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V a m p i ro s J o g a m B a s e b a l l

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Formaturas infernais Histórias paranormais de baile por cinco autoras extraordinárias Meg Cabot– A Filha do Exterminador Lauren Myracle– O Ramo de Flores Kim Harrison– Madison Avery e o Turvo Anjo da Morte Michele Jaffe– Beijar e Contar Stephenie Meyer– Inferno na Terra

A Filha do Exterminador Meg Cabot Mary A música está batendo no ritmo do meu batimento cardíaco. Eu posso sentir o baixo no meu peito - badoom, badoom. É difícil ver através da sala de corpos serpenteando, em especial com o nevoeiro do gelo seco, e a luz de show piscando vinda do teto industrial do clube, acima. Mas eu sei que ele está aqui. Eu posso senti-lo. É por isso que eu estou grata pelos corpos esfregando-se uns contra os outros ao meu redor. Eles estão me mantendo escondida de sua visão - e de seus sentidos. Caso contrário, ele já teria me sentido vindo. Eles podem detectar o odor do medo a metros de distância. Não que eu esteja assustada. Porque eu não estou. Bem. Talvez um pouco. Mas eu tenho a minha Excalibur Vixen arco-e-flecha 285 FPS comigo, com uma Easton XX75 de 50 centímetros (a ponta, anteriormente ouro, agora substituída por cinzelado à mão) já engatilhada e pronta para ser lançada com a menor pressão do meu dedo. Ele nunca vai saber o que o atingiu. E, espero, nem ela saberá. O importante é obter um alvo certeiro - o que não será fácil nesta multidão - e torná-lo viável. Eu provavelmente terei apenas uma chance de atirar. Ou eu vou atingir o alvo... ou ele me atingirá. "Sempre mire para o peito," minha mãe costumava dizer. "É a maior parte do corpo, e o local que você está menos suscetível a errar. Claro, você terá mais probabilidade de matar do que ferir se você mirar no peito, em vez de na coxa ou braço... mas por que

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você quer ferir, de qualquer jeito? O negócio é eliminá-lo". Que é o que estou aqui pra fazer esta noite. Eliminá-lo. Lila vai me odiar, naturalmente, se ela descobrir o que realmente aconteceu... e que foi eu quem fez isso. Mas o que ela espera? Ela não pode pensar que eu vou apenas me sentar preguiçosamente e vê-la desperdiçar sua vida. "Conheci esse cara", ela despejou hoje no almoço, enquanto nós estávamos parados na fila para a salada. "Oh meu Deus, Mary, você não acreditaria em quão lindo ele é. Seu nome é Sebastian. Ele tem os olhos mais azuis que você já viu." O que acontece com a Lila que muitas pessoas não entendem é que abaixo daquele – vamos admitir - exterior piranha, bate o coração de uma verdadeira amiga leal. Ao contrário do resto das meninas em Saint Eligius, Lila nunca me esnobou pelo fato de que meu pai não é um diretor executivo ou cirurgião plástico. E sim, ok, eu tenho que me desligar em cerca de três - quartos do que ela diz, porque a maioria são coisas de que não tenho nenhum interesse - como o quanto ela pagou por sua bolsa Prada nas vendas de liquidação de fim-de-estação da Saks, e que tipo de tatuagem vagabunda ela está pensando em comprar na próxima vez que ela estiver em Cancun. Mas isto capturou a minha atenção. "Lila", eu disse. "E o Ted?" Porque Ted é tudo o que Lila tem falado há um ano, desde que ele finalmente arranjou coragem para chamá-la para sair. Bem, eu quero dizer, tudo o que ela falou além das vendas da Prada e tatuagens nas costas. "Ah, isso acabou", disse Lila, alcançando o pegador da alface. "Sebastian está me levando pra balada esta noite - na Swig. Ele diz que pode fazer a gente entrar - ele está na lista VIP". Não era o fato de que esse cara, seja ele quem fosse, alegava estar na lista VIP do mais novo e mais exclusivo clube no centro de Manhattan que causou os cabelos na parte de trás do meu pescoço subir. Não me interpretem mal – Lila é bonita. Se alguém vai ser abordado por um aleatório estranho que acontece de estar na mais procurada lista VIP da cidade, seria Lila. Foi a coisa sobre Ted que me afetou. Porque Lila adora Ted. Eles são o típico casal perfeito de colegial. Ela é linda, ele é um atleta estrela... é uma união feita no céu adolescente. É por isso que o que me dizia não batia. "Lila, como você pode dizer que acabou entre você e Ted?" eu exigi. "Vocês dois estão saindo desde sempre" - ou, pelo menos, desde que eu cheguei a Saint Eligius Prep em setembro, onde Lila foi a primeira (e, até a data, praticamente a única) menina em qualquer das minhas classes a realmente falar comigo - "e é o baile de formatura esse fim-de-semana". "Eu sei", Lila disse, com um suspiro feliz. "Sebastian vai me levar". "Seb -" Foi quando eu soube. Quer dizer, realmente soube. "Lila", eu disse. "Olhe para mim". Lila olhou para baixo pra mim – eu sou pequena. Mas, como minha mãe costumava dizer, eu sou rápida - e eu vi de uma vez. O que eu deveria ter visto desde o início, aquela expressão levemente vidrada – os olhos maçantes... os lábios suaves - que eu

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cheguei a conhecer tão bem ao longo dos anos. Eu não podia acreditar. Ele pegou minha melhor amiga. Minha única amiga. Bem. O que eu deveria fazer? Sentar e deixar que ele levasse dela? Não desta vez. Você pode pensar que ver uma garota com um arco-e-flecha na pista de dança do clube novo, mais quente de Manhattan poderia talvez gerar um ou dois comentários. Mas é Manhattan, apesar de tudo. Além disso, todo mundo está se divertindo demais para me notar. Até Oh Deus. É ele. Eu não posso acreditar que estou finalmente o vendo em carne e osso... Bem, o seu filho, de qualquer jeito. Ele é mais bonito do que eu jamais imaginei. Cabelos dourados e olhos azuis, com lábios perfeitos de estrela de cinema e ombros de uma milha de largura. Ele é alto também - embora a maioria dos rapazes sejam altos - comparados comigo. Ainda assim, se ele é qualquer coisa como seu pai, bem, então, eu consigo entender. Eu finalmente entendo. Eu suponho. Eu ainda nãoOh Deus. Ele sentiu o meu olhar. Ele está vindo pra cáÉ agora ou nunca. Eu levantei meu arco: Adeus, Sebastian Drake. Adeus pra sempre. Mas logo quando eu estava com o triângulo branco brilhante da frente da sua camisa na minha mira, algo inacreditável acontece: uma brilhante florescência de vermelho cereja aparece exatamente aonde eu vinha mirando. Exceto que eu não puxei o gatilho. E a espécie dele não sangra. "O que é isso, Sebastian?" Lila dança até ele para perguntar. "Droga! Alguém" - e eu vejo Sebastian levantar seu olhar abalado, azul como o céu da mancha escarlate em sua camisa para a face de Lila - "atirou em mim". É verdade. Alguém atirou nele. Só que não fui eu. E isso não é tudo que não faz sentido. Ele está sangrando. Exceto que isso não é possível. Não sabendo o que mais fazer, eu me abaixei atrás de um pilar próximo, pressionando o Vixen ao meu peito. Preciso reorganizar, descobrir o meu próximo passo. Porque nada disso pode realmente estar acontecendo. Eu não poderia ter errado sobre ele. Eu fiz a pesquisa. Tudo faz sentido... o fato de que ele está aqui em Manhattan... o fato de ele ter ido atrás da minha melhor amiga, dentre todas as pessoas... a expressão vidrada de Lila... tudo. Tudo, exceto o que acabou de acontecer. E eu tinha apenas ficado lá, encarando. Eu tinha tido uma mira perfeita, e eu estraguei. Ou eu não tinha? Se ele está sangrando, então isso apenas significa que ele é humano. Não é mesmo? Exceto, se ele é humano, e ele acaba de levar um tiro no peito, por que ele ainda está em pé? Oh Deus. O pior de tudo é que... ele me viu. Estou quase certa ter sentido aquele olhar desprezável passar sobre mim. O que ele vai fazer agora? Ele vai vir atrás de mim? Se ele vir, é tudo minha própria culpa. Minha mãe nunca me disse para fazer isso. Ela

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sempre disse um caçador nunca sai sozinho. Por que eu não ouvi? O que eu estava pensando? Esse é o problema, é claro. Eu não tinha pensado de nenhuma maneira. Eu deixei minhas emoções obter o melhor de mim. Eu não poderia deixar que o que aconteceu com minha mãe aconteça à Lila. E agora vou pagar por isso. Assim como minha mãe. Encolhendo em agonia, eu tento não imaginar o que meu pai vai fazer quando a polícia da cidade de Nova Iorque tocar nossa campainha as quatro da manhã e pedir para ele ir ao necrotério para identificar o corpo de sua única filha. Minha garganta será aberta, e quem sabe que outras atrocidades serão feitas com meu corpo quebrado. Tudo porque eu não fiquei em casa esta noite pra fazer meu trabalho para a classe do quarto período, História dos Estados Unidos da Srta. Gregory (tema: o movimento de temperança no período antes da Guerra Civil Americana, duas mil palavras, a dois espaços, ser entregue na segunda-feira), como eu deveria. A música muda. Ouço Lila berrar, "Onde você está indo?" Oh Deus. Ele está vindo. E ele quer que eu saiba que ele está vindo. Ele está jogando comigo agora... assim como seu pai jogou com minha mãe, antes de ele... bem, fazer o que ele fez com ela. Então eu ouvi um som estranho - uma espécie de som de água - seguido de um outro "Droga"! O que está acontecendo? "Sebastian". A voz de Lila soou confusa. "Alguém está disparando ketchup em você!" O quê? Ela acabou de dizer... ketchup? E então, enquanto eu cuidadosamente me virava pra olhar além do pilar pra ver do que Lila estava falando, eu vejo ele. Não Sebastian. Seu atirador. E eu quase não acredito nos meus olhos. O que ele tá fazendo aqui? Adam

É tudo culpa do Ted. Ele foi quem disse que a gente devia os seguir no encontro deles. Eu falei, "Por quê?" "Porque o cara é problema, man", disse Ted. Exceto que não há como Ted ter sabido disso. Drake tinha basicamente aparecido do nada, fora do prédio do apartamento de Lila na Park Avenue apenas na noite anterior. Ted nunca tinha sequer conhecido ele. Como ele poderia saber alguma coisa sobre o rapaz? Qualquer coisa? Mas quando eu mencionei isso, Ted disse, "Cara, você olhou para ele?" Tenho que admitir, o T Man tem razão. Quer dizer, o rapaz parece que saiu direto de um catálogo Abercrombie & Fitch ou algo. Você não pode confiar em um rapaz que é assim, bem, perfeito. Ainda assim, eu não sou fã de seguir outros caras por aí. Não é legal. Mesmo que, como Ted disse, era apenas para certificar-se de que Lila não iria entrar em apuros. Sei que Lila é a dama de Ted - ex-dama agora, graças a Drake.

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E okay, que ela nunca foi o mais brilhante garfo da gaveta. Mas segui-la nesse encontro com o cara que ela tá ficando? Isso só parecia ser uma grande perda de tempo do que - bem, aquele trabalho de duas mil palavras, a dois espaços, que eu tenho até segunda-feira pra entregar na aula da Srta. Gregory de História dos Estados Unidos. Então Ted tinha que ir e sugerir que eu trouxesse a Beretta 9mm. A coisa é, apesar de ser apenas uma pistola de água, armas de brinquedo parecem tão reais quanto as que são ilegais em Manhattan. Portanto, eu realmente não tinha tido uma oportunidade de usar muito a minha. O que, Ted sabe. E é provavelmente por isso que ele continuou sobre como seria super engraçado se nós encharcássemos o rapaz. Porque ele sabia que eu não seria capaz de resistir. O ketchup foi idéia minha. E, sim, é bem juvenil. Mas o que mais eu vou fazer numa sexta à noite? Isso é melhor que um trabalho de História dos Estados Unidos. De qualquer maneira, eu disse a T Man que eu achava que estava de acordo com o seu plano. Contanto que eu fosse o único que desse o tiro. O que estava bom para Ted. "Eu só preciso saber, cara," ele disse, balançando sua cabeça. "Saber o quê?" "O que este cara Sebastian tem", disse ele, "que eu não tenho." Eu poderia ter lhe dito, é claro. Quer dizer, é bastante óbvio para qualquer um que olha para Drake o que é que ele tem que Ted não tem. Ted é um rapaz com aparência decente e tudo, mas ele não é material pra Abercrombie. Ainda assim, eu não disse nada. Porque o T Man estava realmente machucado por causa dele. E eu poderia meio que entender o porquê. Lila é apenas uma daquelas meninas, sabe? Toda de olhos grandes e castanhos e grandes, bem, outras partes, também. Mas não falo nisso, por causa da minha irmã, Veronica, que diz que eu preciso parar de pensar nas mulheres como objetos sexuais e começar a pensar nelas como futuras parceiras na inevitável luta para sobreviver após o desastre apocalíptico da America (no qual Veronica está escrevendo sua tese do terceiro ano, porque ela sente que o apocalipse vai ocorrer em algum momento da próxima década, devido ao estado atual do país de fanatismo religioso e imprudência ambiental, ambos os quais estavam presentes na queda de Roma e várias outras sociedades que não existem mais). Então, foi assim que eu e o T Man acabamos no Swig - felizmente, o tio de Ted, Vinnie, é o seu distribuidor de bebidas, que é como nós entramos, e sem ter que passar pelo detector de metais, como todos os outros – atirando ketchup em Sebastian Drake com a minha pistola de água Beretta 9mm. Eu sei que deveria estar em casa fazendo aquele trabalho para a Srta. Gregory, mas um cara tem o direito de se divertir um pouco, certo? E foi divertido ver essas manchas vermelhas surgirem sobre todo o peito do rapaz. O T Man estava na verdade rindo pela primeira vez desde que Lila que lhe enviou aquela mensagem de texto durante o almoço, dizendo-lhe que ele estava sozinho pro baile de formatura, porque ela estava indo com Drake. Tudo estava indo bem ... Até que eu vi Drake olhando àquele pilar de um lado da pista de dança. O que não fazia nenhum sentido. Você teria pensado que ele estaria olhando

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pra nós, na nossa cabine VIP (graças ao Tio Vinnie), considerando que foi dessa direção que o ataque do ketchup estava vindo. Foi quando eu observei que havia alguém escondido por trás dele. O pilar, quero dizer. Não apenas qualquer alguém, também, mas Mary, aquela nova menina da minha classe de História dos Estados Unidos, a única que nunca conversa com ninguém exceto com Lila. E ela estava segurando um arco-e-flecha. Um arco-e-flecha. Como ela conseguiu passar com um arco-e-fleca através do detector de metais? De jeito nenhum ela conhece o tio de Ted, Vinnie. Não que isso importe. Tudo o que importa é que Drake está olhando pro pilar que Mary está encolhida atrás como se ele pudesse ver diretamente através dele. Há algo sobre a maneira como ele está olhando pra ela que me faz... bem, tudo o que sei é que não é onde eu quero que aquele cara olhe. "Idiota," eu resmunguei. Principalmente por causa de Drake. Mas também por mim, um pouco. E então eu mirei e disparei mais uma vez. "Oh, bam", Ted grita feliz. "Você viu isso? Bem na bunda!" Aquilo consegue a atenção de Drake, direitinho. Ele gira... ...e de repente, entendo o que eles dizem sobre olhos flamejante. Você sabe, nos livros de Stephen King, ou no que seja? Eu nunca pensei que eu realmente fosse ver um par. Mas isso é exatamente como o olhar de Drake é, como ele encara a gente. Olhos que são mais definitivamente em chamas. Vem, me encontro pensando na direção de Drake. Isso mesmo. Venha aqui, Drake. Você quer brigar? Eu tenho muito mais do que ketchup, cara. O que não é exatamente verdade. Mas no fim não importa, porque Drake não vem de qualquer maneira. Ao invés disso, ele desaparece. Eu não quero dizer que ele dá meia volta e deixa o clube. Quero dizer que em um minuto ele está lá de pé, e no outro ele... bem, ele simplesmente desaparece. Por um segundo o nevoeiro do gelo seco parece ter ficado mais espesso - e quando limpa, Lila está dançando sozinha. "Aqui", eu digo, empurrando a Beretta na mão do Ted. "O que -" Ted varre a pista de dança. "Onde ele foi?" Mas eu já tinha saído. "Pegue Lila," eu gritei de volta pra Ted. "E me encontre lá na frente". Ted proferiu alguns bem escolhidos palavrões depois disso, mas ninguém nem percebeu. A música está muito alta, e todos estão se divertindo demais. Quer dizer, se eles não nos viram atirando com uma pistola de água carregada com ketchup em um cara - ou alguns segundos depois, aquele cara literalmente desaparecendo no ar – é pouco provável que eles percebam Ted gritando a palavra começando com F. Eu cheguei ao pilar e olhei pra baixo. Ela está lá, ofegando como se ela estivesse acabado de correr uma maratona ou algo do tipo. Ela está agarrando o arco e flecha ao seu peito como um lençol de segurança de uma criança. Seu rosto é tão branco como caderno papel. "Ei", eu digo a ela, suavemente. Eu não quero assustá-la. Mas eu assusto mesmo assim. Ela praticamente salta fora da sua pele ao som da minha voz e vira os olhos grandes e assustados para mim.

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"Ei, calma", eu disse. "Ele já foi. Ok?" "Ele já foi?" Seus olhos - verdes como o Great Lawn (grama) no Central Park, em maio – me encararam. E não há como escapar o terror neles. “Como-o quê?" "Ele simplesmente desapareceu", digo encolhendo os ombros. "Eu o vi olhando para você. Então atirei nele". "Você o quê?" Vejo que o terror tem desaparecido tão subitamente quanto Drake desapareceu. Mas ao contrário do Drake, há uma coisa em seu lugar: raiva. Mary está irada. "Oh meu Deus, Adam", ela diz. "Você enlouqueceu? Você tem ao menos alguma idéia de quem é esse rapaz?". "É," eu digo. A verdade é, Mary é bem bonitinha quando ela está com raiva. Eu não posso acreditar que eu nunca tenha notado antes. Bem, eu suponho que eu nunca a vi ficar com raiva. Não há muito coisa com o que se esquentar na classe da Sra. Gregory. "O novo homem de Lila. Aquele cara é um perdedor. Você viu as calças deles?" Mary apenas balança sua cabeça. "O que você está fazendo aqui?" ela me pergunta numa voz ligeiramente abalada. "A mesma coisa que você, aparentemente," eu digo, olhando o arco e flecha. "Só que você tem bem mais poder de fogo. Onde você arranjou isso? Isso pelo menos é legal em Manhattan?" "Você é um exemplo pra falar", ela diz, se referindo à Beretta. Eu levantei as duas mãos em uma espécie de eu-me-rendo. "Ei, era só ketchup. Mas isso definitivamente não é uma ventosa que eu vejo no fim dessa coisa. Você poderia fazer algum grande dano-" "Essa é a idéia", diz Mary. E há tanta hostilidade – minha mãe vive encorajando Veronica e eu para usar a linguagem descritiva para nos expressar – na sua voz, que eu sei. Eu apenas sei. Drake é seu ex. Tenho que admitir, me sinto meio esquisito quando eu percebo isso. Quero dizer, eu gosto de Mary. Você pode perceber que ela é bastante inteligente - ela sempre tem feito a leitura quando a Sra. Gregory a chama – e a verdade é, o fato de ela andar com Lila, burrinha como ela é, prova pelo menos que ela não é uma esnobe, uma vez que a maioria das garotas em Saint Eligius não dá a Lila a hora do dia... desde aquela foto do celular que circulou ao redor da escola do que ela e Ted estavam fazendo exatamente no banheiro naquela festa do loft no Centro. Não que haja nada de errado com o que eles estavam fazendo, se você me perguntar. Mesmo assim. Estou meio decepcionado. Eu pensaria que uma menina como Mary teria melhor gosto do que sair com um rapaz como Sebastian Drake. Que eu suponho vem a provar que o que Veronica sempre diz sobre mim está certo: O que eu não sei sobre garotas poderia encher o East River*. * Rio em Nova Iorque que conecta a parte Superior da Baía de Nova Iorque em sua extremidade sul até Long Island Sound (estuário do Oceano Atlântico e outros rios na costa de Connecticut, Long Island e Nova Iorque) na sua extremidade norte. Separa Long Island (incluindo os municípios de Queens e Brooklyn), da ilha de Manhattan e o Bronx.

Mary

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Eu não posso acreditar nisso. Quer dizer, que eu esteja em pé no beco ao lado do Swig, conversando com Adam Blum, que se senta atrás de mim na classe de História dos Estados Unidos do quarto período da Sra. Gregory. Sem mencionar Teddy Hancock, o melhor amigo de Adam. E o ex de Lila. Quem Lila atualmente está firmemente ignorando. Eu tirei a ponta da flecha com cinzas do estoque e deslizei-a de volta para a minha bolsa. Não haverá, eu sei agora, nenhuma exterminação essa noite. Embora eu ache que deveria estar agradecida que eu não fui a pessoa que apanhou. Se não fosse Adam... bem, eu não estaria empé aqui agora, tentando explicar a ele algo que é... bem, francamente inexplicável. "É sério, Mary". Adam está me observando com olhos nebulosos castanhos. É engraçado que eu nunca observei como ele é bonito antes. Oh, ele não é nenhum Sebastian Drake. O cabelo de Adam é tão escuro quanto o meu e suas íris são escuras como xarope, não azuis como o mar. Mas ficam muito bem nele com o seu ombro largo, físico de nadador - ele conduziu Saint Eligius Prep para a final regional no nado-borboleta dois anos seguidos – e uma estrutura de 1,82m (tão alto que eu praticamente tive que esticar meu pescoço pra ver seu rosto, minha própria altura sendo um triste desapontamento - para mim, pelo menos – 1,52m). Ele é mais que um estudante mediano e popular, também, se levar em conta todas as calouras que desmaiam toda vez que ele passa por elas no corredor (não que ele note). Mas não há nada de desatento no jeito que ele está me encarando agora. "Qual é a parada?" ele quer saber, uma de suas grossas sobrancelhas escuras levantou com suspeita enquanto ele me olhava. "Eu sei porque Ted odeia Drake. Ele roubou a garota dele. Qual o seu problema com ele?" "É pessoal," eu digo para ele. Deus, isso não é nada professional. Mamãe vai me matar quando ela descobrir. Se ela descobrir. Pelo outro lado...bem, Adam provavelmente salvou a minha vida. Mesmo que ele não saiba disso. Drake teria me estripado - bem na frente de todo mundo - sem pensar duas vezes nisso. Eu estava devendo uma pro Adam. Uma enorme. Mas eu não vou deixa-lo saber disso. "Como você chegou aqui?" Adam quer saber. "Nem me diga que você passou pelo detector de metais com essa coisa." "É claro que eu não passei," eu digo. Fala sério, garotos são tão bobos as vezes. "Eu entrei pela clarabóia." "No teto?" "É aonde eles geralmente deixam as clarabóias," eu ressaltei à ele. "Você é tão imaturo," Lila está dizendo à Ted. A voz dela é suave e baixa, mesmo que o que ela esteja dizendo não seja. Mas ela não pode evitar. Ela foi enfeitiçada pelo Drake. "O que é que você estava esperando conseguir?" "Você mal conhece esse cara há um dia, Lila." Ted tem as mãos enfiadas em seus bolsos. Ele parece envergonhado de si mesmo...mas rebelde ao mesmo tempo. "Quer dizer, eu podia ter te trazido ao Swig se era aqui que você queria vir. Por que você não me disse? Você sabe sobre o meu tio Vinnie."

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"Não é sobre em que clubes Sebastian pode me deixar entrar, Ted," Lila está dizendo. "É sobre...bem, simplesmente ele. Ele é...perfeito." Eu tive que engolir com força para deixar o vômito que tinha subido pela minha garganta lá embaixo. "Ninguém é perfeito, Li," Ted diz, antes de eu ter a chance de dizer. "Sebastian é," Lila entusiasma, seus olhos escuros brilhando na luz do único bulbo que ilumina a porta de saída de emergência do clube. "Ele é tão bonito...e inteligente...e cosmopolita...e gentil -" "Já chega. Eu já escutei mais do que posso aguentar." "Lila," eu estalei. "Cala a boca. Ted está certo. Você nem conhece o cara. Porque se conhecesse, você nunca o chamaria de gentil." "Mas ele é," Lila insiste, o brilho nos olhos dela desbotando para uma incandescência ingênua. "Você nem sabe-" Um segundo mais tarde - eu nem tenho certeza de como aconteceu - eu a tenha pelos ombros, e eu estou sacudindo ela. Ela é quinze centímetros mais alta do que eu e pesa uns bons 18 quilos a mais do eu. Mas isso não importa. Naquele momento, tudo que eu queria fazer era colocar um pouco de inteligência na cabeça dela. "Ele te contou, não foi?" Eu me ouço berrar pra ela, roucamente. "Ele te contou o que ele é. Oh, Lila. Sua idiota. Sua garota estúpida, estúpida." "Opa." Adam está tentando arrancar as minhas mãos dos ombros nus de Lila. "Ei, ora. Vamos todos nos acalmar -" Mas Lila se solta sozinha do meu agarro e dá voltas ao nosso redor com uma expressão triunfante. "Sim," ela grita com aquela pulsação exultante na sua voz que eu reconheço muito bem. "Ele me contou. E ele me alertou de pessoas como você, Mary. Pessoas que não entendem - não podem entender - que ele vem de uma linhagem tão antiga e nobre quanto qualquer rei -" "Oh meu Deus." Eu estou me coçando para dar um tapa nela. A única razão para eu não dar é porque Adam estende a mão e me agarra pelo braço - quase como se ele tivesse lido minha mente. "Lila. Você sabia? E você saiu com ele mesmo assim?" "É claro que eu sai," Lila diz com uma fungada. "Diferente de você, Mary, eu tenho uma mente aberta. Eu não sou preconceituosa contra a espécie dele, do jeito que você é -" "A espécie dele? A espécie dele?" Se não fosse pelo Adam me segurando - e murmurando, Ei, não esquenta - eu teria me atirado contra ela e tentaria bater bom senso na cabeça insípida loira dela. "E por um acaso ele mencionou como a espécie dele sobrevive? O que eles comem - ou devo dizer bebem - para viver?" Lila parece desdenhosa. "Sim," ela diz. "Ele mencionou. E eu acho que você está fazendo muito caso disso. Ele só bebe sangue que ele compra da central de plasma. Ele não mata -" "Oh, Lila!" Eu não posso acreditar no que estou escutando. Bem, quer dizer, eu posso, considerando que é a Lila. Ainda assim, eu teria pensando que nem mesmo ela seria ingênua o bastante para cair nessa. "Isso é o que todos dizem. Eles têm passado essa cantadas nas garotas por séculos. Eu não mato humanos. É besteira total." "Espera aí." O aperto do Adam no meu braço ficou um tanto mais solto. Infelizmente, agora que eu tenho a liberdade para faze-lo, eu não tenho mais vontade de bater na

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Lila. Eu estou com muito nojo. "O que está acontecendo aqui?" Adam quer saber. "Quem bebe sangue? Você está falando do - Drake?" "Sim, Drake," eu digo sucintamente. Adam me encara com descrença, enquanto ao lado dele, seu amigo Ted assobia. "Cara," Ted diz. "Eu sabia que tinha algo que eu não gostava naquele cara." "Parem!" Lila grita. "Todos vocês! Ouçam-se! Vocês tem alguma idéia do quão intolerante vocês soam? Sim, Sebastian é um vampiro - mas isso não significa que ele não tenha o direito de existir!" "Uh," eu digo. "Considerando que ele é uma abominação ambulante para a espécie humana e tem se alimentado de garotas inocentes como você por séculos, na verdade, ele não tem o direito de existir." "Espera um minuto." Adam ainda está parecendo descrente. "Um vampiro? Vamos lá. Isso é impossível. Não existem vampiros." "Oh!" Lila gira em direção a ele e bate um pé. "Você é ainda pior do que eles!" "Lila," eu digo, ignorando Adam. "Você não pode ve-lo novamente." "Ele não fez nada de errado," Lila insiste. "Ele nem me mordeu - mesmo eu tendo pedido pra ele morder. Ele diz que é porque ele me ama demais." "Oh meu Deus," eu digo com nojo. "É outra cantada que ele passou em você, Lila. Você não ve? Todos eles dizem isso. E ele não te ama. Ou pelo menos, ele não te ama mais do que um carrapato ama o cachorro do qual está se alimentando." "Eu te amo," Ted diz, a voz dele rachando na palavra eu. "E você me largou por um vampiro?" "Você não entende." Lila atira pra trás seu longo cabelo loiro. "Ele não é um carrapato, Mary. Sebastian me ama demais para me morder. Mas eu sei que posso faze-lo mudar de idéia. Porque ele quer ficar comigo pra sempre, tanto quanto eu quero ficar com ele pra sempre. Eu sei disso. E depois de amanhã a noite, nós ficaremos juntos pra sempre." "O que tem amanhã a noite?" Adam quer saber. "O baile," eu digo rudemente. "Certo," Lila tagarela. "Sebastian vai me levar. E apesar dele ainda não saber, ele vai se sucumbir à mim lá. Só uma mordida e eu terei vida eterna. Vamos lá, pessoal, isso é legal ou o quê? Vocês não iriam querer viver pra sempre? Quer dizer, se vocês pudessem?" "Não desse jeito," eu digo. Alguma coisa dentro de mim dói. Dói pela Lila, e dói por todas as garotas antes dela. E pelas que vierem depois, também, se eu não fizer alguma coisa quanto a isso. "Ele vai te encontrar no baile?" Eu me forcei a perguntar à ela. É difícil falar, porque tudo que eu quero fazer é chorar. "Certo," Lila diz. O rosto dela ainda tem a mesma expressão vaga que tinha no clube, bem como hoje mais cedo no refeitório. "Ele não vai ser capaz de resistir a mim - não no meu vestido Roberto Cavalli, com meu pescoço todo exposto debaixo da luz prateada da lua cheia..." "Eu acho que vou vomitar," Ted se voluntaria. "Não, você não vai," Eu digo. "Você vai levar Lila pra casa. Aqui." Eu alcanço a minha mochila e tiro um crucifixo e dois recipientes de água benta, e então entrego à ele. "Se Drake aparecer - apesar de eu não achar que ele vá - jogue isso nele. Então vá pra casa, depois de ter deixado Lila."

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Ted olha pra baixo para o que eu tinha empurrado nas mãos dele. "Espera. É isso?" ele quer saber. "Nós vamos deixa-lo matar ela?" "Não matar," Lila o corrige alegremente. "Me tranformar. Em uma da espécie dele." "Nós não vamos fazer nada," eu digo. "Vocês meninos vão ir pra casa e deixar isso comigo. Eu tenho tudo sobre controle. Só tenham certeza de que ela chegue em casa a salvo. Ela deve ficar bem até o baile. Espíritos malignos não podem entrar em uma casa habitada a não ser que sejam convidados!" Eu estreito meus olhos para Lila. "Você não convidou ele, convidou?" "Que seja," Lila diz, agitando sua cabeça. "Como se o meu pai não fosse ficar furioso se encontrasse um cara no meu quarto." "Viu? Vai pra casa. Você também" eu adicionei, para Adam. Ted pega Lila pelo braço e começa a guia-la para longe. Mas Adam, para minha surpresa, fica aonde está, suas mãos enterradas profundamente em seus bolsos. "Hm," eu digo pra ele. "Tem algo que eu possa fazer por você?" "Sim," Adam diz calmamente. "Você pode começar pelo começo. Eu quero saber tudo. Porque se o que você está me dizendo é verdade, se não fosse por mim, você seria uma mancha na parede do clube ali. Então começa a falar." Adam

Se você tivesse me dito há uma ou duas horas que eu estaria encerrando a minha noite com uma viagem para o apartamento de cobertura da Mary-da-aula-de-História-dosEstados-Unidos que fica em uma das ruas Setenta do lado Leste...bem, eu teria te dito que você estava chapado. Mas é exatamente lá aonde eu me encontro, seguindos Mary passar por seu porteiro sonolento (que não levanta nem mesmo uma sobrancelha para o arco e flecha dela), e então subir no elevador até a casa dela, que é decorada no estilo Vitoriano chique do meio do século dezenove - pelo menos o quanto eu posso julgar, considerando que todas as mobílias parecem que saíram de uma dessas minisséries entediantes que a minha mãe gosta de assistir na PBS, estrelando garotas chamadas Violet ou Hortense ou que seja. Há livros em todo lugar - e não são brochuras do Dan Brown, tampouco, mas livros grandes, pesados, com títulos como Demoniologia na Grécia do século Dezessete e Um Guia Para a Necromancia. Eu olho ao redor, mas eu não vejo uma tela de plasma ou uma LCD. Nem mesmo uma TV comum. "Seus pais são professores ou algo do tipo?" Eu pergunto a Mary enquanto ela abaixa o arco e flecha e se dirige à cozinha, aonde ela abre a geladeira e alcança duas Cocas, uma das quais ela me passa. "Algo assim," Mary diz. É assim que ela tem estado o tempo todo até a casa dela: não exatamente transbordando de explicações. Mas não que isso importe, já que eu já disse à ela que eu não vou embora sem conseguir a história toda. O negócio é que, eu não sei mesmo o que pensar sobre tudo isso ainda. Por um lado, eu estou aliviado do Drake não ser quem eu pensei que ele era - o ex-namorado da Mary. Pelo outro lado...um vampiro?

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"Vamos," Mary diz, e eu a sigo porque...bem, o que mais eu deveria fazer? Eu não sei o que eu estou fazendo aqui. Eu não acredito em vampiros. Eu acho que a Lila só se envolveu com um desses caras góticos estranhos que eu vi em Law & Order naquela vez. Apesar da pergunta da Mary - "Então como explica o desaparecimento dele da pista de dança para lugar nenhum daquele jeito?" - me incomodar. Como o cara fez isso? Mas também, há montes de perguntas como essa para as quais eu não tenho a resposta. Como essa nova que me ocorreu: Como eu posso fazer Mary olhar pra mim do jeito que a Lila olha pra aquele cara, Drake? A vida é cheia de mistérios, como o meu pai gosta de dizer, muitos dos quais estão também embrulhados em enigmas. Mary me leva para um corredor escuro em direção a uma porta parcialmente aberta, da qual luzes transbordavam. Ela bate na porta, então diz, "Pai? Podemos entrar?" Uma voz rouca diz, "Sem dúvida." E eu sigo Mary pela sala mais estranha que eu já vi. Pelo menos em um apartamento de cobertura no Upper East Side. É um laboratório. Há tubos de teste e béquers e ampolas por todo o lugar. Na frente deles está um alto professor-de-cabelos-brancos em um robe, mexendo em uma mistura em um recipiente claro que é de um verde brilhante e está vigorasamente gerando grandes quantidades de fumaça. O cara velho olha pra cima e sorri enquanto Mary entra na sala, seus olhos verdes - muito parecidos com os da Mary - movendo-se na minha direção com curiosidade. "Bem, olá," o cara diz. "Eu vejo que você trouxe um amigo pra casa. Eu estou tão feliz. Eu tenho pensado ultimamente que você passa muito tempo sozinha, mocinha." "Pai, esse é o Adam," Mary diz casualmente. "Ele senta atrás de mim em História dos Estados Unidos. Nós vamos ao meu quarto fazer lição de casa." "Que bom," O pai da Mary diz. Não parece ocorrer à ele que a última coisa que um cara da minha idade vai fazer no quarto de uma garota as duas da manhã é lição de casa. "Não estudem demais, crianças." "Não vamos," Mary diz. "Vamos, Adam." "Boa noite, senhor," Eu digo pro pai da Mary, que sorri para mim antes de se voltar para o seu béquer fumegante. "Está bem," Eu digo pra Mary enquanto ela me encaminha pelo corredor novamente, dessa vez pro quarto dela...que é surpreendentemente utilitário para um quarto de garota, contendo apenas uma cama grande, uma penteadeira, e uma mesa. Diferente do quarto da Veronica, tudo é colocado de lado, exceto por um laptop e um MP3 player. Eu dou uma olhada rápida na playlist da Mary enquanto ela está ocupada assaltando o closet por alguma coisa. A maioria rock, algumas R&B, e um pouco de rap. Mas nada de emo. Graças a Deus. "O que está acontecendo? O que o seu pai está fazendo com todas aquelas coisas?' "Achando uma cura," Mary diz do closet, a voz dela abafada. Eu me movi pelo tapete Persa ornado em direção a cama dela. Há uma foto emoldurada na mesa de cabeceira dela. É de uma mulher bonita, estreitando os olhos para a luz do Sol e sorrindo. A mãe da Mary. Eu não sei como eu sei disso. Eu só sei. "Uma cura para o quê?" Eu pergunto, pegando a foto para olhar de perto. Sim, ali estão eles. Os lábios da Mary. Os quais, eu não pude deixar de notar, são meio curvados nas pontas. Mesmo quando ela está brava.

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"Vampirismo," Mary diz. Ela surge de seu closet segurando um longo vestido vermelho. Está embrulhado em um plástico transparente da tinturaria. "Uh," Eu digo. "Odeio ser eu a te contar isso, Mary. Mas vampiros não existem. Ou vampirismo. Ou o que quer que isso seja." "Ah é?" As pontas da boca da Mary estão ainda mais curvadas do que normalmente. "Vampiros foram inventados por aquele cara." Ela está rindo de mim. Mas eu não me importo, porque é a Mary. É melhor do que ela me ignorando, que é o que ela tem feito na maior parte do tempo que eu a conheço. "Aquele cara que escreveu Drácula. Certo?" "Bram Stoker não inventou vampiros," Mary diz, o sorriso desaparecendo. "Ele nem ao menos inventou o Drácula. Que é uma figura histórica real, a propósito." "É, mas um cara que bebe sangue e pode se transformar em um morcego? Por favor." "Vampiros existem, Adam," Mary diz quietamente. Eu gosto como ela diz o meu nome. Eu gosto tanto que eu nem noto no começo que ela está encarando a foto que eu estou segurando. "E suas vítimas também." Eu segui a direção do olhar dela. E quase derrubei a foto. "Mary," eu disse. Porque é tudo que eu consigo pensar em dizer. "Sua...sua mãe? Ela está...ela..." "Ela ainda está viva," Mary diz, se virando para jogar o vestido vermelho, em sua sacola plástica transparente escorregadia, na cama. "Se você pode chamar isso de vida," ela adiciona, quase para si mesma. "Mary..." Eu digo em um tom de voz diferente. Eu não posso acreditar nisso. E ainda assim eu acredito. Tem algo no rosto dela que deixa claro que ela não está mentindo. Também algo que me faz querer embala-la em meus braços. O que Veronica diria que é sexista. Mas isso está certo. Eu larguei do lábio que eu estava começando a mastigar. "É por isso que o seu pai -" "Ele nem sempre foi assim," ela diz, não olhando pra mim. "Ele costumava ser diferente, quando mamãe estava aqui. Ele...ele acha que pode descobrir uma cura química para isso." Ela afunda na cama ao lado do vestido. "Ele não quer acreditar que só há uma maneira de traze-la de volta. E essa maneira é matando o vampiro que a transformou em um." "Drake," Eu digo, afundando na cama do lado dela. Tudo isso faz sentido agora. Eu acho. "Não," Mary diz com um rápido agito de cabeça. "O pai dele. Que ficou com o sobrenome original da familia, Drácula. O filho dele só acha que Drake soa um pouco menos pretensioso e mais moderno." "Então...por que você estava tentando matar o filho do Drácula, se o pai dele é quem..." Eu nem consigo me forçar a falar isso. Felizmente, eu não preciso. Os ombros da Mary estão curvados. "Se matar seu único filho não fizer Drácula sair do esconderijo para que eu possa mata-lo também, eu não sei o que fará." "Isso não vai ser, uh...meio perigoso?" Eu pergunto. Eu não posso acreditar que eu estou sentado aqui falando sobre isso. Mas eu também não posso acreditar que eu estou no quarto da Mary-de-História-dos-Estados-Unidos. "Quer dizer, o Drácula não é, tipo, o cérebro de toda a operação?" "Sim," Mary diz, olhando pra baixo para a foto que eu coloquei entre nós dois. "E quando ele se for, mamãe vai finalmente ser livre."

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E o pai da Mary não vai mais precisar se preocupar em achar uma cura pro vampirismo, eu penso, mas não digo alto. "Por que o Drake não, uh, tranformou a Lila hoje?" Eu pergunto. Porque isso estava me incomodando. Dentre outras coisas. "Quero dizer, lá no clube?" "Porque ele gosta de brincar com a comida dele," Mary diz sem emoção. "Bem como o pai dele." Eu estremeço. Eu não posso evitar. Mesmo ela não sendo exatamente o meu tipo, não é agradável pensar na Lila como o lanche da meia-noite de algum vampiro. "Você não está preocupada," Eu pergunto, torcendo para mudar um pouco de assunto, "que a Lila vá contar ao Drake para não aparecer no baile já que nós estaremos lá esperando?" Eu digo nós e não você porque de jeito nenhum eu vou deixar a Mary ir atrás desse cara sozinha. O que eu sei que a Veronica iria achar sexista, também. Mas a Veronica nunca viu a Mary sorrir. "Você está brincando?" Mary pergunta. Ela parece não notar o nós."Eu estou contando que ela conte à ele. Desse jeito ele vai aparecer com certeza." Eu a encaro. "Por que ele faria isso?" "Porque matar a filha do exterminador vai totalmente aumentar a credibilidade de cripta dele." Agora eu estou pestanejando para ela. "Credibilidade de cripta?" "Você sabe," Ela diz, jogando o rabo de cavalo dela. "É como credibilidade de rua. Só que entre os mortos-vivos." "Oh." Estranhamente, isso faz sentido. O tanto quanto qualquer outra coisa que eu ouvi essa noite. "Eles chama o seu pai de o, hm, 'exterminador'?" Eu estou tendo dificuldade de imaginar o pai da Mary utilizando com destreza um arco e flecha do jeito que ela utiliza. "Não," ela diz, o sorriso desaparecendo. "Minha mãe. Pelo menos...ela costumava ser. Não só vampiros, tampouco, mas entidades malignas de todo o tipo - demônios, lobisomens, poltergeists, fantasmas, bruxos maus, gênios, sátiros, loki, shedus, vetelas, titãs, leprechauns -" "Leprechauns?" eu reverbero em descrença. Mas a Mary simplismente dá de ombros. "Se era maligno, mamãe matava. Ela simplesmente tinha um dom para isso...Um dom," Mary adiciona suavemente, "Que eu realmente espero ter herdado." Eu só fico sentado lá por um minuto. Eu tenho que admitir que estou um pouco impressionado por tudo que aconteceu nas últimas duas horas. Arcos e flechas e vampiros e exterminadores? E o que na terra é uma vetela? Eu nem tenho certeza se quero saber. Não. Espera. Eu sei que eu não quero saber. Tem um barulho de zumbido dentro da minha cabeça que não para. O estranho é que, eu meio que gosto dele. "Então," Mary diz, levantando seu olhar para encontrar o meu. "Você acredita em mim agora?" "Eu acredito em você," Eu digo. O que eu não posso acreditar, na verdade, é que eu acredito. Acredito nela, quero dizer. "Bom," ela diz. "Provavelmente seria melhor se você não contasse pra ninguém. Agora, se você não se importa, eu preciso começar a preparar as coisas -" "Ótimo. Me diga o que você precisa que eu faça."

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O rosto dela tornou-se obscuro com problemas. "Adam," ela diz. E há algo no jeito com que os lábios dela formam o meu nome que fazem eu me sentir um pouco louco...como se eu quisesse jogar meus braços ao redor dela e correr ao redor do quarto ao mesmo tempo. "Eu agradeço a oferta. Eu realmente agradeço. Mas é muito perigoso. Se eu matar Drake -" "Quando você matar ele," eu a corrijo. "- há chances de que o pai dele apareça," ela continua, "buscando vingança. Talvez não hoje à noite. E talvez não amanhã. Mas logo. E quando ele aparecer...não vai ser bonito. Vai ser horrível. Um pesadelo. Vai ser -" "Apocalíptico," eu termino para ela, um leve calafrio descendo a minha espinha dorsal quando eu falo a palavra. "Sim. Sim, exatamente." "Não se preocupe," eu digo, ignorando o tremor. "Eu estou pronto pra isso." "Adam." Ela balança a cabeça. "Você não entende. Eu não posso - bem, eu não posso garantir que eu vou ser capaz de te proteger. E eu certamente não posso deixar você arriscar sua vida desse jeito. É diferente pra mim, por causa - bem, por causa da minha mãe. Mas você -" Eu a parei. "Só me diga que horas eu vou te pegar." Ela me encara. "O quê?" "Desculpa," eu digo. "Mas você não vai ao baile sozinha. Fim de história." E eu devo ter parecido muito assustador ou algo quando eu disse isso, porque mesmo ela tendo aberto sua boca para discutir, ela a fecha novamente quando olha pro meu rosto, e só diz, "Hm. Está bem." Ainda assim, ela tem que acrescentar, "É o seu funeral," só pra ter a palavra final. O que não tem problema pra mim. Ela pode ter a palavra final. Porque agora eu sei que a encontrei: minha futura parceira na luta inevitável para sobreviver na América pós-apocalíptica. Mary

A música está batendo no ritmo do meu batimento cardíaco. Eu posso sentir o baixo no meu peito - badoom, badoom. É difícil ver através da sala de corpos serpenteando, especialmente com o show de luzes piscando no teto do salão do baile. Mas eu sei que ele está aqui. Eu posso senti-lo. E então eu o vejo, se movendo pela pista de dança na minha direção. Ele está segurando dois copos de um líquido vermelho-sangue, um em cada mão. Quando ele chega perto o bastante, ele me passa um dos copos, então diz, "Não se preocupe, não tem bebida alcóolica. Eu verifiquei." Eu não respondo. Eu só beberico o ponche, grata pelo líquido - mesmo que seja um pouco doce demais - porque a minha garganta está muito seca. O negócio é, eu sei que estou cometendo um erro. Deixando o Adam fazer isso, quero dizer. Mas...há algo nele. Eu não sei o que é. Algo que o separa de todos os outros atletas idiotas da escola. Talvez seja o jeito que ele me salvou lá no clube quando eu perdi os nervos, ele atirando no Sebastian Drake - prole do próprio demônio - com uma pistola d'água com ketchup.

