR e iOS. As publicações preparadas com o pacote poderão ser lidas em tablets como o Blackberry ­PlayBook, o

Esquema de utilização do pacote Adobe Digital Edition.

AUTORIA

PACOTE DE PUBLICAÇÃO DIGITAL

Adobe InDesign CS5 Utilizar ferramentas de autoria para oferecer a interatividade, qualidade e tradição do design de impressão.

50 TECNOLOGIA GRÁFICA 

Samsung Galaxy, o iPad e mui­tos dos dispositivos com sistema ope­r a­cio­nal An­droid. ­Criar serviços que ajudam os editores a disponibilizar seu con­teú­ do em uma va­rie­da­de mais ampla de dispositivos é uma jogada inteligente. A Adobe informou que o valor da versão pro­f is­ sio­nal será de US$ 699 por mês, acrescido de uma taxa por publicação. Os editores que usam essa versão terão acesso ao Digital Publishing Sui­te para ­criar aplicativos para todas as suas publicações. Em­ presas de pequeno e médio porte e editoras cor­ porativas se­riam provavelmente aquelas com maior interesse no seu uso. O contrato em longo prazo para as grandes cor­ porações, chamado de versão em­pre­sa­rial, será per­ sonalizado e in­clui­rá o acesso às APIs (interface de chamadas de programação) para integração de ser­ viços de saí­da, tais como ge­ren­cia­men­to de assina­ turas, impressão com dados va­riá­veis e comércio eletrônico. A Adobe também oferecerá serviços de suporte para trabalhos personalizados, em nível

SERVIÇO DE PRODUÇÃO

SERVIÇO DE DISTRIBUIÇÃO

SERVIÇO DE E-COMMERCE

Enviar conteúdo, testar interatividade, organizar o conteúdo do pacote e criar um Visualizador de Conteúdo customizado pelo editor.

Usar conteúdos centralizados automatizados variáveis e ainda mantendo as relações diretas com os leitores.

Maximizar o retorno sobre o investimento em conteúdo com a venda através de múltiplos canais, incluindo mercado de celular e sites de editoras.

VOL. II  2011

SERVIÇO DE ANÁLISE DE DADOS Ganhar uma visão para otimizar o conteúdo editorial e publicitário utilizando ferramentas baseadas no Pacote de Marketing Online da Adobe

VISUALIZAÇÃO

Visualizador Adobe Content Viewer Envolver o público em várias plataformas com um visualizador de conteúdo que oferece uma performance inovadora assim como novos recursos de navegação.


corporativo. Provavelmente grandes empresas de mídia serão os maio­res interessados por esta versão, mas não deve se descartar o interesse de divisões de publicação dentro de grandes corporações. Conteúdo do pacote

Para fornecer aos usuá­rios um serviço de publica­ ção mul­ti­ca­nais, a Adobe equipou o pacote com os seguintes elementos: ◆◆Serviço de Produção (Pro­duc­tion Service): os usuá­ rios poderão fazer o ­upload de arquivos de In­ Design CS5 em um servidor de tal forma que dife­ rentes editores poderão trabalhar em colaborações no design, organização da ordem correta do con­ teú­do, acréscimo de metadados e vi­sua­li­za­ção da edição completa da forma final como ela apare­ cerá nos monitores e tablets. O Serviço de Pro­ dução suporta uma série de formatos de arquivo, in­cluin­do PDF e HTML5. ◆◆Serviço de Dis­t ri­bui­ç ão (Dis­t ri­bu­t ion Service): os usuá­rios serão capazes de armazenar, hospedar e dis­tri­buir con­teú­do digital. Um pai­nel divulga o con­teú­do da bi­blio­te­ca, in­cluin­do metadados de publicação e arquivamento. O sistema também pode notificar os lei­to­res quando uma nova edi­ ção de uma determinada revista está disponível para compra ou down­load. ◆◆Comércio Eletrônico (e-​­commerce Service): essa parte do pacote inclui suporte para lojas online, tanto de pequenas quanto de grandes marcas, tais como a BlackBerry App World, An­droid Market, do Goo­gle Apps Marketplace, ou Apple App Sto­ re. Os usuá­rios podem ­criar grupos de con­teú­dos para vi­sua­li­z a­ção ou impressão a serem postados online nessas lojas. ◆◆Análise de Dados (Analytics Service): é nessa área que a Adobe está aplicando as com­pe­tên­cias da empresa recém-​­adquirida, a Omniture. Será possí­ vel medir acessos e vi­sua­li­za­ções, informações es­ sen­ciais para publicidade e assinaturas, in­cluin­do total de visitantes, edições bai­xa­das e estatísticas de compra e utilização de con­teú­do interativo. Apenas os usuá­rios da versão em­pre­sa­rial pode­ rão usar os serviços de comércio eletrônico e aná­ lise de dados, mas eles são o su­f i­cien­te para que essas empresas migrem de qualquer ou­tro servi­ ço que estejam usando, ou planejavam usar, para a cria­ção e a divulgação dos seus con­teú­dos di­gi­ tais. Em tese, o mais va­lio­so é a análise dos dados de acesso. Em longo prazo, esses dados podem

