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ColĂŠgio Uirapuru 





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Um ano especial As escolas são como pessoas: nascem, se desenvolvem, aprendem com suas experiências, as circunstâncias, os desafios, e atingem um ciclo de maturidade em que é possível, com serenidade, avaliar o passado e projetar o futuro. Assim é o Colégio Uirapuru. Dizer que é tempo de balanços seria uma tautologia. Sempre é tempo de balanços, pois todos construímos o nosso percurso cotejando as vivências passadas, dentro de condições concretas, guiados sempre por uma bússola que são nossos princípios e os valores. Faço essa reflexão apenas para dizer que o ano de 2012 foi, de fato, um ano especial para o Uirapuru. Do ponto de vista acadêmico, podemos dizer com segurança que alcançamos um patamar que atende às exigências do mundo contemporâneo e às expectativas de nossa comunidade – que tem muita clareza sobre a escola que deseja para seus filhos. O Colégio Uirapuru segue em frente, perseguindo convictamente os objetivos nos quais todos acreditamos: a preparação sólida, a formação de valores que se refletem em uma escola harmônica, marcada pela qualidade das relações humanas. Ao mesmo tempo, avançamos na criação de infraestrutura que atenda ao desenvolvimento contínuo desse projeto, como é o caso da Vila Uirapuru, do novo prédio do 8º ano à 3ª série do Ensino Médio, entre outras inovações. Nesse contexto de grandes movimentos de nossa instituição, o Festival das Letras e o relançamento da publicação Proposta, da qual os leitores terão detalhes nesta edição, revestem-se de um caráter muito simbólico. Essas iniciativas, que têm como foco principal a produção de textos literários, a leitura, o envolvimento das famílias em torno do livro, recuperam valores que sempre estiveram presentes em nossa prática e representam o fio que liga a trajetória de uma comunidade de educadores, de educandos, de pais e mães, de pessoas que têm na Educação e no conhecimento um referencial de vida. É nesse ambiente tão rico que chega às suas mãos o Anuário do Uirapuru 2012. Em cada linha e em cada entrelinha, há aqui um pouco da história de cada um de nós. Assim, que dizer mais? Boa leitura, e que venha 2013! Arthur Fonseca Filho Diretor 





Índice 6 Brincando e aprendendo 11 Vila do Uirapuru 16 Camilão, o Comilão 21 O espaço novo do berçário

Super Almanaque Matemático

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Novas perspectivas para o ensino da Matemática Experiências que geram conhecimento Show de ciências Eu, Etiqueta

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Arte: a construção do percurso criador Orientação Vocacional

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56 Festival das Letras 60 Jogos Uirapuru

Projeto “O livro que marcou minha vida”

76 Leituras mais complexas 78 Poesia fora da estante 80 Internet Segura 82 O uso do Moodle 84 É High School, é Uirapuru! 88 Os resultados do ENEM 90 O doente imaginário



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O espaço novo do Berçário do Uirapuru Fernanda Brocchi de Moraes Rodrigues e Maria Angélica Vasques Moreira Os espaços foram projetados intencionalmente para que as crianças explorem com segurança, os movimentos e as sensações. Os pisos internos e externos são emborrachados para que fiquem mais à vontade, sem riscos, e facilitam a higienização. Um tanque de areia antialérgico foi construído para que todas as crianças (a partir de 1 ano) possam explorar as possibilidades de manipulação e construções com areia. O imaginário é essencial para o desenvolvimento emocional, afetivo, linguístico e do pensamento, pois é por meio do faz de conta que a criança desenvolve suas emoções. Explorando e manuseando livros apropriados, participando de contação de histórias, teatros, dramatizações, proporcionamos às crianças melhor desenvolvimento na linguagem, aumentando o vocabulário e a expressão dos sentimentos. Música Com a música, desenvolvemos a percepção auditiva, visual e diferentes ritmos e sons. São utilizados materiais como bandinhas, instrumentos musicais e CD s educativos. A música se faz presente em vários momentos do dia a dia das crianças, nas atividades de movimentos, expressão corporal, relações interpessoais, criatividade

Em 2012, o Berçário Uirapuru ganhou um espaço novo, construído para atender somente bebês entre 4 meses a 2 anos. “Cuidar e Educar” é o foco desta fase do desenvolvimento, por isso nosso espaço é apropriado para a estimulação completa do bebê. Temos um olhar individualizado para que cada criança vivencie suas conquistas, passando pelas etapas do desenvolvimento motor, linguístico, afetivo/emocional e social. Os espaços e os recursos são cuidadosamente pensados. Os brinquedos são adequados para cada idade. Para os bebês de 4 a 12 meses, utilizamos material de borracha, tecido, plástico, como mesas de estimulação, móbiles, chocalhos, bonecos e bichinhos emborrachados, livros de tecidos ou plásticos, fantoches, bolas, cubos de encaixe em tamanho grande. Já para crianças entre 13 a 24 meses, utilizamos jogos de encaixe, livros de texturas, fantasias, carrinhos, bonecas, escorregadores, túneis, gangorras, triciclos, tanque de areia, entre outros. A partir dos 19 meses, iniciamos experiências táteis mais elaboradas com o uso de massinhas e tintas caseiras, introduzindo assim atividades de pinturas e arte coletivas. 





e, até mesmo, no descanso, com relaxamentos e sons tranquilos. É por meio da imitação que a criança constrói conceitos fundamentais para o desenvolvimento da autonomia (emocional, física e cognitiva), por isso é imprescindível que o adulto seja um exemplo positivo. A convivência com outras crianças é muito importante para a aquisição de seu desenvolvimento, uma vez que sempre imita o seu companheiro nos momentos de refeição, nas atividades, nas brincadeiras, no momento de ouvir história, de escovar os dentes, nas dramatizações, gestos e movimentos em frente ao espelho, etc.

Para que tudo isto aconteça de maneira segura e harmoniosa, nosso Berçário possui salas de Estimulação, Brinquedoteca, Sala Espelhada, Camarim, Experimentos e Sensações, Bebeteca, Solarium, Parque Interno e Tanque de Areia. Para um bom descanso e prezando a tranquilidade dos bebês, temos salas do “soninho”, com berços individuais. Os refeitórios possibilitam que o momento da alimentação seja prazeroso e calmo. Com orientação de nutricionista, nossos bebês têm uma rotina de refeições adequadas e balanceadas. As berçaristas conhecem cada bebê e sua rotina, proporcionando um atendimento individualizado 10


- procurar um objeto que foi escondido; - cobrir e descobrir o rosto, na brincadeira de esconde-esconde; - tentar vestir bonecos e até a si mesmas; - encher baldes de areia, virar e fazer “bolo”; - atender comandos simples (pegue a bola, vamos ao parque); - atender comandos com mais de uma ordem (pegue a bola e coloque no cesto, passe pelo túnel, suba a escada e desça pelo escorregador). Temos a certeza que tudo isto é realizado com empenho, envolvimento, compromisso e amor, pois a equipe do Berçário é capacitada e orientada a acompanhar de perto o desenvolvimento das crianças, dando assim, segurança e tranquilidade aos pais, que nos confiam seus filhos, para que possamos: Cuidar e Educar.

para os cuidados (higiene, alimentação, sono, etc), valorizando sempre um olhar voltado para o grupo e estimulando a troca de experiência entre os bebês, que é fundamental para o desenvolvimento cognitivo, social, emocional e afetivo. O pensador suíço Jean Piaget, conhecido pelo seu trabalho pioneiro no campo do desenvolvimento da inteligência infantil, mostra-nos a evolução gradativa do desenvolvimento infantil. Segundo Piaget, desde o nascimento, o bebê constrói formas de ação inteligente, que vão se modificando com sua experiência em um determinado meio. Podemos ver isso nas atividades em que as crianças observam e realizam ações como: - colocar a bola num cesto; - devolver a bola que vem rolando;

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Brincando e aprendendo “As preocupações com um ensino de matemática de qualidade desde a Educação Infantil são cada vez mais frequentes e são inúmeros os estudos que indicam caminhos para fazer com que o aluno dessa faixa escolar tenha oportunidades de iniciar de modo adequado seus primeiros contatos com essa disciplina.” (Smole, Kátia. 2000)

O brincar para a criança é tão sério e indispensável como o trabalho para o adulto. É sabido que, quando possibilitamos às crianças oportunidades de brincadeiras, elas assimilam conceitos de percepção espacial e expande a sua capacidade corporal de forma mais significativa. Dessa maneira, as propostas das aulas de Matemática vêm com a intenção de criarmos ambientes que sugiram investigação e exploração de diversas situações-problema, além de promover a interação entre alunos, com as trocas de informações a respeito das estratégias, soluções e procedimentos. No 1º ano do Ensino Fundamental, esse conteúdo esteve atrelado ao trabalho com jogos e brincadeiras, que possibilitou situações de aprendizagens significativas e muito prazerosas. 13


Realizados ao longo do ano, os jogos e as brincadeiras foram explorados cuidadosamente para que os alunos desenvolvessem estratégias de pensamento, compreendessem noções e conceitos matemáticos e aprendessem a trabalhar em grupo, sendo incentivados à participação, à cooperação, ao respeito mútuo e à criticidade. Pensar matemático De acordo com STOCCO (2000), ao brincar as crianças iniciam uma aprendizagem de conteúdos relacionados ao desenvolvimento do pensar aritmético, como: realizar contagens, comparar quantidades, identificar algarismos adicionando os pontos que fez na brincadeira. Assim, planejadas e organizadas, as crianças brincaram e se desafiaram com: Jogo dos Cinco, Queimada, Memória do 10, Jogo do Caminhão, Jogo no Quadro dos 50, Coelho Sai da Toca, Bola ao Cesto, Esvaziando o Caminhão, Bola na Mão, Marcha do jornal, Amarelinha da Semana e Trilha do Cem Números. Durante as etapas de realização das atividades, foram exploradas habilidades como: compreensão e respeito às regras e sua participação (ativa e respeitosa em relação ao grupo). Uma vez que têm objetivo a ser alcançado e permitem que as crianças usem estratégias, estabeleçam planos, descubram possibilidades, as brincadeiras e os jogos devem ser permeados por diversas situações-problema. A sequência dos jogos e das brincadeiras foi pensada nos desafios a serem conquistados pelas 14


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crianças ao longo do ano. Por isso alguns jogos

Os alunos e a Matemática

foram retomados mais de uma vez, em diferentes épocas, possibilitando o avanço com novas

Leia algumas produções textuais dos alunos de 1o ano do Ensino Fundamental, relativas ao aprendizado durante as atividades:

habilidades. Como foi o caso do Jogo dos Cinco. Em fevereiro, na primeira versão, o objetivo era virar as cartas para somar a quantidade cinco. Em maio,

“Eu desenhei todo o percurso do jogo, até chegar no último número, o 100.” Aluna, 1º ano F

o jogo volta como Memória do Dez, somando assim a quantidade do dez. O mesmo aconteceu com o Jogo do Cami-

“De todas as brincadeiras, a minha preferida foi da Marcha do Jornal. Tinha que andar em cima do jornal para ganhar a corrida, mas não pode rasgar. Se rasgar tudo bem começar tudo de novo, o importante é participar!” Aluno do 1º ano B

nhão: primeiramente jogaram com o conceito da adição e depois com a subtração, em Vamos Esvaziar o Caminhão? À medida que o trabalho com a matemática se desenvolveu, a representação pictórica apareceu de diversas formas, como um recurso valioso de comunicação, parte importante de percepção es-

“Quando eu jogo com o meu amigo o Jogo do caminhão, às vezes eu perco, mas quando eu ganho é porque eu consegui somar números altos nos dados.” Aluno do 1º ano A

pacial, propiciando às crianças iniciar uma representação gráfica sobre as ações que realizaram. Assim como o registro pictórico, a oralidade incluiu conversas sobre a atividade desenvolvida, levantando dúvidas e novas aprendizagens, sendo assim uma aliada a mais na resolução de problemas, nos quais as crianças são estimuladas a justificar, argumentar sobre sua forma de pensar, bem como analisar as justificativas e soluções dos colegas. Ao mesmo tempo, é possível construir noções e conceitos, possibilitando às crianças a aprendizagem da beleza da matemática, como instrumento de leitura de mundo, como jogo e ciência.

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Vila do Uirapuru Gabriela Plens

Feche os olhos e imagine... - Um lugar colorido, em tons de laranja, verde, azul e amarelo. - Um lugar onde todas as coisas estĂŁo voltadas para um Ăşnico ponto central. 18


- Neste ponto central, uma praça.

como uma ação que desperta prazer e alegria. No Colégio Uirapuru, concordamos com pesquisas que definem esta ação como algo importante e que faz parte do desenvolvimento infantil, impulsionando a criança para novas formas de representação. No processo de desenvolvimento (dos 2 aos 5 anos), o brinquedo/objeto dita a ação que deve ser realizada pela criança. O objeto está ligado à sua função: um telefone, por exemplo, deve ser usado para falar. À medida que a criança cresce, com a elaboração do pensamento, o objeto passa a ter função não pelo uso, mas pela ideia. Isso quer dizer que um cabo de vassoura, por exemplo, pode ser um cavalo; um pedaço de pano pode ser uma roupa de princesa. É por meio desse poder de imaginação, de usar o objeto com outros significados, que o pensamento abstrato se desenvolve. A capacidade de fazer escolhas conscientes e segundo as suas vontades e necessidades também é resultado da brincadeira. A criança passa a agir dentro de uma esfera imaginária, em que a representação de ações vividas ou observadas é transferida para o brincar. Durante a organização da brincadeira (que muitas vezes é mais interessante e demanda maior tempo em sua preparação) e posteriormente na ação, a criança representa por meio de falas, posturas e gestos, situações vividas e também do seu imaginário. É pelo brincar que a criança estabelece novas

- Nesta praça um coreto. - Ao redor do coreto, ruas. - Da união de alguns tijolos, construções. - Os telhados são mágicos, pois não impedem a imaginação. - Das construções, formam-se: casa da família, cabeleireiro, mercearia, escola, clínica médica e posto de gasolina. - Da união destas construções, das ruas, da praça e do coreto, uma vila. A Vila do Uirapuru! É com muita alegria, satisfação e também expectativas que anunciamos o novo projeto do Colégio Uirapuru. A Vila do Uirapuru (que atualmente encontra-se em fase de acabamento) é um local destinado ao uso das crianças de Pré-Escola e fases iniciais do Ensino Fundamental. Trata-se de um ambiente onde todas as coisas (construção e mobiliário) foram e estão sendo reproduzidas semelhantes à realidade. É refletindo sobre a característica da faixa etária de nossas crianças que nasce a Vila do Uirapuru, local que privilegia a interação e o faz de conta, que faz parte do desenvolvimento do indivíduo. Quando somos crianças, muitas coisas são possíveis. Rapidamente passamos de bombeiro a médico, de cabeleireira à professora, de superherói a papai, de princesa à mamãe... No tempo do faz de conta, nada é tão distante e tudo é muito perto. Para alguns, a brincadeira é concebida apenas 19


relações entre o pensamento e as situações reais. O espaço físico, refletido anteriormente, está em processo de execução. Com casa, escola, clínica médica, salão de cabeleireiro, mercearia, posto de gasolina e coreto central, forma-se o espaço destinado à construção de conhecimentos. É num ambiente preparado para a alegria, prazer, contentamento, bem como para relacionamentos e interação, que se consolida a nossa vila, a Vila do Uirapuru.

