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Tarsila Martim Maia

projeto made in brasil design com conteúdo da cultura popular brasileira

Projeto de pesquisa apresentado ao Curso de Graduação de Design de Moda, da Universidade Estadual de Londrina, como requisito parcial à conclusão do curso. Orientador: Prof. Msª Dorotéia Baduy Pires

Londrina 2010


Tarsila Martim Maia

projeto made in brasil design com conteúdo da cultura popular brasileira

Msª Dorotéia Baduy Pires

Projeto de pesquisa apresentado ao Curso de Graduação de Design de Moda, da Universidade Estadual de Londrina, como requisito parcial à conclusão do curso.

Msª Cleusa Bittencourt Ribas Fornasier

Orientador: Msª Dorotéia Baduy Pires

Prof.ª Thassiana de Almeida Miotto Londrina 2010


“Eu não amava que botassem data na minha existência. A gente usava mais era encher o tempo. Nossa data maior era o quando. O

E aproveitando o quando de Manoel de barros... Adoro quando sou toda minha família unida, se pai e irmã se preocupam e dão força mãe ilumina! E quando tem uma família tem sempre um agregado que firma acampamento na minha tenda, que me estimula, que me salva de quando sou louca...

quando mandava em

E quando aprendo! Ai então, cresço em quem me ensina.

nós. A gente era o que

Professoras, Dorotéia

quisesse ser só usando esse advérbio. Assim, por exemplo: tem hora que eu

Pai, Tidu Irmã, Thomas

sou quando uma árvore e

Nanna

podia apreciar melhor os

Renata

passarinhos. Ou tem hora

Nati

que eu sou quando uma pedra. E sendo uma pedra eu posso conviver com os lagartos e os musgos. Assim: tem hora eu sou quando um rio. E as garças me beijam e me abençoam. Essa era uma teoria que a gente inventava nas tardes.”

Miguel André Chicão Vera Ovídio ... quando sou agradecida


Sumário 1 Definição do problema  11 2 Objetivo geral  12 3 Objetivo específico  12 4 Justificativa  13 5  Introdução  13 6 Fundamentação teórica  14 7 Considerações finais  24 8 Referências   25


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1 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA Atualmente no Brasil existe uma grande diversidade de produtos disponíveis no mercado. Tal fato se deve, sobretudo, pela velocidade em que a informação viaja de um extremo a outro – o que acontece em decorrência da globalização. Entretanto, apesar de sua diversidade, nota-se a carência de produtos com inserção de linguagem de design e cultura brasileira. Pode-se observar por meio de nosso cotidiano a influência das vias midiáticas (televisão, internet, rádio, telefonia, etc.) - em sua maioria de origem estrangeira - como fator de normatização de padrões, estilos e comportamentos. Isso é fortificado pelo fato do Brasil ser um país de colonização, o que lhe trouxe muitas etnias, junto com elas, as populações imigrantes também trouxeram sua influência cultural. Mas o problema não está no fato do Brasil abrigar todas essas etnias diferentes, pois ele não tenta traduzilas, ele as absorve, sua fundação cultural vem do fato de telas agregado com sincretismo, o que não mais ocorre atualmente. Logo, este projeto vem com a proposta de implantação do design com conteúdo de cultura popular brasileira que comuniquem valores materiais, mas principalmente imateriais uma vez que estes são os que mais transmitem a identidade múltipla nacional. Para tanto, faz-se necessário que a linguagem destes produtos seja coerente com uma visão globalizada, para assim, suprir a necessidade de produtos de moda direcionados a um público que busca em sua brasilidade o que se tem, talvez, de mais rico em


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nossa cultura e que vista a mente, o imaterial, atribuindo à música, dança, fiction e a narrativa os veículos de sua identidade nacional.

2 OBJETIVO GERAL Desenvolver uma coleção pautada em conceitos da identidade do design brasileiro, utilizando a multiplicidade da cultura brasileira para enfocar a riqueza do imaterial.

