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A VIDA DA GENTE É COMO O TEMPO... BASTA UM VENTO QUALQUER DE CONTRATEMPO E O QUE ERA AZUL FICA NUBLADO DE REPENTE... MAS A RECÍPROCA TAMBÉM É VERDADEIRA. UM VENTO BOM CARREGA AS LÁGRIMAS DA GENTE E UM CÉU SE ABRE AZUL QUEIRA OU NÃO QUEIRA.

Eduardo Perry, publicitário e escritor, reune nesta mostra alguns de seus poemas de uma coletânea de 50 anos ilustrados pelo próprio autor. Tem 4 filhos: Tatiana,Adriana,Fernanda e Domenico. Nos anos 60-70, época em que vivenciou e participou dos movimentos culturais, atuou ao lado amigos como Chico Buarque, Taiguara, Boris Casoy e muitos outros. Nessa época publicou “Rosa em campo de concentração” (1963) e mais recentemente o romance “O Ascensorista” (2007) baseado em um de seus poemas. Tem no prelo um novo romance “ O Sapo”, que deverá publicar brevemente. Na publicidade, sempre viveu da criação. Mora em Aldeia da Serra há 15 anos e ali recebeu centenas de amigos em seu Bistrô Propaganda, ponto de gastronomia e cultura que ainda vive na memória de muitos.


O display criado pelo autor e desenvolvido pela artista plástica Silvia Veiga para acomodar os livros em livrarias e lançamentos é um mini-elevador de madeira com porta pantográfica

“Ambientado em Paris, o enredo evolui do subsolo ao último andar num verdadeiro sobe-e-desce pela alma humana.” Editora HBG ISBN 978-85-61771-01-0 / 160 páginas

Romance ilustrado por fotos preto-e-branco tiradas em Paris pelo autor, seguindo os passos da narração.

Eduardo Perri

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Eduardo Perri (perrydyp@uol.com.br) Fone contato:11- 41922821

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Na lagoa, Diz-me um sapo: Na vida, Engoliste algum? Digo não Meu caro sapo, Eu nunca Engoli nenhum! Nunca engoliu Nenhum sapo? Todos então Se entreolham, Coaxando Em tom de esculacho: é papo...é papo... é papo...

Quem já não engoliu um?


POR ENTRE O CRISTAL TRANSPARENTE E ATRAVÉS DA LUZ QUE TE TRANSPASSA VEJO AS CORES VIVAS EM QUE OSCILAS NO BAILAR DESTE TEU CORPO NA GARRAFA

Eduardo Perry

Vinho

ATRAVÉS DOS AROMAS QUE EXALAS, E DO GOSTO QUE PERCORRE A BOCA CHEIA, CONSIGO PRESUMIR TUA DESCENDÊNCIA E PRESSENTIR A NATUREZA QUE TE RODEIA

Ilustração do autor

DEITAS NA TAÇA ENTÃO TEU CORPO EM PLENITUDE E TEU CARÁTER LENTAMENTE SE ESPREGUIÇA REVELANDO O SONO QUE TIVESTES E OS SEGREDOS QUE TROCASTES COM A CORTIÇA... ÉS UM RUBI LÍQUIDO INTENSO QUE DO SILÊNCIO VÍTREO SE RETIRA E SE LIBERTA AGORA PARA SEMPRE ALIVIADO PELA ALMA QUE RESPIRA.


Frente e osrev Eduardo Perry

AS COISAS SE ESCONDEM SEMPRE UMA ATRÁS DA OUTRA ATRÁS DE UM SORRISO PODE ESCONDER-SE A INVEJA OU MESMO O ÓDIO DE SE ESTAR SORRINDO ATRÁS DE UMA LÁGRIMA PODE-SE DE REPENTE ENXERGAR A MENTIRA SE EXIBINDO ATRÁS DE UM ABRAÇO PODE ESTAR A LÂMINA QUE FERE ATRÁS DE UM SOCO PODE ESTAR O AMOR DE QUEM O DESFERE

ATRÁS DE UM BEIJO PODE ESTAR O FEL E ATRÁS DE UM GRITO ESTRIDENTE PODE ESTAR O MEL DE UM DOCE GESTO ALI PRESENTE ATRÁS DE UM OLHAR PODE ESCONDER-SE UM PÁLIDO DESPREZO E ATRÁS DE OLHOS CERRADOS PODEM ESTAR ATENTOS O AMOR E O ZELO

ATRÁS DO CONSCIENTE PODE ESTAR A INCONSCIÊNCIA E ATRÁS DESTA A MEMÓRIA DE QUEM QUER ESQUECIMENTO AS COISAS ESTÃO SEMPRE UMA ATRÁS DA OUTRA NUM FRENTE E VERSO QUE FALSEIA ETERNAMENTE

MAS SE FORMOS SEMPRE PENSAR NO QUE SE ESCONDE ATRÁS COMO ACREDITAR NAQUILO QUE SE MOSTRA À FRENTE?


foto-ilustração do autor SEU CORPO PARA MIM É UMA GUITARRA E SEUS CABELOS SÃO AS CORDAS QUE DEDILHO QUANDO PERCORRO AS MÃOS POR SUA PELE SINTO OS ARREPIOS COMO NOTAS SOLTAS PROCURANDO DEDOS UMA ATRÁS DAS OUTRAS

Sustenido Eduardo Perry

poema inspirado nas notas de nuno mindelis

O DÓ SÃO OS SEUS OLHOS ME ESPIANDO O RÉ O NOSSO ENGATE DE CORPOS TREMULANDO O MI OS MINI BICOS DE SEUS SEIOS O FÁ O SUSSURAR DE SEUS ANSEIOS O SÓL É O CALOR DE SUA ENTRANHA O LÁ É O LÁBIO QUENTE QUE ME BEIJA O SI É A DÚVIDA DO AMOR, UNHA QUE ARRANHA

TOCAR SEU CORPO É COMO TOCAR UMA GUITARRA ATINJO O CLIMAX QUANDO A SINTO VIBRAR EM CADA NOTA QUE DEDILHO E NUM CRESCENDO QUE A DEIXA SEM SENTIDO SINTO NAS CORDAS MOLHADAS EM MEUS DEDOS A EXPLOSÃO DE UM GOZO EM SUSTENIDO.


