Page 1

12a edição | 1o Semestre 2017

COMO FAZER

Existem jeitos mais adequados e eficazes de se estudar. Descubra como contribuir para a rotina de estudos dos filhos.

DIA A DIA

Conheça argumentos que farão você repensar o consumo excessivo de carne.

Ações LOCAIS. IMPACTOS globais. Uma visão sustentável do planeta desconhece fronteiras e cargos. É de todos a responsabilidade de tornar o mundo um lugar melhor.


CULTIVAR A PRÁTICA DA LEITURA HOJE É SEMEAR UM FUTURO REPLETO DE VALORES. A FTD Educação e o Integra Confessionais estão juntos na missão de cultivar a prática da leitura nas escolas e casas, ao lado de professores e familiares dos alunos, para semear em cada jovem valores essenciais para a construção de um cidadão transformador do seu futuro e da sociedade ao seu redor.

Para Ensino Fundamental I e II

PARA O ALUNO

Embalagem especial personalizada

CENTRAL DE RELACIONAMENTO COM O CLIENTE

0800 772 2300 || 2

www.ftd.com.br


Com 200 anos de presença mundial e há 117 anos presente no Rio Grande do Sul, a atuação dos Colégios e das Unidades Sociais da Rede Marista se dá, atualmente, em 13 cidades gaúchas e em Brasília. São 26 Colégios e nove Centros Sociais, que atendem, diariamente, mais de 20 mil crianças, jovens e adultos.

Presidente da Rede Marista Ir. Inácio Nestor Etges

COLÉGIOS Colégio Marista Aparecida colegiomarista.org.br/aparecida | 54 3449 2600

Colégio Marista São Luís colegiomarista.org.br/saoluis | 51 3713 8500

Colégio Marista Assunção colegiomarista.org.br/assuncao | 51 3086 2100

Colégio Marista São Marcelino Champagnat colegiomarista.org.br/ejachampagnat | 51 3584 8000

Colégio Marista Champagnat colegiomarista.org.br/champagnat | 51 3320 6200

Colégio Marista São Pedro colegiomarista.org.br/saopedro | 51 3290 8500

Colégio Marista Conceição colegiomarista.org.br/conceicao | 54 3316 2700

Colégio Marista Vettorello colegiomarista.org.br/ejavettorello | 51 3086 2100

Elder Filippe

Colégio Marista Graças colegiomarista.org.br/gracas | 51 3492 5500

Escola Marista Santa Marta colegiomarista.org.br/santamarta | 55 3211 5200

Coordenador de Comunicação e Marketing

Colégio Marista Ipanema colegiomarista.org.br/ipanema | 51 3086 2200

Vice-Presidente da Rede Marista Ir. Deivis Fischer COLÉGIOS E UNIDADES SOCIAIS Superintendente Executivo Rogério Anele Coordenador Jurídico

Tiago Rigo Gerente Educacional Ir. Manuir Mentges Gerente Social Ir. Luciano Barrachini Supervisão Editorial Katiana Ribeiro e Reinaldo Fontes Conselho Editorial Luciano Centenaro, Patricia Saldanha e Simone Martins

Colégio Marista Irmão Jaime Biazus colegiomarista.org.br/jaimebiazus | 51 3086 2300

Colégio Marista Maria Imaculada colegiomarista.org.br/imaculada | 54 3278 6100

Marista Aparecida das Águas Marista Menino Jesus Marista Renascer Marista Tia Jussara colegiomarista.org.br

Colégio Marista Medianeira colegiomarista.org.br/medianeira | 54 3520 2400

CENTROS SOCIAIS

Colégio Marista João Paulo II colegiomarista.org.br/joaopauloii | 61 3426 4600

Colégio Marista Pio XII colegiomarista.org.br/pioxii | 51 3584 8000 Colégio Marista Roque colegiomarista.org.br/roque | 51 3724 8100 Colégio Marista Rosário colegiomarista.org.br/rosario | 51 3284 1200

Sede Marista R. Ir. José Otão, 11 - Bonfim - Porto Alegre/RS CEP: 90035-060 Tel.: 51 3314-0300 / 0800 541 1200

colegiomarista.org.br socialmarista.org.br

ESCOLAS DE EDUCAÇÃO INFANTIL

Colégio Marista Sant’Ana colegiomarista.org.br/santana | 55 3415 2900 Colégio Marista Santa Maria colegiomarista.org.br/santamaria | 55 3220 6300

Marista Aparecida das Águas Marista Boa Esperança Marista da Juventude Marista de Inclusão Digital (Cmid) Marista Ir. Antônio Bortolini Marista Mario Quintana Marista de Porto Alegre (Cesmar) Marista Santa Isabel Marista Santa Marta socialmarista.org.br

Colégio Marista Santo Ângelo colegiomarista.org.br/santoangelo | 55 3931 3000

POLO MARISTA

Colégio Marista São Francisco colegiomarista.org.br/saofrancisco | 53 3234 4100

Polo Marista de Formação Tecnológica socialmarista.org.br

12a Edição | 1o Semestre 2017 PERIODICIDADE Semestral

REVISÃO Lumos Soluções Editoriais EDIÇÃO

PROJETO GRÁFICO Estúdio Sem Dublê | semduble.com

Redação: Michele Bravos Edição de arte: Julyana Werneck

ILUSTRAÇÃO DA CAPA Julyana Werneck | Freepik

Supervisão editorial: Maria Fernanda Rocha Envie comentários, críticas e sugestões sobre a revista para o e-mail faleconosco@maristas.org.br

© Todos os direitos reservados. Todas as opiniões são de responsabilidade dos respectivos autores.

3


Índice

capa

8

Empresas e sociedade juntas em prol de mudanças efetivas no mundo, reconhecendo que ações locais podem ter impactos globais.

1a impressão

5

Rogério Anele, superintendente dos Colégios e Unidades Sociais, destaca o bicentenário marista e os principais temas desta edição.

Dia a dia

Entrevista

Olhar

6

Confira argumentos que farão você repensar o consumo excessivo de carne.

14

Conheça Regina Tchelly e sua forma criativa de pensar o aproveitamento total dos alimentos. Com ela, não tem desperdício!

34

Curiosidade

Solidariedade

Como fazer

36

38

40

Em um mundo com tantas crises, a demanda por gestores é cada vez maior. Entenda como as profissões estão sendo ressignificadas.

Conheça a história do Instituto Marista e as ações que têm dado continuidade ao sonho de Marcelino Champagnat.

A construção do conhecimento é diária, por isso o hábito de estudar deve ser repensado para além dos dias antecedentes à prova. Veja como.

Compartilhar

Diversão

Essência

42

44

46

Confira algumas dicas de livros e filmes sugeridas pelo assessor da área de Ciências Humanas dos Colégios Maristas, Renato Capitani.

4

Existe limite para o incentivo. No artigo desta edição, compreenda como se fazer presente sem pressionar.

Cultivar uma horta em casa pode ser um momento agradável em família, além de garantir uma redução de níveis de agrotóxicos no seu prato.

Em artigo, a psicóloga Ana Luiza Amaral Ruiz aborda os benefícios que a respiração traz para a mente em meio à correria diária.


Juntos por uma

1a impressão

sociedade melhor mudança, apresentamos o trabalho de Regina Tchelly, idealizadora do projeto Favela Orgânica em uma comunidade do Rio de Janeiro. Em entrevista à revista Em Família, ela revela sua disposição em não ignorar os problemas de seu entorno. Diante da miséria e do grande desperdício de comida que vivemos no mundo, Tchelly propõe oficinas que ensinam sobre o aproveitamento total dos alimentos. Muitas vezes, não nos damos conta do que estamos ingerindo e dos impactos que a escolha do que comemos pode trazer para nossas vidas e para o meio ambiente. Duas matérias nesta edição propõem uma reflexão sobre esse tema, discutindo o consumo excessivo de carne e também a proporção de agrotóxicos presentes em frutas e vegetais. Vale repensar nossos hábitos alimentares. Todo hábito, afinal, é algo que pode ser desenvolvido. Veremos isso na matéria Aprendendo a estudar, em que especialistas comentam sobre como aprimorar a prática do estudo, apresentando informações sobre a construção da memória e do conhecimento. E mais: saiba como incentivar os filhos sem pressioná-los, quais são os os benefícios de uma respiração consciente, bem como dicas de livros e filmes, entre outros assuntos. Que esta edição seja, mais uma vez, um convite ao aprofundamento de assuntos de relevância para a educação de nossas crianças e de nossos jovens! Que os 200 anos de vida e memória da nossa instituição nos inspirem a seguir construindo o legado de nosso fundador. Uma boa leitura a todos!

A responsabilidade é de todos, e nossa motivação deve ser a busca por diálogos que nos levem a respostas construídas coletivamente.

© Foto: Divulgação / Comunicação e Marketing

Em 2 de janeiro de 1817, Marcelino Champagnat iniciou o sonho que concretizamos diariamente: transformar a vida de crianças e jovens por meio da educação evangelizadora. Nesses 200 anos de atuação marista, podemos afirmar o quanto uma iniciativa que começou localmente, lá no interior da França, foi capaz de tomar grandes proporções e mobilizar milhares de pessoas em todo o mundo. Hoje, somos presença nos cinco continentes e, juntos, levamos adiante a missão de promover a vida sob a bênção da nossa Boa Mãe. Em sintonia com a história e a origem do Instituto Marista, convidamos você a refletir sobre como atitudes locais podem impactar em prol de uma sociedade melhor. Na matéria de capa, destacamos de que forma metas de melhorias mundiais, como o equilíbrio do aquecimento global ou espaços urbanos mais sustentáveis, podem ser alcançadas se trilharmos um caminho de forma coletiva. A responsabilidade é de todos, e nossa motivação deve ser a busca por diálogos que nos levem a respostas construídas coletivamente. Compreendendo também a importância de vislumbrar novas possibilidades diante da atual crise ética refletida em diversas esferas, buscamos especialistas para abordar as tendências do mercado de trabalho no cenário atual. Essa reportagem você confere na editoria Curiosidade, que desvela como as profissões estão sendo ressignificadas e qual o perfil profissional mais demandado no momento. A partir do entendimento de que cada pessoa pode ser um agente de

Rogério Anele Superintendente dos Colégios e Unidades Sociais da Rede Marista

5


Comida sem carne também é

© Fotos: Freepik | Divulgação

Dia a dia

A alimentação vegetariana e a vegana têm crescido no país. Em benefício da saúde ou por motivos ideológicos, que tal repensar o consumo excessivo de carne? Por Michele Bravos

No prato, um estrogonofe bem saboroso e cremoso, com cogumelos, creme de leite extraído do coco, molho de tomate caseiro, tudo bem temperado. Hum… Mas e a carne picadinha? Bom, esse é um strogonoff diferente e é uma das inúmeras receitas veganas que têm ganhado a mesa do brasileiro. Dados da Sociedade Brasileira de Vegetarianismo (SBV) afirmam que o interesse da população por uma alimentação vegana tem aumentado. Por outro lado, uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que a quantidade de vegetais ingerida pelos brasileiros ainda é menor do que a ideal indicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que corresponde a 400 g/dia. A família Bisotto aderiu à alimentação vegetariana (que não inclui produtos animais, mas, em alguns casos mantém o consumo de ovos, leite e derivados) há alguns anos e Eliom, 8 anos, estudante do Colégio Marista Graças, em Viamão (RS), nunca comeu carne. Raquel, a mãe, vem de uma família tradicional gaúcha, então cresceu comendo churrasco. Mas aos 16 anos decidiu que iria mudar. “Para mim, comer carne nunca foi natural. A alimentação tem que ser viva. Uma alimentação morta – derivada de animais e muito processada – certamente tem menos energia.” Para a nutricionista vegana Anazelly Guimarães – que adotou o veganismo como um estilo de vida e, portanto, busca excluir todas as as formas de ex-

6

ploração e de crueldade contra animais, seja para a alimentação, para o vestuário ou para qualquer outra finalidade –, é possível ter uma alimentação completa e saudável sem a ingestão de alimentos derivados de animais. “Nós não precisamos da carne para viver bem. Existe uma grande preocupação sobre os níveis de ferro e proteína no organismo, mas eles podem ser supridos com combinações adequadas na alimentação.” Ela exemplifica que as folhagens (alimentos com folhas verdes escuras, como brócolis), por exemplo, são ricas em ferro. Além disso, outra dica é preparar a comida em panelas de ferro. Quanto à proteína, a nutricionista explica que a combinação de cereais (arroz, milho, quinoa) com leguminosas (feijão, grão de bico, ervilha) forma um complexo que supre essa demanda. Ela ainda complementa que, além desses dois grupos de alimentos, não podem faltar no prato dos vegetarianos e veganos: castanhas, que dão o aporte necessário de gordura saudável, de zinco, selênio e proteína; e brotos e cogumelos, que possuem um perfil de proteína muito indicado para quem pratica atividades físicas. Anazelly afirma que para se ter uma alimentação vegetariana ou vegana saudável é preciso montar pratos bem coloridos e ricos em variedade. “Um problema comum entre aqueles que estão em uma transição de estilo de alimentação está em substituir a carne por massa. Isso pode acarretar em ganho de peso.”

