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Sumário A REVISTA DE JUDÔ E ARTES MARCIAIS DO BRASIL

#06

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Mayra, Sarah e Baby arrebentam no Grand Slam de Paris

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Vicente Nogueroles O conhecimento é a verdadeira essência do judô

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A Gata desta edição Úrsula Sandi

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Leandro Cunha Focado no ouro olímpico


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Kodanshas do Brasil O maior legado do Judô são seus ensinamentos

Kodanshas do Brasil O maior legado do Judô são seus ensinamentos

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Vida de atleta deixa marcas Para Sempre

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Vila Sônia a Meca do kata no Brasil

Matérias & Entrevistas 136 Assembleia reconduz Atual diretoria da FAJ

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O Fotografo dos ippons

Altamiro Crus onstruí minha vida fundamentada no karatê

106 Palmeiras é campeão da VIª Copa São Paulo

144 São Paulo perde Yakihiro Watanabe

126 Judô Tonietto fatura paranaense Marrom e Preta

146 Em março São Paulo perdeu três grandes professores

132 FPJ forma 135 novos faixas pretas

65 Projeto Futuro nas mãos certas

Competições e Eventos

138 Paraná forma trinta novos faixas pretas

88 Mato Grosso do Sul cria uma geração de campeãs

36 Seletiva define Seleção Brasileira sub 20

Seções Fixas

54 Site ágil e moderno a serviço do Judô Grand Máster

66 Prof. Dr. Michel Calmet visita São Paulo

92 Olimpíada de Londres promoverá

46 Credenciamento técnico de alto nível no judô paulista

06 Editorial– Faça a escolha certa!

97 Esportismo valores do esporte para o alto

56 Paraná realiza seminário estadual de arbitragem

20 Dirigente em Foco - O Brasil tem que resgatar

98 Resgatando a credibilidade da FUPE

60 Seleção brasileira sub 17 é definida em Fortaleza

102 Aspectos Pedagógicos – Judô um projeto social

100 SESI faz o melhor trabalho na base

70 FPJ promove grandes mudanças para 2012

104 MKS/Adidas e FPJ firmam Parceria

76 Federação Paranaense realizou curso para credenciamento técnico

Boom no Taekwondo

desempenho pessoal e profissional

105 Karatê do Distrito Federal cada dia mais forte

86 Iª Copa Adidas agita o karatê do DF

sua identidade técnica

140 Treinamento Esportivo – Costas de campeão

A REVISTA DE JUDÔ E ARTES MARCIAIS DO BRASIL


EDITORIAL

Faça a escolha certa! Começou a temporada 2012, que promete ser uma das mais emocionantes. Não bastassem o glamour e a força das Olimpíadas que se realizarão em Londres, teremos este ano as eleições que definirão nossos representantes nas câmaras municipais e prefeituras. Nesse sentido, vamos trabalhar de forma contundente para apontar quais são os políticos verdadeiramente envolvidos com o esporte e que entendem a importância da prática esportiva no contexto social. Cabe a nós, cidadãos, separar o joio do trigo para eleger representantes que viabilizam as emendas parlamentares que têm proporcionado o crescimento do desporto como um todo. Na edição de junho mapearemos os políticos judocas e esportistas que já desenvolvem projetos na área esportiva ou estão comprometidos com seu crescimento. Contamos com a consciência de cada um de vocês para conduzir ou reconduzir ao cargo todos que verdadeiramente estão do nosso lado, seja no shiai-jo seja nas arenas esportivas. Gente que merece o mesmo apoio que nos oferece. Se em outubro temos o compromisso de eleger nossos representantes do Legislativo, em julho a briga será em Londres, onde a equipe verde-amarela tentará quebrar o jejum de 20 anos e reconquistar o degrau mais alto do pódio olímpico. Somente os judocas Aurélio Miguel e Rogério Sampaio chegaram a esse lugar até hoje.

Nestes 20 anos que nos separam da conquista de Rogério Sampaio, algumas vezes estivemos muito perto de voltar ao topo, mas paramos pelo caminho. O Brasil é o país com mais investimento e maior orçamento do judô mundial da atualidade, e este fator, somado às recentes conquistas de Leandro Cunha, Mayra Aguiar, Leandro Guilheiro, Rafaela Silva, Sarah Menezes e Rafael Silva, nos permite acreditar que estaremos no pódio em Londres. Entretanto, a pergunta que centenas de milhares de judocas fazem hoje é: em qual degrau estaremos? Internamente já definimos as seleções sub 17 e sub 20 desta temporada, e o nível técnico apresentado pelos novos judocas nos enche de otimismo quanto ao futuro do judô nacional. Em março São Paulo realizou um megaevento, a Copa São Paulo de Judô, que recebeu quase 3 mil judocas de vários Estados. Nela vimos uma geração que já no sub 11 vem chegando com muita força e determinação. E isso é muito animador, pois em 2016 teremos desafio e compromisso muito maiores. Mais do que nunca temos de escolher quem estará brigando e defendendo o esporte nos próximos quatro anos, já que isso está intrinsecamente ligado ao esforço que poderemos desenvolver na realização do maior evento esportivo do planeta aqui no Brasil. O Editor

A REVISTA DE JUDÔ E ARTES MARCIAIS DO BRASIL

#06

Editor Paulo Roberto Pinto de Souza paulobudo@gmail.com Diretora Executiva Daniela Lemos daniela.lemos@terra.com.br Conselho Editorial Mauzler Paulinetti Luiz Fernandes Araújo Júnior Direção de Arte Artur Mendes de Oliveira Colunistas Anderson Dias de Lima Matheus Luiz Pesquisa Celso Almeida Leite Colaboradores Angélica Mayumi Murata Mário Manzatti Revisão Nilton Tuna Matheus Fotografia Marcelo Kura Paco Lozano Marcelo Lopes Everton Monteiro Paulo Fischer Paulo Pinto Cristiane Ishizava Josmir Ferreira Luzia R. Koga Departamento Comercial Daniela Mendes de Souza Daniela.craque@terra.com.br Impressão e Acabamento Gráfica Kaygangue – Palmas (PR)

A Revista Budô é uma publicação trimestral da GLOBAL SPORTS EDITORA. Administração, publicidade e correspondência Rua Henrique Júlio Berger, 855 – 102 - Caçador (SC) 89500-000 - Fone 49 3563-7333 Distribuição Dirigida Tiragem desta edição 10.000 exemplares Opiniões e conceitos emitidos em matérias assinadas não são de responsabilidade do editor. Direitos Reservados © 2012 - Global Sports Editora Impressa no Brasil - Printed in Brazil revistabudo@gmail.com – www.revistabudo.com.br

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Leandro Cunha

Focado no Ouro Olímpico Por Paulo Pinto Fotos Paco Lozano

Uma das maiores esperanças do judô brasileiro medalhar em Londres, aos 31 anos Leandro Leme da Cunha tem experiência e talento de sobra para atingir este objetivo. Mais que as três medalhas de prata conquistadas nos dois últimos mundiais, Coxinha possui técnica refinada e determinação ímpar, fatores que o diferenciam dos adversários.

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Qual é sua rotina de treinamento? Treino duas vezes ao dia. De dia treino a parte física e técnica, e à noite faço randori. Sua categoria sempre foi disputadíssima, com o bicampeão mundial João Derly entre os competidores. Como foi a briga com o gaúcho? Minha categoria é uma das mais disputadas e minha briga com o João foi bastante acirrada. Mas me orgulho de ter ficado lado a lado com um dos melhores judocas do mundo. Como vê o momento que o judô brasileiro atravessa? Vivemos um momento ótimo, com excelente aproveitamento. A seleção brasileira permite que os atletas tenham uma participação cada vez maior nos principais eventos esportivos do judô mundial. Com isso o judô do Brasil está em evidência no mundo, e nosso conceito no cenário internacional é excelente.

O que o levou aos tatamis? O incentivo de meus pais, Maria das Graças e Aristides da Cunha, e os meus irmãos Robson, Aristides Júnior, Giovanni e Gisele. Eles me deram muita força para seguir nos tatamis. O que mais o atraiu no judô quando começou? Comecei em 1986, na Associação Hirakawa de Judô, onde havia vários atletas da seleção brasileira, e aquilo me fascinava. E hoje? A disciplina do judô é sem dúvida algo muito emblemático, porém, poder extravasar minha força e energia nos tatamis é sem duvida o maior benefício que encontro. Quem o inspirou nos tatamis? Ninguém em especial. Foi o judô e seus fundamentos que exerceram grande fascínio em mim. Vejo nesta modalidade uma arte a ser desvendada e descoberta por cada praticante. Quem foi seu sensei? Orlando Satoro Hirakawa, de São José dos Campos. Poderíamos afirmar que ele é o grande responsável pelo que você é hoje, ou houve outro professor que lhe proporcionou conhecimento técnico? Sim, o sensei Hirakawa me deu a base e os fundamentos do judô. Já o Floriano de Almeida foi responsável por meu aprendizado técnico. Quais são seus principais adversários hoje? No cenário internacional temos os russos Musa Mogushkov e Alim Gadanov, primeiro e segundo colocados no ranking; o mongol Tsagaanbaatar Khashbaatar, terceiro colocado; e os japoneses

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Masashi Ebinuma e Jumpel Morishita, quarto e quinto colocados. Quando foi contratado pelo ECP? Fui contratado em 2001. Como é a estrutura do clube? É uma estrutura excelente e sem dúvida uma das melhores do Brasil. O sensei João Gonçalves somou em seu crescimento? Costumo brincar que o sensei João Gonçalves foi meu pai. Foi ele que me abriu as portas no clube.

As mudanças promovidas nas regras nos últimos anos ajudaram você? Ajudaram, porque tenho um estilo clássico de judô. Sou técnico e não tinha por hábito fazer a chamada catada de perna. Minha escola é eminentemente japonesa, que, como diz o sensei Hirakawa, prega a conquista do resultado e o judô técnico. As mudanças para mim foram extremamente positivas. O sexto lugar no ranking, tendo o Luiz Revite em vigésimo oitavo, garante a classificação para Londres? Costumo dizer que não, pois o ranqueamento fecha no fim de abril. Espero receber o comunicado oficial da CBJ, e a partir daí terei certeza de que estarei em Londres.


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Leandro Leme da Cunha Data e local de nascimento: 13 de outubro de 1980 - São Jose dos Campos (SP) Formação: Administrador de empresas Sensei atual: Sérgio Baldijão Técnico: Mauro Oliveira Tokui Waza: Uchi-mata Judogi preferido: Mizuno Tênis preferido para corrida: Mizuno Peso: 66 kg Altura: 1,70 m Categoria: 66 kg Preparador físico: Arthur Inoue Nutróloga: Andrea Matos Ortopedista: Breno Schor Fisioterapeuta: Clinica Equality Principais conquistas: Duas vezes vice-campeão mundial, 2010 e 2011; campeão dos Jogos Pan-Americanos 2011, em Guadalajara; vice-campeão mundial por equipe, 2011. Ídolo fora dos tatamis: Ayrton Senna Maior judoca da atualidade: Teddy Riner Outra modalidade praticada: Futebol com os amigos Sonho no judô: Ser campeão olímpico

Você fez a final dos dois últimos mundiais contra dois japoneses. Qual deles deverá estar em Londres? Creio que deve ser o Masashi Ebinuma, o último campeão mundial. Você já venceu os dois? Apenas o Masashi Ebinuma. Qual deles tem um judô mais complicado? Os dois são pedreira. São muito técnicos, fortes e têm estilos bem parecidos. Para ajudar, ambos são canhotos. Além deles, que estão em quarto e quinto no ranking, há os russos em primeiro e segundo lugar e o mongol em terceiro. Como avalia este quadro? São todos atletas muito fortes e difíceis. Todos têm grandes chances de medalhar, mas vamos para cima deles. A proposta é atropelar. As medalhas de prata nos últimos mundiais o credenciam ao ouro?

Credenciar não, mas me dão uma grande possibilidade de conquistar o ouro olímpico. O tempo e a experiência adquirida o colocam em sua melhor fase? Sim. A grande bagagem é a melhor tradução de confiança e estabilidade emocional. Aos 31 anos, o que conquistou fora do judô? Consegui formar-me em administração de empresas. É muito difícil para um atleta conciliar a função e estudar e treinar para o alto rendimento.

Disciplina. O judô foi muito importante em minha formação, e isso é o que eu levo de melhor na vida. Nesse contexto o sensei Hirakawa foi importante? Foi fundamental. Em sua análise o judô está crescendo no mundo? O judô cresce cada vez mais no mundo todo.

Qual é a sua meta nos tatamis? Dar o máximo e o meu melhor até chegar à medalha desejada.

Você vê renovação no judô brasileiro? Sim, o judô esta no caminho certo e temos de trabalhar duro focando 2016.

E fora deles? Pretendo montar um projeto social para meninos e meninas. Quero motivá-los por meio do conhecimento e de tudo que adquiri e vivenciei até aqui.

Quais foram ou são as pessoas que mais o ajudaram em sua trajetória? Meu pai, meus irmãos, os senseis Satoro Hirakawa e Floriano de Almeida.

O que o judô te proporcionou de mais importante?

Qual é a sua expectativa para Londres? O ouro é claro. Estou trabalhando focado nesse objetivo.


BRASIL

Tem de Resgatar Sua Identidade Técnica No início de mais uma temporada, Francisco de Carvalho Filho, presidente da FPJ, fala sobre as mudanças que estão sendo inseridas no judô paulista e sobre o momento do judô nacional. Por Paulo Pinto Fotos Revista Budô

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Por que criaram o credenciamento técnico?

Hoje nosso objetivo é oferecer mais conhecimento aos professores e técnicos filiados. Antes fazíamos o credenciamento técnico na hora da competição, quando todos os técnicos formavam fila e se credenciavam para atuar. Aí surgiu a ideia de fazermos um credenciamento prévio, agregando conteúdo técnico, e tivemos uma evolução gradativa, em que a cada ano fomos inserindo mais novidades até chegar ao que apresentamos este ano. O primeiro foi algo muito tímido e não oferecemos muitas novidades. A meta do credenciamento era aliviar a correria dos dias de competição, tendo um dia específico para discutir coisas pendentes e apresentar as novidades e informações aos técnicos. Aos poucos o evento tomou corpo e foi redirecionado, até mesmo por sugestão dos professores mais qualificados, pois o presidente tem de ser o eco do que a comunidade anseia. Com isso chegamos a um nível em que o credenciamento técnico é esperado por aqueles que querem atualizar-se e inteirar-se do que está sendo realizado no mundo em termos de normas, regras e conduta.

Somando os três dias do CT 2012 vocês chegaram a mil inscritos?

Provavelmente algo próximo a isso, mas nós não estamos preocupados em bater nenhum recorde. Buscamos capacitar cada vez mais os técnicos paulistas e, a partir de 2013, vamos oferecer muito mais diversidade e mostrar novos horizontes, no sentido de dar maior amplitude ao pensamento e à forma de trabalhar dos técnicos. Entendemos que eles são os grandes parceiros da FPJ no que se refere a formar as futuras gerações, e uma de nossas metas é trabalhar de forma menos passiva, sendo mais agressivos na conquista de um número cada vez maior de praticantes. Vamos massificar ainda mais o judô em todo o Estado. Chega de ficar esperando que as pessoas venham para o judô. Na questão técnica, vamos trabalhar duro para que nos próximos anos tenhamos uma grande quantidade de profissionais tão qualificados quanto o professor Floriano. Por meio de um credenciamento técnico com mais conteúdo e qualidade, estaremos fortalecendo o judô paulista e nacional. Quero mais uma vez agradecer a todos os técnicos que, mesmo já sendo extremamente qualificados e capacitados, atenderam ao nosso chamado e desfrutaram tudo que foi transmitido pelo técnico do Minas Tênis Clube, uma das maiores potências de nossa modalidade, hoje.

Ainda há quem considere o credenciamento desnecessário?

Os poucos professores que questionam o credenciamento técnico são aqueles nos quais o judô não entrou. Estão no judô, mas o judô não está neles. Felizmente pouquíssimos técnicos têm esse pensamento retrógrado e ultrapassado.

Como dirigente visionário, o que projeta para os credenciamentos técnicos futuros? Pensamos inovar incluindo palestras com profissionais de outras áreas, como marketing e mercado, ortopedia, captação de recursos, ética profissional e pedagogia. Este ano tivemos um número maior de técnicos e vimos a necessidade de desmembrar o credenciamento. Por sugestão do professor Henrique Guimarães, pensamos dividir o evento em categorias distintas de técnicos.

Existe a possibilidade de abrir o CT para técnicos de outros Estados?

Na verdade eu gostaria de ver cada Estado fazendo seu próprio credenciamento técnico. Mas, enquanto isso não ocorre, não vejo impedimento algum nesta participação. Aliás, este ano tivemos a participação do kodansha Emílio Moreira, um técnico proeminente do Maranhão que veio fazer seu credenciamento em São Paulo. Penso que devemos democratizar a informação e o conhecimento a todos que os buscam. Algumas federações têm-nos consultado no sentido de fazer o credenciamento dentro do seu Estado, e nos dispomos a ajudar. Mas, caso algum professor de fora queira participar, estamos à disposição. O credenciamento não é, e não pode ser, uma coisa fechada ou política. Está aberto a todos que entendam que isso é realmente importante. Soube que o Paraná fez um excelente credenciamento técnico este ano, com o professor César Mariano, de Brasília, e é desta forma que vamos fortalecer e profissionalizar cada vez mais o judô do Brasil. Precisamos aperfeiçoar-nos e melhorar, sempre.

O credenciamento técnico 2012 atendeu às metas traçadas?

Atendeu plenamente, mas poderíamos ter feito mais. Queríamos trazer um profissional da área médica para falar sobre prevenção de lesões, mas por questões de planejamento isso não foi possível. Hoje as pessoas sabem da importância do preparo físico, mas a prevenção de lesões, que às vezes são irreversíveis, ainda é negligenciada. Por isso queríamos um ortopedista com especialização esportiva falando sobre este tema. Muitas vezes vemos

técnicos que, por falta de conhecimento, acabam expondo seus atletas a lesões que poderiam ser evitadas.

Por que assistiu aos dois dias da palestra do professor Floriano?

Sei que o conteúdo de ambas foi idêntico, mas uma coisa é você assistir por assistir e outra coisa é você assimilar aquilo e embotar o que está sendo transmitido. Embotamento é quando você tem a coisa dentro de você e já nem percebe mais. Por exemplo: uma pessoa que trabalha em farmácia não sente mais o cheiro da medicação porque embotou o cheiro da farmácia. Embotei grande parte daquilo que o Floriano transmitiu, por meio da compreensão de tudo que nos foi passado. O Floriano tem uma proposta pedagógica inovadora extremamente importante, e eu tinha de assimilá-la para depois tentar aplicar parte daquilo no judô paulista. Dessa forma darei um novo direcionamento técnico, cientifico e até político em tudo que projetaremos para as futuras gerações.

Qual tópico chamou mais a sua atenção?

O do relacionamento entre técnicos e atletas, quando se tornam dependentes um do outro. E o Floriano conseguiu demonstrar isso para todos de forma simples e clara, chegando até a emocionar-se. O mais importante naquele momento era que todos nós pudéssemos assimilar esta mensagem de forma que ficasse incutida dentro de cada um de nós, para que assim possamos vivenciá-la no treino do dia a dia.

Qual é o objetivo da FPJ com a série de mudanças programadas para este ano?

Atender às necessidades de nossa modalidade e, principalmente, fomentar maior crescimento. Tínhamos de fazer algumas alterações por conta das atualizações que sempre são necessárias, e isso passa pelas mudanças do sênior e da Copa São Paulo. Em função dos patrocínios que teremos da Secretaria de Esportes e Lazer do Estado de São Paulo, por termos reassumido a administração do Centro de Excelência – antigo Projeto Futuro –, queremos dar mais qualidade a todas as nossas ações, sejam elas competitivas ou técnicas.

A FPJ reassumiu a gestão do Centro de Excelência? Sim, firmamos um contrato por nove meses, que vai de março a dezembro de 2012. Durante este período somos responsáveis pelo Centro de Excelência. Temos interesse por tudo que envolva o judô, mas nossa política foi sempre deixar a Secretaria de Esportes

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Chico faz homenagem a Floriano no encerramento do credeciamento técnico

se quiserem, certamente irão conseguir, e vamos trabalhar nesse sentido.

Existem outras prioridades?

à vontade para escolher o melhor caminho. Fomos procurados por eles e, logicamente, vamos oferecer o melhor possível, até mesmo para que o centro não seja apenas um projeto político, e que tenhamos realmente um programa de formação de atletas de alto nível.

Como assim projeto político?

Muitas vezes o esporte é usado politicamente, mas temos certeza de que, da forma como nossa administração foi discutida e planejada, faremos um trabalho que renderá muitos frutos.

A equipe técnica atual será mantida?

Pretendemos manter a equipe técnica atual, mas queremos colocar mais gente trabalhando em conjunto. Assim, convocaremos outros técnicos.

Quais são as prioridades da FPJ para 2012?

Uma de nossas prioridades é trabalhar a valorização dos professores. A FPJ tem essa obrigação, assim como os professores têm a obrigação de se valorizar. De nada adianta querermos valorizar uma pessoa que não se valoriza. Os professores têm de mudar de postura, têm de buscar melhorar técnica e profissionalmente. Têm de andar sempre bem arrumados e cuidar da higiene pessoal. Têm de querer progredir financeiramente como profissionais da área pedagógica e esportiva. Eles têm de querer uma série de coisas, pois,

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Estamos buscando mecanismos para aumentar a demanda nas escolas e clubes de judô. Vamos ser menos passivos no sentido de trazer novos praticantes para os dojôs de São Paulo. Além das ações de marketing que estamos desenvolvendo, pretendemos também pegar carona no fato de termos Olimpíada neste ano, só que esta ação vai depender muito do desempenho dos nossos atletas em Londres.

Sendo líder da oposição à CBJ, como vê o momento da política nacional? Esse é um ano político, mas antes de tudo é um ano olímpico e nós não podemos deixar que a política interfira no bom andamento do ano olímpico. Podemos conversar e articular algumas coisas, mas temos de deixar o principal da política para o pós-Olimpíada, assim ninguém amanhã poderá dizer que o movimento político prejudicou os resultados olímpicos.

Qual é a sua expectativa para Londres?

A equipe masculina será formada basicamente por atletas de São Paulo, e, fazendo uma análise baseada nos últimos resultados, acreditamos que temos chances enormes de fazer três pódios. Já no feminino temos duas judocas fortíssimas que estão na briga direta por medalhas. Mas não quero entrar nesta discussão sobre quais e quantas medalhas serão conquistadas. Falar quais judocas têm chances de medalhar em Londres é meio óbvio e meio empirismo. O que deve e tem de ser discutido e o ônus que um mau resultado nas Olimpíadas trará para os jogos de 2016, no Rio de Janeiro. Falo isso fundamentado no investimento que é feito no topo hoje, em detrimento da base. Se mantivermos o que vem ocorrendo nas últimas Olimpíadas, perceberemos que o custo de uma ou duas medalhas de bronze poderá chegar próximo a R$ 15 milhões, enquanto nada é investido na base. Países com investimento muito menor obtêm várias medalhas, inclusive de ouro. Os estrategistas da CBJ ainda não entenderam que, quando se investe nas faixas etárias menores, elas dão sustentação ao topo da pirâmide. Com uma base grande, o resultado

em cima é sempre maior. Esta gente ainda não entendeu a relação direta da base com o topo da pirâmide.

Levamos 20 anos sem um ouro olímpico e, paradoxalmente, o Brasil é hoje o país com maior investimento no cenário internacional. Como vê este fato, este quadro nefasto?

Não adianta apenas investimento. Claro que isso é muito importante, mas só isso não basta. Se dinheiro bastasse, teríamos castelos nos países do Oriente Médio, onde viveriam os melhores atletas do mundo, e aqueles países levariam todas as medalhas. Na verdade existem países com muita riqueza que não conseguem produzir um atleta sequer. O judô do Brasil é forte por conta da colônia japonesa que aqui se instalou no início de século passado, e isso foi determinante no tipo de judô que o Brasil faz ou fazia. As políticas atuais acabaram desvinculando nosso judô do Japão, e fomos redirecionados para o judô europeu, que é um judô eminentemente de força.

Você está afirmando que o Brasil descaracterizou seu judô?

Não estou dizendo isso e nem falando que um estilo seja melhor do que o outro. Minha análise é que ambos se completam, mas aos poucos fomos deixando de fazer o judô técnico e com características predominantemente nipônicas. Isso se deve a dois motivos: primeiro, porque perdemos alguns professores mais idosos que cultivavam esse judô eminentemente técnico. Segundo, porque hoje muitos professores não têm vontade de trabalhar. Alguém pode imaginar quão desgastante tenha sido o trabalho dos professores Massao Shinohara e Paulo Duarte no preparo de nossos dois campeões olímpicos? E só há uma forma de obter resultado, que é trabalhando duro. O pessoal que está no comando quer que juntemos o judô europeu com o japonês, mas esquecem que a fórmula do sucesso é um trabalho constante e focado. Se tiver a oportunidade de mandar um atleta para o exterior, eu mando primeiro para o Japão e depois para a Europa. Assim ele conhecerá primeiro as técnicas que são o fundamento de tudo, já o judô força se consegue com o trabalho de carga muscular. O judô técnico só se consegue treinando exaustivamente. O treinamento de judô com pessoas muito fortes é um judô dolorido, já o judô da escola japonesa é um judô suave, técnico e gostoso de fazer. Precisamos resgatar nossa identidade técnica, e isso passa fundamentalmente pela escola japonesa.


Por Paulo Pinto Fotos Marcelo Sampaio

Distribuiu 15 Passagens Aéreas para o Pan-Americano de 2012 O Ginásio do Ibirapuera (Mauro Pinheiro) foi palco do Pré-Pan-americano de Jiu-Jitsu, realizado nos dias 3 e 4 de março, com a participação de mais de 1.000 atletas de diversos Estados brasileiros. A disputa reuniu um público estimado de 3 mil pessoas, que vibraram e torceram muito pelos competidores. A competição destinou-se a categoria adulto masculino nas faixas branca, azul, roxa, marrom e preta. Em todas elas competiram os pesos galo, pena, pluma, leve, médio, meio-pesado, pesado, superpesado e pesadíssimo. No sábado foram realizadas as competições por faixa e peso, já o domingo foi marcado pela disputa do Absoluto, que premiou os 15 vencedores das diversas categorias que receberam passagens aéreas para disputar o Pan-Americano de Jiu-jitsu 2012, na Califórnia (EUA). As lutas, de ótimo nível técnico e demonstraram a constante renovação de ta-

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lentos em todos os cantos do Brasil. Viram-se durante toda a competição desde atletas de base, alunos de projetos sociais até grandes nomes do esporte como Luiz Felipe Big Mac, João Ricardo Myao e David Juliano. O organizador do evento, Roberto Godoi, comemorou o sucesso do certame. “Com o apoio da Secretaria do Esporte, Lazer e Juventude do Governo do Estado de São Paulo, conseguimos fomentar a base do esporte, que tem muito talento, porém não recebe incentivo. Queremos mudar isso, revelando novos valores com mais eventos como este. Já estamos começando a ver uma primeira geração de atletas que vivem da luta.” Godoi ainda comentou sobre a valorização que o jiu jitsu está passando. “No Pan-americano de 2006 foram 300 atletas competir, no evento do ano passado foram 3000. O Jiu Jitsu está em franco crescimento e o Brasil é um celeiro de talentos.” O Pré-pan foi aberto a todos os praticantes de jiu-jítsu do país e teve inscrição gratuita, mostrando a força e a seriedade da AJJPE Associação de Jiu Jitsu Pró Esportivo. Além da premiação especial oferecida aos vencedores do open, os finalistas de todas as categorias receberam a seguinte premiação: medalha, camisa, kit suplemento e certificado ao primeiro colocado; medalha, camisa, e certificado ao segundo colocado; medalha e camiseta aos terceiros colocados.

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Júnior Cigano abrilhantou o evento No sábado, competidores e visitantes tiveram uma grata surpresa: a importante presença do campeão mundial dos pesos-pesados do UFC®, Júnior Cigano, que recebeu uma homenagem do organizador, Roberto Godoi. “É muito importante a realização de eventos como esse que incentivam novos atletas”, declarou Cigano. O próximo confronto de Júnior Cigano já está marcado para o dia 26 de maio, quando enfrentará Alistair Overeem, no UFC® 146, em Las Vegas (EUA).

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Campeão Olímpico marca presença no Pré-pan Aurélio Miguel o vereador campeão olímpico de judô em Seul 1988 e bronze em Atlanta 1996, marcou presença no Pré-pan-americano de Jiu-jitsu, e gostou muito do que viu no Ginásio Mauro Pinheiro. “Gostei muito da iniciativa dos dirigentes da AJJPE, que realizaram uma competição com excelente nível técnico, e premiaram os 15 vencedores do Absoluto, com passagens para disputar o campeonato pan-americano nos EUA. O esporte de base precisa de fomento, e atitudes como essa vem de encontro com esta necessidade.”

Vencedores do Open premiados com passagens para o Pan 2012 Branca – Absoluto – Pena/Pluma/Galo - Iago Castro (São José dos Campos/SP) Preta – Absoluto – Pena/Pluma/Galo – David Juliano (São José dos Campos/SP) Branco – Absoluto – Leve/Médio/Meio Pesado – Giovani Martinez ‘Cabelo’ (São Paulo) Marrom – Absoluto – Galo/Pluma/Pena – Vitor Otoniel (Vitoria da Conquista/BA) Azul – Absoluto – Galo/Pluma/Pena – Renan Sankar (São Jose dos Campos/SP) Preta – Absoluto – Leve/Médio/Meio-pesado – Vitor Toledo (São Jose dos Campos/SP) Roxa – Absoluto – Pesado/Superpesado/Pesadíssimo – Fernando Andrade (Uberlândia/MG) Marrom – Absoluto – Pesado/Superpesado/Pesadíssimo – Saint Cir (São Paulo/SP) Roxa – Absoluto – Leve/Médio/Meio Pesado – Murilo Antunes (Campinas/SP) Preta – Absoluto – Pesado/Superpesado/Pesadíssimo – Luiz Felipe Theodoro ‘Big Mac’ (Campinas/SP) Roxa – Absoluto – Pena/Pluma/Galo – João Ricardo Myao (São Paulo/SP) Branca – Absoluto – Pesado/Superpesado/Pesadíssimo – Nelson Roberto (Osasco/SP) Azul– Absoluto – Leve/Médio/Meio Pesado – Áquila Lanza (Ribeirão Preto/SP) Azul – Absoluto – Pesado/Superpesado/Pesadíssimo – Ronaldo de Jesus (Rio de Janeiro/RJ) Marrom – Absoluto – Leve/Médio/Meio Pesado – Ricardo Seixas (São Paulo/SP)

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Conhecimento é a verdadeira essência do judô!

Vicente Manuel Nogueroles, 7º dan, nasceu no dia 20 de março de 1945 em Buenos Aires. Aos 67 anos e 50 de judô, o kodansha argentino, que passou por quase todos os postos na arbitragem mundial, fala nesta entrevista sobre sua trajetória e sobre o lançamento de seu livro Judô Arte e Técnica, uma das mais completas obras produzidas até hoje. Por Paulo Roberto Pinto Fotos Guillermo Monteleone

Quem foi seu sensei?

Meu primeiro professor foi Irineo Roman Morel, 5º dan, que tinha grande amor e vocação pelo judô. Lamentavelmente, faleceu cedo, deixando muita saudade. Posteriormente passei a treinar com o sensei Reynaldo Forti, 8º dan, que foi o primeiro campeão pan-americano da Argentina. Hoje é assessor técnico da Confederação Argentina de Judô.

Quando obteve a faixa preta? Em 1967, aos 22 anos.

Como iniciou sua caminhada nos tatamis? Entre a infância e a adolescência passei pelo basquete, futebol e até pela columbofilia. Mais tarde comecei a focar a questão da defesa pessoal e aos 17 anos me encontrei no judô

Como chegou à arbitragem?

Após ter finalizado a fase de competidor, ingressei na área técnica, voltado mais para o kata, e assim acabei chegando à arbitragem. Tive a sorte de conhecer o professor Carlos Catalano Calleja, o brasileiro que ocupou durante muitos anos o cargo de diretor de arbitragem da FIJ. Fomos algo como professor e discípulo, porém com uma amizade muito grande. Sempre escutei seus conselhos e ensinamentos, e assim acabei assumindo o cargo de diretor de arbitragem da União Pan-Americana de Judô.

Quais cargos administrativos ocupou? Há 38 anos construí meu dojô na cidade de Wilde, na grande Buenos Aires, e me filiei à Federação Bonairense de Judô. Posteriormente ocupei o cargo de diretor técnico e

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presidente da entidade. Isso foi aproximadamente em 1986. Cumpri dois mandatos e posteriormente voltei para cumprir dois mandatos mais. Após este período, assumi a direção técnica da Confederação Argentina de Judô, e atualmente sou diretor nacional de árbitros. Em âmbito internacional fui diretor de arbitragem da UPJ.

Como vê a realidade atual do judô americano?

Sem dúvida, o Brasil é a maior potência do continente, mas tecnicamente Cuba está quase no mesmo nível. O Brasil também tem hoje um poderio econômico fortíssimo. Depois temos Estados Unidos e Canadá. Antes havia apenas três ou quatro países que se destacavam dos demais. Hoje temos vários países marcando presença, entre os quais cito El Salvador, Venezuela, Colômbia e Equador. Entre Brasil e Cuba vemos que está começando a abrir-se uma distância, e Cuba está ficando meio para trás. O Brasil sempre teve um judô mais técnico do que Cuba, mas agora o Brasil está fazendo valer sua superioridade técnica. Claro que isso se deve à enorme colônia japonesa existente no Brasil. Isso deu um aporte técnico e filosófico enorme ao País, que também se beneficia com as mudanças das regras.

Você vê crescimento?

A meu ver não houve grandes avanços. Alguns países melhoraram tecnicamente, como Equador, Venezuela, Colômbia, Peru e El Salvador. Vejo grande desenvolvimento na difusão, mas não na área técnica. O Brasil sim, cresceu muito tecnicamente e isso seria

muito importante para o continente, caso esta evolução técnica fosse disseminada.

E em nível mundial?

Acontece o mesmo. Houve um desenvolvimento enorme na questão da difusão e do profissionalismo. Na área técnica mantivemos o mesmo nível. No momento em que houve as mudanças nas regras, recuperamos muita coisa que havia sido perdido tecnicamente no judô, mas estas mudanças ainda não repercutiram no shiai-jô.

Qual é o cargo que ocupa hoje na CPJ?

Estou na comissão de arbitragem da CPJ e sou coordenador da arbitragem na Argentina.

Por toda experiência que possui, você não deveria estar sendo mais bem aproveitado?

Desculpe, mas não sou eu que deveria lhe responder. Hoje nosso diretor de arbitragem é o Julio Clemente, um excelente árbitro, e está fazendo um ótimo trabalho. Temos uma comissão de arbitragem formada por três árbitros experientes. Faço parte da comissão e acho que estamos fazendo um bom trabalho.

Cassinerio está há 20 anos à frente do judô argentino. Podemos afirmar que houve desenvolvimento no judô de seu país?

Quando ele assumiu em 1990, assumi com ele a direção técnica da Argentina. Num determinado período ele promoveu grandes avanços no judô do nosso país, mas existem muitas coisas a serem feitas. Por outro lado, quando as pessoas se mantêm muitos anos no poder, as coisas tendem a estacionar.


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Sergio Bahi, Franc Carbo e Vicente Nogueroles

“Hoje não quero ser importante, prefiro ser respeitado” Como consegue conciliar a vida familiar com a de dirigente?

É fácil explicar, mas não é fácil levar essa vida. Ela nos impõe muitas consequências negativas. O judô não é simplesmente um esporte olímpico ou uma arte marcial, seria muita mesquinhez dizer isso. Quando o judô entra verdadeiramente em nossas vidas, tudo mais acaba ficando para trás. E houve um período em que acumulei várias funções e cargos, e consegui levar tudo isso adiante, mas com muito prejuízo pessoal. Sentia-me muito importante, porque todos nós gostamos de nos sentir adulados, até que alguém nos derruba do pedestal e percebemos que é impossível dirigir tantas coisas ao mesmo tempo. Tive a sorte de ter uma grande esposa, que me amparou, e assim consegui salvar meu casamento, minha vida e meu dojô. Mas perdi muito. Perdi saúde e deixei muita coisa pelo caminho. Quando estava internado no hospital, dois dias antes de falecer, Carlos Catalano me disse por telefone que estava muito mal e que não tinha valido a pena ter-se dedicado tanto.

De que forma aconteceu sua volta para o judô pan-americano?

No ano 2000 perdi a eleição para o cargo de diretor de arbitragem da UPJ num processo eletivo fraudulento. Saí desse processo muito mal psicologicamente e passei a trabalhar fora do judô pan-americano. Depois de oito anos houve uma reviravolta e aqui estou, felizmente. Mas em todos os segmentos da sociedade acontece esse tipo de coisa. Basta algo crescer muito que sempre aparecem aqueles que buscam tirar proveito. Mas nada do que ocorreu nesse processo me deixou feliz. Perdemos muitos amigos, mas a vida é assim.

Como vê a mudança da UPJ para CPJ?

Indubitavelmente, o ideal seria que tudo tivesse seguido seu caminho, mas num determinado momento as pessoas que estavam no poder perderam o controle e passaram a fazer um uso perverso da máquina, e deu no que deu.

Você acredita que esta mudança tenha sido positiva para o nosso continente? Minha análise é que foi extremamente positiva, mas existem muitas coisas que ainda estão pendentes e espero que nosso presidente consiga levar isso adiante da melhor forma possível.

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Carlos Catalano Calleja e Vicente


Vicente, Carlos Catalano, Rodolfo Caceres, Joon Shi e Jay Kim

Como via o judô brasileiro da época Mamede?

La atrás o judô do Brasil e da Argentina era bastante nivelado, mas os brasileiros avançaram, enquanto nós estacionamos e ficamos para trás. Já na era Mamede o Brasil abriu uma grande distância e projetou-se com conquistas importantes.

O Brasil está no topo, porém os países latino-americanos estão piores. Como explica isso?

Acontece que o esporte de Cuba caiu como um todo, fruto da crise que o país vive desde que o regime comunista caiu na Rússia. Os demais países do continente sempre foram o que são hoje. O que posso te falar é que os erros do passado são os mesmos de hoje. Na verdade, a CPJ ainda está começando a caminhar e, pelo que sei, os projetos vão começar a sair do papel agora. Todos os países estão muito limitados economicamente, com exceção do Brasil.

Que deveríamos fazer pelo desenvolvimento do judô da América? Precisamos de harmonia entre os dirigentes. Temos de focar o judô e não o poder.

Qual foi o maior dirigente que conheceu? Penso que tenha sido Frank Carbo, de Porto Rico, que inicialmente foi secretário-geral da federação de seu país e depois assumiu a presidência da UPJ.

Qual foi o maior nome na arbitragem mundial?

Carlo Catalano; ele dirigiu a arbitragem do judô mundial. Era extremamente culto e inteligente. Mudou as regras da FIJ e possuía grande habilidade política. Era o poder por trás do poder.

De que forma iniciou o projeto do livro?

Esse era um sonho antigo, mas minha proposta era fazer um pequeno manual para meus alunos. Aos poucos a coisa tomou outro

Julio Clemente e Vicente Nogueroles

rumo e virou uma obra com 360 páginas. Pretendia fazer um manual básico, mas valeu o trabalho. Tive a importante contribuição de Cláudio Yerba, que me incentivou a fazer algo maior e felizmente ficou muito bom.

Você é mais feliz hoje ou quando vivia no mundo da FIJ?

Quanto tempo dedicou a ele?

Não quero invalidar tudo que vivi de bom naquele tempo. Mesmo porque aquilo fez parte de minha evolução. O mundo da política esportiva internacional nos oferece uma condição que às vezes nem um empresário muito bem sucedido possui, que é viver com grandes professores do mundo, estar sempre em hotéis cinco estrelas, comer nos melhores restaurantes, conhecer as melhores comidas, ganhar muitos presentes, ter sempre muitas pessoas nos servindo e todos querendo tirar fotos com a gente. Mas mesmo estando no topo da organização de uma olimpíada, que é algo grandioso, várias vezes me perguntei o que estava fazendo naquele lugar. Aquilo não era a minha vida. Qualquer pessoa pode comer uma lagosta, basta ter dinheiro. Mas comer aquela sopa deliciosa que só a sua esposa faz, e saboreá-la olhando para seus filhos, nenhum dinheiro do mundo pode comprar.

Aproximadamente dez anos.

O que lhe tomou mais tempo?

Sem dúvida foi a investigação. Não queria fazer algo básico ou desprovido de fundamentos, e tive de mergulhar fundo. Os últimos seis meses antes do lançamento foram os piores, porque vivi estritamente voltado para o lançamento do livro.

Qual é a proposta do livro?

Não priorizei simplesmente aspectos técnicos, pois isso todos os professores sabem. Tratei de fazer um livro sobre judô, no qual as pessoas pudessem encontrar tudo. Este é o livro que eu quis ter toda minha vida. Com ele qualquer judoca, do iniciante ao mais graduado, pode eliminar qualquer dúvida.

Poderia afirmar que essa foi a maior obra de sua vida?

