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14a edição | 1o Semestre 2018

SIM,

É POSSÍVEL

As respostas para as demandas sociais estão nas gerações Y e Z. Com novos processos mentais, aliados à descentralização da tecnologia, os migrantes e nativos digitais podem mesmo transformar o mundo


ELE VAI SER ENGENHEIRO PARA CRIAR NOVAS FORMAS DE ENERGIA LIMPA.

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Com 200 anos de presença mundial e há 118 anos presente no Rio Grande do Sul, a atuação dos Colégios e das Unidades Sociais da Rede Marista se dá, atualmente, em 14 cidades gaúchas e em Brasília. São 26 Colégios e nove Centros Sociais, que atendem, diariamente, mais de 21 mil crianças, jovens e adultos.

Presidente da Rede Marista Ir. Inácio Nestor Etges Vice-Presidente da Rede Marista Ir. Deivis Fischer COLÉGIOS E UNIDADES SOCIAIS Superintendente Executivo Rogério Anele Coordenador de Comunicação e Marketing Tiago Rigo

COLÉGIOS Colégio Marista Aparecida colegiomarista.org.br/aparecida | 54 3449 2600

Colégio Marista São Luís colegiomarista.org.br/saoluis | 51 3713 8500

Colégio Marista Assunção colegiomarista.org.br/assuncao | 51 3086 2100

Colégio Marista São Marcelino Champagnat colegiomarista.org.br/ejachampagnat | 51 3584 8000

Colégio Marista Champagnat colegiomarista.org.br/champagnat | 51 3320 6200

Colégio Marista São Pedro colegiomarista.org.br/saopedro | 51 3290 8500

Colégio Marista Conceição colegiomarista.org.br/conceicao | 54 3316 2700

Colégio Marista Vettorello colegiomarista.org.br/ejavettorello | 51 3086 2100

Colégio Marista Graças colegiomarista.org.br/gracas | 51 3492 5500

Escola Marista Santa Marta colegiomarista.org.br/santamarta | 55 3211 5200

Colégio Marista Ipanema colegiomarista.org.br/ipanema | 51 3086 2200

Gerente Educacional Luciano Centenaro

Colégio Marista Irmão Jaime Biazus colegiomarista.org.br/jaimebiazus | 51 3086 2300

Colégio Marista Maria Imaculada colegiomarista.org.br/imaculada | 54 3278 6100

Marista Aparecida das Águas Marista Menino Jesus Marista Renascer Marista Tia Jussara colegiomarista.org.br

Colégio Marista Medianeira colegiomarista.org.br/medianeira | 54 3520 2400

CENTROS SOCIAIS

Colégio Marista João Paulo II colegiomarista.org.br/joaopauloii | 61 3426 4600

Gerente Social Ir. Luciano Barrachini

SEDE MARISTA R. Ir. José Otão, 11 - Bonfim Porto Alegre/RS cep: 90035-060 Tel.: 51 3314 0300 / 0800 541 1200

Colégio Marista Pio XII colegiomarista.org.br/pioxii | 51 3584 8000 Colégio Marista Roque colegiomarista.org.br/roque | 51 3724 8100 Colégio Marista Rosário colegiomarista.org.br/rosario | 51 3284 1200

colegiomarista.org.br socialmarista.org.br

ESCOLAS DE EDUCAÇÃO INFANTIL

Colégio Marista Sant’Ana colegiomarista.org.br/santana | 55 3415 2900 Colégio Marista Santa Maria colegiomarista.org.br/santamaria | 55 3220 6300

Marista Aparecida das Águas Marista Boa Esperança Marista da Juventude Marista de Inclusão Digital (Cmid) Marista Ir. Antônio Bortolini Marista Mario Quintana Marista de Porto Alegre (Cesmar) Marista Santa Isabel Marista Santa Marta socialmarista.org.br

Colégio Marista Santo Ângelo colegiomarista.org.br/santoangelo | 55 3931 3000

POLO MARISTA

Colégio Marista São Francisco colegiomarista.org.br/saofrancisco | 53 3234 4100

Polo Marista de Formação Tecnológica socialmarista.org.br

14a Edição | 1o Semestre 2018 PERIODICIDADE Semestral TIRAGEM 22.122 SUPERVISÃO EDITORIAL Fagner Deport, Katiana Ribeiro e Reinaldo Fontes CONSELHO EDITORIAL Joice Bruhn, Luciano Centenaro, Patricia Saldanha e Simone Martins JORNALISTA RESPONSÁVEL Tiago Rigo (MTB 13919)

EDIÇÃO Supervisão editorial: Maria Fernanda Rocha Redação: Helena Carnieri e Michele Bravos Edição de arte: Bruno Bonaldi e Julyana Werneck REVISÃO Thalita Uba

Envie comentários, críticas e sugestões sobre a revista para o e-mail faleconosco@maristas.org.br

PROJETO GRÁFICO Estúdio Sem Dublê | semduble.com

ILUSTRAÇÃO DA CAPA Julyana Werneck | Shutterstock © Todos os direitos reservados. Todas as opiniões são de responsabilidade dos respectivos autores.


Índice capa

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Os migrantes e nativos digitais carregam sobre os ombros o dever de transformar o mundo. Para isso, eles contam com a internet e a descentralização da tecnologia a seu favor. 1a impressão

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Rogério Anele, superintendente dos Colégios e Unidades Sociais, destaca os principais assuntos desta edição e celebra o reconhecimento da revista Em Família em âmbito regional e nacional.

Dia a dia

Entrevista

Olhar

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O estímulo à empatia entre as pessoas pode se valer de recursos digitais, como vídeos, áudios e até a realidade virtual: o que importa é conectar mentes e corações.

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O professor de Escrita Criativa e Literatura Altair Martins conta um pouco sobre seu início na carreira de escritor, talento que lhe deu a chance de mudar o mundo ao seu redor.

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Curiosidade

Solidariedade

Como fazer

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Por que viver em harmonia nos protege e estar sob constante conflito nos faz adoecer? Entenda quais “orquestras” tocam no nosso cérebro social, alterando as percepções de si mesmo e das relações sociais.

Conheça o conceito de educação 4.0 e saiba o que os jovens já estão fazendo ao unir diversão e aprendizado, tendo a tecnologia como importante aliada.

Unidades Sociais Maristas aliam a pedagogia marista a saberes populares para promover caminhos de resgate da dignidade.

Buscar a paz implica ir além do debate e partir para a prática. Saiba como os jovens têm aprendido a conhecer suas emoções para controlar melhor suas ações em sociedade.

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Diversão

Essência

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Nesta edição, apresentamos dicas de livros, jogos e documentários para potencializar a aprendizagem.

Preparados para um quiz? É hora de testar os nossos conhecimentos sobre o Brasil e o mundo!

Entenda de que forma a área de Linguagens contribui para a comunicação por meio da expressividade.


novação para Itransformar

1a impressão

realidade virtual. A empatia é abordada, ainda, na editoria Solidariedade, ressaltando como o senso de comunidade promove a independência e oportuniza a autoemancipação. Uma constante em nossos Colégios e Unidades Sociais, bem como tema central da Campanha da Fraternidade deste ano, a busca pela paz é abordada na editoria Como Fazer, com exemplos práticos. O entrevistado desta edição, o professor e escritor Altair Martins, também fala sobre esse assunto, além de aprofundar as particularidades da sua dupla carreira e dar dicas para quem gosta de ler e escrever. Diante da apresentação desta edição, você pode estar pensando: “Isso é coisa de jovem. Isso não é do meu tempo”. A confluência de gerações é mesmo um desafio, mas que enxergamos de forma extremamente positiva. Nosso convite é para que possamos aprender com os estudantes, reconfigurando nossa mente para um tempo que não é apenas deles, mas de todos nós. Por fim, aproveitamos para celebrar o reconhecimento que nossa revista Em Família obteve por meio das premiações concedidas pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje) em 2017. Muito nos alegrou o alcance do primeiro lugar na categoria Mídia Impressa em nível regional e nacional. Essa conquista é fruto de um trabalho semestral que mobiliza mais de 100 pessoas para a produção de conteúdo de quali-

dade, que busca fortalecer o diálogo e, ao mesmo tempo, trazer diferentes olhares sobre temas emergentes. Agradecemos a dedicação e o carinho de todos nessa caminhada – especialmente a você, leitor, razão de ser desta publicação! Boa leitura!

Sabemos que a construção de um mundo mais empático e solidário só é possível graças, justamente, às mentes inquietas que não ficam inertes diante das desigualdades com as quais nos deparamos diariamente.

© Foto: Divulgação / Comunicação e Marketing

Fazer com que o conhecimento gere frutos na sociedade constitui um dos grandes desafios da educação, sobretudo quando nossa missão é formar cidadãos conscientes e comprometidos com o presente e o futuro. Seguindo o exemplo do nosso fundador, São Marcelino Champagnat, acreditamos no potencial das crianças e dos jovens para desenvolver novas ideias, agir com coragem, empreender e transformar em prol da vida. Sabemos que a construção de um mundo mais empático e solidário só é possível graças, justamente, às mentes inquietas que não ficam inertes diante das desigualdades com as quais nos deparamos diariamente. Por isso, nossa reportagem de capa mostra como a geração de hoje tem buscado novas respostas, associando tecnologia e inovação para a resolução de problemas que permeiam nosso cotidiano. Esta edição também retrata um pouco do que está acontecendo na prática em relação ao conceito de “educação 4.0”. Trata-se de um olhar constante para que os recursos digitais estejam inseridos no dia a dia da sala de aula. Nesse sentido, os próprios estudantes maristas trazem ideias de aplicabilidade – como a utilização de um jogo para o ensino da Matemática, por exemplo. E quem disse que empatia não rima com tecnologia? A seção Dia a Dia traz iniciativas voltadas a aproximar pessoas que são potencializadas pelo uso de vídeos, áudios e até

Rogério Anele Superintendente dos Colégios e Unidades Sociais da Rede Marista

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Dia a dia

"Empatia" rima com "tecnologia" Ouvir e enxergar melhor o outro é possível também por meio de vídeos, áudios e realidade virtual Por Helena Carnieri

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Em qualquer conversa sobre o uso da tecnologia por parte dos jovens surge o tema do risco do afastamento físico entre eles e do esfriamento das relações afetivas. E essa perspectiva parece se confirmar quando vamos a um restaurante e todos os integrantes de uma mesa estão com o celular na mão, olhos fixos na tela. Conversa, zero. Mas é fato também que essa mesma tecnologia pode facilitar a transposição de barreiras – e não apenas no contato virtual com pessoas ao redor do mundo. Um uso muito criativo da tecnologia pode ser en-

contrado no Museu da Empatia, formato de exposição criado por artistas britânicos e facilmente replicável. Consiste em coletar sapatos usados de um grupo de pessoas – mas usados de verdade! – e uma gravação em MP3 feita por elas a respeito de um episódio de suas vidas. Tudo isso é instalado em um espaço coberto, que comporte os calçados coletados e onde o visitante possa se sentar e calçar um deles. Ele recebe ainda fones de ouvido ligados ao MP3, para então sair caminhando, ouvindo e se aproximando da realidade do outro.

© Foto: Annelize Tozzeto

A “máquina de ser outro”, que permite “trocar de corpo” com outra pessoa.


