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E sua versรฃo hilรกria Tatiana Bludeni


Copyright Tatiana Bludeni Textos Marian Bantjes, Patrícia Helena Soares Fonseca, Victor Boccio, Ian Noble Katy Brighton, Ellen Lupton Design Editorial Tatiana Bludeni Capa Tatiana Bludeni Revisão Claudio Ferlauto

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Bludeni, Tatiana Design e sua versão hilária São Paulo: Perspectiva, 2016 96 pp. ISBN 978-85-405-0283-3 1. Tipografia 2. Editorial 3. Identidade Visual 09-I0558 Índices para catálogo sistemático: 1. Tipografia 2. Design Editorial

São Paulo- Rua Inajaroba, 43 conjunto 103B- CEP 04511 040 Telefone- (11) 3044-1822/ (11) 3044-1833 E-mail: tatianabludeni@gmail.com São Paulo- SP

CDD 686.2252


Dedico este livro a todos que me encorajaram e incentivaram na conclusĂŁo desta etapa.


APRESENTAÇÃO


O projeto engloba textos de todas as matérias do semestre em um só livro. Além disso, foi preciso pensar na parte gráfica e, mais uma vez, ocorreu a junção de tudo que aprendemos em cada segmento do curso. A ideia foi realizar um livro que quando o leitor batesse o olho interagisse de forma criatiava. Além do conteúdo ser focado no Design quis tambem que ao lessem, se familiarizassem e vivessem um pouco o Design e da minha paixão por isso. A parte do Design que mais me agrada é tipografia. Escolhi, de forma gráfica, enfatizar isso em todos os meus capítulos, sendo assim o tema principal. Passei diversas sensações e emoções através do uso da tipografia. Ao ler, apenas com as palavras escritas de formas diferentes, é possível se emocionar, se divertir, entristecer-se e até mesmo enervar-se. Esse é o poder da tipografia! Um projeto com ajuda de tantos colaboradores, professores e autores mas que, por fim, ficou a minha cara.


Para iniciar e finalizar o miolo do meu livro, escolhi a matéria Tipografia, não por coincidência, mas sim por ser o ponto central escolhido. Usei os dois texto fornecidos pelo Professor Miguel, um da autora Marian Bantjes e o outro do autor Iñigo Jerez. Em ambos, do começo ao fim com as palavras, tentei, através da tipografia, expressar o significado delas e tambem passar a emoção com que o autor utilizou-as. Para a matéria Representação Gráfica Digital, ministrada pelo Professor Roberto Temim. o texto utilizado foi retirado do livro Pesquisa Visual de Ian Noble e Russell Bestley. Ilustrei o texto com imagens que completam o conteúdo e destaquei frases importantes ou simplesmente dizeres que me agradam. No terceiro capítulo usei texto da matéria de Empreendedorismo contemplada pelo Professor Júlio de Freitas. Optei por enfatizar apenas o título e deixar o resto como já estava. O autor Vitor Boccio já brincou tanto com o texto e nos lembrou de tantas verdades que resolvi deixar da maneira original. O texto do quarto capítulo é da Patrícia Fonseca. Usei as próprias imagens fornecidas pela autora e dar um ênfase especial às palavras ou frases que julguei importantes deste texto que nos conta tão detalhadamente dos marcos históricos ocorridos no passado.


O quinto capítulo, reservado para a matéria Produção Gráfica ministrada pela Professora Débora Suzuki, contém o texto da Katy Brighton. A parte gráfica consiste em dar destaque aos títulos e subtítulos brincando com as tipografias ou simplesmente negritando-as. O sexto, sétimo, oitavo e nono capítulo são compostos por textos dos autores Ellen Lupton, Steven Heller & Véronique Vienne, Haslam e Kelley McIntyre, todos sugeridos pelo Professor Claudio Ferlauto. À estes capítulos criei capas tipográficas diferentes, e além disso, realcei frases e palavras importantes tanto pro texto quanto para mim. Ambos os textos são bastante didáticos, e fazendo essas mudanças tipográficas nas palavras o texto ficou mais equilibrado. Por fim, acredito que este livro mostra a importância do Design Gráfico e o quanto podemos modificar elementos prontos sem deixar de lado o propósito inicial mas acrescentar alegria à um visual tão comum em nosso cotidiano.


