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cinema do impossível Estética genuinamente brasileira. Mitos. Desencontros. Provocações. Rupturas. Ousadia. Intensidade. Descobertas destemidas. Discursos ideológicos, políticos. Explosão de movimentos. Protestos. Avanços. Tempo de criar, recriar, inventar. O cinema era novo. O pensamento crítico. A década era de 60 no território Brasil. O desafio, neste século, acontece em terras mineiras, em cenário barroco, apresentando um dos mais pungentes e vivos retratos de uma cultura e da sua diversidade – o cinema de hoje e de ontem. O passado se faz presente, para ser refletido, compreendido e o futuro desvendado. A história do cinema. A preservação da história, que não pode desaparecer, nem escurecer.


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Entre um foco luminoso e uma tela branca erguem-se novos mundos diante dos olhos de milhares de pessoas. Uma viagem sem fronteiras, que aproxima povos e continentes A CINEOP – 3ª Mostra de Cinema de Ouro Preto apresenta-se de peito aberto, promove o Encontro Nacional de Arquivos – fato inédito e histórico que reúne, pela primeira vez, no País, representantes de mais de 50 arquivos e acervos audiovisuais de 15 estados brasileiros para discutir as diretrizes emergenciais e as novas políticas públicas de preservação – ações fundamentais para o fortalecimento da coleta, tratamento, guarda, restauração, pesquisa e difusão da memória cinematográfica brasileira. A iminência de perda de obras significativas do cinema brasileiro, a evolução das técnicas de restauração, a descoberta de filmes raros ou considerados perdidos dão a tônica às discussões durante a 3ª CINEOP, eleita pelo setor como o fórum privilegiado para o debate, reflexão e encaminhamento de ações sobre a preservação do patrimônio audiovisual brasileiro, que têm proporcionado uma visibilidade crescente para um verdadeiro tesouro escondido em cinematecas, arquivos, redes de televisão, museus e coleções particulares. A preservação do cinema e do audiovisual, protagonista da CINEOP, deve ser considerada como ação estratégica na defesa do patrimônio cultural, instrumento essencial de

desenvolvimento de uma sociedade, de uma nação. A CINEOP, nesta terceira edição, apresenta uma seleção que reúne 98 trabalhos audiovisuais em longas, médias, curtas e vídeos, em 35 sessões entre estréias nacionais, em Minas e retrospectivas, num amplo e rico painel, que coloca em evidência a década de 60 em contraponto com o cinema moderno e homenageia dois ícones do cinema brasileiro – os cineastas Glauber Rocha e Rogério Sganzerla, numa iniciativa inédita, de buscar os diálogos e aproximações que existem entre eles, promovendo uma revisão desse período marcante na história da cultura brasileira – os anos 60. Uma declaração de princípios em favor do fortalecimento do cinema nacional polariza importantes ações de formação, reflexão, exibição e difusão que podem ser vivenciadas na conquista de um trabalho coletivo durante os seis dias de programação oferecida gratuitamente ao público. Um convite à inquietação. Um compromisso com o País. Raquel Hallak D’angelo Quintino Vargas Neto Fernanda Hallak D’angelo DIRETORES DA UNIVERSO PRODUÇão e coordenadores da cineop mostra de cinema de ouro preto


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NA GRANDE TELA DE OURO PRETO A Mostra de Cinema de Ouro Preto completa o triângulo criado pela Universo Produção, a fim de oferecer ao público três importantes festivais. Ao lado da Mostra Tiradentes e do CineBH, a nossa CineOP veio consolidar um polo significativo de estudos cinematográficos em Minas Gerais, graças ao empenho de Raquel e Fernanda Hallak e de Quintino Vargas. Eles têm a perfeita compreensão de que Minas, onde nasceu o cinema brasileiro, na década de 1920, não pode avançar no século 21 sem um olhar crítico moderno e abrangente sobre o que se faz no setor, aqui e no quadro internacional, por meio de mostras altamente representativas. Em Ouro Preto, todos aplaudimos o sucesso das três primeiras edições e saudamos, com entusiasmo, a mostra de 2009. Consolida-se um foco necessário e exemplar sobre a conservação dos acervos fílmicos, o tratamento pertinente e as iniciativas modelares, em termos de cinemateca, pesquisa, educação e promoção. E o cinema

toma conta da cidade-monumento, do tradicional Cine Vila Rica até a Praça Tiradentes. O Ano da França no Brasil foi aberto dia 21 de abril, em Ouro Preto, numa alusão aos 220 anos da Inconfidência Mineira e da Revolução Francesa. O cinema é um tema para o diálogo e o intercâmbio que desenvolvemos nesse trecho tão marcante da fraternidade franco-brasileira. País convidado da 4ª CineOP, a França nos ajuda a pensar as estratégias de preservação e memória da produção audiovisual e enriquece a edição de 2009 com sua contribuição admirável à grande arte. Na cidade patrimônio mundial, o cinema congrega todos os povos e nos une, pelos laços da cultura, a fim de celebrarmos a liberdade da criação, conquista que nos vem do sonho dos mineiros e da revolução dos franceses do século 18. Ângelo Oswaldo de Araújo Santos Prefeito de Ouro Preto


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PRESERVAÇÃO ONTEM E HOJE Devo a base de minha formação cinematográfica à Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, em particular a Cosme Alves Neto, seu curador e conservador por mais de três décadas. Em 1967, aos 17, me tornei dirigente da Federação de Cineclubes do Rio de Janeiro e Cosme generosamente cedeu um pequeno espaço e uma mesa da Cinemateca para que a entidade mantivesse ali sua sede. Fez mais: organizou ciclos temáticos que a Federação fazia circular entre os 32 cineclubes filiados, abriu seu precioso acervo documental para nossas consultas e, às vezes, nos convidava para sessões de visionamento de cópias raras, por vezes títulos que nunca teria oportunidade de rever. Quando as instalações do MAM foram cedidas à reunião do FMI, no começo de 1968, toda a Cinemateca foi provisoriamente transferida para um sobrado no Catete. Foram meses memoráveis, em que circulávamos em meio a latas de filmes e publicações que condensavam a memória do cinema mundial. Esta convivência com o acervo da Cinemateca e as conversas com seus frequentadores, somado ao cotidiano da atividade cineclubista, de programar, produzir programas impressos, exibir e animar debates, formou minha consciência da fragilidade e permanente ameaça de dispersão de nossos materiais fílmicos, e da importância de preservá-los. Não por acaso, muitos dos filmes e vídeos que vim a realizar apoiam-se em imagens de repertório. E, para montá-los, precisei recorrer aos acervos, às vezes mal abrigados e insuficientemente catalogados.

As cinematecas e os arquivos de filmes, públicos e privados, se organizaram a duras penas no Brasil, dependendo quase sempre da abnegação de seus organizadores e mantenedores. Foi só nos últimos anos do século XX que as instituições públicas dedicadas ao fomento do cinema brasileiro assumiram a responsabilidade de apoiar, para além da produção, também seu complemento lógico, que é a preservação de nosso acervo fílmico. Ainda está quase tudo por fazer, mas uma sucessão de iniciativas, nos últimos 40 anos, criaram as fundações para uma política de preservação, que devemos continuar a construir. Refiro-me, entre outras ações, aos Encontros de Pesquisadores, organizados a partir de 1970, que levaram à fundação do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro - CPCB; às pesquisas sobre a produção de nosso primeiro cinema, promovidas e publicadas pela Cinemateca Brasileira conjuntamente com a Embrafilme; e à restauração de filmes empreendida pelo CPCB e pela Cinemateca Brasileira. O início deste milênio parece representar um salto de qualidade nesse panorama. Surgiram eventos, como o ReCine e o CineOP, especializados não só na exibição, como na discussão e valorização das imagens de arquivo. O programa de restauro passa a ser regido por concursos públicos, o que democratiza as oportunidades e proporciona o descobrimento de mananciais antes desconhecidos. Dois projetos desse novo panorama merecem especial destaque: Censo Cinematográfico Brasileiro e Prospecção


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e Memória, ambos desenvolvidos pela Cinemateca e apoiados pela Petrobras. Uma das consequências dessas ações foi a criação, em abril de 2008, do Sistema Brasileiro de Informações Audiovisuais - SiBIA, formando uma rede de instituições, públicas e privadas, dedicadas à conservação de materiais audiovisuais. A segunda reunião acaba de ser realizada, com ampliação da rede para 36 instituições e a perspectiva de contínuo crescimento, incorporando novos arquivos. A missão institucional do SiBIA envolve o progressivo levantamento dos acervos audiovisuais do País, com vistas à criação de um banco de dados consolidado; a normatização das atividades de catalogação e conservação; a discussão de um código de ética para o setor; a especialização dos profissionais através de cursos técnicos e estágios; e o adensamento da massa crítica que possa permitir a formulação de uma Política Nacional de Preservação de Acervos Audiovisuais. Outra iniciativa que promete para os próximos anos uma modificação radical da acessibilidade aos acervos é o Banco de Conteúdos Audiovisuais Brasileiros, que está sendo desenvolvido por meio da ação conjugada dos Ministérios da Cultura e da Ciência e Tecnologia. O banco se beneficiará da Rede Comep, larga infovia recentemente criada pelo Governo Federal, que gradativamente integrará acervos digitais de instituições federais, estaduais e municipais. Mais importante, disponibilizará na rede mundial de computadores acervos audiovisuais públicos e privados, seja para visionamento gratuito em baixa definição, seja para cessão onerosa conforme as diversas possibilidades de utilização previstas, proporcionando aos detentores de direitos importante fonte de renda.

Essa coordenação entre os acervos e a utilização da Internet por parte de pesquisadores e cidadãos interessados em consultar e fruir nossos materiais audiovisuais são índices de que um maravilhoso mundo novo começa a ser vislumbrado no campo da preservação. Um mundo muito diferente daquele em que os filmes circulavam em pesadas latas, as cinematecas atuavam isoladamente e classificavam suas fontes em pastas de papel guardadas em arquivos metálicos. O processo de convergência digital está transformando rapidamente o ambiente da pesquisa, catalogação, restauração e fruição do cinema. Tive o privilégio de acompanhar a transformação corrente e só posso lamentar que meu amigo Cosme Alves Neto tenha deixado esse mundo quando o processo de digitalização estava apenas começando a tomar forma. Na pessoa de Cosme, faço aqui minha homenagem a todos aqueles que dedicaram suas vidas à preservação de nossas imagens e sons, registradas em nitrato e outros materiais inflamáveis, contando com ferramentas muito mais limitadas do que agora passamos a dispor. Silvio Da-Rin Secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura


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O BNDES acredita que as diversas formas de expressão cultural constituem uma das principais riquezas do Brasil. O vasto impacto social da cultura, porém, não se resume à esfera da identidade. As manifestações culturais têm também uma dimensão econômica, representando uma nova oportunidade de desenvolvimento para o Brasil.

patrimônio histórico, acervos, cinema e música, sendo hoje um dos maiores patrocinadores da cultura do Brasil. Recentemente, foram desenvolvidas também algumas iniciativas pioneiras de financiamento reembolsável, entre as quais vale citar o apoio financeiro a editoras de livros e a salas de projeção cinematográficas.

A missão do BNDES é ajudar a criar um ambiente favorável ao desenvolvimento das empresas criativas e dos criadores, para que o mercado possa ser ampliado, ganhar eficiência e realizar o seu potencial, não apenas de sustentabilidade econômica, mas de ganhos sociais (emprego, renda, acesso aos bens culturais).

O patrocínio do BNDES à 4ª Mostra de Cinema de Ouro Preto se insere nesse contexto. Afinal, além de contribuir para a difusão do acesso à cultura, a CineOP busca promover a formação de plateia, a capacitação de crianças e jovens e, principalmente, o resgate do cinema enquanto patrimônio nacional. Tudo isso numa cidade declarada pela Unesco Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade, na qual o BNDES tem também o orgulho de ter investido em obras de restauro e de preservação de edificações históricas.

Assim, desde 1995, o BNDES vem apoiando a atividade cultural por meio de patrocínio com recursos incentivados e não incentivados a projetos culturais nas áreas de

BNDES


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Durante seis dias, Ouro Preto expressará, além de sua exuberância histórica transcendente, sua contemporaneidade cultural. É a Mostra CineOP, que este ano completa sua quarta edição, com exibições cinematográficas de longas, médias e curtas, além de oficinas, debates, exposições, seminários e música. Sempre pensando na preservação do audiovisual como memória e patrimônio cultural, a CineOP, desde seu início, se preocupa com a conservação e, assim, promove debates e seminários a fim de discutir os desafios de preservar. Nesta edição, como sempre, propõe temas instigantes e nos convida a voltar à ambiência dos anos 70 e às características do mercado cinematográfico da época. Com o pensamento no futuro e valorizando o passado, a Cemig renova, pelo quarto ano consecutivo, seu patrocínio à 4ª Mostra CineOP, parceria de sucesso com a equipe da Universo Produção. A Cemig mantém, conjuntamente com a Secretaria de Estado da Cultura, o Filme em Minas, Programa de Incentivo ao Audiovisual em Minas Gerais, já na sua 6ª edição. São eventos, como as mostras concebidas pela Universo Produção, que garantem a continuidade das ações de produção cinematográfica com sua exibição gratuita, possibilidades de reflexão sobre os projetos e apresentação aos diversos públicos da forma mais democrática possível.


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O patrimônio cinematográfico brasileiro é o protagonista da 4ª CineOP - Mostra de Cinema de Ouro Preto. Além da exibição de clássicos e obras restauradas, a mostra inclui ações de preservação da memória e de reconhecimento do cinema como veículo de cultura e educação – vale dizer, como instrumento de conscientização da cidadania. Essa síntese justifica o orgulho e a satisfação da Oi, pioneira na prestação de serviços convergentes e integrados de telecomunicações e uma das maiores investidoras brasileiras na área cultural, ao patrocinar a Mostra de Cinema de Ouro Preto. Outro ponto a destacar são as oficinas culturais gratuitas, oferecidas, por meio de inscrições virtuais, a educadores e pessoas empenhadas em ganhar qualificação, reciclar conteúdos e trocar experiências no fazer cinematográfico. Questões instigantes, como os paradigmas, impactos e influência da era digital na produção e preservação audiovisual, estão presentes na programação. É o caso dos curtas digitais selecionados para duas apresentações. E do

tema Convergência das Artes, incluindo uma performance ao vivo em artes plásticas. A conquista de novas plateias também é contemplada, com a Mostrinha de Cinema, dedicada ao público infantil. Parte da programação oficial do Ano da França no Brasil, a 4ª CineOP traz um presente especial para o público: a exibição de três curtas clássicos, assinados nos anos 1920 por Jean Renoir e René Clair, com acompanhamento musical ao vivo, na melhor tradição do cinema mudo. Ao patrocinar a Mostra de Cinema de Ouro Preto, a Oi reafirma o propósito de apoiar iniciativas que, ao mesmo tempo, contemplem a tradição brasileira e ideias inovadoras. Assim como o cinema e as mídias derivadas são poderosas alavancas de transformação social, a Oi, através do Oi Futuro – instituto que conduz a política de responsabilidade social da empresa ���, concorre para transformar a sociedade brasileira, por meio da democratização dos valores da cidadania e do acesso à informação e à cultura. Maria Arlete Gonçalves Diretora Oi Futuro


12 epígraFE

“O Brasil se interessa pouco pelo seu passado. Essa atitude saudável exprime a vontade de escapar a uma maldição de atraso e miséria. O descaso pelo que existiu explica não só o abandono em que se encontram os arquivos nacionais, mas até a impossibilidade de se criar uma cinemateca. Essa situação dificulta o trabalho do historiador, particularmente o que se dedica a causas sem importância como o cinema brasileiro.”

Paulo Emílio Salles Gomes Crítico de cinema Trecho extraído do seu livro Cinema: trajetória no subdesenvolvimento (Ed. Paz e Terra).

“O cinema deve ser livre. Cada país deve refletir sua própria imagem como um espelho.”

Costa Gavras Presidente da Cinemateca Francesa Texto extraído da entrevista concedida ao jornal Folha de S.Paulo por ocasião da sua visita ao Brasil, abril 2009.


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TEMÁTICA HISTÓRICA

A DÉCADA DE 70 NO CINEMA BRASILEIRO


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A DÉCADA DE 70 A DÉCADA DE 70 anos 70, ou o inícioDE do século A DÉCADA 70 XXI Se a década de 60 colocou o mundo de pernas para o ar com sua revolução cultural e comportamental, os anos 70 podem ser vistos como o prenúncio do que seria o mundo no século XXI. Diversas ações e movimentos colocados em curso naquele período repercutem até hoje e tomam as manchetes de nossos jornais diariamente. Foi na década de 70, por exemplo, que a preservação do meio ambiente tornou-se, pela primeira vez na história, uma questão a ser discutida globalmente. Em 1971 surge o Greenpeace e, no ano seguinte, se dá em Estocolmo a primeira Conferência das Nações Unidas sobre o Homem e o Meio Ambiente, na qual estiveram presentes 113 países, que, em um momento inédito, afirmaram em declaração conjunta que “atingiu-se um ponto da História em que devemos moldar nossas ações no mundo inteiro, pois, pela ignorância ou indiferença, podemos causar danos maciços e irreversíveis ao ambiente terrestre de que dependem nossa vida e nosso bem-estar”. Foi em 1976, com a morte de Mao Tsé-Tung, que a China começa a implementar mudanças econômicas que a transformariam em uma das maiores potências mundiais do século XXI, e em 1979 a então União Soviética invade o Afeganistão, dando início a uma guerra que durou 10 anos e na qual os EUA, em seu ímpeto por impedir o avanço do comunismo pelo mundo, treinou, armou e financiou as forças do Talibã e da Al-Qaeda – as mesmas que, cerca de 20 anos depois, decretariam definitivamente o fim do


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século XX com seu ataque às Torres Gêmeas (também elas inauguradas no início da década de 70). No mesmo ano, chega ao poder no Iraque o então general Saddam Tikriti Hussein, de onde só foi retirado em 2003, após três guerras no Golfo. Os anos 70, aliás, podem ser vistos como a gênese do terrorismo global tal como o conhecemos hoje, com grupos como as Brigadas Vermelhas, IRA, ETA ou a Frente de Libertação Nacional lançando mão de ações cada vez mais ousadas, utilizando-se de seu impacto midiático como ferramenta de pressão. A década tem início com o sequestro pela Frente Popular para a Libertação da Palestina, em setembro de 70, de cinco aviões, com mais de 300 passageiros sendo feitos reféns, e termina com a crise de reféns do Irã, detonada em novembro de 79, na qual 52 norte-americanos permaneceram reféns durante 444 dias, após a invasão da Embaixada dos EUA em Teerã. No meio tempo, ações como a sexta-feira sangrenta do IRA (1972), o massacre das Olimpíadas de Munique pelo Setembro Negro (1972), o sequestro e assassinato de Aldo Moro pelas Brigadas Vermelhas (1978) e o cerco à Grande Mesquita em Meca por fundamentalistas muçulmanos (1979) dominaram a mídia e a mente do mundo durante os anos 70. Ainda no campo político, a Europa passa por uma transição democrática em países como Portugal (com a Revolução dos Cravos em 74), Grécia (com o fim da ditadura militar em 74) e Espanha (com a morte de Franco em 75), enquanto na América Latina continuamos a nos debater com ditaduras, com Pinochet assumindo o poder no Chile após depor Salvador Allende (1973) e a Argentina sendo governada por uma junta militar após um golpe de estado em 1976. Nos EUA, o escândalo de Watergate força a renúncia de Richard Nixon, em agosto de 1974. A Guerra

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do Vietnã, foco de grandes protestos na década de 60, termina alguns meses depois. A economia mundial sofre com as crises do petróleo em 1973 e 79 e no Brasil a euforia do tricampeonato em 70, na Copa do México, e os sonhos de grandeza simbolizados por obras como a Transamazônica, deságuam rapidamente na ressaca do fim do milagre econômico. Enquanto isso, a ciência e a tecnologia continuam seu inexorável avanço, com o britânico Frederick Sanger desenvolvendo o método de sequenciamento de DNA utilizado até hoje para pesquisas genéticas (e pelo qual receberia seu segundo prêmio Nobel), seu conterrâneo Stephen Hawking aperfeiçoando as pesquisas sobre buracos negros, e o videocassete, os computadores pessoais e a fibra óptica mudando a forma do homem lidar com a imagem e a informação. Ao mesmo tempo, muitas das mudanças políticas e sociais iniciadas nos anos 60 avançam na década de 70. O movimento gay se organiza e se fortalece no início da década (em grande parte como decorrência da Rebelião de Stonewall, ocorrida em Nova York em 1969) e conquista diversas vitórias, como a retirada do homossexualismo da lista de doenças psiquiátricas da Associação Americana de Psiquiatria (1973) e a aprovação no Quebec da primeira lei regional proibindo a discriminação baseada na orientação sexual (1977). No mesmo ano, Harvey Milk torna-se o primeiro homossexual assumido a ser eleito para um cargo público nos EUA, em uma história relembrada recentemente por Gus Van Sant em seu filme Milk. Fechando a década, em outubro de 1979, mais de 100 mil pessoas marcharam em Washington a favor dos direitos dos homossexuais, na maior manifestação desse tipo até então.


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a década de 70

Poucos grupos, porém, tiveram tantas conquistas nos anos 70 quanto as mulheres. Se a década anterior foi marcada pela luta dos negros pela igualdade, na década de 70 foi a vez das mulheres saírem às ruas, exigirem seus direitos e assumirem um papel de maior destaque na sociedade. É a década na qual as mulheres chegam ao poder, literalmente: Isabelita Perón torna-se a primeira chefe de estado nãomonárquica do mundo ocidental ao assumir a presidência da Argentina, abrindo caminho para mulheres assumirem o cargo público máximo em países tão diversos quanto Índia, Israel, Portugal e Reino Unido. Conquistada a liberdade sexual na década de 60, é a vez de lutar pela igualdade de direitos, poderes e salários. Na música, a cultura disco de Bee Gees, ABBA e KC and the Sunshine Band substitui o paz-e-amor dos hippies, tendo como resposta logo em seguida o punk de Sex Pistols, Clash e Ramones. Enquanto isso, o cinema era tomado pelos filmes da geração movie brats, ou a New Hollywood: o Martin Scorsese de Taxi Driver (1976), Brian de Palma de Irmãs Diabólicas (1973) e Carrie – A Estranha (1976), Francis Ford Coppola de O Poderoso Chefão (1972) e Apocalypse Now (1979), William Friedkin de Operação França (1971) e O Exorcista (1973), e Michael Cimino de O Franco Atirador (1978). Foi na década de 70 também que o mundo viu o nascimento dos blockbusters, com Tubarão (1975), de Steven Spielberg, e Guerra nas Estrelas (1977), de George Lucas – os primeiros filmes a ultrapassar os US$ 100 milhões nas bilheterias. É a morte definitiva da Hollywood clássica, ratificada com o falecimento de John Ford (1973) e Howard Hawks (1977). Já no Brasil, com o apoio da Embrafilme e o sucesso das pornochanchadas da Boca do Lixo, o cinema brasileiro conseguiu travar um diálogo com seu público

como nunca havia conseguido antes (e nem voltaria a conseguir depois). Filmes como Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976, 10,7 milhões de espectadores), A Dama do Lotação (1978, 6,5 milhões), Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia (1977, 5,4 milhões) e Xica da Silva (1976, 3,2 milhões) levaram o cinema nacional a um público enorme, atingindo em 1978 o recorde histórico de quase 62 milhões de espectadores para os filmes brasileiros, espalhados pelas mais de 3 mil salas de cinema existentes no País então, em um claro contraponto à situação que vivemos hoje. Mas esse cinema que produzíamos na década de 70 e sua conquista do público são assuntos vastos, para alimentar diversos debates e discussões. E é a isso que se propõe a 4ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, ao abrir suas portas e espaços de exibição à nossa rica produção dos anos 70. Sejam bem-vindos ao início do século XXI. Leonardo Mecchi Produtor e crítico de cinema - SP


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O cinema nos anos 70 O cinema nos anos 70 filmes anteriormente liberados para exibição comercial a Opalavra cinema inconclusa nos anos 70 Começou proibida de começar. Hoje, talvez o título do filme que Nelson Pereira dos Santos lançou em Cannes em maio de 1970 possa ser visto como uma imagem da década da censura no poder: foi um Azyllo Muito Louco. Começava o tempo pouco antes anunciado pelo herói de nossa gente, o Macunaíma de Joaquim Pedro: “Agora é cada um por si e Deus contra”; e anunciado também pelos bandidos de nossa gente: o Santamaria e Urtiga de O Anjo Nasceu, de Júlio Bressane (“não apurrinha, fica na tua que eu fico na minha”) e o Bandido da Luz Vermelha, de Rogério Sganzerla (“Quando a gente não pode fazer nada a gente se avacalha, a gente se avacalha e se eschulhamba”). Azyllo Muito Louco só pôde ser exibido no Brasil um ano e meio depois da apresentação na França, em dezembro de 1971, quase ao mesmo tempo em que um outro filme do diretor era apreendido: Como Era Gostoso meu Francês participou do festival de Cannes em maio de 1971, mas foi censurado em seguida e liberado apenas em janeiro de 1972, no instante em que a censura se ocupava de Os Inconfidentes, de Joaquim Pedro de Andrade, e, principalmente, de São Bernardo, de Leon Hirszman. O filme de Joaquim, uma co-produção com a televisão italiana, conseguiu chegar aos cinemas e à televisão no Brasil ainda em 1972, mas o de Hirzsman, lançado na França, no festival de Cannes de 1972, só foi liberado para exibição nos cinemas brasileiros em outubro de 1973. Um pouco antes o governo ordenara a apreensão de dez

– entre eles Toda Nudez Será Castigada, de Arnaldo Jabor; um pouco depois, proibiu para todo o território brasileiro a exibição de Iracema, uma Transa Amazônica. O filme de Jorge Bodanzky e Orlando Senna, feito em coprodução com a Alemanha, só foi liberado para os cinemas brasileiros em 1981. E também: Prata Palomares, de André Faria Jr. (1970), permaneceu proibido até 1980; O País de São Saruê, de Vladimir Carvalho (1971), permaneceu proibido até 1979. A relação de filmes proibidos, mutilados ou retidos durante algum tempo é maior do que o espaço aqui disponível. Assim foi. Ao longo da década, parece, nenhum filme deixou de sofrer a intervenção direta da censura – todos aqueles impedidos de circular livremente, todos os que não puderam se realizar e também os que se fizeram graças a ela, que surgiram como se inventados por ela, que incorporaram a grosseria da censura como uma cartilha para fazer cinema: as pornochanchadas. Foi assim, mas simultaneamente não foi assim como parece. Foi, de fato, como Glauber apontou na palestra realizada em janeiro de 1971 na Columbia University, em Nova York: Estética do Sonho. No exílio, depois de uma experiência na África, Der Leone Have Sept Cabeças, e outra na Espanha, Cabezas Cortadas, Glauber sonhava a arte como


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um “imprevisto dentro da razão dominadora”, como uma antirrazão – “a desrazão planeja as revoluções, a razão planeja a repressão”, dizia então. Sonhava com uma expressão absolutamente impossível de ser compreendida pela razão dominadora, a ponto de que tal razão “se negue e se devore diante de sua impossibilidade de compreender”. Foi, de fato, assim como se vê a certa altura de O Amuleto de Ogum (de Nelson Pereira dos Santos, 1974) – a feijoada em casa da família de Eneida, feita de uma montagem descontínua de planos soltos e de muita movimentação interna, que se agitam na tela assim como a feijoada na panela que a câmera descobre em primeiro plano. Foi assim como a reunião em casa de Fausto Pena para discutir o filme sobre Pedro Arcanjo em Tenda dos Milagres (também de Nelson, 1977). Na discussão apaixonada uma fala atropela a outra. Todos falam ao mesmo tempo até que um inesperado poeminha recitado pela avó, que no fundo da sala não participava da conversa, interrompe o debate que termina em aberto. Não perder de vista o espaço estreito em que tudo se movia na década de 1970 permite perceber melhor as imagens imprevistas que retomaram e ampliaram projetos da década anterior, que esboçaram projetos desenvolvidos na década seguinte, que estimularam a implosão da censura. O texto de Glauber – “o sonho é o único direito que não se pode proibir” – é um destes imprevistos. As duas cenas de Nelson, o primeiríssimo plano da feijoada no fogo e o poema que desvia a conversa para outro ponto, são também um destes imprevistos. Como num diálogo não planejado, espontâneo, nem mesmo organizado enquanto conversa, Glauber e Nelson

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dizem as mesmas coisas por meio de figuras diferentes. O primeiro numa imagem verbal, “o sonho é o único direito que não se pode proibir”, o segundo numa imagem visual, ao saltar de repente do que se movia na divertida desordem da feijoada para o vazio do quadro em Gabriel e Eneida dançam ao som de uma sanfona. O segundo ao dizer que o ator não precisa falar com clareza – “pode engolir sílabas e perder palavras, o importante é que ele pense e sinta o que diz” – o primeiro ao organizar um filme em torno de uma fala atropelada inventada no instante da gravação: em Di Cavalcanti (1978) a segunda frase começa a ser gritada antes mesmo da conclusão da primeira. Talvez se possa dizer que o cinema da década de 1970 foi um diálogo como este entre Glauber e Nelson. Conversa cruzada, um filme com outro filme, o cinema com o espectador. O que nos diz o rosto em silêncio de Zé Pó (no final de Coronel Delmiro Gouveia, de Geraldo Sarno, 1977: a fábrica da pedra destruída, ele pensa: “Ninguém perguntou pra nós, os trabalhadores, o nosso pensamento”), prossegue na fala furiosa de Laura (em A Queda, de Ruy Guerra, 1978), ao descobrir o que o pai, Salustiano, e o marido, Mário, conversavam em segredo – coisas de homens, nada a ver com ela, diz o pai, que não quer revelar que Mário convencera a viúva de um operário morto na obra a calar a boca e retirar a queixa contra a falta de segurança de trabalho. A ironia corrosiva que Joaquim Pedro de Andrade foi buscar no texto de Dalton Trevisan para compor a família de Joãozinho, Amália e o filho em Guerra Conjugal (1974) corre em paralelo à elegância e à sobriedade que Eduardo Escorel foi buscar no texto de Mário de Andrade para


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o cinema nos anos 70

compor a família Souza Costa em torno do menino Carlos e de sua professora de alemão em Lição de Amor (1975). O grito solitário de Zeca de Oliva em Perdida (de Carlos Alberto Prates Correa, 1975): “Que vontade de dizer palavrão!” antecipa o quase sussurro de Felicidade em Mar de Rosas (de Ana Carolina, 1977). Num tom entre o desabafo e a provocação, entre um pedido e uma ordem, na primeira fala do filme ela diz em primeiro plano: “Me deixa falar”. Os versos do cantador cego de O Amuleto de Ogum (de Nelson Pereira dos Santos, 1974), “se me der na veneta eu morro, se me der na veneta eu mato”, conversa com o silêncio de Ajuricaba (de Oswaldo Caldeira, 1977), o guerreiro que se transforma em ave, em peixe ou em folha de árvore para escapar dos inimigos e renascer para a luta. A ameaça que o francês grita na cerimônia em que é devorado na cena final de Como Era Gostoso meu Francês (de Nelson Pereira dos Santos, 1970), “os meus iguais virão vingar a minha morte e destruir meus inimigos”, pouco mais tarde se concretizar em Uirá, um Índio em Busca de Deus (de Gustavo Dahl, 1978), quando sertanejos atacam o cacique Kaapor, que deixara a aldeia tomada por uma epidemia de gripe para ir ao encontro de Maíra, o herói criador da terra, das árvores, dos rios e das gentes. Uma personagem de Carlos Diegues, Joana Francesa (1974), discute com a protagonista do filme seguinte do diretor, Xica da Silva (1978), assim como a desordem presa no apartamento de Tudo Bem (de Arnaldo Jabor, 1978) conversa com a desordem em espaço aberto de A Lira do Delírio (de Walter Lima Jr., 1978), ou como a conversa de bêbado do professor Fraga Neto e Pedro Arcanjo em Tenda dos Milagres se mistura com a de Ivan e Chico no bar de

Nelson Cavaquinho em Muito Prazer (de David Neves, 1979) . De modos diferentes todos esses (entre vários outros) filmes da década afirmam em sua estrutura que o fundamental era fazer o que então era proibido pela censura: conversar, dialogar, trocar ideias. Talvez se possa dizer que o cinema se realizava então como uma forma inconclusa ou como uma conversa atropelada. O filme se apresentava como informação urgente, como expressão que precisava ser passada adiante antes mesmo de acabar de ser pensada por inteiro, antes de ser articular em discurso. Ou porque era preciso dizer antes da proibição de dizer ou porque o que se quer dizer está na estrutura da fala e não propriamente no que se diz. Ou ainda, os filmes se apresentavam como forma inconclusa (tão esboçada e inconclusa quanto estas observações aqui), porque o cinema se pensava então como uma realização coletiva, solidária, interativa, entre o realizador e o espectador. Convite ao diálogo, o imprevisto essencial para a desmontagem do poder da censura. Começou proibida de começar. Acabou na sensação de que era preciso recomeçar do zero. Tal como talvez seja possível tomar o título do filme de Nelson Pereira dos Santos, Azyllo Muito Louco, como imagem da década de 1970, talvez, o título do filme que Carlos Diegues concluiu em 1979 possa ser visto como imagem do que veio depois dela: Bye Bye Brasil. José Carlos Avellar Crítico de cinema www.escreVERcinema.com


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O cinema brasileiro nos anos 70 O cinema brasileiro nos anos 70 expressividade na mesma década, O A expressão cinema no mercado, brasileiro nos anos 70como Sônia Braga em A a expressão do mercado

Nos nos 60, o cinema brasileiro foi, predominantemente, masculino. E não apenas porque masculino era o sexo dos cineastas, mas porque os protagonistas eram homens e, quando estavam em plano de destaque, as mulheres continuavam de fundo. Elas giravam em torno dos filmes, e não os filmes em torno delas. Nos anos 70, entre tantas mudanças ocorridas em relação à década anterior (entre as quais a perda da radicalidade estética de alguns diretores antes mais contundentes em suas escolhas e a presença estatal de um regime militar na produção de filmes), a mulher vem à frente. Não à frente dos homens, que continuam a dirigir os filmes e a também protagonizá-los, mas à frente das câmeras. Não são poucos os filmes nos quais a figura feminina é central, seja como depósito do desejo masculino (na ficção e na plateia), seja como potência de transformação, seja como procura pelas suas próprias necessidades (o prazer, o poder, a aceitação). A homenageada da 4ª CineOP , Zezé Motta, é uma das figuras símbolos do período. Precisou vivenciar apenas uma personagem para ingressar na história do cinema nesse período. Ela foi e continua a ser o rosto, voz e o corpo de Xica da Silva, de Cacá Diegues, mulher de condição submissa, escrava, que, pela beleza e sexualidade, também submete o poder branco e masculino a seus caprichos. O poder do corpo infiltra-se no corpo do poder. Xica da Silva e Zezé Motta se destacam entre outras personagens e atrizes de grande

Dama do Lotação e em Dona Flor e Seus Dois Maridos, como a Geni de Darlene Glória em Toda Nudez Será Castigada, como as variações da mesma mulher (de todos) de Helena Ignez nos filmes da produtora BelAir. Xica, ao contrário dessas, troca de lugar. Ela é amante do poder. Essa maior visibilidade da mulher nos filmes brasileiros, contudo, não pode ser desvinculada de contextos de produção. E de país. Essa evidência crescente se dá em um processo de rápida industrialização, do aumento dos bens de consumo e da progressão da cultura de massa, que tem como reflexo uma relação mais íntima do cinema brasileiro com o mercado. Com a entrada da televisão nos lares com frequência maior, será preciso atrair o espectador a sair de casa com estratégias mais convincentes. Em uma sociedade na qual as mulheres também estão mais presentes no mundo do trabalho e do consumo, as personagens femininas passam a líder com suas crises subjetivas, com o poder de sua sensualidade, com as estratégias mais úteis para seus benefícios. A mulher perde roupa e ganha capacidade. Mas também amplia seu valor de mercadoria, atração de bilheteria por conta dos corpos em exposição. Permanece uma construção de olhares masculinos, quase sem exceção (Mar de Rosas, de Ana Carolina), mas mostra algumas modificações nas relações com os homens. E abalam determinado padrão: o da mulher passiva e formatada pela moral.


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Essa maior exposição da mulher é parte de uma procura de diferentes alas do cinema pelo êxito comercial. Entre os antigos cinemanovistas, procura-se o público, mas também a legitimação crítica, desde ao menos o fim da década anterior com Macunaíma, de Joaquim Pedro de Andrade. Em vez de questões políticas e sociais, a tônica mais acentuada é da identidade e dos contrastes culturais, com maior destaque para filmes nos quais aparecem a religião, o carnaval, manifestações de antropofagia e rituais populares. Na ala menos nobre, a da Boca do Lixo e das comédias cariocas, o sexo e o corpo, com níveis diferentes de exposição, serão elemento orientadores, as vezes com vulgaridade orgulhosa, às vezes com ingenuidade na transgressão. Se os radicais à margem do Cinema Novo, como Rogério Sganzerla, Julio Bressane e companhia, permanecem em um percurso na paralela de tudo, a parceria do regime militar com os mecanismos de fomento, primeiro com o INC e depois com a Embrafilme, inevitavelmente apara as garras dos cinemanovistas dos anos 60. Se os temas podem ter evidências políticas, com paralelos com a situação vigente no País, a forma é mais conciliadora, sem arranhões, mas às vezes com cócegas. Sai o revoltado, entra o malandro. Jece Valadão, Hugo Carvana e David Cardoso são os homens do período nessa linhagem. É uma década de muitas adaptações da literatura (Jorge Amado e Nelson Rodrigues em primeiro plano) e de estímulo militar às cinebiografias de celebridades históricas. O governo procurava estimular o cinema popular, mas não queria libertinagem demais, daí a pauta dos filmes sobre “nosso passado”, uma maneira de desviar de tantos corpos e tanta libido. A repressão a corpos resistentes nos porões encontrava como resposta cultural o descontrole dos corpos nas telas. E para controlar esses corpos, era preciso trazer fantasmas da história, corpos mortos, já transformados em estátuas.

A década começa sob os limites violentos do AI-5, com direitos civis e liberdades políticas vigiadas e reprimidas, com censura à criação artística e cultural sobre a relação entre indivíduos e os poderes cerceadores de suas ações, com a industrialização da cultura e delimitações na arte. Momento de expansão do consumo dos bens simbólicos, os primeiros anos dos anos 70 tecem um momento de transição intensa, com expansão explícita dos mercados fonográficos, implantação das redes nacionais de televisão e a inserção do televisor como elemento pertencente à família brasileira. O cinema não ficou fora desse crescimento das atividades culturais no universo do capitalismo nacional. A ampliação das atividades da Embrafilme na segunda metade da década possibilita atingir uma ocupação de mercado entre 20% e 30% da venda de total de ingressos após 1975, com lançamento de 70 a 100 filmes entre 1975 e 1979. Havia mais salas e a cota de tela, ou obrigatoriedade de exibição de filmes brasileiros em número mínimo de dias por ano, aumentou significativamente, passando de 63 dias no começo da década e chegando a 115 dias na metade dela. Esses números todos estimulam muitos olhares a verem apenas o sucesso do conjunto dos filmes e de alguns em específico, mas é um sucesso dentro de um contexto muito específico e inusitado, em que, apesar do apoio do regime militar aos filmes dos antigos rebeldes, a censura continua na ativa e, se está alerta para saliências subversivas mesmo em filmes aparentemente não políticos, também não fecha os olhos para a nudez das produções sem ambições outras, a não ser lotar as salas. Cleber Eduardo Crítico de cinema e colaborador da Temática Histórica


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a boca do lixo a boca do lixo a NA BOCA boca DO LOBO do lixo

Introdução à produção paulista da Boca do Lixo nos anos 1970 Todas as crônicas dizem que as companhias cinematográficas se instalaram em massa próximo das estações ferroviárias devido à facilidade oferecida para o despacho das cópias de filmes para as cidades do interior. Nunca encontrei, que me lembre, uma narrativa de quando as companhias de produção paulista também se instalaram nessa região, que ficou conhecida como Boca do Lixo, por ser também o centro da criminalidade clássica (Quinzinho, Hiroíto etc.) e da prostituição no Centro da cidade, mas é provável que isso tenha se dado ao longo dos anos 60, depois da falência das grandes companhias (Vera Cruz, Maristela) e quando se iniciou o processo de quota de tela como forma de garantir a exibição de filmes nacionais. Foi a oportunidade vista por vários pequenos produtores, em sua maioria formados nessas companhias, como Alfredo Palácios e Ary Fernandes, por exemplo, que juntos haviam produzido para a TV a bem-sucedida série Vigilante Rodoviário. Ali pontificava Oswaldo Massaini, com a sua Cinedistri, que nessa altura já ostentava a Palma de Ouro por O Pagador de Promessas e um considerável know how em filmes de contato com o público (os do Ciclo do Cangaço, por exemplo). Me parece que Massaini foi o grande herdeiro do ideário de Adhemar Gonzaga e

provavelmente aquele que melhor o colocou em prática: um cinema como meio de aplainar nossas contradições e, se possível, dar uma “boa imagem” do País. Ao longo dos anos 60 é ali que se fixa o essencial da produção paulista, que nesse período assiste ao surgimento de talentos como José Mojica Marins ou Ozualdo Candeias. Mas o que começa a distinguir esse quarteirão (a rigor tudo se resumia a um quarteirão da Rua do Triumpho) é o lançamento de O Bandido da Luz Vermelha, que projeta uma geração capaz de mudar o perfil do cinema paulista. Sganzerla e esses novos diretores tinham a ambição de intervir decisivamente no cinema brasileiro. De maneira análoga à Nouvelle Vague francesa ou ao Cinema Novo, tratava-se de uma geração formada na cinefilia, nas sessões da Cinemateca, nas escolas de cinema, e não no artesanato, como era tradição até ali. Que eu me lembre, foi aí que pela primeira vez falava-se de “cinema da Boca do Lixo”, sinônimo de uma atitude que associava voluntariamente a zona criminal da cidade ao cinema. O cinema era a atividade excluída da cultura, a mal vista, a discriminada. Era desse lugar que o cinema devia, portanto, começar a reivindicar sua existência e impor-se como discurso. E um discurso que se opunha à recente opulência do Cinema Novo, que começava trabalhar com orçamentos maiores, visando à conquista de um público maior, por um lado, e por outro visava a institucionalização do cinema brasileiro, o que o forçava a uma espécie de parceria com o governo ditatorial.


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a boca do lixo

A Boca do Lixo, como movimento, desaparece com certa rapidez, por inúmeros motivos que não vêm ao caso, mas os produtores que ali se haviam instalado darão de certa forma prosseguimento à saga, raramente sob o signo da vanguarda, mas sob o signo da, digamos, “marginalidade”. Ou seja, o cinema popular desenvolvido em São Paulo de modo geral, e com as exceções de praxe, concebeuse à margem das políticas oficiais, embora servissem plenamente ao objetivo central das autoridades, que era promover a ocupação de salas com produtos nacionais. Os anos 70 foram uma espécie de idade dourada do cinema brasileiro, em termos de competitividade no mercado interno, que era o principal objetivo da época. Acho que se deveria desconfiar um pouco quando a sua idade dourada coincide exatamente com uma ditadura. Mas foi assim que aconteceu. Havia, por um lado, a Embrafilme, que respondia pelo segmento “de prestígio”. Dialogava preferencialmente com estudantes, jovens, pessoas de esquerda. Pois o cinema representava então uma maneira de oposição ao regime, ou era visto assim, o que dá mais ou menos no mesmo. Ninguém se perguntava sobre o cinema brasileiro ser um projeto nacionalista, dos militares. Era preciso aproveitar a onda o melhor possível. E assim se fazia. Dentro de limites claros, o cinema da Embrafilme representava um sopro de liberdade numa vida política e mesmo artística extremamente vigiada. Quanto à Boca do Lixo, ou o que ficou conhecido assim, dedicou-se antes de mais nada ao filme de gênero: cangaço, caipira, policial, comédia. Mas o que emplacou mesmo foi a comédia erótica, primeiro, e depois o drama também erótico, isso a partir de A Viúva Virgem, do Pedro Carlos Rovai.