Um exemplo recente de como a empatia pode ser estimulada usando recursos tecnológicos foi a criação de uma exposição em um shopping de São Paulo pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), em que os visitantes eram “transportados” a um campo de refugiados sírios. Usando óculos de realidade virtual, captada por câmeras que filmam em todas as direções, e uma gravação de três minutos em que uma menina relata seu cotidiano naquele local, foi possível mostrar de forma um pouco mais realista o problema dos acampamentos em que milhares se refugiam da guerra. É bem diferente de ouvir uma notícia rápida sobre o assunto, e as pessoas saem da experiência sensibilizadas pela ação da Unicef. Esses são exemplos que colocam na prática a empatia, termo muito em voga no meio empresarial e no próprio circuito da educação nos dias de hoje. Segundo uma das definições do Dicionário Houaiss, empatia é “a capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente, de querer o que ela quer, de apreender do modo como ela apreende”. Para a psicologia, é “o processo de identificação em que o indivíduo se coloca no lugar do outro e, com base em suas próprias suposições ou impressões, tenta compreender o comportamento do outro” (HOUAISS, p. 740). EMPATIA BRITÂNICA Para conhecer mais sobre o Museu da Empatia, visite o site do projeto original na Inglaterra (disponível apenas em inglês): goo.gl/VocG4D

Compreender o olhar e a escuta do outro é, hoje, uma “mercadoria” valiosíssima, alvo de disputa mercadológica incessante. Por outro lado, essa busca também é encontrada no meio artístico, muitas vezes com objetivos mais humanos. É o caso da ins-

talação franco-brasileira machine to be another (ou a “máquina de ser outro”), que já passou por cidades como Nova York, Berlim, Jerusalém e, recentemente, em Curitiba (PR); a instalação volta ao Brasil para ser exibida na capital do Rio de Janeiro em novembro. Em uma cabine, dois visitantes entram juntos e são separados por uma cortina. Sentam-se e recebem um capacete cujo visor é conectado a uma câmera instalada acima do outro participante. Com um direcionamento certeiro da imagem, cada um enxerga o corpo do outro como se fosse o seu. Os movimentos sincronizados da dupla permitem ter a sensação de tocar em mãos e braços que não são seus como se estivessem acoplados ao seu tronco. “Demanda uma escuta e uma atenção do outro, que obriga a olhar melhor”, testemunhou o diretor de palco francês Titouan Lechevalier, de 27 anos, que participou da experiência. É um pequeno passo rumo à tolerância usando não apenas a tecnologia, mas também as sensações humanas. Porém, em qualquer projeto que busque ampliar a empatia entre jovens, antes de apelar ao aspecto técnico, é preciso entender como eles estão vivenciando as novas segmentações da sociedade, baseadas em muita tensão e disputa por autoridade. Felizmente, na experiência do coordenador de Pastoral Alecson Marcon, do Marista Medianeira, de Erechim (RS), não falta empatia entre os jovens, mas é preciso compreender sua nova forma de transmissão. “Existem as ‘tribos’, mas aqui no Colégio estamos trabalhando positivamente, no processo da escolha de líderes de turmas, com o conceito de comunidades, vivenciando um pouco a ideia do sociólogo e filósofo polonês, Zygmunt Bauman. Entendo, como Bauman, que esses preceitos antecedem nossa existência, pois nascemos e vivemos em comunidades. E através disso estamos criando estratégias de fortalecer a dimensão dos laços humanos.”

© Foto: Acervo do Colégio Marista Medianeira

EM MEIO A REFUGIADOS

Partindo dessa ideia, a estudante Milena Piana, de 16 anos, cursando o 2o ano do Ensino Médio no Marista Medianeira, coordenou um debate em março relacionado ao Dia da Mulher, que culminou com a realização de um vídeo em que mulheres de várias idades foram entrevistadas sobre momentos em que sofreram preconceito. “Fiquei surpresa com a resposta dos meninos, percebi que ficaram bem tocados, especialmente no tema do namoro. Nos grupos pequenos de debate, ficaram todos com a missão de ajudar quando vissem uma mulher sofrendo assédio, e de ter bom senso para não repetir aquelas histórias”, conta Milena. Outros temas que precisam ser debatidos, na opinião dela, são a violência virtual e o preconceito contra migrantes em sua cidade.

Nascemos e vivemos em comunidades. E através desses conceitos estamos criando estratégias de fortalecer a dimensão dos laços humanos. Alecson Marcon, coordenador de Pastoral

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Capa

TRANSFORMAR O MUNDO?

É

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POSSÍVEL Fibra de coco e resíduos petrolíferos não possuem nada em comum, aparentemente. Assim como tecnologia de ponta e cegos. A forma como as novas gerações pensam e a descentralização da tecnologia têm permitido que elas percebam, nos problemas sociais que as cercam, o desafio para transformar o mundo e empreender de forma inovadora Por Michele Bravos

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Em uma realidade polarizada e fragmentada, inovação e demandas sociais se entrelaçam, beneficiando-se de uma época em que o acesso à tecnologia não está concentrado em governos ou grandes corporações. Apontadas pelas novas gerações, as respostas para problemas socioambientais e humanos estão, assim, em ideias pouco conservadoras e encharcadas por conceitos como sustentabilidade e igualdade. Há menos de 30 anos, a tecnologia de ponta não estava na palma das mãos da população como está hoje. Considera-se que o primeiro smartphone da história surgiu em 1994. Era um aparelho ainda bem maior, mas já com funções inteligentes, diferente de seus antecessores. Nem de longe, contudo, estamos falando de algo parecido com os smartphones de 2018: finos, leves, com reconhecimento facial! Essa evolução aponta para algo essencial na percepção de ideias inovadoras, tendo a tecnologia como solução para demandas sociais. De acordo com Naira Libermann, coordenadora do Idear – Laboratório Interdisciplinar de Empreendedorismo e Inovação da PUCRS, falar de tecnologia não se resume ao desempenho de máquinas, mas das possibilidades que surgem a partir da interação com pessoas. "A tecnologia deve


NOVA SOLIDARIEDADE,

COMO FUNCIONA O BE MY EYES? Quando uma pessoa cega ou de baixa visão está na cozinha, por exemplo, e precisa encontrar um utensílio específico, mas está com dificuldade em achá-lo, ela pode entrar no aplicativo Be My Eyes e solicitar que um voluntário on-line lhe ajude. feita, então, uma chamada de vídeo pelo app, conectando a pessoa que necessita de ajuda com aquela que poderá prestar auxílio. A pessoa vidente vê, pelo vídeo, a cozinha – no caso do exemplo – e dá orientações quanto à localização do objeto procurado.

Ter nascido em uma era digital também influencia na prática da solidariedade. É com a mesma rapidez de suas mentes que os migrantes e nativos digitais pensam nas soluções e resolvem problemas sociais. São jovens mais ativos. Alecson Marcon, coordenador de Pastoral, do Colégio Marista Medianeira, de Erechim (RS)

© Ilustração: Freepik

ser vista como a capacidade para transformar capital intelectual. Buscar essa transformação de forma descentralizada e integrada entre governos, indústrias, universidades e sociedade é o que aponta para respostas de problemas sociais", afirma Naira. Ela ainda lembra que processos criativos sem validações práticas dificilmente se tornam respostas inovadoras. "Para ser uma inovação é preciso ter ação", diz. Para James Marins, presidente do Instituto Legado de Empreendedorismo Social e cocriador e professor do Programa de Pós-Graduação em Empreendedorismo e Negócios Sociais da FAE Business School, em Curitiba (PR), a descentralização da tecnologia tem uma capacidade transformadora exponencial. Como exemplo, ele cita o aplicativo escandinavo Be My Eyes, que consiste em conectar pessoas cegas ou de baixa visão com pessoas videntes, para que funções simples do dia a dia, como encontrar um utensílio na cozinha, sejam realizadas de forma mais simples e rápida. O aplicativo conta com mais de 600 mil voluntários videntes e mais de 45 mil usuários cegos ou de baixa visão. “Qual governo ou corporação isoladamente conseguiria mobilizar uma rede desse porte?”, indaga Marins.

NOVA ECONOMIA A crescente no acesso à tecnologia por parte da população mundial, combinada com os novos processos mentais das últimas gerações, impulsiona a solidariedade e a economia para uma direção diferente daquela com a qual estivemos acostumados até o momento. Os novos processos mentais impactam na forma como essas gerações se relacionam com as demandas sociais, como percebe o coordenador de Pastoral Alecson Marcon, do Colégio Marista Medianeira, de Erechim (RS). Segundo Marcon, “ter nascido em uma era digital também influencia na prática da solidariedade. É com a mesma rapidez de suas mentes que os migrantes e nativos digitais pensam nas soluções e resolvem problemas sociais. São jovens mais ativos.”

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Capa

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o coordenador de Pastoral, esse comportamento dos jovens estimula as gerações passadas a se atualizem e se movimentarem na mesma direção. É o que ele observa nas relações da comunidade escolar: “O convívio entre as gerações é essencial para que pessoas de mais idade também inovem.” As gerações passadas, afinal, também pertencem ao presente. Ao se romper com discursos que negativam a tecnologia – em especial, uma de suas expressões: a internet – há muito a ser compartilhado e aprendido com as novas gerações também. “Essas novas gerações são menos materialistas que as anteriores. Os jovens não querem mais carros, mas meios de transporte eficientes. Daí o sucesso do Uber, por exemplo. Ainda que um jovem possa comprar um carro, ele pode não o fazer, por esse não ser mais um valor que se conecta com o seu estilo de vida”, afirma Marins.

TRANSFORMADORES SOCIAIS Tanto os migrantes digitais (nascidos entre o final da década de 1980 e o ano de 1995, também chamados geração Y) quanto os nativos digitais (nascidos entre 1996 e 2010, também conhecidos como geração Z) possuem consciência crítica sobre as desigualdades sociais em que a humanidade está inserida, o que evidencia a falência dos modelos que vêm sendo seguidos – e que necessitam ser modificados. Com muita criatividade e uma compreensão de solidariedade ativa, os projetos a seguir têm sido a resposta para algumas demandas da sociedade. Para saber mais sobre as diferenças geracionais, confira o artigo: "Conversadores, migrantes e nativos: as gerações e a internet" no site: bit.ly/2svmIVY

cada vez mais as empresas têm entendido a necessidade de se ter um propósito maior do que a obtenção de lucro, trabalhando para solucionar problemas socioambientais. Naira Libermann, coordenadora do Idear – Laboratório Interdisciplinar de Empreendedorismo e Inovação da PUCRS Ainda que a tecnologia de comunicação seja uma das mais conhecidas, há outras formas de tecnologia, como a nanotecnologia, a biotecnologia, a microtecnologia etc.

© Ilustração: Freepik

Conforme Marins, vive-se uma nova solidariedade, uma solidariedade planetária, que compreende as pessoas e o meio ambiente, como parte de um todo. O assistencialismo perde força nesse novo modelo mental, enquanto a responsabilidade pessoal em prol de uma transformação coletiva ganha espaço. “Buscar a transformação de um problema social é um novo passo que temos em relação à solidariedade”, aponta. Novos modelos econômicos também passam a ser acolhidos nesse cenário. Segundo Naira, “cada vez mais as empresas têm entendido a necessidade de se ter um propósito maior do que a obtenção de lucro, trabalhando para solucionar problemas socioambientais. São as “Empresas B”, que buscam respostas para como alcançar um bem mundial, fazendo o bem". Na lógica da descentralização, Marins afirma que as pessoas, diante de uma demanda social, passam a se perceber como parte da solução, e não apenas do problema. Esse é o caso dos fundadores dos projetos que compõem esta matéria, os quais também são considerados empreendedores sociais. “É dessa forma que se confere outra dimensão à tecnologia. Hoje, entende-se que a tecnologia é uma ferramenta utilizada por ser humanos para seres humanos, que necessita ser perpassada por valores humanos”, diz Marins. Essa linguagem é mais facilmente compreendida pelas gerações dos migrantes e nativos digitais, como percebe Marcon. Por isso, partem delas muitas das propostas inovadoras, usando a tecnologia para responder às demandas sociais. Sendo assim, é imprescindível o convívio entre diferentes faixas etárias. Para


JUNO RADIO

© Foto: Divulgação

A cada temporada de veraneio, seis toneladas de coco verde são acumuladas apenas na cidade de Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo. Os restos que ficam nas encostas se tornam um propício criadouro para o mosquito da dengue, que transmite também o vírus zika e a chikungunya. Foi diante desse problema socioambiental e de saúde pública que Nubia Marques idealizou o projeto SorBio, em parceria com Aline Faustino Soares, desenvolvedora do projeto, e a mentora Patrícia Carbonari Pantojo. “Descobri, com pesquisas, que existia uma semelhança entre a fibra de coco verde e a turfa, que é um musgo encontrado apenas em regiões montanhosas do norte europeu. Aqui, no Brasil, a turfa é utilizada para agricultura em sua versão líquida e, em sua versão sólida, é utilizada na absorção do petróleo em caso de acidentes marítimos com vazamento. Fiz alguns testes e, já no primeiro, veio a surpresa: o SorBio consegue ser melhor do que a turfa na absorção do petróleo. Assim, surgiu esse projeto”, conta Nubia. Atualmente, o projeto encontra-se em fase de protótipo e está em busca de investidor-anjo ou patrocinador.