CHEIA DE COR E SABOR Se antigamente comida vegetariana ou vegana era sinônimo de insossa, hoje os pratos são cheios de sabores e cores. Alguns perfis no Instagram são um colírio para os olhos, dão água na boca e incentivam o consumo desse estilo de alimentação, com receitas bem práticas para várias refeições – do café da manhã de todo dia ao jantar de sexta à noite com os amigos.

@vegetariangastronomy

@vegan_straws

@presuntovegetariano

@plantadoecolhido

@brusselsvegan

@nanaicecreamtoday

@vegetarirango

@bettanbelen


PELA SAÚDE Segundo uma pesquisa realizada pelo Datafolha (2017), 63% dos brasileiros querem reduzir o consumo de carne e 35% estão preocupados com as consequências que a alimentação carnívora pode trazer para a saúde. Nesse sentido, Anazelly lembra que o consumo excessivo de proteína animal pode acarretar em uma sobrecarga da função renal, distúrbios gástricos e intestinais, além de um aumento na probabilidade de desenvolver doenças cancerígenas. “O animal absorve mais agrotóxicos do que as plantas, por exemplo. Sem falar nos hormônios injetados em animais criados para o abate e os embutidos, que são muito processados.” Conforme Raquel, desde que parou de comer carne, sente-se mais disposta e que até o humor melhorou. Resfriado também não é mais algo recorrente. A nutricionista pontua que a única vitamina que fica deficiente no organismo com ausência de produtos animais é a Vitamina B12. “Para solucionar esse déficit, o vegetariano ou vegano é instruído a suplementá-la de forma sintética, a partir de bactérias em laboratórios.” Ainda de acordo com Anazelly, não há contraindicações para uma alimentação vegetariana ou vegana – pelo contrário: “O leite de vaca, por exemplo, é um alimento bastante inflamatório e um dos mais alergênicos. Esse leite foi feito para o bezerro beber, e não para os seres humanos.”

POR IDEAIS Tanto para Raquel quanto para Anazelly, não comer carne também é uma escolha fundamentada na lógica de que não é preciso sacrificar animais para poder se alimentar. “Existem muitas outras fontes de alimentação, que exercem maior respeito sobre todos os seres. Tudo coexiste conosco, para que vivamos em um planeta melhor”, diz Raquel.

CRIANÇA VEGETARIANA OU VEGANA, PODE?! Para a nutricionista Anazelly, é possível introduzir uma alimentação sem derivado de animais no cardápio da criança desde a primeira infância. Ela afirma que, após a amamentação, a criança pode começar a consumir folhagens, leguminosas, cereais, leites vegetais, castanhas, tudo preparado de forma adequada para cada idade. “Eu falo por experiência própria. Tenho um bebê de um ano e oito meses e prezo para que ele tenha uma alimentação mais pura." Raquel afirma que o desenvolvimento de Eliom sempre foi muito bom. “Quando ele era bebê, cada vez que ia ao pediatra havia ganhado 900 gramas.” Ela ainda conta que o filho tem uma saúde ótima e não apresenta nenhuma dificuldade na realização das atividades diárias da escola pela falta de carne. A nutricionista sugere que os pais expliquem para a criança os motivos pelos quais ela não está comendo carne. “Precisa fazer sentido para ela, porque o estilo de alimentação dela é diferente.” Ela sugere que essa conversa pode ser mediada com ajuda do livro That's why we don't eat animals (É por isso que não comemos animais, em uma tradução livre), de Ruby Roth.

A mãe de Eliom percebe que o filho não aceita bem a ideia da morte do animal, que evidencia um sofrimento. “Eu lembro uma vez em que ele estava participando de uma atividade de escoteiro na qual eles deveriam preparar uma carne e avisei a líder do grupo de que ele não participaria desse momento. Junto com ele, outras crianças, que nem são vegetarianas ou veganas, optaram por também não participar, por não se sentirem bem com aquilo.” Para Anazelly, não se pode desconsiderar todo o processo de produção de carne. “A forma de morte desses animais é muito cruel. Optar por não consumir produtos derivados de animais gera um bem pessoal e para o mundo também.” Para aqueles que estão dispostos a pensar em um consumo mais consciente de carne, a SBV lidera a campanha Segunda Sem Carne, a qual sugere que, nesse dia da semana, não se consuma nenhum tipo de alimento de origem animal. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o segmento de produção animal é um dos responsáveis pelos mais sérios problemas ambientais. A

campanha aponta que se uma pessoa deixar de comer 220 g de carne por um dia, ela economizará 792 litros de água (o equivalente a 16 banhos), e 50 kg de CO2 deixarão de ser emitidos na atmosfera (aproximadamente o que seria despejado no planeta durante uma viagem de carro de 240 km). E aí? Dá para passar a próxima segunda sem carne?

Existe uma grande preocupação sobre os níveis de ferro e proteína no organismo, mas eles podem ser supridos com combinações adequadas na alimentação. Anazelly Guimarães Nutricionista vegana

7


Capa

ATITUDES locais DE

impacto global

© Ilustração: Freepik

Empresas e sociedade juntas para mudanças efetivas Por Michele Bravos

Uma agenda para 2030 com 17 metas para serem alcançadas. Após as melhoras significativas atingidas pelos países tendo como base os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – ver quadro na página 11 –, convocando a população a se engajar, nos próximos anos, na solução dos problemas apontados, como questões relacionadas à educação, pobreza, gênero, cidades, meio ambiente e consumo consciente. Segundo Nastássia Castro, uma das coordenadoras da Yunus Negócios Sociais no Brasil, repartição local da Yunus Social Business Global, os ODS carregam uma característica bastante particular em comparação com os ODM: o reconhecimento da necessidade de um engajamento civil. “Uma análise da ONU feita após o encerramento dos ODM concluiu que esse projeto esteve muito voltado ao diálogo e à chamada de responsabilidade do governo. Porém, não se falou diretamente com as empresas e a população”, expõe Nastássia. Vale lembrar que foi objetivando atingir uma dessas metas – especificamente, o ODM 1, que visava acabar com a fome e a miséria – que o Brasil erradicou a fome no País por meio do programa Fome Zero, por exemplo. Houve, portanto, muitas articulações governamentais, porém pouca movimentação por parte dos cidadãos.

8


Nastássia Castro Coordenadora da Yunus Negócios Sociais no Brasil Nastássia explica que a ONU se deu conta de que, para atingir o desenvolvimento sustentável, é preciso que empresas e sociedade civil também se engajem. “O mundo é feito de pessoas e essas pessoas, a cada dia de suas vidas, estão tomando atitudes que afetam o planeta todo”, ressalta. Ela ainda explica que, por esse motivo, os ODS são uma tentativa de alcançar as metas não atingidas anteriormente pelos ODM e cujo foco reside justamente na mensuração dessas iniciativas. Essa quantificação de resultados se dá em resposta a um movimento, compreendido pelo empreendedorismo social, de que qualquer iniciativa, quando pensada, deve ser escalável e replicável. O professor Muhammad Yunus, fundador do Yunus Social Business Global, é um dos embaixadores da ONU focados em tornar as metas dos ODS possíveis de serem cum-

A ideia, agora, é que esse empreendedorismo seja ampliado para além do conceito empresarial, pensando em alguém que tenha uma boa proposta de solução para um problema. Todo cidadão tem uma sugestão de melhoria sobre algo que o incomoda. Nastássia afirma que, em um modelo de metas sustentáveis, a sociedade é incentivada a participar e conquistar junto com o terceiro setor e o poder público essas melhorias. “A pergunta é simples: o que eu, cidadã ou cidadão, consigo fazer para contribuir para a construção de um mundo melhor?”. Nastássia pontua que é importante ser realista, considerando as limitações financeiras e físicas na hora da resposta. O importante, contudo, é fazer acontecer: “Se você tem o mínimo, faça com o mínimo”, defende ela.

Muhammad Yunus aposta no investimento em negócios sociais que proponham soluções locais com consequentes impactos globais.

© Foto: Dear World

Uma análise da ONU feita após o encerramento dos ODM concluiu que esse projeto esteve muito voltado ao diálogo e à chamada de responsabilidade do governo. Porém, não se falou diretamente com as empresas e a população.

pridas, provocando um impacto global real. Dessa forma, a Yunus Negócios Sociais investe em empresas de negócios sociais ou de impacto social que consigam criar soluções locais, vislumbrando sua expansão. “Isso quer dizer que, depois que os problemas são identificados, é preciso buscar uma solução que ainda não tenha sido pensada ou bem-executada, implementá-la e alinhá-la com os objetivos locais até que ela atinja níveis internacionais, por meio da replicação de um modelo proposto em outras partes do mundo”, relata Nastássia. “Nós compreendemos que a melhor coisa que pode acontecer para um empreendedor social é que sua iniciativa morra, pois isso significa que o problema social que o motivou a buscar uma solução acabou”.

9


© Foto: Divulgação

Capa

A Quinta da Estância é um sonho de Sônia e Lucídio Goelzer compartilhado com os filhos André, Rafael e Lucas, ex-alunos do Marista Graças, em Viamão.

INICIATIVA PRIVADA Algumas iniciativas brasileiras têm contribuído efetivamente para que o mundo alcance objetivos mundiais de melhoria social. A Quinta da Estância, localizada em Viamão, no Rio Grande do Sul, é um exemplo disso. A empresa é membro do Núcleo Estadual dos ODS e integra o Pacto Global das Nações Unidas sobre práticas que contribuem para diminuição das alterações climáticas. O pensamento vanguardista acompanha desde o início os fundadores Sônia e seu esposo Lucídio Goelzer – e agora, também, os sucessores e diretores da fazenda Lucas, André e Rafael, filhos do casal, que foram estudantes do Colégio Marista Graças. Na década de 1990, o casal já entendia a necessidade de agir em prol da preservação do meio ambiente. Ao comprarem um pequeno pedaço da terra da fazenda de um amigo, perceberam que a experiência de viver a natureza não podia ser restrita aos seus familiares. Foi assim que Sônia, na época professora na rede pública do Rio Grande do Sul, começou a fazer visitas guiadas pelo terreno com seus alunos. Tal prática permanece até hoje, já tendo atendido 1,2 milhões de estudantes. Além disso, todo ano são disponibilizadas 2 mil vagas a instituições como a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) para visitas gratuitas. “Quando o estudante tem conheci-

10

mento prático daquilo que está vendo em sala de aula, ele absorve mais as informações, tendo mais subsídios para transformar isso em uma ação de impacto real na sociedade”, afirma Rafael Goelzer, diretor de relacionamento da Quinta da Estância.

Quando o estudante tem conhecimento prático daquilo que está vendo em sala de aula, ele absorve mais as informações, tendo mais subsídios para transformar isso em uma ação de impacto real na sociedade. Rafael Goelzer Diretor de relacionamento da Quinta da Estância Com o passar dos anos, os diretores foram compreendendo que o pa-

pel da empresa não era apenas local, mas global, e, por isso, outras práticas foram sendo agregadas ao dia a dia da fazenda. “A natureza não reconhece as nossas divisões geopolíticas. Nós não queremos ser uma ilha de sustentabilidade, mas agentes de pulverização no mundo”, diz Rafael. Educação ambiental: Até o momento, cerca de 1,2 milhões de estudantes já visitaram a fazenda.

