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Lavar as mãos é o melhor remédio contra infecções, dizem especialistas Tatiana Damasceno Desde cedo se aprende que se deve a lavar as mãos antes das refeições, após usar o banheiro ou ao manusear dinheiro. Essa simples medida, entretanto, pode evitar a contaminação por diversos vírus e bactérias e também prevenir uma série de doenças, como infecções respiratórias e intestinais. O surto da bactéria Klebsiella Pneumoniae Carbapenemase (KPC) no Distrito Federal e o registro de casos em outros estados reforça ainda mais a importância da prevenção contra infecções de qualquer espécie. “Cerca de 50% das infecções a nível global são infecções respiratórias, como gripe, resfriado e pneumonia, além da diarréia. Elas poderiam ser evitadas com a adequada lavagem das mãos. A lavagem é a melhor medida, a mais prática e a mais barata”, afirma César Omar Tamayo, médico infectologista e doutor pela Universidade de Brasília. Segundo o médico, após o declínio da gripe H1N1 no país, as pessoas acabaram se descuidando mais com a higienização das mãos. “Abaixamos a guarda depois da gripe e coincidentemente acabou aparecendo o surto. É um chamado de atenção para não baixar a guarda”, avisa. Renato Cassol, médico infectologista e coordenador do comitê de controle de infecção do Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Porto Alegre, mostra que a lavagem das mãos, além de outras medidas, foram as responsáveis pelo sucesso no controle de infecções no hospital, que virou referência no tratamento da gripe H1N1. “Se você tem aderência de mais de 75% dos profissionais na higienização das mãos, já percebe um resultado no controle de infecções”, afirma o infectologista. O hospital controla quantos e quantas vezes os médicos lavam as mãos. Todos os medicamentos antimicrobianos passam pelo crivo do comitê, que analisa se o uso não induz à criação de resistência nos pacientes. Neste caso, outros remédios são indicados. O diretor-geral do Hospital de Base do Distrito Federal, Luiz Carlos Schimin, lembra que, apesar de simples, o hábito de lavar as mãos ainda é difícil de implementar não só nos postos de saúde, mas também fora deles. “Não faz parte da cultura do brasileiro lavar as mãos. Se a sociedade como um todo tiver com isso enraizado na cabeça, ninguém precisa ficar lembrando”, afirma. O hospital registrou 30 casos neste ano de pessoas infectadas pela KPC. No total, 183 brasilienses foram contaminados, com 18 mortes. Segundo Schimin, houve um reforço junto aos profissionais de saúde quanto as medidas de higiene e o números de casos no local está controlado até o momento. A conselheira Nadir Soares Vila Nova, do Conselho Federal de Enfermagem, diz que o órgão tem um alerta permanente para controle de medidas contra as contaminações, mas


alerta que nem sempre as pessoas lavam corretamente as mãos. “Nem todas as pessoas sabem a correta higienização das mãos. Na hora de fechar a torneira tem que usar o papel, para que as mãos não saiam contaminadas. Lamentavelmente as bactérias não sabem ler, não sabem onde não devem ficar. A limpeza é um dos pontos primordiais no controle de infecções”, ressalta. A conselheira explica por qual razão é tão difícil manter, seja entre os enfermeiros ou outros profissionais de saúde, a manutenção de regras simples, como manter as mãos limpas. “Por serem simples, as pessoas não a assimilam como medida profilática de primeira instância. Existe literatura que se nós da área de saúde tomássemos as medidas de prevenção, 50% das infecções estariam resolvidas. É percentual significativo”, diz.

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