Isso se explica: todos os gêneros podiam funcionar. Mas o único que dava garantia era o erótico. Se observarmos o elenco dos filmes na primeira metade da década, veremos que com grande frequência ele não era específico. Não existia ainda essa divisão entre “alto” e “baixo” cinema. Ela vai surgindo com o tempo. Essa facilidade de o filme fazer bom público tratando de aspectos da vida sexual não foi uma coisa boa, na medida em que os produtores descobriram logo que era indiferente ter um bom roteiro ou não. Ter uma boa atuação ou não. Quando eu começo a trabalhar com montagem, em 1970, o tempo médio de montagem de um filme era de aproximadamente três meses. Em 1980, tinha caído para um mês. É uma coisa muito violenta, mas convinha a todos: os exibidores, que financiavam o filme, assim como os produtores, em geral não se incomodavam muito de o filme ser bom ou não. Essa perda de autoestima me parece importante, pois responde de certo modo pelo que eu vejo como enormes equívocos de política cinematográfica no período Embrafilme. Em vez de abraçar esses produtores e cujos filmes rendiam e atendiam a um mercado popular, a empresa tentava fazer de conta que não tinha nada a ver com isso, que a Embrafilme era outra coisa etc. Me parece que teria sido mais produtivo levar esses produtores a aperfeiçoar seus filmes, a diversificá-los. Com isso, tivemos algo mais ou menos ao contrário do que aconteceu nos EUA na década de 1910. Em vez de os filmes melhorarem, levando o público junto, os filmes tenderam a piorar, a ficar mais relaxados. Fala-se muito mal dos filmes desse período, às vezes, porque tratavam de sexo. Isso me parece errado. Falar de sexo os filmes sempre falaram. Éramos um pouco mais


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ousados, nisso seguindo os italianos da época, porque essa era a única maneira que tínhamos de competir no mercado com os norte-americanos. No mais, tenho a impressão de que esses filmes respondiam a uma necessidade profunda daquele momento. Os anos 60 tinham sido de intensa liberalização de costumes, os comportamentos sexuais mudaram acentuadamente. Para os cultos havia sempre a possibilidade de ler Freud e Marcuse. Mas e os menos cultos? Nessa medida, o que se chamou pornochanchada foi uma espécie de poderoso atualizador da nossa vida social, sobretudo porque era realizada, quase sempre, por pessoas também não muito intelectualizadas. Eu queria chamar a atenção para um aspecto que me interessou muito na produção paulista daquela época, que era o convívio entre pessoas de origens muito diferentes. Um convívio perfeitamente de igual para igual. Acho que os técnicos que trabalhavam ali eram muito bons, muito inventivos, tinham grande capacidade de responder em situações de produção muito precária. A produção era muito desigual. Na maior parte das vezes, muito ruim. Mas acredito que ali também. Acho que alguns prosseguiram com sua obra pessoal, como Ozualdo Candeias, quase ignorando o que havia ao lado. Houve o caso mais relevante, o de Carlos Reichenbach, que absorveu como cinéfilo as convenções e o vocabulário, digamos assim, do gênero, tratando de usá-lo a seu favor. Ou ainda o de José Mojica Marins, que, impedido pela censura de fazer os filmes de terror que o celebrizaram, fazia o que era possível. O que me parece mais relevante é o caso de certos realizadores. Cineastas que não podemos chamar de autores, não tinham autonomia para isso, mas

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lograram em determinadas ocasiões chegar a resultados animadores. Penso em Cláudio Cunha, com o policial Snuff – Vítimas do Prazer, em particular, e Jean Garrett – este com diversos trabalhos que se destacaram sobretudo pelo artesanato. Omito um nome muito citado como bom realizador, caso de John Doo, cujos filmes não conheço. Ou o de Alfredo Sternheim, que não se deu bem com a surenchère sexual, depois de dois filmes promissores de início de carreira. Nessa introdução toco vagamente em vários aspectos desse momento da produção brasileira, especialmente a dita da Boca do Lixo. Talvez devesse ter-me fixado em algum deles em particular. O histórico, o estético, o econômico, o pessoal. Tenho a impressão, porém, que ao menos para mim esses aspectos se entrelaçam. Não são suficientemente conhecidos nem estudados para que eu me permita passar sobre algum deles, ainda que venha a contribuir com os erros e omissões para trabalhos mais sistemáticos e aprofundados sobre o assunto. Inácio Araújo Escritor, jornalista e crítico de cinema da Folha de S.Paulo


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O CINEMA DA BOCA GANHA RESPEITO

“Nos anos 70, a produção cinematográfica que já existia há mais de uma década na Boca do Lixo estava intensa, estimulada pela lei da reserva de mercado e por inúmeros sucessos. E já há algum tempo, precisamente desde 1962, com o êxito do carioca Os Cafajestes, nossos cineastas não só da Boca tinham a percepção de que o erotismo brasileiro encontrava ampla aceitação popular. Daí a proliferação de filmes que investiam na sexualidade e, em especial, na beleza e na nudez de certas atrizes. Algumas transformaramse em garantia de atração popular (Vera Fischer, Helena Ramos, Neide Ribeiro, Zilda Mayo etc.). Embora o Rio de Janeiro fizesse filmes nessa linha (Com as Calças na Mão, Ainda Agarro esta Vizinha), foi o cinema da Boca que ficou mais estigmatizado por causa do erotismo. Críticos consideravam tudo o que vinha da Boca como pornochanchada. Até a adaptação que fiz do romance Lucíola assim foi rotulada. As situações eróticas do filme, exibido no Festival Internacional de Teerã, já existiam no livro de José de Alencar. Nenhuma foi acrescentada. Mesmo assim... Atualmente, o cinema da Boca passa por uma ampla revisão capaz de enxergar os seus aspectos mais positivos. Como a diversidade que possibilitou O Pagador de Promessas (o único filme nacional laureado com a Palma de Ouro), criações vanguardistas de Ozualdo Candeias e longas mais politizados que enfrentavam os rigores da censura da ditadura militar (o meu Paixão na Praia). Tudo isso com produções de baixo orçamento, já que não se contava com as benesses da então recente Embrafilme. Por isso, aprendemos a fazer filmes de maneira mais racional; afinal, o cinema da Boca se autossustentava. Apesar de ter recebido muitas agressões por parte de alguns colegas críticos, me orgulho de ter feito na Boca a maioria dos meus 24 longas. E creio que aquela fase pode oferecer lições para os cineastas atuais; em boa parte acomodados em altos orçamentos propiciados pela renúncia fiscal, eles não se preocupam em obter comunicação com o público.” Alfredo Sternheim, cineasta, jornalista e escritor - SP

Sobre o ILHA DOS PRAZERES PROIBIDOS

“Amor e libertário, o filme mistura Mata Hari com William Reich; fotonovela com Oswald de Andrade; quadrinhos eróticos com Bakunin; Marie Chantal com Henri Michaux; tudo embalado pelo som da poesia de John Lennon, ‘Amor é toque’. A utopia do emblemático casal Yoko-Lennon transposta para o universo de exilados políticos. Diálogos extraídos da subliteratura, envoltos num despojamento intelectual aparente, transformam-se num bombardeio subliminar de erudição, catarse e revolta.” “Quando escrevi o roteiro de A Ilha dos Prazeres Proibidos, reuni esse repertório popular e incuti muita coisa erudita, além de dar forte conotação política, já que o tema me interessa muito. Era minha maneira de responder ao pessoal da Boca do Lixo, que tinha o costume de subestimar o público. Diziam que o espectador era burro, que não entendia coisas sofisticadas. Então, eu misturava alta erudição com autênticas baixarias.” “Apesar do sucesso, a relação comercial era completamente diferente. Naquele tempo, se você não levasse público para as salas, estava acabado. Nessa fase, me dava muito bem com o público e o Galante confiava em mim.” “Quando o Galante me convidou a fazer A Ilha..., eu tinha acabado de lançar o Lilian M. Ele tinha assistido e foi logo me advertindo: ‘Nada de fazer arte nesse trabalho, hein? Eu quero um filme de sexo!’ Ele não perdeu por esperar. Como o Galante raramente aparecia nas filmagens - para o pessoal da equipe não ficar pedindo dinheiro o tempo todo - fiz o filme com total liberdade.” Carlos Reichenbach, cinesasta – SP (diretor do filme A Ilha dos Prazeres Proibidos, 1977, em exibição na 4ª CineOP) “Soninha Pura, com a Adriana Prieto, foi a primeira pornochanchada que eu vi na vida, ainda em Ribeirão Preto. Eu


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achei aquilo o máximo. Era a reunião do cinema com o sexo, as duas coisas mais importantes na minha cabeça de adolescente. Acho que o cinema tem sempre uma forte carga de sexo, mesmo quando o filme não é erótico. Ir ao cinema é uma experiência profundamente voyeurista e traz consigo uma relação erótica entre o espectador e os atores da tela.” “Eu era engenheiro; na época já tinha me formado. Um engenheiro na Boca do Lixo. O David Cardoso, por exemplo, pela primeira vez na vida arrumou um assistente que sabia hoje o que iria ser filmado amanhã. É lógico que fiz sucesso.” “Faço (filme) sem (dinheiro) porque não consigo mais, mas não porque ache que isso me instiga ou aumente minha criatividade. A Boca me ensinou a trabalhar com o mínimo, porque lá a condição era mesmo precária. Isso representou uma bela experiência e me deu uma segurança muito grande de que, por pior que sejam as condições de filmagem, você sempre consegue fazer um filme, se tiver um mínimo, não vou dizer de talento, mas de noção do que você está fazendo.” “Na Boca era assim. As condições eram aquelas e você tinha que resolver. Chamávamos de regra do ‘não tem tu, vai tu mesmo’. É uma coisa de linguagem. É a mesma coisa que você ter que escrever um texto, mas não poder usar todas as palavras. Usar apenas algumas palavras. Então, como é que você monta o texto, para passar um raciocínio sem acharem que te faltaram palavras; acharem que era aquilo mesmo que você queria dizer?” Guilherme de Almeida Prado, cineasta - SP “Comecei comprando e vendendo equipamento de cinema, o que me deu um dinheiro para comprar meu primeiro filme, do Ody Fraga, que se chamava As Eróticas e estava inacabado. Troquei o título para Vidas Nuas, terminei o filme e consegui

exibi-lo no Cine República, que era evitado pelas produções nacionais porque tinha 3.000 lugares e ninguém conseguia lotar a sala. Foi o maior sucesso e daí passei a produzir outros filmes. Descobri aquelas meninas bonitas que dançavam no programa do Sílvio Santos e parti para a pornochanchada. Eram 4,5 milhões de espectadores nas salas de cinema. Fui o mais bem-sucedido produtor da Boca do Lixo. Quem ganhou como eu foi só o Roberto Farias, no Rio, com os filmes do Roberto Carlos. Mas perdi muito também. Cinema é risco, é uma roleta de cassino. Se não dava dinheiro, eu partia para outra, não chorava não. No auge da Boca do Lixo, fazíamos filmes em sete dias e em 30 dias o filme estava em cartaz, sucesso total de público. Mudei muitos títulos de filmes, o título já diz tudo, se o filme vai emplacar ou não. A Mulher de Todos, do Rogério Sganzerla, se chamava originalmente As Pistoleiras. Eu disse pra ele: ‘Este título eu não quero, deixa eu mudar e eu te dou o dinheiro para terminar o filme’. Depois consegui que a censura liberasse o filme e ele deu muito dinheiro, muita bilheteria. Eu dei minha vida ao cinema, ganhei dinheiro, perdi dinheiro, fiquei doente, fui o produtor biônico, mas sempre fiz porque eu gosto de cinema. Passei por todos os ofícios da sétima arte, desde limpador de estúdio, eletricista, até chegar a produtor. Hoje vejo que não tem linguagem de cinema e os produtores e diretores fazem pouco caso do público, porque já têm o dinheiro antes, através das leis de incentivo. Então pra que se matar se o dinheiro já está garantido? Eu gosto de ver o filme chegar ao público e o público reagir, rir ou chorar.” Antônio Polo Galante, 54 anos de cinema, produtor de quase 70 filmes brasileiros, sendo a maioria produções da Boca do Lixo - SC

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embrafilme e a ocupação do mercado embrafilme e a ocupação do mercado foi desmontada nado gestão pós-79, porque a obrigação legal embrafilme e a ocupação EMBRAFILME mercado Sobre a Embrafilme, empresa federal de economia mista, que financiava e distribuía os filmes nacionais de maior expressão na década de 70, direi duas coisas fundamentais para o mercado instituídas pela empresa em consonância com o Conselho Nacional do Cinema. Em 1979 a Embrafilme contava com mais de 40 postos de fiscalização do mercado cinematográfico no Brasil. Um raciocínio simples: quanto mais fiscalização, mais renda, tanto para os produtores quanto para a empresa, que se associava a eles e distribuía os filmes. Nessa época, para controle da venda de ingressos e o cumprimento da cota de tela, os exibidores eram obrigados a enviar borderôs diários, onde constava o número de ingressos vendidos e se era filme nacional ou estrangeiro. A Embrafilme detinha o monopólio da distribuição e emissão dos ingressos em papel-moeda, e os vendia às salas de cinema que os utilizavam obrigatoriamente. Os postos de distribuição dos ingressos da Embrafilme controlavam o número de bilhetes que cada cinema vendia e havia uma forte repressão aos que desobedeciam, e imprimiam, eles mesmos, seus ingressos. Os fiscais do Concine chegaram a apreender ingressos impressos no quintal e plastificados para durar mais tempo, a fim de serem vendidos infinitas vezes em rodízio. Salas de cinema que faziam constar nos seus borderôs a venda de quatro ingressos por dia, em média, foram desmascaradas. Essa máquina de fiscalização

de fiscalizar era do Concine e foi passada à Embrafilme por convênio. Os novos administradores entenderam que fiscalizar não era de sua obrigação, uma vez que administravam a Embrafilme, não o Concine. Mas aqueles dois órgãos eram instituições gêmeas e complementares. Por isso, as administrações de uma e outra precisavam estar afinadas no sentido de promover o desenvolvimento do mercado e do cinema brasileiro. Nessa época, eu, como diretor geral da Embrafilme e membro nato do Concine, propus, e o Concine instituiu, importante medida que garantia ao filme nacional aproveitar todo o seu potencial no mercado: a “dobra com a renda média”. Enquanto um cinema exibindo filme nacional vendesse ingressos além da média habitual, teria de manter o filme em cartaz.

Por causa dessas duas medidas e do respeito à liberdade de escolha dos filmes pelos seus realizadores, da nãointerferência da empresa nos roteiros, o período dos anos 1974 a 1979 permanece como o momento em que o cinema brasileiro teve sua maior participação no mercado da sua história. Os dias dedicados ao cinema brasileiro por meio da cota de tela chegaram a 140 por ano, ultrapassados espontaneamente pela presença do público que se habituava a assistir a cinema sem legendas. Em março de 1990, ao tomar posse, Collor de Mello


embrafilme e a ocupação do mercado

decretou o fim da Embrafilme e do Conselho Nacional do Cinema e de toda a legislação de defesa do cinema brasileiro. À exceção da Lei nº 7.505, de 2 de julho de 1986, a Lei Sarney, foi Collor quem substituiu tudo pelos incentivos fiscais “aperfeiçoados” nos governos seguintes. Sem os órgãos do cinema fechados por seu governo o mercado ficou desprotegido. Hoje, vivemos dias de mais responsabilidade. Os exibidores evoluíram e é o próprio mercado que se fiscaliza. As grandes cadeias têm seus sistemas de fiscalização, administram a impressão dos ingressos e toda a informação sobre o mercado que se conhece é fornecida pelos distribuidores. E assim caminha o cinema brasileiro. Cada governo começa tudo de novo. As leis são revistas para que o novo governo deixe a sua marca. Naqueles tempos, cada medida era exaustivamente discutida no Conselho Nacional do Cinema por um Conselho Consultivo integrado por representantes do cinema e do governo. Só então era examinada pelo Conselho Deliberativo para efetivar-se. Não me lembro de uma única medida rejeitada pelo Deliberativo. É curioso, e não vai aqui nenhuma saudade do governo militar. Mas no que diz respeito aos organismos de cinema, como a Embrafilme, e nos processos de financiamento à atividade cinematográfica, havia mais liberdade de criação do que hoje. À Embrafilme, como órgão do Ministério da Educação e Cultura, cabia estimular, financiar, co-produzir e distribuir os filmes. Censurar era com o Ministério da Justiça e não raras vezes batíamos de frente. Roberto Farias Cineasta e presidente da Academia Brasileira de Cinema

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34 temática histórica

as mulheres da década de 70 as mulheres da década de 70 de comportamento sociedade brasileira. Algumas, a Mulheres as mulheres e atrizes no Brasil dadosdécada de na70 anos 1970

Dividir a história em décadas é sempre um expediente perigoso: fica parecendo que, a cada dez anos, tudo muda subitamente e novas formas de comportamento se instauram, sem que nada fizesse prever tais alterações. Infeliz ou felizmente, quase nunca as coisas acontecem assim. Para quem sabe ver e ler, fenômenos se anunciam com razoável antecedência e também nunca têm uma única razão; ao contrário, representam o somatório de muitas forças, com intensidades variáveis e repercussões que se alteram conforme as latitudes. Assim caminha a humanidade. No entanto, os anos 1970 tiveram início no Brasil em seguida a mudanças sociais emblemáticas e profundas. Pouco mais de um ano antes, havia sido decretado o famigerado Ato Institucional nº 5, com o fechamento do Congresso Nacional e o surgimento de uma censura como poucas vezes o País conheceu. Era o governo do general Garrastazu Medici, no qual a repressão e a tortura foram mais intensas. Não era mais possível o cinema político que os integrantes do Cinema Novo vinham praticando, desde o início do golpe de 64. Mesmo a nova geração, reunida em torno do Cinema Marginal, viu-se forçada a emigrar, criando em Londres uma comunidade alternativa e produzindo filmes de baixíssimo orçamento. As perspectivas eram muito sombrias. Ao mesmo tempo, as mulheres conheciam novas formas

exemplo da ministra Dilma Rousseff e Elizabeth, mulher do líder camponês João Pedro Teixeira, buscaram a clandestinidade, como forma de resistência ou fuga. Outras já estavam saturadas do modelo tradicional, apoiado pelas famílias e a Igreja e, adotando postura semelhante à de outras mulheres espalhadas pelo mundo, rebelavam-se contra os padrões de opressão doméstica. No cinema, filmes pioneiros como Todas as Mulheres do Mundo, de Domingos Oliveira, e A Mulher de Todos, de Rogério Sganzerla, mostravam, cada um à sua maneira, que nada mais seria como antes. As musas inspiradoras, respectivamente Leila Diniz e Helena Ignez, colocavamse na vanguarda comportamental dessa nova mulher. O cinema brasileiro, limitado quanto ao que dizer, adotou uma posição estratégica: era preciso ganhar mercado, refletindo sobre os tempos que então tinham início. Foi quando a Embrafilme e a Boca do Lixo paulista, entidades mutuamente excludentes, decidiram criar suas próprias musas para buscar espaço no mercado exibidor brasileiro. Cada uma ao seu estilo: a Embrafilme, que em princípio – mas só muito aparentemente – recusava a pornochanchada de então, consagrou Sônia Braga em suas produções “de classe”, Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno Barreto, e A Dama do Lotação, de Neville d’Almeida, não por coincidência os dois maiores sucessos de bilheteria do cinema brasileiro em todos os tempos (era como que a reedição da bela época, em que filmes brasileiros eram os preferidos do público). Sônia se dividia entre dois homens


as mulheres da década de 70

em Dona Flor (se bem que um deles fosse apenas o fantasma de seu falecido primeiro marido), entre o desejo e a segurança material representados respectivamente por José Wilker e Mauro Mendonça. Em A Dama, bem, aí a coisa se ampliava: simplesmente, era questão do sujeito se mostrar interessado e ela topar. Era sua reação contra um marido que não lhe provocava qualquer tesão na cama. Outros filmes de Sônia, menos bem-sucedidos que os dois citados, como Eu te Amo, de Arnaldo Jabor, também abordavam aspectos da personalidade dessa nova mulher e ajudavam a compor o mito. Sônia não estava sozinha. Zezé Motta, revelada nacionalmente em Vai Trabalhar, Vagabundo, de Hugo Carvana, iria explodir em Xica da Silva, de Carlos Diegues. O corpo, aí, já é claramente usado como ferramenta de luta contra o poder masculino e forma de dominação por parte da mulher. A escrava negra do contratador João Fernandes de Oliveira, maior autoridade branca do Tijuco, não só se emancipa, como consegue satisfazer seus desejos mais esdrúxulos. Era mesmo poderosa. Já a Boca do Lixo buscava – e conseguia – sucesso assumindo a pornochanchada, em doses consideradas exageradas pelos puristas e moralistas. Muitas atrizes – Helena Ramos, Selma Egrei, Matilde Mastrangi construíram carreira trabalhando com os cineastas da Rua do Triumpho, entre elas Zilda Mayo, que, na verdade, participa de seu primeiro filme apenas em 1976. Mas é só verificar sua filmografia para se constatar que ela foi dirigida pelos principais nomes ligados à Boca do Lixo, entre eles Carlos Reichenbach, que com ela fez o belo A Ilha dos Prazeres Proibidos. Só que Zilda transcende essa ligação; no final da década de 1970, ela fez parte do elenco de O Caso Cláudia, de Miguel Borges, produção carioca

temática histórica 35

de prestígio filmada no Rio e baseada em célebre episódio policial da época. Dividir a história em décadas é sempre um expediente perigoso: fica parecendo que, a cada dez anos, tudo muda subitamente e novas formas de comportamento se instauram, sem que nada fizesse prever tais alterações. Infeliz ou felizmente, quase nunca as coisas acontecem assim. Para quem sabe ver e ler, fenômenos se anunciam com razoável antecedência e também nunca têm uma única razão; ao contrário, representam o somatório de muitas forças, com intensidades variáveis e repercussões que se alteram conforme as latitudes. Assim caminha a humanidade. No entanto, os anos 1970 tiveram início no Brasil em seguida a mudanças sociais emblemáticas e profundas. Pouco mais de um ano antes, havia sido decretado o famigerado Ato Institucional nº 5, com o fechamento do Congresso Nacional e o surgimento de uma censura como poucas vezes o país conheceu. Era o governo do general Garrastazu Medici, no qual a repressão e a tortura foram mais intensas. Não era mais possível o cinema político que os integrantes do Cinema Novo vinham praticando, desde o início do golpe de 64. Mesmo a nova geração, reunida em torno do Cinema Marginal, viu-se forçada a emigrar, criando em Londres uma comunidade alternativa e produzindo filmes de baixíssimo orçamento. As perspectivas eram muito sombrias. Ao mesmo tempo, as mulheres conheciam novas formas de comportamento na sociedade brasileira. Algumas, a exemplo da ministra Dilma Rousseff e Elizabeth, mulher do líder camponês João Pedro Teixeira, buscaram a clandestinidade, como forma de resistência ou fuga.


36 temática histórica

as mulheres da década de 70

Outras já estavam saturadas do modelo tradicional, apoiado pelas famílias e a Igreja e, adotando postura semelhante à de outras mulheres espalhadas pelo mundo, rebelavam-se contra os padrões de opressão doméstica. No cinema, filmes pioneiros como Todas as Mulheres do Mundo de Domingos Oliveira e A Mulher de Todos de Rogério Sganzerla mostravam, cada um à sua maneira, que nada mais seria como antes. As musas inspiradoras, respectivamente Leila Diniz e Helena Ignez, colocavamse na vanguarda comportamental dessa nova mulher. O cinema brasileiro, limitado quanto ao que dizer, adotou uma posição estratégica: era preciso ganhar mercado, refletindo sobre os tempos que então tinham início. Foi quando a Embrafilme e a Boca do Lixo paulista, entidades mutuamente excludentes, decidiram criar suas próprias musas para buscar espaço no mercado exibidor brasileiro. Cada uma ao seu estilo: a Embrafilme, que em princípio – mas só muito aparentemente – recusava a pornochanchada de então, consagrou Sônia Braga em suas produções “de classe”, Dona Flor e Seus Dois Maridos de Bruno Barreto e A Dama do Lotação de Neville d’Almeida, não por coincidência os dois maiores sucessos de bilheteria do cinema brasileiro em todos os tempos (era como que a reedição da bela época, em que filmes brasileiros eram os preferidos do público). Sônia se dividia entre dois homens em Dona Flor (se bem que um deles fosse apenas o fantasma de seu falecido primeiro marido), entre o desejo e a segurança material representados respectivamente por José Wilker e Mauro Mendonça. Em A Dama, bem, aí a coisa se ampliava: simplesmente, era questão do sujeito se mostrar interessado e ela topar. Era sua reação contra um marido que não lhe provocava qualquer tesão na cama. Outros filmes de Sônia, menos bem sucedidos que os dois citados, como Eu te Amo de Arnaldo Jabor, também

abordavam aspectos da personalidade dessa nova mulher e ajudavam a compor o mito. Sônia não estava sozinha. Zezé Motta, revelada nacionalmente em Vai Trabalhar, Vagabundo de Hugo Carvana, iria explodir em Xica da Silva de Carlos Diegues. O corpo, aí, já é claramente usado como ferramenta de luta contra o poder masculino e forma de dominação por parte da mulher. A escrava negra do contratador João Fernandes de Oliveira, maior autoridade branca do Tijuco, não só se emancipa, como consegue satisfazer seus desejos mais esdrúxulos. Era mesmo poderosa. Já a Boca do Lixo buscava – e conseguia – sucesso assumindo a pornochanchada, em doses consideradas exageradas pelos puristas e moralistas. Surge Helena Ramos, sua musa maior. É só observar sua filmografia nos anos 1970 para se constatar que ela trabalhou com praticamente todos os cineastas listados por Alfredo Sternheim no seu Cinema na Boca – Dicionário de diretores. Não são nomes tão expressivos, como os que recebiam financiamentos da Embrafilme, nem os filmes variavam muito seu enfoque: o sexo era sempre o motor da história e as mulheres queriam sobretudo se dar bem e ter momentos de prazer, às vezes elegante. À produção da Boca do Lixo também está ligada Matilde Mastrangi, embora com um número de filmes menor que Helena Ramos. As duas foram ícones de um cinema menosprezado à época, mas que hoje é visto com o devido destaque no quadro da produção brasileira. Paulo Augusto de Mello Gomes Escritor, cineasta e crítico de cinema – MG


temática histórica 37

“Eu fazia pornochanchada porque precisava ganhar dinheiro, não me importava se era cinema ou não. Eu queria saber quanto era a diária, foi o que apareceu para eu fazer. Eu morava em pensionato, tinha saído da casa dos meus pais, no interior, para vencer na vida. Me descobriram no Centro, na Praça da República, quando eu fazia de modelo para uns coletes que a gente fazia e vendia. Meu intuito era vencer na vida honestamente, trabalhar e ter meu canto. Algum olheiro me viu e me chamou para o programa do Sílvio Santos e depois apareceram os filmes, um atrás do outro. Eu mesmo me gerenciava, não tinha assessora nem nada. A gente corria muito, trabalhava muito e comia pouco, às vezes por falta de dinheiro, acho que por isso eu era magra. Tinha preconceito sim com atriz de pornochanchada. Mas a gente não tinha esse ideal de estar fazendo cinema, de um pensamento estudado, da academia não. Fazia porque precisava ganhar dinheiro. Era na raça e na esperteza, aprender sozinha, olhar e repetir. Hoje em dia eu adoraria filmar com o Jayme Monjardim, aquelas imagens bonitas, névoa. O povo vai ao cinema pra ver coisa bonita, se emocionar ou rir muito ou sair incomodado com alguma coisa, cinema é pra sair da realidade um pouco.” Neide Ribeiro, atriz, atuou em 19 filmes da Boca do Lixo

“Os anos 70 foram a melhor fase do cinema nacional. Por melhores filmes que façam agora, não vai acontecer mais aquilo. Os produtores ficaram muito ricos, os atores não. Havia muitas salas, o que contribuía para as pessoas frequentarem o cinema. Hoje só tem cinema em shopping. A violência não era tão grande, as pessoas iam para a rua, faziam fila para ver os lançamentos. Não se entregava nada em casa, nem pizza, nem comida, nem filme. Hoje a pessoa aluga um filme e fica em casa. O cinema naquela época era o centro das atenções, era capa de jornal todo dia, foto em revista. Apesar de todo o sucesso, sofri muito preconceito para fazer TV, porque as pessoas não me viam como atriz de pornochanchada, mas atriz pornô, o que é totalmente diferente. Fazia dois ou três filmes ao mesmo tempo porque precisava sobreviver. Hoje, sempre passa filme em que atuei no Canal Brasil e eu não ganho nada por isso. O cinema dos anos 70 virou tema de estudo para jovens de São Paulo e Rio, me ligam sempre, parece que descobriram agora o que aconteceu lá. Acho que a mulher hoje está muito mais exposta do que naquela época. Hoje se explora muito mais a nudez e a juventude.” Zilda Mayo, atriz, atuou em 42 filmes nas décadas de 70 e 80


38 temática histórica

a produção do cinema brasileiro nos anos 70 a produção do cinema brasileiro nos anos 70 a produção do cinema brasileiro nos anos 70 1970 ·· A Arte de Amar Bem, de Fernando de Barros

·· Em Busca do Su$exo, de Roberto Pires

·· A Dança das Bruxas, de Francisco Dreux

·· Em Cada Coração um Punhal, de Sebastião de Souza, José Rubens

·· A Família do Barulho, de Júlio Bressane

Siqueira e João Batista de Andrade

·· A Ilha dos Paqueras, de Fauzi Mansur

·· Estranho Triângulo, de Pedro Camargo

·· A Moreninha, de Glauco Mirko Laurelli

·· Fogo, Salário da Morte, de Linduarte Noronha

·· A Possuída dos Mil Demônios, de Carlos Frederico

·· Gamal, o Delírio do Sexo, de João Batista de Andrade

·· A Vingança dos Doze, de Marcos Faria

·· Inocentes, Porém Ingênuos, de José Vedovato

·· África Eterna, de Estanislau Szankovski

·· Isto é São Paulo, de Rubens Rodrigues dos Santos

·· Amor em Quatro Tempos, de Wander Sílvio

·· Janjão Não Dispara, Foge, de Pereira Dias

·· As Escandalosas, de Miguel Borges

·· Jardim das Espumas, de Luiz Rosemberg Filho

·· As Gatinhas, de Astolfo Araújo

·· Juliana do Amor Perdido, de Sérgio Ricardo

·· Ascensão e Queda de um Paquera, de Victor di Mello

·· Mangue Bangue, de Neville d’Almeida

·· Audácia – A Fúria dos Desejos, de Carlos Reichenbach e Antônio

·· Marcado para o Perigo, de Ary Fernandes

Lima

·· Marcelo Zona Sul, de Xavier de Oliveira

·· Balada dos Infiéis, de Geraldo Santos Pereira

·· Memórias de um Gigolô, de Alberto Pieralisi

·· Bang Bang, de Andréa Tonacci

·· Meu Pé de Laranja-Lima, de Aurélio Teixeira

·· Barão Olavo, o Horrível, de Júlio Bressane

·· Motorista Sem Limites, de Milton Barragan

·· Betão Ronca Ferro, de Geraldo Afonso Miranda

·· Não Aperta, Aparício, de Pereira Dias

·· Beto Rockfeller, de Olivier Perroy

·· Navalha na Carne, de Braz Chediak

·· Cabeças Cortadas, de Glauber Rocha

·· Nenê Bandalho, de Emílio Fontana

·· Carnaval na Lama, de Rogério Sganzerla

·· O Anunciador, de Paulo Bastos Martins

·· Caveira My Friend, de Álvaro Guimarães

·· O Impossível Acontece, de Adolpho Chandler, Daniel Filho e

·· Cléo e Daniel, de Roberto Freire

Anselmo Duarte

·· Como Era Gostoso o meu Francês, de Nelson Pereira dos Santos

·· O Pornógrafo, de João Callegaro

·· Cuidado, Madame, de Júlio Bressane

·· O Vale do Canaã, de Jece Valadão

·· Dois Mil Anos de Confusão, de Fauzi Mansur

·· Orgia - O Homem Que Deu Cria, de João Silvério Trevisan

·· É Simonal, de Domingos de Oliveira

·· Os Deuses e os Mortos, de Ruy Guerra

·· Elas, de José Roberto Noronha

·· Os Herdeiros, de Carlos Diegues


a produção do cinema brasileiro nos anos 70

temática histórica 39

1971 ·· Os Maridos Traem... e as Mulheres Subtraem!, de Victor di Mello

·· A Casa Assassinada, de Paulo César Saraceni

·· Os Monstros de Babaloo, de Elyseu Visconti

·· A Culpa, de Domingos de Oliveira

·· Os Senhores da Terra, de Paulo Thiago

·· A Herança, de Ozualdo Candeias

·· Pais Quadrados, Filhos Avançados, de J. B. Tanko

·· A Mulher do Rio, de Jesus Franco

·· Palácio dos Anjos, de Walter Hugo Khouri

·· A Vida de Jesus Cristo, de José Regattieri

·· Parafernália, o Dia da Caça, de Francis Palmeira

·· Amor Louco, de Júlio Bressane

·· Paulicéia Fantástica, de João Batista de Andrade e Jean-Claude

·· André, a Cara e a Coragem, de Xavier de Oliveira

Bernardet

·· As Aventuras com Tio Maneco, de Flávio Migliáccio

·· Pecado Mortal, de Miguel Faria Júnior

·· As Confissões do Frei Abóbora, de Braz Chediak

·· Pedro Diabo Ama Rosa Meia-Noite, de Miguel Faria Júnior

·· As Noites de Iemanjá, de Maurice Capovilla

·· Piranhas do Asfalto, de Neville d’Almeida

·· As Quatro Chaves Mágicas, de Alberto Salvá

·· Presente de Natal, de Álvaro Henrique Gonçalves

·· Assalto à Brasileira, de Flávio Migliáccio

·· Quatro Contra o Mundo, de Fernando Amaral, Sílvio Autuori,

·· Até o Último Mercenário, de Ary Fernandes e Penna Filho

Sérgio Ricardo e Stefan Wohl

·· Azyllo Muito Louco, de Nelson Pereira dos Santos

·· República da Traição, de Carlos Alberto Ebert

·· Bahia, por Exemplo, de Rex Schilinder

·· Roberto Carlos e o Diamante Cor-de-Rosa, de Roberto Farias

·· Bonga, o Vagabundo, de Victor Lima

·· Sagrada Família, de Sylvio Lanna

·· Brasil Bom de Bola, de Carlos Niemeyer

·· Salário Mínimo, de Adhemar Gonzaga

·· Cio... uma Verdadeira História de Amor, de Fauzi Mansur

·· Sangue em Santa Maria, de Rubens Prado

·· Cômicos e Mais Cômicos, de Jurandyr Passos Noronha

·· Sangue Quente em Tarde Fria, de Fernando Cony Campos e

·· Como Ganhar na Loteria sem Perder a Esportiva, de J. B. Tanko

Renato Neumann

·· Cordélia Cordélia, de Rodolfo Nanni

·· Se Meu Dólar Falasse, de Carlos Coimbra

·· Crioulo Doido, de Carlos Alberto Prates Correia

·· Sem Essa, Aranha, de Rogério Sganzerla

��· D’gajão Mata Para Vingar, de José Mojica Marins

·· Sentinelas do Espaço, de Ary Fernandes

·· Diabólicos Herdeiros, de Geraldo Vietri

·· Sertão em Festa, de Osvaldo Oliveira

·· Dois Perdidos numa Noite Suja, de Braz Chediak

·· Tentação Nua, de José da Costa Cordeiro

·· Edy Sexy, o Agente Positivo, de Fábio Sabag

·· Tostão, a Fera de Ouro, de Paulo Leander e Ricardo Gomes Leite

·· Em Família, de Paulo Porto

·· Um é Pouco... Dois é Bom, de Odilon Lopes

·· Em Ritmo Jovem, de Mozael Silveira

·· Um Uísque Antes... e um Cigarro Depois, de Flávio Tambellini

·· Eterna Esperança, de João Batista de Andrade e Jean-Claude

·· Uma Garota em Maus Lençóis, de Wilson Silva

Bernardet

·· Verão de Fogo, de Pierre Kalfon

·· Fantasticon, os Deuses do Sexo, de Teresa Trautman e J. Marreco

·· Vida e Glória de um Canalha, de Alberto Salvá

·· Faustão, de Eduardo Coutinho

·· Vozes do Medo, de Roberto Santos (org; direção coletiva)

·· Finis Hominis, de José Mojica Marins


40 temática histórica

a produção do cinema brasileiro nos anos 70

·· Fora das Grades, de Astolfo Araújo

·· Pantanal de Sangue, de Reynaldo Paes de Barros

·· Fora do Baralho, de Rogério Sganzerla

·· Parabéns, Gigantes da Copa, de Hugo Schlesinger

·· Gaudêncio, o Centauro dos Pampas, de Fernando Amaral

·· Pindorama, de Arnaldo Jabor

·· Guerra dos Pelados, de Sylvio Back

·· Prá Quem Fica, Tchau!, de Reginaldo Faria

·· Idílio Proibido, de Konstantin Tkaczenko

·· Romualdo e Juliana, de André Willième

·· Ipanema Toda Nua, de Líbero Miguel

·· Rua Descalça, de J. B. Tanko

·· Jesus Cristo Eu Estou Aqui, de Mozael Silveira

·· Som Alucinante, de Carlos Augusto Oliveira

·· Lista Negra Para Black Medal, de Carlos Augusto Oliveira

·· Soninha Toda Pura, de Aurélio Teixeira

·· Lua-de-Mel & Amendoim, de Fernando de Barros e Pedro Carlos

·· The Night Cats, de Neville d’Almeida

Rovai

·· Tô na Tua, o Bicho, de Raul Araújo

·· Luar do Sertão, de Osvaldo Oliveira

·· Um Certo Capitão Rodrigo, de Anselmo Duarte

·· Lúcia McCartney, uma Garota de Programa, de David Neves

·· Um Homem sem Importância, de Alberto Salvá

·· Mágoas de Caboclo, de Ary Fernandes

·· Uma Mulher para Sábado, de Maurício Rittner

·· Matei por Amor, de Miguel Faria Júnior

·· Vinte Passos para a Morte, de Adolpho Chandler

·· Memórias de um Estrangulador de Loiras, de Júlio Bressane ·· Minha Namorada, de Zelito Vianna e Armando Costa ·· Mistérios, de José de Barros

1972

·· No Rancho Fundo, de Osvaldo Oliveira ·· O Barão Otelo no Barato dos Milhões, de Miguel Borges

·· A Difícil Vida Fácil, de Alberto Pieralisi

·· O Bolão, de Wilson Silva

·· A Faca e o Rio, de George R. Sluizer

·· O Capitão Bandeira Contra o Doutor Moura Brasil, de Antônio

·· A Fada do Oriente, de Júlio Bressane

Calmon

·· A Grande Fuga, de Nelson Teixeira Mendes

·· O Doce Esporte do Sexo, de Zelito Vianna

·· A Herdeira Rebelde, de Nelson Teixeira Mendes

·· O Donzelo, de Stefan Wohl

·· A Infidelidade ao Alcance de Todos, de Aníbal Massaini Neto e

·· O Enterro da Cafetina, de Alberto Pieralisi

Olivier Perroy

·· O Gigante, a Hora e a Vez do Cinegrafista, de Mário Civelli

·· A Marca da Ferradura, de Nelson Teixeira Mendes

·· O Grande Xerife, de Pio Zamuner

·· A Marcha, de Oswaldo Sampaio

·· O Homem das Estrelas, de Jean-Daniel Pollet

·· A Primeira Viagem, de Geraldo Vietri

·· O Macabro Dr. Scivano, de Raul Calhado e Rosalvo Caçador

·· A Viúva Virgem, de Pedro Carlos Rovai

·· O Pecado de Marta, de José Rubens Siqueira

·· A Volta pela Estrada da Violência, de Aécio de Andrade

·· O Último Cangaceiro, de Carlos Mergulhão

·· Ali Babá e Os Quarenta Ladrões, de Victor Lima

·· Os Amores de um Cafona, de Osíris Parcifal de Figueiroa e Penna

·· Alucinação, de Wagner Roncourt

Filho

·· Amazônia, de Jean Manzon

·· Os Caras de Pau, de Flávio Migliáccio

·· Amor, Carnaval e Sonhos, de Paulo César Saraceni

·· Paixão na Praia, de Alfredo Sternheim

·· Ana Terra, de Durval Garcia


a produção do cinema brasileiro nos anos 70

temática histórica 41

·· As Deusas, de Walter Hugo Khouri

·· O Demiurgo, de Jorge Mautner

·· As Mulheres Amam por Conveniência, de Roberto Mauro

·· O Diabo Tem Mil Chifres, de Penna Filho

·· Câncer, de Glauber Rocha

·· O Grande Gozador, de Victor di Mello

·· Cassy Jones, o Magnífico Sedutor, de Luiz Sérgio Person

·· O Homem do Corpo Fechado, de Schubert Magalhães

·· Como Era “Freak” o meu Vale, de Luiz Carlos Lacerda

·· O Homem Lobo, de Raffaele Rossi

·· Condenadas pelo Sexo, de Ismar Porto

·· O Jeca e o Bode, de Ary Fernandes

·· Corrida em Busca do Amor, de Carlos Reichenbach

·· Os Desclassificados, de Clery Cunha

·· Desafio à Aventura, de Ary Fernandes

·· Os Desempregados, de Antônio B. Thomé

·· Duas Lágrimas de Nossa Senhora Aparecida, de Nelson Teixeira

·· Os Devassos, de Carlos Alberto de Souza Barros

Mendes

·· Os Inconfidentes, de Joaquim Pedro de Andrade

·· Ela Tornou-se Freira, de Pereira Dias

·· Os Machões, de Reginaldo Faria

·· Enquanto Houver Esperança, de Edward Freund

·· Os Mansos, de Pedro Carlos Rovai, Braz Chediak e Aurélio Teixeira

·· Eu Transo... Ela Transa, de Pedro Camargo

·· Os Três Justiceiros, de Nilson Teixeira Mendes

·· Eva, de Hugo Schlesinger

·· Paixão de um Homem, de Egydio Eccio

·· Gringo, o Último Matador, de Tony Vieira

·· Pânico no Império do Crime, de Ary Fernandes

·· Guru das Sete Cidades, de Carlos Bini

·· Papa-Defunto, o Pistoleiro, de Mimo Valdi

·· Herança do Nordeste, de Geraldo Sarno, Sérgio Muniz e Paulo Gil

·· Procura-se uma Virgem, de Paulo Gil Soares

Soares

·· Quando as Mulheres Paqueram, de Victor di Mello

·· Independência ou Morte, de Carlos Coimbra

·· Quando o Carnaval Chegar, de Carlos Diegues

·· Introdução à Sacanagem Interna, de José de Barros

·· Quando os Deuses Adormecem, de José Mojica Marins

·· Janaína, a Virgem Proibida, de Olivier Perroy

·· Quatro Pistoleiros em Fúria, de Edward Freund

·· Jerônimo, o Herói do Sertão, de Adolpho Chandler

·· Revólveres Não Cospem Flores, de Alberto Salvá

·· Jesuíno Brilhante, o Cangaceiro, de William Cobbett

·· Ringo a Caminho do Inferno, de Sebastião Rosa

·· Jogo da Vida e da Morte, de Mário Kuperman

·· Roberto Carros a 300 Quilômetros por Hora, de Roberto Farias

·· Lágrima Pantera, de Júlio Bressane

·· Rogo a Deus e Mando Bala, de Osvaldo Oliveira

·· Longo Caminho da Morte, de Júlio Calasso Júnior

·· Roleta Russa, de Bráulio Pedroso

·· Mãos Vazias, de Luiz Carlos Lacerda

·· Salário da Morte, de Linduarte Noronha

·· Maridos em Férias, de Konstantin Tkaczenko

·· Salve-se Quem Puder, de J. B. Tanko

·· Missão: Matar, de Alberto Pieralisi

·· São Bernardo, de Leon Hirszman

·· Mulher Pecado, de Egydio Eccio

·· Sexo e Sangue na Trilha do Tesouro, de José Mojica Marins

·· Mulher, Sempre Mulher, de Hugo Schlesinger

·· Simeão, o Boêmio, de João Bennio

·· Mundo de Anônimo Júnior, de Aron Feldman

·· Sinal Vermelho, as Fêmeas, de Fauzi Mansur

·· Na Boca da Noite, de Walter Lima Júnior

·· Som, Amor e Curtição, de J. B. Tanko

·· Nua e Atrevida, de Flávio Ribeiro Nogueira

·· Teixeirinha a Sete Provas, de Milton Barragan

·· O Anjo Negro, de José Umberto Dias

·· Toda Nudez Será Castigada, de Arnaldo Jabor


42 temática histórica

a produção do cinema brasileiro nos anos 70

·· Tormento, de Ozen Sermet

Mello

·· Um Anjo Mau, de Roberto Santos

·· Como Evitar o Desquite, de Konstantin Tkaczenko

·· Um Caipira em Bariloche, de Pio Zamuner e Amácio Mazzaropi

·· Como Nos Livrar do Saco, de César Ladeira Filho

·· Um Crime no... Verão, de Américo Pini

·· Compasso de Espera, de Antunes Filho

·· Um Marido sem... É Como um Jardim sem Flores, de Alberto

·· Divórcio à Brasileira, de Ismar Porto

Pieralisi

·· É Isso Aí, Bicho!, de Carlos Bini

·· Um Pistoleiro Chamado Caviúna, de Edward Freund

·· Êxtase de Sádicos, de Adolpho Chandler

·· Uma Pantera em Minha Cama, de Carlos Hugo Christensen

·· Geração em Fuga, de Maurício Nabuco

·· Vida de Artista, de Haroldo Marinho Barbosa

·· Imagens do Silêncio, de Luiz Rosemberg Filho

·· Viver de Morrer, de Jorge Ileli

·· Joanna Francesa, de Carlos Diegues ·· Macho e Fêmea, de Ody Fraga

1973

·· Maria... Sempre Maria, de Eduardo Llorente ·· Meu Brasil Brasileiro, de Nilton Nascimento ·· Nas Garras da Sedução, de Nilo Machado

·· A Filha de Madame Betina, de Jece Valadão

·· Negrinho do Pastoreio, de Antônio Augusto Fagundes

·· A Hora e a Vez do Samba, de Geraldo Miranda

·· Nem Santa, nem Donzela, de Pedro Carlos Rovai

·· A Judoka, de Marcelo Ramos Motta

·· O Azarento, de João Bennio

·· A Morte Não Marca Tempo, de Pereira Dias

·· O Descarte, de Anselmo Duarte

·· A Noite do Desejo, de Fauzi Mansur

·· O Detetive Bolacha contra o Gênio do Crime, de Tito Teijido

·· A Pequena Órfã, de Clery Cunha

·· O Fabuloso Fittipaldi, de Roberto Farias e Hector Babenco

·· A Selva, de Márcio Souza

·· O Fraco do Sexo Forte, de Osíris Parcifal de Figueiroa

·· A Superfêmea, de Aníbal Massaini Neto

·· O Homem que Descobriu o Nu Invisível, de Aldyr Mendes de

·· A Virgem, de Dionísio Azevedo

Souza

·· Aladim e a Lâmpada Maravilhosa, de J. B. Tanko

·· O Libertino, de Victor Lima

·· Amante Muito Louca, de Denoy de Oliveira

·· O Marido Virgem, de Saul Lachtermacher

·· Ambição e Ódio, de Cézar Galvão

·· O Pica-Pau Amarelo, de Geraldo Sarno

·· Anjo Loiro, de Alfredo Sternheim

·· O Poderoso Garanhão, de Antônio B. Thomé

·· Antologia do Cinema Pernambucano, de Dustan Maciel

·· O Rei do Baralho, de Júlio Bressane

·· As Delícias da Vida, de Maurício Rittner

·· O Rei dos Milagres, de Joel Barcellos

·· As Depravadas, de Geraldo Miranda

·· O Supercareta, de Ronaldo Lupo

·· Benito Cereno, de Serge Roulet

·· O Último Êxtase, de Walter Hugo Khouri

·· Café na Cama, de Alberto Pieralisi

·· Obsessão Maldita, de Flávio Ribeiro Nogueira

·· Caingangue, a Pontaria do Diabo, de Carlos Hugo Christensen

·· Obsessão, de Jece Valadão

·· Com a Cama na Cabeça, de Mozael Silveira

·· Os Condenados, de Zelito Vianna

·· Como era Boa a Nossa Empregada, de Ismar Porto e Victor di

·· Os Garotos Virgens de Ipanema, de Osvaldo Oliveira


a produção do cinema brasileiro nos anos 70

temática histórica 43

·· Os Homens que Eu Tive, de Teresa Trautman

·· Anita Garibaldi, de Franco Rossi

·· Os Sóis da Ilha de Páscoa, de Pierre Kast

·· As Cangaceiras Eróticas, de Roberto Mauro

·· Pedro Canhoto, o Vingador Erótico, de Raffaele Rossi

·· As Moças Daquela Hora, de Paulo Porto

·· Playboy Maldito, de Nilo Machado

·· As Mulheres que Fazem Diferente, de Adnor Pitanga, Lenine

·· Portugal... Minha Saudade, de Pio Zamuner e Amácio Mazzaropi

Ottoni e Cláudio MacDowell

·· Primeiros Momentos, de Pedro Camargo

·· As Secretárias... que Fazem de Tudo, de Alberto Pieralisi

·· Quem É Beta?, de Nelson Pereira dos Santos

·· Assim Era a Atlântida, de Carlos Manga

·· Regina e o Dragão de Ouro, de Líbero Miguel

·· Banana Mecânica, de Braz Chediak

·· Sagarana, o Duelo, de Paulo Thiago

·· Brasil Tricampeão - Copa 70, de Rogério Martins

·· Setenta e Cinco Anos de Cinema, de Adhemar Carvalhaes

·· Brutos Inocentes, de Líbero Luxardo

·· Sob o Domínio do Sexo, de Tony Vieira

·· Caçada Sangrenta, de Ozualdo Candeias

·· Surucucu Catiripapo, de Neville d’Almeida

·· Desejo Proibido, de Tony Vieira

·· Tati, a Garota, de Bruno Barreto

·· E Ninguém Ficou em Pé, de José Vedovato

·· Trindad... É Meu Nome, de Edward Freund

·· Enigma para Demônios, de Carlos Hugo Christensen

·· Um Homem Tem que Ser Morto, de David Quintans

·· Essa Gostosa Brincadeira a Dois, de Victor di Mello

·· Um Intruso no Paraíso, de Heron D’Ávila

·· Exorcismo Negro, de José Mojica Marins

·· Um Macho à Prova de Bala, de Aníbal Ângelo Santos

·· Futebol Total, de Oswaldo Caldeira e Carlos Leonam

·· Um Virgem na Praça, de Roberto Machado

·· Gata Devassa, de Raffaele Rossi

·· Uma Nega Chamada Teresa, de Fernando Cony Campos

·· Gente que Transa, de Sílvio de Abreu

·· Vai Trabalhar, Vagabundo, de Hugo Carvana

·· Getúlio Vargas, de Ana Carolina ·· Gregório Volta para Matar, de Rubens Prado

1974

·· Guerra Conjugal, de Joaquim Pedro de Andrade ·· História do Brasil, de Glauber Rocha e Marcos Medeiros ·· Isto é Pelé, de Eduardo Escorel e Luiz Carlos Barreto

·· A Cartomante, de Marcos Faria

·· Karla, Sedenta de Amor, de Ismar Porto

·· A Cobra Está Fumando, de Wilson Silva

·· Mais ou Menos Virgem, de Mozael Silveira

·· A Estrela Sobe, de Bruno Barreto

·· Mestiça, a Escrava Indomável, de Lenita Perroy

·· A Noite do Espantalho, de Sérgio Ricardo

·· Núpcias Vermelhas, de J. Marreco

·· A Noiva da Noite, de Lenita Perroy

·· O Amuleto de Ogum, de Nelson Pereira dos Santos

·· A Transa do Turfe, de F.M.L. Mellinger

·· O Anjo da Noite, de Walter Hugo Khouri

·· A Última Bala, de Luigi Picchi

·· O Comprador de Fazendas, de Alberto Pieralisi

·· A Virgem e o Machão, de J. Avellar (psd: José Mojica Marins)

·· O Exorcista de Mulheres, de Tony Vieira

·· Adultério, de Ody Fraga

·· O Filho do Chefão, de Victor Lima

·· Ainda Agarro esta Vizinha, de Pedro Carlos Rovai

·· O Forte, de Olney São Paulo

·· Amor e Medo, de José Rubens Siqueira

·· O Jeca Macumbeiro, de Amacio Mazzaropi e Pio Zamuner


44 temática histórica

a produção do cinema brasileiro nos anos 70

·· O Leão do Norte, de Carlos Del Pino

1975

·· O Leito da Mulher Amada, de Egydio Eccio ·· O Lobisomem, o Terror da Meia-Noite, de Elyseu Visconti

