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Da Redação.............................................................................6 Opinião do Leitor...................................................................6 Bônus.......................................................................................7 Biografia..................................................................................9 Resumos................................................................................12 Autor pelo autor...................................................................14 Bate-Papo..............................................................................15 Análise...................................................................................20 Entretenimento....................................................................21 Mundo antigo e mundo novo............................................24 Obras.....................................................................................27

9 BIOGRAFIA

27 OBRAS

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15 ENTREVISTA ÍNDICE


DA REDAÇÃO Eterno “Machadinho” É sempre prazeroso falar de um escritor famoso, de um escritor que nos faz embarcar em cada parágrafo de suas histórias, é ainda mais prazeroso falar de ninguém menos do que Machado de Assis, um autor rico em obras, estas por sua vez, que nos fazem ficar intrigados em algumas questões, ou nos fazem entrar em seus romances, nos sentir um de seus personagens. Ah, Machado! Sempre soube o que quis, correu atrás de seu sonho, sabia com quem conversar, sabia o que fazer, buscou incessantemente o conhecimento, em momento algum pereceu diante das dificuldades que lhes eram impostas pela vida. Além de maior ícone da literatura nacional – como se fosse pouco – Machado de Assis é um exemplo para toda a sociedade, especialmente para os que têm maior dificuldade em ascender na vida. Um autor do qual são desconhecidos fatos desagradáveis, nunca teve seu caráter posto em xeque. Machado nos ensinou e ensina a amar, Machado amou, encantou-se com Carolina Augusta, e nos encantou com seus poemas que declarava o seu sentimento pela sua amada. Machado deve ter possuído seus defeitos, que jamais vieram á tona, que bom! Assim, temos de Machado a mesma imagem que ele nos passa através de suas obras. Sendo assim, nada mais justo do que uma singela homenagem da nossa revista ao nosso eterno Joaquim Maria Machado de Assis, ou simplesmente, Machado de Assis!

Carolina Sá

Carolina Sá Editora-Chefe e Presidente

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NO MUNDO DO LEITOR “Quando comecei a ler Machado de Assis, foi somente por indicação, não entendia muito bem, mas quando comecei a ler com sentimento, tudo era muito claro, seus livros e contos são ótimos!”

Marina Cardoso, Fortaleza, CE “São leituras sempre excelentes, toda vez que pego uma de suas obras, embarco em um mundo utópico, porém real.”

Andrei Macêdo, Canoas, RS “Machado de Assis é, sem sombra de dúvida, o maior escritor brasileiro. A sua história prova isso e muito mais!”

Andrei Macêdo, Canoas, RS

MENSAGEM DA SEMANA “A literatura transforma, a literatura nos ensina a pensar e racionar sobre todos os nossos atos, nos ensina a medir as consequências antes de tomarmos qualquer atitude, a literatura nos enriquece em conhecimento, nos enriquece na vica, para a vida. Ler faz bem.”

Fábio Oliveira, Salvador, BA DA REDAÇÃO


BÔNUS Uma Criatura Sei de uma criatura antiga e formidável, Que a si mesma devora os membros e as entranhas, Com a sofreguidão da fome insaciável. Habita juntamente os vales e as montanhas; E no mar, que se rasga, à maneira do abismo, Espreguiça-se toda em convulsões estranhas. Traz impresso na fronte o obscuro despotismo; Cada olhar que despede, acerbo e mavioso, Parece uma expansão de amor e egoísmo. Friamente contempla o desespero e o gozo, Gosta do colibri, como gosta do verme, E cinge ao coração o belo e o monstruoso. Para ela o chacal é, como a rola, inerme; E caminha na terra imperturbável, como Pelo vasto arealum vasto paquiderme. Na árvore que rebenta o seu primeiro gomo Vem a folha, que lento e lento se desdobra, Depois a flor, depois o suspirado pomo. Pois essa criatura está em toda a obra: Cresta o seio da flor e corrompe-lhe o fruto, E é nesse destruir que as suas forças dobra. Ama de igual amor o poluto e o impoluto; Começa e recomeça uma perpétua lida; E sorrindo obedece ao divino estatuto. Tu dirás que é a morte; eu direi que é a vida.

Uma revista da SESI Editora.

Editora Chefe: Carolina Sá Repórteres: Evelyn Editores: Gabriela e Juliana Vasconcellos Ano de Publicação: 2011 Mês: Agosto Mundo em Letras é uma publicação mensal da SESI Editora S.A. - Av. Alameda Mirante de Piatã, 355, Piatã, Salvador-BA, CEP: 41650-275 - Tel.: 3316-4898. Distribuido para todo o Brasil através da X-Press Distribuidora S.A. GRÁFICA: JM Gráfica, Barbalho.