ser utilizados para re­di­re­cio­nar os investimentos em publicidade. Para a Adobe, as capacidades analíticas do paco­ te podem ser descritas da seguinte forma: a análise cui­da­do­sa do perfil do público online pode comple­ tar informações tra­di­cio­nal­men­te obtidas em pon­ tos de venda offline e ajudar a cons­truir uma ima­ gem mais abrangente de cada assinante. Re­la­tó­rios e análises aprofundadas estão dis­po­ní­veis através de uma assinatura separada do produto SiteCatalyst, também da Adobe. Pai­néis e re­la­tó­rios adi­cio­nais podem ser personalizados para atender aos objeti­ vos específicos de um anun­cian­te. Essa é uma boa notícia para as grandes empresas, uma vez que elas podem adaptar esses recursos a objetivos mui­to es­ pecíficos, ou mesmo para um anúncio in­di­vi­dual. Além disso, também é possível testar e acompanhar os resultados de uma campanha e cobrar do anun­ cian­te taxas adi­cio­nais por tais serviços. Na área grá­ fica há uma discussão sobre como gráficas de­ve­ riam se tornar prestadoras de serviços de mar­ke­ting. Talvez o mesmo seja válido para editores.

Tela do aplicativo Adobe Digital Edition Publishing.

As grandes editoras já estão no barco

A Adobe já está trabalhando com as maio­res edi­ toras do mundo, como a Condé Nast e Martha Stewart Living Omnimedia, Inc., para ­criar revistas di­gi­tais. Pou­cas horas de­pois de a Adobe anun­ciar o lançamento do Digital Publishing Sui­te, a Condé Nast anun­ciou que vai usar o pacote para produzir edições di­gi­tais de todas as suas revistas. Comentando a decisão, Joe Simon, diretor do Instituto de Tecnologia da Condé Nast, explica que a editora teve boas ex­pe­riên­cias utilizando a Digital Magazine So­lu­tion (precursor do Digital Publishing VOL. II  2011  TECNOLOGIA GRÁFICA

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O sucesso do novo pacote com os clien­tes de pequenas e mé­dias empresas dependerá principal­ mente da facilidade de utilização. A fim de com­ pensar o gasto de US$ 699 men­sais mais a taxa por publicação, essas empresas serão obrigadas a redu­ zir ou­tros gastos. Pos­te­rior­men­te, se as publicações online produzirem re­cei­tas adi­cio­nais, os ganhos ob­ tidos poderão cobrir o custo do pacote. No início, porém, a facilidade de uso será pri­mor­dial. Para as grandes editoras interessadas na ver­ são corporativa, mui­to irá depender da capacida­ de de fazer bom uso dos recursos de dis­tri­bui­ção, comércio eletrônico, ras­trea­men­to e análise de da­ dos. Existem ou­tras ferramentas para o desenvolvi­ mento de versões interativas e aplicativos para iPad e algumas editoras já estão desenvolvendo suas pró­ prias ferramentas. Assim, o grande atrativo para es­ ses usuá­rios são os recursos de análise e suporte às ferramentas tra­di­cio­nais de cria­ção. Informações adi­c io­nais sobre o Digital Publishing

Sui­te) para transformar os aplicativos para iPad das publicações Wired e The New Yorker. Além disso, a adição de ferramentas de análise de dados tor­ na o novo pacote mui­to atraen­te. “Com a Wired e a The New Yorker pudemos manter a aparência original das publicações porque os designers esta­ vam fa­mi­lia­ri­z a­dos com as ferramentas da Adobe. Suas soluções permitem oferecer publicações di­gi­ tais que se destacam e também fornecem informa­ ções ne­ces­s á­rias para otimizar o nosso con­teú­do edi­to­rial e publicitário”.