SUMÁRIO


50

22

Produção Gráfica

Representação Gráfica Digital

32

56

Você Já Está Demitido e Não Sabe

74

64

O Corpo do Livro

Fundamentos da Publicação

68

O Livro

Grade

10

Tipografia

36

As Exposições Universais e a Recontrução do Tempo

94

Bibliografia


Marian Bantjes

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F

azer tipografia é como escrever. Você aprende os elementos básicos para construir algumas frases simples. Você aprende um pouco mais, para ser mais eloquente. Você pratica, conforme um conjunto confuso de regras e exceções. E, finalmente, você aprende a quebrar as regras e parte para a expressão pessoal. É claro que, infelizmente, aqui não há espaço suficiente para ensiná-lo sequer os elementos básicos da tipografia. Então, em vez disso, eu resolvi redigir um apelo apaixonado para impedir que você prejudique a mim e aos outros com algumas péssimas práticas usuais. A tipografia malfeita me faz estremecer de dor. A primeira coisa que eu preciso fazer é lhe dizer para que esqueça tudo o que seu professor de datilografia do colegial lhe ensinou. A máquina de escrever, embora fosse muito boa para as secretárias na década de 1970, é hoje um equipamento primitivo. Pense nela como um carrinho de bate-bate de um parque de diversões. Agora você cresceu e está sentado na direção de uma Ferrari. Aprenda a dirigi-la sem esbarrar em nada. Existem muitos conceitos a desaprender. Para começar não coloque dois espaços no final de um período. Pare com isso já e,

por favor, nunca mais me deixe ver isso novamente.

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Depois, apesar de você ser “pra frente”, não sublinhe textos para dar ênfase, nem para destacar títulos de livros ou revistas. Para esse fim, use o itálico. Algumas vezes use bold para ênfase, embora normalmente itálico seja melhor. E não use a tabulação para abrir parágrafos. A tabulação tem finalidades específicas, e sinalizar parágrafos não é uma delas. Não discuta

sobre isso comigo. Apenas faça o que estou lhe dizendo.

Existe uma razão para se determinar o início de um parágrafo: indicar que “um novo pensamento começa ali”. Então, você deve usar algum método. Mas vamos fingir por um momento que os espaços entre linhas, as aberturas de parágrafos (que devem ser criadas em folhas de estilo padrão) e outros recursos custem dinheiro. Vamos dizer 100 reais. Toda vez que você iniciar um parágrafo vai lhe custar 100 reais. Você vai usar um espaço entre linhas e uma abertura de parágrafo? Portanto, são 200 reais! Não faça isso. Use um método, é tudo o que você precisa. Outra forma de economizar dinheiro na abertura de parágrafos é quando você tem o início de uma seção, ou um cabeçalho: você pode (deve) eliminar a o recuo do parágrafo, no início do texto, depois da pausa ou do cabeçalho. Não queira parecer o The New Yorker. Eles fazem isso de maneira errada e são pessoalmente responsáveis pela elevação de minha pressão arterial. Verifique se você usa aspas e apóstrofos de verdade. É algo tão básico que me aborrece ter de explicar isso. Algumas pessoas as chamam de “aspas inteligentes”, mas o apelido é irrelevante. Embora a aparência das aspas varie

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conforme o estilo dos caracteres, as aspas de fechamento devem ter a forma da vírgula, e as aspas de abertura devem ser iguais, só que invertidas. Muitas vezes elas parecem pequenos seis ou noves, mas nem sempre. O apóstrofo tem sempre a mesma forma da vírgula e deve ser exatamente igual às aspas de fechamento simples (quando ela está invertida, trata-se apenas de aspas de abertura simples e não do apóstrofo). Esses outros caracteres, que normalmente vão para cima e para baixo e não têm a mesma forma da vírgula, são chamados de plicas ou duplas plicas, e são como agulhas para os meus olhos quando usadas no lugar das aspas e dos apóstrofos. Quando eu as vejo em algum documento, sinto dor física.

Por favor, eu não estou brincando. Existe um uso correto para as plicas: indicar pés e polegadas, e também segundos (tanto como medida de tempo como subunidade de graus): por exemplo, eu tenho 5´ 4´´ de altura (plica = pés, duplas plicas = polegadas). A subtortura deste gênero é ver as polegadas e os pés representados por aspas e apóstrofos. Eu não tenho 5’ 4” de altura, isso é completamente absurdo. A questão é que as aspas não são marcas de estilo, elas têm um significado. E, por falar nisso, o significado das aspas é indicar que algo foi dito (ou pensado, ou citado como exemplo), e não, como tantos parecem acreditar, para dar ênfase. Reforçando o conceito: use itálico (ou bold) para ênfase e aspas para citação. Elas também são úteis para indicar o sentido de ironia, que normalmente é um efeito inesperado quando erroneamente as usamos para

