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PERSPECTIVA

Sumário # 15 | Novembro 2008

Reportagem 4 Latitude do Olhar – Rota da Seda: O Casulo da Globalização

12 Os novos Sistemas de Ensino

Web 2.0: Plataformas de e-Learning vistas à lupa

Opinião 10 Isabel do Carmo Quem é quem no Cooperativismo 38 Adega cooperativa de excelência 39 Única cooperativa que trabalha só kiwi Regiões 44 Torres Vedras: “Crescer de forma equilibrada e sustentada” 46 Arena: O Shopping do Oeste 48 Matosinhos: “Coração económico da Área Metropolitana

do Porto”

6 Perspectiva Mulher 6 Moda

Lisboa | Estoril: Inovação e requinte nas passarelles 7 Vermelho Imbatível

Cidades Mais 50 Guimarães: Cidade agradável para viver 52 Miranda do Douro: Património Cultural e Paisagístico Portugal Sem Barreiras 56 Um dia em Lisboa 58 A Acessibilidade em Portugal 60 Tecnologias para a Inclusão Viticultura e Turismo 54 Casa do Cadaval: Herdade Secular do Ribatejo

42 Programa “Mais Centro” Alfredo Marques, gestor do Programa, aponta as grandes linhas de acção: competitividade e sustentabilidade ambiental, aliadas à qualificação dos recursos humanos.

32 Formação: Como vencer o desafio da competitividade? 34 Novas Oportunidades: “Saber Ser S@ntiago Maior” 36 UMinho celebra Dia Europeu das Línguas 40 Bricolage e Jardim: Inovação e Diversidade 56 Ambiente: Avaliação Ambiental Estratégica em debate 62 Seguros de Saúde: Uma escolha informada 64 Células Estaminais: Um “seguro de vida” biológico 66 Ao Vivo

Propriedade. Escala de Ideias – Edições e Publicações, Lda - R. D. João I, 109, RC - 4450-164 Matosinhos NIF 507 996 429 Tel. 229 399 120 Fax. 229 399 128 Site. www.escaladeideias.pt E-mail. geral@escaladeideias.pt Directora-Geral. Alice Sousa - asousa@revistaperspectiva.info Director Editorial. Pedro Laranjeira - pedro@laranjeira.com Redacção. Alexandra Carvalho Vieira - avieira@revistaperspectiva.info Colaboraram neste número. Ana Mendes, Luís António Patraquim, Diana Lima, Pedro Mota, Rosa Silva Opinião. Isabel do Carmo, Joaquim Jorge, Ten. Cor. Brandão Ferreira Director de Marketing e Projectos Especiais. Luís Ribeiro - lribeiro@revistaperspectiva.info Design e Produção Gráfica. Teresa Bento tbento@revistaperspectiva.info Banco de Imagens. StockXpert, SXC Webmaster. Pedro Abreu - webmaster@revistaperspectiva.info Edição. Alexandra Carvalho Vieira Contactos. Redacção 229 399 120 - redaccao@revistaperspectiva.info Departamento Comercial. 229 399 120 - publicidade@revistaperspectiva.info Tiragem. 70 000 exemplares Periodicidade. Mensal Distribuição. Gratuita, com o jornal “Público” Impressão. Multiponto Depósito Legal. 257120/07 Internet. www.revistaperspectiva.info Interdita a reprodução, mesmo parcial, de textos, fotografias ou ilustrações sob quaisquer meios, e para quaisquer fins, inclusive comerciais.

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REPORTAGEM

A Latitude do Olhar

Rota da Seda – O Casulo da Globalização Abri o baú de madeira, soprando o pó que se havia acumulado sobre o tampo, mas foi um agradável odor a cânfora que se exalou da arca aberta. Texto: Pedro Mota Desdobrei o meu velho casaco de cabedal, apesar de estar crivado de remendos e reforços nas zonas mais gastas estava todo ele muito puído e lustroso do uso. Parecia que o mundo inteiro lhe tinha passado por cima…o que não andava longe da verdade! Não pude conter um sorriso ao experimentá-lo…sabia que a próxima vez que o fosse pendurar, seria para além da linha do horizonte. A areia range debaixo das botas, está muito frio. Uma luz esquálida, submarina, ensombra de forma crepuscular as dunas dispersas. Lá muito ao sul, apoiando-se já na linha do horizonte, um Sol pálido ilumina a vastidão do deserto de Gobi com uma luz desmaiada. A arcana trilha da Rota da Seda desenrola-se sob os meus pés. A Rota da Seda não consiste num único traçado. É antes uma rede, com muitas bifurcações e entroncamentos. Esta teia foi durante muito tempo o maior eixo comercial e cultural de todo o mundo, o elo de ligação entre a Ásia, a Europa e a África. O seu longo itinerário trazia mercado4

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rias das mais díspares zonas do globo, escoando os seus produtos para serem traficados em longínquas paragens onde o exotismo dos bens lhes conferia elevado preço e excelente valor acrescentado para os mercadores. Estes, para lucrarem com tal benefício, expunham-se aos riscos de uma extenuante empresa, fossem perigosos salteadores de estrada, intempéries dantescas ou inclementes desertos.

Uma das componentes mais perigosas era o trajecto de ligação à China, pois era necessário atravessar o temível deserto de Taklamakan, um pavoroso mar de areia de dunas móveis e instáveis onde terão perecido não poucos viajantes desafortunados. Os produtos que fluíam através da imensa rede mercantil eram, em geral, leves no peso e de avultado valor intrínseco. Além da seda que lhe deu a


REPORTAGEM

vida, viajavam nos fardos especiarias, diamantes e outras pedras preciosas, pérolas e coral, óleos essenciais, tapetes, vidro e cavalos, entre outros bens. Para além de toda esta diversidade de produtos, algo que se acomodava bem entre as mercadorias tangíveis eram as ideias, que céleres viajavam pelo mundo, transformando-o. Assim, chegaram ao Ocidente a imprensa, a pólvora, o papel-moeda, o astrolábio e a bússola. Difundiram-se também através da rota religiões como o budismo, o islamismo, o zoroastrismo, chegando mesmo a haver uma mescla de culturas, como é o caso da fusão da estética da estatuária helénica com o budismo, bem patente na cultura do vale de Gandhara. Estou no imenso deserto de Gobi, na Mongólia Exterior, e sou convidado para entrar na iurte (ger) de nómadas mongóis da etnia Khalk. Está tudo ritualizado, mas sei exactamente o que devo fazer: o chefe do clã apresenta-me uma tigela com um líquido branco, aceito com um sorriso, pois sei o que é. Sabia que me ofereceriam airaq, tal como a Marco Polo ao ser recebido por Kublai Khan; sabia que era leite de égua fermentado, ligeiramente alcoólico, como se fora vinho de leite; sabia que eram as boasvindas àquele clã e que iria usufruir da magnífica hospitalidade mongol. Partimos ao amanhecer, de vez em quando um dos cavalos relincha e o

som fica por um momento a retinir pela imensidão da estepe. A estirada vai ser longa, para passar o tempo o meu amigo mongol canta numa bela voz de baixo. Estou entorpecido, meio hipnotizado pelo passo cadenciado do cavalo. Surgem-me visões do passado, imagens de antigas viagens como se fora em sonho. O cavalo dá uma topada numa pedra e por um instante volto à realidade tangível das estepes da Mongólia Exterior, mas num instante regressa o torpor e voltam as imagens de outras viagens como se estivesse em transe. Materializa-se na bruma do meu espírito a China Uighur, com a sua poeirenta e pardacenta Kashgar, depois é Urumqui atravancada de camiões de longo curso que flúem como navios, singrando a fita negra da auto-estrada do deserto. Num ápice, aparece a visão desfocada dos lagos de altitude da Quirquízia e das suas belas aldeias de pastores nómadas. Viemos parar a Samarcanda, uma das mais misteriosas e emblemáticas cidades na encruzilhada da Rota da Seda. Samarcanda é uma cidade mágica para onde confluem vários filamentos desse colossal canal de mercadorias e ideias. Transpira história e é a urbe por excelência; há milénios que a cidade se reconstrói sobre si própria, em camadas, como num corte geoló-

gico, mas da história das cidades. Uma noiva levanta o véu pela primeira vez após o casamento, está vestida de atlass, a tradicional seda artesanal da Ásia Central. Também o véu que toldava a minha consciência se evola voltando à tangível realidade da infindável cavalgada através da incomensurável estepe mongol.

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PERSPECTIVA MULHER Moda Lisboa|Estoril

As principais tendências de Moda para o Verão 2009 foram apresentadas entre os dias 9 e 12 de Outubro, na Moda Lisboa|Estoril. Sob o tema “Reflashion” foram muitos os criadores portugueses que, de uma forma inovadora, apresentaram as suas mais recentes colecções. Reflexão sobre a moda, sobre a imagem, sobre as novas tendências. Foi este o mote lançado pela organização da Moda Lisboa e acolhido pelos estilistas. A abertura coube a Miguel Vieira que deliciou os presentes, como já é habitual, com o glamour que lhe é característico. Entre dourados e transparências com alusão ao glamour de uma aventura luxuosa, este estilista inspirou-se no tema “Uma viagem de amigos” e escolheu Nayma para ser a rainha do seu desfile. A segunda colecção foi a de Alexandra Moura que se baseou na obra 6

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do artista alemão Wolf Vostell, uma inspiração nos absurdos da vida quotidiana, no caos do mundo. Lidija Kolovrat orientou a sua colecção para o público masculino. Brincando com as cores preto e branco, a estilista inspirou-se em padrões com escaravelhos e abelhas. José Manuel Gonçalves e Manuel Alves encerraram o primeiro dia de desfiles, mas apenas para alguns convidados. De uma forma reservada, estes dois estilistas apresentaram modelos marcadamente femininos, com cores frias mas imponentes e vestidos de silhueta eclética. O segundo dia ficou marcado pela apresentação arrojada de Ana Salazar. A estilista portuguesa inspirou-se no “Cavalo de Tróia”, com vários manequins masculinos puxando uma estrutura coberta de papel, a qual de seguida foi rasgada pelas manequins femininas ao ritmo da música. Sob o tema “Black is not”, a criadora pôs de lado o habitual preto e apresentou a colecção com cores inesperadas, numa miscelânea entre o rosa, laranja e verde ácido. Durante este segundo dia foram apresentadas diferentes e ousadas propostas, desde as colecções de Pedro Pedro que apostou em linhas simples e silhuetas clássicas, a Dino Alves que se centrou numa mescla de transparências, exibindo uma excentricidade

» José António Tenente

» Ana Salazar

» Cia Marítima

Inovação e requinte nas

que já lhe é característica. A célebre marca de biquínis Cia Marítima apresentou a sua colecção de biquínis em estampados que fazem uma releitura do estilo psicadélico dos anos 60 e 70, mas com uma imagem totalmente renovada e actual. No terceiro dia, a maratona de moda na Cidadela de Cascais começou mais cedo com as propostas de José António Tenente, que trouxe às passerelles texturas em silhuetas fluídas, numa paleta de gesso e mármore, onde preponderaram o branco cru e os cinzentos delicados. Bárbara Guimarães foi a musa deste desfile, envergando um sensual vestido em tons verdes, numa combinação muito elegante. Outros desfiles se seguiram nas mãos dos criadores Ricardo Preto, que se inspirou no mediterrâneo, nas paisagens quentes e secas, reflectindo tudo isto em formas tranquilas e frescas, nas cores preto, branco, azuis, verdes e cremes. A Aforest - Design apresentou um estilo inovador, denominado “Combo”, inspirado no comércio tradicional, seguindo-se da White Tent que usou como ponto de partida as camuflagens jogando com transparências. Katty Xiomara trouxe ao público o mundo dos mimos, optando por cores teatrais ligadas à linguagem mímica, com o preto, o branco e o cinzento, às quais juntou verdes e azuis. Nuno


PERSPECTIVA MULHER

Oliveira da Serra marca presença na Moda Lisboa

Baltazar, inspirou-se na personagem kit do filme “The Sheltering Sky”, para contar uma história nostálgica à qual chamou Travellers. Uma viagem ao deserto africano, onde o desespero, a procura e o reencontro foram os temas fortes, em cores como o branco, o cinzento e sépia que contrastavam com as tonalidades prata e bronze. O dia encerrou com Luís Buchinho que sugeriu várias formas répteis como lagartos e camaleões, que transformou em peças como saias/bermudas, vestidos/calças, entre outros de cortes irregulares. No quarto e derradeiro dia da Moda Lisboa, Aleksandar Protich foi o primeiro a apresentar a sua colecção Verão 2009, com peças baseadas na imagem e personalidade de Nico, cantora dos anos 60/70. As peças exaltavam as formas femininas, em tecidos leves e um pouco transparentes. Já Nuno Gama apresentou uma das mais calorosas colecções, com o continente africano como inspiração, onde mais de meia centena de manequins serviram de montra. Isaac Alfaiate abriu a passerelle com uma das muitas propostas baseadas na vida cosmopolita e nas grandes metrópoles africanas do final dos anos 60. Seguiu-se o desfile de Lara Torres, que se realizou sem recursos musicais, apresentando uma proposta crua e firme. As suas peças de vestuá-

» Lidija Kolovrat

» Ricardo Preto

» Miguel Vieira

passerelles

rio experimental assumem-se como verdadeiras esculturas, em que o corpo é confinado ao vestuário, através de vários fragmentos e detalhes. Ricardo Dourado, foi muito singular e feminino, já Pedro Mourão recrutou vários dos manequins que fizeram carreira na série “Morangos com Açúcar” para apresentar uma reciclagem de “peças e ideias”. Vingou a ideia de cores neutras envolvidas em toques de escuros e tons fortes. Filipe Faísca encerrou o evento apresentando uma geométrica delineada, em que o círculo foi a forma mãe. Apresentando peças de mousseline de seda, em tons pretos, cinzas, bege e branco, deliciou o público feminino através dos seus vestidos e pormenores. Luzes e câmaras não faltaram nestes dias, onde a beleza e a forma foram enaltecidos ao mais alto nível. À semelhança das edições anteriores, inúmeras caras conhecidas marcaram presença neste evento que juntou moda, glamour e “beautiful people”. A Moda Lisboa|Estoril é uma montra da moda portuguesa perante toda a indústria nacional e estrangeira. É um evento marcante que permite que alguns dos melhores criadores portugueses apresentem o que de melhor se faz a nível nacional em termos de moda.“Made in Portugal” é o lema de todo este espectáculo.

De entre as várias organizações que quiseram associar a sua marca a este evento, destacamos a presença do Grupo Sovena através da marca Oliveira da Serra. À primeira vista pode parecer uma associação estranha – moda e azeite -, mas Duarte Roquette, sénior brand manager da marca Oliveira da Serra, esclarece: “a moda tem mostrado que os clássicos podem ser reinventados e tornados intemporais. É isso que temos feito com Oliveira da Serra, há dois anos demos aos nossos azeites uma nova roupagem, com um novo packaging mais cosmopolita, contemporâneo e elegante e agora lançámos a nova tampa Pop-Up”. É desta forma que Duarte Roquette justifica a presença neste evento de moda e destaca aquele que irá ser o ícone de design industrial da marca, acrescentando que “o Pop-Up vai revolucionar a forma de manusear o azeite, tal como a moda revoluciona sistematicamente a forma como olhamos para nós próprios. É um gadget genial, tal como o fecho eclair ou o velcro são para a roupa. Este paralelismo com a moda foi o que nos levou a escolher a Moda Lisboa e a nos associar ao criador de moda Ricardo Preto, ao designer Miguel Vieira Baptista e ao Chef Vitor Sobral para lançar esta novidade. As reacções foram excelentes e estamos muito contentes com a iniciativa.”

» Ricardo Preto, Miguel Vieira Baptista, Vítor Sobral e Duarte Roquette

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PERSPECTIVA MULHER

Beleza na Moda Lisboa/Estoril

Vermelho Imbatível! Impossível de ignorar, o bâton vermelho revelou-se o ponto forte nas passereles de mais uma edição da Moda Lisboa, cujos visuais podem ser reproduzidos também fora delas com a maquilhagem L’Oréal Paris. 8

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PERSPECTIVA MULHER

Rosto perfeito e natural Para iluminar e sublimar o rosto, aplicar True Match Minerals, o pó mineral com cobertura fond de teint que garante uma cobertura tão eficaz e homogénea como a de um fond-deteint, mas muito mais leve, graças às virtudes da sua fórmula rica em minerais, ingredientes 100% naturais e bem tolerados pela pele. O pincel aplicador especial espalha uniformemente o pó, depositando progressivamente estes pigmentos minerais para obter um acabamento muito natural.

» Alexandra Moura

A última edição da Moda Lisboa/Estoril sagrou-se mais uma vez pela renovação e reconstrução dos conceitos de Moda e Beleza. A passerelle foi o palco onde a Moda se transcendeu graças à fusão do trabalho de estilistas, cabeleireiros e maquilhadores, que reinventaram o conceito de glamour. Na maquilhagem, os looks criados por Antónia Rosa, make up artist L’Oréal Paris para a Moda Lisboa, exibiram o lado teatral que existe em cada mulher, com a força, a energia e o impacto do vermelho como tendência para a próxima estação. Desta feita com a assinatura de Infaillible, o novo bâton duo-compacto não-transfere 16h.

Sugestão para um resultado ‘bonne mine’ Aplicar toques muito leves do blush Minerals para realçar levemente as maçãs do rosto e obter o famoso ar ‘bonne mine’ ou ar saudável.

» Katty Xiomara

A estrela do look: os lábios vibrantes Nos lábios, a cor imbatível de Infaillible 501 Invincible Red, a cor escolhida também por Milla Jovovich, embaixadora L’Oréal Paris. Num primeiro passo, aplique a cor. Deixe secar um minuto e a cor fica selada. No segundo passo, aplique o bálsamo hidratante, o conforto total para os lábios. Reaplique este bálsamo ao longo do dia, sempre que quiser.

» Alexandra Moura

Olhar subtil Alongue e defina as pestanas uma a uma, mesmo as mais pequenas, com a máscara Telescopic Clean Definition. Esta máscara irá distribuir uniformemente a cor mantendo a elegância e sem tirar protagonismo aos lábios.

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PERSPECTIVA

OPINIÃO

A bolsa ou a vida Desde há alguns anos surgiu uma nova espécie literária, que é o romance policial político e social em que, a par da trama conduzida com os ingredientes q.b. para não conseguirmos largar o livro, passa-se informação política, que nos ajuda a perceber os ambientes. É o caso dum romance em três grossos volumes, que tem feito moda em outros países europeus e que espero venha a ser traduzido em português – - o “Millénium”. Foi escrito por um jornalista sueco, Stieg Larsson. Este homem, que morreu em 2004, quando tinha acabado de entregar o original dos três volumes na tipografia, especializara-se em ensaios sobre economia, fizera reportagens de guerra em África e era chefe de redacção da revista sueca Expo, observatório de manifestações comuns do fascismo. Neste livro há um super-herói, um jornalista e uma super-heroína, que é hacker, completamente fantástica e inverosímil. Mas a realidade política e social retratada é não só verosímil, como referida com os nomes reais de políticos e outros personagens. Reporta-se aos anos 80 e os crimes já prescreveram. No final fica a perceber-se que organização matou Olof Palme. Mas interessa agora mostrar que em relação à crise financeira o livro é premonitório, como o foram organizações anti-neoliberalismo. No final do primeiro volume o jornalista herói responde a uma entrevista na televisão de uma forma que é pedagógica. Este jornalista, o herói, tinha demonstrado na sua revista, o Millénium, um jogo financeiro altamente fraudulento, que fez escândalo na Suécia. Puseram-lhe então uma pergunta sobre a responsabilidade do Millénium no naufrágio da economia sueca ao qual se assistia nesse momento. - “Afirmar que a economia da Suécia está a sofrer um naufrágio é falta de senso”, responde o jornalista. 10

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A colega da televisão fica perplexa e comenta: “vivemos neste momento o maior desmembramento individual da história bolsista sueca – e você pretende que é falta de senso?” E o jornalista explica pedagogicamente: “É necessário distinguir duas coisas: a economia sueca e o mercado bolsista sueco. A economia sueca é a soma de todas as mercadorias e de todos os serviços que são produzidos neste país em cada dia. Trata-se dos telefones Ericsson, dos carros Volvo, dos frangos Scan e dos transportes que vão de Kiruna a Skövde. Aí está a economia sueca e está tão poderosa ou tão fraca hoje como o era há uma semana”. E continua: “A Bolsa é outra coisa. Não há nenhuma economia e nenhuma produção de mercadorias ou serviços. Só há fantasmas em que de hora a hora se decide que agora tal ou tal empresa vale alguns milhões a mais ou a menos. Isso não tem absolutamente nada a ver com a realidade, nem com a economia sueca”. Pergunta-lhe a jornalista da televisão se não tem nenhuma importância que a Bolsa esteja em queda livre. “Não, não tem a mínima importância. Isso só significa que um certo número de grandes especuladores estão actualmente a transferir as suas carteiras bolsistas das empresas suecas para as empresas alemãs. São as hienas que um repórter com um pouco de tomates deveria identificar e pôr no “cadafalso” como traidores à pátria. São eles que sistematicamente e porfiadamente minam a

» Isabel do Carmo

economia sueca para satisfazer os interesses dos seus clientes". Em seguida a jornalista pergunta-lhe se os media não têm responsabilidade. Responde o jornalista–herói: “Sim, os media têm particularmente uma enorme responsabilidade. Durante vinte anos, um grande número de jornalistas de Economia não se debruçaram sobre este caso. Pelo contrário, contribuíram para construir o seu prestígio através de retratos insensatos de idolatria. Se tivessem cumprido o seu papel correctamente durante todos estes anos, não nos encontraríamos hoje nesta situação”. Vinte anos depois deste caso sueco, as hienas não se limitam a transferências entre a Suécia e a Alemanha. A globalização permite às hienas correr mundo em segundos.

