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FUNDAÇÃO ARMANDO ALVARES PENTEADO FAAP – PÓS GRADUAÇÃO

TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

3ª Turma do Curso de Pós-graduação Lato-Sensu em Gestão de Marketing

MARKETING COLABORATIVO NAS REDES SOCIAIS: INDÚSTRIA DA MÚSICA, COMPARTILHAMENTO E WHUFFIES

TÁRCIO ROBERTO SPARVOLI COSTA

Orientador: Dalton Siqueira Pitta Marques Co-Orientador: José Carlos de Lima Junior

RIBEIRÃO PRETO 2011


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TÁRCIO ROBERTO SPARVOLI COSTA

MARKETING COLABORATIVO NAS REDES SOCIAIS: INDÚSTRIA DA MÚSICA, COMPARTILHAMENTO E WHUFFIES

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao curso de pósgraduação em Gestão de Marketing, da Fundação Armando Alvares Penteado, Orientador: José Carlos de Lima Junior

RIBEIRÃO PRETO 2011


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TARCIO ROBERTO SPARVOLI COSTA

MARKETING COLABORATIVO NAS REDES SOCIAIS: INDÚSTRIA DA MÚSICA, COMPARTILHAMENTO E WHUFFIES

Data de Aprovação: __/__/____ Nota:

Banca Examinadora:

______________________________________ Prof. Dalton Siqueira Pitta Marques Coordenador do Curso Fundação Armando Alvares Penteado

______________________________________ Prof. José Carlos de Lima Junior Orientador Fundação Armando Álvares Penteado

______________________________________ Profa. Lúcia Aparecida da Silva Convidada Fundação Armando Álvares Penteado


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RESUMO

Este trabalho busca esclarecer a importância da participação das empresas nas redes sociais, os motivos da falta de sucesso neste meio e que ações geram resultados positivos. Através do estudo sobre publicações de diversos autores, as soluções tratarão sobre o que tem acontecido na indústria da música. O capital social cultivado nas redes e o compartilhamento neste meio formam a chave para entender o ganho e perda de whuffies, assim como seu próprio conceito.

Palavras-chave: Redes Sociais / Capital Social / Compartilhamento / Indústria da Música


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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO 1.1 O uso de mídias sociais 1.2 O setor do entretenimento musical 1.3 Objetivos 1.3.1 Objetivos Gerais 1.3.2 Objetivos Específicos 1.3.3 Justificativa

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2 REVISÃO LITERÁRIA 2.1 Revoluções das mídias sociais na Internet 2.1.1 Mídias Sociais Expressivas 2.1.2 Mídias Sociais Colaborativas 2.2 Whuffie: Capital Social nas Redes Sociais 2.3 Geração Y e Millenials 2.4 Indústrias do Entretenimento Musical 2.5 O Marketing Colaborativo como solução

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3 METODOLOGIA 3.1 Abordagem Qualitativa 3.2 Tipo Exploratória

25 25 26

4 DESENVOLVIMENTO DO ESTUDO 4.1 A web 2.0 e seus usuários 4.1.1 Orkut 4.1.2 Fotolog 4.1.3 Flickr 4.1.4 Facebook 4.1.5 My Space 4.1.6 Twitter 4.1.7 Foursquare 4.1.8 Tumblr 4.2 O capital social gerado nas redes sociais 4.3 De que forma a gestão de capital social nas redes sociais influencia no comportamento de compra 4.4 A Cauda Longa na indústria da música 4.5 A nova participação das gravadoras 4.6 Pirataria

27 27 30 31 32 33 34 34 35 36 36

5 RESULTADOS 5.1 Depoimentos na web sobre marketing digital 5.2 Depoimentos na web sobre compartilhamento de mp3 e pirataria 5.3 Publicações na web 5.4 As gravadoras nas redes sociais 5.4.1 Warner Bros. Records

44 44 45 47 49 49

38 39 40 41


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5.4.2 5.4.3 5.4.4 5.4.5

Virgin Records EMI Music Biscoito Fino Trama

50 51 52 53

6 CONCLUSÃO

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7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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1. INTRODUÇÃO 1.1 O uso de mídias sociais

O uso de mídias sociais vem transformando o comportamento de compra dos consumidores como nunca. Segundo Laura Ullman, diretora de marketing da HSM Brasil, já é desnecessário dizer o quanto a internet mudou a vida de todos. Algumas empresas entenderam isso adequadamente e estão aderindo à rede mundial de computadores e aprendendo a lidar com suas particularidades. Em outras, contudo, os gestores ainda despendem seu tempo tentando desesperadamente fechar, e trancar, suas portas virtuais. Um desperdício de tempo. (ULLMAN, 2009, p.XIV)

Hoje, ficar fora dessa realidade não é mais uma opção, Trata-se dos consumidores falando para e com o mercado, seja positiva ou negativamente, e isso tem uma força inexorável que pode reverter em grandes conquistas ou acaba de vez com os ativos mais valiosos: a marca; a imagem; a reputação. (ULLMAN, 2009, p.XV)·.

Escolhas em demasia, sem nenhuma diferenciação clara, fazem os clientes se sentirem perdidos. Com cada mensagem que lhes é enviada, sua indecisão se aprofunda. Estudos relatam que mais escolhas resultem menos satisfação. (BARRY, apud HUNT, 2010, p.30).

Tara Hunt defende que para se dar bem nas redes sociais é necessário mudar o conhecimento convencional que se tem e virar capitalistas sociais: As pessoas estão em redes em redes sociais para se conectar e construir relacionamentos. Relacionamentos e conexões, com o tempo, levam à confiança, que é a chave para a formação de capital. O capital sobre o qual estou falando, contudo, não é o de variedade monetária. É o capital social mais conhecido como whuffie. Um capitalista social é alguém que constrói e nutre uma comunidade, aumentando, portanto, o seu whuffie. Nós estamos lidando aqui com duas economias paralelas, mas válidas. O capital do mercado flui por ter capital social.

O whuffie é a culminação da reputação, a influência, o capital de conexão, o seu atual e potencial acesso a ideias, talentos e recursos, o acúmulo de favores e realizações. Pequenas empresas não lucrativas, músicos, palestrantes e até autores


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estão usando as redes sociais para criar whuffie e aumentar os seus negócios. (HUNT, 2010)

O boca a boca - a mais velha e poderosa forma de marketing - está crescendo por meio do uso dessas redes sociais. Sendo a mais forte influência sobre as decisões de compra, o boca a boca é potencializado num ambiente onde as pessoas, inundadas com muita informação, com a falta de confiança e de escolhas demais não prestam atenção nos anúncios, vendedores ou nas mensagens importantes, não ligam para isso porque estão muito ocupadas ouvindo seus amigos. E graças à proliferação das comunicações on-line, nossas redes pessoais ficaram maiores, muito maiores. (HUNT, 2010)

Isso significa que é possível moldar as opiniões dos outros e que nossas opiniões, mais do que nunca, são moldadas por pessoas em que confiamos. Tudo é influenciado pelas nossas interações em comunidades. “Vivemos num momento histórico em que o mundo virtual tem um peso cada vez mais significativo no mundo real. O primeiro não apenas repercute o segundo; ele o influencia. Mais do que nunca, portanto, é necessário desenvolver, proteger, monitorar e renovar constantemente nossa reputação.“ (ULLMAN, 2010, p.XIV).

Segundo Carrol Phillip,

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não se pode negar que a geração Y exerce

forte influência no consumo de hoje e será ainda mais importante no futuro. Porém, o fator econômico é somente uma das razões, a mais rudimentar, pela qual os marqueteiros deveriam prestar atenção a essa turma. (KOTLER e KELLER, 2006)

1.2 O setor do entretenimento musical

O negócio da música é uma indústria global, tendo algumas poucas companhias como participantes dominantes. Porém é uma indústria que está em


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sérios apuros, as vendas de CDs (produto que constitui 80% da receita bruta das gravadoras) continuam a cair. (HUNT, 2010)

O problema que a indústria da música vem sofrendo sérios apuros não é uma notícia nova. As vendas de CDs caíram 19%, um grande aumento em relação aos declínios anteriores. As vendas de música digital estão indo bem e crescendo mais de 40% ao ano. Mas o número de vendas digitais não está fazendo exatamente alguma diferença. (HUNT, 2010)

As vendas por unidade de álbuns que são grandes hits hoje são muito menores do que aquelas de apenas alguns anos atrás. Por causa da soma da habilidade em descobrir novos artistas com a habilidade de esses novos artistas surgirem em vários canais on-line, as pessoas tem mais escolhas, e elas as estão fazendo. (HUNT, 2010)

O resultado de anos se comportando de forma hostil gerou um sentimento anti-indústria da música entre os consumidores, os quais disseminam mais apatia em relação ao declínio das gravadoras. (HUNT, 2010)

Desta forma, emerge a seguinte pergunta problema: de que forma as empresas que atuam no setor de entretenimento musical participam nas redes sociais?

1.3 Objetivos

1.3.1 Objetivos Gerais

O objetivo geral deste trabalho de pesquisa é verificar de que forma as empresas que atuam no setor de entretenimento musical participam nas redes sociais (web 2.0) de forma a elevar seu capital social (whuffie).


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1.3.2 Objetivos Específicos

1.3.2.1 Compreender a web 2.0 e seus usuários

É importante analisar a forma como os usuários da web 2.0 percebem e participam das redes sociais e blogs, pois o comportamento das pessoas tem diferentes proporções no ambiente online.

1.3.2.2 Compreender o capital social gerado nas redes sociais

De alguma forma, tudo que acontece no relacionamento interpessoal influencia no capital social de cada indivíduo. Nas redes sociais as pessoas não conseguem inventar uma reputação diferente nem controlar o que os outros pensam sobre determinado assunto.

1.3.2.3 Verificar de que forma a gestão de capital social nas redes sociais influencia no comportamento de compra.

O boca-a-boca potencializado nas redes sociais faz com que essas ferramentas influenciem o comportamento das pessoas, seja na formação de uma determinada opinião ou no desejo de consumo despertado nelas. Entender como este processo se desenvolve é essencial para o acúmulo de capital social a qualquer marca que interage nestas redes.

1.3.3 Justificativa

Através da comparação com o mercado de entretenimento musical, este estudo abrange as principais ações de marketing digital e pesquisas de autores referentes ao assunto. Analisa matérias publicadas em livros, revistas, posts (opiniões de usuários nas redes), publicações em livros, revistas, dados sobre as redes sociais e casos reais relevantes.

O resultado deste trabalho identificará as formas que a indústria da música tem para aproveitar as mesmas ferramentas que são usadas contra seu capital


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social e gerar soluções a partir de ações que reafirmam os laços com seu público e gere lucro.

Estas soluções serão importantes para outros segmentos de mercado também, uma vez que as redes sociais se tornam cada vez mais presentes e abrangem todos os assuntos imagináveis, influencia no comportamento de vida (e compra) de qualquer consumidor.

A todo lugar, on-line e no mundo real, alguém ou algo está tentando chamar atenção. Pop-ups, spam, banners, anúncios de textos, discursos de vendas, pôsteres, outdoors, chamadas de televisão de 30 segundos, anúncios em ônibus, placas, homens-propaganda com anúncios anexados ao próprio corpo, entre outros. Os ares estão poluídos e as pessoas normais devem ignorar essas mensagens para conseguir passar o dia. (HUNT, 2010)

As pessoas também já tiveram experiências ruins o suficiente com anúncios desonestos e falsas promessas que as levaram à falta de confiança. Não é porque um determinado produto oferece soluções extraordinárias que o consumidor, cansado de levar produtos falhos para casa, vai decidir comprar. (HUNT, 2010)

É preciso administrar as formas que existem para resgatar a confiança dos consumidores e manter a lealdade no relacionamento com o cliente, tornando-o mais influente no desenvolvimento de produtos e serviços, assim como nas ações de marketing e na forma de comunicação da marca. (HUNT, 2010)


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2. REVISÃO LITERÁRIA

2.1 Revoluções das mídias sociais na Internet

O advento da internet e da tecnologia da informação deu surgimento a geração passada do Marketing, chamada pelo Kotler de Marketing 2.0. Desde o início do ano 2000, a tecnologia da informação penetrou no mercado de mainstream, transformando-se na nova onda de tecnologia, que permite a conectividade e a interatividade entre indivíduos e grupos. (KOTLER, 2010)

As três forças que formam a nova onda de tecnologia são: computadores e celulares baratos, internet de baixo custo e fonte aberta. Esta tecnologia permite que os indivíduos se expressem e colaborem entre si, movimentando o que Scott McNealy, CEO da Sun Microsystems, chama de era da participação, onde as pessoas criam e consomem informações, ideias e entretenimento, transformando-se de consumidores em prosumidores, produzindo o que consomem entre si (KOTLER, 2010).

