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12a edição | 1o Semestre 2017

COMO FAZER

Existem jeitos mais adequados e eficazes de se estudar. Descubra como contribuir para a rotina de estudos dos filhos.

DIA A DIA

Conheça argumentos que farão você repensar o consumo excessivo de carne.

Ações LOCAIS. IMPACTOS globais. Uma visão sustentável do planeta desconhece fronteiras e cargos. É de todos a responsabilidade de tornar o mundo um lugar melhor.


CULTIVAR A PRÁTICA DA LEITURA HOJE É SEMEAR UM FUTURO REPLETO DE VALORES. A FTD Educação e o Integra Confessionais estão juntos na missão de cultivar a prática da leitura nas escolas e casas, ao lado de professores e familiares dos alunos, para semear em cada jovem valores essenciais para a construção de um cidadão transformador do seu futuro e da sociedade ao seu redor.

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PARA O ALUNO

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Com 200 anos de presença mundial e há 117 anos presente no Rio Grande do Sul, a atuação dos Colégios e das Unidades Sociais da Rede Marista se dá, atualmente, em 13 cidades gaúchas e em Brasília. São 26 Colégios e nove Centros Sociais, que atendem, diariamente, mais de 20 mil crianças, jovens e adultos.

Presidente da Rede Marista Ir. Inácio Nestor Etges

COLÉGIOS Colégio Marista Aparecida colegiomarista.org.br/aparecida | 54 3449 2600

Colégio Marista São Luís colegiomarista.org.br/saoluis | 51 3713 8500

Colégio Marista Assunção colegiomarista.org.br/assuncao | 51 3086 2100

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Colégio Marista Champagnat colegiomarista.org.br/champagnat | 51 3320 6200

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Colégio Marista Conceição colegiomarista.org.br/conceicao | 54 3316 2700

Colégio Marista Vettorello colegiomarista.org.br/ejavettorello | 51 3086 2100

Elder Filippe

Colégio Marista Graças colegiomarista.org.br/gracas | 51 3492 5500

Escola Marista Santa Marta colegiomarista.org.br/santamarta | 55 3211 5200

Coordenador de Comunicação e Marketing

Colégio Marista Ipanema colegiomarista.org.br/ipanema | 51 3086 2200

Vice-Presidente da Rede Marista Ir. Deivis Fischer COLÉGIOS E UNIDADES SOCIAIS Superintendente Executivo Rogério Anele Coordenador Jurídico

Tiago Rigo Gerente Educacional Ir. Manuir Mentges Gerente Social Ir. Luciano Barrachini Supervisão Editorial Katiana Ribeiro e Reinaldo Fontes Conselho Editorial Luciano Centenaro, Patricia Saldanha e Simone Martins

Colégio Marista Irmão Jaime Biazus colegiomarista.org.br/jaimebiazus | 51 3086 2300

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12a Edição | 1o Semestre 2017 PERIODICIDADE Semestral

REVISÃO Lumos Soluções Editoriais EDIÇÃO

PROJETO GRÁFICO Estúdio Sem Dublê | semduble.com

Redação: Michele Bravos Edição de arte: Julyana Werneck

ILUSTRAÇÃO DA CAPA Julyana Werneck | Freepik

Supervisão editorial: Maria Fernanda Rocha Envie comentários, críticas e sugestões sobre a revista para o e-mail faleconosco@maristas.org.br

© Todos os direitos reservados. Todas as opiniões são de responsabilidade dos respectivos autores.

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Índice

capa

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Empresas e sociedade juntas em prol de mudanças efetivas no mundo, reconhecendo que ações locais podem ter impactos globais.

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Rogério Anele, superintendente dos Colégios e Unidades Sociais, destaca o bicentenário marista e os principais temas desta edição.

Dia a dia

Entrevista

Olhar

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Confira argumentos que farão você repensar o consumo excessivo de carne.

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Conheça Regina Tchelly e sua forma criativa de pensar o aproveitamento total dos alimentos. Com ela, não tem desperdício!

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Curiosidade

Solidariedade

Como fazer

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Em um mundo com tantas crises, a demanda por gestores é cada vez maior. Entenda como as profissões estão sendo ressignificadas.

Conheça a história do Instituto Marista e as ações que têm dado continuidade ao sonho de Marcelino Champagnat.

A construção do conhecimento é diária, por isso o hábito de estudar deve ser repensado para além dos dias antecedentes à prova. Veja como.

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Diversão

Essência

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Confira algumas dicas de livros e filmes sugeridas pelo assessor da área de Ciências Humanas dos Colégios Maristas, Renato Capitani.

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Existe limite para o incentivo. No artigo desta edição, compreenda como se fazer presente sem pressionar.

Cultivar uma horta em casa pode ser um momento agradável em família, além de garantir uma redução de níveis de agrotóxicos no seu prato.

Em artigo, a psicóloga Ana Luiza Amaral Ruiz aborda os benefícios que a respiração traz para a mente em meio à correria diária.


Juntos por uma

1a impressão

sociedade melhor mudança, apresentamos o trabalho de Regina Tchelly, idealizadora do projeto Favela Orgânica em uma comunidade do Rio de Janeiro. Em entrevista à revista Em Família, ela revela sua disposição em não ignorar os problemas de seu entorno. Diante da miséria e do grande desperdício de comida que vivemos no mundo, Tchelly propõe oficinas que ensinam sobre o aproveitamento total dos alimentos. Muitas vezes, não nos damos conta do que estamos ingerindo e dos impactos que a escolha do que comemos pode trazer para nossas vidas e para o meio ambiente. Duas matérias nesta edição propõem uma reflexão sobre esse tema, discutindo o consumo excessivo de carne e também a proporção de agrotóxicos presentes em frutas e vegetais. Vale repensar nossos hábitos alimentares. Todo hábito, afinal, é algo que pode ser desenvolvido. Veremos isso na matéria Aprendendo a estudar, em que especialistas comentam sobre como aprimorar a prática do estudo, apresentando informações sobre a construção da memória e do conhecimento. E mais: saiba como incentivar os filhos sem pressioná-los, quais são os os benefícios de uma respiração consciente, bem como dicas de livros e filmes, entre outros assuntos. Que esta edição seja, mais uma vez, um convite ao aprofundamento de assuntos de relevância para a educação de nossas crianças e de nossos jovens! Que os 200 anos de vida e memória da nossa instituição nos inspirem a seguir construindo o legado de nosso fundador. Uma boa leitura a todos!

A responsabilidade é de todos, e nossa motivação deve ser a busca por diálogos que nos levem a respostas construídas coletivamente.

© Foto: Divulgação / Comunicação e Marketing

Em 2 de janeiro de 1817, Marcelino Champagnat iniciou o sonho que concretizamos diariamente: transformar a vida de crianças e jovens por meio da educação evangelizadora. Nesses 200 anos de atuação marista, podemos afirmar o quanto uma iniciativa que começou localmente, lá no interior da França, foi capaz de tomar grandes proporções e mobilizar milhares de pessoas em todo o mundo. Hoje, somos presença nos cinco continentes e, juntos, levamos adiante a missão de promover a vida sob a bênção da nossa Boa Mãe. Em sintonia com a história e a origem do Instituto Marista, convidamos você a refletir sobre como atitudes locais podem impactar em prol de uma sociedade melhor. Na matéria de capa, destacamos de que forma metas de melhorias mundiais, como o equilíbrio do aquecimento global ou espaços urbanos mais sustentáveis, podem ser alcançadas se trilharmos um caminho de forma coletiva. A responsabilidade é de todos, e nossa motivação deve ser a busca por diálogos que nos levem a respostas construídas coletivamente. Compreendendo também a importância de vislumbrar novas possibilidades diante da atual crise ética refletida em diversas esferas, buscamos especialistas para abordar as tendências do mercado de trabalho no cenário atual. Essa reportagem você confere na editoria Curiosidade, que desvela como as profissões estão sendo ressignificadas e qual o perfil profissional mais demandado no momento. A partir do entendimento de que cada pessoa pode ser um agente de

Rogério Anele Superintendente dos Colégios e Unidades Sociais da Rede Marista

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Comida sem carne também é

© Fotos: Freepik | Divulgação

Dia a dia

A alimentação vegetariana e a vegana têm crescido no país. Em benefício da saúde ou por motivos ideológicos, que tal repensar o consumo excessivo de carne? Por Michele Bravos

No prato, um estrogonofe bem saboroso e cremoso, com cogumelos, creme de leite extraído do coco, molho de tomate caseiro, tudo bem temperado. Hum… Mas e a carne picadinha? Bom, esse é um strogonoff diferente e é uma das inúmeras receitas veganas que têm ganhado a mesa do brasileiro. Dados da Sociedade Brasileira de Vegetarianismo (SBV) afirmam que o interesse da população por uma alimentação vegana tem aumentado. Por outro lado, uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que a quantidade de vegetais ingerida pelos brasileiros ainda é menor do que a ideal indicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que corresponde a 400 g/dia. A família Bisotto aderiu à alimentação vegetariana (que não inclui produtos animais, mas, em alguns casos mantém o consumo de ovos, leite e derivados) há alguns anos e Eliom, 8 anos, estudante do Colégio Marista Graças, em Viamão (RS), nunca comeu carne. Raquel, a mãe, vem de uma família tradicional gaúcha, então cresceu comendo churrasco. Mas aos 16 anos decidiu que iria mudar. “Para mim, comer carne nunca foi natural. A alimentação tem que ser viva. Uma alimentação morta – derivada de animais e muito processada – certamente tem menos energia.” Para a nutricionista vegana Anazelly Guimarães – que adotou o veganismo como um estilo de vida e, portanto, busca excluir todas as as formas de ex-

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ploração e de crueldade contra animais, seja para a alimentação, para o vestuário ou para qualquer outra finalidade –, é possível ter uma alimentação completa e saudável sem a ingestão de alimentos derivados de animais. “Nós não precisamos da carne para viver bem. Existe uma grande preocupação sobre os níveis de ferro e proteína no organismo, mas eles podem ser supridos com combinações adequadas na alimentação.” Ela exemplifica que as folhagens (alimentos com folhas verdes escuras, como brócolis), por exemplo, são ricas em ferro. Além disso, outra dica é preparar a comida em panelas de ferro. Quanto à proteína, a nutricionista explica que a combinação de cereais (arroz, milho, quinoa) com leguminosas (feijão, grão de bico, ervilha) forma um complexo que supre essa demanda. Ela ainda complementa que, além desses dois grupos de alimentos, não podem faltar no prato dos vegetarianos e veganos: castanhas, que dão o aporte necessário de gordura saudável, de zinco, selênio e proteína; e brotos e cogumelos, que possuem um perfil de proteína muito indicado para quem pratica atividades físicas. Anazelly afirma que para se ter uma alimentação vegetariana ou vegana saudável é preciso montar pratos bem coloridos e ricos em variedade. “Um problema comum entre aqueles que estão em uma transição de estilo de alimentação está em substituir a carne por massa. Isso pode acarretar em ganho de peso.”

CHEIA DE COR E SABOR Se antigamente comida vegetariana ou vegana era sinônimo de insossa, hoje os pratos são cheios de sabores e cores. Alguns perfis no Instagram são um colírio para os olhos, dão água na boca e incentivam o consumo desse estilo de alimentação, com receitas bem práticas para várias refeições – do café da manhã de todo dia ao jantar de sexta à noite com os amigos.

@vegetariangastronomy

@vegan_straws

@presuntovegetariano

@plantadoecolhido

@brusselsvegan

@nanaicecreamtoday

@vegetarirango

@bettanbelen


PELA SAÚDE Segundo uma pesquisa realizada pelo Datafolha (2017), 63% dos brasileiros querem reduzir o consumo de carne e 35% estão preocupados com as consequências que a alimentação carnívora pode trazer para a saúde. Nesse sentido, Anazelly lembra que o consumo excessivo de proteína animal pode acarretar em uma sobrecarga da função renal, distúrbios gástricos e intestinais, além de um aumento na probabilidade de desenvolver doenças cancerígenas. “O animal absorve mais agrotóxicos do que as plantas, por exemplo. Sem falar nos hormônios injetados em animais criados para o abate e os embutidos, que são muito processados.” Conforme Raquel, desde que parou de comer carne, sente-se mais disposta e que até o humor melhorou. Resfriado também não é mais algo recorrente. A nutricionista pontua que a única vitamina que fica deficiente no organismo com ausência de produtos animais é a Vitamina B12. “Para solucionar esse déficit, o vegetariano ou vegano é instruído a suplementá-la de forma sintética, a partir de bactérias em laboratórios.” Ainda de acordo com Anazelly, não há contraindicações para uma alimentação vegetariana ou vegana – pelo contrário: “O leite de vaca, por exemplo, é um alimento bastante inflamatório e um dos mais alergênicos. Esse leite foi feito para o bezerro beber, e não para os seres humanos.”