Diante das mudanças climáticas, desde 2007, a empresa neutraliza todo o carbono utilizado – calculando até o gás emitido pelo carro no deslocamento para uma reunião. “Nós queremos criar uma poupança para o planeta. Eu já tenho um superávit de absorção de carbono, mas não tenho


interesse nenhum em vender esse extra para que outras empresas continuem poluindo mais. Se eu mantiver o ritmo de neutralização neste ano, teremos carbono neutralizado até 2046”, conta o diretor de relacionamento. São cerca de 102 hectares de plantio de árvores, em um terreno de 103 hectares. Um hectare é reservado para as atividades educacionais e operacionais da empresa.

A pergunta é simples: o que eu, cidadã ou cidadão, consigo fazer para contribuir para a construção de um mundo melhor?”.

© Foto: Divulgação

Nastássia Castro Coordenadora da Yunus Negócios Sociais no Brasil

11


Capa Para eles, a cidade é como um campo de experimentação e um espaço de diálogo, onde possibilidades podem ser vislumbradas. “No começo, a gente vislumbrava ser uma resposta para os problemas da cidade. Por isso, fazíamos muitas intervenções. Percebemos que mesmo algo pontual causava uma forma de perceber o espaço de um jeito diferente. A partir disso, identificamos que podíamos ser menos intervencionistas e mais criadores de plataformas de debate – como jornais e rádios do bairro – sobre como aquele lugar ou situação poderia ser diferente”, conta Vitor Lagoeiro, membro do Micrópolis. Como afirma o arquiteto, “desde a hora em que nós acordamos e pegamos o ônibus, já estamos enfrentando o resultado de políticas públicas”.

Da hora em que nós acordamos e pegamos o ônibus já estamos enfrentando o resultado de políticas públicas. Vitor Lagoeiro Arquiteto e membro do Coletivo Micrópolis

© Foto: Divulgação

Rafael ainda ressalta a importância de as empresas terem práticas sustentáveis atreladas ao próprio negócio. “Não fazer ações filantrópicas se estou, ao mesmo tempo, poluindo o rio”. Por isso, o empresário se empenha em fazer palestras para disseminar uma cultura de gestão sustentável. “Quero que os empresários percebam que se uma fazenda aqui em Viamão está fazendo algo, a empresa deles também pode fazer, independentemente de seu porte”. Ele ainda frisa que esse tipo de ação tem consequências cíclicas no planeta. “É preciso ter uma visão sistêmica e compreender que cada ação pode trazer uma diferença de impacto global. Estamos vivendo uma realidade de planejamento. A sustentabilidade é uma visão a longo prazo”. Na Quinta da Estância, todos os funcionários contratados são residentes no município onde a fazenda está localizada. Além disso, Rafael já foi presidente da Associação Comercial de Viamão e apoia a defesa de situações que possam prejudicar a região. “Não somos um empreendimento separado nem do âmbito local e nem do global. Eu acordo todos os dias acreditando que fazemos um negócio transformador”, confessa.

SOCIEDADE CIVIL Também é chegada a hora de a sociedade reconhecer seu papel nesse ciclo de impactos globais e entender que atitudes locais podem gerar consequências mundiais. Uma iniciativa alinhada com essa proposta é o Coletivo Micrópolis, sediado em Belo Horizonte, Minas Gerais, focado em repensar das cidades. O Coletivo surgiu em 2010, fruto de um grupo de trabalho composto por sete universitários humanistas da faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que continuam trabalhando juntos com esse propósito até hoje.

12

O Coletivo Micrópolis é formado por Belisa Murta, Fernanda Gomes, Felipe Carnevalli, João Carneiro, Marcela Rosenburg, Mateus Lira e Vítor Lagoeiro.


© Foto: Shutterstock

Passar por uma mudança de olhar sobre quem se é no mundo é visto como emergencial por Lagoeiro. Por isso, a questão tem mais a ver com enxergar possibilidades do que com implantar uma ideologia. O Micrópolis tem como diretrizes uma postura etnográfica, uma escuta ativa, a promoção de ações que não sejam expositivas, um olhar intimista, a identificação de potencialidades e a autoria compartilhada. Quando questionado sobre o impacto global de iniciativas locais, Lagoeiro entende os reflexos mundiais como uma consequência de um trabalho que está sendo bem realizado em um âmbito menor. Ele também aponta para soluções replicáveis, como um mecanismo para se atingir esse impacto, compartilhando da ideia de Yunus. Ele ainda ressalta a importância do trabalho conjunto: “Para além de nós, existe uma coletividade que desconstrói a cidade como ela é vista, trazendo transformação. Em nossos processos, documentamos tudo e buscamos divulgar, para que as ações sejam apropriadas e reinterpretadas por outros grupos e aconteçam em outros locais”. A ideia de atuar no local visando desdobramentos globais, parte de um esforço de comunicar o que já tem sido feito. “Entendo experiências como aprendizados”, conclui Lagoeiro. No coração desses cidadãos está implantada a ideia da pedagogia urbana, que compreende que as pessoas aprendem e contribuem com a cidade tanto quanto ela faz por cada um de seus habitantes.

O mundo é feito de pessoas e essas pessoas, a cada dia de suas vidas, estão tomando atitudes que afetam o planeta todo. Nastássia Castro Coordenadora da Yunus Negócios Sociais no Brasil

CONHEÇA AS INICIATIVAS

ESCOLA PORTÁTIL

YUNUS NEGÓCIOS SOCIAIS BRASIL www.yunusnegociossociais.com

© Fotos: Divulgação

A Escola Portátil foi uma série de processos experimentais de pedagogia espacial e urbana realizada pelo Coletivo Micrópolis em conjunto com alunos da Escola Estadual Maria Josefina Salles Wardi, no bairro Jardim Canadá, na cidade de Nova Lima (MG).

QUINTA DA ESTÂNCIA www.quintadaestancia.com.br COLETIVO MICRÓPOLIS www.micropolis.com.br

13


© Fotos: Alan Miguel Gonçalves

Entrevista

Exalando aromas de

confiança

Regina Tchelly faz da alimentação saudável e consciente um processo de luta na favela Por Michele Bravos

14

Por onde anda, nas ruas da Babilônia, no Rio de Janeiro – onde vive há 16 anos –, as pessoas a chamam de Cheirosa. E não podia ser Por Michele Bravos diferente: Regina Tchelly, de 35 anos, está sempre exalando alegria e confiança, além de todos os deliciosos aromas da culinária brasileira. Aventurando-se há duas décadas no universo da alimentação, desde 2008 essa paraibana percebe que a culinária transforma não apenas os ingredientes, mas também a vida das pessoas. Tchelly, como também a chamam, vem desenvolvendo a ideia de aproveitamento total de alimentos junto com a população da comunidade onde mora por meio do projeto Favela Orgânica. Ela acredita que uma alimentação saudável é possível, mesmo em espaços de vulnerabilidade, e também ressalta que uma redução de desperdícios é urgente para o mundo. Nesta entrevista à revista Em Família, ela nos conta sobre o início de seu projeto e o que a move diariamente.


Quando a alimentação passou a ser entendida por você como uma forma de transformar realidades?

Foi assim que surgiu o Favela Orgânica?

Eu saí de casa, na Paraíba, quando tinha 15 anos, e logo aprendi a cozinhar. Lembro que minha mãe tinha esse hábito de sempre fazer comida para a gente. Quando cheguei no Rio de Janeiro, vim morar na Babilônia e fui trabalhar como empregada doméstica em outras regiões da cidade. Além de fazer faxina, eu também cozinhava nessas casas. Então, comecei a perceber o enorme desperdício que existia tanto em uma realidade como em outra, bem como as dificuldades pelas quais o povo da favela, as pessoas da minha rua, passavam. Em paralelo a isso, em 2008 eu engravidei e descobri que poderia ter diabetes gestacional. Aliando a questão da minha saúde ao incômodo que tanto desperdício me causava, passei a ter uma alimentação mais saudável e resolvi que isso precisava ser expandido para a comunidade onde vivo.

Isso mesmo. Na Paraíba, é comum fazer o aproveitamento total dos alimentos. Essa, porém, não era a realidade do Rio de Janeiro. Eu passei a desejar ser uma cozinheira diferente, mais consciente. Acredito em uma cozinha que é mais humana e menos comercial. Em 2011, desenvolvi o projeto e o inscrevi em um edital para propostas que pudessem beneficiar a favela. Foi uma surpresa, mas ganhei um prêmio de 10 mil reais, o que possibilitou viabilizá-lo na Babilônia e em Chapéu Mangueira. Eu não queria mais trabalhar como empregada doméstica, então foi também uma oportunidade de iniciar algo que que já morava no meu coração.

E como foi a primeira ação do projeto?

Eu realmente achei que as pessoas tinham participado da primeira ação – que foi um curso de aproveitamento total dos alimentos oferecido para as mães da favela – para me agradar. Mas não foi, não! Depois eu percebi que elas tinham um interesse real. Muitas dessas mães nunca tinham feito nenhum curso na vida, muito menos sabiam sobre alimentação saudável ou como podiam fazer render um mesmo alimento de várias maneiras. O impacto que esse curso gerou foi imediato. Causou uma interferência positiva no dia a dia dos filhos dessas mulheres. Em poucas semanas, o curso contava com 40 inscritos.

Atualmente, como o Favela Orgânica se sustenta?

Eu faço o projeto porque acredito nele. Não tenho investidor. Conforme vou dando palestras e oferecendo oficinas pagas em outros espaços além da favela, vou conseguindo manter o projeto. Até pouco tempo atrás, era tudo feito na minha casa, mas, recentemente, consegui um novo lugar. Aprendi que não posso esperar ter dinheiro para fazer as coisas acontecerem. Eu nasci para causar mesmo (risos).

Eu passei a desejar ser uma cozinheira diferente, mais consciente. Acredito em uma cozinha que é mais humana e menos comercial. 15


© Foto: Sustainable Urban Farming

Entrevista

Podemos construir um mundo melhor nos preocupando também com o ciclo do alimento, percebendo o valor das pessoas que trabalham no campo, validando o pequeno produtor, aproveitando os alimentos de forma mais criativa. Por que falar da alimentação como uma causa?

No caso das crianças dessa comunidade, em que aproximálas da culinária pode contribuir para o desenvolvimento pessoal e social delas?

Eu tenho uma forte crítica sobre a elitização do alimento. Cada aprendizado sobre a cozinha deve ser considerado importante. Mas, hoje, tudo é gourmet. Até pipoca é gourmet. Só que as pessoas não sabem nem de onde vem o milho ou como é um galinheiro. Podemos construir um mundo melhor nos preocupando também com o ciclo do alimento, percebendo o valor das pessoas que trabalham no campo, validando o pequeno produtor, aproveitando os alimentos de forma mais criativa. A partir de agosto, o projeto vai ofertar oficinas de consumo consciente, de compostagem caseira, e de sementes, além de um curso sobre aproveitamento total dos alimentos para crianças e idosos e filmes sobre alimentação.

Vejo essa aproximação como necessária e indispensável. A gastronomia tinha que estar presente nas matérias escolares, para gerar conscientização. Eu percebo que as crianças se envolvem muito com as aulas de culinária. Elas fazem o curso comigo e depois vêm aqui em casa para pedir dicas. Além disso, elas acabam influenciando os pais e motivando-os a cozinhar de um jeito diferente.

RECEITA DE BRIGADEIRO DE CASCA DE BANANA Brigadeiro de casca de banana é a receita favorita de Regina Tchelly. Ela conta que esse é o mais pedido pelos amigos e familiares. Que tal fazer em casa?

INGREDIENTES 3 cascas de bananas em tiras 1 xícara de açúcar 2 colheres de sopa de margarina 4 colheres de farinha de trigo 1 xícara de leite morno 1 xícara de leite em pó 2 colheres de sopa de achocolatado 1 xícara de chocolate granulado Água até cobrir as cascas

PREPARO • Em uma panela, coloque as cascas, a água e o açúcar.

Por que ainda temos tanto desperdício de alimentos? Como mudar isso?

