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10a edição | 1o Semestre 2016

A corrupção de cada dia

Para exterminar esse problema, é preciso transformações de caráter. Você está disposto a mudar esse cenário?


VAMOS JUNTOS CULTIVAR

NOVAS HISTÓRIAS A FTD Educação apresenta um projeto pensado para envolver escolas, professores e famílias na grande aventura de cultivar novos leitores.

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Às vésperas de completar 200 anos de presença mundial e há mais de 110 anos presente no Rio Grande do Sul, a atuação dos Colégios e das Unidades Sociais da Rede Marista se dá,

Presidente da Rede Marista Ir. Inácio Nestor Etges

atualmente, em 13 cidades gaúchas e em Brasília. São 26 Colégios e nove Centros Sociais, que atendem, diariamente, mais de 20 mil crianças, jovens e adultos.

Vice-Presidente da Rede Marista Ir. Deivis Fischer

COLÉGIOS Colégio Marista Aparecida colegiomarista.org.br/aparecida | 54 3449 2600

Colégio Marista São Luís colegiomarista.org.br/saoluis | 51 3713 8500

COLÉGIOS E UNIDADES SOCIAIS

Colégio Marista Assunção colegiomarista.org.br/assuncao | 51 3086 2100

Colégio Marista São Marcelino Champagnat colegiomarista.org.br/ejachampagnat | 51 3584 8000

Superintendente Executivo Rogério Anele

Colégio Marista Champagnat colegiomarista.org.br/champagnat | 51 3320 6200

Colégio Marista São Pedro colegiomarista.org.br/saopedro | 51 3290 8500

Coordenador Jurídico Elder Filippe

Colégio Marista Conceição colegiomarista.org.br/conceicao | 54 3316 2700

Colégio Marista Vettorello colegiomarista.org.br/ejavettorello | 51 3086 2100

Coordenador de Comunicação e Marketing Tiago Rigo

Colégio Marista Graças colegiomarista.org.br/gracas | 51 3492 5500

Escola Marista Santa Marta colegiomarista.org.br/santamarta | 55 3211 5200

Gerente Educacional Ir. Manuir Mentges Gerente Social Ir. Luciano Barrachini Supervisão Editorial Katiana Ribeiro, Sendi Spiazzi e Reinaldo Fontes Conselho Editorial Luciano Centenaro, Patricia Saldanha e Simone Martins da Silva

Colégio Marista Ipanema colegiomarista.org.br/ipanema | 51 3086 2200 Colégio Marista Irmão Jaime Biazus colegiomarista.org.br/jaimebiazus | 51 3086 2300 Colégio Marista João Paulo II colegiomarista.org.br/joaopauloii | 61 3426 4600 Colégio Marista Maria Imaculada colegiomarista.org.br/imaculada | 54 3278 6100 Colégio Marista Medianeira colegiomarista.org.br/medianeira | 54 3520 2400 Colégio Marista Pio XII colegiomarista.org.br/pioxii | 51 3584 8000

Sede Marista R. Ir. José Otão, 11 - Bonfim - Porto Alegre/RS CEP: 90035-060 Tel.: 51 3314-0300 / 0800 541 1200

colegiomarista.org.br socialmarista.org.br

10a Edição | 1o Semestre 2016 PERIODICIDADE Semestral

Colégio Marista Roque colegiomarista.org.br/roque | 51 3724 8100 Colégio Marista Rosário colegiomarista.org.br/rosario | 51 3284 1200 Colégio Marista Sant’Ana colegiomarista.org.br/santana | 55 3412 4288 Colégio Marista Santa Maria colegiomarista.org.br/santamaria | 55 3220 6300

ESCOLAS DE EDUCAÇÃO INFANTIL Marista Aparecida das Águas Marista Menino Jesus Marista Renascer Marista Tia Jussara colegiomarista.org.br

CENTROS SOCIAIS Marista Aparecida das Águas Marista Boa Esperança Marista da Juventude Marista de Inclusão Digital (Cmid) Marista Ir. Antônio Bortolini Marista Mario Quintana Marista de Porto Alegre (Cesmar) Marista Santa Isabel Marista Santa Marta socialmarista.org.br

Colégio Marista Santo Ângelo colegiomarista.org.br/santoangelo | 55 3931 3000

POLO MARISTA

Colégio Marista São Francisco colegiomarista.org.br/saofrancisco | 53 3234 4100

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ERRATA Lançada no 2o semestre de 2011, a revista Em Família Marista estava em sua 9a edição na publicação anterior. REVISÃO Lumos Soluções Editoriais

EDIÇÃO

PROJETO GRÁFICO Estúdio Sem Dublê | semduble.com

Redação: Michele Bravos e Taysa Dias Edição de arte: Julyana Werneck

ILUSTRAÇÃO DA CAPA Julyana Werneck

Supervisão editorial: Maria Fernanda Rocha Envie comentários, críticas e sugestões sobre a revista para o e-mail faleconosco@maristas.org.br

© Todos os direitos reservados. Todas as opiniões são de responsabilidade dos respectivos autores.

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índice capa

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O problema macro da corrupção começa no universo das microatitudes, dos pequenos erros cometidos, consentidos ou omitidos, no dia a dia. Família e escola desempenham papel fundamental na formação do caráter de crianças e adolescentes, apontando para uma solução possível desse problema. 1a impressão

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O superintendente dos Colégios e Unidades Sociais, Rogério Anele, ressalta os desafios da educação na contemporaneidade diante da corrupção no País.

Dia a dia

Entrevista

Olhar

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O assunto é feminismo: como os pais devem lidar com esse tema com os filhos?

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Descubra o Sri Lanka pela perspectiva do do Irmão Canísio Willrich, que tem dedicado sua vida a missões no sudeste asiático.

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Curiosidade

Solidariedade

Como fazer

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Histórias de profissionais comprovam na prática o poder de um abraço para estimular a autoconfiança.

Um mundo novo descoberto pela prática do voluntariado internacional. Inspire-se com a história do chileno Christhofer Cabezas, que esteve como voluntário no Brasil este ano.

Ler não é só passar os olhos pelas palavras, mas significálas. Veja como o gosto pela leitura pode ser despertado e incentivado.

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Diversão

Essência

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Confira nesta edição as dicas de aprendizado das Línguas Espanhola e Inglesa.

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A especialista Fabrícia Borges fala sobre a superproteção na infância e como os pais podem controlar isso.

Aulas de culinária e fotografia são espaços de vazão para a curiosidade das crianças, contribuindo para que se desenvolvam em diversas áreas da vida.

O ex-aluno marista Matheus Giacomoni apresenta um projeto, fundado por jovens, e que visa à mudança das estruturas sociais.


m olhar sobre Unossas atitudes

ea

corrupção política Quase dois séculos já se passaram desde que São Marcelino Champagnat deu início ao seu grande legado: evangelizar crianças e jovens por meio da educação. O jeito marista de educar acompanhou as mudanças no tempo, sem perder a sua essência, porém os desafios e as responsabilidades são muito maiores atualmente. Portanto, é fundamental termos um olhar sensível e atento não somente para os contornos que a sociedade vem tomando, mas também para a nossa postura no dia a dia. Diante do cenário político que estamos vivendo, convidamos a família para refletir sobre corrupção e as pequenas atitudes diárias, cometidas em casa e na escola, que fomentam esse mal. Na reportagem de capa desta edição, A corrupção de cada dia, apresentamos dados estatísticos que mostram o quanto o brasileiro está preocupado com esse problema nacional, ao mesmo tempo que admite já ter praticado alguma ação corrupta. As pesquisas também traçam uma relação entre corrupção e falta de caráter, sugerindo que um olhar mais atento para a formação do caráter de nossos estudantes contribui para um país menos corrupto. Nesse sentido, nós entendemos a relevância de abordarmos esse tema e provocarmos pais e educadores a serem bons exemplos nessa jornada. Além disso, a família precisa ser questionadora para bem lidar com outras situações contemporâneas, como a crescente do movimento feminista. De acordo com especialistas, são as perguntas que podem levar ao diálogo aberto entre gerações. E esse é o caminho. Esse debate você acompanha na matéria Para filhos feministas, pais questionadores. Nesta edição, abordamos ainda a importância do abraço no desenvolvimento da autoconfiança de crianças e adolescentes, compartilhando histórias de profissionais que vivem isso na prática. E mais: uma entrevista com o Irmão Canísio Willrich, que realizou missão no Sri Lanka; os desafios da realização de um voluntariado internacional; o despertar para a leitura; entre outros. Essa diversidade de assuntos reforça o nosso compromisso com o desenvolvimento integral dos estudantes maristas, cujo protagonismo guiará os passos para construirmos uma sociedade mais justa e fraterna. Assim, damos continuidade ao sonho do nosso fundador, Champagnat, formando jovens cidadãos, solidários e éticos, comprometidos com o presente e o futuro.

É fundamental termos um olhar sensível e atento não somente para os contornos que a sociedade vem tomando, mas também para a nossa postura no dia a dia.

© Foto: Divulgação / Comunicação e Marketing

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Rogério Anele Superintendente dos Colégios e Unidades Sociais da Rede Marista

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dia a dia

© Foto: Acervo do Colégio

A empoderada Eduarda Peruzzo e o engajado Gabriel Sacchi, estudantes do Colégio Marista Champagnat, de Porto Alegre (RS).

Para filhos feministas, adultos questionadores Diante da popularização do movimento feminista, jovens precisam encontrar espaços de diálogo em casa e na escola, para que todos possam enfrentar os novos desafios Michele Bravos

Será que estou impedindo minha filha de fazer certas coisas só porque ela é mulher? Serão essas coisas as mesmas que eu incentivo meu filho a fazer só porque ele é homem? Para a psicóloga Marlene Strey, coordenadora do grupo de pesquisa de gênero da PUCRS, essas são perguntas que pais e mães devem se fazer constantemente, diante do atual cenário. Uma vez que acompanha muitos adolescentes, ela percebe que existe uma dificuldade por parte de pais e mães em relação aos novos tempos oriundos da luta feminista. "Parece que fica uma certa nostalgia de como eram as coisas em outras épocas". Ela também percebe que quanto mais rígidas tenham sido a educação e a inculcação de hábitos e ideias da pessoa, mais difícil é lidar com as novidades. "Por isso, afirmo que nos fazer perguntas consideradas 'embaraçosas' é o caminho adequado para melhorar os chamados 'conflitos de gerações'". Para aproximar os pais dessa realidade, a estudante Eduarda Peruzzo, 16 anos, do Colégio Marista Champagnat, de Porto Alegre (RS), passou a levar a temática para dentro de casa. "Meus pais têm desconstruído alguns pensamentos que eles tinham antes de eu trazer esse assunto para dentro de casa com mais frequência. Agora, eles são muito abertos a essas discussões e, frequentemente, debato com eles sobre assuntos que envolvem o feminismo". A psicóloga lembra que ter pontos de vista

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contrários, nesses casos, pode ser inevitável em qualquer família, mas o diálogo é a solução para enfrentar essas questões. "Conflitos não são necessariamente maus para os relacionamentos. Mas posições fechadas e a falta de diálogo, sim, são péssimos".