às modelos muito magras e às muito magras que não são modelos

Ossos

Eduardo Perry

Ilustração do autor

POR QUE NOS PRIVAR DA CARNE E DOS SUCULENTOS DESEJOS QUE SÃO NOSSOS? PARA QUE TANTA MAGREZA EM VIDA SE VOCÊS TÊM A ETERNIDADE INTEIRA PRA SER OSSOS?


Mundo cão

Eduardo Perry

Ilustração do autor

ALGUNS HOMENS A CADA DIA QUE PASSA ME PARECEM MAIS DE OUTRA RAÇA PODERIAM TER RABO PARA ABANAR VERDADEIROS SENTIMENTOS ANDAR DE QUATRO AOS QUATRO VENTOS POIS MUITOS DELES SE DESEQUILIBRAM SOBRE DUAS PATAS

E PODERIAM PARAR DE ABANAR O RABO FRENTE AOS SUPERIORES, RICOS, PODEROSOS

PODERIAM TER FOCINHOS (ALGUNS, COM FOCINHEIRAS) UNS PARA DEIXAR DE GANIR BRAVATAS OUTROS PARA MANTER O FOCINHO CALADO E NÃO LATIR BESTEIRAS

PODERIAM LATIR AO INVÉS DE FALAR E TER INSTINTOS AO INVÉS DE PENSAR PORQUE UNS ROSNAM PALAVRAS QUE AMEAÇAM MAIS DO QUE OS LATIDOS E A OUTROS FALTA INTELIGÊNCIA EM TODOS OS SENTIDOS

ALGUNS HOMENS, A CADA DIA QUE PASSA, ME PARECEM MAIS DE OUTRA RAÇA PODERIAM AO MENOS SER ADESTRADOS PARA NÃO ROSNAR FRENTE AOS MAIS FRACOS E DEIXAR DE FAZER TANTA SUJEIRA PELAS VIAS OBSCURAS PODERIAM ALGUNS PARAR DE MORDER OS OUTROS ANDANDO, COMO DEVERIAM, DE COLEIRA PODERIAM, A CADA ANO, SER VACINADOS CONTRA RAIVA, ÓDIO, INVEJA E OUTROS INSTINTOS VÍS E DESASTROSOS

QUANDO CHEGO EM CASA E VEJO MEU CACHORRO QUE SEMPRE SE MOSTRA VERDADEIRO CHEGO A PENSAR QUE DEUS COMETEU POR CERTO ALGUM ENGANO PODERIA TER FEITO COM QUE CADA RAÇA HABITASSE CORRESPONDENTEMENTE O SEU TERREIRO OS HUMANOS, QUE NÃO SE MOSTRAM COMO TAL, HABITARIAM O MUNDO ANIMAL E OS ANIMAIS, PRA DESFAZER O ENGANO, TERIAM MAIS JUSTIÇA SE HABITASSEM O UNIVERSO HUMANO


Pregadores

Eduardo Perry

Ilustração do autor

OS PREGADORES NOS VARAIS PARECEM DEDOS SEGURANDO OS LENÇÓIS E SEUS SEGREDOS QUE DIZEM AO VENTO AS MANCHAS QUE TREMULAM E QUE SE POSTAM AO SOL PARA QUARAR? DENTRO EM POUCO JÁ ESTARÃO BRANCAS E SERÃO APENAS CÂNDIDAS LEMBRANÇAS DE MOMENTOS QUENTES (LEVARAM OS LENÇÓIS ATÉ A CORAR)

LENÇÓIS E ALMAS TALVEZ POR COINCIDÊNCIA SEJAM BRANCOS E QUANDO MOLHADOS DE FLÚIDOS OU DE LÁGRIMAS SÃO RÁPIDOS DE SECAR TALVEZ ATÉ POR ISSO OS LENÇÓIS SEJAM USADOS SIMBOLIZANDO VESTES DE ALMAS A PENAR MAS, QUE FAÇO EU AQUI OLHANDO E ANALISANDO OS PREGADORES? TENTANDO PREGAR À ALMA CONCEITOS MORAIS?

SABEM OS LENÇÓIS QUEM SÃO SEUS VERDADEIROS DONOS? DE QUEM SÃO OS CORPOS QUE OS FAZEM EMARANHAR?

NÃO, O AMOR É A ALMA EM INCONSCIÊNCIA QUE SÓ ACEITA PREGADORES DE VARAIS

NÃO SABEM NADA, MAS VIVEM AS CONFIDÊNCIAS DO INÍCIO AO FIM ATÉ O SOL RAIAR

AQUELES QUE PARECEM DEDOS SEGURANDO OS LENÇÓIS E SEUS SEGREDOS


Ilustração do autor

JOÃO SEMANA QUE FEBRE É ESTA? CADÊ TEU SONHO CADÊ TEUS FILHOS CADÊ TUA FESTA?

Eduardo Perry

João Semana

ATÉ PARECES JOÃO SEGUNDA TODO CURVADO HOMEM CORCUNDA. OU ÉS JOÃO TERÇA HOMEM DE FIBRA PELE DE CAL? NÃO ÉS JOÃO TERÇA DE BEM OU MAL. ENTÃO QUEM ÉS? SERÁS JOÃO QUARTA HOMEM BATENTE COM MUITOS FILHOS? HOMEM QUE CORRE ATRÁS DO APITO SOM DE ESPERANÇA QUE VAI NOS TRILHOS? NÃO,ÉS JOÃO QUINTA, HOMEM SOFRIDO QUE EMBORA MINTA DIZ REALIDADE JOÃO QUINTA FEIRA HOMEM SEM BEIRA NO COPO CHEIO CHEGANDO À BORDA A SEMANA INTEIRA E ONDE SEXTA, ONDE JOÃO SEXTA JOÃO SEXTA FEIRA? FAZENDO A FEIRA SE A FEIRA É SONHO, SONHANDO ALTO NO ANDAIME BAMBO QUE DÁ VERTIGEM? NÃO, SEXTA FEIRA SEXTA NÃO ÉS.