E a chamada “economia real” já passou a ser afectada pelo dinheiro fantasma. Pelo caminho fizeram-se fortunas fabulosas. E pereceram os fracos do sistema – os que pagam a crédito e os que vão perder emprego. Os que estão na vida. Talvez se possa imaginar um filme de desenhos animados em que jornalistas de Economia, comentadores de economia “bem pensantes” e “hienas” passem num filme bobinado ao contrário e engulam todas as palavras que disseram.


OS NOVOS SISTEMAS DE ENSINO E A WEB 2.0

“Estar na rede é estar ligado ao futuro” O ensino está a mudar assente em ferramentas que potenciam a sociedade de conhecimento. Actualmente, mais de 87% da comunidade académica portuguesa tem acesso à rede sem fios e-U. O número de entidades que ministram os cursos com base em plataformas de ensino a distância também aumentou significativamente. Texto: Alexandra Carvalho Vieira Pedro Veiga, presidente da FCCN, considera esta viragem do país positiva porque “o facto dos nossos jovens estudantes e investigadores estarem sempre imersos no mundo digital irá contribuir para formar a geração que pode ajudar a aproximar Portugal das economias e sociedades que lideram a nível internacional e dá a oportunidade de aumentar a competitividade de Portugal”. Portugal, através das iniciativas promovidas pela FCCN, está a vencer o atraso científico e tecnológico do país, imprimindo um novo impulso à inovação empresarial?

A resposta directa a esta pergunta é não. Por outro lado, a FCCN tem vindo, ao longo dos anos, a promover um conjunto de actividades que consistem na disponibilização ao nosso sistema de investigação e de ensino superior de tecnologias muito avançadas na área da Internet que permitem formar uma nova geração de jovens portugueses que dominam as novas tecnologias da sociedade da informação, novos modos de trabalhar e de fazer investigação que são fundamentais para a modernização da sociedade portuguesa e que podem ser, esperamos, instrumentais para um Portugal mais inovador e mais empreendedor. Qual a finalidade da plataforma de comunicação e colaboração entre as instituições do sistema de ensino, ciência, tecnologia e cultura?

A RCTS – Rede Ciência Tecnologia e Sociedade – é uma rede de Internet muito rápida sobre a qual funcionam uma série de serviços: redes sem fios omnipresentes, acesso a revistas científicas, serviços académicos, conteúdos educativos, acessos a bases de dados científicas, serviços VoIP, videoconferência de alta-definição, etc. que interligam o sistema científico e de ensino superior às outras instituições congéneres a nível mundial. Com estas facilidades os novos modos de trabalho colaborativo, mais eficientes, abrangen12

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tes e com transparência geográfica e temporal criam comunidades virtuais que são uma das chaves para uma rápida transição para a sociedade da informação e do conhecimento. Mais do que uma plataforma nacional é também internacional. Qual a importância?

Num país geograficamente periférico, a capacidade de ter comunicação eficiente à escala global permite estar em contacto eficiente com os centros de conhecimento, laboratórios de investigação, ter acesso às bases de conhecimento que são imprescindíveis para nos colocar perto de outros países e recursos avançados. O Ensino Superior está a mudar. Hoje, mais de 87% da comunidade académica portuguesa tem acesso à rede sem fios e-U. Esta realidade traduz-se numa maior competitividade do país?

Sim, sem dúvida que o facto dos nossos jovens estudantes e investigadores estarem sempre imersos no mundo digital irá contribuir para formar a geração que pode ajudar a aproximar Portugal das economias e sociedades que lideram a nível internacional e dá a oportunidade de aumentar a competitividade de Portugal se soubermos vencer os desafios e oportunidades da globalização. Estar na rede é estar ligado ao futuro. Actualmente, quais são as grandes prioridades da FCCN a curto prazo?

Estamos a melhorar a rede, através de um aumento da largura de banda de acesso das instituições à RCTS – em breve vamos ter as maiores instituições ligadas a 10 Gbps – e disponibilizando mais serviços avançados que contribuam para aumentar a capacidade de colaboração sobre a rede quer em termos de novas aplicações quer em termos de novos conteúdos educativos e científicos acessíveis globalmente.


OS NOVOS SISTEMAS DE ENSINO E A WEB 2.0

Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC)

“Massificação é crucial” O acesso ao conhecimento pode ser a chave do sucesso para o desenvolvimento sustentável na economia global. Partindo deste e de outros pressupostos o Governo tem incentivado a massificação do uso de computadores e da Internet de banda larga através do Plano Tecnológico. Conversámos com António Bob Santos, assessor do Coordenador Nacional da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico. Texto: Alexandra Carvalho Vieira

De que forma as TIC são um auxiliar importante ao serviço da aprendizagem e do aumento de competências?

A massificação das TIC é crucial para a aquisição e actualização de competências numa sociedade baseada no conhecimento. Permite e facilita o acesso ao conhecimento, a qualquer hora e em qualquer lugar, estimulando os processos de aprendizagem de forma contínua. São um auxiliar precioso no aumento de competências nos mais jovens, tendo as escolas aqui um papel fundamental. Foi neste sentido que foram lançadas iniciativas como o e-escolas e e-escolinhas, programas ambiciosos que visam disponibilizar computadores portáteis com banda larga móvel a preços reduzidos a alunos, professores e pessoas em formação, ou o Plano Tecnológico da Educação, que está em plena fase de implementação, representando um investimento de 400 Milhões de Euros até 2010. A aposta passa por usar as TIC para tornar a escola em Portugal num espaço de aprendizagem moderno e atractivo, alinhado com as melhores práticas à escala global. A utilização das TIC é também crucial para o aumento das competências na Administração Pública e nas empresas em geral. Aliás, actualmente as TIC estão presentes tanto a nível privado como público.

O aprofundamento da sociedade da informação, a generalização da utilização da Internet de banda larga e a promoção de uma sociedade da informação inclusiva são algumas das prioridades do Plano Tecnológico, nomeadamente através de iniciativas como o Ligar Portugal, o e-escolas ou o Plano Tecnológico para a Educação (PTE). Estas iniciativas têm também um impacto ao nível das empresas, já que estimulam a criação de conteúdos digitais e o desenvolvimento de sotfware adequado às necessidades dos diferentes públicos alvo. Por exemplo, as iniciativas e-escolas e e-escolinhas permitiram o desenvolvimento e a incorporação de software educativo por parte de empresas nacionais, incluindo software em open source. O mesmo acontece no âmbito do PTE, onde estão a ser criadas Academias TIC envolvendo as principais empresas tecnológicas em Portugal. Aliás, para o PTE, foram estabelecidas metas bastante ambiciosas para 2010: atingir o rácio de dois alunos por computador, aumentar progressivamente a velocidade de acesso das escolas à Internet para 48

Mbps (esta meta deverá ser atingida já em 2008) ou assegurar que 90% dos professores têm as suas competências em TIC certificadas. Ao nível da Administração Pública, a generalização da Banda Larga e o esforço de simplificação administrativa no âmbito do SIMPLEX permitiu também progressos significativos na disponibilização de serviços públicos pela Internet aos cidadãos e às empresas, registando-se subidas de Portugal no Ranking de Sofisticação da Disponibilização Online de Serviços Públicos (de 11º para 4º na UE27) e no Ranking de Disponibilização Completa Online de Serviços Públicos (de 10º para 3º na UE27). Os dados mais recentes confirmam a tendência de generalização da utilização das TIC e da Internet de Banda Larga pela população em geral. Quais os novos desafios que agora se colocam?

A utilização das TIC facilita uma actualização constante das nossas competências. Um dos desafios que se coloca é disponibilizar aos cidadãos e às empresas serviços públicos cada vez mais evoluídos de forma acessível, para que possam beneficiar um conjunto mais vasto de pessoas. A Internet pode desempenhar um papel importante ao nível da aproximação dos cidadãos às instituições públicas, estimulando a participação cívica e a exigência de serviços públicos mais eficientes, bem como pode facilitar a ligação entre os governantes e os seus eleitores, fortalecendo as democracias. A crescente disponibilidade e sofisticação destes serviços promovem também a sua utilização por parte dos cidadãos e empresas. Por exemplo, em Portugal, pela primeira vez este 2007, o número de declarações fiscais electrónicas ultrapassou as que foram entregues em papel. Significa isto que cerca de 3 milhões de pessoas utilizaram a Internet no seu relacionamento com a AP ao nível fiscal, o que também demonstra a confiança e maturidade dos portugueses na utilização das tecnologias e serviços públicos online. No entanto, a utilização destes serviços depende também do acesso das pessoas à Internet, quer seja no trabalho, em casa, na rua, etc.. Por isso estamos também a fazer um esforço significativo visando a massificação da utilização de computadores e da Internet de banda larga, na aquisição de competências básicas em TIC pela população e na criação de redes de comunicações de nova geração.

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PLATAFORMAS DE ENSINO WEB 2.0

Nova Aprendizagem nas Lojas do Cidadão Os constantes desafios da prestação de um serviço público mais moderno e próximo do Cidadão, fizeram surgir uma nova geração das Lojas do Cidadão baseada num novo modelo de distribuição de serviços públicos. Este pressupõe uma reorganização da informação e serviços em torno das necessidades do cidadão e pela promoção da transversalidade de serviços. Por Carina Américo, coordenadora da Iniciativa Nova Aprendizagem, Agência para a Modernização Administrativa, IP.

Por todos estes desafios, aos funcionários das Lojas do Cidadão é exigido um atendimento de qualidade e um serviço ao cidadão de excelência a que a Agência para a Modernização Administrativa está especialmente atenta, tendo iniciado no presente ano uma Iniciativa denominada Nova Aprendizagem que pretende oferecer a todos os funcionários, não só a oportunidade para consolidarem os seus conhecimentos e desenvolverem as suas competências mas também para colaborarem activamente na criação de serviços mais integrados e personalizados. Esta iniciativa, baseada em metodologias inovadoras de participação e aprendizagem, encontrou no b-Learning (metodologia de formação mista) um aliado importante na oferta de soluções personalizadas e convidativas à aprendizagem autónoma e colaborativa, capazes de oferecer aos profissionais experiências muito significativas de desenvolvimento de competências e de autoavaliação, com grande flexibilidade espacial e temporal. Deste modo, a Agência está também a concretizar o seu objectivo de uniformizar serviços de excelência em todas as Lojas e Postos de Atendimento, para oferecer um atendimento mais profissional, mais simpático e mais próximo dos cidadãos.

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Os profissionais têm, assim, a oportunidade de encontrar orientações sobre a cultura e objectivos das Lojas do Cidadão; aprender com os próprios colegas, beneficiando da experiência de cada um; reflectir com a Equipa de Tutoria que os acompanha 24h/dia; e ainda de validar os seus conhecimentos através de materiais pedagógicos interactivos integralmente inspirados em casos reais das Lojas do Cidadão. A Iniciativa Nova Aprendizagem contou, no seu arranque, com o apoio das seguintes quatro instituições: FDTI, Vodafone, PT Inovação e Novabase, às quais, numa segunda fase do Projecto, se juntou também o ISQ e-Learning. A Agência de Modernização Administrativa vai continuar a apostar na Nova Aprendizagem e em modelos de inovação que promovam a cada vez maior aproximação dos serviços ao cidadão, podendo os mesmos modelos estenderem-se a toda a Administração Pública.


PLATAFORMAS DE ENSINO WEB 2.0 CEGOC eLearning:

Nova oferta Blended em 6 línguas A Cegoc pertence ao grupo Cegos, criado em 1926 e actualmente o líder da formação profissional na Europa. Para estender esta liderança à área da formação Blended, o grupo lançou este ano a primeira e única solução blended de classe internacional. Esta oferta é construída com as melhores práticas internacionais e pode ser adaptada às necessidades locais de cada cliente. Cada programa Blended reúne: - 4 a 7 módulos eLearning, disponíveis durante um ano num LMS – Learning Management System, que permite às empresas gerir a formação dos seus colaboradores através da Internet; - 1 a 3 dias de formação presencial para treino de competências e partilha de experiências. A solução Global Learning by Cegos® Os programas Global Learning by Cegos® são soluções “chave-na-mão” que permitem às empresas optimizar o seu investimento em formação.

Por Patrícia Santos, eLearning Manager da Cegoc

EFICÁCIA Global significa: - Uma alternância formativa para garantir maior eficácia pedagógica: - eLearning: conceitos e ideias-chave disponíveis durante um ano - Presencial: onde se privilegia o treino e troca de experiências - Uma documentação completa: manual do formando, bloco de notas, caderno de actividades, plano de acção individual, pocket-card, chave USB - Um LMS que permite aceder e gerir todas as sessões de formação Um percurso de avaliação do formando em diferentes momentos - Certificação de todos os consultores intervenientes no processo formativo FLEXIBILIDADE Global significa: Um dispositivo adaptável e modulável em função das necessidades da sua empresa, oferecendo-lhe: - A possibilidade de variar a ordem das sequências do presencial e/ou de integrar sequências pedagógicas ou módulos eLearning disponíveis na sua empresa; - A possibilidade de contextualizar os casos e documentos em função do seu mercado e de harmonizar os conteúdos com o vocabulário e conceitos usados na sua empresa; - A capacidade para desenvolver projectos de formação em 6 línguas;

PERFORMANCE Global significa: - Uma equipa de consultores internacionais, que reuniu as melhores práticas de cada domínio; - Uma organização visual e esquemática dos conceitos chave para ajudar à compreensão e memorização; - Cada programa disponível em 6 línguas em 27 países.

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ECONOMIA Global significa: - Uma solução tarifária “chave-na-mão”: o preço do serviço inclui formação online, animação da acção e documentação disponível em 6 idiomas; - Uma optimização do tempo da formação presencial centrada no treino de situações e troca de experiências com o grupo e com o formador.


PLATAFORMAS DE ENSINO WEB 2.0 As novidades dos módulos eLearning

Esta solução eLearning integra um conjunto de características que visam criar um ambiente de aprendizagem mais estimulante e eficaz: Características

Vantagens

Módulos construídos com um LCMS (Learning Content Management Facilitar a adaptação local, a personalização dos conteúdos ou do aspecto gráfico dos módulos. System) Módulos SCORM

Permitir o tracking da formação: os formandos sabem o que já fizeram e o que falta concluír. Facilitar a integração dos módulos em diferentes plataformas de eLearning.

1 Módulo = 1 Objectivo

Combinar módulos e criar percursos formativos personalizados e adaptados às necessidades individuais.

Módulos curtos (cerca de 30 min.) organizados por sequências de 5 a 10 min.

Facilitar a realização dos módulos ao longo de um dia de trabalho.

Integração de vídeos e áudio

Criar um ambiente de aprendizagem mais interactivo e motivante.

Ferramentas de nota electrónica

Possibilitar ao formando tomar notas directamente no módulo que serão depois impressas em conjunto com a síntese.

Acesso a documentos adicionais

Aceder a documentos que permitem o aprofundamento de temas.

Legendas sincronizadas

Permitir a realização do módulo a pessoas que não podem ouvir a componente áudio.

Mudança automática de língua

Ver o mesmo módulo na língua da sua preferência.

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PLATAFORMAS DE ENSINO WEB 2.0 Qualificações académicas dos militares

Respeito pelo ritmo de aprendizagem de cada aluno O Centro Naval de Ensino a Distância (CNED) tem como missão desenvolver, conduzir ou coordenar a execução de cursos destinados à elevação ou complemento das habilitações académicas nomeadamente dos militares dos três Ramos das Forças Armadas, sendo para isso dotado de autonomia pedagógica. Por Comandante António Almeida de Moura, director do CNED

Iniciou a sua actividade em 1997, estruturado com base no modelo do ensino secundário recorrente adaptado a um sistema de ensino-aprendizagem a distância, em particular no que concerne à metodologia, produção de conteúdos e avaliação, e à organização de suporte administrativo e logístico. Os cursos disponibilizados – Cursos de Ciências e Tecnologias, Ciências Socio-Económicas, Ciências Sociais e Humanas e Tecnológico de Administração – seguem a estrutura curricular definida para os mesmos cursos de ensino recorrente do Sistema de Ensino Nacional. Na sua operacionalização, o CNED centra a sua actividade didáctica-pedagógica no aluno, assumindo que a distância física que separa os actores principais do sistema de ensino-aprendizagem (o professor e o aluno) é uma variável cuja importância e peso diminui conforme a qualidade e intensidade do diálogo que ambos possam estabelecer, diálogo sustentado por uma estrutura onde sobressaem instrumentos como manuais e outros materiais didácticos adequados ao ensino a distância (produzidos no CNED), as novas tecnologias de comunicação e informação (web, messenger, e.mail, internet) e tecnologias “clássicas” (correio, telefone). Após cerca de onze anos de actividade, o CNED teve mais de 2600 alunos a nível secundário, os quais completaram com sucesso mais de 11500 Unidades Capitalizá-

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veis ou Módulos Capitalizáveis. Hoje, o actual número de alunos é de cerca de 600, espalhados por todas as unidades militares do país, por unidades navais em missão e por forças destacadas no estrangeiro (no Afeganistão, p. ex.) O CNED é, também, um Centro de Formação de Professores acreditado pelo Conselho Científico-Pedagógico de Formação Contínua de Professores, tendo desenvolvido e operacionalizado cerca de 40 cursos (envolvendo áreas como Metodologia de Investigação em Ciências de Educação, Avaliação, Educação de Adultos, Teoria da Aprendizagem Mediatização da Formação, Ensino a Distância, Gestão de Formação, Tutória), frequentadas por mais de 1800 formandos. Sendo política da Marinha a “potenciação dos recursos humanos”, desde 2003 que funciona adstrito ao CNED um Centro de Novas Oportunidades. A actividade deste Centro visa: - A valorização do passado de cada indivíduo, no que respeita aos saberes e competências adquiridos; - O desenvolvimento, no presente, dos saberes e das competências que constituam, para cada individuo, a sua melhor opção de vida; - A identificação de perspectivas de futuro para cada indivíduo, numa constante procura de mais elevados níveis de qualidade de vida, através da aquisição de novos saberes e competências adequados aos seus interesses e motivações. Neste momento no CNO do CNED, encontram-se nas diversas faces de desenvolvimento do processo após Acolhimento, a nível Básico cerca 170 candidatos, e a nível secundário cerca de 760 candidatos (civis ou militares). Tendo presente o “know how” detido pelo CNED; considerando que muitos dos candidatos ao reconhecimento de competências necessitam de formação complementar em algumas áreas do Conhecimento; e que, nesse número, a maioria estão empregados; o CNED e o CNO vêm desenvolvendo um estudo visando o desenho e a operacionalização de acções de formação modulares utilizado a metodologia do ensino a distância. É um projecto que esperamos poder concretizar durante o 1º semestre do próximo ano.


