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10a edição | 1o Semestre 2016

A corrupção de cada dia

Para exterminar esse problema, é preciso transformações de caráter. Você está disposto a mudar esse cenário?


VAMOS JUNTOS CULTIVAR

NOVAS HISTÓRIAS A FTD Educação apresenta um projeto pensado para envolver escolas, professores e famílias na grande aventura de cultivar novos leitores.

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Às vésperas de completar 200 anos de presença mundial e há mais de 110 anos presente no Rio Grande do Sul, a atuação dos Colégios e das Unidades Sociais da Rede Marista se dá,

Presidente da Rede Marista Ir. Inácio Nestor Etges

atualmente, em 13 cidades gaúchas e em Brasília. São 26 Colégios e nove Centros Sociais, que atendem, diariamente, mais de 20 mil crianças, jovens e adultos.

Vice-Presidente da Rede Marista Ir. Deivis Fischer

COLÉGIOS Colégio Marista Aparecida colegiomarista.org.br/aparecida | 54 3449 2600

Colégio Marista São Luís colegiomarista.org.br/saoluis | 51 3713 8500

COLÉGIOS E UNIDADES SOCIAIS

Colégio Marista Assunção colegiomarista.org.br/assuncao | 51 3086 2100

Colégio Marista São Marcelino Champagnat colegiomarista.org.br/ejachampagnat | 51 3584 8000

Superintendente Executivo Rogério Anele

Colégio Marista Champagnat colegiomarista.org.br/champagnat | 51 3320 6200

Colégio Marista São Pedro colegiomarista.org.br/saopedro | 51 3290 8500

Coordenador Jurídico Elder Filippe

Colégio Marista Conceição colegiomarista.org.br/conceicao | 54 3316 2700

Colégio Marista Vettorello colegiomarista.org.br/ejavettorello | 51 3086 2100

Coordenador de Comunicação e Marketing Tiago Rigo

Colégio Marista Graças colegiomarista.org.br/gracas | 51 3492 5500

Escola Marista Santa Marta colegiomarista.org.br/santamarta | 55 3211 5200

Gerente Educacional Ir. Manuir Mentges Gerente Social Ir. Luciano Barrachini Supervisão Editorial Katiana Ribeiro, Sendi Spiazzi e Reinaldo Fontes Conselho Editorial Luciano Centenaro, Patricia Saldanha e Simone Martins da Silva

Colégio Marista Ipanema colegiomarista.org.br/ipanema | 51 3086 2200 Colégio Marista Irmão Jaime Biazus colegiomarista.org.br/jaimebiazus | 51 3086 2300 Colégio Marista João Paulo II colegiomarista.org.br/joaopauloii | 61 3426 4600 Colégio Marista Maria Imaculada colegiomarista.org.br/imaculada | 54 3278 6100 Colégio Marista Medianeira colegiomarista.org.br/medianeira | 54 3520 2400 Colégio Marista Pio XII colegiomarista.org.br/pioxii | 51 3584 8000

Sede Marista R. Ir. José Otão, 11 - Bonfim - Porto Alegre/RS CEP: 90035-060 Tel.: 51 3314-0300 / 0800 541 1200

colegiomarista.org.br socialmarista.org.br

10a Edição | 1o Semestre 2016 PERIODICIDADE Semestral

Colégio Marista Roque colegiomarista.org.br/roque | 51 3724 8100 Colégio Marista Rosário colegiomarista.org.br/rosario | 51 3284 1200 Colégio Marista Sant’Ana colegiomarista.org.br/santana | 55 3412 4288 Colégio Marista Santa Maria colegiomarista.org.br/santamaria | 55 3220 6300

ESCOLAS DE EDUCAÇÃO INFANTIL Marista Aparecida das Águas Marista Menino Jesus Marista Renascer Marista Tia Jussara colegiomarista.org.br

CENTROS SOCIAIS Marista Aparecida das Águas Marista Boa Esperança Marista da Juventude Marista de Inclusão Digital (Cmid) Marista Ir. Antônio Bortolini Marista Mario Quintana Marista de Porto Alegre (Cesmar) Marista Santa Isabel Marista Santa Marta socialmarista.org.br

Colégio Marista Santo Ângelo colegiomarista.org.br/santoangelo | 55 3931 3000

POLO MARISTA

Colégio Marista São Francisco colegiomarista.org.br/saofrancisco | 53 3234 4100

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ERRATA Lançada no 2o semestre de 2011, a revista Em Família Marista estava em sua 9a edição na publicação anterior. REVISÃO Lumos Soluções Editoriais

EDIÇÃO

PROJETO GRÁFICO Estúdio Sem Dublê | semduble.com

Redação: Michele Bravos e Taysa Dias Edição de arte: Julyana Werneck

ILUSTRAÇÃO DA CAPA Julyana Werneck

Supervisão editorial: Maria Fernanda Rocha Envie comentários, críticas e sugestões sobre a revista para o e-mail faleconosco@maristas.org.br

© Todos os direitos reservados. Todas as opiniões são de responsabilidade dos respectivos autores.

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índice capa

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O problema macro da corrupção começa no universo das microatitudes, dos pequenos erros cometidos, consentidos ou omitidos, no dia a dia. Família e escola desempenham papel fundamental na formação do caráter de crianças e adolescentes, apontando para uma solução possível desse problema. 1a impressão

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O superintendente dos Colégios e Unidades Sociais, Rogério Anele, ressalta os desafios da educação na contemporaneidade diante da corrupção no País.

Dia a dia

Entrevista

Olhar

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O assunto é feminismo: como os pais devem lidar com esse tema com os filhos?

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Descubra o Sri Lanka pela perspectiva do do Irmão Canísio Willrich, que tem dedicado sua vida a missões no sudeste asiático.

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Curiosidade

Solidariedade

Como fazer

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Histórias de profissionais comprovam na prática o poder de um abraço para estimular a autoconfiança.

Um mundo novo descoberto pela prática do voluntariado internacional. Inspire-se com a história do chileno Christhofer Cabezas, que esteve como voluntário no Brasil este ano.

Ler não é só passar os olhos pelas palavras, mas significálas. Veja como o gosto pela leitura pode ser despertado e incentivado.

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Diversão

Essência

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Confira nesta edição as dicas de aprendizado das Línguas Espanhola e Inglesa.

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A especialista Fabrícia Borges fala sobre a superproteção na infância e como os pais podem controlar isso.

Aulas de culinária e fotografia são espaços de vazão para a curiosidade das crianças, contribuindo para que se desenvolvam em diversas áreas da vida.

O ex-aluno marista Matheus Giacomoni apresenta um projeto, fundado por jovens, e que visa à mudança das estruturas sociais.


m olhar sobre Unossas atitudes

ea

corrupção política Quase dois séculos já se passaram desde que São Marcelino Champagnat deu início ao seu grande legado: evangelizar crianças e jovens por meio da educação. O jeito marista de educar acompanhou as mudanças no tempo, sem perder a sua essência, porém os desafios e as responsabilidades são muito maiores atualmente. Portanto, é fundamental termos um olhar sensível e atento não somente para os contornos que a sociedade vem tomando, mas também para a nossa postura no dia a dia. Diante do cenário político que estamos vivendo, convidamos a família para refletir sobre corrupção e as pequenas atitudes diárias, cometidas em casa e na escola, que fomentam esse mal. Na reportagem de capa desta edição, A corrupção de cada dia, apresentamos dados estatísticos que mostram o quanto o brasileiro está preocupado com esse problema nacional, ao mesmo tempo que admite já ter praticado alguma ação corrupta. As pesquisas também traçam uma relação entre corrupção e falta de caráter, sugerindo que um olhar mais atento para a formação do caráter de nossos estudantes contribui para um país menos corrupto. Nesse sentido, nós entendemos a relevância de abordarmos esse tema e provocarmos pais e educadores a serem bons exemplos nessa jornada. Além disso, a família precisa ser questionadora para bem lidar com outras situações contemporâneas, como a crescente do movimento feminista. De acordo com especialistas, são as perguntas que podem levar ao diálogo aberto entre gerações. E esse é o caminho. Esse debate você acompanha na matéria Para filhos feministas, pais questionadores. Nesta edição, abordamos ainda a importância do abraço no desenvolvimento da autoconfiança de crianças e adolescentes, compartilhando histórias de profissionais que vivem isso na prática. E mais: uma entrevista com o Irmão Canísio Willrich, que realizou missão no Sri Lanka; os desafios da realização de um voluntariado internacional; o despertar para a leitura; entre outros. Essa diversidade de assuntos reforça o nosso compromisso com o desenvolvimento integral dos estudantes maristas, cujo protagonismo guiará os passos para construirmos uma sociedade mais justa e fraterna. Assim, damos continuidade ao sonho do nosso fundador, Champagnat, formando jovens cidadãos, solidários e éticos, comprometidos com o presente e o futuro.

É fundamental termos um olhar sensível e atento não somente para os contornos que a sociedade vem tomando, mas também para a nossa postura no dia a dia.

© Foto: Divulgação / Comunicação e Marketing

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Rogério Anele Superintendente dos Colégios e Unidades Sociais da Rede Marista

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dia a dia

© Foto: Acervo do Colégio

A empoderada Eduarda Peruzzo e o engajado Gabriel Sacchi, estudantes do Colégio Marista Champagnat, de Porto Alegre (RS).

Para filhos feministas, adultos questionadores Diante da popularização do movimento feminista, jovens precisam encontrar espaços de diálogo em casa e na escola, para que todos possam enfrentar os novos desafios Michele Bravos

Será que estou impedindo minha filha de fazer certas coisas só porque ela é mulher? Serão essas coisas as mesmas que eu incentivo meu filho a fazer só porque ele é homem? Para a psicóloga Marlene Strey, coordenadora do grupo de pesquisa de gênero da PUCRS, essas são perguntas que pais e mães devem se fazer constantemente, diante do atual cenário. Uma vez que acompanha muitos adolescentes, ela percebe que existe uma dificuldade por parte de pais e mães em relação aos novos tempos oriundos da luta feminista. "Parece que fica uma certa nostalgia de como eram as coisas em outras épocas". Ela também percebe que quanto mais rígidas tenham sido a educação e a inculcação de hábitos e ideias da pessoa, mais difícil é lidar com as novidades. "Por isso, afirmo que nos fazer perguntas consideradas 'embaraçosas' é o caminho adequado para melhorar os chamados 'conflitos de gerações'". Para aproximar os pais dessa realidade, a estudante Eduarda Peruzzo, 16 anos, do Colégio Marista Champagnat, de Porto Alegre (RS), passou a levar a temática para dentro de casa. "Meus pais têm desconstruído alguns pensamentos que eles tinham antes de eu trazer esse assunto para dentro de casa com mais frequência. Agora, eles são muito abertos a essas discussões e, frequentemente, debato com eles sobre assuntos que envolvem o feminismo". A psicóloga lembra que ter pontos de vista

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contrários, nesses casos, pode ser inevitável em qualquer família, mas o diálogo é a solução para enfrentar essas questões. "Conflitos não são necessariamente maus para os relacionamentos. Mas posições fechadas e a falta de diálogo, sim, são péssimos".

