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11 Super Bock em Stock Asian Dub Fundation Broken Distance Festi Rock 2008 Gogol Bordello Less Than Jake Cool Hipnoise Heavenwood Mercury Rev Nicola Conte phEAR fest Dazkarieh Hyubris

Conteúdo não aconselhável a menores de 18 anos

R E V I E W S | D E S TA Q U E S | S Q U E A K


ficha técnica

editorial

índice 2

Proprietário Rúben Viegas Director Geral Rúben Viegas Directora Editorial Susana Pinto Design e Paginação Teresa Bento, Vitor Luis Fotografia Rúben Viegas, António Nascimento, Ricardo Costa, Mónica Moitas, Miguel Duarte, Cláudia Andrade, João Ribeiro, Paulo Tavares, Carina Martins, Ivo Mendes, André Henriques Colaboradores Andreia Silva, Telma Guerreiro, David Rafael, Jorge Mestre, Tiago Rodrigues, Paulo Duarte Internet Susana Pinto Publicidade | Director Comercial Vitor Luis Periodicidade Mensal Registo na ERC nr. 125369

Pois é pessoal, parece que a nossa publicação começou ontem, mas em menos nada chegámos a 2009 e com este novo ano iremos ter muitos concertos e festivais de qualidade espalhados por todo o país. A CheckSound prepara-se para trazer muitas novidades interessantes aos nossos leitores, esperando assim aumentar ainda mais a qualidade ao qual já estão habituados. De facto esta edição de Janeiro, foi um bocado mais complicada de editar visto que, todo o conteúdo recolhido em Dezembro, foi numa altura de festas, mas mesmo assim todos os nossos colaboradores trabalharam noite e dia para que isso não fosse facto de prejudicar a qualidade do nosso conteúdo. Espero que todos tenham entrado em 2009 com o pé direito, porque isto hoje em dia só se fala é da crise em Portugal. Crise que afecta tudo e todos… postos de trabalho nem vê-los e quando há, é tudo corrido a estágio curricular onde nem sequer se dignam a remunerar devidamente quem tanto estudou e luta para entrar no mercado de trabalho, onde por vezes se vêem eles próprios obrigados a tirar do seu bolso para poderem ter alguma chance de vingar neste mundo cada vez mais de concorrência de mau olhado, deveras muito injusto, mas é o país que temos. Enfim e o resto já todos sabemos, empresas a fechar, mais assaltos, etc etc… O que eu tenho a dizer é que temos de ser fortes e erguer a cabeça e pensar muito bem nas várias vias que ainda nos podem ajudar no nosso futuro, onde o lema é nunca desistir. Volto mais uma vez a agradecer a todos aqueles que têm apoiado a CheckSound, esperando assim que neste ano, muitas mais colaborações e parcerias possam ser feitas. Vamos lá arrancar em grande estilo… Caros leitores enviem-nos ideias do que gostariam de ver publicado na revista, teremos todo o gosto em avaliar as vossas propostas, deixando assim em aberto uma porta aberta para vos dar algo mais na nossa publicação que vocês gostariam de ver e não encontram em mais nenhum lugar. CheckSound uma revista sempre em cima do acontecimento, procurando promover, divulgar e oferecer reportagens fotográficas de qualidade por todo o país. Nunca deixem a música, porque ela nunca vos deixará… Rúben Viegas

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Ficha Técnica, Editorial, Índice, Cartoon 4 a 7 Hyubris 8 a 11 Heavenwood 12 a 23 Fitacola, Guttermouth, Less Then Jake 24 a 49 FestiRock 2008 50 a 53 Mercury Rev 54 a 65 Brokem Distance, Rat Attack, Raised By Wolf 66 a 111 Super Bock em Stock 112 a 115 Dazkarieh 116 a 119 Nicola Conte 120 a 123 Gogol Bordelo 124 a 127 Cool Hipnoise 128 a 131 Asian Dub Foundation 132 a 135 Gotan Project 136 a 155 Carhartt Xmas Fest 156 a 163 PhearFest 164 a 181 Fotobook: Suicide Girls - Squeak 182 a 183 Destaques 184 a 187 Reviews


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22 NOVEMBRO CASA DA MÚSICA, PORTO CORROIOS

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FOTOS ANDRÉ HENRIQUES


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22 NOVEMBRO CASA DA MÚSICA, PORTO CORROIOS

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FOTOS ANDRÉ HENRIQUES

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28 NOVEMBRO SMPUP, PAREDE

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FOTOS IVO MENDES


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28 NOVEMBRO FESTIROCK 2008, MONTIJO

FOTOS ANTÓNIO NASCIMENTO

Coube aos “Mind Overflow” abrir as hostes do VIII festirock, no Montijo. A banda seguinte, os Hexamine, vieram da Catalunha, e puxaram o mais que puderam pelo público que ia crescendo, neste festival que serve para dar a conhecer o trabalho realizado ao nível da formação musical e de todas as actividades da Feedback productions/AJDCR ao longo do ano. Nos intervalos havia lugar a “entrevistas rápidas” em que as bandas apareciam após terminarem a sua prestação, ou como no caso dos Mão morta antes, para nos dar uma ideia do que poderíamos esperar. Seguiram-se os New Mecanica e os Cinemuerte a última banda a actuar antes dos Mão Morta. A banda de liderada pela vocalista Sofia esteve sempre a incentivar o publico, dizendo que ao publico que nos iam oferecer novas iguarias para degustar. A noite vestiu-se de vermelho para acolher Adolfo luxúria Canibal e aos Mão morta. Foi uma viagem de 20 anos de existência conjunta, em temas como “E Se Depois”, “ Ventos Animais”, “Tu Disseste “, “Quero Morder-te As Mãos”, “ Budapeste”,” Anarquista Duval”, ou ainda “Vamos Fugir”, “As Tetas Da Alienação”, o tão reclamado “Cão Da Morte”, ou ainda “Penso Que Penso”. O público saiu satisfeito e preparado para a noite seguinte.

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TEXTO TELMA GUERREIRO


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29 NOVEMBRO FESTIROCK 2008, MONTIJO

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FOTOS ANTÓNIO NASCIMENTO

TEXTO TELMA GUERREIRO


Os Thirteen Degrees to Chaos abriram a noite de Sábado com o seu deathcore cru e em fase de crescimento. Seguiram-se os We Are The Damned com boa presença em palco, a vocalista Sofia a mostrar que as mulheres também estão no poder, e em posse de uma voz forte e entrosada no som rápido e pesado da banda. Os WAKO foram a banda que mais puxou pelo público e que mais aqueceu os ânimos com o seu thrash / death poderoso, pena que um pouco repetitivo. Os Moonspell, que andaram por terras longínquas, sabem sempre como regressar a casa e acolher desde logo os fãs no recesso do som que tão bem conhecemos. Tempo para os clássicos “Opium” ,“The Southern Deathstyle “e “Goat On Fire”, “Alma Mater”, “Finisterra”, “Blood Tells”, “Vampiria”, “Full Moon Madness”, ou as mais recentes “Night Eternal”, “Moon in Mercury”, “First Light”, “Scorpion Flower”. Ouve um pouco para todos os gostos, terminando o concerto com “Dreamless”. Depois do concerto ainda houve tempo para uma sessão de autógrafo sempre tão do agrado dos Fãs estóicos neste fds gelado de metal que aguardamos tenha a sua nona edição agendada, nas noites Frias do Montijo em 2009.

