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Críticas - Filmes

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!,$-*./.0"1$0+ Chegam ao cinema as últimas aventuras dos Cullen e companhia, mais uma vez sem deixar muitas saudades. Desta vez, os vampiros bonzinhos lutam por salvar Renesmee, a filha meio-imortal dos protagonistas, perante a ameaça dos “terríveis” Volturi, e pela primeira vez, deixa-se definitivamente de parte o sofrível triângulo amoroso, que nunca teve muitas pernas para andar. Por outro lado, assistimos ao amanhecer de uma nova Bella, agora vampira (interpretada também por uma nova Kristen Stewart), a quem parece que a imortalidade assenta bem, agora que conseguiu o que tanto pediu ao longo da saga. Exceptuando Michael Sheen, que torna Aro uma carismática personagem, apesar da fraquíssima complexidade do vampiro “muito mau”, a actriz é, de facto, uma das poucas que se destacam no marasmo de actuação do elenco: Bella é agora bela, enérgica, vigorosa e uma implacável mãe, passando a ser uma verdadeira mais-valia. Uma das maiores falhas da saga “Twilight” é o carácter demasiado benigno das suas personagens, sobretudo nos seus vilões, o que volta a acontecer neste filme: os Volturi não conseguem amedrontar nem uma mosca, defraudando por completo os

mitos vampíricos da história do Cinema. A guerra “épica” (?) é pouco ou nada grandiosa, mas acaba por ser uma surpreendente reviravolta na história para o espectador. Aliás, o que sempre se passou em “Twilight” foi esta inexorável superficialidade, na qual os temas potencialmente dramáticos são retratados em bicos de pés, sem qualquer profundidade, como a estranha relação de Jacob e Renesmee ou a nova complexidade interior de Bella na sua nova pele. Não se entende, de facto, a necessidade cinematográfica da divisão do último livro de Stephenie Meyer em dois filmes, além das óbvias razões económicas. A parca criatividade de Bill Condon, juntamente com a fraqueza de argumento, é uma mistura difícil e desleixada, onde nem os efeitos visuais ajudam, sendo que a estranheza da fisionomia da bebé Renesmee, por exemplo, era algo perfeitamente evitável. Há ainda uma falha completa nas tão faladas cenas de sexo entre Bella e Edward, parecendo que a libido infindável dos vampiros adormeceu eternamente. Realce para a bela banda sonora de Carter Burwell e os genéricos e créditos trabalhados, que até se tornam interessantes. «A


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+."2 Saga Twilight: Amanhecer Parte 2» apenas se salva um pouco porque sucede a um desastroso filme, supérfluo e sem alma: está na linha dos anteriores, mas acaba por ser provavelmente o melhor, mostrando mais chama, acção e interesse narrativo, além de contar com a contribuição de uma verdadeira protagonista, que vira todas as atenções para si própria. Este episódio final da saga (pouco) vampiresca será decerto de agrado para os fãs, revivendo alguns momentos-chave da história de amor dos protagonistas, mas não acrescenta nada ao Cinema, tal como os anteriores. TATIANA HENRIQUES

The Twilight Saga: Breaking Dawn - Part 2 Realização: Bill Condon. Actores: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Billy Burke. 115 min. 2012 Estados Unidos

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Crítica Twilight  

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