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O CANDOMBLÉ DE TRADIÇÃO BANTU ANGOLA APLICADO NO ENSINO BRASILEIRO COM BASE NA LEI 10.639/2003/PR JEUSAMIR ALVES DA SILVA Jeusamir Alves da Silva ( Tata ia Mukisi Anange)1 RESUMO

Na luta pela inclusão e visibilidade do Candomblé de Tradição Bantu Angola no ensino brasileiro, com base na lei 10.639/2003/PR, surge à necessidade de elaborar este artigo científico para divulgar este tema, através da academia. Por tratar-se de um assunto pouco pesquisado na área de educação dividiu-se o tema em aulas teóricas e práticas, como sugestão ao professor, quando da confecção e aplicação de aulas futuras, com o propósito de despertar a atenção do aluno. O conteúdo curricular foi calcado no referencial teórico ofertado por autores especialistas em temas afrobrasileiros. De um lado Nina Rodrigues (1976), o pioneiro sobre o estudo do negro no Brasil, com sua obra impregnada de Darwinismo social, rotulando os negros bantu como inferiores aos sudaneses, seguido de perto por Arthur Ramos (1934). Do outro, Gilberto Freyre (2006), Ney Lopes (2012), Alaôr Scisínio (1997), Reginaldo Prandi (1991), Luis Mott (1997), Sérgio Paulo Adolfo (2010) e Alfredo Ângelo (2010), em defesa da História e Cultura do povo bantu. O resultado alcançado foi a apresentação de aulas práticas e teóricas extremamente interessantes. Com o comprometimento, relativismo e criatividade de cada professor, elas tornarão o ensino da Religião Candomblé de Tradição BantuAngola, cada vez mais participativas. E com isso, em um futuro próximo, não será surpresa ver este tema discutido, fluentemente, pelos pátios e corredores das escolas, nas igrejas e sinagogas. Além disso, desmistificará a rotulação de seita demoníaca, afastando de uma vez por todas, o fantasma da extinção que ronda esta religião.

Palavras-chave: Ensino. Professor. Aluno. Candomblé. Bantu Angola.

Introdução

Esta produção acadêmica tem por finalidade a inclusão e divulgação do ensino do Candomblé de Tradição Bantu Angola. Com a criação da lei 10639/2003/PR, que obriga o ensino da História do negro na África e no Brasil surge, também, por parte de alguns professores, uma relutância em cumpri-la. Dentre os argumentos mais comuns destacam-se:

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Como ensinar o que não foi ensinado na faculdade?

Sou evangélico e não vou ensinar macumba na minha sala!

Para que incluir mais “isso” na grade curricular?

Pós graduação em “História e Cultura Afro-Brasileira” pela UCAM. Pós Graduação em Ensino de História pela UCAM. Pós Graduação em Ciências da Religião pela UCAM. Graduado em História pela UNOPAR, Extensão universitária “O POVO BANTU pela UERJ. Presidente Nacional da CNCACTBB (Confederação Nacional dos Candomblés de Angola e dos Costumes e Tradições Bantu no Brasil). Presidente da CRBNDM (Casa Raiz do Benge NGola Djanga ria Matamba). Liderança Nacional Religiosa do Candomblé Bantu Angola.

O ensino da história e cultura do negro bantu professor  

Bantu