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29 NOVEMBRO AULA MAGNA, LISBOA

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FOTOS IVO MENDES

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30 NOVEMBRO CASA DE LAFÕES, LISBOA

FOTOS IVO MENDES

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3 DEZEMBRO SUPER BOCK EM STOCK

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FOTOS ANTÓNIO NASCIMENTO CARINA MARTINS IVO MENDES

TEXTO TELMA GUERREIRO VERA FERRREIRA


A noite da maratona que seria o Super Bock em Stock começou com a promessa feminina de 2008 a deixar boa impressão na Sala 1 do São Jorge, e com adesão considerável. A neo-zelandesa Phillipa Brown, mais conhecida como Ladyhawke, apresentou a sua pop electrónica de forte travo anos 80 em cerca de quarenta minutos, acompanhada por três músicos Lady trouxe-nos os mais recentes “Magic”, “Manipulating Woman” ou “Professional Suicide”, ou os hits badalados do ano “Paris is Burning” ou “Back of the LadyhawkeVan”. Entretanto no variedades tínhamos e muito a propósito do espaço, os franceses Caravan Palace.. Falar desta banda é tentar conjugar os cabarets dos anos 30, com um Gato preto “Kusturica”, é bom, animado e sensual, e a vocalista que lidera a banda sabe bem explorar essa faceta. Depois foi correr de novo para o São Jorge para ouvir os “Os Pontos Negros” na Sala 2. Canções do recente “Magnífico Material Inútil”, o disco de estreia do jovem quarteto de Queluz, foram o mote num concerto onde ouvimos ainda “Inês” ou “Salomé”. O seu entusiasmo e entrega foram bem acolhidos pelo público. Para final da noite, havia ainda tempo para Tanya Stephens, no Variedades. A sala do Parque Mayer recebeu esta representante da Jamaica e, como é óbvio, do reggae. Os ritmos ora pastelados ora arrabatadores, as mensagens de amor, paz e respeito para as mulheres, não surpreenderam e convenceram aqueles que reagiram de forma festiva à música da cantora até aos agradecimentos finais.

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Olha-se para o palco e o que se vê é uma típica banda de jazz... mas com um “hip hopper” responsável pelo microfone… a estranheza é clara entre os que desconhecem José James, mas subtilmente logo se torna em algo muito agradável. Uma voz quente de soul, acompanhado com um ritmo de jazz que nos remete automaticamente para um bar nos subúrbios de Nova Iorque. Com influências de Jonh Coltrane, Billie Holiday, Marvin Gaye entre outros, esta estrela ascendente da música contemporânea, dá o último concerto do ano, dando-nos a conhecer parte do seu álbum “The Dreamer” num ambiente confortavelmente intimista.

jose james +

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Poucos, mas bons. Eram 3 os que acompanhavam a sensação da actualidade. Um dj simpático que aqueceu o público e duas bailarinas/backvocals inexpressivas, mas nem por isso sossegadas. Um pouco mais tarde, entra Santogold, que não espera nem um segundo para mostrar o que vale em palco. Do princípio ao fim, um festival de música (das mais diversas influências) e dança, animam o público que não resistiu em levantar-se desde o primeiro instante. Na última música, surpreendeu ao convidar o público a juntar-se a ela para fechar em grande. Sem dúvida uma “entertainer”, que apesar da sua curta carreira, superou todas as expectativas.

+ santogold

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4 DEZEMBRO SUPER BOCK EM STOCK

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Na segunda noite a agitação humana na Avenida da Liberdade foi menor que a da noite anterior, mas para os que até lá se deslocaram o entusiasmo foi o mesmo e as salas voltaram a estar bem compostas para o segundo round do festival. Mais uma vez a noite começou no feminino com Phoebe Killdeer a marcar na Sala 1 do São Jorge um lugar de enigmática prestação, onde soube conquistar o público tema a tema acabando por manter o espaço com muitos lugares ocupados. Apresentou o seu disco de estreia “Weather`s Coming” junto com a sua banda e com uma energia absolutamente contagiante, a juntar á presença afectuosa que gerou com a sua fisionomia pré mamã. Em alta estiveram os projectos nacionais da noite com os peixe:avião a juntarem muitos curiosos, e seguidores, na Sala 2 do São Jorge onde mais tarde vimos o fenómeno deste ano em português na sala principal, os Deolinda, que souberam conduzir o publico em êxtase em temas como ”Fon fon fon”, “Fado Toninho”, o melancólico “Não sei falar de amor”, ou ainda “Contado ninguém acredita”, “MPA” ou “Clandestino”, com os quais encerramos um ano de festival a prometer pela quantidade de gente e entusiasmo a sequela para o próximo inverno.

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5 DEZEMBRO ZDB

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FOTOS ANTÓNIO NASCIMENTO

TEXTO TELMA GUERREIRO


O espaço infelizmente reduzido da Galeria Zé dos Bois recebeu no passado dia 5 de Dezembro o concerto que põe termo a um ano pleno para os Dazkarieh. Para a despedida tivemos não só direito a recordar temas como, “Meninas Vamos à Murta” , “Nyckel Power”,”Senhora da Azenha” ou “Vitorina” do mais recente lançamento Incógnita Alquimia, como a partilhar temas novos ainda sem nome do álbum aguardado para inícios do próximo ano, e que pretende celebrar os temas insulares, num tributo aos cantares dos Açores. Ver Dazkarieh é antes de tudo uma comunhão do nosso sentir primeiro, e é através da música que o expressamos, é através dos seus instrumentos renovados e originais que sentimos que ser português é também ser alegre e ir à festa, é abraçarmo-nos debaixo da murtanheira, dançar e deixarmo--nos levar pelas as musicas onde a contemporaneidade se encontra com uma nostalgia que é muito nossa, uma chama que nos aquece nestas noites invernais, e à qual Joana Negrão dá voz, corpo e Alma, a nyckelharpa, e as gaita-de-foles de Vasco Casais dão som e ritmo, o Cavaquinho e a Sanfona do Luís Peixoto nos confortam com um som mais tradicional e até a mais recente alteração da precursão nos brinda com a cor da bateria do André Silva. Tudo resumido ver e ouvir Dazkarieh é celebrar a alegria de fazer e ouvir a nossa música, as nossas culturas e tradições, com tudo o que isso tem de festivo e de belo.