·· A Carne, de J. Marreco

·· O Marginal, de Carlos Manga

·· A Casa das Tentações, de Rubem Biáfora

·· O Mau Caráter, de Jece Valadão

·· A Extorsão, de Flávio Tambellini

·· O Poderoso Machão, de Antônio B. Thomé

·· A Filha do Padre, de Tony Vieira

·· O Segredo da Rosa, de Vanja Orico

·· A Ilha do Desejo, de Jean Garrett

·· O Sexo das Bonecas, de Carlos Imperial

·· A Lenda de Ubirajara, de André Luiz de Oliveira

·· O Supermanso, de Ary Fernandes

·· À Sombra da Violência, de J. Figueira Gama

·· O Último Malandro, de Miguel Borges

·· Ainda Agarro esse Machão, de Edward Freund

·· Oh! Que Delícia de Patrão, de Alberto Pieralisi

·· Amantes, Amanhã se Houver Sol, de Ody Fraga

·· Ovelha Negra, uma Despedida de Solteiro, de Haroldo Marinho

·· Ana, a Libertina, de Alberto Salvá

Barbosa

·· Annie, a Virgem de Saint-Tropez, de Zigmunt Sulistrowski

·· Passe Livre, de Oswaldo Caldeira

·· As Alegres Vigaristas, de Carlos Alberto de Souza Barros

·· Pensionato de Mulheres, de Clery Cunha

·· As Audaciosas, de Mozael Silveira

·· Pontal da Solidão, de Alberto Ruschel

·· As Aventuras Amorosas de um Padeiro, de Waldyr Onofre

·· Pureza Proibida, de Alfredo Sternheim

·· As Desquitadas, de Élio Vieira de Araújo

·· Quem Tem Medo de Lobisomem?, de Reginaldo Faria

·· As Mulheres Sempre Querem Mais, de Roberto Mauro

·· Rainha Diaba, de Antônio Carlos da Fontoura

·· Aventuras de um Detetive Português, de Stefan Wohl

·· Relatório de um Homem Casado, de Flávio Tambellini

·· Bloqueio, de Roberto Saul

·· Robin Hood, o Trapalhão da Floresta, de J. B. Tanko

·· Bonecas Diabólicas, de Flávio Ribeiro Nogueira

·· Sadismo de um Matador, de Rubens Prado

·· Cada um Dá o que Tem, de Adriano Stuart, John Herbert e Sílvio de

·· Saravá, Brasil dos Mil Espíritos, de Miguel Schneider

Abreu

·· Sedução, de Fauzi Mansur

·· Canto de Cisnes, de Amauri Sanchez

·· Signo de Escorpião, de Carlos Coimbra

·· Claro, de Glauber Rocha

·· Sinfonia Brasileira, de Jaime Prades

·· Clube das Infiéis, de Cláudio Cunha

·· Travessuras de Pedro Malazartes, de Celso Falcão

·· Com as Calças na Mão, de Carlo Mossy

·· Triste Trópico, de Arthur Omar

·· Com um Grilo na Cama, de Gilvan Pereira

·· Trote dos Sádicos, de Aldyr Mendes de Souza

·· Confissões de uma Viúva Moça, de Adnor Pitanga

·· Uirá, um Índio em Busca de Deus, de Gustavo Dahl

·· Copacabana Mon Amour, de Rogério Sganzerla

·· Um Edifício Chamado 200, de Carlos Imperial

·· Cristais de Sangue, de Luna Alkalay

·· Um Homem Célebre, de Miguel Faria Júnior

·· Deixa Amorzinho... Deixa, de Saul Lachtermacher

·· Um Varão entre as Mulheres, de Victor di Mello

·· Deliciosas Traições do Amor, de Domingos de Oliveira, Phydias

·· Uma Tarde, Outra Tarde, de William Cobbett

Barbosa e Teresa Trautman

·· Vinte e Quatro Horas no Rio, de Duílio Mastroianni

·· Efigênia Dá Tudo que Tem, de Olivier Perroy


a produção do cinema brasileiro nos anos 70

temática histórica 45

·· Entre o Céu e o Inferno, de Domingos Antunes

·· O Pistoleiro, de Oscar Santana

·· Essas Mulheres Lindas, Nuas e Maravilhosas, de Geraldo Miranda

·· O Predileto, de Roberto Palmari

·· Esse Maravilhoso Mundo dos Esportes, de Hugo Schlesinger

·· O Rei da Noite, de Hector Babenco

·· Eu Dou o que Ela Gosta, de Braz Chediak

·· O Roubo das Calcinhas, de Braz Chediak e Sindoval Aguiar

·· I Love Bacalhau, de Sindoval Aguiar

·· O Sexo Mora ao Lado, de Ody Fraga

·· Intimidade, de Perry Salles e Michael Sarne

·· O Sexualista, de Egydio Eccio

·· Ipanema, Adeus, de Paulo Roberto Martins

·· O Sósia da Morte, de João Ramiro Mello

·· Jeca contra o Capeta, de Pio Zamuner e Amacio Mazzaropi

·· O Trapalhão na Ilha do Tesouro, de J. B. Tanko

·· Ladrão de Bagdá, o Magnífico, de Victor Lima

·· Onanias, o Poderoso Machão, de Geraldo Miranda e Élio Vieira de

·· Ladrão de Galinhas, de Sebastião Pereira

Araújo

·· Lição de Amor, de Eduardo Escorel

·· Os Pilantras da Noite, de Tony Vieira

·· Lilian M: Relatório Confidencial, de Carlos Reichenbach

·· Pecado na Sacristia, de Miguel Borges

·· Lua-de-Mel sem Começo e sem Fim, de Nilo Machado

·· Perdida, de Carlos Alberto Prates Correia

·· Lucíola, o Anjo Pecador, de Alfredo Sternheim

·· Perdidos e Malditos, de Geraldo Veloso

·· Luz, Cama e Ação, de Cláudio MacDowell

·· Pesadelo Sexual de uma Virgem, de Roberto Mauro

·· Maníacos Eróticos, de Alberto Salvá

·· Pobre João, de Pereira Dias

·· Motel, de Alcino Diniz

·· Quando as Mulheres Querem Provas, de Cláudio MacDowell

·· Nem as Bruxas Escapam, de Valdi Ercolani

·· Quando Elas Querem... E Eles Não, de Ary Fernandes

·· Nordeste: Cordel, Repente, Canção, de Tânia Quaresma

·· Secas e Molhadas, de Mozael Silveira

·· Nós, os Canalhas, de Jece Valadão

·· Setenta Anos de Brasil, de Jurandyr Passos Noronha

·· O Caçador de Fantasmas, de Flávio Migliáccio

·· Sexo na Selva, de Zigmunt Sulistrowski

·· O Casal, de Daniel Filho

·· Tangarela, a Tanga de Cristal, de Luiz Mário Campello Torres

·· O Casamento, de Arnaldo Jabor

·· Tio Maneco, o Caçador de Fantasmas, de Flávio Migliáccio

·· O Desejo, de Walter Hugo Khouri

·· Um Soutien para o Papai, de Carlos Alberto de Souza Barros

·· O Dia em que o Santo Pecou, de Cláudio Cunha

·· Uma Mulata para Todos, de Roberto Machado

·· O Esquadrão da Morte, de Carlos Imperial ·· O Estranho Vício do Dr. Cornélio, de Alberto Pieralisi ·· O Flagrante, de Reginaldo Faria

1976

·· O Fracasso de um Homem nas Duas Noites de Núpcias, de George Michel Serkeis

·· ... E as Pílulas Falharam, de Carlos Alberto de Almeida

·· O Grande Rodeio, de Antônio Augusto Fagundes

·· À Flor da Pele, de Francisco Ramalho Júnior

·· O Incrível Seguro da Castidade, de Roberto Mauro

·· A Ilha das Cangaceiras Virgens, de Roberto Mauro

·· O Maravilhoso Mundo da Diversão, de Osíris Parcifal de Figueiroa

·· A Noite das Fêmeas, de Fauzi Mansur

·· O Monstro Caraíba, de Júlio Bressane

·· A Noite dos Assassinos, de Jece Valadão

·· O Padre que Queria Pecar, de Lenine Ottoni

·· A Quadrilha do Perna Dura, de Pereira Dias


46 temática histórica

a produção do cinema brasileiro nos anos 70

·· A Última Ilusão, de José Vedovato

·· Massagistas Profissionais, de Carlo Mossy

·· A$$untina das Amérikas, de Luiz Rosemberg Filho

·· Meninas Querem... p os Coroas Podem, de Osvaldo Oliveira

·· Agonia, de Júlio Bressane

·· Mulheres do Sexo Violento, de Francisco Cavalcanti

·· Aleluia Gretchen, de Sylvio Back

·· Nem as Enfermeiras Escapam, de André José Adler

·· Amadas e Violentadas, de Jean Garrett

·· Ninguém Segura essas Mulheres, de Anselmo Duarte, Harry

·· Aruã, na Terra dos Homens Maus, de Expedito Gonçalves Teixeira

Zalkowistch, Jece Valadão e José Miziara

e Jandira Braga

·· Noite sem Homem, de Renato Neumann

·· As Desquitadas em Lua-de-Mel, de Victor di Mello

·· O Conto do Vigário, de Kleber Afonso

·· As Granfinas e o Camelô, de Ismar Porto

·· O Dia das Profissionais, de Rajá de Aragão

·· As Mulheres que Dão Certo, de Adnor Pitanga e Lenine Ottoni

·· O Enigma de um Pistoleiro, de Fernando A. Zallio

·· As Três Mortes de Solano, de Roberto Santos

·· O Homem da Cabeça de Ouro, de Alberto Pieralisi

·· Bacalhau, de Adriano Stuart

·· O Homem de Papel, de Carlos Coimbra

·· Carmen, a Cigana, de Pereira Dias

·· O Ibrahim do Subúrbio, de Astolfo Araújo e Cecil Thiré

·· Como Consolar Viúvas, de J. Avellar (psd: José Mojica Marins)

·· O Mulherengo, de Fauzi Mansur

·· Costinha, o Rei da Selva, de Alcino Diniz

·· O Pai do Povo, de Jô Soares

·· Crueldade Mortal, de Luiz Paulino dos Santos

·· O Palavrão, de Cleto Mergulhão

·· Desejo Sangrento, de Nilo Machado

·· O Quarto da Viúva, de Sebastião de Souza

·· Dona Flor e seus Dois Maridos, de Bruno Barreto

·· O Seminarista, de Geraldo Santos Pereira

·· Encarnação, de Rose Lacreta

·· O Sexomaníaco, de Carlos Imperial

·· Essa Mulher é Minha... e dos Amigos, de Alberto Pieralisi

·· O Trapalhão no Planalto dos Macacos, de J. B. Tanko

·· Estranha Hospedaria dos Prazeres, de Marcelo Ramos Motta

·· O Vampiro de Copacabana, de Xavier de Oliveira

·· Eu Faço... Elas Sentem, de Clery Cunha

·· O Varão de Ipanema, de Luís Antônio Piá

·· Feminino Plural, de Vera Figueiredo

·· Os Carabineiros do Vale, de Guilherme Delben

·· Fogo Morto, de Marcos Faria

·· Padre Cícero, de Helder Martins de Moraes

·· Fruto Proibido, de Egydio Eccio

·· Paranoia, de Antônio Calmon

·· Guerra é Guerra, de Ary Fernandes, Alfredo Palácios e Egydio Eccio

·· Passaporte para o Inferno, de J. Marreco

·· Iaô, de Geraldo Sarno

·· Poder do Desejo, de Salvador Amaral

·· Inferno Carnal, de José Mojica Marins

·· Possuídas pelo Pecado, de Jean Garrett

·· Já Não se Faz Amor como Antigamente, de Anselmo Duarte, John

·· Presídio de Mulheres Violentadas, de Luiz Castillini, Osvaldo

Herbert e Adriano Stuart

Oliveira e Antônio Pólo Galante

·· Kung Fu contra as Bonecas, de Adriano Stuart

·· Pura como um Anjo, Será Virgem?, de Raffaele Rossi

·· Loucuras de um Sedutor, de Alcino Diniz

·· Que Pais é este?, de Leon Hirszman

·· Luciana, a Comerciária, de Mozart Cintra

·· Quem é o Pai da Criança?, de Ody Fraga

·· Marcados para Viver, de Maria do Rosário

·· Ritmo Alucinante, de Marcelo França

·· Marília e Marina, de Luiz Fernando Goulart

·· Sabendo Usar Não Vai Faltar, de Francisco Ramalho Júnior, Sidnei


a produção do cinema brasileiro nos anos 70

temática histórica 47

Paiva Lopes e Adriano Stuart

·· Bandalheira Infernal, de José Sette de Barros

·· Senhora, de Geraldo Vietri

·· Barra Pesada, de Reginaldo Faria

·· Sete Mulheres para um Homem Só, de Mozael Silveira

·· Belas e Corrompidas, de Fauzi Mansur

·· Simbad, o Marujo Trapalhão, de J. B. Tanko

·· Cecília, de Jean-Louis Comolli

·· Socorro, Eu Não Quero Morrer Virgem!, de Roberto Mauro

·· Chão Bruto, de Dionísio Azevedo

·· Soledade, de Paulo Thiago

·· Chico da Usina, de Zacarias dos Santos

·· Tem Alguém na Minha Cama, de Francisco Pinto Júnior, Pedro

·· Chuvas de Verão, de Carlos Diegues

Camargo e Luiz Antônio Piá

·· Ciganos do Nordeste, de Olney São Paulo

·· Tem Folga na Direção, de Victor Lima

·· Contos Eróticos, de Roberto Santos, Roberto Palmari, Eduardo

·· Terra Quente, de Custódio Gomes

Escorel e Joaquim Pedro de Andrade

·· Torturadas pelo Sexo, de Tony Vieira

·· Conversas no Maranhão, de Andréa Tonacci

·· Traição Conjugal, de Celso Falcão e Nilo Machado

·· Cordão de Ouro, de Antônio Carlos da Fontoura

·· Traídas pelo Desejo, de Tony Vieira

·· Costinha e o King Mong, de Alcino Diniz

·· Um Golpe Sexy, de Gyula Kolozsvari

·· Daniel, Capanga de Deus, de João Baptista Reimão

·· Zé Sexy... Louco, Muito Louco por Mulher, de José Vedovato

·· Delírios de um Anormal, de José Mojica Marins ·· Deu a Louca nas Mulheres, de Roberto Machado

1977

·· Dezenove Mulheres e um Homem, de David Cardoso ·· Diamante Bruto, de Orlando Senna ·· Elas São do Baralho, de Sílvio de Abreu

·· A Árvore dos Sexos, de Sílvio de Abreu

·· Ele, Ela, Quem?, de Luiz de Barros

·· A Força de Xangô, de Iberê Cavalcanti

·· Emmanuelle Tropical, de José Marreco

·· A Menor Violentada, de Pedro Masó

·· Empregada para todo o Serviço, de Geraldo Gonzaga

·· A Mulata que Queria Pecar, de Victor di Mello

·· Escola Penal de Meninas Violentadas, de Antônio Meliande

·· A Mulher do Desejo, de Carlos Hugo Christensen

·· Essa Freira é uma Parada, de Roberto Machado

·· A Mulher que Põe a Pomba no Ar, de José Mojica Marins e

·· Esse Rio Muito Louco, de Geraldo Brocchi, Denoy de Oliveira e Luiz

Rosângela Maldonado

de Miranda Corrêa

·· A Nudez de Alexandra, de Pierre Kast

·· Excitação, de Jean Garrett

·· A Praia do Pecado, de Roberto Mauro

·· Fazendo Amor, de Erasto Filho

·· A Virgem da Colina, de Celso Falcão

·· Fuga das Mulheres Desesperadas, de Rubens Prado

·· Ajuricaba, o Rebelde da Amazônia, de Oswaldo Caldeira

·· Garimpeiras do Sexo, de José Vedovato

·· Antônio Conselheiro e a Guerra dos Pelados, de Carlos Augusto

·· Gente Fina é Outra Coisa, de Antônio Calmon

Oliveira

·· Gitirana, de Jorge Bodansky e Orlando Senna

·· As Amantes de um Canalha, de Tony Vieira

·· Gordos e Magros, de Mário Carneiro

·· As Aventuras de Momo Montanha, de Henrik Stangerup

·· Internato de Meninas Virgens, de Osvaldo Oliveira

·· As Eróticas Profissionais, de Mozael Silveira

·· Jecão... um Fofoqueiro no Céu, de Pio Zamuner e Amacio Mazzaropi


48 temática histórica

a produção do cinema brasileiro nos anos 70

·· Jogo da Vida, de Maurice Capovilla

·· Revólver de Brinquedo, de Antônio Calmon

·· Ladrões de Cinema, de Fernando Cony Campos

·· Se Segura, Malandro, de Hugo Carvana

·· Loucuras Cariocas, de Carlos Imperial

·· Seduzida pelo Demônio, de Raffaele Rossi

·· Lúcio Flávio, o Passageiro da Agonia, de Hector Babenco

·· Será que Ela Agüenta?, de Roberto Mauro

·· Manicures a Domicílio, de Carlo Mossy

·· Tarzann... O Bonitão Sexy, de Nilo Machado

·· Mar de Rosas, de Ana Carolina

·· Tenda dos Milagres, de Nelson Pereira dos Santos

·· Maria Coragem, de Machado Bittencourt

·· Tigre Carioca, de Michael Coby

·· Meu Pobre Coração de Luto, de Pereira Dias

·· Trem Fantasma, de Alain Fresnot

·· Morte e Vida Severina, de Zelito Vianna

·· Um Brasileiro Chamado Rosa Flor, de Geraldo Miranda

·· Mulheres Violentadas, de Francisco Cavalcanti

·· Um Marido Contagiante, de Carlos Alberto de Souza Barros

·· Na Ponta da Faca, de Miguel Faria Júnior

·· Uma Aventura na Floresta Encantada, de Mário Latini

·· Na Trilha da Justiça, de Milton Barragan

·· Umas e Outras, de Jairo Ferreira

·· Novos Caminhos, Momentos de Esperança, de Chicri Mattar

·· Vítimas do Prazer, de Cláudio Cunha

·· O Crime do Zé Bigorna, de Anselmo Duarte

·· Vozes do Grande Rio, de Leon Cassidy

·· O Dia Marcado, de Iberê Cavalcanti ·· O Garanhão no Lago das Virgens, de Marcos Lyra ·· O Homem e o Cinema, de Alberto Cavalcanti

1978

·· O Mártir da Independência, de Geraldo Vietri ·· O Menino da Porteira, de Jeremias da Silva Netto

·· A Dama de Branco, de Mário Latini

·· O Segredo das Massagistas, de Antônio B. Thomé

·· A Dama do Lotação, de Neville d’Almeida

·· O Trapalhão nas Minas do Rei Salomão, de J. B. Tanko

·· A Deusa de Mármore - Escrava do Diabo, de Rosângela Maldonado

·· O Vampiro da Cinemateca, de Jairo Ferreira

·· A Deusa Negra, de Ola Balogun

·· Ódio, de Carlo Mossy

·· A Fera Carioca, de Giuliano Carmineo

·· Os Amores da Pantera, de Jece Valadão

·· A Força do Sexo, de Sérgio Segall

·· Os Doces Bárbaros, de Jom Tob Azulay

·· A Ilha dos Prazeres Proibidos, de Carlos Reichenbach

·· Os Sensuais, de Gilvan Pereira

·· A Lira do Delírio, de Walter Lima Júnior

·· Ouro Sangrento, de César Ladeira Filho

·· A Morte Transparente, de Carlos Hugo Christensen

·· Paixão e Sombras, de Walter Hugo Khouri

·· A Noite dos Duros, de Adriano Stuart

·· Paraíso no Inferno, de Joel Barcellos

·· A Queda, de Ruy Guerra e Nelson Xavier

·· Pastores da Noite, de Marcel Camus

·· A Santa Donzela, de Flávio Portho

·· Pedro Bó, o Caçador de Cangaceiros, de Mozael Silveira

·· A Volta do Filho Pródigo, de Ipojuca Pontes

·· Pensionato das Vigaristas, de Osvaldo Oliveira

·· Abismu, de Rogério Sganzerla

·· Pintando o Sexo, de Carlos Manga

·· Adultério por Amor, de Geraldo Vietri

·· Prá Ficar Nua, Cachê Dobrado, de Élio Vieira de Araújo

·· Amada Amante, de Cláudio Cunha

·· Quem Matou Pacífico?, de Renato Santos Pereira

·· Amor Bandido, de Bruno Barreto


a produção do cinema brasileiro nos anos 70

temática histórica 49

·· Anchieta, José do Brasil, de Paulo César Saraceni

·· Jari, de Jorge Bodansky e Wolf Gauer

·· As Amantes Latinas, de Luiz Castillini

·· Jeca e seu Filho Preto, de PioZamuner e Berilo Faccio

·· As Aventuras de Robinson Crusoé, de Mozael Silveira

·· João de Barro, de Raffaele Rossi

·· As Filhas do Fogo, de Walter Hugo Khouri

·· Mágoa de Boiadeiro, de Jeremias Moreira Filho

·· As Taradas Atacam, de Carlo Mossy

·· Maneco, o Super Tio, de Flávio Migliáccio

·· As Trapalhadas de Dom Quixote & Sancho Pança, de Ary

·· Meus Homens, Meus Amores, de José Miziara

Fernandes

·· Mil e uma Posições do Amor, de Carlo Mossy

·· Assim era a Pornochanchada, de Victor di Mello e Cláudio

·· Mulher Desejada, de Alfredo Sternheim

MacDowell

·· Mundo - Mercado do Sexo, de José Mojica Marins

·· Bandido – Fúria do Sexo, de David Cardoso

·· Na Boca do Mundo, de Antônio Pitanga

·· Batalha de Guararapes, de Paulo Thiago

·· Na Violência do Sexo, de Antônio B. Thomé

·· Bonitas e Gostosas, de Carlo Mossy

·· Nas Ondas do Surf, de Lívio Bruni Júnior

·· Brasil Bom de Bola 78, de Oswaldo Caldeira

·· Ninfas Diabólicas, de John Doo

·· Canudos, de Ipojuca Pontes

·· Noite em Chamas, de Jean Garrett

·· Chapéu de Couro, de Salo Felzen

·· Nos Embalos de Ipanema, de Antônio Calmon

·· Chumbo Quente, de Clery Cunha

·· Nós, os Amantes, de Wilson Rodrigues

·· Como Matar uma Sogra, de Luiz de Miranda Corrêa

·· O Amante de Minha Mulher, de Alberto Pieralisi

·· Coronel Delmiro Gouvêia, de Geraldo Sarno

·· O Artesão de Mulheres, de Antônio B. Thomé

·· Crônica de um Industrial, de Luiz Rosemberg Filho

·· O Atleta Sexual, de Antônio Ciambra

·· Curumim, de Plácido Campos Júnior

·· O Bem-Dotado – o Homem de Itu, de José Miziara

·· Damas do Prazer, de Antônio Meliande

·· O Bom Marido, de Antônio Calmon

·· Desejo Violento, de Roberto Mauro

·· O Cortiço, de Francisco Ramalho Júnior

·· Doramundo, de João Batista de Andrade

·· O Desconhecido, de Ruy Santos

·· Dupla Traição, de Marcos Lyra

·· O Escolhido de Iemanjá, de Jorge Durán

·· Elke Maravilha contra o Homem Atômico, de Gilvan Pereira

·· O Grande Desbum, de Braz Chediak e Antônio Pedro

·· Emmanuelo, o Belo, de Nilo Machado

·· O Homem de Seis Milhões de Cruzeiros contra as Panteras, de

·· Encarnação, de Rose Lacreta

Luís Antônio Piá

·· Estripador de Mulheres, de Juan Bajon

·· O Monstro de Santa Tereza, de William Cobbett

·· Fim de Festa, de Paulo Porto

·· O Namorador, de Adnor Pitanga e Lenine Ottoni

·· Fuga para o Sexo, de J. Figueira Gama

·· O Pequeno Polegar contra o Dragão Vermelho, de Victor Lima

·· Fugitivas Insaciáveis, de Osvaldo Oliveira

·· O Santo Sudário, de Brancato Júnior

·· Gargalhada Final, de Xavier de Oliveira

·· O Vigilante Rodoviário, de Ary Fernandes

·· Gaúcho de Passo Fundo, de Pereira Dias

·· Os Cangaceiros do Vale da Morte, de Apollo Monteiro

·· Inquietações de uma Mulher Casada, de Alberto Salvá

·· Os Depravados, de Tony Vieira

·· J. S. Brown, o Último Herói, de José Frazão

·· Os Galhos do Casamento, de Sérgio Segall


50 temática histórica

a produção do cinema brasileiro nos anos 70

·· Os Melhores Momentos da Pornochanchada, de Victor di Mello e

·· A Virgem Camuflada, de Célio Gonçalves

Lenine Ottoni

·· Alucinada pelo Desejo, de Sérgio Hingst

·· Os Mucker, de Jorge Bodansky e Wolf Gauer

·· Amante Latino, de Pedro Carlos Rovai

·· Os Trapalhões na Guerra dos Planetas, de Adriano Stuart

·· As Amiguinhas, de Carlos Alberto de Almeida

·· Os Violentadores, de Tony Vieira

·· As Borboletas Também Amam, de J. B. Tanko

·· Parada 88 - o Limite de Alerta, de José de Anchieta Costa

·· Belinda dos Orixás na Praia dos Desejos, de Antônio B. Thomé

·· Pecado sem Nome, de Antônio Siringo

·· Bordel, Noites Proibidas, de Osvaldo Oliveira

·· Perversão, de José Mojica Marins

·· Braços Cruzados, Máquinas Paradas, de Sérgio Segall e Roberto

·· Que Estranha Forma de Amar, de Geraldo Vietri

Gervitz

·· Raoni, de Jean-Pierre Duttileux

·· Bye Bye Brasil, de Carlos Diegues

·· Reformatório das Depravadas, de Ody Fraga

·· Caramuru, de Francisco Ramalho Júnior

·· Roberta, a Moderna Gueixa do Sexo, de Raffaele Rossi

·· Colegiais e Lições de Sexo, de Juan Bajon

·· Samba da Criação do Mundo, de Vera Figueiredo

·· Copa 78, o Poder do Futebol, de Maurício Sherman

·· Sede de Amar, de Carlos Reichenbach

·· Dani, um Cachorro Muito Vivo, de Frank Dawe

·· Seu Florindo e suas Duas Mulheres, de Mozael Silveira

·· Desejo Selvagem, de David Cardoso

·· Sexo e Violência em Búzios, de Luiz Antônio Piá

·· Diário da Província, de Roberto Palmari

·· Tem Piranha no Garimpo, de José Vedovato

·· Domingo de Gre-Nal, de Pereira Dias

·· Terapia do Sexo, de Ody Fraga

·· E Agora, José?, de Ody Fraga

·· Traí... Minha Amante Descobriu, de Nilo Machado

·· Embalos Alucinantes, de José Miziara

·· Trindade: Curto Caminho Longo, de Tânia Quaresma e Luiz Keller

·· Essas Deliciosas Mulheres, de Ary Fernandes

·· Tudo Bem, de Arnaldo Jabor

·· Eu Compro essa Virgem, de Roberto Mauro

·· Wilsinho Galileia, de João Batista de Andrade

·· Eu Matei Lúcio Flávio, de Antônio Calmon ·· Foragidos da Violência, de Luiz de Miranda Corrêa

1979

·· Gênio do Sexo, de Antônio B. Thomé ·· Herança dos Devassos, de Alfredo Sternheim ·· Histórias que Nossas Babás Não Contavam, de Osvaldo Oliveira

·· A Banda das Velhas Virgens, de Pio Zamuner e Amácio Mazzaropi

·· Igrejinha da Serra, de Alberto Rocco e Henrique Borges

·· A Dama da Zona, de Ody Fraga

·· Iracema, a Virgem dos Lábios de Mel, de Carlos Coimbra

·· A Dama do Sexo, de Wilson Rodrigues

·· J. J. J., o Amigo do Super-Homem, de Denoy de Oliveira

·· A Força dos Sentidos, de Jean Garrett

·· Joana Angélica, de Walter Lima Júnior

·· A Intrusa, de Carlos Hugo Christensen

·· Lerfa-Mu, de Carlos Frederico

·· A Noite dos Imorais, de Reynaldo Paes de Barros

·· Liberdade Sexual, de Wilson Rodrigues

·· A Noiva da Cidade, de Alex Viany

·· Maníacos por Meninas Virgens, de Alexandre Sandrini

·· A Pantera Nua, de Luiz de Miranda Corrêa

·· Massacre em Caxias, de Emílio Maciel (psd: Mozael Silveira)

·· A Vingança de Chico Mineiro, de Rubens Prado

·· Milagre, o Poder da Fé, de Hércules Breseghelo


a produção do cinema brasileiro nos anos 70

temática histórica 51

·· Mônica e Cebolinha no Mundo de Romeu e Julieta, de Maurício

·· Quanto Mais Pelada Melhor, de Ismar Porto

de Souza

·· República dos Assassinos, de Miguel Faria Júnior

·· Muito Prazer, de David Neves

·· Sábado Alucinante, de Cláudio Cunha

·· Mulher, Mulher, de Jean Garrett

·· Severina Xique-Xique, de Celso Falcão

·· Mulheres do Cais, de José Miziara

·· Sexo e Sangue, de Élio Vieira de Araújo

·· Nelson Pereira dos Santos Saúda o Povo e Pede Passagem, de

·· Sexo Selvagem, de Ary Fernandes

Ana Carolina

·· Sinfonia Sertaneja, de Black Cavalcanti

·· No Tempo dos Trogloditas, de Edward Freund

·· Tara, Prazeres Proibidos, de Luiz Castillini

·· Nos Tempos da Vaselina, de José Miziara

·· Terra dos Índios, de Zelito Vianna

·· O Caçador de Esmeraldas, de Osvaldo Oliveira

·· Tráfico de Fêmeas, de Agenor Alves

·· O Caso Cláudia, de Miguel Borges

·· Tropeiro Velho, de Milton Barragan

·· O Cinderelo Trapalhão, de Adriano Stuart

·· Uma Cama para Sete Noivas, de Raffaele Rossi e José Vedovato

·· O Coronel e o Lobisomem, de Alcino Diniz

·· Uma Cama para Três, de Geraldo Gonzaga

·· O Erótico Virgem, de Mozael Silveira

·· Uma Estranha História de Amor, de John Doo

·· O Guarani, de Fauzi Mansur

·· Uma Fêmea do Outro Mundo, de J. Figueira Gama

·· O Matador Sexual, de Tony Vieira

·· Vamos Cantar Disco Baby, de J. B. Tanko

·· O Menino Arco-Íris, de Ricardo Bandeira

·· Viagem ao Mundo da Língua Portuguesa, de Rubens Rodrigues

·· O Outro Lado do Crime, de Clery Cunha

dos Santos

·· O País de São Saruê, de Vladimir Carvalho

·· Violência e Sedução, de Mozael Silveira

·· O Preço do Prazer, de Levy Salgado

·· Viúvas Precisam de Consolo, de Ewerton de Castro

·· O Princípio do Prazer, de Luiz Carlos Lacerda ·· O Prisioneiro do Sexo, de Walter Hugo Khouri ·· O Sol dos Amantes, de Geraldo Santos Pereira

FONTES DE PESQUISA:

·· Os Imorais, de Geraldo Vietri ·· Os Noivos, de Afrânio Vital

Dicionário de filmes brasileiros, de Antônio Leão da Silva Neto.

·· Os Pankekas e o Calhambeque de Ouro, de Antônio Moura Matos

Base de dados da Cinemateca Brasileira – www.cinemateca.gov.br.

·· Os Rapazes da Difícil Vida Fácil, de José Miziara

Enciclopédia do cinema brasileiro, de Fernão Ramos e Luiz Felipe

·· Os Três Boiadeiros, de W. A. Kopezky

Miranda (orgs.).

·· Os Trombadinhas, de Anselmo Duarte

Dez! Nota dez! – eu sou Carlos Imperial, de Denilson Monteiro.

·· Paixão de Sertanejo, de Pio Zamuner

Catálogo da mostra Cinema Inocente – Retrospectiva Julio

·· Patty, Mulher Proibida, de Luiz Gonzaga dos Santos

Bressane 2003, de Ruy Gardnier (org.).

·· Paula, a História de uma Subversiva, de Francisco Ramalho

Catálogo da mostra As Muitas Faces de Jece Valadão, de Fernando

Júnior

Veríssimo e Tatiana Monassa (org.).

·· Por um Corpo de Mulher, de Hércules Breseghelo ·· Porão das Condenadas, de Francisco Cavalcanti


52 temática histórica

ranking dos diretores ranking dos diretores ranking 14 Filmes dos 9 Filmes diretores 6 Filmes Ary Fernandes Mozael Silveira

13 Filmes

Alberto Pieralisi J. B. Tanko Osvaldo Oliveira

12 Filmes

José Mojica Marins Tony Vieira

11 Filmes

Roberto Mauro Victor di Mello

10 Filmes

Fauzi Mansur Júlio Bressane Pereira Dias

Ody Fraga Pio Zamuner 8 Filmes Adriano Stuart Antônio B. Thomé Braz Chediak Jece Valadão Nilo Machado Raffaele Rossi Walter Hugo Khouri

7 Filmes

Alfredo Sternheim Amacio Mazzaropi Carlos Hugo Christensen Clery Cunha Edward Freund Egydio Eccio Flávio Migliaccio Ismar Porto João Batista de Andrade Miguel Faria Júnior Pedro Carlos Rovai

Alberto Salvá 5 Filmes Anselmo Duarte Alcino Diniz Antônio Calmon Carlos Coimbra Carlo Mossy Carlos Diegues Geraldo Vietri Carlos Imperial Jean Garrett Carlos Reichenbach José Miziara Cláudio Cunha José Vedovato Francisco Ramalho Júnior Victor Lima Geraldo Miranda Lenine Ottoni Miguel Borges Nelson Pereira dos Santos Neville d’Almeida Reginaldo Faria Rogério Sganzerla Rubens Prado Zelito Vianna


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homenagem homenagem Homenagem a Zezé Motta homenagem

história de vida e louvor Todos a conhecemos como a atriz promissora que despontou em Roda Viva, sob a direção de José Celso Martinez; que se afirmou em Arena Conta Zumbi, dirigida por Boal, ou na novela Beto Rockfeller. Todos sabemos que atingiu o estrelato, arrebatando público e crítica, com sua magnífica interpretação em Xica da Silva, de Carlos Diegues, a ponto de os críticos de Chicago, há poucos meses atrás, terem comentado: “Basta de Evita! Agora queremos Xica”. E quem desconhece aquela voz quente e aveludada, mas às vezes zombeteira e cortante como faca amolada, que mexe com a gente quando canta: “Senhora liberdade”, “Cais escuro”, “Rita baiana”, “Oxum” e tantas outras músicas mais? Mas muitos poucos de nós a conhecemos como aquela criança que, vinda de Campos com os pais e o irmão, morou no morro do Pavãozinho e estudou em colégio interno para crianças pobres. Ou como a adolescente que ajudava a mãe na costura, ouvindo rádio o dia inteiro e que, depois, cantava as músicas ouvidas para o pai, a fim de que este as transformasse em partituras a serem distribuídas entre os membros do conjunto de músicos profissionais que dirigia. Poucos sabem que essa mesma adolescente começou a tomar consciência da situação dos deserdados e oprimidos, pobres e negros como ela

própria, quando fez o ginasial no Colégio João XXIII, na Cruzada de São Sebastião. Mas nada disso a fazia desistir. Ao entrar para o segundo grau (curso de Contabilidade), foi trabalhar como operária, ao mesmo tempo em que estudava teatro com Maria Clara Machado. Vida dura de jovem negra pobre, numa sociedade onde os espaços reservados para mulheres, negros e pobres são aqueles da exclusão. Poucos, muito poucos, sabem que sua arte também está a serviço das crianças pobres e órfãs, numa atuação marcada pela discrição e pela solidariedade. Por outro lado, a consciência política de Maria José Motta levou-a a participar ativamente das lutas por uma sociedade justa e igualitária. Militante do Movimento Negro Unificado, sua conduta se caracteriza pela coragem com que tem denunciado o racismo e suas práticas; e, ultrapassando o nível da denúncia, aí está Zezé organizando um arquivo de atores negros* para que, no foto Januário Garcia – out. 2005 futuro, não se repitam as escamoteações e os silêncios com relação a esses mesmos atores. Filiada ao Partido dos Trabalhadores, empenhou-


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se na campanha de Lélia Gonzalez, companheira de MNU, para que as maiorias silenciadas (mulheres e negros) se fizessem representar na Câmara Federal. Para além da leveza, da doçura, do bom humor de Zezé, encontra-se uma mulher extraordinária, temperada por muita luta e sofrimento, generosa enquanto companheira, filha, irmã, esposa, amiga. Para além da imagem, da estrela Zezé Motta, o que vamos encontrar, na verdade, é uma mulher MULHER. * Referência ao Cidan – Centro Brasileiro de Informação e Documentação do Artista Negro - http://www.cidan. org.br/ Fundado em 1984 pela atriz Zezé Motta, o Cidan visa à promoção e à inserção dos artistas negros – atores, músicos, cantores, bailarinos, modelos e técnicos em espetáculo – no mercado de trabalho. Visite o site – em português, inglês e francês. Prestigie e divulgue este trabalho pioneiro.

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Entrevista com Zezé Motta entrevista com zezé motta Motta – Sem dúvida nenhuma. Eu sou filha de entrevista As múltiplas faces de Zezé com Motta zezéZezémotta Zezé Motta é a homenageada da 4ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto. Cantora, atriz e ativista da causa negra e feminina, Zezé Motta estreou profissionalmente no teatro em 1968, com a polêmica peça Roda Viva, de Chico Buarque, sob a direção de José Celso Martinez Corrêa. Depois de debutar na TV em Beto Rockfeller, um ícone da telenovela brasileira realizada pela extinta Tupi, e de uma temporada nos EUA com o Teatro de Arena, Zezé Motta estrEia no cinema com uma pequena participação no filme Em Cada Coração um Punhal, de Sebastião de Souza, José Rubens Siqueira e João Batista de Andrade. Mas foi em 1976, com o personagem título em Xica da Silva, de Cacá Diegues (com quem trabalharia em mais quatro filmes), que Zezé Motta conheceu o sucesso no Brasil e no mundo. Sua interpretação inesquecível lhe rendeu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Brasília e abriu as portas definitivamente para sua carreira. Apenas nos anos 70, realizou mais de 10 filmes, tendo trabalhado com diretores como Nelson Pereira dos Santos e Arnaldo Jabor. CineOP – O objetivo desta entrevista é fazer um pequeno balanço da sua carreira, mas focando principalmente na década de 70, época abordada por esta edição do evento. Começando do início mesmo, poderíamos dizer que sua vocação para artista vem literalmente do berço, por seu pai ser músico. Isso realmente te influenciou? Como era essa relação?

uma costureira e de um músico. Quer dizer, minha mãe, mais do que costureira, era uma estilista. Os dois me influenciaram. Como minha mãe era costureira, ela teve um ateliê por mais de 30 anos. E eu sou da era do rádio, então a gente costurava ouvindo rádio. Daí meu pai chegava e eu dizia: “pai, Nora Ney gravou uma música, o senhor precisa ouvir”. Eu começava a cantar a música para ele, que perguntava: “Quantas vezes você ouviu esta música?”. Eu respondia que umas duas ou três vezes e ele não acreditava. “Mas você aprendeu a letra, a música, a melodia, cantou afinada...” Meu pai me descobriu cantora. E ele era músico erudito, que tocava música popular para sobreviver porque não dava para sobreviver com música clássica. Ele dava aula de violão. Então eu digo que ouço música desde que estava na barriga da minha mãe. Mas no ginásio eu me descobri atriz, porque naquelas datas históricas eu estava sempre lá me exibindo, decorando poemas. No ginásio eu fiz o Diário de Anne Frank, Terror e Miséria do Terceiro Reich, Liberdade Liberdade. Foram coisas marcantes na minha vida. Descobri essa coisa da atriz e fiquei muito encantada. Quando terminei o ginásio eu ganhei uma bolsa para um curso de teatro com Maria Clara Machado, no Tablado. Eu tive o privilégio de frequentar o Tablado enquanto a Maria Clara dava aula, tive aula com ela. CineOP – E como foi essa experiência no Tablado, que é um local mítico para o teatro brasileiro, berço de muitos grandes atores...


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Zezé Motta – Para mim foi emocionante, fantástico. Eu era uma menina pobre e jamais poderia ter feito Tablado pagando e, no entanto, eu ganhei essa bolsa. Eu convivi com muita gente. O Zé Rodrix era meu colega de classe. A Lupe Gigliotti, irmã do Chico Anysio, foi uma das minhas professoras. Foi uma experiência fantástica. CineOP – Você estudou no colégio de Dom Helder Câmara, não? Isso em plena ditadura. Será que poderíamos dizer que a Zezé politizada nasceu lá? Zezé Motta – Sim, estudei lá. Foi lá que ganhei a bolsa no Tablado, pela minha dedicação de ensaio, decorar poemas, dedicar tempo. Não tenho a menor dúvida de que eu virei uma pessoa antenada politicamente a partir do fato de ter estudado em um colégio fundado por ele. Um colégio fundado numa favela, na Praia do Pinto. Eu não tinha direito de estudar lá porque não morava na região, mas meu irmão tinha uma namorada que morava, então dei o endereço dela e consegui estudar lá. Quando eu vi que meu padrinho Dom Helder, que me deu a chance de estudar, estava sendo perseguido, exilado, proibido de falar, eu pensei: tem alguma coisa errada com este País. Foi aí que eu virei de esquerda. CineOP – Continuando nessa questão política, mas voltando ao teatro, você estreou profissionalmente como atriz com Roda Viva, não? Zezé Motta – Sim, reforçou minha postura de militante de esquerda, porque eu estreei com uma peça que foi proibida e perseguida, considerada subversiva. Por ser do Chico Buarque, direção de Zé Celso. Eu dei muita sorte, né? (risos) Foi uma loucura, eu estava apresentando uma peça de formatura no Tablado, um ator na plateia viu

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e disse: “Você quer seguir a carreira? Vai ter teste para Roda Viva semana que vem”. Foi assim: eu me formei no final de semana, segunda-feira estava fazendo o teste, passei e comecei a trabalhar. Eu estreei em 1967, no auge da ditadura. Teve aquela confusão toda, fomos proibidos, perseguidos, censurados, espancados. Estreamos no Rio e fomos proibidos. Viemos para São Paulo, fomos espancados. E lá em Porto Alegre, a gente conseguiu fazer um dia. Chegamos no segundo dia e o teatro estava lacrado, a gente chorava em frente ao teatro. Chegamos ao hotel e tinha uma ameaça de bomba. O gerente implorava para irmos embora, não precisava nem pagar. Ficamos então na casa de um dos atores, nos descobriram e sequestraram o Zelão e a atriz que estava protagonizando, Elizabeth Gasper. Foi uma loucura. CineOP – Ainda no teatro, você participou de uma excursão com o Arena, pelos EUA. Zezé Motta – Ah, também foi uma grande sorte. Primeira vez que saí do Brasil foi com Augusto Boal, Teatro de Arena. Saudoso Boal. A gente foi pros EUA, México e Peru, fazendo Arena Conta Zumbi e Arena Conta Bolívar. Este último era proibido de ser encenado no Brasil, porque estávamos em plena ditadura, então fizemos lá. E foi muito engraçado, porque a gente fez também no Paraguai, numa cidade fronteiriça, então os brasileiros que queriam ver Arena Conta Bolívar só precisavam atravessar a rua pra ver uma peça que era proibida no Brasil, algo ridículo. CineOP – Essa experiência nos EUA também te ajudou a despertar a questão racial, não? Zezé Motta – Com certeza. Porque na adolescência eu passei por um processo de embranquecimento muito


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sério. Meus pais, quando foram para o Rio de Janeiro, foram morar numa favela e me colocaram num colégio interno. Depois, aos 12 anos, quando eu saí do colégio interno, eles moravam no Leblon, na Zona Sul, a duas quadras da praia. Tinham melhorado de vida, minha mãe tinha o ateliê dela, estavam vivendo bem. Eles se esforçavam muito para que eu estudasse. No curso de teatro eu era a única mulher negra. No prédio onde morava também acho que era a única. Minhas colegas diziam: “Seu cabelo é ruim, sua bunda é grande, seu nariz é chato”. Eu alisava meu cabelo com ferro quente, comprei uma peruca Chanel. Fui chamada então para fazer Arena Conta Zumbi e lá fui eu com minha peruca Chanel. Daí o Boal tinha uma relação interessante com um pessoal do Harlem e fizemos uma apresentação de cortesia para um grupo de teatro de lá. Eles ficaram revoltados. “O que essa mulher está fazendo num grupo de vanguarda com essa peruca Chanel e representando Zumbi?” Porque o Boal tinha aquela técnica em que todos faziam todos os personagens, então tinha horas que eu era Zumbi, de peruca Chanel. Eu considerei isso como um novo batismo, porque fui para o hotel, me enfiei debaixo do chuveiro e fiquei com aquele black imenso. Quando eu cheguei em São Paulo, lembro-me que um jornal muito popular fez o “antes e depois”. Embarcando de Chanel e voltando com aquele cabelo de Ângela Davis. Então eu considero que nesta época, final de 69 para 70, eu renasci, porque quando eu cheguei nos EUA no auge do movimento black is beautiful, eu comecei a olhar e pensei como eles eram lindos, homens e mulheres. E me dei conta de que os negros brasileiros não se consideravam bonitos. De tanto a gente dizer no Brasil que negro era feio, a gente acreditou e queria embranquecer para ser aceito. CineOP – Ainda nessa questão da imagem do negro

no Brasil, você depois estreou na TV, com Beto Rockfeller, no papel de uma empregada, que foi um papel que te perseguiu, porque você fez vários desse tipo depois. Zezé Motta – Mas o Bráulio Pedroso era muito especial. Ele me chamou e disse: “Seu personagem é uma empregada, mas ela não vai viver a reboque dos outros, ela vai aprontar muito”. E realmente foi uma maravilha. Ela usava roupas da patroa quando a patroa viajava, fazia festas, teve dia que quando a patroa voltou tava rolando uma macumba dentro do apartamento. Foi adorável. Uma pena que eu tenha feito depois várias outras que só abriam e fechavam porta, serviam café. Eu fiz tantas empregadas domésticas em cinema e TV que quando uma escola de samba resolveu me homenagear, tinha uma ala com umas 20 empregadas domésticas, para representar todas que eu tinha feito em novela. CineOP – Daí chegamos ao cinema, onde você estreia com Em Cada Coração Um Punhal, em 1969. E depois na década de 70 você fez dez longas, média de um por ano, trabalhando com Cacá Diegues, Arnaldo Jabor... Como foi essa aproximação com o cinema? Como você chegou, como foi a relação com essa nova turma? Zezé Motta – Primeiro eu trabalhei com o Sebastian (Sebastião de Souza, um dos diretores de Em Cada Coração Um Punhal). Depois fiz Cleo e Daniel, uma pequena participação, e então Vai Trabalhar Vagabundo, A Força de Xangô... Antes de A Força de Xangô, em 1974, fiz um teste para fazer Xica da Silva e fui para a Bahia filmar. Assim, roendo as unhas, ligando para a produção, passei ou não passei, fiquei nessa agonia um mês. E lendo nos jornais a


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cada dia: “Cacá Diegues mandou chamar a sambista Maria Aparecida, que mora em Paris”, “Cacá vai testar a bailarina não sei quem, a modelo fulana de tal”. Daí pensei: “Ah, dancei”. Então, uma tarde, um dos produtores do filme, José Oliosi, me ligou e disse: “Boa tarde, Xica da Silva”. Foi uma loucura. Todos os jornais querendo falar comigo, fechar a matéria e só dava ocupado, porque eu estava ligando para os amigos para dar a notícia. Não estava acostumada com essa vida de celebridade, que tem que deixar o telefone livre. Foi bárbaro. Eu posso dizer que Xica da Silva foi um divisor de águas na minha vida. Eu conhecia EUA, México e Peru. Depois, com Xica, fui a mais de 16 países. CineOP – E o que representava esse personagem para você? A personagem em si, aquela mulher à frente do seu tempo. Como você construiu sua Xica da Silva? Zezé Motta – Eu fui meio sem consciência da responsabilidade que eu tinha com o personagem e da força daquela mulher. Mas eu acho que consegui um bom desempenho porque fui muito bem dirigida. Eu lembro que tinha um amigo, irmão, guru, o Carlinhos Prieto, que fazia meu cabelo, maquiagem, fez todas as capas dos meus discos. Teve um dia que eu falei: “Gente, o que eu tô fazendo aqui? Acho que não vou dar conta”. E ele foi assistir uma prova de roupa, aqueles figurinos do (Luiz Carlos) Ripper, suntuosos, e me disse: “Você vai dar conta sim. Você tem que ser maior que esse figurino”. Eu olhei para o vestido, era dourado de lamê, e pensei comigo: “Lamê dourado! Tenho que ser maior que lamê dourado!”. Eu entrava em cena prestando muita atenção no que o Cacá me pedia e com essa coisa na cabeça, de ser maior que o figurino, que aquela peruca, aquela maquiagem.