Acho que fui uma pessoa afortunada na vida por ter tido pais maravilhosos. Pessoas simples e trabalhadoras, que me deram excelente formação. A partir disso, em tudo que fiz fui muito bem sucedido. No judô tive a sorte de ter excelentes professores e, para terminar, tive a sorte de ter-me casado muito bem. Minha esposa é uma mulher maravilhosa, vivemos bem há 40 anos. Tivemos dois filhos maravilhosos e há pouco tempo tivemos a graça de ganhar uma neta que se chama Roscio. Sem contar meus alunos, que são como meus filhos, e amigos que mais parecem irmãos. Aos 29 anos montei meu próprio dojô e conquistei minha independência. Além de ter sido agraciado pela vida com tudo isso que mencionei, penso que minha grande obra tenha sido minha vida como um todo.

Capa do livro que consumiu 10 anos do Sensei Nogueroles

Sem dúvida alguma, sou muito mais feliz hoje.

Por quê?

JUDO JUDO •1 •1

Arte Arte& & Técnica Técnica 31

Vicente VicenteNogueroles Nogueroles


Hoje você é feliz?

A possibilidade de ter estado em cima e em baixo nos permite ver que, para ser feliz, uma pessoa tem de ser e viver aquilo que realmente é. A felicidade não é status e muito menos uma posição política. Hoje sou uma pessoa feliz e aprendi a viver com aquilo que é realmente necessário. Não me falta ou sobra absolutamente nada. Posso opinar e falar sobre política sem temer represálias. Não me sinto importante, mas me sinto respeitado. A única coisa que peço e desejo é saúde, pois tudo que preciso para ser feliz eu tenho.

Qual foi a maior lição que aprendeu com tudo isso?

Que perdemos a maior parte de nossas vidas com coisas menores ou pequenas. Deixamos de lado coisas verdadeiramente importantes para servir involuntariamente aos interesses de terceiros, de grupos ou instituições. Hoje quero servir à minha própria causa. Meu dojô, meus familiares e amigos.

Tem alguma mensagem que gostaria de deixar?

Gostaria de deixar uma mensagem aos jovens judocas. Sugiro que cada um de deles busque obter conhecimento. Não busque apenas a faixa preta ou vermelha. Não busque chegar apenas ao topo da graduação, e sim ao topo do conhecimento. Procure compreender a mensagem de Jigoro Kano, e isso se consegue apenas com conhecimento. Esta é a verdadeira essência do judô.

Quais pessoas tiveram presença marcante em sua trajetória e em sua vida?

Seria injusto citar o nome de um amigo e esquecer outros. Mas afirmo que todos os meus amigos foram importantes e contribuíram para o meu crescimento. Sem dúvida alguma, meus pais Pedro e Catalina, minha esposa Roza Lia, meus filhos Vanina e Andrés, ocupam um lugar de destaque por tudo que vivemos juntos. Mas todas as pessoas que estiveram ao meu lado marcaram e somaram em meu desenvolvimento pessoal e profissional.

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Vida de atleta deixa marcas

Para Sempre Por Moacir Ciro Fotos Antonio Ribeiro Arquivo COB

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Quem se dedicou ao esporte competitivo durante a juventude e boa parte da vida adulta gravou em seu corpo e espírito marcas desse tempo. Vencer exige preparo, dedicação, abnegação e renúncia. Sem trabalho intenso não se chega ao pódio. É preciso treinar, treinar e treinar. E isso dói no corpo. As contusões são inevitáveis. E são seguidas de cirurgias, fisioterapias e mais trabalho. Após anos seguidos nessa rotina, chega-se ao limite. As dores vencem! Acaba definitivamente o prazer de competir. E com isso chega-se ao fim da carreira. Claro que hoje a tecnologia vem a favor dos atletas. Os treinamentos, cada vez mais científicos, podem minimizar os sofrimentos e os prejuízos. Mas eles sempre vão estar ali, cobrando sua cota de quem deseja vencer no esporte. Na minha carreira de judoca sofri cirurgias nos dois ombros e nos dois joelhos. Isso, somado a outras inúmeras contusões, minou o meu físico. Ainda hoje, mais de uma década após parar de competir, posso fazer uns treinos, entrar algumas técnicas, testar minha força. Mas a dor sempre vai estar presente. Ao construir uma carreira competitiva que me levou ao ouro e ao bronze

Vereador Aurélio Miguel campeão olímpico Seul 1988 e bronze em Atlanta - 1996

olímpicos e dois vice-campeonatos mundiais, paguei um pesado tributo. Mas, se o corpo é penalizado pelo esforço que a busca da vitória exige, o espírito e a mente acabam lucrando. A disciplina aprendida junto aos mestres japoneses com quem me iniciei e me aprofundei no judô ficou arraigada em mim. Até hoje fazem efeitos positivos os ensinamentos que colhi com sensei Massao Shinohara e outros mestres do esporte. Ao contrário do prejuízo físico, a disciplina rendeu lucro total. É parte integrante de minha personalidade. Além da disciplina, outro fator explorado na fase de extrema competitividade de minha carreira foi o controle emocional, item que é de muita ajuda na atuação política. Isso me dá vantagens nas lides legislativas. Da mesma forma posso falar da determinação que se cobra de quem busca a vitória. No Legislativo também é necessário ter garra para buscar os resultados. Portanto, se carrego no corpo as dores que a carreira me impôs, trago no espírito e na mente as vantagens de ter-me submetido a um treinamento intenso para sempre competir em condições de tentar a vitória.

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Seletiva Sub 20

G Seletiva define

Seleção Brasileira Sub 20

Por Paulo Pinto Fotos Cristiane Ishizava e Revista Budô

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oiânia (GO) - A Confederação Brasileira de Judô realizou a seletiva da categoria sub 20, evento que mostrou uma nova geração com muita qualidade e pegada e que a partir de agora buscará espaço no cenário internacional. A disputa realizou-se nos dias 16 e 18 de abril, no Ginásio do SESI Faiçalville, região Sudoeste da capital goiana. As dimensões reduzidas da arena causaram uma série de transtornos aos participantes e organizadores da competição, sem contar a demora. No primeiro dia, a CBJ precisou de 14 horas para realizar uma disputa com apenas 230 judocas. Nos tatamis a disputa foi acirrada e o resultado final surpreendeu até os mais experientes, porém, essa é o grande diferencial das modalidades individuais e especialmente do judô. Apesar de manter a tradicional hegemonia, São Paulo teve de suar a camisa no segundo dia de competição, já que no dia anterior os paulistas haviam conquistado apenas dois primeiros lugares, com Gabriela Chibana, 48 kg, e Wagner Soares, 60 kg, atletas do Esporte Clube Pinheiros e SESI Cubatão, respectivamente. No domingo os paulistas conquistaram cinco primeiros lugares, com Jéssica Santos, 63 kg, Beatriz Oliveira, 70 kg, Samanta Soares, 78 kg, Caio Brígida, 73 kg e Henrique Silva, 90 kg. Assim, somaram sete primeiros lugares e apresentaram a renovação projetada pelo departamento técnico da FPJ para esta categoria em 2012. Mas a rodada de domingo causou mudanças consideráveis no quadro apresentado no sábado. Com os primeiros lugares restantes – que foram conquistados por Gustavo Assis, 81kg (MG), Delan Monte, 100kg (PB) e Alexia Castilhos, 57kg (RS) –, o Rio Grande do Sul se impôs como a segunda força do sub 20 nacional, com três primeiros lugares e dois quartos lugares. Surpreendendo mais uma vez, o time liderado pelo professor Igor Rocha colocou o Mato Grosso do Sul na terceira colocação geral. Ao todo, os sul-mato-grossenses faturam dois primeiros lugares e três terceiros lugares. Minas Gerais ficou na quarta colocação geral, ao conquistar um primeiro lugar, quatro segundos lugares e dois quartos lugares. O Rio de Janeiro, que há anos disputa com os gaúchos o segundo posto no judô nacional, somou um primeiro lugar, três segundo lugares, quatro terceiro lugares e um quarto lugar, despencando assim para a quinta colocação geral.


Paulo Wanderley e Josmar Amaral discursam na abertura do evento

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Com o primeiro lugar conquistado por Gabriel Pinheiro, 66 kg, e o quarto lugar de Emanuela Barbosa, 63 kg, Pernambuco ficou com a sexta colocação geral. Delan Monte conquistou a primeira colocação no 100 kg, e colocou a Paraíba na sétima colocação geral. As conquistas de Pernambuco e Paraíba têm um significado especial para o judô verde e amarelo, que, apesar da falta de apoio e investimento na base, mostra uma força fundamentada no esforço e no sacrifício pessoal de professores, familiares de atletas e amantes da modalidade. Santa Catarina conquistou um terceiro lugar, enquanto o Pará e o Distrito Federal obtiveram um quarto lugar, completando a classificação geral final da temporada 2012 do sub 20. Em linhas gerais, a seletiva 2012 da categoria sub 20 mostrou que a briga pela segunda colocação do judô brasileiro, protagonizada por Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, se mantém acirrada, mas dessa vez os gaúchos abriram grande vantagem sobre os fluminenses. O Mato Grosso do Sul impõe-se como formador de atletas e com isso passa a incomodar Estados com maior estrutura. No geral,


vimos oito Estados subindo ao lugar mais alto do pódio, e isso já é um grande alento.

São Paulo classificou 32 atletas Dos 64 atletas classificados, exatos 50% são provenientes de São Paulo, que mantém quantidade de atletas classificados igual à soma do resto do Brasil. São números surpreendentes, que refletem o excelente trabalho desenvolvido pelos clubes e associações, em parceria com a Federação Paulista de Judô. Em âmbito interno, São Paulo também mostra uma briga bastante acirrada, na qual, com todo o investimento feito em sua equipe, o Esporte Clube Pinheiros conquistou apenas um primeiro lugar a mais que os demais clubes e associações que conquistaram o primeiro lugar. Com isso, o quadro de atletas e clubes paulistas classificados em primeiro lugar ficou assim: Gabriela Chibana e Henrique Silva - Esporte Clube Pinheiros, Wagner Soares -

4 3

2 1

8 7 6 5

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SESI Cubatão, Jéssica Santos - Tênis Clube de São José dos Campos, Beatriz Oliveira - Associação de Judô Rogério Sampaio, Samanta Soares - Associação Desportiva São Caetano, e Caio Brígida - São João Tênis Clube. Para Alessandro Puglia, coordenador técnico paulista, a seletiva mostrou evolução na distribuição dos primeiros lugares. “São Paulo foi a Goiânia com o maior contingente de atletas, e é claro que fomos em busca de resultados, mas todos que lá estiveram tinham os mesmos propósitos. Mantivemos a média obtida nos últimos anos, mas vemos com muito otimismo a inclusão de novos Estados no cenário internacional. Com isso, todos nós ganhamos e crescemos tecnicamente, e este é o grande objetivo. Os adversários de São Paulo e do Brasil estão além de nossas fronteiras. Dentro dela formamos um time que tem sempre de focar a evolução técnica e um crescimento mais justo e ordenado.”

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Classificação Feminino

63 kg

Masculino

81 kg

44 kg

1º Jéssica Santos - SP

55 kg

1º Gustavo Assis - MG

1º Larissa Farias - MS

2º Laisa Oliveira - SP

1º Guilherme Locio - RS

2º Frederico Araújo - RJ

2º Tawany Silva - SP

3º Gratchewa Faris - MS

2º Gabriel Silva - MG

3º Lucas Canalle - SP

3º Izamara Silva - SP

4º Emanuela Barbosa - PE

3º Vítor Torrente - SP

4º Caio Moura - SP

4º Amélia Silva - SP

70 kg

4º Diego Rocha – SP

90 kg

48 kg

1º Beatriz Oliveira - SP

60 kg

1º Henrique Silva - SP

1º Gabriela Chibana - SP

2º Aine Schmidt - SP

1º Wagner Soares - SP

2º Eduardo Gonçalves - SP

2º Nathália Brígida - MG

3º Nikelli Rossi - SC

2º Nicolas Santos - SP

3º Caio Melo - SP

3º Águeda Silva - SP

4º Giovana Silva - MG

3º Guilherme Minakawa - SP

4º Lucas Brito - DF

4º Nathália Mercadante – SP

78 kg

4º Evandro Rosa – RS

100 kg

52 kg

1º Samanta Soares - SP

66 kg

1º Delan Monte - PB

1º Camila Barreto - RS

2º Palema Souza - SP

1º Gabriel Pinheiro - PE

2º Pedro Froner - SP

2º Tamires Silva - SP

3º Rebeca Lopes - MS

2º Ricardo Santos - MG

3º Dario Alves - SP

3º Jéssica Pereira - RJ

4º Júlia Von Ah - SP

3º Juliano Fonte - RJ

4º Lucas Marcolino – RJ

4º Thaís Santos - SP

+78 kg

4º Rafael Godoy - SP

+100 kg

57 kg

1º Camila Nogueira – MS

73 kg

1º Ruan Silva - RJ

1º Alexia Castilhos - RS

2º Istelina Silva - MG

1º Caio Brígida - SP

2º Vítor Silva - SP

2º Thamara Silva - RJ

3º Sibilla Faccholli - SP

2º Igor Pereira - RJ

3º Márcio Santos - RJ

3º Ana Paula Prates - MS

4º Tawany Martins - SP

3º Rogério Filho - RJ

4º Guilherme Melo – MG

4º Mariana Rosa - RS

4º Daniel Cardoso - PA

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GATA DOS TATAMIS

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Por Paulo Pinto Fotos Celso Menezes


Úrsula Sandi O judô nos ensina viver melhor O que a levou aos tatamis?

A princípio fui incentivar meu primo a fazer um esporte, então me apaixonei pelo judô e o amor foi tanto que estou nele até hoje.

Quando e com quem começou?

Comecei em 2000 na Academia Germano, na qual treinei durante um ano. Logo em seguida fui para a Bosch, onde treino atualmente.

Com quem treina atualmente?

Atualmente treino na Associação dos Funcionários da Robert Bosch, em Campinas (SP), com os senseis Mauro Cazetto, Pedro Cruz e Rosana Almeida.

O que mais a atrai no judô?

Com certeza é sua história e filosofia, com a qual aprendo muito e levo todos os ensinamentos para minha vida pessoal.

O que menos gosta no judô?

Não há absolutamente nada que me desagrade no judô; a cada dia aprendo um pouco mais. Isso me prende cada vez mais a ele, já que o aprendizado é constante.

De alguma forma isso a motiva a treinar ainda mais?

Sem dúvida. A Mayra e a Rafaela Silva são nossos modelos hoje. Elas projetam em toda a nossa geração o sonho da conquista de medalhas e vitórias para nosso País.

Qual é a sua meta nos tatamis?

Tornar-me uma grande atleta. Não falo apenas em resultados, mas em ter domínio do que faço, ter conhecimento e saber transmiti-lo.

Qual é sua rotina de treinamento?

Qual é para você a maior judoca do Brasil?

Treino às terças, quintas e sextas-feiras e aos sábados, e na maioria dos domingos estou em competições.

E do mundo?

Quais foram suas conquistas mais expressivas?

Se surgisse um convite, você iria para outra cidade ou para uma grande equipe?

Qual é seu projeto de vida? O que sonha para o futuro?

Mayra Aguiar.

Mayra Aguiar, afinal, neste momento ela é número um do mundo.

Neste momento não, devido aos estudos.

Se pudesse escolher, onde gostaria de treinar por um determinado período?

Não haveria um país ou academia específica, desde que ensinasse o verdadeiro significado do judô. Acho que todo treinamento é válido.

Fui várias vezes campeã regional e estadual do interior, e nos últimos 11 anos me classifiquei para o campeonato paulista.

Tenho como objetivo cursar faculdade de medicina e continuar com o judô, buscando outros papéis dentro da modalidade. Não me vejo fora do judô.

Qual é a importância que o judô tem em sua vida?

O que o judô lhe oferece de mais importante?

Aprendi a ouvir e a falar, a demonstrar, a executar, a ajudar e a permitir ser ajudada. O judô, mais do que uma arte marcial, é uma grande escola, que nos ensina mais do que técnicas: ensina a arte de viver em grupo.

Como vê o momento que o judô feminino brasileiro atravessa?

Estamos na melhor fase de nossa história e tenho certeza de que é só o começo. Já temos ídolos femininos e estamos muito bem colocadas no ranking mundial.

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Ocupa um espaço imenso. Como já citei, aprendi muito com essa disciplina. Minha vida não seria a mesma sem os ensinamentos desta filosofia, que é tão rica e profunda.

Qual é sua melhor amiga ou amigo nos tatamis? Minha mãe Fátima Modesto Sandi e meu irmão Enzo Modesto Sandi, que também são judocas.

Quais são seus ídolos dos tatamis?

No feminino, quem admiro por sua humildade e prestatividade nos campeonatos, apesar das conquistas nacionais e internacionais, é a Águeda Silva, do São João Tênis Clube de Atibaia. No masculino é o Leandro Guilheiro, que enche nossos olhos com sua técnica refinada.

Além do judô, você desenvolve outras atividades esportivas?

No momento me dedico apenas aos estudos e ao judô, mas pratiquei por oito anos ginástica rítmica, salto ornamental, natação e hipismo.

O que elas agregam ao seu dia a dia nos tatamis?

As outras atividades me ajudaram em minha concentração e na flexibilidade dentro do judô.

De que forma o judô poderia colaborar no desenvolvimento social do nosso País?

O judô já contribui muito no desenvolvimento social, apesar da falta de apoio das intituições governamentais. Somos uma das modalidades mais praticadas no País, apesar do desinteresse da mídia. O dojô é um local onde crianças, jovens e adultos se encontram sem diferenças sociais, raciais, culturais ou religiosas. Todos usam a mesma roupa, a mesma cor, distinguindo-se somente por uma faixa que informa a todos o grau de conhecimento, esforço e habilidade, formando relações de respeito mútuo, solidariedade e disciplina. A todos dá direitos e deveres e, ao longo da escalada de cores, descobre-se o ser, o indivíduo. E tudo que relatei é apenas um pedacinho daquilo que o judô oferece à sociedade. Quais foram as pessoas que mais a ajudaram em sua trajetória nos tatamis? Minha família e meus senseis sempre me deram apoio total e o incentivo necessário para seguir adiante.

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Úrsula Modesto Sandi Data e local de nascimento: 24 de abril de 1995 em Campinas - SP Formação: Cursando 3º ano do ensino médio Tokui Waza: Uchi-mata Judogi preferido: Dragão Tênis preferido: Diesel. Tênis preferido para atividade física: Nike Peso: 46 kilos Altura: 1.64 m Categoria: - 48 kg Sensei: Mauro Cazetto, Pedro Cruz e Rosana Almeida Técnico: Rosana Almeida Patrocinador: Helô Pimentel Ídolo nos tatamis: Leandro Guilheiro Ídolo fora dos tatamis: Minha mãe, Fátima Modesto Sandi Maior judoca da atualidade: Mayra Aguiar Maior judoca de todos os tempos: Leandro Guilheiro Associação: Associação dos Funcionários da Robert Bosch (AFRB) Meta fora dos Tatamis:

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Credenciamento técnico

de alto nível no judô paulista Preocupada com o nível de excelência dos seus técnicos e com a valorização destes profissionais formadores de um judô cada vez mais forte, a diretoria da Federação Paulista de Judô realizou em fevereiro o credenciamento dos professores, técnicos e kodanshas que irão atuar nos torneios oficiais da federação nesta temporada. O evento ocorreu no auditório do Sport Club Corinthians Paulista, nos dias 25, para os que estão no interior e litoral, e 26, para os que atuam na capital e Grande São Paulo. Personalidades importantes – que fizeram história não só no judô paulista, mas também no judô brasileiro – marcaram presença, como Carlos Honorato, Henrique Guimarães, Solange Pessoa e Andréia Berti, entre outras. Temas como arbitragem, procedimentos administrativos e o judô da base ao alto rendimento foram abordados por competentes profissionais, como o sensei Dante Kanayama e o sensei Floriano de Almeida, que já realizou um grande trabalho no judô paulista e hoje se encontra no Minas Tênis Clube, uma das maiores potências no judô nacional. Na abertura, o presidente da FPJ, Francisco de Carvalho, ressaltou sua preocupação

Por Luiz Aquino e Paulo Pinto Fotos Revista Budô

Francisco de Carvalho homenageando Floriano

com a prática constante da ética dos professores, que servem como espelho na formação dos novos judocas e cidadãos. Outra preocupação abordada pelo presidente foi o tratamento igualitário para todos os alunos, sem distinção de credo, raça ou recursos financeiros, além da valorização dos professores como um todo. Na sequência, o diretor técnico Alessandro Puglia lembrou o falecimento do ex-presidente Yakihiro Watanabe e foi feito um minuto de silêncio em memória do ex-dirigente. Depois, Puglia apresentou Murilo Saba, diretor da Adidas, novo patrocinador do judô paulista que, entre outras ações, vai fornecer judoguis aos atletas campeões paulistas, além de atuar junto aos professores e técnicos para facilitar o acesso de todos os judocas aos judoguis, faixas e demais produtos esportivos confeccionados pela Adidas. Puglia, Daniel, Floriano, Chico e Dante

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Floriano de Almeida

A empresa, em sua primeira ação de marketing, promoveu sorteios entre os participantes. Os novos procedimentos administrativos da FPJ e as inscrições de atletas nas seletivas da Confederação Brasileira de Judô foram esclarecidos por Celso de Almeida Leite. Após estes esclarecimentos, o sensei Dante Kanayama discorreu sobre regras e normas para competições oficiais, entre elas a nova postura dos técnicos nas competições, que só poderão orientar seus atletas entre o matê e o hajime, devendo manter-se sentados e sem fazer gestos. Falou também sobre a alteração de lado e colocação no placar do judoca de judogui branco, que passa a ser o primeiro a ser chamado para o combate. Outro esclarecimento foi quanto às medidas do judogui e o que é permitido ou passível de punição quanto ao kumi kata. Para fechar o encontro, o sensei Floriano de Almeida abordou o tema da base ao alto rendimento, destacando o papel do treinador e seu papel educacional, e a preocupação com a qualidade na formação não só dos novos judocas, mas também dos novos professores. Destacou a atuação dos treinadores como líderes, educadores, técnicos e psicólogos. Na segunda parte da palestra, a abordagem foi para o papel do treinador no treino e na competição, com

Ceslo de Almeida Leite

Alessandro Puglia

Francisco de Carvalho Filho

ênfase no planejamento envolvendo a organização, o treinamento e a competição. Chamou a atenção para as reflexões sobre o porquê dos resultados, não só quando não forem esperados, mas até mesmo no que deu certo nos resultados alcançados. Para resumir, o sensei Floriano destacou que grandes resultados são conquistas pela soma de pequenas ações, que vão desde a base até o alto rendimento. No fechamento do credenciamento técnico 2012, Francisco de Carvalho agradeceu a presença do sensei Floriano e destacou acima de tudo a humildade de vários senseis, kodanshas e atletas olímpicos presentes que, mesmo com todo conhecimento e vivências adquiridas ao longo dos anos, não deixam de capacitar-se e prestigiar iniciativas como esta da federação em proporcionar novas experiências a seus técnicos e professores. Mario Chibana, diretor do departamento de judô do Sport Club Corinthians, destacou a importância dos grandes clubes apoiarem o esporte amador. “Agradeço à FPJ pela oportunidade de trazer para nosso clube um evento de tamanha importância. Faço um agradecimento especial ao Mario Gobbi, presidente do Corinthians, que entendeu a importância do CT 2012 e cedeu a infraestrutura de nosso

Murilo Saba

Mario Chibana diretor do depto de judô do Corinthians

Floriano de Almeida e Alessandro Puglia

Dante Kanayama

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clube para o judô paulista. Penso que os grandes clubes devem apoiar iniciativas do esporte amador, e participar verdadeiramente do desenvolvimento esportivo.” No fechamento do evento, Alessandro Puglia entregou o certificado de palestrante a Floriano, que emocionado agradeceu o carinho e a oportunidade de rever os amigos, alunos e professores de São Paulo.

Kodanshas exaltam credenciamento técnico Vários kodanshas abrilhantaram o evento com sua participação. Entre eles estavam os professores Luiz Tambucci, Paulo Duarte, Mishiharu Sogabe, Massanori Yanagimori, Milton Trajano, Satoro Hirakawa, Sumio Tsujimoto, Harley Barbosa, Giro Aoyama, Cláudio Calasans, José Gomes de Medeiros, Paulino Namie, Rioti Uchida, Alcides Camargo, Nelson Onmura, Hatiro Ogawa, Milton Correia, Zenia Morimasa, Antônio Roberto Coimbra, Maurílio Cesário, José Paulo Figueroa, Mauro Junqueira e Rubens Pereira. No fim de sua palestra, Floriano de Almeida foi muito aplaudido, e os kodanshas eram os mais animados com o trabalho apresentado pelo técnico minastenista. Colhemos os depoimentos de alguns deles e soubemos o que mais agradou aos professores mais graduados de São Paulo. Paulo Duarte, um dos técnicos que mais aplaudiram Floriano de Almeida, destacou a importância de receber mais conhecimento. “Gostei muito do que vi aqui. Recebemos informações importantíssimas, principalmente na palestra do professor Floriano. Ele foi muito feliz em sua apresentação pelo fato de ter sistematizado todo o trabalho do treinador. Isso é importantíssimo para que todos nós tenhamos uma conduta ética e moral, como ele preconizou, de forma muito mais positiva e eficaz para o judô paulista e do Brasil.” Para Hatiro Ogawa, técnico responsável

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pelo Projeto Futuro de São Paulo, este evento é fundamental. “Minha análise é que o credenciamento técnico é de fundamental importância. Estamos iniciando a temporada e conhecendo as novidades e mudanças impostas pela FIJ. O professor Floriano focou tópicos importantes sobre a atuação de técnicos, e isso deverá agregar muita experiência aos professores presentes. Quem sai ganhando é o judô do Estado de São Paulo. Parabenizo a FPJ pela iniciativa e confesso que fiquei surpreso com a quantidade de técnicos inscritos.” Sumio Tsujimoto viu grande relevância no credenciamento técnico. “O credenciamento é fundamental para o desenvolvimento dos técnicos, e penso que deveria haver outros durante o ano. Temos muitos técnicos ainda inexperientes, que não sabem da importância de estar cuidando devidamente da formação dos seus alunos. Eles têm de estudar constantemente,

inovar e saber como outras modalidades trabalham. Se possível, até assistir a aulas de outros professores. Sem dúvida isso vai somar no desenvolvimento profissional de cada um. Meu amigo Floriano apresentou um estudo importantíssimo para o desenvolvimento dos técnicos e professores. Esperamos vê-lo mais vezes em São Paulo, mostrando tudo que sabe.” O professor Satoro Hirakawa destacou a liderança de São Paulo na questão docente. “O credenciamento técnico é fundamental no sentido de nos atualizarmos e nos reciclarmos. Além das mudanças na área arbitral, vimos as novidades na área de legislação e técnica. As mudanças são constantes e aqui ficamos a par delas. São Paulo mantém a liderança no sentido de formar e preparar melhor seus técnicos, e o trabalho de altíssimo nível apresentado pelo professor Floriano, um dos mais ilustres alunos do sensei Oide, da Lapa, é prova disso.” Rubens Pereira, que é também dirigente da Federação Paulista de Judô Máster, destacou o aspecto pedagógico da palestra de Floriano de Almeida. “É sempre bom receber mais informação, mas o trabalho do Floriano mostrou excelente conteúdo técnico e pedagógico. Parabenizo o técnico do Minas Tênis Clube pela qualidade de seu trabalho e a FPJ por trazer a


São Paulo um profissional tão capacitado”. Mauro Junqueira também parabenizou a FPJ pela iniciativa. “Acho que o fato de a FPJ ter trazido o Floriano a São Paulo foi extraordinário. Ele é um profissional atualizado e nos brindou com a síntese de tudo que sabe e conhece. Parabenizo a FPJ e o Floriano.” Zenia Morimasa gostou de tudo que viu, mas se impressionou com o enfoque do técnico minastenista. “Gostei muito de tudo que foi apresentado, mas gostei mais do trabalho do sensei Floriano. Ele falou sobre coisas diferentes daquilo que vemos sempre.” José Paulo Figueroa destacou a importância de uma reciclagem técnica constante.

“Penso que a reciclagem técnica é uma questão premente na manutenção da liderança do judô paulista. O professor Floriano é um ícone, e apresentou um trabalho com grande fundamento. Isso é bom para São Paulo, para a evolução do judô brasileiro e penso que deveria ocorrer com maior frequência.” Milton Correa lembrou que o conhecimento é a principal razão do credenciamento técnico. “O Floriano mostrou um trabalho moderno e fundamentado na realidade atual do judô e do desporto como um todo. Penso que todos nós aprendemos muito hoje, e esta é a verdadeira razão do credenciamento técnico.”

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Paco Lozano

Por Paulo Pinto Fotos Marcelo Rua e Robert Danis

O FOTÓGRAFO

DOS IPPONS Nascido em 2 de fevereiro de 1957 em Málaga, na Espanha, Paco Lozano Martin é o faixa preta 3º dan que, após encerrar a carreira de técnico esportivo, passou a fotografar a modalidade que ama: o judô. Nesta entrevista, o judoca fotógrafo fala de sua trajetória e da expectativa para Londres, onde fará sua estreia como fotógrafo olímpico. 50


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Paco em ação no campeonato europeu 2008 - Lisboa Como e quando começou a fotografar? Desde menino gostava de fotografia, e foi assim que cheguei onde estou. Você é judoca? Sim, sou faixa preta 3º dan. Como começou no judô? Aos 13 anos um amigo da escola, que era praticante, me convidou a fazer uma aula. Experimentei e fiquei encantado. Como e quando passou a fotografar judô? Fui treinador de judô durante 25 anos, e sempre levava minha câmera aos campeonatos. Mas não podia fazer muitas fotos, porque tinha de cuidar dos meus atletas. Acabava fazendo mais fotos de pódio e de comemoração. Quando deixei a área técnica, fotografar me pareceu uma boa forma de seguir em contato com o judô, e aqui estou até hoje. Geralmente as pessoas acham que fotografar é só viajar e aproveitar a vida. Fale como é a sua rotina de trabalho. São muitas horas na beira dos tatamis. Só no mundial de Paris de 2011 fiz 13 mil fotos. É um trabalho esgotante e realmente duro. O pior é quando voltamos para casa e temos de

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organizar todo esse material. Classificar as melhores fotos, escolher as que os veículos pedem. Cada site, cada revista, tem preferência por um determinado tipo de foto, e esta parte é realmente difícil. São dias e mais dias diante do computador. Quais são os principais veículos especializados em judô no mundo, hoje? As revistas Judô, do Japão; Dojo, da Suíça; Budô, do Brasil; L’Esprit du Judo e Judo Magazine, da França; e Koka Kid, da Inglaterra. E quais são as melhores? Em 2011 a revista francesa L’Esprit du Judo foi eleita a melhor do mundo. Uma das pioneiras é a japonesa Judo, mas a brasileira Budô está chegando com muita força. Quais foram os eventos mais importantes que cobriu até hoje? Fiz vários mundiais e grand slams, e não dá para destacar nenhum em específico. Geralmente, quantos fotógrafos são autorizados a fotografar nas Olimpíadas? Muito poucos, já que são apenas duas áreas. Além disso, quem faz o credenciamento é o Comitê Olímpico Internacional (COI), o que torna tudo muito mais difícil.

Você já havia tentado fotografar numa Olimpíada? Não. Esta será a primeira vez. Quais são os procedimentos e dificuldades para fotografar numa Olimpíada? É um processo bastante complicado. Tive de apresentar um dossiê com todas as revistas e sites para os quais trabalho, além de outros procedimentos. Quais são os principais fotógrafos de judô do mundo, hoje? O suíço Robert Danis, o inglês David Finch, Tamas Zahonyi, que é o fotógrafo oficial da FIJ, Carlos Matos, de Portugal, Rafa Burza, do Canadá e outros mais. Quais deles cobrirão Londres? Finch, Matos, Zahonyi e eu. De que forma soube que havia sido aprovado para Londres? Ligaram do Comitê Olímpico da Espanha e avisaram que meu pedido de credenciamento havia sido aprovado. Qual foi a sensação quando soube que estaria em Londres? Fiquei supercontente. Foi um sonho que virou realidade.


Qual é a sua expectativa sobre os Jogos Olímpicos? Fazer boas fotos e ter a oportunidade de trabalhar com outros esportes. Entre os fotógrafos de judô, quem se destaca mais? David Finch é o mais veterano e o mais respeitado. Como vê o do judô mundial atual? Acho que temos hoje um nível muito alto tecnicamente e organizacionalmente. Como a imprensa europeia vê o judô brasileiro, hoje? O Brasil é tido como uma superpotência da modalidade. Os judocas brasileiros são muito respeitados e alguns são favoritos para várias medalhas em Londres. Como os fotógrafos que irão a Londres disponibilizarão as fotos da competição? Cada um está vinculado diretamente aos veículos com os quais têm contrato. No meu caso específico, disponibilizarei fotos para a revista francesa L´Esprit du Judo e para a brasileira Budô Brasil. Qual foi o evento que mais o impressionou? Gostei muito do Mundial de 2010, realizado

em Tóquio, e do Grand Slam do Rio Janeiro de 2011. Quais são os judocas que te oferecem maior possibilidade de fotos boas na atualidade? Existem muitos, mas o grego Iliadis, o ucraniano Zantaraia e a japonesa Matsumoto sempre dão espetáculo. Entre os brasileiros, sem dúvida alguma, estão Leandro Guilheiro e Tiago Camilo. Fiz a final do Grand Slam do Rio de Janeiro de 2011, entre o russo campeão do mundo Ivan Nifontov e Leandro Guilheiro, e peguei uma sequência lindíssima de seoi-nage do Guilheiro. Já em 2010 fiz a final do -90 kg, na World Cup de Madri, entre os brasileiros Tiago Camilo e Hugo Pessanha, e fiz uma sequência incrível do Camilo. Qual foi o judoca mais técnico que fotografou até hoje? Anai Takamasa, do Japão, Rishod Sobirov, do Uzbequistão e Leandro Guilheiro, do Brasil. Qual é a sua expectativa de medalhas para a Espanha, em Londres? Três medalhas. E para o Brasil? Cinco medalhas.

Tirando as dificuldades, qual é o lado bom de fotografar judô pelo mundo afora? Fazer muitos amigos, conhecer novos países e ver o melhor judô na beiradinha dos tatamis. Quais foram as melhores coisas que a fotografia te proporcionou? As amizades e conhecer de perto grandes desportistas. Conheci pessoas incríveis neste caminho. Como consegue conciliar o trabalho, a fotografia e a família? Sou casado e tenho dois filhos, mas minha esposa busca me acompanhar nas viagens sempre que pode. Ela é faixa preta e gosta muito de judô, e isso torna tudo muito mais fácil. Como tem sido o trabalho com uma publicação latino-americana? Para mim tem sido um grande prazer trabalhar com a revista Budô. Gosto muito do Brasil e já visitei Natal, Pipa, Fernando Noronha, Rio Janeiro, São Paulo, Foz do Iguaçu e espero retornar em breve. Gosto do judô brasileiro e o admiro. E entre meus judocas favoritos estão Leandro Guilheiro, Tiago Camilo e Rafaela Silva. Rosicleia Campos é uma grande treinadora, e a possibilidade de estar mais próximo ao Brasil me deixa muito feliz.

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Site ágil e moderno a serviço do

Judô Grand Máster A Associação de Grand Masters & Kodanshas de Judô do Brasil (GMJB) lançou recentemente seu site, que, com visual limpo e linguagem bastante inteligente, já está fazendo a interlocução entre os dirigentes da entidade recém-criada e grande parte dos membros da categoria veteranos. Rodrigo Motta, diretor propaganda e marketing destacou a maior oportunidade de integração com o site. “O site foi criado com base em nossos melhores sentimentos e pelo feedback recebido dos nossos companheiros grand másteres. Agregamos a nossa experiência profissional e montamos o que podemos chamar de primeiro passo para a integração.” Motta explicou como a interatividade foi definida. “O conceito do portal baseia-se na geração de informação, transparência e colaboração, e por estes motivos optamos por usar uma interface limpa e interativa. A interatividade está ligada ao formato de compartilhamento e colaboração entre as ferramentas escolhidas, como o Facebook, Twitter, a Revista Budô e o boca a boca.” Affonso de Carvalho, diretor de tecnologia da informação - TI da GMJB, falou dos objetivos da página da entidade. “Temos a intenção

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de passar para quem entra no site a sensação de sentir um pedaço do espírito do judô, isto é, a do jita kyoei – bem-estar e benefício mútuo.” Affonso explicou como proceder para receber os informes da GMJB. “Para usufruir desta experiência, acesse o endereço http://www. judo-grandmasters.com.br ou http://www. gmjb.com.br e acompanhe nossas notícias e artigos. Ou entre no Facebook (FB) e curta a nossa página. Para fazer isto clique na opção procurar dentro do FB e digite Grand Masters Kodanshas. Vão aparecer o nome da associação e nosso logotipo. Clique no logo ou no nome e você será encaminhado para o site da GMJB no FB. Procure o botão Curtir e clique nele. Pronto! A partir desse momento, quando atualizarmos um artigo, comentário, foto, vídeo etc. automaticamente aparecerá em seu perfil.” O diretor de TI explicou como funciona o site. “O portal da GMJB tem uma base sólida e está dividido em cinco pilares, dentro dos quais existem colunas que dão sustentação para nossa estrutura de comunicação. A estrutura foi preparada para, com o tempo, suportar o nosso crescimento, que é certo, graças a vocês, judocas de corpo e alma.” a. Artigos e Notícias – Está dividido hoje em Grand Masters News – são as principais notícias da categoria, Lista de Eventos – traz os principais eventos de interesse da categoria grand masters, Saúde – contém artigos relacionados a preparação física, nutrição, medicina, saúde, psicologia etc., Espaço Kodansha – é a alma, a filosofia , o ponto de vista de quem contribui ou contribuiu para o judô, Judô no Mundo – notícias do judô referentes a outras categorias e Judô e Tecnologia – espaço destinado a mostrar os avanços tecnológicos em equipamentos, preparação física, medicina esportiva, administração, quimonos e tudo possa contribuir para o avanço do Caminho Suave. Em breve: Iremos criar um espaço chamado Disseminando o Kata – trazendo informações sobre a conduta, filosofia, dicas, vídeos, treinamentos e competições em prol do crescimento do kata e Arbitragem em Foco – trazendo informações sobre o mundo da arbitragem, histórias, dificuldades, direcionamentos e condutas, entre outros. b. Multimídia – Foi dividido em Galeria de Fotos e Vídeos, e sua principal função é compartilhar conteúdo audiovisual que permita a evolução dos judocas e amigos ou o acompa-

nhamento dos melhores momentos da categoria Grand Máster. c. Conteúdo Fixo e Instruções – Contém o resumo da história do judô no mundo e no Brasil, conterá a lista de kodanshas do Brasil, o Hall da Fama, as regras de arbitragem para shiai e kata, as regras para promoções de faixas e as regras para o ranking de atletas grand másteres. Em breve iniciaremos o trabalho de cadastramento dos kodanshas do Brasil e isto inclui a construção das minibiografias de alguns deles. d. Serviços – Neste pilar temos o mais completo calendário de eventos Grand Máster e teremos uma lista de profissionais credenciados, como médicos, fisioterapeutas, preparadores


físicos, nutricionistas, psicólogos etc. Teremos uma lista das academias com seus respectivos horários de treinos que contenham atletas grand másteres. Disponibilizaremos uma lojinha virtual e serviços relacionados ao suporte a competições para ajudar na arrecadação de fundos para a GMJB e parcerias que poderão dar descontos para alguns produtos e serviços. e. Institucional – Dispõe da nossa visão, missão, valores e objetivos que mantêm o direcionamento da associação, apresenta nossa diretoria para a comunidade e conterá nossa prestação de contas e nosso planejamento de atividades. f. Base – São os nossos colaboradores, associados e amantes do judô. Destacamos que toda instituição é formada por pessoas, e o que determina o sucesso é a capacidade destes recursos e o comprometimento de cada um. E, baseando-se neste conceito, podemos dizer que a GMJB tem acesso a profissionais de altíssimo gabarito e com experiência suficiente para agregar valor para o judô e seus praticantes. E em ato de amor ao judô, amizade, respeito e jita kyoei contribuem com seus artigos e experiências nas mais diversas áreas. Alguns destes exemplos são: Lilian Canassa Terada (nutricionista), Daniel Dell’Aquila (médico do esporte, ortopedista, conselheiro e diretor do Clube Paineiras do Morumby), Nelson Dell’Aquila nosso atual presidente (gastro cirurgião do aparelho digestivo e proctologista), Alexandre Lee (coach Paineiras), Emerson Franchini (preparador físico dos principais judocas do Brasil e principal referência em lutas mundial), Maurício Kawahara (coach Vila Sônia), Akio Shiba (especialista em judô terapia e nosso correspondente no Japão), Luiz Alberto dos Santos e Rioti Uchida (referências em judô e kata), Maurício Cataneo (administrador), Rodrigo Motta (marketing e distribuição), Affonso de Carvalho (tecnologia da informação), Sergio Lex (personal trainer) colaborador dos artigos de preparação física, e outras figuras ilustres que vocês vão reconhecer ou conhecer quando lerem os artigos publicados. O dirigente prevê que o site deverá por fim à falta de informação do Grand Máster. “O site é um Ippon na falta de informação e uma vitória para todos nós, amantes do judô, e irá melhorar cada vez mais, trazendo informação, transparência e ajuda para melhorar o seu dia a dia no judô, seja como atleta Grand Master, professor, praticante ou simplesmente um apaixonado por artes marciais.” Affonso finalizou convocou toda a categoria. “Pensando no dinamismo e na velocidade peço a todos vocês, inclusive amigos de outros Estados e países, para contribuírem com nosso site, fornecendo previamente as datas dos

eventos Grand Master, como cursos, confraternizações, informações históricas sobre judô, informações sobre os kodanshas e tudo que acharem relevante para a divulgação da nossa categoria. Acolhemos as diferenças de opiniões como algo fundamental para o nosso crescimento e acreditamos nisto como um diferencial que nos dá subsídios e ideias para um salto de qualidade e integração, sem finalidade política ou financeira, nos fornecendo a tranquilidade e o bem-estar necessários para transformar algo bom em algo melhor.” Rodrigo Motta finalizou agradecendo os colaboradores desta iniciativa. “Gostaríamos de agradecer ao Luiz Lavos, da Lavos Design, e Wagner Hilário, jornalista, que contribuíram e contribuem fortemente na construção e manutenção do nosso site.”

