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13a edição | 2o Semestre 2017

A não valorização da vida pode ter sérias consequências. A prevenção começa pelo diálogo. Vamos conversar?


CULTIVAR A PRÁTICA DA LEITURA HOJE É SEMEAR UM FUTURO REPLETO DE VALORES. A FTD Educação e o Integra Confessionais estão juntos na missão de cultivar a prática da leitura nas escolas e casas, ao lado de professores e familiares dos alunos, para semear em cada jovem valores essenciais para a construção de um cidadão transformador do seu futuro e da sociedade ao seu redor.

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Com 200 anos de presença mundial e há 117 anos presente no Rio Grande do Sul, a atuação dos Colégios e das Unidades Sociais da Rede Marista se dá, atualmente, em 13 cidades gaúchas e em Brasília. São 26 Colégios e nove Centros Sociais, que atendem, diariamente, mais de 20 mil crianças, jovens e adultos.

Presidente da Rede Marista Ir. Inácio Nestor Etges

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13a Edição | 2o Semestre 2017 PERIODICIDADE Semestral

REVISÃO Thalita Uba EDIÇÃO

PROJETO GRÁFICO Estúdio Sem Dublê | semduble.com

Redação: Michele Bravos Edição de arte: Julyana Werneck

ILUSTRAÇÃO DA CAPA Julyana Werneck | Freepik

Supervisão editorial: Maria Fernanda Rocha Envie comentários, críticas e sugestões sobre a revista para o e-mail faleconosco@maristas.org.br

© Todos os direitos reservados. Todas as opiniões são de responsabilidade dos respectivos autores.

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Índice capa

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Uma conversa pode impedir uma ideia ou atitude suicida. Vamos falar mais sobre essa realidade?

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Rogério Anele, superintendente dos Colégios e Unidades Sociais, destaca a campanha de prevenção à vida, Setembro Amarelo e os principais temas desta edição.

Dia a dia

Entrevista

Olhar

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Entenda os impactos da erotização das relações infantis e como os pais podem estimular convivências saudáveis entre seus filhos e as respectivas amizades.

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Emocione-se com a jornada de Lucia Loxca em busca de um sonho: concluir um curso superior no seu país de refúgio.

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Curiosidade

Solidariedade

Como fazer

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Entenda o conceito de “qualidade de vida” e as principais similaridades e diferenças entre o Brasil e os demais países da América do Sul.

Em região de extrema vulnerabilidade, atitudes concretas de amor e justiça social acompanham os 20 anos da presença marista.

A resolução dos conflitos familiares começa pelo ouvir. Entenda como essa atitude pode facilitar uma comunicação não violenta.

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Diversão

Essência

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Nesta edição, apresentamos dicas de livros, jogos e documentários sugeridos pela assessora da área de Ciências da Natureza dos Colégios Maristas, Lisandra do Amaral.

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O artigo aborda a importância da prevenção de práticas discriminatórias, como o bullying, na amenização de pensamentos suicidas.

Não economize nos cliques e guarde todos os tíquetes e mapas da sua viagem de férias para reviver os momentos mais especiais montando um miniálbum com a família.

Saiba quais são as diferenças entre culpa e responsabilidade e como as relações interpessoais são afetadas por essas condições.


uvir e dialogar O em prol da vida

Amor, ternura, proteção e solidariedade fazem parte da essência marista. Está no cerne do jeito de Maria, nossa Boa Mãe, acolher e cuidar. Acreditamos em uma educação evangelizadora, que há 200 anos tem impactado a vida de milhares de crianças e jovens, em todo o mundo. Temos a responsabilidade de manter vivo esse carisma, de dar sustentabilidade e continuidade à obra de São Marcelino Champagnat. Somos parte desse legado de vitalidade que pulsa no coração e na mente de nossos estudantes e educadores. O segundo semestre é marcado por campanhas de alerta à preservação da vida: Setembro Amarelo, de prevenção ao suicídio; Outubro Rosa, em combate ao câncer de mama; e Novembro Azul, de conscientização sobre o câncer de próstata. Todas, com suas respectivas causas, chamam a nossa atenção para o desenvolvimento do autocuidado e também para quebrar os tabus que rondam essas problemáticas. Medidas preventivas salvam vidas. O suicídio – tema escolhido para ser abordado em nossa reportagem de capa – já é considerado uma questão de saúde pública, devido aos altos índices de ocorrência. E o diálogo é apontado como um dos principais meios de prevenção. Os dados e relatos apresentados nesta edição da Revista Em Família nos mostram que, entre o pensamento e a ação, há muito o que pode ser feito. Aos pais, professores e amigos, cabe a tarefa de ser sensível e ouvir os sinais de alguém que indica não estar bem. O ato de ouvir, na nossa sociedade tão ansiosa, tornou-se raro. Na editoria Como Fazer, abordamos o quanto a escuta empática se propõe a ouvir o outro, buscando se conectar com ele. Isso é primordial para a solução de conflitos familiares. Por meio da prática da comunicação não violenta, a matéria sugere como as discordâncias cotidianas podem ser interpretadas a nosso favor, gerando relações mais íntimas e harmônicas. A sintonia entre pais, mães e filhos também é tema na seção Dia a Dia, na qual abordamos o modo como os familiares podem contribuir para a saúde emocional de crianças e adolescentes. Ainda nesta edição, você encontra a emocionante história da síria Lucia Loxca, refugiada no Brasil desde 2013. Sua jornada desde o seu país de origem até aqui é marcada por coragem e renúncias, em busca de um sonho: dar continuidade aos seus estudos. A procura por uma realidade com qualidade de vida é uma constante na trajetória de 20 anos da presença marista na Ilha Grande dos Marinheiros, região de extrema pobreza de Porto Alegre (RS). Essa história é compartilhada aqui e soa como uma mensagem de esperança em tempos de desconstrução. Atos concretos de amor e de justiça social para construir um caminho de acesso a direitos e possibilitar perspectivas de vida mais autônomas, esse é o nosso compromisso. Que Deus nos abençoe, Maria nos proteja e Champagnat nos acompanhe diariamente em nossa missão. Uma ótima leitura a todos!

Somos parte desse legado de vitalidade que pulsa no coração e na mente de nossos estudantes e educadores.

© Foto: Divulgação / Comunicação e Marketing

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Rogério Anele Superintendente dos Colégios e Unidades Sociais da Rede Marista

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© Foto: Freepik

Dia a dia

Relações infantis

sem

malícia

Amizade entre meninos e meninas é natural e pode ser muito saudável. São os adultos que distorcem as conotações. Vamos trocar as lentes para ajudar as crianças a se desenvolverem emocionalmente? Por Michele Bravos

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Embora não seja uma regra, é comum que as relações infantis ganhem conotação sexual por parte dos adultos. Quem nos elucida um pouco mais sobre essa questão é a psicóloga Raquel Manzin, que percebe, por sua experiência clínica, que “existe um olhar erotizado do adulto sobre as relações entre as crianças, que projeta sobre elas comportamentos e sentimentos que não são próprios da idade”. “Criança não namora”, afirma ela. A psicóloga explica que é natural que as crianças, desde muito cedo, com apenas 2 anos de idade, já demonstrem afinidade por outras crianças e manifestem seus sentimentos por elas. “Ao escutar que o filho ou a filha gosta muito de uma outra criança, os pais podem tratar isso com naturalidade e afirmar a relação de amizade que existe ali. Eles podem falar: ‘Então quer dizer que você tem um melhor amigo ou uma melhor amiga?’, por exemplo”. Ela reforça que quem dá o tom para as relações entre as crianças é o adulto. As orientadoras educacionais dos Anos Iniciais do Colégio Marista Rosário Alessandra Paschoal e Mariana Arieta chamam a atenção para o fato de os próprios familiares, na correria do dia a dia, não perceberem o impacto de suas palavras. “Não há uma intencionalidade, mas, sem querer, acabam expondo as crianças a situações que não são adequadas para a idade, e elas acabam reproduzindo o comportamento incentivado implicitamente”.


Ajudar a criança a compreender as relações que estabelece e perceber seu papel em cada contexto, orientando-a para que viva o que é próprio da idade, sem antecipar fases, é essencial para um desenvolvimento sadio, sem causar ansiedade. As relações futuras também podem ser comprometidas por essa antecipação de fases. “Já percebeu como alguns adultos não conseguem ter uma amizade com o sexo oposto sem conotação sexual? Quando isso começou? Além disso, um adulto que viveu determinadas experiências precocemente na infância pode se tornar uma eterna criança ou viver com aquele sentimento de se sentir ‘perdido’ por ter sido submetido a restrições que não eram próprias para sua idade”. Nesse ponto, é preciso que pais e professores lembrem os filhos e estudantes de que são, afinal, crianças, e não reforcem as fantasias que possam estar sendo geradas. “É necessário explicar que quando se tem afinidade com alguém, pode-se simplesmente ser amigo ou amiga dessa pessoa. Feito isso, é preciso esclarecer que relações de amizades são cíclicas: em alguns momentos, as pessoas estarão estudando, brincando, lanchando juntas; em outros, cada um estará fazendo suas atividades com outras pessoas. E isso é natural”. Aos adultos, cabe respeitar o desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças, como afirmam as orientadoras educacionais: “É preciso dialogar, sempre esclarecendo dúvidas de acordo com aquilo que os filhos estão prontos, em termos de maturidade, para ouvir”.

LÓGICAS DISTORCIDAS As orientadoras educacionais Alessandra e Mariana sinalizam o quanto séries, músicas, quadrinhos, jogos virtuais, e a mídia em geral exibem uma realidade incompatível para as crianças, influenciando seus comportamentos. “Um conteúdo erotiza-

do contribui para a internalização de hábitos e vaidades que não são adequados à faixa etária”. Segundo a psicóloga Monise Serpa, que realiza estudos na área de sexualidade, esses espaços midiáticos revelam a expectativa social que existe sobre cada gênero e o quanto isso pode ser opressor e contribuir para um ciclo de violência. No caso dos meninos, legitima-se que tenham uma sexualidade mais exposta e exacerbada. “É incentivado que ele seja ‘namorador’, que aborde mulheres publicamente, para, assim, validar que ele é homem. A ele, não cabe se conter”, diz a psicóloga. Já para as meninas, a abordagem é sempre em um âmbito romantizado, do resguardo e da espera pelo príncipe encantado. Ou, de forma bastante antagônica à anterior, de uma menina sensual que exerce poder social para conseguir o que quer, exibindo o seu corpo jovem. “Nessa lógica, quando essa menina sofre algum tipo de violência, ela pode pensar: ‘O que eu fiz para estimular isso?’, o que é um erro”. Como aponta a psicóloga Monise, a idolatria do corpo feminino jovem traz prejuízos graves. De acordo com um levantamento feito pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica em 2012, o número de cirurgias plásticas em adolescentes entre 14 e 18 anos aumentou 141% em relação aos últimos quatro anos. Lipoaspiração e implantes de silicone nas mamas foram os procedimentos mais registrados entre as meninas. “Em geral, essas cirurgias visam um corpo considerado perfeito, um corpo sensual. Esse dado nos mostra a não aceitação dessas adolescentes de seus próprios corpos, e uma identidade feminina atrelada a conotações sexuais”, afirma Monise. Se por um lado existe a erotização da infância, por outro existe também a infantilização da mulher, sustentada como um fetiche. “Considerando uma lógica de poder, existe o que

chamamos de ‘erotização das desigualdades’. É prazeroso estabelecer uma relação com quem eu considero mais vulnerável, ao passo que é difícil estabelecer uma troca com pessoas em situação de igualdade. Por isso, vemos uma indústria pornográfica que ganha com imagens erotizadas de crianças ou de mulheres infantilizadas, por exemplo”. Todas essas situações são alertas para que modelos que vêm sendo sustentados há décadas sejam revistos. É importante pensar no quanto um comportamento aparentemente inofensivo, como chamar uma menina de “safadinha” ou um menino de “pegador”, reforçam estereótipos que não contribuem para relações interpessoais saudáveis e nem para um desenvolvimento pessoal seguro. Assim, Monise questiona: “Qual é a lógica de mundo que estamos transmitindo para nossas crianças?”.

É preciso dialogar, sempre esclarecendo dúvidas de acordo com aquilo que os filhos estão prontos, em termos de maturidade, para ouvir.