APOIO:

CONTATO Livros e flores Teus olhos são meus livros. Que livro há aí melhor, Em que melhor se leia A página do amor? Flores me são teus lábios. Onde há mais bela flor, Em que melhor se beba O bálsamo do amor?

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E-mail: contato@mundo.com.br Site: www.mundoemletras.com.br Telefone: (71) 3316-4898 Fax: 55 71 2021-6645 Caixa Postal: 37651 CEP: 41650-275 / Salvador-BA

BÔNUS


• A VIDA DE UM GÊNIO DA LITERATURA

BIOGRAFIA

A nossa edição especial do mês, traz como personagem aquele que é considerado o maior ícone da literatura nacional, Machado de Assis. Autor de mais de 800 obras, escreveu em praticamente todos os gêneros literários, foi poeta, romancista, contista, dramaturgo, cronista, jornalista, folhetinista e crítico. A MUNDO apresenta de uma forma resumida, a vida e obra de Joaquim Maria Machado de Assis, destacando os principais momentos desse grandíssimo autor!

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ascido em um lar pobre, no Morro do Livramento, Rio de Janeiro(foto), Machado de Assislogo percebeu que para subir na vida precisava de muito esforço e de muito trabalho. Órfão aos dez anos, estudou em escolas públicas, mas na verdade se intruiu por conta própria, interessando-se por todo tipo de leitura. Inteligente e esforçado, aproximou-se de intelectuais e de jornalistas, que lhe deram oportunidades. Aos dezesseis anos, empregou-se na tipografia de Paula Brito. Aos dezenove anos, já era colaborador assíduo de jornais e revistas cariocas como Correio Mercantil, O Espelho, Diário do Rio de Janeiro, Semana Ilustrada e Jornal das Famílias. Em 1867 foi nomeado oficial da Secretaria da Agricultura. Ao mesmo tempo que progredia no emprego, sua carreira de escritor era cada vez mais promissora. Casou-se aos trinta anos com Carolina Augusta Xavier de Novais, portuguesa, a qual chamava carinhosamente de “Carola”. As cartas que escrevia para sua amada eram assinadas como “Machadinho”. Machado de Assis e Carolina Augusta teriam vivido uma “vida conjugal perfeita” por longos 35 anos.

Desenho representando Machado de Assis segurando a mão de sua esposa Carolina Augusta, já velhos.

Machado de Assis foi se tornando aos poucos o intelectual mais famoso do Rio de Janeiro. Como funcionário público foi exemplar, como escritor, o mais importante. Machado Faleceu no dia 29 de setembro de 1908. 10

BIOGRAFIA


BIOGRAFIA

Por ter sido um escritor que se formou à luz do Romantismo, e que evoluiu para o Realismo com o tempo, a obra de Machado de Assis forçosamente é enxergada sob os dois pontos de vista - romântico e realista. Pode-se considerar que sua produção até 1880 seja autenticamente romântica, embora o seu romantismo não seja tão sentimentalista como o de seu contemporâneos.

• O CICLO ROMÂNTICO

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nalisando os romances machadianos considerados românticos, vê-se que já apresentam a característica que haveria de marcar Machado de Assis: os acontecimentos são narrados sem precipitação, entremeados de explicações aos leitores por parte do narrador, cheios de considerações sobre os comportamentos. Suas personagens não são tão lineares como a dos maiores românticos, elas têm comportamentos imprevistos, fazem maquinações, não são transparentes, são interesseiras. Mas a estrutura ainda é linear, isto é, ainda têm começo, meio e fim bem definidos. Fazem parte do ciclo romântico as obras:

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Ressureição (1872) A mão e a luva (1874) Helena (1876) Iaiá Garcia (1878) Histórias da meia-noite (1873) Contos Fluminenses (1870)

• O CICLO REALISTA

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om a publicação de “Memórias póstumas de Brás Cubas”, Machado de Assis mudou o rumo de sua obra. Amadureceu como escritor, passando a escrever para leitores mais maduros. Era a hora de personagens mais elaboradas, constituídas à luz da psicologia. As estruturas narrativas dessa fase fogem à linearidade, entremeando digressões temporais, intromissões do narrador e grande preocupação com a análise de acontecimentos. Fazem parte do ciclo realista:

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Papéis avulsos Histórias sem datas Páginas recolhidas Relíquias da casa velha

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BIOGRAFIA


RESUMOS A

edição atual da MUNDO, traz para você breves resumos de dois belíssimos contos de Machado de Assis, o primeiro é “Cantiga de Esponsais” e o outro é o “Verba testamentária”. Não há nada com uma bela leitura, mas nós preparamos para os nossos leitores um pequeno aperitivo desses maravilhosos contos.