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5 DEZEMBRO AULA MAGNA, LISBOA

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FOTOS CARINA MARTINS

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10 DEZEMBRO CAMPO PEQUENO, LISBOA

FOTOS JOテグ RIBEIRO

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13 DEZEMBRO CINEMA BATALHA, PORTO

FOTOS ANDRÉ HENRIQUES

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16 DEZEMBRO SANTIAGO ALQUIMISTA, LISBOA

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FOTOS IVO MENDES

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20 DEZEMBRO CAMPO PEQUENO, LISBOA

FOTOS ANTÓNIO NASCIMENTO

TEXTO TELMA GUERREIRO

A terminar um jejum de dois anos os Gotan Project regressaram a Lisboa no passado dia 20 de Dezembro para uma noite de “REVANCHA DEL TANGO” A noite começou ao som de “Queremos Paz”, com a tela que cobria todo o palco a projectar os videoclips produzidos pela banda como cenário de fundo para “Vuelvo al Sur/El Capitalismo” ou “Una Musica Brutal”. A ilustrar as suas canções o trio, trouxe-nos a companhia do par de dançarinos ao som de “La Del Ruso” até ao cair do pano. Os músicos, depois de todo o cenário escuro e das sombras, mudam para um branco festivo e ouvem-se acordes de “Santa Maria”. E como que a marcar a diferença do negro para a luz ouvimos “Diferente” e a voz de Veronika Silva num eco de Lunatico com “La Viguela”, “Amor Porteno”, “Notas”, 132


gotan project Lunatico”, Mi Confession” e Canaro in Paris”. O público foi acompanhando a versatilidade, o calor da música que eclodiu em “Santa Maria (del Buen Ayre)”, uma das mais conceituadas e conhecidas músicas da banda, com os violinos a darem o seu contributo intenso e ritmado, e a voz (a substituir a de Cristina Vilallonga), de presença discreta a conquistar o público a cada palavra. O encore trouxe “Triptico” e á medida que as almas latinas foram deixando o recinto saudoso ouvimos ainda “Sola” e mais uma vez “Diferente”, agora com uns retalhos de “Libertango” para a despedida do trio Christoph Müller, Philippe Cohen Solal e o excelso guitarrista Eduardo Makaroff a provar mais uma vez que ainda há novas maneiras de sentir e viver o tango argentino. 133


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20 DEZEMBRO CARHARTT XMAS FEST CAIXA ECONÓMICA OPERÁRIA,LISBOA

FOTOS IVO MENDES

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FOTOS RUI MIGUEL PEDROSA

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Hรก aproximadamente 2,000 belas SuicideGirls em todo o mundo

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VêTOR LUêS

Depois de tantos meses de destaques, no fim, como não podia deixar de ser, tinham que vir os destaques dos destaques. E cá estão eles, os álbuns mais ouvidos durante o passado ano, e os que mais me marcaram. Aqui apresentados sem ordem de preferência, e sem nenhuma hierarquia, apenas a alfabética, porque todos tiveram o seu igual valor. Para a lista completa visitar: www.phearzine.pt.vu

CHILDREN 18:3 CHILDREN 18:3 TOOTH & NAIL

soa a EMO, PUNK ROCK, POP PUNK para fãs de ZEBRAHEAD, BILLY TALENT, SUM 41

DAY WITHOUT DAWN UNDERSTANDING CONSEQUENCES FORGOTTEN EMPIRE

soa a HARDCORE, METAL ALTERNATIVO, PROGRESSIVO para fãs de BICLOPS, THE POSTMAN SYNDROME, DREDG

DEADBIRD TWILIGHT RITUAL AT A LOSS

soa a SLUDGE, DOOM para fãs de RWAKE, ISIS, NEUROSIS

HEAVENWOOD REDEMPTION RECITAL

soa a METAL, GÓTICO, ROCK para fãs de AMON AMARTH, ALICE IN CHAINS, KATATONIA

JAGUAR LOVE

TAKE ME TO THE SEA MATADOR

soa a POST-HARDCORE, INDIE para fãs de THE BLOOD BROTHERS, PAST LIVES, THESE ARMS ARE SNAKES

COG THE BEAST BRIGADE DIFRNT MUSIC

soa a ROCK, METAL ALTERNATIVO, PROGRESSIVO para fãs de DREDG, PAULSON, TOOL

DEAD COMBO LUSITÂNIA PLAYBOYS DEAD & COMPANY

soa a INSTRUMENTAL, PSICADÉLICO para fãs de MAN OR ASTRO-MAN?, YANN TIERSEN

EARTH

THE BEES MADE HONEY IN THE LIONS SKULL SOUTHERN LORD

soa a DRONE, AMBIENTAL, FOLK para fãs de SUNNO))), NADJA, JESU

IF LUCY FELL

ZEBRA DANCE RASTILHO

soa a POST-HARDCORE, HARDCORE para fãs de THESE ARMS ARE SNAKES, THE BLOOD BROTHERS, CONVERGE

KUMPANIA ALGAZARRA KUMPANIA ALGAZARRA n/a

soa a SKA, REGGAE, WORLD MUSIC para fãs de EMIR KUSTURICA, MANU CHAO, MADNESS


LINDA MARTINI MARSUPIAL RASTILHO

soa a POST-ROCK, INDIE, ALTERNATIVO para fãs de MOGWAI, ORNATOS VIOLETA

MT. HELIUM FACES n/a

soa a ROCK ALTERNATIVO para fãs de OPUS DÄI, COG, DREDG

NO FUN AT ALL

LUIZ E A LATA 9 HM MUSICA

soa a POP, ROCK ALTERNATIVO, FOLCLORE para fãs de VIVIANE, CLÃ, SUSANA FÉLIX

NICOLA CONTE RITUALS SCHEMA

soa a JAZZ, NU-JAZZ, CHILLOUT para fãs de KYOTO JAZZ MASSIVE, KOOP, JAZZANOVA

NORMA JEAN

LOW RIDER

THE ANTI MOTHER

BEAT ‘EM DOWN

SOLID STATE

soa a PUNK ROCK, HARDCORE para fãs de PASSAGE 4, STRUNG OUT, SATANIC SURFERS

PEIXE : AVIÌO 40.02 RASTILHO

soa a INDIE, ROCK, ALTERNATIVO para fãs de RADIOHEAD, LINDA MARTINI, ORNATOS VIOLETA

RISE AGAINST APPEAL TO REASON GEFFEN

soa a PUNK ROCK para fãs de IGNITE, BAD RELIGION, PENNYWISE

THE CANCER CONSPIRACY OMEGA HYDRA HEAD

soa a ROCK INSTRUMENTAL, PROGRESSIVO para fãs de RUSSIAN CIRCLES, DON CABALLERO, IREPRESS

THE MARS VOLTA

THE BEDLAM IN GOLIATH UNIVERSAL

soa a PSICADÉLICO, PROGRESSIVO, ROCKK para fãs de THE FALL OF TROY, THE DEAR HUNTER, THE EUNOIA PLAGUE

soa a HARDCORE, METALCORE para fãs de DEFTONES, POISON THE WELL, EVERY TIME I DIE