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Capa

Dividir emoções e frustrações pode prevenir comportamentos suicidas. Vamos ter esse diálogo? Por Michele Bravos

Existe um vácuo entre o pensamento e a ação. Se for sensivelmente ocupado, uma vida pode ser preservada. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada 45 minutos, um brasileiro tira a própria vida. Por isso, o suicídio já tem sido considerado um problema de saúde pública nacional. Ainda conforme a OMS, a região Sul do País é onde esse índice é mais representativo, o que sinaliza a importância de se quebrar os tabus com relação ao assunto. A jovem Luyen Acosta, do 3o ano EM do Colégio Marista Graças, em Viamão (RS), participou da atividade escolar 13 porquês - Valorizando a Vida (veja mais no box da página 10), em que pôde refletir sobre as suas razões de viver. Ela percebe que o tema ainda assusta, justamente por estar mais próximo do que as pessoas gostariam. “Talvez por medo, falar disso em família é ainda mais difícil. Mas, infelizmente, é um assunto comum – bem mais comum do que se imagina. Já é natural ouvir isso dos amigos, ou até mesmo se pegar pensando em como seria mais fácil se você não existisse”. Ela entende que a questão é mesmo assustadora e, por isso, precisa ser tratada com mais atenção e ser mais discutida. “O primeiro passo é reconhecer. Depois, buscar ajuda, porque lidar com isso sozinho é praticamente impossível”. Ela entende que as pessoas próximas de alguém que está mal também devem procurar ajuda, para que sejam um apoio para aquele que precisa. A aposta preventiva ao suicídio do Centro de Valorização à Vida (CVV), uma das instituições mobilizadoras da campanha Setembro Amarelo, que prega a conscientização e a prevenção ao suicídio, é a conversa. Por isso, há 55 anos desenvolve um trabalho preventivo que coloca à disposição da população um plantão de voluntários dispostos a bater-papo e, sobretudo, a ouvir, pelo telefone ou pela internet. Ainda de acordo com o CVV, “o suicídio envolve vários fatores socioculturais, genéticos, psicodinâmicos, filosófico-existenciais e ambientais", mas os transtornos mentais, como depressão, bipolaridade e esquizofrenia, são fortes predisposições para o suicídio. A instituição é cla-

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SETEMBRO AMARELO Setembro Amarelo é um movimento internacional de conscientização sobre o suicídio e, principalmente, sobre suas formas de prevenção. O movimento é estimulado mundialmente pela Associação Internacional pela Prevenção do Suicídio. Aqui, no Brasil, um dos principais mobilizadores é o Centro de Valorização da Vida (CVV).

PLANTÃO DE VOLUNTÁRIOS Os voluntários do CVV doam seu tempo para conversar sobre assuntos difíceis com quem não tem conseguido dialogar com as pessoas próximas. Maiores de 18 anos podem se cadastrar pelo site. Após participar de um treinamento gratuito em uma das sedes do CVV, as pessoas podem se tornar plantonistas do Programa de Apoio Emocional do CVV. As principais frentes de atuação do plantonista são o atendimento por telefone, Skype e chat.


ra em dizer que isso não é uma regra – ou seja, nem toda pessoa com depressão irá se suicidar. No entanto, não se pode negar que os transtornos mentais são importantes fatores de risco para o suicídio. Pode-se, no entanto, preveni-lo. Há 16 anos, Adriana Rizzo ouve desabafos em momentos de profunda depressão, de tristeza por motivos de perda familiar, de vazio provocado pelo uso contínuo de drogas, de desilusão. Ela – engenheira agrônoma de formação – é voluntária no CVV há todos esses anos e relata as suas percepções. “Muitas vezes, as pessoas estão deprimidas e não falam. Podem estar envolvidas em tristezas de causas tão sérias que acham que aquele sentimento nunca vai passar. Ao conversar, elas organizam as ideias. Saber que, do outro lado, alguém as ouve de verdade, prestando atenção nos seus sentimentos, contribui para o bem-estar de alguém que está se sentindo sozinho”. Para Talita Bandurka, coordenadora de turno do Colégio Marista Medianeira, em Erechim (RS), o modelo de vida atual, que é composto por jornadas extensas de trabalho e pouco tempo em família, dificulta o acolhimento das dores dos membros da família, em especial dos filhos. “A estrutura familiar, em todas suas configurações, acaba ficando em segundo plano. Nesse contexto, os jovens encontram-se muitas vezes desassistidos e também desacreditados, suplicando, em silêncio, por um olhar sensível e uma escuta atenciosa”. Adriana lembra que conversar não é aconselhar, mas trazer reconforto, para que a pessoa enxergue outras possibilidades para os seus problemas. “Conforme elas vão contando suas histórias, elas veem que são elas próprias que têm a solução para o que estão passando”.

Refinar o olhar é preciso para perceber que a vida vale a pena ser vivida. É o que diz Talita. Ela ainda aponta para a necessidade de se permitir sentir. “É por meio das relações, das experiências e das vivências partilhadas com os outros que nos constituímos seres humanos melhores. Tornamo-nos cada vez mais sensíveis ao mundo através de valores que fomentamos por meio da afetividade. Crescemos e nos desenvolvemos por meio de pequenos e grandiosos desafios, vibramos com conquistas e aprendemos com as perdas. Tudo em nossa vida tem um sentido, uma razão de ser”.

O primeiro passo é reconhecer. Depois, buscar ajuda, porque lidar com isso sozinho é praticamente impossível. Luyen Acosta Aluna do 30 ano EM do Colégio Marista Graças, em Viamão (RS)

“Ele valoriza a vida, mas está sofrendo” Segundo dados da OMS, jovens entre 15 e 29 anos têm sido vítimas da segunda principal causa de morte no mundo: o suicídio. Contrariando o senso comum, tirar a própria vida não é sinônimo de “falta de amor à vida”. A psicóloga Carolina Lisboa, professora do Programa de Pós-Graduação da PUCRS, explica que a desvalorização da vida não pode ser associada ao suicídio. “O indivíduo que comete suicídio está em um processo grande de sofrimento e drástico rompimento com a realidade. Ele não se mata porque não valoriza a vida”. Ela complementa que tirar a própria vida representa, no fim das contas, a busca por um alívio do sofrimento. Entre os adolescentes, outro fator que a psicóloga percebe que pode influenciar em comportamentos suicidas é a necessidade de se sentir pertencente, muito evidente nessa faixa etária. “Na adolescência, é comum eles se agarrarem às culturas de grupo. Desafios que colocam em risco a vida ganham força muito mais pelo engajamento do grupo e pela ideia de pertença do que pela incitação da morte em si”. Na família Griebler isso foi bastante evidente. Ana Griebler, 49 anos, bibliotecária e mãe da estudante Ana Luisa Menezes, do 3o ano EM do Colégio Marista Rosário, em Porto Alegre (RS), conta que sua filha mais nova (irmã de Ana Luisa) começou a ler o livro que deu origem a série televisiva Thirteen Reasons Why, que aborda o suicídio entre os jovens, por influência das amigas. “O grupo começou a instigar e a curiosidade foi atiçada”, relata.

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Capa

“Sem tabus é melhor”

Em defesa do autocuidado, do cuidado com o outro e com o meio, o professor de História Ralph Schibelbein, do Colégio Marista Graças, em Viamão (RS), propôs que seus estudantes pensassem em 13 razões para viver, que se tornou o projeto 13 porquês – Valorizando a vida, coordenado pelo professor. A proposta surgiu para as turmas do 8o ano EF, mas a ideia foi se espalhando e logo as outras turmas também quiseram participar. Dessa forma, a atividade envolveu estudantes do 8o ano EF ao 3o ano EM. “Acredito em uma construção integral do ser humano, trabalho bastante aspectos sociais e emocionais nas aulas. Em um contexto em que o livro e a série Thirteen Reasons Why estavam fazendo sucesso entre eles e que o mundo todo estava falando do jogo ‘baleia azul’, pensei que esses temas não poderiam passar batido na sala de aula. Fui atrás, li, assisti, estudei sobre o assunto e levei para a escola, para refletirmos. O resultado foi muito enriquecedor”, conta Schibelbein. Para Victor Brito, estudante do 9o ano EF e integrante do Grêmio Estudantil do Colégio Marista Graças, a atividade fez perceber que o que faz a vida valer a pena é viver novas experiências, ajudar os outros e divertir-se. “Vale a pena viver porque nós não conhecemos tudo ainda. Se puder dar mais um sorriso perto de quem soma na minha vida, eu com certeza aproveitarei!”. Com a repercussão positiva, todos decidiram expor suas listas de motivos para viver, com o objetivo de fazer com que mais pessoas refletissem sobre as razões de seguir vivendo. “Organizamos uma exposição dos trabalhos, e além de propor um espaço de troca, convidamos os demais colegas, familiares, responsáveis e funcionários a também escreverem em folhas em branco as suas listas de 13 porquês”, conta o professor. Para ele, o que mais o surpreendeu foi a entrega dos estudantes ao projeto. “Houve um cuidado com os trabalhos e retornos emocionantes sobre o quanto essa atividade os havia feito repensar a forma de enxergar a vida”. Além da exposição, os estudantes também expandiram o projeto para além dos muros da escola, levando a atividade para uma escola pública em Viamão (RS). “Nós, do Grêmio Estudantil, fizemos um projeto chamado Semana Amarela, que visava lembrar os estudantes que viver semeando atitudes boas melhora o seu dia e o dia do próximo. Aliado a essa ideia, levamos o projeto 13 porquês – Valorizando a vida para estudantes de uma outra escola. Foi incrível, alguns jovens choraram de emoção, fizemos novas amizades e estivemos todos conectados em um momento de autorreflexão”, salienta Brito.

© Fotos: Acervo do Colégio

A série Thirteen Reasons Why chamou a atenção pelo alto engajamento dos jovens. “Houve uma identificação entre eles e os personagens da série”, explica a psicóloga Carolina. Para a Luyen, a série não instiga ninguém a se matar, mas mostra uma realidade que é própria do universo dos jovens e da qual, talvez, os pais nem se dessem conta, por isso a surpresa. “A série trata com clareza, e de ângulos diferentes, uma situação que sempre esteve presente entre nós, mas que nunca havia sido falada tão abertamente e sem tabus como foi. Por isso, talvez, o espanto das pessoas mais velhas – justamente por não saberem que esse assunto já era tão nosso e tão ‘nós’, e que jamais saberiam se não fosse a repercussão da série”. A psicóloga Carolina esclarece que uma série não pode ser considerada a causa de um suicídio. “Infelizmente, os dados nos mostram que os jovens que têm uma predisposição ao suicídio, ao ver outra pessoa cometendo o ato, podem se sentir, de certa forma, empoderados. A série, nesse caso, seria um gatilho para o ato, e não a causa”. De acordo o CVV, a situação é agravada “quando mais do que uma das condições de risco se combinam, como, por exemplo: depressão e alcoolismo, ou coexistência de depressão, ansiedade e agitação”.

13 RAZÕES PARA VIVER

No Colégio Marista Graças, em Viamão (RS), estudantes do Ensino Fundamental criaram listas com as suas 13 razões para viver.

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COMPORTAMENTO SUICIDA AO LONGO DA VIDA * A cada 100 habitantes

“Tem prevenção” Segundo o CVV, 90% dos casos podem ser prevenidos. Antes de a pessoa cometer o suicídio, ela percorre outras etapas, como: pensar no ato, planejá-lo, tentar executá-lo, e, por fim, efetivamente praticá-lo. Isso quer dizer que é possível intervir. Adriana relata que as pessoas buscam mais ajuda quando se sentem sozinhas, incompreendidas ou não aceitas. Nesses momentos, é importante encontrar pessoas que as acolham.

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PENSAMENTO

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PLANO

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TENTATIVA

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ATENDIMENTO EM PRONTO-SOCORRO

© Foto: Freepik

“Os sinais precisam ser interpretados” A psicóloga Carolina reforça que atitudes que façam menção a não se querer mais viver devem ser interpretadas como um pedido de ajuda. Por vezes, não haverá verbalizações, mas pode haver um mesmo tipo de comportamento incomum prolongado, ou mesmo uma mudança de comportamento. “Quando a pessoa está deprimida há muito tempo, deve ser um sinal de atenção”. A família Griebler conta que quando a filha mais nova estava lendo o livro Thirteen Reasons Why, ela começou a apresentar comportamentos diferentes do habitual, como dar longos abraços na mãe, em tom de despedida, e estar mais triste sem motivo aparente. “Ao perceber isso e com o alerta da nossa filha mais velha sobre o conteúdo do livro, nós tivemos uma conversa com a mais nova e apontamos para ela que aquilo não estava fazendo bem a ela. Mostramos, também, que ela não precisava ler aquele livro só porque as outras amigas o liam. Ela recebeu bem as nossas orientações e pareceu até ter ficado aliviada, como se não precisasse mais se submeter àquela pressão do grupo”.