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CineOP – Você estava falando dessa parceria com o Cacá Diegues. Você fez cinco filmes com ele, é quase um casamento, não? Zezé Motta – (Risos) Pois é, foi muita sorte minha. Eu digo pro Cacá: “Eu sou uma de suas musas preferidas”. Eu fiz a Xica e quando ele foi fazer Quilombo disse: “Você tem que estar no Quilombo, você me deu sorte”. Então ele me chamou para fazer Dandara e quando eu li o roteiro disse: “Cacá, essa personagem não tem nada a ver comigo, ela não sorri”. Ele disse: “Confie em mim, você vai fazer muito bem”. E foi um exercício fantástico, passar um filme inteiro sem sorrir. Para uma pessoa que vive sorrindo na vida real! Depois do Quilombo, Dias Melhores Virão. E com o Cacá eu tive sorte, porque nenhum dos outros personagens que ele me convidou depois da Xica tinha a ver com ela. Porque no Dias Melhores eu faço uma solteirona, triste. Depois fiz Tieta, outra solteirona, e então a mãe do Orfeu, aquela Jocasta sofredora. É um privilégio, porque o Cacá é um diretor que eu comparo com o (Walter) Avancini na TV, eles têm a mesma técnica. Eles dissecam o personagem a ponto de discutir qual o signo do personagem ou seu orixá. Porque dependendo do signo, do orixá, de onde ele nasceu, isso vai influenciar na postura, na voz, se o personagem tem autoestima... CineOP – Entrando no ponto que será discutido em Ouro Preto, o cinema brasileiro até a década de 70 era predominantemente masculino – tanto dirigido por homens como protagonizado por eles. Os papéis femininos eram muito pequenos, secundários, submissos. Nos anos 70 isso muda, a mulher vem para frente do cinema brasileiro, a mulher forte. Surgem várias protagonistas como você, Sônia Braga, Helena Ramos, Anecy Rocha. Tomam um


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papel grande, se destacam em papéis fortes. O que você acha que levou a essa mudança? Era o contexto da década de 70 ou foi um acaso esse fortalecimento da figura feminina? Zezé Motta – Olha, eu não tinha pensado sobre isso, mas enquanto você me pergunta eu acho que tem a ver com o momento que a mulher estava vivendo, de virar a mesa. Não sou obrigada a ter filho, eu quero ir sozinha a um restaurante. Era tachado de estranho uma mulher sozinha num restaurante. Não vou me casar de véu e grinalda. Quero meu espaço no mercado de trabalho. Isso pode ter relação... Provavelmente as atrizes também foram mais à luta para conquistar um espaço maior no mercado de trabalho. CineOP – E essas figuras femininas lutam para satisfazer seus desejos – de poder, de prazer, de aceitação. E isso invariavelmente passava pelo poder da sensualidade, do domínio sobre o próprio corpo. E talvez um dos melhores exemplos disso seja você e sua Xica da Silva. Aquela cena do primeiro nu de Xica, diante do personagem de Walmor Chagas, aquele olhar da certeza de seu poder diante daquele homem. O corpo como instrumento de poder feminino. Zezé Motta – Na época os radicais do movimento negro criticaram muito, achando que foi muito explorada essa coisa do sexo entre a escrava e o homem branco. Mas dizem que foi assim mesmo... (risos) CineOP – Daí eu me pergunto, questionando minha própria afirmação, até que ponto essa suposta emancipação da mulher no cinema da década de 70 não é para saciar um olhar masculino? Num

momento em que o cinema brasileiro estava procurando muito público – das quatro maiores bilheterias da década, três eram dessas produções com mulheres fortes (Xica da Silva, A Dama do Lotação, Dona Flor e Seus Dois Maridos). Porque tem essa relação dúbia, ao mesmo tempo em que a mulher descobre o poder de seu corpo, ela também sacia um olhar masculino, é objeto dele. Zezé Motta – Eu acho muito divertida essa história da nudez. Eu fui criada num colégio interno e, mesmo sendo só de meninas, a gente tomava banho de camisola. Foi uma infância bastante reprimida. Eu estive lá dos seis aos 12 anos. A gente só recebia visita masculina de pai, irmão, no máximo primo. Até compreendo, tenho o maior carinho por este colégio. Estamos falando de anos 50 e tal; antes dos 60, era assim que eles entendiam que estavam nos protegendo. Quando eu cheguei em casa, minha mãe morava num apartamento pequeno e muito quente. Acho que a primeira coisa que eu fiz foi tirar a roupa. Eu trabalhava com minha mãe no ateliê em trajes sumários e ela dizia: “Seu irmão está chegando do colégio, veste uma roupa”. E eu: “Ele que me olhe com olhos de irmão, porque eu tô com muito calor!” (risos) Não tive o menor problema de tirar a roupa no filme, porque eu sabia que estava fazendo um trabalho sério, era importante aquela cena para o filme. Não foi muito pensado não, eu sou muito intuitiva. CineOP – Atualizando dos anos 70 para hoje, o que você acha que mudou nessa representação da mulher na mídia, TV, cinema, e do negro também, do ator negro? O que mudou nessas relações? Zezé Motta – Olha, as pessoas me perguntam se a


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situação do ator negro melhorou e sem dúvida nenhuma melhorou. E eu fico muito orgulhosa de ter contribuído para isso. Quando as coisas deram certo pra mim com Xica da Silva, eu viajei com Cacá Diegues pelo mundo todo. Quando voltei para minha rotina, perguntei: “Cadê todo mundo?” Éramos muito poucos atores negros, uma meia-dúzia, no sentido simbólico. Além de sermos poucos em cena, nós nos revezávamos. Quando a Neuza Borges estava trabalhando numa novela, não tinha espaço pra mim, porque somos contemporâneas. Quando a Ruth de Souza estava em cena, não tinha trabalho para a Chica Xavier. Quando o Pitanga atuava, o Zózimo Bulbul não tinha emprego. Aí eu comecei a cobrar dos produtores, dos autores, escritores, por que essa quase invisibilidade do negro na mídia. Cada um dizia uma coisa, uma desculpa mais esfarrapada que a outra. “Ah, eu só conheço vocês. Ah, os negros ficam muito inseguros quando fazem testes.” Então fui parar num curso de cultura negra com a saudosa Lélia Gonzáles e na aula inaugural ela falou: “Eu sei por que vocês estão aqui, nós temos que arregaçar as mangas e virar esse jogo”. Daí acho que eu tive uma iluminação, de criar o Cidan – Centro de Informação e Documentação do Artista Negro –, que tem essa função de dizer quem somos, quantos somos e onde estamos. Não se faz publicidade nem novela nem cinema nem teatro envolvendo ator negro hoje, principalmente quando querem uma cara nova, sem que se consulte o Cidan. CineOP – Para encerrar, você estreou no cinema em 1969 e este ano faz 40 anos de cinema. Pelo levantamento que fiz, foram 33 filmes que você fez. Eu queria que você fizesse um balanço. O que o cinema te deu e o que você acha que deu em troca para o cinema nesses 40 anos?

temática histórica 63

Zezé Motta – O cinema foi muito importante na minha vida, porque a virada foi com Xica da Silva. Eu aprendi, por exemplo, as várias medidas que o ator tem que saber para representar. No palco é uma medida: você tem que falar para a última fila. No cinema é outra, como na TV, onde se você abre muitos os braços eles saem da tela. O cinema me levou para conhecer o mundo, outros países, eu aprendi muita coisa com o cinema. Essa coisa da locação. TV você faz e volta, no cinema você fica ali. No Xica da Silva, quando eu via que ia ficar três dias sem filmar, pensava em visitar minha família, mas o Cacá não deixava, pois ele viu que eu era muito dispersa. Às vezes eu via o pessoal jogando um carteado e eu pensava: “Oba, tô nessa”. Daí o Cacá passava, perguntava sobre a cena do dia seguinte e eu tremia. Voltava para o quarto e ficava refazendo a cena diante do espelho. Aprendi com o Cacá essa coisa de ficar possuída pelo personagem. Entrevista concedida pela atriz e cantora Zezé Motta ao crítico Leonardo Mecchi e à jornalista Ana Cristina d’Angelo, a pedido da organização da CineOP, 30 de maio 2009, SP.


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ENTREVISTA COM CACÁ DIEGUES entrevista com cacá diegues independentes, mas formaram uma ideologia, um Daniel entrevista Caetano - Para começar, podia com falar da época cacá diegues de produção dos filmes nos anos 70 e hoje, tanto do contexto estético quanto da organização da produção.

Cacá Diegues - É sempre muito difícil comparar duas épocas tão distantes, são mais de 40 anos. As situações dos cinemas do Brasil e do mundo eram tão diferentes entre si. Eu já tenho dificuldade de comparar os anos 60 com os anos 70, eu já acho que tem um déficit gigantesco entre um e outro. Mas eu posso me lembrar de algumas ideias, algumas construções mentais que a gente fazia naquele momento, e comparar com hoje. Acho que a principal diferença que existe de um modo geral, não só no cinema brasileiro, mas internacionalmente também, era um pouco assim, é que os anos 70 foram anos, aliás, isso começou nos anos 60, em que havia um certo vazio do cinema hegemônico. Ou seja, havia ainda a hegemonia do cinema norte-americano, mas era uma hegemonia que tinha se diluído, se dispersado muito. Daniel Caetano - E isso só ia ser retomado com Guerra nas Estrelas. Cacá Diegues - Exatamente. Ia ser retomado com Guerra nas Estrelas e basicamente com a geração dos anos 70 norte-americana, chamada de New Hollywood, com Scorsese, Lucas, Spielberg, Coppola, que surge aí e é uma espécie de recuperação de Hollywood pelo lado dos chamados independentes, que não eram

determinado pensamento que existia naquela época. Neste buraco, a gente se manifestou muito, nesse “espaço vazio”, nessa falta de um cinema hegemônico consolidado como ideologia, como estilo; a gente que eu digo são os autores de cinemas nacionais, não só do brasileiro, que se manifestaram muito. Isso é um dos fatores da explosão dos cinemas nacionais nas décadas de 60 e 70, é exatamente um pouco isso. Daniel Caetano - Uma crise mesmo. Cacá Diegues - Uma crise e uma coincidência histórica, ninguém tava pensando nisso. Daniel Caetano - A partir também do Neorrealismo, a película era mais sensível, era mais fácil filmar na rua, a gravação de som também... Cacá Diegues - Toda a descoberta tecnológica. Se não fosse o Tri-X da Kodak, as câmeras mais leves europeias, Camerflex e Arriflex, sem o Nagra, o nosso cinema não existiria, como não existiria a Nouvelle Vague. O famoso plano da Jeanne Moreau andando na rua no ChampsElisés, no filme Ascensor para o Cadafalso, um plano ícone da Nouvelle Vague, não existiria se não tivesse a tecnologia desenvolvida. Esse acesso mais fácil à tecnologia. Que de certa maneira está acontecendo de maneira muito mais multiplicada hoje, com as tecnologias digitais, todo mundo filma. É uma coisa que as pessoas


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não se dão conta, mas quando eu comecei a fazer cinema, quando a minha geração começou a fazer cinema, o cinema tinha 50 anos de vida praticamente e era feito em muito pouco lugar. Cinema que circulava, que tinha uma circulação internacional, universal, era o dos Estados Unidos, da Europa Ocidental e um pouco do Japão, mesmo assim o do Japão era muito de vez em quando, eram umas ondas... Daniel Caetano - Em São Paulo tinha muito filme japonês. Cacá Diegues - Tinha muito filme japonês, mas era uma onda. Hoje não, hoje você tem filme de todo lugar do mundo e mais do que de todo lugar, de todas as camadas sociais do mundo. Na China, o cinema clandestino chinês é muito maior que o cinema oficial, muito mais numeroso. Nos Estados Unidos o cinema independente hoje nem é mais independente, já está absorvido. Daniel Caetano - Nos anos 70 o cinema norteamericano era agressivo. Cacá Diegues - Era independente mesmo, era barra pesada. Daniel Caetano - Eram os mais anti-hollywood do mundo inteiro... Especificamente no contexto brasileiro, tinha aquela figura do inimigo que era o poder do Estado. Cacá Diegues - Você tinha dois inimigos. Por um lado, o poder do Estado que era da ditadura formal, formalizada, sem nenhum disfarce.

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Daniel Caetano - Justamente no fim dos anos 60. Cacá Diegues - É, o início é em 64, mas a noite negra começa em 1968. E por outro lado, você tem o inimigo eterno que é o imperialismo. Todos os esforços políticos daquele tempo tinham que fazer uma união contra o imperialismo e a ditadura. Eram sempre os dois inimigos. No cinema isso representava a luta pela liberdade de expressão e a luta pela ocupação do mercado. A ocupação do mercado por filmes brasileiros fazia parte de uma luta maior contra o imperialismo e a ditadura. Era a expressão de um projeto político cinematográfico. Isso é muito diferente. Naquele momento, o cinema era mais importante que os filmes, hoje os filmes são mais importantes que o cinema. Hoje ninguém faz cinema, faz um filme. Naquele momento não, havia uma ideia de projeto cinematográfico que fazia com que cada filme representasse uma ideia de cinema, uma construção ideológica do que deveria ser o cinema, não um filme. Hoje não, você faz um filme. Eu não conheço nenhum cineasta jovem que esteja interessado no cinema neste sentido. Não acho isso errado não. Isso é uma constatação positiva, é uma coisa que está aí, é realidade. Isso está acontecendo no mundo todo. Então, neste projeto de cinema, o dois inimigos eram a ditadura (a repressão, o autoritarismo, a falta de liberdade, a censura) e o imperialismo, que no cinema era traduzido pela ocupação do nosso mercado em 90% por filmes americanos. Isso tudo representava uma luta só. Quando a ditadura começa a se enfraquecer, em meados dos anos 70, no período do Geisel, em 74, a ditadura reconhece que não tava dando conta do recado, que não dava mais para ser daquele jeito. Aí tem um monte de fatores, como a crise econômica mundial, a dívida externa... E aí a ditadura começa a se rever por dentro, empurrada por certos políticos conservadores,


66 temática histórica

entrevista com cacá diegues

mas democráticos, a gente tem que reconhecer que esse movimento todo é resultado não só da esquerda, mas também de políticos conservadores que eram realmente democráticos. Estou falando de Ulysses Guimarães, Teotônio, Franco Montoro, aliados com o surgimento de uma vanguarda popular que era a luta sindical legalista do ABC paulista. Não tinha nada a ver com o que a gente esperava como solução nos anos 60, que era a luta armada e que não foi solução. Esse clima leva a gente para a expectativa de resolver o outro lado dessa questão, o do imperialismo, que era o de ocupar o nosso mercado.

torna uma manifestação desta ideia de desenvolvimento através de investimento estatal no cinema. isso empurrou a Embrafilme para o campo da distribuição, porque ficou claro que, se você não entrar no ramo da distribuição,você não vai ocupar mercado nenhum. Não dá para promover nenhum desenvolvimento. Eu me lembro de dizer na época que era como fazer uma indústria automobilística sem estrada. Sem estrada não vai ter automóvel. Tinha que ter filmes passando nos cinemas e isso só a distribuição dá. Esse foi o conceito básico para entender o que era a Embrafilme naquela época.

Daniel Caetano - E uma boa parte do governo militar tinha esse aspecto nacionalista muito forte.

Daniel Caetano - Isso se define com o Roberto Faria. Nesses dias eu passei Terra em Transe para os meus alunos e a gente falou desta fase de passagem dos anos 60 para os 70 e é curioso como tinha essa divisão muito nítida entre os filmes e que muitas vezes dificulta a gente ver as nuances. No primeiro momento, pós-68, pós golpe do AI-5, até a subida da Embrafilme, a gente vê que há uma preocupação em ter um discurso de confronto, mas que ao mesmo tempo tem que ser velado, então é metafórico, alegórico. Vários cineastas, no caso do Nélson, no caso do Jabor, quem não se exilou teve que fazer um discurso alegórico. E a partir dos anos 70 esse discurso alegórico começa a se mesclar com uma tentativa de conquista do mercado.

Cacá Diegues - Sobretudo o Geisel. O Geisel assume nitidamente para retomar aquele princípio básico do getulismo que Juscelino sustentou, que era o de alavancar o desenvolvimento do País através do investimento estatal. Como foi com o petróleo, na política energética, na indústria automobilística e como deveria ser no cinema. Daniel Caetano - Ele tinha um ministro do Planejamento, o Reis Veloso, que apoiou... Cacá Diegues - Exatamente. Isso no cinema era a Embrafilme, que não foi inventada pelo Geisel, ela foi criada em 1969. Daniel Caetano - Para distribuir os filmes brasileiros. Cacá Diegues - Por um ato militar. A finalidade da Embrafilme era promover – não era nem distribuir – cinema brasileiro no exterior. Fazia parte da campanha do Brasil, Ame-o ou Deixe-o. Em 74, com o Geisel, ela se

Cacá Diegues - Eu tenho o maior orgulho de ter sido participante do movimento do Cinema Novo, mas hoje eu vejo claramente que o Cinema Novo, independentemente do que a gente queria, nada mais é do que a fundação do cinema moderno no Brasil. O Brasil foi o primeiro país do chamado Terceiro Mundo - ou subdesenvolvido, se preferir - que manifestou o desejo de um cinema


entrevista com cacá diegues

moderno, através do Cinema Novo. Mas o Cinema Novo, exatamente porque era moderno, tinha uma vocação mais realista, libertária, revolucionária. Quando era mais radical era revolucionária, quando era menos, era no mínimo libertária. Essa matéria-prima do cinema novo foi interditada. Quando você não pode mais dizer o que você quer, você está interditando a possibilidade de existência daquele cinema que tinha sido criado no final dos anos 50 e início dos anos 60. Daniel Caetano - Aí tem que abandonar o Realismo. Cacá Diegues - Tem que abandonar o Realismo e vai para a alegoria, para a metáfora. Daniel Caetano - Mas um Glauber Rocha nunca foi plenamente realista. Cacá Diegues - Bem, Barravento é realista. Mas o Glauber é outro caso. Esse princípio do Realismo, da ideia política da mudança, que é um princípio modernista, de transformar não só o cinema como a própria realidade, isso é um tema básico do Modernismo. O tema do progresso, da transformação, da mudança. Ele vai aparecer em Deus e o Diabo de uma forma épica. O Cinema Novo não é um movimento que a gente possa definir esteticamente. A poesia barroca do Glauber não tem nada a ver com o lirismo social do Nelson. O racionalismo positivista do Joaquim Pedro não tem nada a ver com o cinema russo do Leon Hirzsman, o intimismo do Paulo César Saraceni não tem a ver com o nelsonrodriguianismo do Jabor. O que tinha em comum era essa ideia moderna de um cinema brasileiro que se transformasse enquanto cinema e ao mesmo tempo fosse capaz de transformar a realidade. Até digo brincando, mas com carinho, que

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o projeto do Cinema Novo era muito simples, só tinha três pontos: mudar a história do cinema, mudar a história do País e mudar o mundo. Mas isso é o princípio do Modernismo. Quando entra a ditadura, aquilo fica proibido sob pena de morte. Ou você se exila ou encontra outra maneira de manifestar as suas ideias. Como as suas ideias estão proibidas, você tem que disfarçá-las com alegorias, metáforas – mais do que nas metáforas, nas metonímias, que eram mais digeríveis. Assim, se cria um cinema de resistência basicamente através do silêncio, do murmúrio. Você não pode dizer o que você quer, mas também não vai dizer o que eles querem, vai dizer o que é possível dizer. Através de um pretexto estético - você transforma o modo de fazer em estética. Entendeu? O modo de fazer vira estilo. Eu não posso falar, então eu vou inventar um estilo cinematográfico em que, eu não falando, falo. Era uma forma de resistência. Daniel Caetano - O estilo vira uma forma de confronto. Cacá Diegues - Exatamente. É o que acontece até a ascensão do Geisel e da Embrafilme. Eu acho que o cinema marginal - eu detesto esse nome, acho que não tem anda a ver, mas em suma... esse cinema, embora tenha surgido como resposta ao Cinema Novo, ele nada mais é do que uma consequência do Cinema Novo, respondendo a um sentimento de impotência que o Cinema Novo tinha. Enquanto o Cinema Novo balbuciava esses temas através das formas alegóricas, esses filmes diziam: vamos continuar aqui a revolução da existência e do próprio cinema porque esse negócio aí acabou. É uma chamada às falas muito oportuna, mas que corre paralela a estética do silêncio, do murmúrio. Você vai vivendo esse equilíbrio até 1974, com a Embrafilme, quando você começa a


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vislumbrar no horizonte uma possibilidade de liberdade, ou seja, a volta daqueles temas que fizeram a nossa cabeça, que deram para nós a razão para fazer cinema, e ao mesmo tempo a possibilidade de retomar um processo de ocupação no mercado, como nós havíamos feito. Porque o Cinema Novo é o único movimento cinematográfico na história da humanidade que começa com a criação de uma distribuidora, a Di Filmes. A Di Filmes era feita por 11 diretores: eu, Luiz Carlos Barreto, Nelson Pereira, Joaquim Pedro, Glauber Rocha, Leon Hirzsman, Paulo César Saraceni, Roberto Faria, Riva Farias, Roberto Santos. Em suma, a Embrafilme era a retomada de um projeto que estava lá no início, mas modificada pelos tempos que nós estávamos vivendo, pela experiência que nós tínhamos. Se você for mais atrás você encontra esse projeto em Alberto Cavalcanti, naqueles congressos paulistas, está tudo lá. Já falavam da presença do Estado no cinema. Alberto Cavalcanti tem a famosa intervenção dele no primeiro congresso de cinema em São Paulo, em que ele diz que o que salvou o cinema europeu foi a integração do Estado no cinema. Isso não caiu do céu, e a Embrafilme foi um ponto culminante nessa história. Daniel Caetano - E que teve a maior comunicação com o público. Cacá Diegues - Exatamente. Esse projeto estava lá atrás até mesmo de maneira mais clara na Di Filmes, quando se dividia entre lançar Terra em Transe, Grande Cidade, junto com o Roberto Carlos, e também com o filme do Domingos, Todas as Mulheres do Mundo, um belo filme que tinha espaço no mercado. O Menino de Engenho, do Walter Lima... Isso aí está na história. Daniel Caetano - Você falou da presença do Estado. Hoje em dia a maior parte da produção audiovisual

que é consumida, não digo produzida, porque isso as pessoas fazem independentemente, mas a que é difundida é feita com o suporte do Estado via leis de incentivo e editais de cultura. Existe essa produção da mesma maneira sustentada pelo Estado, mas a questão da difusão mudou completamente com o surgimento do vídeo, a presença da TV, as pessoas não vão mais tanto ao cinema. O que eu acho que tem a ver com discutir o cinema ou meramente fazer um filme está muito nessa raiz do “por quê você faz”. Na época da Embrafilme, você fazia um filme e tinha um esquema para exibi-lo. Hoje em dia você faz para ver se tem como difundir e não sabe muito bem como. O pensamento é de conseguir recurso para que a obra exista não é entrar num mecanismo de difusão. Você tendo vivido esses dois momentos, você está produzindo um novo Cinco Vezes Favela, é um filme que vai ter que entrar nesse esquema. Como é que a gente consegue ser visto, ser difundido? Claro, é um filme que naturalmente vai despertar curiosidade, mas como era organizar uma produção naquele momento e hoje? Mesmo sabendo que mesmo nos anos 70 vai ter diferenças imensas de ano para ano. Cacá Diegues - Eu falaria mais da diferença entre a experiência da Embrafilme para o que é hoje em dia. A Embrafilme só foi possível porque havia uma ideia do Estado de alavancar a economia brasileira através do investimento estatal. Daniel Caetano - O Lula está fazendo algo assim. Cacá Diegues - É, mas fazendo mais publicidade do que qualquer outra coisa. O Lula não criou nenhuma empresa


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estatal em nenhum ano. Ele apenas estimulou as empresas privadas brasileiras. Não estou dizendo que ele deveria ter feito isso, mas é outro esquema. Naquela época era o Estado que construía Itaipu, a Transamazônica e a Embrafilme. Isso era parte do mesmo projeto. O Estado investia para que o País se tornasse uma potência e, no cinema, a Embrafilme foi o instrumento disso. Isso dura até o Brasil quebrar nos anos 80. Porque isso tudo endividou o País e com a crise do petróleo o País quebra, faz a moratória no Governo Sarney. Esse período é quando a Embrafilme começa a cair. Eu me lembro que, em 1984, eu dei uma entrevista para a Folha e dizia que o modelo da Embrafilme acabou, porque a economia brasileira não permitia mais a existência da Embrafilme, o Estado não tinha mais interesse. Como é que o Estado, em situação de moratória, devendo o diabo ao mundo inteiro, vai ter o luxo de ter uma empresa dessas? Não tem jeito, tem que descobrir outro modelo. E a Embrafilme entra em decadência, que na época é atribuída à incompetência administrativa, à má qualidade dos filmes. Não é nada disso. Não tinha mais recursos financeiros ou políticos para fazer o que Roberto Farias tinha feito e depois o Celso Amorim fez e até mesmo o que o Roberto Parreira fez. Depois acabou, não tinha mais como. Essas circunstâncias todas, de um projeto de cinema brasileiro, essa coisa não existe mais. Você hoje não tem um projeto de cinema brasileiro, você tem filmes brasileiros. Tanto que hoje, quando você quer elogiar o cinema brasileiro e nomear uma virtude principal do cinema brasileiro, você fala essa palavra mágica que é a “diversidade”, porque nisso cabe tudo. Daniel Caetano - Mas aí é mais difícil delinear as tendências, que sempre existem. Acho que nos anos 70 tinha mais diversidade do que hoje.

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Cacá Diegues - Ah, não... Daniel Caetano - Acho que talvez sim, porque tinha mais filmes, tinha 100 filmes por ano. Talvez tivesse uma diversidade menor em termos de classe social. Cacá Diegues - Mas essa diversidade dos anos 70... Tinha mais quantidade de filmes, mas dentro dessa quantidade a diversidade não era tão grande. Desses 100 filmes, a metade era de pornochanchada. A Embrafilme, desses 100 filmes, produziu 35, 40. A maioria dos filmes era feita por uma situação econômica favorável que permitia que se fizessem muitos filmes. Havia essa desrepressão provocada pela pornochanchada, que nem era tão forte. Se você vir hoje uma pornochanchada da época, você fica escandalizado com a inocência. Não tem nada. São piadas ambíguas infantis, típicas de criança. Daniel Caetano - Quase sempre preconceituosas, machistas... Cacá Diegues - Sim, preconceituosas, racistas... Mas essa era grande tendência naquele momento. E dentro da Embrafilme a diversidade existia, mas com muito menos tendências do que se tem hoje. Porque o que acontece hoje é uma multiplicação dos meios de produção. Eu comecei a entrar em contato com essas organizações culturais de favela há uns 13 anos, quando eu fiz Veja essa Canção. Foi em 1993, quando eu descobri o Nós do Morro, eram umas 12, 15 pessoas, coloquei no filme, trabalhei com eles. Aí me aproximei do pessoal da Cufa (Central única das Favelas), dei aulas, fiz palestras. O pessoal da Cufa de Cidade de Deus me pediu para organizar um curso de audiovisual para eles lá. Eu não sou professor, não sei fazer isso direito, mas quem sabe... Aí organizamos. Como eu


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organizei o curso, fui convidado para dar a aula inaugural. Isso não foi ontem, faz mais de 10 anos. Aí eu pensei: como é que eu vou falar de cinema para um público que eu sei que tem uma educação precária? Que talvez nem tenha dinheiro para ir ao cinema... Quando eu cheguei lá, tinha 120 alunos, com uma média de 20 e poucos anos, dos quais, não vou dizer metade nem 20%, mas tinha uns 10 ou 15 que já tinham feito filmes. E aquela aula inaugural foi uma análise do filme deles. Claro que era curtametragem, feito em mini-dv, editado no computador. Isso provocou uma explosão que eu acho que é universal, não é só aqui não. O Brasil é um país muito moderno. A Internet surge e o Brasil é um dos principais usuários de Internet no mundo. Nessas produções digitais também acontece isso. Daniel Caetano - Mas são muito pouco difundidas, né? Cacá Diegues - Nada difundidas. Eu vou chegar lá, essa é a questão fundamental. Você tem hoje uma espécie de alfabetização audiovisual do mundo todo. Com a invenção da imprensa, o saber, que era uma propriedade quase exclusiva dos monges, se expandiu, mais pessoas tiveram acesso ao saber através da imprensa. Ela alfabetizou a Europa ocidental e daí partiu para o mundo, de tal modo que a imprensa é uma das origens do Renascimento. Isso está acontecendo hoje no audiovisual. Os filmes estão se fazendo em todos os países – Tailândia, Mali, Paraguai, Equador. Ano passado eu fui em Mar del Plata e vi dois filmes do Equador. Agora em Madri eu vi um filme guatemalteco. Quando eu podia imaginar isso, um filme guatemalteco? E é um bom filme. A rápida comunicação no mundo moderno faz com que as informações estéticas, ideológicas, de linguagem, passem muito rapidamente de um país para o outro e, mais importante, de uma

camada social para outra. Você vê a grande explosão do cinema romeno na Europa. Quando é que a gente poderia imaginar que o cinema romeno seria uma atração no panorama europeu? Pois é... E não só se filma no mundo todo como diferentes camadas sociais se manifestam pelo audiovisual. Aí vem esse problema que você colocou. Isso se dá, mas o controle da difusão continua na mão dos poderes hegemônicos em cada circunstância. Você não tem mais um Estado que se interessa em alavancar a economia do cinema através do investimento. Isso acabou, não vai acontecer nunca mais, porque isso é uma coisa que dificilmente volta, uma coisa como a Embrafilme ou o Icaic cubano. Hoje se tem as agências como o padrão para a legislação, tanto que a organização estatal que é padrão hoje no mundo todo é o CNC francês, que é imitado em vários países. A grande questão hoje é como liberar a difusão desses filmes. Hoje se filma pra caramba nas favelas cariocas, é impressionante. Eu nem tenho mais tempo para conseguir ver todos os filmes que eles me mandam para ver, de tantos que são feitos. Mas esses filmes não circulam, ou quando circulam é no pequeno circuito de cineclubes, que também é interessante. Por isso que eu acho essa campanha que aconteceu no ano passado contra os festivais brasileiros um absurdo! Os festivais são uma das poucas oportunidades que se tem de fazer esses filmes aparecerem, circularem. Se não fossem os festivais, nós teríamos muito menos filmes conhecidos do que hoje. Ao contrário, deveriam financiar mais festivais. Hoje vivemos num mundo em que a circulação não se dá apenas em um canal, mas em muitos canais: a sala de cinema, o cineclube, a Internet, a televisão, o DVD, os festivais. Assim como as formas de produção se multiplicaram, também as formas de distribuição se multiplicaram e cada filme vai encontrar seu nicho e fazer com que todas essas formas de difusão sejam socialmente


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existentes, fazer com que signifiquem socialmente alguma coisa. Aí sim o Estado tem que financiar os cineclubes, os festivais. Não vai financiar a televisão, não precisa. O que eu defendo é o Estado fortalecer essas formas alternativas de difusão - que não são mais alternativas. Algumas são mais poderosas que o próprio circuito cinematográfico tradicional. Você não tem mais a sala de concerto, ela é apenas a vitrine da obra, tem várias formas de difusão. Uma vitrine que você muitas vezes nem tem necessidade de passar por ela. Hoje existe a cultura de guetos, a obra circula por canais que não dependem mais da sala de cinema. Daniel Caetano - Você falou da Embrafilme nos anos 80, é inevitável lembrar que também naquela época se disseminaram o videocassete e os filmes na televisão. A queda na venda de ingressos foi vertiginosa e isso não foi só no Brasil, foi no mundo todo. Essa queda de ingressos refletiu uma democratização, porque antes era preciso ter o cinema perto para se ver um filme. Hoje em dia qualquer pessoa tem TV. É inevitável pensar por que esses filmes não estão na TV pública, se ela existe. Cacá Diegues - E por que eles não estão na TV aberta também? Por que a TV Globo é a única emissora no Brasil que passa filmes brasileiros, e assim mesmo é muito pouco? Por que a Record, o SBT, a Rede TV não passam filmes brasileiros? Daniel Caetano - Porque no Brasil não tem regra, pode passar só conteúdo próprio ou estrangeiro. Cacá Diegues - É por isso que eu digo que tem que passar um roto-rooter nesses canais de circulação, para abrir o caminho para os filmes.

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Daniel Caetano - O que me impressiona mais é a resistência da TV pública. Porque quando é privado tem sempre a discussão sobre como é que se vai legislar. Cacá Diegues - É uma concessão pública... Daniel Caetano - Sim, mas é sempre muito delicado. Mas se existe a TV pública com o mecanismo de difusão, por que todos esses filmes que são feitos com as leis não estão, todos eles, sendo disseminados pela TV pública? Cacá Diegues - Tem uma coisa, Daniel, que eu tenho falado e o pessoal acha que é brincadeira, mas é verdade: em vez de se financiar o produtor, seria melhor começar a financiar o consumidor. Dar chance ao consumidor de ver os filmes que eles querem ver. Limpar os canais para que o consumidor possa realmente escolher o que ele quer ver. Os canais que eu digo não são só os de televisão, são todos os circuitos do audiovisual. Daniel Caetano - Até download. Poderia ter download legal. Cacá Diegues - Claro. Eu não acho que pirataria seja uma questão policial, é uma questão social. O cara compra aquele filme porque não tem dinheiro para consumir o produto que ele quer formalmente. Isso você soluciona tirando os impostos, aí o Estado é importante. Para o DVD ficar mais barato. Porque se você coloca no mercado um DVD formal mais barato, só um pouco mais caro que o pirata, o cara vai preferir o formal porque sabe que vai ter o produto de qualidade. Em vez de resolver o problema


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social, porque existe uma demanda reprimida fantástica que não é atendida por causa do custo do ingresso, do DVD, colocam a polícia na rua. Mas não adianta nada, você não consegue reprimir uma necessidade. É a mesma coisa que você bater num cara que está morrendo de fome e rouba alguma coisa no mercado, é uma necessidade, não adianta reprimir uma necessidade. A gente sempre procura ou o cassetete ou a mágica. Não vai resolver. A intervenção do Estado tem que ser essa: na TV pública, nas regras para a televisão, no DVD mais barato. Outro dia fui comprar um DVD daquela coleção do Leon Hirzsman, e custava 80 reais. Comprei porque era ele, quero ter na minha casa, mostrar pra minha filha, mas quem é que pode dar 80 reais em um DVD duplo do Leon Hirzsman? Está condenado a ser um produto consumido por uma elite acadêmica, universitária, mínima. Daniel Caetano - E vai se disseminar via download, porque já deve estar na Internet. Cacá Diegues - É evidente. Por isso que eu falo de financiar o consumidor em vez de financiar o produtor. Daniel Caetano - A Embrafilme sustentava sobretudo a distribuição. Cacá Diegues - Sim, o auge da Embrafilme foi quando ela trabalhou na distribuição. Daniel Caetano - Muito mal comparando, é como se a TV Brasil financiasse pilotos, mas eles têm que ser exibidos na TV Brasil. Cacá Diegues - Ainda mais: deveriam ser exibidos na televisão geral, nos canais de TV brasileiros. Daniel Caetano - Mas vamos falar sobre o tema e a

homenageada da Mostra de Ouro Preto. Quando me falaram que eu ia entrevistar o Cacá Diegues e conversar sobre as mulheres nos seus filmes, eu pensei: bom, vamos ter que falar do Bye Bye Brasil, onde tem aquela situação em que o Lorde Cigano põe as mulheres para se prostituir, numa representação de um momento em que a relação com o erotismo no cinema era profundamente machista e preconceituosa. Já no caso da Xica da Silva a mulher vence pelo sexo, busca o poder pela sedução. Cacá Diegues - Eu devo confessar que nunca pensei especificamente em fazer Xica da Silva e Bye Bye Brasil com esse foco sobre a mulher na sociedade brasileira. Não era bem nisso que eu pensava. Claro que isso aparece na medida em que o personagem feminino é o mais forte do filme, no caso de Xica da Silva. Na verdade, Xica da Silva é resultado de um estado de espírito daquele momento, é uma espécie de pílula energética em um momento de depressão. Não adianta ficar lamentando o que está acontecendo, é importante dar a volta por cima. Não é um filme sobre a liberdade, como muita gente se equivoca, é sobre a sua capacidade de ser feliz em qualquer circunstância. Eu sintetizo ele nessa expressar popular de “dar a volta por cima”, é o desejo de fazer com que em qualquer circunstância você possa tentar ser feliz, você tem direito de ser feliz. É como eu disse uma vez em Havana: eu não estou a fim de esperar a revolução para ter um orgasmo. Quero ter antes da revolução, não preciso esperar. Xica da Silva é um pouco essa ideia: antes de fazer a revolução nós precisamos nos libertar de nós mesmos, de nossas culpas, de nossos sentimentos de repressão interna. Eliminar a repressão interna para lutar contra a repressão externa. Aí entra o papel da mulher, que é muito importante no filme, sem dúvida nenhuma. Eu me inspirei


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no conceito de sexo dos modernistas, sobretudo no Oswald e Mário de Andrade, do matriarcalismo, mas sempre no tom de brincadeira. É o sexo como uma coisa não culpada. Uma coisa que eu acho desagradável no cinema contemporâneo é que o sexo aparece, não sempre, mas frequentemente aparece como trágico, provocador de tragédia, como um confronto insuperável do homem. Acho isso muito chato. Acredito na ideia do “ai, que preguiça”, do “tá gostoso, meu benzinho?”, do Macunaíma, do Mário de Andrade. O sexo como jogo, como brincadeira, como farsa construída para o prazer humano. No Manifesto antropofágico o Oswald diz que o carnaval é o ritual religioso da nação. É isso: é a religião da nação. E a mulher no centro disso, como o elemento matriarcal da sociedade brasileira, que é uma sociedade matriarcal e é muito mais feminina que qualquer outra coisa. O Brasil é um país feminino. Então, eu tive a sorte de ver a Zezé Motta num palco de teatro e descobrir que só ela poderia fazer esse papel da Xica da Silva. O sucesso de Xica da Silva se deve muito à capacidade da Zezé de entender esse personagem. Daniel Caetano - Ela tem muita presença de cena. Cacá Diegues - Por entender o personagem, porque aquilo tudo não foi só instinto dela não, foi muita conversa comigo, graças à inteligência dela, à percepção dela. Graças ao próprio papel dela na política do movimento negro na época e o que ela representa até hoje. Na época eu enfrentei muita crítica, diziam que eu tinha saído dos ideais do Cinema Novo, que o filme era uma pornochanchada... Acusaram também o Joaquim por Guerra Conjugal, que é mais ou menos da mesma época. Se você for ver Xica da Silva, não tem uma cena de sexo no filme, é tudo fora de quadro. A única trepada em cena é do Walmor Chagas com a Zezé Motta, e é debaixo de um lençol. Eu fiz questão de

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fazer assim porque não estava interessado na exploração do sexo como Lorde Cigano faz em Bye Bye Brasil, estou interessado no elogio do sexo, na sensualidade, no erotismo como fonte de vida, como subversão da ordem. Desarrumar o arrumado e desarrumar por dentro. É como os tropicalistas fizeram e como eu estou tentando fazer agora nesse novo Cinco Vezes Favela. Não é ficar do lado de fora jogando pedra na vidraça do castelo. É entrar no castelo e desarrumar por dentro. Os modernistas fizeram isso, os tropicalistas, o Cinema Novo. E era essa a ideia do Xica da Silva, assim como de quase todos os meus filmes, até hoje. E para isso usar o gosto pela vida, usar o erotismo como manifestação de uma alegria de estar no mundo. Isso rebate também no Chuvas de Verão, que é sobre isso, uma ideia de que nunca é tarde, uma crença de que ninguém deve se entregar antes de morrer. Havia ali uma tentativa que eu não faço mais, mas é muito importante: assim como eu lhe digo que naquela época havia um projeto de cinema, mais do que uma ideia de filmes, eu digo também que havia uma ideia de mundo, muito mais do que projetos de vida pessoal. Então era preciso mexer nisso, botar de cabeça para baixo: tudo bem, o que está acontecendo no mundo é muito importante, mas pense também na sua vida e na sua capacidade de resistir. Na época isso era revolucionário, porque o que existia era a lógica de que ou se muda tudo ou não muda nada. Daniel Caetano - Que é a lógica da revolução. Cacá Diegues - É, é a lógica da revolução: ou a gente muda o mundo todo ou nada vai mudar. O que é apenas uma maneira de você anunciar a sua impotência, é um álibi para não mudar, para a negação da vida. E é nesse sentido que eu digo que está acontecendo uma coisa nos filmes de hoje, que eu mesmo também tento fertilizar, que é o de criar um


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novo humanismo, que não seja um humanismo triunfalista. Porque todos os humanismos ocidentais foram triunfalistas, o Cristianismo com a ascensão aos céus, o comunismo com a sociedade sem classes... O homem é impreciso, é imperfeito, então é preciso inventar um neo-humanismo, um humanismo que não termine com um triunfo final, que sobreviva de crise em crise. Porque o estado natural do homem é a crise, cada solução é a criação de um novo problema. É isso o que os tropicalistas fizeram, também é o que o Glauber fez, de certo modo. Mas Glauber já é uma outra história... Eu estou escrevendo um livro, sabe? Mas não é propriamente autobiográfico, é mais uma reportagem memorialista. Por enquanto ele está com o nome provisório de Almanaque íntimo do cinema brasileiro. São observações, e eu falo muito de Glauber. A revista Granta publicou um dos capítulos que eu escrevi, um sobre o meu último encontro com Glauber em Sintra. Aquilo explica o que eu quero dizer: o Glauber era um cometa, uma coisa que a gente não sabe para onde vai, mas ilumina a gente e a gente não esquece. Era o permanente confronto com o clichê, o lugar-comum. Tem aquela frase que o Nelson Pereira dizia muito: Cinema Novo é quando o Glauber está no Rio de Janeiro. Mas ele só virou unanimidade depois que morreu, Daniel... Daniel Caetano - A morte canoniza, não é? Cacá Diegues - E, no caso dele, canonizou da noite para o dia. No enterro tinha gente que no dia anterior estava esculhambando ele. Entrevista concedida pelo cineasta Cacá Diegues ao crítico Daniel Caetano, a pedido da organização da CineOP, 04 de junho de 2009, RJ.


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TEMÁTICA PRESERVAÇÃO

SEMINÁRIO ENCONTRO NACIONAL DE ARQUIVOS


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temática preservação temática preservação temática o diabo torto preservação “Há um diabo torto com esta história de cultura no Brasil” Paulo Emilio Salles Gomes Os filmes morrem sem gemer. Sepultados dentro de suas latas, vão padecendo da ferrugem delas, dos fungos que se instalam na película, da acidificação das camadas sensíveis que lhe são aplicadas, de descoloração, de encolhimento, abaulamento, empedramento, até a decomposição final. Viram vinagre. Se tivessem ossos pareceriam humanos definhando em campos de concentração, onde o destino último dos corpos era a incineração. Deveria fazer-se uma história dos incêndios famosos do acervo cinematográfico brasileiro. É no brilho das chamas que os filmes moribundos conseguem finalmente aparecer. Uma história de horrores. O horror... o horror! Porém secreta, conhecida somente por aquele punhado de bravos que se dedicam à preservação das imagens brasileiras em movimento. Movimento para onde? Eis o problema. Não são raras as referências que ligam o cinema à morte. Desde a célebre afirmação de André Bazin ligando a origem da fotografia às técnicas de mumificação do Antigo Egito, à outra de Henri Bergson falando da importância do cinematógrafo como testemunho futuro da forma como os antigos se movimentavam, ou a de Jean Cocteau sentenciando que a sétima arte era a única que registrava a morte em seu trabalho. Logo depois do culto adorativo ou temeroso do homem primitivo pelos

fenômenos naturais surge, na história das religiões, o culto aos mortos. Ainda hoje talvez haja sobrevivência dele em alguns “tambores” de São Luís no Maranhão ou na ilha de Itaparica, na Bahia, em secretos rituais da diáspora africana dos cultos yorubá. A veneração pelos anciãos na China, na Índia, no Japão, civilizações milenares, testemunham como a integração do passado ao presente pode ser estruturante. Ou então a adoração aos velhos textos, como fazem os judeus com o Talmud, os maometanos com o Corão, os sikhs com seu livro sagrado. É evidente que para sentir a morte como parte da vida e o presente como continuação do passado, a experiência da velhice como dádiva, uma cultura tem que ser amiga de si mesma. Não é o nosso caso. Ainda citando P. E.: “No Brasil o subdesenvolvimento não é um estágio, mas um estado”. O País tem boas razões para não gostar de si e individualmente cada um sabe das suas. Derrubar a floresta milenar, árvores cujo tronco é da grossura da altura de um homem, para plantar soja ou criar gado para a exportação, estabelecendo um frágil e temporário equilíbrio da balança comercial, vendendo colonialmente matéria-prima bruta, sem valor agregado, para poder fingir prosperidade, não dá propriamente orgulho da Pátria Mãe. Esconder da população que há dezenas (centenas?) de milhares de leprosos no País, designando hipocritamente a doença de “hanseníase” – pasmem, é por força de lei - quando ela já está praticamente extinta no mundo inteiro, também não. Cada um de nós tem sua


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lista particular das razões por que não se ufana de seu país, ao contrário do poema de Olavo Bilac. É o complexo de viralata de que falava Nelson Rodrigues. O Brasil não merece o Brasil e sabe disso. Sente que não vale nada. Por esta desrazão assassina em silêncio suas imagens. É capaz de gastar centenas de milhões de reais por ano (duzentos, quatrocentos?, tanto faz) na produção de um cinema de relevância no mínimo discutível, mas não reconhece a importância de investir em sua preservação. Não se importa que sobrevivam somente 7% dos filmes produzidos no período do cinema silencioso, nem que os filmes de outras épocas estejam perdidos ou se perdendo. É o mesmo índice de sobrevivência da Mata Atlântica, o bioma mais rico do mundo, que continua sendo desmatada, sem servir de exemplo. Se a cultura é o meio ambiente da alma, e suas imagens representadas o melhor testemunho da consciência coletiva, a semelhança não é uma mera coincidência. Num país de curto prazo, onde o horizonte possível é a próxima eleição a dar-se no máximo em dois anos, onde metade da população não tem acesso a esgotos porque não aparecem na mídia, quem irá se preocupar com as imagens do passado? E do futuro também. Quem reconhece sua importância estratégica como fator de formação de individuação e autoestima, como matériaprima de cidadania, como um direito das futuras gerações de se reconhecerem? Os jornais televisivos terão daqui a cinquenta anos a mesma importância que tem hoje o

material de repertório que cobre o século XX. Excluindo os interesses privados das próprias empresas de televisão em guardá-los e que variam de uma para outra segundo maior ou menor prosperidade, onde estão as disposições legais que garantam seu armazenamento e sobrevivência? Quantos registros já foram jogados fora para aproveitamento do suporte, de valor risível perante o valor do conteúdo que fixavam? As coisas mudam, mas também não mudam. Entender é importante, mas não adianta reclamar, se queixar, lamentar-se autopiedosamente. Só os que têm consciência da questão podem modificar a atitude da sociedade, dos políticos, do governo a este respeito. É o grande desafio. No velho dilema das cinematecas entre preservar e difundir, é possível que tenha chegado o momento de fazer com que uma grande operação de difusão consiga criar as condições necessárias para a preservação. Embora a consciência da necessidade de preservação esteja aumentando e este encontro é disto um testemunho notavelmente vivo, ela não o faz no ritmo em que os filmes se degradam. O fato da preservação ser o último elo da cadeia econômica cinematográfica e audiovisual, oculta o fato dela ser talvez o primeiro elo de uma outra cadeia, aquela em que o conteúdo é a matéria-prima de um novo conteúdo, de segunda geração. É preciso entender também que a necessidade de preservar as imagens nasce e vive conjuntamente com a cultura cinematográfica e audiovisual. Neste sentido a academia, as escolas de formação profissional, a crítica, os pesquisadores são aliados


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fundamentais. A atualidade é midiática e o tráfego de imagens se torna tão importante quanto o de palavras. Para a juventude a tela do computador é uma peça cotidiana, ferramenta de trabalho, de comunicação e de lazer. Há uma situação nova que pode ser semelhante à década de 20 do século passado, quando o cinema tomou consciência de sua importância como mídia, como linguagem, como expressão artística, como cultura. São necessários novos fanáticos, de cuja fé a palavra fã é uma abreviatura. Se a guerra não é mais de exércitos mas de civilizações, urge a ressignificação das imagens e de sua cultura para enfrentá-la. Ou para superá-la, num movimento de convergência realimentado pela diversidade cultural. Vide o histórico discurso de Barak Hussein Obama no Cairo, propondo uma reinauguração das relações entre o Ocidente e o Islã. Os deuses do futuro falarão por imagens, dizia Abel Gance depois de fazer Napoléon, em 1929. E aí entra o mundo digital, um novo continente para o conteúdo. Mas esta é outra história... Gustavo Dahl Presidente do Conselho da Cinemateca Brasileira e gerente do CTAv – Centro Técnico do Audiovisual da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura


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Homenagem à memória de rudá de andrade Homenagem à memória de rudá de andrade porde trás, viabilizando, realidade ao projeto. E RUDÁ, O DESCOBRIDOR à memória Homenagem rudádando de andrade Rudá Porominare Galvão de Andrade, filho de Oswald de Andrade e Patrícia Galvão, apenas, mas com identidade própria, passou toda uma vida dedicando-se com muita discrição a semear, implantar e fazer crescer instituições sem as quais a cultura, a preservação e o cinema brasileiro não seriam os mesmos. Assim, citando de memória, a Cinemateca Brasileira, a Escola de Comunicação e Artes – ECA, da USP, a Sociedade Amigos da Cinemateca – SAC, o Museu da Imagem e do Som de São Paulo, o conjunto de salas de exibição Belas Artes, a rede de oficinas culturais do Governo do Estado de São Paulo, todas iniciativas bemsucedidas. Sem falar nas outras que devo estar esquecendo ou nem sei. Um olhar mais detido vê correr entre esSes organismos o fio inconsútil da vocação de modernidade. A Cinemateca Brasileira, na qual ele era o braço-direito de Paulo Emílio Salles Gomes, não existiria sem a sua excepcional capacidade de trabalho e operação. Posso afirmar porque eu estava lá, fui seu secretário executivo enquanto ele era o conservador-adjunto. A ECA também. Convocado por Paulo Emílio – sempre alguém precisa trabalhar - Rudá atraiu para ela o diretor Roberto Santos e nela inventaram uma geração de jovens diretores, montadores, professores que iriam fazer o cinema paulista, o neon realismo. Lembro-me de sua descrição da movimentação de Paulo Emílio, quando consciente da dificuldade da afirmação da Cinemateca Brasileira decide fazer um recuo estratégico e abrir uma segunda frente, a da formação, o repasse do conhecimento. Rudá

formando uma turma de discípulos que o amam até hoje, órfãos de seu humor sui generis e de sua generosidade. A Sociedade Amigos da Cinemateca permitiu que a própria sobrevivesse às dificuldades dos anos de chumbo. O Museu da Imagem e do Som foi o primeiro do gênero no Brasil e via o tronco do cinema, mas também a floresta do audiovisual e das novas tecnologias. A rede de oficinas culturais pelo interior do estado fazia há 30 anos o que hoje é uma moda da gestão cultural, a descentralização e a regionalização das ações de governo. E enfrentava todas estas batalhas (e põe batalha nisso) com uma discreta alegria, aquela de saber-se um fazedor, mais além das chuvas e trovoadas. Com muita suavidade e insuspeita elegância, era um homem público, daquela raça que diz: “É comigo mesmo” e sem alarde toca o Brasil, servindo-o. Se alguma importância tem a contribuição que há 50 anos tento dar para o cinema brasileiro – como militante, cineclubista, crítico, ensaísta, documentarista, montador, diretor, dirigente de entidades, gestor institucional, formulador – ela deve-se a Rudá de Andrade. Eu era um adolescente de 17, 18 anos que frequentava as sessões da Filmoteca do Museu de Arte Moderna, futura Cinemateca, em São Paulo. Ali na Rua Sete de Abril, 230, sétimo andar, perto da Rua Marconi, da Praça Dom José Gaspar, da Rua São Luís, a parte chique do Centro da cidade. No mesmo prédio funcionava o Museu de Arte, o Masp de Assis Chateaubriand e Pietro Maria Bardi, com uma coleção importante até hoje, onde descobri a pintura. Via de longe as celebridades da cultura cinematográfica, Francisco


homenagem à memória de rudá de andrade

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Luiz de Almeida Salles, Paulo Emílio Salles Gomes, Caio Scheiby, Rubem Biáfora, Flavio Tambellini, Walter Hugo Khouri, que frequentavam as sessões. Um cumprimento deles, de longe, um comentário trocado durante a projeção me dava a sensação de estar ascendendo ao Olimpo. Paulo e Almeida eram quarentões bonitos, elegantes, cosmopolitas, a verdadeira aristocracia paulista, com seus paletós de tweed e capas de chuva londrinas. E havia o barzinho do Museu, pequeno, charmoso, onde faziam ponto artistas, intelectuais e jornalistas famosos como Luís Martins e Delmiro Gonçalves, Lívio Xavier, todos da redação do Estadão, que era mesmo um Estado dentro do Estado. Rudá era mais jovem e por isso mesmo mais acessível aos jovens cinéfilos que circulavam por aí. Era o Delfim de Paulo Emílio e por aí participava de seu incrível carisma. Estar com Rudá era uma forma de ser aceito no ambiente, o que era possível também graças a seu profundo espírito democrático. Não era besta, nunca foi e talvez tenha pagado no fim da vida um preço caro por isso. Havia uma patotinha do Rudá, na qual eu estava incluído. Falávamos de filmes, das listas dos dez melhores, do cinema brasileiro e de algumas esplêndidas beldades mais chegadas ao meio intelectual que circulavam pelo barzinho. Como, por exemplo, as atrizes de cinema e teatro Maria Fernanda e Ruth Escobar, também repórter. As pernas sólidas de ambas e suas qualidades calipígias perturbavam os desejos dos tímidos cinéfilos.

pelo Partido Comunista e pela Igreja Católica, bons tempos em que a cultura e o ativismo cinematográfico atraíam politicamente instituições relevantes, que sustentavam cada uma a sua juventude, pepineiras de futuras lideranças. Daí o convite. Um entusiasmo juvenil contagiou a turminha que via na proposta a possibilidade de institucionalizar uma empatia e consolidar a liderança do Rudá. Aí ele me chamou de lado e avisou que não poderia presidir o cineclube por conta de seus compromissos com a Cinemateca Brasileira e que iria me indicar. Caí do cavalo, eu nuca tinha sido nada e vinha de uma frustrada tentativa de fazer política estudantil secundarista. Diante da minha insegurança, Rudá deu força. E fizemos o cineclube, com debates semanais abertos ao público, ciclos de conferências sobre Bergman ou Novas Técnicas, com conferencistas como Khouri ou Thomaz Farkas. E projeções, com um aparelho de 16 mm, emprestado pelo convento dos dominicanos, que depois do trabalho eu ia pegar e devolver de táxi. As notas de divulgação eram publicadas na página de arte d’O Estado de São Paulo, onde era preciso vencer a antipatia de trotskistas e anarquistas com o cineclube católico. Mas com a cobertura ideológica de Paulo Emílio, mobilizada por Rudá, a resistência era vencida. Em seus debates começaram a aparecer Jean-Claude Bernardet, Maurice Capovilla, Alfredo Sternheim, Fernando Seplinski e outros e outras que a memória perdeu.