Telas com exemplo de relatório analítico.

Sui­te estão dis­po­ní­veis no site Adobe.com e no blog do Digital Publishing (http://blogs.adobe. com/digitalpublishing) Tradução autorizada do The Seybold Report,

volume 10, número 20, 25 de outubro de 2010. Clientes Pioneiros do Digital Publishing Suite CLIENTES PIONEIROS DO DIGITAL PUBLISHING SUITE

DI Magazine Dark Glass Media

Credit Suisse Bulletin Credit Suisse

FOTOHITS Magazine FOTOHITS

InDesign Magazine PrintingForLess.com

WIRED Condé Nast

The New Yorker Condé Nast

Maxim HD Maxim/Bite Sized Candy

iGIZMO Dennis Publishing

Sabado Bicentenario Grupo El Mercurio

Nossa opinião

Perguntamos a Dave Dickson, gerente de mar­ke­ ting de produtos de publicação digital da Ado­ be, sobre qual fluxo de trabalho os editores pre­ci­ sa­riam estabelecer para usar o novo pacote e, em particular, se seria necessário contratar pes­soal es­ pe­cia­li­z a­do na cria­ção de publicações interativas. Segundo ele, as ferramentas foram projetadas para serem simples e in­tui­ti­vas, para que os fun­cio­ná­rios das pró­prias editoras com ex­pe­riên­cia em design de impressão possam adi­cio­nar interatividade às publi­ cações. Só será possível saber se o público vai con­ cordar ou não com essa afirmação de­pois que os editores tiverem a oportunidade de experimentar o Digital Publishing Sui­te. 52 TECNOLOGIA GRÁFICA 

VOL. II  2011

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TUTORIAL

Thia­go Justo

Neste tutorial vou apresentar uma nova ferramenta do Pho­to­ shop CS5, Puppet Warp, um recurso rápido, fácil e extremamente útil para executar pequenas distorções e ajustes em suas imagens. Requisitos: Adobe Pho­to­shop CS5

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Dando um nó no Photoshop

Puppet Warp é uma ferramenta mui­to simples de usar e que permite fazer distorções mui­to interessantes: movimentar braços e pernas de uma pessoa, encurvar objetos da fotografia ou, como o escolhido para este tu­to­rial, dar nó em uma corda. Com a imagem escolhida aberta no Pho­to­shop, retire seu fundo, em caso de fundo simples, ou faça a seleção do objeto da imagem que você pretende distorcer. Para utilizar o Warp é necessário fazer uma seleção precisa daquilo em que se pretende mexer e para isso você pode utilizar as ferramentas Pen

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VOL. II  2011

Tool e Refine Edge. É claro que isso não é uma regra. Você poderá utilizar qualquer uma das ferramentas de seleção do Pho­to­shop que mais se adequem ao tipo de imagem e seleção escolhida. Eu escolhi a imagem de uma corda sob um fundo branco, mui­to simples de retirar. Para se­le­cio­nar somente a corda, utilizei a ferramenta ­Quick Se­lec­tion Tool clicando sobre o fundo branco. De­pois de se­le­cio­nar o fundo, inverta a seleção (Menu Select ➠ Inverse ou pelo atalho Cmd / Ctrl + Shift + I). Você pode melhorar essa seleção ini­cial clicando no botão Refine Edge (1).