PLATAFORMAS DE ENSINO WEB 2.0 Formação Presencial a Distância

Um paradoxo inovador A Distance Learning Consulting (DLC) e um dos seus parceiros, a Associação para o Ensino e Formação (INETESE), construíram em conjunto 18 cursos de Mediação de Seguros na modalidade de Formação Presencial a Distância (eLearning), homologados pelo Instituto de Seguros de Portugal (ISP) e acreditados pelo DGERT. Por António Augusto Fernandes, administrador da DLC Estes 18 cursos permitem ao cliente um ROI superior a 500% e um Observatório de Qualidade visionado pelo próprio ISP, onde 90% dos formandos declaram que preferem os cursos gerados pelo modelo pedagógico SAFEM-D e pela Plataforma NetForma, do que qualquer outro curso ou modelo em que já tenham participado, em virtude destes apresentarem métodos e técnicas de aprendizagem que propiciam elevada motivação e enorme atractividade, bem como uma eficácia nunca antes experimentada noutras acções de formação. Actualmente, a DLC desenvolve uma investigação longitudinal (2000 a 2008), única em todo o mundo, onde demonstrará através do estudo dos resultados da avaliação de uns largos milhares de formandos e alunos, em áreas tão diversas como a medicina, industria farmacêutica, enfermagem, seguros, banca, informática, função pública, universidades, sindicatos e associações patronais, cientificas, etc., que o seu modelo pedagógico tem uma elevada eficácia. Este modelo baseado em didácticas de ponta, as quais recorrem à Avaliação Programada, aos Estilos de Aprendizagem, à Inteligência Emocional, à Tutoria técnica e pedagógica, ao vídeo, à música, à voz, às imagens animadas e às simulações, em suma, ao Multimédia, propicia uma conjugação inovadora de meios, geradores de resultados substancialmente superiores aos outros modelos. É o que indicam os dados preliminares desta pesquisa. Relativamente aos cursos de Seguros, a nossa concorrência afirmou no Jornal Expresso do dia 13/09/08 que já certificou 15.761 mediadores, o que é falso, basta confirmar a veracidade desta informação no ISP. Ao invés, a DLC e a INETESE garantem um acesso permanente e on-line do seu Observatório de Qualidade, que é um instrumento fiável e rigoroso. Deste modo, os seus clientes podem constatar e aferir diariamente a excelência dos nossos cursos, bem como controlar a acção dos seus formandos, sabendo se eles estão a estudar, que notas atingiram na Avaliação Contínua, qual é o seu comportamento hora a hora e dia a dia nos cursos. Em resumo, como a formação profissional é um investimento, este deverá ser controlado milimetricamente. No que concerne ao futuro privilegiamos as parcerias, pois estas têm demonstrado possuir elevado valor acrescentado. A INETESE é uma instituição de utilidade-pública, que forma recursos humanos para o Sector Financeiro desde 1990 e detém, actualmente, a maior escola pro-

fissional do País, para além de possuir a dupla certificação para as áreas da Banca e dos Seguros.Devido a esta credenciação, promove formação presencial e a distância para todos os níveis e faixas etárias. A DLC especializada em eLearning e bLearning é líder no Sector da Saúde embora possua cursos on-line em todas as áreas do saber. Em parceria com a INETESE lidera qualitativamente a área dos Seguros, segundo os nossos clientes, que reconhecem a excelência dos nossos 18 Cursos de Mediação frequentados por 1321 formandos, comparativamente aos da concorrência.. A DLC possui um Modelo Pedagógico próprio e concebeu uma Plataforma de eLearning (LMS),produto com características únicas, já utilizado em Espanha e no Brasil.Em breve, será a primeira à escala mundial a entrar no âmbito da Web 2.0 e 3.0, assumindo o nome de NetForma Da Vinci Web 2.0 - 3.0, onde abandonará definitivamente a tecnologia Windows e adoptará o ambiente Multimédia.


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Excelência na formação As ferramentas da Harvard Business Publishing ao alcance da sua organização. Por Herculano Rebordão e Luís Isidro Guarita, Grupo I.Zone

O Grupo I.Zone, através das suas empresas EduWeb, Geração de Futuro e GlobalChange, lançou em Portugal conteúdos de formação online da Harvard Business Publishing. Estes conteúdos foram elaborados em estreita colaboração com professores e especialistas da Harvard Business School e trazem para o nosso país os mais avançados conteúdos de formação na área da gestão e da liderança. No actual mundo dos negócios e num ambiente de cada vez maior competição global, os líderes necessitam de conciliar, por um lado, a actualização permanente das suas competências e saberes, por forma a acompanharem as mais relevantes mudanças no seu ambiente de negócios, e por outro, a escassez de tempo com que são confrontados no seu diaa-dia. É a pensar nesta realidade que o grupo I.Zone trouxe para nosso país os mais avançados conteúdos de formação para os líderes e gestores do futuro. As CEO Lessons disponibilizam, em várias formatos, as

experiências de executivos e gestores de algumas das maiores empresas do mundo, que através de breves testemunhos analisam as mais actuais problemáticas da gestão. Tendo presente a necessidade de permitir uma enorme facilidade de acesso a estas ferramentas, o programa CEO Lessons possibilita todo o tipo de portabilidade, do computador ao IPOD, PDA, Smartphone, telemóvel e TV, possibilitando uma facilidade de acesso aos conteúdos única que garante, em vídeos de curta duração, o melhor da gestão global. Refira-se ainda que anualmente há uma actualização com novas lições e temas. O Harvard ManageMentor® tem por base a experiência da Universidade de Harvard no desenvolvimento de competências empresariais, este programa de formação conta com a colaboração dos maiores especialistas mundiais na áreas da gestão e liderança e conta com a participação de executivos de empresas de sucesso em todo o mundo. Este programa de formação permite que o utilizador aceda exactamente ao conhecimento de que carece, no momento em que dele necessita e quantas vezes quiser. As suas ferramentas de trabalho possibilitam ao utilizador preparar, planear e executar funções de gestão críticas tais como: avaliar o desempenho, estabelecer metas, gerir projectos, preparar um plano de negócio e muito mais.

O Harvard ManageMentor® tem actualmente 42 temas de gestão num único programa de formação. Com a disponibilização destes produtos no mercado português, o grupo I.Zone pretende posicionar-se junto das organizações portuguesas como um parceiro que as pode ajudar a construir as vantagens competitivas de que estas carecem para se consolidar e crescer sustentadamente. Presente em Portugal, no Brasil e nos restantes países de língua oficial portuguesa, o grupo I.Zone, tem procurado, através da estreita colaboração que tem mantido com os seus clientes e parceiros, desenvolver e introduzir nestes mercados ferramentas de formação e desenvolvimento de competências que, pela sua qualidade e inovação, garantem a implementação de soluções alinhadas com as estratégias de desenvolvimento das organizações, potenciando assim o seu sucesso. As ferramentas da Harvard Business Publishing que agora chegam ao mercado português são, por isso, uma nova possibilidade para que estes objectivos se concretizem. Esperamos que possam ajudar a sua empresa, também! 20

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PLATAFORMAS DE ENSINO WEB 2.0 Energias Educativas:

eLearning prepara Escolas Interactivas A ENDU – Energias Educativas – arquitectou um novo conceito de apoio às escolas, às empresas e a todas instituições com actividade no sector da educação e da formação, que parte do eLearning para alavancar um paradigma de ensino actual (sem descurar o ensino especial), com o qual os jovens se possam identificar: ancorado no trabalho colaborativo, na interactividade e na autonomia. Por Evandro Morgado, director-geral da ENDU – Energias Educativas

A equipa de investigação da ENDU promove o levantamento e a investigação não só dos meios técnicos e tecnológicos ao serviço da educação, como identifica e traça as linhas de orientação pedagógica para a sua aplicação em cada cenário. Partindo de uma diagnose inicial, são identificadas as necessidades técnicas, tecnológicas, pedagógicas e formativas que cada cliente evidencia. A partir daí, é traçado um plano de intervenção, a médio ou longo prazo, que optimize os quatros níveis: técnico, tecnológico, pedagógico e formativo. Uma experiência concreta e feliz tem sido cada plano traçado para cada uma das instituições de educação e formação que procuram imprimir colaboração e interactividade às suas salas de aula. Como nem todos os formadores e professores se sentem ainda confortáveis com as TIC, com o ensino a distância, é possível nivelar estas competências ao ritmo de cada elemento e em tempo útil. Dado este passo, é possível equipar as salas com elementos que promovam a interactividade e a cooperação: mesas educativas e-Blocks, quadros interactivos, visualizadores de documentos, sistemas que automatizam o feedback das aprendizagens, portais colaborativos, conteúdos interactivos, entre muitos outros componentes. Neste momento, a ENDU aposta numa formação contínua em regime de bLearning que acompanha e garante, ao longo de um, dois, ou mais anos (de acordo com o projecto estabelecido), o processo de integração destas ferramentas na actividade diária do Professor e do Formador. Este esforço é optimizado com seminários periódicos dinamizados por especialistas convidados. Os conteúdos apresentados pela ENDU – Energias Educativas –, nas sessões de ensino a distância, primam pela interactividade (assente num sistema multimodal) que as ferramentas disponibilizadas na sala de aula também podem proporcionar: eis um dos elos entre o nosso trabalho em eLearning e o ensino presencial. Atendendo a que a Educação não é uma área cristalizada, a ENDU proporciona que mestrandos e doutorandos desenvolvam os seus trabalhos, no sentido de estudar e desenvolver as soluções que apresenta. Assim, actualmente, está a ser preparada a estrutura que proporcionará um estudo minucioso sobre os resultados das mesas educativas e-Blocks nas apren-

dizagens e nas relações interpessoais dos alunos do Ensino Pré-Escolar e do Primeiro Ciclo do Ensino Básico, em geral, e do Ensino Especial, em particular. Lembro que esta ferramenta de trabalho está a revolucionar o paradigma de ensino, com resultados muito interessantes, mesmo nos discentes com necessidades educativas especiais. Atentos ao que de melhor se vai desenvolvendo no mundo, continuaremos a procurar responder aos desafios de hoje, com soluções de futuro que se reflectem num produto moldado à medida de cada solicitação.


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Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Abrantes

A aposta nas TIC A Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Abrantes (EPDRA), localizada em Mouriscas, foi pioneira no ensino profissional agrícola em Portugal, tendo iniciado a sua actividade no ano lectivo 1989/90 com o curso Técnico de Gestão Agrícola. Por Simão Manuel Lopes Pita, vice-presidente do Conselho Executivo da Escola Profissional de Abrantes Inserindo-se numa matriz de formação para o mundo rural, ao longo da sua existência, a EPDRA concebeu alguns curricula e tem ministrado diversos cursos. Actualmente, a sua oferta formativa é composta por cursos profissionais (Técnico de Gestão Equina, Técnico de Produção Agrária, Técnico de Recursos Florestais e Ambientais, Técnico de Turismo Ambiental e Rural e Animador Sociocultural), um curso de educação e formação (Operador Agrícola) e irá iniciar em breve diversas formações modulares. A EPDRA, ao longo dos últimos anos, reconhecendo o elevado potencial das TIC no desenvolvimento da aprendizagem e da formação, tem implementado diversas ferramentas tecnológicas, começando pela criação da sua página Web.

Com o aparecimento de novas aplicações e recursos que deram mais interactividade à Web, apareceu o termo Web 2.0. De forma a facilitar e aumentar o interesse, por parte dos alunos, pelo estudo implementou-se um sistema vulgarmente conhecido por E-learning. Das mais variadas plataformas, optou-se por uma que fosse “opensource”, robusta e relativamente conhecida por todos. A opção recaiu pela plataforma Moodle. Esta plata-

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forma tem vindo a generalizar-se da mesma pelo sistema educativo nacional, pela facilidade de utilização e pela panóplia de recursos de gestão e ensino que oferece. Com este tipo de plataforma, consegue-se uma interacção muito maior por parte dos intervenientes principais do sistema educativo – Alunos e Professores. Denota-se assim uma melhoria do interesse pelo estudo, por parte dos alunos, já que este não é visto como uma tarefa monótona, mas sim dinâmica, como um jogo. Além do benefício principal, que é a melhoria da qualidade de ensino, este tipo de plataforma aumenta a ligação entre os pais e a escola, já que poderão acompanhar a vida académica do seu educando a partir de casa. Números da EPDRA Comunidade educativa: 180 alunos; 30 docentes; 28 não docentes. Empregabilidade 6 meses após final do curso: - T. Gestão Equina – 85% trabalham no sector; 8% no ensino superior; - T. Produção Agrária – 80% trabalham no sector; 17% no ensino superior; - T. Turismo Ambiental e Rural – 50% trabalham na área do curso; 31% Trabalham noutras áreas; 15% no ensino superior.


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Inovação em Formação

Factor-chave para atingir a excelência Os recentes desenvolvimentos tecnológicos transformam metodologias inovadoras, como o eLearning, em instrumentos estratégicos para uma formação ao longo da vida e para a criação de valor nas organizações. Por Arnaldo Santos, da Formare

Vivemos num mundo diferente, um mundo globalizado, competitivo, assente em modelos sustentados de negócio onde o “Capital Intelectual” se afirma como uma das principais vantagens competitivas numa organização. O ser humano tende a adaptar-se a esta nova forma de viver, sustentado pela designada “Economia do Conhecimento”, sendo necessário dar lugar a uma mudança de mentalidades, onde o acesso e a partilha do saber em comunidade representam elementos chave em contextos de “Learning Organization”. Os recentes desenvolvimentos operacionais e tecnológicos transformam metodologias inovadoras, como o eLearning e o bLearning, em instrumentos estratégicos para uma formação e educação ao longo da vida e para a criação de valor nas organizações. Do ponto de vista tecnológico, a evolução e a convergência, especialmente o desenvolvimento da Banda Larga (fixa e móvel), estão a fazer eclodir novos serviços, novas plataformas, novas tecnologias e novas formas de as utilizar para fins educacionais, prevendo-se um desenvolvimento acentuado ao nível da personalização de ambientes de eLearning, da adequação aos contextos de aprendizagem, da gestão do conhecimento, dos Objectos de Aprendizagem (Learning Objects), da Mobilidade, da Inteligência Computacional e da Integração com as ferramentas disponíveis na Web 2.0 (por exemplo o Second Life). Estas ferramentas e tecnologias (blogs, wikis, flickr, second life, ajax, soap, foaf, rss), devidamente integradas, pedagogicamente orientadas e especificamente seleccionadas, abrem novos caminhos para a educação e formação, pois

transformam os tradicionais processos de formação em elementos de partilha e difusão de conhecimento. Existem em Portugal vários sistemas tecnológicos que garantem o suporte e a gestão adequada a cada contexto, como por exemplo, as Soluções Formare da PT Inovação. Esta tecnologia nacional é hoje utilizada por mais de 210.000 utilizadores distribuídos mundialmente, como o Grupo PT, o Banco de Portugal, TAP, Ordem dos Advogados, VIVO, DEDIC, CTT ou AMA. Hoje, já é possível passar de uma sala virtual 2D para uma sala virtual 3D em ambiente simulado com interessantes potencialidades de comunicação e interacção entre Avatares que partilham saberes e conhecimento. A título de exemplo, a PT Inovação, a Universidade de Aveiro (UA) e a Universidade de Traz os Montes e Alto Douro (UTAD) estão a desenvolver projectos que simulam e integram sistemas de gestão de aprendizagem (LMS) com ambientes simulados em contexto Second Life, e permitem traçar roteiros de formação em comunidades de aprendizagem distribuídas. A adaptação da formação para o designado “Rapid Learning” possibilita o acesso rápido a Learning Objects, e possibilita a milhares de formandos, em simultâneo, o acesso a conteúdos multimédia preparados para auto-formação, com uma racionalização de recursos e custos assinalável. Este modelo formativo é suportado por uma estratégia pedagógica e comunicacional, fortemente orientada à Usabilidade, ao Instructional Design e aos princípios do HCI (Human Computer Interaction) aplicada à concepção e desenvolvimento dos conteúdos formativos. Assiste-se, portanto, ao nascimento de um novo paradigma da educação e da formação, suportado por tecnologia inovadora, pedagogicamente orientada ao desenvolvimento das pessoas e à criação de valor para as organizações.


PLATAFORMAS DE ENSINO WEB 2.0

Web 2.0:

Muito mais que um salto tecnológico Surgida em 2004, a Web 2.0 assume-se como uma plataforma de desenvolvimento aplicacional e um espaço que facilita a colaboração entre as pessoas, sendo, cada vez mais, implementada nas estratégias de negócio das empresas. Por Francisco Calado, business development manager IBM Portugal

O trio informação, interacção e participação que a Web 2.0 proporciona determina assim novos ritmos e outro impacto nos mercados e nas organizações, quando comparado com a primeira geração de serviços da Internet. Por isso, a adopção da filosofia da Web 2.0 é crucial para nos mantermos competitivos e não “perdermos o comboio” desta nova geração tecnológica. A rapidez na forma como se processam estas mudanças demonstra que esta noção deixou de ser uma preocupação do futuro mas sim do presente! Estamos, deste modo, perante uma criação de conhecimento e uma revolução nas cadeias de valor que transcendem já a base tecnológica que as tornou realidade, justificando todos os investimentos feitos em tecnologia e modernização. Enquanto que as tendências de mercado vão e vêm, o sucesso resume-se cada vez mais a uma palavra: inovação. Não é para nós novidade esta necessidade de nos anteciparmos ao crescimento. Todos os líderes, das mais diversas indústrias, têm noção do quão importante é seguir por este caminho. A informação, à escala global, optimiza a eficiência

A oportunidade de nos conectarmos a especialistas e a possibilidade de mais rapidamente encontrarmos as informações que procuramos, acelera e desenvolve os nossos modelos empresariais.

e criatividade, sendo o Power of Participation um conceito por nós cada vez mais interiorizado, revelado em wikis, blogs, profiles, comunidades, entre outras aplicações. A IBM, enquanto líder em produtos Web 2.0, tem auxiliado as empresas a tirarem o maior partido desta nova estratégia de negócio. Com este conceito, que ultrapassa a tradicional noção de Internet, criam-se novos mercados, reduzem-se barreiras de competitividade, reforçam-se as comunicações, dá-se mais impacto à informação e alcançam-se aplicações mais flexíveis e efectivas ao nível de custos. Esta abordagem, que tanto potencia a informação, facilita em muito o aproveitamento dos talentos que temos “em casa”, combinando-os com as mais seguras fontes de informação. Quanto mais cedo as empresas aderirem à Web 2.0, maior será a oportunidade de conseguirem uma distância vantajosa no que respeita à concorrência.


PLATAFORMAS DE ENSINO WEB 2.0

As Tecnologias no Instituto Politécnico de Santarém A Web 2.0, B2C, B2B e E-Learning são a via do futuro ou um nicho de oportunidades para os “iluminados”? Como podem as Instituições, nomeadamente as instituições de Ensino Superior, tirar vantagem destas tecnologias e dos novos modos de operar que as mesmas possibilitam? Por Lurdes Asseiro, professora coordenadora e presidente do Instituto Politécnico de Santarém

Como refere o autor Tim O`Reilly “Web 2.0 é a mudança para uma internet como plataforma e um entendimento das regras para obter sucesso nesta nova plataforma. Entre outras, a regra mais importante é a de desenvolver aplicações que aproveitem os efeitos de rede.” Vivemos já numa sociedade que permite o acesso acelerado ou mesmo momentâneo ao conhecimento/informação e no entanto as organizações sociais são ainda “pesadas”. Persiste algum desfasamento entre o tempo histórico em que nos movemos e as tecnologias e os processos de comunicação que criam e desenvolvem e que representam a inovação. É indiscutível que os fluxos de informação que navegam pelas redes e os nós que compõem a geografia do espaço internet tornaram a comunicação flexível e quase instantânea. Aqui, no Instituto Politécnico de Santarém, o futuro vive-se com sistemas de ensino abertos e a distância inovadores, o que implica a construção de espaços diversificados de comunicar. Desenvolveram-se alguns projectos que se situam no âmbito da utilização e construção de espaços fluídos de aprendizagem a distância. O projecto FLUIDS_ ID – com a divulgação da metáfora do puzzle que tem como base a criação de um e-portefólio para a inclusão social e empregabilidade (baseado na teoria de Davil Kolb e adaptado por Maria Barbas num estudo de pós-doutoramento). http://fluidsid.ese.ipsantarem.pt. Também o espaço SLESES_Mundos virtuais na ESE http://slurl.com/secondlife/SLESES/125/159/25 apresenta zonas diversificadas, de acordo com as necessidades de um campus virtual. Foi construída uma galerie, que servirá para acolher exposições, lançamento de livros, etc.; um auditorium, para debates e palestras; um Knowledge room, para aulas e com local de projecção de conteúdos multimédia; um e-café para os momentos de descontracção; uma Infozone, que dará a conhecer todas as novidades e iniciativas e ainda um helpdesk, espaço destinado a orientar os visitantes na ilha. As principais vantagens da Web 2.0 associadas ao E-Learning prendem-se com as potencialidades geradas pela comunicação instantânea; pelo acesso global; possibilidade de personalização de conteúdos e pela colaboração directa e permanente. No IPS é o que procuramos fazer. Os principais desafios prendem-se com o factor de resis-

tência à mudança; com a eventual necessidade de redesenhar as organizações e os modelos de ensino; dificuldade em combinar a tecnologia com as necessidades de ensino/aprendizagem e a manutenção da motivação ou fidelização do utilizador.