Um dia Rudá chega com uma novidade. O Centro Dom Vital, entidade fundada há anos no Rio de Janeiro por Jackson de Figueiredo e Alceu de Amoroso Lima, lideranças históricas do movimento católico, com uma sucursal em São Paulo, o havia procurado oferecendo espaço para a criação de um cineclube. Naquela época, final dos anos 50, o movimento cineclubista era disputado

Um dia coube a mim fazer o relatório inicial do debate sobre o filme Um Rosto na Multidão (A Face in the Crowd), de Elia Kazan, exibido no Cinema Marrocos. Kazan sempre foi uma figura fascinante, inclusive pela suspeita de ter sido delator na Comisssão de Atividades Anti-Americanas de Joseph (Joe) McCarthy e ser o revelador de Marlon Brando. E sem fazer muita força,


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homenagem à memória de rudá de andrade

caprichei. Rudá estava no debate e contou para Paulo Emílio, com quem então, graças a ele, eu já tinha alguma intimidade. Paulo respondia pela seção de cinema do Suplemento Literário d’O Estado de São Paulo, dirigido pelo grande crítico teatral Décio de Almeida Prado. Nele escrevia a turma da revista Clima, intervenção histórica dos jovens intelectuais paulistas de boa família, uma das origens do Partido Socialista Brasileiro, nos anos 40, em plena ditadura getulista. O Suplemento era uma instituição, uma academia, com coladores do nível de Antonio Candido, Lourival Gomes Machado, Anatol Rosenfeld, Ruy Coelho, Sábato Magaldi e por aí vai. Pois bem, Paulo Emílio me convidou para transformar a palestra em artigo e publicar na coluna dele. Tremi na base. Transformei um artigo em três, incluí na análise Baby Doll e On the Waterfront, levei nove meses escrevendo. Rudá de vez em quando me cobrava, temendo por minha capacidade de cumprir a promessa. Paulo me tranquilizava, dizendo que era isso mesmo, que a gestação intelectual era lenta. Mas quando se completou o período de uma gravidez me intimou a concluir. Os artigos foram publicados durante três semanas seguidas, o primeiro em 28/12/1958. E pagos. Logo depois fui apresentado, sempre no barzinho do Museu, a Araçary de Oliveira, linda atriz estreante, morenaça, mestiça de índia, casada com o diretor Lima Barreto (O Cangaceiro). Ela me perguntou: “Você é que é o Gustavo Dahl?”. Senti precocemente o gosto de uma celebridade provinciana, mas mesmo assim celebridade. Graças a Rudá, que era a favor da juventude. Eu tinha 20 anos. Gustavo Dahl Presidente do Conselho da Cinemateca Brasileira e gerente do CTAv – Centro Técnico do Audiovisual da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura


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Homenagem à memória de José Tavares de Barros não perdia uma oportunidade de estar sempre comentando e José José Tavares Tavares de Barros – uma de Barros

trajetória generosa

José Tavares de Barros dedicou a maior parte de sua vida profissional ao cinema brasileiro e na sua trajetória criou e deixou um legado tão vasto que, ao falar dele, é quase impossível separar a criatura do criador. Como criatura, foi um ser muito especial que certamente veio aqui com uma missão de tornar esse mundo mais afetivo, mais alegre, mais humano e mais culto. Como criador, Barros era um eterno estudioso que tinha enorme bagagem de conhecimentos, não só de cinema, sua paixão, mas de várias outras áreas. O que sabia não guardava somente para si, mas generosamente dividia com todos os que com ele lidaram, fossem eles alunos, amigos ou simples ouvintes de suas palestras. O que é quase impossível – apesar da saudade e da falta que nos faz – é lembrar de um companheiro de jornadas e de um amigo fraternal e generoso como o Barros com tristeza. Sua visão positiva da vida e das coisas, a capacidade e o talento para ver coisas boas em situações difíceis, sua verve fina e criativa, tudo nos obriga a pensar e a falar dele sempre com um sorriso nos lábios, como anteparo à lágrima que mesmo assim às vezes teima em surgir, sorrateira, quando lembramos da sua bem-humorada figura indisfarçavelmente mineira. Marido de sua sempre companheira Heliana, sua família era o centro afetivo permanente e seu refúgio seguro. Pai, Barros

se orgulhando dos feitos dos filhos e – no doce papel de avô – das travessuras e do progresso dos netos. Professor, cineasta, escritor, pesquisador e montador de cinema, Barros foi um dos fundadores do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro (CPCB) e era a última testemunha da história da criação do Centro, junto com Paulo Emílio Salles Gomes, Alex Viany, Cosme Alves Neto e tantos outros. Tendo dedicado muito de sua vida à entidade, Barros foi presidente do CPCB entre 1980 e 1984, exercendo, por várias vezes, o cargo de presidente do Conselho Consultivo. Sua paixão pela preservação e pela memória do cinema brasileiro contagiava todos aqueles que amam e defendem nossa história cultural, o que o levou a vibrar e a celebrar a criação, na emblemática Ouro Preto – por Raquel Hallak, Fernanda Hallak e Quintino Vargas Neto –, da Cineop, Mostra dedicada à memória, ao apoio e à defesa da identidade e do patrimônio cultural brasileiros; integrou-se à iniciativa com entusiasmo desde as suas primeiras edições, não só com sua participação em palestras e painéis, mas também com a divulgação do evento tanto no Brasil quanto no mundo afora. Ele gostava tanto da ideia da CineOP que invariavelmente a citava nas conversas mais intimistas e prazerosas com os amigos. Barros foi presidente da Organização Católica Internacional de Cinema e do Audiovisual (Ocic) para a América Latina e ocupou a vice-presidência mundial da entidade. Por muitos anos, foi membro do júri do Prêmio Margarida de Prata para


homenagem à memória de josé tavares de barros

o Cinema. Mestre em Filosofia na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFMG, Barros se doutorou em Literatura Comparada na Faculdade de Letras, na mesma universidade. Sua mente inquieta o levou a fazer um pósdoutorado no Centre Nationale de la Recherche Scientifique de Lyon (França) e, finalmente, a completar sua formação acadêmica no Centro dello Spettacolo e della Communicazione Sociale de Milão, na Itália. Professor dedicado, Barros levou e dividiu seus conhecimentos com estudantes de várias universidades brasileiras e da América Latina, com destaque para a UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais, onde foi catedrático de Semiologia da Imagem, Leitura Crítica do Filme e Edição Cinematográfica. Foi ainda professor do Centre Recherche et Communication – Lyon (França), do Instituto de Teología y Pastoral en América Latina de Bogotá (Colômbia) e do Instituto Mexicano de Doctrina Social, na Cidade do México (México). Pesquisador incansável, foi organizador de vários livros, entre os quais Imagens da América Latina; La imagen nuestra de cada día; La realidad imaginada e co-autor de Memória da memória, uma história do CPCB. Como cineasta, dirigiu 18 curtas-metragens, entre os quais o premiado Cerâmica do Vale do Jequitinhonha, tendo ainda sido montador de mais de uma dezena de filmes. E na figura de comunicador, apresentou durante muitos anos o programa Sala de Cinema, na TV Horizonte. Em sua trajetória, ocupou vários cargos públicos, entre os quais o de delegado do Ministério da Educação e Cultura no Estado de Minas Gerais. Ainda na esfera pública, foi conselheiro de Ciência e Tecnologia do Governo de Minas Gerais e conselheiro de Administração da Embrafilme. Como em tudo que se engajava, Barros era um cineclubista

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convicto e apaixonado: em 2008, por ocasião da 27ª Jornada Nacional de Cineclubes, recebeu do CNC – Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros – o Prêmio Paulo Emílio Salles Gomes por seus relevantes serviços prestados ao cinema brasileiro. Uma trajetória de vida que engrandece todos que o conheceram e com ele aprenderam, o nosso inesquecível José Tavares de Barros será sempre uma saudade e uma referência dentro da história do cinema brasileiro. Carlos Augusto Brandão Diretor do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro


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O que significa o termo preservar, afinal de contas? razão’. Ou todos têm parcialmente razão, isso não faz preservar, Foi numa aula de segundo grau que ouvi afinal de um professor, de contas? uma vez: “ninguém atravessa duas vezes o mesmo rio”. Rio? Na hora, quem riu fui eu, mas ouvi a explicação – um rio é feito por águas correntes, e a água que toca nos joelhos num instante não será a mesma de outro instante – e, por extensão, pode-se dizer que a pessoa também se transforma, como o rio. Depois fiquei sabendo que essa frase era de um filósofo grego (um pré-socrático, como me ensinaram a chamar depois), Heráclito, e descobri também que se referiam a ele como ‘o obscuro’. Aprendi mais tarde que ele é visto hoje como o filósofo do fluxo, do mundo em eterna transformação – e é comum vê-lo colocado em oposição a Parmênides, outro pré-socrático, que seria por sua vez lembrado como o filósofo da transcendência, o sujeito que primeiro valoriza a permanência das coisas. Já se notou também que Parmênides foi muito mais influente sobre a maneira ocidental (platônica) de ver o mundo – o interesse pelas ideias de Heráclito ressurgiu mesmo só no século XX. Isso pode não significar nada, mas também pode ser um bom indicador das ideias que circulam em nossos dias, ideias de seres-no-mundo abertos ao devir e interessados na imanência (em oposição à transcendência). Pois é. Ninguém vê duas vezes o mesmo filme, será que eu preciso lembrar alguém disso? Nós mudamos e os filmes mudam para nós, não? Nosso problema pode ser definido pelo velho provérbio: ‘casa que não tem pão, todos brigam e ninguém tem

diferença. O fato é que não adianta culpar realizadores ou preservadores por suas atitudes subdesenvolvidas (chamemos assim, nostalgicamente). Porque não me parece ser o mais importante no momento tecer julgamentos morais sobre gestos como embarreirar a exibição de cópias de filmes ou fazer um número alto de cópias-tiragem a partir do negativo original. Isso tudo às vezes é apontado como o problema central, mas não é, é só a pontinha do problema. O problema é que não há demonstrações evidentes de interesse da sociedade (ainda que pela via do Estado) em se preservar o cinema brasileiro – logo, não há grana. Não há grana porque o País é pobre? Bem, leite de criancinhas é um argumento já folclórico. Mas o caso é que nosso amado Ministério da Cultura vem, seguidamente, terminando o ano com grande sobra de caixa – parece brincadeira, mas não é, foi inclusive noticiado em um grande jornal carioca que nosso amado ministro Weffort autorizou a contratação de uma empresa de consultoria para elaborar um plano de administração futura dessa verba, isso foi feito há coisa de dois meses, depois de quase sete anos no cargo. Há casos semelhantes em secretarias de cultura estaduais e municipais. O que falta é organização e projetos. Aí chegamos ao ponto interessante, ao ponto que intitula esse artigo – O que é preservar um filme? Não tive como escapar da lembrança da oposição dos filósofos, de


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como valorizamos o que se preserva, mas também como aprendemos a valorizar o que surge com o fluxo – e o que se mantém a partir do fluxo. Qual é o projeto, afinal? Sim, porque é preciso estruturar financeiramente nossas cinematecas, de um jeito que funcionem e que deem conta das imensas e constantes necessidades. Mas ok, e depois? Me desculpem a má imagem: manter um filme escondido numa cinemateca é feito ter um sujeito em coma – isso não é vida, mas pode voltar a ser. Não é orgulho ter cinco mil filmes escondidos, o importante é que estejam facilmente disponíveis. Mas se pode dizer que é perceptível o interesse pelo assunto da parte da sociedade e de seus representantes públicos que cuidam especificamente do assunto? Há interesse por projetos de preservação realmente consistentes? Não é difícil elaborar a criação de um fundo financeiro para preservação de filmes – nem é difícil justificar o uso de verbas a partir das sobras do dinheiro destinado em orçamentos prévios à área cultural – dinheiro que deveria ser gasto em produção e difusão cultural e que por quaisquer motivos não tenha sido. Justificar não é difícil, mas conseguir é sim, a gente sabe disso. Só que é aí que a coruja dorme. Tem alguém que realmente batalhe por esse tipo de projeto? Batalhe na prática, quer dizer, no front da pequena política, procurando empresas e poderes públicos com propostas definidas? Porque, se houver, aí vem a curiosidade: como é o projeto de preservação de filmes no Brasil? Mesmo tendo o carinho pelo MAM que a assiduidade me trouxe, devo lembrar que o Brasil não termina na Via

Dutra, é maior que Rio de Janeiro e São Paulo. E depois de preservar? Passar nas telas de cinema de todo o País? Dos mais de cinco mil municípios brasileiros, nem dez por cento têm sala (ou tela) de cinema. Já tiveram, não têm mais. Têm televisão, serve? Deveria servir, já que o Estado brasileiro controla uma rede nacional de televisão (além de regulamentar as outras, mas vamos pular essa parte, que seria chatíssima, diria o que todo mundo sabe e tornaria essa artigo longo demais). Tá certo que essa rede nacional de televisão é muito mal difundida e, não raro, tem péssima qualidade técnica de transmissão – e será que seria muito complicado resolver isso? E a mais produtiva maneira de difundir é selecionar a difusão, me parece. Sem selecionar nada, o que fica não é tudo, na verdade não fica nada. Não adianta pretender restaurar filmes tendo em vista exibições comerciais. Todo tipo de filme deve ser restaurado e colocado à disposição do público, mas é preciso também projetos de difusão.


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Amnésia imediata Cineastas de hoje contribuem para o esquecimento do cinema brasileiro cobrança devida de uma rede efetiva e regionalizada para esquecimento do cinema brasileiro Outro dia, conversando com um cineasta amigo, fui obrigado a ouvir a seguinte pergunta: – Ora, Felipe, o que é que se faz numa cinemateca? O que é que acontece lá...vocês ficam o quê, desenrolando filmes... Não entendo o que é que você está fazendo lá... Como resposta, fiquei em silêncio, olhei para ao lado e comentei: – Curioso, qual era mesmo aquele filme que agente estava revisando e recondicionando outro dia?... Ah, sim, era o Ffilme tal... O cineasta se calou, ficou seríssimo... Gaguejou um pouco: – Meu filme... está lá? (...) Ah, é verdade e... como está o estado dele? Acho que ele lembrou um pouco o que se faz numa cinemateca... A visão senso comum que se tem de uma cinemateca se assemelha muito com a de um sarcófago egípcio. São câmaras e mais câmaras misteriosas, lotadas de tesouros inimagináveis a serem descobertos por algum aventureiro. Se essa visão mítica é por vezes um pequeno retrato da realidade, é preciso, urgentemente, que sejam revigoradas as perspectivas da preservação no País. Medidas diretas precisam ser tomadas para uma revitalização da importância das instituições de guarda de filmes. Revitalização que deve passar tanto pelo trabalho interno das cinematecas como pela ação direta dos cineastas na

a preservação de filmes. Isso é, somente a partir de uma demanda dos próprios cineastas será possível revitalizar a guarda de cinema no Brasil e fugir desse perigoso círculo vicioso em que nos encontramos: acervos em mau estado levam a cineastas pouco interessados em valorizar a guarda de filmes, que leva a um enfraquecimento da área e, assim, a uma perpetuação do mau estado dos acervos... É preciso que os cineastas contemporâneos percebam que, ao colocar seus filmes em instituições de guarda, estarão não só protegendo suas obras recentes como todo o patrimônio audiovisual brasileiro. Como? Se uma cinemateca tem a entrada constante de novos filmes, torna-se muito mais forte e representativa. E é somente através dessa representatividade que poderá conseguir o destaque necessário ao financiamento de sua manutenção e melhoria de suas condições. Assim, quando um cineasta “salva” seu filme, na verdade pode estar “salvando” muito mais... É muito importante que os cineastas de hoje se posicionem claramente sobre a importância das instituições de guarda na revitalização do cinema brasileiro. Quantos filmes lançados na última década não tiveram sua curta vida ainda mais curta devido a seu desaparecimento de qualquer forma de contato com o público? É necessário urgentemente que as cinematecas


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reanimem-se como espaços de agitação cinematográfica e sirvam não apenas para a guarda, mas para a pesquisa e difusão ininterrupta da cinematografia brasileira, antiga e recente. Dos quase 300 longas-metragens produzidos no País na década de 90, apenas uma pequena parcela está guardada em instituições, e mais: são muitos os títulos que mal chegaram a ter contato com o público... Seja o público geral, seja o público específico de pesquisadores e estudantes de cinema, o fato é que grande parcela desses filmes desapareceram antes de aparecer! São filmes que não conseguem espaço no grande circuito, dão pequenos sinais de vida em festivais e depois desaparecem... Isso sem falar nos mais de 200 filmes de curta-metragem produzidos no Brasil nos últimos cinco anos... Aonde quero chegar? O fato é que se a memória cinematográfica brasileira tem tido problemas com os filmes de 15, 30, 50 anos atrás... também não tem tido capacidade de uma nova formação a partir das produções mais recentes. É urgente se pensar em mecanismos que favoreçam o maior contato do público brasileiro com sua filmografia para além do circuito comercial de cinema. Uma das maneiras mais eficazes de se aproximar o público brasileiro de seu cinema é sua constante exibição em instituições que não dependam unicamente do espaço comercial. Deixar nas mãos de empresas e grupos particulares o papel de veicular o cinema brasileiro não pode menosprezar um outro importante trabalho de difusão: o da exibição da memória recente do cinema do País. As cinematecas e acervos públicos têm de ser tratados com a importância devida: espaços de divulgação ininterrupta do cinema brasileiro, tendo como alvo as novas gerações do público e as parcelas da população de menor poder aquisitivo (público por excelência do cinema

nacional). Os 300 filmes produzidos aqui na década de 90 não podem ficar totalmente alijados de seu público. Se estamos num processo constante de conquista de espaço para o cinema brasileiro, precisamos manter a memória do público em ebulição. Instituições como faculdades de cinema devem ter a possibilidade concreta de preservar seu acervo e difundir sua produção em uma sala de cinema voltada apenas para esse fim. É preciso criar espaços para o cinema brasileiro para que sua presença seja cada vez maior na memória presente do público e cada vez mais representativa para os cineastas das novas gerações. Grande parte da síndrome do cinema brasileiro em se ver sempre num inesgotável renascimento vem dessa tradição de ignorar a si mesmo. Não se conhece o presente... Por isso as projeções do futuro sempre se pretendem como reinaugurações do cinema nacional. O Brasil não precisa de uma reinauguração de seu cinema, mas da profusão de seu próprio cinema inaugurado. O silêncio entre os preservadores e diretores de cinema precisa ser quebrado! O diálogo com o cinema precisa de um espaço para sua realização. Centros culturais têm se mostrado como referências importantes. Mas não suprem a constância de produção e demanda do cinema brasileiro e se limitam a pequenos movimentos cíclicos: pequenas mostras, seminários – o que não deixa de ser um importante papel. Cabe, porém, às cinematecas e demais acervos de filmes um outro papel mais específico: incentivar e criar espaços ininterruptos de fonte de imagens, informações e discussões sobre o cinema brasileiro, através de um acervo bem preservado, organizado e bem colocado ao dispor de seu público. Articulado com outras instituições de ensino (públicas e


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particulares), inclusive em mostras itinerantes e fóruns constantes para o visionamento das cinematografias brasileiras. Para isso é preciso que os primeiros movimentos também partam da classe cinematográfica brasileira. Filmes como Aviso aos Navegantes ou Alô, Alô, Carnaval, ao serem restaurados, não podem ficar tendo de disputar espaço com os grandes lançamentos internacionais! O Brasil precisa cuidar de seus templos de cinema e levantar suas trincheiras de forma inteligente. No atual estado de coisas, os cineastas das novas gerações e a crítica cinematográfica em geral (principalmente a que lida com o grande público...) têm de dar mais destaque a esses filmes restaurados e fortalecer a difusão desse imaginário audiovisual. Preservação de cinema não pode ser coisa de historiador, de pesquisador, ou arqueólogo... Preservação de cinema tem de ser coisa de cineasta! Fazer os filmes e relegálos ao ostracismo culpando o circuito comercial é muito pobre! Precisamos sim condenar o pouco espaço dado ao cinema comercial nos grandes circuitos, mas também, na retaguarda, semear entre o público das novas gerações a possibilidade de se reconhecer no cinema produzido no Brasil! É preciso que o próprio público brasileiro seja incentivado a querer o cinema brasileiro. Se nosso cinema age como um fantasma, como querer que ele seja visto? Incentivar as cinematecas e demais acervos como reais centros de agitação cinematográfica brasileira é muito mais importante do que tentar resolver nossas carências criando novas e inconstantes salas de cinema supostamente voltadas para o cinema brasileiro. Que os cineastas percebam que uma valorização da memória cinematográfica brasileira pode estar mais próxima de suas

mãos do que imaginam: já está na hora de os cineastas acordarem e perceberem quem poderão ser seus reais parceiros na revitalização do cinema nacional. É preciso rever nossas estratégias de reconquista de público e criar uma retaguarda firme e inexpugnável na figura de nossas cinematecas, acervos públicos e órgãos difusores. É um absurdo o quanto que se gasta de dinheiro em um filme para deixá-lo morrendo num quartinho de empregada. Desmerecendo o trabalho dos preservadores e dificultando a articulação viva de nossa memória cinematográfica. Dar um fim a essa amnésia imediata é um passo essencial para o cinema brasileiro. E as instituições de guarda e preservação devem ser os parceiros por excelência desse processo. Essa disputa velha e ultrapassada entre preservadores e produtores tem de ser vencida de forma inteligente. Seus interesses, se não são idênticos, têm tudo para, dialeticamente, transformar-se no espaço por excelência do fortalecimento de uma tradição cinematográfica no País. Acordem, senhores cineastas, deixem de agir como cegos em tiroteio! Tirem os olhos de seus planos-umbigos-geniosos e enxerguem, a seu redor, o palácio gigantesco que pode desmoronar... ou ser construído. Felipe Bragança cineasta e crítico de cinema Texto escrito em dezembro de 2001 e publicado nessa ocasião no site Contracampo


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arquivos no brasil arquivos no brasil ARQUIVOS E ACERVOSno AUDIOVISUAIS arquivos brasil BRASILEIROS EM CINEMA, TELEVISÃO, VÍDEO E OUTROS MEIOS DE IMAGENS EM MOVIMENTO

Arquivo Histórico do Rio Grande do Sul (RS) Arquivo Público Mineiro (MG)* Atlântida Cinematográfica (RJ) Câmara dos Deputados (DF) Canal 100 (RJ)* Casa Josué de Castro (PB) Centrais Hidroelétricas do São Francisco – Chesf (PE) Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (RJ) Centro de Documentação Fundação Padre Anchieta – TV Cultura (SP)* Centro de Informação e Biblioteca em Educação – Cibec F) Centro de Pesquisa e Documentação Social - Arquivo Edgard Leuenroth –

ÓRGÃO EXECUTIVO

AEL (SP)*

Ministério da Cultura / Secretaria do Audiovisual (DF)

Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro (RJ)* Centro de Referência do Audiovisual – Crav (MG)*

ARQUIVOS, ACERVOS E COLEÇÕES

Centro Técnico Audiovisual – CTAv – Secretaria do Audiovisual/MinC (RJ)*

Acervo Alex Viany (RJ)

Cinédia Estúdios Cinematográficos e Instituto para Preservação da

Acervo Lyonel Licini (SP)

Memória do Cinema Brasileiro (RJ)*

Acervo Paulo Tardin (RJ)

Cinemateca Brasileira (SP)*

Acervo Primo Carbonari (SP)

Cinemateca Capitólio (RJ)*

Acervo Roberto Farias (RJ)*

Cinemateca Catarinense (RJ)

Acervo Roberto Pires (BA)*

Cinemateca de Curitiba (PR)*

Acervo Rogério Sganzerla (SP)*

Cinemateca de Santos (SP)

Acervo Universidade de São Paulo – USP (SP)

Cinemateca do Consulado da França no Rio de Janeiro (RJ)*

Agência Nacional de Cinema - Ancine (RJ)*

Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – MAM (RJ)*

Antônio Leão da Silva Neto – colecionador (SP)*

Cinemateca Paulo Amorim – Casa de Cultura Mário Quintana (RJ)

Arquivo Caliban (RJ)

Companhia Cinematográfica Maristela (SP)

Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro (RJ)*

Espaço Cultural José Lins do Rego – Funesc (PB)

Arquivo Nacional (RJ)*

Estúdios Vera Cruz (SP)

Arquivo Público do Distrito Federal (DF)*

Embaixada da França (RJ)

Arquivo Público do Espírito Santo – Apees(ES)*

Filmes do Serro (RJ)*

Arquivo Público Estadual de Alagoas (AL)

Fundação Armando Álvares Penteado – Faap (SP)

Arquivo Público do Rio de Janeiro (RJ)

Fundação Cine Memória (DF)

Arquivo Público do Estado do Mato Grosso (MT)

Fundação Cultural do Estado da Bahia – Dimas (BA)*

Arquivo Público do Estado de São Paulo (SP)

Fundação Getúlio Vargas – FGV (RJ)*

Arquivo Público do Paraná (PR)

Fundação Oswaldo Cruz (RJ)


* Arquivos, acervos e colecionadores presentes no evento.

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Fundação Gregório de Mattos (BA)*

Serviço de Cooperação e Ação Cultural da Embaixada da França (MG)*

Fundação Arquivo e Memória de Santos (SP)

Tempo Glauber (RJ)*

Fundação Joaquim Nabuco (PE)*

TV Brasil (RJ)*

Herbert Richers (RJ)

TV Nacional de Brasília (DF)

Instituto Cultural Lula Cardoso Ayres (PE)*

Universidade Católica de Goiás (G0)*

Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira –

Universidade de Brasília - UNB (DF)

Inep (DF)

Universidade Federal da Paraíba (PB)*

Museu da Imagem e do Som da Bahia (BA)

Universidade Federal de Juiz de Fora (MG)*

Museu da Imagem e do Som de Alagoas (AL)

Centro Universitário UNA (MG)

Museu da Imagem e do Som do Amazonas (AM)*

Universidade Federal de Minas Gerais – Escola de Belas Artes (MG)*

Museu da Imagem e do Som de Campinas (SP)* Museu da Imagem e do Som de Goiás (GO)

INSTITUIÇÕES, ENTIDADES E EMPRESAS COLABORADORAS E OBSERVADORAS

Museu da Imagem e do Som de Mato Grosso do Sul (MS)*

Associação Brasileira de Cineastas – Abraci (RJ)*

Museu da Imagem e do Som de Pernambuco (PE)

Associação Brasileira de Cinematografia – ABC (RJ)

Museu da Imagem e do Som de Piracicaba (SP)

Associação Brasileira de Conservadores-Restauradores de Bens Culturais

Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina (RJ)*

- Abracor (RJ)

Museu da Imagem e do Som de São Paulo (SP)*

Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas - ABD

Museu da Imagem e do Som de Taubaté (SP)

Nacional (BA)*

Museu da Imagem e do Som de Varginha (MG)

Associação Paulista de Cineastas - Apaci (SP)*

Museu da Imagem e do Som do Ceará (CE)*

Associação Curta Minas (MG)*

Museu da Imagem e do Som do Pará (PA)*

Congresso Brasileiro de Cinema (SP)*

Museu da Imagem e do Som do Paraná (PR)*

Conselho Nacional de Cineclubes (RJ)

Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro (RJ)

Associação de Arquivistas de São Paulo (SP)

Museu da Imagem e Som da Curitiba (PR)

JLS Facilidades Sonoras (SP)

Museu de Arte Murilo Mendes (MG)*

Estúdios Mega (SP)

Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa (RJ)*

Fórum dos Festivais (RJ)*

Museu do Índio (RJ)

Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Cinema do Estado de São

Museu Histórico de Cambé (PR)

Paulo – Sindcine (SP)

Museu Lazar Segall (SP)*

Sindicato Interestadual dos Trabalhadores nas Indústrias

Projeto Leon Hirszman (SP)*

Cinematográficas e do Audiovisual – Stic (RJ)

Radiobras (DF)

Sociedade Brasileira de Estudos de Cinema e Audiovisual – Socine (SP)*

RBS TV (RJ)*

TeleImage (SP)

Rede Minas (MG)

União Nacional da Infraestrutura Cinematográfica – Uninfra (SP)

Rede Globo (RJ)

Universidade Federal de Ouro Preto(MG) *

Museu da Imagem e do Som de Campos (RJ)


96 temática preservação

Ata de Fundação – Associação Brasileira de Preservação Audiovisual - ABPA As organizações, instituições, entidades e profissionais ligados à preservação audiovisual, definida como a atividade de reunião, gestão, conservação e promoção do acesso ao conjunto de documentos que contêm imagens em movimento e sons gravados, caracterizados em toda sua tipologia ou variedade e usados de forma associada ou isolada, assim como o conjunto de documentos, conceitos, técnicas e tecnologias que lhe são associados, reunidos em assembleia durante o 3º Encontro Nacional de Arquivos de Imagens em Movimento, evento associado à 3ª Mostra de Cinema de Ouro Preto, e considerando: Que o Brasil reúne expressivo patrimônio audiovisual, representativo da cultura, história, arte e manifestações da diversidade da sociedade e da vida brasileira, alocado em todas as unidades da Federação; Que o Brasil reúne um conjunto de organizações ou parte de organizações – públicas, privadas e particulares – voltadas para a preservação de acervos audiovisuais; Que as organizações, instituições, entidades e profissionais ligados à preservação audiovisual presentes ao 3º Encontro Nacional de Arquivo de Imagens em Movimento expressam um objetivo comum em torno

da ação de preservação deste patrimônio, e o desejo de trabalhar mais conjuntamente para o desenvolvimento e o aperfeiçoamento da atividade de preservação audiovisual no Brasil; Que o trabalho conjunto visa colaborar na construção e no aprimoramento de políticas públicas nacionais para o setor; Resolvem criar a Associação Brasileira de Preservação Audiovisual (ABPA), reafirmando seu compromisso com a salvaguarda deste patrimônio, instrumento essencial e estratégico do desenvolvimento da sociedade e da cultura brasileira. Para a constituição da Associação, os participantes signatários desta ata instituem uma Comissão Executiva encarregada de coordenar a elaboração de uma proposta para o funcionamento da entidade.

A comissão é formada pelos seguintes membros indicados pela plenária: Albertina Malta - Coordenadora Geral do Centro de Documentação - Fundação Joaquim Nabuco – PE. Beatriz Kushnir - Diretora - Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro – RJ. Fabricio Felice - Sec. Executivo Sibia - Cinemateca Brasileira – SP.


temática preservação 97

Fernanda Elisa Costa - Pesquisadora - Universidade Católica de Goiás - GO. Hernani Heffner - Conservador Chefe - Cinemateca do MAM – RJ. Ivo José Paes Silva - Coordenador do Audiovisual - MIS Pará – PA. Luiz Cardoso Ayres Filho - Diretor - Instituto Cultural Lula Cardoso Ayres – PE. Maria Angélica Santos - Técnica responsável pelo acervo Cinemateca Capitólio – RS. Maria de Andrade - Diretora - Filmes do Serro – RJ. Myrna Brandão - Presidente - Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro – RJ. Paloma Rocha - Diretora - Tempo Glauber – RJ. Teder Muniz Morás - Centro de Documentação - Fundação Padre Anchieta –TV Cultura – SP.

Ouro Preto, 16 de junho de 2008. Documento elaborado e assinado por profissionais que participaram do 3º Encontro Nacional de Arquivos de Imagens em Movimento, promovido durante a 3ª CineOP, realizada de 12 a 17 de junho de 2008 em Ouro Preto – MG.


98 temática preservação

carta de ouro preto 2008 carta de ouro preto 2008 e encaminhamento de ações em encontros e carta Fórum de reflexões, de ouro conceitos, pretodiscussões 2008 debates e ações para construção de um plano nacional de preservação audiovisual brasileira

Os órgãos governamentais, instituições, associações de classe, técnicos, pesquisadores, historiadores, colecionadores, cineastas, jornalistas e os participantes da CineOP – 3ª Mostra de Cinema de Ouro Preto, presentes ao 3º Encontro Nacional de Arquivos de Imagem em Movimento, reafirmam o evento realizado em Ouro Preto como o fórum privilegiado de discussão e encaminhamento de reflexões e ações para a preservação do patrimônio audiovisual brasileiro.

reuniões futuras, sendo a CineOP o fórum anual do setor de preservação. Ressaltamos que esta iniciativa é de grande importância para a preservação do cinema e do audiovisual brasileiro e representa um avanço no desenvolvimento da sociedade e da cultura brasileira. Meta para a CineOP 2009 – realização do 1º Congresso Brasileiro de Preservação. As entidades e profissionais presentes à 3ª CineOP reafirmam seu compromisso com a preservação do cinema e do audiovisual brasileiro. Ouro Preto, 16 de junho de 2008.

Através da realização de diversos grupos de trabalho ao longo dos três dias do encontro, que buscaram definir conceitos, estratégias, metas e ações necessárias para a definição de uma proposta geral para o setor de preservação, os membros deste encontro reforçam a necessidade urgente e fundamental de definição de uma Política Nacional de Preservação Audiovisual.

Participantes do 3º Encontro Nacional de Arquivos de Imagens em Movimento ·· ABD Nacional - Solange Lima - BA ·· Atlântida Cinematográfica - Albina Pereira - RJ ·· Acervo Alex Viany - Edward Monteiro e Betina Viany - RJ

Presenciando as deliberações resultantes do 3º Encontro Nacional de Arquivos de Imagens em Movimento, em que uma entidade nacional representativa da ação de preservação do patrimônio audiovisual brasileiro foi proposta pelos seus participantes, externamos aqui o apoio à iniciativa de criação da Associação Brasileira de Preservação Audiovisual – ABPA – e a continuidade das

·· Acervo Roberto Pires - Petrus Pires - BA ·· Acervo Rogério Sganzerla - Helena Ignez, Djin Sganzerla e Sinai Sganzerla - SP ·· Agência Nacional de Cinema (Ancine) - Sérgio Sá Leitão e Yuri Queiroz Gomes - RJ ·· Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro - Beatriz Kushnir - RJ ·· Arquivo Nacional - Wanda Ribeiro, Antônio Laurindo, Aline Rodrigues,


carta de ouro preto 2008

temática preservação 99

Franz Borborema, Fátima Taranto e Audrey Young - RJ

·· Fundação Padre Anchieta – TV Cultura - Teder Muniz Morás - SP

·· Arquivo Público do Distrito Federal - Marcelo Durães - DF

·· Instituto Cultural Lula Cardoso Ayres - Luiz Cardoso Ayres Filho - PE

·· Arquivo Público do ES - Sérgio Oliveira - ES

·· MIS Campinas - Antônio Joaquim Andrade - SP

·· Arquivo Público Mineiro - Virgínia Assis Camargo - MG

·· MIS Ceará - Angelique Abreu - CE

·· Associação Brasileira de Cineastas (Abraci) - Noilton Nunes - RJ

·· MIS Mato Grosso do Sul - Rafael Maldonado - MS

·· Associação Paulista de Cineastas (Apaci) - Ícaro Martins - SP

·· MIS Pará - Ivo José Paes Silva - PA

·· Canal 100 - Alexandre Niemeyer - RJ

·· MIS Santa Catarina - Ronaldo dos Anjos - SC

·· Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro - Myrna Brandão e Carlos

·· MIS SP - Regina Davidoff - SP

Brandão - RJ

·· Museu de Comunicação Social Hipólito José da Costa - Carlinda Maria

·· Centro de Referência Audiovisual - Crav – Neander César de Oliveira,

Mattos - RS

Alexandre Pimenta e Daniela Giovana – MG

·· Museu de Arte Murilo Mendes - Sonali Mendonça - MG

·· Cinédia e Instituto Para Preservação da Memória do Cinema Brasileiro –

·· Museu Lasar Segall - Maria Cecília Soubhia- SP

Alice Gonzaga - RJ

·· Preservação das Imagens em Movimento - Philip Johnston - RJ

·· Cinemateca Brasileira - Carlos Magalhães, Carlos Roberto de Souza,

·· Projeto Leon Hirzsman - João Pedro Hirzsman - SP

Fabrício Felice, Fernanda Coelho e Remier - SP

·· RBS TV - Glênio Nicola Póvoas - RS

·· Cinemateca Capitólio - Maria Angélica Santos - RS

·· Secretaria do Audiovisual - Silvio Da Rin – DF

·· Cinemateca de Curitiba - Marcos Sabóia - PR

·· Serviço de Cooperação e Ação Cultural da Embaixada da França - Sylvie

·· Cinemateca do MAM - Hernani Heffner, Rafael de Luna Freire, Inês

Debs - MG

Aisengart e Juliana Cardoso – RJ

·· Tempo Glauber - Paloma Rocha, Lúcia Rocha e Joel Pizzini - RJ

·· Colecionador Particular - Antônio Leão – SP

·· União Nacional de Infraestrutura Cinematográfica (Uninfra) Edina Fujii -

·· Conselho Nacional de Cineclubes Brasileiros (CNC) - Débora Butruce - RJ

SP

·· CTAv - Gustavo Dahl, Debora Butruce e Sérgio Magalhães – RJ

·· Arquivo Edgard Leuenroth – AEL - Castorina Camargo – SP

·· Estúdios Mega - Leonardo Hitoshi Segawa – SP

·· Universidade Católica de Goiás - Fernanda Elisa Costa – GO

·· Filmes do Serro - Maria de Andrade - RJ

·· Universidade Federal da Paraíba - João de Lima Gomes - PB

·· Fórum dos Festivais - Tetê Mattos e Antônio Leal - RJ ·· Fundação Cultural do Estado da Bahia – DIM - Simone da Invenção Lopes e Sofia Federico - BA ·· Fundação Getúlio Vargas (FGV) - Mônica Kornis – RJ ·· Fundação Gregório de Mattos - Lucimar Silva Cunha Mendonça - BA ·· Fundação Joaquim Nabuco - Albertina Malta - PE

Documento elaborado e assinado por profissionais que participaram do 3º Encontro Nacional de Arquivos de Imagens em Movimento, promovido durante a 3ª CineOP, realizada de 12 a 17 de junho de 2008 em Ouro Preto – MG.


100 seminário e encontro

4º seminário do cinema brasileiro: fatos e memória 4º encontro nacional de arquivos de imagem em movimento

2009 - Ano da França no Brasil Graças a valores compartilhados, a uma inegável proximidade intelectual e a uma mesma visão política, a França e o Brasil constituíram um sólido capital de simpatia e admiração recíprocas. Essa herança não é um patrimônio adormecido, mas um fermento para a ação futura de modo a construir, ao invés de assistir à construção do novo século. Em 2005, o Ano do Brasil na França – intitulado “Brasil, Brasis” – fez com que os franceses conhecessem o Brasil em toda sua diversidade, sua riqueza e sua criatividade. Chamado de França.Br 2009 e lançado em dezembro passado pelos presidentes dos dois países, o Ano da França no Brasil, inaugurado no dia 21 de abril e com encerramento em 15 de novembro deste ano, responde à mesma ambição apresentando a face de uma França moderna, diversificada e aberta: - moderna na criação, na inovação e na pesquisa, na liderança do debate de ideias; - diversificada em sua população, seus conhecimentos e seus territórios;

- aberta ao mundo e cooperando com os outros países: na África, no Caribe ou na América Latina. O Ano da França é importante para o aprofundamento das parcerias franco-brasileiras e para a consolidação das relações bilaterais nas diferentes áreas, tanto do ponto de vista cultural, como na área comercial, universitária e econômica. O evento está sendo realizado com o apoio dos Estados, das grandes cidades brasileiras e das regiões e municípios franceses. Mas o Ano da França no Brasil é também o símbolo de um diálogo confiante a favor de um objetivo mais ambicioso ainda. Ligados por uma parceria estratégica, nossos respectivos países têm a ambição de, juntos, adquirir mais peso nos negócios do mundo. Por dividirem uma mesma visão, ambos devem empreender uma ação convergente. Atores globais que compartilham os mesmos valores democráticos e sociais, a mesma ambição de construir um mundo mais justo, aberto e diversificado, acreditam que sua mensagem será mais bem ouvida se for apresentada em uma única voz.


seminário e encontro 101

Programação oficial Foram chancelados cerca de 700 projetos ao longo de quatro reuniões do Comitê Misto composto pelos Comissariados Brasileiro e Francês. Os projetos aprovados constituem um importante conjunto de manifestações artísticas e intelectuais, capaz de mostrar ao público brasileiro o melhor que a França contemporânea tem a oferecer com sua diversidade cultural e crescente abertura para a África, o Caribe, os países árabes e a Região Amazônica, mas, sobretudo, uma oportunidade ímpar de injetar vitalidade na própria cultura brasileira, a partir do diálogo, da cooperação e da absorção de informações e conhecimentos. CINEMA SEM FRONTEIRAS CineOP e Mostra CineBH recebem a chancela do Ano da França no Brasil 4ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, de 18 a 23 de junho de 2009, e a 3ª Mostra CineBH, de 15 a 20 de outubro de 2009, em Belo Horizonte, são dois projetos que integram o programa Cinema Sem Fronteiras que foram chancelados no âmbito do Ano da França no Brasil. Na 4ª CineOP, em Ouro Preto, três franceses, que estão entre os profissionais mais avançados em termos de restauração e preservação do patrimônio cinematográfico, compartilharam com os profissionais brasileiros seus conhecimentos e experiências. Laurent BISMUTH chefe do Serviço de Análise e Gestão Documental dos Arquivos Franceses do Filme (AFF) do Centro Nacional de Cinematografia (CNC) dará uma palestra sobre História e Atualidade dos Arquivos Franceses do Filme; Camille BLOT-WELLENS, diretora de Coleções de Filmes

da Cinemateca Francesa, falará sobre a problemática da preservação e da restauração de filmes pela ótica da história das técnicas cinematográficas; e Catherine FAUDRY, responsável da Cinemateca Francesa da Embaixada da França no Brasil. O evento de Ouro Preto é uma oportunidade única de poder apresentar ao publico e aos profissionais brasileiros os dispositivos existentes na França para a conservação e difusão do patrimônio cinematográfico: dispositivos do CNC – Centro Nacional de Cinematografia, dos Arquivos Franceses e também do Ministério de Assuntos Exteriores francês. Além disso, será apresentado o Cine-Concerto, Les Rendez Vous du Samedi Soir, que consiste na exibição de três clássicos curtas-metragens franceses – Sur un Air de Charleston (1926) e La Petite Marchande d’Allumettes (1928), de Jean Renoir, e Entracte (1924), de René Clair – com acompanhamento musical ao vivo, em uma sessão que remete à tradição do cinema mudo do início do século XX e que já foi realizada com sucesso em diversas cidades francesas. Esperamos que este projeto possa contribuir para uma ligação ainda mais forte entre o Brasil e a França na área audiovisual e que, além do Ano da França no Brasil, nossa cooperação continue sendo tão forte com os festivais organizados pela Universo Produções, que trazem ao longo do ano qualidade de programação cinematográfica e possibilidade de conhecer os principais atores do setor audiovisual nacional e internacional. Brigitte Veyne Adida audiovisual da Embaixada da França no Brasil


102 seminário e encontro

4º seminário do cinema brasileiro: fatos e memória

Temática Preservação programação aberta ao público e aos participantes do Encontro Nacional de Arquivos

Temática preservação programação aberta ao público e aos participantes do Encontro Nacional de Arquivos

Debate

Debate

O fazer cinematográfico alinhado à diversidade das novas tecnologias. Os paradigmas, impactos e influências da era digital no complexo sistema de preservação e restauro no audiovisual. Como encarar estes desafios?

A preservação da memória audiovisual brasileira deve ser considerada instrumento de desenvolvimento da sociedade, ação estratégica na defesa do patrimônio cultural e da nossa identidade. Quais os caminhos para o fortalecimento do diálogo, para conferir à sétima arte o valor de patrimônio?

OS PARADIGMAS DA ERA DIGITAL NO AUDIOVISUAL

convidados: Patricia de Filippi – diretora da Cinemateca Brasileira SP (a confirmar) Myrna Brandão – presidente do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro - RJ Assunção Hernandes – produtora – SP Rafael de Luna Freire – professor da UFF - RJ Beatriz Kushnir – diretora do Arquivo Geral da cidade do Rio de Janeiro mediador: José Quental – coordenador de documentação da Cinemateca do MAM - RJ

MEMÓRIA AUDIOVISUAL COMO PATRIMÔNIO CULTURAL

convidados: Gustavo Dahl – presidente do Conselho da Cinemateca Brasileira e Gerente do CTAv – Centro Técnico do Audiovisual – SAV/Minc Silvio Da-Rin – secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura Carlos Magalhães – diretor Cinemateca Brasileira (a confirmar) Catherine Faudry – Cinemateca do Consulado da França no Brasil – Maison de France mediador: Rafael de Luna Freire – professor da UFF


4º encontro nacional de arquivos de imagem em movimento

seminário e encontro 103

Temática Preservação programação aberta ao público e aos participantes do Encontro Nacional de Arquivos

Temática Preservação programação aberta ao público e aos participantes do Encontro Nacional de Arquivos

Debate e diálogos da preservação

Debate e diálogos da preservação

Reflexões sobre a imagem, a linguagem e os acervos audiovisuais como instrumentos de memória, história, conhecimento, intercâmbio, pesquisa, intervenção político-cultural. A descentralização e a democratização do acesso.