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Capa

“Menos julgamento e mais compreensão” Perder o emprego. Terminar um relacionamento. Sofrer bullying. Esses são exemplos de situações que podem contribuir para levar alguém a tirar a própria vida. Porém, elas não devem nunca ser analisadas isoladamente. De acordo com a OMS, 75% dos casos de suicídio no mundo ocorrem em países de baixa e média renda, o que nos permite refletir sobre o quanto a baixa qualidade de vida (ou seja, o não acesso ou a falta de acesso a direitos básicos, como alimentação, educação, saúde, segurança e emprego) influencia nessa situação. Considerando que os transtornos mentais são os maiores fatores de risco para o suicídio, em localidades de baixa renda, o tratamento psicológico não é prioridade, uma vez que a sobrevivência da população não está garantida. Diante desse cenário, O CVV também informa sobre como um ato suicida não é movido por uma decisão neutra, livre, e muito menos pode ser considerado um ato heroico. Por isso, antes de emitir julgamentos ou afirmações sobre o caso, é preciso conhecer o contexto e a história de vida das pessoas que já tiraram a própria vida ou pensam em fazê-lo.

“Não é uma questão de ter, mas de se relacionar” Para a coordenadora Talita, “por trás de uma intenção de suicídio está o mais profundo vazio do sentido da vida, da esperança, da fé, bem como a perda da autoestima e a sensação de não ser compreendido”. Ela pontua que a sociedade tem considerado os jovens tão autossuficientes, diante da postura que assumem socialmente, que ignora o fato de que eles precisam de orientação, de serenidade da família e da escola para acolher suas angústias. Luyen fala sobre o quanto o sentido da vida está naquilo que não se pode comprar e também o quanto não tem a ver com dias felizes. “A vida é construída de momentos, pessoas, situações boas e ruins. Estar vivo vale a pena justamente pela mistura que se tem de tudo isso. A gente pode valorizar a vida em si, e não apenas o que é construído nela. A vida é simples e leve. Não é necessário se apegar às coisas superficiais, porque a vida é bem mais do que isso. Ela é a caminhada, o percurso que cada um faz para se tornar algo que ainda nem sabe o que é. Ela se encontra nas pessoas, nos encontros que temos nesse percurso, no que aprendemos com cada uma delas. Ela é o que sonhamos”.

Por trás de uma intenção de suicídio está o mais profundo vazio do sentido da vida, da esperança, da fé, bem como a perda da autoestima e a sensação de não ser compreendido.

© Foto: Freepik

Talita Bandurka Coordenadora de turno do Colégio Marista Medianeira, em Erechim (RS)

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DICAS DE FILMES Há filmes que fazem a gente ficar mais sensível aos detalhes da vida e perceber que existem formas de sobreviver e se adaptar ao caos. Confira as nossas indicações. THE SPECTACULAR NOW Um filme sobre perspectivas e sonhos em contextos emocionalmente frágeis e abalados por problemas familiares. O relacionamento de dois jovens completamente opostos é permeado por diálogos profundos e cenas sensíveis, convidando o telespectador a encontrar o que há de surpreendente em uma vida comum. O LADO BOM DA VIDA Transtornos psicológicos e descontroles emocionais fazem parte dos dois personagens centrais desse filme. Juntos eles tentam compreender a si próprios e o caos em que estão inseridos. A dança será uma aliada nessa trajetória – mesmo os dois não entendendo nada dessa arte –, o que deixa o roteiro mais leve diante da complexidade das crises vividas pelos protagonistas. O VENDEDOR DE SONHOS Um mendigo impede um famoso psicólogo de cometer o suicídio. Como? Conversando. O mendigo mesmo diz que tem e oferece o que o dinheiro não pode comprar. Na amizade que surge entre os dois personagens, as expectativas de alcançar padrões sociais previamente impostos vão sendo deixadas para trás e substituídas por uma consciência que valoriza as pessoas, em especial a família. AS VANTAGENS DE SER INVISÍVEL Após a morte trágica de um amigo, o personagem central, Charlie, tenta se recuperar do trauma. Ao se aproximar de Sam e Patrick, ele percebe que é possível continuar vivendo mesmo em meio a uma crise depressiva e com um passado que mais parece uma prisão. Em cenas emocionantes, o público é confrontado a abrir mão da apatia e a sentir.

© Fotos: Divulgação

AS MELHORES COISAS DO MUNDO O filme narra os conflitos da adolescência pelo olhar de Mano, um rapaz de 15 anos de classe média. Assuntos como bullying, suicídio, a primeira vez, homossexualidade e conflitos familiares estão presentes em todo o roteiro. Com leveza, ele mostra a força que existe nas amizades e a cumplicidade que pode surgir – ou ser resgatada – entre pais e filhos em meio a graves problemas.

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Entrevista

NÓS

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A síria Lucia Loxca, que foi forçada a sair de seu país devido aos conflitos na região, vive no Brasil desde 2013. Contrariando as estatísticas, ela se tornou uma das primeiras refugiadas a concluir um curso superior no país de refúgio Por Michele Bravos

Apenas 1% dos refugiados no mundo consegue chegar ao Ensino Superior, de acordo com dados da Agência da Nações Unidas para Refugiados (Acnur/2015). Entre as mulheres, esse número é ainda menor, devido às limitações culturais e sociais que as rodeiam. Como informam relatórios das Nações Unidas, a educação gera possibilidades para que as pessoas refugiadas sejam autônomas e possam buscar e lutar pelos próprios direitos. A síria Lucia Loxca, de 27 anos, que está no Brasil desde 2013, é um exemplo de alguém que conseguiu contrariar as estatísticas. Ela foi a primeira refugiada a ingressar na Universidade Federal do Paraná (UFPR), que está entre as dez mais conceituadas do Brasil. Neste segundo semestre de 2017, exibe, com orgulho, o diploma de arquiteta e urbanista. Nesta entrevista à revista Em Família, Lucia conta sobre o sonho de ser arquiteta e a longa trajetória que percorreu para concretizá-lo.

© Fotos: Michele Bravos

VENCEMOS a

Atualmente, existem 65,6 milhões de pessoas deslocadas no mundo todo, sendo que 25 milhões são refugiadas. São pessoas que tiveram de sair forçadamente de seus países de origem para preservar suas vidas devido a situações de conflitos armados ou perseguições religiosas, políticas ou ideológicas, por exemplo.


Como você se sente agora que está formada em uma das mais prestigiadas universidades do Brasil, contrariando as estatísticas e as adversidades trazidas pela guerra?

Eu entrei na faculdade no final de 2008 e agora, em 2017, consegui o meu diploma. Minha viagem de quase dez anos chegou ao fim. Por isso, eu estou feliz. A gente não nasceu para, simplesmente, morrer depois. Nasceu para fazer algo importante, marcante. Cada um tem um projeto que deve lutar para realizar. As mulheres refugiadas podem realizar os seus sonhos também, mesmo em meio às dificuldades.

Onde começou a sua jornada na universidade?

Antes de responder a essa pergunta, vou contextualizar a situação da minha família. Meus pais nasceram em Alepo, na Síria. Porém, em um momento de suas vidas, migraram para o Kuwait, para ter melhores condições. E foi lá onde eu nasci. Pelas leis do país, ter nascido lá não interfere na minha nacionalidade. Então, eu nasci no Kuwait, mas sou síria. No Kuwait, as universidades são apenas para os cidadãos natos. Por isso, quando terminei o Ensino Médio, fui para a Síria para tentar ingressar em uma universidade. Lá, no entanto, as pessoas que nasceram no país têm prioridade para ocupar as vagas do Ensino Superior. Ou seja, como eu era uma síria nascida no Kuwait, não tinha muita chance. Mesmo assim, consegui uma vaga na cidade de Latáquia, na região oeste da Síria. Eu não tinha família lá, nem conhecia ninguém. Foi a primeira vez que me deparei sozinha, tendo que conhecer uma nova cidade, descobrir como cuidar da casa. Eu tinha 18 anos quando comecei os meus estudos lá.

Como foi o seu tempo em Latáquia?

Já fazia mais ou menos dois anos que estava lá quando começaram os ataques. Eu me lembro de uma época, no final do ano, em que teria provas e, se não as fizesse, poderia reprovar. Meus pais ficavam me ligando para eu voltar para casa, mas eu não queria correr o risco de perder o ano da faculdade. Fiquei e fiz as provas, mas, logo em seguida, a faculdade fechou por conta dos conflitos. Os caminhos se fecharam. Eu me lembro de vezes em que eram três horas da tarde e já não tinha mais ninguém na rua. Com o tempo, já não era seguro ficar lá. Então, voltei para o Kuwait.

E os estudos?

Era exatamente isso que eu me perguntava: e agora, onde eu vou estudar? Depois de um tempo no Kuwait, decidi voltar para a Síria e tentar uma transferência de vaga para Alepo, que ainda estava tranquila nessa época. Deu certo e terminei o terceiro ano da faculdade lá. Nesse tempo, conheci o Abed, com quem me casei depois. Mas, logo, tudo mudou. A guerra tinha ido comigo. A universidade sofreu um bombardeio e não foi mais possível continuar a estudar lá.

Para onde você foi depois disso?

Resolvi voltar para o Kuwait. Mas, agora, eu tinha o Abed. Ele ficou na Síria e nós ficamos sem nos falar por seis meses, porque não havia eletricidade na Síria. Conseguimos retomar o contato e decidimos nos casar. Eu também queria dar um jeito nos meus estudos. E, em dez dias, organizamos o nosso casamento. Nós casamos em outubro de 2013, na Latáquia, que tinha voltado a ser uma cidade tranquila, ainda que triste por conta das muitas perdas que as famílias de lá sofreram. Uma semana depois do casamento, minha cunhada veio para o Brasil, como refugiada. Um mês depois, viemos eu e o Abed. Em dezembro, vieram os meus sogros.

Por que estudar sempre foi algo tão importante para você?

Dizemos, lá na Síria, que o homem é as costas da casa, porque ele pode suportar grandes cargas, e a mulher é a coluna, que dá sustentação para a casa. Entendo que é a mulher quem ensina os filhos. A mãe precisa ter um conhecimento amplo da vida para transmitir isso para suas crianças. Se ela é formada, isso é um incentivo para as crianças, que tendem a seguir o seu exemplo. Se a coluna está fraca, a casa cai.

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E como você ingressou em uma universidade federal no Brasil?

Eu ainda tinha esse sonho de continuar o curso. Então, comecei a pesquisar onde poderia estudar. Vi uma universidade particular e a UFPR. Na particular, o curso era muito caro. Na UFPR, todos me diziam que estudar lá era um sonho, inclusive para os brasileiros. Foi aí que, pela primeira vez, desisti. Eu não tinha dinheiro e se a universidade pública era um sonho para os brasileiros, imagine para mim. Mas o Abed não deixou as coisas ficarem assim. Ele me falava: “Você vai estudar. Você não vai desistir”.

O que fez você retomar o sonho?

Era uma sexta-feira de dezembro, já perto do Natal. Eu e Abed estávamos andando pela cidade. De repente, ele viu uma placa. Era a placa da UFPR. Ele insistiu para entrarmos e nos informarmos sobre o curso de Arquitetura. Eu resisti, mas cedi. Chegando lá, na última sala do corredor do bloco de Arquitetura, encontramos o coordenador do curso, já arrumando as suas coisas para sair de férias. Eu disse que era refugiada e que queria saber mais informações sobre o curso. Ele olhou para mim e perguntou: “Você gosta de arquitetura?”. Eu respondi: “Eu amo arquitetura. Ser arquiteta é um sonho. Depois de tudo o que eu passei, tudo que quero é estudar”. Ele falou que ia ver tudo e que me ligava quando soubesse de mais informações.

Pelo jeito, ele ligou...

Uma semana depois, ele me ligou e disse: “Lucia, você está aprovada na UFPR”. Eu só falava: “Repete!”. Comecei a gritar. Ele falou que, apesar de nunca terem recebido refugiados, havia uma medida que possibilitava que refugiados dessem continuidade aos seus estudos. Então, ele também me agradeceu, dizendo: “Lucia, você abriu portas para que outros refugiados também possam estudar na Federal”. Sem saber, eu fiz coisas boas para pessoas que eu não conheço e talvez nunca venha a conhecer. Isso foi um milagre na minha vida.