TORNANDO-SE FEMINISTA Ainda que muitos pais sejam resistentes em entender essa movimentação social envolvendo o feminismo, há aqueles que tomam a iniciativa de apresentar o assunto para os filhos. "Esses dias, uma universitária me contou que quando ela tinha 12 ou 13 anos, o pai começou a oferecer-lhe livros sobre feminismo para que ela pudesse ir abrindo seus horizontes. Ele trabalha com movimentos sociais e verifica os benefícios que essas transformações trazem às mulheres em termos de ultrapassar velhas tradições que as colocam como cidadãs de segunda categoria, ou seja, prejudicadas em seus direitos humanos", comenta Marlene. Os pais precisam ver o movimento para além de um ato de rebeldia, mas como um posicionamento em uma luta por direitos iguais. A estudante Eduarda percebe que cada vez mais as pessoas estão "entendendo que o feminismo não é formado por mulheres querendo rebaixar os homens, mas, sim, por mulheres indo atrás de direitos que lhes foram privados". Ela

© Ilustrações: Helyzandra Thais Schicora Gonçalves


VENCENDO O MACHISMO Na visão da psicóloga Marlene Strey, as mulheres ainda são vistas de forma objetificada pela sociedade. "Infelizmente, o que posso constatar é que, até hoje, as mulheres são consideradas objetos pertencentes aos homens. De certa maneira, a sociedade concorda com isso – inclusive muitas mulheres". Eduarda compartilha que possui amigas machistas e que tenta apresentar para elas novas formas de se posicionar na sociedade. "Divergimos em muitas coisas, obviamente. Mas desde que eu comecei a ler mais sobre feminismo, eu tento fazer com que elas desmanchem essas opiniões, mesmo sendo algo difícil por termos nascido e vivermos em uma sociedade machista". O estudante Gabriel Sacchi, 16 anos, também do 3o ano do Ensino Médio do Colégio Marista Champagnat, considera-se pró-feminista e percebe que o machismo está incrustado nas ações mais rotineiras. "O machismo pode aparecer de forma gradual e escondida, mas ele está lá. O que mais dói é ver que isso é, sobretudo, uma cultura. As pessoas são ensinadas dessa forma desde pequenas, não veem como um erro, pois é tratado como certo desde que elas se conhecem e conhecem o mundo". A psicóloga lembra que foram séculos de consolidação da ideia de que o destino da mulher é satisfazer o homem. "Isso se consolidou por meio de todos os aparatos que estão na base da sociedade". Ela afirma que os homens também precisam ser ensinados de uma forma diferente. "Se um homem aprender a respeitar uma mulher como um ser humano e não como uma posse sua, meio caminho estará andado".

Gabriel, que foi criado por “figuras femininas fortes”, como ele mesmo diz, partilha dessa ideia, sem ignorar a relevância da mulher na própria luta. "Acredito que os homens podem, sim, ter ideais feministas, caminhar sempre pela igualdade e pela luta pelos direitos da mulher. Porém, a protagonização do feminismo deve ser das mulheres, que sofrem extremamente e diretamente com o machismo e lidam com isso diariamente, em todas as situações".

O PAPEL DO COLÉGIO A psicóloga aponta que para que a desigualdade de direitos seja erradicada, é necessário um esforço conjunto da sociedade – incluindo a escola, além do núcleo familiar. Gabriel entende que a escola é a primeira instância social depois do núcleo familiar, que, em muitos casos, está rodeado de padrões e preconceitos. "É no Colégio que começamos a enxergar o mundo como multipolar e pluralizado em opiniões, características, condições econômicas e inúmeras outras diferenças. Portanto, trazer debates como esse é dar a oportunidade de criação de pessoas sensíveis, empáticas, críticas e compreensivas". Por esse motivo, no Marista Champagnat, além das discussões já previstas no currículo sobre os movimentos sociais, os debates sobre feminismo ganharam força durante a semana do Dia Internacional da Mulher (8 de março), após os próprios estudantes terem levantado a necessidade de se discutir mais sobre o tema. Durante uma semana, eles assistiram a filmes protagonizados por mulheres e a palestras. Eduarda e Gabriel estiveram diretamente envolvidos na proposta desse evento. "O objetivo não era criar um ‘exército feminista’, mas sensibilizar aos cenários de violência, abuso e intolerância contra a mulher", afirma Gabriel. Marlene lembra que o desejo de descobrir o mundo é próprio da gente jovem. "O contrário é que deve preocu-

par: alguém que se resigna e não combate por aquilo que quer". Ela ainda reitera que não existem limitações por alguém ser mulher. "Sabemos que as mulheres podem ser tão competentes quanto os homens, em qualquer situação, se houver oportunidades de desenvolverem suas capacidades humanas. Não existe uma forma ideal para cada sexo. Homens e mulheres são pessoas e as pessoas podem ter infinitas possibilidades de ser".

VALE ASSISTIR! Confira uma lista de filmes que abordam o empoderamento feminino e a mulher como autora e protagonista de sua vida.

PERSÉPOLIS • Animação que conta a história de uma menina iraniana que possui ideias muito liberais para a sua cultura, mas isso não a impede de expressar sua opinião para a família.

GIRL RISING • Documentário que explora a importância de meninas terem acesso à educação formal, por meio da história de nove personagens femininas ao redor do mundo.

LIVRE • Longa-metragem que mostra a perseverança de uma mulher em busca de si mesma, vencendo obstáculos que muitos diriam ser possível apenas para um homem.

AS SUFRAGISTAS • Filme inspirado em fatos reais que retrata a luta de mulheres por seus direitos e por dignidade na Inglaterra do final do século 19 e do início do século 20.

© Foto: Divulgação

ainda afirma que, para ela, "ser feminista é lutar pelos direitos da mulher, é adentrar em um movimento lindo que desenvolve esse sentimento de sororidade entre mulheres".

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corrupção de cada dia

capa

A

Qual a real diferença entre um político que participa de um esquema de roubo de milhões de reais e alguém que não devolve o troco que veio errado na cantina? Qual a diferença entre um deputado que apresenta uma falsa justificativa para o seu não comparecimento em uma sessão e alguém que que falsifica um documento para justificar a falta na aula. Resguardadas as devidas proporções, a corrupção está presente no dia a dia, revelando uma falha de caráter da sociedade. O combate a esse problema começa com crianças e jovens, por meio do incentivo e do exemplo de pais e professores. Michele Bravos

Diante da atual situação do Brasil, a população admite que a corrupção é o maior problema do País, segundo dados de uma pesquisa realizada pelo Datafolha e publicada em novembro de 2015. O estudo ainda revela que é a primeira vez que essa questão aparece como um problema nacional, deixando em segundo plano quesitos sabidamente delicados, como saúde, desemprego, educação e violência. Pensadores da atualidade sugerem que a corrupção vivida nas instâncias políticas em nada se difere da corrupção cometida diariamente, em pequena escala, inclusive nas escolas. Por isso, os ambientes familiar e escolar devem lançar um olhar atento sobre a corrupção, promovendo uma autoavaliação daqueles que compõem esses espaços. Para o professor Alex Guilherme, pesquisador do programa de Pós-Graduação em Educação da PUCRS, a educação de um indivíduo passa também pela formação de seu caráter. "O filósofo

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Martin Buber, seguindo a tradição alemã, dizia que a educação pode ser Erziehung, no sentido de ensinar o indivíduo a fazer algo; ou pode ser Bildung, no sentido de formação de caráter. Claro, uma forma não é dissociada da outra. Precisamos trabalhar para educar e formar o caráter das nossas crianças e dos nossos jovens". Dados de uma pesquisa realizada pelo Centro Universitário Carioca (Unicarioca) em outubro de 2015 denunciam que, ao serem questionados sobre cometer corrupção na escola, os estudantes não negam praticá-la. Os resultados mostram que, em um grupo de dez estudantes, sete já colaram em provas e seis já assinaram a lista de presença em nome do colega. Para ressaltar a importância do ambiente escolar e da figura do adulto nesse contexto, o professor Alex cita a filósofa Hannah Arendt, que concebeu a escola como uma ponte entre o mundo privado e o público. "Assim sendo, a escola é o lugar onde preparamos os cidadãos do amanhã, o que ocorre por meio do questionamento da nova geração e da resposta da antiga". Isso leva a uma reflexão de que pais e professores não devem ser coniventes diante de crianças e jovens que apresentam atitudes corruptas.

SEGUINDO EXEMPLOS Um estudo realizado pela Universidade de Nottingham, no Reino Unido, cruzou dados relacionados à corrupção com um índice sobre as chances de a população quebrar regras. A pesquisa, intitulada Honestidade intrínseca e a prevalência da quebra de regras entre sociedades, analisou 23 países e revelou que há, sim, relação entre corrupção cometida em níveis institucionais e a infração de regras no dia a dia. É a clássica história de que a sociedade se move por exemplos. De acordo com a pesquisa, ética é algo transmitido por pessoas próximas, como pais e amigos, ou por pessoas que possuem algum destaque, como líderes e famosos. Dessa forma, se essas pessoas falham no caráter e são corruptas, mas o sistema não as confronta, o restante da população entende que quebrar regras não é tão ruim assim, dando margem para um desencadeamento de atitudes corruptas em todas as esferas sociais. Alex lembra que não nascemos sabendo, logo "o indivíduo se torna virtuoso pela tentativa, pelo acerto e o erro". "Assim, um indivíduo honesto pode servir de exemplo para os mais jovens, da mesma forma que a comunidade como um todo deve nos orientar quando fazemos algo errado".

DIANA BADO 2o ano EM Marista Maria Imaculada, de Canela (RS)

Por que combater a corrupção? O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime possui um forte trabalho no combate à corrupção, por meio do monitoramento dos países, do desenvolvimento de campanhas que neguem esse comportamento e da formulação de livros e documentos que discutam o assunto. Em um de seus materiais, o órgão apresenta os benefícios para uma nação que controla a corrupção:

• Facilita o DESENVOLVIMENTO econômico e social.

Grandes e pequenas empresas conseguem sobreviver mais facilmente quando se elimina o imposto artificial da corrupção.

• Aumenta o INVESTIMENTO nacional e estrangeiro. Todos estão mais dispostos a investir em um país onde os fundos não vão parar nos bolsos de funcionários corruptos.

• Fortalece a DEMOCRACIA. Os países que combatem a corrupção têm mais legitimidade, o que gera estabilidade e confiança.

• Cria um ESTADO DE DIREITO. • Os cidadãos e os empresários ganham confiança

nas instituições do país para RESOLVER CONFLITOS de maneira justa e honesta, com legitimidade e proteção aos Direitos Humanos.

• Reduz o impacto do CRIME ORGANIZADO, das

DROGAS ILÍCITAS, do TRÁFICO DE SERES HUMANOS e do TERRORISMO.

Confira o material na íntegra: goo.gl/cgDQCI

"O egoísmo e a falta de caráter e de empatia fazem com que cometamos pequenos crimes em nosso dia a dia. Não podemos esquecer que atitudes como não devolver o troco a mais recebido, priorizar prazeres em benefícios próprios, sem pensar no próximo, e furar filas são os primeiros passos para que também sejamos desvirtuados. A corrupção, antes de estar na sociedade, começa dentro de nós mesmos.”

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capa ADMITINDO O ERRO De acordo com estatísticas publicadas no começo deste ano pelo Instituto Data Popular, 70% dos entrevistados admitem já terem cometidos atitudes corruptas no dia a dia, porém apenas 3% se consideram corruptos. O Instituto entrevistou 3,5 mil pessoas, em 146 cidades brasileiras. Um passo importante no combate à corrupção – seja em instâncias menores ou em situações de maior representatividade – é a tomada de consciência, como reforça Alex: "A conscientização leva a um melhor entendimento, a um desenvolvimento crítico e à formação do caráter do indivíduo". Outra possibilidade, na opinião do professor, é a aplicação da justiça restaurativa, a qual também trabalha com a ideia de reconhecimento do erro, a autocrítica e a percepção do impacto que uma atitude gera na sociedade e em outro indivíduo. "Precisamos entender que nossas ações representam o mundo em que vivemos", diz.

Comparativo de atitudes Estudante corrupto X Adulto corrupto

ACEITAR O TROCO A MAIS NA COMPRA NA CANTINA

COLOCAR O NOME EM UM TRABALHO EM GRUPO SEM TER PARTICIPADO

COPIAR TEXTOS DA INTERNET PARA APRESENTAREM TRABALHOS SEM CITAR A FONTE/AUTOR PEDIR PARA O COLEGA ASSINAR A LISTA DE PRESENÇA EM SEU LUGAR

COLAR EM PROVAS

FALSIFICAR UM DOCUMENTO PARA JUSTIFICAR FALTA

FALSIFICAR ASSINATURA DO PAI EM AUTORIZAÇÕES E AVISOS

"Corrupção é fazer algo ilegal ou injusto em troca de um benefício próprio. A corrupção está presente em diferentes atos, como aceitar propina, prometer algo e não cumprir, colar na prova e furar a fila. Independentemente da situação, se você faz algo que prejudica o próximo para se beneficiar, isso é um ato de corrupção.”

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RICARDO R. FOLCHINI 9o ano EF Marista São Pedro, de Porto Alegre (RS)


LAURA MARCONI 2 ano EM o

Marista Aparecida, de Bento Gonçalves (RS)

“Em minha opinião, a corrupção é uma forma de corromper a própria ética e a própria moral. É um ato de egoísmo com a finalidade de conseguir benefícios ou caminhos mais fáceis para a solução de um problema e, na maioria das vezes, prejudicando alguém ou um grupo de pessoas. Acredito que, para acabar com esse problema, a educação e a honestidade são fundamentais. A mudança começa no nosso dia a dia.”

