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U 2013 





Aqui, todos aprendemos Estamos habituados a ver a escola como um lugar onde os alunos aprendem. Mas essa é uma visão que já não corresponde ao momento que vivemos, marcado por processos permanentes de transformação. Para que seja capaz de acompanhar a evolução dos tempos e responder às demandas da sociedade contemporânea, a escola deve ser – toda ela – uma organização aprendente. Essa talvez seja a principal mensagem deixada pela terceira edição do Anuário do Colégio Uirapuru. Nas matérias, nos artigos escritos por nossos educadores e educadoras, nas produções dos alunos vemos que o processo de aprendizagem é contínuo e abrangente. Aqui, todos aprendemos diuturnamente, em um movimento que envolve a todos, independentemente de função, idade, posição hierárquica: gestores, professores, demais funcionários, alunos – e também nossas famílias, cada vez mais parceiras no cotidiano pedagógico. Pois é justamente a construção de uma comunidade que aprende e caminha junta que nos fortalece, que torna o Uirapuru um Colégio dinâmico, vivo e, ao mesmo tempo, alicerçado em valores que subsistem no tempo. E é assim que receberemos, confiantes, 2014, ano em que o Uirapuru comemorará 25 anos de existência. Será um grande ano para todos nós. Que continuemos todos crescendo juntos!

Em tempo: Em pleno fechamento, já na hora de entrar em gráfica, recebemos uma notícia que coroa o trabalho pedagógico realizado em 2013 e registrado nesse Anuário. Os alunos do Colégio Uirapuru receberam uma elevada pontuação no ENEM 2012. Os rankings elaborados pelos jornais situam o Colégio em 1º lugar, na cidade de Sorocaba; em 10º lugar do Estado e em 30º lugar no País (média realizada sem considerar a pontuação da Redação). O Uirapuru não orienta seu trabalho para figurar em listas publicadas pela imprensa. Mas o ENEM, em si, traz indiscutivelmente informações importantes sobre o sucesso de um trabalho pedagógico - o que inclui o comprometimento dos professores, o empenho dos alunos e a parceria com as famílias. Desse ponto de vista, então, todos nós temos mais essa conquista para celebrar, no final deste ano. Podemos nos orgulhar de ser uma escola que (também) está bem posicionada no ranking, pois somos bem mais do que isso: o Uirapuru foi, é e continuará sendo uma escola onde todos são igualmente respeitados, onde os valores humanistas presidem a ação pedagógica, onde todo mundo tem um nome. Arthur Fonseca Filho Diretor do Colégio Uirapuru 





Índice Editorial

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Movimentar é crescer

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Pé com pé, mão com mão Projeto Elmer

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22 Do tamanho da gente 27 Netos e avós 30 Era uma vez... 34 O mundo das palavras

Arte, música e alfabetização

40 Projeto Intolerância 43

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Inglês: perspectivas

46 O olhar fotográfico na paisagem escolar 50 Uma imagem e muitas palavras 54 D. Quixote: a alegria de ler um romance 56 Internet segura 58 Para construir um mundo melhor 60 Contos e lendas da Europa Medieval 63 Expressão corporal na Educação Física 64 Regiões brasileiras e identidade cultural 66 Jornada Papel de Pai, Papel de Filho 68 Um novo espaço de formação no Uirapuru 70 High School: Guns up! 74 As transformações no ensino de História 77 A tríplice comunicativa 79 Festival das Letras 84 Uirapuru: um colégio que aprende 96 Da ideia à prática: parceria pedagógica




Berçário

Movimentar é crescer Fernanda Brocchi de Moraes Rodrigues, Hugo Pasin Neto e Maria Angélica Vasques Moreira 


Ao nascer, nosso cérebro ainda não está pronto para assumir suas diferentes funções, inclusive no aspecto da motricidade. O início do controle motor acontece de forma lenta e progressiva. Os movimentos voluntários, como podem ser denominados, são dirigidos e organizados pelo cérebro, como, por exemplo, rolar, engatinhar, sentar, pegar e andar. Esses movimentos acompanham a maturação do sistema nervoso. Ou seja, conforme o cérebro se desenvolve, novas habilidades motoras tornam-se aparentes. As habilidades motoras rudimentares devem estar bem estabelecidas até os dois anos de idade para que possam, em um segundo momento, serem refinadas, permitindo uma transição de qualidade para a fase das habilidades motoras fundamentais, como correr, saltar, equilibrar e arremessar. Para cada faixa etária, as atividades são direcionadas e observadas pela equipe do Berçário, dentro da seguinte orientação: Fase Branca (4 meses a 12 meses): Arrastar, sentar, engatinhar, ficar em pé. São movimentos que estimulamos por meio de atividades no chão, com rolos, almofadas, brinquedos adequados e sempre com um olhar para as conquistas das crianças. Nesta fase as atividades são dirigidas para o estímulo do controle da cabeça, tronco e por último, o ficar em pé. Exercícios como colocar os bebês de bruços, 


mentais para que, nesta idade, consigam ficar em pé com segurança e andar com firmeza. Bolas, bexigas, areia, subir e descer escalando brinquedos de espuma são atividades que desenvolvemos para esta faixa etária.

sentar sem apoio, sentar com apoio são realizados no chão, em colchões, em almofadas, para que os bebês sintam diferentes sensações e, assim, sejam provocados por estímulos diferentes. Sempre de maneira lúdica, com histórias, fantoches, brinquedos e músicas, as berçaristas desempenham um importante trabalho na estimulação do desenvolvimento motor.

Fase Amarela (19 meses a 30 meses): Nessa fase, proporcionamos atividades de estimulação com maior autonomia, como alimentação (levar a colher até a boca), higiene (escovar os dentes) e exploração de diferentes materiais (livros, tintas e massinhas de modelar caseiras, papéis e texturas diferenciadas). A fantasia é muito presente e o lúdico é fundamental. Fazemos atividades com circuitos onde

Fase Azul (13 meses a 18 meses): Aqui, a criança precisa desenvolver o equilíbrio e as sensações por meio do tato. Escalar, subir e descer, bater palmas, tocar instrumentos. A música é muito trabalhada, pois os gestos, os ritmos e os movimentos de expressão corporal são funda10


montamos os desafios de subir e descer, escalar, pular obstáculos, andar em cima da corda, arremessar bolas. Utilizamos materiais e brinquedos diversos como túnel, rampas de espuma, bambolês, bolas de diversos tamanhos. Para a realização das atividades de motricidade, os espaços do berçário são muito ricos, pois para isso foram pensados. Assim, possibilitam atividades de estimulação para todas as áreas do desenvolvimento das crianças.

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Educação Infantil

Pé com pé, mão com mão... Michele Crocco de Oliveira Leite

“Uma caixa colorida!”... “Tia, acho que eu vi uma coisa na porta!”... “De quem é esse rabinho?”... “Pegadas!” Foi assim que o Nestor, personagem de Quentin Gréban, começou a fazer parte da rotina das turmas do Infantil 2. Tudo começou com uma caixa surpresa encontrada no parque. “O que será que tem dentro?”, perguntamos. As crianças ainda falavam pouco, mas arriscavam suas hipóteses para tentar desvendar o mistério. Tão pequenas e tão pensantes. “É um jacaré?”, “Um elefante?”. “Será que cabe um elefante dentro dessa caixa?” E por que não? Depois de deixar a imaginação fluir, a caixa foi aberta e muitos livros do Nestor foram encontrados. Naquele momento, o cheiro da curiosidade se espalhou até roçar o nariz de cada criança. Ter o livro em mãos, folhear, admirar as imagens e imaginar o que estaria acontecendo ali transformou o momento em magia e não permitiu qualquer chance de interrupção. As crianças saborearam 12


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cada momento com encantamento. Depois da familiarização com a história, era hora do Nestor começar a aparecer, e isso não aconteceu de uma só vez. Num primeiro momento, um cheiro diferente se espalhou pela sala de aula. Que cheiro é esse? Quando uma criança se arriscava a dizer qual aroma estava sentindo, todas as outras a imitavam, até que uma nova hipótese surgia. O cheiro era de... banana! E foi com esse cheirinho que em outro momento preparamos uma tinta cremosa com a cor e o cheiro da fruta. As crianças participaram de todo o processo, desde a colocação dos ingredientes na panela até se servirem da tinta pronta, o quanto desejassem, para utilizá-la para a realização de suas obras de arte. Depois de mais uma etapa completada, eis que um rabinho marrom apareceu na porta das salas. “Quem viu?”, “O que é isso?”, queriam saber. As crianças foram convidadas a soltar a imaginação e, quando saíram em busca daquele rabinho, foi grande a surpresa ao encontrarem pegadas no chão. Mas que pegadas eram aquelas? Ao seguirem, as crianças foram levadas a um espaço com mais pegadas, e não só aquelas, que ainda lhes eram desconhecidas. Agora, podiam ver pegadas humanas junto com as outras. Hora de tirar o calçado e comparar. Pisa daqui, pisa de lá. “Essa parece com a minha... mas essa outra não!” Que tal se deixássemos as nossas pegadas aqui? E foi assim que as crianças se prepararam para outra grande

aventura, carimbar e pintar com os pés. Vestidos apenas com camisão de pintura, as crianças mergulhavam os pés em bandejas com tintas coloridas e iam deixando suas marcas. O prazer em explorar a tinta e o espaço era tanto que só os pés não bastaram. Como em um toque de mágica, passaram a pintar com o corpo todo... quanta descoberta! Pintar, carimbar, equilibrarse, escolher a cor desejada, eram muitas as ações realizadas ali. Tudo isso em momentos de muito prazer. 14


“Uma caixa colorida!”... “

Tia, acho que eu vi uma coisa na porta!”... “De quem é esse rabinho?”... “Pegadas!” Foi assim que o Nestor, personagem de Quentin Gréban, começou a fazer parte da rotina das turmas do Infantil 2. as crianças já desconfiavam de quem poderia estar por trás de tantas “aprontices”. Assim, em um último momento, as pegadas apareceram novamente e levaram os pequenos curiosos até o Nestor. Ele estava lá, todo tranquilo, esperando ser descoberto pendurado em uma árvore. Foi puxado, agarrado e querido. Oh, querido Nestor! A partir daí o Nestor passou a participar de todos os momentos do Infantil 2. As crianças passaram a ter um amigo a mais em sala. Para que esse novo amigo se sentisse confortável, prepararam um cantinho onde ele pudesse dormir. Pensando na exploração de materiais ainda não conhecidos, as crianças entraram em contato com um enorme tecido de espuma. Começava aí a pintura da casa do Nestor. Marrom para o tronco da árvore, verde para as folhas e, novamente, tinta por todo o corpo... afinal precisavam colorir a maior parte possível do tecido. Tudo pronto, árvore montada, mas... o Nestor não conseguia

E as pegadas? As pegadas não eram as das crianças, isso era sabido.Quando elas apareceram novamente, com muita curiosidade foram seguidas, até que no final do percurso encontraram uma sacola e um bilhete: “Oi, amiguinhos do Infantil 2! Deixei para vocês uma surpresa muito especial. É a comida que eu mais gosto e espero que vocês gostem também. Um beijo...”. Dentro da sacola encontraram um cacho de bananas, que delícia! E quem será que deixou essa surpresa aqui? A essa altura, com tantas dicas, 15


nassem para ele um presente coletivo. E, por falar em presente, foi no Colégio que o Nestor completou anos e convidou todos os amigos para a sua festa de aniversário! Primeiramente, enviamos o convite para casa. Para essa festa, o Nestor não queria presentes, a única exigência era que cada criança trouxesse um bichinho de pelúcia para que juntos pudessem cantar o parabéns e assoprar as velinhas. A festa foi muito divertida e o cardápio tinha a cara do Nestor: bolo e bananas em rodelas com farinha láctea. As crianças se serviam a vontade e também repetiam quantas vezes desejassem. A experiência de preparar o próprio

deitar ali e ganhou uma rede. A rede foi estendida entre os troncos e o cantinho montado. Porém, não foi só o Nestor quem deitou na rede. Curiosas, as crianças tentaram deitar também. Percebendo que a rede não sustentava o peso delas, buscaram outros meios para fazer parte daquele espaço e, então, se esticaram embaixo da rede para brincar de “dormir”. Para deixar o cantinho mais aconchegante, pedimos aos pais que enviassem retalhos de tecidos e confeccionamos uma colcha de retalhos para manter Nestor aquecido, além de permitir às crianças que oferecessem algo de si e confeccio16


momentos com fotos. Quando o diário retornava para o Colégio, os outros amigos podiam ver um pouquinho do que tinha sido a visita do Nestor em cada casa. A escolha da criança que levaria o Nestor era feita pelo sorteio com fotos. Esse era um momento muito esperado e sempre muito comemorado. Depois do sorteio, a foto era fixada em um painel com a foto dos outros amigos que já haviam levado o Nestor. O resultado dessa experiência foi apresentado na mostra do Uirapuru, onde pode ser apreciado por meio de registros fotográficos e vídeos.

alimento foi fantástica. As crianças também foram para cozinha quando prepararam bolo de banana, o preferido do Nestor, para oferecer aos pais no dia da reunião do Colégio. A receita, é claro, foi do nosso amigo, que se sentiu orgulhoso por ter sido preparada com tanta excelência. Depois de tantas experiências, chegou a hora de cada criança curtir momentos individuais com o Nestor e compartilhar com a família. Então, o Nestor passou a visitar a casa de cada uma, levando sua colcha e seu diário de bordo. Nele, a família deveria relatar a experiência e ilustrar os 17


Projeto Elmer: a Matemática e a Resolução de Problemas Gilcelene Moretão

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A aprendizagem da Matemática no Infantil 3 é realizada num processo contínuo, no qual os alunos atribuem significados, estabelecem relações, fazem observações e comparações. Isso ocorre a partir, primeiramente, da livre exploração do mundo, quando os alunos manipulam e percebem caraterísticas dos objetos (sons, peso, tamanho, textura, cheiro), imitam ações alheias e movem-se no espaço em que estão inseridos. A partir deste objetivo, com muita magia e encantamento, o personagem “Elmer, o elefante xadrez”, do livro de David Mckee, foi apresentado aos alunos. O primeiro momento foi a chegada de uma caixa toda colorida e misteriosa, com um bilhete, que informava que as crianças não poderiam abri-la, só balançá-la... “É uma caixa misteriosa!”, “Faz barulho!”, ”Acho que é de comer!”... Os comentários foram muitos e o mistério continuou. Durante toda semana, os alunos chegavam à sala de aula e se deparavam com a caixa. Ela estava ali, as crianças não se aguentavam de tanta curiosidade e se perguntavam: “O que será que tem aqui dentro?” “Pode ser um brinquedo.” “Será que é um bichinho?”, “Tia, quando iremos abrir?”. Como explica a pesquisadora Kátia Smole, para uma criança, assim como para um adulto, um problema é toda situação que enfrenta e para a qual não encontra a solução imediata que lhe permita ligar os dados de partida ao objetivo a 19


atingir. A noção de problema comporta a ideia de novidade, de algo nunca feito, de algo ainda não compreendido. Novamente ao chegarem à sala, os alunos perceberam que a caixa estava diferente, havia um buraco! Colocaram a mão e puderam sentir... “Nossa, é duro!”, “Parece uma tábua”, “Acho que é um brinquedo...”. Depois de vários dias tentando descobrir o que tinha dentro da caixa, abriram e descobriram: “Tem muitos quadrados coloridos!”, “É um livro de todas as cores!”, ”É uma história de elefante colorido”. Após se encantarem com a história do elefante xadrez, os alunos finalmente conheceriam o nosso amigo especial. Teriam uma nova surpresa xadrez... Elmer enviou aos alunos uma sequência de pistas, que ao final se configuraria em um quebracabeça com a sua imagem. A primeira sequência foi uma adivinha enviada pelo correio, pois o objetivo era despertar a curiosidade e o interesse por esse amigo misterioso. Contamos também com a participação das famílias, que incentivaram os alunos a desvendarem o mistério. E assim que terminaram de montar o quebra-cabeça, de volta à nossa roda, a alegria foi contagiante: “Tia, você não acredita!”, “Era o Elmer que mandava as pistas!”, “Minha mãe achou que era o Wilbur, porque era preto e branco! ”, “Meu irmão ajudou a pintar!” O que eles não sabiam era que Elmer estava

aprontando mais uma travessura. Novamente, ao chegarem ao Colégio, se depararam com várias pegadas redondas e coloridas: “Tia, o que é isso?”, “Alguém pisou na tinta?”, “Vamos seguir?”, Seguiram as pegadas e foram parar lá no Quintal do Uirapuru onde encontraram o mais novo amigo do Infantil 3: “Ele é todo colorido!”, “Igual ao livro!”, “Como ele é fofinho!”, “Suas

cores são lindas!” Foi assim que Elmer deixou o livro e passou a ser o novo mascote do Infantil 3. Por aí viriam muitos momentos de brincadeiras e aprendizado! A primeira brincadeira que Elmer proporcionou foi “Elefantinho colorido”. Seria um grande desafio, pois começariam a discutir os “combinados”, que seriam as regras. Para esta brincadeira foram utilizadas bolas e tecidos coloridos, diferentes espaços do Colégio, como pátio, parque, quadras. Os ambientes amplos foram 20


explorados, pois os pequenos precisariam correr, habilidade que dominam muito bem! Agora era hora de experimentação... “Será que podemos produzir outras cores de tintas?”, “Vamos perguntar ao Elmer?”. E não é que o Elmer deixou um saco com muitas fichas coloridas para os alunos?! Junto com o saco de fichas enviou também instruções:

batedor, colheres e esponjas. Cada aluno recebeu um prato e se serviu (sozinho, que desafio!) com as tintas sorteadas. Feitas as misturas e reveladas aos demais alunos, escolheram os materiais e realizaram a pintura no caderno de atividades do Elmer. Quantas descobertas! Depois das misturas com tintas, era chegado o momento da brincadeira com papéis coloridos. Elmer enviou aos alunos diversos tipos de texturas e cores de papéis, e, também, um novo manual de instruções. Era preciso rasgar os papéis em pequenos pedaços. Assim que terminassem de rasgar, poderiam brincar de fazer uma chuvinha colorida. Depois, precisariam separar todas as cores num saquinho. Em outro momento colariam os papéis num suporte grande (formato do Elmer) na lousa. Seria preciso seguir as orientações das professoras, pois colariam apenas duas cores por dia. Foi mais um sucesso esta atividade! “Tia, onde foi parar o Elmer?”, “Ele não está aqui na sala hoje...”. Como Elmer estava presente em todos os momentos da rotina dos alunos, eles acharam estranho não encontrá-lo. Saíram à sua procura... Procuraram pelos corredores, no parque, no refeitório, perguntaram para os inspetores... “Será que ele voltou para o livro?”, “Não, ele deve ter ido ao Quintal!”, “Eu acho que ele voltou para a floresta.” Num clima de suspense, um pouquinho preocupados... Entraram na sala de brinquedos e ali estava Elmer, com um enorme embrulho, pronto para ser descoberto:

