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12a edição | 1o Semestre 2017

COMO FAZER

Existem jeitos mais adequados e eficazes de se estudar. Descubra como contribuir para a rotina de estudos dos filhos.

DIA A DIA

Conheça argumentos que farão você repensar o consumo excessivo de carne.

Ações LOCAIS. IMPACTOS globais. Uma visão sustentável do planeta desconhece fronteiras e cargos. É de todos a responsabilidade de tornar o mundo um lugar melhor.


CULTIVAR A PRÁTICA DA LEITURA HOJE É SEMEAR UM FUTURO REPLETO DE VALORES. A FTD Educação e o Integra Confessionais estão juntos na missão de cultivar a prática da leitura nas escolas e casas, ao lado de professores e familiares dos alunos, para semear em cada jovem valores essenciais para a construção de um cidadão transformador do seu futuro e da sociedade ao seu redor.

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PARA O ALUNO

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Com 200 anos de presença mundial e há 117 anos presente no Rio Grande do Sul, a atuação dos Colégios e das Unidades Sociais da Rede Marista se dá, atualmente, em 13 cidades gaúchas e em Brasília. São 26 Colégios e nove Centros Sociais, que atendem, diariamente, mais de 20 mil crianças, jovens e adultos.

Presidente da Rede Marista Ir. Inácio Nestor Etges

COLÉGIOS Colégio Marista Aparecida colegiomarista.org.br/aparecida | 54 3449 2600

Colégio Marista São Luís colegiomarista.org.br/saoluis | 51 3713 8500

Colégio Marista Assunção colegiomarista.org.br/assuncao | 51 3086 2100

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Colégio Marista Champagnat colegiomarista.org.br/champagnat | 51 3320 6200

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Colégio Marista Conceição colegiomarista.org.br/conceicao | 54 3316 2700

Colégio Marista Vettorello colegiomarista.org.br/ejavettorello | 51 3086 2100

Elder Filippe

Colégio Marista Graças colegiomarista.org.br/gracas | 51 3492 5500

Escola Marista Santa Marta colegiomarista.org.br/santamarta | 55 3211 5200

Coordenador de Comunicação e Marketing

Colégio Marista Ipanema colegiomarista.org.br/ipanema | 51 3086 2200

Vice-Presidente da Rede Marista Ir. Deivis Fischer COLÉGIOS E UNIDADES SOCIAIS Superintendente Executivo Rogério Anele Coordenador Jurídico

Tiago Rigo Gerente Educacional Ir. Manuir Mentges Gerente Social Ir. Luciano Barrachini Supervisão Editorial Katiana Ribeiro e Reinaldo Fontes Conselho Editorial Luciano Centenaro, Patricia Saldanha e Simone Martins

Colégio Marista Irmão Jaime Biazus colegiomarista.org.br/jaimebiazus | 51 3086 2300

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12a Edição | 1o Semestre 2017 PERIODICIDADE Semestral

REVISÃO Lumos Soluções Editoriais EDIÇÃO

PROJETO GRÁFICO Estúdio Sem Dublê | semduble.com

Redação: Michele Bravos Edição de arte: Julyana Werneck

ILUSTRAÇÃO DA CAPA Julyana Werneck | Freepik

Supervisão editorial: Maria Fernanda Rocha Envie comentários, críticas e sugestões sobre a revista para o e-mail faleconosco@maristas.org.br

© Todos os direitos reservados. Todas as opiniões são de responsabilidade dos respectivos autores.

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Índice

capa

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Empresas e sociedade juntas em prol de mudanças efetivas no mundo, reconhecendo que ações locais podem ter impactos globais.

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Rogério Anele, superintendente dos Colégios e Unidades Sociais, destaca o bicentenário marista e os principais temas desta edição.

Dia a dia

Entrevista

Olhar

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Confira argumentos que farão você repensar o consumo excessivo de carne.

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Conheça Regina Tchelly e sua forma criativa de pensar o aproveitamento total dos alimentos. Com ela, não tem desperdício!

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Curiosidade

Solidariedade

Como fazer

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Em um mundo com tantas crises, a demanda por gestores é cada vez maior. Entenda como as profissões estão sendo ressignificadas.

Conheça a história do Instituto Marista e as ações que têm dado continuidade ao sonho de Marcelino Champagnat.

A construção do conhecimento é diária, por isso o hábito de estudar deve ser repensado para além dos dias antecedentes à prova. Veja como.

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Diversão

Essência

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Confira algumas dicas de livros e filmes sugeridas pelo assessor da área de Ciências Humanas dos Colégios Maristas, Renato Capitani.

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Existe limite para o incentivo. No artigo desta edição, compreenda como se fazer presente sem pressionar.

Cultivar uma horta em casa pode ser um momento agradável em família, além de garantir uma redução de níveis de agrotóxicos no seu prato.

Em artigo, a psicóloga Ana Luiza Amaral Ruiz aborda os benefícios que a respiração traz para a mente em meio à correria diária.


Juntos por uma

1a impressão

sociedade melhor mudança, apresentamos o trabalho de Regina Tchelly, idealizadora do projeto Favela Orgânica em uma comunidade do Rio de Janeiro. Em entrevista à revista Em Família, ela revela sua disposição em não ignorar os problemas de seu entorno. Diante da miséria e do grande desperdício de comida que vivemos no mundo, Tchelly propõe oficinas que ensinam sobre o aproveitamento total dos alimentos. Muitas vezes, não nos damos conta do que estamos ingerindo e dos impactos que a escolha do que comemos pode trazer para nossas vidas e para o meio ambiente. Duas matérias nesta edição propõem uma reflexão sobre esse tema, discutindo o consumo excessivo de carne e também a proporção de agrotóxicos presentes em frutas e vegetais. Vale repensar nossos hábitos alimentares. Todo hábito, afinal, é algo que pode ser desenvolvido. Veremos isso na matéria Aprendendo a estudar, em que especialistas comentam sobre como aprimorar a prática do estudo, apresentando informações sobre a construção da memória e do conhecimento. E mais: saiba como incentivar os filhos sem pressioná-los, quais são os os benefícios de uma respiração consciente, bem como dicas de livros e filmes, entre outros assuntos. Que esta edição seja, mais uma vez, um convite ao aprofundamento de assuntos de relevância para a educação de nossas crianças e de nossos jovens! Que os 200 anos de vida e memória da nossa instituição nos inspirem a seguir construindo o legado de nosso fundador. Uma boa leitura a todos!

A responsabilidade é de todos, e nossa motivação deve ser a busca por diálogos que nos levem a respostas construídas coletivamente.

© Foto: Divulgação / Comunicação e Marketing

Em 2 de janeiro de 1817, Marcelino Champagnat iniciou o sonho que concretizamos diariamente: transformar a vida de crianças e jovens por meio da educação evangelizadora. Nesses 200 anos de atuação marista, podemos afirmar o quanto uma iniciativa que começou localmente, lá no interior da França, foi capaz de tomar grandes proporções e mobilizar milhares de pessoas em todo o mundo. Hoje, somos presença nos cinco continentes e, juntos, levamos adiante a missão de promover a vida sob a bênção da nossa Boa Mãe. Em sintonia com a história e a origem do Instituto Marista, convidamos você a refletir sobre como atitudes locais podem impactar em prol de uma sociedade melhor. Na matéria de capa, destacamos de que forma metas de melhorias mundiais, como o equilíbrio do aquecimento global ou espaços urbanos mais sustentáveis, podem ser alcançadas se trilharmos um caminho de forma coletiva. A responsabilidade é de todos, e nossa motivação deve ser a busca por diálogos que nos levem a respostas construídas coletivamente. Compreendendo também a importância de vislumbrar novas possibilidades diante da atual crise ética refletida em diversas esferas, buscamos especialistas para abordar as tendências do mercado de trabalho no cenário atual. Essa reportagem você confere na editoria Curiosidade, que desvela como as profissões estão sendo ressignificadas e qual o perfil profissional mais demandado no momento. A partir do entendimento de que cada pessoa pode ser um agente de

Rogério Anele Superintendente dos Colégios e Unidades Sociais da Rede Marista

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Comida sem carne também é

© Fotos: Freepik | Divulgação

Dia a dia

A alimentação vegetariana e a vegana têm crescido no país. Em benefício da saúde ou por motivos ideológicos, que tal repensar o consumo excessivo de carne? Por Michele Bravos

No prato, um estrogonofe bem saboroso e cremoso, com cogumelos, creme de leite extraído do coco, molho de tomate caseiro, tudo bem temperado. Hum… Mas e a carne picadinha? Bom, esse é um strogonoff diferente e é uma das inúmeras receitas veganas que têm ganhado a mesa do brasileiro. Dados da Sociedade Brasileira de Vegetarianismo (SBV) afirmam que o interesse da população por uma alimentação vegana tem aumentado. Por outro lado, uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que a quantidade de vegetais ingerida pelos brasileiros ainda é menor do que a ideal indicada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que corresponde a 400 g/dia. A família Bisotto aderiu à alimentação vegetariana (que não inclui produtos animais, mas, em alguns casos mantém o consumo de ovos, leite e derivados) há alguns anos e Eliom, 8 anos, estudante do Colégio Marista Graças, em Viamão (RS), nunca comeu carne. Raquel, a mãe, vem de uma família tradicional gaúcha, então cresceu comendo churrasco. Mas aos 16 anos decidiu que iria mudar. “Para mim, comer carne nunca foi natural. A alimentação tem que ser viva. Uma alimentação morta – derivada de animais e muito processada – certamente tem menos energia.” Para a nutricionista vegana Anazelly Guimarães – que adotou o veganismo como um estilo de vida e, portanto, busca excluir todas as as formas de ex-

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ploração e de crueldade contra animais, seja para a alimentação, para o vestuário ou para qualquer outra finalidade –, é possível ter uma alimentação completa e saudável sem a ingestão de alimentos derivados de animais. “Nós não precisamos da carne para viver bem. Existe uma grande preocupação sobre os níveis de ferro e proteína no organismo, mas eles podem ser supridos com combinações adequadas na alimentação.” Ela exemplifica que as folhagens (alimentos com folhas verdes escuras, como brócolis), por exemplo, são ricas em ferro. Além disso, outra dica é preparar a comida em panelas de ferro. Quanto à proteína, a nutricionista explica que a combinação de cereais (arroz, milho, quinoa) com leguminosas (feijão, grão de bico, ervilha) forma um complexo que supre essa demanda. Ela ainda complementa que, além desses dois grupos de alimentos, não podem faltar no prato dos vegetarianos e veganos: castanhas, que dão o aporte necessário de gordura saudável, de zinco, selênio e proteína; e brotos e cogumelos, que possuem um perfil de proteína muito indicado para quem pratica atividades físicas. Anazelly afirma que para se ter uma alimentação vegetariana ou vegana saudável é preciso montar pratos bem coloridos e ricos em variedade. “Um problema comum entre aqueles que estão em uma transição de estilo de alimentação está em substituir a carne por massa. Isso pode acarretar em ganho de peso.”

CHEIA DE COR E SABOR Se antigamente comida vegetariana ou vegana era sinônimo de insossa, hoje os pratos são cheios de sabores e cores. Alguns perfis no Instagram são um colírio para os olhos, dão água na boca e incentivam o consumo desse estilo de alimentação, com receitas bem práticas para várias refeições – do café da manhã de todo dia ao jantar de sexta à noite com os amigos.

@vegetariangastronomy

@vegan_straws

@presuntovegetariano

@plantadoecolhido

@brusselsvegan

@nanaicecreamtoday

@vegetarirango

@bettanbelen


PELA SAÚDE Segundo uma pesquisa realizada pelo Datafolha (2017), 63% dos brasileiros querem reduzir o consumo de carne e 35% estão preocupados com as consequências que a alimentação carnívora pode trazer para a saúde. Nesse sentido, Anazelly lembra que o consumo excessivo de proteína animal pode acarretar em uma sobrecarga da função renal, distúrbios gástricos e intestinais, além de um aumento na probabilidade de desenvolver doenças cancerígenas. “O animal absorve mais agrotóxicos do que as plantas, por exemplo. Sem falar nos hormônios injetados em animais criados para o abate e os embutidos, que são muito processados.” Conforme Raquel, desde que parou de comer carne, sente-se mais disposta e que até o humor melhorou. Resfriado também não é mais algo recorrente. A nutricionista pontua que a única vitamina que fica deficiente no organismo com ausência de produtos animais é a Vitamina B12. “Para solucionar esse déficit, o vegetariano ou vegano é instruído a suplementá-la de forma sintética, a partir de bactérias em laboratórios.” Ainda de acordo com Anazelly, não há contraindicações para uma alimentação vegetariana ou vegana – pelo contrário: “O leite de vaca, por exemplo, é um alimento bastante inflamatório e um dos mais alergênicos. Esse leite foi feito para o bezerro beber, e não para os seres humanos.”