16

Na minha opinião, existe um preconceito sobre o uso total do alimento, além de falta de informação e, às vezes, preguiça mesmo. Não estamos habituados a comer os alimentos integralmente. Vivemos à mercê da indústria e da mídia. Ninguém diz: “Coma pão feito de casca de abóbora”. Mas isso pode mudar a partir da conscientização da população. Uma das minhas ações nesse sentido é uma série que estou fazendo para a TV Cultura, que se chamará Amor de Cozinha, com foco no combate ao desperdício.

• Cozinhe até virar uma pasta. • Adicione os demais ingredientes, com exceção do granulado. • Mexa até desprender do fundo da panela. • Coloque em um prato e deixe esfriar. Faça bolinhas e envolva-as com o chocolate granulado.


EXPEDIENTE COLÉGIO MARISTA JOÃO PAULO II SGAN Quadra 702 Bloco B Brasília - DF Fone: 61 3426-4600 jopa2@maristas.org.br DIRETOR Marcos Scussel VICE-DIRETOR EDUCACIONAL Luiz Gustavo Mendes VICE-DIRETORA ADMINISTRATIVA Andrea Pacheco COMUNICAÇÃO E MARKETING Karine da Silva e Lara Lima JORNALISTA RESPONSÁVEL Tiago Rigo (MTB 13919)

Ponto de vista em movimento

22

Natália Campos, coordenadora de Pastoral Escolar, fala sobre a educação evangelizadora.

Com a palavra

Educação Infantil

Caleidoscópio

18

19

20 24 28

Ensino Fundamental

Gente nossa

Ensino Médio

23

26

27

Direção destaca as mudanças estruturais aliadas à intencionalidade pedagógica.

Conheça práticas que promovem a significação e o reconhecimento da linguagem no processo de aprendizagem.

EI EF EM

Cobertura dos principais projetos e atividades desenvolvidos no primeiro semestre letivo.

Tecnologia muda a forma de relacionamento em sala de aula e transforma o processo de aprendizagem.

Débora Camargos, coordenadora pedagógica, fala sobre sua trajetória de 20 anos no Colégio.

Veja como o planejamento de espaços pedagógicos diferenciados pode promover maior interação no ambiente escolar.

Diz aí

Em foco

Construir conhecimentos

30

31

32

Saiba de quais formas os estudantes usam os recursos tecnológicos para aprender.

A partir do tema Seu olhar sobre a escola, estudantes registram a própria percepção sobre o cotidiano escolar.

Conheça um pouco as histórias de quem já passou pelo Colégio.


Com a palavra

m ambiente U

educador

18

Colégio Marista João Paulo II

O resultado de inúmeras reflexões, partilhas, percepções, debates e criações foi um projeto contemporâneo, inovador, flexível às demandas, atento à sustentabilidade e adequado à execução de nosso Projeto Educativo.

Marcos Scussel Diretor do Colégio Marista João Paulo II

© Foto: Acervo do Colégio

Ao celebrarmos 20 anos do início das atividades do Marista João Paulo II e 200 anos de presença marista no mundo, recebemos como presente de aniversário, no primeiro semestre, a aprovação pela nossa Mantenedora do Plano Diretor. O projeto objetiva orientar as intervenções atuais e futuras do Colégio, a fim de melhor utilizar o espaço físico, de forma a expressar a identidade e os valores maristas. O resultado de inúmeras reflexões, partilhas, percepções, debates e criações foi um projeto contemporâneo, inovador, flexível às demandas, atento à sustentabilidade e adequado à execução de nosso Projeto Educativo. Foram dois anos de trabalho envolvendo educadores e estudantes, além da assessoria dos profissionais da Rede Marista e de duas empresas, uma de Porto Alegre e outra de Brasília. Como seria uma escola cujo ambiente físico também fosse um agente educador? Esse foi um dos principais questionamentos que norteou o projeto, que tem como metodologia o brainstorming (geração de ideias), o arranjo (criação da distribuição espacial), e a atmosfera (criação de ambientação, na qual os espaços ideais para nosso Colégio foram desenhados). A iluminação, a acústica, as cores e a climatização estão sendo estudadas para que também contribuam com a qualidade do ambiente de aprendizagem. Os espaços serão flexíveis quanto às possibilidades de uso, pois permitirão aos professores e aos estudantes adaptarem as configurações conforme a demanda didática das aulas e das atividades. Além disso, serão ambientes criativos e interativos de aprendizagem, que contribuirão para um maior envolvimento de estudantes e educadores. Em relação aos ambientes administrativos e de apoio pedagógico, o planejamento contempla o bem-estar, a concentração e o desempenho das atividades. Ainda entre as melhorias estão as novas Recepções e espaços para atendimento aos pais. Ambos terão como prioridade a segurança, a acolhida e a eficácia da comunicação. Dois desses espaços já estão à disposição da comunidade escolar: as salas de aula das turmas de 2o e 3o ano do Ensino Médio e a Recepção localizada na garagem. Em breve, todos os ambientes do Colégio serão revitalizados e adequados às demandas, para que qualifiquem ainda mais os processos de aprendizagem, fortalecendo a integração e o envolvimento de todos. Saudações maristas!


Educação Infantil

Afeto que constrói Práticas que promovem a significação e o reconhecimento da linguagem no processo de letramento e alfabetização facilitam a aprendizagem

gêneros textuais adequados para o desenvolvimento da capacidade simbólica das crianças, pois comunicam e decodificam mensagens a elas de forma lúdica”, enfatiza. Ainda que o exercício livre da escrita seja aperfeiçoado no começo do Ensino Fundamental, é durante a Educação Infantil que o papel de um elemento específico se destaca: o afeto. Seja na interpretação de uma música ou na contação lúdica de histórias, alimentar a imaginação das crianças acelera o processo de associação e significação, pois transforma o aprendizado em algo prazeroso. É nessa hora que os educadores e até mesmo os pais são parceiros ideais. “Transformar o desenho e a leitura em hábitos entre pais e filhos, por exemplo, é uma forma de desenvolver a consciência pela busca do conhecimento, da reflexão e da argumentação. Dessa forma, o estudante aprende a se posicionar e foge da superficialidade de uma alfabetização mecânica, que limita sua desenvoltura interpretativa”, esclarece Loide.

No Colégio Marista João Paulo II, o processo de alfabetização e letramento é desenvolvido por meio de vivências lúdicas. Entre os exemplos está a contação de histórias e o acesso a diversos materiais letrados, como livros, gibis, receitas e convites, favorecendo a diversidade de produções que as crianças podem realizar e ampliando, assim, os repertórios simbólicos. Os educadores acompanham esse processo diariamente, analisando e motivando as produções dos estudantes, evidenciando o desenvolvimento no processo de aquisição da escrita, e o que cada traçado e letra representa. A professora Sheila Guerreiro, do nível 3, ressalta a relevância da participação das famílias nesse processo: “É importante que os familiares compreendam e respeitem as fases do desenvolvimento da escrita. Os rabiscos, as escritas com letras aleatórias ou com as letras do próprio nome são passos importantes – e necessários – no desenvolvimento em direção à assimilação da língua escrita”. © Foto: Acervo do Colégio

Vogais, consoantes, sílabas e palavras têm seu papel reduzido quando o assunto é alfabetização (a codificação de letras e números) e letramento (quando o estudante interage socialmente a partir da leitura e da escrita) nos primeiros anos de vida das crianças. Por maior que seja a ansiedade de muitos adultos e das próprias crianças, em determinados momentos, o processo efetivo de leitura e escrita requer etapas que precisam ser respeitadas, sobretudo na primeira fase que compreende a Educação Básica: a Educação Infantil. Dos dois aos cinco anos, as crianças vivenciam um período natural de reconhecimento de signos que é potencializado pelo auge da sua capacidade de assimilação. Conforme explica a supervisora pedagógica dos Colégios da Rede Marista Loide Pereira Trois, durante esse estágio, a criança inicia, ainda que inconscientemente, a construção de seu repertório de significados, pois está buscando compreender a natureza da linguagem que está à sua volta. “Canções, trava-línguas, charadas e poemas, por exemplo, são

significados

Para interagir com seu filho! • Faça uma leitura diária. • Incentive-o a desenhar com você. • Cuide do repertório (boas referências e espaço adequado). • Interprete os personagens que ele gosta. • Incentive suas descobertas.

Colégio Marista João Paulo II

19


Caleidoscópio EI O projeto de Cozinha Experimental permite aos estudantes colocar a mão na massa produzindo as receitas escolhidas de acordo com o assunto trabalhado em sala de aula.

2017

Para comemorar os 20 anos do Colégio, as turmas homenagearam educadores, aprenderam um pouco mais sobre a história do Marista João Paulo II e entoaram um animado Parabéns a você no dia do aniversário da escola.

CELEBRAÇÃO

NA PRÁTICA

© Fotos: Acervo do Colégio

Fantasiadas e no ritmo das marchinhas, as crianças celebraram uma das principais festas populares do nosso País: o Carnaval!

Luminárias antigas que seriam descartadas viraram minicanteiros, nos quais os estudantes cultivam temperos como manjericão e salsa. O cuidado vai desde a adubação até a colheita.

20

Colégio Marista João Paulo II


Nos projetos interdisciplinares, as crianças adquirem novos aprendizados por meio das experiências que vivenciam.

As atividades diárias estimulam o sistema sensorial e a criatividade das crianças. Uma das preferidas é a mesa de luz, em que os estudantes aprendem noções de texturas, temperaturas, cores e luzes.

LUDICIDADE

VIVÊNCIA

A leitura é incentivada por meio de atividades lúdicas, de acordo com a faixa etária, quando as crianças são inseridas no incrível mundo da literatura.

As vivências criativas entre as crianças e suas famílias foram marcadas por um desafio: construir elementos para decorar os espaços dos estudantes e deixá-los cheios de vida.

Colégio Marista João Paulo II

21


Ponto de vista

© Foto: Acervo do Colégio

A ação evangelizadora faz parte da essência do jeito marista de educar. Na foto, estudante em atividade do Voluntariado na Creche Esperança.

Evangelização na

Educação Marista O documento balizador do nosso jeito de conceber a Educação Básica, o Projeto Educativo do Brasil Marista, procura assegurar, em seus princípios, uma educação evangelizadora. O termo “evangelização” muitas vezes é entendido de forma reduzida ou estritamente ligada ao serviço de catequese. Evangelizar significa anunciar a Boa Nova. E o que seria essa Boa Nova? O anúncio de um Deus amoroso e cheio de ternura, que nunca se esquece de seus filhos. Esse amor se manifesta claramente na pessoa de Jesus Cristo, o Emanuel, Deus conosco, que veio para conectar o que o pecado desconectou. Marcelino Champagnat experimentou essa presença amorosa de Deus em sua vida e, por meio de seu discipulado, assumiu o chamado para “tornar Jesus Cristo conhecido e amado”. A evangelização marista transita por vários terrenos férteis, semeando essa Boa Nova a partir das realidades que encontra. A ação evangelizadora acontece na descoberta dos ensinamentos de Jesus Cristo e de uma adesão interior e livre à fé católica. Podemos também perceber, em

22

ações pastorais diretamente ligadas à identidade católica da escola marista, como celebrações eucarísticas ou vivências de datas significativas cristãs – como, por exemplo, a Páscoa e o Natal. É a Boa Nova se fazendo presente de forma mais explícita. Por meio de um currículo evangelizador, a educação marista, que tem por missão “evangelizar por meio da educação”, evangeliza na medida que esse conhecimento e esses saberes produzem valores que promovem a dignidade da pessoa. Para Marcelino, a educação era mais do que um processo de transmissão de informações: era um meio poderoso de formação e transformação das mentes e dos corações de crianças, adolescentes e jovens. Essa essência evangelizadora da educação marista deve acontecer transversalmente em todos os componentes curriculares, desde o Ensino Religioso até a Matemática. A Boa Nova deve ser anunciada de tal forma a impregnar a vida de cada estudante, formando bons cristãos e verdadeiros cidadãos para a nossa sociedade. Essa é a nossa missão! Evangelizar educando e educar evangelizando. Estamos

Colégio Marista João Paulo II

Por Natália Campos, coordenadora de Pastoral Escolar

celebrando 200 anos de evangelização! Evangelização presente em diversas culturas, no meio das juventudes e infâncias. Caminhemos incansáveis, semeando a Boa Nova a todos, com simplicidade, modéstia e humildade. Os frutos virão a seu tempo.