Tudo tem início em 1813, na capital fluminense, com Ro¬mão Pires, o Mestre Romão, regendo uma orquestra numa festa da igreja do Carmo. Romão é o protagonista, possui sessenta anos, excelente músico que, apesar de larga experiência no ramo, possui grandes dificuldades para compor. Essa dificuldade em compor começa em 1779, mais precisamente três dias após o casamento, onde empolgado com o matrimônio, surge-lhe a idéia de criar um canto esponsalício para sua jovem esposa. Mas como o narrador diz: “a inspiração não pôde sair. Como um pássaro, que acaba de ser preso, e forceja por trans¬por as paredes da gaiola…”. De tal maneira, Romão guarda na gaveta a partitura que continha apenas algumas notas que conseguira escrever. Sua esposa falece ainda muito nova, com apenas vinte três anos, o tempo passa sem com que o Mestre conseguisse trazer à tona uma canção sequer. Esse fato o incomoda tanto, que um dia, ele adoece. Pai José, escravo e grande amigo, recomenda-lhe que

busque ajuda numa farmácia, entretanto, os remédios não funcionam. Pai José então chamara um médico, que recomenda a Mestre Romão esquecer a música, diz-lhe para não pensar mais em compor. As palavras do doutor acenderam a chama da inspiração em Romão, ele abre a gaveta e tenta finalizar a obra que começou em 1779. Animado, transporta o cravo de uma sala do fundo, para outra que dava para o quintal. Enquanto tenta finalizar a cantiga, depara-se, através da janela, com recém-casados enamo¬rados. Para seu desespero, a canção não sai do papel. Angustiado, Mestre Romão perece durante a noite. “Cantiga de esponsais” é um brilhante conto, onde Machado de Assis conseguiu utilizar de uma fina ironia para discutir o problema entre a técnica e inspiração na arte. Ademais, nessa curta narrativa, encontramos, o problema da perfeição que assola diversas personagens machadianas. Como vemos no conto, Mestre Romão, apesar de toda técnica, não possuí nenhuma inspiração para compor nem ao mes12

RESUMOS


• Verba Testamentária O conto centra-se no comportamento patológico de Nicolau, o protagonista. De uma forma atrativa, Machado consegue fazer da sua narração um misto de faicção e realidade. A história começa com a transcrição de uma cláusula do testamento de Nicolau, onde exige ser enterrado em um caixão fabricado pelo Sr. Joaquim Soares, um operário humilde. A notícia se espalha pela corte e pelas províncias e é percebida como “uma ação rara e magnânima”. Entretanto, esquecido o episódio, o narrador comprova, através da exposição da vida de Nicolau, que a cláusula do testamento pode ser explicada por um problema congênito do protagonista. A síntese da história mostra que Nicolau, desde a infância, revela um comportamento doentio: destrói os brinquedos de outras crianças que são melhores do que os seus; na escola, espanca os colegas que se mostram mais adiantados do que ele nos estudos. O sofrimento de Nicolau se acentua na idade adulta, a ponto de não poder suportar a convivência com pessoas simpáticas e nobres. Por sugestão do cunhado, que é médico, Nicolau fica isolado em um ambiente rico, onde sua auto-estima é positivamente estimulada por meio de falsas notícias ruins, publicadas em jornais também inexistentes. Apesar disso, ele piora com o passar do tempo e, quando morre, deixa uma verba para pagar um caixão de má qualidade. A irmã de Nicolau, assim como seu marido, acha o último desejo muito estranho, mas decide que a vontade do defunto deve ser cumprida. Em Verba testamentária, o tema do comportamento doentio do indivíduo, que resulta da inveja do bem alheio, é introduzido por um enigma que o narrador se encarrega de desvendar, sendo apresentado por meio de uma personagem caricaturesca. Para criar o conto, Machado recorreu a uma estratégia dupla: por um lado, ele investiu na verossimilhança do relato e, por outro, acentuou sua natureza fantasiosa. Para instituir os efeitos de veracidade, o escritor concebeu um narrador cuja subjetividade é perceptível e que menciona datas, nomes de logradouros do Rio de Janeiro, eventos históricos, mas que omitiu o nome completo do protagonista, a fim de proteger sua identidade, como se ele fosse real e pudesse ser reconhecido pelo leitor. O conto nega os limites do contexto estético-histórico-social sobre o qual reflete e, por isso, se oferece como adequado aos leitores da atualidade. 13