NEM ÉS JOÃO SÁBADO HOMEM POTENTE COM POUCO ENCANTO PRA NOITE VIRGEM. HOJE É DOMINGO ÚLTIMO DIA DE JOÃO SEMANA. NO CORPO, O SONO NAS MÃOS, CANSAÇO NA BOCA, UM TRAÇO N´ALMA, O ABANDONO. NO CANTO, OS FILHOS MULHER QUE GRITA UM SOM TÃO PERTO QUANTO ESTRIDENTE DO TREM QUE APITA. O RESTO É O RESTO O ÚLTIMO PINGO, O FIM DE UM SONHO DE JOÃO DOMINGO. JOÃO SEMANA, QUE FEBRE É ESTA? CADÊ TEU SONHO, CADÊ TUA FESTA, CADÊ TEUS FILHOS? SEGUNDA FEIRA É TUDO APITO QUE VAI NOS TRILHOS...


Pingentes

Eduardo Perry

Ilustração do autor

O TREM SACOLEJA OS OSSOS TAMBÉM

E A VIDA DE FATO QUANDO É QUE ELA VEM? O TREM SACOLEJA OS OSSOS TAMBÉM APITA TRISTEZA NUM DOIDO VAI-VEM

UM HOMEM SEGURA NA PORTA A CRIANÇA QUE OUTRA CRIANÇA SEGURA TAMBÉM

VEM CHEIO DE GENTE TÃO CHEIO QUE A GENTE PARECE PINGENTE AGARRADO EM NINGUÉM

NA CURVA DÁ UM SOCO TÃO FORTE QUE UM CORPO SE LARGA NO ALÉM

TEM GENTE NA PORTA PARECE PINGENTE NA PORTA DO TREM

E O CORPO SE ARRASTA E A VIDA SE AFASTA DO CORPO QUE TEM

E A VIDA DE FATO QUANDO É QUE ELA VEM?

A ALMA DO CORPO ESMAGADO NOS TRILHOS NÃO É DE NINGUÉM

O TREM SOLAVANCA E O MEDO TAMBÉM APITA NO TÚNEL UM SOM TRESLOUCADO NUM DOIDO VAI-VEM

VAI EMBORA LIBERTA E TRILHA SABENDO QUE A VIDA DE FATO DEMORA MAS VEM.


Paris

Eduardo Perry

CIDADE DAS PAIXÕES DESENFREADAS, DAS LUZES, DOS NEONS, DAS MADRUGADAS, DAS CAMINHADAS PELO SENA E PELO SENSO DE DIREÇÃO SEM COMPROMISSO E SEM MAIS NADA. CIDADE-LUZ DAS ILUSÕES SEMI-APAGADAS, DOS BECOS E DOS BARES ANCORADOS NA MEMÓRIA E NAS LEMBRANÇAS DIVAGADAS... CIDADE DAS MESINHAS NAS CALÇADAS, DOS ROUGES E DOS BLANCS INEBRIANTES, DOS CHAMPAGNES CUJAM BOLHAS SOBEM DEIXANDO AS NOITES VIVAS,BORRBULHANTES...

PARIS DO LOUVRE REFLETIDO NOS CRISTAIS, PARIS DO DROITE E DO GAUCHE SARTRIANO, PARIS DO FLORE E DAS FLORES TÃO SINGELAS SE DEBRUÇANDO NAS VARANDAS E JANELAS...

CIDADE DOS MUSEUS E DOS JARDINS, DAS FOLHAS AMARELAS E DOURADAS, DOS PINTORES E DAS TINTAS MAL JOGADAS, NAS TELAS QUASE SEMPRE INCABADAS....

SÃO TANTOS OS APELOS E AS VIVÊNCIAS QUE COMIGO CAMINHAM LADO A LADO, QUE DEIXO PARIS EM RETICÊNCIAS.... ....PORQUE PARIS É UM POEMA INACABADO....


Peixinhos Eduardo Perry


Eduardo Perry


Menino Engraxate Eduardo Perry


Sonho Eduardo Perry


Eduardo Perry


Lixeiro Eduardo Perry


Eduardo Perry

Coisas sutís

COM ALGUMAS PALAVRAS O POETA EMOCIONA... COM ALGUNS RABISCOS UM DESENHO VEM À TONA... COM ALGUNS SORRISOS A SIMPATIA DETONA... COM UM SIMPLES PISCAR DE OLHOS O ORGULHO VAI À LONA... COM O ESBOÇO DE UMA CARETA A TRISTEZA DESMORONA... COM UM GESTO DE PERDÃO O AMOR ACORDA DO COMA... COISAS SUTÍS MUDAM AS COISAS NUM TRIZ...


Angra

Eduardo Perry

FRENTE À BAÍA DE ANGRA OS FIOS DOS POSTES SE POSTAM COMO PAUTAS, ESTICADOS,UM A UM, HORIZONTALMENTE E NUMA DISTÂNCIA IGUAL ENTRE SI,NA VERTICAL. PREPARAM-SE ASSIM PARA O CAIR DA TARDE, NUM BRINDE AO SOL QUE AO LONGE ARDE ILUMINANDO AS ASAS DOS PÁSSAROS EM ALARDE. E DE REPENTE, OS PASSARINHOS NELES POUSAM... UM BANDO EM RITUAL, COMO SE CADA QUAL FOSSE UMA NOTA DA ESCALA MUSICAL.

CHEGA O DÓ, O RÉ E O MI, POUSA O FÁ, O SOL E O LÁ E NUM RAZANTE ENTRA O SI. E EM REVOADA, O FÁ VOA PARA O MI O MI VOA PARA O SI, BATE AS ASAS EM BEMOL, E TODOS VOAM PARA O SOL.