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© Foto: Acervo pessoal

Entrevista

O que passou pela sua cabeça nesses últimos anos, enquanto você estava finalmente terminando o curso?

Eu queria mostrar que era capaz, para a comunidade e para mim mesma. Eu queria mostrar que a guerra não acabou com a gente. Nós a vencemos. A gente é mais forte do que ela. Perdemos a faculdade lá, perdemos amigos, mas podemos continuar em outros lugares, mostrando nossa capacidade de realizar sonhos. Os sonhos estão bem perto de serem realizados, e temos que abrir os olhos para ver isso.

E como isso se refletiu no seu projeto de final de curso?

Um desejo grande que eu tinha era concluir o curso com um projeto significativo. Por isso, resolvi fazer um centro de acolhimento para refugiados em Curitiba. O nome do centro é Jouri Center. Jouri é um tipo de flor famosa na Síria. As pessoas costumavam plantá-la nas casas antigas. As formas da flor compuseram os detalhes das paredes e das janelas. Eu queria fazer algo que lembrasse o cheiro da Síria. No meu projeto, o centro teria quartos para hospedar pessoas, salas técnicas para cursos, salas de aula, pátio para crianças, auditório, entre outros espaços. Eu usei também a flor de lótus para criar um símbolo para o centro. A flor de lótus nasce em meio à água suja. Considerei que essa água suja é a guerra, os sentimentos de dor que os sírios têm carregado. A flor é o que podemos produzir de belo nisso tudo, com música, comida, um projeto de TCC.

E daqui pra frente?

Eu acho difícil eu voltar. Gosto muito daqui. Eu tomei a água daqui. Comi a comida daqui. Eu me sinto brasileira. Ao mesmo tempo, a arquitetura na Síria é histórica e traz uma mistura de muitas gerações. Nossos antepassados construíram edificações lá que duram até hoje. Eu penso que os arquitetos sírios têm um grande trabalho: reconstruir o nosso país. Mostrar para a nova geração a nossa história. Somos filhos da Síria.


EXPEDIENTE COLÉGIO MARISTA PIO XII Av. Nicolau Becker, 182 Novo Hamburgo - RS Fone: 51 3584-8000 pioxii@maristas.org.br DIRETORA Katia Antoniolli VICE-DIRETORA Maria Angela Baldi COMUNICAÇÃO E MARKETING Pamela Rosa JORNALISTA RESPONSÁVEL Tiago Rigo (MTB 13919)

Ponto de vista em movimento

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Daiana Neumann, assistente de tecnologia educacional, fala sobre o uso dos recursos tecnológicos na infância.

Com a palavra

Educação Infantil

Caleidoscópio

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Conheça práticas oferecidas pelo Colégio que promovem o contato com a natureza por meio de atividades ao ar livre.

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Ensino Fundamental

Gente nossa

Ensino Médio

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Direção reforça a importância de família e escola caminharem juntas pela educação das crianças e dos jovens.

EI EF EM

Cobertura dos principais projetos e atividades desenvolvidos no segundo semestre letivo.

Utilizados como recurso de aprendizagem, os jogos desenvolvem habilidades motoras e a expansão do raciocínio.

Elíbio Finkler, professor de Educação Física, conta sobre sua trajetória no Colégio e como surgiu a paixão pelo Handebol.

Saiba como o Colégio pode ajudar o jovem a descobrir seus talentos e projetar seu futuro.

Diz aí

Em foco

Construir conhecimentos

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Estudantes contam sobre o que desperta a empatia neles.

A partir do tema Seu olhar sobre a escola, estudantes registram a própria percepção sobre o cotidiano escolar.

Conheça iniciativas que destacam a formação integral marista.


Com a palavra

Família X Escola:

quem educa?

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Colégio Marista Pio XII

A escola, por sua vez, tem um papel fundamental, pois complementa a ação familiar, porém em escala coletiva. A criança passa a atuar socialmente, tendo que dividir, compartilhar, aceitar a opinião dos outros e reconhecer a importância do professor nesse processo de vivência e convivência em grupo. No espaço escolar – e longe do olhar dos pais –, a criança se desenvolve frente aos conflitos e às dificuldades de viver em sociedade, muitas vezes frustrando-se, visto que a escola é um lugar de diferenças, que, por outro lado, possibilitam que a criança aja e interaja respeitando as ideias e os diversos contextos. Além de oportunizar o conhecimento intelectual, o ambiente escolar também deve promover o conhecimento humanizado, contribuindo para o desenvolvimento de um ser dotado de paixão, sentimentos e valores. A instituição educacional deve, ainda, constituir-se como um espaço que possibilite ao estudante vislumbrar um projeto de vida. Nesse contexto, o Projeto Educativo do Brasil Marista muito contribui com a família, pois tem como enfoque acolher a pluralidade de identidades e de modos de ser da infância e da juventude, num exercício diário de diálogo e presença. Apresenta um estilo educativo próprio embasado em valores sólidos, propondo ao estudante o ofício de fazer e saber fazer, de trabalhar em equipe, e de pensar e agir no e com o

outro, sendo ético e solidário, respeitando as ideias e as diferenças. Por fim, escola e família devem compactuar da mesma linguagem quanto a conceitos, opiniões, princípios e valores – que são fatores primordiais para uma educação de qualidade. E devem caminhar juntas para o desenvolvimento integral do estudante, estabelecendo, assim, um elo de confiança e credibilidade.

É importante entender que a família e a escola têm papéis distintos na construção educacional.

Katia Antoniolli Diretora do Colégio Marista Pio XII

© Foto: Acervo do Colégio

O ato de educar crianças e jovens é uma tarefa partilhada, na qual somos corresponsáveis pelos processos de construção de novos conhecimentos, pelas descobertas e pela constituição de modos respeitosos de tratar o outro e o meio ambiente. É importante entender que a família e a escola têm papéis distintos na construção educacional e que, para que essa construção aconteça de forma qualitativa, as funções de ambas devem acontecer em conjunto, de forma que uma complemente a outra, atendendo sempre às necessidades da criança ou do jovem. A família é a primeira cuidadora, e a educação é uma de suas principais funções. O núcleo familiar é um centro pequeno e restrito de conforto e segurança, em que o respeito e os limites devem ser trabalhados e no qual se constitui a base da estrutura social, originando as relações primárias de parentesco. A vida social que se inicia na família se efetiva através de uma ação perseverante e carinhosa, em que os pais ensinam a assumir comportamentos e atitudes para enfrentar os desafios da vida em sociedade. Nesse sentido, os pais não devem ser nem superprotetores, nem omissos. Devem ser presentes em todos os momentos importantes na educação de seu filho, como participar ativamente da vida escolar, conhecendo a escola, os professores e os colegas, e estando cientes de seu desempenho, de suas atitudes e dos projetos escolares.


O valor do contato

Educação Infantil

© Foto: Acervo do Colégio

com a natureza

Mobiliário possibilita novos olhares sobre os elementos da natureza.

Em outros tempos, crescíamos brincando na vizinhança, nos parques e nas praças. Hoje, essa realidade é cada vez mais reduzida devido à falta de segurança urbana, ao aumento do número de prédios e à escassez de ambientes públicos arborizados. Diante disso, as crianças estão adoecendo mais, consumindo maior quantidade de medicações e perdendo os benefícios para a saúde e o bem-estar emocional que o contato com a natureza propicia ao desenvolvimento humano. Frente a esse cenário, é crucial que a escola contemple o direito da criança de se movimentar e vivenciar aprendizagens em espaços ao ar livre, ampliando o contato com o sol, o vento, as árvores, isto é, com a natureza. Tais experiências ajudam a potencializar a imaginação, a observação e a criatividade, bem como auxiliam nos vínculos sociais e nas relações de cuidado consigo mesmo e com o outro. Também contribuem para melhorar a expressão corporal e a atividade motora, inclusive a coordenação

e o equilíbrio, além de aliviar o estresse e a ansiedade.

APRENDER E PRESERVAR No Marista Pio XII, as práticas pedagógicas contemplam propostas inseridas no dia a dia dos estudantes que promovem ações, reflexões, atitudes em relação ao contato e à preservação da natureza. "Na infância, tudo é deslumbramento, há sempre olhares curiosos e cheios de perguntas. Existe tempo para parar e observar o trajeto de uma formiga, correr atrás de borboletas, ou encantar-se pelo desabrochar de uma flor. O olhar atento e sensível do professor torna-se aliado para fomentar essas descobertas e interações, promovendo, também, a busca pela consciência ecológica", comenta a professora do nível 1, Cristiane Maia. Ações como o plantio e os cuidados com a horta suspensa, brincadeiras no Pátio, no espaço coletivo da cozinha, e também nas salas de aula priorizam esse resgate de vivências com os elementos da natureza. Nas mesas de luz, tanques e mesas de espelho, detalhes desses elementos podem ser

observados, ampliando ainda mais o repertório dos estudantes e fazendo com que sejam protagonistas de seus processos de aprendizagem e de construção do conhecimento. “O mundo que nos rodeia tem cor, texturas, cheiros, e produz muitos sons diferentes. E a natureza nos presenteia diariamente com esses espetáculos que aguçam e despertam os nossos sentidos. Promover ações que resgatam esses valores de vida simples, de mãos e pés na terra, das brincadeiras com folhas, flores, sementes e pedras, tornam-se essenciais nos dias de hoje”, destaca Cristiane. Todo esse trabalho é fundamentado nas Diretrizes da Educação Infantil Marista, documento norteador da ação pedagógica desse segmento de ensino o qual tem como base a formação integral que o jeito marista de educar promove diariamente. Assim, a criança aprende a vivenciar a natureza e, ao mesmo tempo, a respeitá-la, despertando sua consciência acerca da importância de cuidar do meio ambiente para viver em harmonia e com qualidade de vida.

Colégio Marista Pio XII

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Caleidoscópio EI

Ampliando as possibilidades expressivas, busca-se estimular o processo de construção da linguagem gráfica.

2017

Diferentes possibilidades de significar a construção da linguagem escrita são vivenciadas na Educação Infantil.

© Fotos: Acervo do Colégio

LUDICIDADE

BATE-PAPO

A proposta de estimular o uso da linguagem plástica e corporal auxilia no desenvolvimento da expressão dos sentimentos.

No projeto Autor Presente, após conhecerem as histórias do livros Ki-Som-Será? e No Mundo do Faz de Conta, os estudantes receberam a visita do autor das obras, Fê – que assina assim mesmo, como o seu apelido.

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Colégio Marista Pio XII


Na Semana Mundial do Brincar, as crianças resgataram brincadeiras, no espaço da rua, utilizando pé-de-lata, barangandão, peteca, entre outros brinquedos.

A vivência da espiritualidade e dos valores maristas fazem parte dos momentos de reflexão e partilha realizados na Capela do Colégio.

VIVÊNCIA

DIVERSÃO

As famílias dos estudantes são convidadas a se movimentar e curtir uma aula de Psicomotricidade na companhia de seus filhos.

A Mostra da Educação Infantil e do 1o ano EF é um momento de compartilhar com as famílias as aprendizagens e vivências dos estudantes.

Colégio Marista Pio XII

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© Foto: Acervo do Colégio

Ponto de vista

Tecnologias auxiliam na construção de novos conhecimentos.

Tecnologia na infância: Por Daiana Neumann, assistente de tecnologias educacionais

inimiga ou ALIADA?