RESUMOS

RESUMOS

mo uma cantiga de esponsais, que se comparada a outros tipos de música, pode ser considerada rela¬tivamente simples. Além disso, o protagonista, apesar de todos os esforços é apenas um intérprete, pois não consegue misturar a habilidade musical com o ato de compor. É importante também ressaltar o espaço e o ambiente do conto, que são muito bem trabalhados por Machado. A cena inicial aberta com a visão da igreja do Carmo, onde várias pessoas assistem a orquestra regida pelo Mestre que está embevecido com a música, demonstra um ambiente que influí diretamente na personagem. A multidão juntamente com a música, completam Romão, e contrapõem¬se com a casa praticamente vazia com poucos móveis, que pode ser vista como um lugar triste, solitário e principalmente, um local, que representa a inspiração do mestre. Outra parte que merece destaque é a tentativa do Mestre de compor, quando ele encontra-se no quintal. Ao tentar criar a canção, a personagem central mal consegue sair da nota Lá. O narrador a descreve seguida de reticências, o que nos leva a entender a dificuldade do Mestre em tentar finalizar a cantiga. Por fim, observamos que a procura pela perfeição marca a personalidade do protagonista. Ele não con¬tenta-se com o fato de ser um intérprete. Ele quer mais, muito mais. Mestre Romão busca ser conhecido tanto pela sua técnica quanto pela sua inspiração. A falta desta última gera-lhe um grande conflito, que pode-se ser considerado o norte dessa narrativa machadiana.


AUTORPELOAUTOR C

omo de costume, sempre trazemos nomes importantes da literatura, tanto nacional quanto mundial para opinar sobre outro autor, não é diferente nesta edição. Dessa vez convidamos Josué Montello, nascido em São Luís, MA, no dia 21 de agosto de 1917. É jornalista, professor, historiador, romancista, cronista, ensaísta, orador, teatrólogo e memorialista. Josué Montello foi eleito para a Cadeira nº 29 da Academia Brasileira de letras em 4 de novembro de 1954. Confira o depoimento de Josué Montello: “Quem vê a vida de Machado de Assis tem a noção perfeita de que ele se preparou, desde cedo, para a sua biografia. Ele não ficou circunscrito a ser o que era. Pois bem, este Machado de Assis curioso, competente, este Machado de Assis austero vai se refletir na Academia Brasileira, porque ele, desde cedo, foi uma pessoa que teve um comportamento rígido, do ponto de vista pessoal. Foi o homem que se preparou para ser escritor, dominando um vocabulário, escolhendo os seus mestres, porque a gente se surpreende com a variedade da obra de Machado de Assis, dentro de um vocabulário aparentemente pobre. Quer dizer, é um vocabulário sóbrio, não tem aquela riqueza camiliana e nem mesmo aquela contenção que a gente encontra no Eça de Queiroz. O que o caracteriza é o homem de uma sobriedade vocabular, que permite a ele, dentro das 2 mil palavras do Dom Casmurro, dizer tudo que pretendeu, tudo aquilo que estava na sua imaginação, e que nos dá realmente o genuíno Machado de Assis em quase toda a sua obra. Isto é que faz a grandeza do Machado. Agora, é preciso que a gente considere que aquele homem era de uma família obscura - gostaria até de acentuar um episódio muito importante e que, geralmente, é posto nas biografias machadianas como uma informação marginal. Machado era filho, primeiro, de uma mulher negra - a mãe dele era negra, está escrito isso no depoimento guardado por um dos seus biógrafos. Essa documentação da mulher negra é curiosa porque, ao mesmo tempo, ele é filho de um homem que é um pintor de paredes, quer dizer, é um homem obscuro, mais claro que a mulher, e o interessante é o seguinte: quando ele escolhe o nome dele - o seu pai era Assis, a mãe é que era Machado - ele compôs o seu nome literário como Machado de Assis. Ele juntou a mãe e o pai, esplendidamente. É preciso acentuar isto neste homem porque, por um lado, soube ser um grande escritor, mas, por outro lado, soube ser simultaneamente um homem de bem, um homem correto, um homem identificado com o seu país, um homem identificado com seus amigos. Não se lhe conhece uma só atitude que representasse um constrangimento, ou um episódio para ser corrigido ou comentado de uma maneira desagradável. Pelo contrário, tudo nele parece que foi preparado, ensaiado de tal modo, que se tem a impressão, ao conviver com a vida do Machado de Assis, de que ele foi preparado, desde a infância, para ser o que foi.” 14