AO FIM DA APRESENTAÇÃO, O SOL, JÁ CANSADO DE BRILHAR, DEIXA A GALERIA E TRAZ O ESCURECER, DIZENDO A TODOS QUE AGORA É DESCANSAR. OS PÁSSAROS PARA OS NINHOS, OS FIOS E POSTES NO ESCURO VÃO SUMINDO E O CÉU FECHA SEU PANO ASSIM, DE VAGARINHO.

NO CANTO, A LUA INDA APAGADA, A TUDO ASSISTE SEM NO ENTANTO SE MOSTRAR. RETOCA A PURPURINA DE SEU ROSTO E NO MESMO CAMARIN DO SOL JÁ POSTO ESPERA O SEU MOMENTO DE BRILHAR.


NO CORPO, A POLPA AZEDA E PASSADA DA VELHICE ANTECIPADA. DENTRO, UM CAROÇO DE DÚVIDA: ABACAXI TEM DNA? EIS-ME LÁ, EIS-ME ACOLÁ! RESTA-ME SÓ A ETERNA ILUSÃO: SER GERADO À PARTIR DE UM SEMEN DOCE NA PRÓXIMA ENCARNAÇÃO.

Abacaxi

PELE GROSSA, ENRUGADA, NA CABEÇA A COROA SECA DA ALMA DESTRONADA.

Eduardo Perry

O FIM É UM ABACAXI, EIS-ME AQUI.


SE VOCÊ ESTÁ MORRENDO DE AMORES, DÊ FLORES...

Flores

Eduardo Perry

SE ESTÁ CURTINDO O AMARGOR DOS DISSABORES, DÊ FLORES... SE ACHA QUE AS PESSOAS AO REDOR ESTÃO PERDENDO SEUS VALORES.... DÊ FLORES... SE ACHA QUE O PRETO ESTÁ TOMANDO CONTA DE OUTRAS CORES ...DÊ FLORES... PORQUE QUANDO SE DÁ FLORES, DENTRO DO PEITO FLORESCEM OS AMORES... NA BOCA, FICA MAIS DOCE O SABOR DOS DISSABORES... NA ALMA, VOCÊ GANHA PONTOS DE VALORES... ...E SAI DO PRETO PARA VIVER INTENSAMENTE AS OUTRAS CORES.


Eduardo Perry CHORAR É BOM, FAZ ESCORRER AS PALAVRAS QUE NÃO TEMOS... E SE CHORAMOS, POR QUE TÊ-LAS? FAZ CHOVER SOBRE A SECA QUE SE ESTENDE E A TUDO ASSOLA. E SE CHORAMOS, QUE SECA HÁ DE? FAZ ENCHARCAR O VAZIO QUE SENTIMOS, LOCUPLETANDO ESPAÇOS QUE NÃO VEMOS. E SE CHORAMOS POR QUE VÊ-LOS?

E SE CHORAMOS, POR QUE DÁ-LOS? FAZ DESABAR FLUIDOS BONS SOBRE OS TEMORES MAIS MEDONHOS. E SE CHORAMOS, POR QUE TEMÊ-LOS? CHORAR É COISA QUE SE FAZ DESDE PEQUENO. CHORAMOS PELA DOR QUE TEMOS, CHORAMOS PELA DOR QUE IMAGINAMOS E QUE NÃO TIVEMOS, CHORAMOS QUANDO RIMOS, QUANDO BOCEJAMOS, CHORAMOS SEMPRE

Lágrimas

CHORAR É COISA QUE SE FAZ DESDE PEQUENO.

FAZ BALANÇAR, ELUCIDANDO O BEM-QUERER QUE TEMOS E NEGAMOS.

PORQUE SOMOS ÁGUA POR INTEIRO NUNCA SEGURE UMA LÁGRIMA, NEM QUE SEJA NO CANTO DE SEUS OLHOS... QUE SEGURÁ-LA PODE INTERROMPER O SEU JORRAR CONSTANTE E SECAR PARA SEMPRE O SEU CANTEIRO.


Eduardo Perry

Mind the gap

MIND THE GAP

LEMBRE-SE, A VIDA É UMA ILUSÃO... CUIDADO COM O VÃO! A GENTE É SÓ PASSAGEIRO (E OLHA QUE PASSA LIGEIRO) VAGANDO DE TRILHO EM TRILHO, DE ESTAÇÃO EM ESTAÇÃO... CUIDADO COM O VÃO! NÃO DÊ ADEUS A NADA, QUE ELE DO NADA SURGE, BEM ASSIM DE SOPETÃO... CUIDADO COM O VÃO! CUMPRIMENTE AS PESSOAS QUANDO ESTIVERES LÁ EM CIMA, PORQUE VOLTARÁ A ENCONTRÁ-LAS QUANDO ESTIVERES NO CHÃO...

CUIDADO COM O VÃO! A PLATAFORMA DE HOJE NADA MAIS É DO QUE CHÃO. NÃO SE PRENDA A ELA NÃO, DEIXE A VIDA TE LEVAR, QUE TEM LUGAR NO VAGÃO... CUIDADO COM O VÃO! NÃO LEVE ÓDIO CONSIGO QUE ÓDIO É MALA NA MÃO, LEVE AMOR QUE O ÓDIO PASSA E SE TRANSFORMA EM PERDÃO... CUIDADO COM O VÃO! NÃO QUEIRA TUDO SOZINHO, NO VAGÃO DIVIDA O PÃO QUE QUANDO ACABAR O SEU VAI PRECISAR DO VIZINHO... CUIDADO COM O VÃO!

VÁ TRILHANDO DE MANSINHO QUE MAIS DIA MENOS DIA CHEGA A ÚLTIMA ESTAÇÃO. DAÍ,MEU CARO, TEM GENTE QUE LÁ NO FUNDO TE ESPERA, QUEM SABE ESTENDENDO A MÃO... PRÓXIMO TREM, NINGUÉM SABE, PLATAFORMA TAMBÉM NÃO. DA ESTAÇÃO VIRO PRA DEUS, DIGO: SENHOR ESSA NÃO! TANTOS DIAS DE CUIDADOS PRA TUDO ACABAR NO VÃO?