“Alunos do Infantil 3: dentro desse saco tem muitas fichas. Vocês deverão fechar os olhos e sortear dois papéis. Esses papéis representam as cores para a mistura. Vocês devem pegar essas duas cores e misturar para ver o que acontece. Depois disso, façam uma bela pintura. Beijos coloridos, Elmer”. Seguindo as instruções de Elmer, cada aluno pegou duas fichas. Na sala foi montado um “ateliê”, com centros de materiais – tintas de várias cores, pincéis de diferentes tamanhos, rolinho, 21


“O que é isso, Elmer?”, “É um presente!”, “Tem

a festa, e era hora de planejá-la: foram listadas

uma carta!” Mais um dos momentos de pura alegria... “O que Elmer trouxe desta vez?” Muitos “Elmerzinhos” e gelatinas de vários sabores, mas precisariam compartilhar com as famílias... Tudo pensado, planejado e foi assim apresentado na reunião de pais. As famílias puderam assistir alguns vídeos sobre o projeto. Ao final cada aluno, com seu “Elmerzinho” em mãos, acompanhou seus responsáveis à sala de pintura, onde foram disponibilizados pincéis e várias cores de guache. “Elmerzinho” já não estava mais sem cor... E para retribuir o carinho, os alunos se deliciaram com gelatina colorida, que eles mesmos prepararam... A diversão não parou por aí... Na história do livro, os amigos do Elmer fazem uma festa colorida. Os alunos adoraram a ideia de fazer

na lousa as sugestões dos alunos: “Tia, precisa de bexiga!”, “De bolo”, “De muitos amigos!”, “Toalha colorida!”... E não faltaram sugestões! A festa foi divertida e cheia de amigos, pois cada criança trouxe para festa de três anos do Elmer um amigo de pelúcia para apresentar. Também vieram com roupas adequadas para o momento! E colorido também foi o bolo que a Tia Maura, coordenadora do Colégio, fez para o Elmer. Todos adoraram! “Tia, encontramos quadradinhos no bolo do Elmer”, “a capa do livro é cheia de quadrados”..., hora mais do que precisa para apresentar os blocos lógicos, que são as formas geométricas à turma. Com eles os alunos puderam fazer o reconhecimento das formas: quadrado, triângulo, retângulo e círculo. Descobriram também que

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os alunos voltaram para a roda e conversaram sobre como foi brincar: “Eu gostei, mas foi mais difícil!”, “Eu confundi a forma!”, “Na próxima,

eles podem ser grande e pequeno, grosso ou fino e de várias cores. Brincaram muito e até montaram muitas coisas como: casa, sanduíche, carro, condomínio e trem. Que tal prepararmos uma sopa para o Elmer? E foi por meio do faz de conta que os alunos foram convidados a colocarem os ingredientes na sopa: “Precisamos de um triângulo amarelo fino”, “Tia, pode ser a cenoura”, “O círculo pode ser a cebola”, “Este círculo vermelho fino pode ser o tomate...” Para a proposta se tornar ainda mais significativa, Elmer preparou uma nova surpresa, uma brincadeira corporal com formas geométricas que foram desenhadas nos diferentes espaços do Colégio. A nova regra foi correr para a forma solicitada pelos amigos: “Elefantinho para a toca... do quadrado!”... Depois de muita brincadeira,

podemos escolher um pegador!” Assim como o Elmer, os dias dos alunos do Infantil 3 estavam cada dia mais coloridos e cheios de novidades. Surpresas foram surgindo com a alegria de cada rostinho na chegada ao Colégio. De forma contagiante vibraram ao receber o mais novo jogo: Bingo! Foi preciso atenção para as novas regras, pois teriam que marcar somente a cor que o amigo sorteasse. Os grupos que apresentaram dificuldades receberam auxílio dos amigos que tiveram mais facilidade para seguir as regras do jogo. E no final... BINGO! De alegria, de união do grupo... Elmer continua por aí desafiando os alunos do Infantil 3... Qual será o próximo desafio? 23


O mundo encantado das

palavras

Daniele Moraes Lima de Araújo

Muito antes de a criança aprender a ler e “Carteiro, tem cartas?” faz com que as crianças apreciem as histórias com olhos mais atentos e curiosos, o que valoriza a leitura como fonte de prazer e aprendizagem. Os momentos de leitura levam as crianças a compreender que a escrita tem uma função social, explorando a riqueza da linguagem literária. O grande desafio é desenvolver a linguagem oral e práticas de leitura e escrita por meio dos contos. Daí a importância de iniciar as primeiras leituras na pré-escola, pois é dessa maneira que as crianças começam a refletir e elaborar hipóteses sobre a escrita. Aumentar o repertório de palavras também é bastante importante para este processo. Por meio das leituras dos contos, como “João e Maria,” “Cinderela”, “Chapeuzinho Vermelho”, entre outros, as crianças trocam informações, confrontam ideias sobre o significado de palavras desconhecidas, além de estabelecer relações interpessoais. Estes intercâmbios sociais enriquecem o processo de aprendizagem das

a escrever, ela se interessa pelo mundo letrado. Príncipes, princesas, fadas, lobos, bruxas, gigantes... O “Era uma vez” está presente quase todos os dias nas turmas do Infantil 4. Os momentos de roda de leitura são cada vez mais recheados de fantasia, alegria e encantamento. Qual menina não deseja ser uma princesa e qual o menino não imagina ser um príncipe ou um super-herói? Desde fevereiro, as crianças recebem surpresas inesperadas de um simpático carteiro, escritas pelos personagens dos contos, como bilhetes (“Passei por aqui!” – Bruxa Maligna de Urtigueira), cartas (“Não consigo entregar uma carta para a bruxa porque os morcegos não me deixam chegar perto da torre em que ela mora!” - Carteiro), receitas (“Esta é a receita do mingau que eu faço todos os dias para o bebê Urso!” – Mamãe Urso), convites (“Promovi um baile em meu castelo...” – Príncipe Encantado da Cinderela), enfim... O que a imaginação permitir! O trabalho desenvolvido na sequência didática 24


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A sequência didática: “Carteiro, tem cartas?” estabelece essa oportunidade aos alunos, por exemplo, quando realizamos a leitura compartilhada. Ainda que não saibam ler convencionalmente, cada aluno dispõe de seu livro e acompanha a leitura feita pela professora. Os comentários feitos durante cada parágrafo são repletos de curiosidade e sabedoria... “Tia, o que significa apetitosa?”, referindo-se à casa de doces da bruxa; “Quem é esse cara que fica de braços abertos? Ele é uma estátua”? Onde fica o Rio de Janeiro?”, referindo-se ao cartão postal que o Joãozinho enviou para o gigante; “O que quer dizer feiosérrimas?”, referindo-se às irmãs

crianças e são extremamente relevantes para a importância de todo e qualquer contato com a leitura e a escrita. Segundo o Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil, “promover experiências significativas de aprendizagem da língua, por meio de um trabalho com a linguagem oral e escrita, se constitui em um dos espaços de ampliação das capacidades de comunicação e expressão e de acesso ao mundo letrado pelas crianças. Essa ampliação está relacionada ao desenvolvimento gradativo das capacidades associadas às quatro competências linguísticas básicas: falar, escutar, ler e escrever”. 26


de Cinderela; “O que é sinistra?”, sobre a cor do chá que a Bruxa Malvada ofereceu ao carteiro; entre outros questionamentos que nos enchem de orgulho. Esse é o mundo encantado das palavras! A escrita de cartas coletivas e individuais também são propostas presentes nesta sequência. As cartas coletivas endereçadas aos mais diversos personagens dos contos são ditadas pelas crianças, enquanto a professora é a escriba. Noções de como se escreve uma carta também é de conhecimento dos alunos. Ao perguntarmos sobre o que se escreve primeiro, verbalizam: “Tem que escrever Sorocaba!”, “Depois coloca assim: querida vovozinha”, “E para terminar tem que escrever assim: “ Tchau, beijos, saudades e o nome da turma”. Já as cartas individuais são redigidas pelas próprias crianças por meio da escrita espontânea. Nesses escritos, observamse símbolos, letras convencionais, desenhos e números – marcas gráficas que representam a escrita. Uma curiosidade das turmas é saber quem é o carteiro que entrega nossas cartas... “Tia, como ele é?”, “Será que ele vai gostar da gente?” “Quando ele vier aqui na escola, vamos perguntar se ele viu a bruxa Maligna?”, “Esse carteiro vem de carro ou bicicleta, igual ao carteiro do livro?”, “Por que na camiseta dele tem a bandeira do Brasil?”. É por meio destes e outros questionamentos que os alunos do Infantil 4 desenvolvem um comportamento leitor e escritor, baseado na magia e na imaginação. 27


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O que são medidas? Com o que se

conhecimentos que foram contados por seus pais, como: “Minha mãe fala que eu só chorava”, “Eu era banguela”, “Eu chupava chupeta e tomava mamadeira”, “Olha o tamanho das nossas roupas?”, “Pra eu dormir minha mãe tinha que cantar”. Contaram também sobre seu brinquedo preferido, canções de ninar e também o que já sabem fazer sozinhos, como tomar banho, andar de bicicleta, amarrar o tênis, nadar sem boia... Um molde de papel kraft (boneco) foi con-

pode medir? Maior? Menor? Mais alto? Curto? Comprido? Largo? Esses são conceitos de medidas que proporcionamos às crianças do Infantil 5, por meio de situações que exigem comparações. Iniciamos com algumas leituras como “Clara” (Ilan Brenman), “Quando eu for gente grande” (Ruth Rocha), “Grande ou pequena?” (Beatriz Meirelles), “Eu cresço” (Mike Gordon e Mandy

Do tamanho da gente Suelen Vieira de Moura

Suhr), “O tamanho da gente” (Murilo Cisalpino), entre outros, para que as crianças construíssem

feccionado com a mesma medida do barbante enviado pelos pais. Com canetinha e giz de cera, deram um toque único aos seus bonecos, como olhos, boca, nariz, cabelo e roupas. Todos os bonecos foram espalhados pelo chão da sala virados para baixo e assim tinham por tarefa descobrir qual era seu boneco utilizando apenas o barbante. Foi um desafio e tanto! Outra pesquisa foi realizada, porém, com perguntas referentes às crianças sobre o seu tamanho atual. O mesmo aconteceu: levaram um pedaço de barbante e retornaram com a medida do tamanho atual e fotos recentes. Em roda, compartilharam com os amigos o que já sabem fazer sozinhos. Com o auxílio deste barbante, e após as compa-

conhecimentos sobre os conceitos de grandezas e medidas. As leituras foram realizadas ao longo da semana em rodas de conversa. Após as leituras, enviamos para casa uma ficha com perguntas referentes às crianças quando eram bebês, juntamente com um pedaço de barbante, para que os pais pudessem responder e cortar o barbante de acordo com o tamanho que seu filho nasceu. As famílias enviaram também fotos do nascimento e dos primeiros anos. Em roda, as crianças socializaram as fotos e compararam os seus tamanhos pelos barbantes e perceberam que muitos nasceram maiores, porém, não são os maiores da sala e vice-versa. Puderam relatar às demais crianças do grupo

rações de tamanho entre os amigos, cada criança 29


se desenhou no papel, com a medida do seu barbante, seu corpo, roupas, cabelo e detalhes fizeram toda diferença em seus bonecos... As comparações envolvem noções como grande, pequeno, alto, baixo, maior, menor, longe, perto, tendo a função de organizar o espaço em que a criança está inserida e as habilidades de coordenação motora visual, constância de forma e tamanho, discriminação visual e percepção de posição no espaço (percepção espacial). Trabalhar com medidas é permitir, de forma natural, a estimativa, que é uma habilidade importante, pois na impossibilidade de medições exatas é o que possibilita a resposta.

O que significa ser maior? Será a mais alta? Ou seria a mais gorda? Talvez a mais velha? As comparações acontecem direta e indiretamente, pode-se usar instrumentos convencionais ou não convencionais, como barbante, palitos, canudos. As crianças aprendem a medir, medindo. A ação inclui observação e comparação sensorial e perceptiva entre objetos e o reconhecimento da utilização de objetos intermediários. Inclui, também, a comparação entre dois ou mais objetos. No Infantil 5, as comparações também surgem das brincadeiras: de mão com mão, pé com pé e com a própria altura. “Minha mão é maior que a sua, mas você é maior que eu”, “Nossa mão tem 30


o mesmo tamanho, mas eu sou maior”, “Nosso pé é do mesmo tamanho, mas nossa altura é diferente!”, “Seu pé é um pouco menor que o meu, e você é mais alto”... Com uma fita esticada no chão a brincadeira salto à distância foi apresentada. As crianças deveriam tomar uma distância, correr e pular. Cada aluno deixava sua marca e depois media seu pulo com um barbante. Por meio dessas comparações, são propiciadas trocas de informações e de situações que favorecem o desenvolvimento dos alunos, estimulando-os a criar e aprender noções e conceitos matemáticos por meio de atividades lúdicas. Na Mostra do Colégio Uirapuru, os moldes de papel kraft que as crianças confeccionaram se transformaram em bonecos de pano. O “nasci-

mento” dos bebês aconteceu na companhia dos familiares. Cada criança recebeu seu boneco com o kit costura. Com o apoio dos pais preencheram o boneco com manta acrílica e depois costuraram para fechar o boneco. Com a caneta confeccionaram detalhes como olhos, boca e nariz. O cabelo foi feito com lã. As crianças também vestiram seus bonecos com uma roupa do seu tempo de bebê trazida para o Colégio. Na Mostra, ainda aconteceu a customização do berço, que foi feito com caixa de papelão e com a colagem das fotos - desde o nascimento até a idade atual. Aí, então, o “nascimento” aconteceu! Ao final da Mostra, as crianças levaram seus bonecos embora para que possam brincar e cuidar. Para sempre!