“Gosto de brincar com carrinho de boneca e fantasia. Gosto da cama elástica e de boneca”. Ana Beatriz Galvão - Infantil 5

Seja bem-vinda, sua excelência... Vila do Uirapuru! (Excelência, porque Claparède já dizia: “Nada mais sério do que ver crianças brincando.”)

“Gosto de brincar que a casa é um castelo, a vassoura é um cavalo e eu viro um cavaleiro e luto contra ogros”. Ítalo Boldorine - 1º ano

A palavra da criança... “Eu gosto de brincar de super-heróis. Eles não gostam do mau”. Arthur Campos - Infantil 2

“Eu brinco que sou o ninja Go. Ele é do bem e luta contra o mal”. Lucas dos Reis - 2º ano “Gosto de pular amarelinha, e de pega-pega. Eu também gosto de ser super-herói, gosto mais do homem-aranha”. Caio Puetas Medeiros - Infantil 3 “Gosto de brincar de boneca, eu sou a mamãe. Gosto muito de brincar de “lava-lava”, dá para lavar roupa de “mentirinha”. Sofia Milano - Infantil 4 20


A palavra do adulto, que foi criança...

“Eu brincava de casinha, gostava de fazer piquenique. Pegava um pano e enrolava na roupa para fazer vestido igual aos que via nos filmes”. Tia Nilza – trabalhava com vô Arthur na OSE e veio para o Uirapuru com Arthur Filho – 47 anos de Instituição “Gostava de brincar de bolinha de gude e de andar de bicicleta. Também gostava de brincar com bola, eu brincava na rua”. Tio Arthur - diretor do Uirapuru

“Eu pouco brinquei, morava no sítio e ajudava na lavoura”. Tio Chico - trabalha no Uirapuru há 17 anos

“Brincava de boneca de pano. Minha mãe fazia boneca de cobertor. Subi em árvore, brinquei de peteca e queimada”. Tia Dóris - trabalha no Colégio há 15 anos

“Eu brincava de Playmobil, mas o que gostava mesmo era brincar de bola” .Tio Neto - trabalha na Instituição há 18 anos “Gostava de brincar de pique-esconde e roda. Eu colocava as bonecas sentadas e brincava que eu era a professora delas”. Tia Angélica - trabalha no Colégio há 21 anos 21


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Camilão é um porco criado pela autora Ana Maria Machado. Com seu enorme coração, consegue ser amigo de todos os animais da floresta. Num belo dia, enquanto passeava com uma cesta de piquenique, vai recolhendo de seus amigos: 1 melancia; 2 abóboras; 3 queijos; 4 litros de leite; 5 espigas

Camilão, o comilão de milho; 6 bananas; 7 potes de mel; 8 pés de alface; 9 cenouras; 10 avelãs... e o guardanapo por cima.

Ana Paula Miura, Helena Souza, Kátia Oliveira, Mônica Marques

Mas não pense que Camilão, o comilão, comeria tudo isso sozinho. Tamanha era sua generosidade, que preparava para todos uma surpresa: um delicioso banquete saudável! Grande como sua generosidade é também a possibilidade de exploração do livro. A leitura já é uma viagem, uma vez que o enredo é de autoria de Ana Maria Machado, considerada uma das grandes autoras mundiais no campo da literatura infantil e juvenil. Com foco no desenvolvimento da linguagem oral e escrita, foi trabalhada uma sequência de propostas. Por várias vezes, a leitura compartilhada foi realizada. Ainda que as crianças não soubessem ler de maneira convencional, tinham 23


já sabem que pela escrita é possível resgatar na íntegra pensamentos ou ideias. Para ajudar Camilão, nada mais fácil do que escrever, pois disto o Infantil 5 entende! Na turma do Infantil 5, cada um escreve do seu jeito. Pode ser só com vogais, apenas com consoantes, pode ser com a mistura das letras fortes e fracas (vogais e consoantes), pode ser uma letra para cada sílaba ou se quiser, pode ser mais. Tudo depende de como se fala, como se lê, como se ouve, de como cada criança pensa naquele dia. Somente ler e escrever não é suficiente; é preciso saber fazer uso da leitura e da escrita nas práticas cotidianas. É preciso saber responder às exigências da leitura e da escrita feitas pela sociedade e isto é mais complexo e mais amplo do que ler e escrever de maneira convencional. É preciso entender e se fazer entendido quanto às hipóteses e aos posicionamentos, assim, Camilão contribuiu para que essas habilidades fossem desenvolvidas. Camilão ficou muito contente com a ajuda e, como agradecimento, mandou às crianças uma cesta de piquenique com... 1 melancia, 2 abóboras, 3 queijos, 4 litros de leite, 5 espigas de milho, 6 bananas, 7 potes de mel, 8 pés de alface, 9 cenouras, 10 avelãs e ... o guardanapo por cima. É claro que as crianças escreveram um recado para agradecer. As crianças também organizaram um banquete e, acreditem, comeram de tudo! Puderam levar para casa algumas folhas de alface, para almoço

Somente ler e escrever não é suficiente; é preciso saber fazer uso da leitura e da escrita nas práticas cotidianas. É preciso saber responder às exigências da leitura e da escrita feitas pela sociedade e isto é mais complexo e mais amplo do que ler e escrever de maneira convencional. em suas mãos o livro e acompanhavam página por página. O resultado desta ação foi conferido pelas famílias: quando as crianças levaram o livro como tarefa para casa, tinham tanta intimidade com ele que realizavam a “leitura” fluentemente. Camilão queria ser amigo das crianças do Infantil 5 e, como meio de aproximação, solicitou ajuda. Essa ajuda consistia em organizar uma lista com os alimentos e suas respectivas quantidades e uma lista com o nome dos animais que participariam da festa. As crianças desta etapa 24


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ou jantar e os pais ganharam um pote com doce de abóbora. O doce mais gostoso do mundo, porque Camilão entende de abóboras maduras... Sem se dar por satisfeito, Camilão, o comilão, proporcionou às crianças uma abordagem matemática. Por ser uma história de conceito acumulativo, permitiu um trabalho voltado para a adição, sequência e ordem numérica, que contribuiu no processo de construção do conceito de número.

Por ser uma história de conceito acumulativo, permitiu um trabalho voltado para a adição, sequência e ordem numérica. Mais uma novidade, o personagem preparou uma surpresa e enviou às crianças alguns tabuleiros de jogo da velha. Não um tabuleiro como aquele que todas as pessoas conhecem: para marcar “velha” precisa de uma estratégia mais elaborada, pois o resultado é escolhido pela soma de dois números. Isso quer dizer que o resultadose constrói por idas e vindas reflexivas. Por exemplo, para marcar a casinha com 4 laranjas,é preciso fazer a escolha de 2+2 ou 3+1 ou 1+3, sempre considerando como foco principal a estratégia do jogo da velha, que é fazer velha e impedir as possibilidades do adversário. Neste jogo, a função matemática cumpre-se em sua totalidade: o desenvolvimento das potencialidades da criança em termos de inteligência e cognição. 27


SUPER ALMANAQUE

MATEMĂ TICO! Silvia Mara Martins de Almeida Ambrozio 28


Organizar conteúdos trabalhados em Matemática numa coletânea que mostrasse o que foi estudado e saboreado por nossos alunos foi o ponto de partida. Isso pode parecer, à primeira vista, uma tarefa fácil. Entretanto, se faz necessária uma reflexão sobre o que será transmitido. Não apenas atividades que vão ser apresentadas; mas, sim, algo com sentido e significado para nossas crianças. Algo que lhes seja interessante, chamativo, diferente! Nada melhor, então, do que um ALMANAQUE!

Como Ruth Rocha carinhosamente define, o almanaque é um livro onde cabe de tudo um pouco: “coisas sérias e engraçadas, histórias e lendas, brincadeiras e anedotas, adivinhações e enigmas.” Como o que queríamos colecionar eram atividades e conhecimentos matemáticos adquiridos ao longo do ano, um Almanaque faria uma perfeita combinação! No nosso Almanaque, além de tudo o que Ruth Rocha cita, incluímos: jogos, curiosidades matemáticas, descobertas dos alunos, receitas, dobra29


duras, problemas desafiadores ou engraçados, dicas matemáticas, aprendizagens sobre Arte. Adicionamos também produções dos alunos feitas a partir das atividades desenvolvidas em aula, envolvendo Arte e Geometria, tudo que, de uma maneira ou de outra, tivesse relação com o que as crianças estudaram. O grande desafio foi, de uma forma divertida e criativa, utilizar a linguagem matemática existente nas atividades desenvolvidas, aliando-as aos gêneros textuais e suas estruturas, vivenciadas nas aulas de Português. Assim, reforçamos, mais uma vez, a importância da língua e sua diversidade de textos com as mais variadas formas de linguagem vivenciadas no cotidiano. Esse projeto desenvolveu-se em 4 etapas: • Etapa 1: familiarização com os Almanaques – de posse de almanaques como o de Ruth Rocha e outros que circulam atualmente, as crianças puderam conhecê-los mais de perto e ter mais condições de escolher o formato do almanaque que seria produzido. • Etapa 2: escolha das duplas, da seção que ficará sob a responsabilidade de cada dupla, bem como seu título. Também, o destinatário do texto foi escolhido a fim de preparar atividades para este público-alvo específico. • Etapa 3: desenvolvimento do projeto propriamente dito – elaboração, pelas duplas, das atividades que iriam para o almanaque em aula e, num segundo momento, no laboratório de Informática. 30


Durante todo o processo, a interferência da professora era a menor possível, pois se tratava de um momento de autonomia e discussão dos alunos. O resultado superou as expectativas.

“Eu sempre gostei muito de livros, de revistas e de jornais. Eu passava todo o tempo esperando ganhar um novo livro, esperando que chagasse o Almanaque do Tico-Tico que saía sempre perto do Natal. Era um livrão grande e colorido e falava de tudo um pouco: de coisas sérias e de coisas engraçadas, histórias e lendas, brincadeiras e anedotas, adivinhações e enigmas.”

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Novas Perspectivas para o ensino e aprendizagem

de Matemática Claudia Mortara, Fernanda Cleto e Luiza Falcato

reflexões e pesquisas sobre o ensino e aprendizagem de matemática, inspirados nas questões locais e também em estudos realizados em outros países. Nós, professores e coordenadores do Colégio Uirapuru, estamos em permanente estado de formação, atentos a esses avanços. Temos como apoio e consultoria o Mathema, Grupo que pesquisa e experimenta novos métodos de ensino e aprendizagem de matemática, formando professores, realizando assessorias, publicando materiais e recursos pedagógicos para a melhoria do processo educativo. Particularmente no segmento do Ensino Fundamental II, tivemos por dois anos um grupo de estudos, coordenado pela professora Patrícia Cândido, voltado para a questão de resolução de problemas. Pudemos refletir sobre: • as estratégias de motivação e envolvimento com o texto da situação-problema proposta; • o desenvolvimento e melhoria da qualidade de registros para serem utilizados como facilitador no processo de compreensão e desencadeador dos caminhos para a resolução; • a importância de desenvolver no aluno o hábito de avaliar a consistência dos resultados obtidos; • a valorização da ferramenta “Painel de so-

