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ALUNOS/STUDENTS

“ A Segurança não se vê, até algo acontecer” “ Security remains unseen until something happens”

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A afirmação é do responsável pela área de Cibersegurança na Thales, numa análise conjunta do panorama empresarial português neste campo This statement is from the head of the Thales cybersecurity department, in a joint analysis of the Portuguese corporate outlook in this field

VALORES PRÓPRIOS 20 — 2017

PT Há menos de meio ano, um software mal-intencionado e que pede resgate para libertação dos ficheiros infetados fez refém várias empresas de grande dimensão nos mais variados setores. De computador em computador, o vírus causou estragos desde a Índia aos Estados Unidos, afetando até a Austrália. Portugal esteve no lote de países atingidos. Especialistas afirmam que se tratou de uma variante do WannaCry, que, há uns meses, tinha deixado sequelas nos sistemas informáticos de várias entidades. Fomos tentar perceber junto de quem lida todos os dias com o assunto se as empresas portuguesas estão preparadas para um novo ataque deste ou de outro software com pérfidas intenções. O engenheiro José Miguel, responsável pela área de Comunicação Segura e Sistemas de Informação na empresa Thales, enfatiza bem a importância que a empresa atribui à cibersegurança e a aposta clara que daí advém. “A transformação digital e o valor da informação no mundo atual são os pilares para a importância da Cibersegurança e têm, hoje em dia, um papel central e crescente em todas as atividades da Thales”, assegura. Considerando

que a ameaça aos sistemas informáticos e à informação e dados é uma realidade transversal a todos os setores de atividade, a empresa oferece atividades e soluções nesta matéria, “adaptadas às ameaças e vulnerabilidades das entidades a proteger”, assinala ainda. Antecipar ameaças, saber detetar e reagir aos ataques de modo a garantir a segurança das infra-estruturas são desafios constantes na cibersegurança, que se colocam de forma ainda mais premente às empresas, pelo compromisso que assumem com os clientes de garantir a segurança e a privacidade dos dados que lhes são cedidos. Mas estão as empresas portuguesas preparadas para estes desafios e para a celeridade com que os mesmos lhes podem invadir os seus bancos de dados e restringir os serviços que fornecem? “Não, de todo”, afirma o engenheiro José Miguel. “Poder-lhe-ia citar inúmeras situações de falhas de segurança em entidades críticas em que o pensar ‘segurança’ e a decisão de investir em segurança está num plano secundaríssimo”, partilha o representante da Thales. Também o CEO da Tekever, o engenheiro Pedro Sinogas,

não oscila ao declarar o mesmo: “Apesar do termo cibersegurança estar na moda, e de todas as empresas lhe dedicarem parte do orçamento, o que se observa é que lacunas de segurança continuam a ser assustadoramente comuns”. A maior parte das vezes, os erros de segurança informática são sistemáticos, conhecidos, estudados, e facilmente evitáveis. “De um modo geral, pensa-se que nada se vai passar, e, mesmo quando se passa, o espírito é de que não se vai repetir”, afirma o engenheiro José Miguel. “O primeiro cuidado de segurança a ter num sistema digital de uma organização é não cair na falácia de acreditar que existem sistemas incorruptíveis”, reitera por sua vez o responsável da Tekever. Analisar ataques antigos e atuais, estudar diariamente sistemas a fundo, investigar possibilidades, testar ideias, pensar de forma diferente, são pré-requisitos para salvaguardar minimamente uma empresa. “Descobrir novos ataques, ou descobrir como os mitigar, é como criar uma obra de arte”, equipara Pedro Sinogas. “A Segurança não se vê, até algo acontecer”, colmata o representante da Thales. •

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Valores Próprios 2017-020  

Revista do Instituto Superior Técnico. Edição de set/out de 2017.

Valores Próprios 2017-020  

Revista do Instituto Superior Técnico. Edição de set/out de 2017.

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