RIDING PåNICO LADY COBRA RAGING PLANET

soa a ROCK INSTRUMENTAL, POST-ROCK para fãs de PELICAN, MOGWAI, RUSSIAN CIRCLES

SECRET AND WHISPER GREAT WHITE WHALE TOOTH & NAIL

soa a EMO, ROCK para fãs de CIRCA SURVIVE, SAOSIN, KADDISFLY

THE CREEPSHOW

RUN FOR YOUR LIFE PEOPLE LIKE YOU

soa a PSYCHOBILLY, PUNK ROCK, HORROR PUNK para fãs de NEKROMANTIX, MAD SIN, MAD MARGE & THE STONECUTTERS

UB40 TWENTYFOURSEVEN EDEL

soa a REGGAE para fãs de BOB MARLEY, GENTLEMAN, PETER TOSH


Grails Take Refuge LivingIn Clean CD,2008,Important

nho folk em “The Natural Man” remete-os para o seu mundo real, pacífico e perfeitamente ordenado. O inicio de “Immediate Mate” antevê uma explosão a qualquer momento e coisa que nunca chega a suceder visto o tema ir por caminhos bem mais tenebrosos. “X-Contaminations” é chuva ácida em forma de música, fria e corrosiva, constrói um universo cinematográfico, onde dificilmente viveriam personagens bonitas e onde tudo é negro e doentio. Tudo vai findar com o belíssimo Acid Rain, um tema floydiano, onde não falta nada, desde as guitarras floreadas, aos solos requintados, passando pelas vozes de apoio, tudo sempre em quantidade necessária. António Antunes (www.pensosonoro.blogspot.com)

lective, a estrutura vocal de Grizzly Bear, o que irá dar lugar a mundo cheio de simpáticos duos acústicos, repartidos aqui e ali com alternativos passos de folk de raízes profundamente americanas. Visiter é um disco difícil (bem, para mim foi), necessita de ser lentamente absorvido, á que olhar a todos os pormenores, a cada virar de esquina há uma nova surpresa, um novo encadeamento, o que há partida pode parecer confuso, começará a fazer imenso sentido, algumas audições depois. António Antunes (www.pensosonoro.blogspot.com)

Cynic Traced in Air CD,2008,Soundworks

Black Sheep Wall I Am God Songs CD,2008,Shelmusic

Verse Aggression CD,2008,Bridge Nine

Grails Holiday Doomsdayer’s CD,2008,Temporary Residence

Dose Dupla Com Burning Off Impurities (2007), os Grails chamaram a si o direito de acordar meio mundo, nós por aqui cumprimos o dever de assinalar o facto e dissemos: “É um álbum simples, dominado com aqueles momentos em que apetece deitar na cama a olhar para o tecto, ou de olhos fechados, e absorver a música, pensar na vida ou viajar… não fosse isto acid-folk. (Bruno Coelho)” Em 2008 os Grails voltam e em dose dupla. Na Primavera lançaram Take Refuge In Clean Living e no Outono Doomsdayer’s Holiday, não fosse isto musica e quase que poderíamos falar numa colecção de um qualquer estilista de moda. Vamos então por partes: - Take Refuge In Clean Living é post-rock dos sete costados, tem toda a estrutura lá dentro, guitarras em busca do infinito e percussão preguiçosamente arrastada. Ao longo dos 5 temas vão rabiscando drones e pintando paisagens de cores cinzentas, á primeira vista o que resultaria daqui seria uma sucessão de sons agarrados entre si, mas o que acontece é precisamente o contrário. Take Refuge In Clean Living é um disco em constante mutação, se em “Stoned At The Taj Again” estamos no domínio do post rock mais que perfeito, com “PTSD” tudo se torna sombrio, caminhando lentamente em direcção ao desconhecido. Com “11th Hour” edifica-se um ambiente de film-noir, onde a personagem mais casta consegue ser simultaneamente ao mesmo tempo que comete um crime e forma á sua volta uma aura de inocência. “Take Refuge” e “Clean Living” desenvolvem o resto do argumento com a mesma astúcia, primeiro usando o rock com mestria, para de seguida nos corromperem a alma com ácidos e extractos de piano. - Doomsdayer’s Holiday é terrorismo sónico, os Grails agarram mais uma vez no post-rock e cruzando-o com a sua costela mais psicadélica, criam um universo carregado por intensas descargas de instrumentos, contribuindo assim para a criação de um dos seus mais pesados álbuns. Doomsdayer’s Holiday são torrentes de guitarras e marés de bateria, tudo de uma forma ordenada e com grande sentido estético. Não se procura estabelecer novas fronteiras, o que se pretende é agarrar em contextos e ambientes já percorridos por outros e calmamente afirmar: “olha, também conseguimos”. Doomsdayer’s Holiday tem dentro uma pérola com odor às especiarias do norte de Africa, o seu nome é “Reincarnation Blues” e o nome diz tudo. O estra-

Agression é já o 3º álbum dos Verse, mas foi o 1º que ouvi (entretanto também já ouvi o anterior, From anger and rage). Li alguns elogios que me despertaram a curiosidade, nomeadamente referências extremamente positivas à paixão e intensidade debitadas, com louvores à lufada de ar fresco que este disco representava. Não posso afirmar que concordo integralmente com a apregoada lufada, não me parece que haja por aqui nenhuma verdadeira novidade, mas porra, não há como negar a paixão e a intensidade com que estes rapazes encaram o seu hardcore politizado. E pela comparação que me é permitida fazer com o registo anterior, parece-me menos directo mas mais agressivo e mais maduro, mais polido mas menos comprometido. Antémico! Crestfall (amplificasom.blogspot.com)

Que escuridão desoladora! Que reino sombrio! A luminosidade é coisa que não reina por aqui. Exceptuando alguns momentos esperançosos de Modest machine, é muito difícil encontrar um rasgo de luz por entre a densa e monstruosa muralha de distorção erigida, não há brechas. Este disco tem um peso bruto de várias toneladas, e oferece uma viagem extremamente opressiva em compassos quase sempre lentos, numa estética descolorida com afinidades a Meshuggah, Sleep e Eyehategod. E a vozinha também não é nada simpática. Brutalmente recomendado. Crestfall (amplificasom.blogspot.com)

It’sCD;2008,Black NotPg.Lost Me, It’s You! Star Foundation

The Dodos Visiter CD,2008,Frenchkiss

Alternativos A cena freak-folk anda de óptima saúde, são imensos os projectos nascidos nos EUA, os Dodos seriam mais uns, caso não fossem autores de um dos discos mais interessantes do ano. Ao segundo álbum, o duo Long / Kroeber liberta um impulso de improvisação controlada, onde a folk é a principal raiz, mas onde cabe ainda a pop alternativa. Após as primeiras audições, a ideia que fica é que Visiter é um álbum dividido em dois, isto porque se uma delas é feita de simples e seguras canções, a outra está atestada de divagações musicais com contornos quase imprevistos. Visiter é uma paleta de cores, criada de uma forma quase lo-fi, tripartido por voz, guitarra e bateria, o resultado desta pintura é minimalismo pop e ficando isso a dever-se em exclusivo à infindável quantidade de micro-estilos encontrados no disco (ambiental, psicadélico, folk, noise, pop, rock, etc). O duo de São Francisco funde às percursões tribais de Animal Col-