Para Marcelino, a educação era mais do que um processo de transmissão de informações: era um meio poderoso de formação e transformação das mentes e dos corações das crianças, adolescentes e jovens.


© Foto: Acervo do Colégio

Ensino Fundamental

Tecnologia muda a forma de relacionamento em sala de aula e transforma o processo de aprendizagem

Uma aliada na educação Os tradicionais quadro-negro, giz e apagador, que marcavam uma aula unilateral no ambiente escolar, estão dando lugar a recursos dinâmicos e interativos na sala de aula. A educação foi transformada, fortalecendo o vínculo humano e as possibilidades de aprimoramento, de experiência e de troca de conhecimento. Na medida em que avança, a inovação tecnológica tem exigido adaptações constantes no modelo de ensino, a fim de trazer o jovem para o centro da aprendizagem. Segundo a supervisora pedagógica dos Colégios Maristas Shirley Cardoso, não se pode reconhecer a educação de hoje sem as tecnologias, pois elas se tornaram uma conexão essencial para uma aprendizagem diferenciada. Ela alerta, ainda, que a presença latente da tecnologia faz com que não só os dispositivos digitais se destaquem nas formas de interação e aprofundamento, mas também a dinâmica da relação entre educadores e estudantes. “Os professores conseguem explorar e adaptar melhor o conhecimento por saberem quais os anseios dos jovens”, complementa.

MATERIAL DIDÁTICO INOVADOR A proposta pedagógica marista tem na tecnologia uma forma de desenvolver diferentes habilidades, construindo e mobilizando diferentes linguagens e recursos. No Ensino Fundamental, o estudante interage com material didático misto que possui conteúdo impresso e digital. Este último apresenta novas possibilidades de aprendizagem com os objetos de ensino (vídeos, imagens com possibilidade de ampliação, links etc.). Nesse sentido, o Marista João Paulo II tem investido em recursos tecnológicos. Por meio do Projeto Conexões, da Rede Marista, todos os professores possuem à disposição tablets com conexão sem fio aos projetores instalados nas salas. Além disso, o Colégio adquiriu ilhas de tablets e de chromebooks, para que os estudantes busquem a informação de forma mais prazerosa, interagindo com a tecnologia e transformando-a em conhecimento. Para a professora de História dos Anos Finais Lídice Martins, as aulas passaram a ser ainda mais interessantes com o uso desses recursos. “Além de favorecer a participação efetiva dos es-

tudantes como protagonistas, possibilitam a saída de um espaço tradicional para deslocar-se por outros espaços da escola, o que serve de motivação para o processo de ensino-aprendizagem”, reconhece. Os aparelhos permitem a troca de conhecimento constante entre os estudantes e os educadores. “Por meio dos equipamentos, acessamos livros digitais (FTD Digital), jogos e sites que propiciam uma prática pedagógica diferenciada. É gratificante ver o encantamento dos jovens diante desses recursos e saber que fazemos parte dessa mudança que aproxima a prática escolar da vida cotidiana dos nossos estudantes”, acrescenta.

A proposta pedagógica marista tem na tecnologia uma forma de desenvolver diferentes habilidades, construindo e mobilizando diferentes linguagens e recursos.

Colégio Marista João Paulo II

23


Caleidoscópio EF

As turmas de 9o ano EF participaram de uma saída a campo no Lago Paranoá, onde fizeram várias descobertas. Na ocasião, analisaram o pH, a temperatura e o oxigênio dissolvido na água.

2017

Os estudantes dos Anos Finais registraram os momentos com os amigos no recreio especial de aniversário do Colégio.

ACONTECEU

NA PRÁTICA Motivos para voltar às aulas? Aqui, temos 200. Os jovens dos Anos Finais e do Ensino Médio registraram as razões pelas quais ficaram felizes em retornar ao Colégio.

© Fotos: Acervo do Colégio

Nas aulas de Artes, as turmas do 6o ano EF escreveram suas próprias linhas do tempo, aplicando o conceito de linearidade. A projeção das autobiografias resultou em um ensaio fotográfico.

24

Colégio Marista João Paulo II


Atletas de 4o e 5o ano EF marcaram presença no Encontro de Handebol, promovido pela Coordenação de Esportes, com a participação dos professores de Educação Física e do treinador da equipe.

O espetáculo Tesouro dos Índios, produzido pela Companhia de Teatro Atlanta, trouxe reflexões voltadas para a sustentabilidade, o cuidado e a preservação do meio ambiente.

INTEGRAÇÃO

REFLEXÃO

No lançamento do projeto LiterArte para os Anos Iniciais, a interação dos estudantes com as famílias marcou um sábado repleto de atividades.

Colégio Marista João Paulo II

25


Gente nossa

Por Débora Camargos, coordenadora pedagógica dos Anos Finais

Marista de corpo, alma e Minha história com o Colégio Marista João Pulo II teve início na infância, quando eu participava de festividades e frequentava o Colégio Maristinha para jogar vôlei. Lá, comecei minha atuação como educadora, ao fim do curso de Magistério, e convivi com grandes mestres, profissionais e outras pessoas que muito colaboraram para a minha formação. Aos poucos, fui conhecendo Marcelino Champagnat, os desafios empreendidos por ele, o tamanho e a dimensão de sua obra, aprendendo a ser professora com meus colegas e com as inesquecíveis crianças com as quais tive a felicidade de conviver. Veio, então, a graduação, momento efêmero de construção das minhas ideologias e utopias educacionais. Após seis anos de muitas aprendizagens no Colégio Maristinha, decidi colocar-me a serviço de uma outra escola marista que iniciaria o trabalho em Brasília. Assim, passei a atuar como orientadora educacional no Colégio Marista João Paulo II. O fato de fazer parte de um grupo de profissionais que ajudaria a estruturar uma equipe para atuar em uma instituição tradicional, mas que iria começar a escrever a própria história na cidade, aguçou ainda mais meus ideais educativos. Após 20 anos atuando nesse Colégio, é difícil separar a vida profissional da vida pessoal. Aqui, noivei, crismei, casei, batizei uma das minhas filhas na Capela da escola, fiz três especializações, participei de cursos, sofri com perdas imensuráveis, convivi com pessoas espetaculares, construí amizades, errei, realizei sonhos... Mas, acima de tudo, desenvolvi mi-

26

© Foto: Acervo pessoal

coração

nha espiritualidade, aprendi a valorizar o ser, a colocar-me à disposição do outro e a lutar por menos desigualdade, mais justiça e mais equidade. Em abril de 2011, eu e 12 educadores vivenciamos dias de aprendizado na França, na Itália, na Espanha e em Portugal. Conhecemos a casa onde nasceu Champagnat, no povoado de Marlhes; a paróquia em que foi ordenado padre, em La Valla; a basílica em que fez a promessa da fundação da Sociedade de Maria, em Fourviére; a Fundação do Instituto dos Pequenos Irmãos de Maria, em La Valla... Entre tantos outros fatos marcantes que conhecemos e fizeram com que eu entendesse o grande homem e servo de Deus que ele foi. O Marista João Paulo II vem consolidando a marca e a tradição de uma

instituição bicentenária, mas atual, que busca qualificar a prática educativa por intermédio de um projeto ousado e contemporâneo, da implementação das Matrizes Curriculares e da ressignificação dos espaçotempos, com vistas a oferecer formação humana e acadêmica de excelência. Sinto-me privilegiada por fazer parte dessa história. Gratidão a Deus, à Boa Mãe, de quem me tornei devota, e a Marcelino Champagnat, por terem me tornado marista de corpo, alma e coração! Gratidão, também, a todos que, direta ou indiretamente, ajudam-me a constituir-me educadora, pessoas com as quais trabalhei e trabalho diariamente e que me desafiam a ser um ser humano e uma profissional melhor.

Sinto-me privilegiada por fazer parte dessa história. Gratidão a Deus, à Boa Mãe, de quem me tornei devota, e a Marcelino Champagnat, por terem me tornado marista de corpo, alma e coração!

Colégio Marista João Paulo II


© Foto: Acervo do Colégio

Ensino Médio

Espaços que inspiram a

APRENDIZAGEM

Planejamento de espaços pedagógicos diferenciados incentivam as descobertas dos estudantes e suas formas de interação no ambiente escolar Cada vez mais tema de estudos e pesquisas, o comportamento das novas gerações também ganha força na educação, suscitando debates sobre a forma como os adolescentes devem ser encorajados a aprender dentro do ambiente escolar. Para atender às demandas desses jovens, hoje mais inquietos, reflexivos e opinativos, as formas de ensinar também estão se transformando, a começar pelos espaços de aprendizagem onde eles são recebidos. Conforme pontua o vice-diretor educacional do Marista João Paulo II, Luiz Gustavo Mendes, a escola deve comunicar sua intencionalidade pedagógica também por meio de seus espaços educativos. “As texturas, as cores e a disposição de mobiliários podem estimular o estudante a uma postura mais criativa e produtiva”, afirma.

MAIS INTERAÇÃO E APRENDIZADO Nos Colégios Maristas, o projeto de Reestruturação Curricular realizado no Ensino Fundamental e no Ensino Médio reformulou as metodologias empregadas, as escolhas pedagógicas e os instrumentos avaliativos. Partindo do princípio que o espaço físico é, também, educativo, enten-

de-se que precisa se adequar a essas reestruturações. Assim, no Marista João Paulo II, o projeto teve início com a reformulação de cinco salas de aula para o Ensino Médio. No lugar do quadro, uma película permite uma escrita que favorece a criatividade e o protagonismo frente à aprendizagem. As salas são interligadas por divisórias móveis, que podem ser utilizadas para promover a integração entre as turmas. Além disso, os ambientes foram planejados de forma a se aproveitar a luz natural e reduzir o consumo de energia elétrica. E contam, ainda, com um sistema de qualificação da circulação de ar e de conforto térmico. Para o professor de História do Ensino Médio, André Pessoa, foi recompensador ver o entusiasmo e a euforia dos estudantes ao receberem as novas salas de aula. “Nota-se, claramente, que o novo ambiente propicia um lugar ainda mais enriquecedor para a construção do conhecimento. Nós, professores, estamos empolgados com as várias possibilidades que as salas oferecem, como, por exemplo, poder unir uma sala à outra e dar uma aula com dois professores, em duas turmas, simultaneamente. Esses novos espaços são inovadores e aprimoram ainda mais a interdisciplinaridade”, salienta.

Colégio Marista João Paulo II

27


Caleidoscópio EM

Com muita alegria e orgulho, o Colégio recebeu os ex-alunos aprovados nas universidades em 2017. Durante o evento, homenagens ao esforço e à dedicação dos, agora, universitários.

2017

O Projeto de Orientação Profissional (POP) contou com a participação de convidados que deram dicas de estudos, aliando as mídias sociais, bem como a tecnologia em geral, à preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

PREPARAÇÃO

ACOLHIDA

Durante o 2o Aulão Interdisciplinar, com foco no Enem, foram passadas dicas sobre as características, os conteúdos e as competências avaliadas pelo exame.

© Fotos: Acervo do Colégio

Os participantes da Pastoral Juvenil Marista (PJM) acolheram os novos membros do grupo durante o Despertando – um encontro com música, dinâmicas e muita integração.

28

Colégio Marista João Paulo II


Um grupo de 45 estudantes maristas do Rio Grande do Sul e de Brasília participou do Intercâmbio Marista na Oceania. Entre eles, Ana Carvalho e Pedro Zeus, do 3o ano EM do Colégio.

No Momento Solidário, os concluintes do Ensino Médio capricharam na criatividade e arrecadaram doações para instituições assistidas pela Pastoral do Colégio.

SOLIDARIEDADE

FORMAÇÃO

VIVÊNCIA

O início do ano letivo marcou a retomada das atividades do Grupo de Voluntariado, que arrecadou materiais escolares para crianças da Creche Esperança. O Conselho de Líderes Marista estimula uma liderança baseada na ética e na responsabilidade para com o outro, além de apresentar e debater a importância do líder para um grupo.