POR IDEAIS Tanto para Raquel quanto para Anazelly, não comer carne também é uma escolha fundamentada na lógica de que não é preciso sacrificar animais para poder se alimentar. “Existem muitas outras fontes de alimentação, que exercem maior respeito sobre todos os seres. Tudo coexiste conosco, para que vivamos em um planeta melhor”, diz Raquel.

CRIANÇA VEGETARIANA OU VEGANA, PODE?! Para a nutricionista Anazelly, é possível introduzir uma alimentação sem derivado de animais no cardápio da criança desde a primeira infância. Ela afirma que, após a amamentação, a criança pode começar a consumir folhagens, leguminosas, cereais, leites vegetais, castanhas, tudo preparado de forma adequada para cada idade. “Eu falo por experiência própria. Tenho um bebê de um ano e oito meses e prezo para que ele tenha uma alimentação mais pura." Raquel afirma que o desenvolvimento de Eliom sempre foi muito bom. “Quando ele era bebê, cada vez que ia ao pediatra havia ganhado 900 gramas.” Ela ainda conta que o filho tem uma saúde ótima e não apresenta nenhuma dificuldade na realização das atividades diárias da escola pela falta de carne. A nutricionista sugere que os pais expliquem para a criança os motivos pelos quais ela não está comendo carne. “Precisa fazer sentido para ela, porque o estilo de alimentação dela é diferente.” Ela sugere que essa conversa pode ser mediada com ajuda do livro That's why we don't eat animals (É por isso que não comemos animais, em uma tradução livre), de Ruby Roth.

A mãe de Eliom percebe que o filho não aceita bem a ideia da morte do animal, que evidencia um sofrimento. “Eu lembro uma vez em que ele estava participando de uma atividade de escoteiro na qual eles deveriam preparar uma carne e avisei a líder do grupo de que ele não participaria desse momento. Junto com ele, outras crianças, que nem são vegetarianas ou veganas, optaram por também não participar, por não se sentirem bem com aquilo.” Para Anazelly, não se pode desconsiderar todo o processo de produção de carne. “A forma de morte desses animais é muito cruel. Optar por não consumir produtos derivados de animais gera um bem pessoal e para o mundo também.” Para aqueles que estão dispostos a pensar em um consumo mais consciente de carne, a SBV lidera a campanha Segunda Sem Carne, a qual sugere que, nesse dia da semana, não se consuma nenhum tipo de alimento de origem animal. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o segmento de produção animal é um dos responsáveis pelos mais sérios problemas ambientais. A

campanha aponta que se uma pessoa deixar de comer 220 g de carne por um dia, ela economizará 792 litros de água (o equivalente a 16 banhos), e 50 kg de CO2 deixarão de ser emitidos na atmosfera (aproximadamente o que seria despejado no planeta durante uma viagem de carro de 240 km). E aí? Dá para passar a próxima segunda sem carne?

Existe uma grande preocupação sobre os níveis de ferro e proteína no organismo, mas eles podem ser supridos com combinações adequadas na alimentação. Anazelly Guimarães Nutricionista vegana

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Capa

ATITUDES locais DE

impacto global

© Ilustração: Freepik

Empresas e sociedade juntas para mudanças efetivas Por Michele Bravos

Uma agenda para 2030 com 17 metas para serem alcançadas. Após as melhoras significativas atingidas pelos países tendo como base os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – ver quadro na página 11 –, convocando a população a se engajar, nos próximos anos, na solução dos problemas apontados, como questões relacionadas à educação, pobreza, gênero, cidades, meio ambiente e consumo consciente. Segundo Nastássia Castro, uma das coordenadoras da Yunus Negócios Sociais no Brasil, repartição local da Yunus Social Business Global, os ODS carregam uma característica bastante particular em comparação com os ODM: o reconhecimento da necessidade de um engajamento civil. “Uma análise da ONU feita após o encerramento dos ODM concluiu que esse projeto esteve muito voltado ao diálogo e à chamada de responsabilidade do governo. Porém, não se falou diretamente com as empresas e a população”, expõe Nastássia. Vale lembrar que foi objetivando atingir uma dessas metas – especificamente, o ODM 1, que visava acabar com a fome e a miséria – que o Brasil erradicou a fome no País por meio do programa Fome Zero, por exemplo. Houve, portanto, muitas articulações governamentais, porém pouca movimentação por parte dos cidadãos.

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Nastássia Castro Coordenadora da Yunus Negócios Sociais no Brasil Nastássia explica que a ONU se deu conta de que, para atingir o desenvolvimento sustentável, é preciso que empresas e sociedade civil também se engajem. “O mundo é feito de pessoas e essas pessoas, a cada dia de suas vidas, estão tomando atitudes que afetam o planeta todo”, ressalta. Ela ainda explica que, por esse motivo, os ODS são uma tentativa de alcançar as metas não atingidas anteriormente pelos ODM e cujo foco reside justamente na mensuração dessas iniciativas. Essa quantificação de resultados se dá em resposta a um movimento, compreendido pelo empreendedorismo social, de que qualquer iniciativa, quando pensada, deve ser escalável e replicável. O professor Muhammad Yunus, fundador do Yunus Social Business Global, é um dos embaixadores da ONU focados em tornar as metas dos ODS possíveis de serem cum-

A ideia, agora, é que esse empreendedorismo seja ampliado para além do conceito empresarial, pensando em alguém que tenha uma boa proposta de solução para um problema. Todo cidadão tem uma sugestão de melhoria sobre algo que o incomoda. Nastássia afirma que, em um modelo de metas sustentáveis, a sociedade é incentivada a participar e conquistar junto com o terceiro setor e o poder público essas melhorias. “A pergunta é simples: o que eu, cidadã ou cidadão, consigo fazer para contribuir para a construção de um mundo melhor?”. Nastássia pontua que é importante ser realista, considerando as limitações financeiras e físicas na hora da resposta. O importante, contudo, é fazer acontecer: “Se você tem o mínimo, faça com o mínimo”, defende ela.

Muhammad Yunus aposta no investimento em negócios sociais que proponham soluções locais com consequentes impactos globais.

© Foto: Dear World

Uma análise da ONU feita após o encerramento dos ODM concluiu que esse projeto esteve muito voltado ao diálogo e à chamada de responsabilidade do governo. Porém, não se falou diretamente com as empresas e a população.

pridas, provocando um impacto global real. Dessa forma, a Yunus Negócios Sociais investe em empresas de negócios sociais ou de impacto social que consigam criar soluções locais, vislumbrando sua expansão. “Isso quer dizer que, depois que os problemas são identificados, é preciso buscar uma solução que ainda não tenha sido pensada ou bem-executada, implementá-la e alinhá-la com os objetivos locais até que ela atinja níveis internacionais, por meio da replicação de um modelo proposto em outras partes do mundo”, relata Nastássia. “Nós compreendemos que a melhor coisa que pode acontecer para um empreendedor social é que sua iniciativa morra, pois isso significa que o problema social que o motivou a buscar uma solução acabou”.

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© Foto: Divulgação

Capa

A Quinta da Estância é um sonho de Sônia e Lucídio Goelzer compartilhado com os filhos André, Rafael e Lucas, ex-alunos do Marista Graças, em Viamão.

INICIATIVA PRIVADA Algumas iniciativas brasileiras têm contribuído efetivamente para que o mundo alcance objetivos mundiais de melhoria social. A Quinta da Estância, localizada em Viamão, no Rio Grande do Sul, é um exemplo disso. A empresa é membro do Núcleo Estadual dos ODS e integra o Pacto Global das Nações Unidas sobre práticas que contribuem para diminuição das alterações climáticas. O pensamento vanguardista acompanha desde o início os fundadores Sônia e seu esposo Lucídio Goelzer – e agora, também, os sucessores e diretores da fazenda Lucas, André e Rafael, filhos do casal, que foram estudantes do Colégio Marista Graças. Na década de 1990, o casal já entendia a necessidade de agir em prol da preservação do meio ambiente. Ao comprarem um pequeno pedaço da terra da fazenda de um amigo, perceberam que a experiência de viver a natureza não podia ser restrita aos seus familiares. Foi assim que Sônia, na época professora na rede pública do Rio Grande do Sul, começou a fazer visitas guiadas pelo terreno com seus alunos. Tal prática permanece até hoje, já tendo atendido 1,2 milhões de estudantes. Além disso, todo ano são disponibilizadas 2 mil vagas a instituições como a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) para visitas gratuitas. “Quando o estudante tem conheci-

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mento prático daquilo que está vendo em sala de aula, ele absorve mais as informações, tendo mais subsídios para transformar isso em uma ação de impacto real na sociedade”, afirma Rafael Goelzer, diretor de relacionamento da Quinta da Estância.

Quando o estudante tem conhecimento prático daquilo que está vendo em sala de aula, ele absorve mais as informações, tendo mais subsídios para transformar isso em uma ação de impacto real na sociedade. Rafael Goelzer Diretor de relacionamento da Quinta da Estância Com o passar dos anos, os diretores foram compreendendo que o pa-

pel da empresa não era apenas local, mas global, e, por isso, outras práticas foram sendo agregadas ao dia a dia da fazenda. “A natureza não reconhece as nossas divisões geopolíticas. Nós não queremos ser uma ilha de sustentabilidade, mas agentes de pulverização no mundo”, diz Rafael. Educação ambiental: Até o momento, cerca de 1,2 milhões de estudantes já visitaram a fazenda.

Diante das mudanças climáticas, desde 2007, a empresa neutraliza todo o carbono utilizado – calculando até o gás emitido pelo carro no deslocamento para uma reunião. “Nós queremos criar uma poupança para o planeta. Eu já tenho um superávit de absorção de carbono, mas não tenho


interesse nenhum em vender esse extra para que outras empresas continuem poluindo mais. Se eu mantiver o ritmo de neutralização neste ano, teremos carbono neutralizado até 2046”, conta o diretor de relacionamento. São cerca de 102 hectares de plantio de árvores, em um terreno de 103 hectares. Um hectare é reservado para as atividades educacionais e operacionais da empresa.

A pergunta é simples: o que eu, cidadã ou cidadão, consigo fazer para contribuir para a construção de um mundo melhor?”.

© Foto: Divulgação

Nastássia Castro Coordenadora da Yunus Negócios Sociais no Brasil

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Capa Para eles, a cidade é como um campo de experimentação e um espaço de diálogo, onde possibilidades podem ser vislumbradas. “No começo, a gente vislumbrava ser uma resposta para os problemas da cidade. Por isso, fazíamos muitas intervenções. Percebemos que mesmo algo pontual causava uma forma de perceber o espaço de um jeito diferente. A partir disso, identificamos que podíamos ser menos intervencionistas e mais criadores de plataformas de debate – como jornais e rádios do bairro – sobre como aquele lugar ou situação poderia ser diferente”, conta Vitor Lagoeiro, membro do Micrópolis. Como afirma o arquiteto, “desde a hora em que nós acordamos e pegamos o ônibus, já estamos enfrentando o resultado de políticas públicas”.

Da hora em que nós acordamos e pegamos o ônibus já estamos enfrentando o resultado de políticas públicas. Vitor Lagoeiro Arquiteto e membro do Coletivo Micrópolis

© Foto: Divulgação

Rafael ainda ressalta a importância de as empresas terem práticas sustentáveis atreladas ao próprio negócio. “Não fazer ações filantrópicas se estou, ao mesmo tempo, poluindo o rio”. Por isso, o empresário se empenha em fazer palestras para disseminar uma cultura de gestão sustentável. “Quero que os empresários percebam que se uma fazenda aqui em Viamão está fazendo algo, a empresa deles também pode fazer, independentemente de seu porte”. Ele ainda frisa que esse tipo de ação tem consequências cíclicas no planeta. “É preciso ter uma visão sistêmica e compreender que cada ação pode trazer uma diferença de impacto global. Estamos vivendo uma realidade de planejamento. A sustentabilidade é uma visão a longo prazo”. Na Quinta da Estância, todos os funcionários contratados são residentes no município onde a fazenda está localizada. Além disso, Rafael já foi presidente da Associação Comercial de Viamão e apoia a defesa de situações que possam prejudicar a região. “Não somos um empreendimento separado nem do âmbito local e nem do global. Eu acordo todos os dias acreditando que fazemos um negócio transformador”, confessa.

SOCIEDADE CIVIL Também é chegada a hora de a sociedade reconhecer seu papel nesse ciclo de impactos globais e entender que atitudes locais podem gerar consequências mundiais. Uma iniciativa alinhada com essa proposta é o Coletivo Micrópolis, sediado em Belo Horizonte, Minas Gerais, focado em repensar das cidades. O Coletivo surgiu em 2010, fruto de um grupo de trabalho composto por sete universitários humanistas da faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que continuam trabalhando juntos com esse propósito até hoje.

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O Coletivo Micrópolis é formado por Belisa Murta, Fernanda Gomes, Felipe Carnevalli, João Carneiro, Marcela Rosenburg, Mateus Lira e Vítor Lagoeiro.