Kotler classifica as mídias sociais em duas amplas categorias: mídias sociais expressivas e mídias colaborativas,

2.1.1 Mídias sociais expressivas

A categoria composta pelas mídias expressivas incluem blogs, twitter, youtube, facebook, sites de compartilhamento de imagens como o Flickr e outros sites de networking social, como Orkut. Em 2009, a Technorati detectou a existência de 13 milhões de blogs ativos ao redor do mundo. O público e a frequência de leitura dos blogs variam de um país para outro, assim como ocorre nas mídias impressas. (KOTLER, 2010).

Enquanto 74% dos usuários japoneses leem blogs, somente 27% dos usuários nos Estados Unidos o fazem, embora este numere pareça baixo, 34% dos leitores são formadores de opinião, fazendo com que os blogs americanos estimulem ações de acompanhamento por 38% de seus leitores. (KOTLER, 2010).


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O micro blog Twitter permite a seus membros postar informações compostas de, no máximo, 140 caracteres para os seus seguidores, bem mais simples que o blog, no twitter os usuários podem participar através de celulares e dispositivos portáteis como iPhones ou Blackberries, eles compartilham noticias, opiniões, divulgam suas atividades e seu humor com amigos ou fãs. (KOTLER, 2010)

De Abril de 2008 a abril de 2009, o número de tuiteiros aumentou 1.298%

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Muitos dos blogs e comentários no twitter são pessoais, outros tipos de blogs e de tweets são postados por pessoas que desejam comentar notícias, oferecer suas opiniões e publicar pequenos ensaios sobre tudo o que lhes vier a mente, poderiam tecer comentários positivos ou negativos a respeito de empresas e produtos. Adeptos de blogs ou Twitter que estejam revoltados e tenham um publico numeroso têm o potencial de dissuadir muitos consumidores de querer fazer negócios com uma empresa ou organização específica. (JOHNSON apud KOTLER, 2010)

À medida que as mídias sociais se tornarem cada vez mais expressivas, os consumidores poderão, cada vez mais, influenciar outros consumidores com suas opiniões e experiências. A influência que a propaganda corporativa tem em moldar o comportamento

de

compra

diminuirá

proporcionalmente.

Além

disso,

os

consumidores estão participando mais de outras atividades, com o uso de videogames, DVDs e computadores, estão, portanto expostos a menos anúncios. (KOTLER, 2010)

As mídias sociais serão o futuro das comunicações de marketing por serem de baixo custo e pouco tendenciosas. As conexões entre amigos nos sites de networking social (Facebook, Orkut, Myspace) também podem ajudar as empresas a desenvolver insights sobre o mercado (KOTLER, 2010).


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2.1.2 Mídias sociais colaborativas

A categoria das mídias colaborativas inclui sites como da enciclopédia que todos podem editar, a Wikipédia, de classificados como o Craigslist e que também se aplicam aos softwares de fonte aberta, como Linux e Mozilla Firefox, que podem ser desenvolvidos de maneira colaborativa. Esta crescente tendência à existência de consumidores colaborativos afetou os negócios, empresas como a Open Business Models e a InnoCentive facilitam a colaboração utilizando o crowdsourcing para encontrar novas ideias e soluções. Hoje, os profissionais de marketing não têm mais controle total sobre suas marcas, pois agora competem com o poder coletivo dos consumidores. (KOTLER, 2010)

As empresas precisam colaborar com estes consumidores, e esta colaboração começa quando os gerentes de marketing ouvem sua voz para entender sua mente e captar insights do mercado. Esta colaboração pode ocorrer de forma mais avançada quando os consumidores desempenham o pape principal na geração de valor por meio da cocriação de produtos e serviços. (KOTLER, 2010)

A cocriação de produtos pode motivar os consumidores a participar de várias formas: alguns gostam de demonstrar seus talentos na geração de valor para que todos vejam, outros querem adaptar um produto ou serviço ao seu estilo de vida pessoa. Ás vezes os consumidores estão de olho na recompensa em dinheiro que as empresas oferecem pelos esforços de cocriação, há também os que veem a cocriação como oportunidade de garantir um emprego, e os que a encaram como mera diversão. (JOHNSON apud KOTLER, 2010, p.11)

A colaboração pode influenciar em outros setores que não o de tecnologia da informação, além de ajudar empresas a desenvolver produtos, os consumidores também podem contribuir com ideias para anúncios, como o caso do Free Doritos, o anúncio mais assistido no super bowl que provou que o conteúdo gerado pelo usuário muitas vezes alcança melhor consumidores porque é mais relevante e mais acessível do que os anúncios feitos por profissionais. Com o aumento na participação e colaboração, o pape do consumidor está mudando, eles já não são mais indivíduos isolados, agora estão interconectados uns aos outros e suas


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decisões deixaram de ser inconscientes para se tornarem bem fundamentadas em informações, oferecem um feedback útil as empresas. (KOTLER, 2010)

2.2 Whuffie: Capital Social nas Redes Sociais

O whuffie pode ser interpretado como a moeda da reputação obtida. É possível ganhar e perder whuffies com base em ações positivas ou negativas, nas contribuições para a comunidade e na percepção despertada nas pessoas (o que elas pensam sobre determinado elemento). A medida do whuffie é dada de acordo com as interações com os grupos e indivíduos. (HUNT, 2010)

O termo whuffie foi criado por Cory Doctorow, criador do popular blog americano Boing Boing, para descrever o capitalismo social em sua novela de ficção científica “No Fundo do Poço no Reino Encantado”

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como a única moeda usada.

Neste mundo futurista, todas as coisas são compradas com whuffie, e todas as outras moedas desapareceram. O whuffie não é um cartão ou um pedaço de papel, fica armazenado na própria pessoa e qualquer um pode tocar seu computador interno e checar o quanto você é rico ou pobre de whuffie. Como este valor não pode ser economizado, pois quanto mais se dá, mais whuffie se ganha, as transações financeiras trabalham antiteticamente para ele. Portanto, o whuffie faz parte da economia dos presentes, em que serviços são desempenhados sem a necessidade de pagamento direto. (HUNT, 2010) No livro colaborativo “Para Entender a Internet”, escrito por diversos autores durante a Campus Party de 2009, Cris Dias escreveu um capítulo sobre whuffie, onde explica o nome dado ao capital social gerado na web 2.0 e descreve como o livro de Cory Doctorow virou referência mundial sobre o assunto.

Na ficção de Doctorow, a tecnologia avançou tanto que duas coisas centrais na nossa sociedade deixaram de existir: a escassez e a morte. O dinheiro


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(manifestação física da economia de escassez) perde sentido num mundo onde todos podem ter tudo e deixa de existir. Deste modo, as pessoas desejam aquilo que o dinheiro não compra. O livro é uma comparação exagerada da realidade atual, onde produtos gratuitos e a comoditização se espalham cada vez aproximando a história de Doctorow com a nossa sociedade. (DIAS, 2009)

Cory Doctorow aponta em seu livro três maneiras para se ter whuffie: ser gentil, ser trabalhador e ser notável. A própria influência do autor sobre os marqueteiros mais conectados com este ambiente (principalmente nos Estados Unidos) deu origem ao uso do nome whuffie ao valor do capital social obtido na participação de redes sociais. Em toda comunidade on-line, o whuffie é um componente central de conexão, em muitos dos casos ele é mais valioso do que o dinheiro. Uma vez que a base dessas redes sociais é a confiança, alguma coisa precisa determinar como as diferentes opiniões serão avaliadas por estas conexões. (HUNT, 2010)

Em comunidades on-line, um contato não pode pagar para que determinada escolha seja feita, ou para que se ganhe certa preferência. Isto seria visto como desonestidade e prejudicaria o whuffie deste contato. O whuffie aumenta ou diminui o seu valor ao que circula pelas comunidades. Quando o whuffie de um contato ajuda o whuffie de outro contato, haverá um aumento na rede para ambos, enquanto circular desta maneira, ele inevitavelmente conectará as pessoas gerando riqueza on-line. (HUNT, 2010)

Para Dias, no mundo comoditizado ou se cria algo realmente exclusivo e desejado - como um iPod – ou simplesmente se dá o produto de graça. Só que nas redes sociais, o produto não é oferecido de graça, mas sim em troca de whuffies. A comoditização do mundo está derrubando a ideia de que escassez gera capital porque é cada vez mais difícil criar escassez. (DIAS, 2009)

O antigo ditado de que “informação é poder” deixou de valer, invertendo a lógica de que “você é o que você tem” para “você é o que você compartilha”. Num


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mundo sem escassez, a economia passa a ser a do gift economy, dos presentes, do dar-e-receber que atinge uma escala tão grande que deixa de ser uma mera troca de favores. Ela compara a gift economy com a economia dos abraços grátis: quanto mais abraços eu der assim de graça mesmo, mais felicidade eu e a pessoa abraçada ganhamos. (DIAS, 2009)

A longo prazo, ter capital social ajuda a ganhar mais notoriedade, clientes e lucro. Quando há um bom relacionamento, é bem provável que há certa influência também, o capital social e o capital de mercado estão convergindo mais do que é percebido. Quando um whuffie é construído, relacionamentos são criados com clientes que promovem lealdade em longo prazo, quanto mais whuffie se tem, mais as pessoas irão falar positivamente sobre. Esta palavra positiva gerada pelo boca a boca é a vantagem central no envolvimento com as comunidades on-line. (HUNT, 2010)

A economia do whuffie ainda não é perfeita, pois é usada por seres humanos com suas falhas e problemas. A máxima dinheiro chama dinheiro continua valendo, whuffie chama whuffie e as pessoas com mais whuffies recebem mais destaque, são convidadas para eventos e são citadas em artigos, chamando para si e seu trabalho a atenção de outras e com isso ganhando mais whuffie. A diferença é que o conceito de celebridade se fragmenta e deixa de ser uma coisa exclusiva de astros do cinema ou estrelas do esporte para se espalhar em comunidades e turmas, diminuindo a distância entre as pessoas e fazendo com que elas percebam que, no fim das contas, todos são comuns. (DIAS 2009)

Tara Hunt também defende que whuffie é uma estratégia de custo baixo e alta energia, enquanto comprar propaganda pode ser bastante caro, além de difícil de mensurar o impacto sobre o comportamento de consumo das pessoas. A propaganda era mais influente antes do advento da internet, a mensagem atingia um publico mais amplo do que o boca a boca. O impacto com o envolvimento em comunidades on-line é quase imediato, muitas das ferramentas usadas para conectar comunidades, como blogs e wikis, têm formas diretas de obter feedback dos membros da comunidade. (HUNT, 2010)


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2.3 Gerações Y e millenials

Kotler em seu mais famoso livro Administração de Marketing define os integrantes da geração Y (60 milhões de habitantes nascidos entre 1977 e 1994) como impacientes, focados no estilo urbano, mais idealista do que a geração anterior (x). Ele vê os millenials (42 milhões de habitantes nascidos entre 1995 e 2002) como multiculturais, pois já detém conhecimento sobre a tecnologia, são instruídos, crescem em uma sociedade rica e terão alto poder aquisitivo. ·.

As forças que moldaram o grupo da geração Y são extremamente importante nos estudos de marketing pois esta geração moldará os mercados consumidor e organizacional nos próximos anos. Kotler acredita que esta geração cresceu durante um período de prosperidade seguido de anos de recessão, desta forma seu mundo foi definido por longos anos de paz e tranquilidade, bruscamente interrompidos por eventos como a chacina de Columbine e o atentado de 11 de Setembro. Trata-se de consumidores

conectados

praticamente

desde

o

nascimento,

jogando

no

computador, navegando pela web, baixando músicas e conversando on-line ou por celulares e mensagens instantâneas. Por terem crescido durante um boom econômico e terem sido paparicados por seus pais, as pessoas da geração Y dispõem de um senso de direito e abundância. São seletivos, confiantes e querem o que querem no minuto que querem, e quase sempre conseguem. Como estes jovens muitas vezes perdem o interesse diante de práticas de branding exageradas e de vendas agressivas, os profissionais de marketing vêm tentando muitas abordagens diferentes para conquista-lo. (KOTLER, 2006)

Kotler cita várias ações utilizadas para conquistar este público, entre elas burburinho on-line, embaixadores, eventos badalados e esportivos incomuns, jogos de computador, vídeos e equipes de rua, mas segundo Tara Hunt para conseguir garantir resultados a longo prazo no sentido de criar um relacionamento fiel com este público e gerar demanda, é preciso não só emitir uma mensagem, mas também saber ouvir para aumentar a reputação da marca e agregar soluções para ambos os lados.