POR IDEAIS Tanto para Raquel quanto para Anazelly, não comer carne também é uma escolha fundamentada na lógica de que não é preciso sacrificar animais para poder se alimentar. “Existem muitas outras fontes de alimentação, que exercem maior respeito sobre todos os seres. Tudo coexiste conosco, para que vivamos em um planeta melhor”, diz Raquel.

CRIANÇA VEGETARIANA OU VEGANA, PODE?! Para a nutricionista Anazelly, é possível introduzir uma alimentação sem derivado de animais no cardápio da criança desde a primeira infância. Ela afirma que, após a amamentação, a criança pode começar a consumir folhagens, leguminosas, cereais, leites vegetais, castanhas, tudo preparado de forma adequada para cada idade. “Eu falo por experiência própria. Tenho um bebê de um ano e oito meses e prezo para que ele tenha uma alimentação mais pura." Raquel afirma que o desenvolvimento de Eliom sempre foi muito bom. “Quando ele era bebê, cada vez que ia ao pediatra havia ganhado 900 gramas.” Ela ainda conta que o filho tem uma saúde ótima e não apresenta nenhuma dificuldade na realização das atividades diárias da escola pela falta de carne. A nutricionista sugere que os pais expliquem para a criança os motivos pelos quais ela não está comendo carne. “Precisa fazer sentido para ela, porque o estilo de alimentação dela é diferente.” Ela sugere que essa conversa pode ser mediada com ajuda do livro That's why we don't eat animals (É por isso que não comemos animais, em uma tradução livre), de Ruby Roth.

A mãe de Eliom percebe que o filho não aceita bem a ideia da morte do animal, que evidencia um sofrimento. “Eu lembro uma vez em que ele estava participando de uma atividade de escoteiro na qual eles deveriam preparar uma carne e avisei a líder do grupo de que ele não participaria desse momento. Junto com ele, outras crianças, que nem são vegetarianas ou veganas, optaram por também não participar, por não se sentirem bem com aquilo.” Para Anazelly, não se pode desconsiderar todo o processo de produção de carne. “A forma de morte desses animais é muito cruel. Optar por não consumir produtos derivados de animais gera um bem pessoal e para o mundo também.” Para aqueles que estão dispostos a pensar em um consumo mais consciente de carne, a SBV lidera a campanha Segunda Sem Carne, a qual sugere que, nesse dia da semana, não se consuma nenhum tipo de alimento de origem animal. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o segmento de produção animal é um dos responsáveis pelos mais sérios problemas ambientais. A

campanha aponta que se uma pessoa deixar de comer 220 g de carne por um dia, ela economizará 792 litros de água (o equivalente a 16 banhos), e 50 kg de CO2 deixarão de ser emitidos na atmosfera (aproximadamente o que seria despejado no planeta durante uma viagem de carro de 240 km). E aí? Dá para passar a próxima segunda sem carne?

Existe uma grande preocupação sobre os níveis de ferro e proteína no organismo, mas eles podem ser supridos com combinações adequadas na alimentação. Anazelly Guimarães Nutricionista vegana

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Capa

ATITUDES locais DE

impacto global

© Ilustração: Freepik

Empresas e sociedade juntas para mudanças efetivas Por Michele Bravos

Uma agenda para 2030 com 17 metas para serem alcançadas. Após as melhoras significativas atingidas pelos países tendo como base os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – ver quadro na página 11 –, convocando a população a se engajar, nos próximos anos, na solução dos problemas apontados, como questões relacionadas à educação, pobreza, gênero, cidades, meio ambiente e consumo consciente. Segundo Nastássia Castro, uma das coordenadoras da Yunus Negócios Sociais no Brasil, repartição local da Yunus Social Business Global, os ODS carregam uma característica bastante particular em comparação com os ODM: o reconhecimento da necessidade de um engajamento civil. “Uma análise da ONU feita após o encerramento dos ODM concluiu que esse projeto esteve muito voltado ao diálogo e à chamada de responsabilidade do governo. Porém, não se falou diretamente com as empresas e a população”, expõe Nastássia. Vale lembrar que foi objetivando atingir uma dessas metas – especificamente, o ODM 1, que visava acabar com a fome e a miséria – que o Brasil erradicou a fome no País por meio do programa Fome Zero, por exemplo. Houve, portanto, muitas articulações governamentais, porém pouca movimentação por parte dos cidadãos.

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Nastássia Castro Coordenadora da Yunus Negócios Sociais no Brasil Nastássia explica que a ONU se deu conta de que, para atingir o desenvolvimento sustentável, é preciso que empresas e sociedade civil também se engajem. “O mundo é feito de pessoas e essas pessoas, a cada dia de suas vidas, estão tomando atitudes que afetam o planeta todo”, ressalta. Ela ainda explica que, por esse motivo, os ODS são uma tentativa de alcançar as metas não atingidas anteriormente pelos ODM e cujo foco reside justamente na mensuração dessas iniciativas. Essa quantificação de resultados se dá em resposta a um movimento, compreendido pelo empreendedorismo social, de que qualquer iniciativa, quando pensada, deve ser escalável e replicável. O professor Muhammad Yunus, fundador do Yunus Social Business Global, é um dos embaixadores da ONU focados em tornar as metas dos ODS possíveis de serem cum-

A ideia, agora, é que esse empreendedorismo seja ampliado para além do conceito empresarial, pensando em alguém que tenha uma boa proposta de solução para um problema. Todo cidadão tem uma sugestão de melhoria sobre algo que o incomoda. Nastássia afirma que, em um modelo de metas sustentáveis, a sociedade é incentivada a participar e conquistar junto com o terceiro setor e o poder público essas melhorias. “A pergunta é simples: o que eu, cidadã ou cidadão, consigo fazer para contribuir para a construção de um mundo melhor?”. Nastássia pontua que é importante ser realista, considerando as limitações financeiras e físicas na hora da resposta. O importante, contudo, é fazer acontecer: “Se você tem o mínimo, faça com o mínimo”, defende ela.

Muhammad Yunus aposta no investimento em negócios sociais que proponham soluções locais com consequentes impactos globais.

© Foto: Dear World

Uma análise da ONU feita após o encerramento dos ODM concluiu que esse projeto esteve muito voltado ao diálogo e à chamada de responsabilidade do governo. Porém, não se falou diretamente com as empresas e a população.

pridas, provocando um impacto global real. Dessa forma, a Yunus Negócios Sociais investe em empresas de negócios sociais ou de impacto social que consigam criar soluções locais, vislumbrando sua expansão. “Isso quer dizer que, depois que os problemas são identificados, é preciso buscar uma solução que ainda não tenha sido pensada ou bem-executada, implementá-la e alinhá-la com os objetivos locais até que ela atinja níveis internacionais, por meio da replicação de um modelo proposto em outras partes do mundo”, relata Nastássia. “Nós compreendemos que a melhor coisa que pode acontecer para um empreendedor social é que sua iniciativa morra, pois isso significa que o problema social que o motivou a buscar uma solução acabou”.

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© Foto: Divulgação

Capa

A Quinta da Estância é um sonho de Sônia e Lucídio Goelzer compartilhado com os filhos André, Rafael e Lucas, ex-alunos do Marista Graças, em Viamão.

INICIATIVA PRIVADA Algumas iniciativas brasileiras têm contribuído efetivamente para que o mundo alcance objetivos mundiais de melhoria social. A Quinta da Estância, localizada em Viamão, no Rio Grande do Sul, é um exemplo disso. A empresa é membro do Núcleo Estadual dos ODS e integra o Pacto Global das Nações Unidas sobre práticas que contribuem para diminuição das alterações climáticas. O pensamento vanguardista acompanha desde o início os fundadores Sônia e seu esposo Lucídio Goelzer – e agora, também, os sucessores e diretores da fazenda Lucas, André e Rafael, filhos do casal, que foram estudantes do Colégio Marista Graças. Na década de 1990, o casal já entendia a necessidade de agir em prol da preservação do meio ambiente. Ao comprarem um pequeno pedaço da terra da fazenda de um amigo, perceberam que a experiência de viver a natureza não podia ser restrita aos seus familiares. Foi assim que Sônia, na época professora na rede pública do Rio Grande do Sul, começou a fazer visitas guiadas pelo terreno com seus alunos. Tal prática permanece até hoje, já tendo atendido 1,2 milhões de estudantes. Além disso, todo ano são disponibilizadas 2 mil vagas a instituições como a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) para visitas gratuitas. “Quando o estudante tem conheci-

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mento prático daquilo que está vendo em sala de aula, ele absorve mais as informações, tendo mais subsídios para transformar isso em uma ação de impacto real na sociedade”, afirma Rafael Goelzer, diretor de relacionamento da Quinta da Estância.

Quando o estudante tem conhecimento prático daquilo que está vendo em sala de aula, ele absorve mais as informações, tendo mais subsídios para transformar isso em uma ação de impacto real na sociedade. Rafael Goelzer Diretor de relacionamento da Quinta da Estância Com o passar dos anos, os diretores foram compreendendo que o pa-

pel da empresa não era apenas local, mas global, e, por isso, outras práticas foram sendo agregadas ao dia a dia da fazenda. “A natureza não reconhece as nossas divisões geopolíticas. Nós não queremos ser uma ilha de sustentabilidade, mas agentes de pulverização no mundo”, diz Rafael. Educação ambiental: Até o momento, cerca de 1,2 milhões de estudantes já visitaram a fazenda.

Diante das mudanças climáticas, desde 2007, a empresa neutraliza todo o carbono utilizado – calculando até o gás emitido pelo carro no deslocamento para uma reunião. “Nós queremos criar uma poupança para o planeta. Eu já tenho um superávit de absorção de carbono, mas não tenho


interesse nenhum em vender esse extra para que outras empresas continuem poluindo mais. Se eu mantiver o ritmo de neutralização neste ano, teremos carbono neutralizado até 2046”, conta o diretor de relacionamento. São cerca de 102 hectares de plantio de árvores, em um terreno de 103 hectares. Um hectare é reservado para as atividades educacionais e operacionais da empresa.

A pergunta é simples: o que eu, cidadã ou cidadão, consigo fazer para contribuir para a construção de um mundo melhor?”.

© Foto: Divulgação

Nastássia Castro Coordenadora da Yunus Negócios Sociais no Brasil

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Capa Para eles, a cidade é como um campo de experimentação e um espaço de diálogo, onde possibilidades podem ser vislumbradas. “No começo, a gente vislumbrava ser uma resposta para os problemas da cidade. Por isso, fazíamos muitas intervenções. Percebemos que mesmo algo pontual causava uma forma de perceber o espaço de um jeito diferente. A partir disso, identificamos que podíamos ser menos intervencionistas e mais criadores de plataformas de debate – como jornais e rádios do bairro – sobre como aquele lugar ou situação poderia ser diferente”, conta Vitor Lagoeiro, membro do Micrópolis. Como afirma o arquiteto, “desde a hora em que nós acordamos e pegamos o ônibus, já estamos enfrentando o resultado de políticas públicas”.