Colégio Marista João Paulo II

29


Diz aí

Como você

?

usa a TECNOLOGIA

EDUARDO TAVARES PACHECO 5o ano EF

LAURA SILVEIRA DE OLIVEIRA 8o ano EF

MATHEUS LAVOCAT Q. GOMES 2o ano EM

“Uso a tecnologia pesquisando e usando alguns sites educativos para ver assuntos da escola. Também pesquiso assuntos que acho interessantes, como vídeos de futsal, que eu pratico. Na Internet, vejo e aprendo muitas coisas sobre o esporte.”

“Quando aprendo uma matéria nova em sala de aula, pesquiso vídeos relacionados àquele conteúdo. Além disso, costumo usar a plataforma Khan Academy, uma plataforma indiana com vários exercícios e videoaulas. Também pesquiso muito assuntos relacionados a filmes e a livros literários.”

“Uso para aprender o conteúdo escolar, vendo tutoriais ou reforçando uma pesquisa, principalmente das matérias de que gosto: História, Biologia e Química. Mas também gosto muito de aprender sobre a tecnologia em si, como programação e decodificação, por exemplo.”

30

Colégio Marista João Paulo II

© Fotos: Acervo do Colégio

para aprender


1... 2... click!

Em foco

A partir do tema Seu olhar sobre a escola, estudantes registraram, por meio da fotografia, a própria percepção sobre o cotidiano escolar

“Recreio: a gente brinca e se diverte. É uma das melhores partes do dia!”

PEDRO FURTADO NOLL 5o ano EF “Marista significa família.”

LUÍSA MACEDO PORTO PEREIRA 9o ano EF

“Aquecimento.”

BRUNO RODRIGUES AMORIM M. CARVALHO 3o ano EM

“Somos todos diferentes e é isso que nos torna iguais.”

MARIA HELOÍSA DE QUEIROZ RODRIGUES 9o ano EF

Colégio Marista João Paulo II

31


Construir conhecimentos

Fique pordentro

Ex-alunos compartilham a experiência de ter estudado no Marista João Paulo II FORMAÇÃO QUE TRANSFORMA

“No Marista João Paulo II, tive professores e profissionais que se preocuparam com minha carreira acadêmica ao mesmo tempo em que pude pensar em como poderia aplicar meu conhecimento em uma esfera social. Hoje, passados cinco anos da minha formatura no Colégio, posso dizer que serei uma profissional mais completa no sentido humano. Quero transformar meu microcosmo, e isso só vai ser possível porque minha educação de base me ensinou que, muito além de ser uma boa profissional, eu preciso ser um bom ser humano.” Marina Trindade Magalhães [Concluinte de 2011, acadêmica de Direito na UnB]

EDUCAÇÃO QUE MARCA E FICA

CRESCIMENTO E RELACIONAMENTO “O jeito marista de educar trouxe conhecimentos que me deram base e me fizeram crescer tanto na parte científica, quanto na humana – ambas áreas relacionadas à Medicina. No Colégio, desde cedo, a gente trabalhava muito em grupos e com a realização de pesquisas, algo que eu faço no dia a dia hoje, na universidade. Ao passo que também aprendemos a lidar com o outro, com suas fortalezas e seus pontos fracos, criando um ambiente propício ao desenvolvimento e raro de se encontrar.” Rafael Vieira Martins de Siqueira [Concluinte de 2012, acadêmico de Medicina na UnB]

“Ser marista é algo que levamos para a vida toda. O ensino voltado não só para a excelência acadêmica mas para a vida, me ajudou quando entrei na universidade e me preparou em muitos sentidos – com uma equipe atenciosa, professores atentos às dificuldades dos estudantes, e a equipe pedagógica sempre acompanhando o desenvolvimento da turma, preocupados não só com o índice de aprovação, mas com a formação das crianças e dos jovens. É uma escola pela qual tenho um carinho muito grande, pois grande parte de quem eu sou hoje foi graças à formação que tive.” Taily de Faria Marcos Terena [Concluinte de 2010, graduada em Antropologia pela UnB]

Nathália Corrêa Mendes [Concluinte de 2010, graduada em Turismo pela UnB]

32

Colégio Marista João Paulo II

© Fotos: Acervo pessoal

CIDADÃ DO MUNDO

“Estudei toda a minha vida no Colégio e, para mim, uma das essências do Marista João Paulo II está nos Irmãos e Leigos que dão continuidade ao sonho de Champagnat. Encontramos estudantes maristas em todos os lugares do mundo. Na Irlanda, por exemplo, conheci alguns deles e isso, de alguma forma, nos identifica. Conheci também o Colégio Marista de Dublin e pude perceber que, mesmo com as diferenças culturais, o legado marista está ali, sendo construído, e isso é algo muito bonito de se ver.”


Doação de sangue e de livros, revitalização de espaços públicos, aulas de português para imigrantes e visitas a pacientes internados em hospitais são algumas das mais de 80 iniciativas já cadastradas no Maristas em Rede. O projeto propõe a realização de duzentas ações para deixar um legado à sociedade no ano do bicentenário da missão marista no mundo.

A contagem continua! Para participar, proponha uma iniciativa ou seja voluntário nas ações já cadastradas. Acesse e saiba mais: maristas.org.br/emrede


Olhar

Como incentivar sem pressionar

?

© Imagem: Julyana Werneck

É possível motivar os filhos sem estresse, basta respeitar seus limites Por Dóris Helena Della Valentina *

Um dos elementos mais fortes da estrutura de desenvolvimento de uma criança ou adolescente é a influência que recebe da família. A vontade de ver os filhos sendo bem-sucedidos e o anseio de querer encorajá-los a lidar com os desafios da vida demonstram que os pais cumprem um papel muito importante – primeiro com seu interesse genuíno e a presença ativa, depois com o conhecimento que têm dos filhos e de suas capacidades de enfrentar ou temer situações desafiadoras. Sua capacidade de compreender, apoiá-los e buscar formas de superar as barreiras é muito importante para que as crianças e os adolescentes aprendam a enfrentar as dificuldades da e na vida. Isso auxilia no crescimento e no desenvolvimento de suas habilidades. Entretanto, se o nível de incentivo excede os limites e a capacidade do momento para eles, o apoio acaba se transformando em pressão. A pressão desnecessária e que ultrapassa os limites é a pior forma de conseguir um resultado e quanto mais cedo inicia, pior é. Então, como incentivar sem pressionar? Volta e meia vemos as dificuldades que surgem e os piores comportamentos e resultados obtidos frente à necessidade de agradar os pais ou de neutralizar os temores advindos de exigências e expectativas. A ansiedade, o medo e a desistência estão predominantemente presentes, associados à sensação de que decepcionam ou nada do que fazem é suficiente para agradar os pais. A tristeza, a desmotivação, a perda de interesse pela aprendizagem são as manifestações mais frequentes. Além dessas reações, a exigência de rendimento dos pais sobre os filhos pode resultar em quadros depressivos.

34


forme em cobranças desmedidas, atrapalhando a relação que seu filho vai estabelecer com os desafios. Não podemos nos esquecer de que a ansiedade acaba acontecendo porque há uma necessidade da criança ou do adolescente em saber das próprias condições para atingir as descobertas necessárias para seu desenvolvimento. Devemos lembrar que, quando os pais atropelam o processo, logo poderemos ver o efeito negativo dessa atitude manifestando-se de várias maneiras, inclusive sob a forma de dúvidas, desconfiança, desvalorização e, consequentemente, em fracasso para enfrentar as diferentes etapas de aprendizagem. É importante, porém, entendermos que uma certa dose de ansiedade cumpre um papel positivo, desafiando-os a enfrentarem as situações, desenvolvendo condições próprias para realizarem as atividades propostas, crescendo e percebendo que foram bem-sucedidos frente ao novo. Isso gera um sentimento de valorização por suas capacidades e por parte dos pais, ao acreditarem que eles são capazes. Essa é uma das maneiras de colaborar e estimular o estudante a aprender de uma forma leve e prazerosa.

A ansiedade, o medo e a desistência estão predominantemente presentes, associados à sensação de que decepcionam ou nada do que fazem é suficiente para agradar os pais.

© Foto: Bruno Todeschini/PUCRS

O acompanhamento, as orientações e os incentivos têm uma importância muito maior que as pressões e a cobrança. O melhor caminho é esclarecimento diante das dificuldades e impossibilidades, demonstrando que, mesmo que a criança não tenha conseguido atingir um desempenho muito elevado, está se esforçando e se desenvolvendo e precisa lidar com algumas coisas que ainda não atingiu. É importante mostrar o que ela já conquistou e buscar formas de auxiliá-lo a alcançar as habilidades necessárias. É fundamental entender que um grau adequado de motivação, se exercida na medida certa, se transforma em capacidades e conquistas para o jovem em desenvolvimento. A ansiedade em poder afirmar que seu filho é melhor que o filho dos outros na etapa em que se encontram pode ser desestabilizadora. É importante que não nos esqueçamos de que cada criança ou adolescente tem seu ritmo no processo de aprender e que o interesse é variável para cada um. Expectativas exageradas demonstram que há muita angústia frente às capacidades dos filhos gerando sofrimento. Precisamos ficar atentos para que a ansiedade não se trans-

Dóris Helena Della Valentina Professora do curso de Psicologia da Escola de Humanidades da PUCRS.

Em cada edição, um especialista é convidado para partilhar a sua visão sobre um determinado assunto.

35


Curiosidade

O mundo pede por

mais gestores Com uma crise ética mundial refletida em diversas esferas, pessoas com perfil de gestão são o tesouro do mercado de trabalho do amanhã

© Foto: Freepik

Por Michele Bravos

36

“Em 2017, não se fala em novas profissões, mas em profissões ressignificadas”. É o que afirma Débora Barem, professora de Gestão de Pessoas e Mercado de Trabalho da Universidade de Brasília (UnB). “As formações já existentes permanecem as mesmas – com uma ou outra exceção –, mas a questão está nas possibilidades ampliadas e nas novas frentes de trabalho.” Débora cita como exemplo a crise ética em que o mundo se encontra. “Diante de um cenário de tantas corrupções e valores éticos sendo ignorados, profissionais que atuem nas áreas de auditoria e controladoria de empresas, por exemplo, são cada vez mais necessários. Podem ser contadores que atuarão como gestores na área de ética.” Ela também destaca as problemáticas ambientais e o quanto elas abrem espaço no mercado de trabalho. “A quantidade de lixo que se produz hoje no mundo é preocupante. Para isso, existem os profissionais da gestão do lixo, que podem ser biólogos com Pós-Graduação em Administração.” “Gestão” é a palavra-chave quando se fala em tendência de mercado atualmente. Entende-se por “gestor” a pessoa que desempenha um papel de liderança e gerenciamento, planejando estratégias de atuação, delegando tarefas e acompanhando processos. “As empresas e os serviços ofertados estão cada vez mais profissionais. Já se foi o tempo em que um médico bem-conceituado, mas sem

noção de gestão assumia a direção de um grande hospital. Hoje, compreende-se a necessidade de um gestor capacitado para que os negócios sejam bem-sucedidos”, afirma a professora. Débora ainda comenta que o movimento que se vive hoje de uma maior preocupação com os direitos humanos e um aumento nas práticas de solidariedade é uma tendência social no mundo todo, mas que ainda não é tão forte na economia. “Pode ser que, no futuro, isso se reflita em tendências de mercado, de um modo mais amplo.”

ESCOLHA PROFISSIONAL Ao se deparar com as dúvidas próprias do Ensino Médio com relação à escolha da profissão, as estudantes do Colégio Marista Assunção Ana Carolina Esteves, Eduarda Corchaki, Luísa Izolan e Mariana Remião pesquisaram a fundo sobre suas inquietações e ainda desenvolveram um aplicativo para ajudar outras pessoas, o #Profissão. A pesquisa virou tema da iniciação científica das adolescentes, que entrevistaram 60 alunos para identificar as necessidades dos colegas, além das suas próprias. Com o conteúdo em mãos, as meninas desenvolveram o aplicativo para Android, sem custo algum, a partir da ferramenta Fábrica de Aplicativos. É possível baixá-lo gratuitamente na Google Play Store.