3 OBJETIVO ESPECÍFICO Identificar na construção cultural brasileira, na cultura de design e na economia do entretenimento suas variedades e possibilidades para o desenvolvimento de referências para uma coleção. Analisar as possibilidades de trabalho e materiais que transmitam preceitos da cultura, design e entretenimento identificados, junto com a customização/adaptação da modificação que cada indivíduo cria para seu uso. Criar uma coleção de roupas femininas que transpareçam a cultura popular imaterial brasileira e a multiplicidade do


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design nacional. Assim, diversificar, o guarda roupas feminino possibilitando novos estilos.

4 JUSTIFICATIVA Partindo de uma análise dos produtos disponíveis no mercado, detectou-se a ausência da linguagem proposta, que remete a ideais de brasilidade referente à identidade de nosso design e em sua carga cultural que acaba por ser referente ao teorema do design brasileiro de Dijon de Moraes. O produto proposto deve se comunicar com o usuário transmitindo a idéia do imaterial cultural brasileiro, através de sua estética pela sua fluidez, multiplicidade e pluralidade coerentes com a identidade nacional e as diferentes vertentes culturais existentes em nossa vasta cultura. O Projeto Made in Brazil foi elaborado visando carência, traduzindo em uma coleção de produtos voltados para o segmento do vestuário feminino e que contenham linguagem de design aliado à cultura brasileira.

5  INTRODUÇÃO O atual design brasileiro apresenta características que atraem a atenção global, visto que respectivamente se embasam e buscam por elementos


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cada vez mais fluidos e evolutivos. Desta maneira, o Brasil destaca-se através de elementos iconográficos (“artesanato” – distintos artefatos que historicamente que caracterizam uma produção regional, pontos turísticos históricos, etc.) e estruturais (sociedade, crenças e valores), que traduzem a pluralidade da realidade brasileira. Este projeto traça paralelos com a criação do teorema do design brasileiro como unidade, ao caráter brasileiro de cultura popular que engloba várias influências em uma só linguagem, à realidade sociocultural que a globalização e suas transformações nos colocam em contato. Isto, aliado a quesitos elementares do vestuário como conforto, bem estar e qualidade do produto, contextualiza a criação de uma coleção de produtos de moda, que afirmem a identidade multiétnica brasileira.

6 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 6.1 Hipermodernidade Contextualizando o contemporâneo, Giddens (apud LAGES, BRAGA, MORELLI) (2004, p. 32) nos explica a globalização. A globalização pode assim ser definida como a intensificação das relações sociais em escala mundial que ligam localidades distantes de tal maneira que acontecimentos locais são modelados por eventos ocorrendo à milhas de distância e viceversa. Esse é um processo dialético, porque tais acontecimentos


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locais podem se deslocar em uma direção inversa às relações muito distanciadas que os modelam

Com a volatilidade do tempo, a efemeridade das idéias e valores, o curto ciclo de vida dos produtos – produção, consumo e descarte – e modernas tecnologias de comunicação anulam o espaço através do tempo. Pode-se ver na moda através de Lipovetsky (2009), que suas três faces, burocrático-estética, industrial e democrático-individualista, conseguem manter padrões de até 100 anos atrás como uma instituição regida por profissionais com uma lógica industrial serial, coleções sazonais, desfiles e publicidade, ao mesmo tempo em que, rompem com o privilégio do luxo com o prêt-à-porter colocando novidade, estética e estilo nas ruas. O vestuário chega à era da personalização e criação estética, trazendo uma democratização do individualismo, por exemplo, em uma coleção de produtos de moda vemos sua recriação em um ciclo já previsto pelo criador, com a necessidade de se individualizar, o consumidor usa de maneira diferente, customiza, “deforma” o produto, fugindo da ditadura da moda para afirmar seu próprio estilo. Libertando-se do imperativo da história da moda, abre-se espaço para outros estilos previamente excluídos (como o desleixado ou a diversificação de materiais), reciclando os signos “inferiores” de forma dinâmica e democrática. “Não há mais uma norma única da aparência legítima, os indivíduos têm a possibilidade de optar entre vários modelos estéticos” (LIPOVETSKY, 2009, p. 167)


