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PANORAMA 2013

a festa do documentário português O Panorama, a Mostra do Documentário Português, volta pela 7ª vez a Lisboa para mostrar o que de melhor se tem feito quando se fala em documentarismo em Portugal. A Metropolis conversou com os programadores da Mostra, Fernando Carrilho, João Rapazote e Madalena Miranda, sobre o que se pode esperar para esta edição. TATIANA HENRIQUES

Quais são os principais destaques desta edição? Este ano a rubrica histórica dos “Percursos no Documentário Português” vai ser dedicada ao tema “Documentário no Cinema Novo”. Vamos, por isso, poder ver uma série de documentários realizados pelos mais famosos cineastas do Cinema Novo – Fernando Lopes, Manuel Costa e Silva, José Fonseca e Costa, Faria de Almeida, António de Macedo, António Escudeiro, entre outros – quando estes estavam a iniciar as suas carreiras. Os filmes vão ser exibidos em sessões que estão estruturadas de forma a poderem dar pistas de leitura para o seu enquadramento na “revolução” estética e política que caracterizou esse movimento do cinema português. Claro que o destaque vai para as sessões de Abertura e de Encerramento do Panorama, no S. Jorge: na primeira temos o Belarmino, logo seguido da actuação ao vivo do grupo de jazz que o musicou (Trio Hot Clube de Portugal); no Encerramento vamos poder ver, numa sessão fantástica e original, três curtas biografias realizadas em 1969 sobre Almada Negreiros (de António de Macedo), Fernando Lopes Graça (de António-Pedro Vasconcelos) e Sofia de Mello Breyner (de João Cé-

sar Monteiro). Três cineastas em afirmação que aí já demonstram as suas visões do que querem do cinema.        Na mostra do documentário contemporâneo, a edição do Panorama 2013 vai ter algumas novidades em termos da sua estruturação. Vamos ter duas sessões no cinema S. Jorge dedicadas a Lisboa, filmes que nos dão uma peculiar visão da cidade e onde vamos misturar documentários dos anos 1960 com filmes recentes. Também vamos ter duas sessões dedicadas a Guimarães 2012 – Capital Europeia da Cultura, filmes produzidos especificamente para esse evento e que nos pareceram relevantes mostrar aqui em Lisboa. Temos ainda pela primeira vez três sessões no Teatro do Bairro, dedicadas a filmes que se destacaram no Doclisboa do ano passado. Entre as sessões, digamos “normais” da pro-

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SOPHIA DE MELLO BREYNER (1969)

gramação, podemos destacar a estreia do filme do João Botelho sobre as terras de Miranda do Douro e a sua peculiar língua oficialmente reconhecida, o mirandês – um original “documentário musical”, “Anquando La Lhéngua Fur Cantada”.   

diversificada da mais recente produção nacional de documentários. E, claro, de único tem também o novo olhar sobre a história do documentário que revisitamos todos os anos no âmbito dos “Percursos no Documentário Português”.

O que tem esta Mostra de único? Quais são os seus objectivos?

A Mostra é não competitiva. Porquê? Têm alguma alteração em mente a este nível para o futuro?

O que o Panorama tem de único é precisamente não ser uma competição, havendo assim mais liberdade de mostrar e fazer um retrato mais alargado do tipo de documentários que se vão fazendo em Portugal. São esses os objectivos do Panorama: ser um espaço de reflexão que acompanha os caminhos para onde vai e por onde se move o documentário português; ser uma mostra

Não é esse o objectivo do Panorama, até porque já existe o Doclisboa, que cumpre exemplarmente esse papel. O Panorama, aliás, pode ser visto como projecto complementar do Doclisboa, no trabalho de contribuir para a consolidação da produção documental em Portugal.

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BELARMINO (1964)

Vai haver workshops e/ou debates? O que se pode esperar dos mesmos? Para além das conversas entre o público e os realizadores que vão estar presentes na Mostra, depois do visionamento dos seus filmes, vamos ter dois grandes debates: um sobre o “Documentário no Cinema Novo”, no último dia de exibição dos Percursos na Cinemateca, onde vamos reflectir sobre a importância do documentário para os realizadores e para a renovação do cinema português da época; e vamos ter um debate sobre o tema em foco este ano, “Televisão - Normalizar ou Experimentar”, que surgiu na sequência da importância do trabalho na televisão de muitos dos cineastas do Cinema Novo, em que partimos da exibi-

ção de três pequenos filmes escolhidos para o efeito para reflectir sobre esse importante meio de comunicação social e o seu papel na exibição/produção de documentários, em particular sobre a influência da sua linguagem especificava.        Quais foram os critérios para a selecção dos filmes exibidos? Os critérios de selecção desta mostra centram-se muito na pluralidade de identidades que existem na actual produção documental portuguesa. Procuramos filmes que procurem construir um objecto próprio, com uma visão

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sete anos de existência? O balanço mais importante a fazer está relacionado com a maturidade de uma mostra de filmes, algo um pouco difícil de defender perante a enorme oferta de festivais competitivos. Uma mostra  de filmes, sem prémios, que procuram dar a ver e fazer reflectir sobre os caminhos de um género cinematográfico é uma proposta um pouco contra-corrente do consumo cultural  dos dias que correm. Mas estes sete anos reforçam a nossa convicção que este é o caminho, trabalhamos mais para o futuro. Algo que se traduz também na pesquisa e nos textos que compilamos a cada ano no catálogo, assim como na rubrica dos Percursos no Documentário Português, onde se procura dar a conhecer algo fundamental para a construção de públicos culturais, que é o conhecimento da sua própria história, neste caso do documentário português.  A Mostra passa-se em Lisboa. Pensam em poder alargar o projecto ao resto do país? original e que procurem a sua voz própria, trabalhando a linguagem cinematográfica na sua relação com o real. O que pensam da actual situação do documentário português? Apesar das dificuldades a que assistimos, e que são enormes, temos quase uma total paralisia do sector, o documentário português faz-se cada vez mais de diferentes percursos e identidades, reconhecidos também lá fora.

Pensamos nisso há já alguns anos, mas a crise e os cortes orçamentais a que temos sido sujeitos não nos permitem, por agora, grandes voos. Porém, é um projecto que não está posto de lado e que faz todo o sentido, a itinerância do Panorama, primeiro no país e se possível também fora de Portugal, seria mais uma vez, uma excelente oportunidade de aprofundar o nosso trabalho e a razão de ser desta mostra.

panorama.org.pt/ Que balanço é possível fazer ao longo de METROPOLIS - PANORAMA


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