FURAR FILA NO BANCO

APRESENTAR ATESTADO DE SAÚDE FALSO PARA JUSTIFICAR FALTAS NO TRABALHO

APRESENTAR PROPOSTAS DE OUTROS COMO SENDO DE SUA AUTORIA

COMPRAR PRODUTOS FALSIFICADOS

DECLARAR INFORMAÇÕES ERRADAS NO IMPOSTO DE RENDA

TENTAR SUBORNAR O GUARDA DE TRÂNSITO PARA EVITAR MULTA

ESTACIONAR EM VAGAS RESERVADAS PARA IDOSO OU CADEIRANTE

ANA ALICE SEVERO PATEL 3o ano EM Marista Roque, de Cachoeira do Sul (RS)

“Corrupção é um ato de desamor e desrespeito. É dizer ‘não’ a direitos e deveres do cidadão. É a negação da cidadania.”

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capa CORRUPÇÃO ESTÁ RELACIONADA À QUEBRA DE REGRAS NO DIA A DIA.

Em cada 10 estudantes:

Engajamento virtual Cansado da corrupção escancarada em nosso País? Que tal apoiar o projeto 10 medidas contra a corrupção, do Ministério Público Federal, e se tornar um agente contra a corrupção? Essa é a proposta do aplicativo Mude, desenvolvido para esclarecer o projeto do Ministério Público.

“A corrupção é uma forma suja de usar algum benefício a seu favor, prejudicando alguém que possa precisar dele, como o uso indevido do dinheiro público pelos políticos, afetando a população. O Brasil não honra mais seus compromissos com o povo, como vemos nas grandes fraudes que têm trazido à tona uma quantia considerável de corruptos. A corrupção é algo que rebaixa a imagem do nosso país e o seu fim precisa começar por cada um de nós – respeitando o próximo, não furando filas, por exemplo. Eu não tenho tendências políticas, apenas quero o melhor para o meu país, sempre em defesa da justiça e respeitando a visão política das outras pessoas.”

WESLEI MOLINARI 9 ano EF o

Marista Medianeira, de Erechim (RS)

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já pediram para colocar nome em trabalho de grupo sem ter participado

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já copiaram textos da internet para apresentar em trabalhos

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já assinaram lista de presença em nome do colega

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já colaram em provas

Fontes: Pesquisa da Unicarioca (outubro de 2015); pesquisa Datafolha (novembro de 2015); pesquisa do Instituto Data Popular (fevereiro de 2016); pesquisa Honestidade intrínseca e a prevalência da quebra de regras entre sociedades, da Universidade de Nottingham, no Reino Unido (abril de 2016).

70% DOS BRASILEIROS ADMITEM JÁ TER COMETIDO ATITUDES CORRUPTAS EM SITUAÇÕES COTIDIANAS.

NO ENTANTO, APENAS 3% DA POPULAÇÃO SE CONSIDERA CORRUPTA.


ÉTICA É ALGO TRANSMITIDO POR PESSOAS PRÓXIMAS, COMO PAIS E AMIGOS, OU POR PESSOAS QUE POSSUEM ALGUM DESTAQUE, COMO LÍDERES E FAMOSOS. Fonte: Pesquisa Datafolha [novembro/2015]

O USO INDEVIDO DA CARTEIRINHA DE ESTUDANTE TAMBÉM TEM DESTAQUE ENTRE AS ATITUDES CORRUPTAS COMETIDAS PELOS BRASILEIROS. 15% DOS ENTREVISTADOS DISSERAM QUE JÁ COMPRARAM MEIA-ENTRADA USANDO DOCUMENTO DE OUTRA PESSOA OU FALSO.

Fonte: Pesquisa Datafolha [novembro/2015]

CORRUPÇÃO [34%]

É O MAIOR PROBLEMA DO PAÍS, SEGUNDO BRASILEIROS. OUTROS PROBLEMAS CITADOS FORAM:

8%

10%

16%

34%

• SAÚDE [16%] • DESEMPREGO [10%] • EDUCAÇÃO E VIOLÊNCIA [8%]

SE ESSAS PESSOAS FALHAM NO CARÁTER E SÃO CORRUPTAS, MAS O SISTEMA NÃO AS CONFRONTA, O RESTANTE DA POPULAÇÃO ENTENDE QUE QUEBRAR REGRAS NÃO É TÃO RUIM ASSIM.

ANA LAURA RUCHIGA PINTO 3o ano EM Marista Santa Maria, de Santa Maria (RS)

"Corrupção é obter vantagem pelo mérito alheio, roubar, desviar. Corrupção é injustiça, falta de ética e de consideração pelo outro. Corrupção é qualquer atividade imoral, na qual o corrupto está ciente de que está tirando proveito de algo ou de alguém. Enfim, corrupção é falta de caráter.”

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© Ilustração: Freepi

entrevista

Sri Lanka: no caminho para dias melhores Conheça as particularidades e fragilidades do Sri Lanka pela perspectiva do Irmão Canísio Willrich, brasileiro que tem dedicado sua vida a missões no sudeste asiático

Por Michele Bravos

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O voo sai hoje à meia-noite de São Paulo. Daqui a um dia e seis horas, aproximadamente, e uma parada para troca de aeronave, em Dubai, você chegará ao destino: Sri Lanka. Um país localizado em uma ilha no Oceano Índico, bem perto da Índia. Distante do Brasil não só nos quilômetros mas também na cultura e nos costumes, o Sri Lanka foi a casa do Irmão Canísio Willrich de 2014 a 2016. Após esses dois anos como missionário por lá, ele partiu, este ano, para o Vietnã. Antes de embarcar para essa próxima missão, ele conversou com a revista Em Família, compartilhando a sua visão sobre os aspectos educacionais, sociais e econômicos do Sri Lanka.


Há um interesse do atual governo em melhorar a educação e também em renovar algumas escolas, porém se nota que os recursos financeiros são escassos.

Índia

Como é o trabalho marista que está sendo desenvolvido com a comunidade no Sri Lanka?

Nós, Maristas, temos Colégios no Sri Lanka e há um bom reconhecimento do trabalho educativo feito por meio desses Colégios. Eu, particularmente, estava mais envolvido na formação dos noviços, que são os jovens que desejam se tornar Irmãos Maristas. Tivemos um grupo de 11 jovens, cinco deles fizeram a primeira profissão religiosa no dia 9 de abril de 2016. Eram dois do Vietnã, dois do Paquistão e um do Sri Lanka. Em maio desse ano, recebemos um novo grupo de sete jovens vindos de vários países da Ásia para dar continuidade à formação marista.

Muitos países do sudeste asiático enfrentam sérios problemas no que diz respeito ao acesso de meninas à escola. Essa é também uma realidade da comunidade onde o senhor está inserido? O que é feito a respeito?

Há um certo predomínio masculino, porém não tenho percebido que haja exclusões no sistema educacional, pois as meninas, assim como os meninos, têm acesso à escola. Normalmente, as escolas para meninos e meninas são separadas. Há um interesse do atual governo em melhorar a educação e também em renovar algumas escolas, porém nota-se que os recursos financeiros são escassos. Vejo que o aspecto principal e mais urgente é a melhoria da qualidade de educação, uma melhor formação e preparação dos professores e também melhores salários. Acredito que a Igreja e as congregações religiosas estão dando uma grande contribuição nesse aspecto educacional do país.

Sri Lanka

O Sri Lanka está, historicamente, entre os países onde mais ocorreram perseguições aos cristãos. Como o senhor percebe isso no dia a dia?

Hoje, não se nota uma perseguição explícita de cristãos no Sri Lanka. Houve, sim, no tempo da guerra civil, há alguns anos. Mas, atualmente, o governo e as religiões buscam a harmonia e a paz. O país tem cerca de 80% de budistas e 7% de cristãos. Há tolerância e liberdade religiosa, além da promoção de diálogos inter-religiosos.

Existe algum trabalho de acolhida a perseguidos religiosos no Sri Lanka? Como funciona?

O Sri Lanka tem acolhido alguns refugiados cristãos do Paquistão. É um trabalho basicamente coordenado pela Igreja Católica em concordância com o governo. Há, também, algumas congregações religiosas que auxiliam nessa acolhida com alimentos, acomodação, atividades educativas para as crianças e oferecendo alguns trabalhos temporários para os pais e adultos. Para esses refugiados, o Sri Lanka é apenas um território transitório, pois essas famílias estão solicitando asilo em outros países. Essa organização de acolhida a refugiados também encaminha esses pedidos de asilo, porém o processo é lento e pode levar anos. Nossos noviços maristas se engajaram em duas dessas atividades: reforço no ensino de Língua Inglesa às crianças e colaboração na celebração natalina.

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entrevista Eu percebo que eles buscam alternativas para que as crianças se aprimorem em todos os níveis. Há incentivos esportivos, acadêmicos e artísticos. Claro que nem todos têm acesso a isso – especialmente as crianças do interior, que ajudam as famílias no campo a gerar uma renda. Há, também, a possibilidade de aprender outros idiomas, especialmente o Inglês, que é uma das línguas oficiais do país. As diferentes religiões e as congregações religiosas auxiliam e promovem a educação de valores de vida e de fé.

O que mais lhe causa desconforto na realidade desse país?

A limitação de recursos financeiros das famílias do interior – em outras palavras, a pobreza mesmo –, a falta de educação de qualidade e a falta de cuidado com o meio ambiente, especialmente na coleta do lixo. É preciso incentivar mais a limpeza e a reciclagem de resíduos. Além disso, há uma grande poluição sonora, buzinas fortes dos ônibus e caminhões que irritam e podem causar estresse.

Há um número grande de emigrações de países do sudeste asiático para países vizinhos, como os Emirados Árabes. Qual a sua opinião sobre esse fluxo migratório na busca por uma vida melhor, mas que, em verdade, os leva para trabalhos praticamente escravos?

É o reflexo da deficiência das políticas internas dos países. Essa não é a melhor alternativa, mas, para alguns, é a única saída, infelizmente. Precisaria ter um diálogo, um debate mais aberto com o povo, analisando as reais necessidades e canalizando recursos para o que é básico e fundamental. Quem sabe a própria comunidade poderia se organizar melhor, contribuir e colaborar mais, engajando-se em projetos de serviços sociais e buscando alternativas criativas.

© Fotos: Acervo pessoal

Quais condições as crianças possuem de real desenvolvimento pessoal e intelectual? Conte-nos um pouco sobre o ambiente em que elas se encontram e as possibilidades que têm sido apresentadas para elas.

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O que pode ser feito para impulsionar a qualidade de vida da população no Sri Lanka? Por onde começar, na sua visão?

Acredito que, para que haja uma melhora, é preciso trabalhar com a conscientização da população, incentivar a participação mais ativa da sociedade nas questões políticas locais e nacionais e investir na qualidade da educação.

Mesmo diante de amplas fragilidades, onde mora o encanto desse povo e desse país?

Na acolhida calorosa, no espírito de trabalho, na dedicação e na alegria e na vida simples do povo. Na sua cultura e no seu orgulho de ser srilanquês.

As diferentes religiões e as congregações religiosas auxiliam e promovem a educação de valores de vida e de fé.


EXPEDIENTE UNIDADES SOCIAIS DA REDE MARISTA Rua Ir. José Otão, 11 – Bom Fim Porto Alegre - RS social@maristas.org.br GERENTE SOCIAL Ir. Luciano Barrachini COMUNICAÇÃO E MARKETING Camila Jonco, Francisco Barros, Larissa Zinelli, Sílvia Medeiros e Tiéle Abreu JORNALISTA RESPONSÁVEL Tiago Rigo (MTB 13919)

Comunidade em movimento

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Presença marista na Ilha Grande dos Marinheiros completará duas décadas. Conheça o trabalho que é desenvolvido na região.

Com a palavra

Educação Básica

Em movimento

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Ponto de vista

Assistência Social

Você sabia?

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Ir. Luciano Barrachini, gerente social, destaca a relevância dos conteúdos abordados na revista.

Por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA), avô e neto voltam à sala de aula.