© Foto: Shutterstock

Passar por uma mudança de olhar sobre quem se é no mundo é visto como emergencial por Lagoeiro. Por isso, a questão tem mais a ver com enxergar possibilidades do que com implantar uma ideologia. O Micrópolis tem como diretrizes uma postura etnográfica, uma escuta ativa, a promoção de ações que não sejam expositivas, um olhar intimista, a identificação de potencialidades e a autoria compartilhada. Quando questionado sobre o impacto global de iniciativas locais, Lagoeiro entende os reflexos mundiais como uma consequência de um trabalho que está sendo bem realizado em um âmbito menor. Ele também aponta para soluções replicáveis, como um mecanismo para se atingir esse impacto, compartilhando da ideia de Yunus. Ele ainda ressalta a importância do trabalho conjunto: “Para além de nós, existe uma coletividade que desconstrói a cidade como ela é vista, trazendo transformação. Em nossos processos, documentamos tudo e buscamos divulgar, para que as ações sejam apropriadas e reinterpretadas por outros grupos e aconteçam em outros locais”. A ideia de atuar no local visando desdobramentos globais, parte de um esforço de comunicar o que já tem sido feito. “Entendo experiências como aprendizados”, conclui Lagoeiro. No coração desses cidadãos está implantada a ideia da pedagogia urbana, que compreende que as pessoas aprendem e contribuem com a cidade tanto quanto ela faz por cada um de seus habitantes.

O mundo é feito de pessoas e essas pessoas, a cada dia de suas vidas, estão tomando atitudes que afetam o planeta todo. Nastássia Castro Coordenadora da Yunus Negócios Sociais no Brasil

CONHEÇA AS INICIATIVAS

ESCOLA PORTÁTIL

YUNUS NEGÓCIOS SOCIAIS BRASIL www.yunusnegociossociais.com

© Fotos: Divulgação

A Escola Portátil foi uma série de processos experimentais de pedagogia espacial e urbana realizada pelo Coletivo Micrópolis em conjunto com alunos da Escola Estadual Maria Josefina Salles Wardi, no bairro Jardim Canadá, na cidade de Nova Lima (MG).

QUINTA DA ESTÂNCIA www.quintadaestancia.com.br COLETIVO MICRÓPOLIS www.micropolis.com.br

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© Fotos: Alan Miguel Gonçalves

Entrevista

Exalando aromas de

confiança

Regina Tchelly faz da alimentação saudável e consciente um processo de luta na favela Por Michele Bravos

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Por onde anda, nas ruas da Babilônia, no Rio de Janeiro – onde vive há 16 anos –, as pessoas a chamam de Cheirosa. E não podia ser Por Michele Bravos diferente: Regina Tchelly, de 35 anos, está sempre exalando alegria e confiança, além de todos os deliciosos aromas da culinária brasileira. Aventurando-se há duas décadas no universo da alimentação, desde 2008 essa paraibana percebe que a culinária transforma não apenas os ingredientes, mas também a vida das pessoas. Tchelly, como também a chamam, vem desenvolvendo a ideia de aproveitamento total de alimentos junto com a população da comunidade onde mora por meio do projeto Favela Orgânica. Ela acredita que uma alimentação saudável é possível, mesmo em espaços de vulnerabilidade, e também ressalta que uma redução de desperdícios é urgente para o mundo. Nesta entrevista à revista Em Família, ela nos conta sobre o início de seu projeto e o que a move diariamente.


Quando a alimentação passou a ser entendida por você como uma forma de transformar realidades?

Foi assim que surgiu o Favela Orgânica?

Eu saí de casa, na Paraíba, quando tinha 15 anos, e logo aprendi a cozinhar. Lembro que minha mãe tinha esse hábito de sempre fazer comida para a gente. Quando cheguei no Rio de Janeiro, vim morar na Babilônia e fui trabalhar como empregada doméstica em outras regiões da cidade. Além de fazer faxina, eu também cozinhava nessas casas. Então, comecei a perceber o enorme desperdício que existia tanto em uma realidade como em outra, bem como as dificuldades pelas quais o povo da favela, as pessoas da minha rua, passavam. Em paralelo a isso, em 2008 eu engravidei e descobri que poderia ter diabetes gestacional. Aliando a questão da minha saúde ao incômodo que tanto desperdício me causava, passei a ter uma alimentação mais saudável e resolvi que isso precisava ser expandido para a comunidade onde vivo.

Isso mesmo. Na Paraíba, é comum fazer o aproveitamento total dos alimentos. Essa, porém, não era a realidade do Rio de Janeiro. Eu passei a desejar ser uma cozinheira diferente, mais consciente. Acredito em uma cozinha que é mais humana e menos comercial. Em 2011, desenvolvi o projeto e o inscrevi em um edital para propostas que pudessem beneficiar a favela. Foi uma surpresa, mas ganhei um prêmio de 10 mil reais, o que possibilitou viabilizá-lo na Babilônia e em Chapéu Mangueira. Eu não queria mais trabalhar como empregada doméstica, então foi também uma oportunidade de iniciar algo que que já morava no meu coração.

E como foi a primeira ação do projeto?

Eu realmente achei que as pessoas tinham participado da primeira ação – que foi um curso de aproveitamento total dos alimentos oferecido para as mães da favela – para me agradar. Mas não foi, não! Depois eu percebi que elas tinham um interesse real. Muitas dessas mães nunca tinham feito nenhum curso na vida, muito menos sabiam sobre alimentação saudável ou como podiam fazer render um mesmo alimento de várias maneiras. O impacto que esse curso gerou foi imediato. Causou uma interferência positiva no dia a dia dos filhos dessas mulheres. Em poucas semanas, o curso contava com 40 inscritos.

Atualmente, como o Favela Orgânica se sustenta?

Eu faço o projeto porque acredito nele. Não tenho investidor. Conforme vou dando palestras e oferecendo oficinas pagas em outros espaços além da favela, vou conseguindo manter o projeto. Até pouco tempo atrás, era tudo feito na minha casa, mas, recentemente, consegui um novo lugar. Aprendi que não posso esperar ter dinheiro para fazer as coisas acontecerem. Eu nasci para causar mesmo (risos).

Eu passei a desejar ser uma cozinheira diferente, mais consciente. Acredito em uma cozinha que é mais humana e menos comercial. 15


© Foto: Sustainable Urban Farming

Entrevista

Podemos construir um mundo melhor nos preocupando também com o ciclo do alimento, percebendo o valor das pessoas que trabalham no campo, validando o pequeno produtor, aproveitando os alimentos de forma mais criativa. Por que falar da alimentação como uma causa?

No caso das crianças dessa comunidade, em que aproximálas da culinária pode contribuir para o desenvolvimento pessoal e social delas?

Eu tenho uma forte crítica sobre a elitização do alimento. Cada aprendizado sobre a cozinha deve ser considerado importante. Mas, hoje, tudo é gourmet. Até pipoca é gourmet. Só que as pessoas não sabem nem de onde vem o milho ou como é um galinheiro. Podemos construir um mundo melhor nos preocupando também com o ciclo do alimento, percebendo o valor das pessoas que trabalham no campo, validando o pequeno produtor, aproveitando os alimentos de forma mais criativa. A partir de agosto, o projeto vai ofertar oficinas de consumo consciente, de compostagem caseira, e de sementes, além de um curso sobre aproveitamento total dos alimentos para crianças e idosos e filmes sobre alimentação.

Vejo essa aproximação como necessária e indispensável. A gastronomia tinha que estar presente nas matérias escolares, para gerar conscientização. Eu percebo que as crianças se envolvem muito com as aulas de culinária. Elas fazem o curso comigo e depois vêm aqui em casa para pedir dicas. Além disso, elas acabam influenciando os pais e motivando-os a cozinhar de um jeito diferente.

RECEITA DE BRIGADEIRO DE CASCA DE BANANA Brigadeiro de casca de banana é a receita favorita de Regina Tchelly. Ela conta que esse é o mais pedido pelos amigos e familiares. Que tal fazer em casa?

INGREDIENTES 3 cascas de bananas em tiras 1 xícara de açúcar 2 colheres de sopa de margarina 4 colheres de farinha de trigo 1 xícara de leite morno 1 xícara de leite em pó 2 colheres de sopa de achocolatado 1 xícara de chocolate granulado Água até cobrir as cascas

PREPARO • Em uma panela, coloque as cascas, a água e o açúcar.

Por que ainda temos tanto desperdício de alimentos? Como mudar isso?

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Na minha opinião, existe um preconceito sobre o uso total do alimento, além de falta de informação e, às vezes, preguiça mesmo. Não estamos habituados a comer os alimentos integralmente. Vivemos à mercê da indústria e da mídia. Ninguém diz: “Coma pão feito de casca de abóbora”. Mas isso pode mudar a partir da conscientização da população. Uma das minhas ações nesse sentido é uma série que estou fazendo para a TV Cultura, que se chamará Amor de Cozinha, com foco no combate ao desperdício.

• Cozinhe até virar uma pasta. • Adicione os demais ingredientes, com exceção do granulado. • Mexa até desprender do fundo da panela. • Coloque em um prato e deixe esfriar. Faça bolinhas e envolva-as com o chocolate granulado.


EXPEDIENTE UNIDADES SOCIAIS DA REDE MARISTA Rua Ir. José Otão, 11 – Bom Fim Porto Alegre - RS social@maristas.org.br GERENTE SOCIAL Ir. Luciano Barrachini COMUNICAÇÃO E MARKETING Camila Jonco, Camila Hugentobler, Felipe Franco, Leonardo Mayer e Sílvia Medeiros. JORNALISTA RESPONSÁVEL Tiago Rigo (MTB 13919)

Ponto de vista em movimento

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Em artigo, o coordenador pedagógico da Gerência Social, Carlos Alberto Mariani, mostra que devemos usar as diferenças para gerar completude.

Com a palavra

Educação Básica

Em movimento

Ir. Luciano Barrachini, gerente social, destaca as conquistas do trabalho realizado nas Unidades Sociais.

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Assistência Social

Você sabia?

Inclusão Digital

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Marista Santa Marta tem primeiras turmas de 9o ano EF formadas.

Polo Marista de Formação Tecnológica incentiva o turismo ecológico na região das Ilhas de Porto Alegre.

Conheça a trajetória das professoras Ivone Vettorello e Tia Jussara, que dão nome a duas unidades da Rede Marista.

Gente nossa

Comunidade

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Há 20 anos, o Colégio Marista São Marcelino Champagnat reescreve histórias de vida.

Loteamento Santa Teresinha ganha quadra de esportes.

Cobertura dos principais projetos e ASSISTÊNCIA atividades SOCIAL desenvolvidos INCLUSÃO no primeiro DIGITAL semestre letivo. EDUCAÇÃO BÁSICA

Rádio Cmídia leva informação e entretenimento nos intervalos do Marista Santa Marta.


Com a palavra

Continuemos

a sonhar

Estimados leitores! Na edição deste semestre da Em Família, temos inúmeras alegrias para celebrar com vocês. Antes, porém, faço questão de recordar duas de nossas principais conquistas da última publicação: festejamos com muito entusiasmo os dez anos do Centro Social Marista da Juventude, o nosso CMJU, e comemoramos o reconhecimento recebido pelo Polo Marista de Formação Tecnológica no Prêmio Boas Ideias de Sustentabilidade – Virada Sustentável 2016. Nas páginas a seguir, celebramos a abertura de novas portas na comunidade do Loteamento Santa Teresinha, em Porto Alegre, com a inauguração do Centro Esportivo-Cultural Transformação, cuja reportagem completa está na página 32. Estamos muito felizes em poder fazer parte desse novo começo do Centro Social Marista Ir. Antônio Bortolini e da Escola Marista de Educação Infantil Menino Jesus, momento que vem carregado de novidades, desafios e sonhos concretizados. Essa quadra de esportes fortalece ainda mais a presença marista na antiga Vila dos Papeleiros, que recebeu o nome atual em homenagem à Paróquia Santa Teresinha de Jesus, no bairro Floresta, por ter sido a única a ajudar seus moradores no incêndio de 2005. A concretização dessa obra não teria acontecido sem a dedicação dos educadores e o apoio dos diversos parceiros envolvidos. Também comemoramos neste 2017 os 20 anos de atuação do Colégio Marista São Marcelino Champagnat, em Novo Hamburgo, no qual tive a honra de trabalhar por sete anos, seis deles como vice-diretor. Contamos a trajetória dessa importante unidade da Rede Marista por meio da história de vida de pessoas que marcaram – e ainda marcam – a instituição (veja a reportagem completa nas páginas 30 e 31). São Marcelino Champagnat era um sonhador. Ele ousou sonhar com uma educação acessível a todos há 200 anos, em meio a uma violenta Revolução Francesa. Transformou a dificuldade em oportunidade e fez milhares de pessoas seguirem um ideal. Ele nos deixou a lição de sempre confiar e acreditar em nossos sonhos, por mais impossíveis que pareçam. Portanto, continuem sonhando – alto!