Relato sobre experiências em catalogação, digitalização e preservação de acervos em TV privada e pública.

expositores: Carmem Moreno – coordenadora geral de processamento e preservação do Acervo do Arquivo Nacional – relato do projeto Memórias Reveladas

Glênio Nicola Póvoas – professor da PUC-RS e responsável pela catalogação do Arquivo Cinegráfica Leopoldis-Som – RBS TV

O DESAFIO DE PRESERVAR – RELATOS E EXPERIÊNCIAS

Fernanda Elisa – acervo fílmico e fotográfico do Núcleo de Documentação Audiovisual da Universidade Católica de Góias – relato sobre o complexo acervo fílmico Amazônia sob o Olhar de Adrian Cowell. Claudio Constantino – diretor da Associação Curta Minas – relato sobre o projeto Curta o Acervo – Pesquisa e Memória do Audiovisual Mineiro de Curtas e Documentários – MG

O DESAFIO DAS IMAGENS - UM ARQUIVO DE CINEMA NUM ARQUIVO DE TV

expositores: Alice Urbim – gerente executiva de produção da RBS TV

Teder Muniz Morás – coordenador do Centro de Documentação e Pesquisa da Fundação Padre Anchieta – TV Cultura


104 seminário e encontro

4º seminário do cinema brasileiro: fatos e memória

Temática Preservação programação direcionada aos participantes do Encontro Nacional de Arquivos

Temática Preservação Participação da França – programação aberta ao público

Diálogos da Preservação

Palestra e debate – CENTRO NACIONAL DE CINEMATOGRÁFIA - CNC

2ª Reunião de trabalho das entidades de preservação audiovisual brasileiras – participantes do Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros Definição de estratégias e diretrizes emergenciais de atuação para o setor da preservação audiovisual. Criação de grupos de trabalhos para dar continuidade à proposta de construção de um plano nacional para o setor de preservação. Proposta de editar projeto de lei sobre legislação específica para arquivos e documentos audiovisuais. Estabelecer instrumentos de comunicação entre as entidades de preservação audiovisual brasileiras Criação de um forum permanente de preservação on line/ blog/ e-mail Resoluções finais do 4º Encontro Nacional de Arquivos Elaboração da Carta de Ouro Preto 2009 – documento oficial mediadores: Fernanda Elisa – Universidade Católica de Goiás – GO Myrna e Carlos Augusto Brandão – Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro – RJ Leonardo Mecchi - colaborador Universo Produção

História e atualidade dos Arquivos Franceses do Filme - AFF expositor francês: Laurent Bismuth - chefe do Serviço de Análise e Gestão Documental dos Arquivos Franceses do Filme (AFF) do Centro Nacional de Cinematografia (CNC) Neste momento em que os Arquivos Franceses do Filme do Centro Nacional de Cinematografia da França (AFF - CNC) estão se preparando para celebrar seu 40º aniversário, esta exposição se propõe voltar à já rica história de uma instituição em permanente movimento, antes de tentar traçar suas perspectivas para a próxima década e definir os desafios que inevitavelmente terá que superar. Desde a criação do Serviço de Arquivos do Filme (SAF), por André Malraux, em 1969, serão discutidas suas inúmeras evoluções, da responsabilidade pelo depósito legal de obras cinematográficas definida em 1977 à gestão informatizada dos acervos desde 1994, passando pelo Plano Nitrato, iniciado em 1990 pelo Ministério da Cultura e que, durante 15 anos, permitiu a preservação e a restauração de milhares de filmes diretamente ameaçados de desaparecer. Serão discutidos os principais projetos dos arquivos neste momento em que o cinema não cessa de anunciar sua passagem ao digital. O que representa essa grande mudança de paradigma para os AFF – CNC - França?


4º encontro nacional de arquivos de imagem em movimento

seminário e encontro 105

Temática Preservação Participação da França – programação aberta ao público

Temática Contemporânea programação aberta ao público

Palestra e debate – CINEMATECA FRANCESA

O mínimo denominador incomum

A problemática da preservação e restauração de filmes pela ótica da história das técnicas cinematográficas expositora francesa: Camille Blot-Wellens diretora de coleções de filmes da Cinemateca Francesa Breve apresentação da Cinemateca Francesa Condições de sua criação/missões/coleções atuais Definição e apresentação das atividades de preservação e restauração A importância do conhecimento das técnicas cinematográficas para a restauração fílmica A história das técnicas na Cinemateca Francesa Conservatório de técnicas/conferências/bolsas/ publicações e eventos convidado: Manoel Rangel – presidente da Ancine – RJ mediador: Leonardo Mecchi – crítico de cinema – SP

O audiovisual do mínimo denominador incomum, que procura ver as coisas e situações com menos amplitude e mais detalhes, com uma mínima relação entre as imagens, é uma das características mais recorrentes na produção de média e curta-metragem. Como podemos entender este fenômeno que busca valorizar a subjetividade e a busca de um efeito de aleatoriedade na montagem? convidados: Clarissa Campolina – produtora e cineasta - MG Pedro Veneroso – cineasta – MG Gregório Graziosi – cineasta – SP Luiz Pretti – cineasta – CE Igor Amin – cineasta - MG mediador: Eduardo Valente – cineasta e crítico de cinema - RJ


106 seminário e encontro

4º seminário do cinema brasileiro: fatos e memória

Temática Histórica Anos 70 - programação aberta ao público

Temática Histórica Anos 70 – programação aberta ao público

Debate

Debate

MULHERES DOS ANOS 70: O PODER DO CORPO E SOBRE O CORPO O cinema brasileiro é predominantemente masculino. Nos anos 70, sob regime militar, as personagens femininas ganham força, predominantemente pelo poder de sua sexualidade. Essa nova condição reflete um novo papel para a mulher no cinema ou reproduz modelos femininos com uma nova roupagem? convidados: Lucy Barreto – produtora - RJ Zezé Motta – atriz e cantora – RJ Zilda Mayo – atriz - SP Cacá Diegues – cineasta - RJ mediador: Cleber Eduardo – crítico de cinema – SP

A CONQUISTA DO MERCADO A década de 70 marcou o auge da popularidade do cinema brasileiro: atingiu mais de 30% de ocupação do mercado interno. Filmava-se e exibia-se sob censura. Os dois maiores núcleos de produção eram a estatal Embrafilme e os produtores da Boca do Lixo. O tamanho do circuito, o preço dos ingressos, o perfil social dos espectadores e os mecanismos de produção-distribuição eram outros. Quais as diferenças desse momento histórico em relação aos dias atuais? Com quais matérias se comunicava com o público? Qual o papel da nudez feminina nessa comunicação com o público? convidados: Luiz Carlos Barreto – produtor – RJ Neville d’Almeida – cineasta – RJ Roberto Farias – cineasta - RJ Geraldo Veloso – cineasta - MG mediador: Daniel Caetano – crítico de cinema e professor - RJ


4º encontro nacional de arquivos de imagem em movimento

Temática Histórica Anos 70 – programação aberta ao público

Debate

ESTRATÉGIAS DA BOCA DO LIXO A produção da Boca do Lixo investiu em um catálogo cinematográfico de gênero, de policiais adaptados à realidade local a dramas planejados para as cenas de nudez feminina, que não tinham aprovação crítica, mas gozavam de enorme popularidade nos cinemas. Alguns diretores com trabalho mais autoral e empenho expressivo também surgiram nesse universo de realização. Como se deu esse processo? Qual a especificidade desse segmento da produção? Qual a importância da figura feminina para o êxito desses filmes? Como eram representadas? convidados: Carlos Reichenbach – cineasta - SP Inácio Araújo – crítico de cinema - SP Neide Ribeiro – atriz - SP Guilherme de Almeida Prado – cineasta – SP Afredo Sternheim – jornalista, escritor e cineasta - SP mediador: Luís Alberto Rocha Melo – pesquisador e professor de cinema - RJ

seminário e encontro 107


108 temática preservação

4º seminário do cinema brasileiro: fatos e memória

currículos convidados seminário e encontro nacional de arquivos seminário arquivos executivo do Fórum dosde Festivais Audiovisuais Brasileiros; Alfredo Sternheim e encontro nacional Jornalista e cineasta. Desde 1993 escreve na revista mensal Set, editou o livro Lembranças de Hollywood, de Dulce Damasceno de Brito, para a Imprensa Oficial de SP. Foi editor e crítico de cinema dos jornais Folha da Tarde e O Estado de S.Paulo. Autor de diversos livros da coleção Aplauso, entre eles Arlete Montenegro – fé, amor e emoção; Luiz Carlos Lacerda – prazer & cinema; Cinema da Boca: dicionário de diretores e outros. Após ser assistente de Walter Hugo Khouri em A Ilha e Noite Vazia, dirigiu o documentário curto Um Recanto Aprazível. Entres os filmes, destacam-se: Paixão na Praia (1971), Anjo Loiro (1973), Pureza Proibida (1974), Lucíola (1975), Mulher Desejada (1978), Corpo Devasso (1980), Violência na Carne (1980) e muito outros.

Alice Urbim

É jornalista, roteirista, diretora e produtora executiva desde 1974, trabalhando para empresas de comunicação, agências de publicidade e produtoras culturais. Em jornal, trabalhou no Hoje e no Zero Hora, do Grupo RBS (Rede Brasil Sul), no Diário do Sul e na Gazeta Mercantil, do Grupo Gazeta Mercantil. Em 2000, participou do grupo que idealizou o Núcleo de produção de ficção e documentários na RBS TV. Atualmente é responsável pelo desenvolvimento de projetos, programas especiais e coordenação de programas da área de entretenimento da RBS TV e TVCOM. Desde 1999 é gerente executiva de produção da RBS TV, emissora afiliada a Rede Globo de Televisão, e desde 2004 é gerente executiva de produção da TVCOM, emissora de TV a cabo e UHF do Grupo RBS.

Antônio Leal

Consultor de incentivos fiscais à cultura desde 1993; diretor

diretor do Ibefest - Instituto Brasileiros de Estudos de Festivais Audiovisuais; diretor do CBC – Congresso Brasileiro de Cinema; coordenador do Diagnóstico Setorial dos Festivais Audiovisuais Brasileiros/2008; consultor das Oficinas de Formatação de Projetos da Caravana Petrobras Cultural / Programa Petrobras Cultural; professor do Curso Film & Televison – Formação Executiva em Cinema e TV Fundação Getúlio Vargas – FGV.

Assunção Hernandes

É formada em Ciências Sociais pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP e Serviço Social pela PUC. Produziu cerca de 32 filmes de longa, média e curta-metragem. Trabalhou com diretores consagrados e lançou cineastas estreantes que hoje são reconhecidos. Atua no setor desde 1963. Atualmente é membro do Conselho Consultivo do Congresso Brasileiro de Cinema, vice-presidente da FIPCA (Federação Iberoamericana de Produtores de Cinema e Audiovisual) e diretora para assuntos internacionais da ABEPC - Associação Brasileira de Empresas Produtoras de Cinema.

Beatriz Kushnir

É graduada em História pela Universidade Federal Fluminense (1989), com mestrado em História Social pela Universidade Federal Fluminense (1994), doutorado em História Social do Trabalho pela Universidade Estadual de Campinas (2001), pós-doutoramento (júnior) junto ao Cemi/Unicamp (2005) e pós-doutoramento (sênior) junto


4º encontro nacional de arquivos de imagem em movimento

ao Departamento de História/UFF (2007-2008). Atualmente é diretora geral do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro. Tem experiência na área de pesquisa em história do Brasil, com ênfase nos seguintes temas: censura, governos militares, imprensa, imigração, arquivos, furtos de bens culturais, patrimônio.

Cacá Diegues

Cineasta, no início dos anos 1960 foi um dos fundadores do movimento Cinema Novo ao lado de Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Joaquim Pedro de Andrade, Paulo César Saraceni e outros. Nos anos 1970, inaugura um período de grande popularidade do cinema brasileiro, com seu filme Xica da Silva. No início dos anos 1980, realiza Bye Bye Brasil, um dos filmes brasileiros mais conhecidos e consagrados no mundo inteiro. Artista militante e intelectual combatente, opôs-se à ditadura militar, que durou do final dos anos 1960 até o início dos anos 1980, tendo por isso vivido no exílio durante um período dela. Suas intervenções públicas nos debates sobre política, cultura e cinema brasileiros, através de livros, artigos e entrevistas, até hoje provocam polêmicas, sempre positivas em relação a essas matérias. A maioria de seus filmes foi lançada comercialmente em quase todos os países do mundo, tendo também participado das seleções oficiais dos mais importantes festivais internacionais de cinema.

Camille Blot-Wellens

É formada em História pela Universidade Paris 1, com especialização em Valorização do Patrimônio Cinematográfico e Memória Audiovisual pela Universidade Paris 8. Começou sua carreira na Divisão de Audiovisual da Unesco, na identificação e na catalogação de acervos fílmicos. Entre 2000 e 2007, atuou junto à Cinemateca Espanhola como responsável pelos projetos de restauração de diversos filmes, como a Coleção Antonino Sagarmínaga (1895-1906); El Amigo del Alma

temática preservação 109

(1905), de Antonio Escobar; La Venenosa (1928), de Roger Lion; España ante el Mundo (1929), de Walken e A. Calvache; e os Acervos Joly-Normandin (1896-1897), em colaboração com a Cinemateca Portuguesa. Atuou também na Alemanha, junto à equipe de restauração dos filmes de F. W. Murnau: O Castelo Assombrado (1921), Fantasma (1922) e A Última Gargalhada (1924). Atua, desde fevereiro de 2007, como diretora de coleções de filmes da Cinemateca Francesa.

Carlos Augusto Brandão

Jornalista, crítico de cinema, pesquisador e preservacionista; presidente da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ); coordenador geral da América Latina e diretor do Departamento de História do Cinema e de Relações com Cinematecas e Órgãos de Guarda – Fipresci (Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica). É diretor do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro (CPCB). Presidiu os Júris da Crítica do Festival de Fribourg (Suíça), Havana (Cuba), Festival do Rio-BR e Cine-PE. Participou de júris no Festival de Berlim, Mar del Plata, Gramado e Cine Ceará. Coordenou a restauração dos filmes Aviso aos Navegantes (1950), Tudo Azul (1951), Menino de Engenho (1964), O País de São Saruê (1979) e O Homem que Virou Suco (1979). Fez coberturas para a Gazeta do Povo e a Tribuna da Imprensa de festivais de cinema internacionais e nacionais. Coe coorganizador do livro Memória da memória, uma história do CPCB. Participa da equipe de programação do Festival do Rio.

Carlos Reichenbach

Cineasta, foi aluno de Paulo Emílio Salles Gomes, Anatol Rosenfeld, Mário Chamie, Décio Pignatari, Roberto Santos e, sobretudo, de Luís Sérgio Person, que viria a produzir seu primeiro curta-metragem. Foi Person também que o “apresentou” à Boca do Lixo, que Reichenbach nunca renegou, e que começou a frequentar diariamente ao lado de Rogério


110 temática preservação

4º seminário do cinema brasileiro: fatos e memória

Sganzerla, João Callegaro e Jairo Ferreira, entre outros. Lá, foi diretor e/ou fotógrafo de dezenas de produções de baixo custo. Depois de realizar dois filmes, fez seu primeiro longa solo: Corrida em Busca do Amor. Em meados da década de 80, começou a realizar filmes cada vez mais radicais em termos autorais e sua obra rompe o circuito Boca do Lixo com Extremos do Prazer, selecionado para a mostra competitiva do Festival de Gramado, no qual ganhou o Prêmio Especial do Júri. O divisor de águas na carreira do cineasta foi Filme Demência (1985), ainda hoje seu filme mais radical. Nos anos 90, fundou, com Sara Silveira, a Dezenove Som e Imagem. Realizou vários longas ao longo desse anos. Em 2008, concluiu o longa Falsa Loura e lançou o livro ABC - clube democrático. Prepara-se para rodar até o final de 2009 o longa-metragem Um Anjo Desarticulado.

Carlos Wendel de Magalhães

Formado em Administração pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, tem experiência na área cultural, onde exerceu os cargos de administrador e diretor do Museu Lasar Segall; é membro do Conselho Estadual de Cultura do Estado de São Paulo, diretor superintendente da Fundação Bienal de São Paulo, membro do Conselho da Associação de Amigos do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo e membro do Comitê Temático de Cultura e Esporte da Secretaria de Comunicação de Governo da Presidência da República. Colabora ativamente com a Fundação Cultural e Artística Gilberto Salvador, a Pinacoteca do Estado de São Paulo e a Fundação José & Paulina Nemirovsky. Desde 2002 é o diretor executivo da Cinemateca Brasileira.

Carmen Moreno

Exerce, desde 2008, a coordenação geral de processamento e preservação do acervo do Arquivo Nacional. É graduada em

Ciências Sociais pela Universidade Federal Fluminense e pósgraduada em Documentação e Informação pelo Instituto de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Desenvolve atividades na área de documentação desde 1980, quando ingressou como estagiária na então seção de Manuscritos da Biblioteca Nacional. Desenvolveu, tanto no Arquivo Nacional quanto na Biblioteca Nacional, vários projetos de tratamento e divulgação de acervos documentais.

Catherine Faudry

Radicada no Brasil desde 1994, atuou em diversas áreas artísticas como produtora cultural antes de vir a dirigir a Cinemateca da Embaixada da França, cargo que ocupa há cinco anos. A Cinemateca da Embaixada da França no Brasil vem desenvolvendo suas atividades de difusão do cinema francês no Brasil desde a década de 60. Em 2005, foi modernizada na sua gestão, com a implementação de um sistema de reservas informatizado disponibilizado através da Internet para os parceiros do Brasil inteiro. Desta forma, a Cinemateca triplicou o número de empréstimos e deu maior visibilidade a suas ações e serviços.

Clarissa Campolina

Nascida em agosto de 1979, graduou-se em Comunicação Social - habilitação Radialismo e Televisão - em 2000, pela UFMG. Desde 1999 trabalha na área audiovisual. Participou de 13 filmes como assistente de direção, de 12 como montadora. Como diretora, fotógrafa, montadora e roteirista, realizou sete vídeos documentários e experimentais, participantes de festivais no Brasil e no exterior. Assina ainda a co-direção, o roteiro e a montagem do curta Silêncio (2005), dirigido por Sérgio Borges; e a direção (ao lado de Helvécio Marins Jr.) e montagem (ao lado de Karen Harley) do curta Trecho, premiado pelo concurso de curtas-metragens do Minc em


4º encontro nacional de arquivos e imagem em movimento

2003 e pelo II Prêmio Estímulo da Associação Curta Minas; o filme foi lançado no 39º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, onde recebeu os prêmios de Melhor Filme, Melhor Montagem e Melhor Fotografia. Clarissa está em fase de distribuição do vídeo Notas Flanantes, seu mais novo trabalho, ganhador do prêmio do edital de Projeto Experimental do II Filme em Minas.

Cláudio Constantino

Bacharel em Artes Plásticas com especialização em Desenho (1997) e Cinema de Animação (2004) pela Escola de Belas Artes da UFMG. Sócio fundador da Associação Curta Minas/ ABD-MG; foi diretor do Congresso Brasileiro de Cinema – CBC 2008/2009; coordenador dos projetos: Curta o Acervo – Pesquisa e Memória do Audiovisual Mineiro de Curtas e Documentários (2008/2009); Oficinas de Aprimoramento Técnico e Artístico em Audiovisual (2008/2009)); Cineclube Curta Circuito, desde 2005; coordenou a 27ª Jornada Nacional de Cineclubes, ocorrida em novembro de 2008. Participante de seminários, congressos e fóruns que tratam da política audiovisual em Minas Gerais e no Brasil. Atua como realizador, produtor de curtas, documentários, mostras e jurado de festivais. Participou em 1999 do 1º curso de Memória e Cinema, como coordenador de produção do projeto e co-diretor de um dos vídeos (Produzir em Minas), entre os 10 que foram produzidos.

Luís Alberto Rocha Melo

É cineasta e pesquisador, doutorando em Comunicação, Imagem e Informação na Universidade Federal Fluminense (UFF). Autor dos capítulos “Gêneros, produtores e autores linhas de produção no cinema brasileiro recente”, publicado no livro Cinema brasileiro 1995-2005: ensaios sobre uma década, e “O lugar das imagens”, publicado no livro Serras da desordem, ambos organizados por Daniel Caetano. Como

temática preservação 111

roteirista e diretor, realizou sete documentários, entre eles O Galante Rei da Boca (co-direção: Alessandro Gamo, 2004), sobre o produtor da Boca do Lixo Antônio Polo Galante, e o curta-metragem de ficção em 35 mm Que Cavação é Essa? (codireção: Estevão Garcia, 2008). É pesquisador do Projeto Alex Viany (www.alexviany.com.br), tendo feito a coordenação de edição do catálogo do Acervo Alex Viany, no qual publicou um ensaio. Desde 2001 é redator da revista eletrônica de cinema Contracampo (www.contracampo.com.br).

Daniel Caetano

É professor da UFF (Universidade Federal Fluminense) no Pólo de Rio das Ostras. É produtor e co-diretor do longa-metragem Conceição - Autor Bom é Autor Morto e do documentário O Mundo de um Filme. Também é crítico de cinema. É doutorando em Literatura Brasileira na PUC-RJ. Mantém um blog na Internet: http://passarim.zip.net.

Eduardo Valente

Eduardo Valente formou-se em Cinema pela UFF (Niterói/RJ). Seu curta de formatura, Um Sol Alaranjado, recebeu em 2002, de um júri presidido por Martin Scorsese, o Primeiro Prêmio da Cinéfondation, competição de filmes de escola do Festival de Cannes. Seus dois curtas seguintes, Castanho (2003) e O Monstro (2005), também foram exibidos no Festival de Cannes, em diferentes seções. No meu Lugar é a sua estreia em longas-metragens. Além de realizador, ele é editor da revista de crítica de cinema Cinética (www.revistacinetica. com.br), curador e organizador de mostras e festivais de cinema, e dá cursos e oficinas de crítica, roteiro, direção e linguagem de cinema.

Fernanda Elisa Costa Paulino e Resende

Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Católica


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4º seminário do cinema brasileiro: fatos e memória

de Goiás. Fotógrafa e mestre em Gestão do Patrimônio Cultural também pela UCG. Professora das Faculdades Objetivo (GO) e Universidade Paulista (Unip). Pós-graduada (MBA) em Gestão Competitiva de Marketing, pela Universo. É pesquisadora da UCG desde 1988 e durante esse período atuou em criação de coleções de referência e conservação de acervos; educação ambiental e patrimonial. Hoje atua nas áreas de gestão cultural, fotografia, antropologia visual, conservação e preservação de acervo audiovisual, como membro da equipe do Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia, órgão mantenedor do Acervo Fílmico Jesco von Putkamer e Adrian Cowell, da Universidade Católica de Goiás.

e a Rede Minas de Televisão. Prepara a produção de um filme de longa-metragem a ser co-produzido com Portugal, baseado em romance do escritor Cunha de Leiradella, Cinco dias de sagração. Coordena, como diretor executivo da Associação Mineira de Cineastas, o projeto Consórcio Mineiro de Audiovisual (formado pelas instituições Associação Mineira de Cineastas, Centro de Estudos Cinematográficos de Minas Gerais e Instituto Humberto Mauro, administrado pela produtora Cultural Contact Ltda.), que está envolvido nos projetos de realização apontados acima (seus projetos de realização de longa-metragem, os projetos como produtor, o projeto Um Olhar Particular etc.)

Francisco César Filho

Glênio Nicola Póvoas

É curador (Programadora Brasil, Mostra Cinema e Direitos Humanos na América do Sul), organizador de eventos (Mostra do Audiovisual Paulista, Festival de Cinema Latino-Americano de São Paulo) e cineasta (Augustas; Rota ABC), respondendo atualmente pela Gerência de Aquisição de Conteúdo da TV Brasil.

Geraldo Veloso

Cineasta, crítico, ensaísta e pesquisador na área de cinema. Já trabalhou como técnico de cinema em mais de 120 filmes desde 1965 e produziu cerca de 30. Sócio fundador da Cooperativa Brasileira de Cinema, do Centro Mineiro de Cinema Experimental, da Associação Brasileira de Cineastas, da Associação Mineira de Cineastas e do Congresso Brasileiro de Cinema. Produziu, escreveu, dirigiu, editou Perdidos e Malditos (1970) e Homo Sapiens (1975), filmes de longametragem. Foi diretor e presidente do Centro de Estudos Cinematográficos de Minas Gerais. Dirigiu o filme O Circo das Qualidades Humanas, juntamente com outros três diretores. Criou e coordenou a produção do programa Cine Magazine, realizado em co-produção entre o Instituto Método Cultural

Mestre em Ciências da Comunicação (ECA/USP). Formado em Jornalismo pela Famecos-PUC-RS, onde é professor do Departamento de Jornalismo e do Curso Superior de Tecnologia em Produção Audiovisual. Nessa universidade realizou doutorado em Comunicação Social com a tese Histórias do cinema gaúcho. Publicou os livros Cinema RS produção audiovisual 2004-2000 (2005); O homem que copiava livro de imprensa (2003); Vento norte - história e análise do filme de Salomão Scliar (2002). Em parceria com Jorge Furtado, é coroteirista de Memorial de Maria Moura (1994), Benjamim (2003) e Oscar Boz (2003). Desde outubro de 2003 é programador do Cine Santander Cultural. Desde fevereiro de 2008 trabalha na consolidação do Arquivo da Cinegráfica Leopoldis-Som / Museu do Trabalho depositado no Arquivo da RBS TV.

Gregorio Graziosi

Brasileiro, 25 anos, formado em Cinema pela Faap - Fundação Armando Álvares Penteado e em Artes Plásticas pela Panamericana Escola de Artes e Design. Seus primeiros curtas-metragens foram exibidos em importantes festivais como Cannes, Locarno, Mar del Plata, Clermont-Ferrand e


4º encontro nacional de arquivos e imagem em movimento

Idfa. Recebeu a homenagem Sangue Novo, destinada a jovens realizadores, na última edição do Festival de Cinema LusoBrasileiro.

Guilherme de Almeida Prado

É diretor, produtor, roteirista. Diretor dos longas Onde Andará Dulce Veiga (2007), A Hora Mágica (1998), Perfume de Gardênia (1992), do curta-metragem Glaura (1995) e do premiado A Dama do Cine Shanghai (1988), entre outros.

Gustavo Dahl

No início da carreira foi colaborador de diversos jornais e revistas no Brasil e no exterior. Documentarista e montador, recebeu os prêmios Coruja de Ouro e Saci, pela montagem de A Grande Cidade, de Carlos Diegues, e por Passe Livre, de Oswaldo Caldeira. Em 1968, dirige O Bravo Guerreiro. Em 1983 realiza o longa-metragem Tensão no Rio. Em 2001 é nomeado diretor-presidente da recém-criada Agência Nacional de Cinema – Ancine. A partir de 2008 assumiu a gerência do Centro Técnico Audiovisual. É também diretor geral da Programadora Brasil e presidente do Conselho da Cinemateca Brasileira.

Ícaro C. Martins

Atual presidente da Associação Paulista de Cineastas, Apaci. Foi um dos iniciadores do Novo Cinema Paulista. Escreveu e dirigiu os longas-metragens O Olho Mágico do Amor (82), Onda Nova (83) e Estrela Nua (85), ganhando vários prêmios. Colaborou nos roteiros da série Castelo Rá-Tim-Bum. Roteirista e diretor de documentários, comerciais e das séries de TV Brasil Real e Gente que Faz. Acaba de filmar, junto com Helena Ignez, o longa Luz nas Trevas, a Volta do Bandido da Luz Vermelha.

temática preservação 113

Inácio Araújo

É jornalista, crítico de cinema do jornal Folha de S.Paulo, autor dos livros Hitchcock, o mestre do medo e Cinema, o mundo em movimento. É escritor, autor do romance Casa de meninas (prêmio APCA de Autor Revelação, 1987, em 2ª edição, pela Imprensa Oficial do Estado/SP), do romance juvenil Uma chance na vida e de Coisas celestes (contos, inédito). Técnico cinematográfico entre os anos 1970 e 1980, foi montador, roteirista e assistente de direção e montagem em diversas produções. Escreveu, montou e dirigiu Aula de Sanfona, episódio do filme As Safadas (1982). No momento, o crítico Juliano Tosi prepara uma coletânea de seus textos sobre cinema com o título Cinema de Boca em Boca, mesmo título do blog que deve estrear proximamente no portal UOL.

José Quental

Coordenador do Setor de Documentação da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Mestrando em Comunicação, Imagem e Informação na Universidade Federal Fluminense (PPGCOM/UFF). Historiador formado pela UFF (2006). Assistente de direção do filme Diário de Sintra (direção de Paula Gaitán, Brasil, 2007).

Laurent Bismuth

Estudou História e Estética do Cinema na Universidade Paris 8, de Vincennes, em Saint-Denis. Depois de trabalhar de maneira independente para diversas produtoras de audiovisual, integra em 1998 o Instituto Nacional de Ciências e Técnicas de Documentação (INTD) do Conservatório Nacional de Artes e Ofícios (CNAM). Após a conclusão do curso, entra no Instituto Nacional do Audiovisual (INA) como arquivista da Inathèque da França, que gerencia o depósito legal da rádio e da TV francesas, sendo responsável pela mudança no modelo de descrição dos programas da France Musique. Diplomado em 2006 pela Universidade de Paris-Dauphine em pós-


114 temática preservação

4º seminário do cinema brasileiro: fatos e memória

graduação em Gestão de Organizações Culturais, assume na Inathèque a responsabilidade documental da filial de “fundos doados” e dá início ao processo de tratamento de programas de 24 canais regionais de televisão da França. Em setembro de 2008, integra os Arquivos Franceses do Filme do Centro Nacional de Cinematografia (CNC), no cargo de chefe do Serviço de Análise e Gestão Documental das coleções dos AFF.

Lucy Barreto

Musicista profissional, formada pelo Conservatório de Paris. Com seu marido, Luiz Carlos, uma união que reuniu música e fotografia, som e imagem, encontrou sua verdadeira vocação: o cinema. Vocação que foi transmitida aos filhos Bruno, Fábio e Paula. Lucy Barreto é o elo que une a família Barreto, líder no mercado cinematográfico brasileiro há quase meio século. Desde os anos 60 Lucy vem se dedicando ao cinema. Trabalhou em todos os segmentos da cinematografia até chegar à sua atual dupla função de produtora e produtora executiva, participando em todos os aspectos da produção, desde o desenvolvimento do roteiro até a pós-produção e publicidade. É também responsável pelos contatos internacionais da empresa, especialmente com a Europa e Estados Unidos, negociando com distribuidores internacionais, e pelo desenvolvimento de novos projetos.

Noilton Nunes

Presidente da Associação Brasileira de Documentaristas (197880). Professor de cinema - criador dos projetos Que Filme é Esse - O Cineasta do Mês e das novelas interativas Tela Nossa e O Amor por Princípio. Finalizou em 2007 o longa A Paz é Dourada, inspirado na vida e na obra de Euclides da Cunha. Co-dirigiu o premiado longa O Rei da Vela, com José Celso Martinez. Produziu os longas Ladrões de Cinema, de Fernando Campos, e Na Boca do Mundo, de Antônio Pitanga, com Norma Bengell, além de diversos curtas e desenhos animados de Stil

e Antônio Moreno. Realizou também muitos curtas como diretor, roteirista, fotografo e ou montador.

Luiz Carlos Barreto

É um dos líderes do Cinema Novo, movimento político e estético que revolucionou o cinema latinoamericano. Nasceu em Sobral, no Ceará, e vive no Rio de Janeiro desde 1947. De 1953 a 1963 trabalhou como repórter fotográfico da Revista O Cruzeiro, de fama internacional. Foi correspondente da revista na Europa de 1953 a 1954. Como repórter, cobriu os mais importantes acontecimentos nacionais e internacionais de sua época. Ingressou no cinema em 1961 como co-autor do roteiro e co-produtor de O Assalto ao Trem Pagador, dirigido por Roberto Farias. A partir de então começou uma série de grandes produções cinematográficas, divididas com uma importante atividade política e cultural. É casado com Lucy Barreto e pai de Bruno Barreto e Fábio Barreto, dois dos mais importantes diretores da geração pós-Cinema Novo, e também de Paula Barreto, que administra comercial e financeiramente a empresa, sendo também produtora cinematográfica.

Luiz Pretti

Junto com o seu irmão, Ricardo, se dedica à prática de fazer cinema há nove anos. Sem nunca terem conseguido recursos para fazer os seu filmes, eles aprenderam a produzir de forma muito barata e rápida, mas também muito solitária. A partir de 2006, data em que foram morar no Ceará, seus filmes passaram a ser feitos com uma equipe que, unida pelo desejo de fazer um cinema ousado e sem concessões, vem dando uma nova cara ao cinema cearense.

Manoel Rangel

Nasceu em Brasília. É cineasta, formado pela Universidade de São Paulo (1999), onde cursou o mestrado em Comunicação


4º encontro nacional de arquivos e imagem em movimento

e Estética do Audiovisual. Foi presidente da Comissão Estadual de Cinema da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo (2001-2002). Foi assessor especial do ministro da Cultura Gilberto Gil (2004/2005) e secretário do Audiovisual Substituto (2004/2005), quando coordenou o grupo de trabalho sobre regulação e reorganização institucional da atividade cinematográfica e audiovisual no Brasil. Foi nomeado membro da Diretoria Colegiada da Agência Nacional do Cinema (Ancine) em 2005. Foi nomeado diretor-presidente da autarquia em dezembro de 2006 e reconduzido ao cargo em maio de 2009, com mandato até 20 de maio de 2013.

Myrna Brandão

Jornalista, pesquisadora e crítica de cinema; presidente do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro; diretora cultural da Associação Brasileira de Recursos Humanos – ABRH – RJ; membro do Conselho da Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura; tem participação em painéis, conferências e palestras sobre preservação e memória nos festivais do Rio, Paraty, Diamantina, Gramado, Brasília, Fica, Cuiabá, Jornada da Bahia, Cine Ceará, Guarnicê, FAM e em São Paulo. Fez coberturas para o Jornal do Brasil e para a Tribuna da Imprensa de festivais de cinema internacionais e nacionais (Sundance, Berlim, Nova York, Europacine e outros). É co-autora da organização do livro Memória da memória – uma história do CPCB; membro dos júris no Festival do Rio BR, Curtas do Cine Ceará, seleção do Festival de Gramado, longa do Cine-PE e outros. É autora dos livros Leve seu gerente ao cinema (Qualitymark Editora, 2004), Luz, câmera, gestão – a arte do cinema na arte de gerir pessoas (Qualitymark Editora, 2006).

Neide Ribeiro

Graça e sensualidade sempre estiveram juntas nas atuações de Neide Ribeiro. Ela nasceu em São Paulo, mas foi criada em

temática preservação 115

Taubaté, Vale do Paraíba. Bonita, começou a se fazer notar em publicidade e como uma das garotas do Programa Sílvio Santos, na década de 1970. Em pouco tempo foi descoberta pelo cinema. Suas melhores atuações deram-se no politizado E Agora, José? (1979), de Ody Fraga, em A Ilha dos Prazeres Proibidos (1979), de Carlos Reichenbach, em Império das Trás (1980), de José Adalto Cardoso, Corpo Devasso (1980) e Violência na Carne (1981), de Alfredo Sternheim, e As Taras de Todos Nós (1981), de Guilherme de Almeida Prado. Também atuou na TV em programas humorísticos (A Praça é Nossa) e no teatro. Nos últimos anos, vivendo em São Paulo, tem se dedicado a fazer publicidade na TV na difícil forma de merchandising ao vivo.

Pedro Veneroso

Artista intermídia trabalhando profissionalmente nos campos de vídeo, design, fotografia, artes e novas mídias. Como artista participou de diversas exposições nacionais e uma internacional. Diversos de seus trabalhos participaram e foram premiados em festivais nacionais e internacionais de vídeo, design e arte tecnológica. Co-fundador, com André Mintz, do premiado grupo de arte e tecnologia Marginalia Project, cuja produção tange o campo audiovisual de uma perspectiva computacional. É graduando do curso de Artes Visuais da EBA/UFMG.

Solange Lima

Presidente da ABD Nacional - entidade que atua com a implantação e o fortalecimento de políticas culturais para o audiovisual nacional. É diretora de Regionalização e Descentralização da Associação de Produtores e Cineastas de Longa-Metragem do Norte. Como representante da ABD Nacional, está conselheira do Conselho Consultivo da SAV CCS, Conselho Superior de Cinema - CSC e Conselho Nacional de Políticas Culturais – CNPC. Neste momento coordena o


116 temática preservação

4º seminário do cinema brasileiro: fatos e memória

projeto Memória, que será trabalhado pelas 27 ABDs do Brasil em busca da identidade visual no cinema nacional. Além da militância política nas entidades de classe, vem fomentando o audiovisual através de oficinas, a exemplo das oficinas de Roteiro como Orlando Senna, que acontece há nove anos em Lençóis (Bahia). Como produtora, acaba de finalizar o longa Estranhos.

Rafael de Luna Freire

É professor de Preservação, Memória e Política de Acervos Audiovisuais do curso de Cinema e Audiovisual da Universidade Federal Fluminense (UFF), tendo trabalhado na Cinemateca do MAM-RJ e participado de cursos e estágios sobre preservação de filmes na Cinemateca Brasileira e Filmoteca Española, em Madri. Seu campo de interesse abarca ainda história do cinema brasileiro, tendo publicado diversos artigos sobre o assunto e sendo autor de Navalha na tela: Plínio Marcos e o cinema brasileiro (Tela Brasilis, 2008) e organizador, com André Gatti, de Retomando a questão da indústria cinematográfica brasileira (Tela Brasilis, 2009), além de outros títulos. Atualmente é doutorando no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da UFF, com tese sobre o filme policial brasileiro.

Roberto Farias

Começou sua vida profissional em 1950 na Atlântida Cinematográfica, com Watson Macedo, José Carlos Burle e J. B. Tanko. Cineasta, é diretor de 13 filmes entre os anos de 1957 e 1986. Produziu mais de 40 filmes e em 1965 fundou a Difilm, distribuidora independente, com o grupo Cinema Novo. Foi diretor geral da Embrafilme e dirigiu telefilmes para a Rede Globo na década de 80. Dirigiu minisséries e clipes musicais. É sócio-fundador do Canal Brasil e trabalhou na TV Globo como diretor de diversos programas. Foi júri de vários festivais de cinema. Foi agraciado com a Ordem do Mérito Cultural,

conferida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003.

Silvio Da-Rin

É documentarista e técnico de som. Realizou mais de uma dezena de filmes e vídeos, vários deles premiados em festivais brasileiros e internacionais, como os longas Hércules 56 e Igreja da Libertação; telefilmes como Brasil Anos 60 e Brasil Anos 80; e os curtas Nossa América, Príncipe do Fogo e Fênix. Gravou o som de mais de 150 filmes, entre eles os longas Quase Dois Irmãos, Onde Anda Você, Viva Voz, Separações, Amores Possíveis, Mauá e Pequeno Dicionário Amoroso. Tem ministrado cursos e oficinas nas áreas de som para cinema e documentário. Em 2004, publicou o livro Espelho partido: tradição e transformação do documentário, versão revista de sua dissertação de mestrado em Comunicação na UFRJ. Hoje é secretário do Audiovisual.

Tetê Mattos

Niteroiense, é mestre em Ciência da Arte pela Universidade Federal Fluminense e professora do Departamento de Arte desta Universidade. Integrou a diretoria da ABD&C/ RJ (Associação Brasileira de Documentaristas e CurtaMetragistas) entre 1999 e 2004. Atualmente é vice-presidente do Fórum dos Festivais e vice-coordenadora do curso de Produção Cultural da Universidade Federal Fluminense. Dirigiu o documentário Era Arariboia um Astronauta?, premiado no XXXI Festival Brasileiro de Cinema de Brasília e no III Festival de Recife, e o documentário de curta-metragem A Maldita,prêmio de melhor filme pelo voto de público no Festival do Rio 2007. Publica artigos em revistas e livros especializados, com destaque para o capítulo “A inquietação no cinema documentário”, lançado no livro O documentário no Brasil (Summus Editorial, 2004). É idealizadora e diretora da mostra Arariboia Cine – Festival de Niterói, que se encontra na VIII edição.


4º encontro nacional de arquivos e imagem em movimento

Teder Muniz Morás

Coordenador do Centro de Documentação da Fundação Padre Anchieta, em São Paulo. Desde 2005, coordena o processo de digitalização do acervo de videoteipe com maior risco de obsolescência. Desde 2007 coordena o desenvolvimento e a implementação do novo sistema MAM, Media Portal, responsável pelo gerenciamento de todo conteúdo em formato digital e seus processos. Membro do SiBIA, Sistema Brasileiro de Informações Audiovisuais, e da Comissão Executiva da ABPA, Associação Brasileira de Preservação Audiovisual. Participou como convidado internacional do V Encontro de Arquivos Audiovisuais da Colômbia, na cidade de Medellín, em outubro de 2008. Graduado em RTV pela Faap e Jornalismo pela PUC de São Paulo, é mestrando no curso de Gestão de Acervos/Arquivologia pela Universidade Paulista.

Zilda Mayo

Atriz, atuou em mais de 40 filmes realizados ao longo da carreira, destacando-se pelos personagens vividos, recebendo assim reconhecimento da imprensa e do público, ao lado dos diretores e produtores: Massaini, Chico Cavalcante, Jean Garret, Oswaldo de Oliveira, José Galante, Alfredinho Steinhein, Hugo Khouri, Carlos Reinchenbach, Álvaro Pacheco. Atriz de diversos trabalhos no teatro: Somos, Mas Quem Não É?, O Sabor Amargo da Maçã, O Colecionador, CVV Boa Noite e outros. Na televisão, participou do Casa de Pensão, Filhos do Sol, Irmã Catarina etc. Como jurada, participou dos programas de Chacrinha, Bolinha, Raul Gil, Sílvio Santos e Barros de Alencar. Também atua em produção teatral.

Zezé Motta

temática preservação 117

Conhecida internacionalmente pela sua atuação em Xica da Silva, Zezé Motta possui uma carreira marcada pela riqueza artística e versatilidade. Não é por acaso que ela se autodefine “cantriz”. Atuou em 25 filmes, novelas, especiais de televisão e inúmeras peças teatrais, incluindo o musical Arena Canta Zumbi, que excursionou pelos EUA e América Latina. Na música, um de seus maiores sucessos é o tributo a Elizeth Cardoso, denominado Divina Saudade, CD que faz parte de uma extensa discografia que teve início em 1978 com o álbum Zezé Motta. Como cidadã, sua consciência política a levou a participar ativamente das lutas por uma sociedade justa e igualitária. Militante do Movimento Negro Unificado, sua conduta se caracteriza pela coragem com que tem denunciado o racismo e suas práticas; e, ultrapassando o nível da denúncia, Zezé está organizando um arquivo de atores negros, o Cidan – Centro Brasileiro de Informação e Documentação do Artista Negro.


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LONGAS E MÉDIAS


120 longas e médias-metragens

Do cinema popular dos anos 70 aos documentários contemporâneos organizada, mostra os interesses de um tempo e de um documentários A programação de longas e médias metragens da 4ª contemporâneos CineOP é composta de uma vertente histórica e outra contemporânea. A histórica está centrada na produção popular dos anos 70, valorizando a figura feminina na relação com o sexo e com o poder, com o poder do sexo e do corpo, como em Xica Silva (1976), de Cacá Diegues, A Dama do Lotação (1978), de Neville d’Almeida, e Dona Flor e Seus Dois Maridos (de Bruno Barreto), mas também ocupa a tela com um filme de aventura pop, como Roberto Carlos – A 300 Km por Hora (1971), de Roberto Farias, e por uma espécie de pornochanchada de ares hippies, com referências explícitas ao contexto político da década, como em A Ilha dos Prazeres Proibidos (1977), de Carlos Reichenbach. Já o segmento contemporâneo é ocupado apenas por documentários. A multiplicação da produção em vídeo de longas e médias tem optado quase exclusivamente pelo documental. A programação da 4ª CineOP reflete, dessa forma, um contexto amplo. Entre os inscritos, o documentário dominou, mas, mesmo reinando na quantidade, o volume não resulta em diversidade. Em temas, sem dúvida. Nos procedimentos, impera o depoimento e o relato, o testemunho de uma experiência, que narrará com a memória. Todo documentário expõe uma forma de se relacionar com um recorte do mundo existente fora da tela. Também expõe algo desse mundo, no presente ou no passado, e essas exposição de parte do mundo, menos ou mais

lugar. No Brasil de 2009, os documentários lidam com mundos diversos, o da história do País à história de uma família, passando pela história de uma região de produção de cinema;, do mundo do samba culto a observação de espaços sem pressa, da nova cultura da segurança urbana nos condomínios cheio de câmeras à importância política da imagem para uma cultura antiga. A entrevista está presente em quase todos, mas, em quase todos também, há um esforço em não se ficar no “depoimento”. O conjunto de imagens tem momentos nos quais uma realização se autotematiza (Já Me Transformei em Imagem), um processo de memória e criação é mostrado em sua construção (Lingston, Perli, Cherlie, uma narrativa revela sinais de humor no tratamento de uma questão séria (Cidadão Boilesen), uma diretora vira personagem para se familiarizar com seus personagens e sentir na própria pele algo da sensação deles (Alphaville), um olhar atenta-se para as mínimas alterações geradas pela duração de uma câmera concentrada (Notas Flanantes) e uma voz de narradora fala como se fosse uma personagem (Noiva do Cordeiro). Já Me Transformei em Imagem (PE), de Zezinho Yube, é mais uma forte experiência com índios (como corealizadores e personagens). O que está em jogo, mais que nunca, é o poder político da imagem. Nesse caso em específico, o poder de transmissão, preservação e ocupação de imaginário, não da aldeia para a aldeia, mas


longas e médias-metragens 121

da aldeia para fora dela, de modo a ocupar um espaço em uma cultura interessada em mostrá-la. Lingston, Perli, Cherlie (MG), de Bernard Belisário, não visa à produção da memória, mas estabelecer um jogo com ela, no qual ficção e testemunho vivem a oscilar, não sem um olhar da narrativa para si mesma. O risco da asfixia metalinguística encontra seu oxigênio na aproximação com um senhor alimentado de imaginação e de projetos um dia imaginados. Cidadão Boilesen (RJ), de Chaim Litevski, vai do específico ao geral. O específico é seu personagem, empresário escandinavo, que, nos anos 70, patrocinou a repressão. O geral é justamente o Brasil desse momento de sangue e sombras. Essa conexão entre particular e o nacional não abre mão de um humor zombeteiro com o qual enquadra a figura humana a ser decodificada. E julgada, por que não? Cidadão Boilelen não precisa de uma voz para verbalizar sua posição. A tomada de partido está nas operações com as quais coloca em quadro seu protagonista: o Boilesen. Noiva do Cordeiro (MG), de Alfredo Slves, impõe-se menos por suas operações e mais por trazer a tela uma situação inusitada. Centrado em entrevistas e em uma narração de Lya Luft, reorganiza, por meio da memória verbalizada, o percurso das mulheres de uma família, que, por conta de um adultério e de uma gravidez há meia dúzia de gerações, foram marginalizadas por décadas. O extraordinário dá lugar ao mínimo em Notas Flanantes, no qual a noção de rentabilidade do ritmo e das informações, presentes em outros documentários, deixam de ser uma questão para a questão se tornar os detalhes. Um Homem de Moral (SP), de Ricardo Dias, retoma o samba culto de Paulo Vanzolini e, por meio das músicas e dos relatos em torno e do próprio personagem central,

propõe como universo visual externo recortes de São Paulo, em geral com a aparente procura por sinais de preservação de uma certa cultura à moda antiga da cidade. A nova cultura da mesma cidade e de seus arredores é mostrada em Alphaville (SP), de Luíza Campos, título em referência ao condomínio em Barueri, imediações de São Paulo, no qual a diretora vai morar para fazer o documentário. Segurança e medo são as palavras-chave. A própria imagem, a história recente do País, um sintoma da vida urbana contemporânea, um ícone do samba de outro momento, um grupo em esforço de preservação, a história do preconceito de uma região, a própria atitude da boa observação. As imagens olham para as imagens ou para sua maneira de olhar, olham para evidências de culturas em alteração, também para os sinais enviesados de nossos tempos e cidades. Preservam e revelam. É exatamente esse o espírito da 4ª CineOP. Cleber Eduardo Crítico de Cinema Seleção de Longas e Médias


122 longas e médias-metragens

anos 70 filme homenagem xica da silva

Ficção, cor, 35mm, 117’, RJ, 1976 Direção: Carlos Diegues Roteiro: Carlos Diegues e João Felício dos Santos Produção: Jarbas Barbosa, Airton Correa, Hélio Ferraz, José Oliosi, Embrafilme, Distrifilmes e Terra Filmes Música: Jorge Ben e Roberto Menescal Fotografia: José Medeiros Desenho de produção: Luiz Carlos Ripper Direção de arte: Luiz Carlos Ripper Figurino: Luiz Carlos Ripper Edição: Mair Tavares Distribuição: Embrafilme e Unifilms Elenco: Zezé Motta, Walmor Chagas, José Wilker, Stepan Nercessian e Altair Lima Escrava que, durante o ciclo do ouro, na atual e rica cidade de Diamantina, aproveitou-se de sua sensualidade para conquistar a alforria e se tornar a rainha do Diamante.


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anos 70 DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS Ficção, cor, 35mm, 115’, RJ, 1978

Diretor: Bruno Barreto Produtores: Lucy e Luiz Carlos Barreto Inspirado na obra de Jorge Amado Direção de produção: Ivan Souza / José Carlos Escalero Montagem: Raimundo Higino Cenografia e Figurino: Anísio Medeiros Maquiagem: Jaque Monteiro Casting: Marza Artists and Model Agency Produção: LC Barreto e Filmes do Equador Produção executiva: Paulo Cézar Sesso Produtores associados: CIA Serrador Elenco: Sonia Braga, José Wilker, Mauro Mendonça, Dinorah Brillanti, Nelson Xavier, Arthur Costa Filho, Rui Resende, Mário Gusmão Com a morte de seu primeiro marido, Vadinho, Dona Flor se sente muito solitária, até que conhece um homem que lhe dá estabilidade e confiança. Porém seu falecido marido, que é por quem ela realmente sente desejo, volta do além em forma de fantasma, criando as mais inesperadas situações.