Adriano J. Sauer, coordenador de Pastoral do Colégio Marista Vettorello, propõe reflexão sobre o tema da Campanha da Fraternidade.

Desenvolvido no Centro Social Marista Santa Isabel, projeto alia valores como respeito e cooperação ao futebol.

Inclusão Digital

Gente nossa

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Centro Marista de Inclusão Digital (Cmid) transforma lixo eletrônico em jogo de xadrez.

Conheça Eduarda Blanco, estudante do Colégio Marista Irmão Jaime Biazus e possível candidata à Seleção Brasileira de Judô de base em 2016.

Relembre os primeiros meses do ano ASSISTÊNCIA por meio de SOCIAL imagens dos INCLUSÃO principais DIGITAL projetos e atividades. EDUCAÇÃO BÁSICA

Centro Social Marista Mario Quintana oferece oficina de reciclagem de papel com objetivo de formar cidadãos críticos e participativos na perspectiva ambiental.


Com a palavra

I

lha do presente

e do futuro

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Unidades Sociais Maristas

Como construir sonhos, mudar rumos de vida e crescer diante de um cenário com insegurança e pobreza, onde faltavam elementos fundamentais de saneamento básico? A resposta está em um dos conceitos mais simples e amplos da história da humanidade: amor. Amor para educar, fazer esquecer, orientar. Amor para servir.

Ir. Luciano Barrachini Gerente Social

© Foto: Acervo da Gerência Social

Nesta edição da revista Em Família, apresentamos a vocês uma breve reportagem sobre a presença marista na Ilha Grande dos Marinheiros. A história nos mostra que os Irmãos optaram por estar junto aos mais empobrecidos por missão e serviço. Na página 32, vocês poderão conhecer a trajetória da nossa presença na comunidade do bairro Arquipélago, local que conta com um dos menores índices de desenvolvimento humano de Porto Alegre. Na década de 1990, quando firmamos nossos pés na Ilha, os moradores da região tinham poucos motivos para sorrir. Como construir sonhos, mudar rumos de vida e crescer diante de um cenário com insegurança e pobreza, onde faltavam elementos fundamentais de saneamento básico? A resposta está em um dos conceitos mais simples e amplos da história da humanidade: amor. Amor para educar, fazer esquecer, orientar. Amor para servir. Embora não tenha a mesma visibilidade que as questões negativas que definem o Arquipélago, a solidariedade se faz presente diariamente na localidade. Nossas três Unidades Sociais Maristas se apoiam na própria vontade dos moradores locais de fugir da realidade literalmente tóxica dos arredores. Juntos, o Centro Social e Escola Marista Aparecida das Águas e a Escola Marista Tia Jussara ajudam a transformar a vida de quase 400 crianças e adolescentes que necessitam de educação, cuidado e propósito. Essa busca diária só dá resultado porque dezenas de pessoas se envolvem na missão de pensar no outro. Dessa forma, são enfrentados e dissolvidos também os desafios que não podem ser previstos, como as enchentes nos últimos dois invernos, que deixaram centenas de famílias desabrigadas. Aos poucos, a Ilha vai se tornando autossustentável em alguns aspectos, com a criação de projetos que aliam consciência e conhecimento. É o caso da Biblioteca Comunitária e do Galpão de Reciclagem, apenas algumas das boas iniciativas que movimentam a comunidade. Às vezes, tudo o que essas famílias precisam é não ter que conviver com os duros estereótipos impostos por visitantes esporádicos. Confiar, ajudar ou simplesmente conhecer a realidade local já é o suficiente para manter acesa a esperança que move o presente e o futuro da Ilha.


Estudantes Brincar é

Educação Básica

© Fotos: Acervo do Colégio

© Foto: Acervo das Unidades Sociais

têm uma segunda chance

para recomeçar ganhar tempo

Colégio Marista São Marcelino Champagnat trabalha com a Educação de Jovens e Adultos Depois de 40 anos sem estudar, Jorge Luiz da Silva, 65 anos, retornou à sala de aula, uma prova de que nunca é tarde para recomeçar e mudar de vida. Histórias como essa são reescritas todos os dias no Colégio Marista São Marcelino Champagnat, de Novo Hamburgo, que trabalha com a Educação de Jovens e Adultos (EJA) e cujos estudantes são todos bolsistas. Mas Silva, que está no 2o ano do Ensino Médio, não está sozinho nessa caminhada: o neto Thiago da Silva Scherer, 16 anos, ingressou no início de 2016 no 7o ano do Ensino Fundamental. “Conseguimos essa oportunidade e vamos agarrar com as duas mãos, sem desistir e com muita perseverança”, afirma o avô. Avô e neto representam a diversidade de perfis que são atendidos pela modalidade de ensino EJA, característica que está presente em todas as salas de aula, compostas por jovens e adultos que aprendem e trabalham juntos, trilhando novos rumos e reescrevendo suas histórias. No compromisso de atender a todos, respeitando seu espaço-tempo de aprendizagem, surge a necessidade de conhecer e compreender a “bagagem” que cada um traz consigo. Um dos primeiros contatos que tem esse objetivo é a entrevista realizada pelos assistentes sociais da unidade durante o processo de seleção de bolsas. Ao longo do ano, porém, outras ações são realizadas. Um exemplo é o Mutirão de visitas, por meio do qual os educadores visitam a

casa dos estudantes com o objetivo de fortalecer vínculos – não apenas com eles, mas também com seus familiares. Esses momentos de aproximação resultam em melhor aprendizado e no bom convívio. Scheila da Conceição, do 3o ano do Ensino Médio, já recebeu o Mutirão em sua casa e, segundo ela, as visitas quebram barreiras e mostram que todos são iguais. “Passei a ver os professores com outros olhos, a ter mais confiança, sem medo de questionar em sala de aula”, conta a educanda. As matrizes curriculares que guiam o ensino na instituição têm como um dos princípios o resgate da cidadania, trabalhando o lado acadêmico, mas também o lado humano. Para isso, os estudantes recebem o apoio dos Serviços de Coordenação Pedagógica, Orientação Educacional, Coordenação de Turno e o Serviço Social, que trabalham despertando o sentimento de pertença, fazendo com que eles frequentem as aulas, participando do processo de ensino e aprendizagem. Para o diretor do Colégio, Antonio Morés, é preciso que os estudantes se sintam bem no ambiente escolar, reconhecendo sua importância e a capacidade de serem protagonistas de sua própria história. “Queremos transformar a vida dessas pessoas, proporcionando oportunidades por meio da educação, pois acreditamos que uma nova história é possível”, declara.

Passei a ver os professores com outros olhos, a ter mais confiança, sem medo de questionar em sala de aula.

Unidades Sociais Maristas

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Em movimento | Educação Básica O início do ano foi marcado pelas três cerimônias de posse realizadas em diferentes Unidades Sociais da Rede Marista. Os gestores Paulo Ricardo Griebler, Ir. José Carlos da Silva Bittencourt e Ir. Roger Ariel Perius (foto) tomaram posse de seus novos cargos no Colégio Marista São Marcelino Champagnat, no Centro Social e na Escola Marista Santa Marta e no Centro Social Marista Boa Esperança.

2016

Os educadores de EJA dos Colégios Maristas São Marcelino Champagnat e Vettorello estiveram reunidos para participar de uma capacitação. Realizado pela Gerência Social, em parceria com os assessores de área da Gerência Educacional, o Encontro de Formação de Professores das EJAs ocorreu em fevereiro.

NOVO HAMBURGO VIVÊNCIA

PORTO ALEGRE, SANTA CRUZ DO SUL E NOVO HAMBURGO

© Fotos: Acervo das Unidades Sociais

Os educadores do Colégio Marista São Marcelino Champagnat realizaram o Mutirão de Visitas em abril. A ação, que ocorre todo semestre, contemplou os estudantes dos bairros Canudos e Santo Afonso. A visita à casa das famílias fortalece o vínculo com a escola.

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A Escola Marista Santa Marta está desenvolvendo o projeto de intervenção Sou adolescente, quero trabalhar. A iniciativa foi criada pelo setor de Serviço Social da unidade e pela estudante do curso de Serviço Social da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) Franciele Plate Florence. O projeto busca informar os estudantes do 7o ao 9o ano do Ensino Fundamental sobre o ingresso no programa Jovem Aprendiz.

Unidades Sociais Maristas


O Colégio Marista Ir. Jaime Biazus realizou um evento de integração entre pais e responsáveis dos estudantes e os professores e a equipe de Coordenação Pedagógica da unidade. Apresentação do corpo docente, lanche coletivo e oficinas rotativas estavam na programação do evento, que estimula a aproximação e o acompanhamento da família no desenvolvimento de seus filhos.

Diretoras e coordenadoras pedagógicas das quatro Escolas Maristas de Educação Infantil participaram de mais uma formação na Sede Marista. Para dar sequência aos estudos das Diretrizes da Educação Infantil, Simone Santos e Geovani Leite, ambos da Gerência Social, organizaram o encontro com momentos de partilha e reflexão.

SANTA MARIA

PORTO ALEGRE

Celebrado no segundo domingo do mês de maio, o Dia das Mães ganhou atividades diferenciadas na Escola Marista de Educação Infantil Tia Jussara. Durante a semana que antecede a data, os estudantes prepararam uma apresentação para as famílias baseada no conto Se as coisas fossem mães. Os pequenos também confeccionaram materiais decorativos para a homenagem às mães, bem como cartões e lembrancinhas.

O Colégio Marista Vettorello tem agora uma página oficial no Facebook. Após realizar uma pesquisa com todos os estudantes e entender ainda mais sobre o seu perfil, o setor de Comunicação e Marketing e o Serviço de Pastoral Escolar da unidade entenderam que era necessário estar presente nessa rede social. Educandos e educadores participaram da ação de lançamento da página. Siga: facebook.com/MaristaVettorello.

Unidades Sociais Maristas

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Ponto de vista

Responsabilidade

com a casa comum, © Foto: Divulgação CNBB

uma urgência

evidente

Por Adriano J. Sauer, bacharel em Ciências da Religião, psicólogo e coordenador de Pastoral do Colégio Marista Vettorello (EJA)

Muitos jovens que participaram de processos grupais da igreja tiveram seus projetos embalados pelo poema de Zé Vicente, compositor e poeta cearense: "Urgente se faz afagar a vida, como está". Isso recorda que o tema do cuidado com a vida, ferida, não é novidade! Porém, nos tempos atuais, diante da realidade emergente, pela força da Encíclica Papal e pelo apelo da Campanha da Fraternidade Ecumênica, o tema da responsabilidade com a casa comum se torna um imperativo. Não só porque é tema de reflexão proposta pelas religiões, que se unem na ação e no diálogo ecumênico, mas porque é tema que mobiliza a sociedade atual, as gerações futuras e a vida como tal. Os projetos arquitetônicos, as manifestações culturais, as decisões econômicas e os caminhos políticos são frutos das escolhas feitas por jovens de antes e de agora, homens e mulheres, crianças e idosos que habitam esse mesmo lugar, o mesmo espaço, a casa comum. Consequentemente, os efeitos positivos ou nocivos, que ora entristecem nossa percepção con-

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templando a obra de Deus, são igualmente nossa responsabilidade. Observando a realidade, deparamo-nos com dados alarmantes que ferem a vida. No nosso Brasil amado, há milhões de pessoas que ainda vivem sem saneamento básico, sem acesso à água potável, em condições de vida desumanas, com seus direitos violados... O que torna sua cidadania vulnerável e ferida. A casa comum deveria ser lugar de partilha de iguais. Sem dominadores, nem dominados. Iguais que, na sua singularidade, são respeitados nas suas diferenças, tendo seus direitos, inclusive os mais básicos, garantidos. Quando essa dimensão antropológica é atingida, a responsabilidade com a casa comum se torna evidente e compartilhada e a conversão ecológica acontece. Retomando a encíclica do Papa Francisco, a Laudato si’, endereçada para a humanidade e não só para os católicos, reconheceremos um grito profético pela “conversão ecológica”. Alerta o Francisco de Roma que não é possível continuar como estamos. Urgente se faz provocar uma mu-

Unidades Sociais Maristas

dança interna e no exterior de nossas preocupações e posturas diante dos recursos e das relações, na busca pelo cuidado e pela reconexão com a casa comum. Para que essa reconexão seja efetiva a afetiva, é mister que a responsabilidade deva estar presente nos projetos de vida. Falar de projeto de vida, que remete ao planejamento consciente e comprometido, em uma sociedade impregnada por incertezas pode parecer obsoleto. Porém, se não nos dermos conta de que as nossas escolhas diárias são fruto de nossas opções, valores e sonhos, continuaremos fazendo mal ao nosso planeta e não encontraremos os dispositivos necessários para mudar esse panorama. Está mais do que óbvio e urgente que são nossas pequenas ações que fazem a diferença. Pequenas ações que apontam para a simplicidade, tão cara ao carisma marista. Simplicidade que, na sua essência, aponta relações plenamente humanas e profundamente divinas – consigo, com os outros e com a natureza. Na fraternura que nos une no cuidado com a casa comum.


