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O ABRAÇO CERTO

© Foto: Acervo do Colégio

O Colégio Marista Pio XII realiza, desde 2014, a campanha Abraço Grátis.

tar suas histórias, no tempo e do jeito deles, sem julgamentos ou curiosidade. Desde janeiro de 2015, temos um canal de comunicação muito aberto, tanto com os meninos quanto com as meninas. Eles têm liberdade para dizer do que gostam, como estão se sentindo e também falar do que não gostam em nós". Fernanda ainda destaca que é importante que crianças e adolescentes percebam que o abraço faz parte das relações saudáveis entre familiares, amigos e casais. "O abraço é parte da construção do vínculo afetivo, demonstra aceitação, acolhimento, proteção. Eu acredito que somente uma relação amorosa pode forjar na criança o sentimento de confiança e segurança".

QUANTO MAIS, MELHOR A psiquiatra norte-americana Virginia Satir é reconhecida no meio acadêmico por defender que precisamos de, no mínimo, quatro abraços diários. Segundo suas contas, são necessários quatro abraços por dia para a sobrevivência do ser humano; oito para a manutenção do bem-estar; e 12 para um crescimento pessoal no futuro. Já Fernanda percebeu que, com o tempo, os abraços se tornaram mais frequentes e espontâneos, ressignificando a forma de as crianças e os jovens se relacionarem e se expressarem. "No nosso meio, eles recebem

muitos abraços, o que os ajuda a entender que o toque é uma linguagem de amor e não deve remeter à violência. Eles nunca recusaram um abraço, mas os primeiros eram rápidos, superficiais, tímidos e inseguros. À medida que fomos nos conhecendo, com encontros semanais, o vínculo foi crescendo, eles foram se sentindo mais seguros e amados, sabiam que eram bem-vindos, e os abraços ficaram espontâneos, demorados, afetuosos. Às vezes, expressam tristeza, permeados pela vontade de voltar para a família de origem. Às vezes, só querem o toque pelo toque, para sentir amor e afeto". No Colégio Marista Pio XII, em Novo Hamburgo (RS), o número de abraços diários passam de 12, se preciso for. Desde 2014, o Colégio aderiu à campanha do Abraço grátis. Os jovens da Pastoral da Juventude Marista (PJM) caminham pelos corredores durante o horário de intervalo com cartazes anunciando a distribuição de abraços para quem quiser. "O objetivo dessa ideia é aprofundar a formação integral e social entre os jovens, saindo da rotina. Assim, queremos despertar o cultivo de valores cristãos nos estudantes, como ser presente, ser amigo e demonstrar cuidado", explicaram os líderes da PJM do Colégio, a assessora Claudia Buttenbender e o Irmão Matheus Martins.

A pscicoterapeuta norte-americana Hillary Hendel é conhecida por desenvolver um método de terapia que busca entender as expressões do corpo, trabalhando o contato físico e a escuta das próprias emoções, em um caminho de resgate de quem se é. Recentemente, ela publicou um artigo no The New York Times sobre o poder de cura de um abraço. Na publicação, ela afirma que, para um abraço ser eficaz, ele precisa ser por inteiro, não pode ser um 'meio-abraço'. "Um abraço terapêutico, aquele destinado a acalmar o sistema nervoso, requer algumas instruções. Um bom abraço deve ser sincero. Você não pode fazê-lo pela metade. Duas pessoas, o 'abraçador' e o 'abraçado', encaram um ao outro e se abraçam, com seus corpos se tocando por inteiro. Sim, é íntimo. O 'abraçador' deve estar focado no 'abraçado' com intenção proposital para lhe oferecer conforto. É, literalmente, uma experiência de coração para coração: a pulsação do 'abraçador' pode regular o batimento cardíaco do 'abraçado'. Por último, e muito importante, o 'abraçador' deve abraçar o 'abraçado' até o 'abraçado' estar pronto para ir embora, e nem um momento antes". Tradução livre do artigo publicado no The New York Times, em 1 de Setembro de 2015. Leia na íntegra: goo.gl/dB1pc6

O processo de desenvolver o vínculo afetivo, mediado pelo toque físico do abraço, abriu caminho para o sentimento de confiança. 37

Colégio Marista Assunção  

10ª ED | 1º SEM 2016

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