Da hora em que nós acordamos e pegamos o ônibus já estamos enfrentando o resultado de políticas públicas. Vitor Lagoeiro Arquiteto e membro do Coletivo Micrópolis

© Foto: Divulgação

Rafael ainda ressalta a importância de as empresas terem práticas sustentáveis atreladas ao próprio negócio. “Não fazer ações filantrópicas se estou, ao mesmo tempo, poluindo o rio”. Por isso, o empresário se empenha em fazer palestras para disseminar uma cultura de gestão sustentável. “Quero que os empresários percebam que se uma fazenda aqui em Viamão está fazendo algo, a empresa deles também pode fazer, independentemente de seu porte”. Ele ainda frisa que esse tipo de ação tem consequências cíclicas no planeta. “É preciso ter uma visão sistêmica e compreender que cada ação pode trazer uma diferença de impacto global. Estamos vivendo uma realidade de planejamento. A sustentabilidade é uma visão a longo prazo”. Na Quinta da Estância, todos os funcionários contratados são residentes no município onde a fazenda está localizada. Além disso, Rafael já foi presidente da Associação Comercial de Viamão e apoia a defesa de situações que possam prejudicar a região. “Não somos um empreendimento separado nem do âmbito local e nem do global. Eu acordo todos os dias acreditando que fazemos um negócio transformador”, confessa.

SOCIEDADE CIVIL Também é chegada a hora de a sociedade reconhecer seu papel nesse ciclo de impactos globais e entender que atitudes locais podem gerar consequências mundiais. Uma iniciativa alinhada com essa proposta é o Coletivo Micrópolis, sediado em Belo Horizonte, Minas Gerais, focado em repensar das cidades. O Coletivo surgiu em 2010, fruto de um grupo de trabalho composto por sete universitários humanistas da faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que continuam trabalhando juntos com esse propósito até hoje.

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O Coletivo Micrópolis é formado por Belisa Murta, Fernanda Gomes, Felipe Carnevalli, João Carneiro, Marcela Rosenburg, Mateus Lira e Vítor Lagoeiro.


© Foto: Shutterstock

Passar por uma mudança de olhar sobre quem se é no mundo é visto como emergencial por Lagoeiro. Por isso, a questão tem mais a ver com enxergar possibilidades do que com implantar uma ideologia. O Micrópolis tem como diretrizes uma postura etnográfica, uma escuta ativa, a promoção de ações que não sejam expositivas, um olhar intimista, a identificação de potencialidades e a autoria compartilhada. Quando questionado sobre o impacto global de iniciativas locais, Lagoeiro entende os reflexos mundiais como uma consequência de um trabalho que está sendo bem realizado em um âmbito menor. Ele também aponta para soluções replicáveis, como um mecanismo para se atingir esse impacto, compartilhando da ideia de Yunus. Ele ainda ressalta a importância do trabalho conjunto: “Para além de nós, existe uma coletividade que desconstrói a cidade como ela é vista, trazendo transformação. Em nossos processos, documentamos tudo e buscamos divulgar, para que as ações sejam apropriadas e reinterpretadas por outros grupos e aconteçam em outros locais”. A ideia de atuar no local visando desdobramentos globais, parte de um esforço de comunicar o que já tem sido feito. “Entendo experiências como aprendizados”, conclui Lagoeiro. No coração desses cidadãos está implantada a ideia da pedagogia urbana, que compreende que as pessoas aprendem e contribuem com a cidade tanto quanto ela faz por cada um de seus habitantes.

O mundo é feito de pessoas e essas pessoas, a cada dia de suas vidas, estão tomando atitudes que afetam o planeta todo. Nastássia Castro Coordenadora da Yunus Negócios Sociais no Brasil

CONHEÇA AS INICIATIVAS

ESCOLA PORTÁTIL

YUNUS NEGÓCIOS SOCIAIS BRASIL www.yunusnegociossociais.com

© Fotos: Divulgação

A Escola Portátil foi uma série de processos experimentais de pedagogia espacial e urbana realizada pelo Coletivo Micrópolis em conjunto com alunos da Escola Estadual Maria Josefina Salles Wardi, no bairro Jardim Canadá, na cidade de Nova Lima (MG).

QUINTA DA ESTÂNCIA www.quintadaestancia.com.br COLETIVO MICRÓPOLIS www.micropolis.com.br

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© Fotos: Alan Miguel Gonçalves

Entrevista

Exalando aromas de

confiança

Regina Tchelly faz da alimentação saudável e consciente um processo de luta na favela Por Michele Bravos

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Por onde anda, nas ruas da Babilônia, no Rio de Janeiro – onde vive há 16 anos –, as pessoas a chamam de Cheirosa. E não podia ser Por Michele Bravos diferente: Regina Tchelly, de 35 anos, está sempre exalando alegria e confiança, além de todos os deliciosos aromas da culinária brasileira. Aventurando-se há duas décadas no universo da alimentação, desde 2008 essa paraibana percebe que a culinária transforma não apenas os ingredientes, mas também a vida das pessoas. Tchelly, como também a chamam, vem desenvolvendo a ideia de aproveitamento total de alimentos junto com a população da comunidade onde mora por meio do projeto Favela Orgânica. Ela acredita que uma alimentação saudável é possível, mesmo em espaços de vulnerabilidade, e também ressalta que uma redução de desperdícios é urgente para o mundo. Nesta entrevista à revista Em Família, ela nos conta sobre o início de seu projeto e o que a move diariamente.


Quando a alimentação passou a ser entendida por você como uma forma de transformar realidades?

Foi assim que surgiu o Favela Orgânica?

Eu saí de casa, na Paraíba, quando tinha 15 anos, e logo aprendi a cozinhar. Lembro que minha mãe tinha esse hábito de sempre fazer comida para a gente. Quando cheguei no Rio de Janeiro, vim morar na Babilônia e fui trabalhar como empregada doméstica em outras regiões da cidade. Além de fazer faxina, eu também cozinhava nessas casas. Então, comecei a perceber o enorme desperdício que existia tanto em uma realidade como em outra, bem como as dificuldades pelas quais o povo da favela, as pessoas da minha rua, passavam. Em paralelo a isso, em 2008 eu engravidei e descobri que poderia ter diabetes gestacional. Aliando a questão da minha saúde ao incômodo que tanto desperdício me causava, passei a ter uma alimentação mais saudável e resolvi que isso precisava ser expandido para a comunidade onde vivo.

Isso mesmo. Na Paraíba, é comum fazer o aproveitamento total dos alimentos. Essa, porém, não era a realidade do Rio de Janeiro. Eu passei a desejar ser uma cozinheira diferente, mais consciente. Acredito em uma cozinha que é mais humana e menos comercial. Em 2011, desenvolvi o projeto e o inscrevi em um edital para propostas que pudessem beneficiar a favela. Foi uma surpresa, mas ganhei um prêmio de 10 mil reais, o que possibilitou viabilizá-lo na Babilônia e em Chapéu Mangueira. Eu não queria mais trabalhar como empregada doméstica, então foi também uma oportunidade de iniciar algo que que já morava no meu coração.

E como foi a primeira ação do projeto?

Eu realmente achei que as pessoas tinham participado da primeira ação – que foi um curso de aproveitamento total dos alimentos oferecido para as mães da favela – para me agradar. Mas não foi, não! Depois eu percebi que elas tinham um interesse real. Muitas dessas mães nunca tinham feito nenhum curso na vida, muito menos sabiam sobre alimentação saudável ou como podiam fazer render um mesmo alimento de várias maneiras. O impacto que esse curso gerou foi imediato. Causou uma interferência positiva no dia a dia dos filhos dessas mulheres. Em poucas semanas, o curso contava com 40 inscritos.

Atualmente, como o Favela Orgânica se sustenta?

Eu faço o projeto porque acredito nele. Não tenho investidor. Conforme vou dando palestras e oferecendo oficinas pagas em outros espaços além da favela, vou conseguindo manter o projeto. Até pouco tempo atrás, era tudo feito na minha casa, mas, recentemente, consegui um novo lugar. Aprendi que não posso esperar ter dinheiro para fazer as coisas acontecerem. Eu nasci para causar mesmo (risos).

Eu passei a desejar ser uma cozinheira diferente, mais consciente. Acredito em uma cozinha que é mais humana e menos comercial. 15


© Foto: Sustainable Urban Farming

Entrevista

Podemos construir um mundo melhor nos preocupando também com o ciclo do alimento, percebendo o valor das pessoas que trabalham no campo, validando o pequeno produtor, aproveitando os alimentos de forma mais criativa. Por que falar da alimentação como uma causa?

No caso das crianças dessa comunidade, em que aproximálas da culinária pode contribuir para o desenvolvimento pessoal e social delas?

Eu tenho uma forte crítica sobre a elitização do alimento. Cada aprendizado sobre a cozinha deve ser considerado importante. Mas, hoje, tudo é gourmet. Até pipoca é gourmet. Só que as pessoas não sabem nem de onde vem o milho ou como é um galinheiro. Podemos construir um mundo melhor nos preocupando também com o ciclo do alimento, percebendo o valor das pessoas que trabalham no campo, validando o pequeno produtor, aproveitando os alimentos de forma mais criativa. A partir de agosto, o projeto vai ofertar oficinas de consumo consciente, de compostagem caseira, e de sementes, além de um curso sobre aproveitamento total dos alimentos para crianças e idosos e filmes sobre alimentação.

Vejo essa aproximação como necessária e indispensável. A gastronomia tinha que estar presente nas matérias escolares, para gerar conscientização. Eu percebo que as crianças se envolvem muito com as aulas de culinária. Elas fazem o curso comigo e depois vêm aqui em casa para pedir dicas. Além disso, elas acabam influenciando os pais e motivando-os a cozinhar de um jeito diferente.

RECEITA DE BRIGADEIRO DE CASCA DE BANANA Brigadeiro de casca de banana é a receita favorita de Regina Tchelly. Ela conta que esse é o mais pedido pelos amigos e familiares. Que tal fazer em casa?

INGREDIENTES 3 cascas de bananas em tiras 1 xícara de açúcar 2 colheres de sopa de margarina 4 colheres de farinha de trigo 1 xícara de leite morno 1 xícara de leite em pó 2 colheres de sopa de achocolatado 1 xícara de chocolate granulado Água até cobrir as cascas

PREPARO • Em uma panela, coloque as cascas, a água e o açúcar.

Por que ainda temos tanto desperdício de alimentos? Como mudar isso?

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Na minha opinião, existe um preconceito sobre o uso total do alimento, além de falta de informação e, às vezes, preguiça mesmo. Não estamos habituados a comer os alimentos integralmente. Vivemos à mercê da indústria e da mídia. Ninguém diz: “Coma pão feito de casca de abóbora”. Mas isso pode mudar a partir da conscientização da população. Uma das minhas ações nesse sentido é uma série que estou fazendo para a TV Cultura, que se chamará Amor de Cozinha, com foco no combate ao desperdício.

• Cozinhe até virar uma pasta. • Adicione os demais ingredientes, com exceção do granulado. • Mexa até desprender do fundo da panela. • Coloque em um prato e deixe esfriar. Faça bolinhas e envolva-as com o chocolate granulado.


EXPEDIENTE COLÉGIO MARISTA MEDIANEIRA R. Valentim Zambonato, 85 Erechim - RS Fone: 54 3520-2400 medianeira@maristas.org.br DIRETORA Cheila Daniane Marianof Milczarek VICE-DIRETORA Margaret Allegretti Paludo COMUNICAÇÃO E MARKETING Jéssica Psendziuk Barroso JORNALISTA RESPONSÁVEL Tiago Rigo (MTB 13919)

Gente nossa em movimento

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De auxiliar a coordenadora, a educadora Talita Bandurka conta a sua trajetória no Marista Medianeira.

Com a palavra

Educação Infantil

Caleidoscópio

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Conheça práticas que promovem a significação e o reconhecimento da linguagem no processo de aprendizagem.

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Ponto de vista

Ensino Fundamental

Ensino Médio

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Direção destaca a educação como direito fundamental.

EI EF EM

Cobertura dos principais projetos e atividades desenvolvidos no primeiro semestre letivo.

Giovan Longo, coordenador pedagógico dos Anos Finais e do Ensino Médio, fala sobre a urgência de uma igualdade para além dos gêneros.

Veja como o planejamento de espaços pedagógicos diferenciados pode promover maior interação no ambiente escolar.

Tecnologia muda a forma de relacionamento em sala de aula e transforma o processo de aprendizagem.

Diz aí

Em foco

APM

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Saiba de quais formas os estudantes usam os recursos tecnológicos para aprender.

A partir do tema Seu olhar sobre a escola, estudantes registram a própria percepção sobre o cotidiano escolar.

Confira algumas iniciativas promovidas pela Associação de Pais e Mestres.