Eduardo Perry COMO SENTIR AQUELE GOSTOSO CONFORTO DE SENTAR, QUANDO ELA AFUNDA? COMO SENTIR O TESÃO DO REBOLAR QUE DELA ORIUNDA? ONDE DEIXAR A AGULHA PICAR SE NÃO FOR NA FOFA TÃO CARNUDA E TÃO PROFUNDA? ONDE ESTALAR UM TAPA QUE NÃO SEJA NA ROTUNDA?

Bunda

QUE SERIA DE NÓS NÃO FOSSE A BUNDA?

QUE CARA FAZER QUANDO NOS PEGAM EM FLAGRA SE NÃO EXISTE OUTRA A NÃO SER CARA DE BUNDA?


Eduardo Perry

Cromossomos

AFINAL, QUE SOMOS? APENAS CROMOSSOMOS OU SOMOS COMO SOMOS? O ESPERMA EM GOZO QUE JÁ FOMOS OU SOMOS COMO SOMOS? APENAS ÁTOMOS E NÊUTRONS SEM PORQUÊS NEM COMOS OU SOMOS COMO SOMOS? AFINAL, QUE SOMOS? SOMOS DEUS MULTIFACETADO NOS BILHÕES QUE SOMOS? OU A ONIPOTÊNCIA DELE REINANDO ABSOLUTA A PARTIR DE VÁRIOS TRONOS? MAS SE SOMOS DEUS,PORQUE SOMOS COMO SOMOS?

SE DEUS É LUZ E É TÃO ETERNO ENFIM PORQUE NOS FEZ ASSIM, COM INÍCIO, MEIO E FIM? NÃO SOMOS NADA, NEM SUA IMAGEM QUE NÃO VIMOS E NEM SEQUER A IMAGEM DO QUE SOMOS. APENAS SOMOS PELE E CARNE VESTINDO A CAVEIRA QUE SEREMOS E QUE A VIDA TODA PRESSENTIMOS E JAMAIS VEREMOS.


SE QUISER QUE SEJA AO VIVO UMA WEB CAM É PRECISO, MAS EXIBE SEUS DEFEITOS. VAI MOSTRAR TUDO DE PERTO, SE QUERES FALAR COMIGO DEDILHA NESTE TECLADO O QUE ME QUERES DIZER.

AQUELE DENTE QUE FALTA, AQUELA ESPINHA QUE SALTA,

solidaopontocom

Eduardo Perry

A FROUXIDÃO DE TEUS PEITOS. MAS SE O QUE QUER É MOSTRAR-TE É PRECISO ESCANEARES-TE OU MESMO FOTOGRAFARES-TE PARA QUE EU POSSA TE VER. DEPOIS É SÓ ME ENVIAR-TE NUM ARQUIVO JOTAPEGUE, NUNCA UM TIF,ORA! UM TIF, O DIABO QUE O CARREGUE.

MAS SE O QUE QUER É MOSTRAR-TE, SE DIVIDIR-TE É TUA FEBRE EMBARCA TUA SOLIDÃO, VEM NAVEGANDO NA WEB. EU AQUI, NO CAIS DA TELA, DE OLHO NA BARRA DE STATUS AGUARDO,ANSIEDADE CRÔNICA, RECEBER NO TRAÇO A TRAÇO A TUA IMAGEM ELETRÔNICA.

SE ÉS GRANDE,SE ÉS GORDA, VEM QUE TENHO BANDA LARGA PARA ABRIR-TE SEM DEMORA. MAS NÃO EXAGERES NOS MEGAS QUE TEU PESO NUM ARQUIVO PODE CAUSAR UM ESTRAGO E LEVAR TUDO A PERDER SE CUSTAR QUARTO DE HORA.

MAS, DE REPENTE, A AGONIA TORNA O DOWNLOAD MAIS LENTO NO TRAZER SEUS DEPEÍS. NA DÚVIDA DE QUERER VÊ-LA, ME ASSUSTA O TER DE SALVÁ-LA, OU PIOR,TER DE HOSPEDÁ-LA, E ENTRE TRAGADAS E TRAGOS TERMINO A GARRAFA DE ANÍS.

SE QUERES PHOTOSHOPAR-TE TIRA AS ESTRIAS E RUGAS, TIRA OS PELOS E A BARRIGA, LEVANTE OS SEIOS E AO FIM SALVE TUDO E FAÇA FIGA.

E A SOLIDÃO QUE ME EMBALA, COM MEU SONO, LADO A LADO, APAGAM A LUZ COM CUIDADO E CUIDAM DE DELETÁ-LA.


Eduardo Perry QUE A VIDA DELE, DE FATO, FAZ MINHA VIDA PULSAR. VOU USANDO A FORÇA DELE, QUE A FORÇA DELE, DE FATO, ME DÁ FORÇA PRA LUTAR.... VOU USANDO O SEU SORRISO, O SEU JEITINHO MATREIRO, QUE O JEITO DELE, DE FATO, ME LEVA A CONTINUAR....

Domenico

ELE É UMA PEÇA RARA, DIFÍCIL DE SE ENCONTRAR. ALÉM DE TUDO, É A MINHA CARA ( A CARA QUE TINHA ANTES ), FOSSE A DE HOJE, NA CERTA, NUNCA IRIA PERDOAR. TEM QUINZE MESES DE VIDA E MIL ANOS PRÁ GASTAR. E EU, NOS MEUS CINCOENTA E SETE, JÁ GASTEI TUDO O QUE TINHA, NÃO SEI COMO VOU PAGAR... VOU USANDO O SEU SONINHO, TÃO INOCENTE E SERENO, QUE O SONO DELE, DE FATO, ME PERMITE DESCANSAR.... VOU USANDO A SUA VIDA, QUE DEUS A FAÇA COMPRIDA,


Nuvens Eduardo Perry


Eduardo Perry

Bagus dei

É DE MANHÃ E O ORVALHO VESTE OPACO OS BAGOS ROXOS QUE SE POSTAM EM FILEIRAS... SÃO BAGOS VIVOS FIRMES E CARNUDOS, FRUTOS DO ORGULHO DA TERRA E DAS VIDEIRAS. OS BAGOS BRILHAM NO RAIAR DO DIA NUM CROMATISMO MAIS DO QUE SUBLIME... JÁ SÃO MADUROS, DÃO ADEUS ÀS MÃES-VIDEIRAS E COM ALEGRIA SEGUEM EM CESTAS SOBRE O VIME. FRUTOS COLHIDOS E MAIS DO QUE ESCOLHIDOS TRAZEM NAS VEIAS SANGUE TINTO ABENÇOADO,

TANTO PELO ONIPOTENTE QUE LHES DEU SEMENTE QUANDO POR BACCO QUE POR ELES TEM UM FRACO. SÃO FRUTOS DA PAIXÃO, FRUTOS SADIOS, FRUTOS DO AMOR DO CALOR E DO CARINHO, SE ENTREGAM EM CORPO PARA SEREM ALMA DO LÍQUIDO MAIS PRECIOSO, O VINHO.