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Ou talvez seja o jeito como ele foi tão legal com o meu pai, não fazendo nenhuma piada sobre ele ser como o Doc dos filmes De Volta Para o Futuro e até chamando ele de senhor. Ou o jeito como ele pegou a foto da minha mãe daquela maneira e pareceu tão impressionado quando eu contei à ele a verdade sobre ela. Ou talvez fosse o visual dele quando ele apareceu quinze para às oito essa noite, tão impossivelmente bonito em seu smoking - e até segurando um ramo de flores de rosas vermelhas pra mim... apesar de que a menos de vinte e quatro horas atrás ele nem mesmo sabia que ia ao baile (que bom que os ingressos estavam disponíveis para venda na porta). Oh bem. Papai estava extático, por uma vez agindo como um pai normal, tirando fotos - "Pra sua mãe ver, quando ela melhorar," ele ficava dizendo - e tentando deslizar notas de vinte doláres para as mãos do Adam, dizendo para ele "pagar um sorvete para a Mary depois do baile." O que francamente me fez decidir que eu gosta mais do meu pai quando ele nunca sai do laboratório. Ainda assim. Eu sabia que estava cometendo um erro ao não mandar o Adam embora de imediato. Esse não era um trabalho para amadores. Isso era...isso era... ...lindo. Quer dizer, é assim que o salão de baile está. Eu quase ofeguei quando eu entrei nele nos braços do Adam. (Ele insistiu. Para que nós nos parecessemos com um "casal normal" se Drake já estivesse lá assistindo.) O comitê de baile da escola secundária Saint Eligius tinha mesmo se superado esse ano. Conseguir o magnífico salão de baile do quarto andar do Waldorf-Astoria era um feito por si só, mas transforma-lo em tal país das maravilhas cintilante e romântico? Miraculoso. Eu só espero que todas essas rosetas e fitas sejam à prova de fogo. Eu odiaria ve-las nas chamas que estão destinadas a aparecer quando o cadáver de Drake começar a se auto-incendiar depois de eu te-lo apunhalado no peito. "Então," Adam diz, enquanto nós ficamos na margem da pista de dança, bebericando nossos ponches em um silêncio que tem - pra ser honesta - ficado um pouco desconfortável. "Como esse negócio vai funcionar, de qualquer modo? Eu não estou vendo o seu arco e flecha em lugar nenhum." "Eu vou usar uma estaca," eu digo, mostrando pra ele a minha perna através da fenda de lado do meu vestido. Eu tinha amarrado uma peça de cinzas esculpida a mão ali, usando o velho colbre de coxa da mamãe. "Para deixar isso doce e simples." "Oh," Adam diz, depois de se engasgar um pouco com seu ponche. "Está bem." Eu percebo que ele não desviou o olhar da minha coxa interna. Eu afobadamente abaixo a minha saia. E me ocorre - pela primeira vez - que o Adam pode estar nessa por outras razões do que querer libertar a namorada de seu melhor amigo do feitiço de um demônio chupador de sangue. Exceto...uma coisa dessas pode ser possível? Quer dizer, ele é o Adam Blum. E eu sou só a nova garota. Ele gosta de mim, claro, mas ele não gosta de mim. Ele não pode. Eu provavelmente só tenho dez minutos restantes de vida. A não ser que algo radicalmente mude o que eu tenho certeza que vai acontecer. Corando, eu mantive meu olhar nos casais que giravam na nossa frente. A sra. Gregory de História dos Estados Unidos é uma das acompanhantes. Ela está dando um volta,

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tentando impedir as garotas de se esfregarem em seus pares. Ela podia tentar também impedir a Lua de se levantar. "Provavelmente seria melhor se você mantivesse a Lila ocupada," eu digo, esperando que ele não note que as minhas bochechas estão tão escarlates quanto o meu vestido agora, "enquanto eu estou usando a estaca. Nós não queremos que ela se jogue no caminho só para tentar salva-lo." "Foi por isso que eu arrastei o Ted aqui," Adam diz, indicando com a cabeça na direção do Teddy Hancock, que está sentado curvado em uma mesa próxima, olhando para a pista de dança de uma maneira entediada. Como o resto de nós, ele só está esperando Lila - e o seu par - chegar. "Ainda assim," eu digo. "Eu não quero você em lugar nenhum perto de mim quando... você sabe." "Eu escutei nas nove milhões de vezes que você me falou," Adam resmunga. "Eu sei que você pode tomar conta de si mesma, Mary. Você deixou isso abundantamente claro." Eu não posso evitar de recuar um pouco. Ele não está se divertindo. Eu posso dizer isso. Bem, e daí? Eu não chamei ele aqui! Ele se convidou! Isso não é um encontro, de qualquer jeito! É uma matança! Ele sabia disso desde o começo. É ele que está mudando as regras, não eu. Quer dizer, a quem eu estou querendo enganar? Eu não posso namorar. Eu tenho um legado a cumprir. Eu sou a filha do exterminador. Eu tenho que "Quer dançar?" Adam me assusta perguntando. "Oh," eu digo, com alguma surpresa. "Eu adoraria. Mas eu realmente deveria -" "Ótimo," ele diz e me leva em seus braços, me dirigindo para a pista de dança. Eu estou surpresa demais para fazer qualquer coisa para pará-lo, sério. Bem está bem, com o choque inicial desaparecendo, eu me encontro não querendo pará-lo. Eu estou surpresa demais para perceber que...bem, eu gosto dessa sensação, de estar nos braços do Adam. É uma sensação boa. É uma sensação de segurança. É uma sensação calorosa. Eu me sinto...bem, quase como se eu fosse uma garota normal, pra variar. Não a garota nova. Não a filha do exterminador. Só...eu. Mary. É uma sensação com a qual consigo me acostumar. "Mary," Adam diz. Ele é tão mais alto do que eu que o hálito dele faz cócegas nos rebentos que caíram do meu penteado**. Eu não me importo, de qualquer forma, porque o hálito dele é bom. ** http://www.wwbeautystore.com/images/ad_hair_updo.jpg

Eu olho pra cima para ele sonhadoramente. Eu não posso acreditar que eu nunca notei - realmente notei - o quanto ele é bonito antes de agora. Bem, noite passada, na verdade. Ou talvez eu notei, mas nunca realmente registrei, porque o que um cara como ele poderia ver em uma garota como eu? Em um milhão de anos, eu nunca pensei que eu acabaria no baile com o Adam Blum... E está bem, claro, ele só me chamou porque obviamente sente pena de mim, por causa da minha mãe ser uma vampira e tudo. Mas ainda. "Hmmm?" Eu digo, sorrindo pra cima para ele. "Uh." Adam parece desconfortável, por alguma razão. "E eu estava pensando se - você sabe, quando tudo isso estiver acabado, e você tiver feito poeira do Drake, e Lila e Ted voltarem - você gostaria de, hm..."

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Oh Deus. O que está acontecendo? Ele vai...ele vai me convidar pra sair? Tipo em um encontro de verdade? Um que não inclua objetos afiados e pontudos? Não. Isso não vai acontecer. Isso é um sonho ou algo do tipo. Em um minuto, eu vou acordar, e tudo isso vai desaparecer. Porque como um coisa dessas poderia ser possível? Eu não posso respirar, eu tenho certeza de que vou quebrar o que seja que nos enfeitiçou se eu respirar... "Sim, Adam?" eu pergunto. "Bem." Ele parece não conseguir fazer contato visual. "Só se você gostaria de, você sabe, talvez sair -" "Com licença." A voz profunda que então interrompe Adam é muito familiar. "Mas pode me conceder essa dança?" Eu fecho meus olhos em frustração. Eu não posso acreditar nisso. Eu nunca vou conseguir que um cara que eu realmente goste me convide pra sair nesse ritmo. Nunca. Nunca. Nunca. Eu vou continuar uma aberração - o produto de duas aberrações semelhantes - pelo resto da minha vida. Por que um cara como Adam Blum iria querer sair comigo em primeiro lugar? A filha de uma vampira e de um cientista louco? Vamos encarar. Não vai acontecer. E eu já estava cansada. Eu estava por aqui com isso. "Escuta, você," eu digo, girando para encontrar Sebastian Drake, cujos olhos azuis se arregalaram um pouco com o ardor nos meus. "Como você ousa se infiltrar aqui..." Mas então minha voz diminui. Porque de repente tudo que eu posso ver são aqueles olhos... ...aqueles olhos azuis hipnotizantes, que de repente me fazem sentir como se eu pudesse mergulhar neles, deixando o calor deles me lavar com doces, suaves ondas... É verdade que ele não é nenhum Adam Blum. Mas ele está olhando pra mim de um jeito que deixa claro que ele sabe disso, e que ele sente muito por isso, e que ele vai fazer tudo o que puder pra me compensar por isso...mais do que me compensar por isso, até mesmo... E a próxima coisa que eu sei, Sebastian Drake está me levando em seus braços gentilmente, tão gentilmente - e me conduzindo da pista de dança para um par de portas francesas*** através das quais eu posso ver um jardim escurecido pela noite, banhado pelas luzes cintilantes das fadas e pelo luar...exatamente o tipo de lugar que você esperaria ser conduzida por um descendente de cabelos dourados de um conde da Transilvânia. "Eu estou tão feliz que nós finalmente tivemos a chance de nos conhecer," Sebastian está dizendo pra mim em uma voz que me acariciava como uma pena - um toque suave. Tudo e todos que nós deixamos para trás - os outros casais; Adam; uma Lila surpresa, nos encarando com ciúmes; Ted, encarando com ciúmes ela; até mesmo as fitas e rosetas - parecem derreter como se tudo o que existisse no mundo fosse eu, o jardim em que eu me encontro, e Sebastian Drake. Que está levantando a mão para afastar alguns rebentos soltos do meu rosto. Em um turvo e íntimo recesso da minha mente, eu me lembro que eu deveria ter medo dele...odiá-lo, até. Só que eu não consigo pensar por que. Como é possível odiar alguém tão bonito e doce e gentil quanto ele? Ele quer que eu me sinta melhor. Ele quer me ajudar. "Você ve?" Sebastian Drake está dizendo, enquanto ele levanta uma das minhas mãos e a pressiona, suavemente, contra seus lábios. "Eu não sou tão assustador, sou? Eu sou

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que nem você, na verdade. Só o filho de - vamos encarar - uma pessoa muito formidável, que está tentando descobrir seu próprio lugar no mundo. Nós temos os nossos fardos, não temos, você e eu, Mary? Sua mãe diz olá, a propósito." "M-minha mãe?" Meu cérebro parece estar tão cheio de neblina quando esse jardim no qual estamos. Porque enquanto eu posso imaginar o rosto da minha mãe, eu não consigo lembrar como Sebastian Drake poderia conhece-la. "Sim," Sebastian diz, seus lábios agora movendo-se da minha mão para a direção da curva do meu cotovelo. A boca dele parecia fogo líquido contra minha pele. "Ela sente sua falta, sabe. Ela não entende por que você não se junta a ela. Ela está tão feliz agora...ela não conhece a dor das doenças...ou a indignidade do envelhecimento...ou o desgosto da solidão." Seus lábios estão no meu ombro nu agora. Eu estou tendo problemas em respirar. Mas de um jeito bom. "Ela está cercada por beleza e amor...bem como você poderia estar, Mary." Os lábios deles estavam na minha garganta. O hálito dele, tão quente, parece ter feito a minha espinha dorsal ficar mole. Mas está tudo bem, porque um de seus braços fortes está ao redor da minha cintura, e ele está me segurando de pé, mesmo que o meu corpo, como de sua própria escolha, esteja se arqueando para trás, permitindo à ele uma desobstruída visão da minha garganta exposta. "Mary," ele sussurra contra o meu pescoço. E eu me sinto tão em paz, tão serena - algo que eu não havia sentido em anos, não desde que a mamãe se foi - que minhas pálpebras se fecham... E a próxima coisa que eu sei, algo frio e quente atinge o meu pescoço. "Ow," eu disse, abrindo os meus olhos e batendo uma mão ali...então afastando-a para encontrar meus dedos escorregadios com algum tipo de umidade transparente. "Me desculpa," Adam chama de alguns metros onde ele está parado, seus braços esticados na sua frente, a boca da sua pistola d'água Beretta 9mm mirada diretamente em mim. "Eu errei." Um segundo mais tarde, eu estou arfando por ar a medida que uma fumaça ácida e queimante me atinge no rosto. Tossindo, eu cambaleio para longe do homem que, apenas segundos antes, esteve me segurando tão ternamente, mas está agora agarrando com força seu ardente peito. "O qu-" Sebastian Drake arfa, golpeando as chamas que saltam do peito dele. "O que é isso?" "Só um pouco de água benta, cara," Adam diz, enquanto continua bombeando no peito do Drake. "Não deveria te incomodar. A não ser, é claro, que você seja um membro dos mortos-vivos. O que, infelizmente para você, parece que você é." E um segundo mais tarde, eu retornei aos meus sentidos e estou alcançando por debaixo da minha saia a minha estaca. "Sebastian Drake," eu sibilo, enquanto ele afunda aos seus joelhos na minha frente, uivando em dor. E raiva. "Isso é pela minha mãe." E eu enterrei profundamente a peça de cinzas esculpida a mão no lugar aonde o coração dele deveria estar. Se ele tivesse um. "Ted," Lila diz, em uma voz doce, enquanto seu namorado deita no banco com contornos de plástico com a cabeça dele no colo dela. "Sim," Ted pergunta, olhando para cima para ela adoravelmente.

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"Não," Lila diz. "É isso que eu vou tatuar da próxima vez que estiver em Cancún. Abaixo da cintura e acima do traseiro. A palavra Ted. Então daqui em diante, todos saberão que eu pertenço a você." "Oh, querida," Ted diz. E puxa a cabeça dela para baixo para que ele possa enfiar a língua dele na boca dela. "Oh meu Deus," eu digo, desviando o olhar. "Eu sei." Adam retornou depois de jogar uma bola de boliche de cinco-quilos-quebrilha-no-escuro na pista. "Eu quase gostava mais dela quando ela estava enfeitiçada pelo Drake. Mas eu acho que funciona melhor desse jeito. Ted irá machucar muito menos que o Sebastian. Isso foi um strike, a propósito. No caso de você ter perdido." Ele escorrega do meu lado no banco e olha para baixo para o placar no brilho da lâmpada acima da minha cabeça. "Bem, quem diria? Eu estou vencendo." "Não seja arrogante," eu digo. Apesar que eu tenho que admitir, ele tem muito do que se gabar. Não só ganhar na Noite do Strike do boliche, tampouco. "Só me diga," eu digo enquanto ele alcança e finalmente tira sua gravata borboleta. Mesmo na estranha luz disco da Bowlmor Lanes - a pista de boliche para onde escapamos para as nossas atividades pós-baile, uma mera corrida de táxi de nove doláres do Waldorf - Adam ainda está obcenamente bonito. "Aonde você conseguiu a água benta?" "Você deu um monte dela pro Ted," Adam diz, olhando para baixo para mim com alguma surpresa. "Lembra-se?" "Mas como você bolou a idéia de coloca-la na pistola d'água?" eu exijo. Eu ainda estou me curando das atividades de mais cedo dessa noite. Boliche à meia noite é divertido e tudo. Mas nada pode realmente se comparar a matar um vampiro de duzentos anos no baile. Que pena que ele desapareceu aos poucos até virar cinzas no jardim, aonde ninguém exceto Adam e eu podíamos ver. Nós teríamos sido escolhidos rei e rainha do baile com certeza, ao invés da Lila e do Ted, que ainda estão usando suas coroas...apesar delas terão se inclinado de maneira um pouco anárquica, devido a toda a beijação. "Eu não sei, Mare," Adam diz, preenchendo sua própria pontuação. "Só pareceu uma boa idéia na hora." Mare. Ninguém nunca me chamou de Mare antes. "Mas como você sabia?" eu pergunto. "Quer dizer, que Drake tinha - bem, que seja? Quer dizer, como você sabia que eu não estava fingindo? Ninando ele em uma falsa sensação de segurança?" "Você quer dizer apesar do fato de ele estar prestes a morder o seu pescoço?" Adam levanta uma única sobrancelha marrom. "E que você não estava fazendo uma maldita coisa pra pará-lo? É, eu tinha uma bela idéia do que estava acontecendo." "Eu teria me desencantado," eu o assegurei, com uma confiança que eu certamente não sentia. "assim que eu tivesse sentido os dentes dele." "Não," Adam diz. Agora ele está rindo para mim, o rosto dele iluminado pela luz da única lâmpada da mesa de pontuação. O resto da pista de boliche está no escuro, exceto pelas bolas e pinos, que brilham com uma estranha fluorescência. "Você não teria. Admita, Mary. Você precisava de mim lá." O rosto dele está tão perto do meu - mais perto do que Sebastian Drake já chegou. Só que ao invés de sentir que eu poderia mergulhar no olhar dele, eu sinto como se fosse derreter na presença dele. Meu batimento cardíaco cambaleia.

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"É," eu digo, incapaz de impedir que meu olhar seja levado pela correnteza na direção dos lábios dele. "Eu acho que meio que precisava." "Nós formamos uma boa equipe," Adam diz. Seu próprio olhar, eu não posso evitar reparar, não está vagando muito longe da minha boca, tampouco. "Você não diria? Quer dizer, especialmente na luz do esperado evento apocalíptico? Quando o pai do Drake finalmente descobrir o que fizemos hoje à noite?" Eu não posso evitar de arfar um pouco por isso. "É mesmo," eu grito. "Oh, Adam! Ele não vai vir só atrás de mim. Ele vai ir atrás de você, também!" "Sabe," Adam diz. E agora seu olhar foi levado pela correnteza da minha boca, e para baixo. "Eu realmente gosto desse vestido. Fica ótimo com os sapatos de boliche." "Adam," eu digo. "Isso é sério! Drácula pode estar se preparando para atacar Manhattan a qualquer momento, e nós estamos perdendo tempo jogando boliche! Nós precisamos começar a nos preparar! Nós precisamos preparar um contra-ataque. Nós precisamos -" "Mary," Adam diz. "Drácula pode esperar." "Mas -" "Mary," Adam diz. "Cala a boca." E eu calo. Porque eu estou ocupada demais beijando ele para fazer qualquer outra coisa. Além do mais, ele está certo. Drácula pode esperar.

FIM

O Ramo de Flores Lauren Myracle

Lá fora, o vento chicoteava ao redor da casa de Madame Zanzibar, fazendo com que um cano solto batesse no trilho lateral. O céu estava escuro, apesar de serem só quatro horas. Mas dentro da sala de espera escandalosamente decorada, três lâmpadas de mesa brilhavam claramente, cada uma guarnecida com uma manta tom de pedra preciosa. Uma tonalidade de rubi iluminou o rosto redondo de Yun Sun, enquanto tonalidades roxa azuladas davam a Will a aparência de alguém recém morto. "Você parece que acabou de levantar do túmulo," eu disse a ele. "Frankie," Yun Sun censurou. Ela sacudiu a cabeça em direção ao escritório fechado de Madame Z, preocupada, eu creio, que ela pudesse ouvir e se ofender. Um macaco vermelho de plástico estava pendurado na maçaneta da porta, indicando que Madame Z estava com um cliente. Nós éramos os próximos. Will fez seus olhos tornarem-se vazios. "Eu sou um alien", ele lamentou. Ele esticou seus braços na nossa direção. "Por favor me dêem seus corações e fígados." "Ah não! O alien se apodereu de nosso amado Will!" eu me agarrei com força no braço de Yun Sun. "Rápido, dê seu coração e fígado a ele, para que ele deixe os meus em

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paz!" Yun Sun se desvencilhou. "Não estou me divertindo," ela disse em um tom monótono e ameaçador. "E se você não for legal comigo, eu irei embora." "Para de ser tão covarde," eu disse. "Eu vou levar as minhas coxas enormes e vou marchar pra fora daqui. Veja só." Yun Sun estava numa onda minhas-pernas-são-muito-gordas, só porque seu vestido de baile super colante precisava ser afrouxado um pouquinho. Pelo menos ela tinha um vestido de baile. E a certeza de que ia usa-lo. "Bleh," eu disse. A irritação dela estava pondo em perigo o nosso plano, que era a razão pela qual estávamos ali. A noite do baile está ficando perigosamente perto, e eu não ia ser a triste carapaça de uma garota que ficava em casa sozinha enquanto todos os outros enlouqueciam com glitter em pó e dançavam ironicamente em saltos de 7,5 cm espetaculares. Eu me recusava, especialmente já que sabia em meu coração que Will queria me convidar. Ele só precisava de um pouco de encorajamento. Eu baixei a minha voz, ao mesmo tempo sorrindo para Will tipo la la la, papo de menina, nada importante! "Foi idéia de nós duas fazermos isso, Yun Sun. Lembra?" "Não, Frankie, a idéia foi sua," ela disse. E ela não baixou a voz. "Eu já tenho um par, mesmo que ele vá ser esmagado até a morte pelas minhas coxas. É você que está esperando por um milagre de última hora." "Yun Sun!" eu olhei para Will, que ficou vermelho. Má Yun Sun, falando tão abertamente assim. Má, má, menina desobediente! "Ai!" ela uivou. Porque eu tinha batido com força nela. "Eu estou muito brava com você," eu disse. "Pare com essa vergonha. Você quer que ele te convide, não quer?" "Ai!" "Ah, meninas?" Will disse. Ele estava fazendo aquela coisa adorável que ele faz quando está nervoso, com seu pomo de Adão balançando pra cima e pra baixo. Apesar de, huh. Essa era uma imagem meio repulsiva. Isso me fez pensar em apanhar as maças que boiam na água com a boca**, que era apenas um passo antes de apanhar o pomo de Adão. ** http://www.mtpleasanttwpvfc.org/imgs/bobbing200.jpg

Mas. Will de fato possuía um pomo de Adão, e quando ele se movia para cima e para baixo em sua garganta, era realmente adorável. Isso fazia ele parecer tão vulnerável. "Ela me bateu," Yun Sun fofocou. "Ela mereceu," eu contra-ataquei. Mas eu não queria que aquilo prosseguisse, essa conversa que já era reveladora o bastante. Então eu dei um tapinha na perna totalmente não gorda de Yun Sun e disse, "Todavia, eu te perdôo. Agora cala a boca." O que Yun Sun não conseguiu entender - ou mais provavelmente, o que ela entendeu e ainda assim não compreendeu - era que nem todas as coisas precisam ser ditas em voz alta. Sim, eu queria que Will me convidasse pro baile, e eu queria que ele fizesse isso logo, porque "Primavera É Para Apaixonados" estava há apenas duas semanas de distância. E tudo bem, o nome do baile era bobo, mas a primavera era para apaixonados. Era uma verdade indiscutível. Exatamente como era uma verdade indiscutível que Will era o meu garoto eterno, se ao menos ele pudesse superar sua eterna timidez e agir. Chega de batidas amigáveis no ombro e guerras de cócegas com risinhos e roncos. Chega de agarrar um ao outro e gritar, culpando as cópias de Vampiros de Alma ou

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They Come From The Hills da Netflix. Will não conseguia ver que eu era claramente dele? Ele quase tinha me convidado semana passada, eu tinha noventa-e-nove-ponto-cinco porcento de certeza. Nós estávamos assistindo Uma Linda Mulher, um romance exagerado que nunca deixava de me divertir. Yun Sun tinha ido à cozinha para procurar lanchinhos, deixando nós dois sozinhos. "Hum, Frankie?" Will tinha dito. O pé dele bat-bat-bateu contra o chão, e seus dedos flexionaram na calça jeans. "Posso te perguntar uma coisa?" Qualquer tolo saberia o que estava prestes a acontecer, porque se ele só quisesse que eu aumentasse o volume, ele simplesmente teria dito, "Ei, Franks, aumenta o volume." Casualmente. Direto. Sem precisar de qualquer comentário preparatório. Mas já que tinha um comentário preparatório... Bem, o que mais ele poderia querer me perguntar fora "Você vai no baile?" Prazer eterno estava bem ali, há apenas alguns segundos. E então eu estraguei.O nervosismo palpável dele despertou um espasmo em mim, e ao invés de deixar o momento rolar, eu levianamente mudei de assunto. PORQUE EU ERA UMA ESQUISITA. "Veja só, é assim que deve ser feito!" eu disse, apontando para a tv. Richard Gere estava galopando no seu cavalo branco, que na verdade era uma limusine, para o castelo de Julia Roberts, que era na verdade uma porcaria de apartamento de terceiro andar. Enquanto nós assistíamos, Richard Gere saiu pelo teto solar e subiu pela escada de incêndio, tudo para ganhar o afeto de sua amada. "Nada dessa conversa fiada sentimental 'Eu acho você bonitinha'," eu continuei. Eu estava dizendo tolices, e eu sabia disso. "Nós estamos falando de tomar uma atitude, querido. Nós estamos falando de grandes gestos de amor." Will engoliu em seco. E disse, "Oh." E pestanejou para o Richard Gere como um ursinho de pelúcia assustado, pensando, eu tenho certeza, que ele nunca, nunca poderia se comparar a ele. Eu encarei a tv, sabendo que tinha sabotado a minha noite de baile com a minha própria estupidez. Eu não ligava para "grandes gestos de amor"; Eu só ligava pro Will. Mas, brilhantemente, eu tinha assustado ele. Porque na verdade mesmo, eu era uma covarde maior do que ele. Mas não mais - que era porque nós estávamos ali na Madame Zanzibar. Ela nos contaria o nosso futuro, e a não ser que ela fosse uma completa golpista, ela iria declarar o óbvio como uma observadora imparcial: Will e eu fomos feito um para o outro. Ouvir isso ser dito tão francamente iria dar a Will a coragem de tentar novamente. Ele iria me convidar para o baile, e dessa vez eu o deixaria, mesmo que isso me matasse. O macaco de plástico se contorceu na maçaneta. "Olha, está se movendo," eu sussurrei. "Oooo," Will disse. Um homem negro com cabelo branco-neve arrastou-se do escritório. Ele não tinha dentes, o que fazia com que a metade inferior de seu rosto parecesse enrugada, como uma ameixa. "Crianças," ele disse, inclinando seu chapéu. Will se levantou e abriu a porta da frente, porque esse é o tipo de cara que ele era. Uma rajada de vento quase derrubou o velho, e Will o segurou.

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"Opa," Will disse. "Obrigado, meu filho," o velho respondeu. Suas palavras saíram moles como mingau, por causa dele não possuir dentes. "Suponho que seja melhor eu fugir antes que a tempestade chegue." "Eu acho que ela já está aqui," Will disse. Depois da entrada de automóveis, três galhos se moveram e rangeram. "Esse pequenino vento velho?" o velho disse. "Oh, agora, ele é só um bebê acordando e querendo se alimentar. Vai ficar pior antes que a noite acabe, guarde as minhas palavras." Ele espreitou para nós. "De fato, vocês crianças não deveriam estar em casa, sãs e salvas?" Era difícil se ofender quando um veterano sem dentes te chamava de "criança". Mas fala sério, era a segunda vez em vinte segundos. "Nós estamos no segundo grau," eu disse. "Nós podemos cuidar de nos mesmos." A risada dele me fez pensar em folhas mortas. "Está certo, então," ele disse. "Tenho certeza que vocês sabem o que é melhor." Ele deu um pequeno passo na entrada, e Will deu um meio aceno e fechou a porta. "Tolo maluco," veio de uma voz atrás da gente. Nós viramos e vimos Madame Zanzibar na entrada do escritório. Ela usava calça de moletom rosa choque da Juicy Couture com uma blusa rosa choque combinando, o zíper aberto até a clavícula. Os seios dela eram redondos e firmes e espantosamente joviais, dado o fato que ela não parecia estar usando um sutiã. O batom dela era laranja brilhante, para combinar com as unhas, como era o final do cigarro que ela segurava entre dois dedos. "Então, vocês vão entrar ou vão ficar aí fora?" ela perguntou para nós três. "Desvendar os mistérios da vida ou deixa-los em paz?" Eu me levantei da minha cadeira e puxei Yun Sun comigo. Will nos seguiu. Madame Z nos conduziu até o escritório dela, e nós três nos amassamos em uma poltrona estofada demais. Will percebeu que isso nunca iria funcionar e se abaixou para o chão. Eu balancei para fazer Yun Sun me dar mais espaço. "Está vendo? Elas são salsichas," ela disse, se referindo à suas coxas. "Mexa-se," eu ordenei. "Agora," Madame Z disse, cruzando na nossa frente e se sentando atrás de uma mesa. Ela deu uma baforada em seu cigarro. "Qual é o negócio de vocês?" Eu mordi meu lábio. Como eu iria frasear isso? "Bem, você é uma vidente, certo?" Madame Z exalou uma nuvem de fumaça. "Nossa, Sherlock, o anúncio nas Páginas Amarelas te avisou?" Eu corei, enquanto que ao mesmo tempo me enfurecia. Minha pergunta tinha sido uma abertura para a conversa. Ela tinha um problema com aberturas de conversa? De qualquer jeito, se ela fosse mesmo uma vidente, ela já não deveria saber porque eu estava ali? "Ah...está bem. Claro, que seja. Então eu acho que estava me perguntando..." "É? Desembucha." Eu reuni minha coragem. "Bem...eu estava me perguntando se uma certa pessoa especial ia me fazer uma pergunta especial." Propositalmente eu não olhei para Will, mas eu escutei seu ímpeto de surpresa. Ele não previa isso. Madame Z pressionou dois dedos em sua testa e deixou seus olhos ficarem vagos. "Ahã," ela disse. "Hmm, hmm. O que eu estou conseguindo aqui é confuso. Há paixão, sim"-

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Yun Sun deu risinhos; Will engoliu audivelmente-"mas tem algo...como eu digo? Fatores complicantes." Nossa, obrigada, Madame Z, eu pensei. Poderíamos cavar um pouco mais fundo aqui? Me dar algo com que eu pudesse trabalhar? "Mas ele-quero dizer, a pessoa-vai agir motivada por sua paixão?" Eu era insolente, apesar do nó no estômago. "Agir ou não agir...essa é a questão?" Madame Z disse. "Sim, essa é a questão." "Ahhh. Essa é sempre a questão. E o que alguém deve sempre perguntar a si mesmo-" Ela parou. Seus olhos voaram para Will, e ela empalideceu. "O quê?" eu exigi. "Nada," ela disse. "Algo," eu disse. A performance mensagem-dos-espíritos dela não estava me enganando. Ela queria que a gente pensasse que ela tinha sido possuída de repente? Que ela tinha tido uma completa e poderosa visão? Ótimo! Só chegue na maldita resposta. Madame Z fez um show em que se recuperava, terminando com um longo e sacolejante trago no cigarro. Olhando com um olhar morto para mim, ela disse, "Se uma árvore cair na floresta, e não tiver ninguém lá para ouvir, ainda assim ela faz barulho?" "Hã?" eu disse. "É isso que eu tenho. É pegar ou largar." Ela parecia agitada, então eu peguei. Apesar de ter feito uma cara de louca para Yun Sun quando Madame Z não estava olhando. Will alegou que não tinha uma pergunta específica, mas Madame Z estava estranhamente insistente em transmitir uma mensagem para ele de qualquer maneira. Ela agitou as mãos sobre a aura dele e o alertou com severidade sobre alturas, o que era curiosamente apropriada já que Will era um ávido escalador de montanhas.O que foi mais curioso foi a reação de Will. Primeiro as sobrancelhas dele subiram, e então uma emoção diferente tomou conta, como algum prazer antecipado secreto. Ele olhou para mim e corou. "O que está acontecendo?" eu perguntei. "Você está com uma cara sorrateira." "Perdão?" ele disse. "O que você não está nos contando, Will Goodman?" "Nada, eu juro!" "Não seja estúpido, garoto!" Madame Z bateu na mesma tecla. "Escute o que eu estou dizendo." "Oh, você não precisa se preocupar com ele," eu disse. "Ele é o Sr. Segurança por completo." Eu me virei para o Will. "De verdade. Você tem um novo ponto de escalada fabuloso? Uma carabiner brilhante nova em folha?" "É a vez da Yun Sun," Will disse. "Vai, Yun Sun." "Você pode ler mãos?" Yun Sun perguntou para Madame Z. Madame Z exalou, e ela estava muito pouco empenhada enquanto traçava seus dedos pela almofada rechonchuda debaixo do dedão de Yun Sun. "Você será tão bonita o quanto se permitir ser," ela disse à ela. Era isso. Essas eram as pérolas de sabedoria dela. Yun Sun parecia tão desapontada quanto eu estava, e eu senti vontade de protestar em nosso favor. Quero dizer, sério! Uma árvore na floresta? Tome cuidado com

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alturas? Você será tão bonita o quanto se permitir ser? Mesmo com seus toques atmoféricos horripilantes um tanto quanto convincentes, nós três estávamos sendo enganados. Eu particularmente. Mas antes que eu pudesse dizer alguma coisa, um celular na mesa tocou. Madame Z o pegou e usou uma longa unha laranja para apertar o botão de falar. "Madame Zanzibar, à seu dispor," ela disse. A expressão dela mudou enquanto ela escutava quem quer que estivesse do outro lado. Ela ficou veloz e irritada. "Não, Silas. Chama-se...sim, você pode dizer isso, candidíase. Candidíase." Yun Sun e eu trocamos um olhar de horror, apesar de-eu não podia evitar-eu também estar contente. Não por Madame Z ter candidíase. Quero dizer, eca. Mas por ela estar discutindo isso com Silas, quem quer que ele fosse, enquanto todos nós escutávamos. Agora nós estávamos fazendo o nosso dinheiro valer a pena. "Diga para o farmacêutico que é a segunda vez no mês," Madame Z queixou-se. "Eu preciso de algo mais forte. O quê? Pra coceira, seu idiota! A não ser que ele queira coçar pra mim!" Ela girou em sua cadeira rotatória, colocando uma perna da Juicy Couture em cima da outra. Will olhou para mim, seus olhos castanhos arregalados com temor. "Eu não irei coçar isso pra ela," ele encenou um sussurro. "Eu me recuso!" Eu ri, pensando que era um bom sinal que ele estivesse se exibindo pra mim. A experiência com Madame Z não tinha sido como fora planejada, mas quem sabia? Talvez acabasse tendo o efeito esperado apesar de tudo. Madame Z apontou para mim com o final da parte acesa de seu cigarro, e eu abaixei meu queixo com arrependimento, tipo Desculpa, desculpa. Para me distrair, eu me foquei na estranha e variada massa nas prateleiras dela. Um livro chamado Magia do Comum e outro entitulado O Que Fazer Quando Os Mortos Falam-Mas Você Não Quer Ouvir. Eu cutuquei Will com meu joelho e apontei. Ele fez uma mímica sufocando o pobre canalha falecido, e eu soltei um riso de deboche. Acima dos livros eu vi: um frasco de veneno de rato, um monóculo antiquado, um jarro com o que parecia ser cortadores de unhas, um copo manchado da Starbucks, um pé de coelho, com garras junto. E na prateleira acima dessa tinha...ah, que adorável. "Isso é um crânio?" eu perguntei à Will. Will assobiou. "Minha nossa." "Beleza," Yun Sun disse, desviando os olhos. "Se for realmente um crânio, eu não quer saber. Podemos ir agora?" Eu peguei a cabeça dela em minhas mãos e a apontei na direção correta. "Olha. Ainda tem cabelo!" Madame Z estalou seu celular ao fechar. "Tolos, cada um deles," ela disse. A palidez dela tinha sumido; aparentemente, falar com Silas tinha sumido com o medo dela. "Ahh! Vejo que você encontrou Fernando!" "É a quem o crânio pertence?" eu perguntei. "Fernando?" "Oh Deus," Yun Sun lamentou. "Arrastou-se para a superfície depois de uma inundação repentina e violenta, no Cemitério Chapel Hill," Madame Z nos contou. "O caixão dele, isso é. Uma porcaria feita de madeira, devia ser do começo do século dezenove. Não havia ninguém para cuidar dele, então eu fiquei com pena dele e o trouxe para cá." "Você abriu o caixão?" eu disse. "Sim." Ela parecia orgulhosa. Eu me perguntei se ela tinha usado sua roupa Juicy

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Couture durante o roubo da sepultura. "É nojento que isso ainda tenha cabelo," eu disse. "Ele ainda tenha cabelo," Madame Z disse. "Mostre um pouco de respeito." "Eu não sabia que cadáveres tinham cabelo, é só isso." "Pele, não," Madame Z disse. "A pele começa a apodrecer imediatamente, e acredite em mim, você não quer sentir o cheiro quando ela se vai. Mas o cabelo? As vezes ele continua crescendo por semanas depois do falecido ter ido para o outro lado." "Uau," eu me abaixei e alcancei os cachos cor de mel de Will. "Ouviu isso, Will? As vezes o cabelo continua crescendo." "Impressionante," ele disse. "E quanto àquilo?" Yun Sun perguntou, apontando para um recipiente transparente da Tuperware no qual algo avermelhado e semelhante à um orgão flutuava em um líquido transparente. "Por favor me diga que aquilo não veio do Fernando também. Por favor." Madame Z agitou suas mãos, tipo Não seja ridícula. "Esse é o meu útero. Fiz com que o médico me desse depois da minha histerectomia." "Seu útero?" Yun Sun parecia doente. "Eu iria deixar eles jogarem ele no incinerador?" Madame Z disse. "Sem chance!" "E isso?" eu apontei para uma moita de alguma coisa seca na prateleira mais alta. Esse mostrar-e-contar estava se provando muito mais divertido do que as leituras. Madame Z seguiu meu olhar. Ela abriu a boca, então a fechou. "Isso não é nada," ela disse firmemente, apesar de eu ter notado que ela estava tendo dificuldade em tirar seus olhos daquilo. "Agora. Encerramos por aqui?" "Vamos." eu juntei minhas mãos como numa oração. "Diga-nos o que é aquilo." "Você não quer saber," ela disse. "Eu quero," eu disse. "Eu não quero," Yun Sun disse. "Sim, ela quer," eu disse. "E Will também. Certo, Will?" "Não pode ser pior que o útero," ele disse. Madame Z pressionou seus lábios juntos. "Por favor?" eu implorei. Ela resmungou num sussurro algo sobre adolescentes idiotas e como ela se recusava a assumir a culpa, qualquer que viesse com isso. Então ela se levantou, tocando na prateleira do topo. Os seios dela não sacudiram, mas sim ficaram firmes e rígidos debaixo da blusa dela. Ela retirou a moita e a colocou na nossa frente. "Oh," eu ofeguei. "Um ramo de flores." Botões de rosa delicados, as pontas marrom e lembrando papel. Raminhos acizentados de gypsophilas, tão ressecados que baforadas de fibras empoeiravam a mesa. Uma fraca fita vermelha segurava tudo junto. "Uma camponesa na França colocou um feitiço nele," Madame Z disse em um tom que era difícil de decifrar. Era como se ela estivesse sendo forçada a falar as palavras, mesmo que ela não quisesse. Ou, não. Era mais como se ela quisesse mas estava lutando para resistir. "Ela queria mostrar que o amor verdadeiro é guiado pelo destino, e que qualquer um que tentar interferir o faz correndo riscos." Ela se moveu para devolver o ramo de flores. "Espera!" eu gritei. "Como isso funciona? O que ele faz?" "Eu não vou contar," ela disse teimosamente. "'Eu não vou contar'?" eu repeti. "Quantos anos você tem, quatro?"

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"Frankie!" Yun Sun disse. "Você é como todos os outros, não é?" Madame Z disse para mim. "Disposta a fazer de tudo por um namorado? Desesperada por um romance de parar o coração, não importando o preço?" Eu senti meu rosto queimar. Mas aqui estava, jogado na mesa. Namorados. Romance. A esperança vacilou no meu peito. "Conte logo a ela," Yun Sun disse, "ou nós nunca poderemos ir embora." "Não," Madame Z insistiu. "Ela não pode, porque ela inventou tudo," eu disse. Os olhos de Madame Z relampejaram. Eu tinha provocado ela, o que não era legal, mas algo me disse que o que quer que fosse, ela não o tinha inventado. E eu realmente queria saber. Ela colocou o ramo de flores no meio da mesa, aonde ele ficou fazendo absolutamente nada. "Três pessoas, três pedidos cada," Madame Z declarou. "Isso é magia." Yun Sun, Will, e eu olhamos um para o outro, e então explodimos em risadas. Era ridículo e ao mesmo tempo perfeito: a tempestade, o pirado, e agora o pronunciamento emitido de forma ameaçadora. E mesmo assim, o jeito com que Madame Z tinha nos encarado fez as nossas risadas dispararem. O jeito como ela encarava Will, especialmente. Ele tentou ressuscitar a hilaridade. "Então por que você não usa?" ele perguntou na maneira que um adolescente sendo prestativo e educado pergunta. "Eu usei," ela disse. O batom laranja dela era como uma mancha. "E...os seus três pedidos foram concedidos?" eu perguntei. "Até o último deles," ela disse categoricamente. Nenhum de nós sabia o que dizer daquilo. "Bem, mas alguém usou ele?" Yun Sun perguntou. "Uma outra mulher. Eu não sei quais foram os dois primeiros pedidos dela, mas o último foi o de morrer. Foi assim que o ramo de flores chegou à mim." Nós ficamos sentados lá, toda a tolice silenciada. A situação parecia irreal, e ainda assim aqui estávamos nós, nesse momento. "Cara, isso é estranho," Will disse. "Então...por que você guarda ele?" eu perguntei. "Se você já gastou os seus três desejos?" "Excelente pergunta," Madame Z disse depois de encarar o ramo de flores por alguns segundos intensos. Ela puxou um isqueiro turquesa de seu bolso e acendeu o fogo. Ela pegou o ramo de flores com uma determinação feroz, como se estivesse se comprometendo na direção de uma ação longamente atrasada. "Não," eu uivei, apanhando ele do aperto dela. "Deixe-me ficar com ele, se você não quer!" "Nunca. Ele deve ser queimado." Meus dedos se fecharam ao redor das pétalas de rosa. Elas eram da textura das bochechas murchas do meu avô, as quais eu acariciava quando eu o visitava na casa de repouso. "Você está cometendo um erro," Madame Z alertou. Ela se esticou para reinvindicar o embrulho, e então deu um puxão em sua mão de forma convulsiva. Eu senti a mesma

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guerra interna quando eu a havia incitado a falar sobre o ramo de flores, como se o ramo de flores tivesse um elemento de poder real sobre mim. O que era ridículo, é claro. "Não é tarde demais para mudar o seu destino," ela gerenciou. "Que destino seria esse?" eu disse. Minha voz quebrou. "O destino em que uma árvore cai na floresta, mas coitada de mim, eu estou usando tampões de ouvido?" Madame Z me fitou com seus olhos de cílios grossos. A pele ao redor deles era fina como musselina, e eu percebi que ela era mais velha do que eu havia originalmente presumido. "Você é uma criança rude e desrespeitosa. Você merece umas palmadas no traseiro." Ela se reclinou em sua cadeira rotatória, e eu podia dizer - instantaneamente, desse jeito - que ela tinha se libertado da influência prejudicial à saúde do ramo de flores. Ou talvez o ramo de flores a tinha libertado? "Fique com ele, a decisão é sua. Eu não me responsabilizo pelo que acontecer." "Como se usa ele?" eu perguntei. Ela bufou. "Vamos lá," eu implorei. Eu não queria parecer uma pirralha. Era só que isso era tão importante. "Se você não me contar, eu vou fazer tudo errado. Eu vou provavalmente...eu não sei. Destruir o negócio todo." "Frankie...deixa pra lá," Will disso em um sussurro. Eu balancei a cabeça. Eu não podia. Madame Z cacarejou para a turva e tola eu. Bem, deixe-a. "Você segura com a mão direita e fala o seu pedido em voz alta," ela disse. "Mas eu estou te dizendo, nada bom virá disso." "Você não precisa ser tão negativa," eu disse. "Eu não sou tão estúpida quanto você acha que eu sou." "Não, você é bem mais estúpida," ela concordou. Will deu um salto para redirecionar, porque é isso o que ele faz. Ele odiava tudo que era desagradável. "Então...você não usaria de novo, se você pudesse?" Madame Z levantou suas sobrancelhas. "Eu pareço que preciso de mais pedidos?" Yun Sun suspirou audivelmente. "Bem, eu definitivamente podia usar um pedido ou dois. Deseje-me as coxas da Lindsay Lohan, sim?" Eu amava meus amigos. Eles eram tão maravilhosos. Eu levantei o ramo de flores, e Madame Z arfou e agarrou meu pulso. "Pelo amor de Deus, garota," ela gritou. "Se você for fazer um pedido, pelo menos faça um sensato!" "É, Frankie," Will disse. "Pense na pobre Lindsay - você iria querer que a garota ficasse sem coxas?" "Ela ainda teria as panturrilhas," eu apontei. "Mas elas estariam ligadas? E que produtor de filmes contrataria uma garota que é só um torso?" Eu ri, e Will parecia satisfeito consigo mesmo. Yun Sun disse, "Gente. Ui." A respiração de Madame Zanzibar era irregular. Ela podia ter decidido não se envolver comigo, mas o medo dela, quando eu levantei os botões de rosa secos, não tinha sido planejado. Eu coloquei o ramo de flores na minha bolsa carteiro, cuidadosa para não amassa-lo. E

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quando eu puxei a minha carteira, eu paguei à Madame Z o dobro da quantia que ela tinha especificado. Eu não elaborei, só entreguei as notas. Ela as contou, então me avaliou com seus ossos-cansados e batom-laranja. Ótimo, então, o comportamento dela comunicava. Só...tenha cuidado. Nós fomos para a minha casa para comer pizza, porque esse era o nosso ritual das noites de sexta. Sábados e domingos, também, mais sim do que não. Meus pais estavam de sabática em Botsuana pelo semestre, o que queria dizer que Chez Frankie era a central de festas. Exceto que nós não fazíamos festas de verdade. Nós podíamos ter feito; minha casa ficava há milhas da cidade, em uma estrada suja sem manutenção, sem vizinhos próximos para reclamarem. Mas nós preferíamos a nossa própria companhia, com as ocasionais aparições de Jeremy, o namorado da Yun Sun. Jeremy, porém, achava que eu e Will éramos estranhos. Ele não gostava de abacaxi na pizza dele, e ele não tinha o nosso gosto em filmes. A chuva golpeu o teto da picape do Will enquanto ele pilotava pelo circuito de curvas da Restoration Boulevard, depois do Krispy Kreme e do Piggly Wiggly e da torre de água do município, a qual se esticava em direção ao céu em uma solidão gloriosa. A cabine do caminhão estava lotada com nós três amassados nela, mas eu não ligava. Eu estava no assento do meio. A mão do Will roçava no meu joelho quando ele trocava de marcha. "Ah, o cemitério," ele disse, balançando a cabeça enquanto nós alcançavamos os portões de ferro forjado à esquerda dele. "Devemos fazer um momento de silêncio pelo Fernando?" "Nós devemos," eu disse. Um raio de luz iluminava as fileiras de lápides, e eu pensei comigo mesma que lugar assustador e perturbador os cemitérios eram. Ossos. Pele apodrecida. Caixões, que algumas vezes eram descavados. Eu estava feliz de chegar em casa. Eu fui de quarto em quarto acendendo todas as luzes enquanto Will pedia a pizza e Yun Sun zapeava pelos lançamentos semanais da Netflix. "Algo animado, tá bem?" eu falei do corredor. "Nada de Night Stalker?" ela disse. Eu me juntei à ela no escritório e peneirei a pilha. "Que tal High School Musical? Não há nada meramente horripilante em High School Musical." "Você tem que estar brincando," Will disse, desligando seu telefone. "Sharpay e o irmão dela fazendo aquela dança sexy com o instrumento de percussão? Você não chamaria aquilo de horripilante?" Eu ri. "Mas vocês garotas vão em frente, divirtam-se," ele disse. "Eu na verdade tenho uma missão pra fazer." "Você está indo embora?" Yun Sun disse. "E quanto à pizza?" eu disse. Ele abriu sua carteira e deitou uma nota de vinte doláres na mesinha de centro. "Vai chegar aqui em trinta minutos. É por minha conta." Yun Sun balançou a cabeça. "E de novo eu digo: Você está indo embora? Você não vai ficar nem pra comer?" "Tem uma coisa que eu preciso fazer," ele disse. Meu coração apertou. Eu desejava mante-lo ali, nem que só por mais um pouco. Em

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um movimento rápido eu voltei para a cozinha e puxei o ramo de flores de Madame Z não, o meu ramo de flores - da minha bolsa. "Pelo menos espere até eu ter feito o meu pedido," eu disse. Ele parecia entretido. "Tudo bem, faça o pedido." Eu hesitei. O escritório era quente e aconchegante, a pizza estava a caminho, e eu tinha os dois melhores amigos do mundo. O que mais eu sinceramente queria? Duh, a parte ávida do meu cérebro me disse. O baile, é claro. Eu queria que Will me convidasse pro baile. Talvez fosse egoísmo ter tanto e ainda querer mais, mas eu empurrei aquela linha de raciocínio pra longe. Porque olhe para ele, eu pensei. Aqueles bondosos olhos castanhos, aquele sorriso torto. Aqueles cachos ridiculamente angelicais. Toda a doçura e bondade que era Will. Ele cantarolou a canção tema de Jeopardy!. Eu levantei o ramo de flores. "Eu desejo que o garoto que eu amo me leve ao baile," eu disse. "E aí está, pessoal!" Will gritou. Ele estava eufórico demais. "E que garoto não gostaria de levar nossa fabulosa Frankie ao baile? Agora nós só temos que esperar e ver, não é, se o desejo dela irá se realizar ou -" Yun Sun cortou ele. "Frankie? Você está bem?" "Se moveu," eu disse, me encolhendo de medo do ramo de flores, o qual eu tinha arremessado no chão. Minha pele estava pegajosa. "Eu juro por Deus, se moveu quando eu fiz o pedido. E esse cheiro! Você está sentindo?" "Nãoooo," ela disse. "Que cheiro?" "Você está sentindo isso, Will. Não está?" Ele deu risada, ainda ligado em qualquer barato que ele estava desde que ...bem, desde que Madame Z o havia alertado dos perigos das alturas. Um ruído de trovão estrondou, e ele empurrou o meu ombro. "Agora você vai botar a culpa da tempestade nas fadas más do desejo, não vai?" ele disse. "Ou, não! Você vai ir dormir hoje, e amanhã você vai nos contar que encontrou uma criatura corcunda à espreita na sua manta, sorrindo um sorriso deformado" "Como flores podres," eu disse. "Você honestamente não está sentindo? Você não está brincando comigo?" Will desenterrou as chaves do bolso. "Vejo vocês no outro lado, chapas. E, Frankie?" "O quê?" Outro barulho da tempestade sacudiu a casa. "Não perca a esperança," ele disse. "Boas coisas acontecem com aqueles que esperam." Eu assisti pela janela enquanto ele corria até sua caminhonete. A chuva estava caindo pelo terreno. Então eu me virei para Yun Sun, um sentimento de inchaço empurrando tudo para longe. "Você ouviu o que ele disse?" eu agarrei as maõs dela. "Oh meu Deus, você acha que isso significa o que eu acho que significa?" "O que mais poderia significar?" Yun Sun disse. "Ele vai te convidar pro baile! Ele só está...eu não sei. Tentando fazer uma grande produção nisso tudo!" "O que você acha que ele vai fazer?" "Não tenho idéia. Contratar alguém pra escrever uma mensagem no céu? Mandar um telegrama cantado?" Eu gritei. Ela gritou. Nós pulamos em um frênesi. "Tenho que te dar os parabéns, o negócio do pedido foi brilhante," ela disse. Ela deu

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um peteleco com o dedo para indicar ter dado o empurrão que o Will precisava. "E as flores apodrecidas? Beeeem dramático." "Eu honestamente senti o cheiro, de qualquer forma" eu disse. "Ha-ha." "Eu senti." Ela olhou pra mim e balançou a cabeça, divertida. Então ela olhou pra mim de novo. "Bem, deve ter sido a sua imaginação," ela disse. "Acho que sim," eu disse. Eu peguei o ramo de flores do chão, segurando-o cuidadosamente entre meu dedão e meu indicador. Eu levei ele para a estante e o joguei atrás de uma fileira de livros, feliz de te-lo fora de vista. Na manhã seguinte eu trotei para o andar de baixo, esperando tolamente encontrar...eu não sei. Centenas de M&Ms soletrando o meu nome? Corações rosas traçados com um barbante tolo na janela? Ao invés disso, eu achei um pássaro morto. O seu pequeno corpo estava deitado no tapete de boas vindas, como se ele tivesse voado pra porta e batido sua cabeça durante a tempestade. Eu o levantei com papel-toalha e tentei não sentir seu leve peso enquanto eu o entregava ao lixo do lado de fora. "Eu sinto muito, passarinho, tão lindo e doce," eu disse. "Voe para o céu." Eu joguei o cadáver, e a tampa se fechou com um estrondo. Eu retornei para dentro com o barulho do telefone tocando. Provavelmente Yun Sun, querendo uma atualização. Ela tinha ido embora às onze horas na noite anterior, depois de ter me feito prometer contar a ela no minuto que Will fizesse seu gesto ousado. "Ei, querida," eu disse, depois de ter olhado identificador de chamadas e ver que, é, eu estava certa. "Nenhuma notícia ainda - desculpa." "Frankie..." Yun Sun disse. "Eu estive pensando na Madame Z, de qualquer forma. Toda a bobagem dela de nãomexa-com-o-destino." "Frankie -" "Por que como o Will me convidar ao baile poderia levar à algo ruim?" eu caminhei até o congelador e peguei uma caixa de waffles congelados. "Cuspe vai voar da boca dele e pousar na minha? Ele vai me trazer flores, e uma abelha vai disparar para fora e me picar?" "Frankie, para. Você não assistiu ao noticiário matutino?" "Num sábado? Acho que não." Yun Sun fez um som como que engolindo em seco. "Yun Sun, você está chorando?" "Noite passada...Will escalou a torre de água," ela disse. "O quê?!" A torre de água tinha facilmente mais que 90 metros, com uma placa na parte inferior que proibia qualquer um de subir. Will sempre falava em escala-la até o topo, mas ele nunca tinha porque sempre seguia as regras. "E a grade devia estar molhada...ou talvez tenha sido o relâmpago, eles não sabem ainda..." "Yun Sun. O que aconteceu?" "Ele estava pichando alguma coisa na torre, o idiota estúpido, e -"

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"Pichando? Will?" "Frankie, dá pra você calar a boca? Ele caiu! Ele caiu da torre de água!" Eu agarrei o telefone. "Jesus. Ele está bem?" Yun Sun estava impossibilitada de falar por causa do choro. Que eu entendia, claro. Will era amigo dela, também. Mas eu precisava que ela se recomposse. "Ele está no hospital? Eu posso visitá-lo? Yun Sun!" Houve lamentos, e então um barulho de troca. A Sra. Yomiko tomou conta. "Will morreu, Frankie," ela disse. "A queda, o jeito como ele caiu...ele não sobreviveu." "Perdão...o quê?" "Chen está a caminho de te pegar. Você vai ficar conosco, sim? Por quanto tempo quiser." "Não," eu disse. "Quer dizer...eu não..." A caixa de waffles caiu da minha mão. "Will não morreu. Will não poderia ter morrido?" "Frankie," ela disse, sua voz estava infinitamente triste. "Por favor não diga isso," eu disse. "Por favor não soe tão..." Eu não entendia como fazer a minha mente funcionar. "Eu sei que você o amava. Todos nós amávamos." "Espera" eu disse. "Pichar? Will não picha. Isso é algo que algum maconheiro faria, não o Will." "Vamos levar você pra casa. Nós conversaremos então." "Mas o que ele estava pichando? Eu não entendo!" A Sra. Yomiko não respondeu. "Deixe-me falar com a Yun Sun," eu implorei. "Por favor! Coloque a Yun Sun no telefone!" Houve um abafado som de troca. Yun Sun voltou ao telefone. "Eu vou te dizer," ela disse. "Mas você não quer saber." Um pressentimento gelado se espalhou sobre mim, e de repente, eu não queria saber. "Ele estava pichando uma mensagem. Era isso que ele estava fazendo lá em cima." Ela hesitou. "Dizia, 'Frankie, você quer ir ao baile comigo?'" Eu afundei no chão, perto de uma caixa de waffles. Por que tinha uma caixa de waffles no chão da cozinha? "Frankie?" Yun Sun disse. Um som metálico, distante. "Frankie, você está aí?" Eu não gostava daquele som metálico. Eu apertei o botão de desligar para que ele fosse embora. Will foi enterrado no Cemitério Chapel Hill. Eu me sentei, entorpecida, durante todo o funeral, que tinha o caixão fechado porque o corpo do Will estava muito mutilado para ser visto. Eu queria dizer adeus, mas como se diz adeus para uma caixa? No terreno do túmulo, eu assiste enquanto a mãe de Will jogou um punhado de terra no buraco aonde Will jazia. Foi horrível, mas o horror parecia distante e irreal. Yun Sun apertou a minha mão. Eu não apertei de volta. Choveu naquela noite, um chuva gentil de primavera. Eu imaginei o terreno, úmido e frio, em volta do caixão do Will. Eu pensei em Fernando, cujo crânio Madame Zanzibar tinha libertado após seu caixão ter se desviado na terra molhada. Eu lembrei a mim mesma que a parte leste do cemitério, aonde Will estava enterrado, nunca estava com a jardinagem arrumada. E é claro existem maneiras modernas de se roubar sepulturas atualmente, mais eficientes do que homens com pás. O caixão de Will não iria ser desenterrado. Era impossível.