Foram precisos 15 anos para voltar a ouvir um novo disco de Cynic, 15 anos! Para começar, nunca pensei que se voltassem a reunir, e muito menos gravar um disco, mas fiquei bastante entusiasmado com essa perspectiva mal começou a circular a informação de que tal iria acontecer. Nem vale a pena referir a importância e o impacto de Focus na altura do seu lançamento, até porque foi um disco que me parece ter-se tornado mais consensual à medida que os anos foram passando, talvez incorporasse demasiadas ideias e fosse demasiado à frente para muita gente. As demos que foram lançando e os trabalhos de Atheist, Nocturnus, ou Pestilence, e a participação do Sean Reinert no Human dos Death poderiam ter servido de preparação para Focus, mas a verdade é que os Cynic incorporaram naquele disco uma enorme variedade de influências e um experimentalismo invulgar que resultou numa sonoridade singular. E 15 anos depois temos um disco que ao fim de alguns segundos é inequivocamente identificável como sendo Cynic e que acaba até por ser uma sequência lógica de Focus. Temos as estruturas jazzisticas e as mudanças rítmicas características, alternando entre partes mais duras e mais suaves, com as respectivas acentuações e efeitos vocais (nomeadamente o robótico). Não encontrei aqui uma música com o impacto directo de uma Veil of Maya ou Uroboric forms, nem fiquei assombrado da mesma forma que com o Focus, mas este disco é bom, é muito bom, talvez até mais coeso e ambiental do que o Focus, os tempos é que são outros. Que continuem por muitos anos! Crestfall (amplificasom.blogspot.com)

V/A Vol. 3: TripPsychedelic In Time Adventures On Planet Earth CD,2008,Trip In Time

Ai o post-rock é sempre a mesma coisa e há muita banda e tal. Que há muita banda, há. Algumas deixam-me indiferente, os Pg.lost não. É provável que quem ainda não se encheu do género goste deste álbum. Acho mesmo que quem não os conheceu com o Yes I am e tiver o sagacidade e, talvez, a paciência para compreender que isto não é apenas mais do mesmo, TEM que gostar deste álbum. Os lentos murmúrios em crescendo que culminam na amalgama de distorção habitual, podem ser apreciados logo desde os instantes iniciais do primeiro tema, The day shift. Parece que vai surgir dali a nova dos Mono. Talvez nesse aspecto até seja um disco mais alinhado com o post-rock, ou com este cunho épico do post-rock. No entanto, são proprietários das suas criações, e também dão passos de distanciamento em termos ambientais. O início minimal da Siren não destoaria num qualquer disco de Eluvium, e Maquina também se inicia de uma forma muito serena começando a ser rasgada a partir de meio por uns riffs dissimulados mesmo potentolas. Apesar destes temas referidos serem os meus favoritos, quero frisar que há neste conjunto de 6 uma variedade criativa abundante e inspirada, mesmo que pontualmente derivativa. E depois ainda temos os 2 melhores do EP [Yes I Am, Kardusen] a encerrar o disco. Crestfall (amplificasom.blogspot.com)

Como o título indica, este é já o terceiro volume desta compilação da editora Trip In Time. As 18 bandas provenientes de vários acantos do globo preenchem quase 79 minutos de música. Psychedelia, Space Rock, Krautrock, Stoner, Rock ‘N’ Roll, Funk Rock e Folk Rock são os caminhos tomados pelas bandas, sempre com a ideia do ambiente retro 60s/70s bem presente. A colectânea serve o seu propósito, ou seja, dar a conhecer os nomes envolvidos a quem a ouve. Há um pouco de tudo e qualquer pessoa pode encontrar pontos de interesse. Deixo essa escolha à mercê de cada um. As minhas escolhas recaem em The People, Ginger, Fuzz Manta, Mother And Sun, The Magnificent Brotherhood ou Crystal Caravan, por exemplo. RDS (fenixwebzine.blogspot.com)


Transcending Bizarre? The Serpent’s Manifolds CD,2008,DissonArt Productions

Segundo longa-duração para os Gregos Transcending Bizarre. 10 temas em cerca de 47 minutos fazem a fusão de um Black Metal orquestral com ideias vanguardistas e ambientes cinematográficos da área do terror e fantasia. As influências provêm de quadrantes tão distintos como Dimmu Borgir, Danny Elfman, Nightwish, Solefald, Arcturus, Laibach ou Amorphis. Pesado e brutal quanto baste mas com muita melodia; ideias interessantes bem executadas que mantêm o ouvinte atento; e os bem encaixados ambientes épicos e sinistros que dão outra dimensão ao som Transcending Bizarre. Não é uma obra-prima mas está bem perto disso. A banda apresenta muitas potencialidades e o próximo álbum pode mesmo vir a ser algo genial. É esperar para ver. Para já, este “The Serpent’s Manifolds” irá manter-vos bem ocupados. Aconselho vivamente! RDS (fenixwebzine.blogspot.com)

Up-C Down-C Right-C ABC +Left-C Start Embers CD,2008,Tap N Tin

E pumba, o belo do disco de post-rock! Mas como um bom disco é um bom disco... E Embers é um mui digno sucessor de And the Battle Is Won. Apesar de sofrer (ou será que beneficia?) inevitavelmente da sombra que a tag post-rock acarreta, há uma diversidade de ambientes e de níveis sónicos assinalável. Riffs explosivos e gloriosos que remetam para Mogwai ou Pelican e instrumentalização orquestral algo melancólica familiar a uns GY!BE ou até mesmo A Silver Mt. Zion, mormente no último tema The creeping fear. Murmurs Pt. 2 é o momento Explosions in the Sky, e a vibração celestial dos Sigur Rós também se sente por aqui a espaços. Aventurem-se que vale a pena. Crestfall (amplificasom.blogspot.com)

Line Assembly, Das Ich, Young Gods, Skinny Puppy, Assemblage 23, Die Krupps, Ministry, Rammstein ou Deathstars. Os temas são tão diferentes entre si que o disco poderia resultar numa amálgama de sonoridades tão heterogéneas que comprometeriam o todo. Felizmente, não é isso que acontece, todas as ideias e influências foram tão bem digeridas e “Interference” soa coeso, forte, maduro, mantendo o ouvinte atento e interessado do início ao fim. Mais uma prova de que em Portugal também se fazem coisas interessantes e de alta qualidade, fazendo frente, e até suplantando, o lixo que vem lá de fora e que pulula nos tops nacionais. Agora, só falta mesmo o apoio por parte do público, porque a banda já fez a sua parte. Comprem o disco e vão aos concertos, apoiem os WDM para que não lhes aconteça o mesmo que muitas outras bandas Portuguesas exemplares que caíram no esquecimento e, eventualmente, desapareceram. Para colocar na prateleira dos discos nacionais ao lado de [F.ev.e.r.], Bizarra Locomotiva, Haus En Factor ou Sci-Fi Industries. RDS (fenixwebzine.blogspot.com)

cidades em sentidos diversos. Sem negligenciar as múltiplas e conhecidas influências do grupo, aqui, a aposta parece ter sido a de baralhar e voltar a dar, fazendo nascer um som que se pressente cada vez mais personalizado - a espaços bastante bem conseguido. Com investidas bem sucedidas pela poética lusitana, como em “Heonan Epiphanainein”, “Apsinthion Thirst” ou “A Cornucópia Régia”, esta enriquecida com a presença de Célia Ramos dos Mons Lvnae, a diversidade vocal dos In Tha Umbra ganha também todo um outro sentido em “Thus Open Thine Eerie Wings Like An Eagle And Soar The Winds Of Chaos”. Surpreende. Ame-se ou odeie-se, fica a ideia clara de um trabalho sério e de qualidade. Isso ouve-se. Sente-se. Rui Dinís (a-trompa.net)

