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cineclube

Cineclube faro de

Número de associados – 302 sócios Fundação – 6 de Abril de 1956 Presidente – Carlos Rafael Lopes Quotização – 3 € por mês; além da jóia de inscrição: estudantes (10 €) e restantes casos (15 €). Site - http://cineclubefaro.blogspot.pt

Seguimos o périplo pelos Cineclubes portugueses e desta vez a paragem é na cidade de Faro, onde ficamos a saber de que é feito o Cinema no sul do país.

O cinema como motor inabalável O Cineclube de Faro nasceu a 6 de Abril de 1956, sem qualquer interrupção de actividade desde aí, sendo assim um dos mais antigos do país. Carlos Rafael Lopes é o actual Presidente do Cineclube (eleito recentemente, no início deste ano), cujo trabalho “árduo e perseverante” tem sido afectado pela inexorável crise, como o próprio salienta, “até à data, o trabalho tem sido difícil pelas contingências inerentes aos tempos e dificuldades que vivemos no dia-a-dia e ainda mais sentidas pelas Associações Culturais que exercem uma actividade puramente altruísta e purista no que ao associativismo diz respeito”. Carlos Rafael Lopes acrescenta que “a responsabilidade é grande já que são 56 anos de história ininterrupta, um trabalho impressionante feito pelas anteriores direcções (a todos os níveis diga-se) e, como tal, apostamos na continuidade de alguns projectos e actividades, mas aqui e ali vamos tentando imprimir novas dinâmicas, rotinas ou sugestões”. O espólio do Cineclube de Faro é vasto e variado, sendo composto por: 1818 livros, cerca de 550 catálogos ou brochuras, boletins de cineclubes existentes ou extintos, 2458 filmes (829 video e 1629 DVD), 76 K7 com imagens da história recente do Cineclube, 2011 revistas, diverso mobiliário e equipamento adquirido ou ofertado por sócios, entre outros materiais. Tal como outros Cineclubes, em Faro o cinema é protagonista, mas não só. O Presidente realça que “o Cineclube de Faro teve durante muito tempo um papel activo na formação e literacia cinematográfica, prova disso é que uma das nossas ex-directoras é a coordenadora nacional do Plano Nacional de Cinema, papel esse que estamos a tentar retomar através da organização de Workshops, conferências, quem sabe até retomar os Encontros de Cinema promovidos pelo Cineclube durante alguns anos e que, devido aos constantes cortes nos apoios dos últimos anos, tem sido impossível retomar”. A escolha das fitas exibidas é feita através “dos filmes, pelo cinema que nos movemos, pelo bom cinema, pelo cinema enquanto arte, por tudo aquilo que o cinema tem de mágico e essencial”. O local de exibição habitual é no Instituto Português da Juventude, às terças-feiras, além de outras sessões realizadas na sede e noutros locais da cidade. METROPOLIS


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Douro, Faina Fluvial (1929)

O Cineclube e… a crise A actual crise económica e financeira é um tema recorrente e inevitável nos tempos que correm e no Cineclube de Faro não é excepção. Sobre o assunto, Carlos Rafael Lopes diz que “as sucessivas crises que vivemos desde o início do milénio (e não só) têm afectado muitíssimo o funcionamento do Cineclube de Faro, mas por sucessivos factores, não exclusivamente do foro económico. Há uma propalada crise sociológica na participação pública que se reflecte no domínio associativo que é convergente a todas as associações e até à vida pública dos estados e nações e, como tal, o Cineclube de Faro também a sente”. Mas não é só neste Cineclube que tal situação acontece, já que “a nível económico e financeiro, é dramática a situação do cinema em Portugal, do cineclubismo em geral e, como tal, também do Cineclube de Faro. As causas são sobejamente conhecidas, não deverá ser necessário descrever o quanto a irresponsabilidade governativa, no que diz respeito às alterações à Lei do Cinema e à sua regulamentação, afecta o trabalho de tanta gente e de tantos cineclubes, cuja actividade infelizmente está severamente dependente de uns míseros tostões de apoios como os da Rede Alternativa de Exibição, que está parada”. Para o futuro do Cineclube de Faro, espera-se “trabalho, perseverança, sobrevivência, sonhos, suor, lágrimas e, acima de tudo, Cinema”, conclui Carlos Rafael Lopes. A sinopse deste filme promete, agora só falta concretizarse numa auspiciosa obra. O Regresso Eterno (1943)



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Tatiana Henriques

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Cineclube de Faro  

Artigo na revista Metropolis

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