Paraná promove treino Foi realizado no dia 07 de abril o segundo treino grand master do Paraná. Liderado pelo sensei Alan Vieira, o treino aconteceu no Clube Morgenao e contou com a presenca do bicampeão mundial universitário, Rogério Cherubim e do diretor da GMJB, Rodrigo Guimarães Motta. A GMJB parabeniza a todos os atletas do grand master paranaense e ao sensei Alan Vieira, que com esse trabalho serio estão tornando o Paraná, uma das maiores potencias da categoria na America Latina.

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Paraná Promove

Seminário de Arbitragem

Luiz Iwashita presidente da FPrJ

Yoshihiro Okano kodansha 8º dan

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Liogi Suzuki Kodansha 9º dan

A Federação Paranaense de Judô realizou o Seminário Estadual de Arbitragem 2012, nas dependências do Cine Teatro Padre José Zanelli e no Ginásio de Esportes Pedro Dias, em Ibiporã (PR). O palestrante foi Edilson Hobold, faixa preta 5º dan, coordenador estadual de arbitragem e árbitro internacional FIJ A. O evento, que teve a participação de 175 judocas, realizou-se no dia 3 de março e contou com a presença das principais autoridades do judô paranaense, entre as quais Liogi Suzuki, faixa vermelha 9º dan; Luiz Iwashita, presidente da FPrJ; e Yoshihiro Okano, membro do Conselho de Graduação da CBJ. Na abertura do evento, Luiz Iwashita destacou o empenho da comissão estadual de arbitragem

Takashi Yokoyama kodansha 6º dan

Por Paulo Pinto Fotos Revista budô


Walter Kazunori Babata kodansha 6º dan

em promover a constante atualização do corpo de árbitros do Estado. “Quero agradecer ao governo municipal de Ibiporã, que nos recebeu de braços abertos. Agradeço também a todos que aqui estão em busca de conhecimento e atualização. A comissão de arbitragem está focada na constante atualização de nossos árbitros, o que possibilita manter o Paraná no topo da arbitragem nacional.” Jaime Lima, secretário de esportes de Ibiporã, deu as boas vindas a todos. “Em nome de José Maria Ferreira, nosso prefeito, dou as boas vindas a todos que aqui estão. Este evento é um marco em nossa administração e tenho certeza de que sediaremos muitos eventos da FPrJ em Ibiporã. Sabemos da importância cultural do judô no Paraná, e faremos de tudo para promover novos eventos da modalidade aqui.” Helder Faggion destacou o empenho da equipe organizadora. “Como delegado da Região Norte, quero agradecer o empe-

Lauro Azuma delegado regional e coordenador de arbitragem

Washigton Donomai delegado regional e Roberto Okano coordenador de arbirtragem

nho e a determinação do professor Augusto Semprebom e de toda a sua equipe, que não mediram esforços para organizar estes dois importantes eventos. Este ano tivemos o credenciamento técnico realizado em Ponta Grossa, e com mais estes dois eventos estamos abrindo a temporada 2012 em altíssimo nível, e isso nos motiva a trabalhar com maior determinação e afinco.” Os trabalhos começaram no Teatro Padre José Zanelli, e no período da manhã todos os 175 participantes ficaram conhecendo as mudanças promovidas pela Federação Internacional de Judô (FIJ) e pela Confederação Brasileira de Judô (CBJ) e puderam discuti-las. Após o almoço o grupo foi dividido, e os árbitros mais graduados continuaram na palestra proferida por Edilson Hobold, enquanto os árbitros menos graduados participaram do curso prático realizado no Ginásio de Esportes Pedro Dias, o Munhecão.

Vinte e oito árbitros são promovidos No fim da tarde, 30 árbitros foram examinados pela Comissão Estadual de Arbitragem (CEA/FPrJ), composta pelos professores Edilson Hobold, Vítor César Moreira, Roberto Okano, Francisco de Sousa, Jorge Yokoyama e Lauro Azuma. Foram promovidos 28 árbitros, dos quais 18 ascenderam à categoria Estadual C, seis passaram para Estadual B e oito subiram para Estadual A.

Balanço positivo Pela primeira vez a Revista Budô participou do Seminário de Arbitragem paranaense, e felizmente nosso balanço foi altamente positivo. Jamais havíamos visto um grupo tão homogêneo e com tamanho comprometimento.

Augusto Semprebom

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Historicamente o Paraná se mantém entre os principais Estados do judô nacional, mas na prática o judô faz parte da cultura esportiva paranaense. Com exceção de São Paulo, nenhum Estado possui um número de praticantes, árbitros e dirigentes próximo ao que vimos no Paraná. Entretanto, o que mais nos impressionou não foram os números do judô verde, amarelo e vermelho, e sim a organização e o comprometimento que os judocas daquele Estado demonstraram. Da presidência aos praticantes mais inexperientes, a tônica foi o respeito, a cordialidade e a vontade de praticar e vivenciar os ensinamentos deixados pelo sensei Jigoro Kano. Tudo o que vimos e vivemos em Ibiporã nos permite afirmar que o judô paranaense é um grande exemplo a ser seguido. Vitor Cesar Moreira vice-presidente da FPrJ

Jaime Lima secretário de esportes de Ibiporã

Helder Faggion vice-presidente da FPrJ

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Edilson Hobold coordenador estadual de arbitragem


Resultado do Exame Estadual de Arbitragem 2012 APROVADOS À ESTADUAL "A" Augusto Semprebom Cesar Augusto da Silva Grube Gabriela Simone Harnisch Ivanildo Josefi Lourival Carlos de Oliveira Renata Naoko Corrêa Rodolfo Vinícius Valentini Takahiro Fujisaki APROVADOS À ESTADUAL "B" Felipe Marcon de Brito Ivan Ferreira Vilas Boas Janaína Ammar Jorge Alan Glass Lucas Fernando Zevirikóski Rodrigo dos Santos Mercer APROVADOS À ESTADUAL "C" Brenda Garcia Carlos André Kussumoto Carlos Eduardo Silva Fábio Rogério Carnieli Pereira Flávio Ferreira da Rosa Henrique Polinarski Cimbalista Henrique Stremel Igor Bueno dos Santos Juan Carlos Biazoto Marcelo Kenji Miyura Maylon Eduardo de Paula Cochec Paulo Alves Batista Junior Raissa Lopes Cury Roger Vinícius Coreia de Oliveira

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Seletiva Sub 17

Seleção brasileira sub 17 é definida em Fortaleza

Por Paulo Pinto Fotos Cristiane Ishizava e Lucio Mattos

Após o longo período em que a oposição a Paulo Wanderley Teixeira comandou o judô do Ceará, finalmente o Estado volta a sediar eventos nacionais. Manobras judiciais somadas à incompetência daqueles que conduziram o judô cearense nos últimos anos permitiram que isso ocorresse, e já no primeiro trimestre Paulo Wanderley premiou seu mais novo eleitor, levando a Fortaleza centenas de judocas que disputaram a seletiva sub 17. Assim, mais uma entidade estadual passa a realizar certames nacionais. Entretanto, como é de costume, o presidente da CBJ não para de cometer gafes e tentar enganar a todos com mentiras, no mínimo, infantis. Em seu discurso de abertura no sorteio das chaves, o presidente da CBJ afirmou que a seletiva sub 17 seria um marco para o judô da Região Nordeste. “Reafirmo o apoio da CBJ a todas as federações filiadas e comprovo isto com todo o suporte que estamos dando neste evento no Ceará”, disse Paulo Wanderley. Paulo Wanderley abrindo congresso técnico

Leonardo Yukio Ishizava

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Em seu breve e infeliz discurso, o mandatário do judô nacional mentiu duas vezes, pois ele só levou a seletiva para Fortaleza porque tomou o poder naquele Estado, após perseguir covardemente e implacavelmente durante anos a fio o dirigente que fazia oposição a ele. A outra mentira foi afirmar que o evento seria um marco para o Nordeste. Perguntamos: o que a seletiva agregou para o judô nordestino? O que de concreto foi deixado para o judô da região? Foi feito algum seminário aberto ou algum treinamento de campo para os judocas que lá estiveram? O pior de tudo é que o Ceará foi o segundo Estado em número de atletas inscritos e levou apenas dois bronzes, Pernambuco ficou com duas pratas e um bronze, já o Rio Grande do Norte conquistou uma medalha de bronze. Qual foi o legado deixado pela seletiva sub 17 ao judô do Norte e Nordeste, presidente? Lamentavelmente, Paulo Wanderley ouve apenas as palmas daqueles que o bajulam, e parece até que acredita em suas próprias mentiras. E, como sempre dizemos, ninguém fala absolutamente nada. Só ouvimos os aplausos dos interesseiros e bajuladores.


Camila Gomes

São Paulo fica com 30 medalhas e Mato Grosso do Sul surpreende Dezenove Estados participaram da competição, que contou com a presença de 335 atletas. Todavia, a falta de uma política para a base do judô nacional exibe ainda o mesmo quadro perverso da era Mamede, em que apenas os Estados do Sul e Sudeste arrebatam as primeiras colocações. Na disputa das 64 medalhas, os paulistas levaram 30 para casa. Destas, sete foram de ouro, oito de prata e 15 de bronze. O Rio de Janeiro também teve excelente desempenho, e com três ouros, duas pratas e três bronzes ficou na segunda colocação geral em Fortaleza. Mas a grande surpresa no Ceará foi a terceira colocação do Mato Grosso do Sul, um Estado que vem evoluindo gradativamente, fruto do excelente trabalho desenvolvido pelos dirigentes locais. Com as três medalhas de ouro conquistadas por Larissa Farias, –44 kg, Layana Colman, –48 kg, e Ana Paula Prates, –57 kg, o Estado terá três judocas no grupo de elite da modalidade em 2012. Dois sulistas ficaram com as medalhas de ouro restantes: o Rio Grande do Sul, na quarta colocação geral com dois ouros e quatro bronzes, e os paranaenses, em quinto lugar com uma medalha de ouro e uma de prata. Outra grata surpresa foi Pernambuco, que com duas medalhas de prata e uma de bronze Bruna da Silva

ficou na sexta colocação geral. Já Minas Gerais amargou a sétima colocação com apenas uma medalha de prata e duas de bronze. Com uma medalha de prata e outra de bronze, o Distrito Federal ficou em oitavo lugar, seguido por Santa Catarina, que com uma de prata ficou em nono. Goiás e Ceará dividiram a décima posição com dois bronzes, e o Rio Grande do Norte ficou na décima primeira, com uma medalha de bronze. O primeiro colocado de cada categoria garantiu vaga no Campeonato Pan-Americano e no Circuito Europeu. O vice-campeão fica com a vaga para o Campeonato Sul-Americano e poderá viajar para o Circuito Europeu pelo sistema de adesão. Os terceiros e quartos colocados têm o direito de fazer parte da equipe no Circuito Europeu, pelo sistema de adesão. Para Alessandro Puglia, coordenador técnico paulista, o resultado da seletiva está dentro do esperado. “São Paulo ocupou a primeira colocação com um número bastante expressivo de medalhas. Graças ao excelente trabalho dos nossos professores e técnicos, somado ao investimento que clubes e prefeituras fazem, trouxemos praticamente a metade das medalhas para São Paulo. Agora é manter o preparo dos judocas que representarão o Brasil e fortalecer os atletas que se preparam para novos desafios. Nesse sentido estamos trabalhando duro na realização da Copa São Paulo, que agora é aberta para todo o Brasil. Teremos 12 áreas de disputa e este será o maior evento realizado em nosso País.”

Classificação Masculino

Feminino

50 kg

40 kg

1º Marcelo Braga - RS

1º Bruna Silva - SP

2º Kaiman Pires - SP

2º Victória Tibúrcio - RJ

3º Nykson Roberto - SP

3º Mirella Costa - RJ

4º Leandro Freitas - PE

4º Taynara Silva - CE

55 kg

44 kg

1º Tácio Santos - SP

1º Larissa Farias - MS

2º Gabriel Barretos - DF

2º Letícia Silva - SP

3º Gustavo Cação - RS

3º Carolyne Hernandes - RS

4º Francisco Guilherme - RN

4º Ana Martins - RS

60 kg

48 kg

1º Rodrigo Lopes - RJ

1º Layana Colman - MS

2º Lélio Francisco - MG

2º Jéssica Lima - SP

3º Bruno Louverdos - SP

3º Sabrina Araújo - SP

4º Jorge Ávila – RJ

4º Letícia Lima - RN

66 kg

52 kg

1º Brener Marcon - RS

1º Adriele Senna - SP

2º Lincoln Neves - SP

2º Fernanda Freitas - PE

3º Davi Loureiro - MG

3º Nayara Leandro - SP

4º Fernando Ramos - MG

4º Raquel Laurindo - SP

73 kg

57 kg

1º Lucas Lima - RJ

1º Ana Paula Prates - MS

2º Robson Tavares - SP

2º Gabriela Bittencourt - SP

3º Samuel Rodrigues - SP

3º Carolina Ferraz - GO

4º Milton Camargo - SP

4º Bárbara Ribeiro - SP

81 kg

63 kg

1º Iuri Rocha - SP

1º Vivane Donomai - PR

2º Conrado Oliveira - PR

2º Aline Silva - SC

3º Wendel Silva - SP

3º Karol Gimenes - SP

4º Hugo Gonçalves - DF

4º Karoline Barbeirotti - SP

90 kg

70 kg

1º Bruno Souza - RJ

1º Aine Schmidt - SP

2º Euler Pereira - SP

2º Thaine Paiva - RJ

3º Carlos Carvalho - GO

3º Kamila Nogueira - SP

4º Clóvis Braga - RS

4º Elisa Caminaga – SP

+90 kg

+70 kg

1º Hugo Praxedes - SP

1º Ellen Furtado - SP

2º Matheus Rocha - SP

2º Brenda Silva - PE

3º João Lima - CE

3º Loraine Silva - SP

4º Diego Duarte - RJ

4º Agatha Silva – SP

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Por Paulo Pinto Fotos Revista Budô e Arquivo

KODANSHAS DO BRASIL

O Maior Legado do Judô são seus

Ensinamentos

Nascido em 9 de junho de 1943 na cidade de Lins (SP), 11 anos após a Revolução Constitucionalista, como gosta de lembrar, sensei Liogi Suzuki, 9º dan, é formado em contabilidade, ciências econômicas e educação física e pós-graduado em educação física. Iniciou a prática do kendô aos 5 anos, com seu pai Ioshimaza Suzuki, e posteriormente

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foi aluno de judô do sensei Shoiti Tida, no Educandário Seirio. Graduado 9º dan no fim de 2003, Suzuki foi o segundo judoca do Paraná a conquistar esta graduação e, até hoje, é o único em atividade no Estado. Sensei Liogi Suzuki é dos poucos judocas remanescentes da velha escola do judô arte e

um praticante convicto da filosofia criada por Jigoro Kano. Querido por todos pela simplicidade, postura informal e o carisma, sensei Suzuki é exemplo de vida e um kodansha na acepção da palavra. Sensei Suzuki contou como deu os primeiros passos nos tatamis. “Aos 5 anos eu era muito fraco e lento; meu pai levantava de ma-


drugada e me fazia empunhar o shinai, já que era praticante de kendô. Ele tentava imprimir uma educação espartana. Mas, coitado, eu só o decepcionava. Era muito desapegado a estas coisas de luta, e, enquanto ele tentava me meter o shinai goela abaixo, minha mãe, temerosa, chorava pelos cantos da casa. Não sei se foi pela rigidez imposta por meu pai, mas eu era medroso e detestava aquilo.” Aos poucos Suzuki foi-se aproximando do judô, que acabou fazendo parte de sua vida. “Em 1948 nos mudamos para Londrina (PR), e continuei treinando com meu pai porque eu era o mais velho dos cinco filhos e, na cultura japonesa, sempre o mais velho tem de dar o exemplo. Era shinai todos os dias. Mas, no fim de 1952, surgiu o professor Uchida, que passou a ensinar o judô numa escola de língua japonesa. Foi a partir daí que o meu ingresso no judô se efetivou.” O kodansha paranaense explicou como mergulhou no mundo do judô. “Em meados de 1948, no fim do conflito mundial, frequentava sempre a escola do professor Sadai Ishihara. Lá vi alguns professores renomados do Japão, que estão vivos até hoje, como Yoshimi Ozawa, 10º dan, que foi professor do Chiaki Ishii na universidade de Waseda. Ele foi meu exemplo, porque mesmo não tendo um físico avantajado, tinha um aspecto excepcional. Acho que até o Shiozawa se espelhou nele no de-ashi-harai, que fazia em dois tempos. Ele era franzino, porém, ao olhar seus dedos, notei que tinha um calo tremendo, e então me dei conta de como aquele professor deveria ser humilde e abnegado. Quantos milhares de kimonos devia ter segurado para fazer um calo daquele tamanho? Ele é vivo até hoje, e além dele existem mais dois senseis 10º dan no Japão: os senseis Daigo e Abe, que tivemos a oportunidade de lá encontrar em 1999.” Sobre sua trajetória de atleta, apesar dos títulos conquistados, Suzuki afirmou que sua vida sempre muito intensa e nem sempre pôde dedicar-se cem por cento aos treinos. “Minha vida foi bastante atribulada, e em 1964 fui para São Paulo estudar ciências econômicas, porque já tinha me formado técnico de contabilidade. Só que, em vez de me inscrever na faculdade de economia, tentei entrar em educação física, contrariando o objetivo traçado inicialmente. Comecei a frequentar a academia do professor Ono, porque eu já havia competido com Akira Ono. Fui treinando, e caí no agrado do patriarca Yasuichi Ono. Passei a ser instrutor, e acabei ficando em São Paulo até o início de 1966. Durante esse tempo conheci atletas paulistas de ponta, como Akira Ono e Takayuki Nishida, que viria a ser um futuro adversário e foi um dos piores que enfrentei na carreira. Em 1966 voltei para

Londrina e recebi o ultimato do meu pai, que rispidamente falou: ou você volta a estudar e termina o curso superior, ou tudo acaba aqui. Se o seu negocio é o judô, pode pegar seu kimono e tomar o rumo para fora de casa. Foi aí que vi realmente a preocupação dos meus pais e percebi quão importante era ter uma formação. Na verdade, naquela época o judô não era um meio de vida. Era um meio de auxiliar a formação integral do indivíduo, mas, viver do judô mesmo, nem pensar. Assim retomei meus estudos e fiz ciências econômicas na cidade de Apucarana e mais tarde vim a fazer educação física. Tive sucesso como atleta de 1965 até 1970. Fui campeão brasileiro universitário três vezes e bicampeão brasileiro pela CBJ. Consegui amealhar cerca de oito títulos nacionais, um sul-americano e fui vice-campeão mundial universitário, em 1968, em Lisboa. Nesta mesma competição o Mateus Sugizaki foi campeão mundial. Naquela época o campeonato universitário era o top das competições. Minha categoria era -66 kg, a mais leve da época. Aliás, nunca pesei mais de 60 kg.” Suzuki lembrou dos judocas mais técnicos de sua época. “Sem dúvida alguma, o Lhofei Shiozawa foi o judoca mais técnico que vi lutar até hoje. Sua principal característica era a maleabilidade, e abusava dos contragolpes. Tinha uma calma inabalável, nada o perturbava, e, se ficava em desvantagem, em seguida ia para cima e buscava o ippon. Seu okuri-ashi-harai e o-guruma eram pinturas tão lindas como as do Van Gogh. Ele era insuperável. Fora do Brasil conheci o Isao Okano, no mundial de 1965, realizado no Rio de Janeiro. Sua habilidade me marcou muito porque até hoje nunca vi alguém aplicar golpes com tamanha precisão, velocidade e variando as técnicas. Foi por isso que, com apenas 1,70 m de altura e 80 kg, conseguiu ser bicampeão absoluto japonês. Mais tarde nosso amigo Jorge Medi foi para o Japão fazer um estágio, no qual ficou sob os cuidados de Isao Okano.” Saudoso, o kodansha londrinense enumerou as feras que compunham a seleção brasileira da época. “A partir de 1962, passamos a ter três categorias, que eram: leve, até 68 kg; médio, até 80 kg; e o pesado, acima disso. As feras do leve eram Akira Ono, Takeshi Miura e Manabu Kurati. No médio, o Lhofei Shiozawa e o Miguel Suganuma. No pesado despontavam Jorge Medi, Carlos Cavalcante, Goro Saito e Roberto Daud. No campeonato mundial realizado no Rio de Janeiro, em 1965, ainda eram três categorias, mas em 1966 passamos para cinco, com os seguintes pesos: pena, até 63 kg; leve, 70 kg; médio, 80 kg; meio-pesado, 93 kg; e acima de 93 kg, pesado.

Ishii um mito Suzuki destacou que as novas categorias de peso mudaram o contexto do judô nacional. “Após estas mudanças houve um dança das cadeiras, e no peso pena tínhamos o Sassaki, que foi campeão pan-americano, Takayuki Nishida e eu, que perturbei bastante. Era o único fora do eixo SP/Rio/DF, e consegui destacar-me durante essa década. Quando não era campeão, eu era vice, e quando eu não representava o Paraná, meu Estado não pontuava. No peso leve havia Mateus Sugizaki, Takeshi Miura e Santos Mário Zulo. No médio havia o Shiozawa, Nitio Ohayrada, Miguel Suganuma e um atleta excepcional do Rio de Janeiro, que era o Shunji Hinata. No meio-pesado havia o Jorge Medi, Harui Nishimura e o Artur. No pesado eram o Goro Saito, Durval Rente, Arnaldo Artilheiro e o Edson Leandro, o famoso Sansão, do Rio de Janeiro. Mas quando o Ishii chegou ao Brasil e entrou no meio-pesado, acabou com a graça de todo mundo. Ele era descomunal.” Nesse momento Suzuki fez uma pausa e uma comparação entre os judocas mais técnicos da história. “Muita gente me questiona sobre quem era melhor: Shiozawa ou Ishii? Mas na verdade são dois judocas


Os dois faixas vermelhas 9º dan do Paraná, Sadai Ishihara e Liogi Suzuki com Dona Kiê, esposa do sensei Ishihara em Açai (PR) no ano de 1998

Borges e Umakakeba que, aliás, largou tudo para ficar treinado com o Ishii e sagrar-se campeão brasileiro, em 1969.” Questionamos se via algo errado na vinda de Ishii ao Brasil, e Suzuki esclareceu a dúvida. “Não, de forma alguma. Só me surpreendi porque os japoneses que vieram ao Brasil no início do século estavam em busca de uma vida nova, num país ainda em formação e sem a menor infraestrutura. O Ishii veio ao Brasil na década de 60, quando já tinha fama e destaque no cenário esportivo japonês. Para o judô brasileiro ele caiu como uma luva, e até o próprio Augusto Cordeiro, presidente da CBJ, o incentivou a colocar toda a sua capacidade em prol do judô brasileiro. Assim, naturalizou-se em 1969, e em 1972 foi medalha de bronze no campeonato mundial realizado na Alemanha. No ano seguinte foi medalha de bronze nas Olimpíadas. Ele só

e judô. Depois aprendi com os senseis Tida, Sadao Ishihara, Iasuichi Ono, Jorge Medi e, por último, aprendi muito com o Chiaki Ishii, que maneirou comigo e não deu muita porrada. Pegou leve.” Pertencente à velha escola, Liogi Suzuki não possuía apenas um tokui waza, tinha um leque infindável de golpes que se completavam e eram usados para contragolpear seus adversários. “Na minha época não havia isso de um, dois ou três golpes. Acho que meu totalmente diferentes. O Ishii era truculento tokui waza era composto por uma infinidade e muito forte, enquanto o Shiozawa era sude golpes, que me davam um leque de opções, til e extremamente técnico. Um ganhava pela já que meus adversários também me bombarforça e o outro, pela técnica. Um tinha bom deavam com artilharia pesada, variada e, frejudô, mas era forte e o outro também tinha quentemente, mortal. Hoje se vê mais disputa bom judô, mas era técnico. O Cunha, do site de pegada, não lutas de judô. Mas eu preferia Judô Brasil, fez uma enquete para saber quem entrar com o-ushi-gari, ko-uchi-gari, taifoi melhor: Medi, Shiozawa ou Ishii? Mas, na -otoshi, tomoe-nage e uki-waza, entre outros.” minha opinião, os três foram extremamente Sensei Liogi destacou as feras que fizeram técnicos, fizeram escola e têm méritos próhistória no judô paranaense. “Tivemos granprios. Não sei como o Ishii veio parar no Brades atletas no Paraná, entre os quais destaco sil e foi bater lá na escola de agronomia em Rogério Cherubin, Ney Mecking, Rubens Presidente Prudente, Tempski, Henrique Minikowisk, pois ele estudava em Rinaldo Caggiano e hoje temos Waseda. Aí competiu “O okuri-ashi-harai e o-guruma do ShioRafael Silva, o gigante do +100 no Torneio Benemékg, que recentemente fez a final zawa eram pinturas tão lindas como as ritos em 1965, em do Grand Slam contra Teddy Ride Van Gogh. Ele foi insuperável.” São Paulo, e derrotou ner, o gigante francês.” o lendário Kawakami. O kodansha paranaense desAté aquele momento, somou no desenvolvimento técnico do judô tacou quais devem ser as principais qualidades jamais alguém havia visto o Kawakami voar. brasileiro.” de um campeão. “Competidor é todo atleta Desde então, o próprio pessoal da FPJ comeCom Ishii Suzuki dividiu grandes mo- federado que entra nos tatamis em busca de çou a reverenciá-lo e o professor Kurati o con- mentos. “Em 1966 tive o primeiro contato resultado. Mas o campeão é um indivíduo dividou para estagiar e treinar em sua academia.” com ele, quando veio a Londrina a convite ferenciado em vários aspectos e atributos, enSuzuki lembrou a peregrinação que tor- do pessoal do Paraná, que queria conhecê-lo. tre os quais destaco a humildade, perseverança nou o sensei Ishii um mito em todo o conti- Treinamos e, depois do treino, tomamos um e determinação para treinar e, na competição, nente. “Depois de um tempo, ele iniciou uma porre juntos, e assim nos tornamos mais ínti- derrubar seu oponente. Mas, acima de tudo, peregrinação pela América do Sul inteira. mos. Depois, em 1967, voltou para me visitar, um campeão tem de estar totalmente fundaSubiu desde a Argentina, atravessou os An- e assim iniciamos uma grande amizade. Certa mentado no bushidô.” des no Peru, e foi fazer um treino solitário nas vez, num campeonato pan-americano, na final Suzuki relacionou os judocas mais técnimontanhas, como um samurai errante. Com contra o Eli Sassaki, do DF, meu maior adver- cos que viu lutar: Jorge Medi, Lhofei Shioisso tornou-se conhecido em toda a América sário na época, o Ishii estava na arquibanca- zawa, Ishii, Hikari Kurachi, Kawakami e do Sul, mais do que qualquer outra pessoa do da. Eu estava com os dois joelhos lesionados, Minakawa. “Antes fazíamos técnicas preparaBrasil, e transformou-se num mito. Estive al- peguei no tai-otoshi, mas ele contragolpeou e tórias para depois entrar os golpes. Mas havia gumas vezes na academia do sensei Kurachi, me jogou com um uchi-mata. O Ishii desceu mais praticantes, porque havia apenas futebol no Parque Dom Pedro, e treinei com ele. Lá da arquibancada e me deu um pito, dizendo e judô. Hoje o leque é muito grande e até o estavam treinando também os senseis Odair que eu estava ganhando e que tinha faltado futebol perdeu espaço.” garra. Prometi que na próxima eu ia jogá-lo, e Sobre os professores que fizeram escola, não deu outra. Cruzei com o Eli numa seleti- Liogi foi enfático: “Jorge Medi, Paulo Duarte va para o mundial, e cumpri minha promessa. e Massao Shinohara. Hoje temos muitos juTive de jogá-lo duas vezes, até que o árbitro docas saindo de projetos sociais”. lateral, que era Hikari Kurachi, se levantou e Suzuki lembrou com carinho a austeridadisse para o central: sensei, o primeiro já foi de do pai. “Meu pai assistiu a minha última ippon. O central era o querido sensei Fuyuo grande conquista em 1968, e aquela foi a única Oide, da Lapa, que imediatamente deu o ip- vez que foi assistir a uma competição de judô. pon. Na sequência venci o Augusto Acioli, e Felizmente venci os seis combates por ippon, carimbei meu passaporte para Lisboa. e lembro que ele ficou muito bem impressioSuzuki enumerou os judocas que o auxi- nado e feliz. Emocionado, após a premiação liaram em sua formação. “O primeiro foi meu ele se aproximou e me parabenizou. No ano pai Yoshimata Suzuki, que me ensinou kendô seguinte veio a falecer. Hoje lembro aqueCarismatico sensei Liogi agita sempre os eventos paranaenses


Seleção Brasileir de 1968, entre os atletas está Liogi Suzuki, e entre os dirigentes vemos Edgar Ozon e Prof. Fukaia

las manhãs frias em que se dedicava ao meu aprendizado, e só agora percebo o amor que tinha por mim.” Na visão do sensei Liogi, o judô deixou de ser uma coisa gostosa e agradável. “Em linhas gerais, fazer judô deixou de ser uma coisa gostosa e bonita, já que o profissionalismo se apossou da modalidade. Tenho a impressão de que acabou o romantismo e tudo ficou muito duro e rude. Hoje não vemos mais judocas técnicos e habilidosos, se sobrepondo aos adversários pela sutileza e inteligência. Vemos halterofilistas robotizados vencendo na marra e na força. O Japão ainda mantém a técnica, mas gradualmente a força vai-se sobressaindo. O que me preocupa mais é o tanto que exigem dos judocas do alto nível, que de alto nível mesmo não têm nada. Penso que existe uma pressão psicológica enorme, e em contrapartida nada é oferecido aos atletas que se arrebentam, sem a devida reciprocidade. As coisas tomaram um rumo totalmente contrário àquilo que Jigoro Kano projetou.” Suzuki destacou que a CBJ tira os judocas de seu habitat e não oferece o menor respaldo psicológico a eles. “O Yamashita era do interior do Japão e durante nove anos consecutivos foi campeão japonês, mundial e olímpico. Quando foi para a Universidade de Tokai, deixou o aconchego do seu lar, ficando distante de seus familiares. Entretanto, lá encontrou Noboyuki Sato, que lhe proporcionou um ambiente familiar excelente, e foi justamente este calor humano que fez com que se mantivesse no topo por uma década. Digo isso para lembrar que dentro de cada campeão existe um ser humano carente de tudo que uma pessoa normal precisa. Não vejo ninguém se preocupando com os aspectos psicológicos dos atletas. Aliás, não vejo nem os técnicos dos atletas de ponta acompanhando seus judocas nas principais competições pelo planeta, e isso é fundamental. O número de lesões é cada vez maior e só vejo cobrança, mas não vejo a contrapartida, sem contar que judoca tem uma vida competitiva muito curta.” O sensei londrinense comentou o abismo existente entre o que ganha um judoca e o que

ganham outros esportistas. “O judô foi criado para formar e construir homens e mulheres centrados, com alto grau de sociabilidade, pessoas de bem e que geralmente dão bons exemplos. Mas o que vemos hoje é um bando de gente com desvios comportamentais, e já que a coisa virou business, se compararmos com um jogador de futebol ou de vôlei, o que ganha um judoca campeão de um grand slam é algo irrisório. E até o Kodokan vive este dilema hoje, pois eles também não admitem perder a hegemonia da modalidade, e assim só lhes resta treinar e cobrar os resultados que antes vinham de forma natural.” Sobre a questão da transmissão do ensino do judô, que antes era feita pelos japoneses que vieram ao Brasil no início do século passado, sensei Suzuki apontou a falta de bons professores. “Inicialmente o professor Jigoro Kano não via o olimpismo com bons olhos, mas chegou um momento no qual ele não pôde mais segurar a situação e, a partir daí, o judô deixou de ser uma atividade com características eminentemente formadoras, e passou a ser um esporte. Houve o gigantismo dos megaeventos, da indústria de material esportivo, e isso não tem mais volta. Despido totalmente de qualquer tipo de saudosismo, ainda me impressiono com a quantidade de atletas que entram no shiai-jo e não sabem se comportar. É um bando de gente robotizada, que nem o rei-ho sabe fazer. E isso é um reflexo da transmissão. Hoje só temos técnicos de judô, não vemos mais professores de judô.” Liogi Suzuki afirmou que seu legado é aquilo que conseguiu transmitir aos seus alunos. “Praticamente todos os alunos que tive na Academia Suzuki de Judô tornaram-se grandes pessoas. São médicos, engenheiros, dentistas, pesquisadores, mas acima de tudo gente bem sucedida e atuante na sociedade. Este é o meu legado e a herança que deixei a eles. Acho que tive mais de 2 mil alunos, mas lamentavelmente no máximo seis deles tornaram-se professores de judô.” O proeminente professor paranaense destacou a obrigação de difundirmos os ensinamentos de sensei Kano. “Vivemos um paradoxo, mas temos a obrigação de difundir e cultivar os preceitos criados pelo sensei Kano. Antes os professores de judô também educavam os pequenos judocas e cobravam postura, higiene e conduta. Hoje nem isso podemos fazer, pois os pais não admitem ingerências.” Mateus Sugizaki e Liogi Suzuki, Campeão e Vice-campeão Mundial Universitário em Lisboa - 1968

Sensei Suzuki fez questão de contar qual é a mensagem do sensei Kano de que mais gosta. “Um coração maleável vence a brutalidade. Na prática, isso quer dizer que temos de ser maleáveis, tolerantes e flexíveis, para ajudar nossos semelhantes. Acima de tudo Jigoro Kano foi um educador, e o judô foi apenas um pedaço de sua obra. Penso que o maior legado que o judô nos oferece são seus ensinamentos.” Liogi Suzuki finalizou fazendo um pedido Formação Acadêmica aosEconomista professores do Brasil. “Minha mensagem formado pela Faculdade Estadual de para o Brasil é que,denaApucarana questão– 1970 competitiva, Ciências Econômicas Licenciado emprocesso Educaçãoirreversível, Física pela Faculdade de estamos num mas espero Letras de Arapongas (FAFICLA) - 1975 queFilosofia, o judôCiências nuncae deixe de ser uma fonte de inspiração, que seus princípios éticos e eduAtividade Acadêmica cacionais se perpetuem. Peço a todos os proLecionou a disciplina de Judô na FAFICLA de 1974 a 1978 fessores que mantenham o na compromisso Lecionou a disciplina de Judô Faculdade de de Educação Física do Norte dopor Paraná 1975 a 1981 trabalhar incansavelmente umadesociedade Professor do Centro de Educação Física da mais justa eAdjunto melhor.”

Universidade Estadual de Londrina responsável pela disciplina de Judô a partir de 1978 Professor da Universidade Estadual de Londrina Sociologia aplicada à educação física e desporto a partir de 1991 Professor da Universidade Estadual de Londrina - Deontologia e Ética Profissional a partir de 1992

Atividade no Judô

Foi professor nas seguintes escolas: Academia Seirio-Gakuen de 1961 a 1963 Associação de Judô Ono de São Paulo de 1964 a 1965 Academia de Judô Tenri Kyo de 1966 a 1967 Associação Suzuki de Judô a partir de 1967 Foi responsável pelo Departamento de Judô do Londrina Country Club 1979 Associação Cultural e Esportiva de Londrina 1986 Em 1978 passou a atuar como árbitro nacional e em 1985 passou a árbitro internacional Diretor Técnico da Federação Paranaense de Judô nos anos de 1971 a 1974 Presidente da Comissão de Graus da FPrJ a partir de 1975 Membro da Comissão Consultiva da Confederação Brasileira de Judô entre 1979 e 1981 Foi fundador integrante da Federação Paranaense de Judô em 07 de outubro de 1961 Atualmente Sensei Suzuki é professor de Jiu Jitsu na Academia Iron e de Judô no Suzuki Judô Clube

Títulos conquistados

■ Campeão brasileiro em 1967 e 1969 ■ Vice-campeão brasileiro em 1966 e 1970 ■ Campeão do 10º Encontro Nacional de Judô em 1967 e 1968 ■ Campeão Brasileiro JUDOGAM em 1968 ■ Tricampeão Brasileiro Universitário em 1967, 1968 e 1969 ■ Vice-campeão Mundial Universitário em 1968 ■ Campeão Sul-americano em 1970


Prof. Dr. Michel Calmet Visita São Paulo

Após contatos iniciais via internet para discutir o desenvolvimento do sistema de ataque de atletas de judô, foi possível trazer novamente este ano o professor Michel Calmet como professor visitante à Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (EEFE-USP). O período de sua primeira visita ocorreu entre fevereiro e junho de 2009, via financiamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Em sua primeira visita foi possível ter seu envolvimento nas aulas da disciplina Judô I do curso de Bacharelado em Esporte da EEFE-USP, na disciplina Fisiologia e Treinamento Físico Aplicados às Artes Marciais e Modalidades de Combate do programa de pós-graduação da instituição. Ele colaborou também no projeto de doutorado da aluna Bianca Miarka, além de participar de discussões livres sobre projetos de pesquisa, treinamento de atletas, processo ensino-aprendizagem do judô, história e experiências no tatami. Sem dúvida, foi um período bastante interessante, porém restrito a poucas pessoas do Grupo de Estudos e Pesquisas em Lutas, Artes Marciais e Modalidades de Combate da EEFE-USP. No fim do período criamos uma nova meta: repetição da estada, com maior interação com professores de judô.

Tempo extra Seu retorno ao Brasil deu-se em fevereiro deste ano, mais precisamente entre 23 de fevereiro e 10 de março, tendo sido viabilizado por verba do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em projeto de minha autoria. Por se tratar de verba federal para universidade pública, nada mais justo do que conduzir eventos gratuitos. Além da participação em reuniões de três grupos de estudos (um na Unimep-Piracicaba e dois na EEFE-USP), discussões de novos projetos de pesquisa e aula na graduação da

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Por Emerson Franchini Fotos Marcelo Lopes/Revista Budô

Prof. Dr. Michel Calmet

EEFE-USP, destaco aqui dois eventos destinados a estudantes de Educação Física e Esporte e profissionais que atuam diretamente com o judô. Um deles foi o curso de atualização sobre ensino de judô (atualização no ensino de judô para crianças: pesquisas e aplicações), ministrado no dojô do Centro de Práticas Esportivas da Universidade de São Paulo (CEPEUSP) e uma palestra intitulada Judô na França, ministrada no clube Paineiras do Morumby.

Curso de atualização O curso de atualização contou com a participação de 35 pessoas, e teve como objetivo apresentar algumas possibilidades para o ensino do judô para crianças. A ênfase foi dada a jogos

e atividades que podem ser utilizados para aquecimento, ensino de técnicas de amortecimento e iniciação à compreensão do momento mais adequado para realização do desequilíbrio e da entrada da técnica. É certo que três horas representam um período muito curto para abordar diversos aspectos do judô. No entanto, aqueles que compreenderam os princípios envolvidos na realização das tarefas (como a necessidade de confiança no parceiro de prática, garantia de segurança, importância da utilização de atividades lúdicas, relevância da elaboração de atividades conduzidas em movimento, variação de parceiros durante a execução das atividades etc.) poderão adaptar suas ações e criar novas estratégias para o ensino do judô.


Prof. Dr. Michel Calmet e Emerson Franchini

Judô na França Com a presença de aproximadamente 100 pessoas, confortavelmente acomodadas na sala de cinema do Clube Paineiras do Morumby, a palestra versou sobre os seguintes aspectos do judô na França: informações gerais sobre a Federação Francesa de Judô, Jujutsu e Disciplinas Associadas (FFJJDA); outras federações francesas de esportes de combate; os modelos de desenvolvimento do esporte – dos clubes ao alto rendimento; as estruturas esportivas e seus polos de desenvolvimento; os diplomas de professor de judô; a formação dos atletas. O judô francês conta com cerca de 587 mil federados (a quarta em número de filiados entre as modalidades do país), do quais 28% são do sexo feminino. Já conquistou 39 medalhas em Jogos Olímpicos e 124 medalhas em campeonatos mundiais, números que podem ser considerados expressivos em proporção à área da França e sua população. A organização desse número de atletas compreende 33 comitês regionais, que controlam 5.700 clubes, com 6 mil

Prof. Dr. Michel Calmet, Emerson Franchini e Daniel Dell”Aquila

professores diplomados e 11mil em preparação. A FFJJDA já formou 160 mil faixas pretas, dos quais 50 mil ainda em atividade. Do ponto de vista da formação dos praticantes, as sessões são dirigidas para o desenvolvimento de habilidades técnicas fundamentais, envolvendo equilíbrio, coordenação geral, coordenação multimembros ou dissociação segmentar, propriocepção e as bases técnicas do judô. Essas habilidades são desenvolvidas via elaboração de tarefas envolvendo exercícios típicos do judô (por exemplo: uchi-komi, nage-komi, randori e shiai). No que diz respeito aos atletas em preparação para grandes competições, o sistema é organizado com 26 polos regionais para atletas da classe juvenil, quatro polos nacionais para atletas da classe júnior, um polo para atletas da classe sub 23 e um polo para a equipe principal. Tal organização permite que 1.800 atletas de judô, previamente selecionados e com potencial para o alto rendimento, treinem diariamente nesses polos, com acompanhamento de equipes multidisciplinares.