Flavours”. Em 2008 os Divine Lust estão, além de mais maduros, bem mais interessantes. Para fãs das bandas acima citadas e outras como Memory Garden, Candlemass, Lake Of Tears, Tiamat, Beseech, Saviour Machine, Lacrimosa, Depeche Mode (pareceu-me ouvir aqui umas ideias, em especial na voz) ou ainda os Portugueses Heavenwood, Secrecy e Desire. Se ainda havia dúvidas quanto às potencialidades do Divine Lust, estas estão dissipadas com o fabuloso “The Bitterest Flavours”. RDS (fenixwebzine.blogspot.com)

The Firstborn The Noble Search CD,2008,Major Label Industries

Flirtda Alma Arquétipos CD,2008,Independent

Vertigo Steps Vertigo Steps CD,2008

Este é o disco de estreia homónimo dos Vertigo Steps, um projecto da responsabilidade de Bruno A. dos Arcane Wisdom. Bruno é aqui acompanhado pela bateria de Daniel Cardoso (Head Contol System, Sirius), o baixo fretless de Alexandre Ribeiro (Bleeding Display, Desire, Grog) e a voz do Finlandês Niko Mankinen (Misery Inc.). Como convidados especiais conta-se com Stein R. Sordal (Green Carnation, voz principal em um dos temas), Sophie (Understream), Rui Viegas e André Vasconcelos (ambos ex-vocalistas de Arcane Wisdom). Ao todo são 10 temas em cerca de 50 minutos de Dark Metal com passagens atmosféricas, progressivas, experimentais e certos toques de Post-Rock. “Vertigo Steps” pauta pelo ambiente intenso, carregado e melancólico das suas faixas. Peso, balanço e muita melodia marcam a música do projecto com aproximações ao universo de nomes como Green Carnation, Anathema, Arcturus, Winds, Opeth, Orphaned Land, Amorphis ou até Porcupine Tree. Mais um grande disco a surgir no panorama Underground nacional. Um nome a ter em conta no futuro. RDS (fenixwebzine.blogspot.com)

In Tha Umbra Thus Open Thine Eerie Wings Like An Eagle And Soar The Winds Of Chaos

Grupo formado por Ricardo Oliveira (voz), Mário Pereira (guitarra), Ricardo Freitas (baixo) e Tiago Ramos (bateria), os Flirt estrearam-se este ano nas lides discográficas. Assim em jeito de pontapé de saída. Sobre “Arquétipos da Alma”, é um disco rock com uma enorme vontade pop. Por enquanto, dois anos passados sobre o nascimento da banda, esta é ainda uma vontade à procura de um último impulso que leve os Flirt no rumo desejado. E porque o refrão é muito importante, em português, os 11 temas de “Arquétipos da Alma” são a expressão clara das primeiras ideias do grupo lisboeta. “Contendo fragmentos das experiências de vida e das inspirações dos elementos dos Flirt” (1), “Arquétipos da Alma” é ainda o fruto de alguma ansiedade, da necessidade de saltar para o escuro, necessitando aqui e ali de um maior amadurecimento - na voz, na composição. Tudo para que não se perca electricidade e a velocidade que o grupo parece querer imprimir ao seu som. Para já, fica este primeiro avanço em redor de uma pop-rock típica da década passada. Não sendo um disco com ideias novas, é pelo menos a imagem de um grupo com vontade de se divertir com o que faz. Rui Dinís (a-trompa.net)

Divine Lust The Bitterest Flavours CD,2008,Deadsun

Chegou-me às mãos finalmente o novo disco dos The Firstborn que, confesso, estava ansioso por ouvir depois de tantas boas críticas que li. “Será que a expectativa é tão alta que vou ter uma desilusão?”, pensei eu. Felizmente não foi o que aconteceu pois “The Noble Search” está a um nível superior a “The Unclenching Of Fists”. O disco anterior estava muito bom mas tinha pormenores que a mim me faziam repelir o epíteto de disco do ano, como muita gente o vaticinou. Uma delas era a produção pois “The Unclenching Of Fists” tinha um som algo “apagado”, sem força e vitalidade. Outra era a saturação de sons externos à banda base, com muitos “samplers” e sons adicionais. Essas duas falhas (na minha modesta opinião) foram aqui colmatadas e o disco soa forte e poderoso, mas limpo e audível. A componente étnica (musicalmente falando) é real e não “samplada”, está melhor encaixada e soa mais orgânica. Orgânica; é a essa a melhor palavra para descrever a produção deste álbum. Quanto à componente lírica, continua na mesma linha do anterior, com o vocalista Bruno Fernandes a apoiar-se na sua recente paixão pela filosofia Budista. Os diversos convidados especiais também ajudam ao colorido de “The Noble Search”: Vorskaath (Zemial) na percussão, Luis Simões (Saturnia) na cítara, Hugo Santos (Process Of Guilt) e Proscriptor (Absu) nas vozes. O que os Firstborn haviam prometido na anterior proposta está aqui concretizado na sua plenitude. Fica ainda a informação de que por cada CD vendido, 50 cêntimos reverterão a favor da luta de libertação do Tibete. RDS (fenixwebzine.blogspot.com)

Jarboe Mahakali CD,2008,The End

CD,2008,Agonia

Waste Disposal Machine Interference CD,2008,Thisco

Já se encontra disponível o álbum de estreia dos Waste Disposal Machine, “Interference”. Este é composto por 13 faixas (uma introdução, 8 temas originais e 4 remisturas) e perfaz os 54m20s de duração. Depois de vários lançamentos em formato demo e participações esporádicas em compilações, os WDM assinam pela Thisco para a edição do primeiro longa duração. A fusão de Rock Industrial, Electro, Gótico, Metal e EBM faz a sonoridade WDM. As influências (ou aproximações ao universo de) são tão díspares como Nine Inch Nails, Front 242, Front

Ao quarto álbum, disco com o extenso e simbólico título de “Thus Open Thine Eerie Wings Like An Eagle And Soar The Winds Of Chaos”, os algarvios In Tha Umbra surpreendem; e pela positiva. Sem fugir das traves mestras onde assenta o seu som, o mesmo death e black-metal de sempre, por sinal, algumas vezes mais extremo do que nunca, o grupo enveredou também neste disco por um caminho mais experimentalista, exploratório, sem nunca perder, obviamente, o seu rumo. Ao quarto álbum, disco lançado pela editora polaca Agonia Records, o grupo de BKD - voz e guitarra, Bruno M. Bernardo - guitarra e voz - e João Marques - bateria, aprofundou a sua noção de rock, expandindo-se para os vários espaços em aberto; vocalmente, poeticamente e musicalmente. Com uma interessante aproximação a ambientes semi-acústicos, a principal novidade deste disco advém da vertente fortemente progressiva experimentada pela banda. No caminho de um pesado psicadelismo, ao sabor dos teclados e de melodias cativantes, a música dos In Tha Umbra torna-se um enorme carrossel de emoções, de velo-