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Unidades Sociais Maristas

São Marcelino Champagnat era um sonhador. Transformou a dificuldade em oportunidade e fez milhares de pessoas seguirem um ideal.

Ir. Luciano Barrachini Gerente Social

© Foto: Acervo da Gerência Social


Marista Santa Marta

Educação Básica

forma primeiras

turmas de 9 ano EF o

mesmo com a dificuldade, a importância que aqueles jovens davam a valores pessoais. Apesar da mudança de idade, eles nunca perderam o foco nos estudos. Percebemos isso porque alguns estudavam conosco desde a pré-escola”, ressalta a coordenadora pedagógica dos Anos Finais, Luciana Severo. A proatividade também fez parte da trajetória das turmas. “Muitos estudantes só pensavam em ajudar suas famílias de alguma forma, eram preocupados com o ambiente familiar e escolar. Mas todos eram comprometidos, as coisas andavam sem que os professores precisassem ficar pedindo”, completa. Mesmo longe dos olhares da unidade Santa Marta, os integrantes das primeiras turmas de 9o ano EF da Escola ainda mantêm contato entre si, além de ainda quererem se manter atualizados quanto ao que acontece no ambiente marista. “Apesar de agora estarem em outra etapa escolar e em outra instituição, ainda temos uma relação muito forte com os ex-alunos. Eles continuam ligados à nossa instituição”, assinala a coordenadora.

As marcas deixadas pelos formandos do primeiro 9o ano EF do Marista Santa Marta ficarão para sempre nas lembranças de estudantes, educadores e colaboradores, mas a marca marista também seguirá com aqueles que tiveram a chance de construir, pelo menos em algum momento, um mundo melhor. “Eu gostei bastante de ser estudante marista e, depois de sair, consegui perceber a diferença não só no ensino, mas no ambiente como um todo”, reconhece Eduarda.

Muitos estudantes só pensavam em ajudar suas famílias de alguma forma, eram preocupados com o ambiente familiar e escolar. © Fotos: Acervo da Gerência Social

Os estudantes concluintes do 9o ano do Ensino Fundamental de 2016 da Escola Marista Santa Marta, em Santa Maria, vivenciam dois sentimentos controversos: a tristeza e a alegria. Tristeza pelo afastamento e pela despedida de uma escola que fez a diferença em sua vida; alegria pela conclusão exitosa de uma etapa escolar. Em atendimento à nova legislação que prolongou para nove anos o Ensino Fundamental, essa turma agrega a sua caminhada escolar um ano a mais de estudos, aprendizagens significativas, experiências e conhecimentos que farão a diferença em sua vida acadêmica. "Os professores sempre foram muito atenciosos. O ensino, diferenciado", é com essas palavras que Eduarda Prestes, que estudou no Marista do 6o ao 9o ano EF, expressa as lembranças que permeiam seu pensamento. A menina de 15 anos lembra da boa convivência entre os cerca de 60 jovens durante o ano que marcou o encerramento do Ensino Fundamental para eles. Além do bom relacionamento, outras características marcaram as turmas do 9o ano EF. “As duas turmas sempre se destacaram. Era notável, que

Eduarda Prestes, concluinte do EF, já demonstra sentir saudades da educação marista.

Unidades Sociais Maristas

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Em movimento | Educação Básica

O Colégio Marista Irmão Jaime Biazus recebeu de braços abertos os estudantes novos e veteranos para o ano letivo de 2017. A primeira semana de aulas teve uma programação completamente diferenciada, buscando promover a adaptação ao Colégio e às suas normas, principalmente para os estudantes do 1o ano EM.

2017

Com o apoio dos familiares das crianças atendidas na Escola Marista de Educação Infantil Renascer, a equipe de educadores iniciou um novo projeto: a criação de uma horta na unidade. No espaço, será realizado o plantio de verduras, hortaliças e ervas. Além de beneficiar os estudantes e seus responsáveis ao proporcionar uma alimentação mais saudável, a iniciativa prevê também a integração entre a escola e a família.

PORTO ALEGRE

© Fotos: Acervo das Unidades Sociais

Profissionais da Estratégia Saúde da Família (ESF) da Ilha dos Marinheiros estiveram na Escola Marista Tia Jussara para conversar com as educadoras sobre a importância da escovação. Com fotos, vídeos e demonstração prática, explicaram como cuidar da higiene bucal das crianças desde os primeiros meses de vida.

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As estudantes Daphne Henrique e Bruna Antunes e a bibliotecária Annie Casali participaram do Seminário Escola de Desprincesamento, representando os estudantes do Colégio Marista Irmão Jaime Biazus na Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul (AL/RS). O evento contou com a presença da coordenadora de campanhas da ONU Mulheres Amanda Lemos, a prefeita de Cristal, Fábia Ritcher, a professora do Departamento de Astronomia do Instituto de Física da UFRGS Daniela Pavani (foto), entre outras convidadas.

Unidades Sociais Maristas


Pensando em trazer novas modalidades para a interação dos estudantes, um esporte pouco conhecido desembarcou na Escola Marista Santa Marta. O badminton, atividade esportiva praticada com raquetes e peteca, está fazendo a alegria da criançada.

Colaboradores das Escolas Maristas Aparecida das Águas e Tia Jussara e do Centro Social Marista Aparecida das Águas, localizados no bairro Arquipélago, participaram do Orçamento Participativo Região Ilhas. O diretor das três unidades, Ir. Diego Lunkes, reforça a importância de estar presente nesses espaços: “É assim que se constrói a cidadania”.

SANTA MARIA

NOVO HAMBURGO

Dando continuidade à Jornada Pedagógica realizada no início do ano letivo, o Colégio Marista São Marcelino Champagnat está organizando reuniões mensais que abordam a implementação das Matrizes Curriculares de Educação Básica do Brasil Marista para os estudantes jovens e adultos. Nesses encontros, os educadores aprofundam as concepções que embasam os conceitos de currículo, das competências e das metodologias de aprendizagem e avaliação.

A aula inaugural do primeiro semestre trouxe aos estudantes do Colégio Marista Vettorello um olhar sobre a missão marista. Com o tema O leigo que contribui com os 200 anos da Missão Marista, a educadora social Rutiane Silva, do Centro Social Marista Boa Esperança, e o educador Gustavo Balbinot, da coordenação de Vida Consagrada e Laicato da Rede Marista, contaram como ingressaram na Rede e os desafios da profissão.

Unidades Sociais Maristas

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© Foto: Acervo das Unidades Sociais

Ponto de vista

Estabelecer vínculos é princípio fundamental de uma educação pautada pelo afeto.

Evangelizando para

evangelizar

O ato de evangelizar é fazer com que a “boa nova”, a “vida plena” anunciada por Jesus de Nazaré, concretize-se e guie o caminho de cada educando que passa por nossas áreas de missão. Um caminho onde a solidariedade, a liberdade e o amor ao próximo balizem o ser humano, nutrindo-o de humanidade e de empatia pelo outro. A evangelização, ao contrário de uma catequese, doutrinação ou tomada de consciência histórica, refere-se a um olhar integral e íntegro sobre o sujeito. Ressalto aqui o importante papel do educador nessa missão: adotar uma prática evangelizadora no seu fazer pedagógico é assumir um compromisso junto ao Instituto de tornar o projeto de Cristo conhecido, amado, seguido e disseminado. Faz-se necessário, portanto, empregar uma escuta atenta, disponibilizar-se, dar testemunho e adaptar-se aos processos pessoais de mudança, buscando uma educação libertadora, responsável e consciente, em uma perspectiva humana e ecológica. O estabelecimento de vínculos é um princípio necessário na apresentação desse projeto de amor e vida. Uma aproximação afetiva com o educando, visando sua promoção integral, será sentida, apreendida e

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retribuída. Pisar com o devido cuidado e respeito no terreno cultural do próximo e plantar a semente de modo que ela faça sentido e a aprendizagem germine e floresça se revelam como duas das ações mais humanas que existem. Levar em conta todas as dimensões do ser humano, considerando seus saberes e seu potencial cultural, é antagônico a buscar adaptá-lo a uma cultura dominante e massificadora, que o descaracteriza e o afasta de suas raízes. Um constante olhar sobre os movimentos contemporâneos se faz necessário para que se abra caminho na articulação da fé com os demais saberes de modo orgânico e não impositivo. Toda ação educativa, ao contrário de uma intenção doutrinadora, deve favorecer o surgimento de uma comunidade em que um importante mandamento de Jesus, o do amor ao próximo, esteja na centralidade das intencionalidades, da atuação e dos resultados. Estabelecer uma relação crítica, consciente e redentora no fazer pedagógico a fim de concretizar nossa missão na prática diária é uma forma ética e respeitosa de difundir os valores do evangelho, harmonizando os saberes científicos, culturais e morais. Nesse sentido, sugere-

Unidades Sociais Maristas

Como educador, devemos usar as diferenças para gerar completude Por Carlos Alberto Mariani, coordenador pedagógico da Gerência Social

-se aqui que, para ser evangelizador, devemos ser minimamente evangelizados. Exercitar o respeito pelos educandos e pela pedagogia da presença não só no aspecto físico, mas demonstrando interesse pela evolução da aprendizagem dos estudantes, assim como promover o autoconhecimento e o desenvolvimento dos valores humanos, são posturas coerentes entre o que dizemos e fazemos e que, efetivamente, tornam o ambiente evangelizador. Tudo isso não sugere neutralidade, nem a criação de uma uniformidade de pensamento. Ao contrário, posiciona-se em defesa da vida na sua plenitude, na garantia de direitos, na consciência ecológica, na busca da realização pessoal e no sucesso acadêmico. Faz uso das diferenças para gerar completude. Configura-se na missão transferida a cada colaborador do Instituto Marista, que se perpetua por 200 anos. Sobrevive a nuances culturais, governamentais e legislações, perdura e se adapta constantemente na figura de cada interlocutor para, assim, fazer com que o legado de Champagnat permaneça em ascensão, na busca constante da resolução das problemáticas sociais com vistas ao bem comum e à geração e defesa da vida.


© Fotos: Acervo das Unidades Sociais

Assistência Social

Polo Marista promove turismo ecológico na

Ilha da Pintada Visando propiciar aos jovens da região das Ilhas de Porto Alegre uma oportunidade de ingressar no mercado de trabalho com um curso profissionalizante, o Polo Marista de Formação Tecnológica oferece um curso voltado ao turismo ecológico como parte do Programa Jovem Aprendiz. A turismóloga Rosanir Lindemayer, educadora do Polo Marista que acompanha os educandos desde o início do curso, em 2014, ressalta o impacto dessa iniciativa no processo de aprendizagem. “Esses jovens têm seus olhares transformados. Quando iniciam o curso, eles não dimensionam o potencial e as belezas naturais que tem na ilha. Muitas vezes, não conhecem nem a história local. Por meio do curso, adquirem esse conhecimento”, avalia Rosanir. Segundo o Ir. Miguel Antonio Orlandi, diretor do Centro Social Marista Irmão Antônio Bortolini, a região das Ilhas carecia de cursos voltados aos jovens, e o projeto pode suprir esse déficit. “Diagnosticamos que um curso profissionalizante de turismo ecológico iria proporcionar um estudo técnico a essas pessoas, que acabavam indo buscar conhecimento fora do arquipélago. A Igreja Nossa Senhora da Boa Viagem, da Ilha da Pintada, cedeu o espaço para as aulas, a Gerdau apoiou com reformas e a superintendência do Banrisul apostou

no projeto e deu o suporte financeiro”, explicou Ir. Orlandi. O diretor do Centro Social Marista de Porto Alegre (Cesmar), Ir. Odilmar Fachi, lembra o quanto é importante acreditar que todos são capazes de fazer algo diferente. “O jovem é quem pode mudar a realidade. Nós, adultos, temos que acreditar na juventude acima de tudo”, reforça o diretor. Em 2016, o curso formou 16 jovens, dos quais cinco seguem desenvolvendo formações como oficineiros. A turma atual está com 35 educandos e realiza diversas atividades de conscientização dos moradores da Ilha. Para a jovem aprendiz Adriana Silva da Silva, de 18 anos, o curso está superando todas as expectativas. “É ótimo, pois dá oportunidade de esclarecimento do jovem para que ele cuide melhor do que temos aqui nas Ilhas”, revela Adriana. Outro ponto de destaque é que, além da formação profissionalizante, os jovens têm acesso a uma formação humana. A Coordenação de Pastoral do Cesmar desenvolve o Projeto de Vida, que promove reflexões e autoconhecimento. Para Adriana, essa formação humana é muito importante. “O Projeto de Vida tem sido extremamente importante para nos conhecermos. É uma oportunidade de planejar a própria vida, de parar para

analisar o que estamos fazendo e onde queremos chegar”, explica.