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Netos e av贸s Marilene Dias Ervilha Almeida

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O Colégio Uirapuru considera

para o trabalho pedagógico. Conta com numerosos elementos que já estão prontos para serem aplicados na criação das histórias em quadrinhos. O aluno pode selecionar personagens, fundos, balões, cenário e, também, usar ferramentas para redimensionar, inverter, rodar e mudar a posição dos objetos na cena. É possível criar personagens totalmente personalizados, com direito a escolher olhos, boca, nariz, roupas e expressões faciais e até incluir suas próprias imagens. Assim preparado, podem definir cada detalhe das cenas que criaram para ilustrar os lugares onde seus avós passaram a infância e a própria imagem que fazem de seus avós quando crianças, conforme os relatos da história de vida. Com isso, potencializam ainda mais sua criatividade ao fazerem uma tirinha que representa parte da história de vida de cada avô e avó. As crianças também fizeram arte para seus avós. Nas aulas de Arte, prepararam uma tela desenhando e colorindo uma das brincadeiras preferidas de seus avós. Nesse momento são retomadas as aprendizagens sobre pintura em tela: desenhar com lápis, mistura de tintas, colorir o fundo e depois as demais imagens que compõem a tela e… caprichar até ficar do gosto. Paralelamente, o paradidático “Histórias de Avô e Avó”, de Arthur Nestrovski, levou à ligação entre as histórias do autor, de cunho autobiográfico, e as histórias dos avós dos alunos. A partir da leitura dos contos, as crianças realizaram textos, desenhos e colagens. Essas atividades

importante valorizar as relações familiares - entre elas, a relação entre avós e netos, tão especial que transcende qualquer tipo de definição. O amor entre ambos reflete-se em gestos delicados, presentes caprichados, histórias contadas ao pé do ouvido e, é claro, lembranças que são guardadas por toda vida. Por isso, é tradicional no currículo do 3º ano do Fundamental I o projeto “Avós”. O trabalho inicia-se no mês de abril. A fim de que nós conheçamos um pouco da história dos avós de nossos alunos e possamos preparar com maior intensidade as atividades, enviamos aos pais um pequeno questionário sobre os avós, pedindo dados tais como nome, brincadeira da infância, uma história de vida e uma música. Todas essas informações são socializadas em sala. É um momento único, pois as crianças podem perceber como a infância de seus avós era diferente da infância vivida por eles: brincadeiras simples como nadar no rio, subir em árvores, brincadeiras de rua como amarelinha, corda, futebol, cantigas de roda e tantas outras. Também podemos observar nos relatos das lembranças escolares, todo o valor e respeito que se estabelecia nessas relações. Nas aulas de informática, nossos alunos tiveram uma explanação sobre o software ToonDoo e foram convidados a fazer uma exploração da ferramenta. O ToonDoo é um editor de Histórias em Quadrinhos On-Line, que propicia a produção de histórias, um importante recurso 33


foram organizadas em livros, expostos na Mostra do Uirapuru, assim como os quadros. Em setembro, os responsáveis pela área da Responsabilidade Social do Colégio complementaram o trabalho. Trata-se de uma dinâmica interessante. A partir de uma atividade de sensibilização, as crianças são convidadas a dizer uma palavra que traduza algo referente a seus avós. Essas palavras são escritas na lousa. De posse dessas palavras, os organizadores da dinâmica criam uma música (letra e melodia). Uma estrofe por sala, com as palavras que surgiram em cada uma delas. Depois, com datas marcadas, fazem entradas nas salas para ensaiar. No dia do encontro, as crianças cantam a música para seus avós. Em seguida todos assistem ao vídeo do momento de sensibilização que foi filmado para que os bastidores dessa atividade sejam vistos e admirados. É um momento único no qual as crianças expressam seus sentimentos e emoções sobre seus avós. Entendemos que em todo esse trabalho, a energia das crianças e a sabedoria dos avós resultam em uma rica troca de experiências entre as duas partes. Esse trabalho também amplia o conhecimento de diferentes formas de comunicação e diferentes recursos para expressar. O envolvimento e a participação da família no ambiente escolar nos dias atuais é importante para o desenvolvimento dos alunos, em todas as dimensões.

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Era uma vez... Tais Rocha Lino Ieric

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Era uma vez... quem nunca viveu a emoção de ouvir essa frase ou de se imaginar a princesa ou o príncipe das histórias, ou então de perder o sono com medo da madrasta ou da bruxa aparecer em seu quarto? Os contos de fadas e outros contos tradicionais fazem parte do repertório dos alunos desde muito cedo, a linguagem oral carrega a tradição das contações dessas histórias. No 1º ano, os contos de fadas não se distanciam do universo das crianças. A autora Glória Radino coloca que a psicologia tem mostrado que as crianças necessitam de atividades mais expressivas para seu desenvolvimento sadio. Essas podem ser realizadas por meio do brinquedo, dos contos de fadas, da música, das artes plásticas, da expressão corporal, entre outras. Com tal propósito, a sequência didática do gênero em questão foi elaborada pensando no caráter lúdico, validando o faz de conta da infância, permitindo às crianças experimentarem livremente suas fantasias, imaginação e criatividade. Os momentos de leitura são pensados no ato de contar histórias, ou seja, um contato mais íntimo entre professora e alunos, para que a emoção de cada um possa manifestar-se e, dessa maneira, fazê-los vivenciar mais intensamente a história. Foi pensando nesse caminho, que aliamos os Contos de fadas com a aquisição da leitura e da escrita. Com a leitura compartilhada da obra “Meu primeiro livro de contos de fadas”, de 37


Mary Hoffman, os alunos conheceram contos até então desconhecidos para a maioria. A cada leitura uma nova vivência, esse foi o lema durante as atividades. Para que as crianças pudessem conhecer as histórias originais dos Irmãos Grimm, a leitura foi complementada com os livros “Contos Maravilhosos Infantis e Domésticos”. Após ampliarem o seu repertório, os alunos reescreveram as narrativas mais conhecidas à sua maneira, respeitando a imaginação, criatividade e, principalmente, o processo de alfabetização em que se encontravam. Nestas escritas não ocorreram revisões e intervenções diretas da professora. As produções foram organizadas de modo a possibilitar reflexões espontâneas e intensas sobre a escrita. Para trabalhar com a estruturação do gênero, o conto João e Maria foi o escolhido para a reescrita, com foco no processo de revisão. Para que houvesse discussão sobre o enredo e a ordem dos acontecimentos a respeito do conto, foram lidas outras versões e construído um quadro comparativo entre as histórias conhecidas. É valido justificar a importância de reescrever textos conhecidos no processo inicial de alfabetização. Quando a criança tem a oportunidade de reescrever um bom texto, com o qual esteja familiarizada, como contos de fadas, tem a possibilidade de pensar apenas em como escrever, e não em o que escrever, como aconteceria se lhe fosse proposto a escrita de um texto de autoria. Ao reescrever um bom texto, a aprendizagem

envolve compreender diferenças entre a linguagem escrita e falada. Se a criança vai escrever uma história inventada, por exemplo, é natural que faça uso de expressões que costuma falar em seu dia a dia. Além disso, a proposta da reescrita permite que a criança reflita sobre questões que se referem a alguns aspectos do gênero. No trabalho com o conto “João e Maria”, a primeira parte da narrativa foi reescrita coletivamente respeitando as falas das crianças, tendo a professora como escriba. Já a segunda parte do conto, foi reescrita em duplas. Neste momento, o objetivo do trabalho foi fazer com que as crianças avançassem em seu processo de alfabetização, adquirindo procedimentos de escrita, revisão e produção de textos de autoria. A produção da segunda parte foi realizada no notebook. Os alunos foram orientados a inverterem os papéis a cada nova escrita, alternando em escriba e ditante. Embora os textos possam ser elaborados de forma manuscrita, a produção no computador é bastante interessante, pois, de modo geral, este recurso instaura outras possibilidades de reflexão sobre o sistema, tendo o teclado como fonte rica de informações por apresentar todo o universo de símbolos utilizados em nossa escrita. Duas vezes por semana as crianças escreviam um pedaço da história. Como a escrita se deu no computador, a cada nova escrita tinham a tarefa de reler o que já fora escrito e podiam realizar mudanças, sempre que julgassem necessário. 38


Nesses momentos as intervenções da professora aconteciam diretamente nas duplas. Os alunos eram questionados sobre alguma informação que estivesse faltando ou que não estivesse clara. A revisão pontual de trechos do texto, da ordem dos acontecimentos e até mesmo da grafia de determinadas palavras, aconteceu na segunda produção e foi proposta pela professora para o coletivo. Finalizando essa sequência didática os alunos se transformaram em verdadeiros autores ao produzirem a escrita do livro “João e Maria em doce”, ilustrado por Elizabete Ribeiro, a qual visitou as turmas a fim de responder as perguntas

elaboradas por eles próprios a respeito da obra. A produção individual do livro, elaborada de acordo com o repertório de cada aluno, possibilitou a valorização da escrita pessoal. A cada dia as crianças produziam três páginas do livro, ao final de duas semanas a história estava finalizada e pronta para ser autografada. Para validar o produto final, realizamos o lançamento dos livros, com os alunos autografando suas obras para seus familiares. Esse momento concretizou o objetivo inicial do trabalho, que era de possibilitar a vivência do faz de conta, fantasia e imaginação das crianças.

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Arte, música e alfabetização Lucélia Seleguim e Simoni Silva Lima

Arte é uma área do conhecimento com

de aprender a fazer arte. Materiais e técnicas possuem histórias que acompanham a da Arte, por isso, procuramos apresentar este caminho de desenvolvimento por intermédio de propostas práticas e exemplos. É por meio da construção de um percurso de trabalho que se transforma o olhar do aluno.

conteúdos próprios, compreendida como manifestação humana ancestral, pois como forma de expressão e comunicação passou por diversas transformações na História. Arte na escola promove a participação na vida cultural. Portanto, é necessário que o ambiente propicie um conjunto de propostas que façam sentido na vida dos alunos, que promovam sua formação artística e expandam suas possibilidades de participação social. Consideramos que o desenvolvimento de cada aluno está relacionado com as oportunidades

Assim, instigamos a imaginação e a reflexão com propostas desafiadoras e prazerosas que podem ser compartilhadas. Ao interagir com conceitos e pensar sobre Arte, o aluno constrói suas próprias ideias e se manifesta não somente pelas suas artes, mas também 40


por intermédio da fala e da escrita. As aulas de Arte contemplam atividades das quatro linguagens (dança, artes visuais, teatro e música) e as diferentes manifestações culturais. Essa prática respeita a individualidade de cada aluno com relação à construção de conhecimentos, tendo como premissa que o percurso é individual, mas acontece por meio de interações sucessivas. Vivemos em um mundo sonoro. Desde muito cedo ouvimos música, cantigas de ninar, de roda, músicas folclóricas, populares, clássicas, instrumentais, dentre outros estilos e gêneros. É na escola que esses conhecimentos podem e devem ser aprofundados e sistematizados, pois é um espaço privilegiado e estruturado de desenvolvimento humano. Dentro deste contexto, o 2º ano ousa dar uma mergulho no universo da música, por entendermos que esse processo se dá na interação com o meio. Acreditamos que o trabalho pedagógico-musical não visa a formação de possíveis músicos, mas sim a formação integral das crianças num processo contínuo de construção que envolve perceber, sentir, experimentar, imitar, criar e refletir. A música, além de proporcionar a exploração de

escrita e leitura, o que facilita a compreensão e a associação dos códigos e signos linguísticos. As aulas de flauta dão início à essa construção na qual os alunos têm contato com sons, ritmos, timbres e notas, estimulando a coordenação, a atenção e a memória. Para potencializar a alfabetização por meio da música, utilizamos o livro “As Melhores Brincadeiras Musicais do Palavra Cantada”, o que também insere ritmo e contexto aos conteúdos trabalhados, proporcionando prazer, interesse e um grande envolvimento das crianças, uma vez que a música atua de maneira afetiva e lúdica. O desenvolvimento do trabalho deu-se com uma sequência de propostas. O livro foi manuseado em vários momentos para que os alunos desenvolvessem um comportamento de busca livre pela aprendizagem. Esses momentos apresentaram-se como recurso de leitura, introduzindo de maneira prazerosa a criança a esse mundo, pois as músicas são de fácil construção, ricas em rimas e poéticas, o que facilita a compreensão dos códigos. O trabalho foi ampliado por leituras compartilhadas, ilustração de músicas selecionadas pelos alunos, brincadeiras de roda que foram gravadas em DVD. Além dessas propostas, os alunos foram instigados a fazer decalque da música que foi gravada chegando a um resultado fantástico. Na Mostra do Uirapuru, as crianças fizeram uma apresentação de flauta para seus familiares, que também receberam o DVD e apreciaram a exposição dos trabalhos artísticos.

sons e gestos vinculados ao valor expressivo e à significação do próprio discurso musical, está vinculada também à organização e à estruturação da linguagem. Essa ação musical promove atividades lúdicas que podem ser direcionadas à alfabetização, 41


A língua inglesa faz parte do dia a dia

chamados de paradidáticos, conforme os níveis de cada série, tendo como finalidade os objetivos do “readers”: - discutir uma história; - recomendar um livro e um autor; - usar uma história como referência para uma citação; - opinar sobre estilos de histórias; - posicionar-se sobre autores;

de nossos alunos, que estão sempre em contato com a língua através de músicas, filmes, jogos, internet. Sabe-se que para aprender um idioma é importante o desenvolvimento das quatro habilidades a saber: compreensão escrita (reading), produção escrita (writing), compreensão oral (listening) e produção oral (speaking).

Inglês: prestando contas e apontando perspectivas Maria Flora Fonseca e Maria Carolina Fonseca A habilidade da leitura e compreensão de textos é importante para o desenvolvimento de outras habilidades. Não basta apenas uma tradução ou decodificação de palavras e frases. É necessário que o aluno construa os significados, fazendo inferências e interpretações. A informação é armazenada na memória de longo prazo e a aprendizagem consiste em ligar as novas informações aos conhecimentos prévios sobre o tópico, a estrutura ou o gênero textual em questão. A leitura, portanto, é a fonte de diversos tipos de informação sobre a língua estrangeira, o povo que a fala e sua cultura, além da apreensão do vocabulário e sintaxe. O Colégio Uirapuru inclui em seu projeto

- relacionar os livros com fatos reais da História, lugares, povos e épocas; - apreciar boa leitura e posicionar-se com justificativa em relação a textos e autores; - adquirir o prazer de leitura; - conhecer gêneros literários; - conhecer obras representativas da língua inglesa. No primeiro semestre de 2013, os alunos do 8º ano trabalharam com o livro “The Canterbury Tales”, de Geoffry Chaucers. O autor nasceu em Londres, por volta de 1343 e morreu em 1400, sendo o primeiro literato a ser enterrado na Abadia de Weatminster, onde se encontravam as sepulturas reais inglesas. Era escritor, filósofo e diplomata, sendo considerado por muitos o “pai

pedagógico a leitura de livros de literatura, aqui 42


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romance, é um clássico da literatura inglesa, escrita em 1890, durante a Era Vitoriana, período de longa prosperidade e paz para o povo britânico. Dependendo do objetivo da aula e das atividades propostas a leitura era feita de várias maneiras: pelos alunos em silêncio, em voz alta, ouvindo o CD e também pelo professor. A verificação foi realizada através de atividades diversas: - divididos em grupo, os alunos respondiam questões e apresentavam seu trabalho para os outros grupos; - os alunos individualmente respondiam questões da leitura feitas em casa e discutiam em sala as suas observações; - o professor apresentava questões relativas ao conteúdo de gramática trabalhado aliado ao texto estudado. O livro tem um tom homoerótico e, como o autor era homossexual, chegando até a ser preso por isso, a discussão em torno do tema foi interessante. Diz a professora Áida Setton: “Os alunos demostraram uma visão amadurecida, no que diz respeito ao preconceito e à homossexualidade. Sinto que, quando um tema é proposto de forma séria, fazendo com que os alunos se sintam importantes ao darem sua opinião, desempenham a tarefa com muita sensatez”. Os alunos tiveram, como tarefa final, escrever uma carta como se fossem um dos personagens do livro e, termina a professora, “elas foram escritas com uma integridade e dignidade em mente”.

da Literatura Inglesa”. Escreveu muitas obras, mas é mais lembrado pela narrativa inacabada “The Canterbury Tales”, uma das mais importantes da literatura inglesa medieval. É composta por uma coleção de histórias, sendo cada um dos contos narrado por um peregrino de um grupo que realiza uma viagem de Londres a Canterbury para visitar o túmulo de São Thomas Becket. O trabalho foi realizado com leitura em sala de aula, feita pela professora, pelos alunos em voz alta ou silenciosamente e ouvindo o CD. As atividades eram compostas de exercícios de interpretação do texto (responder questões e completar frases), de vocabulário (achar no texto sinônimos de palavras dadas, sem a consulta de dicionário, inferindo o significado, de acordo com o contexto) e de escrita (escrever uma carta a um amigo justificando o comportamento de um personagem do livro). Com uma coleção rica de personagens, representando todas as classes sociais, os contos trazem muitos acontecimentos curiosos, passagens pitorescas, citações clássicas e ensinamentos morais, relacionados à vida e aos costumes do século XIV na Inglaterra. Os alunos tiveram a oportunidade de fazer comparações com os hábitos, as profissões e os princípios morais dos dias atuais. A leitura do 9º ano foi a do livro “The picture of Dorian Gray”, de Oscar Wilde. O autor nasceu em Dublin, na Irlanda, em 1854 e morreu em Paris, França, em 1900, como um dos dramaturgos mais populares. A obra em questão, que foi seu único 44


Projeto

Int ler창ncia Claudia Mortara, Maria Carolina Scudeler Silva e Vivian Pretti Rachide