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A sociedade da expansão das necessidades foca-se no consumo de massa centrado na obsolescência, sedução e diversificação, assim nossa relação com o mundo material passa de funcional para lúdica. Apesar disso e do rápido descarte de produtos o design funcional é a maneira de adaptação à produção industrial moderna, assim como nos diz Lipovetsky (2009, p. 194), “Se a ambição suprema do design é criar objetos úteis adaptados as necessidades essenciais, sua outra ambição é que o produto industrial seja “humano”, devendo-se dar lugar a busca do encanto visual e da beleza plástica.” O período transitório da pós-modernidade deu espaço para nossa atual hipermodernidade, que toma o presente como momento de importância tornando o tempo escasso. Limitar os estragos é a ordem agora, acontece a desmistificação da vida no presente, mas sem aniquilarmos as relações com o passado e futuro, já que nossa atual realidade acaba por se desdobrar a outras além de si mesma. O eixo do presente é dominante, mas não absoluto, a cultura de prevenção, a “ética do futuro” dão nova vida a posteridade, como as idéias de desenvolvimento sustentável e o valor ao histórico e ao comemorativo, transformam tudo em memorável na tentativa de democratização da cultura e lazer, cria uma exaltação histórica com dignidade social. Atualmente, o estilo de vida emergente da globalização evoca uma inflexão ecológica e politicamente correta, oferecendo produtos que transmitam uma política sócio-cultural e natural, trazendo a idéia de “verdadeira raiz da vida”. Por exemplo, o modo de se vestir é indissociável de estilo de vida, trazendo consigo valores e significados. Vestir-se inclui diversos


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fatores sociais, como a proteção do corpo, a adequação a um estilo – nicho – e a modificação da cena social

6.2 O Teorema Design Brasileiro Pelo fato da história do Brasil ter se misturado e confundido, encontramos hoje no design brasileiro uma falta de unidade na identidade cultural, fato esse, que consagra o design local internacionalmente. Assumir que nosso design não possui unicidade é assumir que nenhuma das culturas aqui existentes prevaleceu sobre outra. Plural, híbrido, e sincrético o design da globalização e do Brasil não são frágeis e incertos, apenas se adéquam a modelos estabelecidos pelo mercado internacional. Após décadas de aprendizagem, o design no Brasil começa a não se submeter mais às formulas pré-estabelecidas, tornando-se, assim, mais livre, expressivo e espontâneo, assimilando os variados aspectos de sua diversidade multicultural, assemelhando-se à própria cara do país, assumindo sua identidade plural (MORAES, 2006, p. 261)

Evidencia-se, portanto, que este novo laboratório de características múltiplas vivido pelo Brasil levou o país a caminho de um design plural, híbrido e sincrético, cujo modelo pode ser mesmo comparado aos atuais desafios do design do mundo globalizado (MORAES, 2006, p. 257)


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O teorema do design brasileiro, conforme define Moraes (2006), apresenta a unicidade como seu principal fator de renovação, uma vez que não o possui em teoria. É a partir dessa pluralidade, que podemos hoje conceber uma estética multicultural de sua decodificação, em que se nota a forte presença dos signos híbridos e da energia singular brasileira, visando captar nosso pluralismo (sem se confundir com uma salada cultural dispersa), unindo a harmonia e equilíbrio dos diferentes elementos, como também a racionalidade (herança da modernidade e do tardio implante do design no cenário nacional). Todavia, mas ainda assim, livre de bases lineares, o que apresenta dificuldade para a complexa decodificação das variáveis existentes (carga de informação). O Brasil apresenta uma forma de modelo local como uma espécie de mini-globalização, renovando-se e transformando-se constantemente. Com sua multiculturalidade o país desenvolveu grande tolerância para um equilíbrio na convivência social. Ribeiro apresenta: Estamos nos construindo na luta para florescer amanhã como uma nova civilização, mestiça e tropical, orgulhosa de si mesma. Mais alegre, porque mais sofrida. Melhor, porque incorpora em si mais humanidades. Mais generosa, porque aberta à convivência com todas as raças e todas as culturas e porque assentada na mais bela e luminosa província da Terra (19995, p. 455)