TORNANDO-SE FEMINISTA Ainda que muitos pais sejam resistentes em entender essa movimentação social envolvendo o feminismo, há aqueles que tomam a iniciativa de apresentar o assunto para os filhos. "Esses dias, uma universitária me contou que quando ela tinha 12 ou 13 anos, o pai começou a oferecer-lhe livros sobre feminismo para que ela pudesse ir abrindo seus horizontes. Ele trabalha com movimentos sociais e verifica os benefícios que essas transformações trazem às mulheres em termos de ultrapassar velhas tradições que as colocam como cidadãs de segunda categoria, ou seja, prejudicadas em seus direitos humanos", comenta Marlene. Os pais precisam ver o movimento para além de um ato de rebeldia, mas como um posicionamento em uma luta por direitos iguais. A estudante Eduarda percebe que cada vez mais as pessoas estão "entendendo que o feminismo não é formado por mulheres querendo rebaixar os homens, mas, sim, por mulheres indo atrás de direitos que lhes foram privados". Ela

© Ilustrações: Helyzandra Thais Schicora Gonçalves


VENCENDO O MACHISMO Na visão da psicóloga Marlene Strey, as mulheres ainda são vistas de forma objetificada pela sociedade. "Infelizmente, o que posso constatar é que, até hoje, as mulheres são consideradas objetos pertencentes aos homens. De certa maneira, a sociedade concorda com isso – inclusive muitas mulheres". Eduarda compartilha que possui amigas machistas e que tenta apresentar para elas novas formas de se posicionar na sociedade. "Divergimos em muitas coisas, obviamente. Mas desde que eu comecei a ler mais sobre feminismo, eu tento fazer com que elas desmanchem essas opiniões, mesmo sendo algo difícil por termos nascido e vivermos em uma sociedade machista". O estudante Gabriel Sacchi, 16 anos, também do 3o ano do Ensino Médio do Colégio Marista Champagnat, considera-se pró-feminista e percebe que o machismo está incrustado nas ações mais rotineiras. "O machismo pode aparecer de forma gradual e escondida, mas ele está lá. O que mais dói é ver que isso é, sobretudo, uma cultura. As pessoas são ensinadas dessa forma desde pequenas, não veem como um erro, pois é tratado como certo desde que elas se conhecem e conhecem o mundo". A psicóloga lembra que foram séculos de consolidação da ideia de que o destino da mulher é satisfazer o homem. "Isso se consolidou por meio de todos os aparatos que estão na base da sociedade". Ela afirma que os homens também precisam ser ensinados de uma forma diferente. "Se um homem aprender a respeitar uma mulher como um ser humano e não como uma posse sua, meio caminho estará andado".

Gabriel, que foi criado por “figuras femininas fortes”, como ele mesmo diz, partilha dessa ideia, sem ignorar a relevância da mulher na própria luta. "Acredito que os homens podem, sim, ter ideais feministas, caminhar sempre pela igualdade e pela luta pelos direitos da mulher. Porém, a protagonização do feminismo deve ser das mulheres, que sofrem extremamente e diretamente com o machismo e lidam com isso diariamente, em todas as situações".

O PAPEL DO COLÉGIO A psicóloga aponta que para que a desigualdade de direitos seja erradicada, é necessário um esforço conjunto da sociedade – incluindo a escola, além do núcleo familiar. Gabriel entende que a escola é a primeira instância social depois do núcleo familiar, que, em muitos casos, está rodeado de padrões e preconceitos. "É no Colégio que começamos a enxergar o mundo como multipolar e pluralizado em opiniões, características, condições econômicas e inúmeras outras diferenças. Portanto, trazer debates como esse é dar a oportunidade de criação de pessoas sensíveis, empáticas, críticas e compreensivas". Por esse motivo, no Marista Champagnat, além das discussões já previstas no currículo sobre os movimentos sociais, os debates sobre feminismo ganharam força durante a semana do Dia Internacional da Mulher (8 de março), após os próprios estudantes terem levantado a necessidade de se discutir mais sobre o tema. Durante uma semana, eles assistiram a filmes protagonizados por mulheres e a palestras. Eduarda e Gabriel estiveram diretamente envolvidos na proposta desse evento. "O objetivo não era criar um ‘exército feminista’, mas sensibilizar aos cenários de violência, abuso e intolerância contra a mulher", afirma Gabriel. Marlene lembra que o desejo de descobrir o mundo é próprio da gente jovem. "O contrário é que deve preocu-

par: alguém que se resigna e não combate por aquilo que quer". Ela ainda reitera que não existem limitações por alguém ser mulher. "Sabemos que as mulheres podem ser tão competentes quanto os homens, em qualquer situação, se houver oportunidades de desenvolverem suas capacidades humanas. Não existe uma forma ideal para cada sexo. Homens e mulheres são pessoas e as pessoas podem ter infinitas possibilidades de ser".

VALE ASSISTIR! Confira uma lista de filmes que abordam o empoderamento feminino e a mulher como autora e protagonista de sua vida.

PERSÉPOLIS • Animação que conta a história de uma menina iraniana que possui ideias muito liberais para a sua cultura, mas isso não a impede de expressar sua opinião para a família.

GIRL RISING • Documentário que explora a importância de meninas terem acesso à educação formal, por meio da história de nove personagens femininas ao redor do mundo.

LIVRE • Longa-metragem que mostra a perseverança de uma mulher em busca de si mesma, vencendo obstáculos que muitos diriam ser possível apenas para um homem.

AS SUFRAGISTAS • Filme inspirado em fatos reais que retrata a luta de mulheres por seus direitos e por dignidade na Inglaterra do final do século 19 e do início do século 20.

© Foto: Divulgação

ainda afirma que, para ela, "ser feminista é lutar pelos direitos da mulher, é adentrar em um movimento lindo que desenvolve esse sentimento de sororidade entre mulheres".

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corrupção de cada dia

capa

A

Qual a real diferença entre um político que participa de um esquema de roubo de milhões de reais e alguém que não devolve o troco que veio errado na cantina? Qual a diferença entre um deputado que apresenta uma falsa justificativa para o seu não comparecimento em uma sessão e alguém que que falsifica um documento para justificar a falta na aula. Resguardadas as devidas proporções, a corrupção está presente no dia a dia, revelando uma falha de caráter da sociedade. O combate a esse problema começa com crianças e jovens, por meio do incentivo e do exemplo de pais e professores. Michele Bravos

Diante da atual situação do Brasil, a população admite que a corrupção é o maior problema do País, segundo dados de uma pesquisa realizada pelo Datafolha e publicada em novembro de 2015. O estudo ainda revela que é a primeira vez que essa questão aparece como um problema nacional, deixando em segundo plano quesitos sabidamente delicados, como saúde, desemprego, educação e violência. Pensadores da atualidade sugerem que a corrupção vivida nas instâncias políticas em nada se difere da corrupção cometida diariamente, em pequena escala, inclusive nas escolas. Por isso, os ambientes familiar e escolar devem lançar um olhar atento sobre a corrupção, promovendo uma autoavaliação daqueles que compõem esses espaços. Para o professor Alex Guilherme, pesquisador do programa de Pós-Graduação em Educação da PUCRS, a educação de um indivíduo passa também pela formação de seu caráter. "O filósofo

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Martin Buber, seguindo a tradição alemã, dizia que a educação pode ser Erziehung, no sentido de ensinar o indivíduo a fazer algo; ou pode ser Bildung, no sentido de formação de caráter. Claro, uma forma não é dissociada da outra. Precisamos trabalhar para educar e formar o caráter das nossas crianças e dos nossos jovens". Dados de uma pesquisa realizada pelo Centro Universitário Carioca (Unicarioca) em outubro de 2015 denunciam que, ao serem questionados sobre cometer corrupção na escola, os estudantes não negam praticá-la. Os resultados mostram que, em um grupo de dez estudantes, sete já colaram em provas e seis já assinaram a lista de presença em nome do colega. Para ressaltar a importância do ambiente escolar e da figura do adulto nesse contexto, o professor Alex cita a filósofa Hannah Arendt, que concebeu a escola como uma ponte entre o mundo privado e o público. "Assim sendo, a escola é o lugar onde preparamos os cidadãos do amanhã, o que ocorre por meio do questionamento da nova geração e da resposta da antiga". Isso leva a uma reflexão de que pais e professores não devem ser coniventes diante de crianças e jovens que apresentam atitudes corruptas.

SEGUINDO EXEMPLOS Um estudo realizado pela Universidade de Nottingham, no Reino Unido, cruzou dados relacionados à corrupção com um índice sobre as chances de a população quebrar regras. A pesquisa, intitulada Honestidade intrínseca e a prevalência da quebra de regras entre sociedades, analisou 23 países e revelou que há, sim, relação entre corrupção cometida em níveis institucionais e a infração de regras no dia a dia. É a clássica história de que a sociedade se move por exemplos. De acordo com a pesquisa, ética é algo transmitido por pessoas próximas, como pais e amigos, ou por pessoas que possuem algum destaque, como líderes e famosos. Dessa forma, se essas pessoas falham no caráter e são corruptas, mas o sistema não as confronta, o restante da população entende que quebrar regras não é tão ruim assim, dando margem para um desencadeamento de atitudes corruptas em todas as esferas sociais. Alex lembra que não nascemos sabendo, logo "o indivíduo se torna virtuoso pela tentativa, pelo acerto e o erro". "Assim, um indivíduo honesto pode servir de exemplo para os mais jovens, da mesma forma que a comunidade como um todo deve nos orientar quando fazemos algo errado".

DIANA BADO 2o ano EM Marista Maria Imaculada, de Canela (RS)

Por que combater a corrupção? O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime possui um forte trabalho no combate à corrupção, por meio do monitoramento dos países, do desenvolvimento de campanhas que neguem esse comportamento e da formulação de livros e documentos que discutam o assunto. Em um de seus materiais, o órgão apresenta os benefícios para uma nação que controla a corrupção:

• Facilita o DESENVOLVIMENTO econômico e social.

Grandes e pequenas empresas conseguem sobreviver mais facilmente quando se elimina o imposto artificial da corrupção.

• Aumenta o INVESTIMENTO nacional e estrangeiro. Todos estão mais dispostos a investir em um país onde os fundos não vão parar nos bolsos de funcionários corruptos.

• Fortalece a DEMOCRACIA. Os países que combatem a corrupção têm mais legitimidade, o que gera estabilidade e confiança.

• Cria um ESTADO DE DIREITO. • Os cidadãos e os empresários ganham confiança

nas instituições do país para RESOLVER CONFLITOS de maneira justa e honesta, com legitimidade e proteção aos Direitos Humanos.

• Reduz o impacto do CRIME ORGANIZADO, das

DROGAS ILÍCITAS, do TRÁFICO DE SERES HUMANOS e do TERRORISMO.

Confira o material na íntegra: goo.gl/cgDQCI

"O egoísmo e a falta de caráter e de empatia fazem com que cometamos pequenos crimes em nosso dia a dia. Não podemos esquecer que atitudes como não devolver o troco a mais recebido, priorizar prazeres em benefícios próprios, sem pensar no próximo, e furar filas são os primeiros passos para que também sejamos desvirtuados. A corrupção, antes de estar na sociedade, começa dentro de nós mesmos.”

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capa ADMITINDO O ERRO De acordo com estatísticas publicadas no começo deste ano pelo Instituto Data Popular, 70% dos entrevistados admitem já terem cometidos atitudes corruptas no dia a dia, porém apenas 3% se consideram corruptos. O Instituto entrevistou 3,5 mil pessoas, em 146 cidades brasileiras. Um passo importante no combate à corrupção – seja em instâncias menores ou em situações de maior representatividade – é a tomada de consciência, como reforça Alex: "A conscientização leva a um melhor entendimento, a um desenvolvimento crítico e à formação do caráter do indivíduo". Outra possibilidade, na opinião do professor, é a aplicação da justiça restaurativa, a qual também trabalha com a ideia de reconhecimento do erro, a autocrítica e a percepção do impacto que uma atitude gera na sociedade e em outro indivíduo. "Precisamos entender que nossas ações representam o mundo em que vivemos", diz.