AUTOR PELO AUTOR


BATEPAPO Q

ual o apaixonado por leitura não quis conversar, ou ao menos ler entrevistas com Machado de Assis? Com certeza seria bastante interessante, e, Rubem Braga simulou em um de seus livros, lançado em 1958, uma entrevista com respostas retiradas dos contos, crônicas e romances de Assis. Confira abaixo essa magnífica montagem! Repórter: O senhor gostava muito de jogar xadrez com o maestro Artur Napoleão, não é verdade? Machado - “O xadrez, um jogo delicioso, por Deus! Imaginem a anarquia, onde a rainha come o peão, o peão come o bispo, o bispo come o cavalo, o cavalo come a rainha, e todos come a todos. Graciosa anarquia...” R - Por falar em comer, é verdade que o senhor era vegetariano? M - “...eu era carnívoro por educação e vegetariano por princípio. Criaram-me a carne, mais carne, ainda carne, sempre carne. Quando cheguei à idade da razão e organizei meu código de princípios, incluí nele o vegetarianismo; mas era tarde para a execução. Fiquei carnívoro.” R - Que tal acha o nome da Capital de Minas? M - “Eu, se fosse Minas, mudava-lhe a denominação. Belo Horizonte parece antes uma exclamação que um nome.” R - E a respeito da ingratidão? M - “Não te irrites se te pagarem mal um benefício; antes cair das nuvens que de um terceiro andar.” R - E a imprensa do escândalo? M - “O maior pecado, depois do pecado, é a publicação do pecado.” R - E esses camaradas que estão sempre na oposição? M - “O homem, uma vez criado, desobedeceu logo ao Criador, que aliás lhe dera um paraíso para viver; mas não há paraíso que valha o gosto da oposição.” R - E o trabalho? M - “O trabalho é honesto; mas há outras ocupações pouco menos honestas e muito mais lucrativas”

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BATE-PAPO


BATE-PAPO

R - E a loteria? M - “Loteria e mulher, pode acabar cedendo um dia” R - E sobre dívidas? M - “Que é pagar uma dívida? É suprimir, sem necessidade urgente, a prova do crédito que um homem merece. Aumentá-la é fazer crescer a prova.” R - Pode me dar uma boa definição do amor? M - “A melhor definição do amor não vale um beijo de moça namorada.” R - O amor dura muito? M - “Marcela amou-me durante quinze meses e onze contos de réis; nada menos.” R - E a honestidade? M - “Se achares três mil réis, leva-os à polícia; se achares três contos, leva-os a um banco.” R - E o Brasil? M - “O país real, esse é bom, revela os melhores instintos; mas o país oficial, esse é caricato e burlesco”. R - E os filhos? M - “Não tive filhos, não transmiti a nenhuma criatura o legado de nossa miséria.” R - Muito obrigado, o senhor é muito franco em suas respostas. M - “A franqueza é a primeira virtude de um defunto.” R - De qualquer modo, desculpe por havê-lo incomodado. Mas é que neste programa sempre entrevistamos alguém que já morreu... M - “Há tanta coisa gaiata por esse mundo que não vale a pena ir ao outro arrancar de lá os que dormem...” R - Você que chegou até aqui, muito obrigado. Não foi absolutamente perda de tempo. Àqueles que acreditam unicamente no conhecimento técnico, no aperfeiçoamento exclusivo de sua área de atuação, vale o remorso de Darwin. M - “Meu espírito parece ter-se convertido numa máquina de extrair leis gerais de grandes acumulações de fatos. (...) Se eu tivesse que viver novamente minha vida tomaria como norma ler, ao menos uma vez por semana, algo de poesia, e ouvir música”.

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BATE-PAPO


ANALISANDO... A análise de hoje não é de nenhum livro, como estamos falando de Machado de Assis, maior contista do Brasil, analisamos um de seus contos. O conto escolhido foi “Uma Noite”, fala brevemente das histórias de vida de Martinho e Isidoro, enfatizando mais neste segundo. A MUNDO tenta interpretar e explicar esse belo conto de Machado de Assis, grande gênio da literatura.