PLATAFORMAS DE ENSINO WEB 2.0 B-learning

Agente de inovação educativa no ISCAP A evolução na qualidade e diversidade da oferta educativa constitui um desafio para qualquer instituição de ensino superior. Por Manuel Moreira da Silva, PAOL

O Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto (ISCAP) promove, em resposta a este desafio, o uso de novas práticas e tecnologias educativas, de modo de diversificar as oportunidades e a fomentar a inovação pedagógica e a flexibilização temporal em apoio ao estudo individual e colaborativo, através de uma unidade de desenvolvimento, o PAOL – Projecto de Apoio On-Line. O Instituto, criou, em 2003, o Projecto de Apoio On-line (PAOL), cuja principal missão é a de fomentar o uso das diferentes tecnologias educativa na instituição, de modo a promover o desenvolvimento dos processos de ensinoaprendizagem e a multiplicar a oferta formativa. Na sua origem, esta unidade tinha como missão o desenvolvimento de soluções sustentadas de integração das tecnologias para apoiar as aulas presenciais ministradas na instituição, através da introdução de metodologias e aplicações de e/b-learning, tendo como componente nuclear a plataforma Moodle. Esta ferramenta foi adoptada por oferecer a

possibilidade de desenvolvimento de novos módulos e de adequação às necessidades multidisciplinares da realidade educativa do ISCAP. A introdução desta plataforma tornou-se num elemento impulsionador para a revisão e adopção de novas metodologias e abordagens pedagógicas em todos os cursos e áreas científicas da instituição, ao mesmo tempo que promoveu o incremento da literacia e das competências tecnológicas da comunidade escolar, bem como o espírito de partilha e de evolução conjunta na construção de um ambiente de aprendizagem mais dinâmico e colaborativo. Este novo ambiente de trabalho, mediado pelo computador, suportado por uma equipa e um projecto - o PAOL – é um elemento fundamental em qualquer instituição de ensino, uma vez que responde às necessidades de todos os seus actores - escola, professores e estudantes. Contribui, no caso da escola, para uma evolução pedagógica homogénea, decorrente da introdução e disseminação dos novos paradigmas de ensino-aprendizagem decorrentes do e/b-learning. Para os docentes, pode ser encarado como a prestação de um serviço de apoio pedagógico e técnico, potenciado pela plataforma de b-learning, conjugada com outros meios, como o uso de e-portfólios e das ferramentas Web 2.0. Para os estudantes, actores decisivos na implementação deste projecto, constitui um contributo essencial para o reforço dos meios e estratégias disponíveis para a obtenção de sucesso escolar. Com o desenvolvimento do projecto, ganharam importância crescente as fontes próprias de criação de conhecimento e de soluções técnicas, bem como o desenvolvimento de projectos pedagógicos e de investigação pensados para responder aos anseios e necessidades da comunidade escolar e do mercado. Estes projectos procuram facilitar a comunicação entre todos os intervenientes, promover a experimentação de novas metodologias pedagógicas, o trabalho interdisciplinar, facultar o acesso a materiais didácticos e a repositórios de aprendizagem e, em paralelo, fomentar a responsabilidade e participação individuais no processo de aprendizagem ao longo da vida. Permitem, finalmente, que o mercado de emprego reconheça a inovação na formação, o que se torna uma maisvalia para os estudantes recém-formados. A qualidade da oferta educativa é, cada vez mais, um critério de escolha das instituições de ensino superior. Nesse sentido, o ISCAP procurou agir atempadamente, de modo a proporcionar aos seus estudantes uma oferta educativa adaptada às novas exigências e com capacidade para acompanhar as mudanças, no respeito pela sua cultura institucional e missão educativa.


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PLATAFORMAS DE ENSINO WEB 2.0

Para uma Universidade 2.0:

A Experiência da Universidade Aberta A UAb iniciou a completa virtualização da sua oferta de ensino, colocando o nosso país na vanguarda europeia no sector do ensino a distância. Por António Moreira Teixeira, Pró-reitor para a Inovação em Ensino a Distância da Universidade Aberta

Nos últimos três anos, o ensino universitário em Portugal e no espaço europeu conheceu uma importante transformação, das maiores da sua história recente. Tal deveu-se à conjugação de dois fenómenos de enorme repercussão. Por um lado, verificou-se a adequação da oferta pedagógica universitária ao Espaço Europeu de Ensino Superior. Por outro, as universidades iniciaram o processo de disseminação da utilização de ambientes virtuais de aprendizagem. Ambos os movimentos concordam num sentido muito claro: a crescente autonomia e responsabilização do estudante na gestão do seu próprio processo educativo. No nosso país, esta realidade tem tido como principal exemplo de sucesso a Universidade Aberta (UAb),

desde que, precisamente em 2006, a instituição iniciou a sua arrojada estratégia de completa virtualização da oferta de ensino, colocando o nosso país na vanguarda europeia no sector do ensino a distância. Dois anos depois do início do processo de disseminação no nosso país do ensino online, ou e-learning avançado, como também é conhecido, este novo modo de ensino e aprendizagem tornou-se uma realidade quotidiana de cinco mil estudantes (só na UAb), que frequentam, com sucesso e elevados níveis de satisfação, licenciaturas, mestrados e outros cursos formais de modo inteiramente virtual. Na verdade, às instituições de ensino e formação portuguesas já não se coloca a possibilidade de não adoptar sistemas de ensino baseados na Internet. Isto porque os seus estudantes ou formandos na sua maioria já a utilizam na sua vida familiar ou profissional para pesquisar, recolher ou partilhar informação de natureza mais variada. A Internet transformou-se não só numa ferramenta de comunicação de acesso e utilização diária, mas também num instrumento de cidadania. Assim, às instituições de ensino e formação portuguesas apenas resta aprender rapidamente a utilizar a rede e abri-la aos seus estudantes, abrindo-se assim igualmente.

Naturalmente, na utilização de ambientes digitais no ensino e na aprendizagem as instituições devem dominar a tecnologia e não ser dominadas por ela.

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PLATAFORMAS DE ENSINO WEB 2.0

Quer isto dizer que elas deverão partir do estabelecimento de um quadro pedagógico de referência, que torne claro para professores/formadores e estudantes/formandos quais são os princípios metodológicos adoptados e quais são as regras do jogo. Por melhor que seja a tecnologia envolvida numa determinada ferramenta, por si só ela não chegará nunca para garantir a interacção do estudante ou o sucesso da sua aprendizagem. É por esta razão que a escolha de um determinado ambiente virtual de aprendizagem ou de uma plataforma de e-learning (learning management system) não deverá resultar nunca apenas da análise das respectivas características (ferramentas de comunicação, objectos de aprendizagem, gestão dos dados do utilizador, usabilidade, adaptabilidade, aspectos técnicos, administração, gestão dos cursos). Essa escolha é mais complexa e deve resultar, sobretudo, de uma decisão política estratégica de cada instituição norteada pela necessidade de proporcionar uma experiência de aprendizagem enriquecida.

Mais do que centros de criação e difusão de conteúdos, as Universidades entendem-se como uma rede de partilha de conhecimento.

obrigatória a formação prévia de ambos os grupos no domínio dos ambientes virtuais de aprendizagem e, fundamentalmente, no dos princípios pedagógicos específicos do e-learning. Em boa verdade, o grande contributo que o conceito tecnológico web 2.0, e as suas respectivas ferramentas, trouxe ao processo educativo foi o de possibilitar e potenciar a transformação da metodologia de educação a distância de um paradigma teórico dominado pela ideia de massificação da disseminação e do acesso ao ensino, para um novo paradigma centrado na singularização e personalização da experiência de aprendizagem. Com esta mutação, também as universidades e as instituições de ensino e formação tiveram de mudar. Mais do que centros de criação e difusão de conteúdos, elas entendem-se hoje como nós de uma rede de partilha de conhecimento. Por outras palavras, as universidades de segunda geração (2.0), enquanto serviço público, desempenham um papel de promoção universal da circulação e desenvolvimento do conhecimento e da qualificação cultural, científica e tecnológica imediata e permanente de todos os cidadãos.

E que tipo de experiência será essa? A utilização de ferramentas sociais web 2.0, as quais podem ou não integrar uma plataforma ou uma rede social, por exemplo, favorece efectivamente uma pedagogia muito mais centrada na capacidade do estudante gerir o seu processo de aprendizagem. Como o prova a experiência recente da UAb, a aprendizagem virtual, quando entendida numa perspectiva colaborativa, baseada nas ferramentas tecnológicas vulgarmente designadas por web 2.0 (wikis, blogs e outras), pode concretizar um modo de entender a educação superior pela valorização da integração social dos estudantes em comunidades de partilha e construção conjunta do conhecimento, do acompanhamento personalizado da sua aprendizagem e do respeito pelo contexto específico da experiência de vida de cada aluno. Como é óbvio, no entanto, o sucesso de um tal processo de aprendizagem dependerá sempre do envolvimento dos estudantes/formandos e dos professores/ formadores no mesmo. Daí, a importância da preparação específica de ambos os grupos para o e-learning. Também neste ponto, a experiência da UAb constitui um exemplo pioneiro, porquanto tornou NOVEMBRO 2008

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PLATAFORMAS DE ENSINO WEB 2.0

O ensino da condução e a formação a distância Falámos com a coordenadora do departamento de formação, Sofia Matos, da ZONA S, Portal de Educação e Segurança Rodoviária www.zona-s.pt, sobre a utilização das novas tecnologias no ensino da condução em Portugal Faz sentido falar em formação a distância no ensino da condução? Para lhe dar uma ideia de que números estamos a falar são emitidos anualmente mais de 200 000 novos títulos de condução, pelo que o ensino da condução em Portugal é transversal a toda a sociedade, com um público bastante heterogéneo. Neste contexto faz todo o sentido a formação a distância no ensino teórico da condução, seja em regime e-learning ou b-learning, apesar da actual realidade ser diferente. A formação dos candidatos a condutores na sua vertente teórica continua a ser realizada com um número mínimo de aulas presenciais obrigatórias. Este modelo afasta-se completamente das tendências formativas actuais. Ao ter a opção de realizar parte ou mesmo a totalidade da formação teórica a distância o candidato pode evoluir ao seu ritmo, com uma economia de tempo e de recursos (ambientais, financeiros e até esforço físico e psicológico). Considera que as escolas de condução estão preparadas para esta mudança? Claro que uma alteração desta natureza depara com as habituais resistências à mudança, em especial pelas entidades formadoras que têm receio de perder mercado. Mas que melhor oportunidade para incrementarem a qualidade na formação? Esta deve ser cada vez mais personalizada e centrada no formando. A formação a distância será acompanhada pelo instrutor, que coordena e orienta o candidato a condutor na sua aprendizagem, fixando etapas de progressão.

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Que ferramentas existem para suportar a formação a distância? As ferramentas por excelência são as plataformas de formação a distância. Actualmente existe uma grande diversidade, mas é importante a selecção tendo em conta alguns aspectos como a simplicidade e utilização amigável (pelo utilizador final e na introdução de conteúdos e gestão do curso) e uma adequada gestão da formação. Claro que a selecção deve estar relacionada com os objectivos pretendidos. A Zona S optou por uma plataforma ad hoc para a formação de condutores e de instrutores. Mas a metodologia de apresentação da formação e a preparação dos conteúdos são também fundamentais para o sucesso da formação. Só para lhe dar uma ideia do trabalho que pode envolver, a formação de condutores desenvolvida pela Zona S teve a intervenção de uma equipa de 6 pessoas durante mais de 1 ano. Os formadores das escolas de condução necessitam de ter alguma preparação específica para este tipo de formação? Sim, os instrutores de condução devem ter algumas noções sobre a formação a distância e saber utilizar a plataforma. Mas estamos a falar de 1 dia de formação. São previsíveis mudanças num futuro próximo? As mudanças são inevitáveis, numa sociedade onde são cada vez mais valorizadas a utilização das novas tecnologias, a economia de recursos e a gestão do tempo. A Zona S celebrou protocolos com algumas escolas convidadas, que já estão a utilizar a plataforma como apoio à formação.


PLATAFORMAS DE ENSINO WEB 2.0 Formação sem Fronteiras:

A Plataforma Teleformar.net Integradas num mundo cada vez mais acelerado e competitivo, as soluções tecnológicas da Teleformar para a formação profissional assumem-se como aliadas estratégicas no aumento da competitividade de empresas e trabalhadores. Por Adérito de Almeida, director operacional/gestor do Departamento de Formação da Teleformar Lda

A Teleformar é uma empresa portuguesa de cariz tecnológico fundada no IPN em 1999 por um conjunto de ex-alunos da Universidade de Coimbra e actualmente sedeada em Condeixa-a-Nova. Denominada Teleformar.net, a plataforma de e-learning da Teleformar foi totalmente desenvolvida em Portugal com recurso a tecnologia 100% nacional e conta já com mais de 30 mil utilizadores. Actualmente a plataforma Teleformar.net é – segundo o estudo “LMS2 Estudo das Plataformas de eLearning em Portugal”, desenvolvido pela DeltaConsultores e apresentado em 2008 – a segunda plataforma de e-learning mais usada em Portugal e a primeira entre as plataformas nãogratuitas. Trata-se de uma plataforma caracterizada por elevados índices de modularidade e personalização (tudo, desde as ferramentas a disponibilizar, até ao layout, é adaptável às necessidades e desejos do cliente). Actualmente, a Teleformar Lda possui um conjunto de outras soluções/ferramentas digitais que permitem estender a eficácia/eficiência técnico-pedagógica da plataforma Teleformar.net. De entre este conjunto de ferramentas (que podem ser seleccionadas caso a caso por cada cliente) pode-se salientar a videoconferência e o sistema de alertas por SMS para formandos e formadores. Estas ferramentas estendem

as potencialidades da plataforma, permitindo o seu uso, por exemplo, como plataforma tecnológica de suporte a comunidades colaborativas. Sendo uma plataforma web based que corre directamente a partir de qualquer browser com suporte Flash e nos ambientes Windows, Mac ou Linux, a plataforma Teleformar.net não exige a instalação de qualquer software ou hardware adicional nos computadores dos formandos ou das entidades clientes. A versatilidade, inovação e elevados índices de funcionalidade da plataforma Teleformar.net têm chamado a atenção de potenciais clientes um pouco por todo o mundo, estando actualmente a ser já utilizada por clientes em Espanha e no Brasil. A curto prazo prevê-se o seu lançamento nos Estados Unidos e na Alemanha. Para cada um destes mercados existe uma versão localizada (traduzida) da plataforma Teleformar.net. Aproveitando a experiência e o know-how adquiridos com a disponibilização de ferramentas tecnológicas para a formação a distância, resolveu a Teleformar Lda tornar-se uma entidade formadora de referência, tendo em vista criar soluções formativas de excelência para os activos nacionais (utilizadores ou não da sua plataforma de e-learning). Assim, encontra-se a Teleformar acreditada pela DGERT como entidade formadora de qualidade. A empresa possui actualmente, para execução na Região Centro e em todo o país, um portfolio de cursos formativos aprovados e co-financiados pelo QREN (logo, de frequência gratuita para os formandos). Empenhada em manter-se na vanguarda da criação de soluções tecnológicas e conteúdos para a formação, a Teleformar olha com justificado optimismo para o futuro. Futuro esse onde a formação profissional (e, em particular, a formação a distância) assumirão cada vez mais um lugar de destaque.

» Equipa Técnica do NITEC – Núcleo de Investigação Tecnológica da Teleformar, Lda

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FORMAÇÃO

Como vencer o desafio da competitividade? O tema da competitividade entrou na ordem do dia das lideranças das sociedades contemporâneas. Em certa medida pode dizer-se que substitui o conceito de produtividade, eventualmente por ser mais dinâmico e abrangente. É hoje aceite que o desafio da competitividade se ganha com a aposta na qualificação dos trabalhadores. Por Conceição Caldeira, directora executiva da Escola Profissional de Artes, Tecnologias e Desporto (EPAD)

“Ministrar, promover e generalizar as qualificações essenciais, de forma a habilitar à participação na sociedade da informação e dos serviços na vida profissional e privada é um dos maiores desafios que se colocam à política de educação e comunicação” (Arthur Scneeberger, 2006). Consciente destas necessidades, com o projecto Escola Profissional de Artes Tecnologias e Desporto (EPAD) o Grupo Lusófona optimiza medidas de política para o desenvolvimento do potencial humano, qualificando pela formação inicial e contínua. A EPAD está organizada para a qualificação e para o desenvolvimento de competências que permitam responder a este desafio, que consideramos ser um desígnio nacional. Seleccionamos colaboradores qualificados e experientes no ensino profissional, proporcionamos-lhes formação; privilegiamos a estabilidade do grupo de formadores e a sua relação com os alunos. Investimos em equipamentos actuais e de qualidade, o que permitiu a homologação de cursos pela Auto-

ridade para as Condições do Trabalho (ACT). Instalações e equipamentos técnicos de ponta da Universidade Lusófona são usados pelos nossos alunos. Privilegiamos a aprendizagem com autonomia, desenvolvemos a criatividade e o sentido crítico, favorecemos o planeamento e organização de actividades; planeamos a formação de modo a que todos os alunos tenham

Partilhamos a informação com todos para que todos possam apoiar e esclarecer. Dispomos de apoio psicológico e orientação e de um centro de recursos de acesso livre e gratuito.

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o horário lectivo totalmente preenchido. Disponibilizamos a todos formação em Tecnologias da Informação e Comunicação e definimos regras de trabalho que obrigam ao seu uso sistemático. Na Agenda Cultural, modelo inovador de promover a formação integral, os alunos planeiam, organizam e avaliam as actividades, tal como programam e concretizam actividades desportivas especialmente direccionadas para a inter ajuda e o espírito de equipa. Colaboramos com a Associação Aprender a Empreender, no desenvolvimento de competências de empreendedorismo com o programa ”A Empresa”, internacionalmente experimentado. Preparamos os alunos para tirarem o melhor partido de si próprios, desenvolverem competências de comunicação e de gestão de conflitos. Orgulhamo-nos da ligação estreita ao mundo empresarial que através de protocolos com empresas de topo dá aos nossos alunos oportunidades de visitas, experiências de trabalho e estágio em locais considerados modelo e de acesso seleccionado. Formação rigorosa, ligação ao mundo empresarial de topo e competências de empregabilidade são a aposta da EPAD para o aumento da competitividade do país e para a coesão económica e social.


NOVAS OPORTUNIDADES

Integração e inter-culturalidade são uma mais-valia São variados os projectos que se encontram a ser desenvolvidos no Agrupamento nº3 de Beja. Surgem todos os dias novos desafios que abraçamos e implementamos para promover o desenvolvimento pessoal, social, cívico e económico dos nossos alunos/adultos. Por Maria José Barroca, presidente do Conselho Executivo da Escola e Maria Jesus Ramires, coordenadora do CNO

Acreditamos que a aposta no sucesso educativo não pode ser meramente estatística e passa pela aposta num trabalho estruturado e sustentado desde a educação pré-escolar até ao nono ano de escolaridade, bem como na seriedade do trabalho desenvolvido no Centro Novas Oportunidades com o reconhecimento, validação e certificação de competências de adultos, tanto no ensino básico como no ensino secundário. Neste nível, valorizamos as competências e todo o saber adquirido ao longo da vida, procuramos fornecer as ferramentas básicas a quem não as tem (através dos cursos de alfabetização), e, com os cursos extra escolares de Língua Portuguesa como segunda língua, acreditamos contribuir para uma sociedade onde a integração e a inter culturalidade são uma grande mais-valia. A problemática do Reconhecimento Institucional das aprendizagens realizadas pelas pessoas em todos os contextos de vida tem vindo a afirmar-se em todas as agendas políticas Europeias e Mundiais. As aprendizagens de cada um de nós não se limitam às situações formais da educação, uma vez que se reconhece que no decurso da vida de uma pessoa são muitos os saberes construídos, adquiridos em diversas situações e em diversos espaços: associações, situações de trabalho, de lazer e de convívio etc. Os cidadãos devem conseguir dominar todas as transformações que vão ocorrendo na nossa sociedade pois caso contrário não aguentam o ritmo desenfreado desta socie34

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dade em constante mutação. Devemos ser capazes de participar activamente na sociedade em que nos encontramos e transformá-la o que só se torna possível se se tiver consciência dessa mesma realidade e da sua capacidade para o fazer. Se nos reportarmos à história do nosso país, até à presente data temos várias manifestações de educação e formação de adultos que se sucederam sob as mais variadas formas. Por exemplo, a Era dos Descobrimentos há 500 anos atrás, podemos até dizer que Portugal viveu o seu apogeu na Educação e Formação de Adultos, quer através dos povos que colonizou, quer nos novos mundos que deu ao mundo, quer ainda no legado que deixou no desenvolvimento e evolução das sociedades. Todos os que das mais diversas formas estão envolvidos no campo da educação de adultos, continuam agora a acreditar que é possível intervir, melhorar e valorizar pessoas e comunidades. É importante referir um outro projecto que está a ser desenvolvido há já vários anos, cuja finalidade é preparar os alunos com necessidades educativas especiais para a vida activa. Temos contado com um trabalho docente propiciador destas aprendizagens que através de várias parcerias com a Câmara Municipal, entre outras pequenas empresas, tem dado aos nossos alunos o valor que eles merecem e os prepara para o mercado de trabalho, permitindo também a aquisição de aprendizagens e, posteriormente, um emprego na área vocacional.