Comparativo de atitudes Estudante corrupto X Adulto corrupto

ACEITAR O TROCO A MAIS NA COMPRA NA CANTINA

COLOCAR O NOME EM UM TRABALHO EM GRUPO SEM TER PARTICIPADO

COPIAR TEXTOS DA INTERNET PARA APRESENTAREM TRABALHOS SEM CITAR A FONTE/AUTOR PEDIR PARA O COLEGA ASSINAR A LISTA DE PRESENÇA EM SEU LUGAR

COLAR EM PROVAS

FALSIFICAR UM DOCUMENTO PARA JUSTIFICAR FALTA

FALSIFICAR ASSINATURA DO PAI EM AUTORIZAÇÕES E AVISOS

"Corrupção é fazer algo ilegal ou injusto em troca de um benefício próprio. A corrupção está presente em diferentes atos, como aceitar propina, prometer algo e não cumprir, colar na prova e furar a fila. Independentemente da situação, se você faz algo que prejudica o próximo para se beneficiar, isso é um ato de corrupção.”

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RICARDO R. FOLCHINI 9o ano EF Marista São Pedro, de Porto Alegre (RS)


LAURA MARCONI 2 ano EM o

Marista Aparecida, de Bento Gonçalves (RS)

“Em minha opinião, a corrupção é uma forma de corromper a própria ética e a própria moral. É um ato de egoísmo com a finalidade de conseguir benefícios ou caminhos mais fáceis para a solução de um problema e, na maioria das vezes, prejudicando alguém ou um grupo de pessoas. Acredito que, para acabar com esse problema, a educação e a honestidade são fundamentais. A mudança começa no nosso dia a dia.”

FURAR FILA NO BANCO

APRESENTAR ATESTADO DE SAÚDE FALSO PARA JUSTIFICAR FALTAS NO TRABALHO

APRESENTAR PROPOSTAS DE OUTROS COMO SENDO DE SUA AUTORIA

COMPRAR PRODUTOS FALSIFICADOS

DECLARAR INFORMAÇÕES ERRADAS NO IMPOSTO DE RENDA

TENTAR SUBORNAR O GUARDA DE TRÂNSITO PARA EVITAR MULTA

ESTACIONAR EM VAGAS RESERVADAS PARA IDOSO OU CADEIRANTE

ANA ALICE SEVERO PATEL 3o ano EM Marista Roque, de Cachoeira do Sul (RS)

“Corrupção é um ato de desamor e desrespeito. É dizer ‘não’ a direitos e deveres do cidadão. É a negação da cidadania.”

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capa CORRUPÇÃO ESTÁ RELACIONADA À QUEBRA DE REGRAS NO DIA A DIA.

Em cada 10 estudantes:

Engajamento virtual Cansado da corrupção escancarada em nosso País? Que tal apoiar o projeto 10 medidas contra a corrupção, do Ministério Público Federal, e se tornar um agente contra a corrupção? Essa é a proposta do aplicativo Mude, desenvolvido para esclarecer o projeto do Ministério Público.

“A corrupção é uma forma suja de usar algum benefício a seu favor, prejudicando alguém que possa precisar dele, como o uso indevido do dinheiro público pelos políticos, afetando a população. O Brasil não honra mais seus compromissos com o povo, como vemos nas grandes fraudes que têm trazido à tona uma quantia considerável de corruptos. A corrupção é algo que rebaixa a imagem do nosso país e o seu fim precisa começar por cada um de nós – respeitando o próximo, não furando filas, por exemplo. Eu não tenho tendências políticas, apenas quero o melhor para o meu país, sempre em defesa da justiça e respeitando a visão política das outras pessoas.”

WESLEI MOLINARI 9 ano EF o

Marista Medianeira, de Erechim (RS)

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já pediram para colocar nome em trabalho de grupo sem ter participado

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já copiaram textos da internet para apresentar em trabalhos

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já assinaram lista de presença em nome do colega

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já colaram em provas

Fontes: Pesquisa da Unicarioca (outubro de 2015); pesquisa Datafolha (novembro de 2015); pesquisa do Instituto Data Popular (fevereiro de 2016); pesquisa Honestidade intrínseca e a prevalência da quebra de regras entre sociedades, da Universidade de Nottingham, no Reino Unido (abril de 2016).

70% DOS BRASILEIROS ADMITEM JÁ TER COMETIDO ATITUDES CORRUPTAS EM SITUAÇÕES COTIDIANAS.

NO ENTANTO, APENAS 3% DA POPULAÇÃO SE CONSIDERA CORRUPTA.


ÉTICA É ALGO TRANSMITIDO POR PESSOAS PRÓXIMAS, COMO PAIS E AMIGOS, OU POR PESSOAS QUE POSSUEM ALGUM DESTAQUE, COMO LÍDERES E FAMOSOS. Fonte: Pesquisa Datafolha [novembro/2015]

O USO INDEVIDO DA CARTEIRINHA DE ESTUDANTE TAMBÉM TEM DESTAQUE ENTRE AS ATITUDES CORRUPTAS COMETIDAS PELOS BRASILEIROS. 15% DOS ENTREVISTADOS DISSERAM QUE JÁ COMPRARAM MEIA-ENTRADA USANDO DOCUMENTO DE OUTRA PESSOA OU FALSO.

Fonte: Pesquisa Datafolha [novembro/2015]

CORRUPÇÃO [34%]

É O MAIOR PROBLEMA DO PAÍS, SEGUNDO BRASILEIROS. OUTROS PROBLEMAS CITADOS FORAM:

8%

10%

16%

34%

• SAÚDE [16%] • DESEMPREGO [10%] • EDUCAÇÃO E VIOLÊNCIA [8%]

SE ESSAS PESSOAS FALHAM NO CARÁTER E SÃO CORRUPTAS, MAS O SISTEMA NÃO AS CONFRONTA, O RESTANTE DA POPULAÇÃO ENTENDE QUE QUEBRAR REGRAS NÃO É TÃO RUIM ASSIM.

ANA LAURA RUCHIGA PINTO 3o ano EM Marista Santa Maria, de Santa Maria (RS)

"Corrupção é obter vantagem pelo mérito alheio, roubar, desviar. Corrupção é injustiça, falta de ética e de consideração pelo outro. Corrupção é qualquer atividade imoral, na qual o corrupto está ciente de que está tirando proveito de algo ou de alguém. Enfim, corrupção é falta de caráter.”

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© Ilustração: Freepi

entrevista

Sri Lanka: no caminho para dias melhores Conheça as particularidades e fragilidades do Sri Lanka pela perspectiva do Irmão Canísio Willrich, brasileiro que tem dedicado sua vida a missões no sudeste asiático

Por Michele Bravos

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O voo sai hoje à meia-noite de São Paulo. Daqui a um dia e seis horas, aproximadamente, e uma parada para troca de aeronave, em Dubai, você chegará ao destino: Sri Lanka. Um país localizado em uma ilha no Oceano Índico, bem perto da Índia. Distante do Brasil não só nos quilômetros mas também na cultura e nos costumes, o Sri Lanka foi a casa do Irmão Canísio Willrich de 2014 a 2016. Após esses dois anos como missionário por lá, ele partiu, este ano, para o Vietnã. Antes de embarcar para essa próxima missão, ele conversou com a revista Em Família, compartilhando a sua visão sobre os aspectos educacionais, sociais e econômicos do Sri Lanka.


Há um interesse do atual governo em melhorar a educação e também em renovar algumas escolas, porém se nota que os recursos financeiros são escassos.

Índia

Como é o trabalho marista que está sendo desenvolvido com a comunidade no Sri Lanka?

Nós, Maristas, temos Colégios no Sri Lanka e há um bom reconhecimento do trabalho educativo feito por meio desses Colégios. Eu, particularmente, estava mais envolvido na formação dos noviços, que são os jovens que desejam se tornar Irmãos Maristas. Tivemos um grupo de 11 jovens, cinco deles fizeram a primeira profissão religiosa no dia 9 de abril de 2016. Eram dois do Vietnã, dois do Paquistão e um do Sri Lanka. Em maio desse ano, recebemos um novo grupo de sete jovens vindos de vários países da Ásia para dar continuidade à formação marista.

Muitos países do sudeste asiático enfrentam sérios problemas no que diz respeito ao acesso de meninas à escola. Essa é também uma realidade da comunidade onde o senhor está inserido? O que é feito a respeito?

Há um certo predomínio masculino, porém não tenho percebido que haja exclusões no sistema educacional, pois as meninas, assim como os meninos, têm acesso à escola. Normalmente, as escolas para meninos e meninas são separadas. Há um interesse do atual governo em melhorar a educação e também em renovar algumas escolas, porém nota-se que os recursos financeiros são escassos. Vejo que o aspecto principal e mais urgente é a melhoria da qualidade de educação, uma melhor formação e preparação dos professores e também melhores salários. Acredito que a Igreja e as congregações religiosas estão dando uma grande contribuição nesse aspecto educacional do país.

Sri Lanka

O Sri Lanka está, historicamente, entre os países onde mais ocorreram perseguições aos cristãos. Como o senhor percebe isso no dia a dia?

Hoje, não se nota uma perseguição explícita de cristãos no Sri Lanka. Houve, sim, no tempo da guerra civil, há alguns anos. Mas, atualmente, o governo e as religiões buscam a harmonia e a paz. O país tem cerca de 80% de budistas e 7% de cristãos. Há tolerância e liberdade religiosa, além da promoção de diálogos inter-religiosos.

Existe algum trabalho de acolhida a perseguidos religiosos no Sri Lanka? Como funciona?

O Sri Lanka tem acolhido alguns refugiados cristãos do Paquistão. É um trabalho basicamente coordenado pela Igreja Católica em concordância com o governo. Há, também, algumas congregações religiosas que auxiliam nessa acolhida com alimentos, acomodação, atividades educativas para as crianças e oferecendo alguns trabalhos temporários para os pais e adultos. Para esses refugiados, o Sri Lanka é apenas um território transitório, pois essas famílias estão solicitando asilo em outros países. Essa organização de acolhida a refugiados também encaminha esses pedidos de asilo, porém o processo é lento e pode levar anos. Nossos noviços maristas se engajaram em duas dessas atividades: reforço no ensino de Língua Inglesa às crianças e colaboração na celebração natalina.

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entrevista Eu percebo que eles buscam alternativas para que as crianças se aprimorem em todos os níveis. Há incentivos esportivos, acadêmicos e artísticos. Claro que nem todos têm acesso a isso – especialmente as crianças do interior, que ajudam as famílias no campo a gerar uma renda. Há, também, a possibilidade de aprender outros idiomas, especialmente o Inglês, que é uma das línguas oficiais do país. As diferentes religiões e as congregações religiosas auxiliam e promovem a educação de valores de vida e de fé.

O que mais lhe causa desconforto na realidade desse país?

A limitação de recursos financeiros das famílias do interior – em outras palavras, a pobreza mesmo –, a falta de educação de qualidade e a falta de cuidado com o meio ambiente, especialmente na coleta do lixo. É preciso incentivar mais a limpeza e a reciclagem de resíduos. Além disso, há uma grande poluição sonora, buzinas fortes dos ônibus e caminhões que irritam e podem causar estresse.

Há um número grande de emigrações de países do sudeste asiático para países vizinhos, como os Emirados Árabes. Qual a sua opinião sobre esse fluxo migratório na busca por uma vida melhor, mas que, em verdade, os leva para trabalhos praticamente escravos?

É o reflexo da deficiência das políticas internas dos países. Essa não é a melhor alternativa, mas, para alguns, é a única saída, infelizmente. Precisaria ter um diálogo, um debate mais aberto com o povo, analisando as reais necessidades e canalizando recursos para o que é básico e fundamental. Quem sabe a própria comunidade poderia se organizar melhor, contribuir e colaborar mais, engajando-se em projetos de serviços sociais e buscando alternativas criativas.

© Fotos: Acervo pessoal

Quais condições as crianças possuem de real desenvolvimento pessoal e intelectual? Conte-nos um pouco sobre o ambiente em que elas se encontram e as possibilidades que têm sido apresentadas para elas.

