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Acervo: general (R/1)Roberto de Pessoa

Ida dos pioneiros a Fort Benning

A História.... A Brigada de Infantaria Pára-quedista é singular dentro do Exército Brasileiro. Não há nenhuma outra brigada capaz de responder com rapidez, eficácia e poder de combate, a qualquer situação que solicite o seu emprego que se equipare a ela, reconhecida, inclusive, como uma das forças militares mais poderosas do Brasil. Está sediada na Vila Militar, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), e tem sua origem na então Escola de Páraquedistas, criada conforme o Decreto Presidencial nº 8.444, de 26 de dezembro de 1945, que autorizou seu funcionamento como Núcleo de Formação e Treinamento de Pára-quedistas. Sua história, no entanto, começou um pouco antes. Em 1944, o então capitão de Infantaria Roberto de Pessôa concluiu o curso de paraquedista na Airbone Scholl, em Fort Benning, na Geórgia, nos Estados Unidos, passando a ser considerado o primeiro paraquedista militar do 8

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Exército Brasileiro. Em seu retorno ao Brasil, o relatório apresentado ao Estado-Maior do Exército recomendava firmemente o implemento desse tipo de tropa. Foi, também, o responsável pela seleção, treinamento e condução dos primeiros voluntários ao paraquedismo, formados em Fort Benning, deixando-os aptos a passarem pelos rígidos critérios de seleção exigidos pelo Exército dos Estados Unidos (US Army). Além do pioneirismo, outra forte característica em sua personalidade era a obstinação, o que foi um dos fatores determinantes para a criação da organização paraquedista. Sua trajetória na Brigada de Infantaria Pára-quedista ainda teria mais dois capítulos marcantes: primeiro, sua breve passagem na então Escola de Pára-quedistas, entre


os anos de 1946 e 1947, onde foi de crucial importância para a sua consolidação. E, anos mais tarde, como tenente-coronel, voltou ao já Núcleo da Divisão Aeroterrestre, onde comandou o Batalhão Santos Dumont, de 1958 a 1961. Mas, voltando um pouco, e como tudo ainda era uma fase de aprendizado, de experimentos e de entusiasmo com algo ainda inédito do País, naquelas proporções e com aquele nível, há que se destacar a própria unidade-escola, o cerne de tudo – e que continua a sê-lo até os dias atuais, sob o nome de Centro de Instrução Pára-quedista General Penha Brasil. Havia, então, o Núcleo de Formação e Treinamento de Pára-quedistas, cujo Corpo de Alunos funcionava na Biblioteca da Diretoria de Material Bélico, lá mesmo, no Rio de Janeiro. Em 20 de setembro de 1946, conforme a Ordem Ministerial nº 1.194, acabou sendo transferido para o pavilhão da extinta 3ª Bateria do 1º Grupo do 1º Regimento de Artilharia Antiaérea. O primeiro comandante do Núcleo e instrutor-chefe do Ensino Técnico era o capitão Roberto de Pessôa, e as visitas oficiais à nova unidade foram iniciadas em fevereiro de 1947, pelo general-de-divisão Odylio Denys, comandante da 1ª Divisão de Infantaria e comandante da Guarnição da Vila Militar. Naquele mesmo mês foram incorporados os primeiros 93 voluntários a paraquedistas militares. Depois, em janeiro de 1949, a unidade foi deslocada para uma área conhecida como Colina Longa, onde ainda permanece, e com a denominação alterada para Corpo de Alunos da Escola de Pára-quedistas. Também aconteceu o 1º Curso Básico de Pára-quedistas no Brasil, com a participação de quatro oficiais e 13 sargentos não-paraquedistas e 22 oficiais e 17 sargentos paraquedistas, esses egressos de Fort Benning, para revalidar o curso feito naquele país. Entre os formandos dessa turma estava o coronel Nestor Penha Brasil, o primeiro comandante da Escola de Páraquedistas, cargo que, por exigência, tinha que ser ocupado por um oficial de Estado-Maior. Veterano de guerra, o

coronel Penha Brasil exerceria o comando entre 1946 e 1955, e é considerado o principal artífice da implantação da atividade aeroterrestre no Exército Brasileiro. Dentre outros méritos, ao, logo a seguir, general Penha Brasil e seu Estado-Maior deve ser creditado o da transformação da incipiente unidade em uma força de combate estruturada e organizada com tal finalidade. Os saltos aconteciam na zona do Gramacho, embora em 1946 e 1947, convidados pela Força Aérea Brasileira (FAB), os “pioneiros” tenham participado de demonstrações na Praia do Flamengo, nas comemorações da Semana da Asa, sendo lançados a partir de aeronaves Douglas C-47. Ainda em fevereiro de 1949, foi inaugurado o Curso de Mestre de Salto, com cinco oficiais e dois sargentos.