Houve também, da parte do Agrupamento, o desejo de propiciar a alguns alunos menos fáceis uma oportunidade de sucesso escolar efectivo, sendo esta a perspectiva que tem vindo a nortear a implementação dos CEFs. Sabemos que o Alentejo apresenta um produto interno bruto “per capita” (PIB), medido em paridades de poder de compra, inferior a 75% da média comunitária, pelo que a região se encontra integrada no objectivo da Convergência. Daí que novo Programa Operacional Regional Alentejo 2007/2013 se ajuste aos principais desafios da região: o reforço da competitividade da economia regional, o aumento das qualificações dos recursos humanos, a sustentabilidade da coesão social e territorial. Deste modo, procurou-se a organização de um tipo de formação abrangente, capaz de responder a uma variedade de sectores de actividade empresarial e que, acima de tudo capacitasse os formando de alguns aspectos fundamentais. Desde logo, quisemos proporcionar um tipo de formação que, além de lhes permitir continuidade ao nível do ensino secundário em escolas do concelho e da região, garanta àqueles que não pretendam continuar estudos uma empregabilidade efectiva e, acima de tudo, o desenvolvimento de compe-


NOVAS OPORTUNIDADES tências empreendedoras. Atendendo ao nível etário dos alunos, apostou-se na componente prática da formação através do recurso à prática simulada. Alguns estudos apontam como factores de risco na Escola, potencialmente conducentes ao abandono sem qualificação escolar e profissional mínimas os baixos resultados escolares/insucesso académico inicial; atitudes negativas face à escola/ baixa ligação/ baixa vinculação/ face à escola; absentismo /ausências frequentes; cumprimento de medidas disciplinares; clima escolar inadequado/ pobre funcionamento e organização da escola/ rotulagem negativa pelos professores; identificação como tendo dificuldades de aprendizagem, mudanças escolares frequentes. Consciente destes factores comprometedores do sucesso educativo e da frequente coexistência de alguns deles, esta Escola assumiu o objectivo essencial de aumentar a qualificação escolar e profissional dos seus

alunos, aspecto que se considera fundamental para fazer face às exigências decorrentes da evolução social, designadamente nos aspectos científicos e tecnológicos e do próprio mercado de trabalho. Dificilmente qualquer cidadão poderá intervir activa, responsável e positivamente no mundo actual se não possuir uma formação e qualificação adequadas. Do mesmo modo, nenhum país/ governo pode promover o seu desenvolvimento (entenda-se o termo na máxima abrangência) se não envidar todos os esforços, nomeadamente através da instituição Escola que assume a responsabilidade de transmissão dos saberes, no sentido de proporcionar a todos uma escolaridade de qualidade, baseada em critérios de exigência mas também de respeito pelas aptidões e capacidades individuais. Ao longo da formação, são proporcionadas aos alunos situações reais de formação em contexto de trabalho, não só em contexto escolar, como ao nível das empresas da cidade. Assim

é possível que a Comunidade Educativa conheça o tipo e a qualidade da formação que está a ser proporcionada e, acima de tudo, que potenciais empregadores contactem desde cedo com os alunos e reconheçam e valorizem o seu trabalho. É também uma forma de mostrar à Sociedade em geral o que pode ser uma Escola verdadeiramente inclusiva, que assume o seu papel de transmissão de saberes e de formação integral de futuros cidadãos, ao mesmo tempo que respeita os interesses e potencialidades de cada indivíduo. Neste contexto poderei dizer que como presidente deste Agrupamento sinto que a minha “política educativa” se tem centrado numa filosofia de igualdade de oportunidades quer para os jovens quer para os adultos. Contudo, tudo isto só foi e é possível devido a um trabalho de partilha, envolvimento, e num “acreditar” que com esforço de TODOS consigamos atingir objectivos conducentes à qualidade e ao sucesso efectivo de todos quanto nos procuram.


DIA EUROPEU DAS LÍNGUAS

Universidade do Minho celebra Dia Europeu das Línguas A 26 de Setembro comemorou-se o Dia Europeu das Línguas. Um marco importante na divulgação do Multilinguismo como um dos valores mais emergentes da Europa. Texto: Ana Mendes

Desde 2001, que este dia é celebrado com a intenção de sensibilizar o público para a importância da aprendizagem de línguas, principalmente as faladas na Europa. Eduarda Keating, presidente do Instituto de Letras e Ciências Humanas da UMinho, em conversa com a Perspectiva afirma que é “necessário que se percebam as vantagens pessoais e profissionais que advêm do conhecimento das línguas, assim como é urgente encontrar soluções para aproximar as pessoas das línguas”. Este ano, as celebrações centraram-se justamente em fazer com que os alunos tivessem contacto » Eduarda Keating, presidente do Inst. de Letras e Ciências Humanas da UMinho

com as diferentes línguas que a Universidade lecciona: “ aproveitamos este dia para estabelecer contacto com as escolas da região, convidamos as escolas a virem cá e a participar numa série de actividades ligadas às línguas” refere. Sendo a segunda vez que se organizaram as comemorações nestes moldes, os resultados foram muito gratificantes, com a comparência de 265 alunos de escolas secundárias da região Norte, de 7 escolas diferentes, acompanhados por 24 professores. Com duas dezenas de workshops de todas as valências linguísticas, todos os alunos assistiram também ao filme de início do concurso dos Contos (Inacabados), onde contadores de línguas variadas gravaram o início de uma história aberta e pronta à continuação. Esta é uma iniciativa da oficina “ Quem conta um conto acrescenta um ponto”, apresentado por Jorge Alonso.

“Aprender uma língua é muito mais do que aprender palavras, é acolher toda uma cultura.” A vice-presidente do Instituto de Letras e Ciências Humanas, Margarida Pereira, do Departamento de Estudos 36

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Ingleses, mencionou que apesar de o Inglês continuar a ser a língua franca e uma língua fundamental na comunicação dos povos, as outras línguas, leccionadas na UMinho, estão também a ter muita procura. O francês, o espanhol e o alemão continuam a estar entre as línguas mais procuradas, mas há outras línguas (como o italiano, o russo ou o árabe), que também têm tido saída. A responsável pelo curso de língua e cultura chinesa, Sun Lam, confirmou esta ideia, reforçando que as licenciaturas em Línguas e Culturas Orientais está cheia e os cursos livres também são muito concorridos. No sentido recíproco, falou-nos Micaela Ramon, referindo que os cursos de português como língua estrangeira têm tido uma procura crescente, não só fruto da afluência dos alunos Erasmus que a Universidade Diversidade Linguística enriquece a cultura do indivíduo Por escolas de toda a Europa são organizados eventos para incentivar as pessoas a aprenderem uma nova língua e reconhecerem o significado da diversidade linguística. De salientar que a aprendizagem das línguas fomenta a competitividade, promove o exercício da mente e enriquece toda a cultura de um indivíduo para melhor enfrentar o universo social.


DIA EUROPEU DAS LÍNGUAS

» Membros do Inst. de Letras e Ciências Humanas da UMinho

recebe todos os anos, como também do aumento de cidadãos estrangeiros a residirem na área geográfica de influência da UM. Dando resposta a estas solicitações, o ILCH organiza regularmente dois cursos de Português Língua Estrangeira – um anual e outro de Verão – e, quando solicitado, realiza também cursos intensivos na mesma área, dedicados a públicos específicos. O Multiliguismo é uma necessidade de futuro, razão pela qual este departamento luta no sentido de alertar para a importância destas ciências. Aprender uma língua é muito mais do que aprender palavras, é acolher toda uma cultura, só deste modo se consegue uma socialização plena com o país de origem da língua em questão. Orlando Grossegesse, do Departamento de Estudos Germanísticos,

adverte para o facto de que quanto mais cedo as pessoas começarem a aprender, mais fácil será para elas. Com isto, penaliza o facto de as escolas estarem afastadas da promoção do Multilinguismo e do que está preconizado nas directrizes europeias. “ Os alunos que vêm do secundário estão mal preparados, o que nos obriga a fazer um tipo de ensino de tipo básico e secundário”. O Multilinguismo passou a ser uma pasta autónoma em Janeiro de 2007, o que reflecte a sua importância em termos de educação inicial, assim como de aprendizagem ao longo da vida. “É cada vez mais um factor crucial na competitividade de um indivíduo, a nível de autonomia, emprego, economia, etc”. O Instituto de Letras e Ciências Humanas da UMinho é membro do Conselho Europeu das

Línguas, participando assim activamente na promoção e divulgação dos vários idiomas. Ana Gabriela Macedo é Directora do Centro de Estudos Humanísticos da Universidade do Minho, um centro de investigação marcado pela transdisciplinaridade, o qual faz a ponte entre as quatro áreas de investigação desenvolvidas: Literatura, Linguística, Filosofia e Cultura. O objectivo principal é a consolidação da multidisciplinariedade fomentando o diálogo entre as quatro linhas de investigação, implementando actividades de investigação transdisciplinares como: workshops, colóquios e publicações assim como a organização de um colóquio transdisciplinar anual (os Colóquios de Outono) que contam com a participação de todos os membros do Centro, bem como de oradores convidados nacionais e internacionais. As relações da UMinho com as escolas da região são enaltecidas, uma vez que contribuem para a formação contínua de professores do ensino básico e secundário e, consequentemente, para a melhoraria da qualidade do ensino. O Dia Europeu das Línguas é celebrado com o desígnio de comprovar a importância do Multilinguismo como um dos valores centrais da Europa. UMinho disponibiliza um leque variado de cursos O Instituto de Letras e Ciências Humanas da UMinho, é uma unidade orgânica permanente, que tem a finalidade de assegurar a investigação, o ensino, e outros serviços especializados, no domínio das Letras e Ciências Humanas. Este é um espaço de formação multilingue e multicultural que oferece um corpo docente qualificado e equipamentos de qualidade à medida da necessidade de cada curso. No intuito de ensinar e integrar melhor os alunos noutras línguas e culturas, a UMinho faz protocolos com prestigiadas universidades estrangeiras, oferecendo ao mesmo tempo um leque variado de Cursos Livres de Línguas Estrangeiras como Alemão, Chinês, Catalão, Espanhol, Galego, Francês, Italiano, Russo, Japonês, Inglês, assim como um curso de Linguagem Gestual.

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QUEM É QUEM NO COOPERATIVISMO

Colaboração entre cooperadores e cooperativa A definição de uma estratégia clara, a aposta na qualidade e a defesa das castas autóctones – baga e bical - fazem da Adega Cooperativa de Cantanhede um exemplo a seguir. Gerir uma cooperativa no século XXI é um grande desafio que faz com que “todos os dias tenhamos de lutar contra um certo estigma que existe em relação ao vinho de cooperativa”, no entanto “se produzíssemos mais, venderíamos mais” confessa Maria Miguel Manão, directora comercial desta Adega Cooperativa. Dependente da quantidade e qualidade das uvas entregues pelos mais de 1000 associados/cooperadores, a direcção da Adega Cooperativa de Cantanhede premeia as uvas conforme análise através do Winescan. Um equipamento moderno que permite aferir a qualidade segundo os parâmetros definidos pelo enólogo. “Ninguém é penalizado, aquilo que pretendemos é premiar as melhores uvas, para que possamos produzir um vinho cada vez melhor”, explica Maria Miguel Manão acrescentando: “agimos no sentido pedagógico junto do associado”. Por outro lado, “o nosso objectivo é conseguir atrair mais produtores para trabalhar connosco mostrando-lhes que somos a resposta para as suas necessidades: uva melhor paga e paga atempadamente”. Fruto desta estratégia está a ser vendido cada vez menos vinho a granel e a aumentar a produção e venda de vinhos tranquilos de Denominação de Origem Bairrada e Regional Beiras, bem como de Espumantes, muito apreciados em território nacional e além fronteiras. Aliás, as perspectivas de crescimento, ao nível da exportação, situam-se nos 15 por cento para o triénio 2008-2010..

“Temos de evoluir e estar preparados para o mercado global.” Além de certificada pela ISO 9001, a Adega Cooperativa de Cantanhede tem 38

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já em curso, com terminus em Março de 2009, a certificação pela International Food Standard (IFS), High Level. Uma norma de qualidade alemã e francesa, equivalente à ISO 22000, segundo a qual apenas três empresas portuguesas do sector detêm o selo. Maria Miguel Manão explica que as mais-valias “têm a ver com o mercado interno, mas também com o de exportação”.

» Maria Miguel Manão, directora comercial da Cooperativa

Adegas Cooperativas: que futuro? Em relação à situação complicada com que algumas congéneres se deparam, esta responsável aconselha: “tragam os associados até elas, dêem-lhes apoio, compreendam a situação deles, centrem-se na procura da solução e não no problema e acreditem no que são capazes de fazer”. Em seu entender, “o apoio do Estado pode vir, não como solução mas como complemento de uma estratégia definida em função das particularidades da região em que cada adega se insere”. No fundo, “é o renovar do que são os propósitos do cooperativismo porque ele nasceu para prestar um serviço e o grande desafio é readaptar-se, tomar consciência de que a realidade mudou radicalmente e é preciso passar isso para os cooperadores”. Neste sentido, “estamos a fazer tudo para passar esta mensagem e depois disso teremos as ferramentas necessárias para continuar a evoluir”.

Dia do Asssociado No dia 15 de Novembro, a Adega Cooperativa de Cantanhede comemora o dia do Associado. Uma celebração que permite “trazer os cooperadores à Cooperativa”. Faz-se o balanço do ano vitivinícola, realizam-se acções de sensibilização e formação que, este ano, têm a particularidade de entre outros temas tratarem o papel do cooperativismo hoje e os novos desafios que se colocam. Maria Miguel Manão realça que “este dia do associado vai ser mais importante do que todos os outros: temos de aproveitar o estado de alerta para passar uma imagem positiva, de futuro para crescer”. “Acreditamos que a estratégia que temos, as apostas que estamos a fazer, os mercados onde estamos e os novos onde queremos entrar e as perspectivas de crescimento nos permitem prever para o futuro melhores resultados do que os que temos hoje” refere a directora comercial acrescentando: “isto só é possível com os associados a cooperar connosco e tendo a certeza de que eles vão continuar”.


QUEM É QUEM NO COOPERATIVISMO Consumo e Produção de Kiwi

Crescimento exponencial em poucos anos As grandes preocupações em ter uma alimentação saudável, fazem do kiwi um fruto muito procurado. Está entre os dez alimentos mais saudáveis e estima-se que o consumo mundial, até 2013, possa crescer 50 por cento. Em Portugal o consumo excede as 20 mil toneladas, a produção ronda as 12 mil toneladas e existe uma cooperativa que produz aproximadamente 4200 toneladas deste fruto por ano. A Kiwicoop é a única cooperativa portuguesa que, há mais de 20 anos, trabalha exclusivamente com kiwi. Surge na sequência da necessidade que alguns produtores sentiram de encontrar uma forma de escoar os frutos produzidos. Hoje, a cooperativa está certificada, segundo a Norma ISO 9001, e assume um papel relevante no acompanhamento dos cooperadores, ministrando cursos de formação, implementando sistemas que permitem a preservação do fruto e procurando novos mercados. Para Fernando Pinhal, presidente da Kiwicoop, “as cooperativas têm de ser bem geridas e a grande diferença em relação às sociedades de capitais é que aqui sabemos que o ganho da produção vai para os produtores e chamamos todas as mais-valias que são simultaneamente os donos da cooperativa”. “A qualidade do produto começa na terra, na forma como se cultiva”, esclarece. Por este motivo, na Kiwicoop é dado “muito valor à cultura tradicional onde não existe a aplicação excessiva e desnecessária de fertilizantes”. Para o efeito, a cooperativa tem uma equipa de técnicos que é responsável pela “análise criteriosa das necessidades da planta” e pelo programa de fertilização de todos os pomares dos cooperadores. Outro factor que influi na qualidade do fruto é o clima, mas neste aspecto Fernando Pinhal refere que Portugal tem uma situação privilegiada, explicando: “não temos geadas outonais, assim como não temos geadas primaveris, por isso só fazemos a colheita a partir da segunda semana de Novembro”. Assim, “quando o kiwi é colhido traz um grau de açúcar elevado o que torna o kiwi muito apreciado. Noutros países, por exemplo, a colheita tem de ser antecipada e como o fruto é colhido mais verde, nunca fica com a mesma qualidade do kiwi português”. Para prolongar a vida do fruto em boas condições, a Kiwicoop está equipada com câmaras de frio com tecnologia de atmosfera controlada.” Crescimento do consumo até 2013 Actualmente, e com base numa previsão de que o consumo de kiwi vai crescer 50 por cento até 2013, todos os países produtores estão a apostar no aumento do número de pomares. Em Portugal, a situação é idêntica, no entanto Fernando Pinhal está consciente de que “este fruto é muito sensível à oferta e à procura o que faz variar muito o preço, mas é uma cultura que se tem mostrado com alguma rentabilidade”. Por outro lado, a

produção do kiwi pode ser entendida como uma alternativa ao abandono dos campos, no entanto o presidente da Kiwicoop alerta para o facto de “o retorno do investimento só ser possível ao fim de 7 a 10 anos. Fernando Pinhal olha para o futuro com tranquilidade apesar da situação de crise que vivem as economias mundiais. “Nunca sentimos dificuldades por sermos uma cooperativa”, confessa acrescentando “sabemos que temos um bom posicionamento no mercado, temos uma equipa séria e que transmite confiança”. Sinal disto é o facto de a Kiwicoop estar a crescer de uma forma sustentada e exportar diversos países da Europa.


EMPREENDEDORISMO Bricolage e Jardim

Inovação e Diversidade A utilização de pequenos equipamentos de bricolage em casas particulares é cada vez mais comum. Para pregar, para aparafusar uma estante ou simplesmente cortar a relva do jardim existem aparelhos que permitem uma maior rapidez, flexibilidade e, sobretudo, independência. Um facto que também é visível face ao número de grandes superfícies que comercializam apenas materiais para construção e bricolage. Há mais de 40 anos a desenvolver produtos na área da construção e jardins, a Einhell é uma empresa alemã que em Portugal, sobretudo desde 2002, tem visto a sua quota de mercado aumentar. Neste momento, a aposta passa pela apresentação de duas novas linhas de produtos nas áreas de ferramentas e jardins – a red e blue line. A blue line está relacionada com a mudança de imagem de uma linha de produtos que até aqui estava conotada com a cor amarela, a red line ou linha vermelha visa a entrada num segmento de mercado mais exigente, com um maior poder de compra. Rui Gonçalves, director-geral da Einhell portuguesa desde finais de 2002, afirma que a razão deste crescimento está na definição de uma estratégia clara que “aposta na qualidade

dos produtos, na cadeia de distribuição, na fidelização dos clientes e na inovação que nos permite disponibilizar uma variedade de equipamentos funcionais que respondem às necessidades dos nossos clientes”. Tudo isto aliado à “melhor relação performance- preço”. O objectivo é que os produtos “não sejam mais uns, mas sim os produtos”. Para o efeito, no decorrer do seu desenvolvimento, além do design industrial ao qual é dada muita importância, é testada a funcionalidade e durabilidade. “São efectuados múltiplos testes que nos permitem aferir se o equipamento, dada a sua ergonomia, pode ser utilizado por um latino e por um nórdico, porque o tamanho das mãos é muito diferente”, explica. Este é um pequeno exemplo que ilustra os passos por que passa o desenvolvimento de um novo produto. A fidelização dos clientes é também um factor de diferenciação. Rui Gonçalves considera que deve existir um ciclo na venda, ou seja, “só podemos encarar que a venda foi efectuada com sucesso, quando é feita uma nova encomenda”, por isso é dada uma grande importância ao serviço pós-venda e ao contacto constante com o cliente. Qualidade e Responsabilidade Social “A implementação de um sistema de gestão da qualidade está pensada e é algo que ambicionamos”, mas para já estão apenas implementadas algumas metodologias que flexibilizam determinados processos. Ao nível da res-

» Rui Gonçalves, director-geral da Einhell portuguesa

ponsabilidade social, a Einhell tem um protocolo com o Centro de Reabilitação Profissional de Gaia que permite que a segunda seja responsáParticipação na EMAF A nível nacional, esta empresa alemã concentra todas as atenções na EMAF – Exposição Internacional de Máquinas, Ferramentas e Acessórios que, este ano, se realiza entre os dias 12 e 15 de Novembro, na Exponor. Rui Gonçalves considera que é “um veículo importante para divulgar produtos no seu todo, mas também o que somos e qual a nossa dimensão”. Este ano, em particular, “vai-nos permitir fazer o lançamento da nova imagem e gama de produtos red e blue line”.


Produto do Ano 2008 e Master Distribuição 2007 Um estudo de mercado efectuado pela própria empresa revelou que a marca tem uma notoriedade junto dos clientes cada vez maior, na ordem dos 70 por cento. De referir que a gama Jardim New Generation, que inclui a máquina corta-relva EM 1650, o corta-sebes NHS 700 e o aparador de relva NRT 530/1, foi distinguida recentemente como Produto do Ano 2008, uma iniciativa da Peres & Partners que premeia e distingue a inovação em produtos de grande consumo, sondando os consumidores. A Einhell foi também distinguida como Master Distribuição 2007, tornando-se assim na primeira empresa de ferramentas a conseguir este feito, o que para Rui Gonçalves “comprova a flebilidade e rapidez de decisão, o profissionalismo da equipa e a grande aposta que tem sido feita em termos logísticos”.

vel pela separação dos elementos das máquinas quando as mesmas já se encontram obsoletas. Desta forma, quando os materiais são entregues separadamente para reciclar, há uma quantia que reverte a favor desta instituição. Com o lançamento das novas linhas de produtos, a administração da empresa prevê um crescimento na ordem dos 8 a 10 por cento apenas nestes segmentos. Em termos globais, Rui Gonçalves aponta que o volume de facturação, em dois ou três anos, vai aumentar 5 a 6 por cento.


REGIÕES

Programa “Mais Centro”

Aposta na competitividade e sustentabilidade ambiental São estas as grandes linhas de acção que, em simultâneo com a qualificação dos recursos humanos, vão permitir que a região Centro assuma uma posição de referência. Texto: Alexandra Carvalho Vieira O Programa “Mais Centro”, que começou em 2007 e termina em 2013, sob a gestão de Alfredo Marques, está a funcionar como uma alavanca e a permitir que os “autarcas e agentes locais estejam apostados em mudar de agenda”, ou seja, “agora as prioridades são outras e é por isso que nos programas de acção, NUT 3 por NUT 3, as prioridades que aparecem têm a ver com as grandes agendas do QREN”. Que balanço faz deste primeiro ano de vigência do Programa “Mais Centro”?