A infância possui diferentes estágios de desenvolvimento, e a realidade de cada criança é diferente, mas o fato é que o desenvolvimento cognitivo, que perpassa toda a nossa vida, exige que sejamos estimulados de diferentes maneiras. Isso ocorre para que possamos nos tornar aptos a pensar e a tomar atitudes sensatas frente às situações vividas em nosso dia a dia. Precisamos nos questionar o quanto as atividades realizadas por meio de equipamentos eletrônicos estão em consonância com esse objetivo. As telas coloridas e interativas exercem um forte magnetismo sobre as crianças, e são poucas as que não caem nos encantos dos jogos e vídeos. Há um universo inteiro de atividades e jogos na internet; portanto, a seleção do que será utilizado deve passar pelo olhar de um responsável, para que a criança não se exponha. As atividades direcionadas, com monitoramento e limite de horário, são muito bem-vindas, pois mostram à criança que existe uma preocupação com o que ela está fa-

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Colégio Marista Pio XII

zendo. Melhor ainda, se possível, é realizar essas atividades com elas, auxiliando, questionando e participando da brincadeira. O contato com dispositivos eletrônicos não precisa ser diário, pois quando a criança não os utiliza, ela tem a oportunidade de descobrir novas formas de se divertir. E, como bônus, desenvolve-se em aspectos que não seriam possíveis através de uma tela. Ofereça outras opções de entretenimento, como livros, quebra-cabeças, revistas de atividades, ou mesmo um quadro com canetas coloridas para desenhar ou escrever livremente. Outra atividade que fascina crianças de todas as idades e pode ser realizada sem contraindicação é a construção com blocos Lego. Desde um ano e meio de idade, a criança já pode criar as mais diferentes estruturas e brincar da forma que sua imaginação mandar. No Marista Pio XII, há 13 anos essa ferramenta já faz parte do cotidiano nas aulas de Robótica e de Educação Tecnológica de todos os estudantes da Educação Infantil e do

Ensino Fundamental devido ao seu potencial criativo e inovador – além de estimular o trabalho em equipe e a cooperação entre grupos. Com o Lego, é possível, ainda, aprender desde conceitos tecnológicos básicos até técnicas avançadas de programação de modo prazeroso e divertido. O ensino de programação pode começar aos três anos de idade, pois há plataformas virtuais que permitem que você aprenda a programar mesmo que ainda não saiba ler. Essa aprendizagem estimula o pensamento encadeado, o raciocínio lógico e ainda incentiva o aprendizado de outras áreas do conhecimento, como Matemática, Física e Língua Inglesa. Algumas opções de site que sugiro são: Hour of Code, Desafio do Código e Kodable. Para as crianças, a tecnologia deve ser um meio, e não um fim. Ela pode auxiliar nos estudos e até nos momentos de lazer, mas seu papel deve ser de coadjuvante, para que os protagonistas sejam sempre a criança e sua família.


Ensino Fundamental

Aprender por meio dos jogos Tendo em vista a necessidade de despertar o interesse dos estudantes para a aprendizagem, de forma atrativa e divertida, é preciso diversificar as formas de construir conhecimentos. Nesse sentido, diversas possibilidades são encontradas ao incorporar o uso de jogos em sala de aula, empregando-os como recurso didático. Para intensificar essa prática, no entanto, é essencial a mediação dos educadores, contemplando um planejamento prévio das aprendizagens a serem incentivadas. Quando trabalhada de forma contextualizada e com intencionalidade pedagógica, a utilização de jogos variados pode facilitar o desenvolvimento da leitura e da escrita, bem como a expansão do raciocínio lógico-matemático. Há, também, os que favorecem a coordenação motora e a agilidade, abrangendo atividades físicas e recreativas. Ainda entre os benefícios proporcionados estão a interação, a atuação em equipe e a participação ativa, promovendo momentos em que as crianças e os adolescentes questionam, argumentam, enfrentam desafios, estabelecem conexões e tomam decisões.

ESTRATÉGIAS NA PRÁTICA A inserção dos jogos nas atividades pedagógicas do Marista Pio XII produzem e articulam significados e novas formas de conhecimento. Os estudantes do 4o ano EF contam, por exemplo, com uma plataforma digital que auxilia no ensino da Matemática, a Matific. Essa proposta tem por objetivo aprofundar e revisar os estudos, potencializando o processo de ensino-aprendizagem. O aplicativo dispõe de minijogos interativos e atividades práticas, que podem ser utilizadas tanto na escola quanto em casa. Nas aulas de Língua Portuguesa, os estudantes do 6o ano EF desenvolveram jogos de tabuleiro baseados em uma das mais importantes obras da literatura mundial: As Aventuras de Tom Sawyer, do escritor americano Mark Twain. O planejamento do jogo teve início após os estudos sobre a estrutura do gênero de aventura e discussões literárias e sócio-históricas, tendo como desafio a criação de um jogo de tabuleiro repleto de aventuras e perguntas sobre o enredo e os personagens do livro. Segundo Caroline Soares, professora de Língua Portuguesa

© Foto: Acervo do Colégio

Estudantes criam jogos de tabuleiro baseados em obra literária.

do 6o ano EF, o jogo permite momentos de aprendizagem e diversão, colocando os estudantes como protagonistas desde o planejamento até a execução da atividade, pois são eles os responsáveis pelo layout do tabuleiro. Nele, são aplicadas as habilidades com a linguagem não verbal, utilizando cores e ilustrações que dialoguem com a narrativa. Além disso, eles se colocam como autores de desafios alinhados à aventura lida e discutida em sala, e também são estimulados a criar regras compatíveis com a situação. “O livro que deu origem à atividade é uma adaptação em quadrinhos, o que proporcionou maior identificação da turma com a narrativa, mas foi o desenvolvimento do jogo que permitiu o questionamento e o diálogo sobre o conteúdo de diversos trechos e a construção dos personagens. “Isso mostra que a leitura dos clássicos pode ser muito rica, desde que contextualizada aos interesses e ao mundo de seus leitores”, aponta. Desse modo, compreende-se a importância dos jogos como recurso pedagógico, tornando as aprendizagens ainda mais significativas.

Colégio Marista Pio XII

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Caleidoscópio EF Os estudantes do 6o ao 8o ano EF, que participam da atividade extraclasse de Robótica Lego, mostraram os seus conhecimentos na área durante o Torneio de Robótica Lego.

NA PRÁTICA

© Fotos: Acervo do Colégio

2017

Para qualificar os trabalhos da 10a PioTeC – Mostra de Projetos de Tecnologias e Ciências, os estudantes apresentaram suas pesquisas para os colegas e avaliadores em uma pré-banca.

O protagonismo dos estudantes é incentivado em ações pedagógicas, como a preparação de uma Hora do Conto para os colegas.

Com os recursos do Lego Zoom, os estudantes do 6o ano EF construíram uma estação meteorológica para verificar a intensidade do vento e da luz no pátio do Colégio.

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Colégio Marista Pio XII


Em julho, 18 estudantes do 9o ano EF embarcaram para uma viagem multicultural. Eles participaram do Intercâmbio Marista: Novas culturas, novos saberes, no Canadá.

A cada semestre, a Festa da Família reúne a comunidade escolar para momentos de integração, diversão e espiritualidade.

INTEGRAÇÃO

CELEBRAÇÃO

VIVÊNCIA

Para celebrar o Bicentenário Marista, os estudantes do Mais Pio XII fizeram montagens com peças de Lego para contar a história de Champagnat e do Instituto Marista.

Nas Saídas de Estudos, os alunos têm a oportunidade de vivenciar e aprofundar os conhecimentos do que é aprendido em sala de aula.

Colégio Marista Pio XII

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Gente nossa Desde a década de 70, Elíbio acompanha as equipes de Handebol.

Uma história de amor ao Handebol Cheguei no Colégio Marista Pio XII no início de 1971 como Irmão Marista. Fui muito bem recebido pelo então diretor, o Irmão Albino Trevisan, e pelos demais Irmãos. Nos primeiros anos, eu lecionava as matérias do currículo normal em sala de aula. Foi na segunda metade da década de 1970 que decidi cursar Educação Física na Universidade Feevale. A partir de 1979, passei a atuar só como professor de Educação Física. É interessante salientar que, naquela época, muitas vezes o professor regente de sala também administrava as aulas e a Educação Física, que era o meu caso. No início dos anos 1970, era o professor Élio Becker que trabalhava com a Educação Física no Marista Pio XII. Observei que, às vezes, ele praticava com os alunos um esporte que eu não conhecia. Era o tal do Handebol. Como gostei muito do esporte, comecei a ensiná-lo aos meus alunos também. Logo, organizei e formei equipes dessa modalidade esportiva. Já em 1975, a equipe feminina sagrou-se campeã do Campeonato Gaúcho de Handebol. Desde então, o Colégio manteve a tradição da modalidade, conquistando inúmeros títulos nos diversos campeonatos e torneios de que participou.

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É muito gratificante e prazeroso lembrar que tantos jovens passaram por nós – e ainda continuam passando. Posso afirmar com toda a certeza que é uma grande benção de Deus estar no Colégio Marista Pio XII há 46 anos, sempre visando influenciar os jovens a fazerem o bem, serem solidários e unidos. Nesse tempo todo no Colégio, só colhi amizades e bons frutos junto a diversas direções, colegas e funcionários. Sinto-me feliz e honrado de poder fazer parte de uma instituição tão prestigiada e grandiosa como a Congregação dos Irmãos Maristas!

Posso afirmar com toda a certeza que é uma grande benção de Deus estar no Colégio Marista Pio XII há 46 anos, sempre visando influenciar os jovens a fazerem o bem, serem solidários e unidos.

Colégio Marista Pio XII

© Fotos: Acervo do Colégio

Por Elíbio Finkler, professor de Educação Física


Meu projeto de vida

O que vou ser quando crescer? Na infância, é comum pensarmos na resposta para essa pergunta já imaginando nossa profissão no futuro. Com o passar do tempo, a escolha profissional vem acompanhada da pressão sobre qual o curso a ser assinalado na inscrição para o vestibular. Porém, a busca pelo que queremos ser não se restringe apenas ao mercado de trabalho. Na verdade, a escrita da nossa história perpassa todos os aprendizados e experiências diárias, envolvendo escolhas pessoais, familiares e, também, profissionais. Sob a perspectiva da proposta pedagógica marista, a construção do projeto de vida significa um processo contínuo que abrange sonhar, planejar e viver em um movimento dinâmico de construção e reconstrução de si mesmo, de estabelecimento de metas e revisão constante de objetivos. Não se trata de traçar um plano com início, meio e fim, mas, sim, uma trajetória que pode ser repensada enquanto é percorrida, incluindo mudanças e novos horizontes que dão sentido à vida.

AUTONOMIA E COMPROMETIMENTO Considerando que, na adolescência e na juventude, os anseios e os questionamentos sobre o futuro são ampliados, é fundamental que a escola contribua para o autoconhecimento e o desenvolvimento integral dos jovens, atuando em parceria com as famílias. No Marista Pio XII, o incentivo à construção do projeto de vida engloba en-

contros de formação, retiros e acompanhamento dos estudantes junto à Pastoral Juvenil Marista (PJM). Esses encontros possibilitam vivências em grupo, atividades de voluntariado, aulas de Ensino Religioso, atividades na área das Ciências Humanas, mediações e orientações, acompanhamento do projeto Hábitos de Estudo, e formação e preparação para a liderança. Os estudantes concluintes do 3o ano EM também participam de atividades especiais, como a construção da cápsula do tempo, que, após sete anos, será aberta pelos estudantes. Segundo a coordenadora de Pastoral Escolar, Claudia Raquel Büttenbender, o projeto de vida desperta no estudante a autonomia de projetar o seu futuro, com comprometimento e liderança. "A formação integral, motivada na escola e complementada pela família, auxilia em seu discernimento de ações para toda a vida. Essas ações, por meio de valores, atitudes e mudanças de hábitos, fazem refletir sobre a própria vida, visando ao amadurecimento e à aprendizagem pessoal", completa. “Fazer meu projeto de vida foi um grande desafio, pois escrever sobre meu futuro fez com que eu refletisse sobre a minha vida pessoal, sobre qual é o verdadeiro propósito da minha vida, e o que quero para o meu futuro – ou seja: de que forma meu presente está contribuindo para que eu realize meus sonhos futuros”, revela a participante da PJM Nicoly Reginatto.

Colégio Marista Pio XII

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© Foto: Acervo do Colégio

Ensino Médio

Iniciativas incentivam os jovens a planejarem o seu futuro.


Caleidoscópio EM

Durante a Semana Cultural, o Gepio ofereceu para os estudantes do 8o ano EF ao Ensino Médio oficinas culturais, entre elas dança aérea, libras, capoeira e customização de roupas.

2017

Os estudantes participaram da Semana Enem, momento intenso de preparação para o futuro profissional, que contempla palestras, debates sobre temas atuais e simulados.

© Fotos: Acervo do Colégio

FORMAÇÃO

INTEGRAÇÃO

O Encontro de Líderes, preparado pelo Grêmio Estudantil (Gepio) e pela Pastoral Juvenil Marista (PJM), reuniu os representantes de turma e integrantes da PJM para falar sobre liderança e protagonismo.

Os Jogos de Integração, organizados pelo Grêmio Estudantil, buscam incentivar momentos esportivos e de competição saudável.

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Colégio Marista Pio XII


Os projetos de Iniciação Científica desenvolvidos pelos estudantes do 5o ano EF ao Ensino Médio foram apresentados na 10a PioTeC, no Ginásio da escola.

Estudantes do Ensino Médio participaram do Intercâmbio Cultural Marista Brasil e Chile. Na cidade de Rancagua, eles praticaram a língua espanhola e adquiriram novas experiências.