Com o Refine Edge podemos aper­fei­çoar e corrigir nossa seleção da melhor forma possível. Experimente todos os ajustes para encontrar a melhor seleção para seu objeto. Outro ponto interessante do Refine é o fato de ele dar opções de saí­da para a seleção. Você poderá salvá-la com um nova camada, nova máscara e novo layer com máscara, entre ou­tros. De­pois de refinar sua seleção, escolha no Output to a opção New Layer. Desse modo, você terá a seleção do objeto salva em uma nova camada (2). Temos, então, duas camadas distintas, uma com a imagem original e ou­tra só com aquilo que se­le­ cio­na­mos da imagem (3). Vamos aplicar o Puppet

Warp nesse novo layer. Com a camada se­le­cio­na­ da, vá em Edit ➠ Puppet Warp para abrir a ferramenta(4). Quan­do estiver ativo, o Warp cria­rá uma malha sobre a imagem se­le­cio­na­da (5). Agora, basta aplicar os pontos que nos permitem manipular e distorcer os objetos. Eles vão fun­ cio­nar como pontos de articulação. Por isso, para curvar ou dobrar o objeto, você precisará ­criar pelo menos dois pontos. Distribua-os de modo a conseguir o melhor arranjo para a distorção que se pretende fazer na imagem (6). De­pois de ­criar os pontos, comece a fazer as distorções. Você pode movimentar os pontos clicando sobre eles e arrastando-os. Você pode selecionar

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mais de um ponto para arrastar. Para isso, use a tecla Shift. Para girar os pontos, basta clicar sobre um deles e pres­sio­nar a tecla Alt. Com esses comandos simples é possível distorcer a corda até fazer um nó (7, 8 e 9). Existem também os comandos na barra de pro­ prie­da­des que ajudam na hora de fazer a distorção (10), principalmente o Ex­pan­sion, que au­men­ta a área de in­f luên­cia de um ponto sobre a imagem, e o Pin Depth, que organiza a sobreposição de partes

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da imagem. Com ele é possível en­viar para frente e para trás a parte da imagem do ponto se­le­cio­na­do (11). Utilizei o Pin Depth para organizar as pontas da corda, de modo a dar rea­lis­mo ao nó que c­ riei. De­pois de distorcer a imagem, basta pres­sio­nar Enter para que a distorção seja aplicada à imagem original. Pronto! Nó fei­to no Pho­to­shop. Thiago Justo é instrutor de Pré‑impressão da Escola Senai Theobaldo De Nigris.


SITES

Metalgamica www.metalgamica.com.br

C om o objetivo de dar ­maior suporte ao clien­te e também importância à marca, a Metalgamica investiu na modernização de seu site. A nova versão convida o in­ter­ nau­t a a explorar vá­rias informações sobre a empresa, produtos e serviços ofere­ cidos ao mercado e à indústria gráfica em geral. A reformulação resultou em um la­yout mais claro, limpo e atrativo. Foram revistos aspectos técnicos, com a ado­ ção de mecanismos que facilitam a navegação. A página de no­tí­cias demonstra ­maior cui­da­do com os clien­tes e passa a pro­por­cio­nar mais informação sobre os lançamentos de produtos e novidades da empresa. A comunicação digital na Metalgamica ganha força também com o ingresso da empresa nas redes so­ciais. Twitter e Fa­ce­book foram as pri­mei­ras a entrarem na lista, seguidas pelo YouTu­be. Todas as contas têm perfil ins­ti­tu­cio­nal e abrem espaço para a comunicação e ajuda ao clien­te. O lançamento do novo site vem ao encontro dos novos investimentos em mar­ke­ting e foco total no clien­te.

LITERATURA

e­ Books – Arte-​­finalização e conversão para livros eletrônicos Ricardo Minoru Horie O pri­mei­ro volume da coleção ­eBooks explica em detalhes os procedimentos para que pro­fis­sio­nais de dia­gra­ma­ção de livros dos mais va­ria­dos segmentos pos­ sam produzir livros eletrônicos nos formatos ePub, Mobi e PDF, para serem lidos e vi­sua­li­za­dos por aplicativos instalados em computadores, no­te­books, net­books, smartphones e também em e-​­rea­ders e tablets. Usando como ferramenta princi­ pal o InDesign CS5 e alguns ou­tros uti­li­t á­rios, o volume Arte-​­finalização e conversão para livros eletrônicos descreve os con­cei­tos e características dos prin­ci­pais formatos, cui­da­dos, procedimentos técnicos, preparação dos elementos de pá­ gina, limitações dos projetos gráficos e boas práticas na dia­gra­ma­ção, além das técnicas de conversão dos con­teú­dos para os formatos ePub, Mobi e PDF. Bytes & Types www.bytestypes.com.br