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O pensar, diz Sócrates, “abre os olhos do espírito”. E isto quer dizer que a reflexão explicita mal-entendidos, desvela segundas intenções, percebe mentiras, desautoriza preconceitos, descobre manipulações. Em outras palavras, o pensar prepara nossa liberdade e nossa autonomia tanto quanto nos faz reconhecer as responsabilidades que nos cabem nas situações vividas . Os discursos intolerantes estão presentes no dia a dia dos nossos alunos e a escola, enquanto local de produção de conhecimento, precisa propor estratégias que visem a superação da discriminação e do preconceito. É nesse sentido que pensamos o Projeto Intolerância, envolvendo os alunos do 7º ano do Ensino Fundamental II e as disciplinas de História, Arte, Geografia, Matemática e Português. Esse trabalho começou em 2011, por iniciativa do setor de Responsabilidade Social, envolvendo aulas referentes ao tema organizadas pela disciplina de História, e finalizado por produções textuais orientadas pela professora de Português. Como o interesse dos alunos foi grande, o Colégio buscou a continuidade do projeto em 2012, mas de forma ampliada. Antes focado apenas no preconceito racial, o projeto buscou desenvolver temas mais variados sobre a discriminação, cujas discussões transformaram-se em desenhos e pensamentos organizados pelo professor de Arte por meio de um vídeo. Neste ano, pensamos em algo ainda mais

elaborado sobre o tema. Os alunos iniciaram seu contato com o conteúdo por meio de encontros promovidos no próprio período da manhã, durante as aulas de História. Conceitos como discriminação, preconceito e bullying foram trabalhados por meio do curta-metragem “Vista a Minha Pele” , de Joel Zito Araújo e da música “Racismo é Burrice” , do Gabriel, o Pensador. A ideia foi utilizar os conteúdos trabalhados em sala de aula como base para debates sobre a intolerância; assim, buscamos instrumentalizar os alunos para encontros que ocorreram durante o ano letivo, uma vez por bimestre. O intuito era demonstrar que, sendo o preconceito e a discriminação muitas vezes frutos do “senso comum”, o conhecimento humanista é a principal forma de a sociedade superar tais práticas, tão negativas para uma cultura que busca a cidadania. Quanto mais discutimos, pensamos, analisamos o mun-

aprofundado, com um desenvolvimento mais 46


do, mais estamos preparados para ter uma ação positiva e coletiva em relação à sociedade a qual estamos inseridos. Como iniciamos esse ano letivo aprendendo em História sobre o período medieval, aproveitamos esse assunto para debater sobre a importância do conhecimento para compreendermos a realidade social que nos cerca. Por meio de trechos dos filmes “Alexandria” e “O Nome da Rosa”, e de alguns trechos de “O Mundo de Sofia” , de Jostein Gaarder, iniciamos um debate sobre a importância da filosofia e do saber para a sociedade. Auxiliados pelas famosas tirinhas da Mafalda e pela música “Pacato Cidadão”, banda do Skank, concluímos que quando uma sociedade é privada dos “saberes” – situação que ocorria com a maioria da sociedade feudal – ela é facilmente manipulada. Antes das férias de julho tivemos nosso segundo encontro, influenciado pelo conteúdo visto em História durante o segundo bimestre: o Renascimento Artístico e Cultural ocorrido na Europa na transição da Idade Média para a Idade Moderna. Esse movimento significou uma grande mudança de pensamento, pois defende o Humanismo, um conhecimento que define o Homem como centro de todas as preocupações. Por meio dessa nova forma de ver o mundo, as artes e as ciências ampliam-se enormemente. Mas tal conhecimento faz dos homens responsáveis: ao “sabermos”, podemos – e devemos – tomar

atitudes. Entendemos que o conhecimento nos obriga a ter consciência de tudo aquilo que fazemos – e também o que deixamos de fazer. Como definiu o poeta Bertold Brecht, “O que não sabe é um ignorante, mas o que sabe e não diz nada é um criminoso” . Para que a problemática fosse desenvolvida, utilizamos trechos dos filmes “O Conde de Monte Cristo” e “V de Vingança” , que trazem o conhecimento como forma de emancipação humana (individual e coletiva), além de vários pensamentos consagrados sobre o tema. Nesse segundo semestre, mais dois encontros aconteceram. Em setembro, o foco foi a diversidade étnica e cultural do Brasil, pois trata-se de um conteúdo abordado na disciplina de Geografia e História. A finalização do projeto ocorreu em novembro, com a retomada dos conceitos vistos até esse momento e o encontro com temas como responsabilidade social, perspectivas e sustentabilidade. Ou seja, após toda a formação teórica, procuramos pensar sobre as possibilidades práticas que tais informações podem trazer. Assim, esperamos que esses instrumentos sejam transformados em conhecimento e que, por meio dele, os alunos tenham atitudes e valores que cultivem a tolerância às diferenças. Que esses conflitos, debatidos e transformados em situações de aprendizagem, tenham como resultado uma mudança de postura não apenas dentro dos muros da escola, mas em toda a sociedade. 47


Da ideia à prática:

uma parceria pedagógica Ana Luiza Marques Bastos

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O projeto JORNAL nasceu do feliz

notícias das aulas, dos encontros dos alunos, dos eventos tradicionais da escola, enfim, do cotidiano escolar. Organizaram-se 21 jornais com os mais variados e inusitados nomes, compostos por grupos de 4 ou 5 alunos, sob orientação das professoras de História e de Língua Portuguesa. As pautas jornalísticas foram debatidas e escolhidas nos encontros quinzenais que ocorreram às sextas-feiras, nos 20 minutos finais da aula de História. A publicação ficou a cargo da equipe de Tecnologia da Educação do Colégio, Luciane Velloso e Juliana Cares, que fizeram as oficinas de diagramação, auxiliaram na execução de pautas, organizaram entrevistas e se esmeraram para vermos e lermos o melhor de cada um dos jornais. Inicialmente, pensamos em publicar uma edição por bimestre e o conjunto das edições na Mostra de outubro de 2013. A realidade mostrou-nos que isso era inviável. Nas oficinas de diagramação não obtivemos o resultado esperado, matérias foram perdidas na rede e dificuldades brotaram do chão da tecnologia digital. Com o apoio da Tecnologia da Educação, Patrícia e eu decidimos publicar uma primeira edição digital, no início do segundo semestre. Um orgulho para os envolvidos: jornais bem escritos, matérias interessantes sobre fatos e emoções vividas por todos nós no dia a dia do colégio. Nessa edição, vale destacar a pauta Paródia de Espanhol, sobre a qual a professora Bruna Bonilha, responsável pela disciplina de Língua

encontro entre uma ideia e uma prática. O livro didático de História sugere, como atividade extra para o conteúdo Revoluções do século XVIII, a produção de um jornal revolucionário pelos alunos. A disciplina de Língua Portuguesa tem por um de seus conteúdos o texto jornalístico e, por isso, os alunos do 8º ano produzem, anualmente, um jornal. Se não podemos delegar à particularidade do momento tal encontro, pois todo historiador é enamorado das letras e vários jornalistas escrevem bestsellers sobre acontecimentos e personagens da história mundial, o JORNAL revelou-se uma inédita parceria pedagógica, porque juntos aprendemos as terríveis nuances entre o que se idealiza e o que de fato se executa. A ideia do JORNAL, na excelência de sua essência, reluziu até cegar. Na reunião pedagógica em que surgiu, deu asas a um projeto pelo qual os alunos produziriam várias primeiras páginas à semelhança de manchetes, que seriam distribuídas a granel para a comunidade escolar. Mas, frente à realidade, através das sensatas orientações da professora Patrícia Souza da Silva, responsável pela disciplina de Língua Portuguesa nas classes de 8º ano do Ensino Fundamental, a ideia cedeu o devido espaço ao mundo. Construiu-se o Projeto JORNAL. Os alunos das turmas de 8º ano foram orientados na produção de um jornal dedicado à comunidade Uirapuru, no qual se publicaria 49


Espanhola, nos deu emocionante depoimento:

Estabeleceu-se, sobretudo, um vínculo pedagó-

“Acredito que a participação desta disciplina no JORNAL, com a publicação do trabalho da paródia, foi essencial para que os alunos se envolvessem mais com o idioma e percebessem a importância da língua espanhola no mundo de hoje [...]. Eles se sentiram empolgados durante o desenvolvimento da paródia, a apresentação e a publicação. Foi uma experiência diferente, pela qual tiveram a oportunidade de estreitar interesses e sentir admiração pelo idioma [...]. Para mim, o resultado foi fascinante!” Nos bastidores, Patrícia e eu voltamos à planilha de atividades e determinamos uma nova ordem de execução para a 2a edição. Estabelecemos previamente as pautas e a data de finalização para cada uma delas, a equipe de tecnologia agendou as oficinas de diagramação com antecedência e delimitou o número de alunos, assim como o padrão dos arquivos digitais a serem usados. Além disso, as reuniões passaram a acontecer também na aula de Redação e as correções anteciparamse às finalizações coletivas. Avaliamos ter alcançado os objetivos gerais: aprimorar as habilidades cognitivas e não-cognitivas, coletiva e individualmente; desenvolver a observação crítica do cotidiano a fim de promover o reconhecimento de cada aluno como sujeito político; e promover a experimentação de conteúdos das disciplinas de Língua Portuguesa e de História, tais como, escrita jornalística e participação dos indivíduos nas sociedades burguesas.

gico entre as disciplinas, os professores e nossos alunos-jornalistas. Resta a certeza de que, nos próximos anos, os jornais escritos pelas turmas de 8º ano trarão novos e estimulantes desafios. Enfim, não poderíamos deixar de agradecer ao apoio institucional da coordenação pedagógica, Flora Fonseca e Flávia Proença, que, à maneira serena e segura que lhes é peculiar, sempre e nos animaram para o sucesso.

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O olhar fotogrรกfico na paisagem escolar Isabela Cristina Terra Saraiva

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“Fotografar é colocar na mesma mira a cabeça, o olho e o coração.” Henri Cartier Bresson A fotografia faz parte do cotidiano de nossos alunos: facebook, instagram, e-mail, celulares e equipamentos que possibilitam um registro quase imediato de todas as experiências vividas. Depois da câmera digital, a quantidade de fotografias realizadas durante uma viagem triplicou, pois podemos fotografar todos os momentos, todas as pessoas e escolher posteriormente o que ficará armazenado. Sim, a tecnologia está a nosso favor, a favor de nossos alunos. Ao observar de perto as fotografias tiradas pelos alunos, notei que o olhar não estava apurado para uma fotografia artística, mas sim para uma foto-registro. Muitas vezes o que estava registrado na fotografia não era bem o que eles queriam mostrar, mas como não dispunham de técnicas fotográficas, nem de um aprimoramento na forma de observar, era o que podiam fazer naquele momento. Um registro “geral” do que estavam vivenciando. Daí surgiu a necessidade de um aprofundamento no que tangia o olhar. Como leciono a disciplina Arte, pude propor esse aprofundamento durante as aulas. Começa-

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mos com uma aula sobre a história da fotografia – a origem do processo, as primeiras experiências com a câmera escura, o processo de inversão da imagem e a primeira imagem registrada por Joseph Nicéphore Niépce em seu quintal. Depois, ouvimos “Seu Olhar”, da cantora Ceumar. Essa música propõe uma abordagem poética sobre o olhar. Pedi que os alunos falassem de suas experiências: como estamos acostumados a observar as coisas? Existe diferença entre olhar e ver? Em nosso cotidiano, olhamos as paisagens ou vemos a paisagem? E se quiséssemos mostrar ao outro uma paisagem que faz parte de nosso dia a dia? Debatemos sobre o papel da fotografia e do fotógrafo e os alunos aprenderam técnicas básicas para fotografar: enquadramento, foco, flash, zoom, macro, fotos a favor e contra a luz e diferença de efeitos nas fotos P/B e fotos coloridas. Durante os encontros, os alunos puderam praticar as técnicas aprendidas durante as aulas, sempre com supervisão e ao final de cada encontro, discutíamos o aprendizado e compartilhávamos as novas descobertas. Todos puderam ganhar liberdade criativa, pois sabiam a técnica e estavam aptos a utilizá-la. Faltava apenas a sensibilização do olhar. “Como melhorar o olhar do outro através do meu olhar?” – essa foi a pergunta feita. Divididos em grupos, a proposta era que observassem a paisagem escolar de uma maneira única, pessoal, e que dividissem essa experiência

com os colegas do grupo através das fotografias tiradas. Então, o próprio grupo era o executor e o crítico das imagens feitas pelos integrantes daquele grupo. Os alunos debatiam a melhor forma de realizar aquela fotografia, a técnica que o amigo deveria utilizar, assim como elegiam as melhores imagens captadas para a elaboração de um álbum que representasse o olhar de cada um e ao mesmo tempo um olhar do grupo sobre o tema “Paisagem Escolar”. Uma nova escola foi desvendada com cantos, passagens, desenhos, cores, texturas, plantas, pessoas e lugares que sempre estiveram ali, que sempre foram vistos, mas que nunca haviam sido olhados e registrados daquela maneira. Encantados com as possibilidades, eles ousaram retratar paisagens inspiradoras e momentos únicos do cotidiano de adolescentes de 12 anos na escola. Os alunos confeccionaram seus próprios álbuns e puderam observar o repertório dos colegas. Um vídeo com as fotografias da paisagem escolar e com a música utilizada na primeira aula foi editado pela professora. Muitos se emocionaram com a exibição das fotos e mostravam suas imagens com orgulho, outros tentavam desvendar onde aquela imagem havia sido feita. Depois de aprenderem uma nova abordagem fotográfica, horizontes foram expandidos, olhares foram aprimorados e os alunos deixaram de registrar um “plano geral” em suas fotografias para registrarem um olhar pessoal, único, sensível, capaz de tocar o observador. 54


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Uma imagem e muitas palavras Patrícia Souza da Silva Há quem diga que uma imagem vale mais do que mil palavras. Para os alunos do 8º ano, a imagem aliada à palavra vale mais ainda. Iniciado em abril, o projeto “Por trás daquela foto: um olhar sobre Sorocaba” apresentou como produto final um livro de contos escrito pelos alunos, a partir de fotografias tiradas por eles em uma atividade de estudo do meio. Nascido da parceria entre três disciplinas - Língua Portuguesa, Geografia e História -, com o apoio da área de Tecnologia Educacional do Colégio, o projeto proporcionou o desenvolvimento do olhar estético, expresso por meio da linguagem verbo-visual fotográfica, e a assimilação de conteúdos de maneira interdisciplinar. O projeto teve início com a leitura compartilhada do paradidático “Por trás daquela foto: contos e ensaios a partir de imagens”, no qual oito autores brasileiros escrevem sobre o Brasil, a partir de pontos de vistas diversos, com base em uma fotografia que cada um elegeu. Para motivar a leitura, os textos do paradidático foram comentados previamente em uma aula de Redação, apresentando-se uma espécie de sinopse de cada produção, com o objetivo de despertar o interesse dos alunos. Depois do prazo combinado para a leitura dos 56


paradidáticos para a aula, tiveram que expor suas opiniões sobre os textos lidos e os temas abordados. Cada um elaborou um ranking dos textos lidos e justificou a escolha pelos melhores e piores textos. A atividade gerou um enriquecedor debate de ideias, já que textos mais polêmicos, como “Preconceito” (Reginaldo Prandi, com fotografia de José Medeiros), ou complexos, como “O futuro do passado: Pierre Verger, com Vinícius e Obama” (Arthur Nestrovski, com fotografia de Pierre Verger) foram considerados tanto como favoritos, na visão de alguns, quanto como preteridos, na visão de outros.

rada mais significativa para dar início à posterior escrita de um conto. Nas aulas de Redação realizadas em maio, aprenderam as características do gênero conto e refinaram os conhecimentos sobre construção de personagens e descrição de ambientes para a escrita da primeira versão do conto, realizada em casa, no mês de junho. A orientação dada foi a de que a imagem retratada na fotografia deveria aparecer no conto de alguma forma. Nessa mesma época, participaram de uma segunda oficina de foto digital, na qual aprenderam sobre edição de imagens.