Harmonizado com a globalização e rumo à segunda modernidade, o design brasileiro considera o tríplice aspecto: design, cultura e território, contemplando


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questões ambientais, disponibilidade de produtos no mercado, consumo desenfreado e causa social de minorias. Concluindo o complexo fenômeno de multiculturalismo no território brasileiro, os encontros de raças distintas, tanto por fatos históricos, como por acontecimentos da economia, trouxeram para a práxis do design local, diversos paradoxos, possibilitando um caráter múltiplo, no entanto, sem eliminar os já existentes, revitalizando-os, traçando o percurso do teorema do design brasileiro, que não teve uma unicidade facilmente identificada por causa do “excesso” de cultura e acaba por conferir a si mesmo o grande desfio de harmonizar, estética e estésicamente os bens de uma cultura material múltipla. Sem valores icônicos e estáticos, mas sim fluidos e renováveis, o design local se diferencia com relevante riqueza e potencial competitivo. Produtos culturalmente mestiços do design europeu com a cultura autóctone local, chegam ao ponto de conseguir abandonar a mimese, e se focar em seu próprio multiculturalismo, sem valores estáticos de unicidade tangível e com uma grande energia de renovação, dando um “cheiro” um “tempero” próprio de algo familiar que pareça aconchegante, aumentando assim o vínculo afetivo do usuário com o objeto em questão.

6.3 Cultura Popular Brasileira O brasileiro, desde sua história consiste em um povo novo, isso porque, dotado de traços oriundos de suas raízes, (portugueses, índios, negros e outros) é profundamente mestiço dinamizado por um sincretismo e uma


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individualização perante as demais sociedades, porém velho, como modelo de um proletariado externo, extensão ultramarina européia. As sociedades arcaicas de costumes e culturas ligadas à história se dão mais pelo atraso, que pela resistência, essa marginalidade cria hoje e ainda para um futuro incerto, a preservação do colorido mosaico brasileiro, de diferenças e variações, no costumes e nas paisagens de uma região a outra pela vastidão do território. As dimensões simbólicas representam a formação de identidades individuais e coletivas com especificidades. Mitos, imagens e símbolos se manifestam de modo a representar símbolos geográficos, cristalizando uma identidade territorial de referência e modelo aos atores desta sociedade, a cultura é importante para a adaptação das populações humanas aos diferentes ambientes ecológicos. É na troca de experiências e comunicação social que os indivíduos produzem sua cultura. Os brasileiros se entendem por uma só gente, sem distinção de língua, tradição (apesar de suas variações), mas que sem ilusões, por razões classicistas de nítido colorido racial se pré-conceituam. Tanto índio como negros passaram por processos de aculturamento pela hegemonia européia. Assim, índios se tornaram genéricos à medida que