Textos clássicos do design gráfico

WG Pa­péis www.wg­pa­peis.com.br O novo site da WG Pa­péis permite ao in­ter­nau­ta acessar o universo de informa­ ções da empresa, seus produtos e serviços. As mudanças trou­xe­ram ao site um la­yout mais atrativo, além da incorporação de ferramentas que facilitam e agili­ zam a navegação. O atendimento online a clien­tes di­re­cio­na diretamente o usuá­ rio para os atendentes co­mer­ciais e quem navega encontra as promoções sempre atua­li­za­das. O contato da empresa com o mercado através da internet se am­ plia também com a entrada da WG Pa­péis nas redes so­ciais: Fa­ce­book, Linked­In, orkut, YouTu­be e o blog acessado via Wordpress.

Mi­chael Bie­rut, Jessica Helfand, Steven Heller e Rick Poynor Os en­saios dessa antologia de textos históricos sobre design gráfico revelam o percurso multifacetado e polêmico dessa disciplina, que começou como arte co­ mer­cial e se transformou em atividade altamente pro­fis­sio­nal e res­pei­t á­vel. Cada um dos textos da obra lança luzes sobre um instante, uma descoberta ou um debate significativos. Em manifestos, panfletos, artigos e textos de con­fe­rên­ cias, designers e pes­soas que acompanham o design veem-se às voltas com as questões críticas do modernismo, mercantilismo, estética, feminismo, tra­di­cio­ na­lis­mo versus progressismo e responsabilidade so­cial. Esses trabalhos vibran­ tes e ori­gi­nais cons­troem uma moldura por meio da qual torna-se possível com­ preen­der o desenvolvimento de um método vi­sual que ajudou a definir a fei­ção da comunicação e da vida co­ti­dia­nas. WMF Martins Fontes www.wmfmartinsfontes.com.br VOL. II  2011  TECNOLOGIA GRÁFICA

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CURSOS

ABTG Junho PCP e Boas Práticas de Fabricação

Data: 7 de junho Horário: 9h às 18h Instrutor: Thomaz Caspary Investimento: R$ 290,00 para as­so­cia­ dos ABTG, Abigraf, Abraform, Sin­grafs e ­Abiea; R$ 390,00 para não as­so­cia­ dos e R$ 190,00 para estudantes.

Controlando as Variáveis de Impressão Offset

Data: 14 a 16 de junho Horário: 18h45 às 21h45 Instrutor: Pedro Casotti Investimento: R$ 320,00 para as­so­ cia­dos ABTG/Abigraf, Abraform, Sin­ grafs e ­Abiea; R$ 420,00 para não as­so­ cia­dos e R$ 220,00 para estudantes.

Um Modelo Diferenciado de Atendimento ao Cliente Interno e Externo

Data: 21 de junho Horário: 9h às 18h Instrutor: Cristina Simões Investimento: R$ 290,00 para as­so­cia­ dos ABTG, Abigraf, Abraform, Sin­grafs e ­Abiea; R$ 390,00 para não as­so­cia­ dos e R$ 190,00 para estudantes.

Julho Custos e Formação de Preço de Venda

Data: 12 a 14 de julho Horário: 18h45 às 21h45 Instrutor: Flavio Botana Investimento: R$ 320,00 para as­so­ cia­dos ABTG/Abigraf, Abraform, Sin­ grafs e ­Abiea; R$ 420,00 para não as­so­ cia­dos e R$ 220,00 para estudantes.

Fechamento de Arquivos para a Indústria Gráfica

Data: 19 de julho Horário: 9h às 18h Instrutor: Ricardo Minoru Investimento: R$ 290,00 para as­so­cia­ dos ABTG, Abigraf, Abraform, Sin­grafs e ­Abiea; R$ 390,00 para não as­so­cia­ dos e R$ 190,00 para estudantes.

Agosto Produção Gráfica

Data: 2 de agosto Horário: 9h às 18h Instrutor: Ana Cristina Pedrozo Investimento: R$ 290,00 para as­so­cia­ dos ABTG, Abigraf, Abraform, Sin­grafs

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VOL. II  2011

e ­Abiea; R$ 390,00 para não as­so­cia­ dos e R$ 190,00 para estudantes.

dos em ou­tros cursos, no trabalho ou por ­meios in­for­mais.