Assistência Social

Futebol de Valores dá novo significado ao esporte Desenvolvido no Centro Social Marista Santa Isabel, projeto inovador alia valores como respeito e cooperação à parte técnica da atividade

© Foto: Unidades Sociais Maristas

Insegurança, exclusão e falta de oportunidades compõem o cenário de desigualdade social que caracteriza o bairro Mario Quintana, em Porto Alegre, região que conta com o menor índice de desenvolvimento humano da capital gaúcha. Esse é o lar de diversas crianças, adolescentes e jovens, cuja maioria tem no sonho de ser jogador de futebol o caminho para prosperar. Nesse contexto, uma atividade esportiva inovadora do Centro Social Marista Santa Isabel (Cemasi) tem servido para dar um novo significado à prática: o Futebol de Valores. Idealizado pelo educador Marcelo Lemes, o Futebol de Valores foi criado em 2012 e, desde então, caiu no gosto dos educandos de 7 a 15 anos atendidos na unidade. A proposta foca no comportamento e nas relações de grupo dentro das quatro linhas, utilizando uma abordagem lúdica voltada ao prazer de jogar e interagir no esporte. “Vencer no fu-

tebol é um sonho comum para as crianças. Mas ele se perde quando elas deixam de se divertir e passam a achar que o objetivo do jogo se torna ser melhor que o outro, que se joga apenas para ser campeão. Essa mentalidade é passada aos jovens desde cedo em muitos lugares, o que acaba gerando brigas, exclusão e frustração”, afirma o educador. Todos os educandos da instituição (meninos e meninas) podem participar da atividade, respeitando a divisão de turmas por faixa etária. São, no mínimo, cinco jogadores por equipe, jogando em dias alternados. Com a bola rolando, é preciso ficar atento aos cinco valores que regem a partida: comprometimento, solidariedade, simplicidade, respeito e cooperação. Perde-se ponto por não ajudar outro jogador (fair play), por falar palavrão, por não passar a bola, entre outras coisas. Na avaliação final, esses valores são computados e interferem no resultado, ou seja,

o placar é constituído pelo número de gols e pela pontuação dos valores, que são contabilizados com auxílio de uma tabela (ver exemplo abaixo). PLACAR DO JOGO (EM GOLS): Time B 9 x 2 Time A Pontuação dos valores

TIME A Valores

05

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Comprometimento

x

Solidariedade

x

Simplicidade

x

15

x

Respeito

x

Cooperação

TOTAL: 60 TIME B Valores

05

10

15

x

Comprometimento

x

Solidariedade Simplicidade

x

Respeito

x x

Cooperação

TOTAL: 35 PLACAR FINAL: Time A 62 x 44 Time B

A pontuação é um consenso de todos, de modo que ninguém se sente lesado ou lubridiado ao final da avaliação. Aqueles com menos pontos têm a oportunidade de ver seus erros e são incentivados a agir diferente nos próximos jogos. “A avaliação é constante. Sempre haverá um aspecto a melhorar e evoluir, sempre será necessário aprender mais”, conclui Lemes. A oficina Futebol de Valores tem duração de uma hora e meia, que inclui alongamento, aquecimento, treinamentos específicos do futebol e conversa/avaliação. O jogo em si pode variar, mas o tempo mínimo é de 20 minutos. E assim, os educandos aprendem a competir de forma saudável e respeitosa, cultivando valores que levarão para toda vida.

Unidades Sociais Maristas

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Em movimento | Assistência Social

2016

O educador social Leonardo Rodrigues, que atua no Centro Social Marista Boa Esperança, em Santa Cruz do Sul, viajou até Curitiba, no Paraná, para participar do Street of Styles – Encontro Internacional de Graffiti e do Xpress PUCPR em Dança. Representando o Social Marista e com o sonho de trazer para o Rio Grande do Sul a experiência realizada na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Rodrigues teve a chance de conversar com os organizadores de ambos os eventos e deixar o seu grafite registrado em um dos muros da universidade.

CURITIBA

Os educadores do Centro Social Marista de Porto Alegre (Cesmar) participaram da Jornada Pedagógica 2016, período de três dias voltado à convivência, à formação e ao planejamento do ano. Nessa edição, o tema abordado foi Inovação pedagógica. Houve muitos espaços de diálogo e trocas de experiências, com destaque para a oficina sobre prática pedagógica.

PORTO ALEGRE

O Centro Social Marista Aparecida das Águas participou das comemorações do 71o aniversário da Escola Estadual de Ensino Fundamental Alvarenga Peixoto. As crianças e os adolescentes realizaram uma apresentação para os estudantes e funcionários da escola. Participaram da apresentação os educandos das oficinas de Música, Percussão e Educação Física do Centro Social Marista.

© Fotos: Acervo das Unidades Sociais

Pelas ruas do loteamento Santa Terezinha, os educandos do Centro Social Marista Ir. Antônio Bortolini encenaram o caminho de sofrimento de Jesus Cristo até o monte Calvário. A montagem teatral percorreu as estações mais significativas do Caminho da Cruz. Além da atuação, as crianças e os adolescentes também se envolveram na confecção dos materiais cenográficos, na criação dos figurinos e na escolha das músicas para as estações e para o restante do percurso. O tema da Campanha da Fraternidade, Casa comum, nossa responsabilidade, também ganhou espaço no teatro.

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Unidades Sociais Maristas


Os coordenadores pedagógicos dos Centros Sociais Maristas participaram de uma formação na Sede Marista. Dinamizado pelo coordenador pedagógico Carlos Alberto Mariani e pelo supervisor de Pastoral Geovani Leite, ambos da Gerência Social, o Encontro de Coordenações Pedagógicas dos Centros Sociais abordou, entre outras pautas, as jornadas pedagógico-pastorais das unidades e a distribuição dos temas propostos para 2016.

Diretores e coordenadores das Unidades Sociais participaram da primeira formação do ano, no mês de abril. O Encontro de Gestores também contou com a participação dos profissionais que atuam na Coordenação Pedagógica, na Orientação Educacional e na Coordenação de Pastoral das unidades. Da Província Marista Santa Maria dos Andes, o convidado Ernesto José Reyes Plaza conduziu um dos dias de trabalho, com o estudo da obra O diretor marista e sua gestão a serviço da missão.

Os educandos do Centro Social Marista da Juventude (CMJU) receberam convidados especiais para o Carnaval fora de época organizado pela unidade. Dez idosos da Casa Lar do Centro Profissional São João Calábria participaram do evento festivo ao lado das crianças e dos adolescentes. Abadás, máscaras e fantasias deixaram a festa do Bloco Querência Nota 10 (junção dos nomes Querência dos Idosos e Gurizada Nota 10) ainda mais colorida.

Cerca de 150 crianças e adolescentes participaram do 1o Torneio de Futebol Infantojuvenil do Centro Social Marista Santa Isabel (Cemasi). Iniciativa de Luís Alexandre da Silveira Gonçalves e Marcelo Leandro Marques Lemes, educadores da área esportiva da unidade, o evento foi realizado no Parque Chico Mendes. Divididos em dez times entre os dois turnos de atendimento (manhã e tarde), os educandos disputaram as partidas nas categorias 6 a 9 anos, 10 a 12 anos e 13 a 17 anos.

Unidades Sociais Maristas

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Você sabia?

Reciclagem

© Fotos: Acervo das Unidades Sociais

de papel

VEJA COMO FUNCIONA:

1• Pique o papel, coloque em um recipiente e despeje água suficiente para cobrir os pedacinhos. Deixe repousar por pelo menos um dia.

2• Coloque tudo no liquidificador e bata até obter uma textura mais lisa.

No Centro Social Marista Mario Quintana, a oficina Reciclagem de papel é desenvolvida na perspectiva da educação ambiental, que vai muito além da simples atividade de plantar para se ter uma horta, do conhecimento e da prática da seleção de lixo, das noções básicas sobre o meio ambiente, da arte-educação, da reciclagem do papel, entre outras temáticas. Essas atividades são motivadoras de um processo maior, ou seja, elas integram um projeto que busca a formação de um cidadão crítico e participativo, capaz de assumir suas responsabilidades socioambientais e éticas. Educandos entre 6 e 15 anos têm a oportunidade de se desenvolver enquanto protagonistas da educação ambiental, para que possam ser multiplicadores em sua comunidade. Durante a oficina, eles aprendem todos os passos para transformar o papel usado em reciclado – da trituração à prensa. O papel artesanal ainda constitui um elo de ligação entre a arte e a natureza, despertando atitudes de não desperdício e de consumo consciente.

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Unidades Sociais Maristas

3• Despeje o papel batido em uma bacia com água. Agite a mistura com a mão para que as partículas de papel não fiquem no fundo.

4•

Mergulhe a peneira pela lateral da bacia até ao fundo, erguendo-a lentamente, sem incliná-la, apanhando as partículas em suspensão e formando uma camada de papel sobre a peneira.

5• Coloque a peneira sobre um jornal para secar a su-

perfície inferior. Passe a mão sob a peneira inclinada para escorrer a água. Troque o jornal até que ele não fique mais molhado.

6• Ainda sobre o jornal, cubra a peneira com um pano e

aperte para secar a superfície superior da folha. Use vários panos até a mão não fique molhada com o toque.

7• Vire a peneira sobre o jornal seco e dê várias pancadas no fundo. A folha deve se soltar.

8•

Coloque a folha entre jornais secos e deixe secar até ao dia seguinte. Você pode prensá-la com o auxílio de livros pesados e grandes.


Quando o

lixo eletrônico se torna metodologia educacional Foram necessárias apenas 48 horas para que o educador do Centro Marista de Inclusão Digital (Cmid) Luciano Silva transformasse os mais diversos componentes em um jogo de xadrez recondicionado. O tabuleiro foi ganhando formato com o uso de gabinetes de computador e uma peça de uma máquina de lavar. Nas mãos, bastou uma cola Durepoxi para que a torre, o bispo, o cavalo, a rainha, o rei e o peão começassem a ganhar suas primeiras formas, unidos aos mais diversos descartes eletrônicos: rebites, conectores de teclado, peças de skate, cabeçote de leitor de HD, fios de cobre, entre outros. De acordo com o idealizador do artefato, Algir Facco, a prática do xadrez incita no estudante o raciocínio lógico e estimula a memória, a concentração, a disciplina e a responsabilidade, além da consciência ecológica. Por ser algo que é feito a partir do lixo eletrônico, leva o jovem à reflexão da questão ecológica, pois ele está jogando com algo que foi recondicionado.

O tabuleiro móvel fica à disposição nas estruturas do Cmid, projeto do Centro Social Marista Santa Marta, e da Escola Marista Santa Marta, em Santa Maria. As partidas ocorrem com a participação de educadores e educandos, possibilitando a integração. Já está prevista a confecção de novos tabuleiros. Como se vê, em poucos dias, o lixo eletrônico se transforma em metodologia educacional em Santa Maria, tornando o processo de aprendizado dinâmico, saudável e consciente.

O tabuleiro foi ganhando formato com o uso de gabinetes e uma peça de uma máquina de lavar.

Unidades Sociais Maristas

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© Fotos: Acervo das Unidades Sociais

Inclusão Digital


Em movimento | Inclusão Digital No Polo Marista de Formação Tecnológica, os adolescentes dos cursos de Auxiliar Técnico em Manutenção de Equipamentos de Informática e de Programação de Software apresentaram os respectivos projetos de conclusão dos cursos ligados ao programa Jovem Aprendiz. Simulador de bicicleta, polo fashion, controle de presença e cadastramento de voluntários foram os projetos apresentados.