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Os jovens adultos de hoje possuem uma influência muito maior no comportamento do consumidor do que seu poder aquisitivo é capaz de expressar. Eles indicam tendências futuras em um grau muito mais avançado do que as gerações anteriores indicavam.

O conhecimento da tecnologia trouxe a esses jovens uma influência desproporcional na cultura e na hora de decidir o que as demais gerações irão comprar. A geração Y é a primeira a colocar a tecnologia em uso para aproveitar o máximo de seu tempo nas mídias. Esses jovens são compradores menos impulsivos. Eles dão prioridade a experiências do que à posse e são mais propensos a tornar cada compra algo único.

Eles possuem uma personalidade distinta das outras gerações diante da linguagem do Marketing. Consequentemente, constroem uma maneira própria de defender seu produto, provando que o Marketing atual precisa se embasar no engajamento e na evolução que provoca nos Ys.

Finalmente, esses jovens se preocupam muito mais com a empresa que está por trás dos produtos que eles compram e com o lugar em que irão trabalhar. A marca e a arquitetura corporativa são mais importantes do que costumavam ser no passado.·.

2.4 Indústrias do Entretenimento Musical

O jogo da indústria da música não está acabado, ele apenas mudou há alguns anos. Infelizmente as gravadoras continuam a se debater na tentativa de responder a ele. A sua abordagem tem sido racionaria e hostil processando os próprios clientes, adicionando níveis de complexidade para ganhar acesso a musica, adicionando cobranças em aparelhos de mp3 e gerando uma hemorragia em seus whuffies ao intimidar os amantes de música. Tara acredita que os clientes têm gostos pessoais e irão optar por escolhas, uma vez que estejam disponíveis, em detrimento do genérico. (HUNT, 2010)


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Muitas pessoas estão mais do que felizes em contribuir para o declínio das gravadoras, apoiando os independentes sempre que possível, se logando em compartilhamentos de arquivos na rede e abrindo suas próprias coleções particulares de músicas para que os outros possam fazer o download, elas estão inclinadas a blogar negativamente sobre o comportamento da indústria musical e gastar seu tempo em comunidades on-line para disseminar seus sentimentos negativos pelas gravadoras musicais. (HUNT, 2010)

É óbvio que grandes gravadoras como EMI, Virgin e Universal detém uma grande equipe de marketing com profissionais conhecedores de diversas táticas e ações, mas nem isso bastou para amenizar a guerra travada entre as gravadoras e seus consumidores, e janeiro de 2008, o jornal The Economist resumiu as mudanças no comportamento do consumidor: Em 2006, a EMI, quarta maior gravadora musical do mundo, convidou alguns adolescentes para irem até sua sede em Londres para conversar com seus diretores sobre o que costumavam ouvir. No final da sessão, os chefes da EMI os agradeceram pelos comentários e disseram que eles poderiam se servir de uma grande pilha de CDs que estava sobre a mesa. Mas nenhum dos jovens pegou qualquer CD, apesar de serem de graça. “Foi nesse momento que percebemos que o jogo estava completamente terminado”, disse uma pessoa que estava lá. (HUNT, 2010, p.11)

As mesmas ferramentas que são usadas para partilhar música na internet em primeiro lugar deram capacidade para que as pessoas ferissem a indústria, por meio da mobilização de manifestar uma contrapressão aos bem-pagos lobistas. Mas existe uma enorme quantidade de ferramentas on-line que tanto artistas quanto selos podem aprender a usar para que o público se comprometa. (HUNT, 2010)

Enquanto isso, uma quantidade enorme de músicos e ferramentas sociais se valeu de seus talentos para movimentar o mercado garantindo whuffie. A Eventful foi criada em 2004 para ajudar as pessoas a descobrir eventos mais facilmente ao permitir que o usuário rastreie seus artistas favoritos. Brian Dear, seu criador fez em seguida a Eventful Demand, que permite aos fãs a criação de demandas para shows de seus artistas prediletos. Desta forma, músicos independentes como Jonathan Coulton, que cultivou uma incrível base de fãs pelo mundo todo através de seu blog e ferramentas como YouTube, CDBaby, iTunes e Wordpress. (HUNT, 2010)


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Jonathan consegue abranger uma grande quantidade de demanda, inclusive em lugares em que nunca imaginou estar, apenas se relacionando com seus fãs e planejando sua turnê junto com eles. Seus fãs sentem-se como parte da história de Culton e mantem uma lealdade muito maior do que qualquer gravadora conseguiu nos últimos anos. Ele encoraja as pessoas a gravarem e tirarem fotos de seus concertos, oferece sua música de graça e colocou licenças creative commons encorajando muitos podcasters a reutilizar o seu conteúdo. Jonathan se entregou completamente para o mercado e faz dinheiro vendendo merchandising, assim como CDs e MP3 que distribui, é interessante saber que as pessoas gostam tanto de sua música que voltam e pagam por ela, mesmo após tê-la obtido de graça. Ele também junta doações pelo seu trabalho por meio da venda de presentes virtuais. Hoje seu trabalho atinge até o meio dos jogos virtuais, sendo um grande ídolo entre os jogadores de World of Warcraft. O uso de Coulton de todas as ferramentas é exatamente o que Brian Dear encoraja. (HUNT, 2010)

Quando usada por pessoas que já tem um grupo de seguidores e uma medida de whuffie estabelecida, as ferramentas de redes sociais podem

eva-las a

outro nível. Se um músico sem uma equipe pode construir uma audiência espalhada pelo mundo somente por engajar as pessoas on-line, uma companhia com um time de pessoas poderia fazer isso em uma escala ainda mais ampla. Hunt vê uma nova habilidade que abraçará o caos e explorará as oportunidades para novas formas de renda, que existem porque as pessoas estão gastando mais dinheiro do que nunca em produtos e serviços que as conectem. É possível uma indústria usar as ferramentas da mídia social para ser proativo com seus clientes, usando o feedback coletado em conversações em tempo real para redesenhar a experiência da música de forma a adequá-la as necessidades de seus clientes. (HUNT, 2010)

Esta é a única opção que a indústria da musica realmente tem para sobreviver em longo prazo a essa enorme mudança cultural, no final irão perceber que o seu verdadeiro propósito é elevar as pessoas a novas alturas por meio da experiência e da partilha de canções. Essa mudança cultural está acontecendo não apenas na indústria musical, mas em todos os lugares. (HUNT, 2010)


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2.5 O Marketing Colaborativo como solução

Esta pesquisa busca esclarecer conceitos atuais de marketing colaborativo, estudo que desenvolve o relacionamento nas redes sociais a fim de garantir um alto nível de capital social.

O processo que envolve as pessoas que usam ferramentas de redes sociais para se conectarem em comunidades on-line é chamado de marketing colaborativo. Diferente das táticas tradicionais de marketing que geram uma comunicação unidirecional e massiva, o marketing colaborativo se vale da comunicação bidirecional seletiva onde, potencializada pela participação em redes sociais, ganham grandes proporções criando soluções junto ao público que atende. (HUNT, 2010) O marketing evoluiu, e nesta fase convida os consumidores a participar do desenvolvimento de produtos da empresa e de suas comunicações. Kotler define que esta nova era do Marketing é aquela em que as práticas de marketing são muito influenciadas pelas mudanças no comportamento e nas atitudes do consumidor. É a forma mais sofisticada da era centrada no consumidor, em que o consumidor demanda abordagens de marketing mais colaborativas, culturais e espirituais. (KOTLER, 2010)


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Tabela 1: Comparação entre Marketing 1.0, 2.0 e 3.0 Marketing 1.0 Marketing centrado no produto

Marketing 2.0 Marketing voltado para o consumidor

Marketing 3.0 Marketing voltado para o consumidor

Objetivo

Vender produtos

Satisfazer e reter consumidores

Fazer do mundo um lugar melhor

Forças propulsoras

Revolução Industrial

Tecnologia da Informação

Nova onda de tecnologia

Como as empresas veem o mercado

Compradores da massa, com necessidades físicas

Consumidor inteligente, Ser humano pleno, dotado de coração e com coração, mente e mente espírito

Conceito de marketing

Desenvolvimento de produto

Diferenciação

Valores

Diretrizes de marketing da empresa

Especificação de produto

Posicionamento do produto e da empresa

Missão, Visão e Valores da empresa

Proposição de valor

Funcional

Funcional e emocional

Funcional, emocional e espiritual

Interação com consumidores

Transação do tipo umpara-um

Relacionamento umpara-um

Colaboração um-paramuitos

Fonte: Kotler (2010, p.6)

Kotler define o marketing colaborativo como o primeiro elemento básico do Marketing 3.0, pois oferece conteúdo e faz parte do estímulo na era da participação. Ele afirma que estamos testemunhando a era voltada para os valores. Em vez de tratar as pessoas simplesmente como consumidoras, os profissionais de marketing as tratam como seres humanos plenos: com mente coração e espírito. Cada vez mais, os consumidores estão em busca de soluções para satisfazer seu anseio de transformar o mundo globalizado num mundo melhor. Em um mundo confuso, eles buscam empresas que abordem suas mais profundas necessidades de justiça social, econômica e ambiental em sua missão, visão e valores. Buscam não apenas satisfação funcional e emocional, mas também satisfação espiritual, nos produtos e serviços que escolhem. (KOTLER, 2010)

No marketing colaborativo, as empresas querem mudar o mundo, não conseguirão fazer isto sozinhas. Em uma economia interligada, precisam colaborar umas com as outras, com seus acionistas, parceiros de canal, empregados e consumidores, o Marketing 3.0 representa a colaboração de entidades de negócios


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que compartilham conjuntos semelhantes de valores e desejos. (KOTLER, 2010)

Os estudos de Tara sobre marketing colaborativo (também chamado por ela de marketing comunitário) compreende deixar de usar estas ferramentas apenas para propósitos promocionais e começar a ouvir o cliente, se tornar parte da comunidade servida e descobrir quem é o seu público, gerar experiências memoráveis e reter o cliente a longo prazo, buscar aumentar a alegria e minimizar a estratégia, e ter um propósito elevado com um ideal para partilhar. (HUNT, 2010)

É através do marketing colaborativo que se forma um fenômeno mais conhecido como world of mouth marketing, o tradicional e poderoso boca a boca ampliado de forma global pela internet. Os resultados vão muito além do que apenas o lucro monetário: o relacionamento entre as marcas e as pessoas fica muito mais estreito, produtos e serviços são desenvolvidos com a participação dos próprios consumidores, que por sua vez se sentem parte da história e compartilham sua satisfação influenciando o comportamento de compra dos demais. (HUNT, 2010)


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3. METODOLOGIA

Há diversas abordagens, tipos e técnicas de pesquisa para conduzir a metodologia. Serão apresentadas estas diferentes formas e em seguida a melhor opção escolhida para este trabalho.

3.1 Abordagem Qualitativa

A pesquisa qualitativa proporciona melhor visão e compreensão do problema. Ela o explora com poucas ideias preconcebidas sobre o resultado dessa investigação. Além de definir o problema e desenvolver uma abordagem, a pesquisa qualitativa também é apropriada ao enfrentarmos uma situação de incerteza, como quando os resultados conclusivos diferem das expectativas. Ela pode fornecer julgamentos antes ou depois do fato. A pesquisa qualitativa é baseada em amostras pequenas e não representativas, e os dados não são analisados estatisticamente. (MALHOTRA, 2005, p.113)

Uma pesquisa qualitativa não é estruturada, no sentido em que as perguntas são feitas à medida que a pesquisa avança. Ela é, por natureza, exploratória e baseada em amostras pequenas, ou pode usar técnicas qualitativas populares, como as discussões em grupo (Dg) ou entrevistas de profundidade (entrevista de um para um, que investigam em detalhes os pensamentos dos entrevistados). (MALHOTRA, 2005, p.32)

O procedimento da pesquisa qualitativa é classificado como uma abordagem direta. Uma abordagem direta não é disfarçada, o propósito do projeto revelado ao entrevistado ou se torna óbvio pelas próprias perguntas feitas. ·. (MALHOTRA, 2005)

3.2 Tipo Exploratória

Os modelos de pesquisa exploratórios dependem principalmente da analise de dados secundários e de pesquisa qualitativa. Quando pouco se sabe sobre o problema, é desejável começar com a pesquisa exploratória, ela é adequada para


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gerar cursos alternativos de ação, perguntas de pesquisa e hipóteses. Pode ser seguida pela pesquisa descritiva ou pela casual. (HAIR, 2003, p.133)

A importância da pesquisa exploratória pode ser assim por Swaddling e Zobel: Quando bem conduzida, a pesquisa exploratória abre uma janela para as percepções, comportamentos e necessidades do consumidor. Ela possibilita que as empresas desenvolvam novos produtos bem-sucedidos de maneira mais sistemática. Essa compreensão superior do consumidor leva a decisões eficazes e reconhecimento de oportunidades do mercado, uma definição distinta da área em que sua empresa compete e uma alta probabilidade de produzir produtos inovadores que impulsionam lucros extraordinários. (SWADDLING, ZOBEL apud HAIR, 2003, p.21)

Sendo assim, os dados foram coletados a partir de autores que pesquisam as redes sociais, depois foram analisados os depoimentos de usuários da web 2.0, assim como a participação de algumas gravadoras nestas redes e publicações na internet sobre o assunto.