Os atletas da classe juvenil são encaminhados a programas de treinamento envolvendo dez a 12 horas semanais, buscando equilíbrio entre a quantidade e a qualidade dessas horas de treinamento, sendo pelo menos uma sessão conduzida no clube de origem do atleta. Adicionalmente, os atletas dessa classe não podem dedicar-se exclusivamente ao judô e devem praticar outras atividades esportivas. Do ponto de vista físico, o treinamento para esses atletas é voltado para: o aperfeiçoamento da capacidade e potência aeróbias; o desenvolvimento dos três sistemas de transferência de energia; do fortalecimento muscular, sobretudo da resistência muscular; melhoria da coordenação, precisão e velocidade. Do ponto de vista técnico, os atletas são expostos a tarefas para aperfeiçoamento da pegada, a partir da qual se estabelecem a configuração de ataques em pé, transição ao solo e ações na luta de solo. Todas essas ações são desenvolvidas tendo como referencial os princípios de preparação para o ataque, envolvendo ação, reação, fintas e combinação de técnicas.

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Sobre o Prof. Dr. Michel Calmet Professor na Universidade de Montpellier; 5º dan de judô; foi competidor de nível nacional francês; atuou como treinador em clubes por 15 anos; foi professor de curso preparatório para professores de judô da Federação Francesa de Judô e disciplinas associadas na região de Picardie; atualmente possui a qualificação de treinador de nível nacional e árbitro de kata pela Federação Francesa de Judô e Disciplinas Associadas.

CNPq

A partir da formação ampla inicial, disponível a todos os praticantes, e do refinamento feito durante a classe juvenil, os indivíduos mais talentosos podem ser encaminhados às equipes principais, nas quais se conduz o trabalho especializado. Por outro lado, aqueles (a maioria) que não tenham interesse ou potencial para atingir o alto rendimento esportivo podem usufruir a prática do judô com outros objetivos, dado que possuem os elementos técnicos básicos para tal. Em outra oportunidade trataremos do processo de formação do professor de judô. Sobre o autor: Emerson Franchini é professor livre-docente do Departamento de Esporte da EEFE-USP, sendo responsável pelas disciplinas de graduação Judô I, Judô II e Pedagogia de Modalidades de Combate, Lutas e Artes Marciais, e das disciplinas Fisiologia do Exercício Intermitente e Fisiologia e Treinamento Físico Aplicados às Artes Marciais e Modalidades de Combate do programa de pós-graduação (mestrado e doutorado) da EEFE-USP, no qual coordena o Grupo de Estudos e Pesquisas em Lutas, Artes Marciais e Modalidades de Combate. É autor de livros e artigos científicos sobre a temática, além de atuar como preparador físico de atletas de judô de alto rendimento. * As projeções utilizadas pelo Prof. Dr. Michel Calmet podem ser obtidas no blog do Grupo de Estudos e Pesquisas em Lutas, Artes Marciais e Modalidades de Combate da EEFE-USP (http://grupodestudoslutas.blogspot. com)

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O CNPq possui diversas linhas de financiamento, sendo uma delas o apoio a eventos acadêmicos, para os quais professores com título de doutor podem enviar seus projetos. Foi via um financiamento desse tipo que a presença do Prof. Dr. Michel Calmet tornou-se possível.

Sobre os participantes do curso realizado no CEPEUSP O curso contou com participantes de Barueri, Cotia, Curitiba, Maringá, Osasco, Praia Grande e São Paulo, entre eles três atletas olímpicos: Douglas Vieira (prata em Los Angeles 1984, na categoria -95 kg), Alexandre Lee (Atenas 2004, na categoria -60 kg) e Pedro Dias (Pequim 2008, na categoria -66 kg).

Palestra Paineiras do Morumby A palestra ministrada no clube Paineiras do Morumby foi viável graças aos esforços de Daniel Dell’Aquila e Alexandre Dae Jin Lee, entre outros profissionais do clube.


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FPJ Promove Grandes mudanças em 2012 Por Paulo Pinto Fotos Revista budô

A diretoria da Federação Paulista de Judô reuniu-se no dia 28 de janeiro com todos os 16 delegados regionais do Estado de São Paulo. A tradicional reunião, que se realiza sempre no início da temporada, ocorreu nas dependências do Lorena Flat, na capital paulista, e definiu o calendário de 2012. Os trabalhos começaram com a palestra de Mauzler Paulinetti, assessor político do vereador Aurélio Miguel e superintendente do Sindicato dos Profissionais de Educação Física (SINPEFESP), que abordou temas como administração e legislação desportiva, captação de recursos, leis de incentivo ao esporte e política esportiva. Em seguida, falou Odair Borges, membro da comissão de graus da FPJ e CBJ, que tratou de temas como a padronização das faixas das categorias menores, após as mudanças realizadas pela entidade nacional. Entre os temas abordados há várias mudanças que visam a impor mais dinamismo ao judô bandeirante, entre as quais a criação da 16ª Delegacia Regional, resultado da divisão da 7ª Delegacia Regional – Sudoeste. Uma novidade muito comemorada foi a parceria firmada entre a FPJ e a MKS/Adidas, que agora é fornecedora oficial de ma-

terial esportivo do judô paulista. Com esta parceria o judô mais forte do Brasil passa a usar o mesmo judogui das principais seleções do mundo. Luís Alberto dos Santos, que em meados de 2011 assumiu o departamento de cursos da FPJ, falou de seu projeto para esta temporada. A mudança mais relevante é que agora todas as delegacias promoverão os cursos que antes eram re- Francisco de Carvalho e Arnaldo Queiroz alizados apenas na capital. Outro destaque da reunião foi a nomea- bem dirigida pelo grande judoca Wilson Della ção de Arnaldo Queiroz Pereira, dirigente do Santa, que se recupera de grave problema de Esporte Clube Pinheiros, importante figura do saúde. judô paulista, para dirigir a 1ª Delegacia RegioNo campo esportivo, foram anunciadas nal da Capital, que nos últimos anos foi muito mudanças no sistema de classificação da categoria sênior. Segundo Alessandro Puglia, diretor técnico da FPJ, as mudanças proporcionarão mais chances de classificação nas principais competições desta categoria. Mas a grande novidade ficou por conta da Copa São Paulo, que a partir deste ano será aberta para os judocas de todo o País. O evento, que já é considerado o maior do Brasil, terá também competições na categoria grand máster. Segundo os dirigentes a proposta é realizar a competição em três dias, e promover o evento com a maior tranquilidade possível.

É criada a 16ª Delegacia Regional Nascido em 22 de agosto de 1964, em Itapeva (SP), e há 38 anos nos tatamis, Takeshi Yokoti é o delegado da recém-fundada 16ª Delegacia Regional de São Paulo.

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Alessandro Puglia e Takeshi Yokoti


“ Na breve entrevista que concedeu em sua posse, o faixa preta 5º dan explicou os motivos que levaram a FPJ criar mais uma delegacia, e o que o levou a assumir este grande desafio. “Na verdade, só encarei este desafio pelo amor que tenho ao judô. Há mais de duas décadas venho trabalhando na 7ª Delegacia Regional, que tem um território bastante extenso. As perspectivas são grandes, porém as dificuldades também. A Delegacia Regional Sudoeste tinha uma área maior do que a de alguns países. De Itararé à capital são mais de 400 quilômetros, e quando tínhamos competições era preciso sair à 1 hora da manhã. Nossos atletas viajavam a noite toda.” Takeshi foi enfático em destacar a necessidade de conquistar novos filiados. “Nossa proposta é unir todos os judocas da região em torno do nosso projeto, que visa a alavancar o judô da região, trazendo o maior número possível de filiados para a FPJ. Nosso presidente está dando todo respaldo no sentido de atingirmos este objetivo. O professor Francisco está focado no objetivo de trazer os professores que se afastaram da FPJ, e tenho certeza de que atingiremos nossas metas. Houve um tempo em que a distância entre os delegados e os professores causava um afastamento que, a meu ver, era natural. Mas a tendência agora é revertemos este quadro para iniciarmos um período de grandes conquistas.” Takeshi lembrou que a presença constante do delegado nas academias é fundamental. “Penso que deve haver um contato periódico entre o delegado e seus filiados. Precisamos ouvir os judocas e saber de seus anseios e necessidades. Esta aproximação elimina toda e qualquer possibilidade de desentendimento.” O novo delegado paulista destacou o desprendimento do professor Nelson Koh.

“Felizmente houve consenso e bom senso. O professor Nelson Koh, nosso delegado regional, entendeu que estávamos lutando para melhorar o judô, e este fator foi preponderante nesta iniciativa.”

Adidas e Federação Paulista de Judô firmam parceria A parceria firmada entre a Federação Paulista de Judô e a MKS/Adidas, que agora é a fornecedora oficial de material esportivo do judô paulista, foi muito comemorada na reunião. Com esta parceria, o judô mais forte do Brasil agora passa a vestir o mesmo judogui das principais seleções do mundo, como França, Alemanha, Coreia, Cuba, Holanda, Geórgia, Canadá, Eslovênia, Estados Unidos, Hungria, Romênia, Turquia e Israel. Agora todas as seleções de São Paulo vestirão judogui Adidas, e segundo Francisco de Carvalho, presidente paulista, esta padronização das equipes será um divisor de águas no judô brasileiro. “São Paulo sempre sai na frente e acaba ditando os padrões de conduta e administração do judô nacional. Foi assim com os tatamis sintéticos, com as delegacias regionais, com o patrocínio pioneiro que tivemos da Nossa Caixa, que só terminou com a venda do banco estatal, e agora damos o exemplo na questão de apresentação do time paulista. Todos os nossos atletas receberão judoguis e em São Paulo, pelo menos, nenhum atleta da seleção terá de comprar judogui para representar o Estado nas competições nacionais.” Já para Murilo Sabba, diretor comercial da MKS/ Nelson Koh, Francisco de Carvalho e Takeshi Yokoti

Adidas, a expectativa é solidificar ainda mais uma das melhores marcas de judogui do mundo, no maior mercado judoístico do Brasil. “Nossa expectativa com esta parceria é solidificar a marca Adidas no judô paulista. Já temos grande penetração em São Paulo, mas tenho certeza de que nosso investimento aqui repercutirá em todo o País, já que o judô paulista é referência no judô brasileiro”, disse Sabba.

Mudanças darão mais oportunidade e competitividade ao sênior paulista A coordenação técnica da Federação Paulista de Judô mudou as regras da categoria sênior, com o objetivo de criar mais oportunidades para os atletas que queiram disputar esta categoria. Agora o campeão da fase regional vai diretamente para o Campeonato Paulista. As fases estaduais serão divididas em datas e locais diferentes, pré-estabelecidos pela FPJ, e o atleta poderá escolher em qual data e local, lhe convém competir. Os atletas que se classificarem em primeiro, segundo e terceiro lugares estarão automaticamente classificados para o Campeonato Paulista Sênior. Entretanto, só o terceiro colocado que per-

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Dante Kanayama

der para o campeão estará automaticamente classificado. O campeão e vice-campeão do Campeonato Paulistano estarão classificados para competir no Campeonato Paulista. O campeão, vice-campeão e os dois terceiros classificados estarão classificados para o paulista sênior. Já o atleta que for campeão regional ou ficar entre os três primeiros colocados no campeonato estadual não poderá disputar outros estaduais. Isto se estende ao Campeonato Paulistano e à Copa Cidade de São Paulo. Para Alessandro Puglia, coordenador técnico da FPJ, as mudanças aumentarão a competitividade dos atletas. “Instituímos estas mudanças acreditando que elas aumentarão a competitividade dos judocas paulistas. Estamos possibilitando que uma quantidade Odair Borges

Neusa Kobori e Francisco de Carvalho

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Luis Alberto dos Santos

Valdir Melero

maior de atletas possa competir na principal categoria do judô. Todos terão mais competições e chances de classificar, e sem dúvida alguma, isso fará o nível técnico melhorar ainda mais no Campeonato Sênior Paulista”, finalizou Puglia.

Arnaldo Queiroz começou afirmando que a linha de trabalho na área administrativa será mantida, mas dará ênfase à captação de recursos. “Nossa proposta é manter o excelente trabalho desenvolvido pelo professor Wilson Della Santa, e manteremos a equipe atual. Entretanto, vamos inovar e buscar parcerias e apoio na iniciativa privada, para melhorar cada vez mais a qualidade dos campeonatos da delegacia da capital. Esse apoio poderá ser via patrocínio ou via lei de incentivo ao esporte.” Outra prioridade do novo delegado é a aproximação com os grandes clubes. “Outro objetivo é desenvolver mais proximidade com os dirigentes dos principais clubes de São Paulo. É humanamente impossível nos aproximarmos da totalidade de clubes filiados, mas vamos buscar maior aproximação com os técnicos, professores, preparadores físicos,

Arnaldo Queiroz Pereira promete mais investimento e crescimento para São Paulo Arnaldo Queiroz Pereira, o novo delegado da capital, revelou seus planos para o judô da capital paulista. Conhecedor da realidade do judô mundial, Arnaldo fez sua análise sobre o momento do judô brasileiro e fez sugestões para maior crescimento.


diretores de judô e presidentes, dos principais clubes da capital, bem como da FPJ com estas entidades. Nosso objetivo é obter maior entrosamento e aproveitamento destas parcerias que, a meu ver, estão sendo desperdiçadas por ambos os lados. A Federação Paulista precisa participar mais da vida clubística, apoiando os principais eventos destas entidades, para depois trabalhar cada um deles de forma independente e isolada. Comprometo-me a desenvolver um trabalho específico com os clubes e estas parceiras certamente darão maior qualidade aos nossos eventos. Acredito que esta seja a forma mais rápida de crescimento da modalidade”, disse Arnaldo. Ele destacou também a necessidade de aproximação com as entidades sindicais. “Além dos clubes, vamos aproximar-nos de todos os sindicatos e entidades de administração desportiva; com estas parcerias fomentaremos rapidamente maior crescimento do judô da capital.” Queiroz reiterou que sua atuação estará restrita à área administrativa. “Não tenho pretensão de interferir na organização técnica, esportiva ou na arbitragem do judô paulistano. O organograma técnico vai ser o mesmo e continuará sob a direção de Alessandro Puglia. Vou trabalhar exclusivamente na questão político-administrativa e na captação de recursos para a FPJ. Dedicarei minha experiência comercial e profissional ao judô, e espero que tudo se desenvolva da melhor forma possível. Ainda faço parte do conselho do Esporte Clube Pinheiros, e agora vou dividir meu tempo livre com o judô paulista.” O novo delegado da capital analisou o momento atual e fez sugestões para maior

crescimento do judô nacional. “Hoje, o judô brasileiro está entre os melhores do mundo, e o grande destaque dos últimos anos foi a explosão da categoria feminina. Nossas meninas mantêm a equipe cada vez mais sólida, homogênea e temos uma posição muito boa no ranking internacional. Já a equipe masculina marca a cada dia maior presença nos pódios das principais competições, pontuando e conquistando mais espaço no ranking mundial. Minha análise é que temos grande probabilidade de conquistar medalhas nesta Olimpíada. No campo administrativo, acredito que CBJ tenha consolidado o trabalho na área do marketing, mas tem deixado a desejar na questão da massificação de nossa modalidade. Falta também um trabalho mais consistente na área técnica, que hoje é desenvolvida exclusivamente pelos grandes clubes. Vemos muito show e muito marketing, porém, de concreto, nenhum investimento é feito na base e no desenvolvimento técnico da modalidade. Temos a tradição de um judô técnico, mas tudo está sendo nivelado por baixo. Os princípios do judô estão sendo esquecidos, e penso que a saída é associar nossa tradição e os princípios do judô ao business e ao marketing que aí estão”, finalizou o dirigente paulistano.

Copa São Paulo é aberta para todo o Brasile terá a categoria grand máster Criada em 2006 por Alessandro Puglia, coordenador técnico da Federação Paulista de Judô, e instituída por Francisco de Carvalho Filho, presidente da entidade, a Copa São Paulo de Judô está em sua sétima edição e é considerada a maior competição do País. A partir deste ano, será aberta para os judocas do Brasil e deverá bater todos os recordes na participação de atletas e associações. Outra notícia que está sendo muito comentada e comemorada pelos judocas mais experientes é a inclusão da categoria grand máster na Copa São Paulo de Judô. Tida por alguns como a pré-temporada do judô paulista e vista por muitos como um evento decisivo, a Copa São Paulo classifica os campeões do Estado de São Paulo para o Campeonato Brasileiro Regional, o que dá ao certame mais glamour e importância.

Recorde absoluto Na edição de 2011, realizada no Ginásio Municipal de Esportes da Praia Grande, fo-

Anderson Dias

Raul de Mello Senra

Maulzer Paulinetti

Tsutomo Nitsuma

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ram inscritos 1.772 judocas, vindos de 264 associações do Estado. A previsão dos dirigentes é receber este ano cerca de 3 mil atletas. Para Francisco de Carvalho, a escolha da arena é de fundamental importância. “Quando idealizamos a Copa São Paulo, não imaginávamos que a competição atingisse os números que alcançou. E, quando pensamos num evento com a participação de 3 mil atletas, nossa primeira preocupação é com a arena, pois, se não tivermos um espaço suficientemente grande, não faremos a competição nem em uma semana.” O dirigente prevê a participação de mil atletas vindos de outros Estados. “Os judocas paulistas disputarão medalhas e as vagas para o Brasileiro Regional, já os atletas de fora disputarão medalhas e estarão lutando com a elite do Brasil, visando à preparação para o Campeonato Brasileiro Regional de todas as regiões, que se realizarão logo a seguir. Todo e qualquer judoca que pretenda estar no circuito nacional deste ano terá na Copa São Paulo uma grande oportunidade para medir forças com os melhores de suas categorias, e todos serão muito bem-vindos. Faremos de tudo para proporcionar uma excelente estada aos judocas de todo o País, pois tradicionalmente São Paulo recebe todos muito bem”, disse Francisco de Carvalho.

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Mundial Máster no Brasil trará principais atletas da categoria para São Paulo Para Alessandro Puglia, a inclusão do grand máster deverá causar grande aumento de atletas inscritos. “A maior reclamação que ouvimos dos atletas da categoria máster é sobre a falta de competições oficiais na grade de eventos de cada temporada, e foi justamente esta reclamação que nos fez incluir os veteranos na Copa São Paulo. Certamente teremos mais de 600 atletas másteres disputando medalhas.” Segundo Puglia, a realização do Mundial Máster no Brasil trará muitos atletas para São Paulo. “Todos os judocas que participarão do Mundial Máster, que se realiza este ano em Salvador (BA), terão de preparar-se desde o início da temporada. Não há tempo a perder, pois o calendário brasileiro não prevê competições máster no primeiro semestre, e certamente a Copa São Paulo será a pré-temporada desta categoria.” Para o vice-presidente paulista, a qualidade da organização das disputas do máster é o grande desafio. “Quando decidimos incluir o máster na Copa São Paulo, sabíamos da importância desta categoria e do desafio que ela demanda. As entidades de administração têm negligenciado o máster e nós, da FPJ, quere-

mos dar o exemplo. Vamos realizar uma grande competição e criar novo conceito de gestão do judô máster”, finalizou Puglia.


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Federação Paranaense

Realiza Curso de Credenciamento Técnico A Federação Paranaense de Judô realizou curso para credenciamento técnico que contou com a participação de 240 judocas aproximadamente. O evento ocorreu no dia 11 de fevereiro, no auditório do Colégio Marista Pio XII, em Ponta Grossa (PR). Os trabalhos foram iniciados pelo professor Luiz Iwashita, presidente da entidade, que, além do balanço geral de 2011, abordou temas como ranqueamento das entidades filiadas e o projeto Talento Olímpico Top 2016, desenvolvido em parceria com a Secretaria de Esportes do Paraná (Paraná Esporte) com apoio da Companhia Paranaense de Energia (Copel) e da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), que garantirão 19 bolsas para atletas e três bolsas para técnicos do Estado. A seguir, o professor Helder Marcos Faggion, delegado regional, vice-presidente e coordenador da comissão de grau da FPRJ, abordou temas relacionados ao novo regulamento de outorga de faixas. Entre as mudanças estão a denominação das faixas e kyus para as categorias menores, e a carência mínima estabelecida pela CBJ para faixas pretas e kodanshas.

Ponto alto O palestrante seguinte foi o professor foi André Mariano, de Brasília (DF), que mostrou extrema capacidade e conhecimento. Em sua palestra matinal, o kodansha candango, 6º dan, falou sobre Estratégias Metodológicas do Ensino do Judô para Crianças e Adolescentes. Na palestra da tarde, André Mariano, que

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Por Paulo Pinto Fotos Revista budô


além de árbitro FIJ A é vice-presidente da FEMEJU (DF), falou sobre Dinâmicas Lúdicas Para o Ensino do Judô. André Mariano mostrou excelente performance e sem dúvida alguma foi o ponto alto do credenciamento técnico promovido pela FPRJ. O palestrante seguinte foi o professor Edilson Hobold, faixa preta 5º dan, que é coordenador estadual de arbitragem. Hobold abordou temas diversos relacionados a arbitragem. A última palestra, sobre rendimento, ficou a cargo dos professores José Lemanczuk Júnior, coordenador estadual de rendimento, e dos técnicos Tullius Dallagassa, Alan Vieira e Washington Toshihiro Donomai.

Avaliação extremamente positiva Para Luiz Iwashita, presidente da FPRJ, o curso atendeu aos propósitos de entidade. “Na verdade este curso teve caráter obrigatório para todos que pretendem atuar como técnicos em nossos eventos. Sua finalidade foi proporcionar aos praticantes de judô, especialmente aqueles que ministram ou pretendem ministrar aulas, os conhecimentos gerais que julgamos importantes para esta atividade, e tenho a certeza de que atingimos estes objetivos.” Iwashita destacou que o credenciamento técnico deste ano superou todas as expectativas. “Tivemos duas grandes surpresas aqui. A primeira foi a presença recorde de técnicos e praticantes, e esta presença maciça nos deixou muito felizes. A segunda grande surpresa foram as excelentes palestras feitas pelo professor André Mariano, que mostrou aspectos e valores implícitos em nosso dia a dia, que raramente são destacados e valorizados da forma como ele mostrou. Sabemos que o judô é muito mais do que vitórias e medalhas, e o sensei André pontuou aspectos importantíssimos de nossa modalidade”, finalizou o dirigente paranaense. André Mariano agradeceu a oportunidade oferecida pelos dirigentes paranaenses. “Antes de tudo quero agradecer à diretoria da FPRJ, que proporcionou este grande momento para

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todos nós. Para mim foi uma honra estar no Estado do Paraná, um dos principais núcleos do judô brasileiro, dividindo um pouco do que sei com professores, técnicos e judocas de todo o Estado”. Sobre a avaliação de sua palestra, André afirmou que atingiu os objetivos traçados. “Creio que atingi a meta traçada por mim e pela diretoria da FPRJ. Nossa proposta era dar uma chacoalhada nos técnicos que priorizam muito os aspectos técnicos do judô e deixam de olhar com maior atenção para a questão da formação. A maioria dos professores se esquece de que é justamente por meio de uma boa formação que atingimos a excelência técnica.” Para o kodansha candango, o número de participantes foi surpreendente. “Não imaginava deparar-me com quase 250 judocas numa mesma palestra e isso me deixou muito feliz. Tivemos pessoas em pé e outras sentadas nos degraus do auditório do Colégio Marista, que estava repleto. Entretanto, o que mais me impressionou foi o comportamento e a dis-

Professores José Luiz Lemanczuk e Luiz Iwashita

O Prof. André Mariano fez uma excelente palestra no Paraná

Helder Faggion

André Mariano, Lauro Azuma e Vitor César Moreira

Luiz Iwashita, André Mariano e o anfitrião Lauro Azuma

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Palestrantes e dirigentes


ciplina das pessoas que aqui estavam buscando vivenciar um enfoque diferenciado sobre o judô.” Sobre a questão da postura e comportamento dos judocas paranaenses, André Mariano reconhece a relação deles com a origem de um judô desenvolvido pelos imigrantes que chegaram ao Estado, nos anos 1930. “Aqui confirmei tudo aquilo que sabia sobre o judô e os judocas paranaenses. Uma gente extremamente educada e gentil, que trata as pessoas com sutileza. Um comportamento ideal para judocas de todas as faixas etárias e graduação. Mas não tenho dúvida de que tudo que vivenciei aqui está intrinsecamente ligado à origem do judô paranaense, que é eminentemente japonesa. E o Brasil como um todo tem de ter isso como base. Temos de reverenciar os professores mais antigos e espelhar-nos neles.”

Vitor César Moreira

Luiz Iwashita

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Por Paulo Pinto Fotos Revista budô

Vila Sônia A Meca do kata no Brasil

Fundada em 18 de junho de 1958, a Associação de Judô Vila Sônia tornou-se uma das escolas mais fortes do judô verde-amarelo. A partir de 2001, porém, a tradicional escola paulistana passou a focar também o ensino e o aperfeiçoamento do kata, que hoje faz parte de todas as competições máster. Conheça como surgiu este trabalho que hoje é referência no País. 80


No dojô construído na Rua Manuel Jacinto, Zona Oeste da capital paulista, surgiram várias gerações de judocas que escreveram seus nomes entre os principais lutadores do Brasil e do mundo. Entre eles destacamos Jun Shinohara, Aurélio Miguel, Carlos Honorato, Newton Miyassato, Nelson Onmura, Elton Fiebig, Luís Onmura e Cristiane Parmigiano. Desde 2001, a tradicional escola paulistana passou a focar também o treinamento e desenvolvimento do kata, quando um grupo de professores passou a reunir-se com esse objetivo. Todas as sextas-feiras o grupo composto por kodanshas e faixas pretas reúne-se visando o aprimoramento técnico do maior pilar do judô, o kata. Entre estes figuram nomes conhecidos internacionalmente, como os pentacampeões mundiais Luís Alberto, 6º Dan, e Rioiti Uchida, 6º dan. À frente de tudo está Massao Shinohara, uma lenda viva dos tatamis nas Américas. Um kodansha 9º dan que dedicou sua vida ao judô. Nascido em 7 de dezembro de 1924, em Presidente Prudente (SP), até a presente data Massao é o professor brasileiro que possui a maior quantidade de medalhas internacionais. Em sua coleção de títulos constam ouro, prata e bronze olímpicos, além das inúmeras medalhas em mundiais, pan-americanas e demais competições. Já formou mais de 200 judocas faixas pretas, e hoje sensei Massao dedica-se também ao desenvolvimento do kata e à valorização dos fundamentos do judô. Completam o grupo grandes nomes do judô paulista, como Dante Kanayama, 8º dan; Wilson Della Santa, 6º dan; Hisato Yamamoto, 7º dan; Belmiro Boaventura, 7º dan; Massanori Yanaguimori, 7º dan; Giro Aoyama, 6º dan; Antônio Honorato de Jesus, 6º dan; Roberto Dutkiewcz, 4º dan; Eduardo Tadai, 4º dan; Leonardo Yamada, 4º dan; Vinicius Erchov, 4º dan; Caio Kanayama, 2º dan; e Fernando Ykeda, 1º dan.

Para saber como surgiu este grupo que trabalha exclusivamente pelo desenvolvimento do kata, entrevistamos os senseis Dante Kanayama e Rioiti Uchida, que explicaram como tudo começou e quais são os propósitos do trabalho desenvolvido por eles.

Como surgiu este grupo?

Este grupo começou com os professores Massao, Yoshida e Sumiu Tsujimoto. Depois eles foram convidando outros professores, e isso já leva 12 anos.

Quais são a proposta e os objetivos de vocês?

Na verdade, cada judoca que vem aqui tem um objetivo diferente. Uns vêm aprender e outros vêm aperfeiçoar o que sabem. Mas a proposta do nosso grupo é desenvolver e treinar kata.

Quem são os responsáveis pelo trabalho?

O responsável por tudo é o sensei Massao Shinohara, já na coordenação técnica tivemos por quase dez anos o professor Mário Matsuda, que esteve à frente de tudo. Devido a problemas de saúde, infelizmente ele teve de parar. Depois passamos a contar com a coordenação dos professores Luís Alberto e Uchida.

Existe alguma relação entre este grupo e o trabalho que é desenvolvido no CAT?

Não. A única relação existente é que o trabalho no CAT é coordenado pelos professores Luís Alberto e Wilson Della Santa, que também fazem parte deste grupo.

Quem foi o precursor do kata em São Paulo?

O sensei Yoshio Kihara, 8º dan, da academia do Parque Dom Pedro I. Ele veio do Japão e for-

mou vários alunos de kata, entre os quais destacamos os professores Mário Matsuda e Miguel Suganuma. Houve outro percussor do kata em São Paulo, o professor Kameo Otagaki.

Quando o professor Kihara veio para o Brasil?

O professor Kihara migrou para o Brasil nos anos 60, e deu o primeiro curso de kata no Clube de Regatas Tietê, que teve a presença de vários professores do Estado de São Paulo.

Na prática, quem fez a transmissão do kata a vocês?

Tivemos os grandes professores Yoshio Kihara, Miguel Suganuma, Kameo Otagaki e o sensei Mário Matsuda, que por meio de um trabalho extremamente significativo transmitiu muita coisa para nossa geração. Foi o sensei Matsuda que fez a importante transmissão de tudo que aprendeu com sensei Kihara.

Qual a relação do kata com o shiai?

O kata é a essência do judô. Com ele treinamos a parte técnica, sem a movimentação rápida, mas no kata temos a demonstração de todos os fundamentos técnicos do judô. Do equilíbrio à puxada e à projeção. O kata é a cartilha do judô. Nele está o ABCD e a essência do Judô.

O kata também possui alguma relação com o ne-waza?

Claro, tudo no judô passa pelo kata. O katame no kata mostra os fundamentos do domínio no solo. É muito interessante porque o atleta às vezes acaba negligenciando a questão dos fundamentos. É algo chato de ser treinado, mas na hora do shiai um pequeno fundamento faz muita diferença. Quem entende de kata vê um pedaço de uma luta e já sabe quem conhece ou não os fundamentos do judô.

Alguns dos professores que fazem o treinamento na Vila Sônia

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Sensei Massao com dona Inêz que calorosamente recepciona os participantes e visitantes na Vila Sônia

O treino de vocês é aberto?

Nosso treino é aberto e para participar é preciso apenas ter a aprovação do sensei Massao.

É pago?

Não. Fazemos apenas uma contribuição, pois almoçamos aqui e colaboramos nas despesas.

Vocês formam judocas no kata ou apenas lapidam aqueles que já treinam?

Formamos e aperfeiçoamos. Recebemos judocas de todas as partes e muitos não sabem absolutamente nada sobre kata.

Sensei Rioti Uchida

Como assim de todas as partes?

Porque aqui vem gente de vários países. Hoje mesmo temos duas estrangeiras treinando.

Os treinos são esporádicos?

Treinamos religiosamente todas as sextas-feiras. Se não praticarmos exaustivamente o que treinamos hoje, tudo é esquecido rapidamente. O judô é prática, e quem não praticar não aprende. Tem de vestir o kimono, subir no tatami, ralar e suar, caso contrário não se aprende nada.

Porque o kata teve projeção só nas últimas décadas?

Acho que isso acompanhou a própria evolução do judô. Achamos que nossa modalidade estava perdendo muito de suas características, principalmente na questão filosófica, e achamos que por meio da prática do kata resgatamos muito da origem do judô. Foram criados campeonatos de kata, que deram grande incentivo à prática. Hoje temos campeonatos mundiais, pan-americanos, brasileiros, e isso ajudou no desenvolvimento e na difusão do kata.

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Qual é a maior legenda do kata no Brasil?

Para nós, o maior conhecedor do kata do Brasil é o professor Mário Matsuda. Ele é conhecedor de kata e de judô como um todo. Da filosofia à formação. Ele não só prega ou fala. Ele pratica judô. Uma coisa é falar e outra é praticar e viver judô 24 horas por dia. E o sensei Matsuda é assim.

Onde há kata forte fora o Brasil?

Alguns países dão muita ênfase ao kata, entre os quais citamos Japão, Espanha, Itália, Holanda e Irã, onde fazem kata de altíssimo nível.

São Paulo é o maior centro de kata?

Sim. Depois temos o Rio de Janeiro e agora no Rio Grande do Sul começa a surgir uma geração muito boa.

Já houve gente de fora ensinando kata no Brasil?

Sim, ao longo da história recebemos alguns professores que mostraram um kata excelente, entre os quais o professor Osako, do Japão, medalha de bronze em Seul. Ele esteve aqui ensinando kata. Veio também o professor Doba, campeão da polícia do Japão, que aqui esteve ensinando kata a um grupo de judocas. Aprendemos muito com grandes competidores de shiai, que também faziam kata, e o sensei Ishii é um exemplo. Quem cuida do kata no Japão hoje é o professor Toshiro Daigo, um grande campeão de shiai no passado.

Dante Kanayama


Os Kodanshas Massao e Dante com o saudoso Kodansha Della Santa

A CBJ propaga ou incentiva de alguma forma a prática do kata?

Não faz absolutamente nada. Promoveu apenas um curso para todos os Estados e agora cada federação desenvolve seu próprio kata.

A FPJ só realiza o curso de quarta-feira?

Não. A FPJ também promove cursos de kata específicos para quem vai fazer exame de faixa. Além disso, a FPJ realiza cursos de kata para as delegacias regionais.

O que poderia ser feito para massificar ainda mais o kata?

Aumentando o número de competições e modificando alguma coisa na questão da premiação, estaríamos promovendo uma massificação do kata. Precisamos também conscientizar

Luiz Alberto marca presença constante na Vila Sônia

os professores sobre a importância do ensino e da prática de kata para os jovens. Precisamos convencer os professores de que o kata é fundamental no desenvolvimento técnico do judô. É a alma do judô. Os professores só pensam nos campeonatos e deixam de lado o mais importante, que é o kata. Por meio dele o judô vem-se mantendo uniforme há mais de um século, em toda parte do mundo, porque existe um cerne, uma coisa central, que é justamente o kata, que foi idealizado pelo sensei Jigoro Kano.

Qual é o principal objetivo do treinamento feito aqui?

Depois de Jigoro Kano ninguém introduziu nada de novo no judô?

Para nós são os professores Luís Alberto e Rioti Uchida, mas está surgindo uma nova geração de judocas muito bons.

Houve algumas modificações no kata e no gokyo, que são as séries de cinco técnicas do judô, que estão sendo modernizadas aos poucos. Mas na essência nada foi mudado.

Treinamos kata para nosso aperfeiçoamento pessoal como seres humanos. Não treinamos kata para fazer exame de graduação ou ganhar um campeonato. Estas coisas estão implícitas no treinamento, mas nosso principal objetivo na prática do kata é nos aperfeiçoarmos como pessoas. O kata tem ficado sempre em segundo plano, e isso precisa ser revisto.

Quais são as maiores referências do kata no Brasil atualmente?

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Nas fotos acima os senseis Luiz Alberto, Delmiro Ventura, Antônio Honorato e Della Santa transmitem ensinamentos de Kata

Professores falam sobre a importância do treino da Vila Sônia Para o sensei Massao Shinohara, o kata é a base de tudo. “Acho muito importante que todos os kodanshas saibam kata, que é a base do judô. Convidei os professores para treinarem e fico muito feliz com nosso trabalho poder ajudar no desenvolvimento técnico do judô.” Massao destacou que o grupo faz a transmissão do kata que veio do Japão. “Tudo que fazemos aqui também é transmitido a outros professores, e isso acaba chegando aos judocas de todo o País. Treinamos aqui para depois fazermos a devida transmissão do kata que veio do Japão. No início éramos apenas os senseis

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Yoshida, Sumiu Tsujimoto e eu. Hoje, muitos professores treinam aqui e passam adiante tudo que vivenciam.” Sensei Shinohara falou da importância do trabalho feito em sua escola. “Sinto muito orgulho por estar somando no crescimento do judô. Quando estes professores começam a chegar às sextas-feiras, fico muito feliz. Acho que todo mundo tem de fazer algo pelo coletivo e pelo próximo. Temos de sacrificar-nos pelo bem comum, e aqui todos vêm somar pelo desenvolvimento do kata, que é a base teórica do judô.” Wilson Della Santa lembrou que a graduação deve ocorrer junto com a obtenção do conhecimento. “Colaboro nos treinos aqui desde 2001, e minha participação só me trouxe benefícios. O judô é muito intenso e temos sempre muito que aprender, e aqui aprendi muitas coisas que permitem que hoje carregue meu 6º dan com a cabeça erguida. Temos de ter conhecimento, e a graduação deve vir junto com ele. Não adianta termos apenas a graduação. Os pilares aqui são os professores Dante, Uchida e Luís Alberto. Com eles pude aprender muito do que passamos nos treinos do CAT, nos quais divido a responsabilidade de tocar o treinamento com os professores Luís Alberto, Alcides, Takeshi Nitsuma e Ricardo Kitadai. Sou muito grato aos professores Massao Shinohara e Mário Matsuda, que infelizmente ficou doente e teve de afastar-se. Ele não era apenas um pilar aqui, ele era a essência de tudo. Uma pessoa muito competente e com enorme capacidade didática.” Massanori Yanagimori destacou que o aprendizado do judô é para a vida toda. “Frequento a Vila Sônia para aprimorar meu kata. Antes nunca dei grande importância aos katas, mas felizmente entendi a importância deles na evolução técnica de um judoca. Venho aqui há cinco anos e aprendi muito com os nossos amigos. O que se aprende no judô é para a vida toda, e todos os judocas deveriam aprender kata. Tudo que aprendo aqui transmito aos meus alunos, e sei que muitos deles farão o mesmo no futuro.” Belmiro Boaventura enfatizou a importância do kata na arbitragem. “Hoje atuo apenas na arbitragem e venho aqui para aperfeiçoar meu kata. De certa forma, sou novo no grupo. Como sempre competi no shiai, quando ouvia falar de

kata eu corria. Hoje temos competição de kata, que também é muito usado nos exames de graduação. Saber kata é fundamental para um árbitro que pretenda ser completo e possa atuar em todas as competições. Felizmente aprendi muito aqui, e agradeço muito ao grupo por tudo que me proporcionou.” Hisato Yamamoto lembrou que o trabalho na Vila Sônia fortalece muito o judô de São Paulo. “O trabalho que desenvolvemos aqui repercute positivamente no judô paulista, e aumenta a qualidade do judô praticado em nosso Estado. Tudo que desenvolvemos aqui é levado para os treinos feitos no CAT. Graças ao sensei Massao Shinohara, fazemos esse trabalho há mais de 11 anos, e felizmente nesse período todos nós evoluímos muito.” Para Antônio Honorato, a prática constante é fundamental. “Na verdade, venho aprender e aprimorar ainda mais meus katas. Hoje atuo mais na arbitragem, em que é fundamental saber kata. Venho absorver o máximo que posso com os senseis Massao, Luís Alberto e Uchida. Aprendemos kata no passado, mas com a falta da pr��tica acabamos esquecendo tudo. Aqui lentamente vamos absorvendo e reaprendendo com nossos colegas.” Luís Alberto dos Santos destacou que Mário Matsuda será sempre um marco no kata brasileiro. “Sempre achei a iniciativa do professor Shinohara fantástica, e sinto-me privilegiado por participar deste grupo. Fomos nós que trouxemos o sensei Matsuda para cá, e aquele foi um período fantástico de evolução para todos que aqui estavam. Eu e o professor Uchida estamos desde o início aqui. São dez anos de empenho e dedicação, crescendo junto com o grupo. Cada um dentro das suas possibilidades e objetivos. Tem sido um privilégio participar e contribuir no desenvolvimento do kata no Brasil. Fui treinado aqui pelo sensei Mário Matsuda, assim como o professor Uchida. Nossa dupla foi lapidada por ele, que, mesmo quando voltávamos de competições mundiais carregando títulos na bagagem, nos corrigia e melhorava nosso kata. Devido a sua complexidade, a parte técnica do kata requer uma evolução constante. Compreender essa parte e ter habilidade corporal para executar os katas é muito difícil e demanda compreensão

Leon


dos fundamentos técnicos. É preciso ensinar o corpo a reagir de acordo com a situação. É um aprendizado eterno, e aqui conseguimos manter esse tipo de treinamento.” Giro Oyama lembrou que teve de treinar kata na marra. “Participo dos treinos da Vila Sônia há mais de oito anos e, como conhecia o sensei Shinohara há muitos anos, ele não me convidou, me intimou. Tive de vir na marra, mas foi a melhor decisão. Passei a frequentar os treinos e descobri que quanto mais se treina e estuda o kata, mais se aprende. Na verdade, todos que buscam aprofundar-se nas técnicas do judô têm de estudar os katas. Na medida em que nos aprofundamos no kata, nos aprofundamos no gokiô. Infelizmente, quando os técnicos e professores valorizam demais a competição este lado fica totalmente esquecido.” Roberto Dutkiewcz afirmou que o kata está acima da graduação. “Fui competidor e árbitro, mas percebi que me faltava o mais importante, o kata. Tudo passa pelo kata, que na realidade é o espírito do judô, e sabia que esta era minha maior deficiência. Nunca me importei com a graduação, mas ficava preocupado por não desenvolver os fundamentos do judô. Felizmente, aos poucos Leonardo Yamada e Caio Kanayama em ação

fui vencendo minhas limitações. Com calma e com a ajuda de todos fui aprendendo, e sei que ainda vou fazer todos os katas. O pessoal aqui é uma família e tenho certeza de que vou atingir meus objetivos.” Eduardo Tadai disse que por meio do estudo do kata se evolui tecnicamente no judô. “Fui convidado a participar do treinamento dos katas, e descobri que esta é a melhor forma para estudar e conhecer o judô. Nos últimos cinco anos aprendi muita coisa, mas tenho certeza de que tenho muito a aprender ainda. Recomendo este treinamento a todos aqueles que têm oportunidade e tempo de vir aqui às sextas-feiras. Trabalho em várias escolas e para mim é fundamental estar nesse grupo. Aprendo muito e transmito o que vejo aqui para meus alunos.” Para Leonardo Yamada, o judô é uma terapia. “Desde 2002 era convidado para vir treinar kata pelo sensei Shinohara, mas só comecei a participar efetivamente a partir de 2009. Penso que aqui está o berço do kata no Brasil. Não existe nada similar e estou aprendendo muito. Vim para aperfeiçoar o que já sabia, mas confesso que a cada treino acabamos aprendendo e agregando mais conhecimento. Quero seguir

em frente porque, como representante da 10ª Delegacia Regional, pretendo introduzir treinos de kata na região de Mogi e Suzano. Quero agradecer ao professor Shinohara e a todos os professores que aqui estão, com muita boa vontade e paciência, transmitindo a todos nós tudo que sabem sobre os katas. Além de ser um grande alento, acabamos aprendendo com muito mais prazer. O judô para mim é uma terapia. Quando estou aqui deixo os problemas do cotidiano do lado de fora do dojô.” Caio Kanayama destacou que o treinamento de kata é primordial. “Iniciei meu treinamento aqui no final de 2010, visando aos exames de graduação. Depois decidi continuar porque aqui a gente aprende muito, e porque meu parceiro de competição também frequenta o treino. Acho que o desenvolvimento no kata é primordial na vida de um judoca que busca evolução, e, por tudo que aprendi aqui, afirmo que está valendo à pena.” Fernando Ykeda, o faixa preta mais jovem do grupo, entende que o kata é fundamental na formação de um judoca. “Sou aluno da Vila Sônia, mas treino com este grupo porque entendo que o kata é fundamental para o desenvolvimento técnico de um judoca. Treino kata desde o fim de 2008, e já aprendi muito nesse período. O mais importante para mim aqui é a dedicação e boa vontade dos professores. Eles estão sempre dispostos a ajudar a todos com muita paciência, humildade e a sabedoria que adquiriram ao longo de suas vidas.”