2016

Educadores dos Centros Sociais Maristas participaram do primeiro treinamento do ano da ferramenta Prisma. Em maio, os representantes estiveram reunidos para aprofundar o conhecimento sobre o software. O Encontro do Prisma foi coordenado por Carlos Alberto Mariani e Karina Rodrigues, responsáveis pelo sistema na Gerência Social, e por Leandro Bueno, do setor de Tecnologia da Informação (TI).

PORTO ALEGRE

BRASÍLIA

© Fotos: Acervo das Unidades Sociais

Em março, ocorreram a inauguração e as primeiras visitas ao Museu de Percurso da Ilha da Pintada. A iniciativa integra o curso de Turismo Ecológico da unidade marista localizada no território e envolve os adolescentes do programa Jovem Aprendiz do Polo Marista de Formação Tecnológica. O museu é um novo atrativo histórico e cultural que resgata as memórias da região, capacitando jovens em situação de vulnerabilidade social. São 25 painéis distribuídos em marcos históricos da fundação e do desenvolvimento da Ilha.

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Unidades Sociais Maristas


Em março, ocorreu, em Brasília, a primeira reunião gerencial sobre os Centros de Recondicionamento de Computadores (CRCs) com representantes das 12 unidades contempladas pelo novo convênio do Governo Federal. O então ministro das Comunicações, André Figueiredo, defendeu a necessidade de ampliar cada vez mais a atuação brasileira nessa frente, pois acredita no seu potencial de inclusão digital e formação profissional. Márcia Broc, coordenadora do Polo Marista de Formação Tecnológica, Ricardo Leistner Jr., coordenador de projetos, e Alessandra Moraes, analista administrativa, representaram a unidade em Brasília.

SANTA MARIA

O Centro Marista de Inclusão Digital (Cmid), projeto vinculado ao Centro Social Marista Santa Marta, desenvolve uma atividade diferenciada com todos os educandos. É o Circuito de Oficinas, que possibilita aos jovens conhecer e praticar outras modalidades oferecidas na unidade. Fazem parte do Circuito as seguintes oficinas: Impressão 3D, Mídias Digitais, Montagem e Manutenção de Computadores, Meta-Arte e Robótica.

O bairro da Nova Santa Marta foi destaque na seção Diário nos Bairros do jornal Diário de Santa Maria. Entre as atividades desenvolvidas no bairro está o Centro Marista de Inclusão Digital (Cmid), que integra os projetos do Centro Social Marista Santa Marta. O projeto foi lembrado na edição pelo trabalho de inclusão digital que oferta a crianças e adolescentes da Escola Marista Santa Marta e da comunidade da Nova Santa Marta e também por ser um ponto de coleta para descarte correto de lixo eletrônico.

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Gente nossa

Exemplo no esporte e na comunidade Aos 16 anos, Eduarda Blanco – ou Duda, como é conhecida – acumula mais de cinquenta medalhas e é possível candidata à Seleção Brasileira de base em 2016 O Colégio Marista Irmão Jaime Biazus, de Porto Alegre, tem uma atleta de Judô que, além de conquistar medalhas, compartilha todo o seu conhecimento e habilidade com os colegas. A estudante do 1o ano do Ensino Médio, Eduarda Blanco, 16 anos, é faixa marrom na categoria sub-18 e bolsista do Clube Grêmio Náutico União. “Não queria fazer Judô, mas minha mãe insistiu que eu fizesse algum esporte para ter uma vida mais saudável. Por três anos, pratiquei por obrigação em um projeto social... Então, meu irmão foi chamado pelo Clube Grêmio Náutico União e fui chamada junto para também receber uma bolsa de atleta. A partir daí, comecei a vencer as competições e peguei gosto pelo esporte”, relata Eduarda. Possível candidata à Seleção Brasileira de base 2016, a atleta já acumula mais de cinquenta medalhas. Entre suas principais conquistas estão o terceiro lugar no Campeonato Brasileiro sub-15 de 2013; Atleta Destaque do Rio Grande do Sul na categoria sub-15 em 2014; e Tri-Campeã Estadual em 2012, 2013 e 2014.

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Além desse notável currículo, o que mais chama a atenção em Eduarda é sua boa vontade em transmitir seus conhecimentos e suas habilidades aos colegas. Desde o início de 2015, Duda treina Judô duas vezes por semana com os estudantes do Colégio e os educandos do atendimento socioeducativo do Centro Social Marista de Porto Alegre (Cesmar). A equipe cresce a cada mês e já conta com quase vinte atletas que seguem o exemplo da judoca. A experiência logo passou a ser comentada no bairro Mario Quintana, região com o menor índice de desenvolvimento humano de Porto Alegre, e atraiu o interesse não só dos jovens, mas também da mídia gaúcha. Até que a jornalista Alice Bastos Neves, âncora do quadro Vem, Alice do programa Globo Esporte, foi convidada para ir ao Marista Irmão Jaime Biazus conhecer um pouco mais da história de Duda e de sua dedicação ao esporte e à juventude. “Conheci o Brasil inteiro, novas culturas, tenho a oportunidade de ajudar os colegas e partilhar meus conhecimentos no Cesmar, passando o que eu sei para outros jovens, ensinando algo

Unidades Sociais Maristas

diferente para as pessoas”, comenta Duda, revelando que conquistou muito mais que disciplina, equilíbrio e medalhas com o esporte. Eduarda sabe que a carreira de atleta é difícil e pode ser curta, por isso se


© Fotos: Acervo das Unidades Sociais

Conheci o Brasil inteiro, novas culturas, tenho a oportunidade de ajudar os colegas e partilhar meus conhecimentos no Cesmar, passando o que eu sei para outros jovens, ensinando algo diferente para as pessoas.

dedica bastante aos estudos, é assídua nas aulas e, no futuro, pretende se formar em Química e buscar sempre por novos horizontes. Da sua passagem pelo Colégio e pelo Cesmar, ficam as boas histórias dos desafios e das conquistas, as amizades e os corações tocados pelo seu amor, pela sua luta e pela sua disposição.

Unidades Sociais Maristas

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Juntos, na Ilha Grande

dos Marinheiros Após assumirem as Unidades Sociais, Irmãos abriram uma comunidade marista no local A presença dos Irmãos Maristas no bairro Arquipélago, em Porto Alegre, completará duas décadas no próximo ano. Em 1997, eles assumiram a primeira Unidade Social na Ilha Grande dos Marinheiros: a Escola Marista de Educação Infantil Tia Jussara, localizada na entrada da Ilha e que, na época, funcionava como creche. O interesse em ser presença junto a essa comunidade surgiu em função do contexto social que se apresentava naquele período. A maioria dos moradores vivia da reciclagem e 150 carroças estavam registradas como meio de trabalho e transporte. O índice de analfabetismo era alto e a falta de infraestrutura para atender crianças e adolescentes no turno inverso ao da escola preocupava os Irmãos e os próprios moradores da região. Após assumir a segunda unidade no bairro – o Centro Social Marista Aparecida das Águas –, em 1999, os Irmãos também optaram por fazer a instalação de uma comunidade marista na Ilha Grande dos Marinheiros. Esse ato foi uma grande novidade entre os moradores da região. Estar presente no dia a dia da população, enfrentando seus problemas e suas dificuldades, deu outro sentido à missão marista. Hoje, os Irmãos Diego Lunkes, Laurindo Viacelli e Miguel Antonio Orlandi moram na Comunidade Marista das Ilhas, presente no local desde 2001. Dez anos depois, os Irmãos ainda abriram outra unidade no bairro, a Escola Marista de Educação Infantil Aparecida das Águas. Além da presença dos Irmãos, referência para as lideranças comunitárias, mais de 400 crianças e adolescentes são atendidos, hoje, nas três Unidades Sociais. Como se vê, há motivos de sobra para comemorar as duas décadas de missão marista na Ilha Grande dos Marinheiros.

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Unidades Sociais Maristas

© Fotos: Acervo das Unidades Sociais

Comunidade

O Centro Social e a Escola Marista Aparecida das Águas estão localizados no mesmo prédio.

A Escola Marista de Educação Infantil Tia Jussara fica na entrada da Ilha.

Os Irmãos Maristas ajudaram a montar o Galpão de Reciclagem da Ilha Grande dos Marinheiros.

No Centro Social Marista Aparecida das Águas, educandos participam de oficinas no turno inverso ao da escola.


Você achou legal o nosso piano? Espere até ver o que podemos fazer com o que você não usa mais.

Preservar o meio ambiente, a partir do reaproveitamento criativo de materiais eletrônicos, é o que move o projeto Recondicionar. O piano acima é o resultado desse trabalho. Sua parte externa é composta de botões de máquinas caça-níqueis, painel de led e madeira. Tudo recondicionado. O que antes era lixo acumulado, hoje nos ajuda a aprender músicas a partir de sinais luminosos. Em apenas um ano, foram arrecadadas mais de quatro toneladas de peças descartadas nos ecopontos do projeto. Saiba mais em socialmarista.org.br.


© Ilustração: Freepik

olhar

NA MEDIDA:

uma discussão sobre superproteção na infância Por Fabrícia Borges, psicóloga e professora da Universidade de Brasília (UnB)

Ao discutir sobre superproteção, precisamos primeiro entender como os filhos e as famílias se configuram no século 21. Possivelmente, a grande maioria das crianças é educada, hoje, em modelos de uma superatenção quando comparadas às crianças de 40, 50 anos atrás. Saímos de famílias com muitos membros (de oito a dez filhos) para famílias de um ou dois filhos. Só aí já constatamos que a forma de criar e educar as crianças mudou significativamente. Reconhecemos que as crianças

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precisam ser ouvidas, amadas, cuidadas, educadas e, sobretudo, entendidas. E temos mais tempo e recursos para isso. Contrariamente, também ficamos mais tempo longe delas, trabalhando e em atividades sociais. Vão mais cedo para a escola/creche, possuem mais eventos sociais, mais festas, mais passeios, estão mais midiáticas e, portanto, em um processo de globalização contínuo. Então, fico pensando de que formas nossas atenções vão ao encontro dessas infâncias? Podemos pensar que


Em um processo educativo, o ensinar a fazer é muito mais importante do que fazer por elas. Podemos pensar em uma superatenção emocional, de suas seguranças, de suas responsabilidades, de suas conquistas. existem várias formas de atenção – portanto, de superatenção. Será que as abraçamos tanto que as impedimos de se movimentar no mundo? De escolher, de criar e de ser? Até que ponto nossos cuidados permitem que essas crianças aprendam a cuidar de si e dos outros? Sim, porque, para sermos adultos felizes, precisamos aprender a cuidar do outro. Isso garante amizades, conquistas, grupos sociais, amor e afetos. Em um processo educativo, o ensinar a fazer é muito mais importante do que fazer por elas. Podemos pensar em uma superatenção emocional, de suas seguranças, de suas responsabilidades, de suas conquistas. No entanto, até que ponto cerceá-las de todos os modos permite a elas construir recursos internos para lidar com o mundo? É claro que não queremos que nossas crianças sofram, decepcionem-se e nem fiquem tristes. Também não queremos que elas se sintam inferiorizadas em seus autoconceitos, quando, supostamente, uma outra criança possui mais vantagens, sejam materiais ou afetivas. É difícil saber a dose certa entre a atenção, o amor e o afeto,

se demais ou se de menos. Precisamos, então, nos questionar até que ponto permitimos que elas aprendam e vivenciem suas responsabilidades, o exercício de serem afetivas, de conseguirem não ter tudo e ainda se sentirem satisfeitas e alegres, ou de aprenderem a lidar com suas frustração e insatisfações. Com certeza um grande desafio, pois não existe modelo e nem receita – até porque as crianças são diferentes e possuem necessidades também diferentes, assim como seus pais, suas famílias, sua escola e seus grupos sociais. Mas de uma coisa tenho certeza há algum tempo: precisamos educar nossas crianças para a solidariedade e a cidadania. Um adulto solidário faz bem a si mesmo, aos outros e ao mundo. Para isso, precisamos refletir. Talvez esta seja uma boa solução: questionar sempre nossas certezas e, também, nossas dúvidas, ensinando nossas crianças a também se questionarem. Podemos incentivá-las a buscar saber quem são, quais seus interesses, suas vontades, seus afetos, suas frustrações e suas responsabilidades. Caminhemos assim.