Onde a internet ainda não é uma realidade, as ondas de rádio podem trazer soluções. Um grupo de jovens de Curitiba (PR) desenvolveu uma solução que visa aprimorar a identificação de focos de incêndio para postos florestais em regiões que não possuem internet ou telefone. “O protótipo desenvolvido pelos jovens, chamado Juno Radio, recebe o sinal da Nasa do foco de incêndio e o transforma em ondas de rádio AM, com maior alcance. Assim, outro Juno Radio, ao receber esse sinal, notificará os responsáveis pela reserva florestal, informando a localização dos possíveis focos de incêndio da região”, descreve Arlete Scheleider, cofundadora do projeto Waas. A criação da solução veio durante a participação de uma competição promovida pela Nasa, em um evento chamado Nasa Space Apps Challenge, em Curitiba. A equipe do Juno Radio, integrada por dois participantes da Waas, foi a vencedora. A Waas, cuja sigla é We Are All Smart, em português: Somos Todos Inteligentes, trabalha com a premissa de preparar jovens para um futuro tecnológico. Ao perceber a existência de um déficit na educação – em especial pública – nessa temática, a Waas surge para mostrar aos jovens que, além de serem consumidores de tecnologia, eles podem ser produtores de tecnologia. “Os jovens são convidados a elaborarem respostas para problemas reais que eles identificam na escola ou na comunidade”, esclarece Arlete, que trabalha em parceria com Rennan Felipe Alves de Chaves, também idealizador e atual diretor-executivo, e Adão Lima, responsável pela comunicação visual do projeto.

© Fotos: Divulgação

SORBIO

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Capa

© Foto: Divulgação

P.A.R

Junto com aquela tempestade sempre vem uma preocupação com os aparelhos eletrônicos. Com informações empresariais e da própria vida pessoal armazenadas em equipamentos, a queima de um produto não ocasiona apenas um prejuízo físico e financeiro. Perder dados gera incômodo, dificulta processos e pode até significar uma perda de segurança, como afirma os fundadores do Protetor Autônomo de Rede (PAR). Foi pensando em uma solução para esse problema que os engenheiros Fernando Kiszewski e Paulo Weiss e o estudante de Graduação em Engenharia da Computação da PUCRS Gabriel Costa desenvolveram um sistema de proteção elétrica inteligente e proativo com viés de identificar mudanças climáticas e reagir a elas. "O protetor autônomo é similar a uma tomada, mas inteligente, ou seja, o sistema do qual essa peça faz parte tem autonomia para analisar uma situação – como uma mudança climática que pode ocasionar uma tempestade – e tomar uma decisão antecipada de proteção", diz Paulo Weiss.

© Fotos: Maria Eduarda Petek

MUDANDO REALIDADES COM CRIATIVIDADE

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Desenvolver um produto pode ser mais desafiador se atrelado a uma causa social. Na PUCRS, os estudantes de Design são convidados a criar algo que traga um benefício real para a sociedade. Em 2017, foram desenvolvidos papertoys para a ala de Pediatria do Hospital São Lucas. Os brinquedos são planejados para serem impressos em folhas A4 ou A3, permitindo que as crianças os pintem, recortem e montem. A ideia é que os brinquedos acompanhem as crianças no tratamento, amenizando os incômodos de estarem em um hospital. Os estudantes de Design também foram desafiados a criar produtos com materiais reciclados para serem incluídos na linha de produção de grupos de complementação de renda atendidos pela Associação de Voluntariado e da Solidariedade (Avesol). Era preciso utilizar apenas itens doados à ONG, como tecidos, lona, madeira e papel. Um dos projetos apresentados foi o Aflor, dos estudantes Henrique Nunes Lopes, de 19 anos, e Julia Canton, de 18, que elaboraram seus produtos feitos de lona com o conceito de transformação da natureza e diminuição de resíduos, tendo como referência a flor de lótus e as borboletas.


O projeto Médico de Bolso, dos estudantes Guilherme Heller Bier, Gabriel Marques Trzaskos e Bernardo Calcagnotto Appel, do Ensino Médio do Colégio Marista Pio XII, evidencia os primeiros passos de uma geração que busca soluções ao perceber problemas cotidianos. A ideia dos jovens consiste em um aplicativo com foco em análise prática de sintomas (como dores de cabeça, tontura, pressão baixa), auxiliando a população no entendimento e possíveis soluções para o que está ocorrendo em seu organismo. Com informações coletadas a partir de pesquisas com profissionais da área da medicina, o Médico de Bolso traz maior precisão em informações e tratamentos caseiros para patologias, sem a finalidade de substituir um médico. Orientados pelo professor de Tecnologias Educacionais, Eduardo Davi Wilhelm, o projeto foi premiado na 10a PioTeC – Mostra de Projetos de Tecnologias e Ciências realizada no Colégio em 2017, rendendo aos estudantes o passaporte para a Febrace (a maior feira pré-universitária de ciências e engenharias em abrangência e visibilidade).

© Foto: Acervo do Colégio Marista Pio XII

MÉDICO DE BOLSO

OLHANDO PARA A FRENTE

© Ilustração: Freepik

Para Naira, a inovação e a tecnologia ainda precisam caminhar para superar egos. "Se conseguirmos trabalhar em rede, iremos inovar mais. Precisamos criar projetos integrados, com recursos integrados. Isso quer dizer que agora é tempo de olharmos juntos para um mesmo território e cada um na sua área de conhecimento contribuir com soluções. Isso nos faz ganhar sinergia, tempo, dinheiro e maturidade. Dessa forma, viveremos a inovação para demandas sociais de forma global.

É dessa forma que se confere outra dimensão à tecnologia. Hoje, entende-se que a tecnologia é uma ferramenta utilizada por ser humanos para seres humanos, que necessita ser perpassada por valores humanos. James Marins, professor do Programa de Pós-Graduação em Empreendedorismo e Negócios Sociais da FAE Business School, em Curitiba

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Entrevista

{se}

© Foto: Acervo pessoal

Educar é abrir

ao desconhecido Ao falar de sua paixão pela leitura e pela escrita, o gaúcho Altair Martins ensina que “escrever é persistir sempre”, além de uma “luta por aquilo que ainda não foi dito”. Em sua experiência, escrever ajuda o professor a não se tornar um burocrata Por Helena Carnieri

Em um país normalmente taxado como terra de não leitores, o professor e escritor Altair Martins, nascido em Porto Alegre em 1975, é um militante. Isso porque qualquer brasileiro que insista nessas duas carreiras – a do ensino e a da arte – luta por fazer a diferença ao seu redor. Nesta entrevista, o autor gaúcho, premiado em vários certames nacionais, dá dicas de leitura e conselhos aos jovens que gostam de escrever. Ao falar de um dos temas desta edição (a busca pela paz com atos

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concretos), ele revela aquilo que o incomoda – e a tantas outras pessoas – na presente batalha ideológica vivida no País. Como esperança, entram a persistência e criatividade de novos escritores e pesquisadores como ele, um dos pioneiros na área de escrita criativa no Brasil. Além de lecionar no Colégio Marista Rosário, Martins dá aulas nos cursos de Escrita Criativa e Letras da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).


Que temas o têm tocado ultimamente, já pensando em novos projetos de escrita?

Creio que estou fechando uma trilogia não programada sobre os impactos do período pós-ditatorial no Brasil nas transformações da família. Escrevi o romance A Parede no Escuro (Record, 2008), no qual discuto o papel do pai com o fim do grande momento patriarcal, consolidado durante a ditadura militar, que recolocou o macho no comando premente de toda ordem. Creio que nessa obra narrei a falência da figura paterna como centro da ordem familiar. Depois, descobri, ao escrever Terra Avulsa (Record, 2014), que havia feito um romance sobre a figura materna. Atualmente, estou concluindo o romance Os Donos do Inverno, em que discuto a questão de irmãos de criação como uma metáfora da atual fratura social brasileira: uma divisão que infligimos ao outro como se tivéssemos dois países e não fôssemos todos “vira-latas”, “crioulos”, filhos de criação de uma nação absolutamente mestiça até a medula.

Que autores gaúchos têm chamado sua atenção?

Me têm chamado a atenção os poetas. Cito Ana Santos (Móbile), Daniel Conte (O Mínimo Tu em Mim) e Marco de Menezes (Pequena Madrugada Antes da Meia-Noite). Quanto à narrativa, o melhor romance que li ano passado é de um colega aqui da PUCRS, Cristiano Baldi: Correr com Rinocerontes. É uma história densa, que também discute a posição do sujeito atual frente à família.

Que atitudes concretas você tem visto na construção de uma cultura da paz?

Me assustam as ondas atuais: preconceito quanto à pobreza, quanto à escolha sexual das pessoas, quanto à cor, quanto aos papéis (tradicionais e inovadores) da mulher. Me assombra a supervalorização da tecnologia, de tudo que é eletrônico, quebrável, escravizador e desumano (desumano no sentido de nos afastar da natureza, de onde viemos). Para construirmos a paz, é simples e impossível: respeitar a diferença. Nessa era de forças que se acham capazes de pasteurizar o ser humano, queria apenas lembrar que o igual não nos acrescenta nada. Só o diferente nos transforma. Educar(se) não é simplesmente isso: abrir-se ao desconhecido?

Escrever me deu a dimensão do protagonismo, de ser sujeito capaz de transformar, por mínimo que seja, as coisas ao meu redor.

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Poderia falar um pouco de sua experiência com a escrita?

O que você sugere para jovens que gostam de escrever?

Como se deu sua escolha pelas pesquisas acadêmicas, que também levaram à escrita de romances?

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O escrever é sempre uma sequela das leituras que fizemos. Ninguém escreve sem carregar muitas pessoas nos ombros. No meu caso, a escola (sempre pública) me deu algo muito precioso: sair do lugar, plantar coisas na utopia alheia, fazer frutificar a minha. Escrever me deu a dimensão do protagonismo, de ser sujeito capaz de transformar, por mínimo que seja, as coisas ao meu redor. Por isso, hoje, devolvo. Não seria escritor se a literatura não tivesse causado essa revolução na minha alma. A literatura é um meio difícil. Publicar, hoje, qualquer um publica. Mas fazer literatura continua exigindo a mesma sequência de etapas: 1) escrever; 2) publicar; 3) fazer o livro ser visto, lido, comentado em jornais e revistas; e 4) ser visto como escritor, e não como peça da vez na “sociedade do espetáculo”. Me dou muito bem com a fase 1. Faltam as outras etapas. Sempre. Não existem passos que sirvam para todas as pessoas, porque cada um que escreve pensa de um modo ou com um estilo, e aí as regras e estratégias mudam. A receita é ler e depois colocar as ideias no bolso e caminhar, ver filmes, escutar músicas. Só a arte nos devolve a ela mesma. Fui convidado a fazer o mestrado pela professora Márcia Ivana de Lima e Silva, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Somos pioneiros nessa área de escrita criativa no Brasil. Aqui, na PUCRS, o professor Luiz Antonio de Assis Brasil ministra uma oficina de escrita que já tem um quarto de século. A partir daí, alcançamos o mestrado e o doutorado e, agora, a graduação. Por isso, temos estudantes de várias partes do Brasil. Na época do meu mestrado, a UFRGS começava a se abrir à produção escrita. Hoje, lá também há uma área em nível de mestrado e doutorado. É uma maravilha ter um lugar na universidade para se estudar e escrever.