Depois da leitura, os alunos participaram de uma oficina de foto digital, ministrada pelo professor Scott Scholtens, organizada pela equipe de Tecnologia Educacional. Nessa oficina, os alunos

Em agosto, ao retornarem das férias de julho, os alunos receberam a primeira versão do conto com sugestões de melhoria, relacionadas ao uso de verbos de elocução, caracterização de espaço e personagem, coerência do enredo, e aspectos

tiveram contato com conhecimentos específicos da área de fotografia e puderam apurar o olhar estético para a escolha de ângulos e imagens. Ainda no mês de abril, os alunos participaram de um estudo do meio organizado pelo professor de Geografia Rafael Bochini e pelos professores de História Ana Luiza Marques Bastos e Diogo Comitre. Nessa atividade, os alunos realizaram uma visita guiada por pontos históricos da cidade de Sorocaba, aos quais os professores interligaram conteúdos de História e Geografia. Motivados pela leitura do paradidático e embasados na oficina de foto digital, os alunos fotografaram todos os locais visitados. Em um segundo momento, escolheram a foto conside-

gramaticais a serem corrigidos. Os textos foram revisados e reescritos para correção final, e ficaram prontos para a diagramação do livro de contos. Mais uma vez, os alunos contaram com o auxílio do professor Scott que, numa terceira oficina, ensinou-os a diagramar o texto e a imagem, compondo um texto verbo-visual adequado à publicação do livro. O belíssimo resultado final – três livros de contos ilustrados – deixa algumas valiosas lições. A primeira delas: o trabalho interdisciplinar é possível. Segunda: o olhar estético torna os objetos mais belos. Terceira: com a orientação adequada, nossos jovens são capazes de escrever suas próprias histórias. Literalmente. 57


Dom Quixote: a aventura de ler um romance Patricia Olmedo e Simoni de Lima

No projeto “Dom Quixote: a aventura de ler um romance em quadrinhos”, os alunos do 6o ano, por meio da linguagem verbal e não verbal, puderam produzir mundos e se reproduzir neles, fazendo com que as palavras vibrassem e repercutissem o tempo, reorganizando nosso modo de ser, ver e de estar em um momento de constantes transformações. Assim, as disciplinas de Língua Portuguesa e Arte, numa relação interdisciplinar, por meio dos quadrinhos, desenvolveram um trabalho conjunto com as variadas manifestações da linguagem, entre elas a dos clássicos e a dos quadrinhos. 58


O clássico não é um livro antigo e fora de moda. Ao contrário, é um livro eterno que não sai de moda. O primeiro contato com um clássico, na infância e na adolescência, não precisa ser com o original. O ideal mesmo é que seja com uma adaptação bem feita e atraente. Por esse motivo, escolhemos como projeto de leitura de obras clássicas universais, “Dom Quixote em quadrinhos”, de Caco Galhardo. Foram trabalhados os elementos que caracterizam os quadrinhos: a utilização de texto e imagem para narrar histórias dos mais diversos gêneros e estilos, o uso de balões de fala e de pensamento, além do emprego de onomatopeias. Dom Galhardo de La Sampa, revestindo-se de coragem e sensibilidade, dialoga com essa grande obra literária e com a viagem de Cervantes, utilizando-se de um gênero atual, admirado e muito querido pelos nossos alunos, os quadrinhos. Galhardo toma o cuidado de preservar linguagem e vestimentas de época, características que mostram que a beleza, o entendimento e a

interpretação da obra, só serão possíveis por meio da leitura compartilhada, realizada por professora e alunos, nas aulas de Língua Portuguesa. Um bom exemplo dessa intervenção leitora é a expressão “vossa mercê”, que, com o passar do tempo, transformou-se em “vosmecê”, até chegar ao pronome de tratamento que hoje conhecemos como “você”. Isso mostra que a língua é social e histórica e sofre a influência do tempo. O projeto possibilitou ainda o contato com múltiplas linguagens, entre elas a plástica. Assim, a disciplina de Arte consolidou essa aprendizagem na prática de ilustrar, assim como de entender conceitos de equilíbrio das cores, visão espacial, lateralidade, primeiro e segundo planos e perspectiva. Aprender e vivenciar a língua por meio do projeto de clássicos em quadrinhos no 6o ano foi um encontro, tanto para nós, as professoras, quanto para os alunos. Esse encontro possibilitou-nos libertar a mão e o pensamento, em momentos de magia, inspiração e criatividade. 59


Internet segura Adriana Paiva, Flávia Meletti Corrêa, Patricia Olmedo e Renata de Lima

A transição do século XX para o XXI trouxe consigo inúmeras transformações, dentre elas, o surgimento de uma geração que nasceu imersa na tecnologia. Sem dúvida, vivemos na era do conhecimento e nossas crianças, como afirmam alguns, já nascem dominando a tecnologia e utilizando cotidianamente a internet. Preocupada com essa geração tão precocemente tecnológica, a equipe de Responsabilidade Social do Colégio Uirapuru, há três anos, desenvolve o projeto Internet Segura que tem como objetivo estimular o uso consciente da web, propondo medidas preventivas para a navegação segura.

O projeto é desenvolvido num trabalho conjunto com os professores de Língua Portuguesa e com a equipe de Tecnologia Educacional do colégio. Em 2013, envolveu alunos do 4o ao 7o ano do Ensino Fundamental, com o objetivo de gerar a reflexão sobre o tema e estimular o uso consciente da internet, propondo medidas preventivas para a navegação segura. A ideia é incentivar os alunos na utilização da tecnologia como meio para criar trabalhos colaborativos, dinâmicos e motivadores. Num primeiro momento, foram desenvolvidas as seguintes etapas no laboratório de informá60


anos. O 6o ano ficou responsável por articular as dicas dos alunos do ano anterior e compor textos sobre os temas trabalhados: redes sociais, antivírus, dados pessoais, cyberbulliyng, sites confiáveis, entre outros. Esses textos serviram de base para a produção de uma cartilha digital e uma impressa sobre o uso responsável e saudável da internet. Já os estudantes do 7º ano, após assistirem a palestra proferida pela Procuradora Regional da República de São Paulo, Elaine Cristina de Sá Proença, discutiram sobre perigos e responsabilidades que o uso indevido da web acarreta para si e a seus pais. Em seguida, os alunos produziram um texto discorrendo sobre a utilização saudável da internet e encerram-no apresentando dicas de como utilizá-la de modo seguro e consciente. Alunos mais velhos, do 6º e 7º anos, que passaram pelas mesmas palestras e discussões, voltaram para os menores, além de terem um pouco mais de conhecimento sobre o assunto, para pensar no que poderiam ajudar os colegas e outras pessoas. Num mundo contemporâneo, a linguagem digital é cada dia mais utilizada para a aprendizagem e para a comunicação entre as pessoas. Garantir acesso aos bens digitais é garantir também acesso aos contextos de cidadania, inserindo nossos alunos em ambientes virtuais seguros e contextualizados. Além dos alunos, quem ganha com a realização desse projeto é a comunidade escolar: pais e familiares prestando mais atenção

Há três anos, o Uirapuru desenvolve o projeto Internet Segura que tem como objetivo estimular o uso consciente da web tica: sensibilização sobre o tema; apresentação de situações-problema para reflexão; troca de experiências conhecidas ou vividas; apresentação do projeto; aplicação de um questionário sobre o uso que os alunos fazem da internet, e participação de um fórum no Moodle, com discussões sobre os resultados da pesquisa, realizada a partir de um questionário. As crianças do 4º e do 5º ano assistiram palestras sobre o tema e participaram do Fórum no laboratório de informática, no qual puderam contribuir com seu relatos de como usam a Internet. A partir daí, o 5o ano, dividido em grupos, pensou em dicas de como usar com segurança a Internet, confeccionando cartazes para que os colegas do 4º ano pudessem criar as ilustrações. O que foi percebido é que algumas crianças, apesar de acessarem bastante a Internet não têm conhecimento dos riscos que podem correr. Num segundo momento, foram realizadas as ilustrações pelo 4o ano, as dicas pelo 5o ano e a produção dos textos pelos alunos do 6o e 7o

em seus filhos versus internet, nas horas de uso e, principalmente, no uso seguro. 61


Para construir um mundo melhor Diogo Comitre e Silvia Maria de Oliveira Amendola Assis

“Lê-se para entender o mundo, para viver melhor. Em nossa cultura, quanto mais abrangente a concepção de mundo e de vida, mais intensamente se lê, numa espiral quase sem fim, que pode e deve começar na escola, mas não pode encerrar-se nela.” Marisa Lajolo

Ao concluirmos que, propondo a leitura desse livro aos nossos alunos de 9º ano, haveria a possibilidade de uma reflexão sobre o mundo em que vivemos e a oportunidade de querer melhorá-lo, elaboramos o Projeto de Leitura dessa obra, com a adaptação de Walcyr Carrasco, envolvendo as disciplinas de Português e de História. No início de março, demos início ao nosso trabalho com uma aula especial, no Espaço Cultural, no período da tarde. O assunto tratado foi a Revolução Francesa, iniciada em 1789, contexto histórico do livro escolhido. O movimento

O livro “Os miseráveis”, do escritor francês Victor Hugo, vem fascinando as pessoas desde o seu lançamento no século XIX. Assim como outros grandes clássicos, esse livro resiste ao tempo por levantar questões sobre lei, justiça e solidariedade, além de mostrar como uma pes-

pode ser encarado como uma reação contra a sociedade de Antigo Regime, caracterizada

soa pode se transformar graças à ação de outra. 62


pelo poder absoluto do rei e pelos privilégios da nobreza, que tornavam a sociedade profundamente hierarquizada e desigual. Nesse contexto, as camadas populares lideradas pela burguesia passam a reivindicar justiça social, igualdade e fraternidade. O movimento derrubou o poder do rei e instalou a Primeira República na França, tendo influência em praticamente todo o mundo.

aulas, propostas escritas de resenhas críticas e registros sobre as atitudes marcantes dos personagens. Essas atividades colaboraram para uma reflexão sobre o comportamento humano e, em resposta às nossas solicitações, os jovens apropriaram-se da linguagem poética para expor seus pensamentos, como revela o poema abaixo da aluna Iana Maciel dos Santos.

Motivados pelo assunto da obra, nossos alunos desenvolveram a leitura do livro em casa. Com o objetivo de enriquecer nosso projeto, oferecemos a exibição de uma versão cinematográfica dirigida por Bille August (1998), baseada nesse clássico. Com a leitura do livro e a observação do filme, os alunos puderam analisar as possibilidades de adaptações e os diversos enfoques de uma obra clássica para o cinema. Alguns alunos ficaram muito animados com a história e, por isso, assistiram a outro filme, dirigido por Tom Hooper, adaptado do musical da Broadway (Les miserables), lançado neste ano no Brasil. Aconteceram conversas sobre o livro em nossas

Bondade de prisioneiro A história que vos conto é de fé pobreza e riqueza em que um ex-condenado às galés a um bispo juntou-se à mesa. Jean Valjean era seu nome - preso por dezenove anos por um pedaço de pão foi resgatado do frio e da fome por um bondoso senhor que lhe proporcionou o perdão. 63


De nova identidade e mente Valjean conquistou cargo de prefeito garantindo boas condições àquela gente que antes vivia sabe-se lá de que jeito!

miseráveis” foi uma das portas abertas para a

Sua vida seguiu-se dessa maneira até que o inspetor descobriu o seu passado e, Valjean, andando na beira por outras vezes foi condenado.

Revolução de bondade

reflexão e conscientização de atitudes dignas voltadas à bondade. É possível aceitar o convite de nossa aluna Ana Luiza Moraes Ferraz?

Com essas revoluções E tantas guerras As pessoas se esquecem De seus corações.

Homem de coragem e bondade passou quase o resto de seus dias fugindo para à filha dedicar sua amizade mesmo que isso significasse viver mentindo.

O que elas não sabem É que um simples ato De bondade ou caridade É mais do que necessário Para mudar o mundo!

É aqui, meus amigos, que meu conto finaliza - a jornada de Valjean ainda se segue Com amor, sacrifício e juízo!

A bondade transforma A bondade renova A bondade nos torna Símbolos de transformação!

O nosso projeto não se encerra! Há a necessidade de se construir um mundo melhor e são vários os caminhos. A leitura do clássico “Os

Por isso junte-se a nós Vamos mudar o mundo Não com armamentos Mas com bondosas ações!

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Contos e lendas da Europa Medieval Adriana Antonia de Paiva e Isabela Cristina Terra Saraiva

Envolver os alunos no universo das palavras, textos e obras literárias é um dos objetivos das aulas de Língua Portuguesa do Colégio Uirapuru. Mais que simplesmente dominar a norma culta da língua, busca-se fazer com que nossos estudantes contemplem e compartilhem suas percepções a respeito de diferentes leituras. Foi com esse mesmo objetivo que nasceu a exposição “ Contos e Lendas da Europa Medieval”, mostra que promoveu aos alunos do 7o ano um momento em que puderam partilhar suas impressões acerca da obra literária. Após apreciação e discussões sobre o livro escrito pelo historiador francês Gilles Massardier, que apresenta interessantes lendas europeias da Idade Média, os alunos, em pequenos grupos, selecionaram os fragmentos dos contos que mais lhes foram significativos. Em seguida, retrataram em pequenas telas em papel kraft, suas percepções sobre excerto lido.

Esses desenhos foram expostos em painéis suspensos, que permitiram aos visitantes entrar em contato com o livro “Contos e Lendas da Europa Medieval” e conhecer as diferentes interpretações feitas pelos alunos em relação à obra. Com esse projeto, muitos puderam compreender que cada leitor tem sua maneira de perceber e atribuir significados ao texto que lê, pois, segundo o escritor Leonardo Boff, “cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam. Todo ponto de vista é a vista de um ponto. Para entender como alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é a sua visão de mundo. Isso faz da leitura sempre

Envolver os alunos no universo das palavras, textos e obras literárias, é um dos objetivos das aulas de Língua Portuguesa

uma releitura.” 65


Expressão corporal na Educação Física Giovana Rodrigues Cavalcante e Kelly Rojas de Souza Cardoso

A expressão corporal é inerente ao ser

sensações, estados e ideias. Na dança, é uma forma de integração e expressão individual ou coletiva. Demanda atenção e percepção, desenvolve hábitos de disciplina e é possível, por meio dela, ter a consciência corporal mais desenvolvida. No Colégio Uirapuru, as aulas de Expressão Corporal são desenvolvidas na sala espelhada e fazem parte das aulas de Educação Física para as crianças do Infantil 3 ao Infantil 5. O espelho é uma ferramenta importante para a correção dos movimentos e desenvolvimento da estruturação corporal.

humano e é muito nítida nas crianças pequenas que adoram se movimentar. As primeiras fases da vida envolvem experiências corporais, desenvolvendo o aprendizado por meio de sensações visuais, físicas e auditivas. Na Educação Infantil, as crianças vivem e demonstram seu estado afetivo por meio de movimentos corporais: se estão alegres cantam, pulam, correm; se estão tristes ou tímidas, ficam retraídas... O movimento é uma linguagem que comunica 66


Nessas aulas, utilizamos a música como instrumento principal, pois ela manifesta diferentes sentimentos. Trabalhamos com ritmos variados, para estimular a atividade, auxiliar na memória e aperfeiçoar a coordenação motora. As músicas podem ser rápidas, calmas ou alegres, variando conforme a proposta e o objetivo da aula. Com as crianças de três anos iniciamos com a experimentação de alguns movimentos, como andar, rolar, saltar, equilibrar, abaixar, girar, entre outros. Aos poucos começamos a inserir passos e saltos básicos do ballet clássico, como “demi plié”, “tandu”, “skipping” e damos início à primeira posição dos pés. Para as turmas de 4 anos, iniciamos as aulas relembrando os passos aprendidos na fase anterior e acrescentamos mais alguns como “sauté”, “sous-sous”, “eleve”, “releve”, “gallop”, e também ensinamos mais posições dos pés e braços. Já aos 5 anos a criança tem uma consciência corporal um pouco mais avançada e é possível rea-

lizar alguns passos mais elaborados como o “pas de bourré”, “retire”, “grand plié”, “grand jeté” e muitos outros. Nesta fase acontece a Festa de Encerramento, que marca o fim da Pré-Escola, e essas aulas são fundamentais para a apresentação realizada no final do ano. A expressão corporal acontece o tempo todo, inclusive na quadra nas aulas de educação física e recreação. Ao imitar um animal como o elefante que é grandalhão, as crianças se tornam enormes! Já para simular a formiga pequenininha, rastejam pelo chão. Nesse momento já demonstram conhecimento de seus movimentos gerando inúmeras possibilidades de comunicação. A ludicidade está presente em todas as aulas e é fundamental para o desenvolvimento das estratégias utilizadas, pois promove envolvimento entre as crianças, além de estimular a criatividade. Ao movimentar-se, é possível expressar todos os sentimentos e, na Educação Física, estes são repletos de alegria!

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Regiões brasileiras e identidade cultural Vivian Pretti Rachide

A sociedade que vivemos hoje é

chamado de identidade cultural.

marcada por um processo de intensa integração

Por esta razão, torna-se necessário conhecer a

econômica, política e social, denominado globa-

diversidade natural, social e cultural existente

lização, no qual é possível observar tendências à

em nosso país para entendermos a importância

homogeneização cultural. É um fato que mere-

de valorizar e preservar estes elementos que

ce nossa atenção, pois quando não valorizamos

formam o espaço e a sociedade em que vive-

a cultura na qual estamos inseridos tendemos a

mos, modificamos e construímos.

adotar, sem nenhum questionamento, a cultura

Neste contexto, foi pensado o projeto Regiões

de outros países, perdendo lentamente o que é

Brasileiras, dentro da disciplina Geografia, com 68


os alunos do 7º ano do ensino fundamental II.