M

achado de Assis escreveu contos a toda, revelando-se um mestre também na narrativa curta, há quem considere que foi como contista que escreveu as suas melhores obras, produzindo-as com simplicidade e clareza, definindo bem tempo e espaço. Em “UMA NOITE” não foi diferente, Machado de Assis mais uma vez traz um conto com um misto de assuntos que envolvem o leitor. Isidoro e Martinho se conhecem na Guerra do Paraguai, ali se tornam grandes amigos e, cada um conta como fora parar nas trincheiras, defendendo a pátria e trocando tiros de chumbo com as tropas inimigas. Machado, somo sempre soube fazer, trouxe o início da estória para o meio, fugindo da linearidade que marcaram os seus contos româncticos, porém, o toque romancista é perceptível nas palavras de Isidoro, ao se referir á Camilia, viúva e mulher pela qual se apaixonou. Talvez por ter passado por praticamente todos os gêneros literários, Machado de Assis seja autor de obras tão fantásticas como “UMA NOITE”

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ANÁLISE


ENTRETENIMENTO CAÇA- PALAVRA As palavras de hoje estão relacionadas à vida e obra de Machado de Assis. Encontre-as: Cronista, Crisálidas, Órfão, Morro do Livramento, Jornalista, Romancista, Realismo, Contista, Poeta, Rio de Janeiro e Autodidata.

FRASES MACHADIANAS “Deus, para a felicidade do homem, inventou a fé e o amor. O Diabo, invejoso, fez o homem confundir fé com religião e amor com casamento.” “Cada qual sabe amar a seu modo; o modo, pouco importa; o essencial é que saiba amar.” “Não é amigo aquele que alardeia a amizade: é traficante; a amizade sente-se, não se diz.” “Não levante a espada sobre a cabeça de quem te pediu perdão.” “Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinho, Há outras que sorriem por saber que os espinhos têm rosas!”

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ENTRETENIMENTO


PARODIANDO 2!

QUE ACORDO É ESSE?

NOVA ORTOGRAFIA

Paródia da música: Que país é esse? Legião Urbana

Paródia da música: Garotos Leoni

Após várias tentativas, A CLP conseguiu Unificar a língua portuguesa, E está sendo aplicada aqui no Brasil

O novo Acordo Ortográfico entrou em vigor Janeiro de 2009 foi quando tudo começou Angola, Cabo Verde e Guiné-Bissau, Brasil e Portugal E mais outros países de língua portuguesa Mudaram a gramática com muita clareza

Que acordo é esse? (é a nova ortografia) Que acordo é esse? (é a nova ortografia) Que acordo é esse? O hífen, aquele traço, que te causa embaraço Palavras compostas deixem pra lá, tudo acaba de mudar Não se apavore afinal, o acordo veio pra simplificar E agora a regra chave é só colocar Esse traço se começar em O ou H Que Que Que Que

acordo é esse? (é a nova ortografia) acordo é esse? (é a nova ortografia) acordo é esse? (é a nova ortografia) acooooordo é esse?

O acento agudo mudou O grave continuou Mudou também o circunflexo K W Y são oficiais Mas o trema não se vê nem mais o reflexo Que Que Que Que

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Quais são as mudanças introduzidas? Pra que tantas modificações? Perguntas que serão já esclarecidas Pois a nova ortografia já será exigida O alfabeto mudou A quantidade aumentou Houve supressão de consoantes O acento grave esta como antes Aproximação da escrita e oralidade E no ensino simplicidade Uma nova linguagem Proporcionando a todos os países maior intimidade Quais são as mudanças introduzidas? Pra que tantas modificações? Perguntas que serão já esclarecidas Pois a nova ortografia já será exigida

acordo é esse? (é a nova ortografia) acordo é esse? (é a nova ortografia) acordo é esse? (é a nova ortografia) acooooordo é esse?

ENTRETENIMENTO

ENTRETENIMENTO

PARODIANDO!


ENTRETENIMENTO

COMPARANDO... SAUDADE POEMA DE MACHADO DE ASSIS Por que sinto falta de você? Por que está saudade? Eu não te vejo mas imagino suas expressões, sua voz teu cheiro. Sua amizade me faz sonhar com um carinho, Um caminhar, a luz da lua, a beira mar. Saudade este sentimento de vazio que me tira o sono me fazendo sentir num triste abandono, é amizade eu sei, será amor talvez... Só não quero perder sua amizade, esta amizade... Que me fortalece me enobrece por ter você.