© Foto: Acervo pessoal

Entrevista

Uma questão que tem sido muito debatida no meio literário é o efeito dos prêmios na carreira do autor. Para Altair Martins, eles são relevantes, especialmente se incluem um valor em dinheiro, mas não são o fim da linha. Para progredir, é preciso manter o livro em processo de divulgação constante, e investir na formação de leitores. Martins recebeu, entre outros, o Prêmio Açorianos pelo romance A Parede no Escuro; foi finalista do Prêmio Jabuti de 2012 na categoria Contos e Crônicas com Enquanto Água, que também lhe rendeu o Açorianos na categoria Contos e o prêmio Moacyr Scliar; e recebeu, ainda, o Prêmio Ages 2015 de melhor romance pelo livro Terra Avulsa.

Foi natural sua migração da escrita ficcional para a carreira de professor?

Na verdade, intentei, desde o período em que estava na escola, tornar-me escritor. Fui fazer Letras (na UFRGS) por isso. Descobri-me professor de Literatura com 19 anos, em nível médio e em cursinhos pré-vestibulares. As coisas andaram praticamente juntas e creio que o professor alimenta as reflexões do escritor, que não permite que o professor seja um burocrata.

Não existem passos que sirvam para todas as pessoas, porque cada um que escreve pensa de um modo ou com um estilo, e aí as regras e estratégias mudam. A receita é ler e depois colocar as ideias no bolso e caminhar, ver filmes, escutar músicas. Só a arte nos devolve a ela mesma.


EXPEDIENTE COLÉGIO MARISTA PIO XII Av. Nicolau Becker, 182 Novo Hamburgo - RS Fone: 51 3584-8000 pioxii@maristas.org.br DIRETORA Katia Antoniolli VICE-DIRETORA Maria Angela Baldi COMUNICAÇÃO E MARKETING Pamela Rosa JORNALISTA RESPONSÁVEL Tiago Rigo (MTB 13919)

Ponto de vista em movimento

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Pedro Manfroi, coordenador pedagógico, aborda os desafios da educação contemporânea.

Com a palavra

Educação Infantil

Caleidoscópio

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Ensino Fundamental

Gente nossa

Ensino Médio

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Direção destaca a importância do estabelecimento de limites para as crianças.

Saiba como a pedagogia da escuta contribui para a formação de crianças motivadas e confiantes.

EI EF EM

Cobertura dos principais projetos e atividades desenvolvidos no primeiro semestre letivo.

Família e escola exercem papel fundamental na formação de leitores.

Artur Guerreiro, estudante do Marista Pio XII, conta sobre sua decisão de doar o cabelo.

Conheça iniciativas que instigam o estudante a desenvolver a competência política e a cidadania na prática.

Diz aí

Em foco

Construir conhecimentos

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Estudantes contam como promovem a paz no dia a dia.

A partir do tema Seu olhar sobre a escola, estudantes registram a própria percepção sobre o cotidiano escolar.

Conheça iniciativas que destacam a formação integral marista.


Com a palavra

Limites: uma

aprendizagem

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Colégio Marista Pio XII

O lar é o centro da vida das crianças nos primeiros anos e é nesse ambiente que elas experimentam e descobrem seus corpos e como usá-los, adquirindo confiança em si mesmos.

Katia Antoniolli Diretora do Colégio Marista Pio XII

© Foto: Acervo do Colégio

Minha vivência como educadora me fez pensar na importância da construção e da compreensão dos limites pelas crianças. Ao presenciar cenas em que as crianças extrapolam, com atitudes e ações, seja na escola, em casa ou no supermercado, transgredindo o que chamamos de “consenso” do convívio social, fica claro que a questão dos limites não está sendo bem trabalhada. A aprendizagem dos limites se inicia na mais tenra idade, no ambiente familiar, e prioriza inicialmente a relação entre mãe e filho. O lar é o centro da vida das crianças nos primeiros anos e é nesse ambiente que elas experimentam e descobrem seus corpos e como usá-los, adquirindo confiança em si mesmos. É na relação familiar que muitas vezes se percebe uma grande permissividade por parte dos pais no que diz respeito às faltas menos graves cometidas pelos filhos – como se estas, por serem pequenas, não carecessem de atenção, não tivessem significado e consequências. Talvez aí aconteça um grande engano, pois os pequenos atos de civilidade é que ensinam filhos a respeitar o espaço alheio e o outro. As crianças necessitam que lhes mostrem limites dentro dos quais possam agir, e precisam de uma figura de autoridade amorosa a quem possam apelar com a confiança de que receberão a orientação necessária para enfrentar a vida. Aprender o que é permissível e o que é proibido, o que agrada e o que desagrada os pais é parte do processo de socialização. Socialização essa que tem sua continuidade na escola, onde muitas vezes elas revelam o que foi trabalhado em casa. O reconhecimento do professor como autoridade no espaço escolar, o respeito aos colegas, a frustação ao não ser o vencedor de um jogo ou brincadeira muito dizem dessa aprendizagem que torna as crianças moralmente autônomas. Portando, à medida que as crianças crescem, tornam-se mais autônomas e aptas a se desenvolver no lugar em que vivem – em especial no espaço escolar onde, segundo as Diretrizes da Educação Infantil Marista (pág. 24), “a criança é um sujeito de direitos, um ser social que aprende por meio das interações com os demais e com os objetos do mundo”.


Por uma escuta

Educação Infantil

© Foto: Acervo do Colégio

sensível e acolhedora

Momentos de socialização proporcionam a escuta sensível e acolhedora.

Quem pensa que a criança é como uma folha em branco a ser preenchida não compreende o seu verdadeiro potencial. Ser ouvida e ter sua opinião considerada está entre os seus direitos fundamentais. Por isso, a pedagogia da escuta acredita, respeita e valoriza a participação e os saberes das crianças. Trata-se de uma escuta sensível, isto é, de estar disponível ao outro, acolhendo os modos distintos como cada um pensa e encorajando os sujeitos a criar ideias, hipóteses e reformular caminhos. De acordo com as Diretrizes da Educação Infantil Marista, documento norteador da ação pedagógica desse segmento de ensino, escutar não se traduz em um simples ouvir, mas, sim, em elaborar perguntas, aguçar as dúvidas, e fomentar a curiosidade, a conversa e a aprendizagem. A ação da escuta permite que as crianças se sintam motivadas e confiantes em expor suas percepções, sem receios de julgamento de acerto ou de falha. Quando compartilha tempo, espaços e experiências com quem lhe

escuta, a criança mostra o quanto é capaz de dar vida ao que encontra, produzindo ideias e cultura. Assim, desenvolve sentimentos e expressa sua identidade. Escutar é a base de toda relação e envolve ação, reflexão e troca, sendo essencial para a comunicação. Portanto, a pedagogia da escuta é uma atitude de responsabilidade com o que é compartilhado e que nos conecta com a vida.

APRENDENDO COM AS CRIANÇAS No Marista Pio XII, o fazer pedagógico é pautado pela participação das crianças na construção dos projetos e das propostas escolares, com os professores ensinando e aprendendo junto a elas. São proporcionados momentos que contemplam a socialização, a interação e o protagonismo dos estudantes, mediante a escuta sensível e acolhedora, respeitando principalmente o tempo e as particularidades de cada um. Por meio da valorização do brincar, são criadas diversas possibilidades em ambientes educadores e com

diferentes materiais, contribuindo para a consolidação de vínculos afetivos e vivências partilhadas, valorizando as descobertas individuais e coletivas. O olhar atento e sensível nos primeiros processos de investigação é essencial para entender o que une as crianças. Dessas relações interativas vivenciadas pelos estudantes surge um vasto repertório de múltiplas linguagens, que lhes possibilitam simbolizar e compreender o mundo. Segundo a professora Letícia Abel, é possível perceber o encantamento dos estudantes com as vivências proporcionadas. Ao substituir os materiais habituais, as crianças são instigadas a criar novas possibilidades e repertórios. “É importante que o adulto tenha clareza do seu papel durante o processo de escuta. Através dos estudos realizados em parceria com a Rede Marista, caminhamos juntos com o objetivo de oportunizar tempo e espaços desafiadores, construindo interações e diálogos com a participação ativa dos estudantes”, ressalta Letícia. Colégio Marista Pio XII

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Caleidoscópio EI

Os ambientes educadores coletivos são constantemente revitalizados com o objetivo de proporcionar novas experiências e descobertas.

NA PRÁTICA

ESTRUTURA

A expressão da arte, através do convívio, oportuniza o desenvolvimento de traços, cores e formas em outras dimensões.

© Fotos: Acervo do Colégio

2018

O aprendizado se constrói no diálogo e no convívio com o mundo da imaginação e da leitura, valorizando, assim, a autonomia e o cuidado com o outro.

Nas aulas de Psicomotricidade, os estudantes desenvolvem habilidades e competências como a ioga infantil, trabalhando a respiração e algumas ásanas (posições).

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Colégio Marista Pio XII


Os momentos de espiritualidade e reflexão dos valores maristas ocorrem tanto em sala de aula quanto na Capela do Colégio.

Observar e comparar elementos da natureza, a partir de novos olhares, onde o inusitado pode acontecer, proporciona novas descobertas.

LUDICIDADE

ADAPTAÇÃO

ESPIRITUALIDADE

A proposta pedagógica marista da Educação Infantil tem como base o brincar, oportunizando o protagonismo das crianças. Os estudantes vivenciam momentos em que é estimulada a imaginação, a criatividade, a socialização e a autonomia.

Por meio do diálogo e da escuta, são desenvolvidas atividades que contribuem para a criança se sentir confiante, facilitando o processo de adaptação à escola.

Colégio Marista Pio XII

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© Foto: Acervo do Colégio

Ponto de vista

As pessoas

Por Pedro Manfroi, coordenador pedagógico

“As pessoas já não acreditam nos fatos”. Essa manchete de uma reportagem jornalística chegou até mim pelas redes sociais. Logo, disparou um lampejo. É isso! Essa sentença reverberada por Noam Chomsky, um dos grandes intelectuais da atualidade, serve para sintetizar da mais simples à mais complexa atividade social: o ser humano pós-moderno não acredita mais nos fatos, nem nas relações duradouras, tampouco nas instituições. O tecido social tornou-se uma colcha de retalhos na instituição criada com o intuito de preservar o tradicional e clássico conhecimento humano: a escola. A escola do século 21 ainda é uma instituição em busca de identidade que precisa definir as sentenças: afinal, a escola é/ deve ser vanguardista ou tradicional? Analógica ou digital? Clássica ou pós-moderna? Florença ou Brasília? Quando produções acadêmicas, gestores, educadores, estudantes e famílias tiverem essa resposta em plenitude, teremos o alicerce para desenrolar uma educação mais ativa e conectada com os processos dos saberes sociais, que seja, ao mesmo, global e local, multifacetada e inteira, delineando as interfaces de um processo educativo mais significativo. Nosso principal desafio na contemporaneidade é instituir uma reflexão, tornando a escola um espaço menos veloz que a sociedade, porém interligado com

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Colégio Marista Pio XII

as questões da atualidade. Devemos propiciar ao estudante uma educação ativa, um espaço onde ele possa conhecer e praticar fórmulas e cálculos, mas utilizando como exemplo prático o funcionamento da declaração do imposto de renda; compreender o contexto histórico da Revolução Industrial, mas identificar na prática o que é e quais as relações de poder por trás da reforma trabalhista; calcular o movimento retilíneo uniforme, mas saber relacionar esse conhecimento com os elevados índices de acidentes de trânsito no País. E nossa oportunidade se materializa nesse tempo de mudanças a partir de propostas como a metodologia curricular da sequência didática e as metodologias ativas, que nos dão suporte para termos consciência de que estamos iniciando uma jornada pelo caminho certo, do diálogo, da democracia, do questionamento e da reflexão sobre a prática cotidiana. Nesses tempos de mudanças, em que fatos se fundem e se confundem com as fake news, um grande desafio da escola é promover uma educação pautada na autonomia e no protagonismo social. Com isso, o estudante se torna um cidadão crítico e atuante para multiplicar boas práticas na constituição de uma sociedade mais justa e plural.