Com a palavra

Educação como

direito fundamental:

nosso propósito de formação

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do Brasil Marista. Esses documentos orientam o trabalho a ser realizado em todas as escolas maristas do nosso País e destacam a importância do desenvolvimento do espírito investigativo, da autonomia intelectual, do protagonismo infantojuvenil, do posicionamento ético, do domínio das tecnologias e da solidariedade. Por meio dessas concepções os espaços da escola ganham uma organização diferente com o novo mobiliário, estimulando a utilização de metodologias pedagógicas mais ativas e inovadoras. Os Laboratórios de Tecnologias passam a ser móveis, instigando a pró-atividade e a curiosidade de professores e estudantes por novas descobertas. As metodologias pedagógicas adotadas incentivam o trabalho por meio da resolução de problemas e possibilitam a formulação de roteiros de estudo e aprendizagem que envolvam situações reais da vida cotidiana, dando significado ao ato de aprender e ensinar. A formação dos professores é realizada sistematicamente e conduz o educador a pensar e repensar a sua atuação na busca constante pelo envolvimento e a mobilização de seus estudantes. As temáticas estudadas e discutidas referem-se principalmente aos aspectos metodológicos e as diferentes possibilidades de tornar a escola, cada vez mais, um espaço de construção da autonomia e da vivên-

Colégio Marista Medianeira

cia de experiências significativas e que garantam a aprendizagem. O monitoramento dos resultados internos e externos, como provas, trabalhos, aprovação no Enem e vestibulares, também é levado em consideração e auxilia na busca de novas proposições. Enfim, somos escola em constante aprendizagem e convidamos a todos para aprender conosco!

A Rede Marista está vivenciando um significativo momento de mudança de espaços e tempos.

Cheila Daniane Marianof Milczarek Diretora do Colégio Marista Medianeira

© Foto: Acervo do Colégio

Muitos têm sido os espaços de discussão a respeito dos desafios da escola contemporânea. Pesquisadores atuantes em diferentes áreas da educação, dedicam-se a investigar e estruturar propostas educacionais que atendam às demandas formativas da atualidade e garantam o desenvolvimento pleno de crianças e jovens, durante o percurso da Educação Básica: Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. Associado a isso, as legislações e o campo das políticas educacionais como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9394/96), o Plano Nacional de Educação e as Diretrizes da Educação Básica, ampliam o diálogo a respeito dos conceitos e direcionamentos dos processos educativos a serem realizados na escola. Em consonância com esse movimento, a Rede Marista está vivenciando um significativo momento de mudança de espaços e tempos, bem como, a reestruturação do currículo no que diz respeito ao processo de ensino e aprendizagem. A inspiração para as mudanças vem de documentos que foram construídos por diversos educadores do Brasil Marista e validados por pesquisadores de excelência no campo educacional de diferentes universidades brasileiras. Eles contêm a atualização da pedagogia marista sob a luz de um novo tempo e são: as Diretrizes da Educação Infantil e das Matrizes Curriculares


Educação Infantil

Afeto que constrói Práticas que promovem a significação e o reconhecimento da linguagem no processo de letramento e alfabetização facilitam a aprendizagem

crianças, pois comunicam e decodificam mensagens a elas de forma lúdica”, enfatiza. Ainda que o exercício livre da escrita seja aperfeiçoado no começo do Ensino Fundamental, é durante a Educação Infantil que o papel de um elemento específico se destaca: o afeto. Seja na interpretação de uma música ou na contação lúdica de histórias, alimentar a imaginação das crianças acelera o processo de associação e significação, pois transforma o aprendizado em algo prazeroso. É nessa hora que os educadores e até mesmo os pais são parceiros ideais. “Transformar o desenho e a leitura em hábitos entre pais e filhos, por exemplo, é uma forma de desenvolver a consciência pela busca do conhecimento, da reflexão e da argumentação. Dessa forma, o estudante aprende a se posicionar e foge da superficialidade de uma alfabetização mecânica, que limita sua desenvoltura interpretativa”, esclarece Loide. No Colégio Marista Medianeira, um dos caminhos para o processo de alfabetização e letramento acontece por meio da literatura infantil. Com ela, surge a descoberta das fun-

ções da língua escrita e de seus variados usos significativos. Os projetos de investigação são motivados também pelas pesquisas em livros e enciclopédias sobre o tema em estudo, tendo figuras como base. Muitas vezes, é nesse processo que surgem as tentativas de leitura. Quando a criança vai, gradativamente, ampliando o seu vocabulário, gosta de brincar com as palavras, explorando as diferentes sonoridades por meio de ritmos e rimas. De acordo com a orientadora educacional do Colégio, Andréa Mesquita, no dia a dia escolar, a criança tem contato com diferentes gêneros textuais, como livros, jornais, bilhetes, gibis, cartazes, desenhos e símbolos. Sendo assim, ela já está inserida no universo do letramento mesmo ainda não lendo de maneira convencional. “Ao professor cabe o papel de mediador nesse processo da construção da leitura e escrita, sendo ele o agente responsável em proporcionar às crianças experiências que despertem o encantamento e as descobertas, potencializando a capacidade de imaginar, criar e desenvolver-se nas diferentes linguagens”, destaca Andréa. © Foto: Acervo do Colégio

Vogais, consoantes, sílabas e palavras têm seu papel reduzido quando o assunto é alfabetização (codificar letras e números) e letramento (interagir socialmente a partir da leitura e da escrita) nos primeiros anos de vida das crianças. Por maior que seja a ansiedade de muitos adultos e das próprias crianças, em determinados momentos, o processo efetivo de ler e escrever requer etapas que precisam ser respeitadas, sobretudo na primeira fase que compreende a Educação Básica: a Educação Infantil. Dos 2 aos 5 anos, as crianças vivenciam um período natural de reconhecimento de signos que é potencializado pelo auge da sua capacidade de assimilação. Conforme explica a supervisora pedagógica dos Colégios da Rede Marista Loide Pereira Trois, durante esse estágio, a criança inicia, ainda que inconscientemente, a construção de seu repertório de significados, pois está buscando compreender a natureza da linguagem que está em sua volta. “Canções, trava-línguas, adivinhas e poemas, por exemplo, são gêneros textuais adequados para o desenvolvimento da capacidade simbólica das

significados

Para interagir com seu filho! • Faça uma leitura diária. • Incentive-o a desenhar com você. • Cuide do repertório (boas referências e espaço adequado). • Interprete os personagens que ele gosta. • Incentive suas descobertas.

É por meio do estímulo e do incentivo do professor que os estudantes conhecem as formas de linguagem e se envolvem no universo da alfabetização de forma prazerosa.

Colégio Marista Medianeira

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Caleidoscópio EI Por meio do desenho e da pintura 3D com giz, os estudantes do Turno Integral puderam voar em balões e ser super-heróis!

2017

Na volta às aulas, a história do Instituto Marista, que comemora 200 anos de atuação no mundo, foi contada por meio da magia do teatro.

ACOLHIDA

O nível 3 construiu uma trama de teias, falando sobre expectativas para 2017 e fortalecendo vínculos com os colegas.

LUDICIDADE

© Fotos: Acervo do Colégio

No início do ano, a Educação Infantil vivencia o período de adaptação escolar, que é de extrema importância no desenvolvimento das crianças.

FORMAÇÃO Em maio, a coordenadora da Educação Infantil, Rosani Demarco, participou de uma formação para educadores na Itália, oportunizada pela Rede Marista.

O nível 1 iniciou o ano com atividades divertidas! A pintura com gelo colorido fez as crianças despertarem sua criatividade.

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Colégio Marista Medianeira


No projeto Minhas Significâncias, as crianças observaram o contorno e o volume do seu corpo e dos colegas, aprendendo mais sobre proporção e medida.

Através dos cantos temáticos construídos em sala de aula com diferentes materiais e objetos, sensações e descobertas são despertadas.

NA PRÁTICA

A mesa de luz é um dos meios utilizados para instigar as crianças a observarem as sombras, as formas e as cores dos objetos!

As crianças foram as protagonistas na festa de encerramento do nível 3 de 2016, apresentando aos pais os projetos que realizaram.

COMEMORAÇÃO

Fevereiro também foi mês de festejar o Carnaval na Educação Infantil. As crianças se fantasiaram e caíram na folia!

O plantio de temperos foi realizado com toda a Educação Infantil, desenvolvendo as sensações, o contato e o respeito à natureza.

Colégio Marista Medianeira

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Por uma igualdade para

além dos gêneros

A luta pela igualdade de gênero não é algo novo em nossa sociedade. Apesar disso, poucos entendem o real significado dessa luta e por que ela ainda se apresenta como necessária. Os “desentendidos” vão desde aqueles que insistem nela como apenas “mimimi de mulher” até aqueles que dizem defendê-la quando, na verdade, estão se apropriando de um discurso aparentemente igualitário para promover uma inversão do gênero dominante na sociedade. Entender o que significa gênero e por qual razão ainda é preciso falar em igualdade nesse âmbito é um bom início se quisermos um diálogo democrático sobre o tema. A diferenciação de gênero é criada culturalmente. Distinta daquela de sexo, que leva em consideração apenas questões biológicas, o gênero dá significado aos indivíduos para além daquilo que é natural do ser humano como espécie. “Ser homem” e “ser mulher” em sociedade determina papéis, comportamentos, formas de vestir, tipos de empregos e até valor de vida.

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Esses determinismos variam de acordo com a sociedade, mas há algo comum a quase todas: pertencer ao gênero feminino significa ser inferior e, muitas vezes, propriedade de quem pertence ao masculino. Violentadas física e psicologicamente, proibidas de uma identidade, retiradas de sua liberdade, as mulheres ainda são, em muitos lugares, impedidas de viver em estado de igualdade em relação aos homens. Estudos mostram que essa desigualdade está longe de ser superada. Enquanto isso, ainda há mulheres que são marginalizadas, oprimidas e afastadas de seus direitos. Conquistar a igualdade entre homens e mulheres é uma necessidade urgente. Nada justifica tratar um gênero como inferior ao outro. A condição de um indivíduo em sociedade não pode determinar seu valor, seu lugar ou seu papel. Culturas podem ser mudadas e práticas de exclusão e extermínio não devem ser mantidas. Espaços de diálogo precisam ser incentivados para que essas questões possam ser objeto de reflexão. Um desses espaços é a escola. Nela, encontramos um ambiente onde

Colégio Marista Medianeira

Por Giovan Longo, coordenador pedagógico dos Anos Finais e do Ensino Médio

diferentes se encontram. Precisamos garantir que nesse espaço eles se respeitem e tratem uns aos outros como iguais em dignidade e direitos. Ela é a grande responsável por promover um diálogo em busca de uma sociedade justa e igualitária a todos, independente de gênero ou sexo. É ali que aprendemos a ouvir, respeitar, olhar o outro em sua singularidade e, acima de tudo, compreendê-lo como alguém tão humano quanto nós. Esse é o caminho.

A diferenciação de gênero é criada culturalmente. Distinta daquela de sexo, que leva em consideração apenas questões biológicas, o gênero dá significado aos indivíduos para além daquilo que é natural do ser humano como espécie.

© Foto: Acervo do Colégio

© Foto: Dreamstime

Ponto de vista


© Foto: Acervo do Colégio

Ensino Fundamental

Espaços que inspiram a

APRENDIZAGEM

Os jogos pedagógicos são um dos recursos de aprendizagem que estimulam os estudantes a pensar nos conteúdos de forma diferente.

Planejamento de espaços pedagógicos diferenciados incentivam as descobertas dos estudantes e suas formas de interação no ambiente escolar Cada vez mais presente em estudos e pesquisas, o comportamento das novas gerações também ganha força na educação, suscitando debates sobre a forma com que as crianças devem ser encorajadas a aprender dentro do ambiente escolar. Estudantes oriundos da geração Alpha (nascidos a partir de 2010), por exemplo, têm como base de formação um mundo conectado, no qual geralmente a independência no agir se sobressai. Para atender às características desses jovens, hoje mais inquietos, reflexivos e opinativos, as formas de ensinar também estão se transformando, a começar pelos espaços de aprendizagens onde eles são recebidos. “A intencionalidade pedagógica do universo escolar precisa acompanhar esse estudante cada vez mais inovador, que aprende de forma diferenciada e está acostumado a experiências sensoriais pelo uso das tecnologias”, argumenta a assessora educacional dos Colégios da Rede Marista Cíntia Bueno Marques. Seja através de um brinquedo inovador, cujo uso precisa ser investigado pela criança, por uma mesa de atividades diferente, com elementos de

interação e compartilhamento, ou mesmo por uma disposição alternativa da sala de aula que valorize a coletividade, os espaços devem incentivar o estudante a exercitar sua autonomia. “Ambientes acolhedores e dinâmicos, que instigam as descobertas e as trocas entre estudante e professor, contribuem para o desenvolvimento de diversas competências e habilidades”, destaca a supervisora pedagógica dos Colégios Maristas Joice Bruhn da Silva.