FIQUE ATENTO! Vale lembrar que, na hora da escolha profissional, é preciso alinhar os sonhos particulares com aquilo que parece interessante no mercado atual. Perceber as tendências globais pode ser um termômetro para a decisão de carreira, para que não seja feito um investimento de tempo e dinheiro em algo que, a longo prazo, estará em extinção.

FORA DO ESCRITÓRIO O trabalho remoto é também apontado como uma tendência de mercado. “O mundo tem trabalhado de casa.” Apesar disso, Débora reconhece que essa ainda não é uma realidade tão forte no Brasil, o que está relacionado à cultura da nação. “A maioria das empresas brasileiras ainda parte da premissa de que o empregador paga pelo tempo do colaborador. Não importa se ele tem trabalho naquele dia ou não, ele deve estar no escritório das 8h às 18h. Contrária a essa ideia é a perspectiva de que o funcionário é pago por resultados. Logo, não importa quantas horas ele vai trabalhar nem de onde ele vai realizar as suas tarefas.” A professora aponta que essa mudança de pensamento é possível conforme as empresas forem percebendo que há mais ganhos em manter profissionais trabalhando remotamente do que em bancar uma estrutura com divisórias, ar-condicionado, cafezinho, papel-toalha, itens de papelaria etc. O termo “nômade digital” já vem sendo usado mundialmente para se referir àqueles que optaram por profissões que permitem trabalhar de qualquer lugar do mundo, desde que possuam uma conexão wi-fi, um computador e um aparelho móvel. Em geral, são profissionais que atuam como produtores de conteúdo, fotógrafos, videomakers, designers, tradutores, vendedores de e-commerce etc.

NOVOS GESTORES De acordo com Débora Barem, professora da UnB de Gestão de Pessoas e Mercado de Trabalho, os novos gestores têm se tornado peças importantes nos seguintes segmentos:

ÉTICA

Diante de um cenário mundial de corrupção, as empresas precisam garantir que não estão infringindo leis, por isso funções em auditoria e controladoria estão em alta. Organizações que nunca passaram por uma auditoria, por exemplo, agora estão passando. Formações possíveis: Administração, Economia, Contabilidade, Engenharia.

TRIBUTAÇÃO

Mais do que compreender as leis tributárias, o mercado, atualmente, precisa de gestores que dominem o assunto “tributação”. Formações possíveis: Direito, Contabilidade.

01 02

MEIO-AMBIENTE

Para se abrir uma empresa, considera-se, primordialmente, a adequação às leis trabalhistas e às normas de preservação ambiental. Devido às regras de cuidado ao meio ambiente cada vez mais rígidas, profissões de gestão relacionadas à temática também são tendências. Um exemplo seria um administrador com especialização no bioma cerrado ou um gestor de lixo. Formações possíveis: Administração com pós-graduação em Meio Ambiente; ou graduações em Biologia ou Engenharia Ambiental, com pós-graduação em Gestão.

SAÚDE

Os hospitais precisam de pessoas capacitadas para planejar e organizar o andamento de uma unidade de saúde. Os cursos de Pós-Graduação específicos para gestão na área da saúde são valorizados para essa atuação.

Gerenciamento de mídias sociais e criação de jogos continuam entre as profissões bem-posicionadas, porém o mercado tem buscado alguém que, além de compreender a linguagem digital e dos códigos de computador, dialogue com o universo dos negócios. É um empreendedor – aquele que identifica possibilidades e faz a ideia acontecer – com domínio de tecnologia da informação. Formações possíveis: Engenharias, Sistema de Informação.

03 04 05 37


Solidariedade

A resposta ao sonho de

transformar

o mundo

O dia 2 de janeiro de 1817 marca o começo de uma história que segue sendo escrita até hoje. São dois séculos desde que São Marcelino Champagnat deu início à atuação marista como resposta ao sonho de transformar o mundo e a vida de milhares de pessoas pela educação. E para celebrar esses 200 anos, o projeto Maristas em Rede propõe a realização de 200 ações de impacto social no âmbito da educação, cidadania, direitos humanos, arte e cultura, esporte, espiritualidade, sustentabilidade e inovação. Conheça algumas delas:

Por Michele Bravos

CIDADANIA E DIREITOS HUMANOS

ARTE E CULTURA

EDUCAÇÃO

COMUNICAMOR COPA DOS REFUGIADOS A Pastoral Juvenil Marista (PJM), o Grupo de Voluntariado e o Grêmio Estudantil do Colégio apoiaram o projeto Copa dos Refugiados com uma campanha para arrecadar brinquedos para as crianças auxiliadas pela iniciativa. A iniciativa contou com a divulgação e a visita da jovem pacifista Ingrid Soto, cantora com composições autorais sobre o amor e a esperança de um mundo melhor.

38

MINIBIBLIOTECA o Colégio Marista Maria Imaculada disponibiliza uma minibiblioteca na ala pediátrica e na maternidade do Hospital Municipal de Canela. Os livros ficam à disposição dos leitores, com marcadores de página com mensagens positivas, confeccionados pelos estudantes.

Projeto que envolve a produção de dois vídeos institucionais para divulgar o trabalho e a relevância das associações Recriando a Vida e Madre Alix para a comunidade. Todas as etapas do projeto, como elaboração do roteiro, entrevistas, captura das imagens, edição e apresentação, contaram com o envolvimento dos estudantes. A iniciativa foi idealizada pela Assessoria de Comunicação do Colégio Marista Medianeira e realizado em parceria com a Coordenação de Pastoral.

Público atendido: Crianças auxiliadas pelo projeto Copa dos Refugiados.

Público atendido: Ala pediátrica e maternidade do Hospital Municipal de Canela.

Público atendido: Comunidade de Erechim.

Unidade envolvida: Colégio Marista Rosário, Porto Alegre (RS).

Unidade envolvida: Colégio Marista Maria Imaculada, Canela (RS).

Unidade envolvida: Colégio Marista Medianeira, Erechim (RS).


ESPIRITUALIDADE

ESPORTES

SUSTENTABILIDADE

INTEGRAÇÃO E CUIDADO Em comemoração ao dia do fundador do Instituto Marista, São Marcelino Champagnat, é realizada a Olimpíada Champagnat. A iniciativa busca integrar toda a comunidade escolar e construir momentos significativos de aprendizagem e convivência. Nesse período, são realizadas diversas atividades pedagógicas, religiosas, solidárias, esportivas e culturais. Entre as ações, destaca-se a arrecadação de agasalhos e fraldas que são doados às instituições locais, atendidas pelo programa de Voluntariado Marista.

ADOTE UMA PRAÇA INCLUSÃO NO ESPORTE Nas aulas de Educação Física, o professor proporciona aos estudantes práticas esportivas inclusivas como: Basquete de cadeirantes e Futebol de cegos.

Jovens da PJM fizeram uma faxina na praça, retirando de lá lixos e galhos secos. Com o jardim refeito, eles entregaram a Praça Boa Esperança para a comunidade, que o tem ocupado para prática esportiva, brincadeiras, rodas de conversa e chimarrão.

Público atendido: Comunidade educativa e Instituições beneficentes.

Público atendido: Comunidade educativa.

Público atendido: Comunidade local.

Unidade envolvida: Colégio Marista São Francisco, Rio Grande (RS).

Unidade envolvida: Colégio Marista João Paulo II, Brasília (DF).

Unidade envolvida: Escola Marista Santa Marta, Santa Maria (RS).

Queremos potencializar ideias e sonhos que contribuam para desenvolver pessoas e comunidades. Você pode participar por meio da realização de ações, apoiando projetos já existentes e/ou como voluntário. Saiba mais através do link:

maristasemrede.com.br INOVAÇÃO

RODA LIVROS Com objetivo de promover o acesso aos livros, o Hospital São Lucas (HSL) oferece a seus colaboradores e à comunidade um acervo bibliográfico sobre rodas. Além do estimulo à leitura, o projeto Roda Livros tenta promover a humanização do espaço hospitalar. Público atendido: Colaboradores do HSL e público em geral. Unidade envolvida: Hospital São Lucas da PUCRS.

39


Como fazer

Aprendendo a

ES T U DA R

Estudar é um hábito que também se aprende e cada estudante possui um jeito particular de construir conhecimento Por Michele Bravos

“Essa geração de hoje em dia não quer saber de estudar.” Será que é isso mesmo? Ou seriam as práticas de estudo aplicadas que não têm sido as mais adequadas? A orientadora educacional Clamarta Pasuch, do Colégio Marista Champagnat, de Porto Alegre (RS), afirma que existem diversas técnicas de estudo e que elas variam de acordo com o perfil de cada pessoa. “Há pessoas que estudam fazendo esquemas, são mais visuais. Outras precisam de um lugar muito silencioso. Outras gostam de ler o conteúdo em voz alta.” Ela afirma que o que não pode acontecer é o estudante e os pais insistirem em uma mesma técnica de estudo quando ela não está dando resultado. “Quando um estudante não tem um bom rendimento em uma prova, das duas uma: ou ele não estudou o suficiente ou o método usado não o ajudou a compreender o conteúdo.” Por isso, é preciso dar oportunidade para os estudantes testarem o que lhes será mais adequado. É importante que estudantes e pais entendam que estudar não é sinônimo de decorar. “Estudar é registrar conhecimento, é saber organizar as informações aprendidas em determinada situação”, afirma Sandra Hoffmann, professora de Matemática do Colégio Marista São Luís, em Santa Cruz do Sul (RS), e que também está à frente de um projeto que visa potencializar o hábito do estudo no Colégio. Por isso, ela sugere que o estudante tenha um diário de estudo – prática que já tem sido aplicada no Marista. “Nesse diário, ele vai escrever um resumo, fazer um mapa mental, registrar o que aprendeu naquele dia." Dessa forma, o estudante pode sempre revisitar o diário antes da próxima aula, o que contribui para um aprendizado mais efetivo. Leonardo Agostini, supervisor de Pastoral dos Colégios Maristas, que é também professor universitário na PUCRS, percebe como seus alunos de Ensino Superior muitas vezes têm dificuldade em ler um texto mais

40

complexo. “O problema não é que eles não têm capacidade de compreensão, mas há lacunas no aprendizado lá atrás. O estudante não compreendeu algo e deixou passar. Quando chega à universidade, tem dificuldade para se aprofundar em determinados assuntos.”

Hábito de estudar Para os entrevistados desta matéria, ter um hábito de estudo significa estudar diariamente, pelo menos uma hora por dia, no período inverso ao da aula. “O hábito se constrói com o tempo e a cada ano o estudante vai ficando mais autônomo com os seus estudos”, diz Clamarta. Agostini defende que o conteúdo deve ser revisitado até 24 horas após o estudante ter tido o primeiro contato com aquele tema. Segundo Sandra, é uma ilusão achar que o estudante está aprendendo só porque ele vai bem nas avaliações, revendo o conteúdo um dia antes da prova. “Ele até pode tirar notas boas, mas não está aprendendo. Está apenas criando uma memória curta. A prova irá passar e o conteúdo será esquecido.” Segundo Agostini, para um período de estudo ser bem aproveitado, também é preciso levar em conta a forma como determinada técnica está sendo aplicada. “Sublinhar texto, por exemplo, é uma técnica bastante comum, mas a chave está em como sublinhar. Há pessoas que sublinham um parágrafo inteiro e daí, quando voltam no texto, já não sabem mais o que era tão importante ali.” Sandra comenta que antes de sublinhar, é preciso primeiro fazer uma leitura rápida; depois, uma leitura mais atenciosa; e, em seguida, marcar em colchetes as frases que chamam mais a atenção para, então, sublinhar as palavras que são chaves para a compreensão daquele conteúdo. Por fim, é ideal fazer anotações pessoais próximas ao parágrafo destacado. Ou seja, até para sublinhar existe um caminho mais efetivo.


COMO CRIAR UMA ROTINA DE ESTUDOS?