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Eu fiquei com Yun Sun por quase duas semanas. Meus pais foram chamados, e eles se ofereceram para voltar de Botsuana. Eu disse que não pra eles. Que bem isso faria? A presença deles não traria Will de volta. Na escola, nos primeiros dias, a garotada falava em tons abafados e me encarava quando eu passava. Alguns pensavam que era romântico, o que Will tinha feito. Outros achavam que era estúpido. "Uma tragédia" era a frase usada mais frequentemente, dita em tons de luto. Quanto a mim, eu assombrava os corredores como uma viva morta. Eu teria cabulado, mas então eu teria sido encurralado pelo orientador e forçada a falar sobre os meus sentimentos. O que não ia acontecer. Meu sofrimento era só meu, um esqueleto que iria cachoalhar pra sempre dentro de mim. Uma semana depois da morte do Will, e exatamente uma semana antes do baile, a garotada começou a falar menos sobre o Will e mais sobre vestidos e reservas de jantar e limusines. Uma garota pálida da aula de química do Will ficou chateada e disse que o baile deveria ser cancelado, mas outros argumentaram que não, o baile devia continuar. Era o que Will iria querer. Yun Sun e eu fomos consultadas, já que nós éramos as melhores amigas dele. (E já que eu, apesar de não terem dito isso, era a garota pela qual ele tinha morrido.) Os olhos da Yun Sun se encheram com lágrimas, mas após um momento instável, ela disse que seria errado estragar os planos de todo mundo, que ficar sentado em casa de luto não faria bem a ninguém. "A vida continua," ela disse. O namorado dela, Jeremy, concordou. Ele colocou seu braço ao redor dela e a puxou para perto. Lucy, presidente do comitê do baile, colocou a mão sobre seu coração. "É verdade," ela disse. Ela se virou para mim com uma expressão excessivamente solícita. "E quanto a você, Frankie? Você acha que pode endossar isso?" Eu dei de ombros. "Que seja." Ela me abraçou, e eu fiquei assustada. "Tudo bem, gente, está de pé!" ela chamou, bloqueando a área pública. "Trixie, volte a trabalhar nas cerejeiras. Jocelyn, diga à mulher do Paper Affair que precisamos de uma centena de fitas azuis e não aceite não como resposta!" Na tarde da dança, duas horas antes da hora de Jeremy buscar Yun Sun, eu comprimi as minhas coisas na minha mochila militar e disse a ela que eu estava indo pra casa. "O quê?" ela disse. "Não!" Ela abaixou um rolo quente para cabelos. A maquiagem dela descansava à sua frente na penteadeira, o glitter corporal da Babycakes e o gloss Dewberry dela, e o vestido dela estava pendurado no gancho da porta aberta do banheiro. Era lilás, com um decote coração. Era maravilhoso. "Está na hora," eu disse. "Obrigada por ter me deixado ficar por tanto tempo...mas está na hora." A boca dela se virou pra baixo. Ela queria discutir, mas ela sabia que era verdade. Eu não estava feliz aqui. Esse não era o ponto - eu não iria ser feliz em lugar algum - mas ficar me movendo lentamente e sem propósito pela casa dos Komiko estava me fazendo sentir aprisionada e fazendo a Yun Sun se sentir impotente e culpada. "Mas é o baile," Yun Sun disse. "Não vai ser estranho, ficar sozinha na sua casa na noite do baile?" Ela veio até mim. "Fique até amanhã. Eu vou ser silenciosa quando eu chegar, eu juro. E eu prometo não ficar falando sem parar sobre...você sabe. O pósfesta e quem ficou com quem e quem desmaiou no banheiro das meninas."

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"Você deveria falar sem parar sobre essas coisas, de qualquer forma," eu disse. "Você deveria ficar fora até quando quiser e voltar fazendo o barulho que quiser e ser eufórica e desajeitada." Inesperadamente, meus olhos se encheram de água. "Você deveria, Yun Sun." Ela tocou o meu braço. Eu me afastei, mas em uma maneira que eu esperava que fosse não-óbvia. "Como você deveria, Frankie," ela disse. "É...bem," eu arremessei a minha mochila nos meus ombros. "Me ligue a qualquer hora," ela disse. "Eu vou deixar o meu celular ligado, até na dança." "Está bem." "E se você mudar de idéia, se você decidir que quer ficar -" "Obrigada." "Ou até se você decidir ir ao baile! Todos nós queremos você lá - você sabe disso, certo? Não importa se você não tem um par." Eu recuei. Ela não quis dizer aquilo como soou, mas certamente importava que eu não tinha um par, porque esse par seria o Will. E eu não o tinha não porque ele gostava de outra garota ou porque estava sofrendo de um caso terrível de gripe, mas porque ele estava morto. Por minha causa. "Oh Deus," Yun Sun disse. "Frankie..." Eu rejeitei ela. Eu não queria mais nenhum toque. "Está tudo bem." Nós ficamos em uma bolha de falta de jeito. "Eu sinto a falta dele, também, sabe," ela disse. Eu concordei. Então eu fui embora. Eu retornei para a minha casa vazia para descobrir que não tinha energia elétrica. Perfeito. Isso acontece mais frequentemente do que deveria: temporais a tarde jogam três galhos contra os transformadores, e vizinhanças inteiras ficam sem energia por muitas horas. Ou a energia acaba sem razão aparente. Talvez muitas pessoas estivessem com o ar condicionado ligado e os circuitos ficaram sobrecarregados, essa era a minha teoria. A teoria do Will era fantasmas, ha ha ha. "Eles vieram para estragar o seu leite," ele diria em uma voz fantasmagórica Will. Minha garganta apertou. Eu tentei não pensar nele, mas era impossível, então eu o deixei existir comigo na minha mente. Eu fiz um sanduíche de pasta de amendoim para mim mesma, que eu não comi. Eu subi as escadas e deitei na minha cama sem abaixar as cobertas. As sombras se aprofundaram. Uma coruja piou. Eu encarei o meu teto até não mais poder distinguir as fendas das teias de aranha. No escuro, meus pensamentos foram à lugares que não deveriam. Fernando. Madame Zanzibar. Você é como todos os outros, não é? Desesperada por um romance de parar o coração? Foi aquele mesmo desespero que deu luz ao meu plano estúpido da Madame Zanzibar e meu mais estúpido ainda pedido. Foi o que incitou o Will a agir. Se ao menos eu nunca tivesse pego aquele maldito ramo de flores! Eu engoli de imediato. Oh meu Deus - o maldito ramo de flores! Eu peguei meu celular e apertei o "três", o número de discagem rápida da Yun Sun. "Um" era pra mamãe e o papai; "dois" era pro Will. Eu ainda não tinha deletado o

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nome dele, e agora eu não iria mais precisar. "Yun Sun!" eu gritei quando ela atendeu. "Frankie?" ela disse. "S.O.S." da Rihanna retumbava no fundo. "Você está bem?" "Eu estou ótima," eu disse. "Mais do que ótima! Quer dizer, a energia acabou, está escuro que nem piche, e eu estou totalmente sozinha, mas que seja. Eu não vou ficar mais por muito tempo." Eu ri e tateei meu caminho até o hall. "Hã?" Yun Sun disse. Mais barulho. Pessoas rindo. "Frankie, eu mal consigo te ouvir." "O ramo de flores. Eu ainda tenho dois pedidos sobrando!" Eu corri escada abaixo, me movimentando com regozijo. "Frankie, do que você-" "Eu posso traze-lo de volta, você não entende? Tudo vai ser bom novamente. Nós podemos até mesmo ir para o baile!" A voz da Yun Sun ficou mais aguda. "Frankie, não!" "Eu sou tão idiota - por que eu não pensei nisso antes?" "Espere. Não faça isso, não faça o -" Ela se desligou. Eu escutei um "opa," seguido de desculpas bebadas e alguém dizendo, "Oh, amei o seu vestido!" Parecia que todos estavam se divertindo. Eu logo estaria me divertindo com eles. Eu cheguei ao escritório e me aproximei da estante de livros aonde eu tinha deixado o ramo de flores. Eu dei tapinhas no alto dos livros e no espaço atrás deles. Meus dedos encontraram a suavidade, como pétalas de pele. "Estou de volta," Yun Sun disse. Os sons de fundo haviam diminuído, sugerindo que ela tinha ido pra fora. "E, Frankie, eu sei que você está magoada. Eu sei disso. Mas o que aconteceu com o Will foi só uma coincidência. Uma terrível, terrível coincidência." "Chame do que quiser," eu disse. "Vou fazer meu segundo pedido." Eu arranquei o ramo de flores de detrás dos livros. A ansiedade de Yun Sun se intensificou. "Frankie, não, você não pode!" "Por que não?" "Ele caiu de mais de 90 metros! O corpo dele estava...disseram que ele estava mutilado além...era por isso que o caixão estava fechado, lembra-se?" "E daí?" "Ele esteve apodrecendo em um caixão por treze dias!" ela gritou. "Yun Sun, que coisa mais inapropriada de se dizer. Honestamente, se fosse o Jeremy que estivesse sendo trazido de volta à vida, nós estaríamos mesmo tendo essa conversa?" Eu atrai as flores para o meu rosto, tocando levemente as pétalas com os meus lábios. "Escuta, eu tenho que ir. Mas guarde um pouco de ponche pra mim! E pro Will! Ooo, guarde um monte de ponche pro Will - eu aposto que ele vai estar louco de sede!" Eu fechei meu celular. Eu segurei o ramo de flores para cima. "Eu desejo que Will esteja vivo novamente!" eu gritei de forma exultante. O fedor de desintegração engrossou o ar. O ramo de flores se enrolou, como se as pétalas estivessem se encolhendo nelas mesmas. Eu o arremessei pra longe no piloto automático, do modo como eu me livraria de uma lacrainha que se arriscaria a pousar na minha mão. Mas que seja. O ramo de flores não era importante. O que era importante era o Will. Aonde ele estava? Eu olhei ao redor, esperando ridiculamente que ele estivesse sentado no sofá, olhando pra mim tipo Você está com medo de um bando de flores mortas? Patético! O sofá estava vazio, uma deprimente e avultante figura na parede.

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Eu me lançei à janela e espreitei. Nada. Somente o vento, sacudindo as folhas nas árvores. "Will?" eu disse. De novo nada. Um poço enorme de decepção se abriu dentro de mim, e eu me afundei na poltrona de couro do meu pai. Frankie estúpida. Estúpida, tola, patética eu. O tempo passou. As cigarras gorjeavam. Cigarras estúpidas. E então, tão fraco, um baque. E então outro. Eu endireitei a minha espinha dorsal. Cascalhos estalaram na estrada...ou talvez fosse na garagem. Os baques ficaram mais próximos. Eles eram forçados e com a estranha excentricidade de um manco, ou de algo sendo arrastado. Eu me estiquei para escutar. Lá - um baque, a 3 metros da varanda. Um baque que era nitidamente inumano. Minha garganta fechou assim que as palavras de Yun Sun se arrastaram de volta para mim. Mutilado, ela tinha dito. Apodrecendo. Eu não estava prestando atenção antes. Agora era tarde demais. O que eu havia feito? Eu pulei da poltrona e escapei para a entrada do hall, salva dos olhos de qualquer um ou qualquer coisa - que escolhesse espreitar pelas amplas janelas do escritório. O que, exatamente, eu tinha trazido de volta à vida? Uma batida ecoou pela casa. Eu choraminguei, e então rapidamente lancei minha mão sobre a minha boca. "Frankie?" uma voz chamou. "Eu estou, uh...ai. Eu estou uma bagunça." Ele riu usando sua risada autodepreciativa. "Mas eu estou aqui. Isso que importa. Eu estou aqui pra te levar ao baile!" "Nós não temos que ir ao baile," eu disse. Essa era eu soando tão estridente? "Quem precisa de baile? Quer dizer, falando sério!" "É, claro, isso da garota que mataria pela noite romântica perfeita." A maçaneta se agitou. "Você não vai me deixar entrar?" Eu hiperventilei. Houve uma seqüência de algo caindo, como morangos maduros demais sendo jogados no lixo, e então, "Ah, cara. Isso não foi bom." "Will?" eu sussurrei. "Isso não é nada legal...mas você tem algum removedor de manchas?" Puta merda. Puta, puta, puta merda. "Você não está nervosa, está?" Will perguntou. Ele parecia preocupado. "Eu vim o mais rápido que pude. Mas foi tão estranho, Frankie. Porque, tipo..." Minha mente foi parar em caixões sem ar, enterrados no chão. Por favor, não, eu pensei. "Esqueçe. Foi estranho - vamos colocar dessa maneira." Ele tentou deixar as coisas mais animadas. "Agora, você vai me deixar entrar ou o quê? Eu estou caindo aos pedaços aqui fora!" Eu pressionei o meu corpo contra a parede do hall. Meus joelhos entortaram, eu não estava me saindo muito bem no controle de músculos, mas eu me lembrei de que estava a salvo atrás da sólida porta da frente. O que quer que ele fosse, Will ainda era de carne e osso. Bem, parcialmente. Mas ainda não um fantasma que pudesse se mover através de paredes.

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"Will, você tem que ir," eu disse. "Eu cometi um erro, está bem?" "Um erro? O que você quer dizer?" A confusão dele partiu o meu coração. "É só que...oh Deus." Eu comecei a chorar. "Nós não somos mais certos um para o outro. Você entende, não é?" "Não, eu não entendo. Você queria que eu te convidasse pro baile, então eu te convidei pro baile. E agora sem razão nenhuma...ohhh! Entendi!" "Entendeu?" "Você não quer que eu te veja! É isso, não é? Você está nervosa sobre a sua aparência!" "Hm..." Eu deveria continuar com isso? Eu deveria dizer sim para que ele fosse embora? "Frankie. Cara. Você não tem nada do que se preocupar." Ele riu. "Um, você é linda; e dois, comparada a mim, não tem jeito de você não se parecer com...eu não sei, um anjo do céu." Ele soava aliviado, como se ele tivesse um sentimento trivial de que algo estava errado, mas não conseguisse dizer o que. Mas agora ele sabia: era a Frankie tendo problemas de auto-estima, só isso! Frankie boba! Eu escutei um arrastamento de pés, e então o bum de uma pequena tampa feita de madeira. Meu corpo ficou tenso, porque eu conhecia aquele bum. A caixa de leite - droga. Ele se lembrou da chave na caixa de leite. "Eu estou entrando," ele chamou, com uma imensa queda na porta da frente. "Está bem, Franks? Porque de repente eu estou, tipo, morrendo de vontade de te ver!" Ele riu, jubilante. "Quer dizer, espera, isso saiu errado...mas, diacho, acho que esse é o tema da noite. Tudo está saindo errado - e eu quero mesmo dizer tudo!" Eu escapei para o escritório, aonde eu fiquei de quatro e freneticamente dei tapas no chão. Se ao menos não estivesse tão escuro! A fechadura ficou presa, e Will balançou a chave. A respiração dele estava coagulada. "Estou chegando, Frankie!" ele chamou. Balanço, balanço. "Eu estou chegando o mais rápido que posso!" Meu medo aumentou tanto que eu fui jogada em um alterado estado de realidade. Eu estava arfando e chorando, eu podia me ouvir, e minhas mãos eram antenas cegas, tocando e batendo enquanto eu engatinhava. Com um estrondo, a fechadura se abriu. "Sim," Will vociferou. A porta assobiou em cima do gasto tapete no exato instante em que meus dedos se fecharam no ramo de flores em desintegração. "Frankie? Por que está tão escuro? E por que você não está -" Eu fechei meus olhos e pronunciei meu pedido final. Todos os sons pararam, salvo pelo farfalhar do vento nas folhas. A porta, continuando sua lenta trajetória, bateu com força contra a ombreira da porta. Eu permaneci aonde eu estava no chão. Eu chorei, porque meu coração estava partindo. Não, meu coração estava partido. Após vários instantes, as cigarras novamente retomaram seu coro nostágilco. Eu me levantei, tropecei pela sala, e fiquei, tremendo, na entrada aberta. Lá fora, um raio pálido da luz do luar brilhou na estrada vazia.

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Madison Avery e o Turvo Anjo da Morte Kim Harrison

Se um general britânico, uma donzela em um vestido, e um pirata entram no ginásio, eu pensei enquanto olhava os corpos se mexendo em um monótono caos de reprimida, inexperiente, luxúria adolescente. Deixe com a Covington High para tranformar o baile em uma piada. Para não mencionar o meu aniversário de dezessete anos. O que eu estava fazendo aqui? O baile deveria ser vestidos de verdade com uma banda ao vivo, não fantasias alugadas com música enlatada e fitas. E meu aniversário deveria ser...qualquer coisa menos isso. "Você tem certeza de que não quer dançar?" Josh berrou no meu ouvido, mandando seu hálito açucarado para mim. Eu tentei não fazer careta, mantendo meu olhar no relógio ao lado do placar do ginásio e me perguntando se uma hora era longa o suficiente para ficar e não ter que enfrentar a difícil investigação do meu pai. A música era maçante - o mesmo ritmo de pancada de novo, e de novo, e de novo. Nada de novidade nos últimos quarenta minutos. E o baixo estava alto demais. "Aham," eu disse, me esquivando a tempo com a música quando a mão dele tentou deslizar para a minha cintura. "Ainda não quero dançar." "Algo para beber?" ele tentou novamente, e eu inclinei meu quadril, cruzando meus braços para esconder meu colo. Eu ainda estava esperando pela fada dos seios aparecer, mas o espartilho do vestido empurrava tudo para cima e junto para fazer parecer que eu tinha mais do que eu tinha, me deixando constrangida. "Não, obrigada," eu disse com um suspiro. Ele provavelmente não me ouviu, mas ele entendeu a idéia central, pelo modo como ele desviou o olhar, assistindo todo mundo se mover. Longos vestidos de salão de baile e fantasias reduzidas de garçonetes se misturavam com piratas fanfarrões e marinheiros. Esse era o tema do baile. Piratas. Deus! Eu tinha trabalhado por dois meses no comitê do baile na minha antiga escola. Teria sido tremendamente fantástico, com uma barca iluminada pela lua e uma banda de verdade, mas não-o-o-o. Mamãe tinha dito que o papai precisava passar algum tempo comigo. Que ele estava passando por uma crise de meia-idade e tinha que se reconectar com algo do seu passado que não envolvesse discussão. Eu acho que ela só ficou assustada quando me pegou escapulindo para um cappuccino tardio e me enviou para o papai e Dullsville EUA sabendo que eu escutaria mais ele do que ela. Tudo bem, então tinha sido depois da meia-noite. E eu talvez estivesse atrás de algo mais do que cafeína. E é, eu já estava de castigo por ter ficado fora até muito tarde no fim de semana anterior, mas era por isso que eu tive que escapulir. Correndo a rígida renda do meu vestido colonial pelos meus dedos, eu me perguntei se alguma dessas pessoas tinha idéia de como uma festa de verdade se parecia. Talvez eles não ligassem. Josh estava parado um pouco a minha frente, sacudindo sua cabeça no ritmo da música e claramente querendo dançar. Na mesa ao lado estava o cara que tinha se

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esgueirado depois de nós. Ele estava olhando na minha direção, e eu encarei ele, me perguntando se ele estava atrás de mim ou do Josh. Vendo que eu prestava atenção nele, o cara virou o rosto para o outro lado. Meu olhar recaiu no Josh, que tinha começado a quase dançar na metade do caminho entre eu e as pessoas que se moviam. Na verdade, meditei enquanto ele mexia e sacudia sua cabeça com a música, a fantasia dele deixava sua magra, estranha altura trabalhar em seu favor - uma roupa tradicional vermelha e branca de general britânico, completa com uma espada falsa e medalhas militares. Idéia do pai dele, provavelmente, já que ele era o VIP dos VIPs na instalação de pesquisa que tinha mantido todos empregados quando a base militar se mudou do Arizona, mas combinava com o negócio da renda-e-espartilho exagerados que eu vestia. "Vamos. Todos os outros estão dançando," ele persuadiu quando me viu olhando para ele, e eu balancei a cabeça, quase sentindo pena dele. Ele me lembrava dos caras no clube de fotografia que fingiam que a porta da câmara escura tinha trancado para tentar conseguir um pouco de ação. Só que não era justo. Eu tinha passado três anos aprendendo como me encaixar com as garotas legais, e agora eu estava de volta com os caras bonzinhos mas impopulares, massacrando bolinhos no ginásio. E no meu aniversário, também. "Não," eu disse sem rodeios. Tradução: Desculpa, eu não estou interessada. Você pode igualmente desistir. Até o cabeça-dura, estranho, óculos quebrado do Josh entendeu essa, e ele parou sua quase-dança para fixar seus olhos azuis em mim. "Jesus, você é uma vaca, sabia disso? Eu só te chamei porque o meu pai me obrigou. Se você quiser dançar, eu vou estar ali." Minha respiração se complicou, e eu olhei boquiaberta para ele como se ele tivesse me socado no intestino. Ele desdenhosamente levantou suas sobrancelhas e foi embora com as mãos nos bolsos e o queixo levantado. Duas garotas se separaram para que ele pudesse andar no meio delas, e elas se curvaram na direção uma da outra no despertar dele, fofocando enquanto olhavam para mim. Oh meu Deus. Eu sou o par dele por pena. Pestanejando rápido, eu segurei minha respiração enquanto lutava para impedir a sala de ficar desfocada. Bosta, não somente eu era a garota nova, mas eu era um par por pena! Meu pai tinha falado bem para o chefe dele, e ele fez o seu filho me chamar. "Filho de uma cachorra," eu sussurrei, me perguntando se todo mundo estava olhando para mim ou se era só a minha imaginação. Eu enfiei meu curto cabelo loiro atrás da orelha e fui para trás em direção a parede. Me inclinando contra ela com meus braços cruzados, eu tentei fingir que Josh tinha ido pegar uma gasosa. Por dentro, eu estava morrendo. Eu tinha sido rejeitada. Não, eu tinha sido rejeitada por um nerd. "Parabéns, Madison," eu disse azedamente, só imaginando as fofocas na segunda. Eu localizei Josh na mesa da comida, fingindo me ignorar sem ser óbvio sobre isso. O cara no uniforme de marinheiro que tinha nas seguido estava falando com ele. Eu ainda não achava que ele era um dos amigos do Josh, mesmo ele se acotovelando e apontando para as garotas que dançavam em vestidos curtos demais para os giros que faziam. Que eu não reconhecesse ele não era de se surpreender já que eu estava evitando todo mundo pela simples razão de eu não estar feliz aqui e de eu não me importar que todos soubessem disso. Eu não era uma atleta ou uma nerd - embora eu tenha pertencido ao clube de fotografia na minha terra. Apesar dos esforços, eu aparentemente não me encaixava

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com as bonecas Barbie. E eu não era gótica, um crânio, viciada em drogas, ou uma das crianças que queria brincar de cientista que nem sua mamãe ou papai na instalação de pesquisa. Eu não me encaixava em lugar nenhum. Correção, eu pensei enquanto Josh e o marinheiro riam. Eu me encaixava com as vacas. O cara seguiu o outro grupo de garotas, que estavam agora dando risadas por causa de algo que Josh tinha dito, que tinha a atenção do Josh. Seu cabelo castanho era cacheado debaixo do seu chapéu de marinheiro, e seu claro uniforme branco o fazia parecer com todos os outros caras que tinham escolhido marinheiro ao invés de pirata. Ele era alto, e tinha uma silenciosa graça em seus movimentos que dizia que ele tinha parado de crescer. Ele parecia mais velho do que eu, mas ele não podia ser muito mais velho. Era o baile. E eu não tenho de estar aqui, eu pensei de repente, me empurrando da parede com meus cotovelos. Josh era a minha carona para casa, mas meu pai iria me buscar se eu ligasse. Meu impulso de me contorcer pela multidão para as portas duplas diminui em preocupação. Ele iria perguntar por que Josh não tinha me levado pra casa. Tudo iria se revelar. Eu conseguia lidar com o sermão para ser boa e me enturmar, mas o embaraçamento... Josh estava me observando quando eu olhei pra cima. O cara com ele estava tentando conseguir sua atenção, mas os olhos de Josh estavam em mim. Zombando de mim. Isso bastou. De jeito nenhum que eu iria ligar pro meu pai. E eu não ia entrar em um cara com o Josh, tampouco. Eu iria andar. Todos os oito quilômetros. De salto. E com um vestido longo de algodão. Numa noite úmida de abril. Com os meus seios amassados juntos. Qual era a pior coisa que poderia acontecer? Um incidente com uma vaca fugitiva? Bosta, eu sentia mesmo falta do meu carro. "Parabéns, garota," eu resmunguei, reunindo minha decisão junto com o meu vestido, de cabeça baixa enquanto os meus ombros trombavam com dançarinos no caminho para a porta. Eu estava totalmente fora daqui. As pessoas estavam falando, mas eu não ligava. Eu não precisava de amigos. Amigos eram superestimados. A música derreteu em algo rápido, e eu levei a minha atenção para cima quando a multidão pareceu se mexer, desastradamente mudando de ritmo. Eu dei um solavanco para parar quando percebi que estava a um passo de atropelar alguém. "Desculpa!" eu berrei por cima da música, então congelei, encarando. Minha nossa, Sr. Capitão Pirata Sexy. Aonde ele esteve nas últimas três semanas, e tinham mais de onde ele veio? Eu nunca o havia visto antes. Não em todo o tempo que eu fiquei presa na cidade. Eu teria me lembrado. Talvez me manifestado um pouco mais. Ruborizando, eu deixei a minha saia cair para mover a minha mão para o meu colo. Deus, eu me sentia como uma prostituta britânica com tudo impulsionado daquele jeito. O cara estava vestido em uma fantasia preta pegajosa de pirata, um pingente de pedra cinza descansando em seu peito. Eu podia ver aonde o colar se partia. Uma máscara do estilo Zorro escondia a metade superior do seu rosto. A longa cauda de seda arrastava-se pelas suas costas para se misturar com seu estimulante e ondulante cabelo preto. Ele era mais alto do que eu por volta de doze centímetros, e enquanto eu subia meu olhar por sua magra figura, eu me perguntei aonde ele esteve se escondendo. Certamente não na sala da banda ou na aula de Governo Americano da Sra. Fairel, eu pensei enquanto as luzes que giravam paravam em mim.

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"Minhas desculpas," ele disse, tomando a minha mão, e minha respiração complicouse, não porque ele estava tocando em mim, mas porque seu sotaque não era do meiooeste. Era meio que uma exalação devagar e suave entrelaçada com uma ligeira precisão que transparecia bom gosto e sofisticação. Eu quase podia ouvir o tinir de cristal e de uma risada suave nele, os sons confortantes que mais vezes do que não tinham me ninado enquanto as ondas pressionavam na praia. "Você não é daqui," eu falei impulsivamente enquanto me inclinava para ouvi-lo melhor. Um sorriso cresceu, sua pele escura e seu cabelo moreno eram quase um bálsamo, tão familiar no meio de tantos rostos pálidos e cabelos claros da prisão do meio-oeste em que eu estava. "Eu estou aqui temporariamente," ele disse. "Um estudante estrangeiro, numa maneira de falar. Bem como você." Ele olhou desdenhosamente para as pessoas que se moviam ao nosso redor com pouco ritmo e menos ainda originalidade. "Há muitas vacas aqui, não acha?" Eu ri, rezando para não soar como uma estranha descerebrada. "Sim!" eu quase berrei, puxando-o para baixo para falar no ouvido dele por causa do barulho. "Mas eu não sou uma estudante estrangeira. Eu me mudei pra cá da Flórida. Minha mãe mora lá no litoral interno, mas agora eu estou presa aqui com o meu pai. Eu concordo. Você está certo, é horrível! Pelo menos você pode ir pra casa." E aonde é casa, Sr. Pirata Sexy? Um palpite de maré baixa e água canalizada foi levado pela correnteza até mim, erguendo-se dele como uma memória. E apesar de que alguns possam achar isso desagradável, lágrimas perfuraram meus olhos. Eu sentia falta da minha antiga escola. Eu sentia falta do meu carro. Eu sentia falta dos meus amigos. Por que a mamãe tinha ficado balística? "Casa, sim," ele disse, e um intoxicante sorriso mostrou uma pitada de língua quando ele lambeu os lábios e se indireitou. "Nós devíamos sair da pista. Nós estamos no caminho da dança...deles." Meu coração golpeou mais forte. Eu não queria me mover. Ele poderia ir embora, ou pior, alguém poderia escorregar seu braço no dele, reinvindicando-o. "Você quer dançar?" eu disse, nervosa. "Não é com o que estou acostumada, mas tem uma boa batida." O sorriso dele se ampliou, e o alívio fez a minha pulsação ficar mais rápida. Oh Deus. Eu acho que ele gosta de mim. Largando da minha mão, ele concordou, e então deu um passo para trás e começou a se mover. Por um momento, eu esqueci de segui-lo e só fiquei assistindo-o. Ele não era exibicionista. Não, ele foi na direção contrária - seus movimentos lentos deixando uma impressão muito maior do que se ele tivesse limpado a pista me girando por ela. A música era a moldura que ele movia por dentro, e eu me perdi tentando comparar ao padrão dela. Quase oscilando, nós trocavamos a cada nova batida. Eu me deixei relaxar e só dançar, achando mais fácil se eu não pensasse sobre isso. Eu podia sentir cada mudança dos meus quadris e o levantar dos meus ombros - e um tremor de algo começou a crescer dentro de mim. Enquanto todos ao nosso redor continuavam com movimentos afiados e rápidos, nós dançavamos devagar, o espaço entre nós estreitando, nossos olhares se fixando cada vez mais no outro enquanto eu me tornava progressivamente segura de mim mesma. Eu o deixei me guiar enquanto a música pulsava e meu coração golpeava com ela.

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"A maioria das pessoas aqui me chama de Seth," ele disse, quase estragando o momento, mas então a mão dele se encurvou ligeiramente na minha cintura, e eu me inclinei para ele. Oh sim. Isso era melhor. "Madison," eu disse, gostando de como me sentia, dançando mais devagar que todos os outros. Mas a música era rápida, com pancadas para fazer meu coração correr. Os dois extremos só fizeram isso parecer mais ousado. "Eu não te vi por aqui. Você é do último ano?" Os dedos do Seth apertaram o fino algodão do vestido, ou talvez ele só estivesse me atraindo para mais perto. "Eu sou o melhor da minha turma," ele disse, se inclinando para que não tivesse que gritar. As luzes coloridas brincaram em cima de mim, e eu me senti aérea. Josh podia ir embora que eu nem me importaria. Isso era o que o meu baile deveria ser. "Isso explica," eu disse, inclinando a minha cabeça para ver os olhos dele e tentar posicionalo. "Eu sou do penúltimo ano." Ele sorriu com seus lábios fechados, e eu me senti pequena e protegida. Meu próprio sorriso cresceu. Eu podia sentir as pessoas começando a nos assistir, a dança deles ficando mais lenta quando eles se viravam. Eu esperava que Josh estivesse dando uma boa olhada. Chamar-me de vaca, ele iria? Eu levantei meu queixo, ousando estender a mão e puxar Seth para perto, nossos corpos se tocando, em seguida se separando. Meu coração martelava pelo o que eu estava fazendo, mas eu queria machucar o Josh. Eu queria que a fofoca de amanhã fosse o quanto idiota ele tinha sido de ter se afastado de mim. Eu queria...algo. As mãos do Seth escorregaram suavemente para a minha cintura, nem prendendo ou exigindo, me libertando para dançar como eu queria, e eu me deixei ir, os movimentos se tornando mais sufocantes do que aqueles caipiras da roça jamais tinham visto na tv. Meus lábios estremeceram quando eu vi Josh e aquele menino marinheiro com quem ele esteve falando todo esse tempo. O rosto de Josh estava branco de raiva, e eu sorri com afetação de volta. "Você quer que ele saiba que você não está com ele?" Seth disse tristemente, e meu olhar foi empurrado para o olhar dele. "Ele te machucou," Seth disse, e sua mão escura deixou um formigamento aonde tocou no meu queixo. "Você deveria mostrar a ele o que ele perdeu." O momento oscilou, e apesar de eu saber que era vingativo, eu me encontrei concordando. Seth me libertou da hesitação, me puxando para ele com um gesto macio e ininterrupto. Ele iria me beijar. Eu sabia disso. Estava em cada movimento que ele fazia. Meu pulso martelou, e eu inclinei minha cabeça para cima para encontrar os lábios dele com os meus próprios, sentindo meus joelhos travarem. Ao nosso redor, as pessoas diminuíram para assistir, algumas rindo, algumas com inveja. Meus olhos se fecharam, e eu transferi meu peso para que ainda estivessemos dançando enquanto nos beijávamos. Era tudo o que eu queria. O calor me banhou aonde ele havia me tocado, entornando em mim como camadas, cada uma chamejando a medida que o toque dele se tornava mais perto. Nunca eu tinha sido beijada assim, e eu não podia respirar, com medo de que iria estragar isso. Minhas mãos estavam na cintura dele, e elas o seguraram mais apertado enquanto ele segurava o meu maxilar com as mãos, me segurando como se eu pudesse quebrar. Ele tinha gosto de fumaça de madeira. Eu queria mais - mas menino, eu sabia que não devia.

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Um som baixo elevou-se dele, mais suave do que um trovão distante. As mãos dele apertaram, e adrenalina encravou através de mim. O beijo havia sido deslocado. Alarmada, eu dei um solavanco para trás, sem fôlego mas me sentindo muito entusiasmada e alegre. Os olhos sombrios de Seth estavam fixados nos meus com um leve divertimento que eu tinha arrancado. "É só um jogo," ele disse. "Ele está mais esperto agora. Bem como você. Ele não vale a dor." Eu pestanejei a medida que as luzes giravam furiosamente e a música continuava, alta e intocada pelo nosso beijo. Tudo estava diferente, mas somente eu havia mudado. Eu arranquei o meu olhar de Seth, minhas mãos ainda na cintura dele por equilíbrio. Havia manchas de cor nas bochechas do Josh, e ele parecia nervoso. Eu levantei minhas sobrancelhas para ele. "Vamos," eu disse, unindo meu braço com o do Seth. Eu não achava que alguém apareceria para desafiar a minha posição. Não depois daquele beijo. Confiante, eu dei um passo para frente com Seth ao meu lado. Um caminho abriu, e eu me senti como uma rainha. Apesar da música que golpeava e retumbava, todos nos assistiram abrir caminho desimpedidos para as portas duplas decoradas com papéis de embrulho marrons para parecer com as portas de carvalho de um castelo. Plebeus, eu pensei quando Seth empurrou a porta para ela se abrir e o ar gelado da entrada me atingiu. A porta se fechou atrás de nós, e a música entorpeceu. Eu diminuí até parar, saltos baixos se arrastando no azulejo. Tinha uma mesa coberta-com-tecidode-papel contra a parede com uma mulher de olhar cansado checando os ingressos. Para baixo mais adiante da entrada, três crianças vadiavam na porta principal. A memória do nosso beijo voltou para mim, me fazendo ficar repentinamente nervosa. Esse cara era maravilhoso. Por que ele estava comigo? "Obrigada," eu murmurei, olhando para cima e para longe, então ruboreci a medida que me perguntei se ele pudesse pensar que eu estava falando do beijo. "Quero dizer, por me tirar dali com o meu orgulho intacto,' eu adicionei, corando mais intensamente. "Eu vi o que ele fez." Seth nos balançou para nos movermos pela entrada para longe de todos e em direção ao estacionamento. "Era isso ou você esvaziando o ponche nas roupas dele. E você..." Ele hesitou até que eu olhei para ele. "Você quer que a sua vingança seja mais sutil que isso." Um sorriso desleixado tomou conta de mim, mas eu não pude evitar. "Você acha?" Ele inclinou sua cabeça, agindo muito mais velho do que ele deveria. "Você tem uma carona pra casa?" Eu dei um solavanco até parar, e ele deu mais um passo antes de se virar, seus olhos azuis-acinzentados amplos em alarme. Estava frio aqui fora, e eu disse a mim mesma que era por isso que eu tive um arrepio repentino. "Eu..sinto muito," ele disse, pestanejando e ficando parado. "Eu não quis dizer...eu fico com você até você arranjar alguém pra vir. Você não sabe nada sobre mim." "Não, não é isso," eu me apressei, embaraçada pela minha repentina desconfiança. Eu olhei para trás para a mulher perto da porta do ginásio que estava nos assistindo com um ocioso interesse. "Eu deveria ligar para o meu pai, é só. Informa-lo do que está acontecendo." Seth sorriu, seus dentes brancos mostrando com veemência. "É claro." Eu tateei pela bolsa que tinha vindo junto com esse vestido. Ele foi alguns centímetros

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para longe a medida que eu desenterrava o meu celular e o manuseava nervosamente, tentando lembrar do número de casa. Não houve resposta, e ambos viramos em direção ao barulho da porta do ginásio abrindo. Josh saiu de lá, e minha mandíbula se enrijeceu. A secretária eletrônica atendeu, e com urgência, eu falei impulsivamente, "Oi, pai. É a Madison." Dã. "Eu vou pegar uma carona com o Seth..." Eu olhei para ele questionando sobre seu sobrenome. "Adamson," ele disse suavemente, seus olhos atrás da máscara fixados no Josh. Droga, ele tinha olhos lindos. E longos, sedutores cílios. "Seth Adamson," eu disse. "Josh acabou se revelando um babaca. Eu estarei em casa em poucos minutos, está bem?" Mas já que ninguém estava realmente lá, não havia muito que meu pai pudesse dizer. Eu esperei como se tivesse escutando por um momento, então acrescentei, "Eu estou be-e-e-em. Ele era um babaca, é só. Te vejo em um minuto." Satisfeita, eu fechei o telefone e o guardei, unindo meu braço com o braço do Seth e nos levando para a porta traseira quando Josh nos alcançou, seu sapato social fazendo ruído no azulejo. "Madison..." Ele estava irritado, e minha satisfação cresceu. "Oi, Josh!" eu disse vivamente, minha tensão aumentando enquanto ele apressava o passo do meu outro lado. Eu não olhei para ele, e eu me senti ficando quente. "Eu tenho uma carona para casa. Obrigada." Por nada, eu acrescentei nos meus pensamentos, ainda nervosa com ele. Ou com o meu pai, talvez, por ter armado isso. "Madison, espera." Ele pegou o meu cotovelo, e eu girei até parar. Josh congelou, se afastando e me soltando. "Você é um babaca," eu disse, olhando a fantasia dele e pensando que ela parecia podre agora. "E eu não sou o par de piedade de ninguém. Você pode...cair fora," eu improvisei, não querendo que Seth pensasse que eu xingava como um marinheiro. Esticando-se, Josh agarrou o meu pulso e me puxou para longe com força. "Me escuta," ele disse, e o medo nos olhos dele parou o meu protesto. "Eu nunca vi esse cara antes. Não seja estúpida. Deixe-me levá-la para casa. Você pode dizer o que que quiser aos seus amigos. Eu entro nessa junto." Eu tentei tomar um insultado fôlego, mas o espartilho não me deixava, então ao invés disso eu levantei o meu queixo. Ele sabia que eu não tinha amigos. "Eu liguei pro meu pai. Eu vou ficar bem," eu disse, olhando sobre os ombros dele pro garoto alto naquela fantasia de marinheiro que tinha seguido o Josh para fora. Ainda assim o Josh não desistia. Irritada, eu girei o meu braço, e quando eu me estiquei para agarrar o pulso dele numa posição de defesa pessoal, ele me soltou como se soubesse disso. De olhos arregalados, ele deu um passo para trás. "Eu vou te seguir até em casa então," ele disse, os olhos dando leves chicoteadas para o Seth. "Que seja," eu disse enquanto atirava o cabelo para trás, secretamente feliz e me perguntando se talvez Josh não fosse tão ruim afinal de contas. "Seth, você estacionou no terreno baldio?" Seth veio para frente, uma suave figura de graça e refinamento perto do plebeu que era Josh. "Por aqui, Madison." eu pensei ter visto uma insinuação de vitória nos olhos dele enquanto os braços dele deslizavam através dos meus. Não é de se estranhar. Ele obviamente tinha vindo ao baile sozinho, e agora seria Josh aquele que estaria indo

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embora sozinho. Eu me certifiquei que meus saltos estalavam rapidamente numa demonstração de confiança feminina a medida que desciamos pela entrada para o remoto conjunto de portas. O vestido me fazia sentir elegante, e Seth parecia fantástico. Josh e seu camarada silencioso deixavam rastros atrás de nós como figurantes em um filme de Hollywood. Seth segurou a porta aberta para mim, deixando que os dois caras lidassem com a porta de vaivém sozinhos. O ar estava frio, e eu desejei ter implorado para o meu pai por mais cinqüenta doláres para conseguir um xale que combinava com essa roupa. Eu me peguntei se Seth me oferecia seu casaco se eu reclamasse. A lua era uma mancha brumosa atrás das nuvens, e a medida que Seth me escoltava escada abaixo, eu podia ouvir Josh atrás de mim, falando suavemente com seu amigo em um baixo, irrisório tom. Meu maxilar trincou, e eu segui Seth até um luzidio carro preto estacionado ilegalmente no meio-fio. Era um conversível, o seu teto aberto para o céu nublado, e eu não pude evitar sorrir mais largamente. Talvez nós pudessemos dar uma volta antes dele me levar para casa. Frio ou não, eu queria ser vista nesse carro, sentada perto do Seth, o vento no meu cabelo e a música com potência. Eu aposto que ele tem um ótimo gosto em música. "Madison..." Seth disse em convite, abrindo a porta para mim. Sentindo-me estranha e especial ao mesmo tempo, eu relaxei no baixo assento da frente, meu vestido deslizando em couro suave. Seth esperou enquanto eu colocava o resto da minha saia para dentro antes de gentilmente fechar a porta. Eu coloquei o cinto enquanto ele atravessava por trás do carro. A pintura preta cintilava na baixa incandescência das luzes de segurança, e eu passei os meus dedos pela suavidade, presunçosa quando vi Josh correndo até seu carro. Seth me assustou quando ele deslizou para trás do volante; eu não tinha nem mesmo escutado a porta abrir. Ele ligou o motor, e eu gostei do sólido ruído dele. O aparelho de som apareceu com algo agressivo. Os vocais não eram em inglês, mas isso só adicionava ao conjunto. As luzes do carro do Josh piscaram, e nós nos arrastamos mais para frente, Seth dirigindo com uma mão. Minha pulsação acelerou a medida em que eu olhava para ele através da luz fosca. O ar frio parecia pesado contra a minha pele, e a medida que nós acelerávamos, o vento achou seu caminho através do meu cabelo. "Eu vivo em direção ao sul," eu disse quando nós chegamos na estrada principal, e ele virou para o caminho apropriado. Os faróis de Josh balançavam atrás de nós, e eu me arrumei no assento, desejando que Seth tivesse me oferecido seu casaco. Mas ele não tinha dito uma palavra ou olhado para mim desde que eu tinha entrado no carro. Mais cedo, ele tinha sido confiantemente astuto. Agora era... expectativa? E apesar de eu não saber porque, um vagaroso sentimento de alarme se enraizou. Como se estivesse sentindo isso, Seth se virou, dirigindo pela negra estrada sem olhar. "Tarde demais," ele disse suavemente, e eu senti meu rosto empalidecer. "Fácil. Eu disse a eles que seria fácil quando você fosse jovem e estúpida. Quase não valeu o esforço. Certamente não foi nenhum divertimento." Minha boca secou. "Perdão?" Seth olhou para a estrada e de volta para mim. O carro começou a ir mais rápido, e eu agarrei a maçaneta da porta, pressionando para longe dele. "Nada pessoal, Madison. Você é um nome na lista. Ou devo dizer, uma alma para ser coletada. Um nome

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importante, mas um nome não obstante. Eles disseram que não poderia ser feito, e agora, você será a minha admissão para uma corte mais alta, você e sua pequena vida que agora não ira mais acontecer." O que diabos? "Josh," eu disse, virando-me para as luzes que ficavam distantes a medida que Seth acelerava. "Ele está seguindo. Meu pai sabe aonde eu estou." Seth sorriu, e eu tremi na visão do luar cintilando nos dentes dele. Todo o resto estava perdido em uma brumosa sombra da lua e no som agudo do vento. "Como se isso fosse fazer diferença?" Oh meu Deus. Eu estava sem saída. Minha intuição se apertou. "Pare o carro," eu disse rigorosamente, uma mão na porta, a outra segurando meu chicoteante cabelo para longe dos meus olhos. "Pare o carro e me deixe sair. Você não pode fazer isso. As pessoas sabem aonde eu estou! Pare o carro!" "Parar o carro?" ele disse, sorrindo falsamente. "Eu vou parar o carro." Seth mexeu sua perna, pisando no freio e virando o volante. Eu gritei, agarrando qualquer coisa. O mundo girou. Meu fôlego me deixou em um guincho a medida que o estranho sentimento de barulho demais se misturava a cessação de solavanco. Nós tínhamos deixado a estrada. A gravidade puxava pelo lado errado. Pânico golpeou quando eu percebi que o carro estava virando de ponta cabeça. Merda. Eu estava em um conversível. Eu abaixei a cabeça, mãos apertando a parte de trás do meu pescoço, rezando. Uma dura pancada me balançou e tudo ficou preto. Minha respiração foi comprenssada de mim pela força do golpe. Eu acho que eu estava de cabeça pra baixo. Então eu fui puxada com força para o outro lado. O céu brilhou em cinza, e eu suguei o ar enquanto o carro virava mais uma vez a medida que rolava aterro abaixo. De novo, o céu ficou preto e o teto do carro atingiu o chão. "Não!" eu gritei, indefesa, então gemi quando o carro bateu até parar, na vertical. Eu fui arremessada contra o cinto de segurança, agonia me apunhalando pelas minhas costas a medida que eu era jogada para frente. Estava quieto. Respirar doía. Oh Deus, doía por toda parte, e eu encarei o pára-brisa estilhaçado enquanto ofegava. As novas bordas da janela cintilavam estupidamente no luar, e eu segui a linha rompida até o pára-lama para descobrir que Seth tinha sumido. Minhas estranhas doíam. Eu não via sangue, mas eu acho que quebrei algo por dentro. Eu estava viva? "Madison!" veio distante sobre a minha áspera respiração. "Madison!" Era Josh, e eu forcei meus olhos para cima para as bolas de luz gêmeas no topo do aterro. Uma figura indistinta estava deslizando para baixo. Josh. Eu tomei fôlego para chama-lo, gemendo quando alguém pegou a minha cabeça e me virou para o outro lado. "Seth?" eu sussurrei. Ele parecia intocado, parado fora do carro arruinado do lado da minha porta em sua fantasia de pirata de seda preta. A lua capturou seus olhos e pingente, dando a ambos um resplendor cinza. "Ainda viva," ele disse categoricamente, e lágrimas começaram a escorregar de mim. Eu não podia me mover, mas tudo era uma dor maciça então eu não achei que estivesse paralizada. Maldição, esse era uma porcaria de aniversário. Papai iria me matar. "Eu me machuquei," eu disse, minha voz pequena, então pensei, Que coisa estúpida de se dizer.