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4. DESENVOLVIMENTO DE ESTUDO

4.1 A web 2.0 e seus usuários

O italiano Francesco Morace, sociólogo e presidente do birô de tendências Future Concept e autor do livro Consumo Autoral (Editora Estação das Letras e Cores) segmenta o consumidor na web em seis tipos diferentes. O Explorador é apaixonado por filosofia, literatura e pelas trocas culturais, usa a tecnologia para descobrir o mundo sem sair de casa. O Superconectado vive a condição urbana como uma infinita fonte de estímulos, é multiconectado, dita as tendências de consumo e é grande explorador da internet e das novas tecnologias. O Sensorial é mulher ligada em moda e beleza, refinada, sensível, e exotica que gosta do consumo cultural e projeta sua personalidade naquilo que consome. O Adolescente Plugado é dependente das redes sociais, adora usar tudo que é tecnológico e se esforça para parecer único. O Refinado é homem de alto poder aquisitivo, concentrado em países emergentes como Brasil, Rússica e China, que valoriza as marcas de luxo tradicionais. O último tipo é o Interativo, o novo rebelde que tem uma visão critica e criativa da realidade e abraçou o compartilhamento tecnológico que a web 2.0 oferece. (PEGN, 2009)

Em uma pesquisa conduzida pela Cone LLC em 2008, com mais de 1.100 homens e mulheres, foi descoberto que mais de 60% deles interagiam com marcas que eles compravam on-line, e um quarto deles interagia mais de uma vez por semana. 93% dos entrevistados esperavam das companhias que eles compram que elas tivessem algum tipo de presença em redes sociais e 85% acreditavam que elas deveriam interagir em uma base regular com seus clientes por meio dessas redes. A interação mais fortemente desejada é o uso de redes sociais para fornecer suporte aos clientes e envolvê-los no desenvolvimento e na adaptação de produtos (43%). A interação menos desejada é usar essas redes sociais para fazer comércio com elas (25%). Cinquenta e seis por cento dos entrevistados relataram uma conexão mais forte e uma lealdade com marcas com as quais elas podem interagir por meio de comunidades on-line.4 (LARRUMBIDE apud HUNT, 2010).


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Os relatórios da Click-Z On-line Research (2008) dizem que a geração acima dos 50 é um segmento on-line que está crescendo rapidamente, com 50% deles fazendo compras on-line. No conjunto etário entre os 30 e os 55 anos a atividade on-line também é ampla. Eles têm maior interesse em sites profissionais, como Linkedin

e

Facebook.

O

mundo

das

comunidades

on-line

não

separa

relacionamentos pessoais dos comerciais, a carreira é a força direcionadora para este grupo, e as redes sociais on-line se tornaram uma forte maneira de se conectar com outros profissionais da área cujo acesso seria mais limitado antes que as comunidades on-line fossem tão amplamente divulgadas. (THOMASES apud HUNT, 2010)5

A Geração Y, também chamada de nativos digitais ou millennials (nascidos na virada do século, entre 1995 e 2002), compreende as pessoas nascidas a partir dos anos 80, segundo a revista New York em fevereiro de 2007, as principais características deste grupo são que além de julgar que eles próprios têm um público cativo, também arquivam abertamente os momentos de sua adolescência sendo mais tolerantes que as gerações anteriores. Quando qualquer um pode publicar uma foto, um vídeo, um artigo, ou enviar um tweet on-line, ele está sujeito a ser encontrado por outros e também responder. Estar gravando as próprias histórias é um conceito natural para este grupo, alguns deles já fazem isso desde crianças, eles deixarão uma trilha digital de suas vidas de adolescentes à medida que forem crescendo. De acordo com um recente artigo da revista New York sobre privacidade on-line, os nativos digitais não estão muito preocupados com o embaraço de suas histórias desnudas, dizem que ficarão orgulhosos com a documentação de suas juventudes. (HUNT, 2010)

As pessoas entrevistadas no artigo foram criadas com a percepção de que elas não podem controlar o que os outros pensam na internet, então a resposta é se


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colocar acima disso. As comunidades on-line estão cruzando o abismo entre os primeiros adeptos já descritos e os próximos, um grupo maior de pessoas a caminho de uma adoção ainda mais amplamente espalhada do que a maioria anterior. Seu trabalho é atingir todos eles. (HUNT, 2010)

O número de ferramentas de redes sociais cresce cada vez mais, apesar dessas ferramentas ter atributos parecidos (como a inclusão de comentários e a forma de adicionar/seguir perfis), há diferenças na forma de uso, no conteúdo gerado e no comportamento dos usuários.

É impossível descrever cada rede social, pois a cada dia, novas redes são criadas e outras viram tendência entre os internautas. Hoje as ferramentas sociais conversam entre si, sendo possível relacionar várias contas e perfis entre as redes sociais diferentes. É possível por exemplo, inserir um vídeo do YouTube no Facebook, bem como as postagens do Twitter no Myspace ou publicações do Fotolog no Tumblr. Cada vez mais as redes sociais se integram para fortalecerem.

Na edição de Agosto de 2009, a revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios, publicou que em 20 anos o custo para operar uma empresa reduziu 80% e as ferramentas de redes sociais contribuíram para reduzir drasticamente os custos de comunicação e CRM para os empreendedores que saibam utiliza-las. (PEGN, 2009)

A matéria mostra como o Brasil está no topo em permanência na web e no uso de sites de relacionamento. O número de internautas brasileiros com 16 anos ou mais cresceu para 62,3 milhões em 2008 (era 32,9 em 2006)6, um crescimento absurdamente rápido. O Brasil é o país líder em tempo de navegação por pessoa, com 40:41 horas de acesso por mês (Os Estados Unidos vêm em seguida com 38:58 horas/mês)7. O uso da rede no Brasil cresce em todas as classes sociais, sendo que entre 2008 e 2009, as classes A/B cresceram de 76% para 80%, a classe

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IBOPE/GNET – acesso com linha telefonica

7

IBOPE NIELSEN ONLINE


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C cresceu de 39% para 45% e as classes D/E cresceram de 21% para 25% 8. (PEGN, 2009)

As vendas no e-commerce também crescem no país, atingindo 8,2 bilhões de Reais em vendas em 2008, com a variação do tíquete médio pago pelos brasileiros em R$328,009. O Brasil está entre os países líderes em percentual de internautas que acessam as mídias sociais, chegando ao segundo lugar (atrás apenas do Canadá) com 85,3% em 2008, crescimento muito rápido em comparação com 2007, quando este valor estava em 76%10. (PEGN, 2009)

Quando se trata do alcance das redes sociais no Brasil em comparação com o mundo, o Orkut concentra a maior parte destes números, com 20,7 milhões de usuários brasileiros entre os 41,7 milhões cadastrados no mundo. O Twitter vem em seguida com 5 milhões de brasileiros (são 32 milhões cadastrados). No Flickr, os brasileiros formam 2 milhões dos 36 milhões de usuários, e no Facebook, rede social com 250 milhões de usuários, os brasileiros já passaram de 1 milhão.11

Os itens a seguir descrevem algumas das redes sociais mais utilizadas.

4.1.1 Orkut

O Orkut é um site de rede social que alcançou grande popularidade entre os brasileiros. O sistema combinava diversas características de sites de redes sociais anteriores, como a criação de perfis focado no interesse, a criação de comunidades e mesmo a mostra dos membros da rede social de cada ator. Foi criado por Orkut Buyukkokten nas horas vagas a partir de uma versão embrionária chamada Club Nexus desenvolvido em 2001. Em 2004 o sistema foi comprado pelo Google, era um sistema que permitia cadastro apenas através de um convite feito por outro usuário

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TGI BRASIL

9

E-BIT

10

COMSCORE

11

IBOPE NIELSEN, COMSCORE, EMPRESAS, CEDOC, INSIDE E FACEBOOK


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que já estivesse cadastrado. Essa característica acabou valorizando a entrada de indivíduos na rede, inclusive com a venda de convites via e-bay. Em meados de fevereiro de 2004 o sistema torna-se rapidamente popular no Brasil, que atingiu a maioria do sistema em junho do mesmo ano. (RECUERO, 2009)

O Orkut popularizou-se na Índia a partir de 2006, quando a ferramenta de idiomas foi criada separando os falantes de cada lingua. A invasão brasileira também se deve a tal fato, apesar deste não ser o único fator desencadeante do seu crescimento. O sistema funciona através de perfis (criados pelas pessoas ao se cadastrar indicando também quem são os amigos adicionados) e comunidades (criadas pelos usuários agregando grupos, mensagens e forúns). Atualmente o cadastro de novas pessoas é feito de forma livre, não sendo mais necessário o convite. (RECUERO, 2009)

Em 2007 o Orkut também inovou abrindo sua plataforma para a construção de aplicativos para usar na rede (semelhante ao que o Facebook já havia feito). Essa abertura do sistema Open Social de certa forma revitalizou o sistema do Google. (RECUERO, 2009)

4.1.2 Fotolog O Fotolog é um sistema de fotologs – sistema que possibilitam ao usuário postar fotografias acompanhadas de pequenos textos e receber comentários. O nome é uma abreviação de arquivo de fotografias. Nasceu com a popularização das cameras digitaise a ideia de criar diários fotográficos de forma semelhante ao que se fazia apenas textualmente nos weblogs. Foi criado em 2002 por Scott Heiferman e Adam Seifer e no inicio tinha apenas 200 usuários. Inicialmente foi rapidamente adotado por brasileiros, que durante os anos de 2003 e 2004 mantiveram o primeiro lugar em número de usuários no sistema. Hoje é o terceiro no ranking, sendo ainda muito utilizado no país. De acordo com os dados do IBOPE/ Net Ratings, havia 3,94 milhões de usuários de sites de fotografias no Brasil (sites dos quais o Fotolog é o mais popular), mais de 50% dos quais com menos de 24 anos em abril de 2007. Em Setembro de 2008 foi o oitavo site de rede social mais acessado do país, com 1,606 milhões de visitantes únicos, mas o segundo onde os brasileiros passam mais tempo


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(22 minutos em média), ficando atrás apenas do Orkut. Hoje o sistema tem mais de 22 milhões de usuários, com mais de 157 milhões de fotos publicadas e 1,5 milhões de brasileiros. (RECUERO, 2009)

Sua interface é simples. Cada fotolog tem um endereço privado onde o usuário publica suas fotos (exemplo: www.fotolog.com/nome). Este endereço funciona como uma página pessoal que identifica o membro ou grupo que adiciona as imagens. Na página de cada fotolog, são exibidas, além da foto mais recente, as últimas seis (em tamanho menor). Também é mostrado na página uma lista de amigos, identificados também pela última foto publicada, assim como outros links que o usuário desejar inserir. (RECUERO, 2009)

O usuário pode publicar uma foto por dia, e cada fotografia fica em uma página individual, onde o usuário pode receber comentários sobre a imagem. É possivel personalizar a forma com que a pessoa quer ou não receber estes comentários, que tem um número limitado para quem não assina o serviço pago da empresa. Além de pode receber um numero de comentários bem maior, os assinantes (golden cam) podem postar várias fotos por dia e personalizar sua página com recursos extras. A partir de 2007 o site passou a incorporar a possibilidade de criat fotologs de grupos, pratica que já era adotada pelos proprios usuários. As fotos ficam guardadas no sistema, sendo possível acessa-las a qualquer momento. (RECUERO, 2009)

4.1.3 Flickr

É um site que permitia, originalmente, apenas a publicações de fotografias com textos acompanhando-as e comentários. Recentemente acrescentou a possibilidade de publicar vídeos também. O Flickr permite que as imagens postadas sejam etiquetadas com palavras-chaves (tags) quesejam objeto de buscas e organização por essas classificações. Muitos autores classificamo Flickr como um sistema de photosharins, ou seja, focado na publicação deimagens em um espaço de expressão pessoal, construção de narrativas e emoções. (RECUERO apud COHEN, 2005, MCDONALD, 2007, VRONAY, FARNHAM & DAVIS, 2001, 2009).