VIVÊNCIA

ACONTECEU

REENCONTRO

Os pais conselheiros participaram de uma atividade para auxiliar o Colégio com ideias para a nova proposta de Ensino Médio. Sete anos após a formatura, os estudantes concluintes de 2010 se reuniram para abrir sua cápsula do tempo e reviver as lembranças da escola.

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Pelo que você tem

empatia?

No dia a dia, ouvimos muitos discursos sobre a importância de se colocar no lugar do outro e sermos mais humanos. Na prática, porém, nem sempre conseguimos ser empáticos nas situações do cotidiano com as pessoas à nossa volta. Convidamos, então, os estudantes a falarem sobre o que desperta a empatia neles. © Fotos: Acervo do Colégio

Diz aí

MARIA EDUARDA R. ESCOSTEGUY 9o ano EF

GABRIELE BECKER DEWES 9o ano EF

BRENDA CORREA RAUCH 9o ano EF

“Parte de ter empatia é não selecionar por quem sentiremos afeição; é somente olhar alguém e sentir sua dor, simplesmente pelo amor de ver a felicidade no mundo. Empatia é saber ver a dor dos outros e procurar ajudá-los, muitas vezes sem saber sua história.”

“Parte do significado da palavra ‘empatia’ é enxergar todos os indivíduos como partes essenciais que integram o meio onde vivemos, tendo a consciência de que somos todos iguais e dignos dos mesmos direitos e oportunidades. Nossa empatia não deve ser seletiva, e, sim, se estender a todos os momentos e entender que nossas ações formam uma corrente que não se quebra, pois atitudes positivas inspiram outras atitudes positivas.”

“Ser empático é ver o mundo com os olhos do outro, e não ver o nosso mundo refletindo nos olhos dele. Tenho empatia por todas as pessoas que fazem o bem, por todos aqueles que se importam com os outros. Às vezes, colocar-se no lugar de outra pessoa é necessário para a vida.”

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1... 2... click!

Em foco

A partir do tema Seu olhar sobre a escola, estudantes registraram, por meio da fotografia, a própria percepção sobre o cotidiano escolar

“Gosto de fazer massinha de modelar caseira. Dá para brincar e, se eu colocar na boca, não tem problema, porque vai apenas sal, óleo, farinha e corante.”

“Depois de ouvir a história do Bebeleu e as Cores, a gente pintou com várias tintas e descobriu que podem virar novas cores.”

HANS GUEDES CALSING nível 2

JOAQUIM DAVI LAZARROTTO nível 2

“Gosto de ter aula no Pátio porque a gente trabalha em equipe, aprende mais, e o ambiente é legal.”

OTAVIO AUGUSTO DA SILVA 3o ano EF

“Eu adoro a Biblioteca porque ler é muito importante para aprender coisas novas e desenvolver a escrita.”

ISABELE MARTEN KUPLICH 4o ano EF

“A Brinquedoteca é legal. Gosto de brincar de construtor com os meus amigos aqui.”

RAFAEL DEBESAITIS DORA nível 1

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Construir conhecimentos

Fique pordentro

Conheça iniciativas que destacam a formação integral marista

ESPORTE Os estudantes do 6o ano EF ao 3o ano EM praticaram o Basquete sob uma nova perspectiva: em cadeira de rodas. O esporte paralímpico foi uma das modalidades esportivas oferecidas no Festival Esportivo Marista Pio XII, evento que busca promover momentos de vivências coletivas e um novo olhar sobre diferentes esportes.

LAR PARA IDOSOS

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DOAÇÕES A Gincana Champagnat, atividade realizada para celebrar o aniversário de São Marcelino Champagnat, também é um momento de solidariedade. Em uma das tarefas, os estudantes arrecadaram cerca de 300 kg de tampinhas de garrafas PET e 7 mil pacotes de gelatinas. O material foi repassado para as entidades sociais Liga Feminina de Combate ao Câncer e Associação de Assistência em Oncopediatria (AMO Criança).

© Fotos: Acervo do Colégio

Os estudantes do 2o ano EF levaram alegria e diversão ao Lar São Vicente de Paula. Nas visitas, eles leram histórias, brincaram e cantaram para os idosos. A iniciativa surgiu após a leitura do livro A Caligrafia da Dona Sofia, de Andre Neves. A obra, que conta a história de uma avó que lê poemas para as pessoas, inspirou os estudantes a lerem para os idosos.


NÃO BASTA SONHAR COM UM FUTURO MELHOR, É PRECISO CONSTRUÍ-LO. E, PARA ISSO, ALÉM DE EDUCAR BEM, NÓS EDUCAMOS PARA O BEM. ESSE É O NOSSO COMPROMISSO. É O QUE FAZ A DIFERENÇA.


Olhar

Atitudes que mudam a

© Imagem: Julyana Werneck

caminhada

Bullying e discriminação estão na base da ideação suicida. Prevenir práticas discriminatórias é uma atitude pró-vida Por Angelo Brandelli *

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O suicídio é um fenômeno complexo. Dificilmente pode ser atribuído a uma única causa; no entanto, experiências de violência e discriminação relacionadas à orientação sexual, gênero, deficiência, raça/cor/etnia e status socioeconômico podem atuar como fator de risco [1]. É essa experiência de discriminação no contexto escolar – que, às vezes, ocorre na forma de bullying, por exemplo – que pode levar a uma maior evasão, o estresse, a ansiedade, a depressão e a ideação suicida por parte de jovens [2]. Outros fatores que podem impactar a vulnerabilidade para o suicídio são problemas nas relações familiares; traumas, tal como abuso físico e sexual; uso abusivo de álcool e de outras substâncias viciantes; baixa autoestima e desesperança [3]. É por essa razão que a atenção à saúde mental a essa faixa etária é fundamental. Familiares, professores e profissionais de saúde devem estar atentos para a necessidade de acolhimento dos jovens que estão em posição de maior vulnerabilidade. São fatores de risco falar sobre o fim da vida; situações de perda recente – seja por morte, divórcio ou separação –; término de relacionamento; perda de interesse em amigos, passatempos ou atividades anteriormente apreciadas; mudança súbita na personalidade e no comportamento; mudança nos padrões de sono e nos hábitos alimentares; medo de perder o controle agindo de forma errática, prejudicando a si próprio ou aos outros; baixa autoestima (sentimentos de inutilidade, vergonha, culpa); falta de esperança no futuro (acreditar que as coisas nunca melhorarão, ou que nada mudará) [4].


FONTES

Familiares, professores e profissionais de saúde devem estar atentos para a necessidade de acolhimento dos jovens que estão em posição de maior vulnerabilidade.

[1] Costa, A. B.; Pasley, A.; de Lara Machado, W.; Alvarado, E.; Dutra-Thomé, L., & Koller, S. H. (2017). The experience of sexual stigma and the increased risk of attempted suicide in young Brazilian people from low socioeconomic group. Frontiers in psychology, 8. Disponível em: https://goo.gl/tdbSwC [2] Van Geel, M., Vedder, P., & Tanilon, J. (2014). Relationship between peer victimization, cyberbullying, and suicide in children and adolescents: a meta-analysis. JAMA pediatrics, 168(5), 435-442. Disponível em: https://goo.gl/KczH2R [3] World Health Organization. Disponível em: https://goo.gl/oKzXYu [4] Gould, M. S., Greenberg, T. E. D., Velting, D. M., & Shaffer, D. (2003). Youth suicide risk and preventive interventions: a review of the past 10 years. Journal of the American Academy of Child & Adolescent Psychiatry, 42(4), 386-405. [5] Organização Mundial da Saúde, OMS (2000). Prevenção do suicídio: um manual para profissionais da mídia. Disponível em: https://goo.gl/k7XH8d

O encaminhamento para redes de atenção psicossocial e profissionais de saúde mental, tanto no âmbito público quanto privado, deve ser considerado sempre que necessário. Gestores de políticas públicas, instituições de saúde e de ensino também devem fomentar campanhas e ações na direção da prevenção, identificação e tratamento dessas situações. A Organização Mundial da Saúde (OMS) possui um guia para profissionais no qual pede cautela no tratamento de casos de suicídio de forma a evitar situações de vulnerabilidade [5]. A recomendação da OMS vai ao encontro de evidências na literatura científica que identificaram que a espetacularização de casos de suicídio pode levar a um aumento dessa ocorrência [6]. No contexto das mídias sociais, em que cada um de nós se torna produtor de conteúdo, tais recomendações se tornam ainda mais importantes. Segundo a OMS, a sociedade deve estar atenta para: não publicar fotografias explícitas ou cartas suicidas; não informar detalhes específicos do método utilizado; não fornecer explicações simplistas; não glorificar o suicídio ou fazer sensacionalismo sobre o caso; e não atribuir culpas. A recente polêmica sobre casos de suicídio entre jovens evidencia a necessidade de abordar o tema de forma séria, apropriada e comprometida, levando em conta as especificidades dos diversos contextos sociais, especialmente nos ambientes familiar e escolar, que apresentam tantas diferenças.

© Foto: Divulgação

[6] Stack, S. (2003). Media coverage as a risk factor in suicide. Journal of epidemiology and community health, 57(4), 238-240 Disponível em: https://goo.gl/JctHBY

Angelo Brandelli Psicólogo e professor do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da PUCRS. Em cada edição, um especialista é convidado para partilhar sua visão sobre um determinado assunto.

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Curiosidade

Qualidade de vida:

O conceito de “qualidade de vida” pode ser cultural, mas, internacionalmente, ele diz respeito à expectativa de vida de uma população, à escolaridade, à renda anual, entre outros fatores. Ou seja, ter qualidade de vida é ter acesso aos seus direitos, sem barreiras.

um compilado de direitos

Por Michele Bravos

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POSIÇÃO

Chile Argentina

38 45

ALTO DESENVOLVIMENTO Uruguai Venezuela Brasil Peru Equador Colômbia Suriname Paraguai Bolívia

54 71 79 87 89 95 97 110 118

MÉDIO DESENVOLVIMENTO Guiana

82

77,4

76,5

76,1

74,8

74,7

74,4

74,2

73

71,3

68,7

66,5

EQUADOR

PERU

BRASIL

VENEZUELA

COLÔMBIA

PARAGUAI

SURINAME

BOLÍVIA

GUIANA

127

ARGENTINA

* Dados sobre expectativa de vida em anos.

ALTÍSSIMO DESENVOLVIMENTO

URUGUAI

Quem vive mais na América do Sul?

A América do Sul e o IDH

CHILE

Ao analisar as desigualdades sociais apresentadas pelos gráficos do Índice de Desenvolvimento O Índice de Humano, é preciso expandir a leitura dos números Desenvolvimento e considerar a cultura local, o histórico e o contexHumano (IDH), criado to de cada região. Como afirma o doutor em Sociopelo economista logia André Salata, professor do curso de Ciências paquistanês Sociais da PUCRS, a crise política de um país inMahbub ul Haq com terfere diretamente nesse índice, por exemplo. “A a colaboração do indiano Amartya ansiedade provocada pela falta de previsibilidade Sen, ganhador do no comando do país ou a desconfiança em relação Prêmio Nobel de às instituições democráticas e, como consequênEconomia de 1998, cia, no futuro da nação também causam impactos é uma importante na qualidade de vida, acarretando, além disso, na métrica para se avaliar continuidade da crise econômica”, explica. o progresso de um No caso do Brasil, a recente crise política contripaís, pois considera buiu para a estagnação do IDH do País, que vinha dimensões além da econômica – como em crescente ascensão desde 1990. “O que pesou educação e saúde. foi a queda da renda per capita, que fez o índice final interromper a trajetória de elevação”, diz Salata. Para o professor, qualidade de vida e possibilidade de consumo caminham juntas – resguardados os excessos. “O problema seria limitar a qualidade de vida ao consumo, o que restringiria o papel dos direitos. Porém, ter acesso a uma moradia digna, por exemplo, assim como a outros bens de consumo básicos, parece-me imprescindível para se ter qualidade de vida”. Ter qualidade de vida, portanto, é não ter o acesso aos direitos individuais limitado por questões socioeconômicas ou culturais, como diz o jurista Paulo Afonso Linhares, autor do livro Direitos Fundamentais e Qualidade de Vida. Para ele, ter qualidade de vida é ter poder escolha.