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"Eu não tenho tempo para isso," Seth disse, claramente incomodado. Meus olhos se ampliaram, mas eu não me mexi quando ele puxou das dobras de sua fantasia uma pequena lâmina. Eu tentei gritar, mas minha respiração me deixou quando ele recuou seu braço como se para me atacar. O luar cintilou na lâmina, vermelha com o sangue de outro. Fantabuloso. Ele é um psicopata. Eu saí do baile com um psicopata que utilizava facas com destreza. Eu escolho-os bem, ou o quê? "Não!" eu gritei, conseguindo colocar meus braços pra cima, mas a lâmina era um sussurro de gelo passando através de mim, não me machucando. Eu encarei a minha cintura, não acreditando que eu estava inteira. Meu vestido não estava rasgado e sangue não estava fluindo, mas eu sabia que a lâmina tinha passado através mim. Tinha passado através de mim e do carro juntos. Não entendendo, eu olhei boquiaberta para o Seth, agora parado com a lâmina descansando e me assistindo. "O que..." eu tentei dizer quando eu percebi que nada mais doía. Mas minha voz estava absolutamente ausente. Ele arqueou suas sobrancelhas em uma demonstração de desdenho. Minha expressão me deixou quando eu senti o primeiro toque leve de um absoluto nada, tanto novo como familiar, como uma memória perdida há muito tempo. A terrível ausência de tudo rastejou-se através de mim, calando cada pensamento que aparecia. Suave e vago, um cobertor de nada começou nas margens do meu mundo e se moveu para o interior, tomando primeiramente a lua, depois a noite, depois meu corpo, e finalmente o carro. Os gritos de Josh foram engolidos em um baixo silêncio de tamborilação, deixando somente os olhos prateados de Seth. E então Seth se virou e foi embora. "Madison!" eu escutei fracamente, seguido pelo mais breve toque na minha bochecha. Então até aquilo derreteu e não tinha mais nada. Capítulo Dois A névoa de nada escorregou lentamente de mim em uma dolorosa seqüência de picadas e o som de duas pessoas discutindo. Eu me senti mal, não das minhas costas inteiras estarem formigando tão dolorosamente que eu mal podia aguentar respirar, mas do sentimento de impotente temor que as vozes abafadas de ida-e-volta arrastavam do meu passado. Eu quase podia sentir o cheiro da penugem mofada do meu coelho de pelúcia a medida que eu me enrolava como uma bola e escutava as duas pessoas que eram o meu mundo me amedrontarem inacreditavelmente. Que ambos houvessem me dito que não tinha sido minha culpa não diminuiu meu pesar de modo algum. Pesar que eu tinha que guardar por dentro até que ele se tornasse uma parte de mim. Dor que tinha se aderido aos meus ossos. Chorar nos braços da minha mãe diria que eu a amava mais. Chorar nos ombros do meu pai diria que eu o amava mais. Era uma porcaria de jeito de se crescer. Mas isso... isso não era os meus pais discutindo. Soava como duas crianças. Eu tomei fôlego para descobrir que ele vinha mais facilmente. O último nevoeiro começou a desaparecer com os formigamentos, e meus pulmões se moveram, doendo como se alguém estivesse sentando neles. Percebendo que meus olhos estavam fechados, eu os abri para encontrar um preto desfocado perante meu nariz. Havia um pesado cheiro de plástico. "Ela tinha dezesseis quando ela entrou naquele carro. A culpa é sua," uma jovem

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porém masculina voz disse irritadamente, estranhamente abafada. Eu estava tendo a nítida impressão que a discussão estava acontecendo há algum tempo, mas eu só me lembrava de pedaços dela no meio de desconfortáveis pensamentos de nada. "Você não vai me culpar por isso," uma garota disse, sua voz tão abafada e determinada quanto. "Ela tinha dezessete quando ele mudou a sorte dela (flipped her coin, no original). Esse é o seu fracasso, não o meu. Deus o abençoe, ela estava bem na sua frente! Como você não percebeu?" "Eu não percebi porque ela não tinha dezessete!" ele respondeu rapidamente. "Ela tinha dezesseis quando ele a pegou. Como eu deveria saber que ele estava atrás dela? Como é que você não estava lá? Você se enganou feio." A garota arfou em afronta. Eu estava com frio. Tomando um fôlego maior, eu senti um surto de força. Menos formigamentos, mais dores. Era asfixiante, minha respiração voltando quente pra mim. Não estava escuro; eu estava em algo. "Seu inutilzinho!" a garota repreendeu. "Não me diga que eu me enganei. Ela morreu com dezessete. Era por isso que eu não estava lá. Eu nunca fui notificada." "Mas eu não trabalho com os de dezesseis," ele disse, sua voz ficando indecente. "Eu achei que ele estava mudando a sorte do garoto." Eu percebi de repente que o preto desfocado jogando minha respiração de volta era um lençol de plástico. Minhas mãos apareceram, e minhas unhas o romperam numa sensação de medo. Quase entrando em pânico, eu me sentei. Eu estava em uma mesa? Com certeza pareceu dura o bastante para uma. Eu empurrei o plástico para longe de mim. Dois garotos estavam parados próximos a um par de sujas portas giratórias brancas, e eles giraram em surpresa. O rosto pálido da garota ficou vermelho, e o garoto recuou como se estivesse embaraçado de ter sido pego discutindo com ela. "Oh!" a garota disse, jogando sua longa trança escura para trás. "Você está acordada. Uh, oi. Eu sou Lucy, e esse é o Barnabas." O garoto abaixou seus olhos e acenou envergonhadamente. "Ei," ele disse. "Como você está?" "Você estava com Josh," eu disse, meu dedo tremendo enquanto eu apontava, e ele concordava, ainda não olhando pra mim. A fantasia dele parecia estranha perto dos shorts e da camisa sem mangas dela. Ambos usavam um pingente de pedra preta em volta de seus pescoços. Eles eram tolos e insignificantes, mas meus olhos foram para eles porque eram a única coisa que os dois tinham em comum. Tirando a raiva que sentiam um do outro e a surpresa a mim. "Aonde eu estou?" eu disse, e Barnabas recuou, uma forma alta arrastando seus pés pelo azulejo. "Aonde o Josh está?" eu hesitei, percebendo que estava em um hospital, mas... Espera um minuto. Eu estava em uma porcaria de um saco para corpos? "Eu estou no necrotério?" eu falei impulsivamente. "O que eu estou fazendo no necrotério?" Me movendo desenfreadamente, eu tirei minhas pernas do saco plástico e escorreguei para o chão, os saltos batendo em um estranho contraponto a medida que eu recuperava meu balanço. Havia uma etiqueta no elástico ao redor do meu pulso, e eu o arranquei, tirando um pouco de pelo com ele. Eu tinha um longo rasgo na minha saia, e pesada graxa sinalizava isso. Sujeira e grama estavam emplastrados em mim, e eu fedia a campo e antiséptico. Lá se foi conseguir o meu depósito de volta. "Alguém cometeu um erro," eu disse a medida que eu enfiava a etiqueta em um bolso,

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e Lucy bufou. "Barnabas," ela disse, e ele endureceu. "Isso não é culpa minha!" ele exclamou, contornando-a. "Ela tinha dezesseis quando ela entrou naquele carro. Eu não trabalho com os de dezesseis! Como eu deveria saber que era o aniversário dela?" "É? Bem, ela tinha dezessete quando ela morreu, então o problema é seu!" Morta? Eles estavam cegos? "Quer saber?" eu disse, me sentindo ficar mais firme o quanto mais eu ficava parada ali. "Vocês dois podem discutir até que o Sol vire uma nova*, mas eu tenho de encontrar alguém e dizer a eles que estou bem." Saltos batendo, eu me dirigi para as sujas portas gêmeas brancas. * http://pt.wikipedia.org/wiki/Nova

"Madison, espera," o garoto disse. "Você não pode." "Observe-me," eu disse. "Meu pai vai ficar tão-o-o-o irritado." Eu caminhei para além deles, indo seis metros antes que um sentimento de desconexão me atingisse. Zonza, eu coloquei a mão em uma mesa vazia a medida que o estranho sentimento rugia de lugar nenhum. Minha mão teve cãibras aonde ela descansava, e eu a afastei como se estivesse queimando quando pareceu que a frieza do metal tinha tocado meu osso. Eu me senti... esponjosa. Fina. O zunir suave da ventilação ficou abafado. Até mesmo o golpear do meu coração tornou-se distante. Eu me virei, mão no meu peito para tentar e fazer com que ficasse normal de novo. "O que..." Do outro lado da sala, Barnabas encolheu seus magros ombros. "Você está morta, Madison. Desculpa. Se você ficar longe demais dos nossos amuletos, começará a perder substância." Ele gesticulou para a maca, e eu olhei. Minha respiração golpeou-se para fora de mim. Joelhos entortando, eu meio que caí contra a mesa vazia. Eu ainda estava lá. Quer dizer, eu ainda estava na maca. Eu estava deitada no carrinho em um saco para corpos rasgado, parecendo pequena e pálida demais, meu elaborado vestido agrupado ao meu redor em uma elegante exibição de graça esquecida fora do tempo. Eu estava morta? Mas eu podia sentir o meu coração bater. Membros ficando fracos, eu comecei a me dobrar. "Excelente. Ela é uma dessas que desmaiam," a garota disse secamente. Barnabas deu uma guinada para frente para me pegar. Seus braços escorregaram ao meu redor e minha cabeça relaxou. Ao toque dele, tudo voltou correndo: sons, cheiros, e até meu pulso. Minhas pálpebras agitaram-se. Há centímetros de mim, os lábios de Barnabas espremeram-se com força. Ele estava tão perto, e eu pensei que podia sentir o cheiro de girassóis. "Por que você não cala a boca?" ele disse à Lucy a medida que me liberava no chão. "Mostrar um pouco de compaixão? Esse é o seu trabalho, sabe." O frio do azulejo me ensopou, parecendo clarear o cinza da minha vista. Como eu podia estar morta? Os mortos desmaiavam? "Eu não estou morta," eu disse instavelmente, e Barnabas me ajudou a sentar e colocar minhas costas contra um pé de mesa. "Sim, você está." Ele encolheu-se ao meu lado, seus olhos castanhos amplos e

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preocupados. Sinceros. "Eu sinto muito mesmo. Eu achei que ele fosse mudar a sorte do Josh. Eles geralmente não deixam evidência como um carro para trás desse jeito. Você deve ser realmente uma pena quebrada na asa deles." Meus pensamentos relampejaram para a batida, e eu coloquei uma mão no estômago. Josh tinha estado lá. Eu lembrava disso. "Ele acha que eu estou morta. Josh, quero dizer." Do outro lado da sala veio o "Você está morta" cáustico da Lucy. Eu mandei meu olhar para a maca, e Barnabas se deslocou para bloquear a minha visão. "Quem são vocês?" eu perguntei a medida que a vertigem ia embora. Barnabas ficou de pé. "Nós, ah, nós somos o Reconhecimento de Erros, Aquisições Pessoais, Exames e Recuperações." Eu pensei sobre isso. Reconhecimento de Erros, Aquisições...R.E.A.P.E.R. (anjo da morte, em inglês)? Puta merda! Uma explosão de adrenalina permeou-se por mim. Eu me dispersei, olhos fixos em mim na maca. Eu estava aqui. Eu estava viva! Aquela podia ser eu, mas eu estava de pé aqui, também. "Vocês são anjos da morte!" eu exclamei, sentindo o meu caminho ao redor da mesa e colocando-a entre nós. Meus dedos do pé começaram a ficar dormentes, e eu parei, meu olhar movendo-se rapidamente para o amuleto ao redor do pescoço de Barnabas. "Oh, meu Deus, eu estou morta," eu sussurrei. "Eu não posso estar morta. Eu não estou pronta para estar morta. Eu não acabei ainda! Eu só tenho dezessete!" "Nós não somos anjos da morte." Lucy tinha seus braços cruzados de maneira defensiva como se eles fossem uma mancha dolorida. "Nós somos ceifadores brancos. Ceifadores negros matam as pessoas antes que a sorte delas devesse ser mudada, ceifadores brancos tentam salva-las, e anjos da morte são traidores traiçoeiros que se gabam demais e não sobreviverão para ver o Sol voltar a ser poeira." Barnabas parecia embaraçado enquanto mudava seu pé de posição. "Anjos da morte são ceifadores brancos que foram enganados para trabalhar para... o outro lado. Eles não fazem muitas coletas já que os ceifadores negros não os deixam, mas se de repente há um súbito e massivo número de mortos, você sabe que eles irão aparecer para puxar algumas almas mais cedo, do jeito mais dramático possível. Eles são uns retalhadores. Sem classe nenhuma." Essa última foi dita com uma voz amarga, e eu desejei saber sobre a rivalidade, dando ré até que eu comecei a me sentir esponjosa de novo. Olhando o amuleto deles, eu avancei lentamente até que a sensação fosse embora. "Vocês matam pessoas. Foi isso que o Seth disse. Ele disse algo sobre coletar a minha alma! Vocês matam as pessoas sim!" Barnabas passou a mão através da parte de trás de seu pescoço. "Ah, nós não matamos. Na maior parte do tempo." Ele olhou para Lucy. "Seth é um ceifador negro, um ceifador das trevas. Nós só aparecemos quando eles miram em algo fora do seu tempo, ou quando há um erro." "Erro?" Minha cabeça balançou com esperança. Isso significava que eles podiam me colocar de volta? Lucy veio para frente. "Não era para você morrer, entenda. Um ceifador das trevas pegou você antes que a sua sorte devesse ser mudada. É o nosso trabalho impedi-los, mas não podemos às vezes. Nós estamos aqui para pedir desculpas formalmente e te levar aonde você está indo." Franzindo a testa, ela olhou para Barnabas. "E assim que ele admitir que foi culpa dele, eu posso dar o fora daqui."

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Eu endureci, recusando-me a olhar para mim mesma na maca. "Eu não estou indo à lugar nenhum. Se vocês cometeram um erro, ótimo. Só me coloquem de volta! Eu estou bem ali." Eu dei um passo para frente, morrendo de medo. "Vocês podem, certo?" Barnabas recuou. "É meio que tarde demais. Todo mundo sabe que você está morta." "Eu não ligo!" eu gritei. Então meu rosto congelou com um pensamento repentino. Papai. Ele pensou que eu estava... "Papai..." eu sussurrei, entrando em pânico. Tomando fôlego, eu me virei para as portas giratórias e eu comecei a correr. "Espera! Madison!" Barnabas gritou, mas eu atingi duramente as portas, tropeçando nelas mesmo que elas só tivessem balançado 7 centímetros. Mas eu estava na sala seguinte. Eu tinha meio que passado através delas. Como se eu nem ao menos estivesse lá. Havia um cara gordo no balcão, e ele olhou para o minúsculo guincho que as portas fizeram quando se moveram. Os pequenos olhos de porco dele se ampliaram, e ele tomou um longo fôlego. De boca aberta, ele apontou. "Houve um erro," eu falei impulsivamente, dirigindo-me à arcada aberta** e ao corredor turvamente iluminado. "Eu não estou morta." ** http://tinyurl.com/2ekxte

Mas eu estava me sentimento realmente estranha de novo. Nebulosa e fina. Esticada. Nada soava direito, tampouco, e o cinza estava avançando lentamente sobre a minha visão para tranforma-la em algo parecido com um túnel. Atrás de mim, Barnabas irrompeu pelas portas. Imediatamente o mundo voltou ao normal. Era o amuleto que ele usava que me mantinha sólida. Eu tinha que conseguir um desses para mim. "Sim, ela está," ele disse, nunca diminuindo o passo até ele ter agarrado o meu pulso. "Você está tendo alucinações. Ela não está aqui de verdade. Eu também não." Lucy impulsionou-se, as portas giratórias batendo contra a parede para fazer eu e o Cara do Balcão pularmos. "Madison, pare de ser uma morta-viva. Você tem que ir." Isso era demais para o técnico, e ele estendeu a mão para o telefone. Eu torci o meu pulso, mas Barnabas não me soltava. "Eu tenho que falar com o meu pai!" eu exclamei, e ele me tirou o equilíbrio. "Nós estamos indo embora," ele disse, uma nova ameaça em seus olhos. "Agora." Frenética, eu pisei no pé dele. Barnabas uivou, sua forma desengonçada dobrando-se a medida que ele soltava. Lucy riu dele, e eu lancei-me pelo corredor. Tentem me impedir, eu pensei, então corri em direção a algo grande, quente, e cheirando a seda. Eu recuei, ficando assustada quando eu vi que era Seth. Ele tinha me matado com uma espada que não havia deixado nenhuma cicatriz quando me jogar de um penhasco falhou. Ele era um ceifador das trevas. Ele era a minha morte. "Por que há dois de vocês?" ele perguntou a medida que olhava Barnabas e Lucy. A cadência da voz dele era familiar, mas o som dela atingiu os meus ouvidos de forma errada. E a fragância de mar agora cheirava à podridão. "É mesmo," ele acrescentou, puxando seu olhar de volta à mim, e eu tremi. "Você morreu no aniversário do seu nascimento. Dois ceifadores. Ai, ai, ai. A rainha do drama, Madison. Estou feliz que esteja de pé. É hora de ir." Encurvada e com medo, eu recuei. "Não toque em mim."

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"Madison!" Barnabas gritou. "Corra!" Mas só havia o necrotério para aonde correr. Lucy ficou na minha frente, as mãos estendidas amplamente como se ela pudesse parar Seth com somente sua força de vontade. "O que você está fazendo aqui?" ela disse, sua voz tremendo. "Ela já está morta. Você não pode mudar a sorte dela duas vezes." Seth friccionou seus sapatos confiantemente. "Como você disse, eu mudei a sorte dela. Ela é minha se eu a quiser." Barnabas empalideceu. "Você nunca volta para eles. Você não..." Os olhos deles lançaram-se para a pedra no pescoço de Seth. "Você não é um ceifador negro, é?" Seth deu risada como se fosse uma grande piada. "Não. Eu não sou. Eu sou um pouco mais. Mais do que você pode lidar. Vá embora, Barnabas. Só ande para longe. Não irá doer se você for." Eu encarei Barnabas, indefesa. Os olhos castanhos dele encontraram os meus, viram o meu medo. Eu o observei visivelmente reunir sua coragem. "Barnabas!" Lucy gritou, apavorada. "Não!" Mas Barnabas lançou-se na figura escura de seda preta. Em um movimento tão casual que foi assustador, Seth virou-se para bater nele com as costas da mão. Braços e pernas descontrolados, Barnabas voou para trás, atingindo a parede e desmoronando no chão, inconsciente. "Corra!" Lucy gritou, me empurrando em direção ao necrotério. "Fique no Sol. Não deixe as asas negras te tocarem. Nós buscaremos ajuda. Alguém irá te encontrar. Caia fora daqui!" "Como?" eu exclamei. "Ele está na frente da única porta." Seth se moveu novamente, dessa vez golpeando Lucy com as costas da mão. Ela se dobrou aonde estava de pé, deixando apenas eu, já que o técnico tinha ou desmaiado ou se escondido debaixo da mesa. Com a mandíbula tremendo, eu fiquei de pé revelando toda a minha altura - humilhante - e puxei meu vestido para que ficasse reto. Mais profundamente ainda, aparentemente. "Ela quis dizer," Seth disse, sua voz tanto familiar como estranha, "correr através das paredes. Você tinha uma chance maior contra as asas negras no Sol do que comigo debaixo da terra." "Mas eu não posso..." eu comecei, então olhei para as portas giratórias. Eu atravesseias, tendo aberto elas apenas alguns centímetros. Que diabos eu era? Um fantasma? Seth sorriu, me causando arrepios. "Bom te ver, Madison, agora que eu realmente posso... te ver." Ele tirou a sua máscara e a deixou cair. O rosto dele era lindo, como pedra esculpida transformada em algo suave. Eu lambi meus lábios e fiquei gelada até os ossos quando lembrei dele me beijando. Segurando um braço, eu recuei, tentando me livrar da influência de Barnabas e Lucy para que eu pudesse correr através das paredes. Ei, se o Sr. Horripilante pensava que eu podia, então talvez eu pudesse. Seth seguiu, passo a passo. "Nós iremos embora juntos. Ninguém irá acreditar que eu coletei você a não ser que eu jogue você nos pés deles." Saltos estalando, eu continuei me movendo. Meu olhar lançou-se para Barnabas e Lucy, ambos ainda esparramados no azulejo. "Eu prefiro ficar, obrigada." Meu coração golpeou, e minhas costas atingiram a parede. Um pequeno uivo escorregou de mim. Eu estava distante o bastante deles para que me sentisse nebulosa, mas eu não me sentia. Eu encarei Seth, então a pedra preta ao redor do pescoço dele. Era a mesma.

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Droga! "Você não tem escolha," ele disse. "Fui eu que matei você. Você é minha." Ele estendeu a mão, agarrando meu pulso. Adrenalina agitou-se, e eu me girei. "O diabo que eu sou," eu disse, então chutei ele nas pernas. Ele claramente sentiu, gemendo a medida que se curvava de dor, mas não soltava. Ele tinha posto seu rosto ao meu alcanço, de qualquer forma, e agarrando o cabelo dele, eu bati o nariz dele contra o meu joelho erguido. Eu senti cartilagem quebrar, e meu estômago deu voltas. Xingando em uma língua que machucava minha cabeça, ele soltou e caiu. Eu tinha que cair fora daqui. Eu tinha que estar sólida ou eu nunca conseguiria. Coração golpeando, eu agarrei a pedra ao redor do pescoço dele, puxando o colar por cima das orelhas dele e para fora. Ele formigou como fogo na minha mão, e eu apertei meus dedos ao redor dele, disposta a sofrer se isso significasse que eu ficaria inteira. Seth atingiu o chão, olhando boquiaberto para mim com sangue vermelho cobrindo seu rosto. Ele parecia tão surpreso quanto se tivesse corrido através de uma parede de vidro. "Madison..." Barnabas raspou do chão. Eu me virei, vendo ele me encarar com olhos apertados de dor e fora de foco. "Corra," ele arfou. Com o amuleto de Seth na minha mão, eu me virei para o corredor aberto... e eu corri. Capítulo Três "Pai!" eu parei na frente da porta aberta, o coração golpeando enquanto eu escutava o silêncio vazar do estado limpo e bem arrumado no qual o meu pai mantinha a casa. Atrás de mim, um cortador de gramas zumbia no Sol da manhã. A bruma dourada entornou para cintilar no piso de madeira e no corrimão que levava escada acima. Eu tinha corrido o caminho inteiro naqueles saltos e aquele vestido detestável. As pessoas tinham encarado, e eu não estar nem um pouco cansada me assustou. Minha pulsação estava rápida de medo, não do esforço. "Pai?" Eu entrei, meus olhos comichando de emoção quando do andar superior veio a incrédula e instável voz do meu pai chamando, "Madison?" Eu subi os degraus dois por vez, tropeçando na minha saia e usando as unhas para chegar no último degrau. Com a garganta apertada, eu parei na entrada do meu quarto. Meu pai estava sentado no chão entre as minhas caixas, abertas mas nunca desempacotadas. Ele parecia velho, seu rosto fino abatido de desgosto, e eu não podia me mover. Eu não sabia o que fazer. De olhos arregalados, ele encarou como se eu não estivesse ali. "Você nunca desempacotou," ele sussurrou. Uma lágrima quente desceu pelo meu queixo, vinda de lugar nenhum. Vendo ele desse jeito, eu percebi que ele realmente precisava de mim pra lembrá-lo das coisas boas. Ninguém havia precisado de mim antes. "Eu... eu sinto muito, pai..." Eu consegui dizer enquanto eu ficava de pé ali, indefesa. Ele tomou fôlego e saiu do transe. Emoção iluminou seu rosto. Em uma explosão de movimento, ele ficou de pé. "Você está viva?" ele sussurrou, e eu arfei quando ele percorreu os três passos entre nós e me trouxe junto à ele em um aperto esmagador. "Eles disseram que você estava morta. Você está viva?"

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"Eu estou bem," eu chorei no peito dele, a libertação me lavando por dentro tão duramente que era doloroso. Ele cheirava como o laboratório no qual trabalhava, como óleo e tinta, e nada jamais cheirou tão bem. Eu não podia parar as minhas lágrimas. Eu estava morta - eu acho. Eu tinha um amuleto, mas eu não sabia se eu seria capaz de ficar, e o medo disso alimentou o meu desamparo. "Eu estou bem," eu disse perto de um gemido soluçante. "Mas houve um engano." Meio rindo, ele empurrou para trás o suficiente para poder ver meu rosto. Lágrimas iluminavam seus olhos, e ele sorria como se nunca tivesse parado. "Eu estava no hospital," ele disse. "Eu vi você." A memória daquela dor passou por detrás de seus olhos, e ele tocou o meu cabelo com uma mão sacolejante como se para assegurar-se de que eu era real. "Mas você está bem. Eu tentei ligar para sua mãe. Ela vai pensar que eu estou maluco. Mais maluco do que o normal. Eu não pude deixar uma mensagem dizendo a ela que você tinha sofrido um acidente. Então eu desliguei. Mas você está bem mesmo?" Minha garganta estava apertada, e eu funguei ruidosamente. Eu não iria abrir mão do meu amuleto. Nunca. "Eu sinto muito, pai," eu disse, ainda chorando. "Eu não devia ter saído com aquele cara. Eu nunca devia ter saído. Eu sinto muito. Eu sinto muito mesmo!" "Shhhh." Ele me puxou de volta para um abraço, me balançando, mas eu só chorava mais ainda. "Está tudo bem. Você está bem," ele tranqüilizou, sua mão escovando o meu cabelo. Mas ele não sabia que eu realmente estava morta. Sua respiração complicando-se, meu pai parou com um pensamento repentino. Ele me colocou na altura do braço, e o frio que entornou sobre mim quando ele me examinou acabou com as minhas lágrimas com uma suave aspiração. "Você realmente está bem," ele disse em espanto. "Nenhum arranhão em você." Eu sorri nervosamente, e um de seus braços escorregou de mim. "Pai, tem algo que eu preciso te contar. Eu-" Houve um suave arrastar de pés na porta. Os olhos do meu pai dispararam por sobre os meus ombros, e eu me virei para encontrar Barnabas de pé sem jeito perto de um homem baixo em um tipo de uniforme de artes marciais frouxo. Era encapelado. Não era nada funcional. Ele era ereto e magro, com afiados traços no rosto e de pele muito escura. Seus olhos eram de um marrom profundo, pesadamente sinalizados nos cantos. Seu cabelo, também, dizia que ele era velho, os cachos estreitos acinzentados nas têmporas. "Perdão," meu pai diz, me puxando para ficar de pé ao lado dele. "Vocês trouxeram a minha filha para casa? Obrigado." Eu não gostava do sorriso do Barnabas, e eu tive que me esforçar para não me esconder atrás do meu pai. Seu braço ainda estava ao meu redor, e eu não queria me mover. Porcaria. Eu acho que Barnabas trouxe o chefe dele. Eu queria ficar. Droga, eu não quero estar morta. Isso não é justo! O homem negro fez uma cara deplorável. "Não," ele disse, a palavra tendo uma agradável vivacidade. "Ela conseguiu isso sozinha. Deus sabe como." Eu sequei meus olhos, amedrontada. "Eles não me trouxeram para casa," eu disse, me deslocando nervosamente. "Eu não conheço eles. Eu já vi esse cara," eu acrescentei, "mas não o velho." Ainda, o meu pai sorria de maneira neutra, tentando juntar as peças. "Vocês são do

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hospital?" ele perguntou, e então seu rosto endureceu. "Quem é o responsável por ter me dito que a minha filha estava morta? A cabeça de alguém irá rolar por causa disso." Barnabas encolheu-se de medo, e seu chefe torceu o nariz para o acordo. "Palavras mais verdadeiras nunca foram ditas, senhor." Seus olhos viajaram pelo meu quarto, absorvendo as paredes rosas, os móveis brancos, e as caixas abertas nunca completamente desempacotadas. Eles pousaram em mim por último, e eu me perguntei quais as conclusões que ele teve. Com a minha vida acabando tão abruptamente, eu era meio como o meu quarto - tudo estava aqui, mas nada fora das caixas. E agora tudo iria ser fechado com fita isolante e enfiado em um armário, todas as coisas boas nunca vistas ou realizadas. Eu não acabei ainda. Eu endureci quando o homem deu um passo para dentro do meu quarto, uma magra mão levantada apaziguadoramente. "Nós precisamos conversar, criança," ele disse, me atingindo friamente. Oh Deus. Ele queria que eu fosse com ele. Eu agarrei com força o amuleto contra mim, e o aperto do meu pai em mim se estreitou. Ele viu meus olhos amedrontados e finalmente entendeu que algo estava errado. Deslocando-se, ele se colocou entre mim e as duas pessoas na entrada. "Madison, chame a polícia," ele disse, e eu alcancei o telefone na mesinha de cabeceira. Que eu tinha desempacotado. "Ah, nós precisamos de um momento," o velho disse. Eu voltei minha atenção para cima a medida que ele balançava sua mão como um péssimo ator em um filme de ficção científica. O zumbido da linha aberta foi cortado, e lá fora, o cortador de grama parou. Chocada, eu encarei o telefone, então o meu pai de pé entre eu e os dois homens. Ele não estava se movendo. Meu joelhos pareceram aquosos. Colocando o telefone de volta na bateria, eu encarei meu pai. Ele parecia bem. Tirando o negócio de não se mover. O velho suspirou, e minha atenção foi parar nele. Filho de uma cachorra, eu pensei, com frio e com medo. Eu não iria embora sem lutar. "Deixe ele ir," eu disse, minha voz tremendo. "Ou eu irei... eu irei..." Os lábios de Barnabas se reviraram bruscamente, e o homem arqueou suas sobrancelhas. Seus olhos eram de um azul acinzentado. Eu podia jurar que eles eram castanhos. "Você irá o quê?" ele disse, tomando uma posição mais firme no carpete com seus braços por sobre seu peito. Eu olhei para o meu pai, congelado. "Eu vou gritar, ou algo do tipo," eu ameacei. "Vá em frente. Ninguém irá te escutar. Vai ser um estalo de nada, rápido demais para ser ouvido." Eu tomei fôlego para testar, e ele balançou a cabeça. Meu fôlego explodiu fora de mim e eu recuei quando ele moveu para dentro do quarto. Mas ele não estava vindo em mim. Puxando com força a minha cadeira branca da penteadeira, ele sentou com seu corpo pequeno em ângulo. Ele deixou cair seu cotovelo no topo e então deitou sua testa nas suas mãos como se estivesse cansado. Ele fazia um estranho contraste com a caixa de música e as coisas de garota. "Por que nada pode ser fácil?" ele murmurou, manuseando as minhas zebras de cerâmica. "Isso é uma piada?" ele disse mais alto para o teto. "Você está rindo? Dando boas risadas disso, não está?" Eu olhei para a porta, e Barnabas balançou sua cabeça em aviso. Que bom. Ainda tinha

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a janela - apesar que com esse vestido, eu podia morrer se eu caísse. Oh, espera. Eu já estou morta. "O meu pai está bem?" eu perguntei, ousando tocar o cotovelo dele. Barnabas assentiu, e o velho trouxe seu olhar de volta à mim. Fazendo caretas como se estivesse tomando uma decisão, ele estendeu sua mão. Eu a encarei, sem tentar alcança-la. "Prazer em conhece-la," ele disse firmemente. "Madison, é isso? Todos me chamam de Ron." Eu encarei ele, e ele lentamente baixou seu braço. Seus olhos estavam castanhos novamente. "Barnabas me contou o que você fez," ele disse. "Posso ver?" Surpresa, eu me inquietei, meus dedos deslizando do braço do meu pai. Cara...isso era horripilante. Era como se o mundo todo tivesse parado, mas eu era uma morta ambulante, então eu acho que meu pai ter sido congelado era uma coisa pequena. "Ver o quê?" "A pedra," Ron disse, e a insinuação de ansiedade na voz dele me golpeou como fogo. Ele a queria. Ele a queria, e era a única coisa que me mantinha viva. Ou não muito morta. "Eu acho que não," eu disse, certa do valor dela quando a expressão de Ron se tornou alarmada a medida que a minha mão deslizou para sentir a fria superfície da pedra. "Madison," ele amenizou, ficando de pé. "Eu simplesmente quero olhar ela." "Você quer ela!' eu exclamei, coração golpeando. "É a única coisa me mantendo sólida. Eu não quero morrer. Vocês bagunçaram tudo. Eu não deveria estar morta! A culpa é sua!" "Sim, mas você está morta," Ron disse, e minha respiração sibilou quando ele estendeu sua mão. "Só me deixe dar uma olhada nela." "Eu não vou abrir mão dela!" eu gritei, e os olhos de Ron se iluminaram com medo. "Madison, não! Não diga isso!" ele gritou, alcançando. Eu cambaleei para longe da questionável proteção do meu pai, agarrando com força a pedra. "É minha!" eu gritei, minhas costas atingindo a parede. Ron hesitou bruscamente, desalento claro em seus velhos traços a medida que seu braço caia. O mundo pareceu balançar. "Oh, Madison,' ele sussurrou. "Você realmente não devia." Não sabendo por que ele havia parado, eu o encarei, então endureci quando um calafrio passou por mim. Uma sensação de cãibras geladas subiu da minha palma e do amuleto, e correu pelo meu corpo todo, me fazendo endurecer. Foi como um choque elétrico. Eu escutei a minha pulsação ecoar em mim, a pancada voltando de dentro da minha pele antes de preencher o espaço e me fazendo sentir quase... completa. Um instante mais tarde, ela retrocedeu com uma sensação de calor para equilibrar com o frio, e então... estava acabado. Minha respiração golpeou para fora de mim, e eu fiquei de pé, congelada com as minhas costas para a parede. Com o coração golpeando, eu encarei Ron. Ele tinha um olhar miserável, quieto e depremido em seu robe. Eu estava com medo de me mover. Mas o amuleto na minha mão parecia diferente. Pequenas faíscas de sensações ainda disparavam dele, e incapaz de conseguir me deter, eu abri meus dedos para olhar. Meu queixo caiu, e eu encarei. Não era o mesmo. "Olha!" eu disse estupidamente. "Mudou." Suas costas arqueadas, Ron desmoronou por sobre a cadeira, resmungando a meia voz. Chocada, eu derrubei o pingente para segura-lo pelo cordão. Quando eu a tinha arrancado do ceifador negro, ela era um simples, cinza, pedra banhada pelo rio. Agora

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era completamente preta, como uma mancha de nada suspenso do cordão. O fio preto tinha um esplendor prata, pegando a luz e jogando-a pelo quarto. Porcaria. Talvez eu tivesse quebrado-a. Mas era linda. Como poderia estar quebrada? "Não é assim que ela estava quando eu a peguei," eu disse, então fiquei gelada com o olhar de pena que o Ron usava agora. Atrás dele, Barnabas parecia quase apavorado, seu rosto branco e seus olhos arregalados. "Você entendeu direitinho," Ron disse amargamente. "Nós tínhamos esperança de acabar com isso devidamente até que você a reivindicou. Mas não-o-o, agora é sua." Seus olhos encontraram os meus em repulsa irônica. "Parabéns." Lentamente a minha mão caiu, e eu me movi nervosamente. Era minha. Ele tinha dito que era minha. "Mas era a pedra de um ceifador negro," Barnabas disse, e eu me assustei com o medo na voz dele. "Aquela coisa não era um ceifador, mas tinha a pedra de um ceifador. Ela é uma ceifadora negra!" Meu lábios se separaram. "Opa, espera aí." "Ela é uma ceifadora negra!" Barnabas gritou, e meu queixo caiu quando ele chacoalhou sua camisa e revelou uma pequena mão de gancho, idêntica à do Seth. Pulando, ele ficou entre mim e Ron. "Barnabas!" Ron aumentou seu tom de voz, esmurrando ele e fazendo com que ele tombasse de volta para a parede. "Ela não é uma ceifadora negra, seu idiota! Ela não é nem mesmo uma branca. Ela não pode ser. Ela é humana, mesmo que ela esteja morta. Guarde isso antes que eu envelheça isso até que enferruje!" "Mas é uma pedra de ceifador negro," ele gaguejou, seus ombros estreitos encurvados. "Eu a vi pega-la!" "E de quem é a culpa de que ela sabia o que era, Barney?" ele zombou, e o jovem recuou, abaixando sua cabeça, claramente embaraçado. Meu coração golpeou a medida que eu ficava de pé no canto, segurando o pingente tão firmemente que meus dedos doíam. Ron olhou com desprezo entre nós. "Essa não é uma pedra de um ceifador negro mais do que um ceifador negro poderia ser forte o bastante para deixar provas corporais para trás de sua existência, ou..." ele continuou, levantando uma mão para impedir Barnabas de interromper, "ter uma razão para voltar para pegar a alma que coletaram. Ela tem algo mais poderoso que uma pedra de um ceifador, e eles voltarão por isso. Você pode contar com isso." Oh ótimo. Simplesmente excelente. Barnabas pareceu conseguir se recompor, aparentando estar preocupado e assustado. "Ele disse que não era um ceifador, mas eu achei que ele estava tentando nos intimidar. O que ele é se ele não é um ceifador?" "Eu não sei ainda. Mas eu tenho algumas idéias." A admissão de ignorância do Ron foi pior do que qualquer coisa que ele pudesse ter dito, e uma fita de medo passou por mim. Eu estremeci, e Ron suspirou quando ele viu isso. "Eu devia estar esperando por isso," ele murmurou. Então olhando para o céu, ele aumentou o tom de voz. "Um memorando teria sido bom!" Sua voz ecoou, acentuando o nada abafado que agarrava o mundo. Lembrando que essas pessoas não eram pessoas de verdade, eu olhei pro meu pai, tão congelado e imóvel quanto um manequim. Eles não iriam machucá-lo, iriam? Para acobertar o erro deles comigo? "Do pó às estrelas," Ron disse suavemente. "Nós simplesmente nós adaptaremos o

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melhor que pudermos." O velho ficou de pé com pesado suspiro. Vendo ele se mover, eu saí do canto para ficar entre ele e o meu pai. Ron olhou para a minha mão levantada como se eu fosse um gatinho repelindo um cachorro que só parou porque não estava interessado. "Eu não vou embora," eu disse, ficando na frente do meu pai como se eu pudesse realmente fazer algo. "E você não vai tocar no meu pai. Eu tenho uma pedra. Eu estou sólida. Eu estou viva!" Ron olhou-me nos olhos. "Você tem uma pedra, mas você não sabe como usá-la. E você não está viva. A ilusão de fingir estar é uma péssima idéia. No entanto, vendo que você tem uma pedra, e eles têm o seu corpo-" Meu olhar lançou-se para Barnabas, vendo pela expressão desconfortável dele que era verdade. "Seth? Ele tem o meu corpo?" eu disse, de repente com medo. "Por quê?" Ron estendeu a mão, e eu pulei quando ela pousou no meu ombro. Era quente, e eu podia sentir seu apoio - não que eu pensasse que ele realmente pudesse fazer algo pra me ajudar. "Para impedir você de fazer o cruzamento e com isso capaz de nos dar a pedra permanentemente?" ele chutou, seus olhos negros cheios de pena. "Enquanto eles tiverem o seu corpo, você está presa aqui. Aquela pedra que você pegou é claramente importante. Ela mudou para se adaptar às suas habilidades mortais. Muitas poucas pedras conseguem fazer isso. Geralmente quando um humano reivindica uma pedra, ela simplesmente pulveriza ele em uma explosão de sobrecarga." Eu fiquei boquiaberta, e Ron acenou com a cabeça sabiamente. "Reivindicar o divino quando não se é é um modo certeiro de explodir a sua alma até virar pó." Eu fechei minha boca, sufocando um tremor. "Se nós a tivermos," Ron continuou, "eles estão potencialmente em desvantagem. Está no limbo no momento, como você - uma moeda girando na beirada." A mão dele escorregou. Eu me senti ainda mais sozinha e pequena, ainda que eu fosse mais alta do que ele. "Enquanto você ficar no lado corporal das coisas, eles têm esperança de achá-la," ele disse, se movendo para olhar pela minha janela um mundo que tinha ficado devagar até quase não ter movimento. "Mas Seth sabe aonde eu estou," eu disse, confusa, e Ron girou lentamente ao redor. "Fisicamente, sim, mas ele foi embora daqui um tanto que abruptamente com seu corpo. Ele cruzou sem uma pedra para fazer uma memória de aonde exatamente você está no tempo. Será difícil encontrar você novamente. Especialmente se você não fizer nada para atrair atenção para si mesma." Senhorita Anônima. É, eu posso fazer isso. Ce-e-e-e-erto. Minha cabeça doía, e eu segurei um braço perto de mim com o outro e tentei achar sentido no que ele estava me dizendo. "Ele irá achá-la, de qualquer forma. Achar você e levar você e a pedra de volta com ele. O que acontecerá então?" Balançando sua cabeça, ele se virou para a janela novamente, a luz entornando para contorná-lo em dourado. "Eles fazem coisas terríveis, sem pensar, para se promoverem." Seth tinha meu corpo. Eu me senti empalidecer. Barnabas viu isso, então limpou sua garganta para conseguir a atenção de Ron. Os olhos do velho pousaram em mim, e ele piscou como se tivesse percebido o que acabara de dizer. "Ah, eu posso estar errado," ele disse, não ajudando. "Eu estou, às vezes."