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não perdiam sua identificação étnica, mas se pareciam cada vez mais com os representantes da sociedade dominante, com quem mantiveram contato. Nossa nação começa com a influência da multiculturalidade, ao analisarmos a ilha Brasil de Jaime Cortesão -1958 em uma análise de Ribeiro, pode-se identificar aspectos que exemplificam os povos tupis, abundantes na região costeira e amazônica na época do descobrimento, ainda não nação, pois não se sabiam tantos e nem tão dominantes, falavam uma língua de mesmo tronco, mas ao crescerem se bipartiam e com o passar do tempo logo eram tão diferentes que não se reconheciam. Processo de expansão por diferenciação. Já os negros, passam a colorir a diversidade cultural, com os gostos, fisionomia, cadências e ritmos, muito apegados, continuam até hoje ligado as suas crenças religiosas, a música e a culinária. É a partir desses precários sentimentos que o negro urbano veio a ser o que há de mais virtuoso na cultura popular brasileira, ele acaba por ser o componente mais brasileiro de nosso povo, já que desafricanizado, rejeita seu povo e é rejeitado pelo dominador branco, e não sendo oriundo daqui como o índio ou “dono”, como o europeu, só pode encontrar sua identidade, como brasileiro, sem lutar por uma supremacia autônoma étnica, se unindo intrinsecamente. Uma cultura feita de retalhos de que o africano guardara no peito nos longos anos de escravidão, como sentimentos musicais, ritmos, sabores e religiosidade. A partir dessas precárias bases, o negro urbano veio a ser o que há de mais vigoroso e belo na cultura popular brasileira. (RIBEIRO, 1995, p. 222)


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Com base nisso é que se estruturam a capoeira, o carnaval, o culto a Iemanjá e inúmeras manifestações brasileiras. Assim, junto com o índio ele é aquele que mais singulariza nosso povo, latinos tardios, morenos desprovidos de um elo forte, somente com resquícios de uma tradição ancestral. Os contingentes de imigrantes europeus misturam-se a nossa cultura à medida que, ao chegarem aqui, como mão de obra, nossa sociedade já se encontra maciça e pronta para absorver o que lhes couber ao invés de se transmutar para novos formatos, assim o europeu recém chegado adere a nossa nação. A confluência de tantas matrizes formadoras desta nação fez com que os signos de sua ancestralidade fossem guardados em seu espírito e fisionomia, ao mesmo tempo sem criar o sentido de minorias raciais disputando autonomia e sendo leais etnicamente. Nas regiões urbanas, em que, as raras ocasiões que a sociedade se agrupa são por uma festividade, como o carnaval, rituais de candomblé, cultos cristãos ou paixões esportivas, reforçando a idéia de civilização das festas, como ressalta Branzi (apud MORAES, p. 12), que atribui “à música, à dança, a fiction, e à narrativa, os veículos de sua identidade. Uma identidade não estável, mas fluida, contaminada, provisória e fugente.” É necessário atenção ao separar cultura popular, indústria cultural e cultua alternativa.


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...esse processo se agrava, movido em nossos dias pela força prodigiosa da indústria cultural que, através do rádio, do cinema, da televisão e de inúmeros outros meios de comunicação cultural, ameaça tornar ainda mais obsoleta a cultura brasileira tradicional para nos impor a massa de bens culturais e respectivas condutas que dominam o mundo inteiro. Nós que sempre fomos criativos nas artes populares e de tudo que estivesse ao alcance do povo-massa, nos vemos hoje mais ameaçados do que nunca de perder essa criatividade em benefício de uma universalização de qualidade duvidosa. (Ribeiro, 1995, p. 263)

Nas vias de homogeneização da globalização é fundamental a criatividade para não perder a cultura popular brasileira, transformada em arcaica, que vai se convertendo em novos moldes, por exemplo, o culto a Iemanjá, (primeira santa depois da mitologia grega que atua sexualmente), tem seu culto transferido para o dia 31 de dezembro para aumentar sua mística e por influência dos negros do Rio de Janeiro. Concluindo essa convergência de matrizes culturais tanto de origem iconográfica que encontra nos artefatos arcaicos existentes até hoje por tradição e monumentos agora apenas turísticos, mas de carga histórica cultural (por exemplo, o pelourinho) juntamente com o estrutural, nossa formação social de tratamento e transferência de valores se destaca a idéia do Brasil ser a civilização das festas, e de ter essa característica reconhecida tanto pelos brasileiros quanto pela comunidade internacional. Logo, seu maior atrativo não pode ser medido, pesado ou guardado, se encontra em estado imaterial, através da oratória, música, dança festa e até


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mesmo pela personalidade do brasileiro (humorado, criativo, provisório, adaptável, etc.).