MAIS INTERAÇÃO E APRENDIZADO Nos Colégios Maristas, o projeto de Reestruturação Curricular realizado no Ensino Fundamental e no Ensino Médio reformulou as metodologias empregadas, as escolhas pedagógicas e os instrumentos avaliativos, tendo a partir dessas mudanças também a reestruturação gradual dos espaços físicos. “No Marista Medianeira, as proposições de atividades motivadas pelas Sequências Didáticas, que são formas de organizar o trabalho com os conteúdos nas áreas do conhecimento, contextualizando-os, instigam os estudantes a diferentes formas de interação entre eles, os recursos e os

ambientes, oportunizando a ampliação e a construção de novos saberes. Além disso, propostas diferenciadas de mobiliário e de recursos de aprendizagem estão, gradativamente, sendo implementadas no Colégio, o que torna os espaços já existentes ainda mais adequados ao desenvolvimento da autonomia do estudante”, destaca a coordenadora pedagógica da Educação Infantil e dos Anos Iniciais, Rosani Bruschi Demarco. As modificações iniciaram com a Educação Infantil e o Ensino Médio, porém as salas do Ensino Médio são utilizadas por todos os estudantes da escola, em diferentes momentos e em virtude das propostas de trabalho dos professores. A nova configuração das mesas facilita o trabalho em grupos e o atendimento individual aos estudantes. A organização dos espaços, dos materiais e equipamentos disponíveis, como os totens, para carregar e conectar celulares e dispositivos móveis, paredes com películas, que permitem os registros e a sistematização dos aprendizados, possibilitam a interação constante entre professores e estudantes, entre eles próprios e com os objetos de aprendizagem.

Colégio Marista Medianeira

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Caleidoscópio EF Os estudantes que participam das oficinas extraclasse, junto com o 9o ano EF, encantaram o público na Noite Cultural com o espetáculo Peter Pan.

2017

No projeto Invasão Literária, o 6o ano EF surpreende as turmas do 5o ano EF com a representação de uma obra da literatura infantojuvenil.

LUDICIDADE

Através de competições internas, os estudantes já estão se preparando para o Festival Marista de Robótica Educacional. O evento, promovido em setembro, reúne estudantes maristas e de outras escolas do Estado.

EXTRACLASSE

© Fotos: Acervo do Colégio

Na caça ao tesouro realizada com as crianças do 1o ano EF, o desafio era encontrar a 'cabana' Registrando Conhecimentos. Lá, estavam seus cadernos, os "tesouros" para ler e escrever.

DESTAQUE No segundo semestre, ocorre o Maristão – Esporte e Integração, campeonato que envolve atletas todos os Colégios Maristas. Na última edição, o estudante Artur Modler conquistou o 1o lugar no Judô – categoria Sub 15 Pesado.

Neste ano, os estudantes podem optar pelo Judô nas oficinas extraclasse.

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Colégio Marista Medianeira


Dois estudantes do 5o ano EF de 2016, Julio Sabka e Antonielle Palavicini, foram classificados na etapa municipal do 8o Concurso de Desenho e Redação.

Por meio do Projeto Travessia, as turmas do 5o ano EF podem conhecer um pouco sobre como funciona o 6o ano EF.

NA PRÁTICA

Nas aulas de Ciências, os estudantes do 3o ano EF construíram um terrário, para estudarem as características de transformação dos ambientes.

Os estudantes do 1o ao 5o ano EF participam de momentos de formação com a Pastoral, em que refletem sobre o respeito às diferenças e sobre a concentração.

FORMAÇÃO

Em fevereiro, os educadores do Colégio vivenciaram momentos de formação na 1a Jornada Pedagógica.

As crianças do 2o ao 5o ano EF participaram de uma atividade de Educação Física, inspirada no filme Cordas, que aborda o tema inclusão.

Colégio Marista Medianeira

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Gente nossa

© Foto: Acervo do Colégio

Por Talita Bandurka, coordenadora de Turno do Colégio Marista Medianeira

Ser marista em diferentes dimensões Minha trajetória no Colégio Marista Medianeira iniciou em 2003, quando fui contratada como estagiária para a função de auxiliar da Educação Infantil e, nesse mesmo ano, estava ingressando no curso de Pedagogia. Desde então, iniciou-se uma caminhada de grandiosos aprendizados, desafios, construções de vínculos, amizades e graciosos momentos de conquistas e realizações. Vivenciei diferentes fases do Colégio, no entanto, o projeto de educar com amor foi o que sempre permaneceu e impulsionou todas as ações. Ao me lembrar desse percurso, é com imensa alegria que, hoje, digo: eu faço parte dessa linda história. Foram três anos como auxiliar de Educação Infantil até ser convidada a exercer a função de professora regente da turma do nível 3, na qual permaneci por 11 anos. Durante esse período, muitas crianças, pais, irmãos, avós, “dindos”, tios e amigos tive a oportunidade de conhecer, cada um com seu jeito.

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Nessa caminhada, também tive o prazer de acompanhar várias gerações da mesma família, sendo encantador observar o vigor com que cada novo estudante manifesta um sentimento de pertença ao ingressar em nosso meio, verbalizando com alegria: “EU SOU MARISTA!”. Cada história marista é o encontro de vida com a missão e o sonho de Champagnat. Tenho grande orgulho em dizer que meu local de trabalho é também onde construí muitas das minhas verdadeiras amizades, onde fortaleço diariamente valores e aprimoro meus aprendizados acadêmicos, concretizando em minha prática o compromisso de educar, de encantar, enfim, de amar. Nossa vida é feita de ciclos, e a partir desse ano estou exercendo a função de coordenadora de Turno, uma oportunidade de acompanhar processos pedagógicos, porém, sob um novo olhar. Mais do que um desafio, realizo-me em poder reencontrar, acompanhar e auxiliar crianças

Colégio Marista Medianeira

O carinho da 'profe' continua pelos estudantes que eram da sua turma em 2016, no nível 3 da Educação Infantil.

e jovens na sua construção integral como estudantes, preparando-os para a vida, orientando-os para que possam olhar para as suas realidades de forma mais efetiva. Tenho convicção de que novas aprendizagens e desafios estão por vir. Eu, como educadora marista, sinto-me responsável em fomentar e alimentar o sonho que Champagnat idealizou há 200 anos!

Cada história marista é o encontro de vida com a missão e o sonho de Champagnat.


© Foto: Acervo do Colégio

Ensino Médio

O Laboratório Móvel já está sendo utilizado pelos estudantes, proporcionando aulas cada vez mais interativas.

Uma aliada na educação Tecnologia muda a forma de relacionamento em sala de aula e transforma o processo de aprendizagem

Os populares quadro-negro, giz e apagador, que marcavam uma aula praticamente unilateral no ambiente escolar, estão sendo usados cada vez menos, dando lugar a recursos dinâmicos e interativos na sala de aula. A educação foi transformada, fortalecendo o vínculo humano e as possibilidades de aprimoramento, experiência e troca de conhecimento. Na medida em que avança, a inovação tecnológica tem provocado adaptações constantes no modelo de ensino, a fim de trazer o jovem para o centro da aprendizagem. De acordo com a supervisora pedagógica dos Colégios Maristas Shirley Cardoso, não se pode reconhecer a educação de hoje sem as tecnologias, pois elas se tornaram uma conexão essencial para uma aprendizagem diferenciada. Ela alerta ainda que a presença latente da tecnologia faz com que não só os dispositivos digitais se destaquem nas formas de interação e aprofundamento, mas também a dinâmica da relação entre educadores e estudantes. “Os professores conseguem explorar e adaptar melhor o conhecimento por saberem quais os anseios dos jovens”, complementa.

MATERIAL DIDÁTICO INOVADOR A proposta pedagógica marista tem na tecnologia uma forma de desenvolver diferentes habilidades, construindo e mobilizando diferentes linguagens e recursos. No Ensino Médio, o estudante interage com um material didático exclusivo, o Sistema Marista de Educação (SME). Desenvolvido por professores maristas, a plataforma convida o estudante a passar tanto pelo conhe-

cimento analógico, do conteúdo impresso, como o tecnológico, a partir de uma plataforma interativa que permite conexões. “O Sistema promove, com exclusividade, múltiplas aprendizagens nas áreas de conhecimento nos mais diversos temas e contextos, proporcionando uma aprendizagem significativa, com autoria e autonomia”, ressalta a supervisora pedagógica. O SME traz novas possibilidades em relação ao uso da tecnologia. É o que ocorre no Colégio Marista Medianeira, onde aparatos tecnológicos, como lousa digital e Laboratório Móvel de Informática – uma novidade implementada a partir deste ano –, têm seu uso ressignificado, já que o próprio material do Sistema traz consigo uma proposta voltada para o mundo digital. De acordo com o professor de Física e instrutor de Robótica Educacional no Colégio, Necleto Pansera Júnior, “o SME possibilita aos professores e estudantes acesso a ferramentas incríveis, tais como o planejador de aula, animações autoexplicativas, atividades extras, entre outros”. Sobre o uso do Laboratório Móvel, o professor Necleto destaca uma experiência. “Em uma de minhas aulas, solicitei aos estudantes uma pesquisa sobre mapas conceituais. Logo após, partimos a uma prática usando o software CmapTools, para construir um mapa. Assim que os alunos terminaram os trabalhos, eles foram disponibilizados online para todos. Essa foi uma forma de usar nossas ferramentas tecnológicas a favor da aprendizagem.” Essa e outras iniciativas vão ao encontro da proposta pedagógica marista, que proporciona ao estudante ser protagonista na construção do seu saber.

Colégio Marista Medianeira

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Caleidoscópio EM

Através da temática Privacidade Desorientada nas redes sociais: O que é a Baleia Azul e a série 13 Reasons Why?, o Colégio organizou um momento de formação com as famílias para aproximá-las da escola e reforçar o diálogo entre pais e filhos.

2017

O Colégio iniciou 2017 investindo em uma nova estrutura para as salas dos 1os anos EM, com mesas de estudo que possibilitam o aprendizado em grupo.

ACONTECEU

SOLIDARIEDADE

Organizado pelo Grêmio Estudantil, os Jogos Interséries são um momento de união e integração entre os estudantes.

VIVÊNCIA

Em viagem de estudos a Três Coroas e Cambará do Sul (RS), os estudantes do 2o ano EM visitaram os cânions, realizaram trilhas e praticaram rafting.

© Fotos: Acervo do Colégio

O ano de 2017 iniciou com três estudantes do Colégio participando da edição de verão do Intercâmbio Marista. O destino de Augusto, Eduardo e Thiago foi a Nova Zelândia.

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Colégio Marista Medianeira


No último Festival Marista de Robótica, o grupo de estudantes do 3o ano EM do Colégio e representantes dos ex-alunos conquistaram duas premiações no Desafio de Drones!

A Formação de Lideranças é um novo projeto desenvolvido pelo Colégio a partir desse ano, com os líderes de turma do 6o ano EF ao Ensino Médio, e busca valorizar o protagonismo estudantil, a integração, a partilha e a escuta aos estudantes.

DESTAQUE

A primeira Sexta-feira temática de 2017 do Terceirão foi sobre o tema Praia. As fantasias dos estudantes divertiram o recreio!

DIVERSÃO

Para incentivar projetos inovadores, o Colégio promove a Mostra Científica. Na última edição, foram inscritos 42 trabalhos científicos desenvolvidos pelos estudantes.

A volta às aulas do Colégio ficou mais colorida com a Holi – Festa das Cores, organizada pelo Grêmio Estudantil!