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Minha pulsação acelerou, e eu senti um choque de pânico. Antes do acidente Seth tinha dito que eu era seu tíquete para uma corte superior. Ele não me queria só morta. Ele me queria. Não a pedra que eu tinha roubado dele. Eu. Eu abri minha boca para dizer a Ron, então, amedrontada, mudei de idéia. Barnabas viu em meu medo repentino que eu estava retendo algo, mas Ron estava se movendo, cruzando o quarto com passos afiados e enxotando a si mesmo. Barnabas silenciosamente recuou para o corredor, sua boca fechada e sua cabeça baixa pensando, provavelmente com medo de o que quer que fosse que eu não estava dizendo iria colocá-lo em mais problemas, e não menos. Alarme gotejou através de mim. Eles não estavam indo embora, estavam? “A única coisa que podemos fazer agora,” Ron disse, “é manter você intacta até descobrirmos como quebrar a influência que a pedra tem em você sem quebrar sua alma.” “Mas você acabou de dizer que eu não posso morrer,” eu disse. Aonde ele achava que estava indo? Seth iria voltar! Ron parou no solado da porta. Barnabas ficou de pé atrás dele, uma preocupação profunda demais para meros dezessete anos mostrando-se pesadamente nele. “Você não pode morrer porque você já está morta,” o velho disse. “Mas há coisas piores.” Ótimo, eu pensei, me esquentando quando eu recordei da dança com o Seth, o beijo que ele roubou, a sensação do nariz dele quebrando contra o meu joelho, e o olhar de ódio que ele me deu. Parabéns, Madison. Não somente eu estraguei a minha reputação em uma escola nova, mas eu consegui insultar o anjo da morte, também. Coloquei a mim mesma no topo da sua lista de desejos. “Barnabas?” Ron disse, me fazendo pular. Barnabas, também, pareceu surpreso. “Senhor?” “Parabéns, você foi promovido à anjo da guarda.” Barnabas congelou, então olhou horrorizado para mim. “Isso não é uma promoção. É uma punição!“ “Um pouco disso é sua culpa,” Ron disse, sua voz áspera em comparação com o astuto sorriso que ele me deu, mas Barnabas não podia ver. “A maior parte, provavelmente.” Seu rosto ficou sério. “Lide com isso. E não desconte isso nela.” “Mas Lucy. Era responsabilidade dela!” ele protestou, parecendo jovem a medida que choramingava. “Madison tem dezessete,” Ron disse, seu tom não tolerando discussões. “Você lida com os de dezessete. Deveria ser instantâneo.” Ele se virou, as mãos nos quadris. “Além do detalhe da sua habitual prevenção de ceifador branco, você será o anjo da guarda da Madison. Eu acho que nós podemos resolver isso em um ano.“ Seu olhar ficou distante. “De um jeito ou de outro.” “Mas senhor!” ele exclamou, tombando na parede do corredor quando Ron passou por ele indo em direção às escadas. Eu segui, não acreditando nisso. Eu tenho um anjo da guarda? “Senhor, eu não posso!” Barnabas disse, fazendo-me sentir como um fardo não desejado. “Eu não posso fazer o meu trabalho e vigiá-la! Se eu for longe demais, eles a levarão!” “Então mantenha-a com você enquanto trabalha.” Ron desceu diversos degraus. “Ela precisa aprender como usar essa coisa. Ensine algo à ela nas suas abundantes horas vagas. Além do mais, não é como se você tivesse que mantê-la viva. Só deixe a sorte

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dela girando. Tente fazer um trabalho melhor dessa vez,” ele quase rosnou. Barnabas bravejou, e Ron se virou para sorrir preocupadamente pra mim. “Madison,” ele disse em despedida. “Mantenha o pingente com você. Irá protegé-la de algum modo. Se você tirá-lo, asas negras podem te encontrar, e os ceifadores das trevas nunca estão longe delas.” Asas negras. Aqui estava essa frase novamente. Só o nome já convocava uma imagem asquerosa nos meus pensamentos. “Asas negras?” eu perguntei, as duas palavras soando completamente tolas nos meu lábios. Ron pausou no primeiro degrau. “Abutres imundos deixados pela criação. Eles cheiram mortes erradas antes que elas aconteçam e tentam furtar um pouco de alma esquecida. Não deixe-os tocá-la. Porque você está morta, eles podem sentí-la, mas com essa pedra eles irão achar que você é uma ceifadora e a deixarão em paz.” Minha cabeça balançou para cima e para baixo. Ficar longe das asas negras. Checado. “Cronus!” Barnabas implorou, a medida que Ron começava a descer novamente. “Por favor. Não faça isso comigo! “Ache um rumo e faça o seu melhor com ele,” Ron resmungou quando ele aterrissou no andar de baixo e caminhou em direção à porta. “É só por um ano.” Ele cruzou o solado da porta em direção ao Sol. A luz o atingiu, e ele desapareceu, não todo de uma vez, mas do pé pra cima a medida que ele se movia para dentro da luz. O Sol jorrando pela casa pareceu brilhar, e então o cortador de grama distante rugiu de volta à vida. Eu tomei fôlego a medida que o mundo começou a girar novamente com o som dos pássaros, do vento, e do rádio de alguém. Estupefata, eu fiquei de pé junto ao Barnabas. “O que ele quer dizer, por um ano?” Eu suspirei. “Isso é tudo que eu recebo?” Barnabas me olhou de cima a baixo, clarmente irritado. “Como é que eu vou saber?” De dentro do meu quarto veio um atemorizado “Madison? É você?” “Pai!” eu disse, colidindo com ele quando ele saiu. Ele transformou isso em um abraço feliz, seus braços ao meu redor e sorrindo enquanto olhava para Barnabas. “Você deve ser o garoto que trouxe Madison pra casa na noite passada. Seth, é isso?” Hãn? eu pensei, chocada. Ele já tinha conhecido Barnabas. E como o meu pai passou de raiva protetora para um pai amigável tão rapidamente? E quanto ao acidente? Ou o hospital? O carro batido? Eu estar morta? Barnabas deslocou-se de um pé para o outro no que pareceu constrangimento, lançando à minha expressão boquiaberta um olhar para calar a boca. “Não, senhor. Eu sou Barnabas. Um dos amigos da Madison. Eu estava com ela na noite passada, também, depois do Josh ter ido embora. É bom conhecê-lo, senhor. Eu só vim aqui para ver se Madison, ah, queria fazer alguma coisa hoje.” Meu pai pareceu orgulhoso por eu ter conseguido fazer um amigo sem a ajuda dele, mas eu estava extremamente confusa. Limpando sua garganta como se estivesse tentando decidir como tratar o meu primeiro amigo homem que ele teve a chance de conhecer, ele tomou a mão estendida do Barnabas. Eu fiquei parada e assiste maravilhada enquanto eles apertavam as mãos. Barnabas me deu um ligeiro encolher de ombros, e eu comecei a relaxar. Parecia que tudo havia sido apagado dos pensamentos do meu pai e uma falsa memória de uma noite sem ocorrências especiais fora colocada no seu lugar – um sonho de adolescente de um TCHAU ao máximo. Agora tudo que eu tinha que fazer era descobrir como Ron havia feito isso. Só para

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uma referência futura. “Ei, você tem alguma coisa para se comer por aqui?” Barnabas disse, esfregando uma mão através da parte detrás de seu pescoço. “Eu me sinto como se não tivesse comido há anos.” Como mágica, meu pai entrou em um modo parental-jovial, falando sobre waffles a medida que pisava no andar de baixo. Barnabas saiu atrás dele, hesitando quando eu peguei seu cotovelo e o fiz parar. “Então a história é que o Seth me deixou em casa e eu assisti TV pelo resto da noite?” eu perguntei, querendo saber quanto controle de danos eu teria que fazer por conta própria. “Eu nunca caí naquele aterro?” Eu acrescentei quando ele concordou. “Quem vai lembrar da noite passada? Alguém?” “Ninguém vivo,” ele disse. “Ron reserva tempo para ser meticuloso. Ele deve gostar de você muito.” Seu olhar caiu para a pedra ao redor do meu pescoço. “Ou talvez ele simplesmente goste da sua bonita nova pedra.” Sentindo-me novamente nervosa, eu larguei a camisa dele e Barnabas arrastou-se atrás do meu pai – que estava agora gritando conosco da cozinha para saber se Barnabas poderia ficar para o café da manhã. Eu endireitei meu vestido, passei uma mão pelo meu confuso cabelo, e dei vagarosos, cuidadosos passos para baixo atrás dele. Eu me sentia realmente esquisita. Um ano. Eu tinha pelo menos um ano. Eu podia não estar viva, mas por Deus eu não ia morrer de um todo. Eu iria descobrir como usar a pedra que eu peguei e ficar bem aonde eu estava. Aonde eu pertencia. Aqui com o meu pai. Observem-me. Capítulo Quatro Inquieta, eu sentei no telhado na escuridão, jogando pedras pela noite enquanto tentava reordenar meu pensamento. Eu não estava viva, mas eu não estava de toda morta, tampouco. Como eu havia suspeitado, um cuidadoso questionamento do meu pai transpondo-se pelo dia inteiro confirmou não apenas que ele não tinha idéia de que eu estivera morta no hospital, mas que ele nem ao menos se lembrava do acidente. Ele pensou que eu tinha dispensado o Josh quando descobri que eu era o par dele por pena, pego uma carona para casa com o Seth e o Barnabas, e assistido TV a noite toda, fazendo bico com a minha fantasia. Ele não estava satisfeito por eu ter estragado o aluguel, tampouco. Eu não apreciei ele tirar o custo disso da minha mesada, mas eu não quis me queixar. Eu estava aqui, meio que viva, e isso era tudo que importava. Meu pai pareceu surpreso com a minha submissa aceitação do meu castigo, me dizendo que eu estava crescendo. Oh, se ele apenas soubesse. Eu observei meu pai de perto o dia toda enquanto eu desempacotava e colocava as minhas coisas nas gavetas e prateleiras. Estava claro que ele sabia que alguma coisa não estava certa, apesar dele não saber direito o que. Ele dificilmente me tirava da sua vista, indo ao andar de cima para me trazer guloseimas e refrigerante até que eu pudesse gritar. Mais de uma vez eu o peguei olhando pra mim com uma expressão assustada, escondendo-a quando ele me via retornar seu olhar. O jantar foi uma conversa forçada sobre pedaços de carne de porco, e depois de mexer na minha

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comida por uns bons vinte minutos, eu pedi licença, alegando que estava cansada depois do baile da noite passada. É. Eu deveria estar cansada, mas não estava. Não, eram duas da manhã, e eu estava aqui fora no telhado, arremessando pedras, fingindo estar dormindo enquanto o mundo girava numa escuridão fria. Talvez eu não precisasse mais dormir. Com os ombros caindo, eu tirei mais um pouco de alcatrão das telhas e joguei na chaminé. Ele batei na tampa metálica com um “ting”, ricocheteando no escuro. Eu escavei a parte superficial da inclinação do teto, então puxei meu jeans de volta para onde ele deveria ficar. Uma fraca sensação de desconforto deslizou através de mim, começando do topo das minhas mãos com alfinetadas suaves, deslizando para dentro com uma ponta cada vez mais pontiaguda. A sensação de estar sendo observada explodiu em sua existência, e eu girei, arfando, quando Barnabas caiu da árvore arqueando-se para cima. “Ei!” eu gritei, o coração aos pulos enquanto ele aterrissava agachado como um gato. “Que tal um aviso?” Ele se levantou para ficar na escuridão da luz da lua com suas mãos nos quadris. Havia um visível brilho leve nele junto com sua repulsa. “Se eu fosse um ceifador negro, você estaria morta.” “É, bem, eu já estou morta, não estou?” eu disse, jogando uma pedra nele. Ele não se moveu quando ela arqueou-se em seu ombro. “O que você quer?” eu perguntei com tristeza. Ao invés de responder, ele encolheu seus estreitos ombros e olhou para o leste. “Eu quero saber o que você não contou ao Ron.” “Perdão?” Ele ficou parado como uma pedra, os braços cruzados no peito e encarando. “Seth disse alguma coisa para você naquele carro. Foi a única vez que você esteve fora da minha vista. Eu quero saber o que foi. Pode ser a diferença entre você poder continuar com essa mentira de estar viva, ou de você ser transportada para uma corte negra.” Agora ele se moveu, seu movimento áspero e zangado. “Eu não vou falhar de novo, e não por sua causa. Você era importante para o Seth antes de você roubar essa pedra. Foi por isso que ele foi te buscar no necrotério. Eu quero saber por que.” Eu olhei para baixo para a pedra, brilhando na luz da lua, então mudei meu olhar para os meus pés. O ângulo estranho do telhado fazia meus tornozelos doerem. “Ele disse que o meu nome tinha surgido por vezes demais nos assuntos dos homens, e ele iria colher a minha alma.” Barnabas se moveu, vindo se sentar do meu lado com um grande espaço entre nós. “Ele fez isso. Você não é uma ameaça agora que está morta. Por que ele voltou para você?“ Tranqüilizada pela postura relaxada dele, eu olhei para ele, pensando que seus olhos pareciam prateados na luz do luar. “Você não vai contar?” eu pergunteu, querendo confiar nele. Eu precisava conversar com alguém, e não era como se eu pudesse ligar para os meus velhos amigos e desabafar sobre estar morta – por mais divertido que pudessse ser. Barnabas hesitou. “Não, mas eu posso tentar persuadir você para contar a ele você mesma.” Com isso eu podia lidar, e eu tomei um vagaroso fôlego. “Ele disse que acabar com a minha patética vida era o seu tíquete para uma corte superior. Ele voltou para provar

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que ele havia... me colhido.” Eu esperei por uma reação, mas não houve nenhuma. Finalmente eu não pude aguentar mais e levantei minha cabeça para encontrar seus olhos. Barnabas estava olhando para mim como se estivesse tentando descobrir o que isso signifcava. Claramente não tendo uma resposta, ele lentamente disse, “Eu acho que você deveria guardar isso para si mesma por um tempo.” Ele provavelmente não quis dizer nada com isso. Esqueça. Gaste seu tempo aprendendo como se encaixar.” “É,” eu disse com um sarcástico latido de risada. “Uma escola nova é muito divertida.” “Eu quis dizer se encaixar com a vida.” “Oh.” Tudo bem. Eu teria que aprender a me encaixar, não em uma nova escola, mas com a vida. Excelente. Relembrando do desastroso jantar com o meu pai, eu mordi o meu lábio. "Ah, Barnabas, eu deveria comer?” “Claro. Se você quiser. Eu não como. Não muito, de qualquer forma,” ele disse, soando quase desejoso. “Mas se você for como eu, você nunca terá fome.” Eu enfiei meu cabelo curto atrás da orelha. “E quanto a dormir?” Com isso, ele sorriu. “Você pode tentar. Eu não consigo fazer isso a não ser que eu esteja entediado além da conta.” Eu tirei um pouco de alcatrão das telhas e joguei na chaminé de novo. “Por que eu não tenho que comer?” eu perguntei. Barnabas se virou para me encarar. “Aquela sua pedra está dando energia, e você a está pegando. Deleitando-se. Cuidado com os médiuns. Eles vão pensar que você está possuída.” “Mmmm,” eu murmurei, me perguntando se eu conseguiria alguma informação útil sobre o que estava realmente acontecendo em uma Igreja, mas eles estavam errados sobre os anjos da morte, então talvez eles não soubessem tanta coisa quando achavam que sabiam. Eu suspirei, sentando no escuro no meu telhado com um ceifador branco – meu anjo da guarda. Muito bem, Madison, eu pensei, me perguntando se a minha vida – ou morte, de preferência – poderia ficar ainda mais confusa. Eu lentamente manuseei a pedra que de algum jeito me deixava viva, me perguntando o que eu deveria fazer agora. Ir para a escola. Fazer minha lição de casa. Ficar com o meu pai. Tentar achar sentido em quem eu era e o que eu deveria fazer. Nada demais tinha mudado, na verdade, tirando aquela coisa de não-comer-não-dormir. Então eu tinha algo pior do que um ceifador negro tentando acabar comigo. Eu também tinha um anjo da guarda. E a vida, aparentemente, seguia em frente, mesmo se você não é mais uma parte participante dela. Barnabas me surpreendeu quando ficou de pé de repente, e eu me inclinei para olhar para a altura dele contra as estrelas. “Vamos,” ele disse, estendendo sua mão. “Eu não tenho nada para fazer hoje à noite, e eu estou entediado. Você não é dessas que gritam, é?” Meu primeiro pensamento foi gritadora? E então, ir aonde? Mas o que saiu da minha boca foi um podre, “Eu não posso. Eu estou de castigo. Eu não posso colocar um pé para fora de casa sem ser para ir à escola até que eu pague por aquela fantasia.” Mas eu sorri, pegando a mão dele e deixando-o me ajudar a levantar. Se Ron podia fazer meu pai esquecer que eu tinha morrido, eu estava disposta a apostar que Barnabas podia me encobrir para que eu pudesse escapulir por algumas horas. “É, bem, eu não posso fazer nada sobre você estar de castigo,” ele disse, “mas para

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aonde nós vamos, você não vai precisar colocar um pé em lugar algum.” “Hãn?” eu gaguejei, então enrijeci quando ele se moveu atrás de mim, mais alto por causa da inclinação do telhado. “Ei!” eu gritei quando seus braços ficaram ao meu redor. Mas meu protesto desapareceu em choque com a sombra cinza se curvando ao nosso redor repentinamente. Era real, cheirando ao travesseiro de penas da minha mãe, e eu arfei quando seu agarro ficou mais apertado e meus pés deixaram o telhado em um declinante abandono da gravidade. “Puta merda!” eu exclamei assim que o mundo se estendeu abaixo de nós, prata e preto ao luar. “Você tem asas?” Barnabas riu, e com o meu estômago começando a fazer ondas de formigamento, ele foi para cima. Talvez... talvez isso não fosse ser tão ruim afinal.

FIM

Beijar e Contar Michele Jaffe “Me desculpe por isso não ser como o final de um livro de histórias,” o homem com as mãos ao redor da garganta dela disse, sorrindo, contendo os olhos dela com os seus próprios enquanto a estrangulava. “Se você vai me matar, não pode simplesmente fazer isso de uma vez? Isso é meio desconfortável.” “O que, minhas mãos? Ou o sentimento de que você é um fracasso –“ “Eu não sou um fracasso.” “– novamente.” Ela cuspiu no rosto dele. “Ainda tem algum fogo. Eu realmente admiro isso em você. Eu acho que você e eu poderíamos ter nos dado bem. Infelizmente, não há tempo.” Ela lutou uma última vez, arranhando as mãos dele ao redor da sua garganta, seus antebraços, qualquer coisa, mas ele nem ao menos hesitou. Os punhos dela caíram sem esperança ao seu lado. Ele se inclinou tão perto do rosto dela que ela podia senti-lo exalar. “Algumas palavras finais?” “Seis: Tirinhas para o hálito da Listerine[1]. Você realmente precisa delas.” [1] http://tinyurl.com/5d4k2m Ele riu e apertou as mãos ao redor do meu pescoço até que elas se sobreporam. “Adeus.” Por um segundo, os olhos dele queimaram nos dela. Então ela ouviu um estalo agudo e se sentiu caindo no chão a medida que tudo ficava negro.

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Capítulo Dois

OITO HORAS ANTES... “Garotas astutas sabem que o silêncio vale ouro – mas apenas por quatro segundos. Mais do que isso e você estará se dirigindo para a Avenida Embaraço,” Miranda leu, então fez uma carranca para o livro. “Se você sentir a contagem regressiva se insinuando, faça uma oferta à ele! Um simples ‘Você gostaria de um pouco de nozes?’ dito com um sorriso pode quebrar a estagnação do silêncio em um estalo. Lembre-se, ser astuta é fazer coisas astutas.” Miranda estava começando a desacreditar profundamente de Como Conseguir – E Beijar! – Seu Homem. Encostando-se do lado do Town Car[2] preto estacionado na zona de cargo no Aeroporto Municipal de Santa Barbara naquela noite de junho, ela pensou em como ficou totalmente entusiasmada quando o encontrou na livraria. Ele parecia um e-elesviveram-felizes-para-sempre sonho que se realiza em forma de livro – quem não gostaria de aprender “As Cinco Expressões Faciais Que Vão Mudar A Sua Vida” ou “Os Segredos Do Tantra Da Língua Que Somente Os Profissionais Conhecem”? – mas tendo feito todos os exercícios, ela não estava convencida dos poderes transformadores de um Sorriso Simpático ou de gastar meia hora por dia chupando uma uva. Não foi a primeira vez que um livro de auto-ajuda a havia decepcionado – Nada Mais De Procrastinar e Faça Amigos com VOCÊ tinham sido dois completos desastres – mas foi deprimente porque ela tinha tido grandes esperanças dessa vez. E porque, como sua melhor amiga, Kenzi, recentemente frisou, qualquer veterano do ensino médio que agia como Mirandia agia perto de suas paixonites realmente, realmente precisava de ajuda. [2] http://tinyurl.com/55aq4g Ela tentou outra passagem. “Reelabore uma das perguntas dele de volta para ele, acrescentando aquela insinuação de sugestão com uma sobrancelha levantada. Ou acelere a conversa com uma cantada! Você: Nós estamos na sessão de louças? Ele: Não, por quê? Você: Porque você é requintado. Se louça não é o seu negócio, esse nunca falha – Você: Você está usando calças espaciais? Ele: Não, por quê? Você: Porque a sua bunda é –“ Olá, senhorita Kiss.” Miranda olhou para cima e encontrou-se encarando a covinha no queixo e a cara bronzeada do Sargento Adjunto Caleb Reynolds. Ela devia estar realmente muito distraída para nem ao menos ter escutado as batidas do coração dele quando ele se aproximou. Era característico, com um pequeno eco no final, meio como uma batida um-dois-três de cha-cha (ela tinha aprendido sobre a batida de cha-cha com Você Pode Dançar!, outra massivamente infeliz experiência com auto-ajuda). Ele provavelmente teria problema com isso quando ele ficasse velho, mas aos vinte e dois isso não parecia impedí-lo de ir à academia, pelo menos vendo seus músculos peitorais, bíceps, ombros, antebraços, pulsos – Para de encarar. Já que ela tinha um ataque de Boca Demente toda vez que tentava falar com um cara

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bonitinho – sem falar no mais jovem sargento adjunto de Santa Barbara, que era apenas quatro anos mais velho do que ela e que surfava toda manhã antes do trabalho e que era descolado o bastante para escapar impune por usar óculos de Sol apesar de serem 20h – ela disse, “Oi, adjunto. Vem sempre aqui?” Fazendo com que ele fechasse a cara. “Não.” “Não, você não vem, por que viria? Eu também não. Bem, não tão freqüentemente. Talvez uma vez por semana. Não tão freqüentemente para saber aonde ficam os banheiros. Ha-ha!" Pensando, não pela primeira vez, que a vida deveria vir com um alçapão. Simplesmente uma pequena escotilha de saída na qual você poderia desaparecer quando você tivesse absoluto e completamente se envergonhado. Ou quando você tivesse erupções de espinha espontâneas. “Livro bom?” ele perguntou, tomando-o dela e lendo a legenda, “Um Guia para Boas Garotas Que (As Vezes) Querem Ser Más” em voz alta. Mas a vida não vem com um alçapão. “É para um trabalho de escola. Lição de casa. De, hm, rituais de acasalamento.” “Achei que crime fosse mais o seu negócio.” Ele a acertou com um de seus meio sorrisos, descolado demais para dar um sorriso grande. “Você está planejando evitar mais roubos de armazém em breve?” Isso tinha sido um erro. Não de ter parado os caras que tinham assaltado o Mercado 24-Horas #3 do Ron, mas ter ficado tempo o bastante para deixar a polícia ve-la. Por alguma razão eles tinham achado difícil de acreditar que ela só estivesse encostada no poste da rua quando ele caiu na frente do carro dos ladrões enquanto ele apressava-se pelo cruzamento. Era triste ver como as pessoas eram desconfiadas, especialmente os oficiais da lei. E administradores de escolas. Mas ela tinha aprendido muito desde então. “Eu estou tentando fazer isso só uma vez por mês,” ela disse, esperando por um leve tom ha-ha-eu-estou-só-brincando-ser-astuta-é-fazer-coisas-astutas. "Hoje é só o meu trabalho normal, coleta VIP no aeroporto." Miranda ouviu as batidas cha-cha do coração dele se acelerarem levemente. Talvez ele achasse que VIPs eram descolados. “Aquele internato que você freqüenta, Academia Chatsworth? Ele deixam você sair do campus a hora que você quiser ou somente em certos dias?” “Quartas e sábados de tarde, se você é veterano. Nós não temos aulas portanto,” ela disse e ouviu a batida do coração dele acelerar mais. “Quartas e sábados de tarde livres. O que você faz para se divertir?” Ele estava chamando ela para sair? Não. Brinca. NÃOBRINCANÃOBRINCANÃOBRINCA! Flerte! ela se ordenou. Sorriso Simpático! Diga alguma coisa! Qualquer coisa! Seja astuta! Agora! “O que você faz para se divertir?” ela repetiu a pergunta dele de volta para ele, levantando uma sobrancelha para aquela insinuação de sugestão. Ele pareceu pego de surpresa por um segundo, então disse muito formalmente, "Eu trabalho, senhorita Kiss." Por favor dêem calorosas boas-vindas à Miranda Kiss, nossa nova Miss Garota Idiota do ano, ela pensou. Disse: “É claro. Eu também. Quero dizer, eu ou estou conduzindo clientes ou praticando com o time. Eu sou uma das Garotas Abelhas de Tony Bosun? O time de Roller Derby[3]? É por isso que eu faço isso,” pretendendo apontar para o Town Car mas dando uma pancada em sua mão ao invés disso. “Você tem que ser uma motorista para a companhia do Tony, Transporte de Luxo 5Bs, para estar no time. Nós

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geralmente só temos jogos nos finais de semana, mas nós praticamos nas quartas, algumas vezes nós outros dias...” Boca Demente minguou. [3] É um esporte. Para mais informações: http://esporte.hsw.uol.com.br/rollerderby.htm “Eu já vi as Abelhas jogando. É um time profissional, não é? Eles deixam uma estudante de ensino médio jogar?” Miranda engoliu em seco. “Oh, claro. É claro.” Ele olhou para ela pela parte de cima de seu óculos de sol. “Está bem, eu tive que mentir para entrar no time. Tony acha que eu tenho vinte. Você não vai contar para ele, vai?” “Ele acreditou que você tinha vinte?” “Ele precisava de uma nova atacante.” Adjunto Reynolds deu risada. “Então você é a atacante? Você é boa. Eu vejo porque ele pode ter aberto uma exceção.” Olhando-a um pouco mais. “Eu nunca teria reconhecido você.” “Bem, você sabe, nós usamos essas perucas e máscaras douradas ao redor dos olhos para que todas pareçamos iguais.” Era uma das coisas que ela gostava no Roller Derby, o anonimato, o fato de que ninguém sabia quem você era, quais eram suas habilidades. Fazia-a se sentir invulnerável, segura. Ninguém podia distingui-la por... coisa alguma. Adjunto Reynolds tirou seu óculos de sol por completo para olhar para ela. “Então você cooloca um daqueles uniformes de cetim vermelho, branco e azul? Aqueles com a saia curta e aquela capa de lã bonitinha? Eu gostaria de ver isso um dia desses.” Ele sorriu para ela, diretamente nos olhos dela, e os joelhos dela ficaram fracos e a mente dela começou a montar situações envolvendo ele sem sua camisa mas com um jarro de xarope de bordo e uma grande – “Bem, lá está a minha senhora,” ele disse. “Te vejo por aí.” E então foi embora. – pilha de panquecas. Miranda o observou ir até uma mulher no começo de seus vinte – espesso cabelo loiro, magra mas musculosa – colocar seu braço ao redor dela, e beijar seu pescoço. O tipo de mulher cujos sutiãs tinham etiquetas que diziam, TAMANHO 36c, não MADE BY SANRIO nelas. Ouviu ele dizer excitadamente, “Espere até nós chegarmos em casa. Eu tenho brinquedos novos maravilhosos, algo especial só para você,” sua voz rouca, o coração acelerando. A medida que ele passava por Miranda, levantava seu queixo na direção dela e disse, “Você fique longe de encrencas.” “É, você também,” Boca Demente disse à ele. Miranda queria bater sua cabeça contra o topo do carro pelo quanto ela era idiota. Ele tentou dar um Leve Sorriso (expressão número quatro do livro) mas acabou se engasgando ao invés. Quando eles estavam atravessando a garagem, ela ouviu a mulher perguntar quem ela era e escutou o Adjunto Reynolds dizer, “A motorista local do Town Car.” “Ela é a motorista?” a mulher disse. “Parece com uma daquelas garotas da Companhia de Aviação Havaiana que você costumava namorar, mas mais jovem. E mais bonitinha. Você sabe como o seu juízo fica ao redor de garotas jovens e bonitinhas. Você tem certeza de que eu não preciso ficar preocupada?” Miranda o ouviu rir, o divertimento genuíno em sua voz quando disse, “Ela? Querida, ela é só uma estudante de ensino médio que tem uma queda por mim. Confie em

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mim, você não tem nada do que se preocupar.” E pensou: Alça. Pão. Agora. Por favor. As vezes ter uma superaudição era superpodre. Capítulo Três

Miranda amava o aeroporto de Santa Barbara, o jeito como ele se parecia mais com um bar Acapulco Joe do que com um edifício oficial com suas paredes estilo-tijolo-cru, chão frio de terracota, azulejo insanamente azul e dourado, e buganvília adernando as paredes. Era pequeno, então os aviãos só estacionavam aonde eles desembarcavam e as escadas eram viradas para eles, com apenas uma cerca de alambrado separando as pessoas que esperavam das pessoas que saiam do avião. Puxando o cartaz de boas vindas pra fora do Town Car, ela verificou o nome nele – CUMEAN – e o segurou na direção dos passangeiros do desembarque. A medida que ela esperava, ela escutou uma mulher na Lexus SUV dourada quatro carros atrás dela falar em seu telefone, dizendo, “Se ela sair do avião, eu saberei. É melhor que ele esteja com seu talão de cheques pronto,” então inclinou sua cabeça para se focar no lento som de srloop srloop srloop de um caracol deslizando pela ainda-quente calçada em direção a um monte de hera. Ela ainda se lembrava do momento exato em que ela percebeu que nem todo mundo ouvia as coisas que ela ouvia, que ela não era normal. Ela já tinha passado a primeira metade de sua sétima série na Escola Saint Bartolomeo – a parte depois da exibição do vídeo Seu Corpo Está Mudando: Feminilidade – intrigada por todas as mudanças que eles não ouviam, como as incontroláveis explosões de velocidade e o esmagamento por acaso de objetos que você só estava tentando pegar e bater a sua cabeça no teto do ginásio quando você estava apenas fazendo polichinelos e de repente ser capaz de ver partículas de pó nas roupas das pessoas. Mas desde que a Irmã Anna respondeu todas as suas perguntas com “Para de fazer piada, criança,” Miranda achou que elas deviam ser tão óbvias que o filme não precisou mencioná-las. Foi somente quando ela tentou ganhar a afeição eterna de Johnnie Voight ao alertá-lo a não colar de Cynthia Riley novamente porque, baseada no som do lápis dela a cinco assentos de distância, ela sempre marcava as respostas erradas, que Miranda aprendeu exatamente o quão “distintamente habilidosa” ela era. Ao invés de cair de joelhos e declarar que ela era sua deusa de top e saia xadrez, Johnnie a chamou de esquisita, depois de vaca intrometida, e tentou bater nela. Foi assim que ela aprendeu quão perigosos os poderes são, do jeito com que eles podiam transformá-la em uma pária. E também que ela era mais forte que os garotos da idade dela, e que eles não achavam que isso era legal ou mesmo bom. Assim como os administradores de escolas. Desde então ela tinha se tornado uma expert em agir normalmente, em ser cuidadosa. Tinha dominado seus poderes. Ou ela achava que tinha, até sete meses atrás quando– Miranda empurrou a memória de lado e voltou sua atenção para as pessoas no aeroporto. Para seu trabalho. Ela viu uma garotinha com cachos loiros sentada nos ombros do seu pai parada perto do caminho e acenando enquanto uma mulher andava do avião em direção a eles, agora gritando, "Mamãe, mamãe, eu senti sua falta!"

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Ela assistiu a família feliz se abraçar e sentiu como se alguém a tivesse socado no estômago. Uma das vantagens de ir para o internato, Miranda pensou, era que você não era convidada para a casa das pessoas, nunca tinha que ve-los agir como famílias normais, tomando café-da-manhã juntos. Por alguma razão, toda vez que ela imaginava famílias verdadeiramente felizes, elas estavam sempre tomando café-damanhã. Além disso pessoas que tinham famílias normais não iam para a Academia Chatsworth, “A Principal Experiência de Internato no Sul da Califórnia.” Ou, como Miranda gostava de pensar, Depósito de Crianças, o lugar aonde pais (ou no seu caso, guardiões) armazenavam suas crianças até que eles precisassem delas para alguma coisa. Com a possível exceção de sua colega de quarto, Kenzi. Ela e Kenzi Chin viviam juntas há quatro anos, desde o primeiro ano delas[4], mais tempo do que Miranda já havia vivido com quase qualquer pessoa. Kenzi vinha de uma família tomar-café-da-manhã-juntos-perfeita, tinha pele perfeita, notas perfeitas, tudo perfeito, e Miranda teria sido forçada a odiá-la se Kenzi não fosse também tão completamente leal e bondosa. E um tantinhozinho insana. [4] o “ensino médio” dos Estados Unidos é dividido em quatro séries, e não três, como é aqui. Miranda e Kenzi se conheceram no freshman year (14/15 anos); depois vem sophomore year (15/16), junior year (16/17) e finalmente senior year (17/18). Como mais cedo naquela tarde, quando Miranda entrou no quarto delas e a achou apoiada em sua cabeça, vestindo apenas roupa de baixo, com seu corpo inteiro coberto com uma quantidade generosa de lama seca cor-de-hortelã. “Eu vou ter que ir à terapia pelo resto da minha vida para tirar essa imagem da minha mente,” Miranda disse à ela. “Você vai precisar ir à terapia por tanto tempo de qualquer jeito para lidar com sua família problemática. Eu só estou te dando material TNS para falar sobre.” Kenzi sabia mais sobre a história familiar de Miranda do que qualquer um na Chatsworth, e quase tudo era fabricado. A parte sobre ela ser problemática, contanto, era verdadeira. Kenzi também gostava mesmo de acrônimos e inventava novos o tempo todo. Enquanto ela derrubava sua bolsa e desmoronava em sua cama, Miranda perguntou, “TNS?” “Totalmente Nível Superior.” Então Kenzi disse, “Eu não acredito que você não vai ao baile. Eu sempre imaginei nós indo juntas.” “Eu não acho que a Beth gostaria muito disso. Você sabe, de ser vela.“ Beth era a namorada de Kenzi. “Nem fale comigo sobre essa criatura,” ela disse agora, dando um falso estremecer. “O Show da Beth e da Kenzi está oficialmente cancelado.” “Desde quando?” “Que horas são?” “Três e trinta e cinco.” “Duas horas e seis minutos atrás.” “Oh, então vai estar de volta até o baile.” “É claro.” As “cancelações” da Kenzi aconteciam por volta de uma vez por semana e nunca duravam mais que quatro horas. Ela achava que o drama de términos e a excitação da reconciliação mantinham o relacionamento estimulante. E de algum jeito esquisito isso parecia funcionar, porque ela e Beth eram o casal mais feliz que Miranda conhecia. Mais perfeição.

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“De qualquer jeito, pare de tentar mudar de assunto. Eu acho que você está cometendo um grave erro ao perder o baile.” “É, estou certa de que nunca irei me perdoar.” “Estou falando sério.” “Por quê? Qual a importância? É uma grande dança com um tema bobo. Você sabe que eu sou dançaléxica e não deveria ser deixada em uma pista de dança perto de outras pessoas.” “Uma Doce Saudação ao Vermelho, Branco, e Azul não é bobo, é patriota. E você se dá bem dançando Hustle.” “Eu acho que Libby Geer iria discordar de você. Se o maxilar dela ainda não estivesse quebrado.” “Que seja, o baile não é só uma grande dança. É um rito de passagem, um momento em que nós deixamos de ser quem nós éramos para irmos até a vastidão de adultos que iremos nos tornar, jogando fora o peso de nossas inseguranças juvenis para –“ “– ficarmos bêbados e talvez nos darmos bem. Dependendo da sua definição de se dar bem.” “Você vai se arrepender se não for. Você realmente quer crescer miserável e cheia de arrependimento?” “Sim, por favor! Além do mais, eu tenho que trabalhar.” “GAD[5] até parece. Você está se escondendo atrás do seu trabalho de novo. Você poderia muito bem conseguir folga no sábado. Pelo menos seja honesta sobre o por que de você não ir.” [5] GAD = Graças a Deus; no original TGI = thank God it. Miranda lançou a Kenzi os Olhos Inocentes, expressão número dois do livro do beijo. “Eu não sei o que você quis dizer.” “Não olhe para mim como se fosse o My Little Pony. Eu tenho quatro letras para você: W-I-L-L.” “E eu tenho três letras para você: N-E-M. Ah e mais quatro: C-D-S-[6]“ Mas Kenzi só continuou, ignorando-a, algo que ela fazia profissionalmente. “É verdade que Will pode precisar ser vacinado ou passar por uma triagem para checar doenças depois de ter saído com Ariel, mas eu não acredito que você está desistindo tão facilmente.” [6] CDS(V) = Cuide da sua (vida) Will Javelin preenchia por volta de 98 porcento dos sonhos de Miranda. Ela estava tentando ignorar isso desde que ela soube que ele estava indo ao baile com Ariel – “eu nomeei meus seios com os nomes das casas de campo da minha família, a sua família tem alguma casa de campo, Miranda? Ah certo, eu esqueci, você é filha adotiva” – West, da fortuna Açúcar-West-É-O-Melhor, mas era um desafio. Para evitar carma ruim Miranda disse, “Não há nada de errado com a Ariel.” “É, nada que não possa ser curado com um exorcismo.” Kenzi saiu de sua parada de cabeça, plantando seus pés no chão. Ela estendeu a mão para pegar sua toalha. “Pelo menos prometa que você vai vir para o pós-festa. Na casa dos pais do Sean na praia? Você vai, certo? Nós vamos todos ficar e assistir o Sol nascer. Isso lhe dará uma chance para falar com o Will fora da escola. E quando você vai me contar o que aconteceu entre vocês dois naquela outra noite, de qualquer jeito? Por que você está tão MLES sobre isso?” Miranda conhecia essa. “Eu não estou Meus Lábios Estão Selados,” ela disse, pegando

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uma pilha de papéis da estante de livros entre a cama dela e a de Kenzi e ajeitando-a. “Você está fazendo aquele negócio de novo. O negócio em que você finge que é a Santa Dona de Casa para evitar uma discussão." “Talvez.” Miranda estava olhando para os papéis agora, fotocópias de artigos de jornais da metade do ano passado. “Roubador de bolsa capturado por um misterioso Bom Samaritano, achado amarrado à uma cerca por um iô-iô,” o primeiro e mais recente dizia. Depois, de alguns meses antes, “Saca só: Assalto a mão armada frustrado quando ladrão perde o controle da arma. Testemunha diz que o ministrador de Pez[7] ‘saiu de lugar algum’ para golpear a arma da mão do assaltante.” Finalmente, de sete meses atrás, “Fuga do roubo de loja do armazém interrompida por poste de luz caído; dois presos.” Ela começou a sentir uma sensação de afundamento em seu estômago. [7] um tipo de “guardador” de balas; http://tinyurl.com/6g4use Pelo menos eram apenas três de, o que, uma dúzia de incidentes diferentes, ela disse a si mesma. Mas isso não a fazia realmente se sentir melhor. Ninguém deveria ligar nenhum desses eventos. Nunca. A loja do armazém foi a primeira. Era anoitecer, o nevoeiro saia do oceano, os postes de luz faziam auréolas nebulosas no ar. Ela estava dirigindo por uma rua lateral em Santa Barbara a caminho de seu treino de roller derby quando ouviu as ameaças de dentro do Mercado 24-Horas #3 do Ron e só... agiu. Ela não tinha controle sobre o que fez, era como se ela estivesse em um sonho, seu corpo sabendo exatamente o que fazer, aonde os ladrões iriam, como pará-los. Retornando à ela do jeito que as palavras de uma canção favorita retornam mesmo que você não a tenha escutado em anos. Só que ela não tinha idéia da onde estavam retornando. Ela tinha passado os três dias seguintes seguindo o incidente da loja do armazém na cama, curvada como uma bola, tremendo. Ela disse à Kenzi que estava com gripe, mas o que ela realmente estava era aterrorizada. Ela estava aterrorizada com os poderes que repentinamente não podia conter. Aterrorizada porque usá-los era uma sensação boa. Tão certa. Como se ela estivesse viva pela primeira vez. Aterrorizada porque ela sabia o que poderia acontecer se as pessoas descobrissem. Com ela. E com– Ela balançou as cópias na direção de Kenzi, exigindo, “O que você está fazendo com eles?” “Opa, Sargenta em treinamento Kiss chegou.” Kenzi disse, batendo continência. “Com todo o respeito, madame, mas como eles dizem nas forças armadas, QTQP. Você não vai escapar só por mudar de assunto usando sua voz assustadora." QTQP correspondia a Que Triste Que Peninha. Miranda não conseguia não rir. “Se eu estivesse tentando mudar de assunto, exército de uma só pessoa, eu ressaltaria que o negócio no seu corpo está descascando sobre todo o tapete que o decorador da sua mãe rastreou por três continentes porque ele supostamente pertenceu a Lucy Lawless. Eu quero mesmo saber, por que você está interessada no crime de rua em Santa Barbara?” Kenzi saiu do tapete e foi para o chão de madeira. “Não no crime de rua em Santa Barbara, crime de rua frustrado. É para o meu projeto final de jornalismo. Algumas pessoas estão dizendo que tem um força mística trabalhando. Talvez até a própria Santa Barbara tenha voltado.”

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“Isso não pode ser só coincidência? Criminosos estragam tudo o tempo todo, certo?” “As pessoas não gostam de coincidências. Como o jeito que não é coincidência você tentar me fazer falar sobre isso ao invés de responder as minhas perguntas sobre o que aconteceu com você e o Will. Num minuto parece que vocês dois estão totalmente – e deixa eu acrescentar, finalmente – ficando e no próximo você está de volta ao nosso quarto. Arruinando, eu também devo acrescentar, uma totalmente espetacular noite romântica para mim. “Eu te contei,” Miranda suspirou. “Não foi nada. Nada aconteceu.” Preguiçosamente descansando contra o Town Car enquanto a última luz do dia esvaiase, Miranda pensou que nada era um atenuante. Tinha sido pior do que nada. A expressão no rosto de Will, aquela que pairava entre você-tem-um-negócio-verdepreso-no-seu-dente e ah-olá-Professor-Louco. Foi quando ela se tocou. Os artigos na mesa de Kenzi tinham saído todos em quintas, relatando coisas que haviam acontecido – coisas que ela havia feito – em quartas. “Quartas e sábados de tarde livres,” ela ouviu Caleb dizer, repetindo as palavras dela. Isso era ruim. Isso era realmente ruim. Ela teria que procurar não chamar atenção. A Lexus SUV dourada atrás dela se afastou do meio-fio e Miranda pode ouvir o casal lá dentro brigar por cima do som do ar-condicionado deles. A mulher no volante virando sua cabeça para gritar com seu marido – Não minta para mim! Eu sei que você estava com ela! – pisando no acelerador pesadamente enquanto a família com a menininha loira andava na faixa de pedestres na frente dela... Mais tarde ninguém tinha muita certeza sobre o que tinha acontecido. Num segundo o carro estava descontrolado em direção a família na faixa de pedestres, no próximo houve um borrão e eles estavam no meio-fio, estupefatos mas salvos. A medida que ela observava a SUV dourada acelerar até ficar distante, Miranda sentiu o mesmo tremor de adrenalina que ela sempre tinha depois de ter agido sem pensar, ter salvado alguém. Era viciante, como uma droga. E perigoso, como uma droga, ela lembrou a si mesma. Eu acho que você deveria arranjar um dicionário. Não é isso que “não chamar atenção” significa. Cala a boca. Foi somente um salto e um pequeno empurrão. Dificilmente alguma grande manobra tática. Você não deveria ter feito isso. Foi muito arriscado. Você não é invisível, sabia. Mas eu não fui vista. Deu tudo certo. Dessa vez. Miranda se perguntou se todo mundo tinha uma voz na cabeça permanentemente ligada no canal VC-É-PODRE. O que você está tentando fazer, de qualquer jeito? Você acha que pode salvar todo mundo? Quando você não pode nem ao menos– Cala a boca. “O quê?” uma voz de garota perguntou e Miranda ficou surpresa ao perceber que ela tinha falado em voz alta, e alguém estava parado ali. A garota era mais ou menos da altura de Miranda mas mais nova, talvez quatorze, e se vestia como se tivesse estudado os clipes antigos da Madonna e quisesse ter certeza de que se blusas arrastão usadas sobre sutiãs, luvas sem dedos, cabelos bagunçados, lápis de olho preto grosso, braceletes de borracha, saias com anáguas e meia-arrastão, e ankle boots voltassem à moda, ela estaria pronta.

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“Me desculpe,” Miranda disse, “Eu estava falando comigo mesma.” Não exatamente como a Motorista Madura que supunha-se que ela fosse deveria agir. “Ah.” A garota segurou o cartaz com a palavra CUMEAN nela para Miranda. “Você vai querer isso. E isso,” ela disse, dando a ela uma pequena caixa quadrada. Miranda tomou o cartaz mas balançou sua cabeça para a caixa. “Isso não é meu.” “Deve ser. E eu, também. Quero dizer, eu sou Sibby Cumean.” Ela apontou para o cartaz. Miranda colocou a caixa no bolso para abrir a porta traseira para a garota, se perguntando que tipo de pais deixam sua filha de quatorze anos ser pega por uma estranha as oito da noite. “Posso ir na frente?” “Os clientes preferem ir atrás,” Miranda disse em sua voz mais professional. “O que você realmente quer dizer é que você prefere quando eles vão atrás. Mas e se eu quiser ir na frente? Os clientes não podem fazer o que eles quiserem? Transporte de Luxo 5Bs foi batizada assim por causa de uma série de princípios que o dono, Tony Bosun, tinha inventado – chegue na hora, seja educado, seja acomodador, seja discreto, tenha certeza de que receba o pagamento[8]. Apesar de Miranda suspeitar que ele os tinha inventado quando estava bêbado tarde da noite, ela tentava seguir as regras e ela tinha certeza de que isso contava como seja acomodadora. Ela se moveu para abrir a porta da frente. [8] no original, os cinco Bs – B on time, B polite, B accommodating, B discreet, B sure to get paid. A garota balançou a cabeça. “Não importa. Eu sento atrás.” Miranda emplastrou um sorriso. Que dia super que ela estava tendo! Sua cliente VIP era um pequenino demônio, o garoto dos sonhos dela estava indo ao baile com outra, e o xerife adjunto por quem ela tinha uma quedinha não somente sabia disso como fez piada disso com sua namorada! Incrível. Pelo menos, ela disse a si mesma, as coisas não poderiam ficar piores. Oh, agora você fez isso. Cala a boca. Capítulo Quatro

Sibby Cumean começou a falar assim que elas saíram do aeroporto. “Há quanto tempo você dirige para as pessoas?” ela perguntou à Miranda. “Um ano.” “Você cresceu aqui?” “Não.” “Você tem irmãos?” “Não.” “Irmãs?” “N-não.” “Você gosta de dirigir?” “Sim.” “Você tem que usar esse conjunto preto enfadonho?” “Sim.”

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“Quantos anos você tem?” “Vinte.” “Hm, não.” “Está bem. Dezoito.“ “Você já fez sexo?” Miranda limpou sua garganta. “Eu não acho que essa pergunta é apropriada.” Ela ouviu a si mesma soar como Dr. Trope, o assistente principal da escola, com a voz que ele costumava dizer a ela que não iria escutar a outra desculpa sobre o por que dela estar atrasada ao voltar ao campus, regras eram feitas por uma razão e essa razão não era para ela poder desprezá-las para seu divertimento; e falando em atrasada, ela fez planos de em algum momento decidir o que iria fazer ano que vem ou simplesmente de maneira irresponsável perderia seu lugar nas diversas faculdades de primeira linha em que ela fora aceita, fazenda a escola parecer ruim e ela mesma pior; e ele realmente não sabia o que tinha dado nela recentemente, aonde estava a Miranda Kiss que ia ser médica e salvar o mundo, que era motivo de orguho da escola e dela mesma, ao invés daquela que estava à caminho de ser expulsa – é isso que você realmente quer, mocinha? Uma voz que ela conhecia bem já que parecia ouví-la pelo menos uma vez por semana desde o começo de novembro. “Você é uma virgem,” Sibby anunciou, como se ela estivesse confirmando um fato que suspeitava há tempos. “Isso não é–” “Você pelo menos tem um namorado?” “Não nesse–” “Uma namorada?” “Não.” “Você tem amigos?” Você não realmente não é muito boa em conversas.“ Miranda estava começando a entender porque os parentes da garota não tinham ido ao aeroporto por ela. “Eu tenho um monte de amigos.” “Claro. Eu acredito em você. O que você faz para se divertir?” “Respondo perguntas.” “Por favor nunca tente ser divertida novamente.” Sibby se inclinou para frente. “Você já pensou em usar um pouco de lápis de olho preto? Seria uma melhora.” Seja educada! “Obrigada.” “Você pode parar?” “Hm, nós estamos no semáforo.” “Só vá para frente um tantinho – perfeito.” Olhando no retrovisor lateral, Miranda viu que Sibby tinha abaixado o vidro e estava se debruçando, agora dizendo para os garotos no jipe ao lado delas, “Aonde vocês meninos estão indo?” Os garotos responderam, “Um pouco de surfe à luz do luar. Quer vir, deusa?” “Eu não sou uma deusa. Você acha que eu me pareço com uma?” “Eu não sei dizer. Talvez se você tirar a sua blusa.” “Talvez se você me der um beijo.” Miranda apertou o botão para subir o vidro. “O que você está fazendo?” Sibby exigiu. “Você poderia ter quebrado a minha mão.” “Coloque o seu cinto de segurança, por favor.”