124 longas e médias-metragens

longas - anos 70

A DAMA DO LOTAÇÃO

Ficção, cor, 35mm, 111’, RJ, 1976 História original, argumento e diálogos: Nelson Rodrigues Projeto, adaptação cinematográfica e roteiro: Neville d´Almeida Direção: Neville d´Almeida Direção de Fotografia e Câmera: Edson Santos Música: Caetano Veloso Montagem: Raimundo Higino Cenografia: Gilberto Loureiro Figurino: Marília Carneiro Diretores Assistentes: Guará Rodrigues e Paulo Sérgio Almeida Produção: Regina Filmes e Embrafilme Produtores Associados: Luiz Carlos Barreto e Nilton Rique Produtor Executivo: Nelson Pereira dos Santos Elenco: Sônia Braga, Nuno Leal Maia, Jorge Dória, Paulo César Pereio, Márcia Rodrigues, Cláudio Marzo, Roberto Bonfim, Ney Santanna, Washington Fernandes, Iara Amaral, Ivan Setta, Paulo Villaça, Waldir Onofre, Thais de Andrade e Liège Monteiro Solange casa-se com Carlinhos, um amigo de infância, mas na própria lua de mel, descobre o fracasso desse casamento. A união fora determinada muito mais pelos laços de família e a voluptuosidade do rapaz que pelos impulsos e sentimentos da moça. Na noite de núpcias, ela tenta adiar a relaçãop com o marido, mas este insiste e ela se sente violentada. É a partir dessa impossibilidade de felicidade, que Solange se torna A Dama do Lotação. Depois de ir a um analista, de se aconselhar com o sogro e a maior amiga da sogra já morte, ela decide que é preciso tentar alguma coisa mais prática e acaba traindo Carlinhos. As desconfianças e dúvidas de Carlihos vão se confirmando e, a partir daí, a história entra em um clima de tensão que culmina com um final absolutamente surpreendente.


longas - anos 70

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A 300 KM POR HORA

Ficção, cor, 35mm, 91’, RJ, 1972 Direção: Roberto Farias Roteiro: Produção: Fotografia: Figurino: Direção de arte: Trilha: Edição: Elenco: Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Raul Cortez, Mario Benvenutti,Libânia, Cristina Martinez, Flávio Migliaccio, Zeloni, Reginaldo Faria,Walter Forster Lalo, tímido mecânico de automóveis, ama em segredo tantos carros de corrida como a jovem Luciana, namorada de seu patrão, Rodolfo, ás do automobilismo. Às escondidas, Lalo e seu amigo Pedro Navalha treinam com o carro de Rodolfo, especialmente fabricado para a próxima Taça Brasil, em Interlagos. Rodolfo briga com Luciana e parte para Europa. Pedro evita que Neusa, secretária de Rodolfo, cancele a inscrição do patrão. Coloca Lalo no lugar deste. Em plena corrida, a trama é descoberta, mas Lalo realiza uma performance sensacional e tem reconhecida a sua vitória.


126 longas e médias-metragens

longas - anos 70

A ILHA DOS PRAZERES PROIBIDOS Ficção, cor, 35mm, 90’, SP, 1977

Direção: Carlos Reichenbach Roteiro: Carlos Reichenbach Fotografia: Carlos Reichenbach Musical: Roberto Pólo Galante Seleção musical: Carlos Reichenbach Montagem: Walter Wanny Produção: Antônio Pólo Galante Co-produção: Galante Filmes e Ouro Filmes Continuista: Isabel do Amaral Distribuição: Seleção Ouro e Art Filmes Elenco: Neide Ribeiro, Roberto Miranda, Meiry Vieira, Fernando Benini, Carlos Casan, Zilda Mayo, Fátima Porto, Olindo Dias, Teca Klaus e João Maia Neto

Ana, falsa jornalista e assassina profissional, é designada pela organização de extrema direita para qual trabalha, para uma audaciosa missão na Ilha dos Prazeres. Usando como guia o ex-jornalista Sérgio, Ana deverá conseguir entrar no local e eliminar dois refugiados subversivos : o teórico reichniano William Solanas e o anarquista Nilo Baleeiro. Em contato direto com o hedonismo do paradisíaco reduto de renegados, a sicária descobre, à duras penas, a função revolucionária do prazer.


longas e médias-metragens 127

contemporâneo pré-estréia nacional

pré-estréia nacional

UM HOMEM DE MORAL

CIDADÃO BOILESEN

Roteiro e direção: Ricardo Dias . Direção de fotografia: Carlos Ebert . Montagem: Marcello Bloisi . Direção musical: Italo Perón . Produzido por Zita Carvalhosa . Formato: 35mm Duração: 84 min. Som: Dolby Digital . Período de produção: de 2002 a 2008 . Produção: 24 VPS Filmes, Superfilmes e RCSD Produções . Distribuição (cinema): SUPERFILMES e Adhemar de Oliveira . Distribuição (vídeo): Biscoito Fino

Direção e roteiro: Chaim Litewski . Direção de produção: Chaim Litewski, José Carlos Asberg, Ojvind Kyro e Jorge José de Melo . Produção executiva: Chaim Litewski e José Carlos Asberg . Fotografia: Jose Carlos Asberg e Jorge Mansur . Montagem: Pedro Asberg . Trilha Sonora: Studio Arpx . Edição de som: Damião Lopes

Documentário, cor, 35mm, 84’, SP, 2009

Musical sobre Paulo Vanzolini, compositor. Ricardo Dias, que dirigiu os filmes Os Calangos do Boiaçu e No Rio das Amazonas, que contaram com a participação de Paulo Vanzolini, cientista, apresenta desta vez um outro Vanzolini: seus sambas, seus amigos e a cidade de São Paulo, tema permanente de sua obra musical.

Documentário, cor, digital, 93’, RJ, 2009

Através da surpreendente vida de Henring Boilesen, o documentário revela a ligação política e econômica entre empresários e militares no combate à luta armada durante o regime militar brasileiro.


128 longas e médias-metragens

médias pré-estréia nacional

pré-estréia nacional

ALPHAVILLE

LINGSTON PERLI CHERLIÊ

Direção, fotografia e roteiro: Zezinho Yube Empresa produtora: Vídeo nas Aldeias

Direção: Bernard Belisário. Roteiro: André Vieira Dias, Gerson Diego Gonçalves e Ingrid Tatiene das Neves. Montagem: Bernard Belisário. Elenco: Levindo Pereira da Silva e Pedro Henrique Corrêa

Documentário, cor, digital, 32’, PE, 2008

Comentários sobre a história de um povo, feito pelos realizadores dos filmes e por seus personagens. Do tempo do contato, passando pelo cativeiro nos seringais, até o trabalho atual com o vídeo, os depoimentos dão sentido ao processo de dispersão, perda e reencontro vividos pelos Huni Kui.

Documentário, cor, digital, 42’, MG, 2009

Sr. Levindo é Lingston, que é também Sr. Levindo: inventor, ator, projecionista, documentarista – simplesmente um historiador. Por essas várias personas imbricam-se também vários filmes. Lingston Perli Cherliê é um deles.


médias

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pré-estréia nacional

pré-estréia nacional

NOIVA DO CORDEIRO

NOTAS FLANANTES

Direção: Alfredo Alves . Direção de fotografia: Antônio Luís. Produção executiva: Regina Santiago. Montagem e edição: Marcelo Santos. Trilha sonora: Paulo Santos. Empresa produtora: BemVinda Filmes

Direção: Clarissa Campolina. Roteiro: Clarissa Campolina e Sérgio Borges. Direção de produção: Diana Gebrim, Helvécio Marins Jr. e Ana Regina Fernandes. Produção executiva: Diana Gerbim. Fotografia: Clarissa Campolina. Montagem: Clarissa Campolina. Trilha sonora e edição de som: O Grivo. Empresa produtora: Teia

Documentário, cor, digital, 45’, MG, 2008

O documentário conta a história da localidade Noiva do Cordeiro, no município de Belo Vale. Com narração em primeira pessoa da escritora Lya Luft, o documentário volta à origem do povoado, no fim do século 19, quando Maria Senhorinha se casou com um descendente de franceses, Arthur Pierre. Três meses depois, sentindo-se infeliz, ela abandonou o lar e foi morar com Chico Fernandes, no local onde acabou sendo criada a comunidade. O seu ato deixou a população escandalizada, já que as mulheres não tinham o direito de abrir mão de um casamento em nome do amor. Começou aí a história de preconceito e isolamento. Há alguns anos, as mulheres resolveram mudar essa realidade e aí está a trajetória dessas mulheres e a transformação de toda a comunidade.

Documentário, Cor, digital, 47’, MG, 2008

Um dia me pediram para definir a cidade em que eu acordo todos os dias. A falta de resposta me levou a procurar um método para descobrir esse lugar que me é tão corriqueiro. Com o mapa de Belo Horizonte em mãos, sorteava o quadrante aonde deveria ir. O vídeo se constrói nesses passeios, revelando o cotidiano de lugares escolhidos ao acaso e do meu encontro com essa outra cidade.


130 longas e médias-metragens

médias

série a boca em questão

O GALANTE REI DA BOCA Documentário, 52’, SP, 2004

Roteiro e direção: Alessandro Gamo e Luís Rocha Melo. Direção de fotografia e câmera: André Francioli. Som direto: Luiz Adelmo. Som direto adicional: Pedro Moreira. Montagem: Eduardo Kishimoto e Severino Dadá. Montagem final: Severino Dadá. Edição de som: Luís Eduardo Carmo. Trilha musical original: Paulo Corrêa. Produção executiva: Alessandro Gamo e Luís Rocha Melo. Diretor de produção: Noel Carvalho. Companhias produtoras: CPC-Umes, Maloca Filmes e Inventarte Produções Artísticas. Depoimentos: Antônio Polo Galante, Carlos Reichenbach, Jairo Ferreira, Rogério Sganzerla, Inácio Araújo, Severino Dadá, Miro Reis, Sylvio Renoldi, Pio Zamuner, Antônio Meliande, Cláudio Portioli, Sebastião de Souza e João Silvério Trevisan

Também chamado de o “Rei da Boca”, ou o “Produtor Biônico”, A. P. Galante produziu de filmes de cangaço a comédias eróticas, dramas psicológicos e filmes policiais, passando por bang-bangs e filmes de kung-fu, num total de mais de 50 obras. Com depoimentos do próprio Galante, trechos de seus filmes, imagens de São Paulo e da Boca do Lixo de ontem e de hoje e entrevistas inéditas com nomes como Carlos Reichenbach, Jairo Ferreira, Rogério Sganzerla, Inácio Araújo, Severino Dadá, Miro Reis, Sylvio Renoldi, Pio Zamuner, Antônio Meliande, Cláudio Portioli, Sebastião de Souza e João Silvério Trevisan (técnicos, diretores e críticos que fizeram a história do cinema brasileiro), O Galante Rei da Boca é um documentário que segue a trajetória do personagem-título, refletindo e informando sobre o fazer cinema no Brasil.


médias

série especial PRÉ-ESTREIA NACIONAL

DIÁRIO DE AQUÁRIO

Documentário, digital, 32’, RJ, 2009 Direção e roteiro: Luiz Carlos Lacerda. Fotografia: Alisson Prodilik. Montagem: Rafael Monteyro. Trilha sonora: Ravi Shankar/Villa-Lobos. Edição de som: Elias do Carmo. Elenco: Catarina Abdalla. Empresa produtora: Matinê Filmes, Canal Brasil e Universo Produção

A partir do diário de prisão da atriz Judith Malina, interpretada pela atriz Catarina Abdalla,conta-se o episódio da vinda pra São Paulo do grupo teatral de vanguarda norteamericano Living Theatre; sua prisão em Ouro Preto nos anos 70 e a entrega da Ordem do Mérito.

longas e médias-metragens 131


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CURTAS


134 curtas-metragens

Rotas possíveis em meio ao oceano Rotas possíveis em meio ao oceano inventividade em relaçãooceano ao seu objeto revelado, como Rotas Ao longo de dois meses, possíveis mergulhamos num universo em meio ao de mais de 600 curtas-metragens, em todas as bitolas, propostas e categorias, de praticamente todos os estados do Brasil, para, navegando neste oceano de imagens, extrairmos uma seleção capaz de revelar ao público algo sobre a produção brasileira no último ano. Reportar que o universo de obras recebidas foi marcado pela diversidade não seria nos refugiar na tranquilidade deste conceito um tanto quanto abrangente: a nós parece imperativo utilizá-lo por nos parecer simplesmente impossível nos referirmos aos mais de 600 inscritos sem deixar claro esse fato.

Porém, sabemos que afirmar a diversidade, por si só, não diz muita coisa e que embora seja um tanto arriscado tentar traçar linhas gerais ou tendências para uma produção tão vasta, podemos apontar algumas constantes na produção brasileira recente que se confirmam nesta safra. Uma delas é a dos documentários informativos sobre manifestações de cultura ou de folclore nacionais, que no seu conjunto apresentam um impressionante levantamento de práticas ou pensamentos históricosociais que parecem ganhar muito pouca atenção de órgãos governamentais no que diz respeito à sua preservação ou simples documentação e veiculação. Neste sentido, poderíamos dizer que os cineastas e videastas brasileiros estão de fato assumindo a responsabilidade da representação de seu país, dando continuação a uma espécie de tradição histórica do nosso cinema. Entre essas iniciativas, alguns surpreendem pela intimidade e

Minami em Close-Up.

Em outra corrente, bastante diversa, está a proliferação de experiências com a imagem, seja no campo subjetivo-afetivo, seja no campo da plasticidade e das investigações metalinguísticas, afirmando um desejo de pesquisa audiovisual em sintonia com as inquietações observadas na produção internacional e colocando o Brasil definitivamente na rota das experimentações interdisciplinares contemporâneas. Em outra chave, porém, percebemos que esta reorientação do trabalho com a imagem tem provocado uma liquefação da dramaturgia tradicional e uma atenção maior para os fragmentos quando se trata de compor retratos de personagens ou de relações entre estes e o mundo. Desta forma, é possível notar a presença marcante da água como figura metafórica de fluxos de sentimentos e anseios que deram lugar à construção psicológica e à articulação de conflitos claros. É neste espírito que filmes como Bolívia, te Extraño, Arbanella e Divergrandpa falam de memória e de relações familiares, e que Pretty Little Things, Saltos e Oscar 07/02 capturam o mundo do ponto de vista de um sujeito imaginário, transformado em pura sensibilidade. Sensibilidade que ganha em Corpo no Céu um rosto, um sorriso e uma trajetória no espaço. O contraponto desses filmes está na busca por uma articulação intelectual que reflita questões conceituais, como em Dorian Green, Terra ou Os Boçais, filmes que,


curtas-metragens 135

apesar de partirem de lugares completamente diferentes, demonstram uma semelhante preocupação com seu lugar histórico e uma autoconsciência do seu processo capaz de caracterizá-los como autênticos e estimulantes filmes-problema. Fazendo companhia a eles, estão ainda iniciativas que buscam em arremedos da arte de narrar climas e estados emotivos nos quais compreender seus personagens, como Teresa, Noite de Domingo e A Distração de Ivan. Não há escolha que não seja política, ou ao menos que habite o terreno eternamente dialético entre o eu o outro, o privado e o público, o conceito e o gosto. E se não há uma seleção perfeita, tentamos fazer a mais sincera e generosa possível. Nosso desafio foi, ao percorrer esses caminhos acima esboçados, muito menos tentar categorizar, unir ou separar as obras em categorias e muito mais tentar identificar linhas de diálogo, que nos permitissem construir e apresentar ao espectador uma programação onde os filmes exibidos (sejam eles em película ou digital, com maior ou menor orçamento, de assinatura individual ou de grupo, com créditos mais ou menos conhecidos) apresentassem escolhas técnicas, formais e narrativas capazes de fazerem reverberar sentimentos, sensações ou pulsões autorais com inquietações significantes. E que, claro, revelassem também algo aos olhares de quem lhes apresenta essa seleção. Sendo assim, ainda que haja distinção entre as sessões digitais e em película – e muitas vezes elas existem por

razões de ordem muito mais prática que estética – o que buscamos foi relacionar os filmes para propor debates imaginários e imaginados, que, apesar de implicitamente estabelecerem aproximações, tentam também preservar a inteireza da cada trabalho. Desejamos a todo uma excelente mostra! Rafael Ciccarini Tatiana Monassa Cleber Eduardo (colaborador) Seleção Curtas


136 curtas-metragens

série 1

pretty little things: surface tension arte, digital, 6’, mg, 2008

saltos

experimental, digital, 8’, sp, 2008

Direção: Pedro Veneroso

Atleta começa a perder audição.

Pequenas coisas, minúsculos objetos: estes como palco para a elaboração de um mundo paralelo traçando paisagens imaginárias e situações hipotéticas; ali, onde o trivial dá espaço ao extraordinário, uma pia se transfigura em ensejos ora subjetivos, ora objetivos, abstratos ou figurativos.

Oscar 07/02

disforme

Direção: João Krefer Produtora: Krepak

Direção: Arthur Tuoto

Direção: Gregório Graziosi

experimental, digital, 9’, pr, 2009

experimental, digital, 2’30”, pr, 2008

Uma sombra questiona suas formas. Uma cena de amor ao acaso.


série 1

curtas-metragens 137

corpo no céu

ficção, digital, 23’, Rj, 2008 Direção: Luísa Marques Produtora: Blum Filmes Uma adolescente em seus últimos momentos antes de deixar a casa da mãe. Sua despedida dos espaços e das pessoas familiares.

Sigmund

animação, digital, 4’, RS, 2008 Direção: Vanessa Remonti Em uma casa sombria, Sigmund, Catherine e Frida têm um encontro, de amor ou de dor?


138 curtas-metragens

série 2 O Vampiro de Pequim

jlg/pg

documentário, digital, 8’, sp, 2009

documentário, digital, 7’, df, 2008 Direção: Cássio Pereira dos Santos Produtora: Novaponte Filmes

Direção: Paolo Gregori Produtora: Marluco Visão, Artefício Filmes, Lustig Kinos

Breve diário de um aprendiz de mandarim.

Uma jornada de 20.000km com uma mala cheia de perguntas.

Doriangreen

documentário, digital, 17’, Mg, 2008 Direção: CarlosMagno Rodrigues e Andres Shaffer Produtora: Andromeda Filme e Design Filme sobre experimentos dramáticos que chocam com o naturalismo cotidiano, cenas caseiras, exercícios dramáticos e leitura de textos pessoais compõem uma realidade fílmica autobiográfica.


série 2

curtas-metragens 139

bomba!

experimental, digital, 4’30”, sp, 2008 Direção: Lara Lima, Marcelo Lima e Renato Coelho Produtora: Lira Cinematográfica O espetáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas mediada por imagens. - Guy Debord

Casa do polanah

documentário, digital, 14’38”, mg, 2008 Direção: Fábio Carvalho Produtora: Ufa Audiovisual No bar do Hotel Cataguases, um grupo de pessoas lá reunido para a inauguração do Memorial Humberto Mauro conversa sobre cinema e sobre a casa que o ator moçambicano Rui Polanah tinha em Botafogo, no Rio de Janeiro.


140 curtas-metragens

série 3 Longa Vida ao Cinema Cearense

os boçais

Direção: Irmãos Pretti Produtora: Alumbramento

Direção: Luffe Bollini Produtora: Unisinos

Uma ruma de jovens vai ao cinema com um propósito diferente.

Jovens libertinos desejam o sucesso no rock. No quarto distrito, as putas e os cafetões trilham os jovens para o caos.

Nas Duas Almas

Terra

Direção: Vebis Junior Produtora: Broadcast Comunicação

Direção: Sávio Leite Produtora: Leite Filmes

Quando Johnny, um rockabilly em crises, traz sua namorada para seu universo repleto de músicas, briga e visual, acaba por distanciá-la do relacionamento, causando grande dano afetivo.

Coisas ordinárias acontecem com pessoas extraordinárias.

ficção, digital, 11’, ce, 2008

ficção, digital, 20’30”, sp, 2008

ficção, digital, 17’, rs, 2008

animação, digital, 5’, mg, 2008


curtas-metragens 141

série 4 Nem Marcha nem Chouta

Cães da Vizinhança arte, digital, 4’22”, pb, 2008

documentário, digital, 8’, mg, 2008 Direção: Helvécio Marins Jr. Produtora: Tela

Direção: Gabriel Sanna Produtora: Vida Vadia e Companhia

Nem cá nem lá.

Documentário experimental sobre uma obra contemporânea de arquitetura.

Bolivia te Extraño

Fortaleza Caucaia

Direção: Dellani Lima e Joacélio Batista Produtora: Colégio Invisível

Direção: Gabriel Silveira

arte, digital, 7’, mg, 2008

O quadro não está perdido no deserto de sal.

experimental, digital, 11’, ce, 2008


142 curtas-metragens

série 4

Arbanella

Divergrandpa

experimental, digital, 2’, mg, 2008

experimental, digital, 3’, sp, 2009 Direção: Felipe Barros

Direção: Igor Amin Produtora: Unisinos

Arbanella é um pote de vidro, onde escrevemos bilhetes contando acontecimentos de nossa vida e pomos lá dentro, para um dia abrir e ler.

Esse é meu vovô. Sua comida predileta é a árabe. Ele ama esportes radicais e não usa óculos de nadar para mergulhar em piscinas rasas. Quer ver meu vovô mergulhando?

Sweet Karolynne

Julia Roberts

Direção: Ana Bárbara Ramos Produtora: Las Luzineides Coletivo Audivisual

Direção: Daniel Antônio

documentário, digital, 15’, pb, 2009

Os bons tempos nunca foram tão bons.

experimental, digital, 4’, mg, 2009

Vídeo experimental inspirado num conto curto escrito em prosa poética. De maneira não convencional, o vídeo conta a história de uma prostituta negra que sonha em ser a atriz de Hollywood Julia Roberts.


curtas-metragens 143

série 5 Teresa

ficção, 35mm, 18’, sp, 2009

Noite de Domingo

ficção, 35mm, 15’50”, rj, 2008 Direção: Paula Szutan e Renata Terra Produtora: Mixer Teresa vem a São Paulo para realizar o sonho do casamento. Mas ela é obrigada a mudar seus planos quando se vê diante de uma realidade bem menos romântica do que havia idealizado.

A Distração de Ivan ficção, 35mm, 15’, rj, 2009

Direção: Cavi Borges e Gustavo Melo Produtora: Cavídeo Produções Ivan é um menino de 11 anos. Ele vive com a avó no subúrbio do Rio de Janeiro. Em meio ao seu cotidiano de brincadeiras e brigas com os amigos, ele irá amadurecer.

Direção: Rodrigo Hinrichsen Produtora: Traquitana Filmes Documentário experimental sobre uma obra contemporânea de arquitetura.


144 curtas-metragens

série 6 Danças

Andrômeda – a Menina que Fumava Sabão

experimental, 35mm, 19’, sp, 2008

arte, 35mm, 15’, mg, 2009

Direção: Fernando Watanabe Produtora: Anhangabaú Produções Ltda.

Direção: CarlosMagno Rodrigues

Sejam bem-vindos.

Não tenho poder de mudar ninguém e, caso o tivesse, faria força pra manter o livre arbítrio das pessoas que amo.

Superbarroco

Muro

Direção: Renata Pinheiro Produtora: Aroma Filmes

Direção: Tião Produtora: Trincheira Filmes

A ornamentação na ruína, o escuro no claro, o silêncio na voz, o imóvel na ação.

Alma no vácuo, deserto em expansão.

ficção, 35mm, 15’, pe, 2008

ficção, 35mm, 18’, pe, 2008


curtas-metragens 145

série 7 Nego Fugido

Aos Pedaços

documentário, 35mm, 15’50”, rj, 2008

ficção, 35mm, 16’, ba, 2009 Direção: Cláudio Marques e Marília Hughes Produtora: Coisa de Cinema

Direção: Taciano Valério Produtora: Artefico Filmes

Brinquedo de nego forro fugido é abrir roda para mostrar que tudo é caça e caçador.

A vida ou um filme pode se acabar aos pedaços quando há a difícil conciliação entre a arte e a vida doméstica de um diretor de cinema.

A Mulher Biônica

Nº 27

Direção: Armando Praça Produtora: Drama Produções Artísticas

Direção: Marcelo Lordello Produtora: Trincheira Filmes

Um dia da vida e duas lembranças de Marta.

O banheiro tá na limpeza - responde segurando a maçaneta, com toda força. - Limpeza?!? - É, procura outro, pór favor. Abre a porta, eu quero mijar! - Meu irmão - hesita - você pode chamar o coordenador, por favor?

ficção, 35mm, 19’, ce, 2008

ficção, 35mm, 20’, pe, 2008


146 curtas-metragens

série especial - anos 70 curtas restaurados

Migrantes

Pedreira

Direção: João Batista de Andrade Produtora: Raiz Produções Cinematográficas

Direção: João Batista de Andrade Produtora: Raiz Produções Cinematográficas

Migrantes parte de uma noticia publicada em jornal sobre comerciantes que se queixavam da presença de migrantes instalados debaixo de um viaduto perto de suas lojas.

O filme aborda o problema dos acidentes de trabalho no Brasil a partir da constatação da falta de segurança em pedreiras, onde os trabalhadores estão constantemente ameaçados por explosões

documentário, 16mm, 7’, sp, 1972

documentário, 16mm, 8’, sp, 1973


série especial - anos 70 - restaurados

curtas-metragens 147

Ônibus

Domingo em Construção

Direção: João Batista de Andrade Produtora: Raiz Produções Cinematográficas

Direção: Wagner de Carvalho Produtora: Raiz Produções Cinematográficas

O problema dos transportes urbanos. Partindo de um ponto inicial de ônibus, discutem-se as deficiências do transporte e os problemas causados aos trabalhadores.

A pós trabalhar a semana inteira, pessoas se agrupam em mutirões familiares para construir suas casas. O filme coloca em discussão a forma de crescimento da cidade, construída aos domingos.

documentário, 16mm, 7’, sp, 1973

documentário, 16mm, 10’, sp, 1973


148 curtas-metragens

série especial - anos 70 - curtas restaurados

Buraco da Comadre

Restos

Direção: Wagner de Carvalho Produtora: Raiz Produções Cinematográficas

Direção: João Batista de Andrade, Roberto Menezes, Wagner de Carvalho e Paulo Zacca Produtora: Raiz Produções Cinematográficas

documentário, 16mm, 10’, sp, 1973

Um buraco de mais de 100 metros de comprimento e vários metros de largura existe há mais de 20 anos ocupando uma rua do Jardim Brasil, em São Paulo, sem que se encontre solução. O filme é uma discussão do que fazer e de qual a relação da população com o progresso e com as autoridades e de por que essa relação não resolve o problema.

documentário, 16mm, 10’, sp, 1973

Sobre os trabalhadores que vivem na cata do lixo na Raposo Tavares. Devido ao fato do lixo de São Paulo ser considerado um dos mais ricos do mundo e existirem multinacionais interessadas no seu aproveitamento, os catadores são proibidos de exercerem sua profissão. Caso haja insistência são perseguidos pela polícia.


curtas-metragens 149

série a boca em questão

série especial Âncoras aos Céus

documentário, digital, 25’, df, 2008 Direção: Blima Bracher Produtora: Independente O pintor mineiro Carlos Bracher deixa as montanhas de Ouro Preto e vai para Brasília pintar suas retas e monumentos. São 66 quadros pintados nas ruas, interagindo com as pessoas

Minami em Close Up – a Boca em Revista documentário, 35mm, 18’30”, sp, 2008 Direção: Thiago Mendonça Produtora: Polithema e Filmes A trajetória da revista Cinema em Close-Up, que nos anos 70 tornou-se um sucesso de vendas publicando fotos de atrizes das pornochanchadas em poses sensuais e de seu editor, Minami Keizi, é o ponto de partida para contarmos a história dos filmes da Boca do Lixo.

De Volta à Terra Boa

documentário, digital, 21’, mt, 2008 Direção: Vicent Carelli e Mari Corrêa Produtora: Vídeo nas aldeias Homens e mulheres Panará narram a trajetória de desterro e reencontro de seu povo com seu território original, desde o primeiro contato com o homem branco, em 1973, passando pelo exílio no Parque do Xingu, até a luta e reconquista da posse de suas terras.


150 curtas-metragens

Comissão de Seleção e Colaboradores da Universo Produção Cleber da Universo Eduardo Produção Rafael Ciccarini É um dos editores da revista Cinética. Formado em Comunicação e Ciências sociais, é mestrando em Ciências da Comunicação na USP, com projeto sobre documentários de personagens únicos, e professor de Teoria do Audiovisual no curso de Bacharelado em Comunicação Audiovisual do Centro Universitário Senac. Foi crítico de cinema dos jornais Folha da Tarde (SP) e Diário Popular (SP), editor assistente e crítico de cinema na revista Época, colaborador da revista Sinopse (Cinusp) e da revista Bravo, além de crítico da revista eletrônica Contracampo. Foi curador de mostras no Rio em São Paulo. É curador da Mostra de Cinema de Tiradentes. No cinema, é diretor, com Ilana Feldman, do curta Almas Passantes, de 2008, e Rosa e Benjamin, de 2009.

Professor e crítico de cinema. Mestre em Artes Visuais Cinema, pela UFMG, graduado em História pela UFMG. Professor de História do Cinema Brasileiro na PósGraduação do IEC/PUC Minas e de História do Cinema, Cinema Brasileiro e Crítica Cinematográfica da Escola Livre de Cinema - MG. É também editor da Revista Eletrônica Filmes Polvo.


curtas-metragens 151

Tatiana Monassa

Editora da revista eletrônica Contracampo (www. contracampo.com.br), onde escreve desde 2004. Editou os catálogos das mostras Assim Canta Bollywood (CCBBBrasília, 2005), As Muitas Faces de Jece Valadão (CCBBRJ 2006) e o catálogo do Festival do Rio 2008. Publicou artigo no livro Cinema brasileiro 1995-2005 – ensaios sobre uma década, publicado pela Editora Azougue em 2005, em parceria com a revista Contracampo. Ministrou workshop de crítica para o Festival Internacional de Curtas do Rio de Janeiro - Curta Cinema em 2007 e 2008, além de aulas em cursos sobre o cinema contemporâneo no Cinesesc SP e no Tempo Glauber, no Rio de Janeiro. Foi também integrante do comitê de seleção internacional do Curta Cinema em 2007 e 2008. Diretora, roteirista, produtora e montadora do curta-metragem adrift (2008).

Leonardo Mecchi

É crítico de cinema e produtor. Editor da Revista Cinética [www.revistacinetica.com.br], foi selecionado em 2007 para o Berlinale Talent Campus, programa anual do Festival Internacional de Cinema de Berlim. Como produtor, atua no desenvolvimento e produção de projetos de curtas e longas metragens – entre eles Onde Andará Dulce Veiga?, de Guilherme de Almeida Prado, e À Margem do Lixo e Quebradeiras, de Evaldo Mocarzel – além de mostras e festivais dedicados ao cinema brasileiro, como o Festival de Cinema e Meio Ambiente de Guararema, já em sua 3ª edição, o I Festival de Cinema de Paranapiacaba e as mostras Eu é um Outro - O Autor e o Objeto no Documentário Brasileiro Recente (Caixa Cultural - RJ, 2008) e Vivendo e Morrendo em São Paulo (CCSP-SP, 2008). Idealizou e produziu também o ciclo de debates em mídia eletrônica Estéticas da Biopolítica - Audiovisual, Política e Novas Tecnologias, contemplado pelo MinC através do programa Cultura e Pensamento.


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MOSTRINHA DE CINEMA


154 mostrinha de cinema

Cinema para a família. Cinema a nova geração. A Cinema CineOP oferece um programa a nova para toda a família geração. –a Mostrinha de Cinema, que promove sessões de filmes (longas e curtas), aproximando e formando novos públicos para o cinema brasileiro. Amplia e desperta o interesse da nova geração e da família pela cultura produzida no País – iniciativa que pretende impulsionar a construção de sentidos e posturas mais conscientes de novas platéias para um futuro mais brasileiro.


longas

mostrinha de cinema 155

O GRILO FELIZ E OS INSETOS GIGANTES

TAINÁ – UMA AVENTURA NA AMAZÔNIA

Direção: Walbercy Ribas e Rafael Ribas. Produção Executiva: Juliana Ribas. Música: Ruriá Duprat. Roteiro: Walbercy Ribas. Direção de animação: Rafael Ribas. Direção de arte e fotografia: Rafael Ribas. Produção: Start Anima. Distribuição: Fox Filme do Brasil

Direção: Tânia Lamarca e Sérgio Bloch. Concepção final: Tânia Lamarca. Produção: Pedro Carlos Rovai. Roteiro e diálogos: Cláudia Levay e Reinaldo Moraes. Música: Luiz Avellar e Orquestra Petrobras Pró-Música. Direção de fotografia: Marcelo Corpanni. Direção de arte: Oscar Ramos. Montagem: Diana Vasconcellos

Animação, cor, 35mm, 84’, SP, 2008

Nova história do inspirado grilo azul que já havia encantado as famílias no primeiro filme. Agora, Grilo Feliz quer gravar um CD, mesmo desejo de um divertido grupo de rap formado por sapos, porém ambos se deparam com a vilã Trambika, que pirateia suas músicas, e acaba por unir sapos e insetos numa inesperada aventura.

Ficção, Cor, 35mm, 90’, rj, 2000

Tainá tem oito anos de idade, é órfã e vive com o avô, o velho índio Tigê, em um belo e isolado recanto do Rio Negro, em plena floresta amazônica. Apesar de órfã, a menina tem uma imensa família: o tucano, o ouriço, o macaco barrigudo, a tartaruga. Ela é amiga de todos os bichos da floresta. Do avô, ela ouve as lendas e histórias de seu povo, além de aprender a respeitar e amar a natureza. É ele quem lhe diz para seguir seu espírito guerreiro e libertar os bichos que ama da cobiça dos homens. Assim, Tainá passa os dias desarmando armadilhas e atrapalhando a quadrilha do traficante Shoba.


156 mostrinha de cinema

longas

sessão família PEQUENAS HISTÓRIAS

ficção, cor, 35mm, 80’, MG, 2007 Direção e roteiro: Helvécio Ratton. Produção: Simone de Magalhães Matos. Fotografia e câmera: Paulo Jacinto dos Reis e Antônio Luís. Montagem: Mair Tavares. Música: André Baptista. Direção de arte: Oswaldo Lioi e Adriane Mroninski. Figurino: Alex Dário. Som: Gustavo Campos e José Moreau Louzeiro. Efeitos especiais: Robson Sartori e Rogério Mendes. Maquiagem e caracterização: Tayce Vale Caracterização Iara: Rose Verçosa. Zé Burraldo: inspirado no conto de Ricardo Azevedo. Criação da toalha: Betânia Santos Distribuição: Filmes da Estação. Elenco: Marienta Severo, Patrícia Pillar, Maurício Tizumba, Paulo José, Gero Camilo, Constantin de Tugny, Miguel de Oliveira, Edyr Duqui, Maria Gladys, Rodolfo Vaz, Manoelita Lustosa, Mário César Camargo, Candombe de D. Mercês

Na varanda de uma fazenda, uma senhora conta e tece histórias de humor e magia. O casamento do pescador com a sereia. O coroinha de uma igreja que vê a procissão das almas. O encontro entre um Papai Noel de loja e um menino de rua e as aventuras de Zé Burraldo, sujeito ingênuo que sempre se deixa levar pelos outros. Histórias brasileiras para pequenos e grandes.


série mostrinha - curtas para nova geração

série mostrinha curtas para uma nova geração

mostrinha de cinema 157

Jardim das Cores

Animação, digital, 7min30, MG, 2008 Direção: Guilherme Reis Produtora: Postura Digital, Ordem Primeira dos Adoradores de Pi e Escola de Belas Artes da UFMG Uma brincadeira de lápis e papel.

Dayane e Zé Firo

Animação, digital, 11 min, SP, 2009 Direção: Marta Kawamura Produtora: Magma Filmes Este curta metragem conta a história de Dayane, uma menina que não tem brinquedos nem amigos, mas que, como toda criança, quer brincar. Um dia, quando a solidão começava a apertar o coração de Dayane, Zé Firo, o vento menino, veio brincar com ela.


158 mostrinha de cinema

Série Mostrinha – Curtas para nova geração

Ornithophonia

Animação, digital, 11min, SP, 2009 Direção: Daniel Paiva Um passarinho buscando uma nova forma de voar e de ser aceito.

Calango Lengo – Morte e Vida sem Ver Água Animação, digital, 10min, RJ, 2008 Direção: Fernando Miller Produtora: Campo 4 Calango Lengo, nordestino, tem que cumprir seu destino sem ter o que pôr no prato. Na seca não há outra sorte: viver fugindo da morte como foge o rato do gato.


Série Mostrinha – Curtas para nova geração

mostrinha de cinema 159

O Menino Quadradinho

O Avô do Jacaré

Direção: Diego Lopes Produtora: Oger Sepol Produções

Direção: Christian Saghaard e Flávia Thompson Produtora: Catu Filmes

Baseado na obra homônima do autor Ziraldo, o filme é uma simpática metáfora para o processo de alfabetização. Conta, de uma forma onírica, as aventuras de um garoto que vivia dentro de um gibi. Lá era feliz e livre para controlar seu próprio universo. Até que um dia ele acorda e se vê em meio ao nada. Não existem mais quadrinhos a sua volta, tudo está diferente. Assustado, ele acaba encontrando as palavras, com as quais nunca antes tivera contato. Passa aos poucos a se relacionar com elas, aprendendo enfim a usá-las para contar sua própria história.

Alice, uma menina muito curiosa, descobre diversos fósseis de um Crocodilomorfo, um animal que viveu na época dos dinossauros e é um parente do jacaré que vive hoje no Brasil. O filme foi filmado em Peirópolis, uma pequena vila do interior de Minas Gerais, onde diversos fósseis de dinossauros já foram encontrados. O elenco é formado por crianças da própria comunidade. O filme promove um encontro mágico entre crianças e dinossauros que viveram no Brasil 70 milhões de anos atrás.

Ficção, digital, 16min, PR, 2008

Ficção, digital, 14min45seg, SP, 2009


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OFICINAS E CINE-ESCOLA


162 oficinas e cine-escola

oficinas Formação, qualificação, reciclagem, fomento. Novos talentos, novos profissionais no segmento audiovisual questão vital para o avanço da indústria cinematográfica. Desde a primeira edição, a CineOP promove gratuitamente oficinas de cinema ao público interessado em reciclar conteúdos, conhecer o processo do fazer cinematográfico, adquirir experiência, criar possibilidades, aproximar do universo da sétima arte. Neta edição, promove sete oficinas com a oferta de 200 vagas.

REALIZAÇÃO EM CURTA DOCUMENTAL Instrutor: Luiz Carlos Lacerda - RJ Período: 19 a 22.06.2009 (sexta a segundo) Horário: 10h às 13 horas e das 15h às 18 horas Carga horária: 24 horas / aula Nº de vagas: 25 participantes Faixa etária: acima de 18 anos

A FORMA E A INFORMAÇÃO NO DOCUMENTÁRIO: ESTRATÉGIAS NARRATIVAS

Instrutor: Joel Pizzini - RJ Período: 18 a 20/06/2009 (quinta-feira a sábado) Horário: 9h30 às 13h30 Carga horária: 12 horas Nº de vagas: 35 Faixa etária: acima de 18 anos

DIREÇÃO DE ARTE - CENOGRAFIA E FIGURINOS PARA CINEMA

Instrutor: Luiz Fernando Pereira - SP Período: 19 a 21/06/2009 – sexta a domingo Horário: 19 e 20/06 – sexta e sábado – das 10h às 13h e das 14h30 às 17h30 - 21/06 – domingo – das 10h às 13h Carga horária: 15 horas Nº de vagas: 25 Faixa etária: acima de 18 anos


oficinas e cine-escola 163

HISTÓRIA E CINEMA BRASILEIRO NA DÉCADA DE 1970

Instrutora: Sheila Schvarzman - SP Período: 19 a 20 /06/2009 (sexta-feira e sábado) Horário: 14h30 às 18h Carga horária: 7 horas Nº de vagas: 30 Faixa etária: acima de 18 anos

O CINEMA NA SALA DE AULA: CONSTRUINDO O CONHECIMENTO A PARTIR DE IMAGENS E SONS

Instrutora: Daniela Giovana Siqueira - MG Período: 18 a 20/06/2009 (quinta-feira a sábado) Horário: 9h30 às 13h30 Carga horária: 12 horas Nº de vagas: 30 Faixa etária: acima de 18 anos

CONSERVAÇÃO PREVENTIVA E TRATAMENTO DIGITAL DE ACERVOS FOTOGRÁFICOS

Instrutores: Jussara Vitórias e Sérgio Vilaça - MG Período: 19 a 21 /06/2009 (sexta-feira a domingo) Horário: 14 às 18h Carga horária: 12 horas Nº de vagas: 30 Faixa etária: acima de 18 anos

CINEMA E ARTES PLÁSTICAS

Instrutora: Daniella Penna - MG Período: 18 a 20/06/2009 (quinta-feira a sábado) Horário: 14h às 18h Carga horária: 12 horas Nº de vagas: 25 Faixa etária: acima de 18 anos


164 oficinas e cine-escola

Currículos Instrutores - Oficinas Currículos Instrutores - Oficinas Currículos DANIELA GIOVANA SIQUEIRA Instrutores (mg) JOEL PIZZINI - (rj) Oficinas Mestre em História e Culturas Políticas pela Universidade Federal de Minas Gerais. Professora do curso de Cinema e Vídeo do Centro Universitário UNA de Belo Horizonte. Conservadora audiovisual. Coordenadora do projeto Cine-Pop: programa de inclusão, reflexão em sessões comentadas e realização de vídeos a partir de oficinas realizadas para pessoas com trajetória de vida nas ruas de Belo Horizonte. Cocoordenadora do projeto Cine Repertório: cineclube voltado para a discussão e formação no campo da história do cinema brasileiro e mundial.

DANIELLA PENNA (mg)

Graduada e pós-graduada em Artes Plásticas pela UEMG – Escola Guignard. Formada em Dança e Artes Cênicas. Trabalha como professora, coordenadora, designer gráfica, artista plástica e ilustradora para instituições, empresas e escolas pedagógicas. Artista selecionada pelo “Rumos Itaú Cultural” 2001/2003. Desenvolve pesquisas e participa de exposições.

Autor de ensaios documentais premiados internacionalmente como Caramujo-Flor (1988), Enigma de Um Dia (1996), Glauces (2001) e Dormente (2006), Joel Pizzini conquistou, com os longas 500 Almas (2004) e Anabazys (inédito), os prêmios de Melhor Filme, Som, Fotografia, Especial do Júri e Melhor Montagem nos festivais do Rio, Mar del Plata e Brasília, entre outros. Conselheiro da Escola do Audiovisual de Fortaleza e professor da Faculdade de Artes do Paraná, Pizzini é curador das retrospectivas Faces de Casavetes, Festival Jodorowsky e Estratégia do Sonho, o Primeiro Bertolucci. Trabalhava ainda como curador da restauração da obra de Glauber Rocha; co-dirige os documentários extras dos DVDs do cineasta. Pesquisador de novas linguagens, participou do projeto Artecidade e da Bienal de São Paulo, Mercosul, com videoinstalações e direção de performances. Prepara o novo filme, Olho Nu (Ney Matogrosso), co-produzido pelo Canal Brasil.


oficinas e cine-escola 165

JUSSARA VITÓRIA (mg)

Professora, mestre em Artes Visuais pela Universidade Federal de Minas Gerais com especialização em Conservação/Restauração em acervos de imagem e movimento. Consultora e produtora de audiovisual.

LUIZ CARLOS LACERDA (rj)

Roteirista e diretor de cerca de 20 documentários de curta e média-metragem sobre personagens da nossa cultura como Lúcio Cardoso, Nelson Pereira dos Santos, João da Baiana, Donga, Pixinguinha, Cecília Meireles, Walmir Ayala, Oduvaldo Viana Filho, Alex Viany, João Tinoco, Paulo Vilaça, Antonio Parreiras, Zé Tarcísio, Alair Gomes, Quirino Campofiorito etc. E dos longas de ficção Mãos Vazias, O Princípio do Prazer, Leila Diniz, For All e Viva Sapato! Professor da Escola Internacional de Cinema de Cuba, da Universidade Estácio de Sá e do Polo do Pensamento Contemporâneo, realiza frequentemente oficinas nas mostras de Tiradentes, Ouro Preto Belo Horizonte, Vitória e Goiânia.

LUIZ FERNANDO PEREIRA (sp)

Diretor de arte, cenógrafo, figurinista e professor. Ms. de Direção de Arte e Cenografia nos cursos de Rádio e TV/Cinema nas Universidades: Metodista de São Paulo, Centro Universitário Senac e Anhembi Morumbi. Diretor de arte em comerciais e longasmetragens. Alguns do principais trabalhos premiados: O País dos Tenentes, de João Batista de Andrade, A Dama do Cine Shangai, de Guilherme de Almeida Prado, Anahy de Las Missiones, de Sérgio Silva.

SÉRGIO VILAÇA (mg)

Professor, mestre em Cinema de Animação pela Universidade Federal de Minas Gerais, diretor e editor de cinema.

SHEILA SCHVARZMAN (sp)

Sheila Schvarzman é historiadora. Professora de História do Cinema Brasileiro no Centro Universitário Senac e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade Anhembi Morumbi, onde também desenvolve trabalhos sobre história e cinema. Foi professora visitante do Departamento de Multimeios da Universidade Estadual de Campinas e trabalhou no Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico de São Paulo. É autora de Humberto Mauro e as imagens do Brasil, São Paulo, Edunesp, 2004.


166 oficinas e cine-escola

sessão CINE-ESCOLA sessão CINE-ESCOLA sessão CINE-ESCOLA O CONHECIMENTO É O NOSSO MAIOR PATRIMÔNIO O cinema é uma aula de educação O cinema como instrumento de construção da cidadania

O mundo passa por transformações sociais profundas, ancoradas em conquistas tecnológicas cotidianas, transformando os meios audiovisuais nas principais formas de comunicação e expressão, um instrumento formador de opinião e de comportamento. Nos meios audiovisuais, hoje incluímos o cinema, o vídeo, a TV, a Internet, os jogos eletrônicos, a videoarte e os múltiplos usos da fotografia. Entender o audiovisual como janela sobre as relações sociais do mundo, como ferramenta multidisciplinar na sala de aula e ação complementar do projeto pedagógico nos faz pensar na importância de conscientizar, sensibilizar, envolver o universo educacional para se engajar e participar da programação preparada exclusivamente para educadores e estudantes. Quanto mais conhecimento na apreciação de uma obra, melhor perceberemos os pontos de vista do realizador, seus valores políticos e éticos, mais fácil se torna interpretá-la e julgá-la e, sem dúvida, extrairmos dela maior prazer estético e senso crítico. Comprometida em promover ações que visam à reflexão e à formação para construção da cidadania e da ética,

a 4ª CineOP apresenta uma programação gratuita e direcionada a educadores e estudantes com a realização do programa A Escola Vai ao Cinema, que oferece uma série de atividades - oficinas, seminários, sessões cine-escola e cine debates - que unem as linguagens educação e cultura e visam conscientizar, envolver, estimular e oportunizar o acesso da comunidade escolar à produção, formação e reflexão do universo audiovisual – importante ferramenta pedagógica e instrumento de construção da cidadania.

Abordagem de elementos estéticos e temáticos de filmes ·· Exercícios de leitura coletiva da arte cinematográfica ·· Comentários temáticos e troca de conhecimento de linguagens de cinema ·· Aplicação de técnicas de estimulação de debates e exibição de filmes ··

Esta iniciativa é uma realização da Universo Produção e contra com o apoio da Prefeitura de Ouro Preto – Secretaria Municipal de Educação.

SESSÕES cine-escola

As sessões cine-escola são ferramentas que visam despertar e aproximar educadores e estudantes da sétima arte como ação complementar do universo pedagógico. Na 4ª CineOP são promovidas quatro sessões cine-escola seguidas de Cine Debate.


sessão cine-escola

oficinas e cine-escola 167

HOUVE UMA VEZ DOIS VERÕES

ENTRE OS MUROS DA ESCOLA

Direção: Jorge Furtado. Produção executiva: Nora Goulart e Luciana Tomasi. Roteiro: Jorge Furtado. Direção de fotografia: Alex Sernambi. Direção de arte: Fiapo Barth. Música: Leo Henkin. Planejamento de produção: Ana Luíza Azevedo. Direção de produção: Marco Baioto e Débora Peters. Montagem: Giba Assis Brasil. Assistente de direção: Alfredo Barros. Elenco principal: André Arteche, Ana Maria Mainieri, Pedro Furtado, Júlia Barth, Victória Mazzini

Diretor: Laurent Cantet. Roteiro: François Bégaudeau. Produção: Caroline Benjo/Carole Scotta. Edição: Robin Campillo. Fotografia: Pierre Milon. Elenco: François Bégaudeau, Nassim Amrabt, Laura Baquela

Ficção, cor, 35mm, 75min, RS, 2002

Chico, adolescente em férias na “maior e pior praia do mundo”, encontra Roza num fliperama e se apaixona. Transam na primeira noite, mas ela some. Ao lado de seu amigo Juca, Chico procura Roza pela praia, em vão. Só mais tarde, já de volta a Porto Alegre e às aulas de química orgânica, é que ele vai reencontrá-la. Chico quer conversar sobre “aquela noite”, mas Roza conta que está grávida. Até o próximo verão, ela ainda vai entrar e sair muitas vezes da vida dele.

Comédia/drama, cor, 35mm, 128 min, FR, 2007

Sr. Levindo é Lingston, que é também Sr. Levindo: inventor, ator, projecionista, documentarista – simplesmente um historiador. Por essas várias personas imbricam-se também vários filmes. Lingston Perli Cherliê é um deles.