Problemas e Soluções na Pós‑Impressão

INICIAÇÃO PROFISSIONAL Criação e Desenvolvimento de Personagem de Cartoon (42h) – R$ 480,00

Data: 9 a 11 de agosto Horário: 18h45 às 21h45 Instrutor: Evandro Fer­rei­ra Investimento: R$ 320,00 para as­so­ cia­dos ABTG/Abigraf, Abraform, Sin­ grafs e ­Abiea; R$ 420,00 para não as­so­ cia­dos e R$ 220,00 para estudantes.

SENAI Cursos de fé­rias Meio Oficial Impressor Offset em Máquina Monocolor 

(60h) – R$ 743,00 Semanal 2ª‒ a 6ª:‒ 20/6 a 15/7 das 19h às 22:30h 2ª‒ a 6ª‒ (integral): 20/6 a 01/7 e 4/7 a 12/7 das 8h às 17:00

Impressão Offset em Máquina Quatro Cores 

(60h) – R$ 1.174,00 Semanal 2ª‒ a 6ª:‒ 20/6 a 15/7 das 19h às 22:30h Requisitos: comprovar conhecimen­ tos e ex­p e­riên­cias an­te­rio­res refe­ rentes à impressão offset, adquiri­ dos em ou­tros cursos, no trabalho ou por ­meios in­for­mais.

Illustrator para Pré Impressão ( 32h) – R$ 561,00

Semanal 2ª‒ a 6ª:‒ 20/6 a 5/7 das 19h às 22:00h Requisitos: comprovar conhecimen­ tos e ex­pe­riên­cias an­te­rio­res referen­ tes à editoração eletrônica, adquiri­ dos em ou­tros cursos, no trabalho ou por ­meios in­for­mais.

InDesign para Pré Impressão ( 32h) – R$ 510,00

Semanal 2ª‒ a 6ª:‒ 20/6 a 5/7 das 19h às 22:00h Requisitos: comprovar conhecimen­ tos e ex­pe­riên­cias an­te­rio­res referen­ tes à editoração eletrônica, adquiri­ dos em ou­tros cursos, no trabalho ou por ­meios in­for­mais.

Colorimetria Aplicada aos Processos Gráficos 

(32h) – R$ 510,00 Semanal 2ª‒ a 6ª:‒ 20/6 a 5/7 das 19h às 22:00h Requisitos: comprovar conhecimen­ tos e ex­p e­riên­cias an­te­rio­res refe­ rentes à produção gráfica, adquiri­

Sábados: 23/7 a 1/10 e 8/10 a 17/12 das 8h às 12h Requisitos: 14 anos completos e ensino fundamental con­cluí­do.

Operação de Guilhotina Linear ( 28h) – R$ 390,00

Sábados: 4/6 a 30/7; 13/8 a 24/9; 8/10 a 10/12 das 8h às 12h ou das 13h às 17h 2ª‒ a 5ª:‒ 11/4 a 27/4; 2/5 a 17/5; 18/5 a 2/6; 6/6 a 21/6; 27/6 a 12/7; 13/7 a 28/7 das 19h às 22h

Operador de Dobradeira ( 28h) – R$ 390,00

Sábados: 4/6 a 30/7 das 8h às 12h ou das 13h às 17h 2ª‒ a 5ª:‒ 11/4 a 27/4 das 19h às 22h

Impressor de Corte e Vinco Manual (32h) – R$ 492,00

Sábados: 23/7 a 10/9 e 1/10 a 19/11 das 8h às 12h ou das 13h às 17h

Impressor de Corte e Vinco Automático (80h) – R$ 848,00

Sábados: 23/7 à 10/9 e 1/10 à 3/12 das 8h às 17h

APERFEIÇOAMENTO PROFISSIONAL Produção Gráfica 

(32h) – R$ 480,00 Sábados: 30/7 a 17/9 e 1/10 a 19/11 das 8h às 12h ou das 13h às 17h Requisitos: comprovar conhecimen­ tos e ex­p e­riên­cias an­te­rio­res refe­ rentes à área gráfica, adquiridos em ou­tros cursos, no trabalho ou por ­meios in­for­mais.