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“Coloque o seu cinto de segurança, por favor,” Sibby imitou, Desmoronando em seu assento. “Ai meu Deus, eu só estava tentando ser sociável.” “Até que nós cheguemos ao nosso destino, nada mais de socialização.” “Você escutou a si mesma recentemente? Você parece que tem oitenta, não dezoito.” Ela olhou de cara feia pelo espelho para Miranda. “Eu achei que você fosse uma motorista, não uma carceireira.” “É o meu trabalho ter certeza de que você chegue aonde está indo de uma maneira protegida e em tempo. Isso está impresso no cartão que você achará no compartimento do seu assento, a propósito.” “Como beijar alguns meninos vai me deixar desprotegida?” “De um milhão de jeitos diferentes. E se eles tiverem fungos invisíveis na boca? Ou LábiosDaMorte.“ “Não existe LábiosDaMorte.” “Você tem certeza?” “Você só está com inveja porque eu sei como me divertir e você não. Virgem.” Miranda girou seus olhos mas ficou quieta, escutando as conversas de celular dos carros atrás delas, uma mulher dizendo a alguém que o jardineiro estava a caminho, um cara dizendo em uma voz mística, “Eu vejo um misterioso estranho indo até você, não posso dizer com certeza se é um homem ou uma mulher.” Outro homem falando com alguém sobre como ele queria tirar aquela cadela do testamento e não importava se ela era o cão favorito de sua mãe – Ela foi interrompida repentinamente por Sibby gritando, “Inn-Out Burger! Nós temos que parar.” Seja acomodadora! Miranda concordou em deixar Sibby pedir seu próprio pedido no drive-thru, então se arrependeu quando ela ouviu a garota dizer ao cara anotando o pedido, “Eu ganho um desconto se eu deixar você me beijar?” “Está bem, sério mesmo, você foi criada na Loucolândia?” Por que você quer beijar todos esse caras que você nem conhece?“ Miranda perguntou. “Não tem tantos meninos daonde eu venho. E o que conhecer eles tem a ver com isso? Beijar é ótimo. Eu beijei quatro garotos no avião. Eu estou torcendo para tranformar isso em vinte e cinco antes do fim do dia.” Ela acrescentou os dois que trabalhavam na pista do drive-thru quando ganhou seu hambúrguer. “Todos os hambúrgueres são tão deliciosos assim?” ela perguntou quando elas estavam na estrada novamente. Miranda deu uma espiada nela no espelho retrovisor. “Você nunca comeu um hambúrguer antes? Aonde você mora?” “Nas montanhas,” Sibby respondeu rapidamente, e Miranda detectou um ligeiro aumento na velocidade do coração dela, sugerindo que ela estava mentindo e não estava acostumada a fazê-lo. O que pareceu enormemente improvável – a parte de não estar acostumada – para alguém que tinha um caso grave de Loucura por Garotos como essa garota. Os pais dela não podiam deixá-la solta por aí – AH NÃO É MESMO PROBLEMA SEU, Miranda lembrou a si mesma. Seja discreta. Sibby tentou solicitar beijos de outros quatro garotos enquanto elas se moviam. Elas estavam há um quilômetro e meio do local da entrega e Miranda estava pensando que o percurso não podia acabar cedo o bastante quando Sibby gritou, “Ai meu Deus, uma

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loja de donuts! Eu sempre quis experimentat donuts, também. Podemos parar? Porfavorporfavorporfavorporfavorporfavor?” Elas já estavam quase uma hora atrasadas mas Miranda não podia negar donuts a ninguém. Até mesmo a alguém que dizia, “Ai meu Deus.” Mas parando o carro, ela viu um grupo de garotos sentados em uma mesa de dentro e decidiu que seria muito perigoso deixar Sibby perto deles se ela queria sair de lá em menos de quarenta minutos. “Eu vou entrar e pegá-los, você fica aqui.” Sibby tinha visto os garotos, também. “De jeito nenhum, eu vou entrar.” “Ou a sua bunda fica no carro, Bandida Beijoqueira, ou os donuts ficam na loja.” “Eu não acho que essa seja uma maneira legal de falar com os clientes.” “Sinta-se a vontade para usar meu telefone para prestar uma queixa enquanto eu estiver lá dentro. Nós temos um acordo?” “Está bem. Mas você vai ao menos abaixar o vidro?” Miranda hesitou. Sibby disse, “Olha, vovó, eu prometo que vou manter a minha bunda no carro, eu só não quero sufocar.” Deus.” Quando Miranda voltou, Sibby tinha ficado presa na janela com seu corpo e pernas para fora do carro e suas nádegas para dentro, e estava profundamente envolvida beijando um garoto loiro. “Com licença,” Miranda disse, dando um tapinha no ombro do garoto. Ele se virou meio confuso, olhou-a de cima a baixo. “Olá, garota dos sonhos. Você quer um beijo, também? Eu poderia fazer algo realmente especial com lábios como os seus. Você nem teria que me pagar um dólar.” “Obrigada, mas não.” Olhando para Sibby agora. “Eu achei que tínhamos concordado que–” “– minha bunda iria ficar no carro. Aonde, se você se der ao trabalho de olhar, você veria que ela está. Miranda afastou-se para que Sibby não a visse rindo. Ela passou os donuts para Sibby e deslizou para o assento do motorista. Logo que Sibby se serpenteou de volta da janela, Miranda notou seus olhos no espelho retrovisor. “Você estava pagando aos garotos para te beijar?” “E daí?” Sibby olhou furiosamente. “Nem todas nós podemos ser beijadas de graça.” Mais olhares furiosos, então, “Você mal tem seios. Meus seios são maiores que os seus. Não faz sentido.“ Sibby ficou quieta, nem ao menos comendo seu donut. De vez em quando ela suspirava dramaticamente. Miranda começou a se sentir um pouco mal. Talvez ela estivesse agindo como uma vovó. Ela olhou para Como Conseguir – E Beijar – Seu Homem no assento ao lado dela. Talvez você esteja com ciúmes por ela ser quatro anos mais nova do que você mas já ter beijado mais caras em um dia do que você provavelmente namorará em sua vida toda mesmo que você faça um implante de silicone e viva até dois trilhões de anos. Cala a boca, canal VC-É-PODRE. Ela devia ser gentil, bater papo. “Quantos beijos deu no total agora?” Sibby manteve seus olhos no colo. “Dez.” Olhando para cima para acrescentar, “Mas eu só paguei seis deles. E para um deles eu só dei uma moeda de 25 centavos.” “Bom trabalho.” Miranda viu Sibby olhar para cima com suspeita, como se ela pensasse que estava sendo ridicularizada, decidiu que não estava, e começou a beliscar seu donut. Depois

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de um tempo ela disse, “Posso te fazer uma pergunta?” “Está pedindo permissão agora?” “De verdade, por favor simplesmente pare de tentar ser engraçada. É doloroso." “Obrigada pela dica. Você tinha uma pergunta ou –“ “Por que você não queria beijar aquele garoto lá? Aquele que queria beijar você?” “Eu acho que ele não é o meu tipo.” “Qual é o seu tipo?” Miranda pensou no Adjunto Reynolds – olhos azuis e covinha no queixo e cabelos loiros despenteados, levantando-se toda manhã para surfar. O tipo de cara que sempre usava óculos de Sol ou olhava para você com seus olhos meio fechads e era descolado demais para sorrir. Então imaginou Will com sua pele escura, cor-de-xaropede-bordo, cabelo curto cacheado, enorme sorriso de menino, e abdominais que torneavam quando ele andava, sem camisa, com os outros jogadores depois do treino de lacrosse, o corpo brilhando no Sol, sua risada retumbando e fazendo-a se sentir como se sentira quando viu manteiga derretendo em um waffle belga perfeitamente feito. Não que ela rotineiramente pulasse no telhado do laboratório de biologia marinha quando ninguém estava olhando para ver isso. (Semanalmente.) “Eu não sei, é mais uma sensação do que um tipo,” Miranda disse finalmente. “Quantos garotos você já beijou? Cem?” “Hm, não.” “Duzentos?” Miranda corou e torceu para que Sibby não pudesse ver. “Continue chutando.” Elas pararam no endereço que haviam dado à ela, uma hora e quinze minutos depois do que elas deveriam, a primeira vez que ela entregava um cliente tarde. Quando Miranda abriu a porta do carro para ela, Sibby perguntou, “Beijar um garoto que faz seu tipo é realmente diferente de beijar qualquer garoto?” “É complicado.” Miranda estava surpresa pelo quão aliviada ela estava por não ter que falar mais sobre isso, admitir para essa garota que, na verdade, ela não tinha idéia. O lugar parecia mais um esconderijo do governo para testemunhas do que um lar, ela pensou, levando Sibby até a porta. Era como a descrição do dicionário de indefinido, espremida entre uma casa com a Branca de Neve e os Sete Anões representando o Nascimento de Jesus no gramado da frente de um lado, e uma com um balanço rosa-elaranja do outro lado. A única coisa que você notava nessa casa era que tinha cortinas grossas penduradas nas janelas da frente para que você não pudesse ver lá dentro, e uma cerca de madeira consistente de um metro e oitenta bloqueando o quintal para que você não pudesse entrar. A rua estava cheia de barulhos – Miranda ouviu churrasqueiras chiando, conversas, alguém assistindo A Bela e a Fera em espanhol – mas essa casa estava silenciosa, como se fosse à prova de som. Ela registrou um baixo zumbido vindo de dentro, como um ar condicionado mas não exatamente um. Dando uma olhada para cima, ela viu que nenhum dos cabos de força conectavam-se a essa casa. Nenhuma das linhas telefônicas, tampouco. Um gerador de energia elétrica. Quem quer que seja que vivia aqui estava vivendo sem rede elétrica. De modo geral, o lugar todo era realmente aconchegante, se aconchegante significava arrepiante e fanático. E a mulher que abriu a porta da frente? Exatamente o que você esperaria de alguém arrepiante e fanático, Miranda pensou. Ela tinha cabelo grisalho puxado para trás em

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um coque frouxo e estava usando uma saia longa e um tipo de suéter sem forma. Ela podia ter desde trinta até sessenta anos, era impossível de dizer porque ela estava usando um par enorme de óculos bifocais com uma desfavorável armação quadrada que ampliava seus olhos e cobria metade de seu rosto. Ela parecia completamente indefesa, como uma professora que havia dedicado sua vida para cuidar de um parente envelhecido e cuja única indulgência era uma quedinha secreta pelo Sr. Rochester de Jane Eyre. Ou quase como isso. Como se esse fosse o estilo que ela estava querendo. Mas havia algo errado, alguma coisinha que não encaixava muito bem, um detalhezinho que não estava certo. Não. É. Da. Sua. Conta. Miranda disse adeus, pegou sua gorjeta de um dólar – “Porque você realmente estava bem atrasada, querida” – e foi embora. Ela estava a meia quadra de distância quando pisou no freio e correu a toda velocidade de volta à casa. Capítulo Cinco

O que você acha que está fazendo? ela perguntou a si mesma. De forma retórica, já que ela já estava em cima da árvore do vizinho da Branca-de-Neve-e-os-Sete-AnõesImitando-o-Bebê-Jesus e encarando o jardim da casa aonde deixara Sibby. Eu mal posso esperar para ouviu você dizer aos tiras, “Sim, policial, eu sei que eu estava invadindo mas a mulher era muito suspeita porque ela estava usando cílios postiços.” Com um traje completo de Culto Arrepiante. Eles não combinavam. Além do mais ela tinha um furo de piercing de nariz. E unhas francesinhas. Talvez ela só tivesse poros realmente grandes! E um amor por unhas antiquadas! Ela não era o que estava fingindo ser. Isso é sobre ajudar alguém ou ter uma desculpa para não aparecer no baile e ver Will esfregando o nariz no enorme e macio– Cala a boca, VC-É-PODRE. Eu ia dizer cabelo da Ariel. Você não é nem um pouco engraçada. Você não é nem um pouco corajosa. Havia dois caras sentados no quintal, se debruçando sobre uma mesa de piquenique na direção um do outro com um livro entre eles, ambos de camisetas e calças cáquis e papetes, um deles usando óculos com uma grossa armação-preta, o outro com uma barba desordenada. Eles pareciam dois caras universitários nerds jogando Dungeons and Dragons e soavam como dois também quando o que usava os óculos disse, “Não é assim que funciona. Diz no Livro das Regras que ela não pode ver para ela mesma, só para outras pessoas. Você sabe, como gênios com desejos, como eles não podem conceder os seus próprios.” Exceto que cada um tinha um grande revólver automático deitado na mesa perto deles e Miranda pode ver alvos fixados na cerca. E daí? Eles são nerds armados. Talvez eles protejam a Sibby. Vá para casa. Sibby não precisa de você. Ela está ótima. Se ela está ótima, por que ela não está lá fora tentando beijar os dois caras?

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Miranda se esforçou para ouvir algo de dentro da casa mas ela definitivamente era à prova de som. Um casal saiu de portas corrediças para o pátio longe dos Caras Nerds, uma mulher fumando um cigarro em baforadas curtas e tensas e um homem. Miranda quase caiu da árvore quando reconheceu a mulher como a mulher fanática, só que agora sem os óculos, saia, e suéter e com seu cabelo solto. O que não quer dizer nada. A mulher sussurrou, “Nós ainda precisamos que a garota nos conte a localização, Byron.” “Ela vai contar.” “Ela ainda não contou.” “Eu te disse, mesmo que eu não consiga fazê-la falar, o Jardineiro consegue. Ele é bom nisso.” A mulher novamente: “Eu não gosto dele ter trazido um sócio. Isso não fazia parte do plano. Ela vai ser apagada –“ O homem chamado Byron cortou ela. “Jogue isso fora e fique quieta, nós temos companhia.” Ele apontou para os Caras Nerds se movendo para juntarem-se a eles. A mulher esmagou seu cigarro com o pé e chutou-o para longe. “ELA está bem?” O Nerd Barbudo perguntou ofegantemente, pronunciando ELA como se devesse ser escrito em letras maiúsculas. “Sim,” o homem garantiu à ele. “Ela está descansando depois de sua prova.” Ah, eles não podem estar falando de Sibby. Prova? De jeito nenhum. “ELA já disse alguma coisa?” O Nerd do Óculos perguntou. O homem disse, “Só expressou o quanto ELA está grata por estar aqui.” Miranda quase bufou. O Nerd Barbudo disse, “Nós poderemos ver ELA?” “Quando a Transição acontecer.” Os nerds saíram com um jubiloso deslumbramento e Miranda decidiu que essa era a coisa mais estranha que ela já tinha visto. Mas isso provava que Sibby não corria perigo algum. Essas pessoas claramente veneravam ELA. O que queria dizer que era hora – “Por que chamam ele de Jardineiro, a propósito?” A mulher Cílios Postiços perguntou ao homem. “Eu acredito que é porque ele é bom em arrancar as coisas.” “Coisas?” “Dentes, unhas. Articulações. É assim que ele faz as pessoas falarem.“ -hora de achar a Sibby. Miranda saltou da árvore para o jardim do vizinho e viu ela mesma sob a mira de um revólver automático. Capítulo Seis

“Coloque eles pra cima,” o Nerd do Óculos disse. “Eu quis dizer os seus braços.” Miranda fez o que ele disse porque as mãos dele estavam tremendo tanto que ela tinha medo que ele atirasse nela por acidente. “Quem é você? O que você está fazendo aqui?” ele exigiu com uma voz que tremia quase tanto quanto suas mãos.

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“Eu só queria ver ELA de relance,” ela disse, esperando que soasse certo. Ele estreitou seus olhos. “Como você sabia que ELA estava aqui?” “O Jardineiro me disse, mas eu não sabia aonde ELA estava sendo mantida então eu escalei a árvore para olhar.” “A qual filial você pertence?” Eu sabia que isso iria terminar em lágrimas. E agora, espertinha? Miranda levantou uma sobrancelha e disse, “A qual filial você pertence?” Acrescentando por precaução, “Quero dizer, eu me lembraria de um cara como você se o tivesse visto antes.” Funcionou! Ela viu ele engoliu duro, seu pomo-de-Adão balançando para cima e para baixo. E nunca iria duvidar novamente de Como Conseguir – E Beijar – Seu Homem! Ele disse, “Eu iria me lembrar de você também.” Ela acertou-o com uma dose do Sorriso Simpático e viu o pomo-de-Adão mover-se mais. Ela disse, “Se eu te der a minha mão para apertar, você vai atirar em mim?” Ele gargalhou e abaixou sua arma. “Não,” ainda gargalhando. Oferecendo sua mão agora. “Eu sou o Craig.” “Oi, Craig, eu sou a Miranda,” ela disse, pegando-a. Então com um movimento brusco o deixou de costas no chão e o nocauteou com um único movimento silencioso. Ela olhou para sua mão por um segundo chocada. Ela definitivamente nunca tinha feito isso antes. Isso tinha sido muito legal. Se você vai ser uma idiota e arriscar tudo, você poderia fazer o que veio aqui para fazer. Você sabe, invés de só encarar o cara que você nocauteou. Ele se curvou para sussurrar, “Sinto muito. Tome três aspirinas para a sua cabeça quando você acordar e vai se sentir melhor,” em seu ouvido, e se moveu lentamente ao redor do esconderijo. Devia ter uma janela aberta porque ela pode ouvir vozes aqui, o homem que estivera do lado de fora antes agora estava dizendo à alguém, “Você está confortável?” E Sibby respondeu, “Não. Eu não gosto desse sofá. Eu não posso acreditar que essa é a melhor sala da casa. Parece com um lugar para vovós.” Heh! Miranda seguiu o som da voz de Sibby e se achou em frente à uma das janelas de vidro-laminado viradas-para-a-rua, olhando para uma sala de estar através de uma lacuna na cortina azul-escura. Havia um sofá, uma cadeira e uma mesinha de centro longos e esguios. Sibby estava na cadeira, seu perfil virado para Miranda, com um prato de Oreos na sua frente. Ela parecia bem. O homem estava empoleirado no sofá, sorrindo para Sibby, dizendo, “Então, aonde é que devemos deixar você?” Sibby tirou a parte de cima do Oreo e comeu. “Eu te conto mais tarde.” O homem continuou sorrindo. “Eu gostaria de saber para que eu possa planejar o caminho. Nunca se é cuidadoso demais." “Ai meu Deus, faltam horas para a gente ir. Eu quero assistir um pouco de TV.” Miranda ouviu o coração do homem acelerar e viu sua mão contrair mas ele manteve seu tom de voz leve quando disse, “É claro.” Então acrescentou, “Assim que você me disser aonde estamos te levando.” Sibby olhou com desdém para ele. “Você é surdo ou algo do tipo? Eu disse que eu te conto mais tarde.” “É de seu interesse que você fale comigo. Do contrário receio que terei que trazer

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outra pessoa. Alguém um pouco mais... forte.” “Ótimo. Mas enquanto eu espero, posso por favor assistir TV? Me diz que você tem TV a cabo. Ai Deus, se você não tiver MTV, eu vou ficar realmente irritada.” O homem se levantou com uma expressão em seu rosto como se ele quisesse quebrar alguma coisa, então abruptamente virou seu rosto para a porta. Miranda ouviu passos do corredor indo em direção à sala, e com eles uma familiar batida do coração chacha. Dois segundos depois o Sargento Adjunto Caleb Reynolds irrompeu pela porta. Viu? Sibby não corre perigo algum. A polícia está aqui. Dê o fora. Adjunto Reynolds disse para o homem, “Por que está demorando tanto?” “Ela não fala.” “Estou certo de ela mudará de idéia.” Os batimentos do seu coração aceleraram. Sibby deu uma olhada nele. “Quem é você?” Caleb disse, “Eu sou o Jardineiro.” Isso era extremamente péssimo, Miranda decidiu. “Eu não fiquei impressionada com o gramado da frente,” Sibby disse à ele. “Eu não sou esse tipo de Jardineiro. É um apelido. Eles me chamam assim porque –“ “Na verdade, eu não estou nem vagamente interessada. Eu não sei o que você está planejando, Garoto Planta –“ “Jardineiro,” ele corrigiu, ficando um tanto vermelho. “– mas se você precisa saber aonde eu devo ser apanhada pela Administração, então você tem que me manter viva, certo? Então você não pode exatamente me ameaçar com a morte.” “Não, morte não. Mas dor.” Ele se dirigiu ao homem. “Vá pegar as minhas ferramentas, Byron.” No momento em que o homem deixava a sala, Sibby disse, "Eu não vou te contar nada." Adjunto Reynolds circulou até que estivesse debruçado sobre a cadeira dela, suas costas para a janela. “Escuta aqui –” ele disse, seus batimentos do coração desacelerando repentinamente. Miranda teve um erro de cálculo, irrompendo pela janela primeiramente com o pé, depois deixando-o inconsciente com um chute lateral no pescoço antes que ele pudesse se virar. Ela se curvou para sussurrar, “Sinto muito,” em seu ouvido, decidiu como punição não contá-lo sobre as aspirinas, agarrou Sibby, correu a toda velocidade até o carro, e pisou no acelerador. Capítulo Sete

“Ele nem ao menos sabia que você estava lá,” Sibby disse. “Ele nem mesmo soube quem o acertou.” “Era essa a idéia.” Elas estacionaram perto de um edifício abandonado de manutenção da Amtrak numa parte antiga dos trilhos de trem que estava completamente escondido da rua. Era o lugar que Miranda começou a freqüentar sete meses antes para gastar toda a sua louca energia nova e tentar coisas que ela não podia praticar em outro lugar – Roller Derby era ótimo pela velocidade, balanço, ginástica, e movimentos com impulso, mas você não podia udar judô avançado. Ou armas. Ela podia perceber as marcas de seu último exercício com arco e flecha na parte lateral

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do edifício, e o pedaço de trilho da estrada de ferro com o qual ela tinha feito um nó no dia seguinte ao que Will a rejeitou ainda estava deitado no chão. Ela nunca tinha visto outra pessoa aqui, e ela estava certa que ela e Sibby seriam basicamente invisíveis contanto que permanecessem estacionadas. “Aonde você aprendeu a nocautear pessoas daquele jeito?” Sibby perguntou, esparramada pelo assento traseiro. “Você pode me ensinar?” “Não.” “Por que não? Só um movimento?” “Absolutamente não.” “Por que você disse que sentia muito depois de tê-lo acertado?” Miranda virou-se para encará-la. “É a minha vez de fazer perguntas. Quem quer te matar e por quê?” “Deus, eu não sei. Poderia ser um monte de gente. Não é bem assim, como você acha que é.” “Como que é então?” “É complicado. Mas se nós pudessemos ficar por aí até quatro da manhã, tem um lugar aonde eu posso ir.” “Isso é daqui a seis horas.” “Isso me dará tempo para pelo menos mais dez beijos.” “Bem, é claro. O que mais você faria enquanto alguém está tentando te matar exceto sair e dar beijos de língua no máximo de estranhos que é possível? “Eles não estavam tentando me matar, eles estavam tentando me seqüestrar. É totalmente diferente. Vamos, eu quero fazer alguma coisa divertida. Alguma coisa involvendo meninos.” “Ou nós poderíamos não fazer isso.” “Olha, só porque você é um membro fundador da Abaixo a Diversão Inc. não significa que o resto de nós quer ser recrutado.” “Eu não sou um membro fundador da Abaixo a Diversão Inc. Eu gosto de diversão. Mas –“ “Estraga prazeres.” “– de algum modo a idéia de perambular sem rumo enquanto ‘um monte de gente’ está tentando seqüestrar você não soa divertida para mim. Soa como uma boa maneira de se entrar no Livro dos Recordes Mundiais Guinness sob ‘Plano, vírgula, Os Mais Estúpidos do Mundo.’ Além disso observadores inocentes podem se involver quando o monte de gente achar você.” “’Se,’ não ‘quando.’ E eles não se importam com ninguém exceto eu.” Miranda girou seus olhos e virou-se para frente. “É por isso que eles são chamados de observadores inocentes. Porque eles estavam perto de você e acidentalmente se machucaram.“ “Então você definitivamente deveria ficar longe de mim. Sério, apesar de não ter nada que eu prefira fazer do que ficar estacionada no banheiro de um sem-teto por seis horas com somente você como companhia, eu acho que seria mais seguro para nós duas se eu tentasse a sorte em outro lugar. Como naquela sorveteria que nós passamos à caminho daqui. Você viu os lábios do cara atrás do balcão? Eles eram fabulosos.. Me deixe lá e eu vou ficar bem.“ “Você não vai mesmo a lugar algum.” “Sério? Porque esse som que está ouvindo? Sou eu alcançando a maçaneta da porta.”

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“Sério? Porque esse som que está ouvindo? Sou eu apertando a trava de segurança para crianças.” No espelho retrovisor, Miranda viu os olhos de Sibby flamejando. “Você é realmente má,” Sibby disse. “Algo horrível deve ter acontecido para você ser tão má.” “Eu não sou má. Eu só estou tentando mantê-la a salvo.“ “Tem certeza que é em mim que você está pensando? Não em algum esqueleto no armário? Como na vez que você –“ Miranda ligou o rádio. “Abaixa isso! Eu estava falando e eu sou uma cliente.” “Não mais.” Sibby gritou realmente alto, “O que aconteceu com a sua irmã?” “Eu não sei sobre o que você está falando,” Miranda gritou de volta. “Isso é uma mentira.” Miranda não disse nada. “Eu te perguntei antes se você tinha uma irmã e você ficou toda chorosa,” Sibby berrou em seu ouvido. “Por que você não me conta?” Miranda abaixou o rádio. “Pode me dar três boas razões do porque eu deveria?” “Pode fazer você se sentir melhor. Daria-nos algo sobre o que falar enquanto nós sentamos aqui. E se você não me contar, eu vou começar a chutar.” Miranda inclinou sua cabeça para trás, olhou seu relógio , e se virou para encarar a janela. “Sinta-se à vontade.” “Você incomodou tanto ela que ela foi embora? “Você chateou tanto ela que ela foi embora? Ou você a afastou com a vareta enorme que guarda na bunda?” “Pare de ser delicada com os meus sentimentos. Vá em frente, me diga o que você realmente pensa.“ Do assento traseiro Sibby disse, “Isso pode ter sido malvado demais. Sinto muito.” Miranda não disse nada. “Você não tem realmente uma vareta na sua bunda. Senão você não poderia dirigir, certo? Ha-ha?" Silêncio. “Mas eu quero dizer, você começou. Com o negócio da trava de segurança para crianças. Eu não sou uma criança. Eu tenho quatorze.” Mais silêncio. “Eu disse que sentia muito.” Sibby tombou no assento traseiro, suspirando. “Ótimo. Fique assim.“ Silêncio. Até que, por razão alguma que ela pudesse explicar, Miranda disse, "Eles morreram." Sibby sentou rapidamente agora, se inclinando em direção ao assento dianteiro. “Quem? Suas irmãs?” “Tod mundo. Minhas família inteira.” “Foi por causa de alguma coisa que você fez?” “Sim. E por causa de uma coisa que eu não fiz. Eu acho.” “Hm, Vovó Ranzinza, isso não faz nenhum sentido. Como não fazer alguma coisa – espera, você acha? Você não sabe o que aconteceu?” “Eu não consigo realmente me lembrar de nada dessa parte da minha vida.” “Você quer dizer daquele dia?”

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“Não. Daquele ano. E do ano seguinte. Praticamente tudo desde que eu tinha dez até quando eu fiz doze. E tem alguns outros buracos, também.” “Você quer dizer que esse negócio é simplesmente doloroso demais para se lembrar?” “Não, ele só... se foi. Tudo o que eu tenho são sensações.” E os sonhos. Sonhos realmente, realmente ruins. “Como o quê?” “Como eu não estar aonde eu deveria estar e alguma coisa aconteceu e eu decepcionei todo mundo...” Ela parou, agitando a mão no ar. “Espera, você realmente acha que poderia ter impedido o que quer que tenha acontecido com eles? Sozinha? Quando você era quatro anos mais nova do que eu?” A garganta de Miranda parecia que estava se fechando. Ela nunca tinha contado à alguém esse tanto sobre sua história verdadeira antes, nunca falou sobre isso, nem mesmo com Kenzi. Nunca. Ela engoliu duro. “Eu poderia ter tentado. Eu poderia ter estado lá e tentado.“ “Ai meu Deus, agora isso virou uma festa de pena. Bocejo. Me acorde quando você tiver acabado.” Miranda olhou boquiaberta para ela no espelho. “Eu te disse que não queria falar sobre isso mas você continuou me incomodando e agora você vira a prefeita de Ditadoralândia?” Engolindo novamente. “Sua –“ “Você nem sabe o que aconteceu! Como você pode se sentir tão mal por causa disso? Além do mais, eu não vejo como isso pode ser culpa sua. Você nem estava lá e você só tinha dez. Eu acho que você devia parar de ficar obcecada com uma coisa misteriosa que é história antiga e viver o momento.” “Perdão, você acabou de me dizer para ‘viver o momento’?” “Sim. Você sabe, livrar-se do passado e tentar se focar no que está acontecendo no presente. Como que essa música no rádio agora? Podre. E que tem uma cidade inteira de meninos bonitinhos aí fora que eu não estou beijando.” Miranda tomou um longo fôlego, mas antes que ela pudesse dizer alguma coisa, Sibby continuou. “Eu sei, eu sei que você está dizendo que sente muito para as pessoas que nocauteia porque nunca pode dizer que sentia muito para a sua família, e você tem que me manter a salvo porque você não pode mantê-los a salvo. Eu entendo agora.” “Não é isso que está acontecendo. Eu –“ “Blá blá blá, insira negações aqui. De qualquer jeito, porque ‘a salvo’ tem que dizer ficar sentada no carro com você a noite toda? Não tem algum lugar em que nós podemos nos misturar? Ao invés de nos escondermos? Eu sou boa em me misturar. Eu sou como arroz e feijão.” “Ah é, você é totalmente como arroz e feijão. De fato, na sua roupa Madonna-ligou-eela-quer-as-vestes-do-vídeo-de-‘Borderline’-de-volta, você está praticamente invisível.” “Boa, Estraga prazeres. Vamos lá, vamos ir à algum lugar.” Miranda deu uma volta completa no seu assento e disse, “Deixa eu dizer em voz alta para você. Alguém. Está. Tentando. Matar. Você.” “Não. Eles. Não. Estão. Você fica dizendo isso, mas eu te falei. Eles não podem me matar. Você realmente deveria trabalhar nessa obsessão que você tem com as pessoas sendo mortas. E eu tenho que ser honesta com você, eu estou ficando entediada. No que você colocou a rádio, ESTAÇÃO-PORCARIA? De jeito nenhum a gente vai ficar nesse carro por seis horas.”

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Miranda tinha que concordar com ela. Porque se elas ficassem, estava claro agora que ela mesma iria matar a Sibby. Foi quando ela pensou no lugar perfeito para elas irem. “Você quer se misturar?” ela perguntou. “Sim. Com meninos.” “Garotos,” Miranda disse. “O quê?” “Garotas Americanas normais desde século chamam eles de garotos, não de meninos. Se você quer se misturar.” Por um segundo, Sibby pareceu chocada. Então ela deu um sorrisinho. “Ah. Sim. Garotos.” “’É,’ não ‘sim.’ A não ser que você esteja falando com um adulto.” “É.” “E é ‘Oh meu Deus’ ou ‘Deus’, não ‘ai meu Deus.’” “Eu?” “É. E ninguém já disse ou jamais dirá, ‘viva o momento.’” “Espera aí.” “Não. Nunca. Ah, e nada de pagar aos garotos por beijos. Você não precisa. Eles deveriam se sentir sortudos de beijá-la.” Sibby franziu as sobrancelhas. “Por que você está sendo tão boazinha comigo e me ajudando? Você nem ao menos gosta de mim.” “Porque eu sei como é estar bem longe de casa, sozinha, tentando se encaixar. E de nunca ser capaz de dizer a ninguém a verdade sobre quem você é." Depois de elas estarem dirigindo em silêncio por alguns minutos, Sibby disse, “Você já matou alguém com suas próprias mãos?” Miranda olhou para ela no espelho retrovisor. “Ainda não.” “Ha-ha.” Capítulo Oito

“Você é maluca,” Sibby disse enquanto elas entravam. Seus olhos eram do tamanho de dois sonhos. “Você disse que isso ia ser horrível. Não está horrível. Isso é fantástico.” Miranda estremeceu. Elas se enfiaram no Grand Hall da Sociedade Histórica de Santa Bárbara pela saída de emergência que estava escancarada para que os convidados do baile pudessem escapar para poder ficarem doidões, e dando uma olhada em volta, Miranda podia entender porque ficar doidão era tão atrativo. As paredes do salão haviam sido cobertas com cetim azul com estrelas brancas bordadas nele, as quatro grandes colunas do meio estavam drapeadas com fitas vermelhas e brancas, as mesas postas nos lados estavam cobertas com a bandeira Americana – tecidos estampados com aquários como centro de mesas no qual o peixe, de alguma forma, tinha sido tingido de azul e vermelho, e nas pontas, grandes monumentos americanos como o Monte Rushmore, a Casa Branca, a Estátua da Liberdade, o Sino da Liberdade, e a Géiser Old Faithful tinham sido reconstruídos – com cubos de açúcar. Cortesia do pai de Ariel West. Ariel tinha anunciado na assembléia do dia anterior que depois do baile toda a decoração iria ser doada ao “pobre povo faminto de Santa Bárbara que precisasse de açúcar.”

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Miranda não sabia se era isso, os balões com cordões de borracha que pendiam do teto que saltavam preguiçosamente para cima e para baixo quando as pessoas passavam por debaixo deles, ou um mau presságio, mas ela sentiu um enjôo distinto. Sibby estava no paraíso. “Lembre-se – a maioria dos caras vem aqui com acompanhantes, então seja gentil na questão da beijação,” Miranda disse. “É, está bem.” “E se você me ouvir te chamando, você vem.” “Eu pareço com um cachorro para você?” Miranda a deu um olhar duro. Sibby disse, “Certo, ok, Estraga prazeres.” “E se você sentir que alguma coisa de estranho está acontecendo, você-“ “-te aviso. Já sei. Agora ande e tenha alguma diversão por você mesma. Ah, é mesmo, talvez você não saiba como. Bem, na dúvida, se pergunte, ‘O que a Sibby faria’?” “Posso me cancelar dessa lista, por favor?” Sibby estava muito ocupada examinando o salão para responder. “Whoa, quem é aquele gostosão naquele canto ali?” ela perguntou. “O cara de óculos?” Miranda olhou em volta procurando o gostosão mas tudo o que ela viu foi Phil Emory. “O nome dele é Phillip.” “Oláááááááá, Phillip,” Sibby disse, traçando um caminho direto até ele. Miranda enfiou sua bolsa skate[9] debaixo de uma mesa e ficou perto de uma parede, entre a Casa Branca e Old Faithful, parcialmente para poder deixar Sibby em seu campo de vista e parcialmente para evitar ser vista por qualquer um dos membros da faculdade. Ela trocou, no banheiro dos funcionários, a sua roupa de trabalho pela única coisa que ela tinha consigo, mas apesar de ser vermelho, branco, e azul, ela não achava que seu uniforme de Roller Derby era realmente apropriado para vestir num baile. Haviam dois uniformes na sua bolsa skate, um para os jogos em casa – frenteúnica de cetim branco e a parte de baixo com uma capa de lã azul e vermelha, e tiras brancas e azuis na saia (se você pudesse chamar algo que tinha uns 13 centímetros de comprimento e exigia uma calcinha anexada para se usar por baixo dela de saia) – e um uniforme para jogos fora de casa: a mesma coisa só que em azul. Ela decidiu que branco era mais formal, mas ela tinha absoluta certeza de que usar isso com seu sapato baixo preto de trabalho não estava ajudando no visual. [9] http://tinyurl.com/6bac3o Ela estava parada ali por um tempo, se perguntando como todo mundo menos ela era completamente capaz de estar na pista de dança sem debilitar alguém, quando ela escutou um par de batidas de coração que ela reconheceu e viu Kenzi e Beth escapando da multidão indo em sua direção. “Você veio!” Kenzi disse, lhe dando um grande abraço. Uma das coisas que Miranda adorava em Kenzi era que ela agia como se ela estive sob efeito de Ecstasy mesmo quando ela não estava, contando às pessoas que as amava, as abraçando, nunca se embaraçando com isso. “Estou tão feliz que você esteja aqui. Não parecia certo sem você. Então, está pronta para se libertar das inseguranças de sua juventude? Pronta para controlar o seu próprio futuro?” Kenzi e Beth estavam vestidas para tomar o mundo, Miranda pensou. Kenzi estava vestindo um vestido azul colante de costas nuas e tinha uma pantera negra com olhos de safira azul pintada nas suas costas. Beth estava com um minivestido de cetim

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vermelho e tinha uma cobra dourada com dois olhos de rubi enrolada na parte de cima de seu braço (ou pelo menos era isso que Miranda achava que eram rubis sendo que os pais de Beth eram dois das maiores estrelas de Bollywood[10]). Nelas, a vida adulta parecia uma festa totalmente excitante e legal com um excelente DJ na qual você só poderia entrar se estivesse na lista VIP. [10] Indústria cinematográfica Indiana. Miranda deu uma espiada no seu uniforme de patinação. “Eu acho que deveria saber que quando estivesse na hora de controlar meu próprio futuro eu estaria vestida como um integrante de um time de patinação no gelo de segunda divisão.” “De jeito nenhum, você está fantástica,” Beth disse, e Miranda teria presumido que ela estaria sendo sarcástica exceto que Beth era uma dessas pessoas que haviam nascido sem nenhum sarcasmo. “Realmente,” Kenzi confirmou. “Você está bem na zona do PPC.” PPC significava Pronta para Caçar[11]. “Eu vejo coisas grandiosas para a sua vida adulta.” [10] H2T= Hot to Trot no original. “E eu vejo uma consulta ao oftamologista para você,” Miranda profetizou. Ao longe, Miranda viu Sibby puxar Philip Emory para a pista de dança. Miranda se virou para Kenzi. “Você acha que sou uma pessoa divertida? Eu sou uma Vovó Ranzinza? Um estraga prazeres?” “Vovó Ranzinza? Estraga prazeres?” Kenzi repetiu. “Do que você está falando? Você bateu com a cabeça no treino de derby novamente?” “Não, estou falando sério. Eu sou divertida?” “Sim,” Beth concordou. “Exceto quando você fica toda MLES[12],” Kenzi alterou. “E quando você está no seu ciclo. E perto do seu aniversario. Oh, houve aquela uma vez que-“ [11] Meus Lábios Estão Selados. “Esquece.” Os olhos de Miranda se dirigiram para Sibby, que agora parecia estar liderando uma fila de conga. “Estou brincando,” Kenzi disse, virando o rosto de Miranda da pista de dança para ela. “Sim, eu te acho realmente divertida. Quero dizer, quem mais se vestiria de Magnum P.I[13] para o Halloween?” [12] P.I = Private Investigator (Detetive Particular); Magnum P.I foi uma série de Tv americana dos anos 80. “Ou pensar em entreter as crianças da ala do câncer encenando as melhores cenas de Dawson’s Creek com grandes figurinos inesquecíveis?” Beth adicionou. Kenzi acenou. “Isso mesmo. Até crianças combatendo câncer acham você divertida. E elas não são as únicas.” Alguma coisa no tom de Kenzi quando ela disse a última parte fez com que Miranda ficasse preocupada. “O que você fez?” “Ela foi brilhante,” Beth disse. Agora Miranda estava com mais medo ainda. “Me diga.” “Não foi nada, só uma pequena pesquisa,” Kenzi disse. “Que tipo de pesquisa?” Pela primeira vez Miranda percebeu que havia escritos ao longo do braço de Kenzi. Kenzi disse, “Sobre Will e Ariel. Eles não estão saindo de maneira alguma.” “Você perguntou para ele?” “Isso é chamado de entrevista,” Kenzi disse.

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“Não. Oh, não. Me diga que você está brincando.” Algumas vezes ter uma colega de quarto que queria ser uma jornalista era perigoso. “Relaxa, ele não suspeitou de nada. Eu fiz parecer como se estivesse batendo papo,” Kenzi disse. “Ela foi ótima,” Beth confirmou. Miranda começou a desejar por alçapões de novo. “De qualquer forma, eu o perguntei porque ele achava que Ariel o teria chamado para o baile e ele disse” – aqui Kenzi consultou seu braço – “ ‘Para deixar alguém enciumado.’ Então, lógico, eu perguntei quem e ele disse ‘Ninguém. É disso que Ariel se alimenta, do ciúme de outras pessoas.’ Isso não é observador? Especialmente para um garoto?” “Ele é inteligente,” Beth interpôs. “E legal.” Miranda acenou distraidamente, olhando para Sibby na pista de dança. De primeira ela não a viu, mas então ela a localizou num canto escuro com Philip. Conversando, não beijando. Por alguma razão isso a fez sorrir. “Olha, nós a deixamos feliz!” Kenzi disse, e ele soou tão genuinamente satisfeita que Miranda não quis lhe dizer a verdade. “Obrigada por descobrirem isso,” Miranda disse. “Isso é-“ “Você ainda não ouviu a melhor parte,” Kenzi disse. “Eu perguntei porque ele havia concordado em vir para o baile com Ariel se eles não eram um casal e ele disse” – espiando para o seu braço – “ ‘Porque ninguém me fez oferta melhor.’ “ Beth a lembrou, “Com aquele sorriso bonitinho.” “Isso, com o sorriso bonitinho. E ele olhou diretamente para mim quando disse isso e ele estava claramente falando de você!” “Claramente.” Miranda amava suas amigas, mesmo quando elas estavam iludidas. “Para de ficar me olhando como se eu tivesse feito compras sem parar na Loja de Lobotomia, Miranda,” Kenzi disse. “Eu estou totalmente certa. Ele gosta de você e está solteiro. Para de pensar e agarra ele. Vá viver NM[14].” [14] Original em ingles ITM = In The Moment. “NM?” “No momento,” Beth elaborou. Miranda ficou boquiaberta. “De jeito nenhum.” “O que?” Kenzi perguntou. “Nada.” Miranda balançou a cabeça. “Mesmo se ele fosse solteiro, o que a faz pensar que Will quer sair comigo?” Kenzi a olhou torto. “Um, perpassando por todos as virtudes de como você é legal e inteligente que eu tenho de dizer porque sou sua amiga, você já se olhou no espelho recentemente?” “Há-Há. Pode acreditar-“ “Tchau!” Beth disse, a interrompendo e puxando Kenzi embora. “Vejo você depois!” “Não se esqueça! NM!” Kenzi acrescentou por sobre seu ombro. “Seja homem!” “Onde vocês estão-“ Miranda começou a dizer, então ela escutou uma batida de coração bem próximo atrás dela e se virou. Quase batendo seu ombro no peito de Will. Ele disse, “Oi.”

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Ela disse, “Oie.” Deus. DEUS. Será que ela poderia dizer só uma coisa normal? Obrigada Boca Demente. Ele levantou uma sobrancelha para ela. “Eu não sabia que você vinha para o baile.” “Eu – mudei de idéia no último minuto.” “Você está bonita.” “Você também.” O que era uma meia verdade. Ele parecia como uma dupla pilha de panquecas de maçã com canela acompanhadas com bacon e batata frita (extra crocante). Como a coisa mais maravilhosa na qual Miranda já pôs os olhos. Ela sentiu que estava encarando ele, então desviou os olhos, corando. Houve um momento de silêncio. E mais outro. Não deixe que vá além dos quatro segundos, ela lembrou a sim mesma. Já devem ser se passado um segundo; isso deixa três, agora dois, diga alguma coisa! Diga“Você está vestindo calças espaciais?” Miranda perguntou para ele. “O quê?” Como é que terminava? Ah, sim. Ela disse, “Porque sua bunda é requintada.” Ele olhou para ela daquele jeito que parecia que ele a estava medindo para coloca-la numa camisa de força. “Eu acho-“ ele começou, então parou e pareceu ter dificuldade em falar. Limpou a garganta três vezes antes de finalmente dizer. “Eu acho que a frase é ‘porque sua bunda é de outro mundo.” “Oh. Isso faz bem mais sentindo. Entendi agora. Veja, eu li isso num livro sobre como fazer os garotos gostarem de você e dizia que essa frase nunca falhava, mas eu fui interrompida bem no meio e a frase anterior era sobre louça – não a que vai nos banheiros, a do tipo que a gente come nela – e era aí que estava a parte engraçada, mas eu devo as ter confundido.” Ele simplesmente continuava a olhá-la. Ela lembrou de outro conselho do livro, “em dúvida, ofereça”, esticou o braço, pegou a primeira coisa que conseguiu pôr as mãos, levou até o queixo dele, e disse, “Nozes?” Ele parecia como se fosse engasgar. Ele pigarreou algumas vezes, pegou as nozes dela, pôs o vaso de volta na mesa, deu um passo na direção dela de modo que seus narizes estavam quase se tocando, e disse, “Você leu um livro sobre isso?” Miranda não conseguia escutar nem as batidas do coração dele por causa do som dos do dela própria. “Sim, eu li. Porque claramente eu não estava fazendo isso direito. Quero dizer, se você beija um cara e ele se afasta e te olha como se sua pele tivesse acabado de se transformar numa meleca roxa, evidentemente você precisa passar um tempo na seção de auto-ajuda do-“ “Você fala mais quando está nervosa,” ele disse, ainda muito próximo dela. “Não, não estou. Que absurdo. Eu só estava tentando te explicar-“ “Eu deixo você nervosa?” “Não. Eu não estou nervosa.” “Você está tremendo.” “Estou com frio. Estou vestindo praticamente nada aqui.” Seu olhar foi para os lábios dela, então voltou para seus olhos. “Percebi.” Miranda engoliu. “Olhe, eu devia-“ Ele a pegou pelo pulso antes que ela pudesse sair. “Aquele beijo que você me deu foi o melhor que eu já tive. Eu parei porque não tinha certeza de que poderia me controlar em não arrancar suas roupas. E isso não parece o final apropriado para um primeiro encontro. Eu não queria que você pensasse que só estava interessado nisso.”

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Ela olhou para ele. Houve outro silencio, mas dessa vez ela não estava preocupada em quanto tempo demoraria. “Porque você não me disse?” ela disse finalmente. “Eu tentei, mas todas as vezes que eu te via depois disso, você desaparecia. Pensei que estivesse fugindo de mim.” “Não queria que as coisas ficassem estranhas.” “Certo, não tinha nada de esquisito no fato de você ter se escondido atrás de uma planta quando entrei no refeitório para almoçar na quarta-feira.” “Eu não estava me escondendo. Eu estava, umm, respirando. Você sabe, oxigênio. Da planta. Aquela planta estava bem oxigenada.” Agora coloque a cabeça no forno. “Claro. Eu devia ter pensando nisso.” ‘É uma coisa saudável. Não é todo mundo que sabe disso.” Deixe até que esteja TOTALMENTE ASSADO. “Não, tenho certeza que eles-“ Miranda deixou escapar. “Você realmente está falando sério? Sobre ter gostado de quando te beijei?” “Eu realmente gostei. Muito.” As mãos dela estavam tremendo. Ela o agarrou e o puxou para si. Exatamente quando a musica parou, as luzes de emergência se acenderam e uma voz fina avisava pelos auto-falantes, “Por favor, se encaminhem para a saída mais próxima e deixem o prédio imediatamente.” Ela e Will foram empurrados para direções diferentes pela multidão que surgia da porta, guiados por quatro homens com armaduras completas. A mensagem ficava repetindo, mas Miranda não estava escutando isso nem Ariel West berrando que alguém iria PAGAR por ter ESTRAGADO a noite DELA nem a pessoa dizendo ‘meu irmão, esse era o melhor jeito de terminar de um baile, cara, ele tava doidão’. Ela estava escutando de novo a batida um-dois-três cha-cha do coração do Adjunto Reynolds, ligeiramente abafada pela armadura. Isso não era um treino. “É por nossa causa, não é?” Sibby disse, se apressando para ir para o lado de Miranda. “É por isso que aqueles storm-troopers[15] estão aqui. Pela gente.” [15] Aqueles soldados de branco em Guerra nas Estrelas. http://tinyurl.com/69rj9s “É.” “Você estava certa, eu devia ter me escondido. É minha culpa. Eu não quero que ninguém saia ferido. Eu simplesmente vou me entregar a essas pessoas, eles vão deixar-“ Miranda a interrompeu. “Depois de tudo isso? Com apenas três horas para terminar? E você, se misturando como se fosse E você, a garota que se mistura como arroz no feijão? De jeito nenhum. Ainda não acabou. A gente pode se livrar disso.” Ela tentou soar confiante, mas ela estava aterrorizada. O que você acha que está fazendo? O canal VC-É-Podre exigiu. Não tenho a menor idéia. Sibby olhou para ela, os olhos brilhando de esperança. “Você está falando sério? “Você tem algum plano para escapar?” Miranda engoliu, respirou fundo, e disse a Sibby, “Me siga.” Para si mesma. Por favor não falhe.