Sentido nos estudos A orientadora educacional ressalta que é importante que as crianças vejam sentido no que estão estudando. “É recorrente a reclamação de que adolescentes não gostam de estudar. Realmente, nessa faixa etária, ir à escola é mais prazeroso pela convivência social do que pelo aprendizado. Mas para que isso seja diferente, o estudante precisa saber por que é importante estudar, ele precisa compreender que diferença aquilo fará em seu dia a dia para, então, encontrar motivação para estudar.” Agostini sugere que o estudante precisa ver no conteúdo de sala de aula uma aplicação prática em seu cotidiano. Assim, ele se sentirá mais disposto a estudar. Nessa rotina de estudos, cabe aos pais acompanharem os filhos. “Eles não precisam dominar o conteúdo, e nem mesmo saber se o filho está fazendo certo ou errado, mas precisam estar presentes, saber se o filho está estudando de fato, se está com alguma dúvida. E, ao perceber algo nesse sentido, procurar o colégio”, afirma Sandra. Agostini também pontua que é importante que os pais estejam alinhados com as propostas de estudo da escola, para que o aprendizado seja potencializado. “É importante esse alinhamento para que, quando o filho chegar em casa com um caderno de exercícios para fazer e alguns textos para ler, os pais compreendam a importância disso e não descredibilizem o professor diante deles.”

1 2 3 4

Agenda da semana – Analise os horários do seu filho e crie, junto com ele, uma tabela semanal com todas as atividades, incluindo os horários das refeições, o tempo de convívio em família e as horas para os estudos. Atividades extras – As atividades extras devem, sim, permanecer na rotina dos filhos, mas desde que eles deem conta das responsabilidades que cada uma exige. Tempo de estudo em casa – É importante que o estudante tenha um período de, no mínimo, uma hora para estudar em casa, no turno inverso ao da aula. Estudar não é só ir para a escola. Também é preciso contabilizar o tempo necessário para realizar trabalhos e leituras de cada disciplina. Lugar adequado – Organize um lugar adequado para seu filho estudar. Bem-iluminado, distante de distrações externas e sem o celular. É importante que ele tenha uma mesa de estudos e uma cadeira própria para isso. Estudar no sofá ou na cama não traz bom rendimento, pois são lugares propícios para o descanso e o sono.

Estudar é registrar conhecimento, é saber organizar as informações aprendidas em determinada situação. Sandra Hoffmann professora de Matemática do Colégio Marista São Luís, em Santa Cruz do Sul (RS).

41


Compartilhar

Nesta edição, apresentamos dicas de livros e filmes sugeridas pelo assessor da área de Ciências Humanas dos Colégios Maristas, Renato Capitani.

SAPIENS – UMA BREVE HISTÓRIA DA HUMANIDADE Yuval Noah Harari Editora L&PM O conteúdo deste livro é muito mais do que a sistematização de fatos, nomes e datas. Na Educação Básica, como componente curricular da área de Ciências Humanas, a História é uma fonte imprescindível à compreensão de quem somos e do mundo em que vivemos. Em Sapiens, Harari revisita a história da humanidade de maneira original, reflexiva, problematizadora e polêmica. É uma análise que faz pensar – e é isso justamente isso que mobiliza as Ciências Humanas como área do conhecimento.

© Fotos: Divulgação

MAFALDA – TODA MAFALDA Joaquín Salvador Lavado (Quino) Editora Martins Fontes

42

Criada pelo cartunista argentino Quino, Mafalda é o espírito das Ciências Humanas em ação: reflexiva, problematizadora, crítica, polêmica e, especialmente, profundamente preocupada com os problemas da humanidade. A história em quadrinhos é um misto de humor, filosofia, sociedade, política, sutileza e ironia.


CLÁSSICOS EM MANGÁ Editora L&PM O acesso aos clássicos é uma premissa das Ciências Humanas e uma demanda pedagógica que exige estratégias criativas. É justamente essa a proposta do Clássicos em mangá, que aproxima os leitores de algumas obras clássicas da literatura universal, como Assim falou Zaratustra, de Friedrich Nietzsche; O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald; Os irmãos Karamázov, de Fiódor Dostoiévski; e A metamorfose, de Franz Kafka.

NA NATUREZA SELVAGEM Sean Penn (2007) Na natureza selvagem é um filme que propõe muitas reflexões, todas elas extremamente relevantes no contexto das Ciências Humanas: a insatisfação com a sociedade na qual se vive, a lógica do consumo, o sentido da vida, os valores que contam, entre outros. O filme é uma adaptação do livro de não-ficção, de mesmo nome, de 1996 do escritor Jon Krakauer.

A ONDA Dennis Gansel (2008) O holocausto é, possivelmente, a maior “cicatriz da humanidade”. Como foi possível a ditadura de Hitler? Ela poderia se repetir hoje? Esses são exemplos de problemas enfrentados pelas Ciências Humanas. Quer pensar sobre eles? Então assista ao filme A onda, inspirado no livro homônimo de 1981 do autor americano Todd Strasser.

43


Diversão

Cultivado

EM CASA Fuja dos agrotóxicos! Vamos fazer uma horta? Por Michele Bravos

Que tal preparar uma pizza marguerita com tomates e folhas de manjericão plantados na varanda ou no quintal da sua casa? Optar por produtos orgânicos nem sempre é a melhor escolha para o bolso, mas cultivar algumas hortaliças e temperos em casa pode ser uma opção sustentável e que faz bem à saúde. No dia a dia do brasileiro, o consumo de agrotóxicos é tamanho que chega a classificar o país como o que mais consome produtos com pesticidas no mundo, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente. Segundo um relatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), cerca de um terço dos produtos avaliados foi classificado com uma quantidade de agrotóxicos imprópria para o consumo. Entre os dez produtos com maior nível de pesticida por amostra estão a alface e o tomate, tão comuns nas refeições diárias do brasileiro. Ingerir tanto veneno pode trazer problemas pontuais, como um mal-estar 24 horas após o consumo, mas também pode ter consequências graves a longo prazo, como câncer e má formação de fetos. Para ajudar você a fugir dos agrotóxicos, a revista Em Família conversou com o biólogo Luís Felipe S. Aguiar, consultor e educador ambiental da Quinta da Estância, em Viamão (RS), sobre como começar uma horta em casa. As dicas são válidas desde para quem tem uma pequena varanda até para quem tem um grande quintal.

44

ILUMINAÇÃO Lembre: plantas necessitam de luz! Seja sua horta externa ou interna, procure um lugar com uma boa luminosidade natural. Isso é essencial para o crescimento e a saúde delas.

RECIPIENTE ADEQUADO Podemos utilizar recipientes distintos, tais como: vasos, floreiras, calhas, canos de PVC e até garrafas PET. O importante é escolher o tamanho adequado para o que se pretende plantar. Recomenda-se a utilização de um vaso de, no mínimo, 10 cm ou 15 cm de profundidade, e se for plantar lado a lado, um espaçamento de 15 cm a 20 cm de distância entre as mudas. Caso queira se plantar tomates, por exemplo, o vaso precisa ter aproximadamente 60 cm de profundidade e ser exclusivo para a planta, uma vez que ela cresce bastante.

VASINHOS Para o plantio em recipientes menores, uma dica importante é colocar uma parte de areia para uma de terra preparada. Isso faz com que a terra não fique encharcada. Certifique-se de que o recipiente utilizado possui furos em sua base para a aeração do solo e o não acúmulo de água.


TERRA SAUDÁVEL É o preparo do solo que vai deixar suas plantas com a qualidade desejada. A terra deve ser rica em nutrientes. Uma maneira fácil de garantir isso é comprar a terra própria para o plantio (adubada, com pH correto) em casas especializadas. A terra não pode estar compactada, pois isso dificulta a absorção de água pelas raízes, que, assim, podem apodrecer. Além disso, podem surgir pragas, principalmente fungos. Revolver a terra do canteiro e misturar com a preparada é uma ótima opção.

DISPOSIÇÃO Se a horta for plantada em vasos, garrafas ou canos, uma boa alternativa é a disposição em degraus. Aí, a sua criatividade pode entrar em ação e fazer de sua pequena horta um recanto charmoso e, ao mesmo tempo, saudável. A disposição em níveis, criando uma horta suspensa, ainda permite uma maior variedade de vegetais.

AS HORTALIÇAS Procure saber um pouco mais sobre o que você quer plantar antes de comprar as mudas ou sementes. Dê preferência para plantas de raízes mais curtas. Mudas são mais fáceis de manter do que hortas produzidas a partir de sementes. Essas últimas demandam um cuidado maior com irrigação, luz e calor. Caso for plantar a partir de sementes compradas, leia bem os rótulos, pois lá estão listados os cuidados de que cada espécie necessita. Sua horta pode ser decorativa, mas é para o consumo. Priorize aquilo que você come com frequência.

6

TOP 10 DE ALERTA!

PIMENTÃO

91,8%

MORANGO

63,4%

PEPINO

57,4%

ALFACE

54,2%

CENOURA

49,6%

ABACAXI

32,8%

BETERRABA

32,6%

COUVE

31,9%

MAMÃO 30,4% TOMATE

16,3%

45

© Foto: Dreamstime

Os dez alimentos com maior taxa de agrotóxico por amostra, segundo o relatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa):


© Foto: Acervo Cesmar

Essência

Haja oxigênio!

Respiração consciente e silêncio em meio ao caos

Ana Luiza Amaral Ruiz Psicóloga no Centro Social Marista de Porto Alegre – Cesmar

Simplificadamente, pode-se dizer que “caos” significa desordem, confusão, desequilíbrio. Neste tempo em que vivemos, rodeados de compromissos, responsabilidades, acelerações e múltiplas funções, é comum que a angústia, o mal-estar e outras reações negativas se instalem, atrapalhando nossas percepções, ações e relações. Agitação, ansiedade e sensação de inconstância trazem prejuízos internos e externos. Uma forma de buscar equilíbrio em meio a tudo

isso vem de algo que fazemos automaticamente a todo o momento: respirar. Nem sempre respiramos corretamente, de forma completa, preenchendo plenamente nossos pulmões. Costumamos fazê-lo de forma breve, não aproveitando todo o potencial organizador do oxigênio que podemos inspirar. Respirar corretamente pode ajudar a regular a frequência cardíaca e arterial, a ativar o relaxamento, a baixar ansiedade, entre outros. Além disso, respirar conscientemente tam-

Nem sempre respiramos corretamente, de forma completa, preenchendo plenamente nossos pulmões. Costumamos fazê-lo de forma breve, não aproveitando todo o potencial organizador do oxigênio que podemos inspirar.

46

bém traz benefícios emocionais, cognitivos e físicos. Quanto melhor nossa respiração, melhor nossa saúde física, psíquica, emocional e relacional. A respiração aponta para o sentir e o perceber a partir de dentro. Com isso, aumentam as percepções, a autoconsciência, e o autocontrole, além de surgirem muitas outras mudanças. Isso tudo nos aproxima de outro aspecto importante de nossas vidas: a atenção, um processo cognitivo essencial e uma função mental imprescindível. É inevitável ligar a respiração consciente à atenção plena que a meditação propicia. Essa prática milenar vem sendo fonte de pesquisas científicas em diversas áreas, para aplicação em diferentes contextos. Respirar ajuda a lidar com o estresse, reduzindo-o; aumenta o foco, importantíssimo nas muitas situações do cotidiano; e traz benefícios quanto à qualidade de nosso sono, aspecto organizador de nossas aprendizagens e memórias. Se falarmos em meditação, logo nos vem à mente a dificuldade em aquietar o turbilhão de pensamentos. Dessa forma, reforço a ideia de se concentrar na respiração consciente, silenciar para escutar esse movimento fisiológico, focar a atenção nesse momento. Assim, agimos mais e reagimos menos. Fazemos contato com o aqui/agora. E se a essência da teoria do caos indica que uma pequena mudança em determinada condição inicial leva a efeitos imprevisíveis, fica o convite para esse cuidado pessoal com alcances inter-relacionais.


(In)formação de qualidade em rede para uma educação de excelência. Para seguirmos produzindo conteúdo qualificado e de relevância, queremos ouvir a sua opinião! Afinal de contas, a revista Em Família é feita para você e sua família! Avalie e indique temas a serem abordados aqui:

colegiomarista.org.br/revista-em-familia Contamos com suas contribuições!


Colégio Marista João Paulo II  

12ª Edição | 1º semestre 2017

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you