7 Considerações Finais Nesses moldes, a moda brasileira passa a nos apresentar o brazilian lifestyle com suas cores, sabores, energia e pluralidade, proporcionando também uma nova maneira de consumir, que vende a identidade brasileira, com sua cultura e nuances, como um diferencial. No momento atual de maturação da moda, ocorrem certas transformações, como o deslocamento da idéia de moda, de templo de consumo à cultura e arte, como uma estrutura coletiva, é uma forma de temporalidade (presente) e de uma sociabilidade. As tradições se transformam em forma de individualismo: deliberadamente, eu me torno adepto de tal costume, mais por jogo e desejo, do que por respeito aos ancestrais. A fé foi substituída pela paixão, os discursos sistemáticos pelo sentido, o extremismo pela descontração, trazendo certamente um indivíduo com maiores singularidades subjetivas. A agilidade e deslocamento constante junto com o comportamento e as tecnologias, que caracterizam o contemporâneo, proporcionam ao corpo uma flexibilidade nas experiências expostas a este, que também possibilita a criação


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de novos produtos/artefatos, de maneira que todo objeto possua cultura e representação, e assim ambos se modificam paulatinamente. É também nessas transformações ideais da cultura fast que um universo criativo, contemporâneo, de inúmeras etapas e fazeres, se perde, quando o produto do vestuário é aclamado pronto, dando ao usuário sua própria leitura e função, para transferência de suas idéias e assim conseguem recriar um traje com carga projetual para uma interpretação pessoal. “Nesse sentido podemos dizer que nos vestimos pensando, construindo e articulando a aparência, na forma que seremos vistos pelo outro e programamos certo discurso, que se adapte ou não a determinado grupo, mas que sentencie nossos desejos.” (Castilho e Vicentini apud Castilho, p. 133)

8 REFERÊNCIAS CASTILHO, Kátia; OLIVEIRA, Ana Claudia de (org.). Corpo e moda: por uma compreensão do contemporâneo. Barueri, SP: Estação das Letras e Cores Editora, 2008.

LAGES, Vinicius; BRAGA, Christiano; MORELLI, Gustavo (org.).Territórios em movimento: cultura e identidade como estratégia de inserção competitiva. Rio de Janeiro: Relume Dumará / Brasília, DF: SEBRAE, 2004.


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LIPOVETSKY, Gilles. O império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

LIPOVETSKY, Gilles.Os tempos hipermodernos. São Paulo: Editora Barcelona, 2004.

MORAES, Dijon de. Análise do design brasileiro: entre mimese e mestiçagem. São Paulo: Edgard Blücher, 2006.

PIRES, Dorotéia Baduy (org.). Design de moda: olhares diversos. Barueri, SP: Estação das Letras e Cores, 2008.

RIBEIRO, Darcy. O Povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.


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Problemática

Público Álvo

Este projeto tem como objetivo o desenvolvimento de produtos de moda para o público feminino, que busca expor seus vínculos com a cultura brasileira, e assim desenvolver produtos de moda que comuniquem valores materiais, principalemente imateriais da cultura popular brasileira e coerente com a identidade do design brasileiro

¤¤sexo feminino;

Conceito ¤¤fluido (trabalhado através dos materiais) ¤¤múltiplo (trabalhado através de técnicas e materiais)

Formas

¤¤entre 20 e 40 anos; ¤¤inserida no contexto popular brasileiro, no conhecimento ou por prática sem extenuar essas características; ¤¤globalizada e conectada com as mudanças instantâneas dessa nova realidade; ¤¤realista e consciente de suas ações perante as suas crenças; ¤¤gosta de misturar referências com a harmonização de contrastes primando pela moda, arte, cultura e meio ambiente; ¤¤possui vida social e profissional agitada; ¤¤sofisticada e despojada; ¤¤classe média alta;

Funções Estético-Simbólicas Funções Práticas ¤¤reafirmar no produto de moda o conceito de design brasileiro. ¤¤coleção primavera/verão.