Programa Jovem Aprendiz O Programa Jovem Aprendiz visa preparar jovens de 14 a 24 anos, que estejam cursando ou tenham concluído o Ensino Fundamental para desempenhar atividades profissionais e ter capacidade de discernimento para lidar com diferentes situações no mundo do trabalho.

Unidades Sociais Maristas

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Em movimento | Assistência Social

No início do ano, o Primeiro Encontrão da PJM do Centro Social Marista de Porto Alegre (Cesmar) reuniu os jovens de três grupos e proporcionou aos novos integrantes o conhecimento da caminhada da PJM. Durante o encontro, houve a apresentação de todos os participantes e, logo em seguida, a acolhida da nova assessora de pastoral, Salete Inês Rambo, e do Ir. João Paulo, que irão acompanhar a caminhada da PJM.

2017

Trinta adolescentes e jovens do Centro Social Marista da Juventude (CMJU) assistiram ao espetáculo Guri de Uruguaiana. Acompanhados de seus educadores, os educandos foram até o Theatro São Pedro.

PORTO ALEGRE

© Fotos: Acervo das Unidades Sociais

O Centro Social Marista Irmão Antônio Bortolini e a Escola Marista de Educação Infantil Menino Jesus realizaram a tradicional Via Sacra no Loteamento Santa Terezinha. Cerca de 200 pessoas acompanharam a apresentação, que foi finalizada com a partilha do pão e do vinho.

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O empoderamento feminino foi a base da reflexão sobre o Dia da Mulher no Centro Social Marista Aparecida das Águas. Na pauta, também estavam a igualdade de gêneros e a história da mulher, assuntos amplamente discutidos com os educandos da unidade. A visita dos colegas educadores do Cesmar também marcou a data na Ilha Grande dos Marinheiros.

Unidades Sociais Maristas


O Café Juntos reuniu mais de 30 parceiros no Centro Social Marista Boa Esperança para uma manhã diferenciada. Educadores e educandos da unidade receberam os convidados, conheceram e se aproximaram dos diferentes eixos da rede de atendimento socioassistencial do bairro Santa Vitória.

Mais de 300 pessoas assistiram ao espetáculo O Pequeno Príncipe e seus Caminhos, do Centro Social Marista Santa Isabel (Cemasi). Baseado na obra do autor francês Antoine de Saint-Exupéry, a apresentação foi adaptada e dirigida por quatro educadores: Cândida Oliveira, Everson Silva, Jayson Vieira e Marcelo Lemes. De forma lúdica, eles trouxeram, por meio da arte, questionamentos e diferentes formas de ver o mundo.

SANTA CRUZ DO SUL

O Centro Social Marista Boa Esperança realizou o primeiro Brechó Solidário do ano. As roupas comercializadas pela unidade chegam por meio de doações, passam por uma triagem e, posteriormente, são ofertadas à comunidade com preços que variam de R$ 0,50 a R$ 3,00. A atividade faz parte de uma das ações desenvolvidas pela unidade: a confecção dos documentos dos educandos. A assistente social Maria do Carmo Hernandorena e a coordenadora de projetos do Centro Social Marista de Porto Alegre Rose Canabarro conversaram com os colaboradores na reunião geral do Cesmar e, posteriormente, com os pais dos estudantes do Colégio Marista Irmão Jaime Biazus, sobre a reforma da previdência. “Gostei muito da iniciativa, porque muitas vezes as informações acabam não chegando até os pais, então foi um momento bem importante, em que eles puderam ter mais esclarecimentos sobre como a nossa vida pode ser afetada caso a reforma seja aprovada”, analisa a estudante Thainá dos Santos Boeira.

Unidades Sociais Maristas

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Você sabia?

Quem são elas?

... do Colégio Marista Professora Ivone Vettorello

... da Escola Marista de Educação Infantil Tia Jussara

A professora Ivone Vettorello ingressou em 1970 na Rede Marista para compor o quadro de professores do Colégio Marista Assunção, iniciando sua carreira profissional como professora alfabetizadora. Ivone alfabetizou e evangelizou seus estudantes, contando-lhes a vida de São Marcelino Champagnat, cuja fonte de inspiração foi Maria, nossa Boa Mãe. A professora era convidada para fazer parte de tudo que envolvia a filosofia marista. Em 1997, veio a falecer. Por toda a sua dedicação, seu empenho, seu amor e sua amizade, ela era vista por todos os Irmãos Maristas como uma leiga realmente marista de coração. Assim, em 1998, foi fundado o Colégio Marista Professora Ivone Vettorello, cuja missão é evangelizar jovens e adultos segundo o carisma marista, com vistas a formar cidadãos comprometidos com uma sociedade justa e fraterna.

Segundo relatos dos moradores, em 1987 as crianças da Ilha Grande dos Marinheiros eram acolhidas em uma casa para serem cuidadas e, assim, permaneciam afastadas do material que era depositado nos galpões de reciclagem ou mesmo nos pátios das residências. Em 1990, a Associação das Mulheres Papeleiras e Trabalhadoras em Geral assumiu a direção da casa para continuar o atendimento às crianças, que logo ganharam vários parceiros - entre eles, a professora Jussara, da Escola Estadual Ernesto Fontoura Alvarenga Peixoto, na qual lecionava no Ensino Fundamental. Devido ao seu trabalho com as crianças da Ilha, após sua morte, a Casa, como era chamada, recebeu o nome de Creche Comunitária Tia Jussara. Era uma professora muito querida, amiga e que gostava de ajudar o próximo.

Miguel Vettorello (o primeiro da esquerda para a direita), esposo da professora Ivone Vettorello, visitou o Colégio e levou o certificado de participação dela no Congresso Nacional Marista de Educação – Os desafios da Educação para um novo século, realizado no ano de 1996.

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Unidades Sociais Maristas

© Fotos: Acervo das Unidades Sociais

Você conhece as profissionais que dão nome a duas unidades da Rede Marista? Ivone Vettorello e Tia Jussara deixaram suas marcas em nossa história bicentenária. Mais do que os nomes, elas doaram seu tempo às unidades e sua dedicação à missão marista, cativando centenas de crianças, adolescentes, jovens e adultos que tiveram a oportunidade de conviver com elas. Conheça agora a história por trás dos nomes...


Na frequência da

Inclusão Digital

transformação social Comunicar, informar e aproximar a escola da comunidade: esses são os três pilares da Rádio Cmídia. Integrada à Escola e ao Centro Social Marista Santa Marta, em Santa Maria, o projeto de rádio web comunitária também contempla experimentações em vídeo para debater temas pertinentes do dia a dia escolar perante a sociedade. Criada em 2016 na disciplina de Informática e Mídias Digitais do Centro Social, a Rádio Cmídia surgiu para remediar a monotonia dos intervalos dos Anos Iniciais com músicas e informação. Com dois eixos, a rádio e a televisão, o projeto conta com sete meninas, todas estudantes da Escola. Para o professor da disciplina e incentivador do projeto, Gleen Eduards, as estudantes aderiram à proposta, animaram-se com a possibilidade de ter uma rádio na unidade e foram à luta. Foram as atividades de rádio as primeiras a saírem do papel. Voltada para o entretenimento informativo, a programação é composta, em sua maior parte, por conteúdos musicais, mas assuntos de importância escolar também são apresentados durante os intervalos. O programa que vai ao ar somente no recreio de sexta-feira, das 9h40 às 10h30, tem como base notícias relevantes mencionadas no site do Colégio. Em determinadas ocasiões, assuntos com abrangência nacional também são abordados. Apesar do empenho que se estende há algum tempo, colocar a rádio no ar também tem seus obstáculos. Por ainda não terem um estúdio próprio e pessoas que auxiliem na parte técnica, a Rádio cresce aos poucos. Para o professor de Informática e Mídias Digitais, um local próprio agregaria à experiência das meninas. “Se houves-

se um estúdio, elas possivelmente estariam fazendo essas atividades ao vivo. Mesmo sendo poucos minutos no ar, a experiência traria uma vivência maior a elas”, comenta o professor. Mais recentemente, a Rádio Cmídia teve a ideia de implementar atividades de televisão, nas quais as meninas propõem temas que serão debatidos por meio de reportagens e entrevistas. De forma semelhante à rádio, mas com uma equipe diferente, a preparação é feita durante a semana de acordo com eventos escolares e temas mais relevantes. Para Amanda Camargo, 13 anos, uma das integrantes da Rádio, a satisfação é o que a move para continuar. “Fizemos tudo em torno de nossa realidade, e isso nos estimulou a criar esse projeto e dar continuidade a ele. Depois que houve a implementação da Rádio, vimos pessoas cantando no recreio. Antes, só ouvíamos a agitação de um ambiente escolar; agora, conseguimos ouvir coisas novas”, observa a estudante. Já Eduards cita o projeto como um aprendizado engrandecedor para as meninas. “É um processo muito im-

© Fotos: Acervo das Unidades Sociais

Rádio Cmídia leva informação e entretenimento nos intervalos do Marista Santa Marta

portante tanto na minha vida quanto na delas. As estudantes se apropriaram do projeto como algo de sua própria identidade. A Rádio tem a cara dessas meninas, além de despertar o protagonismo e incentivar outras pessoas a terem ideias. É o objetivo de transformar e mudar a realidade. Isso é uma coisa que caiu bem e eu não esperava que seria tão engrandecedor”.

EQUIPE RÁDIO CMÍDIA RÁDIO Beatris Freitas • 13 anos Alessandra Borges • 13 anos Amanda Camargo • 13 anos TV Bruna Haesbart • 14 anos Mirélly Guimarães • 15 anos Natali Menezes • 14 anos Vitória Zancan • 14 anos COORDENAÇÃO Gleen Eduards

Unidades Sociais Maristas

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Em movimento | Inclusão Digital O Polo Marista de Formação Tecnológica realizou a entrega do robô que ajudará na recreação terapêutica do Hospital da Criança Conceição (HCC). Durante a entrega, o robô visitou o 4o andar da unidade, e as crianças já tiveram o primeiro contato com o novo amigo. O projeto foi coordenado pela gerência de apoio, por meio da Participação Cidadã, que teve como beneficiário a coordenação da recreação terapêutica do Hospital Criança Conceição (HCC), com base na parceria do Grupo Hospitalar Conceição (GHC) com o Polo Marista.

2017

© Fotos: Acervo das Unidades Sociais

Promovido pelo Polo Marista de Formação Tecnológica, o 8o Café com Parceiros ocorreu no Hospital Moinhos de Vento e reuniu nove parceiros da unidade. Na ocasião, foram apresentados os resultados da primeira Avaliação Institucional realizada com as Unidades Sociais da Rede Marista e as novidades do Projeto Recondicionar.

PORTO ALEGRE

O Polo Marista de Formação Tecnológica tem feito diversas entregas de computadores recondicionados para entidades sociais e escolas. A primeira beneficiada foi a Associação Comunitária Cultural e Artística Viva Vida, de Santana do Livramento, que recebeu 25 máquinas recondicionadas. Em seguida, foi a vez da Prefeitura Municipal de Quatro Irmãos receber 15 computadores, que serão entregues às escolas da rede municipal de ensino. O Recanto Infantil – Associação Wenceslau Fontoura recebeu cinco equipamentos recondicionados para trabalhar com as crianças atendidas. A Escola Municipal de Ensino Fundamental Assunção e a Escola Municipal de Ensino Fundamental Natálio Schlain, em Cachoeirinha, receberam 15 computadores cada.

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Unidades Sociais Maristas


Os projetos do Centro Social Marista Santa Marta, em Santa Maria, estão em sintonia para o aprendizado mútuo. Em busca de vivência humana e novos ensinamentos, o grupo Melhor Idade e os jovens da Informática e Mídias Digitais estão se desenvolvendo juntos para novas experiências. Além de reflexões sobre o cotidiano, os jovens auxiliarão os idosos no ambiente das novas tecnologias.

SANTA MARIA

SANTA CRUZ DO SUL

Referência em Robótica, o Centro Social Marista Santa Marta recebeu a visita de comitiva de Panambi. Com a intenção de implementar a tecnologia aliada ao aprendizado, representantes da cidade conheceram o dia a dia da unidade marista, tirando dúvidas sobre metodologias, aplicação e custos da disciplina.

A oficina de Informática do Centro Social Marista Boa Esperança conta com diferentes atividades lúdicas ao longo do ano. Uma delas foi a construção de 200 ações para 2017 em homenagem ao bicentenário da atuação marista no mundo. A educadora Carine Sins também preparou um momento especial de acolhida para os educandos, apresentando a vida e obra de São Marcelino Champagnat. Ao final da história, cada educando descobriu que havia sido um “escolhido” e precisou encontrar o sinal: a letra M na mão.

Unidades Sociais Maristas

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© Fotos: Acervo das Unidades Sociais

Gente nossa

Educadores do Colégio em clima de celebração pelas duas décadas de atuação da unidade.