© Foto: Acervo do Colégio

Ensino Fundamental

Iniciativas que estimulam a criatividade e protagonismo também incentivam o interesse pela leitura.

O mundo mágico da leitura

A cada página virada de um livro, viajamos por um mundo de sonhos e fantasia. É como uma espécie de realidade paralela repleta de descobertas, encantamento e aprendizagem. Nasce, assim, a cumplicidade entre o leitor e a obra, permeada pelo prazer que só a leitura é capaz de proporcionar. Além disso, ler com frequência leva à ampliação do vocabulário, ao aprimoramento da escrita e do raciocínio, e ao desenvolvimento da capacidade crítica e da imaginação. Sob essa perspectiva, a família e a escola são as principais incentivadoras da formação de leitores, por meio de diversas experiências diárias, que vão desde brincadeiras, músicas e contação de histórias, entre outras vivências, até atividades planejadas de acordo com a faixa etária das crianças e dos adolescentes. Outro fator primordial está nos ambientes pensados para a leitura, contribuindo com espaços de mediação, interação e suporte cultural.

INCENTIVO À FORMAÇÃO DE LEITORES A criança que tem contato com a leitura desde cedo se comunica, se desenvolve e aprende melhor. Por isso, nos Anos Iniciais do Marista Pio XII, os estudantes são incentivados a serem protagonistas, vivendo as obras literárias ao criar esquetes teatrais, curtas-metragens, circuitos literários, entre outras formas de explorar a leitura e compartilhar com a comunidade escolar as histórias dos títulos lidos. Nos Anos Finais, o hábito da leitura é aprofundado com duas leituras obrigatórias por trimestre, trabalhadas a

partir da motivação e da sensibilização dos estudantes sobre os temas socioculturais que envolvem as narrativas, os quais costumam estar relacionados às realidades e vivências comuns à faixa etária de cada turma. De acordo com a professora de Língua Portuguesa Caroline Soares, a partir dessa conexão estabelecida entre a obra e seus leitores, são realizados debates, análises teóricas e interpretações pessoais que dão origem a diversos trabalhos avaliativos. "Nosso principal objetivo é aguçar a leitura crítica e a criatividade. Além disso, há momentos dedicados exclusivamente aos livros e constantes trocas de dicas de leitura entre estudantes e professores”, exemplifica.

A partir dessa conexão estabelecida entre a obra e seus leitores, são realizados debates, análises teóricas e interpretações pessoais que dão origem a diversos trabalhos avaliativos. Colégio Marista Pio XII

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Caleidoscópio EF As saídas de estudos oportunizam vivências dos assuntos abordados em aula. No Centro de Educação Ambiental do Município de Ivoti, os estudantes do 1o ano EF aprenderam sobre alimentação e hábitos saudáveis.

NA PRÁTICA

© Fotos: Acervo do Colégio

2018

As assembleias são um dos momentos em que os estudantes são reconhecidos como sujeitos potentes e formadores de opinião, respeitando a individualidade de cada um.

A Atividade Extraclasse Supercérebro auxilia no desenvolvimento cognitivo e social por meio do soroban, de jogos de tabuleiro e manuais.

Os estudantes do 4o ano EF estão produzindo curtas-metragens sobre a história de um livro escolhido por eles. O resultado é partilhado com as famílias e estudantes do Colégio.

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Colégio Marista Pio XII


Os momentos de formação, conduzidos pela Pastoral Escolar, proporcionam ao estudante refletir sobre suas origens e seu papel no mundo.

Pelo terceiro ano, a equipe de Robótica Just 4 Fun representou o Colégio na etapa nacional da competição First Lego League (FLL).

ACOLHIDA

FORMAÇÃO

DESTAQUE

Anualmente, a Pastoral Juvenil Marista (PJM) promove o Despertando, evento que apresenta aos estudantes a partir do 6o ano EF o movimento juvenil do Colégio. Com o objetivo de acolher os novos estudantes, são escolhidos colegas para apadrinhar os calouros, apresentando o Colégio e auxiliando na integração com a turma.

Colégio Marista Pio XII

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Gente nossa

O melhor possível, sempre Aos nove anos de idade, Artur Guerreiro, estudante do Marista Pio XII, decidiu deixar o cabelo crescer por causa nobre: doar para fazer perucas para pessoas em tratamento contra o câncer. A decisão tomada em novembro de 2016 foi incentivada pelos seus pais e por uma amiga da família, chamada carinhosamente de tia Lucia. Hoje, aos 11 anos, ele revela que não foi fácil se acostumar com o cabelo crescendo, mas a motivação para seguir com a decisão veio ao descobrir que a diretora do Colégio, Katia Antoniolli, enfrentava um câncer. “Conheci ela ainda pequeno, quando iniciei na Educação Infantil. Ela é uma ótima amiga e uma diretora incrível. Foi com ela que aprendi a querer ajudar as pessoas, por isso segui firme na minha escolha”, revela o estudante. Ao retornar da licença saúde, Katia se deparou com essa atitude surpreendente do estudante. “Recebi inúmeras mensagens, orações e muita energia positiva da comunidade educativa, amigos e familiares. Confesso que sensibilizar uma criança para uma causa tão nobre, que exigiu esforço e persistência, me fez acredi-

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Colégio Marista Pio XII

tar ainda mais no poder das relações saudáveis, na troca de afetos e a inspirar os outros a fazer o bem”, declara a diretora do Marista Pio XII. A família de Artur é engajada em causas sociais e, há mais de 10 anos, participa do Instituto do Câncer Infantil (ICI) de Porto Alegre. “Sempre incentivamos o Artur a tomar atitudes por si só. Ensinamos a importância de ajudar o outro e que isso faz bem também para nós – até mais do que a ação em si”, relata a mãe, Evelise Schweitzer Guerreiro. O jovem estava buscando uma ação para assumir quando surgiu a ideia de deixar o cabelo crescer para fazer peruca para crianças em tratamento contra o câncer. Enquanto alguns amigos questionavam o estudante por sua decisão e aconselhavam a cortar o cabelo, outros se espelharam na sua boa ação. “Nesse tempo, três colegas meus fizeram festa de aniversário e pediram, em vez de presentes para si, produtos de limpeza e higiene pessoal para doar para um lar de idosos”, conta Artur, que é escoteiro e segue à risca o lema dos lobinhos, O melhor posível. Após mais de um ano deixando o cabelo crescer, em fevereiro de 2018,

Artur cortou quase 30 centímetros e doou para o ICI. “O cabelereiro disse que, pela quantidade, será possível fazer quatro perucas”, explica Evelise. Mesmo aliviado em voltar a ter o cabelo curto, a iniciativa do jovem não parou por aí. “Minha ideia é ficar um ano com ele curto e então deixar crescer por mais um ano. Tem outras pessoas que precisam, que perdem o cabelo por causa do tratamento contra o câncer. Esse é o meu jeito de ajudar”, declara.

Nesse tempo, três colegas meus fizeram festa de aniversário e pediram,em vez de presentes para si, produtos de limpeza e higiene pessoal para doar para um lar de idosos.

© Fotos: Acervo pessoal

Arthur no dia da doação de seu cabelo.


Consciência política e cidadania na prática O cenário político contemporâneo efervescente reforça ainda mais a necessidade de estarmos atentos às questões governamentais, bem como ao cuidado em pesquisar fontes confiáveis de informação. Política, democracia e direitos humanos são temas que devem ser debatidos na sala de aula, para que os jovens possam desenvolver a competência política, ou seja, a capacidade crítica, ética e reflexiva de pensar o mundo em que vivemos e sobre ele tecer proposições para o bem comum. Ao dar voz aos estudantes, a escola exerce o papel de mediar o debate e apresentar conceitos, fatos, argumentos e contextos sociais, culturais e históricos que contribuirão para o entendimento das políticas vigentes em nosso País. As instituições de ensino também devem proporcionar espaços em que os jovens sejam capazes de criar e propor projetos, respeitando a lógica da participação democrática e cidadã. Sob esse aspecto, a educação marista visa à formação de sujeitos éticos, com valores humanos e capacidade analítica, crítica e argumentativa. Esse aprendizado abrange tanto as noções de vida em comunidade e o cultivo do respeito recíproco quanto o exercício da autonomia, a prática da solidariedade e a mobilização de diferentes saberes.

VIVÊNCIAS AMPLIAM O OLHAR E A PARTICIPAÇÃO DOS JOVENS No Marista Pio XII, o jovem é visto como agente de mudança e protagonista na construção de seu aprendizado. A proposta pedagógica contempla várias práticas, tanto o embasamento teórico/acadêmico como trabalhos, vivências e saídas de estudos. Com isso, o estudan-

te desenvolve habilidades e competências acadêmicas, políticas, éticas, estéticas e tecnológicas. Debates a partir de leituras de textos com pontos de vista diferentes, análises de fontes históricas, estudos de produções culturais, palestras, filmes, documentários, produções como manifestos, folders e camisetas são alguns exemplos de práticas pedagógicas voltadas à construção do conhecimento autônomo, crítico e consciente. Para a professora de História Angélica Rios, em tempos de redes sociais, é um desafio ir além do senso comum e da polaridade ideológica que, muitas vezes, é geradora de alienação e violência. "É de extrema importância que os jovens compreendam os processos históricos que permitiram que a sociedade apresentasse as características atuais de cunho econômico, social, político e cultural”, ressalta.

Em tempos de redes sociais, é um grande desafio ir além do senso comum e da polaridade ideológica que, muitas vezes, é geradora de alienação e violência.

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© Foto: Acervo do Colégio

Ensino Médio


Caleidoscópio EM Os estudantes do terceirão de 2011 voltaram ao Colégio para reviver algumas histórias, abrir a Cápsula do Tempo e relembrar os planos e sonhos para suas vidas sete anos após o conclusão do Ensino Médio.

NA PRÁTICA

INTERCÂMBIO

ACONTECEU

O Intercâmbio Cultural Marista Brasil e Chile proporciona aos estudantes do Ensino Médio a vivência de uma nova cultura, a ampliação de conhecimentos e a prática da Língua Espanhola.

© Fotos: Acervo do Colégio

2018

Os estudantes do 5o ano EF ao 2o ano EM já iniciaram suas pesquisas para os projetos que serão apresentados em setembro na 11a Mostra de Projetos de Tecnologias e Ciências (PioTeC).

O estudante é convidado a ser protagonista das aulas de Educação Física, compartilhando com os colegas seus conhecimentos nos esportes, como lutas marciais.

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Colégio Marista Pio XII


Os estudantes Bernardo Appel, Guilherme Bier e Gabriel Trzaskos desenvolveram um aplicativo para celular chamado Médico de Bolso. O projeto foi apresentado na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), em São Paulo.

O Ciclo de Palestras para Pais, promovido pelo Colégio, contou com a presença do médico André Palmini, que abordou o tema A fascinante jornada da aprendizagem: como o cérebro se transforma.

FORMAÇÃO

DESTAQUE

Anualmente, o Encontro de Grêmios Estudantis reúne os jovens envolvidos na gestão da representação estudantil escolar para momentos de formação e troca de experiências.

As férias escolares foram de muito trabalho para a equipe de Robótica do Colégio, a Under Control, que se dedicou à construção de um robô para participar da First Robotics Competition, nos Estados Unidos.

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Diz aí

?

Diante de tantos acontecimentos mundiais de violência e de intolerância, convidamos os estudantes a sair do âmbito subjetivo e contar, de forma prática, como eles promovem a paz © Fotos: Acervo do Colégio

Como você promove a paz no dia a dia

CAROLINA FERREIRA LAUENSTEIN 5o ano EF

VALENTINA DOS SANTOS M. NUNES 5o ano EF

LORENZO TOMAZINI 5o ano EF

“Para promover a paz, eu sempre vou feliz para a aula e, quando vejo alguém triste ou alguém brigando, tento ajudar. Tento sempre estar de bem com todos e todas, principalmente com os professores.”