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O Flickr foi originalmente desenvolvido pela companha canadense Ludicorp em 2004, posteriormente adquirido pelo Yahoo! em 2005. Para utilizar o sistema, os usuários criam contas normal ou pro (profissional). A conta profissional permite que os indivíduos enviem uma quantidade maior de imagens e que estas imagens fiquem guardadas. Cada conta permite o usuário de publicar imagens e receber comentários, sendo possível também entrar em comunidades, grupos e etiquetar as imagens com tags Finalmente, as fotos podem ser públicas, privadas e restritas aos amigos e conexões.

4.1.4 Facebook

O Facebook (originalmente, thefacebook) foi um sistema criado pelo americano Mark Zuckerberg enquanto era aluno de Harvard. A ideia era focar em alunos que estavam saindo do secundário (High School) e aqueles que estavam entrando na faculdade. Lançado em 2004, o Facebook é hoje um dos sistemas com maior base de usuários no mundo, não tão localizado como o Orkut. O foco inicial do Facebook era criar uma de contatos em um momento crucial da vida de um jovem universitario, onde nos Estados Unidos quase sempre representa uma mudança de cidade e um espectro novo de relações sociais.

Assim, o sistema era focado em escolas e colégios e, para entrar nele era necessário ser membro de alguma das instituições reconhecidas. Começou apenas disponível para os alunos de Harvard (2004), posteriormente sendo aberto para escolas secundárias (2005). Funciona através de perfis e comunidades. Cada perfil possibilita o acrescimo de aplicativos (jogos, ferramentas, etc). O sistema é muitas vezes percebido como mais privado que os outros sites de redes sociais, pois garante segurança personalizada ao acesso dos conteúdos gerados na rede. Outra inovação significatica do Facebook foi o fato de permitir que usuários pudessem criar aplicativos para o sistema. O uso destes aplicativos é hoje uma das formas de personalizar um pouco mais os perfis (BOYD & ELLISON, 2007).

O Facebook tem crescido bastante em uso em vários países latinoamericanos (O‟REILLY, 2008) e tem, atualmente, no Brasil cerca de 360 milhões de visitas, segundo dados da ComScore em setembro de 2008. (RECUER0, 2009)


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4.1.5 Myspace

Foi lançado em 2003 e permitia a mostra de redes sociais e a interação com outros usuários através da construção de perfis, blogs, grupos, fotos, músicas e vídeos. Sua criação foi insiparada no antigo Friendster (uma das primeiras redes sociais que caiu no desuso com o tempo) e foi realizada por um conjunto de empregados da empresa eUniverse. (RECUERO, 2009)

De acordo com Boyd e Ellison (2007), o MySpace surgiu em um momento onde rumores sobre o início da cobrança pelo acesso ao Friendster estavam crescendo e angariou muitos usuários daí. Era o site de rede social mais popular dos Estados Unidos, tendo sido superado (em numero de visitantes) pelo Facebook em 2008.

Seu diferencial é de permitir um grau muito maior de personalização do que o Facebook e o Orkut, por exemplo. Tal diferencial foi rapidamente apropriado pelos usuários, que passaram a criar comunidades para personalização dos perfis, com dicas e informações.

Uma das apropriações mais notáveis do sistema, foi seu uso por bandas para divulgar gravações, clipes, composições e sua simbiose com os fãs (Boyd & Ellison, 2007). Por conta disso, o sistema passou a ser bastante associado com a produção musical, inclusive no Brasil. Os artistas e bandas musicais famosos interagem com seus usuários, compartilhando vídeos, imagens e materiais exclusivos, assim como realizando promoções entre os membros adicionados, sendo também muito utilizado por independentes e artistas que estão começando a carreira. (RECUERO, 2009)

4.1.6 Twitter

O Twitter é um site popularmente denominado como um serviço de microblogging (Java et al.,2007; Honeycutt & Herring, 2009). Permite que sejam escritos textos de até 140 caracteres a partir da pergunta “o que está acontecendo?”. É estruturado com seguidores e pessoas a seguir, onde cada usuário pode escolher quem deseja seguir e ser seguido por outros, também há a


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possibilidade de envier mensagens privadas. A janela particular de cada usuário contém todas as mensagens públicas emitidas por aqueles indivíduos a quem o usuário segue. Mensagens direcionadas também são possíveis, a partir do uso da arroba “@” antes do nome do destinatário, assim como é possível marcar qualquer palavra ou frase com uma hashtag “#”, facilitando a busca específica. Cada página pode ser personalizada através da construção de um pequeno perfil. (RECUERO, 2009)

Foi fundado por Jack Dorsey, Biz Stone e Evan Williams em 2006 como um projeto da empresa Odeo, inicialmente acesso pelo celular através de torpedos SMS (daí o limite a 140 caracteres). Uma de suas características mais importantes é a permissão que sua API seja utilizada para a constução de ferramentas que utilzem o Twitter. Isso fez da ferramente extremamente popular, sendo utilizada em inúmeras iniciativas como o Summize, ferramenta de busca no sistema que posteriormente foi adquirida pelo Twitter e tornou-se sua busca “oficial”. (RECUERO, 2009)

O Twitter ainda é pouco usado no Brasil, estima-se que o sistema tenha tido apenas um milhão de usuários no país em 2008, dos quais apenas 140 mil seriam recorrentes, de acordo com os dados do Ibope/Net Ratings. (RECUERO, 2009)

4.1.7 Foursquare

O Foursquare é um serviço de geolocalização que possibilita o usuário se locomover pelo campo geográfico off-line e fazer check-ins (nome dado a ação que executada no aplicativo para dizer que chegou em algum lugar) na rede, permitindo que seus amigos saibam por onde ele passou ou esteve, assim como fotos dos locais e comentários sobre a experiência adquirida no comércio, instituição ou espaço cadastrado. Para incrementar, o Foursquare pontua seus usuários de acordo com a distância percorrida entre os locais, assim como o número de check-ins realizados em diferentes e sua frequência e adiciona badges (selos) ao perfil do usuário a medida que ele utiliza o serviço. É possível fazer com que os check-ins realizados apareçam no Twitter e no Facebook.


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4.1.8 Tumblr

Fundado em 2007 por David Karp e Marco Arment, é uma plataforma que permite aos usuários publicarem textos, imagens, citações, links, video e áudio. É um blog de textos curtos, mas não chega a ser um microblog, apesar da semelhança com o Twitter onde os usuários são capazes de seguir outros membros e ver seus posts em seu painel. É possível favoritar os posts, assim como reblogar publicações interessantes para outros blogs. O serviço de personalização enfatiza a facilidade de uso. 4.2 O capital social gerado nas redes sociais O termo “capital” acrescentado da dimensão “social” ganhou cores absolutamente novas e impactantes na contemporaneidade, o consumidor cada vez mais bem-informado, é hoje, quem detém o poder e dita as regras no novo universo interconectado. Deste modo, o capital social constituísse em um conjunto de recursos de um determinado grupo, obtido através da comunhão dos recursos individuais, que pode ser usufruído por todos os membros do grupo, e que está baseado na reciprocidade. (ULLMAN, 2010)

Ele está embutido nas relações sociais (como explica Bourdieu,1983) e baseia-se no conteúdo delas (Gyarmati e Kyte, 2004; Bertolini e Bravo, 2004). Portanto, para que se estude o capital social dessas redes, é preciso estudar não apenas suas relações, mas igualmente, o conteúdo que provém delas. (RECUERO, 2005)

Recuero (2005, p.90) acredita que a interação, a relação e os laços sociais formam a base das conexões nas redes sociais. O capital social é um elemento relativo à qualidade das conexões de uma rede social. Estudado como um indicativo da conexão entre pares de indivíduos por diversos autores, o conceito de capital social é variado e não há uma concordância entre os estudiosos sobre qual vertente deve ser seguida: O Capital social é um elemento-chave para a compreensão dos padrões de conexão entre os atores sociais na internet. Compreender a existência de valores nas conexões sociais e no papel da Internet para auxiliar essas


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construções e suas mudanças na percepção desses valores é fundamental para compreender também as redes sociais. Os tipos de capital social atuam não apenas como motivadores para as conexões, mas também auxiliam a moldar os padrões que vão emergir da apropriação dos diversos sites de redes sociais. (RECUERO, 2005, p.90)

O Capital Social pode ser percebido de formas diferentes entre as ferramentas de redes sociais a partir das formas de interação. O Orkut, por exemplo, proporciona várias formas de interação social reativa, ele permite que as redes sejam formadas sem dispêndio de energia para a manutenção dos laços. Ao contrário da rede social off-line, não é preciso uma interação para manter este laço, uma vez adicionado ao perfil de outra pessoa, o individuo permanece na rede até que apague seu perfil, ou seja, deletado da rede. Uma vez criada, a rede social se manterá no tempo, independente da existência de interação entre os agentes porque o sistema mantém essa estrutura. É uma conexão que não perde força com o tempo. (RECUERO, 2009)

Por outro lado, em comentários de blogs os laços são mais fortes e constituem-se principalmente em relacionais. A interação acontece de modo descentralizado, ela é mais rica, mais social, e proporciona laços mais fortes, multiplexos e com mais variedade de capital social acumulado. Talvez porque o blogueiro já tenha seu próprio espaço de visibilidade, essa apropriação influencia diretamente o capital social encontrado nessas redes. Quanto mais a parte coletiva do capital social estiver fortalecida, maior a apropriação individual deste capital. (RECUERO, 2009)

Assim, o capital social pode auxiliar na compreensão dos laços sociais e do tipo de rede social formada através das ferramentas sociais observadas na internet. É preciso estudar não apenas a existência das conexões entre indivíduos e entre ferramentas, mas também o conteúdo destas conexões através do estudo de suas interações e conversações. Esse conteúdo pode auxiliar a compreender a qualidade dessas conexões. (RECUERO, 2009)


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4.3 De que forma a gestão de capital social nas redes sociais influencia no comportamento de compra

Segundo Marcelo Coutinho, as transformações no mercado de alguns bens e serviços, possibilitadas pelo avanço da tecnologia digital a partir dos anos 90, derrubam o conceito criado a partir do século XIX durante revolução industrial, onde produzir em larga escala era essencial para se obter lucro. (COUTINHO, 2009)

A miríade das escolhas do consumidor, aliada a compradores capazes de personalizar suas experiências de compra, levou a uma ampla gama de vendas pequenas. É um fenômeno que Chris Anderson, editor da revista Wired, chama de “a cauda longa”: a ascensão da internet criou o fenômeno de vender “menos de mais”. Empresas como a Amazon.com, MercadoLivre e Submarino, que oferecem um grande contingente de opções que satisfazem qualquer gosto, são bemsucedidas porque elas proveem esse desejo de personalizar. A ideia de que há produtos que apelam para o mercado das massas - ou seja, quase todo mundo - se torna mais e mais questionável quando os consumidores exercitam a habilidade de compra personalizada. O crescimento desses números demonstra que os clientes têm gostos individuais e que irão optar por escolhas, uma vez que estejam disponíveis, em detrimento do genérico. (HUNT, 2010)

Os avanços das tecnologias de digitalização reduziram drásticamente os custos de produção, distribuição, comunicação e controle da cadeia de uma vasta gama de bens e serviços. Sem grandes custos, o preço do produto pode ser reduzido sem necessidade da produção em larga escala. A praça no ambiente virtual é segmentada, sendo possível atingir um número menor de pessoas com desejos em comum. A promoção também tem seus custos reduzido em comparação com os veiculos de massa. Por fim, o acesso facil a produtos, bens e serviços, assim como a disseminação de informações sobre as experiências de compra, tranformam a forma com que se lida com mix de marketing. (ANDERSON, 2004)


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Coutinho acredita que teoria da cauda longa criada pro Chris Anderson é essencial para entender a mudança no comportamento de compra e a influencia do consumidor. Durante os últimos 150 anos a lógica dos mercados de massa esteve por trás da maioria das organizações bem-sucedidas nas história ocidental. Esta manifestação da economia industrial se espalhou para outros segmentos que não apenas a produção de produtos, mas também o fornecimento de serviços e cultura (um fenômeno que deu origem ao termo indústria cultural para identificar as manifestações culturais produzidas a partir da lógica do mercado de massa): O formado dos mercados era restrito por uma tecnologia na qual os custos fixos para produzir o primeiro modelo eram muito elevados, e um sistema de distribuição igualmente dispendioso e complexo, que exigia a existência de uma série de intermediários, cada um buscando uma pequena parcela de lucro, para funcionar. Dessa forma, somente produtos (ou serviços, ou manifestações culturais) que tivessem uma grande procura poderiam gerar receita suficiente para cobrir os elevados custos de capital necessários para sua produção. (COUTINHO, 2009, p.12)

Coutinho compara os mercados de massa com um cachorro. Alguns poucos produtos capazes de vender bilhões compõe o seu topo, na cabeça. O consumidor tinha que fazer grandes sacrifícios em termos de tempo, deslocamento e dinheiro, a medida que suas preferências se afastavam dessa cabeça, para obter bens e serviços voltados para os “nichos”, que apontam até o final deste corpo: a cauda. “Isso fazia com que a maior parte das empresas se organizasse ao redor da produção de hits – bens e serviços que pudessem cair rapidamente no gosto do consumidor médio” afirma o autor. (COUTINHO, 2009)

Como as comunidades on-line se tornam uma fonte cada vez mais forte de informação de consumo, as vendas serão dirigidas pela maneira com a qual se é percebido nas redes. (HUNT, 2010)

4.4 A Cauda Longa na indústria da música

Para Chris Anderson, os segmentos mais expostos a este fenômeno são os ligados a produção de bens culturais, como a música, o entretenimento e as empresas informativas. A medida que estas tecnologias se sofisticam e popularizam


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tendem a afetar outras atividades ligadas ao consumo de produtos em geral, como por exemplo a comparação de preços e a busca de fornecedores com disponibilidade de produtos ou melhores condições comerciais.