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Capítulo 10 Funcionou perfeitamente. Quase. Haviam seis guardas bloqueando as saídas e outros quatro na porta, checando todo mundo que saia. Dez no total. Todos de armadura e máscaras, pacientemente explicando que havia ocorrido uma ameaça de bomba e que era importante evacuar o mais rápido possível. Ninguém perguntou porque eles estavam armados com armas automáticas que eles ficavam usando para empurrar a multidão. Ninguém, exceto o Dr. Trope, que foi até um deles e disse, “Mocinho, eu peço que mantenha suas armas longe de meus estudantes,” distraindo-o tempo o bastante para que Miranda e Sibby pudessem ser engolidas no meio da multidão. Elas tinham navegaram pelos dois primeiros stormtroopers, faltando somente mais dois quando Ariel gritou, “Dr. Trope? Dr. Trope? Olhe, lá está ela, Miranda Kiss. Eu falei que ela entrou de penetra no baile. Ela está logo ali no meio. Você tem que –“ Quatro homens com armas automáticas de repente deram meia volta e se deslocaram para a massa de estudantes. Miranda sussurrou, “Se abaixe”, para Sibby e as duas se inclinaram para debaixo da superfície da multidão, se arrastando de volta para o Grand Hall. Atrás de sua cabeça ela escutou Dr. Trope dizendo, “Onde ela está? Para onde ela foi? Não vou deixar uma de minhas pupilas aqui”. E o stormtrooper dizendo, “ Por favor, senhor, você precisa evacuar. Nós a acharemos. Repouso garantido.” Miranda decidiu que se ela saísse dessa viva, ela seria muito mais boazinha com o Dr. Trope. Se. Ela puxou Sibby até Old Faithful e disse, “Ali. Agora.” “Por que não posso me esconder na Casa Branca? Por que tem de ser no vulcão?” “Eu posso precisar de partes da Casa Branca. Por favor, só faça isso. Eles não serão capazes de faze-la sair se eles tiverem com os óculos de proteção.” “E você? Você está vestindo branco.” “Eu combino com a decoração.” “Wow, você realmente é boa nisso. Nessa coisa de planejamento. Como você aprendeu a –“ Miranda estava se perguntando a mesma coisa. Se perguntando porque assim que escutou o anúncio algumas partes do seu cérebro começou a calcular a distância até as saídas, procurando por armas, observando as portas. Seus sentidos trabalhando no automático era um alívio; isso significava que alguns de seus poderes estavam colaborando. Mas ela teria coragem de enfrentar dez homens armados? O máximo que ela conseguiu lidar de uma só vez foram três, e eles não tinham metralhadoras. Ela tinha de ser astuta em vez de direta. Ela disse para Sibby, “Me dê suas botas.” “Para quê?” “Para me livrar de alguns de nossos competidores para que nós possamos dar o fora daqui.” “Mas eu realmente gosto desses –“ “Me dê eles. E também um bracelete de borracha.” Miranda preparou a armadilha, então prendeu a respiração quando um guarda se aproximou. Ela ouviu ele disse no walkie-talkie, “Coluna Sudoeste, encontrei uma,” e

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viu as fitas se mexerem como se ele tivesse usado a ponta de sua arma para tirá-las do caminho. Ouviu ele dizer, “Mas que p –“ E atirou nele com o nariz de açúcar de George Washington com o estilingue que ela fez com o bracelete de borracha de Sibby e um garfo. Todo o seu exercício de alvo valeu a pena porque ela o acertou no exato lugar para fazê-lo se precipitar para frente. Ele caiu com a cabeça erguida apenas o suficiente para ficar desorientado e obediente enquanto ela amarrava suas mãos e pés com as fitas da pilastra. “Eu sinto muito,” ela disse, o virando de frente para amordaça-lo com um pedaço de pão de doce, então sorriu. “Oh, oi, Craig. Não é o seu dia, não é? Tente colocar uma bolsa d’água quente em seus punhos e tornozelos quando eles o desamarrarem. Tchau.” Ela tinha acabado de pegar as botas que ela usou na base da pilastra como isca quando ela escutou guarda vindo rapidamente de sua esquerda. Ela jogou a bota nele em estilo Frisbee e escutou um satisfatório ‘PAM’ quando ele também caiu desmaiado. Dois se foram, faltam oito. Ela estava se desculpando com o que ela certou com o sapato, que estava inconsciente – era bom saber que botas de cano curto eram bons para alguma coisa – quando o walkie-talkie em seu cinto veio à vida. “Leon, aqui é o Jardineiro. Onde você está? Indique sua posição. Câmbio?” Miranda pegou o walkie-talkie do guarda inconsciente e disse para ele, “Eu pensei que seu nome fosse Caleb Reynolds, Sargento. Qual é o lance com Jardineiro? Ou, como minha amiga gosta de chamá-lo, Garoto Planta.” Um estalo. Então a voz do Sargento Reynolds no walkie-talkie. “Miranda? É você? Onde você está? Miranda?” “Logo aqui,” ela sussurrou em seu ouvido. Ela se esgueirou por trás dele, e agora quando ele se virava, o braço dela envolveu o pescoço dele com o salto da bota apontado para a sua garganta. “Com o quê você está me apunhalando?” ele perguntou. “Tudo o que você precisa saber é que vai causar muita dor e provavelmente uma boa infecção se você não começar a me contar quantas pessoas tem aqui e com é o plano delas.” “Há dez aqui, mais cinco olhando as saídas do lado de fora. Mas eu estou do seu lado.” “Sério, Jardineiro? Não foi isso que pareceu lá na casa.” “Você não me deu uma chance de falar com a garota.” “Você vai precisar fazer melhor que isso. Eu não sou idiota, você não me engana.” “Você tem alguma idéia do que ela é?” “O que ela é? Na verdade, não.” A frequência cardíaca dele acelerou agora. “Ela é, de verdade, uma profeta em carne e osso. A Cumean Sibila[16]. Ela é uma das dez pessoas entre eles que, supostamente, sabe e pode controlar o futuro de todo o mundo.” [16] Sibila significa profetisa, feiticeira. “Wow. Eu pensei que ela era só uma adolescente de quatorze anos irritante cheia de hormônios.” “A Sibila opera através de vários corpos. Ou é isso que eles pensam. Essas pessoas com quem estou trabalhando. Emprego maluco. Eles fingem que querem protege-la, prevêem que suas profecias sejam exploradas por pessoas inescrupulosas, mas eu acho que eles estão no ramo da extorsão. Eu ouvi um deles dizer que poderiam ter

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resgatado a garota por oito dígitos.” Sua freqüência cardíaca foi desacelerando enquanto ele falava. “Meu trabalho era descobrir onde a garota seria supostamente levada, então eles poderiam mandar alguém lá com alguma bugiganga dela para mostrar que nós a tínhamos, e fazer a administração pagar.” Miranda não gostou nem um pouco o modo como bugiganga soou. “Mas você não ia não ia fazer?” . “Olá, Miranda? Estava te perguntando uma coisa?” Miranda abaixou a foto. “Perdão. O que?” “Como você pode ter certeza sobre ele?” “Simplesmente tenho. Confie em mim.” “Mas se você estiver errada-“ “Não estou.” O relógio fez tick. Miranda marchou. Sibby disse, “Eu odeio esse relógio.” Tack. Passo. Sibby: “Não tenho certeza se consigo fazer isso.” Miranda parou e olhou para ela. “Claro que você consegue.” “Não sou corajosa como você.” “Como é? A garota que fez com que – quantos caras já são agora? Vinte três?” “Vinte quatro.” “Vinte quatro caras para beijar ela? Você é corajosa.” Miranda hesitou. “Sabe quantos caras eu já beijei?” “Quantos?” “Três.” Sibby ficou boquiaberta, explodindo em gargalhadas. “Meu Deus, não é à toa que você é tão reprimida. É melhor fazer com que isso funcione ou então você vai ter uma vida realmente triste.” “Obrigada.” Capítulo Onze

Dezoito minutos mais tarde, Sargento Adjunto Caleb Reynolds estava do lado de fora da porta do escritório do diretor, as olhando por uma fenda. Demorou um pouco mais do que ele esperava para deixar tudo pronto, mas ele se sentia bem, confiante, sobre como tudo ia se desenrolar. Especialmente agora, vendo as duas meninas com os uniformes das Abelhas de Roller Derby, sainhas justas e tops, até vestiam as perucas e máscaras. Elas eram idênticas, exceto que uma estava de azul, a outra de branco. Como bonequinhas, sim, ele gostava de pensar nelas desse modo. Suas bonequinhas. Bonecas caras. A boneca de azul dizia, “Você tem certeza de que o fato de querer beija-lo não irá atrapalhar o seu julgamento, Miranda?” E a boneca de branco dizia, “Quem disse que quero beijar ele? Você é que é a Beijoqueira.” “Quem disse que quero beijar ele?” a boneca de azul imitou. “Por favor. Você realmente precisa aprender a se divertir. Viva o momento.” “Talvez eu faça isso assim que eu me livrar de você, Sibby.”

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A boneca de azul mostrou a língua, quase o fazendo rir. Elas eram bonitinhas juntas, essas duas. A boneca azul disse, “Estou falando sério. Como você sabe que podemos confiar nele?” “Ele tem seu próprio plano,” a boneca de branco explicou, “e combina com o nosso.” Agora ele realmente teve de reprimir um riso. Ela não tinha o quanto ela estava certa. A cerca da primeira parte. E o quanto estava errada sobre a segunda. Ele empurrou a porta e viu elas se virarem para ele com uma expressão de “você-émeu-herói” no olhar. “Você está pronta, Srtª Cumean?” A boneca de azul balançou a cabeça. Sua boneca de branco dizia agora, “Tome bem conta dela. Você sabe o quanto ela é importante.” “Eu vou. Vou deixa-la preparada e volto para a segunda parte do plano. Não abra a porta para ninguém a não ser eu.” “Certo.” Ele voltou em menos de um minuto depois. “Foi tudo bem? Sibby está a salvo?” “Tudo ocorreu perfeitamente. Meus homens estavam exatamente em suas posições. Não tinha como haver problemas.” “Certo, então quanto tempo temos de esperar antes que eu saia?” Ele andou na direção dela, deixando-a de encontro com a parede. Ele disse, “Houve uma mudança de planos.” “O quê, você adicionou uma parte onde você me beija? Antes da parte que eu finjo ser a Sibby e levo os guardas até a armadilha do grupo do SWAT?” Ele gostava do modo como ela sorria quando dizia isso. Ele se esticou para acariciar sua bochecha e disse, “Não exatamente, Miranda.” Suas mãos deslizando de seu rosto para o seu pescoço. “O que você está fal-“ Antes que ela pudesse terminar, ela já estava pressionada contra a parede, seus pés a quase meio metro do chão, as mãos dele em sua garganta. Ele as apertou levemente enquanto dizia, “Somos só eu e você agora. Eu sei tudo sobre você. Quem você é. O que é capaz de fazer.” “Sério?” ela engasgou. “Sim, sério. Princesa!” Ele viu os olhos dela se alargarem e sentiu sua dificuldade em engolir. “Eu sabia que isso ia chamar sua atenção.” “Eu não sei do que você está falando.” “Eu sei da recompensa pela sua cabeça. Miranda Kiss procurada, viva ou morta. Meu plano original era deixa-la viva por um tempo, entrega-la depois de algumas semanas, mas, infelizmente, você tinha que interferir. Devia se importar com seus próprios assuntos em vez dos meus, Princesa. Agora eu não posso sofrer o risco de ter você se metendo no meu caminho.” “Você quer dizer, se meter no caminho do que você vai fazer com Sibby? Então era você quem queria o dinheiro. Você traiu os outros e fez com que acreditassem que você fazia parte de sua causa, assim como nos traiu.” “Que garota inteligente.” “Você me mata, seqüestra ela, e pega o dinheiro? É isso?”

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“Sim. Como Monopólio, Princesa. Passa uma casa, coleta dois dólares. Só que nesse caso está mais para cinqüenta milhões. Pela garota.” “Wow.” Ela apareceu genuinamente impressionada. “E quanto você vai ganhar comigo?” “Morta? Cinco milhões. Você vale mais viva; aparentemente há pessoas que pensam que é algum tipo de Mulher Maravilha adolescente, que tem super poderes. Mas eu não posso correr o risco.” “Você já disse isso,” ela ralhou. “O que foi, está entediada, Miranda?” Ele estreitou um pouco o aperto. “Me desculpe por isso não ser como um final de um livro de histórias,” ele disse, sorrindo para ela, contendo os olhos dela com os seus próprios enquanto a estrangulava. Ele podia notar que, agora, ela estava lutando para respirar. “Se você vai me matar, não pode simplesmente fazer isso de uma vez? Isso é meio desconfortável.” “O que, minhas mãos? Ou o sentimento de que você é um fracasso-“ “Eu não sou um fracasso.” “-novamente.” Ela cuspiu no rosto dele. “Ainda tem algum fogo. Eu realmente admiro isso em você. Eu acho que você e eu poderíamos ter nos dado bem. Infelizmente, não há tempo.” Ela lutou uma última vez, arranhando-o com o todo o resto de suas forças. Era inspirador ver o tanto que ela tentou. Finalmente, seus pequenos punhos caíram desesperançosamente ao seu lado. Ele se inclinou para perto de seu rosto. “Algumas palavras finais?” “Seis: tirinhas para o hálito da Listerine. Você realmente precisa delas.” Ele riu, então apertou suas mãos no pescoço dela até elas se sobreporem. “Adeus.” Por um segundo, os olhos dele queimaram nos dela. Então houve um estalo agudo e alguma coisa pesada bateu na cabeça dele vindo por detrás. Ele balançou para frente, suas mãos soltando a garota enquanto ele caia no chão inconsciente. Ele nunca iria saber o que o atingiu, a boneca de azul pensou, ainda segurando o relógio que ela usou para nocauteá-lo. Ou quem. Capítulo Doze

Miranda, vestida no uniforme azul, empurrou para o lado o homem que ela tinha acabado de golpear na cabeça com o relógio e foi ver Sibby. Ela ainda tinha as algemas penduradas em seus pulsos, cada uma balançando um pedaço de corrente. Seus pulsos, suas mãos, estavam tremendo. Ela gentilmente levantou a garota inconsciente. “Sibby, vamos lá, abra os olhos.” Não deveria ter demorado tanto. O plano tinha sido simples: Ela e Sibby trocariam de identidade trocando de uniformes. Quando Sargento Reynolds as traísse, como Miranda sabia que ele iria, seria Miranda disfarçada de Sibby que ele entregaria para a sua equipe, e ela lidaria com eles, então voltaria para salvar Sibby. Pelo menos, era assim que deveria ter sido. “Acorda e levanta, Sibby,” ela disse, sua voz falhando. “De pé e adiante.” Miranda não esperava encontrar todos os cinco capangas do Sargento Reynolds estariam aguardando por ela – não deveria ter alguém no carro de fuga? – e,

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especialmente, não tinha antecipado a mulher que ele havia pego no aeroporto tivesse um soco inglês – de diamante. O golpe na cabeça proporcionou tempo suficiente para que eles algemassem Miranda num cano e fez com que ela ficasse um pouco fraca, então levou mais tempo do que devia para que ela neutralizasse eles com uma série de voadoras e um mortal[17] lateral, então quebrar as correntes das algemas e se libertar. Dando ao Sargento Reynolds mais tempo com o esôfago de Sibby do que ela havia planejado. [17] Para quem não sabe como é um mortal. http://tinyurl.com/5ecdk2 Muito mais tempo. Os batimentos estavam ficando mais lentos, difíceis de ouvir. “Eu sinto muito, Sibby. Eu deveria ter chegado mais cedo. Eu tentei ao máximo, mas eu não conseguia tirar as algemas e eu estava muito fraca e eu desmaiei e-“ Miranda estava tendo dificuldades de enxergar e percebeu que estava chorando. Ela tropeçou, mas continuou. “Sibby, você tem de estar bem. Você não pode morrer. Se você não voltar eu prometo que nunca mais vou me divertir. Nem uma única vez.” Agora o batimento cardíaco era só um sussurro, a garota em seus braços, um fantasma pálido. Miranda reprimiu o choro. “Meu Deus, Sibby, por favor-“ Os olhos de Sibby tremeluziram. A cor voltou ao seu rosto e o seu coração acelerou. “Funcionou?” ela sussurrou. Miranda engoliu o enorme nó na garganta e resistiu ao desejo de bater nela. “Funcionou.” “Você fez-“ “Dei uma relojada nele com o relógio, conforme pediu.” Sibby sorriu, colocou sua mão no rosto de Miranda, então fechou seus olhos novamente. Eles não reabriram até que estivessem no carro com a sociedade histórica atrás deles. Ela se sentou e olhou em volta. “Estou no banco da frente.” “Ocasião especial,” Miranda explicou. “Não vá se acostumar.” “Certo.” Sibby mexeu o pescoço para frente e para trás. “Foi um bom plano. Trocar de uniformes para que eles pensassem que você era eu e não se preocupassem muito com os restringimentos.” “Mesmo assim eles foram com tudo.” Miranda puxou a sua capa para cima. “Eu quebrei as correntes, mas não consigo tirar os braceletes.” Pensando, por alguma razão, em Kenzi dizendo no baile, ‘Você está preparada para se libertar das inseguranças de sua juventude? Está preparada para controlar o seu próprio futuro?’ “O que aconteceu com o Garoto Planta?” “Eu fiz uma ligação anônima, dando a dica de onde poderiam achar ele e os corpos dos guardas que ele atirou. Ele deve estar à caminho da prisão.” “Como você sabia que estava certa? Que ele estava tentando nos enganar?” “Eu posso dizer quando as pessoas estão mentindo.” “Como?” “Com diversas coisas. Pequenos gestos. Geralmente escutando os seus batimentos do coração.” “Como se se acelerar, eles estão mentindo?” “Com cada um é diferente. Você precisa saber como eles reagem quando estão dizendo a verdade para saber como reagem quando estão mentindo. Os batimentos dele ficam mais calmos, mais ainda quando ele mente, como se ele tentasse ser mais cuidadoso.”

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Sibby olhou para ela com mais atenção. “Você pode escutar as batidas do coração das pessoas?” “Eu escuto um monte de coisas.” Sibby estreitou os olhos. “Quando o Garoto Planta estava me estrangulando porque pensava que eu era você? Ele me chamou de Princesa. E disse que algumas pessoas acham que você tem poderes como uma Mulher Maravilha adolescente ou algo do tipo.” Miranda sentiu seu peito apertar. “Ele disse?” “E ele disse que há uma recompensa pela sua cabeça. Morta ou viva. Apesar de que, eu sinto informar, eu valha dez vezes mais que você.” “Não é gentil se gabar.” “É verdade? Que você é a Mulher Maravilha?” “Talvez a falta de oxigênio tenha chegado no seu cérebro, mas Mulher Maravilha é uma personagem de histórias em quadrinhos. Inventada. Eu sou real, uma pessoa normal.” Sibby bufou. “Você definitivamente não é normal. Você é totalmente neurótica.” Uma pausa. “Isso não foi uma resposta. Você realmente é uma princesa com super poderes?” “Você realmente é uma sagrada profetisa que sabe tudo que vai acontecer?” Os olhos das duas se encontraram. Nenhuma das duas disse algo. Sibby se esticou e se endireitou na cadeira da frente, e Miranda ligou o rádio e elas dirigiram em silêncio, as duas sorrindo. Depois de alguns quilômetros Sibby disse, “Estou faminta. Podemos parar para um hambúrguer?” “Sim, mas nós temos uma agenda a cumprir, então sem beijar garotos estranhos.” “Eu sabia que você ia dizer isso.” Capítulo Treze

Miranda sentou no carro vendo a lancha desaparecer no horizonte, levando Sibby para onde quer que ela estivesse indo. Você não tem tempo para relaxar, ela lembrou a si mesma. Sargento Reynolds pode ter sido dirigido para prisão, mas ele ainda podia falar, e você sabe que ele mentiu sobre como te achou, o que significa que alguém de Chatsworth sabe de alguma coisa, e há a questão sobre quem colocou a recompensa em sua cabeça eSeu celular tocou. Ela se esticou pelo banco para pegar sua jaqueta e tentou enfiar sua mão no bolso para poder pega-lo, mas o bracelete da algema continuava a ficar preso. Ela virou a jaqueta e derrubou tudo o que tinha em seu colo. Ela pegou o celular em seu último toque. “Alô.” “Miranda? É o Will.” Seu coração parou. “Oi.” Repentinamente, sentiu-se envergonhada. “Você, umm, se divertiu no baile?” “Em algumas partes. Você?” “Também. Em algumas partes.” “Procurei por você depois da ameaça de bomba, mas não te vi.” “Pois é, as coisas ficaram meio agitadas.”

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Houve uma pausa e os dois começaram a falar ao mesmo tempo. Ele disse, “Você primeiro,” e ela disse, “Não, você,” então os dois riram e ele começou, “Olha, eu não sei se você estava planejando vir para a casa do Sean para a ‘pós-festa’. Todo mundo está aqui. Está divertido e tudo o mais. Mas-“ “Mas?” “Eu estava me perguntando se você não gostaria de tomar um café da manhã, em vez disso. No Casa da Panqueca? Só nós dois?” Miranda esqueceu de respirar. Ela disse, “Isso seria totalmente fantástico.” E, lembrando que não deveria ser tão ansiosa, acrescentou, “Quero dizer, isso seria legal, eu acho.” Will riu, seu riso de derreter corações, e disse, “Eu também acho que isso seria totalmente fantástico.” Ela desligou e viu que suas mãos estavam tremendo. Ela ia ter um café da manhã com um cara. Não qualquer cara. Com o Will. Um cara que vestia calças espaciais. E pensava que ela era gata. E possivelmente maluca. O que, por sinal, usando algemas como acessórios não iria ajudar na sua reputação. Novamente, ela tentou quebrar os braceletes com a mão, mas não conseguiu. Ou essas algemas não eram normais ou acabar com dez pessoas em uma noite – na verdade oito, mas como ela bateu em dois duas vezes- era o limite de suas forças. O que era interessante, suas forças terem limites. Ela tinha muito o que aprender sobre os seus poderes. Mais tarde. Nesse exato instante, ela tinha meia hora para achar um outro jeito de tirar as algemas. Ela começou a enfiar as coisas de seu colo de volta para o bolso da jaqueta para que ela pudesse dirigir, então parou quando viu uma caixa desconhecida. Era uma caixa que Sibby deu a ela quando elas se conheceram - isso realmente só aconteceu a oito horas atrás? O que ela havia dito, alguma coisa estranha. Miranda lembrava agora, Sibby entregando a placa com o nome e dizendo, “Isso deve ser seu.” Mas com a ênfase diferente. “Isso deve ser seu.” Miranda abriu a caixa. Dentro, envolvido no veludo preto, havia uma chave de algemas. Você está pronta para ser a dona do seu destino? Valia a pena tentar.

FIM

Inferno na Terra Stephenie Meyer

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Gabe fitou a pista de dança e se encolheu. Ele não tinha certeza porque havia convidado Celeste para o baile, e era outro mistério o porquê dela ter aceitado. Era ainda mais misterioso agora, ao vê-la apertar o pescoço de Heath McKenzie tão apertado que, provavelmente, Heath estava tendo dificuldades em respirar. Seus corpos achatavam-se contra uma massa invisível enquanto eles balançavam na batida da música, ignorando o ritmo da canção que estrondava no lugar. As mãos de Heath examinavam o brilhante vestido branco de Celeste de uma maneira muito íntima. “Que azar, Gabe” Gabe desviou o olhar do espetáculo que sua acompanhante estava fazendo para ver seu amigo se aproximando. “Oi, Bry. Está tendo uma noite boa?” “Melhor que você, cara, melhor que você”, respondeu Bryan sorrindo. Ele levantou seu copo com ponche verde cor de bílis como se fosse fazer um brinde. Gabe tocou o copo de Bryan com sua garrafa d’água e acenou. “Eu não sabia que Celeste sentia alguma coisa por Heath. Ele é seu ex ou coisa parecida?” Bryan tomou um gole do seu sinistro drinque , fez uma careta, e balançou a cabeça. “Não que eu saiba. Eu nunca nem tinha visto eles dois se falarem antes de hoje à noite.” Os dois encararam Celeste, que, aparentemente, havia perdido alguma coisa do qual ela precisava bem dentro da boca de Heath. “Huh” Gabe disse. “Provavelmente é o ponche”, disse Bryan numa tentativa de ser encorajador. “Não sei quantas pessoas batizaram[1] isso, mas ouch[2]. Ela nem deve saber que não é você lá.” Bryan tomou outro gole e fez outra careta. [1] Batizar = colocar álcool na bebida. [2] Expressão em inglês para expressar dor. “Por que você está bebendo isso?” Gabe quis saber. Bryan deu de ombros. “Eu não sei. Quem sabe a música não vai parecer tão patética quando eu me forçar a tomar um copo disso.” Gabe balançou a cabeça concordando. “Meus ouvidos talvez nunca me perdoem. Eu deveria ter trazido meu iPod.” “Eu me pergunto onde Clara está. Existe algum tipo de lei feminina que demande que elas passem certa porcentagem da noite juntas no banheiro?” “Sim. Há duras penalidades para as meninas que não atingem a quota.” Bryan sorriu, mas então seu sorriso desapareceu e ele ficou brincando com sua gravata borboleta por um momento. “Sobre Clara...” ele começou. “Você não tem que dizer nada,” Gabe o assegurou. “Ela é uma garota maravilhosa. Vocês são perfeitos um para outro. Eu teria de ser cego para não reconhecer isso.” “Você realmente não se importa?” “Eu te falei para chamá-la ao baile, não foi?” “Sim, falou. Sir Galahad[3] fez outro casal. Sério, cara, você por acaso pensa em si próprio?” [3] http://pt.wikipedia.org/wiki/Sir_Galahad “Claro, a todo momento. E hey, falando em Clara... é melhor que ela tenha uma ótima noite hoje, senão vou quebrar o seu nariz.”Gabe deu um sorriso largo. “ Ela e eu ainda somos bons amigos, não pense que não vou ligar e checar.”

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Bryan rolou os olhos, mas de repente achou um pouco de dificuldade para engolir. Se Gabe Christensen quiser quebrar seu nariz, ele não achará muita dificuldade em fazêlo. Gabe não se importaria em machucar as suas juntas ou em manchar seu registro permanente se isso significasse corrigir algo que, em sua visão, estivesse errado. “Tomarei conta de Clara,” Bryan disse, desejando que suas palavras não se parecessem tanto como um voto. Há algo em Gabe e em seus penetrantes olhos azuis que o faz se sentir desse jeito, como se quisesse fazer o seu melhor em qualquer tarefa que lhe for dada. Isso, às vezes, ficava irritante. Com uma careta, Bryan derrubou o resto de seu ponche num musgo morto à base de uma árvore de plástico de fícus[4]. “Se ela algum dia sair do banheiro.” [4] http://tinyurl.com/62cq3p “Bom garoto” Gabe disse num jeito de aprovação, mas seu sorriso se torceu para baixo num dos lados. Celeste e Heath haviam desaparecido no meio da multidão. Gabe não sabia como era o protocolo quando você era chutado no baile. Como iria ter certeza de que ela havia chegado bem em casa? Agora esse era o trabalho de Heath? Gabe, novamente, se perguntou porque dele ter chamado Celeste para esse baile. Ela era uma garota muito bonita, no estilo dos concursos de beleza. Cabelo perfeitamente loiro, tão cheio que era até fofo, olhos castanhos largos e espaçados, e lábios curvos sempre pintados com um lisonjeiro cor de rosa. Seus lábios não eram as únicas coisas a serem curvas. Ela poderia fazer de tudo, menos apagar os seus pensamentos sobre o vestido esbelto e agarrado que ela estava usando hoje à noite. A aparência dela, no entanto, não foi o que o chamou a atenção. A razão era completamente outra. Era estúpida e embaraçosa, na verdade. Gabe nunca, nunca iria contar isso a alguém, mas, de vez em quando, ele tinha essa estranha sensação de que alguém precisava de ajuda. Precisava dele. Ele teve essa inexplicável sensação em relação a Celeste, como se o seu belo loiro escondesse uma donzela em perigo por trás daquela maquiagem impecável. Muito estúpido. E obviamente errado. Celeste não aparentava estar necessitada de nenhuma ajuda de Gabe neste exato momento. Ele esquadrinhou a pista de dança novamente, mas não pôde ver o seu cabelo dourado na multidão. Ele suspirou. “Hey, Bry, sentiu minha falta?” Clara, com seu escuro cabelo cacheado cheio de glitter, saltava livremente de uma multidão de fêmeas e se uniu a eles na parede. O resto do rebanho se dispersou. “Hey, Gabe. Cadê a Celeste?” Bryan colocou seus braços ao redor dos ombros dela.“Eu pensei que você tinha ido embora. Aparentemente vou ter de cancelar meus planos picantes que acabei de fazer com-” O cotovelo de Clara pegou bem no plexus solar[5] de Bryan. [5] Um ponto entre a barriga e o peito. Onde fica o diafragma. http://tinyurl.com/5zr55e “Sra. Frinkle,” Bryan continuou, ofegando com as palavras e acenando na direção da vice-diretora que estava observando o salão do local o mais longe possível dos autofalantes. “Nós íamos catalogar as advertências fracassadas à luz de velas.”

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“Bem, eu não gostaria que você perdesse isso! Eu acho que vi o treinador Lauder perto dos biscoitos. Talvez eu pudesse convencê-lo a fazer algumas flexões como ponto extra.” “Ou então a gente poderia somente dançar,” sugeriu Bryan. “Claro, eu posso me contentar com isso.” Rindo, eles se apertaram no seu caminho para a pista de dança, a mão de Bryan envolvendo a cintura de Clara. Gabe estava contente por Clara não ter ficado esperando por uma resposta à sua pergunta. Era um tanto quanto embaraçoso o fato dele não ter uma. “Hey Gabe, cadê a Celeste?” Gabe fez uma careta e se voltou para o som da voz de Logan. Logan também estava solo no momento. Talvez fosse a vez da acompanhante dele exibir o comportamento de garota-rebanho. “Eu não saberia dizer,” Gabe admitiu. “Você a viu?” Logan franziu os lábios por um momento, como se debatesse se deveria, ou não, contar algo. Ele correu a mão nervosamente pelo seu cabelo preto cacheadinho[6]. “Bem, eu acho que sim. Eu não tenho exatamente certeza, no entanto...Ela está com um vestido branco, não é?” [6] http://tinyurl.com/67vh85 “É, onde ela está?” “Eu acho que a vi no hall de entrada. Não tenho certeza. Seu rosto estava meio difícil de ver... o rosto de David Alvorado estava todo em cima...” “David Alvorado?” Gabe repitiu “Não era Heath McKenzie?” “Heath? Não. Definitivamente era David.” Heath era um linebacker[7], loiro e belo. David dificilmente chegava aos 1,55cm, seu tom de pele era azeitonado[8] e seu cabelo era preto. Não tem como confundir os dois. [7] Linebacker = jogador de futebol americano que fica atrás da linha defensiva, podendo marcar um quarterback ou um receiver. [8] A da esquerda é de cor azeitonada. http://tinyurl.com/5rsajh Logan sacudiu sua cabeça tristemente. “Desculpe, Gabe. Isso é um porre.” “Não se preocupe com isso.” “Pelo menos você não está nesse barco sozinho,” Logan disse desamparadamente. “Sério? O quê aconteceu com o seu encontro?” Logan deu de ombros. “Ela está aí em algum lugar, olhando furiosamente para todo mundo. Ela não quer dançar, ela não quer falar, ela não quer ponche, ela não quer tirar fotos, e ela não quer a minha companhia.” Ele ia assinalando cada negativa com os dedos. “Em primeiro lugar, eu nem sei por que ela me convidou. Provavelmente só queria se mostrar com o seu vestido - está sexy, eu tenho que lhe dar os créditos por isso. Mas ela não está parecendo ligar sobre mostrar mais nada agora... Gostaria de ter convidado alguma outra pessoa.” Os olhos de Logan demoraram melancolicamente num grupo de garotas que dançavam agitadamente num círculo sem nenhum homem por perto. Gabe pensou ter visto Logan se focar numa garota em particular. “Porque não convidou a Libby?” Logan suspirou. “Eu não sei. Eu acho...Eu acho que ela teria gostado se eu a tivesse chamado, no entanto. Oh, cara.” “Quem é a sua acompanhante?”

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“A garota nova, Sheba. Ela é um pouquinho enérgica, mas é linda, meio exótica. Eu estava muito chocado para dizer qualquer coisa além de sim quando ela me chamou para vir com ela. Eu pensei que ela, bem, que ela poderia ser...legal...” Logan terminou sem graça. O que ele realmente pensou quando Sheba, na verdade, comandou que ele a levasse ao baile não parecia completamente apropriado para ser dito em voz alta, especialmente para o Gabe; um monte de coisas parecia inapropriado ao redor de Gabe. Era simplesmente o contrário com Sheba. Quando ele deu uma olhada no vestido de couro vermelho enlouquecedor dela, sua cabeça ficou cheia de idéias que, de alguma forma, não pareciam nem um pouco inapropriadas quando os olhos escuros e profundos dela estavam focados nos dele. “Eu acho que não a conheço,” Gabe disse, interrompendo a breve fantasia de Logan. “Você se lembraria se tivesse conhecido.” Embora Sheba tenha esquecido Logan rápido o bastante uma vez que eles tenham chegado na porta, não foi? “Hey, você acha que talvez a Libby tenha vindo sozinha? Eu não escutei sobre ninguém convidando ela...” “Err, ela veio com o Dylan.” “Oh,” Logan disse desanimado. Então, ele deu um meio sorriso. “A noite está ruim o suficiente sem termos de ser torturados acima de tudo – nós não deveríamos ter uma banda? Esse DJ...” “Eu sei. É como se nós estivéssemos sendo torturados por nossos pecados,” Gabe disse rindo. “Pecados? Como se você tivesse algum, Galahad o Puro.” “Você está brincando? Eu quase não saí a tempo da suspensão para ter permissão para vir hoje a noite.” Lógico, no momento Gabe estava desejando que o tempo não tivesse sido tão prestativo. “Tenho sorte de não ter sido expulso.” “Sr. Reese sabia que isso iria acontecer. Todo mundo sabia disso.” “Sim, ele sabia,” Gabe disse, com uma pontinha rude em seu tom de voz. Todo mundo na escola era cauteloso quanto ao Sr. Reese, mas não havia muito o que fazer até que o professor de matemática cruzasse uma linha na qual não deveria ultrapassar. Todos os veteranos também sabiam sobre o Sr. Reese, mas Gabe não iria ficar quieto enquanto ele perseguia aquele calouro tolo...Mesmo assim, nocautear um professor foi um pouquinho extremo. Provavelmente, haveria melhores meios para lidar com a situação. No entanto, seus pais tinham sido encorajadores, como sempre. Logan interrompeu seus pensamentos. “Talvez a gente devesse ir embora,” Logan disse. “Eu me sentiria mal – se Celeste necessitasse de um meio para ir para casa...” “Aquela garota não é o seu tipo, Gabe.” Ela é o puro demônio e uma completa prostituta, Logan poderia acrescentar, mas essas não são coisas que você gostaria de falar sobre uma garota enquanto Gabe estivesse em seu campo de audição. “Deixe ela pegar uma carona com o cara que está enfiando a língua na garganta dela.” Gabe suspirou e balançou a cabeça. “Eu irei esperar para ter certeza que ela vai estar bem.” Logan gemeu. “Eu não acredito que você a convidou. Bem, a gente poderia se mandar por, pelo menos, tempo suficiente para poder pegar uns cd’s decentes? Então nós poderíamos seqüestrar aquela pilha de merda que o DJ está tocando...” “Eu gosto do jeito que você pensa. Me pergunto se o motorista da limusine se importaria de fazer uma corrida por fora...”

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Logan e Gabe terminaram numa discussão zombeteira a cerca dos melhores cd’s a serem salvos – o top 5 era óbvio, mas daí a lista se tornou mais subjetiva - os dois tendo o melhor momento que tiveram na noite toda. Era engraçado, mas enquanto eles brincavam, Gabe sentiu como se eles fossem os únicos que estivessem se divertindo. Todo mundo no salão parecia estar desagradado com alguma coisa. E lá no canto dos cookies envelhecidos, parecia que tinha uma garota chorando. Aquela não era Evie Hess? E outra garota, Ursula Tatum, também tinha olhos vermelhos e o rímel manchado. Talvez a música e o ponche não fossem as únicas coisas nesse baile que não prestassem. Clara e Bryan pareciam felizes, mas além desses dois, Gabe e Logan – ambos humilhados e rejeitados – pareciam estar desfrutando a noite mais do que qualquer outro. Menos perceptivo que Gabe, Logan não percebeu a atmosfera negativa até que Libby e Dylan começaram a discutir; repentinamente Libby saiu andando arrogantemente da pista de dança. Isso atraiu sua atenção imediatamente. Logan trocou de posição, seus olhos grudados na imagem de Libby se afastando. “Hey, Gabe, você se importa se eu te abandonar?” “De modo algum. Vai nessa.” Logan praticamente correu atrás dela. Gabe não tinha certeza do que fazer consigo mesmo agora. Ele deveria encontrar Celeste e perguntar se ela se importava que ele fosse embora? No entanto, ele não estava inteiramente confortável com a idéia de ter de soltá-la de alguém para poder perguntar. Ele decidiu pegar outra garrafa de água e encontrar um canto, o mais calmo possível, para esperar que a noite se arrastasse até o seu fim. E então, enquanto ele estava procurando pelo canto tranqüilo, Gabe teve aquela estranha sensação de novo, mais forte do que já teve em toda a sua vida; era como se alguém estivesse se afogando em águas negras e gritando por sua ajuda. Ele olhou ao redor freneticamente, se perguntado de onde vinha o chamado de urgência. Ele não conseguia entender a margem vital e disforme dessa angústia. Isso não era como nada que ele já tivesse sentido na vida. Por um breve momento, seus olhos se fixaram numa garota – de costas, enquanto ela estava andando para longe dele. O cabelo da garota era preto e lustroso com um brilho parecendo de um espelho. Ela vestia um longo espetacular, cor de chamas. Enquanto Gabe assistia, os brincos dela flamejaram, como pequenos diamantes vermelhos. Gabe começou a andar atrás dela quase que num movimento inconsciente, levado pela necessidade violenta que a cercava. Ela virou rapidamente, e ele teve um relance de sua palidez desconhecida, o perfil aquilino[9], seus grossos lábios de marfim e suas sobrancelhas pretas arqueadas – antes dela se retirar para o banheiro feminino. [9] Aquilinos= próprios de águia. Diz –se do nariz curvo como o de uma águia. Gabe estava respirando com dificuldade devido ao esforço de não seguir a garota para a terra proibida para os homens. Ele podia sentir sua necessidade tragando-o como areia movediça. Ele se inclinou na parede da frente do banheiro, cruzou os braços fortemente no peito, e tentou se convencer a não esperar pela garota. Este instinto louco que tinha estava indo muito mais longe do que normal. Celeste não tinha sido uma prova disso? Isso era tudo coisa da sua imaginação. Talvez ele devesse sair agora. Mas Gabe não conseguia forçar seus pés a dar um passo adiante.

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Apesar da garota mal atingir 1,60m em seus saltos agulhas, havia algo em sua imagem - incitantemente magra e ereta como um florete de esgrima – que a fazia parecer alta. Ela era uma contradição ambulante, de modo mais contraditório que a própria luz e as trevas, com seu cabelo preto como tinta e a sua pele de calcário, ambos delicados e rudes com suas características pequenas e astutas, e ambos convidativos e repelentes como ondas hipnotizantes que vinham de seu corpo por trás da expressão hostil em seu rosto. Apenas uma coisa nela não era ambígua – seu vestido, sem sombra de dúvida, era uma obra de arte: Camadas de couro de um vermelho flamejante revelavam seus ombros pálidos e deslizavam sobre suas curvas até alcançar o chão. Enquanto ela cruzava a pista de dança, os olhos femininos seguiam seu rastro com inveja e os masculinos com luxúria. Havia outro fenômeno que a seguia; enquanto a garota com seu vestido inflamável passava pelos casais que dançavam, suspiros de horror e embaraço sussurravam ao redor dela de uma forma tão estranha que só poderia ser coincidência. Um salto alto quebrou, torcendo o tornozelo de quem o estava calçando. Um vestido de cetim rasgou da bainha até o alto da coxa. Uma lente de contato escapuliu e estava perdida no chão sujo. A alça de um wonder bra[10] partiu em dois. Uma carteira deslizou de um bolso. Uma câimbra inesperada anunciou sua chegada. Um colar emprestado se espatifou em uma chuva de pérolas no chão. [10] Aqueles sutiã que têm enchimento. E um por um - pequenos desastres desencadeavam pequenas desgraças. E a morena pálida sorria para si mesma como se pudesse sentir a desgraça no ar e curtia – saboreava isso, talvez pelo modo como lambia os lábios em apreciação. E então, seu semblante fechou e ela enrugou suas sobrancelhas numa concentração feroz. O único garoto que estava olhando seu rosto viu um estranho resplendor vermelho próximo de seus globos oculares, como se fossem faíscas vermelhas. Neste momento, todo mundo se virou para encarar Brody Farrow que havia apertado o braço e gritado de dor; os movimentos leves da música lenta haviam deslocado seu ombro. A garota do vestido vermelho sorriu maliciosamente. Com seus saltos tilintando no chão ela andou com passos largos pelo corredor até o banheiro feminino. Gemidos fracos de dor e pesar se arrastaram atrás dela. Uma multidão de meninas andavam sem rumo na frente do espelho de corpo inteiro do banheiro. Elas só tiveram um momento para olhar embasbacadamente para o vestido estonteante, para notar que a garota que estava dentro dele tremeu de leve no aposento sufocante de tão quente, antes que o caos as distraíssem. Começou com Emma Roland que se apunhalara no olho com o rímel. Ela se debulhava em horror, golpeando o copo cheio de ponche da mão de Bethany Crandall que, então, acabara por encharcar e manchar mais três outros vestidos nos lugares mais inconvenientes. A atmosfera no banheiro se elevara tanto quanto a temperatura local quando uma das garotas – ostentando uma mancha verde horrorosa por todo o seu peito – acusou Bethany de ter jogado o ponche nela propositalmente. A morena pálida só sorriu ligeiramente diante da briga que estava se formando, e então se apressou para o cubículo mais longe do banheiro e fechou a porta atrás dela. Ela não fez uso da privacidade do espaço como alguns poderiam pensar. Em lugar disso, não mostrando nenhum medo do lugar estéril, a menina apoiou sua testa contra

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a parede de metal e apertou os olhos bem fechados. As mãos dela, cerradas em punhos, também descansaram contra o metal como apoio. Se quaisquer das meninas no banheiro feminino estivesse prestando atenção, elas poderiam ter desejado saber o que estava causando aquele brilho avermelhado que reluzia excessivamente pela fenda entre a porta e a parede. Mas ninguém estava prestando atenção. A garota do vestido vermelho apertou os dentes firmemente. Dentre deles, disparou um jato quente de chama luminosa que chamuscou formas pretas na camada mais leve de tinta de uma parede de metal. Ela começou a ofegar, lutando contra uma carga invisível, o fogo queimando ainda mais, dedos com grossas rachaduras vermelhas contra o metal frio. O fogo alcançou aos seus cabelos, mas não chamuscou as mechas macias de seu cabelo cor de tinta. Sinais de fumaça começaram a escapar do seu nariz e orelhas. Uma chuva de faíscas disparou de suas orelhas enquanto ela sussurrava uma palavra entre os dentes. “Melissa.” De volta ao salão de festa, Melissa Harris olhou em volta, distraída. Alguém teria chamado seu nome? Não parecia ter alguém perto o bastante para ser responsável pelo sussurro. Deveria ser sua imaginação, então. Ela olhou de volta para o seu acompanhante e tentou se concentrar no que ele estava dizendo. Melissa desejou saber por que ela tinha concordado em ir ao baile com Cooper Silverdale. Ele não era seu tipo. Um garoto pequeno, consumido por sua própria importância, com muito ainda para provar. Ele tem sido estranhamente elétrico a noite toda, enquanto se vangloriava de sua família e de suas posses ininterruptamente, e Melissa já estava se cansando disso. Outro fraco sussurro chamou a atenção de Melissa, e ela se virou. Lá, do outro lado do salão, muito longe para ser a fonte do som, Tyson Bell estava encarando Melissa diretamente por cima da cabeça da garota com quem ele estava dançando. Melissa olhou para baixo imediatamente, estremecendo, tentando não se importar com quem ele estava, enquanto forçava a si mesma a não olhar. Ela se mexeu mais para perto do Cooper. Chato e superficial, talvez, mas melhor que o Tyson. Qualquer um era melhor que o Tyson. Realmente? Cooper realmente era a melhor opção? As perguntas pipocavam na cabeça de Melissa como se viessem de uma pessoa completamente diferente. Involuntariamente, ela olhou nos olhos negros e pesados de Tyson. Ele ainda a estava encarando. Claro que Cooper era melhor que Tyson, não importava o quanto bonito ele era. Aquela beleza era só parte da armadilha. Cooper continuava balbuciando, se embolando nas próprias palavras, enquanto tentava capturar o interesse de Melissa. Cooper é muito areia para o seu caminhãozinho, o pensamento sussurrou. Melissa concordou com a cabeça, envergonhada por pensar naquele modo. Isso era futilidade. Cooper era tão bom quanto ela, tão bom quanto qualquer outro menino. Não tão bom quanto Tyson. Se lembra como era... Melissa tentou manter as imagens fora da sua cabeça: os olhos apaixonados de Tyson, cheios de desejo...suas mãos macias e ásperas contra a sua pele...sua voz melodiosa

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que transformava o som das palavras mais comuns em poesia...o modo como o mais leve toque de seus lábios contra os dedos dela fazia com que sua pulsação corresse mais rápido em suas veias... Seu coração fez um baque, doendo dentro do peito. Deliberadamente, Melissa pescou uma outra memória para combater seus pensamentos rebeldes. O punho de ferro de Tyson esmagando um lado de sua face sem nenhum aviso prévio – as manchas pretas florescendo na frente de seus olhos – suas mãos se apoiando no chão – engasgando em vômito – uma dor pura que tremia por todo o seu corpo. Ele sentia muito. Estava tão arrependido. Ele prometeu. Nunca aconteceria novamente. Indesejadamente, uma imagem dos olhos cor de café de Tyson cheio de lágrimas manchava a sua visão. Reflexivamente, os olhos de Melissa buscaram os de Tyson. Ele ainda a estava encarando. A testa dele se enrugou, suas sobrancelhas juntaram-se, agoniado... Melissa estremeceu novamente. “Você está com frio? Você quer meu -?” Cooper estava meio que botando os ombros para fora da jaqueta do seu smoking, quando então, com o rosto corado, parou. “Você não pode estar com frio. Faz tanto calor aqui,” ele disse de modo fraco, como se retirasse a oferta, enquanto abotoava a jaqueta de volta no lugar. “Estou bem,” Melissa o assegurou. Melissa se forçou a olhar somente para o rosto pálido dele, de face juvenil. “Esse lugar está um saco,” Cooper disse, e Melissa concordou com a cabeça, feliz em concordar com ele. “Nós poderíamos ir ao clube de campo do meu pai. Há um restaurante incrível se você estiver disposta a uma sobremesa. Nós não teríamos que esperar por uma mesa. Assim que eu mencionar meu nome...” A atenção de Melissa começou a divagar novamente. Porque estou com esse esnobe? Perguntou o pensamento que era tão estranho na sua cabeça, mas que vinha, entretanto, na sua própria voz. Ele é um fraco. E daí se ele não conseguisse machucar uma mosca? Não há mais para amar do que a segurança? Eu não sinto a mesma necessidade no meu estômago quando olho para Cooper – quando eu olho para qualquer um além de Tyson... Eu não posso mentir para mim mesma. Eu ainda o quero. Tanto. Isso não é amor, esse querer? Melissa desejou não ter bebido tanto daquele vil e ardente ponche. Era impossível pensar claramente. Ela viu enquanto Tyson deixava seu par encalhado e atravessou o salão até que ele ficou bem defronte dela – perfeitamente obvio – como um assumido clichê de herói de futebol americano. Era como se Cooper não existisse entre eles. “Melissa?” ele perguntou com sua voz melodiosa, tristeza perpassando pela sua face. “Melissa, por favor!” Ele ofereceu sua mão para ela, ignorando o balbucio sem palavras de Cooper. Sim sim sim sim sim cantava em sua cabeça. Mil memórias de desejo a balançaram. A mente dela afivelou. Hesitantemente, Melissa acenou em concordância. Tyson sorriu em alivio, de alegria, e a puxou de Cooper para seus braços. Era tão fácil ir com ele. O sangue de Melissa corria por suas veias como fogo.

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“Isso!”, a pálida menina morena sibilou, escondida em seu cubículo, e uma língua bifurcada de chamas iluminou a face dela de vermelho. O fogo pipocou alto o bastante para que alguém pudesse ter notado se o banheiro ainda não estivesse cheio de vozes altas e estridentes de irritação. O fogo retrocedeu, e a garota respirou fundo. Suas pálpebras tremularam por um momento, e então ela os fechou novamente. Seus punhos se apertaram até que sua pele pálida parecesse que iria se romper na ponta de suas próprias juntas. Sua figura esbelta começou a tremer como se ela estivesse se esforçando para erguer uma montanha. Tensão, determinação e expectativa eram uma aura quase visível ao redor dela. Qualquer que fosse a difícil tarefa que ela, agora, tenha estabelecido para si mesma, estava claro que completá-la era mais precioso para ela do que qualquer outra coisa. “Cooper,” ela sibilou, e fogo transbordava de sua boca, de seu nariz, de suas orelhas. As chamas banhavam sua face. Como se você fosse um nada. Como se você fosse invisível. Como se você não existisse! Cooper tremia de fúria, e as palavras em sua cabeça alimentavam essa fúria, a faziam ferver. Você pode fazê-la vê-lo. Você poderia mostrar ao Tyson quem era o cara realmente. Automaticamente, sua mão alcançou a pesada protuberância que havia por debaixo de sua jaqueta na parte de trás. O choque de se lembrar da arma cortou a sua raiva, e ele piscou rapidamente, como se acabasse de acordar de um sonho. Um frio na espinha correu seu corpo. O quê ele estava fazendo com uma arma no baile? Ele estava maluco? Isso era uma coisa estúpida, entretanto, o que mais ele poderia fazer quando Warren Beeds o tinha chamado em sua farra imprudente? Tudo bem, a segurança do colégio era uma piada , qualquer um poderia roubar qualquer coisa que quisesse. Ele provou isso, não foi? Mas valia a pena ter uma arma em suas costas só para se mostrar perante Warren Beeds? Ele podia ver Melissa, a cabeça dela no ombro daquele atleta estúpido, seus olhos fechados. Ela já tinha se esquecido de Cooper completamente? A fúria borbulhou novamente, sua mão se contraiu em suas costas. Cooper balançou a cabeça vigorosamente desta vez. Isso era loucura. Isso não era o porquê dele ter trazido a arma...Era para ser uma piada, uma brincadeira. Mas olhe para o Tyson. Olhe para aquele ar superior, o sorriso afetado em seu rosto! Quem ele pensa que é? O pai dele não é nada mais do que um jardineirozinho famoso! Ele não tem medo de que eu faço algo pelo fato dele ter roubado o meu par. Ele nem se lembra de que fui eu quem a trouxe. Ele não teria medo de mim mesmo se se lembrasse. E Melissa nem se lembra que eu existo. Cooper trincou os dentes, se ressentindo novamente. Ele imaginou o olhar superior de Tyson desaparecer e se transformar em medo e terror quando ele olhasse para o cano da arma. O medo trouxe Cooper bruscamente para a realidade. Ponche. Mais ponche, é disso que eu preciso. É vagabundo, nojento, mas pelo menos é forte. Mais alguns copos de ponche e eu saberei o que fazer. Respirando fundo para se endireitar, Cooper se apressou até a mesa das bebidas.