“Respeitando os colegas, os familiares, os professores e os amigos. Não brigando, não batendo e nem gritando – mas, sim, conversando. Eu promovo a paz ajudando as pessoas e fazendo o bem.”

“Eu não sou de me meter em briga, então quando vejo uma, tento separar e digo para conversarem. Se as pessoas entendessem que não precisam brigar, que elas têm que dialogar porque se não os dois saem perdendo, já ajudaria bastante a termos mais paz no mundo.”

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Colégio Marista Pio XII


1... 2... click!

Em foco

A partir do tema Seu olhar sobre a escola, estudantes registraram, por meio da fotografia, a própria percepção sobre o cotidiano escolar

“O meu lugar preferido é esse canto do Pátio, de onde dá para ver o pôr-do-sol.”

MARINA YUKA FUJITA 1o ano EF “Um dos meus brinquedos preferidos da Brinquedoteca é o Lego, porque a gente pode fazer várias montagens.”

JOÃO NETO Nível 3

“Gosto muito da colina de grama que tem no Pátio do Colégio. Eu corro para lá e para cá...”

CAIO LUCENA RÜCKER 1o ano EF

“Gosto muito das aulas de Inglês porque a gente aprende muitas coisas novas, a falar outra língua.”

BRUNO HELDT MODEL 2o ano EF

“No Pátio, tem árvores bonitas como essa e também tem muitas flores.”

GUILHERME CARNEIRO DIEL 1o ano EF

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Construir conhecimentos

Fique por dentro Conheça iniciativas que destacam a formação integral marista

INOVAÇÃO A equipe de Robótica Educacional Under Control segue fazendo história como um dos principais times brasileiros e do mundo. Eles venceram as etapas regionais de New York Tech Valley e da University of Northern Iowa na First Robotics Competition, garantindo uma vaga no campeonato mundial. Eles também conquistaram o prêmio Chairman’s Award, que reconhece a equipe como modelo para todas as outras, e o Gracious Professionalism Award, que contempla equipes expoentes em trabalho em grupo e cooperação.

IMPACTOS NA SOCIEDADE Com o objetivo de proporcionar momentos de carinho e afeto, cerca de 25 estudantes do Turno Integral Mais Pio XII levaram a alegria da Páscoa para os vovôs e vovós que vivem no Sinfonia Hotel Residência, localizado próximo ao Colégio. Juntos, eles celebraram o momento com músicas, brincadeiras e momentos de partilha entre as gerações.

TRADIÇÃO O Colégio Marista Pio XII é a marca mais lembrada pelos consumidores no quesito Instituição de Ensino, segundo o prêmio Marcas que Marcam, realizado pela Câmara de Dirigentes Lojistas de Novo Hamburgo (CDL-NH). A iniciativa busca reconhecer e premiar as empresas da cidade que tiveram destaque na lembrança dos consumidores hamburgueses. O evento ocorre a cada dois anos em parceria com a Universidade Feevale, que é responsável pela pesquisa.

O Ensino Médio passou por reformulações. O novo mobiliário e o layout reformulado das salas rompem com modelos conceituais e clássicos em busca da inovação por meio de interações. O processo pedagógico também passou por adequações, contemplando avaliações por área de conhecimento. As qualificações buscam a produtividade e o aproveitamento da aprendizagem em sala de aula.

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Colégio Marista Pio XII

© Fotos: Acervo do Colégio

FORMAÇÃO INTEGRAL


TODAS AS CRIANÇAS, ADOLESCENTES E JOVENS POSSUEM DIREITOS! Segundo a Organização Mundial da Saúde, aproximadamente 40 milhões de crianças sofrem algum tipo de violência a cada ano. Somos todos responsáveis por defender e garantir os direitos de crianças, adolescentes e jovens e mudar dados como esse. Em caso de qualquer suspeita de violência contra menores, denuncie imediatamente pelo Disque 100, ou para a Polícia (190). Você também pode procurar o Conselho Tutelar ou a Delegacia Especializada ou Comum.

redemarista.org.br


Olhar

Cérebro social:

um conjunto de

orquestras

Como a harmonia nos protege e os “ruídos mentais” nos fazem adoecer Por André Palmini *

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O cérebro humano tem milhares de circuitos que interconectam suas diversas estruturas e seus bilhões de neurônios. Cada circuito serve a alguma função. Ao longo dos séculos, o homem sempre esteve fascinado pelo modo como o cérebro funciona e regula nossas vidas, mas, nessas últimas décadas, temos testemunhado um avanço espetacular no entendimento desses circuitos cerebrais e suas funções. Hoje, conhecemos bem as estruturas e conexões cerebrais envolvidas em nossos movimentos, nossa linguagem, nossa tomada de decisões e nossas emoções. Embora ainda falte muito para que se entenda como cada “músico” (grupo de neurônios) e cada uma dessas “orquestras” (circuitos conectando grupos de

neurônios) produz a maravilhosa música do funcionamento humano, estamos muito mais perto de uma descoberta do que jamais estivemos. Na esteira desses descobrimentos, tem ficado claro que um conjunto muito importante de estruturas e circuitos está relacionado ao que se denomina “cérebro social”, ou seja, o arcabouço neural que organiza a identificação de sinais sociais, as iniciativas (comportamentos) de aproximação e afastamento entre os indivíduos, e as emoções que se associam às diversas nuances das relações sociais. Essas estruturas estão relacionadas com as nossas memórias, nossos medos, nossas dúvidas quando temos de decidir algo, bem como nossas sensações de dor e prazer.


Pessoas solitárias ou que vivem sob o estresse de inimizades ou relações sociais conturbadas, não resolvidas, que estão sempre sobressaltadas e imaginando que vão se sentir mal se encontrarem ou falarem com determinada pessoa, têm muito mais chances de desenvolver doenças graves.

© Foto: Divulgação

Nessa linha, uma fascinante descoberta é que várias experiências e comportamentos muito diferentes convergem na ativação de circuitos específicos do “cérebro social” ligados à dor e ao prazer, que sinalizam tristeza e alegria. Dito de outra forma: como sabemos muito bem, um grande número das experiências que vivenciamos pode nos deixar tristes ou alegres. O que se descobriu é que, independentemente da complexidade ou do tipo da vivência, provocar alegria vai sempre ativar um conjunto específico de estruturas (a “orquestra cerebral do prazer/ alegria”). O mesmo vale para a tristeza, o medo, a raiva e a excitação. Por exemplo, receber um elogio, ser tratado com justiça, ou receber um abraço ou um beijo de uma pessoa de quem se gosta ativa nossos circuitos de bem-estar e alegria. Por outro lado, estar sozinho, ser tratado de forma injusta, estar afastado das pessoas de quem gostamos, sentir-se rejeitado e tantas outras vivências negativas ativam os circuitos da tristeza. A partir dessas descobertas, as neurociências deram um passo adiante e têm demonstrado que a ativação frequente e sustentada de estruturas e circuitos cerebrais que sinalizam a tristeza associa-se a um aumento importante no risco de doenças graves, como câncer, infarto do miocárdio e doença de Alzheimer. Ao mesmo tempo, a ativação frequente de estruturas ligadas ao circuito da alegria e do bem-estar protege contra essas mesmas doenças! Mas por que isso acontece? Porque a modulação do cérebro sobre nosso sistema imunológico, nossa pressão arterial, e nossa produção de hormônios e de outras substâncias que podem proteger ou colocar em risco a saúde física mudam conforme a “orquestra” que toca no cérebro. Pessoas solitárias ou que vivem sob o estresse de inimizades ou relações sociais conturbadas, não resolvidas, que estão sempre sobressaltadas e imaginando que vão se sentir mal se encontrarem ou falarem com determinada pessoa, têm muito mais chances de desenvolver doenças graves. Assim, andando de mãos dadas com a neurociência e colocando o entendimento sobre como funciona nosso cérebro no centro da nossa vida, devemos continuamente buscar vivências que ativem os circuitos da alegria e do bem-estar, minimizando as experiências negativas. O fascinante é que não é preciso nada muito sofisticado para isso. Basta um “oi” dado com um sorriso, uma reconciliação, um elogio, uma gentileza, um abraço em quem se gosta. Pode parecer muito simples, mas o que estamos descobrindo é justamente que o cérebro é uma estrutura infinitamente complexa, porém continuamente modificada por experiências muito simples. Saber disso pode salvar nossas vidas!

André Palmini Professor de Neurologia na Escola de Medicina da PUCRS e chefe do Serviço de Neurologia do Hospital São Lucas da PUCRS. A cada edição, um especialista é convidado para partilhar sua visão sobre um determinado assunto. Você tem alguma sugestão de tema? Escreva para faleconosco@maristas.org.br e sugira!

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© Foto: Acervo do Colégio Marista Champagnat

Curiosidade

O estudante Santiago da Cunha com seu jogo para o ensino da Matemática.

Tecnologia aproxima estudo da diversão

Jogos e desafios que estimulem a criatividade e a pesquisa estão entre as propostas para utilizar melhor os recursos digitais no ensino

Por Helena Carnieri

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O uso da tecnologia no ensino não é mais uma dúvida, e sim uma realidade. O que tem mantido educadores e cientistas ocupados é a questão de como aplicá-la da melhor maneira. Psicólogos, neurocientistas, pedagogos e professores concordam que é urgente avançar na adaptação dos recursos digitais, que evoluem a cada dia, para as salas de aula. Desde 2013, essa é uma preocupação constante na proposta pedagógica do Colégio Marista Champagnat, em Porto Alegre (RS), onde o termo “educação 4.0” é frequente. A expressão está ligada à revolução tecnológica que inclui a Linguagem Computacional, a Inteligência Artifi-

cial, a Internet das Coisas e o Learning by doing que, traduzindo para o português, é aprender por meio da experimentação, projetos, vivências e mão na massa. “Desenvolver o pensamento crítico; abordar a solução de problemas; instigar e implementar a pesquisa e a investigação científica; e buscar desenvolver cada vez mais a iniciativa e o empreendedorismo” são as habilidades citadas como primordiais hoje pela coordenadora pedagógica do Marista Champagnat, Carla Janice Moraes. As atividades propostas que buscam atingir essas metas envolvem a robótica educacional, o uso de dispositivos móveis


destinados à pesquisa e à investigação, a utilização de softwares e a criação de aplicativos – tudo isso já é uma realidade para os estudantes desde o Ensino Fundamental. A opinião do estudante Santiago da Cunha, do 9o ano EF, revela o quanto o jovem está imerso nesse mundo. “Computadores são ótimos para automatizar tarefas previsíveis, deixando mais tempo para as coisas com que realmente deveríamos nos preocupar, como pensar em soluções inovadoras para otimizar o cotidiano”, disse em entrevista à Em Família. Alguns exemplos do uso da tecnologia citados por ele, que já vem estudando o tema a fundo, apesar da pouca idade, são o reconhecimento de imagens e o processamento de dados. Podemos citar, também, a previsão de fenômenos climáticos como os tornados, a descoberta de novos genes e a criação de remédios inovadores. Como sempre teve interesse em jogos, Santiago passou a pesquisar de que forma as mídias interativas podem auxiliar na educação. Seu jogo de estratégia para ensino de Matemática Tanks a Lot – um trocadilho com a expressão Thanks a Lot, 'muito obrigado' em Inglês – ganhou destaque em feiras científicas. Enquanto o tanque avança, o jogador deve responder a cálculos matemáticos. “Agora, estamos em uma missão para otimizar nosso ensino, porque as tecnologias podem, sim, ajudar. Um dos principais desafios da educação hoje é tentar encontrar um ponto de equilíbrio entre a diversão e os momentos de avaliação do aprendizado. E jogos são um ótimo exemplo disso, porque o jogador está aprendendo para um fim, divertindo-se enquanto estuda”, afirma ele. Essa empolgação envolve não só os estudantes, mas também os professores, que, embora não sejam nativos digitais, têm corrido atrás para aprender e inserir esses recursos em suas propostas de trabalho, tanto no planejamento curricular quanto nas

atividades por área de conhecimento. Quando a tecnologia é usada sem tabus, a criança se sente livre para usar a criatividade e aplicar os conhecimentos teóricos na prática. E isso tem acontecido. No Colégio Marista Ipanema, em Porto Alegre (RS), a certeza de que é preciso possibilitar ao estudante não apenas consumir, mas também criar e personalizar tecnologia levou à criação de um projeto que aplica o pensamento computacional (PC) já entre estudantes de 4o e 5o anos EF, com atividades semanais. Conforme o projeto conduzido pela coordenadora pedagógica do Colégio Marista Ipanema, Karin Flores, o desenvolvimento do PC será colocado em prática por meio de brincadeiras, jogos e materiais vinculados às habilidades e competências das quatro áreas do conhecimento, sempre propondo desafios aos estudantes.