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O que pode ser feito para impulsionar a qualidade de vida da população no Sri Lanka? Por onde começar, na sua visão?

Acredito que, para que haja uma melhora, é preciso trabalhar com a conscientização da população, incentivar a participação mais ativa da sociedade nas questões políticas locais e nacionais e investir na qualidade da educação.

Mesmo diante de amplas fragilidades, onde mora o encanto desse povo e desse país?

Na acolhida calorosa, no espírito de trabalho, na dedicação e na alegria e na vida simples do povo. Na sua cultura e no seu orgulho de ser srilanquês.

As diferentes religiões e as congregações religiosas auxiliam e promovem a educação de valores de vida e de fé.


EXPEDIENTE COLÉGIO MARISTA CONCEIÇÃO R. Fagundes dos Reis, 746 Passo Fundo - RS Fone: 54 3316-2700 conceicao@maristas.org.br DIRETOR Ir. Márcio Allebrand VICE-DIRETOR ADMINISTRATIVO Adenir Sebastião de Britto VICE-DIRETORA EDUCACIONAL Raquel Paula Fortunato COMUNICAÇÃO E MARKETING Eriel Brixner e Fabíola Frosi JORNALISTA RESPONSÁVEL Tiago Rigo (MTB 13919)

Ponto de vista em movimento

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Débora Chaves Lopes, professora de História dos Anos Finais, traz uma reflexão sobre a Educação Integral.

Com a palavra

Educação Infantil

Caleidoscópio

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Ensino Fundamental

Gente nossa

Ensino Médio

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Direção destaca os desafios da nova gestão.

Conheça as práticas pedagógicas que tornam o período de adaptação dos pequenos mais tranquilo e feliz.

EI EF EM

Relembre os primeiros meses do ano por meio de imagens dos principais projetos e atividades.

Da simples curiosidade ao despertar para a Iniciação Científica. Confira algumas das iniciativas propostas pelo Colégio.

Selecionada para um mestrado da Universidade de Denver, a exaluna Natália Maraschin conta como os laços criados dentro do Colégio se mantêm até hoje.

Temas que impactam o cotidiano integram a rotina de estudo dos estudantes.

Diz aí

Em foco

Construir conhecimentos

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O assunto é corrupção! Veja o que os estudantes pensam a respeito.

Estudantes demonstram suas percepções sobre o ambiente escolar por meio de fotografias.

Aprenda de um jeito fácil, prático e superconectado! Confira algumas dicas e, se gostar, compartilhe os vídeos!


Com a palavra

J

untos para

um novo

começo

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Colégio Marista Conceição

Excelência e liderança em educação integral de qualidade resumem a missão e a visão do Planejamento Estratégico da nossa unidade.

Ir. Márcio Allebrand Diretor do Colégio Marista Conceição

© Foto: Acervo do Colégio

Na vida consagrada de Irmão Marista, a transitoriedade, a mobilidade e a disposição para abraçar novos desafios, como queria nosso fundador São Marcelino Champagnat, são de praxe. Todas as dioceses do mundo estão em nossos planos. Esse sonho despertou o espírito missionário e, em pouco tempo, a congregação expandiu-se para fora da França, migrando da Europa para os cinco continentes. Hoje, estamos no advento do bicentenário de fundação do instituto. Daqui a menos de um ano, celebraremos 200 anos de história, tendo Maria como aquela que tudo fez entre nós. Champagnat consagrou toda a obra a ela. “Esta obra é vossa”, dizia ele. Tenho a grande responsabilidade de continuar o excelente trabalho de gestão do Ir. Genuíno, um Irmão que cativa, incentiva e orienta com muita sabedoria. Sou grato por ele ter contribuído na minha formação enquanto me preparava para ser Irmão Marista. Espero que a Boa Mãe Maria conduza minha gestão como conduziu a dele. Espero também contribuir, na sequência, com os projetos de médio e longo prazo pensados para o Colégio Marista Conceição. Excelência e liderança em educação integral de qualidade resumem a missão e a visão do Planejamento Estratégico da nossa unidade. O Papa Francisco, em sua fala na jornada mariana, nos disse: “Deus nos surpreende sempre, rompe os nossos esquemas, põe em crise os nossos projetos e nos diz: ‘Confia em mim, não tenhas medo, deixa-te surpreender, sai de ti mesmo e segue-me’”. Espero poder contar com todos para desenvolver em nosso Colégio espaçotempos privilegiados para o pleno desenvolvimento do ser humano em todas as suas dimensões, como bem fundamenta nosso Projeto Educativo. O êxito de nosso trabalho é resultado da atuação e da corresponsabilidade de cada um. Que Deus ilumine minha gestão e minha equipe. Que Maria, Boa Mãe, nossa guia e companheira oriente nossa atuação e que São Marcelino Champagnat, nosso Pai Fundador, interceda por nós.


Por uma adaptação Brincar é tranquila e feliz ganhar tempo

Educação Infantil

© Foto: Acervo do Colégio

O início da vida escolar traz uma série de descobertas e alegrias, mas também gera anseios e dúvidas, tanto para as crianças quanto para as famílias. É nessa fase que os pequenos entram em contato com uma nova rotina fora de casa, com a presença de pessoas que não integram seu círculo familiar. Novos hábitos são adotados a partir das atividades promovidas na escola, com horários e combinações. Além disso, começam a se formar novos vínculos por meio do convívio com os colegas e os educadores. Para os pais, o período de adaptação pode suscitar preocupações referentes ao bem-estar e à segurança de seus filhos, já que passam a deixá-los em um novo ambiente e com outras pessoas. Nesse sentido, é fundamental a confiança estabelecida com a escola para se construir uma relação de respeito, afeto e diálogo. Se a família estiver tranquila e segura, a criança também passará a se sentir mais confortável e disposta para frequentar as aulas.

INICIATIVAS QUE CONTRIBUEM Em consonância com todos esses aspectos presentes na Educação Infantil, o Marista Conceição realiza encontros com os pais antes do período letivo ter início. Primeiramente, ocorre uma reunião-geral para apresentar os procedimentos da escola quanto à adaptação e para esclarecimento de dúvidas. Na ocasião, a família agenda uma entrevista individual, com a presença da futura professora de seu filho. Esse momento permite o entendimento sobre as especificidades do jeito de ser da criança e sobre as práticas pedagógicas do Colégio. Assim, é possível traçar de forma conjunta estratégias que melhor correspondam às necessidades dos pequenos. Além das reuniões iniciais, neste ano os pais receberam o Guia de Adaptação, que reúne uma série de informações e dicas específicas. Outra ação que se destaca é a acolhida em grupos menores e com horário inicial reduzido. Para a coordenadora pedagógica da Educação Infantil, Graziela Zaltron de Oliveira, a atenção individualizada dada a cada estudante e sua família é fundamental para a construção dos vínculos afetivos iniciais. “Quando os pais percebem que seus sentimentos são compreendidos pela instituição, sente que os da criança também serão e, à medida que conhecem a proposta pedagógica da escola e vão percebendo as diversas oportunidades de interação e aprendizagem que os pequenos terão no dia a dia, ficam muito mais confiantes e tranquilos”, ressalta. Dessa forma, compreende-se a infância como um tempo de construção de saberes em que se deve proporcionar experiências e interações, tendo como foco o desenvolvimento integral da criança.

Quando os pais percebem que seus sentimentos são compreendidos pela instituição, sente que os da criança também serão e, à medida que conhecem a proposta pedagógica da escola e vão percebendo as diversas oportunidades de interação e aprendizagem que os pequenos terão no dia a dia, ficam muito mais confiantes e tranquilos.

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Caleidoscópio EI A tradicional Festa da Literatura, realizada anualmente, fez as turmas da EI e dos Anos Iniciais darem asas à imaginação e aumentarem o gosto pela leitura. Com fantasias inspiradas nos livros, as crianças receberam o autor Jonas Ribeiro, que encantou com suas histórias.

2016

A turma 032 fez descobertas a respeito dos variados tipos de sementes, colecionando, pesquisando na internet e recebendo a visita de um agrônomo, que esclareceu muitas dúvidas.

NATUREZA EM PRÁTICA

A partir de uma exploração no pátio da escola, a turma 012 despertou um interesse especial pelas formigas e passou a estudar seus hábitos, suas espécies, suas moradias, seus alimentos e outras curiosidades. As atividades envolveram artes, ciências, linguagem e muito mais.

DESPERTAR

A turma 023 ajudou na criação de um espaço dedicado ao plantio e ao cultivo de frutas, chás, temperos e verduras. A atividade proporciona, entre tantos aprendizados, o conhecimento sobre a origem e os tipos de alimentos, além do contato com a natureza.

© Fotos: Acervo do Colégio

Por que chove? Esse questionamento das crianças, a partir da observação do céu, foi o ponto de partida para o projeto da turma 015. Evaporação, estados da água e até um passeio na chuva fizeram parte dos aprendizados.

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Todo o projeto da Praça Infantil foi desenvolvido com base na concepção de criança e de infância presente nas Diretrizes da Educação Infantil Marista, lançadas no ano de 2015.

INAUGURAÇÃO DA PRAÇA INFANTIL As famílias da Classe Bebê ao 1o ano EF foram convidadas para a inauguração da Praça Infantil, um novo espaço desenvolvido para incentivar o aprendizado e as descobertas dos estudantes.

Os convidados puderam observar e experimentar as atividades que a Praça Infantil possibilita. O local é um projeto referência dentro da Rede Marista.

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© Fotos: Acervo do Colégio

Ponto de vista

Por Débora Chaves Lopes, professora de História dos Anos Finais

Educação Integral: tão longe e tão perto Há mais de 200 anos, governos e sociedades debatem a educação integral. Estados Unidos, Coreia do Norte, Japão e diversos países europeus já acumulam experiências significativas de processos educativos que vão além de uma educação de tempo integral. Nesses contextos, há uma ampliação da jornada, nunca menor do que seis horas diárias, que dimensiona mais do que uma educação instrucional e atinge as várias interfaces que compõem a vida humana, porque a escola precisa estar conectada com o que está em seu entorno para que seus sujeitos sejam atuantes nela e através dela. O Brasil também vem reivindicando essa pauta, há mais de 40 anos, pela urgência de compreendermos o mundo contemporâneo e reinventarmos a educação no contexto que está posto. A escola ganha novos contornos e amplia sua dimensão, carregando a responsabilidade de trabalhar os conteúdos clássicos, que, sim, precisam ser aprendidos como capital humano para acesso, inserção e ação social dos sujeitos educativos. Mas o conteúdo transpõe os muros e está na rua, nas casas, na cidade, no país e no

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mundo. Era o que Paulo Freire dizia ao afirmar que os conteúdos escolares precisavam ser atravessados pelos conteúdos da vida, pois em uma sociedade marcada pela violência, como a nossa, a escola precisa trabalhar uma cultura de paz e debater seus problemas através do diálogo. Apesar de um tema tão presente e tão próximo, a educação integral ainda é uma realidade distante, com experiências pontuais. Pensar em mecanismos que possibilitem sua concretização é fundamental. Para isso, não podemos confundir escola de tempo integral com uma proposta de educação estruturada em uma agenda diferente e em um olhar polissêmico sobre o cotidiano escolar, que tece uma trama de atividades que dialogam com o seu projeto educativo. Ou seja, as atividades oferecidas no espaço escolar têm que estar integradas e interconectadas através de uma proposta educativa. Uma teia que exige a reinvenção da escola, pois não prevê apenas a ampliação do tempo na instituição educacional, mas dos espaços entendidos como significativamente educativos. Precisamos aproximar esse debate e fundar espaços para a cons-

Colégio Marista Conceição

trução de uma educação que busca o tempo integral, uma escola integrada e integradora das várias possibilidades formativas, pautada por um projeto de educação que considere a integralidade do ser humano e a responsabilidade social – e portanto, coletiva. Por isso, esse projeto demanda, certamente, novos compromissos entre educadores, sociedade e governo.