Estudos, pesquisas, resultados de exames e avaliações internas e externas à escolas têm demonstrado problemas na formação do cidadão brasileiro. Relacionado a esse fato, temos outros indicadores como a falta de profissionais aptos para a demanda do mercado de trabalho nas mais diferentes áreas, as frequentes considerações de estudiosos sobre a incapacidade do país “arrancar” com desenvolvimento sustentável, as profundas desigualdades nas oportunidades de acesso ao conhecimento e desenvolvimento social. Citando o economista José Pastore: ... na sociedade atual só tem chance quem domina conhecimentos de boa qualidade. Isso tem pouco a ver com anos de escola; e menos ainda com diploma. Conhecimentos de boa qualidade são aqueles que tornam os seres humanos produtivos e criativos, facilitando a aquisição de mais e melhores conhecimentos. Sem esse tipo de conhecimentos, as oportunidades de desenvolvimento individual e social do mundo atual permanecem inacessíveis. A sociedade moderna precisa de cidadãos capazes para oferecer respostas rápidas às mudanças que ocorrem nos campos do trabalho, economia, política e cultura. Nesse cenário vem ocorrendo muitos estudos, 32


luções”, quando se compartilha os diferentes caminhos realizados pelos outros colegas para resolver o mesmo problema. Nesse ano de 2012, focamos as nossas pesquisas no eixo temático que tem sido considerado um conhecimento de extrema importância na formação do cidadão: Tratamento da Informação. O objetivo desse trabalho é desenvolver no aluno a habilidade de ler, interpretar e analisar tabelas, gráficos e notícias que de uma forma geral envolvem números como índices e taxas. É importante salientar que o campo Tratamento da Informação estende-se para além das fronteiras da organização e análise de dados, culminando na transformação dessas informações em conhecimento, que constituirão os meios para o desenvolvimento das competências pessoais. A capacidade de análise de dados estatísticos de toda natureza é um importante pilar do edifício constituído pelo conhecimento matemático e uma ferramenta indispensável no processo de construção de cidadania. O Grupo Mathema, sob a orientação da professora Letícia Giordano, tem nos proporcionado encontros para discussão de leituras e sequências didáticas que contribuem para a melhoria da qualidade do ensino-aprendizagem, com especial atenção ao planejamento na perspectiva: “o que”, “como” e “com que grau de profundidade” abordar os conteúdos que norteiam esse eixo temático nas respectivas séries/anos. As observações feitas em nossas aulas, pelas professoras formadoras do Mathema, mostraram-se de suma importância no aprimoramento das relações professor-conteúdo, professor-aluno e professor-classe. Nas reuniões para a devolutiva das observações recebemos várias sugestões de métodos e estratégias que valorizam o nosso trabalho e melhoram a qualidade das aulas. Logo, a atuação do professor, o conteúdo, a metodo-

logia e a aprendizagem requerida dos alunos são aspectos indissociáveis que se complementam para formar um ambiente de estudo desafiador e conectado com as novidades e necessidades atuais e futuras da nossa sociedade. Com atividades diferenciadas, nós, professoras do Colégio Uirapuru, abordamos o tema proposto com o resultado esperado. Em uma atividade desenvolvida com os alunos do 6º ano, os objetivos eram: compreender como coletar, organizar e descrever dados utilizando tabelas simples; identificar formas adequadas para descrever e representar dados numéricos e informações de natureza social, econômica, política, científico-tecnológica ou abstrata; analisar dados; formular hipóteses para a resolução de situações problemas envolvendo coleta e organização de dados. Vamos encerrar com o cientista astrônomo norte-americano, Carl Sagan, que magistralmente nos alerta sobre a importância do conhecimento de boa qualidade que nos permite compreender melhor o mundo: Temos uma civilização baseada na ciência e tecnologia, e engenhosamente arranjamos as coisas de modo que quase ninguém entende ciência e tecnologia. Isto é mais claramente uma receita para o desastre do que você pode imaginar. Embora possamos lidar com essa mistura combustível de ignorância e poder por algum tempo, mais cedo ou mais tarde, explodirá nas nossas caras. O poder da tecnologia moderna é tão formidável que é insuficiente apenas dizer: “Bem, aqueles no comando, tenho certeza, estão fazendo um bom trabalho”. Isto é uma democracia, e para que tenhamos certeza de que o poder da ciência e tecnologia seja usado própria e prudentemente, nós mesmos devemos entender ciência e tecnologia. Devemos nos envolver no processo de tomada de decisões. 33


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Feira de Ciências

Experiências que geram conhecimento Claudia Renata Jorge Rodrigues e Sueli Moraes França 35


A Feira de Ciências do Uirapuru acontece anualmente com a participação dos alunos do Ensino Fundamental II, com apresentações dos mais variados temas acerca dos conteúdos trabalhados nas disciplinas ligadas às ciências. Estudar a teoria sobre uma disciplina, pesquisar em livros ou sites e estudar muito é bastante relevante para o conhecimento. Porém, vivenciar e experimentar na prática são percursos extremamente produtivos no processo de aprendizagem. Desta forma, vivenciar e aprender estão intimamente ligados. Foi pensando nisso que, no início do séc. XX, docentes do ensino básico de escolas dos Estados Unidos propuseram projetos científicos aos seus alunos para demonstrar determinados fenômenos para seus colegas de classe. A ideia foi muito impactante e os professores notaram que essa estratégia contribuía muito para o aprendizado. As escolas, de uma forma geral, elaboram atividades a serem desempenhadas com o objetivo de realizar o ato de educar o aluno. Mas, na prática, muitas vezes as atividades que deveriam estar voltadas para a formação integral do aluno não recebem a devida importância. Alguns pontos devem ser questionados pelo educador no sentido de realizar uma feira de forma que venha realmente resultar na ampliação do conhecimento do aluno. De que forma acontecem? Seus reais objetivos estão sendo atingidos? No Uirapuru, a Feira de Ciências é um evento que faz parte do calendário escolar há mais de vinte anos, com um número crescente de participantes e de espectadores. As exposições realizadas estimulam a troca de conhecimentos e despertam interesses que levam as pessoas a adaptarem essas novas informações às suas necessidades. Diferentes habilidades são desenvolvidas nos alunos, principalmente a cooperação no trabalho em equipe.

São considerados aspectos como o conhecimento científico; domínio do conteúdo; criatividade e inovação; participação dos componentes da equipe; qualidade da apresentação; qualidade do trabalho; organização geral (inclusive a limpeza e a organização do local da exposição). Os trabalhos tiveram início em agosto, com o sorteio dos grupos, escolha dos temas, pesquisa na biblioteca, pesquisa nos sites, idealização da 36


parte prática e, finalmente a confecção dos trabalhos, que foram apresentados na feira de ciências em 27 de outubro, com muito sucesso. Temas Neste ano, as professoras de Ciências: Sueli França e Cláudia Jorge coordenaram a participação de cinquenta grupos, cujos temas foram: 6° ano: “A Integração da Terra com o Universo” As relações e o funcionamento do nosso planeta,

apresentadas de forma consciente e responsável. 7° ano: ”A Integração dos Seres com a Terra” As incríveis adaptações dos diferentes seres ao nosso planeta mostradas de forma muito peculiar. 8° ano: “O Ser Humano Integrado” O ser humano, mostrado de forma holística na integração de cada sistema, cujo propósito maior é atingir a homeostase, o estado de saúde. 37


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SHOW DE CIÊNCIAS

A divulgação científica por meio da atividade lúdica Perla Silva Sartório Furlan Kátia Regina Yabiku A “Feira de Ciências” mais uma vez contou com a participação dos alunos de 9º ano, que apresentaram seus trabalhos na forma de um show. De maneira bastante descontraída, e até irreverente, foram realizados experimentos de ciências e mágicas matemáticas (“matemágicas”), que contaram com a participação especial de corajosos voluntários da plateia, das mais variadas faixas etárias. Estes subiram ao palco movidos pela curiosidade e contagiados pela animação dos apresentadores. Muito mais que um espetáculo, o “Show de Ciências” é uma atividade interativa que utiliza a linguagem do entretenimento, do lúdico, para estimular o conhecimento e o interesse pela ciência. Dessa forma, contribui para popularizar as ciências e despertar os jovens para a carreira científica. 39


Ou seja, a apresentação pública de demonstrações de experimentos, que ilustram variados conceitos estudados em ciências, tem imensurável valor pedagógico, que inclui objetivos voltados não somente aos alunos envolvidos, como também, ao público presente. Afinal, a partir da ludicidade é possível mostrar as ciências de uma forma mais espontânea e desmistificada para o público leigo, uma vez que a linguagem simples utilizada pelos alunos-atores é acessível até mesmo às crianças presentes, gerando uma maior

identificação com os temas abordados. Especificamente em relação aos alunos, todo o processo envolvido na preparação do show constitui uma opção no sentido de criar oportunidades para que eles expressem a forma como veem o mundo, como entendem os conceitos abrangidos, quais são as suas dificuldades. Segundo SANTANA (2007) essas atividades ligadas às práticas educacionais da atualidade “oportunizam a interlocução e o desenvolvimento pessoal, social e cognitivo”. 40


O uso dos jogos e desafios no ensino da Matemática tem objetivo de fazer com que os alunos gostem de aprender essa disciplina, mudando a rotina da classe e despertando o interesse dos envolvidos. Por meio dos jogos, é permitido ao aluno fazer da aprendizagem um processo interessante e divertido. Segundo MOURA (1996) :

Universidade de São Paulo, os alunos do 9º ano tiveram seu interesse despertado: “ - Professora, nós poderíamos fazer o nosso próprio show!” Desde então, o evento acontece anualmente no Colégio Uirapuru. O projeto foi estruturado de maneira a integrar a atividade ao que é pertinente ao conteúdo curricular. Dessa forma, o aluno é levado a perceber que a ciência pode ser tratada de um jeito divertido e contextualizado e, ao mesmo tempo, criterioso e comprometido, ou seja, com propósitos pré-estabelecidos. Este ano, os alunos visitaram e assistiram ao espetáculo promovido pelo Instituto de Física da USP (IFUSP), ao final do primeiro bimestre letivo. A partir de então, começaram seus trabalhos. Divididos em grupos, os alunos gravaram vídeos com experimentos para serem selecionados para o espetáculo. Essa primeira etapa do trabalho seguiu vários critérios e regulamentos préestabelecidos visando, principalmente, a segurança dos alunos. Foram sugeridos sites onde pudessem encontrar experimentações interessantes a serem reproduzidas e os alunos foram orientados a gravarem seus vídeos no laboratório do Colégio, com a presença da laboratorista. Paralelamente, os alunos tiveram contato com “matemágicas,” durante as aulas de Geometria. A professora sugeriu alguns livros sobre o assunto para que os interessados pudessem se aprofundar no tema. Para estimular ainda mais, o engenheiro e autor de vários livros voltados ao assunto, Adalberto Nascimento, ministrou uma

[...] a introdução de jogos nas aulas de matemática é a possibilidade de diminuir bloqueios apresentados por muitos de nossos alunos que temem a Matemática e sentem-se incapacitados para aprendê-la. Dentro da situação de jogo, onde é impossível uma atitude passiva e a motivação é grande, notamos que, ao mesmo tempo em que estes alunos falam Matemática, apresentam também um melhor desempenho e atitudes mais positivas frente a seus processos de aprendizagem. Durante a elaboração do espetáculo, o trabalho em equipe foi valorizado. Todos formaram um grande grupo e, com objetivos comuns, foram divididos de acordo com as aptidões de cada componente. Dessa maneira, constituíram as seguintes equipes: elenco; roteiristas; divulgação e arte; equipe de som; cenário e montagem dos experimentos. Agregando-se as múltiplas habilidades dos integrantes de todas as equipes, o resultado foi surpreendente e marcado por muita criatividade. Início A ideia desse projeto pedagógico surgiu em 2009 quando, após uma visita ao “Show de Física” da 41


palestra sobre os “mistérios” da matemática. A recente inclusão de “mágicas matemáticas” contribuiu para tornar o show mais abrangente. Após selecionarem os experimentos e as “matemágicas” que fariam parte do show, todas as

um texto, coletivamente, pelos alunos, para veiculação no site do colégio... Enfim, todos trabalharam arduamente e o resultado pode ser conferido no palco!

A apresentação pública de demonstrações de experimentos, que ilustram variados conceitos estudados em ciências, tem imensurável valor pedagógico

equipes começaram seus trabalhos: o roteiro foi escrito; a sonoplastia foi montada; o elenco começou a ensaiar e a elaborar seus figurinos; o cenário foi confeccionado; bandanas, vídeos e cartazes foram feitos para a divulgação; os experimentos foram montados; foi produzido 42


Os resultados foram avaliados através da participação dos alunos no projeto e da análise de algumas questões levantadas em sala de aula a partir de uma ficha de auto avaliação, onde constam vários critérios que ponderam o desempenho individual e coletivo do aluno. Esse tipo de atividade apresentou-se como uma ferramenta importante para impulsionar os trabalhos dentro da disciplina de ciências, pois proporcionou o desenvolvimento de competências em diversos setores, sobretudo, do conhecimento, da

comunicação, das relações interpessoais, estimulando os alunos a terem um comportamento voltado à cooperação. Em sala de aula, os alunos mostraram-se mais motivados e participativos com a disciplina de ciências. Os resultados nos levam à conclusão de que é possível unir Ciência e criatividade em favor de uma educação mais dinâmica e complementar. Essa é uma forma de estimular as escolas a responder às demandas de um mundo caracterizado pelo avanço científico e pelo conhecimento. 43


Eu Etiqueta ,

Diogo Comitre e José Humberto Cury a Terra. Um dos textos lidos e discutidos foi o poema “Eu, etiqueta”, que trata sobre a questão do consumo e da identidade pessoal de cada um de nós. Como a atividade provocou muito envolvimento e grande reflexão em nossos alunos, estimulamos que transformassem aquele texto em outra forma de comunicação, em outro tipo de linguagem que não fosse a escrita. Isso deu origem a apresentações de powerpoint, vídeos, esculturas, imagens, quadros, etc. O envolvimento foi grande e os trabalhos ficaram muito bons. Por isso, decidiu-se com os alunos apresentar o resultado de seus esforços. Isso deu origem a uma exposição de arte que

Durante as aulas de História do 9º Ano estudamos o American Way of Life, modelo de sociedade surgido nos EUA que tem como característica principal o apelo ao consumo exacerbado. A partir desse eixo iniciamos uma série de debates pautados nas aulas, vídeos e textos selecionados pelos professores Diogo e Betu, sobre as consequências desse modo de vida para a saúde do planeta e dos seres vivos que habitam

foi pensada e montada com a participação dos 44


alunos, que ocorreu na Oficina Cultural Grande Otelo, entre os dias 24 de setembro e 5 de outubro, levando para fora dos muros da escola um debate importantíssimo para a sociedade que sofre com os efeitos desse modelo. Acreditamos, em nossa prática pedagógica, que devemos fortalecer a noção de pertencimento, de grupo, de humanidade. Visamos contribuir para a formação de cidadãos críticos, que atuem de forma protagonista na tentativa de buscar uma sociedade mais justa, igualitária e fraterna. Com isso, consideramos que a exposição foi uma demonstração clara de exercício da cidadania, já que nossos alunos atuaram de forma proativa, levando até a sociedade um debate importante. No lançamento da exposição, ocorreu um coquetel de inauguração que contou com ampla participação dos pais e dos alunos envolvidos na exposição.