UM COLINHO,UM AGRADO, UM PITO MAIS QUE BEM DADO E ATÉ UM BELISCÃO, QUE NÃO É DADO DE DEDO, MAS DADO DE CORAÇÃO.

PORISSO,MEUS CAROS FILHOS E NETOS QUE FILHOS SÃO, OS AFAGOS COMO TAPAS FAZEM BEM AO CORAÇÃO. PORQUE VÊM DAS MÃOS DAQUELAS, QUE GERARAM NOSSAS VIDAS E A TORNARAM VIVIDAS ATRAVÉS DE SEU CORDÃO. EU SÓ HOJE, AQUI MAIS VELHO, CABELO BRANCO,BABÃO, APRENDI DE VEZ POR TODAS QUE SÓ MÃE PRA DAR LIÇÃO. E PRA PARAR DE SER VELHO, E DEIXAR DE SER BABÃO, QUE FALTA MEU DEUS ME FAZ UM BOM TAPA E UM BELISCÃO.

Beliscão

UM TAPINHA,UM TAPÃO, UM APERTO,UM SAFANÃO, TUDO DADO COM CUIDADO, QUE É DADO COMO LIÇÃO.

Eduardo Perry

UM OLHAR DE CARA BRAVA E SE NEM BRAVA ELA FOSSE, SE OLHÁ-LO BEM LÁ NO FUNDO, VAI PERCEBER QUE ELE É DOCE.


Imaginação Eduardo Perry


Vida Eduardo Perry


Doce

Eduardo Perry

O DOCE PERGUNTOU PRO DOCE QUAL DOCE ERA O MAIS DOCE. O DOCE RESPONDEU PRO DOCE QUE, DOS DOCES , O MAIS DOCE ERA O DOCE DE BATATA DOCE. O DOCE ARGÜIDOR NÃO TEVE TEMPO DE PROVÁ-LO POIS MORREU SEGUNDOS DEPOIS VÍTIMA DE COMA DIABÉTICA.


Eduardo Perry

Areia

AREIA GROSSA AREIA MÉDIA AREIA FINA, MAS NÃO É AÍ QUE A SELEÇÃO TERMINA. TEM A GROSSA GROSSA, TEM A GROSSA MÉDIA, TEM A GROSSA FINA., MAS NEM ASSIM A SELEÇÃO TERMINA. TEM A MÉDIA GROSSA, TEM A MÉDIA MÉDIA, TEM A MÉDIA FINA.. E CONTINUA A SELEÇÃO COM A FINA. A FINA GROSSA, A FINA MÉDIA E A FINA FINA.. SERÁ QUE AGORA A SELEÇÃO TERMINA? COMO A AREIA É MUITA, MUITOS GRÃOS RECLAMAM E PEDEM QUE SE ESTENDA A PARCA SELEÇÃO. GROSSA.,GROSSA,GROSSA, GROSSA,MÉDIA, GROSSA GROSSA,FINA GROSSA...


Eduardo Perry

Saudade

NA SEQUÊNCIA, VENTO E SENTIMENTO ME EMBAÇARAM OS OLHOS E SENTI QUE ESTAVAM MAREJANDO.

EU HOJE ACORDEI EM AGONIA. LEVANTEI, FUI À JANELA VER O DIA. OLHEI O MAR E O MAR NADA DIZIA. SENTEI-ME NA VARANDA, E RECOSTEI-ME, TENTANDO AFASTÁ-LA DO MEU DIA. OLHEI O MAR E O MAR NADA DIZIA. DE REPENTE, SENTIMENTOS COMO VENTOS, FORAM SOPRANDO ASSIM,SUAVEMENTE.. OLHEI O MAR E PERCEBI-O MAREJANDO, DE FORMA LEVE E CONTINUADAMENTE.

OLHEI O MAR E ONDAS SOBRE ONDAS FORAM CRECENDO E SE AGIGANTANDO. PELA FORÇA, SENTI QUE ERA A SAUDADE QUE LÁ DE LONGE VINHA SE FORMANDO. SEGUREI-ME FIRME AO PARAPEITO E ELA NUM CICLONE FOI RASGANDO. OLHEI AS ONDAS, ME VIERAM MEDOS, TODAS ELAS DEVASTANDO AS ÁGUAS EM EM FÚRIA SE CHOCANDO NOS ROCHEDOS. AO MESMO TEMPO EM QUE VI O MAR DE FORA SENTI NAS LÁGRIMAS O MEU MAR DE DENTRO EM ONDAS ME INUNDANDO OS OLHOS E EM DESCONTROLE ARREBENTANDO NO MEU PEITO.