A Cauda Longa é uma transformação que viabiliza a existência de milhares de pequenos mercados do ponto de vista da reprodução do capital. Na indústria da música, uma banda, compositor, cantor ou interprete que antes não conseguia entrar no circuito comercial porque nunca teria um volume suficiente de fãs para justificar o retorno dos custos de gravação e distribuição de suas músicas, passa a se tornar um negócio viável a medida que estes custos despencam por causa da existência de efeitos que não precisam mais ser criados em estúdios e a venda ou distribuição gratuita pela internet não exige o armazenamento transporte e distribuição física de CDs. (COUTINHO, 2008)

Este efeito também atinge outros segmentos, uma fábrica não precisa abrir uma loja num país distante, reduzindo o custo para encontrar compradores, nem mesmo estes compradores se deslocarem fisicamente até lá para procurar o produto, tendo assim seus custos de busca muito reduzidos. Casos assim viabilizam a produção em pequena escala. (COUTINHO, 2009)

Para Coutinho, apesar da teoria da cauda longa ainda não ser completamente testada, muito menos aceita no ponto de vista da economia clássica, deve-se encarar o fato de que se as empresas não canibalizarem seus produtos e serviços, um concorrente fará isto mais cedo ou mais tarde. Principalmente nas grandes empresas, muitas cabeças ainda andam em círculos não encarando este fato. (COUTINHO, 2009)

4.5 A nova participação das gravadoras


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Ferramentas como o Facebook e compartilhamento de arquivos podem ajudar também os selos a criarem demanda e encontrarem mais amantes da música, talentos e novas fontes de renda. As gravadoras poderiam usar o Facebook, ou qualquer outra rede social, para se conectar com fãs de música, músico por músico, banda por banda; permitir que os músicos participassem das conversações; descobrir onde os fãs vivem, a fim de levarem música até a eles; utilizar os grupos para discussões sobre o que a administração de direitos digitais devesse ser e obter feedback sobre o que pudesse ser feito para uma melhora, tanto para os fãs, quanto para os selos; criar páginas de forma que os fãs pudessem partilhas novos músicos com seus amigos. (HUNT, 2010)

Serviços de compartilhamento de arquivos são realmente uma maneira simples de distribuir música. Diversos métodos poderiam ser usados para permitir que essa partilha ocorra e possibilitar que os selos resultem em dinheiro. Em vez de ficar rastreando pessoas que estão baixando músicas e processando-as, as gravadoras podem descobrir onde vivem e levar suas bandas favoritas até elas para tocar ao vivo. Outra possibilidade é aprender com isso e construir maneiras mais fáceis para que os fãs baixem e compartilhem música em seus próprios sites. Para isso é possível colocar um botão de doação próximo à música e solicitar que os fãs doem caso gostem da música, ou permitir que façam o download em versões de alta qualidade para venda ao lado das versões gratuitas. Pode-se também criar uma inscrição em uma comunidade musical para as pessoas comprarem música a granel, pagando uma taxa mensal por downloads ilimitados. (HUNT, 2010) „

Existe uma enorme quantidade de ferramentas on-line que tanto artistas

quanto selos podem aprender a usar para que o público se comprometa. O primeiro passo é deixar de enviar mensagens maçantes, forçando o público a digerir seu conteúdo e passar a ouvir as opiniões dos consumidores (que já estão publicadas e eternizadas na web), é preciso que a marca torne-se parte da comunidade que serve, criando experiências sem igual para seus clientes e encontrando seu propósito mais elevado sem limitações. (HUNT, 2010)


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4.6 Pirataria

Segundo Sérgio Amadeu, a pirataria de músicas, softwares, textos, idéias tem o nome de “copyright infrigement”, denominado em português como “pirataria moderna”. Ele acredita que chamar uma suposta ou real violação do copyright de pirataria é uma péssima metáfora, pois uma música, algoritmo ou conjunto de rotinas integradas em um software não possuem existência física, material. (AMADEU, 2009)

Os bens intangíveis e imateriais não conhecem a escassez e nem o desgaste. Por isso, uma música pode ser reproduzida infinitamente sem nenhum prejuízo para a sua existência, assim como um software pode ser copiado no mundo digital sem nenhuma alteração para o seu original. A quantidade de cópias não traz nenhuma implicação para sua forte, fazendo com que no cenário digital a proposta da originalidade perde a força. (AMADEU, 2009)

O custo marginal ou adicional de reprodução de uma música ou qualquer bem imaterial como vídeo ou software é igual a zero. O que custa é suporte da reprodução, assim o tempo para se processar a cópia é o que se pode calcular. Amadeu defende que o contexto dos bens materiais é completamente diferente do que é encontrado na economia das idéias. Comparar o roubo de um celular ou de um carro, por exemplo, à cópia de uma música é um absurdo, pois não existe download de bolsas ou carros e quando se furta um bem material como uma bolsa, a vítima fica privada de seu uso. O bem material não tem uso rival, é possível ouvir a mesma música digital simultaneamente que milhões de pessoas, assim a metáfora da pirataria é apenas funcional aos interesses das indústrias de copyright. (AMADEU, 2009)

Copiar sem autorização não é a mesma coisa que roubar, muito menos uma ação comparável àquelas praticadas pelos piratas e seus navios. Os piratas não faziam downloads ou cópias de barras de ouro, eles pilhavam as embarcações. E um jovem não dilapida uma gravadora, apenas copia. No livro Free Culture, o jurista Lawrence Lessing demonstrou que a indústria fonográfica faz uma conta equivocada com grandes exageros sobre os seus prejuízos. Nem todo mundo que “baixa” uma música iria compra-la. Na verdade, a melhor forma de divulgar o trabalho artístico e conseguir fãs é liberar músicas na rede. Bnegão e Radiohead são como bons exemplos de como os artistas podem se beneficiar com a cópia na rede. (AMADEU, 2009)


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No caso do software, uma das grandes responsáveis pela constituição e manutenção do antigo monopólio do sistema operacional proprietário e de seus aplicativos foi a chamada “pirataria”, que neste caso pode estar beneficiando o Windows, por exemplo. O modelo do Office, suíte de escritório proprietária, é centrado na cobrança de licenças das pessoas jurídicas, as empresas. Como o custo dessa licença chega a ser igual ao preço do computador, as pessoas acabam por instalar cópias não-autorizadas nas máquinas de suas casas. Isso contribuí para a formação de uma gigantesca massa de usuários adaptadas ao Office e esse fato fortalece o seu uso nas empresas, dificultando a migração para o modelo do software livre. A metáfora dos Corsários (piratas a serviço do poder) é a mais adequada nesse caso, pois a cópia não-legal de softwares está a serviço da manutenção do monopólio do software. (AMADEU, 2009)

O termo pirataria tem sido usado porque traz a imagem de criminosos sanguinários e a indústria de intermediação cultural, afetada pela expansão das redes sociais, tenta passar a idéia de que compartilhar música com um vizinho ou irmão é um crime hediondo. A cibercultura que emergiu a partir das redes sociais é uma prática recombinante, de certo modo. (AMADEU, 2009)

Willian Gibson disse que a remixagem é a alma da cibercultura, a RIAA e a MPAA, entidades americanas que defendem os interesses de música e filmes, consideram a recombinação uma das muitas faces da pirataria. Assim é possível entender porque querem criminalizar mais de 70% dos usuários da Internet. (AMADEU, 2009)

Como reação contra uso do termo “pirataria”, contra a denúncia ao bloqueio do compartilhamento de bens culturais e como crítica contra as tentativas de privatização do conhecimento, surgiu na Europa o Pirate Party (Partido Pirata). Imediatamente a iniciativa se espalhou pelo mundo, possuindo coletivos que defendem a liberdade de cópia em todos os continentes, inclusive no Brasil desde 200712. O Partido Pirata também fez com que outros partidos passassem a se interessar pelo tema. (AMADEU, 2009)

12

http://www.partidopirata.org/


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5. RESULTADOS

Foram analisados depoimentos na web 2.0 e publicações de matérias sobre o assunto, assim como a participação de algumas gravadoras nas redes sociais.

5.1 Depoimentos na web sobre marketing digital

Segundo o ilustrador Roger Faria, criador do site de serviços de design calangoqueri, o uso de ferramentas de redes sociais por empresas pode ser bastante incomodo, num grupo do google sobre redes sociais ele deu o seguinte depoimento: Tem-se falado bastante em web marketing e inevitavelmente a presença de empresas em sites de relacionamento, microblogs, blogs e afins. Até onde um produto pode ser associado a uma rede social sem pentelhar o usuário comum? Qual estratégia utilizar, como disponibilizar conteúdo e promoções de forma inteligente? Digo isso porque a maioria das empresas usa a ferramenta de forma equivocada. Muitas delas eu optei por não “virar freguês” pela maneira invasiva de lidar com seus possíveis clientes. Por exemplo: odeio empresas que anunciam no twitter falando pra retwittar a mensagem e concorrer a prêmios... Odeio empresas que ficam enviando insistentemente mail marketing achando que vou entrar na onda de 13 liquidação delas... Bloqueio todas...

De fato muitas agências de marketing digital falham em suas ações gerando o efeito reverso, como o internauta Leo Prado informa ao concordar com o Roger dizendo: As redes sociais aumentaram muito, e de maneira surpreendente a velocidade que a informação boca a boca passa e sempre foi essa a mais confiável. uma empresa que não enxerga isso corretamente e não sabe fazer bom uso desta modalidade sai perdendo. Antigamente o boca a boca não era um negocio que podia se apostar e investir, pois era lento e não conseguia acompanhar as tendências. Hoje um bom produto ou uma boa promoção podem passar a ser o mais procurado objeto de consumo de um dia para outro e pode também deixar de ser de um dia para o outro. O varejo sempre foi um método fraco de divulgação, onde você inunda os meios de comunicação com sua marca e seu produto esperando pacientemente como um pescador e sua isca, esse método funciona 14 também no meio digital, mas é o mais eficiente?


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5.2 Depoimentos na web sobre compartilhamento de mp3 e pirataria

Quando o assunto é o consumo de música todos parecem saber um pouco e ter muitas dúvidas, como as apresentadas por Nuno Varela num grupo de música geral. Ele questiona se é legal passar CDs (distribuição ou criação) a pirataria é considerada, se é um direito dele compartilhar os arquivos que ele comprou e o que ele pode fazer com um CD que ele adquire.

Fica claro que se as gravadoras quisessem ter esclarecido informações deste tipo aos consumidores, um manual de direitos autorais e legalidades no compartilhamento de suas músicas seria incluso em cada álbum de CD comercializado. Os processos milionários que estas gravadoras jogam nos consumidores pode gerar um lucro muito maior do que a venda de CD´s que como já foi escrito, não está em sua melhor fase. Deve ser por isso que é mais cômodo deixar este assunto não esclarecido, por mais que seja discutido frequentemente em diversas mídias.

Foi percebido que as pessoas ainda querem se informar e consumir música, mas querem fazer isto de forma tão pratica quanto fazer um download. Já existem soluções como o selo Creative Commons, que disponibiliza opções flexíveis de licenças que garantem proteção e liberdade para artistas e autores. A Creative Commons ajuda a publicação de obras online e deixar claro para todos o que exatamente eles podem e não podem fazer com a obra, facilitando a vida principalmente dos seus consumidores. 15

No Orkut é possível encontrar vários tópicos e comunidades a favor do compartilhamento virtual de música, inclusive apontando esta prática como a melhor forma de combater a pirataria, pois ao invés de comprar CDs piratas no camelo, o próprio consumidor baixa suas musicas e não financia o tráfico de armas e drogas como dizem as principais propagandas antipirataria.