APRENDER SEMPRE Iniciativas como as citadas anteriormente representam uma mudança de paradigma, de uma educação em que valia o saber enciclopédico para outra em que a aprendizagem é constante. De acordo com o coordenador de assuntos internacionais e interinstitucionais do Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul (InsCer/ PUCRS), Augusto Buchweitz, essa continuidade no aprendizado desenvolve a flexibilidade cognitiva do estudante, ou seja, a facilidade em aprender cada vez mais. Segundo ele, essa flexibilidade é “mais consequência da qualidade do estímulo e dos desafios cognitivos que a criança tem do que está ligada ao acesso a um tablet ou à internet”. Por outro lado, se essas mídias ajudam a criança a aprender uma segunda língua, “podemos falar que essa criança pode estar aprendendo a lidar com novidades mais facilmente”. Para os professores, fica a tarefa constante de propor atividades práticas que relacionem o ensino à realidade dos estudantes. E para os

pais, conforme Buchweitz, que também é professor de Humanidades da PUCRS, o principal alerta se refere à importância de interação da criança em casa, até mesmo para garantir a capacidade de aprender. Em primeiro lugar, a conversação desde cedo garante a apreensão de bom vocabulário, e isso é fundamental para aprender a ler e determinante para o desenvolvimento da capacidade intelectual da criança. “Constatou-se [em estudos] que as crianças expostas a pouca conversação e interação com os pais, a pouca leitura pelos pais ou cuidadores, não compensavam esta lacuna assistindo a uma televisão ou outra mídia. A palavra, a conversa e a leitura para a criança são, até agora, insubstituíveis.”

CONCENTRAÇÃO Em sala de aula, o professor Buchweitz lembra que a criança já tem mais dificuldade do que um adulto para prestar atenção, o que tem relação com a imaturidade da parte pré-frontal do cérebro, e portanto é preciso direcionar ainda mais a atividade, evitando distrações. Ele sugere, por exemplo, retirar o celular durante as aulas.

SUGESTÃO DE LEITURA Por que os alunos não gostam da escola - Respostas da ciência cognitiva para tornar a sala de aula atrativa e efetiva. Daniel Willingham Artmed, 2009.

O livro lembra o quanto aprender é difícil e que, na verdade, o nosso cérebro prefere fazer as mesmas atividades de um jeito mais fácil e com o qual se está habituado do que aprender habilidades novas. Isso serve para jovens e adultos também. Quantas vezes dizemos: “Eu sempre fiz assim, não vou mudar”? Aprender requer esforço!

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© Foto: Acervo do Colégio Marista Vettorello

Solidariedade

Saberes do povo

no universo marista A educação popular, associada à proposta pedagógica marista, proporciona um caminho para uma sociedade mais empática Por Michele Bravos

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Garantir uma educação emancipatória e mais relacional, que valoriza as comunidades e as famílias, é uma das premissas da educação popular, a qual, associada à proposta pedagógica marista, está presente nas Unidades Sociais da Rede. O coordenador de Pastoral Adriano Sauer, do Colégio Marista Vetorello, em Porto Alegre (RS), lembra que a essência marista está em uma educação para crianças e jovens menos favorecidos e, por isso, em suas raízes, ela traz valores emancipatórios e de comunidade. “O que uma educação baseada nesses pilares proporciona não é apenas uma transformação de ser humano, mas também uma mudança social. O entorno da escola e da vida desses sujeitos é alterado”, diz Sauer. É em uma construção coletiva que resgatar a dignidade por meio da educação se faz possível. Segundo Sauer, “o ‘outro’ também é visto como um espaço de aprendizagem. “O ‘outro’ é aquele que agrega potencial àquilo que faço, e eu também agrego a ele”, explica. Para o coordenador, promover esse ambiente de cooperação e busca coletiva por independência por meio do conhecimento resultará, a médio e longo prazo, em uma sociedade mais solidária. “Creio que, assim, as pessoas poderão ser mais empáticas, menos fundamentalistas, menos rancorosas. Vivemos só um monólogo de imposições. Precisamos de diálogo”, alerta ele.

EDUCAÇÃO POPULAR O termo “educação popular” tem sua origem com Paulo Freire, pedagogo brasileiro que revolucionou a educação, com reconhecimento nacional e internacional. Para Simone Santos, supervisora pedagógica da Gerência Social das Unidades Sociais Maristas, “a educação po-


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QUANDO SINTO QUE JÁ SEI

O que uma educação baseada nesses pilares proporciona não é apenas uma transformação de ser humano, mas também uma mudança social. Adriano Sauer, coordenador de Pastoral pular está diretamente relacionada a processos emancipatórios e em uma educação pautada no saber e na experiência do povo”. “O cerne da educação popular é a utilização dos saberes populares como matéria-prima para o ensino, proporcionando a independência”, afirma. As Unidades Sociais Maristas estão localizadas em comunidades em situação de vulnerabilidade, o que as impulsiona a considerar e valorizar as experiências e os aprendizados prévios dessas populações. “Utilizamos dessa prerrogativa para auxiliar no processo de construção do conhecimento”, diz Simone. Essa inserção envolve conhecer a fundo a realidade para que os estu-

“No primeiro dia de aula em Ouro Preto, fui levar a minha filha de 7 anos à escola. Teve a aula inaugural e a diretora fez um discurso: “Bem-vindos! As crianças são como uma página em branco onde devemos escrever um belo livro.” Se uma diretora de escola considera uma criança de 7 anos uma página em branco, ela não entende nada de criança”. Esta fala é de Tião Rocha, educador e idealizador do Centro Popular de Cultura e Desenvolvimento, e é ela que abre o filme Quando Sinto que Já Sei. Uma educação que ignora os saberes prévios de seus estudantes e apenas se ocupa dos ensinamentos de um ensino formal não os leva à emancipação, mas, sim, a um adestramento. É isso que esse filme, assinado por Antonio Sagrado, Raul Perez e Anderson Lima, questiona. Afinal, o objetivo da escola é desenvolver as pessoas para torná-las robôs ou seres humanos críticos?

dantes possam ter reais oportunidades de resgatar sua dignidade e sua cidadania por meio da educação. “Potencializando a participação do sujeito nos processos educacionais, esperamos que ele possa ampliar horizontes e buscar o resgate dos seus próprios direitos”, afirma Sauer.

NUNCA É TARDE As origens da educação popular também estão bastante relacionadas à alfabetização de adultos, uma vez que todo o aprendizado construído durante uma vida – por meio da educação formal, das vivências pessoais, das relações estabelecidas – deve ser levado em consideração. No Colégio Marista Vettorello, são 584 estudantes com faixa etária que varia de 16 a 65 anos, matriculados na modalidade de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Ao ingressa-

rem na unidade, a primeira pergunta a que precisam responder é: por que você está voltando a estudar? Segundo Sauer, 90% dessas pessoas respondem “porque eu quero mudar de vida”. Ele explica que experiências de vida são extremamente positivas para o aprendizado, mas é preciso saber articulá-las para que não se tornem limitadoras. Por isso, os educadores trabalham com esses estudantes a ideia de que mudar de vida, como eles mesmos dizem querer, exige também mudar alguns posicionamentos, para que as escolhas de vida sejam diferentes. Sauer explica que a unidade trabalha com a prerrogativa de que se vai à escola porque se quer mudar – e mudar para melhor. Assim, ele assinala: “Melhorar de vida só se faz possível na coletividade, que é muito mais interessante do que a individualidade”.

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Como fazer

Paz: substantivo

de atos

concretos Autoconhecimento e compreensão das emoções, diálogo e mediação de conflitos estão entre os investimentos práticos que reduzem a violência nas escolas Por Helena Carnieri

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Em um momento em que a crise da violência no País é tamanha, surge o questionamento: é possível ensinar a cultura da paz? A pedagogia marista compreende que a educação deve garantir o desenvolvimento dos estudantes em todas as suas dimensões, tanto intelectual e física quanto social, cultural e emocional. Pensando nisso, com o objetivo de fornecer aos estudantes um meio de lidar com emoções ainda em processo de descoberta, o Colégio Marista Rosário, de Porto Alegre (RS), vem investindo no ensino da meditação. O projeto Educação para a Paz, iniciado em 2017 pelo professor de Educação Física André Pessin com estudantes do 8o ano EF, busca, em primeiro lugar, aumentar a percepção do jovem para o que está sentindo, sem julgar se aquilo é bom ou ruim. “Só se consegue lidar com as emoções a partir do momento em que se aceita que se está ansioso ou com raiva, por exemplo”, explica Pessin. Questões como agressividade, impulsividade e atenção a si mesmo e ao outro entram nos debates realizados paralelamente às práticas de meditação. “Depois que se começa a controlar melhor as emoções, é possível perdoar mais a si mesmo e ser mais compassivo com os outros. Se eu vejo que posso meter os pés pelas mãos e depois melhorar, quer dizer que o outro também pode pisar na bola em um dia tumultuado.” Na opinião de Pessin, essa é uma forma de transmitir a paz sem precisar falar especificamente dela, ou seja, por meio de uma atitude concreta. Outras ações são realizadas pela Rede Marista, envolvendo também a campanha da fraternidade 2018, cujo tema é Superação da Violência. O Centro Social Marista da Juventude (CMJU), que trabalha com comunidades em situação de vulnerabilidade social, convidou o advogado Pedro Weyne, da Associação do Voluntariado e da Solidariedade, para levar aos jovens noções de direitos humanos e cidadania, tema que será abordado também com os pais.


MEDIAÇÃO

© Foto: Acervo do Colégio Marista Rosário

A mediação de conflitos é uma especialidade em que o fundador do Instituto de Mediação e Arbitragem do Brasil, Angelo Volpi Neto, vem investindo nos últimos 25 anos. Nesse período, ele lamenta que o conceito não tenha chegado às escolas – com raras exceções –, mas festeja que o ensino da inteligência emocional esteja em alta. “Ela já inclui boa parte das técnicas de resolução de conflitos, como empatia, capacidade de superar dissabores e conversar para resolver”, lista. Para um resultado realmente eficaz, esse trabalho precisa começar bem cedo. É a opinião da da orientadora educacional da Educação Infantil do Colégio Marista Aparecida, Michele Zanatta. Ela conta que, desde a infância, vem trabalhando com os estudantes a identificação, a compreensão e a melhor forma de lidar com os sentimentos. “As professoras

desenvolvem atividades que colocam as crianças em situações de desacomodação frente ao desconhecido, ao outro e às diferenças, para que elas possam refletir sobre estas questões.” Alguns exemplos práticos do que vem sendo realizado são a Hora do Conto, conversas no início da aula, reflexões e dinâmicas em parceria com a Pastoral Escolar e o Serviço de Orientação Escolar (SOE), bem como o envolvimento dos estudante em ações planejadas para desenvolver as habilidades emocionais, o autocontrole e a resolução de conflitos. Tudo isso é não só necessário como urgente, visto que, para a orientadora educacional da Educação Infantil do Marista Santa Maria, Janaína Dornelles, a escola enfrenta os reflexos de uma sociedade individualista e egocêntrica, em que prevalecem interesses e desejos individuais. “Precisamos encontrar meios eficazes, criativos e de ações urgentes para constituir espaços de diálogos, formando pessoas autônomas e íntegras”, propõe. “A criança precisa participar de um ambiente escolar cuja organização e dinâmica possibilite fazer escolhas, expressar sentimentos, emoções, ter responsabilidade e interagir com seus pares de forma saudável.” No Marista Assunção, são exibidos curta-metragens capazes de iniciar uma discussão em grupo, assim como são usadas histórias e músicas infantis que reflitam situações do cotidiano e contribuam para o autoconhecimento. "Na medida em que eu reconheço que causei no outro um sentimento que também causa desconforto em mim, eu consigo internalizar a cultura da paz, pois compreendo que meu lugar no mundo é importante e reverbera no meu semelhante", explica a orientadora educacional do Colégio, Gisele Almeida.