Imitando Kippling Eduardo Perry


Eduardo Perry

Poema nojento

EU HOJE QUERO TE-LA ASSIM, GEOGRAFICAMENTE, PESQUISAR A CROSTA DE SUA PELE ARDENTE E SEU ARREPIAR DE PELOS FRENTE AOS APELOS QUE LHE DIREI SUSSURRADAMENTE... QUERO, DEPOIS, ARQUITETONICAMENTE, DESENHAR A CAMA EM QUE TE VEJO... FAZER DO CORPO UM ALICERCE ARDENTE, E TRANSPORTAR AOS DEDOS O MOVIMENTO CERTO E CONSISTENTE DE CAVAR DESEJO... QUERO,EM SEGUIDA FIRME E PAUSADAMENTE, POSSUÍ-LA ASSIM DE QUATRO, MATEMATICAMENTE

DIVIDI-LA AO MEIO, MULTIPLICANDO AFAGOS EM SEU CORPO E ELEVANDO AO CUBO OS BEIJOS E CARINHOS EM SEUS SEIOS.. DEPOIS DISSO, POSSUÍ-LA ENFIM FISICAMENTE, CONCATENANDO O IR E O VIR DE NOSSOS CORPOS COM O AMORTECER AVELUDADO DE SEU VENTRE... E, AO FINAL VÊ-LA EXPLODIR, QUIMICAMENTE, EM GOZO: ATÉ SENTIR DENTRO DE SI MEU CORPO SÓLIDO SE TRANSFORMANDO EM LÍQUIDO E PASTOSO.


Eduardo Perry

Adeus

ADEUS É DEMAIS... QUE TAL ATÉ AMANHÃ OU QUALQUER DIA? SEMANA QUE VEM, MÊS QUE VEM, ALGO QUE EU POSSA VER NO CALENDÁRIO... ADEUS,NÃO... ADEUS É ESCURIDÃO, É INDECIFRÁVEL... ADEUS NÃO TEM DISTÂNCIA, REMETE A ANOS-LUZ DE AUSÊNCIA, NÃO TEM PARÂMETROS, É PALAVRA LONGÍNQUA DEMAIS PARA A EXISTÊNCIA... ADEUS É ETERNIDADE, NÃO É PALPÁVEL, MAIS QUE ISSO ADEUS É UM CRIME, UMA MALDADE, E PIOR, QUE NÃO SE PAGA NUNCA , QUE PRESCREVE POR ESTAR TÃO LONGE...

ADEUS É INFINITO, EM QUALQUER LÍNGUA O TERMO MAIS MALDITO, ADEUS É MORTE, FALTA DE SORTE, ADEUS É AMARGO, DOENÇA ETERNA QUE NÃO TEM CURA... ADEUS É O NUNCA E O NUNCA, QUE TAMBÉM NÃO EXISTE PASSA A EXISTIR AGORA SÓ PARA DIZÊ-LO: MEU AMOR, EU PEÇO A DEUS, ME DIGA QUALQUER COISA MAS NUNCA DIGA ADEUS!


Os pรกssaros

Eduardo Perry


Palhaรงo Eduardo Perry


Vina Eduardo Perry


Candoca Eduardo Perry


Lacre Eduardo Perry


Ossobuco a Veneziana

Eduardo Perry


Calvados

Eduardo Perry


Árvore genealógica Eduardo Perry


Ecol贸gico

Eduardo Perry


O bar

Eduardo Perry


Ascensorista

Eduardo Perry


DidafĂŞ Eduardo Perry


Eduardo Perry

Advinho

SE TENS

SE EXALTAS

LÁBIOS RUBI

OS SEUS TANINOS,

NUM CORPO

SE DEITAS

EQUILIBRADO,

RUDE OU MACIO

QUEM SABE

SE INCORPORAS,

EU TE ADIVINHO.

NÃO INCORPORAS, SE DESCANSAS,

SE EXIBES

NÃO DESCANSAS,

NOTAS SUTIS

QUEM SABE

EM SEU TOQUE

EU TE ADIVINHO.

AVELUDADO, QUEM SABE EU TE ADIVINHO. SE VENS DE LONGE,DE PERTO, LÁ DO ALTO OU DE LÁ EMBAIXO DAS MARGENS OU TRÁS DOS MONTES, QUEM SABE EU TE ADIVINHO. SE EXALAS O AR DOS CAMPOS OU GUARDAS O SAL DOS MARES, QUEM SABE EU TE ADIVINHO.

SE TRANSPARECES

SE TENS DESCENDÊNCIA OU NÃO, QUEM SABE EU TE ADIVINHO.

OU TURVAS, SE EMUDECES

DEITAS AQUI

OU RELUZES,

NO MEU COPO.

SE PERMANECES,

MOSTRA-TE

SE AUSENTAS,

A MIM

QUEM SABE

LENTAMENTE,

EU TE ADIVINHO.

E DÁ-TE A MIM POR INTEIRO...

SE ÉS DO

EM CORPO,ALMA

ALENTEJO,DO RENO,

E EM CHEIRO.

DA TOSCA ITÁLIA, TOSCANA, DO LANGUEDOC, BORGONHA, SE TENS BERÇO, NÃO TENS BERÇO, QUEM SABE EU TE ADIVINHO.

É UM PEQUENO SEGREDINHO: O QUE ME MANTÉM MAIS VIVO É O PRAZER DE ADIVINHAR-TE. COMO ME NEGO EM FAZÊ-LO,

SE PERSISTES,

SE DESCENDES

MAIS VEZES

NÃO PERSISTES,

DOS PINOT,

VOU CONHECER-TE,

SE ACIDULAS

DOS CABERNET,

MANTENDO A CHAMA

OU AMARGAS,

DOS SHIRAZ,

MAIS FORTE

QUEM SABE

DOS MALBEC,

QUANTO MENOS

EU TE ADIVINHO.

SAUVIGNONS,

TE ADIVINHO.


Eduardo Perry

Cidade

september 11-2003,10:45 a.m.


Alpinista Eduardo Perry


Hipnose Eduardo Perry


Natal Eduardo Perry


Eduardo Perry

Poema Sideral

QUANDO ESTOU FELIZ, LEVE,RETUMBANTE, SEI PRA ONDE VOU, PRO PLANETA SHOW. LÁ É TUDO EM CIMA, TUDO PURPURINA E APLAUSOS SIDERAIS. LÁ É O MEU PALCO SÓ EU E AS ESTRELAS NINGUENZINHO MAIS.