Colégio Marista São Marcelino Champagnat:

há 20 anos reescrevendo

histórias de vida O ano era 1997. O dia, 11 de agosto, Dia do Estudante. Nessa data tão especial, os sonhos e desafios de 89 jovens e adultos em situação de vulnerabilidade social de Novo Hamburgo se encontraram com o legado deixado por São Marcelino Champagnat: tornar Jesus Cristo conhecido e amado por meio da educação, em especial os menos favorecidos. Foi nessa data que esse grupo de estudantes iniciou sua trajetória no então Supletivo Champagnat – hoje conhecido como o Colégio Marista São Marcelino Champagnat. A presença dos Irmãos Maristas nesse bairro, desde 1978, foi o ponto de partida para desencadear o projeto de educação para jovens e adultos (EJA), uma vez que, sensibilizados com a baixa escolaridade dos moradores, idealizaram e criaram uma forma de suprir gratuitamente essa carência na comunidade.

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Unidades Sociais Maristas

Passadas duas décadas, os 89 jovens e adultos se multiplicaram para cerca de 650 estudantes – oriundos de todos os bairros da cidade – que, mesmo com diferentes idades e necessidades, são instigados a serem sujeitos ativos e críticos da sociedade. “Nossa proposta educacional é de aproximação com o estudante. Entendemos suas demandas e trabalhamos focados na mudança das pessoas, por meio da educação, para promover a transformação da sociedade”, explica o diretor Antonio Morés, presente nessa caminhada desde o antigo supletivo. “Diferentemente de 20 anos atrás, hoje vivemos um novo espaçotempo do Colégio. Essa nova configuração nos desafia todos os dias a reinventar nossa proposta educacional para que essas pessoas entendam que a educação é um instrumento de emancipação, um direito de acesso e de permanência na escola. O que queremos é formar


cidadãos verdadeiramente protagonistas de suas vidas e de suas histórias”, complementa o diretor. “Que a tua mão ajude o voo, mas jamais se atreva a tomar o lugar das asas.” A frase do bispo Dom Hélder Câmara estampava a camiseta dos estudantes e educadores de 1997. Entre eles, estava a professora Rosa Maria Dieter Roese, que até hoje leciona no Colégio Marista São Marcelino Champagnat. “Fecho os olhos e vejo com muita nitidez os rostos confiantes, as expressões de contentamento, o desejo de aprender, e a perspectiva de escrever uma nova história, permeada por fé, confiança, respeito, solidariedade e autoestima. Fazer parte dessa história representa um marco em minha vida. Traz para mim a alegria de ter participado e influenciado a caminhada de outras vidas. É saber que essas ações representam uma linha divisória na trajetória de nossos estudantes, como também minha própria oportunidade de aprender a conviver, ceder, defender princípios, a rir e a chorar, ou seja, lapidar e me transformar em uma pessoa melhor, olhando o mundo com outros olhos e abrindo o coração com sentimentos cristãos, relata a educadora.

Fecho os olhos e vejo com muita nitidez os rostos confiantes, as expressões de contentamento, o desejo de aprender, e a perspectiva de escrever uma nova história, permeada por fé, confiança, respeito, solidariedade e autoestima.

NOSSA HISTÓRIA

Ex-aluno do Colégio Marista São Marcelino Champagnat, Gedeão Adroaldo Baldo conquistou seu diploma do Ensino Médio em 2014. Mesmo assim, não hesita quando recebe um convite de retornar ao ambiente escolar para alguma atividade. “Vou sempre procurar retribuir todo o acolhimento que eu tive como estudante.”

Nossa proposta educacional é de aproximação com o estudante. Entendemos suas demandas e trabalhamos focados na mudança das pessoas, por meio da educação, para promover a transformação da sociedade.

Depois de 19 anos e meio de atuação na Vila Iguaçu, no bairro Canudos, em Novo Hamburgo, os Irmãos Maristas iniciaram um novo marco em sua história na cidade. Em 11 de agosto de 1997, iniciaram as aulas do Supletivo Champagnat, localizado no prédio do Colégio Marista Pio XII (em funcionamento desde 1962). Com ensino totalmente gratuito, como permanece até os dias de hoje, o supletivo atendia jovens e adultos carentes da Vila Iguaçu que participavam de alguma atividade pastoral na comunidade. Inicialmente, os 89 estudantes foram divididos em quatro turmas. O diretor da época foi o Irmão Lédio de Jesus Matias e o vice-diretor, Solimar Amaro. Atualmente, o Colégio Marista São Marcelino Champagnat atende 650 alunos em turmas de Ensino Fundamental e Ensino Médio. Em 20 anos de ensino, mais de 2,3 mil estudantes conquistaram seus diplomas e outros 7,8 mil frequentaram o ambiente escolar marista. Com informações do livro Sementes da esperança, comemorativo aos dez anos do Colégio São Marcelino Champagnat.

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Loteamento Santa Teresinha ganha

quadra de esportes Centro Esportivo-Cultural Transformação foi inaugurado pelas unidades maristas presentes na região

Transformar a vida das pessoas por meio da educação é o propósito que move o Instituto Marista há dois séculos. Frente aos novos tempos e às novas formas de educar, o Centro Social Marista Ir. Antônio Bortolini e a Escola Marista Menino Jesus reafirmaram esse compromisso com a inauguração do Centro Esportivo-Cultural Transformação. Mais de 300 pessoas acompanharam a cerimônia, realizada no próprio local. Entre os presentes estavam o vice-presidente da Rede Marista, Ir. Deivis Fischer, e o gerente social, Ir. Luciano Barrachini, bem como o arcebispo de Porto Alegre, Dom Jaime Spengler. Do Grupo Gerdau, empresa que financiou a obra, Klaus Gerdau Johannpeter não só acompanhou a cerimônia como falou sobre a importância de ser parceiro na construção do espaço. Como presente e homenagem, ele recebeu das mãos do coordenador do Centro Social Marista Bortolini, Ir. Miguel Antonio Orlandi, um quadro de uma árvore, cujos frutos foram feitos com as impressões digitais dos educandos da unidade.

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O evento ainda contou com a presença do jornalista Wianey Carlet, que também atuou como mestre de cerimônia. Com apresentações de teatro e música, os educandos da unidade contaram a história do Centro Social e da presença marista do Loteamento Santa Teresinha. Para Ir. Miguel, só foi possível concretizar esse sonho graças ao trabalho em rede: “A solidariedade é o nosso caminho para a transformação social. Estamos muito felizes em poder contribuir com o desenvolvimento social da nossa região”.

SOBRE O LOTEAMENTO SANTA TERESINHA Em matéria publicada no jornal Zero Hora, edição 15.084/2006, foi di-

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vulgado o novo nome da antiga Vila dos Papeleiros: Loteamento Santa Teresinha, em homenagem à Paróquia Santa Teresinha de Jesus, no bairro Floresta, por ter sido ela a única a ajudar os moradores após o incêndio de fevereiro de 2005 – que assolou a região na época. No total, 213 famílias foram as primeiras a ocupar o espaço, recebendo as casas pelo sistema de concessão remunerada. Ainda segundo o jornal da época, o Loteamento contaria com creche, associação comunitária e espaço para estabelecimentos comerciais. Em 2007, o Centro Social Marista Ir. Antônio Bortolini e a Escola Marista Menino Jesus abriram suas portas no local.

© Fotos: Acervo das Unidades Sociais

Comunidade


Doação de sangue e de livros, revitalização de espaços públicos, aulas de português para imigrantes e visitas a pacientes internados em hospitais são algumas das mais de 80 iniciativas já cadastradas no Maristas em Rede. O projeto propõe a realização de duzentas ações para deixar um legado à sociedade no ano do bicentenário da missão marista no mundo.

A contagem continua! Para participar, proponha uma iniciativa ou seja voluntário nas ações já cadastradas. Acesse e saiba mais: maristas.org.br/emrede


Olhar

Como incentivar sem pressionar

?

© Imagem: Julyana Werneck

É possível motivar os filhos sem estresse, basta respeitar seus limites Por Dóris Helena Della Valentina *

Um dos elementos mais fortes da estrutura de desenvolvimento de uma criança ou adolescente é a influência que recebe da família. A vontade de ver os filhos sendo bem-sucedidos e o anseio de querer encorajá-los a lidar com os desafios da vida demonstram que os pais cumprem um papel muito importante – primeiro com seu interesse genuíno e a presença ativa, depois com o conhecimento que têm dos filhos e de suas capacidades de enfrentar ou temer situações desafiadoras. Sua capacidade de compreender, apoiá-los e buscar formas de superar as barreiras é muito importante para que as crianças e os adolescentes aprendam a enfrentar as dificuldades da e na vida. Isso auxilia no crescimento e no desenvolvimento de suas habilidades. Entretanto, se o nível de incentivo excede os limites e a capacidade do momento para eles, o apoio acaba se transformando em pressão. A pressão desnecessária e que ultrapassa os limites é a pior forma de conseguir um resultado e quanto mais cedo inicia, pior é. Então, como incentivar sem pressionar? Volta e meia vemos as dificuldades que surgem e os piores comportamentos e resultados obtidos frente à necessidade de agradar os pais ou de neutralizar os temores advindos de exigências e expectativas. A ansiedade, o medo e a desistência estão predominantemente presentes, associados à sensação de que decepcionam ou nada do que fazem é suficiente para agradar os pais. A tristeza, a desmotivação, a perda de interesse pela aprendizagem são as manifestações mais frequentes. Além dessas reações, a exigência de rendimento dos pais sobre os filhos pode resultar em quadros depressivos.

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forme em cobranças desmedidas, atrapalhando a relação que seu filho vai estabelecer com os desafios. Não podemos nos esquecer de que a ansiedade acaba acontecendo porque há uma necessidade da criança ou do adolescente em saber das próprias condições para atingir as descobertas necessárias para seu desenvolvimento. Devemos lembrar que, quando os pais atropelam o processo, logo poderemos ver o efeito negativo dessa atitude manifestando-se de várias maneiras, inclusive sob a forma de dúvidas, desconfiança, desvalorização e, consequentemente, em fracasso para enfrentar as diferentes etapas de aprendizagem. É importante, porém, entendermos que uma certa dose de ansiedade cumpre um papel positivo, desafiando-os a enfrentarem as situações, desenvolvendo condições próprias para realizarem as atividades propostas, crescendo e percebendo que foram bem-sucedidos frente ao novo. Isso gera um sentimento de valorização por suas capacidades e por parte dos pais, ao acreditarem que eles são capazes. Essa é uma das maneiras de colaborar e estimular o estudante a aprender de uma forma leve e prazerosa.

A ansiedade, o medo e a desistência estão predominantemente presentes, associados à sensação de que decepcionam ou nada do que fazem é suficiente para agradar os pais.

© Foto: Bruno Todeschini/PUCRS

O acompanhamento, as orientações e os incentivos têm uma importância muito maior que as pressões e a cobrança. O melhor caminho é esclarecimento diante das dificuldades e impossibilidades, demonstrando que, mesmo que a criança não tenha conseguido atingir um desempenho muito elevado, está se esforçando e se desenvolvendo e precisa lidar com algumas coisas que ainda não atingiu. É importante mostrar o que ela já conquistou e buscar formas de auxiliá-lo a alcançar as habilidades necessárias. É fundamental entender que um grau adequado de motivação, se exercida na medida certa, se transforma em capacidades e conquistas para o jovem em desenvolvimento. A ansiedade em poder afirmar que seu filho é melhor que o filho dos outros na etapa em que se encontram pode ser desestabilizadora. É importante que não nos esqueçamos de que cada criança ou adolescente tem seu ritmo no processo de aprender e que o interesse é variável para cada um. Expectativas exageradas demonstram que há muita angústia frente às capacidades dos filhos gerando sofrimento. Precisamos ficar atentos para que a ansiedade não se trans-

Dóris Helena Della Valentina Professora do curso de Psicologia da Escola de Humanidades da PUCRS.

Em cada edição, um especialista é convidado para partilhar a sua visão sobre um determinado assunto.