Lembro-me da estreia homónima em 2002 e desta me ter chamado a atenção para a fusão Doom e Gothic Metal de inspirações My Dying Bride, Anathema, Sentenced, Crematory e Sundown. Embora algo derivativa e lugar comum, tinha os seus pontos de interesse, assim como um certo cuidado na composição de temas com identidade (o tema de apresentação “Morrigan” vem à cabeça). Após 6 anos de espera (com um EP em 2004 do qual eu não tive conhecimento senão à minutos) surge o sucessor sob a forma desta colecção de 11 temas em 67 minutos. A sonoridade segue a mesma linha de sempre mas desta feita deram especial atenção aos pormenores, sons, ambientes e revelam um trabalho de composição elaborado. Nada foi deixado ao acaso e as ligações entre ideias, riffs, melodias, e mudanças de ritmos, está feita de um modo perfeito e com uma fluidez e à vontade que se espera de uma banda com 10 anos de existência. As colaborações especiais (violino, voz feminina, guitarra Portuguesa), assim como o uso inteligente dos teclados e algumas influências étnicas, ajudam bastante ao ambiente geral do disco. Pesado quanto baste mas com muita melodia; com a força e intensidade do Doom mas com a suavidade dos elementos góticos; sombrio e depressivo mas com o vislumbre da luz ao fundo do túnel. É assim este “The Bitterest

Será um bocado relativo dizer que a Jarboe é como o vinho do Porto, até porque eu gosto particularmente da fase Swans e não conheço muito bem a carreira dela a solo. No entanto posso afirmar que MahaKali é uma história musical do caraças! Depois da desilusão que foi a colaboração com Justin K. Broadrick nos J2 [posso não ter ouvido as vezes suficientes], sabe bem ser assim surpreendido por tão tenebrosa jornada mística. Parece que a senhora se rodeou das pessoas certas. Quer em termos instrumentais quer vocais. A sequência do 3º ao 7º tema é deveras assustadora! Noise, drone e metal ritualista formam um universo fantasmagórico, habitado pelas contorcidas manifestações do seu alcance vocal, desde a infantilidade meia sinistra dos murmúrios mais ternos à face mais obscura dos gritos agonizantes. E ao 6º ainda conta com a cooperação demoníaca de Attila Csihar. Depois de sobrevivermos ao horror temos outra colaboração que se insinua como mais um ponto alto no disco graças aos trejeitos rouquenhos de Phil Anselmo na versão acústica de Overthrown. Este tema é alvo de outra versão mais ritmada e com um travo algo goth mais à frente no disco, mas eu prefiro a versão acústica. Respect. Crestfall (amplificasom.blogspot.com)


Jex Thoth Jex Thoth CD,2008,I Hate

Com os Wooden Wand encostados a um canto, a Sra e o Sr. Toth passeiam-se por outros territórios, permanecendo interessados em dispor do espirito dos 70s e a arquitectar sobre os seus ensinamentos. Desta vez numa orientação que adere ao recente revivalismo doom/heavy rock, e que apesar de não ser primordialmente regida por riffs, é certamente inspirada pelos priores Black Sabbath e Pentagram, e não renega influxos prog-rock nem fantasias psicadélicas. A atmosfera de pacto com o oculto é fortalecida pela toada quase sempre melancólica e pela voz ritualista de Jessica Toth. É retro ao estilo dos Witchcraft (Nothing left to die) e downtempo com guitarras bastante fuzzed ao estilo Bardo Pond (Stone evil). Assentando fundações na época em que assentam, dificilmente poderiam ser originais, mas pelo menos parecem-me genuínos e conseguem importar e misturar de forma hábil alguns dos melhores componentes da época. Crestfall (amplificasom.blogspot.com)

dessa combinação é um rock profundamente arrastado, com tendências espirituais. Em Motion To Rejoin tudo é preguiçoso, tudo tende para um universo drástico, onde o alinho e a colocação da estrutura musical é a principal imagem de marca. Os Brightblack Morning Light produzem assim uma peça de folk minimalista, que combina na perfeição com dias chuvosos e sem sol, dias em que a lentidão de movimentos se estende a todo corpo. Motion To Rejoin vai alargando a sua influência nocturna ao longo de 9 temas: o primeiro tema entra neste planeta de forma indelével “Introduction” cumpre na perfeição a sua função; “Hologram Buffalo” é um passeio por um parque natural americano, apenas um imenso espaço livre á frente dos nossos olhos, uma paisagem verde sem fim; “Another Reclamation” é a mistura de dois mundos, o tema perfeito para o nascer do dia, um simpático e adorável adeus á noite; “Summer Hoof” é uma praia californiana deserta ao por do sol. Ao 3º álbum os Brightblack Morning Light marcam literalmente o seu território, afirmando o seu estilo e dando uma textura muito própria ao lado mais lento da indie folk americana. António Antunes (www.pensosonoro.blogspot.com)

Serpentina Satélite Nothing To Say CD,2008,Trip In Time

Nocte Obducta Sequenzen Einer Wanderung CD,2008,Supreme Chaos

Dois temas apenas fazem este disco. “Teil 1” tem 23m06s e “Teil 2” tem 20m53s. Metal vanguardista é o que nos apresenta esta banda Germânica no activo desde 1995. Infelizmente, este é o “canto do cisne” pois a banda separou-se oficialmente durante o ano de 2008. Mas, antes de morrer, o cisne canta por uma última vez, e esse é o mais belo de todos os seus cantos. Nestes 44 minutos de arte no seu estado mais puro, os Nocte Obducta levam-nos numa viagem inesquecível. Atmosférica, psicadélica, hipnótica, melódica, depressiva, intensa, experimental. É assim a música do extinto sexteto teutónico. Uma verdadeira obra-prima! Para os amantes de cenas Avantgarde, Post-Rock e Progressivas. RDS (fenixwebzine.blogspot.com)

Novo trabalho para os Serpentina Satélite do Perú. Depois do EP auto-financiado “Long Play”, estes assinam com a Trip In Time e dessa união surgem 5 novos temas sob o título “Nothing To Say”. Maioritariamente instrumental, o som dos Serpentina Satélite navega nos mares do 70s Psychedelic, Krautrock e Space Rock, sempre com fortes influências de Hawkwind. Outros nomes a assinalar como influência podem ser Pink Floyd, Acid Mothers Temple ou Kyuss. Sinceramente, o que ouvi não me chamou muito a atenção, está bem feito, sem dúvida, mas soa algo derivativo. Quando puxam um bocado mais pelas guitarras conseguem um som mais roqueiro e agrada, mas na maior parte do tempo lida-se com ambientes psicadélicos com fórmulas levadas ao extremo da repetição. Não me surpreendeu, mas pode ser que agrade a fãs do género. RDS (fenixwebzine.blogspot.com)

“Súbito” é um disco corajoso. Um disco forte. Gravado ao vivo no bar do Teatro “A Barraca”, em Lisboa, nos dias 1 de Março e 18 de Outubro de 2007, “Súbito” é um disco livre, desprendido de efeitos e totalmente improvisado. Por isso mesmo - e por muito mais, as linhas traçadas em “Súbito” transportam-nos a imaginação para sítios diversos, para diferentes espaços imaginários. As imagens que cada peça traz consigo apelam à emoção, ao espírito individual e diferenciado que habita em cada um de nós. É um disco com tanto de súbito na criação como de imediato na interiorização, tal a forma como se expõe e se entranha em quem o ouve; no recolhimento especial que proporciona. Com uma extraordinária fluidez, sentida ao longo das 11 faixas, Ruben Alves oferece-nos um belíssimo disco, o terceiro da sua discografia. Com experiência acumulada em vários quadrantes estilísticos, a da música improvisada será talvez a menos conhecida em Ruben Alves, mas nitidamente a mais interessante. “Súbito” é uma viagem solitária, um diálogo pessoal e misterioso de um ser jazz e um outro clássico romântico e impressionista. Fica toda uma série de impressões; é um disco de impressões. De improviso, despido de subterfúgios, Ruben Alves oferece-nos um disco exemplar em piano solo. Um disco de qualidade. Rui Dinís (a-trompa.net)