QUESTÕES DE GÊNERO

Noruega

(1o)

ASCENSÃO DO IDH DE 1990 A 2015 EXPECTATIVA DE VIDA 81,7 anos

República Centro-Africana

(188o)

IDH OSCILANTE DE 1990 A 2015 [Sendo o melhor índice em 2012] EXPECTATIVA DE VIDA 51,5 anos

ANOS NA ESCOLA 17,7 anos

A Suazilândia, país localizado no continente Africano, possui uma expectativa de vida ainda menor, de 48,9 anos.

Na Austrália, essa taxa é ainda maior. Há uma expectativa de que um indivíduo nascido lá permaneça em contato com instituições de ensino por 20 anos.

RENDA PER CAPITA ANUAL US$ 67.614

ANOS NA ESCOLA 7,1 anos RENDA PER CAPITA ANUAL US$ 587

A Noruega leva títulos como o de país mais feliz do mundo (de acordo com uma pesquisa de 2017 da ONU). Ela se tornou independente da Suécia em 1905 e mantém até hoje um regime de monarquia constitucional. Recentemente, o fundo soberano norueguês, o maior fundo de investimentos do mundo, chegou à marca de US$ 1,3 trilhões, o que significa aproximadamente US$ 189 mil para cada um dos 5,3 milhões de habitantes do país.

(79o)

ASCENSÃO DO IDH DE 1990 A 2014 EXPECTATIVA DE VIDA 74,7 anos

5

NORUEGA

44

BRASIL

882

REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA

GRAVIDEZ NA ADOLESCÊNCIA (nascidos para cada mil mulheres entre 15 - 19 anos)

As taxas mais altas da América do Sul:

BRASIL

14,3

14

13,8

13,6

13,4

12,7

12,3

10,3

GUIANA

URUGUAI

GUIANA

PARAGUAI

CHILE

VENEZUELA

88

SURINAME

15,2

79,4

PERU

15,5

EQUADOR

COLÔMBIA

16,3

BOLÍVIA

75,9

BOLÍVIA

17,3

ARGENTINA

A renda aumentou, mas em todas as classes, por isso a desigualdade social se mantém.

70,8

EQUADOR

RENDA PER CAPITA ANUAL US$ 14.145

*Média de anos de frequência na escola

(a cada 10 mil nascidos)

Pré-eclâmpsia é a segunda causa de morte na gravidez devido à falta de acesso a um acompanhamento especializado da gestante. Esse cenário tem mudado desde 1990, com uma redução de 45% das taxas. Mas, enquanto houver mortes por esse motivo, ainda é preciso melhorar. Uma iniciativa responsável é o aplicativo Phone Oximeter, que possibilita medir os níveis de oxigênio por meio de um sensor em um smartphone. A plataforma tem ajudado mulheres a se cuidarem mais no período da gravidez.

ANOS NA ESCOLA 15,2 anos

E quem estuda mais?

GRAVIDEZ OU PARTO COMO CAUSA DE MORTE

VENEZUELA

Brasil

A República Centro-Africana se tornou independente da França em 1960 e possui um governo presidencialista, porém nada democrático. Já passou por períodos autocráticos e alguns golpes de Estado e, desde 2004, vive uma guerra civil, marcada pela perseguição religiosa – de conflito entre muçulmanos e cristãos. É provável que tropas brasileiras sejam enviadas para lá para compor as missões de paz da ONU até o fim de 2017.

De acordo com o Relatório de Desenvolvimento Humano 2016, do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), igualdade de gênero é o principal assunto a ser discutido, atualmente, em um cenário que visa ao desenvolvimento humano. O relatório ainda destaca a importância do recorte de gênero para que as particularidades de cada grupo não sejam ignoradas. No caso das mulheres, o documento afirma que a visibilidade de meninas e mulheres tem benefícios multidimensionais. Considerando os dados, o parecer traz a seguinte afirmação: “se toda menina de um país em desenvolvimento completasse o Ensino Fundamental, a taxa de mortalidade abaixo de cinco anos poderia ser reduzida pela metade”.

Fonte da matéria: Relatório de Desenvolvimento Humano [Organização das Nações Unidas]

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Solidariedade

Investindo tempo para promover dignidade

Atitudes concretas de amor e justiça social vêm conduzindo os 20 anos de trabalho dos Irmãos Maristas em região de extrema desigualdade Por Michele Bravos

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Por entender que “a educação é uma porta para novos horizontes”, como diz o Ir. Diego Lunkes, é que ele e as gerações anteriores de Irmãos Maristas têm investido tempo na Ilha Grande dos Marinheiros, situada no Arquipélago do Delta do Jacuí. Desde o início dessa história, já se passaram 20 anos… Fisicamente, a presença marista está concretizada em três unidades: na Escola Marista de Educação Infantil Tia Jussara, na Escola Marista de Educação Infantil Aparecida das Águas e no Centro Social Marista Aparecida das Águas. Essas unidades são consideradas espaços de humanização em um contexto de bastante brutalidade. “Acredito que a presença marista aqui promove uma amenização da violência”, afirma Ir. Diego. De forma mais subjetiva, a presença marista simboliza afeto e paternidade. “A escola tem o papel de cuidadora. Pessoalmente, acredito que eu represente uma figura paterna para muitas das crianças e dos adolescentes”. Vinte mil habitantes povoam o Arquipélago, que possui 36 ilhas, sendo seis habitadas. Marcas da desigualdade social se fazem presentes nas vidas dessas pessoas, que sobrevivem da reciclagem. Em dezembro de 1997, quando os Irmãos Maristas chegaram à Ilha, as estatísticas mostravam que 98% das pessoas não tinham instalação sanitária adequada em suas casas, e uma em cada quatro mães tinha menos de 20 anos. Cada dia dessas duas décadas vem se traduzindo em esforços para que esse cenário possa ser modificado – pois, apesar dos anos, ele permanece crítico. O empenho é para que a população local conquiste um modo de vida mais digno e amplie sua visão de mundo. “Tentamos facilitar um resgate da dignidade, formando cidadãos que tenham coragem de lutar e buscar seu lugar na sociedade”, afirma Ir. Diego. Uma das atividades realizadas com os cerca dos 180 jovens do Centro Social é o Projeto de Vida, em que eles são convidados a refletir sobre seus sonhos e como alcançá-los. Quando se fala de transformação social, é preciso pensar a longo prazo e entender que grandes mudanças, muitas vezes, começam com ações pequenas. Para o Ir. Diego, os valores cristãos compartilhados com a população, como amor ao próximo, acolhida de diferenças e a importância da família, promovem pensamentos diferentes do padrão convencional, possibilitando o surgimento de novos comportamentos e atitudes. “Com os valores cristãos, a população tem aprendido a ser mais solidária. Isso já é uma transformação social”.


HISTÓRICO Em 1987, as crianças da Ilha Grande dos Marinheiros eram acolhidas em uma casa para serem cuidadas e, assim, ficarem afastadas do contato com o material que era depositado nos galpões de reciclagem ou mesmo nos pátios das residências. A casa e o terreno eram de pro-

priedade da Escola Estadual Ernesto Fontoura Alvarenga Peixoto e, aos poucos, com diversos mutirões, a casa foi sendo ampliada – continuava, no entanto, muito pequena para a demanda que existia. Porém, em 1990, a Associação das Mulheres Papeleiras e Trabalhadoras em Geral assumiu a direção da casa para continuar o atendimento às crianças. E a partir dessa data apareceram vários parceiros que garantiram o atendimento às crianças. Dentre as pessoas que se propuseram a ajudar estava a professora Jussara, da Escola Estadual Ernesto Fontoura Alvarenga Peixoto. Devido ao seu trabalho com as crianças da Ilha, após sua morte, a casa recebeu o nome de Creche Tia Jussara. Em 1o de dezembro de 1997, por meio de um contrato de comodato, a União Sul-Brasileira de Educação e Ensino (Usbee) assumiu a creche, que, naquela época, estava atendendo 50 crianças. O nome, então, passou a ser Creche Marista

Tia Jussara, que, em janeiro de 2011, mudou novamente – dessa vez, para seu nome definitivo: Escola Marista de Educação Infantil Tia Jussara. Atualmente, a Ilha conta com três Unidades Sociais Maristas: a Escola Marista de Educação Infantil Tia Jussara, a Escola Marista de Educação Infantil Aparecida das Águas e o Centro Social Marista Aparecida das Águas.

Tentamos facilitar um resgate da dignidade, formando cidadãos que tenham coragem de lutar e buscar seu lugar na sociedade.

© Fotos: Acervo das Unidades Sociais

O Irmão conta que, atualmente, os esforços também têm sido direcionados para promover um maior envolvimento dos pais com a realidade dos filhos. Os espaços maristas são usados para promover diálogos de interesse das famílias, servindo de canal entre pais e filhos. O trabalho por lá está em processo, evoluindo a cada ano, sendo sempre aprimorado. São 20 anos de perseverança e compartilhamento diário de insatisfações e conquistas. Investir tempo é entregar a própria vida por algo ou alguém. O antropólogo e escritor Gary Chapman diz que a melhor forma de soletrar amor é: T-E-M-P-O.

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© Foto: Freepik

Como fazer

Para dialogar,

é preciso ouvir A resolução dos conflitos familiares começa por escutar – com o coração – as necessidades e os sentimentos do outro. Conflito não é problema. É um sinal de que algo precisa ser revisto Por Michele Bravos

Quando os gritos começam, ninguém mais se entende. Apesar de parecer óbvio, aumentar o tom de voz e tentar se expressar com palavras agressivas por vezes parece ser a única saída diante de um conflito. Contudo, comunicar-se de modo não violento, ou seja, expressar-se com uma abordagem focada na vida é possível também em momentos de ira. As práticas da comunicação não violenta (CNV) propõem que a pessoa identifique suas necessidades e exponha seus sentimentos com sinceridade, de modo a perceber esses mesmos elementos nos outros, por meio de uma escuta empática. Em uma sociedade organizada sobre uma lógica de dominação, em que um manda e o outro obedece, “ouvir se torna uma ação de recebimento de ordens e confirmação de que se compreendeu”. É o que afirma Dominic Barter, aprendiz de CNV há 20 anos, que se aprofundou no tema junto com Marshall Rosenberg, o próprio criador do método. Ele ainda explica que a ausência da escuta tem influenciado diretamente no distanciamento familiar: “É preciso ouvir, e ouvir com o coração. Ouvir considerando a pessoa que está falando e não somente a mensagem que ela está transmitindo”. E para ouvir é preciso estar presente. O professor de Literatura Alan da Veiga, do Colégio Marista Medianeira, lembra o quanto os jovens são carentes do amor de seus pais e como isso é prejudicial para um relacionamento saudável. “Repetidas vezes, ouço a voz deles clamando

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pela presença física dos pais, ao invés de presentes que pretendem suprir sua falta. Portanto, a melhor maneira de se ter um desenvolvimento emocional positivo é ter pais que dialogam, que os entendem, compreendem, mas, acima de qualquer coisa, que são presentes em suas vidas”. Barter afirma que toda relação interpessoal, mesmo envolvendo uma hierarquia – como é o caso da relação entre pais e filhos –, deve estar baseada no diálogo. Por isso, ele é enfático em dizer que “mensagens mandadas só são eficazes se recebidas do jeito que foram enviadas”. Por essa lógica, ele compreende que o conflito é como um mensageiro, que dá um alerta para dizer que algum código não é comum aos envolvidos ou, simplesmente, mudou, e, por isso, a mensagem não está chegando da forma mais adequada. “Devido ao nosso hábito cultural, nós ignoramos os conflitos e os tratamos como problemas. Metaforicamente, ao ‘matar’ o mensageiro (o conflito), nunca lemos a mensagem (o que o conflito queria nos mostrar)”. Olhando por esse viés, o conflito deixa de ser percebido como um problema e passa a ser um indicativo de que é preciso dialogar mais sobre determinado assunto. “O conflito pode ser visto também como um mecanismo de feedback, mostrando que é preciso atualizar o entendimento e os acordos prévios com determinada pessoa sobre uma situação específica”.