Colégio Marista Medianeira

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Diz aí

Como você

?

usa a TECNOLOGIA

LUCAS DAL PRÁ 1o ano EM

MARIA EDUARDA BARANDAS 3o ano EM

GUILHERME BRANCHER 3o ano EM

“Cada vez mais presente em nosso cotidiano, o uso das tecnologias facilita inúmeras atividades. O estudo, ocupando grande parte de nossas vidas, não deixa de ser uma dessas atividades em que usamos tecnologia. Leituras, pesquisas e busca por conhecimentos gerais formam, em meu caso, uma grande porcentagem do uso das tecnologias regularmente.”

“A tecnologia é algo que nos deixou muito dependentes nos últimos anos e, como ela está presente no nosso cotidiano, nada melhor do que saber utilizá-la a nosso favor. Seja aprendendo a partir de uma simples tarefa de casa ou de um trabalho científico, criando novas formas de estudo e acrescentando sempre as informações de maneira diferenciada e criativa.”

“A tecnologia pode proporcionar um auxílio muito grande nos estudos. Eu, por exemplo, utilizo o celular como uma maneira rápida e eficaz de pesquisa e também na organização e anotação de tarefas e provas. Costumo também assistir a videoaulas para reforçar as explicações dadas em sala, além de acessar um novo modo de explicação que pode facilitar o meu aprendizado.”

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Colégio Marista Medianeira

© Fotos: Acervo do Colégio

para aprender


1... 2... click!

Em foco

A partir do tema Seu olhar sobre a escola, estudantes registraram, por meio da fotografia, a própria percepção sobre o cotidiano escolar

“Gosto do Campo, porque é um ambiente em que podemos interagir e se exercitar de maneira saudável e legal.”

LUIZ ANSOLIN 5o ano EF “Sempre gostei do Parquinho, porque é um lugar de diversão, tem muitas crianças e brinquedos, como escorrega e balanço.”

LUIZA RODRIGUES 4o ano EF

“Eu gosto do Ginásio, porque lá não só brincamos, mas aprendemos vários tipos de esportes, dos fundamentos até o jogo.”

GUILHERME PIGATTO 6o ano EF

“A Biblioteca é uns dos melhores lugares do Colégio, pois posso estudar, fazer trabalho e ler.”

ANA CLARA MIOTTO 8o ano EF

“O Pátio é um dos meus lugares preferidos, pois tem espaços onde podemos conviver com os amigos no intervalo.”

MILENA PACHECO 7o ano EF

Colégio Marista Medianeira

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APM

Fique pordentro Confira algumas iniciativas da Associação de Pais e Mestres FESTA JUNINA A Festa Junina do Marista Medianeira é o maior evento do Colégio organizado pela Apamem, reunindo cerca de 2 mil pessoas a cada ano. É um momento de integração e confraternização entre famílias e escola, com apresentações artísticas, brincadeiras e demais atividades de lazer. A Apamem também é a responsável pela venda dos lanches e bebidas, contando com a colaboração do Grêmio Estudantil e do Clube de Mães. Para os estudantes, é uma oportunidade de interagir com a comunidade escolar.

TRICOTANDO CARINHO

CICLO DE PALESTRAS O Ciclo de Palestras, promovido desde 2015 pela Associação de Pais e Mestres do Colégio Marista Medianeira (Apamem), em parceria com o Instituto Anima Mundi, é um momento de formação para famílias e educadores. As palestras são ministradas pelo consultor em educação, Keivan Saberin. Já foram abordadas as temáticas da infância e adolescência, reunindo cerca de 150 famílias em cada módulo. O Ciclo de Palestras visa proporcionar aos pais uma melhor compreensão das fases do desenvolvimento pessoal e escolar das crianças e jovens.

O Tricotando Carinho é um projeto realizado desde 2015 por um grupo de mães da Apamem, que tem por objetivo produzir peças de tricô, como toucas e cachecóis, para serem entregues ao projeto Penélopes Solidárias - grupo formado por voluntárias que arrecadam mechas de cabelo, lenços e outras peças para doação a pessoas com câncer. O projeto, então, encaminha as peças para instituições que necessitam, como o Instituto do Câncer Infantil, de Porto Alegre, que atende cerca de 2 mil crianças, o Hospital Santa Teresinha, de Erechim, entre outros. As lãs para confeccionar as toucas e cachecóis são doadas para a Apamem pela comunidade. O grupo já produziu 100 peças manualmente. A associação convida mais pais e mães, que queiram participar e doar carinho, para se juntar ao projeto.

Para celebrar a cultura gaúcha no Colégio, é realizado anualmente o Entardecer Gaudério. O evento inicia pela manhã, com o Café de Chaleira, preparado pelos membros da Apamem, envolvendo também pais de ex-alunos e alguns estudantes. No final da tarde, acontece a venda de comidas típicas gaúchas e as apresentações artísticas com os estudantes dos 4os e 5os anos EF, contando com a participação de convidados especiais, como CTGs da cidade.

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Colégio Marista Medianeira

© Fotos: Acervo do Colégio

ENTARDECER GAUDÉRIO


Doação de sangue e de livros, revitalização de espaços públicos, aulas de português para imigrantes e visitas a pacientes internados em hospitais são algumas das mais de 80 iniciativas já cadastradas no Maristas em Rede. O projeto propõe a realização de duzentas ações para deixar um legado à sociedade no ano do bicentenário da missão marista no mundo.

A contagem continua! Para participar, proponha uma iniciativa ou seja voluntário nas ações já cadastradas. Acesse e saiba mais: maristas.org.br/emrede


Olhar

Como incentivar sem pressionar

?

© Imagem: Julyana Werneck

É possível motivar os filhos sem estresse, basta respeitar seus limites Por Dóris Helena Della Valentina *

Um dos elementos mais fortes da estrutura de desenvolvimento de uma criança ou adolescente é a influência que recebe da família. A vontade de ver os filhos sendo bem-sucedidos e o anseio de querer encorajá-los a lidar com os desafios da vida demonstram que os pais cumprem um papel muito importante – primeiro com seu interesse genuíno e a presença ativa, depois com o conhecimento que têm dos filhos e de suas capacidades de enfrentar ou temer situações desafiadoras. Sua capacidade de compreender, apoiá-los e buscar formas de superar as barreiras é muito importante para que as crianças e os adolescentes aprendam a enfrentar as dificuldades da e na vida. Isso auxilia no crescimento e no desenvolvimento de suas habilidades. Entretanto, se o nível de incentivo excede os limites e a capacidade do momento para eles, o apoio acaba se transformando em pressão. A pressão desnecessária e que ultrapassa os limites é a pior forma de conseguir um resultado e quanto mais cedo inicia, pior é. Então, como incentivar sem pressionar? Volta e meia vemos as dificuldades que surgem e os piores comportamentos e resultados obtidos frente à necessidade de agradar os pais ou de neutralizar os temores advindos de exigências e expectativas. A ansiedade, o medo e a desistência estão predominantemente presentes, associados à sensação de que decepcionam ou nada do que fazem é suficiente para agradar os pais. A tristeza, a desmotivação, a perda de interesse pela aprendizagem são as manifestações mais frequentes. Além dessas reações, a exigência de rendimento dos pais sobre os filhos pode resultar em quadros depressivos.

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forme em cobranças desmedidas, atrapalhando a relação que seu filho vai estabelecer com os desafios. Não podemos nos esquecer de que a ansiedade acaba acontecendo porque há uma necessidade da criança ou do adolescente em saber das próprias condições para atingir as descobertas necessárias para seu desenvolvimento. Devemos lembrar que, quando os pais atropelam o processo, logo poderemos ver o efeito negativo dessa atitude manifestando-se de várias maneiras, inclusive sob a forma de dúvidas, desconfiança, desvalorização e, consequentemente, em fracasso para enfrentar as diferentes etapas de aprendizagem. É importante, porém, entendermos que uma certa dose de ansiedade cumpre um papel positivo, desafiando-os a enfrentarem as situações, desenvolvendo condições próprias para realizarem as atividades propostas, crescendo e percebendo que foram bem-sucedidos frente ao novo. Isso gera um sentimento de valorização por suas capacidades e por parte dos pais, ao acreditarem que eles são capazes. Essa é uma das maneiras de colaborar e estimular o estudante a aprender de uma forma leve e prazerosa.

A ansiedade, o medo e a desistência estão predominantemente presentes, associados à sensação de que decepcionam ou nada do que fazem é suficiente para agradar os pais.

© Foto: Bruno Todeschini/PUCRS

O acompanhamento, as orientações e os incentivos têm uma importância muito maior que as pressões e a cobrança. O melhor caminho é esclarecimento diante das dificuldades e impossibilidades, demonstrando que, mesmo que a criança não tenha conseguido atingir um desempenho muito elevado, está se esforçando e se desenvolvendo e precisa lidar com algumas coisas que ainda não atingiu. É importante mostrar o que ela já conquistou e buscar formas de auxiliá-lo a alcançar as habilidades necessárias. É fundamental entender que um grau adequado de motivação, se exercida na medida certa, se transforma em capacidades e conquistas para o jovem em desenvolvimento. A ansiedade em poder afirmar que seu filho é melhor que o filho dos outros na etapa em que se encontram pode ser desestabilizadora. É importante que não nos esqueçamos de que cada criança ou adolescente tem seu ritmo no processo de aprender e que o interesse é variável para cada um. Expectativas exageradas demonstram que há muita angústia frente às capacidades dos filhos gerando sofrimento. Precisamos ficar atentos para que a ansiedade não se trans-

Dóris Helena Della Valentina Professora do curso de Psicologia da Escola de Humanidades da PUCRS.

Em cada edição, um especialista é convidado para partilhar a sua visão sobre um determinado assunto.

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Curiosidade

O mundo pede por

mais gestores Com uma crise ética mundial refletida em diversas esferas, pessoas com perfil de gestão são o tesouro do mercado de trabalho do amanhã

© Foto: Freepik

Por Michele Bravos

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“Em 2017, não se fala em novas profissões, mas em profissões ressignificadas”. É o que afirma Débora Barem, professora de Gestão de Pessoas e Mercado de Trabalho da Universidade de Brasília (UnB). “As formações já existentes permanecem as mesmas – com uma ou outra exceção –, mas a questão está nas possibilidades ampliadas e nas novas frentes de trabalho.” Débora cita como exemplo a crise ética em que o mundo se encontra. “Diante de um cenário de tantas corrupções e valores éticos sendo ignorados, profissionais que atuem nas áreas de auditoria e controladoria de empresas, por exemplo, são cada vez mais necessários. Podem ser contadores que atuarão como gestores na área de ética.” Ela também destaca as problemáticas ambientais e o quanto elas abrem espaço no mercado de trabalho. “A quantidade de lixo que se produz hoje no mundo é preocupante. Para isso, existem os profissionais da gestão do lixo, que podem ser biólogos com Pós-Graduação em Administração.” “Gestão” é a palavra-chave quando se fala em tendência de mercado atualmente. Entende-se por “gestor” a pessoa que desempenha um papel de liderança e gerenciamento, planejando estratégias de atuação, delegando tarefas e acompanhando processos. “As empresas e os serviços ofertados estão cada vez mais profissionais. Já se foi o tempo em que um médico bem-conceituado, mas sem

noção de gestão assumia a direção de um grande hospital. Hoje, compreende-se a necessidade de um gestor capacitado para que os negócios sejam bem-sucedidos”, afirma a professora. Débora ainda comenta que o movimento que se vive hoje de uma maior preocupação com os direitos humanos e um aumento nas práticas de solidariedade é uma tendência social no mundo todo, mas que ainda não é tão forte na economia. “Pode ser que, no futuro, isso se reflita em tendências de mercado, de um modo mais amplo.”

ESCOLHA PROFISSIONAL Ao se deparar com as dúvidas próprias do Ensino Médio com relação à escolha da profissão, as estudantes do Colégio Marista Assunção Ana Carolina Esteves, Eduarda Corchaki, Luísa Izolan e Mariana Remião pesquisaram a fundo sobre suas inquietações e ainda desenvolveram um aplicativo para ajudar outras pessoas, o #Profissão. A pesquisa virou tema da iniciação científica das adolescentes, que entrevistaram 60 alunos para identificar as necessidades dos colegas, além das suas próprias. Com o conteúdo em mãos, as meninas desenvolveram o aplicativo para Android, sem custo algum, a partir da ferramenta Fábrica de Aplicativos. É possível baixá-lo gratuitamente na Google Play Store.