CULTURA Estudantes do 8o ano EF do Colégio Marista Rosário praticam meditação.

Um excelente veículo para o conhecimento do outro e aceitação das diferenças vem da leitura, na opinião

© Foto: Divulgação

Outras ações do CMJU que têm tido bons resultados são o investimento no futebol e outros esportes como meio de estimular o espírito de cooperação e a autoestima. “É uma forma de colaborar para o projeto de vida deles, bem como conscientizar em relação à plena cidadania”, explica a coordenadora pedagógica Ruth Dreyer. Ainda entre jovens do CMJU, adolescentes de 12 a 14 anos debatem todo mês situações de violência que encontram no dia a dia, como drogadição, bullying, preconceito e desigualdade social. O nome do grupo diz tudo: Corações Conectados.

LEITURA RECOMENDADA Diversidade e Cultura da Paz na Escola – Contribuições da Perspectiva Sociocultural, de Ângela Maria Cristina Uchoa de Abreu Branco e Maria Cláudia Santos Lopes de Oiveira (org.). Porto Alegre: Mediação, 2012. Essa obra destina-se aos educadores inquietos e comprometidos com a promoção da inclusão social, com a garantia dos direitos humanos e com o desenvolvimento de valores ético-morais, pilares de uma cultura de respeito à diversidade e de cultura da paz nas escolas e na sociedade. A obra contempla temas sobre preconceito e discriminação, sobre questões de gênero e sexualidade, de atendimento educacional a adolescentes em conflito com a lei, de bullying etc. Entre outras questões importantes, também salienta a importância do desenvolvimento de uma cultura da paz nas escolas.

do diretor do Instituto de Cultura da PUCRS, Ricardo Barberena. Quando somos projetados para outra realidade, saímos um pouco do nosso individualismo. "As artes podem ser um caminho para despertar a empatia e a alteridade em tempos coléricos e ególatras, pois a atividade cultural potencializa um maior repertório de experimentações do mundo", defende. Um exemplo que ele traz são os livros de Conceição Evaristo, mineira, negra, de 71 anos. "Sofremos as dores de personagens à margem e experimentamos uma realidade social diferenciada."

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OVERCOOKED Este jogo cooperativo desafia até quatro jogadores a atuarem simultaneamente como chefs gourmet. Assim, é possível se divertir e aprender em família e com os amigos. Está disponível para as plataformas PS4, Xbox One e Nintendo Switch.

© Imagens: Divulgação

Nesta edição, apresentamos dicas de livros, jogos e documentários sugeridos pela supervisora de Tecnologias Educacionais dos Colégios Maristas, Debora Conforto

TINYCARDS tinycards.duolingo.com

TINKERCAD tinkercad.com Com interface colorida e amigável, esse app disponibiliza inúmeros recursos para a prototipação em 3D. Os usuários podem construir gradualmente, bloco a bloco, desde formas mais simples até figuras mais complexas ou detalhadas.

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Aplicativo educacional da equipe de desenvolvedores do Duolingo, que utiliza técnicas inteligentes para dar suporte à aprendizagem em diferentes áreas do conhecimento. Aprenda por meio de cartas criadas por outros, ou construa seu próprio baralho para estudar e compartilhar com colegas.


OLHAR TOCAR OUVIR (OTO) Aplicativo desenvolvido para ajudar crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na aprendizagem do alfabeto de forma bem interativa e simples, com associações de imagens e sons.

MESTRE DA MATEMÁTICA Neste aplicativo, as crianças são desafiadas a resolver desafios que envolvem operações básicas, frações, raiz quadrada, potência, resolução de equações e logaritmos. Trata-se de um app simples e divertido para impulsionar o aprendizado matemático.

INEVITÁVEL – AS 12 FORÇAS TECNOLÓGICAS QUE MUDARÃO O NOSSO MUNDO [Kevin Kelly - HSM Editora] O autor problematiza as 12 forças tecnológicas que revolucionaram configurações espaçotemporais e condicionaram alterações radicais nos âmbitos sociocultural, econômico e laboral. Ao refletir sobre o presente e delinear os próximos trinta anos da história da humanidade, pais interessados em futurismo são convidados à leitura deste best-seller.

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Essência

LINGUAGEM:

A capacidade de comunicação altamente desenvolvida é algo inato ao ser humano e nos define enquanto espécie biológica. Desde muito pequenos, acostumamo-nos a utilizá-la de forma rebuscada, para os mais diversos propósitos. É por meio da expressão linguística, em suas mais diversas manifestações, que tentamos fazer com que o mundo nos compreenda e tentamos compreender o mundo, em uma relação dialética que nos torna seres plenamente sociais, no sentido mais amplo do termo. Dessa forma, a existência de uma matriz curricular que compreende a linguagem como uma grande área de conhecimento em que diferentes componentes curriculares convergem é a forma que a escola encontra de perspectivar algo que está no Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948: “Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras”. No entanto, como transformar o discurso de liberdade de expressão em forma de ações práticas no dia a dia da sala de aula? Por definição, toda e qualquer expressão (em qualquer componente curricular)

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é, em última análise, uma manifestação da linguagem. No entanto, o papel fundamental de fomentar a liberdade de expressão linguística é, acima de tudo, uma prerrogativa da área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias. Dessa forma, os conhecimentos trabalhados não podem ser tratados apenas como algo a ser adquirido passivamente; eles devem ser compreendidos e apresentados como pontos de partida motivadores à expressividade. É necessário que a criação por meio da linguagem seja fomentada de forma prática e direta no ambiente de sala de aula. Também é de fundamental importância que essas criações sejam partilhadas entre os próprios estudantes, para que as noções de autoria e individualidade subjetiva sejam desenvolvidas: por meio da consciência de que a expressividade é algo por natureza individual e pessoal, aprende-se a dar legitimidade ao outro e a respeitá-lo, na medida em que o sujeito autônomo, pensante e criativo emerge da expressividade linguística. Portanto, é dever fundamental que a área de Linguagens execute o papel de estimular a expressão individual e também de compartilhá-la amplamente no ambiente escolar. Só assim ela estará cumprindo e dando legitimidade ao papel último e fundamental da linguagem: a comunicação por meio da expressividade.

Os conhecimentos trabalhados não podem ser tratados apenas como algo a ser adquirido passivamente; eles devem ser compreendidos e apresentados como pontos de partida motivadores à expressividade.

Cristiano Fretta Mestre em Literatura Brasileira pela UFRGS, escritor e professor do Colégio Marista Champagnat

© Foto: Acervo do Colégio

um convite à expressividade


Diversão

O quanto você conhece do Brasil e do mundo? Que tal reunir um grupo de amigas e amigos para descobrirem juntos as respostas? Vamos começar? Por Helena Carnieri e Michele Bravos

1. QUAL É A MATRIZ ENERGÉTICA DO QUÊNIA? A. Carvão Mineral B. Petróleo C. Fontes Renováveis

6. PAULO FREIRE... A. é um imortal da Academia Brasileira de Letras. B. inovou na área da saúde no Brasil. C. é um célebre educador brasileiro.

2. QUANDO OCORREU O RETORNO À DEMOCRACIA NO BRASIL? A. 1985 B. 1988 C. 1992

7. QUAIS PAÍSES DA AMÉRICA DO SUL JÁ ESTIVERAM SOB À PRESIDÊNCIA DE UMA MULHER? A. Argentina, Brasil e Uruguai B. Argentina, Brasil e Chile C. Brasil, Chile e Equador

3. QUAL DESSAS JOVENS ESCRITORAS GANHOU UM IMPORTANTE PRÊMIO DA LITERATURA BRASILEIRA COM APENAS 19 ANOS? A. Eliane Brum B. Luisa Geisler C. Martha Medeiros

8. QUE ANIMAL REPRESENTA O MAIOR PRÊMIO BRASILEIRO DE LITERATURA? A. Jabuti B. Candango C. Urso

4. QUANDO FOI A PRIMEIRA INDICAÇÃO DO BRASIL AO OSCAR? A. 1960, por Orfeu do Carnaval B. 1945, pela música Rio de Janeiro C. 1996, por O Quatrilho

9. O QUE PORTUGAL, LETÔNIA E REPÚBLICA CHECA TÊM EM COMUM? A. Fazem parte da mesma península B. Pertencem ao Espaço Schengen C. Permitem a entrada livre a brasileiros

5. QUANDO O ETANOL COMEÇOU A SER USADO COMO COMBUSTÍVEL NO BRASIL? A. Anos 1920 a 1930 B. Anos 1950 a 1960 C. Anos 1980 a 1990

10. QUAL PAÍS POSSUI O MAIOR LITORAL DO MUNDO? A. Brasil B. EUA C. Canadá

CONFIRA AS RESPOSTAS NO VERSO

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Diversão

RESPOSTAS Resposta: C O Quênia é vanguardista em seu continente em termos de produção de energia. Ao contrário da maior parte dos países africanos, onde a indústria energética é movida por água, petróleo ou gás natural, o Quênia tem conseguido gerar energia por meio de centrais geotérmicas (o calor do interior da Terra). Resposta: B Após um longo período ditatorial, o Brasil retomou a democracia em 1988, com a promulgação da atual Constituição Federal. Resposta: B As três escritoras listadas são premissas e renomadas no Brasil. Por coincidência, são todas gaúchas também. No entanto, é Luisa Geisler, de 27 anos, quem representa a nova geração de escritoras contemporâneas promissoras, tendo ganhado um importante prêmio com apenas 19 anos. Resposta: B A composição de Ary Barroso disputou a estatueta de melhor canção original pelo filme norte-americano Brazil. Resposta: A Apesar de o boom desse combustível ter se dado com a crise do petróleo nos anos 1970, as primeiras iniciativas práticas ocorreram já no início do século.

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Resposta: C Paulo Freire foi um revolucionário da educação. Ele inovou com uma pedagogia que promove a autonomia e a autoemancipação, sendo reconhecido mundialmente. Resposta: B Estes países da América do Sul ao elegerem uma mulher para presidência foram internacionalmente reconhecidos pela busca por uma política mais equânime. Atualmente, apenas o Chile ainda possui uma presidente mulher, Michelle Bachelet. Resposta: A O animal foi escolhido em 1959, na criação do Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro, em um momento de resgate das raízes nacionais. Resposta: B e C são corretas Os três países europeus integram a lista de 26 países europeus que aboliram o controle de fronteira e permitem a entrada de brasileiros sem visto por período de três meses. Resposta: C O Canadá possui 202 mil km de litoral! O Brasil possui 7.491 km, sendo o 16o maior do mundo.


NÃO BASTA SONHAR COM UM FUTURO MELHOR, É PRECISO CONSTRUÍ-LO. E, PARA ISSO, ALÉM DE EDUCAR BEM, NÓS EDUCAMOS PARA O BEM. ESSE É O NOSSO COMPROMISSO. É O QUE FAZ A DIFERENÇA.


Colégio Marista Pio XII  

Revista Em Família | 14ªEd

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