General Nestor Penh

a Brasil

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Sempre Pronta

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A Brigada hoje TECNOLOGIA & DEFESA 27


Os primeiros desafios 42 TECNOLOGIA & DEFESA

Para conquistar o direito de usar os símbolos do combatente aeroterrestre do Exército Brasileiro, o voluntário, inicialmente, passa por um exigente periodo no CI Pqdt GPB, com muito condicionamento físico-psicológico e o aprendizado das técnicas do salto de aeronaves, desde a saída da aeronave a até a solução de eventuais panes


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Fotos: Sgt Gonรงalves/ E-5 Bda Inf Pqdt


Conhecendo a

Brigada

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TECNOLOGIA & DEFESA 51 Roberto Caiafsa

Roberto Caiafsa


Características 62 TECNOLOGIA & DEFESA

Especiais


O fato de ser uma tropa aeroterrestre jรก distingue a Bda Inf Pqdt. Contudo, como em outras forรงas de elite, conta com subunidades que acentuam esta diferenรงa TECNOLOGIA & DEFESA 63


A “Mística Paraquedista” A boina, o boot e as asas de prata Uma tentativa de se traduzir e externar em palavras algo que é imaterial e intangível: o culto, o significado e o valor da mística paraquedista.

egundo o dicionário da Língua Portuguesa, a definição da palavra mística é: “Estudo das coisas divinas e espirituais; devoção religiosa, crença fanática em uma ideia, doutrina, pessoa”. Ou ainda: “Aquilo que a inteligência humana tem dificuldade em explicar”. A “mística paraquedista” é caracterizada pela mudança de personalidade sofrida por aqueles que setornam paraquedistas, baseando-se em duas vertentes: ritual de iniciação, que permite que o soldado seja chamado de paraquedista, e o constante reforço desse status.


Roberto Caiafa

“Sê mais um paraquedista e orgulha-te de ti mesmo” Pois é justamente a “mística paraquedista” que une e anima o espírito daqueles que abdicaram de uma existência anódina e ousaram cruzar os portões da tradicional área de estágios, evidenciando a coragem e a determinação de pertencer a um seleto grupo de homens que se destacam pelo amor ao Brasil,pelo espírito de corpo e pela coesão. Para se entender um pouco esta força metafísica, cabe uma reflexão sobre o passado, o presente e o futuro. A primeira referência que o dever moral de justiça impõe é o reconhecimento aos pioneiros1. Há que se reverenciar o então capitão Roberto de Pessôa, que liderou militares audazes e abnegados na criação da Escola de Pára-quedistas, em 26 de dezembro de 1945. A semente lançada pelos pioneiros germinou com o trabalho hercúleo desenvolvido pelo então general Nestor Penha Brasil, primeiro comandante da Escola de Pára-quedistas, berço histórico da Brigada de Infantaria Pára-quedista (BdaInfPqdt).

A simples alusão a este passado vitorioso fortalece um vínculo comum entre os paraquedistas (Pqdt), agregando “poder de combate”, no quesito moral da tropa. Tantos outros heróis servem de referência que seria impossível citá-los sem omitir grandes feitos e personalidades. A “mística paraquedista” envolve tudo isso e muito mais! Setenta anos depois,o sonho de constituir uma tropa diferenciada e vocacionada para o emprego estratégico, apta a atuar de forma imediata e com alto grau de profissionaTECNOLOGIA & DEFESA 75


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Para conquistar o direito de usar os símbolos do combatente aeroterrestre do Exército Brasileiro, o voluntário, inicialmente, passa por um exigente periodo no CI Pqdt GPB, com muito condicionamento físico-psicológico e o aprendizado das técnicas do salto de aeronaves, desde a saída da aeronave a até a solução de eventuais panes


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Fotos: Sgt Gonรงalves/ E-5 Bda Inf Pqdt



Revista T&D - Suplemento Especial nº 28