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Arte

Construção do percurso criador

Simoni Silva de Lima

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Como homens contemporâneos, somos consumidores de imagens, porém nem sempre somos educados para tal leitura e, como consequência, não deciframos seus códigos, não entendemos como a imagem comunica e transmite mensagens. Crianças se desenvolvem em meio a um bombardeio de informações jamais visto antes na história da humanidade. No entanto, são poucas as chances de se fazer escolhas, tomar decisões. É por esse motivo que as aulas de Arte devem deixar de ser encaradas como fazer trabalhos livres. A relação com a arte vai muito além, produção e reflexão devem estar intimamente ligadas. O maior desafio está em transformar os muitos modos de olhar das nossas crianças, torná-las leitoras críticas dessas imagens, exercitar o olhar para a visualidade do incomum, colocando em prática um olhar mais atento e sem pressa; fazer pensar e refletir sobre sua identidade, para a construção de valores e não apenas para preservação daqueles já instituídos. A relação com a Arte acontece por meio da produção e reflexão, do olhar, imaginar, construir representações, olhar de novo para o já visto e selecionar para voltar ao que mais atrai. Pensar. Por compreender essa necessidade, o Colégio Uirapuru vem introduzindo ao seu currículo propostas que levam a um olhar ampliado. Entendemos que o aluno deve ser alimentado por produções artísticas realizadas em diferentes âmbitos: regionais, nacionais e internacionais, de diferentes épocas e lugares e nas várias linguagens (artes visuais, teatro, música e dança). 48


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A estratégia fundamental para a construção do processo criador é a escolha da autonomia, a criação de marcas pessoais. Por meio da Arte, proporcionar um mergulho na individualidade, o caminho de cada aluno em relação à construção de conhecimentos. É nesse exercício criativo, na angústia do não saber, que acabamos desvelando a poética pessoal do aluno, e sem dúvida alguma, essa vivência gera bagagem para a vida. A construção do percurso é individual, mas não se pode negar que ela acontece por meio de interações sucessivas como: TV, jornal, computador, rótulos, revistas, obras de arte, amigos e também pela mediação do professor. No Ensino Fundamental I, aprende-se criando. Arte é uma área do conhecimento com conteúdos muito próprios. No 1º ano, buscamos construir uma relação de autoconfiança, respeitando a própria produção e a dos colegas no percurso de criação. É por meio de brincadeiras que a criança encontra sua própria forma de dar sentido ao mundo. As parlendas, adivinhas e trava-línguas apresentam-se como recurso para introdução ao mundo da leitura e, principalmente, ao universo da Arte. Apresentamos para o 2º ano “Um pouquinho de Brasil”, proporcionando um encontro com a artista plástica Tarsila do Amaral, no qual os alunos, a partir de suas descobertas, trabalharam suas ideias e estimularam a imaginação, estabeleceram diálogos com outros saberes: a música, a história

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do Brasil e a história da Arte no Brasil. Os alunos tiveram a oportunidade de inventar mundos ao reviver um pouco da vida da artista. O 3º ano, com o objetivo de entrar no ateliê de um artista, descobriu que a rua também pode ser uma galeria de arte. Muitos artistas utilizam o espaço público da rua para fazer seus trabalhos, seu caráter público abre espaço a muitas intervenções. Apresentamos aos alunos a homenagem que a

cantora Marisa Monte fez ao já falecido poeta Gentileza, que encantou por suas propostas de difusão do amor entre as pessoas. Os alunos se apropriaram do uso das expressões de gentileza, perceberam se tratar de uma comunicação atemporal, como um desafio cotidiano do ser humano. As crianças viram que, junto às convenções sociais, éticas e morais, encontra-se a Arte, que embeleza o mundo. 51


Já o 4º ano percorreu um trajeto no qual as palavras podem ser músicas escritas e música pode ser o som das palavras não faladas. Os alunos tiveram o prazer de conviver com poetas, escritores e compositores por meio do livro O Limpador de Placas. Com poucas palavras, a autora ensina como a leitura e a boa música podem preencher e transformar a vida de qualquer pessoa, mesmo a de um simples limpador de placas. As crianças aprenderam que poetas brincam com palavras, compositores com sons, assim como malabaristas com bolas e aros e mágicos com lenços e baralhos. Nossos alunos, depois de muitas descobertas, ficaram mais íntimos dos poetas, escritores e compositores. Declamaram poesias, cantaram e, principalmente, perceberam que a Arte existe para ser contemplada e fruída. Por fim, o 5º ano realizou experimentações, conheceu a técnica da Assemblage, arte de reunir diversos objetos, tornando assim possível a experimentação. A análise de materiais desenvolve o gosto por construir e inventar tramas, encontrar soluções estéticas e ao mesmo tempo lúdicas para os problemas de construção com que eles se deparam, surgindo assim ressignificação dos objetos – corpo no espaço – sempre dentro da poética. É essa ressignificação que nos faz entender o homem como ser cultural. A construção do percurso criador possibilita que a capacidade de dividir tarefas também seja desenvolvida, permitindo assim que os alunos trabalharem coletivamente. 52


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Orientação vocacional

Autoconhecimento, sonhos e projetos de vida Mariana de Souza Lara - Orientadora Educacional Partindo do princípio de que escolher o caminho deve ser tarefa de quem o vai seguir, e de que toda escolha implica em perdas, e considerando que todas escolhas trazem consequências – escolher uma profissão pode ser uma tarefa bastante complexa, ainda mais na realidade da juventude atual, cujas possibilidades são as mais diversas possíveis. Escolher é um processo, não um evento isolado. Fatores como dúvidas, inseguranças, incertezas, medo, ansiedade e (auto)cobrança são frequentemente expressos nos discursos dos adolescentes, que não apenas se encontram na busca de sua identidade, mas também de sua identidade ocupacional. Se considerarmos o trabalho de Orientação Vocacional como um trabalho de prevenção, faz sentido cuidar da saúde mental e da qualidade de vida do jovem em fase de escolha. Podemos pensar esta fase como uma construção nos âmbitos individuais e coletivos, de maneira que possamos vir a contribuir para que o adolescente consiga identificar suas habilidades, interesses, características familiares, pessoais e

profissionais, assim como ajudá-lo a (re)conhecer as influências dos aspectos sociais, condições de trabalho e influências externas diante das escolhas. A vivência na área nos mostra que escolhas não surgem “do nada”, mas com base na própria história daquele que escolhe. Em 2012, o Projeto de Orientação Vocacional do Colégio Uirapuru iniciou-se em fevereiro, quando todos os alunos da 3a série do Ensino Médio foram convocados para uma entrevista individual com a Orientadora Educacional e Vocacional. O propósito era que a Orientadora pudesse conhecer os alunos, escutar suas necessidades e interesses e, também, conhecer suas expectativas diante de um trabalho de Orientação Vocacional propriamente dito. Neste primeiro momento, a proposta dos encontros foi apresentada e cada aluno foi convidado pessoalmente a participar do projeto. De início, 40 alunos do total de 59 demonstraram interesse pelo projeto; 35 começaram o processo, e 21, efetivamente, concluíram os 11 encontros propostos entre março e agosto. 54


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sempre terei a opção de mudar com o passar dos anos, e o tempo que eu usar para a 1ª opção não terá sido perdido”. No final do Projeto de Orientação Vocacional, os alunos da 3ª série avaliaram o processo e a maioria se posicionou a favor de o Colégio oferecer este acompanhamento com mais antecedência, ou seja, já na 2ª série do Ensino Médio. Sendo assim, em agosto, demos início ao Projeto de Orientação Vocacional com os alunos da 2ª série do Ensino Médio, o que perdurará até 2013, quando os interessados estiverem concluindo o Curso. É com imensa alegria e admiração que agradeço aos alunos pela confiança em dividir comigo seus sinceros sonhos e desafios. Ter a oportunidade de acompanhá-los neste passo de suas trajetórias foi um presente especial para mim.

Ao longo dos meses, foram promovidas rodas de conversas e inúmeras atividades divididas entre momentos de busca individual e de partilha coletiva, nas quais, inclusive, os familiares foram convidados a co-participar relatando suas respectivas trajetórias profissionais aos alunos. Juntos, construímos um espaço de diálogo onde diversos medos, ansiedades, expectativas, dúvidas, informações, curiosidades, histórias, sonhos, projetos de vida e critérios de escolha profissional foram cuidadosamente compartilhados e acolhidos. Atividades dinâmicas e músicas, aliadas ao comprometimento e envolvimento efetivo de todos os participantes, contribuíram para um ambiente favorável de confiança e vínculo. O aluno Murilo Rosa de Paula diz ter gostado “de todas as vezes que tínhamos que escrever sobre nós mesmos ou outra coisa que fazia com que refletíssemos bastante e percebêssemos certas coisas que nunca percebíamos”. Ressaltando a importância do autoconhecimento como recurso importante de identificação profissional, a aluna Ully Boccato Daibs relatou ter lhe agradado o fato “de poder desabafar, ouvir a opinião dos meus colegas e perceber que não estou sozinha. Ver os gostos diferentes dos outros ajudou a perceber os meus, e também abriu minha mente para eu me conhecer melhor.” Para a aluna Marina Mariano Zavanella, “os encontros me ajudaram a perceber que minha escolha atual não precisa ser definitiva. Eu

Juntos, construímos um espaço de diálogo onde diversos medos, ansiedades, expectativas, dúvidas, informações, curiosidades, histórias, sonhos, projetos de vida e critérios de escolha profissional foram cuidadosamente compartilhados e acolhidos.

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JOGOS UIRAPURU Ger么nimo Miguel Cardia

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O projeto Jogos Uirapuru acontece anualmente no período de abril a outubro para os alunos do 5º ano e tem como meta principal a prática dos movimentos corporais por meio de atividades competitivas e semi cooperativas, agregando também conteúdos de outras áreas do conhecimento escolar. A concepção deste Projeto se deu com o decorrer das experiências positivas obtidas nas aulas de Educação Física. Os alunos de 5º ano denotam, em sua maioria, tendência em vivenciar atividades competitivas e principalmente as pré-desportivas, e com esse interesse evidente o projeto foi se constituindo ao longo dos anos até chegar aos moldes atuais. Os objetivos deste projeto são: agregar conhecimentos teóricos e experiências motoras pré-desportivas nas modalidades de futebol de salão, natação, handebol, voleibol, atletismo e basquetebol; valorizar a participação nas atividades, destacando a importância do trabalho em equipe; vivenciar a situação do ganhar e perder; destacar as habilidades individuais valorizando a aceitação das diferenças entre as pessoas; valorizar as estratégias de organização elaboradas pela equipe para resolução dos desafios propostos pelos jogos; aprimorar os conhecimentos teóricos sobre o tema escolhido; e favore59


cer a uma convivência social lúdica, ampliando o vínculo entre todos os participantes. Para este ano de 2012, nosso tema focou nas Energias Renováveis. Este é o tema do Ano Internacional definido pela UNESCO e trabalhado por todas as escolas que integram o Programa das Escolas Associadas da UNESCO, organismo internacional do qual o Colégio Uirapuru participa. Assim, o Uirapuru, além de abordar o tema das energias em diversas áreas curriculares, também o incorporou no projeto de esportes. As equipes ficaram então assim divididas: mecânica, eólica, hidrogênio, maremotriz, biogás, azul, bioetanol, biodiesel, solar e geotérmica. Para o sucesso deste projeto seguimos as seguintes orientações: 1. Eixo Temático: a escolha do tema sempre é feita respeitando-se uma tendência contemporâ-

meio de sorteio dos alunos. Divididos entre meninos e meninas, as equipes são mescladas com alunos de todas as salas. A escolha dos nomes, cores da equipe e o número das camisetas também são determinados por sorteio. 3. Logo do evento: o logo do evento é elaborado pela comissão de organização que é impresso em todas as camisetas dos Jogos Uirapuru. 4. Modalidades: as provas dos Jogos Uirapuru constam de atividades pré-desportivas e desportivas como: Natação, Futebol de Salão, Arremesso de Handebol, Arremesso de Basquetebol, Queimada, Voleibol Adaptado, Atletismo (Corrida de 50 metros, Salto em Distância e Arremesso de Pelota); Atividades Lúdicas (como Voleixiga, Prova Surpresa e Prova dos Aviões), e também prova ligada à Exposição e Apresentação de Pesquisas referentes ao tema da equipe.

nea e que agregue valor pedagógico. Este tema é escolhido por meio de uma reunião realizada com a coordenação pedagógica, coordenação da Educação Física, professoras de sala de aula e professores de Educação Física. 2. Equipes: a formação das equipes se dá por

É importante salientar que as regras devem ser adaptadas respeitando-se os limites e as capacidades dos alunos e da estrutura física escolar. 5. Ensaios: para a festa de abertura e encerramento todos os alunos vivem os momentos de preparação, principalmente os alunos convidados.

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6. A Premiação: são distribuídas medalhas entregues no encerramento do evento. 7. Avaliação: para aprimorar o projeto, aplica-se ao final uma avaliação dos alunos, abordando aspectos motivacionais de participação e interesses, estrutura organizacional, estrutura física e nível de satisfação. Percebe-se pelas avaliações anteriores que este projeto permanece devido ao seu sucesso, pois se criou, naturalmente, uma expectativa de participação dos alunos nos Jogos Uirapuru. O nível de motivação dos alunos, assim como as das professoras, é evidenciado nas pesquisas, que demonstram compromisso, seriedade e responsabilidade em suas apresentações.