Projecto Fuga 01 CD,2008

Mothlite TheCD,2008,Southern Flax of Reverie Records

Brightblack Morning Light Motion To Rejoin CD,2008,Matador

Extrema Suavidade O marasmo ambiental criando pelos Brightblack Morning Light, soa à típica atmosfera criada no sudoeste norte-americano, podia ser construído em qualquer dos 4 estados que o compõem (Texas; Novo México; Arizona; Califórnia), o que resulta

Ruben Alves Súbito CD,2008,Mbari

Será que o Cinematic-Art-Rock existe? Se não existir, eu declaro o tema The untouched dew como pai/criador/primogénito/ovo/galinha da coisa. Retalhado em passagens dronicas sinistras, arranjos de cordas luminosos e lúgubres, suturado por instrumentos de sopro melancólicos e ruidosos, piano, órgão e percussão sensual, todo um conjunto de instrumentos aglomerados em cacofonias ou distanciados por apontamentos lentos e solitários. Mothlite é mais um projecto do mui criativo Daniel O’Sullivan, não é pretensioso mas é Artsy, e, já agora, Avant-garde. Não é certamente um projecto fácil de catalogar. The Flax of Reverie aparenta uma sensibilidade similar à de uns Ulver, alimenta-se da(s) atmosfera(s) que consegue criar, e apesar de ser maioritariamente instrumental, parte da vibração fantasmagórica deve-se ao poder tóxico das vozes. Não é de arrebatamento instantâneo, e não se padece com uma audição desatenta, mas, eventualmente, pode-se tornar numa obra impressionante. Crestfall (amplificasom.blogspot.com)

objecto só. Extraordinário objecto. A diversidade instrumental ou a importância do corpo no resultado final. Liberto de uma composição instrumental fixa, tanta vezes amarradora da criatividade, em “01”, as soluções são diversas, correndo-se livremente pelas cordas, teclas, percussão, programações e um ou outro sopro. No fim, fica um disco pensado tema a tema. Repensado. Um disco sentido também por Milton Batera (guitarra, bateria e loops), Celina Piedade (acordeão) e José Galissá (kora), três entre os muitos instrumentistas que contribuíram para a riqueza instrumental de “01”. Riqueza e sinceridade. Depois, a diversidade das vozes, sendo que às já referidas, se devem ainda juntar as de Rozett e Nena; e a diversidade das palavras, na sua maioria da autoria de Maria Pedro. Juntas, embalam, ajudam a conferir parte da profundidade imagética que vive na música deste Projecto Fuga. Fica o exemplo de como compor e cantar em português; como fazê-lo com bom gosto, com métricas perfeitas e relevante harmonia. Num disco sem assinaláveis pontos fracos, “01” é um dos belíssimos registos de 2008 da música portuguesa. De toda a música portuguesa. A que vive em Portugal, a que respira no Brasil e a que transpira em África. Obrigatório. Rui Dinís (a-trompa.net)

Wetnurse Invisible City CD,2008,Seventh Rule

Os Wetnurse possuem a mestria necessária para cozinhar apuradamente a salgalhada de estilos com que nos presenteiam em Invisible City. Apesar de injusto e extremamente restritivo, seria aceitável encaixa-los num abrangente universo hardcore/pós-hardcore metalizado com influências de Converge, Botch, Keelhaul, Cave In ou até At the Drive-In e com a visão extravagante de uns Refused. Acontece que este disco é ainda muito mais que isso. É imprevisível. É rock é noise é metal é punk é ..., é uma manta de retalhos feita de diversos fragmentos [que tal os interlúdios acústicos?] de diversos universos sonoros de diferentes graus de complexidade, numa dinâmica que não tem nada de mecânica e é, isso sim, inteligente e extremamente apelativa. Crestfall (amplificasom.blogspot.com)

Fennesz Black Sea CD,2008,Touch “01” é um disco de emoções. Lembro-me imediatamente da guitarra portuguesa em “Outro Tema”. Mas há mais; muito mais. Num ano cheio de boas surpresas, cantadas em bom português, o Projecto Fuga é mais uma delas. Vencedor da categoria Antena 3 do Concurso CAAM 2007, uma iniciativa promovida pela Sociedade Portuguesa de Autores, “01” é, nas palavras do seu mentor à trompa, Pedro Marques Pereira, “uma viagem intercontinental com destinos musicais distintos“. Esta é realmente a ideia de fundo que atravessa todo este “01”, fundamento de um elogio a uma portugalidade com bases em Portugal e Brasil e passagens pelo continente africano. Tudo isto sem preocupações desmedidas de género ou estilo; numa espécie de ‘arte pela arte’. A esta diversidade não será certamente alheia a enorme panóplia de vozes convidadas: Enjel Eneh, Ana Deus, JP Simões, Teresa Gabriel, Fernanda Takai (Patu Fu), Pedro Bonifrate (Supercordas) e Adolfo Luxúria Canibal, entre outros, dão voz a um dos mais interessantes discos de 2008. É outro conceito que atravessa “01”: diversidade. No espírito da diversidade. É nele que se esprai toda a magia de “01”; nas palavras mas especialmente na sua música, principalmente na atenção depositada em todos os arranjos. Goste-se mais ou menos, de um ou de outro tema, este é um disco sem debilidades, onde nada parece ter sido deixado ao acaso numa produção cuidada, apostada em fazer de cada tema uma experiência diferente e interessante. Bem conseguido. Nisto e melhor do que em qualquer outro, “Maracaturama” é o tema que melhor encarna este espírito da diversidade, na forma como a música brasileira, africana e portuguesa se vão fundindo num

Black Sea começou por me deixar com uma sensação de ambiguidade. Apesar de eu saber que dali deveriam surgir vários contrastes introspectivos, as primeiras audições não ocorreram no ambiente mais favorável e decorrem de uma forma descomprometida, a modos de que as músicas deslizavam indiferenciadamente e quando dava por mim o disco chegava ao fim sem que muito de memorável tivesse sobrado. Aos poucos e poucos, a grandeza do vocabulário e das paisagens sonoras construídas da forma singular que só Fennesz sabe fazer vão-se definindo no horizonte, começando a clarear a compreensão que eu [não] captava das variadas texturas. Estas texturas não revolucionam como no passado mas são esculpidas de uma forma envolvente, com glitches de tonalidade mais noise, fortes e berrantes, ou em passagens calmas que evocam ambientes bucólicos e pastorais que muitas vezes se situam no limite do audível. Vou continuar a descobrir. Crestfall (amplificasom.blogspot.com)



checksound nr 11