A segunda etapa incidiu na produção de um

O objetivo deste projeto consiste em conhecer

folder contendo um possível roteiro turísti-

as características naturais, sociais e culturais

co para as regiões. Para esta etapa os alunos

do Brasil, bem como entender as diferenças

pesquisaram as paisagens naturais, os aspec-

existentes entre as cinco regiões do nosso país,

tos culturais, como danças, músicas, comidas,

despertando nos alunos o respeito às diferenças

artesanatos locais e os patrimônios históricos.

culturais e, ao mesmo tempo, o sentimento de

Novamente contamos com a colaboração da

pertencimento a uma cultura.

equipe de Tecnologia Educacional, que orga-

Para realização dos trabalhos os alunos de cada

nizou uma oficina para ensinar aos alunos as

sala foram divididos em cinco grupos, ficando

ferramentas disponíveis para elaboração dos

cada um responsável por uma região, defini-

folders.

da em sorteio. O projeto foi dividido em três

Ainda na segunda etapa do projeto, com o

etapas, sendo realizada uma em cada bimestre,

auxílio da professora de Arte, Isabela, os alunos

começando a partir do segundo. As ativida-

pintaram um grande mapa do território brasilei-

des realizadas ao longo do projeto ocorreram

ro na parede de um dos corredores do colégio

durante as aulas de Geografia, em paralelo com

e elaboram, separadamente, desenhos que

o conteúdo programático.

representam os traços naturais e culturais mar-

A primeira etapa consistiu na realização de

cantes de cada uma das regiões, para que esses

uma caracterização geral da região, na qual os

desenhos sejam usados em outros momentos

grupos fizeram o levantamento das seguintes

pelos alunos das demais séries do Colégio, em

informações: processo de ocupação e povo-

outras situações de aprendizagem.

amento do território, características naturais

Na terceira etapa do projeto, foi pedido aos

(tipo de relevo, clima e vegetação), caraterísticas

grupos que escolhessem uma música para

sociais (índices de escolaridade, expectativa de

retratar as características da região que foram

vida, renda per capita) e principais atividades

descobertas ao longo do trabalho para apresen-

econômicas desenvolvidas na região.

tar aos demais grupos em sala. Além da música,

Após o levantamento dos dados os alunos

os grupos escolheram também um prato típico

organizaram, em meio digital, as informações

da região para degustação na sala. A terceira

obtidas para apresentar aos demais colegas da

e última etapa do projeto resultou em um dia

sala durante as aulas. A equipe de Tecnologia

muito agradável e diferente para os alunos que

Educacional auxiliou os alunos na elaboração

vivenciaram um pouquinho da diversidade de

das apresentações.

nosso país em sala. 69


Jornada Papel de Pai, Papel de Filho mobiliza comunidade do Uirapuru Cerca de 400 pais e educadores presentes, palestrantes de alto nível, temas que atendem diretamente a dilemas da educação contemporânea: assim foi a nova edição da Jornada Papel de Pai, Papel de Filho, realizada pelo Colégio Uirapuru, no dia 25 de maio. Foi, certamente, uma das mais movimentadas edições deste que é o principal momento de reflexão coletiva do Uirapuru e de suas famílias. Os pais compareceram e deixaram registrados muito elogios. Tudo funcionou bem e as palestras corresponderam às expectativas. Com altíssimo nível, poderiam figurar na programação dos melhores eventos educacionais do país. Mário Sérgio Vasconcellos, da UNESP, falou sobre limites; José Sérgio da Fonseca, da USP, sobre ética e formação de valores; a advogada Cristina Sleiman tratou das implicações legais do uso inadequado da internet e das redes sociais, e por fim o especialista André Negrão abordou a questão da prevenção ao uso de drogas. Foi uma manhã intensa, com muito conhecimento, mas sobretudo com o fortalecimento dos vínculos entre o Colégio e as famílias - que trabalham por um mesmo objetivo: a melhor educação das crianças e dos jovens. 70


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Um novo espaço de formação no Uirapuru Flávia Proença e Suzana Higa

O Colégio Uirapuru completará 25 anos em 2014 e foram os alunos de 8º e 9º ano do Fundamental ll e do Ensino Médio que ganharam presente antecipado: um novo Prédio. Para os adolescentes, a Escola é um ambiente acolhedor, onde têm espaço para exercitar suas vivências e convivências. É neste ambiente que encontros e relações sociais acontecem, levando o adolescente a questionar valores e vislumbrar seus primeiros projetos de vida. 72


A partir do desejo de aproximar os segmentos do Fundamental ll e do Ensino Médio, criouse um espaço mais jovem, com um ambiente agradável, saudável e acolhedor para satisfazer as demandas dos nossos adolescentes. Levando em conta as demandas pedagógicas da atualidade, as salas de aulas estão equipadas com ar condicionado, lousa branca quadriculada, projetor multimídia, caixas de som e computador. A tecnologia proporciona um ambiente interativo, tecnológico e produtivo, permitindo aos alunos a apropriação dos conteúdos de uma maneira mais produtiva. Vale ressaltar que as evoluções tecnológicas em

si não são suficientes para que os alunos sejam inseridos digitalmente ou progridam em termos de aprendizagem. É imprescindível que exista o mediador, aquele que mostra os propósitos de um meio digital para dada atividade. Nossos alunos são, sem dúvida, letrados digitalmente, porém, nem por isso sabem retirar dos meios tecnológicos toda a potencialidade educativa que oferecem. Além das salas de aula do ensino regular, o novo edifício também tem as salas do High School, projetadas conforme as normas do Texas Tech University para atender às demandas do curso. O

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diferencial está na disposição das carteiras, favo-

para os estudos de Química, Física e Biologia como um todo.

recendo a integração do grupo e do professor. O projeto High School não busca apenas em trabalhar sobre o idioma, mas ensinar os alunos sobre cultura, política e economia norte-americana, oferecendo chances reais de aprendizagem e aperfeiçoamento contínuo.

A biblioteca é um ambiente climatizado, silencioso e com mesas amplas, permitindo tanto o estudo individual como o estudo em grupo. Equipada não apenas com livros clássicos, técnicos e lançamentos, nosso espaço apresenta uma boa diversidade de revistas sobre assuntos diversos, incentivando os jovens aos diversos universos de leitura.

Os professores também podem contar com o laboratório móvel de Informática como mais uma ferramenta de ensino/aprendizagem para a sala de aula. Cerca de quarenta notebooks ficam a disposição dos professores para utilizarem com os alunos, conforme o planejamento das aulas. Com propósitos claros, os professores conseguem conduzir atividades facilitadas pelo computador de maneira contextualizada. Esse recurso inovador é mais uma possibilidade de recriação do tradicional espaço da sala de aula. Além disso, o novo edifício possui laboratórios fixos de Química, Física e Biologia. As aulas têm como objetivo despertar e estimular a investigação científica crítica e objetiva, fixando conceitos importantes das disciplinas envolvidas. Mudar o espaço de aquisição de conhecimento muitas vezes é um componente determinante na conexão entre teoria e prática.

O pátio do Colégio foi planejado pensando na interação social dos nossos alunos. Um ambiente arejado e amplo, permitindo que os alunos possam socializar e ter momentos de descontração. Em breve, contaremos com mais um novidade: um restaurante. Ele será um espaço agradável para que a família também possa participar desse nosso presente. Aqui está uma breve apresentação do nosso novo Prédio. Lembramos que ele está sempre à disposição para recebê-los. Esperamos que os objetivos antecedentes à criação do prédio, como a integração entre as séries e o oferecimento de uma maior dinâmica de aprendizagem, sejam realizados diariamente, já que uma escola vazia não é uma escola, é apenas um espaço com paredes, carteiras e lousas: a vida que circula por meio dos alunos, dos professores e funcionários é o que transforma o inanimado em animado, o silêncio em movimento, o presente em conquista.

As aulas práticas têm um papel importante, pois é por meio da observação, da experimentação e da explicação de fenômenos que o aluno constrói modelos e explicações significativas

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Guns up! High School:

Maria Carolina Fonseca e Luiza Rodrigues Dutra

Para muitos, falar Guns Up! e fazer referência à letra ‘L’ com a mão pode ser um tanto estranho, mas para o grupo de 17 alunos do Uirapuru que viajaram para o Texas nas férias de julho esta expressão feita “ à Texas Tech University” faz todo o sentido. No segundo ano 76


do programa do High School, a Texas Tech University ofereceu para os alunos dos Sophomores (como são chamados os alunos do 2º ano de High School), juntamente com o Uirapuru, o curso de férias na Universidade, nos campi das cidades de Lubbock e Junction. O nosso grupo e mais 130 estudantes, de outras 14 escolas espalhadas pelo Brasil, vivenciaram esta experiência inesquecível, que consistiu no estudo experimental de cursos de graduação oferecidos por professores e por alunos prestes a se formarem na Universidade. Em Lubbock, os alunos puderam escolher duas áreas dentre os cursos oferecidos: Environmental Engineering, Forensics, Architecture, Business, Medical Science, Chemistry and Biochemistry, Biomedical Engineering, Law, Theater Arts, Arts e Robotics. Os alunos aproveitaram muito do campus e da infraestrutura oferecida para cerca de 30 mil estudantes. Conheceram vários núcleos da Universidade e, no estádio, os meninos ainda treinaram alguns passes do futebol americano e tiraram fotos com alguns atletas. Na pequena e quente cidade de Junction, localizada às margens do rio South Llano, os alunos cursaram in loco: Aquatic Biology, Energy

Para mim, a experiência em Junction foi a melhor: dormir em uma ‘cabana’ com outros nove amigos e ficar em um ambiente que talvez eu não tivesse oportunidade de vivenciar na minha vida”, acrescentou Enrico Ricci. Após duas semanas de cursos, os alunos aproveitaram para passear e conhecer as cidades de Fredericksburg, San Antonio, Austin e seus pontos turísticos. Na charmosa Fredericksburg, os alunos caminharam pela rua principal e conheceram uma vinícola. Em San Antonio, visitaram Mission San Jose, passearam de barco no River Walk e conheceram o Alamo. Em Austin, conheceram o Capitólio e os museus da História do Texas e de Arte Contemporânea. Nesse percurso, também foram às compras em outlet na cidade de San Marcos. “Gostei muito do Summer Camp. Eu fiz aulas de Law e de Forensics, e me identifiquei com Law. Estou pensando em fazer a graduação no Brasil,

Studies, Quail CSI, Astronomy, Ornithology e Earthcaching. Entre os cursos que realizaram de manhã e à noite, os alunos praticaram trilhas, boia cross e caiaque, além de usar a piscina. “Gostei de ter conhecido vários lugares no Texas, cidades bem diferentes umas das outras.

mas o curso de especialização, vou fazer fora 77


Os nossos alunos mostraram domínio do inglês nas relações com seus professores e nas situações diárias a que foram expostos. Foram elogiados pela equipe de professores da Universidade pelo aproveitamento e discussões trazidas, que contribuíram para o aprofundamento das aulas. Nós, como Escola, ficamos orgulhosos em receber este feedback e saber que os nossos alunos estão evoluindo cada vez mais em nível acadêmico, sabendo que essa satisfação é mútua para os pais, que apoiam este trabalho, acreditam e investem no futuro de seus filhos. Só nos cabe agradecer a experiência que pudemos compartilhar com o nosso grupo, que rendeu muitas boas lembranças e saudades!

do país! Curti muito os novos amigos que fiz a partir da experiência e já estou combinando de reencontrar o pessoal”, contou Vitória Stecca. A oportunidade de integração que os alunos tiveram uniu-os de tal forma que nenhum deles queria voltar para casa. Aproveitaram intensamente os vinte um dias e somaram muitas novidades à bagagem acadêmica e pessoal. “Foi muito bom conhecer pessoas de diferentes lugares do Brasil, dos EUA e de outras nacionalidades. Sempre tinha alguma coisa para aprender da cultura deles. Quero fazer a graduação nos EUA, em Psicologia, para me especializar em Law depois. Gostei da liberdade que tive lá, de ter ficado relativamente independente”, finalizou Gabriel Friedrich. 78


Da memorização à compreensão:

as transformações no ensino de História Diogo Comitre

O ensino de História sofreu inúmeras

de interpretação e crítica à sociedade. A História pode ser trabalhada em conjunto com outras disciplinas por meio de eixos temáticos transversais ou pela contextualização de escolas artísticas e literárias. Nos dois modos, o aluno é levado a fazer relações entre as ações dos indivíduos, as obras e os contextos. Assim, quando abordamos temas ligados à industrialização, podemos realizar aulas conjuntas ou

transformações nas últimas décadas. Aquela prática tradicional de decorar fatos, nomes e datas caiu por terra há algum tempo. Na atualidade, a tendência é estudar a história de forma interdisciplinar, dando ênfase para a contextualização e compreensão dos processos históricos. O aluno vai compondo um importante repertório de referências, que se tornam autênticas ferramentas 79


significado para o aluno quando ele efetivamente

projetos envolvendo a Geografia e as Ciências, para trabalhar a ocupação do espaço urbano e os impactos ambientais provocados por essas atividades. Ou ainda, em uma aula de Segunda Guerra Mundial, para auxiliar na leitura de um livro que conta a perseguição nazista aos judeus, destacar a mentalidade da época, os interesses econômicos, as escolhas políticas para além das batalhas. Dessa forma, o aluno deixa de guardar os conhecimentos adquiridos em “gavetinhas” que não se comunicam e passa a ampliar seu conhecimento, relacionando os conteúdos adquiridos nas diferentes disciplinas. Em nosso colégio, temos exemplos bem sucedidos de projetos pedagógicos que envolvem a História de forma interdisciplinar. O projeto de “Combate à intolerância”, realizado no 7º ano pelas professoras de História, Geografia e Português. O “Projeto Jornal” do 8º ano, que envolve História e Português. E os projetos “Os Miseráveis”, “Mostra de Arte – Eu etiqueta” e “Vídeo Clipe”, que ocorrem no 9º ano e envolvem História, Literatura e Arte. Também é importante para o Ensino de História usar o conteúdo estudado como repertório para interpretarmos o presente e a atual organiza-

imagina o passado a partir de seu entendimento do presente. Só assim, deixamos de praticar uma disciplina “chata, decorativa e difícil” e passamos ao exercício responsável do magistério. A história nunca nos deixa esquecer do mundo, por isso, para atingirmos nossos objetivos pedagógicos, usamos recursos tecnológicos como o projetor multimídia, os mapas interativos, as plataformas de ensino à distância (Moodle), laboratórios móveis de informática, além de filmes e músicas. Se nossos alunos vivem em um mundo repleto de tecnologia, o uso dessas ferramentas certamente contribui não somente para lhes chamar a atenção, mas para mostrar que compartilhamos com eles essa vivência interativa e dinâmica. Enfim, assim como você tem um nome, comemora a data do teu aniversário ou visita a cidade em que nasceu, também a disciplina de História precisa lançar mão de nomes, datas, fatos e lugares, contudo, isso deve ser trabalhado mediante a interdisciplinaridade. Deve-se sempre fazer as relações entre os conteúdos estudados e a realidade dos alunos, utilizando recursos para que compreendam os fenômenos históricos, as permanências e rupturas vividas pelas sociedades humanas. Nosso principal objetivo pedagógico é formar alunos que utilizem os conteúdos para além da disciplina escolar. Desse modo, o conhecimento histórico se torna instrumento para a atuação de indivíduos que transformam e fazem

ção da sociedade, permitindo ao aluno pensar a sua realidade de forma crítica, fortalecendo o protagonismo juvenil e a cidadania. Acreditamos que é nosso dever formar alunos que exerçam sua cidadania na busca de uma sociedade mais justa, igualitária e fraterna. A História ganha

História enquanto vivem. 80


A tríplice comunicativa:

gramática, literatura e redação Monica Miliani Martinez, Patrícia Souza da Silva e Sílvia Maria de Oliveira Amendola Assis

O ensino de Língua Portuguesa, como uma atividade cognitiva e discursiva, é a possibilidade plena do sujeito manifestar-se e participar ativamente de uma sociedade letrada. É com ela e por meio dela que as diversas esferas da atividade comunicativa humana se expressam e as pessoas estabelecem seus laços. Pela linguagem, os homens e as mulheres se comunicam, têm acesso à informação, expressam e defendem pontos de vista, partilham ou constroem visões de mundo, produzem cultura. Desde a década de 60, diversas alterações aconteceram: a gramática, antes normativa e estruturalista, perdeu lugar para um processo de contextualização e relações de sentido; a literatura, antes direcionada apenas para os períodos de sua atuação, hoje ganha recortes mais globais, conectando leituras tradicionais luso-brasileiras aos clássicos da literatura universal; e, por fim, a redação, encarada como uma “receita de bolo”, na qual, a partir de dada estrutura, qualquer texto poderia ser elaborado, perde espaço para uma abordagem da escrita como ação social comunicativa, valorizando o escrevente, o receptor, o tema e o gênero textual produzido. 81


O olhar do Ensino Fundamental A proposta de ensino de Língua Portuguesa, nessa fase, é voltada para um trabalho integrado de leitura, produção de textos e reflexão sobre a língua, desenvolvido sob uma perspectiva textual e enunciativa. Os textos escolhidos para o desenvolvimento do trabalho são aqueles que circulam socialmente: ficcionais, poéticos, jornalísticos, publicitários, instrucionais, de humor, etc. A leitura e interpretação desses textos são sempre exploradas, abordando os aspectos semânticos, estilísticos e linguísticos. Com as produções de textos, temos o objetivo de exercitar diferentes gêneros do discurso para que os alunos possam criar as condições da situação em que socialmente o gênero é produzido. Dessa forma, ampliam a competência linguística e discursiva, participam como cidadãos com o uso adequado da linguagem. Nas situações comunicativas, tanto orais como escritas, observase e reflete-se sobre “o que se fala ou escreve, a forma como se fala ou escreve, para quem se fala ou escreve e com qual finalidade”. As competências de leitura e escrita completamse com o conhecimento gramatical. Há uma abordagem aos aspectos que pertencem à gramática normativa: ortografia, flexões, concordâncias, classes gramaticais, etc.; à gramática de uso, que amplia a gramática internalizada do falante e, ainda, à gramática reflexiva, que explora aspectos ligados à semântica e ao discurso. No processo de aprendizagem, faz-se necessária a participa-