Apesar da duração do projeto (de abril a outubro), a motivação é permanente e os resultados são bem evidentes, principalmente nas questões de relacionamento e nas situações vivenciadas nas competições, nas quais ganhar e perder são partes do processo de aprendizagem. É evidente o retorno positivo deste projeto, pois ao longo dos anos reencontramos alunos já formados que lembram com alegria das experiências vividas durante os Jogos Uirapuru. Isto nos traz a certeza que estamos no caminho certo,.Plantamos e colhemos frutos, que trazem não somente boas recordações da infância, mas também a consciência da importância da prática das atividades físicas para uma vida com mais qualidade. 61


Festival das Letras do Uirapuru:

arte, cultura e conhecimento Um evento completo, em que cultura, conhecimento e arte se encontraram: assim foi a abertura do Festival das Letras do Uirapuru, realizada na noite do dia 16 de outubro, no Colégio. Pelo menos 150 convidados, entre pais, alunos e professores, assistiram à palestra sobre formação de leitores da pesquisadora Marisa Lajolo, da Universidade Estadual de Campinas, bem como apreciaram a declamação dos poemas vencedores do Festival de Letras. A noite marcou também o lançamento de duas publicações virtuais: o primeiro livro reuniu uma seleção de contos, crônicas, poesias e artigos pedagógicos publicados em Proposta, revista editada entre 1975 e 1994, com textos produzidos por educadores e alunos da Organização Sorocabana de Ensino (OSE), então dirigida por Arthur Fonseca Filho. Ao mesmo tempo, Proposta foi relançada, desta vez no Uirapuru, com os textos selecionados nas diferentes categorias do concurso Festival das Le-

lembrados profissionais que fazem parte direta ou indiretamente da história do Uirapuru, como Wlademir dos Santos e, mais recentemente, Maria Ondina. Ao final, a sensação de que o Uirapuru reviveu um grande momento, que ao mesmo tempo marca o início da nova trajetória de uma publicação cuja razão de existir é a valorização da missão fundamental da escola: a formação de leitores e escritores.

tras – aqui agora publicados em versão impressa. Ambas as publicações, bem como o Festival, foram organizadas pela professora convidada, Myrna Atalla Senise, responsável por muitas das edições originais de Proposta. Foi uma noite emocionante, na qual foram re62


Apresentação dos trabalhos e saraus

O Festival das Letras do Uirapuru não se encerrou com o relançamento de Proposta e com a divulgação dos vencedores do concurso: ao longo de três dias, pais de alunos de todas as etapas puderam ter contato com as produções de seus filhos, no Colégio, e assim formar uma visão geral do trabalho realizado nesse campo. O Festival teve exposição de textos e também a leitura e interpretação de obras, durante o período de 16 a 18 de outubro. O dia se iniciou com um Sarau literário promovido pelos alunos do 9º ano. Interpretando poemas diversos, variando de Renato Russo a Gonçalves Dias, Alphonsus de Guimarães a Shakespeare, os jovens apresentaram ao público presente um pouco do que vêm trabalhando em sala de aula. Além das poesias, a leitura e interpretação de textos incluiu a leitura de textos em outros gêneros, como a comédia O doente imaginário, de Moliére, realizada pelos alunos do 7º ano. Por fim, os adolescentes do Ensino Médio apresentaram para o público o trabalho “O livro que marcou a minha vida”. Com o objetivo de mostrar que a leitura é uma prática cultural que inevitavelmente precisa integrar família e escola, os alunos do Ensino Médio mostraram exemplos de livros marcantes ao longo de suas trajetórias leitoras, contando como influenciaram suas vidas. A seguir, os poemas vencedores do concurso. 63


CATEGORIA I (6º e 7º anos)

Queria ter força igual aos professores de Educação Física Queria saber resolver problemas no papel das coordenadoras Queria escrever o maior livro de todos Queria entender o mundo Mas por enquanto só entendo uma coisa: Quero aprender.

1º lugar BRASIL Maria Fernanda Magalhães Garcia (6º B) Sou brasileira Da terra rasgada Lá de Sorocaba No interior.

3º lugar LAÇO Camila Isabela Gimenes Seleguim (7º C)

Meio mineira Meio portuguesa Essa parte Puxei do meu avô!

A cada passo Do compasso Me entrelaço No abraço Do seu braço E dou um laço No espaço.

Ó Brasil, tão brasileiro, Das praias mais lindas que já vi! Desde Pernambuco Até Mato Grosso Do Ceará Até o Piauí. Meu Brasil é lindo E cheio de cor! Com gente alegre Gente bonita Gente cheia de vida!

4º lugar MEMÓRIAS E HISTÓRIAS Ligia Andrade Ribeiro (7º A) Houve um tempo, Onde viver era como sonhar, Sonhar com a vida, E nunca acordar. Quando o tempo ainda era uma criança, Quando o mar não se podia atravessar, Quando no ar só havia magia, Quando o tempo jamais passaria.

2º lugar ESCOLA Júlia Furtado Vazatta (6º B) Queria saber como aprendi a escrever Queria ser igual às professoras que me ajudaram a ler Queria entender como criaram a escola Queria explicar de onde surgiu a espécie humana Queria ler tão rápido quanto a professora de Português

Agora, Só o que tenho é memória E tudo o que escrevo não passa de história, História passada, De uma vida longínqua, 64


Onde cada lembrança um segredo continha, Segredo onde amava Ou que já não sentia.

Converso com minhas amigas. Às sete e vinte o sinal bate E os alunos sentam. A professora chega e todos abrem os livros. Em Português vemos dígrafos, Em Matemática, porcentagem.

Houve um tempo em que as memórias Descansavam em um lago tranquilo, Que desaguou no mar junto com minhas histórias, Num mar De sentir e recordar, Que a correnteza deixou passar.

As horas mais esperadas chegam depressa: Oito e cinquenta, dez e trinta e cinco: Os intervalos. Quando chega a última aula, Todos estão vibrando para o sinal tocar. Quando dá meio-dia e vinte... Todos saem correndo para ir embora.

5º lugar O MEU DIA A DIA Ana Luíza Ohata (6º B)

Saindo da escola, eu volto para casa. Almoço. Escovo os dentes. Depois de trocar de roupa, Cuido de minha cachorrinha. À tarde faço as tarefas, Depois que eu acabo, Tenho um tempo livre.

De manhã eu acordo Um pouco sonolenta, Mas vou até o banheiro e Tomo um bom banho. Coloco todo o uniforme, Dirijo-me até a mesa, com todos, Como alguma coisa e tomo leite.

Quando cai a noite estrelada, Tomo um banho quente. Depois disso eu janto. Vou escovar os dentes e assistir à TV. Mais tarde, vou dormir. No outro dia, tudo recomeça...

Vou escovar os dentes, Coloco pasta na escova. Abro a gaveta e procuro os pentes. Penteio os cabelos e termino de me arrumar. Meu pai sempre diz que irei me atrasar. É coisa de menina colocar colar e anel. Já arrumada desço a escada. A mochila já está no carro. Entro toda apressada. Mas, antes de sair, Nunca me esqueço de me despedir.

Nos finais de semana, eu acordo mais tarde, Vou à casa dos meus avós, às vezes vou ao shopping. Mas sempre dou valor ao que realmente importa: A AMIZADE E O AMOR, de quem você realmente gosta.

Chego à escola e dou um bom dia, Para a inspetora do outro portão. Entro na escola, já animada, 65


CATEGORIA II (8º e 9º anos)

E não perca muito tempo tentando entender os conceitos temporários de tempo, Já que eles mudam com o tempo, Já que o tempo evolui ao passar do tempo.

1º lugar TEMPO Felipe Roz Barscevicius (9º B)

Temporariamente, aqui estou Desfrutando do que restou, Do que o tempo não levou, Sem saber pra onde vou, Esquecido pelo tempo como tudo nesse mundo Um mundo onde o tempo define tudo, Sem mesmo ser definido.

O que é o tempo? O que foi o tempo? O que será o tempo? Ou o que é “ser” o tempo? O tempo pode ser definido, Ou ele define tudo? Cria espaço e nos permite viver, Ou vivemos e imaginamos o tempo Como forma de passar o tempo?

2º lugar EI, PASSADO, FICA NO PASSADO Júlia Bonventi Nunes (8º B)

O tempo define a velocidade Em relação ao espaço, E define fluxo Em relação à quantidade, E ainda define validade Em relação a ele mesmo E define até lucros Em forma de juros.

Ela caminha vagarosamente Sem rumo nem direção Aparenta estar cansada, talvez triste Anda olhando o chão. Vive sem surpresas E vai morrendo aos poucos Prende-se ao passado, Aos seus pensamentos loucos.

O tempo passa E o relógio gira, Mostrando cada hora diferente, Já que cada segundo é único, E não se repete, Mesmo que mais parecido com o anterior, Já seria uma cópia, E muita coisa mudou.

Tem pavor do brilho do sol Se esconde da luz E sem coragem nem força O medo a conduz. Não se permite esquecer E jamais se perdoará Os erros do passado Ela sempre levará.

Às vezes, Penso que isso é uma perda de tempo A vida é uma perda de tempo Mas não podemos aproveitar bem nosso tempo, Já que o tempo se esquece de tudo com o tempo!

Levante os olhos, pequena, Quem vive se dando multa 66


Bem, Que sorte tive

Não enxerga o horizonte E as maravilhas que ele oculta.

A vida agora faz sentido Depois de tantos anos de busca, Minha mente está tranquila

3º lugar O GRANDE MENTECAPTO Clara Montanha Basso (8º B)

Finalmente posso dormir E acordar no lugar dos meus sonhos

Uma casa tão sombria Onde tudo era mistério, Viramundo ousou entrar Sem medo e sem critério.

Fazer o certo, sem ser julgada E, pela primeira vez, Chamar um lugar de casa.

Viu vultos e fantasmas Achando que fosse ilusão Perdido na escadaria Encontrou a moça do casarão.

5º lugar O MENINO E OS SONHOS Gabriel Ferreira Friedrich (9º C)

Entretido com a história Quis saber cada vez mais, Desfrutando a realidade Perdida em sonhos surreais.

O dia passa, As folhas caem, O som de pássaros a cantar, E o menino se põe a sonhar.

A história foi contada, A verdade, comprovada, Ele próprio pôde ouvir Sobre a moça mal-amada.

A rede vira um barco, Pronto para levá-lo A lugares que apenas a mente conhece, E o coração entende. Ele viaja por terras Inexploradas, secretas, À procura de tesouros e riquezas Capazes de transformar o mundo.

4º lugar MEU LUGAR Mariane Lamas Malheiros (9º B) Finalmente encontrei meu lugar Pensei que nunca o acharia Se for um sonho, Não quero acordar

Sonha com o amor, Na sua forma verdadeira, Sem complicação ou problema, Capaz de tudo suportar.

Se for a realidade...

Sonha com a amada, 67


Pequena e sorridente, Que o faz flutuar por entre as nuvens, E não o afunda.

Quando vivos, sofrer e morrer Quando beirando a morte, viver... O passado, só às memórias pertence E o futuro – quem sabe? O presente, eterno suspense, Provoca agonia num mundo cheio de acasos...

Imagina o futuro, Com a amada ao seu lado, Apoiando-o, consolando-o, Amando e sendo amada. Sonha com os dias que virão, Dias doces e suaves, Com cheiro de rosas Que possui em seu jardim.

Querer voltar no tempo é besteira. Reviver o passado é perigoso. Acabou-se o momento e também o sentimento. Viver de memórias é doloroso.

E no auge do seu sonho, No momento de amores, Em que trocam as eternas juras, Em que borboletas se reviram no estômago, E as flores exalam o mais perfeito aroma, O menino olha para trás, Vê que não há nada, E que já é hora de parar de sonhar.

Pensar no futuro é importante Mas viver nele é estressante! Quantos planos já não foram feitos Mas não passaram de ilusões, desperdício de sentimentos? Magnífico seja esse herói e vilão Antítese perfeita, ignorando a razão Tentar entendê-lo é esforço em vão Aceitá-lo... Apenas alguns saberão.

CATEGORIA III (Ensino Médio)

O tempo não é milagroso, não cicatriza nem cura Ele só acalma as dores do mundo Às vezes, prefere fazer bagunça Muda as palavras: aclama vazio profundo...

1º lugar FRUSTRAÇÃO NA AMPULHETA Isabella de Castro Sátiro Aragão (2ª A) Se há algo que não volta E, se volta, não satisfaz, Esse é o tempo.

Falta tempo para tanta vontade Desespero, nervosismo, alarde Onde está a ousadia? Se o tempo não permite completa alegria...

Tempo que urge, passa, corre Tempo que sobra, falta, morre Morre e renasce a cada segundo Hora, minuto: muda o mundo.

Resistir é impossível Submeter-se, muito provável. Dono do mundo, quem ordena O Tempo, poderoso indomável.

Quando jovens, queremos crescer Quando velhos, rejuvenescer 68


2º lugar ORAÇÃO AO FOGO CELESTE José Estevão Pinto de Oliveira (3ª B)

Por isso, oro-te, Uriel! Afasta-me das tempestades. Ensina-me a produzir A tua luz terrificadora.

Ó céu, tão admirado por todos os amantes Meu pleno e magnífico chão inconstante. Lamento que não seja minha produção. Assim, apenas reflito lamentação.

Ó céu, divino fogaréu, Criação do anjo santo, Algum dia te domarei E escutarás meu canto.

Aspiro ao meu produzir Desejo não mais refletir. Livrar-me-ia de Kokabel Tornar-me-ia de Uriel.

É uma promessa que te faço. Implora comigo, então, Ó céu, a Uriel, ajuda. Desejo poder desejar!

Logo, não seria Lua. Destarte, viraria Sol. De tarde, verter-me-ia. De noite, não surgiria.

Finde meu medo que cresce no meu lugar. Desta maneira buscarei produzir, Sem recear, o teu fogo incandescente, Sem rodear outro astro continuamente.

Porventura, seria melhor Não desejar o que desejo? O belo não mais seria belo? O calor me deformaria?

3º lugar FORMAS Pedro Côrtes Loureiro (2ª A)

Eu estaria em dívida comigo mesma E junto nasceria o arrependimento. Reflito, logo reparo o quão confortante É a luz gerada pela chama esbraseante.

A vida, em forma, me formou Em fôrma feito forma Deformada.

Somem todas as crueldades Por debaixo dessas nuvens Que Kokabel me presenteia Com um olhar indiferente.

Em formas informa a fôrma Que em fôrmas é que se deforma Basta ver todas as formas conhecidas E ver a fôrma que deforma, de formas não sabidas As formas em que se formam vidas.

Somem, todavia, toda via e toda vida. Noto, o intocável é inalcançável. Kokabel me intercepta ao descer. E eu me proíbo de livremente crescer.

Se me torno torto entorno Em torno de mim tornam-se tortos Os que não haviam se tornado ainda.

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De formas que certamente não sei Tornam-se tortas as fôrmas As quais deformam as formas Que enfim entortam as fôrmas Tomemos forma, tornemo-nos fôrma Formemos o torto que em torno de nós Deforma.

A alma que me custa entender A quem me vê, A alma que julguei, deixei de transcender.

4º lugar SONETO DO AMOR Gustavo Nahum Alvarez Ferreira (1ª B)

A alma exterior que me vem a pensar O que o outro tende em pensar que sou.

Pois temos duas almas, Uma inferior que deixa sonhar, Revestida de sentimentos Sem proteção para se calar.

Nada menos que duas almas. Uma que me ajuda a “vestir a farda de Alferes” Que “é um punhal que me enterras no coração”, Me deixando sem localização.

Vejo seus cabelos, seu rosto, seu sorriso E sinto meu sangue mais quente e denso Sua imagem causa-me delírios precisos Deixar de apreciar-lhe soa um contrassenso.