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dar ênfase. Atenção: peixe “fresco” é “peixe supostamente fresco”, quer dizer que é tudo menos fresco. Vejo isso todo dia em lojas e seria engraçado se não doesse tanto. Muitos ficam confusos a respeito do uso de -hífens- e de travessões, mas isso é realmente muito simples. Os hífens (-) são usados para manter as coisas unidas, os —travessões— m (—) são usados para manter as coisas separadas, e os —travessões— n (–) são usados para indicar um intervalo. Se você puder substituir o traço pela palavra “a” (ou por “de” e “até”), então deve ser um —travessão— n (muito comum em intervalos de datas “1960 a 2007” ou “de 1960 até 2007”). Se o traço cria uma pausa ou um aparte, ele deve ser um —travessão— m. Mas se você estiver unindo duas palavras,então deve usar o -hífen-, por exemplo, amoreira-do-brasil. Simples assim. O duplo -hífen-, usado na digitação, deve ser trocado pelo —travessão—. Algumas pessoas, e eu não sou uma delas, preferemusar o traço simples com espaço em ambos os lados, em vez do —travessão—. A respeito disso, eu quero dizer: “não seja tão tolo e use o caractere adequado” [Nota do editor: em muitos países de fala inglesa, o traço simples com espaço em ambos os lados é a forma de pontuação aceita para indicar a pausa ou o aparte]. Quando for necessário definir o corpo do texto, não nos deixe atordoados e doentes com espaçamento variável entre as letras de linha a linha. Por favor, mude a configuração padrão para “justificado” no programa de editoração, para que o espaçamento seja zero por cento no texto inteiro. Quer dizer, o es-

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paçamento entre as suas letras nunca deve espremer nem oscilar, não importa o que você veja nos jornais diários ou em revistas populares. Os designers de tipos passam muito tempo calculando o espaço correto entre cada par de letras. Por favor, respeite essa competência (se você ainda não ouviu o designer de tipos Lucas de Groot falar a respeito do assunto dos pares de kerning, você vai se juntar a mim e nos recolhermos à nossa insignificância). Porém, lembre-se de que usar comprimentos de linhas mais curtos pode causar problemas no espaçamento entre palavras. O seu texto justificado está com linhas cheias de vazios e caminho de rato? Aumente o comprimento da linha, reduza o tamanho do tipo, acrescente alguma hifenização, e, em caso de dúvida, defina o texto como desalinhado. Será que notei você quase perder o fôlego quando eu disse a palavra “hifenização”? Não me inclua na ridícula vingança do mundo corporativo contra os -hífens-. Pegue um livro, uma revista, ou um jornal decente. Confira: -hífens!- Um exército de pequenos e gloriosos -hífens- presentes todos os dias, ajudando a nos proteger contra os demônios do espaçamento entre palavras. Dificilmente os percebermos, tão acostumados estamos com o serviço que nos prestam. Se estiver usando o texto justificado, acione a hifenização, não permita mais do que duas duas ou três em uma sequência, e você estará prestando um grande serviço a todos nós. Mas, se estiver trabalhando sob alguma proibição de -hífens-, apenas defina o texto como desalinhado e nos livre de cair em rios de espaços em branco entre as palavras.

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O texto desalinhado também pode (preferivelmente deve) ser hifenizado, especialmente em linhas de comprimentos mais curtos, mas o que simplesmente me assusta é a grande frequência com que sou assaltada pelos pequenos blocos com títulos e chamadas de matérias desnecessariamente hifenizados, mal hifenizados, ou com tantas quebras de linhas malfeitas em relação ao conjunto do texto ou à maneira como é lido. O texto ampliado é uma coisa, tem a atenção que merece, mas se um pequeno bloco de texto ficar sozinho em um título ou chamada, ou ainda no caso de uma legenda, verifique todas as linhas, levando em conta como são lidas, quais informações devem estar juntas e o que a forma final da significa. Forma? Sim, forma! Qual forma deveria ter uma pequena peça com tipografia display? Falando em geral, pequena e pesada. Ela deve ter linhas mais curtas no topo e embaixo, e um pouco mais l a r g a no meio. Neste caso, estamos pensando em um homem de meia-idade, e não na mulher cheia de curvas: a chamada deve ser curta e grossa. Está na moda colocar muito espaço entre linhas, o que me choca no fundo da alma. Faixas, faixas! Por que motivo você gostaria de ler longos corpos de faixas horizontais? Toda a questão de definir a mancha texto gira em torno de facilitar a leitura. O bloco de texto deve ser coesivo, apenas com o espaço necessário para a respiração entre as linhas, e não a ponto de fazer nossos olhos saltarem de uma linha para a seguinte. Por isso é tão cansativo ler esses tipos de textos.