EM QUE PONTO DO UNIVERSO ME ENCONTRO? É TANTO INFINITO QUE É MELHOR SENTIR-SE DO QUE ESTAR DE FATO E SE SENTIR AFLITO. QUANDO BEBO POR EXEMPLO, JÁ NA QUARTA DOSE SEI ONDE ME ENCONTRO: NUM PLANETA TONTO, QUE BAILA NO ESPAÇO, FORA DE COMPASSO. UM PLANETA AVESSO, QUE DE TÃO VOLÁTIL FICA LÁ NUM PONTO, SEM FIM NEM COMEÇO.

QUANDO AMO ALGUÉM E ALGUÉM ME AMA, A GENTE SE ACHA NO PLANETA ENCONTRO. LÁ SE CHEGA JUNTO E SÓ CABEM DOIS DE TÃO APERTADO. TEM ESTRELAS, LUAS, MAIS QUE UMA,DUAS, E NA LUA CHEIA É QUE SE VAGUEIA ATÉ PERDER O NEXO. MAIS DO QUE DE ENCONTRO, É O PLANETA SEXO.

QUANDO ESTOU CAÍDO, MINHA VIRGEM NOSSA, DEIXO-ME FERIDO E SAIO DE PERTO PRO PLANETA FOSSA. LÁ É TUDO ESCURO, MAIS QUE ESCURO, EXCUSO. PLANETA TÃO MORTO, QUE O ESPÍRITO DESCANSA DE TANTO SE ESPICHAR NA PRÓPRIA INESPERANÇA. E QUANDO ACABAR TUDO, QUE UM DIA ACABA MESMO, DEIXO AQUI MEU CORPO VIRANDO CAVEIRA. DAÍ,SIGO A ESMO, SEM EIRA NEM BEIRA, DEIXANDO MEUS EUS. NÃO SEI PRONDE VOU, SE QUISER SABER PERGUNTE PRA DEUS.


Resumundo

Eduardo Perry

EM PARIS, SÓ CAMINHAR, QUE TUDO O MAIS VAI SURGINDO NA PONTA DO SEU NARIZ. EM ROMA, VISITA BREVE, ANDE A PÉ DO COLISEU ATÉ A FONTANA DE TREVI. EM LONDRES, NÃO PERCA TEMPO, VEJA O THAMES, TOME CHUVA, ENCHA A CARA, MAS NUNCA DURMA AO RELENTO. EM VIENA, SE PUDER, COMA UMA TORTA SACHER. SE FOR DÚBIO, OUÇA O SILÊNCIO DOS BONDES, PROCURE O AZUL DO DANÚBIO. EM MILÃO, NÃO VEJO COMO DESPREZAR A GALERIA E A BELA PIAZZA DUOMO.

EM VERONA, VEJA LÁ, NÃO DEIXE O QUEIXO CAIR QUANDO VER A PIAZZA BRA. EM FLORENÇA, QUE PONTE VECCHIO QUE NADA, CORRA AS PRAÇAS, ANDE RUAS QUE O DAVI ESTÁ NA VIRADA. BARCELONA, DESÇA AO PORTO, SUBA AO MORRO, ANDE NAS RAMBLAS SEM DÓ, E NÃO DEIXE NUNCA MESMO DE VISITAR O MIRÓ. EM MADRID, ESQUEÇA OS TOUROS, QUE VÃO DE MAL A PIOR. UM COCIDO MADRILENHO, Y DESPUÉS UN CAFÉ SOLO MIRANDO A PLAZA MAYOR.

EM LISBOA VALE TUDO, VALE OS BONDES, VALE O TEJO E O PASSADO QU´INDA ECOA. VALE UM PASTEL, UMA GINJA, TOMAR UM CAFÉ NA MESA TENDO AO LADO O SEU PESSOA. NESTA VOLTA PELO MUNDO, PERNAS CANSAM COM CERTEZA.

QUER DESCANSAR PRA SEMPRE? DEIXE A MORTE PRA VENEZA.


Por que tanto a gente corre A vida inteira a buscar Se a gente sabe que morre E que nunca vai chegar?

Quadras, poemas curtinhos, São, dos fogos, os estalos. Ou explodem rapidinho Ou não tem como salvá-los.

As flores podem, no vaso, Murchar e perder a cor. Assim como todo caso Que não se rega com amor.

Perry

Perry

Ter assim tantas razões Que a própria razão desconheça É o que faz os corações Perderem tanto a cabeça. Perry

Não dediquei-me à escola Nem gravei o que aprendi Passei a base da cola, Quando quis tê-la, a perdi.

Quando não se tem bagagem A gente nunca se cansa Basta trazer a viagem Na mente, como lembrança.

Perry

Perry

Se o tempo é ave que voa Nunca mais vê-lo receio... Mas seria ave tão boa Fosse ele um pombo-correio.

Quando as formigas trabalham, As cigarras, de pirraça, Do zunir até se calam Porque não zunem de graça.

Perry

Perry

Perry

Perry

Não existe coisa mais tola que cortar o que se adora... É como cortar cebola, que se corta e depois chora. Perry

Se você morrer dormindo Nem vai saber que morreu Mas, se no céu for bem-vindo Lhe contam o que aconteceu. Perry

Um dois, feijão com arroz Três,quatro, feijão no prato... Quem esta quadra compôs Faminto estava de fato. Perry

Fiz um livro, tive filhos E até árvores plantei... E agora,no fim dos trilhos Que sei eu do que farei? Perry

O orgulho é um telefone Que se deixa de discar. Sem discagem, entra em pane Até nunca mais falar. Perry

Nunca se prenda à saideira Que ela irá te prender Você retorna à primeira E não pára de beber.

A raiva é como o peixe Que, fora d´água, esperneia... Melhor que de lado a deixe Porque vai morrer na areia.

Perry

Perry

Perry

Quando somos tão pequenos Sonhamos sempre em crescer Mas,depois que envelhecemos Que bom seria inverter.

Por este teu beijo eu fico Esperando até bem tarde... Pois é pimenta-de-bico Que deixa gosto e não arde.

Fosse eu no Paraíso Que Deus me livre da treva, Mas de maçã não preciso... Eu comia logo a Eva. Perry

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Pastel & Poesia  

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