Page 35

Na esteira dessa temática, cabe pensarmos em questões relativas à qualidade da relação que os pais têm com seus filhos. Como é esse vínculo? Para auxiliar as famílias a tomar decisões com desdobramentos mais saudáveis na rotina das crianças, é fundamental que os pais conheçam seus filhos, que reconheçam qual o sentido que determinada atividade terá para eles. Há crianças que têm muita energia. Outras, menos. Sendo assim, existem atividades que têm mais a ver com o jeito de algumas crianças do que de outras. Daí a importância de não se tomar decisões a partir dos ditames sociais.

Diante disso, cabe se fazer as seguintes perguntas: • Esta atividade surgiu como uma demanda de quem? Dos pais ou do filho?

Além da intenção de ofertar às crianças novos estímulos por meio da educação formal (que podem ser uma modalidade esportiva, uma língua estrangeira, uma atividade artística, entre outras), deve-se pensar em possibilidades que “ensinem” habilidades de vida para elas lidarem, desde cedo, com um coletivo absolutamente vasto e diverso. Que atividade física poderia oferecer ao seu filho noções de cooperação e de trabalho em equipe? Que projeto social lhe traria a experiência de demandas de cidadania, de inclusão e de direitos humanos? Que escola de línguas oferece, além do conteúdo, uma proposta de vivência da cultura da comunidade que tem aquele idioma como nativo? Parece-me que não há recomendações possíveis sobre rotinas saudáveis que não passem pela necessidade de conexão com aquilo que há de singular em cada criança.

• Parece ser boa/fazer sentido para o meu filho? • Está no tempo dele? • O que ele diz sobre esta atividade?

© Foto: Arquivo pessoal

© Foto: Freepik

• Como ele se vê com o tempo livre?

Dependendo da idade da criança, é possível que uma boa conversa possa auxiliar na decisão, lembrando que deve ficar claro que ela poderá ser revista em qualquer tempo. Também vale destacar que as atividades escolhidas sejam introduzidas aos poucos, a fim de que se possa observar esse novo tempo em conjunto com a criança.

Crianças com agendas lotadas, independentemente da idade, não têm espaço para criar, apenas para reproduzir.

Renata Dipp é psicóloga, mestre em Psicologia Clínica e especialista em Gestão Empresarial, além de coordenar o Núcleo de Psicologia Escolar do SAPP/ PUCRS. Os temas que atualmente pesquisa vinculamse à psicologia escolar e educacional, à prática do psicólogo escolar, à educação inclusiva ao longo do ciclo vital e a intervenções preventivas e terapêuticas no ambiente escolar.

A cada edição, um especialista é convidado para partilhar sua visão sobre um determinado assunto. Você tem alguma sugestão de tema? Escreva para faleconosco@maristas.org.br e sugira!

35

Profile for Tecendo | Atelier de Comunicação

Colégio Marista Champagnat  

Revista Em Família Marista | 16ªEd

Colégio Marista Champagnat  

Revista Em Família Marista | 16ªEd

Profile for tecendo
Advertisement