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O músico Adherbal reflete bem a opinião das grandes massas sobre o assunto nesta mensagem que postou no grupo Soc.Culture.Brasil do Google sobre compartilhamento arquivos: Eu acho que esse negocio de associar crime organizado com pirataria de software e CD é campanha publicitária. 50% dos casos de pirataria é gente que copia e distribui para os amigos. Eu mesmo faço isso. Os outros 40% são pessoas desempregadas que precisam ganhar algum dinheiro, e vendem isso na rua. Alguns ampliam o negocio e passam a vender na web e etc. Dos 10% que sobram, pode até existir o crime organizado, mas é pouco. Eu, por exemplo, pelo fato de ser musico e conhecer bem esse assunto, eu faço questão de comprar CD pirata e baixar musica grátis na net. Isso porque, quando compramos um CD na loja, a gravadora vigarista fica com 90%. O musico não leva quase nada, pois dos 10% que recebe, ele tem que pagar todos os custos de produção. Além disso, o CD é dez vezes mais barato de produzir do que um vinil, e ainda assim a gravadora vende o CD mais caro (hoje em dia, só as gravadoras independentes vendem vinil). No começo, a gravadora vendia CD mais caro do que o vinil porque era novidade, prometeram baixar o preço quando pagassem as maquinas. Porém, nunca baixaram o preço e, em uma década, o negocio gerou mais lucro do que o resto do século inteiro. Portanto, comprar musica pirata e promover a distribuição online é um favor que fazem para os músicos pequenos e para o povão desempregado. Quem reclama disso são as estrelas milionárias e a RIAA, que já ganharam dinheiro demais e merecem 16 se...

Esta geração acredita que baixar músicas (ou filmes) pela internet não é crime, fazem questão de divulgar várias brechas na lei e propagar esta mensagem para o alívio de qualquer usuário que esteja querendo baixar algum conteúdo, até porque há situações em que a música ou o filme são raríssimos, e nem se encontram mais a venda. No artigo “Baixar filmes e músicas pela internet não é crime”, o autor Cayo Medeiros17 se baseia na seguinte descrição da lei para se proteger: …é permitida a cópia integral de obra intelectual, sem autorização do detentor do direito autoral, desde que não se vise lucro, seja direto, seja indireto, mas é proibida a cópia não autorizada, mesmo parcial, para fins lucrativos. Assim, não comete crime o indivíduo que compra discos e fitas “piratas”, ou faz cópia para uso próprio; ao passo que se o locador o fizer poderão configurar-se violação de direito autoral e concorrência desleal.


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Esta geração se enche de motivos para provar que consomem suas musicas legalmente, por mais que a lei não reconheça, fica claro que eles acreditam ser uma questão de tempo e falta de controle para aproveitarem seus artistas prediletos com a praticidade que a tecnologia proporciona.

5.3 Publicações na web

Um caso muito parecido com a Eventfull Demand no Brasil é o projeto dos 60 Cariocas Empolgados, que conseguiram trazer o grupo internacional Belle & Sebastian para tocar no Rio de Janeiro. Numa matéria do dia 02 de Outubro de 2010, o Estadão apresenta a notícia dos amigos que, cansados de esperarem por seus ídolos, fazem „vaquinha‟ e levam ao Rio bandas que não iriam por lá. Numa atualização anos 00 do „do it yourself‟ (faça você mesmo) punk, os amigos Bruno, Tiago, Felipe, Pedro e Lucas criaram um moderno “pay it yourself” e montaram uma ação na internet entre fãs cariocas de rock para comprar os shows de bandas que gostam para o Rio de Janeiro. A ação, que consiste em uma vaquinha online para levantar o dinheiro do cachê de bandas indies e tornar possível a realização de shows no Rio de Janeiro, já rendeu a apresentação na cidade da banda sueca Miike Snow.

Tiago Lins , diretor de TV, outro dos Cariocas Empolgados, apresentou aos parceiros uma conta que mostrava que juntos poderiam reembolsar todos que ajudassem a viabilizar o show, caso ele fosse um sucesso. “A conta era tão simples e direta que tínhamos que pelo menos tentar”, conta Natal. Eles então dividiram os R$ 20 mil em 100 partes de R$ 200. Como quatro empresas se interessaram em entrar no racha, adquiriram 10 partes cada, o número necessário de pessoas para fechar a conta caiu para 60. Graças ao barulho que o grupo fez na internet, desta vez para divulgar o show e fazer os indies do Rio saírem de casa, o Circo acabou


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recebendo mais de 800 pagantes. Cada um dos fãs-investidores recebeu seu dinheiro de volta. E, no fim, acabou entrando de graça no show. 18

Mais do que isto, estes amigos conseguiram uma relação única com seus ídolos, “Isso é incrível”, falou por e-mail Stuart Murdoch, líder do Belle & Sebastian, exaltado. “Se nosso show no Rio vai acontecer por causa desses fãs, vamos fazer de tudo para não desapontá-los.” Claramente isto gera uma lealdade muito maior estre os consumidores pela banda, que também admira mais ainda estes fãs e foi um ciclo que gera mais capital social (e whuffies) para todos os lados.

Num artigo publicado num site sobre admiradores do sistema Linux, é observada outra solução à pirataria19, o web streaming. Esta tecnologia permite o usuário de ouvir a música que quiser sem baixa-la, como uma rádio virtual, suas opções são infinitas e como se não bastasse, os sites especializados (como Last.fm, Cotonete,

Mixpod,

Soundcloud

e

Grooveshark)

sugerem

diversos

artistas

semelhantes, dando a chance ao usuário de conhecer materiais que nunca encontrariam sozinhos. Estes canais de web streaming musical também formam canais de redes sociais, com perfis, grupos e seguidores, seu material pode ser compartilhado em qualquer outra rede social, gerando grande popularidade entre os usuários.

Algumas músicas não estão completas (no caso da Last.fm), mas é possível pagar um cadastro para ter liberdade total nestes sites e acesso a diversos aplicativos que sincronizam listas com reprodutores de mp3. É possível curtir infinitas quantidades de música sem nenhum peso na consciência de estar fazendo um crime. A coluna sobre tecnologia “Techtudo” do globo.com também exalta o acesso as rádios virtuais (mais precisamente o Grooveshark) como uma forma prática e fácil


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de consumir e descobrir música, encorajando os leitores a parar de fazer downloads.20

5.4 As gravadoras nas redes sociais

Muitas gravadoras já estão correndo atrás do prejuízo participando nas redes sociais, compartilhando suas músicas e interagindo com seus consumidores. A indústria da música, apesar de manter a luta contra a pirataria, já entendeu que não pode condenar os novos hábitos de seus consumidores e precisa manter seu relacionamento com eles também nas redes sociais, pois é lá que eles estão.

Foi analisado a gestão de capital social nas redes sociais de três gravadoras internacionais e duas nacionais, e os resultados estão a seguir.

5.4.1 Warner Bros. Records

Desde 2006 a Warner Bros. Records, uma das maiores gravadoras do mundo, já possui seu próprio canal no YouTube21 e aproveita para lançar e promover clipes de seus artistas, fornecendo material de alta qualidade para acesso, compartilhamento e incorporação em outros sites. Os links para comprar seus produtos também existem no canal. E atualmente a marca possui 226436 usuários inscritos que acompanham suas atualizações e fazem comentários. Alguns artistas ou bandas possuem páginas personalizadas, criando maior intimidade na experiência entre os consumidores e seus ídolos. A Warner Bros. Records também tem uma página oficial no Facebook22 e mais de 2400 pessoas já curtiram a página. A página contém informações sobre a marca e um link para o Wikipédia, mas poderia interagir muito mais publicando conteúdo sobre seus artistas no mural, encorajando as pessoas a compartilhar e

20

http://www.techtudo.com.br/dicas-e-tutoriais/noticia/2011/04/aprenda-usar-o-grooveshark.html

21

http://www.youtube.com/user/warnerbrosrecords

22

http://www.facebook.com/pages/Warner-Bros-Records/115412808469084


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curtir música por música, banda por banda, gerando uma compreensão maior sobre seus consumidores. A gravadora possui também uma conta no twitter 23, onde avisa mais de 14 mil seguidores sobre seus lançamentos, é possível ouvir álbuns inteiros no seu site e os vídeos são diretamente publicados através da conta no YouTube. Os artistas da Warner também tem suas contas no Twitter e Facebook, alguns até no MySpace estão e no site da gravadora é possível conhecer todas as contas disponíveis por cada artista ou banda. É claro notar a interação dos consumidores com seus ídolos, este contato constante é essencial para manter os consumidores, despertando o desejo de consumo por seus produtos a medida que eles conhecem e interagem de perto com os trabalhos e expressões dos artistas e bandas.

5.4.2 Virgin Records

Apesar da Virgin não ter no site oficial orientações claras para as suas contas nas redes sociais (há apenas um botão curtir de facebook), esta gravadora participa ativamente no Facebook com publicações constantes de conteúdos sobre seus produtos no mural da sua página oficial24. Talvez por isso a página já foi curtida por mais de 25 mil pessoas. Estes usuários fazem comentários sobre cada publicação, compartilham e acessam o álbum de imagens com fotos de eventos e logotipos. A página também possui o aplicativo Sweepstakes para promoção e links para visualizar os seus conteúdos do Twitter e YouTube sem precisar sair do Facebook.

No Twitter, a Virgin Records possui várias contas diferentes (como segmentos locais, suas rádios e projetos internos) relacionadas à conta oficial25, e a marca interage com os usuários incluindo novidades e respondendo aos comentários, desde um simples bom dia até as criticas mais complexas. Assim a Virgin aproveita para apresentar mais sobre sua marca e suas ações incluindo imagens de seus escritórios e eventos produzidos por ela. 23

http://twitter.com/wbr

24

http://www.facebook.com/virgin

25

http://twitter.com/Virgin


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O canal da Virgin no Youtube existe desde 2006 e possuí 223882 inscritos 26. É possível ver videoclipes produzidos pela gravadora com alta qualidade no canal e cada página de um determinado artista divulga outro artista semelhante da mesma gravadora, fazendo com que seus consumidores conheçam outros produtos da Virgin Records. Apesar de ser possível compartilhar os vídeos da Virgin, a gravadora impede que este material seja incorporado em outros sites.

5.4.3 EMI Music

O site oficial da EMI na internet é uma página do Wordpress personalizada com constantes atualizações sobre as atividades da gravadora, assim os principais elementos de blog se encontram no site como nuvem de tags, arquivo, últimos Tweets incorporados e postagens recentes.

Apesar de seu perfil no YouTube não estar disponível, possui 458559 inscritos. Talvez a empresa desistiu de disponibilizar sua página no YouTube para segmentar por artistas, uma vez que bandas e artistas da gravadora, como Coldplay e Tinie Tempah, têm seus próprios canais, mas é possível notar isso entre os artistas das outras gravadoras também.

As bandas e artistas da EMI possuem contas e perfis nas redes sociais conforme eles próprios querem. Cada artista tem seu site (que é possível acessar pelo blog da gravadora) e eles indicam em que redes sociais estão, a maioria possui twitter, mas muitos têm contas no Facebook e MySpace também. Alguns artistas, como o Enigma possuem contas até em redes sociais musicais de webstreaming, como a Last.fm.

Sua página no Facebook não é atualizada com conteúdos. Mais de 5 mil pessoas já curtiram a página que não contém qualquer informação sobre a empresa. Porém, a página brasileira da marca27 possui interação constantante com 26

http://www.youtube.com/user/virginrecords

27

http://www.facebook.com/emimusicbr


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publicações no mural de notícias sobre a gravadora e seus artistas. O twitter da EMI28 é atualizado constantemente e possui relação direta com as outras contas da gravadora segmentadas por país, mas não foi possivel notar qualquer interação com os seguidores como respostas a comentários.

5.4.4 Biscoito Fino

Por ser uma gravadora nacional, fica claro entender porque a Biscoito Fino possui um perfil29 e uma comunidade30 no Orkut, além de contas no Facebook, YouTube e Twitter. Seu perfil possui 520 amigos e contém albuns de eventos e lançamentos promovidos pela marca, além dos videos publicados pelo YouTube. Na comunidade com 195 membros, o ultimo tópico criado pela gravadora foi em Junho de 2010.

Sua conta no YouTube foi criada em 2008, o que fez com que o ano fosse incluso no nome do canal31. É possível assistir aos clipes produzidos pela marca, assim como trechos de dvds, entrevistas e making of´s, assim como compartilhar livremente na rede. Há 529 pessoas inscritas no canal que recebe inúmeros comentários e constantes visualizações inclusive de fora do país.

Sua página no Facebook já foi curtida mais de 9 mil vezes o seu mural conta com notícias sobre os artistas das gravadoras, matérias e novidades. Também possuí álbuns com imagens de eventos e lançamentos. Seu público interage com comentários e curtindo os conteúdos postados.