GIRASSOL MÚSICA DO CANTOR TOMATE Eu peço ao girassol para desabrochar com o amor e na manhã de sol poder regar a minha flor No lindo azul do teu olhar eu vejo refletir o mar eu posso até me afogar tentando te reconquistar Eu me sinto sozinho sem você em meus braços sou como um pássaro sem poder voar Vem de volta pra casa que eu vou te esperar óh meu girassol voltar pra mim no pôr do sol Deixa eu ser teu beija-flor quero sentir teu mel teu sabor Vou te regar no amanhecer me desabrochar, beijar você

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ENTRETENIMENTO


MUNDOANTIGO MUNDONOVO A

segunda metade do século XIX foi marcada por grandes mudanças, a maioria delas na segunda metade, essa mudanças aconteceram na área social, política e principalmente no modo de viver das pessoas. Foi a época da revolução industrial e muitas fábricas de outros países se instalaram aqui no Brasil, a maioria entre os anos de 1850 e 1860. Nesse período também mudou a forma de governo e o trabalho escravo foi substituído pelo assalariado, mas as péssimas condições de trabalho continuaram, a jornada de trabalho podia durar 16 horas e crianças e mulheres trabalhavam de maneira indiscriminada, sem nenhum salário. Essas mudanças proporcionaram que as províncias como Rio de Janeiro e São Paulo fossem polos atrativos para as pessoas que iam para lá em busca de uma vida melhor, mas essas mudanças não aconteceram tão rapidamente e também não atingiram todas as áreas do país. Já no século XXI capital está na mão da burguesia, até porque o sistema atual é o Capitalismo e o que esse sistema prega é o gastar. O trabalho continua assalariado por causa do sistema onde eles perceberam que trabalho escravo não iria dar em nada, porque é preciso de dinheiro para o sistema funcionar. A forma de governo é a República, onde a responsabilidade é depositada em um chefe de estado, o presidente que é escolhido pelo povo. Do século XIX para o XXI não mudou muita coisa, somente as tecnologias e a mulher que ganhou mais espaço no mercado de trabalho e etc.

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MUNDO NOVO E MUNDO ANTIGO


1827 -

Surge a primeira lei sobre educação das mulheres, permitindo que freqüentassem as escolas elementares; as instituições de ensino mais adiantado eram proibidas à elas

1832 -

Nísia Floresta escreve Direitos das mulheres e injustiça dos homens e expõe suas próprias opiniões sobre a realidade brasileira. E é considerada a primeira feminista brasileira e latino-americana.

1857 -

No dia 8 de março, em uma fábrica têxtil, em Nova Iorque, 129 operárias morrem queimadas numa ação policial porque reivindicaram a redução da jornada de trabalho de 14 para 10 horas diárias e o direito à licença maternidade. Mais tarde foi instituído o Dia Internacional da Mulher, 8 de março, em homenagem a essas mulheres.

1857 -

No dia 8 de março, em uma fábrica têxtil, em Nova Iorque, 129 operárias morrem queimadas numa ação policial porque reivindicaram a redução da jornada de trabalho de 14 para 10 horas diárias e o direito à licença maternidade. Mais tarde foi instituído o Dia Internacional da Mulher, 8 de março, em homenagem a essas mulheres.

1879 - As mulheres têm autorização do governo para estudar em instituições de ensino superior; mas as que seguiam este caminho eram criticadas pela sociedade.

1893 - Pela

primeira vez no mundo, as mulheres têm di-

reito ao voto.

1917 – A professora Deolinda Daltro, fundadora do Partido Republicano Feminino em 1910, lidera uma passeata exigindo a extensão do voto às mulheres.

1922 -

Bertha Lutz funda a Federação Brasileira para o Progresso Feminino.

1928 - Alteração da lei eleitoral dando o direito de voto às mulheres,que foram às ruas, mas seus votos foram anulados. No entanto, foi eleita a primeira prefeita da História do Brasil: Alzira Soriano de Souza, no município de Lages - RN.

1932 - Getúlio

Vargas promulga o novo Código Eleitoral, garantindo finalmente o direito de voto às mulheres brasileiras.

1937/1945 - O

Estado Novo criou o Decreto 3199 que proibia às mulheres a prática dos esportes que considerava incompatíveis com as condições femininas tais como: “luta de qualquer natureza, futebol de salão, futebol de praia, pólo, pólo aquático, halterofilismo e beisebol”.

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MUNDO NOVO E MUNDO ANTIGO

MUNDO ANTIGO E MUNDO NOVO

A MULHER DO SÉCULO XIX AO SÉCULO XXI


A igualdade de direitos entre homens e mulheres é reconhecida em documento internacional, através da Carta das Nações Unidas.

1951 -

Aprovada pela Organização Internacional do Trabalho a igualdade de remuneração entre trabalho masculino e feminino para função igual.

1962 - Em

27 de agosto foi sancionado o Estatuto da Mulher casada, que garantiu entre outras coisas que a mulher não precisava mais de autorização do marido para trabalhar, receber herança e em caso de separação ela poderia requerer a guarda dos filhos.