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Curiosidade

O mundo pede por

mais gestores Com uma crise ética mundial refletida em diversas esferas, pessoas com perfil de gestão são o tesouro do mercado de trabalho do amanhã

© Foto: Freepik

Por Michele Bravos

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“Em 2017, não se fala em novas profissões, mas em profissões ressignificadas”. É o que afirma Débora Barem, professora de Gestão de Pessoas e Mercado de Trabalho da Universidade de Brasília (UnB). “As formações já existentes permanecem as mesmas – com uma ou outra exceção –, mas a questão está nas possibilidades ampliadas e nas novas frentes de trabalho.” Débora cita como exemplo a crise ética em que o mundo se encontra. “Diante de um cenário de tantas corrupções e valores éticos sendo ignorados, profissionais que atuem nas áreas de auditoria e controladoria de empresas, por exemplo, são cada vez mais necessários. Podem ser contadores que atuarão como gestores na área de ética.” Ela também destaca as problemáticas ambientais e o quanto elas abrem espaço no mercado de trabalho. “A quantidade de lixo que se produz hoje no mundo é preocupante. Para isso, existem os profissionais da gestão do lixo, que podem ser biólogos com Pós-Graduação em Administração.” “Gestão” é a palavra-chave quando se fala em tendência de mercado atualmente. Entende-se por “gestor” a pessoa que desempenha um papel de liderança e gerenciamento, planejando estratégias de atuação, delegando tarefas e acompanhando processos. “As empresas e os serviços ofertados estão cada vez mais profissionais. Já se foi o tempo em que um médico bem-conceituado, mas sem

noção de gestão assumia a direção de um grande hospital. Hoje, compreende-se a necessidade de um gestor capacitado para que os negócios sejam bem-sucedidos”, afirma a professora. Débora ainda comenta que o movimento que se vive hoje de uma maior preocupação com os direitos humanos e um aumento nas práticas de solidariedade é uma tendência social no mundo todo, mas que ainda não é tão forte na economia. “Pode ser que, no futuro, isso se reflita em tendências de mercado, de um modo mais amplo.”

ESCOLHA PROFISSIONAL Ao se deparar com as dúvidas próprias do Ensino Médio com relação à escolha da profissão, as estudantes do Colégio Marista Assunção Ana Carolina Esteves, Eduarda Corchaki, Luísa Izolan e Mariana Remião pesquisaram a fundo sobre suas inquietações e ainda desenvolveram um aplicativo para ajudar outras pessoas, o #Profissão. A pesquisa virou tema da iniciação científica das adolescentes, que entrevistaram 60 alunos para identificar as necessidades dos colegas, além das suas próprias. Com o conteúdo em mãos, as meninas desenvolveram o aplicativo para Android, sem custo algum, a partir da ferramenta Fábrica de Aplicativos. É possível baixá-lo gratuitamente na Google Play Store.


FIQUE ATENTO! Vale lembrar que, na hora da escolha profissional, é preciso alinhar os sonhos particulares com aquilo que parece interessante no mercado atual. Perceber as tendências globais pode ser um termômetro para a decisão de carreira, para que não seja feito um investimento de tempo e dinheiro em algo que, a longo prazo, estará em extinção.

FORA DO ESCRITÓRIO O trabalho remoto é também apontado como uma tendência de mercado. “O mundo tem trabalhado de casa.” Apesar disso, Débora reconhece que essa ainda não é uma realidade tão forte no Brasil, o que está relacionado à cultura da nação. “A maioria das empresas brasileiras ainda parte da premissa de que o empregador paga pelo tempo do colaborador. Não importa se ele tem trabalho naquele dia ou não, ele deve estar no escritório das 8h às 18h. Contrária a essa ideia é a perspectiva de que o funcionário é pago por resultados. Logo, não importa quantas horas ele vai trabalhar nem de onde ele vai realizar as suas tarefas.” A professora aponta que essa mudança de pensamento é possível conforme as empresas forem percebendo que há mais ganhos em manter profissionais trabalhando remotamente do que em bancar uma estrutura com divisórias, ar-condicionado, cafezinho, papel-toalha, itens de papelaria etc. O termo “nômade digital” já vem sendo usado mundialmente para se referir àqueles que optaram por profissões que permitem trabalhar de qualquer lugar do mundo, desde que possuam uma conexão wi-fi, um computador e um aparelho móvel. Em geral, são profissionais que atuam como produtores de conteúdo, fotógrafos, videomakers, designers, tradutores, vendedores de e-commerce etc.

NOVOS GESTORES De acordo com Débora Barem, professora da UnB de Gestão de Pessoas e Mercado de Trabalho, os novos gestores têm se tornado peças importantes nos seguintes segmentos:

ÉTICA

Diante de um cenário mundial de corrupção, as empresas precisam garantir que não estão infringindo leis, por isso funções em auditoria e controladoria estão em alta. Organizações que nunca passaram por uma auditoria, por exemplo, agora estão passando. Formações possíveis: Administração, Economia, Contabilidade, Engenharia.

TRIBUTAÇÃO

Mais do que compreender as leis tributárias, o mercado, atualmente, precisa de gestores que dominem o assunto “tributação”. Formações possíveis: Direito, Contabilidade.

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MEIO-AMBIENTE

Para se abrir uma empresa, considera-se, primordialmente, a adequação às leis trabalhistas e às normas de preservação ambiental. Devido às regras de cuidado ao meio ambiente cada vez mais rígidas, profissões de gestão relacionadas à temática também são tendências. Um exemplo seria um administrador com especialização no bioma cerrado ou um gestor de lixo. Formações possíveis: Administração com pós-graduação em Meio Ambiente; ou graduações em Biologia ou Engenharia Ambiental, com pós-graduação em Gestão.

SAÚDE

Os hospitais precisam de pessoas capacitadas para planejar e organizar o andamento de uma unidade de saúde. Os cursos de Pós-Graduação específicos para gestão na área da saúde são valorizados para essa atuação.

Gerenciamento de mídias sociais e criação de jogos continuam entre as profissões bem-posicionadas, porém o mercado tem buscado alguém que, além de compreender a linguagem digital e dos códigos de computador, dialogue com o universo dos negócios. É um empreendedor – aquele que identifica possibilidades e faz a ideia acontecer – com domínio de tecnologia da informação. Formações possíveis: Engenharias, Sistema de Informação.

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Solidariedade

A resposta ao sonho de

transformar

o mundo

O dia 2 de janeiro de 1817 marca o começo de uma história que segue sendo escrita até hoje. São dois séculos desde que São Marcelino Champagnat deu início à atuação marista como resposta ao sonho de transformar o mundo e a vida de milhares de pessoas pela educação. E para celebrar esses 200 anos, o projeto Maristas em Rede propõe a realização de 200 ações de impacto social no âmbito da educação, cidadania, direitos humanos, arte e cultura, esporte, espiritualidade, sustentabilidade e inovação. Conheça algumas delas:

Por Michele Bravos

CIDADANIA E DIREITOS HUMANOS

ARTE E CULTURA

EDUCAÇÃO

COMUNICAMOR COPA DOS REFUGIADOS A Pastoral Juvenil Marista (PJM), o Grupo de Voluntariado e o Grêmio Estudantil do Colégio apoiaram o projeto Copa dos Refugiados com uma campanha para arrecadar brinquedos para as crianças auxiliadas pela iniciativa. A iniciativa contou com a divulgação e a visita da jovem pacifista Ingrid Soto, cantora com composições autorais sobre o amor e a esperança de um mundo melhor.

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MINIBIBLIOTECA o Colégio Marista Maria Imaculada disponibiliza uma minibiblioteca na ala pediátrica e na maternidade do Hospital Municipal de Canela. Os livros ficam à disposição dos leitores, com marcadores de página com mensagens positivas, confeccionados pelos estudantes.

Projeto que envolve a produção de dois vídeos institucionais para divulgar o trabalho e a relevância das associações Recriando a Vida e Madre Alix para a comunidade. Todas as etapas do projeto, como elaboração do roteiro, entrevistas, captura das imagens, edição e apresentação, contaram com o envolvimento dos estudantes. A iniciativa foi idealizada pela Assessoria de Comunicação do Colégio Marista Medianeira e realizado em parceria com a Coordenação de Pastoral.

Público atendido: Crianças auxiliadas pelo projeto Copa dos Refugiados.

Público atendido: Ala pediátrica e maternidade do Hospital Municipal de Canela.

Público atendido: Comunidade de Erechim.

Unidade envolvida: Colégio Marista Rosário, Porto Alegre (RS).

Unidade envolvida: Colégio Marista Maria Imaculada, Canela (RS).

Unidade envolvida: Colégio Marista Medianeira, Erechim (RS).


ESPIRITUALIDADE

ESPORTES

SUSTENTABILIDADE

INTEGRAÇÃO E CUIDADO Em comemoração ao dia do fundador do Instituto Marista, São Marcelino Champagnat, é realizada a Olimpíada Champagnat. A iniciativa busca integrar toda a comunidade escolar e construir momentos significativos de aprendizagem e convivência. Nesse período, são realizadas diversas atividades pedagógicas, religiosas, solidárias, esportivas e culturais. Entre as ações, destaca-se a arrecadação de agasalhos e fraldas que são doados às instituições locais, atendidas pelo programa de Voluntariado Marista.

ADOTE UMA PRAÇA INCLUSÃO NO ESPORTE Nas aulas de Educação Física, o professor proporciona aos estudantes práticas esportivas inclusivas como: Basquete de cadeirantes e Futebol de cegos.

Jovens da PJM fizeram uma faxina na praça, retirando de lá lixos e galhos secos. Com o jardim refeito, eles entregaram a Praça Boa Esperança para a comunidade, que o tem ocupado para prática esportiva, brincadeiras, rodas de conversa e chimarrão.

Público atendido: Comunidade educativa e Instituições beneficentes.

Público atendido: Comunidade educativa.

Público atendido: Comunidade local.

Unidade envolvida: Colégio Marista São Francisco, Rio Grande (RS).

Unidade envolvida: Colégio Marista João Paulo II, Brasília (DF).

Unidade envolvida: Escola Marista Santa Marta, Santa Maria (RS).

Queremos potencializar ideias e sonhos que contribuam para desenvolver pessoas e comunidades. Você pode participar por meio da realização de ações, apoiando projetos já existentes e/ou como voluntário. Saiba mais através do link:

maristasemrede.com.br INOVAÇÃO

RODA LIVROS Com objetivo de promover o acesso aos livros, o Hospital São Lucas (HSL) oferece a seus colaboradores e à comunidade um acervo bibliográfico sobre rodas. Além do estimulo à leitura, o projeto Roda Livros tenta promover a humanização do espaço hospitalar. Público atendido: Colaboradores do HSL e público em geral. Unidade envolvida: Hospital São Lucas da PUCRS.

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Como fazer

Aprendendo a

ES T U DA R

Estudar é um hábito que também se aprende e cada estudante possui um jeito particular de construir conhecimento Por Michele Bravos

“Essa geração de hoje em dia não quer saber de estudar.” Será que é isso mesmo? Ou seriam as práticas de estudo aplicadas que não têm sido as mais adequadas? A orientadora educacional Clamarta Pasuch, do Colégio Marista Champagnat, de Porto Alegre (RS), afirma que existem diversas técnicas de estudo e que elas variam de acordo com o perfil de cada pessoa. “Há pessoas que estudam fazendo esquemas, são mais visuais. Outras precisam de um lugar muito silencioso. Outras gostam de ler o conteúdo em voz alta.” Ela afirma que o que não pode acontecer é o estudante e os pais insistirem em uma mesma técnica de estudo quando ela não está dando resultado. “Quando um estudante não tem um bom rendimento em uma prova, das duas uma: ou ele não estudou o suficiente ou o método usado não o ajudou a compreender o conteúdo.” Por isso, é preciso dar oportunidade para os estudantes testarem o que lhes será mais adequado. É importante que estudantes e pais entendam que estudar não é sinônimo de decorar. “Estudar é registrar conhecimento, é saber organizar as informações aprendidas em determinada situação”, afirma Sandra Hoffmann, professora de Matemática do Colégio Marista São Luís, em Santa Cruz do Sul (RS), e que também está à frente de um projeto que visa potencializar o hábito do estudo no Colégio. Por isso, ela sugere que o estudante tenha um diário de estudo – prática que já tem sido aplicada no Marista. “Nesse diário, ele vai escrever um resumo, fazer um mapa mental, registrar o que aprendeu naquele dia." Dessa forma, o estudante pode sempre revisitar o diário antes da próxima aula, o que contribui para um aprendizado mais efetivo. Leonardo Agostini, supervisor de Pastoral dos Colégios Maristas, que é também professor universitário na PUCRS, percebe como seus alunos de Ensino Superior muitas vezes têm dificuldade em ler um texto mais

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complexo. “O problema não é que eles não têm capacidade de compreensão, mas há lacunas no aprendizado lá atrás. O estudante não compreendeu algo e deixou passar. Quando chega à universidade, tem dificuldade para se aprofundar em determinados assuntos.”