No Twitter, a Biscoito Fino também atualiza com matérias, noticias, lançamentos e novidades32. Porém não foi possível notar se a gravadora responde 28

http://twitter.com/EMIWorldwide/

29

http://www.orkut.com.br/Main#Profile?uid=6166542423202865841

30

http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=91024184

31

http://www.youtube.com/user/BiscoitoFino2008

32

http://twitter.com/biscoito_fino


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os comentários de seus seguidores. É interessante notar como divulgam seus artistas com uma hashtag (ex. #ChicoBuarque, #BibiFerreira e #MônicaSalmaso) facilitando a descoberta da conta através da busca de outros usuários.

A Biscoito Fino também possui uma conta na rede social de música brasileira mpb.com33. Nesta rede social a gravadora tem um microblog e um blog com vídeos e músicas de seus artistas e bandas.

5.4.5 Trama

O melhor exemplo de como as gravadoras deveriam participar nas redes sociais e garantir seu capital social talvez seja a Trama. Como se não bastasse estar integrada a várias redes, a gravadora também criou sua própria comunidade de música, a TramaVirtual 34.

No TramaVirtual é possível ouvir e baixar músicas, ler notícias e matérias, conferir o hanking das musicas mais ouvidas, letras, criar playlists, ter um álbum de fotos, compartilhar as músicas onde quiser, criar um blog e fazer amigos. No caso dos artistas independentes, a gravadora oferece um programa de download remunerado, garantindo uma quantia mensal de dinheiro que é dividido de acordo com o número de downloads realizados por músico.

Mais do que disponibilizar o acesso a música, a Trama também inova com o Album Virtual, onde é possível visualizar o produto todo como a arte do cd, a contra capa e até folhear o encarte.

Assim o possível consumidor conhece melhor o

produto e tem seu desejo de compra despertado.

A gravadora possui um canal de podcast, comunidade no Orkut, canal no Youtube e contas no Facebook e Twitter. É interessante notar a postura da Trama na descrição da própria comunidade do Orkut35: 33

http://mpb.com/com/default.asp?session=perfil&usuario=177

34

http://tramavirtual.uol.com.br/

35

http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=63531


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Falam em morte do CD, crise do mercado, falência da indústria fonográfica... e a música? Nunca se viu tanta diversidade, qualidade, originalidade e outros “ades” bacanas como no panorama atual. Desiludidos com as promessas douradas de fama e sucesso fácil e suportados por uma tecnologia barateada e mais acessível, um número cada vez maior de novos artistas tem se aventurado produzindo, gravando e distribuindo sua própria música. A Trama não podia deixar de apoiar estas iniciativas. Baseada em sua longa experiência no mundo online, é com orgulho que a gravadora disponibiliza este espaço para o novo, para todas manifestações musicais nacionais que olhem para o futuro, que acreditem em novos formatos e queiram se integrar em uma sonora comunidade. Um espaço livre de interação cultural, plataforma para o que melhor se cria nos estúdios e garagens do Brasil em milhares de MP3 gratuitos e muita informação.

Seu canal no YouTube foi criado em 2006 e possui 3203 inscritos 36. É possível assistir aos artistas gravando no estúdio, cenas de shows, clipes e compartilhar livremente. Além disso, a trama também tem seu próprio canal de tv virtual37, com vídeos e materiais extras que não são encontrados no YouTube.

A Trama não possui uma página no Facebook, se limitando apenas a ter um perfil38. Por outro lado, este perfil já possui mais de 4 mil amigos adicionados, e seu mural é constantemente atualizado com datas de shows, noticias, vídeos e concursos. Seu público participa ativamente com comentários negativos e positivos e frequentemente a gravadora abre um chat virtual para encontrar todos os usuários e conversar sobre determinado assunto.

No twitter, a Trama mantém atualizações constantes informando suas ações, novidades e lançamentos, também apresenta a programação da tv trama e do podcast. Também informa sobre aparições dos seus artistas no rádio e televisão.

Tudo isso faz com que seus consumidores sejam fieis a marca, pois admiram as ações realizadas e participam junto com a gravadora de inúmeras formas, facilitando a decisão de compra por seus produtos e tornando-o cada vez mais íntimo de seus ídolos, assim como da própria Trama.

36

http://www.youtube.com/tramavirtual

37

http://tv.trama.uol.com.br/

38

http://www.facebook.com/tramaoficial


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6. CONCLUSÃO

O uso das redes sociais na web 2.0 já se tornou um hábito entre a maioria das pessoas. Até quem não utiliza as ferramentas sociais tem uma ideia de como elas funcionam, pois estas ferramentas são frequentemente citadas nas mídias tanto jornalísticas quanto de entretenimento (novelas, filmes e séries).

As gerações mais novas não conseguem imaginar como seria o mundo sem as redes sociais, a forma com que as pessoas se comunicam e se relacionam se tornou mais simples e abrangente. É muito fácil manter contato com conhecidos e muitas vezes estes conhecidos nunca foram vistos pessoalmente. A forma com que conhecemos a intimidade de um individuo na rede também é ampla, é possível saber muito sobre cada pessoa através de seus interesses sinalizados, da participação em comunidades e grupos, amigos adicionados e até mesmo pelo histórico arquivado para sempre a medida que os rastros virtuais são criados.

As redes sociais também estão em constante evolução, atualizadas frequentemente à medida que a tecnologia possibilita novas ações no meio. Novas redes sociais também sempre serão criadas e as redes existentes têm que se adaptar às tendências. O Twitter e o Facebook, por exemplo, já possuem formas de localizar onde seus usuários estão, novidade que foi a chave para a criação e crescimento do Foursquare.

A medida que novas redes sociais forem criadas, o capital social gerado no conteúdo delas determinará seu crescimento e popularidade. É comum os usuários migrarem de uma rede para outra, sem apagar seu perfil na rede anterior, isso faz com que o tempo seja marcado por redes. No Brasil, por exemplo, as pessoas viveram o período Fotolog (até 2004), migraram para o Orkut (entre 2004 e 2010) e já estão entrando na fase Facebook (2011).

Apesar das redes serem globais, acessadas pelo mundo todo através da internet, é importante notar seu impacto local, a forma de uso em cada rede social varia de acordo com o país, idioma, cultura e vizinhança, no entanto é importante notar grupos com interesses em comum que não necessariamente estão no mesmo


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local, ou falam o mesmo idioma. Culturas diferentes conseguem elevar seus whuffies à medida que compartilham suas informações por um bem em comum.

O capital social gerado nas redes sociais faz com que o consumidor seja influenciado de diversas formas. Sua opinião é formada a partir do acesso ao conteúdo publicado por outros consumidores e a informação trocada entre os usuários faz com que as pessoas personalizem cada vez mais as suas compras, potencializadas com o e-commerce.

Cabe às empresas e suas marcas saber interagir com os usuários nas redes sociais sem forçar o público com mensagens repetitivas e massivas que são percebidas como spam, reduzindo a quantidade de whuffies adquirida. Os usuários devem perceber que a mensagem é direcionada a eles por haver um interesse em comum com o da marca. Mais do que isso, o próprio usuário deve buscar a marca por conta própria, pelo capital social que a empresa possui entre seus consumidores, que indicam o produto aos seus amigos por seus atributos, qualidades e eficiência.

No setor do entretenimento musical, as gravadoras devem se esforçar para ganhar cada vez mais fãs de seus artistas e bandas, assim como encorajar estes artistas a se relacionar com seus fãs, fazendo com que consumam cada vez mais suas músicas, seja comprando o CD, indo ao show, assistindo aos videos ou baixando seus mp3‟s.

As gravadoras não devem se limitar apenas a participar das redes sociais, mas também utiliza-la para descobrir os hábitos de seus consumidores, seus gostos e onde eles estão. É importante ir a campo e conhece-los também no ambiente offline. Uma boa ideia para estas empresas seria elas mesmas organizarem eventos com seus artistas e bandas, realizando shows personalizados por local com gostos em comum, assim seria mais fácil de apresentar outros artistas de gênero musical semelhante, aumentando o consumo e o capital social da gravadora.

Conhecer o público por local, criando perfis extras, é essencial para a gravadora determinar suas ações. Um fã de uma banda na Austrália, por exemplo,


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pode não ter os mesmos hábitos e interesses do que um fã da mesma banda na Argentina. As redes sociais são poderosas ferramentas de monitoramento, gerando dados importantes sobre os consumidores e o impacto das mensagens sobre eles.

Compartilhar seus produtos e deixar de ver seus consumidores como criminosos também é essencial para a gravadora não perder seus whuffies. Criar versões de suas músicas com alta qualidade para a venda é uma excelente forma de medir quantas pessoas que baixaram a versão comum de graça compra o produto. A popularização do e-commerce também é uma vantagem para a indústria da música, pois os mp3 podem ser entregues imediatamente, sem necessidade de pagar frete ou aguardar alguns dias até a entrega do produto.

Criar materiais extras para compartilhar na rede também é interessante para os fãs de música. Entrevistas, making-of, cenas de shows, versões alternativas de músicas sempre despertam o interesse dos fãs, que mantém o relacionamento se inscrevendo no canal de YouTube, curtindo a página do Facebook ou seguindo o perfil no Twitter. É importante postar conteúdos relevantes constantemente, para a conta não cair no desuso, tanto da empresa, quanto dos usuários. Manter o relacionamento garante melhores resultados a longo prazo.

As redes sociais musicais de webstreaming são a melhor maneira para encontrar os fãs de música, apesar de nenhuma gravadora analisada ter um perfil oficial nestas redes, e algumas até impedem suas musicas de tocar nestes sites. Se cada gravadora criar um perfil oficial em redes como o Grooveshark, Last.fm e SoundCloud, a descoberta de seus produtos e serviços será facilitadas, assim como a descrição dos hábitos de consumo músical entre seu público e o compartilhamento pelos consumidores para as outras redes onde as gravadoras já participam.

Nos anos 80 e 90, quando as pessoas gravavam músicas do rádio em fitas cassetes, as gravadoras não tinham esta postura hostil, mesmo sabendo que alguém que fez isso talvez nunca comprasse o disco da música. Na virada do século, com o avanço da tecnologia, estas marcas passaram a pressionar seus consumidores, e hoje sua reputação deve ser resgatada de forma sutil. A própria


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tecnologia avançada deve ser utilizada como um meio para ganhar seus consumidores de volta.

Tentar despertar o desejo de consumo por seus produtos é uma tarefa da gravadora e os meios tradicionais de propaganda ganharam o desinteresse dos consumidores. Deve-se portanto, aproximar as pessoas dos produtos dando acesso a elas, fazendo com que conheçam o valor físico do álbum e tornando os usuários em fãs do artista ou banda e comprem seus materiais. Os White Stripes, por exemplo, lançaram um álbum inteiro em um pen drive personalizado, isso fez com que seus fãs comprassem o produto por um preço acima da média para ter, além das músicas em alta qualidade, a funcionalidade de um produto personalizado.

As licenças de uso e direito autoral também devem ser repensadas. É preciso deixar claro até onde o consumidor pode utilizar seu produto. A forma mais fácil de resolver este problema é aproveitar a licença Creative Commons, que cada vez mais ganha o conhecimento e admiração do público. Por ser de fácil compreensão, o respeito das pessoas que consomem produtos licenciados pela Creative Commons é maior do que o respeito pelas marcas registradas, que ganharam antipatia do público a medida que polemicas foram criadas entre as gravadoras e seus consumidores.

Existe uma enorme quantidade de redes sociais que artistas e selos podem usar para o público se comprometer, integrar essas redes é importante para firmar os laços com este público de várias formas. Não basta ter um Facebook e um Twiter, por exemplo, sem relacionar uma conta com a outra, pois quando o usuário está se vinculando a um certo perfil, as chances de se vincular ao mesmo perfil em outras contas é maior quando estão claramente expostas e a participação dos usuários com a marca fica mais intensa.

Por fim, saber ouvir o que o consumidor deseja é essencial para definir as ações a serem adotadas, assim como saber responder aos comentários, críticas e sugestões para criar vínculos mais fortes na relação do usuário com a marca e integrar o feedback. O usuário deve se sentir parte destas ações, como se sua opinião contribuísse para o desenvolvimento da marca, seus produtos e suas


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comunicações. O capital monetário flui pelo capital social, e com bastante whuffies qualquer empresa tem seu lucro garantido através da sua boa reputação.


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7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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HAIR JR, Joseph F. et al. Fundamentos de Métodos de Pesquisa em Administração. 1. ed. São Paulo: Bookman, 2003. 475p.

MARKETING COLABORATIVO NAS REDES SOCIAIS  

INDÚSTRIA DA MÚSICA, COMPARTILHAMENTO E WHUFFIES

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