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ARTE


170 arte

Arte na década de 70 70’s – botar pra quebrar Duas letras e um número encerram os 60 e marcam o início de uma década AI-5 é a tarja para 90 milhões em ação Desbunde é o remédio contra a pressão Militância para quem segura o tranco Experimentar é a receita contra consumir e endividar A TV é o novo brinquedo da classe média Senhores pais: este programa é desaconselhado para menores Vira-vira-vira Vira-vira-vira Homem Vira-vira Vira-vira Lobisomem Enquanto cassados, deportados, presos, brasileiros desaparecem Amor é fogo que arde sem se ver É ferida que dói e não se sente (no lugar de uma realidade descontente) Era o truque do Estadão contra a tesoura do censor Tô certo ou Tô errado? Dizia Sinhozinho Malta Na versão proibida de Roque Santeiro Mas tudo se refazia, diante da mola do que não era possível Como se mede um burro? Médici dos pés a cabeça Salve Juca Chaves Contra a compressão Para refrigerar a onda do Ninguém segura esse país

O milagre prometido virou dívida e inflação Do paraíso ao inferno é o filme do cidadão Tome Tom Zé contra a mesmice Dona Flor para 12 milhões Xica da Silva para o mundo Discoteca e show de calouros ao alcance de caretas multidões Pólen e Navilouca guias dos alternativos Samba e rock from Jards Macalé O corpo e vida tramados por Lygia Clark O suporte quer espaço, o espaço é infinito O quasi-cinema de Oiticica Waly Salomão e seu verbo tropicália Asdrúbal Trouxe o Trombone Cumplicidade para destravar a língua e inaugurar a autoironia Ney Matogrosso, Doces Bárbaros, Mutantes Hibridez, alegria, amor livre Para quem achava que precisava de muito dinheiro Graças a Deus Liberdade e Chico Buarque para quem apostava que Apesar de você Amanhã há de ser outro dia Eles nos anunciavam: It’s a long long long long way Ana d’Angelo

Jornalista e colaboradora da Universo Produção


arte 171

exposição

cortejo da arte

OS CONTRASTES DOS ANOS 70

Uma surpreendente e animada concentração na Praça Tiradentes marcará o início do Cortejo da Arte, que une música, dança, teatro, circo, artes plásticas – segmentos da cultura que estarão vivos na participação de grupos artísticos locais e convidados – uma mistura de ritmos e sonoridades que irá contagiar moradores, turistas e o público em geral.

Local: Hall do Centro de Artes e Convenções Período: 20 a 23 de junho de 2009 Horário: 10h às 20h Instalada em painéis, esta exposição apresenta as temáticas Histórica e de Preservação em imagens, fotos e textos com foco na abordagem desta edição - A década de 70 no cinema brasileiro - com destaque para atuação das mulheres, em especial, da homenageada, Zezé Motta.

Trajeto: saída da Praça Tiradentes, percorre a Rua Direita com destino ao Cine Vila Rica.

Participações:

- Fanfarra – Escola Estadual Desembargador Horácio Andrade - Palhaço Popó - Palhaço Sabonete - Palhaça Benedita - Cia. Circunstância - Cia. Estandarte - Estúdio de Arte e Dança Irielle Louise - Grupo Folclórico Zé Pereira dos Lacaios - Valores de Minas - Querubins - Artistas locais e convidados


172 arte

lançamento de livros DICIONÁRIO DE FILMES BRASILEIROS – LONGA METRAGEM – 2ª EDIÇÃO – REVISADO E ATUALIZADO

De Antônio Leão da Silva Neto Uma produção do Ibac – Instituto Brasileiro Arte e Cultura Dicionário de Filmes Brasileiros – Longa Metragem – 2ª Edição’ é o mais completo levantamento já feito sobre a produção brasileira de longa-metragem, filmes feitos em película de cinema, Super-8, 16mm e 35mm e agora também em suporte digital, com duração acima de 60 minutos. O livro lista toda a produção nacional de longas no período 1908 a 2009, numa atualização da consagrada primeira edição de 2002, agora revisada, corrigida e atualizada até abril de 2009. Um trabalho altamente profissional de um profundo conhecedor sobre o nosso cinema. Em cinco anos de pesquisa, foram catalogados 4.194 filmes produzidos, com sinopses bem elaboradas, que informam a ficha completa do filme, seus técnicos, o elenco, o argumento, as participações em festivais, as premiações, os comentários e curiosidades.

PIONEIROS DO CINEMA EM MINAS GERAIS De Paulo Augusto Gomes Editora Crisálida

Pioneiros do Cinema em Minas Gerais é um livro de pesquisa, um livro de preservação da memória cultural e artística e, por isso mesmo, um livro fundamental para a consolidação do patrimônio da cultura brasileira. Ele nos mostra como o cinema nasceu, criou raízes e se desenvolveu dentro do perímetro das montanhas, a mais popular das artes que atravessou todo o século XX.


arte 173

shows DJ RogerMOORE

A música dos anos 70 no repertório de um dos DJs mais badalados da noite mineira inaugura a programação de shows do evento, revisitando sucessos nacionais e internacionais da década.

ZEZÉ MOTTA

Zezé canta Elizeth, canta o samba, as cantoras de rádio, a bossa-nova, canta a música popular brasileira num show de ritmos, alegria, descontração com canções que marcaram época.

FALCATRUA

O trabalho do quarteto é composto por músicas próprias e versões irreverentes. O novo álbum, “Vou com gás”, traz uma dezena de composições de Tim Maia, tem a direção artística de Nelson Motta e a produção de John Ulhoa.

ZÉU BRITTO

Em “Voz, Violão e Ousadia” descreve a vida do artista em formato de show, as histórias transformadas em realidade política, a sina de crescer e aparecer, tudo isso no palco na companhia do violão.

DJ FAUSTO

Experiente em discotecar festivais, boates e eventos culturais, o DJ Fausto prepara repertório variado dos anos 70 que vai esquentar o show de encerramento do evento com ritmos e sons que marcaram a década de 70 rumo aos anos 80.


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176 programação

programação programação programação 18 Junho - quinta 9h início das oficinas

20 Junho - Sábado 10h30 seminário às 13h Local: auditório I - 2º andar - centro de convenções

Local: centro de convenções

19 Junho - sexta 21h abertura oficial

abertura oficial do seminário e do 4º encontro nacional de arquivos e acervos audiovisuais brasileiros temática preservação - programação aberta ao público e aos

Local: cine vila rica

participantes do Encontro Nacional de Arquivos

A década de 70 do cinema brasileiro

debate

Homenagem à atriz Zezé Motta

Tema: os paradigmas da era digital no audiovisual O fazer cinematográfico alinhado à diversidade das novas

filme de abertura Xica da Silva

tecnologias. Os paradigmas, impactos e influências da era digital

ficção, 35mm, cor, 117’, rj, 1976

Como encarar estes desafios?

no complexo sistema de preservação e restauro no audiovisual.

Direção: Cacá Diegues Elenco: Zezé Motta, Walmor Chagas, José Wilker, Stepan

convidados:

Nercessian, Altair Lima, Elke Maravilha e Rodolfo Arena

- Assunção Hernandes – produtora – SP

*Recomendado para maiores de 14 anos

- Beatriz Kushnir – diretora do Arquivo Geral da cidade do Rio de Janeiro – RJ

0h30 arte show Local: galpão cine bar show - centro de convenções

- Myrna Brandão – presidente do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro - RJ - Patricia de Filippi – diretora da Cinemateca Brasileira - SP

nos embalos dos anos 70 DJ RogerMoore

- Rafael de Luna Freire – professor da UFF – RJ

A música dos anos 70 no repertório de um dos DJs mais badalados da noite mineira inaugura a programação de shows do evento

Mediador: José Quental – coordenador de documentação da

evisitando sucessos nacionais e internacionais da década.

Cinemateca do MAM - RJ


programação 177

11h às Seminário 13h30 Local: auditório II - 2º andar - centro de convenções temática histórica - programação aberta ao público

14h30 Seminário às Local: auditório I - 2º andar - centro de convenções 18h30 temática preservação - programação aberta ao público e aos participantes do Encontro Nacional de Arquivos

debate Tema: mulheres dos anos 70: o poder do copro e sobre

diálogos da preservação

o corpo

Temática: a importância e o papel da

O cinema brasileiro é predominantemente masculino. Nos anos

representatividade de classe sob a ótica da

70, sob regime militar, as personagens femininas ganham força,

experiência e trajetória do fórum dos festivais, da

predominantemente pelo poder de sua sexualidade. Essa nova

abd nacional, apaci e abraci

condição reflete um novo papel para a mulher no cinema ou reproduz modelos femininos com uma nova roupagem?

convidados: - Francisco César Filho – presidente do Fórum dos Festivais – RJ

convidados:

- Ícaro C. Martins – presidente da Associação Paulista de

- Cacá Diegues – cineasta – RJ

Cineastas – APACI – SP

- Lucy Barreto – produtora – RJ

- Noilton Nunes – cineasta e membro da ABRACI e da ABD – RJ

- Zezé Motta – atriz e cantora – RJ

- Solange Lima – presidente ABD Nacional – BA

- Zilda Mayo – atriz – SP

- Tetê Mattos – vice-presidente do Fórum dos Festivais – RJ

Mediador: Cleber Eduardo – crítico de cinema – SP

Mediador: Antônio Leal – consultor e diretor do Fórum dos Festivais – RJ

11h Longa mostrinha de cinema

temática preservação - programação direcionada aos

Local: cine vila rica

participantes do Encontro Nacional de Arquivos

tainá - uma aventura na amazônia

diálogos da preservação

Ficção, cor, 35mm, 90’, rj, 2000

- 1ª reunião de trabalhos das entidades de

Direção: Tânia Lamarca e Sérgio Bloch

preservação audiovisual brasileiras - participantes

Elenco: Eunice Baía, Caio Romei, Rui Polanah,

do 4º encontro nacional de arquivos e acervos

Jairo Mattos, Branca Camargo, Betty Erthal, Luiz Carlos

audiovisuais brasileiros

Tourinho, Alexandre Zachia, Luciana Rigueira, Charles Paraventi,

- Apresentação de propostas para o segmento de

Marcos Apolo

preservação audiovisual no Brasil - Elaboração de um código de ética para o setor de preservação


178 programação

Mediadores: - Fernanda Elisa – Núcleo de Documentação Audiovisual da

15h Curtas mostrinha de cinema local: Cine vila rica

Universidade Católica de Goiás – GO - Myrna e Carlos Augusto Brandão – Centro de Pesquisadores

Série mostrinha - curtas para a nova geração

do Cinema Brasileiro – RJ

Dayane e zé firo, de Marta Kawamura 15h às Seminário 17h30 Local: auditório II - 2º andar - centro de convenções

animação, Digital, 11’, sp, 2009

jardim das cores, de Guilherme Reis animação, Digital, 7’30’’, mg, 2008

temática histórica - Anos 70 - programação aberta ao público

o menino quadradinho, de Diego Lopes

debate

o avô do jacaré, de Christian Saghaard e Flávia

Tema: a conquista do mercado

Thompson

A década de 70 marcou o auge da popularidade do cinema brasileiro:

ficção, Digital, 14’45”, sp, 2009

ficção, Digital, 16’, pr, 2008

atingiu mais de 30% de ocupação do mercado interno. Filmava-se e

ornithophonia, de Daniel Paiva

exibia-se sob censura. Os dois maiores núcleos de produção eram a

animação, Digital, 11’, sp, 2009

estatal Embrafilme e os produtores da Boca do Lixo. O tamanho do

Calango lengo - morte e vida sem ver água,

circuito, o preço dos ingressos, o perfil social dos espectadores e os

de Fernando Miller

mecanismos de produção-distribuição eram outros.

Animação, Digital, 10’, rj, 2008

Quais as diferenças desse momento histórico em relação aos dias atuais? Com quais matérias se comunicava com o público?

16h Curtas Série 1 local: Cine-Teatro - centro de convenções

Qual o papel da nudez feminina nessa comunicação com o público?

Saltos, de Gregório Graziosi convidados:

experimental, Digital, 8’, sp, 2008

- Geraldo Veloso – cineasta – MG

Pretty little things: surface tension,

- Luiz Carlos Barreto – produtor – RJ

de Pedro Veneroso

- Neville d’Almeida – cineasta – RJ

arte, Digital, 6’, mg, 2008

- Roberto Farias – cineasta – RJ

Oscar 07/02, de João Krefer

Mediador: Daniel Caetano – crítico de cinema e professor - RJ

Disforme, de Arthur Tuoto

documentário, Digital, 9’, pr, 2009 experimental, Digital, 2’30”, pr, 2008

sigmund, de Vanessa Remonti animação, Digital, 4’, rs, 2008


programação 179

corpo no céu, de Luísa Marques ficção, Digital, 23’, rj, 2008

17h30 Curtas Série 2 local: Cine-Teatro - centro de convenções

20h arte ao vivo e na tela Local: Cine Praça

performance em artes plásticas carlos bracher ao vivo e na tela O pintor mineiro Carlos Bracher pinta ao vivo a cidade-

o vampiro de pequim, de Cássio Pereira dos Santos

patrimônio, no cenário da sétima arte, a Praça Tiradentes.

documentário, Digital, 7’, df, 2008

jlg/pg, de Paolo Gregori documentário, Digital, 8’, sp, 2009

série especial - pré-estreia Nacional Âncoras aos céus, de Blima Bracher

doriangreen, de CarlosMagno Rodrigues e Andrés

documentário, Digital, 25’, df, 2008

Schaffer

diário de aquário, de Luiz Carlos Lacerda

documentário, Digital, 17’, mg, 2008

documentário, Digital, 32’, rj, 2009

bomba!, de Lara Lima, Marcelo Lima e Renato Coelho experimental, Digital, 4’30”, sp, 2008

casa do polanah, de Fábio Carvalho

21h Longa Pré-estreia Nacional Local: cine vila rica

documentário, Digital, 14’38”, mg, 2008

um homem de moral 18h30 média pré-estreia nacional Local: Cine praça

alphaville documentário, digital, 52’35”, sp, 2009

Documentário, cor, 35mm, 84’, sp, 2009 Direção: Ricardo Dias

23h Longa anos 70 Local: Cine Vila rica

Direção: Luíza Campos

a ilha dos prazeres proibidos 19h Longa anos 70 Local: Cine Vila rica

Ficção, cor, 35mm, 90’, sp, 1977 Direção: Carlos Reichenbach Elenco: Neide Ribeiro, Meiry Vieira, Zilda Mayo, Roberto

a dama do lotação

Miranda, Fernando Benini, Teka Klaus, Olindo Dias, João Maia

Ficção, cor, 35mm, 111’, rj, 1976

Neto, Fátima Porto, Carlos Casan

Direção: Neville d’Almeida

*Recomendado para maiores de 14 anos

Elenco: Sônia Braga, Nuno Leal Maia, Jorge Dória, Paulo César Pereio, Márcia Rodrigues, Cláudio Marzo, Roberto Bonfim, Ney Santanna, Washington Fernandes, Iara Amaral, Ivan Setta, Paulo Villaça, Waldir Onofre, Thais de Andrade e Liège Monteiro *Recomendado para maiores de 18 anos


180 programação

0h30 ARTE SHOW

- Silvio Da-Rin – secretário do Audiovisual do Ministério da

Local: galpão cine bar show - centro de convenções

Cultura – DF

zezé motta

Mediador: Rafael de Luna Freire – professor da UFF – RJ

Zezé canta Elizeth, canta o samba, as cantoras de rádio, a bossanova, canta a música popular brasileira num show de ritmos,

11h Longa mostrinha de cinema

alegria, descontração com canções que marcaram época.

Local: Cine vila rica

DJ ALISSON

o grilo feliz e os insetos gigantes

Após o show, o DJ continua esquentando a noite de Ouro Preto.

animação, cor, 35mm, 84’, sp, 2008 Direção: Walbercy Ribas e Rafael Ribas

21 Junho - domingo

12h30 cortejo da arte Local: praça tiradantes

10h30 Seminário às 13h Local: auditório I - 2º andar - centro de convenções

Uma surpreendente e animada concentração na Praça Tiradentes marcará o início do Cortejo da Arte, que une música, dança,

temática preservação - programação aberta ao público e aos

teatro, circo, artes plásticas – segmentos da cultura que estarão

participantes do Encontro Nacional de Arquivos

vivos na participação de grupos artísticos locais e convidados – uma mistura de ritmos e sonoridades que irá contagiar

debate

moradores, turistas e o público em geral.

Tema: memória audiovisual como patrimônio cultural A preservação da memória audiovisual brasileira deve ser

Trajeto: saída da Praça Tiradentes, percorre a Rua Direita com

considerada instrumento de desenvolvimento da sociedade,

destino ao Cine Vila Rica.

ação estratégica na defesa do patrimônio cultural e da nossa identidade. Quais os caminhos para o fortalecimento do diálogo,

Participações:

para conferir à sétima arte o valor de patrimônio?

- Fanfarra – Escola Estadual Desembargador Horácio Andrade - Palhaço Popó

convidados:

- Palhaço Sabonete

- Carlos Magalhães – diretor Cinemateca Brasileira – SP

- Palhaça Benedita

- Catherine Faudry – diretora da Cinemateca da Embaixada da

- Cia. Circunstância

França – RJ

- Cia. Estandarte

- Gustavo Dahl – presidente do Conselho da Cinemateca

- Estúdio de Arte e Dança Irielle Louise

Brasileira e Gerente do CTAv – Centro Técnico do Audiovisual –

- Grupo Folclórico Zé Pereira dos Lacaios

SAV/Minc – RJ

- Valores de Minas - Querubins


programação 181

13h Lançamento de livros Local: palco - cine café - 2º andar - centro de convenções

- Claudio Constantino – diretor da Associação Curta Minas – relato sobre o projeto Curta o Acervo – Pesquisa e Memória do Audiovisual Mineiro de Curtas e Documentários – MG

Dicionário de Filmes Brasileiros – longa-metragem - 2ª edição – revisado e atualizado

bebate e diálogos da preservação

Autor: Antônio Leão da Silva Neto

num arquivo de tv

Produção: instituto brasileiro de arte e cultura

Relato sobre experiências em catalogação, digitalização e

Tema: o desafio das imagens - um arquivo de cinema

preservação de acervos em TV privada e pública.

pioneiros do cinema em minas gerais Autor: Paulo Augusto Gomes

expositores:

crisálida editora, belo horizonte, 2008

- Alice Urbim – gerente executiva de produção da RBS TV – RS - Glênio Nicola Póvoas – professor da PUC-RS e responsável pela

14h30 Seminário às Local: auditório I - 2º andar - centro de convenções 18h temática preservação - programação aberta ao público e aos

catalogação do Arquivo Cinegráfica Leopoldis-Som – RBS TV – RS - Teder Muniz Morás – coordenador do Centro de Documentação e Pesquisa da Fundação Padre Anchieta – TV Cultura – SP

participantes do Encontro Nacional de Arquivos debate e diálogos da preservação

15h às Seminário 17h30 Local: auditório II - 2º andar - centro de convenções

Tema: o desafio de preservar – relatos e experiências Reflexões sobre a imagem, a linguagem e os acervos audiovisuais

temática histórica - Anos 70 - programação aberta ao público

como instrumentos de memória, história, conhecimento, intercâmbio, pesquisa, intervenção político-cultural. A

debate

descentralização e a democratização do acesso.

Tema: estratégias da boca do lixo

expositores:

cinematográfico de gênero, de policiais adaptados à realidade local

- Carmem Moreno – coordenadora geral de processamento e

aos dramas planejados para as cenas de nudez feminina, que não

preservação do Acervo do Arquivo Nacional – relato do projeto

tinham aprovação crítica, mas gozavam de enorme popularidade

Memórias Reveladas – RJ

nos cinemas. Alguns diretores com trabalho mais autoral e

- Fernanda Elisa – acervo fílmico e fotográfico do Núcleo de

empenho expressivo também surgiram nesse universo de

Documentação Audiovisual da Universidade Católica de Goiás –

realização. Como se deu esse processo? Qual a especificidade desse

relato sobre o complexo acervo fílmico Amazônia sob o olhar de

segmento da produção? Qual a importância da figura feminina

Adrian Cowell – GO

para o êxito desses filmes? Como eram representadas?

A produção da Boca do Lixo investiu em um catálogo


182 programação

convidados: - Afredo Sternheim – jornalista, escritor e cineasta – SP

17h30 Curtas Série 4 Local: Cine-teatro

- Carlos Reichenbach – cineasta – SP - Guilherme de Almeida Prado – cineasta – SP

nem marcha nem chouta, de Helvécio Marins Jr.

- Inácio Araújo – crítico de cinema – SP

documentário, digital, 8’, mg, 2008

- Neide Ribeiro – atriz – SP

cães da vizinhança, dos Gabriel Sanna

Mediador: Luís Alberto Rocha Melo – pesquisador e professor

Bolívia te Extraño, de Dellani Lima e Joacélio

de cinema – RJ

Batista

arte, digital, 4’22”, PB, 2008

arte, digital, 7’, MG, 2008

16h Longa mostrinha de cinema - Sessão família Local: Cine vila rica

Fortaleza - Caucaia, de Gabriel Silveira experimental, digital, 11’, CE, 2008

arbanella, de Felipe Barros pequenas histórias

experimental, digital, 3’, sp, 2009

ficção, cor, 35mm, 80’, mg, 2007

divergrandpa, de Igor Amin

Direção: Helvécio Ratton

experimental, digital, 2’, MG, 2008

Elenco: Patrícia Pilar, Marieta Severo, Paulo José, Gero Camilo,

sweet karolynne, de Ana Bárbara Ramos

Maurício Tizumba

documentário, digital, 15’, pb, 2009

Julia Roberts, de Daniel Antônio 16h Curtas Série 3

experimental, digital, 14’, mg, 2009

Local: Cine-teatro

18h30 Cinejornais e curtas anos 70

longa vida ao cinema cearense, de Irmãos Pretti

Local: cine vila rica

ficção, digital, 11’, ce, 2008

os boçais, dos Lufe Bollini

Série especial - curtas restaurados

ficção, digital, 17’, rs, 2008

nas duas almas, de Vebis Junior

Migrantes, de João Batista de Andrade

ficção, digital, 20’30”, SP, 2008

documentário, 16mm, P&B, 7’, SP, 1972

terra, de Sávio Leite

Pedreira, de João Batista de Andrade

animação, digital, 5’, mg, 2008

documentário,16mm, P&B, 8’, SP, 1973

Ônibus, de João Batista de Andrade documentário,16mm, P&B, 7’, SP, 1973

Domingo em construção, de Wagner de Carvalho Documentário, 16mm, P&B, 10’, SP, 1977


programação 183

Buraco da Comadre, de João Batista de Andrade

La Petite Marchande d’allumettes, de Jean Renoir

Documentário, 16mm, P&B, 10’, SP, 1976

1928, 29 min

Restos, de João Batista de Andrade, Roberto Menezes,

Entr’acte, de René Clair

Wagner de Carvalho e Paulo Zacca

1924, 21 min

Documentário, 16mm, P&B, 10’, SP, 1975

os diretores: - Jean Renoir: os seus primeiros filmes foram menosprezados

19h30 Longa anos 70 Local: Cine praça

pelo público durante muito tempo e hoje são vistos como tendo modificado profundamente o cinema francês entre 1930 e 1950, e tendo introduzido a Nouvelle Vague francesa. François Truffaut

roberto carlos - a 300 km por hora

ou também Chaplin foram particularmente influenciados por

Ficção, cor, 35mm, 95 ‘, RJ, 1971

Jean Renoir.

Direção: Roberto Farias

- René Clair: diretor e escritor francês, ele criou vários filmes,

Elenco: Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Raul Cortez, Mario

sempre com uma dimensão fantástica e subversiva. Além de

Benvenutti, Libânia, Cristina Martinez, Flávio Migliaccio, Zeloni,

pertencer ao movimento dos surrealistas parisienses, Clair

Reginaldo Faria, Walter Forster

apresenta um cinema que não se preocupa tanto com o aspecto formal senão do caráter intuitivo e espontâneo. Suas obras

20h30 cine-concerto - frança estreia mundial Local: Cine vila rica

mudaram as regras do cinema de estúdio. Henri Langlois dizia: “No mundo inteiro, desde os 25 anos, um só homem personifica o cinema francês: René Clair (…). É considerado como o sucesor de

le rendez-vouz du sam’di soir

Feydeau e de Molière”.

Músicos da associação Double Cadence idealizaram este cineconcerto para o Ano da França no Brasil unindo criação à

os músicos:

tradição. Trata-se de uma projeção de cinema mudo com execução

- Céline Benezeth, violino

musical ao vivo pelos franceses Céline Benezeth, no violino,

Mestre em Direção de Organizações e Manifestações Culturais

Maxime Roman, na guitarra, e Marco Pereira, no piano, que

pelo Conservatório de Música de Aix en Provence. Violonista de

revelam composições e improvisações com efeitos sonoros. Esta

talento, trabalhou recentemente com a Orquestra de Paris e a

atuação que conheceu um vivo êxito na França tornou-se uma

Orquesta de Câmara de Toulon e do Var.

atração tanto quanto as imagens do filme. A proposta é reviver esse

- Marco Pereira, piano

cinema mudo do princípio do século XX, em que se falava diante das

Mestre em Musicologia pelo Conservatório de Avignon e pelo

primeiras salas de Paris do “Encontro do Sábado”.

Conservatório Regional de Paris, pianista e compositor, criou vários projetos artísticos, particularmente no meio universitário

os curtas-metragens:

de Aix en Provence. Em 2005 criou o grupo de jazz vocal Tea

Sur un air de Charleston, de Jean Renoir

Time, que tocou em locais prestigiados como o Pavillon Ledoyen,

1926, 23 min

o Grand Hotel, ou o Man Ray, animando todos os anos as cerimônias do Ministério do Turismo.


184 programação

- Maxime Roman, guitarra

22 Junho - SEGUNDA

Músico formado no Conservatório Real de Bruxelas e na Universidade de Paris 8. Toca violão clássico e eletrônico; músico de cena e de estúdio, participou de muitas apresentações de

9h30 LONGA SESSãO cine-escola Local: cine vila rica

teatro e de vários projetos de música urbana. Além disso é técnico especializado na informática musical.

entre os muros da escola documentário, Cor, 35mm, 128’, fr, 2009

22h média e curta a boca em questão Local: Cine vila rica

Direção: Laurent Cantet Elenco: François Bégaudeau, Nassim Amrabt, Laura Baquela, Cherif Bounaïdja Rachedi, Juliette Demaille, Dalla Doucoure

o galante rei da boca documentário, 52’, 2004, sp Direção: Luís Rocha Melo e Alessandro Gamo

10 às Seminário 13h Local: auditório I - 2º andar - centro de convenções

*Recomendado para maiores de 14 anos

temática preservação - programação direcionada aos

MINAMI EM CLOSE-UP – A BOCA EM REVISTA

participantes do Encontro Nacional de Arquivos

documentário, 35mm, 18’30”, SP, 2008 Direção: Thiago Mendonça

diálogos da preservação 2ª reunião de trabalho das entidades de preservação

23h30 ARTE SHOW Local: galpão cine bar show - centro de convenções

audiovisual brasileiras – participantes do encontro nacional de arquivos e acervos audiovisuais brasileiros

FALCATRUA

- Definição de estratégias e diretrizes emergenciais de atuação

O trabalho do quarteto é composto por músicas próprias e versões

para o setor da preservação audiovisual.

irreverentes. O novo álbum, “Vou com gás”, traz uma dezena

- Criação de grupos de trabalhos para dar continuidade à proposta

de composições de Tim Maia, tem a direção artística de Nelson

de construção de um plano nacional para o setor de preservação.

Motta e a produção de John Ulhoa.

- Proposta de editar projeto de lei sobre legislação específica para arquivos e documentos audiovisuais.

DJ ALISSON

- Estabelecer instrumentos de comunicação entre as entidades de

Após o show o DJ continua esquentando a noite de Ouro Preto.

preservação audiovisual brasileiras. - Criação de um fórum permanente de preservação on line/blog/ e-mail. - Resoluções finais do 4º Encontro Nacional de Arquivos. - Elaboração da Carta de Ouro Preto 2009 – documento oficial.


programação 185

Mediadores:

Neste momento em que os Arquivos Franceses do Filme do Centro

- Fernanda Elisa – Núcleo de Documentação Audiovisual da

Nacional de Cinematografia da França (AFF - CNC) estão se

Universidade Católica de Goiás – GO

preparando para celebrar seu 40º aniversário, esta exposição se

- Leonardo Mecchi - crítico de cinema e colaborador Universo

propõe voltar à já rica história de uma instituição em permanente

Produção – SP

movimento, antes de tentar traçar suas perspectivas para a

- Myrna e Carlos Augusto Brandão – Centro de Pesquisadores do

próxima década e definir os desafios que inevitavelmente terá

Cinema Brasileiro – RJ

que superar. Desde a criação do Serviço de Arquivos do Filme

- Raquel Hallak - coordenadora CineOP – MG

(SAF) por André Malraux em 1969, serão discutidas suas inúmeras evoluções, da responsabilidade pelo depósito legal de obras

14h30 Longa sessão cine-escola Local: Cine vila rica

cinematográficas definida em 1977 à gestão informatizada dos acervos desde 1994, passando pelo Plano Nitrato, iniciado em 1990 pelo Ministério da Cultura e que, durante 15 anos, permitiu

houve uma vez dois verões

a preservação e a restauração de milhares de filmes diretamente

Ficção, Cor, 35mm, 75’, rs, 2002

ameaçados de desaparecer. Serão discutidos os principais projetos

Direção: Jorge Furtado

dos arquivos neste momento em que o cinema não cessa de

Elenco: André Arteche, Ana Maria Mainieri, Pedro Furtado,

anunciar sua passagem ao digital. O que representa essa grande

Victória Mazzini, Marcelo Aquino, Janaína Kraemer Motta, Yuri

mudança de paradigma para os AFF – CNC – França?

Ferreira, Antônio Carlos Falcão palestra e debate - cinemateca francesa

14h30 Seminário às Local: auditório I - 2º andar - centro de convenções 18h

Tema: a problemática da preservação e restauração de filmes pela ótica da história das técnicas cinematográficas

temática preservação - Participação da França – programação aberta ao público

Expositora francesa: Camille Blot-Wellens - diretora de coleções de filmes da

palestra e debate - centro nacional de

Cinemateca Francesa

cinematografia - cnc Tema: história e atualidade dos arquivos franceses

- Breve apresentação da Cinemateca Francesa

do filme - aff

- Condições de sua criação/ missões/ coleções atuais - Definição e apresentação das atividades de preservação e

Expositor francês:

restauração

Laurent Bismuth - chefe do Serviço de Análise e Gestão

- A importância do conhecimento das técnicas cinematográficas

Documental dos Arquivos Franceses do Filme (AFF) do Centro

para a restauração fílmica

Nacional de Cinematografia (CNC)

- A história das técnicas na Cinemateca Francesa - Conservatório de técnicas/conferências/bolsas/publicações e eventos


186 programação

Convidado - Brasil: Manoel Rangel – presidente da Ancine – RJ

22h Curtas Série 6 Local: Cine vila rica

danças, de Fernando Watanabe Mediador: Leonardo Mecchi – crítico de cinema – SP

Experimental, 35mm, 19’, SP, 2008

Andrômeda – a menina que fumava sabão, de 17h30 curta e média Local: cine-teatro

CarlosMagno Rodrigues Arte, 35mm, 15’, MG, 2009

Superbarroco, de Renata Pinheiro de volta à terra boa

ficção, 35mm, 15’, PE, 2008

documentário, digital, 21’, MT, 2008

muro, de Tião

Direção: Vicent Carelli e Mari Corrêa

ficção, 35mm, 18’, PE, 2008

Já me transformei em imagem Documentário, digital, 32’, PE, 2008

23h30 arte show Local: galpão cine bar show - centro de convenções

Direção: Zezinho Yube

zéu britto em “voz, violão e ousadia” 19h curtas série 5 Local: cine praça

Em “Voz, Violão e Ousadia” descreve a vida do artista em formato de show, as histórias transformadas em realidade política, a sina de crescer e aparecer, tudo isso no palco e na companhia do violão.

Teresa, de Paula Szutan e Renata Terra Ficção, 35mm, 18’, SP, 2009

dj alisson

Noite de domingo, de Rodrigo Hinrichsen

Após o show, o DJ continua esquentando a noite de Ouro Preto

Ficção, 35mm, 15’50’’, RJ, 2008

A distração de Ivan, de Cavi Borges e Gustavo Melo Ficção, 35mm, 15’, RJ, 2009

20h Longa anos 70

23 Junho - terça 9h30 longa sessão cine-escola

Local: Cine vila rica

Local: cine vila rica

Dona Flor e Seus dois maridos

entre os muros da escola

Ficção, cor, 35mm, 115’, RJ, 1978

Documentário, Cor, 35mm, 128’, 2009, FR

Direção: Bruno Barreto

Direção: Laurent Cantet

Elenco: Sônia Braga, José Wilker, Mauro Mendonça, Dinorah

Elenco: François Bégaudeau, Nassim Amrabt, Laura Baquela,

Brillanti, Nelson Xavier, Arthur Costa Filho, Rui Resende, Mário

Cherif Bounaïdja Rachedi, Juliette Demaille, Dalla Doucoure

Gusmão *Recomendado para maiores de 14 anos


programação 187

14h30 Longa sessão cine-escola

17h30 média pré-estreia nacional

Local: cine vila rica

Local: Cine-teatro

houve uma vez dois verões

LINGSTON PERLI CHERLIÊ

Ficção, cor, 35mm, 75’, RS, 2002

documentário, digital, 42min, MG, 2009

Direção: Jorge Furtado

Direção: Bernard Belisário

Elenco: André Arteche, Ana Maria Mainieri, Pedro Furtado, Victória Mazzini, Marcelo Aquino, Janaína Kraemer Motta, Yuri Ferreira, Antônio Carlos Falcão

14h30 Seminário às Local: auditório I - 2º andar - centro de convenções 17h temática contemporânea - programação aberta ao público

18h30 Curtas Série 7 Local: Cine vila rica

nego fugido, de Cláudio Marques e Marília Hughes Ficção, 35mm, 16’, BA, 2009

aos pedaços, de Taciano Valério documentário, 35mm, 9’, pb, 2009

a mulher biônica, de Armando Praça Tema: o mínimo denominador incomum

Ficção, 35mm, 19’, CE, 2008

O audiovisual do mínimo denominador incomum, que procura ver

nº 27, de Marcelo Lordello

as coisas e situações com menos amplitude e mais detalhes, com

Ficção, 35mm, 20’, pE, 2008

uma mínima relação entre as imagens, é uma das características mais recorrentes na produção de média e curta-metragem. Como podemos entender este fenômeno que busca valorizar

19h média pré-estreia nacional Local: Cine praça

a subjetividade e a busca de um efeito de aleatoriedade na montagem?

noiva do cordeiro

convidados:

documentário, digital, 45’, mg, 2008

- Clarissa Campolina – produtora e cineasta – MG

Direção: Alfredo Alves

- Gregório Graziosi – cineasta – SP - Igor Amin – cineasta – MG - Luiz Pretti – cineasta – CE

20h média pré-estreia nacional Local: Cine vila rica

- Pedro Veneroso – cineasta – MG

notas Flanantes Mediador: Eduardo Valente – cineasta e crítico de cinema - RJ

documentário, digital, 47’, mg, 2009 Direção: Clarissa Campolina


188 programação

21h Encerramento Local: Cine vila rica - Entrega de certificados aos alunos das Oficinas - Exibição do curta dos alunos da Oficina de Realização em Curta Documental produzido durante o evento - Exibição TV Mostra – resuldados da 4ª CineOP

filme de encerramento - pré-estreia nacional cidadão boilesen Documentário, cor, digital, 93’, RJ, 2009 Direção: Chaim Litewski

23h30 ARTE SHOW Local: galpão cine bar show - centro de convenções

Dance Music - anos 70 rumo aos 80 dj fausto Experiente em discotecar festivais, boates e eventos culturais, o DJ Fausto prepara repertório variado dos anos 70 que vai esquentar o show de encerramento do evento com ritmos e sons que marcaram a década de 70 rumo aos anos 80.


depoimentos - cineop 189

depoimentos - cineop depoimentos - cineop “Temos alguns festivais que fazem mostras de filmes depoimentos “Para mim, sempre foi uma grande família, a família - cineop do cinema brasileiro (Glauber Rocha e Rogério Sganzerla). O nosso cinema precisa ser reestudado e enxergado sem essa história de oposição entre eles. Hoje é um momento de redenção e liberdade. Quero agradecer por esta homenagem, por este festival que discute a preservação do cinema e do audiovisual. Essa Mostra é uma oportunidade única.” Paloma Rocha. cineasta e filha do homenageado Glauber Rocha

“Já na primeira edição, a CineOP teve um caráter evocativo da memória, valorizando a tradição cinematográfica, com a reunião das famílias dos cineastas, onde se falou inclusive dos ‘filmes órfãos’. A memória precisa ser vista numa perspectiva política, ela tem um poder transformador, ela não é um passivo histórico. Não estive aqui na segunda edição, mas a terceira deu um passo além, um terceiro passo, na direção extremamente ousada de fazer uma aproximação inédita de dois grandes artistas brasileiros, Rogério Sganzerla e Glauber Rocha, que sempre foram vistos em linhas opostas, como dois polos excludentes e, na verdade, o debate aqui em Ouro Preto privilegiou as ideias, qual a contribuição desses artistas, quais as afinidades, as diferenças, e se desmontou todo o mito de que não poderia haver esse diálogo. Isso eu acho de uma extrema ousadia, Ouro Preto colocou em primeiro plano o cinema, a arte, as ideias. A cinematografia brasileira é composta por vários traumas como esse e aqui o encontro teve até um efeito terapêutico.” Joel Pizzini, cineasta

restaurados, que exibem o filme que foi resgatado, mas não tínhamos, até agora, um festival fundamentalmente voltado para a memória, como é o caso deste de Ouro Preto. Eu vejo aqui um resultado enorme, não só em termos de uma maior conscientização da preservação do nosso patrimônio cultural, mas principalmente pela possibilidade de ampliar as vozes em função desta causa de resgatar a filmografia brasileira. Estou sentindo um crescimento enorme desta discussão dentro da CineOP, porque ampliou muito. Esse encontro de arquivos faz com que muitas vozes individuais se incorporem a uma ação coletiva. Tínhamos várias iniciativas, partindo das famílias, dos órgãos que se dedicam a isso e, até algumas iniciativas individuais, mas nunca tivemos isso de uma forma tão coletiva e articulada como está acontecendo aqui.” Myrna Brandão, presidente do Centro de Pesquisadores do Cinema Brasileiro “É séria a questão da preservação da memória e esse é o lugar mais adequado para se falar sobre isso e chamar a atenção da sociedade para esta questão. O tema da CineOP é o que mais me chamou a atenção. Eu não vi outras exibições, mas gostei muito da Os Desafinados. Eu achei que o público reagiu muito bem, assistindo com total interesse, se divertindo e se identificando com coisas situações que passavam na tela. Aqui em Ouro Preto, meu filme atingiu o que eu queria.” Walter Lima Jr., diretor de Os Desafinados


190 depoimentos - cineop

“Estou adorando. Estive aqui no ano passado lançando o meu livro, Dicionário de curtas, e este ano eu vim como colecionador de filmes, o que achei ótimo, porque é uma atividade que tenho e que me introduziu ao cinema e esse encontro que tem aqui tem tudo a ver com a minha atividade de colecionador de filmes, porque a gente, de uma maneira indireta, também preserva, de repente até mais do que muitas instituições públicas.” Antônio Leão, colecionador e pesquisador de cinema “O Di Moretti passa muita segurança, ele é muito didático e serve para ter mais ideia em conflito por que estudamos o cinema, e ouvir sobre outro ponto de vista com relação ao roteiro, é a avaliação de um profissional. Passamos o dia inteiro na programação: vamos para a oficina, assistimos a muitos filmes. Aqui é muito interessante e democrático, valeu a pena vir de Brasília para acompanhar o evento.” Lucas Zacarias, aluno da oficina Roteiro . “A exibição de Os Desafinados aqui foi muito calorosa e foi gostoso fazer parte dessa plateia, as reações foram muito espontâneas. Na sessão aconteceu um outro filme: as pessoas fizeram o filme junto com a gente. Isso foi bonito de ver, de uma sinceridade e de uma espontaneidade, porque acho que as pessoas se emocionaram e se divertiram. A Mostra é muito bem organizada e a cidade muito linda, acolhe muito bem o cinema e as pessoas que fazem cinema, assim como a quem gosta de cinema e vem prestigiar a Mostra.” Ângelo Paes Leme, ator de Os Desafinados “A Mostra vem se consolidando no quadro dos festivais do Brasil e acho muito bacana que este evento tenha um foco específico na questão da memória e da preservação, o que é fundamental, porque geralmente os festivais estão

mais ligados às estreias e se esquecem de resgatar todo um passado, porque tudo é um processo de continuidade. Os novos talentos e as novas realizações também são fruto de toda a história do cinema brasileiro, que é muito grande e que muitas vezes é esquecida. Então eu acho muito bacana o festival pegar esse gancho da preservação e da memória e desse diálogo com o cinema que está sendo feito hoje. Isso é fundamental.” Marcelo Ikeda, diretor do vídeo Eu te Amo “O evento é bacana, esta questão de discutir a restauração de filmes, pensar na memória do cinema brasileiro, já que o cinema não existe sem memória. Devemos pensar em resgatar não só a memória de alguns ícones do cinema, mas a memória de todo o cinema brasileiro, que é a memória do País. Eu acho esse festival muito simpático e participativo, muito legal.” Flávio Tambellini, produtor de Os Desafinados “A 3ª CineOP mostra, mais uma vez, que é mais do que necessário voltar ao passado para melhor entender nosso presente e preparar nosso futuro. Com a homenagem a Glauber e Sganzerla, temos também uma aproximação que não é inédita, mas ajuda a derrubar ainda mais algumas incorreções históricas. Havia embate, mas no campo artístico. Uma rivalidade engrandecida por uma admiração mútua, que fortalecia em cada um a vontade de fazer do cinema algo muito maior do que a ideia de cultura. O ácido deles era o próprio cinema, mas eles sabiam incorporar as informações oriundas de outras manifestações artísticas. Dois gênios recebendo, mais uma vez, mas de forma diferente, o reconhecimento que merecem.” Sérgio Alpendre, editor da Revista Paisà


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“Adorei o evento de Ouro Preto e a cada evento da Universo que eu participo eu me apaixono mais, é cada vez melhor. Pretendo participar de vários outros. Gostei muito de Ouro Preto, porque, como acontece em Tiradentes, o evento dá a oportunidade porque tem várias oficinas sobre o cinema, o que possibilita que as pessoas se aperfeiçoem e aprendam mais na área do cinema.” Joelma Tostes, aluna da oficina Realização em Curta Documental “Ao promover intensos debates e exibições de filmes que primam pela ousadia e inventividade, a CineOP consolida-se como relevante espaço de reflexão sobre o cinema brasileiro como patrimônio histórico-cultural. A mostra também revela sua riqueza ao possibilitar o intercâmbio entre público e realizadores. Na CineOP, o cinema pulsa como troca de ideias.” Camila Vieira, jornal O Povo (Fortaleza) “Vejo Ouro Preto com muito bons olhos, justamente porque foge dessa que tem sido a tônica dos festivais de cinema: foco em filmes recentes, debates com os diretores e com a equipe dos filmes contemporâneos, o que naturalmente é muito importante. É uma ousadia muito salutar da Mostra de Ouro Preto focar em uma área que é de extrema importância, à qual muita gente não dá a devida atenção, que é olhar para trás para ver o que se fará para frente. Nesse sentido, a Mostra de Ouro Preto é, não só pioneira, como uma instância importante para se discutir tantos assuntos de preservação e de como vamos guardar a nossa memória audiovisual, além se ser um espaço de questionamento em torno da nossa história e de como a vemos.” Ruy Gardnier, crítico de cinema e membro do Grupo de Pesquisa do Cinema Brasileiro

”A Mostra de Cinema se consolida em Ouro Preto. Nós sempre sonhamos com um evento na área do cinema, voltado para a produção nacional. Ouro Preto é uma cidade cinematográfica, muitos filmes são realizados aqui, estrangeiros e brasileiros. Então era importante que pudéssemos também discutir o cinema, como uma das grandes artes que o gênio humano criou. A Mostra nos apresenta o que há de mais importante na produção nacional e traz realizadores, especialistas, técnicos da indústria cinematográfica e da arte do cinema para debates e discussões e, ao mesmo tempo, lança um olhar decisivo, que tanto carecíamos, sobre a questão da preservação dos acervos cinematográficos.” Ângelo Oswaldo, prefeito de Ouro Preto “Esse evento é de grande importância para Ouro Preto e decidimos apoiá-lo desde o início com a articulação da rede hoteleira da cidade. A Mostra soma, de maneira positiva, no calendário de Ouro Preto, pois movimenta a cidade. Um dos pontos positivos é o fato do evento ser realizado por um período maior de tempo, o que fixa os visitantes.” Márcio Abdo de Freitas, presidente do Convention & Visitors Bureau de Ouro Preto “A dimensão deste encontro nacional de arquivos é algo novo. É um salto qualitativo. A consciência da preservação é a última consciência que chegou ao cinema brasileiro, no sentido político. Há uma necessidade de criar políticas abrangentes e sistêmicas para a preservação.” Gustavo Dahl, gerente do CTAv


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“A CineOP é maravilhosa. Quando a Raquel me convidou para exibir meu filme, eu não tive dúvida. É um filme novo, que só esteve em dois festivais, e eu quis mostrar para o público mineiro. É uma Mostra muito bem planejada, organizada, calorosa, público gênero e acolhedor. Sinto que isso aqui vai se firmar, cada vez mais, como uma Mostra representativa da produção cinematográfica brasileira. Os debates foram incríveis. Fazia tempo que eu não participava de um festival que tivesse um debate tão caloroso e tão comovente como a mesa dos anos 60. O conceito e o conteúdo foram muito bacanas e isso é fruto da boa organização.” Reinaldo Pinheiro, diretor de Nossa Vida Não Cabe num Opala “O CineOP é um festival modernísssimo que abre muitas cabeças. Este encontro de Ouro Preto já é a melhor coisa que aconteceu em 2008.” Noilton Nunes, Abraci “A organização da Mostra foi muito feliz na escolha das homenagens, por juntar Glauber e Rogério. A CineOP é um evento que tem uma identidade e está conquistando o seu espaço.” Sérgio Sá Leitão, diretor da Ancine ”Essa aproximação entre as obras de Glauber e Rogério proposta pela CineOP é nova e revolucionária. A Mostra está sendo original em unir esses dois autores e propiciar um estudo e uma visão melhor deles.” Helena Ignez, atriz, produtora e cineasta


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agradecimentos agradecimentos Agostinho agradecimentos Neves

Alessandro ..... Amílcar Martins Ana Lúcia Vargas de Noronha Ana Paula Santana Andréa Neves Ângela Gutierrez Angelo Oswaldo de Araújo Santos Brigitte Veyne Carlos Augusto Brandão Cecília Bhering Comissariados Brasileiro e Francês – França.br 2009 Comitê Mineiro Ano da França no Brasil Cristine Veras Deputado Federal José Fernando Aparecido de Oliveira Deputado Federal Reginaldo Lopes Dorvalino Santana Alvarez Elynês Soares Fernanda Elisa George Moraes Gleiser Barone Heleny Hallak d’Angelo Jafete Abrahão Janaína Cristina Machado Pinto João Bosco d’Angelo José Amaro (Zinho) José Augusto da Gama Figueira José Luiz Gattás Hallak José Vicente Hallak d’Angelo Josiane Gonçalves Corrêa

Julia Mitraud Luis Eguinoa Marcelo Matte Maria Artele Gonçalves Marcília ......... Ministro Hélio Costa Mônica Gomes Myrna Brandão Nelsinho Santos Paulo Brant Reitor João Luiz ... Rodrigo ....... Sílvio Da-Rin Sylvie Debs Túlio Vanucci Universidade Federal de Ouro Preto - UFOP Victor d’Almeida


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FICHA Técnica FICHA Técnica FICHA Idealização e Realização Técnica Universo Produção

Coordenação Geral Raquel Hallak d’Angelo Coordenação Adjunta e Técnica Quintino Vargas Coordenação Adjunta e Logística Fernanda Hallak d’Angelo Coordenação de Oficinas e Sessão CineEscola - Produção Denise Hallak Temática Preservação Raquel Hallak Participantes do Encontro Nacional de Arquivos Temática Histórica Raquel Hallak Cleber Eduardo Seleção de Longas e Médias Cleber Eduardo

Seleção de Curtas Rafael Ciccarini Tatiana Monassa Cleber Eduardo - colaborador Produção Executiva Mônica d’Angelo Braga Programação Interativa Raquel Machado Logística – Passagem Aérea Juliana Braga Logística – Tráfego de Filmes Cristiana Brandão Assistentes de Produção André Magalhães Kika Haddad Roberta Gulhelmelli Rômulo Moreira Tiago Salomon Hallak Agentes de Apoio Caiki Flaeschen de Campos Danielle Elisa de São José Fernanda Amorim Machado Joseane Nogueira Luiz Júlia Teixeira Silva


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Juliano César Batista Pires Pamella Schefer Pedro Estevão Bernini Monteiro Tatiana Corrêa Vidal Thais Nohra Haddad Welbert Thiago Gestora Administrativo-Financeira Cássia Melo Assessoria de Imprensa Sinal de Fumaça – A Comunicação Original Sérgio Stockler Ariana Lemos Colaboradores e Redatores Ana d’Angelo Leonardo Mecchi

Sonorização e Iluminação Cênica Som Melhor Transporte Banana Veloz – Disk Van Passagens Aéreas Terra Viagens e Turismo Website Feira Modderna Identidade Visual, Publicidade e Produção de VT Agência ) Dez

Produção Gráfica Agência ) Dez e Holograma Design Gráfico

Fotografia Alexandre C. Mota Netun Lima Felipe Ivaniska - assistente Projeção 35mm e Digital Alltech Comércio e Manutenção de Equipamentos José Luiz Almeida TV Mostra Trade Comunicação

Cerimonial Ruby Cardoso Letícia Amaral Projeto Cenográfico Dois Arquitetura Galpão Cine Bar Show e Cine Bar Café José Luiz da Silveira


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Catalogo 4ª CineOP