FIQUE ATENTO! Vale lembrar que, na hora da escolha profissional, é preciso alinhar os sonhos particulares com aquilo que parece interessante no mercado atual. Perceber as tendências globais pode ser um termômetro para a decisão de carreira, para que não seja feito um investimento de tempo e dinheiro em algo que, a longo prazo, estará em extinção.

FORA DO ESCRITÓRIO O trabalho remoto é também apontado como uma tendência de mercado. “O mundo tem trabalhado de casa.” Apesar disso, Débora reconhece que essa ainda não é uma realidade tão forte no Brasil, o que está relacionado à cultura da nação. “A maioria das empresas brasileiras ainda parte da premissa de que o empregador paga pelo tempo do colaborador. Não importa se ele tem trabalho naquele dia ou não, ele deve estar no escritório das 8h às 18h. Contrária a essa ideia é a perspectiva de que o funcionário é pago por resultados. Logo, não importa quantas horas ele vai trabalhar nem de onde ele vai realizar as suas tarefas.” A professora aponta que essa mudança de pensamento é possível conforme as empresas forem percebendo que há mais ganhos em manter profissionais trabalhando remotamente do que em bancar uma estrutura com divisórias, ar-condicionado, cafezinho, papel-toalha, itens de papelaria etc. O termo “nômade digital” já vem sendo usado mundialmente para se referir àqueles que optaram por profissões que permitem trabalhar de qualquer lugar do mundo, desde que possuam uma conexão wi-fi, um computador e um aparelho móvel. Em geral, são profissionais que atuam como produtores de conteúdo, fotógrafos, videomakers, designers, tradutores, vendedores de e-commerce etc.

NOVOS GESTORES De acordo com Débora Barem, professora da UnB de Gestão de Pessoas e Mercado de Trabalho, os novos gestores têm se tornado peças importantes nos seguintes segmentos:

ÉTICA

Diante de um cenário mundial de corrupção, as empresas precisam garantir que não estão infringindo leis, por isso funções em auditoria e controladoria estão em alta. Organizações que nunca passaram por uma auditoria, por exemplo, agora estão passando. Formações possíveis: Administração, Economia, Contabilidade, Engenharia.

TRIBUTAÇÃO

Mais do que compreender as leis tributárias, o mercado, atualmente, precisa de gestores que dominem o assunto “tributação”. Formações possíveis: Direito, Contabilidade.

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MEIO-AMBIENTE

Para se abrir uma empresa, considera-se, primordialmente, a adequação às leis trabalhistas e às normas de preservação ambiental. Devido às regras de cuidado ao meio ambiente cada vez mais rígidas, profissões de gestão relacionadas à temática também são tendências. Um exemplo seria um administrador com especialização no bioma cerrado ou um gestor de lixo. Formações possíveis: Administração com pós-graduação em Meio Ambiente; ou graduações em Biologia ou Engenharia Ambiental, com pós-graduação em Gestão.

SAÚDE

Os hospitais precisam de pessoas capacitadas para planejar e organizar o andamento de uma unidade de saúde. Os cursos de Pós-Graduação específicos para gestão na área da saúde são valorizados para essa atuação.

Gerenciamento de mídias sociais e criação de jogos continuam entre as profissões bem-posicionadas, porém o mercado tem buscado alguém que, além de compreender a linguagem digital e dos códigos de computador, dialogue com o universo dos negócios. É um empreendedor – aquele que identifica possibilidades e faz a ideia acontecer – com domínio de tecnologia da informação. Formações possíveis: Engenharias, Sistema de Informação.

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Solidariedade

A resposta ao sonho de

transformar

o mundo

O dia 2 de janeiro de 1817 marca o começo de uma história que segue sendo escrita até hoje. São dois séculos desde que São Marcelino Champagnat deu início à atuação marista como resposta ao sonho de transformar o mundo e a vida de milhares de pessoas pela educação. E para celebrar esses 200 anos, o projeto Maristas em Rede propõe a realização de 200 ações de impacto social no âmbito da educação, cidadania, direitos humanos, arte e cultura, esporte, espiritualidade, sustentabilidade e inovação. Conheça algumas delas:

Por Michele Bravos

CIDADANIA E DIREITOS HUMANOS

ARTE E CULTURA

EDUCAÇÃO

COMUNICAMOR COPA DOS REFUGIADOS A Pastoral Juvenil Marista (PJM), o Grupo de Voluntariado e o Grêmio Estudantil do Colégio apoiaram o projeto Copa dos Refugiados com uma campanha para arrecadar brinquedos para as crianças auxiliadas pela iniciativa. A iniciativa contou com a divulgação e a visita da jovem pacifista Ingrid Soto, cantora com composições autorais sobre o amor e a esperança de um mundo melhor.

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MINIBIBLIOTECA o Colégio Marista Maria Imaculada disponibiliza uma minibiblioteca na ala pediátrica e na maternidade do Hospital Municipal de Canela. Os livros ficam à disposição dos leitores, com marcadores de página com mensagens positivas, confeccionados pelos estudantes.

Projeto que envolve a produção de dois vídeos institucionais para divulgar o trabalho e a relevância das associações Recriando a Vida e Madre Alix para a comunidade. Todas as etapas do projeto, como elaboração do roteiro, entrevistas, captura das imagens, edição e apresentação, contaram com o envolvimento dos estudantes. A iniciativa foi idealizada pela Assessoria de Comunicação do Colégio Marista Medianeira e realizado em parceria com a Coordenação de Pastoral.

Público atendido: Crianças auxiliadas pelo projeto Copa dos Refugiados.

Público atendido: Ala pediátrica e maternidade do Hospital Municipal de Canela.

Público atendido: Comunidade de Erechim.

Unidade envolvida: Colégio Marista Rosário, Porto Alegre (RS).

Unidade envolvida: Colégio Marista Maria Imaculada, Canela (RS).

Unidade envolvida: Colégio Marista Medianeira, Erechim (RS).


ESPIRITUALIDADE

ESPORTES

SUSTENTABILIDADE

INTEGRAÇÃO E CUIDADO Em comemoração ao dia do fundador do Instituto Marista, São Marcelino Champagnat, é realizada a Olimpíada Champagnat. A iniciativa busca integrar toda a comunidade escolar e construir momentos significativos de aprendizagem e convivência. Nesse período, são realizadas diversas atividades pedagógicas, religiosas, solidárias, esportivas e culturais. Entre as ações, destaca-se a arrecadação de agasalhos e fraldas que são doados às instituições locais, atendidas pelo programa de Voluntariado Marista.

ADOTE UMA PRAÇA INCLUSÃO NO ESPORTE Nas aulas de Educação Física, o professor proporciona aos estudantes práticas esportivas inclusivas como: Basquete de cadeirantes e Futebol de cegos.

Jovens da PJM fizeram uma faxina na praça, retirando de lá lixos e galhos secos. Com o jardim refeito, eles entregaram a Praça Boa Esperança para a comunidade, que o tem ocupado para prática esportiva, brincadeiras, rodas de conversa e chimarrão.

Público atendido: Comunidade educativa e Instituições beneficentes.

Público atendido: Comunidade educativa.

Público atendido: Comunidade local.

Unidade envolvida: Colégio Marista São Francisco, Rio Grande (RS).

Unidade envolvida: Colégio Marista João Paulo II, Brasília (DF).

Unidade envolvida: Escola Marista Santa Marta, Santa Maria (RS).

Queremos potencializar ideias e sonhos que contribuam para desenvolver pessoas e comunidades. Você pode participar por meio da realização de ações, apoiando projetos já existentes e/ou como voluntário. Saiba mais através do link:

maristasemrede.com.br INOVAÇÃO

RODA LIVROS Com objetivo de promover o acesso aos livros, o Hospital São Lucas (HSL) oferece a seus colaboradores e à comunidade um acervo bibliográfico sobre rodas. Além do estimulo à leitura, o projeto Roda Livros tenta promover a humanização do espaço hospitalar. Público atendido: Colaboradores do HSL e público em geral. Unidade envolvida: Hospital São Lucas da PUCRS.

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Como fazer

Aprendendo a

ES T U DA R

Estudar é um hábito que também se aprende e cada estudante possui um jeito particular de construir conhecimento Por Michele Bravos

“Essa geração de hoje em dia não quer saber de estudar.” Será que é isso mesmo? Ou seriam as práticas de estudo aplicadas que não têm sido as mais adequadas? A orientadora educacional Clamarta Pasuch, do Colégio Marista Champagnat, de Porto Alegre (RS), afirma que existem diversas técnicas de estudo e que elas variam de acordo com o perfil de cada pessoa. “Há pessoas que estudam fazendo esquemas, são mais visuais. Outras precisam de um lugar muito silencioso. Outras gostam de ler o conteúdo em voz alta.” Ela afirma que o que não pode acontecer é o estudante e os pais insistirem em uma mesma técnica de estudo quando ela não está dando resultado. “Quando um estudante não tem um bom rendimento em uma prova, das duas uma: ou ele não estudou o suficiente ou o método usado não o ajudou a compreender o conteúdo.” Por isso, é preciso dar oportunidade para os estudantes testarem o que lhes será mais adequado. É importante que estudantes e pais entendam que estudar não é sinônimo de decorar. “Estudar é registrar conhecimento, é saber organizar as informações aprendidas em determinada situação”, afirma Sandra Hoffmann, professora de Matemática do Colégio Marista São Luís, em Santa Cruz do Sul (RS), e que também está à frente de um projeto que visa potencializar o hábito do estudo no Colégio. Por isso, ela sugere que o estudante tenha um diário de estudo – prática que já tem sido aplicada no Marista. “Nesse diário, ele vai escrever um resumo, fazer um mapa mental, registrar o que aprendeu naquele dia." Dessa forma, o estudante pode sempre revisitar o diário antes da próxima aula, o que contribui para um aprendizado mais efetivo. Leonardo Agostini, supervisor de Pastoral dos Colégios Maristas, que é também professor universitário na PUCRS, percebe como seus alunos de Ensino Superior muitas vezes têm dificuldade em ler um texto mais

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complexo. “O problema não é que eles não têm capacidade de compreensão, mas há lacunas no aprendizado lá atrás. O estudante não compreendeu algo e deixou passar. Quando chega à universidade, tem dificuldade para se aprofundar em determinados assuntos.”

Hábito de estudar Para os entrevistados desta matéria, ter um hábito de estudo significa estudar diariamente, pelo menos uma hora por dia, no período inverso ao da aula. “O hábito se constrói com o tempo e a cada ano o estudante vai ficando mais autônomo com os seus estudos”, diz Clamarta. Agostini defende que o conteúdo deve ser revisitado até 24 horas após o estudante ter tido o primeiro contato com aquele tema. Segundo Sandra, é uma ilusão achar que o estudante está aprendendo só porque ele vai bem nas avaliações, revendo o conteúdo um dia antes da prova. “Ele até pode tirar notas boas, mas não está aprendendo. Está apenas criando uma memória curta. A prova irá passar e o conteúdo será esquecido.” Segundo Agostini, para um período de estudo ser bem aproveitado, também é preciso levar em conta a forma como determinada técnica está sendo aplicada. “Sublinhar texto, por exemplo, é uma técnica bastante comum, mas a chave está em como sublinhar. Há pessoas que sublinham um parágrafo inteiro e daí, quando voltam no texto, já não sabem mais o que era tão importante ali.” Sandra comenta que antes de sublinhar, é preciso primeiro fazer uma leitura rápida; depois, uma leitura mais atenciosa; e, em seguida, marcar em colchetes as frases que chamam mais a atenção para, então, sublinhar as palavras que são chaves para a compreensão daquele conteúdo. Por fim, é ideal fazer anotações pessoais próximas ao parágrafo destacado. Ou seja, até para sublinhar existe um caminho mais efetivo.


COMO CRIAR UMA ROTINA DE ESTUDOS?