“Essa senhora parenta do diabo, E tem o mesmo nome: chama-se Legião”

Quando passa perto de mim, sinto seu perfume, Oh! doce perfume, que chega junto ao vento, Reacende a chama, revive o brasume Anuncia-me pela manhã o seu advento

Que me mostra ser um botão, Um vaso, Um chão, Uma simples dúvida Que se tem em vão.

Esse é o amor, que contenta os que vivem E leva a mágoa aos que já não o vivem mais Ainda assim, é o que traz a paz e o bem Entre os apaixonados, há apenas dois

Pois só me resta escutar O que me tem a dizer, Que só vivo por viver, Que só morro de morrer, Desde que meu espelho venha junto, Junto a quem só pensou em nós, Para que um dia Nós pudéssemos viver a sós

Os que amam muitos apenas por gostar E os que não esperam nunca deixar de amar. 5º lugar TEORIA DAS ALMAS Carolina Dantas Lima (2ª A)

Sem escutar o que Me tem a suplicar.

O que adianta ter um espelho Que não reflete quem sou. Seria uma ideia metafísica, Longe de ser meu esplendor? 70


Pois simples questões Do universo somos Capazes de explicar, Porque em nossa vã filosofia Há com o que sonhar. Pois ouvir o tic-tac. A hora um dia há de chegar. Permitindo um dia Tornar-me alguém Sem perder a identidade Onde as duas almas Têm a mesma idade.

CATEGORIA IV (Adulto) 1º lugar A FACE José Humberto Cury (Professor) Voz de dentro. Vigas com bandeiras peludas. Vento soprando no rosto já que cuidar nunca é demasiado. Viste alguém te acariciando o nariz. Vagamente sabes o que te aflige. Vespertinas festas parecem te animar a cara. Vespas são usadas para cicatrizarem as feridas. Velocidade máxima para os olhos cerrados. Velas nos barcos embarcam nesta viagem sem volta. Vestes a pele de cordeiro sem pecado. Vagas insone pela noite que te inspira. Vai, que tanta inspiração te salve. Vogais misturam-se às consoantes e te vicejam. Violas regras e caminhas mascarada. Vislumbras as canções com sons mulatos. Veiculas pelas próprias veias um líquido trivial. Vês um pequeno inseto te sugando a superfície. Vendes a alma que te reveste. Vomitas tudo aquilo que o teu ouvido escuta. Valorizas o teu perfil desfigurado. Vales o mais alto grau de hipocrisia. Vasculhas os órgãos vitais e os oprimes. Vais até o fundo do poço vazio. Vais até onde a tua única vista alcança. Vestes a carne dura. E é a vasta cútis que não te consola. E é a gente de fora que não te cabe. E é do homem o que o bicho come. E é você que nem morre de vergonha. 71


Os recônditos becos d’alma para atravessar. Transpor os desfiladeiros do conhecimento, Edificando obras que os interliguem no momento. São elas as pontes com alentado caminhar.

2º lugar ALCATEIA ALTISSONANTE Maurício de Oliveira Amêndola Assis (Ex-aluno) Abram alas aos ajustados às avessas Artistas? Autistas! Amáveis? Armados!

Se nos fosse permitida a verdade, Quiçá dela pouco faríamos. Conforma-nos, em verdade, a realidade,

Álibi achado ... ao acaso, amarrados.

Que da imprecisão de sua luz claudicante, Confundirmos lamento e lealdade, E seguimos a vagar num eterno gritar vociferante.

Arruaceiros acordados Apresentam almas autodidatas Acefalia abstrata Adultos atrasados atados à amizade análoga ao aço Altruísmo anacrônico.

4º lugar SONETO, SÓ QUE AO CONTRÁRIO Giovani dos Santos Ravagnani (Ex-aluno)

Amargura? Arcam. Alegria? Acham.

Um dia alguém me disse que Se eu quisesse fazer bonito, Era só arranjar as palavras numa forma estrutural

Ativo a arte, Avistam a aberração. Aturo as aparências, A avarenta adequação. Ademais, ato a ato aplico antídoto anti ambição.

Dois quartetos e dois tercetos, alguém me disse! Só faltaria arremessar todas as palavras E esperar tudo se encaixar!

Alguém? Aí, ali, aqui! Amém.

Logo na sequência, eu pensei: O tal alguém se esqueceu de dizer, no entanto, Que escrever de mãos atadas Beira à monotonia, melancolia... paralisia

3º lugar SONETO DA IMPRECISA REALIDADE Oswaldo Guitti (Pai da Giulia Guitti, do 6º A)

E eu, muito modesto (sem nenhuma ironia) Pra quebrar um pouco do gelo e do marasmo, Resolvi fazer em tom de protesto, Este singelo soneto, só que ao contrário.

À eterna dúvida da humanidade “estamos sós”? Vem a lume a resposta silenciosa e imprecisa “Talvez”, que não nos sacia e mantém os nós Daqueles que não desatam a sós e ninguém liga. 72


Maravilhas do mundo... Cuzco e Machu Picchu.

5º lugar AMÉRICA ANDINA, AMÉRICA LINDA Luiz Antonio de Paula Nunes (Pai de Francisco Martins Nunes, 9º A, e Verônica de Paula Martins Nunes, 7º C)

É num contraponto que vejo essa outra cidade, Que sobe escarpas e transborda a 4.100 m de altitude Espalhando-se freneticamente por extensos territórios Que brotam do altiplano em tijolos cerâmicos e adobe... La Paz.

América Andina... uma ampla região onde seus habitantes, Orgulhosamente, conservam seu modo de vida ancestral, Falam quéchua, aymará e ensinam história... Quanto para aprender com você... América Linda...

Também não havia visto bandos de lindos flamingos num lago, E, andarilho do mundo, no trem que chacoalha, me espanto: Pois nunca havia visto um trem levantar poeira... e tanto!!! Nem portas e artefatos feitos de “madeira” de cactus... Isla IncaHuasi.

O imponente vulcão domina a paisagem da cidade Onde pedras brancas em meio ao deserto, Talhadas e empilhadas cuidadosamente, Formam fachadas inusitadas... Arequipa... Colca... em seus vales voa o condor, majestoso Em seu habitat, planando a mais de 3.000 m de altitude, E é da imensidão de seu céu que projeta sua sombra. Como símbolo da liberdade e da soberania.

Ando pelo deserto da imensidade branca e ouço o som dos cristais Como vidro, quebrando-se sob meus pés. E, à beira do salar, Vejo um oceano de sal refletir os tons de vermelho, laranja e lilás, Cores do pôr-do-sol que ilumina o topo de outro vulcão... Tahua.

E das alturas já se mira o lago que mais parece um mar, Do lago saiu a grande civilização Inca e seus senhores Absorvendo toda a diversidade das culturas anteriores. Numa altitude improvável de quase 4.000 m... Titicaca.

Bandos de flamingos e vicunhas dão o toque do reino animal Numa natureza que é essencialmente mineral. As cores formam uma paisagem surrelista, como quadros de Dali, Que se transforma a cada hora, como numa tela impressionista.

Incas, sem destruir, se relacionaram com a natureza, Quando ainda não era moda a sustentabilidade, E desenvolveram uma arquitetura impressionante,

É assim que a natureza supera a imaginação do homem E testa nossos limites num frio abaixo de zero, a quase 5.000 m de altitude. 73


O cheiro forte de enxofre dos gêiseres nos faz seguir rápido, Mas a beleza das lagunas branca e verde nos fazem querer ficar. Tudo é maravilhoso... América Andina, prazer em te conhecer! Dessa terra, de vales e montanhas, de neve e cor, De guerreiros que já se foram e cidades que se formaram, De um povo que nos fala de fé, fervor e dor. Admiro esses lugares... o deserto, a montanha e o vale. Admiro essa calma gente, forjada no fulgor do sol. Admiro a típica rua ou a paz desse ambiente e desse povo De um sentir generoso e de um falar melodioso. Mas, meu querido amigo, chega ao fim esta grande viagem. Juntos passamos por pueblos e grandes cidades, Deliciamo-nos com comidas diferentes e celebramos a amizade. Fica a saudade de uma América Linda... uma América Andina.

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Projeto “O livro que marcou minha vida” Mônica Miliani

“O livro traz a vantagem de a gente poder estar só e ao mesmo tempo acompanhado” (Mário Quintana) “O festival das letras”, projeto desenvolvido pela equipe de Língua Portuguesa do Colégio Uirapuru, mostrou a diversidade do universo leitor na escola em diversos formatos: peças de teatro, sarau, vídeos, exposições e canções. Esperava-se muito mais que apenas abrir a comunidade para o extenso e cuidadoso trabalho elaborado, não apenas no ano de 2012, mas em todo o percurso estudantil dos jovens, pois entendemos que a formação educacional é um processo e não apenas um produto final. Esperava-se, primordialmente, que pudéssemos cativar o público para o fantástico mistério da leitura, assim como Ziraldo cativa crianças com seu “Menino Maluquinho”; J.R.R. Tolkien os adolescentes com suas batalhas em nome de um anel; Arthur Conan Doyle os jovens com os mistérios de Sherlock Holmes; Kafka com toda sua metamorfose, transforma realidades e amplia universos. Pretensão? Não. Realidade! Munida de objetivos claros e após a compreensão do significado que essa semana promoveria, elaborei um projeto, no qual os alunos do Ensino Médio de 2ª e 3ª séries pudessem contar, de maneira íntima e contextualizada, sobre um livro que marcou suas trajetórias não apenas

como estudantes, mas como sujeitos ativos na sociedade, sujeitos críticos, sujeitos pensantes. Além disso, e na tentativa de trazer mais poesia à apresentação, sugeri, também, que uma trilha sonora fosse selecionada. Surpresas muito gratas surgiram: de Zarathustra à Cherlie Brown Jr, o pronome possessivo “meu” projeto, felizmente, foi substituído por “nosso”, nosso projeto. O sonho começava a ganhar forma. Aos poucos, os textos foram nascendo. Minha única exigência era que o ingrediente “intensidade” dominasse o paladar daqueles que ouvissem nossa manifestação. E foi exatamente assim que as pequenas resenhas ganharam forma. • Matheus Lobo, 3ªB, “O guia dos mochileiros das galáxias”, mostrou que as risadas dadas, letra após letra, foram as mais filosóficas de sua existência. • João Raphael, 2ªB, “O universo em uma casca de noz”, de S. Hawking, agradeceu pela nova visão de mundo que adquiriu, como uma janela que acabara de ser aberta. • Natália Zalla, 2ªB, “O pequeno príncipe”, de Exupéry, cativou e foi cativada num ato responsivo de amor. • Carolina Dantas, 2ªA, “A marca de uma lágri75


ma”, de Pedro Bandeira, encantou a todos com sua leitura através dos encantos e desencantos do primeiro amor. • Isabella Aragão, 2ªA, “A república dos Argonautas”, de Anna Flora, resolveu, após essa leitura, dar valor à liberdade de expressão e passou a buscar o próprio ‘velocino de ouro’, com determinação e fé. • Joana Fazano, 2ªB, “Judy Moody”, de Megan McDonald, considerou admirável, que com tão pouco tamanho, Judy pudesse se expressar tão bem, de uma maneira tão segura de si. Se Judy podia, por que ela não poderia?! • Ítalo Xavier, 2ªB, “Vozes Roubadas, Diários de Guerra”, Zlata Filipovic, entendeu que a leitura com temática de guerra foi boa e ruim ao mesmo tempo. Foi boa porque ele passou a valorizar a vida, por ter sentido os muitos problemas e dificuldades causados por uma guerra. Mas, também, foi ruim, pois tudo que está escrito é verdadeiro. É a realidade. • Luisa Moyses, 3ªA, ‘‘Nosso último verão’’, de Ann Brashares, mostrou que durante nossas vidas temos as escolhas pessoais, que, inevitavelmente, fazem parte do de amadurecimento, pois conforme crescemos, precisamos tomar certas decisões que nem sempre serão as mais fáceis. • Maurício Shimao, 3ªB, “Meu pé de laranja lima”, de José Paulo de Vasconcelos, percebeu que toda história de vida tem seu lirismo e cabe a nós apenas percebê-lo e vivê-lo da melhor forma possível. • Marina Pavez, 2ªA, “Contos do Grotesco e

Arabesco”, de Edgar Allan Poe, contou que o livro não forneceu, apenas, uma lição moral ou uma experiência de vida, ele forneceu um mundo cheio de possibilidades e fantasias ao qual posso recorrer sempre que este carece delas. • Pedro Cortez, 2ªA, “1984”, de George Orwell, levou o estudante a perceber quão importante é a mente humana nas nossas relações sociais e, principalmente, porque devemos sempre lutar contra aquilo que é demasiado comum e/ou alienado. • Murillo Piaya, 2ªB, “O Hobbit, de J. R. R. Tolkien, dedicou a Tolkien o aprendizado de valores preciosos: aprendi a sentir amor pelos livros. Foi Tolkien que abriu as veredas para uma das mais recompensadoras jornadas: a leitura. O resultado foi incrível: alunos estimulados, plateia compenetrada e a emoção, um elemento precioso no cotidiano das grandes cidades, se fez presente. O projeto nasceu, cresceu e ganhou forma, tudo graças aos alunos, que abraçaram a causa e navegaram nos oceanos da leitura através de ensaio, trocas de informações e muita dedicação. Há momentos na vida docente, os quais a profissão sufoca, tendo em vista as cobranças que a educação, hoje, apresenta nas relações sociais. Porém, situações como a realização de projetos assim descritos mostram que o sonho utópico de um mundo melhor através da educação pode ser realidade para aqueles que encontram outros “malucos” sonhadores pelo caminho. Leitura é liberdade, leitura é vida!! 76


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O doente imaginário Patrícia Souza Silva

O trabalho com o texto O doente imaginário, adaptação da comédia teatral do escritor francês Molière, foi realizado em três etapas. Em fevereiro, os alunos foram motivados a realizar a leitura da adaptação adotada pelo Colégio e, a partir daí, discutiram-se questões relacionadas ao gênero peça teatral, tais como a apresentação das personagens, a ausência de narrador, a importância das rubricas ou marcações cênicas, que permitem ao leitor saber

a quem determinada personagem se dirige ou que sentimento ela expressa em cada fala. Além do trabalho com o gênero, foram abordadas também questões relacionadas à linguagem, com o estudo do vocabulário e à compreensão e interpretação do texto, com a roda de conversa sobre situações pontuais do enredo e a extrapolação do texto, na qual se discutiu a crítica realizada pelo autor aos médicos de seu tempo. 78


Após a leitura do paradidático, cada sala foi motivada a realizar uma releitura da peça teatral e apresentá-la. Os próprios alunos escolheram realizar uma única peça por sala, da qual cada um participaria segundo suas habilidades. Assim, foram criados seis grupos de trabalho: a) texto, responsável pela escrita da peça e direção dos primeiros ensaios; b) atores, responsáveis por encenar a peça; c) música, responsável pela escolha das músicas e sons utilizados na peça, bem como por apresentá-los na encenação; d) cenário, responsável pela confecção de objetos necessários em cena e troca de cenário entre as cenas; e) maquiagem, responsável pela caracterização dos personagens no que se refere a rosto e cabelos; e f) roupas; responsável por organizar a vestimenta característica de cada personagem e auxiliá-los na apresentação. Os alunos ficaram livres para escolher em qual grupo gostariam de trabalhar, o que garantiu a participação de todos, uma vez que foram respeitadas as preferências e habilidades de cada um. Em seguida, as equipes do texto escreveram as releituras, que começaram a ser ensaiadas já no final de março, em encontros mensais, no período da tarde. Da mesma forma, as equipes de música, maquiagem, cenário e roupas se reuniram em cada

foram protagonistas tanto na organização quanto na execução das tarefas relacionadas ao projeto.