Apesar de um tema tão presente e tão próximo, a educação integral ainda é uma realidade distante, com experiências pontuais.


Ensino Fundamental

Incentivo à Iniciação Científica

em todos os níveis as áreas do conhecimento e a resolução destas se faz por meio de hipóteses. O saber coletivo é construído cientificamente e em teias. Desse modo, propicia o aumento da autonomia e facilita a compreensão e a relação entre conceitos, buscando sempre a excelência acadêmica. Dando continuidade ao trabalho, nos Anos Finais, a Mostra Cultural Tecnológica e Científica utiliza-se da problematização e da escrita científica para despertar e incentivar a investigação como instrumento de aprendizagem. O principal desafio é relacionar os conteúdos de sala de aula no desenvolvimento de trabalhos práticos que estimulam o gosto pela ciência, como um recurso para auxiliar nossa sociedade.

APRENDIZADO QUE VAI ALÉM DA ESCOLA A participação em eventos científicos externos abre caminho para que os estudantes partilhem seus projetos e exercitem a oralidade, bem como outras habilidades. Isso se revela na Feira de Ciências e na Mostra de Inovação Tecnológica da UPF e no Salão de Iniciação Científica da PUCRS, dois momentos importantes do ano letivo em que os estudantes têm a possibilidade de desenvolver a proatividade na busca de respostas e soluções para os questionamentos da contemporaneidade. Desse modo, eles já descobrem os passos de construção de um trabalho de pesquisa antes mesmo de chegarem ao mundo acadêmico.

© Foto: Acervo do Colégio

Por que o céu é azul? Como as plantas se alimentam? De onde vêm os bebês? Certamente, você já se deparou com essas e outras perguntas feitas pelas crianças, principalmente na faixa etária de 4 a 7 anos. É nesse período da infância que ocorre o despertar para a curiosidade sobre como as coisas acontecem. Esse movimento de busca pela compreensão do mundo deve ser incentivado ao longo de toda a vida escolar, pois levará os estudantes a fazerem novas descobertas, aguçando suas percepções para o aprendizado. Portanto, adotar a pesquisa científica como prática pedagógica é essencial para o desenvolvimento de habilidades e competências na construção do conhecimento. No Marista Conceição, a Iniciação Científica é um espaço destinado à investigação, à experimentação e à troca de saberes. Além disso, promove a expansão do pensamento crítico, a reflexão e a criatividade, a partir da formulação de questionamentos, da argumentação e do aprofundamento de informações e da coleta de dados. “Acompanhar os estudantes em seus processos de pesquisa é muito significativo. Cada faixa etária possui uma forma de ver o mundo e descobrir seus mistérios através de diferentes formas de investigação”, salienta a professora Rosimar dos Santos. Nos Anos Iniciais, por exemplo, os projetos promovem o protagonismo dos estudantes em todo o processo de ensino-aprendizagem. Indagações cotidianas servem de base para a criação de situações-problema em todas

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Caleidoscópio EF

Com os crescentes casos de doenças como a dengue, as turmas do 6o ano EF aderiram à campanha contra o mosquito Aedes aegypti. A atividade desenvolvida nas aulas de Ciências buscou promover a pesquisa e o debate, com foco nos sintomas e na prevenção.

2016

A Festa da Literatura promove, por meio do lúdico, a descoberta do mundo mágico da leitura através de atividades como teatro, Hora do Conto e encontro com escritores. Neste ano, o evento contou com a presença do escritor e poeta Jonas Ribeiro.

ACONTECEU

Envolvendo conteúdo de Ciências, as turmas do 7o ano EF visualizaram lâminas de células de tecido animal e vegetal, por meio da microscopia eletrônica, no Laboratório de Química.

NA PRÁTICA

As turmas de 4o e 5o ano EF, que desenvolvem atividades quinzenais no Laboratório de Robótica, receberam os novos kits Atto, com foco em mecânica. As principais habilidades trabalhadas com esses níveis são a cooperação e o trabalho em equipe.

Com objetivo de ampliar os conhecimentos sobre a água e sua importância, turmas do 6o ano EF foram às Termas de Machadinho. Além de todo aprendizado, a viagem ainda contou com momentos de lazer.

© Fotos: Acervo do Colégio

As turmas do 5o ano EF aprenderam, em visita ao Laboratório de Física e com equipamento didático especializado, como acontecem os movimentos de rotação e translação da Terra.

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Colégio Marista Conceição


Na Pastoral Juvenil Marista, os jovens são chamados a ser agentes de mudança social a partir de seu protagonismo e liderança. No 6o ano EF, eles já podem fazer parte do grupo Bem Querer, um preparatório para a PJM.

As mães foram as homenageadas na missa mensal dinamizada pelas turmas do 1o ano EF. A comunidade educativa participou e se emocionou com canções, presentes, vídeos e orações conduzidas pelas crianças.

Com a arrecadação da Páscoa Solidária deste ano, o grupo de voluntariado Viva Alegria montou mais de 220 kits que foram entregues na Fundação Beneficente Lucas Araújo e na Escola Municipal Daniel Dipp.

PJM

HOMENAGEM

Em sua despedida, o Irmão Genuíno Benini foi homenageado pelas turmas do 4o ano EF. O novo diretor, Irmão Márcio Allebrand, recebeu a acolhida da comunidade educativa.

PÁSCOA

As turmas do 2o ano EF prepararam biscoitos caseiros para celebrar a Páscoa com suas famílias. Depois do aprendizado sobre alimentação saudável e a transformação da massa ao assar, os estudantes finalizaram com a decoração dos biscoitos.

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Gente nossa

© Fotos: Acervo pessoal

Marista para a vida

Recentemente selecionada para um mestrado da Universidade de Denver, a ex-aluna Natália Maraschin conta como os laços criados dentro do Colégio se mantêm até hoje

Minha história como estudante marista teve início em 2001, na 1a série do Ensino Fundamental, e chegou à conclusão em 2011, no 3o ano do Ensino Médio. Nesses 11 anos, encontrei no Marista Conceição não apenas um ambiente que estimulou meu crescimento intelectual, mas também um local onde pude me desenvolver como pessoa: estabeleci vínculos muito próximos com professores, colegas, coordenadores e outros funcionários, aprendi importantes lições e criei muitas memórias. Em sala de aula, tive acesso a uma educação de excelência. Conteúdos relevantes, material atualizado e alguns dos melhores profissionais da região me garantiram a formação necessária para que eu fosse aprovada em cinco universidades para cursos de Medicina, Direito e Relações Internacionais, sem ter precisado fazer curso pré-vestibular. Fora da sala de aula, encontrei também espaço para o lazer. Vôlei, Futsal, Coral, Ginástica olímpica, Dança, Juventude Marista [como antes era denominada a Pastoral Juvenil Marista (PJM)], atividades do Tribos, Robótica, aulas de Artes e tantos outros momentos preencheram meu cronograma e me fizeram adquirir habilidades que iam além do conhecimento lógico-matemático. Competitividade saudável, criatividade, trabalho em equipe e muitos outros valores foram iniciados e fortalecidos nesse ambiente escolar. Meus educadores sempre se mostraram preocupados com o bem-estar e com o aprendizado dos estudantes, e continuamente nos motivaram a estudar e ir atrás de nossos objetivos. Como minha mãe leciona no Colégio

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Colégio Marista Conceição

há mais de vinte anos, tive a oportunidade de conhecer meus professores e coordenadores também fora da sala de aula, e tenho o prazer em dizer que muitos deles se tornaram grandes amigos, com quem mantenho contato até hoje, mesmo depois de formada. Com meus colegas, com quem convivi por diversos anos, formei amizades cujo apoio e cumplicidade foram essenciais, e tenho por todos um carinho muito grande.

Competitividade saudável, criatividade, trabalho em equipe e muitos outros valores foram iniciados e fortalecidos nesse ambiente escolar.

Hoje, vejo como fui privilegiada por ter frequentado o Colégio. Com a base educacional e os valores que aprendi, pude realizar meu sonho de cursar Relações Internacionais na UFRGS e agora estou a caminho de um mestrado na Universidade de Denver. Com convicção, digo que me tornei a pessoa e a profissional que sou atualmente por ter passado a maior parte de minha infância e de minha adolescência no Marista.


© Foto: Acervo do Colégio

Ensino Médio

Pensar

o mundo na escola

Todos os dias, diversos fatos e assuntos emergem na mídia e na sociedade. Como parte desse contexto social, a escola o influencia e é por ele influenciada. Portanto, por mais que sejam planejadas atividades e intencionalidades curriculares para um período específico de tempo (por exemplo, um trimestre), sempre haverá interferências do que está além de seus muros. Isso exige constante atenção dos gestores, professores e estudantes para que a instituição escolar não fique aquém do que está sendo debatido pelas pessoas e que, simultaneamente, possa refletir e colaborar de forma propositiva com a construção de um mundo melhor. Nos Colégios Maristas, pratica-se um jeito de educar e aprender que se desenvolve na combinação de diálogo e confiança, segurança e afeto, conhecimento e valores, sem descuidar de temas que impactam no cotidiano e são contemplados em avaliações externas, como o vestibular e o próprio Exame Nacional do Ensino

Médio (Enem). Sob essa perspectiva, o estudante é incentivado a ser protagonista e tem a oportunidade de exercer esse papel tanto nas atividades pertencentes ao currículo escolar quanto nas iniciativas diferenciadas voltadas para a formação de liderança, autonomia e cidadania.

MOMENTOS DE TROCA E APRENDIZADO O Marista Conceição compreende a importância de abordar tópicos locais e globais relevantes no cenário contemporâneo, proporcionando espaços de fala e escuta. Esse trabalho é desenvolvido ao longo de todas as etapas escolares, sendo intensificado no Ensino Médio, por meio de diferentes iniciativas, como o TEXTando e a Avaliação Integrada (AI), instrumentos avaliativos trimestrais, com abordagem contextualizada do cotidiano. Já a Mostra Cultural, Científica e Tecnológica tem como objetivo norteador potencializar o aprendizado a partir das áreas de conhecimento propostas

no Projeto Educativo e nas Matrizes Curriculares do Brasil Marista. Nesse sentido, fortalece-se o protagonismo dos estudantes, já que a pesquisa deve fazer parte do dia a dia da sala de aula, auxiliando na construção de novos conhecimentos e vinculando o aprendizado teórico à prática. De acordo com a orientadora educacional Juliana Fontoura, o estudante marista é estimulado constantemente a ser autor do seu processo de aprendizagem, mobilizando conhecimentos e experiências já vivenciadas. “No estudo diário, ocorrem pesquisa, análise dos dados, questionamentos e novas proposições. Dessa forma, o estudante é impulsionado a identificar problemas e suas possíveis soluções por meio de diferentes linguagens e contextos, colaborando para a construção coletiva, sempre de modo crítico e responsável”, comenta. E, assim, a educação marista busca contribuir na vida dos jovens para que possam enfrentar os desafios do presente e do futuro.

Colégio Marista Conceição

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Caleidoscópio EM

Ao final das provas do primeiro trimestre, o Grêmio Estudantil Marista Conceição (Gensc) realizou a 1a edição da Sexta sem pressão. Com o intervalo prolongado, os alunos do EM e dos Anos Finais participaram de um momento de descontração com provas musicais.

2016

Na manhã de formação das turmas do 2o ano EM, os estudantes refletiram sobre suas escolhas e como elas poderão afetar seu futuro. Foram momentos de preces por iluminação diante dos desafios e das dúvidas que a vida apresenta.

