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Cineclube Joane de

A Metropolis continua a viagem pelos Cineclubes de Portugal e chegamos agora até Joane, no concelho de Vila Nova de Famalicão, onde o Cinema tem lugar de destaque. Como tudo começou

O Cineclube de Joane é ainda recente (nasceu em Setembro de 1998). As sessões regulares realizam-se na Casa das Artes de Famalicão desde Março de 2002. Em Janeiro de 1999, foi firmado um protocolo com a Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão, fazendo com que o projecto Cineclube Joane ganhasse mais estabilidade e sustentação. O objectivo deste protocolo era que o Cineclube pudesse realizar sessões quinzenais no Centro Cultural de Jane e concretizar o Cinema Paraíso – Sessões de Cinema ao ar livre, em Famalicão e Joane, passando posteriormente pelo resto do concelho. Vítor Ribeiro é Presidente desde o início de 1999, tendo sido também um dos sócios fundadores do Cineclube e afirma que tem “procurado liderar uma equipa de pessoas que reiteradamente pretende mostrar todo o cinema do mundo, com um trabalho incessante na formação de públicos”. Faz parte do espólio do Cineclube de Joane “filmes (em DVD) e outros materiais, como sejam dossiers e livros, que nos têm sido cedidos no âmbito de ciclos dedicados a realizadores portugueses”. Na altura em que foi fundado, o Concelho de Vila Nova de Famalicão dispunha de apenas duas salas de cinema, uma delas situada no Centro Cultural de Joane (com 200 lugares), que apenas realizava sessões aos fins-de-semana. Como Joane se situa relativamente perto de Famalicão, Guimarães e Braga, o Cineclube recebe público de diferentes locais. A selecção dos filmes exibidos está relacionada com o “aprofundamento de três linhas estratégicas”. Assim, aposta-se “dentro do Cinema de Autor, na diversidade de propostas, em termos temáticos, de género (mantendo a aposta no documentário) e de latitudes”, já que “a programação contínua assenta, em cerca de 80%, em filmes produzidos nos últimos três anos”. O Cineclube de Joane procura também “prosseguir com a revisitação da história do Cinema, com a programação de ciclos, para além da rubrica já instituída - Já Não Há Cinéfilos?!, de forma criadora, dedicada a cineastas maiores (em 2012, Akira Kurosawa, Werner Herzog e Jacques Demy), mas também procurando zonas artísticas com afinidades com o Cinema, como a dramaturgia (Tenessee Williams, em 2012)”. Por fim, outro dos critérios para a escolha das obras é “aumentar a relação e a interacção com o Cinema Português”, estando prevista para 2013 uma retrospectiva da obra de “um dos grandes cineastas portugueses, António Campos”, além de “insistir na programação de filmes do nosso Cinema, mantendo o convite a realizadores para debates e masterclasses, consolidando uma prática instituída nos últimos anos”, como explica Vítor Ribeiro.

Número de associados – “Exis mas o número de sócios que f de 150” Fundaçã Pres Quotização – 3,5 euros de Site - http:/


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o Último Tango em Paris (1972)

stem contabilizados cerca de 500 associados, frequentam assiduamente as sessões é de cerca ”, segundo Vítor Ribeiro. ão – 23 de Setembro de 1998 sidente – Vítor Ribeiro. e cota mensal (19€ semestral ou 36€ anual). //www.cineclubejoane.org/

Fausto (1926)

As actividades do Cineclube e próximos projectos Tal como acontece em outros Cineclubes, em Joane a actividade não se restringe ao cinema em si, desenvolvendo-se “um conjunto de actividades diversas”, sem deixar, contudo, de estar “permanentemente focada na divulgação do cinema de autor e da sua história”. São exemplos disso o Cinema Paraíso; “extensões de Festivais de Cinema: CINANIMA / INDIE Lisboa / DOC Lisboa”; os ciclos temáticos, dedicados à história do Cinema, como o Já Não Há Cinéfilos?!; Cinema para as Escolas; Filmes-concerto e ainda sessões com debate e presença de realizadores. Há também espaço para a formação com a existência de Masterclasses e Workshops. A rubrica Já Não Há Cinéfilos?! substituiu A Noite dos Realizadores (que terminou em 2007) e pretende homenagear e promover os maiores autores da histórica do Cinema, exibindo três filmes do mesmo autor, distribuídos por um trimestre. O Presidente do Cineclube de Joane salienta que a instituição “consolidou a sua actividade ao longo dos anos, contando, para lá do trabalho voluntário dos seus directores e das quotas dos seus associados, com o financiamento da Câmara Municipal de Famalicão (desde 1999) e do Instituto de Cinema e Audiovisual (ICA), neste caso de forma ininterrupta, através da Rede de Exibição Alternativa (REA), desde 2002”. Contudo, a crise sente-se no Cineclube tal como no resto do país, como refere Vítor Ribeiro, “atendendo ao corte abrupto e total do financiamento do ICA e da hibernação da REA em 2012 e, infelizmente, sem desenlace à vista, o Cineclube de Joane, tal como as outras estruturas de características similares, teve que conter os seus custos de programação, mas sem implicar a descontinuidade da sua actividade principal: a programação de sessões semanais de cinema de autor na Casa das Artes de Famalicão”. Para o próximo ano, o Cineclube de Joane tem como objectivos “desenvolver o nosso trabalho, consolidando actividades e públicos, como se pode constatar em algumas eventos em preparação e a decorrer em 2013”. Entre as actividades antecipadas, destacam-se “The Kid”, de Charlie Chaplin, um filme-concerto pelos Bueno.Sair.Es; ciclo Luchino Visconti: Do Povo à Aristocracia; ciclo Herzog-Kinski: Queridos Inimigos e o ciclo Jia Zhang-Ke – A China em transformação.

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Cineclube de Joane  

Artigo na revista Metropolis

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