O balanço é muito positivo porque a partir do momento em que o Programa começou, com a abertura dos concursos e entrega das candidaturas, conseguimos encurtar os prazos de decisão. Posso dizer que, neste momento, já encerrámos 32 concursos no conjunto do Programa. Com isto já comprometemos uma parcela muito significativa e também já fizemos a negociação com as associações de municípios para a delegação de competências de gestão e atribuição de uma subvenção global, a qual, só por si, representa entre 25 e 30 por cento do total da dotação do programa. O QREN e os programas regionais são sentidos pelas populações?

No QREN existem três grandes agendas: a formação e a qualificação dos recursos humanos, a competitividade e a inovação e a valorização do território. Nos programas regionais estão presentes sobretudo as duas últimas e, em menor escala, a qualificação e valorização dos recursos humanos, porque na verdade nós financiamos, por exemplo, centros escolares. É um 42

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programa transversal que abrange várias áreas e é importante sublinhar que desta vez no QREN, ao contrário do que acontecia anteriormente, não se trata da coesão pela coesão, mas sim desta combinada com a competitividade. Ou seja, os investimentos em coesão não são feitos isoladamente, mas sim de uma forma conjugada com investimentos que tenham a ver com competitividade, ou na perspectiva de serem ao mesmo tempo um factor de reforço da coesão e da competitividade. É utópico pensarmos que conseguimos fazer a coesão sem ser numa base de competitividade e também não é realista pensar que podemos promover a competitividade sem ter em conta a coesão, porque a competitividade tem de ter, desde logo, sustentabilidade social e ambiental. A credibilização do sistema passa também pela fiscalização. Como garante que os projectos subsidiados são concretizados?

Há vários procedimentos a seguir. Em primeiro lugar temos a aprovação, ou seja, há uma análise de admissibilidade, seguindo-se o processo de análise do mérito e de decisão. Depois cabe ao promotor executar e ao programa ir realizando os pagamentos. Nesta fase há um acompanhamento feito pela gestão do programa em termos documentais e em termos físicos. Em todo este processo seguimos o Manual “Compliance Assessement”, um documento onde se descreve o modo como deve funcionar todo o sistema, validado pelas entidades de fiscalização e auditoria nacionais, ou seja, pela Inspecção-Geral de Finanças e depois pela Comunidade Europeia.

» Alfredo Marques, gestor do Programa “Mais Centro”

Mas o que é que se passa concretamente com os promotores?

Fiscalizamos quer os promotores que nos apresentam os projectos individuais, ou seja, projecto a projecto, quer as associações de municípios para quem vamos fazer a transferência das subvenções globais, no âmbito do procedimento de contratualização. Na verdade, o que vamos fazer com as associações de municípios é uma delegação de competências de gestão, portanto vamos transferir para as associações de municípios um pacote financeiro, NUT 3 por NUT 3, para todos os municípios e pelo período de 7 anos. As associações de municípios vão ser responsáveis pela gestão dos projectos das autarquias, mas ficam sujeitos às mesmas regras que nós temos que aplicar aos projectos individuais. A delegação de competências para as associações de municípios per-


REGIÕES

mite uma gestão do local para o global?

Esta delegação obedece ao princípio da subsidiariedade, ou seja, gerir o mais perto possível dos cidadãos. Por isso neste aspecto pode ser uma maisvalia porque permite aos interessados, que são os municípios, terem uma gestão dos seus projectos feita por eles próprios, embora colectivamente. É um avanço que temos em relação ao passado, até porque permitiu a montante termos a cooperação ao nível da definição dos projectos. Se até aqui tínhamos os municípios a apresentarem os seus projectos individualmente e a pouco e pouco ao longo do período dos fundos, agora toda a região conseguiu organizar-se em associações de municípios por NUT 3 e apresentar ao Programa os projectos dos municípios numa base de cooperação. Penso que isto em termos de organização e de governação da região foi um salto histórico que vai produzir no terreno muito bons resultados nos próximos anos. O Programa “Mais Centro” definiu o valor que o conjunto recebia, o qual foi depois repartido, com base num acordo uns com os outros. No fundo, em seu entender quais são as grandes necessidades da região?

Penso que a região deu um grande

salto, de resto como todo o país, desde que estamos na Comunidade Europeia, em termos de coesão pela via da criação de infraestruturas básicas, como vias de comunicação, saneamento básico e abastecimento de água, e da construção de equipamentos colectivos em áreas como a educação, a saúde, a cultura, o desporto, etc. Tivemos uma evolução extraordinária, basta visitarmos a região ou olharmos para as estatísticas. No entanto, nos indicadores de competitividade já não houve o mesmo tipo de evolução. Evoluiu muito menos, portanto não há dúvida de que a grande prioridade deve ser a competitividade, que passa por uma aposta absolutamente decisiva no capital humano. Nem vale a pena pensar em mais nada se não houver um salto de gigante em matéria de qualificação dos recursos humanos, porque as estatísticas mostram que Portugal está na cauda da Europa neste domínio. Esta é uma situação preocupante e perigosíssima para o futuro do país. Além da qualificação dos recursos humanos, que outras áreas são primordiais em termos de intervenção?

Apostar fundamentalmente em investimentos que sejam reprodutivos e aqui estamos a falar de investimento

empresarial na produção de bens e serviços que incorporem cada vez mais conhecimento, para poderem ser cada vez mais geradores de valor. Aqui, a região tem boas notícias para dar a si própria e ao país. Nas candidaturas aos sistemas de incentivos aconteceu algo que não se esperava, a região ultrapassou as melhores expectativas que poderia haver em matéria de dinamismo empresarial, ou seja, a região Centro foi claramente aquela que apresentou maior dinamismo a nível nacional no que diz respeito aos projectos das empresas que apresentaram candidaturas para apoio aos sistemas de incentivos. E posso dar apenas um número, por exemplo do total de investimento que foi apoiado até agora a nível nacional, 53% corresponde à região Centro. Ora a região tem pouco mais de 20% do PIB nacional e detém 53% do investimento apoiado, o que significa que existe um dinamismo superior à média nacional. Neste aspecto, a região está a revelar um comportamento muito bom.

Leia artigo na íntegra em: www.revistaperspectiva.info

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REGIÕES: TORRES VEDRAS

“Crescer de forma equilibrada

e sustentada” As palavras são de Carlos Manuel Soares Miguel, presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, que em entrevista à Perspectiva fala sobre as suas grandes prioridades para o concelho. Quais são as grandes necessidades do concelho?

Somos o concelho mais extenso do distrito de Lisboa com 407 km2, pelo que as necessidades viárias são constantes, nomeadamente o acesso ao interior do país, através da concretização do IC11, Peniche-Carregado. Os 20 km de costa, sendo um enorme potencial, constituem também uma grande necessidade ao nível de reordenamento, consolidação de arribas e regeneração urbana. Por último, a renovação de todo o parque escolar do primeiro ciclo, através da construção de Centros Educativos é a prioridade das prioridades.

na utilização das verbas do QREN. Mas, também, na orla costeira temos feito um grande esforço em obras de regeneração urbana em Santa Cruz, as quais são visíveis e bem aceites A curto e médio prazo, quais são as suas grandes prioridades em termos de grandes investimentos no concelho?

“Dotar o concelho de equipamentos sociais e lúdicos que motivem a fixação das populações.” » Carlos Manuel Soares Miguel, presidente da C. M. de Torres Vedras

E o que tem sido feito pela autarquia para as minorar?

Estamos a avançar com a construção de Centros Escolares que centram a oferta educativa no nível do 1º ciclo e pré-primário nas sedes de freguesia e este é um trabalho para os próximos cinco, seis anos. Para este desígnio temos dado a máxima prioridade 44

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pela população, obras e esforço que ao dia de hoje ainda se desenvolve. Porém, Torres Vedras tem 20 km de costa e depois de Santa Cruz há ainda muito para fazer, nomeadamente em Porto Novo, Santa Rita, Praia Azul, Cambelas e Assenta.

Sem sombra de dúvida que a reformulação do parque escolar é a grande prioridade para Torres Vedras e, talvez para o país. Além deste objectivo, estamos a construir o novo Mercado Municipal, o qual importa em cerca de sete milhões de euros, possivelmente a maior obra pública feita pelo Município, que constitui um equipamento chave para a regeneração e revitalização da zona histórica de Torres Vedras. A criação de uma rede de Centros de Interpretação ligados à nossa realidade arqueológica, histórica, económica e artística, constituirá uma oferta cultural distinta que nos diferenciará e melhor enraizará aqueles que aqui nascem ou aqui chegam dispostos a aqui se radicarem. Por último e de forma a continuarmos a crescer de forma equilibrada e sustentada, vamos continuar a dotar as sedes de freguesia, as aldeias, de equipamentos sociais e lúdicos que motivem a fixação das populações.


A visitar: O Chafariz dos Canos, o Convento da Graça, as Igrejas da Misericórdia, de S. Pedro (pórtico manuelino), de Sta. Maria do Castelo e de N.ª Sr.ª do Ameal; o Museu Municipal, com um vasto espólio arqueológico e o Forte de S. Vicente, das Linhas de Torres.

Torres Vedras em Festa: O Carnaval, as Delicias (em Abril com vinhos, queijos e doces), a Feira de S. Pedro (Junho/Julho), o "Castelo de Musica" (Maio), a Feira das Freguesias e o Festival das Vindimas (Novembro).


REGIÕES: TORRES VEDRAS

Arena Shopping

O Shopping do Oeste Inserido numa região caracterizada pelo seu estilo de vida tranquilo, o Arena Shopping pelas suas características arquitectónicas e pelo design harmonioso, projecta naqueles que o visitam uma sensação de calma e bem-estar. Luz natural, uma decoração única e espaços amplos, este moderno centro comercial reflecte no seu interior a realidade da região onde se encontra inserido, uma região rica em cor e paisagens. Moda, decoração, entretenimento e serviços são apenas algumas das áreas de actividade de que dispõe e às quais recorrem cerca de 300 mil clientes todos os meses. A proximidade do shopping com o centro de Torres Vedras e a sua vivência marcadamente regional tem contribuído para uma crescente aproximação entre ambos os pólos e fazem com que o Arena tenha já criado o seu próprio espaço no seio da região Oeste. A par das múltiplas actividades que

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proporciona ao longo do ano, os clientes são diariamente surpreendidos com a simpatia e simplicidade que caracterizam o atendimento das cerca de 90 lojas que possui. Hipermercado, farmácia, cinema, healthclub tudo se reúne num único espaço concebido a pensar na comodidade de quem o frequenta. Assinalando já um ano de existência, o Arena Shopping tem vindo a associar-se cada vez mais a tudo o que de melhor se faz na Região. Dos vinhos ao desporto, do Carnaval às Festas da Cidade, da Feira de São Pedro às actividades junto do público infantil – alguns exemplos apenas para ilustrar os últimos meses de franco sucesso.


REGIÕES: MATOSINHOS

Matosinhos

“Coração económico da Área Metropolitana do Porto” Em entrevista Guilherme Pinto, presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, faz um balanço dos três anos de mandato salientando que: “O que mudou foi a existência de uma visão estratégica no concelho, essencialmente a existência de uma ideia coerente daquilo que queremos para o presente e para o futuro, tendo sempre em linha de pensamento a nossa ligação com o Atlântico.” Texto: Alexandra Carvalho Vieira e Ana Mendes | Fotos: Francisco Teixeira, C. M. Matosinhos

Como é gerir uma autarquia no séc. XXI?

computador Magalhães e temos, neste momento várias unidades fabris que estão a procurar alavancar uma aposta no futuro, como é o caso da EFACEC e outra empresa que vai produzir aparelhos para deficientes que vai se instalar em Leça do Balio. Está também a ser estudada a construção de dois parques industriais na zona de São Mamede Infesta e há toda uma área particularmente ali na zona do Freixieiro onde está a explodir todo um conjunto de serviços e outras actividades, como por exemplo, o Mar Shopping.

Gerir uma autarquia é um desafio que tem a ver principalmente com estudo. Até há bem pouco tempo a política baseava-se apenas no combate às deficiências antigas, em repor a qualidade de vida que não existia no passado. Hoje em dia temos que antecipar o futuro, antecipar as tendências, tentar perceber para onde a comunidade se deve dirigir. Estas são matérias que obrigam a uma grande reflexão e que obrigam sobretudo a que haja uma ligação muito intensa com aquelas que são as tendências de fundo. Que projectos têm sido desenvolvidos em prol dessa visão estratégica?

A ligação de Matosinhos com o Mar tem sido a nossa prioridade. Estamos a falar num investimento de cerca de 50 milhões de euros na orla costeira, que engloba a construção de parques de estacionamento, requalificação das praias e, paralelamente, a reformulação dos tradicionais equipamentos de apoio. Estamos a encetar esforços para criar uma parceria com a Universidade do Porto que permita a fundação de um centro de ciências do mar. Um projecto já definido, no qual pretendemos ser parceiros. Temos também um conjunto de investimentos ligados ao turismo, nomeadamente o terminal de cruzeiros e, simultaneamente, estamos a tentar colocar Matosinhos nas rotas do turismo mais significativas. É no 48

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Quais são as principais lacunas do concelho e de que forma o executivo pretende dar resposta? » Guilherme Pinto, presidente da Câmara Municipal de Matosinhos

Mar que reside também a nossa qualidade arquitectónica. Há imensos eventos que acontecem junto ao mar, pois grande parte do nosso valor arquitectónico está situado na orla costeira, nomeadamente em Leça da Palmeira. A dinâmica empresarial tem vindo a aumentar?

Sim, actualmente somos das zonas mais dinâmicas da Área Metropolitana do Porto. Temos a APDL, por exemplo, onde estão a ser feitos grandes investimentos, e a Petrogal que é uma das maiores empresas do concelho, que também está a fazer uma grande aposta na sua modernização. Somos também a cidade que está a produzir o

Matosinhos tem uma cobertura muito razoável, falando a nível de saneamento. Temos já a rede assegurada nos próximos quatro anos, isto é uma matéria já determinada. Em termos de espaços verdes, já conseguimos ter jardins a menos de 500 metros de casa de cada cidadão, mas diria que a grande falta do nosso concelho é a construção de um novo parque escolar, porque embora o novo parque seja bom, faltam muitas obras, muitos investimentos e temos ainda más condições nas nossas escolas. Temos depois um conjunto de infraestruturas que têm a ver com a actividade desportiva, particularmente as obras em São Mamede Infesta e no Estádio do Mar. Leia entrevista na íntegra em www.revistaperspectiva.info


CIDADES MAIS: GUIMARÃES

Cidade agradável para se viver A Perspectiva tem em curso uma iniciativa inovadora que visa eleger cidades portuguesas de acordo com diferentes critérios. Texto: Alexandra Carvalho Vieira

“Cidades Mais” foi o nome escolhido e, nesta edição da Revista, elegemos Guimarães, em particular, por ser aquela que, com um número superior a 100 mil habitantes, detém o segundo valor mais elevado em termos de população no distrito. Guimarães dispensa apresentações, mas nunca é demais lembrar que é o berço da Nação, Património Cultural da Humanidade, eleito pela UNESCO, e está em fase de candidatura para ser Capital Europeia da Cultura 2012. Estes e outros motivos, exigem muita responsabilidade a quem gere uma cidade com tão grande história e património. Por isso, conversámos com o seu mais alto representante a nível autárquico, António Magalhães que reforça que Guimarães é uma cidade agradável para se viver porque “tem uma qualidade de vida excepcional, um programa cultural muito bom, boa restauração, boa paisagem, monumentalidade, clube de futebol prestigiado e muito boas acessibilidades”, 50

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ou seja, “temos muitas vantagens de uma cidade grande e não temos os seus inconvenientes”. Em entrevista o autarca realça também a centralidade da cidade, justificando que

“Guimarães está a 45 minutos da fronteira com Espanha, a meia hora da praia de Vila do Conde e a meia hora do aeroporto”. Guimarães é a segundo cidade com mais densidade populacional do distrito de Braga, mas até há pouco tempo estava em primeiro. O que se passou?

Até há pouco éramos o primeiro concelho, mas com a cisão de cinco freguesias que passaram para Vizela, passamos para segundo. Actualmente, estamos com uma população muito aproximada da de Braga. Aliás, Braga tem um espaço urbano de outra dimensão, mas ao nível de concelho a população é muito aproximada, 162/165 mil pessoas numa área de 242 km2 em 69 freguesias. Há a preocupação de através das freguesias chegar mais perto dos munícipes? » António Magalhães, presidente da C. M. de Guimarães

É mais fácil claro. O espaço urbano mais tradicional tem 65 mil habitan-


CIDADES MAIS: GUIMARÃES

tes, mas depois há uma coroa de 9 vilas à volta que tem mais ou menos a mesma população. Existe também um espaço mais rural que tem sinais de mais desertificação, onde vivem cerca de 30 mil pessoas. Em que princípios assenta o desenvolvimento sustentável do concelho?

Tentamos não estragar muito esta herança valiosa que temos e por isso percebemos que existe uma fragilidade. Como a nossa actividade económica estava centrada na indústria têxtil e vestuário, hoje deparamo-nos com situações extremas pelas razões que sabemos e não conseguimos combater. A descida das exportações e das vendas em Portugal, e o aumento de circulação dos produtos chineses, prejudicam sobretudo as empresas que não tinham fabrico de ponta, nem marketing qualificado, nem mercados muito definidos. Por outro lado, a situação do dólar face ao euro e a constante subida do preço dos combustíveis também não ajudou. O sector do calçado e da metalurgia tem conseguido superar as dificuldades. De facto, o têxtil e o vestuário são os que nos dão mais dores de cabeça e que têm contribuído mais para o aumento da taxa de desemprego. Temos cerca de 9200 desempregados, cerca de 11% da população, entre os 45 e os 50 anos, que não são qualificados. O que é que tem sido feito para combater o desemprego e a desertificação de algumas freguesias?

O executivo não pode fazer muito, não temos dimensão para isso, mas fizemos algo que pode dar alguns frutos no futuro. Assumimos um Parque de Ciência e Tecnologia – o Avepark -, que no final deste ano terá 700 postos de trabalho e que, em nosso entender, permitirá criar uma economia de escala. Além dos empregos para jovens com qualificações elevadas, também serão necessárias pessoas que trabalhem nos estabelecimento de restauração, entre outros. Entretanto também nos aliamos à Universidade do Minho, para conseguirmos encontrar alternativas para o futuro da região. Outra vertente em que estamos a apostar é no turismo e na requa-

lificação urbana. Queremos trazer até nós os comerciantes, a restauração e similares para juntos encontrarmos as melhores formas para dinamizar o concelho. O artesanato, por exemplo, a nível dos tecidos de linho tradicionais são, do ponto de vista turístico, muito procurados. Mas isto por si só não resolve as questões do concelho, apenas as ameniza. Isto não é, de modo algum, o que se pretende para o futuro, principalmente para as camadas jovens, que vivem numa angústia evidente pois têm um curso superior, por vezes, sem mercado compatível. A candidatura a Capital Europeia da Cultura 2012 trará uma nova dinâmica ao concelho?

Confesso que estamos a prejudicar este mandato a pensar na candidatura a 2012, mas estamos cientes de que a mesma vai proporcionar grande desenvolvimento ao concelho. Se conseguirmos as verbas para o orçamento que propusemos a Bruxelas, vamos conseguir construir quatro ou cinco infraestruturas que vão abarcar muitas pequenas indústrias complementares. Actualmente, decorre um processo que envolve a definição de projectos, a verificação de terrenos, ou seja, um trabalho árduo de médio prazo. Outra preocupação tem sido ao nível da modernização dos serviços da autarquia que, inclusive, valeu um Prémio Nacional de Boas Práticas?

Claro, temos que nos encaixar na onda do progresso, que não podemos perder, mas há uma franja da população mais tradicional que tem hábitos,

tradições que não podemos ignorar e que sabemos que não os podemos abandonar. Tem que haver um equilíbrio. O Prémio Nacional de Boas Práticas significou que estamos a adaptar a máquina da autarquia e os projectos de intervenção a favor dos munícipes. Os serviços têm de estar preparados para poder responder de uma forma dinâmica a favor do cidadão, isto implica a criação de um único balcão onde os munícipes possam tratar de tudo. É tipo uma loja do cidadão que estará pronta em Julho do próximo ano.

Projecto Quadrilátero – Rede Urbana para a Competitividade e Inovação “É difícil por a trabalhar num projecto comum as autarquias de Braga, Guimarães, Barcelos e Famalicão. Há realidades ancestrais que deixam algumas sequelas, mas ultrapassamos isso, porque a candidatura incentivava a isso. Estamos a trabalhar para que na prática tenhamos um espaço maior, porque a globalização fragiliza a intervenção isolada e nós não temos a massa crítica para respondermos a um conjunto de situações que é necessário ultrapassar, mas ao nível das 4 cidades conseguimos. No fundo, pretendemos encontrar projectos para que sejamos mais competitivos neste espaço regional. É mais fácil de uma forma integrada, há serviços que se vão complementar entre estas 4 cidades. Vai permitir uma competitividade que de outra maneira não conseguiriamos.