• Nem sempre os filhos têm razão em relação às outras crianças. • Eles não precisam ter todos os brinquedos do mundo. O que as crianças precisam é entender a importância das brincadeiras para o autoconhecimento e desenvolvimento das relações sociais. • Poupar as crianças de frustrações não garante que elas não as tenham, apenas as poupa de não aprender a lidar com elas. Cuidado, pois uma criança que só vive com sentimentos de frustração pode aprender que não existe nada no mundo além disso. • Todos nós possuímos responsabilidades e as crianças também precisam saber quais são as suas e cuidar delas. Se tomamos as responsabilidades de uma criança para nós, elas ficam sem responsabilidades. Poderão também ser adultos assim. As responsabilidades de uma criança estão no domínio de suas atividades e de seus interesses: cuidar das tarefas da escola, de seus brinquedos, de seus animais de estimação, de seus amigos. • Todos os seres humanos, inclusive as crianças, precisam entender que, se gostam de afeto, é necessário cultiválo. Seja com pais, parentes, amigos ou outras pessoas. Aprender a ser carinhoso e amoroso não significa ser submisso, ainda que quando criança. Precisamos aprender a falar tanto de nossos aborrecimentos quanto de nosso afetos e carinhos. • Aprender a dizer – e a respeitar – o “sim” e o “não”.

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Abraço que encoraja O poder do abraço é comprovado cientificamente e testificado por profissionais que percebem, na prática, a importância desse ato no desenvolvimento pessoal

© Foto: Shutterstock

Por Michele Bravos

O abraço durou longos minutos, tempo suficiente para os batimentos cardíacos se regularizarem, os níveis de estresse baixarem e a autoconfiança ser retomada. Diversas universidades no mundo – entre elas, a Universidade da Carolina do Norte (EUA), a Universidade de Viena (Áustria) e a Universidade de Bar-Ilan (Israel) – possuem pesquisas que comprovam os benefícios de um abraço. Cientificamente, todas apontam para a elevação dos níveis de oxitocina – um hormônio capaz de amenizar o sentimento de isolamento e raiva –, além de influenciar na autoestima e na autoconfiança tanto de crianças quanto de adultos. As pesquisas atestam o que é comprovado, na prática, por profissionais que estão em contato frequente com pessoas que não vivenciavam demonstrações de afeto saudáveis e que, a partir da prática do abraço, passaram a ressignificar seus relacionamentos e a própria forma de se ver. A assistente social Fernanda Celano realiza um trabalho com crianças e adolescentes de uma casa-lar em Curitiba (PR) desde 2014 e percebe o quanto o abraço é poderoso para gerar um ambiente de segurança para eles. "O processo de desenvolver o vínculo afetivo, mediado pelo toque físico do abraço, abriu caminho para o sentimento de confiança. Eles sentiram que o abraço era sincero e desinteressado. Logo, puderam falar, con-

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O ABRAÇO CERTO

© Foto: Acervo do Colégio

O Colégio Marista Pio XII realiza, desde 2014, a campanha Abraço Grátis.

tar suas histórias, no tempo e do jeito deles, sem julgamentos ou curiosidade. Desde janeiro de 2015, temos um canal de comunicação muito aberto, tanto com os meninos quanto com as meninas. Eles têm liberdade para dizer do que gostam, como estão se sentindo e também falar do que não gostam em nós". Fernanda ainda destaca que é importante que crianças e adolescentes percebam que o abraço faz parte das relações saudáveis entre familiares, amigos e casais. "O abraço é parte da construção do vínculo afetivo, demonstra aceitação, acolhimento, proteção. Eu acredito que somente uma relação amorosa pode forjar na criança o sentimento de confiança e segurança".

QUANTO MAIS, MELHOR A psiquiatra norte-americana Virginia Satir é reconhecida no meio acadêmico por defender que precisamos de, no mínimo, quatro abraços diários. Segundo suas contas, são necessários quatro abraços por dia para a sobrevivência do ser humano; oito para a manutenção do bem-estar; e 12 para um crescimento pessoal no futuro. Já Fernanda percebeu que, com o tempo, os abraços se tornaram mais frequentes e espontâneos, ressignificando a forma de as crianças e os jovens se relacionarem e se expressarem. "No nosso meio, eles recebem

muitos abraços, o que os ajuda a entender que o toque é uma linguagem de amor e não deve remeter à violência. Eles nunca recusaram um abraço, mas os primeiros eram rápidos, superficiais, tímidos e inseguros. À medida que fomos nos conhecendo, com encontros semanais, o vínculo foi crescendo, eles foram se sentindo mais seguros e amados, sabiam que eram bem-vindos, e os abraços ficaram espontâneos, demorados, afetuosos. Às vezes, expressam tristeza, permeados pela vontade de voltar para a família de origem. Às vezes, só querem o toque pelo toque, para sentir amor e afeto". No Colégio Marista Pio XII, em Novo Hamburgo (RS), o número de abraços diários passam de 12, se preciso for. Desde 2014, o Colégio aderiu à campanha do Abraço grátis. Os jovens da Pastoral da Juventude Marista (PJM) caminham pelos corredores durante o horário de intervalo com cartazes anunciando a distribuição de abraços para quem quiser. "O objetivo dessa ideia é aprofundar a formação integral e social entre os jovens, saindo da rotina. Assim, queremos despertar o cultivo de valores cristãos nos estudantes, como ser presente, ser amigo e demonstrar cuidado", explicaram os líderes da PJM do Colégio, a assessora Claudia Buttenbender e o Irmão Matheus Martins.

A pscicoterapeuta norte-americana Hillary Hendel é conhecida por desenvolver um método de terapia que busca entender as expressões do corpo, trabalhando o contato físico e a escuta das próprias emoções, em um caminho de resgate de quem se é. Recentemente, ela publicou um artigo no The New York Times sobre o poder de cura de um abraço. Na publicação, ela afirma que, para um abraço ser eficaz, ele precisa ser por inteiro, não pode ser um 'meio-abraço'. "Um abraço terapêutico, aquele destinado a acalmar o sistema nervoso, requer algumas instruções. Um bom abraço deve ser sincero. Você não pode fazê-lo pela metade. Duas pessoas, o 'abraçador' e o 'abraçado', encaram um ao outro e se abraçam, com seus corpos se tocando por inteiro. Sim, é íntimo. O 'abraçador' deve estar focado no 'abraçado' com intenção proposital para lhe oferecer conforto. É, literalmente, uma experiência de coração para coração: a pulsação do 'abraçador' pode regular o batimento cardíaco do 'abraçado'. Por último, e muito importante, o 'abraçador' deve abraçar o 'abraçado' até o 'abraçado' estar pronto para ir embora, e nem um momento antes". Tradução livre do artigo publicado no The New York Times, em 1 de Setembro de 2015. Leia na íntegra: goo.gl/dB1pc6

O processo de desenvolver o vínculo afetivo, mediado pelo toque físico do abraço, abriu caminho para o sentimento de confiança. 37


Vivências

© Fotos: Acervo pessoal

solidariedade

compartilhadas Entre sorrisos e brincadeiras, um mundo novo se abre por meio do voluntariado internacional Por Taysa Dias

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“Que se faz de boa vontade”. Essa é a definição no dicionário para a palavra “voluntário”. Explicação que poderia ser facilmente complementada por “receber muito mais do que se doa”, frase dita por Leomar Silvestro, coordenador do Centro Social Marista Santa Isabel (Cemasi), instituição localizada em Porto Alegre (RS) e escolhida para receber o voluntário chileno Christhofer Otárola Antonio Cabezas, de 27 anos, que trabalhou por lá durante o mês de janeiro de 2016. Após Silvestro comunicar a todos, educadores e crianças, sobre a vinda de um novo integrante, a euforia tomou conta dos jovens e adolescentes. A recepção do chileno ao local onde passaria seus próximos trinta dias, foi feita de forma natural e simples. A língua estrangeira, que antes parecia ser um empecilho, foi substituída por novas formas de se comunicar, sempre com carinho e respeito.


Para Christhofer, a ideia de ser voluntário surgiu de uma conversa com a colega de trabalho que acabara de chegar de uma missão na Bolívia. “Ser voluntário me permitiu sair da minha comodidade e conhecer diferentes realidades, com as quais não estou acostumado. Isso também me permitiu oferecer o meu trabalho para o outro”. A cada dia, novas experiências e vivências foram ganhando a contribuição do novo voluntário. “O Christhofer chegou ao Cemasi muito curioso para conhecer o espaço, a equipe e, é claro, os jovens do Centro. Mas algo que talvez ele não esperasse na proporção que aconteceu foram as amizades e o afeto das crianças, o mais sincero que podia vivenciar, pois elas abraçam o mundo e as pessoas como parte de sua família”, conta Silvestro. O voluntário ressalta que certamente levará o aprendizado profissional conquistado por meio das atividades no Cemasi para o seu dia a dia como professor de Química no Instituto Chacabuco, localizado na cidade de Los Andes, no Chile. “Foi uma das melhores experiências que tive na minha vida, que me permitiu crescer em todas as áreas, pessoal e profissional, além de conviver com pessoas maravilhosas que dedicam seu tempo para trabalhar nessa grande obra que são os Centros Sociais Maristas”, diz Christofer. Nesse tempo em que ele esteve por lá, ficou clara a importância do trabalho em equipe, independentemente das diferenças culturais. “Houve uma satisfação enorme e uma aproximação entre todos. O Christhofer se doou, acreditou e contribuiu com a nossa proposta”, afirma Silvestro. Christhofer pretende repetir a viagem de voluntariado no Brasil e relata que a maior contribuição para si próprio foi o autoconhecimento. “Ser voluntário é poder conhecer a si mesmo, saber o que sou capaz de entregar para o outro, além da oportunidade de conhecer os colegas brasileiros, que fizeram eu me sentir em casa”.

Ser voluntário me permitiu sair da minha comodidade e conhecer diferentes realidades, com as quais não estou acostumado. Isso também me permitiu oferecer o meu trabalho para o outro.

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© Foto: Michele Bravos

como fazer

É preciso saber ler saber ler

A liberdade e o incentivo à leitura são pontapés para formar leitores críticos e conscientes Por Taysa Dias

Você se recorda do primeiro livro que leu? E aquele título que mais o encantou ainda na infância? Certamente a segunda opção é mais fácil de lembrar. Isso porque o processo da leitura exige envolvimento individual e reflexivo, ao contrário de uma atividade de consumo rápido de texto e sem aprofundamento. Para Milena Ribeiro Martins, professora de Literatura do curso de Letras da Universidade Federal do Paraná (UFPR), gostar de ler é diferente de saber ler bem. Ela ressalta o papel da escola para exercitar as habilidades de leitura: “É preciso que o leitor aprenda a decodificar, prever a continuidade de um texto, a entender o dito e o suben-

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tendido, a entender ironia, piada, ameaça, identificar-se com emoções e colocar-se no lugar de personagens. Há muitas habilidades que exercitamos enquanto lemos, e tudo isso precisa ser ensinado, praticado e discutido”. A família tem relação direta na prática da leitura de crianças e adolescentes. Exemplo disso é o que aconteceu no lar do estudante Guilherme Engelhardt Stange, de 23 anos, onde sua mãe, Sandra Engelhardt, tinha o hábito de ler para ele livros inteiros durante sua infância. Aos 9 anos de idade, após uma ida à livraria com sua mãe, Guilherme iniciou sua primeira leitura autônoma. O título escolhido foi o mesmo de milhares


DICAS DE LEITURA Para que crianças e jovens iniciem suas descobertas no mundo da literatura, é preciso liberdade por parte da escola e incentivo por parte da família, dentro de casa. Confira algumas dicas da professora Milena para colaborar com a leitura de crianças e adolescentes: • Ajude o jovem a escolher bons livros (o que não é uma tarefa fácil!). • Guie-o pelas estantes de livrarias e bibliotecas. • Folheie, leia trechos, e não hesite em descartar um livro hoje, para retomá-lo no futuro. • Eleja seus escritores favoritos e recomende-os.

FLEXIBILIDADE X INSISTÊNCIA Para criar um hábito de leitura em casa ou na escola, é preciso ter disciplina e rotina. Segundo a professora Milena, conciliar disciplina com prazer é a melhor forma de não transformar a leitura em uma tarefa cansativa. “Se, para isso, for preciso abandonar uma leitura no meio, sem problemas, abandone! É isso que leitores maduros fazem: começam e interrompem leituras se elas não atendem a seus propósitos e a seus desejos. É importante, em casa, dar alguma liberdade de escolha”.