ção efetiva do aluno para a plena realização dos objetivos propostos. Ao propor a leitura de paradidáticos, desejamos não só formar leitores competentes, mas também proporcionar um convívio estimulante dos alunos com a leitura de livros, criteriosamente, selecionados. Para a realização dessa proposta, trabalhamos com leituras compartilhadas, dramatizações, paródias, debates, resenhas críticas e, principalmente, com projetos pedagógicos que combinam temas e disciplinas com o intuito de sensibilizar e estimular a participação dos alunos. As descobertas das nossas crianças e adolescentes podem proporcionar satisfação e confiança, abrindo caminhos para o mundo que os espera... O olhar do Ensino Médio O Ensino Médio carrega, inevitavelmente, o peso do vestibular. E é nesse ponto que reside o grande desafio no ensino de Língua Portuguesa: mediar conteúdos que serão importantes para o sujeito em sociedade e não apenas para uma avaliação ao final do 3o ano. Essa árdua tarefa, sem dúvida, não se restringe apenas ao ensino de Língua Portuguesa, mas sim a todas as áreas do saber. Como escrever um texto dissertativo sobre o tema ‘mobilidade urbana’ e não ativar conceitos da Geografia? Como elaborar uma boa resposta dissertativa em Química se os conceitos gramaticais coesivos não estiverem claros? Como não associar o encadeamento lógico de um problema matemático ao percurso histórico das classes literárias? Enfim, tudo está relacionado e 82


indicando que além do domínio das normas (linguagem verbal), o estudante também deve ser capaz de ler a linguagem não verbal e conectá-la ao contexto gráfico da língua. Em Literatura, o esforço da disciplina está não só em aproximar a geração ‘hightech’ dos clássicos literários, como também mostrar quanto o período histórico e as manifestações artísticas são determinantes para as produções literárias. Ao ler o mundo de maneira mais contextualizada, fazendo pontes históricas e artísticas, o livro ganha um pano de fundo que facilita a compreensão da classe literária manifestada ali, possibilitando ao estudante um raciocínio por analogias capaz de construir reflexões políticas e filosóficas atuais sobre obras aparentemente ultrapassadas. No contexto do vestibular, a tendência é o pensamento análogo. As perguntas sobre as obras clássicas exigidas são comparadas. Comparam-se os livros para verificar se o estudante consegue compreender a temática envolvida na leitura, sua posição histórica dentro de uma linha do tempo e os pontos comuns e distintos envolvidos. Além disso, a relação dos clássicos luso-brasileiros aos clássicos da literatura mundial já são uma realidade, ou seja, a formação intelectual de um bom leitor não está apenas centrada no eixo Brasil - Portugal. Já em Redação, a dinâmica da disciplina focaliza a ação social da escrita e suas manifestações. Saber escrever é posicionar-se como sujeito crítico,

cabe aos educadores mostrarem essas conexões. Em Gramática, o grande trabalho está em mostrar aos alunos que o ensino da norma dita “padrão” é fundamental para que eles saibam trocar os registros da língua quando necessário, ou seja, de acordo com o interlocutor (o outro a quem me dirijo) e a situação de produção, eu escolho a melhor linguagem a ser aplicada. Por exemplo: estamos em contato com uma pessoa cujo domínio da norma padrão é restrito; assim, acionamos um registro de fala mais coloquial; porém, se estamos diante de uma autoridade, lançamos mão de recursos formais da língua. Esse exemplo também é válido em língua escrita: quando fazemos um ‘post’ para um amigo em uma rede social, temos a liberdade de usar abreviações e construções gramaticais que fogem do ‘padrão normativo’, pois o contexto permite tais alternâncias; porém, quando escrevemos uma carta de reclamação para uma empresa digital, que não entregou um produto comprado pela Internet, fazemos uso de normas e estruturas formais. Grandes avaliações, como a Unicamp, o Enem e a Fuvest já apresentam em seus vestibulares questões que não só chamam atenção para as normas gramaticais, como também para suas aplicabilidades em diversos contextos, abrindo espaço para regionalismos, expressões idiomáticas, etc. A exploração de imagens, leituras de gráficos e símbolos, análise de tirinhas e charges já são uma realidade nas avaliações nacionais, 83


Um dos responsáveis pelo grande aumento da importância da escrita no contexto do Ensino Médio é o vestibular. Em praticamente todas as avaliações do país, o desempenho em redação simboliza 50% da nota final; além dele, no mercado de trabalho, processos de ‘estágio’ e ‘trainee’ em pequenas, médias e grandes empresas inclui a escrita como uma etapa determinante para a conquista da desejada vaga no mercado de trabalho. Na Unicamp, por exemplo, a primeira fase, antigamente, era composta por questões dissertativas e três possibilidades de redação (um texto dissertativo, uma carta e uma narração); o estudante selecionava um dos três caminhos textuais. Hoje, são 48 questões de múltipla escola e duas redações compulsórias com gêneros diversos. No ano passado, por exemplo, o desafio estava em produzir um resumo e uma carta do leitor, textos, aparentemente, presentes no cotidiano do estudante. Essa ilustração mostra que quando avaliamos a escrita impreterivelmente avaliamos a capacidade de leitura do escritor. Aqui temos mais um referencial para o qual a crise do ensino se verifica através da escrita. Sem dúvida, pensar em Língua Portuguesa é pensar na tríplice comunicativa entre gramática, literatura e redação. Aos docentes cabe a função de inter-relacionar as áreas do saber às demais áreas do ensino regular e mediar um saber acadêmico para um saber acessível a todos. Aos estudantes cabe o papel de questionar, sempre que algo lhes chamar a atenção. Aos

é organizar logicamente os passos argumentativos, narrativos ou descritivos que se pretende manifestar. Escrever não é apenas ‘inspiração’ como muitos pensam; na realidade, ‘inspiração’ é o que menos aparece quando, numa atitude de dedicação e esforço, faz-se nascer uma obra, com autoria, estrutura e lógica. Escrever não é aplicar argumentos a um texto, tampouco é seguir argumentos já pré-estabelecidos. Escrever é decidir, é fazer escolhas, é organizar e expandir conceitos de maneira autônoma. Ao longo das séries do Ensino Médio, objetiva-se o trabalho com gêneros narrativos, para que os conceitos de sequência narrativa e descritiva trabalhem integradamente, e, principalmente, com os argumentativos, para que o estudante posicione-se criticamente e exponha seus conceitos e ideais para o grande grupo da sociedade. Sem dúvida, o estímulo à leitura é uma constante no processo de escrita já que os jogos lexicais e os pensamentos contextualizados são melhor trabalhados em estudantes que leem com frequência, pois eles conseguem enxergar o mundo de maneira mais ampla e crítica. Ler é criar conexões, é fazer pontes temáticas, é criar mundos paralelos, é recriar contextos; escrever também apresenta todas essas características. A escrita, normalmente, denuncia o caos e o sucesso da educação, pois é através dela que se verificam a aplicação de conceitos de gramática e a presença/ausência de articulações sócio-históricas advindas da literatura. 84


familiares cabe o fundamental eixo de estimular, juntamente com a instituição escolar, a leitura de textos diversos até que o estudante encontre seus próprios caminhos como leitor: leituras que agradam e outras que agradam menos, mas são de essencial importância. Albert Einstein disse

certa vez que uma mente submetida a uma nova ideia expande-se e jamais retoma seu tamanho original. Talvez assim, com uma força tarefa trabalhando rumo ao mesmo objetivo, mentes continuem em progressão continuada, não a automática, mas a existencial.

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A

poesia passou a fazer parte do cotidiano da

comunidade do Uirapuru, definitivamente. Em 2013, aconteceu a segunda edição do Festival de Letras, um grande concurso de textos poéticos que envolve alunos, professores e pais do Colégio. Novamente marcado pela qualidade das produções, o Festival das Letras é uma celebração da palavra e do universo literário, que deixa marcas profundas na formação das novas gerações.

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2° Lugar: Nicolas Gonzalez Vallarelli Ensino Fundamental II – Série: 6° B

Categoria I 1° Lugar: Lívia Trucharte Costa Ensino Fundamental II – Série: 6° A

Meu Herói Dos heróis da minha infância Tenho o meu preferido Guerreiro e forte Sempre pronto a atacar o inimigo

Meu Mundo, Minhas Regras No meu mundo, Eu invento tudo E não vou parar de criar. Vou dançar, cantar, Não vou parar.

Fazia parte dos meus sonhos Crescer e ser como ele Que sabia o que fazer Defendendo a honra e o poder

Nunca vou me cansar, Eu sigo as minhas regras. Vou amar e conquistar. Desenho o que sinto Para me expressar.

Combatia com bravura Sem ferir à morte Colocando limites Ensinando o que era ser forte

Eu sou eu, Ninguém vai me mudar. Pintei a minha vida. No meu mundo, Vou me soltar.

Ainda guardo na lembrança Sua capa e sua espada A sua presença inesquecível Onde estou, sempre me alcança.

Com as minhas regras, Tudo vai mudar. Vou desenhar, cantar e dançar. Perdi a vergonha E tudo vou conquistar.

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4° Lugar: Lucas Moreira de Lima Ensino Fundamental II – 7° ano

3° Lugar: Maria Fernanda Magalhães Garcia Fundamental II – Série 7° B Rotina

Uma Luz No Mundo

Vida, vida, Vida calma, Que nunca sai da rotina, Acordar, Escola, Almoçar, Lição, Será que nunca cansa não? Aula de inglês, Algum esporte, Vai ser assim até a morte? Fim de semana, Casa, Missa, Domingo almoço com linguiça, Segunda começa, Tudo outra vez... A primeira matéria, Já é português, E assim continua, Vai ser assim para sempre, Onde tudo é igual, E nada pode ser diferente.

Gota d’água Em rio de sangue Guerra, batalha Com árvore em mangue Tudo em volta Frio e escuridão Mais uma luz no fim do túnel Uma criança com brinquedo na mão A miúda gota d’água O sangue purificará A terra um dia esquecerá Mas o espírito de criança permanecerá Com o brinquedo na mão Um adulto será O brinquedo abandonará Irá batalhar Mas a pureza No olhar da criança Nunca morrerá Pois simboliza esperança Amor de criança

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5° Lugar: Júlia Furtado Vazatta Ensino Fundamental II – Série: 7° B

Categoria II 1° Lugar: João Vítor Jurca Murta Ensino Fundamental II – Série: 9° C

Hora Por que chorar Por algo que não posso modificar Daquilo que iria acontecer Sem que eu pudesse fazer O tempo não para A hora dispara Nós a seguimos Por vários motivos Ninguém a alcança Pois nunca descansa

Envelhecer Tarde da noite Envolto em breu mortal Minha respiração ofega Enquanto no medo Meu coração se apega Eu sei que ele está aí Me vigiando por entre a relva Brincando enquanto me caça E na cruz ele me prega Por mais que tente fugir Seus braços sempre me alcançam Sua face pálida me vem à mente Me tornando um simples demente Nem em minhas sombras posso confiar Onde se esconde? Por que me deixa aqui? À espera da morte me encontrar O primeiro recado me dá Um pedido de exílio Uma outra vítima Um agudo quase inaudível Atinge o meu ouvido Corro como um estampido Descubro que pode me ver Como? Me pergunto Se é cego, surdo e mudo O medo volta a me envolver Finalmente a ele eu posso ver E percebo que do tempo sempre corri Envelheci.

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2° Lugar: Iana Maciel dos Santos Ensino Fundamental II – Série: 9° C Nevoeiro Buzinas ao fundo, lá na rua (o cheiro forte preenche a sacada) Mesmo assim, é segura e adorada Aquela doentia sensação de estar próximo à lua.

3° Lugar: Gabriel Côrtes Loureiro Ensino Fundamental II – Série: 9° C

Ergo a cabeça e vejo Figuras dançantes no breu da noite: Uma lagartixa engolindo um percevejo Ou um escravo preso no açoite?

Eu vejo teus olhos, Azuis, cristalinos Como voz dos mares falantes Como rugido dos mais perigosos felinos

“Que será isto?”, perguntou o alguém. É uma mistura gasosa acinzentada Que deixa minha visão embaçada... Que solta imagens distorcidas pelo além...

Leva-me ao teu mar Prende-me no teu mundo Ensina-me a velejar Leva-me até lá ao fundo

Admirável Amor

Uma tempestade molha teus olhos Quando se vê uma lágrima escorrida Sinto tua tristeza de vários modos E todos afetam minha vida

“Gostaria de poder tocá-las”, continuou. E eu percebi por sua expressão A dúvida cruel que por um momento o culminou: Fumaça ou neblina, eis a dura questão.

Incrível tua capacidade De admirar o admirável De amar o não amável De viver da felicidade

Vamos voltando rapidamente à consciência Enquanto as cenas inconstantes Dissolvem-se no céu. A letargia desaparece, levando consigo a demência, E sozinhos sentamos no piso gelado, ao léu.

E tudo isso é refletido Apenas em teus olhos Brilhantes, metidos Que encaram o amante E o amor delirante. 90


4° Lugar: Flávia Lenz Bannitz Guimarães Ensino Fundamental II – Série: 8° A

5° Lugar: Júlia Bonventi Nunes Ensino Fundamental II – Série: 9° A

Raios Ultravioletas

Deixa A Criança Brincar

Raios ultravioletas Ultrapassam o breu da noite, Iniciando um processo, De começar um novo hoje.

Pacificamente com uma arma na mão Brinca criança, não chora em vão. Toma aqui teu brinquedo. Some do tumulto, do medo.

O tapete escuro vai esmaecendo, E as linhas de claridade aparecendo. Até que uma camada de manhã, Cubra a madrugada de antes.

Coloca fones de ouvido, Escuta algum tipo de paz. Ignora o constante zumbido, Que por trás da janela se faz.

O sol devagar lidera O revezamento com a nobre Lua. Dando a ela um momento de trégua, Dando partida à iluminação sua.

Covardes, pequeno. Esse é o tão poderoso nome. Que pior que veneno, Envenena todo tipo de pronome.

Um dia inteiro de claridade... “Lua, venha cá!”, chama o Grande Amarelo. A noite lhe cobre o turno por fidelidade, Para que o amanhã seguinte surja novamente belo.

Deixa a tempestade fluir, o vento sacudir. Talvez um dia entendam quem é que irá cair.

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Categoria III

“Tempus edax rerum!”. O tempo tudo destrói! Nada restara, apenas a indiferença. “Tempus tempora temperat”. O tempo é remédio. Porém, o fim era tóxico como uma doença...

1° Lugar: Isabella de Castro Satiro Aragão Ensino Médio – Série: 3° A Oblivion

“Fascit indignatio versum”. A indignação faz o verso. E o ódio, cria a imaginação. A tristeza, em seu decepcionado pranto Cantava a poesia, numa infeliz canção.

“Ecce homo”. Eis o homem. Em sua totalidade, sobrevivendo a cada dia Fingindo, talvez, viver em harmonia Percorrendo os caminhos ouvidos em sua profecia.

“Memento, homo, quia pulvis es et in pulverem reverteris”. Lembra-te, ó homem, de que és pó e ao pó hás de voltar. Sofreu por dois quartetos e dois tercetos E, com um soneto, aos céus resolveu se entregar.

“Genus irritabile vatum!”. A raça irritável dos poetas! Clamava ele, na amargura de seu triste coração. Não podia crer, não podia sentir Tudo o que vivera parecia em vão.

“Supremum vale”. Pela última vez, adeus! Elevou-se, levando nada e sem se despedir. Mas não sofreu. Pois as nuvens serenas eram pura poesia Libertas quae sera tamen. Liberdade, ainda que tardia...

“Varium et mutabile”. Permutável e inconstante. Questões abertas, em frequente mudança; Apenas não mudava o vazio de seus queixumes! Até que, enfim, surgiu-lhe a esperança.

“Ad vitam aeternam!”. Para a vida eterna! Desabrochar como flores em plena primavera Dançar com as gotas de palavras, cristalinas descendo A chuva era o eu lírico da sina do desapego.

“Prima facie”. À primeira vista. Com o livro nas mãos, apaixonou-se. Seus olhos corriam as palavras que saltavam das páginas Entre as feiticeiras estrofes, encontrou-se. “Quidquid tentabam dicere versus erat.” Tudo o que eu tentava dizer era verso! Nas entrecurvas, as palavras cantadas No encanto de sua vida de fadas, já estava imerso.

“Oblivion”. Esquecimento. O passado deste homem ficou ao relento. Um poeta, um desconhecido Que, apaixonado pela poesia, encontrou um sentido Talvez iludido Mas, de amor, revestido Um sentimento indefinido.