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Arrebentam no Grand Slam de Paris Fotos Paco Lozano/Budô

Os três brasileiros fizeram a final de suas categorias no Grand Slam de Paris e carimbaram seus passaportes para Londres!

Os três brasileiros fizeram a final de suas categorias no Grand Slam de Paris e carimbaram seus passaportes para Londres! A brasileira Sarah Menezes conquistou no dia 4 de fevereiro a medalha de prata no Grand Slam de Paris. Sarah sofreu duas punições (yuko) na final contra a japonesa Tomoko Fukumi.

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Com a medalha de prata Sarah acumula mais 180 pontos no ranking mundial e olímpico. Bastante confortável na terceira colocação da lista, a brasileira chega à sua quinta medalha em grand slams. Sarah foi bronze nos torneios do Rio de Janeiro 2009, de Tóquio 2010 e de Paris 2011. Já em 2011 foi prata no Grand Slam do Rio de Janeiro.

Para chegar à prata, Sarah Menezes venceu quatro lutas. Na primeira rodada, a brasileira bateu por ippon a americana Ann Shiraishi. Na segunda rodada, vitória por yuko sobre a portuguesa Ana Hormigo. Nas quartas de final, Sarah venceu a sul-coreana Jung-Yeon Chung por ippon. Na semifinal, conquistou a vitória por yuko, no golden score, sobre a campeã olímpica Alina Dumitru.


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No segundo dia de competição o Brasil chegou ao degrau mais alto do pódio com a gaúcha Mayra Aguiar (78 kg), que conquistou a medalha de ouro no tradicional evento francês, que foi o último grand slam antes do encerramento da janela de classificação para as Olimpíadas de Londres 2012, programadas para 30 de abril. O ouro de Mayra veio com vitória por yuko sobre a americana Kayla Harrison, campeã mundial de 2010. Na semifinal, a brasileira venceu a atual campeã mundial Audrey Tcheumeo. Mas o domingo reservava ainda outra grande surpresa para o judô verde e amarelo, que viu Rafael Silva (+100 kg), fazer a final de sua categoria com Teddy Riner, o maior ídolo do judô francês da atualidade. Entretanto, o gigante brasileiro caiu diante da muralha francesa, e Rafael trouxe mais uma prata para o Brasil. Com a medalha de ouro, Mayra Aguiar conquista mais 300 pontos no ranking olímpico e mundial. Já a prata garante 180 pontos para Rafael Silva.

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Sarah Menezes, Mayra Aguiar e Rafael Silva conquistaram seu segundo pódio consecutivo em 2012. Os três atletas foram medalhistas no World Masters, evento que reuniu os 16 judocas mais bem colocados no ranking mundial em janeiro. Para ficar com a medalha de ouro, Mayra Aguiar fez quatro lutas pela fase classificatória. Na estreia, venceu a francesa Marjorie Ulrich por yuko. Nas lutas seguintes, Mayra despachou todas as atletas por ippon, com vitórias sobre Riuka Sato ( JPN), Luise Malzahn (GER) e Audrey Tcheumeo (FRA), atual campeã mundial e vice-líder do ranking. Rafael Silva também lutou quatro vezes antes da final. Na primeira rodada, venceu Batsuuri Namsraijav, da Mongólia, por wazari. Na rodada seguinte, outro wazari, desta vez sobre o francês Matthieu Bataille. Nas quartas de final, Rafael superou o esloveno Matjaz Ceraj por wazari e, na semifinal, ippon no coreano Sung-Min Kim.

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A medalha de ouro de Mayra Aguiar foi conquistada quando restavam apenas 33 segundos para o fim da luta. Com o ouro deste domingo, Mayra é a primeira brasileira a vencer o Grand Slam de Paris. Há 12 anos, Edinanci Silva conquistou o ouro no Torneio de Paris, que a partir de 2009 passou a ser considerado grand slam, com a criação do circuito mundial pela Federação Internacional de Judô. Entre os homens, Leandro Guilheiro (81 kg) foi ouro no Grand Slam de Paris em 2010. Com o resultado, o Brasil encerrou sua participação no Grand Slam de Paris com três medalhas, sendo um ouro e duas pratas. No total, 584 judocas de 94 países participaram da competição, e o Brasil ficou na quinta colocação no quadro geral de medalhas, atrás de Japão, França, Mongólia e Uzbequistão. Esta foi a nona vez que Mayra Aguiar e Kayla Harrison se enfrentaram. No confronto direito o placar está 5 a 4 para a norte-americana.

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Desempenho dos demais brasileiros Na categoria até 90 kg, em que a disputa é acirradíssima entre Tiago Camilo e Hugo Pessanha, os dois acabaram derrotados na segunda rodada. Tiago Camilo venceu na primeira luta Chingiz Mamedov (KGZ), mas foi eliminado na rodada seguinte por Robby Van Laarhoven (NED). Hugo Pessanha bateu na primeira luta Valentin Radu (ROU), por ippon, mas perdeu por wazari para Dae-Nam Song (KOR). No 100 kg, outro peso em que a luta pela vaga olímpica é bastante disputada, Luciano Corrêa e Leonardo Leite, no meio-pesado, também não avançaram na competição. Luciano superou por ippon Jason Koster, da Nova Zelândia, mas depois perdeu por ippon para Ramziddin Sayidov, do Uzbequistão. Já Leonardo Leite perdeu por ippon para Mael Le Normand, da França. No peso pesado, Daniel Hernandes (+100 kg) foi vencido na estreia por wazari pelo francês Matthieu Thorel. Felipe Kitadai (60 kg) foi superado em sua primeira luta pelo russo Robert Mshvidobadze. Leandro Cunha (66 kg) venceu na estreia Alex Amoako, de Gana, por ippon, porém, na fase seguinte, caiu por ippon para Sergey Lim, do Kazaquistão. Erika Miranda (52 kg) ganhou da indiana Kalpana Thoudam por ippon, mas perdeu na segunda rodada para a cubana Yanet Bermoy, medalhista olímpica, por wazari. Ketleyn Quadros (57 kg), bronze em Pequim 2008, foi vencida por yuko pela chinesa Hui Wang.

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Pódio

Masculino 60kg masculino

-

Rishod Sobirov - UZB Won Jin Kim - KOR Jin-Min Jang - KOR Amiran Papinashvili - GEO Hovhannes Davtyan - ARM Tobias Englmaier - GER Robert Mshvidobadze - RUS Ilgar Mushkiyev - AZE

66kg

1º - David Larose - FRA 2º - Jun-Ho Cho - KOR 3º - Tsagaanbaatar Khashbaatar - MGL 3º - Sergey Lim - KAZ 5º - Kamal Khan-magomedov - RUS 5º - Tomasz Kowalski - POL 5º - Colin Oates - GBR 5º - Golan Pollack - ISR

73kg

1º 2º 3º 3º 5º 5º 5º 5º

-

Nyam-Ochir Sainjargal - MGL Christopher Voelk - GER Gilles Bonhomme - FRA Zelimkhan Ozdoev - RUS Nicholas Delpopolo - USA Odbayar Ganbaatar - MGL Rinat Ibragimov - KAZ Mirali Sharipov - UZB

81kg

1º 2º 3º 3º 5º 5º 5º 5º

-

Ole Bischof - GER Antonio Ciano - ITA Keita Nagashima - JPN Sergiu Toma - MDA Islam Bozbayev - KAZ Yuki Haruyama - JPN Tomislav Marijanovic - CRO Artem Vasylenko - UKR

90kg

1º 2º 3º 3º 5º 5º 5º 5º

-

Dilshod Choriev - UZB Roman Gontiuk - UKR Kirill Denisov - RUS Asley Gonzalez - CUB Varlam Liparteliani - GEO Elkhan Mammadov - AZE Dae-Nam Song - KOR Robby Van Laarhoven - NED

100kg

1º 2º 3º 3º 5º 5º 5º 5º

-

Tuvshinbayar Naidan - MGL Jevgenijs Borodavko - LAT Temuulen Battulga - MGL Ramziddin Sayidov - UZB Henk Grol - NED Ryunosuke Haga - JPN Hee-Tae Hwang - KOR Cyrille Maret - FRA

+100kg

1º 2º 3º 3º 5º 5º 5º 5º

-

Teddy Riner - FRA Rafael Silva - BRA Sung-Min Kim - KOR Abdullo Tangriev - UZB Jean-Sebastien Bonvoisin - FRA Matjaz Ceraj - SLO Matthieu Thorel - FRA Janusz Wojnarowicz - POL

masculino

masculino

masculino

masculino

masculino

masculino 12

1º 2º 3º 3º 5º 5º 5º 5º

Rafael Silva


Pódio

Feminino

Mayra Aguiar

48kg

1º 2º 3º 3º 5º 5º 5º 5º

-

Tomoko Fukumi - JPN Sarah Menezes - BRA Alina Dumitru - ROU Urantsetseg Munkhbat - MGL Jung-Yeon Chung - KOR Eva Csernoviczki - HUN Bo Kyeong Jeong - KOR Laetitia Payet, -FRA

52kg

1º 2º 3º 3º 5º 5º 5º 5º

-

Yuka Nishida - JPN Bundmaa Munkhbaatar - MGL Yanet Bermoy Acosta - CUB Ana Carrascosa - ESP Laura Gomez - ESP Soraya Haddad - ALG Majlinda Kelmendi - IJF Natalia Kuziutina - RUS

57kg

1º 2º 3º 3º 5º 5º 5º 5º

-

Telma Monteiro - POR Aiko Sato - JPN Marti Malloy - USA Automne Pavia - FRA Sarah Loko - FRA Miryam Roper - GER Hui Wang - CHN Irina Zabludina - RUS

63kg

1º 2º 3º 3º 5º 5º 5º 5º

-

Miki Tanaka - JPN Da-Woon Joung - KOR Alice Schlesinger - ISR Elisabeth Willeboordse - NED Kana Abe - JPN Maelle Di Cintio - FRA Marijana Miskovic - CRO Munkhzaya Tsedevsuren - MGL

70kg

1º 2º 3º 3º 5º 5º 5º 5º

-

Haruka Tachimoto - JPN Lucie Decosse - FRA Ye-Sul Hwang - KOR Yoriko Kunihara - JPN Cecilia Blanco, ESP Fei Chen - CHN Houda Miled - TUN Asmaa Niang - MAR

78kg

1º 2º 3º 3º 5º 5º 5º 5º

-

Mayra Aguiar - BRA Kayla Harrison - USA Akari Ogata - JPN Audrey Tcheumeo - FRA Lucie Louette - FRA Luise Malzahn - GER Stephanie Possamai - FRA Marhinde Verkerk - NED

+78kg

1º 2º 3º 3º 5º 5º 5º 5º

- Megumi Tachimoto - JPN - Elena Ivashchenko - RUS - Anne-Sophie Mondiere - FRA -Idalys Ortiz - CUB - Sarah Adlington - GBR - Karina Bryant - GBR - Iryna Kindzerska - UKR - Urszula Sadkowska - POL

feminino feminino feminino feminino feminino feminino feminino

Sarah Menezes

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1º Copa Adidas

Agita o Karatê do DF Por Paulo Pinto

Brasília (DF) – A 1ª Copa Adidas de Karatê agitou a modalidade no Distrito Federal, onde 400 atletas participaram da competição e disputaram a premiação em dinheiro oferecida aos campeões feminino e masculino, da categoria open. A competição, que se realizou na Associação Atlética Banco do Brasil, no dia 10 de dezembro, teve o apoio da Secretaria de Esportes do Distrito Federal e foi viabilizada pela parceria entre a MKS Adidas e a CMK. O certame teve o importante apoio da Federação Candanga de Karatê, e do empenho pessoal de Abdias Cordeiro, presidente da entidade. O nível técnico foi excelente e a competição teve a participação de atletas renomados internacionalmente, entre os quais Wellington Barbosa, medalhista nos Jogos Pan-Americanos de Guadalajara; Carlos Lourenço, medalhista nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro; e Dekker Jordão, medalhista nos Jogos Pan-Africanos. A competição, que abrangeu todas as categorias do infantil ao adulto, ofereceu oportunidade para os jovens atletas de vários projetos sociais participarem de um evento de grande magnitude, no qual puderam ver seus ídolos em ação. No dia 9 e de dezembro foi ministrada uma clínica para todos os atletas inscritos na competição que atraiu karatecas dos principais clubes, associações e projetos sociais do Distrito Federal. Caio Márcio, organizador e promotor da competição, destacou que só o esporte tem o poder de agregar pessoas de todos os segmentos e níveis sociais. “Fico feliz por termos tido a participação maciça de associações de Brasília, já na primeira edição da Copa Adidas de Karatê. Só o esporte tem capacidade de unir centenas de pessoas de diferentes níveis sociais num mesmo evento. No

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momento em que estamos no shiai, somos todos iguais.” Atletas e professores elogiaram o evento, que promete agitar anualmente o calendário do karatê candango. Wellington Barbosa, medalhista de bronze nos Jogos Pan-Americanos de 2011, destacou a importância cada vez maior da realização de competições. “Acho que esta parceria entre a CMK e a Adidas é importantíssima, pois, independentemente de ser uma marca muito forte no esporte, a Adidas está agregando mais uma competição ao DF. Esperamos que o evento fique cada vez mais forte e que no futuro atraia atletas de todo o País.” Os campeões do open masculino e feminino foram Wellington Barbosa e Rayane Lopes. Outros atletas patrocinados pela parceria MKS Adidas e CMK se destacaram na competição. Elaine Peres, campeã do ------- ; Alisson Sobrinho, campeão do ------- ; Osias Gleydson, campeão do ------- ; Carlos Lourenço, bronze no open. Nas categorias de base o destaque foi Amanda Martins, campeã brasileira de kata, que confirmou o favoritismo, sagrando-se campeã de kata da Copa Adidas. Para Caio Márcio, a competição atingiu todos os objetivos traçados e promete crescer nas próximas temporadas. “O evento apresentou um nível técnico muito bom e no geral tudo correu dentro daquilo que havíamos projetado. Tivemos o importante apoio da Secretaria de Esportes do Distrito Federal, e a imprensa teve uma presença marcante. O Globo Esporte transmitiu algumas lutas do Wellington Barbosa; o SBT fez a cobertura do torneio e o Jornal de Brasília fez uma cobertura excelente.”

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Mato Grosso do Sul

Por Paulo Pinto Fotos Revista Budô/ Arquivo

Cria uma geração de campeãs Entrevistamos Igor Costa da Rocha, o jovem técnico que está fazendo excelente trabalho na prospecção de talentos e criação de uma geração de campeãs em seu Estado. Nascido em 29 de setembro de 1981, em Campo Grande (MS), Igor falou sobre as judocas que estão incluindo o MS na elite do judô verde-amarelo e das dificuldades enfrentadas na realização desse trabalho. Na entrevista concedida em Goiânia, durante a seletiva sub 20, o jovem, porém bastante experiente, técnico sul-mato-grossense falou sobre a realidade do judô e a necessidade de segurar suas atletas no Estado. Formado em Educação Física, campeão sul-americano em 2003, Igor é responsável pelo Judô Clube Rocha, de Campo Grande, e desponta como um formador de atletas que une preparação técnica à força. Com isso tem obtido excelentes resultados e projetado o Mato Grosso do Sul a níveis jamais alcançados. Filho do professor João Rocha, vice-presidente da CBJ, Igor compõe a segunda geração de judocas da família Rocha, e seu trabalho está incluindo definitivamente o judô sul-mato-

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-grossense na elite nacional da modalidade. O jovem técnico explicou como tudo começou. “Meu pai foi o precursor do judô social em nosso Estado e no Brasil. O professor João Rocha iniciou seu trabalho no SESI de Campo Grande e em 1979 abriu a academia Rocha, onde trabalhamos até hoje. Nossa equipe conta com os seguintes técnicos: Alessandro Nascimento, Marco Aguilera, Marcelo Matos e eu. Todos somos ex-alunos de meu pai e comungamos os mesmos princípios de treinamento e preparação.” O técnico sul-mato-grossense explicou a origem do judô em seu Estado. “Meu pai foi aluno dos senseis Manao Ninomia, Nelson Arazawa e Roberto Mitio Harada, e, na con-

dição de atleta, conquistou a primeira medalha para o Estado, nos Jogos Escolares Brasileiros em 1976. Antes disso, o Mato Grosso do Sul não medalhava em competições regionais e nacionais.” Igor Rocha enumerou as judocas que conquistaram espaço na elite do judô brasileiro em 2012. “Conquistamos cinco primeiros lugares nas duas seletivas realizadas este ano, porém dois deles foram obtidos pela Larissa Farias, -44 kg. Sendo assim, o MS terá quatro judocas nas seleções sub 17 e sub 20. Layana Colman, -48 kg, e Ana Paula Prates, -57 kg, completam o time do sub 17, enquanto Camila Gebara, +78 kg, completa o time das classificadas no sub 20.”


O professor Igor falou sobre as judocas do MS que estão fazendo história. “Hoje as meninas que se destacam são Larissa Farias, Layana Colman, Ana Paula Prates e Camila Gebara, uma menina de Dourados que já foi das seleções juvenil e júnior no ano passado. Foi campeã brasileira sênior mesmo sendo júnior ainda, e vem-se destacando já há algum tempo. A Larissa Farias, -44 kg, venceu as seletivas do sub 17 e sub 20 deste ano. Ela é muito forte e determinada. A Layana e a Ana Paula possuem excelente técnica e têm um judô fortíssimo.” O técnico campo-grandense revelou sua expectativa para esta temporada. “Sempre nos preocupamos em melhorar e, depois que classificamos as três judocas no juvenil e duas no júnior, nossa expectativa é criar uma estrutura que viabilize a permanência dessas atletas no Estado. Não queremos que elas saiam para os grandes centros por falta de patrocínios e oportunidades. Nos grandes centros estão os clubes que podem pagar bons salários, mas a permanência destas atletas no MS neste momento é fundamental.” Igor destacou que não quer ser lembrado apenas como um formador de atletas. “Estamos buscando criar uma estrutura que viabilize a permanência destas atletas em Campo Grande. Só assim teremos o espelho destas meninas para as futuras gerações e continuaremos puxando novos praticantes para a modalidade. Não queremos criar um círculo vicioso, já que os talentos não surgem toda hora. Geralmente iniciamos o trabalho com crianças de 5 anos e levamos quase dez treinando, preparando e formando nossos campeões. É duro investir um tempão da vida num atleta para, depois, vir um clube com recursos e levá-lo embora. Não acho isso errado, sei que faz parte do profissionalismo, mas neste momento precisamos fazer o judô crescer no MS e torná-lo parte da cultura esportiva do nosso Estado.” Realista, Igor falou sobre as parcerias existentes na modalidade. “Temos apoio do meu pai, que é vereador em Campo Grande, e do Márcio Fernandes, deputado estadual e ex-aluno do meu pai. Ele é um dos apoiadores do judô no MS, ajudando na obtenção de recursos para atender às crianças que fazem parte do projeto social Esperança Olímpica, que já deu frutos, revelando as atletas sub 17 classificadas. O próprio Márcio Fernandes é oriundo de um projeto social, e posteriormente se tornou deputado. Hoje

Igor Rocha

Técnico: Alessandro Nascimento.

Mariana Veiga

Larissa Farias

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ele presta grande ajuda ao esporte e, em especial, aos projetos sociais. Basicamente contamos com o apoio destes dois políticos, que viabilizam o mínimo de que precisamos para tocar a equipe. Pontualmente, o governo do Estado e a Prefeitura de Campo Grande têm dado apoio, não sendo ainda o suficiente”. Igor destacou ainda que o apoio recebido da Federação de Judô de Mato Grosso do Sul, por meio do seu presidente César Paschoal, e da CBJ, por meio do Programa de Apoio às Federações (PAF) tem sido fundamental para a continuidade do trabalho junto aos principais atletas do Estado. Igor enumerou os problemas culturais que geram entraves para a criação de uma identidade esportiva no MS. “Nosso Estado ainda não tem uma indústria consolidada, e quase tudo gira em torno do agronegócio. Ao mesmo tempo, não temos uma cultura esportiva verdadeiramente estabelecida porque os empresários não veem necessidade de investir no esporte. Vivemos um impasse, mas temos de acreditar e lutar por nossos objetivos e metas. Sem luta jamais criaremos uma cultura esportiva que atenda às necessidades das gerações que estão por vir.” O técnico sul-mato-grossense destacou que vive numa luta permanente. “Então, é uma briga constante. Temos de brigar para formar o atleta, brigar para trazer recursos, brigar para tocar a modalidade, enquanto deveríamos apenas estar focados na questão técnica e cuidando da preparação dos nossos judocas. Para completar, temos de ficar correndo atrás de recursos para manter a equipe na briga. Felizmente, temos o grande incentivo dado pelo vereador João Rocha e o deputado estadual Márcio Fernandes. Não fosse isso, certamente não teríamos os resultados que conseguimos. Se viemos a Goiânia e fomos a Fortaleza, é porque muitas vezes eles tiram dinheiro do bolso para ajudar a equipe. Mas é bola para frente, porque isso é fazer esporte nos menores centros, e estamos aqui para brigar pelo judô.”

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Layana Colman, Gratychewa Farias, Igor, Alessandro, Ana Paula Prates e Larissa Farias.

Ana Paula Prates


Por Matheus Luis Fotos Revista Budô

TAEKWONDO

Olimpíada de Londres promoverá

Boom no

Taekwondo O professor de taekwondo, Gerson José Teles de Souza Junior, 26 anos, natural de Caçador (SC), começou a praticar esporte aos seis anos de idade. O taekwondo entrou em sua vida por questão de saúde, pois Gerson era obeso quando criança. Seus primeiros treinadores foram os mestres Colaço e Adão Marcelo Bittencourt. Hoje, faixa preta 3º Dan, Gerson conta que se tornou professor, aos 13 anos quando seu antigo mestre passou num concurso da policia civil e acabou não tendo ninguém para dar aula e convidou Gerson, que topou o desafio.

Na época em que Gerson ainda competia os campeonatos não tinham um registro. Não havia a organização que existe hoje no taekwondo e a maioria das competições eram abertas, tanto em nível estadual, como no sul-brasileiro e no campeonato brasileiro. Gerson esclarece que participou das principais competições nacionais, além do brasileiro e, também, do sul-americano, onde sempre obteve bons resultados. Sua principal conquista foi a medalha de ouro no open, categoria, infantil em 1999. Ele, conta também como se tornou professor e os frutos do seu trabalho como formador de atletas. “Parei de lutar aos 17 anos, por apresentar desgaste no quadril e fiquei apenas dando aulas, o que faço normalmente até hoje. E foi bom por que já formei atletas como Isadora Lopes, bicampeã brasileira, o Tiago que foi medalha de ouro nos Jogos Abertos de Santa Catarina, o Daigoro Arigone, campeão sub 21 num evento

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teste para o campeonato brasileiro e, Eduardo Telles, vice-campeão brasileiro.” Atualmente Gerson Telles é técnico da seleção catarinense e da equipe de rendimento que representa o município de Caçador nos Jogos Abertos e, coordena também as seleções infantil e juvenil de Santa Catarina. O professor caçadorense se mostra feliz com o atual estágio e a evolução do Taekwondo catarinense. “O taekwondo teve uma grande evolução, que se iniciou na gestão do Mestre Adelino, que quando assumiu a Federação Catarinense impôs um modelo de gestão dinâmico que resultou inclusive na inclusão do taekwondo nos Jogos Abertos, e estamos brigando para entrarmos nos joguinhos. Isso profissionalizou nossa modalidade, porque até então não tínhamos organização e a mínima estru-


tura. A sede da federação era numa casa, e hoje nos temos uma sede, organização e muitos atletas federados. A maior conquista do taekwondo de Santa Catarina foi a inclusão da modalidade nos Jogos Abertos, já há quatro anos e a nossa quinta participação será aqui em Caçador”. Nos Jogos Abertos deste ano, Caçador entrará com a equipe masculina completa. Gerson lembra que Santa Catarina é atualmente a quarta colocada no ranking nacional adulto devido o excelente trabalho desenvolvido pelo Mestre Erickson Busatto de Itapema, e sétima colocada no ranking juvenil. Gerson vê crescimento nacional do taekwondo, após a entrada do Mestre Carlos Fernandes na presidência da Confederação Brasileira de Taekwondo. Segundo Gerson, a gestão anterior deixou um rombo enorme, onde o dinheiro entrava, mas não chegava. Por se tratar de um ano olímpico, espera-se um crescimento ainda maior da modalidade. “Estes eventos sempre trazem mais alunos. Quando o Diogo Silva ganhou o pan-americano foi uma ascensão e a academia não tinha espaço para tantos alunos. Já quando a Natalia Falavinha que é do Paraná ficou em terceiro lugar deu aquele boom para nós também.” Gerson elencou as cidades catarinenses que se destacam na modalidade. “As cidades de maior tradição no Taekwondo são Chapecó, Caçador, Florianópolis e Itapema. Itajaí desponta como uma nova força do Estado, corre por fora e promete dar trabalho. Mas Florianópolis se destaca pela questão de maior investimento, e Chapecó porque tem uma equipe excelente.” No final do ano passado, a academia AGT, dirigida por Telles, perdeu tudo, após um curto circuito que provocou um incêndio que destruiu tudo que havia sido conquistado. Gerson conta como foi viver este drama. “Perdemos tudo, mas na verdade sempre digo para meus alunos que temos sempre que ter metas, objetivos, sonhos e trabalhar para que isso aconteça. Quando a academia pegou fogo no dia 27 de dezembro, os alunos perguntaram e agora professor? E eu disse: agora nós vamos reerguer e vamos fazer uma academia melhor. Começamos a trabalhar, na época eu e os professores Michel Cavalete, que ensina Muai Thai, e Fernando Caroto, que ensina MMA, corremos atrás batendo de porta em porta dos empresários e o pessoal nos ajudou. A cidade abraçou a causa e os nossos alunos também. O Selvino Caramori que é um dos principais alunos nos ajudou muito e conseguiu o apoio que fortaleceu bastante a academia. A própria Fundação de Esportes de Caçador também nos apoiou e assim conseguimos reerguer a AGT – Academia Gerson Teles, que mantém a tradição de formar grandes atletas para o Estado de Santa Catarina”. O professor Gerson finalizou agradecendo o apoio recebido por seu pai. “Agradeço ao meu pai Gerson Teles, que é o grande responsável por nossas conquistas. Ele está sempre nos apoiando,

orientando e fazendo a coisa andar.”

Empresário praticante incentiva a AGT

Selvino Caramori, empresário caçadorense e praticante de taekwondo, é grande incentivador da modalidade. “Sou praticante do esporte, e também contribuo com a academia no patrocínio do transporte dos alunos que participam de competições em outras cidades e Estados. Acredito que este é um esporte que traz disciplina, motivação e superação dos próprios limites.” O empresário destacou a importância do trabalho social feito pela AGT. “Além de admirar o esporte, apoio a academia AGT pelo trabalho que presta à comunidade, com aulas para alunos carentes e sem condições de arcarem com as mensalidades. A academia leva o taekwondo para toda a cidade de Caçador, inclusive para os bairros mais carentes.” Caramori lembrou a importância do esporte no contexto social. “Acredito que hoje, além da educação, o esporte ocupa o tempo de nossas crianças e adolescentes, tirando-os da ociosidade, fazendo com que sigam o caminho da superação, da competição, vencendo suas próprias barreiras emocionais e físicas. Nós, enquanto seres humanos, precisamos ter em mente o quanto é necessária a nossa contribuição, independentemente de funções, raças e credos. Acredito que, na atualidade, o esporte é um dos alicerces da educação.”

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Por Paulo Pinto Fotos Arquivo

KARATÊ

Minha vida é fundamentada

No karatê

Altamiro Cruz, o Didi, foi um ícone do karatê brasileiro, e as 15 medalhas de ouro conquistadas em competições continentais o tornaram referência no shiai pan-americano na década de 1990. Com um kihon fortíssimo e uma pegada feroz, Didi atropelava impiedosamente seus adversários. Hoje com 44 anos, o karateca formado em comunicação social fala de sua trajetória nos tatamis e do karatê do fim do século passado. O que o motivou a praticar karatê? Tenho a arte marcial no sangue e comecei no judô aos 9 anos de idade. Aos 13 fui para o karatê por influência de amigos, e até hoje sigo treinando muito.

Quando e com quem iniciou no karatê?

Em 1981, na antiga academia Nagai-Kan, do Mestre Testa. Ele sempre foi um grande incentivador e formou grandes campeões. Desde pequeno me ensinou a acreditar na força do treinamento. Ele foi muito importante em minha formação pessoal e esportiva. .

Houve uma época em que o karatê brasiliense viveu um momento espetacular. O que foi determinante na conquista de tantos títulos?

Brasília na época ainda era uma cidade pequena, e tiramos vantagem desse fator, treinando todos os dias em dois períodos. Nosso treino era prazeroso, era feito entre amigos que esperavam ansiosamente o dia todo para treinar exaustivamente, e isso fez a diferença. Eu percebia que treinávamos mais do que os outros atletas do País, e isso foi fundamental na conquista dos resultados. Quando chegávamos à seleção brasileira, víamos muitos atletas reclamando da carga de treinamento, mas a galera do DF queria mais. Esse foi nosso diferencial.

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Você foi convocado para representar o continente no torneio Super 8, na Europa. Como foi esta experiência?

Fui convidado duas vezes para participar desse torneio, que se realizava na Croácia. Na primeira vez ganhei o bronze. Era uma competição disputada apenas por atletas com títulos continentais, na qual fazíamos um absoluto após as finais da Croácia Cup.

Quais foram as suas principais conquistas?

Conquistei muitos títulos e medalhas no peso-pesado, no absoluto e por equipe. Entre eles estão 15 medalhas de ouro em campeonatos pan-americanos; 19 medalhas de ouro em campeonatos brasileiros; nove medalhas de ouro em sul-americanos. Nos Jogos Pan-Americanos conquistei duas medalhas


Altamiro Cruz Local e data de nascimento: Brasília 20 de fevereiro de 1968 Formação: Comunicação social com especialização em jornalismo Sensei: Testa Estilo: Shotokan Técnica preferida: Giaku-zuki com ashi-baray Kimono preferido: Adidas Peso: 105 kg Altura: 1,85m

de prata e uma de bronze. Nos Jogos Sul-Americanos foram cinco medalhas de ouro. Na Europa fui campeão do Top Stars da Itália, campeão da Copa Rimini da Itália, campeão do Aberto da Bélgica, vice-campeão do International de Berlim e vice-campeão mundial pela WAKO, em Londres.

pelo que fazíamos. O diferencial daquele grupo foi a grande amizade dos atletas. Entre eles estavam Antônio Pinto (Pré), Caio Márcio, Zeca, Nelson Sardenberg, Geraldo de Paula, Altamiro Cruz e Maximiliano Pagano. Era um grupo coeso e que partia para cima dos adversários.

Você se destacou lutando pela seleção brasileira, que era muito respeitada em todo o continente. Quem fazia parte desse time vencedor?

Quem foi seu grande parceiro nos treinos?

O karatê brasileiro teve uma hegemonia pan-americana entre 1988 e 2000. Ganhamos muitos títulos, e todos éramos apaixonados

Atleta de arte marcial sem equipe não é nada, e quero aqui agradecer a todos os meus amigos, em especial ao Célio René, atual secretário de esportes de Brasília, que sem dúvida foi o maior parceiro de treinos

que tive na vida. Tínhamos uma sinergia total e isso foi fundamental em nosso desenvolvimento.

Durante anos você foi referência no karatê verde e amarelo. Qual foi o segredo que o manteve tantos anos no topo? Na minha percepção, não existe segredo. Existiu sim uma vontade enorme de vencer e trazer medalhas para o Brasil. O sucesso que obtemos em nossas vidas é decorrente daquilo que sonhamos e do nosso comprometimento com estes sonhos. Tínhamos compromisso com o resultado porque este era o nosso sonho.

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Que tipo de treinamento faziam?

O treinamento em si não tem mistério: é esforço, sacrifício e dedicação. É investimento, da mesma forma que as horas de vôo e de kimono. Treinamento concentrado e com qualidade é tudo. Lembro que eu era muito vaidoso e tinha muito medo de perder. Tanto medo que procurava treinar mais do que todo mundo. O mais difícil era vencer no cotidiano, a rotina de treinamento.

Naquela época onde estava o melhor karatê do País?

Na verdade, o grande volume era São Paulo, mas a seleção era formada por atletas de Brasília, Belo Horizonte e São Paulo.

Como encerrou a carreira de atleta?

Parei logo após os Jogos Pan-Americanos

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realizados em Santo Domingo, em 2003. Competi a vida toda e acho que foi uma carreira bastante longa, mas quando me dei conta de que a vontade de produzir resultados já não era a mesma e que as medalhas já não causavam o mesmo brilho em meus olhos, percebi que havia chegado a hora de parar.

em muitas ações porque tive estratégia, sabia que não adiantaria ficar na TV reclamando da falta de patrocínio. Atleta que visa a resultado tem de estudar as leis, pesquisar, fazer um bom projeto e se credenciar a captar o recurso necessário. Não me refiro apenas aos tatamis, e sim a tudo na vida.

O que a trajetória no karatê lhe ofereceu no campo pessoal?

Como é a sua vida hoje?

No karatê conquistei quase tudo que era possível e atuei nas principais equipes do Brasil. Fiz grandes amigos no mundo todo e, graças a estas conquistas, fui recebido até pelo presidente da República. Sempre cuidei de minha imagem como atleta e penso que muito do que conquistei foi fruto de minha organização pessoal e da ajuda dos amigos. Sempre corri atrás e nunca desisti. Fui feliz

Junto com a minha esposa Anna Patrícia Farago, tenho dois filhos, a Anita e Artur, e formamos uma família maravilhosa. Trabalho no Senado Federal e tenho duas academias. No esporte pratico kitesurf há 12 anos, sou faixa preta de jiu-jitsu e amo o karatê, pois tudo que conquistei foi fruto de meu trabalho no karatê.


leitura

Esportismo Valores do esporte para o alto desempenho pessoal e profissional

Dois profissionais de grande sucesso - os campeões de judô Rodrigo Motta, executivo, e Wagner Castropil, médico – uniram-se para mostrar como a prática de esporte pode ajudar a melhorar o desempenho profissional e pessoal, seja qual for a carreira do esportista. A teoria elaborada por Motta e Castropil, ilustrada com numerosos exemplos, está no livro Esportismo - Valores do esporte para o alto desempenho pessoal e profissional, lançado pela Editora Gente, com prefácio de Abílio Diniz. A ideia da publicação surgiu da constatação de que existe um forte elo entre os aprendizados que o esporte proporciona e o sucesso profissional e pessoal de cada um. “Nossa intenção é mostrar que as qualidades advindas do esporte não ajudam apenas na vida executiva. Podem ser aplicadas nas diferentes profissões e situações de vida, como juntar dinheiro para fazer uma viagem, melhorar a relação com os filhos em casa ou lutar contra uma doença”, escrevem os autores. Eles são os próprios exemplos da relação entre a prática de esportes e o sucesso na vida. Depois de intensa pesquisa, Motta e Castropil concluíram que os valores essenciais do esporte podem ser definidos como “atitude, visão, estratégia, execução e teamwork (trabalho em equipe)”. Assim, dividiram o livro em cinco capítulos. Cada um com explicações sobre um dos valores e enriquecido com relatos pessoais, pequenas e saborosas histórias de aplicação da experiência esportiva no dia a dia por personalidades das mais diversas áreas, incluindo, grandes atletas, como o jogador Kaká, o técnico de vôlei Bernardinho e o ex-judoca Aurélio Miguel, primeiro brasileiro a tornar-se campeão olímpico na modalidade, em 1988, nos Jogos de Seul, na Coreia do Sul. A história da persistência de Motta na superação de um grave acidente, aos 29 anos, quando praticava judô, serve de incentivo para que o leitor avance na leitura. Com tratamentos para recuperação e depois de várias cirurgias, Rodrigo reencontrou Wagner, antigo colega de treinos nos tatamis. “Por ter a atitude de não aceitar aquela situação, Rodrigo teve também disciplina para chegar ao seu objetivo, que foi

voltar a andar, fazer atividade física, treinar judô, jiu-jítsu e competir”, conta Castropil. Kaká também é citado como pessoa de atitude por ter agido de maneira ativa, impondo-se metas, quando se recuperava de um acidente em um tobogã, aos 18 anos, que por pouco não deixou o campeão mundial tetraplégico. Para convencer de vez que a persistência acompanhada de atitude é fundamental, os autores lembram a lição de Thomas Edison: “O gênio é formado por 2% de inspiração e 98% de transpiração”. No fim deste guia prático, que trata o esporte como verdadeiro agente de mudança, essencial na vida, há um complemento com uma série de perguntas e questões para ajudar o leitor a fazer uma reflexão, tomando como referência pessoas que estão à sua volta. A ideia é que o leitor possa perceber exemplos de funcionamento do modelo sobre o qual acabou de ler e transferi-los para sua vida. “Ao fim da leitura, esperamos, de alguma maneira, ter sido úteis na percepção de como o esporte enriquece a vida de modo geral”, afirmam os autores. Rodrigo Motta tem a vida ligada ao esporte: judô, jiu-jítsu e polo aquático. No judô é faixa preta 5º dan, tendo sido campeão pan-americano master, tricampeão sul-americano máster, tetracampeão brasileiro máster, campeão paulista máster e seis vezes campeão paulista universitário, além de deter vários outros títulos. No jiu-jítsu também é faixa preta, já foi campeão mundial máster e tricampeão do Internacional Máster & Sênior. Além disso,

Wagner Castropil

é formado em administração pública pela EAESP/FGV, pós-graduado em administração com ênfase em marketing pela FAE/CDE-PR. Possui MBA em área de concentração em varejo pela FEA/USP e é mestre em administração pela PUC-SP. É coautor dos livros Estratégias de marketing para varejo (Editora Novatec, 2007) e Trade marketing: teoria e prática para gerenciar os canais de distribuição (Editora Campus, 2008). Wagner Castropil integrou a seleção brasileira de judô de 1985 a 1992. Conquistou o tricampeonato brasileiro e os campeonatos sul-americano e pan-americano. Fez parte da equipe olímpica que foi aos Jogos de Barcelona, na Espanha, em 1992, que trouxe para o Brasil a segunda medalha de ouro da história da modalidade, com Rogério Sampaio. Formou-se em Medicina pela USP e especializou-se em Ortopedia e Medicina Esportiva com mestrado e doutorado. Participou de mais duas edições de Jogos Olímpicos: em Atenas, na Grécia, em 2004, e em Pequim, na China, em 2008, como médico da seleção. É fundador do Instituto Vita e conhecido pela grande mídia como Doutor Olímpico.