Diagramação e Ilustração Digital (70h) – R$ 1.015,00

Sábados: 30/7 a 26/11 das 8h às 12h Requisitos: comprovar conhecimen­ tos e ex­pe­riên­cias an­te­rio­res referen­ tes à editoração eletrônica, adquiri­ dos em ou­tros cursos, no trabalho ou por ­meios in­for­mais.

Colorimetria Aplicada aos Processos Gráficos 

(32h) – R$ 510,00 Sábados: 30/7 a 17/9 13h às 17h e 1/10 a 19/11 das 8h às 12h Requisitos: comprovar conhecimen­ tos e ex­p e­riên­cias an­te­rio­res refe­

rentes à produção gráfica, adquiri­ dos em ou­tros cursos, no trabalho ou por ­meios in­for­mais.

Impressão Offset em Máquinas Monocolores com Comandos Eletrônicos (40h) – R$ 523,00 Sábados: 30/7 a 27/8, 17/9 a 15/10 e 05/11 a 3/12/11 das 8h às 17h Requisitos: comprovar conhecimen­ tos e ex­p e­riên­cias an­te­rio­res refe­ rentes à impressão offset, adquiri­ dos em ou­tros cursos, no trabalho ou por ­meios in­for­mais.

Tecnologia de Embalagens Flexíveis (32h) – R$ 417,00 Sábados: 30/07 a 17/09 e 01/10 a 19/11 das 8h às 12h Requisitos: comprovar conhecimen­ tos e ex­pe­riên­cias an­te­rio­res referen­ tes à produção de embalagens, adqui­ ridos em ou­tros cursos, no trabalho ou em ou­tros ­meios in­for­mais. Para todos os cursos: o (a) aluno (a) deverá comprovar ter 16 anos completos e ensino fundamental con­cluí­do (verificar exceções). Alunos menores de idade deverão comparecer para matrícula acompanhados por responsável. Apresentar cópia do histórico ou certificado do ensino fundamental, RG, CPF, comprovante de residência e comprovantes do pré-requisito para simples conferência. A Escola Senai reserva-​se o di­rei­to de não ini­ciar o programa se não hou­ ver o número mínimo de alunos inscritos. A programação, com as datas e valores pode ser alterada a qualquer momento pela escola. A Escola atende de 2‒ª a 6‒ª, das 8h às 21h, e aos sábados das 8h às 14h.

Escola Senai Theobaldo De Nigris Rua Bresser, 2315 (Moo­ca) 03162-030  São Paulo  SP Tel. (11) 2797.6333 Fax: (11) 2797.6307 Senai-SP: (11) 3528.2000 senaigrafica@sp.senai.br www.sp.senai.br/grafica


Alta Tecnologia produzida no Brasil

Rotatek Brasil OSC

FLEXO

Combi

Impressora modular com intercambiabilidade de processos e a vantagem do sistema de trocas de trabalho de forma rápida, prática e sem ferramentas. Uma excelente relação entre custo e beneficio.

Máquina híbrida que combina os processos offset, flexográfico, rotogravura, serigrafia, cold e hot stamping, intercambiando posições. Acabamentos em linha como, corte e vinco, auto-relevo, saídas em bobina e em folhas com pilha alta.

OFFSET SLEEV CHANGE

Impressora rotativa combinada com tecnologia de camisas para as matrizes de impressão, permitindo utilizar o melhor de cada tecnologia em um só processo.

Pós-venda e Assistência Técnica A Rotatek Brasil possui estrutura de serviços pós-venda e assistência técnica apta a solucionar rapidamente qualquer ocorrência em seus equipamentos, inclusive através de acesso remoto. Além, da estrutura própria de produção que possibilita soluções em tempo recorde.

Presente no mercado brasileiro desde 1985, a ROTATEK BRASIL, proporciona soluções na medida certa para as diversas produções gráficas combinando processos de impressão seja em offset, flexo, rotogravura, serigrafia, cold e hot stamping, agregando sistemas de acabamento em linha com toda a automação de controle de registro e controle de cor, além do auto-zero, que permite pré-ajuste com equipamento parado, proporcionando diminuição significativa nas horas paradas e na perda de material. Com sede própria em Barueri-SP, a ROTATEK BRASIL está em constante pesquisa para manter-se competitiva com qualquer bom equipamento.

Tel.: 55 11 3215-9999 - www.rotatek.com.br


Revista Tecnologia Grafica 77