Sentido nos estudos A orientadora educacional ressalta que é importante que as crianças vejam sentido no que estão estudando. “É recorrente a reclamação de que adolescentes não gostam de estudar. Realmente, nessa faixa etária, ir à escola é mais prazeroso pela convivência social do que pelo aprendizado. Mas para que isso seja diferente, o estudante precisa saber por que é importante estudar, ele precisa compreender que diferença aquilo fará em seu dia a dia para, então, encontrar motivação para estudar.” Agostini sugere que o estudante precisa ver no conteúdo de sala de aula uma aplicação prática em seu cotidiano. Assim, ele se sentirá mais disposto a estudar. Nessa rotina de estudos, cabe aos pais acompanharem os filhos. “Eles não precisam dominar o conteúdo, e nem mesmo saber se o filho está fazendo certo ou errado, mas precisam estar presentes, saber se o filho está estudando de fato, se está com alguma dúvida. E, ao perceber algo nesse sentido, procurar o colégio”, afirma Sandra. Agostini também pontua que é importante que os pais estejam alinhados com as propostas de estudo da escola, para que o aprendizado seja potencializado. “É importante esse alinhamento para que, quando o filho chegar em casa com um caderno de exercícios para fazer e alguns textos para ler, os pais compreendam a importância disso e não descredibilizem o professor diante deles.”

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Agenda da semana – Analise os horários do seu filho e crie, junto com ele, uma tabela semanal com todas as atividades, incluindo os horários das refeições, o tempo de convívio em família e as horas para os estudos. Atividades extras – As atividades extras devem, sim, permanecer na rotina dos filhos, mas desde que eles deem conta das responsabilidades que cada uma exige. Tempo de estudo em casa – É importante que o estudante tenha um período de, no mínimo, uma hora para estudar em casa, no turno inverso ao da aula. Estudar não é só ir para a escola. Também é preciso contabilizar o tempo necessário para realizar trabalhos e leituras de cada disciplina. Lugar adequado – Organize um lugar adequado para seu filho estudar. Bem-iluminado, distante de distrações externas e sem o celular. É importante que ele tenha uma mesa de estudos e uma cadeira própria para isso. Estudar no sofá ou na cama não traz bom rendimento, pois são lugares propícios para o descanso e o sono.

Estudar é registrar conhecimento, é saber organizar as informações aprendidas em determinada situação. Sandra Hoffmann professora de Matemática do Colégio Marista São Luís, em Santa Cruz do Sul (RS).

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Nesta edição, apresentamos dicas de livros e filmes sugeridas pelo assessor da área de Ciências Humanas dos Colégios Maristas, Renato Capitani.

SAPIENS – UMA BREVE HISTÓRIA DA HUMANIDADE Yuval Noah Harari Editora L&PM O conteúdo deste livro é muito mais do que a sistematização de fatos, nomes e datas. Na Educação Básica, como componente curricular da área de Ciências Humanas, a História é uma fonte imprescindível à compreensão de quem somos e do mundo em que vivemos. Em Sapiens, Harari revisita a história da humanidade de maneira original, reflexiva, problematizadora e polêmica. É uma análise que faz pensar – e é isso justamente isso que mobiliza as Ciências Humanas como área do conhecimento.

© Fotos: Divulgação

MAFALDA – TODA MAFALDA Joaquín Salvador Lavado (Quino) Editora Martins Fontes

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Criada pelo cartunista argentino Quino, Mafalda é o espírito das Ciências Humanas em ação: reflexiva, problematizadora, crítica, polêmica e, especialmente, profundamente preocupada com os problemas da humanidade. A história em quadrinhos é um misto de humor, filosofia, sociedade, política, sutileza e ironia.


CLÁSSICOS EM MANGÁ Editora L&PM O acesso aos clássicos é uma premissa das Ciências Humanas e uma demanda pedagógica que exige estratégias criativas. É justamente essa a proposta do Clássicos em mangá, que aproxima os leitores de algumas obras clássicas da literatura universal, como Assim falou Zaratustra, de Friedrich Nietzsche; O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald; Os irmãos Karamázov, de Fiódor Dostoiévski; e A metamorfose, de Franz Kafka.

NA NATUREZA SELVAGEM Sean Penn (2007) Na natureza selvagem é um filme que propõe muitas reflexões, todas elas extremamente relevantes no contexto das Ciências Humanas: a insatisfação com a sociedade na qual se vive, a lógica do consumo, o sentido da vida, os valores que contam, entre outros. O filme é uma adaptação do livro de não-ficção, de mesmo nome, de 1996 do escritor Jon Krakauer.

A ONDA Dennis Gansel (2008) O holocausto é, possivelmente, a maior “cicatriz da humanidade”. Como foi possível a ditadura de Hitler? Ela poderia se repetir hoje? Esses são exemplos de problemas enfrentados pelas Ciências Humanas. Quer pensar sobre eles? Então assista ao filme A onda, inspirado no livro homônimo de 1981 do autor americano Todd Strasser.

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Diversão

Cultivado

EM CASA Fuja dos agrotóxicos! Vamos fazer uma horta? Por Michele Bravos

Que tal preparar uma pizza marguerita com tomates e folhas de manjericão plantados na varanda ou no quintal da sua casa? Optar por produtos orgânicos nem sempre é a melhor escolha para o bolso, mas cultivar algumas hortaliças e temperos em casa pode ser uma opção sustentável e que faz bem à saúde. No dia a dia do brasileiro, o consumo de agrotóxicos é tamanho que chega a classificar o país como o que mais consome produtos com pesticidas no mundo, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente. Segundo um relatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), cerca de um terço dos produtos avaliados foi classificado com uma quantidade de agrotóxicos imprópria para o consumo. Entre os dez produtos com maior nível de pesticida por amostra estão a alface e o tomate, tão comuns nas refeições diárias do brasileiro. Ingerir tanto veneno pode trazer problemas pontuais, como um mal-estar 24 horas após o consumo, mas também pode ter consequências graves a longo prazo, como câncer e má formação de fetos. Para ajudar você a fugir dos agrotóxicos, a revista Em Família conversou com o biólogo Luís Felipe S. Aguiar, consultor e educador ambiental da Quinta da Estância, em Viamão (RS), sobre como começar uma horta em casa. As dicas são válidas desde para quem tem uma pequena varanda até para quem tem um grande quintal.

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ILUMINAÇÃO Lembre: plantas necessitam de luz! Seja sua horta externa ou interna, procure um lugar com uma boa luminosidade natural. Isso é essencial para o crescimento e a saúde delas.

RECIPIENTE ADEQUADO Podemos utilizar recipientes distintos, tais como: vasos, floreiras, calhas, canos de PVC e até garrafas PET. O importante é escolher o tamanho adequado para o que se pretende plantar. Recomenda-se a utilização de um vaso de, no mínimo, 10 cm ou 15 cm de profundidade, e se for plantar lado a lado, um espaçamento de 15 cm a 20 cm de distância entre as mudas. Caso queira se plantar tomates, por exemplo, o vaso precisa ter aproximadamente 60 cm de profundidade e ser exclusivo para a planta, uma vez que ela cresce bastante.

VASINHOS Para o plantio em recipientes menores, uma dica importante é colocar uma parte de areia para uma de terra preparada. Isso faz com que a terra não fique encharcada. Certifique-se de que o recipiente utilizado possui furos em sua base para a aeração do solo e o não acúmulo de água.


TERRA SAUDÁVEL É o preparo do solo que vai deixar suas plantas com a qualidade desejada. A terra deve ser rica em nutrientes. Uma maneira fácil de garantir isso é comprar a terra própria para o plantio (adubada, com pH correto) em casas especializadas. A terra não pode estar compactada, pois isso dificulta a absorção de água pelas raízes, que, assim, podem apodrecer. Além disso, podem surgir pragas, principalmente fungos. Revolver a terra do canteiro e misturar com a preparada é uma ótima opção.

DISPOSIÇÃO Se a horta for plantada em vasos, garrafas ou canos, uma boa alternativa é a disposição em degraus. Aí, a sua criatividade pode entrar em ação e fazer de sua pequena horta um recanto charmoso e, ao mesmo tempo, saudável. A disposição em níveis, criando uma horta suspensa, ainda permite uma maior variedade de vegetais.

AS HORTALIÇAS Procure saber um pouco mais sobre o que você quer plantar antes de comprar as mudas ou sementes. Dê preferência para plantas de raízes mais curtas. Mudas são mais fáceis de manter do que hortas produzidas a partir de sementes. Essas últimas demandam um cuidado maior com irrigação, luz e calor. Caso for plantar a partir de sementes compradas, leia bem os rótulos, pois lá estão listados os cuidados de que cada espécie necessita. Sua horta pode ser decorativa, mas é para o consumo. Priorize aquilo que você come com frequência.

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TOP 10 DE ALERTA!

PIMENTÃO

91,8%

MORANGO

63,4%

PEPINO

57,4%

ALFACE

54,2%

CENOURA

49,6%

ABACAXI

32,8%

BETERRABA

32,6%

COUVE

31,9%

MAMÃO 30,4% TOMATE

16,3%

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© Foto: Dreamstime

Os dez alimentos com maior taxa de agrotóxico por amostra, segundo o relatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa):


© Foto: Acervo Cesmar

Essência

Haja oxigênio!

Respiração consciente e silêncio em meio ao caos

Ana Luiza Amaral Ruiz Psicóloga no Centro Social Marista de Porto Alegre – Cesmar

Simplificadamente, pode-se dizer que “caos” significa desordem, confusão, desequilíbrio. Neste tempo em que vivemos, rodeados de compromissos, responsabilidades, acelerações e múltiplas funções, é comum que a angústia, o mal-estar e outras reações negativas se instalem, atrapalhando nossas percepções, ações e relações. Agitação, ansiedade e sensação de inconstância trazem prejuízos internos e externos. Uma forma de buscar equilíbrio em meio a tudo

isso vem de algo que fazemos automaticamente a todo o momento: respirar. Nem sempre respiramos corretamente, de forma completa, preenchendo plenamente nossos pulmões. Costumamos fazê-lo de forma breve, não aproveitando todo o potencial organizador do oxigênio que podemos inspirar. Respirar corretamente pode ajudar a regular a frequência cardíaca e arterial, a ativar o relaxamento, a baixar ansiedade, entre outros. Além disso, respirar conscientemente tam-

Nem sempre respiramos corretamente, de forma completa, preenchendo plenamente nossos pulmões. Costumamos fazê-lo de forma breve, não aproveitando todo o potencial organizador do oxigênio que podemos inspirar.

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bém traz benefícios emocionais, cognitivos e físicos. Quanto melhor nossa respiração, melhor nossa saúde física, psíquica, emocional e relacional. A respiração aponta para o sentir e o perceber a partir de dentro. Com isso, aumentam as percepções, a autoconsciência, e o autocontrole, além de surgirem muitas outras mudanças. Isso tudo nos aproxima de outro aspecto importante de nossas vidas: a atenção, um processo cognitivo essencial e uma função mental imprescindível. É inevitável ligar a respiração consciente à atenção plena que a meditação propicia. Essa prática milenar vem sendo fonte de pesquisas científicas em diversas áreas, para aplicação em diferentes contextos. Respirar ajuda a lidar com o estresse, reduzindo-o; aumenta o foco, importantíssimo nas muitas situações do cotidiano; e traz benefícios quanto à qualidade de nosso sono, aspecto organizador de nossas aprendizagens e memórias. Se falarmos em meditação, logo nos vem à mente a dificuldade em aquietar o turbilhão de pensamentos. Dessa forma, reforço a ideia de se concentrar na respiração consciente, silenciar para escutar esse movimento fisiológico, focar a atenção nesse momento. Assim, agimos mais e reagimos menos. Fazemos contato com o aqui/agora. E se a essência da teoria do caos indica que uma pequena mudança em determinada condição inicial leva a efeitos imprevisíveis, fica o convite para esse cuidado pessoal com alcances inter-relacionais.


(In)formação de qualidade em rede para uma educação de excelência. Para seguirmos produzindo conteúdo qualificado e de relevância, queremos ouvir a sua opinião! Afinal de contas, a revista Em Família é feita para você e sua família! Avalie e indique temas a serem abordados aqui:

colegiomarista.org.br/revista-em-familia Contamos com suas contribuições!


Colégio Marista Medianeira  

12ª Edição | 1º semestre 2017

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