LITERATURA FANTÁSTICA de jovens: Harry Potter e a pedra filosofal, da autora J. K. Rowling. “Minha mãe lia muitos livros para mim, mas comecei ‘de verdade’ com Harry Potter. Foi o que me levou a gostar de ler”, revela. Depois disso, o estudante se entregou a clássicos como A volta ao mundo em 80 Dias, de Julio Verne; Capitães de areia, de Jorge Amado; O nome da rosa, de Umberto Eco, entre outros. O gosto por essas obras clássicas, contudo, não se deu de forma rápida por causa, segundo o próprio Guilherme, de sua “falta de maturidade literária”. “Lembro quando a escola solicitou que lêssemos Capitães de areia. Na época, não gostei. Hoje, já com o hábito da leitura, é um dos meus livros preferidos”.

Os livros de literatura fantástica apresentam três vertentes principais: a ficção científica, a fantasia e o horror. Esse gênero vem crescendo entre os jovens e adolescentes brasileiros e é, sim, uma porta de entrada para o mundo da literatura. Exemplo disso é a série Harry Potter, de J. K. Rowling, que vendeu milhões de exemplares pelo mundo e desmistificou o pensamento das editoras de que adolescentes não leem livros extensos. Além dessa famosa saga, outras séries ficcionais também caíram no gosto dos jovens, como Jogos vorazes, de Suzanne Collins, e Divergente, de Veronica Roth. Para a professora Milena, a literatura fantástica permite um universo ao mesmo tempo distante e próxi-

mo do leitor, que ultrapassa os limites da vida humana e permite a identificação com certos personagens e situações. “Vivemos imersos em cultura, em símbolos, em histórias. Perder a compreensão disso tudo é viver de forma rasa, superficial. Precisamos compreender o mundo em que vivemos para transformá-lo em algo melhor”.

Há muitas habilidades que exercitamos enquanto lemos, e tudo isso precisa ser ensinado, praticado, discutido.

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compartilhar

Confira nesta edição as dicas de aprendizado das Línguas Inglesa e Espanhola sugeridas pela assessora da área de Linguagens dos Colégios Maristas, Ana Cristina Alves.

APP MUSEU AMERICANO DE HISTÓRIA NATURAL Por meio do site do Museu Americano de História Natural (American Museum of Natural History), você pode baixar aplicativos para conhecer o acervo e enriquecer o vocabulário com leituras incríveis sobre ciência. A coleção de fósseis, incluindo de espécies de dinossauros, é um dos principais atrativos. amnh.org/apps

© Imagens: Divulgação

LIVRO WHAT'S ON

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Este é um livro didático que instrumentaliza o professor e prepara o estudante de uma maneira descontraída, usando os mais diversos filmes e séries de TV. A obra contempla funções de linguagem, aspectos gramaticais, atividades com respostas comentadas e um robusto guia de filmes e séries, como Cidade dos anjos, a saga Harry Potter, Meu malvado favorito e Friends.

LIVRO NOT JUST HAMBURGERS! Quando se pensa na culinária americana, certamente o hambúrguer é o primeiro alimento que vem à sua mente. No entanto, é importante conhecer outros pratos típicos, ainda mais se essa experiência possibilitar diversos aprendizados da Língua Inglesa. Com o livro de Virginia Klie, você também poderá conhecer as tradições gastronômicas, as influências étnicas, curiosidades e um menu especial para o Dia de Ação de Graças!


LIVRO MI BUENOS AIRES QUERIDO Mi Buenos Aires querido, de Delia María de Césaris e Telma Guimarães Castro Andrade, da editora Santillana, é uma publicação que combina o texto verbal com o áudio, possibilitando o exercício da leitura e da escuta. A história se desenrola em Buenos Aires, cidade em que um jovem brasileiro faz intercâmbio e tem a possibilidade de conhecer a cultura, as diferenças e as semelhanças entre Brasil e Argentina. A obra possui ainda glossário e atividades. Também vale conferir as diversas atividades disponíveis no portal educacional da Santillana. Confira: santillana.com.br/portal-educacional

FILMES UM CONTO CHINÊS, KAMCHATKA E CUERDAS O hábito de assistir a filmes e séries sem legenda é sempre recomendado, pois possibilita “treinar o ouvido” e ampliar o vocabulário. Alguns títulos sugeridos são Um conto chinês, Kamchatka e o curta-metragem Cuerdas. São obras que trazem aspectos culturais e motivam para um olhar sensível sobre os fatos reais ou ficcionais.

JORNAIS CLARÍN E EL PAÍS A leitura frequente desses jornais contribui para o aprendizado da estrutura gramatical da Língua Espanhola, bem como para a apropriação do vocabulário. Desenvolva o hábito de acompanhá-los e anote em um bloco as palavras novas. • clarin.com

• elpais.com

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diversão

Mas

Aulas de gastronomia e fotografia são opções de vazão para a curiosidade de crianças e adolescentes, contribuindo para o seu desenvolvimento Por Michele Bravos

A pouca idade não faz deles menos criativos ou desenvoltos. Pelo contrário. A curiosidade, inerente a crianças e adolescentes, os leva a resultados que surpreendem. Práticas que antes poderiam ser atribuídas apenas aos adultos têm conquistado o gosto das crianças e dos adolescentes também. Que tal aproximá-los desses mundos?

© Fotos: Shutterstock

por quê?

ENTRE PANELAS

Os programas de competição gastronômica com participantes mirins revelam o talento como chef de cozinha de crianças e adolescentes. E essa não é uma realidade só da TV. A professora de gastronomia Aline Wunsch, que dá cursos para os mais jovens, conta que o interesse dos alunos pelo novo faz com que aprendam rápido. “Eles são muito dedicados no que fazem. Não é difícil enxergar como suas habilidades aumentam ao decorrer das aulas”. A forma como a curiosidade é trabalhada permite que eles evoluam na prática de forma proveitosa, alcançando diferentes perfis de crianças e adolescentes. “Tenho alunos mais tímidos que são bem atentos, têm muita força de vontade e se superam a cada dia. Tenho, também, aqueles alunos superdesinibidos, que adoram interagir e têm uma criatividade fora do comum”. Uma aula de gastronomia não se destina apenas àqueles que possuem um interesse declarado pelas experiências na cozinha. As atividades podem servir para trabalhar outros aspectos no desenvolvimento do aluno. “A parte motora é desenvolvida, ao trabalharem com as panelas, com as facas e mexendo as preparações. Eles adquirem responsabilidade ao perceberem o espaço da cozinha como um ambiente que deve ser mantido limpo e organizado. Eles também aprendem a trabalhar em grupo, a ter noções de sustentabilidade e a respeitar o alimento”. O grande diferencial de um curso de gastronomia infantojuvenil comparado a um para adultos está no fato de que o segundo é mais técnico e o primeiro é mais experimental, possibilitando que os alunos aprendam diversas receitas e também treinem mais aquilo por que demonstram interesse.

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Tenho alunos mais tímidos que são bem atentos, têm muita força de vontade e se superam a cada dia. Tenho, também, aqueles alunos superdesinibidos, que adoram interagir e têm uma criatividade fora do comum.

ENTRE CLICKS

Quando ingressam nas aulas de fotografia, a imagem digital é vista como uma ferramenta de comunicação: através da imagem, se conta uma parte do dia, mostra-se quem se é (em geral, pelos selfies). No entanto, no decorrer das aulas, eles são apresentados à história da fotografia, às câmeras antigas e aos rolos de filme. O contato com esse outro universo instiga a curiosidade deles os desperta para conhecer mais do processo fotográfico e tudo o que envolve a fotografia. Para a fotógrafa Patrícia Zupo, professora de fotografia para adolescentes, “essa é a geração do anúncio pessoal, dos vídeos bem bolados, do ter algo a dizer para o público. Vejo que muitos são desinibidos. Busco trabalhar com estes a forma estética e a ética de postagens. Já os mais tímidos se soltam quando descobrem que a fotografia não precisa ser uma ferramenta de uso da autoimagem. Esse perfil de aluno, ao perceber que é possível se mostrar ao mundo sem aparecer nas fotografias, mas, sim, exibindo seu interesse pessoal, criam os mais interessantes temas de projetos”. A professora também percebe que, independentemente do perfil, algo que os alunos possuem em comum é o gosto por literatura e museus. Durante as aulas, a fotografia também é usada para despertar mais interesse pelos conteúdos convencionais da escola. “Trago a Matemática, a Física e a Química da fotografia para que eles compreendam o que e por que precisam estudar essas matérias. Por exemplo: ângulos e ótica estão relacionados diretamente a imagem e câmeras. Assim, eles começam a ver a prática do que estudam na escola”. Como os alunos dessa geração são bastante conectados, a professora inova no ensino. “Tanto os adolescentes como as crianças aprendem de forma nada convencional, com exemplos do seu dia a dia, aplicativos disponíveis e de forma livre. O imediatismo no qual eles vivem me permite incluir brincadeiras e construção de jogos para que a fotografia não seja apenas um mero ato de clicar”.

Essa é a geração do anúncio pessoal, dos vídeos bem bolados, do ter algo a dizer para o público.

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essência Matheus Giacomoni © Foto: Acervo pessoal

Ex-aluno do Marista São Pedro, formado em Administração, um dos fundadores da Múltiplo.X e transformador social.

Alterando as

estruturas

Pela minha trajetória e pela do meu sócio, Bernardo De Carli, sabíamos que não podíamos criar uma empresa apenas para ganhar dinheiro. Ele, professor de História, eu administrador. Mas, os dois com histórico de militância na educação popular e em outros projetos sociais. Por isso, nossa experiência e história de vida nos moveram a fazer a Múltiplo.X, uma empresa singular que busca dar um retorno para a sociedade, acima de tudo, visando transformação social. Fundamos a empresa com o objetivo de promover mudanças estruturais na sociedade, articulando vários setores – sociedade em geral, ONGs, empresas – e aprimorando seus potenciais de transformação. Analisamos o dinamismo do mercado atual, as novas demandas dos colaboradores das empresas, o formato da sociedade, os anseios e as necessidades da população. Chegamos à conclusão de que os formatos das relações de trabalho e consumo do século passado não são mais válidas, apesar de ainda dominarem os mercados. Hoje, exige-se que as empresas tenham a capacidade de interpretar e dar respostas aos anseios da sociedade civil. Um dos exemplos de trabalhos que realizamos foi a campanha TransformaLivro, organizada no ano de 2015 e ainda em andamento. Essa campanha, que aconteceu em espaços públicos da cidade, envolveu diversos segmentos: empresas como voluntárias e patrocinadoras, os cidadãos

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e as cidadãs de Porto Alegre, ONGs, artistas e pessoas da mídia. A TransformaLivro (goo.gl/xaAFE0) arrecadou mais de 5 mil livros em pontos de recolhimento pela cidade de Porto Alegre, e esses livros estão sendo distribuídos por bibliotecas da periferia da cidade. Bibliotecas comunitárias, que sejam geridas pelas próprias comunidades em parceria com as ONGs. Bibliotecas que têm a cara daquelas comunidades, que pertencem àquelas comunidades. Também estamos organizando saraus em cada uma das bibliotecas, pois acreditamos que apenas entregar os livros não cumpra o papel de transformação. É preciso ir até o fim: dar acesso e incentivar a leitura. Realizamos projetos nesses formatos também em ambientes empresariais. Mas, seja no espaço organizacional ou envolvendo a população como um todo, o mais importante para nós é realizar mudanças nas estruturas da sociedade, na forma de pensar a cidade.

Chegamos à conclusão de que os formatos das relações de trabalho e consumo do século passado não são mais válidas, apesar de ainda dominarem os mercados. Hoje, exige-se que as empresas tenham a capacidade de interpretar e dar respostas aos anseios da sociedade civil.


O ENSINO MÉDIO DA REDE MARISTA FICOU EM PRIMEIRO LUGAR EM LEMBRANÇA NO MARCAS DE QUEM DECIDE. OBRIGADO PELO RECONHECIMENTO.


CENTRAL DE RELACIONAMENTO COM O CLIENTE

www.ftd.com.br || 0800 772 2300

Unidades Sociais  

10ª ED | 1º SEM 2016