Hábito de estudar Para os entrevistados desta matéria, ter um hábito de estudo significa estudar diariamente, pelo menos uma hora por dia, no período inverso ao da aula. “O hábito se constrói com o tempo e a cada ano o estudante vai ficando mais autônomo com os seus estudos”, diz Clamarta. Agostini defende que o conteúdo deve ser revisitado até 24 horas após o estudante ter tido o primeiro contato com aquele tema. Segundo Sandra, é uma ilusão achar que o estudante está aprendendo só porque ele vai bem nas avaliações, revendo o conteúdo um dia antes da prova. “Ele até pode tirar notas boas, mas não está aprendendo. Está apenas criando uma memória curta. A prova irá passar e o conteúdo será esquecido.” Segundo Agostini, para um período de estudo ser bem aproveitado, também é preciso levar em conta a forma como determinada técnica está sendo aplicada. “Sublinhar texto, por exemplo, é uma técnica bastante comum, mas a chave está em como sublinhar. Há pessoas que sublinham um parágrafo inteiro e daí, quando voltam no texto, já não sabem mais o que era tão importante ali.” Sandra comenta que antes de sublinhar, é preciso primeiro fazer uma leitura rápida; depois, uma leitura mais atenciosa; e, em seguida, marcar em colchetes as frases que chamam mais a atenção para, então, sublinhar as palavras que são chaves para a compreensão daquele conteúdo. Por fim, é ideal fazer anotações pessoais próximas ao parágrafo destacado. Ou seja, até para sublinhar existe um caminho mais efetivo.


COMO CRIAR UMA ROTINA DE ESTUDOS?

Sentido nos estudos A orientadora educacional ressalta que é importante que as crianças vejam sentido no que estão estudando. “É recorrente a reclamação de que adolescentes não gostam de estudar. Realmente, nessa faixa etária, ir à escola é mais prazeroso pela convivência social do que pelo aprendizado. Mas para que isso seja diferente, o estudante precisa saber por que é importante estudar, ele precisa compreender que diferença aquilo fará em seu dia a dia para, então, encontrar motivação para estudar.” Agostini sugere que o estudante precisa ver no conteúdo de sala de aula uma aplicação prática em seu cotidiano. Assim, ele se sentirá mais disposto a estudar. Nessa rotina de estudos, cabe aos pais acompanharem os filhos. “Eles não precisam dominar o conteúdo, e nem mesmo saber se o filho está fazendo certo ou errado, mas precisam estar presentes, saber se o filho está estudando de fato, se está com alguma dúvida. E, ao perceber algo nesse sentido, procurar o colégio”, afirma Sandra. Agostini também pontua que é importante que os pais estejam alinhados com as propostas de estudo da escola, para que o aprendizado seja potencializado. “É importante esse alinhamento para que, quando o filho chegar em casa com um caderno de exercícios para fazer e alguns textos para ler, os pais compreendam a importância disso e não descredibilizem o professor diante deles.”

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Agenda da semana – Analise os horários do seu filho e crie, junto com ele, uma tabela semanal com todas as atividades, incluindo os horários das refeições, o tempo de convívio em família e as horas para os estudos. Atividades extras – As atividades extras devem, sim, permanecer na rotina dos filhos, mas desde que eles deem conta das responsabilidades que cada uma exige. Tempo de estudo em casa – É importante que o estudante tenha um período de, no mínimo, uma hora para estudar em casa, no turno inverso ao da aula. Estudar não é só ir para a escola. Também é preciso contabilizar o tempo necessário para realizar trabalhos e leituras de cada disciplina. Lugar adequado – Organize um lugar adequado para seu filho estudar. Bem-iluminado, distante de distrações externas e sem o celular. É importante que ele tenha uma mesa de estudos e uma cadeira própria para isso. Estudar no sofá ou na cama não traz bom rendimento, pois são lugares propícios para o descanso e o sono.

Estudar é registrar conhecimento, é saber organizar as informações aprendidas em determinada situação. Sandra Hoffmann professora de Matemática do Colégio Marista São Luís, em Santa Cruz do Sul (RS).

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Nesta edição, apresentamos dicas de livros e filmes sugeridas pelo assessor da área de Ciências Humanas dos Colégios Maristas, Renato Capitani.

SAPIENS – UMA BREVE HISTÓRIA DA HUMANIDADE Yuval Noah Harari Editora L&PM O conteúdo deste livro é muito mais do que a sistematização de fatos, nomes e datas. Na Educação Básica, como componente curricular da área de Ciências Humanas, a História é uma fonte imprescindível à compreensão de quem somos e do mundo em que vivemos. Em Sapiens, Harari revisita a história da humanidade de maneira original, reflexiva, problematizadora e polêmica. É uma análise que faz pensar – e é isso justamente isso que mobiliza as Ciências Humanas como área do conhecimento.

© Fotos: Divulgação

MAFALDA – TODA MAFALDA Joaquín Salvador Lavado (Quino) Editora Martins Fontes

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Criada pelo cartunista argentino Quino, Mafalda é o espírito das Ciências Humanas em ação: reflexiva, problematizadora, crítica, polêmica e, especialmente, profundamente preocupada com os problemas da humanidade. A história em quadrinhos é um misto de humor, filosofia, sociedade, política, sutileza e ironia.


CLÁSSICOS EM MANGÁ Editora L&PM O acesso aos clássicos é uma premissa das Ciências Humanas e uma demanda pedagógica que exige estratégias criativas. É justamente essa a proposta do Clássicos em mangá, que aproxima os leitores de algumas obras clássicas da literatura universal, como Assim falou Zaratustra, de Friedrich Nietzsche; O grande Gatsby, de F. Scott Fitzgerald; Os irmãos Karamázov, de Fiódor Dostoiévski; e A metamorfose, de Franz Kafka.

NA NATUREZA SELVAGEM Sean Penn (2007) Na natureza selvagem é um filme que propõe muitas reflexões, todas elas extremamente relevantes no contexto das Ciências Humanas: a insatisfação com a sociedade na qual se vive, a lógica do consumo, o sentido da vida, os valores que contam, entre outros. O filme é uma adaptação do livro de não-ficção, de mesmo nome, de 1996 do escritor Jon Krakauer.

A ONDA Dennis Gansel (2008) O holocausto é, possivelmente, a maior “cicatriz da humanidade”. Como foi possível a ditadura de Hitler? Ela poderia se repetir hoje? Esses são exemplos de problemas enfrentados pelas Ciências Humanas. Quer pensar sobre eles? Então assista ao filme A onda, inspirado no livro homônimo de 1981 do autor americano Todd Strasser.

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Diversão

Cultivado

EM CASA Fuja dos agrotóxicos! Vamos fazer uma horta? Por Michele Bravos

Que tal preparar uma pizza marguerita com tomates e folhas de manjericão plantados na varanda ou no quintal da sua casa? Optar por produtos orgânicos nem sempre é a melhor escolha para o bolso, mas cultivar algumas hortaliças e temperos em casa pode ser uma opção sustentável e que faz bem à saúde. No dia a dia do brasileiro, o consumo de agrotóxicos é tamanho que chega a classificar o país como o que mais consome produtos com pesticidas no mundo, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente. Segundo um relatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), cerca de um terço dos produtos avaliados foi classificado com uma quantidade de agrotóxicos imprópria para o consumo. Entre os dez produtos com maior nível de pesticida por amostra estão a alface e o tomate, tão comuns nas refeições diárias do brasileiro. Ingerir tanto veneno pode trazer problemas pontuais, como um mal-estar 24 horas após o consumo, mas também pode ter consequências graves a longo prazo, como câncer e má formação de fetos. Para ajudar você a fugir dos agrotóxicos, a revista Em Família conversou com o biólogo Luís Felipe S. Aguiar, consultor e educador ambiental da Quinta da Estância, em Viamão (RS), sobre como começar uma horta em casa. As dicas são válidas desde para quem tem uma pequena varanda até para quem tem um grande quintal.

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ILUMINAÇÃO Lembre: plantas necessitam de luz! Seja sua horta externa ou interna, procure um lugar com uma boa luminosidade natural. Isso é essencial para o crescimento e a saúde delas.

RECIPIENTE ADEQUADO Podemos utilizar recipientes distintos, tais como: vasos, floreiras, calhas, canos de PVC e até garrafas PET. O importante é escolher o tamanho adequado para o que se pretende plantar. Recomenda-se a utilização de um vaso de, no mínimo, 10 cm ou 15 cm de profundidade, e se for plantar lado a lado, um espaçamento de 15 cm a 20 cm de distância entre as mudas. Caso queira se plantar tomates, por exemplo, o vaso precisa ter aproximadamente 60 cm de profundidade e ser exclusivo para a planta, uma vez que ela cresce bastante.

VASINHOS Para o plantio em recipientes menores, uma dica importante é colocar uma parte de areia para uma de terra preparada. Isso faz com que a terra não fique encharcada. Certifique-se de que o recipiente utilizado possui furos em sua base para a aeração do solo e o não acúmulo de água.


TERRA SAUDÁVEL É o preparo do solo que vai deixar suas plantas com a qualidade desejada. A terra deve ser rica em nutrientes. Uma maneira fácil de garantir isso é comprar a terra própria para o plantio (adubada, com pH correto) em casas especializadas. A terra não pode estar compactada, pois isso dificulta a absorção de água pelas raízes, que, assim, podem apodrecer. Além disso, podem surgir pragas, principalmente fungos. Revolver a terra do canteiro e misturar com a preparada é uma ótima opção.

DISPOSIÇÃO Se a horta for plantada em vasos, garrafas ou canos, uma boa alternativa é a disposição em degraus. Aí, a sua criatividade pode entrar em ação e fazer de sua pequena horta um recanto charmoso e, ao mesmo tempo, saudável. A disposição em níveis, criando uma horta suspensa, ainda permite uma maior variedade de vegetais.

AS HORTALIÇAS Procure saber um pouco mais sobre o que você quer plantar antes de comprar as mudas ou sementes. Dê preferência para plantas de raízes mais curtas. Mudas são mais fáceis de manter do que hortas produzidas a partir de sementes. Essas últimas demandam um cuidado maior com irrigação, luz e calor. Caso for plantar a partir de sementes compradas, leia bem os rótulos, pois lá estão listados os cuidados de que cada espécie necessita. Sua horta pode ser decorativa, mas é para o consumo. Priorize aquilo que você come com frequência.

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TOP 10 DE ALERTA!

PIMENTÃO

91,8%

MORANGO

63,4%

PEPINO

57,4%

ALFACE

54,2%

CENOURA

49,6%

ABACAXI

32,8%

BETERRABA

32,6%

COUVE

31,9%

MAMÃO 30,4% TOMATE

16,3%

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© Foto: Dreamstime

Os dez alimentos com maior taxa de agrotóxico por amostra, segundo o relatório da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa):


© Foto: Acervo Cesmar

Essência

Haja oxigênio!

Respiração consciente e silêncio em meio ao caos

Ana Luiza Amaral Ruiz Psicóloga no Centro Social Marista de Porto Alegre – Cesmar

Simplificadamente, pode-se dizer que “caos” significa desordem, confusão, desequilíbrio. Neste tempo em que vivemos, rodeados de compromissos, responsabilidades, acelerações e múltiplas funções, é comum que a angústia, o mal-estar e outras reações negativas se instalem, atrapalhando nossas percepções, ações e relações. Agitação, ansiedade e sensação de inconstância trazem prejuízos internos e externos. Uma forma de buscar equilíbrio em meio a tudo

isso vem de algo que fazemos automaticamente a todo o momento: respirar. Nem sempre respiramos corretamente, de forma completa, preenchendo plenamente nossos pulmões. Costumamos fazê-lo de forma breve, não aproveitando todo o potencial organizador do oxigênio que podemos inspirar. Respirar corretamente pode ajudar a regular a frequência cardíaca e arterial, a ativar o relaxamento, a baixar ansiedade, entre outros. Além disso, respirar conscientemente tam-

Nem sempre respiramos corretamente, de forma completa, preenchendo plenamente nossos pulmões. Costumamos fazê-lo de forma breve, não aproveitando todo o potencial organizador do oxigênio que podemos inspirar.

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bém traz benefícios emocionais, cognitivos e físicos. Quanto melhor nossa respiração, melhor nossa saúde física, psíquica, emocional e relacional. A respiração aponta para o sentir e o perceber a partir de dentro. Com isso, aumentam as percepções, a autoconsciência, e o autocontrole, além de surgirem muitas outras mudanças. Isso tudo nos aproxima de outro aspecto importante de nossas vidas: a atenção, um processo cognitivo essencial e uma função mental imprescindível. É inevitável ligar a respiração consciente à atenção plena que a meditação propicia. Essa prática milenar vem sendo fonte de pesquisas científicas em diversas áreas, para aplicação em diferentes contextos. Respirar ajuda a lidar com o estresse, reduzindo-o; aumenta o foco, importantíssimo nas muitas situações do cotidiano; e traz benefícios quanto à qualidade de nosso sono, aspecto organizador de nossas aprendizagens e memórias. Se falarmos em meditação, logo nos vem à mente a dificuldade em aquietar o turbilhão de pensamentos. Dessa forma, reforço a ideia de se concentrar na respiração consciente, silenciar para escutar esse movimento fisiológico, focar a atenção nesse momento. Assim, agimos mais e reagimos menos. Fazemos contato com o aqui/agora. E se a essência da teoria do caos indica que uma pequena mudança em determinada condição inicial leva a efeitos imprevisíveis, fica o convite para esse cuidado pessoal com alcances inter-relacionais.


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