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CIDADES MAIS: MIRANDA DO DOURO Miranda do Douro

Património cultural e paisagístico Os mirandeses preservam uma língua própria, o mirandês proporcionando às novas gerações este património linguístico, desenvolvendo competências comunitárias na língua autóctone e, por esta razão, é leccionada em todas as escolas do concelho (em regime de opção). Miranda do Douro é também conhecida e associada a uma especialidade gastronómica, a posta mirandesa, um delicioso e suculento naco de vitela assada. O clima é áspero, com invernos rigorosos com frequentes e fortes formações de geada e algumas nevadas. Os verões são verdadeiramente quentes. Um número significativo de Mirandeses dedica-se à produção animal, bovinos de raça mirandesa e ovinos de raça churra mirandesa de grandes potencialidades gastronómicas, o vinho e o azeite produzido no concelho ajudam a compor a ementa. Miranda foi e é um concelho eminentemente agrícola, repleto de ruralidades culturais, artesanais e gastronómicos com potencialidades que têm que continuar a ser exploradas e cada vez mais divulgadas. A língua mirandesa, os pauliteiros, o artesanato como Capas de Honras Mirandesas, as cutelarias, o ferro forjado, a bola doce mirandesa, os enchidos repletos de sabores feitos

por mulheres de saberes perpetuados ao longo do tempo. Américo Tomé, vice-presidente da Câmara Municipal de Miranda do Douro, fala do mandato actual e da forma como é possível combater a desertificação e fazer face à interioridade, apostando no património cultural e paisagístico. Que balanço faz deste mandato?

Este mandato tem sido um pouco atípico devido aos atrasos que se verificam na implementação do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN). Temos várias candidaturas de âmbitos diferentes, em vias de aprovação, contudo falta quase um ano de mandato, pelo que acreditamos que até fins de 2009 conseguimos realizar as acções a que nos propusemos. Será à imagem dos mandatos anteriores um período dinâmico no progresso com a realização efectiva de projectos que os mirandeses esperam, acrescento contudo que

» Américo Tomé, vice-presidente da C. M. de Miranda do Douro

as dificuldades financeiras dos Municípios do interior, com poucas receitas próprias, são cada vez maiores. Quais os grandes investimentos efectuados?

A recuperação urbanística do Rio Fresno, foi uma obra de grande envergadura, que permitiu doar o rio Fresno aos cidadãos, pois quando o caudal era significativo as águas ganhavam bravura demasiada e no verão ficava sem caudal visível. Iniciamos há dias a instalação do relvado sintético no campo de futebol de Santa Luzia, que permitirá uma prática regular de desporto a todos os nossos jovens e não só. Para o próximo ano temos planeado uma Quinta Pedagógica que consistirá um pólo interessante para a dinamização turística. Sentiram grandes dificuldades?

As dificuldades são sempre muito gran52

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CIDADES MAIS: MIRANDA DO DOURO

des e de ordem vária, mas têm que constituir tónicos para se procurar realizar cada vez mais e melhor sobretudo com muito critério. A dificuldade, tal como a necessidade aguça o engenho….. Localizado junto à fronteira com Espanha, ou seja, no interior do país, como é feito o combate à desertificação?

Essa é a tarefa mais difícil dos concelhos do interior em que as autarquias por si só não têm poder suficiente para resolver essas situações. Miranda do Douro, concretamente, está isolado, os acessos são muito restritos sobretudo na responsabilidade nacional. Para irmos para Bragança e Porto vamos por Espanha, quando nos deslocamos a Lisboa, vamos também por Espanha. Grande parte dos visitantes são espanhóis, que vêm fazer compras, almoçar, jantar, aproveitar o nosso património edificado, cultural e paisagístico. Temos que promover mais e melhor todo o nosso potencial endógeno por forma a dinamizar o aparecimento de pequenas empresas capazes de fixar pessoas. Quais são os atractivos deste concelho para quem queira vir morar para o concelho?

Miranda do Douro é um concelho com enormes potencialidades turísticas que têm que continuar a ser uma aposta clara por parte da autarquia e da sociedade civil. Constituímos um concelho onde o desemprego é bastante baixo, quase residual, pelo que poderá constituir uma oportunidade de trabalho para mais alguns. Há freguesias com bastante dinamismo empresarial, nomeadamente Palaçoulo, com empresas na área da cutelaria e tanoaria de alguma dimensão, mas sobretudo de grande qualidade. A existência de um pólo da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro no concelho, veio dinamizá-lo?

O Pólo da UTAD trouxe muito dinamismo ao concelho, nomeadamente através de um boom construtivo que já não se via há muito tempo. As relações entre a Autarquia e a Universidade foram sempre as melhores havendo da nossa parte uma vontade grande e permanente na satisfação das solicitações,

contudo o Sr. Reitor ou o órgão a que preside decidiram acabar com o ensino superior, pelo menos de forma regular, em Miranda o que lamentamos e não compreendemos com facilidade, sentimo-nos usados, disponibilizamos edifícios em que foi necessário investir, disponibilizamos habitações, oferecemos vários outros aspectos logísticos sempre na expectativa que o pólo fosse cada vez mais uma realidade, mas pouco valeu a disponibilidade. É uma tristeza. Outra vertente importante do pólo da UTAD era a vivificação que concedia ao concelho de Miranda, que se notava vivificado com o dinamismo de 300, 400 alunos que conviviam com a cidade e as instituições do concelho. Tem que se procurar uma solução, com a UTAD, com outras Universidades, estamos a trabalhar nisso, é muito importante que o consigamos. Quais são as grandes necessidades do concelho a curto/médio prazo?

Um aspecto importante é o focado anteriormente, o ensino universitário. Outra necessidade é a implementação efectiva do IC5, há tantos anos falado mas que nunca passa do papel. O IC5 é uma via estruturante para o nosso concelho e outros concelhos do sul do distrito de Bragança. Fndamental também para os mirandeses é que chegue a Espanha e não fique por Duas igrejas, como no passado a linha do comboio. Ao nível da saúde, o concelho não possui um hospital a menos de uma hora de distância. Como fazer face a esta situação?

Temos um Centro de Saúde recente que contribui para uma boa resposta aos pacientes. No entanto o concelho fica longe dos Hospitais que constituem o agrupamento Hospitalar de Nordeste, Bragança, Macedo de Cavaleiros e Mirandela, pois mesmo Bragança o mais próximo fica a 1 hora de viagem. Temos Zamora que dispõe de todas as especialidades a 35-40 minutos. O anterior ministro da Saúde predispôs-se a celebrar protocolos, para possibilitar o acesso aos serviços de saúde em Zamora, porém nada aconteceu, o Sr. Ministro acabou por sair do governo. Esperamos também que o helicóptero que por protocolo ficou de ser colocado em Macedo no início de 2008, faça uma

boa viagem e chegue apenas com um ano de atraso, início de 2009. O que é que perspectiva para o concelho, em termos de futuro?

O concelho de Miranda é atractivo para quem nos visita e é um concelho com estruturas capazes de acolher cada vez mais turistas. O centro histórico recuperado, espaços públicos bem arranjados, o rio Fresno recuperado, a futura quinta pedagógica, o centro de interpretação turístico e ambiental já a funcionar, têm que continuar a ser divulgados e promovidos no exterior de forma a tornar o concelho cada vez mais visitado e por mais tempo. Miranda está a ficar com infra-estruturas suficientes, temos que apostar definitivamente nas capacidades turísticas do concelho assim como na comercialização dos diversos produtos endógenos. “La nuossa lhéngua” mirandesa Vocabulário diverso Sim - Si Não – Num/No Bom dia – Buonos dies Boa tarde – Buonas tardes Boa noite – Buonas noites Adeus – Adius Desculpe – Çculpe Se faz favor – Se fai fabor Obrigado – Oubrigado Não entendo – Num antendo Fale devagar – Fale debagarico Números em mirandês Un, dous, trés, quatro, cinco, seis, sete, uito, nuobe, dieç. Fonte: Roteiro Turístico Miranda do Douro

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VITICULTURA E TURISMO Casa do Cadaval

Herdade secular do

Situada na margem esquerda do Rio Tejo, a Casa do Cadaval é uma herdade com quase quatro séculos que tem um papel determinante no desenvolvimento da região do Ribatejo. Também conhecida como herdade de Muge, aqui são desenvolvidas as actividades de produção de vinho, produção agrícola, criação de gado bovino e coudelaria. Aliado a isto, actua na área do turismo, visto ser um espaço que reúne inúmeras condições de excelência para receber os mais diversos eventos, ou para proporcionar um verdadeiro dia de aventura e lazer junto à natureza e aos animais. A actual responsável pela Casa do Cadaval, Teresa Schönborn, e produtora de vinhos, recebeu este ano o prémio “Mulher do Vinho 2008”, na 3ª edição dos Prémios Internacionais EVA, o único prémio gastronómico feminino internacional. Teresa Schönborn tem realizado um importante trabalho de desenvolvimento da viticultura regional e na projecção mundial da região do Ribatejo, como zona produtora. O que significou para si receber o prémio de “Mulher do Vinho 2008”?

Em primeiro lugar, devo dizer que não estava nada à espera. Mas considero 54

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que este prémio foi entregue à Casa do Cadaval no seu conjunto. O prémio foi ganho devido ao vinho Marquesa do Cadaval, que é o nosso expoente máximo, e que foi feito em homenagem a esta senhora, a grande impulsionadora destas vinhas. É considerado por especialistas o melhor vinho do Ribatejo. Eu sou a última das cinco mulheres que estiveram à frente da Casa de Cadaval, cinco gerações em que foram sempre mulheres a liderar esta herdade, portanto o prémio é dedicado a todo este agregado. Ao nível turístico, o que é que podemos esperar da Casa do Cadaval?

Oferecemos um amplo espaço para eventos, como casamentos e outras festas, disponbilizando um excelente serviço de cattering e actividades variadas. Temos diversas acções de lazer e entretenimento para dinâmi-

cas de grupo, como prova de vinhos, visitas arqueológicas e a uma reserva natural, espectáculos equestres, assim como cruzeiros no rio Tejo. É um Quatro séculos de história A Herdade de Muge pertence à família Alvares Pereira de Mello há quase quatro séculos. Nesta casa residiu a Rainha Dona Leonor, terceira mulher do Rei Dom Manuel I, irmã do Imperador D.Carlos V e mãe da Infanta D.Maria. A Rainha Dona Leonor residiu aqui até partir para Castela, casando com o Rei de França, Francisco I., deixando a sua filha Infanta Dona Maria com dois anos, passando assim a Casa de Muge para a família dos Condes de Odemira. A Condessa de Odemira, Dona Maria de Faro, casou com Don Nuno Alvares Pereira de Melo, 5º Conde de Tentúgal, o 1º Duque de Cadaval, título concedido em 1648, pelo Rei D. João IV.


VITICULTURA E TURISMO

Ribatejo

local também muito procurado para a realização de seminários, reuniões de empresas, entre outros. Temos capacidade para receber cerca de mil pessoas.

tos com o mesmo afinco de sempre, pretendendo estar sempre na vanguarda dos serviços.

A sua coudelaria é muito prestigiada a nível nacional. Sabemos também que é a sua actividade predilecta. Como a descreve?

Portugal tem óptimos vinhos, tem muita qualidade, é um dos países emergentes nesta área. É necessário, no entanto, haver mais divulgação, preferencialmente conjunta, pois juntos temos logicamente mais força. Já temos progredido muito nos últimos anos, estamos já em imensos concursos mundiais, já ganhamos muitas medalhas, portanto temos todas as condições para melhorarmos. Os especialistas apreciam muito o nosso vinho, o que nos falta é promoção, pois como constatamos os outros

Temos uma das coudelarias mais antigas do país, são todos puro sangue lusitano. A dréssage é o nosso objectivo principal não obstante as outras modalidades. Temos vários cavalos a competir na dréssage: o “Raio” em Espanha com Juan António Jimenes (medalha de bronze em Atenas 2004), o “Tejo” e o “Ui”com Leonor Ramalho, “Vircon” com Miguel Ralão Duarte, o qual foi recentemente vencedor do Critério dos 4 anos.

Como caracteriza a área vinícola portuguesa?

Casa do Cadaval Como imagina a Casa do Cadaval daqui a uns anos?

Espero que esteja sempre melhor. Esta casa já tem 350 anos e toda as pessoas que estiveram à frente dela sempre pensaram em melhorá-la, portanto esta será sempre a nossa missão. Queremos produzir os nossos produ-

2125-317 Muge Telf. +351 243 588 040 Fax. +351 243 581 105 E-mail: geral@casadocadaval.pt www.casacadaval.pt

Qual a melhor forma de chegar à Casa do Cadaval? Quem venha de Lisboa, pode sair em direcção a Vila Franca de Xira, seguir por Samora Correia, Benavente, Salvaterra de Magos e logo à frente aparecerá Muge. Quem se dirige do Norte, deverá sair da auto-estrada em direcção a Almeirim e depois dirigir-se para Muge.

países estão à nossa frente, nomeadamente na visibilidade. Como presidente da Rota do Ribatejo, quais são as suas prioridades?

A Rota e os Caminhos do Ribatejo são tudo a mesma coisa. A prioridade no momento é a divulgação da região, é fazer-nos conhecer, quanto às nossas particularidades, nomeadamente o nosso vinho, gastronomia, entre outros. Com uma maior visibilidade podemos impulsionar o número de visitantes e dinamizarmos toda este território que tem um enorme potencial. NOVEMBRO 2008

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Mobilidade Reduzida

Um dia em Lisboa A cidade das sete colinas oferece inúmeras opções de passeio para quem, por motivos vários, tem mobilidade reduzida. A visita pode começar por uma ida, bem cedinho, a Belém. Uma zona de Lisboa muito agradável e bastante acessível, plana e com poucos obstáculos. As passadeiras, na sua maioria, indicam os pontos onde os passeios são rebaixados. Incontornável é, estando aqui, deliciar-se com um pastel de Belém. Apesar de o interior desta confeitaria ser totalmente acessível, com casa de banho ampla e adaptada, na entrada existe 1 degrau com cerca de 20 cm, portanto torna-se necessário obter alguma ajuda. Dos pastéis de belém, sugerimos como próximo destino o Mosteiro dos Jerónimos. Utilizando a passadeira junto à paragem dos eléctricos para passar para o lado do Jardim (passeio rebaixado, mas o alcatrão da estrada criou uma pequena lomba), seguimos pelo jardim ou pelo passeio em direcção ao Mosteiro. Junto à banca do posto de turismo podemos usar a passadeira para passar para o lado do Mosteiro, mas atenção à linha do eléctrico. O Mosteiro dos Jerónimos está acente sobre um patamar com cerca de 5 cm, para o qual não há rampa, mas o mesmo pode ser facilmente transposto. Junto ao Portal Principal está uma rampa que dá acesso ao interior da Igreja, apesar de regularmente avariada, se pretender utilizá-la contacte o Mosteiro antes da visita, por forma a assegurar a viabilidade da mesma. O interior é plano e totalmente acessível até à zona do transcepto. O transcepto está assente num patamar com pelo menos 20-30 cm de altura, que no entanto é facilmente visível dada a pouca profundidade. Na visita à Igreja, nomeadamente aos claustros, é apenas acessível o piso térreo, onde existe uma pequena casa de banho para cadeiras manuais. Saindo do Mosteiro, viramos à direita e seguimos pelo passeio com destino ao Museu de Marinha. Totalmente acessível a cadeiras de rodas manuais e eléctricas, no piso térreo e a manuais, com

alguma dificuldade, no primeiro andar, o museu dispõe de casas de banho acessíveis. Depois do Museu da Marinho, descontraia um pouco visitando o Centro Cultural de Belém (CCB). Um edifício moderno e acessível, com casas de banho totalmente adaptadas, no entanto, alguns elevadores de escada foram apenas equacinados para cadeiras manuais, não conseguindo elevar algumas cadeiras. Durante a tarde, visite a Baixa A baixa de Lisboa foi alvo de obras por forma a criar as acessibilidades que eram necessárias. Continua com alguns problemas, nomeadamente em relação a casas de banho acessíveis. Se desejar almoçar, aconselhamos uma das esplanadas da Rua das Portas de Santo Antão (esplanadas acessíveis, sem casa de banho adaptada) ou o Hard Rock Café, na Praça dos Retauradores (casa de banho acessível). Depois do almoço visite a praça dos restauradores que é totalmente acessível, com passeios rebaixados, e caso se desloque de carro fique a saber que o parque de estacionamento tem lugares reservados para carros identificados como pertencentes a pessoas com deficiência. Outras zonas a não perder: - Rua Das Portas de Santo Antão (M/E) Rua totalmente pedestre, com muitas esplanadas onde é possível almoçar, ver o teatro Politeama ou o

Coliseu de Lisboa - Praça D. Pedro IV – Rossio (M/E) Totalmente acessível com passeios rebaixados. Entrada na recém renovada estação de Comboios tb possivel. - Praça da Figueira (M/E) Totalmente acessível com passeios rebaixados - Rua Augusta (M/E) Pedestre na sua maioria, não tem passeios rebaixados na Rua da Conceição, Rua de São Julião e na Rua do Comércio - Largo de São Domingos (M/E) Totalmente pedestre e acessível - Igreja de São Domingos (M/E) Acessível nos corredores laterais da nave principal Aconselhamos ainda uma pequena volta a partir do Rossio, passando pela Praça da Figueira, Largo de São Domingos, Rua das Portas de Santo Antão, Praça dos Restauradores e de volta ao Rossio. Do Rossio podemos igualmente descer pela Rua Augusta com destino à Praça do Comércio. Pelo caminho sugerimos uma subida ao elevador de Santa Justa (miradouro). A volta tem que ser feita pelo elevador. Ao Jantar sugerimos uma noite de Fados no restaurante Luso, em pleno Bairro Alto. (M/E) Visto estar situado numa das entradas do Bairro Alto, permite uma circulação facil em cadeira de rodas. À entrada tem um pequeno degrau de cerca de 5 cms o qual é transponivel com alguma ajuda.

Jerónimos Encerra à Segunda-feira e também nos feriados nacionais de: 1 de Janeiro; Domingo de Páscoa; 1 de Maio e 25 de Dezembro // Claustros e dependências: Adultos: € 6; Portadores de deficiência, mediante comprovação: € 3 Museu de Marinha Das 10.00 às 17.00 horas (01 Out / 31 Mar) Das 10:00 às 18:00 horas (01 Abr / 30 Set) Adultos: €3 CCB Museu Colecção Berardo (Aberto todos os dias e Entrada Gratuita) Hard Rock Café 2ª - Dom 12h – 02h Entre 15/30 € por pessoa Restaurantes da Rua das Portas de Santo Antão Preço médio: 10 € por pessoa sem bebidas. Restaurante Luso Preço médio: 50€ a la carte Elevador de Santa Justa 1.40 € Legenda ( M/E) M – Acessível a cadeiras de rodas manuais E – Acessível a cadeiras de rodas eléctricas

Informações fornecidas pela Accessible Portugal. 56

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www.accessibleportugal.com info@accessibleportugal.com Tel.: (00351) 21 720 31 30 Fax.: (00351) 21 720 31 39


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A Acessibilidade em Portugal A acessibilidade é um conceito nuclear na problemática da inclusão ao promover a igualdade de oportunidades e a participação social através das transformações que opera no meio físico (progressivamente alargadas às áreas dos transportes e das comunicações), tendo em consideração as múltiplas vertentes da diversidade humana, seja dimensional, perceptiva, motora ou cognitiva. Por Carlos Pereira e José Madeira Serôdio, técnicos do Gabinete de Investigação e Desenvolvimento e do Gabinete de Apoio Técnico do Instituto Nacional de Reabilitação, I.P.

A acessibilidade deve ser entendida como a interacção universal com o meio físico ou com os objectos e significar antes do mais, a facilidade na aproximação, no trato ou na obtenção. “A acessibilidade tem que ser para todos os cidadãos, a qualidade que permite a qualquer pessoa comunicar, compreender ou alcançar o que necessita, em qualquer ambiente.” (in Acessibilidade para a Igualdade de Oportunidades – Guia de Boas Práticas – pp15 – SNRIPD. É nesta perspectiva que tendo-se presente a promoção da acessibilidade

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não deveremos apenas pensar nas pessoas com deficiência, mas um leque cada vez mais abrangente de cidadãos. Numa Europa em que o número estimado de pessoas com deficiência é de 38 milhões de pessoas e em Portugal de 905.488 (9,16% da população nacional), de acordo com os dados do Inquérito Nacional realizado por amostragem em 1995, embora o Censos 2001, realizado pelo Instituto Nacional de Estatística a nível nacional, tenham sido identificadas cerca de 640.000 pessoas com deficiência (6,13%). Mas estes números são potenciados quando se incluem pessoas com mobilidade condicionada e pessoas com mais de 65 anos de idade. Com as questões da acessibilidade deseja-se a criação de um ambiente confortável, seguro, que proporcione informação eficaz, e onde seja fácil comunicar, aceder e circular, facilitar a vida de todos os que, por motivo de deficiência ou incapacidade, têm a sua mobilidade e a sua participação activa na vida da sociedade condicionadas por múltiplas barreiras. Portugal na esteira dos documentos internacionais produzidos desde 1993, de que se destacam: - Em 1993 as Nações Unidas declaram que os serviços, as actividades, a informação e a documentação devem estar disponíveis para todos (Normas sobre Igualdade de Oportunidades para Pessoas com Deficiência).