Rodrigo Motta


Resgatando a

Credibilidade da FUPE

Por Paulo Pinto Fotos Revista Budô

Vice-presidente administrativo da Federação Universitária Paulista de Esportes (FUPE), Mauzler Paulinetti é responsável por toda a área administrativa da entidade. O dirigente, que recentemente assumiu o cargo, falou sobre o momento atual do desporto universitário paulista e dos planos e desafios no resgate da entidade, que até o fim de 2011 viveu sua maior crise administrativa. Como vê a participação do vereador Aurélio Miguel no desporto universitário?

Vejo a chegada do Aurélio Miguel como uma conquista. Ele é uma liderança esportiva nata e sua presença no meio fortalecerá sobremaneira o esporte universitário. O Aurélio possui características próprias que o credenciam a exercer um ótimo mandato à frente da FUPE.

Qual era o quadro quando assumiram a entidade? Iniciamos nosso trabalho em 10 de janeiro e, quando assumimos, o quadro era dantesco. Na havia sede, telefone, site, mas havia pendências fiscais e, na área cível, uma infinidade

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de protestos. Em resumo, a entidade estava totalmente inadimplente, e mais, devia uma elevada soma para as instituições de ensino superior (IES).

Qual é o quadro hoje?

Em menos de 90 dias de trabalho já recuperamos tudo que diz respeito à área administrativa, e já existem entendimentos junto a credores e fornecedores, bem como junto às atléticas, e temos uma infraestrutura que permite planejar o crescimento.

Como avalia o quadro político interno? A Fupe enfrentou um período de muita turbulência administrativa e política. As

últimas gestões não foram capazes de criar um ambiente de crescimento na entidade, gerando um desgaste enorme e um descrédito perante as instituições de ensino e a opinião pública como um todo. Nos últimos anos apenas três IES continuavam filiadas à FUPE. Para uma entidade com uma história e a tradição de quase 80 anos, este panorama era uma morte anunciada. Com a posse da nova gestão em janeiro, o cenário começou a mudar. Temos agora, com o apoio do mundo universitário, condições para realizar as mudanças necessárias.

Vocês uniram as atléticas em torno da proposta de resgatar o desporto universitário?


Nossa proposta estava clara desde o lançamento da chapa, em setembro de 2011: administrar com transparência e participação de todos. Atualmente temos 27 entidades filiadas e pretendemos chegar ao final de 2012 com 40 IES em nossos quadros.

Quais foram as conquistas obtidas até o presente momento? Nestes três primeiros meses de nova administração, estabelecemos como prioridade a solução das questões fiscal e tributária que inviabilizavam a FUPE, e que agora começam a ser equacionadas; a conquista de uma nova sede, e mesmo que ainda provisoriamente a FUPE conseguiu uma sala nas dependências da Federação Paulista de Atletismo, no Ibirapuera; a reestruturação de seu calendário esportivo e a montagem de uma diretoria executiva competente.

Qual é a participação das modalidades de luta no esporte universitário, hoje?

Os esportes de luta fazem parte da cultura esportiva universitária. Atualmente, temos competições nas modalidades de judô, karatê e taekwondo, e queremos agregar outras modalidades, como o jiu-jítsu e a luta olímpica. No judô temos uma tradição de muitas conquistas desde a década de 80 e queremos continuar a tê-las. O Aurélio Miguel foi campeão mundial universitário em 1984 e vice-campeão das Universíades em 1985. No karatê e no taekwondo, nossa intenção é criar novas alternativas aos praticantes. O calendário dessas duas modalidades ainda é muito limitado. Para isso, estamos fechando parcerias com federações e confederações para ampliarmos o leque de eventos durante a temporada.

O calendário 2012 já está em andamento? Em reunião técnica realizada no dia 31

de março aprovamos os regulamentos dos esportes de quadra e realizamos os respectivos sorteios nas classes masculina e feminina. As disputas terão início no fim de abril e se estenderão até meados de outubro.

Quais atléticas estão filiadas hoje à FUPE?

Hoje temos 25 entidades filiadas, entre as quais atléticas pertencentes a USP, Unicamp, Ufscar, Mackenzie, Unip, Anhanguera, Anhembi/Morumbi, Escola de Educação Física da Polícia Militar, Unisant’anna, Unesp de Rio Claro, Imes, São Judas Tadeu, Fefisa, Universidade Federal do ABC, Unifesp, FMU e FAAP.

Quais dirigentes têm participação decisiva na gestão atual? Temos uma equipe muito homogênea e capacitada. Nossa intenção é que a FUPE funcione como uma máquina bem azeitada, com cada

um fazendo seu trabalho de maneira eficiente. Portanto, todos terão papel decisivo no sucesso dessa administração.

Qual é a projeção para este primeiro mandato?

O Aurélio Miguel sempre deixou claro que a prioridade dessa gestão é resgatar a credibilidade perdida e colocar a FUPE de pé para que ela consiga caminhar com autonomia. Neste primeiro ano, temos a responsabilidade de arrumar a casa administrativa, política e esportivamente. Com este triângulo bem solidificado, teremos condições de trabalhar pela excelência da gestão. O esporte universitário ainda engatinha no País e São Paulo tem plenas condições de liderar um movimento de crescimento e fortalecimento sustentado, nos próximos anos.

Você acha que em curto prazo os paulistas recuperarão a supremacia do desporto universitário nacional?

Esta é uma resposta que será dada não por meio de palavras, mas sim por aquilo que realizarmos nas searas administrativa e esportiva. Os resultados serão reflexo dessa nova postura que estamos buscando implementar na FUPE.

Mauzler Paulinetti é

Vice-presidente administrativo da FUPE Formado em Administração com ênfase em administração pública Pós-graduado em gestão pública Possui MBA em gestão e marketing esportivo Ex-presidente do Sindicato das federações Esportivas Superintendente do Sindicado dos Profissionais de Educação Física de São Paulo - Sinpefesp

Mauzler Paulinetti e Francisco de Carvalho presidente da FPJ

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SESI-SP

Por Paulo Pinto Fotos Cristiane Ishizava Revista Budô

Faz o melhor trabalho na base As seletivas das categorias sub 17 e sub 20, realizadas em Fortaleza e Goiânia, definiram os atletas paulistas que estarão na seleção brasileira destas categorias na temporada 2012. O resultado mostrou claramente quais são as associações e clubes que fazem o melhor trabalho e o maior investimento na base. Os paulistas conquistaram 17 primeiros lugares, e as equipes que conquistaram mais vagas com a primeira colocação foram: Palmeiras/ Mogi, com dois primeiros lugares no sub 17; Esporte Clube Pinheiros, que somou dois primeiros lugares no sub 20; e o SESI-SP, que conquistou três primeiros lugares no sub 17 e um no sub 20. Na verdade, os primeiros lugares do sub 17 foram conquistados pelo SESI/Bauru, já o do sub 20 foi conquistado pelo SESI/Cubatão. De qualquer forma, o SESI/Bauru foi a equipe paulista que conquistou o maior número de primeiros lugares, e este resultado reflete a política de investimento na base adotada pelos dirigentes do Serviço Social da Indústria (SESI). A visão dos gestores deste projeto esportivo permitiu que São Paulo colocasse mais quatro atletas no topo do judô nacional, e isso tem de ser destacado. Todas as demais agremiações que conquistaram a primeira colocação são entidades eminentemente voltadas para o judô. São associações e clubes com tradição na modalidade, enquanto o SESI é uma entidade filantrópica a serviço da indústria e da sociedade. Precisamos conscientizar-nos da importância de promover a renovação de que o judô como

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Sensei Paulo Duarte orientando seu atleta

um todo carece, e São Paulo não pode afastar-se de sua tradição de liderança no cenário nacional. Entrevistamos o professor Marinho Esteves, responsável pelo projeto realizado em Bauru, que falou sobre a origem do trabalho feito na entidade. “O programa Esporte de Rendimento do SESI-SP teve início quando doutor Paulo Skaf, nosso presidente, vendo as Olimpíadas passadas, percebeu o péssimo desempenho do Brasil, e decidiu que a indústria poderia somar esforços no sentido de participar do desenvolvimento do esporte brasileiro.” Marinho explicou que a instituição abraçou o projeto que, com menos de três anos de existência, já está colhendo excelentes resultados. “Sob Sensei Marinho Esteves

o comando de Alexandre Pflug, nosso diretor de esporte e lazer, que é um dirigente bastante arrojado, iniciou-se o trabalho no desporto de rendimento em várias modalidades, entre as quais judô, luta olímpica, triatlo, voleibol e natação. O foco desde o início foi a base, e felizmente está dando certo. Estamos no terceiro ano de trabalho e já conquistamos quatro vagas na seleção brasileira. Somando nossas medalhas às do professor Paulo Duarte, são quatro primeiros lugares, dois terceiros e um quinto lugar. E todos estes judocas estarão competindo na Europa com a seleção brasileira, pelo sistema de adesão.” O técnico paulista falou sobre a estrutura que o SESI disponibiliza para a equipe. “Acredito que os resultados obtidos sejam a somatória de tudo que nos é oferecido pela entidade e, principalmente, pela estrutura que nos é proporcionada. O SESI permite que façamos nosso trabalho com planejamento, o que nos dá grande tranquilidade, e devemos grande parte disso ao professor Walter Vicioni, nosso supe-


Classificados no Sub 17

rintendente operacional do SESI-SP, que sempre analisa e aprova nossos projetos. Viajamos e fazemos a climatização sempre com bastante folga, treinamos e fazemos a pesagem sem maiores sacrifícios. Nossos judocas chegam ao shiai-jo inteiros e sem estresse. Tudo é feito com planejamento e isso nos permite desenvolver um trabalho com maior consistência.” Sobre a questão dos núcleos de Bauru e Cubatão, Marinho foi enfático. “Sim, temos dois núcleos com registros distintos na Federação Paulista de Judô (FPJ), mas todos nós formamos uma só equipe, SESI-SP, e ponto final. Treinamos juntos, atendemos aos mesmos princípios e falamos a mesma língua.” Consultamos o professor Paulo Duarte, que comanda o núcleo de Cubatão, e o técnico fez excelente avaliação do trabalho. “Acho que o resultado obtido nas seletivas foi bastante positivo. Fizemos quatro primeiros lugares nas categorias juvenil e júnior, que são o foco do nosso trabalho. O SESI objetiva as Olimpíadas de 2016, e é exatamente a turma juvenil e júnior que estará lá, em 2016. Mostramos que o trabalho

Esporte Clube Pinheiros

1º Ellen Furtado

1º Henrique Silva

1º Iuri Rocha

1º Gabriela Chibana

1º Hugo Praxedes

4º - Kawanne Martins

3º Nayara Leandro

Associação Desportiva São Caetano

Palmeiras - Mogi

1º Samanta Soares

1º Aine Schmidt

2º Eduardo Gonçalves

1º Tacio Santos

3º Dario Alves

3º Nykson Roberto

São João Tênis Clube

4º Raquel Laurindo

1º Caio Brigida

Assoc. Cult. Esp. de Tucuruvi

3º Águeda Silva

1º Bruna Silva

Associação de Judô Rogério Sampaio

Associação Guairense de Judô

Giuliano Machado Jr.

está focado naquilo que foi proposto e que estamos no caminho certo.” Sobre o projeto desenvolvido pelo colega Marinho Esteves, Paulo Duarte foi só elogios. “Sou orientador do Estado e a minha avaliação sobre o trabalho desenvolvido pelo professor Marinho é excelente. Temos muito contato e trabalhamos em conjunto, seja tirando dúvidas seja treinando em conjunto. Mantemos uma boa parceria e quem ganha com isso é o judô de São Paulo. E o SESI, é claro.” Após os resultados obtidos nas seletivas, o presidente da FIESP/SESI-SENAI, doutor Paulo Skaf, analisou o resultado com otimismo. “O brasileiro é um povo apaixonado por artes marciais, e o SESI-SP tem procurado manter a tradição do nosso País em revelar grandes lutadores. Quando começamos a trabalhar o judô no alto rendimento, em 2009, sabíamos que seria um sucesso. Não apenas pelos nossos sete jovens atletas que estão no Circuito Europeu e são verdadeiros potenciais olímpicos para 2016. O nosso sucesso alcança 17.090 alunos da nossa rede de ensino que praticam atividades esportivas em nossas escolas”, explicou Skaf. Nayara Jhessyca Leandro

Classificados no sub 20

SESI - SP

1º Adrieli Sena Assoc. Judô Rogério Sampaio 2º Gabriela Bittencourt 4º Karoline Barbeirotti Rio Preto Automóvel Clube 3º Loraine Silva 2º Matheus Rocha SEDUC - Praia Grande 3º Sabrina Araújo 4º Agatha Silva ADPM - São Jose dos Campos 2º Letícia Silva Assoc. Hirakawa de Judo 2º Jéssica Lima Tênis Clube de S. J. Campos 4º Barbara Ribeiro 4º Milton Camargo Grêmio Lit. e Rec. de Barretos 3º Karol Gimenez A D Ateneu Mansor 3º Kamila Nogueira

1º Beatriz Oliveira 3º Caio Melo Tênis Clube de São José dos Campos 1º Jéssica Santos SESI - SP 1º Vagner Soares PALMEIRAS/Mogi 2º Aine Schmidt 3º Vitor Torrente Associação Marcos Mercadante 2º Pámela Souza 4º Nathália Mercadante SEDUC – Praia Grande 2ª Tawany Silva Fundesporte Araraquara 2º Pedro Froner Associação Kia Kan 2º Laisa Oliveira ADPM - São Jose dos Campos 2º Nicolas Santos

Assoc. Bushido Pais e Amigos

Associação de Funcionários Robert Bosch

4º Elisa Caminaga

2º Vitor Silva

Associação Esportiva Guarujá

S. E. L. de Pindamonhangaba

2º Kainan Pires

3º Tamires Souza

Clube Paineiras do Morumby

Secretaria M. de Esporte e Lazer Sertãozinho

3º Bruno Louverdos Assoc. Yamazaki de S. J. Campos

3º Sibilla Faccholli

2º Lincoln Neves

Associação Desportiva Ateneu Mansor

São João Tênis Clube

3º Lucas Canalle

2º Robson Tavares

Associação Guairense de Judô

A D São Caetano

3º Izamara Silva

3º Samuel Rodrigues

Associação Brasileira A Hebraica

Assoc. de Judô de Bastos

3º Guilherme Minakawa

3º Wendel Silva

Grêmio Recreativo Barueri

Assoc. de Judô Araçatuba

4º Caio Moura

2º Euler Pereira

4º Rafael Godoy SEMCLATUR Lins 4º Amélia Silva

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Por Anderson Dias de Lima Foto Everton Monteiro

ASPECTOS PEDAGÓGICOS DO JUDÔ

Judô

Um Projeto Social

Graças ao seu grande poder de transformação, no sentido da formação da personalidade, e aos seus vários princípios educacionais e formativos, o judô tem-se apresentado cada vez mais como instrumento para os chamados Projetos Desportivos Sociais. Nos últimos anos, tenho observado um aumento significativo na implantação de tais projetos, tendo a prática do judô como principal instrumento para atender aos seus objetivos e propósitos. São clubes, associações, ONGs e, especialmente, o poder público investindo em projetos dessa natureza, propondo e pregando boa formação, educação e socialização das crianças e adolescentes de suas respectivas comunidades. Quando estudamos a história do judô, não temos dúvida do seu grande valor em projetos desportivos para fins de desenvolvimento integral do ser humano. Isso, desde o Japão feudal, buscando as suas origens lá no antigo ju-jutsu, passando pelos samurais e seu famoso Bushido – Caminho do Guerreiro. E chegando ao seu nascimento em 1882, no início da era Meiji, pela formação acadêmica de seu criador, professor Jigoro Kano, e pela sua proposta, fundamentada nos conceitos da educação física, moral e intelectual. Para ilustrar, transcrevo texto de Jigoro Kano do livro Kodokan Judo: “Incentivado pelo sucesso de aplicar o princípio da máxima eficiência às técnicas de ataque e defesa, então questionei se o mesmo princípio não poderia ser empregado para melhorar a saúde, ou seja, ser aplicado à educação física. Muitas opiniões foram formuladas para responder à questão: qual é o propósito da educação física? Após dispensar a esse assunto uma quantidade infindável de ponderações e fazer inúmeros intercâmbios com outras pessoas instruídas e de

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grande conhecimento, concluí que seu propósito é tornar o corpo forte e saudável, ao mesmo tempo em que se constrói o caráter da disciplina mental e moral”. Entretanto, para que os resultados sejam condizentes com os objetivos propostos, penso ser necessária uma atenção especial aos vários aspectos da nossa cultura desportiva. Estamos no Brasil no início do século 21, enquanto o judô nasceu no Japão no fim do século 19, portanto, em época e cultura diferentes. Somando as diferenças de cultura dos dois povos, mais a situação temporal de sua criação, retrocedendo mais de um século na história e tendo os seus princípios educativos e formativos fundamentados nos costumes dos samurais, como podemos, na atualidade, utilizar o judô para os fins a que se destinam os projetos acima citados? Para refletirmos sobre esta questão, proponho tomarmos apenas um dos aspectos que compõem a prática do judô moderno, a competição, e compararmos com os princípios e propósitos daquela época, bem como com os objetivos e propósitos para tais projetos na atualidade: • Como os samurais pensavam e desenvolviam a competição? • Como o professor Jigoro Kano situava a competição em seu contexto educacional? • Como é vista a competição desportiva na atualidade, dentro do contexto da cultura brasileira e no panorama sociopolítico mundial? • Em que podemos basear-nos, na atualidade, para maximizarmos os bons resultados educacionais e formativos da competição e minimizarmos os seus possíveis efeitos adversos? Para os samurais, a competição geralmente significava um combate de vida ou morte, pois sua utilização estava diretamente relacionada à guerra e à defesa do seu daimiô (senhor feudal)

e do seu território, daí muitos citarem o judô como arte marcial, erroneamente, do meu ponto de vista. O professor Jigoro Kano já via a competição sob um ponto de vista educacional e formativo, em que o praticante tirava dados relativos à sua preparação e prática para enfrentar os desafios do dia a dia. Isto fica bem ilustrado pelas suas considerações quanto aos cinco pontos importantes a serem observados no combate, resumido do seu livro Kodokan Judo: • Primeiro: Prestar muita atenção à relação entre o eu, o oponnente e o ambiente. • Segundo: Assumir a liderança com segurança e controle. • Terceiro: Agir de forma decisiva, sem indecisões. • Quarto: Parar assim que o objetivo predeterminado tenha sido alcançado. • Quinto: Evocar a essência do judô. Não se torne um arrogante com a vitória nem um destruído com a derrota, mantendo sempre a cautela quando tudo está tranquilo e procurando manter a tranquilidade e o controle quando o perigo ameaça. Está implícita aqui a advertência de que, se nos deixarmos levar pelo sucesso, a derrota inevitavelmente se seguirá. Isso também significa que se deve estar sempre preparado para uma competição, mesmo nos momentos que se seguem logo após a vitória. Se o ambiente está calmo ou truculento, é preciso explorar todos os meios à sua disposição para atingir o seu propósito. O aluno de judô deve ter sempre em mente esses cinco princípios relativos à competição. Aplicados no local de trabalho, na escola, no mundo político ou qualquer outra área da sociedade, permitirão que o praticante usufrua seus benefícios.


“ Quanto à competição dentro do contexto da nossa cultura desportiva contemporânea, penso estar muito mais voltada para o aspecto da conquista desportiva do que para os seus benefícios socioeducacionais e formativos propriamente ditos. Para que utilizemos a prática da competição dentro dos princípios e propósitos do judô educacional defendidos pelo professor Jigoro Kano, creio ser necessário seu enquadramento dentro de um contexto atual, que atenda aos interesses da nossa cultura desportiva, sem fugir dos antigos propósitos de Kano Sensei. Seguindo essa linha de raciocínio, penso ser importante refletirmos sobre as diversas facetas do esporte e suas inter-relações, especialmente sobre os aspectos da competição, o grande elemento motivador da prática. Quero crer que um bom caminho a seguir para otimizarmos os benefícios e minimizarmos os possíveis malefícios socioeducativos e formativos do esporte seja a busca de conhecimento relativo ao chamado Esporte Educacional. O conceito de Esporte-Educação ou Esporte Educacional surge a partir da Carta Internacional da Educação Física, elaborada pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), que renovou os conceitos do esporte em função da reação mundial pelo uso político do esporte durante a Guerra Fria. Essa carta foi fruto do congresso geral realizado em Paris em 1978, cujo Artigo 2º deixou expresso o seguinte conceito: “A educação física e o desporto constituem um elemento essencial de educação permanente no sistema global de educação” e que o esporte deve contribuir para a inserção social. Além disso, defende que ele “ao nível social, enriquece

as relações sociais e desenvolve o desportivismo (fair play), indispensável à vida social, para além do próprio desporto”. No Brasil, por ocasião dos Jogos Escolares Brasileiros ( JEBs), em 1985, iniciou-se o debate sobre o Esporte Educacional. Em 1993 a Lei 8.672/1993 e o Decreto 981/1993 reforçaram o conceito de Esporte Educacional ao afirmar que a hipercompetitividade e a alta seletividade invalidam a prática esportiva educacional. E em 1995, com a criação do Ministério Extraordinário dos Esportes e do Indesp (Instituto Nacional do Desenvolvimento do Esporte), foi elaborado um documento-ensaio com os princípios fundamentais do Esporte Educacional, que são: • Princípio da Totalidade: a prática esportiva educacional deve fortalecer a unidade do homem consigo, com o outro e com o mundo, tendo como elementos indissociáveis a emoção, a sensação, o pensamento e a intuição. Nesse princípio, os praticantes do esporte educacional deverão fortalecer o conhecimento, a autoestima e a autossuperação, tudo isso desenvolvido dentro de um ambiente de respeito e preservação das individualidades. • Princípio da Coeducação: o Esporte Educacional integra situações heterogêneas de sexo, idade, nível socioeconômico, condições físicas etc. das pessoas envolvidas nas práticas esportivas. • Princípio da Emancipação: também introduzido nas atividades esportivas educacionais, busca levar os participantes a situações estimulantes de desenvolvimento da independência, autonomia e liberdade. • Princípio da Participação: estão todas as ações que levam os protagonistas do esporte educacional a interferir na realidade através da participação. Esse princípio compromissa os

praticantes no campo social do esporte pelas vivências que essa participação oferece. • Princípio da Cooperação: ao registrar situações de individualismo, promove ações conjuntas para a realização de objetivos comuns durante a prática do Esporte Educacional. • Princípio do Regionalismo: remete os praticantes do esporte educacional a situações de respeito, proteção e valorização das raízes e heranças culturais. Penso que, se juntarmos os princípios filosóficos defendidos pelo professor Jigoro Kano aos princípios defendidos no contexto do Esporte Educacional, acima relacionados, teremos um bom parâmetro norteador para o desenvolvimento satisfatório dos chamados projetos de judô social, cada vez mais em evidência nos meios judoísticos da atualidade. Do ponto de vista ético, o que não podemos admitir é a utilização do judô e de seus propósitos educacionais e formativos apenas como elementos de camuflagem para elaborar projetos supostamente sociais, mas que na verdade são meros captadores de recursos financeiros, instrumento de marketing pessoal e reprodutores do desporto seletivo e de formação de atletas de alto rendimento, nos quais a competição nem sempre tem um caráter socioeducativo. Logicamente, o presente texto é apenas um resumo dos tópicos que acredito serem importantes para um aprofundamento daqueles que se propõem em tal empreendimento, com pensamento nobre e ético, reproduzindo os desejos do professor Jigoro Kano. Referencias Bibliográficas • BARBIERI, César Augustus [et. Al.] Esporte Educacional uma proposta renovada - Universidade de Pernambuco/UPE-ESEF-MEE/INDESP – Recife, 1996. • FREIRE, João Batista - Educação de Corpo Inteiro – Editora Scipione Ltda. – São Paulo, 1989. • KANO, Jigoro - Kodokan Judo – Kodansha Internacional Ltd. – Tokio – New York – London – Reedição, 1986.

Anderson Dias de Lima é • Graduado em Educação Física PUC-CAM 1986 • Pós Graduado Latu Sensu – Universidade Castelo Branco (RJ) 1989 • Kodansha 6º Dan FPJ/CBJ 2004 • Delegado Regional 8ª Região Oeste de São Paulo desde 2005 • Diretor de Ensino e Credenciamento Técnico da FPJ desde 1998 • Membro da Comissão de Estudos da FPJ nos Jogos Olímpicos de Atlanta 1996 • Membro da Comissão de Estudos da FPJ no Campeonato Mundial de Paris de 1996 • Membro da Comissão de Cursos da FPJ desde 1995 • Membro da Banca Examinadora da FPJ desde 1999 • Professor da Disciplina “Princípios da Educação Física Infantil e Conceitos Pedagógicos Aplicados à Iniciação Esportiva”.no curso para provisionados • Articulista da Revista Budô desde 2010 103


MKS/Adidas e FPJ

Por Paulo Pinto Fotos Revista Budô

Firmam Parceria A Federação Paulista de Judô e a MKS/ Adidas firmaram parceria para a temporada 2012. Com isso, todo atleta que representar São Paulo terá seu judogi Adidas, fornecido pela marca alemã. Para Alessandro Puglia, coordenador técnico da FPJ, a parceria proporcionará uma padronização na apresentação das seleções de São Paulo. “Fico muito feliz por termos firmado esta parceria com a Adidas, pois há muito tempo buscávamos padronizar nossas equipes, que agora usarão um judogi de excelente qualidade, aprovado pela FIJ. São Paulo sempre esteve adiante nas questões administrativas e técnicas, e isso era uma coisa que nos incomodava muito.” Murilo Saba, diretor comercial da MKS/ Adidas, explicou que sua empresa prioriza o fortalecimento da marca. “No primeiro momento buscamos consolidar a marca, fazer uma aproximação com a comunidade de judocas do Estado de São Paulo e possibilitar que os atletas tenham fácil acesso a nossa linha de produtos.” Para o dirigente paulista, esta negociação vem de encontro às necessidades da FPJ e aos anseios da MKS/Adidas. “O projeto da parceria veio de encontro às necessidades da MKS/ Adidas em desenvolver um forte trabalho de venda e fortalecimento da marca no segmento do judô. Já a FPJ agora vai vestir uma marca forte e de muita qualidade. Em médio prazo teremos material esportivo Adidas, e isso é muito importante.” Puglia falou quais são os atletas que receberão os judoguis Adidas. “No convênio firmado com a MKS para 2012 a empresa fornecerá um kit para todos os campeões paulistas, do infanto-juvenil ao sênior. Este kit é composto por um par de judogis branco e azul, mais uma camiseta

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para os atletas. Os técnicos, chefes de delegação e árbitros também receberão uma camiseta.” Murilo Saba promete inovar no sentido de aproximar a marca do público consumidor. “Na verdade pretendemos inovar e atuar mais nos moldes usados na Europa, levando nossos produtos aos principais eventos realizados em São Paulo e, com o tempo, no Brasil. Dessa forma poderemos ouvir os consumidores e trabalhar naquilo que o mercado busca.” O coordenador técnico da FPJ prevê uma série de inovações, fruto desta parceria. “O ano de 2012 já começou muito bem, pois, além da negociação com este fabricante de judogis, prevemos uma série de ações em conjunto com a

MKS e empresas de outros segmentos. Acredito que a MKS e a FPJ desenvolverão uma série de ações no sentido de fortalecer nossa negociação.” A primeira grande ação da marca ocorreu na sexta edição da Copa São Paulo, em que a marca alemã montou um estande com aproximadamente 80 metros quadrados. Segundo o empresário paulistano, a ação foi um sucesso. “Demos o start nas ações na Copa São Paulo, quando expusemos nossos produtos ao público paulista e brasileiro que lá esteve. Esta primeira impressão foi muito boa, e espero que nossa relação com este importante mercado cresça cada vez mais.”


karatê brasília

Por Paulo Pinto Fotos Arquivo

Karatê do Distrito Federal

CADA DiA mAis Forte Com apenas oito anos de existência, a Federação Candanga de Karatê resgatou um espaço no cenário esportivo de Brasília que a modalidade havia perdido. Com o surgimento de novos talentos, a FCK tem desenvolvido junto aos seus associados um movimento de valorização do karatê como um todo. Com um trabalho fundamentado na participação de uma diretoria competente, dinâmica e com nível técnico elevado, o karatê brasiliense tem-se projetado mundialmente. Para Abdias Cordeiro, presidente da FCK, a gestão participativa vem proporcionando avanços enormes. “Nossa entidade é dirigida por um colegiado, o que impede que as decisões sejam monocráticas. Isso tem-nos dado liberdade de estar sempre trabalhando com uma perspectiva positiva e com enorme confiança no futuro.” O dirigente candango destacou ainda a importância da informação no processo de aprimoramento da entidade. “A FCK tem o compromisso de disponibilizar a todos os seus associados as informações possíveis no cenário internacional de nossa modalidade. Assim todos estarão sempre atualizados e a par do que existe de mais moderno no karatê de competição, sem esquecer, é claro, do Budô, que é o que norteia nossa arte milenar.”

AABB-DF tem atuação marcante no karatê candango Graças a uma administração moderna, que prioriza o incentivo do desporto amador, a Associação Atlética Banco do Brasil do Distrito Federal oferece grande apoio ao karatê e

demais modalidades. Situada numa área nobre da capital federal, à beira do lado Sul e com uma vista privilegiada do Lago Paranoá, a AABB possui três ginásios poliesportivos, o que possibilita a realização de vários eventos simultâneos, como na Copa Adidas de Karatê. Tem alojamentos que abrigam atletas que vêm de outros Estados e regiões, bem como os de Brasília que precisam pernoitar para treinar no dia seguinte. José Augusto, presidente da AABB, destaca o apoio ao karatê do Distrito Federal. “Acompanhamos com grande expectativa o crescimento que o karatê de Brasília obteve nos últimos anos, e não medimos esforços

para apoiar esta modalidade. Cedemos nossa estrutura para a preparação da seleção candanga de karatê, e os resultados têm sido cada vez mais expressivos.” Para Carlos Antônio Soares, diretor de esportes do clube, uma das prioridades da atual gestão é disponibilizar sua estrutura em benefício e no fomento do desporto brasiliense. “A AABB-DF oferece toda a estrutura do clube para a preparação física dos atletas. Nisso incluímos nossa quadra de areia, piscina e a pista de corrida. Nossa meta é apoiar todos os atletas do Distrito Federal que buscam uma preparação física adequada para competir em condições de igualdade com atletas do Brasil e fora dele.”

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COPA

Por Paulo Pinto Fotos Marcelo Lopes, テエ Cristiane Ishizava e Revista Bud

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Sテグ


O L U A P Ô DE JUD

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Palmeiras é Campeão da 6ª Copa São Paulo

ão Bernardo do Campo (SP) – Após dois dias de muita disputa, o Palmeiras/ Mogi conquistou o bicampeonato da Copa São Paulo de Judô. A participação recorde de 2.846 judocas vindos de 200 associações resultou no maior evento da modalidade realizado até hoje no Brasil. Centenas de ippons e combates eletrizantes ratificaram a tradição do judô no cenário desportivo paulista. Mas o grande destaque deste ano foi a participação de equipes e atletas de outros Estados, e assim o Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Paraíba e Maranhão marcaram presença e abrilhantaram o primeiro grande evento do judô brasileiro desta temporada. Autoridades esportivas e políticas estiveram na abertura da competição, entre as quais José Luiz Ferrarezi, secretário de Esportes de São Bernardo, que representou o prefeito Luiz Marinho; Nelson Gil, assistente técnico da Secretaria de Esporte e Lazer do Estado de São Paulo e diretor da Vila Olímpica Mário Covas; Marcos Siarves, gestor técnico do governo do Estado de São Paulo para este evento; Cláudio Roberto dos Santos, gestor do desporto escolar do Estado de São Paulo; Luiz Tambucci, kodansha 9º dan; Matheus

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Sugizaki e Roberto Canassa, que foram vice-presidentes da FPJ. Nas 12 áreas montadas no ginásio Adib Moisés Dib vimos grandes judocas da atualidade e do passado, que lutaram na categoria grand máster. Atletas que representaram as principais equipes do Brasil e brigaram por uma vaga no pódio das 184 categorias em disputa. O Palmeiras/Mogi levou a melhor e após dois dias de disputa a equipe alviverde somou 97 pontos, conquistando 11 medalhas de ouro, dez de prata e 12 de bronze. No feminino foram, Esther Fonseca foi ouro no meio-médio e Kailany de Carlis, bronze no meio-pesado do sub 11. Já no sub 13, Giuliana Monteiro conquistou o ouro e Giovanna Monteiro, o bronze do super-ligeiro; Jackeline Monteiro foi ouro no meio-leve; Catarina Barbara, prata no leve; Tainá Oliveira, ouro e Gabriella Mantena, prata no meio-médio; Ana Paula Santos, ouro e Gisele Anjos, prata no médio. No sub 15, Andressa Anjos conquistou o ouro no super-ligeiro; Nathalia Souza, bronze no meio-leve; Gabriela Clemente, ouro no leve; Thauana Aquino, bronze no meio-médio; Agnes Motta, prata no médio. As meninas do sub 17 ainda conquistaram um ouro com Aine Schmidt, no meio-pesado, e um bronze com Riva Coelho, no pesado. No masculino sub 11, o Palmeiras/Mogi levou o ouro com João Ricardo Martins no super-ligeiro e Gabriel Bondezan no meio-leve; Marco Aurélio Filho foi prata no super-pesado. No sub 13, Fabrício Monteiro conquistou prata no super-ligeiro e Willian Lima, ouro no meio-médio. No sub 15, João Carlos Alves foi bronze do super-ligeiro; Gabriel Santana, prata no meio-leve; e André Takahashi, bronze no médio. No sub 17, Rafael Bondezan levou a prata no ligeiro e João Marcos Cesarino, o bronze no pesado. No sub 20, Vítor Torrente foi prata no super-ligeiro; Vítor Delgado, bronze no ligeiro; e Luiz Beretta, bronze no meio-leve. No sênior, Thiago Cachoni conquistou o bronze no meio-leve; Lincoln Al-

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fenas, o bronze no meio-médio; e Ricardo Bruno de Jesus, a prata no médio. Mas a competição não foi nada fácil para os palmeirenses, pois o Esporte Clube Pinheiros ficou em segundo lugar com dez ouros, dez pratas e sete bronzes, totalizando 87 pontos. O Pinheiros possui o time mais forte do Brasil nas categorias sub 20 e sênior, mas foi justamente por isso que ficou alguns pontos abaixo do alviverde, já que grande parte de seus atletas está constantemente servindo à seleção brasileira. O Minas Tênis Clube ficou na terceira colocação geral, somando 44 pontos, com seis ouros, três pratas e cinco bronzes. A turma minastenista superou equipes tradicionais do judô paulista e foi a primeira de fora do Estado de São Paulo a marcar presença no pódio da Copa São Paulo de Judô. A categoria grand máster fechou a competição e coroou o certame com disputas sensacionais dos judocas veteranos, que iniciaram a preparação para o mundial da categoria, que se realiza este ano em Salvador (BA). Pela primeira vez a categoria de veteranos teve uma competição no início da temporada, e a participação dos judocas correspondeu às expectativas. Segundo os dirigentes de São Paulo, além do shiai, em 2013 a competição terá também disputas de kata. Alessandro Puglia, coordenador técnico da FPJ, destacou a necessidade de promover maior intercâmbio. ”Após a realização da Copa São Paulo de 2011, a meta estabelecida foi aumentar a participação de atletas

Classificação Final Ouro

Prata

Bronze

1º Palmeiras/Mogi

97

11

10

12

2º Esporte Clube Pinheiros

87

10

10

7

3 º Minas T. C.

44

6

3

5

Equipe

Pts

4 º Seduc - Praia Grande

44

4

6

6

5 º São João Tênis Clube

40

5

3

6

6 º ADPM-Reg. S. J. C.

39

5

3

5

7 º Assoc. Desportiva São Caetano

32

5

2

1

8 º Assoc. de Judô Rogério Sampaio

32

5

1

4

9 º Assoc. Marcos Mercadante de Judô

28

4

1

5

10 º Rio Preto Automóvel Clube

22

3

1

4

11 º Assoc. Bras. A Hebraica de SP

21

1

3

7

12 º SESI -SP

20

1

4

3

13 º Sogipa

19

3

0

4

14 º Tênis Clube S. José dos Campos

18

1

2

7

15 º Assoc. de Judô Budokan Peruíbe

15

2

1

2

16 º Associação Judô Nery

15

2

0

5

17 º Assoc. Desportiva Judô na Faixa

14

2

1

1

18 º SESI - SP

14

2

0

4

19 º Assoc. Hirakawa de Judô

13

2

1

0

20. A. Desp. Centro Olímpico

13

1

2

2


no certame, e decidimos convidar outros Estados para esta edição. Resultou que tivemos mais de 2.800 judocas inscritos e, já no primeiro dia realizamos a competição com 1.500 atletas em menos de 12 horas. Hoje iniciamos às 10 e terminamos às 17 horas. Conseguimos fazer um campeonato desta magnitude em tempo recorde e, segundo ouvimos, a competição foi um sucesso total. Este evento foi um divisor de águas para a Federação Paulista de Judô, e já nos sentimos na obrigação de fazer algo muito melhor no ano que vem. Vamos trabalhar intensamente para que Copa São Paulo 2013 seja ainda melhor do que esta e para que mais Estados participem. Dessa forma, estaremos promovendo o intercâmbio técnico de que o judô brasileiro necessita.” Para Francisco de Carvalho, o novo formato da Copa São Paulo mostra que a FPJ está capacitada para promover competições de grande porte. “Nosso evento foi excelente, e o resultado da competição nos dá certeza de que São Paulo tem capacidade de sobra para promover eventos de grande porte. Possuímos uma equipe coesa, que sempre atende às expectativas. Quero agradecer a todos que participaram da realização dessa competição, e em especial às equipes da comunicação, logística, receptivo, arbitragem, departamento técnico, manutenção, médicos, fisioterapeutas e aos nossos 16 delegados regionais. Pessoas que se empenharam para fazer este grande evento”, comemorou o presidente paulista. Balanço Final A Copa São Paulo é sempre a primeira competição do calendário anual da FPJ, e não

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podemos esquecer que algumas categorias estavam já há mais de quatro meses sem competir. Só este fato é suficiente para dimensionarmos a importância de uma competição desse porte, no início de cada temporada. Entretanto, esta edição mostrou nuances novas ao superdimensionar a competição que poderá tornar-se o termômetro do judô nacional. Se analisarmos a competição com base no modelo que a Federação Internacional de Judô (FIJ) adota, concluiremos que fazer um torneio com quase 3 mil judocas em menos de dois dias é no mínimo um absurdo. Mas, se lembrarmos do modelo das disputas realizadas no passado, perceberemos certa coerência neste formato de competição, em que os mais jovens têm convívio direto com seus ídolos e passam a ter referências cada vez maiores para seguir adiante. E este é o legado, a grande sacada, da Copa São Paulo. Sem contar que, com a inclusão da categoria grand máster, os jovens judocas podem ver seus professores em ação, e isso é muito importante ambos. Outro fator de suma importância foi o intercâmbio realizado entre atletas de vários Estados, que tiveram a oportunidade de competir e dividir os tatamis com os atletas do maior centro do judô no continente americano, e esta convivência é fundamental para o desenvolvimento do judô de todo o País. Algumas coisas precisam ser ainda revistas, e muito há de ser feito para que esta competição atenda verdadeiramente aos anseios daqueles que a criaram, mas ver uma arena com aproximadamente 8 mil pessoas vivendo o judô em sua essência foi algo sem precedentes. Algo que dificilmente esqueceremos, devido ao gigantismo da competição. Agora é estudar o que pode ser feito para melhorar a disputa e fazer com que todos os judocas do Brasil que desejam crescer tecnicamente tenham acesso a esta competição.