REFLEXÃO

GRÊMIO ESTUDANTIL

Direção e Serviço de Orientação Educacional (SOE), empossaram a nova gestão 2016 do Grêmio Estudantil, ressaltando a importância da representatividade da equipe e desejando a continuidade dos projetos do Gensc.

O 3o ano EM, em função da formatura que se aproxima, realiza comemorações divertidas como o Dia das Profissões, em que cada formando se veste a caráter durante o intervalo das aulas.

© Fotos: Acervo do Colégio

A 18a edição da tradicional gincana Quebrando a cabeça, envolvendo alunos do 7o ano EF ao Ensino Médio, este ano trouxe uma temática musical, com o título Rádio Gincana. Participaram 11 equipes com cerca de 25 integrantes cada.

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Colégio Marista Conceição

DIVERSÃO


Em momento organizado pelo Serviço de Orientação Educacional (SOE), a ex-aluna Natália Maraschin contou aos estudantes do EM sobre sua trajetória marista. Ela cursou Relações Internacionais na UFRGS e recebeu recentemente uma bolsa de estudos para mestrado na Universidade de Denver, nos EUA.

O Irmão Genuíno Benini despediu-se dos estudantes do Colégio após cinco anos na Direção. Ele e o novo gestor, o Irmão Márcio Allebrand, passaram em todas as salas de aula para, juntos, oficializarem essa nova etapa na gestão escolar.

Os estudantes do 3o ano EM tiveram um momento de conversa sobre o Enem, quando receberam da Coordenação Pedagógica o material preparatório para o exame, com cinco livros enviados específicos para a prova.

ACONTECEU Foi dada a largada para a Mostra Cultural, Científica e Tecnológica 2016, promovendo entre os estudantes a investigação científica como instrumento de aprendizagem. Os trabalhos serão desenvolvidos com professores orientadores.

No momento de formação dos 3os anos EM, conduzido pela Pastoral e pelo Serviço de Orientação Educacional (SOE), os jovens foram desafiados a pensar seu futuro profissional e, também, a olhar para o passado com gratidão às pessoas que contribuíram em sua educação. As famílias enviaram caixas-surpresas com recordações pessoais.

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Diz aí

Como podemos

combater

?

a corrupção

LETÍCIA MACCARI BASSANEZE 8o ano EF

MAURÍCIO LUZ 9o ano EF

VÍTOR HUGO RIFFEL 9o ano EF

“A corrupção do dia a dia não é essa que está acontecendo no Brasil e que vemos nos jornais. É desrespeitar alguém, deixar alguém mal. Acho que combatê-la é uma coisa simples e que cada um deveria fazer, como ajudar um idoso, não furar a fila da cantina do Colégio, etc. Se fizéssemos isso, cada um fazendo um pouquinho, poderíamos ter um mundo melhor e mais feliz de se viver.”

“Eu acho que essas pequenas coisas devem ser ensinadas – desde em casa, com os pais, até a escola, mostrando o que é errado e como fazer o certo. São coisas pequenas, mas que podem ajudar a pessoa a crescer. Também penso que a corrupção maior, envolvendo a questão política, deve ser fiscalizada e investigada, para mostrar o que está sendo feito de errado.”

“Eu acho que a escola tem que ajudar nesse aprendizado, mas isso depende de cada pessoa ter a consciência de não fazer o que é errado, de respeitar os mais velhos, as leis. Acho que é a partir desses pequenos atos que a pessoa cresce ou pode acabar se tornando corrupta. Isso acaba sendo uma coisa do dia a dia e é complicado, mas se a pessoa fizer um esforço para mudar, ela consegue.”

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Colégio Marista Conceição

© Fotos: Acervo do Colégio

no dia a dia


Em foco

1... 2... click!

A partir do tema Seu olhar sobre a escola, estudantes registraram, por meio da fotografia, a própria percepção sobre o cotidiano escolar

Eu gosto da casinha da Praça Infantil porque adoro brincar de boneca e de cozinhar.

CAROLINE DALL AGNOL DUMKE Nível 3 EI

Escolhi o Salão de Atos pela minha ligação com teatro e porque nele é realizado o Sarau Literário, onde falamos sobre os livros que lemos. Aproveitei para tirar uma foto de uma amiga minha que ama ler.

CAROLINA ZANANDRÉA BARANCELLI 9o ano EF O campo é um lugar de que eu gosto e onde treino, assim como o salão. Gosto de Futebol e, desde pequeno, pratico essa atividade extraclasse.

GUILHERME TOSON 2o ano EM

Escolhi a Biblioteca porque a leitura é muito importante para o aprendizado e para o crescimento como pessoa. As pessoas deveriam ler mais e visitar mais esse espaço.

EDUARDA WESCHENFELDER 5o ano EF

Aqui, nesse pátio, tem bastante espaço e é legal brincar perto dessa planta, que é bem bonita.

HANS PILATI SCHELEDER 1o ano EF

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Construir conhecimentos

Fique por dentro!

Aprenda de um jeito fácil, prático e superconectado. Confira algumas dicas e, se gostar, compartilhe os vídeos!

COMO FAZER MÚSICA COM UM COPO COMO CUSTOMIZAR UMA FRONHA

Para fazer o cata-vento, é preciso ter papel, tesoura, tachinha e um pauzinho para servir como sustentação. A estudante Caroline Rebelato Mozzato ensina, no vídeo, como o brinquedo deve ser montado. O procedimento exige habilidades para o recorte, que deve ser feito com uma tesoura sem pontas. goo.gl/bHS6sX

goo.gl/C3Mn5L

goo.gl/83sOLB

COMO FAZER UM PORTA-RETRATO As estudantes Maria Fernanda Stefani e Beatriz Ferrão ensinam como fazer um porta-retrato com materiais alternativos. Utilizando capa de caderno, folha de scrapbook, estilete, pincel, cola, lápis, régua, fita banana e uma base para cortar, elas descrevem o passo-a-passo e dão algumas dicas de enfeites para personalizar o objeto. goo.gl/PGU18g

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© Fotos: Reprodução YouTube

COMO FAZER UM CATA-VENTO

Com uma fronha branca, um pincel, pompons coloridos, régua, recortes de tecidos, cola para tecido, caneta e tesoura, as estudantes Maria Fernanda Stefani, Isadora Tagliari e Vitória Artuzi ensinam como personalizar esse item com muita criatividade.

O professor de Música do Colégio, Julian Teixeira, ensina como extrair sons de um copo. Bastante conhecido, o ritmo se divide em três partes: movimentos com as mãos, com um copo e batidas na mesa. Para conseguir produzir musicalidade, o passo-a-passo deve ser praticado e repetido rapidamente.


Você achou legal o nosso piano? Espere até ver o que podemos fazer com o que você não usa mais.

Preservar o meio ambiente, a partir do reaproveitamento criativo de materiais eletrônicos, é o que move o projeto Recondicionar. O piano acima é o resultado desse trabalho. Sua parte externa é composta de botões de máquinas caça-níqueis, painel de led e madeira. Tudo recondicionado. O que antes era lixo acumulado, hoje nos ajuda a aprender músicas a partir de sinais luminosos. Em apenas um ano, foram arrecadadas mais de quatro toneladas de peças descartadas nos ecopontos do projeto. Saiba mais em socialmarista.org.br.


© Ilustração: Freepik

olhar

NA MEDIDA:

uma discussão sobre superproteção na infância Por Fabrícia Borges, psicóloga e professora da Universidade de Brasília (UnB)

Ao discutir sobre superproteção, precisamos primeiro entender como os filhos e as famílias se configuram no século 21. Possivelmente, a grande maioria das crianças é educada, hoje, em modelos de uma superatenção quando comparadas às crianças de 40, 50 anos atrás. Saímos de famílias com muitos membros (de oito a dez filhos) para famílias de um ou dois filhos. Só aí já constatamos que a forma de criar e educar as crianças mudou significativamente. Reconhecemos que as crianças

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precisam ser ouvidas, amadas, cuidadas, educadas e, sobretudo, entendidas. E temos mais tempo e recursos para isso. Contrariamente, também ficamos mais tempo longe delas, trabalhando e em atividades sociais. Vão mais cedo para a escola/creche, possuem mais eventos sociais, mais festas, mais passeios, estão mais midiáticas e, portanto, em um processo de globalização contínuo. Então, fico pensando de que formas nossas atenções vão ao encontro dessas infâncias? Podemos pensar que


Em um processo educativo, o ensinar a fazer é muito mais importante do que fazer por elas. Podemos pensar em uma superatenção emocional, de suas seguranças, de suas responsabilidades, de suas conquistas. existem várias formas de atenção – portanto, de superatenção. Será que as abraçamos tanto que as impedimos de se movimentar no mundo? De escolher, de criar e de ser? Até que ponto nossos cuidados permitem que essas crianças aprendam a cuidar de si e dos outros? Sim, porque, para sermos adultos felizes, precisamos aprender a cuidar do outro. Isso garante amizades, conquistas, grupos sociais, amor e afetos. Em um processo educativo, o ensinar a fazer é muito mais importante do que fazer por elas. Podemos pensar em uma superatenção emocional, de suas seguranças, de suas responsabilidades, de suas conquistas. No entanto, até que ponto cerceá-las de todos os modos permite a elas construir recursos internos para lidar com o mundo? É claro que não queremos que nossas crianças sofram, decepcionem-se e nem fiquem tristes. Também não queremos que elas se sintam inferiorizadas em seus autoconceitos, quando, supostamente, uma outra criança possui mais vantagens, sejam materiais ou afetivas. É difícil saber a dose certa entre a atenção, o amor e o afeto,

se demais ou se de menos. Precisamos, então, nos questionar até que ponto permitimos que elas aprendam e vivenciem suas responsabilidades, o exercício de serem afetivas, de conseguirem não ter tudo e ainda se sentirem satisfeitas e alegres, ou de aprenderem a lidar com suas frustração e insatisfações. Com certeza um grande desafio, pois não existe modelo e nem receita – até porque as crianças são diferentes e possuem necessidades também diferentes, assim como seus pais, suas famílias, sua escola e seus grupos sociais. Mas de uma coisa tenho certeza há algum tempo: precisamos educar nossas crianças para a solidariedade e a cidadania. Um adulto solidário faz bem a si mesmo, aos outros e ao mundo. Para isso, precisamos refletir. Talvez esta seja uma boa solução: questionar sempre nossas certezas e, também, nossas dúvidas, ensinando nossas crianças a também se questionarem. Podemos incentivá-las a buscar saber quem são, quais seus interesses, suas vontades, seus afetos, suas frustrações e suas responsabilidades. Caminhemos assim.

• Nem sempre os filhos têm razão em relação às outras crianças. • Eles não precisam ter todos os brinquedos do mundo. O que as crianças precisam é entender a importância das brincadeiras para o autoconhecimento e desenvolvimento das relações sociais. • Poupar as crianças de frustrações não garante que elas não as tenham, apenas as poupa de não aprender a lidar com elas. Cuidado, pois uma criança que só vive com sentimentos de frustração pode aprender que não existe nada no mundo além disso. • Todos nós possuímos responsabilidades e as crianças também precisam saber quais são as suas e cuidar delas. Se tomamos as responsabilidades de uma criança para nós, elas ficam sem responsabilidades. Poderão também ser adultos assim. As responsabilidades de uma criança estão no domínio de suas atividades e de seus interesses: cuidar das tarefas da escola, de seus brinquedos, de seus animais de estimação, de seus amigos. • Todos os seres humanos, inclusive as crianças, precisam entender que, se gostam de afeto, é necessário cultiválo. Seja com pais, parentes, amigos ou outras pessoas. Aprender a ser carinhoso e amoroso não significa ser submisso, ainda que quando criança. Precisamos aprender a falar tanto de nossos aborrecimentos quanto de nosso afetos e carinhos. • Aprender a dizer – e a respeitar – o “sim” e o “não”.