“Verbo ad verbum”. Palavra por palavra. Escreveu uma vida, magicamente poetizada. Imaginando uma realidade inventada, enfim Virou última página. Fim.

O tempo é faceiro, em sua cruel ironia Metamorfoseando toda e qualquer semelhança. Amanhã nunca se sabe. Aproveite o dia! “Carpe diem”, para criar lembranças...

“Habent sua fata libelli”. Os livros têm o seu destino. O fado indomável decidirá seu futuro divino. Ali acabava toda a possibilidade de uma continuação Não tinha mais rumo, seguia sem direção!

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2° Lugar: Pedro Henrique Cardoso Navarro Ensino Médio – Série: 1° C Crença Sufocada Escondo-me quieto, Meu casulo e proteção, Sob as rachas do teto, Aguardo esperanças, De alguma salvação. Procuram-me, caçam-me. Explosões ecoam, Tiros rasgam-me. O tremor do chão, As marchas ao fundo, Sabor da repreensão. O silêncio é cortado, Por vozes conhecidas, Clamores por vida, Por misericórdia, Em busca de uma saída. Para eles somos, Meros ratos A serem enjaulados. O decesso então, O deixar da vida. A última respiração.

3° Lugar: Bruno dos Reis Santos Ensino Médio – Série: 2° B Um Poema Ideal Surge a ideia O rasbicar da pena ao papel, Tão simples e estonteante Seca meus lábios de emoção E nessa confluência de mares ideais, Uma ressaca invade e toma as palavras Joga uma cá, outra lá Vem e volta, vira, viaja, voooooooaaaaa E some de uma vez! Pra onde foi essa ideia? Fugiu-me de novo? Ó, que vazio! Entre essas mil palavras não a acho... Quanto penar, e agora? Ufa! La está, mas olhe Rasgou-se em mil ideias AH! Construção severa Me esgota a tinta e a força Que se perde junto às linhas DESISTO! As ideias que apodreçam na cabeça Mas... ao papel elas são tão infinitas e belas, O que fazer com elas? Ah! Já tive uma ideia. 93


4° Lugar: Ian de Oliveira Antônio Bueno Ensino Médio – Série: 1° A

5° Lugar: João Guilherme Andrade Ferraz Sampaio Ensino Médio – Série: 2° B

O Ser Estranho

O Delírio Do Miserável

Ele veio do mundo de concreto de onde só o mal vinha Chegou ao meu lar e seu nome não me tinha Na fala de dizer o que queria no meu lar O ser estranho cortava tudo, roçava o chão e o ar

Andou pelos campos sob o luar Desceu às cidades ouvindo o roncar Aprendeu a amar Mas era proibido pensar Castigado a não poder Perdido até se reaver Procurou a essência De seu eterno ser

O verde caía enquanto o estranho ria Da desgraça que me impunha a sofrer Tudo que já conhecia começou a arder Porque o ser estranho trazia a cria

Viajou sem andar Caiu sem se levantar Passou então a matar Memórias de um sonho amável

Da maldade que só a sua espécie tem a esbanjar Matar, destruir e cortar Levou tudo de mim, minha família e alegria Só consigo expressar minha dor pela poesia

Através do sono Correu tentando se despistar De seu malogro inegável Onde sempre era mais um homem notável

Finalmente ele se foi, levando tudo o que eu conhecia De volta pro seu mundo O arquiteto de concreto É o homem de hoje em dia.

Escureceu ao trovejar Ninguém se pôs a pensar O quão adorável ele sempre foi Sonhar sendo miserável.

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Vão chegando de mansinho... Ocupando seu espaço... Achando o seu formato... Preenchendo folhas e folhas da nossa vida atribulada

Categori a IV 1° Lugar: Andréa dos Santos Publio Rabello Adulto

Quando nos percebemos, as nossas ideias brotaram... Fortaleceram-se... Frutificaram... E seguiram seus destinos... Preenchendo não só nossas vidas como diversas outras. Pois as ideias, assim como os filhos, pertencem ao mundo.

Ideias Dizem que escrever é uma arte, bela e transcendental... Mas palavras me fogem, E a tal arte transcendental não consigo experimentar... Quero escrever, somente escrever... Sem pensar, Sem caprichar na letra ou obedecer as regras gramaticais Escrever e continuar escrevendo. Sentir o peso da caneta e o barulho da mão, Deslizando sobre o papel. E, continuar a escrever... Nesse momento, as ideias surgiriam Assim, espontaneamente... Não as minhas, que relutam e não aparecem... Como filhos rebeldes, não querem colaborar Exigem mais de seu tutor, Exigem que eu aja como tutor. Destrave, criatividade danada! Crie coragem ideias preguiçosas! Olha que tiro suas horas de videogame! Olha que tiro suas horas de descanso! Castigos será que auxiliam... Com as minhas ideias ou filhos travessos? Severidade ou frouxidão? Ingerência ou distância? Respeito, atenção e liberdade... Amor, amizade e dedicação... Palavras assim tratadas, São como filhos ao mundo apresentados...

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2° Lugar: Maria do Carmo Pellegrini Gomes Barbosa Adulto O Céu Do Seu Olhar Desafio é decifrar o céu do seu olhar Vislumbrando astros siderais que se vê, sem ler As estrelas dançarinas, que insistem em orbitar No espaço reluzente dos signos Sem símbolos, sem luz, Riscados, apagados nas páginas estelares De astros sem brilho, sol e tração. Olhos sem chispas, faíscas emitem, cifras Sonoras, decifram notas, rimadas, decifram pontos Pistas dicotômicas de um universo Rabiscado de pensamentos e sentimentos Lágrimas e sorrisos de anjos, querubins e serafins. Cadentes do espaço, anãs de rara beleza Espargem luzes rosadas, azuis e mescladas. Algumas cruzam céus e terra, E, sem contar nem ler, fazem história. Afinal, estrelas são estrelas, Não se misturam, embaralham-nos pela beleza, a vista. Pa-lhaça não, lavra dos livros, a luz. Sabotam rimas, versos, caminhos. Brincam elípticas, na subida e descida Contornando enfileiradas sem eira e nem beira, Os rastros rijos pretos em paralelos. Vaidosas, convergentes ou divergentes, Miram-se espelhadas. Refratando-se o diverso, inverso, no espaço.

3° Lugar: Adriana Koike Adulto Entre A Gente Entre a gente coisas que a gente sente Outras que dão semente se a gente deixa nascer Entre a gente palavras que se arrependem, Abraços que compreendem, Silêncio que faz ceder

Entre a gente tudo o que acrescente, Será que se o Albert, menino de língua fora, Revogue passado e presente, permita ao futuro viver Tivesse revelado no céu do seu olhar, Entre a gente distância que aproxima, Símbolo dos signos incompreensíveis, incoerentes Encontro que reanima, Para muita gente, que circulou colorido, apontando trocas, Saudade que faz crescer Grifando invenções, pré-inventadas na velocidade da luz, Compreender haveríamos a relatividade das coisas, Entre a gente paixão, recato, tensão, Do espaço-tempo? E, à ótica do viajante estelar Vida, verso, prosa, ação e o que mais tiver a ver Agarrado à cauda de um cometa, Entre a gente família, trabalho, amigos, De olhos esbugalhados, em cujos buracos negros Mas pausa pro nosso umbigo Ocultavam-se a imensidão de uma galáxia? Para a gente não se perder.

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4° Lugar: Rosanna Valéria Gonzales Vallarelli Adulto

5° Lugar: Norah Cristina de Oliveira Nogueira Barbosa dos Santos Adulto

Do Amor Desejo De Mãe Do amor eu quero o riso A luz, o encanto Sem nenhum pranto Viver em paz Um lar, nosso canto! Do amor quero a sabedoria Do esperar sem luta Do estar sem disputa A quem se ama apenas amar Pelo simples fato De ver no outro O que ainda nos falta E estar disposto A sempre recomeçar!

Adolescente aborrecente! Será? Não sou dessa corrente Se eu pudesse escolher Um momento da vida para reviver Com certeza a adolescência. Alegrias, indecisões, beleza...sem consciência Por que será então Fase de tanta explosão? Pais descontentes Adolescentes aborrecentes Hormônios em ação Descontrole da situação Há muito o desafio foi lançado O educar já foi plantado Chegará a hora de colher os resultados E com paciência apenas nos resta, cuidar para alcançar o esperado Que tenha sido eficiente A difícil arte de criar um ser independente.

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Uirapuru: um colégio que aprende Maura Bolfer É na “dança de roda” do cotidiano, ao lado de seus pares, na harmonia dos passos, que vemos os professores, as coordenadoras pedagógicas e as orientadoras educacionais, sujeitos aprendentes. É pensando nesses sujeitos aprendentes que é tradição no Colégio Uirapuru o incentivo à formação continuada de professores e equipes pedagógicas. Essa formação ocorre durante o ano todo em cursos regulares de instituições reconhecidas no campo educacional (Escola da Vila, Instituto Superior de Educação Vera Cruz, Faculdade Carlos Drummond de Andrade, entre outras) e no próprio Colégio sob orientação de assessorias de áreas específicas. Acreditamos que a ação formativa, desenvolvida no interior da instituição, torna-se “espaço de experimentação e reavaliação das ações investigativas empreendidas por cada indivíduo singular e devolvidas ao grupo de forma a permitir uma reapropriação dos saberes, mas também uma nova perspectiva exploratória do estudo realizado” (CARVALHO e RAMOA, 2000, p. 8). O contexto coletivo promove situações de interação, nas quais podem ser confrontados saberes plurais que possibilitam a construção de novos saberes. Isso é possível porque na coletividade são expostos diferentes estilos de ensino-apren-

gem, de representações, de motivações internas e externas, de aptidões, de conhecimentos já produzidos na prática, de conhecimentos estratégicos que levam “o grupo a instituir-se como um sistema vivo, dinâmico, complexo com padrões de comportamento próprios que transcendem os comportamentos singulares em presença” (CARVALHO e RAMOA, 2000, p. 27). Elliot (1990) coloca que esse tipo permanente de formação traz benefícios para a escola, enquanto instituição; e para professores e equipe pedagógica, enquanto sujeitos individuais e profissionais. Nesse sentido, o centro das atividades de formação deve ser “o diálogo mais que a instrução, que se encontra na ideia de que a compreensão dos fatos sociais não pode se desenvolver com a antecipação de juízos de valor e independente deles. Esses juízos intervêm de forma inevitável na seleção e interpretação do que fazem as pessoas diante de fatos pertinentes sobre os atos humanos e as situações sociais” (ELLIOT, 1990, p. 240). O grupo de professores e a equipe pedagógica, envolvidos nesse trabalho, se constituem em uma comunidade de sujeitos que constrói, de modo coletivo, pela reflexão e pelo estudo, a compreensão de suas atividades e estratégias

dizagem, de concepções sobre ensino-aprendiza-

profissionais a fim de melhorar a atuação pro98


Nesse sentido, o mediador (ora representado pela assessoria, ora pela coordenação pedagógica do segmento ou pela coordenação geral) é visto como catalisador de trocas, como contribuinte de soluções, como agente de recursos e como ajuda nos processos de reflexão, que levam professores e equipe pedagógica a desenvolverem competências metacognitivas que possibilitam conhecer, analisar, questionar e avaliar a própria prática, percebendo sua complexidade, considerando os componentes cognitivos e afetivos É no contexto coletivo, lugar de reflexão, que o grupo pode se fortalecer e encontrar caminhos e suporte para o desenvolvimento profissional. A ampliação de sentidos e significados da prática docente pode figurar como um investimento na própria formação continuada, criando possibilidades para que os participantes se vejam com

fissional, mediante possibilidades de diálogos que levam a novos sentidos e significados à prática pedagógica. “A formação do educador é um processo, acontecendo no interior das condições históricas que ele mesmo vive. Faz parte de uma realidade concreta determinada, que não é estática e definitiva. É uma realidade que se faz no cotidiano. Por isso, é importante que este cotidiano seja desvendado. O retorno permanente da reflexão sobre a sua caminhada como educando e como educador é que pode fazer avançar o seu fazer pedagógico” (CUNHA, 2004). Essas ideias apontam a possibilidade da instituição escolar, enquanto uma organização, um local onde os sujeitos se desenvolvem e aprendem. Estudos revelam que “a aprendizagem na organização supõe processamento social de informação, socialização da cultura e desenvolvimento de novas metas, estruturas, estratégias e ambientes”, como expressam os autores Marcelo García e Denise Vaillant. É por essa razão que, acreditamos na formação continuada de professores e equipe pedagógica, que atua em uma mesma instituição, reunindo-se periodicamente para pensar nos limites e nos sentidos/significados da prática docente. O grupo pode promover o confronto e o aprofundamento de ideias, ancorado nas experiências dos professores, significados pela linguagem.

condições de serem sujeitos de sua ação profissional que, a partir de um processo cooperativo de estudo e análise da prática docente, pautada em referenciais teóricos e experiências profissionais, aprendam a fazer críticas e enfrente as próprias limitações. Acreditamos que é nesse processo que está a base do aprendizado de nossos alunos. Durante este ano os encontros foram intensos e bastante proveitosos. No quadro a seguir descrito, destacamos as propostas que aconteceram no Uirapuru e que consideramos mais significativas, com reflexos diretos na ação dos professores e das equipes pedagógicas.

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PERÍODO Fevereiro a novembro (encontros quinzenais)

RESPONSÁVEL

DESCRIÇÃO DO PROGRAMA

PARTICIPANTES

Cibele Lopresti Costa

Reflexão compartilhada do planejamento de Português (1º ao 9º ano), considerando as práticas de linguagem (o que se ensina em cada série, como aproximar os conteúdos das práticas sociais de comunicação, formação de leitores e escritores eficientes), os conteúdos gramaticais (como tratar conteúdos linguísticos articulados às práticas de comunicação, como tratar a gramática normativa, como lidar com gêneros e tipologia textual); estudo teórico de autores e textos que subsidiam o ensino e as aprendizagens; orientação na seleção e uso dos livros de literatura.

Coordenadora geral, coordenadoras pedagógicas do Ensino Fundamental, professoras do 1º ao 5º ano e professoras de Português

Fevereiro a novembro (encontros quinzenais)

Maura Bolfer (sob orientação da psicóloga Renata Guarido)

Estudo teórico compartilhado do tripé psicologia/pedagogia/educação; patologização da educação e medicalização; distúrbios e dificuldades de aprendizagem; identidade escolar, papel de professor e de aluno

Coordenadora geral, coordenadoras pedagógicas e orientadoras educacionais

Fevereiro a novembro (encontros quinzenais)

Sandra Baumel Durazzo e Eduardo Francini

Reflexão compartilhada do planejamento de Inglês; elaboração de roteiros de estudos e provas; estudo compartilhado do “Quadro europeu comum de referência para as línguas – aprendizagem, ensino e avaliação”.

Coordenadora e professoras de Inglês

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PERÍODO Fevereiro a novembro (30h, por segmento)

Setembro /2012 a outubro /2013

RESPONSÁVEL Equipe do Mathema

Faculdade Carlos Drummond de Andrade/ Maura Bolfer

DESCRIÇÃO DO PROGRAMA

PARTICIPANTES

Reflexão sobre o ensino de Matemática promovendo segurança em relação aos conteúdos de cada segmento, a forma como ensiná-los e o modo como os alunos aprendem; planejamento e gestão do tempo em sala de aula, de modo a garantir aprendizagem significativa do que se propõe a ensinar; estudos teóricos de aprofundamento, vivências supervisionadas e troca de experiências.

Coordenadoras pedagógicas e professoras da Pré-escola, do Ensino Fundamental e de Matemática

Especialização in company – Gestão da sala de aula. Objetivo geral: promover o desenvolvimento e o aprimoramento das competências que estruturam o perfil dos professores do Colégio Uirapuru. Objetivos específicos: fortalecer as características acadêmicas e profissionais do corpo docente; estabelecer um sistema de desenvolvimento profissional contínuo para todos os professores; fortalecer os vínculos entre os professores dos diferentes segmentos; melhorar a estrutura das aulas, especialmente, no que se refere aos recursos didáticos, recursos bibliográficos e tecnológicos; formular, discutir e implementar um sistema de avaliação; incentivar a certificação após a participação dos programas de formação continuada.

Professoras da PréEscola (10) e do Ensino Fundamental I (7)

101


Formandos da 3ª série do Ensino Médio - 2013

Anuário Uirapuru 2013

Colégio Uirapuru

Jornalista responsável Paulo de Camargo - Mtb 21.671

Diretor Geral Arthur Fonseca Filho

Produção Gráfica Estúdio Bala Edição Ltda

Diretor Administrativo Arthur Fonseca Neto

Tratamento de imagens Cecília Laszkiewicz

Diretor Financeiro Renato Machado de Araujo Fonseca

Realização Palavra Prima Comunicação Ltda.

Coordenadora Geral Maura Maria Morais de Oliveira Bolfer 102


103


104

Profile for Colégio Uirapuru

Anuário 2013  

Anuário do Colégio Uirapuru 2013

Anuário 2013  

Anuário do Colégio Uirapuru 2013

Profile for tec_educ
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