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Listas, marcadores/bullets e recuos. Vamos pensar nos marcadores/ bullets e nos recuos: o pri-meiro ponto, eles aparecem juntos, unidos em sua violência mútua. Não use marcadores/bullets sem recuar o texto seguinte, e verifique se o recuo se alinha corretamente embaixo da primeira linha. O mesmo vale para as listas numeradas, e tome cuidado duplos ou triplos triplos em especial com os números que terão dígitos duplos triplos. Pense nisso antecipadamente, então defina uma tabulação de modo que os números se alinhem à direita sob o último dígito ou período ou qualquer marca que venha em seguida, então se permita colocar um travessão simples n ou um travessão m, e defina outra tabulação para alinhar seu texto à esquerda. Bloqueie e carregue. E, por falar nisso, os marcadores/bullets são bolinhas e não balas de canhão, então que sejam pequenos! o suficiente para que se possa vê-los, mas não tão grandes que espantem o leitor ao visualizá-los. A questão é criar hierarquia e ordem; portanto, mantenha tudo limpo e arrumado. Na medida do possível, não me venha com todas as letras digitadas em MAIÚSCULAS, se você tiver versaletes de verdade disponíveis. Elas vêm num formato separado das fontes Type 1, ou incluídas na maioria das fontes Open Type. Se você não as tiver, não as falsifique tornando-as MAIÚSCULAS ENCOLHIDAS, ou usando aquele estúpido botão (Tt) dos softwares de editoração que deforma o desenho original da letra. Nesse caso, usar MAIÚSCULAS serve. Mas, em qualquer escolha, dê-lhes um

Grandes

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espaçamento entre as letras: de 50 a 100 unidades, para uso no texto corrido, talvez mais, quando utilizado em títulos e cabeçalhos. Em todos os casos, mantenha consistência. Ela é a chave de tudo. Não use MAIÚSCULAS aqui, e minúsculas ali. Se usar algarismos antigos [ou elzeverianos, com ascendentes e descendentes], use-os do começo ao fim (e, em geral, se estiver usando algarismos antigos, você também deve usar minúsculas. Usar MAIÚSCULAS e algarismos antigos juntos é terrível!). Se usar itálico para ênfase, use do começo ao fim. Tome uma decisão e a mantenha. Ou então, se você mudar de estilo, mude-o completamente, do começo ao fim. Agora, uma palavra ou duas sobre o texto de títulos e chamadas, quer dizer, o texto que fica sozinho, em destaque no corpo do documento, normalmente em tamanhos maiores do que o texto. Não confie no espaçamento de letras definido pelo software ou pelo designer de tipos, em corpos maiores a maioria dos tipos disponíveis precisa de algum ajuste. A primeira conduta necessária é um ajuste geral das letras. Quanto maiores forem, mais concentradas devem ficar. Então, quase sempre será preciso fazer algum ajuste manual de kerning. Preste atenção para a tipografia, exagere-a, acrescente espaço entre as letras que se tocam ou ficam muito próximas umas das outras, aproxime-as quando elas estiverem afastadas. De maneira similar, você provavelmente precisará ajustar a entrelinha de um tipo maior e, pequeno

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de novo, quanto maior o corpo, menor a proporção entre o corpo e a entrelinha. Não desmereça a tipografia deixando-a abandonada, virando-se por conta própria, parecendo uma garota com o vestido preso na roupa debaixo. Existe muito mais para se conhecer nesta área, mas essas ideias básicas vão aliviar muito sofrimento. Para saber mais, você deve ler tudo em que você puder colocar as mãos referente à tipografia.

Exagere, exagere, exagere. O título é para ser visto!

Siga em frente. Faça direito e faça bem-feito.

O editor sugere: Projeto Tipográfico – Análise e produção de fontes digitais, de Claudio Rocha e Primeiros socorros em tipografia, de Hans Peter Willberg e Friedrich Forssman.] Junto com os tipógrafos de toda parte, você vai afastar os bárbaros dos nossos portões, livrando--nos da invasão das atrocidades tipográficas.

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Design e sua versão hilária