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Abraço que encoraja O poder do abraço é comprovado cientificamente e testificado por profissionais que percebem, na prática, a importância desse ato no desenvolvimento pessoal

© Foto: Shutterstock

Por Michele Bravos

O abraço durou longos minutos, tempo suficiente para os batimentos cardíacos se regularizarem, os níveis de estresse baixarem e a autoconfiança ser retomada. Diversas universidades no mundo – entre elas, a Universidade da Carolina do Norte (EUA), a Universidade de Viena (Áustria) e a Universidade de Bar-Ilan (Israel) – possuem pesquisas que comprovam os benefícios de um abraço. Cientificamente, todas apontam para a elevação dos níveis de oxitocina – um hormônio capaz de amenizar o sentimento de isolamento e raiva –, além de influenciar na autoestima e na autoconfiança tanto de crianças quanto de adultos. As pesquisas atestam o que é comprovado, na prática, por profissionais que estão em contato frequente com pessoas que não vivenciavam demonstrações de afeto saudáveis e que, a partir da prática do abraço, passaram a ressignificar seus relacionamentos e a própria forma de se ver. A assistente social Fernanda Celano realiza um trabalho com crianças e adolescentes de uma casa-lar em Curitiba (PR) desde 2014 e percebe o quanto o abraço é poderoso para gerar um ambiente de segurança para eles. "O processo de desenvolver o vínculo afetivo, mediado pelo toque físico do abraço, abriu caminho para o sentimento de confiança. Eles sentiram que o abraço era sincero e desinteressado. Logo, puderam falar, con-

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O ABRAÇO CERTO

© Foto: Acervo do Colégio

O Colégio Marista Pio XII realiza, desde 2014, a campanha Abraço Grátis.

tar suas histórias, no tempo e do jeito deles, sem julgamentos ou curiosidade. Desde janeiro de 2015, temos um canal de comunicação muito aberto, tanto com os meninos quanto com as meninas. Eles têm liberdade para dizer do que gostam, como estão se sentindo e também falar do que não gostam em nós". Fernanda ainda destaca que é importante que crianças e adolescentes percebam que o abraço faz parte das relações saudáveis entre familiares, amigos e casais. "O abraço é parte da construção do vínculo afetivo, demonstra aceitação, acolhimento, proteção. Eu acredito que somente uma relação amorosa pode forjar na criança o sentimento de confiança e segurança".

QUANTO MAIS, MELHOR A psiquiatra norte-americana Virginia Satir é reconhecida no meio acadêmico por defender que precisamos de, no mínimo, quatro abraços diários. Segundo suas contas, são necessários quatro abraços por dia para a sobrevivência do ser humano; oito para a manutenção do bem-estar; e 12 para um crescimento pessoal no futuro. Já Fernanda percebeu que, com o tempo, os abraços se tornaram mais frequentes e espontâneos, ressignificando a forma de as crianças e os jovens se relacionarem e se expressarem. "No nosso meio, eles recebem

muitos abraços, o que os ajuda a entender que o toque é uma linguagem de amor e não deve remeter à violência. Eles nunca recusaram um abraço, mas os primeiros eram rápidos, superficiais, tímidos e inseguros. À medida que fomos nos conhecendo, com encontros semanais, o vínculo foi crescendo, eles foram se sentindo mais seguros e amados, sabiam que eram bem-vindos, e os abraços ficaram espontâneos, demorados, afetuosos. Às vezes, expressam tristeza, permeados pela vontade de voltar para a família de origem. Às vezes, só querem o toque pelo toque, para sentir amor e afeto". No Colégio Marista Pio XII, em Novo Hamburgo (RS), o número de abraços diários passam de 12, se preciso for. Desde 2014, o Colégio aderiu à campanha do Abraço grátis. Os jovens da Pastoral da Juventude Marista (PJM) caminham pelos corredores durante o horário de intervalo com cartazes anunciando a distribuição de abraços para quem quiser. "O objetivo dessa ideia é aprofundar a formação integral e social entre os jovens, saindo da rotina. Assim, queremos despertar o cultivo de valores cristãos nos estudantes, como ser presente, ser amigo e demonstrar cuidado", explicaram os líderes da PJM do Colégio, a assessora Claudia Buttenbender e o Irmão Matheus Martins.

A pscicoterapeuta norte-americana Hillary Hendel é conhecida por desenvolver um método de terapia que busca entender as expressões do corpo, trabalhando o contato físico e a escuta das próprias emoções, em um caminho de resgate de quem se é. Recentemente, ela publicou um artigo no The New York Times sobre o poder de cura de um abraço. Na publicação, ela afirma que, para um abraço ser eficaz, ele precisa ser por inteiro, não pode ser um 'meio-abraço'. "Um abraço terapêutico, aquele destinado a acalmar o sistema nervoso, requer algumas instruções. Um bom abraço deve ser sincero. Você não pode fazê-lo pela metade. Duas pessoas, o 'abraçador' e o 'abraçado', encaram um ao outro e se abraçam, com seus corpos se tocando por inteiro. Sim, é íntimo. O 'abraçador' deve estar focado no 'abraçado' com intenção proposital para lhe oferecer conforto. É, literalmente, uma experiência de coração para coração: a pulsação do 'abraçador' pode regular o batimento cardíaco do 'abraçado'. Por último, e muito importante, o 'abraçador' deve abraçar o 'abraçado' até o 'abraçado' estar pronto para ir embora, e nem um momento antes". Tradução livre do artigo publicado no The New York Times, em 1 de Setembro de 2015. Leia na íntegra: goo.gl/dB1pc6

O processo de desenvolver o vínculo afetivo, mediado pelo toque físico do abraço, abriu caminho para o sentimento de confiança. 37


Vivências

© Fotos: Acervo pessoal

solidariedade

compartilhadas Entre sorrisos e brincadeiras, um mundo novo se abre por meio do voluntariado internacional Por Taysa Dias

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“Que se faz de boa vontade”. Essa é a definição no dicionário para a palavra “voluntário”. Explicação que poderia ser facilmente complementada por “receber muito mais do que se doa”, frase dita por Leomar Silvestro, coordenador do Centro Social Marista Santa Isabel (Cemasi), instituição localizada em Porto Alegre (RS) e escolhida para receber o voluntário chileno Christhofer Otárola Antonio Cabezas, de 27 anos, que trabalhou por lá durante o mês de janeiro de 2016. Após Silvestro comunicar a todos, educadores e crianças, sobre a vinda de um novo integrante, a euforia tomou conta dos jovens e adolescentes. A recepção do chileno ao local onde passaria seus próximos trinta dias, foi feita de forma natural e simples. A língua estrangeira, que antes parecia ser um empecilho, foi substituída por novas formas de se comunicar, sempre com carinho e respeito.


Para Christhofer, a ideia de ser voluntário surgiu de uma conversa com a colega de trabalho que acabara de chegar de uma missão na Bolívia. “Ser voluntário me permitiu sair da minha comodidade e conhecer diferentes realidades, com as quais não estou acostumado. Isso também me permitiu oferecer o meu trabalho para o outro”. A cada dia, novas experiências e vivências foram ganhando a contribuição do novo voluntário. “O Christhofer chegou ao Cemasi muito curioso para conhecer o espaço, a equipe e, é claro, os jovens do Centro. Mas algo que talvez ele não esperasse na proporção que aconteceu foram as amizades e o afeto das crianças, o mais sincero que podia vivenciar, pois elas abraçam o mundo e as pessoas como parte de sua família”, conta Silvestro. O voluntário ressalta que certamente levará o aprendizado profissional conquistado por meio das atividades no Cemasi para o seu dia a dia como professor de Química no Instituto Chacabuco, localizado na cidade de Los Andes, no Chile. “Foi uma das melhores experiências que tive na minha vida, que me permitiu crescer em todas as áreas, pessoal e profissional, além de conviver com pessoas maravilhosas que dedicam seu tempo para trabalhar nessa grande obra que são os Centros Sociais Maristas”, diz Christofer. Nesse tempo em que ele esteve por lá, ficou clara a importância do trabalho em equipe, independentemente das diferenças culturais. “Houve uma satisfação enorme e uma aproximação entre todos. O Christhofer se doou, acreditou e contribuiu com a nossa proposta”, afirma Silvestro. Christhofer pretende repetir a viagem de voluntariado no Brasil e relata que a maior contribuição para si próprio foi o autoconhecimento. “Ser voluntário é poder conhecer a si mesmo, saber o que sou capaz de entregar para o outro, além da oportunidade de conhecer os colegas brasileiros, que fizeram eu me sentir em casa”.

Ser voluntário me permitiu sair da minha comodidade e conhecer diferentes realidades, com as quais não estou acostumado. Isso também me permitiu oferecer o meu trabalho para o outro.

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© Foto: Michele Bravos

como fazer

É preciso saber ler saber ler

A liberdade e o incentivo à leitura são pontapés para formar leitores críticos e conscientes Por Taysa Dias

Você se recorda do primeiro livro que leu? E aquele título que mais o encantou ainda na infância? Certamente a segunda opção é mais fácil de lembrar. Isso porque o processo da leitura exige envolvimento individual e reflexivo, ao contrário de uma atividade de consumo rápido de texto e sem aprofundamento. Para Milena Ribeiro Martins, professora de Literatura do curso de Letras da Universidade Federal do Paraná (UFPR), gostar de ler é diferente de saber ler bem. Ela ressalta o papel da escola para exercitar as habilidades de leitura: “É preciso que o leitor aprenda a decodificar, prever a continuidade de um texto, a entender o dito e o suben-

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tendido, a entender ironia, piada, ameaça, identificar-se com emoções e colocar-se no lugar de personagens. Há muitas habilidades que exercitamos enquanto lemos, e tudo isso precisa ser ensinado, praticado e discutido”. A família tem relação direta na prática da leitura de crianças e adolescentes. Exemplo disso é o que aconteceu no lar do estudante Guilherme Engelhardt Stange, de 23 anos, onde sua mãe, Sandra Engelhardt, tinha o hábito de ler para ele livros inteiros durante sua infância. Aos 9 anos de idade, após uma ida à livraria com sua mãe, Guilherme iniciou sua primeira leitura autônoma. O título escolhido foi o mesmo de milhares


DICAS DE LEITURA Para que crianças e jovens iniciem suas descobertas no mundo da literatura, é preciso liberdade por parte da escola e incentivo por parte da família, dentro de casa. Confira algumas dicas da professora Milena para colaborar com a leitura de crianças e adolescentes: • Ajude o jovem a escolher bons livros (o que não é uma tarefa fácil!). • Guie-o pelas estantes de livrarias e bibliotecas. • Folheie, leia trechos, e não hesite em descartar um livro hoje, para retomá-lo no futuro. • Eleja seus escritores favoritos e recomende-os.

FLEXIBILIDADE X INSISTÊNCIA Para criar um hábito de leitura em casa ou na escola, é preciso ter disciplina e rotina. Segundo a professora Milena, conciliar disciplina com prazer é a melhor forma de não transformar a leitura em uma tarefa cansativa. “Se, para isso, for preciso abandonar uma leitura no meio, sem problemas, abandone! É isso que leitores maduros fazem: começam e interrompem leituras se elas não atendem a seus propósitos e a seus desejos. É importante, em casa, dar alguma liberdade de escolha”.