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Números da Copa São Paulo

Impressionam

pós o fim do último combate no Ginásio Adib Moisés Dib, iniciamos a avaliação geral da maior competição realizada até hoje no Brasil, e os números realmente surpreendem. Foram montadas 12 áreas de luta, e 74 árbitros atuaram nos dois dias. Ao todo, 2.846 judocas, vindos de 200 associações, inscreveram-se na competição. A equipe técnica foi composta por um coordenador geral, dez sumulistas, quatro emitentes de chaves e resultados, 12 operadores de placares e 16 oficiais para cuidar especificamente da pesagem. O setor financeiro contou com três membros, enquanto o controle e a produção de documentos foram feitos por duas pessoas. Já o setor de logística mereceu a atuação de três experientes membros da delegacia da capital. A área médica foi formada por 12 fisioterapeutas e dois médicos. Os 16 delegados regionais do Estado de São Paulo deram suporte direto ao evento nos dois dias de competição. O contingente da comunicação também foi bastante expressivo, tendo a apresentação e a locução feitas por José Jantalia e Luiz Aquino. Cinco fotógrafos e 12 cinegrafistas cobriram a disputa. Um dado surpreendente foi o equilíbrio do nível técnico da competição. Das 200 associações

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inscritas no certame, exatas 100 pontuaram. Metade das equipes inscritas subiu ao pódio, o que mostra o alto nível técnico da competição. Os números da Copa São Paulo foram expressivos, porém o índice técnico impressionou ainda mais. Uma análise simples nos permite concluir que professores e técnicos que lá estiveram fizeram um excelente trabalho de pré-temporada, e quem ganha com isso é o judô brasileiro. A supervisão geral da competição esteve a cargo de Alessandro Puglia, coordenador técnico da FPJ, porém Francisco de Carvalho, presidente da entidade, esteve diretamente envolvido em todos os setores da competição, cobrando resultados e atendendo às necessidades, já que o ineditismo do evento exigiu uma série de ações emergenciais. Segundo Alessandro Puglia, muito deve ser feito ainda para evitar que os erros desta edição se repitam no futuro. “O balanço geral do certame foi altamente positivo, mas sabemos que houve problemas em vários setores em função da quantidade de atletas inscritos e combates realizados, mas fizemos tudo que esteve ao nosso alcance para contornar as dificuldades e agilizar a disputa. Agora temos uma visão bem mais real da estrutura que um evento deste porte demanda e, mesmo estando cientes do gigantismo da Copa São Paulo, certamente faremos uma competição infinitamente melhor em 2013.”

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Avaliação

Copa São Paulo 2012

Acompanhamos a correria dos técnicos pelas 12 áreas montadas no Ginásio Adib Moisés Dib, e vimos que foram dois dias exaustivos. Não houve tempo para muita coisa, além de tentar acompanhar e orientar os judocas das mesmas equipes que competiam simultaneamente. No segundo dia da competição ouvimos alguns dos principais técnicos que atuaram na Copa São Paulo e, mesmo com o ritmo frenético imposto pelo gigantismo da competição, a avaliação geral sobre o novo formato do certame foi bastante positiva.

Floriano de Almeida – Minas Tênis Clube (MG) Felipe Quadros – Sogipa (RS)

O técnico gaúcho elogiou a estrutura do evento e destacou o nível da competição. “Viemos a São Bernardo com uma equipe formada por 42 atletas, e já no primeiro dia pudemos constatar que o nível técnico é muito bom. Acredito que, devido ao grande número de bons judocas, a competição seja muito mais forte do que um campeonato brasileiro. Valeu a pena o esforço para vir aqui, e acredito que, diante da qualidade apresentada, daqui por diante participaremos de todas as edições da Copa São Paulo.”

O técnico minastenista destacou o alto nível da competição. “Viemos aqui em busca de tudo aquilo que o torneio apresentou. Viemos buscar uma competição de qualidade e com ótimos atletas, que não encontramos em outras regiões do País. No que diz respeito à qualidade técnica, foi tudo perfeito. Com relação à organização, ficamos surpresos, pois jamais havíamos visto uma competição com 12 áreas. É claro que num evento deste porte sempre há alguma coisa para ajustar, e pontualmente vi alguns problemas com relação à arbitragem, mas sei que no próximo ano a Copa São Paulo será ainda melhor, e certamente estaremos aqui com uma equipe maior.”

Edson Puglia Palmeiras/Mogi (SP)

Para o dirigente e técnico palmeirense a Copa São Paulo promoveu um grande intercâmbio técnico. “Inscrevemos aproximadamente 150 atletas e ficamos satisfeitos com o nível dos judocas que aqui estiveram. A competição esteve dentro do esperado e manteve o mesmo ritmo dos eventos promovidos pela FPJ. A participação de equipes de outros Estados elevou ainda mais o padrão e engrandeceu a competição. Mais uma vez a diretoria da FPJ acertou e foi feliz, unindo em São Paulo a base das grandes agremiações do Brasil. Acima de tudo, realizamos aqui um intercâmbio técnico que há muito tempo não se via no País.”

Joseph Guilherme – Harai-goshi (GO)

O experiente técnico goiano destacou a grande quantidade de atletas de nível. “Minha avaliação deste evento é altamente positiva pelo número de judocas de qualidade. O nível técnico apresentado nesta competição é impressionante, e para os nossos atletas esta é uma experiência única. Poder pegar no kimono de judocas que já estão na seleção e de outros que estão buscando uma vaga é muito importante. Viemos aqui justamente para aprender e ter parâmetros de quanto temos de treinar para melhorar nosso judô. Viemos em 22 atletas e nossa comissão técnica é formada por quatro técnicos. De Goiânia até aqui é uma longa viagem, mas está valendo a pena, já que sem intercâmbio não há crescimento. Em Goiás não temos competições desse nível, e a Copa São Paulo atendeu plenamente aos nossos propósitos. A partir de agora vamos trabalhar focados neste evento no início da temporada.”

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Sérgio Baldijão Esporte Clube Pinheiros (SP) )

Para o técnico do Clube Pinheiros a Copa São Paulo é a competição mais forte do calendário paulista. “As disputas do sênior e do sub 20 foram de alto nível, com judocas de ponta competindo em quase todos os pesos. Numa competição aberta há sempre vários atletas lutando na mesma categoria, e muitas vezes um dos favoritos é eliminado logo na primeira rodada. Mas são justamente estas surpresas, a mistura de escolas e estilos, que tornam uma competição nesses moldes algo maravilhoso. Já disse algumas vezes que a Copa São Paulo é a competição mais forte e importante do Estado de São Paulo. Claro que o campeonato paulista é importante para se obter a classificação para o brasileiro, mas tecnicamente ela é muito mais forte que o campeonato paulista. Este ano, em particular, foi melhor ainda, devido à participação de atletas de outros Estados.” Serginho destacou a importância de os mais jovens lutarem ao lado dos mais experientes. “Outra coisa importante é a garotada lutar ao lado dos mais experientes, e isso é uma coisa que o Chico está resgatando. Antigamente as competições eram feitas dessa forma, e com isso a garotada tinha o espelho da nata do judô. Isso realmente incentiva e motiva a garotada. Sem contar que cada criança traz no mínimo três ou quatro pessoas da família, e isso é fundamental. Com toda a experiência que tenho, jamais havia visto um ginásio deste tamanho lotado numa competição de judô. É um grande tumulto, mas é fundamental para o desenvolvimento de nossa modalidade, e por isso aprovo totalmente este formato.”

Fernando Patti Seduc Praia Grande (SP)

Patti afirmou que o certame será um marco na modalidade. “Este ano a Copa São Paulo apresentou um nível excelente, e contou com a participação de uma quantidade enorme de atletas bons, e isso deve resultar em muitas variáveis e surpresas positivas. Sem dúvida esta competição será um marco e será lembrada com uma das melhores do Brasil. Realizamos três edições da copa na Praia Grande, nas quais a cada ano superamos o número de inscrições, mas São Bernardo está fazendo um evento grandioso e, claro, com outro porte.” Fernando ainda lembrou o grande amigo que se foi. “Perdemos o João Carlos, que era o regente de toda a equipe da Praia Grande, mas a disposição é a mesma. A perda é irreparável, mas o legado que ele deixou é inegável. Então temos a obrigação e o dever de continuar aprimorando tudo que foi desenvolvido na gestão do João, e seguir adiante.”

Dener Andrade – Bushidô (SP)

O sensei de Bauru destacou o intercâmbio que a Copa São Paulo proporcionou. “Viemos com 41 atletas e sei que é um grupo relativamente grande, porém temos apenas duas atletas com chances reais de medalhar. Mas viemos justamente em busca de experiência, o que felizmente encontramos de sobra em São Bernardo. Sobre a competição, eu tiro o chapéu para a diretoria da FPJ, porque abrir a Copa São Paulo para todo o Brasil fortaleceu e engrandeceu muito a competição, que já tinha um grau de qualidade muito elevado. Essa ação veio coroar e gestão atual, que está desenvolvendo um trabalhando excelente, e felizmente isso se estende a todas as delegacias regionais. São Paulo sempre foi forte, mas a edequação das equipes somada à reformulação que está sendo feita certamente projetará ainda mais o Estado nas competições nacionais. Só me resta parabenizar nossa diretoria.”

Alfredo Dornelles Minas Tênis Clube (MG)

Responsável pelo departamento de judô da Universidade Gama Filho por mais de 35 anos, e hoje membro da comissão técnica do Minas Tênis, Alfredo Dornelles destacou o gigantismo da competição. “Este é um evento extraordinário em todos os aspectos. Eu jamais havia visto algo semelhante ao que vimos aqui. É lógico que uma megaestrutura com quase 3 mil atletas vai apresentar falhas, mas o evento não perde o brilho e a importância de nossa participação não diminui. É uma experiência única e estamos obtendo uma série de ensinamentos. O nível técnico de São Paulo sempre é muito bom, e precisamos ter maior contato com o judô paulista. Aqui podemos aprender e fortalecer nossa equipe, e nesse sentido a competição foi perfeita.”

Léo Mansor Ateneu Mansor (SP)

“Sem dúvida tivemos um evento grandioso, de muita qualidade, e o nível técnico foi fantástico. As 12 áreas funcionaram muito bem o tempo todo, e o único problema ficou fora dos tatamis, onde faltou mais atenção na identificação dos atletas. A FPJ está de parabéns pela realização de um evento tão grande e com tamanha qualidade.”

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Rogério Quintela Barão de Mauá (SP)

Marinho Esteves – SESI (SP)

Responsável por um dos projetos mais bem sucedidos do judô paulista, o professor Marinho enfatizou a organização da Copa São Paulo. “Esta edição conseguiu um sucesso total, e o nível técnico do sênior foi muito bom, com lutas excelentes e ippons de encher os olhos. Minha avaliação é totalmente positiva, seja pelo nível técnico seja pela quantidade de atletas e pela organização, que foi muito boa. Não tenho do que reclamar, pois pensaram em tudo e tudo correu dentro do que foi programado. Houve planejamento, a coisa fluiu muito bem, e só nos resta cumprimentar o corpo técnico da FPJ por mais este grande evento.”

Paulo Pi – São João Tênis Clube (SP) O técnico de Atibaia e da seleção paulista lembrou que a competição proporcionou excelente preparo para o campeonato brasileiro. “Acho que a Federação Paulista está de parabéns, pois não é qualquer entidade que promove um evento com 12 áreas e 2.865 atletas. Só temos de elogiar nosso presidente pela coragem de assumir uma responsabilidade dessas. Este é o primeiro evento com proporções gigantescas e algumas ações precisam ser ajustadas, mas são detalhes, se comparadas ao tamanho da competição. Tudo foi impressionantemente grande, começando pela qualidade técnica, e é disso que o judô brasileiro precisa. As maiores equipes do Brasil vieram em peso; estamos prestes a disputar o brasileiro e tenho certeza de que a competição ofereceu bom preparo e todos ficaram satisfeitos com o nível do certame.”

Emílio Moreira Academia Seishin (MA)

Sensei Emílio destacou a organização da competição. “Observando superficialmente, já constatei que este é um evento muito bem organizado, ao contrário do que vimos na seletiva sub 20 realizada em Goiânia, que com apenas 240 judocas levou quase 16 horas para ser concluída. A organização mostrou-se o ponto alto da Copa São Paulo, e o nível técnico foi excelente. Vimos muito ippon e atletas que estão na seleção brasileira. Este evento deveria fazer parte do calendário da CBJ, pois é um dos mais importantes do Brasil, hoje.”

Para o técnico de Ribeirão Preto a Copa São Paulo é a maior referência do calendário nacional. “Tecnicamente falando, a competição foi excepcional e acredito que hoje a Copa São Paulo seja a maior referência do calendário nacional. Fazer uma competição com quase 3 mil judocas em dois dias apenas é um marco no judô brasileiro. Jamais havia participado de um evento com tamanha grandeza. Não dá nem para imaginar quantas lutas foram feitas, e mesmo assim tudo ocorreu em tempo recorde. Tenho certeza de que a iniciativa não vai parar por aqui e certamente teremos surpresas em 2013. A FPJ não para de inovar e o maior upgrade neste ano foi a mudança no sistema de classificação para o campeonato paulista, em que o campeão regional já está classificado e os demais atletas têm condições de se classificar em até três competições estaduais do interior. Esta sacada elevará ainda mais o nível do campeonato paulista sênior, e isso vai refletir-se diretamente nas competições nacionais.”

Andreia Berti Esporte Clube Pinheiros (SP)

A técnica do Pinheiros e da seleção brasileira gostou do nível técnico, mas não aprovou o formato da competição. “O nível dos atletas paulistas é bastante alto e isso torna a competição extremamente forte. Vimos atletas da seleção brasileira juvenil e júnior perdendo, e isso mostra que a disputa estava fortíssima. Sobre a organização, penso que a ideia é legal e acho que colocar muitas áreas foi importante pelo número de atletas inscritos. Mas na prática, para nós, técnicos, fica muito ruim porque não nos achamos na competição. Falo como técnica, e foi muito difícil acompanhar meus atletas. Defendo um clube que possui vários técnicos, mas fico pensando nas equipes menores. Na prática, acho que não funcionou, e não aprovo que adultos e crianças lutem juntos.”

Ivo Nascimento – Associação Rogério Sampaio (SP)

O técnico santista destacou o nível da categoria sênior. “Nos dois dias de disputa vimos uma competição muito forte, muitos atletas de qualidade e muitas lutas com excelente padrão técnico. Principalmente no sênior, em que estavam muitos atletas do alto nível. Acho que este foi um dos melhores campeonatos que vi até hoje em São Paulo. Conquistamos cinco ouros, uma prata e quatro bronzes, e ficamos satisfeitos com a oitava colocação geral.”


Carlos Leonardo – Seduc (SP)

O destacado técnico do litoral paulista parabenizou a Prefeitura de São Bernardo pela realização do evento. “Tivemos uma competição com um nível técnico muito alto, muitos atletas despontando, algumas revelações e outros buscando seu espaço. Em nível de América foi uma competição única em termos de estrutura e volume de atletas. A FPJ está de parabéns porque não foi apenas São Paulo que ganhou com este evento, mas o judô como um todo. As três últimas edições da Copa São Paulo realizaram-se na Praia Grande, mas, apesar da excelente estrutura que possuímos, não teríamos condições de receber um evento com este porte. Parabenizo a administração de São Bernardo do Campo, que em parceria com a FPJ realizou um evento grandioso. Lembro que a Praia Grande sempre está de portas abertas para receber os eventos do judô paulista.”lutem juntos.”

Paulo Duarte – SESI (SP)

Um dos técnicos mais premiado do País, Paulo Duarte destacou a possibilidade de intercâmbio que a Copa São Paulo oferecerá daqui por diante. “Achei a iniciativa da FPJ espetacular, pois agora a Copa São Paulo certamente contribuirá para o desenvolvimento técnico do judô de todo o País. Os atletas de outros Estados não têm oportunidade de fazer intercâmbio com São Paulo ou outros grandes centros, e daqui por diante esta competição proporcionará uma grande experiência para os judocas de todas as categorias que pretendem desenvolver-se tecnicamente. Afirmo isso porque num campeonato brasileiro só temos um representante por Estado, e isso é muito pouco para massificar e nivelar o judô dos demais Estados. Vejo na ação da FPJ uma grande oportunidade de desenvolvimento técnico para todo o País. Tivemos aqui a segunda e a terceira forças do judô nacional, que puderam realizar um intercâmbio de altíssimo nível.”

Rubens Pereira Judô Colossus (SP)

O técnico e dirigente paulistano elogiou a grandeza da competição. “Sem dúvida esta foi a maior competição realizada até hoje na América Latina. Francisco de Carvalho, presidente da FPJ, está de parabéns, pois eu nunca havia visto uma quantidade tão grande de judocas num só evento. Hoje, no segundo dia de competição, teremos a categoria máster, fechando o evento com chave de ouro. Hoje é um dia especial e o judô de todo o País tem de comemorar a realização de um evento que deverá mudar os conceitos de competição adotados até aqui. Aliás, os tecnocratas do judô nacional deveriam estar aqui para ver como se promove um evento para a base e o alto rendimento. O judô paulista está de parabéns.”

Professor Gil A. D. Santo André (SP)

Expert na realização de eventos, Gil enalteceu a supremacia paulista no cenário nacional. “Em termos de organização o evento foi excelente. Até hoje esta foi a única competição com este contingente de atletas e uma estrutura desse porte. Com relação ao nível técnico, mais uma vez São Paulo mostra que é a maior força do judô nacional. Pontualmente alguns Estados se sobressaem em um ou outro peso do masculino ou do feminino, mas de forma geral São Paulo ainda é o carro-chefe do judô nacional. A vinda das equipes de outros Estados valorizou a competição, melhorou a qualidade técnica e promoveu grande intercâmbio. Dou nota 9 para o evento, e espero que em 2013 tenhamos uma competição ainda maior e que mais equipes do País venham participar da Copa São Paulo.”

Marcelo Nery Academia Nery (SP)

Para o técnico de Ribeirão Pires, a Copa São Paulo deste ano foi um divisor de águas. “Minha avaliação da Copa São Paulo é a melhor possível. Dou nota 10 para a competição e penso que, em termos de organização, a FPJ deu aula para Confederação Brasileira de Judô. Acho que esta edição foi um divisor de águas da competição, que deverá ficar cada vez maior.”

Daniel Dell’Aquila – Clube Paineiras do Morumby (SP)

O técnico do Paineiras destacou a oportunidade de intercâmbio nacional. “Uma competição nestes moldes tem muitos aspectos importantes, porém o maior deles é a possibilidade de intercâmbio técnico entre atletas de todo o País e de todas as categorias de peso. Antes nós tínhamos competições nas quais víamos dezenas de atletas competindo na mesma categoria e, com o tempo, isso foi diminuindo. A Copa São Paulo 2012 fez este resgate.”

119


Dante Kanayama Diretor de arbitragem da FPJ

Para o diretor de arbitragem paulista este formato é extenuante e deve ser repensado. “Isso é uma coisa inédita em São Paulo, uma coisa nunca feita antes. Pode ser considerado um evento fantástico, porém é extremamente cansativo e extenuante. Acho que isso deve ser repensado e reavaliado, pois uma competição desse porte demanda uma organização mais complexa.”

Nelson Gil Assistente técnico da Secretaria de Esporte e Lazer do Estado de São Paulo)

Para Nelson Gil a Copa São Paulo é o reflexo de uma gestão inovadora. “Acompanhamos o trabalho desenvolvido pela diretoria da FPJ há muito tempo e, felizmente, temos uma relação cada vez mais harmoniosa com o judô. Uma competição desse porte só pode ser feita por pessoas que conhecem muito bem a modalidade, já que demanda planejamento e uma logística gigantesca. A Copa São Paulo mostra que Francisco de Carvalho é um dirigente inovador e de visão, e é de pessoas com este perfil que o desporto nacional precisa.”

Marcos Siarvi – Gestor técnico do governo do Estado de São Paulo

Para o representante do governo estadual, a Copa São Paulo garante a manutenção das parecerias existentes. “Para nós a parceria com a Federação Paulista de Judô é essencial porque estamos no Estado mais importante do País e, teoricamente, as federações daqui devem ter melhor retrospecto nas competições nacionais. E o judô paulista sempre corresponde às expectativas. Vivo constantemente dentro do esporte, e nunca tinha visto uma competição de judô com 12 áreas e com esse número de atletas. Este é um evento inédito para o governo estadual e competições desta magnitude garantem a renovação das parcerias. Para mim a realização de uma competição como esta ratifica a seriedade e a capacidade da diretoria da FPJ na condução e no fomento do judô paulista.”

Cláudio Roberto Santos Gestor do desporto escolar do Estado de São Paulo

Para o gestor do governo estadual a Copa São Paulo atende aos propósitos de sua secretaria. “O judô é um dos carros-chefe do desporto escolar em São Paulo, e vim conhecer a estrutura que a FPJ adota para eventos desse porte. A federação é nossa parceira na realização dos eventos escolares e já estamos acostumados com a qualidade apresentada pela entidade na realização das competições, mas a Copa São Paulo impressiona mesmo. O judô é uma modalidade enraizada na cultura esportiva brasileira, e sabemos que é uma das mais fortes quando pensamos em alto rendimento e Olimpíada, mas a estrutura montada aqui é impressionante. Sem contar que este certame atende ao nosso objetivo, que é montar uma equipe de judô fortíssima para defender São Paulo nos JEBs.”

120

Francisco de Carvalho avalia os comentários

O presidente da FPJ leu a avaliação dos técnicos e dirigentes que estiveram na competição e fez sua análise sobre o que foi dito. “Li atentamente os comentários feitos por técnicos e autoridades sobre a Copa São Paulo, e agradeço os elogios, assim como as críticas e sugestões que visam a melhorar nossa competição. Estaremos analisando tudo que foi sugerido para realizar um evento cada vez melhor. Agradeço o empenho de todos que atuaram dentro e fora do shiai-jo, bem como ao governo do Estado de São Paulo, que por meio da parceria firmada para esta temporada deu grande apoio a este evento. Meus agradecimentos finais vão para a Prefeitura de São Bernardo do Campo, que abriu as portas da cidade para o judô brasileiro e foi nossa grande parceira. Penso que esta edição da copa atendeu à nossa proposta, que era proporcionar aos judocas de todo o País um intercâmbio técnico de alto nível. Já estamos trabalhando para termos um evento ainda melhor no ano que vem.”


CLASSIFICAÇÃO FINAL Sub 11 Super-ligeiro 1º Sarah Vieira Souza 2º Giovanna Oliveira Jerez 3º Letícia Gallo Andreazi 3º Giulia Kaori Kondo Ligeiro 1º Julia Fernandes Silva 2º Liriel de Oliveira Santos 3º Ana Katharine Pontes 3º Isabela Farias Pereira Meio-leve 1º Larissa Morales 2º Paloma Moreira Ferreira 3º Isabela Dantas Brolio 3º Mirella Fernandes Nery Leve 1º Julia Souza de Oliveira 2º Francyne Pedroso Cesar 3º Layna Alves Fontes 3º Franciele M. Watanabe Meio-médio 1º Lorena Kelly Bruzadin 2º Bianca da Silva Azevedo 3º Kailany de Carlis Sales 3º Letícia Correia Amparo Médio 1º Larissa Makiko Kohatsu 2º Julia Santos Flores 3º Maria Eduarda Diniz 3º Isabela Angélica Oliveira Meio-pesado 1º Esther Izidoro Fonseca 2º Alanys Barros da Cruz 3º Larissa Dias dos Santos 3º Raquel de Souza Santos Pesado 1º Victoria Pereira da Silva 2º Maysa Del Prette Martins 3º Daniela Silva Santos 3º Lívia Dal Pozo Santana Super-pesado 1º Letícia Estewart Brandão 2º Beatriz Vilas Boas Darli 3º Jessica Hellen Koti Sub 13 Super-ligeiro 1º Giuliana Silva Monteiro 2º Manuela Pollyana Lima 3º Jhenifer Guiradello 3º Giovanna Silva Monteiro Ligeiro 1º Maria Heloísa Costa 2º Camila Emanoelle Ferreira 3º Carolina Barusso Oliveira

3º Daniele Kaori Kurosawa

3º Joseane Santos Nunes

3º Ana Luiza B. Gonçalves

Meio-leve

3º Thauana Campos Aquino

3º Thais Michico Suzuki

1º Jackeline Cristina Monteiro

Médio

Sub 20

2º Natalia Andrade Tarosso

1º Giovana Pernoncini

Super-ligeiro

3º Monique Stefani Monteiro

2º Agnes Fernandes Motta

1º Tawany Gianelo da Silva

3º Jasmine Martin

3º Sabrina Tavares Rosseto

2º Isamara Pereira da Silva

Leve

3º Daise Maria Locatelli

3º Bruna Caroline Gonçalves

1º Gabrielle Limeira Gonzaga

Meio-pesado

3º Amélia Rosa Silva Souza

2º Catarina Barbara Silva

1º Gabriela Vitoria Fontes

Ligeiro

3º Luana do Valle Santos

2º Lais Aparecida Santos

1º Gabriela Shinobu Chibana

3º Daniela Santos Barbosa

3º Pamella Barbosa Palma

2º Nathalia Castelan Brigida

Meio-médio

3º Isabella Mendes Romanelli

3º Jessica Miranda Osório

1º Tainá Oliveira da Silva

Pesado

3º Agueda Cristina Arruda

2º Gabriella M. de Moraes

1º Beatriz Rodrigues de Souza

Meio-leve

3º Bruna Silva Siqueira

2º Sarah Gabriele O. Chaves

1º Thais Borges dos Santos

3º Maria Eduarda R. Oliveira

3º Erika Thalita Pereira

2º Carolina Santos Batista

Médio

3º Milena Mayumi Kikuchi

3º Lívia Emi Yamashita

1º Ana Paula P. dos Santos

Super-ligeiro

3º Maria Paula Morais

2º Giseli da Silva Anjos

1º Gabriele Aparecida Santos

Leve

3º Mariana Bueno de Toledo

2º Karen Bianca de Souza

1º Flavia Rodrigues Gomes

3º Mayara Carnio

3º Karla Aryana Jonas Souza

2º Tamires da Silva

Meio-pesado

Sub 17

3º Gilmara C. Prudêncio

1º Sandy Vieira de Souza

Ligeiro

3º Ellen Cristina Rodrigues

2º Andressa S. Cavalcante

1º Letícia Ribeiro B. Silva

Meio-médio

3º Tifany Aparecida Osorio

2º Thayna Cabral Mendes

1º Ana Carla Grincevicus

3º Yasmin Duarte dos Santos

3º Franciele Aparecida Costa

2º Laisa de Souza Oliveira

Pesado

3º Andressa Farias Ferreira

3º Paula Medrado Freitas

1º Millena Ribeiro da Silva

Meio-leve

3º Tharrere Aparecida Reis

2º Marina de Marco Santucci

1º Rafaela Ruiz de Morais

Médio

3º Gabriela de Souza Miguel

2º Jessica Couto Lima

1º Anne Caroline Nogueira

3º Leticia Nogueira Munno

3º Larissa Graziele Santos

2º Francine Almeida Romão

Sub 15

3º Sabrina Gabriela Araujo

3º Luana Gasparini Santos

Super-ligeiro

Leve

3º Tainá Correa Felipe

1º Andressa Freitas dos Anjos

1º Victoria Souza Castilho

Meio-pesado

2º Jessica Carvalho da Silva

2º Geovana Soares Lima

1º Samanta Batista Soares

3º Monique de Abreu Cardoso

3º Paola Matheus Marques

2º Letícia Ribeiro de Jesus

3º Yohana Dhara dos Santos

3º Anne Karoline Macedo

3º Pámela Pastorello Souza

Ligeiro

Meio-médio

3º Julia Dezem Von Ah

1º Larissa Cincinato Pimenta

1º Gabriela S. Bittencourt

Pesado

2º Luana Raissa dos Santos

2º Tainá Estefani Gonçalves

1º Sibilla Jacinto Faccholli

3º Mariana de Lima Mendes

3º Jeniffer Braz Carneiro

2º Kawanne Toledo Martins

3º Yasmim Reis da Silva

3º Yasmim Fernandes

3º Gabriella Lopes S. Souza

Meio-leve

Médio

3º Istelina Tayrane Mota Silva

1º Ryanne Couto Lima

1º Yanka Dalbem Pascoalino

Sênior

2º Amanda de Lima Mendes

2º Alana Uraguti

Super-ligeiro

3º Gabrielly Rodrigues Soares

3º Paola Roberta Colodiano

1º Tawany Gianelo da Silva

3º Nathalia dos Santos Souza

3º Karoline G. Barbeirotti

2º Isamara Pereira da Silva

Leve

Meio-pesado

3º Letícia Ribeiro B. Silva

1º Gabriela Silva Clemente

1º Aine Dalete F. Schmidt

3º Amanda Alves Santos

2º Gabriele Cristina Soares

2º Lais Helena Miranda Souza

Ligeiro

3º Thamiris Neris Cabral

3º Kamila Gomes Nogueira

1º Catiere Toledo Moya

3º Franciele Caroline Terenzi

3º Renata Alannys da Silva

2º Luana Barbosa Mendes

Meio-médio

Pesado

3º Nathalia O. Mercadante

1º Gabriela Alves Costa

1º Ellen de Oliveira Furtado

3º Carolina Pereira Martins

2º Mariana M. Minakawa

2º Loraine Cristina Dias Silva

121


Meio-leve

3º Rafael Kendi Kano

1º Guilherme Kenji Guimarães

1º Eleudis de Souza Valentim

3º Antonio Martins Sobrinho

2º Marcelo Augusto Gomes

2º Mayra Gabrielle Martins

Médio

3º Vinicius Kyohiko Tokushige

3º Milena Cristina Vilela

1º Arthur Gonçalves Souza

3º Gustavo Borsoi de Siqueira

3º Rosanne Aparecida Aguiar

2º Felipe Alves Gonçalves

Pesado

Leve

3º Ricardo Vieira Aguiar

1º Gilberto Bernardo Souza

1º Camila Zyman Minakawa

3º Vitor Luis Martins

2º Heitor Terciotte

2º Tamara dos Santos

Meio-pesado

3º Gustavo Beguet Bumbell

3º Shayany D. Pascoalino

1º Luigi Henrique Bellucci

3º Anderson Gabriel Godinho

3º Jessica do Amaral

2º Iago do Valle Rodrigues

Sub 15

Meio-médio

3º Gilson Benedito Miosso

Super-ligeiro

1º Dayana da Silva Neves

3º Brenno Hilário Monteiro

1º João Paulo Correia

2º Dione Silva Barbosa Lima

Pesado

2º Sergio Seda Escudeiro

3º Fernanda Natasha Carvalho

1º João Victor Rodrigues

3º João Carlos Alves

3º Karol Priscila Gimenez

2º Lucas Domingues Florêncio

3º João Luis Brandão

Médio

3º Guilherme Sadao Matayoshi

Ligeiro

1º Nadia Bagnatori Merli

3º Lucas Imbernon da Silva

1º Mike Silva Pinheiro

2º Anne Caroline Barbosa

Super-pesado

2º João Victor dos Santos

3º Brenda Aguiar dos Santos

1º Gabriel Toshio C. Kawahara

3º Jonathan Renan Lemos

3º Marília Oliveira da Costa

2º Marco Aurélio H. Filho

3º Christian Capelas Jesus

Meio-pesado

3º Miguel Barboza Monteiro

Meio-leve

1º Talita Liborio Morais

Extra Pesado

1º Bruno Cesar Watanabe

2º Rubiana Lopes Cury

1º Jair Valentini K. Rocha

2º Gabriel Silva Santana

3º Isabelle Chiara M. Vieira

2º Everton Silva dos Santos

3º Michael Vinicius Marcelino

3º Pámela Vitorio Ventura

Sub 13

3º Matheus F. Barbosa

Pesado

Super-ligeiro

Leve

1º Edinanci Fernandes Silva

1º Felipe Dias Jerônimo

1º Eric Arcas Gonçalves

2º Paloma Paulino Rocha

2º Fabricio H. Monteiro

2º Kayode Manu Alves

3º Riva da Silva Coelho

3º Gian Sousa Santos

3º Madson G. Oliveira

3º Tamara Silva Gervazoni

3º Raphael Caze Aquino

3º Yan Gonçalves Cunha

Masculino

Ligeiro

Meio-médio

Sub 11

1º Guilherme S. Goetz

1º Vitor Batalha da Silva

Super-ligeiro

2º Nicolas Dias da Silva

2º Jeferson Luiz Santos

1º João Ricardo Martins

3º Diogo Pedrosa Rocha

3º Matheus G. Barboza

2º João Marcelo M. de Oliveira

3º Marcos Vinicius Martins

3º Emerson Pereira Silva

3º Samuel Machado da Silva

Meio-leve

Médio

3º Murilo Bernardelli de Brito

1º Isaac Neper Oliveira

1º Ariel Matteucci Alencar

Ligeiro

2º Rômulo Siqueira Martino

2º Marcelo Henrique Salles

1º Gustavo Brait de Lima

3º João Vitor Ferreira

3º Felipe Masaharu Ishizawa

2º Lucas do Lago Ramos

3º Luis Kumakura Coelho

3º André Akira Takahashi

3º Gabriel dos Santos Costa

Leve

Meio-pesado

3º Vinicius Souza Diman

1º Matheus O. Mercadante

1º Luiz Gustavo Soares

Meio-leve

2º Vitor Caldeira Santos

2º Lucas Rodrigues Togni

1º Gabriel Bondezan Freitas

3º Leonardo Alves Macedo

3º Lucas Arlindo Salles

2º Gabriel Domingues Lima

Meio-médio

3º Vinicius Silva Novato

3º Guilherme Yuji Yonezawa

1º Willian de Sousa Lima

Pesado

3º Ryan Carrijo Quintanilha

2º Luccas Pereira Bastos

1º Vinicius Yuji Sacamoto

Leve

3º Renan Tsutsumi

2º Lucas Alberto Pedro

1º Victor Augusto R. Pafaro

3º Felipe Carvalho Santos

3º Lucas Antonio Lima

2º Henri Carlos C. Alencar

Médio

3º Gabriel Barros Cunha

3º Hudy Messias Brito Reis

1º Pietro Marmorato Muhlfar

Sub 17

3º Igor Machado E Silva

2º Vitor Hugo R. Lazaroti

Super-ligeiro

Meio-médio

3º Lorran Conceição Silva

1º Daniel Borges Cagnin

1º Guilherme Andrade Silva

3º Rafael Toshikazu Mizuno

2º Leonardo de Moraes

2º Marcelo Arantes Prates

Meio-pesado

3º Caio Andreoli Fornari


3º Kainan Santos Pires

3º Lucas Oliveira Monticelli

Ligeiro

3º Caio Henrique Brigida

1º Douglas Ventura Amaral

Meio-médio

2º Rafael Bondezan Freitas

1º Gustavo Henrique Assis

3º Lucas Siqueira Turt

2º Marcus Gavey Braga

3º Marcio Gustavo Santos

3º Thiago Henrique Chiodi

Meio-leve

3º Gustavo Yuji U. Rodrigues

1º Lélio Francisco Puggina

Médio

2º Mateus Augusto Oliveira

1º Eduardo Lopes Gonçalves

3º Bruno Loverdos

2º Gabriel Gouveia de Souza

3º Maxwell Washington Silva

3º Kaio Gomes Nogueira

Leve

3º Caio Perondi de Melo

1º Lincoln Keiiti K. Neves

Meio-pesado

2º Paulo Henrique Morais

1º Dario Augusto de Alves

3º Hiago Del Rosso Pirolo

2º Vinicius Santos Vilela

3º Gabriel Killes Coelho

3º Pedro Medeiros Delgado

Meio-médio

3º Pedro Henrique Froner

1º Jose Victor Basile

Pesado

2º Luis Filipe Cunha

1º Matheus Rodrigues Lima

3º Pedro Henrique Nomura

2º Flavio Roberto Oliveira

3º Guilherme Guimarães

3º André Plácido de Sousa

Médio

3º Guilherme Mantello Melo

1º Victor Luiz Correia

Sênior

2º Caíque Bento Santos

Super-ligeiro

3º Iuri Priolo Rocha

1º Adriano Rodrigues Cruz

3º Enzo Storti Souza

2º Rodrigo Jacintho

Meio-pesado

3º Luiz Claudio de Lima

1º Euler Gonçalves Pereira

3º Carlos Eduardo Silvestre

2º Luiz Henrique Santos

Ligeiro

3º Victor Santos Pereira

1º Eric Gomes Takabatake

3º João Vitor Varela Silva

2º Phelipe André Pelin

Pesado

3º Alan de Oliveira Silva

1º Raul de Almeida Soares

3º Diego Henrique Ribeiro

2º Arthur Santana Chagas

Meio-leve

3º Pedro Renato Dias Junior

1º Denilson Lourenço

3º João Marcos Cesarino

2º Ilden Alves Ribeiro

Sub 20

3º Thiago Espírito Santo

Super-ligeiro

3º Daniel Santos Moraes

1º Gabriel Pedro Lima

Leve

2º Vitor Oliveira Torrente

1º Adriano Ricardo Santos

3º Leonardo Henrique Lopes

2º Marcos Eduardo Seixas

3º Silvio Shaymon Rodrigues

3º Raphael Luiz Moura

Ligeiro

3º Carlos Henrique Silva

1 Juliano Costa Carvalho

Meio-médio

2º Guilherme Koji Minakawa

1º Danilo Gonçalves

3º Vitor Hugo D. Carvalho

2º Vinicius Taranto Panini

3º Paulo Vinicius Amarante

3º Gabriel de Abreu Galli

Meio-leve

3º Lincoln Duarte Araujo

1º Ricardo Luis Santos Jr

Médio

2º Bruno Pereira Martins

1º Rubens Inocente Filho

3º Alexandre Batista Santos

2º Ricardo Bruno de Jesus

3º Luiz Beretta Filho

3º Marcelo Ferreira Filho

Leve

3º Felipe Cesar Oliveira

1º Yuri Gomes Takabatake

Meio-pesado

2º Luiz Fernando Araujo

1º Rafael Augusto Buzacarine

2º Matheus Theotonio da Silva 3º Hafner Martar Pires Duarte 3º Felipe Amorim de Souza Pesado 1º Leandro Gonçalves 2º Ewerton Ribeiro Pereira 3º Daniel Plácido de Souza

123


3º Gustavo Cesar Marini

3º Alex Sandro Russo

Master 1

3º Stefanio B. Stafuzza

Ligeiro

Médio

1º Cristian Cesário

1º Marciel Martins Souza

2º Rodrigo Gonçalves

2º Peterson de Mello

3º Rudy Kubo

3º Éderson Jose Abreu

3º Jose Edilson Silva

3º Anderson Cássio Santos

Meio-leve

Meio-pesado

1º Filipe Yoshio Terada

1º Adamo da Silva Passos

2º Tony Hiroyasu Chibana

2º Tharin Polheim Alves

3º Wellington C. Gadelha

3º Pedro Pereira Neto

3º Guilherme Ramos

3º Valmir Santos Gomes

Leve

Pesado

1º Danilo Azevedo

1º Ricardo Aguiar Simões

2º Marcos Roberto Cunha

2º Junior Aparecido Ribeiro

3º Rafael Espírito Santo

3º Kleber Aparecido Tome

3º Victor Bezerra Gomes

3º Edson Rogério Oliveira

Meio-médio

Master 3

1º Everton Silva Ambrosio

Meio-leve

2º Joaquim Silvestre Peixoto

1º Leandro Ulysses Souto

3º Tiago Agustinho Leite

2º Marcos Antonio Rossi

3º Julio Cesar Jacopi Filho

3º Fabio Dilermando Lenci

Médio

3º Edson Yukio Assakawa

1º Robson Foriato Jota

Leve

2º Nélio Mendes Pereira

1º Rodrigo Guimarães Motta

3º Bruno Stracieri

2º Amilcar Key Kimura

3º Sebastião A. da Cunha

3º Igor Takashi Abe Pezzoli

Meio-pesado

3º Mauricio Ferraz Ferri

1º Carlos Eduardo Modesto

Meio-médio

2º Rafael Facanali Godoy

1º Osvaldo Castellanos

3º Reinaldo Santos Martins

2º Eduardo S. Oliveira

Pesado

3º Rogério Shinobe

1º Leonardo Arashiro

3º Affonso Jorge Carvalho

2º Rodrigo Matos Pereira

Médio

3º Felipe A. Nóbrega

1º Lairton Secches Mansor

3º Elias Rizziolli Junior

2º Vagner Valentim Pereira

Master 2

3º Minoru Taniji Moriyama

Ligeiro

3º Mauricio André Cataneo

1º Lucas Alexandre Oliveira

Meio-pesado

2º André Oliveira Sawakuchi

1º Mario Roberto Silva

3º Dener Aparecido Andrade

2º Marcelo Fagundes

3º Ronaldo Dias Ribeiro

3º Wilson Shinoda

Meio-leve

3º Alexandre Gaspar

1º Vlamir Ferreira Dias

Pesado

2º João Marques Pereira

1º Marcelo Z. Denardi

3º Ueldes Alberto Rocha

2º Leo Secches Mansor

3º Rubens da Costa Lino

3º Ailton Rodrigues Silva

Leve

3º Jamil Bittar Neto

1º Milton Marques Antunes

Master 4

2º Rodrigo Eduardo Vidoti

Ligeiro

3º Cesar Oliveira Rocha

1º Sidnei Andrade Peres

3º Roberto Teixeira Souza

Meio-leve

Meio-médio

1º Marcelo Pernoncini

1º Denison Soldani

2º Jorge Mizuguti Yamamoto

2º Wesley Nogueira

3º Ivan Ferreira Penna


3º Sergio Tadashi Nagai

2º Carlos Hugo Gaitan

Leve

3º Giorgio Ernesto Buoro

1º Paulo Ricardo Castelanos

3º Jose Raimundo Silva

2º Carlos Salto Neto

Pesado

3º Carlos Roberto Peres

1º Teófilo Coimbra Rojas

3º Jorge Ferreira Sá Junior

Master 8

Meio-médio

Meio-médio

1º Alessandro Pongolino

1º Mario Francisco Silva

2º Ademar Dias Baeta

2º Irahy Tedesco

3º Franco Ribeiro Gatto

3º Kiichi Watanabe

3º Fernando Haenni

Grand Master - Feminino

Médio

Master 1

1º Marco Aurélio Trinca

Meio-médio

2º Sergio Oliveira Fernandes

1º Vanessa Cristina Billard

3º Marcos Roberto Pinto

2º Sabrina Vitorio Pinheiro

3º Sergio Aparecido Coltre

3º Vanessa Cardoso Zanatto

Meio-pesado

3º Lilian Dias dos Santos

1º Jose Iasbech Morais

Pesado

2º Edson Shigueo Sakai

1º Renata Maria da Silva

3º Luiz Fernando Bacellar

2º Ana Carolina Pereira

3º Francisco Andrade Jr.

