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Luis Vinhão

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F OTOG R A F I A

Sensualidade à mesa s imagens cria­das por Luis Vinhão têm o poder de nos provocar. Centradas no alimento e absolutamente sedutoras, despertam no observador o desejo de sa­bo­rear as de­lí­cias ali retratadas, atraindo o olhar e abrindo o apetite mesmo no mais estóico dos mortais. Essa sempre foi a intenção. “Minhas fotos têm de dar vontade de comer. Quan­do alguém chega e diz — nossa, que fome! —, aí sei que está tudo certo.” Para atingir esse objetivo, além de contar com a habilidade dos cozinheiros, ele apela para o minimalismo, centrando suas

lentes naquilo que real­men­te importa. Ce­ná­rios altamente produzidos estão fora do seu cardápio. A comida, tratada com a devoção de quem passou a infância na padaria do pai, é estrela única. Como num retrato, texturas e sombras são bem-​­v indas. Tudo em prol da autenticidade. Desde que descobriu a linguagem das imagens aos 17 anos, Luis faz foto de alimento. Formado em Publicidade na ESPM, deu aula na Escola Panamericana de Arte por 10 anos (onde fez o primeiro curso de fotografia), até montar seu próprio estúdio em 1995. Vendia seus ensaios em ga­le­r ias aqui e ali, mas as coisas

As fotos de Luis Vinhão têm um objetivo claro, estimular nossos sentidos. Com mais de 20 anos de dedicação à gastronomia, fotógrafo opta pelo minimalismo, valorizando a beleza dos alimentos e das preparações. Tânia Galluzzi

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começaram mesmo a andar dois anos depois, no momento em que conseguiu entrar nas agên­cias com seus retratos, still life e . . . culinária. Até os anos 2000, a fotografia publicitária ocupava todo o seu tempo. Ele decidiu então investir num outro tema que gosta muito, paisagens urbanas, aproveitando suas via­gens e enxergando oportunidade no segmento de fine art, na época ainda em­brio­ná­r io no Brasil. Quan­do a gastronomia estourou por aqui, com a profusão de programas de televisão e a valorização do ofício de cozinhar, a pegada minimalista do trabalho de Vinhão, antes vista

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com certo desdém, virou di­fe­ren­c ial. “Hoje, ­chefs e donos de restaurantes me procuram para que eu retrate a comida em si. Mesmo as capas de revistas e os editoriais estão mais limpos.” Mas nem só de pão vive o homem. A ideia de fazer um livro com imagens de cidades e sua gente continua viva, apesar de engavetada em função do trabalho co­mer­cial. A venda de fo­to­g ra­f ias para decoração mantém-​­se, reforçada recentemente com a série Imperfeitos, uma releitura do gênero natureza-​­morta. Expor suas cria­ções é outra possibilidade. Vinhão já participou de três coletivas, porém a gourmetização do mundo não tem deixado brechas em sua agenda. E o próximo projeto segue nessa linha. Ele começa a trabalhar agora em um livro que vai contar a história da gastronomia na América Latina. “Vamos aos lugares onde nasceram as receitas, fotografar os locais, costumes, paisagens e, lógico, as preparações.” A previsão é de que o livro seja publicado entre o final de 2019 e o começo de 2020.

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