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A menina morena no banheiro fez uma careta e balançou a cabeça em aborrecimento. Ela respirou fundo duas vezes e então sussurrou palavras calmantes para si mesma num ronronar gutural. “Há bastante tempo. Um pouco mais de álcool irá embaralhar sua mente, tirando a sua vontade... paciência. Ainda há muito a se fazer, tantos outros detalhes...” Ela rangia os dentes e suas pálpebras tremularam por um tempo mais longo dessa vez. “Primeiro Matt e Louisa, e então Bryan e Clara,” ela disse a si mesma, como se estivesse fazendo uma lista do trabalho a fazer. “Ugh, e então, interferir com o Gabe! Por que ele ainda não está infeliz?” Ela respirou profundamente novamente. “É hora de minha pequena ajudante voltar a trabalhar.” Ela apertou os punhos nas têmporas e fechou os olhos. “Celeste,” ela bateu com os dentes. A voz na cabeça de Celeste era familiar, até bem-vinda. Todas as suas melhores idéias estavam vindo dessa maneira ultimamente. Matt e Louisa não aparentam estar íntimos? Celeste sorriu para o casal em questão. Alguém se divertindo? Isso é realmente aceitável? “Eu tenho que ir...” – Celeste olhou para o rosto de seu acompanhante, tentando se lembrar de seu nome – “Derek.” Os dedos do menino, que se arrastavam pela costela dela, gelaram em choque. “Foi divertido,” Celeste o assegurou, enquanto esfregava a boca aberta com o peito da mão, como se quisesse se livrar de qualquer vestígio dele. Ela se puxou dele para se soltar. “Mas, Celeste...eu pensei...” “Agora, tchau.” O sorriso de Celeste era afiado como uma navalha enquanto ela caminhava pomposamente para Matt Franklin e seu par, Mousy sei-lá-qual-é-o-seu-nome. Por um breve momento ela lembrou de seu par oficial – o inocente Gabe Christensen – e quis rir. Que ótima noite ele deve estar tendo! A humilhação que ela o fazia suportar quase valia a pena ter vindo com ele, embora ela não consiga imaginar o que estava pensando quando disse sim ao seu convite. Celeste balançou a cabeça com a lembrança irritante. Gabe virou aqueles inocentes olhos azuis para ela, e – por meio minuto – ela queria dizer sim. Ela gostaria de ir até ele. Naquele breve momento, ela tinha pensado em largar o seu delicioso plano e simplesmente ter uma noite agradável no baile com um cara legal. Wow, ela estava feliz de que aquela sensação de oba-oba tinha enfraquecido. Celeste nunca havia se divertido tanto em sua vida como agora. Ela tinha arruinado o baile para metade a das garotas no salão, e tinha a metade dos garotos lutando por ela. Os garotos são todos iguais, e eram todos seus quando ela quisesse. Estava na hora do resto das garotas perceberem isso. Que inspiração fabulosa foi essa de montar um esquema de dominação total no baile de formatura! “Oi, Matt,” Celeste cantarolou, enquanto dava um tapinha em seu ombro. “Oh, oi,” Matt respondeu, tirando os olhos de seu par e a observando com uma expressão confusa.

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“Posso pegá-lo emprestado por um momento?” Celeste perguntou, dando uma piscadela, e se endireitando para que o seu decote ficasse sob a luz do refletor. “Há algo que eu quero, err, mostrar para você.” Celeste molhou os lábios com a língua. “Hum.” Matt engoliu ruidosamente. Celeste sentia os olhos de seu último par cavando um buraco por trás dela, e ela se lembrou que Matt era seu melhor amigo. Ela abafou um riso. Perfeito! “Matt?” a acompanhante dele perguntou em um tom ferido enquanto as mãos dele soltavam a sua cintura. “Será só um segundinho...Louisa.” Há! Ele mesmo mal podia lembrar o nome dela! Celeste o iluminou com um sorriso deslumbrante. “Matt?” Louisa chamou novamente, chocada e magoada, enquanto Matt segurava a mão de Celeste e a seguia para o centro da pista de dança. O último cubículo do banheiro estava escuro agora. A menina dentro dele afundou-se contra a parede, aguardando enquanto sua respiração desacelerava. Apesar do ar do local estar desconfortavelmente quente, a garota estava tremendo. A disputa no banheiro havia sido solucionada, e um novo grupo de meninas se aglomerou na frente do espelho para checar a maquiagem. A respiração de fogo se recompôs, e então havia outra faísca vermelha em suas orelhas; todo mundo no espelho se virou esperançosamente para a porta do banheiro feminino enquanto a garota no vestido vermelho retirou-se de seu cubículo e abriu a janela baixa. Ninguém notou ela deslizar para fora em sua saída não ortodoxa. Elas continuaram olhando para a porta, esperando pelo som que as haviam feito virar. A noite úmida e pegajosa de Miami era tão desconfortável que era como se estivesse tentando rivalizar com o inferno. Em seu grosso vestido de couro, a menina deu um sorriso de alívio e esfregou suas mãos nos seus braços nus. Ela deixou seu corpo relaxar em um dos lados do encardido depósito de lixo que estava por perto, e se inclinou para o topo aberto de onde o fedor de comida estragada pairava como uma nuvem pesada. Seus olhos se fecharam, e então, ela inalou profundamente e sorriu novamente. Outro cheiro, ainda mais desprezível – algo como carne queimada abafada, mas ainda pior – flutuava pelo ar sufocante. O sorriso da garota se alargou enquanto ela sugava este horrível novo odor como se isso fosse um raro perfume. E então seus olhos se abriram num estalo e seu corpo ficou reto e rígido. Um riso baixo rompeu-se pela noite aveludada. “Sentindo saudades de casa, Sheeb?” ronronou a voz de uma mulher. Os lábios da garota se curvaram em um rosnado enquanto o corpo que pertencia à voz entrava em seu campo de visão. Uma morena de vasta cabeleira parecia estar vestida com nada mais que por uma lenta névoa negra rodopiante. Suas pernas e pés estavam invisíveis – talvez nem mesmo lá. No alto de sua testa haviam dois pequenos e polidos chifres de ônix. "Chex Jezebel aut Baal-Malphus,” a menina no vestido vermelho rosnou. “O que você está fazendo aqui?” “Tão formal, irmãzinha?” “E desde quando eu ligo para irmandade?”

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“Realmente. E nossa ascendência exata é compartilhada por milhares...Mas isso é um tanto difícil de manejar. Por que você não me chama somente de Jez, e eu pulo toda a parte do Chex Sheba aut Baal-Malphus e chamo você de Sheeb.” Sheba bufou irrisoriamente. “Eu pensei que você estava designada para Nova York.” “Só estou tendo um intervalo – como você, aparentemente.” Jezebel olhou sugestivamente para o lugar de descanso de Sheba. “ Nova York é fabuloso – quase tão mal quanto o inferno, obrigada por perguntar – mas até mesmo os assassinos dormem de vez em quando. Eu fiquei entediada, então eu vim aqui para ver se você estava se divertindo no brrrrrraile.” Jezebel riu. A névoa escura ao seu redor dançava. Sheba franziu a testa mas não respondeu. A mente dela estava em alerta enquanto ela focava nos estudantes, que de nada desconfiavam, dentro do salão do hotel, procurando por interferências. Jezebel estava aqui para estragar os planos de Sheba? O que mais poderia ser? A maioria dos demônios medianos desviariam quilômetros de seu caminho para ferrar um pequeno aliado – chegando até mesmo a fazer o bem. Balan Lilith aut de Hadad Hamon tinha se disfarçado de humano, uma vez, em um dos colégios designados de Sheba, cerca de uma década atrás. Sheba não havia entendido como todos os seus horríveis enredos haviam se transformado em finais felizes. Então, quando ela percebeu isso, ela mal podia acreditar no azedum de Lilith – a demônia depravada tinha orquestrado três exemplos de amor verdadeiro, só para que Sheba fosse rebaixada! Por sorte, Sheba conseguiu uma boa traição no último minuto que acabou com dois dos romances. Sheba respirou profundamente. Aquela foi por pouco. Ela podia ter sido demitida e mandada para o ginásio! Sheba fez uma careta para a divertida demônia que flutuava perante ela agora. Se Sheba tivesse o trabalho dos sonhos de Jezebel – um demônio homicida! Não poderia ficar melhor do que isso – Sheba iria se fixar no caos e esqueceria desses truques insignificantes. Os pensamentos de Sheba rodopiavam como uma fumaça invisível pelas pessoas que dançavam no prédio atrás dela, procurando por algum sinal de deslealdade. Mas tudo continuava como deveria estar. O descontentamento do lugar chegava às alturas. O sabor da infelicidade humana enchia sua mente. Delicioso. Jezebel riu, entendendo exatamente o que Sheba estava fazendo. “Relaxe,” Jezebel disse. “Eu não estou aqui para causar nenhum problema.” Sheba bufou. Claro que ela estava lá para causar problemas. Isso é o que os demônios fazem. “Belo vestido,” Jezebel notou. “Pele de cão guardião do inferno. Ótimo para incitar luxuria e inveja.” “Eu sei como fazer meu trabalho.” Jezebel riu novamente, Sheba se inclinou instintivamente para poder sentir o sabor de enxofre em seu hálito. “Pobrezinha da Sheeb, ainda presa na forma de meia-humana,” Jezebel caçoou. “Eu me lembro como as coisas cheiravam bem o tempo todo. Ugh. E a temperatura! Os humanos têm de gelar tudo com seu ar-condicionado miserável?!” A face de Sheba estava calma agora, controlada. “Eu sobrevivo. Há bastante miséria para passar adiante.” “Esse é o espírito. Mais alguns séculos, e você estará na chefia comigo.”

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Sheba permitiu que um sorriso curvasse seus lábios. “Ou talvez não demore tanto tempo.” Uma sobrancelha preta arqueou na testa branca de Jezebel, se elevando quase na altura do chifre de ébano. “É mesmo? Vai tirar algo particularmente demoníaco de sua manga, irmãzinha?” Sheba não respondeu, enrijecendo-se novamente enquanto Jezebel mandou seus próprios pensamentos que serpenteavam invisivelmente pela multidão do salão do baile. Sheba trincou sua mandíbula, pronta para revidar caso Jezebel desfizesse algum de seus esquemas. Mas Jezebel apenas olhou, não tocando em nada. “Hmm,” Jezebel sussurrou para si mesma. “Hmm” Os punhos de Sheba se apertaram firmemente quando a procura de Jezebel encontrou Cooper Silverdale, mas de novo, Jezebel somente observou. “Bem, bem,” a demônia cornuda murmurou.”Wow. Sheeb, tenho que te dizer, estou impressionada. Você fez uma arma entrar na história. E uma motivação a base de álcool para debilitar seu livre arbítrio.” A demônia mais velha sorriu com algo que se parecia estranhamente com sinceridade. “Isso é realmente demoníaco. Quero dizer, seguramente, um demônio mediano que trabalha com homicídios ou caos ou, talvez, revoltas poderia armar algo assim em um baile, mas uma criança em forma-humana em circunstâncias miseráveis? Quantos anos você tem, duzentos, trezentos?” “Só cento e oitenta e seis no meu último dia de criação,” Sheba respondeu bruscamente, ainda cautelosa. Jezebel assobiou com a língua de fogo por seus lábios. “Muito impressionante. E eu posso ver que você também não está negligenciando a sua tarefa. Isso é uma multidão miserável que temos aqui.” Jezebel gargalhou. “Você terminou com quase todas as relações promissoras, acabou com algumas dúzias de amizades de infância, fez novos inimigos...três, quatro, cinco brigas se preparando,” Jezebel contou, sua mente com os humanos. “Você até fez o DJ escutar você! Tanta atenção para cada detalhe. Há Há! Eu posso contar em uma mão os humanos que não estão completamente miseráveis.” Sheba sorriu severamente. “Eu chego neles.” “Horrível,Sheeb. Verdadeiramente sórdido. Você deixa nosso nome orgulhoso. Se em cada baile tivesse uma demônia como você envolvida, nós possuiríamos o mundo.” “Aw, caramba, você está me fazendo corar,” Sheba disse com um sarcasmo pesado. Jezebel gargalhou. “Lógico, você teve um pouquinho de ajuda.” Os pensamentos de Jezebel envolviam-se ao redor de Celeste, que tinha acabado de se enrolar com outro menino. Garotas abandonadas choravam, enquanto os garotos que Celeste despreocupadamente deixara de lado flexionavam os punhos e olhavam furiosamente para os seus rivais; queimando de desejo, cada um estava determinado de que Celeste terminaria a noite consigo. Celeste estava fazendo metade do trabalho hoje à noite. “Eu uso as ferramentas que me são disponíveis,” Sheba disse. “Que nome irônico! Que mente demoníaca! Ela é totalmente humana?” “Eu passei por ela no corredor só para conferir,” Sheba admitiu. “Puro e limpo cheiro humano. Revoltante.” “Huh. Eu poderia jurar que ela tem algum demônio na sua ancestralidade. Bom achado. Mas, Sheba, convidando um cara? Muito amador, se envolvendo fisicamente desse modo.”

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Sheba levantou o queixo defensivamente, mas não respondeu. Jezebel estava certa; era imaturo e desgastante usar uma forma humana em vez de uma mente de demônio. No entanto, eram os resultados que contavam. A interferência oportuna de Sheba impediu Logan de descobrir seu verdadeiro amor. “Bem, de nenhuma forma isso diminui suas realizações hoje à noite.” O tom de Jezebel era conciliatório. “Você conseguiu armar isso, e eles a porão nos livros didáticos dos bebês demônios.” “Obrigada,” Sheba disse bruscamente. Jezebel realmente pensava que elogiando Sheba a levaria a abaixar a sua guarda? Jezebel sorriu, e sua névoa se encaracolou nas pontas, refletindo sobre a expressão. “Uma dica, Sheba. Mantenha-os confusos. Se você conseguir que Cooper puxe o gatilho, então você poderia fazer que alguns desses metidos a mafiosos pensassem que estão sob ataque.” Jezebel balançou a cabeça maravilhada. “Você tem tanto caos em potencial aqui. Lógico, eles trarão um demônio da revolta se as coisas ficarem realmente quentes...mas você ainda adquiriria algum crédito por incitar tudo isto.” Sheba fez uma careta e vislumbres de vermelho flamejaram de suas orelhas. O que Jezebel estava fazendo? Onde estava o truque? A mente dela correu em volta dos humanos que haviam sido designados para ela atormentar, mas ela não conseguia achar o rastro do cheiro de enxofre característico de Jezebel no salão do baile. Não havia nada além da infelicidade que a própria Sheba havia causado, e os pequenos pontos de felicidade repelentes nos quais Sheba iria cuidar brevemente. “Você certamente foi útil hoje à noite,” Sheba disse sendo deliberadamente insultante. Jezebel suspirou, e havia algo sobre o modo como a sua névoa se enrolara em si mesmo que fizeram com que ela parecesse...envergonhada. Pela primeira vez, Sheba sentiu uma pontada de dúvida sobre suas suposições. Mas as motivações de Jezebel tinham de ser maliciosas. Esse era o único tipo de motivação que os demônios tinham. Com uma expressão infeliz em seu rosto, Jezebel perguntou tranquilamente, “É tão impossível acreditar que eu queira que você seja promovida?” “Sim.” Jezebel suspirou novamente. E novamente, o modo como as névoas dela retorciam-se em pesar fizeram com que Sheba ficasse incerta. “Por quê?” Sheba exigiu. “O que você ganha com isso?” “Eu sei que é totalmente errado – ou bastante certo – que eu te dê conselhos nos quais você possa trabalhar. Não muito demoníaco da minha parte.” Sheba confirmou com a cabeça cautelosamente. “Está em nossa natureza trair todo mundo, demônios, humanos – até anjos se tivermos a oportunidade. Nós somos maus. Naturalmente nós vamos apunhalar pelas costas, ferindo o nosso lado ou não. Nós não seríamos demônios se não deixássemos a inveja, ganância, luxúria e ira nos regerem.” Jezebel riu. “Eu lembro – há quantos anos foi? – Lilith quase a chutou para alguns níveis mais baixos, não foi?” Um fogo sem chamas queimou nos olhos de Sheba ao lembrar-se. “Quase.” “Você lidou com isso melhor do que a maioria. Você, agora, é uma das piores em miséria na ativa, sabia.” Lisonjeiros novamente? Sheba endureceu. Jezebel enrolou a névoa com um dedo, e então fez um círculo com aquele dedo de um modo que a névoa formasse um globo esfumaçado no céu noturno.

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“Há um quadro maior, no entanto, Sheba. Demônios como Lilith não conseguem ver além do toque demoníaco. Mas há um mundo inteiro aí fora, cheio de humanos que tomam milhares decisões a cada minuto do dia e da noite. Nós só podemos estar lá para influenciar uma fração de suas decisões. E, algumas vezes, bem, de onde eu vejo, parece que os anjos estão tomando a frente...” “Mas Jezebel!” Sheba ofegou, o choque penetrando nas suas suspeitas. “Nós estamos ganhando. Basta ver as notícias – é óbvio que estamos ganhando.” “Eu sei. Eu sei. Mas mesmo com todas as guerras e destruições... é estranho, Sheba. Ainda existe uma quantidade horrível de felicidade por aí. Por cada furto que transformo em homicídio, através da cidade, algum anjo tem um espectador para pular no ladrão e salvar o dia. Ou então convence um ladrão a desistir de seus dias de malfeitor! Ugh. Nós estamos perdendo terreno.” “Mas anjos são fracos, Jezebel. Todo mundo sabe disso. Eles são tão cheios de amor que não conseguem se concentrar. Na maior parte do tempo esses cabeças de passarinho se apaixonam por algum humano e trocam suas asas por corpos humanos. Apesar de não entender o porquê de até um anjo idiota querer isso.” Sheba demonstrou de cima a baixo a sua forma humana. Limitando. “Eu, realmente, nunca entendi a razão de termos de usar isso por aí por meio milênio. Eu acho que é só para nos torturar, certo? Os senhores da escuridão devem gostar de nos ver se retorcendo.” “É mais do que isso. É para fazer você realmente os odiar. Os humanos, quero dizer.” Sheba olhou para ela. “Por que precisaria de um motivo? Ódio é o que faço.” “Acontece, você sabe.” Jezebel disse lentamente. “Os anjos não são os únicos a desistir de tudo. Há demônios que já trocaram seus chifres por um humano.” “Não!” Os olhos de Sheba se arregalaram e, em seguida, se estreitaram em descrédito. “Você está exagerando. Vez ou outra um demônio se alia a um humano, mas é só para tormenta-lo. Só um pouco de um joguinho malicioso.” O rosto de Jezebel se retraiu, movendo sua névoa com um silvo até que se configurassem “oitos”, mas ela não rebateu de volta. Isso foi o que fez Sheba perceber que ela falava sério. Sheba engoliu seco. “Wow.” Ela não podia imaginar isso. Pegar toda essa deliciosa maldade e jogar fora. Desistir de um par de chifres ganho a muito custo – chifres pelos quais Sheba destruiria tudo para ter agora – e ficar preso num fraco corpo totalmente humano em troca. Sheba olhou para os brilhantes chifres de ônix de Jezebel e franziu as sobrancelhas. “Eu não entendo como alguém poderia fazer isso.” “Se lembra sobre o que disse sobre os anjos? Sobre serem distraídos pelo amor?” Jezebel perguntou. “Bem, ódio pode ser uma distração também. Veja Lilith e suas maliciosas obras de caridade. Talvez isso tenha começado como pegar no pé dos demônios menos graduados, mas quem sabe até onde isso vai chegar? Virtude corrompe.” “Eu não acredito que alguns truques contra outros demônios possam deixar você tão idiota quanto um cabeça de passarinho,” Sheba murmurou por baixo da respiração forte. “Sheba, não subestime os anjos,” Jezebel criticou. “Não mexa com eles – entendeu? Até mesmo um forte demônio mediano como eu sabe que não deve travar os chifres com os alados. Eles nos evitam, e nós os evitamos. Deixe os Senhores Demoníacos lidarem com os anjos.”

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“Eu sei disso, Jezebel. Eu não fui desovada nessa década.” “Desculpe. Estou sendo útil novamente.” Ela tremeu. “Eu simplesmente fico tão frustrada de vez em quando! Bondade e luz em todos os lugares!” Sheba balançou a cabeça. “Eu não vejo isso. Vejo miséria em todos os lugares.” “Alegria também, mana. Em todos os lugares.” Jezebel disse tristemente. Houve um silencio por um longo tempo enquanto as palavras de Jezebel pairavam no ar. A brisa pegajosa varreu a pele de Sheba. Miami não era o inferno, mas no mínimo era confortável. “Não no meu baile!” Sheba replicou com súbita força. Jezebel sorriu amplamente – seus dentes tão negros quanto o céu noturno. “É por isso – esse é o por quê de eu estar sendo tão não - desgraçadamente útil. Porque precisamos de demônias como você por aí. Nós precisamos do pior que consigamos para a frente de batalha. Deixe Lilith do submundo bagunçar por aí com seus truquinhos deploráveis. Ponham as Shebas do meu lado. Peguem mil Shebas. Nós ganharemos essa briga de uma vez por todas.” Sheba considerou isso por um momento, pesando a força do propósito na voz de Jezebel. “Isso é demoníaco de uma forma estranha. Quase soa como bom.” “Confuso, eu sei.” Elas riram juntas pela primeira vez. “Bem, volte para lá e destrua esse baile.” “Estou trabalhando nisso. Vá pro inferno, Jezebel.” “Obrigada, Sheeb. Você também.” Jezebel piscou, e seu sorriso foi se alargando até que o preto de seus dentes tomasse conta de todo o seu rosto. Ela evaporou na noite. Ela entrou sorrateiramente no beco sujo até que o perfume sedutor de enxofre tivesse desaparecido completamente, e então o intervalo acabara. Revigorada pela idéia de se juntar a frente de batalha, Sheba se apressou para voltar para a sua desgraça. O baile estava em pleno andamento, e tudo estava desmoronando. Celeste estava pontuando muito em seu jogo malicioso; ela se atribuía um ponto para cada garota que estava chorando num canto do salão. Dois pontos para cada garoto que desferia um soco em seu rival. Por todo o salão, as sementes que Sheba plantara estavam florescendo. Ódio estava florescendo juntamente com a luxúria, ira e desespero. Um jardim direto do inferno. Sheba aproveitava tudo isso por detrás de um vaso de planta. Não, ela não poderia forçar os humanos a fazerem nada. Eles tinham seu livre arbítrio inerente, então ela só poderia seduzir, só poderia sugerir. Pequenas coisas - saltos altos e costuras e grupos musculares menores- ela podia manipular fisicamente, mas ela nunca poderia forçar as suas mentes. Eles tinham que escolher ouvir. E hoje a noite, eles estavam ouvindo. Ela estava com tudo, e ela não queria quaisquer pontas soltas, de modo que ela se voltou para o seu esquema mais ambicioso – Cooper estava flexível devido à intoxicação, pronto para o seu direcionamento – ela mandou seus pensamentos a procura através da multidão daquelas pequenas e irritantes bolhas de felicidade. Ninguém iria embora desse baile ileso. Não enquanto Sheba tivesse alguma faísca em seu corpo.

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Logo ali – o que era aquilo? Bryan Walker e Clara Hurst estavam encarando apaixonadamente os olhos um do outro totalmente indiferentes à ira e desespero e à má musica ao redor deles, simplesmente aproveitando a companhia um do outro. Sheba considerou suas opções e decidiu ter a interferência de Celeste. Celeste deveria gostar daquilo – nada era mais demoniacamente divertido do que ostentar seu poder na cara de um amor puro. Além disso, Celeste escutou a cada sugestão que Sheba a alimentara, totalmente aceitável para qualquer esquema demoníaco. Sheba continuou com sua avaliação antes de agir. Não muito longe dali, Sheba descobriu que ela deixara cair a bola de uma forma inescusável. Aquele era o seu acompanhante, Logan, se divertindo? Impossível. Então, ele havia encontrado sua Libby apesar de tudo e os dois estavam inaceitavelmente felizes. Pois bem, isso seria fácil de corrigir. Ela iria reivindicar seu par de volta e botar Libby para correr em lágrimas. Amador e imaturo intervir pessoalmente...Ainda assim, melhor do que deixar a felicidade vencer até mesmo numa pequena batalha. A avaliação de Sheba estava quase pronta. Havia apenas mais um pequeno ponto de paz – num um casal dessa vez; era um garoto solitário vagando pela na extremidade final do salão, a partir do hall. Esse chato do Gabe Christensen. Sheba fez uma careta em sua direção. O que ele tinha para poder ser feliz? Ele foi rejeitado e estava sozinho. O seu par foi o flagelo do baile. Um garoto normal estaria cheio de raiva e dor agora. Mas ele insistia em dar mais trabalho para ela! Sheba inspecionou a mente de Gabe mais de perto. Hmm. Gabe não estava realmente feliz. De fato, ele estava intensamente preocupado no momento, a procura de alguém. Celeste estava bastante visível, se contorcendo numa música lenta com Rob Carlton (Pamela Green assistia à exibição com os olhos chocados, desespero deliciosamente escoando para a atmosfera ao seu redor), mas ela não era a fonte de preocupação de Gabe. Havia outro alguém que ele queria encontrar. Então, ele não estava feliz – não foi essa a sensação que havia violado a atmosfera miserável de Sheba. Era pura bondade que transpirava de seu corpo. Até pior. Sheba retirou-se detrás da planta e se livrou de seus pensamentos. Fumaça escapou de seu nariz. “Gabe.” Gabe balançou sua cabeça ausentemente e continuou com a sua busca. Ele esperou por meia hora enquanto multidões de garotas saíam do banheiro, rebanhos após rebanhos. Aqui e ali Gabe sentiu um fraco puxão, mas nada como aquela sufocante e raivosa necessidade daquela garota. Quando três grupos distintos entraram e saíram, Gabe parou Jill Stein para perguntar sobre a garota. “Cabelo preto e um vestido vermelho? Não, eu não vi ninguém assim lá dentro. Eu acho que o banheiro está vazio.” A garota deve ter se esgueirado por ele de alguma forma. Gabe tinha acabado de retornar para o salão, se remoendo pela garota misteriosa. Pelo menos Bryan e Clara e Logan e Libby estavam se divertindo. Isso era bom. O resto da turma parecia estar tendo uma noite excepcionalmente desagradável.

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E então, lá estava outra vez. Gabe jogou a cabeça para cima, sentindo o desespero que ele estava procurando. Onde ela estava? Sheba silvou em frustração. A mente do garoto era inteiramente sóbria e fechada para a sua voz insidiosa. Bem, isso não iria detê-la. Ela tinha outras armas. “Celeste.” Estava na hora da garota malvada atormentar seu próprio par. Sheba levemente pressionou Celeste, sugerindo esse caminho. Apesar de tudo, Gabe era atraente para os padrões humanos. Certamente bom o bastante para Celeste, cujos padrões eram dificilmente rigorosos. Gabe era alto, sutilmente musculoso, com cabelo escuro e feições simétricas. Ele tinha pálidos olhos azuis que Sheba pessoalmente achava um tanto repulsivo – eles eram tão decididamente nãoamaldiçoados, quase celestiais, ugh! – mas que eram apelativos para as garotas mortais. Foi olhando para aqueles olhos límpidos que fez com que Celeste dissesse sim para esse convite de bom samaritano certinho. Bom samaritano, certamente. Os olhos de Sheba se estreitaram. Gabe já esteve em sua lista antes dele insistir em negligenciar ela aqui no baile. Esse foi o mesmo garoto que arruinou seus planos com o lascivo professor de matemática – só uma pequena diversão pré-baile que Sheba arranjou no ínterim da certificação de que todos convidassem exatamente a pessoa errada para o baile. Se Gabe não tivesse confrontado o Sr. Reese num momento crítico de tentação... Sheba rangeu os dentes e faíscas cintilaram de suas orelhas. Ela teria arruinado o homem e também a garota inocente. Não que o Sr. Reese tivesse muito para perder, mas seria um escândalo fantástico. E agora o professor de matemática estava sendo especialmente cuidadoso, sendo precavido por aqueles mesmos olhos azuis celeste. Sentindo-se até mesmo culpado. Considerando terapia para seus problemas. Ugh! Gabe Christensen devia a Sheba alguma desgraça. Ela iria cobrar sua dívida. Sheba encarou Celeste, se perguntando o por quê da garota não ter feito nenhum movimento em direção ao seu acompanhante. Celeste ainda estava enrolada em Rob, aproveitando a dor de Pamela. Já chega de divertimento! Havia confusão para ser criada. Sheba sussurrou sugestões na mente de Celeste, a empurrando na direção de Gabe. Celeste encolheu os ombros para longe de Rob e olhou de relance para Gabe, que ainda estava vasculhando a multidão com seu olhar. Seus olhos castanhos se fixaram nos olhos azuis dele por um segundo, e então ela se moveu, se curvou na verdade, de volta para os braços de Rob. Estranho. Os olhos claros de Gabe pareciam ser quase tão repulsivos para a loira depravada como eram para Sheba. Sheba se inclinou novamente, mas Celeste – pela primeira vez – a colocou para fora, tentando se distrair dos pensamentos de Gabe com os lábios ansiosos de Rob. Frustrada, Sheba procurou ansiosamente por outro caminho para destruir o garoto irritante, mas ela foi interrompida por algo muito mais importante do que um ser humano bom. Cooper Silverdale simplesmente tremia de ódio em um canto do salão, olhando furiosamente para Melissa e Tyson. Melissa tinha sua cabeça apoiada no ombro de Tyson e estava inconsciente do sorriso presunçoso que Tyson direcionava a Cooper.

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Era o momento da ação. Cooper estava considerando tomar outro copo de ponche para afogar suas mágoas, e ele estava a um passo de desmaiar para que Sheba permitisse isso. Ela se focou nele, fumaça em suas orelhas, e Cooper percebeu estupidamente que aquele ponche verde era revoltante. Ele jogou seu copo meio vazio no chão e tornou a olhar para Tyson. Ela acha que sou patético, disse a voz na cabeça de Cooper. Não, ela nem sequer pensa em mim. Mas eu posso fazer algo para que ela jamais seja capaz de me esquecer... Sua cabeça cheio de álcool, a mão de Cooper foi até as suas costas e começou a afagar o tambor do revólver que estava por debaixo da sua jaqueta. Sheba prendeu a respiração. Faíscas voaram de seus orelhas. E então, nesse segundo vital, Sheba foi distraída pela percepção de que alguém estava olhando fixamente para a sua própria cara. Aqui, no salão de festas, aquela mesma necessidade sufocante, o puxando – alguém se afogando, gritando por socorro. Tinha que ser a mesma garota. Gabe nunca havia sentido nada tão urgente em sua vida. Seus olhos varriam desesperadamente os casais no salão, mas ele não podia vê-la. Ele passeou pelas beiradas do salão, procurando pelos rostos das pessoas nos cantos. Ela também não estava lá. Ele viu Celeste com outro garoto, mas seus olhos não pararam. Se Celeste não reivindicasse logo por sua carona, não haveria nada o que ele pudesse fazer. Alguma outra pessoa necessitava mais de Gabe. A necessidade deu um puxão nele novamente, sacudindo-o com força, e por um momento, Gabe se perguntou se ele estava ficando louco.Talvez ele só tenha imaginado a garota do vestido impetuoso. Talvez essa sensação de necessidade frenética fosse apenas o início de alguma desilusão. Naquele momento, os olhos de Gabe encontraram o que estavam procurando. Andando por perto da figura mal-humorada de Heath McKenzie, os olhos de Gabe se fecharam num minúsculo, porém brilhante, lampejo vermelho. Ali estava ela – meio escondida atrás de uma árvore de plástico, seus brincos cintilando como faíscas novamente – a garota do vestido vermelho. Seus olhos negros, tão profundos quanto a piscina no qual ele a imaginava se afogando, se encontraram com os dele. A necessidade vibrante era uma aura que a cercava. Ele não teve que pensar sobre caminhar na direção dela. Não havia, provavelmente, nenhuma maneira de o fazer parar mesmo se ele quisesse. Ele tinha certeza que nunca tinha visto essa garota antes desta noite; ela era uma completa estranha. Seus escuros olhos amendoados eram compostos e cuidadosos, mas ao mesmo tempo gritavam por ele. Eram o foco da necessidade que ele sentiu. Ele não mais podia resistir aos seus argumentos do que ele podia dizer a seu coração que parasse de bater. Ela precisava dele. Sheba assistia com descrença enquanto Gabe Christensen andava diretamente para ela. Ela viu seu próprio rosto na sua cabeça e percebeu que a pessoa que Gabe estava procurando era...Sheba.

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Ela permitiu a breve distração – sabia que Cooper já estava garantido, que alguns poucos minutos não iriam salva-lo – e exultou-se na deliciosa ironia. Então Gabe queria ser arruinado por Sheba pessoalmente? Bem, ela iria obrigá-lo. Faria sua desgraça ficar ainda mais doce sabendo que ele havia escolhido por si mesmo. Ela se endireitou em seu vestido de couro de “cão do inferno” [11], deixando-o acariciar seu corpo sugestivamente. Ela sabia o quê qualquer humano macho sentiria quando ele averiguasse este vestido. [11] Hell Hound: cão de três cabeças que guarda os portões do inferno. Mas o garoto irritante estava focando em seus olhos. Era perigoso olhar diretamente para os olhos de uma demônia. Humanos que não desviassem o olhar rápido o bastante poderiam ficar presos ali. E então eles estavam perdidos, ansiando pela demônia para sempre, queimando por ela... Forçando um sorriso, Sheba encontrou seu olhar, olhando fixamente para seus olhos cor do céu. Humano idiota. Gabe parou a alguns passos de distância da menina, perto o bastante para que ele não precisasse gritar sobre a música alta. Ele sabia que estava encarando-a atentamente – ela pensaria que ele era rude, ou algum tipo de anormal. Mas ela o encarou de volta, tão atentamente quanto, seus olhos profundos investigando os seus. Ele abriu a boca para se apresentar, quando, de repente, a expressão cuidadosa da garota fundiu-se numa expressão de choque. Choque? Ou horror? Seus lábios pálidos se distanciaram, e ele ouviu um pequeno suspiro escapar por eles. Sua postura formal desmoronou, e ela começou a desmaiar. Gabe se jogou sobre ela e a pegou em seus braços antes que ela pudesse cair. Os joelhos de Sheba curvaram-se quando seu fogo se extinguiu. Sua chama interna morreu, secou, apagado como uma vela pelo vácuo. O salão não estava mais tão frio, e ela não podia cheirar nada além de suor, colônia, e o mofado ar condicionado. Ela não podia mais sentir o gosto delicioso das misérias que ela havia criado. Ela não podia sentir nada além da sua própria boca seca. Mas ela podia sentir os braços fortes de Gabe Christensen segurando-a. O vestido da garota era macio e quente. Talvez esse fosse o problema, Gabe pensou enquanto a puxava para si. Talvez o calor do salão lotado fosse demais se combinado com o seu vestido pesado. Ansiosamente, Gabe removeu o sedoso cabelo do rosto dela. Sua testa parecia fresca o bastante e sua pele macia não estava pegajosa de suor. Enquanto isso, seus olhos chocados nunca oscilaram dos seus. “Você está bem? Consegue se levantar? Me desculpe, eu não sei seu nome.” “Estou bem,” a garota disse numa voz baixa e ronronada. Apesar do ronronar, sua voz era tão chocada quanto seus olhos. “Eu...Eu consigo me levantar.” Ela se endireitou, mas Gabe não a soltou. Ele não queria soltá-la. E ela não estava se afastando. As pequenas mãos dela rastejaram até descansarem nos ombros dele, como se eles fossem dançar. “Quem é você?” ela perguntou numa voz rouca. “Gabe- Gabriel Michael Christensen,” ele elaborou com um sorriso. “E você?”

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“Sheba,” ela disse, abrindo seus olhos escuros. “Sheba...Smith.” “Bem, então você gostaria de dançar, Sheba Smith? Se você estiver bem o suficiente.” “Sim,” ela sussurrou, metade para si mesma. “Sim, porque não?” Seus olhos nunca abandonando os dele. Não se movendo de onde estavam, Gabe e Sheba começaram a se balançar no ritmo de mais uma música miserável. No entanto, a música horrível não ofendeu tanto a Gabe desta vez. Gabe, então, juntou as peças. Garota nova. Vestido estupendo. Sheba. Esta era a acompanhante de Logan, aquela que o convidou para o baile e então não quis mais saber dele. Por um segundo, Gabe se preocupou se não era errado da parte dele roubar a acompanhante de seu amigo. Mas a preocupação passou rapidamente. Por um lado porque Logan estava feliz com Libby. Não havia sentido em interromper uma coisa que claramente estava destinada a acontecer. Por outro porque Sheba e Logan definitivamente não tinham nada a ver um com outro. Gabe sempre teve um bom instinto para isso – para personalidades que se combinavam, para naturezas compatíveis que se harmonizavam perfeitamente. Ele tem sido o alvo de muitas brincadeiras sobre ser cupido, mas ele não ligava. Gabe gostava de fazer as pessoas felizes. E essa garota intensa com grande profundidade em seus olhos – Sheba – não combinava com Logan. Aquela sensação desesperadora de necessidade havia se acalmado quando Gabe tocou nela. Gabe se sentia bem melhor com ela em seus braços – abraçar ela parecia suavizar o clamor. Aqui ela estava segura, não mais se afogando, não mais perdida. Gabe tinha medo de em solta-la, preocupando-se que a ardente necessidade voltasse. Primeiramente, foi estranho para Gabe, essa sensação de estar exatamente no lugar certo, de ser o único que devesse estar aqui. Não é como se Gabe não tivesse tido namoradas antes – garotas gostavam de Gabe, e ele teve muitos relacionamentos ocasionais. Mas eles nunca duravam. Sempre havia alguém a quem elas pertencessem. Nenhuma delas realmente precisava de Gabe, exceto como amigo. E eles sempre ficavam bons amigos. Nunca havia sido como isso. Era aqui que Gabe pertencia? Protegendo essa garota magra, deixando-a segura seus braços? Era idiota pensar tão de forma tão fatalista. Gabe tentou ao máximo parecer normal. “Você é nova em Red River, não é?” ele perguntou para ela. “Só estou aqui há algumas semanas,” ela confirmou. “Eu não acho que a gente tenha alguma aula juntos.” “Não, eu me recordaria se já tivesse estado perto de você antes.” Era uma maneira estranha de se dizer isso. Ela encarou seus olhos, suas mãos abraçando gentilmente seus ombros. Instintivamente, ele a puxou um pouco mais para perto. “Você está tendo uma boa noite?” ele perguntou. Ela suspirou, um suspiro profundo do fundo do seu ser. “Estou tendo agora,” ela disse, estranhamente triste. “Uma ótima noite.” Pega! Como uma idiota, como um cãozinho recém-nascido, uma novata, uma recruta!

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Ela se recostou em Gabe, incapaz de resistir. Incapaz de querer resistir. Ela fitou seus olhos celestiais e teve o mais ridículo impulso de suspirar. Como foi que ela não viu os sinais? O modo como a própria bondade o cercava como uma proteção. O modo como suas sugestões rebatiam dele inofensivamente. O modo como os únicos que estavam protegidos da sua maldade hoje – aqueles pequenos pontos de felicidade que estavam fora de seu controle – eram aqueles que ele havia tocado e interagido, seus amigos. Só os olhos já deveriam ter sido aviso o suficiente! Celeste era mais esperta que Sheba. Pelo menos seus instintos a haviam mantido longe desse garoto perigoso. Uma vez que ela havia escapado de seu olhar penetrante, ela havia mantido uma distância segura entre eles. Por que Sheba não compreendeu a razão por detrás disso? E a razão por Gabe ter escolhido Celeste para começo de conversa. Lógico que ele havia sido atraído até Celeste! Tudo fazia sentido agora. Sheba se balançava no ritmo que ressoava pelo ar, sentindo a segurança de seu corpo ao redor do dela, protegendo-a. Pequenos e desconhecidos brotos de felicidade traçaram seu caminho por seu âmago vazio. Não – não isso! Não a felicidade! Se ela já estava se sentindo feliz, então coisas melhores não estariam muito longe. Não haveria alguma forma de evitar o horrendo milagre do amor? Provavelmente não haveria quando você está nos braços de um anjo. Não um anjo legítimo. Gabe não tinha asas, ele nunca as teve – ele não era um daqueles cabeças de passarinho cheios de vida que haviam trocado suas asas e eternidade por amor humano. Mas um de seus pais havia feito exatamente isso. Gabe era um meio-anjo completo, embora ele não tivesse a mínima idéia de sua natureza. Se ele tivesse alguma noção, Sheba teria escutado isso em sua mente e escaparia de seu horror divino. Agora, simplesmente, era muito óbvio para Sheba – de tão perto, ela podia sentir o perfume de asfódelos[12] incrustado em sua pele. E, claramente, ele havia herdado os olhos angelicais de tal pai. Os olhos celestiais não deveriam ser uma grande revelação, se Sheba não estivesse tão entretida em seu próprio plano demoníaco. [12] http://tinyurl.com/5wrq2e Havia uma razão para que até demônios experientes como Jezebel fossem cuidadosos com anjos. Se era perigoso para humanos olharem fixamente para os olhos de um demônio, isso valia em dobro para um demônio que era captado pelos olhos de um anjo. Se um demônio fitar o olhar de um anjo por muito tempo, pfffffft! – esvaiam-se o fogo do inferno e o demônio ficava preso até que o anjo desistisse de salvá-lo. Porque era isso que os anjos faziam. Eles salvavam. Sheba era um ser eterno, e ela estaria presa por todo o tempo que Gabe estivesse disposto a mantê-la. Um verdadeiro anjo teria descoberto quem era Sheba imediatamente, e a teria expulsado se fosse forte o suficiente, ou manteria distância se não fosse. Mas Sheba podia imaginar como sua presença seria sentida por alguém com instinto de salvaguardar como Gabe. Inocente do conhecimento que ele precisaria para compreender, o estado amaldiçoado de Sheba deve ter soado como uma sirene. Ela encarou o belo rosto de Gabe desamparadamente, seu corpo se enchendo de felicidade, e se perguntou por quanto tempo demoraria a tortura. Já durava o bastante para poder salvar o seu baile perfeito.

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Sem o seu fogo do inferno, Sheba não tinha nenhuma influência sobre os humanos aqui. Mas ela ainda estava completamente ciente, observando inutilmente e repugnantemente feliz, enquanto tudo isso desmoronava. Cooper Silverdale ofegou com horror ao ver o revólver cintilando na sua mão trêmula. No que ele estava pensando? Ele empurrou a arma de volta para o seu lugar secreto e praticamente correu para o banheiro, onde ele violentamente vomitou o ponche na pia. Os problemas estomacais de Cooper interrompeu a briga de Matt e Derek, que só estava começando a esquentar no banheiro masculino. Os dois amigos se olharam através de seus olhos inchados. Por que eles estavam brigando? Por uma garota que nenhum dos dois nem sequer gostavam? Que estupidez! De repente, eles estavam se interrompendo com seus urgentes pedidos de desculpas. Com sorrisos nos seus lábios rachados e braços ao redor dos ombros, eles se dirigiram novamente para o salão de festas. David Alvorado havia desistido de seus planos de tocaiar Heath depois do baile, porque Evie o havia perdoado por desaparecer com Celeste. Sua bochecha era macia e quentinha contra a dele agora enquanto eles se balançavam com a música romântica, e não havia jeito dele machucá-la novamente por desaparecer, por qualquer que fosse o motivo. David não era o único a se sentir assim. Como se a nova música fosse fascinante em vez de insípida, as pessoas que dançavam no grande salão de baile moviam-se instintivamente na direção da pessoa com a qual deveriam inicialmente ter vindo, com a qual transformaria a desgraça da noite em felicidade. Treinador Lauder, sozinho e deprimido, olhou de seus biscoitos, nem um pouco apetitosos, diretamente para os olhos tristes da vice-diretora Frinkle. Ela também parecia sozinha. O treinador andou em sua direção, sorrindo hesitantemente. Balançando a cabeça e piscando os olhos como se estivesse saindo de um pesadelo, Melissa Harris se afastou de Tyson e correu para a saída. Ela acharia o porteiro e pegaria um táxi... Como uma faixa de borracha que foi muito esticada, a atmosfera do baile Reed River se recuperou novamente com uma vingança. Se Sheba fosse ela mesma, ela teria puxado a borracha até que ela se partisse em pedacinhos. Mas agora, toda a miséria e ira e ódio desapareceram. As mentes humanas estiveram presas em seu domínio por muito tempo. Com alívio, todos no baile relaxaram na felicidade, agarrados no amor com as duas mãos. Até mesmo Celeste estava cansada da desordem. Ela permaneceu nos braços de Rob, estremecendo levemente pela memória daqueles perfeitos olhos azuis, enquanto uma música lenta se fundia na próxima. Nem Sheba nem Gabe ao mesmo repararam na troca de música. Toda a sua deliciosa dor e desgraça destruídas! Mesmo se ela se libertasse, Sheba estava destinada ao ensino médio agora. Cadê a injustiça?! E Jezebel! Teria ela planejado isso? Tentado distrair Sheba do fato que havia um perigoso meio-anjo aqui esta noite? Ou ela estaria desapontada? Ela realmente esteve lá para encorajar? Não havia maneira de Sheba descobrir. Ela não seria capaz de ver Jezebel agora – se a demônia estava rindo ou decepcionada – com os seus fogos extintos. Enojada consigo mesma, Sheba suspirou em felicidade.

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Gabe simplesmente era muito bom. E, em seus braços, ela se sentiu boa, também. Ela se sentiu maravilhosa. Sheba realmente tinha que se libertar antes que a felicidade e o amor a arruinassem. Será que ela estaria presa com a prole celestial de um alado para sempre? Gabe sorriu para ela, e ela suspirou novamente. Sheba sabia o que Gabe estaria sentindo agora. Os anjos nunca eram mais felizes do que quando eles faziam outras pessoas felizes, e quanto maior fosse o levantamento de astral dessa pessoa, mais empolgado ficava o anjo. Não importando o quanto miserável e amaldiçoada Sheba tenha sido, Gabe deveria estar voando agora – seria quase tão bom quanto ter asas. Ele nunca a deixaria ir. Só restava uma chance para Sheba, só uma forma de poder voltar para a sua desprezível, miserável, quente e fedorenta casa. Gabe tinha que mandá-la para lá. Pensando nessa possibilidade, Sheba se sentiu muito pior, sentiu uma onda de boasvindas da sua antiga infelicidade. Gabe apertou o seu abraço ao redor dela como se ele tivesse percebido sua decaída, e o sofrimento foi afogado no contentamento, mas Sheba permaneceu esperançosa. Ela encarou seus olhos angelicais amorosos e sorriu sonhadoramente. Você é o mau encarnado, Sheba disse para si mesma. Você tem um talento natural para a desgraça. Você conhece o sofrimento de cor e salteado. Você consegue se tirar dessa armadilha e tudo vai voltar a ser como costumava ser. Afinal, com toda a dor e caos que Sheba era capaz de causar, quão difícil deveria ser fazer com que esse garoto angelical a mandasse ir para o inferno?

Fim

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Nome do arquivo: Formaturas infernais (completo) Diretório: C:\Documents and Settings\Usuário\Meus documentos Modelo: C:\Documents and Settings\Usuário\Dados de aplicativos\Microsoft\Modelos\Normal.dotm Título: Assunto: Autor: KELLY Palavras-chave: Comentários: Data de criação: 23/03/2009 15:51:00 Número de alterações:1 Última gravação: 23/03/2009 16:35:00 Salvo por: KELLY Tempo total de edição: 40 Minutos Última impressão: 17/05/2009 15:25:00 Como a última impressão Número de páginas: 124 Número de palavras: 57.683 (aprox.) Número de caracteres: 311.493 (aprox.)


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