Master 2

Pesado

Meio-leve

1º Carlos Roberto Omezo

1º Suzana Maria Oliveira

Master 5

2º Maria Neves Lopes

Meio-leve

Meio-médio

1º Sumio Tsujimoto

1º Andrea Moraes da Silva

2º Julio Kawakami

Pesado

3º Marcos Yuji Abe

1º Fernanda Gomes Oliveira

3º Luiz Carlos Moreira

Meio-leve

Meio-médio

1º Suzana Maria Oliveira

1º Fernando Ferreira

2º Maria Neves Lopes

2º Demetrio Karabourniotis

Meio-médio

3º Helio Guengi Itto

1º Andrea Moraes Silva

3º Lucimar Rocha

Pesado

Pesado

1º Fernanda Gomes Oliveira

1º Edson Santana

Master 3

2º Reinaldo Seiko Tuha

Meio-leve

3º Beni Waiswol

1º Edneia Carvalho Teixeira

3º Erasmo Luis Firmino

Meio-médio

Master 6

1º Regina Márcia Costa Uchoa

Meio-médio

Pesado

1º Jiro Aoyama

1º Rogéria Conzendey Silva

Pesado

2º Sheila Queiroz Gonçalves

1º Samuel Lopes Bastos

Master 4

Master 7

Pesado

Meio-leve

1º Eliane Pintanel Teixeira

1º Sergio Honda

2º Rosangela de Oliveira

Meio-médio

3º Fátima Belboni Camargo

1º Hamilton M. Correia


Judô Tonietto Fatura Paranaense Marrom e Preta

Por Paulo Pinto Fotos Revista Budô

A Federação Paranaense de Judô abriu a temporada 2012 com o Campeonato Paranaense Marrom, Preta e Estímulo. A competição realizou-se no dia 4 de março, no Ginásio de Esportes Pedro Dias, o Munhecão, na Cidade de Ibiporã. Ao todo 36 associações participaram do certame, que teve 245 atletas inscritos. Para a realização desta competição a FPrJ contou com a infraestrutura da Delegacia Regional Norte, presidida por Helder Faggion, o apoio logístico da equipe da Academia Augusto Semprebom e com a importante colaboração do governo municipal de Ibiporã. Todo o judô do Paraná marcou presença e trabalhou voltado para o sucesso do primeiro evento da temporada. Dessa forma, somaram esforços Celso Duarte, Washington Donomai, Lauro Azuma e Marcos Roberto da Veiga, delegados das regiões Norte, Oeste, Centro-Sul e Sul, respectivamente.

126


Jaime Lima, Liogi Suzuki, Luiz Iwashita, Helder Faggion e Augusto Semprebom

Liogi Suzuki e Luiz Iwashita

Na abertura do certame houve a cerimônia de entrega de faixas aos aprovados no exame realizado em dezembro. No total, 24 judocas foram promovidos a faixa preta ou aumentaram a graduação. Grandes mestres dos tatamis e autoridades compareceram à competição, que foi realizada em quatro áreas. Destacamos as presenças dos kodanshas Liogi Suzuki, Yoshihiro Okano, Takashi Yokoyama, Walter Kazunori Babata e Jorge Luís Meneguelli, além de Jaime Lima, secretário de esportes de Ibiporã, e Luiz Hisashi Iwashita, presidente da FPrJ. Helder Faggion

Jaime Lima

Nos tatamis o Judô Tonietto levou a melhor Atuaram na competição 64 árbitros, e a nova geração do judô paranaense mostrou que vai dar muito trabalho aos mais experientes. Foram 36 associações disputando medalhas e exibindo um judô bastante competitivo. Na contagem geral de pontos o Judô Tonietto conquistou a primeira colocação, a Associação Londrinense ficou em segundo e a Associação Nintai, em terceiro. Para Augusto Semprebom, um dos organizadores da competição, o evento

Sensei Liogi homenageando Edilson Hobold primeiro árbitro do Paraná aprovado a FIJ A

127


Prof. Okano faz entrega de faixa Prof. Donomai faz entrega de faixa

Prof. Liogi faz entrega de faixa

Prof. Okano faz entrega de faixa

apresentou excelente nível. “Tivemos aqui o confronto de algumas gerações, e o nosso balanço foi bastante positivo. Vimos uma nova geração ávida por resultados, que apresentou excelente nível competitivo. No outro extremo, tivemos judocas bem mais experientes, que se esforçaram e competiram de igual para igual. Mas quem venceu mesmo foi o judô paranaense, que sai de Ibiporã fortalecido e mais preparado para a temporada que iniciamos aqui.” Jaime Lima, secretário de esportes de Ibiporã, destacou a importância de inserir o judô e o esporte no dia a dia da juventude. “Para Ibiporã é um orgulho promover um evento com este. Já havíamos feito uma parceria com a FPrJ em setembro de 2011, quando surgiu a proposta de realizarmos esta competição. Entendo que o município só tem a ganhar com eventos dessa magnitude. No passado Ibiporã foi destaque no judô, e agora estamos resgatando espaço na modalidade por meio de parcerias com a FPrJ e o professor Augusto Semprebom. Em 2009, através da Secretaria de Esportes, o prefeito José

128

Prof. Meneguelli faz entrega de faixa


Maria Ferreira lançou o Projeto Movimento, que leva a prática esportiva até os bairros. Na sequência, desenvolvemos o Projeto Bom de Bola e, por intermédio de ambos, atendemos hoje a cerca de mil crianças em situação de risco. Aos poucos estamos introduzindo outras modalidades e em 2013 incluiremos o judô. Sabemos que esta é uma das modalidades com maior número de praticantes e da tradição que possui no Paraná. Vamos trabalhar para inserir nossa juventude na modalidade.” Para Rodrigo Tonietto, técnico da equipe campeã, o certame apresentou nível organizacional excelente. “Em termos técnicos o evento ocorreu dentro do esperado. A parte física e estrutural estava muito bem organizada, com vídeo-replays e placares eletrônicos. E o ginásio estava de acordo com as exigências da Federação Paranaense de Judô. O professor Augusto Semprebom está de parabéns, pois conseguiu alcançar os objetivos propostos para o bom desenvolvimento da competição, assim como a equipe de apoio que esteve à disposição, contribuindo para o sucesso do evento. Esperamos que, num futuro

129


Prof. Luiz Iwashita com membros da comissão estadual de arbitragem

próximo, a FPrJ consiga adquirir os tatamis oficias, o que abrilhantará ainda mais a competição.” O professor Tonietto destacou que o resultado é fruto do trabalho desenvolvido no dia a dia. “A equipe Judô Tonietto está há mais de dez anos buscando o aprimoramento nos treinos. Neste evento alguns alunos puderam desenvolver suas técnicas com destreza e alcançaram um lugar no pódio. Além dos treinos da equipe, estamos sempre fazendo intercâmbios com outras escolas de Curitiba e de outras cidades do

Paraná. No ano passado nossa equipe ficou em segundo lugar geral neste mesmo evento e este ano conquistamos o primeiro lugar, devido à dedicação e ao afinco de nossos atletas. Alguns competidores ainda têm de aprimorar a parte técnica e emocional para atingir melhores resultados. Mas estamos sempre juntos, fazendo reuniões e buscando maior entrosamento entre nossos alunos. O intercâmbio e os treinos extras deste ano já começaram, e com isso esperamos obter grandes conquistas no decorrer da temporada.”


Classificação por Associação Tonietto

4

0

3

Londrinense

3

2

0

Nintai

3

0

1

Morgenau

2

3

1

V. Bem-Fecam

2

1

0

Laranjeiras

2

0

3

Kawazoe

1

3

2

Iwashita

1

3

0

Juventus

1

1

1

10º

Pró Sport

1

1

1

11º

Canada C. C.

1

0

6

12º

Foz do Iguaçu

1

0

0

13º

Marista

1

0

0

14º

Santa Monica

1

0

0

15º

Bom Jesus

0

2

2

16º

Paranavaí

0

1

1

17º

Pinhãoense

0

1

0

18º

Bio Active

0

1

0

19º

Ricardo Sant

0

1

0

20º

Fujiyama

0

0

2

21º

Paraná Clube

0

0

1

22º

Hobby Sport

0

0

1

23º

CSSEX

0

0

1

24º

CTO

0

0

1

24º

Medianeirense

0

0

1

26º

Judo Vida

0

0

0

27º

Schmidtke

0

0

0

28º

FFR

0

0

0

29º

Godar

0

0

0

30º

Semprebom

0

0

0

31º

Cintra

0

0

0

31º

Arapongas

0

0

0

31º

Cor. Procópio

0

0

0

31º

Guarapuava

0

0

0

35º

Kassumoto

0

0

0

35º

Lemanczuk

0

0

0

131


FPJ forma 135 novos

FAIXAS PRETAS Por Paulo Pinto Fotos Revista Budô e Boletim Osotogari

Mauá (SP) – A Federação Paulista de Judô realizou o tradicional exame para faixas pretas, no qual, além dos judocas shodan, foram avaliados atletas e professores nidan, sandan e yondan. O exame de faixas pretas foi realizado no dia 3 de dezembro de 2011, no ginásio de esportes do Grêmio Esportivo Mauaense, na

132

cidade de Mauá, pertencente à 9ª Delegacia Regional – ABC, que tem à frente o renomado e experiente professor Júlio César Jacopi. Ao todo 151 judocas foram examinados e, felizmente, todos foram aprovados. Para Alessandro Puglia, coordenador técnico da FPJ, o resultado dos exames revela o alto nível técnico dos candidatos examinados. “Mais uma

vez conseguimos aprovar todos os candidatos examinados. O alto índice de aprovação revela o excelente nível técnico dos judocas examinados e dos seus professores também.” Foram convocados 32 examinadores para atuar nas oito áreas montadas no ginásio de esportes do Grêmio Mauaense. Devido à experiência dos renomados professores, o clima


de apreensão que dominava o ambiente no início dos trabalhos rapidamente foi superado e não se registrou nenhum imprevisto. Entre os examinadores que atuaram em Mauá destacamos os professores Tsutomu Nitsuma, Alcides Camargo, Dante Kanayama, Vinicius Erchov, Edson Minakawa, Rioti Uchida, Celestino Seiti Shira, Belmiro Boaventura, Leonel Matsumoto, Antônio Roberto Coimbra, Takeshi Nitsuma, Antônio Honorato de Jesus, Jorge Sawaki, Pedro Jovita Diniz, Eduardo Melato, Leandro Alves Pereira, Francisco Aguiar Garcia, Luís Alberto dos Santos, Mário Luiz Miranda, Francisco Carlos Alves, Wagner Antônio Vettorazi, Hideshico Aoki e Milton Trajano. Além dos 135 judocas que conquistaram suas faixas pretas, tivemos cinco judocas que

133


atingiram a graduação de nidan; dez que passaram a sandan, e um que se tornou nidan. Para Francisco de Carvalho, presidente da FPJ, a entidade cumpriu seu papel no sentido de exigir qualidade e conhecimento dos formandos. “Encerramos em Mauá a temporada 2011 e finalizamos mais um ciclo à frente da entidade. Temos certeza de que formamos e graduamos hoje 151 faixas pretas altamente capazes de ostentar a graduação que aqui obtiveram. Alguns destes judocas seguirão suas vidas desenvolvendo as mais diversas atividades profissionais, enquanto outros seguirão seu caminho nos tatamis. Cumprimentamos os judocas que se graduaram hoje, e desejamos que façam bom uso da graduação conquistada com muito esforço e dedicação.”


Aprovados para Sho-dan – 1º Dan Adriano de Jesus Cassimiro Alexandre dos Santos Souza Alexandre Megiorin Roma Alexandre Mitugue Aline Gonçalves da Silva Aline Trevisan Pereira Allan de Souza Silva Allif Queiroz da Silva Amanda de Faria Dutra Anderson Quintino dos Santos Argeu Henrique Silva Cardoso Ariovaldo da Silva Maciel Artur Barbosa Karaguelian Beatriz Helena dos Santos Bruno Alves Araujo Bruno Castaldelli Pirini Bruno Forelli Martins Bruno Rodrigues Malaquias Camila Roberta Fiorin Carlos Alberto Cesario Carlos Romenique Rossi Carlos Renan Rocha Camilo Cassio Hitsuo Ando Cassio Serafim Cesar Augusto Pinheiro Cleber Soares de Souza Cristiane Rogel Regis Cristina de Almeida Castilho Daniel Carlos de Souza Daniel Plácido de Souza Daniela de Toledo de Carvalho Danilo Borges Ferrante Deise Fernandes Ribas Deividy Ronan Ferreira Diego Belizario de O. Souza Diogo Romagnoli Edie Braga Edmundo B. de Oliveira Eduardo Benedito F. dos Santos Eliandro de Siqueira Eliane Leite Alves Elias Rizziolli Junior Elias Soares da Silva Elsio Mauricio Affonso Elvis Nobuyoshi Tashiro Eric Curi Silveira Enrique Silva dos Santos Estevan Machado Pinton Everton Figueiredo Ramos Fabiana Santos de Oliveira Fabio dos Santos Fernanda Marques dos Santos Fernando Miranda Abrão Francisco Rodrigues da Silva Gabriel Hideki Yagura Gabriel M. Ferreira Bassolli Gabriel Martinez Moreira

Gabriel Mendes de Oliveira

Taluana Medrado de Marqui

Gabriel Pinto Nunes

Tamires de Paula Donetti

Gabriel Rodrigues Bonifácio

Thainy Daiane C. Sebastião

Gabriel Rusca de Oliveira

Thales Nakassu

Geraldo Servo da Cunha

Thiago Alberto da Silva

Giovanni Milani

Thiago Augusto R. Luzin

Guilherme Lima Zampieri

Thiago Garcia C. Oliveira

Henrique Fernandes da Costa

Thiago Luiz Romão Laurentino

Henrique Z. de Jesus Pastrello

Thiago Martins P. Nogueira

Herval Antunes da Silva

Tiago da Silva Luiz

Ilden Alves Ribeiro Jr.

Tiago Lopes de S. Brandino

Ivo Antonio Kiyoo

Tiago Souza de Faria

Jaqueline Pires Teixeira

Ulisses de Godoy Filho

Jelton Monção Pantano

Victor D. Costa Menasce

Jessica Pereira Motta

Vinicius Fonseca Rodrigues

Johan de Aguiar Florêncio

Vinicius Taranto Panini

Jose Antonio Alves de Andrade

Victor Takabatake G. Costa

José Celso da Silva Jr

Wellington Robson Balera

José Henrique Kanesiro

Wesley Dorta Benite

José Ignácio Villas Boas José Renato Paulino Villar Juliana Montagner Juliete dos Santos da Silva Leandro Hiroshi Yagura Lincoln Duarte Araujo Alfenas Lucas Rogério Chiquito Sacchi Luiz Henrique Lira da Silva Marcelo Fiuk Marcelo Pereira de Sousa

Aprovados para Ni-dan – 2º Dan Alexandre Almeida Alcântara Daniel Kaihara G. Pereira Jefferson Stolf Januzelli Mauricio Andre Cataneo Paulo Balikjian Aprovados para San-dan – 3º Dan Daniela Mie Matsutami

Marco Aurélio Granero Santos

Fernanda Maccari Moreira Tateama

Marcos Andrade Honorato

Fernando Ferreira de Souza

Marcos Paulo V.C. Pereira

Maria Cristina Amorim Antunes

Maria Emilia Jesus de Cillo

Paulo Roberto A. Ferreira

Mauro de Paula Junior

Rafael Rossi

Mauro Ferreira de Godoy

Ricardo Eiji Ozaki

Mitsuo Luiz Tengan

Roger Tsuyoshi Uchida

Nathalia Orpinelli Mercadante

Tiago Agostinho Leal Leite

Paloma Paulino da Silva Rocha

Wagner Tadashi Uchida

Pamella Pastorello de Souza

Aprovados para Yon-dan – 4º Dan

Patrícia Cardoso de Oliveira Carlos Alberto Previato Paulo Roberto G. Comarin Pedro Medeiros Delgado Rafael Espírito Gonçalves Rafael Facanali Godoy Rafael Paulo Rodrigues Renan Yuji Ueti Puglia Ricardo Cesar Vasques Robertha Gecyaza de Andrade Roberto Benício Souza Robson Tadeu Rogério de Souza Rogério Tadeu Marinho Ronaldo Andrade Rocha Ronner Anthony da Silva Rosanio Coelho Gonçalves Rossana Bertaglia Zanetti Rubens Inocente Filho Samarita Beraldo Santagnello Sidney Stenio da Silva


Assembleia reconduz

Por Paulo Pinto Fotos FAJ

Atual diretoria da FAJ A Assembleia Geral Ordinária realizada pela Federação Amapaense de Judô (FAJ) reconduziu a atual diretoria a mais um mandato. Presidida por Teolins Araújo Silva e secretariada por Marisa Bruno, a assembleia realizou-se de acordo com o edital emitido e publicado no dia 9 de fevereiro, na sede da Academia Integrada de Formação e Aperfeiçoamento (AIFA). Por haver apenas uma chapa inscrita, consubstanciando o art. 33, item II do estatuto da entidade, a chapa foi eleita por aclamação, ficando deliberado que a posse dos membros eleitos fosse imediata. Dessa forma, a chapa Judô Para Todos reelegeu para comandar o judô da Amapá pelo período de mais quatro anos Antônio Jovenildo da Silva Viana, presidente; Saulo Ferreira do Amaral, 1º vice-presidente; e Ronildo dos Santos Nobre, 2º vice-presidente. Os titulares do conselho fiscal são: Rosivaldo de Souza Salles, Carlison da Silva Leão e Veraldo Gomes de Freitas. Os suplentes são: Carlécio Gomes de Oliveira, José Ricardo Smith Paraguassu de Oliveira e Celso Monção Dias. Desta forma, a FAJ manterá a administração que projetou o judô amapaense no cenário União faz a força do judô amapaense

esportivo nacional, transformando a entidade na mais moderna e atuante do Norte e Nordeste. Após ter sido reconduzido à presidência, Viana explicou por que encarou mais este desafio. “No início de 2011 reuni a diretoria e expliquei que, devido a prioridades pessoais e profissionais, aquele seria meu último ano à frente da FAJ. Para atingir objetivos deve-se abdicar de muita coisa, inclusive de estar junto da família, e eu precisava de um tempo para mim. Mas no início deste ano, ao aproximar-se o processo eletivo, fui convidado por alguns clubes para uma reunião na qual me convenceram a permanecer por mais este ciclo. Dessa forma, vamos continuar as ações com projetos por meio da Lei de Incentivo ao Esporte, na busca de parcerias na iniciativa privada. Os desafios estão aí para serem enfrentados, e guerreiro que é guerreiro não foge da luta.” O dirigente destacou as conquistas mais

136

emblemáticas da gestão anterior. “Com certeza a estrutura que temos hoje foi a maior conquista de nossa gestão. Mesmo sendo pouca, foi um grande feito. Os projetos que estamos executando fazem a diferença no crescimento da modalidade dentro do Estado.” Contrastando com o que existe nos Estados mais desenvolvidos, até bem pouco tempo o judô não existia no Amapá e Viana explicou como sua diretoria está disseminando a modalidade naquele Estado. “Com a implantação do Avança Judô em 2008 e a execução do Judô Para Todos - Descoberta de Talentos, este ano, por intermédio da Lei de Incentivo ao Esporte - Oi e Bradesco -, muitas parcerias foram firmadas para a expansão da modalidade. Isto se torna crescente e, com o ano dois do projeto, milhares de novos praticantes estão surgindo. Pragmático, o dirigente nortista falou sobre as prioridades do judô amapaense, hoje.


“A prioridade desta gestão é a construção do Centro Administrativo e Técnico (CAT) da FAJ. Acredito que por meio dele teremos uma referência importante no judô do Amapá. Outra prioridade é executar corretamente os projetos e com isso garantir a confiança dos patrocinadores e apoiadores para mantermos sempre a renovação do apoio.” Viana lembrou o pior momento à frente da FAJ. “Assumi meu primeiro mandato em 2005, após um processo eleitoral muito tumultuado e uma parada total por quase um ano das atividades do judô amapaense. Foi um momento difícil e naquela época tínhamos apenas seis associações filiadas. Hoje estamos com 14 entidades legalmente filiadas e outras nove vinculadas. Conseguimos imprimir uma dinâmica na modalidade, que hoje é a que mais cresce no Estado.” Felizmente, no Amapá existe a união dos professores, que somam esforços em torno do grupo que dirige a modalidade. Viana falou quais são os professores que dão sustentação à atual diretoria. “Meus vice-presidentes Saulo Amaral e Ronildo Nobre são verdadeiros irmãos e profissionais extremamente competentes. Veraldo Freitas é o diretor de arbitragem, que assumiu há dois anos e tem agradado à maioria dos filiados com suas ações. Fábio Lins é o novo diretor técnico, que terá um grande desafio pela frente, mas acreditamos que fará um excelente trabalho, pois comanda seu clube muito bem. Recentemente criamos a diretoria de marketing, que tem à frente Gleison Lopes e Marlon Souza, que em conjunto com uma equipe de profissionais terão a missão de convencer a iniciativa privada a investir no judô amapaense. Criamos também a diretoria de cursos, capitaneada pelo professor Carlécio Gomes, que será responsável pela elaboração de cursos de atualização e capacitação dos nossos dirigentes, técnicos e atletas.”

Fabio Lins - diretor técnico, Ronildo Nobre - 2º vice-presidente, Antonio Viana – presidente, Saulo Amaral - 1º vice-presidente e Gleison Lopes - diretor de marketing

O presidente amapaense destacou os apoiadores da federação. “Contamos hoje com a participação da Oi e do Bradesco, no projeto da LIE, e uma pequena ajuda do governo do Estado, que anualmente repassa recursos para nossa entidade. Temos muitos outros parceiros que ajudam diretamente alguns clubes e atletas.” Quando o assunto é rendimento, os olhos do dirigente amapaense brilham e a conversa toma outro rumo. “No campo competitivo nossas referências são os jovens Júlio Vilhena

e Lília Amaral, medalhistas de prata no Campeonato Brasileiro sub 17 em 2011 e medalhistas de bronze nas Olimpíadas Escolares de 2011.” De forma enfática Antônio Viana finalizou a entrevista falando sobre seu sonho para o judô do Amapá. “Sonho tornar o Amapá uma potência do judô brasileiro, enfrentando todas as adversidades para levar nossos atletas para competir por todo o Brasil, para depois ganharmos o exterior.”

137


Paraná

Por Paulo Pinto Fotos Revista budô

forma 29 novos faixas pretas

A CBJ homologou todos os aprovados no exame para faixas pretas realizado pela Federação Paranaense de Judô nos dias 3 e 4 de dezembro de 2011. Vinte e nove judocas foram promovidos a faixas pretas. Além disso, quatro judocas foram promovidos a nidan, dois a sandan, quatro a yondan e um a godan. A cerimônia de entrega dos certificados e faixas realizou-se na abertura do Campeonato Paranaense Marrom e Preta, em 4 de março, na cidade de Ibiporã. Os certificados foram entregues pelos kodanshas Liogi Suzuki, 9º dan, Yoshihiro Okano, 8º dan, Jorge Luís Meneguelli, 6º dan, e pelo delegado regional Washington Donomai. Entre os novos faixas pretas, Iraci Grube foi a judoca que mais se emocionou com a promoção, e após a cerimônia a atleta de Curitiba explicou o porquê de tanta emoção. “Comecei no judô aos 39 anos, pois levava meus filhos para treinar e acabei subindo nos tatamis. Desde então sonhava com este momento tão especial, e quando o sensei Okano me entregou a faixa preta não pude conter as lágrimas, que são de emoção e felicidade. Agora em casa somos três faixas pretas”, comemorou Iraci. A comissão estadual de grau do Paraná é composta pelos professores: Liogi Suzuki - 9º dan, Adauto Domingues – 7º dan, Luiz H. Iwashita – 6º dan, Jorge Luís Meneguelli – 6º dan, Helder Marcos Faggion - 5º dan, Washington Donomai – 5º dan e Francisco de Souza – 4º dan.

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Aprovados para Shodan 1 - Agnes Patrícia de Andrade 2 - Andre Luiz Koehler de Moura 3 - Andrey Arcini Ferreira 4 - Ariel Grube Nery de Lima 5 - Bernardo Martins Dallagassa 6 - Carlos Henrique Yamamoto 7 - Denis Fadel Duarte 8 - Fábio Rogério Carnieli Pereira 9 - Felipe Novello Barcellos 10 - Gilson Jardel Nogueira 11 - Gustavo Henrique Tanahaki 12 - Henrique Polinarski Cimbalista 13 - Iraci Maria da Silva Grube 14 - Jean Luiz Marchese 15 - Jorge Allan Glass 16 - Julio Cesar Assumpção 17 - Letícia Naomi Vendrame Sakiyama 18 - Lucas Campos Lessa 19 - Lucas Fernando Zevirikóski 20 - Milton Carlos da Rocha 21 - Paula Brandalise Nunes 22 - Paulo Cesar Queiroz Chapieski 23 - Piraju Borowski Mendes 24 - Rodrigo Neca Ribeiro 25 - Sander Correa Bruniera Filho 26 - Sólon Hemerson Cordova 27 - Vagner José Ribas Mucci 28 - Victor Hugo dos Santos 29 - Viviane Lais Yukari Donomai Aprovado para Sandan 1 – Tullius Sergio Dallagassa Aprovados para Nidan 1 - Alessandra Macedônio de Carvalho 2 – Clóvis Koji Kuno 3 – Marco Sakichi Suguimati 4 – Pedro Henrique Dallagassa Pires Aprovados para Sandan 1 – Norene Eliana Henrique Silva 2 – Tullius Sérgio Dallagassa Aprovados para Yondan 1 – Jorge Yokoyama 2 – Luís Antônio de Matos 3 – Marcelo Tadeu Mercúrio 4 – Ricardo dos Santos Batista Aprovado para Godan 1 – Neury Ferreira Tussolino

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TREINAMENTO ESPORTIVO

140

Por Matheus Luiz Fotos Revista Bud么


Costas de

Campeão esta edição, abordamos o treinamento de costas (dorsal), que visa ao fortalecimento e à melhora do desempenho dos judocas no shia-jo. Além da explanação das técnicas, mostramos fotos dos exercícios indicados para um bom treinamento dos músculos dorsais. Se observarmos a importância das costas nos combates de judô, entenderemos a necessidade de um treinamento forte e específico para os diversos músculos das costas para os judocas que buscam vencer. .A musculatura abordada neste artigo envolve os romboides maior e menor e os redondos maior e menor. Estes são alguns dos músculos que seguram e fazem o movimento de deslize da escápula, e serão citados nos exercícios descritos abaixo. A escápula é o osso chato triangular que atua sobre as costelas (gradil costal), e é de suma importância para os movimentos dos exercícios do dorso. Com o fortalecimento desses, músculos a postura do atleta e sua envergadura são melhoradas porque eles não deixam ocorrer a pró- tração dos ombros, ou seja, evita que os ombros se lancem para frente, pois

1 3

2

4 6 5

7 9

8

acontecendo isso os músculos do peitoral são encolhidos, e a envergadura diminui consideravelmente. Os movimentos do dia a dia fazem com que isso ocorra naturalmente. Afinal, dirigindo, escrevendo e até mesmo fazendo a pegada no judogui, os ombros se lançam para frente, alongando a musculatura, provocando o encolhimento do peitoral. Entretanto, com o fortalecimento do dorso, a escápula será mantida para trás e não ocorrerá a situação citada acima. Com o aumento da envergadura e a melhora na postura, o risco de lesões diminui consideravelmente e a amplitude de movimento será maior, o que permitirá surpreender o adversário, que terá de mover maior peso de massa fora do centro do corpo. Isso certamente dificultará os movimentos dele. Importante: para o treino de costas é sempre importante fazer a adução e a abdução da escápula durante a realização dos movimentos, ou seja, fazer com que ela se aproxime do centro das costas (coluna), não fazer somente o movimento com os braços. Fazendo a escápula deslizar e se aproximar da coluna, o judoca vai trabalhar a musculatura dos romboides e redondos, além dos demais músculos, como mostra a imagem abaixo.

1 Trapésio ascendente 2 Trapésio transverso 3 Redondo menor 4 Romboide menor 5 Romboide maior 6 Posterior Deltóide 7 Redondo maior 8 Latíssimo do dorso 9 Grande dorsal141


exerCíCios para treino de dorsal puxada na polia alta por trás Sentado, o executante deve segurar a barra com os cotovelos estendidos. O afastamento dos braços deve ser entre a abertura máxima e aquela alcançada com os braços retos acima dos ombros. O movimento de descida (flexão dos cotovelos) deve ser feito até a barra aproximar-se da coluna cervical (pescoço), retornando em seguida até a extensão dos cotovelos. O início do movimento deve ser feito com a rotação inferior das escápulas (tracionar para o centro das costas). Os músculos das costas enfatizados neste movimento são: latíssimo do dorso, redondo maior, trapézio (parte ascendente). O peitoral maior (parte abdominal), na adução das escápulas, e o peitoral menor, na rotação inferior das escápulas, também são dos principais músculos em ação.

puxada na polia alta pela frente Sentado, segurando a barra com os cotovelos estendidos, o afastamento dos braços deve ser entre a abdução máxima dos ombros e aquela alcançada com os braços retos acima dos ombros. O movimento de descida (flexão dos cotovelos) deve ser feito até a barra aproximar-se das clavículas, retornando em seguida até a extensão dos cotovelos. O tronco deve ser levemente inclinado para trás. O início do movimento deve ser feito com a adução das escápulas (tracionar para o centro das costas). Os músculos das costas enfatizados neste movimento são: latíssimo do dorso, deltoide (parte posterior), romboides e trapézio (parte transversa).

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remada unilateral Com halter

Neste exercício, o executante terá de apoiar o joelho e a mão em um banco. O tronco deve permanecer ereto e inclinado para frente. Já a pegada no halter deve ser neutra. O braço estendido para baixo deve realizar uma adução da escápula (tracionar para o centro das costas), até que o halter aproxime-se do tronco, e retornar à posição inicial. Os músculos das costas envolvidos com

maior ênfase neste exercício são: latíssimo do dorso, redondo maior, romboides e trapézio (parte transversa). Na extensão dos ombros o músculo peitoral maior também é um dos principais em ação. Pode ser feita uma variação deste exercício em pé com as pernas paralelas ou uma ântero-posterior a outra, sendo que a de trás estará estendida e a da frente semiflexionada

exemplo de treino para hipertrofia das Costas Um treinamento que pode ser usado é a série combinada com pirâmide crescente de pesos e decrescente de repetições, que funciona da seguinte maneira: escolha dois exercícios para o grupamento muscular e execute uma série de cada um com o máximo de repetições possíveis.

Sendo um treino de hipertrofia, as séries devem ter entre sete e 15 repetições, por causa da porcentagem adquirida por meio de 1EM. O intervalo será feito após o segundo exercício, levando o músculo a maior exaustão. Quem determina o tempo de pausa é o atleta,

buscando sempre fazer o mínimo possível. O segundo passo é elevar a carga a cada série. Com isso as repetições diminuirão, pois ocorrerá a falha da musculatura que resultará nas microlesões necessárias para a hipertrofia na fase anabólica, após o término do treino.

matheus luiz é Especialista em fisiologia do exercício e prescrição do exercício – Universidade Gama Filho 2010 Especializando em biomecânica, cinesiologia e treinamento físico – Universidade Gama Filho Graduado em Educação Física na UNC 2008 Cref: 011620-G/SC - e-mail: matheustrainer@hotmail.com Nossos Agradecimentos a Cleber Gonçalves e

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São Paulo Perde

Yakihiro Watanabe Por Paulo Pinto Fotos Arquivo

O judô Paulista perdeu outro grande colaborador, Yakihiro Watanabe, que entre os vários cargos que ocupou na Federação Paulista de Judô, presidiu a entidade entre 1984 e 1990. Nascido em 1938 na cidade de Oswaldo Cruz/SP, Watanabe se formou em engenharia elétrica e em engenharia de segurança. Iniciou no judô aos 14 anos com os professores Sukyama e Sato. Posteriormente migrou para a capital, onde treinou judô com três ícones da modalidade: Yoshio Kihara, Hikari Kurati e Sobei Tani. Disciplinador e extremamente rígido Watanabe fez uma administração fundamentada no respeito à hierarquia, na disciplina e na tradição do judô. Uma de suas grandes conquistas foi a interiorização do judô onde consegui impor um padrão mais uniforme nas áreas técnica e disciplinar. Sempre dizia que os judocas do interior respeitavam e mantinham mais a tradição do judô. Outra característica do ex-dirigente foi valorizar as competições por equipe. Segundo ele o espírito de equipe deveria ser predominante para que todos pudessem usufruir dos resultados. Mas a principal conquista de sua gestão foi o grande apoio que deu aos atletas de ponta, coisa inédita na época, quando nenhuma entidade estadual arcava com as despesas dos atletas que representavam o estado, ou o Brasil. Para Watanabe nenhum judoca poderia deixar de treinar, competir e representar São Paulo ou o Brasil. Em sua gestão todos que mereciam viajar foram em busca de medalhas. Para Watanabe o judô era um hobby e os maiores mestres de judô brasileiro do passado foram os senseis Tatsuo Okoshi, Sobei Tani, Seisetsu Fukaia, Tokuzo Terazaki, Katsutoshi Naito, Ryuzo Ogawa e Yasuishi Ono.

144

Sensei Watanabe com seu neto André em 2011

Em seu depoimento sobre o ex-presidente paulista, Francisco de Carvalho Filho destacou a retidão de seu antecessor. “Yakihiro Watanabe era um homem de princípios e ideais. Valorizava a filosofia do judô, a dignidade e a retidão. Muitas vezes pagou caro por suas convicções, mas jamais se dobrou. Acima de tudo Watanabe amava o judô e em tudo que se envolveu foi bem sucedido, seja profissionalmente ou esportivamente. Não era político e administrou a FPJ fundamentado em seus princípios. Sempre foi muito duro e cobrava seriedade e respeito à hierarquia. Desta forma escreveu seu nome na história do judô paulista como um dos dirigentes mais sérios, austeros e competentes de São Paulo”. No seminário técnico realizado em fevereiro em São Paulo, em pé 710 técnicos

prestaram homenagem ao dirigente paulista, e se emocionaram com as palavras do sensei Luiz Tambucci. O kodansha 9º Dan, que em agosto completa 90 anos enfatizou a dignidade do colega Watanabe. “Emocionei-me muito com o passamento do nosso querido amigo Yakihiro Watanabe. Ele não foi e não pode ser lembrado apenas como um dos presidentes do judô paulista. Foi o presidente mais íntegro que passou pela FPJ. Seu único defeito foi ter sido rígido demais. Administrou com lisura e focado nos princípios do judô. Não era político e não era flexível. Com ele tinha que ser tudo certo e com base nos ideais do judô. Obteve importantes conquistas administrativas e competitivas. Seu falecimento deixou uma grande lacuna em nossa comunidade”.


Projeto Futuro nas Mãos Certas Por meio da recém-firmada parceria entre a Secretaria de Esporte e Lazer do Estado de São Paulo e a Federação Paulista de Judô, o antigo Projeto Futuro, que hoje se chama Centro de Excelência, volta a ser gerenciado pela FPJ. Após um longo período em que o Centro de Excelência do judô paulista foi gerenciado pelo governo do Estado de São Paulo, a FPJ volta a assumir a administração e a condução do principal celeiro de judocas do País. Francisco de Carvalho Filho, presidente da entidade, explicou como será administrada a nova fase do Projeto Futuro. “Esta parceria terá inicialmente nove meses de duração e poderá ser renovada. A FPJ será responsável pela área técnica e todos os recursos destinados ao pagamento de professores, material esportivo e transporte dos atletas serão proporcionados pelo governo do Estado. Isso envolve o Centro de Excelência do Conjunto Esportivo Constâncio Vaz Guimarães, no Ibirapuera, a Associação de Judô Bastos e a Arena Santos, que receberá os atletas da Baixada Santista.” Para o dirigente paulista, esta nova parceria viabilizará treinamento de alto rendimento para uma quantidade maior de judocas. “Na capital teremos 50 atletas residentes e outros 50 não residentes. Já em Bastos teremos 30 atletas residentes e mais 30 não residentes. Em Santos não teremos residentes, mas es-

tabeleceremos um sistema de transporte que vai recolher os atletas que estão nos sentidos do litoral sul e norte. Após o treinamento eles voltarão para suas casas.” Francisco de Carvalho destacou os principais professores que estarão à frente do Centro de Excelência. “Teremos grandes nomes atuando em nossa gestão. Em Bastos, os professores Uichiro Umakakeba e Fablini Henrique Silva comandarão os treinos. Em São Paulo será mantida a dupla Hatiro Ogawa e Alexandre Garcia. Já em Santos os treinos serão puxados pelos professores Ivo Nascimento e Carlos Honorato.” O dirigente explicou por que a Secretaria de Esportes transferiu a gestão técnica do Centro de Excelência para a FPJ. “Na verdade, o governo se depara com uma série de procedimentos legais que acabam inviabilizando ou atravancando os procedimentos. Para a compra ou aquisição de todo e qualquer material, é preciso um processo de licitação. E o judô tem suas peculiaridades, como os judoguis. Não podemos imaginar atletas de ponta usando material de má qualidade, pois isso interfere diretamente no resultado das lutas. Para serem contrata-

dos, os professores têm de passar por todo um processo de concurso público, e nós precisamos de professores específicos, que atendam às nossas necessidades. A realidade é que o governo não conhece os meandros do judô, e achou por bem entregar o Centro de Excelência a quem faz o judô acontecer no Estado.” A expectativa de Francisco de Carvalho é de que o Centro de Excelência do judô paulista coloque ainda mais atletas na briga por medalhas. “O Projeto Futuro fez história, e penso que, com esta nova fase que estamos iniciando com o governo do Estado, em pouco tempo o Centro de Excelência, que já é o maior celeiro de judocas do Brasil, possa colocar um número cada vez maior de atletas na disputa de medalhas para o Brasil.”

Endereços do Centro de Excelência Constâncio Vaz Guimarães - Rua Manoel da Nóbrega, 1.111 – Ibirapuera, São Paulo (SP). Arena Santos - Avenida Rangel Pestana, 184 – Centro, Santos (SP). Associação Judô Bastos – Rua General Osório s/n – Bastos (SP).

145


Por Paulo Pinto Fotos Arquivo e Revista Budô

PERDAS

Em março São Paulo perdeu três grandes professores O mês de março foi impiedoso e implacável com o judô de São Paulo, que perdeu três professores da capital, fato que nos deixou sem três importantes referências. O primeiro sensei a nos deixar foi Jorge Sawaki, faixa preta 5º dan, falecido no dia 9 de março. Pertencente ao quadro de árbitros da FPJ, Sawaki viveu sempre do ABC, porém era filiado à Federação Paulista pelo dojô Shoorikan Andrade e Nitsuma, da Vila Mariana. No dia 21 perdemos o sensei Masaru Hirota, que nasceu no Japão, e por mais de 50 anos ministrou judô na Zona Leste da capital paulista. O kodansha 6º dan, que faleceu aos 86 anos, foi professor da Associação Nipo-Brasileira da Mooca. Antes disso, o destacado kodansha teve sua própria escola, a Associação de Judô Hirota, também no bairro da Mooca. Segundo seus alunos, Hirota não era político, porém era extremamente técnico e foi responsável pela formação de expoentes do judô paulista, entre os quais destacamos Shineite Mito e Sadao Fleming Mulero. Judocas de destaque, que sempre demonstraram elevado nível técnico e excelente caráter. Além de seus predicados técnicos, Hirota formou alunos que acima de tudo foram homens com caráter e conduta exemplares. Atingiu o 6º dan por mérito, tendo sido aluno do proeminente sensei Ryuzo Ogawa, fundador da Budokan, com quem aprendeu judô na academia do bairro da Liberdade, em São Paulo.

Jorge Sawaki atuando na arbitragem

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Della Santa no dojô da Vila Sônia

No dia 24 perdemos Wilson Della Santa, um dos senseis mais queridos do judô bandeirante. Nascido no dia 17 de janeiro de 1945, em Santa Bárbara do Oeste (SP), este kodansha paulista foi sem duvida, um dos maiores colaboradores do judô paulistano da atualidade. Solícito, atencioso e extremamente dedicado, Della Santa deixa uma imensa lacuna na arbitragem paulista e principalmente nas aulas de kata, que eram realizadas semanalmente no

Centro de Aperfeiçoamento Técnico (CAT), bem como nos treinos de kata realizados às sextas-feiras na Vila Sônia, onde era um dos professores mais dedicados. Kodansha 6º dan e árbitro internacional FIJ C, Della Santa foi aluno de Chiaki Ishii, a quem reverenciava pelo judô forte, técnico e de resultado. Por mais de dez anos foi delegado regional da capital, função que só deixou em 2011, após o agravamento de sua enfermidade.

Masaru Hirota entre seus alunos mais antigos, Jair Zacchia e James Thompson Lemer Jr.


Revista Budo 6