1001 fantasmas O trabalho com o paradidático 1001 fantasmas, da escritora Heloísa Prietto, foi realizado nos meses de agosto e setembro. No início de agosto, os alunos foram motivados a realizar a leitura para a participação no primeiro encontro relativo ao paradidático, realizada no fim do mês de agosto. Em aula, foram trabalhadas as características do gênero carta, utilizado na escrita do paradidático, por meio de atividades oferecidas na apostila de Português. Na primeira reunião sobre o paradidático, os alunos tiveram de organizar uma lista na qual elencavam os personagens do livro, descrevendo-os. Em seguida, escreveram a primeira versão de uma carta endereçada a um amigo, na qual contavam um resumo do livro e sua opinião sobre a leitura. Para isso, foram relembrados os elementos que compõem a carta informal, estudados nas aulas de redação. No segundo encontro, os alunos trouxeram papéis de carta nos quais escreveram a versão final de suas cartas, já preparadas no encontro anterior, a fim de organizar uma exposição com elas. A atividade possibilitou a realização de um contraponto entre a escrita de cartas, atividade cada vez mais rara, e o envio de e-mails e mensagens por celular, mais atuais e preferidos pelos alunos, ressaltando os pontos em comum entre os gêneros e evidenciando as mudanças na utilização da língua, em conformidade com a realidade e seu uso social.

encontro para organizar suas tarefas. Nos meses de maio, junho, agosto e setembro os ensaios se intensificaram, sendo alguns realizados durante as aulas de redação. A atividade contribuiu para o desenvolvimento do trabalho em equipe e a autonomia dos alunos, que 79


Leituras mais complexas: um caminho Tatiana Higa Pasini

O projeto com livros paradidáticos surgiu da necessidade de se trabalhar com mais complexidade as obras lidas pelos alunos com aulas mensais no período da tarde entre os meses de março a setem-

bro, com uma hora de duração. No 8º ano, duas obras (uma para cada semestre) foram escolhidas: O Grande Mentecapto e Fernando Pessoa, o menino de sua mãe. O Grande Mentecapto, de Fernando Sabino, é uma obra clássica e permite trabalhar interdisciplinarmente, envolvendo a área de História. O enredo se passa em algumas cidades de Minas Gerais pelas quais Geraldo Viramundo (protagonista) vaga e vive suas aventuras e deseventuras. O projeto teve o apoio da disciplina de História que contribuiu com uma viagem de Estudo do Meio para as cidades históricas em Minas Gerais. Durante o seu desenvolvimento, ao alunos discutiram, além da literatura em si, questões sobre variações linguísticas presentes na obra e questões psicanalíticas, como o comportamento e a loucura do protagonista. Após a leitura da obra, discussões, apresentações de trabalho, os alunos, divididos em grupos, expressaram por meio de telas, histórias em qua80


drinhos, poemas e desenhos, o que ressaltou aos seus olhares. Em Fernando Pessoa, o menino de sua mãe, Amélia Pinto Pais descreve a vida e Fernando Pessoa, apresenta seus principais heterônimos e traz alguns de seus poemas. A escolha por este título justifica-se por proporcionar aos alunos um primeiro contato com Pessoa. Ao lerem sua biografia, os alunos conheceram a grandiosidade do poeta, além do contato com o gênero textual. Após a leitura e nossas discussões sobre a obra, os alunos pensaram em suas vivên-

cias, os momentos significativos em suas vidas e escreveram seus relatos autobiográficos. 81


Poesia

fora da estante Silvia Maria de Oliveira Amendola Assis

“Os poemas são como pássaros que chegam não se sabem de onde e pousam no livro que lês.”

Essa antologia de poesia dirigida ao público juvenil é a segunda parte da pesquisa desenvolvida, em 1992, no Centro de Pesquisa da PUC – Rio Grande do Sul, sob a coordenação das especialistas: Simone Assumpção, Sissa Jacob e Vera Aguiar. A primeira parte da pesquisa, publicada em 1995, também é adotada no 6º ano do Ensino Fundamental de nosso colégio.

(Mario Quintana)

Na obra, o passado e o presente convivem de propósito; assim como a literatura consagrada e a popular; o folclore e a reescritura, através de autores como: Luís de Camões, Fernando Pessoa, Gonçalves Dias, Carlos Drummond de Andrade, Vinícius de Moraes, Ferreira Gullar e outros. O projeto de leitura intensificou o conhecimento dos alunos e levou-os a perceber que a poesia tem características que vão além da disposição em versos. E para tanto, realizamos etapas de exploração da sonoridade das palavras, o reconhecimento do uso das imagens, a descoberta da pluralidade de significados e a percepção do

Durante várias aulas, houve um trabalho de interpretação dos poemas, seus possíveis diálogos e, também, um levantamento das principais características do gênero textual. Para concretizar o estudo, os alunos exercitaram a produção de poemas, criaram paródias e, finalmente, apresentaram artisticamente seus trabalhos no Festival das Letras. Com o desenvolvimento desse projeto, descobrimos talentos, estivemos envolvidos com a arte e proporcionamos não só entretenimento e cultura, mas também reflexão crítica aos nossos jovens alunos!

mundo interior do poeta, revelando seus desejos, emoções e sentimentos. 82


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Internet segura Jorge Proença

Vivemos em uma sociedade cada vez mais informatizada e é fundamental que as nossas crianças aprendam, desde cedo, a explorarem essa tecnologia de forma segura e saudável. Se por um lado a internet abre as portas para uma infinidade de informações e jogos muito úteis para a formação das crianças, por outro lado é também uma porta de entrada para pessoas mal intencionadas. Como evitar que um vírus invada o computador? Como saber o que é seguro abrir na caixa de e-mails? Quem são os amigos “virtuais”? Qual a idade certa para acessar redes sociais como o Facebook e o que pode se esconder por trás de sites aparentemente inocentes? Esses e outros temas afins foram discutidos com os alunos do 4°, 5° e 6° anos, a partir de uma apresentação desenvolvida por Jorge Proença que, além do trabalho de Responsabilidade Social que exerce no Colégio, tem uma ampla experiência em Tecnologia da Informação e uma empresa – Singol – especializada em jogos educacionais. Jorge deu algumas dicas muito importantes e, na sequência, os alunos fizeram vários questionamentos pessoais, demonstrando grande interesse e preocupação com o tema.

Qual a diferença de antivírus pago e o gratuito? Tem perigo clicar em links com promoções espetaculares? Por que eu não posso me cadastrar nas redes sociais com menos de 13 anos? Quais as consequências de agressões verbais pela internet? Existe anonimato na internet? No começo do ano, 98 alunos do 5° ano preencheram um questionário sobre o uso do computador em casa. Eis alguns resultados:

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Apesar de a idade mínima permitida para abrir uma conta no Facebook/Orkut seja 13 anos, a maior parte dos entrevistados – que possui em média 10 anos – afirmou possuir um perfil nessas redes:

Pedimos que os alunos narrassem experiências negativas ouvidas ou vividas sobre o uso do computador. Se de um lado os pais aconselham os filhos a não “conversarem com desconhecidos” no mundo virtual – assim como se costuma fazer no mundo real – de outro lado identificamos a dificuldade e insegurança dos filhos em reconhecerem quem são esses “desconhecidos”, em um ambiente onde todos parecem amigos. O Colégio disponibilizou uma cartilha aos pais dos alunos do 6º ano envolvidos no projeto, com orientações e leis que atuam na defesa dos usuários da internet e empresas. Consideramos fundamental que todos discutam sobre esse tema, no colégio e em casa, para que juntos encontremos formas saudáveis e seguras de conviver com a internet. Para quem tiver interesse em maiores e mais aprofundadas informações sobre esse tema, destacamos alguns sites para consulta: www.criancamaissegura.com.br www.internetsegura.org www.safernet.org.br http://cgi.br/

Quando questionados sobre quais as orientações que recebem dos pais em relação ao uso da internet, a maior parte das respostas estão associadas ao dever estar atento e desconfiar do desconhecido:

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Moodle e Literatura:

considerações a respeito de um ambiente virtual de aprendizagem Patrícia Carneiro Olmedo linguagem utilizada no meio virtual, em que as palavras foram abreviadas até o ponto de se transformarem em uma única expressão, com uso restrito de caracteres. Apesar desta linguagem desrespeitar a norma padrão da Língua Portuguesa, os alunos entendem que ela só deve ser usada neste meio. Dificilmente, as abreviações, tão comuns no internetês, aparecem em textos do cotidiano escolar. Desta forma, os interlocutores, pessoas que participam do processo de interação por meio da linguagem, neste caso, os alunos, compreendem que há tipos de variação linguística. Dependendo da situação e do interlocutor, mesmo sem perceber, podem ser mais ou menos formais. Isso não significa escrever de forma errônea, incorrendo em problemas ortográficos, mas, sim, colocar em prática aspectos relevantes da aprendizagem em Língua, em ambientes adequados. O Moodle, neste caso, transformou-se em um espaço didático único, disponibilizando áreas para entradas de textos, pesquisas, postagens para fórum, imagens e vídeos. Blog do Sapo Frog, livro aparentemente acessível, de fácil linguagem e entendimento, possibilitou mais do que postagens e discussões sobre textos, possibilitou aos alunos o contato com uma rede de interações e mediações, em que todas as variedades do Português, desde que de uso apropriado e esperado, são igualmente eficazes.

Um sapo-cururu muito antenado com as mudanças do mundo resolveu criar um blog. Assim, ele pode contar tudo o que acontece no mundo dos sapos do brejo onde vive e de outros brejos também. O mundo dos sapos é muito mais animado e cheio de novidades do que imaginamos: há festas, amizades e troca de e-mails com sapos de outros brejos e de outros países, além das mais variadas notícias. No mundo dos humanos não é muito diferente. De forma original e criativa, o livro Blog do Sapo Frog, de Almir Correia, foi o pontapé inicial para a aprendizagem virtual dos alunos do 6° ano. Assim como no livro, os alunos criaram por meio de uma ferramenta segura, o Moodle, previamente instalado no site do colégio, seu próprio blog. O Moodle constitui-se em um sistema de administração de atividades educacionais destinado à criação de comunidades virtuais, em ambientes voltados à aprendizagem colaborativa. Possibilita ao usuário integrar-se num curso a distância. Por meio da ferramenta, de maneira descontraída e bem humorada, os alunos lançaram mão do internetês, linguagem típica dos usuários da internet, construindo em seus blogs um verdadeiro diário virtual. Neste ambiente, a velocidade das informações, compatível com a realidade da geração, estava presente. Internetês é um neologismo que designa a 86


assuntos a serem discutidos no meio virtual. Logo após a votação, foi realizado um trabalho com a professora da área, em que fora criado um gráfico, possibilitando uma melhor visualização dos assuntos preferidos pela turma. Dando sequência à interface que o projeto fez com as áreas do conhecimento, puderam participar de um fórum com questões relativas à “Filosofia, escola e mitos”, provenientes das aulas de História, do livro “O mundo de Sofia”, de Jostein Gaarder.

Moodle e as demais áreas do conhecimento: algumas interfaces No contexto em que vivemos, em que a informação se processa de forma rápida e dinâmica, faz-se necessário o uso de múltiplas linguagens, das quais a cibercultura é parte integrante. Assim, a aprendizagem proveniente dos gêneros da cibercultura (diários virtuais, blogs literários, blogs jornalísticos, e-mails, chats, etc.) ressalta a participação ativa e a interação, tanto dos alunos como dos professores. O conhecimento é visto como uma construção social, em que estes ambientes colaborativos são ricos em possibilidades de aprendizagem e crescimento do grupo em si. Nas aulas de Português, além do trabalho com os gêneros da cibercultura, foi realizado um resgate às características do gênero epistolar carta, aprendidas em séries anteriores, e a comparação com o gênero e-mail, no que se refere às características formais, suporte e linguagem utilizada de acordo com seu interlocutor.

Por que Sofia estava correndo perigo? Você concorda com o autor das cartas? Quais as conclusões de Sofia sobre os mitos? Por que a escola é importante para a Filosofia? Foram alguns dos questionamentos feitos aos alunos. Todo o respaldo para tais perguntas foram trabalhados nas aulas de Língua Portuguesa e História, por meiodo estudo literário e filosófico dos gêneros da narrativa mitológica, presentes no livro Odisséia, de Homero, com adaptação de Ruth Rocha. Numa sociedade plural e multifacetada, faz-se necessário repensar a nossa velha e boa forma de ensinar, buscando a utilização de novas tecnologias e mídias sociais. Num mundo contemporâneo, a linguagem digital é cada dia mais utilizada para a aprendizagem e para a comunicação entre as pessoas, podendo ser considerada como objeto de análise e estudo. Vale ressaltar que, as contribuições do grupo de Responsabilidade Social de nosso colégio foram imprescindíveis. Garantir acesso aos bens digitais é garantir também acesso aos contextos de cidadania, inserindo nossos alunos em ambientes virtuais seguros e contextualizados. Internet segura... sempre!