Modelagens ousadas e fluidas, possibilitando a ¨customização¨ da modificação que cada indivíduo cria para seu uso, utilizando também a diferenciação de materiais e da maneira que estes são trabalhados e beneficiados. O produto deve acima de tudo transmitir brasilidadde pela sua leveza, multiplicidade e fluidez.


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PSS - Produto Sistema Serviço

Criação do Clube da Seda, onde os clientes se tornam participantes a partir do momento em que adquirem produtos provenientes da seda, no caso deste trabalho, matéria essa com maior carga de responsabilidade social e ambiental. A partir de então, o cliente ganha acesso a uma página na web onde pode interagir com outros ¨sócios do clube¨, receber noticias e novidades sobre sustentabilidade, descontos, promoções de eventos ligados ao conceito da marca e do clube e brindes feitos com o refugo desse material, além de descontos. Para uma maior interação com o clube toda peça na loja teria um tag especial cada um com um tipo diferente de informação, charada, brinde, um tipo distinto de ¨catch¨ que traria acesso à uma nova área do site.

Painel Semântico Referências Alegria

Festa

Identidades variáveis

Provisório

Sons


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TABELA DE CORES


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MATERIAIS


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Coleção Croquis e desenhos técnicos


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Ref: 001

Composição 1 | Vestido Roda de Samba


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Ref: 002

Composição 2 | Macacão de Iemanjá


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Ref: 003 Ref: 004

Composição 3 | Blusa Chuva de Verão


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Ref: 005 Ref: 006 Ref: 007

Composição 4 | Blusa Gambiarra de Fios, Blusa Forró, Short Turbante de Sede


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Ref: 008

Composição 5 | Vestido faces


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Ref: 009 Ref: 010

Composição 6 | Blusa Serpentina, Calça Ladeira


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Ref: 011 Ref: 012

Composição 7 | Blusa Dunas, Sala Criôla


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Ref: 013 Ref: 014

Composição 8 | Blusa Bossa, Saia Tenda de Praia


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Ref: 015 Ref: 016

Composição 9 | Blusa Mar do Atlântico, Saia Corcovado


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Ref: 017

Composição 10 | Vestido Abre-Alas


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Coleção Made In Brazil Feminino

Ficha técnica

Tamanho 38 Composição 02 Modelo: Macacão Iemanja

Data 04/09/2010 Ref: 002


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Coleção Made In Brazil Feminino

Ficha técnica

Tamanho 38 Composição 03 Modelo: Chuva de Verão

Data 04/09/2010 Ref: 003


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Coleção Made In Brazil Feminino

Ficha técnica

Tamanho 38 Composição 03 Modelo: Turbante de Seda

Data 04/09/2010 Ref: 004


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Coleção Made In Brazil Feminino

Tamanho 38 Modelo: Faces

Ficha técnica Composição 05

Data 04/09/2010 Ref: 008


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Coleção Made In Brazil Feminino

Tamanho 38 Modelo: Dunas

Ficha técnica Composição 07

Data 04/09/2010 Ref: 011


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Coleção Made In Brazil Feminino

Tamanho 38 Modelo: Criôla

Ficha técnica Composição 07

Data 04/09/2010 Ref: 012


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Coleção Made In Brazil Feminino

Ficha técnica

Tamanho 38 Composição 10 Modelo: Vestido Abre Alas

Data 04/09/2010 Ref: 017



Projeto Made in Brasil