1975 - Ano Internacional da Mulher. 1979 - Eunice

Michilles do PSD/AM, torna-se a primeira mulher a ocupar o cargo de Senadora, por falecimento do titular da vaga.

1985 - Surge

a primeira Delegacia de Atendimento Especializado à Mulher (SP) e muitas são implantadas em outros estados brasileiros. Ainda neste ano, com a Nova República, a Câmara dos Deputados aprova o Projeto de Lei que criou o Conselho Nacional dos Direitos da Mulher.

1988 -

Através do lobby do batom, liderado por feministas e pelas 26 deputadas federais constituintes, as mulheres obtêm importantes avanços na Constituição Federal, garantindo igualdade a direitos e obrigações entre homens e mulheres perante a lei.

1993 - Ocorre

em Viena, a Conferência Mundial de Direitos Humanos. Os direitos das mulheres e a questão da violência contra elas recebem destaque, gerando assim a Declaração sobre a eliminação da violência contra a mulher.

1996 -

O Congresso Nacional inclui o sistema de cotas, na Legislação Eleitoral, obrigando os partidos a inscreverem, no mínimo, 20% de mulheres nas chapas proporcionais.

2006 -

Aprovada a Lei Maria da Penha,que aumenta o rigor nas punições das agressões contra a mulher. O Parlamento paquistanês aprova mudança na lei islâmica sobre o estupro: a lei exigia que uma mulher estuprada apresentasse como testemunhas quatro homens considerados “bons muçulmanos” ou, caso contrário, enfrentaria acusações de adultério.A nova lei tira este crime da esfera das leis religiosas e o inclui no código penal.

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MUNDO NOVO E MUNDO ANTIGO

MUNDO ANTIGO E MUNDO NOVO

1945 -


OBRAS... 1861 -

Publica a comédia Desencantos e a tradução da sátira Queda que as mulheres têm para os

tolos.

1863 -

Publica o Teatro de Machado de Assis, volume que se compõe de duas comédias, O Protocolo e O Caminho da Porta.

1864 – Publica seu primeiro livro de versos, Crisálidas. 1866 –

Publica a comédia Os deuses de casaca.

1870 -

Publica seu segundo volume de versos, Falenas, e Contos fluminenses.

1872 -

Publica seu primeiro romance, Ressurreição.

1873 -

Publica o livro de contos Histórias da meia-noite e a tradução de Higiene para uso dos mestres-escolas, do Dr. Gallard.

1874 -

De 26 de setembro a 3 de novembro, publica, em O Globo, o romance A mão e a luva, editado em livro no mesmo ano.

1875 –

Publica seu terceiro volume de versos,Americanas.

1878 -

De 1º de janeiro a 2 de março publica, em O Cruzeiro, o romance Iaiá Garcia, editado no mesmo ano. Nessa época concebe e começa a escrever Memórias póstumas de Brás Cubas.

1881 -

Publica em volume as Memórias póstumas de Brás Cubas e Tu só, tu, puro amor...

1882 -

Publica o livro de contos Papéis avulsos.

1884 -

Publica Histórias sem data.

1891 –

Publicação em volume do romance Quincas Borba.

27

OBRAS


OBRAS

1896 -

Publica Várias histórias.

1899 -

Publica Dom Casmurro e Páginas reco-

lhidas.

1901 -

Publica Poesias completas, onde aparece o seu novo e maior livro de poemas, Ocidentais.

1902 –

Publicação de Os sertões.

1904 -

Publica o romance Esaú e Jacó.

1906 -

Publica Relíquias de casa velha, que abre com o célebre soneto “A Carolina”.

1908 -

Publica seu último romance, o Memorial

de Aires.

S

ua obra foi de fundamental importância para as escolas literárias brasileiras do século XIX e do século XX e surge nos dias de hoje como de grande interesse acadêmico e público. Influenciou grandes nomes das letras, como Olavo Bilac, Lima Barreto, Drummond de Andrade, John Barth, Donald Barthelme e outros. Em seu tempo de vida, alcançou relativa fama e prestígio pelo Brasil. Hoje em dia, por sua inovação e audácia em temas precoces, é frequentemente visto como o escritor brasileiro de produção sem precedentes, de modo que, recentemente, seu nome e sua obra têm alcançado diversos críticos, estudiosos e admiradores do mundo inteiro. Machado de Assis é considerado um dos grandes gênios da história da literatura, ao lado de autores como Dante, Shakespeare e Camões.

27

OBRAS


Revista Mundo em Letras  

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