SENTIR IRA FAZ PARTE

Quando o conflito surge – seja em casa ou em outro lugar –, é importante criar um espaço para que seja expressado por inteiro, como sinaliza Barter. “É quando estamos ouvindo alguém que surge a empatia, e é ela que ajudará a distinguir a pessoa em si daquilo que ela está falando”. Esse momento acaba se tornando um convite à investigação. “Fazer perguntas para o outro facilita a empatia, pois ajuda a pessoa a revelar o que ela realmente está ansiando e auxilia o ouvinte a identificar, dentro de si mesmo, que valores ambos compartilham. A empatia abre portas para parcerias mesmo quando há discordância. Ela é um foco de atenção que remove os bloqueios para a colaboração”. Barter acredita que temos vivido uma redescoberta da importância da colaboração e, por isso, a escuta tem chances de voltar a ocupar uma posição de valor na contemporaneidade. “Recuperar nossa capacidade de ouvir é necessário para a nossa sobrevivência. Com o momento que temos vivido, mais colaborativo, a escuta pode voltar para o centro da nossa habilidade de conviver e manter pactos sociais básicos”. “Partindo da premissa de que temos dois ouvidos e apenas uma boca, entende-se que ouvir é melhor do que falar”, comenta Veiga. “Aliás, foi Tiago, na Bíblia Sagrada, que certa vez disse: ‘Que todo ser humano seja pronto para ouvir e tardio para falar’. Assim, como pode um membro da família resolver seus conflitos sem antes identificar, através da voz do outro, sua origem?”, complementa. Por constatar na prática – como pai e professor – que as crianças aprendem imitando os adultos, Barter é convicto em dizer que a escuta pode ser uma aliada na construção de relações mais saudáveis. “Se nós, em casa e na escola, apresentamos a elas uma dinâmica diferente no relacionamento com outras pessoas, elas farão igual em suas outras relações”.

Para Barter, ira e perda de controle são bem distintas. “A ira é um sentimento que indica que vemos algo valioso em risco. A perda de controle é falar um monte de besteira em voz alta e achar que, dessa forma, o que se quer será aceito como verdade”. Atrelar a ira à perda de controle pode desencadear algo insustentável. “É impossível não sentir ira, mas eu posso rever o meu vocabulário e a forma como eu expresso os meus sentimentos, inclusive esse”. É possível expressar que se está irado de maneira que isso não represente uma ameaça nem para quem fala, nem para quem ouve. Barter questiona sobre qual a real intenção de um pai ou uma mãe quando expressam sua raiva de forma descontrolada. “Se quero que meu filho faça, é melhor que ele o faça por medo, porque eu estou irado, ou porque enxergou a importância daquilo para nós?”. Enquanto constrói suas ideias, a filha de Barter, de 17 anos, chega em casa. Ele interrompe a entrevista, cumprimenta-a, os dois dão risada, e ele prossegue. “É engraçado falar de conflito familiar. Estamos aprendendo. Eu sou um aprendiz, há vinte anos, da comunicação não violenta”. Ele complementa dizendo: “Como pais, devemos almejar que nossos filhos sejam autônomos, capazes de identificar o que querem e de colaborar com os outros para conseguir o que desejam de forma harmoniosa”. Barter lembra que onde tem ameaça de punição não há segurança, e a segurança é um item básico para o desenvolvimento saudável das crianças. “A capacidade de aprendizagem de uma criança fica comprometida em um ambiente inseguro. Ela precisa ver os pais se expressando de uma forma que não nega a presença um do outro e nem a dela. Os filhos precisam de estímulo para sentir como é bom contribuir para o bem-estar das pessoas que amamos.

A casa também é da criança, e não apenas dos pais”. Para o professor Veiga, a criança deve se sentir acolhida em seu lar para conseguir lidar com tantas demandas emocionais – tanto suas como dos outros. “Um desenvolvimento emocional saudável, com amor, não visa criar seres humanos mimados, mas cidadãos conscientes de uma sociedade complexa e que exige muito emocionalmente”.

CELEBRANDO A VIDA Como pai, além de pesquisador de CNV, professor e consultor, Barter reafirma a importância de valorizar a decisão de ter um filho e prezar por sua criação. “Se a gente não celebrar e agradecer tudo o que isso representa, não valorizará o que realmente é importante. As famílias precisam criar momentos em seus dias para que possam apreciar uns aos outros e valorizar o que cada um tem feito pela família”. © Foto: Divulgação

OPORTUNIDADES EMPÁTICAS

INDICAÇÃO DE LIVRO Comunicação não violenta: Técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais, de Marshall Rosenberg. O método da comunicação não violenta, partilhado nesse livro, foi desenvolvido pelo psicólogo Marshall Rosenberg e pode ser aplicado em diversas situações que envolvem relações interpessoais, com o objetivo de diminuir a violência no mundo.

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MANUAL DO MUNDO [Editora Sextante] Alfredo Luis Mateus e Iberê Thenório Neste livro, o químico Alfredo Luis Mateus selecionou os experimentos científicos apresentados no Manual do Mundo, um dos maiores canais de educação do YouTube, criado pelo jornalista Iberê Thenório. As propostas de atividades são divertidas e, ao mesmo tempo, simples de serem feitas em casa, além de contarem com as explicações de cada procedimento.

© Imagens: Divulgação

Nesta edição, apresentamos dicas de livros, jogos e documentários sugeridos pela assessora da área de Ciências da Natureza dos Colégios Maristas, Lisandra do Amaral

ÁFRICA [BBC, Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, 2013] Neste documentário, o naturalista britânico David Attenborough possibilita que o público embarque em uma viagem inspiradora por meio do continente mais selvagem do planeta. Trata-se de uma verdadeira imersão nos desertos, nas savanas e nas selvas, em que você aprenderá a respeito da adaptação da vida nessa região singular.

JOGO DAS FUNÇÕES ORGÂNICAS goo.gl/kzWDVV Para aprender Química de forma lúdica, o site da PUCRS disponibiliza um jogo pedagógico que simula a compra de compostos orgânicos no supermercado. Com tempo cronometrado e pontuação por acertos, o usuário vai descobrindo o composto predominante presente nos produtos mostrados nas prateleiras, bem como suas funções orgânicas.

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GUIA MANGÁ DE ELETRICIDADE [Editora Novatec] Kazuhiro Fujitaki O que é eletricidade? Como funciona? Como é gerada e como pode ser usada? Essas e outras perguntas são facilmente esclarecidas a partir da obra do conferencista japonês Kazuhiro Fujitaki. Ao longo da narrativa, o leitor acompanha a história de uma menina que vive no Planeta Electopia, a terra da eletricidade, e que precisa de aulas para recuperar suas notas na escola.

YENKA www.yenka.com/science Nesse simulador de laboratório, os pequenos cientistas podem preparar diversos experimentos de modo simples, em casa ou em qualquer outro lugar. O software educacional Yenka contém orientações, vídeos e outras funcionalidades para facilitar o entendimento sobre os conteúdos e a realização das simulações. Mesmo não tendo versão em português (está disponível apenas em inglês e espanhol), sua interface é bastante intuitiva e de fácil compreensão.

COSMOS: UMA ODISSEIA DO ESPAÇO-TEMPO [Ann Druyan, Bill Pope e Brannon Braga, EUA, 2014] Apresentada pelo astrofísico norte-americano Neil de Grasse Tyson, o remake da série documental de Carl Sagan, da década de 1980, desperta uma série de questionamentos acerca de vários conceitos investigados pela Física, pela Matemática, pela Biologia e pela Química. Ao longo dos 13 episódios, a série apresenta revelações sobre o tempo e o espaço de forma simples e didática.

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r a t n o c a Par

Diversão

Fotos e criatividade em um miniálbum de férias

FOLHA A4

Por Michele Bravos

Cortar 26 cm 1 cm

Cortar 19 cm

Tão divertido quanto planejar a viagem e curtir o roteiro é reviver as férias por meio das fotos e das bugigangas que trazemos na bagagem. Nesta edição da Em Família, a professora de Artes Lúcia Thomaz ensina a fazer um miniálbum para você e sua família contarem muitas histórias de férias. No próximo destino, não economize nos cliques e traga tudo o que você puder (tíquetes, folders, mapas…) para enriquecer esses relatos!

Dobrar

Dobrar

Corte a capa do miniálbum nas medidas 26 cm x 19 cm no papel kraft. Com o papel na horizontal, faça um vinco nas medidas 12,5 cm e 13,5 cm. Ao dobrar esses dois vincos, está formada a lombada da capa.

cessários: e n is ia r e t Ma TESOURA COLA

80 g) L KRAFT (1 4 DE PAPE A S A LH 2 FO 16 cm) PES (23 x 3 ENVELO nana) A (fita ba OM ESPUM C E C FA FITA DUPLA RÉGUA

11 cm

14 cm

TAG

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Corte seis retângulos de 11 cm x 14 cm para fazer as tags.

Dobre cada envelope ao meio, colocando a aba do envelope para dentro.


Escolha as cores de papéis que combinam com as suas fotos. Você pode usar cola ou fita adesiva dupla face para colar os elementos escolhidos. Se quiser deixar algum elemento mais evidente, utilize a fita dupla face com espuma (fita banana) – ela vai deixar esse elemento com volume (como foi utilizado na palavra “Floripa” na capa do nosso miniálbum).

Essas tags também podem ser decoradas, deixando o seu álbum ainda mais criativo!

Agora, você já tem a estrutura do miniálbum montada e é só começar a decorar!

Guias turísticos do lugar são sempre um material precioso, pois contêm muitas informações, mapas e desenhos que você pode colocar no seu álbum para enriquecê-lo, além de fornecer mais detalhes do lugar onde você esteve. Outra coisa legal de colocar no álbum também são ingressos de parques e tíquetes de passeios. Assim, você consegue preservar bem as memórias de uma viagem legal.

© Fotos: Michele Bravos

Corte três pedaços de 45 cm do cordão e passe cada cordão por dentro do envelope dobrado. Amarre cada envelope na lombada da capa separadamente.

A parte de dentro dos envelopes viram bolsos, onde você vai colocar as tags com informações, fotos etc.

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Essência

CULPA E RESPONSABILIDADE:

Alimentar ou intoxicar a alma?

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Com a convivência, na relação em família e na escola, fomos recebendo referências sobre escolhas e consequências. O filtro interno se estabelece aos poucos, e deixamos de depender emocionalmente das pessoas, passando a constituir essa habilidade dentro de nós mesmos.

Luciana Winck Corrêa Psicóloga e orientadora educacional do Colégio Marista Graças (Viamão)

© Foto: Acervo do Colégio

Para abordar a diferença entre culpa e responsabilidade, é necessário compreender alguns conceitos que definem de que maneira nos constituímos. Quando crianças, as experiências de escolha definiam de que maneira buscávamos conhecer o mundo. Muitas vezes, a curiosidade infantil nos levava a tomar atitudes que não calculavam riscos ou consequências em relação aos outros. Com a convivência, na relação em família e na escola, fomos recebendo referências sobre escolhas e consequências. O filtro interno se estabelece aos poucos, e deixamos de depender emocionalmente das pessoas, passando a constituir essa habilidade dentro de nós mesmos. Alguns estudiosos do desenvolvimento infantil apontam que, dependendo da forma como as pessoas de referência nos deram esses indicativos, internalizamos mais as regras e os parâmetros de convivência por culpa e medo do que por autonomia e responsabilidade. Jean Piaget, renomado psicólogo suíço (18961980), afirmava que esse processo poderia ocorrer com progressiva autonomia, ou com extrema dependência da ameaça e da culpa, o que não contribuiria para o desenvolvimento autônomo para decisões pessoais, interferindo na forma como a autoestima se estabelece. Como adultos, vamos assumindo possibilidades de lidar com erros, falhas e problemas ou de forma efetiva e positiva, ou de forma dependente e improdutiva. Sentir culpa ou assumir a responsabilidade traduz nossa forma de reagir a essas situações. Quando se assume a consequência por uma escolha, vive-se a responsabilidade – que, por sua vez, leva a aprender e visualizar possibilidades para momentos futuros, criando oportunidades de reparação, de retomada, de perdão. A culpa, ao contrário, limita e engessa, foca no sentimento de vitimização, faz permanecer dependente e, possivelmente, não permite a visualização dos caminhos de mudança. O que nos torna seres humanos aprendentes? Claramente, a responsabilidade – que mobiliza a aprender com cada situação, analisando a consequência de atos que dependem de nossa escolha. Se desejo crescer, construir de forma positiva a habilidade do livre arbítrio, é necessário desenvolver o senso de responsabilidade, e não de culpa. Atrevo-me a fazer uma analogia didática a respeito desse tema: a responsabilidade seria o “alimento” que pode fortalecer o espírito que ensina a empregar bem o livre arbítrio. A culpa, ao contrário, seria o “veneno” que intoxica a possibilidade de enxergar as coisas com clareza e qualificar nossos processos de escolha. Com certeza, nosso desejo é crescer com o alimento, em vez do veneno. Que tenhamos a possibilidade de viver dessa forma!


Colégio Marista Pio XII  
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13ª Edição | 2º semestre 2017

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