Neste sentido, os novos blogueiros puderam conhecer as características dos gêneros e-mail e blog, estimular hábitos de leitura e de escrita, repeitando os possíveis interlocutores e desenvolver a habilidade de se expressar por meio da linguagem digital, o internetês. Instrumentalizar os alunos nas práticas de leitura e escrita da contemporaneidade, no que diz respeito à utilização de novas tecnologias e mídias eletrônicas, não foi tarefa fácil, nem solitária. As aulas de Língua contaram com uma ajudinha das disciplinas Matemática e História. Em Matemática, os alunos fizerem uma votação em que todos puderam opinar sobre os possíveis 87


- Em curiosidades trazidas pelos alunos, com pesquisas em sites confiáveis; - Nas aulas de Língua Portuguesa e História, por meio do trabalho com os Mitos e a Filosofia; - Através da leitura do livro “O Conde Futreson”, de João Carlos Marinho, através da página oficial do autor, pesquisas de suas obras e as respostas de e-mails coletivos enviados a ele.

O Moodle tem aplicação em projetos educativos de todas as séries e áreas curriculares, estimulando a participação e a colaboração. Veja, abaixo, alguns exemplos do uso do Moodle: - Nas aulas de Redação, com a elaboração e a publicação de um poema de autoria própria, a partir do livro “Poesia fora da estante”, organizado Vera Aguiar;

O uso da plataforma moodle como ferramenta pedagógica Rodrigo Dugnani Se você ainda não fez um curso EaD (Educação a Distância), fique sabendo que suas chances de se deparar com essa tecnologia educacional são grandes. A cada dia que passa, mais e mais instituições com cursos de graduação, extensão, pósgraduações lato-sensu (especialização) e strictosensu (mestrado e doutorado) têm lançado mão dessa tecnologia para formar, integralmente ou parcialmente, seus discentes. Inclusive tradicionais instituições de ensino, nacionais e internacionais, têm ampliado o uso da EaD na formação de seus alunos. Entre elas a Universidade de São Paulo (USP), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Fundação Getúlio Vargas (FGV), Universidade de Harvard, entre outras. Foi diante dessa realidade que o Colégio Uirapuru, desde 2010, passou a utilizar parcialmente no Ensino Médio, essa nova forma de educação por meio de uma ferramenta dinâmica e flexível: a

plataforma Moodle, ou simplesmente Moodle. Tudo começou em 2010, quando a disciplina de Humanidades (Filosofia, Sociologia, Ciência Política e Antropologia) foi formatada para mesclar as aulas presenciais e a distância por meio do Moodle. Dessa maneira, os alunos passaram a ter aulas presenciais, quando são analisados os principais conceitos, processos e fenômenos relacionados às humanidades; ou ainda são promovidos debates que se originam dessas análises. E, em casa, durante a semana, realizam a leitura do material publicado e fazem as atividades por meio de questionários, produções de texto, postagem e debates nos fóruns e blogs, tudo isso graças à tecnologia em nuvem da plataforma Moodle. Atualmente, além do curso de Humanidades, muitos professores têm utilizado a plataforma como meio de complementação de suas disciplinas presenciais, aproveitando a versatilidade 88


estudadas separadamente. Assim, de acordo com Priscilla Barreto, muitos estudiosos e as várias diretrizes do ensino propõem que a preocupação da educação deve estar pautada no preparo dos jovens para saber lidar com as mudanças decorrentes do mundo contemporâneo. Nesse sentido, José Manuel Moran, doutor em Ciências da Comunicação da Universidade de São Paulo (USP), partilha da ideia de uma educação em que se integre o ensino junto com a vida, o conhecimento e a ética, além da reflexão e da ação. Além disso, David Buckingham, diretor do Centro para o Estudo das Crianças, Juventude e Mídia na Universidade de Londres, alerta ser necessário inserir o computador sob o foco de suscitar a criticidade, indo bem além de sua mera utilização pelo simples fato de ser uma tecnologia muito empregada na sociedade. Para que isso ocorra, a questão primordial é fazê-lo enriquecer pelo cognitivo através de seu uso, relacionando os conhecimentos prévios aos novos, conseguindo partir de uma ordem inferior de pensamento para uma superior, por meio do pensar/abstrair sobre algo. Conscientes e compartilhando dessas reflexões, os profissionais em educação do Uirapuru têm buscado lançar mão de procedimentos que utilizam as novas tecnologias de informação a fim de desenvolver atitudes que possibilitem aos alunos a inserção mais adequada na sociedade do século XXI, além de permitir a aprendizagem conceitual de forma mais significativa e próxima da realidade vivida pelos alunos, cotidianamente.

da tecnologia em nuvem para a postagem de materiais complementares, listas de exercícios, vídeos entre outros, e recebendo tarefas por meio digital on-line. A importância pedagógica da inserção do computador na educação Há algum tempo o debate sobre o uso do computador e da rede de informação na educação tem levado à conclusão de que essas tecnologias não devem ficar de fora do cotidiano dos alunos. Trata-se de um processo inevitável que deve ser inserido nas dinâmicas escolares. Segundo Priscilla Alves Barreto, pós-graduada em educação pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (UNESP), a escola do século XXI deve possibilitar que o aluno tenha uma educação tecnológica, não só restrita a torná-lo usuário dessa tecnologia, mas que também possibilite uma efetiva construção social. Para José Armando Valente, doutor em Ciência e Educação pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e professor do Departamento de Multimeios, Mídia e Comunicação do Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o computador deve ser incorporado à prática pedagógica, e não utilizado como fim em si mesmo, o que significaria a subutilização dessa tecnologia. É preciso que o professor utilize o computador para ensinar por meio dele, possibilitando ao aluno condições para construir seu próprio conhecimento, desenvolvendo algo significativo, desde que elas estejam inseridas dentro da disciplina e não 89


É High School, é Uirapuru!

Em 2012, em parceria com a Texas Tech University (TTU), o Colégio Uirapuru iniciou o programa de High School, dando a oportunidade aos alunos a partir do 9º ano do Ensino Fundamental de viver o ambiente de estudo norte-americano e, ao final do Ensino Médio, obter um certificado de conclusão do Ensino Médio válido aqui e nos Estados Unidos. Ao cursar o Uirapuru High School, o aluno estuda simultaneamente as disciplinas do programa brasileiro e norte-americano e, ao final do curso, obtém dois certificados, um do Colégio Uirapuru e outro da Texas Tech University High School. Desta forma, habilitam-se para estudar fora do Brasil, mas principalmente enriquecem o

currículo, em um mundo globalizado: terminam o Ensino Médio com elevada proficiência em inglês, cultura geral ampla e grande capacidade de realização. Para o professor do High School Uirapuru, Richard Sanzaro, o curso da TTU prepara os estudantes para competir academicamente nos níveis mais elevados que existem hoje. “Participar desse programa vale muito a pena. Somos privilegiados por ter essa oportunidade que, com certeza, melhorará nosso futuro. Não perca essa experiência, não se deixe influenciar pelos outros dizendo que você não é capaz. Todos nós somos capazes, basta acreditar em nosso potencial”, diz Isabela Tocheton, aluna Uirapuru High School. 90


Em Sorocaba, o Uirapuru é a única escola a oferecer a dupla titulação, a partir do convênio com a Texas Tech University. Brasil afora, no entanto, o curso já foi implantado por algumas das mais importantes escolas brasileiras, como o Bandeirantes, o Dante Alighieri, o Colégio Magno, o Leonardo Da Vinci, entre muitas outras, com ótimos resultados. Para ingressar no High School Uirapuru, os alunos do 8º são convidados a fazer uma prova que avalia o seu real nível de Inglês, e devem ter um aproveitamento de 60% para que sejam aprovados. Afinal, o High School não é um curso de idiomas, e o domínio do inglês é pré-requisito para o bom desenvolvimento. Os cursos do High School Uirapuru são ministrados por professores nativos de língua inglesa. Como as aulas são todas em inglês, o aluno passa por uma experiência de imersão na língua inglesa e sua cultura. Para a aluna do High School Uirapuru Laura Arruda, que nunca teve aulas de inglês particular, entrar no High School vem sendo uma oportunidade de aprimorar ainda mais o idioma: “O Inglês oferecido pelo Colégio deu a base necessária para entender o idioma, mas o curso com professores e material estrangeiro deu os toques finais na minha pronúncia, escrita, fala e compreensão da língua”, afirma.

conciliar trabalhos, provas e aulas com o ensino regular. Talvez, nos primeiros quinze minutos da primeira aula ou na primeira apresentação de Speech ou na primeira aula de Business, você se sinta perdido. Mas esse programa está lá para que isso não aconteça no mercado de trabalho“, diz a aluna Isabela Tocheton. Um dos grandes retornos oferecidos pelo curso é o amadurecimento dos alunos, dentro de uma experiência de ensino-aprendizagem muito diferente da vivida no curso regular. “Foi impressionante para mim ver alunos de 13, 14 anos apresentando discursos profissionais, que eles mesmos escreveram, em inglês, em frente a uma câmera, com seus amigos e o professor norte-americano assistindo. A confiança com a qual realizaram o trabalho foi esplêndida. A pronuncia e entrega dos alunos foram dignos de aplausos. Com seu discursos de 3-5 minutos eu pude ver que seus futuros são promissores“, diz o professor Richard Sanzaro. Do mesmo modo, o formato do curso leva a um novo desenvolvimento da expressão oral e escrita, como diz o aluno Gabriel Friedrich. “Faz nove anos que eu estudo inglês, quatro desses num colégio bilíngue. Obviamente, eu aprendi muito, porém foi apenas aqui que eu consegui superar a minha timidez de falar em público. Por causa das aulas de Speech, pela necessidade de apresentar discursos diante de uma plateia, foi que eu consegui me expressar de maneira eloquente, sem murmurar ou hesitar diante de pessoas. Participei do Festival das Letras e do Show de Ciências como apresentador, feitos do qual eu me orgulho, e sei que, sem todas as aulas que tivemos nesse ano, eu não teria tido a coragem de sequer subir ao palco. O programa High School trouxe a um garoto tímido o prazer de se apresentar em frente a uma audiência”, finaliza.

O currículo No High School Uirapuru, os alunos têm aulas em inglês de disciplinas como Public Speech (Comunicação em Público, retórica e argumentação); English (Literatura, Redação e Interpretação de Textos); US History; Government; Economics e Business Information System. “O ritmo é aceitável e o acompanhamento dos professores e coordenadores nos ajuda a 91


Um concerto a 6 mãos: é o que informa os resultados do ENEM Arthur Fonseca Filho - Diretor do Uirapuru

Qual é o real significado do Exame Nacional do Ensino Médio? A pergunta parece óbvia, mas não é. Cada um tem seu ponto de vista quando são divulgados pela imprensa os resultados dos alunos (a partir do qual se calcula a média das escolas), neste que é o mais conhecido instrumento de avaliação da educação brasileira. Os jornais preparam edições especiais com rankings. Os debates são acalorados. Mas pouco se fala sobre condições fundamentais para que um bom desempenho nesse exame seja possível. Vamos deixar de lado casos pontuais e análises gerais, pois temos um bom exemplo da casa – os resultados do Uirapuru, que se mantêm estáveis após um longo período, apontando para uma tendência ascendente, que posicionam a Escola entre as 12 primeiras do Estado de São Paulo. De quem é o mérito? De cada um, e de todos. Não há pedagogias milagrosas na educação. Nada se constrói sem a composição de uma tríade que, necessariamente, deve se fortalecer mutuamente, num ciclo virtuoso: estamos falando da escola, do aluno e da família. Por melhor que seja um projeto de ensino, seus 92


Não há pedagogias milagrosas na educação. Nada se constrói sem a composição de uma tríade que, necessariamente, deve se fortalecer mutuamente, num ciclo virtuoso: estamos falando da escola, do aluno e da família.

resultados só serão consistentes se dessa composição fizerem parte alunos interessados em aprender, motivados, com objetivos de vida, e famílias presentes, que acompanhem de perto o desenvolvimento de seus filhos. São essas condições que permitem à Escola propor um ritmo de grande exigência acadêmica, de trabalho, esforço, mérito, com consentimento e

apoio da comunidade. Como em todo ambiente produtivo, todo movimento contrário caracteriza-se como uma forma de resistência, que pode levar à sabotagem, se não houver um contrato tácito entre as partes. Quando o compromisso assumido entre educadores, pais e alunos é pactuado, a tendência é que o trabalho flua, seja desafiador, promova melhorias não apenas em poucos indivíduos interessados, mas em todo o grupo. Está formado o ciclo virtuoso, que funciona como um motoperpétuo: professores motivados, alunos que querem vencer desafios, pais que representam o fiel da balança. Por isso, quando por interesse e dever de ofício me debruço sobre os dados do ENEM para estudá-los, olho sim para as médias, os pontos em que podemos avançar, mas penso sobretudo que o principal retorno desse bom desempenho do Colégio Uirapuru é o merecido reconhecimento de um projeto que não pertence a uma pessoa ou a uma escola, mas a um time composto por jovens, pais e educadores, que cada vez mais joga por música. 93


Formandos da 3ª série do Ensino Médio - 2012

Anuário Uirapuru 2012

Colégio Uirapuru

Jornalista responsável Paulo de Camargo - Mtb 21.671

Diretor Geral Arthur Fonseca Filho

Produção Gráfica Estúdio Bala Edição Ltda

Diretor Administrativo Arthur Fonseca Neto

Tratamento de imagens Cecília Laszkiewicz

Diretor Financeiro Renato Machado de Araujo Fonseca

Realização Palavra Prima Comunicação Ltda.

Coordenadora Geral Maura Maria Morais de Oliveira Bolfer 94


95


Av. Professor Arthur Fonseca, 633 Jardim Panorama - CEP 18031-005 - Sorocaba - SP www.colegiouirapuru.com.br (15) 2102-6600

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Colégio Uirapuru - Anuário 2012  

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