LITERATURA FANTÁSTICA de jovens: Harry Potter e a pedra filosofal, da autora J. K. Rowling. “Minha mãe lia muitos livros para mim, mas comecei ‘de verdade’ com Harry Potter. Foi o que me levou a gostar de ler”, revela. Depois disso, o estudante se entregou a clássicos como A volta ao mundo em 80 Dias, de Julio Verne; Capitães de areia, de Jorge Amado; O nome da rosa, de Umberto Eco, entre outros. O gosto por essas obras clássicas, contudo, não se deu de forma rápida por causa, segundo o próprio Guilherme, de sua “falta de maturidade literária”. “Lembro quando a escola solicitou que lêssemos Capitães de areia. Na época, não gostei. Hoje, já com o hábito da leitura, é um dos meus livros preferidos”.

Os livros de literatura fantástica apresentam três vertentes principais: a ficção científica, a fantasia e o horror. Esse gênero vem crescendo entre os jovens e adolescentes brasileiros e é, sim, uma porta de entrada para o mundo da literatura. Exemplo disso é a série Harry Potter, de J. K. Rowling, que vendeu milhões de exemplares pelo mundo e desmistificou o pensamento das editoras de que adolescentes não leem livros extensos. Além dessa famosa saga, outras séries ficcionais também caíram no gosto dos jovens, como Jogos vorazes, de Suzanne Collins, e Divergente, de Veronica Roth. Para a professora Milena, a literatura fantástica permite um universo ao mesmo tempo distante e próxi-

mo do leitor, que ultrapassa os limites da vida humana e permite a identificação com certos personagens e situações. “Vivemos imersos em cultura, em símbolos, em histórias. Perder a compreensão disso tudo é viver de forma rasa, superficial. Precisamos compreender o mundo em que vivemos para transformá-lo em algo melhor”.

Há muitas habilidades que exercitamos enquanto lemos, e tudo isso precisa ser ensinado, praticado, discutido.

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compartilhar

Confira nesta edição as dicas de aprendizado das Línguas Inglesa e Espanhola sugeridas pela assessora da área de Linguagens dos Colégios Maristas, Ana Cristina Alves.

APP MUSEU AMERICANO DE HISTÓRIA NATURAL Por meio do site do Museu Americano de História Natural (American Museum of Natural History), você pode baixar aplicativos para conhecer o acervo e enriquecer o vocabulário com leituras incríveis sobre ciência. A coleção de fósseis, incluindo de espécies de dinossauros, é um dos principais atrativos. amnh.org/apps

© Imagens: Divulgação

LIVRO WHAT'S ON

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Este é um livro didático que instrumentaliza o professor e prepara o estudante de uma maneira descontraída, usando os mais diversos filmes e séries de TV. A obra contempla funções de linguagem, aspectos gramaticais, atividades com respostas comentadas e um robusto guia de filmes e séries, como Cidade dos anjos, a saga Harry Potter, Meu malvado favorito e Friends.

LIVRO NOT JUST HAMBURGERS! Quando se pensa na culinária americana, certamente o hambúrguer é o primeiro alimento que vem à sua mente. No entanto, é importante conhecer outros pratos típicos, ainda mais se essa experiência possibilitar diversos aprendizados da Língua Inglesa. Com o livro de Virginia Klie, você também poderá conhecer as tradições gastronômicas, as influências étnicas, curiosidades e um menu especial para o Dia de Ação de Graças!


LIVRO MI BUENOS AIRES QUERIDO Mi Buenos Aires querido, de Delia María de Césaris e Telma Guimarães Castro Andrade, da editora Santillana, é uma publicação que combina o texto verbal com o áudio, possibilitando o exercício da leitura e da escuta. A história se desenrola em Buenos Aires, cidade em que um jovem brasileiro faz intercâmbio e tem a possibilidade de conhecer a cultura, as diferenças e as semelhanças entre Brasil e Argentina. A obra possui ainda glossário e atividades. Também vale conferir as diversas atividades disponíveis no portal educacional da Santillana. Confira: santillana.com.br/portal-educacional

FILMES UM CONTO CHINÊS, KAMCHATKA E CUERDAS O hábito de assistir a filmes e séries sem legenda é sempre recomendado, pois possibilita “treinar o ouvido” e ampliar o vocabulário. Alguns títulos sugeridos são Um conto chinês, Kamchatka e o curta-metragem Cuerdas. São obras que trazem aspectos culturais e motivam para um olhar sensível sobre os fatos reais ou ficcionais.

JORNAIS CLARÍN E EL PAÍS A leitura frequente desses jornais contribui para o aprendizado da estrutura gramatical da Língua Espanhola, bem como para a apropriação do vocabulário. Desenvolva o hábito de acompanhá-los e anote em um bloco as palavras novas. • clarin.com

• elpais.com

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diversão

Mas

Aulas de gastronomia e fotografia são opções de vazão para a curiosidade de crianças e adolescentes, contribuindo para o seu desenvolvimento Por Michele Bravos

A pouca idade não faz deles menos criativos ou desenvoltos. Pelo contrário. A curiosidade, inerente a crianças e adolescentes, os leva a resultados que surpreendem. Práticas que antes poderiam ser atribuídas apenas aos adultos têm conquistado o gosto das crianças e dos adolescentes também. Que tal aproximá-los desses mundos?

© Fotos: Shutterstock

por quê?

ENTRE PANELAS

Os programas de competição gastronômica com participantes mirins revelam o talento como chef de cozinha de crianças e adolescentes. E essa não é uma realidade só da TV. A professora de gastronomia Aline Wunsch, que dá cursos para os mais jovens, conta que o interesse dos alunos pelo novo faz com que aprendam rápido. “Eles são muito dedicados no que fazem. Não é difícil enxergar como suas habilidades aumentam ao decorrer das aulas”. A forma como a curiosidade é trabalhada permite que eles evoluam na prática de forma proveitosa, alcançando diferentes perfis de crianças e adolescentes. “Tenho alunos mais tímidos que são bem atentos, têm muita força de vontade e se superam a cada dia. Tenho, também, aqueles alunos superdesinibidos, que adoram interagir e têm uma criatividade fora do comum”. Uma aula de gastronomia não se destina apenas àqueles que possuem um interesse declarado pelas experiências na cozinha. As atividades podem servir para trabalhar outros aspectos no desenvolvimento do aluno. “A parte motora é desenvolvida, ao trabalharem com as panelas, com as facas e mexendo as preparações. Eles adquirem responsabilidade ao perceberem o espaço da cozinha como um ambiente que deve ser mantido limpo e organizado. Eles também aprendem a trabalhar em grupo, a ter noções de sustentabilidade e a respeitar o alimento”. O grande diferencial de um curso de gastronomia infantojuvenil comparado a um para adultos está no fato de que o segundo é mais técnico e o primeiro é mais experimental, possibilitando que os alunos aprendam diversas receitas e também treinem mais aquilo por que demonstram interesse.

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Tenho alunos mais tímidos que são bem atentos, têm muita força de vontade e se superam a cada dia. Tenho, também, aqueles alunos superdesinibidos, que adoram interagir e têm uma criatividade fora do comum.

ENTRE CLICKS

Quando ingressam nas aulas de fotografia, a imagem digital é vista como uma ferramenta de comunicação: através da imagem, se conta uma parte do dia, mostra-se quem se é (em geral, pelos selfies). No entanto, no decorrer das aulas, eles são apresentados à história da fotografia, às câmeras antigas e aos rolos de filme. O contato com esse outro universo instiga a curiosidade deles os desperta para conhecer mais do processo fotográfico e tudo o que envolve a fotografia. Para a fotógrafa Patrícia Zupo, professora de fotografia para adolescentes, “essa é a geração do anúncio pessoal, dos vídeos bem bolados, do ter algo a dizer para o público. Vejo que muitos são desinibidos. Busco trabalhar com estes a forma estética e a ética de postagens. Já os mais tímidos se soltam quando descobrem que a fotografia não precisa ser uma ferramenta de uso da autoimagem. Esse perfil de aluno, ao perceber que é possível se mostrar ao mundo sem aparecer nas fotografias, mas, sim, exibindo seu interesse pessoal, criam os mais interessantes temas de projetos”. A professora também percebe que, independentemente do perfil, algo que os alunos possuem em comum é o gosto por literatura e museus. Durante as aulas, a fotografia também é usada para despertar mais interesse pelos conteúdos convencionais da escola. “Trago a Matemática, a Física e a Química da fotografia para que eles compreendam o que e por que precisam estudar essas matérias. Por exemplo: ângulos e ótica estão relacionados diretamente a imagem e câmeras. Assim, eles começam a ver a prática do que estudam na escola”. Como os alunos dessa geração são bastante conectados, a professora inova no ensino. “Tanto os adolescentes como as crianças aprendem de forma nada convencional, com exemplos do seu dia a dia, aplicativos disponíveis e de forma livre. O imediatismo no qual eles vivem me permite incluir brincadeiras e construção de jogos para que a fotografia não seja apenas um mero ato de clicar”.

Essa é a geração do anúncio pessoal, dos vídeos bem bolados, do ter algo a dizer para o público.

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essência Matheus Giacomoni © Foto: Acervo pessoal

Ex-aluno do Marista São Pedro, formado em Administração, um dos fundadores da Múltiplo.X e transformador social.

Alterando as

estruturas

Pela minha trajetória e pela do meu sócio, Bernardo De Carli, sabíamos que não podíamos criar uma empresa apenas para ganhar dinheiro. Ele, professor de História, eu administrador. Mas, os dois com histórico de militância na educação popular e em outros projetos sociais. Por isso, nossa experiência e história de vida nos moveram a fazer a Múltiplo.X, uma empresa singular que busca dar um retorno para a sociedade, acima de tudo, visando transformação social. Fundamos a empresa com o objetivo de promover mudanças estruturais na sociedade, articulando vários setores – sociedade em geral, ONGs, empresas – e aprimorando seus potenciais de transformação. Analisamos o dinamismo do mercado atual, as novas demandas dos colaboradores das empresas, o formato da sociedade, os anseios e as necessidades da população. Chegamos à conclusão de que os formatos das relações de trabalho e consumo do século passado não são mais válidas, apesar de ainda dominarem os mercados. Hoje, exige-se que as empresas tenham a capacidade de interpretar e dar respostas aos anseios da sociedade civil. Um dos exemplos de trabalhos que realizamos foi a campanha TransformaLivro, organizada no ano de 2015 e ainda em andamento. Essa campanha, que aconteceu em espaços públicos da cidade, envolveu diversos segmentos: empresas como voluntárias e patrocinadoras, os cidadãos

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e as cidadãs de Porto Alegre, ONGs, artistas e pessoas da mídia. A TransformaLivro (goo.gl/xaAFE0) arrecadou mais de 5 mil livros em pontos de recolhimento pela cidade de Porto Alegre, e esses livros estão sendo distribuídos por bibliotecas da periferia da cidade. Bibliotecas comunitárias, que sejam geridas pelas próprias comunidades em parceria com as ONGs. Bibliotecas que têm a cara daquelas comunidades, que pertencem àquelas comunidades. Também estamos organizando saraus em cada uma das bibliotecas, pois acreditamos que apenas entregar os livros não cumpra o papel de transformação. É preciso ir até o fim: dar acesso e incentivar a leitura. Realizamos projetos nesses formatos também em ambientes empresariais. Mas, seja no espaço organizacional ou envolvendo a população como um todo, o mais importante para nós é realizar mudanças nas estruturas da sociedade, na forma de pensar a cidade.

Chegamos à conclusão de que os formatos das relações de trabalho e consumo do século passado não são mais válidas, apesar de ainda dominarem os mercados. Hoje, exige-se que as empresas tenham a capacidade de interpretar e dar respostas aos anseios da sociedade civil.


O ENSINO MÉDIO DA REDE MARISTA FICOU EM PRIMEIRO LUGAR EM LEMBRANÇA NO MARCAS DE QUEM DECIDE. OBRIGADO PELO RECONHECIMENTO.


CENTRAL DE RELACIONAMENTO COM O CLIENTE

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Colégio Marista Conceição  
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10ª ED | 1º SEM 2016

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