- Em 2001, o Conselho da Europa consagra o direito à autonomia na acessibilidade, rejeitando a visão tradicional da dependência de terceiros, passando a reconhecer-se como direito fundamental do cidadão a acessibilidade ao meio edificado, à informação e à comunicação. - Em 2006 as Nações Unidas aprovam a “Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência”, subscrita por Portugal em 2007, estando prevista a sua ratificação durante o corrente ano, que preconiza no seu Artigo 9º a tomada de muitas medidas relativas à acessibilidade, abordando aspectos como barreiras arquitectónicas internas e externas, comunicação, telecomunicações, linguagem, acesso à informação, transporte, habitação, etc. - O Plano de Acção Europeu para 2008-2009 que definiu a acessibilidade como uma prioridade para a inclusão activa e acesso a todos os direitos, tem adoptado variada legislação nesta área. Os diplomas mais relevantes para as áreas da Acessibilidade são: - a Lei de Bases da Prevenção, Habilitação, Reabilitação e Participação das Pessoas com Deficiência (Lei nº 38/2004, de 18 de Agosto), que nos artigos 32º, 33º, 42º e 44º foca a obrigação do Estado providenciar


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acessibilidade ao meio físico, aos transportes e à sociedade de informação, no âmbito da “promoção de uma sociedade para todos através da eliminação de barreiras e da adopção de medidas que visem a plena participação das pessoas com deficiência” (alínea d) do Artigo 3º); - a Lei nº 46/2006, de 28 de Agosto, que, ao punir e proibir discriminação, directa e indirecta, vem reforçar a indispensabilidade da existência de meios edificados e transportes acessíveis e, quanto às barreiras à informação e à comunicação; - o Decreto-Lei nº 163/2006, de 8 de Agosto, que revoga o Decreto-Lei nº 123/97, de 22 de Maio (diploma que apesar das muitas fragilidades que lhe foram apontadas, permitiu uma apreciável mudança de mentalidades e de filosofia e ainda a criação de condições de acessibilidade em edifícios públicos e que recebem público, bem como na via pública. Este diploma tornou possível, passados 9 anos sobre a sua entrada em vigor, o alargamento do regime da acessibilidade aos edifícios habitacionais); - a Resolução do Conselho de Ministros nº 120/2006, de 21 de Setembro, alterada pela Resolução do Conselho de Ministros nº 88/2008, de 29 de Maio, que aprovou o PAIPDI - Plano de Acção para a Integração das Pessoas com Deficiências ou Incapacidade ( que estabelece um conjunto de medidas e de acções, que, numa perspectiva de transversalidade e de envolvimento de todos os agentes, públicos e privados, procuram contemplar as várias áreas da acessibilidade: meio edificado e espaços públicos, transportes e tecnologias de informação e comunicação); e - a Resolução do Conselho de Ministros nº 9/2007, de 17 de Janeiro, que aprovou o PNPA – Plano Nacional de Promoção da Acessibilidade (que constitui um instrumento estruturante das medidas que visam a melhoria da qualidade de vida de todos os cidadãos e, em especial, a realização dos direitos das pessoas com necessidades especiais, e procede à sistematização de um conjunto de acções para proporcionar às pessoas com mobilidade condicionada ou difi-

culdades sensoriais, a autonomia, a igualdade de oportunidades e a participação social. Definindo um conjunto de linhas, medidas e acções a implementar até 2010 (estando prevista a sua prorrogação até 2015), assentes em 6 grandes áreas de actuação: sensibilizar, informar e formar; assegurar a acessibilidade no espaço público e no meio edificado; promover a acessibilidade nos transportes; apoiar a investigação e a cooperação internacional; fomentar a participação; e assegurar a aplicação, o controlo e a coordenação). Decorrendo da aplicação do PAIPDI e do PNPA, podemos hoje assinalar o desenvolvimento dos projectos “Praia Acessível Praia para Todos” e “Escola Alerta”, bem como os estudos sobre sinaléctica para cegos, já em implementação nas estações do Metro de Lisboa e REFER. Outras medidas facilitadoras da acessibilidade nos transportes em comboio, em autocarro, em avião, em barco, em viatura particular e em táxi têm sido objecto de análise e aplicadas oportunamente. Ainda no campo das boas práticas em curso parece importante mencionar a melhoria no transporte porta a porta, a acessibilidade nos metropolitanos, os sistemas de informação próximos do GPS em ensaio no Metro do Porto, a acessibilidade às ATM e às máquinas de bilhética, as medidas para que o turismo seja cada vez mais uma actividade em que o livre acesso e fruição de todos os espaços seja uma realidade, a acessibilidade electrónica como via de integração de muitas pes-

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soas com incapacidades ao nível da comunicação. Podemos ainda salientar os esforços já empreendidos na legendagem, na língua gestual e na áudio-descrição nos diversos canais televisivos, assim como as acções de desenvolvimento da informação em suportes alternativos e aumentativos.

Grande importância têm também a criação dos Prémios de Acessibilidade e a edição de manuais técnicos e suportes multimédia para divulgação e promoção da aplicação do conceito de Desenho Universal. Como aspectos eminentemente práticos cabe-nos referir a intensificação da participação do Instituto Nacional para a Reabilitação, I.P., no acompanhamento dos planos municipais de ordenamento do território, na integração em iniciativas de grande inovação como sejam os casos da prevenção de acidentes rodoviários no âmbito da Autoridade Nacional para a Segurança Rodoviária, ou na criação da Ecovia do Algarve. Trata-se de um conjunto significativo de actuações, demonstrativo da abrangência dos temas da acessibilidade, cuja referência sucinta ajudará certamente a melhor entender o imperativo de uma acessibilidade urgentemente para todos. NOVEMBRO 2008

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Tecnologias para a Inclusão Com perto de vinte anos de actividade ininterrupta no combate à solidão e à exclusão social, escolar e profissional de cidadãos com necessidades especiais, a PT, hoje através da sua Fundação, tem promovido e apoiado várias iniciativas, projectos e programas que visam a melhoria da qualidade de vida destas pessoas. Por Clara Cidade Lains, directora de Info-Excusão e Necessidades Especiais da Fundação Portugal Telecom

Entre as diversas tecnologias desenvolvidas e subsidiadas pela Fundação PT destaco a PT TeleAula que ao permitir que os alunos impedidos de se deslocar à sala de aula o possam fazer em tempo real. Desde 1995, foram abrangidos cerca de 400 alunos, considerando aqueles que frequentaram as aulas a partir de casa ou do hospital. A sua participação activa na sala de aula, além de permitir o seu desenvolvimento curricular, promove a sua socialização e sociabilização, sendo a componente humana imprescindível e determinante para o sucesso dos projectos de inclusão escolar: não basta ter a tecnologia e recursos financeiros, é capital ter, para além de uma boa gestão, pessoas sensíveis, informadas e formadas. No contexto da formação, e suportado na plataforma de e-learning da PT Inovação, criámos o projecto FELIS – Formação e E-Learning para a Inclusão Social que permitirá que todos os nossos parceiros para o desenvolvimento social possam beneficiar os seus técnicos de programas de formação à distância. Neste âmbito realço a parceria transnacional estabelecida no quadro do Programa Leonardo com a APPACDM de Lisboa: Net Mentor,

que visa a adaptação de programas de mentoria já testados com vista a apoiar a inclusão profissional de pessoas com deficiência cognitiva. Resumindo o que se pretende é criar as bases para uma experiência piloto na APPACDM de mentoria para técnicos e voluntários para melhorar os processos de inclusão profissional das pessoas com deficiência mental, numa lógica de e-learning. Finalmente, com o desenvolvimento de tecnologias de apoio para o acesso ao computador e à síntese de voz, como é o caso do PT Minha Voz GRID 2, criam-se as condições para que pessoas com disfunção neuromotora, deficiência mental ou na fala acedam ao computador e consequentemente à SI, bem como à fala

Desenvolvimento de tecnologias de apoio para o acesso ao computador e à síntese de voz cria condições para que pessoas com disfunção neuromotora, deficiência mental ou na fala acedam ao computador e consequentemente à SI.

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através da voz sintetizada de qualidade quase humana. Com a utilização destes softwares e outras tecnologias de apoio, estas pessoas podem p.e. escrever, ou criar uma segunda vida no Second Life como modo de desenvolvimento das suas competências, ou ainda estudar, ou simplesmente divertir-se. Realço pela actualidade do caso a Rosário Sarabando que acabou de editar um livro intitulado: “Quero ver o meu Filho Crescer”. Se por um lado a Fundação PT subsidia um conjunto alargado de serviços e equipamentos, listados nas ajudas técnicas, designados Soluções Especiais PT e tmn, que podem ser adquiridos em qualquer Loja do grupo PT, por outro tem em funcionamento dezenas de Centros de Recursos para a Inclusão Digital de Pessoas com Deficiências e Incapacidades ao abrigo de diversos protocolos, destacando-se os Projectos: Estrela, Urano e ASTRO, respectivamente a funcionar nas Associações de Paralisia Cerebral, que constituem a sua Federação, nas Associações de Pais e Amigos do Cidadão com Deficiência Mental que integram a Federação Humanitas e em 25 escolas distribuídas pelo País, tal como definido no protocolo estabelecido com a Direcção de Inovação e Desenvolvimento do M.E. Em suma, o que nos move é a convicção de que é crucial a PT contribuir de forma activa para o desenvolvimento social das pessoas em desvantagem, e que as TIC e as telecomunicações desempenham um papel vital no processo de inclusão.


AMBIENTE

Avaliação Ambiental Estratégica em debate A 3ª Conferência Nacional de Avaliação de Impactes (CNAI'08) realizou-se de 22 a 24 de Outubro de 2008, em Beja. Dedicado ao tema «Pós-Avaliação: Mito ou Realidade?», este evento foi promovido pela Associação Portuguesa de Avaliação de Impactes (APAI), em parceria com a Empresa de Desenvolvimento e Infra-Estruturas do Alqueva, S.A. e o Instituto Politécnico de Beja. Por Ana Cerdeira, vice-presidente da APAI e membro da Comissão Organizadora da CNAI’08

Contou com a presença de 180 participantes e nestes 3 dias foi possível assistir a: 13 sessões técnicas, bastante participadas; 8 oradores convidados, com relevância; 41 comunicações técnicas, de elevada qualidade; 26 posters, diversificados e apelativos. O grande debate da CNAI'08 foi a Pós-Avaliação, tendo sido apresentadas diversas comunicações que responderam ao mote lançado. A Avaliação Ambiental Estratégica foi uma das temáticas mais debatidas. A Água e o Património Cultural foram outros temas discutidos, com a apresentação de diversos casos de estudo. Foi ainda promovida uma sessão dinâmica a responder à questão: “Informar e participar com impacte. Como conseguir?”. Privilegiando esta conferência o debate técnico, foi também espaço para momentos menos formais. Assim, realizaram-se 2 visitas técnicas integradas nas obras em curso do Empreendi-

mento de Fins Múltiplos de Alqueva: uma às infra-estruturas hidráulicas; outra a sítios arqueológicos em escavação. A destacar ainda o jantar da Conferência, onde, para além da gastronomia e do humor do contador de histórias Serafim, foram entregues: · o «Prémio Resumo Não Técnico 2008», promovido pela 2ª vez pela APAI com o apoio das autoridades de AIA, que distinguiu o documento elaborado pela VISA, Lda para o proponente PEDRAMOCA, referente à Pedreira «Vale da Relvinha»; · o «Melhor Poster CNAI’08», atribuído pela Comissão Científica desta conferência ao Poster “Avaliação de Impacte Ambiental: o processo de pós-avaliação na LIPOR II”, da autoria de Paula Mata e Miguel Coutinho (Instituto do Ambiente e Desenvolvimento) e Carlos Borrego (Universidade de Aveiro).

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SEGUROS DE SAÚDE

Uma escolha informada

Na ausência de respostas do sistema nacional de saúde ou como complemento ao mesmo, existem inúmeros seguros de saúde. A escolha torna-se difícil. Em causa estão diferentes planos, múltiplas coberturas e diversos valores, mas uma única questão: a saúde. Em Portugal o número de pessoas com seguro de saúde teve um crescimento exponencial nos últimos anos. Particulares e empresários valorizam cada vez mais a opção dos seguros de saúde. Uns como forma de prevenir determinadas situações e outros como forma de motivar os seus colaboradores. Estes seguros permitem aceder de uma forma rápida a consultórios médicos, hospitais, clínicas e centros de exames privados. Uma das seguradoras que pode ser uma opção é a MultiCare. Com diferentes planos para famílias e empresas, a MultiCare dá aos seus Clientes acesso à maior rede privada de cuidados de saúde em Portugal, com um total de mais de 10 mil prestadores, 62

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dos quais 66 são hospitais e 73 clínicas cirúrgicas. Nesta seguradora existem vários planos adequados a todo o tipo de casos, possibilitando aos seus Clientes a escolha do programa ideal de acordo com as suas necessidades.

Aliado a isto, existem ainda os serviços complementares, como o apoio domiciliário, estâncias termais, ópticas, health clubs, entre outros. Associando esta experiência de gestão de seguros de saúde, à inovação e à mudança, são criados sempre

A MultiCare Apresentando actualmente uma quota de mercado de 34% do mercado de seguros de saúde em Portugal, o actual número de clientes é 555 mil pessoas, número que aumentou 8 vezes desde 2000. A somar ao gradual aumento, contribuíram de forma excepcional para esta evolução a integração da carteira da Companhia de Seguros Fidelidade, em 2001, que fez com que os clientes passassem de 69 mil para 181.400 e também a integração da carteira de clientes Império Bonança em 2006, que se traduziu num aumento de 270.000 para 520.000 clientes. Os Seguros de Saúde MultiCare são comercializados na Fidelidade Mundial, Império Bonança, Caixa Geral de Depósitos e nas Estações dos Correios de Portugal.


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que oportunos novos produtos e serviços, por forma a responder melhor às diferentes necessidades.

Os novos seguros MultiCare apresentam os capitais mais elevados do mercado, um leque completo de coberturas inovadoras, principalmente se tivermos em conta que algumas só estavam disponíveis até agora em seguros de grupo, como os Medicamentos e as Próteses e Ortóteses. Também a cobertura de Terapêuticas Não Convencionais vem dar resposta a um número cada vez maior de pessoas que recorrem a soluções alternativas à medicina tradicional. Aliás, esta realidade já se começou a reflectir há algum tempo na legislação, que reconhece algumas destas

terapêuticas como a Osteopatia, Homeopatia, Fitoterapia, Quiropaxia, Acupunctura. É de destacar também o actual plano criado para Doenças Graves, um seguro indicado para quem se

preocupa com doenças mais graves que possam ocorrer e para as quais são necessárias respostas rápidas e eficazes, mas dispendiosas. A tendência da população portuguesa para as doenças cardiovasculares e a crescente incidência dos casos de cancro são preocupações que levam as pessoas a optarem por este tipo de seguro indicado para quem se previne principalmente para as situações de maior gravidade. BasicCare: Cartão de Saúde O BasicCare é um conceito diferente do tradicional seguro de saúde porque se apresenta em forma de cartão de acesso aos serviços de toda a Rede BasicCare, a preços controlados, para cuidados de saúde em Ambulatório, Estomatologia, Parto, Serviços de Assistência Domiciliária e Serviços Complementares, de acordo com a modalidade escolhida. O Cliente simplesmente marca as consultas ou outros serviços e paga directamente ao prestador.

NOVEMBRO 2008

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SAÚDE

Células Estaminais

Um Seguro de vida biológico para proteger o futuro dos seus filhos É na gravidez que maiores dúvidas se levantam sobre o que é melhor para o futuro dos seus filhos, sobretudo, no que toca ao futuro da sua saúde. As células estaminais representam hoje um dos temas importantes na gestação do bebé e, sem dúvida, uma das grandes decisões para os futuros pais. O seu grande interesse e crescente importância devem-se ao facto de serem células imaturas que se podem “transformar” em células específicas dos vários tecidos de um organismo humano. Por esta razão, podem ser utilizadas para substituir células que não estão a desempenhar a sua função ou que estão a morrer e, desta forma, permitem tratar vários tipos de doenças. É aqui que podemos classificar a sua criopreservação como um “seguro de vida biológico”. Criada em 2003 por profissionais e empresas da área da saúde, a Crioestaminal é hoje a referência sempre que se fala da criopreservação de células estaminais do sangue do cordão umbilical dos recém-nascidos. Como empresa pioneira nesta área e com uma posição líder no mercado ibérico, sendo já a 3ª maior empresa a nível europeu, a Crioestaminal aposta na

criação e diversificação de serviços e nos projectos de investigação e desenvolvimento. Até ao momento, já são mais de 25 mil o número de pais que aderiram a esta técnica na perspectiva de protegerem o futuro dos seus filhos recorrendo a este “seguro de vida biológico”. Esta realidade confirma a solidez, experiência, qualidade e segurança que a Crioestaminal cumpre ao serviço da saúde e que a tornam a referência no momento de optar pela criopreservação de células estaminais do sangue do cordão umbilical. A Crioestaminal é a entidade de criopreservação pioneira e líder em Portugal no isolamento e criopreservação de células estaminais com a certificação em Gestão de Qualidade ISO 9001:2000 pelo grupo internacional TÜV Rheinland, líder em certificação, inspecção e formação. Actualmente, a utilização de células estaminais centra-se na área da hemato-oncologia, mas está a ser investigada, em todo o mundo, a sua utilização em doenças como enfarte do miocárdio, lesões vasculares, diabetes, AVC e muitas outras. Estão, também, em curso diversos estudos tendo em vista o desenvolvimento de métodos que permitam a multiplicação das células estaminais e o alargamento do seu leque de aplicações clínicas. O primeiro transplante com células estaminais do sangue do cordão umbilical, criopreservadas num laboratório privado em Portugal data de Fevereiro

de 2007. A operação realizou-se com uma criança de 14 meses, cujos pais tinham guardado o sangue do irmão na Crioestaminal. O IPO do Porto recorreu às células estaminais quando foi diagnosticado à criança uma imunodeficiência combinada severa. O transplante foi realizado com sucesso, tendo a criança registado melhorias significativas. A Crioestaminal é a única empresa de criopreservação com transplantes realizados em Portugal. Os pais interessados em usufruir do serviço de criopreservação de células estaminais do sangue do cordão umbilical devem adquirir um Criokit, que deve ser levado para a sala de parto, aquando do nascimento do bebé. Este Criokit contém todo o material necessário para efectuar a recolha do sangue do cordão umbilical e pode ser adquirido nas instalações da Crioestaminal, por telefone ou pela internet. É aconselhável efectuar a aquisição do Criokit com uma antecedência mínima de pelo menos um mês antes da data prevista para o parto. Aconselhe-se com o seu médico ou contacte a Crioestaminal através do telefone 231 410 900, ou pela internet através do site www. crioestaminal.pt. A partir de 15 de Novembro até ao dia 25 de Dezembro ao adquirir um Criokit estará também a ajudar a Fundação do Gil e o seu projecto Casa do Gil, pois por cada novo cliente a Crioestaminal irá doar 5€ para este projecto.


AO VIVO Texto: Luís António Patraquim

Bailado

A magia do Cisne Numa floresta mágica encontra-se escondido um belo lago – o lendário Lago dos Cisnes. É aqui que o Príncipe Siegfried descobre um gracioso cisne branco – e fica encantado pela sua beleza. Só mais tarde vem a descobrir que o cisne é na verdade a adorável Princesa Odette. Três anos antes, o perverso feiticeiro Rothbarth lançou um feitiço terrível, que a mantém prisioneira na forma de um cisne. Mas a maldição nunca será quebrada, a menos que a Princesa aceite casar com o feiticeiro. Este é o enredo de “O Lago dos Cisnes”, bailado intemporal composto por Tchaikovsky em 1876 em Paris, por encomenda do Teatro Bolchoi em Moscovo. É a vez de Portugal ver este famoso bailado dançado por uma das mais prestigiadas companhias de ballet da Rússia, o Ballet Imperial Russo, actualmente dirigido por Gidiminas Taranda ex-solista do Teatro Bolchoi. Uma produção de requinte, cenários e guarda-roupa de grande qualidade, solistas e corpo de baile treinados no estilo da escola Vaganova dão a esta produção o nível exigível para interpretar este clássico do bailado. De 20 a 29 de Novembro, o “Lago dos Cisnes” vai estar em digressão por Portugal e vai passar por Leiria, Lisboa, Porto, Coimbra, Aveiro, Braga, Faro e Covilhã.

Festival

A imagem encontra o palco No dia 29 de Outubro foi inaugurada a 6ª edição do Festival Temps D’images. Este Festival, em Portugal produzido pela DuplaCena em co-produção com o CCB, realiza, produz e apresenta há já cinco anos, criações que resultam do cruzamento de diferentes linguagens artísticas, como a performance e o cinema, as artes visuais e a música, a ficção e a dança, proporcionando aos participantes um trabalho em rede e um meio privilegiado para o desenvolvimento do seu trabalho criativo, assegurando a circulação das suas obras e o encontro e colaboração entre produtores e artistas. A programação do Festival, que estará em cena até 17 de Novembro, pode ser consultada em: www.tempsdimages-portugal.com


revista perspectiva nr 15  

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